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Quatro Textos sobre o Fundamentalismo Evangélico-

Protestante no Brasil, escrito por teólogos


protestantes e católicos, e por sociólogos, psicólogos e
cientistas das religiões

I - O Evangelho dos Evangélicos


Ed René Kivtiz

Cientista das Religiões, Pastor da Igreja Batista de Água Branca, São Paulo,
conferencista

“Nem todo aquele que me diz Senhor, Senhor, entrará no Reino dos céus,
mas aquele que faz a vontade de meu Pai que está nos céus.” [Jesus Cristo]
Estou convencido de que um é o evangelho dos evangélicos, outro é o
evangelho do reino de Deus. Registro que uso o termo “evangélico” para me
referir à face hegemônica da chamada igreja evangélica, como se apresenta na
mídia radiofônica e televisiva.

O evangelho dos evangélicos é estratificado. Tem a base e tem a cúpula.


Precisamos falar com muito cuidado da base, o povo simples, fiel e crédulo.
Mas precisamos igualmente discernir e denunciar a cúpula. A base é movida
pela ingenuidade e singeleza da fé; a cúpula, muita vez é oportunista, mal
intencionada, e age de má fé. A base transita livremente entre o catolicismo, o
protestantismo e as religiões afro. A base vai à missa no domingo, faz cirurgia
em centro espírita, leva a filha em benzedeira, e pede oração para a tia que é
evangélica. Assim é o povo crédulo e religioso. Uma das palavras chave desta
estratificação é “clericalismo”: os do palco manipulando os da platéia, os auto-
instituídos guias espirituais tirando vantagem do povo simples, interesseiro,
ignorante e crédulo.

A cúpula é pragmática, e aproveita esse imaginário religioso como fator de


crescimento da pessoa jurídica, e enriquecimento da pessoa física. Outra
palavra chave é “sincretismo”. A medir por sua cúpula, a igreja evangélica virou
uma mistura de macumba, protestantismo e catolicismo. Tem igreja que se diz
evangélica promovendo “marcha do sal”: você atravessa um tapete de sal
grosso, sob a bênção dos pastores, e se livra de mal olhado, dívida, e tudo que
é tipo de doença. Já vi igreja que se diz evangélica distribuir cajado com água
do Jordão (i.é, um canudo de bic com água de pia), para quem desejasse ungir
o seu negócio, isto é, o seu business. Lembro de assistir a um programa de TV
onde o apresentador prometia que Deus liberaria a unção da casa própria para
quem se tornasse um mantenedor financeiro de sua igreja.

O povo religioso é supersticioso e cheio de crendices. Assim como o Brasil.


Somos filhos de portugueses, índios, africanos, e muitos imigrantes de todo
canto do planeta. Falar em espíritos na cultura brasileira é normal. Crescemos
cheios de crendices: não se pode passar por baixo de escada; gato preto dá
azar; caiu a colher, vem visita mulher, caiu garfo, vem visita homem; e outras
tantas idéias sem fundamento. Somos assim, o povo religioso é assim. Tem
professor de universidade federal dando aula com cristal na mão para se
energizar enquanto fala de filosofia.
E a cúpula evangélica aproveita a onda e pratica um estelionato religioso:
oferece uma proposta ritualística que aprisiona, promove a culpa e,
principalmente, ilude, porque promete o que não entrega. Aliás, os jornais
começam a noticiar que os fiéis estão reivindicando indenizações e processando
igrejas por propaganda enganosa.

O evangelho dos evangélicos é estratificado. A base é movida pela ingenuidade


e singeleza da fé, e a cúpula é oportunista. A base transita entre o catolicismo,
o protestantismo e as religiões-afro, e a cúpula é pragmática. A base é cheia de
crendices e a cúpula pratica o estelionato religioso.

O evangelho dos evangélicos é mercantilista, de lógica neoliberal. Nasce a


partir dos pressupostos capitalistas, como, por exemplo, a supremacia do lucro,
a tirania das relações custo-benefício, a ênfase no enriquecimento pessoal, a
meritocracia – quem não tem competência não se estabelece. Palavra chave:
prosperidade. Desenvolve-se no terreno do egocentrismo, disfarçado no
respeito às liberdades individuais. Palavra chave: egoísmo. Promove a
desconsideração de toda e qualquer autoridade reguladora dos investimentos
privados, onde tudo o que interessa é o lucro e a prosperidade do
empreendedor ou investidor. Palavra chave: individualismo. Expande-se a
partir da mentalidade de mercado. Tanto dos líderes quanto dos fiéis. Os líderes
entram com as técnicas de vendas, as franquias, as pirâmides, o planejamento
de faturamento, comissões, marketing, tudo em favor da construção de
impérios religiosos. Enquanto os fiéis entram com a busca de produtos e
serviços religiosos, estando dispostos inclusive a pagar financeiramente pela
sua satisfação. Em síntese, a religião na versão evangélica hegemônica é um
negócio.

O sujeito abre sua micro-empresa religiosa, navega no sincretismo popular,


promete mundos e fundos, cria mecanismos de vinculação e amarração
simbólicas, utiliza leis da sociologia e da psicologia, e encontra um povo
desesperado, que está disposto a pagar caro pelo alívio do seu sofrimento ou
pela recompensa da sua ganância.

Em terceiro lugar, o evangelho dos evangélicos é mágico. Promove a


infantilização em detrimento da maturidade, a dependência em detrimento da
emancipação, e a acomodação em detrimento do trabalho.
Pra ser evangélico você não precisa amadurecer, não precisa assumir
responsabilidades, não precisa agir. Não precisa agregar virtudes ao seu
caráter ou ao processo de sua vida. Primeiro porque Deus resolve. Segundo
porque se Deus não resolver, o bispo ou o apóstolo resolvem. Observe a
expressão: “Estou liberando a unção”. Pensando como isso pode funcionar,
imaginei que seria algo como o apóstolo ou bispo dizendo ao Espírito Santo:
“Não faça nada por enquanto, eles não contribuíram ainda, e eu não vou liberar
a unção”.

Existe, por exemplo, a unção da superação da crise doméstica. Como isso pode
acontecer? A pessoa passa trinta anos arrebentando com o seu casamento, e
basta se colocar sob as mãos ungidas do apóstolo, que libera a unção, e o
casamento se resolve. Quem não quer isso? Mágica pura.

