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Mestrado em Turismo Cultural e Animação Urbanismo e Património Cultural Docente: Professor Luís Boavida Portugal

Centro Histórico de Vila Nova de Gaia

Carmen Rodrigues 26 de Junho de 2008

Índice

Introdução……………………………………………………………….…………… …4 O Centro Histórico e a Relação com o Turismo……………………………… …………5

Politicas e Estratégias Públicas Área Critica de Recuperação e Reconversão Urbanística de Vila Nova de Gaia….12 • • Unidades operativas de Reabilitação…………………………… ………..13 Dificuldades a ultrapassar………………………………………… ……..13 Programa …..15 Pólis………………………………………………………………

Conclusão…………………………………………………………………………… ….17

Bibliografia…………………………………………………………………………… …19

Anexo: 1. Carta aéreofotogramétrica do Cento Histórico de Vila Nova de Gaia……...20 2

2. Gaia, rio Douro e Porto – 1669 – aguarela de Pier Maria Baldi…………….20 3. Modelo espacial da cidade pós-moderna………………………… ………...21 4. Vista Panorâmica actual sobre Vila Nova de Gaia…………… …………….21

“(...) Os valores a preservar são o de carácter histórico da cidade e o conjunto dos elementos materiais e espirituais que lhe determinam a imagem, em especial: a forma urbana definida pela malha fundiária e pela rede viária; as relações entre edifícios, espaços verdes e espaços livres; a forma e o aspecto dos edifícios (interior e exterior) definidos pela sua estrutura, volume, estilo, escalas, materiais, cor e decoração; as relações da cidade com o seu ambiente natural ou criado pelo Homem; as vocações diversas da cidade adquiridas ao longo da sua história (…)” Aguiar, 2002: p.97

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Introdução
A legislação com incidência sobre a salvaguarda dos centros históricos, em Portugal tem uma história recente. Salazar fomentou a recuperação urbana mas esta traduziu-se numa politica de obras públicas assente no conceito de embelezamento. Em 1944 surge a obrigação de elaborar planos de urbanização em todas as sedes de concelho, mas é somente em 1970 que a politica de solos foi regulamentada. Em 1970, a lei dos solos foi reformulada e já adoptado o nível infra-municipal com a Declaração de Áreas Criticas de Recuperação e Reconversão Urbanística, para áreas urbanas muito degradadas. Em 1982, institui-se o Plano Director Municipal, que se impôs a todos os outros planos e estabeleceu-se também o Programa de Reabilitação Urbana, substituindo mais tarde o programa de Recuperação de Áreas Degradadas, que levara à criação de Gabinetes Técnicos Locais e, nalguns casos, de Gabinetes de Centro Histórico.

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Estes programas anunciam a actual prevenção na qualificação do espaço urbano, em detrimento dos planos de expansão, através de Planos de Pormenor e de projectos urbanos. Em Vila Nova de Gaia, os Estudos do Plano Director Municipal começaram a elaborar-se em 1984 e, no mesmo ano, o Executivo da Câmara Municipal aprovou a delimitação da área do Centro Histórico. No ano de 1985, a autarquia candidatou-se ao Programa de Reabilitação Urbana e no ano a seguir foi publicada no Diário da Republica a Declaração de Áreas Criticas de Recuperação e Reconversão Urbanística de Vila Nova de Gaia, que se situam no Centro Histórico. A partir de então fora promovidas várias obras do Plano de Reabilitação e Salvaguarda do Centro de Gaia, conquanto com carácter pontual. No entanto duas áreas do Centro Histórico foram intervencionadas: a área do Castelo de Gaia foi objecto de um Plano de Salvaguarda, de acordo com orientações do IPPAR, apontando a contenção da construção, a beneficiação do espaço público e a reabilitação de empreendimentos essenciais à população residente. O presente trabalho pretende de forma sucinta fazer a relação do Centro Histórico e o Turismo, bem como mostrar as duas principais medidas estratégicas politicas para o seu melhoramento.

O Centro Histórico e a Relação com o Turismo
O Centro Histórico de Vila Nova de Gaia ocupa, territorialmente, uma posição privilegiada na margem esquerda do rio Douro. Assente em solo predominantemente granítico, com um declive de aproximadamente seis graus em relação ao rio, desfruta uma encosta sinuosa em anfiteatro.

