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CEI-MAGISTRATURA E

MINISTÉRIO PÚBLICO
ESTADUAIS 2ª Edição

ESPELHO DE CORREÇÃO DA 4ª RODADA

CEI-MAGISTRATURA E
MINISTÉRIO PÚBLICO
ESTADUAIS
2ª Edição
ESPELHO DE CORREÇÃO DA 4ª RODADA

DURAÇÃO

08/08/2016 A 18/11/2016

MATERIAL ÚNICO
Questões Totalmente Inéditas.

ACESSÍVEL
Computador, Tablet, Smartphone.

28 QUESTÕES OBJETIVAS
Por rodada.

2 QUESTÕES DISSERTATIVAS
Por rodada.

1 PEÇA PRÁTICA
Por rodada.

IMPORTANTE: é proibida a reprodução deste material, ainda que sem fins lucrativos. O CEI CEI-MAGIS-
possui um sistema de registro de dados que marca o material com o seu CPF ou nome de usuário. TRATURA
O descumprimento dessa orientação acarretará na sua exclusão do Curso. Agradecemos pela E MP
sua gentileza de adquirir honestamente o curso e permitir que o CEI continue existindo. ESTADUAIS
2ª ED.
pág.2016
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ESPELHO DE CORREÇÃO DA 4ª RODADA

PROFESSORES

JOÃO PAULO LORDELO - Coordenador do Curso.


Procurador da República (aprovado em 1° lugar no 27°CPR). Ex-Defensor Público Federal. Aprovado em diversos concursos
e seleções: Técnico Administrativo da Universidade Federal da Bahia, Técnico Administrativo do Ministério Público do Estado
da Bahia, Técnico Administrativo e Analista Judicial do Tribunal Regional Eleitoral do Estado da Bahia, Procurador do Estado
de Pernambuco, Defensor Público Federal (7ª colocação final, tendo obtido a 1ª colocação na primeira fase), Mestrado em
Processo Civil na Universidade Federal da Bahia (1ª colocação), Juiz de Direito do Estado da Bahia (1ª colocação na primeira
fase), Procurador da República (1ª colocação na classificação geral). É graduado e mestre em Direito Público pela Universidade
Federal da Bahia e especialista em Direito do Estado. Editor do website: http://www.joaolordelo.com.

BRUNO DOS ANJOS.


Juiz de Direito no Estado do Ceará. Ex-Procurador do Estado de Rondônia. Aprovado (37º lugar) para Juiz de Direito do Estado
do Ceará; Aprovado (75º lugar) para Juiz de Direito do Estado do Espirito Santo; Ex – Analista Judiciário do Tribunal Regional
Eleitoral de Rondônia; Nomeado para Analista Judiciário no Tribunal Regional Federal da 1ª Região; Ex – Técnico Judiciário do
Tribunal Regional Eleitoral de Rondônia; Nomeado para Técnico Judiciário do Tribunal Regional do Trabalho da 14ª Região; Pós
Graduado em Direito Eleitoral e Processo Eleitoral pela FARO em parceria com o TRE/RO; Pós Graduado em Direito Processual
Civil pela Rede de Ensino Luiz Flávio Gomes – LFG.

DOUGLAS DELLAZARI.
Promotor de Justiça do MP-PR. Aprovado em diversos concursos públicos, dentre eles Promotor de Justiça do MP-PR,
Procurador Federal da AGU, Delegado de Polícia Civil do PR, Analista do TRE-SC, Analista do MPU-SC, Analista do TRF4,
Analista do TJSC, Técnico Judiciário do TJSC. Graduação em Direito pela Universidade Federal de Santa Catarina. Pós-graduado
em Direito Constitucional.

MARCELO SANTOS CORREA.


Procurador da República em Imperatriz/MA, aprovado em 27º lugar no 27º CPR. Ex-Juiz Federal do TRF5 (aprovado em 4º
lugar no XII Concurso). Ex-Juiz Federal do TRF4 (aprovado em 4º lugar no XV concurso). Ex-Advogado da União. Aprovado
em diversos outros concursos, entre eles: Procurador do Estado do Pará (4º lugar), Procurador do Estado do Tocantins, Analista
do TRF1.

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KHERSON MACIEL GOMES SOARES.


Procurador do Estado de Rondônia, lotado na Procuradoria do Contencioso Geral, em Porto Velho/RO. Graduado em Direito
pela Universidade de Fortaleza (Unifor). Pós graduando em Direito Público. Aprovado nos Concursos Públicos de Juiz de
Direito do Estado do Rio Grande do Norte; Analista Processual do MPU; Procurador do Município do Euzébio/CE.

JOÃO EDUARDO ANTUNES MIRAIS.


Professor de Direito do Consumidor e Direito Ambiental. Promotor de Justiça do MP/PR. Aprovado em diversos concursos:
Magistratura do TJ/PR (2012); MP/MS (2013), onde fui promotor por dez meses (2014-2015); MP/SC (2015), tendo tirado a maior
nota da prova oral; analista do TJPR, Câmara Municipal, dentre outros.

CARLOS HENRIQUE SOARES MONTEIRO.


Promotor de Justiça no Estado do Paraná. Ex-Promotor de Justiça no Estado do Maranhão. Graduado pela Pontifícia Universidade
Católica de São Paulo (PUC/SP). Pós-graduado em Direito Constitucional pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo
(PUC/SP).

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QUESTÕES DISSERTATIVAS

PROFESSOR: BRUNO DOS ANJOS

DIREITO ELEITORAL

1. “Propaganda política são todas as formas de realização de meios publicitários que têm por
objetivo conquistar simpatizantes ao conjunto de ideias de um partido e garantir votos.”1.

Considerando a importância da propaganda política, responda fundamentadamente o que se


segue:

a) Em que consiste e quais os tipos de propaganda política?

b) Discorra sobre o ‘direito de antena’, apontando os dispositivos legais pertinentes.

c) Relacione o ‘direito de antena’ com a chamada ‘cláusula de barreira’.

MÁXIMO DE 40 LINHAS.

COMENTÁRIO

O conceito de propaganda política já foi indicado no próprio enunciado da questão. De forma mais
aprofundada, Roberto Moreira leciona que:

“A propaganda política consiste na utilização de técnicas ou meios de marketing por pessoas


jurídicas (partidos políticos) ou pessoas naturais para a divulgação de certas ideias com o afã
de obter a indicação do candidato nas convenções partidárias, divulgar o ideal partidário ou
angariar o voto do eleitor” (ALMEIDA, Roberto Moreira. Curso de Direito Eleitoral. Editora
JusPodivm. 2012. pág. 363/364).

