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ANTROPOLOGIA: Estrutura e função nas sociedades antigas

Conceituação

A antropologia ajuda-nos a descobrirmos o que é um ponto de vista para o nativo; deve haver um deslocamento reflexivo. Por
isso, os conceitos ou concepções nativos devem ser os conceitos de quem os estuda.

É daí que vem o sentido. “O sentido, com efeito, não é nem verdadeiro nem falso, nem crível nem incrível; ele é aquilo que
pode ser dito de outro modo, traduzir-se em outra linguagem”.

Observe-se que estruturas sociais não significam a mesma coisa que relações sociais; determinada relação social entre duas
pessoas só existe como parte de ampla rede de relações sociais, e essa “rede” subsiste numa estrutura.

A existência de comunidades de fala, bem como suas dimensões, são aspectos da estrutura social. Por isso, não podemos
compreender a religião a não ser mediante um exame de sua relação com as instituições.

Segundo Alfred Reginald Radcliffe-Brown, possivelmente toda religião seja parte importante e mesmo essencial do
maquinismo social. Desta perspectiva tratamos não das origens, mas das funções sociais da religião, isto é, a contribuição que ela é
capaz de dar para a formação e manutenção de uma ordem social.

A abordagem não deve ser etnocêntrica, binária do tipo “nós e eles”, evita-se procurar um ponto de ruptura único; a análise é de
dentro para fora, o que inibe ainda os anacronismos e um elemento de valor.

Construção e ideal social

É importante não rejeitar toda consideração de fatores específicos, inclusive tradição intelectual, ambiente institucional e modo
de comunicação que estão por trás da emergência de um indivíduo ou grupo social.

Construção do ser humano social

Jack Goody concorda com Claude Lévi-Strauss que o homem neolítico, o primeiro homem histórico, foi herdeiro de uma longa
tradição científica (a base das artes da civilização: agricultura, criação de animais, cerâmica, tecelagem, conservação e preparação
de comida.

Ou seja: a sequência alfabeto + o sistema gráfico + o desenvolvimento da matemática etc.

Amós 6.1-6

Como crítica da religião, o v. 2 liga-se ao v. 6b; possivelmente o v. 5 seja glosa e o v. 1, escrito à maneira de dito do
mensageiro, é cabeçalho do redator. Como está a perícope 6.1-7, o redator final tornou independente uma pequena perícope, ou
seja, 6.8, que pode ter sido desentranhada e reescrita para iniciar um novo anúncio de desgraça – os títulos concedidos a Yhwh o
atestam.

Nesse mesmo contexto vital encontra-se Amós 3.13- 15

História: Os tempos históricos, os documentos e as fontes

Conceituação

É antiga a certeza do historiador quanto ao fato de que sua tarefa consiste primordialmente em buscar a verdade e transmiti-la.
É dos tempos modernos a afirmação de que só se pode encontrar a verdade quando se adota um ponto de vista fixo ou mesmo
quando se posiciona perspectivamente.

Observar a tríade: lugar, tempo e pessoa.


estrutura, conjuntura e acontecimento.
A base do conhecimento histórico: rastro ou indício, documento, pergunta.
Uma característica importante da narrativa histórica: ela surge no limiar entre as lendas, os mito se os contos de fadas, de um
lado, e o anseio por notícias confiáveis, de outro.
Portanto, a historiografia aborda um passado racionalmente verificável.
Todo conhecimento histórico é condicionado pelo ponto de vista e , por isso, relativo.
Ou : parcialidade e objetividade excluem-se mutuamente, mas remetem uma a outra ao longo do desenvolvimento da tarefa
histórica.
Ora, os fatos são condicionados pelo julgamento, no contexto histórico.
Metodologicamente...
...o estudioso deve aspirar à imparcialidade e conceder a palavra ao lado contrário; seja para contestar sua “profundidade”, seja
para relacionar todas as possibilidades de interpretação.
A assim chamada pesquisa pura e simples dos fatos é metodologicamente imprescindível e se realiza no âmbito da
comprovação geral.
O método histórico tem sua própria racionalidade
a) a autenticidade de certidões;
b) a datação de documentos;
c) números referentes a estatísticas;
d)diferentesversõesevariantesdeummesmotexto,suaorigemouproveniência.
A autêntica tensão à qual o historiador e o exegeta devem se submeter é aquela entre a teoria de uma história ou crítica
exegética e a realidade das fontes.
Assim, deve-se:
a) avaliar as causas;
b) acompanhar circunstâncias de longo prazo;
c) alterar a disposição do começo e do fim de uma história;
d) esboçar sistemas mais adequados à complexidade das histórias do que a mera adição de conhecimentos.
Decidir sobre a interpretação de uma história sob um ponto de vista teológico ou econômico não é uma tarefa relacionada à
pesquisa de fontes, mas sim uma questão de premissas teóricas.
Só a partir do estabelecimento dessas premissas é que as fontes começam a falar. Mas elas podem também silenciar, uma vez
que não haja qualquer documento para uma questão teórica.
Com isso, o primado da teoria estimula e obriga à construção de hipótese ,sem a qual nenhuma pesquisa histórica pode ser
conduzida.
Tempos históricos
Os tempos históricos têm sido organizados em dois pólos: linear e recorrente e circular.
*Linear→ como uma flecha, como um futuro indefinido e irreversível (atribuído aos judeus e cristãos).
*Recorrente e circular→ destaca o retorno do tempo, previsível (atribuído aos gregos).
Por isso, toda narrativa histórica precisa recorrer, desde o início, a fontes primárias a fim de desvelar não apenas o caráter
inconfundível das experiências singulares, mas das experiências adquiridas por gerações específicas.
Por isso, história e memória são identificáveis:
História→ inscreve-se na ordem de um saber científico, para dar uma representação adequada da realidade que foi e já não é.
Verdadeiro→ o verificável.
Memória→ é conduzida pelas exigências existenciais das comunidades na construção de seu ser coletivo.
Ficção→ é um discurso que não pretende nem representar nem abonar-se do real.
De maneira que a divisão não é entre a história e a ficção, mas sim entre os relatos verossímeis e os que não o são.
Mas entre ficção e realidade surge um terceiro termo:
Falso→ o não autêntico, o fictício que se faz passar por real, o refutável.
As três temporalidades
* Tempo curto: micro-história (decisões conscientes, medida em horas, dias);
* Tempo médio: história conjuntural (vida material, ciclos econômicos);
* Longa duração: história estrutural (envolvendo povos, continentes, impérios).
No mundo antigo, diferentes sistemas de contagem do tempo foram utilizados, segundo as regiões e a época. Os gregos
contavam os anos a partir da primeira olimpíada (776 a.C.), os romanos a partir da fundação de Roma (753 a.C.). Os habitantes do
Oriente Próximo só adotaram sistema semelhante a partir de 312 a.C., na era selêucida. Antes eles se referiam aos anos dos reinados
de seus soberanos ou aos nomes de seus dignitários.
Outro fenômeno observado na Mesopotâmia é que existiram vários calendários simultaneamente em todo o território,
além dos calendários lunar, solar e agrícola.