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Capítulo 3: Curvas Características de Bombas Centrífugas

Curvas Características e Associação de


Bombas em Serie e em Paralelo

3-1
Capítulo 3: Curvas Características de Bombas Centrífugas

3.1 Fluxo de Energia e Rendimentos

Considerando o fluxo de energia transferido da bomba para o fluido, se observa que existem diversas
formas de dissipação de energia, desde a energia inicial do motor que aciona a bomba até a energia final
absorvida pelo fluido (Fig.3.1). O motor apresenta uma energia motriz (Hm) que deve ser transferida ao rotor.
Como o sistema mecânico de acoplamento e transmissão não é perfeito existirá uma dissipação mecânica de
energia quantificada como perda mecânica (∆hm). A energia efetivamente absorvida pelo rotor é
denominada energia de elevação (Ht#) sendo relacionada com a energia motriz pelo rendimento mecânico
(ηm). Devido à dissipação de energia no interior da bomba (por atrito e recirculação de fluxo) a energia do
rotor (Ht#) não é transferida totalmente ao fluido sendo as perdas quantificadas como perdas hidráulicas
(∆hh). A energia transferida do rotor ao fluido é relacionada pelo rendimento hidráulico. Além disto, parte da
vazão que entra na bomba recircula na mesma e escapa por má vedação. Isto se quantifica considerando um
rendimento volumétrico (ηv). A energia realmente absorvida pelo fluido é denominada altura manométrica
(Hman), reconhecida como a energia final do fluxo energético do sistema de bombeamento. O rendimento
global (ηG) quantifica a relação entre energia final (Hman) (absorvida pelo fluido) e a energia motriz para
acionamento da bomba (Hm).

Figura 3.1 Relações entre rendimentos e alturas de uma bomba.

3.2 Rendimentos

Rendimento Mecânico
Relação entre a altura de elevação e altura motriz. Também relaciona a potência de elevação e a
potência motriz. Esta última conhecida como potência de acionamento do motor da bomba.

Ht #
ηm = (1)
Hm

valores típicos de 92 a 95% encontram-se nas bombas modernas, sendo que os valores maiores
correspondem às bombas de maiores dimensões.

Rendimento Hidráulico
A altura teórica de elevação (Ht#) não é aproveitada totalmente na elevação do fluido (Hman). Uma
parte é perdida para vencer as resistências ou perdas hidráulicas denominadas ∆hh .
Sistemas Fluidomecânicos

H t # = H man + ∆hh (2)

O rendimento hidráulico é definido como a relação entre a altura manométrica (Hman), que representa a
energia absorvida pelo fluido, e a altura teórica de elevação para número finito de pás (Ht#), que representa
a energia cedida pelo rotor ao fluido:

H man H man
ηh = desta forma ηh = k pfl (3)
Ht # H too

Valores estimados do Rendimento Hidráulico.


50 a 60%: Bombas pequenas, sem grandes cuidados de fabricação com caixa tipo caracol.
70 a 85% : bombas com rotor e coletor bem projetados, fundição e usinagem bem feitas.
85% a 95% : Para bombas de dimensões grandes, bem projetadas e bem fabricadas.

Pode ser utilizada a seguinte expressão de Jekat considerando a vazão em m3/s.

0,071
ηh = 1 − (4)
Q 0.25

Obs. Em fase de projeto pode ser estimado entre 85% a 88%.

Rendimento Volumétrico
Existe no rotor uma pequena quantidade de fluido que recircula na carcaça (q) e que pode escapar
por má vedação. O rendimento volumétrico relaciona a vazão que efetivamente escoa pelo recalque (Q) e a
vazão que passa pelo rotor, recircula e escapa por deficiência na vedação (Q´=Q+q). ηv=Q/Q´. As bombas
centrífugas podem ter um ηv na faixa de 85 a 99%.

Rendimento Total ou Global


Relação entre a energia realmente cedida pelo rotor ao fluido (útil) e a energia necessária para
movimentar o rotor. Relaciona de forma equivalente a potência útil com a potência motriz.

H man
ηG = (5)
Hm

Quando se consideram perdas volumétricas, o rendimento total é dado como:

η G = η mη vη h Caso contrário fica como: η G = η mη h (6)

• Em bombas de grande porte o rendimento global pode ultrapassar 85%.