No que se refere aos tipos de propaganda política, podemos dizer que se dividem em 3: a) propaganda
eleitoral; b) propaganda intrapartidária; e c) propaganda partidária.

Nesse contexto, a propaganda eleitoral é sempre vinculada a uma eleição específica e consiste em expor
à opinião pública certas propostas e programas de governo com o intuito de convencer o eleitor a votar
em determinado candidato e fazer com que saia vitorioso.

Já a propaganda intrapartidária é a realizada no âmbito interno da agremiação partidária, pelo postulante


a candidatura a cargo eletivo, com o objetivo de ser indicado a concorrer a um determinado cargo eletivo.

1 (http://www.tse.jus.br/institucional/escola-judiciaria-eleitoral/revistas-da-eje/artigos/propaganda-politico-eleitoral).

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Por último, a propaganda partidária consiste na divulgação realizada pela própria entidade, sem
vinculação a qualquer pleito eleitoral, com a finalidade de , exclusivamente, difundir os programas
partidários, transmitir mensagens aos filiados sobre a execução do programa partidário, dos eventos com
este relacionados e das atividades congressuais do partido, divulgas a posição da agremiação em relação
a temas políticos-comunitários e promover e difundir a participação política feminina.

Sobre direito de antena, segue interessante julgado do STF:

Ementa: AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE. DIREITO ELEITORAL. PROPAGANDA


PARTIDÁRIA IRREGULAR. REPRESENTAÇÃO. LEGITIMIDADE. ART. 45, § 3º, DA LEI Nº 9.096/95.
DIREITO DE ANTENA. ART. 17, § 3º, DA CONSTITUIÇÃO. ESTREITA CONEXÃO COM
PRINCÍPIOS DEMOCRÁTICOS. MORALIDADE ELEITORAL. IGUALDADE DE CHANCES ENTRE
OS PARTIDOS POLÍTICOS (CHANCENGLEICHHEIT DER PARTEIEN). DEFESA DAS MINORIAS.
LEGITIMIDADE INAFASTÁVEL DO MINISTÉRIO PÚBLICO PARA A DEFESA DA ORDEM JURÍDICA,
DO REGIME DEMOCRÁTICO E DOS INTERESSES SOCIAIS INDISPONÍVEIS. ARTIGOS 127 E 129
DA CONSTITUIÇÃO. AÇÃO DIRETA JULGADA PARCIALMENTE PROCEDENTE. 1. A propaganda
partidária, organizada pelos partidos políticos, no afã de difundir suas ideias e
propostas para a cooptação de filiados, bem como para enraizar suas plataformas
e opiniões na consciência da comunidade, deriva do chamado direito de antena,
assegurado aos partidos políticos pelo art. 17, § 3º, da Constituição. 2. A regularidade
da propaganda partidária guarda estreita conexão com princípios caros ao Direito Eleitoral,
como a igualdade de chances entre os partidos políticos, a moralidade eleitoral, a defesa das
minorias, e, em última análise, a Democracia. 3. O princípio da igualdade de chances entre os
partidos políticos é elemento basilar das mais modernas democracias ocidentais, a impedir o
arbitrário assenhoramento do livre mercado de ideias por grupos opressores (JÜLICH, Christian.
Chancengleichheit der Parteien: zur Grenze staatlichen Handelns gegenu¨ber den politischen
Parteien nach dem Grundgesetz. Berlim: Duncker & Humblot, 1967. p. 65; CANOTILHO, J. J.
Gomes. Direito Constitucional e Teoria da Constituição. 7ª ed. Coimbra: Almedina, 2000. p. 320).
4. As questões relativas à propaganda partidária não são meras contendas privadas, avultando
o caráter público da matéria diante do art. 17 da Constituição, que estabelece parâmetros
claros para o funcionamento dos partidos, resguardando a soberania nacional, o regime
democrático, o pluripartidarismo, os direitos fundamentais da pessoa humana, dentre outros
preceitos. 5. A legitimidade do Ministério Público para a defesa da ordem jurídica, do regime
democrático e dos interesses sociais indisponíveis, não pode ser verberada, máxime diante
da normativa constitucional insculpida nos artigos 127 e 129 da Constituição. 6. O dispositivo
que restringe a legitimidade para a propositura de representação por propaganda partidária
irregular afronta múltiplos preceitos constitucionais, todos essencialmente vinculados ao regime
democrático. Doutrina (GOMES, José Jairo. Direito Eleitoral. 7ª ed. São Paulo: Atlas, 2011. p. 324;
CÂNDIDO, Joel. Direito Eleitoral brasileiro. 14ª ed. Bauru: Edipro, 2010. p. 71). 7. A representação
de que trata o art. 45, § 3º, da Lei nº 9.096/95 pode ser ajuizada por partido político ou pelo

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Ministério Público, mercê da incidência do art. 22, caput, da Lei Complementar nº 64/90 ,
verbis: “Qualquer partido político, coligação, candidato ou Ministério Público Eleitoral poderá
representar à Justiça Eleitoral, diretamente ao Corregedor-Geral ou Regional, relatando fatos e
indicando provas, indícios e circunstâncias e pedir abertura de investigação judicial para apurar
(…) utilização indevida de veículos ou meios de comunicação social, em benefício de candidato
ou de partido político”. Exclui-se, nessas hipóteses, a legitimidade de candidatos e coligações,
porquanto a propaganda partidária é realizada fora do período eleitoral. 8. Ação Direta de
Inconstitucionalidade julgada parcialmente procedente para conferir interpretação conforme
à Constituição ao art. 45, § 3º, da Lei nº 9.096/95, estabelecendo a legitimidade concorrente
dos partidos políticos e do Ministério Público Eleitoral para a propositura da reclamação de que
trata o dispositivo. (ADI 4617, Relator(a): Min. LUIZ FUX, Tribunal Pleno, julgado em 19/06/2013,
PROCESSO ELETRÔNICO DJe-029 DIVULG 11-02-2014 PUBLIC 12-02-2014)

