You are on page 1of 7

PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DO

PARANÁ
ESCOLA DE DIREITO

Tiago Silveira de Oliveira


Otávio André Gomes
Daniel Côrtes de Camargo
Loni Guilherme Penteado
Tiago Fabricio de Matos
Gilberto Jesus Santos

Direito Civil – Contratos em Espécie

Professora: Maristela Denise Marques de Souza

CURITIBA

2017
CASOS CONCRETOS DE CONTRATOS EM ESPÉCIE

1) A excludente de responsabilidade decorrente de caso fortuito ou força


maior caracteriza-se pelo afastamento do nexo de causa em relação ao sujeito passivo da
relação processual. Ilustrada da seguinte forma, por Ruy Stocco:
Quando o sujeito passivo da relação processual afirma que o fato
se deu em razão de caso fortuito, força maior, culpa exclusiva da vítima, ou até mesmo por
fato de terceiro, em verdade está buscando demonstrar a inexistência de nexo de causa e
efeito entre ele e o resultado, na consideração de ser possível que alguém se envolva em
determinado evento sem que lhe tenha dado causa "
Isto exposto, será impossibilitado o estacionamento em fazer uso
desta excludente. Haja visto, que, para prestar o serviço de guarda de automóveis, o mesmo
deve preencher requisitos mínimos para que não haja dano ao bem dos seus clientes.
Portanto, é evidente que foi prestado um serviço defeituoso, por não fornecer a segurança
que era de se esperar. Compromete-se, então, a sanar qualquer dano causado durante a
estadia do veículo, mesmo não se comprometendo expressamente.
Tecendo outra linha de raciocínio, por se tratar de uma relação de
consumo, o fornecedor do serviço deve arcar com a reparação de danos, mesmo na
inexistência de culpa. Tal como trás o artigo número 14 do Código de Defesa do
Consumidor:
Art. 14. O fornecedor de serviços responde, independentemente
da existência de culpa, pela reparação dos danos causados aos consumidores por defeitos
relativos à prestação dos serviços, bem como por informações insuficientes ou inadequadas
sobre sua fruição e riscos.
Por outro lado, ao ser efetuada uma contratação por tempo
determinado, ao não retirar o veículo da forma prevista, Lázaro constitui-se em mora.
Portanto, este aspecto é o excludente da responsabilidade do estacionamento em ressarcir o
dano. Uma vez que a mora de Lázaro isenta o estacionamento à responsabilidade pela
conservação da coisa, haja visto que o fato ocorrido não se deu dolosamente. De acordo com
o exposto no artigo número 400 do Código Civil:
Art. 400. A mora do credor subtrai o devedor isento de dolo à
responsabilidade pela conservação da coisa, obriga o credor a ressarcir as despesas
empregadas em conservá-la, e sujeita-o a recebê-la pela estimação mais favorável ao
devedor, se o seu valor oscilar entre o dia estabelecido para o pagamento e o da sua
efetivação.
2)
O artigo 617 do CC aduz que " O empreiteiro é obrigado a pagar os
materiais que recebeu, se por imperícia ou negligência os inutilizar"

sendo assim na empreitada de lavor ( caso em estudo) se a coisa perecer,


antes da entrega e sem culpa do empreiteiro, ( o que não aconteceu no caso em estudado)
quem sofre a perda é o dono da obra, por conta de quem correm os riscos (artigo 612). E não
havendo, igualmente, mora do dono, o empreiteiro perde a retribuição (artigo 613).O
empreiteiro, no entanto, terá direito à remuneração, se provar que a perda resultou de defeito
dos materiais, e que em tempo reclamara contra a sua quantidade ou qualidade, conforme
dispõe o artigo 613, última parte, do CC.

Este grupo entende que o dono poderá reclamar por perdas e danos, pois
basicamente a obrigação do empreiteiro é a entrega da coisa no tempo determinado e na
forma previamente estipulada, desta forma concretizando o adimplemento do contrato, sob
pena de reparar o prejuízo, nos termos do art. 389, do Código Civil, regra geral.

3)
a) Quanto a esta questão, houve divergência de entendimento dentro do
presente grupo, onde a maioria decidiu acompanhar a orientação da professora, tipificando
o contrato de fornecimento de alimentação aos empregados, nos termos do caso concreto,
como um contrato de prestação de serviços, já o “relator” da questão, apesar do saber jurídico
da professora, entende se tratar de um contrato de compra e venda, uma vez que o
fornecimento de marmitas se assemelha mais a uma obrigação de dar, do que uma obrigação
de fazer, é o mesmo entendimento que vem adotando os precedentes jurisprudenciais, segue
entendimento jurisprudencial que entende ser esta a tipificação.
b) Este grupo entende que aplica-se o CDC, quanto aos funcionários, são
consumidores equiparados como diz o art. 2 do CDC parágrafo único “ Art. 1° O presente
código estabelece normas de proteção e defesa do consumidor, de ordem pública e interesse
social, nos termos dos arts. 5°, inciso XXXII, 170, inciso V, da Constituição Federal e art.
48 de suas Disposições Transitórias.

Art. 2° Consumidor é toda pessoa física ou jurídica que adquire ou


utiliza produto ou serviço como destinatário final.

