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O IMPÉRIO COLONIAL PORTUGUÊS DO SÉC.

XVIII
Colónias pertencentes a Portugal

No século XVIII o Império português era constituído por:

 Na Europa: Portugal Continental, Arquipélago da Madeira e dos Açores;


 Na Ásia: pelas cidades de Damão, Diu e Goa na Índia e ainda por Macau e Timor;
 Em África: por Cabo Verde, Guiné, São Tomé e Príncipe, Angola e Moçambique
 Na América: pelo Brasil

Brasil

Neste período Portugal já não obtinha grandes lucros com o comércio do Oriente (Índia) devido à
concorrência com ingleses, franceses e holandeses, por isso interessou-se mais em explorar o
Brasil.

O tempo quente e húmido permitiu cultivar grandes quantidades de cana-de-açúcar que depois
era trabalhada nos engenhos para ser transformada em açúcar.

Engenhos eram grandes propriedades com campos de plantação de cana, oficinas para fabricar
o açúcar (moem a cana de açúcar e transformam-na em açúcar) e a casa do senhor. Também se
incluía a zona de habitação dos escravos, a sanzala.

Além do açúcar, o Brasil passou a ser bastante importante por causa da descoberta de ouro e de
pedras preciosas.

Bandeirantes: grupo pessoas que foram para o interior do Brasil à procura de ouro, pedras
preciosas e de índios para escravizar. Fundaram cidades e povoações o que permitiu alargar as
fronteiras do Brasil para além da linha de Tordesilhas.

Comércio triangular

Neste período desenvolveu-se o comércio entre três continentes: Europa, América e África.

Movimentos da população

Da metrópole (Portugal):

 Milhares de colonos partiram para o Brasil em busca de melhores condições de vida;


 Missionários também partiram para o Brasil com a missão de expandir a fé católica.
De África:

 Milhares de escravos foram levados para o Brasil para trabalhar nas plantações de cana-
de-açúcar, nos engenhos e na exploração do ouro. Eram transportados em navios
negreiros em condições desumanas.

No Brasil:

 Os bandeirantes deslocaram-se para o interior do Brasil à procura de ouro, pedras


preciosas e de índios para os escravizar;
 Os missionários também foram para o interior para evangelizar os índios brasileiros e
para os proteger da escravatura.
A SOCIEDADE PORTUGUESA NO TEMPO DE D. JOÃO V
Governo de D. João V

A descoberta de ouro e de pedras preciosas desenvolveu o comércio triangular que trouxe


grandes riquezas a Portugal. D. João V tornou-se num dos reis mais ricos da Europa e
concentrou em si todos os poderes passando a governar como um rei absoluto.

Monarquia absoluta: regime em que o rei concentra em si todos os poderes.

Poderes do rei:

 Legislativo: fazia as leis


 Executivo: fazia cumprir as leis
 Judicial: julgava quem não cumpria as leis

A vida da corte

 Vivia em luxo e ostentação


 Realizavam-se bailes, teatros, concertos, banquetes e cortejos para mostrar a sua riqueza

A nobreza

 Tentava imitar a corte no vestuário, na habitação e nos divertimentos.

O clero

 Dedicava-se ao ensino, à assistências aos pobres e doentes


 Construiu igrejas e conventos e adornou outras
 Tinha um grande poder e criou o Tribunal de Inquisição que perseguia e condenava à
morte quem estivesse contra a Igreja Católica, quem praticasse outra religião ou quem
fosse suspeito

Cristãos-novos: nome dado a quem aceitava converter-se à religião católica. No entanto, muitos
foram perseguidos e condenados à morte por suspeita de praticarem outras religiões em segredo.

Autos de fé: cerimónias públicas onde os condenados eram torturados e queimados vivos.

A burguesia

 Dedicava-se ao comércio interno e com o Brasil e, tentou imitar o modo de vida da nobreza
 Estes burgueses conviviam em clubes e cafés com artistas, escritores e políticos

Povo

 Continuava a viver em grandes dificuldades


Grandes construções

Parte das riquezas obtidas com o ouro brasileiro foi gasta na construção de grandes palácios e
conventos.

Por iniciativa régia (do rei):

 Aqueduto das Águas Livres


 Palácio e Convento de Mafra
 Capela de S. Batista

Por iniciativa da nobreza:

 Solar de Mateus
 Palácio dos Condes de Anadia
 Palácio do Freixo

Por iniciativa do clero:

 Torre dos Clérigos

Estilo Barroco

O estilo que caracterizava estas construções era o Barroco.

Características do estilo barroco:

 Grandiosidade
 Revestimento em talha dourada, azulejo e mármore
 Decoração abundante com curvas
 Abundância de estátuas
Lisboa Pombalina
Governo de D. José I

Em 1750, D. José I sobe ao trono e nomeia Sebastião José de Carvalho e Melo, futuro Marquês
de Pombal, como ministro.

Terramoto de 1755

Lisboa ficou praticamente destruída após o terramoto de 1755:

 Morreram cerca de 10 000 pessoas


 Grande maior parte dos edificios ficaram em ruínas
 Perderam-se muitos tesouros como livros, manuscritos, quadros e objetos de ouro e de
prata

Ação do Marquês de Pombal após o terramoto

 Mandou enterrar os mortos e socorrer os feridos


 Mandou policiar as ruas e os edifícios mais importantes para evitar roubos
 Encarregou o engenheiro Manuel da Maia e o arquiteto Eugénio dos Santos elaborar um
plano de reconstrução da baixa de Lisboa

Características da nova Lisboa

A baixa de Lisboa é conhecida por baixa pombalina porque o responsável pela sua reconstrução
após o terramoto foi o Marquês de Pombal. Esta reconstrução caracterizou-se por várias
inovações:

 Ruas largas e prependiculares


 Passeios calcetados
 Traçado geométrico
 Prédios da mesma altura com fachadas iguais e com um sistema de madeira anti sísmico
 Esgotos

O Terreiro do Paço deu lugar à Praça do Comércio em homenagem aos burgueses que
contribuíram com dinheiro para a reconstrução de Lisboa.

Situação de Portugal neste período

O reino português encontrava-se em crise:


 O comércio enfrentou uma grande concorrência estrangeira que impediu o seu
crescimento
 A agricultura e a indústria não produziam o suficiente, portanto Portugal tinha que comprar
quase tudo ao estrangeiro
 Chegava cada vez menos ouro do Brasil, por isso deixou de haver dinheiro para importar
tantos produtos
 O terramoto de 1755 veio agravar ainda mais a situação do país

Reformas pombalinas

Para resolver a grave situação que enfrentava Portugal, Marquês de Pombal decidiu fazer várias
reformas:

 Reformas económicas:
o Desenvolveu a indústria apoiando fábricas antigas e criando novas
o Criou companhias de comércio

 Reformas políticas e sociais


o Perseguiu e retirou poder à Nobreza (retirou cargos e riquezas e reprimiu quem se
lhe opusesse)
o Diminuiu o poder do Clero, expulsando os Jesuítas
o Protegeu a Burguesia
o Extinguiu a escravatura no reino (embora continuasse a existir nas colónias
portuguesas)

 Reformas no ensino
o Criou escolas primárias
o Reformou a Universidade de Coimbra
o Extinguiu a Universidade de Évora que era controlada pelos Jesuítas

Marquês de Pombal utilizou a Burguesia como motor de desenvolvimento económico do país, e


retirou poder às classes privilegiadas, ou seja, ao Clero e à Nobreza.

Todas estas medidas, a nível social, político, económico e do ensino, contribuíram para a
modernização do país.
AS INVASÕES NAPOLEÓNICAS
Revolução Francesa

Em 1789 aconteceu a Revolução Francesa que pôs fim à Monarquia Absoluta em França. Esta
revolução tinha como princípios a igualdade, a liberdade e a separação dos poderes
(liberalismo).

Os reis europeus absolutistas sentiram-se ameaçados com estas ideias liberais, uniram-se e
declararam guerra à França.

Napoleão Bonaparte estava à frente do governo francês e conseguiu derrotar os seus opositores
e passou a dominar grande parte da Europa, com exceção da Inglaterra. Para os enfraquecer,
ordenou que todos os portos europeus não permitissem a entrada de navios ingleses – Bloqueio
Continental.

Fuga da família real portuguesa para o Brasil

Neste período Portugal tinha uma rainha, D. Maria I, viúva e doente. Por isso, o reino era
governado pelo seu filho, o príncipe João.

Portugal, como era um velho aliado da Inglaterra e não queria perder o comércio com os ingleses,
demorou a aderir ao bloqueio continental imposto por Napoleão Bonaparte.