• Nas bombas pequeno porte, dependendo do tipo e condições de operação, pode cair até menos de 40%.
• Uma estimativa razoável é considerar 60% em bombas pequenas e 75% em bombas medias.

Rendimento Global (%) – O rendimento global depende da bomba sendo uma informação dada pelo
fabricante. Pode-se utilizar como ordem de grandeza a seguinte expressão:

ηG = 80 − 0,9367H + 5,46x10−3 QH − 1,514x10−5 Q2 H + 5,802x10−3 H 2 − 3,028x10−5 QH2 + 8,346x10−8 Q2 H 2


(7 )
3
Onde: Q: vazão (m /h ); H: altura manométrica (m) Validade: 20 < Q < 250 15 < H < 100
Capítulo 3: Curvas Características de Bombas Centrífugas

Potência de acionamento

A potência requerida para o acionamento da bomba é dada pela expressão:

ρgH man Q
W& ac = (8)
ηG

Nota1: A altura útil de elevação foi definida (no texto de Macintyre) como:

V32 − V02
H u = H man +
2g

se os diâmetros das tubulações de entrada D0 e de saída D3 na bomba são iguais, então podemos considerar
que Hu=Hman.

3.3 Curvas Reais de Altura - Vazão (H-Q)

Foi analisada teoricamente a importância da curvatura das pás na curva característica de H-Q. Contudo estas
curvas reais sofrem modificações devido aos efeitos do número finito de pás e à dissipação da energia.
As curvas reais de H-Q são diferentes devido aos seguintes efeitos:

Número finito de pás


A espessura das pás provoca um desvio das trajetórias das velocidades à saída das pás, variando a
componente meridiana da velocidade. Isto faz com que Hreal seja menor do que Ht00 . Desta forma, na origem
o valor de Hreal, é menor que o termo U2/g iniciando as curvas numa ordenada inferior a U2/g. (Fig.3.2).

2. Dissipação de Energia
Devido ao atrito do fluido no rotor por:
• Imperfeita condução das veias de fluido
• Transformação da elevada parcela de energia cinética em energia de pressão.

Choques: Mudanças bruscas de direção do escoamento na entrada e saída do fluido.


Fugas: Do fluido nos interstícios, labirintos e espaços entre o rotor e o difusor e coletor.

Figura 3.2 Altura de elevação para diferentes tipos de pá com dissipação de energia.
Sistemas Fluidomecânicos

3.4 Curvas Reais de Altura - Vazão (H-Q)

A Fig. 3.3 representa uma curva característica de H-Q de bomba centrífuga onde se mostram os
diferentes efeitos provocados pela turbulência, atrito e pelo efeito de recirculação do escoamento. Devido a
isto, a curva teórica modifica-se se transformando numa curva real.

Figura 3.3 Curva característica de bomba centrífuga.

3.5 Curvas Características de Bombas Centrífugas


Representam o comportamento real das bombas mostrando o relacionamento de interdependência entre as
grandezas características (Fig. 3.4). Os fabricantes fornecem estas curvas obtidas experimentalmente em
laboratório. Os principais gráficos apresentados são:

• Hman-Q : Variação da altura manométrica em função da vazão


• η-Q: Variação do rendimento global em função da vazão
• W-Q: Relação entre a potência requerida no acionamento e a vazão.
• NPSH-Q Variação do Net Posistive Suction head (altura líquida positiva de sucção) e a vazão.

Obs: NPSH representa a energia que a bomba requer para aspirar o líquido.
O fabricante pode fornecer esta informação numa curva única tal como representado na Fig.3.4.

Figura 3.4 Conjunto de curvas características apresentadas por fabricantes.


Sistemas Fluidomecânicos

3.7 Ponto de Operação das Bombas

Tipo de Curva (H-Q) Ascendente.


A Fig.3.6 mostra como varia a altura manométrica (Hman), a potência no eixo (Peixo) e o rendimento global de
uma bomba que opera numa dada rotação em função da vazão (Q). Se observa que a curva de Hman aumenta
quando a vazão diminui. Isto caracteriza uma bomba com curva de carga ascendente. Bombas com curvas
opostas a esta se denominam curvas de carga descendentes.

