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UNIVERSIDADE ESTADUAL DO MARANHÃO - UEMA

NÚCLEO DE TECNOLOGIAS PARA EDUCAÇÃO - UEMAnet


UNIVERSIDADE ABERTA DO BRASIL - UAB
CURSO DE LICENCIATURA EM MÚSICA

Métodos e Técnicas de
Pesquisa em Música
Governador do Estado do Maranhão Edição
Flávio Dino de Castro e Costa Universidade Estadual do Maranhão - UEMA
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a prévia autorização desta instituição.

Universidade Estadual do Maranhão.Núcleo de Tecnologias para Educação.


Universidade Aberta do Brasil. Curso de Licenciatura em música.
Métodos e técnicas de pesquisa em Música/ Daniel Lemos Cerqueira.– São
Luís: UemaNet, 2017.

39 p.

ISBN:

1. Música- Maranhão. 2. Música - Técnica de pesquisa. I.Cerqueira, Daniel


Lemos. II.Título

CDU: 78(812.1)
SUMÁRIO
UNIDADE 1 – INTRODUÇÃO À PESQUISA CIENTÍFICA 5

1.1 Introdução 5

1.2 O pensamento científico 6

1.3 Problema, Hipótese e Questão Norteadora 8

1.4 Revisão de literatura 9

UNIDADE 2 – LEITURA E REDAÇÃO ACADÊMICA 13

2.1 Leitura analítica 13

2.2 Coesão textual 15

2.3 Coerência textual 16

2.4 Estruturação do texto 17

2.5 Normalização 18

2.6 Citações 19

UNIDADE 3 – MÉTODOS DE PESQUISA 21

3.1 Considerações iniciais 21

3.2 Métodos característicos das Ciências Naturais 22

3.3 Métodos característicos das Ciências Sociais e Humanas 23

3.4 Métodos característicos das Artes 26

UNIDADE 4 – PROJETOS DE PESQUISA 29

4.1 Recapitulando 30
4.2 Referências bibliográficas 31
4.3 Objetivos 31
4.4 Justificativa 32
4.5 Referencial teórico 33
4.6 Metodologia 33

4.7 Cronograma 35
4.8 Recursos 35
4.9 Introdução 36

4.10 Anexos 37

4.11 Elementos pré-textuais 37

4.12 Outras questões 37


APRESENTAÇÃO

Qualquer tentativa de escrever sobre metodologia da pesquisa científica é um trabalho arriscado, pois
há uma vasta literatura sobre o tema na qual dificilmente seria possível estar plenamente a par. Entretanto,
os manuais existentes ainda focam na concepção positivista de “conhecimento científico”. Felizmente, as
Ciências Sociais há décadas têm provido valiosas reflexões no sentido de questionar esta visão estabelecida
de “ciência”. Aqui, ela se resume à busca da verdade, e esta “verdade” não pode mais estar restrita apenas
ao pensamento lógico-racional, à objetividade e à impessoalidade. A intuição, a subjetividade e as nossas
emoções não apenas fazem parte de nossa visão sobre a “realidade”, mas permeiam objetivamente os
processos e resultados de qualquer pesquisa “científica”. A oralidade se torna um meio de documentação
tão valioso como a vida – até porque práticas culturais que só existem em documentos estão, na verdade,
mortas. Como disse o engenheiro Saulo de Tarso Cerqueira Lima, meu pai, “não existe ciência ‘exata’, pois
toda ciência é fruto da percepção humana”.
Este panorama permitiu introduzir neste breve e modesto e-Book, mas de forma pioneira, a pesquisa
artística. Ela leva às últimas consequências esta reformulação sobre as visões consolidadas de “ciência” e
“conhecimento”. E nada mais oportuno do que apresentá-la aos estudantes de música, para que possam
fazer uso da mesma não apenas para a “ciência”, mas para a vida – enquanto persistir este paradoxo. E,
logicamente, não abandonamos todo o conhecimento acadêmico produzido até então; isto seria um ato de
extrema irresponsabilidade. Apenas queremos acrescentar uma prática que é claramente inferiorizada nas
universidades brasileiras – a “menor das faculdades”, segundo Borgdorff (2012, p. 26) – apesar destas últimas
fazerem uso recorrente da produção artística quando convém, mas nunca no mesmo patamar da “ciência”.
Por fim, esperamos que esta experiência, acrescida de uma linguagem mais informal, possa proporcionar
maior interesse dos estudantes em relação à pesquisa científica, isto porque no sentido tradicional, o “rigor” e
a “objetividade” dificultam uma aproximação espontânea (a Pedagogia do Piano que o diga...). Tudo poderia
ser muito mais estimulante e interessante; basta pensar um pouco “fora da caixinha”.

Bons estudos!
Daniel Lemos
Pianista

Curso de Licenciatura em Música

4
Introdução à Pesquisa
Científica 1
UNIDADE

OBJETIVOS

• Refletir sobre o conceito de “pesquisa científica”;

• Compreender os procedimentos para revisão de literatura.

1.1 Introdução

A “pesquisa”, em um sentido mais amplo, está presente em nosso dia a dia. Ela acontece quando
buscamos informações, como saber a localização de uma rua, a receita para preparar um alimento, as
notícias do dia sobre política, economia e informações sobre eventos culturais na cidade. Sendo assim, o
ato de pesquisar envolve a busca por informações – ou melhor, pelo conhecimento – frente a algum tipo de
necessidade.
A diferença entre esta “pesquisa” cotidiana e o que chamamos de “pesquisa científica” se dá na maneira
como lidamos com as informações. Enquanto no dia a dia raramente nos preocupamos com a origem (ou
fonte) das mesmas e buscamos soluções rápidas para nossos problemas sem muita reflexão1 , na pesquisa
científica precisamos ser cuidadosos com a fonte e a autoria das informações, planejando de forma consciente
um caminho que vise a resolver os problemas encontrados – mesmo que eles não sejam “resolvidos” de fato2.
Outra preocupação muito importante da pesquisa científica é buscar por um conhecimento “novo”.
Curso de Licenciatura em Música
Porém, esse “novo” é relativo, pois todo conhecimento que produzimos provém de informações que já existiam,
ou seja: nenhuma novidade surge do “nada”. Podemos ilustrar aqui a 9ª Sinfonia de Ludwig van Beethoven
(1770-1827), que inovou no repertório sinfônico com a adição de um coral aos instrumentos da orquestra
de então – que possuía os naipes de cordas, madeiras, metais e percussão. Porém, não se trata de uma
inovação “pura”: os corais já existiam e a formação orquestral também. A “novidade” foi o insight – a ideia –
que Beethoven teve ao unir essas duas formações.

___________________________________________________

1
Alguns autores, como o sociólogo Boaventura Santos (2008), chamam essa prática de “senso comum”.
2
É importante reforçar que nenhuma pesquisa tem obrigação de apresentar resultados; há situações em que surgem mais perguntas
do que respostas. Pesquisa é, portanto, mais o percurso do que o fim.
5
1.2 O pensamento científico

Segundo nos diz Fonseca (2002, p. 11), “a ciência é uma forma particular de conhecer o mundo”.
Sua principal característica é apresentar conclusões3 norteadas pelo pensamento lógico-racional através
de estudos feitos por meio de abordagens qualitativas – análise de um objeto com maiores detalhes – ou
quantitativas – análise de uma amostra/quantidade maior de objetos. Os resultados (conclusões) destes
estudos são divulgados por meio de publicações (artigos, livros, monografias ou teses, entre outros) após
serem avaliados por pares – especialistas na área de conhecimento em questão4.
Historicamente, até meados do século XIX, a pesquisa científica focava apenas em estudos sobre
fenômenos da natureza, a exemplo da Física, Química, Astronomia e Biologia. Os estudos sobre os seres
humanos, conhecidos hoje como Ciências Sociais e Humanas, eram feitos até então por filósofos e teólogos
(GIL, 2008, p.3-4). Essas áreas foram incluídas na academia (e, portanto, na universidade) somente a partir
do século XIX, e suas ferramentas particulares de estudo – como entrevistas e questionários, por exemplo –
precisaram de tempo até serem aceitas como procedimentos “respeitáveis” de pesquisa científica.
A partir do século XX, estudos relacionados à Psicologia passaram a analisar outras formas de
pensamento além do lógico-racional e matemático que, por sua vez, dominavam os sistemas educacionais.
Como exemplo, mencionamos o trabalho de Jerome Bruner (1999), onde o autor destaca a relevância da
intuição no processo de ensino e aprendizagem. Há também, a “Teoria das Inteligências Múltiplas” de Howard
Gardner (2002) que, entre os sete tipos de inteligências que o autor propõe para o ser humano, está entre elas
a “inteligência musical”. Segue uma ilustração dos tipos de inteligência propostos por esta teoria (Figura 1).

Figura 1 - Teoria das Inteligências Múltiplas

Fonte: McGREAL, 2017 Curso de Licenciatura em Música

Sobre a intuição, este é um tipo de conhecimento humano produzido por meio de “impressões”,
emoções e sensações táteis – o músico e o artista em geral trabalham muito com essa forma de pensar, que
influencia constantemente suas decisões criativas e interpretativas. Logo, a intuição interfere diretamente
– “objetivamente” – nos estudos que abordam práticas artísticas e culturais, sendo incoerente deixar de
reconhecê-la no processo de pesquisa.

___________________________________________________

3
Para vários autores, em vasta literatura, o objetivo principal da ciência é a “busca pela verdade”.
4
Para conhecer mais sobre formas e meios de publicação científica, veja Marconi e Lakatos (2003, p. 252-271).
6
Apesar da pesquisa científica ainda priorizar o pensamento lógico-racional, temos observado nas
últimas décadas um forte movimento de diálogo entre a ciência e outras formas de pensamento e tipos de
informações, contemplando a intuição, as sensações táteis e a oralidade, entre outros5. Isso acontece porque o
conceito tradicional de “ciência” não tem se mostrado suficiente para responder às perguntas levantadas pelos
estudos que focam no ser humano6 e, em especial, nas Artes. Como reflexo dessas mudanças, observamos
um questionamento sobre a imagem do cientista como alguém que atua apenas em laboratórios fazendo
pesquisas “objetivas” e “impessoais” sem se envolver com questões políticas, econômicas e sociais – concepção
resultante do conceito de “pesquisa pura”, instituído como política mundial de Ciência e Tecnologia a partir
da década de 1950 (BORGDORFF, 2012, p. 86-88). Essa visão enfática do racionalismo e da objetividade,
que se tornou o pilar do conceito tradicional de “ciência”, tem sua origem no “Discurso do Método” de René
Descartes (2001). Segundo Vieira:

Foi com ele que aprendemos o que era a ciência, o método científico (no singular), a
objetividade. Foi esse Discurso do Método que marcou a ciência deste século [XX] e também a
pedagogia escolar e a educação em geral. [...] Ensinou-se a ler, contar, e escrever – educação
essencialmente racionalista, cognitivista. Não era importante a educação dos sentidos, o pensar
as emoções, o afeto entre docente e discente; a relação. O importante era o produto, o aluno
instruído, não o processo de levar a aprender, de educar, verdadeiramente. [...] Arrumamos
também assim o mundo de uma forma muito dualista: razão/emoção; racional/irracional;
instruído/analfabeto; etc. E assim continuamos a pensar, ainda, por vezes, hoje. (VIEIRA, 1999,
p. 22).