Quando o príncipe regente decidiu aderir ao bloqueio continental, já a França e a Espanha, sua
aliada, tinham decidido invadir Portugal.

A família real, com medo de ser presa pelas tropas francesas, parte para o Brasil em 1807, e é
criada uma Junta de Regência para governar Portugal.

1ª Invasão francesa (1808)

Comandante: Junot

Instalou-se em Lisboa, mandou substituir a bandeira portuguesa pela francesa no castelo de S.


Jorge, acabou com a Junta de Regência e passou ele a governar Portugal.

Durante a invasão francesa destruíram-se culturas, mataram-se pessoas e foi roubado tudo o que
tivesse valor.

Reação portuguesa:

Foram criados movimentos de resistência pelos populares e foi pedido auxílio aos ingleses. O
exército anglo-português venceu os franceses nas batalhas da Roliça e do Vimeiro e Junot
assinou a Convenção de Sintra e abandonou Portugal.
2ª Invasão francesa (1809)

Comandante: Soult

Entrou por Trás-os-Montes, chegou ao Porto mas encontrou uma forte resistência e refugiou-se
na Galiza.

3ª Invasão francesa (1810)

Comandante: Massena

O seu exército perdeu muitos soldados na batalha do Buçaco mas tentou na mesma a todo o
custo chegar a Lisboa. No entanto, ficou retido na linha defensiva de Torres Vedras, que era
um conjunto de fortificações e canhões criados pelos ingleses para proteger a cidade de Lisboa.

Massena foi obrigado a desistir e a retirar-se definitivamente.


Situação do reino português após as invasões francesas
A população encontrava-se bastante descontente:

 A família real continuava no Brasil e sem intenções de voltar


 O reino encontrava-se pobre e desorganizado
 Os ingleses não saíram de Portugal e controlavam o comércio feito com o Brasil,
prejudicando assim os comerciantes portugueses

Grande parte da população, sobretudo o povo e a burguesia, começou a defender as ideias


liberais vindas de França.

Revolução liberal de 1820


Em 1818 foi fundada no Porto uma sociedade secreta chamada Sinédrio que tinha como objetivo
preparar uma revolução para expulsar os ingleses e ordenar o regresso do rei que estava no
Brasil.

Em 1820 iniciou-se a Revolução Liberal, no Porto, que depois se espalhou por todo o país e em
Lisboa.

Monarquia Liberal
Portugal passou a ter uma monarquia liberal. Foram criadas as Cortes Constituintes que tiveram
a função de criar a Constituição de 1822, onde estavam definidos os direitos e deveres dos
cidadãos. Nesta Constituição estava definido que todos os cidadãos eram iguais perante a lei e
estava estabelecida a separação de poderes.

Independência do Brasil
O rei D. João VI regressou a Portugal, ficando o seu filho D. Pedro na regência do Brasil. Durante
a permanência do rei o Brasil teve um grande desenvolvimento e os portos foram abertos aos
comerciantes estrangeiros o que favoreceu a burguesia brasileira. Estes apoiaram D. Pedro que
declarou a independência do Brasil em 1822.
A LUTA ENTRE LIBERAIS E ABSOLUTISTAS

Guerra Civil
Quando D. João VI morre, D. Pedro sucede-lhe mas abdica do trono para ficar no Brasil. Passa a
coroa para a sua filha Maria da Glória mas, como tinha apenas 7 anos, fica como regente o seu
irmão D. Miguel.

D. Miguel prometeu governar segundo um regime liberal mas em 1828 dissolveu as cortes e
passou a governar como rei absoluto com o apoio da nobreza e do clero e perseguiu os liberais.

Em 1831, D. Pedro abdicou do trono brasileiro e rumou à Europa, instalando-se com exilados
liberais na Ilha Terceira, nos Açores.

Em 1832 desembarcou com as suas tropas numa praia próxima do Porto e avançou sobre a
cidade, sem encontrar resistência.

Assistimos assim a uma Guerra Civil em Portugal (de um lado os Absolutistas, liderados por D.
Miguel e do outro lado os Liberais, liderados por D. Pedro).

Só depois de várias derrotas é que D. Miguel assinou a paz através da Convenção de Évora
Monte em 1834.

O Liberalismo saiu vitorioso e implantou-se definitivamente no nosso país.


Portugal na segunda metade do século XIX

O ESPAÇO PORTUGUÊS
Regeneração

No início da segunda metade do séc. XIX, o Reino de Portugal encontrava-se pobre e


desorganizado, principalmente devido a três acontecimentos:

 Invasões napoleónicas
 Guerra civil entre liberais e absolutistas
 Independência do Brasil

As principais atividades económicas (agricultura, criação de gado, extração mineira)


encontravam-se bastante atrasadas, por isso Portugal tinha que importar vários produtos de
outros países europeus com maior desenvolvimento. Era importante nesta altura desenvolver
estas atividades económicas para tirar o Reino desta crise.

A 1851 iniciou-se o movimento de Regeneração. Este movimento procurava o “renascer” da vida


nacional, pois queria um novo rumo para Portugal, que se encontrava muito atrasado e pouco
desenvolvido.

Durante o período da Regeneração, várias medidas foram tomadas para desenvolver as


atividades económicas, o que permitiram a modernização e o progresso do país.

Este período de desenvolvimento apenas foi possível devido à:

 existência de paz no Reino


 estabilidade política após o triunfo do liberalismo

Desenvolvimento da agricultura

Para aumentar a produção de alimentos, os governos liberais tomaram várias medidas para o
desenvolvimento da agricultura e para o aumento da área cultivada.

Medidas para aumento da área cultivada:

 extinção do direito do morgadio, ou seja, do direito do filho herdar todas as terras da família. As
terras passaram a ser divididas por todos os filhos para assegurar uma melhor exploração das
terras
 entrega de terras pertencentes a nobres e clérigos a burgueses
 entrega de baldios (terras incultas) aos camponeses

Novas técnicas:

 utilização de adubos químicos


 utilização de semementes selecionadas
 alternância de culturas, que pôs fim ao pousio. Desta forma as terras não precisavam de estar um
período de tempo sem estarem cultivadas
 introdução das máquinas agrícolas, inclusive a debulhadora mecânica a vapor

Novas culturas:

 batata
 arroz

Desenvolvimento da indústria

A introdução da máquina a vapor na indústria contribuiu de forma significativa para o seu


desenvolvimento. Esta inovação permitiu aumentar a produção em menos tempo, o que
possibilitou o aumento de lucros.

A produção artesanal foi assim começando a dar lugar à produção industrial por ser mais
lucrativa.

Principais diferenças entre produção artesanal e produção industrial:

Produção artesanal Produção industrial


Artesãos Operários
Oficinas Fábricas
Ferramentas simples Máquinas
Muito tempo de produção Pouco tempo de produção
Pouca produção Muita produção
Produtos únicos Produtos em série
Produtos mais caros Produtos mais baratos
Menor lucro Maior lucro

A maior parte das fábricas instauraram-se nas zonas do litoral, principalmente na zona de
Porto/Guimarães (indústria têxtil e calçado) e na zona de Lisboa/Setúbal (indústria química e
metalúrgica)

Exploração mineira

Com o desenvolvimento da indústria tornou-se necessário desenvolver a exploração mineira por


se precisar de matérias-primas e combustíveis. Os metais mais procurados eram o cobre e o
ferro. O carvão também foi muito procurado porque nessa época era a principal fonte de energia.
Alteração da paisagem

O aumento dos campos de cultivo e o aumento do número de fábricas e de minas provocaram


uma profunda alteração das paisagens. Nas cidades predominavam as chaminés muito altas que
enchiam o céu de fumos e maus cheiros.

O fontismo

Para promover o desenvolvimento da agricultura, do comércio e da indústria, era necessário a


construção de uma boa rede de transportes e de comunicações. Com esse fim, em 1852, foi
criado o Ministério das Obras Públicas, dirigido por Fontes Pereira de Melo. Esta política de
construção de obras públicas (estradas, pontes, portos, caminhos-de-ferro, ligações teleféricas,
etc…) ficou conhecida por fontismo, devido ao nome do seu principal impulsionador.

Surgiram novos meios de transporte e de comunicação, o que permitiu uma maior mobilidade de
pessoas, maior circulação de ideias e informações e a deslocação de mais mercadorias em
menos tempo.

Desenvolvimento dos meios de transporte e vias de comunicação

Caminhos-de-ferro

A rede de caminhos-de-ferro cresceu de forma muito rápida e ao longo da sua extensão


construíram-se várias pontes, túneis e estações.

Em 1856 realizou-se a primeira viagem de comboio, entre Lisboa e Carregado.