Altura ou Carga de Shutoff


Denomina-se a carga (altura) desenvolvida quando a vazão é nula (Q=0), e representa a carga de pressão
com a válvula de descarga fechada. Como não há escoamento a eficiência é nula (η=0) e a potência
fornecida à bomba é totalmente dissipada em forma de calor. É uma situação que pode ocorrer e deve ser
evitada no funcionamento de bombas.

Figura 3.6 Ponto de operação de bomba centrífuga.

Ponto Ótimo de Funcionamento


Observa-se que quando a vazão aumenta a partir da vazão nula, a potência de acionamento da bomba
aumenta, atinge um máximo e apresentando uma queda nas proximidades da descarga máxima. A Fig.3.6
mostra que o rendimento da bomba é função da vazão e que atinge um máximo numa determinada vazão
denominada vazão de projeto, (QProjeto) , vazão de normal (Qnormal) ou vazão ótima (Qotima) Por isto é muito
importante que a bomba, sempre que possível, opere numa condição próxima do rendimento máximo.
Capítulo 3: Curvas Características de Bombas Centrífugas

3.8 Outras Representações de Curvas Características

Diferentes tipos de rotores podem ser utilizados num determinado corpo. Por isto os fabricantes de
bombas fornecem as curvas do comportamento de vários conjuntos de rotores (para um mesmo corpo) num
único gráfico, tal como mostrado na Fig.3.7. Observa-se que a bomba, dependendo do diâmetro, apresenta
curvas H-Q diferentes. Também mostra que o rendimento da bomba apresenta faixas de valores diferentes
(curvas de iso-rendimento) dependendo da solicitação do sistema, isto é da H-Q requerido. Na Fig.3.7
também é representada a curva NPSH (altura positiva liquida de aspiração) e a curva de potência de
acionamento da bomba. A Fig.3.8 mostra um gráfico com toda a faixa de operação de famílias de bombas
centrífugas de determinado fabricantes. Se o ponto de operação requerido num sistema de bombeamento está
dentro da área demarcada significa que uma das bombas de este fabricantes pode suprir tal necessidade de
operação.

Figura 3.7. Curva de bomba para diferentes diâmetros do rotor

Figura 3.8 Exemplo de faixa de operação de famílias de bombas centrífugas


Sistemas Fluidomecânicos

3.9 Identificação Variáveis nas Curvas Características.

A Fig. 3.9 mostra as curvas típicas de bombas centrifugas. Observa-se no gráfico superior que existem 05
curvas de altura manométrica (Head) versus vazão (flow rate) correspondente a 05 rotores (impeller) com
diâmetros diferentes. Mostram-se também na mesma figura as curvas de iso–rendimento. Na figura inferior
as respectivas 05 curvas de potência de acionamento para os 05 rotores. Na figura intermediaria mostra-se a
curva de NPSH que representa a altura positiva liquida de aspiração condição para não ocorrer cavitação
cujo detalhamento será abordado no Cap.8.

Figura 3.9 Exemplo de faixa de operação de famílias de bombas centrífugas


Capítulo 3: Curvas Características de Bombas Centrífugas

Utilizando os gráficos da Fig.3.9 podemos realizar algumas considerações. Se por exemplo um sistema deve
operar com uma vazão de 150 m3/h e uma altura manométrica de 62m, então a o rotor com diâmetro de 219
mm satisfaz tal operação. Neste ponto o rendimento global da bomba é um pouco menor que 80%. Observa-
se que para esta vazão o rotor de diâmetro de 219mm requer uma potencia de acionamento de pouco mais de
32 kW. Os fabricantes apresentam as curvas características levantadas utilizando água com massa especifica
padrão (ρ=1000 kg/m3); desta forma podemos verificar a potência utilizando a expressão:

kg m 150 m 3
1000 x 9,81 x 62 mx
ρgH manQ m3 s2 3600 s = 31,68kW
W& ac = =
ηG 0,8 x1000