Parágrafo único. Equipara-se a consumidor a coletividade de


pessoas, ainda que indetermináveis, que haja intervindo nas relações de consumo.”

Sendo que a empresa Altavista contratou os serviços de fornecimento de


alimentação para os seus funcionários. A única hipótese de compra e vende, seria. Entretanto
os tribunais vem entendido de forma divergente, pois não fica caracterizada a
hipossuficiência da parte além da empresa contratante ter uma relação intermediária quanto
a destinação do produto da compra.

No mesmo entendimento, segue decisão jurisprudencial

AGRAVO. EXCEÇÃO DE INCOMPETÊNCIA NÃO


ACOLHIDA. CONTRATO DE FORNECIMENTO DE REFEIÇÕES
CELEBRADO ENTRE EMPRESAS. CLÁUSULA DE FORO DE
ELEIÇÃO. AÇÃO DE REPARAÇÃO DE DANOS AJUIZADA NO FORO
ESCOLHIDO. PREVALÊNCIA. CAUSA NÃO SUJEITA AO CÓDIGO DE
DEFESA DO CONSUMIDOR. HIPOSSUFICIÊNCIA DA PARTE NÃO
TIPIFICADA. PRETENSÃO. RECURSO IMPROVIDO. Prevalece a
cláusula de foro de eleição regularmente estipulada em contrato celebrado por
empresas para fornecimento de refeições em restaurante a empregados e
terceiros, não formalizado pelo modelo de adesão e sem hipossuficiência de
qualquer das partes. Hipótese, ademais, que não se subsume aos preceitos do
Código de Defesa do Consumidor para o efeito de tornar essa cláusula
ineficaz.

(TJ-SP - AI: 20075038720138260000 SP 2007503-


87.2013.8.26.0000, Relator: Adilson de Araujo, Data de Julgamento:
03/09/2013, 31ª Câmara de Direito Privado, Data de Publicação: 04/09/2013)

c) Este grupo entende pela possibilidade de rescisão unilateral por parte


da contratante, pois resilição é o desfazimento de um contrato por simples manifestação de
vontade, de uma ou de ambas as partes. Ressalte-se que não pode ser confundido com
descumprimento ou inadimplemento, pois na resilição as partes apenas não querem mais
prosseguir. A resilição pode ser bilateral (distrato, art. 472 , CC) ou unilateral (denúncia, art.
473 , CC).

Sendo assim, seria possível a resilição unilateral nos termos do “Art.


473. A resilição unilateral, nos casos em que a lei expressa ou implicitamente o permita,
opera mediante denúncia notificada à outra parte.
Parágrafo único. Se, porém, dada a natureza do contrato, uma das partes
houver feito investimentos consideráveis para a sua execução, a denúncia unilateral só
produzirá efeito depois de transcorrido prazo compatível com a natureza e o vulto dos
investimentos.”
d)
Este grupo entende pelo descabimento de indenização a título do 603,
pois a resilição contratual foi motivada, uma vez que a contratada agiu de má fé no produto
oferecido, o membro “relator” da questão, entende ainda, que seria impossível a aplicação
do tipo legal mesmo que não fosse o caso da boa, por se tratar de contrato de compra e venda
(entendimento único no grupo)

4)
a) Visto que os alunos pagam contribuição mensal, conclui-se por força
do art 736cc, que não se trata de contrato gratuito, por amizade ou cortesia, o que significa
que no contrato firmado pelo CASP, estariam inclusas a integridade física dos passageiros e
de seus pertences.
Também por força do 734cc, o transportador responde por eventuais
danos causados às pessoas quais ele tinha o dever de transportar em segurança.
Não se tratando de contrato por cortesia, é importante verificar o disposto
do art 735cc, que afirma que a transportadora não pode se elidir da culpa mesmo que o dano
seja causado por terceiro, o qual cabe ação de regresso.

b) Consideradas as circunstancias da retirada do passageiro considerando


que estava alcoolizado e causava perturbação dentro do veículo, atrapalhando a execução
normal do serviço, causando incômodo aos outros passageiros desrespeitando as normas
estabelecidas pelo transportador, causas estas que justificam sua retirada do veículo sem
direito a indenização por parte do transportador visto que não concorreu em culpa para o
prejuízo do passageiro que foi prejudicado por infringir a lei e desobedecer as regras a ele
impostas no contrato de transporte com embasamento nos artigos 738 e 739 CC como
seguem
Art. 738. A pessoa transportada deve sujeitar-se às normas estabelecidas
pelo transportador, constantes no bilhete ou afixadas à vista dos usuários, abstendo-se de
quaisquer atos que causem incômodo ou prejuízo aos passageiros, danifiquem o veículo, ou
dificultem ou impeçam a execução normal do serviço.
Parágrafo único. Se o prejuízo sofrido pela pessoa transportada for
atribuível à transgressão de normas e instruções regulamentares, o juiz reduzirá
equitativamente a indenização, na medida em que a vítima houver concorrido para a
ocorrência do dano.
Art. 739. O transportador não pode recusar passageiros, salvo os casos
previstos nos regulamentos, ou se as condições de higiene ou de saúde do interessado o
justificarem.