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AS RELIGIÕES E APOLOGÉTICA BÍBLICA

AS RELIGIÕES E
A APOLOGÉTICA
BÍBLICA

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AS RELIGIÕES E A APOLOGÉTICA BÍBLICA

AS
RELIGIÕES
EA
APOLOGÉTICA
BÍBLICA

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AS RELIGIÕES E APOLOGÉTICA BÍBLICA

CONTEÚDO

CAPÍTULO 01 .................................................................................................................... 8

COMO IDENTIFICAR UMA SEITA ................................................................................... 8

A. INTRODUÇÃO .................................................................................................................... 8
B. A PLURALIDADE RELIGIOSA ........................................................................................... 9
C. POR QUÊ ESTUDAR AS FALSAS DOUTRINAS ............................................................ 10
D. DEFINIÇÃO DOS TERMOS.............................................................................................. 12
E. A CARACTERIZAÇÃO DAS SEITAS ............................................................................... 14
F. OUTRAS CARACTERÍSTICAS ........................................................................................ 23
G. COMO ABORDAR OS ADEPOS DAS SEITAS ............................................................... 24

CAPÍTULO 02 .................................................................................................................. 26

CATOLICISMO ROMANO .............................................................................................. 26

A. INTRODUÇÃO .................................................................................................................. 26
B. CONSIDERAÇÕES GERAIS ............................................................................................ 27
C. OS LIVROS APÓCRIFOS ................................................................................................. 31
D. O PAPADO ........................................................................................................................ 34
E. O MARIOCENTRISMO CATÓLICO ROMANO (MARIOLATRIA).................................... 40
F. OS PECADOS DA SANTA SÉ.......................................................................................... 55
G. OS SACRAMENTOS ........................................................................................................ 57
H. A MISSA ............................................................................................................................ 63
I. OS SANTOS ...................................................................................................................... 65
J. IDOLATRIA ........................................................................................................................ 67
K. ADORAÇÃO PIRAMIDAL ................................................................................................. 68
L. AS INDULGÊNCIAS .......................................................................................................... 77
M. PURGATÓRIO .................................................................................................................. 79
N. CONCLUSÃO .................................................................................................................... 80

CAPÍTULO 03 .................................................................................................................. 82

IGREJA LOCAL DE WITNESS LEE ............................................................................... 82

A. INTRODUÇÃO .................................................................................................................. 82
B. A RESTAURAÇÃO DA IGREJA ....................................................................................... 83
C. O EXCLUSIVISMO RELIGIOSO....................................................................................... 85

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AS RELIGIÕES E A APOLOGÉTICA BÍBLICA

D. A HISTÓRIA ...................................................................................................................... 86
E. O LOCALISMO .................................................................................................................. 87
F. NÃO ACEITAM CRÍTICAS ................................................................................................ 89
G. CONCEITO SOBRE AS DENOMINAÇÕES ..................................................................... 90
H. PROSELITISMO ENTRE AS DENOMINAÇÕES ............................................................. 91
I. ENSINOS, DOUTRINAS E PRÁTICAS RELIGIOSAS ..................................................... 91
J. CÂNTICO MÂNTRICO? .................................................................................................... 94
K. O VALOR DAS DOUTRINAS............................................................................................ 95
L. O BATISMO REGENERACIONAL.................................................................................... 97
M. TIPOLOGIA DO BODE EMISSÁRIO ................................................................................ 98
N. A TRINDADE ...................................................................................................................100
O. JESUS E SUAS NATUREZAS AMALGAMADAS .......................................................... 113
P. A DEIFICAÇÃO DO HOMEM..........................................................................................115
Q. O CORPO DE JESUS INVADIDO POR SATANÁS ....................................................... 118
R. O HOMEM, HABITAÇÃO DE SATANÁS ........................................................................ 120
S. JOÃO BATISTA – O PROFETA DESVIADO?................................................................ 123

CAPÍTULO 04 ................................................................................................................ 130

LBV – LEGIÃO DA BOA VONTADE ............................................................................. 130

A. SUA HISTÓRIA ...............................................................................................................130


B. ORIGEM DOS ENSINOS DA LBV ..................................................................................133
C. O QUE FAZ A LBV ..........................................................................................................133
D. A LBV VEIO RESTAURAR O CRISTIANISMO .............................................................. 134
E. A RELIGIÃO DO NOVO MANDAMENTO....................................................................... 136
F. TERIA JESUS MORRIDO POR NÓS? ...........................................................................139
G. TERIA JESUS UM CORPO FLUÍDICO? ........................................................................ 140
H. ERA JESUS VERDADEIRO DEUS? ..............................................................................142

CAPÍTULO 05 ................................................................................................................ 148

TABERNÁCULO DA FÉ ............................................................................................... 148

A. HISTÓRIA ........................................................................................................................148
B. A EXALTAÇÃO DO SEU FUNDADOR ...........................................................................151
C. TESTE DE UM PROFETA VERDADEIRO ..................................................................... 152
D. REVELAÇÃO ALÉM DA BÍBLIA .....................................................................................154
E. REJEIÇÃO DA DOUTRINA DA TRINDADE................................................................... 155
F. FÓRMULA BATISMAL APENAS NO NOME DE JESUS............................................... 163
G. NEGAÇÃO DO INFERNO ...............................................................................................165

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AS RELIGIÕES E APOLOGÉTICA BÍBLICA

CAPÍTULO 06 ................................................................................................................ 168

O ESPIRITISMO ........................................................................................................... 168

A. INTRODUÇÃO ................................................................................................................168
B. HISTÓRICO DO ANTIGO E MODERNO ESPIRITISMO ............................................... 169

MONUMENTO AO ESPIRITISMO MODERNO ............................................................ 172

C. O ESPIRITISMO NA EUROPA .......................................................................................172


D. O ESPIRITISMO FRANCÊS ...........................................................................................173
E. O ESPIRITISMO NO BRASIL .........................................................................................173
F. CAUSAS DA DIFUSÃO DO ESPIRITISMO NO BRASIL ............................................... 176
G. DIVISÕES DO ESPIRITISMO NO BRASIL .................................................................... 178
H. DECLARAÇÃO COMPROMETEDORA..........................................................................180
I. A DOUTRINA ESPÍRITA .................................................................................................181
J. O QUE É SER UM ESPÍRITA .........................................................................................181
K. ESPIRITISMO É RELIGIÃO?..........................................................................................181
L. A FALACIOSA PROPAGANDA ESPÍRITA .................................................................... 183
M. A TERCEIRA REVELAÇÃO............................................................................................186
N. ALLAN KARDEC .............................................................................................................186
O. A PRIMEIRA INICIAÇÃO DE RIVAIL NO ESPIRITISMO .............................................. 188
P. LÉON DENIS, O CONSOLIDADOR ...............................................................................191
Q. A VISÃO ESPÍRITA DA BÍBLIA ......................................................................................194
R. OS ENSINAMENTOS ESPÍRITAS SOBRE DEUS ........................................................ 197
S. OS ENSINAMENTOS ESPÍRITAS SOBRE JESUS....................................................... 198
T. RESPOSTAS APOLOGÉTICAS ÀS OBJEÇÕES ESPÍRITAS CONTRA A DEIDADE
ABSOLUTA DE JESUS CRISTO ...........................................................................................199
U. RESPOSTAS APOLOGÉTICAS AOS FALSOS ENSINOS ESPÍRITAS ....................... 202
V. DOUTRINAS PECULIARES ENSINADAS PELO ESPIRITISMO .................................. 214
W. GLOSSÁRIO ESPÍRITA ..................................................................................................239

CAPÍTULO 07 ................................................................................................................ 244

ISLAMISMO .................................................................................................................. 244

A. INTRODUÇÃO ................................................................................................................244
B. A VIDA DE MAOMÉ ........................................................................................................245
C. CAUSAS DA EXPANSÃO VITORIOSA DOS ÁRABES ................................................. 248
D. AS CRENÇAS DO ISLAMISMO .....................................................................................252
E. PRÁTICAS DO ISLAMISMO (DIN) .................................................................................254
F. A FORMAÇÃO DO ALCORÃO – O LIVRO SAGRADO MUÇULMANO........................ 257

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AS RELIGIÕES E A APOLOGÉTICA BÍBLICA

G. REJEIÇÃO À TEOLOGIA CRISTÃ .................................................................................259


H. COMO RESPONDER ÀS OBJEÇÕES MUÇULMANAS................................................ 261
I. EVIDÊNCIAS DA VERDADE ..........................................................................................269
J. A ESCRITURA SAGRADA DO ISLAMISMO – O ALCORÃO ........................................ 279
K. O MILAGRE DO ALCORÃO – A RESPOSTA CRISTÃ ................................................. 280
L. OUTROS ELEMENTOS QUE DEVEMOS SABER PARA COMPARTILHAR O
EVANGELO COM OS MUÇULMANOS.................................................................................287

CAPÍTULO 08 ................................................................................................................ 294

SANTO DAIME ............................................................................................................. 294

A. INTRODUÇÃO ................................................................................................................294
B. EFEITOS DO CHÁ ..........................................................................................................295
C. O NOME DAIME ..............................................................................................................296
D. O FUNDADOR ................................................................................................................296
E. A HISTÓRIA ....................................................................................................................297
F. AS FESTIVIDADES .........................................................................................................298
G. DOUTRINAS E REFUTAÇÕES ......................................................................................298
H. A APARIÇÃO DE NOSSA SENHORA DA CONCEIÇÃO .............................................. 301
I. UM CULTO ABSURDO ...................................................................................................302

CAPÍTULO 09 ................................................................................................................ 304

IGREJA SEICHO-NO-IE ............................................................................................... 304

A. HISTÓRIA ........................................................................................................................304
B. COMPARAÇÃO DE TANIGUCHI CM JESUS CRISTO ................................................. 304
C. A SEICHO-NO-IE NO BRASIL........................................................................................305
D. FONTE DE AUTORIDADE RELIGIOSA ......................................................................... 305
E. EMBLEMA .......................................................................................................................306
F. PUBLICAÇÕES ...............................................................................................................307
G. SEUS ENSINOS..............................................................................................................308
H. IDENTIFICA-SE COM O CRISTIANISMO ...................................................................... 312
I. OUTROS ENSINOS PECULIARES................................................................................321

CAPÍTULO 10 ................................................................................................................ 326

ADEPTOS DO NOME YEHOSHUA E SUAS VARIANTES ........................................... 326

A. INTRODUÇÃO ................................................................................................................326
B. O NOME YEHOSHUA.....................................................................................................327
C. O CREDO DOS ADEPTOS DO NOME YEHOSHUA E SUAS VARIANTES ................ 341

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AS RELIGIÕES E APOLOGÉTICA BÍBLICA

D. AS INOVAÇÕES .............................................................................................................342
E. GLOSSÁRIO....................................................................................................................343

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AS RELIGIÕES E A APOLOGÉTICA BÍBLICA

CAPÍTULO 01

COMO IDENTIFICAR UMA SEITA

A. INTRODUÇÃO

As pessoas têm o direito de professar a religião de sua escolha. A


tolerância religiosa é extensiva a todos. Isso não significa, porém, que
todas as religiões sejam boas. Nos dias de Jesus havia vários grupos
religiosos: Os saduceus (At 5.17) e os fariseus (At 15.5). Os dois
grupos tinham posições religiosas distintas (At 23.8). Mesmo assim,
Jesus não os poupou, chamando-os de hipócritas, filhos do inferno,
serpentes, raça de víboras (Mt 23.13-15,33). O Mestre deixou claro que
não aceitava a idéia de que todos os caminhos levará a Deus. Ele
ensinou que há apenas dois caminhos: o estreito, que conduz à vida
eterna, e o largo e espaçoso, que leva à destruição (Mt 7.13-14).

Os apóstolos tiveram a mesma preocupação: não permitir que


heresias, falsos ensinos, adentrassem na Igreja. O primeiro ataque
doutrinário lançado contra a Igreja foi o legalismo. Alguns judeus-
cristãos estavam instigando novos convertidos à prática das leis
judaicas, principalmente a circuncisão. Em Antioquia, havia uma igreja
constituída de pessoas bem preparadas no estudo das Escrituras (At
13.1), que perceberam a gravidade do ensino de alguns que haviam
descido da Judéia e ensinavam: Se não vos circuncidardes segundo o
costume de Moisés, não podereis ser salvos (At 15.1). Esses

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AS RELIGIÕES E APOLOGÉTICA BÍBLICA

ensinamentos eram uma ameaça à Igreja. Foi necessário que um


concilio apreciasse essa questão e se posicionasse. Em Atos 15.1-35,
temos a narrativa que demonstra a importância de considerarmos os
ensinos que contrariam a fé cristã. Outras fontes ameaçam a Igreja-
Dentre elas, destacamos a pluralidade religiosa.

B. A PLURALIDADE RELIGIOSA

A pluralidade religiosa não é exclusiva dos tempos de Jesus.


Atualmente existem milhares de seitas e religiões falsas, as quais
pensam estar fazendo a vontade de Deus quando, na verdade, não
estão. Há dez grandes religiões principais: Hinduísmo, Jainismo,
Budismo e Siquismo (na índia); Confucionismo e Taoísmo (na China);
Xintoísmo (no Japão), Judaísmo (na Palestina), Zoroastrismo (na
Pérsia, atual Irã) e Islamismo (na Arábia). Nessa lista, alguns incluem o
Cristianismo. Além disso, existem mais de dez mil seitas (ou
subdivisões dessas religiões), estando seis mil localizadas na África,
1200 nos Estados Unidos e o restante em outros países. Para efeitos
didáticos, o Instituto Cristão de Pesquisas classifica assim as seitas:

• Secretas: Maçonaria,Teosofia, Rosacrucianismo, Esoterismo etc.

• Pseudocristãs: Mormonismo, Testemunhas de Jeová, Adventismo


do Sétimo Dia, Ciência Cristã, A Família (Meninos de Deus), Igreja
Apostólica da Santa Vó Rosa etc.

• Espíritas: Kardecismo, Legião da Boa Vontade, Racionalismo


Cristão etc.

• Afro-brasileiras: Umbanda, Quimbanda, Candomblé, Voduísmo,


Cultura Racional, Santo Daime etc.

• Orientais: Seicho-No-Iê, Igreja Messiânica Mundial, Arte Mahikari,

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AS RELIGIÕES E A APOLOGÉTICA BÍBLICA

Hare Krishna, Meditação Transcendental, Igreja da Unificação


(Moonismo), Perfeita Liberdade etc.

• Unicistas: Voz da Verdade, Igreja Local, Adeptos do Nome


Yehoshua e suas Variantes (ASNYS), Só Jesus, Tabernáculo da Fé,
Cristadelfíanismo etc.

Enquanto essas e outras seitas se multiplicam, e seus guias


desencaminham milhões de pessoas, os cristãos permanecem
indiferentes, desatentos à exortação de Judas 3: batalhar pela fé que
uma vez foi dada aos santos.

