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Centro de Tecnologia Mineral

Ministério da Ciência e Tecnologia


Coordenação de Metalurgia Extrativa

A INFORMAÇÃO E A SUSTENTABILIDADE DA
MINERAÇÃO NA AMAZÔNIA: UM BANCO DE DADOS
SÓCIO-ECONÔMICO E AMBIENTAL

Maria Helena M. Rocha Lima


Tecnologista do CETEM

Elen Araújo de Barcellos


BIC

CT2002-032-00 – Contribuição Técnica ao Congresso Internacional


das Instituições de Pesquisa Tecnológica/ Biennial
Congress Waitro, 08-11 de setembro de 2002, Porto
Alegre, RS
A INFORMAÇÃO E A SUSTENTABILIDADE DA MINERAÇÃO NA
AMAZÔNIA: UM BANCO DE DADOS SÓCIO-ECONÔMICO E
AMBIENTAL

Maria Helena M. Rocha Lima


Tecnologista Senior – CETEM/MCT

Elen Araújo de Barcellos


Bolsista de Iniciação Científica – CETEM/UFRJ

Resumo

A região amazônica tornou-se atualmente a última fronteira mineral. Essa região, contudo,
é social e ambientalmente sensível, pelas particularidades do ecossistema que abriga e pela
sua história de ocupação territorial. A elaboração do banco de dados sócio-econômico e
ambiental – SUSTEMIN, que consiste em um sistema de informações georreferenciadas,
está inserido no âmbito de um projeto maior do Centro de Tecnologia Mineral - CETEM e
é a primeira etapa para viabilizar a execução do projeto nomeado Desafios da
Sustentabilidade da Mineração na Amazônia Brasileira. O presente trabalho mostra como
foi elaborado o banco de dados e, a partir de sua utilização, a elaboração das análises e a
confecção dos mapas que possibilitam visualizar questões relevantes que trarão subsídios
importantes para os gestores de política da área mineral.

1. Introdução

O desenvolvimento da mineração na região tem sido responsabilizado por alguns


problemas ambientais e sociais. Diversos artigos, como Ferraz (2001) e Andrade (2001),
analisam os impactos sócio-econômicos e ambientais da pecuária e da agricultura. No
entanto, poucos trabalhos enfocam os impactos da atividade mineral, principalmente
quando relacionados com os impactos das demais atividades. O banco de dados
apresentado neste artigo pode ajudar no planejamento e no fomento, em bases sustentáveis,
da atividade da mineração da Amazônia.
O banco de dados dará ao público e a sociedade acesso à informação, bem como criará um
instrumento de trabalho para pesquisadores vinculados ao governo e às empresas públicas e
privadas, bem como às universidades, aos institutos de pesquisa e às organizações do
chamado terceiro setor (ONG’s, Fundações, Associações, etc) e, portanto, para toda a
sociedade civil.

O objetivo principal do projeto, em andamento, será construir um quadro social, econômico,


legal e ambiental da região no contexto da atividade mineral e dar continuidade à linha de
pesquisa1 do CETEM sobre a sustentabilidade da atividade mineral na Amazônia

2. Desenvolvimento

As informações relevantes para o estudo da atividade mineral na região Amazônica foram


selecionadas a partir do conhecimento do universo de dados sócio-econômico e ambiental,
dispersos em diversas agências governamentais. O banco de dados elaborado foi alimentado
somente com dados oficiais e de domínio público, como os dados referentes às atividades
econômicas, sociais e ambientais do IBGE, dados referentes a atividade mineral do DNPM,
assim como outras fontes com os dados e estimativas de PIB Municipal do IPEA e o Índice
de Desenvolvimento Humano do PNUD/IPEA/FJP.

A execução do projeto consistiu no levantamento dos requisitos, na identificação das fontes


de informações, no projeto físico (ver anexo) e a população de uma base de dados, para um
sistema de informações georreferenciadas de todos os aspectos disponíveis, inerentes à
exploração mineral no Brasil, considerando a adoção de um SGBD relacional2.

A integração de diversas fontes de dados disponíveis foi feita através da sobreposição dos
diversos temas existentes nas fontes de dados selecionadas, de forma a facilitar a busca
conjunta de informações de diferentes origens.

1
Linha de pesquisa do CME – Coordenação de Metalurgia Extrativa, sob a coordenação da pesquisadora
Maria Laura Barreto
2
SGBD – Sistema Gerenciador de Bases de Dados - relacional representa os dados geográficos armazenados
como atributos numéricos em tabelas. Cada ponto é representados por um par de coordenadas x-y (cada um
numa coluna separada) e cada arco é guardado como referêrncia a dois pontos (o inicial e o final) in Camara,
Gilberto Revista InfoGeo 12, 2000
Os dados coletados se encontravam , originalmente, nos mais diferentes formatos: base de
dados nos formato Access e DBase, projetos ArcView/ArcExplorer, Intergraph, MGE/Vista
Map, planilhas Excel, arquivos de imagens, etc. Todos eles foram convertidos para um
formato uniforme na base de dados do SUSTEMIN.

A execução do projeto obedeceu as seguintes etapas:

1 - Interações com as instituições governamentais e não governamentais para a obtenção de


dados. As articulações foram feitas e consolidadas com instituições como o IBGE, onde
está em andamento um convênio de longo prazo entre as duas instituições. Também foram
feitas interações com instituições como o DNPM, que nos concedeu o “Cadastro Mineiro”,
na sua forma mais completa, para ser parte do Banco de Dados, a CPRM, o IPEA– e o
Instituto Socioambiental (ONG).

2 – Após um levantamento de todas as bases de dados disponíveis, foi feita a seleção e a


obtenção através de compra (algumas bases do IBGE) e negociação daquelas de interesse e
que não estavam disponibilizadas ao publico em geral. Também foi feito um trabalho de
crítica e de análise da qualidade dos dados e informações a serem anexados ao banco de
dados.

Do acervo do IBGE obteve-se:

• Diagnóstico Ambiental da Amazônia Legal, cujo formato original era MGE/VistaMap e


cujos dados são : antropismo, uso da terra, geologia, geomorfologia, vegetação, solos,
biodiversidade, áreas especiais, hidrologia e mapas das diversas áreas e regiões
analisadas da Amazônia Legal.

• Base de Informações Municipais – Segunda Edição, no formato proprietário e com os


dados da malha municipal brasileira e informações sócio-econômicas

• Censo Demográfico Brasileiro – 2000, no formato HTML/PDF/Excel com dados


demográficos em geral.

Do DNPM obteve-se:
• Controle de Áreas de Mineração (Cadastro Mineiro), em formato Microsoft Access,
com diversas informações sobre processos relacionados às poligonais de mineração,
características de áreas especiais, histórico das poligonais de mineração, análise de
interferência entre poligonais de mineração e tipos de substâncias

• Áreas de Mineração, em formato ArcView/ArcExplorer com a malha municipal,


informações geológicas das poligonais, informação de concessão das poligonais

• Relatório de Compensação Financeira, em formato Excel com a arrecadação por UF e


município no período de 1996 a 2000.

• Projeto PRIMAZ, em formato Excel, lista de municípios participantes do Programa de


Integração Mineral em Municípios da Amazônia.

Do IPEA obteve-se:

• PIB municipal nos anos de 1970, 1975, 1980, 1985, 1990 e 1996 dos seguintes estados:
Amapá, Amazonas, Pará, Rondônia, Roraima, Acre, Maranhão e Tocantins (incluindo
os valores das áreas mínimas comparáveis em relação ao ano de 1996).

Do PNUD/IPEA/FJP obteve-se:

• IDH – Índice de Desenvolvimento Humano dos municípios para o ano de 1991.

Algumas variáveis foram apenas indicadas na concepção do banco, ficando para a próxima
etapa a sua incorporação, como por exemplo: os dados sócio-econômicos referentes a
malha municipal de 2000, ainda não disponíveis pelo IBGE, assim como os mesmos dados
referentes a malha de 1992, que exigirá um tempo maior de coleta de dados nas diversas
instituições.

