You are on page 1of 5

CENTRO DE ESTUDOS INTEGRADOS

HISTÓRIA - 7º ANO
PROF. FÁBIO LUCIO

A BAIXA IDADE MÉDIA


Baixa Idade Média foi o segundo período da Idade Média, compreendido entre os séculos XI e
XV, que correspondeu à desagregação do sistema feudal e a consequente transição para o
sistema capitalista. Com a integração dos mundos romano e germânico e a formação de novos
reinos europeus, a cultura medieval atingiu seu apogeu.
É considerada o “despertar da Europa”. Nessa fase da história europeia, a sociedade que se
desenvolveu e dominou todo o período é chamada feudal - nome derivado da instituição
denominada feudo.
“Feudo” é sinônimo de “benefício”. Significa um bem ou direito cedido a alguém em troca de
fidelidade e várias obrigações, em especial militares. Aquele que cede o bem se torna suserano
do que recebe e que passa a ser seu vassalo. Recebendo a terra, o vassalo passava a contar
com um meio seguro de subsistência (já que viveria da renda e do trabalho do camponês),
podendo dedicar-se inteiramente ao treinamento e serviço militar. Formou-se assim uma camada
de grandes proprietários, ligados uns aos outros por laços de suserania e vassalagem e que,
exploravam o trabalho do camponês, fosse este livre (vilão) ou semi-livre (servo).

CARACTERÍSTICAS:
+ transformações na sociedade feudal: início da crise do feudalismo.
+ início da superação das estruturas feudais.
+ progressiva estruturação de um novo modo de produção, o capitalismo.
+ surgimento de uma economia comercial: dinamismo comercial.
+ surgimento de um novo grupo social, a burguesia.
+ centralização do poder real.
+ declínio do modo de produção servil.
+ desenvolvimento do trabalho livre (relações assalariadas).
+ economia monetária.
+ estruturação das monarquias nacionais feudais.
+ produção de excedentes para serem comercializados.
+ iniciaram-se as mudanças na Europa Ocidental que, a seguir, desencadearam o processo de
montagem do sistema capitalista.
+ a articulação entre as três “esferas” de poder (universal, da Igreja; local, dos senhores feudais;
e, nacional, dos reis) é um dos traços políticos distintivos da Baixa Idade Média. Em seu período
final, esta articulação se dará em prejuízo dos poderes locais e do poder universal do papa e em
benefício do poder do Estado-Nação (rei).

AS CRUZADAS

Elas foram expedições militares organizadas entre 1095 e 1291 pelas potências cristãs
europeias, com o objetivo declarado de combater o domínio islâmico na chamada Terra Santa,
reconquistando Jerusalém e outros lugares por onde Jesus teria passado em vida. A empreitada
constituía uma mistura de guerra, peregrinação e penitência: os guerreiros cruzados, conhecidos
também como "peregrinos penitentes", acreditavam que seus pecados seriam perdoados caso
completassem a jornada e cumprissem a missão divina de libertar locais sagrados, como a Igreja
do Santo Sepulcro. Esses cavaleiros e soldados tinham como símbolo a cruz, bordada no manto
que usavam - daí o nome com que ficaram conhecidos. Seus motivos não eram, porém,
exclusivamente religiosos. Mercadores emergentes viram nas Cruzadas uma oportunidade de
ampliar seus negócios, abrindo novos mercados e obtendo lucro ao abastecer os exércitos que
atravessavam a Europa a caminho do Oriente.
Outro objetivo era unificar as forças da cristandade ocidental, divididas por guerras internas, e
concentrar suas energias contra um inimigo comum, os chamados "infiéis muçulmanos". Nesse
período de quase dois séculos, oito Cruzadas foram lançadas, embora duas delas jamais
tenham chegado a Jerusalém. A Quarta desviou-se do seu objetivo original para atacar os
cristãos ortodoxos de Constantinopla - que não reconheciam a autoridade do papa -, saqueando
a cidade no ano de 1203. Já a Quinta conseguiu conquistar partes do Egito, mas bateu em
retirada sob a pressão do inimigo antes de atingir a Palestina.

RENASCIMENTO URBANO

No final da Idade Média (entre os séculos XIII e XV), a Europa passou por transformações
sociais, econômicas e políticas de grande importância. O fortalecimento do comércio e o
surgimento da burguesia favoreceram o desenvolvimento e surgimento de muitas cidades.