C. POR QUÊ ESTUDAR AS FALSAS DOUTRINAS

Muitos perguntam por que se deve estudar as falsas doutrinas. Para


esses, seria melhor a dedicação à leitura da Bíblia. Certamente
devemos usar a maior parte de nosso tempo lendo e estudando a
Palavra de Deus, porém essa mesma Palavra nos apresenta diretrizes
comportamentais relacionadas aos que questionam nossa fé. Assim
sendo, apresentamos as razões para o estudo das falsas doutrinas:

1. DEFESA PRÓPRIA

Várias entidades religiosas treinam seus adeptos para ir, de porta


em porta, à procura de novos adeptos. Algumas são especializadas
em trabalhar com os evangélicos, principalmente os novos
convertidos. Os cristãos devem se informar acerca do que os vários
grupos ensinam. Só assim poderão refutá-los biblicamente (Tt 1.9);

2. PROTEÇÃO DO REBANHO

Um rebanho bem alimentado não dará problemas. Devemos investir

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AS RELIGIÕES E APOLOGÉTICA BÍBLICA

tempo e recursos na preparação dos membros da Igreja. Escolas


bíblicas bem administradas ajudam o nosso povo a conhecer melhor
a Palavra de Deus. Um curso de batismo mais extensivo,
abrangendo detalhadamente as principais doutrinas, refutando as
argumentações dos sectários e expondo-lhes a verdade, será útil
para proteger os recém-convertidos dos ataques das seitas;

3. EVANGELIZAÇÃO

O fato de conhecermos o erro em que se encontram os sectários


nos ajuda a apresentar-lhes a verdade de que necessitam. Entre
eles se encontram muitas pessoas sinceras que precisam se libertar
e conhecer a Palavra de Deus. Os adeptos das seitas também
precisam do Evangelho. Se estivermos preparados para abordá-los,
e demonstrar a verdade em sua própria Bíblia, poderemos ganhá-los
para Cristo;

4. MISSÕES

Desempenhar o trabalho de missões requer muito mais do que se


deslocar de uma região para outra ou de um país para outro.
Precisamos conhecer a cultura onde vamos semear o Evangelho.
Junto à cultura teremos a religiosidade nativa. Conhecer
antecipadamente esses elementos nos dará condições para
alcançá-los adequadamente.

Uma objeção levantada por alguns é esta: Não gosto de falar contra
outras religiões. Fomos chamados para pregar o Evangelho. Con-
cordamos plenamente, todavia lembramos que o apóstolo Paulo foi
chamado para pregar o Evangelho e disse não se envergonhar dele
(Rm 1.16). Disse também que Cristo o chamou para defender esse

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AS RELIGIÕES E A APOLOGÉTICA BÍBLICA

mesmo Evangelho (Fp 1.16).

A objeção mais comum é a seguinte: Jesus disse para não


julgarmos, pois com a mesma medida que julgarmos, também
seremos julgados. Quem somos nós para julgar"? Ora, o contexto
mostra que Jesus não estava proibindo todo e qualquer julgamento,
pois no versículo 15 Ele alerta: acautelai-vos, porém, dos falsos
profetas. Como poderíamos nos acautelar dos falsos profetas se
não pudéssemos identificá-los? Não teríamos de emitir um juízo
classificando alguém como falso profeta? Concluímos, portanto, que
há juízos estabelecidos em bases sinceras, mas, para isso, é
preciso usar um padrão correto de julgamento e, no caso, esse
padrão é a Bíblia (Is 8.20). Há exemplos nas Escrituras de que nem
todo juízo é incorreto. Certa vez Jesus disse: julgas te bem (Lc
7.43). Paulo admitiu que seus escritos fossem julgados (1 Co 10.15).
Disse mais: O que é espiritual julga bem todas as coisas (1 Co
2.15).

D. DEFINIÇÃO DOS TERMOS

Antes de apresentarmos os meios para se identificar uma seita ou


religião falsa, saibamos o que significam as palavras seita e heresia.
Ambas derivam da palavra grega háiresis, que significa escolha,
partido tomado, corrente de pensamento, divisão, escola etc} A palavra
heresia é adaptação de háiresis. Quando passada para o latim, háiresis
virou seda. Foi do latim que veio a palavra seita.1 Originalmente, a
palavra não tinha sentido pejorativo. Quando o Cristianismo foi
chamado de seita (At 24.5), não foi em sentido depreciativo. Os líderes
judaicos viam os cristãos como mais um grupo, uma facção dentro do
Judaísmo. Com o tempo, háiresis também assumiu conotação
negativa, como em 1 Co 11.19; Gl 5.20; 2 Pe 2.1-2.

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AS RELIGIÕES E APOLOGÉTICA BÍBLICA

Em termos teológicos, podemos dizer que seita refere-se a um grupo


de pessoas e que heresia indica as doutrinas antibíblicas defendidas
pelo grupo. Baseando-se nessa explicação, podemos dizer que um
cristão imaturo pode estar ensinando alguma heresia, sem, contudo,
fazer parte de uma seita.

Há outras definições sobre o que é seita:

• Um grupo de indivíduos reunidos em torno de uma interpretação


errônea da Bíblia, feita por uma ou mais pessoas -Dr. Walter Martin.

• É uma perversão, uma distorção do Cristianismo bíblico e/ou a


rejeição dos ensinos históricos da Igreja cristã — Josh McDoweell e
Don Stewart.

• Qualquer religião tida por heterodoxa ou mesmo espúria — J.K. Van


Baalen.

Façamos um breve comentário sobre o que é doutrina. A palavra


doutrina vem do latim doctrina, que significa ensino. Referindo-se a
qualquer tipo de ensino ou a algum ensino específico. Existem três
formas de doutrina:

• Doutrina de Deus - At 13.12; 1.42; Tt 2.10;

• Doutrina de homens - Mt 15.9; Cl 2.22;

• Doutrina de demônios - 1 Tm 4.1.

A primeira é boa, as duas últimas são danosas. É preciso distinguir a


primeira das últimas, senão os prejuízos podem ser fatais. O contraste
entre a verdade e a mentira é mais nítido que o contraste entre a
verdade e a falsidade. Religiões e seitas pagas podem ser analisadas
facilmente. Contudo, uma religião ou seita que se apresente como
cristã, mas tem uma doutrina contrária às Escrituras, merece toda
nossa atenção. Para tanto, devemos conhecer os meios adequados

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AS RELIGIÕES E A APOLOGÉTICA BÍBLICA

para se identificar uma seita.

E. A CARACTERIZAÇÃO DAS SEITAS

O método mais eficiente para se identificar uma seita é conhecer os


quatro caminhos seguidos por elas, ou seja, o da adição, subtração,
multiplicação e divisão. As seitas conhecem as operações
matemáticas, contudo, nunca atingem o resultado satisfatório.

1. ADIÇÃO

O grupo adiciona algo à Bíblia. Sua fonte de autoridade não leva


em consideração somente a bíblia.

EXEMPLOS:

a. Adventismo do Sétimo Dia.

Seus adeptos têm os escritos de Ellen White como inspirados


tanto quanto os livros da Bíblia. Declaram: Cremos que: Ellen
White foi inspirada pelo Espírito Santo, e seus escritos, o produto
dessa inspiração, têm aplicação e autoridade especial para os
adventistas do sétimo dia. Negamos que a qualidade ou grau de
inspiração dos escritos de Ellen White sejam diferentes dos
encontrados nas Escrituras Sagradas. Essa alegação é altamente
comprometedora. Diversas profecias escritas por Ellen White não
se cumpriram. Isso põe em dúvida a alegação de inspiração e
sua fonte.

b. As Testemunhas de Jeová

Crêem que somente com a mediação do corpo governante


(diretoria das Testemunhas de Jeová, formada por um número
variável entre nove e 14 pessoas, nos EUA), a Bíblia será

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AS RELIGIÕES E APOLOGÉTICA BÍBLICA

entendida. Declaram: Meramente ter a Palavra de Deus e lê-la


não basta para adquirir o conhecimento exato que coloca a
pessoa no caminho da vida. A menos que estejamos em contato
com este canal de comunicação usado por Deus, não
avançaremos na estrada da vida, não importa quanto leiamos a
Bíblia.9 Essa afirmação iniciou-se com o seu fundador, Charles
Taze Russell. Ele afirmava que seus livros explicavam a Bíblia de
uma forma única. A Bíblia fica em segundo plano nos estudos
das Testemunhas de Jeová. É usada apenas como um livro de
referência. A revista A Sentinela tem sido seu principal canal para
propagar suas afirmações. O candidato ao batismo das
Testemunhas de Jeová deve saber responder a
aproximadamente 125 perguntas. A maioria nega a doutrina
bíblica evangélica. Certamente, com a literatura das
Testemunhas de Jeová, é impossível compreender a Bíblia.
Somente a Palavra de Deus contém ensinos que conduzem à
vida eterna. Adicionar-lhe algo é altamente perigoso! (Ap 22.18-
19).

c. Nessa mesma linha estão os mórmons

Dizem crer na Bíblia, desde que sua tradução seja correta.


Ensinam: Cremos ser a Bíblia a palavra de Deus, o quanto seja
correta sua tradução; cremos também ser o "Livro de Mórmon" a
palavra de Deus (Artigo 8o das Regras de Fé). Eles acham que o
"Livro de Mórmon" é mais perfeito do que a Bíblia. Declarei aos
irmãos que o Livro de Mórmon era o mais correto de todos os
livros da terra, e a pedra angular da nossa religião
("Ensinamentos do Profeta Joseph Smith", p. 178). Outros livros
também são considerados inspirados: "Doutrina e Convênios" e
"A Pérola de Grande Valor". Usam também a Bíblia apenas como

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AS RELIGIÕES E A APOLOGÉTICA BÍBLICA

livro de referência. Se dissermos aos mórmons que temos a


Bíblia e não precisamos do "Livro de Mórmon", eles responderão
com esse livro: Tu, tolo, dirás: uma Bíblia e não necessitamos
mais de Bíblia! Portanto, porque tendes uma Bíblia, não deveis
supor que ela contém todas as minhas palavras; nem deveis
supor que eu não fiz com que se escrevesse mais (LM-2 Néfi
29.9-10). Citam as variantes textuais dos manuscritos como
argumento de que a Bíblia não seja fidedigna. Ignoram, porém,
que a pesquisa bíblica tem demonstrado a fidedignidade da
Palavra de Deus.

d. Os Meninos de Deus (A Família)

Dizem que é melhor ler os ensinamentos de David Berg, seu


fundador, do que ler a Bíblia. E quero dizer-vos francamente: se
há uma escolha entre lerem a Bíblia, quero dizer-vos que é
melhor lerem o que Deus diz hoje, de preferência ao que disse
2000 ou 4000 anos atrás! Depois, quando acabarem de ler as
últimas Cartas de MO podem voltar e ler a Bíblia e as Cartas
velhas de MO! ("Velhas Garrafas" - MO, julho, 1973, p. 11 n. 242-
SD). Práticas abomináveis, segundo a moral bíblica, são
justificadas com a Bíblia. A Igreja da Unificação, do Rev. Moon,
julga ser seu princípio divino de inspiração mais elevado do que a
Bíblia. A Bíblia... não é a própria verdade, senão um livro de texto
que ensina a verdade. ...Portanto, não devemos considerar o livro
de texto como absoluto em todos os detalhes ("O Princípio
Divino", Introdução, p. 7). Outro exemplo da conseqüência de
abandonar as Escrituras é observado nesse movimento. Além da
Bíblia, rejeitam também o Messias e seguem um outro senhor.

e. Os Kardecistas

Não têm a Bíblia como base, mas a doutrina dos espíritos,

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AS RELIGIÕES E APOLOGÉTICA BÍBLICA

codificada por Allan Kardec. Usam um outro Evangelho


conhecido como "O Evangelho Segundo o Espiritismo". Dizem:
Nem a Bíblia prova coisa nenhuma, nem temos a Bíblia como
probante. O Espiritismo não é um ramo do Cristianismo como as
demais seitas chamadas cristãs. Não assenta os seus princípios
nas Escrituras. Não rodopia junto à Bíblia. Mas a nossa base éo
ensino dos espíritos, daí o nome - Espiritismo ("A Margem do
Cristianismo", p. 214). Procuram interpretar as parábolas e
ensinos de Jesus Cristo segundo uma perspectiva espírita e
reencarnacionista. A Palavra de Deus é bem clara quanto às
atividades espíritas e suas origens.

f. A Igreja de Cristo Internacional (Boston)

Interpreta a Bíblia segundo a visão de Kipp Mckean, o seu


fundador. Um sistema intensivo de discipulado impede outras
interpretações. Qualquer resistência do discípulo, referindo-se à
instrução, desencadeará uma retaliação social.

Resposta Apologética:

O apóstolo Paulo diz que as Sagradas Letras tornam o homem


sábio para a salvação pela fé em Jesus (2 Tm 3.15); logo, se
alguém ler a Bíblia, somente nela achará a fórmula da vida
eterna: crer em Jesus. A Bíblia relata a história do homem desde
a antigüidade. Mostra como ele caiu no lamaçal do pecado. Não
obstante, declara que Deus não o abandonou, mas enviou seu
Filho Unigênito para salvá-lo. Assim, lendo a Bíblia, o homem
saberá que sem Jesus não há salvação. Ele não procurará a
salvação em Buda, Maomé, Krishna ou algum outro, nem mesmo
numa organização religiosa; pois a Bíblia é absoluta e verdadeira
ao enfatizar que a salvação do homem vem exclusivamente por
meio de Jesus (Jo 1.45; 5.39-46; Lc 24.27,44; At 4.12; 10.43;

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AS RELIGIÕES E A APOLOGÉTICA BÍBLICA

16.30-31; Rm 10.9-10).

2. SUBTRAÇÃO

O grupo tira algo da pessoa de Jesus.

a. A maçonaria

Vê Jesus simplesmente como mais um fundador de religião, ao


lado de personalidades mitológicas, ocultistas ou religiosas, tais
como, Orfeu, Hermes,Trimegisto, Krishna, (o deus do
Hinduísmo), Maomé (profeta do Islamismo), entre outros. Se
negarmos o sacrifício de Jesus Cristo e sua vida, estaremos
negando também a Bíblia que o menciona como Messias (Is 7.14
- Mt 1.21-23; Dn 7.13-14). Ou cremos integralmente na Palavra
de Deus como revelação completa e, portanto, nas implicações
salvíficas que há em Jesus Cristo, ou a rejeitamos integralmente.
Não há meio termo.

b. A Legião da Boa Vontade (LBV)

Subtrai a natureza humana de Jesus, dizendo que Jesus possui


apenas um corpo aparente ou fluídico, além de negar sua
divindade, dizendo que ele jamais afirmou que fosse Deus.10
Jesus não poderia nem deveria, conforme as imutáveis Leis da
Natureza, revestir o corpo material do homem do nosso planeta,
corpo de lama, incompatível com sua natureza espiritual, mas um
corpo fluídico ("Doutrina do Céu da LBV", p. 108).

Agora, o mundo inteiro pode compreender que Jesus, o Cristo de


Deus, não é Deus nem jamais afirmou que fosse Deus ("Doutrina
do Céu da LBV", p. 112).

Outros grupos também subtraem a divindade de Jesus: as

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AS RELIGIÕES E APOLOGÉTICA BÍBLICA

Testemunhas de Jeová dizem que Ele é o arcanjo Miguel na sua


preexistência, sendo a primeira criação de Jeová.

Os adventistas ensinam que Jesus tinha uma natureza


pecaminosa, caída. Dizem, Santificar o sábado ao Senhor
importa em salvação eterna ("Testemunhos Seletos", vol. III, p. 22
— 2 edição, 1956).

Os Kardecistas ensinam que Jesus foi apenas um médium de


Deus. Dizem que Segundo definição dada por um Espírito, ele
era médium de Deus ("A Gênese", p. 311).

Resposta Apologética:

A Bíblia ensina que Jesus éDeus (Jo 1.1; 20.28;Tt 2.13; 1 Jo 5.20
etc). Assim sendo, não pode ser equiparado meramente a seres
humanos ou mitológicos, nem mesmo com os anjos, que o
adoram (Hb 1.6). A Bíblia atesta a autêntica humanidade de
Jesus, pois nasceu como homem (Lc 2.7), cresceu como homem
(Lc 2.52), sentiu fome (Mt 4.2), sede (Jo 19.28), comeu e bebeu
(Mt 11.19; Lc 7.34), dormiu (Mt 8.24), suou sangue (Lc 22.44) etc.
Foi gerado pelo Espírito Santo no ventre da virgem Maria, sendo
portanto, santo, inocente e imaculado (Hb 7.26). É
verdadeiramente Deus (Jo 5.18; 10.39-33; 1 Jo 5.20) e
verdadeiramente homem (Lc 19.10).