3 – O projeto da base de dados3 teve como premissa possuir um formato único e flexível,
para todos os dados, facilitando a entrada de novas variáveis e a conversão para outros
formatos que se façam necessários. A estrutura do banco de dados está baseada nas
seguintes entidades (vide anexo: projeto lógico – diagrama de entidades e relacionamentos)
• Município e as malhas municipais – para se ter uma perspectiva temporal, ou seja,
séries temporais e análises de evolução, levou-se em conta que a formação dos
municípios brasileiros é alterada de tempos em tempos, essas diversas configurações
são chamadas de malhas municipais. Todos os dados colhidos dos municípios,
presentes no sistema, devem fazer parte da malha que estava vigente na época da coleta
de dados. Atualmente, a base engloba 3 malhas: de 1989 até 1992, de 1993 até 1996 e
de 1997 até 2000.

• Polígonos – esta entidade representa os polígonos aos quais todos os dados devem estar
associados, e pode representar um município, ou apenas uma região (como uma área de
preservação ambiental)

• Temas – representa os diversos temas dos quais os dados pesquisados fazem parte. São
eles: Mineração, Sócio-economia e Ambiente.

4 – Para a importação dos dados, foi necessário criar dois programas. O primeiro para a
importação das malhas municipais e de fontes de dados de forma genérica4 e o segundo
para a importação dos dados do cadastro mineiro do DNPM, para esses, por serem dados
que possuem um formato muito diferente dos demais, foi feito um módulo separado de
importação dos dados.

5 – Foi implementado um protótipo operacional que permite visualizar as variáveis,


utilizando o ArcExplore. O sistema foi chamado de SUSTEMIN, possuindo basicamente
três telas. A tela de abertura apresenta o mapa da região, com o nome do sistema e o
logotipo dos financiadores e executores dessa primeira versão.

A tela principal, a seguir, possibilita a escolha da área geográfica a ser gerada, podendo ser
um retângulo qualquer marcado no mapa, um município identificado, todos os municípios
de um estado, ou de todos os estados da região.

3
o banco de dados SUSTEMIN foi desenvolvido pela Solucionar Informática & Sistemas
4
nesse caso os dados importados estão sempre relacionados a alguma malha municipal (a malha varia
dependendo do ano)
A terceira tela chamada é a tela de seleção de temas e das variáveis que serão incluídos no
arquivo gerado. Nessa tela são apresentados, em um primeiro nível, os grupos de temas e
em segundo os temas propriamente ditos e em terceiro as variáveis pertencentes ao tema.

Os grupos de temas são:


• Ambiente
• Mineração
• Sócio-economia

Os temas do primeiro item acima (Ambiente), por exemplo são:


• Antropismo
• Áreas Especiais
• Biodiversidade
• Geomorfologia
• Vegetação
As variáveis pertencentes ao tema Antropismo são, no caso, a evolução temporal da perda
de vegetação natural nos períodos de 1971 a 1976, de 1977 a 1987 e entre 1988 a 1991.

3. Resultados

A partir da idéia básica de cruzamento de diferentes variáveis que compõem o banco de


dados, alguns trabalhos já foram realizados e inúmeros poderão ser elaborados. Foram
feitos três mapas em papel e digitalizados em CD-ROM, utilizando as informações
existentes no banco de dados, foram eles:

Ocorrências e depósitos minerais em terras indígenas e unidades de conservação;


requerimentos e títulos minerários em terras indígenas e unidades de
conservação; e
uso da terra (inclusive mineração) e desflorestamento.
A questão do uso da terra e do desflorestamento já foi desenvolvida através dos dados
georreferenciados no trabalho entitulado Mineração e Desflorestamento na Amazônia
Legal 5, o qual trata da questão da mineração como uma alternativa sustentável e viável
para o desenvolvimento da Amazônia.

