You are on page 1of 13

www.cers.com.

br 1
INTRODUÇÃO AO DIREITO ADMINISTRATIVO: Estado, governo e administração pública: conceitos, elemen-
tos, poderes e organização; natureza, fins e princípios,

Estado

Elementos

Poderes do Estado

Natureza jurídica do Estado

Fins do Estado

Princípios

Governo

Administração Pública

Princípios e Poderes da Administração Pública:

Constitucionais:

LEGALIDADE

IMPESSOALIDADE

MORALIDADE

PUBLICIDADE

EFICIÊNCIA

Outros Princípios:

RAZOABILIDADE

PROPORCIONALIDADE

FINALIDADE

HIERARQUIA
SUPREMACIA DO INTERESSE PÚBLICO SOBRE O PRIVADO (PODER DE POLÍCIA)

PRESUNÇÃO DE LEGITIMIDADE OU DE VERACIDADE

ESPECIALIDADE

CONTINUIDADE DO SERVIÇO PÚBLICO

CONTROLE OU TUTELA

AUTOTUTELA

CONTINUIDADE DO SERVIÇO PÚBLICO

www.cers.com.br 2
PRESUNÇÃO DE LEGITIMIDADE OU DE VERACIDADE

MOTIVAÇÃO

SEGURANÇA JURÍDICA

- PODERES DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA

VINCULADO
DISCRICIONÁRIO
REGULAMENTAR
HIERÁRQUICO

1 Estado, governo e administração pública: conceitos, elementos, poderes, natureza, fins e princípios.
2 Direito administrativo: conceito, fontes e princípios.
3 Princípios e poderes da administração pública. Poderes da administração: vinculado, discricionário, hie-
rárquico, disciplinar e regulamentar.

Estado, governo e administração pública: conceitos, elementos, poderes, natureza, fins e princípios.

ESTADO
Há vários conceitos relacionados ao Estado, prevalece a ideia de que é uma forma organizacional cujo significado
é de natureza política. Na linguagem internacional, quando se fala em Estado está se fazendo referência ao País,
por exemplo, O Estado Brasileiro.

ELEMENTOS DO ESTADO
Quanto a estes, podemos lembrar-nos de nossa época colegial em que estudávamos povo, território e soberania,
esses são os elementos do Estado.

PODERES DO ESTADO
Vem da ideia de Montesquieu em que os Poderes do estado são: Poder executivo, Legislativo e o Judiciário. Das
teorias de Montesquieu extrai-se o Princípio da Separação dos Poderes, presente no art. 2º da CF/88. Em tempos
passados, o rei concentrava os poderes executivo, legislativo e judiciário. Ou seja, criava as normas, administrava
o Estado e exercia a jurisdição. A história das sociedades revela que houve muitos momentos em que a sociedade
pleiteou mudanças nessa situação despótica. Assim, no século XVIII, o chamado século das luzes, formou-se um
movimento chamado de Constitucionalismo, encabeçado pela burguesia, que visava limitar o poder do rei, já que o
rei era absoluto.
Nessa época, Montesquieu, aperfeiçoando os ensinamentos de Aristóteles, reafirma que o poder não deve se con-
centrar nas mãos do Rei. Afirma que deve haver uma separação dos poderes, que não devem se concentrar na
mão de uma só pessoa, pois isso gera excesso, arbitrariedade. A ideia que haja pessoas diferentes concentrando
cada poder e que uma fiscalize a outra, a ideia de freios e contrapesos, assim quando um poder se excede, os
outros o trazem para uma situação de harmonia, de regularidade.
De forma que essa separação na nossa constituição foi estabelecida no Art. 2º, que diz que os poderes são inde-
pendentes e harmônicos entre si. Essa independência se perfaz com a ideia da harmonia, que essa separação não
é absoluta, mas sim relativa, porque essa harmonia é justamente a ideia da fiscalização que um poder exerce sobre
o outro poder. De maneira específica, afirma-se que a separação de poderes tratada na constituição brasileira é
uma separação relativa.
Em vários momentos, a CF permite que um poder possa controlar o outro poder, para evitar excessos. Pode um
poder fiscalizar outro poder, desde que haja previsão expressa na constituição federal. Situações previstas pelo
poder constituinte originário. Uma vez que separação de poderes também é cláusula pétrea, conforma art. 60, § IV,
bem como as formas de controle.

www.cers.com.br 3
NATUREZA JURÍDICA DO ESTADO: Pessoa Jurídica de Direito Público
FINS DO ESTADO : art. 3° da CF/88
PRINCÍPIOS
Trata-se de conjunto de padrões de conduta presentes de forma explícita ou implícita. Verifica-se como norma geral
a ser seguida.
Quando se fala em Princípios, temos Constitucionais, Legais, tanto implícitos como expressos.
Os arts. 1º ao 4º da Constituição, englobam os princípios fundamentais da Carta Magna. Estão os Princípios não
apenas arrolados nesses artigos, mas estão espalhados pela Constituição. Inclusive, há princípios implícitos, que
não estão expressos na constituição.
De início, quando se fala em República Federativa do Brasil, já há aí dois princípios gerais muito importantes. Assim,
a expressão república vem do latim, res publica, a coisa é pública, a coisa é do povo. Trata-se de forma de governo,
é a relação entre governantes e governados. Já a relação entre o executivo e o legislativo é o que chamamos de
sistema de governo. Então a relação do executivo com seu parlamento, essa relação é ora com mais ou menos
dependência. Às vezes a dependência de um para o outro é tão intensa que um poder pode destituir, em tese, o
outro com uma mera “canetada”, como ocorre com o Parlamentarismo. Todavia, No Brasil, adota-se o presidencia-
lismo.