O sujeito é mau-caráter, incompetente para gerenciar o seu negócio, e não


gosta de trabalhar. Mas basta ir ao culto, dar uma boa oferta financeira, e levar
para casa um vidrinho de óleo de cozinha para ungir a empresa e resolver
todos os problemas financeiros.

Essa postura de não assumir responsabilidades, de não agir com caráter, e


esperar que Deus resolva, ou que o apóstolo ou bispo liberem a unção tem
mais a ver com pensamento mágico do que com fé.

Em quarto lugar, o evangelho dos evangélicos tem espírito fundamentalista.


Peço licença para citar Frei Beto: “O fundamentalismo interpreta e aplica
literalmente os textos religiosos, não sabe que a linguagem simbólica da Bíblia,
rica em metáforas, recorre a lendas e mitos para traduzir o ensinamento
religioso.” O espírito fundamentalista é literalista, e o mais grave é que o
espírito fundamentalista se julga o portador da verdade, não admite críticas,
considerações ou contribuições de outras correntes religiosas ou científicas.

Quem tem o espírito fundamentalista não dialoga, pois considera infiéis,


heréticos, ou, na melhor das hipóteses, equivocados sinceros, todos os que não
concordam com seus postulados, que não são do mesmo time, e não têm a
mesma etiqueta. Quem tem o espírito fundamentalista se considera paradigma
universal. Dialoga por gentileza, não por interesse em aprender. Ouve para
munir-se de mais argumentos contra o interlocutor. Finge-se de tolerante para
reforçar sua convicção de que o outro merece ser queimado nas fogueiras da
inquisição. Está convencido de que só sua verdade há de prevalecer.

Mais uma vez Frei Beto: “o fundamentalista desconhece que o amor consiste
em não fazer da diferença, divergência”. Por causa do espírito fundamentalista,
o evangelho dos evangélicos é sectário, intolerante, altamente desconectado da
realidade. O evangelho dos que têm o espírito do fundamentalismo é
dogmático, hermético, fechado a influências, e, portanto, é burro e incoerente.

Em quinto lugar, o evangelho dos evangélicos é um simulacro. Simulacro é a


fotografia mais bonita que o sanduíche. Não me iludo, o evangelho dos
evangélicos é mais bonito na televisão do que na vida. As promessas dos
líderes espirituais são mais garantidas pela sua prepotência do que pela sua fé.
Temos muitos profetas na igreja evangélica, mas acredito que tenhamos muito
mais falsos-profetas. Os testemunhos dos abençoados são mais espetaculares
do que a realidade dos cristãos comuns. De vez em quando (isso faz parte da
dimensão masoquista da minha personalidade) fico assistindo estes programas,
e penso que é jogada de marketing, testemunho falso. Mas o fato é que podem
ser testemunhos por amostragem. Isto é, entre os muitos que faliram, há
sempre dois ou três que deram certo. O testemunho é vendido como regra,
mas na verdade é apenas exceção.

A aparência de integridade dos líderes espirituais é mais convincente na TV e


no rádio do que na realidade de suas negociatas. A igreja evangélica esta
envolvida nos boatos com tráficos de armas, lavagem de dinheiro, acordos
políticos, vendas de igrejas e rebanhos, imoralidade sexual, falsificação de
testemunho, inadimplência, calotes, corrupção, venda de votos.

A integridade do palco é mais atraente do que a integridade na vida. A fé


expressa no palco, e nas celebrações coletivas é mais triunfante, do que a fé
vivida no dia a dia. Os ideais éticos, e os princípios de vida são mais vivos nos
nossos guias de estudos bíblicos e sermões do que nas experiências cotidianas
dos nossos fiéis. Os gabinetes pastorais que o digam: no ambiente reservado
do aconselhamento espiritual a verdade mostra sua cara.

Estratificado, mágico, mercantilista, fundamentalista, e simulacro. Eis o


evangelho dos “evangélicos”.
II - Fundamentalismo Cristão
por Frei Betto*

Teólogo, sociólogo, filósofo, escritor e autor, conjuntamente con Luiz Fernando Veríssimo y
otros, de “O Desafio Ético” (Garamond), entre otros títulos

O fundamentalismo sempre existiu nas tradições religiosas. Ele consiste em


interpretar literalmente o texto sagrado, sem contextualizá-lo, extraindo
deduções alegóricas e subjetivas como a única verdade universalmente válida.
Para o fundamentalista, a letra da lei vale mais que o Espírito de Deus. E a
doutrina religiosa está acima do amor.

Escolas do Sul dos EUA, e também no Estado do Rio de Janeiro, rejeitam os


avanços científicos resultantes das pesquisas de Darwin e ensinam que o
homem e a mulher foram criados diretamente por Deus. Tal visão
fundamentalista nem sequer reconhece que Adão, em hebraico, significa
“húmus” ou “terra”, e Eva, “vida”. Como os autores hebreus do Antigo
Testamento não raciocinavam com categorias abstratas, à semelhança da gente
simples do povo, o conceito ganhou plasticidade no “causo” de Adão e Eva.

Todo fundamentalista é, a ferro e fogo, um “altruísta”. Está tão convencido de


que só ele enxerga a verdade que trata de forçar os demais a aceitar o seu
ponto de vista... para o bem deles!

Há muitos fundamentalismos em voga, desde o religioso, que confessionaliza a


política, ao líder político que se considera revestido de missão divina. Eles
geram fanáticos e intolerantes. O mais próximo de nós, brasileiros, é o que
vigora no governo dos EUA, convencido de que promove o bem contra as forças
do mal, utilizando armas letais no extermínio do povo iraquiano e tratando os
homossexuais como doentia aberração da natureza.

Uma das melhores conquistas da modernidade é a separação entre a Igreja e o


Estado. Nada de papas coroando reis, como na Idade Média, ou de presidentes
consagrando a nação ao Sagrado Coração de Jesus, como há poucas décadas
ocorria na Colômbia.

Certa vez perguntei a Fidel por que em Cuba o Estado e o Partido eram
confessionais. Ele estranhou: “Como confessionais?” “Sim, expliquei, pois são
oficialmente ateus. E negar a existência de Deus é tão confessional como
afirmá-la.”Mais tarde, o Estado e o Partido Comunista cubanos tornaram-se
laicos, assim como todos os estados e partidos modernos.

