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LIDERANÇA EM EQUIPE

As lições de Rudolph Giuliani sobre liderança
03.10.2008 by Leandro Vieira in Administração, DESTAQUE, NEGÓCIOS E FINANÇAS, Recursos Humanos Tive a oportunidade de assistir Rudolph Giuliani no Brasil, em 2005. Sua palestra foi, certamente, a mais concorrida da Expomagement daquele ano. O ex-prefeito de Nova York relatou, com base na sua experiência de vida, o que é ser um líder e como um líder deve responder em momentos de turbulência. A autoridade do apresentador sobre o assunto é atestada pela forma como conduziu a crise em Nova York após o atentado das torres gêmeas, em 11 de setembro de 2001. A primeira frase de Giuliani dividiu opiniões: líderes se formam, não nascem feitos. Muitas pessoas ainda acreditam que a liderança é um fator nato, que os líderes já nascem como tal. Segundo Giuliani, a formação de um líder é diretamente influenciada pelos fatores externos ao líder, como a sua formação escolar, o exemplo de seus pais, sua educação doméstica e a sua experiência profissional. Rudolph Giuliani elenca sete princípios que, segundo ele, são essenciais para a tônica da liderança. O primeiro princípio é ter uma visão, “saber o que você acredita; saber quem você é”. O líder deve conhecer a sua essência, saber o que ele próprio representa. Nós lideramos através de idéias, através de uma visão clara e de princípios bem estabelecidos. É a partir da visão do líder que os demais irão segui-lo - ou não. Giuliani ressalta que essa visão deve ser inspiradora e – importante – deve ser de longo prazo. As atitudes de um líder devem ser pautadas em metas e objetivos coerentes com a sua visão. Além disso, Giuliani aponta para a importância de ser fiel às suas idéias, mesmo que isso signifique resistir a opiniões divergentes: “um líder deve poder olhar para o futuro e resistir às opiniões contrárias”. O segundo princípio de liderança aponta para a necessidade de ser otimista. Não um otimismo que signifique alijar-se da realidade e não enxergar os problemas, mas no sentido de ter uma postura positiva, encarar os problemas de frente e apontar as soluções para superá-los. O líder é alguém que enxerga as adversidades como um desafio à sua inteligência e capacidade. Ainda nesse tópico, Rudolph Giuliani relatou que as pessoas seguem esperança, sonhos e a realização desse s sonhos. Quem soluciona problemas atrai as pessoas, em qualquer sociedade. Logicamente, às vezes seguimos as pessoas erradas. Nesse ponto, Giuliani

aponta para a necessidade de um líder ser norteado pela moral e pela ética, empreendendo sempre ações corretas. Em terceiro lugar, um líder deve ter coragem. Coragem não significa a ausência de medo, mas a capacidade de lidar com o medo e de assumir riscos, inspirando as pessoas a seguirem o seu exemplo. Giuliani conta que sempre é abordado com a seguinte questão: “devemos ter medo de outro ataque terrorista?”. Sua resposta é sempre a mesma: “Sim, nós devemos. A grande questão é o que fazer com esse medo”. Conforme o ex-prefeito de Nova York, o medo tem um aspecto positivo: quando bem gerenciado, estimula as pessoas a se preparem. O quarto princípio de liderança, portanto, é preparar-se. Segundo Giuliani, devemos procurar antever todas as possibilidades de revezes – isso na administração de um negócio, de uma cidade ou de um país. O treinamento nos prepara, inclusive, para eventos inesperados que não estavam previstos em nosso planejamento inicial. Parte de um líder é preparar-se para o pior. O quinto princípio diz a respeito da importância do trabalho em equipe. Os líderes precisam ser lembrados que ninguém consegue nada sozinho. Ele deve encontrar pessoas que compensem seus pontos fracos, deve equilibrar forças e fraquezas. Nenhuma pessoa é capaz de reunir todas as habilidades que uma organização precisa. Uma de suas qualidades, segundo o próprio, é ter um rápido poder de decisão. “Tomo decisões de forma muito rápida. Isso é bom em situações de emergência, mas não tão bom em situações normais. Procuro me cercar de pessoas que me desaceleram. Eles dizem: ‘pense mais um pouco, você tem mais tempo, não precisa decidir agora’”. O sexto princípio de Giuliani é sobre a importância da comunicação. Um líder deve saber transmitir suas idéias às mentes e corações das pessoas. Comunicar é algo simples: consiste apenas em falar com pessoas e entender que só conseguimos as coisas através dos outros. Por fim, o sétimo e último princípio complementa o anterior: é preciso amar as pessoas. Um verdadeiro líder ama as pessoas que estão sob sua responsabilidade. É normal líderes de grandes organizações e de grandes cidades passarem a enxergar apenas números e estatísticas. Não devemos cair nesse erro. Apenas o amor sincero pelas pessoas conquistará o seu apoio e confiança. O líder precisa estar presente quando as pessoas precisam. Como diz Giuliani: ir a casamentos é opcional, mas ir a funerais é obrigatório, pois é lá que as pessoas mais precisam de nossa presença.