Nessa linha, direito de antena é a concessão de espaço no rádio e na televisão para que os partidos
políticos realizem sua propaganda partidária, tudo em homenagem aos art. 17, §3º da CF e art. 49 da
Lei n. 9.096/95, in verbis:

CF - Art. 17. É livre a criação, fusão, incorporação e extinção de partidos políticos, resguardados
a soberania nacional, o regime democrático, o pluripartidarismo, os direitos fundamentais da
pessoa humana e observados os seguintes preceitos: I - caráter nacional; II - proibição de
recebimento de recursos financeiros de entidade ou governo estrangeiros ou de subordinação
a estes; III - prestação de contas à Justiça Eleitoral; IV - funcionamento parlamentar de acordo
com a lei. § 1º É assegurada aos partidos políticos autonomia para definir sua estrutura interna,
organização e funcionamento e para adotar os critérios de escolha e o regime de suas coligações
eleitorais, sem obrigatoriedade de vinculação entre as candidaturas em âmbito nacional,
estadual, distrital ou municipal, devendo seus estatutos estabelecer normas de disciplina
e fidelidade partidária. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 52, de 2006) § 2º Os
partidos políticos, após adquirirem personalidade jurídica, na forma da lei civil, registrarão seus
estatutos no Tribunal Superior Eleitoral. § 3º Os partidos políticos têm direito a recursos do
fundo partidário e acesso gratuito ao rádio e à televisão, na forma da lei. § 4º É vedada
a utilização pelos partidos políticos de organização paramilitar.

Lei n. 9.096/95 - Art. 49. Os partidos com pelo menos um representante em qualquer das
Casas do Congresso Nacional têm assegurados os seguintes direitos relacionados à propaganda
partidária: (Redação dada pela Lei nº 13.165, de 2015) I - a realização de um programa a cada
semestre, em cadeia nacional, com duração de: (Redação dada pela Lei nº 13.165, de 2015)
a) cinco minutos cada, para os partidos que tenham eleito até quatro Deputados Federais;
(Incluído pela Lei nº 13.165, de 2015) b) dez minutos cada, para os partidos que tenham eleito
cinco ou mais Deputados Federais; (Incluído pela Lei nº 13.165, de 2015) II - a utilização, por
semestre, para inserções de trinta segundos ou um minuto, nas redes nacionais, e de igual

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tempo nas emissoras estaduais, do tempo total de: (Redação dada pela Lei nº 13.165, de 2015)
a) dez minutos, para os partidos que tenham eleito até nove Deputados Federais; (Incluído
pela Lei nº 13.165, de 2015) b) vinte minutos, para os partidos que tenham eleito dez ou mais
deputados federais. (Incluído pela Lei nº 13.165, de 2015) Parágrafo único. A critério do órgão
partidário nacional, as inserções em redes nacionais referidas no inciso II do caput deste artigo
poderão veicular conteúdo regionalizado, comunicando-se previamente o Tribunal Superior
Eleitoral. (Incluído pela Lei nº 13.165, de 2015)

Já a cláusula de barreira, também conhecida como cláusula de exclusão ou de desempenho, é um


mecanismo legal que restringe ou impede direitos ou a atuação parlamentar das agremiações partidárias
que não alcança um percentual de votos determinado ou representante no parlamento.

Nesse panorama, a restrição ao direito de antena é uma das modalidades de imposição de cláusula de
barreira, como também, por exemplo, a restrição ao fundo partidário.

MELHORES RESPOSTAS

YURI FISBERG

CARLOS RODRIGUES

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Nome: CARLOS GUILHERME CHIARAMONTE RODRIGUES CEI-MAGISTRATURA E
Curso: Magistratura e Ministério Público Estaduais. Rodada: 4ª. Professor: Bruno MINISTÉRIO
dos Anjos PÚBLICO
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Matéria: Direito Eleitoral Questão nº: 1
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Data: 09/09/2016

1 A propaganda eleitoral é a forma de comunicação dos partidos políticos e candidatos a cargos eletivos com
2 seus futuros eleitores, oportunidade em que podem passar aos eleitores a filosofia do partido ou candidato, as
3 ideias e planos de governo sobre economia, educação, segurança, políticas públicas e todos os demais
4 assuntos que interessam à população para a correta administração da coisa pública. A propaganda política-
5 eleitoral pode ser intrapartidária – aquela em que se dirige aos filiados de um partido para que os demais
6 colegas escolham quem irá representar o partido nas eleições; pode ser a partidária - que tem o objetivo de
7 divulgar as ideias e filosofias do próprio partido e as eleitorais - que são regulamentadas pela Lei n. 9504/97 e
8 código eleitoral, que são realizadas pelos partidos, candidatos e coligações no intuito de conquistar o voto do
9 eleitor.
10 A propaganda política eleitoral pode ser realizada pelo rádio e televisão, na imprensa escrita, com mesas para
11 a distribuição de material de campanha e com a distribuição de adesivos, folhetos e outros impressos, além de
12 passeatas e uso de carros de som e propaganda na internet, nos termos do artigo 37, §§ 6º e 7º, e art. 38, § 9º
13 A, da Lei n. 9504/97.
14 O direito de antena é previsto no artigo 17, § 3º da CF e o artigo 44, da lei das eleições, e consiste exatamente
15 na possibilidade de realização de propaganda eleitoral no rádio e televisão, que se restringe ao horário gratuito
16 e veda-se a propaganda de forma paga.
17 A cláusula de barreira, por outro lado, é um instituto que limita ou até mesmo impede a atuação parlamentar
18 de um partido que não alcance determinado percentual exigido pela lei. O STF, anos atrás, já teve a
19 oportunidade de se manifestar sobre a cláusula de barreira existente na lei das eleições e julgou o instituto
20 inconstitucional, por violação ao artigo 17, § 3º da CF, que dispõe que todos os partidos têm direito aos
21 recursos do fundo partidário e acesso gratuito ao rádio e televisão, na forma da lei.
22 Assim, portanto, percebe-se que o direito de antena tem íntima relação com a cláusula de barreira, pois na
23 medida em que o primeiro assegura o acesso ao partido à propaganda gratuita no rádio e televisão, a cláusula
24 de barreira limita esse direito, em prejuízo evidente àqueles partidos menores, com poucos candidatos. Por um
25 lado, restringe o acesso de agremiações partidárias radicais e limita a atuação de partidos “de aluguel”, que