Reger a vida política a partir de preceitos religiosos é um desrespeito a quem


professa outra religião ou nenhuma. Isso não significa que um cristão deva
abrir mão de suas convicções e dos valores evangélicos. Mas ele não deve
esperar que todos reconheçam a natureza religiosa de sua ética. E nem queira
impor a sua fé como paradigma político.

Há que cuidar também para evitar o fundamentalismo laicista, de quem julga


que religião é uma questão privada, sem dimensão social e política. Afinal,
todos os cristãos são discípulos de um prisioneiro político...
O fundamentalismolaicista, que sempre relegou a religião à esfera da
superstição, é danoso por estimular o preconceito e não reconhecer que
milhões de pessoas têm em sua fé o paradigma de suas convicções e práticas.
Corre-se o risco de repetir o erro dos antigos partidos comunistas, que exigiam
dos novos militantes profissão de fé no ateísmo.

Reforçam o fundamentalismo cristão todos os que são indiferentes ao diálogo


inter-religioso e consideram a sua igreja como a única verdadeira intérprete dos
mandamentos e da vontade divinos. Por isso, é importante estabelecer os
critérios éticos que propiciam a base sobre a qual as diferentes igrejas e
religiões devem dialogar e somar esforços. São eles: a ética da libertação num
mundo dominado por múltiplas opressões; a ética da justiça nessa realidade
estruturalmente injusta; a ética da gratuidade nessa cultura mercantilista onde
imperam o interesse e o negócio; a ética da compaixão num mundo marcado
pela dor de tantas vítimas; a ética da acolhida, já que há tantas exclusões à
nossa volta; a ética da solidariedade numa sociedade fortemente competitiva; a
ética da vida num mundo ameaçado pelos sinais de morte na natureza e nos
pobres.

O fundamentalismo é irmão gêmeo do moralismo. E o moralista é capaz de ver


o mosquito no olho alheio, como observou Jesus, sem atinar para a trave no
próprio olho. No caso de certos políticos imperiais, quem sabe a solução para a
paz seja considerar a guerra um atentado ao pudor...
III - “No Brasil, futebol é religião” –

por Ed Rene Kivitz

Os meninos da Vila pisaram na bola. Mas prefiro sair em sua defesa. Eles não
erraram sozinhos. Fizeram a cabeça deles. O mundo religioso é mestre em
fazer a cabeça dos outros. Por isso, cada vez mais me convenço que o
Cristianismo implica a superação da religião, e cada vez mais me dedico
a pensar nas categorias da espiritualidade, em detrimento das
categorias da religião.
A religião está baseada nos ritos, dogmas e credos, tabus e códigos morais de
cada tradição de fé. A espiritualidade está fundamentada nos conteúdos
universais de todas e cada uma das tradições de fé.
Quando você começa a discutir quem vai para céu e quem vai para o
inferno; ou se Deus é a favor ou contra à prática do homossexualismo; ou
mesmo se você tem que subir uma escada de joelhos ou dar o dízimo na igreja
para alcançar o favor de Deus, você está discutindo religião. Quando você
começa a discutir se o correto é a reencarnação ou a ressurreição, a teoria de
Darwin ou a narrativa do Gênesis, e se o livro certo é a Bíblia ou o Corão, você
está discutindo religião. Quando você fica perguntando se a instituição social é
espírita kardecista, evangélica, ou católica, você está discutindo religião.
O problema é que toda vez que você discute religião você afasta as
pessoas umas das outras, promove o sectarismo e a intolerância. A
religião coloca de um lado os adoradores de Allá, de outro os adoradores de
Yahweh, e de outro os adoradores de Jesus. Isso sem falar nos adoradores de
Shiva, de Krishna e devotos do Buda, e por aí vai. E cada grupo de adoradores
deseja a extinção dos outros, ou pela conversão à sua religião, o que faz com
que os outros deixem de existir enquanto outros e se tornem iguais a nós, ou
pelo extermínio através do assassinato em nome de Deus, ou melhor, em nome
de um deus, com „d‟ minúsculo, isto é, um ídolo que pretende se passar por
Deus.
Mas quando você concentra sua atenção e ação, sua práxis, em valores
como reconciliação, perdão, misericórdia, compaixão, solidariedade,
amor e caridade, você está no horizonte da espiritualidade, comum a
todas as tradições religiosas. E quando você está com o coração cheio de
espiritualidade, e não de religião, você promove a justiça e a paz. Os
valores espirituais agregam pessoas, aproxima os diferentes, faz com
que os discordantes no mundo das crenças se deem as mãos no mundo
da busca de superação do sofrimento humano, que a todos nós humilha e
iguala, independentemente de raça, gênero, e inclusive religião.
Em síntese, quando você vive no mundo da religião, você fica no ônibus.
Quando você vive no mundo da espiritualidade que a sua religião ensina – ou
pelo menos deveria ensinar, você desce do ônibus e dá um ovo de páscoa para
uma criança que sofre a tragédia e miséria de uma paralisia mental.

Ed René Kivitz, cristão, pastor evangélico, e santista desde pequenininho.”

IV - O Encontro da Consciência “Cristã” é mesmo


exemplo de uma Consciência Cristã?
Por Carlos Antonio Fragoso Guimarães

Psicólogo, mestre em sociologia, douturando em Ciências da Educação e


professor de Filosofia da Ciência da UFCG
Todos os anos, no período do Carnaval, desde 1992, a cidade
de Campina Grande, na Paraíba, é palco de um dos mais maduros,
tolerantes e democráticos eventos filosófico-humanistas do
planeta: O Encontro para a Nova Consciência - O Pensamento da
Cultura Emergente, atualmente chamado de"Encontro da Nova
Consciência".

O Encontro para a Nova Consciência é um espaço de


encontro (não de mistura, mas de diálogo e compreensão, pois a
diferença é rica e enriquecedora) interdisciplinar e inter-religioso,
verdadeiro exercício de um encontro encumênico, onde se discutem
e vivenciam os temas filosóficos mais caros ao ser humano: o
sentimento de fraternidade, partilha, troca de idéias e vivencias de
contato humano e espiritual a partir de exposições e diálogos de
diferentes tradições e filosofias (houve mesmo uma extensa
reportagem exibida pelo programa Fantástico, da Rede Globo,
sobre o evento, que foi ao ar no dia 09/03/2003).