Apesar do debate contemporâneo apresentar novas propostas para o que se entende por “pesquisa
científica” e seus respectivos métodos7, a grande maioria das instituições que apoiam atividades de pesquisa
e regulamentações dos sistemas nacionais de educação ainda são norteadas por métodos tradicionais
estabelecidos no meio acadêmico, como no caso do Brasil. E conforme já discutimos anteriormente, para
propormos algo “novo” precisamos estar a par do que fora produzido.
Assim, vamos partir da elaboração de uma pergunta que aponta a existência de um “problema”, tal
como ocorre no método hipotético-dedutivo – recomendamos a leitura de Gil (2008)8 . Destacamos uma
interessante afirmação do musicólogo Paulo Castagna que trata sobre o real espírito da pesquisa científica:
“não pode existir um método padronizado de pesquisa que possa se enquadrar em qualquer tipo de trabalho,
pois se isso existisse, as pesquisas não teriam resultados diferentes” (CASTAGNA, 2008, p. 9). Por último,
acrescentamos que a área de Música é apenas uma das áreas do conhecimento que tem a música como
objeto de estudo. A diferença entre as pesquisas acontece nas abordagens e procedimentos adotados.

Curso de Licenciatura em Música

___________________________________________________

5
Na ciência, o registro de informação mais recorrente é a escrita.
6
Este tem sido um debate muito acalorado no meio acadêmico, para o qual recomendamos o trabalho de Sousa (2008).
7
O método é a abordagem ou procedimento que o cientista irá adotar em sua pesquisa, visando a resolver um problema ou estudar
um objeto. Para mais informações, recomendamos ler Gil (2008, p. 8-25).
8
Gil aborda esta questão nas páginas 12 e 13 de seu livro.
7
1.3 Problema, Hipótese e Questão Norteadora

Toda pesquisa emerge da necessidade de ampliar nosso conhecimento. Essa necessidade surge a
partir de alguma questão – “problema”9 – que observamos em uma determinada área – no nosso caso em
particular, a área de Música. A partir deste problema, podemos imaginar formas de resolvê-lo. Cada uma
dessas possíveis soluções é chamada de hipótese.” (obs: preservar o negrito na palavra “hipótese. A essa
pergunta damos o nome de hipótese.
A partir da hipótese e do problema, podemos formular uma pergunta capaz de representar o norte
de nossa pesquisa. Esta pergunta pode ser chamada de questão norteadora. Seguem adiante exemplos de
questões problematizadoras:

• Que tipo de aula de música é mais interessante para crianças de 2 a 3 anos?


• Como se dá o ensino de música em bandas marciais e de fanfarra?
• Seriam os métodos para ensino de teoria musical na Internet eficientes?
• Existe uma relação entre perda auditiva e músicos que tocam em grandes shows?
• Quais foram os músicos mais atuantes na cidade de Carolina ao longo da história?
• Qual era o repertório que circulava nos cinemas mudos de São Luís?
• Que técnicas composicionais Antônio Rayol utilizou em sua “Missa Solene”?
• Quais seriam as semelhanças estéticas entre os Romances Sem Palavras de Elpídio Pereira e a música
francesa do período Romântico?

É interessante observarmos que todas essas perguntas podem ser respondidas de diversas maneiras.
Isso depende essencialmente do método que cada um de nós iria desenvolver para respondê-las.
Nas abordagens qualitativas, procuramos focar em um objeto de pesquisa e estudá-lo com o maior
detalhamento possível. Por exemplo: para estudarmos o ensino de música em bandas marciais e de fanfarra
de maneira qualitativa, é melhor escolhermos uma banda específica – como a do 24.º Batalhão de Infantaria
Leve de São Luís, por exemplo – e estudar como ocorre o ensino e aprendizagem da música nesse contexto.
Já no estudo sobre a “Missa Solene”, de Antônio Rayol, a questão norteadora já indica que se trata de uma
obra em particular. Este tipo de trabalho, onde estudamos um objeto específico, se chama estudo de caso e
é bastante recorrente na área de Música.
Já nas abordagens quantitativas, buscamos estudar um grupo de objetos para tirar conclusões que
podem ser aplicadas de maneira mais geral. Tomemos como exemplo, a questão da perda auditiva de músicos
que trabalham em shows “grandes”, ou seja: onde há uso recorrente de amplificadores de som com alta
intensidade (“volume”). Um estudo possível seria selecionar trinta músicos que atuam nessas condições e Curso de Licenciatura em Música
aplicar um questionário para saber se eles sentem desconforto após os shows ou sinais de perda auditiva –
dados que seriam reforçados através de testes de audiometria10 e/ou da medição da intensidade sonora por
meio de um decibilímetro11 , mas que dependem dos recursos disponíveis da pesquisa para serem feitos. Os
resultados desse estudo consistiriam em uma análise estatística dos dados obtidos.

___________________________________________________

9
Sobre a formulação de problemas, recomendamos a leitura de Gil (2008, p. 33-40).
10
Exame médico que visa a detectar problemas de audição.
11
Equipamento utilizado para verificar a intensidade sonora de uma fonte ou ambiente que utiliza o decibel (dB) como unidade de
medida.
8
Outra questão importante diz respeito aos recursos disponíveis para o estudo. No Brasil, as pesquisas
de monografia geralmente ficam restritas ao material e pessoas disponíveis para a instituição. Além disso, elas
são elaboradas na maioria das vezes por iniciantes na pesquisa. Já nas dissertações de mestrado, há mais
tempo para realização (dois anos, por padrão) e o pesquisador já tem alguma experiência, enquanto nas teses
de doutorado há ainda mais tempo e experiência. Sendo assim, ao definir sua hipótese, converse com seu
orientador sobre a viabilidade da pesquisa que você pretende realizar naquele momento. Mas lembre-se que
esta é uma limitação temporária: você pode fazer uma pesquisa mais aprofundada em outro momento após a
graduação, possivelmente em uma especialização ou mestrado. Sendo assim, “guarde” sua hipótese anterior!

1.4 Revisão de literatura

Há casos em que temos dificuldade em definir uma hipótese de pesquisa. Isso ocorre principalmente
quando nós ainda não possuímos um conhecimento aprofundado sobre o contexto que pretendemos estudar.
No nosso caso, “Música” é uma vasta área do conhecimento, portanto, precisamos ser mais específicos para
definir o campo de pesquisa. Destacamos a convenção das atuais “subáreas” da Música no Brasil, com um
resumo bastante simples e geral dos trabalhos que as caracterizam:

• Educação Musical: foca nas teorias e práticas de ensino e aprendizagem da música em contextos
específicos;
• Musicologia: estuda o contexto histórico-cultural onde se situa a produção musical (Histórica) ou os
aspectos composicionais e estéticos dessas obras (Sistemática);
• Etnomusicologia: trata das manifestações sonoras ou musicais de culturas diversas do mundo, em
diálogo com a Antropologia;
• Performance Musical ou Práticas Interpretativas: aborda as práticas de composição e/ou interpretação
musical em contextos culturais específicos;
• Sonologia: trabalha as relações entre tecnologias de produção musical e sonora com o meio ambiente e/
ou sua interpretação pelo ser humano12 ;
• Musicoterapia: voltada para a utilização da produção musical e sonora sob fins de tratamento médico e
terapêutico;
• Música e Tecnologia: estuda as relações entre ferramentas tecnológicas, sua aplicação e influência nas
práticas musicais de diferentes contextos.

É possível, ainda, adicionar outra subárea intitulada “Música e Interfaces”, incluindo outras áreas do
conhecimento que também dialogam com a Música. Entre elas, há “Psicologia da Música” (estudos de Cognição
aplicados à prática musical), “Pedagogia da Performance Musical” (ensino e aprendizagem para instrumentistas, Curso de Licenciatura em Música
regentes e compositores), “Música e Comunicação” (trabalhos sobre as relações entre as mídias/os meios de
comunicação, a produção musical e as indústrias culturais) e “Saúde do Músico” (Medicina aplicada a problemas
de saúde recorrentes do trabalho dos músicos, como tendinite e surdez), entre outras. Um trabalho que aborda
mais detalhadamente os tipos de pesquisa em Música feitos no Brasil é o de Lia Tomás (2015).
A partir dessas breves definições, podemos definir qual subárea trabalha com assuntos mais próximos
daqueles que pretendemos abordar em nossa pesquisa. Depois, precisamos realizar uma revisão de literatura.
Este é um dos procedimentos de pesquisa mais importantes, pois é através do levantamento de trabalhos
publicados que podemos situar nosso “problema” e desenvolver uma questão norteadora (caso não haja
___________________________________________________

12
Esta subárea também se aproxima da Acústica, voltada ao estudo físico das ondas sonoras, e da Psicoacústica, que trabalha as
relações entre a propagação do som e a percepção humana.
9
nenhuma ainda). Vamos exemplificar: caso você esteja pretendendo desenvolver um estudo sobre ensino de
música na Educação Básica (escola regular), é necessário pesquisar trabalhos que tratam sobre esse tema, cuja
subárea mais próxima é a Educação Musical.
Há algumas décadas, a única forma de elaborar um levantamento bibliográfico (da literatura) era através
de bibliotecas. Na área de Música, as principais bibliotecas estão na região Sudeste, fato que tornava o acesso
a publicações muito restrito para quem reside no Maranhão. E mesmo nas bibliotecas em questão, quando
havia uma referência interessante que não estava disponível, era necessário comprá-la, podendo levar meses
para que a mesma chegasse. Hoje, com a Internet, é possível acessar de forma instantânea livros, artigos,
teses e trabalhos acadêmicos diversos de vários países. O Brasil possui periódicos (revistas acadêmicas) de
Música que oferecem livre acesso a seus artigos, além de bibliotecas virtuais com teses e dissertações. E
mesmo aquelas bibliotecas que não disponibilizam seu material para acesso virtual geralmente possuem um
catálogo on-line. Portanto, hoje é muito mais fácil realizar uma revisão de literatura e, além disso, mantê-la
atualizada – isso é muito importante! A revisão de literatura é um procedimento que precisamos refazer até o
fim de nossa pesquisa.
No contexto da Internet, a pesquisa é feita por palavras-chave, ou seja: termos que norteiam o assunto/
tópico que pretendemos estudar. Voltando ao exemplo anterior, “Educação Musical” e “Educação Básica” serão
palavras-chave importantes para fazer a pesquisa através dos mecanismos de busca na Internet 13.
Entretanto, ao ler os trabalhos encontrados e (se houver) seus resumos14 , você verá que há diversos
trabalhos sobre o ensino de música na Educação Básica. Logo, será necessário “filtrar” ou “refinar” o assunto,
direcionando-o por meio de questões mais específicas: que ciclos/anos da Educação Básica você pretende
abordar? Qual a faixa etária (idade) aproximada desses alunos? Qual é a quantidade de alunos por turma?
Em que escola onde você pretende desenvolver o trabalho? As respostas a essas perguntas ajudarão você

Recomendamos que você guarde/salve em seu computador ou celular os artigos,


teses, livros e outros trabalhos que considerar interessantes para sua pesquisa. É
fundamental organizarmos as informações para que, ao acessá-las no futuro, saibamos
onde elas estão. Um dos grandes motivos de atraso nas pesquisas é justamente quando
precisamos das informações, mas não sabemos aonde elas estão.

a delinear melhor o problema e formular uma questão norteadora – a pergunta que irá nortear sua pesquisa.
Além disso, você poderá criar outras palavras-chave, refinando a sua pesquisa na Internet.

Ao elaborar a revisão de literatura, é importante anotarmos os trabalhos que nos interessam em uma Curso de Licenciatura em Música
lista. Para nos habituarmos à redação acadêmica, precisamos elaborar essa lista com base nas normas
vigentes de referências bibliográficas. Quem dispõe sobre essas normas é a Associação Brasileira de Normas
Técnicas (ABNT). Em sua página virtual, há manuais que explicam e exemplificam as normas vigentes: http://

___________________________________________________

13
Exemplos desses mecanismos são o Google (http://www.google.com.br), Bing (http://www.bing.com) e Google Acadêmico (http://
scholar.google.com.br).
14
Dica: em uma revisão de literatura, sugerimos ler primeiro os resumos e ver as palavras-chave. É melhor ler os trabalhos apenas
se o resumo indicar que se trata de uma fonte interessante para você.