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1- Fotografia aérea do Centro Histórico de Vila Nova de Gaia; Fonte: GAIURB

O Centro Histórico de Vila Nova de Gaia pode caracterizar-se com uma população envelhecida que tem um nível de instrução baixo, uma taxa de desemprego relativamente elevada e que trabalha maioritariamente no sector terciário. Nesta área domina largamente o arrendamento, os edifícios são antigos e a habitação está degradada. A perda de importância desta área perante a freguesia vizinha de Mafamude, e mesmo face à cidade do Porto, começou com o contributo de múltiplos factores, tais como: a Ponte Pênsil; construção da Rua General Torres como acesso à Ponte Pênsil; a ligação ferroviária desde o Porto a Lisboa; a construção da ponte D. Maria Pia; a substituição da Ponte Pênsil pela Ponte D. Luís; a construção do Porto de Leixões; abertura da Avenida da República; por fim a construção da nova Câmara Municipal, nos anos 20, na referida avenida (que anteriormente funcionava na área do Centro Histórico. Ora, deste modo, todas as obras dispensaram a área do Centro Histórico de algumas das suas funções, designadamente politicas, e propiciaram que se transformasse num local de passagem. Consolidou-se, a vocação da área para receber o vinho do Porto, com a criação do Entreposto de Gaia que por lei passa a ser o único local onde se pode armazenar o vinho do Porto. 6

Hoje em dia, e apesar dos vários elementos comuns que anteriormente foram mencionados, podem salientar-se, pelas suas distintas características, três áreas do Centro Histórico: o Castelo, a Escarpa e a “concha do vinho do Porto”. Estas características mostram o contraste com a vitalidade da actividade ligada ao vinho do Porto, como se pode ver pela fundação de várias empresas ainda nas últimas décadas. O vinho do Porto constitui o motivo de atracção turística da área, que antecedeu a demarcação do Centro Histórico, uma vez que a data de abertura das caves ao turismo começou no ano 1913, antecipando-se ao poder local nesta aposta de turismo como meio de publicidade. Os motivos que as empresas de vinho do Porto referem ter conduzido a esta abertura do turismo, concentra-se principalmente na vontade de promover ou divulgar o produto e as suas marcas, evidenciando a importância informal feita pelos turistas. Esta área de Vila Nova de Gaia recebe muitos turistas devido ao vinho do Porto, independentemente da qualidade urbana da área onde se situam. Foram as empresas do vinho do Porto as responsáveis pela atracção turística ainda antes de o poder politico considerar o valor patrimonial da mesma. O património monumental, não contribui para o fluxo tão acrescido de visitantes, na medida em que não parece estar a ser explorado do ponto de vista do turismo. De entre o património classificado do concelho, dois dos três Monumentos Nacionais situamse no Centro Histórico, sendo eles: a igreja e o claustro do Mosteiro da Serra do Pilar e a Ponte D. Maria Pia. No que concerne aos Imóveis de Interesse Público, estão classificados seis do total de catorze existentes no concelho, que são: a Sala do Capítulo, o refeitório, a cozinha, a torre e a capela do Mosteiro da Serra do Pilar; o Paço de Campo Bello, incluindo a capela e todo o conjunto circundante; a Casa Barbot; a Ponte D. Luís I; a Igreja de Santa Marinha; e a Estação arqueológica do Castelo de Gaia. Além deste património, há ainda património considerado de Interesse Concelhio e constando do