"Se pudermos olhar para o outro como nosso irmão e


fraternal e solidariamente darmos a mão e caminharmos juntos,
esse é o ideal, e foi pra isso que Deus nos fez. É a prática do
exercício do amor que gera a paz. Essa é a proposta maior da nova
consciência", nos fala sabiamente o Pastor Nehemias Marien,
participante e trabalhador assíduo do Encontro desde sua primeira
edição, em 1992

O evento se mostra uma espaço de encontro e diálogo (e não


- como querem fazer crer os que, desconhecendo-o, não obstante
pretensiosamente pensam tudo conhecer - de mistura e muito
menos de proselitismo) entre a ciência, a filosofia e as diferentes
tradições religiosas, como o catolicismo, o espiritismo, alguns
representantes protestantes mais equilibrados e mais atrelados à
madura e respeitável mensagem original de Lutero, o budismo, o
islamismo, as religiões afro-indígenas, etc.

O paradoxal, contudo, é que esta preciosidade logo


incomodou quem não tolera o convívio com a alteridade e tem sido
alvo de ataques de segmentos religiosos de cunho fundamentalista
"cristão" desde o primeiro encontro, embora sua agressividade
tenha se institucionalizado mais recentemente. Estes ataques foram
aumentando até que se se tornaram oficiais em um evento paralelo,
imitando de forma caricata, o Encontro da Nova Consciência, mas
que é em tudo o exato contrário, na teoria e prática, deste. Trata-se
do chamado "Encontro para Consciência 'Cristã' ", que, veremos, na
prática, de Cristã - no sentido ético de amor e compreensão -
parece ter bem pouco, senão seu oposto, já que demonstram
grande dificuldade em aceitação da diversidade de pensamento,
embora, em teoria, digam seguir o grande Mestre, maior mártir da
fraternidade universal.

Algumas seitas neopentecostais protestantes de cunho


fundamentalista, capitalista e conservador, em uma amostra clara
de pequenez espiritual, falta de tolerância e demonstração cabal do
mais abjeto fanatismo religioso, já desde a primeira edição do
Encontro para a Nova Consciência demonstram seu temor ao livre-
pensar, ao contato de diferenças e ao ecumenismo, fazendo-se
presentes como fator de perturbação do mesmo. Assim, além de
frequentemente ficarem à porta do Teatro Municipal Severino
Cabral de Campina Grande, onde se realizam as palestras mais
importantes do Encontro da Nova Consciência, palestrando ou
distribuindo panfletos contra o Encontro - e tendo até mesmo, em
2007, chegado ao cúmulo de se apresentarem em frente ao Teatro
Municipal vestidos de preto, queimando pneus e apresentando-se
com tochas ao estilo ameaçador das seitas protestantes que
formam a Ku Klux Klan norte-americana. Sobre a estupidez dessa
ameaça patética e de extrema intolerância dos evangélicos contra o
pacífico Encontro para a Nova Consciência, veja o artigo de Ricardo
Kelmer publicado na Revista Planeta, com o título "Salve o Bloco da
Nova Consciência!".

Na verdade, a prática desta tática por seitas fundamentalistas


de cunho pentencostal foi recentemente tema de um documentário
chocante feito sobre a forma de como é feito a modelagem do
comportamento de crianças para se tornarem futuros pastores e
agressivos missionários para converter, quase que à força, todos os
que não rezarem pela mesma cartilha, no impressionante filme
Jesus Camp, de 2006, dirigido por Heidi Ewing e Rachel Grady. E essa
mesma prática, adaptada à realidade brasileira, visando à expansão proselitista
objetivando o poder de manipulação com viezes políticos é mesmo denunciada
por lúcidos pastores protestantes mais coerentes com os evangelhos e mais
equlibratados, como podemos ver nas lúcidas colocações do Pastor Ed René
Kivtiz sobre o fundamentalismo que acaba por denegrir os evangélicos
autênticos que querem vivenciar o amor e fraternidade reais a partir dos
ensinos de Cristo.

Desde 1998 (ou seja, sete anos depois do primeiro Encontro para
a Nova Consciência), a ala evangélica fundamentalista promove
uma paródia reacionára cristalizada em um agressivo evento
paralelo , chamado - em uma arrogante pressuposição exclusivista
(já que se julgam a si próprios como os representantes únicos e
reais da mensagem de Cristo, e uma repetição de 500 anos de
atraso do pretenso exlcusivismo dos tempos inquisitoriais) -
de Encontro para a Consciência "Cristã". Este último é, claro,
amplamente apoiado pela ala evangélica conservadora da política
local, que vem impedindo ou dificultando, tanto na Câmara Munipal
de Campina Grande, quanto na Assembléia Legislativa do Estado,
ajuda oficial ao Encontro da Nova Consciência, que eles anseiam
claramente em acabar, também pressionado a imprensa a não mais
divulgá-lo, ao menos com o espaço antes ocupado.

Outra manifestação flagrante de intolerância dos participantes da


tal consciência " 'Cristã' " - também no mesmo ano de 2007 - foi
feita quando alguns dos membros mais fanáticos se vestiram de
palhaço e fazerem um apitaço durante a caminhada ecumênica em
prol da Paz realizada sempre nos domingos de Carnaval pelos
participantes do Encontro da Nova Consciência (que, como
sabemos, incluem e congregam, de forma harmoniosa, católicos,
evangélicos, islamitas, judeus e até mesmo ateus) - mas desta vez,
ao menos, os "evangélicos" da tal consciência "Cristã" assumiram
os próprios traços, agindo assim agressivamente por medo ao
diferente. Portanto, explicitaram os próprios temores e inseguranças
de suas dúvidas religiosas exclusivistas, dúvidas reprimidas mas
não extintas, que e evento ecumênico estiumula e traz à tona, o que
provoca questionamentos que são, para eles, uma ameaça. Assim,
projetam no Encontro para a Nova Consciência, em um mecanismo
de defesa da representação neurótica da ameaça que, na verdade,
estão neles próprios.
O encontro "evangélico" tem o óbvio intuito - como dá a entender
o título plagiado e manipulado - de concorrer e, segundo eles, de
refutar o Encontro para a Nova Consciência, que eles consideram
vetor de "forças malignas" trazidas à Campina Grande no Carnaval.
Estas "forças malignas" seriam transportadas pelos estudantes,
professores universitários, cientistas, escritores, padres, pastores
mais lúcidos, antropólogos, filósofos, enfim, gente instruída que,
vindo de todo Brasil e de outros países para o Encontro para a
Nova Consciência, têm o pecado imperdoável de pensar
diferentemente deles, os grandes missionários salvadores do
mundo.