A forma de Estado diz respeito à possibilidade de repartição interna de poder político. Então aquela ideia que a
gente coloca que no Brasil, o presidente não comanda sozinho, pois também há governadores e prefeitos.
Na federação, há a união de países ou possíveis países que abrem mão da condição de ser país para o que o país
seja apenas um, um poder central, a federação. Faz-se, na verdade, um pacto pela existência da federação, deno-
minado comumente de pacto federativo.
Então, considerando os elementos mínimos do Estado, quais sejam o povo, o território e a soberania. Abre-se mão
da soberania, mas conserva-se a autonomia política financeira e administrativa.
A autonomia política refere-se a atos importantes, como a escolha de seus governantes. Por exemplo, tomando por
base a hipótese de haver território federal no Brasil, não possui este autonomia política, uma vez que compete ao
presidente a escolha de seu governante. Mais um aspecto da autonomia política é a capacidade para legislar, au-
tonomia para instituir tributos, entre outros.

A autonomia financeira diz respeito à capacidade de aplicar em seus territórios os recursos arrecadados.
A autonomia administrativa diz respeito à autogestão de cada ente federativo.
Ou seja, à república federativa coube a soberania. Aos Estados, Municípios e União, coube a autonomia político-
financeira e administrativa.
Não se confundem a República Federativa do Brasil com a União, uma vez que a primeira é pessoa jurídica de
direito público externo, relação internacional e a segunda, pessoa jurídica de direito público interno, que tem em
comum o mesmo chefe, o presidente, uma particularidade do presidencialismo brasileiro. O Presidente é chefe de
Estado e chefe de Governo. Assim, para atos de natureza internacional, ele é chefe de Estado, para atos internos,
ele é chefe de governo.
Ex. Cabe ao Presidente celebrar tratados internacionais, Art. 84, VIII, CF/88. Trata-se de atuação como chefe de
Estado.

Assim, os entes federados firmaram um pacto pela Federação. Segundo Art. 1º da Constituição Federal, essa união,
esse pacto é indissolúvel. PRINCÍPIO DA INDISSOLUBILIDADE DO PACTO FEDERATIVO.
Na Federação, não se permite a secessão. A ideia da federação não se confunde com a ideia da confederação, já
que a última é a união de países em torno de objetivos comuns sem abrir mão da soberania, sem perder sua
condição de país. Assim, na confederação permite-se a secessão.
O poder constituinte originário fez a previsão no art. 60, § 4º, I, como cláusula pétrea.
O regime de governo, por quem efetivamente vai se dar o gerenciamento do país. No Brasil tem-se a democracia,
ou seja, governo popular. O art. 14 da CF já estabelece essa ideia.
Quando se fala em democracia brasileira, tem-se uma democracia semidireta, a maioria dos atos são exercidos
pelos representantes do povo, porém há a possibilidade de o povo diretamente se manifestar, como por exemplo, a
ação de iniciativa popular, o referendo e etc.
Assim, afirma-se, no citado Art. 1º, que a República Federativa é formada no Estado Democrático de Direito. Estado
democrático, governo popular. Estado de Direito, estado regido por normas, Estado em que a autoridade máxima

www.cers.com.br 4
não é uma autoridade concreta, mas abstrata, qual seja, a própria lei. Todos devem obediência às leis. O Brasil é
um Estado regido por normas, elaboradas com a participação popular.
Os Princípios Fundamentos do Estado Democrático de Direito, Art. 1º. São princípios Estáticos da Constituição.
Diferentemente dos chamados princípios objetivos, presentes no art. 3º da CF/88, no sentido de metas a serem
alcançadas.

Outro importante fundamento é o Princípio da Separação dos Poderes, presente no art. 2º da CF/88.
Conforme demonstrado anteriormente, a separação dos poderes no Brasil é relativa, de forma que um poder pode
controlar o outro dentro dos limites já previstos expressamente na Constituição Federal.
Esse foi um problema quando surgiu a emenda 45, quando esta trouxe uma nova forma de controle, ao criar o CNJ,
já que o CNJ é composto por pessoas que não fazem parte do judiciário, de acordo com artigo 103-B, CF/88.
Na Constituição há várias formas de controle de um poder por outro. Por exemplo, os membros do STF, órgão de
cúpula do judiciário são escolhidos pelo Presidente da República, que tem essa escolha aprovada pelo Senado
Federal (art. 101, pú, CF/88). Por sua vez, se o Presidente comete crime de responsabilidade, o foro competente
para julgamento é o Senado Federal, Art. 52 da CF/88, se um Senador cometer um crime comum, quem julgará é
o STF, Art. 102, CF/88.

As contas do STF, ainda, são julgadas pelo Tribunal de Contas da União, órgão auxiliar do Poder Legislativo.
Já as contas do Presidente da República, essas são julgadas pelo congresso nacional, Art. 49, IX, porém as contas
referidas serão apreciadas, ou seja, emissão de um parecer, pelo TCU, Art. 71, I.
Observação deve ser feita com relação ao Art. 31, § 2º, que trata da emissão de parecer pelo Tribunal de Contas
do Estado ou do Município, em relação às contas do prefeito. Esse parecer só poderá ser rejeitado pelo voto de 2/3
da casa respectiva.
Em relação aos chefes do executivo estadual e federal, aplica-se o quórum geral, Art. 47, CF/88, que diz que as
deliberações do Congresso Nacional, suas casas e comissões, serão tomadas, em regra, serão tomadas pela mai-
oria relativa, estando presente a maioria absoluta. Maioria absoluta, mais da metade do todo; maioria relativa, mai-
oria dos presentes.