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Inventário do Património Construído de Vila Nova de Gaia. Estão situados no Centro Histórico de Gaia: a Casa dos Maravedis; o Pelourinho de Vila Nova de Gaia; o Mosteiro de Corpus Christi; e o conjunto formado pelo Convento de Santo António de Vale de Piedade, incluindo o claustro, os jardins, os bosques e as construções existentes dentro da cerca. A intervenção da Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia na defesa do património do Centro Histórico e na dinamização desta área, parece sobretudo recair nesta vertente de classificação e de elaboração de planos, de modo a proteger esta área relativamente a possíveis futuras obras. O que concerne a acções de reabilitação, o próprio município reconhece ter promovido apenas acções muito pontuais e de efeito reduzido. Segundo o Município os seus objectivos presentes passam por “(…) atacar programadamente quer os problemas e sócio-económicos dos espaços da população residente, e quer a qualidade da oferta turística e de lazer, quer a reabilitação ambiental patrimonial públicos, escarpas quarteirões residenciais, sem alteração significativa da morfologia e carácter arquitectónico da Frente ( Urbana da Ribeira) e do Castelo e encostas adjacentes.” A parte edificada mais modesta e também mais recente não tem sido objecto de operações de reabilitação, embora também não pareça que tenha modificado o aspecto geral da área. Foram escassos os edifícios construídos entre 1898 e 1994, os alojamentos foi reduzido cerca de 656 fogos em praticamente um século. Por sua vez, a construção de armazéns de vinho do Porto no Centro Histórico foram em maior número do que a restante área da freguesia.

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2- Vista da marginal de anónimo, século XIX

3- Vista sobre a marginal

A

importância quer

do

lazer/turismo oferta – pela

no

Centro

Histórico

é de

indiscutível,

pela

elevada

quantidade

estabelecimentos de equipamento de apoio turístico, quer pela procura, pelo elevado número de turistas recebidos nos armazéns do vinho do Porto. Os estabelecimentos de apoio turísticos estão voltados para o rio, abarcando toda a área ribeirinha, incluindo áreas que não tem mais nenhum tipo de estabelecimento. Quanto aos outros estabelecimentos, os armazéns de vinhos ocupam praticamente toda a área do Centro Histórico e o comércio a retalho, situa-se nas ruas que tinham a maior parte das actividades económicas em 1899, embora neste período existissem mais actividades de fabrico e reparação do que comerciais (Silva, 1898). A partir de 1982 o número de abertura de estabelecimentos de apoio turístico aumenta e diversificam-se, quer no Centro Histórico quer na área da freguesia de Santa Marinha. No Centro Histórico começam a surgir essencialmente bares e discotecas e fora desta área confeitarias. Quanto ao marketing turístico, nota-se o sucesso de concentração num motivo único, para formar uma imagem de marca facilmente reconhecível, que no caso do Centro Histórico de Vila Nova de Gaia são as caves de vinho do Porto.

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A importância do património na criação dessa imagem, no caso do Centro Histórico de Gaia, sucede se se considerar as caves como de vinho do Porto como património da área que convida os visitantes. Relativamente à população, sabe-se que a sua identidade está mais ligada ao rio do que propriamente ao património edificado. O núcleo antigo de Gaia está implantado numa elevação de 78 metros acima do rio Douro com uma área de cerca de 43.000 m2. As construções existentes afizeram-se à topografia do sitio, ladeiam esguios caminhos, de difícil acesso, que torneiam a elevação em movimento espiralado a partir de um pequeno largo no ponto mais elevado.

4- Carta do núcleo urbano do castelo de Gaia; Fonte: GAIURB

Os edifícios, de arquitectura modesta e fachada simples, com porta e janela, têm somente a função habitacional estando a maioria deles em avançado estado de degradação, isto porque estão arrendados ou desabitados. Vejamos o exemplo das imagens seguintes:

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5/6- Edifícios do núcleo urbano do Castelo de Gaia.

No conjunto habitacional, podemos encontrar disperso por todo o Centro Histórico os sóbrios solares da fidalguia, com as capelas privadas, e as casas de quinta do burguês industrial, ambas com coabitação com os armazéns de vinho. Edifício emblemático do património edificado do Centro Histórico de Gaia é o da empresa inglesa Sandeman, que constitui uma referência no cenário ribeirinho de Vila Nova Gaia em oposição a ribeira do Porto na outra margem do Douro.

7/8- Largo Miguel Bombarda e Casa Sandeman A arquitectura industrial presente no Centro Histórico tem uma aparência muito forte na imagem da encosta do território, impossibilitando a percepção da construção urbana. Os armazéns de 11

vinho

do

Porto

acatam

um

modelo

único

de

projecto,

cuja

configuração é consequência imediata da função para que foram criados. São edifícios muito simples no tratamento de fachada onde só têm lugar as portas e janelas. Os armazéns representam 0,5% da área pertencente ao Centro Histórico, mais do que as áreas dos núcleos urbanos. Estabelecidos a partir de 1756 quando Gaia foi, por decreto, feita depósito geral dos vinhos do Douro.

9/10- Fotografia do conjunto massificado de armazéns Parece fundamental após a apresentação dos armazéns,

apresentar um exemplo da tipologia dos armazéns.

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11- Planta e corte dos armazéns da Companhia Geral da Agricultura das Vinhas do Alto Douro; Fonte: Extinto Gabinete de Gestão do Património de VHG

Deixemos um excerto de Choay sobre a indústria patrimonial “(…) A industria patrimonial aperfeiçoou os procedimentos de emblagem que permitem entregar, também eles, os centros e bairros antigos, prestes ao consumo cultural. Estados e municipalidades recorrem-lhe, com reserva e discrição, ou liberalmente, em função das suas escolhas sociais e politicas mas sobretudo, de acordo com a natureza (dimensões, carácter, recursos) do produto a lançar e de acordo com a importância relativa das receitas adiantadas. Um arsenal de dispositivos testados permite atrair os amadores, retê-los, organizar a economia do seu tempo, desviá-los para a familiaridade e o conforto: … estereótipos de pitoresco urbano … vasos de flores rústicos e arbustos internacionais... estereótipos do lazer urbano … sob todas as suas formas, regional, exótica, industrial, o restaurante. (…)”(1)

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(1) CHOAY, Françoise – A Alegoria do Património, Lisboa: Edições 70 - 2000, p.196

Politicas e Estratégias Públicas
Área Critica de Recuperação e Reconversão Urbanística de Vila Nova de Gaia Este programa também conhecido por “Masterplan” levado a cabo em 2006 pela Parque Expo constitui uma estratégia operativa para a área critica urbanística de Gaia. A estratégia passa por cinco factores: Organização dos Fluxos; Espaço Público e Estrutura Verde; Edificado e Usos; Equipamentos; Património. Quanto à organização dos fluxos têm como estratégia, novas travessias pedonais do Douro (paralela à Ponte D. Luís I / Av. Diogo Leite – Praça da Ribeira/ Largo Cruz – Alfândega do Porto/ Reabilitação da Ponte D. Maria I. Como meios mecânicas de aproximação da cotabaixa à cota- alta, através de teleféricos, elevador e escadas rolantes. Novos meios de transporte público, transporte público ligeiro e transporte fluvial regular. Interface intermodal através de comboios,

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metro,

autocarros,

táxis.

Por

fim

construção

de

parques

de

estacionamento, tanto para ligeiros como para pesados. A estratégia para os espaços públicos e estrutura verde passa por novos espaços de estadia e sociabilidade, apoiadas em unidades comerciais e culturais, tirando partido da morfologia da cidade e sistemas de vistas; requalificação e revitalização da frente ribeirinha e sua relação com o rio; renaturalização das áreas mais vulneráveis; abertura de áreas verdes privadas à utilização publica, potenciando actividades de recreio, estadia e lazer; requalificação da linha de água de Devesas estruturando um corredor verde de ligação. Relativamente ao “Edificado e Usos”, pretende-se manter a actividade de produção do vinho do Porto; desenvolver-se o turismo associado à actividade das caves – pólo enoturismo de excelência (Hotel Charme/três equipamentos hoteleiros na zona das caves/empreendimento turístico ligado a equipamento náutico). Reabilitação de áreas habitacionais degradadas consolidando a malha urbana existente; construção de novos núcleos habitacionais promovendo a fixação da população; construção de habitação qualificada em áreas de caves desocupadas; centro comercial a céu aberto e implantação de pequenas unidades comerciais de carácter cultural ao longo dos principais eixos pedonais. A estratégia operativa no que toca aos equipamentos, passa pelo Centro interpretativo do vinho com recurso a novas tecnologias (reabilitação do edifício do actual mercado); criação de um pólo cultural nas antigas instalações da Companhia Real Vinícola; reabilitação do Convento Corpus Christi e readaptação de velhas estruturas vinícolas a ateliers de carácter artístico; construção do Museu Militar e do grande auditório; reabilitação do conjunto edificado do Centro Cultural, Recreativo e Cultural da Beira- Rio; concentrar a totalidade do ensino básico do 1º ciclo na zona de intervenção; museu vivo subordinado à história do barco rabelo e por fim considerado como âncora o Centro de Congressos.