Para se ter uma idéia da anti-democrática


e bushiana agressividade dos líderes do tal Encontro para a
Consciência "Cristã", oposto ao equilibrado e Democrático e
tolerante Encontro para a Nova Consciência, vejamos o trecho
deste "artigo" do Pastor Ridalvo Alves da Silva no site do
movimento-seita Consciência "Cristã":

É verdade que o evento emerge dentro do contexto do Nordeste


do Brasil, especificamente na cidade de Campina Grande, no
momento em que se realizava o VIII Encontro Esotérico intitulado
Encontro para a Nova Consciência - Uma Cultura Emergente, como
os organizadores a denominaram. Houve nesta conjuntura uma
grande preocupação relacionada ao destino da Igreja Cristã
Evangélica, pois ninguém havia se levantado até aquele momento
para refutar e comparar em nível de reflexão teológica e apologética
cristã os ensinos perniciosos que submergia a comunidade
campinense como um todo atingindo já naquela época 48 eventos
paralelos.

A perplexidade e angústia já haviam chegado ao coração de


muitas pessoas reivindicando da Igreja Evangélica de Campina
Grande uma tomada de posição firme quanto à invasão esotérica
em nossa cidade. A princípio não se sabia como fazer para criar
uma estratégia eficaz, não somente para combater os ensinos
distorcidos da Nova Era, como também trazer diretrizes seguras
para a comunidade quanto aos ensinos de uma Teologia Cristã
sadia. Aconteceu somente em fevereiro de 1999 o I Encontro Para
a Consciência Cristã quando os alunos do Instituto Teológico
Superior de Missões - ITESMI, sob a nossa direção, que dirigíamos
pela orientação e urgência do Espírito Santo de Deus, aceitaram o
desafio de enfrentar não somente as dificuldades de recursos
financeiros, mas também de recursos humanos.

No início houve crítica, falta de compreensão e de ajuda por parte


de muitos, porém, não era hora de olhar para as circunstâncias e
sim exercer a fé em Deus que opera nas coisas impossíveis. Aí
entra a disponibilidade do homem. Por isso, quero destacar a
pessoa do pastor Euder Faber Guedes Ferreira, que nos instantes
decisivos, acreditou plenamente na visão de Deus, que estava
brotando, e largou seu emprego secular para se dedicar
integralmente à grande causa prioritária do Reino de Deus. Quero
trazer à memória de nossos caros leitores que foi muito difícil para
implantarmos o I Encontro Para a Consciência Cristã, no entanto, o
milagre aconteceu.

Não obstante, a razão do Encontro Para a Consciência Cristã não


somente abrange a cidade de Campina Grande em seu contexto
esotérico de evento anual, mas prepara a igreja contra os falsos
ensinos que se alastram em nosso território nacional e também em
outras regiões do mundo ocidental e oriental. O pluralismo religioso
será certamente o maior desafio da Igreja Cristã neste novo milênio.
Não temos dúvidas que por trás de tudo isto está o Império da
religião ecumênica liderada pelo seu grande mentor, o Anticristo.

Vê-se, pois, o grau de civilidade e maturidade intelectual dos


mentores do tal Encontro da Consciência "Cristã", não apenas na
falta de adesão ao mandamento de Cristo de "Amar ao próximo",
como na total falta de respeito com quem não partilha de suas
idéias, em uma quase paranóia que abarca a proteção de um
"mercado religioso" altamente lucrativo, baseado na cobrança de
dízimos.

Sentindo-se, parece, enviados do próprio Deus - que, aliás,


apresenta uma tolerância para eles pouco aceitável - arvoraram-se
no pressuposto de novos "gurreiros da fé" a empunharem a espada
para destruir o que receim ser um perigo... talvez para o espaço
deles no lucrativo mercado religioso... o que inclui ideais como
democracia, respeito ás diferenças, pularismo de idéias, liberdade
religiosa e ecumenismo. Para tais "defensores da 'verdadeira fé',",
de modo bem parecido aos fundamentalistas pró-Bush, quem luta
por tais idéias seguem um mítico Anticristo - que acaba servindo de
axiliar ao estabelecer parte do reino de suas igrejas no seu medo -
e precisa ser dizimado. Talvez achem que o Deus que dizem
acreditar seja por demais fraco para ter uma glória própria
independemente da ajuda deles. Mas então Deus é tão pequeno a
ponto de precisar de dízimo e de intolerantes? Veja-se, sobre isso,
o excelente artigo de Gabriel Perissé com o tema "o fanatismo
religioso é um ateísmo."

E não apenas os participantes do Encontro para a Nova


Consciência são considerados "demoníacos", como mesmo outras
Igrejas Cristãs são publicamente atacadas pelos "(in)conscientes
'Cristãos' ",o que inclui mesmo outras denomiaçõs evengélicas.
Sobre a gravidade do mister pentencostal fundamentalista de
demonizar todas as religiões não evangélicas, veja o artigo escrito
pela pesquisadora Mariel Marra, intitulado Demonização e
Intolerância Religiosa.

Este tipo de atitude tacanha, egoísta e infantil está tomando


proporções graves em todo o Brasil, a tal ponto que vários setores
da sociedade, preocupados com o avanço da agressividade
fundamentalista, formou a chamada Comissão de Combate à
Intolerância Religiosa, ligada à Secretaria de Defesa dos Direitos
Humanos, e que busca promover a liberdade e diálogo inter-
religioso e a proteção contra abusos contra a vivência democrática
de credos e filosofias várias. De fato, a agressividade dos
fundamentalistas, compiando as táticas de demoninização e insulto
da Igreja Universal, acabou por levar a Comissão de Combate à
Intolerância Religiosa a levar a escalada de intolerância dos
evangélicos pentecostalistas ao conhecimento da própria ONU,
como podemos ver em um artigo publicado pela Folha de São
Paulo, clicando aqui.

