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QUESTÕES OAB

1- Paulo, João e Pedro, mutuários, contraíram empréstimo com Fernando,


mutuante, tornando-se, assim, devedores solidários do valor total de R$
6.000,00 (seis mil reais). Fernando, muito amigo de Paulo, exonerou-o da
solidariedade. João, por sua vez, tornou-se insolvente. No dia do vencimento
da dívida, Pedro pagou integralmente o empréstimo. Como resolver-se-á
obrigação?

Paulo foi exonerado, ou seja, o credor renunciou à sua solidariedade.(Art.282)com


isso, ele não deixou de ser devedor, mas apenas deixou de ser devedor solidário, não
podendo ser cobrado mais pela totalidade do débito. Paulo responderá JUNTO AO
CREDOR por R$ 2.000,00. (Enunciado 349). No momento em que Pedro faz o
pagamento integral ele passa a ter o direito de regredir contra os demais devedores,
exigindo de cada um à sua quota parte, nesse caso, R$ 2.000,00 de cada (CC, art.
283). Se algum devedor for declarado insolvente, como aconteceu com João, a quota
dele deverá ser rateada entre os demais devedores, inclusive aquele que houver sido
exonerado pelo credor (CC, 284).
Por tudo isso, a resposta correta é a letra B. Pedro arcará com R$ 3.000,00 e poderá
cobrar R$ 3.000,00 de Paulo, pois ambos responderam tanto pela sua quota parte
tanto quanto pela divisão da parte do insolvente.

2- No dia 2 de agosto de 2014, Teresa celebrou contrato de compra e venda


com Carla, com quem se obrigou a entregar 50 computadores ou 50
impressoras, no dia 20 de setembro de 2015. O contrato foi silente sobre
quem deveria realizar a escolha do bem a ser entregue. Sobre os fatos
narrados, como resolverá a obrigação.

Trata-se de obrigação alternativa, a qual tem como objeto duas ou mais prestações
(objeto múltiplo), e o devedor exonera-se cumprindo apenas uma delas. A palavra-
chave desta obrigação é a conjunção ou, e, como regra geral, a escolha da
obrigação cabe ao devedor, como não foi convencionado o contrário, a este cabe a
escolha. (Art 252). Podendo entregar 50 computadores ou 50 impressoras, pois,
sob a egide do Art 252 §1, não pode o devedor obrigar o credor a receber parte em
uma prestação e parte em outra. Assim, Carla resolveria a obrigação alterntativa.

2- Gilvan (devedor) contrai empréstimo com Haroldo (credor) para o


pagamento com juros do valor do mútuo no montante de R$ 10.000,00. Para
facilitar a percepção do crédito, a parte do polo ativo obrigacional ainda
facultou, no instrumento contratual firmado, o pagamento do montante no
termo avençado ou a entrega do único cavalo da raça manga larga marchador
da fazenda, conforme escolha a ser feita pelo devedor. Qual espécie
obrigacional?

Como na questão o contrato firmado permite que o devedor cumpra a prestação


pagando o empréstimo em dinheiro ou com a entrega de um cavalo manga larga,
trata-se de uma obrigação alternativa (ou disjuntiva), prevista nos arts. 252/256, CC.
Nesse tipo de obrigação há uma pluralidade de prestações heterogêneas, porém estas
estão ligadas pela disjuntiva “ou”. Obrigação alternativa é a que compreende dois ou
mais objetos e extingue-se com a prestação de apenas um, ou seja, existe obrigação
alternativa quando se devem várias prestações, mas, por convenção das partes,
somente uma delas será cumprida, sendo que no caso à escolha do devedor.(Art. 252)

4- Donato, psiquiatra de renome, era dono de uma extensa e variada biblioteca,


com obras de sua área profissional, importadas e raras. Com sua morte, seus
três filhos, Hugo, José e Luiz resolvem alienar a biblioteca à Universidade do
Estado, localizada na mesma cidade em que o falecido residia. Como Hugo vivia
no exterior e José em outro estado, ambos incumbiram Luiz de fazer a entrega
no prazo avençado.Luiz, porém, mais preocupado com seus próprios negócios,
esqueceu-se de entregar a biblioteca à Universidade, que, diante da mora,
notificou José para exigir-lhe o cumprimento integral em 48 horas, sob pena de
resolução do contrato em perdas e danos. A Universidade poderia chamar José
ao processo se a entrega da coisa foi incumbida a Luiz?