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Quanto ao património, a estratégia operativa passa pela cultura do vinho; as caves; o Convento da Serra do Pilar; Convento do Corpus Christi; Castelo de Gaia; Igreja de Santa Marinha; Igreja do Senhor do Além; Quinta do Mirante; Ponte D. Luís I; Roteiro da lenda de Gaia e por fim as colectividades

Unidades Operativas de Reabilitação

A área de intervenção do Masterplan está dividida em seis Unidades Operativas de reabilitação, a primeira das quais corresponde à zona do Cais de Gaia e das Caves do vinho do Porto e ocupa cerca de 50% do total, desenvolvendo-se ao longo de 77,5 ha. Para estabelecer as potencialidades de desenvolvimento e requalificação o plano inclui a avaliação do estado em que se encontra o edifício, na sua maioria em mau estado de conservação. Na zona de intercessão é possível encontrar Imóveis do século XVIII, cerca de 3%. Os números do Masterplan apontam para a reabilitação de 308.000m2, ou seja 355 da área total de intervenção, e de 182.000m2 de áreas devolutas ou degradas. Esta área integra-se num concelho com cerca de 290 mil residentes e num pólo turístico de elevado potencial, centrado, principalmente, na história do vinho do Porto, da qual as cves são o principal atractivo.

Dificuldades a ultrapassar

Para que a requalificação seja um sucesso, há necessidade de se resolver alguns problemas, entre os quais os difíceis acessos, a não especialização dos tráfegos, o condicionamento da circulação e as dificuldades de conexão entre as cotas alta e baixa. O Masterplan refere que o facto do lado norte da área de intervenção apresentar pouca exposição solar e de faltarem espaços públicos de referência

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na zona histórica. É deste modo que propõe criar um centro comercial a céu aberto, apoiado por pequenas unidades comerciais de carácter cultural a distribuir pela zona pedonal. A criação de hotéis de charme, como foi referido já anteriormente é uma das medidas preconizadas. A história do vinho do Porto é importante para o turismo de Gaia, pelo que o Masterplan defende a criação de um centro interpretativo e de um pólo cultural a ela associados, devendo este último ser instalado no velho espaço da Real Companhia Velha. Em 2006 estava também planeado a construção de uma área museológica dedicada à história do barco rebelo, bem como a reabilitação do Convento Corpus Christi, que irá receber o Centro de congressos. Por último, este plano permite dar-nos conta que a principal artéria da frente ribeirinha do Centro Histórico é a Avenida Diogo Leite que apresenta um dos conjuntos mais notáveis de toda a área de intervenção. Por sua vez, as caves do vinho do Porto situam-se na Rua Serpa Pinto, classificada como uma artéria de boas acessibilidades, mas com alguns problemas de segurança. Os maiores problemas estão na Serra do Pilar, nos seus acessos, na segurança, conforto, resistência e sustentabilidade. A elaboração do Masterplan resultou de um contrato efectuado entre a Empresa municipal Gaia Social e a Parque Expo´98, no início do ano 2006. O estudo prevê a conclusão das obras no prazo de seis anos, deste modo, ainda não nos podemos debruçar nas modificações práticas que este plano teve. No entanto, percebemo-nos na preocupação crescente que os Municípios têm vindo a ter com os Centros Históricos. O facto é que cada vez mais as verbas disponibilizadas são escassas, o que leva muitos municípios a empregarem as suas verbas onde há mais pessoas, nas periferias. Segundo Rolando Borges Martins, do Conselho de Administração da Parque Expo, o Masterplan é “modelo de intervenção estratégica e representa uma estratégia que mais que reabilitar, pretende