3. MULTIPLICAÇÃO

Pregam a auto-salvação. Crer em Jesus é importante, mas não é


tudo. a salvação é pelas obras. às vezes, repudiam publicamente
o sangue de jesus:

a. A Seicho-No-Iê

19
AS RELIGIÕES E A APOLOGÉTICA BÍBLICA

Nega a eficácia da obra redentora de Jesus e o valor de seu


sangue para remissão de pecados, chegando a dizer que se o
pecado existisse realmente, nem os budas todos do Universo
conseguiriam extingui-lo, nem mesmo a cruz de Jesus Cristo
conseguiria extingui-lo.

b. Os mórmons

Afirmam crer no sacrifício expiatório de Jesus, mas sem o


cumprimento das leis estipuladas pela Igreja não haverá
salvação. Outro requisito foi exposto pelo profeta Brigham Young,
que disse: Nenhum homem ou mulher nesta dispensação entrará
no reino celestial de Deus sem o consentimento de Joseph
Smith.12 O Homem tem de fazer o que pode pela própria
salvação ("Doutrinas de Salvação", p. 91, volume III, Joseph
Fielding Smith). Por isso, eles têm grande admiração por Smith.

c. Os adventistas

Por meio de sua profetisa Ellen Gould White, ensinam que a


guarda do sábado implica salvação e que os benefícios da morte
de Cristo nos serão aplicados desde que estejamos vivendo em
harmonia com a lei, que, no caso, é guardar o sábado. Santificar
o sábado ao Senhor importa em salvação eterna ("Testemunhos
Seletos", vol. III, p. 22 - 2' edição, 1956).

d. Doutrinas semelhantes são ensinadas pela Igreja da Unificação


do Rev. Moon

Desdenha os cristãos por acharem que foram salvos pelo sangue


que Jesus verteu na cruz, chegando a dizer que os que assim
ensinam estão enganados. Dizem: Como tem sido vasto o
número de cristãos, durante os 2000 anos de história cristã, que
tinham plena confiança de terem sido completamente salvos pelo

20
AS RELIGIÕES E APOLOGÉTICA BÍBLICA

sangue da crucifixão de Jesus!

e. As Testemunhas de Jeová

Ensinam que a redenção de Cristo oferece apenas a


oportunidade para alguém alcançar sua própria salvação por
meio das obras. Jesus simplesmente abriu o caminho. O restante
é com o homem. Uma de suas obras diz: Trabalhamos
arduamente com o fim de obter nossa própria salvação.14 Outra
declaração: Somos salvos por mais do que apenas crer na
mensagem do Reino de todo o nosso coração; também temos de
declarar publicamente esta mensagem do reino a outros, para
que estes também possam ser salvos para o novo mundo de
Deus ("Do Paraíso Perdido ao Paraíso Recuperado", p. 249
STV).

Resposta Apologética:

A Bíblia declara que todo aquele que nega a existência do


pecado está mancomunado com o diabo, o pai da mentira (Jo
8.44 comparado com 1 Jo 1.8). A eficácia do sangue de Cristo
para cancelar os pecados nos é apresentada como a mensagem
central da Bíblia. E a base do perdão dos pecados (Ef 1.7; 1 Jo
1.7-9; Ap 1.5).

Com respeito à salvação pelas obras, a Bíblia é clara ao ensinar


que somos salvos pela graça, por meio da fé, e isso não vem de
nós, é dom de Deus, não vem das obras, para que ninguém se
glorie (Ef 2.8-9). Praticamos boas obras não para sermos salvos,
mas porque somos salvos em Cristo Jesus, nosso Senhor.

As obras são o resultado da salvação, não o seu agente. O valor


das obras está em nos disciplinar para a vida cristã (Hb 12.5-11;
1 Co 11.31-32). Paulo declara em Cl 2.14-17 que o sábado

21
AS RELIGIÕES E A APOLOGÉTICA BÍBLICA

semanal fazia parte das ordenanças da lei que foram cravadas na


cruz e que não passavam de sombras, indicando assim que o
verdadeiro descanso encontramos em Jesus (Mt 11.28-30).

4. DIVISÃO

Dividem a fidelidade entre Deus e a organização. desobedecer à


organização ou à Igreja equivale a desobedecer a Deus. Não
existe salvação fora do seu sistema religioso, da própria
organização ou igreja.

Quase todas as seitas pregam isso, sobretudo as pseudocristãs,


que se apresentam como a restauração do Cristianismo primitivo,
que, segundo ensinam, sucumbiu à apostasia, afastando-se dos
verdadeiros ensinos de Jesus. Acreditam que, numa determinada
data, o movimento apareceu por vontade divina para restaurar o
que foi perdido. Daí a ênfase de exclusividade. Outras, quando
não pregam que não integram o Cristianismo redivivo, ensinam
que todas as religiões são boas, e que a sua somente será
responsável por unir todas as demais. Dizem que segundo o plano
de Deus ela foi criada para esse fim, como é o caso da fé Bahá’í e
outros movimentos ecléticos.

Resposta Apologética:

O ladrão arrependido ao lado de Jesus na cruz entrou no Céu sem


ser membro de nenhuma dessas seitas (Lc 23.43), pois o pecador
é salvo quando se arrepende (Lc 13.3) e aceita a Jesus como
Salvador único e pessoal (At 16.30-31). Desse modo, ensinar que
uma organização religiosa possa salvar é pregar outro evangelho
(2 Co 11.4; Gl 1.8). Isso implica dividir a fidelidade a Deus com a
fidelidade à organização e tira de Jesus a sua exclusividade de

22
AS RELIGIÕES E APOLOGÉTICA BÍBLICA

conduzir-nos ao Pai (Jo 14.6). Não há salvação sem Jesus (At


4.12; 1 Co 3.11).

F. OUTRAS CARACTERÍSTICAS

1. FALSAS PROFECIAS

As Testemunhas de Jeová, os adventistas, os mórmons e outros já


proclamaram o fim do mundo para datas específicas.

Resposta Apologética:

A Bíblia nos adverte contra os que marcam datas para eventos


como fechamento da porta da graça, a vinda de Jesus (Dt 18.20-22;
Mt 24.23-25; Ez 13.1-8; Jr 14.14).

2. NEGAM A RESSURREIÇÃO

Negam a ressurreição corporal de Cristo, admitindo que Jesus


Cristo tenha ressuscitado apenas em espírito: As Testemunhas de
Jeová, Ciência Cristã, Igreja da Unificação, Kardecismo ensinam
uma ressurreição espiritual de Jesus, afirmando que seu corpo físico
simplesmente foi escondido, ou que se evaporou; outros dizem que
nem sequer ressuscitou (LBV), e ainda outros não acreditam que
tenha morrido na cruz (Rosa cruz, Islamismo etc).

Resposta Apologética:

Quanto à morte e ressurreição de Jesus, a Bíblia afirma que:

a. Jesus morreu realmente. Eis o processo de sua morte:

• A agonia no Getsêmani (Lc 22.44);

• Açoitado brutalmente (Mt 27.26; Mc 15.15; Jo 19.1);

23
AS RELIGIÕES E A APOLOGÉTICA BÍBLICA

• Mãos e pés cravados na cruz (Mt 27.35; Mc 15.24);

• Morte comprovada (Jo 19.33-34);

• Sepultamento (Jo 19.38-40).

b. Ressuscitou corporalmente:

• Ressurreição predita (Jo 2.19-22);

• O túmulo vazio comprova a ressurreição (Lc 24.1-3);

• Suas aparições (Lc 24.36-39; Jo 20.25-28).

c. Negar a ressurreição de Jesus é ser falsa testemunha contra


Deus, pois:

• Essa é a mensagem do Evangelho (1 Co 15.14-17);

• A expressão Filho do Homem designa a forma da sua


segunda vinda e testifica que Jesus mantém seu corpo
ressuscitado (At 7.55-59; Mt 24.29-31; Fp 3.20-21);

• Jesus com corpo glorificado está no céu (1 Tm 2.5).

G. COMO ABORDAR OS ADEPOS DAS SEITAS

O pesquisador Jan Karel Van Baalen afirma: Os adeptos das seitas são
as pessoas mais difíceis de evangelizar. Dentre as razões
apresentadas por Van Baalen, apontamos as seguintes:

• Os adeptos das seitas não são pessoas que devem ser despertadas
para a religião. O herege deixou a fé tradicional em que foi criado e
adotou, segundo pensa, coisa melhor, chegando até mesmo a
hostilizá-la. Ele renunciou ao plano de Deus para salvação em troca
de algum sistema de auto-salvação. Assim, para ele, a firmação do
profeta, todas as nossas justiças são como trapo de imundícia (Is
64.6) não reflete a verdade de Deus.

24
AS RELIGIÕES E APOLOGÉTICA BÍBLICA

• O sectário bem informado é consciente das falhas da religião


protestante e evangélica. Ele não consegue entender a variedade
denominacional. Além disso, pensa que sabe tudo sobre sua fé e
está convencido de que conhece mais acerca do que cremos do que
nós mesmos.

• Muitos adeptos fizeram sacrifícios, contrariaram os seus familiares,


suportaram a zombaria dos amigos etc. Como reconhecer agora que
estão errados e a paz que encontraram não é verdadeira?

Conhecendo a nossa fé

Diante do exposto, diz o pesquisador: Antes de entramos nessa


discussão, estejamos bem seguros do nosso terreno. A resposta
escolar: Eu sei, mas não sei explicar engana somente o estudante. Se
não soubermos responderão argumento do sectário, é só porque não
dominamos os fatos. E nosso conhecimento inadequado que nos
obriga a abandonar o campo derrotados, desonrando o Senhor.

Concordamos não apenas com Van Baalen, mas também com Lutero,
que disse: Se não houvesse seitas,pelas quais o diabo nos
despertasse, tornar-nos-íamos demasiadamente preguiçosos e
dormiríamos roncando para a morte. Aféea Palavra de Deus seriam
obscurecidas e rejeitadas em nosso meio. Agora, essas seitas são para
nós como esmeril para nos polir; elas nos amolam e estão lustrando
nossa fé e nossa doutrina, para se tornarem limpas como um espelho
brilhante. Também chegamos a conhecer Satanás e seus
pensamentos e seremos hábeis em combatê-lo. Assim a Palavra de
Deus torna-se mais conhecida.

25
AS RELIGIÕES E A APOLOGÉTICA BÍBLICA

CAPÍTULO 02

CATOLICISMO ROMANO

A. INTRODUÇÃO

A Igreja Católica Apostólica Romana ou catolicismo romano é um dos


três ramos do Cristianismo que, com os protestantes e ortodoxos,
formam sem dúvida nenhuma o maior grupo dentro do Cristianismo. É
uma religião que influenciou e influencia profundamente o mundo
ocidental e a humanidade de modo geral. Não nos deteremos na
análise da influência político-social exercido por ela. Infelizmente, em
nome de sua tradição contrária às Escrituras, o catolicismo romano
sacrificou o autêntico Cristianismo ao longo dos séculos.

Nós, cristãos, devemos amar os católicos, mas não invalidar a verdade


bíblica. O apóstolo João declarou que temos de ter amor pela verdade:
0 presbítero à senhora eleita, e a seus filhos, aos quais amo na
verdade, e não somente eu, mas também a todos os que têm
conhecido a verdade. Por amor da verdade que está em nós, e para
sempre estará conosco: A graça, a misericórdia e a paz, da parte de
Deus Pai e de Jesus Cristo, o Filho do Pai, serão conosco em verdade
e amor (2 João 1-3). O reformador Martinho Lutero concorda com o
apóstolo João ao declarar que era maldita a união que sacrificasse a
verdade.

Antes de continuarmos, é importante observar que as doutrinas

26
AS RELIGIÕES E APOLOGÉTICA BÍBLICA

comuns entre católicos romanos e evangélicos são muitas, porém, com


pesar, dizemos que as divergências que há entre eles e nós, além de
também serem muitas, são bastante acentuadas. No entanto,
reconhecemos que o catolicismo romano, embora tenha incorporado
muitas doutrinas antibíblicas, preservou também doutrinas
fundamentais do Cristianismo.

B. CONSIDERAÇÕES GERAIS

1. FONTE DE AUTORIDADE RELIGIOSA

A Bíblia e a Tradição - A Igreja Católica Romana afirma que a Bíblia,


por si só, não constitui todo o campo do conhecimento de Deus, e
que, por isso, deve ser suplementada pelos ensinos da tradição. As
verdades que Deus revelou acham-se na Sagrada Escritura e na
tradição ("Terceiro Catecismo de Doutrina Cristã", Editora Vera Cruz
Ltda., Ia edição, agosto de 1976; p. 160, resposta à pergunta 870).

Respondendo à pergunta de como se pode ter consideração à


tradição, foi dito que: A tradição deve ter-se na mesma consideração
em que se tem a Palavra de Deus contida na Sagrada Escritura
("Terceiro Catecismo de Doutrina Cristã", Editora Vera Cruz Ltda., Ia
edição, agosto de 1976; p. 162, resposta à pergunta 887).

Explica a Igreja Católica ainda o que abrange a tradição: A tradição


é a palavra de Deus não escrita, mas comunicada de viva voz por
Jesus Cristo e pelos apóstolos, e que chegou sem alteração, de
século em século, por meio da Igreja, até nós ("Terceiro Catecismo
de Doutrina Cristã", Editora Vera Cruz Ltda., 1a edição, agosto de
1976; resposta à pergunta 885, p. 162). Continua ainda a esclarecer
que os ensinamentos da tradição acham-se principalmente nos

27
AS RELIGIÕES E A APOLOGÉTICA BÍBLICA

decretos dos Concílios, nos escritos dos santos padres, nos atos da
Santa Sé, nas palavras e nos usos da Sagrada Liturgia ("Terceiro
Catecismo de Doutrina Cristã", Editora Vera Cruz Ltda., Ia edição,
agosto de 1976; resposta à pergunta 886, p. 162).

Resposta Apologética:

Sabemos que toda instituição possui suas tradições, uso e


costumes, e que em alguns casos essa tradição é salutar: Então,
irmãos, estai firmes e retende as tradições que vos foram ensinadas,
seja por palavra, seja por epístola nossa (2 Ts 2.15). E louvo-vos,
irmãos,porque em tudo vos lembrais de mim, e retendes os
preceitos como vo-los entreguei (1 Co 11.2) e: Por cuja causa
padeço também isto, mas não me envergonho;porque eu sei em
quem tenho crido, e estou certo de que é poderoso para guardar o
meu depósito até aquele dia. Conserva o modelo das sãs palavras
que de mim tens ouvido, na fé no amor que há em Cristo Jesus.
Guarda o bom depósito pelo Espírito Santo que habita em nós (2Tm
1.12-14). No entanto, quando essa tradição contradiz as Sagradas
Escrituras, ela deve ser rejeitada: Sabendo que não foi com coisas
corruptíveis, como prata ou ouro, que fostes resgatados da vossa vã
maneira de viver que por tradição recebestes dos vossos pais (1 Pe
1.18). A tradição pode tornar-se uma traição ao Evangelho: E assim
invalidastes, pela vossa tradição, o mandamento de Deus (Mt 15.6).
É, sem dúvida nenhuma, um outro evangelho como o apóstolo
Paulo escreveu: Mas, ainda que nós mesmos ou um anjo do céu vos
anuncie outro evangelho além do que já vos tenho anunciado, seja
anátema (Gl 1.8). A Igreja Católica Romana no Concilio de Tolosa,
em 1222, proibiu a leitura da Bíblia aos leigos, passando a tradição
a ter mais autoridade do que a Palavra de Deus. Essa proibição
antibíblica do catolicismo romano nos remete à advertência do

28
AS RELIGIÕES E APOLOGÉTICA BÍBLICA

Senhor Jesus aos judeus: Em vão, porém, me honram, ensinando


doutrinas que são mandamentos dos homens; porque, deixando o
mandamento de Deus, retendes a tradição dos homens; como o
lavar dos jarros e dos copos; e fazeis muitas outras coisas
semelhantes a estas. E dizia-lhes: Bem invalidais o mandamento de
Deus para guardardes a vossa tradição (Mc 7.7-9). É dever de todo
o homem ler a Bíblia. E somos orientados a agir dessa forma pela
própria Palavra (Dt 6.6-7; 31.11-12; Js 1.8; Is 34.16; At 17.11; 2Tm
3.15-17). Os cristãos evangélicos sustentam que, em matéria de fé e
prática, a Bíblia é suficiente. Cremos, ser a Bíblia a Palavra de
Deus, única regra infalível de fée conduta para a vida e o caráter
cristão (Pv 30.5-6; Mt 15.1-3; At 20.27; 1 Ts 2.13; 2 Tm 1.5; 3.15-
17). Aceitamos a tradição que confirma, aponta, indica para a Bíblia,
que está de acordo com as Sagradas Escrituras, e simplesmente
como mero apêndice e nunca igual ou superior à gloriosa Palavra
revelada de Deus: Porque eu testifico a todo aquele que ouvir as
palavras da profecia deste livro que, se alguém lhes acrescentar
alguma coisa, Deus fará vir sobre ele as pragas que estão escritas
neste livro; E, se alguém tirar quaisquer palavras do livro desta
profecia, Deus tirará a sua parte do livro da vida, e da cidade santa,
e das coisas que estão escritas neste livro (Ap 22.18-19).