Crescimento urbano
Muitas destas novas cidades surgiram a partir dos burgos, que eram conjuntos de habitações
fortificadas que serviam de residência para os burgueses. Com a dinamização da economia nas
cidades, em função do comércio, muitas pessoas começaram a deixar o campo para tentar a
vida nos centros urbanos. Portanto, nos séculos XIV e XV, a Europa passou por um importante
processo de êxodo rural (saída das pessoas do campo para as cidades).

Novas profissões
Com mais pessoas morando nas cidades europeias, as necessidades e transformações
aumentaram muito. Começaram a surgir novas profissões e oportunidades de trabalho. O
dinheiro, principalmente moedas de ouro e prata, começou a circular com maior intensidade.
Os cambistas, por exemplo, ganharam espaço na sociedade, pois com o avanço do comércio
eram necessárias as trocas de moedas, para o bom funcionamento das relações comerciais
entre as várias regiões da Europa. Nesta época, cada cidade ainda possuía um tipo de moeda
diferente.
Surgiram também os banqueiros para garantir e proteger, com segurança, as fortunas dos
prósperos burgueses. Cheques, cartas de créditos e outras modalidades financeiras também
começaram a ser utilizadas neste período.

Organização dos trabalhadores


Os artesãos e comerciantes começaram a se organizar como uma maneira de obterem melhores
resultados em suas atividades. Os artesãos criaram as corporações de ofício, enquanto os
comerciantes estabeleceram as guildas (guildas eram associações de profissionais surgidas na
Baixa Idade Média (séculos XIII ao XV). O surgimento das guildas estava relacionado ao
processo de renascimento comercial e urbano que ocorreu neste período. Existiam guildas de
alfaiates, sapateiros, ferreiros, artesãos, comerciantes, artistas plásticos entre outros
profissionais. As guildas tinham como objetivo principal a defesa dos interesses econômicos e
profissionais dos trabalhadores que faziam parte delas.
Para manter o funcionamento destas associações de mutualidade, os trabalhadores associados
eram obrigados a pagar uma determinada quantia.
RENASCIMENTO COMERCIAL

O Renascimento Comercial está diretamente ligado à expansão europeia contra o Islão. As


Cruzadas consolidaram a reabertura do Mediterrâneo, restabelecendo as ligações comerciais
entre o Ocidente e o Oriente. Também ampliaram os mercados e intensificaram o uso do dinheiro
- até porque os cruzados se apoderaram de moedas ou de metais preciosos mais tarde
amoedados.
O contato com os islamitas ensinou aos cristãos certas técnicas comerciais, como a
contabilidade, o uso das letras de câmbio e a noção de banco.
Dentro da própria Europa, diversos fatores contribuíram para o progresso das atividades
comerciais. O fim das invasões árabes, normandas, húngaras e eslavas produzira um acentuado
crescimento demográfico e, consequentemente, ampliara os mercados. A disponibilidade de
mão-de-obra levou ao cultivo de novas terras, cujos ocupantes se estabeleciam na condição de
homens livres.
Enquanto isso, o sistema feudal, cuja produção era adequada apenas para o consumo local, não
conseguia atender ao crescimento da demanda, tomando-se incompatível com as novas
condições históricas. Sua crise e decadência iriam levá-lo à desintegração, séculos depois.
Uma vez que a produção do feudo se tomou insuficiente para sustentar todos os seus
habitantes, muitos deles começaram a sair. Isso aconteceu tanto com os vilões (que saíam
livremente) como com os servos (que fugiam, ou às vezes eram expulsos por seus senhores).
Esses elementos marginalizados dirigiam-se para os aglomerados urbanos, na esperança de lá
ganharem a vida. Participavam de uma cruzada, roubavam, ingressavam na escolta de alguma
caravana ou formavam bandos de salteadores. Qualquer atividade servia, desde que garantisse
sua sobrevivência. Houve aqueles que se dedicaram ao comércio ambulante, formando o
embrião do que mais tarde seria a burguesia.
As rotas de comércio foram um elemento essencial do Renascimento Comercial, pois
constituíam as artérias por onde fluía a vida mercantil da época. As principais rotas da Europa
eram as do Mediterrâneo, do Mar do Norte e da Champagne.
A rota do Mediterrâneo ligava Constantinopla e Alexandria aos portos da Europa. Era dominada
pelas cidades de Gênova e Veneza, que haviam conseguido obter monopólios comerciais nos
principais portos do Mediterrâneo Oriental. Veneza, por exemplo, monopolizava o comércio com
Constantinopla.
A rota do Mar do Norte ligava aquele mar ao Báltico e penetrava no interior da Rússia, onde
seguia os antigos caminhos percorridos pelos varegues (normandos originários da Suécia).
Descendo o curso dos rios Dnieper, Dniester e Don, os mercadores alcançavam o Mar Negro e
de lá chegavam a Constantinopla, onde vendiam peles, mel, trigo, âmbar e metais.
A rota da Champagne ligava a Itália à Flandres passando pela região da Champagne, na França.
Flandres possuía inúmeras manufaturas de panos e um comércio bastante desenvolvido,
enquanto a Itália fornecia artigos de luxo, produzidos localmente ou importados do Oriente.
O grande número de mercadores circulando pelas rotas levou-os a fixar certos pontos do
caminho para realização de trocas comerciais — geralmente locais protegidos por um castelo, ou
então cruzamentos de rotas (nós de trânsito). Ali, os comerciantes se reuniam para negociar
suas mercadorias durante um período predeterminado.