10
www.abnt.org.br. Periódicos e instituições também podem criar normas próprias, desde que não entrem em
conflito com aquelas da ABNT. Este é o caso da Universidade Estadual do Maranhão (UEMA), que define suas
normas próprias no “Manual para Normalização de Trabalhos Acadêmicos” (BAIMA et al., 2014).
Podemos nos organizar sabendo que informações básicas devem aparecer em qualquer tipo de
referência bibliográfica. São elas: 1) Nome do(s) autor(es); 2) Título do trabalho; 3) Ano de publicação; e 4) Se
o trabalho está inserido em algum documento maior, como um livro, periódico ou anais de evento acadêmico.

ATIVIDADE

Outras informações são necessárias, mas dependem do tipo de documento, como: 5) Páginas inicial e final
se for trabalho impresso; 6) Endereço eletrônico, se for trabalho virtual; e 7) Cidade e nome da editora, se for
livro.
Escolha um dos temas descritos a seguir e elabore uma revisão de literatura com pelo menos cinco
fontes/referências acadêmicas (artigos, livros, capítulos, teses, dissertações ou monografias) relacionadas ao
tema proposto. Temas:

• Ensino de música para crianças de 2 a 3 anos;


• Análise de material didático para o ensino de música;
• Relato de experiência docente em Música;
• História de instituições de ensino musical;
• Estudo sobre práticas musicais de comunidades indígenas;
• Catálogo de obras de compositores brasileiros do período Colonial;
• Estudo de caso sobre obras para instrumento musical solo;
• Relato de tratamento terapêutico por meio de apreciação musical.

A seguir, apresentamos exemplos elementares de referências bibliográficas conforme as normas atuais


da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), ilustrando os tipos de informações que devem constar
em cada tipo de documento:

Citação de livro:
SOBRENOME, Nome do Autor. Título do Livro. Número da edição. Cidade: Nome da editora, ano de publicação.

Curso de Licenciatura em Música


Citação de capítulo de livro:
SOBRENOME, Nome do Autor do capítulo. Título do Capítulo. In: SOBRENOME, Nome do autor/organizador
do livro. Título do Livro. Número da edição. Cidade: Nome da editora, ano de publicação, páginas inicial-final.

Citação de artigo em revista/periódico:


SOBRENOME, Nome do Autor. Título do Artigo. Nome da Revista, número, páginas inicial-final, mês-ano de
publicação.

Citação de artigo em anais de encontro/congresso acadêmico:


SOBRENOME, Nome do Autor. Título do Artigo. NOME DO EVENTO, edição/número do evento. Anais do...
Cidade: Nome da editora, ano de publicação, páginas inicial-final.
11
Citação de trabalho de conclusão de curso:
SOBRENOME, Nome do Autor. Título do Trabalho. Monografia/Dissertação/Tese de Graduação/Especialização/
Mestrado/Doutorado. Número de folhas. Cidade: Instituição, ano de publicação.

Resumo

Esta Unidade trouxe uma introdução elementar à pesquisa científica aplicada à área de Música,
apresentando algumas conceituações básicas e o debate atual. Em seguida, foram apresentados os conceitos
de problema, hipótese e questão norteadora, além de uma iniciação à revisão de literatura por meio de
palavras-chave e da Internet. Duas tarefas práticas foram propostas.

REFERÊNCIAS

BAIMA, G. M. N.; PAIVA, I. G.; LOPES, B. F. Manual para Normalização de Trabalhos Acadêmicos. 2.ed. São
Luís: Uema, 2014.

BORGDORFF, H. The conflict of the faculties: Perspectives on Artistic Research and Academia. Amsterdã:
Leiden University Press, 2012.

BRUNER, J. The Process of Education. Cambridge: Harvard University Press, 1999.

CASTAGNA, P. A Musicologia Enquanto Método Científico. Revista do Conservatório, n. 1, p. 7-31, 2008.

DESCARTES, R. Discurso do método. Traduzido por Maria Ermantina Galvão. São Paulo: Martins Fontes,
2001.

FONSECA, J. J. S. Metodologia da Pesquisa Científica. Fortaleza: CE/UECE, 2002.

GARDNER. H. Estruturas da Mente: A Teoria das Inteligências Múltiplas. Traduzido por Sandra Costa. Porto
Alegre: ARTMED, 2002.

GIL, A. C. Métodos e Técnicas de Pesquisa Social. 6. ed. São Paulo: Atlas, 2008.

MARCONI, M. A.; LAKATOS, E. M. Fundamentos de Metodologia Científica. 5. ed. São Paulo: Atlas, 2003. Curso de Licenciatura em Música

McGREAL, S. A ilusão das múltiplas inteligências. Disponível em: <http://ano-zero.com/multiplas-inteligencias>.


Acesso em: 10 ago. 2017.

SANTOS, B. S. Um Discurso sobre as Ciências. 5. ed. São Paulo: Cortez, 2008.

TOMÁS, L. A Pesquisa Acadêmica na Área de Música: um estado da arte (1988-2013). Porto Alegre: ANPPOM,
2015.

VIEIRA, R. Modelos Científicos e Práticas Educativas: (breve incursão no séc. XX). A Página da Educação, n.
79, p. 22, abr-1999. 12
Leitura e Redação
Acadêmica 2
UNIDADE

OBJETIVOS

• Compreender formas adequadas de leitura analítica;

• Desenvolver habilidades voltadas à redação acadêmica.

2.1 Leitura analítica

Ao lermos textos acadêmicos sob a finalidade de fazer uma pesquisa, é preciso mudar a maneira de ler.
Precisamos criar o hábito de organizar as informações obtidas durante a leitura, facilitando seu uso na fase
posterior de redação da pesquisa. Votre e Pereira (2010) mencionam três tipos de leitura analítica:

• Fichamento: leitura onde anotamos ou sublinhamos informações do texto que nos interessam;
• Resumo: síntese de um texto que pontua suas principais informações;
• Resenha: análise crítica de um texto que oferece espaço para observações do leitor.

Marconi e Lakatos (2003) também tratam sobre a leitura e análise de textos, destacando a importância
de desenvolvermos novos hábitos. Aqui, vamos sugerir que vocês trabalhem com um tipo de leitura analítica
mais semelhante ao fichamento. Ao ler um texto acadêmico, deixe do seu lado um caderno ou um equipamento

Curso de Licenciatura em Música


com editor de texto (computador ou celular) – recomendamos essa última opção.
Primeiro, insira a referência bibliográfica do texto no início da página do caderno ou do editor. A partir de
então, faça a leitura analítica do texto, anotando as informações que achar interessante e sempre indicando
o(s) número(s) da(s) página(s) onde elas estão. Não precisa copiar a informação; você pode resumi-la com
suas palavras. Se quiser, faça comentários. Caso queira inserir as palavras exatamente como o autor utilizou,
utilize aspas.

13
Apresentamos um exemplo de leitura analítica baseado em nossa sugestão:

SILVA, Paula Figueirêdo da. Uma História do Piano em São Luís. Dissertação de Mestrado. São
Luís: PGCULT/UFMA, 2013. 188p.
p. 21-22
Nordeste como embrião do cenário musical brasileiro até o século XVI. 1763: capital muda de São
Salvador para São Sebastião do Rio de Janeiro. Transição do cenário musical para Minas do Ouro
a partir do século XVII, com a migração interna e a vinda maciça de portugueses para o Brasil
Colônia.
p. 24
O Rei Dom João I, juntamente com Marquês de Pombal, publica decreto em 1759 visando à
extinção da Companhia de Jesus, com o objetivo de fortalecer o poder da monarquia.
p. 26
Instrumento de teclado mais antigo: o órgão, inventado por Ktesibos por volta de 250 a.C.
(HENRIQUE, L. Instrumentos Musicais. Lisboa: Calouste Gulbenkian, 2004).
p. 28
O primeiro instrumento de teclado que chegou no Brasil foi o cravo, também utilizado para ensino
musical pelos jesuítas.
p. 30
A coroa portuguesa, até 1808, censurava suas colônias: proibia a atividade editorial, não criava
bibliotecas e museus, e as instituições de ensino eram muito escassas. Tal fato só mudou com a
chegada da família real ao Brasil Colônia.
p. 31
Criação da Biblioteca Nacional em 1810 e do Museu Nacional em 1818.

Sugerimos o uso do editor de texto porque quando você for escrever a sua pesquisa, fica mais fácil
encontrar as informações desejadas através do localizador de palavras. Além disso, vários trechos já digitados
podem ser aproveitados através do conhecido procedimento de “copiar e colar”.

Ao salvar o arquivo digital em seu computador ou celular, sugerimos que você acrescente
ao final do nome do arquivo a data como, por exemplo: “Texto 16-08-2017.docx”. Nos
outros dias em que trabalhar, salve em outro arquivo com a nova data. Assim você terá
cópias de segurança do seu trabalho, podendo restaurá-lo em caso de necessidade.
Recomendamos também salvá-los na Internet, no seu e-mail ou em “nuvem” – serviços Curso de Licenciatura em Música
de discos virtuais como o Dropbox e o Google Drive.

14
ATIVIDADE

Busque um artigo científico na Internet que trate sobre um tema de seu interesse – preferencialmente
relacionado à sua hipótese, caso você já tenha. Faça uma leitura analítica do mesmo utilizando o procedimento
que sugerimos.

2.2 Coesão textual

Podemos perceber nas referências que trabalhamos na Unidade anterior que os textos acadêmicos
se baseiam no português “formal”, ou seja, nas normas cultas da Língua Portuguesa. Logo, é importante
estarmos atentos a eventuais erros de ortografia (a grafia das palavras) e concordância entre substantivos,
artigos e verbos.
Contudo, esse não é o único aspecto que devemos atentar. Uma boa redação é, acima de tudo, aquela
cujas frases têm tamanho equilibrado e pontuação fluente, sob uma ideia de “respiração” – assim como
temos respirações entre frases musicais. Já os parágrafos devem constituir um conjunto de frases que tratam
do mesmo assunto, ou seja: abrimos um novo parágrafo somente quando há uma mudança no tema que
está sendo abordado. Porém, mesmo com essa mudança de tema, os parágrafos apresentam uma ligação,
seguindo uma espécie de “fio condutor”. Essa unidade/organicidade do texto é chamada de coesão15 .

Vamos observar alguns exemplos para discussão. Observe o trecho para análise:

Pode-se afirmar que o ensino de música no Maranhão começou ainda no


período Colonial, através da ação dos Jesuítas, que catequizavam os índios até
sua expulsão em 1760 e, enquanto isso, havia também ensino de música nos
Seminários e também na Igreja da Sé, até porque esta última possuía um Cabido
onde havia um chantre, um subchantre e moços do coro que interpretavam
obras de cantochão, motetos e missas durante as cerimônias litúrgicas.

Você é capaz de perceber algum problema no texto apresentado? Qual? Tente ler esse texto em voz
alta. Você irá perceber que ficará sem ar no meio do parágrafo, que é composto por uma frase enorme.
Além disso, a palavra “também” é repetida em dois pontos muito próximos – isso não fica bom em textos
acadêmicos. Vamos tentar reformular esse texto? Que tal assim:
Curso de Licenciatura em Música
Pode-se afirmar que o ensino de música no Maranhão começou ainda no
período Colonial. Deve-se a isso a ação dos Jesuítas, que catequizavam os
índios. Eles foram expulsos em 1760. Enquanto isso, havia também ensino de
música nos Seminários na Igreja da Sé. Esta última possuía um Cabido onde
havia um chantre, um subchantre e moços do coro. Eles interpretavam obras de
cantochão, motetos e missas durante as cerimônias litúrgicas.