2. A IGREJA ATRAVÉS DOS SÉCULOS

Não cremos na teoria de que a Igreja tenha se apostatado. Jesus


garantiu: Pois também eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta
Pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não
prevalecerão contra ela; (Mt 16.1%); A esse glória na igreja, por
Jesus Cristo, em todas as gerações, para todo o sempre. Amém (Ef
3.21). Sempre houve os que rejeitavam a autoridade papal e o

29
AS RELIGIÕES E A APOLOGÉTICA BÍBLICA

padrão imposto pela Igreja, eles eram a Igreja de Jesus Cristo.


Dentre eles mencionamos os cátaros, os albigenses, os valdenses.
Deus sempre teve testemunhas na Terra (Gn 6.5-8).

3. O CULTO CATÓLICO

Não é necessário sequer estudar os dogmas da Igreja Católica para


se perceber o seu desvio do Cristianismo autêntico e, para isso,
basta assistir a uma missa. Todo aquele aparato e ritual é
característica do paganismo. Ninguém encontra esse modelo de
culto no Novo Testamento. No culto judaico, do Antigo Testamento,
havia esse aparato por causa do significado e da simbologia com a
vida e obra do Messias, isso está explicado na epístola aos
Hebreus. Além disso, esses ritos judaicos eram apenas no
tabernáculo e depois no templo, nunca nas sinagogas. Nada há em
comum entre a missa da Igreja Católica e o culto cristão registrado
no Novo Testamento. O culto cristão é simples, conforme declara a
Bíblia: Que fareis, pois, irmãos? Quando vos ajuntais, cada um de
vós tem salmo, tem doutrina, tem revelação, tem língua, tem
interpretação. Faça-se tudo para edificação (1 Co 14.26).

4. CRESCIMENTO QUE ASSUSTA

Não temos a intenção de atacar nenhuma religião. Devemos amar e


respeitar os católicos, e ser bons amigos deles. Muitos deles são
tementes a Deus e estão preocupados com a sua salvação.

• É dever de todos respeitar a religião dos outros. Evangelizar não


é sinônimo de desrespeitar a religião e símbolos sagrados dos
outros;

30
AS RELIGIÕES E APOLOGÉTICA BÍBLICA

• Crescendo pelo poder do Espírito Santo. A revoada dos católicos


para as igrejas evangélicas é grande. Isso tem preocupado o
catolicismo romano. Implantaram a Rede Vida, afirmando que a
Igreja cresce por meio de estratégias de marketing. Nós
crescemos e expandimos pelo poder do Espírito Santo, mesmo
sob as perseguições do clero. Jesus disse que quem converte o
homem é o Espírito Santo (Jo 16.8-11).

C. OS LIVROS APÓCRIFOS

Os livros apócrifos nunca fizeram parte do Cânon Sagrado dos judeus,


isto é, na Bíblia hebraica, até hoje. Esses livros e alguns outros
aparecem na Septuaginta. A Bíblia hebraica, ainda hoje, está dividida
em três partes: Lei, Hagiógrafos (Escritos Sagrados) e Profetas.
Segundo Josefo, era essa a divisão da Bíblia do primeiro século. Essa
mesma divisão aparece em Lucas 24.44, sendo que Salmos
representam os Hagiógrafos. Nesse Cânon não constam os apócrifos.

A palavra apócrifo vem do grego apochriphos e significava escondido,


impuro, espúrio (não legítimo). Em 1546, o Concilio de Trento,
convocado pela Igreja Católica, oficializou definitivamente a inclusão,
na Bíblia, de sete livros e quatro acréscimos aos livros canônicos,
como seguem: Tobias, Judite, Sabedoria de Salomão, Eclesiástico,
Baruque, 1 e 2 Macabeus.

1. ACRÉSCIMOS

Ao livro de Ester (10.4;16.24); Cântico dos três Santos Filhos ao


livro de Daniel, de (3.24-90); História de Suzana ao livro de Daniel
(capítulo 13); Bel e o Dragão ao livro de Daniel (capítulo 14).

Esses livros e acréscimos foram denominados de deutero-

31
AS RELIGIÕES E A APOLOGÉTICA BÍBLICA

canônicos: (segundo cânon) pelo referido Concilio, para dar-lhes a


legitimidade que até então não possuíam. A primeira edição da
Bíblia católico-romana com os apócrifos deu-se em 1592, com
autorização do papa Clemente VIII.

2. DIFERENÇAS DOS NOMES DOS LIVROS

A lista dos livros da Bíblia Católica comporta 46 (45, se contarmos


Jeremias e Lamentações juntos) escritos para o Antigo Testamento
e 27 para o Novo:

1.— Gênesis 24.— Provérbios

2.— Êxodo 25.— Eclesiastes (ou Coélet)

3.— Levítico 26.— Cântico dos Cânticos

4.— Números 27.— Sabedoria

5.— Deuteronômio 28.— Eclesiástico (ou Sirácida)

6.— Josué 29.— Isaías

7.— Juízes 30.— Jeremias

8.— Rute 31.— Lamentações

9.—1 Samuel 32.— Baruc

10.— 2 Samuel 33.— Ezequiel

11.— 1 Reis 34.— Daniel

32
AS RELIGIÕES E APOLOGÉTICA BÍBLICA

12.— 2 Reis 35.— Oséias

13.— 1 Crônicas 36—Joel

14.— 2 Crônicas 37.— Amos

15 — Esdras 38.—Abadias

16.— Neemias 39.— Jonas

17.—Tobias 40.— Miquéias

18.— Judite 41.— Naum

19 — Ester 42.— Habacuc

20.— 1 Macabeus 43.— Sofonias

21.— 2 Macabeus 44.— Ageu

22.—Jó 45.— Zacarias

23.— Salmos 46.— Malaquias

Portanto, a Bíblia católica tem 46 livros no Antigo Testamento (7


apócrifos) e 27 no Novo Testamento, perfazendo um total de 73 livros,
diferentemente da Bíblia protestante, que tem 39 livros no Antigo
Testamento e 27 no Novo Testamento, somando 66 livros.

Em algumas edições católicas há diferenças de nomes dos livros:

EDIÇÃO CATÓLICA EDIÇÃO PROTESTANTE

33
AS RELIGIÕES E A APOLOGÉTICA BÍBLICA

1 Reis 1 Samuel

2 Reis 2 Samuel

3 Reis 1 Reis

4 Reis 2 Reis

1 Paralipômenos 1 Crônicas

2 Paralipômenos 2 Crônicas

Esdras Esdras

Esdras Neemias

D. O PAPADO

1. A INSTITUIÇÃO DO PAPADO

Ninguém pode negar a influência político-religiosa do papa entre as


nações, mas, biblicamente, esse cargo não existe. A teoria de que
Pedro foi o primeiro papa não resiste à análise bíblica. A tradição
católica romana diz que Pedro foi papa em Roma durante 25 anos.

O catolicismo afirma que 0 Papa, a quem chamamos também Sumo


Pontífice ou romano Pontífice, é o sucessor de São Pedro na Sede
de Roma, o vigário de Jesus Cristo na terra, e o chefe visível da
Igreja ("Terceiro Catecismo de Doutrina Cristã", Editora Vera Cruz
Ltda., Ia edição, agosto de 1976; p. 44, resposta à pergunta 191).

E mais: Um cristão assim, cuja vida é conduzida pelo Espírito, não


porá nunca em questão a obediência de vida às diretivas da Igreja

34
AS RELIGIÕES E APOLOGÉTICA BÍBLICA

ou do sucessor de Pedro, o Cristo visível na terra ("Sereis Batizados


no Espírito", Haroldo J. Rahm, S.J. e Maria J.R. Lamego, edições
Loyola, São Paulo 1992, 6a edição, p. 38).

As seguintes expressões sobre o papa contrariam a Bíblia:

a. Sumo Pontífice: Jesus é o Sumo Pastor (1 Pedro 5.4); - É a


Ponte ou caminho entre nós e Deus (João 14.6; 1Timóteo 2.5);

b. O Vigário de Jesus é o Espírito Santo e não o papa (João 14.16-


18);

c. O chefe invisível da Igreja é Jesus. Um Cristo visível só pode


ser um falso cristo (Mateus 24.23-24; Efésios 1.20-22).

2. PRERROGATIVAS PAPAIS

Falando das prerrogativas do papa, o ensino católico é o seguinte:

Pode errar o papa ao ensinar a Igreja?

O papa não pode errar, quer dizer, é infalível nas definições que
dizem respeito à fé e aos costumes ("Terceiro Catecismo de
Doutrina Cristã", Editora Vera Cruz Ltda., Ia edição, agosto de 1976;
p. 45, resposta à pergunta 196).

Nota: Todo o homem é falível (Romanos 3.3-4; Mateus 23.9-11) o


único infalível é Jesus, cujas palavras não passarão (Mateus 24.35).

3. SUPOSTO APOIO BÍBLICO

Para fazer essas bombásticas declarações, o papa se vale da


pessoa de Pedro. Cita a confissão de Pedro em Mateus 16.16-19: E
Simão Pedro, respondendo, disse: Tu és o Cristo, o Filho do Deus
vivo. E Jesus, respondendo, disse-lhe: Bem-aventurado és tu,

35
AS RELIGIÕES E A APOLOGÉTICA BÍBLICA

Simão Barjonas, porque to não revelou a carne e o sangue, mas


meu Pai, que está nos céus. Pois também eu te digo que tu és
Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do
inferno não prevalecerão contra ela; e eu te darei as chaves do reino
dos céus; e tudo o que ligares na terra, será ligado nos céus, e tudo
que desligares na terra será desligado nos céus. Dessa passagem,
a Igreja Católica Romana derivou o seguinte raciocínio: Pedro é a
rocha sobre a qual a Igreja Católica está edificada.

A ele foi dado o poder das chaves, e, portanto, só ele pode abrir a
porta do Reino dos céus. Só ele pode ligar e desligar. Pedro tornou-
se o primeiro bispo de Roma e, com isto, distinguiu aquela cidade
como o centro do governo eclesiástico e espiritual, que deve reger
todas as igrejas em toda parte. Finalmente, por sucessão
ininterrupta, toda a autoridade dada a Pedro foi conferida, até
nossos dias, à extensa linhagem de bispos e papas, todos vigários
de Cristo sobre a Terra (Teoria da Sucessão Apostólica).

4. A EXEGESE DE MATEUS 16.16-19

A expressão sobre esta pedra relaciona-se com a resposta de


Pedro, Tu és o Cristo, o Filho de Deus vivo. É sobre Cristo que a
Igreja foi edificada, e não sobre Pedro. Jesus afirmou que Ele
mesmo era a Pedra (Mt 21.42). Essa afirmação é uma interpretação
veraz do Salmo 118.22-24. O próprio Pedro identifica Jesus como a
Pedra (At 4.11-12; 1 Pe 2.4-6). Se Pedro foi papa durante 25 anos,
então existe algo errado, já que esse apóstolo foi martirizado no
reinado de Nero, por volta de 67 ou 68 a.D. Subtraindo desta data
25 anos, retrocederemos ao ano 42 ou 43 a.D. Nessa época não
havia ocorrido ainda o Concilio de Jerusalém (At 15), que se deu
mais ou menos no ano 48 a.D., ou um pouco depois. Pedro

36
AS RELIGIÕES E APOLOGÉTICA BÍBLICA

participou do Concilio, mas foi Tiago quem o realizou e presidiu (At


15.13-19). Em 58 a.D., Paulo escreveu a epístola aos Romanos. E
no capítulo 16 mandou saudação para muita gente em Roma, mas
Pedro sequer é mencionado. Por outro lado, Paulo chegou a Roma
no ano 62 a.D. e foi visitado por muitos irmãos (At 28.30-31).
Todavia, nesse período, não há nenhuma menção a Pedro ou a
algum papa. O apóstolo Paulo escreveu quatro cartas de Roma:
Efésios, Colossenses e Filemom (62 a.D.) e Filipenses (entre 67 e
68). Pedro não é mencionado em nenhuma delas. Novamente, não
se tem notícia desse suposto papa. Assim, não existe fundamento
bíblico nem subsídio histórico para consubstanciar a figura do papa.
Ainda sobre o poder concedido a Pedro, estaria Jesus outorgando
autoridade para que outras pessoas a exercessem de forma singular
como outra cabeça da Igreja? Devemos considerar o texto em
estudo e seu contexto em relação a:

Enquanto Pedro é mencionado na segunda pessoa (tu), a expressão


esta pedra está na terceira pessoa.

Pedro (petros) é um substantivo masculino, enquanto pedra {petra)


é um feminino singular. Conseqüentemente, essas palavras não têm
a mesma referência. Ainda que Jesus tivesse falado em aramaico, o
original grego inspirado traz as distinções.

A mesma autoridade concedida a Pedro por Jesus estende-se


também a todos os apóstolos em Mateus 18.18.

Pedro não era representante dos demais apóstolos. Em Mateus


16.23 encontramos Pedro sendo repreendido por Cristo à parte dos
apóstolos. Os demais apóstolos, por sua vez, também foram
exortados por Jesus na mesma ocasião. Se Pedro tivesse de fato
primazia sobre seus companheiros de ministério, Jesus não o teria
repreendido longe deles (w. 22-23).

37
AS RELIGIÕES E A APOLOGÉTICA BÍBLICA

5. AUTORIDADES CATÓLICAS DIVERGEM

O impressionante é que até mesmo certas autoridades católicas


estão de acordo que a referência estudada não diz respeito a Pedro,
o destaque aqui para João Crisóstomo e Agostinho. Escreveram:
Nesta pedra, então, disse Ele, a qual tu confessaste. Eu construirei
minha Igreja. Esta Pedra é Cristo; e nesta fundação o próprio Pedro
construiu ("Agostinho - Comentário sobre o Evangelho de João").