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revitalizar a zona, criar novas funções e rechamar gente para viver nesses espaços”. Trata-se “apenas a primeira fase de um trabalho que terá concretização durante largos anos num terreno extenso e complexo”. O principal objectivo é a fixação da população na zona ribeirinha. Luís Filipe Menezes afirmou a intenção de fixar a população original e recordou os investimentos realizados nos últimos oito anos, sem os quais “já não haveria ninguém no Centro Histórico”, como o Cais de Gaia e a recuperação das Ruas Diogo Leite, Cândido dos Reis e General Torres. “As pessoas tem de ficar cá e as que saírem de casas degradadas e abandonadas têm que voltar. Sem população o Centro Histórico perderia a identidade que faz dele um dos locais mais interessantes da Área Metropolitana do Porto. Programa Polis A Intervenção do Programa Polis em Vila Nova de Gaia é mais um plano coordenado pelo Parque Expo. Representa uma enorme operação de requalificação urbana e ambiental da zona ribeirinha entre a ponte de S. João e o Cabedelo e na orla marítima até a rua do Thom, que terá um forte impacte na melhoria da qualidade de vida dos habitantes desta cidade e que tem como principais objectivos: Requalificação da frente ribeirinha; Reestruturação urbana da Afurada; Criação de novas áreas verdes e o ordenamento territorial de áreas de crescimento. Quanto ao primeiro objectivo pretende-se construir uma faixa ribeirinha altamente qualificada que proporcione o contacto e usofruto da margem do rio Douro e promova, através da construção de uma ciclovia, o desenvolvimento de novos hábitos de lazer; o segundo objectivo passa pela revitalização de um núcleo piscatório, através da ampliação e requalificação do Porto de pesca e construção de novos armazéns para apoio à actividade, da beneficiação dos espaços públicos e do seu enquadramento turístico; o terceiro objectivo pretende-se qualificar e criar extensas áreas verdes para

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fruição da população e por outro lado desempenhar uma função de descompressão territorial; o último objectivo pretende desenvolver operações de ordenamento de áreas edificadas, ou por edificar, para promover a sua integração urbana e paisagística da frente ribeirinha. Estas acções terão maior destaque no Centro Histórico. O Programa Polis vai alterar toda a zona ribeirinha, entre a Ponte do Infante e Lavadores. A sua requalificação do centro urbano da Afurada, a construção de uma praia artificial, que permita a prática de surf durante o ano todo, e a criação de um centro de educação ambiental vir para os estuários são algumas das intervenções previstas num plano orçado em cerca de 40 milhões de euros, de fundos públicos, mas que vai potenciar investimentos privados num montante de cerca de 500 mil a um bilião de euros. O Programa Polis divide-se em várias áreas, cada uma delas entregue a um arquitecto. O Centro Histórico terá como arquitecto Pedro Ramalho. O seu plano de pormenor prevê para o jardim do Morro um complexo que engloba um parque de estacionamento com ligação directa ao Metro e uma galeria comercial que acompanha as escadas rolantes de ligação à cota baixa. A nascente da cidade, no remate das pontes do Infante e D. Maria, irá nascer um novo centro de actividade, que incluirá habitação, comércio e serviços. Junto ao rio serão reabilitados equipamentos com grande potencialidade turística, entre os quais o Convento Corpus de Christi e diversos armazéns do vinho do Porto. O Metro de superfície será o equipamentoâncora da interposição em dois locais, na Arrábida e para o caso que nos interessa, os Centros Históricos. Pretende-se libertar a zona ribeirinha do trânsito automóvel, em condições cómodas. No que concerne ao Centro Histórico, será intervencionada toda a escarpa, entre a Ponte D. Luís e a Ponte do Infante, ocupada por habitações e por casa em deficientes condições de segurança. A população será realojada a leste da Ponte do Infante e a encosta transformar-se-á em zona verde, com percursos pedonais. A escarpa que desce até as caves,

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será também recuperada, já que é considerada “degrada urbanística e miséria”. (2)

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(2) Alteração depende da adesão do sector privado, já que o investimento do Polis se feito apenas na cota baixa.