Compete, ainda, tomar as contas do Presidente da República à Câmara dos Deputados, conforme Art. 51, II, CF/88.
Trata-se de procedimento apuratório investigativo, em relações as ditas contas, quando o Presidente não apresentar
voluntariamente suas contas sessenta dias a contar da abertura da sessão legislativa, como regra, o funcionamento
ordinário do Congresso nacional, 02 de fevereiro, ou primeiro dia útil subsequente.
Compete sustar o ato do presidente que exorbita a seu poder regulamentar, ao Congresso Nacional, Art. 49, V,
CF/88.
Em relação às Funções dos Poderes. Existem as funções típicas e atípicas de cada poder. Não há exclusividade
de função, o que há é a predominância da função. Assim, o judiciário predominantemente vai julgar, mas também
vai administrar e legislar.
O art. 4º da CF/88 dispõe sobre os princípios da relação internacional. São normas gerais que o Brasil deverá tomar
quando das suas relações internacionais.

Art. 4º A República Federativa do Brasil rege-se nas suas relações internacionais pelos seguintes princípios:
I - independência nacional;
II - prevalência dos direitos humanos;
III - autodeterminação dos povos;
IV - não intervenção;
V - igualdade entre os Estados;
VI - defesa da paz;
VII - solução pacífica dos conflitos;
VIII - repúdio ao terrorismo e ao racismo;
IX - cooperação entre os povos para o progresso da humanidade;
X - concessão de asilo político.
Como visto, quanto ao parágrafo único deste artigo, na hipótese de aplicação desse artigo, o Brasil tende a uma
confederação, uma vez que não se abre mão da soberania. Veja-se:
Parágrafo único. A República Federativa do Brasil buscará a integração econômica, política, social e cultural dos
povos da América Latina, visando à formação de uma comunidade latino-americana de nações.

www.cers.com.br 5
GOVERNO

Conforme aponta Rodolfo Alves Pena, O Estado é formado pelo conjunto de instituições públicas que representam,
organizam e atendem (ao menos em tese) os anseios da população que habita o seu território. Entre essas institui-
ções, podemos citar o governo, as escolas, as prisões, os hospitais públicos, o exército, dentre outras.
Em sendo assim, o governo é apenas uma das instituições que compõem o Estado, com a função de administrá-lo.

DIREITO ADMINISTRATIVO. CONCEITO,OBJETO E FONTES


CONCEITO

Segundo o doutrinador Hely Lopes Meirelles "o Direito Administrativo é o conjunto harmônico de princípios jurídicos
que regem os órgãos, os agentes e as atividades públicas tendentes a realizar, concreta, direta e imediatamente,
os fins desejados pelo Estado"
Para o jurista Marçal Justen Filho, “o Direito Administrativo é o conjunto das normas jurídicas que disciplinam as
atividades administrativas necessárias à realização dos direitos fundamentais e a organização e o funcionamento
das estruturas estatais e não estatais, encarregadas de seu desempenho”.

Convém ressaltar que o conceito de Direito Administrativo não é unânime pela doutrina, de forma que surgiram
critérios para defini-lo, são eles:

a) Critério do Poder Executivo: essa corrente estabelece que a função administrativa está relacionada unicamente
as atividades do Poder Executivo, porém esta corrente não prosperou, visto que os outros Poderes (Legislativo e
Judiciário) também executam atos administrativos.
b) Critério das Relações Jurídicas: determina que o Direito Administrativo tem como objetivo regular a relação entre
a Administração Pública e seus administrados. Este critério não foi o suficiente, pois o Direito Administrativo também
rege as suas relações internas.
c) Critério do Serviço Público: segundo esta corrente, o Direito Administrativo se resume a disciplinar de organiza-
ção e gestão dos serviços públicos prestados, contudo, sabe-se atualmente Administração Pública executa outras
atividades além desta.
d) Critério Teleológico ou Finalístico: determina que o Direito Administrativo é um conjunto de princípios e normas
que disciplinam a atividade concreta do Estado para consecução de fins de utilidade pública. Oswaldo Aranha definiu
este critério como “(...) a forma de ação do Estado-poder, quer dizer, a ação de legislar e executar, e a sua organi-
zação para efetivar essa forma, quer dizer, os meios de sua ação”.
e) Critério Negativo ou Residual: é um critério baseado na exclusão, isto é, aquelas atividades que não pertences-
sem aos demais ramos do direito, por exclusão, pertenceriam ao Direito Administrativo, não cabendo neste caso as
atividades legislativas e jurisdicionais.
f) Critério da Administração Pública: trata-se do conceito atual de Direito Administrativo trazido por Hely Lopes
Meirelles.

OBJETO
De acordo com a jurista Maria Sylvia Di Pietro, “o Direito Administrativo tem por objeto as atividades desenvolvidas
para a consecução dos fins estatais, excluídas a legislação e a jurisdição ou somente esta."

FONTES
 LEI
A lei é a mais importante fonte do Direito Administrativo brasileiro, sendo considerada fonte primária.
 A jurisprudência
Podemos conceituar a jurisprudência com o conjunto reiterado de decisões dos Tribunais, acerca de um determi-
nado assunto, no mesmo sentido.
 Os costumes
Podem ser entendido como um conjunto de regras informais, não escritas, praticado habitualmente no interior da
Administração com a consciência de que é obrigatório.
 A doutrina

www.cers.com.br 6
Representa a opinião dos juristas, cientistas e teóricos do Direito sobre a melhor interpretação ou possíveis inter-
pretações das normas administrativas. Tem a função de esclarecer e explicar o correto conteúdo das leis, bem como
influenciar a própria criação de novas leis.

ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA
É a atividade desenvolvida pelo Estado ou seus delegados, sob o regime de Direito Público, destinada a atender de
modo direto e imediato, necessidades concretas da coletividade.

PRINCÍPIOS E PODERES DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA


Princípio é o fundamento de existência de algo, de algum sistema ou ciência; normas fundamentais. Tudo que é
criado é baseado no principio.
Quantas vezes, em nossas relações, já ouvimos, ou até mesmo falamos “a princípio....”, por exemplo, a princípio,
para passar em um concurso público tem que estudar. Assim, poderíamos, então, elaborar o “princípio geral da
aprovação”, entre outros.
Vendo então, dessa forma simples, podemos concluir que princípio nada mais é que uma regra geral.

O Direito Administrativo elaborou os seus PRINCÍPIOS. Alguns foram acolhidos pela CF/88, no entanto já haviam
sido contemplados pela doutrina.
Verifica-se, hoje, em nossa Constituição Federal, que há princípios expressos e implícitos em seu texto. Trata-se
de uma questão bastante explorada pelas bancas de concursos, pois muitos visualizam apenas os princípios básico,
gerais, da Administração Pública, que ora, são expressos no art. 37, caput da CF/88. Todavia, lembre-se que há
princípios tanto na Constituição Federal, quanto em outras normas, ora expressos, ora implícitos.
Princípios da Administração Pública:
Constitucionais: (Art. 37)

LEGALIDADE
IMPESSOALIDADE
MORALIDADE
PUBLICIDADE
EFICIÊNCIA

Outros Princípios:

RAZOABILIDADE
PROPORCIONALIDADE
FINALIDADE
HIERARQUIA
SUPREMACIA DO INTERESSE PÚBLICO SOBRE O PRIVADO
ESPECIALIDADE
TUTELA
AUTOTUTELA
CONTINUIDADE DO SERVIÇO PÚBLICO
PRESUNÇÃO DE LEGITIMIDADE OU VERACIDADE
SEGURANÇA JURÍDICA

PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA:

1 - LEGALIDADE:
É o princípio básico de todo o Direito Público.O princípio da legalidade é o que fundamenta o próprio Estado de
Direito; marco de passagem do Estado arbitrário para o Estado de Direito, não cabe ao estado fazer o que quer e
sim o que a lei determina – onde todos estão subordinados às suas próprias leis, inclusive os que a criam. “Admi-
nistrar é aplicar a Lei de Ofício”. O administrador está rigidamente preso à lei, desse modo a atuação do adminis-
trador deve ser confrontada com a lei.

www.cers.com.br 7
A doutrina costuma usar a seguinte expressão: enquanto na atividade particular tudo o que não está proibido é
permitido, na Administração Pública é o inverso, ela só pode fazer o que a lei permite, deste modo, tudo o que não
está permitido é proibido. Qualquer ato administrativo está subordinado à lei.

2 - IMPESSOALIDADE:
Possui duas vertentes:
Destinatário do Ato
Na primeira, qualquer ato da Administração Pública deve zelar pelo interesse público, não pessoal
Remetente do Ato
Na outra, os atos são imputados à entidade a que se vincula o agente público, não a ele próprio.
O ato não é do administrador e sim da Administração.

3 - MORALIDADE:
A moralidade foi transformada em princípio jurídico.
Moralidade administrativa não é pura e simplesmente a regra moral, os valores de cada um e sim a preservação do
interesse público. Não é suficiente a administração cumprir a lei. Há condutas que objetivamente podem ser lícitas,
legais, no entanto, contrariam valores inerentes ao interesse público.
O Direito Administrativo elaborou um conceito próprio de moral, diferente da moral comum. A moral administrativa
significa o dever de o administrador não apenas cumprir a lei formalmente, mas cumprir substancialmente, procu-
rando sempre o melhor resultado para a administração. Toda atuação do administrador é inspirada no interesse
público.

JUSTO – HONESTO - LEGAL


A exploração deste princípio está relacionada à improbidade administrativa - imoralidade qualificada. (Lei 8429/92)

4 - PUBLICIDADE:
Todo Ato administrativo deve ser público, exceto quando a lei estipular que se deve guardar sigilo. A natureza do
Ato pode requerer este sigilo como nos casos de segurança nacional ou de interesse público. Destina-se, de um
lado, à produção dos efeitos externos dos atos administrativos.

5 - EFICIÊNCIA:
Introduzido pela emenda constitucional 19/88, que tratou da Reforma administrativa, esse princípio veio explicitar a
regra que já estava ínsita tacitamente na Administração Pública. A administração pública deve buscar na sua pres-
tação de serviço público a melhor qualidade, maior especificidade possível. Obedecer ainda à relação qualidade x
tempo. Onde se presta o serviço com a melhor qualidade e menor tempo.
OUTROS PRINCÍPIOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA:

6 - RAZOABILIDADE:
Os poderes concedidos à Administração devem ser exercidos na medida necessária ao atendimento do interesse
coletivo, sem exacerbações. A Administração Pública deve atuar de conduta comum, normal e razoável em confor-
midade com o previsto.

7 - PROPORCIONALIDADE:
É um desdobramento da razoabilidade. Adotando a medida necessária para atingir o interesse público almejado, o
Administrador age com proporcionalidade. Os meios equivalem aos fins.

8 - FINALIDADE: Toda atuação do administrador se destina a atender o interesse público.


O interesse público pode ser:
Primário – identifica-se com o de toda a coletividade. É o interesse coletivo.
Secundário – é o pertinente à Pessoa Jurídica de Direito Público. Ex.: a União tem interesse secundário em pagar
menos aos seus servidores.

9 - HIERARQUIA

www.cers.com.br 8
A Administração Pública é instituída de forma organizacional. Composta por órgãos, autoridades superiores e auto-
ridades inferiores.
Atuação do poder hierárquico: DELEGAÇÃO - AVOCAÇÃO - REVISÃO, do ato administrativo pelos superiores.
DELEGAÇÃO: delega as funções e atribuições aos subordinados.
AVOCAÇÃO: vai chamar para si a função que de início seria do subordinado.
REVISÃO: vai revisar os atos praticados pelos subordinados. Deferimento ou indeferimento.

PODER DISCIPLINAR X PODER HIERÁRQUICO


Poder Disciplinar – capacidade que tem a administração de verificar os ilícitos administrativos. Mais amplo.
Poder Hierárquico _ específico para punição de irregularidades administrativa, pelo superior ao subordinado.
Está contido no poder disciplinar.

10 - SUPREMACIA DO INTERESSE PÚBLICO SOBRE O PRIVADO:


É a essência do regime jurídico administrativo. Toda ação do agente público há de se voltar para assegurar a ordem
pública. A Administração Pública nas suas relações sempre se posiciona de forma privilegiada, voltada justamente
para o interesse público. O Sistema Jurídico concede prerrogativas ao estado para defender o interesse público.
Nas suas relações de Direito Administrativo há uma superioridade do poder público e não uma relação de igualdade.

11 - ESPECIALIDADE
Pelo Princípio da especialidade, a entidade ou o órgão quando criado tem que cumprir o fim para qual foi criado.
Assim, quando o Governo cria um novo Ministério, por exemplo, ele tem que cumprir a missão para a qual foi
instituído. Um vez criado o Ministério da Saúde, este terá que tratar sobre saúde, não sobre educação, pois para
isso, temos o Ministério da Educação, o do Transporte para o transporte e assim por diante.Cabe a entidade insti-
tuidora fiscalizar, verificando se o órgão ou Entidade instituída está cumprindo a sua missão.

12 - TUTELA
Refere-se a controle, fiscalização. A possibilidade que tem uma pessoa jurídica governamental de controlar outra
pessoa jurídica ou, ainda, um poder controlando um outro poder.
O art. 2°, da CF/88, dita que os Poderes são autônomos, porém, harmônicos entre si, esta “harmonia”, revela a
possibilidade de um Poder controlar o outro, desde que expressamente previsto na Constituição.
Muito utilizado, também, este princípio, quando da atuação da Administração Direta controlando a Administração
Indireta, o Ministério (Adm. Direta) controlando, fiscalizando uma de suas entidades vinculadas (Adm. Indireta).

13 - AUTOTUTELA:
Um poder controlando a si próprio – Autocontrole. A Administração tem o dever de zelar pela legalidade e eficiência
dos seus próprios atos. É por isso que se reconhece à Administração o poder-dever de declarar a nulidade dos seus
próprios atos praticados com infração à Lei.
Em consequência desse Princípio da Autotutela, a Administração:
Não precisa ser provocada para reconhecer a nulidade dos seus próprios atos;
Não precisa recorrer ao Judiciário para reconhecer a nulidade dos seus próprios atos.
SUM.STF – 473 : “A Administração tem o poder de reconhecer a nulidade dos seus próprios atos”.
É a Administração zelando pelos seus próprios atos.
É, ainda, em conseqüência da Autotutela, que existe a possibilidade de a Administração revogar os atos adminis-
trativos que não mais atendam às finalidades públicas – sejam inoportunos, sejam inconvenientes – embora sejam
legais.
Em suma, a autotutela se justifica para garantir à Administração:
a. A defesa da legalidade dos seus atos;
b. a defesa da eficiência dos seus atos.

14 - CONTINUIDADE DO SERVIÇO PÚBLICO:


Exercita a necessidade coletiva, exige a continuidade do serviço público, que não pode parar.
Efeitos principais:
Impenhorabilidade, não se encontra sujeito à penhora.
Imprescritibilidade, não se encontra sujeito ao usucapião.

www.cers.com.br 9
O serviço público destina-se a atender necessidades sociais. É com fundamento nesse princípio que nos contratos
administrativos não se permite seja invocada pelo particular a exceção do contrato não cumprido.

15 - PRESUNÇÂO DE LEGITIMIDADE OU VERACIDADE: Presume-se que o ato administrativo foi criado em obe-
diência a todos os requisitos legais; criado de acordo com a lei.
Presunção:

RELATIVA: admite-se que prove o contrário. É verdadeiro até que se prove o contrário. “ Juris tantum “
ABSOLUTA: não se admite que prove o contrário. “ juris et de júris”
OBS.:
Todo ato administrativo é de presunção relativa.

