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PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE SÃO PAULO

FACULDADE DE CIÊNCIAS HUMANAS E DA SAÚDE


PSICOLOGIA - 6o SEMESTRE
DISCIPLINA DE PSICOLOGIA SOCIAL IV - PROFA. BEATRIZ BRAMBILLA
VIVIANE PAPIS - RA00166042

Questão de reflexão individual


Considerando que o período de democratização representou um avanço nas políticas sociais de
acesso a direitos, analise como a psicologia pode contribuir a partir do campo das políticas
públicas para enfrentar e resistir ao contexto atual de recrudescimento neoliberal, o qual coloca
em risco avanços conquistados.

No momento atual, observa-se uma conjuntura social e política muito conturbada;


estabelece-se uma crise econômica ao mesmo tempo originando e advinda de crises política e
social. Estas crises, com raízes mais antigas do que se é possível constatar à primeira vista, estão
inseridas em um modelo neoliberal de economia, no qual se defende a não participação do
Estado na economia, o que, em teoria, garante crescimento econômico e desenvolvimento social
à nação. Contudo, essa liberdade garantida pela não interferência governamental intensifica as
desigualdades sociais e se produz com maior intensidade o sofrimento e a humilhação social.
Ao refletir o momento atual inserido neste contexto, observa-se que o desmonte de
políticas públicas essenciais à população brasileira estabelece um enfraquecimento da atuação do
governo na garantia de medidas de assistência social, de forma que este não mais se
responsabiliza pelos cuidados à população que dele depende. Esta desresponsabilização encontra
diretamente a constatação de que o Estado, juntamente com a configuração econômica-social, é
causador de sofrimento e de humilhação, intensificados pelo conjunto dos fatores denotados até
então.
A Psicologia em conjunto com a Assistência Social e outras áreas do conhecimento estão
interessados em atender uma população que, por condições sociais e históricas, se encontram em
situação de desvantagem e que devem ser considerados como indivíduos detentores de direitos e
integridade física e moral, garantidas por nossa constituição. Cabe, neste sentido, à Psicologia
enquanto área do saber avaliar até que ponto certas medidas políticas influenciam nas formas de
viver da população como um todo, observar suas formas de subjetivação e de transformação a
partir dessa realidade, intervindo para proporcionar melhor vivência possível. Dessa forma,
pode-se pensar a dimensão subjetiva da conjuntura das políticas sociais e do desmonte das
políticas públicas, em como a dimensão social interfere na dimensão pessoal e como esta
interação produz diferentes formas de experienciar a própria condição social, atravessada por
desigualdades e negligências por parte do governo.
Considera-se que o campo de atuação do profissional e estudante de Psicologia não mais
se limita à esfera elitista e apartado da vivência cotidiana, uma vez que ampliou estudos e
intervenções, ainda atravessados de uma terapêutica e de um olhar clínico, para a rua.
entendendo as dimensões políticas que compõem nossa sociedade brasileira atual. Assim, pode-
se pensar uma formação voltada para melhor desenvolver este olhar crítico e clínico direcionado
às transformações e interações sociais. A interação com esta dimensão é essencial para
desenvolver psicólogos comprometidos com a população a que pretendem compreender para
atender de modo ainda mais engajado.
Pensando nesta formação, permitir o debate no espaço estudantil, já que é neste que se
encontra meio para construção e transformação de opinião e de possibilidade de movimentos de
reivindicação, representa um avanço pequeno, porém significativo no enfrentamento da produção
do sofrimento e de agravamento das desigualdades sociais. Este avanço, se incentivado por
órgãos com maior reconhecimento e poder de voz perante a sociedade, como o CRP, pode tomar
proporções cada vez maiores e mais relevantes para a própria formação e produção de saber
psicológico implicado na perspectiva social.

Avaliação do Curso
A disciplina de Psicologia Social IV permitiu o desenvolvimento de um olhar muito mais
crítico para o envolvimento da Psicologia com o campo das Políticas Públicas e o atendimento
da população que depende de ações do governo. Apesar de termos pouco tempo de
aproveitamento da disciplina e dos conteúdos passados pelos professores, considero estes
essenciais para a minha formação como psicóloga inserida em uma realidade extremamente
conturbada e que não pode ser enxergada de forma unilateral.
É nosso compromisso compreender onde e quando esses indivíduos estão inseridos de
forma a melhor atendê-los conforme suas demandas. A implementação dessas políticas deve
considerar um indivíduo multifacetado e que não está separado do contexto no qual vive
constantemente. Não podemos somente estudar as patologias sem entender a relação delas com o
período histórico, a condição social do país e as transformações políticas vivenciadas.
A disciplina como um todo foi extremamente trabalhosa, demandou muito por parte dos
alunos para ler todos os textos, participar das aulas, realizar uma apresentação de um dos campos
de atuação das políticas públicas na realidade paulistana e, ao final, nos reunirmos para um
debate que, apesar de desgastante e um tanto inconveniente com o período de finalização do
semestre, suscitou diversas questões dentre os alunos.
Tratando do meu ponto de vista, acredito que essa disciplina necessite de mais tempo
para um aproveitamento mais profundo, visto que tivemos pouco tempo em sala para debate.
Assim, poderíamos ter nos preparado ainda mais para a atividade de finalização durante o
horário comum e ter nos apropriado ainda mais dos temas expostos e discutidos.