Se considerarmos o fato de que Pedro é uma pedra não-angular,


assim como alguns não-católicos acreditam, chegamos à conclusão
de que ele não era a única pedra na fundação da Igreja. E notável
que Jesus deu a todos os apóstolos o mesmo poder para ligar e
desligar (Mt 18.18). Essa autoridade era comum aos rabinos, que
tinham o privilégio para dar permissão e proibir. Não se tratava de
uma porção de poder concedido somente a Pedro, mas também à
Igreja, pela qual proclamamos o Evangelho, o perdão de Deus e seu
julgamento aos impenitentes. Em Efésios 2.20 encontramos que a
Igreja fora constituída sob a fundação dos apóstolos e dos profetas,
sendo o próprio Cristo Jesus a pedra angular. Assim, todos os
apóstolos, e não somente Pedro, são a fundação da Igreja. Contudo,
o único que tem preeminência sem igual é Cristo, a pedra angular. O
próprio Pedro referiu-se ao Senhor Jesus como o fundamento da
Igreja (1 Pe 2.7). Os demais crentes, portanto, são as pedras vivas
(v. 5) nessa edificação. Não há nenhuma indicação de que a Pedro
fosse determinado, acima dos demais apóstolos, um lugar de
proeminência na fundação da Igreja. O papel de Pedro, no Novo
Testamento, está longe da reivindicação católica romana de que ele
tinha e era autoridade sobre seus companheiros. Embora o
encontremos como orador principal no dia de Pentecostes, sua

38
AS RELIGIÕES E APOLOGÉTICA BÍBLICA

atuação no restante do livro de Atos é escassa, sendo ele


considerado como um dos apóstolos. De forma muito clara, Paulo
falou o seguinte: em nada fui inferior aos mais excelentes apóstolos
(2 Co 12.11). Será que uma leitura mais cuidadosa da carta aos
Gálatas fará com que aceitemos que algum apóstolo foi superior a
Paulo? Creio que não. Pois Paulo reivindicou para si uma revelação
independente dos demais apóstolos (Gl 1.12; 2.2), reconheceu que
seu chamado era semelhante ao ministério de Pedro (Gl 2.8), a
ponto de usar de sua autoridade para repreender a Pedro (Gl 2.11-
14). O fato de Pedro e João serem enviados pelos demais apóstolos
a uma missão especial em Samaria demonstra que Pedro não tinha
uma posição superior entre eles (At 8.4-13). Se Pedro era superior
aos demais, por que é dispensada ao ministério de Paulo uma
atenção maior, fato constatado nos capítulos 13-28? No primeiro
concilio realizado em Jerusalém (At 15) a decisão final não partiu de
Pedro, mas, sim, dos apóstolos e dos anciãos. Além disso, foi Tiago,
e não Pedro, que presidiu o conselho (At 15.13). Em momento
algum, já que era superior aos demais apóstolos, Pedro reivindicou
ser pastor das igrejas, antes exortou os presbíteros para que
cuidassem do rebanho de Deus (1 Pe 5.1-2). Embora reconhecesse
ser um apóstolo (1 Pe 1.1), ele não se intitulou o apóstolo, ou chefe
dos apóstolos. Sabia que era apenas uma das colunas da Igreja,
com Tiago e João, e não a coluna principal(Gl 2.9). Contudo, foi
falível em sua natureza. Somente a Palavra de Deus é infalível. Isto
não quer dizer que ele não teve um papel significante na vida da
Igreja. Segundo afirmação do catolicismo romano, os sucessores de
Pedro ocupam sua cadeira. Quando, portanto, analisamos as
Escrituras, encontramos critérios específicos para o apostolado (At
1.22; 1 Co 9.1; 15.5-8), de modo que n%o poderia haver sucessão
apostólica no bispado de Roma ou em qualquer outra igreja. Quanto

39
AS RELIGIÕES E A APOLOGÉTICA BÍBLICA

às chaves entregues simbolicamente a Pedro, elas não significam


que ele tinha poder para fazer entrar no céu quem ele quisesse.
Essas chaves representam a propagação do Evangelho, pela qual
todos os pregadores, e não Pedro apenas, podem abrir as portas
dos céus aos pecadores que desejam ser salvos. Jesus foi explícito
e enfático ao ordenar a divulgação das boas-novas em Lucas 24.46-
47. A mensagem de salvação produz arrependimento. E
arrependimento é fé na pessoa e obra de Cristo, ou seja, em sua
morte e ressurreição. Pedro abriu as portas do céu para os seus
ouvintes no dia de Pentecostes (At 2.37-41); na casa de Cornélio (At
10.42-43).

E. O MARIOCENTRISMO CATÓLICO ROMANO (MARIOLATRIA)

A Igreja Católica Apostólica romana tributa a Maria, mãe de Jesus,


vários títulos e honrarias que pertencem exclusivamente a Jesus
Cristo. Com isso não concordam os evangélicos e isto tem provocado
uma animosidade entre católicos e evangélicos, julgando os católicos
que os evangélicos desrespeitam Maria, mãe de Jesus. E uma situação
que logo vem à baila quando falamos com os católicos sobre Maria. Os
evangélicos se esforçam para respeitar Maria dentro do que diz a Bíblia
sobre ela, enquanto o ensino católico no Brasil sobre Maria é tão fora
da Bíblia que o culto que se presta a Maria pode ser visto como
simplesmente Mariolatria. Essa nossa colocação é vista como
imprópria pelos católicos, no entanto, a Igreja Romana, na ansiedade
de defender eprovar seus ensinos sobre Maria, tornou-se
Mariocêntrica, diferente do cristão, que é Cristocêntrico.

• O Que é Cristocêntrico? É ter Jesus Cristo como centro da fé,


como a Bíblia Sagrada nos ensina, ter a Jesus como único e
suficiente salvador, mediador, consolador;

40
AS RELIGIÕES E APOLOGÉTICA BÍBLICA

• O Que é Mariocêntrico? É ter Maria como centro da fé, como


mediadora, consoladora, intercessora, advogada;

Pode Ser o Cristão Cristocêntrico e Mariocêntrico? Não, ninguém pode


servir a dois senhores (Mt 6.24), há um só senhor, (1 Co 8.5-6), há um
só salvador (At 4.12), há um só mediador (1 Tm 2.5).

Dogma da Igreja Romana


Ensino da Bíblia Sobre Maria
Sobre Maria

1. - Maria, Mãe de Deus 1. - Maria, Mãe de Jesus (Mt


Concilio de Éfeso, 431 1.18-25)

2.-Maria, Sempre Virgem Ela


teria se mantido nessa 2. - Maria, teve Outros Filhos
condição por toda a vida. (Mt 1.25; Mc 6.3-4; 4.31-35)
Dogma aceito no quarto século

3. - Maria, Imaculada Foi


concebida e nasceu livre do 3. - Maria, Nasceu Sob
pecado Original. Dogma decla- Pecado (Lc 1.47; Rm 3.23;
rado pelo papa Pio IX, em 5.12)
1854

4. - Maria, Assunta ao Céu O


corpo de Maria subiu ao céu. 4. - Maria, aguarda a
Dogma .Declarado pelo papa Ressurreição (1Ts 4.13-18)
Pio XII, em 1950

Vejamos outros exemplos do Mariocentrismo católico: Existe mais

41
AS RELIGIÕES E A APOLOGÉTICA BÍBLICA

Igrejas Romanas em honra, louvor, adoração e homenagem a Maria,


do que a Jesus Cristo;

O terço romano:

O Rosário se divide em três Terços: Mistérios Gozosos, Dolorosos e


Gloriosos. O Terço é um conjunto de Ave-Marias e Pai-Nossos. São
cinqüenta Ave-Marias rezadas em grupos de dez, que se chamam
Mistério. Após cada Mistério segue um Pai-Nosso. O Terço é a terça
parte do Rosário ("Rezemos o Terço", Pe. José Geraldo Rodrigues.
Editora Santuário - Aparecida-SP, 1996, pp. 4-5). Se ora mais a Maria,
que ao Pai.

Até na idolatria, ou na construção de imagens de esculturas, se faz


mais imagens de Maria, do que de Jesus Cristo. Os católicos romanos
colam mais adesivos de Maria em seus veículos do que os de Jesus.

Há mais aparições, sonhos, revelações aos adeptos da Igreja Romana


de Maria do que de Jesus.

1. A VIRGEM MARIA

O padre católico André Carbonera em um artigo denominado de


Pascoladas declara algo que vai mais além do que uma crítica aos
evangélicos em decorrência da nossa posição bíblica com relação
aos títulos e honrarias que os católicos tributam a Maria.

Muitos afirmam crer em Jesus, mas têm ódio da Mãe do mesmo


Jesus... Ah, eu adoro Jesus! Tenho Jesus no meu coração. Jesus é
meu tudo. Entretanto, desconhecem, negam, rejeitam e insultam a
Mãe de Jesus... em nosso peregrinar terráqueo, quanto mais
pistolões houver, melhor! Por que jogar fora, então, aqueles que
pedem e rezam por nós, bem pertinho de Deus e de Jesus, como
Maria e os Santos? Sena uma inútil auto-suficiência e uma enorme

42
AS RELIGIÕES E APOLOGÉTICA BÍBLICA

burrice...!

Primeiramente deixamos claro que não odiamos Maria, mãe de


Jesus. Só queremos vê-la no seu próprio lugar indicado na Bíblia.
Como poderíamos odiar Maria? E uma acusação sem fundamento.
Em toda a literatura evangélica sobre a identidade de Maria não
pode ser encontrado algo que possa justificar essa acusação tão
absurda. Amamos Maria como a mãe de Jesus como apresentada
na Bíblia.

Para desfazer esse equívoco, nada melhor do que apresentar o que


a Bíblia realmente fala de Maria e depois confrontar com a posição
católica sobre Maria.

Para esse confronto vamos examinar o livro "Glórias de Maria" de S.


Afonso de Ligório, doutor da Igreja e fundador da congregação do
Santíssimo Redentor. O nome da editora é Editora Santuário, de
Aparecida, onde se situa o Santuário da Conceição Aparecida. Os
editores informam que o livro é uma das obras mais conhecidas do
santo doutor. Um livro que, em 23 7 anos, teve 800 edições, ainda
que marcado pelo tempo, não precisa de justificativas para ser
reeditado. Abordando o valor do livro o tradutor assim se pronuncia:
Com as Glórias de Mana ergueu Afonso um perene monumento de
seu terno e vivíssimo amor a Mãe de Deus ("Glórias de Maria". S.
Afonso de Ligório, Editora Santuário - Aparecida - SP, p. 13).

Diz ainda o tradutor: São freqüentes no presente livro as referências


a Revelações. Que pensar sobre tais Revelações? Tais Revelações
feitas por Deus mesmo, ou por meio de anjos e santos, são
possíveis, são reais, e sempre existiram na Igreja. Pertencem à
categoria das graças extraordinárias de Deus ("Glórias de Maria", S.
Afonso de Ligório, Editora Santuário, Aparecida - SP, p. 15).

43
AS RELIGIÕES E A APOLOGÉTICA BÍBLICA

Não pode ser alegado, pois, que se trata de obra não reconhecida
pela Igreja Católica Romana.

Nesse confronto verificamos que os títulos e honrarias prestados a


Jesus na Bíblia são transferidos a Maria, colocando-a, em diversas
oportunidades, como alguém que se deve recorrer, de preferência, à
pessoa augusta e soberana de nosso Senhor Jesus Cristo.

a. Maria é deusa para os católicos?

Os católicos manifestam seu sentimento de profunda tristeza


quando afirmamos que Maria é reconhecida como deusa no
catolicismo. Dizem que não estamos sendo honestos nessa
declaração, mas os fatos falam por si mesmos.O livro "Glórias de
Maria" atribui a Maria toda a honra e toda a glória que a Bíblia
confere ao Senhor Jesus Cristo. Chama Maria de onipotente e
por outros atributos divinos.

Sois onipotente, ó Maria, visto que vosso Filho quer vos honrar,
fazendo sem demora tudo quanto vós quereis. Os pecadores só
por intercessão de Maria obtêm o perdão. O, mãe de Deus, vossa
proteção traz a imortalidade; vossa intercessão, a vida. Em vós,
Senhora, tenho colocado toda a minha esperança e de vós
espero minha salvação, ...Maria é toda a esperança de nossa
salvação, ...acolhei-nos sob a vossa proteção se salvos nos
quereis ver; pois só por vosso intermédio esperamos a salvação
("Glórias de Maria", S. Afonso de Ligório, Editora Santuário -
Aparecida - SP, edição de 1989, pp. 76-77,147).

Pedro recomenda: Antes crescei na graça e conhecimento de


nosso Senhor e Salvador, Jesus Cristo. A ele seja dada a glória,
assim agora, como no dia da eternidade. Amém (2 Pe 3.18).
Quando conhecemos melhor o Jesus da Bíblia não podemos

44
AS RELIGIÕES E APOLOGÉTICA BÍBLICA

concordar com os títulos e honrarias que se prestam a Maria,


pois acreditamos que nem mesmo Maria aceitaria a transferência
para ela das honras que são exclusivas ao seu Filho - nosso
Senhor e Salvador Jesus Cristo.

2. POSIÇÃO DE MARIA NA BÍBLIA

Maria procurou interferir na obra salvífica de Jesus por três vezes


durante o seu ministério. A primeira vez que Maria assim o fez foi
quando Jesus visitou o templo, na idade de 12 anos. E quando o
viram, maravilharam-se, e disse-lhe sua mãe: Filho, por que fizeste
assim para conosco? Eis que teu pai e eu, ansiosos, te
procurávamos. E ele lhes disse: Por que é que me procuráveis? Não
sabeis que me convém tratar dos negócios de meu Pai? (Lc 2.48-
49).

Na segunda vez foi na festa de casamento, em Caná da Galiléia: E,


faltando o vinho, a mãe de Jesus lhe disse: Não têm vinho. Disse-
lhe Jesus: Mulher, que tenho eu contigo? Ainda não é chegada a
minha hora (Jo 2.3-4).

E a terceira vez foi em Cafarnaum, quando Jesus estava pregando:


Chegaram, então, seus irmãos e sua mãe; e, estando de fora,
mandaram-no chamar. E a multidão assentada ao redor dele, e
disseram-lhe: Eis que tua mãe e teus irmãos te procuram e estão lá
fora. E ele lhes respondeu, dizendo: Quem é minha mãe e meus
irmãos? E, olhando em redor para os que estavam assentados junto
dele disse: Eis aqui minha mãe e meus irmãos. Portanto qualquer
que fizer a vontade de Deus, esse é meu irmão, e minha mãe (Mc
3.31-35).

Mesmo quando Jesus foi interrompido no seu discurso por uma

45
AS RELIGIÕES E A APOLOGÉTICA BÍBLICA

mulher que elogiava Maria por lhe ter amamentado e lhe dado à luz,
Jesus não elogiou a mulher: Disse a mulher: Bem-aventurado o
ventre que te trouxe e os peitos em que mamaste! Mas ele disse:
Antes, bem-aventurados os que ouvem a palavra de Deus e a
guardam (Lc 11.27-28). Jesus assim falando, afirmou que existe
mais bem-aventurança em ouvir a Palavra de Deus e guardá-la do
que ter sido filho de Maria.

Em outras ocasiões mencionadas na Bíblia onde Maria aparece,


notamos o seguinte:

• Maria, ao receber a notícia que seria mãe do Salvador, se


pronunciou como necessitada de um Salvador: Disse, então,
Maria: A minha alma engrandece ao Senhor, e o meu espírito se
alegra em Deus, meu Salvador (Lc 1.46-47).

• Quando os magos visitaram Jesus, na sua infância, dirigiram-se a


Jesus e não a Maria. E o que lemos em Mateus 2.11: E,
entrando na casa, acharam o menino com Maria, sua mãe, e,
prostrando-se, o adoraram. como se vê, os magos não adoraram
Maria, mas adoraram Jesus.

• A última referência bíblica a Maria é a que se vê em Atos 1.14


quando ela se encontrava em oração com os demais seguidores
de Jesus: Todos estes perseveravam unanimemente em oração
e súplicas, com as mulheres, e Maria, mãe de Jesus, e com seus
irmãos. Fora isso, nada mais se lê no livro de Atos sobre Maria,
assim como em todo o restante do Novo Testamento.

