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TEMA_5: Ferramentas da Internet e trabalho colaborativo

SISTEMATIZANDO: a. Que diferenças há entre os conceitos de trabalho colaborativo/cooperativo? a.1-Conceito de trabalho colaborativo: Podemos partir da definição de colaboração de Clift at al., citado por Kapuscinski (1997, p. 9) que afirma que esta é “um acordo estabelecido entre duas ou mais pessoas para definir e chegar a um determinado objectivo ou objectivos” Apesar de ainda vago, verificamos que vários elementos podem definir em conjunto “uma estratégia fundamental para lidar com problemas que se afiguram demasiado pesados para serem enfrentados em termos puramente individuais” (Boavida e Ponte, 2002, p. 1). Ou seja, temos uma divisão de tarefas, o contributo de cada um pode ser uma mais valia no processo de solucionar um problema, captando cada um, uma subdivisão do mesmo, para a sua subresolução que, posteriormente reagrupadas, contribuem para a obtenção da Resolução daquele. Assim, os colaboradores acabam por trabalhar, a maior parte do tempo, isoladamente. O elemento «competição» torna-se por vezes uma variável com muito peso e com efeitos psicossociais não muito salutares. Por outro lado, dependendo da aplicabilidade da colaboração, segundo Boavida e Ponte (2002), “…a realização de um trabalho em conjunto, a colaboração, requer uma maior dose de partilha e interacção do que a simples realização conjunta de diversas operações…” (p. 4). Considerando também que “quanto mais diversificada for a equipa maior esforço e mais tempo são necessários para que funcione com êxito, dada a variedade de linguagens, quadro de referência e estilo de trabalho dos seus membros” (Boavida e Ponte, 2002, p. 5). Deste modo convém referir que a natureza da colaboração assenta, essencialmente, em quatro pilares que sustentam um efectivo processo de colaboração: o diálogo, a negociação, a mutualidade e a confiança. Se em algum momento um destes pilares não estiver presente em determinado contexto, esta colaboração deixa de representar uma forma particular de cooperação. a.2-Conceito de trabalho cooperativo: Segundo Day, citado por Boavida e Ponte (2002), “enquanto que na cooperação as relações de poder e os papéis dos participantes no trabalho cooperativo não são questionados, a colaboração envolve negociação cuidada, tomada conjunta de decisões, comunicação efectiva, e aprendizagem mútua” (p. 4).

Quando se promove trabalho cooperativo trabalha-se sempre em conjunto num mesmo problema, em vez de separadamente em componentes da tarefa. Desta maneira cria-se um ambiente rico em descobertas mútuas, feedback recíproco e um partilhar de ideias frequente. O conceito de cooperação é mais complexo, pois pressupõe a interacção e a colaboração, além de relações de respeito mútuo e não hierárquicas entre os envolvidos, uma postura de tolerância e convivência com as diferenças e um processo de negociação constante. Percebemos que a diferença fundamental entre ambos os conceitos reside no facto de que para haver colaboração um indivíduo deve interagir com o outro, existindo ajuda - mútua ou unilateral. Para existir cooperação deve haver, interacção, colaboração, mas também objectivos comuns, actividades e acções conjuntas e coordenadas. b. Que exemplos de ferramentas se enquadram em cada categoria enunciada? De acordo com o entendimento sobre colaboração, onde há partilha de tarefas; e em que é um caso particular da cooperação, onde não há partilha de tarefas, numa interacção de comando e acção numa unidade única para o mesmo objectivo, a alcançar, podemos dizer que das ferramentas disponíveis, praticamente não se vislumbra uma que se possa indiciar para pura cooperação, senão mesmo para o seu caso particular, a colaboração. Neste sentido temos: O Groups.google (colaboração e partilha de documentos), Docs.google (partilha e colaboração, com possibilidade em realtime), Wikipédia (colaboração de documentos), Skype (colaboração em conferência, p.ex. com reuniões, também mais como auxiliar de outras ferramentas como o Docs e o Office.live), Mindomo (colaboração com a partilha de documento), del.icio.us (colaboração de marcadores de págs.), workspace.office.live.com (similar ao Docs.google) e secondlife.com (colaboração, p.ex. em jogos de aventura). Ocasionalmente esta última ferramenta pode proporcionar também uma cooperação pura, em casos particulares de entreajuda num problema comum, que leva a comportamentos de vários elementos como se de uma unidade de um único corpo se tratasse. c. De que forma podem as ferramentas de trabalho colaborativo ser usadas em situação escolar? A sua aplicabilidade em casos de trabalhos de grupo pode verificar-se essencial ou mesmo fulcral, seja por forma individual, numa subdivisão laboral de um problema, (ou p.ex. na concretização de um programa em que é atribuída uma parte a cada elemento, em que cada um é livre de expressar a sua criatividade e a imaginação é o limite, de forma individual, de modo a cumprir determinados pressupostos, a fim de que na reunião de todas as partes, tudo bata certo e o programa funcione, poupando-se assim, minimamente, tempo, numa programação paralela,) seja em grupo na reunião, ou junção dos subtrabalhos, em que, com o auxilio de ferramentas de comunicação, seja o Gtalk ou mesmo o Skype, possam gerir o diálogo, a negociação, a mutualidade e a confiança, para a boa prossecução do trabalho.