Observamos que este valor é muito próximo ao especificado pelo fabricante. Tomemos outro
exemplo em que se deseje operar um sistema com uma vazão de 200m3/h e altura manométrica de 44m.
Utilizando o mesmo gráfico da Fig.3.9 observa-se que o ponto de operação desejado se encontra entre as
curvas dos rotores com diâmetro de 199mm e de 208mm. Observa-se que rotor de 199mm não consegue
atender esta demanda já que a sua altura manométrica (43m) é inferior a altura manométrica requerida. No
caso do rotor de 208mm este consegue atender com muita folga já que para esta vazão sua altura
manométrica é de 50m. No caso em que o ponto de operação não coincide com um ponto na curva
característica de um determinado rotor os fabricantes podem apresentar alternativas de realizar corte nos
rotores a fim de ajustar o ponto de operação desejado.

Existem fabricantes que apresentam esta informação em catálogos iterativo na internet nos quais o
usuário precisa fornecer os dados requeridos para o sistema (altura,vazão) sendo o resultado mostrado com
gráficos que apresentam o ponto de operação com o respectivo rotor cortado para a demanda especifica. Por
exemplo, desejamos que um sistema opere com uma vazão de 50m3/h e uma altura manométrica de 20m. O
resultado do processo iterativo é mostrado na Fig.3.10 onde a bomba com corte do rotor apropriado deverá
utilizar um rotor com diâmetro de 229mm motor, potência de 7,5HP, apresentando um rendimento de 67%.
Desta forma o diâmetro de 229mm corresponde ao diâmetro de corte do rotor proporcionado pelo fabricante
para ajustar-se ao ponto de operação desejado.

Figura 3.10 Exemplo de seleção de bomba centrífuga


Capítulo 3: Curvas Características de Bombas Centrífugas

3.11 Associação de Bombas em Série

• São utilizadas em instalações que requerem resolver problemas de alturas elevadas.


• Empregadas em condições de alta pressão ou quando se requer grandes mudanças de altura manométrica.
• As bombas utilizadas podem ser iguais ou diferentes
• Neste tipo de conexão as bombas trabalham com a mesma vazão, sendo que a altura manométrica é
determinada pela contribuição das altura manométricas de cada uma das bombas.
• Bombas em estágio são consideradas bombas em série e utilizadas quando Hman é maior que 50m.

Para obter a curva resultante de uma conexão em série de duas bombas A e B devemos conhecer suas curvas
características. Considerando uma série de n pontos podemos determinar para ponto de igual vazão a altura
manométrica de cada bomba podendo ser elaborada uma tabela com representado a seguir.
Para determinar curva característica das duas bombas conectadas em série adicionam-se as alturas
manométricas de cada bomba H para cada vazão considerada. Por exemplo, para um ponto i

QSi = Q Ai = QBi

H Si = H Ai + H Bi

η1η 2 (H 1 + H 2 )
Rendimento de duas bombas em série: ηT =
H 1η 2 + H 2η1

Figura 3.20 Conexão de Bombas em Série

Curva característica:

01 Bomba H A = H 0 − AQ 2

02 bombas A e B iguais associadas em série: H S = H A + H B = 2 H A


H S = 2 H o − 2 AQ 2
Sistemas Fluidomecânicos

3.11.1 Curva característica de bombas em serie

Consideremos duas bombas diferentes A e B.

H A = a 0 − a1Q A − a 2 Q A2

H B = b0 − b1Q B − b2 Q B2

Para conexão em série:

HS = H A + HB QS = Q A = Q B = Q

Desta forma obtemos:

H S = (a 0 + b0 ) − (a1 + b1 )Q − (a 2 + b2 )Q 2

Duas bombas iguais

H s = 2a 0 − 2a1Q − 2a 2 Q 2

H S = 2(a 0 − a1Q − a 2 Q 2 )

H S = 2H A

Para duas bombas iguais um caso simplificado é dado por:

a0 = H 0
a1 = 0
a2 = A

H s = 2a 0 − 2a1Q − 2a 2 Q 2

H s = 2 H 0 − 2 AQ 2
Capítulo 3: Curvas Características de Bombas Centrífugas

3.11.2 Rendimento de duas bombas em série

Consideremos o caso de duas bombas diferentes A e B conectadas em serie:

Na conexão em série a potencia total é a soma das potencias parciais de cada bomba:

W& S = W& A + W& A

onde:

ρgH S QS ρgH A Q A ρgH B QB


W& S = W& A = W& B =
ηS ηA ηB

como:

QS = Q A = Q B = Q

ρgH S Q ρgH A Q ρgH B Q


= +
ηS ηA ηB

HS HA HB
= +
ηS ηA ηB

como:

HS = H A + HB

Desta forma:

(H A + H B ) = H A +
HB
ηS ηA ηB

(H A + H B ) = H Aη B + H Bη A
ηS η Aη B

Finalmente de obtém:

ηS =
(H A + H B )η Aη B
H Aη B + H Bη A
Sistemas Fluidomecânicos

3.12 Associação de Bombas em Paralelo

• Utilizada em sistemas onde se requer aumentar a vazão e tendo flexibilidade em relação à demanda
podendo conectar ou desligar unidades em funcionamento.
• Devido à existência de perdas de carga, a vazão resultante da associação de bombas em paralelo é sempre
menor que a soma algébrica da vazão de cada uma das bombas funcionando isoladamente.
• Recomenda-se utilizar bombas iguais para evitar recirculação de correntes desde a bomba de maior
potência para a de menor potência.
• Bombas de aspiração dupla ou de entrada bilateral (rotor germinado) trabalham como bombas em
paralelo.

Conhecida a curva característica das duas bombas associadas em paralelo pode ser determinada a curva
característica das bombas trabalhando separadas. Para um ponto “i” vazão e altura pode ser determinada
como:

QPi
Q Ai = QBi =
2

H Ai = H Bi = H Pi

Rendimento de duas bombas em paralelo:

η1η 2 (Q1 + Q2 )
ηT =
Q1η 2 + Q2η1

Figura 3.21 Conexão de Bombas em Paralelo

Curva característica:

01 Bomba H A = H 0 − AQ A2
2
Q A 2
02 bombas A e B iguais associadas em paralelo: H P = H 0 − A  ou HP = H0 − Q
2 4
Capítulo 3: Curvas Características de Bombas Centrífugas

3.12.1 Curva Característica de Bombas em Paralelo:

Consideremos duas bombas diferentes A e B conectadas em paralelo.

H A = a 0 − a1Q A − a 2 Q A2

H B = b0 − b1Q B − b2 Q B2

Para conexão em paralelo:

QP = Q A + QB HP = HA = HB

Considerando a bomba A:

H P = a 0 − a1Q A − a 2 Q A2

Duas bombas iguais:

QP = 2Q A e desta forma: Q A = Q p / 2

Substituindo na equação da altura:

a1 a
H P = a0 − Q p − 2 Q p2
2 4

Para duas bombas iguais um caso simplificado é dado por:

a0 = H 0
a1 = 0
a2 = A

A 2
HP = H0 − Qp
4
Sistemas Fluidomecânicos

3.12.2 Rendimento de Duas Bombas em Paralelo

Consideremos o caso de duas bombas diferentes A e B conectadas em paralelo:

Na conexão em paralelo a potência total é dada por:

W& P = W& A + W& A

onde:

ρgH P Q p ρgH A Q A ρgH B QB


W& p = W& A = W& B =
ηp ηA ηB

como as bombas estão conectadas em paralelo:

HP = HA = HB = H e QP = Q A + QB

Desta forma:

ρgHQP ρgHQ A ρgHQ A


= +
ηS ηA ηB

QP QA QA
= +
ηP ηA ηB

(Q A + QB ) = Q A +
QB
ηP ηA ηB

(Q A + QB ) = Q Aη B + QBη A
ηS η Aη B

Finalmente de obtém:

ηP =
(Q A + QB )η Aη B
Q Aη B + QBη A
Capítulo 3: Curvas Características de Bombas Centrífugas

3.13 Exemplo – Bombas Conexão em Serie e em Paralelo

A tabela abaixo fornece os dados de altura manométrica e vazão da curva característica de uma bomba
centrifuga. A partir destes dados tabele e grafique o resultado de 02 bombas iguais conectadas em serie e de
02 bombas iguais conectadas em paralelo.
3
Q (m h) 0 40 80 120 160 200
H (m) 32,5 32 30,5 28 24,5 20