Deplorando a diversidade de pensamento - para eles uma


ameaça ao processo de doutrinação de sua única "verdade" que é,
claro, altamente favorável a eles - sustentam - como fazia a Igreja
Católica na época da "Idade das Trevas" - que só pode haver uma
única forma de verdade cristã e uma única "Igreja do Povo de Deus"
fora da qual só existe perdição e inferno, sem possibilidade de
salvação. Índios, árabes, "pretensos cristãos que não conhecem o
verdadeiro Deus Vivo", asiáticos, budistas, ateus, etc., por melhores
pessoas que sejam em obras, por não aceitarem adesisticamente o
"Cristo"deles como salvador pessoal já estão condenados - como
se Cristo já não fosse amado por milhões de pessoas não
evangélicas sem precisar de engolir a verborragia infantil de
fanáticos.

Quem desafia de alguma forma este modo de pensar é, além de


herético, um mal a ser expulso e, se possível destruído. E é assim
recomeça a tragédia e farsa de uma história já conhecida - mas não
aprendida - de intolerência, agressividade e fogueiras...

"Todo fundamentalista é, a ferro e fogo, um “altruísta”. Está tão convencido de


que só ele enxerga a verdade que trata de forçar os demais a aceitar o seu ponto
de vista... para o bem deles! Há muitos fundamentalismos em voga, desde o
religioso, que confessionaliza a política, ao líder político que se considera
revestido de missão divina. Eles geram fanáticos e intolerantes."

Frei Betto

Outro caso de provocação e estreiteza moral ocorreu durante o


VII Encontro da Consciência Evangélica "Cristã" feito em 2005.
Numa atitude DE insulto explícito, um pastor da Igreja Batista de
São Paulo, chamado Joaquim de Andrade, afirmou na imprensa
que não se arrependia das polêmicas declarações antiharmônicas
que deu em Campina Grande, durante o Encontro Para a
Consciência "Cristã", sobre as aparições populares atribuídas a
Maria de Nazaré. Ele afirmou que tais aparições marianas são
coisas do demônio, manifestações demoníacas a serem combatidas
pelos evangélicos. Segundo o jornal Correio da Paraíba, de
10/02/2005,

"O prefeito Veneziano Vital do Rêgo posicionou-se contrário à


declaração do pastor, a qual classificou de infeliz. Ele disse que, ao
conversar com o vice-prefeito José Luís Júnior, que é evangélico e
com outros pastores, chegou à conclusão que nem todos têm o
mesmo pensamento do pastor Joaquim Andrade. O prefeito pediu
para que o pastor Joaquim revisse o que disse. O pastor Joaquim
de Andrade, da Igreja Batista de São Paulo, disse que não se
arrepende das declarações que deu em Campina Grande, durante o
Encontro Para a Consciência Cristã, sobre as aparições de Nossa
Senhora e que a despeito do desagravo que será realizado pela
comunidade católica, ele não precisa da misericórdia de Maria".

Diante desta explícita manifestação de desafio ao pensamento


diferente, especialmente aos Católicos e aos participantes do XIV
Encontro para a Nova Consciência, cabe aqui a resposta do filósofo
F. Pereira Nóbrega ao dito Pastor Joaquim Andrade e a seus pares,
como o pastor Fáber, etc.:

Aparições
F. Pereira Nóbrega
Jornal Correio da Paraíba, 12/02/2005
Apareceu em Campina Grande um movimento chamado
Encontro para a Nova Consciência que veio para ficar. Pretende
mais somar que diminuir. Procura entre várias tendências do
pensamento atual o denominador comum dos que prezam a
humanidade e querem fazer algo por ela.

Está no espírito da Nova Consciência ressaltar esse


denominador comum, esquecer e superar divergências que haja.
Dentro e fora, há sentimentos diferentes, que temos por sagrados,
como os de pátria, família, religião.

Mãe alheia só o mal educado xinga. Zombar de sentimentos


diferentes, isso fica para encontros internos dos que pensam do
mesmo modo. Todo homem tem direito a amar sua mãe, sua fé, e
nisso ser respeitado. Os que, publicamente, combatem a fé que
está no outro, combatem o homem universal que está sem si.

Pois também apareceu em Campina Grande um


encontro contraa Nova Consciência e, com ele, um pastor,
esquecido do espírito do Encontro, repetindo o velho diante da
Consciência que se apresenta Nova. Voltou ao tempo das guerras
de religião. Dos primeiros cristãos se dizia: vede como eles se
amam. Ao tempo das guerras religiosas, se poderia dizer: vede
como eles se odeiam. A esse tempo quis voltar o pastor.

Ainda hoje, são encontráveis dos dois lados os que pregam amor
com sotaque de ódio. Frequentemente eles se encontram em cultos
que se dizem ecumênicos, por fora de ritos, por dentro de nada.

Apareceu aquele pastor, de público zombando de aparições de


Maria. Se houvesse mais diálogo entre denominações cristãs,
saberia ele quanto a Igreja é prudente, quase cética, sobre esses
relatos de aparições. Aprenderia quão raríssimos são os casos
convincentes, diante da multidão dos que se propalam. Saberia
ainda que a Igreja, a rigor, não obriga em consciência nenhum
católico a inserir uma aparição no seu credo de fé.

Se mais diálogo houvesse entre nós, eu ousaria dialogar em


termos de Teologia. E diria que me confunde mais se crer nas
manifestações do demônio do que nas de Maria. Quando aparece
um fato paranormal, daqueles ditos de “espírito brincalhão”, sempre
aparece algum pastor dizendo que aquilo é o diabo. É má Teologia.
A História não é uma queda de braços entre Deus e o Diabo que,
de há muito, já foi vencido. Enquanto o mundo volta ao paganismo,
cristãos se apedrejam. Acordemos a tempo. Há muito mais o que
nos une, muito menos o que nos separa.