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Por estes dias a imprensa noticiou fartamente um fato muito lamentável ocorrido em Nova Odessa, cidade do interior de São Paulo: numa escola municipal de educação fundamental, um garoto de sete anos foi colocado de castigo pela professora atrás da porta da sala de aula e esquecido lá! A escola foi fechada, e o menino passou mais de quatro horas no mesmo lugar até ser encontrado pela mãe, às 19h20, uma hora e meia depois de a escola já ter fechado. Depois de resgatado pela mãe, o garoto precisou ser medicado com calmantes. Uma semana antes desse fato, ainda segundo a imprensa, a Câmara dos Lordes, no Reino Unido, aprovou um projeto de lei que considera "aceitáveis", as palmadas "moderadas" dos pais desde que não prejudiquem física ou mentalmente as crianças e os adolescentes... Sem comentários. Eu não vou voltar a este assunto (que já foi tema de um recente artigo meu, "A Liderança das Palmadas"), porque me tira do sério, pela insensatez e insensibilidade que demonstra. Concordo inteiramente com a psicóloga Maria Amélia Azevedo, fundadora do LACRI (Laboratório de Estudos da Criança do Instituto de Psicologia da USP) quando diz: "Não existe palmada light. De qualquer forma, bater é um desrespeito à criança. Se bater em adulto é agressão, se bater em cachorro é crueldade, por que bater na criança é educação?". Se alguém tiver uma resposta convincente, por favor, me diga. Como já disse naquele artigo, não sou especialista em educação infantil. Trabalho com comportamento organizacional e os fatos que citei apenas servem de pretexto para entrar na minha seara. Por exemplo: que inferências e analogias podemos fazer entre a ação da professora de Nova Odessa e um líder de qualquer empresa? Muita l Daria um excelente debate nas aulas de Administração de algum MBA ou faculdades de administração, já que se propõem a formar líderes. Fica aqui a sugestão. O que quero destacar agora é o seguinte: acredito firmemente que certas atividades e profissões jamais serão exercidas com excelência apenas à custa de conhecimentos acadêmicos, administrativos ou técnicos. Apenas estudar para ser professor ou gerente não garante a nenhum profissional eficácia e eficiência no desempenho do seu trabalho como educador ou gestor de pessoas. Estou convencido de que não é nas universidades que aprendemos a ser "gente" - e para funções de educador ou de gestor de pessoas, é absolutamente fundamental ser "gente", gostar de pessoas, ama-las, respeita-las, estar motivado em contribuir para a realização e felicidade delas. Um professor na escola e um gerente na empresa têm algo em comum: a ambos compete desenvolver pessoas, motiva-las a aprender e a aceitar, pela admiração, sua liderança. Portanto, ambos são lideres. E é aqui que está o "x" da questão. O que é Liderança? Como se consegue ser um verdadeiro Líder? No seu livro "O Monge e o Executivo", James C. Hunter diz com muita propriedade: "Liderança não é estilo, liderança é essência, isto é, caráter. Liderança e o amor são questões ligadas ao caráter. Paciência, bondade, humildade, abnegação, respeito, generosidade, honestidade, compromisso. Estas são as qualidades construtoras do caráter, são os hábitos que precisamos desenvolver e amadurecer se quisermos nos tornar líderes de sucesso, que vencem no teste do tempo".

Com freqüência, vivo me perguntando: que tipo de treinamento pode ser dado às pessoas para que elas desenvolvam aquelas competências da Liderança relacionadas pelo Hunter? E mais: como identificar num candidato a líder ou a professor, se ele as possui e as pratica? Antes de contratados e efetivas, professores e gestores deveriam passar por aquele treinamento e por aquele processo seletivo. No entanto, o mesmo Hunter, no livro já citado, faz uma terrível constatação: "Ao trabalhar com pessoas e conseguir que as coisas se façam através delas, sempre haverá duas dinâmicas em jogo - a tarefa e o relacionamento. Então a chave para a liderança é executar as tarefas enquanto se constroem relacionamentos. No entanto, existe um conceito de liderança defeituoso, devido ao qual pessoas voltadas para as tarefas provavelmente ocupam a maioria dos cargos de liderança". Olha só: eu não tenho bola de cristal, mas sou capaz de apostar que esse filme vai mudar de enredo. Nos dias de hoje, as pessoas em geral - e particularmente os funcionários e alunos, em todos os níveis e de todas as idades - estão muito mais conscientes do direito ao respeito, à justiça, ao reconhecimento, ao desenvolvimento, à qualidade de vida. E vão começar a exigir isso dos seus lideres, sejam chefes ou professores. E novos modelos de gestão de pessoas serão adotados e praticados. No meu livro mais recente, "A Terceira Inteligência" (Butterfly Editora), proponho um novo conceito comportamental que se contrapõe - ou no mínimo complementa - à famosa teoria da Inteligência Emocional, do Goleman, e ao uso obsessivo da Razão como orientadores "perfeitos" das nossas ações - o que não é verdade. Não quero ser pretensioso e sei que meu livro não vai vender nem um centésimo do que vendeu o do Goleman, mas uma coisa eu garanto a vocês: se professores e gestores desenvolvessem e adotassem a Terceira Inteligência, não existiriam jamais crianças de castigo atrás de portas, nem funcionários chorando nos banheiros de empresas. E, creiam-me, a alegria, a paz e a felicidade seriam artigos muito mais presentes e abundantes na vida das pessoas, das empresas e da sociedade.