3. TÍTULOS E HONRARIAS

Existem cerca de 150 títulos dados a Jesus Cristo na Bíblia e que os


cristãos precisam conhecer. Se não todos, pelo menos alguns deles

46
AS RELIGIÕES E APOLOGÉTICA BÍBLICA

devem ser conhecidos. Certamente isso evitará que aceitemos que


os títulos atribuídos a Jesus sejam passados para Maria, sua mãe.

4. CONFRONTO ENTRE A POSIÇÃO DE MARIA NA IGREJA


CATÓLICA ROMANA E A POSIÇÃO BÍBLICA

Declarações Blasfemas:

Isso motiva então as palavras de Eádmero ao afirmar que nossa


salvação será mais rápida, se chamarmos por Maria, do que se
chamarmos por Jesus ("Glórias de Maria", S. Afonso de Ligório,
Editora Santuário - Aparecida - SP, edição 1989, p. 208).

NOTA: Hebreus 7.25 afirma que a nossa salvação é efetuada


inteiramente por Jesus.

Há muito tempo teria já cessado de existir o mundo, assevera Fábio


Fulgêncio, se não o tivesse Maria sustentado com suas preces
("Glórias de Maria", S. Afonso de Ligório, Editora Santuário -
Aparecida - SP, edição 1989, p. 209).

Nota: Lemos em Hebreus 1.3 que o mantenedor do universo é


Jesus.

Podemos, entretanto, ir seguramente a Deus e dele esperar todos


os bens, diz Amoldo de Chartres, agora que temos o Filho como
nosso medianeiro, junto ao Pai, e a Mãe como nossa medianeira
junto ao Filho. Como poderia o Pai deixar desatendido ao Filho,
quando este lhe mostra as chagas recebidas por amor aos
pecadores? E como poderia o Filho desatender à Mãe, mostrando-
lhe esta os seios que o sustentaram? ("Glórias de Maria", S. Afonso
de Ligório, Editora Santuário -Aparecida - SP, edição 1989, p. 209).

Maria livra do inferno a seus devotos. Um verdadeiro devoto de

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AS RELIGIÕES E A APOLOGÉTICA BÍBLICA

Maria não se perde ("Glórias de Maria", S. Afonso de Ligório, Editora


Santuário - Aparecida - SP, edição 1989 p. 182).

É impossível salvar-se quem não é devoto de Maria e não vive sob


sua proteção, diz S. Anselmo, e também é impossível que se
condene a Virgem, e por ela é olhado com amor ("Glórias de Maria",
S. Afonso de Ligório, Editora Santuário - Aparecida - SP, edição
1989, p. 183).

Nota: Em relação a esse ensino, a posição evangélica é a de que há


um só Deus e um só Mediador entre Deus e os homens, Cristo
Jesus, homem (1 Tm 2.5). Ouvindo a Palavra de Deus: De sorte que
a fé é pelo ouvir, e o ouvir pela palavra de Deus (Rm 10.17), o
Espírito Santo convence o pecador do pecado da incredulidade (Jo
16.7-9) e ele recebe a Cristo como Senhor e Salvador dele e recebe
o perdão de pecados e a certeza de que agora é filho de Deus (Jo
1.12; 1 Jo 2.1-2,12; 3.1-3), com direito à herança no céu (Jo 14.2-3).
Jesus nos livra da ira vindoura (Mt 25.34; Rm 8.1; Hb 7.25).

No livro "Sereis Batizados no Espírito", Haroldo J. Rahm, S.J. e


Maria J.R. Lamego, Edições Loyola, São Paulo 1992, 6~ edição, p.
38 o escritor apresenta as vantagens da renovação carismática para
os católicos, ao dizer: Nova Apreciação da Igreja, da Liturgia, da
Eucarística, de Maria.

O Padre Marcelo declara: Maria nunca foi motivo de vergonha para


Deus, mas motivo de muita alegria. Em sua humildade, fidelidade e
capacidade de amar, tornou-se divina. Encontrou-se a si mesma no
mistério profundo do amor do Senhor. Aqui veremos o que fazer
para ter contato maior com a nossa Mãe que, em todos os
momentos, por sua intercessão, nos guarda em seu coração e nos
conduz à santidade ("Aprendendo a dizer sim com Maria", Pe.
Marcelo M. Rossi, Editora Vozes, 1998, p. 7).

48
AS RELIGIÕES E APOLOGÉTICA BÍBLICA

5. A ASSUNÇÃO DE MARIA

O ensino católico é:

Na festa da Assunção da Santíssima Virgem, a Igreja celebra a


morte preciosa e a gloriosa assunção da Virgem Maria ao Céu. Com
a alma de Maria foi levada ao Céu também o seu corpo. A assunção
de nossa Senhora em corpo e alma ao céu foi definida pelo Santo
Padre Pio XII, em 1o de novembro de 1950 ("Terceiro Catecismo de
Doutrina Cristã", Editora Vera Cruz Ltda., Ia edição, agosto de 1976;
p. 219, resposta às perguntas 173,175).

NOTA: Jesus é chamado as primícias dos mortos (1 Co 15.20) e a


próxima ressurreição, em corpo glorificado, se dará na segunda
vinda de Jesus (1 Co 15.22-23, 51-54; 1 Ts 4.16-17).

6. MARIA, MÃE DE DEUS

O catolicismo romano, contrariando o Evangelho de João 2.1-2 —


mãe de Jesus, considera Maria como se ela tivesse atributos da
divindade, atribuindo-lhe os títulos: co-Redentora; Advogada;
Refugio dos Pecadores; Arca de Noé; Medianeira etc.

Resposta Apologética:

Um dos motivos desse entendimento católico se dá devido à


interpretação incorreta do título Theotókos {mãe de Deus) dado a
Maria. No Evangelho de João 2.1-2, diz: mãe de Jesus, que na
língua grega é meter ton Iesous. O título Mãe de Deus do grego
Theotókos, foi dado a Maria no Concilio de Efeso, em 431 a.C.
Theotókos, Deípara, era menos assustador do que o português Mãe
de Deus, realçava mais a divindade do Filho do que o privilégio da

49
AS RELIGIÕES E A APOLOGÉTICA BÍBLICA

mãe. Exaltava a pessoa de Jesus, reafirmando sua divindade (basta


verificar nos documentos da Igreja Os Anátemas de Cirilo de
Alexandria, que toda ênfase é dada à pessoa de Jesus). O
importante documento intitulado Tomo de Leão declara: o Senhor
tomou da mãe a natureza, não a culpa. Leão, bispo de Roma (440-
461), acreditava que Maria deu a Jesus a natureza humana e não
cria na Imaculada Concepção de Maria, já que ele acertadamente
diz que o Filho não herdou a culpa da mãe. Finalmente, temos de
considerar ainda que o título Theotókos foi aplicado como: mãe de
Deus, segundo a humanidade. Assim disse o Concilio de
Calcedônia: em todas as coisas semelhante a nós, excetuando o
pecado, gerado, segundo a divindade, antes dos séculos pelo Pai,
segundo a humanidade, por nós e para nossa salvação, gerado da
Virgem Maria, mãe de Deus [Theotókos]. Um só e mesmo Cristo,
Filho, Senhor, Unigênito, que se deve confessar, em duas
naturezas, inconfundíveis e imutáveis, conseparáveis e indivisíveis
("Definição de Calcedônia" — 451). Portanto, o título dado a Maria
não tencionava ensinar que, de alguma maneira misteriosa, Maria
dera à luz a Deus; o termo fazia parte de um argumento contra a
cristologia duvidosa dos nestorianos. A intenção da mensagem era:
Maria não deu à luz a um mero homem. Mas não havia qualquer
intenção de ensinar que Maria era a origem da natureza divina de
Cristo. Assim sendo, Maria não possui atributos divinos. Os títulos
Redentor; Advogado; Refúgio dos Pecadores; Salvador; Mediador
etc.são exclusivos do Senhor Jesus (Mt 1.21; 1 Jo 2.1; Mt 11.28-30;
Jo 14.6; 1 Co 3.11; 1 Tm 2.5).

7. ORAÇÃO A MARIA

Sim desde que Jesus Cristo se dignou escolher Maria por Mãe,

50
AS RELIGIÕES E APOLOGÉTICA BÍBLICA

estava como Filho realmente obrigado a obedecer-lhe, diz S.


Ambrósio. Tem Maria o grande privilégio de ser poderosíssima junto
ao Filho, diz Conrado de Saxônia ("Glórias de Maria", S. Afonso de
Ligório, Editora Santuário - Aparecida - SP, edição 1989, p. 151).

Ó Maria, querida advogada nossa, na rica piedade de vosso coração


não podeis ver infelizes sem que deles tenha compaixão; e na
riqueza de vosso poder junto de Deus salvais a todos quantos
protegeis ("Glórias de Maria", S. Afonso de Ligório, Editora
Santuário -Aparecida - SP, edição 1989, p. 153).

Nota: A Bíblia aponta Jesus como único advogado (1 Jo 2.1).

Falai, ó minha Senhora - dir-vos-ei com S. Bernardo, falai, porque


vosso divino Filho vos escuta, e tudo o que lhe pedirdes vo-lo
concederá. O Mana, advogada nossa, falai então em favor dos
miseráveis pecadores ("Glórias de Maria", S. Afonso de Ligório,
Editora Santuário - Aparecida - SP, edição 1989, pp. 158-159).

Nota: Nas bodas de Caná Jesus não atendeu a sua mãe (Jo 2.1-5).

Rogai, pois, ó Maria, rogai por nós; intercedei por nós e sereis
atendida e nós seremos salvos com certeza ("Glórias de Maria", S.
Afonso de Ligório, Editora Santuário — Aparecida — SP , edição
1989, p. 159).

Nota: A oração deve ser dirigida ao Pai em nome de Jesus (Jo


14.13-14).

Resposta Apologética:

Separadamente da obra redentora efetuada na cruz (Hb 10.20), não


há outro modo para quem quer que seja se aproximar de Deus (Jo
14.6). Portanto, orar a Maria: Tem piedade de nós pecadores, não é
somente inútil, é uma blasfêmia. Maria não tem lugar no plano de
salvação, a não ser o lugar que lhe coube como mãe de Jesus.

51
AS RELIGIÕES E A APOLOGÉTICA BÍBLICA

Quando o anjo falou a José a respeito de Maria, ele disse: E dará à


luz um filho e chamarás o seu nome Jesus; porque ele salvará o seu
povo dos seus pecados (Mt 1.21). Desde que Jesus disse: Todo o
que o Pai me dá virá a mim; e o que vem a mim de maneira
nenhuma o lançarei fora (Jo 6.37; Mt 11.28), não há necessidade de
que qualquer ser humano, ou mesmo anjo, lembre a Jesus a
promessa que nos fez. Orar a Maria é, nada mais nada menos, do
que colocar em dúvida a certeza das palavras: Mas Deus prova o
seu próprio amor para conosco, pelo fato de ter Cristo morrido por
nós, sendo nós ainda pecadores (Rm 5.8). Antes que a Igreja
Católica Romana existisse, já as antigas religiões pagas tinham
suas Mães Misericordiosas, por exemplo, a deusa Kuanyin dos
budistas e a rainha dos céus dos babilônios (Jr 7.18; 44.17-23-25). A
assunção de Maria se dará com a de todos os crentes por ocasião
do arrebatamento na segunda vinda de Jesus (1 Co 15.51-54; 1 Ts
4.16-17). Cristo é as primícias dos mortos e os que são dele
participarão da ressurreição na mesma ocasião (1 Co 15.20-23).

8. PERGUNTAS A SEREM FEITAS AOS CATÓLICOS

a. Como podem os católicos ensinar que Maria foi sempre virgem


quando as Escrituras freqüentemente falam dos irmãos de
Jesus? (Mt 12.46; Mc 3.31-35; Lc 8.19,21; Jo 7.3; At 1.14);

b. As palavras antes de se ajuntarem (Mt 1.18) e: E deu à luz a seu


filho primogênito (Lc 2.7) não implicam que Maria teve outros
filhos?

c. Por que ensinam os católicos que Maria foi concebida sem


pecado se a Bíblia declara: Se dissermos que não temos pecado,
enganamo-nos a nós mesmos, e não há verdade em nós (1 Jo

52
AS RELIGIÕES E APOLOGÉTICA BÍBLICA

1.8);

d. Pode oferecer uma prova bíblica ou histórica de que Maria


ascendeu ao céu em corpo glorificado?

e. O que diz sobre as palavras de Jesus em Caná da Galiléia:


Disse-lhe Jesus: Mulher, que tenho eu contigo? Ainda não é
chegada a minha hora (João 2.4)?

f. Não disse Jesus sobre Maria, em resposta às palavras de uma


mulher da multidão, que dizia, bem-aventurado o ventre que te
trouxe e os peitos em que mamaste, mas ele disse: Antes bem-
aventurados os que ouvem a palavra de Deus e a guardam (Lc
11.28);

g. Não disse Jesus: Mas, respondendo ele, disse-lhes: Minha mãe e


meus irmãos são aqueles que ouvem apalavra de Deus e a
executam (Lc 8.21)?

h. Não repreendeu Jesus os que usam de repetições em suas


orações, dizendo: E, orando, não useis de vãs repetições, como
os gentios, que pensam que por muito falarem serão ouvidos (Mt
6.7);

i. Por que orar a Maria, quando a Bíblia ensina que Cristo é o


mediador entre Deus e os homens (1 Tm 2.5) e o único
Advogado para com o Pai (1 Jo 2.1).

9. OUTROS ENSINOS SOBRE MARIA

• Concebida sem pecado

O dogma da imaculada conceição de Maria foi promulgado em


8 de dezembro de 1854 pelo papa Pio IX, como segue:

A beatíssima Virgem Maria, no primeiro instante de sua

53
AS RELIGIÕES E A APOLOGÉTICA BÍBLICA

Conceição, por singular graça e privilégio de Deus onipotente,


em vista dos méritos de Jesus Cristo, Salvador do gênero
humano, ("Catecismo da Igreja Católica", Editora Loyola. 1999,
p. 138). O destaque é nosso.

Resposta Apologética:

Somente Cristo foi assim concebido sem pecado ou imaculado (Hb


7.26). Os demais seres humanos são todos pecadores como lemos
no livro de Romanos 3.23: Porque todos pecaram e destituídos
estão da glória de Deus. O salmista Davi tinha a consciência do
pecado e escreveu: em iniqüidade fui formado, e em pecado me
concebeu minha mãe (Sl 51.5). Quem nos purifica de todos os
pecados é o sangue de Jesus como disse o apóstolo João: Mas se
andarmos na luz, como ele na luz está, temos comunhão uns com
os outros, e o sangue de Jesus Cristo, seu Filho, nos purifica de
todo o pecado (1 Jo 1.7).

• Maria não teve outros filhos

O aprofundamento de sua fé na maternidade virginal levou a


Igreja a confessar a virgindade real e perpétua de Maria,
mesmo no parto do Filho de Deus feito homem. Com efeito, o
nascimento de Cristo não lhe diminuiu, mas sagrou a
integridade virginal de sua mãe. A liturgia da Igreja celebra
Maria como a Aeipartheno (aeiparthénos), sempre virgem
("Catecismo da Igreja Católica", Editora Loyola. 1999, p. 138).

O dogma da perpétua virgindade de Maria é muito salientado


no culto prestado pela Igreja Católica. Eles consideram uma
ofensa a Maria ensinar que ela teve outros filhos.

