You are on page 1of 7

1 INTRODUÇÃO

Muitas mudanças vêm ocorrendo no ambiente de negócios. As exigências da
sociedade, de órgãos ambientais e do governo fazem com que as empresas se
preocupem não apenas com seu resultado econômico, mas também devam
incluir considerações de caráter social e político em suas tomada de decisões
(TACHIZAWA,2005).

A preocupação com o meio ambiente é uma questão mundial e que tem
motivado inúmeras pesquisas com relação ao efeitos sofridos pelo planeta. O
modelo econômico (capitalista industrial) de desenvolvimento de diversos
países é responsável por exploração desenfreada de recursos naturais e na
maioria das vezes tendo como subprodutos resíduos tóxicos que contaminam o
meio ambiente.

Incorporar sustentabilidade na construção civil é uma tendência crescente no
mercado, e um caminho sem volta, pois os recursos estão cada vez mais
escassos, há pressão do mercado pela incorporação de práticas sustentáveis.
Por tanto, deve haver uma modernização na construção na forma de construir
e gerir as obras buscando alternativas sustentáveis e economicamente viáveis.

Visto que, o impacto causado pelo processo da indústria da construção civil
envolve consumo de recursos e cargas ambientais causadas principalmente
pelo uso indiscriminado de energia, geração e disposição inadequada de
entulhos. Estes últimos são característicos de um contexto cultural que insiste
em desconhecer os impactos da sua disposição clandestina e os benefícios de
uma gestão adequada. O gerenciamento de resíduos sólidos permite a
minimização dos impactos causados, à montante, na exploração de matérias-
primas como areia e cascalho e à jusante, evitando a poluição de solos e de
lençóis freáticos, bem como danos à saúde e gastos públicos desnecessários
(BLUMENSCHEIN, 2004).

A identificação prévia de aspectos e avaliação dos impactos ambientais
associados a determinado empreendimento permite que estudos sejam
realizados para adotar medidas que atenuem tais impactos ou até mesmo
elimine-os, reduzindo futuros danos ambientais e, consequentemente, os
custos envolvidos na sua remediação ou correção.

Tendo em vista prever os impactos que a implementação de um determinado
epreendimento possa causar ao ambiente, criou-se o Estudo de Impacto
Ambiental – EIA, um dos instrumentos estabelecidos no âmbito da Política
Nacional do Meio Ambiente para o licenciamento de atividades modificadoras
do meio ambiente, especialmente no caso de obras e atividades com grande
potencial de causar degradação. Por ser um estudo bastante detalhado e
complexo, a legislação brasileira de terminou a preparação de um documento

c) o meio sócio-econômico – o uso e ocupação do solo. através de identificação. os tipos e aptidões do solo. 2 DESENVOLVIMENTO Sendo o Relatório de Impacto Ambiental (RIMA) . considerando: a) o meio físico – o subsolo. o regime hidrológico. com dados técnicos detalhados. b) o meio biológico e os ecossistemas naturais – a fauna e a flora. em respeito ao sigilo industrial. as correntes marinhas. as águas. as correntes atmosféricas. os usos da água e a sócio-economia. antes da implantação do projeto. O acesso a ele é restrito. de modo a caracterizar a situação ambiental da área. II – Análise dos impactos ambientais do projeto e de suas alternativas. o ar e o clima. raras e ameaçadas de extinção e as áreas de preservação permanente. destacando as espécies indicadoras da qualidade ambiental. os recursos ambientais e a potencial utilização futura desses recursos. em uma linguagem acessível para o público leigo no assunto. destacando os sítios e monumentos arqueológicos. A RESOLUÇÃO CONAMA Nº 001/86 define que o Estudo de Impacto Ambiental (EIA) é o conjunto de estudos realizados por especialistas de diversas áreas. previsão da magnitude e interpretação da importância dos . de valor científico e econômico. a transcrição não fidedigna do Estudo de Impacto Ambiental (EIA). tal como existem. destacando os recursos minerais. os corpos d’água. No artigo 6° dessa resolução define que o EIA desenvolverá as seguintes atividades técnicas: I – Diagnóstico ambiental da área de influência do projeto completa descrição e análise dos recursos ambientais e suas interações. Relatório de Impacto Ambiental – RIMA. as relações de dependência entre a sociedade local.resumido. a topografia. uma vez que sua forma é simplificada para que a população não especialista no assunto possa. compreender o que a construção de tal empreendimento poderá causar- lhes uma vez que o EIA é feito por especialistas e bem mais complexo. históricos e culturais da comunidade.

diretos e indiretos. a elaboração de estudo de impacto ambiental (EIA) e respectivo relatório de impacto ambiental (RIMA). . tais como: I . discriminando: os impactos positivos e negativos (benéficos e adversos). do Decreto-Lei nº 32. imediatos e a médio e longo prazos. entre elas os equipamentos de controle e sistemas de tratamento de despejos. IV – Aeroportos. de 18.11. troncos coletores e emissários de esgotos sanitários. acima de 230KV. petróleo e produtos químicos. gasodutos. IV – Elaboração do programa de acompanhamento e monitoramento (os impactos positivos e negativos.66. VI – Linhas de transmissão de energia elétrica. conforme definidos pelo inciso 1. V – Oleodutos. II – Ferrovias. artigo 48. a distribuição dos ônus e benefícios sociais. devem ser realizados para o licenciamento de atividades modificadoras do meio ambiente. suas propriedades cumulativas e sinérgicas. temporários e permanentes. avaliando a eficiência de cada uma delas. De acordo com o artigo 2° da Resolução Conama. III – Definição das medidas mitigadoras dos impactos negativos. III – Portos e terminais de minério. a serem submetidos à aprovação do órgão estadual competente. seu grau de reversibilidade. indicando os fatores e parâmetros a serem considerados).prováveis impactos relevantes. e do IBAMA em caráter supletivo. minerodutos.Estradas de rodagem com duas ou mais faixas de rolamento.