A mineração tem sido acusada, de maneira infundada, de provocar grande desflorestamento


na região, esse trabalho objetivou mostrar que essa atividade econômica não é a grande
responsável pelo desflorestamento da região Amazônica, em comparação a outras
atividades, como a agrícola, a pecuária. Podendo-se argumentar, no entanto, que houveram
efeitos indiretos, na medida em que os grandes projetos de mineração atuaram como pólos
de atração demográfica, estimulando as demais atividades, principalmente a expansão de
áreas agrícolas.

As atividades econômicas, seguindo a classificação de uso do solo utilizada pelo IBGE,


foram analisadas em contraponto a mineração, sendo agregadas com o objetivo de dar
maior clareza na apresentação visual. Os mapas apresentados possibilitam identificar as
áreas de mineração e as demais atividades, possibilitando contrapor com o mapa de
desflorestamento da região. No entanto, a simples visualização através do mapa de uso da
terra, que apresenta as atividades como as diversas formas de atividade agrícola, mostra que
a mineração como grande causadora de desflorestamento é uma afirmação que está longe
da realidade.

A análise do desflorestamento está intimamente ligada ao processo de ocupação da


Amazônia. A ocupação pela agropecuária, a urbanização e a industrialização constituem-se
fatores primordiais para entender esse processo que vem se mostrando crescente. Nas
últimas décadas ocorreu uma acelerada urbanização e hoje 60% da população amazônica é
considerada urbana.

As pressões para o uso dos recursos naturais da Amazônia foram baseadas em diretrizes de
ocupação territorial, através de políticas públicas que incentivaram a imigração de grandes
contingentes populacionais para a região e garantiam a implantação de núcleos oficiais de
colonização e assentamento ao longo das grandes rodovias que, ao cortarem o interior da
Amazônia, asseguravam a proteção de ricos pólos minerais estratégicos .

5
Trabalho apresentado por Elen Araújo de Barcellos na X Jornada de Iniciação Cientifica – CETEM, julho
2002 sob orientação de Maria Helena Rocha Lima
De acordo com o PRODES - Projeto de Estimativa do Desflorestamento da Amazônia-,
aproximadamente 75% do desflorestamento se concentra em uma porção limitada e
específica da região que passou a ser conhecida como Arco do Desflorestamento, devido a
grande intensidade dos desmates nos Estados do Acre, Rondônia, Mato Grosso e Pará.
Estes foram os Estados que receberam incentivos fiscais e creditícios, além de
investimentos em rodovias associadas aos grandes projetos de colonização, inclusive os de
mineração.

Concluiu-se, através dos mapas gerados com o SUSTEMIN (vide anexo), que o
desflorestamento da região tem sido causado basicamente pelas atividades agropecuárias.
Pode-se observar nos mapas, que a agricultura e a pecuária ocupam uma grande extensão
na região e que existe a expectativa de crescimento futuro para ambas atividades, o que
trará uma pressão maior nas áreas ainda não incorporadas.

Não existe uma correlação direta das áreas mineradoras com as áreas mais afetadas pelo
desflorestamento, portanto, os impactos ambientais e o desflorestamento relacionados a
mineração são geograficamente concentrados e atingem a área próxima a atividade de
extração mineral. Efeitos existem, entretanto que, não podem ser considerados diretos e sim
indiretos. A implantação de um pólo minerador pode propiciar um crescimento
populacional na região, que necessitará de novas áreas para o cultivo. É nesse processo de
incorporação de novas áreas que irão se efetivar os impactos indiretos, os quais são bem
mais difíceis de serem analisados e que devem ser objeto de novos e futuros estudos.

Outro trabalho6 gerado com as informações levantadas com o Banco de Dados SUSTEMIN
foi o Impacto da Arrecadação da Compensação Financeira sobre a Exploração Mineral
no PIB dos Municípios do Estado do Pará.

O objetivo do estudo foi analisar a participação na renda municipal da atividade econômica


da mineração. Pretendia-se inferir se a riqueza gerada nos municípios que pagam a
Compensação Financeira da Exploração Mineral - CFEM - é oriunda, de maneira

6
Trabalho apresentado por Maria Helena Rocha Lina no VII Simpósio de Geologia da Amazônia, novembro
2001, Belem - Pará
significativa, da atividade econômica da mineração, ou seja, se existe uma relação entre
essa arrecadação e o PIB municipal.