Sim, pois o objeto da obrigação for um bem indivisível, por natureza, motivo de ordem
econômica ou pela razão do próprio negocio jurídico (Art 258), a qualquer um dos
devedores pode ser cobrado a divida toda(Art 259), neste caso, sendo a biblioteca
indivisível pela razão do negócio jurídico, a qual inclui obras raras e importadas
formando um todo indivisível, apesar de Luiz ter sido incumbido a entregar a coisa,
José também se obriga a dívida toda, caso a entrega não seja feita em 24horas será
resolvida em perdas e danos, a qual perderá a qualidade de indivisível (Art 263),
sendo a culpa atribuída unicamente a Luiz pelo seu esquecimento, este responderá
sozinho pela indenização de perdas e danos (§2 Art 263).

5- Ary celebrou contrato de compra e venda de imóvel com Laurindo e,


mesmo sem a devida declaração negativa de débitos condominiais,
conseguiu registrar o bem em seu nome. Ocorre que, no mês seguinte à sua
mudança, Ary foi surpreendido com a cobrança de três meses de cotas
condominiais em atraso. Inconformado com a situação, Ary tentou, sem
sucesso, entrar em contato com o vendedor, para que este arcasse com os
mencionados valores. Ary é a responsável pelo pagamento ou quem
responde é o credor primitivo não encontrado?

Perante o condomínio, Ary deverá arcar com o pagamento das cotas em atraso,
pois se trata de obrigação propter rem, entendida como aquela que está a cargo
daquele que possui o direito real sobre a coisa e, comprovadamente, imitido na
posse do imóvel adquirido.artigo 1.345 do Código Civil de 2002: "o adquirente de
unidade responde pelos débitos do alienante, em relação ao condomínio, inclusive
multas e juros moratórios." O que pode ocorrer por parte de Ary é um ajuizamento
de ação de regresso quando ao antigo vendedor, pois o debito (schuld) foi gerado
por ele, apesar de ser Ary quem detém a responsabilidade (haftung).

6-Cássio, mutuante, celebrou contrato de mútuo gratuito com Felipe, mutuário,


cujo objeto era a quantia de R$ 5.000,00, em 1º de outubro de 2016, pelo prazo de
seis meses. Foi combinado que a entrega do dinheiro seria feita no parque da
cidade. No entanto, Felipe, após receber o dinheiro, foi furtado no caminho de
casa. Em 1º de abril de 2017, Cássio telefonou para Felipe para combinar o
pagamento da quantia emprestada, mas este respondeu que não seria possível,
em razão da perda do bem por fato alheio à sua vontade. Descreva como será
solucionada a obrigação.

Como a perca do bem se deu sob fato alheio a vontade do devedor, neste caso,
Felipe, a obrigação ficará resolvida diante do Art 234 do Codex, pois o furto sofrido por
Felipe à ele não recai culpa, sobre o assunto também garante o Art 393 “o devedor
não responde por prejuízos resultantes de caso fortuito ou força maior.”

7- A peça Liberdade, do famoso escultor Lúcio, foi vendida para a Galeria da


Vinci pela importância de R$ 100.000,00 (cem mil reais). Ele se comprometeu a
entregar a obra dez dias após o recebimento da quantia estabelecida, que foi
paga à vista. A galeria organizou, então, uma grande exposição, na qual a
principal atração seria a escultura Liberdade. No dia ajustado, quando dirigia
seu carro para fazer a entrega, Lúcio avançou o sinal, colidiu com outro veículo,
e a obra foi completamente destruída. O anúncio pela galeria de que a peça não
seria mais exposta fez com que diversas pessoas exercessem o direito de
restituição dos valores pagos a título de ingresso.
Sobre os fatos narrados, explique como será resolvida a obrigação.

A obrigação em questão se trata da espécie de dar coisa certa, a qual foi perdida
(totalmente destruída) por culpa do devedor, pois neste caso, Lúcio agiu com
imprudência ao avançar o sinal, neste caso incidirá sobre ele a segunda parte do Art
234, o qual respondera o devedor culpado pelo equivalente,acrescidos das perdas e
danos, nesse caso, Lucio pagará equivalente a obra neste caso, cem mil reais,pois a
restituição da coisa se fará pelo valor do bem na época que foi exigido (pg único, art
884). Além de indenizar a Galeria por perdas e danos gerados pela restituição dos
ingressos do evento que seria realizado.

8- Danilo celebrou contrato por instrumento particular com Sandro, por meio do
qual aquele prometera que seu irmão, Reinaldo, famoso cantor popular,
concederia uma entrevista exclusiva ao programa de rádio apresentado por
Sandro, no domingo seguinte. Em contrapartida, caberia a Sandro efetuar o
pagamento a Danilo de certa soma em dinheiro. Todavia, chegada a hora do
programa, Reinaldo não compareceu à rádio. Dias depois, Danilo procurou
Sandro, a fim de cobrar a quantia contratualmente prevista, ao argumento de
que, embora não tenha obtido êxito, envidara todos os esforços no sentido de
convencer o seu irmão a comparecer. A respeito da situação narrada, é correto
afirmar que Sandro?