VII – Obras hidráulicas para exploração de recursos hídricos. abertura de canais para navegação. . VIII – Extração de combustível fóssil (petróleo.Qualquer atividade que utilizar carvão vegetal. definidas no Código de Mineração. inclusive nas áreas de proteção ambiental. abertura de barras e embocaduras.000 ha ou menores. em áreas acima de 100 hectares ou menores. extração e cultivo de recursos hídricos). quando atingir áreas significativas em termos percentuais ou de importância do ponto de vista ambiental. retificação de cursos d’água. derivados ou produtos similares. XVI. diques. siderúrgicos. Xl – Usinas de geração de eletricidade. X – Aterros sanitários. destilarias de álcool. qualquer que seja a fonte de energia primária. transposição de bacias. tais como: barragem para fins hidrelétricos. inclusive os da classe II. XIV – Exploração econômica de madeira ou de lenha. XII – Complexo e unidades industriais e agroindustriais (petroquímicos. neste caso. cloro químicos. carvão). XV – Projetos urbanísticos. em quantidade superior a dez toneladas por dia. quando se tratar de áreas significativas em termos percentuais ou de importância do ponto de vista ambiental. acima de 100 ha ou em áreas consideradas de relevante interesse ambiental a critério da SEMA e dos órgãos municipais e estaduais competentes. acima de 10MW. XVII – Projetos Agropecuários que contemplem áreas acima de 1. hulha. xisto. XIII – Distritos industriais e zonas estritamente industriais – ZEI. IX – Extração de minério. de saneamento ou de irrigação. acima de 10MW. processamento e destino final de resíduos tóxicos ou perigosos. drenagem e irrigação.

no mínimo. a Resolução 237/97 – CONAMA traz que a responsabilidade civil objetiva pela elaboração do EIA é do empreendedor. § 2o . da Constituição Federal de 1988 assegura a efetividade do direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado incumbindo ao Poder Público: “exigir. 7o da Resolução 001/86 – CONAMA passa-se a aplicar o art. incompleta ou enganosa. o qual prevê a realização do EIA por técnicos habilitados e às expensas do proponente do projeto. a que se dará publicidade”. sendo composta por técnicos habilitados. O art. § 1º. 0. em uma Unidade de Conservação. 17. como compensação ambiental. O objetivo é a elaboração de um estudo completo e profundo a respeito da pretensa atividade. os empreendimentos e atividades licenciados com EIA/RIMA devem aplicar.938/1981 traz a responsabilidade civil objetiva ou sem culpa do empreendedor . Ademais. IV.5% dos custos totais para a instalação do empreendimento. 69-A da Lei no 9. Equipe multidisciplinar irá realizar o EIA. O órgão ambiental competente poderá exigir compensações quando os impactos foram significativos e irreversíveis e não puderem ser mitigados. O empreendedor responde criminalmente pela idoneidade na elaboração do estudo ou de outro documento que informe à Administração Pública. na forma da lei. do Decreto no 99. para instalação de obra ou atividade potencialmente causadora de significativa degradação do meio ambiente.605/1998. Os especialistas que realizaram o EIA serão responsabilizados penalmente em caso de prestar informação falsa.274/1990. Com a revogação do art.O artigo 225. O EIA/RIMA é exigido na fase de Licença Prévia de empreendimentos ou atividades que possam causam significativa degradação ambiental. 14. estudo prévio de impacto ambiental. Além disso. § 1o da Lei no 6. conforme art.

118). 2004. predominantemente ambiental. jurisprudência. 5o . no mínimo. rev. Ambiental. 1999. glossário. Atual. da CF/88 Assegurar o direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado. sobre a qual dispõe o art. e ampliada. 3 ed. sendo tratado nessa pesquisa o EIA. Brasília: Editora W. 2010. a expressão “todos tem direito” cria um direito subjetivo. a adequada aplicação dos instrumentos jurídicos postos à disposição tanto para o Estado quanto para todos. CARGILL AGRÍCOLA S. Relatório de Impacto Ambiental: Terminal Fluvial de Granéis Sólidos. além de condutas da própria população.480. requer. Resoluções do Conselho Nacional do Meio Ambiente – CONAMA/ pesquisa. oponível erga omnes. Edis. O EIA e suas espécies visam evitar o dano ao meio ambiente ou. sendo imprescindível a análise de suas características e da legislação. – São Paulo: Ed.A. 4 – REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS MILARÉ. LXXIII. p. mas não só. inc. Edição revisada e atualizada.3 CONCLUSÃO Como bem ressalta Machado (2007. p. comentários e revisão de Waldir de Deus Pinto e Marília de Almeida. 428. Revista dos Tribunais. Direito do ambiente: doutrina. mitigar os seus efeitos negativos. CPEA – Consultoria Paulista de Estudos Ambientais. D. organização. . complementado pelo direito ao exercício da ação popular ambiental. específica.

2008/1. Vanessa. O ESTUDO DE IMPACTO AMBIENTAL . . MARINI. Trabalho de Conclusão de Curso (TCC). Faculdade de Direito da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul.