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Planejamento nas organizações - uma abordagem teórica

Caio Cesar Oliveira Motta (FAP) caiomotta2000@gmail.com

Resumo
O presente artigo trata sobre planejamento, seu conceito e aplicações, segundo os principais
autores sobre o assunto e tem como autor o aluno do curso de Engenharia de Produção da
Faculdade Pitágoras Caio César Oliveira Motta. Para atingir seu objetivo, tal artigo é estruturado
nos seguintes tópicos: Planejamento, Princípios do Planejamento, Filosofias do Planejamento,
Tipos de Planejamento Considerações finais.
Nos primeiros tópicos - Planejamento, Princípios do Planejamento, Filosofias do Planejamento e
Tipos de Planejamento - o autor demonstra as características fundamentais do Planejamento em si,
ou seja, a teoria do Planejamento. No último tópico - Apresentação de caso - o autor demonstra o
tema através de um caso típico de Planejamento bem sucedido.
Concluindo, o autor finaliza demonstrando opiniões adquiridas durante a elaboração do artigo,
juntamente com a pesquisa bibliográfica.
Palavras chave: Planejamento, Organizações.

1. Planejamento Nas Organizações.


Primordial para o sucesso das organizações e base de sua existência, o planejamento é o tema que
será abordado no presente artigo. A princípio por exigência acadêmica, consequentemente por
cognição da extrema necessidade da sua utilização para obtenção de sucesso na aplicabilidade das
estratégias organizacionais e finalmente a fim de ampliar meu conhecimento empírico. Ao abstrair a
idéia contida na intenção do planejamento pode-se dizer que há uma busca de inovação,
rompimento com o antigo. Seria coerente, portanto, afirmar que um planejamento encerra em si a
idéia de um futuro desejado. Quando, de alguma forma, se é arrebatado por esta intenção, o passo
seguinte é o como faço acontecer o que planejei dentro do curto, médio e longo prazo. Neste artigo
farei a exposição do conceito, da aplicação, da distinção dos tipos, sua representatividade nas
organizações e projeções do planejamento. Com base na bibliografia pesquisada, o artigo estrutura-
se nos seguintes tópicos: Planejamento: conceitos, onde faço uma análise das teorias que tratam do
Planejamento; Princípios do Planejamento que fundamentaram a operacionalização do
Planejamento; As filosofias do Planejamento que ditam as particularidades do planejamento
conforme Ackoff (1974); Os tipos de Planejamento que envolve a organização como um todo, em
todos os seus níveis – institucional, intermediário e operacional e Considerações finais que trará
uma síntese dos resultados, apreciação critica e pessoal, tendo em vista os objetivos propostos.
2. Planejamento: Conceitos
O segredo de andar sobre as águas é saber onde as pedras ficam (AUTOR DESCONHECIDO).Tal
citação é uma metáfora interessante para mostrar uma das principais etapas de qualquer negócio de
sucesso - o planejamento.
O planejamento permite uma antevisão do cenário, reduzindo o grau de dúvidas e surpresas da
negociação e do ambiente geral da organização. Tal qual sugere um mestre do jogo de xadrez, que
consegue perceber vários lances à frente da jogada, o negociador experiente estuda e planeja muito
antes de sentar à mesa e iniciar a negociação. Reduzir a área de incertezas é um dos objetivos do ato
de planejar, além de procurar saber e aprender tudo que for possível sobre a outra parte.
Compreende a definição das metas de uma organização, o estabelecimento de uma estratégia global
para alcançar essas metas e o desenvolvimento de uma hierarquia de planos abrangentes para
integrar e coordenar atividades.
III EMEPRO – Belo Horizonte, MG, Brasil 07 a 09 de junho de 2007.

Contrário à estratégia relaciona-se diretamente com "como fazer" e não com "o que fazer". Embora
alguns autores não considerem a correlação existente entre eficácia, eficiência e efetividade no
processo do planejamento todos mencionam uma ou outra ao conceituarem o planejamento.
Planejar é um processo desenvolvido para o alcance de modo mais eficiente, eficaz e efeito com a
melhor concentração de esforços e recursos pela organização (OLIVEIRA,2002). Já para Stoner
(1994), planejamento é o processo de estabelecer objetivos e as linhas de ação adequadas para
alcançá-los, a eficiência e a eficácia seguem paralelas com os aspectos do planejamento.
Contudo, o propósito do planejamento pode ser definido com o desenvolvimento de processos,
técnicas e atitudes administrativas, as quais proporcionam uma situação viável de avaliar as
implicações futuras de decisões presentes em função dos objetivos organizacionais que facilitarão a
tomada de decisão no futuro, de modo mais rápido, efetivo, eficiente e eficaz. Dentro deste
raciocínio, pode-se afirmar que o exercício sistemático do planejamento tende a reduzir a incerteza
envolvida no processo decisório e, consequentemente, provocar o aumento da probabilidade de
alcance dos objetivos, desafios e metas estabelecidos para a organização.
Devido à complexidade do conceito de planejamento, ele pode ser confundido também com
previsão, projeção, predição, resolução de problemas ou plano como no exemplo abaixo:
− Previsão: verificação dos eventos que poderão ocorrer com base nos registros de uma série de
probabilidades.
− Projeção: mostra a situação em que o futuro tende a ser igual ao passado em sua estrutura
básica.
− Predição: mostra em que o futuro tende a ser diferente ao passado, mas a organização não tem
nenhum controle sobre o processo e desenvolvimento.
− Resolução de problemas: corresponde a soluções imediatas que procuram tão somente a
correção de certas descontinuidades e desajustes entre a organização e o ambiente externo.
− Plano: é o limite da formalização do planejamento, uma visão estratégica do planejamento, uma
decisão em que a relação custo x beneficio deve ser observada.

3. Princípios do Planejamento.
Os princípios do planejamento fundamentam a sua operacionalização, que deve visar sempre os
objetivos da organização, buscando maximizar os resultados e minimizar as deficiências. Pois é
passível de modificações provocadas por aqueles que executam as tarefas, gerando a necessidade de
treinamento, substituição, transferência, funções, avaliações, etc. Com base na atitude e visão
interativa diante do planejamento, devemos considerar, como específicos, os quatro princípios
abaixo:
− Planejamento participativo: o papel do responsável não é, simplesmente, elaborá-lo mas facilitar
o processo se sua elaboração pela própria organização e deve ser realizado pelas áreas
pertinentes ao projeto.
− Planejamento coordenativo: todos os aspectos envolvidos devem ser planejados de forma que
atuem interdependentes.
− Planejamento integrado: geralmente os objetivos são escolhidos de “cima para baixo” e os
meios para atingi-los de “baixo para cima”.
− Planejamento permanente: essa condição é exigida pela própria turbulência do ambiente, pois
nenhum plano o mantém seu valor com o tempo.

Portanto é de extrema importância estar atentos aos princípios gerais e específicos do planejamento,
pois estes lhe proporcionarão bases mais sólidas para o processo decisório inerente ao planejamento
na organização.

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4. Filosofias do Planejamento
Para Ackoff (1974), existem três tipos de filosofias de planejamento dominantes, as quais serão
explanadas a seguir.
4.1. Filosofia da satisfação:
Essa filosofia designa os esforços para atingir um mínimo de satisfação, mas não necessariamente
para excedê-la. Para Ackoff (1974), satisfazer é fazer 'suficientemente bem' mas não
necessariamente 'tão bem' quanto possível. Portanto deve-se atingir uma satisfação boa mas não é
necessário utilizar toda a capacidade da organização em prol da meta de atingir a máxima satisfação
possível. Nessa filosofia as estruturas não são alteradas pelo fato de se encontrar resistências a sua
implementação e os objetivos aceitos, às vezes, não convém a organização. É dada grande ênfase ao
orçamento e suas projeções, não se preocupando com desenvolvimento e sim com sobrevivência.
4.2. Filosofia da otimização:
Nesta filosofia o importante não é só fazer bem e sim fazer o melhor possível. Caracteriza-se pelas
técnicas matemáticas, dados estatísticos, de simulações e de pesquisa operacional. Os objetivos são
formulados em termos quantitativos, por serem reduzidos a uma escala comum (monetária) e
combinados em uma medida geral e ampla de desempenho. Salienta-se que essa filosofia de
planejamento tornou-se amplamente divulgada com o desenvolvimento da informática, da
tecnologia da informação e de modelos organizacionais que foram elaborados na área de pesquisa
operacional e outras áreas.
4.3. Filosofia de adaptação:
Chamada também de planejamento inovativo, essa filosofia ensina que o valor planejamento não
está nos planos e sim no processo de execução dos mesmos. Ela supõe que a maior parte da
necessidade de planejar hoje vem da falta de eficácia administrativa e de controles, e que a certeza e
a incerteza requerem diferentes tipos de planejamento, comprometimento e adaptação. Nessa
filosofia considera-se que um desequilíbrio pode vir a reduzir a eficiência do sistema de modo
efetivo precisando restabelecer o equilíbrio.
5. TIPOS DE PLANEJAMENTO
Na consideração de grandes níveis hierárquicos, pode-se distinguir três tipos de planejamento:
estratégico, tático e operacional. O planejamento estratégico é o processo administrativo que
proporciona sustentação metodológica para estabelecer a melhor direção a ser seguida pela
organização; o tático tem por objetivo otimizar determinada área de resultados e não a organização
como um todo e trabalha com decomposições dos objetivos, estratégicos e políticas estabelecidas no
planejamento estratégico; e por fim o operacional pode ser considerado como formalização,
principalmente através de documentos escritos, das metodologias, de desenvolvimento e
implementações estabelecidas e correspondem a um conjunto de partes homogêneas do
planejamento tático.
5.1. Planejamento em nível estratégico:
Esse nível da organização e composto pelos dirigentes da organização, que têm de se defrontar com
o alto índice de incerteza existente nos seus ambientes de tarefa e geral para tornar as decisões não-
programadas e cujos efeitos são projetados a longos períodos de tempo que constituem em si o
planejamento estratégico. O planejamento estratégico é definido no nível institucional da
organização e exige a participação integrada dos demais níveis organizacionais: do nível
intermediário através dos planos táticos e do nível operacional através dos planos operacionais.
Entretanto requer muita originalidade, pois é o ponto de referência dos planos táticos e
operacionais. Como envolve toda a organização, todos seus níveis, todos seus recursos, todas suas
potencialidades e habilidades devem obter efeito sinergístico para interação de todos os aspectos.
Os objetivos organizacionais - determinados pelo planejamento estratégico - são as pretensões ou
propósitos da organização, os quais tornados em conjunto definem sua própria razão de ser ou de
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existir, eles precisam ser transladados para objetivos mais concretos e de níveis mais baixos para
poderem ser colocados em termos operacionais. Os principais objetivos de uma organização podem
ser agrupados em quatro categorias: lucro, expansão, segurança e a autonomia ou independência.
Onde o lucro, a segurança e a autonomia são, basicamente, objetivos de sobrevivência da
organização, enquanto a expansão é um objetivo de crescimento organizacional. O lucro não é uma
causa e sim uma conseqüência, ele é o que os técnicos querem dizer quando falam sobre feedback.
Embora seja um de seus principais objetivos, uma organização pode sobreviver anos sem apresentar
lucros, caso ela possua fluxo de caixa suficiente. As organizações devem concentrar-se na liquidez,
na produtividade e na estratégia de crescimento. A liquidez é fundamental para sua sobrevivência; a
produtividade não é um fator macroeconômico e deve concentrar no melhor uso do dinheiro,
recursos físicos e do tempo; e finalmente a estratégia de crescimento é a busca constante da
organização em aumentar seu market share ou sua fatia de mercado. Para alguns autores a obrigação
fundamental da organização em um sistema de livre iniciativa é gerar lucros para cumprir suas
obrigações com seus acionistas e proporcionar um fluxo de caixa adequado para saldar seus
compromissos financeiros. O planejamento estratégico envolve cinco etapas principais:
determinação dos objetivos organizacionais, análise ambiental, análise interna da organização e de
seus recursos, geração, avaliação e seleção de alternativas estratégicas e implementação da
estratégia escolhida através de planos táticos e operacionais.
5.2. Planejamento em nível tático:
Como já vimos, planejamento é o conjunto de tomada de decisões para determinar os objetivos de
uma organização e os meios para alcançá-lo. Porém entre o nível estratégico e o nível operacional
existem grandes diferenças de postura, visão, objetivos próximos e de linguagem. O nível
estratégico trabalha com níveis de incertezas devido às forças macro ambientais e externas à
organização, já o nível operacional trabalha com certezas recebidas da programação de suas
atividades. O nível que interliga esses dois extremos é o nível tático. Esse nível é que irá traduzir as
decisões estratégicas para o nível operacional em projetos concretos e que irá fornecer grande parte
da certeza que possui esse ultimo nível citado. Em suma, planejamento tático é a gama de decisões
tomadas dentro da organização que não a atingem como um todo, mas que também não são
especificas de uma determinada tarefa, ou seja, são decisões intermediarias. Vejamos essa definição
de Chiavenato (2002), planejamento tático é o conjunto de tomada deliberada e sistemática de
decisões envolvendo empreendimentos mais limitados, prazos mais curtos, áreas menos amplas e
níveis mais baixos da hierarquia da organização.Com isso, vemos que o planejamento tático é algo
limitado, mas que possui uma abrangência maior que o nível operacional englobando, geralmente,
departamentos da organização. Por isso, diz-se que esse nível de planejamento tem um conceito
relativo e que a diferença entre o nível tático e o estratégico é que o planejamento tático esta
relacionado com as atividades presentes ou em um futuro próximo, com o controle e integração das
operações atuais da organização e que focaliza a alocação atual de recursos. O planejamento tático
produz um resultado imediato: o plano. Tal plano é o resultado do planejamento e é o processo
intermediário entre o planejamento em si e a implementação do mesmo. Cada plano possui o
propósito de prever, programar e coordenar uma seqüência lógica de eventos, os quais deverão
conduzir a organização ao sucesso. Portanto, o plano deve linear e marcar o curso das ações a serem
seguidas em busca dos objetivos do planejamento.
− Implementação dos planos táticos: Os planos táticos têm por objetivos integrar as decisões
tomadas pelo nível estratégico e delimitá-los para orientar o nível operacional em suas
atividades. Tais planos devem ser implementados baseados nas políticas e diretrizes da
organização. Segundo Chiavenato (2002), política é um guia genérico para a ação. Portanto, a
política é o fator guia para implementar os planos táticos. Os benefícios de se implantar um
plano baseado na política da organização são vários e entre podemos citar: elas estabilizam a
organização, estabelecem uma identidade básica, configuram o planejamento da empresa e
asseguram uma aceitação do público.

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5.3. Planejamento em nível operacional:


O planejamento operacional e visto como um sistema que começa com os objetivos determinados
pelo planejamento tático, desenvolvimentos planos e procedimentos que proporcionam meios e
condições para otimizar e maximizar os resultados. Caracteriza-se por focar o curto prazo e por
abordar apenas uma tarefa ou operação. Trabalha com a organização vista como um sistema
fechado e é constituída por planos operacionais voltados para a eficiência.
Esses planos podem ser classificados em quatro tipos:
− Procedimentos: estão relacionados com os métodos. Constituem os passos ou etapas que são
seguidos para a execução dos planos, tem como finalidade evitar o caos das atividades através
da direção, coordenação e articulações das operações da organização.
− Orçamentos: está relacionado com dinheiro dentro de um período de tempo determinado. Temos
como exemplo fluxos de caixa, orçamentos departamentais de despesas, orçamentos de
encargos sociais, entre outros.
− Programas ou programações: estão relacionados com o tempo. São planos que correlacionam
tempo e atividade a seres executadas. Variam de programas simples - como cronograma - até
programas complexos como o PEPT.
− Regras e regulamentos: estão relacionados com o comportamento organizacional. Determinam o
que as pessoas podem fazer e o que não devem fazer e como devem se comportar em
determinadas situações.

6. CONSIDERAÇOES FINAIS
O grande desafio da indústria foi, por muito tempo, obter autos índices de produtividade dos ativos
no chão de fábrica. Hoje, o que tem se demonstrado eficiente na melhoria da rentabilidade das
empresas está relacionado à estratégia, principalmente, na implementação de ferramentas avançadas
de planejamento. Com isso pude perceber, durante todo esse artigo, que o planejamento é
fundamental para qualquer organização que quer permanecer no mercado atual, competitivo e
impiedoso. Tudo o que vimos nesse artigo - filosofias, tipos, conceitos, princípios - são
características que devem ser avaliadas a cada elaboração de planejamento para que o mesmo não
seja incompleto e ineficiente. Apesar de que não se deve esquecer que tais características são
caminhos a serem percorridos e não regras. Da mesma forma penso que o planejamento nos leva a
antever, responder questões importantes, mas sem perder de vista de que tudo isso é uma "matéria-
prima" que nos ajudará a estruturar nosso negócio ou organização, permitindo-nos até fazer uso do
recurso do improviso, importante em função da instabilidade do ambiente externo. Assim, o
planejamento deve atingir organizações de todos os portes.
7. REFERENCIA BIBLIOGRÁFICA
ROBBINS, STHEPHAN P.(2002) - Administração. Mudanças e Perspectivas. 116-135p
CHIAVENATO, IDALBERTO(2002) - Administração de Empresas. Uma Abordagem Contingencial. 247-327p
OLIVEIRA, DJALMA DE PINHO(2004) - Planejamento Estratégico. Conceito, Metodologia e Práticas.
STONER, JAMES A. F; FREEMAN, EDWARD(1994) - Administração. 133-153p.
ACKOFF, RUSSELL L. (1976) - Planejamento Empresarial.