Tais encontros recebiam o nome de feiras. Sua importância foi imensa para o desenvolvimento
do comércio na Baixa Idade Média. Eram eventos sazonais, criados por um edital de feira; neste,
o senhor local prometia proteção militar e policial aos participantes, e assegurava o
funcionamento de um tribunal internacional para julgar os litígios. Em troca, reservava-se o
direito de cobrar um imposto por cabeça — a capitação — sobre todos os que entrassem na
feira. E os produtos que tocassem o solo lhe pertenceriam por um direito costumeiro.
As principais feiras da Europa realizavam-se na Champagne e atraiam negociantes de todas as
partes. Cada uma durava sete semanas, podendo ser semestral ou anual. Também havia feiras
importantes na Flandres, na Itália, na Alemanha, na Inglaterra e na Espanha. Muitos locais onde
se realizavam feiras deram origem a burgos — núcleos urbanos com intensa vida comercial e
ativa produção artesanal.
A multiplicação das feiras levou à utilização das letras de câmbio (originariamente letras de feira),
isto é, papéis valendo uma determinada importância e que podiam ser descontados por seu
portador em outra cidade. Concomitantemente, a grande variedade de moedas em circulação
criou os mecanismos de câmbio; nas feiras sempre havia cambistas, que trocavam para os
clientes moedas de procedências diversas, O empréstimo a juros tornou-se prática corrente e
foram fundadas as primeiras casas bancárias. Graças a tudo isso, começou a se processar na
Europa uma acumulação capitalista primitiva, apesar de a usura ser condenada pela Igreja.
As feiras alcançaram seu apogeu no século XIII, em seguida declinaram, para dar lugar aos
mercadores com diversos cambistas, que trocavam para os clientes moedas estabelecimentos
sediados nas cidades.

AS CRISES DOS SÉCULOS XIV E XV

A crise que assolou a Europa Ocidental, nos séculos XIV e XV vem acompanhada do espírito da
modernidade que começou a rondar a cabeça do homem europeu gerando fortes modificações
políticas, econômicas, sociais e religiosas no sistema vigente . O regime feudal passou a sofrer
fortes pressões internas e externas, que o modificaram, e muitas de suas estruturas entraram em
colapso.
No plano social rebeliões camponesas surgem em função da superexploração do trabalho ,
praticada pelos senhores feudais, principalmente após a ocorrência da Peste Negra, que chegou
a matar quase um terço da população europeia, desorganizando a produção e provocando fome.
Isso acaba por gerar grandes revoltas nas quais os camponeses queimaram castelos e
assassinaram senhores. A repressão a esse movimento foi enorme, uma vez que a nobreza e o
clero passam a temer por sua sobrevivência.
A população gemia sob o peso das obrigações crescentes e, aqui e ali, começaram a acontecer
revoltas isoladas. Enquanto as revoltas camponesas sucediam-se, nas cidades cresciam as
diferenças entre os ricos mercadores e mestres de corporações, por um lado, e os companheiros
mais pobres. Mais do que isto, acentuava-se a oposição entre os empreendedores proprietários
e os trabalhadores não proprietários, cujo número crescia proporcionalmente à miséria que se
abatia sobre os trabalhadores do campo.
A Peste Negra encontrou um campo propício para sua difusão na pobre, faminta e enferma
sociedade medieval. As narrativas da peste são dramáticas, como nesta de um cidadão de
Siena:

[...] Pai abandonava filho, esposa abandonava marido, irmão abandonava o outro; porque a enfermidade
parecia atacar através da respiração e da visão. E assim eles morriam. Ninguém podia ser encontrado
para enterrar os mortos por dinheiro ou por amizade. Os membros de uma família traziam seu morto para
o fosso da melhor maneira que podiam, sem sacerdotes, sem ofícios divinos. Nem o sino [dos mortos]
tocava.

No plano econômico a expansão do comércio e do mercado era um fato que marcava o período
da transição do Feudalismo para o Capitalismo. A burguesia enriquecia cada vez mais,
administrando grandes negócios, que passam a ser incompatíveis com o sistema feudal. O
enriquecimento crescente do burguês, leva a um aumento do poder de atuação, dentro do
terceiro estado, derrubando inclusive as antigas corporações de ofício. Outro fator gerador de
crise foi o esgotamento das fontes de minérios, necessários para a cunhagem de moedas,
levando a constantes desvalorizações da moeda.
O incremento das grandes navegações amplia os horizontes do comércio. O homem medieval
vivia aprisionado em seu pequeno mundo. A possibilidade de conhecer e dominar terras, até
então conhecidas apenas pelos relatos de viajantes audaciosos, como Marco Polo por exemplo,
despertam o desejo do conhecimento real das maravilhas descritas até aquele momento.
No plano político os senhores feudais encontraram como um meio de resolver todos esses
problemas que perduravam, a unificação do poder em grandes regiões formando-se, desse
modo, os Estados Nacionais como Portugal, França, Espanha. O interesse da burguesia em
organizar um sistema político, mais coerente com suas necessidades de expansão do comércio
acaba por auxiliar a formação dessa nova estrutura política-econômica. A partir de então volta a
ter prestígio junto a população europeia ocidental a figura do rei.
No plano intelectual, a ordem do mundo, tanto da natureza quanto da sociedade já não parece
tão clara. Movidos pela curiosidade, o homem começa a investigar e observar os fenômenos da
natureza. Através da teoria humanista, a figura do homem passa a ocupar um papel de destaque
na nova concepção de mundo.
No plano religioso toda essa conjuntura leva também ao surgimento de críticas fortes à Igreja
Católica, aos padres, aos abusos econômicos dos tributos cobrados por ela. Críticas estas que já
tinham sido feitas em períodos anteriores, e que naquele momento não encontraram terreno fértil
para se expressar, como nos séculos XIV e XV.
Embora as Cruzadas tivessem terminado no final do século XIII, os exércitos não foram
desmobilizados. Assim, as disputas e guerras no Ocidente prosseguiram até meados do século
XIV. Alguns exemplos desses conflitos foram a Guerra de Reconquista na Península Ibérica, a
Guerra dos Cem Anos e as inúmeras rivalidades entre as cidades.
A crise dos séculos XIV e XV marca o início de um longo processo no decorrer do qual surgirão
novas práticas econômicas e políticas, novas modalidades de relações sociais cujo resultado
será a emergência do capitalismo.

FONTES BIBLIOGRÁFICAS
http://www.suapesquisa.com/historia/renascimento_urbano.htm
http://www.casadehistoria.com.br/book/export/html/41
http://www.todamateria.com.br/baixa-idade-media/
http://mundoestranho.abril.com.br/materia/o-que-foram-as-cruzadas
http://www.alunosonline.com.br/historia/renascimento-comercial-urbano-europa-no-seculo-xi.html
http://www.casadehistoria.com.br/book/export/html/41
http://www.suapesquisa.com/idademedia/guildas.htm
http://www.coladaweb.com/historia/renascimento-comercial-e-o-surgimento-da-burguesia

É fazendo que se aprende a fazer aquilo que se deve aprender a fazer.


Aristóteles
Um forte abraço para você. Acredito em teu potencial...
Teu professor e amigo Fifo