26 cumprem os requisitos necessários e oferecem o uso da estrutura em troca de dinheiro e benefícios, mas, por
27 outro lado, dificulta a renovação e o surgimento de novos partidos e ideias.
28 Com a minirreforma eleitoral ocorreu a alteração do artigo 47, § 2º e o legislador novamente estabeleceu uma
29 cláusula de barreira para o acesso ao rádio e televisão e, portanto, instituto que limita a cláusula de raio
30 assegurada aos partidos políticos. Pela nova regra, os horários nestes veículos de comunicação serão
31 distribuídos 90% proporcionalmente ao número de representantes na Câmara dos Deputados e 10%
32 distribuídos igualitariamente.
33 Como se nota, a nova cláusula de barreira dá grande vantagem aos grandes partidos e, indiretamente, obriga
34 os pequenos a realizaram coligações – já que nesse caso soma-se o número de representantes dos seis maiores
35 partidos que a integram para eleições majoritárias e de todos os partidos que a integram, nos caso de eleições
36 proporcionais (art. 47, § 2º, incisos I e II, da Lei n. 9504/97).

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DIREITO EMPRESARIAL

2. “A doutrina diverge na definição da natureza bancária de determinados contratos, em relação


aos quais debatem os autores sobre a necessidade ou não da participação, em um dos polos
da relação negocial, de uma instituição financeira devidamente autorizada a funcionar pelas
autoridades monetárias. É o caso da alienação fiduciária em garantia, da faturização, do
arrendamento mercantil e do cartão de crédito. Proponho denominar-se este conjunto de contratos
pela expressão ‘bancários impróprios’ “.2

Com supedâneo no enunciado acima e na jurisprudência dos Tribunais Superiores, discorra sobre
o contrato de faturização (factoring) abordando, necessariamente:

a) Conceito.

b) Modalidades de “factoring”.

c) Como ocorre a transferência de crédito?

d) Há direito de regresso da faturizadora contra a faturizada?

MÁXIMO DE 40 LINHAS.

COMENTÁRIO

Sobre a Faturização ou ‘fomento mercantil’, Fábio Ulhoa Coelho ensina que:

É o contrato pelo qual uma instituição financeira (faturizadora) se obriga a cobrar os devedores de um
empresário (faturizado), prestando a este os serviços de administração de crédito. (COELHO, Fábio Ulhoa.
Manual de Direito Comercial. Editora Saraiva. 2014. Pág. 518).

Importante destacar que o STJ entende que a factoring não é instituição financeira, conforme se verifica
do seguinte julgado:

CONTRATO DE FACTORING. RECURSO ESPECIAL. CARACTERIZAÇÃO DO ESCRITÓRIO


DE FACTORING COMO INSTITUIÇÃO FINANCEIRA. DESCABIMENTO. APLICAÇÃO DE
DISPOSITIVOS DO CÓDIGO DE DEFESA DO CONSUMIDOR À AVENÇA MERCANTIL, AO
FUNDAMENTO DE SE TRATAR DE RELAÇÃO DE CONSUMO. INVIABILIDADE.

1. As empresas de factoring não são instituições financeiras, visto que suas atividades regulares
de fomento mercantil não se amoldam ao conceito legal, tampouco efetuam operação de
mútuo ou captação de recursos de terceiros. Precedentes. 2. “A relação de consumo existe

2 COELHO, Fábio Ulhoa. Manual de Direito Comercial. Direito de Empresa. Editora Saraiva. Ano 2014. Pág. 514.

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apenas no caso em que uma das partes pode ser considerada destinatária final do produto
ou serviço. Na hipótese em que produto ou serviço são utilizados na cadeia produtiva, e não
há considerável desproporção entre o porte econômico das partes contratantes, o adquirente
não pode ser considerado consumidor e não se aplica o CDC, devendo eventuais conflitos
serem resolvidos com outras regras do Direito das Obrigações”. (REsp 836.823/PR, Rel. Min.
SIDNEI BENETI, Terceira Turma, DJ de 23.8.2010). 3. Com efeito, no caso em julgamento,
verifica-se que a ora recorrida não é destinatária final, tampouco se insere em situação de
vulnerabilidade, porquanto não se apresenta como sujeito mais fraco, com necessidade de
proteção estatal, mas como sociedade empresária que, por meio da pactuação livremente
firmada com a recorrida, obtém capital de giro para operação de sua atividade empresarial,
não havendo, no caso, relação de consumo. 4. Recurso especial não provido.

(REsp 938.979/DF, Rel. Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO, QUARTA TURMA, julgado em
19/06/2012, DJe 29/06/2012)

Sobre as modalidades de fatutização a doutrina divide em duas, quais sejam: conventional factoring e
maturity factoring. Fábio Ulhoa diz que “Há duas modalidades de faturização. De um lado, se a instituição
financeira garante o pagamento das faturas antecipando o seu valor ao faturizado, tem-se o conventional
factoring. Essa modalidade compreende, portanto, três elementos: serviços de administração do
crédito, seguro e financiamento. De outro lado, se a instituição faturizadora paga o valor das faturas ao
faturizado apenas no seu vencimento, tem-se o maturity factoring, modalidade em que estão presentes
apenas a prestação de serviços de administração de crédito e o seguro e ausente o financiamento. A
natureza bancária do conventional factoring é indiscutível, à vista da antecipação pela faturizadora do
crédito concedido pelo faturizado a terceiros, o que representa inequívoca operação de intermediação
creditícia abrangida pelo art. 17 da LRB. Já em relação ao maturity factoring, em razão da inexistência do
financiamento, poderia existir alguma dúvida quanto ao seu caráter bancário. Conforme ensina De Lucca,
no entanto, se houver da parte faturizadora a assunção dos riscos pelo inadimplemento das faturas
objeto do contrato, a faturização se revestirá, também neste caso, de nítida natureza bancária” (COELHO,
Fábio Ulhoa. Manual de Direito Comercial. Editora Saraiva. 2014. Pág. 519/520).

No que tange a transferência de crédito do factoring, o STJ firmou entendimento de que ocorre mediante
cessão de crédito, e não por endosso, conforme acórdão a seguir transcrito:

AGRAVO INTERNO NO AGRAVO (ART. 544 DO CPC/1973) - AÇÃO DECLARATÓRIA DE


NULIDADE DE TÍTULO DE CRÉDITO - DECISÃO MONOCRÁTICA DA LAVRA DESTE SIGNATÁRIO
QUE NEGOU PROVIMENTO AO RECLAMO. IRRESIGNAÇÃO DA PRIMEIRA RÉ.