d. De que forma podem as ferramentas de trabalho cooperativo ser usadas em situação escolar? Como ponto de partida, em termos de analogia, um exemplo de trabalho cooperativo temos um grupo de elementos a remover um objecto no meio do caminho. Transporte do objecto em que os elementos em esforço comum se comportam como se de um corpo único tratasse, a um comando único, proporcionar a acção para o desimpedimento do caminho. Ora, como já foi referido na resposta à questão b. não se vislumbra uma ferramenta cooperativa pura. Eventualmente, pode ocorrer em jogos de aventura no secondelive. De modo a manter este princípio será docentes envolver alunos em actividades similares na Net, sendo a imaginação o seu limite. e. Que boas práticas públicas (ou conhecidas) existem no uso destas ferramentas? As novas TIC, com as tecnologias emergentes em contínuo desenvolvimento, têm vindo a romper com os antigos paradigmas, gerando novos paradigmas, ao ponto de se repensar o ensino em termos de b-learning, o que seria um absurdo à alguns poucos anos atrás. Se bem se pensa, melhor se começa agir. Exemplo disto temos a cooperação entre escolas. O impressionante é que não se cinge já somente ao âmbito nacional, mas também ao nível internacional. Caso disto é o eschola (http://www.dgidc.min-edu.pt/revista/revista2/noticias.htm) agora mais recente é o eTwining, entre outros projectos, cuja dinâmica tem a ver com a partilha, que envolve sem sombra de qualquer dúvida a cooperação, tanto no senso restrito como lato, como o caso do kidsmart, escola móvel, entre outros (http://sitio.dgidc.minedu.pt/tic/Paginas/default.aspx). f. Que falta para que as escolas passem a usar este tipo de ferramentas? As escolas ainda não aderiram totalmente a este tipo de ferramentas, não só por falta de equipamento, com que irão ser apetrechadas muito em breve, através do PTE - Plano Tecnológico da Educação que, por tal, trará um novo défice, de forma muito mais visível, que será a ausência de utilização de forma também maciça desses mesmos equipamentos, por ausência de formação de docentes como de não docentes.

Referências bibliográficas Boavida, A. M., & Ponte, J. P. (2002). Investigação colaborativa: Potencialidades e problemas. In GTI (Ed.), Reflectir e investigar sobre a prática profissional (pp. 43-55). Lisboa: APM. Damon, W., & Phelps, E. (1989). Critical distinctions among three approaches to peer education. International Journal of Educational Research, 13(1), 9-19. Kapuscinski, P. (1997). The collaborative lens: A new look at an old research study. In Christiansen, H., Goulet, L., Krentz, C., & Maeers, M. (Eds.), Recreating relationships: Collaboration and educational reform (pp. 3-12) Albany, NJ: State University of New York Press. DGIDC. (2001). Notícias - eschola. Consultado em 18 de Junho de 2008 em http://www.dgidc.min-edu.pt/revista/revista2/noticias.htm DGIDC. (2001). Notícias. Consultado em 18 http://sitio.dgidc.min-edu.pt/tic/Paginas/default.aspx de Junho de 2008 em