Em 1887 inaugurou-se a ligação direta Lisboa-Madrid-Paris. Portugal ficou assim mais próximo do
centro da Europa.

Rede de estradas

Iniciou-se também a renovação e construção de novas estradas em todo o país. De forma a


facilitar a circulação também se construíram várias pontes.

A partir de 1855 começou a circular na estrada Lisboa-Porto a mala-posta, uma carruagem que
transportava o correio e algumas pessoas.

No final do século XIX surgiram os primeiros automóveis.

Portos marítimos e faróis

Para tornar mais segura a navegação costeira construíram-se vários faróis e melhoraram-se os
portos marítimos.
Surgiram nesta época os barcos movidos a vapor, primeiro no Rio Tejo, depois na ligação entre
Lisboa e Porto e, mais tarde ainda, na ligação aos Açores e Madeira.

Desenvolvimento das comunicações

Os correios foram remodelados, surgindo o primeiro selo-adesivo, o bilhete-postal e os


primeiros marcos de correio.

Surgiu também o telégrafo e mais tarde o telefone.

Modernização do ensino

O país encontrava-se em modernização, por isso também era necessário que a população se
tornasse mais instruída e competente para realizar as mudanças pretendidas. Tomaram-se então
várias medidas no ensino:

 Ensino primário:
o Criaram-se novas escola primárias
o Tornou-se obrigatória a frequência nos primeiros 3 anos, com mais um de voluntariado
o Ensino liceal:
 Criaram-se novos liceus em todas as capitais de distrito e dois em Lisboa
 Fundaram-se escolas industriais, comerciais e agrícolas
 Ensino universitário:
 Criaram-se novas escolas ligadas à Marinha, às Artes, às Técnicas e ao
Teatro

Direitos Humanos

Também foram tomadas importantes medidas relacionadas com os Direitos Humanos:

 Abolição da pena de morte para crimes políticos (1852)


 Abolição da pena de morte para crimes civis (1867)
 Extinção da escravatura em todos os territórios portugueses (1869)

Os movimentos da população

Contagem da população

Para dar melhor resposta às necessidades da população, tornou-se necessário saber o número
de habitantes do país, e onde se concentravam com maior quantidade.

Já se tinham realizadas contagens da população, mas eram pouco exatas pois tinham como base
a contagem de habitações e não de pessoas. A estas contagens dá-se o nome de
numeramentos.
A primeira contagem rigorosa do número de habitantes do país realizou-se em 1864, ou seja, foi
quando se realizou o primeiro recenseamento. Em boletins próprios os habitantes tinham que
colocar o nome, o sexo, a idade, o estado civil e a profissão. A partir dessa data realizam-se
recenceamentos, ou censos, de 10 em 10 anos.

Crescimento demográfico

Através dos recenseamentos verificou-se o aumento de população desde que se fez o primeiro
censo. De 1864 até 1900 a população passou de cerca de 4 milhões de habitantes para 5
milhões.

Este facto justifica-se pela mehoria de condições de vida da população:

 Período de paz e estabilidade política e social


 Melhoria da alimentação, com o aumento do consumo da batata e do milho
 Melhoria das condições de higiene, com a construção de esgotos, distribuição de água através
da canalização e calcetamento das ruas
 Melhoria da assistência médica e hospitalar, com o aparecimento de novos medicamentos,
divulgação de algumas vacinas e construção de hospitais

Distribuição da população

Verificou-se também que o crescimento populacional não ocorreu de igual forma por todo o
território. O aumento de população foi maior no norte litoral, onde se encontravam os solos mais
férteis, maior quantidade de portos de pesca e unidades industriais.

Entretanto, em todas cidades verificou-se aumento de população, principalmente as do litoral.

Êxodo Rural

Apesar do desenvolvimento da agricultura, a produção continuava a ser pouca. A mecanização


originou despedimentos e as dificuldades no meio rural intensificaram-se. Sendo assim, muitas
pessoas decidiram abandonar os campos para ir para as cidades à procura de melhores
condições de vida. A este fenómeno dá-se o nome de Êxodo Rural.

Emigração

Entretanto, devido ao aumento da população, não havia postos de emprego para todos nas
cidades. Muitos dos trabalhos eram mal pagos apesar de se trabalhar duramente muitas horas
diárias.

Sendo assim, muitas pessoas decidiram procurar melhores condições de vida no estrangeiro,
sobretudo para o Brasil, pois falava-se a mesma língua e porque havia necessidade de mão-de-
obra devido à extinção da escravatura. Muitos emigrantes enriqueceram e ao regressar a
Portugal compraram terras, palacetes e vestiam-se luxuosamente. Eram chamados os
«brasileiros».

Além do Brasil, foram destinos dos portugueses países da América Central e os Estados Unidos
da América.

A VIDA QUOTIDIANA
No campo

Atividades económicas:

As principais atividades do meio rural na segunda metade do século XIX continuavam a ser a
agricultura, a criação de gado e a pesca nas zonas do litoral.

Na sua maioria,os camponeses não eram donos das terras em que trabalhavam. As terras
pertenciam sobretudo à antiga nobreza, proprietários burgueses e a alguns lavradores mais
abastados.

O trabalho no campo era muito duro e os rendimentos eram poucos, por isso, os camponeses
viviam muito pobremente.

Com a introdução da máquina na agricultura, aumentou-se o desemprego por já não ser precisa
tanta mão-de-obra, dificultando ainda mais a vida dos homens do campo.

Alimentação:

Os camponeses alimentavam-se sobretudo do que cultivavam. Dos produtos que mais


consumiam destacam-se a batata, pão de centeio ou de milho, sopas de legumas e
sardinhas. A carne, mais cara e de difícil conservação, era apenas consumida em dias de festa.

Vestuário:

O vestuário dos camponeses variava de região para região, de acordo com o clima e com as
atividades predominantes.

No interior, era frequente os homens usarem calças compridas, coletes ou jaquetas, e calçavam
botas ou tamancos de madeira. As mulheres vestiam saias compridas e usavam lenços coloridos
na cabeça.

No litoral, os homens usavam calças curtas ou arregaçadas e geralmente andavam descalços, tal
como as mulheres que vestiam saias mais curtas do que as do interior, devido às suas atividades
relacionadas com o mar.
Divertimentos:

Os divertimentos das pessoas do campo estavam associados sobretudo às atividades do campo


(vindimas e desfolhadas) e à religião (feiras, romarias e festas religiosas).

Nas grandes cidades

Atividades económicas:

A modernização do país influenciou mais a vida quotidiana das pessoas que viviam nas cidades.

O grupo social dominante era a burguesia, constituído por comerciantes, banqueiros,


industriais, médicos, advogados, professores, oficiais do exército e funcionários públicos.

No entanto, a maior parte da população pertencia a grupos de menores recursos. As pessoas do


povo trabalhavam sobretudo como vendedores ambulantes, empregados de balcão ou
criados nas casas de pessoas ricas.

Com o desenvolvimento da indústria, formou-se um novo grupo social: o operariado. Os


operários eram homens, mulheres e até crianças, que trabalhavam duramente nas fábricas
muitas horas a troco de pouco dinheiro. Em caso de acidente, não tinham qualquer proteção.
Eram despedidos sem qualquer indemnização.

Alimentação:

A burguesia e a nobreza tinham uma alimentação abundante e variada. Faziam quatro refeições
por dia: pequeno-almoço, almoço, jantar e ceia. Comiam carne, peixe, legumes, cereais, frutas
e doces. Surgiram neste período vários restaurantes que trouxeram do estrangeiro novas
receitas, como o pudim, a omelete, o puré, o bife e o soufflé.

As pessoas das classes menos privilegiadas alimentavam-se sobretudo de pão, legumes,


toucinho e sardinhas.

Vestuário:

As pessoas mais ricas das cidades vestiam-se de acordo com a moda francesa. As mulheres
vestiam saias até ao chão com roda, com uma armação de lâminas de aço e batanas – a
crinolina. Passou também a usar a tournoure, uma espécie de almofada sobre os rins que
levantava a saia atrás. Os homens vestiam calças, camisa, colete, casaca e chapéu.

As pessoas mais pobres vestiam roupas bastante simples, adaptadas às tarefas que
desempenhavam.
Divertimentos:

Os nobres e os burgueses frequentavam os grandes jardins onde passeavam, conversavam e


ouviam a música tocada nos coretos. Reuniam-se também nos cafés e clubes, jantares, festas e
bailes, iam à ópera, ao teatro e ao circo.

Os divertimentos dos populares era semelhante aos do campo: feiras, festas religiosas e passeios
ao campo domingo à tarde.
A VIDA QUOTIDIANA
No campo

Atividades económicas:

As principais atividades do meio rural na segunda metade do século XIX continuavam a ser a
agricultura, a criação de gado e a pesca nas zonas do litoral.

Na sua maioria,os camponeses não eram donos das terras em que trabalhavam. As terras
pertenciam sobretudo à antiga nobreza, proprietários burgueses e a alguns lavradores mais
abastados.

O trabalho no campo era muito duro e os rendimentos eram poucos, por isso, os camponeses
viviam muito pobremente.

Com a introdução da máquina na agricultura, aumentou-se o desemprego por já não ser precisa
tanta mão-de-obra, dificultando ainda mais a vida dos homens do campo.

Alimentação:

Os camponeses alimentavam-se sobretudo do que cultivavam. Dos produtos que mais


consumiam destacam-se a batata, pão de centeio ou de milho, sopas de legumas e
sardinhas. A carne, mais cara e de difícil conservação, era apenas consumida em dias de festa.

Vestuário:

O vestuário dos camponeses variava de região para região, de acordo com o clima e com as
atividades predominantes.

No interior, era frequente os homens usarem calças compridas, coletes ou jaquetas, e calçavam
botas ou tamancos de madeira. As mulheres vestiam saias compridas e usavam lenços coloridos
na cabeça.

No litoral, os homens usavam calças curtas ou arregaçadas e geralmente andavam descalços, tal
como as mulheres que vestiam saias mais curtas do que as do interior, devido às suas atividades
relacionadas com o mar.

Divertimentos:

Os divertimentos das pessoas do campo estavam associados sobretudo às atividades do campo


(vindimas e desfolhadas) e à religião (feiras, romarias e festas religiosas).
Nas grandes cidades

Atividades económicas:

A modernização do país influenciou mais a vida quotidiana das pessoas que viviam nas cidades.

O grupo social dominante era a burguesia, constituído por comerciantes, banqueiros,


industriais, médicos, advogados, professores, oficiais do exército e funcionários públicos.

No entanto, a maior parte da população pertencia a grupos de menores recursos. As pessoas do


povo trabalhavam sobretudo como vendedores ambulantes, empregados de balcão ou
criados nas casas de pessoas ricas.

Com o desenvolvimento da indústria, formou-se um novo grupo social: o operariado. Os


operários eram homens, mulheres e até crianças, que trabalhavam duramente nas fábricas
muitas horas a troco de pouco dinheiro. Em caso de acidente, não tinham qualquer proteção.
Eram despedidos sem qualquer indemnização.

Alimentação:

A burguesia e a nobreza tinham uma alimentação abundante e variada. Faziam quatro refeições
por dia: pequeno-almoço, almoço, jantar e ceia. Comiam carne, peixe, legumes, cereais, frutas
e doces. Surgiram neste período vários restaurantes que trouxeram do estrangeiro novas
receitas, como o pudim, a omelete, o puré, o bife e o soufflé.

As pessoas das classes menos privilegiadas alimentavam-se sobretudo de pão, legumes,


toucinho e sardinhas.

Vestuário:

As pessoas mais ricas das cidades vestiam-se de acordo com a moda francesa. As mulheres
vestiam saias até ao chão com roda, com uma armação de lâminas de aço e batanas – a
crinolina. Passou também a usar a tournoure, uma espécie de almofada sobre os rins que
levantava a saia atrás. Os homens vestiam calças, camisa, colete, casaca e chapéu.

As pessoas mais pobres vestiam roupas bastante simples, adaptadas às tarefas que
desempenhavam.

Divertimentos:

Os nobres e os burgueses frequentavam os grandes jardins onde passeavam, conversavam e


ouviam a música tocada nos coretos. Reuniam-se também nos cafés e clubes, jantares, festas e
bailes, iam à ópera, ao teatro e ao circo.
Os divertimentos dos populares eram semelhantes aos do campo: feiras, festas religiosas e
passeios ao campo domingo à tarde.

A AÇÃO MILITAR NO 5 DE OUTUBRO E A QUEDA DA


MONARQUIA
Formação do Partido Republicano

Descontentamento da população no fim do século XIX

A população, no fim do século XIX encontrava-se bastante descontente:

 Os camponeses e os operários continuavam a viver com grandes dificuldades enquanto que a alta
burguesia recebia cada vez mais lucros.
 O rei e a família real eram acusados de gastar mal o dinheiro, o que contribuiu para o
endividamento do reino.

Partido Republicano (1876)

Formou-se nesta altura o Partido Republicano que pretendia acabar com a monarquia para
passar a haver uma república, ou seja, deixaria de haver reis para haver presidentes eleitos por
um determinado tempo.

Os republicanos acreditavam que desta forma conseguiria-se modernizar o país e melhorar as


condições de vida dos mais pobres.

Disputa pelos territórios africanos

Conferência de Berlim (1884-1885)

Vários países europeus, como a Grã-Bretanha, a Alemanha e a França, entraram em conflitos por
causa dos territórios africanos pois possuíam muitas riquezas.

Para resolver estes conflitos realizou-se a Conferência de Berlim onde ficou estabelecido que os
territórios seriam partilhados de acordo com a sua ocupação efetiva, ou seja, de acordo com
quem tivesse meios para os ocupar, sem interessar quem os descobriu.

Ultimato inglês

Portugal apresentou o Mapa Cor-de Rosa na tentativa de ocupar os territórios entre Angola a
Moçambique.

Grã-Bretanha não aceitou porque queria os mesmos territórios para ligar Cabo a Cairo, e então
fez um ultimato a Portugal para abandonar aqueles territórios.
O governo português cedeu ao ultimato, o que agravou o descontentamento da população.
Muitas pessoas passaram a apoiar o Partido Republicano pois pretendiam um governo forte.

Revoltas republicanas

31 de Janeiro de 1891 – Revolta republicana

A cedência perante o Ultimato inglês foi considerado um ato de traição à pátria. Os republicanos
aproveitaram ainda para acusar o rei de gastar mal o dinheiro e deixar o país cheio de dívidas, e
culpou-o também pela miséria dos mais pobres.

Dia 31 de Janeiro de 1891 surgiu uma revolta na tentativa de acabar com a monarquia mas não
foi bem sucedida. No entanto, mostrou o crescimento do Partido Republicano.

1 de Fevereiro de 1908 – Regícidio

O rei D. Carlos I foi morto a tiro quando passava de carruagem pelo Terreiro do Paço em Lisboa.
Com ele morreu o herdeiro do trono D. Luis Filipe. Ficou a governar o seu irmão D. Manuel II. Foi
mais um ato para tentar acabar com a monarquia.

5 de Outubro de 1910 – Queda da Monarquia e implantação da República

Na madrugada de 4 de Outubro de 1910 iniciou-se a revolução republicana. Os militares


republicanos (membros do exército e da marinha) e os populares pegaram em armas e
concentraram-se na Rotunda, atual praça Marquês de Pombal.

As tropas fiéis ao rei eram em maior número mas mesmo assim não conseguiram acabar com a
revolta e na manhã de 5 de Outubro de 1910 foi proclamada a República, acabando assim com a
Monarquia.
A I REPÚBLICA
Primeiras medidas republicanas

Formação de um Governo Provisório

Após a proclamação da República foi criado um Governo Provisório, presidido por Teófilo
Braga, que tomou as seguintes medidas:

 adotou-se uma nova bandeira;


 o hino nacional passou a ser “A Portuguesa”;
 a moeda passou a ser o escudo em vez do real.

Simbologia da nova bandeira:

 Esfera armilar: representa o mundo que os navegadores portugueses decobriram;


 Escudetes azuis: representam a bravura dos que lutaram pela independência;
 Castelos: representam a independência garantida por D. Afonso Henriques;
 Verde: cor da esperança;
 Vermelho: cor da coragem e do sangue derramado pelos portugueses mortos em combate.

A Constituição republicana

Assembleia Constituinte

Depois de criado o Governo Provisório fizeram-se eleições para formar a Assembleia


Constituinte que tinha como função elaborar a nova constituição – a Constituição de 1911.

Nesta constituição ficou estabelecido que:

 o chefe de estado de Portugal passa a ser um Presidente da República em vez de um rei;


 é eleito por um período de 4 anos;
 tem o poder de escolher o governo;
 o congresso tem o poder de eleger e demitir o Presidente da República.

Divisão de poderes

 Poder legislativo: pertence ao Congresso ou Parlamento – deputados.


 Poder executivo: pertence ao Presidente da República e o seu governo – presidente e ministros.
 Poder judicial: pertence aos Tribunais – juízes

Principais medidas

Na Educação

 criação dos primeiros jardins-escola para crianças dos 4 aos 7 anos;


 ensino obrigatório e gratuito dos 7 aos 10 anos;
 criação de escolas primárias, de um liceu em Lisboa (liceu Passos de Manuel) e de universidades
(de Lisboa e do Porto);
 criação de escolas para formação de professores;
 criação de bibliotecas.

O principal objetivo destas medidas era acabar com o analfabetismo.

No Trabalho

 direito à greve;
 direito a oito horas de trabalho e a um dia semanal de descanso;
 criação de um seguro obrigatório para doença, velhice e acidentes de trabalho.

Sindicato: associação de trabalhadores de uma mesma profissão que defendia os direitos dos
trabalhadores.

Greve: forma de luta mais utilizada pelos trabalhadores em que se recussavam a trabalhar para
que o Governo e os patrões cedessem às suas reinvidicações.

CGT: Confederação Geral do Trabalho – união de vários sindicatos.

UON: União Operária Nacional

Dificuldades da I República

No entanto, a 1ª República atravessou vários problemas que fez crescer o descontentamento da


população.

Participação de Portugal na I Guerra Mundial

A Inglaterra e a França entrou em guerra com a Alemanha por causa dos territórios africanos.
Depois, vários outros países europeus entraram na guerra, bem como países de outros
continentes, por isso diz-se que foi uma Guerra Mundial.

A Inglaterra pediu a Portugal que apreendesse os navios alemães refugiados nos portos
portugueses. A Alemanha, em resposta, declarou guerra a Portugal e tentou ocupar os territórios
portugueses em Angola e Moçambique.

A guerra terminou com a vitória dos ingleses, franceses e os seus aliados, e assim Portugal
conseguiu manter as suas colónias. No entanto, as despesas militares durante a guerra

contribuíram para um maior endividamento do reino.


Subida de preços e aumento de impostos

Os preços dos produtos aumentaram enquanto os salários não acompanharam essa subida.

As despesas do reino eram superiores às receitas. Os governos republicanos recorreram a


empréstimos ao estrangeiro e para os pagar aumentaram-se os impostos.

Tudo isto fez com que se tornassem frequentes as greves, revoltas e assaltos a armazéns de
comida.

Instabilidade política

Os governos mudavam frequentemente e os presidentes ou se demitiam ou eram demitidos. Só


entre 1910 e 1926 houve 8 presidentes e 45 governos.
O GOLPE MILITAR EM 28 DE MAIO
Crise em Portugal durante a I República

 Crise social:
o subida dos preços
o redução do poder de compra
o greves e manifestações
o atentados à bomba
 Crise financeira:
o despesas superiores às receitas
o crescimento da dívida externa
 Crise política:
o mudanças sucessivas de governo – instabilidade política

Golpe militar de 28 de Maio de 1926

A 28 de Maio de 1926, o general Gomes da Costa chefiou uma revolta militar que teve início em
Braga e extendeu-se até Lisboa. Por todo o país os militares foram aderindo a este movimento. O
Presidente da República, Bernardino Machado, demitiu-se e entregou o poder aos revoltosos.

Principais medidas durante a Ditadura militar

Foram tomadas várias medidas que colocaram fim à democracia da I República:

 o Parlamento foi encerrado;


 o governo passou a ser escolhido pelos militares, sem eleições;
 os militares possuíam o poder legislativo e executivo;
 a imprensa passou a ser censurada;
 as greves e as manifestações foram proíbidas.

Portugal foi governado neste período segundo uma ditadura, ou seja, segundo um governo
autoritário, não democrático, que não respeitava as liberdades e direitos dos cidadãos.

Apesar destas medidas a ditadura não veio reolver os problemas existentes em Portugal:

 os militares não se entendiam e as mudanças sucessivas de governo continuaram;


 as despesas continuavam superiores às despesas;
 continuou o recurso aos empréstimos ao estrangeiro, aumentanto a dívida externa.
SALAZAR E O ESTADO NOVO
Ascensão política de Salazar

Em 1928 António de Oliveira Salazar foi nomeado ministro das Finanças e conseguiu
equilibrar as contas públicas aumentando as receitas, através do aumento dos impostos, e
diminuindo as despesas do estado, através da redução de gastos com a Educação, Saúde e com
os salários dos funcionários públicos.

Em 1932, Salazar foi nomeado Presidente do Conselho de Ministros, ou seja, passou a ser o
chefe do Governo.

Constituição de 1933

Em 1933 foi aprovada uma nova constituição em que os direitos e liberdades dos cidadãos eram
reconhecidos e ficou estabelecido que o Presidente da República e os deputados seriam eleitos
pelos cidadãos.

No entanto, as eleições não eram verdadeiramente livres e os direitos e liberdades dos cidadãos
nem sempre foram respeitados por Salazar. Foi constituído novamente o Parlamento que apenas
servia para aprovar as leis impostas pelo governo.

Política de obras públicas

Durante o Estado Novo construíram-se estradas, barragens, hospitais e edifícios públicos. Esta
política permitiu a modernização do país e combateu o desemprego junto das áreas urbanas.
Salazar aproveitou também esta política de obras públicas para engrandecer o seu trabalho à
frente do país e assim fazer propaganda.

Receitas do turismo e da emigração

Desenvolveu-se o turismo, o que permitiu a entrada de mais receitas para o Estado.

Apesar do desenvolvimento do país, muitas pessoas continuavam a viver em grandes


dificuldades e decidiram emigrar. O dinheiro enviado para Portugal pelos emigrantes foi outra
fonte de receitas para o Estado.

Suportes do Estado Novo

Para Salazar conseguir tanto tempo no poder teve vários suportes:

 Censura: da imprensa, teatro, cinema, rádio e televisão, que impedia a divulgação de opiniões
contra o regime salazarista.
 Polícia política: PVDE, que passou mais tarde a chamar-se PIDE, que vigiava, perseguia, prendia
e torturava os opositores ao regime de Salazar.
 Mocidade Portuguesa: organização com fim de desenvolver o culto do chefe, dever militar e
devoção à pátria nos jovens dos 7 aos 18 anos.
 Legião Portuguesa: organização armada que defendia o Estado Novo e combatia o Comunismo.
 Propaganda Nacional: tinha como objetivo obter apoio da população.
 União Nacional: única organização política legal que apoiava Salazar.

Oposição política

Eleições legislativas de 1945

Os opositores ao salazarismo organizaram-se clandestinamente para não serem perseguidos e


presos. Outros tiveram de saír do país (exilados políticos).

A oposição cresceu em 1945 quando terminou a II Guerra Mundial, com a vitória dos países
democráticos (EUA, França, Inglaterra e seus aliados), onde os direitos e liberdades dos cidadãos
eram respeitados. Estes países pressionaram Salazar e este marcou eleições legislativas.

A oposição uniu-se e criou o MUD (Movimento de Unidade Democrática). No entanto, o governo


não permitiu que a oposição fizesse camapnha eleitoral nem que a contagem dos votos fosse
fiscalizada. Quem fosse suspeito de pertencer à oposição era tirado das listas eleitorais para não
puderem votar. Os dirigentes do MUD decidiram então apelar à abstenção e assim a união
Nacional conseguiu eleger todos os seus candidatos.

Eleições presidenciais de 1958

O general Humberto Delgado, com o apoio de toda a oposição, candidatou-se às eleições


presidenciais de 1958. Apesar do grande apoio que teve da população, foi Américo Tomás,
pertencente à União Nacional, quem venceu as eleições, que foram consideradas fraudelentas
pela oposição.

Depois destas eleições Salazar mudou a lei e criou um colégio eleitoral que passa a eleger o
Presidente da República.
A GUERRA COLONIAL
Depois da II Guerra Mundial, os países como a Bélgica, a Inglaterra e a Holanda reconheceram a
independência da maioria das suas colónias. Entretanto Salazar não fez o mesmo e a União
Indiana e a população africana das colónias portuguesas começaram a revoltar-se contra
Portugal.

 1961: União Indiana ocupou Damão, Diu e Goa


 1961: revolta da Angola
 1963: revolta da Guiné
 1964: revolta de Moçambique

Salazar respondeu com o envio de muitos militares para as colónias. Esta Guerra Colonial, que
durou 13 anos (1961-1974), teve como principais consequências o ferimento e morte de muitos
soldados portugueses e uma grande despesa com os gastos militares.

A AÇÃO MILITAR E POPULAR EM 25 DE ABRIL


Saída de Salazar do poder

Salazar saiu do poder quando adoeceu gravemente em 1968. No entanto, Marcelo Caetano substituiu-o
mantendo os seus ideais: manteve a DGS (Direção Geral de Segurança – antiga PIDE) e a Guerra Colonial.

Fim da ditadura

A falta de liberdade, o aumento do custo de vida e as depesas militares e muitas mortes durante a Guerra
Colonial contribuíram para o aumento do descontentamento da população, o que levou ao fim da ditadura.

25 de Abril de 1974

Golpe militar organizado pelo MFA – Movimento das Forças Armadas – apoiado pelos populares. Várias
cidades foram dominadas sem grande resistência.

Marcelo Caetano refugiou-se no quartel do Carmo que foi cercado pelas tropas do capitão Salgueiro Maia e
aceitou render-se perante um oficial superior: general António de Spínola. Acabou por ser preso, tal como
Américo Tomás (presidente da República).

Primeiras medidas do MFA

 poder entregue a uma Junta de Salvação Nacional, presidida pelo António de Spínola
 dissolução da Assembleia Nacional
 extinção da DGS
 abolição da censura
 libertação dos presos políticos
 negociações para pôr fim à Guerra Colonial

A INDEPENDÊNCIA DAS COLÓNIAS


Colónias africanas

O novo presidente da República, António de Spínola, reconheceu o direito à independência dos povos
africanos e assim se formaram cinco novos países:

 1974 – Guiné-Bissau
 1975 – Angola, Moçambique, São Tomé e Príncipe e Cabo Verde

Colónias do oriente

As colónias do continente asiático tiveram outros destinos:

 1999 – Macau passou a ser território chinês


 2002 – Timor-Leste tornou-se independente depois de ter sido invadido pela Indonésia e passou a
chamar-se Timor-Lorosae

A CONSTITUIÇÃO DE 1976 E O RESTABELECIMENTO DA


DEMOCRACIA
Constituição de 1976

 Em 25 de Abril de 1975 – realizaram-se eleições para eleger os deputados para a Assembleia Constituinte
que tinha como função elaborar uma nova constituição
 Em 25 de Abril de 1976 – foi aprovada a Constituição de 1976 que garantiu a separação dos poderes e os
direitos e liberdades dos cidadãos

Democracia

 o governo voltou a governar segundo um regime democrático, ou seja, respeitando os direitos e liberdades
dos cidadãos
 assim os cidadãos voltaram a ter o direito de escolher os seus governantes – direito de voto

Poder Central

 conjunto de órgãos que exercem o seu poder sobre todo o território nacional e que abrange toda a população:
o Presidente da República
o Governo (1º ministro e restantes ministros)
o Assembleia da república (deputados)
o Tribunais (juízes)

Separação dos poderes do poder central

 Presidente da República
o promulga e manda publicar as leis
o é escolhido pelos cidadãos eleitores
 Governo
o executa as leis
o o 1º ministro é escolhido pelo presidente da República e os restantes ministros são escolhidos pelo 1º
ministro
 Assembleia da República
o faz as leis
o os deputados são escolhidos pelos cidadãos eleitores
 Tribunais
o julgam quem não cumpre as leis
o os juízes não são escolhidos por eleições

Autonomia dos Açores e Madeira

A Madeira e os Açores têm os seus próprios órgãos de governo:

 Assembleia Regional
o faz as leis respeitando a Constituição e as leis gerais da República
o os deputados são escolhidos pelos cidadãos eleitores da região
 Governo Regional
o executa as leis
o o primeiro ministro é escolhido pelo partido mais votado para a Assembleia Regional que depois
escolhe os restantes ministros
A EVOLUÇÃO DA POPULAÇÃO PORTUGUESA
Importância dos censos

Conhecer a evolução da população e a sua constituição é bastante importante tanto para compreender o
passado como para planear melhor o futuro. Por isso, realizam-se recenseamentos (ou censos) que
consistem na recolha de dados sobre a população (sexo, idade, naturalidade, profissão, lugar de residência,
grau de instrução, etc…). Com estas informações os governantes conseguem fazer uma melhor gestão dos
recursos que servem a população. Por exemplo, é possível saber onde existe maior necessidade de construir
escolas, centros para idosos, novos hospitais, etc…

A natalidade e a mortalidade

Os fatores mais importantes que influenciam a evolução da população são:

 a natalidade: número de nascimentos vivos ocorridos durante um ano


 a mortalidade: número de óbitos (mortes) ocorridos durante um ano

Se a natalidade for superior à mortalidade, a população aumenta. Se a natalidade é inferior à mortalidade, a


população diminui.

Desta forma, verifica-se o crescimento natural da população:

CRESCIMENTO NATURAL = NATALIDADE – MORTALIDADE

Ao longo do século XX e da primeira década do século XXI verificou-se uma diminuição da mortalidade.
Tal deve-se às seguintes razões:

 melhoria da alimentação
 melhores serviços de saúde e novos medicamentos
 melhoria da habitação, do conforto e da higiene

Por sua vez, também se verificou uma diminuição da natalidade. As principais razões para esta diminuição
são:

 desenvolvimento e divulgação de métodos contracetivos, que permitem decidir o número de filhos que se quer
ter
 aumento do número de mulheres a trabalhar fora de casa, o que obriga despesas com amas e infantários

No entanto, a natalidade continua a ser superior à mortalidade, o que faz com que se tenha verificado um
aumento da população ao longo do século XX, com exceção da década 1960-1970.

Na atualidade, a população absoluta portuguesa, ou seja, o número total de habitantes em Portugal, é de


cerca de 10 650 000.
A mobilidade da população

A evolução da população absoluta também é influenciada pela emigração (saída de pessoas para o
estrangeiro) e pela imigração (entrada de pessoas para um país).

Quando a emigração é muito intensa, a população pode diminuir. Por sua vez, a imigração contribui para o
aumento da população.

Emigração

Os principais destinos foram: primeiro países africanos e americanos, sobretudo o Brasil, e mais tarde
França e Alemanha. Na última década, a falta de emprego em Portugal fez com que muitos portugueses
emigrassem sobretudo para Angola.

De forma geral, as pessoas emigraram devido a razões de natureza económica:

 procura de melhores condições de vida


 procura de emprego e melhores salários

No entanto, entre 1961 e 1974, muitos portugueses abandonaram o país por razões de natureza política:

 discordância com o regime político (ditadura)


 recusa em participar na Guerra Colonial

Ao longo de décadas tem-se verificado uma grande emigração, o que tem tido como consequências:

 negativas: envelhecimento da população e diminuição da população ativa


 positivas: diminuição do desemprego e receção de remessas dos emigrantes

Imigração

Nas duas últimas décadas tem-se verificado um aumento da imigração, sobretudo do Brasil, dos Países
Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP) e de países da Europa de Leste.

Este aumento deveu-se à mudança de regime após o 25 de Abril de 1974 e à adesão à União Europeia que
permitiu um desenvolvimento económico e social que tornou o nosso país atrativo para populações de outros
países menos desenvolvidos.

CARACTERÍSTICAS DA POPULAÇÃO PORTUGUESA


Composição da população por género e idade

Conhecer a população implica também saber quantos portugueses são homens ou mulheres e a sua
distribuição por idades – estrutura etária.
Para caracterizar a estrutura etária é comum subdividir a população em três grupos etários (grupos de
pessoas com idades semelhantes):

 Jovens: até aos 14 anos


 Adultos: dos 15 aos 64 anos
 Idosos: a partir de 65 anos

Em Portugal tem-se verificado uma diminuição do número de jovens, devido à diminuição da natalidade e à
emigração. Por sua vez, o número de idosos tem vindo a aumentar, devido à diminuição da mortalidade.
Sendo assim, pode-se concluir que a população portuguesa tem vindo a envelhecer.

Em relação ao género, existem mais mulheres do que homens, pois a sua esperança média de vida (número
de anos de vida que uma pessoa tem probabilidade de viver após o nascimento) é maior do que a do sexo
masculino.

A distribuição da população A população não está distribuída igualmente pelo país. As pessoas são atraídas pelas
regiões que oferecem melhores condições de vida e maior oferta de emprego – regiões atrativas. As regiões que não
oferecem essas condições são designadas como regiões repulsivas. Sendo assim, a população portuguesa encontra-se
mais concentrada no Litoral, onde se localizam as grandes cidades. Por isso, diz-se que a zona do Litoral tem maior
densidade populacional (número de habitantes por quilómetro quadrado) do que o Interior. Nas regiões autónomas da
Madeira e dos Açores, a maior concentração da população verifica-se junto à costa, onde no passado foi mais fácil o
povoamento, e, na atualidade, há mais emprego e melhores condições de vida.

DISTRIBUIÇÃO ESPACIAL DA POPULAÇÃO PORTUGUESA


A distribuição da população

A população não está distribuída igualmente pelo país. As pessoas são atraídas pelas regiões que oferecem
melhores condições de vida e maior oferta de emprego – regiões atrativas. As regiões que não oferecem
essas condições são designadas como regiões repulsivas.