Para ver esta e algumas outras reportages dos jornais Correio da


Paraíba e Jornal da Paraíba sobre a provocação do Pastor Joaquim
de Andrade, clique aqui

No começo da década de 2000 o clima de conflito zelosamente


cultvado pelos "Conscientes 'Cristãos' " levou ineviavemne a sérios
conflitos entre os "evangélicos" do então Partido Liberal (formado
em sua maioria por membros da Igreja "Universal" de Edir Macedo)
e outros penteconstalistas contra a Prefeitura de Campina Grande,
que sugeria patrocinar o encontro dos "evangélicos" de 2004 em
outra data para evitar o atrito estimulado pelos mesmo contra o
Encontro Para a Nova Consciência, o primeiro a ser feito,
reerguendo o comércio e os serviços hoteleiros de Campina Grande
na época do Carnaval (já que a cidade não tinha tradição
carnavalesca e a cidade ficava um quase deserto neste período).
No conflito, ficou claro, pela reação agressiva dos evangélicos
contra a então prefeita Cozete Barbosa - e que incluiu a compra de
matérias em jornais locais -, que os prestimosos
Pentenconstalistas-fundamentalistas visam acabar com o Encontro
para a Nova Consciência, forçar um conflito de religiões e ainda
aproveitar a deixa para fazer propaganda de si mesmos. Os
Pentecostalistas, é claro, têm todo o direito de fazer os cultos e
reuniões públicas que quiserem - e dinheiro e poder político para
isso não lhes faltam -, desde que respeitem as demais pessoas e
não se utilizem do direito de reunião para perturbar qualquer outro
tipo de congregação.

Lúcidos livros, escritos por teólogos de renome internacional,


como o "Fundamentalismo, A Globalização e o Futuro da
Humanidade", de Leonardo Boff e "Em Nome de Deus", de Karen
Armstrong, demonstram cabalmente as táticas de recrutamento e
ações de violência intelectual dos grupos ditos "evangelicos" de
base calvinista fundamentalista, em geral de orígem norte-
americana, provocando desarmonia e impedimentos de uma
aceitação pelo diferente, principal aspecto necessário à paz e
crescimento humano (veja-se os discurso desequilibrado de Bush e
de alguns de seus generais batistas ao expor que a estúpida Guerra
contra o Iraque é uma Guerra do Bem e do Cristianismo contral o
mal e o - sempre tão ardorosamente citado por fundamentalistas -
Demônio, demonstrando intolerância, imperialismo, encobrimento
das reais causas econômicas e estratégicas - petróleo e domínio
tático da região - e desconhecimento da profundidade do islamismo,
onde Jesus Cristo é venerado como um grande profeta e muito de
seus ensinamentos aceitos e divulgados pelo Al Corão, bem
diferente da exaltação evangélica ao judaísmo como um todo, se
levarmos em consideração que Jesus Cristo não é aceito como o
Messias e, quando muito, é visto apenas como um importante
judeu, um tanto rebelde por parte considerável da comunidade
ortodoxa judáica, e ainda o total desconhecimento por certas
facetas da religião de Moisés bem como as ditorções gritantes que
foram feitas na Bíblia por eles utiliada e que foram bem expostas
pelo Prof. Dr. Severino Celestino da Silva, da UFPB, em seu
profundo livro "Analisando as Traduções Bíblicas").

Apesar de tudo, mentes esclarecidas buscam combater esta farsa


de retorno da Idade das Trevas. Veja o contraponto do lúcido e
esclarecido discurso do presidente Barak Obama sobre os perigos
do fundamentalismo neste vídeo e compara com o discurso
belicoso de um Bush...

Vídeo do YouTube: http://www.youtube.com/watch?v=_IHQr4Cdx88

A tática política, atualmente apoiada pela bancada evagélica de


Campina Grande, de tentar se impor um tipo de pensamento único
religioso ou exclusivismo espiritual não é nova. As facções
religiosas poderosas tempo de Cristo usavam do mesmíssimo
expediente e, hoje, vemos novamente um "revival" do farisaísmo
pseudo-doutoral entre os escribas do fundamentalimo evangélico
atua. E ninguém mais do que o próprio Jesus Cristo soube expor a
vista e todos toda a podridão de seus misteres agressivo e
alienantes, como vemo nestas passagens do capítulo 23 Evangelho
Segundo Mateus que, atualizando alguns termos, parecem que
foram feitas para os dias do tal "Encontro para a Consciênia 'Cristã'
":

1. Dirigindo-se Jesus à multidão e a seus discípulos, disse-lhes:

2. Os escribas e fariseus sentaram-se na cadeira de Moisés.

3. Observa e fazes tudo o que eles dizem, mas não ajais como eles
agem, pois eles dizem mas não fazem o que dizem.

4. Eles amarram cargas pesadas e esmagadoras nos outros e com


elas sobrecarregam os ombros das pessoas, mas eles mesmos não
querem mové-las sequer com um dedo.

5. Fazem todas as suas ações para serem vistos pelos homens, por
isso exibem largas faixas e longos adereços em seus mantos.
6. Gostam dos primeiros lugares nos banquetes e das primeiras
cadeiras nas sinagogas.

7. Gostam de ser saudados em praça pública e de serem chamados


rabi (ou seja, o intétprete da Bíblia nas sinagogas, equivalente a
'pastor', hoje em dia) pelos homens.

8. Porém vocês não vos façais chamarem de rabi, porqe um só é o


vosso mestre e vocês são todos irmãos.

9. E a ninguém chames de pai sobre o terra, pois um só é vosso


Pai: Aquele que esta nos Céus.

10. Nem vos façais chamar de mestre, porque só tendes um


mestre.

11. O maior de vós será vosso servo.

12. Aquele que se exaltar será humilhado, enquanto que aquele que
se humilhar será exaltado.

13. Ai de vós, escribas e fariseus hipócritas! Vós fechais aos


homens as portas do Reino dos Céus. Vós mesmos não entrais e
nem permitem que entrem os demais que querem entrar.

14. Ai de vocês, escribas e fariseus hipócritas! Devorais as casas


das viúvas, fingindo fazer longas orações. Por isso haverão de ser
castigados com maior rigor.

15. Ai de vós, escribas e fariseus hipócrias! Percorreis mares e


terras para obter convertidos e, quando o conseguis, fazeis dele um
filho do inferno duas vezes pior do que vocês mesmos!

16. Ai de vós, guias cegos! (...)

23. Ai de vós, escribas e fariseus hipócritas! Pagais o dízimo da


hortelã, do endro e do cominho mas desprezais os preceitos mais
importantes da Lei: a justiça, a misericórdia e a fidelidade. Eis o que
era necessário praticar em primeiro lugar.
24. Guias cegos! Nos outros filtrais um mosquito enquanto vocês
mesmos engolis um camelo.

25. Ai de vocês, escribas e fariseus hipócritas! Vocês limpam por


fora o copo e o prato mas por dentro estais cheios de roubo e
intemperança.