1. Esta Corte tem entendimento assente no sentido de que o prequestionamento das teses
jurídicas constitui requisito de admissibilidade recursal, inclusive em se tratando de matérias
de ordem pública. Precedentes. 1.1. Hipótese em que, mesmo após a oposição de embargos
de declaração, não houve o prequestionamento, mesmo implícito, do art. 9º, § 1º, da Lei n.

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5.474/1968. Manutenção da incidência do Enunciado n. 211 da Súmula do STJ que se impõe. 2.


No contrato de factoring, a transferência dos créditos não se opera por simples endosso,
mas por cessão de crédito, de modo que eventuais controvérsias sobre a operação devem
ser dirimidas com base nas regras atinentes a essa espécie de negócio jurídico (arts. 286
a 298 do Código Civil de 2002). Precedentes. 2.1. No caso concreto, além de ser incontroverso
o fato de que a insurgente recebeu as duplicatas por contrato de factoring, o Tribunal de origem,
soberano no exame dos elementos fáticos e probatórios dos autos, consignou ter havido a
substituição das duplicatas endossadas à recorrente e que a recorrida - não tendo qualquer
ciência acerca do repasse dos títulos substituídos - efetuou o pagamento dos novos títulos
diretamente à emitente. Incidência, na espécie, da primeira parte do art. 292 do Código Civil de
2002, de seguinte teor: “fica desobrigado o devedor que, antes de ter conhecimento da cessão,
paga ao credor primitivo” (...). 3. É inviável examinar a controvérsia com base em projeto de lei,
o qual, como cediço, não possui força normativa apta a ilidir a remansosa jurisprudência deste
Superior Tribunal de Justiça. 4. Embora o instituto da cessão de crédito possa se assemelhar
com o instituto da compra e venda, ambos possuem sujeitos diferentes, objetos diversos e
normatização individualizada no Código Civil de 2002. Consequentemente, tendo vista que
a cessão de crédito possui por objeto bem incorpóreo e regras próprias no diploma civilista
(arts. 286 a 298), não há falar em qualquer ofensa aos arts. 481 e 482 do mesmo diploma
legal, atinentes à compra e venda de bens corpóreos. 5. Agravo interno desprovido. (AgInt no
AREsp 66.276/SP, Rel. Ministro MARCO BUZZI, QUARTA TURMA, julgado em 06/09/2016, DJe
15/09/2016)

A faturizadora (instituição financeira) não possui direito de regresso contra a faturizada (empresa/
empresário) no caso de inadimplemento dos títulos transferidos, pois o risco de inadimplemento é
inerente ao próprio contrato de factoring. Nesse sentido é o entendimento do STJ:

AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. DIREITO PROCESSUAL CIVIL


E EMPRESARIAL. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. ENUNCIADO N. 211 DA SÚMULA
DO STJ. FACTORING. AUSÊNCIA DE RESPONSABILIDADE DA FATURIZADA PELA SOLVÊNCIA
DO DEVEDOR DO TÍTULO DE CRÉDITO, MESMO QUE A TRANSFERÊNCIA DESTE TENHA SE
OPERADO POR ENDOSSO. ARRANJO CONTRATUAL EM QUE O RISCO DO INADIMPLEMENTO
É ASSUMIDO PELA FATURIZADORA. ASSUNÇÃO DE RISCO QUE SE CONSTITUI EM
ELEMENTO ESSENCIAL DO CONTRATO. PRECEDENTES. VERBETES SUMULARES N. 7 E 83
DO STJ. AUSÊNCIA DE ARGUMENTOS APTOS A INFIRMAR OS FUNDAMENTOS DA DECISÃO
AGRAVADA. AGRAVO REGIMENTAL IMPROVIDO.

1. Inadmissível o recurso especial quanto à questão que, a despeito da oposição de embargos


declaratórios, não foi apreciada pelo Tribunal a quo (enunciado n. 211 da Súmula do STJ).
2. A faturizadora não tem direito de regresso contra a faturizada sob alegação de
inadimplemento dos títulos transferidos, porque esse risco é da essência do contrato

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de factoring. Precedentes. 3. O entendimento expresso no enunciado n. 7 da Súmula do


STJ apenas pode ser afastado nas hipóteses em que o recurso especial veicula questões
eminentemente jurídicas, sem impugnar o quadro fático delineado pelas instâncias ordinárias
no acórdão recorrido. Precedentes. 4. Se o agravante não traz argumentos aptos a infirmar os
fundamentos da decisão agravada, deve-se negar provimento ao agravo regimental. 5. Agravo
regimental a que se nega provimento. (AgRg no AREsp 671.067/PR, Rel. Ministro MARCO
AURÉLIO BELLIZZE, TERCEIRA TURMA, julgado em 23/02/2016, DJe 04/03/2016)

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PEÇA PRÁTICA

PROFESSOR: JOÃO EDUARDO ANTUNES MIRAIS

No dia 06 de setembro de 2016, compareceu à Promotoria de Justiça da comarca de Salto do Lontra/


PR, a Sra. Maria das Dores, informando que seu filho Caio vem passando por privações de ordem
material, educacional e alimentar, tendo em vista que seu pai Tício não está honrando com sua
obrigação alimentar, há 3 meses, no valor de R$ 500,00 mensais. Assim sendo, ela pede ao Ministério
Público para que interceda em favor de seu filho, a fim de que ele tenha um desenvolvimento saudável.

Ante o exposto, trouxe como documentação uma transação referendada pelo Ministério Público
na oportunidade em que se fixou o valor da verba alimentar. Além disso, a certidão de nascimento
de Caio, demonstrando que ele conta 06 anos de idade, bem como que Tíco é o pai e a carteira de
trabalho de Tício, indicando que ele trabalha como operário em uma fábrica em São Caetano do Sul/
SP, local também de sua residência.

Entrou-se em contato telefônico com Tício, com o intuito de obter composição, que restou infrutífera,
uma vez que ele afirmou que não efetuou depósito no último mês, pois teve despesas com a nova
família que constituiu, bem como nos 2 meses anteriores pagou o valor de R$ 200,00.

Ainda, solicitou-se relatórios da equipe de atendimento do CRAS local que atestaram a veracidade da
precária situação pela qual passa o infante.