16 - SEGURANÇA JURÍDICA
A administração Pública deve-se portar em suas relações de forma a preservar a intenção inicial do ato.
Exemplo de institutos que proporcionam segurança jurídica:
a. Ato Jurídico perfeito - Constituído em conformidade com a lei anterior ( na época da realização do ato). A nova
lei não pode modificar
b. Coisa Julgada - O que é dito em definitivo. Não cabe mais recurso
c. Direito Adquirido - Está incorporado ao patrimônio do cidadão. Quando se cumprem todos os requisitos exigidos
pela lei. Usa quando quiser

JURISPRUDÊNCIA
Jurisprudência do STF: "Não cabe recurso extraordinário por contrariedade ao princípio constitucional da legalidade,
quando a sua verificação pressuponha rever a interpretação dada a normas infraconstitucionais pela decisão recor-
rida." (Súmula 636.)
“(...) o art. 2º da Lei distrital 3.189/2003, ao exigir a destinação de verba pública ao custeio de evento particular, com
fins lucrativos, sem a necessária contrapartida (...), desatende ao princípio republicano e à impessoalidade admi-
nistrativa. Como bem afirmou o advogado-geral da União, ‘a destinação de verbas públicas para o custeio de evento
cultural tipicamente privado, sem amparo no regime jurídico-administrativo, traduz-se em favorecimento a segmento
social determinado, incompatível, portanto, com o interesse público e com os preceitos constitucionais da impesso-
alidade e da moralidade administrativa (art. 37, caput, da CR)’. Ademais, constato que a inconstitucionalidade ma-
terial também alcança o art. 1º, o qual dispõe sobre a inclusão ‘no calendário de eventos oficiais do Distrito Federal
o Brasília Music Festival, a ser realizado anualmente, preferencialmente no mês de setembro’. Isso porque o referido
artigo, apesar de parecer irrelevante, concede ao particular especificamente envolvido favorecimento desproporci-
onal, ao assegurar, por exemplo, seja seu evento divulgado por propaganda oficial, o que não se coaduna com os
princípios da impessoalidade administrativa. Faz-se necessário ressaltar que, na hipótese, em que pese a roupagem
supostamente geral dos arts. 1º e 2º da Lei 3.189/2003, tem-se que, na realidade, ambos possuem destinatário
muito específico. É que o ‘Brasília Music Festival’, ao contrário do que se depreende de leitura imediata do diploma
legislativo, é evento previamente idealizado e planejado por um único e conhecido empreendedor particular, o qual
poderá, de forma indeterminada no tempo, organizar seu evento com exclusividade e apoio financeiro direto do
Governo do Distrito Federal.” (ADI 4.180, voto do rel. min. Gilmar Mendes, julgamento em 11-9-2014, Plenário, DJE
de 7-10-2014.)
“Competência do CNMP para promover a fiscalização dos princípios constitucionais da administração pública, con-
sagrados no art. 37, caput, da CF, entre eles o princípio da moralidade, que rege a vedação ao nepotismo. É inexe-
quível a precisão dos interesses públicos e privados envolvidos, ressalvando-se, ademais, a obrigatoriedade de o
poder público pautar seus atos pelo respeito aos princípios da administração pública, em especial, no caso dos
autos, aos da legalidade e da impessoalidade (art. 37, caput, da CF/1988). A edição de atos regulamentares ou
vinculantes por autoridade competente para a orientação da atuação dos demais órgãos ou entidades a ela vincu-
lados quanto à configuração do nepotismo não retira a possibilidade de, em cada caso concreto, proceder-se à
avaliação das circunstâncias à luz do art. 37, caput, da CF/1988.” (MS 31.697, rel. min. Dias Toffoli, julgamento em
11-3-2014, Primeira Turma, DJE de 2-4-2014.)

“Em atenção (...) aos princípios da impessoalidade e isonomia, que regem a admissão por concurso publico, a
dispensa do empregado de empresas públicas e sociedades de economia mista que prestam serviços públicos deve

www.cers.com.br 10
ser motivada, assegurando-se, assim, que tais princípios, observados no momento daquela admissão, sejam tam-
bém respeitados por ocasião da dispensa. A motivação do ato de dispensa, assim, visa a resguardar o empregado
de uma possível quebra do postulado da impessoalidade por parte do agente estatal investido do poder de demitir.
Recurso extraordinário parcialmente provido para afastar a aplicação, ao caso, do art. 41 da CF, exigindo-se, entre-
tanto, a motivação para legitimar a rescisão unilateral do contrato de trabalho.” (RE 589.998, rel. min. Ricardo Le-
wandowski, julgamento em 20-3-2013, Plenário, DJE de 12-9-2013, com repercussão geral.)
"Não há empecilho constitucional à edição de leis sem caráter geral e abstrato, providas apenas de efeitos concretos
e individualizados. Há matérias a cujo respeito a disciplina não pode ser conferida por ato administrativo, deman-
dando a edição de lei, ainda que em sentido meramente formal. É o caso da concessão de pensões especiais. O
tratamento privilegiado a certas pessoas somente pode ser considerado ofensivo ao princípio da igualdade ou da
moralidade quando não decorrer de uma causa razoavelmente justificada. (...) No caso, tanto a petição inicial
quanto os atos decisórios das instâncias ordinárias se limitaram a considerar ‘imoral’ a lei que concedeu pensão
especial a viúva de prefeito falecido no exercício do cargo por ter ela conferido tratamento privilegiado a uma pessoa,
sem, contudo, fazer juízo algum, por mínimo que fosse, sobre a razoabilidade ou não, em face das circunstâncias
de fato e de direito, da concessão do privilégio. Com maior razão se mostrava indispensável um juízo sobre o
elemento subjetivo da conduta, para fins de atribuir responsabilidade civil, relativamente aos demandados que exer-
ciam o cargo de vereador, investidos, constitucionalmente, da proteção de imunidade material (= inviolabilidade)
pelos votos proferidos no exercício do mandato (CF, art. 29, VIII). Se é certo que tal imunidade, inclusive para efeitos
civis, é assegurada até mesmo em caso de cometimento de crime, não se há de afastá-la em casos como o da
espécie, que de crime não se trata e em que sequer a intenção dolosa foi aventada." (RE 405.386, rel. p/ o ac. min.
Teori Zavascki, julgamento em 26-2-2013, Segunda Turma, DJE de 26-4-2013.)
“(...) configurada a prática de nepotismo cruzado, tendo em vista que a assessora nomeada pelo impetrante para
exercer cargo em comissão no TRT 17ª Região, sediado em Vitória/ES, é nora do magistrado que nomeou a esposa
do impetrante para cargo em comissão no TRT 1ª Região, sediado no Rio de Janeiro/RJ. A nomeação para o cargo
de assessor do impetrante é ato formalmente lícito. Contudo, no momento em que é apurada a finalidade contrária
ao interesse público, qual seja, uma troca de favores entre membros do Judiciário, o ato deve ser invalidado, por
violação ao princípio da moralidade administrativa e por estar caracterizada a sua ilegalidade, por desvio de fina-
lidade.” (MS 24.020 Rel. Min. Joaquim Barbosa, julgamento em 6-3-2012, Segunda Turma, DJE de 13-6-2012.)

“Ação direta de inconstitucionalidade. Lei federal 9.755/1998. Autorização para que o TCU crie sítio eletrônico de-
nominado Contas Públicas para a divulgação de dados tributários e financeiros dos entes federados. (...) O sítio
eletrônico gerenciado pelo TCU tem o escopo de reunir as informações tributárias e financeiras dos diversos entes
da federação em um único portal, a fim de facilitar o acesso dessas informações pelo público. Os documentos
elencados no art. 1º da legislação já são de publicação obrigatória nos veículos oficiais de imprensa dos diversos
entes federados. A norma não cria nenhum ônus novo aos entes federativos na seara das finanças públicas, bem
como não há em seu texto nenhum tipo de penalidade por descumprimento semelhante àquelas relativas às hipó-
teses de intervenção federal ou estadual previstas na CF, ou, ainda, às sanções estabelecidas na Lei de Respon-
sabilidade Fiscal. Ausência de inconstitucionalidade formal por ofensa ao art. 163, I, da CF, o qual exige a edição
de lei complementar para a regulação de matéria de finanças públicas. Trata-se de norma geral voltada à publicidade
das contas públicas, inserindo-se na esfera de abrangência do direito financeiro, sobre o qual compete à União
legislar concorrentemente, nos termos do art. 24, I, da CF. A norma não representa desrespeito ao princípio fede-
rativo, inspirando-se no princípio da publicidade, na sua vertente mais específica, a da transparência dos atos do
poder público. Enquadra-se, portanto, no contexto do aprimoramento da necessária transparência das atividades
administrativas, reafirmando e cumprindo, assim, o princípio constitucional da publicidade da administração
pública (art. 37, caput, CF/1988).” (ADI 2.198, rel. min. Dias Toffoli, julgamento em 11-4-2013, Plenário, DJE de 19-
8-2013.)

“Inquérito – Publicidade. Norteia a Administração Pública – gênero – o princípio da publicidade no que deságua na
busca da eficiência, ante o acompanhamento pela sociedade. Estando em jogo valores, há de ser observado o
coletivo em detrimento, até mesmo, do individual.” (HC 102.819, Rel. Min. Marco Aurélio, julgamento em 5-4-2011,
Primeira Turma, DJE de 30-5-2011.)
"A anulação, por via judicial, de questões de prova objetiva de concurso público, com vistas à habilitação para
participação em fase posterior do certame, pressupõe a demonstração de que o impetrante estaria habilitado à
etapa seguinte caso essa anulação fosse estendida à totalidade dos candidatos, mercê dos princípios constitucio-
nais da isonomia, da impessoalidade e da eficiência. O Poder Judiciário é incompetente para, substituindo-se à

www.cers.com.br 11
banca examinadora de concurso público, reexaminar o conteúdo das questões formuladas e os critérios de correção
das provas, consoante pacificado na jurisprudência do STF. (...) ressalvadas as hipóteses em que restar configu-
rado, tal como in casu, o erro grosseiro no gabarito apresentado, porquanto caracterizada a ilegalidade do ato pra-
ticado pela administração pública. Sucede que o impetrante comprovou que, na hipótese de anulação das questões
impugnadas para todos os candidatos, alcançaria classificação, nos termos do edital, habilitando-o a prestar a fase
seguinte do concurso, mediante a apresentação de prova documental obtida junto à comissão organizadora no
exercício do direito de requerer certidões previsto no art. 5º, XXXIV, b, da CF, prova que foi juntada em razão de
certidão fornecida pela instituição realizadora do concurso público." (MS 30.859, rel. min. Luiz Fux, julgamento em
28-8-2012, Primeira Turma, DJE de 24-10-2012.)

