Adoração e louvor

A pregação do culto
David Karnopp

m dos pontos altos do culto, sem dúvida, é o sermão. Não é o momento mais importante, porque este pertence a leitura da palavra e aos sacramentos, que são os meios com os quais Deus vem a nós no culto, pois, nada é mais relevante do que aquilo que Deus tem a nos dar e dizer. Mas, na compreensão do povo, o sermão sempre ocupou um lugar importante, ao ponto de despertar comentários, tipo: “hoje o sermão estava bom” ou “hoje o sermão estava monótono”. Considerando que ninguém gosta de ouvir um sermão ruim, pergunta-se o que deveria nortear um bom sermão? Não tenho a pretensão de dar todas as respostas. Quero apenas destacar alguns problemas que envolvem a pregação e suas possíveis soluções.

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desde que atinja os outros. Também há sermões que pregam aquilo que o povo quer ouvir e não o que o povo precisa ouvir. Assim, fica no esquecimento umas das máximas dos profetas do Antigo Testamento: “Assim diz o Senhor”.

Clareza
Alguns sermões carecem de clareza. Neles, o ouvinte não consegue compreender o que o pregador de fato quer dizer. Relatam fatos bíblicos, mas não os aplicam para a vida das pessoas. Há também os casos em que o pregador quer acrescentar, de última hora, algo que acha importante, tornando assim o sermão longo e cansativo. Uma boa recomendação é o pastor sempre escrever o sermão e pregar aquilo que foi preparado e escrito.

o pregador deve lembrar que os ouvintes precisam ouvir o que o SENHOR tem a lhes dizer em termos de Lei e Evangelho. Ao mesmo tempo, o pregador deve se colocar na dependência do Espírito Santo, para que este o use na correta interpretação e aplicação da Palavra que é de Deus. O pecado e a Lei não deveriam ser a grande ênfase do sermão. O amor e a graça de Deus, Cristo e a sua obra é que deveriam brilhar no sermão. É verdade que a Lei precisa ser pregada com toda clareza e firmeza, para levar os ouvintes ao arrependimento. Mas muito mais do que isso, os ouvintes precisam saber que Deus os ama. Não é o nosso arrependimento que desperta a graça de Deus, mas é a graça de Deus que nos chama ao arrependimento.

Sermão monótono
Geralmente, é um sermão profundo, porém desprovido de vida e dinâmica. É o caso em que o pregador domina a teologia e o conhecimento da doutrina, mas não domina a arte da pregação. Também pode-se perceber, nestes casos, o problema da “voz de púlpito”. É uma voz que o pregador usa somente na pregação, diferente da que usa no dia a dia, e, não raro, desagradável aos ouvidos. Nesse caso, uma boa solução seria a congregação presentear o seu pastor com um curso de oratória.

O texto usado diz uma coisa e o sermão outra
É o caso onde, por exemplo, o pastor prega sobre evangelismo, mas o texto usado não aborda este tema. O sermão até pode ser um bom sermão, mas, neste caso, o pregador deveria buscar o texto que fundamenta aquilo que ele quer pregar. A outra possibilidade, é pregar um sermão temático, no qual o pastor prega sobre um tema e se beneficia de versículos bíblicos. Por exemplo: “Oferta Cristã”. Mas este recurso não deveria ser usado em todos os cultos. É sempre melhor pregar a partir de um dos textos do dia.

David Karnopp, pastor da IELB em Vacaria, RS
Foto: Rodrigo Saldanha Abreu

Tempo para preparo
As congregações exigem que o pastor esteja envolvido nas diversas atividades, mas não dão tempo suficiente para preparar uma boa mensagem. Um sermão de qualidade sempre será um fator motivador para as pessoas irem ao culto. Mas, para isso, é necessário que o pastor tenha tempo de preparo. Sermões mal preparados, cedo ou tarde, trazem prejuízos.

Algo para melhorar
Através do sermão, Deus quer atingir o coração dos ouvintes, levando-os ao arrependimento, fortalecendo-os na fé, firmando-os na sua misericórdia e mostrando como caminhar para frente. Assim,

Conteúdo
Para algumas pessoas, o destaque do sermão tem que ser a pregação da lei, mas

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Mensageiro Luterano | Março 2010 | Nº 3 | Ano 93

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