___________________________________________________

15
Para saber mais sobre coesão textual, recomendamos a leitura do capítulo elaborado por Votre e Pereira (2010, p. 65-96).
15
E agora? Você achou que ficou bom? Ou ainda há mais alguma questão que pode ser trabalhada? Leia
essa reformulação do parágrafo. Este “excesso” de pontos finais acaba tornando o texto monótono e muito
fragmentado. Sendo assim, podemos substituir alguns pontos finais por vírgulas, buscando manter a coesão
entre as frases – não vamos dividir frases que tratam sobre a mesma questão! Veja agora:

Pode-se afirmar que o ensino de música no Maranhão começou ainda no


período Colonial devido à ação dos Jesuítas que catequizaram os índios até
1760, quando então foram expulsos. Enquanto isso, havia também ensino de
música nos Seminários na Igreja da Sé. Esta última possuía um Cabido, no qual
havia um chantre, um subchantre e moços do coro que interpretavam obras de
cantochão, motetos e missas durante as cerimônias litúrgicas.

Como ficou? Você acha que está bom, ou há mais algo a melhorar? O trabalho de redação acadêmica
é assim: precisamos ir “lapidando” o texto até conseguir clareza e adequação na escrita.

2.3 Coerência textual

Em geral, textos acadêmicos são mais difíceis de ler do que aqueles que estamos habituados a ler em
notícias de jornais e blogs, por exemplo. Isso se dá porque fazemos uso recorrente de termos técnicos. No caso
da área de Música, por exemplo, é comum utilizarmos “tessitura”, “andamento”, “armadura”, “composição” ou
“timbre”, por exemplo, que são palavras com um sentido particular para quem trabalha nessa área – “armadura”
para nós, por exemplo, não é uma vestimenta de proteção! Além disso, há casos em que o texto fica difícil de
entender porque ainda existe uma certa preferência no meio acadêmico por erudição e prolixidade, ou seja:
“falar difícil é bonito”.
Por sorte, muitos pesquisadores da atualidade têm se preocupado em tornar seus textos acessíveis
não somente para especialistas, mas também para mais pessoas fora desse círculo. Logo, é importante nos
preocuparmos com a coerência, buscando um texto que possa ser mais facilmente interpretado.

Um dos elementos importantes na coerência do texto é decidir qual será a pessoa do verbo que fará a
“narração”. É possível escrevermos: 1) na primeira pessoa do plural – assim como temos feito neste trabalho;
2) na primeira pessoa do singular; ou
3) na terceira pessoa do singular. Veja um exemplo do primeiro caso:

Nosso trabalho pretende abordar os métodos mais recorrentes que têm sido
utilizados na área de Música. Curso de Licenciatura em Música

Segue uma adaptação deste mesmo texto para o segundo caso:


Neste trabalho, pretendo abordar os métodos mais recorrentes que têm sido
utilizados na área de Música.
Já um exemplo do terceiro caso:
Pretende-se abordar neste trabalho os métodos mais recorrentes que têm sido
utilizados na área de Música.
Você percebeu alguma diferença no tratamento entre cada um destes três casos? Qual deles você
prefere? Na redação acadêmica, é importante que você faça esta escolha antes de começar a escrever, pois
para manter a coerência, é necessário utilizar a mesma pessoa do verbo em todo o texto.
16
2.4 Estruturação do texto

Ao observarmos os textos acadêmicos em sua totalidade – principalmente em artigos e trabalhos


de conclusão de curso – podemos perceber uma organização de sua “grande forma”, assim como nas
grandes formas musicais, a exemplo da Sonata, da Fuga e do Rondó. Esses textos são iniciados por meio
de uma introdução/apresentação, onde se apresenta um panorama geral da área em questão, o contexto
da pesquisa, o problema e a hipótese. Após essa abordagem mais geral, temos o desenvolvimento, onde
são discutidas questões mais aprofundadas sobre a pesquisa. Naturalmente, essa é a maior parte do texto.
Posteriormente, temos a conclusão ou considerações finais, onde os resultados da pesquisa (parciais ou
definitivos) são apresentados, contextualizando a pesquisa em meio à produção existente na área e suas
possíveis contribuições. Por fim, temos as Referências Bibliográficas, que trazem as fontes e documentos
citados no trabalho.
Podemos definir a estruturação de um texto acadêmico conforme a ilustração da Figura 2.

Figura 2 - Modelo para estruturação de textos acadêmicos

Fonte: Acervo do autor Curso de Licenciatura em Música

ATIVIDADE

Procure três artigos na Internet que se relacionem com o tema que você pretende pesquisar. Leia-os observando a
estrutura feita pelo autor. Em seguida, identifique as partes do texto que correspondem à introdução, ao desenvolvimento
e à conclusão.

17
2.5 Normalização

Conforme fizemos menção na Unidade anterior, os textos acadêmicos precisam ser elaborados sob
um padrão de formatação – norma. No Brasil, a elaboração dessas normas é de responsabilidade da ABNT,
sendo que periódicos e instituições podem definir normas internas – esse é o caso da UEMA. Recomendamos
ler o Manual, que explica detalhadamente as normas textuais vigentes, assim como elementos que devem
estar presentes em trabalhos de conclusão de curso (monografias, dissertações ou teses), a exemplo da folha
de rosto (BAIMA et al., 2014).

Figura 3 - Elementos textuais e da página

Curso de Licenciatura em Música

Fonte: Acervo do autor


Na figura anterior, apresentamos uma imagem que ilustra os principais elementos textuais e da página
regulamentados por normas de formatação (Figura 3):
18
2.6 Citações

Um dos aspectos mais importantes de uma pesquisa científica é permitir a localização das informações
utilizadas no trabalho. Além disso, é fundamental dar o devido crédito a quem desenvolveu cada ideia,
respeitando a propriedade intelectual. Lembramos, ainda, que copiar ideias e textos, especialmente da
Internet – uma prática recorrente hoje – constitui crime de plágio.
Existem duas situações que exigem citação:

1) Quando utilizamos uma ideia provinda de um autor, mas a redigimos com nossas próprias palavras; e
2) Quando reproduzimos exatamente as mesmas palavras que o autor utilizou ao expressar sua ideia.

Na primeira situação, chamada de “citação indireta”, utilizamos a indicação de citação do sobrenome


do autor em caixas altas como, por exemplo: (CASTAGNA, 2008). Caso essa ideia tenha sido extraída de
uma página, devemos indicá-la no seguinte formato: (CASTAGNA, 2008, p. 8). Se forem mais páginas, então
fica assim o exemplo: (CASTAGNA, 2008, p. 8-15). Caso o trabalho possua mais de um autor, a citação
deve incluir os últimos sobrenomes dos mesmos: (VOTRE; PEREIRA, 2010). Já com três ou mais autores,
mencionamos apenas o primeiro autor seguido de “et al”: (BAIMA et al.,2014).
Há casos em que tomamos de empréstimo o texto de um autor que é citado em um texto acadêmico.
Por exemplo: Castagna menciona um trecho de Raphael Bluteau na página 10 de seu artigo. Se desejarmos
utilizar as ideias de Bluteau, a citação ficaria assim: (BLUTEAU apud CASTAGNA, 2008, p. 10).
A segunda situação é chamada de “citação literal” ou “direta”. Neste caso, devemos observar se o texto
extraído do autor irá ultrapassar três linhas do parágrafo. Se não ultrapassar, devemos fazer a citação entre
aspas. Exemplo: “Inicialmente, é importante distinguir o que sejam normas, técnicas e métodos” (CASTAGNA,
2008, p. 9). Caso a citação ultrapasse três linhas, é necessário criar um recuo de parágrafo de 4 pontos,
colocando o texto em espaçamento simples e fonte tamanho 10 ou 11, dependendo das normas vigentes.
Exemplo:

[...] inicialmente, é importante distinguir o que sejam normas, técnicas e métodos. Normas são
convenções, utilizadas para poupar o tempo dos leitores e para garantir modelos próximos de
organização para os trabalhos científicos, variando de lugar para lugar, de época para época e,
muitas vezes, de pesquisador para pesquisador. (CASTAGNA, 2008, p. 9).

As indicações de citação remetem às Referências Bibliográficas, seção do texto acadêmico onde


estão dispostas todas as fontes utilizadas no trabalho. Sendo assim, a cada citação que você fizer, vá às
Referências Bibliográficas do seu texto e verifique se a fonte foi apresentada. Como procedimento mais seguro,
recomendamos que você coloque uma referência somente quando for fazer uma indicação de citação para
a mesma, pois as Referências Bibliográficas devem conter somente os trabalhos que foram mencionados no Curso de Licenciatura em Música
seu texto.
Estas são as formas elementares de citação. Existem outras possibilidades, para as quais recomendamos
a leitura do Manual da UEMA (BAIMA et al., 2014, p. 62-79).

19
Resumo

A presente Unidade abordou questões sobre leitura analítica e redação acadêmica, sugerindo
procedimentos habituais para a escrita de textos acadêmicos. Questões sobre coesão, coerência e estruturação
textual, normas de formatação e citação foram contempladas. Houve duas tarefas relacionadas à prática de
leitura e redação acadêmica.

REFERÊNCIAS

BAIMA, G. M. N.; PAIVA, I. G.; LOPES, B. F. Manual para Normalização de Trabalhos Acadêmicos. 2. ed. São
Luís: Uema, 2014.

CASTAGNA, P. A Musicologia Enquanto Método Científico. Revista do Conservatório, n. 1, p. 7-31, 2008.

MARCONI, M. A.; LAKATOS, E. M. Fundamentos de Metodologia Científica. 5.ed. São Paulo: Atlas, 2003.

VOTRE, S. J.; PEREIRA, V. C. Redação de textos acadêmicos. Rio de Janeiro: Fundação Cecierj, 2010.

Curso de Licenciatura em Música

20
Métodos de Pesquisa
3
UNIDADE

OBJETIVOS

• Identificar os principais métodos de pesquisa científica;

• Compreender os métodos científicos de seu interesse.

3.1 Considerações iniciais

Aqui, trabalharemos com Metodologia – o estudo de métodos utilizados em pesquisas científicas.


É comum confundir “metodologia” e “método”, sendo este último melhor definido como as correntes de
pensamento e/ou procedimentos adotados para a realização de uma pesquisa em particular16 .
Inicialmente, é fundamental compreender que os métodos precisam – e devem – ser adaptados ao
contexto de cada pesquisa, exigindo de nós uma constante análise entre o objeto pesquisado e os procedimentos/
ferramentas utilizados para o seu estudo. Logo, o método pode passar por mudanças ao longo da pesquisa.
Adotar uma série de procedimentos “rígidos” (que não podem ser modificados) é uma forma de trabalhar que
não funciona bem na pesquisa em Artes, estando mais associada à concepção cartesiana que já tivemos a
oportunidade de discutir na primeira Unidade. Portanto, é mais interessante pensar em “método” como uma
organização de procedimentos definidos para o estudo que criam “ramificações” à medida que a pesquisa vai
se desenvolvendo. É comum encontrar informações durante o estudo que nos indicam a necessidade de seguir
Curso de Licenciatura em Música
outro caminho, modificando o método. Dessa forma, é mais coerente pensar em “percurso metodológico” 17
do que em “método”.
Adiante, iremos apresentar de maneira bastante resumida alguns tipos de concepção/raciocínio ou
procedimentos recorrentes na pesquisa científica. Para uma abordagem mais aprofundada, recomendamos
a leitura de Marconi e Lakatos (2003, p. 83-113), Gil (2008, p. 8-25), Gerhardt e Silveira (2009, p. 31-42) e/
ou Köche (2011, p. 44-88), referências utilizadas como base para as informações apresentadas em seguida.
Destacamos que nas pesquisas em Artes, “importamos” métodos científicos dos demais campos da ciência –
no caso, das Ciências Naturais e das Ciências Sociais e Humanas.
___________________________________________________

16
O termo “método” é utilizado de forma diferente por Gil (2008) e Köche (2011), sendo utilizados pelos autores ora no sentido de
“raciocínio” ou “concepção”, ora no sentido de “procedimento”. Portanto, vamos limitar o uso desse termo no trecho adiante para
evitar possíveis equívocos.
17
Expressão utilizada pela pianista, professora e pesquisadora Ana Cláudia de Assis, vinculada à Escola de Música da Universidade
Federal de Minas Gerais (UFMG). 21
No entanto, pesquisas que envolvem a produção artística como parte central do método começaram a
se estabelecer no meio acadêmico apenas a partir da década de 1990, e ainda não são reconhecidas como
estudos “respeitáveis” em diversos países – entre eles, o Brasil.