“No caso, é notória a razoabilidade da Lei 8.112/1990, ao exigir genericamente a idade mínima de dezoito anos
para a investidura em cargo público, uma vez que a própria CF proíbe expressamente o exercício de qualquer
trabalho a menores de dezoito anos, salvo na condição de aprendiz, a partir de quatorze anos (art. 7º, XXXIII, da
Carta). De fato, tendo em conta o grau de responsabilidade e a essencialidade dos servidores públicos ao correto
andamento da máquina administrativa, não se pode igualar o exercício de função pública às atribuições acometidas
a um aprendiz. Dessa forma, como exposto na decisão agravada, reafirma-se o entendimento do STF de que a lei
pode limitar o acesso a cargos públicos, desde que haja justificativa em razão da natureza do cargo, assim como
ocorre com as disposições do art. 5º, V, da Lei 8.112/1990.” (RE 425.760-AgR, voto do rel. min. Roberto Barroso,
julgamento em 29- 10-2013, Primeira Turma, DJE de 20-2-2014.)
"O princípio da razoabilidade é conducente a presumir-se, como objeto do concurso, o preenchimento das vagas
existentes. Exsurge configurador de desvio de poder, ato da administração pública que implique nomeação parcial
de candidatos, indeferimento da prorrogação do prazo do concurso sem justificativa socialmente aceitável e publi-
cação de novo edital com idêntica finalidade." (RE 192.568, Rel. Min. Marco Aurélio, julgamento em 23-4-1996,
Segunda Turma, DJ de 13-9-1996.) No mesmo sentido: RE 419.013-AgR, Rel. Min. Carlos Velloso, julgamento em
1º-6- 2004, Segunda Turma, DJ de 25-6-2004.
"Cabe ao Poder Judiciário verificar a regularidade dos atos normativos e de administração do poder público em
relação às causas, aos motivos e à finalidade que os ensejam. Pelo princípio da proporcionalidade, há que ser
guardada correlação entre o número de cargos efetivos e em comissão, de maneira que exista estrutura para atua-
ção do Poder Legislativo local." (RE 365.368-AgR, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, julgamento em 22-5-2007, Pri-
meira Turma, DJ de 29-6-2007.) No mesmo sentido: ADI 4.125, Rel. Min. Cármen Lúcia, julgamento em 10-6-2010,
Plenário, DJE de 15-2-2011.

"Constitucional. Concurso público para cargo de técnico de provimento de apoio. Exigência de três anos de habili-
tação. Inexistência de previsão constitucional. Segurança concedida. O que importa para o cumprimento da finali-
dade da lei é a existência da habilitação plena no ato da posse. A exigência de habilitação para o exercício do cargo
objeto do certame dar-se-á no ato da posse e não da inscrição do concurso." (MS 26.668, MS 26.673 e MS 26.810,
Rel. Min. Ricardo Lewandowski, julgamento em 15-4-2009, Plenário, DJE de 29-5-2009.) No mesmo sentido: MS
26.862, Rel. Min. Ayres Britto, julgamento em 15-4-2009, Plenário, DJE de 22-5-2009.
“(...) configurada a prática de nepotismo cruzado, tendo em vista que a assessora nomeada pelo impetrante para
exercer cargo em comissão no TRT 17ª Região, sediado em Vitória/ES, é nora do magistrado que nomeou a esposa
do impetrante para cargo em comissão no TRT 1ª Região, sediado no Rio de Janeiro/RJ. A nomeação para o cargo
de assessor do impetrante é ato formalmente lícito. Contudo, no momento em que é apurada a finalidade contrária
ao interesse público, qual seja, uma troca de favores entre membros do Judiciário, o ato deve ser invalidado, por
violação ao princípio da moralidade administrativa e por estar caracterizada a sua ilegalidade, por desvio de finali-
dade.” (MS 24.020 Rel. Min. Joaquim Barbosa, julgamento em 6-3-2012, Segunda Turma, DJE de 13-6-2012.)
“A anistia política é ato vinculado. Comprovados os requisitos previstos na lei e no regulamento, é dever da Admi-
nistração declará-la. A ausência de qualquer desses requisitos impede o reconhecimento desse direito. Decorre do
poder de autotutela o dever das autoridades de revisar, de ofício, os atos administrativos irregulares que impliquem
ônus ao Estado, como é o caso da declaração da condição de anistiado político [Súmulas 346 e 473, STF]. Prece-
dente: RMS 21.259, Rel. Min. Sepúlveda Pertence, DJ de 8-11-1991. Não há violação do disposto no art. 2º, pará-
grafo único, XIII, da Lei 9.784/1999 quando o ato de anulação for praticado com fundamento no poder de autotutela
da Administração Pública.” (RMS 25.988, Rel. Min. Eros Grau, julgamento em 9-3-2010, Segunda Turma, DJE de
14-5-2010.) No mesmo sentido: RMS 31.027-ED, rel. min. Dias Toffoli, julgamento em 26-6-2012, Primeira Turma,
DJE de 14-9-2012; RMS 30.993-ED, rel. min. Celso de Mello, julgamento em 22-5-2012, Segunda Turma, DJE de

www.cers.com.br 12
1º-8-2012; RMS 31.111-AgR, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, julgamento em 20-3-2012, Segunda Turma, DJE de
2-4-2012.

“O art. 37, IX, da Constituição do Brasil autoriza contratações, sem concurso público, desde que indispensáveis ao
atendimento de necessidade temporária de excepcional interesse público, quer para o desempenho das atividades
de caráter eventual, temporário ou excepcional, quer para o desempenho das atividades de caráter regular e per-
manente. A alegada inércia da administração não pode ser punida em detrimento do interesse público, que ocorre
quando colocado em risco o princípio da continuidade da atividade estatal.” (ADI 3.068, Rel. p/ o ac. Min. Eros
Grau, julgamento em 24-2-2006, Plenário, DJ de 23-9-2005.) No mesmo sentido: ADI 3.247, rel. min. Cármen Lúcia,
julgamento em 26-3-2014, Plenário, DJE de 18-8-2014.

www.cers.com.br 13