Resposta Apologética:

A Bíblia menciona os outros filhos de Maria. Em Mateus 1.24-25

54
AS RELIGIÕES E APOLOGÉTICA BÍBLICA

lemos:

E José despertando do sono, fez como o anjo do Senhor lhe


ordenara, e recebeu a sua mulher; e não a conheceu até que deu à
luz seu filho, o primogênito; e pôs-lhe por nome Jesus. A citação até
que de Mateus limita o tempo em que se não deviam conhecer
sexualmente José e Maria, podendo fazê-lo depois do prazo
imposto pelas conveniências de ordem moral ou religiosa. Dentre os
irmãos de Jesus vêm citados: Tiago, José, Simão e Judas (Mt
12.46; Mc 3.31-35; 6.3; Jo 7.3-5,10; At 1.14). Ora, dizem os próprios
evangelistas em outro texto (Mt 10.3; Mc 3.18; Lc 6.15; At 1.13) que
Tiago era filho de Alfeu e Maria, parenta da mãe de Jesus. Dizem
então que se chamam irmãos de Jesus os que, ao depois, dá
explicitamente como filhos de outros progenitores. Trata-se pois —
dizem — de primos-irmãos ou outros parentes. Refutando esse
argumento apontamos que há um Tiago menor que está incluído
entre os apóstolos. Pois bem, para armar o efeito, fizeram dele um
irmão de José, Judas e Simão que se encontram em Mateus 13.55,
justamente porque esse Tiago na lista apostólica aparece com o pai
indicado — é filho de Alfeu ou Cleofas. Esse Tiago menor, porém,
não é o mesmo de Mateus 13.55 e de Atos 1.14. E como se prova
isso? Basta ler João 7.3-5 confrontando com João 6.67: Disseram-
lhe, pois, seus irmãos: sai daqui, e vai para a Judéia, para que
também os teus discípulos vejam as obras que fazes. Porque não
há ninguém que procure ser conhecido que faça coisa alguma em
oculto. Se fazes estas coisas, manifesta-te ao mundo. Porque nem
mesmo seus irmãos criam nele (Jo 7.3-5). Então disse Jesus aos
doze: Quereis vós também retirar-vos? (Jo 6.67).

F. OS PECADOS DA SANTA SÉ

55
AS RELIGIÕES E A APOLOGÉTICA BÍBLICA

O historiador norte-americano, Gafry Wills, católico praticante, em seu


livro Papal Sin (Pecado Papal) na primeira parte do livro aborda as
desonestidades históricas da Igreja, mostrando, em resumo, como a
hierarquia católica persiste no apelo à mentira e, por muitos anos,
camuflou o comportamento de Pio XII (1939-1958) face ao holocausto,
só agora devassado por Corwell, Susan Zucotti (autoria de duas
pesquisas sobre as relações do Vaticano com o fascismo), Frank J.
Coppa {Controversial Concordais: The Vaticans Relations WithNa-
poleon, Mussolini, and Hitler), Mark Aarons c John Loftus (Un-holy
Trinity: The Vatican, theNazis, andthe Swiss Banks]I, e Michael Phayer
(The Catholic Church andthe Holocaust, 1930-1965, a ser lançado pela
Indiana University Press em setembro). Para Wills, a Santa Sé acumula
em seu currículo um formidável acervo de tortuosa interpretação das
Sagradas Escrituras, de distorcidas visões da história eclesiástica, de
lamúrias hipócritas e deslavadas mentiras. 0 culto à Virgem Maria,
inexiste nas Escrituras e entre os católicos, durante quatro séculos, é
apenas um dos muitos abusos históricos que, a seu ver, a Igreja
cometeu. Exorbitância cujo ápice teria sido a idolatria à Nossa Senhora
de Fátima e aos mistérios a ela ligados, todos "manipulados pela
Igreja"para fins políticos - além de discutíveis, à medida que dois deles
referiam-se a previsões (supostamente feitas em 13 de julho de 1917)
de fatos já ocorridos ou em andamento (uma nova guerra mundial, um
novo papa) quando sua única testemunha viva, Lúcia, tornou-as
públicas, em 1941 (O Estado de S. Paulo - D-17 - Sábado, 5 de agosto
de 2000).

O culto aos santos só começa a partir de cem anos aproximadamente,


depois da morte de Jesus, com uma tímida veneração aos mártires. A
primeira oração dirigida expressamente à Mãe de Deus é a invocação
Sub tuum praesidium, formulada no fim do século 3 ou mais

56
AS RELIGIÕES E APOLOGÉTICA BÍBLICA

provavelmente no início do século 4. Não podemos dizer que a


veneração dos santos — e muito menos a da Mãe de Cristo —faça
parte do patrimônio original ("O Culto a Maria Hoje". Vários autores,
sob a direção de Wolfgang Beinert, Edições Paulinas, 1980, 3a. edição,
p. 33).

G. OS SACRAMENTOS

Pela palavra sacramento entende-se um sinal sensível e eficaz da


graça instituído por Jesus Cristo, para santificar nossas almas
("Terceiro Catecismo de Doutrina Cristã", Editora Vera Cruz Ltda., Ia
edição, agosto de 1976, p. 100, resposta à pergunta 516).

Os sacramentos são sete: Batismo, Confirmação ou Crisma, Eucaristia,


Penitência, Extrema-unção, Ordem e Matrimônio ("Terceiro Catecismo
de Doutrina Cristã", Editora Vera Cruz Ltda., Ia edição, agosto de 1976,
p. 101, resposta à pergunta 519).

Quais são os sacramentos mais necessários para nossa salvação?

Os sacramentos mais necessários para nossa salvação são dois: o


batismo e a penitência; o batismo é necessário absolutamente para
todos, e a penitência é necessária para todos aqueles que pecaram
mortalmente depois do batismo.

Qual é o maior de todos os sacramentos"?

O maior de todos os sacramentos é o sacramento da Eucaristia,


porque contém não só a graça, mas também o mesmo Jesus Cristo,
autor da graça e dos sacramentos ("Terceiro Catecismo de Doutrina
Cristã", Editora Vera Cruz Ltda., 1 edição, agosto de 1976, p. 104).

1. BATISMO

57
AS RELIGIÕES E A APOLOGÉTICA BÍBLICA

O batismo é o sacramento pelo qual renascemos para a graça de


Deus e nos tornamos cristãos. O sacramento do batismo confere a
primeira graça santificante, que apaga o pecado original e também o
atual, se o há; perdoa toda a pena por eles devida; imprime o
caráter cristão faz –nos filhos de Deus, membros da Igreja e
herdeiros do Paraíso, e torna-nos capazes de receber os outros
sacramentos. O batismo é absolutamente necessário para a
salvação, porque o Senhor disse expressamente: Quem não
renascer na água e no Espírito, não poderá entrar no reino dos céus
("Terceiro Catecismo de Doutrina Cristã", Editora Vera Cruz Ltda., Ia
edição, agosto de 1976, pp.105-106,108 resposta às perguntas 549-
550, 564).

Resposta Apologética:

O batismo é uma ordenança de Jesus, mas não um sacramento.


Batizamo-nos porque somos salvos e não nos batizamos para
sermos salvos (Mt 28.19; Mc 16.15-16). O versículo 16 declara que
quem não crer será condenado e não quem não for batizado (Lc
5.24-34, 23.43; At 16.30-31) Jesus ensinou sobre as crianças que
elas não se perdem (Mt 18.1-4; 19.13-14).

2. CONFIRMAÇÃO OU CRISMA

A Confirmação, ou Crisma, é um sacramento que nos dá o Espírito


Santo, imprime na nossa alma o caráter de soldados de Cristo, e
nos faz perfeitos cristãos ("Terceiro Catecismo de Doutrina Cristã",
Editora Vera Cruz Ltda., 1a edição, agosto de 1976, resposta à
pergunta 575, p. 110).

Resposta Apologética:

O Espírito Santo é dado ao que aceita o Senhor Jesus como

58
AS RELIGIÕES E APOLOGÉTICA BÍBLICA

Salvador (Jo 16.7-9; 14.16-18-26; 16.13-14) e não a incrédulos.


Como confirmar o batismo de alguém que não foi biblicamente
batizado. A fé precede o batismo (At 8.36-38) e o batismo precede a
fé. Uma criança recém-nascida não tem condições de crer e
confessar Jesus como Salvador.

3. A EUCARISTIA

Ensinando sobre a Eucaristia, diz a Igreja Católica: A Eucaristia é


um sacramento que, pela admirável conversão de toda a substância
do pão no Corpo de Jesus Cristo, e de toda a substância do vinho
no seu precioso sangue, contém verdadeira, real e substancialmente
o Corpo, Sangue, Alma e Divindade do mesmo Jesus Cristo Nosso
Senhor, debaixo das espécies de pão e de vinho, para ser nosso
alimento espiritual. Ensina que na Eucaristia está o mesmo Jesus
Cristo que está no céu. Esclarece ainda que essa mudança
conhecida como transubstanciação ocorre no ato em que o
sacerdote, na santa Missa, pronuncia as palavras de consagração:
Isto é o meu Corpo; este é o meu sangue.

Deve-se adorar a Eucaristia?

A Eucaristia deve ser adorada por todos, porque ela contém


verdadeira, real e substancialmente o mesmo Jesus Cristo Nosso
Senhor ("Terceiro Catecismo de Doutrina Cristã", Editora Vera Cruz
Ltda., Ia edição, agosto de 1976, resposta à pergunta 619).

Resposta Apologética:

Esta doutrina é contrária ao bom senso e ao testemunho dos


sentidos - o bom senso não pode admitir que o pão e o vinho
oferecidos pelo Senhor aos seus discípulos, na Ceia, fossem a sua
própria carne e o seu sangue, ao mesmo tempo em que permanecia

59
AS RELIGIÕES E A APOLOGÉTICA BÍBLICA

em pé diante deles vivo, em carne e osso. E manifesto que Jesus,


segundo seu costume, empregou uma linguagem simbólica, que
queria dizer: este pão que parti representa meu corpo que vai ser
partido por vossos pecados; o vinho neste cálice representa meu
sangue, que vai ser derramado para apagar os vossos pecados.
Não há ninguém, de mediano bom senso, que compreenda, no
sentido literal, estas expressões simbólicas do Salvador: Eu sou
aporta, eu sou a videira, eu sou o caminho. A razão humana não
pode admitir tampouco o pensamento de que o corpo de Jesus, tal
qual se encontra no céu (Lc 24.39; Fp 3.20), esteja nos elementos
da Ceia. Como se admitir que Jesus desça aos altares romanistas
revestido do corpo que teve sobre a terra, e se deixe prender nos
altares católicos.

A Ceia é uma ordenança e não Eucaristia; era usado pão e não


hóstia; é um memorial como se lê em 1 Coríntios 11.25-26; o Senhor
Jesus usou muitas palavras de forma figurada: Eu sou a luz do
mundo(Jo 8.12); Eu sou a porta (Jo 10.9); Eu sou a videira
verdadeira (Jo 15.1). Jesus chamou na última Ceia os elementos de
pão e vinho, sem dar qualquer motivo para se crer na
transubstanciação. Adorar a Eucaristia é um ato de idolatria.

4. PENITÊNCIA

A penitência, chamada também confissão, é o sacramento instituído


por Jesus Cristo para perdoar os pecados cometidos depois do
batismo. Depois defeito o sinal da Cruz, o católico deve dizer: Eu me
confesso a Deus todo-poderoso, à bem-aventurada sempre Virgem
Maria, a todos os Santos, e a vós, Padre, porque pequei. As obras
de penitência podem reduzir-se a três espécies: à oração, ao jejum,
à esmola. Os que morrem depois de ter recebido absolvição não vão

60
AS RELIGIÕES E APOLOGÉTICA BÍBLICA

logo para o céu vão para o purgatório, para ali satisfazer a justiça de
Deus e se purificarem inteiramente. As almas podem ser aliviadas
no Purgatório com orações, com esmolas, com todas as demais
obras boas e com as indulgências, mas, sobretudo, com o Santo
Sacrifício da missa. ("Terceiro Catecismo de Doutrina Cristã",
Editora Vera Cruz Ltda., 1a edição, agosto de 1976, resposta à
pergunta 788, p. 144).

Resposta Apologética:

Não há um só caso de alguém que tenha confessado os seus


pecados a homens ou mesmo aos apóstolos. Em 1 João 1.7-9, João
ensinou que devemos confessar nossos pecados a Jesus e que Ele
é suficiente para perdoar. Se Pedro estivesse investido do poder de
perdoar pecados, por que não pediu a Simão que se ajoelhasse em
confissão, para resgate do seu pecado? Exortou a Simão que
recorresse a quem tinha tal poder de perdoar pecados (At 8.22).
Jesus disse à mulher pecadora, perdoados são os teus pecados (Lc
7.48), não ouviu Ele a confissão da mulher. Jesus ensinou a oração
do Pai-nosso ao dizer: Perdoa-nos as nossas dívidas, assim, como
nós perdoamos aos nossos devedores (Mt 6.12). Na celebração da
Ceia, Paulo recomendou que cada um de nós fizesse exame
introspectivo (1 Co 11.28).

5. EXTREMA-UNÇÃO

A extrema-unção é o sacramento instituído para alívio espiritual e


também temporal dos enfermos em perigo de vida ("Terceiro
Catecismo de Doutrina Cristã", Editora Vera Cruz Ltda., Ia edição,
agosto de 1976, resposta à pergunta 805, p. 147).

Resposta Apologética:

61
AS RELIGIÕES E A APOLOGÉTICA BÍBLICA

Em Tiago 5.14-16, se recomenda chamar o presbítero para orar pelo


enfermo para sua cura e não receber extrema-unção como uma
recomendação do corpo sem a qual não se procede ao
sepultamento cristão do corpo.

6. ORDEM

A ordem é o sacramento que dá o poder de exercitar os ministérios


sagrados que se referem ao culto de Deus e à salvação das almas,
e que imprime na alma de quem o recebe o caráter de Deus
("Terceiro Catecismo de Doutrina Cristã", Editora Vera Cruz Ltda., Ia
edição, agosto de 1976, resposta à pergunta 811, pp. 148-149).

Resposta Apologética:

No Antigo Testamento, o sacerdócio era exercido por uma classe


especial de homens que eram os descendentes de Arão. Hoje no
Novo Concerto o sacerdócio é exercido por todos os cristãos e não
por uma classe sacerdotal intermediária entre Deus e os homens. O
apóstolo Pedro escreveu que como pedras vivas, sois edificados
casa espiritual e sacerdócio santo, para oferecer sacrifícios
espirituais agradáveis a Deus por Jesus Cristo (1 Pe 2.5). Mas vós
sois a geração eleita, o sacerdócio real, a nação santa, o povo
adquirido, para que anuncieis as virtudes daquele que vos chamou
das trevas para a sua maravilhosa luz (1 Pe 2.9).

7. MATRIMÔNIO

O matrimônio é um sacramento instituído por Nosso Senhor Jesus


Cristo, que estabelece uma união santa e indissolúvel entre o
homem e a mulher, e lhes dá a graça de se amarem um ao outro
santamente, e de educarem cristãmente seus filhos ("Terceiro

62
AS RELIGIÕES E APOLOGÉTICA BÍBLICA

Catecismo de Doutrina Cristã", Editora Vera Cruz Ltda., Ia edição,


agosto de 1976, resposta à pergunta 826, p. 151).

Resposta Apologética:

O casamento é uma instituição divina e não um sacramento (Gn


2.18-24; Mt 19.4-6). Pedro foi considerado o primeiro papa e,
entretanto, era casado (Mt 8.14-15). Paulo recomenda que o
ministro seja casado (1 Tm 3.1-3).

H. A MISSA

Diz a Igreja Católica: A santa missa é o sacrifício do Corpo e do


Sangue de Jesus Cristo, oferecido sobre os nossos altares, debaixo
das espécies de pão e de vinho, em memória do sacrifício da Cruz
("Terceiro Catecismo de Doutrina Cristã", Editora Vera Cruz Ltda., Ia
edição, agosto de 1976, resposta à pergunta 652, p. 122).