26. Fariseu cego! Limpe primeiro o que por dentro está sujo para
que também o externo fique limpo.

27. Ai de vós, escribas e fariseus hipócritas! Pois sois semelhantes


a sepulcros caiados: por fora vocês parecem formosos, mas por
dentro estais cheios de ossos, de cadáveres e de toda espécie de
podridão!

28. Assim também sois vós: por fora pareceis justos aos olhos dos
homens, mas por dentro estais cheios de hipocrisias e iniqüidades.

29. Ai de vós escribas fariseus hipócritas! Edificais sepulcros aos


profetas, adornais os monumenos dos justos

30. E dizeis: Se tivéssemos vivido no tempo de nossos pais não


teríamos manchado nossas mãos, como eles, no sangue dos
profetas...

31. Testemunhais assim contra vós mesmos... Que sóis de fato


filhos de assassinos de profetas.

32. Acabem, pois, de encher a medida de vossos pais!

33. Serpentes! Raça de víboras! Como escapareis ao castigo do


inferno?

Não à-toa, a denúncia de Jesus contra a hipocrisia e ganância


política dos Doutore$ da Bíblia, lhe custaria a vida...

As formas de recrutamento e sedução destes grupos


fundamentalistas são extraordinariamente simples e eficazes: diante
das dificuldades do mundo atual (muitas delas criados por grupos
econômicos calvinistas), basta aceitar e aderir a alguma de suas
Igrejas, professando a aceitação do Cristo segundo suas
interpretações, integrando-se plenamente à comunidade dos fiés - e
a pessoa se sente emocionalmente amparada e se sentindo parte
de uma grande família, naquilo que é chamado
de Conformismo pela Psicologia da Gestalt-Terapia que também diz
que ao lado desta vem quase sempre o mecanismo neurótico de
defesa chamado de Confluência, ou seja, se me sinto inseguro ou
emocionalmente fraco, procuro suprir isto com a opinião de uma
congregação, que poderá me dar a impressão de suprir e dar
forças. A opinião desta será então a minha opinião e assim me
confundo com uma causa do grupo, podendo surgir daí o
sectarismo e o fanatismo religioso. Também existe a questão do
poder econômico da seita, já que o postulante terá de se esforçar
para converter outras pessoas e pagar, com estas, a obrigação do
dízimo. Desta forma, segundo a idéia deles, se tem o céu garantido
e a salvação da alma como uma certeza, já que apenas os
escolhidos se dão conta do "verdadeiro Deus" que, claro, é o deles.
As demais pessoas estão perdidas, equivocadas ou condenadas,
dependendo de como elas se posicionam ante eles, os eleitos, e
cabem a estes fazer de tudo para expandir sua verdade e salvar a
humanidade... E quem nos savará da ameaça de cairmos em uma
outra Idade das Trevas sob o controle ideológico-empresarial
das "Pequenas Igrejas, Grandes Negócios" de cunho Pentencostal-
Fundamentalista ao estilo anti-democrático e intervencionista da
CIA de Nixon, Reagan e Bush?

Quanto aos perigos da violência potencial, prestes a explodir,


devido à intolerância religiosa, notadamente de cunho
fundamentalista, veja-se este video extraído do Youtube:

Vídeo do YouTube : http://www.youtube.com/watch?v=rgzBU-oXZJ0

Vejamos aqui um trecho do artigo "Fundamentalismo Mundial",


escrito pelo teólogo Leonardo Boff, e que resume bem o atual
perigo da evervescência fundamentalista protestante criada pelos
EUA:

O fundamentalismo do Estado terrorista à la Bush possui


fortes raizes religiosas, ligadas a sua biografia pregressa. Foi
por vinte anos dependente de alcool até que em 1984, a convite
de um amigo, Don Evans, atual secretário do comércio,
começou a frequentar o círculo bíblico dos evangélicos
fundamentalistas. Após dois anos não era mais ébrio de alcool
mas ébrio da ideologia salvacionista destes fundamentalistas
que se divulgava fortemente dentro do partido republicano.
Segundo ela, “o destino manifesto”dos EUA hoje é melhorar o
mundo na medida em que o impregnar com os valores da
cultura norte-americana: com liberdade, democracia, e livre
mercado. Bush filho fazia a campanha da reeleição do pai se
apresentando como “um homem que tem Jesus em seu
coração”.O brasilianista Ralph della Cava e o teólogo J. Stam
contam que mais tarde, ao postular-se candidato, Bush reuniu
os pastores da zona e lhes comunicou: “fui chamado [por
Deus]”. Em seguida fez-se o ritual “da imposição das mãos”,
sagrando-o Presidente preventivo.

Essa pre-história é importante para se entender a fúria


fundamentalista que se apossou de Bush após os atentados de 11
de setembro de 2001. Optou combater o mal com o mal,
ameaçando com guerra preventiva a todos os países do “eixo do
mal”. Deixou claro: “Quem não está conosco, está contra nós”, é
terrorista. Antes do ultimato a Saddam Hussein, pediu aos
assessores que “o deixassem a sós por dez minutos”. Qual Moisés
foi consultar-se com Deus. E numa entrevista ao New York Times
de 26/04/03 declarou:”Tenho uma missão a realizar e com os
joelhos dobrados peço ao bom Senhor que me ajude a cumpri-la
com sabedoria”. Pobre Deus! Como salvaremos a humanidade
desses desvairados?

As relações do calvinismo com o capitalismo foram inicialmente


demonstradas por Max Weber já no início do século XX em seu
livro "A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo" e a filósofa
Rose Marie Muraro aponta ainda mais esta relação em seu
livro "Textos da Fogueira", onde fica explícito a atuação da ética
protestante dos WASP (White Anglo Saxon Protestant) nas mega-
especulações financeiras de Wall Street e nas decisões do governo
norte-americano, impreterivelmente maléficas para o resto do
mundo. O Prof. Délcio Monteiro de Lima fez uma lúcida e profunda
análise da influência dos EUA na implantação e expensão do
pentecostalismo no Brasil em seu livro Os Demônios Descem do
Norte, publicado pela editora Francisco Alves. Os intere$$eS
econômicos em se implantar uma religião alienadora são óbvios. Se
lembrarmos que vertentes calvinistas-fundamentalistas encontradas
no Brasil são de origem norte-americana, dá para se ter uma idéia
da mentalidade ideológica de grande parte da organização do tal
Encontro para a Consciência "Cristã".