3.2 Métodos característicos das Ciências Naturais

3.2.1 Dedução

Na dedução, partimos de informações mais gerais e, através do pensamento lógico, chegamos a


questões específicas. Seu uso é recorrente na Física e Matemática, entretanto, tem uso mais limitado nas
Ciências Sociais e Humanas devido à dificuldade nessas últimas em estabelecer afirmações que sirvam
como “leis” ou “regras gerais”. Gil (2008, p. 9) oferece o seguinte exemplo de dedução: “Todo homem é mortal
(premissa maior), e Pedro é homem (premissa menor). Logo, Pedro é mortal (dedução/conclusão)”.

3.2.2 Indução

Na indução, fazemos o caminho oposto da dedução: estudamos vários objetos em particular, e a partir
dos resultados, procuramos estender as conclusões de maneira mais geral, ou seja: à generalização. Aqui,
temos afirmações prováveis/possíveis e não definitivas, ao contrário da dedução. O exemplo que Gil nos
oferece é: “Antônio é mortal, Benedito é mortal, Carlos é mortal [...]. Antônio, Benedito e Carlos são homens.
Logo, todos os homens são mortais”. (GIL, 2008, p. 10).

3.2.3 Método hipotético-dedutivo

Este é uma elaboração do método indutivo, e possui semelhanças com o que Köche chama de “método
indutivo-confirmável” (KÖCHE, 2011, p. 54-57). Aqui, tentamos provar se a informação é falsa, sendo a
“generalização” é feita somente após verificá-la. Gil apresenta uma ilustração desse método:

Figura 4 - Método hipotético-dedutivo

Problema Hipótese(s) Observação e dedução Verificação Corrobaração

Fonte: GIL, 2008, p. 12, com alterações

Aqui (Figura 4), detectamos um problema em um determinado contexto. A partir dele, geramos hipóteses
que apontam o caminho da uma possível solução. Depois, deduzimos informações a partir das observações Curso de Licenciatura em Música
feitas no estudo, com base nas hipóteses levantadas. Por fim, as informações que passaram pela verificação
são colocadas como possíveis afirmações/conclusões.

3.2.4 Experimentação

É o procedimento onde observamos as variações de um objeto de estudo sob aspectos pré-determinados,


sendo o resultado constituído pela análise dessas variações. A experimentação é amplamente utilizada nas
Ciências Naturais, principalmente na Química e na Física. Já nas Ciências Sociais seu uso é limitado, sendo
mais adequado para trabalhar com materiais do que com pessoas.

22
3.2.5 Análise estatística

Amplamente utilizada em qualquer campo das ciências, baseia-se na aplicação da Matemática no


tratamento dos dados/informações, sendo característica da abordagem quantitativa. Pode ser utilizada em
conjunto com a Teoria das Probabilidades, onde os resultados quantitativos são tidos como possíveis – mas
não definitivos. Nas Ciências Sociais, é comum o uso da análise estatística para reforçar conclusões obtidas
por outros procedimentos como, por exemplo, a observação ou a comparação.

3.3 Métodos característicos das Ciências Sociais e Humanas

3.3.1 Observação

Segundo Gil (2008), este é o procedimento que apresenta o maior grau de precisão em pesquisas
nas Ciências Sociais, porém, é também o mais primitivo e impreciso. Difere da experimentação porque neste
último, é possível promover uma intervenção no objeto estudado – ação evitada na observação.
Marconi e Lakatos (2003)18 classificam a observação em quatro tipos: a observação, onde o
pesquisador produz e registra dados; a entrevista, que gera uma abordagem qualitativa através de contato
com o entrevistado; o formulário, onde o pesquisador preenche as informações também mediante contato
com o entrevistado; e o questionário, onde é possível fazer uma abordagem quantitativa sem a presença física
do pesquisador. É importante ressaltar que a entrevista é uma relação humana, portanto, recomendamos que
seu planejamento ofereça um mínimo de interferências no contexto,

Pois há casos em que a simples aparência do pesquisador pode causar um impacto sobre o entrevistado.

3.3.2 Comparação

Neste procedimento, a pesquisa visa ao estudo de dois objetos ou fenômenos, ressaltando as


semelhanças e diferenças entre eles. Gil (2008) afirma que a comparação é recorrente nas pesquisas de
Ciências Sociais, permitindo o estudo de comunidades e grandes agrupamentos sociais situados em diferentes
tempos e/ou locais. Um exemplo de estudo onde foi utilizada a comparação, é a Teoria do Desenvolvimento
Cognitivo, de Jean Piaget.

3.3.3 Etnografia

Procedimento de pesquisa natural da área de Antropologia e que tem transitado em diversas áreas Curso de Licenciatura em Música
do conhecimento. Consiste no estudo das práticas de um indivíduo ou comunidade através de observação,
documentação e, em alguns casos, até intervenção, sendo a pesquisa de campo uma estratégia essencial. No
âmbito da área de Música, a Etnomusicologia se baseia no desenvolvimento da etnografia aplicada a práticas
“musicais” – entre aspas porque são relativamente poucas as culturas onde existe a ideia de “música” tal qual
como a nossa. Ainda, a subárea de Educação Musical também tem trabalhado com estas ideias. Segundo
Anthony Seeger:

___________________________________________________

18
Para conhecer melhor o método de observação, recomendamos a leitura das páginas 190 a 213 do livro de Marconi e Lakatos.

23
A etnografia da música não deve corresponder a uma antropologia da música, já que a etnografia
não é definida por linhas disciplinares ou perspectivas teóricas, mas por meio de uma abordagem
descritiva da música, que vai além do registro escrito de sons, apontando para o registro escrito
de como os sons são concebidos, criados, apreciados e como influenciam outros processos
musicais e sociais, indivíduos e grupos. A etnografia da música é a escrita sobre as maneiras
que as pessoas fazem música. Ela deve estar ligada à transcrição analítica dos eventos, mais
do que simplesmente à transcrição dos sons. Geralmente inclui tanto descrições detalhadas
quanto declarações gerais sobre a música, baseada em uma experiência pessoal ou em um
trabalho de campo. (SEEGER, 2008, p. 239).

Logo, os estudos etnográficos trabalham tanto com objetividade e a análise de dados quanto a
subjetividade e a pessoalidade, seja do “objeto” ou do pesquisador.
Na atualidade, há estudos de etnografia sendo realizados no meio digital, com vistas a pesquisar práticas
e comportamentos humanos na Internet. Esta adaptação do método em questão tem sido chamada de
netnografia.

3.3.4 Historiografia

Segundo Malerba (2006), trata-se do estudo da história sob uma perspectiva científica, envolvendo tanto
as diversas correntes de pensamentos que norteiam a análise de fatos históricos quanto os procedimentos e
ferramentas utilizados na pesquisa. As três concepções metodológicas que serão vistas adiante – Estruturalismo,
Materialismo dialético e Fenomenologia – são exemplos que podem nortear um estudo historiográfico.
Na Música, temos a Musicologia Histórica como subárea que dialoga com a Historiografia. Estudos
sobre as práticas musicais de outros tempos tem como característica o uso de fontes variadas. São
consideradas fontes primárias informações orais (podem ser coletadas por entrevistas), jornais de época,
cartas19, programas de apresentações musicais, partituras manuscritas e outros tipos de documentos, como
inventários, relatórios ou despachos administrativos. Um exemplo de trabalho que aborda as práticas musicais
do período colonial com amplo uso de fontes primárias é o de Holler (2006), que foca na atuação dos jesuítas
na América Portuguesa. Já as fontes secundárias consistem em publicações que fazem uso de fontes
primárias como livros, artigos de periódicos ou eventos, partituras editadas ou material didático, entre outros.

3.3.5 Estruturalismo

Corrente de pensamento onde a pesquisa busca explicar o objeto ou fenômeno estudado como uma
estrutura, onde partes independentes se relacionam para formar um todo. Qualquer alteração em uma das
partes implica em modificações de outra parte, mantendo o equilíbrio da estrutura. Gil (2008) aponta quatro
aspectos que um estudo estruturalista precisa possuir:

Curso de Licenciatura em Música


1. O modelo deve ser um sistema, onde as partes se relacionam e se modificam de forma integrada;
2. Há padrões entre modelos e modificações, gerando grupos de modelos conforme as modificações de suas
partes;
3. O estudo deve prever como o modelo irá reagir conforme as transformações de suas partes;
4. O modelo precisa ser seja capaz de explicar todos os fatos observados no objeto ou fenômeno.
Ainda, o autor estabelece uma “oposição” entre estruturalismo e empirismo:“ O empirismo concebe a realidade

___________________________________________________

19
O estudo científico de cartas é chamado de Epistolografia.
24
como singular e revelada graças à experiência sensível. Dessa forma, o objeto passa a ser o que é, ou seja,
o fato. Para o estruturalismo o fato isolado, enquanto tal, não possui significado”. (GIL, 2008, p. 20).

Logo, o estruturalismo sempre entende o objeto ou fenômeno como uma parte de um “mecanismo”,
buscando situá-lo neste modelo/sistema/estrutura.

3.3.6 Dialética e Materialismo Dialético

Relacionada às Ciências Sociais e Humanas, há dois conceitos de dialética: 1) o mais antigo, proposto
por Platão e que está ligado à Retórica – o estudo da capacidade de argumentação e defesa coerente de
ideias; e 2) a dialética proposta por Hegel, onde o percurso histórico da humanidade se baseia em uma
sucessão de contradições.
No século XIX, Karl Marx e Friedrich Engels propuseram o materialismo dialético como uma abordagem
analítica para compreensão da verdade/realidade. Sua característica mais evidente é partir do pressuposto
que o mundo físico – a matéria – e, portanto, a produção econômica, norteia e conduz o pensamento humano,
em oposição ao idealismo. Gil (2008) resume os três princípios do materialismo dialético:

1. A unidade dos opostos: dois objetos ou fenômenos contraditórios e conflitantes entre si são, na verdade,
parte indissolúvel de um mesmo processo. Essa “luta” constitui o desenvolvimento da realidade;
2. Quantidade e qualidade: todos os objetos e fenômenos possuem características relacionadas ao
quantitativo e ao qualitativo, portanto, quantidade e qualidade estão inter-relacionadas;
3. Negação da negação: as mudanças são “negações” (oposições) ao fenômeno que se pretende mudar.
O resultado dessa mudança também é negado, e o desenvolvimento da realidade consiste em uma
sucessão de “negações”, mas em contextos diferentes.

O materialismo dialético é uma abordagem amplamente difundida nas Ciências Sociais. Segundo Gil
(2008), a dialética adota uma abordagem qualitativa, onde o objeto de estudo é analisado mais detalhadamente.
Essa concepção se contrapõe ao positivismo, que foca na abordagem quantitativa e em conclusões feitas a
partir de padrões apresentados por uma quantidade significativa de objetos de estudo.

3.3.7 Fenomenologia

Esta abordagem parte do pressuposto que as certezas do positivismo, presente nas abordagens

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empíricas – baseadas na observação da natureza – são “ingênuas”. Sendo assim, foca apenas no objeto ou
fenômeno em estudo, sem estabelecer “leis”, “regras” ou relações com outros objetos ou a realidade como
um todo. Logo, a Fenomenologia não estuda “o sujeito nem o mundo, mas o mundo enquanto é vivido pelo
sujeito” (GIL, 2008, p. 14), colocando a experiência em primeiro plano ao invés de conceitos e teorias.
Nas abordagens fenomenológicas, não buscamos planejamentos sistemáticos nem procedimentos estruturados
para análise ou produção de dados. Assume-se aqui a subjetividade – as emoções e o pensamento intuitivo
tomam parte na análise das informações, de maneira oposta à objetividade.