Solução: No caso da conexão em serie somamos as alturas e mantemos a vazão. Por exemplo, para uma
vazão de 80 m3/h e altura de 30,5m temos Qs=Q=80m3/h e para altura Hs=2H=2*30,5m=61m. No caso da
conexão em paralelo a vazão é adicionada mantendo a mesma altura. Para o mesmo exemplo
Qp=2*Q=2x80=160 m3/h sendo que HP=H=30,5m. O mesmo pode ser realizado para os demais pontos da
tabela. O resultado gráfico mostra-se na figura abaixo.
3 3 3
Q (m h) H (m) Qs (m h) Hs (m) Qp (m h) HP (m)
0 32,5 0 65 0 32,50
40 32 40 64 80 32,00
80 30,5 80 61 160 30,50
120 28 120 56 240 28,00
160 24,5 160 49 320 24,50
200 20 200 40 400 20,00

80
Duas Bombas Iguais em Serie
70

60
Altura Manometrica (m)

50

40

30

20

10

0
0 25 50 75 100 125 150 175 200 225
Vazão (m3/h)

40
Duas Bombas Iguais em Paralelo
35
Altura manometrica (m)

30

25

20

15

10

0
0 50 100 150 200 250 300 350 400 450
Vazão (m3/h)

Figura 3.22 Resultado da conexão de 02 bombas iguais em serie e em paralelo


Sistemas Fluidomecânicos

3.14 Exemplo - Conexão Paralelo

Considere que a figura abaixo representa a curva característica resultante de duas bombas iguais conectadas
em paralelo. Grafique a curva característica de uma única bomba junto com a conexão das duas em paralelo.

18
H (m)
02
16
Bombas
14
12
10
8
6
4
2
0
0 2 4 6 8 10 12 14 16
Q (L/s)

Figura 3.23 Duas bombas iguais conectadas em paralelo

Pontos da curva característica de 2 bombas iguais

Q (L/s)
H (m)

Pontos da curva característica de uma única bomba


Q (L/s)
H (m)

18
H (m)
02 Bombas
16 01 Bomba
14

12

10

0
0 2 4 6 8 10 12 14 16
Q (L/s)

Figura 3.24 Resultado gráfico do problema


Capítulo 3: Curvas Características de Bombas Centrífugas

3.15 Exemplo - Conexão Série

Na Fig. 3.15 se apresentam as curvas características de duas bombas. a)Graficar a curva resultante da
conexão em série destas bombas. b) Determinar o rendimento global da conexão em série para uma vazão de
4,0 m3/s na qual o rendimento da bomba A é de 50% e da bomba B é de 60%.

7
Bomba 1
6
5
Bomba 2
4
H(m)

3
2
1
0
0 1 2 3 4 5 6 7 8
Q (m3/s)

Figura 3.25 Gráfico de duas bombas

Pontos da curva característica da bomba B-1


Q (m3/s)
H (m)
Pontos da curva característica da bomba B-2
Q(m3/s)
H(m)
Pontos da curva característica - conexão em série
Q(m3/s)
H(m)

Figura 3.26 Resultado gráfico do problema de bombas em serie.


Sistemas Fluidomecânicos

3.16 Outros Exemplos

Exemplo 3.1:
Uma bomba centrifuga apresenta as seguintes equações de características de altura manometrica e
rendimento global: Hman= 30 - 300Q2 e ηG= 10Q - 40 Q2 quando tem uma rotação de 1750rpm. Determinar:

(a) Eq. Característica da Hman considerando duas bombas idênticas conectadas em paralelo
(b) Eq. Característica da Hman considerando duas bombas idênticas conectadas em série
(c) Eq. Característica da Hman e ηG da bomba quando a rotação muda para 3500rpm.
Obs: A questão ( c ) deve ser resolvida com os conceitos das equações de semelhança (Cap.5).

Solução
(a) Bombas conectadas em série (Q2S =Q1)
H 1 = 30 − 300Q 2
H 2 S = 2 H 1 = 2(30 − 300Q 2 )
H 2 s = 60 − 600Q 2

(b) Bombas conectadas em paralelo (H2p=H1) (Q2s=2Q1)


2
Q
H 2s = 30 − 300 
2
H 2s = 30 − 75Q 2

(c) Bomba n2=3500 bomba n1=1750rpm

2
n  n 
Q2 = Q1  2  = 2Q1 H 2 = H 1  2  = 4H 1
 n1   n1 

H 1 = 30 − 300Q12 onde: Q1=Q2/2.

  Q2 
H 2 = 4 H 1 = 4 30 − 300 2   = 120 − 300Q 2
  2 

2
 Q2  Q 
η G = 10  − 40 2  = 5Q − 10Q
2

 2   2 

Obs. Continuar o problema graficando as curvas características.


Capítulo 3: Curvas Características de Bombas Centrífugas

3.17 Atividade de Aprendizado - 1 – Proposta

Bomba centrífuga Diâmetro do rotor (mm) Largura da pá (mm) Ângulo da pá (graus)


Entrada 150 75 200
Saída 300 50 250
OBS: Fluido: água a 200C. Rotor com entrada radial. Numero de pás: 7. Rotação: 1450 rpm.

Q Q Hman W& ac Rendimento Ht00 Ht# Hman


3
(m /s) (L/s) (m) (kW) (%) (m) (m)

40 32,0 34,2
80 30,5 39,2
120 28,0 45,0
160 24,5 52,5
200 20,0 64,5

1. Eq. que representa a curva da altura teórica para numero infinito de pás: Ht00 =
2. Eq. que representa a curva da altura teórica para numero finito de pás: Ht# =
3. Eq. que representa a curva da altura manométrica da bomba Hman=

60
58
56
54
52
50
48
46
44
42
40
Hman (m)

38
36
34
32
30
28
26
24
22
20
18
16
14
12
10
0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 100 110 120 130 140 150 160 170 180 190 200 210

Vazao (L/s)
Sistemas Fluidomecânicos

3.18 Atividade de Aprendizado – 2 - Resolvida

Num laboratório é testado um modelo de bomba de 100mm de diâmetro e 1440rpm. O resultado é


apresentado na Tabela.

Q H Rendimento
3
(m /h) (m) (%)
35 18 72
40 17.4 77
45 16.6 82
50 15.7 83
55 14.6 84
60 13.4 82
65 12 77
70 10.5 70
75 8.8 60
80 7 50

Atividades

1. Graficar a informação dada na tabela.


2. Determinar e graficar a curva de potencia da bomba.
3. Determinar a Eq. que representa a altura manométrica por ajuste no Excel.
4. Determinar a Eq. que representa a curva de rendimento por ajuste no Excel.
5. Determinar a vazão de projeto, altura manométrica de projeto e rendimento neste ponto.
6. Determinar a rotação especifica característica para o ponto de máximo rendimento.
7. Graficar o resultado de duas bombas iguais conectadas em serie.
8. Graficar o resultado de duas bombas iguais conectadas em paralelo.
9. Considerando que será construída uma bomba semelhante de 200mm diâmetro que trabalhara com
1750rpm, Graficar: H − Q η − Q Pot − Q da bomba.
Capítulo 3: Curvas Características de Bombas Centrífugas

Solução:

1. Graficar a informação dada na tabela.


20 200
18 Bomba de 100mm e 1440rpm 180
16 160

Altura Manometrica

Rendimento (%)
14 140
12 2 120
H = -0.003Q + 0.1002Q + 18.179

(m)
10 100
8 80
6 60
4 40
Rendimento = -0.0439Q2 + 4.5718Q - 34.842
2 20
0 0
30 40 50 60 70 80 90

Vazao (m3/h)

2. Determinar e graficar a curva que representa a potencia da bomba.

A Tabela-1 mostra os dados resultados da potencia sendo graficados na figura abaixo.


3.5
Curva de Potência Bomba de 100mm e 1440rpm
3.0

2.5
Potência (kW)

2.0

1.5

1.0

0.5

0.0
35 45 55 65 75
Vazao (m3/h)

3. Eq. que representa a altura manométrica por ajuste no Excel.

H = 18.179 + 0.1002Q - 0.003Q2

4. Eq. que representa a curva de rendimento por ajuste no Excel.

η = - 34.842 + 4.5718Q - 0.0439Q2.

5. Determinar a vazão de projeto e altura manométrica de projeto.

A vazão de projeto é determinada derivando a expressão do rendimento e igualando a zero, desta


forma encontra-se a vazão para o rendimento máximo. Com esta vazão determina-se a altura manométrica.

Q=52,07 m3/h η=84,2% H=15.3m

6. Determinar a rotação especifica característica para o ponto de máximo rendimento.

Q 52,071 / 3600
nq = n = 1440 * = 22,27 rpm
H man
3/ 4
(15,4)3 / 4
7. Graficar o resultado de duas bombas iguais conectadas em serie.

O resultado das duas bombas conectadas em serie mostra-se na Tabela-2


Sistemas Fluidomecânicos

40
2 Bombas em Serie D=100mm
35

Altura Manometrica (m)


30
25

20
15
10
5
0
30 40 50 60 70 80 90

Vazao (m3/h)

8. Graficar o resultado de duas bombas iguais conectadas em paralelo.

O resultado das duas bombas conectadas em paralelo mostra-se na Tabela-2


20
18 2 Bombas Paralelo D=100mm
16
Altura Manometrica (m)

14
12
10
8
6
4
2
0
30 50 70 90 110 130 150 170

Vazao (m3/h)

8. Graficar: H − Q η −Q Pot − Q Bomba de 200mm e 1750rpm

120 200
Bomba de 200mm e 1750rpm 180
100
160
Altura Mnometrica

140
Rendimento (%)

80
120

60 100

80
40
60
40
20
20

0 0
300 400 500 600 700 800

Vazao (m3/h)

190
Curva de potência Bomba de 200mm e 1750rpm
170

150
Potência (kW)

130

110

90

70

50
300 400 500 600 700 800

Vazao (m3/h)
Capítulo 3: Curvas Características de Bombas Centrífugas

RESULTADOS DOS DADOS TABELADOS


Tabela – 1
Q H Rend Potência
3
(m /h) (m) (%) kW
35 18 72 2.4
40 17.4 77 2.5
45 16.6 82 2.5
50 15.7 83 2.6
55 14.6 84 2.6
60 13.4 82 2.7
65 12 77 2.8
70 10.5 70 2.9
75 8.8 60 3.0
80 7 50 3.1

Tabela – 2
2 Bombas - Série 2 Bombas - Paralelo
3
Qs Hs (m) Qp (m /h) Hp (m)
35 36.0 70.0 18.0
40 34.8 80.0 17.4
45 33.2 90.0 16.6
50 31.4 100.0 15.7
55 29.2 110.0 14.6
60 26.8 120.0 13.4
65 24.0 130.0 12.0
70 21.0 140.0 10.5
75 17.6 150.0 8.8
80 14.0 160.0 7.0

Tabela – 2
Bomba semelhante
n2=1750 D2=200mm
Q H Rend Potência
3
(m /h) (m) (%) kW
340.28 106.34 72 136.9
388.89 102.79 77 141.5
437.50 98.07 82 142.6
486.11 92.75 83 148.0
534.72 86.25 84 149.6
583.33 79.16 82 153.5
631.94 70.89 77 158.5
680.56 62.03 70 164.3
729.17 51.99 60 172.2
777.78 41.35 50 175.3
Capítulo 3: Curvas Características de Bombas Centrífugas

 Determine a potência da bomba para as condições do sistema.


O resultado gráfico do Problema 1 ao 3 é mostrado na Fig. 3.27

Figura 3.27 – Curva característica– Resultados gráficos dos problemas propostos.

Comentário Final:

Com este material o aluno deverá estar capacitado para estudar: qual é a influência da curvatura das pás em
bombas centrífugas, quais os tipos de pás e como é transferida, teoricamente, a energia do rotor ao fluido
com os diferentes tipos de pás. Foram apresentadas as curvas teóricas e as curvas reais das bombas
centrífugas. Nas aplicações de engenharia o aluno deverá lidar com as curvas reais já que são estas as
fornecidas pelos fabricantes. Com tal informação o aluno poderá selecionar, dos fabricantes existentes no
mercado, o tipo de bomba mais apropriada para uma determinada aplicação. A informação e definições
complementares de altura manométrica, rendimento global, potência de acionamento e NPSH das bombas,
são abordados nos capítulos seguintes.