Sendo assim, a população portuguesa encontra-se mais concentrada no Litoral, onde se localizam as grandes
cidades. Por isso, diz-se que a zona do Litoral tem maior densidade populacional (número de habitantes
por quilómetro quadrado) do que o Interior.

Nas regiões autónomas da Madeira e dos Açores, a maior concentração da população verifica-se junto à
costa, onde no passado foi mais fácil o povoamento, e, na atualidade, há mais emprego e melhores condições
de vida.

OS CAMPOS: OS VESTÍGIOS DO PASSADO E AS MUDANÇAS


Tipos de povoamento

Existem dois grandes tipos de povoamento (modo como as pessoas ocupam e organizam o espaço em que
habitam e desenvolvem as suas atividades económicas):

 Povoamento rural:
o Cujos habitantes se dedicam principalmente à agricultura, pecuária e silvicultura
o Onde a densidade populacional é baixa
 Povoamento urbano:
o Cujos habitantes se dedicam principalmente ao comércio, à indústria e seviços
o Onde a densidade populacional é alta

Distribuição do povoamento rural

O povoamento rural pode ser:

 Povoamento disperso: se as casas encontram-se dispersas pelos campos


 Povoamento agrupado: se as casas agrupam-se em aldeias ou vilas

O povoamento rural disperso é mais comum no Litoral Norte, em algumas planícies do Interior, no Litoral
Alentejano, na parte ocidental da serra Algarvia e na ilha da Madeira.

O povoamento rural agrupado predomina em todo o Interior de Portugal Continental e no arquipélado dos
Açores.

As condições de vida no campo

A habitação

As habitações do meio rural têm tradição de serem construídas com os materiais da sua região e são
adaptadas ao tipo de clima da região e às atividades económicas dos seus habitantes.

 Casa rural tradicional do Norte:


o construída em granito ou xisto, conforme a rocha predominante da região
o geralmente tem 2 pisos: no inferior abrigam-se os animais e guardam-se os produtos e instrumentos
agrícolas, e no superior é onde a família habita
o nas terras mais altas os telhados são muito inclinados devido à neve
 Casa rural tradicional do Sul:
o Construídas em adobe (barro amassado com areia e palha)
o Têm um só piso onde habita a família. Os animais, produtos e instrumentos agrícolas são guardados
em construções junto à habitação como currais, celeiros, adegas, etc
o As casas das zonas mais quentes (Alentejo e Algarve) são caiadas de barnco para melhor suportar o
calor de verão
 Casas rurais das regiões autónomas
o Construídas em basalto
o São quase sempre caiadas

Ao longo do século XX, a construção tradicional rural tem vindo a ser substituída por um modelo mais
próximo do tipo de construção urbana, que proporciona um maior conforto, com o recurso a materiais mais
modernos e acessíveis – a vivenda.

O trabalho

As principais atividades económicas no meio rural são:

 Agricultura
 Pecuária
 Silvicultura

No entanto, a introdução da máquina nas atividades económicas tem libertado os habitantes das aldeias para
outras atividades profissionais:

 no núcleo urbano mais próximo: na indústria ou em serviços


 em casa ou em pequenas oficinas: atividades artesanais, reparações mecânicas, elétricas, etc.

O dia-a-dia

A vida da população do meio rural sofreu grandes alterações, sobretudo a partir da segunda metade do
século XX. Destacam-se as melhorias a nível de:

 saneamento básico: rede de esgotos, canalização, recolha de lixo, tratamento de água


 infra-estruturas: distribuição de eletricidade e de gás, rede de transportes, estradas
 equipamentos coletivos: escolas, centros de saúde, campos desportivos, espaços verdes

Hoje em dia é frequente as famílias terem carro próprio e a deslocação às vilas e às cidades mais próximas
tornou-se mais fácil. Sendo assim o acesso a bens e serviços desses meios é mais facilitado o que contribui
também para a melhor qualidade de vida das populações do meio rural.

No entanto, ainda existem algumas povoações, sobretudo do Interior, que não tiveram acesso a muitas destas
melhorias continuando muito isoladas do resto das povoações e núcleos urbanos.

OS CENTROS URBANOS: ÁREAS DE ATRAÇÃO DA


POPULAÇÃO
Características dos centros urbanos

O povoamento urbano corresponde a um espaço onde a densidade populacional é elevada e onde existe um
grande número de habitações e edifícios industriais próximos uns dos outros. Nos centros urbanos é possível
apontar algumas características:
 Existência de um centro histórico: que corresponde ao primeiro núcleo de habitantes. Geralmente nesta zona
encontram-se casas comerciais e de serviços, centros escolares e de saúde, instalações administrativas e
judiciais. À sua volta foram crescendo novos espaços habitacionais à medida que a cidade foi crescendo
 Existência de poucos espaços verdes: os que existem são geralmente criados pelo Homem
 Existência de grandes centros comerciais: hipermercados e grandes centros comercias surgem nos arredores
da cidade

Distribuição do povoamento urbano

Os centros urbanos localizam-se sobretudo junto ao litoral. No Interior existem poucas cidades e são de
pequena dimensão.

Nas Regiões Autónomas, destacam-se o Funchal, na Madeira, e Ponta Delgada, nos Açores.

As condições de vida no centros urbanos

A habitação

Os edifícios mais frequentes nos centros urbanos são os prédios com vários andares divididos em
apartamentos. No entanto também existem outros tipos de habitação que refletem duas realidades bastante
diferentes: as vivendas e as barracas.

O trabalho

As principais atividades económicas no meio urbano são:

 Comércio
 Indústria
 Serviços

O dia-a-dia

Ao longo das últimas décadas, tem-se verificado uma melhoria das vias de comunicação e das redes de
transporte, o que contribuiu para a redução da distância-tempo, ou seja, o tempo gasto em deslocações.

Nos centros urbanos, o acesso a serviços de saúde, educação, lazer, etc. é bastante mais fácil do que no
espaço rural. Existe também uma maior oferta de bens de consumo e existem também mais habitações e
mais bem equipadas. A oferta de emprego é maior, bem como o acesso aos estudos e melhores condições de
vida. Por isso, considera-se que os centros urbanos são áreas atrativas, o que tem provocado o seu aumento e
desenvolvimento com a chegada de mais pessoas.

PROBLEMAS DA VIDA QUOTIDIANA NAS CIDADES E NO


CAMPO
Acessibilidade
As necessidades do mundo moderno têm provocado transformações importantes nas vias de comunicação. É
cada vez maior a circulação de pessoas e de produtos e a velocidade das deslocações é fundamental para, por
exemplo, as pessoas chegarem a horas ao emprego e os produtos frescos chegarem ao destino em boas
condições.

Sendo assim, os meios de transporte e as vias de comunicação têm vindo a sofrer um grande
desenvolvimento nas últimas décadas. No entanto, é possível verificar desigualdades entre o meio urbano e
o meio rural.

No meio urbano

Aspetos positivos:

 Variedade de meios de transporte (viatura particular, autocarro, táxi, metro, comboio, etc.)
 Grande rede de vias de comunicação que interligam os vários meios de transporte

Aspetos negativos:

 Volume de tráfego intenso


 Demora nas deslocações, sobretudo nas “horas de ponta”
 Transportes coletivos frequentemente cheios e com dificuldade em cumprir os horários
 Poluição

No meio rural

Aspetos positivos:

 Volume de táfego reduzido, por isso as deslocações locais são rápidas e fáceis

Aspetos negativos:

 Número reduzido de vias e meios de comunicação


 Poucos transportes públicos

Níveis de conforto

A qualidade de vida depende do nível de conforto da habitação e dos bens e serviços a que a população tem
acesso.

Na sua maioria, no meio urbano, as habitações possuem as condições consideradas mínimas de conforto:
água canalizada, eletricidade e saneamento básico (instalações saitárias). No entanto, no meio rural, ainda
predominam muitas habitações sem estas condições mínimas de conforto, sobretudo as mais antigas e mais
afastadas de núcleos urbanos.

Também a nível de serviços e equipamentos coletivos verificam-se algumas desigualdades. É nas cidades
que se encontram os melhores e mais modernos hospitais, centros clínicos, universidades, escolas,
bibliotecas, teatros, cinemas e recintos desportivos. No meio rural existe pouca oferta de serviços de
assistência médica, maior dificuldade no acesso à instrução e cultura e a outros serviços úteis como bancos.