25
3.3.8 Método clínico

Envolve uma relação muito próxima entre o pesquisador e seu “objeto” – no caso, pessoas. Segundo
Gil (2008), esta é uma abordagem amplamente utilizada na Psicologia, especialmente a partir dos trabalhos
de Sigmund Freud. Está relacionada aos estudos de caso, uma vez que não oferece condições favoráveis
para estabelecer conclusões gerais.

3.3.9 Pesquisa-ação

Este tipo de pesquisa, intimamente ligado às Ciências Sociais, tem o objetivo de proporcionar uma ação
social ou buscar soluções para problemas coletivos, havendo uma relação cooperativa entre o pesquisador e
as pessoas envolvidas na pesquisa. É uma proposta diferente da chamada “pesquisa clássica”, onde o foco se
encontra na produção e análise de dados com um mínimo de interação e posicionamento político e social, sob
a concepção de “preservar a objetividade”. Gil (2008) apresenta também o conceito de “pesquisa participativa”,
em que, o pesquisador procura contribuir com o desenvolvimento social e autônomo da comunidade estudada
– e que geralmente está em situação de “vulnerabilidade”. O autor nos diz ainda que estes tipos de pesquisa
se distanciam dos princípios da pesquisa clássica, colocando-se mais próxima da dialética em contraponto ao
positivismo.

3.4 Métodos característicos das Artes

Segundo Henk Borgdorff (2012), o debate sobre a pesquisa artística emergiu porque os métodos de
pesquisa científica já estabelecidos no meio acadêmico não têm se mostrado suficientes para compreender
a área de Artes na perspectiva de seu tipo de produto mais relevante: a produção artística. A seguir,
apresentaremos os três tipos de pesquisa artística conforme a proposta de Cristopher Frayling, aprimorada
por Henk Borgdorff (2012):

3.4.1 Pesquisa sobre artes

Abordagens onde práticas e/ou produções artísticas são o objeto do estudo. Aqui, é possível adotar
os métodos estabelecidos de pesquisa científica, uma vez que estes estudos são essencialmente teóricos e
baseados na distância entre pesquisador e objeto. Praticamente todas as pesquisas científicas sobre Música
feitas até hoje estão associadas a este tipo, de onde provém disciplinas como Musicologia, Etnomusicologia,

Curso de Licenciatura em Música


Psicologia da Música e Sonologia, entre outras.

3.4.2 Pesquisa para as artes

Constitui os estudos onde as práticas e produções artísticas são o objetivo do estudo, estando
relacionadas à pesquisa aplicada. Trabalhos sobre a construção de instrumentos musicais ou análise acústica
de um espaço cultural, por exemplo, visam a oferecer melhores condições para a prática musical. Aqui, também
se admite a adoção de métodos científicos já consolidados no meio acadêmico.

26
3.4.3 Pesquisa nas artes

São os estudos onde as práticas artísticas são tanto o objeto da pesquisa quanto parte do método.
Logo, não há separação entre o objeto – a prática – e o pesquisador – inserido na prática. Também não há
diferença entre teoria e prática, pois ambas estão presentes simultaneamente.
Todos os artistas, ao produzir obras de arte, lidam com habilidades sensoriais e intelectuais específicas:
escultores aprendem e aprimoram constantemente suas técnicas de manipulação de materiais, atores estudam
a expressão do corpo na prática e músicos lidam com habilidades auditivas e motoras para compor, cantar ou
tocar um instrumento musical. Como esse conhecimento não pode ser integralmente documentado – e por
isso mesmo é trabalhado através da relação entre “mestre e aprendiz” – os estudiosos da pesquisa artística
têm se referido ao mesmo como conhecimento incorporado. Os resultados dessas pesquisas muitas vezes
não podem ser publicados na forma de textos acadêmicos, requerendo recursos multimídia – como, por
exemplo, gravações em áudio ou vídeo.
López-Cano e Opazo oferecem um exemplo de pesquisa nas artes que nos ajuda a entender este tipo
particular de pesquisa:
[...] a estudante [violinista], além dos aspectos biográficos, históricos ou analíticos, decide
dedicar seu trabalho ao estudo de versões da sonata BWV 1017 de Bach através de gravações
tanto em instrumentos modernos como em interpretações historicamente informadas com
instrumentos de época. Utilizando um programa para visualização do som e comparação
dos arquivos sonoros, como o Sonic Visualiser, compara fraseados, articulações, escolha e
condução do tempo, os diferentes estilos de realizar vibrato, as cesuras entre as frases e os
estilos interpretativos de cada violinista. [...] Aqui, as perguntas da pesquisa se concentrariam
em aspectos próprios da interpretação: como foram as mudanças da escolha de tempo na
interpretação dessa sonata ao longo do século XX? Além das diferenças de estilo na condução
do vibrato e da articulação, existem algumas semelhanças entre o fraseado de versões com
instrumentos modernos e aquelas que utilizam instrumentos de época com critérios históricos?.
(LÓPEZ-CANO; OPAZO, 2014, p. 50)

Podemos perceber que para responder às hipóteses do trabalho, o pesquisador precisa ter habilidades
musicais como percepção musical e interpretação do violino, indo além da análise musicológica. Logo, este é
um exemplo de pesquisa onde a prática artística constitui parte essencial do método, exigindo do pesquisador
a aplicação de suas habilidades específicas.
Outro exemplo de pesquisa nas artes é “Música sacra e religiosa brasileira dos séculos XVIII e XIX:
Teorias e práticas editoriais”, do musicólogo Carlos Alberto Figueiredo. A edição de partituras é uma atividade
de prática artística. Entretanto, a publicação das partituras resultantes da edição somente, mesmo diante
de todas as competências artísticas e saberes necessários para realizar essa tarefa, ela não é considerada
“produção de conhecimento” no sentido tradicional de “pesquisa científica” – assim como apresentações
musicais, exposições de quadros, mostras de filmes e performances teatrais e coreográficas. Sendo assim,
Curso de Licenciatura em Música
Figueiredo publicou um livro (2017) com discussões teóricas e relatos de algumas decisões editoriais mais
relevantes do seu trabalho de edição musical, caracterizando outro aspecto da “pesquisa nas artes”: a
documentação foca no processo e não no resultado/produto. Trata-se de outra diferença significativa em
relação à “pesquisa clássica”.

27
ATIVIDADE

Você já tem uma questão norteadora em mente para sua pesquisa? Caso a resposta seja sim, observe
se algum dos métodos ou correntes de pensamento apresentadas nesta Unidade poderia ajudá-lo a obter
respostas para a tua questão norteadora? Escolha um dos métodos descritos conforme seu interesse e
procure aprofundar seu conhecimento sobre o mesmo, lendo as referências indicadas. Depois, escreva um
breve texto de pelo menos duas páginas, descrevendo o método que você estudou, buscando aprofundar seu
conhecimento.

Resumo

Estudamos nesta Unidade, alguns métodos científicos – conceituais ou de procedimentos – mais


recorrentes em pesquisas acadêmicas, distribuindo-os segundo a recorrência de seu uso nas Ciências
Naturais, nas Ciências Sociais e Humanas ou nas Artes. Foram indicadas referências mais detalhadas sobre
os métodos, cabendo a você se aprofundar naqueles mais relevantes para sua pesquisa.

REFERÊNCIAS

BORGDORFF, H. The conflict of the faculties: Perspectives on Artistic Research and Academia. Amsterdã:
Leiden University Press, 2012.

FIGUEIREDO, C. A. Música sacra e religiosa brasileira dos séculos XVIII e XIX: Teorias e práticas editoriais.
2. ed. Rio de Janeiro: Edição do autor, 2017.

GERHARDT, T. E.; SILVEIRA, D. T. (Org.). Métodos de Pesquisa. Porto Alegre: Editora da UFRGS, 2009.

GIL, A. C. Métodos e Técnicas de Pesquisa Social. 6. ed. São Paulo: Atlas, 2008.

MALERBA, J. (Org.). A História Escrita: teoria e história da historiografia. São Paulo: Contexto, 2006.

HOLLER, M. T. Uma história de cantares de Sion na terra dos Brasis: a música na atuação dos Jesuítas na
América Portuguesa (1549-1759). Tese (Doutorado em Música). 951f. Campinas: PPGM/IA/UNICAMP, 2006.

KÖCHE, J. C. Fundamentos de Metodologia Científica: Teoria da ciência e iniciação à pesquisa. Petrópolis: Curso de Licenciatura em Música
Vozes, 2011.

LÓPEZ-CANO, R.; OPAZO, U. S. C. Intestigación artística em música: Problemas, métodos, experiencias y


modelos. Barcelona: ESMUC, 2014.

MARCONI, M. A.; LAKATOS, E. M. Fundamentos de Metodologia Científica. 5. ed. São Paulo: Atlas, 2003.

SEEGER, A. Etnografia da música. Traduzido por Giovanni Cirino. Cadernos de Campo, São Paulo, n. 17, p.
1-348, 2008.

28
Projetos de Pesquisa
4
UNIDADE

OBJETIVOS

• Elaborar um problema, uma hipótese e uma questão norteadora;

• Redigir as principais partes de um projeto de pesquisa.

Os projetos de pesquisa, assim como qualquer outro tipo de projeto, visam a apresentar uma proposta
que ainda será concretizada – diferentemente da monografia, que já é o próprio trabalho de pesquisa. Sendo
assim, um projeto de pesquisa precisa demonstrar para seus avaliadores certos aspectos, sendo os mais
importantes:

• Clareza/coesão nas ideias propostas, mesmo que elas aparentem ser “redundantes” ou repetitivas;
• Referências bibliográficas atualizadas e/ou pertinentes para a área em que o estudo será realizado;
• Relevância da contribuição do projeto conforme a revisão de literatura, o problema, a hipótese e a
questão norteadora;
• Capacidade/coerência na escrita do proponente segundo as normas e padrões de redação
acadêmica.

Outra questão importante, baseada nas discussões realizadas nas Unidades anteriores, é compreender
que a pesquisa científica é um processo dinâmico e sempre sujeita a mudanças e atualizações. Logo, o projeto
precisa refletir esta flexibilidade, pois o pesquisador deve ter segurança na condução da pesquisa e saber se Curso de Licenciatura em Música
adaptar a possíveis imprevistos que poderão ocorrer.
A seguir, iremos abordar a estruturação elementar de um projeto de pesquisa, oferecendo sugestões
para elaboração de cada parte. Recomendamos também a leitura de Gerhardt e Silveira (2009) e, em especial,
Marconi e Lakatos (2003), referências bem mais detalhadas sobre o assunto em questão20 .

___________________________________________________

20
Este assunto é contemplado nas páginas 65 a 88 do livro de Gerhardt e Silveira e nas páginas 215 a 227 do livro de Marconi e
Lakatos.

29
4.1 Recapitulando

Abordamos a questão norteadora” logo na Unidade I na tentativa de favorecer você a detectar um


problema à medida que outras leituras e reflexões eram feitas. Caso você tenha chegado até aqui sem ter
desenvolvido ideias sobre um possível “problema”, sugerimos que você faça para si mesmo as seguintes
perguntas:

• No local onde vivo e/ou trabalho, o ensino de música existe e/ou é satisfatório?
• As escolas da educação básica (públicas ou particulares) de minha cidade oferecem ensino de
música na disciplina de Artes?
• Existem estudos sobre a biografia de músicos da cidade ou região onde moro?
• Há acervos ou coleções de partituras na região onde resido?