Finalmente Maria das Dores trouxe extratos bancários que demonstram a ausência de pagamento no
último mês, assim como o depósito nos valores de R$ 200,00, nos meses de julho e agosto, valendo
salientar que no momento da transação convencionou-se que o pagamento seria realizado desta
forma e que o vencimento das parcelas ocorre no dia 05 de cada mês.

Diante disso, proponha a medida cabível para salvaguardar os direitos da criança.

Limite máximo de 05 (cinco) laudas para elaboração do instrumento pertinente.

COMENTÁRIO

Olá alunos, a peça prática desta rodada se refere ao direito de família, que cada vez mais vem sendo
cobrado nos concursos, uma vez que muitas das atividades rotineiras de um Promotor de Justiça ou Juiz
de Direito versam sobre o tema.

Assim sendo, a peça processual adequada para a resolução da questão se cuida de uma execução de
alimentos fundada em título executivo extrajudicial, conforme preconiza o CPC:

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Art. 911. Na execução fundada em título executivo extrajudicial que contenha obrigação
alimentar, o juiz mandará citar o executado para, em 3 (três) dias, efetuar o pagamento das
parcelas anteriores ao início da execução e das que se vencerem no seu curso, provar que o
fez ou justificar a impossibilidade de fazê-lo.

Parágrafo único. Aplicam-se, no que couber, os §§ 2o a 7o do art. 528.

Nesse contexto, o instrumento de transação referendado pelo Ministério Público, nos termos do enunciado,
se consubstancia, efetivamente, em título executivo extrajudicial, consoante o CPC:

Art. 784. São títulos executivos extrajudiciais:

(...)

IV - o instrumento de transação referendado pelo Ministério Público, pela Defensoria Pública,


pela Advocacia Pública, pelos advogados dos transatores ou por conciliador ou mediador
credenciado por tribunal;

Desta feita, em primeiro lugar, poderia se argumentar acerca da legitimidade do Ministério Público para
propositura da execução de alimentos, em razão de Caio não se encontrar em nenhuma das situações de
risco do art. 98 do ECA. No entanto, tal posicionamento não prosperou, uma vez que os alimentos são
de natureza indisponível e intimamente ligados à dignidade da pessoa humana, na forma da tranquila
jurisprudência do STJ:

RECURSO ESPECIAL. DIREITO CIVIL E PROCESSUAL CIVIL. AÇÃO DE EXECUÇÃO DE


ALIMENTOS. MINISTÉRIO PÚBLICO. LEGITIMIDADE ATIVA. ARTIGO ANALISADO: 201, III, ECA.

1. Ação de execução de alimentos ajuizada em 13/04/2005, da qual foi extraído o presente


recurso especial, concluso ao Gabinete em 02/09/2011.

2. Discute-se a legitimidade do Ministério Público para o ajuizamento de ação/execução de


alimentos em benefício de criança/adolescente cujo poder familiar é exercido regularmente
pelo genitor e representante legal.

3. O Ministério Público tem legitimidade para a propositura de execução de alimentos em favor


de criança ou adolescente, nos termos do art. 201, III, do ECA, dado o caráter indisponível do
direito à alimentação.

4. É socialmente relevante e legítima a substituição processual extraordinária do Ministério


Público, na defesa dos economicamente pobres, também em virtude da precária ou inexistente
assistência jurídica prestada pela Defensoria Pública.

5. Recurso especial provido.

(REsp 1269299/BA, Rel. Ministra NANCY ANDRIGHI, TERCEIRA TURMA, julgado em 15/10/2013,
DJe 21/10/2013)

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Vale salientar que a legitimidade ativa do Ministério Público para propor ação de conhecimento de
alimentos é garantida por meio de recurso repetitivo no STJ, assim ementado:

DIREITO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE. AÇÃO DE ALIMENTOS. LEGITIMIDADE ATIVA


DO MINISTÉRIO PÚBLICO. DIREITO INDIVIDUAL INDISPONÍVEL. RECURSO ESPECIAL
REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543-C DO CPC.

1. Para efeitos do art. 543-C do CPC, aprovam-se as seguintes teses: 1.1. O Ministério Público
tem legitimidade ativa para ajuizar ação de alimentos em proveito de criança ou adolescente.

1.2. A legitimidade do Ministério Público independe do exercício do poder familiar dos pais,
ou de o menor se encontrar nas situações de risco descritas no art. 98 do Estatuto da Criança
e do Adolescente, ou de quaisquer outros questionamentos acerca da existência ou eficiência
da Defensoria Pública na comarca.

2. Recurso especial provido.

(REsp 1265821/BA, Rel. Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO, SEGUNDA SEÇÃO, julgado em
14/05/2014, DJe 04/09/2014)

Ainda, outra questão que poderia ser abordada se refere à competência para a propositura da execução,
considerando que Caio reside em Salto do Lontra/PR e Tício em São Caetano do Sul/SP, tendo em vista
que a regra geral de competência do processo de execução preconiza que a execução será proposta
no foro de domicílio do executado, de eleição constante no título ou no local onde estão os bens a ela
sujeitos, veja-se:

Art. 781. A execução fundada em título extrajudicial será processada perante o juízo
competente, observando-se o seguinte:

I - a execução poderá ser proposta no foro de domicílio do executado, de eleição constante


do título ou, ainda, de situação dos bens a ela sujeitos;

Todavia, em se tratando de criança ou adolescente tal disposição é excepcionada em razão da natureza


do direito e pelo art. 147, I e II, do ECA, que estabelece como competente o foro do domicílio dos pais
ou responsável ou onde se encontre a criança ou adolescente na falta destes, nas ações específicas
reguladas pelo ECA, mas que o STJ estendeu sua eficácia para o processo civil comum, como forma de
prestigiar o melhor interesse da criança, extraído do art. 227, caput, da Constituição, inclusive como forma
de afastar a perpetuatio jurisdictionis, confira-se o julgado paradigma sobre o tema:

CONFLITO NEGATIVO DE COMPETÊNCIA. AÇÃO DE EXECUÇÃO DE ALIMENTOS


PROMOVIDA POR MENOR. MUDANÇA DE DOMICÍLIO DO EXEQUENTE NO CURSO DA
LIDE. MENOR HIPOSSUFICIENTE. INTERESSE PREPONDERANTE DESTE. MITIGAÇÃO DO
PRINCÍPIO DA PERPETUATIO JURISDICTIONIS (ART. 87 DO CPC). MUDANÇA PARA O MESMO
FORO DE DOMICÍLIO DO GENITOR/ALIMENTANTE. CONFLITO CONHECIDO.