Sandro não está obrigado a pagar a quantia contratualmente prevista, pois a


obrigação em questão se trata de obrigação de resultado a qual, só será extinta com o
cumprimento do estipulado,o adimplemento da prestação é uma condição necessária.
Logo, como Reinaldo não se apresentou no programa de TV, mesmo que Danilo tenha
desempenhado esforços para tal, não está Sandro obrigada a pagar qualquer valor,
pois o resultado o qual se foi prometido não foi executado.

9- Fernando, Cláudia, Lena e Ricardo adquiriram uma chácara para passarem os


finais de semana. Lá construíram uma casa, uma piscina e um campo de futebol.
Fernando, comunicado pelo caseiro da existência de uma rachadura na piscina,
contratou profissional capacitado para proceder ao conserto pela quantia de R$
2.000,00. Os outros três condôminos decidiram não pagar o gasto
efetuado.Considerando a situação hipotética apresentada, assinale a opção
correta acerca do pagamento da dívida contraída por Fernando.

A casuísta em questão é definida pelo Art 257 do Codex, “havendo mais de um


devedor na obrigação divisível, esta presume-se iguais e distintas quanto aos
devedores”, portanto, mesmo que Fernando tenha contratado o profissional para fazer
a obra, este tem direito de pedir uma ação regressiva perante os outros, logo também
se obrigam ao debito: a Claudia, Lena e Ricardo, como garante o parágrafo único do
Art 259 “ o devedor que paga a divida, subroga-se no direito do credor em relação aos
coobrigados.”

10- Felipe e Ana, casal de namorados, celebraram contrato de compra e venda


com Armando, vendedor, cujo objeto era um carro no valor de R$ 30.000,00, a
ser pago em 10 parcelas de R$ 3.000,00, a partir de 1º de agosto de 2016.Em
outubro de 2016, Felipe terminou o namoro com Ana. Em novembro, nem Felipe
nem Ana realizaram o pagamento da parcela do carro adquirido de Armando.
Felipe achava que a responsabilidade era de Ana, pois o carro tinha sido
presente pelo seu aniversário. Ana, por sua vez, acreditava que, como Felipe
ficou com o carro, não estava mais obrigada a pagar nada, já que ele terminara o
relacionamento. Armando procura seu(sua) advogado(a), que o orienta a cobrar:

Diante do Art. 257 “Havendo mais de um devedor ou mais de um credor em obrigação


divisível, esta presume-se dividida em tantas obrigações, iguais e distintas, quantos os
credores ou devedores”, a obrigação em questão será exigida de ambos os
devedores, mesmo que a posse do bem esteja com Felpe, Ana também se
responsabilizou pela obrigação, como não foi estipulado em contrário, presumem-se
iguais a divisão obrigacional, logo, no ajuizamento da ação de cobrança serão
chamados ao processo tanto Ana como Felipe, cada um, respondendo perante sua
quota parte.
11- Joana e suas quatro irmãs, para comemorar as bodas de ouro de seus pais,
contrataram Ricardo para organizar a festa. No contrato ficou acordado que as
cinco irmãs arcariam solidariamente com todos os gastos. Ricardo, ao requerer
o sinal de pagamento, previamente estipulado no contrato, não obteve sucesso,
pois cada uma das irmãs informava que a outra tinha ficado responsável pelo
pagamento.
Ainda assim, Ricardo cumpriu sua parte do acordado. Ao final da festa, Ricardo
foi até Joana para cobrar pelo serviço, sem sucesso.
Sobre a situação apresentada enquanto advogado de Ricardo, o que
aconselharia este a fazer.

A obrigação em questão trata-se de solidariedade passiva, podendo Ricardo ajuizar


demanda de cobrança em faça de qualquer uma das cinco irmãs, pois o credor tem o
direito de receber de um ou de alguns parcialmente ou totalmente o debito (Art. 275).
A solidariedade passiva garante ao credor uma maior segurança, dada uma vaga de
possibilidades maiores de cobrança do debito, seja integralmente ou totalmente, a um
ou mais devedores, desde que essa cobrança não recaia em abuso de direito por
parte do credor. (Art 187). Quando a relação interna entre as devedoras, após o
ajuizamento da denuncia poderá a ré requerer o chamamento da denuncia das demais
devedoras solidárias, sob a égide do Art 130, III do NCPC.