Se você respondeu “sim” para alguma delas, estará apontando um problema no seu contexto. Porém,
as perguntas apresentadas aqui são apenas sugestões, e talvez não lhe despertem motivação – elemento
fundamental em tudo o que desejamos fazer!
Caso você tenha experiência como músico ou professor de música atuante em sua cidade, pode ser
mais interessante verificar as dificuldades e desafios vivenciados em seu trabalho, e a partir dessa vivência,
é possível elaborar uma pesquisa. Outra opção seria fazer um estudo sobre alguma área da Música que lhe
interessou mais, sem necessariamente estar ligado à sua região ou contexto. Poderia ser, por exemplo, uma
pesquisa baseada em revisão de literatura e discussão. Por fim, se você ainda não conseguiu “arrumar um
problema”, tente conversar com colegas, músicos e educadores de sua cidade. Pode ser que durante um
bate-papo descontraído apareça alguma questão que irá lhe interessar – isso é muito mais frequente do que
imaginamos!
Depois de diagnosticar um problema, vamos definir uma questão norteadora para sua pesquisa. Um
problema – ou tema – pode gerar diversas perguntas, conforme podemos observar no modelo a seguir, que
trata sobre o ensino de música em Bacurituba (Figura 5):

A. Como se dá o ensino e
aprendizagem na Escola de
Música Sebastião Ewerton ?

B. Quais Igrejas
Evangélicas de Bacurituba
Figura 5 - Exemplos de perguntas tê aulas de música e como
els são

Curso de Licenciatura em Música


Ensino e C. Qual a biografia dos
aprendizagem musi- principais professores de
música que atuaram em
cal em Bacurituba Bacurituba ?

Fonte: Acervo do autor D. Que escolas da


Educação Básica de
Bacurituba focam no
ensino de música?

E. Que projetos sociais


existentes ou conhecidos
de Bacurituba focam no
ensino de música ?

30
Todos os casos listados no modelo (Figura 5) constituem estudos de caso com base no contexto
local. Além disso, as propostas de questões norteadoras apresentadas podem ser “refinadas”, como a do
quadro C: pode ser mais interessante focar na biografia de um professor de música da cidade, ao invés de
vários. Já no quadro D, é possível fazer um relato sobre as aulas de música de uma escola regular apenas
(assim como ocorre no quadro A). Essa decisão irá depender da quantidade de informações que você irá
encontrar, em diálogo com seu orientador.
No final, a questão norteadora será uma pergunta que representa plenamente a sua pesquisa. É
fundamental ter esta pergunta bem clara, tendo em vista que a argumentação das demais partes do projeto
depende diretamente dela. Caso você não tenha definido ainda uma questão norteadora ou está em dúvidas
sobre ela, recomendamos seguir as sugestões de Gil (2008)21 .

4.2 Referências bibliográficas

Na Unidade I, abordamos em 1.4 Revisão de Literatura, os documentos e textos acadêmicos que você
citou nas demais seções, sob as normas de formatação definidas pela ABNT e UEMA. Entretanto, esta deve
ser a última seção do seu projeto. Mencionamos ela aqui porque é mais interessante criá-la primeiro, e à
medida que forem feitas citações de autores nas demais seções, você deve ir nas “Referências Bibliográficas”
e inserir a referência correspondente a cada citação. Não deixe para fazer este trabalho no final, pois pode
haver confusão! É importante criar o hábito de inserir as referências assim que elas forem citadas, pois não
será necessário verificar se há referências a mais ou a menos depois.
Algumas pessoas gostam de trabalhar com duas folhas de caderno ou arquivos digitais diferentes: no
primeiro, elas escrevem o projeto; e no segundo, anotam as referências bibliográficas utilizadas. Assim que a
redação do projeto for concluída, ele apenas acrescenta o segundo caderno/arquivo ao final do primeiro.

4.3 Objetivos

São as atividades e ações que você pretende realizar em sua pesquisa. Um recurso conhecido que
ajuda a construir os objetivos é perguntar: “o que pretendo fazer?” As respostas, que devem ser frases curtas e
claras, podem começar com verbos no infinitivo que exprimem ações, como “investigar”, “promover”, “analisar”,
“propor” ou “elaborar”.
Temos, ainda, dois tipos de objetivos: 1) o objetivo geral, que consiste na ação ou atividade que
responde à questão norteadora e conclui a pesquisa; e 2) os objetivos específicos, que são resultado indireto
da pesquisa. Curso de Licenciatura em Música
Como exemplo, vamos supor que seu trabalho seja sobre o ensino na Escola de Música Zacarias Rêgo, de
Pastos Bons. Você fará a pergunta – “o que pretendo fazer?” – e terá como possíveis respostas:

• Estudar as relações de ensino e aprendizagem da escola;


• Traçar um percurso histórico da instituição;
• Elaborar um levantamento estatístico de estudantes matriculados e egressos;
• Analisar os recursos disponíveis e instrumentos musicais da escola;

___________________________________________________

21
Estas sugestões estão presentas nas páginas 41 a 48 do livro de Gil.
31
• Entrevistar os professores do estabelecimento;
• Fazer um levantamento do material didático utilizado nas aulas da escola;
• Verificar o planejamento pedagógico da instituição.

Perceba que o primeiro objetivo apresentado responde à questão norteadora; esse é, portanto, o
objetivo geral.

ATIVIDADE

Você já tem um problema e uma questão norteadora definidos? Se sim, escreva-a na primeira página de
um caderno ou editor de texto. Em seguida, escreva o objetivo geral e pelo menos cinco objetivos específicos,
perguntando para si mesmo: “o que pretendo fazer?”

4.4 Justificativa

Nos projetos de pesquisa solicitados por boa parte das instituições de ensino superior do Maranhão, é
comum que a seção “Justificativa” apareça antes dos “Objetivos”. Entretanto, acreditamos ser mais interessante
elaborar os objetivos antes da justificativa, portanto, basta você trocar a ordem das seções no seu projeto de
pesquisa.
Conforme afirmamos anteriormente, o projeto de pesquisa tem um caráter redundante. Isso se dá
porque suas partes são inter-relacionadas. Além disso, essa “redundância” reforça para os avaliadores a
segurança que o proponente do projeto deve possuir sobre a pesquisa que deseja desenvolver.
Diferentemente dos objetivos, que são frases curtas e diretas, a justificativa consiste em parágrafos
onde você irá argumentar/defender a relevância da sua pesquisa. A pergunta que nos guia para elaborar a
justificativa é “por que esta pesquisa seria importante?” Cada resposta irá gerar um parágrafo argumentativo.
Para redigi-lo, é preciso ter algum conhecimento sobre o tema que irá abordar no projeto, ou seja: você já
deveria ter feito uma revisão de literatura e a leitura analítica de algumas referências.
Em geral, a justificativa traz pelo menos três argumentações – e, logicamente, essa mesma quantidade
de parágrafos. Para ajudá-lo a desenvolver a justificativa, sugerimos fazer a pergunta “por que” pensando em
três aspectos distintos. Por exemplo:

1) Por que esta pesquisa seria importante para o contexto abordado?


2) Por que esta pesquisa contribuiria para a literatura/bibliografia já existente? Curso de Licenciatura em Música
3) Por que esta pesquisa seria interessante para estudantes e/ou professores de música?

Voltemos ao exemplo sobre o ensino musical na Escola de Música Zacarias Rêgo. Seguem adiante
possíveis parágrafos para uma justificativa:

1. A Escola de Música Zacarias Rêgo, a exemplo de tantas outras instituições de ensino musical mantidas
por prefeituras no Estado do Maranhão, contribui de maneira significativa para a manutenção das práticas
musicais em Pastos Bons. Um estudo científico permitirá refletir sobre as contribuições efetivas da escola
em âmbitos mais aprofundados;

32
2. Segundo a literatura, há relatos de experiência relevantes sobre outras instituições de ensino musical
maranhenses, como a Escola de Música “Maestro Nonato” em São José de Ribamar, a Escola de Música
de Morros e a Escola de Música do Estado do Maranhão “Lilah Lisboa de Araújo” em São Luís. Entretanto,
não há estudos que abordam a Escola de Música Zacarias Rêgo;
3. O ensino e aprendizagem musical da Escola de Música Zacarias Rêgo é um tópico de relevância tanto para
estudantes e professores da instituição, que terão um retorno analítico e um registro de suas atividades,
quanto para pesquisadores das subáreas de Educação Musical e Musicologia.

ATIVIDADE

Considerando sua questão norteadora, elabore a justificativa de seu projeto com base nas três perguntas
apresentadas, buscando responder cada uma delas em um parágrafo diferente.

4.5 Referencial teórico

Algumas instituições solicitam que seus projetos de pesquisa contenham a seção “Referencial Teórico”.
Sua elaboração é semelhante à da “Justificativa”, mas com uma finalidade diferente: o pesquisador deve
demonstrar conhecimento da bibliografia, teorias, concepções e discussões ligadas ao tema da pesquisa.
É importante o uso de citações, reforçando o diálogo com a literatura. Portanto, para elaborar o referencial
teórico, você já precisaria ter realizado a revisão de literatura e várias leituras analíticas.
No exemplo que temos utilizado, uma possível seção de “Referencial Teórico” sobre o ensino na Escola
de Música Zacarias Rêgo iria contemplar estudos de caso semelhantes – como os da Escola de Música de
Morros e de São José de Ribamar, por exemplo – e trabalhos de autores ligados à subárea de Educação
Musical com foco em instituições de ensino, a exemplo de Neide Esperidião, Marisa Fonterrada, Rita Fucci
Amato e Luciana Del-Ben.

ATIVIDADE

Com base nos trabalhos desenvolvidos até agora sobre sua pesquisa, elabore um breve referencial

Curso de Licenciatura em Música


teórico de dois parágrafos, abordando dois temas/tópicos diferentes e, citando o posicionamento de pelo
menos três autores sobre cada tema.

4.6 Metodologia

Este é o “coração” do seu projeto. É na metodologia que você responderá à pergunta “como vou fazer
esta pesquisa?”. Aqui entrarão os conhecimentos estudados na Unidade III, que oferecem ideias sobre como
conduzir e desenvolver sua pesquisa.
Conforme vimos anteriormente, existem dois tipos de método: 1) abordagens conceituais; e 2)
procedimentos técnicos. Pense, agora, em que método(s) específico(s) de cada tipo seriam interessantes
33
para responder à hipótese da sua pesquisa - que, neste momento, já precisa estar bem definida.
Como os métodos mudam muito de acordo com o que estamos pesquisando, é mais interessante
vermos exemplos de métodos adotados em outros trabalhos. Seguem adiante alguns exemplos (Tabela 1):
Tabela 1 - Exemplos de métodos e pesquisas científicas da área de Música

Autor Título Descrição sucinta do método


empregado
ALMENDRA JÚNIOR, 2014 As bandas de música na formação Pesquisa bibliográfica sobre ensino em
do instrumentista profissional de grupo de instrumentos musicais; aplicação
São Luís/MA de questionário em quatro bandas
profissionais de São Luís; análise cruzada
com abordagem qualitativa
COSTA NETO, 2013 Um panorama histórico-cultural Pesquisa de campo e entrevista com
sobre vida e obra de compositores compositores de choro da baixada
de choro da baixada maranhense: maranhense; historiografia musical; análise
breve análise musical de obras já musicológica; consulta a acervos de
editadas partituras
GOMES FILHO, 2014 Musicoterapia: aspectos Pesquisa bibliográfica; discussão teórica;
históricos e sua configuração na revisão de literatura
atualidade
LOUREIRO, 2001 O Ensino de Música na Escola Pesquisa bibliográfica; discussão teórica;
Fundamental: um estudo pesquisa de campo com entrevista aberta
exploratório à diretora e professoras de uma escola
estadual de Minas Gerais
OLIVEIRA, 2014 Gosto musical de alunos do Pesquisa descritiva com abordagem
ensino fundamental: o repertório qualitativa; realização de entrevista
na atividade de canto coral em estruturada com roteiro de perguntas para
uma escola regular do Estado do alunos de canto coral de uma escola de
Goiás ensino fundamental
RODRIGUES, 2011 O curso básico infantil de piano Pesquisa bibliográfica; historiografia
da Escola de Música do Estado musical; discussão teórica sobre Pedagogia
do Maranhão Fonte: Acervo do autor do Piano; análise curricular

Curso de Licenciatura em Música


Para desenvolver a “metodologia” do seu projeto, recomendamos os seguintes passos:

• Procure pesquisas semelhantes à sua na Internet, procurando analisar que métodos foram
empregados pelo pesquisador;
• Leia os textos recomendados que tratam sobre o(s) método(s) que você pretende adotar em sua
pesquisa;
• Imagine um “passo a passo” das ações que você fará na sua pesquisa, sempre pensando em
como responder à sua questão norteadora.