De uma forma geral, pode-se concluir que é no meio urbano onde se encontram melhores níveis de conforto,
por isso tem-se verificado um grande movimento da população do meio rural para os núcleos urbanos. No
entanto, também as cidades têm os seus problemas, como o trânsito, a poluição e insegurança, o que leva a
algumas pessoas a preferirem o meio rural.

O MUNDO DO TRABALHO
População ativa e população não ativa

Para ter acesso a bens e serviços, as pessoas precisam de meios económicos. Sendo assim, a maioria dos
adultos como menos de 65 anos exerce uma profissão de forma a obter um salário.

 População ativa: população que exerce uma atividade remunerada, ou que está temporariamente
desempregada (que não exerce uma atividade económica mas que está em condições de o fazer).

Por outo lado, jovens, idosos e muitas mulheres donas de casa não recebem qualquer salário pelas suas
atividades.

 População não ativa: população que não exerce qualquer atividade paga.

Setores de atividade

Como existe uma grande variedade de atividades económicas, convencionou-se agrupá-las em três setores:

 Setor primário: atividades que obtêm ou extraem produtos da Natureza (matérias-prima)


 Setor secundário: atividades que transformam as matérias-primas em novos produtos
 Setor terciário: atividades que prestam serviços (apoiam os outros setores e a população)

Durante séculos a maioria da população dedicou-se ao setor primário. Entretanto, a mecanização e


modernização da agricultura contribuiu para a redução de mão-de-obra, o que fez diminuir o número de
pessoas a trabalhar no setor primário. Atualmente, mais de metade da população ativa portuguesa trabalha
no setor terciário.

O LAZER
A ocupação dos tempos livres

Nos momentos em que as pessoas não trabalham têm direito a um tempo de lazer, ou seja, tempo livre que
as pessoas ocupam da maneira que mais lhe agrada.
Estes momentos de lazer podem ser aproveitados para praticar atividades desportivas, culturais ou sociais, e
dependem da existência de equipamentos (recintos desportivos, piscinas, teatros, cinemas, museus, etc.) e
de instituições (clubes desportivos e associações culturais) que desenvolvam essas atividades.

Estes equipamentos existem em maior número e com maior oferta de atividades no meio urbano, havendo
por isso diferenças na ocupação dos tempos livres entre as pessoas do campo e as da cidade. Como no meio
rural o acesso a esses equipamentos é mais escasso, a maior parte dos tempos livres são ocupados pelo
convívio com os amigos, idas ao café, jogos em grupo, atividades ao ar livre como a caça, participação em
grupos corais, ranchos, etc. Neste meio dá-se também muita importância às festas tradicionais: feiras,
romarias ou arraiais.

Turismo

Nas férias as pessoas têm mais tempo livre e muitas aproveitam para fazer turismo, ou seja, conhecer
espaços diferentes através de viagens ou passeios. O turismo pode ser feito dentro do próprio país ou para o
estrangeiro.

Devido às suas condições geográficas e climáticas, Portugal é um país que atrai muitos turistas estrangeiros.

Em Portugal, os principais tipos de turismo são:

 Balnear: muitas pessoas são atraídas pelas inúmeras praias existentes ao longo da costa portuguesa,
sobretudo no verão, época de mês seco (cuja precipitação é igual ou menor que o dobro da
temperatura nesse mês)
 Cultural: mais frequente nos centros urbanos, relaciona-se com a visita a monumentos, museus ou
centros históricos
 De montanha: nas regiões de maior altitude é possível fazer caminhadas pela Natureza e praticar
desportos radicais no inverno
 Rural: para quem procura um maior contato com a natureza, ar puro e sossego
 Termal: existem nascentes de água que atraem milhares de turistas devido às suas propriedades
curativas
 Religioso: muitas pessoas deslocam-se ao nosso país para visitar santuários ou outros locais de culto

O número de chegada de turistas estrangeiros tem vindo a aumentar em Portugal, provocando a entrada de
dinheiro estrangeiro, o desenvolvimento de muitas regiões e o aumento de emprego. Sendo assim, o turismo
é uma das atividades mais importantes do setor terciário pelo desenvolvimento que provoca e pela entrada
de receitas. No entanto, a construção de unidades hoteleiras, restaurantes, cafés, bares, estradas, tem tido um
impacto negativo no ambiente, com a alteração da paisagem e aumento da poluição em áreas que tinham
pouca intervenção humana.

IMPORTÂNCIA DAS ÁREAS DE PROTEÇÃO DA NATUREZA


Preservação da natureza

O aumento da população e do turismo tem provocado a humanização da paisagem, ou seja, modificação da


paisagem através da intervenção do Homem, através da ocupação excessiva de territórios para construção,
do abate de árvores, da pesca e caça sem controlo, colocando assim muitas vezes espécies animais e vegetais
em risco de extinção.

Sendo assim, tornou-se necessário tomar medidas para proteger certas zonas do país a fim de preservar a
natureza, a sua fauna e a sua flora. Foram criadas, portanto, áreas protegidas pelo Estado em que qualquer
alteração do meio carece de autorização. As áreas protegidas são constituídas pelos parques naturais e
reservas naturais.

OS TRANSPORTES E AS COMUNICAÇÕES
Acessibilidade de pessoas, bens e ideias

Hoje, os transportes e comunicações atingiram um tal desenvolvimento que tudo se tornou mais
fácil e rápido. Países e populações encontram-se cada vez mais próximos, assim como Portugal
está mais próximo da Europa e do resto do mundo.

Transportes

Atualmente, a comunicação de pessoas e mercadorias pode fazer-se através de vários meios de


transporte:

 Terrestres:
o Rodoviários: circulam pelas estradas
o Ferroviários: circulam pelos caminhos-de-ferro
 Aquáticos:
o Marítimos: circulam pelo mar
o Fluviais: circulam pelos rios
 Aéreos: circulam pelo ar

Na escolha do meio de transporte mais adequado, deve-se ter em conta alguns aspetos
importantes. No caso da deslocação de pessoas, deve-se ter em conta sobretudo o custo e tempo
da viagem e o conforto que lhes é proporcionado. Em relação ao transporte de mercadorias,
deve-se ter em conta aspetos como o tipo de carga, tempo, custo e distância.

 Transportes rodoviários: podem transportar cargas pequenas e médias, o custo é médio


e tem a vantagem de chegar a quase todos os locais
 Transportes ferroviários: podem transportar cargas maiores, o custo é baixo, mas
servem apenas alguns locais
 Transportes marítimos: podem transportas cragas grandes e volumosas a grandes
distâncias e a custo baixo, mas são lentos
 Transportes aéreos: são muito rápidos, percorrem todas as distâncias, mas não
transportam cargas grandes e o custo é muito elevado

Comunicações

Também hoje a informação tem maior facilidade de circulação e faz-se através de vários meios
de comunicação:

 Escrita:
o Livros, jornais, revistas, etc…
 À distância:
o Telégrafo, telefone, rádio,televisão, telefax, internet, etc…
 Outros:
o Cinema, vídeo, etc…

Hoje, é possível comunicar facilmente com uma pessoa que esteja em qualquer parte do mundo,
através de aparelhos de telecomunicação, ou seja, meios que permitem, através de processos
elétricos, a comunicação à distância.

A troca de ideias e conhecimentos é maior entre os vários países, fazendo com que as fronteiras
façam cada vez menos sentido, dado que as várias partes do mundo estão em permanente
comunicação.

ESPAÇOS EM QUE PORTUGAL SE INTEGRA


União Europeia

Em 1957, seis países europeus formaram a Comunidade Económica Europeia. Mais tarde,
outros países aderiram esta comunidade, que passou a chamar-se União Europeia, pois os seus
objetivos deixaram de ser apenas económicos mas também políticos, culturais, sociais e
ambientais.

Os principais objetivos da União Europeia são:

 Livre circulação de pessoas e mercadorias


 Circulação de uma moeda única – o Euro
 Criação de políticas comuns
 Ajuda aos países em dificuldades
 Programas de intercâmbio de estudantes
 Defesa da liberdade
Portugal aderiu a esta comunidade em 1986.

Organização das Nações Unidas (ONU)

Portugal faz parte ainda da Organização das Nações Unidas, fundada em junho de 1945, após
a Segunda Guerra Mundial.

Os principais objetivos da Organização das Nações Unidas são:

 Procurar resolver pacificamente os conflitos internacionais, de forma a manter a paz no


mundo
 Desenvolvera cooperação internacional a nível económico, social, cultural e humanitário
 Promover o respeito pelos diretos humanos

Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP)

Em 1996, criou-se a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa de forma a reforçar a


cooperação entre os países onde se fala português. Todos os membros desta comunidade já
foram colónias portuguesas e agora são nações independentes.