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1. A mudança de domicílio do autor da ação de alimentos durante o curso do processo


não é, em regra, suficiente para alteração da competência para o julgamento do feito,
prevalecendo o princípio da perpetuatio jurisdictionis, previsto no art. 87 do CPC, segundo
o qual a competência se define no momento da propositura da ação, sendo irrelevantes
as modificações do estado de fato ou de direito ocorridas posteriormente, salvo quando
suprimirem o órgão judiciário ou alterarem a competência em razão da matéria ou da
hierarquia.

2. Entretanto, “o princípio do juízo imediato, previsto no art. 147, I e II, do ECA, desde que
firmemente atrelado ao princípio do melhor interesse da criança e do adolescente, sobrepõe-
se às regras gerais de competência do CPC”. Assim, “a regra da perpetuatio jurisdictionis,
estabelecida no art. 87 do CPC, cede lugar à solução que oferece tutela jurisdicional mais
ágil, eficaz e segura ao infante, permitindo, desse modo, a modificação da competência
no curso do processo, sempre consideradas as peculiaridades da lide” (CC 111.130/SC, Rel.
Ministra NANCY ANDRIGHI, SEGUNDA SEÇÃO, DJe de 1º/2/2011).

3. O caráter continuativo da relação jurídica alimentar, conjugado com a índole social da


ação de alimentos, autoriza que se mitigue a regra da perpetuatio jurisdictionis.

4. Atenta a essas circunstâncias, já decidiu esta colenda Corte Superior que o foro
competente para a execução de alimentos é o do domicílio ou da residência do alimentando
(art. 100, II, do CPC), mesmo na hipótese em que o título judicial exequendo seja oriundo de
foro diverso. Nesse caso, a especialidade da norma insculpida no art. 100, II, do CPC
prevalece sobre aquela prevista no art. 575, II, do mesmo diploma legal.

5. Assim, se a mudança de domicílio do menor alimentando ocorrer durante o curso da


ação de execução de alimentos, como ocorreu na hipótese, não parece razoável que, por
aplicação rígida de regras de estabilidade da lide, de marcante relevância para outros casos,
se afaste a possibilidade de mitigação da regra da perpetuatio jurisdictionis.

6. Ademais, no caso em tela, o menor e a genitora se mudaram para o mesmo foro do


domicílio do genitor, nada justificando a manutenção do curso da lide na comarca originária,
nem mesmo o interesse do próprio alimentante.

7. Conflito conhecido para declarar competente o Juízo de Direito da 3ª Vara de Cajazeiras -


PB.

(CC 134.471/PB, Rel. Ministro RAUL ARAÚJO, SEGUNDA SEÇÃO, julgado em 27/05/2015, DJe
03/08/2015)

Demais disso, as razões de Tício para a escusa do pagamento consistiram em: a) constituição de nova
família, o que impede de arcar com o valor e; b) pagamento parcial do débito.

Com efeito, ambos os argumentos são afastados pela jurisprudência, eis que o primeiro deve se processar

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por meio de demanda revisional de alimentos, não podendo ser discutido no estreito rito da demanda de
execução, ao passo que o segundo não satisfaz integralmente a necessidade do alimentado, autorizando
a prolação de decreto prisional.

Acerca da constituição de família analisem os seguintes julgados, especialmente sobre a suspensão da


execução de alimentos quando proposta revisional, o que não se admite:

AGRAVO DE INSTRUMENTO - AÇÃO DE EXECUÇÃO DE ALIMENTOS - DECRETO DE PRISÃO


CIVIL PELO PRAZO DE 60 (SESSENTA) DIAS - INADIMPLEMENTO DAS 03 (TRÊS) ÚLTIMAS
PRESTAÇÕES ALIMENTÍCIAS - ALEGADA IMPOSSIBILIDADE FINANCEIRA PARA PAGAMENTO
- DESEMPREGO E CONSTITUIÇÃO DE NOVA FAMÍLIA - IMPOSSIBILIDADE DE DISCUSSÃO
DO TEMA EM AÇÃO EXECUTIVA - MATÉRIA QUE DEVE SER ANALISADA EM AÇÃO PRÓPRIA
(REVISIONAL OU EXONERATÓRIA) - DECISÃO ACERTADA - RECURSO DESPROVIDO.Incabível
haver discussão a respeito da incapacidade financeira para adimplir a dívida, pois a questão
relativa à eventual dificuldade enfrentada pelo devedor de alimentos para o adimplemento da
obrigação, em decorrência do valor excessivo da prestação ou referente à inobservância do
binômio necessidade/possibilidade na fixação do encargo ou, ainda, em virtude da maioridade
do alimentado, deve ser discutida em autos de ação revisional/exoneratória de alimentos,
tendo em vista a impossibilidade de discussão em sede de ação executiva.

(TJPR - 12ª C.Cível - AI - 1338531-8 - Araucária - Rel.: Joeci Machado Camargo - Unânime
- - J. 15.07.2015)

AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ORDINÁRIO EM HABEAS CORPUS. OFENSA AO


PRINCÍPIO DA COLEGIALIDADE. INOCORRÊNCIA. SÚMULA 309/STJ.

1. Nos termos do art. 38 da Lei n. 8.038/1990, combinado com o art.

557, caput, do Código de Processo Civil, e, ainda, o art. 34, inciso XVIII, do Regimento Interno
deste Tribunal, é possível, que o Relator, por meio de decisão monocrática, negue seguimento
a recurso ou a pedido manifestamente inadmissível, improcedente, prejudicado ou em
confronto com súmula ou jurisprudência dominante da respectiva Corte ou Tribunal Superior.

2. A execução mediante prisão civil é admissível para a cobrança das três últimas parcelas
vencidas à data do ajuizamento da ação, como também de todas aquelas que se venceram
no curso da lide (Súmula 309/STJ.) 3. No caso, eventual suspensão da execução em trâmite
devido à pendência de julgamento da apelação nos autos de ação revisional sequer estaria de
acordo com o entendimento desta Corte, que consolidou-se no sentido de que “a propositura
da ação revisional não impede a execução de alimentos, ainda que sob o rito do art.