Conclusão
Foram duas as intervenções coordenadas pela Parque Expo no Município de Vila Nova de Gaia. O Estudo de Enquadramento Estratégico dos 152 hectares que integram a Área Crítica de Recuperação e Reconversão do Centro Histórico de Vila Nova de Gaia e a coordenação do Programa Polis.

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No mundo actual, com vista a um aproveitamento turístico, a prática de reabilitação e conservação dos centros históricos tornou-se numa preocupação político-social de demarcação de identidade e de autenticidade das nações. A evolução do conhecimento técnico e científico, aplicado ao processo de reabilitação, proporcionou a resposta ao problema de conseguir conforto e modernidade no centro histórico, aproximando entidades públicas e privadas em prol do ideal de preservação do património arquitectónico, seja um monumento nacional ou um simples prédio rural. O vinho do Porto é o motivo principal das visitas ao Centro Histórico de Vila Nova de Gaia, acolhendo as caves cerca de meio milhão de visitantes por ano. A abertura das caves ao turismo ocorreu em 1913. Desde 1982, esta área tem uma elevada percentagem e distribuição de estabelecimento de equipamento de apoio turístico comparativamente aos outros tipos de estabelecimento, distinguindose de outras áreas de freguesia. Em conclusão, podemos dizer que o principal factor de atracção ao Centro Histórico de Vila Nova de Gaia é as caves do vinho do Porto. Como podemos ver a iniciativa para atrair turistas às caves começou por iniciativa dos seus proprietários. Posteriormente a Câmara ao ver a importância do Centro Histórico, começou a desenvolver políticas e estratégias. Como em muitos Centros Históricos, também o de Gaia tem o problema de atrair pessoas para o centro, para dinamizar o espaço. Alguma coisa se tem estado a desenvolver na Câmara, no sentido de afixar as pessoas aquela área. Françoise Choay descreve no seu livro, A Alegoria do Património, como “o culto da cultura”. É deste “culto” que o turismo cultural sobrevive e faz sobreviver o património edificado, num compromisso de parceria eterna. “ (...) os monumentos e o património históricos adquirem um duplo estatuto. São obras que dispensam saber e prazer, colocadas à disposição de todos mas

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também produtos culturais, fabricados, embalados e difundidos tendo em vista o seu consumo. (...) “ (CHOAY, 2000: p. 185) Sem necessitar de adquirir bilhete de entrada e permissão para fotografar e/ou filmar, as cidades históricas estão muito mais expostas a todo o tipo de fruição e usufruição do que outros bens culturais, como observa Choay. Esta exposição aberta coloca interrogações sobre a forma de reverter a exploração turística em favor da preservação do património edificado. Este Centro Histórico, como podemos constatar é importantíssimo, sobretudo economicamente, chama os turistas para a zona, sobretudo a das caves. Os turistas, comerciantes e moradores deparam-se com muitas dificuldades nos Centros Históricos, desde os parques de estacionamento a mobilidade dentro do Centro. Espero neste trabalho ter respondido a todas as propostas colocadas pelo professor.

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Bibliografia
CHOAY, Françoise – A Alegoria do Património, Lisboa: Edições 70, 2000

FERREIRA, Eduarda Lago – Apontamentos sobre o lazer e o património urbano edificado no centro histórico de Vila Nova de Gaia, Revista da Faculdade de Letras – Geografia I, vol. XV/XVI, Porto, 2000

HENRIQUES, Cláudia – Turismo, Cidade e Cultura: Planeamento e gestão de sustentável, Lisboa: Edições Sílabo, 2003

MUMFORD, Lewis – A Cidade na história: suas origens, transformações e perspectivas. S. Paulo: Martins Fontes Editora

Referência electrónica: www.amigaia.pt www.parqueexpo.pt 23

www.ippar.pt www.aecops.pt www.cmteixeiralopes.gaianima.pt

Anexo:

1. Carta aéreofotogramétrica do Cento Histórico de Vila Nova de Gaia; Fonte: GAIURB

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2. Gaia, rio Douro e Porto – 1669 – aguarela de Pier Maria Baldi Fonte: Biblioteca Laurenziana em Florença

3. Modelo espacial da cidade pós-moderna; Fonte: HENRIQUES, 2003

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4. Vista Panorâmica actual sobre Vila Nova de Gaia

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