Como a definição de métodos varia muito conforme cada pesquisa, sugerimos que você desenvolva a

34
seção “Metodologia” de seu projeto, mostrando-a para o seu orientador.
4.7 Cronograma

Aqui, você irá definir o tempo necessário para concluir cada ação prevista na seção “Metodologia” –
por isso recomendamos a você imaginar o “passo a passo” para o desenvolvimento de sua pesquisa. Em
geral, o cronograma é apresentado em forma de tabela, onde as linhas trazem cada etapa da metodologia e
as colunas o prazo previsto para conclusão das mesmas. É importante notarmos que o cronograma oferece
sempre uma estimativa, portanto, pode estar sujeito a alterações.
Com relação ao tempo total para realização do projeto, temos por definição o prazo de um ano para
conclusão de uma pesquisa de Monografia – este é o caso do curso de Licenciatura em Música a distância
da UEMA. Projetos de pesquisa para o Mestrado dispõem de dois anos para sua realização, enquanto os de
Doutorado possuem quatro anos. Sendo assim, ao elaborar seu projeto de pesquisa no âmbito deste curso,
você deve ter em mente que disporá de um ano para conclui-lo.
Apresentamos, a seguir, um exemplo de cronograma com base no exemplo que temos demonstrado
sobre o ensino na Escola de Música Zacarias Rêgo (Tabela 2).

Tabela 2 - Exemplo de cronograma

Etapa Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez
1. Revisão de literatura X X X

2. Redação da pesquisa X X X X X X X X

3. Análise do currículo X X

4. Entrevistas X X X

5. Análise dos dados X

6. Defesa X

7. Entrega do trabalho Fonte: Acervo do autor X

ATIVIDADE

Crie um cronograma para sua pesquisa, buscando definir de maneira clara cada procedimento/etapa
constante na metodologia e imaginando uma estimativa de tempo para conclui-la.

4.8 Recursos
Curso de Licenciatura em Música
Este item trata sobre os recursos necessários para realização da pesquisa. Em geral, não é solicitado
em caso de monografias. Entretanto, é interessante conhecê-lo, pois em projetos de pesquisa para Mestrado,
Doutorado e instituições de apoio à pesquisa – como no caso da Fundação de Apoio à Pesquisa do Maranhão
(FAPEMA) – além de projetos culturais, a seção “Recursos” é necessária, sendo inclusive uma das mais
importantes para sua execução e avaliação.
Ao elaborar este item, podemos dividir/classificar os recursos em três tipos:

1. Material de consumo: recursos físicos temporários, como resmas de papel, canetas, cadernos, cartuchos
para impressora, combustível ou alimentação, entre outros;

35
2. Material permanente: recursos físicos sem prazo de validade, como computadores, cabos e equipamentos
de áudio, instrumentos musicais, pastas organizadoras, câmeras, filmadoras ou scanners, por exemplo;
3. Serviços de terceiros: recursos humanos em geral, podendo ser diárias/hospedagem, prestações de
serviços gerais, trabalhos temporários, consultorias ou cachets para músicos.

A apresentação dos recursos também costuma ser feita por meio de uma tabela ou quadro onde são
inseridos os itens, a quantidade necessária, o valor unitário e a soma dos mesmos. Segue adiante um exemplo
de quadro demonstrativo para os recursos (Tabela 3):

Tabela 3 - Exemplo de quadro demonstrativo dos recursos

Recurso Quantidade Unidade Soma


Resmas de papel A4 branco 5 R$ 10,00 R$ 50,00
Pacote de canetas esferográficas azuis 3 R$ 3,00 R$ 9,00
Impressora a laser 1 R$ 600,00 R$ 600,00
Cartuchos para impressora a laser 4 R$ 100,00 R$ 400,00
Scanner com entrada e alimentação USB 1 R$ 150,00 R$ 150,00
Mesa de som multitrilha USB com 8 canais 1 R$ 1.500,00 R$ 1.500,00
Cabos de áudio P2 macho - P2 macho 3 R$ 50,00 R$ 150,00
Caixas acústicas amplificadas de 40W RMS 2 R$ 500,00 R$ 1.000,00
Serviço de produção musical 1 R$ 2.000,00 R$ 2.000,00
Serviço de digitalização de acervos 1 R$ 2.000,00 R$ 2.000,00
RECURSOS TOTAIS R$ 7.859,00
Fonte:Acervo do autor

Opcionalmente, podemos dividir a tabela conforme a classificação proposta de recursos – materiais de


consumo, permanentes e serviços de terceiros.

4.9 Introdução

Este é o item que inicia o projeto de pesquisa, portanto,é onde oferecemos um panorama geral do tema
e apresentamos o problema, a hipótese e a questão norteadora da pesquisa. Além disso, é o momento em
que, o pesquisador precisa ter plena convicção do seu trabalho, logo, torna-se mais interessante deixar como
a última seção a ser escrita – que é quando temos as ideias do projeto mais “amadurecidas”.

Curso de Licenciatura em Música


Na introdução, começamos abordando aspectos mais gerais sobre o tema e a área que pretendemos
abordar. À medida que o texto vai se desenvolvendo, vamos direcionando as ideias para o contexto específico
da pesquisa e, em seguida, situamos o problema. Logo depois, mencionamos hipóteses e a questão norteadora
que nos deixaram dispostos a trabalhar nesta pesquisa.
Precisamos alertar, ainda, que este tipo de redação é adequado apenas para a seção “Introdução” de
projetos de pesquisa. Quando você estiver trabalhando em sua monografia, a introdução desta será diferente,
pois deverá possuir mais informações. Na introdução de monografias (e também dissertações e teses), é
costume fazermos uma breve síntese dos capítulos que seguirão no trabalho – motivo pelo qual, a introdução,
também, precisa ser redigida em último lugar.
Gerhardt e Silveira (2009, p. 66) tratam brevemente sobre a seção “Introdução. Recomendamos a
leitura deste trecho.

36
4.10 Anexos

Os anexos são documentos adicionados conforme necessidades particulares do projeto de pesquisa.


Em geral, não são necessários, fazendo com que esta seção não seja incluída. Há casos em que é interessante
anexar algum documento como, por exemplo:

• Trabalhos voltados à edição musical, pode ser interessante demonstrar algumas das partituras que serão
editadas, inserindo-a nos anexos;
• Em projetos que tratam sobre a legislação vigente de Educação Musical ou ensino de música em escolas,
as leis e regimentos que se pretende discutir podem vir em anexo;
• Nas pesquisas que fazem uso de entrevistas e/ou questionários, é interessante colocar em anexo os
formulários utilizados;
• Em relatos de experiência, onde é interessante inserir registros visuais (fotografias) das atividades
desenvolvidas que não tiveram espaço apropriado no corpo do texto.

Nas pesquisas em Música, é comum haver pesquisas com registros em áudio e vídeo gravados em CD,
sendo a seção “Anexos” apropriada para inseri-lo. Portanto, recomendamos que você utilize um tipo de papel
mais resistente – como papel cartão ou couché, por exemplo, – e cole um envelope de CD para guardá-lo.
Por fim, caso o seu projeto de pesquisa venha a ter documentos em anexo, eles devem ser inseridos no final,
após a seção “Referências Bibliográficas”.

4.11 Elementos pré-textuais

Estes correspondem às páginas/folhas que antecedem o início do texto acadêmico (projetos,


monografias, dissertações ou teses), ou seja, antes da introdução. Há elementos que devem constar em
todos os projetos, como a capa, a folha de rosto e o sumário (índice), e elementos que são adicionados
apenas em caso de necessidade, como a lista de figuras, de quadros ou de anexos, caso o seu projeto venha
a possui-los. Para conhecer os elementos pré-textuais e ter uma referência visual sobre como eles devem ser
elaborados, veja o Manual da UEMA (BAIMA et al., 2014, p. 15-33).
Um problema recorrente na elaboração dos elementos pré-textuais trata sobre a numeração das páginas
em arquivos digitais. Em geral, a contagem começa no sumário; antes dele, as páginas não são numeradas.
Nos editores de texto, precisamos inserir uma “Quebra de seção” chamada “Nova página”22. Depois, temos
que editar a contagem de páginas para cada seção, removendo-a na parte pré-textual e mantendo a contagem

Curso de Licenciatura em Música


na seção posterior. Porém, é um recurso que muitas pessoas acham difícil. Sendo assim, há outra maneira
de fazê-lo: escrever os elementos pré-textuais em um arquivo separado, sem numeração de páginas. Assim,
o corpo do projeto ficaria em um arquivo que possui a contagem de páginas.

4.12 Outras questões

Aqui, vamos abordar algumas discussões que não foram contempladas neste breve trabalho, mas cuja
apresentação se mostra fundamental. Indicaremos referências mais adequadas sobre cada assunto.
___________________________________________________

22
Este breve vídeo mostra como criar uma quebra de página: https://youtu.be/35VFUuUgpZU

37
4.12.1 Plágio

Conforme abordamos brevemente, apresentar ideias de outras pessoas sem dar o devido crédito é
crime de plágio, disposto na Lei n.º 12.853/2013 de direitos autorais e no Art. 184 do Código Penal. Na
Internet, a fraude mais recorrente provém do ato de copiar e colar as informações – ferramenta que facilita
muito o trabalho, mas por outro lado pode ser utilizada de forma prejudicial. Entretanto, reescrever a ideia de
terceiros com suas próprias palavras, sem a devida citação, também caracteriza plágio.

4.12.2 Ética na pesquisa

Em estudos que lidam com pessoas de maneira muito próxima, a exemplo daqueles que adotam
métodos como observação, entrevistas, pesquisa-ação e pesquisa participativa, é importante atentar para a
questão do “consentimento informado”. Princípio estabelecido pelo Código de Nuremberg, consiste no direito
que as pessoas envolvidas na pesquisa têm em saber que tipos de informação estão sendo recolhidas e em
como elas serão divulgadas/publicadas. No caso de pesquisas na área da Saúde, este princípio deve ser
observado, pois pesquisas baseadas em experimentos com produtos farmacêuticos, por exemplo, podem
colocar em risco a saúde das pessoas. Entretanto, há uma discussão nas Ciências Sociais sobre a limitação
que este princípio infere à própria pesquisa, conforme nos diz Gil (2008, p. 107). Sobre a ética na pesquisa
em Música, recomendamos a leitura de Ilari (In: BUDASZ, 2009).

De qualquer forma, é importante se informar sobre o protocolo a seguir. Em geral, é necessário que
as pessoas assinem um Termo de Consentimento antes de participar da pesquisa. Na UEMA, o setor que
lida com questões de ética na pesquisa é o Comitê de Ética em Pesquisa (CEP/UEMA)23 e pode dar maiores
orientações para a sua pesquisa, caso você precise lidar com pessoas.

Resumo

Nesta Unidade, estudamos as principais seções que constituem um projeto de pesquisa científica
adequado à área de Música, oferecendo sugestões de redação. Foram sugeridas tarefas relacionadas à
elaboração de partes específicas, recomendando a supervisão do trabalho por um orientador. No fim, foram
brevemente abordadas questões sobre ética na pesquisa.

Referências Curso de Licenciatura em Música

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