733 do CPC, não consistindo em óbice a eventual decretação de prisão civil do alimentante
que se revela inadimplente.” (HC 44270/SP, Rel.

Ministro JORGE SCARTEZZINI, DJ de 03/10/2005) 4. Na ausência de qualquer subsídio capaz

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de alterá-los, deve a decisão recorrida ser mantida pelos próprios fundamentos.

5. Agravo regimental não provido.

(AgRg no RHC 45.494/RJ, Rel. Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO, QUARTA TURMA, julgado em
04/09/2014, DJe 11/09/2014)

O pagamento parcial do débito também é afastado pela jurisprudência do STJ e Tribunais Estaduais,
inclusive com julgados recentíssimos neste sentido, vejam:

HABEAS CORPUS. PRISÃO CIVIL. ALIMENTOS. WRIT SUBSTITUTIVO DE RECURSO ORDINÁRIO.


NÃO CABIMENTO. PRECEDENTES DO STF E DO STJ. CONCESSÃO DE ORDEM DE OFÍCIO.
INEXISTÊNCIA DOS REQUISITOS AUTORIZADORES.

1. Não conhecimento do habeas corpus impetrado como substitutivo de recurso ordinário.


Precedentes do STF e do STJ.

2. Inocorrência de flagrante ilegalidade ou abuso de poder a justificar a concessão da


ordem de ofício.

3. Decreto prisional em razão do inadimplemento da pensão alimentícia firmada em


acordo judicial em ação de execução de alimentos.

4. Jurisprudência firme do Superior Tribunal de Justiça no sentido de que o descumprimento


de acordo firmado entre alimentante e alimentado, nos autos de ação de execução de
alimentos, pode ensejar o decreto de prisão, bem como que o pagamento parcial não
produz o efeito de liberar o devedor do restante do débito ou, tampouco, afastar o decreto
prisional.

5. Precedentes específicos desta Corte.

6. HABEAS CORPUS DENEGADO.

(HC 350.101/MS, Rel. Ministro PAULO DE TARSO SANSEVERINO, TERCEIRA TURMA, julgado
em 14/06/2016, DJe 17/06/2016)

Vale salientar que o art. 929, parágrafo único, remete aos §§2° a 7° do art. 528, que preconiza que
somente a comprovação de fato que gere a impossibilidade absoluta de pagar será justificativa idônea
para o inadimplemento, vejam:

§ 2o Somente a comprovação de fato que gere a impossibilidade absoluta de pagar justificará


o inadimplemento.

Na mesma toada, prevê o §7°, do art. 528, que o débito que autoriza a prisão civil do alimentante é o que
compreende até as 3 prestações anteriores ao ajuizamento da execução e as que se vencerem no curso
do processo, positivando, assim, o teor da já antiga súmula 309 do STJ, senão vejamos:

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§ 7o O débito alimentar que autoriza a prisão civil do alimentante é o que compreende até
as 3 (três) prestações anteriores ao ajuizamento da execução e as que se vencerem no curso
do processo.

Súmula 309 STJ: O débito alimentar que autoriza a prisão civil do alimentante é o que
compreende as três prestações anteriores ao ajuizamento da execução e as que se vencerem
no curso do processo.

Importante mencionar, outrossim, que o novo CPC municiou o exequente com novos instrumentos de
coação contra o executado, a fim de exortá-lo ao pagamento da dívida, como estabelecer que o prazo
da prisão será de 01 a 03 meses (antes havia dúvida se poderia ser no máximo 60 dias), que a prisão
será cumprida em regime fechado, o cumprimento da pena não elide a obrigação de pagamento e
a possibilidade de requerer o desconto em folha de pagamento nos casos de empregado sujeito à
legislação do trabalho, tudo nos parágrafos do art. 528 e art. 912:

§ 3o Se o executado não pagar ou se a justificativa apresentada não for aceita, o juiz, além
de mandar protestar o pronunciamento judicial na forma do § 1o, decretar-lhe-á a prisão pelo
prazo de 1 (um) a 3 (três) meses.

§ 4o A prisão será cumprida em regime fechado, devendo o preso ficar separado dos presos
comuns.

§ 5o O cumprimento da pena não exime o executado do pagamento das prestações vencidas


e vincendas.

Art. 912. Quando o executado for funcionário público, militar, diretor ou gerente de empresa,
bem como empregado sujeito à legislação do trabalho, o exequente poderá requerer o
desconto em folha de pagamento de pessoal da importância da prestação alimentícia.

§ 1o Ao despachar a inicial, o juiz oficiará à autoridade, à empresa ou ao empregador,


determinando, sob pena de crime de desobediência, o desconto a partir da primeira
remuneração posterior do executado, a contar do protocolo do ofício.

§ 2o O ofício conterá os nomes e o número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas do


exequente e do executado, a importância a ser descontada mensalmente, a conta na qual
deve ser feito o depósito e, se for o caso, o tempo de sua duração.

Demais disso, a jurisprudência admite a inscrição do nome do devedor nos cadastros de proteção ao
crédito, bem como o respectivo protesto (insta frisar que esta faculdade já está prevista no art. 517 do
novo CPC, mas se refere somente à decisão judicial transitada em julgado), considerando que a ausência
de alimentos se consubstancia em uma violação ao mínimo existencial e consequentemente à dignidade
da pessoa humana (= STJ, REsp. nº 1.533.206/MG, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, Quarta Turma, DO
11/11/2015).

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Por fim, no que for cabível a petição inicial de execução de título extrajudicial deve conter os requisitos
do art. 319 do CPC, a saber:

Art. 319. A petição inicial indicará:

I - o juízo a que é dirigida;

II - os nomes, os prenomes, o estado civil, a existência de união estável, a profissão, o número


de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica, o
endereço eletrônico, o domicílio e a residência do autor e do réu;

III - o fato e os fundamentos jurídicos do pedido;

IV - o pedido com as suas especificações;

V - o valor da causa;

VI - as provas com que o autor pretende demonstrar a verdade dos fatos alegados;

VII - a opção do autor pela realização ou não de audiência de conciliação ou de mediação.

Para encerrar, mesmo o direito aos alimentos sendo de natureza indisponível, admite-se transação para
pagamento de suas prestações, até mesmo como forma de evitar a prisão do devedor, razão pela qual
poderia constar na petição a opção pela realização de audiência de conciliação.

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MARINA DANTAS PEREIRA

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