A escolha do estado do Pará para o estudo se deveu a sua importância na mineração do


país. Entre outros indicadores, trata-se do segundo estado em volume de arrecadação, sendo
responsável por 28 %, enquanto o estado de Minas Gerais arrecadou 43 % do total no ano
de 2000. Os dois estados juntos tem sido responsáveis por cerca de 2/3 da arrecadação da
CFEM nos últimos anos.

A compensação financeira é devida pelas mineradoras em decorrência da exploração de


recursos minerais, que consiste na retirada de substâncias minerais da jazida, mina, ou
depósito mineral para fins de aproveitamento econômico. Os recursos gerados pelo CFEM
não podem ser aplicados em pagamento de dívida ou no quadro permanente de pessoal,
devem ser aplicados em projetos, que direta ou indiretamente revertam em prol da
comunidade local na forma de melhoria da infra-estrutura, da qualidade ambiental, da saúde
e educação.

O Produto Interno Bruto – PIB - municipal é uma medida da riqueza gerada no município e
o CFEM, mais que ser uma devolução em forma de recursos financeiros para a comunidade
local pela exploração de sua riqueza mineral, é considerado como parte do valor agregado
da economia do município no período de um ano. Portanto, o presente trabalho considera o
CFEM uma referência indireta da produção mineral na renda municipal.

A conclusão mais interessante é que os municípios que pagam quantias mais elevadas de
CFEM não são os que tem maior PIB. Os municípios de Parauapebas (Província de
Carajás), Oriximiná (bauxita), Ipixuna do Pará (caulim) e Almeirim (bauxita) são aqueles
que recebem maior Compensação Financeira e, no entanto, estão entre as duas faixas mais
baixa do PIB entre os municípios do estado.

O impacto positivo da atividade mineral no estado do Pará, como o aumento da renda das
comunidades locais, pode ser questionada a partir destes dados. Constata-se que, mesmo
considerando que toda a arrecadação (e não somente os 65% devidos ao município) tenha
sido aplicada em projetos de melhoria da infra-estrutura, conforme estabelecido em lei, não
existe evidência empírica que essa arrecadação tenha gerado resultados positivos no PIB
municipal.

4. Conclusão

A principal conclusão desse estudo é que o banco de dados SUSTEMIN, possibilitando a


visualização de questões importantes como as já estudadas e apresentadas nesse trabalho e
as inúmeras investigações que poderão ser feitas a partir da análise dos dados e da
observação dos pontos polêmicos detectados nos mapa, é um instrumento de informação
para os interessados na questão amazônica, que pode gerar subsídios, principalmente, para
os gestores da política mineral.

A observação dos mapas suscitam a curiosidade do pesquisador ao se verificar, por


exemplo, que as unidades de conservação ambiental estão mais protegidas em relação a
atividade mineral do que as áreas indígenas. Observa-se, também que a incidência de
requerimentos de pesquisa e de requerimentos de lavra são relativamente grandes face ao
que foi realmente concedido. Outra questão, é que se observa um grande número de títulos
minerários concedidos na proximidade de rios importantes.

Nesse trabalho foram apresentados duas pesquisas feitas utilizando-se do instrumental do


banco de dados e cujos resultados, apesar de esperados entre os conhecedores da mineração
na Amazônia, não tinham comprovação empírica. No primeiro caso, a mineração não é
uma atividade causadora do grande desflorestamento da região e no segundo caso, a
CFEM, cujos recursos devem ser aplicados em projetos que promovam o bem estar da
comunidade, não promoveram melhorias no PIB dos municípios mineradores.

Constata-se que a falta de informação disponível nos diversos níveis da sociedade e,


consequentemente, a falta de controle e de regulamentação das diversas atividades
econômicas, inclusive a mineral, determinarão sérios conflitos na região no futuro. O
estudo aprofundado destas questões são importantes para toda sociedade e para a
sustentabilidade da mineração na região.
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