O livro "O Terceiro Catecismo de Doutrina Cristã", página 124, diz em


resposta à pergunta 668: E coisa boa rezar também pelos outros,
quando se assiste à santa missa; e até o tempo da santa missa é o
mais oportuno para rezar pelos vivos e pelos mortos.

1. DIFERENÇA ENTRE A MISSA E O SACRIFÍCIO DA CRUZ

Explicando a diferença entre a relação que há entre o Sacrifício da


Missa e o da Cruz, responde a Igreja Católica: Entre o Sacrifício da
Missa e o sacrifício da Cruz há esta relação: que Jesus Cristo sobre
a Cruz se ofereceu derramando o seu sangue para nós; ao passo
que sobre os altares Ele se sacrifica sem derramamento de sangue,
e nos aplica os frutos da sua Paixão e Morte ("Terceiro Catecismo
de Doutrina Cristã", Editora Vera Cruz Ltda., Ia edição, agosto de

63
AS RELIGIÕES E A APOLOGÉTICA BÍBLICA

1976, resposta à pergunta 654, p. 123). Quanto à finalidade do


Santo Sacrifício da missa, dentre outros, destaca a Igreja Católica:
Oferece-se a Deus o Santo Sacrifício da Missa para os devidos fins:

1o - para honrá-lo como convém, e sob este ponto de vista o


sacrifício é latrêutico;

2o - para Lhe dar graças pelos seus benefícios, e sob este ponto de
vista o sacrifício é eucarístico;

3o - para aplacá-lo, dar-Lhe a devida satisfação pelos nossos


pecados, para sufragar as almas do Purgatório, e sob este ponto de
vista o sacrifício é propiciatório ("Terceiro Catecismo de Doutrina
Cristã", Editora Vera Cruz Ltda., Ia edição, agosto de 1976, resposta
à pergunta 657, p. 123).

Resposta Apologética:

Em Hebreus, afirma-se diversas vezes que o sacrifício de Cristo foi


oferecido uma só vez e não há mais oferenda pelo pecado (Hb 9.11-
12, 24-28; 10.10-14). Diz mais o escritor bíblico que onde há
remissão de pecados não deve haver mais ofertas pelo pecado (Hb
10.17-18). Apoiando-se em Jo 6.53-56 a Igreja Católica interpreta a
referência bíblica como base para o seu ensino. Entretanto, Jesus
referindo-se às palavras que causaram escândalos a seus
discípulos, afirmou que essa interpretação não era literal (Jo 6.63),
explicando que suas palavras eram espírito e vida, O espírito é o
que vivifica, a carne para nada aproveita; as palavras que eu vos
disse são espírito e vida. Considerando o que diz em Hebreus 9.22:
que sem derramamento de sangue não há remissão de pecados, e
que o sacrifício da missa é sem sangue, isto significa a inutilidade do
sacrifício da missa.

64
AS RELIGIÕES E APOLOGÉTICA BÍBLICA

I. OS SANTOS

A Igreja Católica declara que os santos são pessoas que, durante suas
vidas praticaram grande piedade e virtude. Essas pessoas, agora no
céu, podem responder a nossas orações, podem ser veneradas, mas
não adoradas.

Ensina a Igreja Católica:

E coisa boa e útil recorrer à intercessão dos santos?

É coisa utilíssima invocar os santos, e todo o cristão o deve fazer.


Devemos invocar particularmente nossos Anjos da Guarda, São José,
protetor da Igreja, os Santos Apóstolos, o santo do nosso nome e os
santos protetores da diocese e da paróquia ("Terceiro Catecismo de
Doutrina Cristã", Editora Vera Cruz Ltda., Ia edição, agosto de 1976,
resposta à pergunta 339, p. 69).

Resposta Apologética:

Analisando essa prática romanista à luz da Bíblia e da História fica


claro que são praticas pagas. O papa Bonifácio IV, em 610, celebrou
pela primeira vez a festa a todos os santos e substituiu o panteão
romano (templo pagão dedicado a todos os deuses) por um templo
cristão para que as relíquias dos santos fossem ali colocadas, inclusive
de Maria. Dessa forma, o culto aos santos e a Maria substituiu o dos
deuses e deusas do paganismo.

A Bíblia não autoriza a invocação de santos. Os discípulos pediram a


Jesus que lhes ensinasse a orar e Jesus não mandou que fossem a
Maria ou aos santos. Assim diz a Bíblia: E ACONTECEU que estando
ele a orar num certo lugar, quando acabou, lhe disse um dos seus
discípulos: Senhor, ensina-nos a orar, como também João ensinou aos
seus discípulos. E ele lhes disse: Quando orardes, dizei: Pai nosso,
que estás nos céus, santificado seja o teu nome; venha o teu reino;

65
AS RELIGIÕES E A APOLOGÉTICA BÍBLICA

seja feita a tua vontade, assim na terra, como no céu (Lc 11.1-2).
Convidou a todos a irem até Ele para encontrar descanso para suas
almas (Mt 11.28). Com clareza Jesus ensinou que nossa invocação
deve ser feita ao Pai, em seu nome como lemos: E tudo quanto
pedirdes em meu nome eu o farei, para que o Pai seja glorificado no
Filho. Se pedirdes alguma coisa em meu nome, eu o farei (Jo 14.13-
14). Os santos são apenas criaturas e infinitamente menores do que
Deus. Não possuem os atributos da eternidade, onipresença,
onipotência e onisciência. Não podem ouvir e responder a milhares e
milhares de pedidos feitos pelos católicos ao mesmo tempo.
Precisavam para atender a todos os pedidos que lhes fossem feitos
que fossem como Deus, conhecendo os segredos do coração dos
homens. Os cristãos são aconselhados a orar pelos vivos e uns pelos
outros (Tg 5.16; Rm 15.30; Ef 6.18-19). É proibido orar a santos e anjos
(Cl 2.18; Ap 19.10; 22.8-9; At 10.25-26; 14.11-18). Os santos têm
consciência do que ocorre em torno deles no céu (Ap 6.9-11). O
processo para canonização é longo. Santo, na Bíblia, é diferente do
processo de canonização. A palavra santo é relacionada com a palavra
separado. A raiz significa que os santos são aqueles a quem Deus tem
colocado separadamente para seu propósito (1 Co 1.1-2). Um santo,
pois, é aquele que aceitou Jesus como seu único Salvador pessoal (Jo
1.12); nascido de novo (Jo 3.3) santificado em Cristo Jesus. A Bíblia
não recomenda orar aos santos mortos. Por que fazê-lo, se temos o
Senhor Jesus que pode socorrer perfeitamente aos que se chegam a
Ele (Hb 7.25). Lemos que a purificação dos nossos pecados se dá pelo
sangue de Cristo (1 Jo 1.7-9; 2.1-12). No livro de Apocalipse, 7.9-15,
João viu uma grande multidão com vestidos brancos mostrando sua
purificação pelo sangue de Jesus. Deus não pode perdoar pecados de
quem não se arrepende nem aceita a oferta de salvação em Jesus (Mt
11.28-30).

66
AS RELIGIÕES E APOLOGÉTICA BÍBLICA

J. IDOLATRIA

A Igreja Católica Romana insiste em dizer que não comete o pecado de


idolatria quando os católicos se prostram diante da imagem de um
suposto santo.

Ensina a Igreja Católica:

1. O QUE É IDOLATRIA?

Chama-se idolatria o prestar a alguma criatura, por exemplo, a uma


estátua, a uma imagem, a um homem, o culto supremo de
adoração, devido só a Deus ("Terceiro Catecismo de Doutrina
Cristã", Editora Vera Cruz Ltda., Ia edição, agosto de 1976, resposta
à pergunta 358).

Como está expressa na Sagrada Escritura esta proibição?

Na Sagrada Escritura está expressa esta proibição com as palavras:


Não farás para ti imagem de escultura, nem figura alguma de tudo o
que há em cima, no céu, e do que há embaixo, na terra. E não
adorarás a tais coisas, nem lhes dará culto ("Terceiro Catecismo de
Doutrina Cristã", Editora Vera Cruz Ltda., Ia edição, agosto de 1976,
resposta à pergunta 359, p. 74).

2. QUAL A DIFERENÇA ENTRE O CULTO PRESTADO A DEUS E O


CULTO PRESTADO AOS SANTOS

Entre o culto que prestamos a Deus e o culto que prestamos aos


santos há esta diferença: que a Deus adoramo-Lo pela sua infinita
excelência, ao passo que aos santos não os adoramos, mas só os
honramos e veneramos como amigos de Deus e nossos

67
AS RELIGIÕES E A APOLOGÉTICA BÍBLICA

intercessores junto dEle. 0 culto que prestamos a Deus chama-se


latria, isto é, de adoração, e o culto que prestamos aos santos
chama-se dulia, isto é, de veneração aos servos de Deus; enfim o
culto especial que prestamos a Maria Santíssima chama-se
hiperdulia, isto é, de especialíssima veneração, como Mãe de Deus
("Terceiro Catecismo de Doutrina Cristã", Editora Vera Cruz Ltda., Ia
edição, agosto de 1976, resposta à pergunta 371, p. 76).

K. ADORAÇÃO PIRAMIDAL

Entendendo a Estrutura Piramidal do Culto da Igreja Católica Romana

• LATRIA - ADORAÇÃO A DEUS

• HIPERDULIA- DEVOÇÃO A MARIA

• DULIA - DEVOÇÃO AOS SANTOS E AOS ANJOS

1. A DIFICULDADE DO CATOLICISMO ROMANO EM JUSTIFICAR


ESSA TEORIA

Se os católicos romanos se limitassem a exaltar os heróis da fé e a


propô-los como modelo a ser seguido, não haveria nenhum
problema. Assim agem também os cristãos genuínos. Infelizmente
não é isso que acontece, por mais que os líderes católicos romanos
se esforcem nas suas infindáveis apologias. Suas explicações não
passam de tentativas vãs e superficiais. Exemplo dessa tentativa é a
teoria de três tipos de devoção: a latria, hiperdulia e dulia.
Perguntamos: qual a diferença que pode haver entre a dulia e a
hiperdulia} Qual a diferença das duas com a latria} A realidade é que
os três termos se confundem, os dois termos {dulia e hiperdulia)
podem ser envolvidos com a latria e tudo se torna uma distinção que

68
AS RELIGIÕES E APOLOGÉTICA BÍBLICA

não distingue coisa alguma. Será que as pessoas que se prostram


diante de uma imagem da Conceição Aparecida, ou de São João ou
de São Sebastião ou de Jesus, sabem que estão cultuando em
níveis diferentes? Ou para elas é tudo a mesma coisa? Imagine um
católico romano bem instruído que vai para seu culto. Primeiramente
ele pretende cultuar São João, então dobra seus joelhos diante da
imagem de São João e oferece a dulia. Depois ele irá prestar culto a
Maria, então ele deixa de praticar a dulia e passa a praticar a
hiperdulia e finalmente ele deseja cultuar a Deus, então ele começa
a praticar a latria.

Não acreditamos que o povo católico romano saiba diferenciar a


dulia, a hiperdulia e latria, e mesmo que soubesse diferenciá-las,
dificilmente conseguiria respeitar os limites de cada uma.

2. QUAL É A DIFERENÇA ENTRE ADORAÇÃO E VENERAÇÃO?

Adoração e veneração. Há diferença entre adorar e prestar culto de


veneração? Prostrar-se diante de uma imagem, dirigir a ela orações
e ações de graça, fazer-lhe pedidos, cantar-lhe hinos de louvor se
não for adoração, fica difícil saber o que o catolicismo romano
entende por adoração. Chamar a isso de veneração é subestimar a
inteligência humana.

Resposta Apologética:

Definindo a palavra idolatria Essa palavra vem do grego eidolon,


ídolo, e latreuein, adorar. Esse termo refere-se à adoração ou
veneração a ídolos ou imagens, quando usado em seu sentido
primário. Porém, em um sentido mais lato, pode indicar a veneração
ou adoração a qualquer objeto, pessoa, instituição, ambição etc,
que tome o lugar de Deus, ou que lhe diminua a honra que lhe

69
AS RELIGIÕES E A APOLOGÉTICA BÍBLICA

devemos. Assim, idolatria consiste na adoração a algum falso deus,


ou a prestação de honras divinas ao mesmo. Esse deus falso pode
ser representado por algum objeto ou imagem. A idolatria é má
porque seus devotos, em vez de depositarem sua confiança em
Deus, depositam-na em algum objeto, de onde não pode provir o
bem desejado; e, em vez de se submeterem a Deus, em algum
sentido submetem-se a valores representados por aquela imagem.

Na idolatria, há certos elementos da criação que usurpam a posição


que cabe somente a Deus. Podemos fazer da autoglorifícação um
ídolo, como também das honrarias, do dinheiro, das altas posições
sociais (Cl 3.5). Praticamente, tudo quanto se torne excessivamente
importante em nossa vida pode vir a ser um ídolo para nós. A
idolatria não requer a existência de qualquer objeto físico. Se
alguém adora a um deus falso, sem transformar esse deus em
alguma imagem, ainda assim é culpado de idolatria, porquanto fez
de um conceito uma falsa divindade. Nesse caso há diferença entre
ídolo e imagem.

Deus condenou os ídolos (Sl 115.4-8), e também condenou as


imagens (Ex 20.1-6). Era expressamente proibido ao povo de Israel
fabricar imagens esculpidas ou fundidas (Ex 20.4; Dt 5.8). Imagens
ou representações de deuses imaginários eram feitas em materiais
como pedra, madeira, pedras preciosas, argila, mármore etc. A lei
mosaica proibia tal ação (Êx 34.17; Is 44.10-18; Lv 19.4). Os
profetas condenaram a prática com qualquer forma de idolatria (Is
30.22; 42.17; 45.20; Os 13.2; Hb 2.18). Essa legislação, como é
óbvio, impedia que Israel se tornasse uma nação que cultivasse as
artes plásticas, embora, estritamente falando, estas não fossem
proibidas por lei. Tais leis não se aplicam às artes enquanto os
produtos dessa atividade não forem venerados ou adorados. Ainda

70
AS RELIGIÕES E APOLOGÉTICA BÍBLICA

sobre a imagem há de se entender que em Êx 25.18.22, Deus


ordenou que fizesse como ornamento e representação algumas
figuras, mas não para adoração ou culto, nem para olhar para elas
e homenagear ou admirar seus feitos poderosos. Trata-se de
figuras de ornamento, artístico e não objetos de culto ou adoração.

3. A SERPENTE DE BRONZE

Sobre a serpente de bronze, no hebraico, nachash nechosheth. A


expressão é empregada exclusivamente em 2 Reis 18.4 para
denotar a serpente feita de bronze, ou melhor, de cobre, por Moisés
(Nm 21.4-9). Nossa versão portuguesa diz serpente de bronze. O
motivo para a fabricação da serpente de bronze foi o incidente no
qual os israelitas se queixaram diante de Moisés do tratamento
imposto por Deus. O povo de Israel, evidentemente, sem se importar
muito diante das suas anteriores tragédias, queixou-se de que
estava recebendo uma alimentação inadequada. E Deus os castigou
com as serpentes venenosas, que já haviam matado muitos
israelitas.

Quando o povo se arrependeu, Deus ordenou que Moisés fizesse


uma serpente de bronze, que muitos estudiosos preferem pensar
que fosse de cobre. Aos israelitas foi prometido que todo aquele que
tivesse sido picado por uma serpente e contemplasse a serpente de
bronze, movido pela fé, seria curado da mordida da serpente e não
morreria. Isso não é culto à serpente, nem veneração nem
adoração, o que evidentemente Deus jamais admitiria. Prova disso
foi que, posteriormente, indivíduos idolatras e supersticiosos entre
os israelitas começaram a adorar a serpente de bronze, até que, nos
dias do rei Josias, essa figura de bronze foi destruída (2 Rs 18.4),
por haver-se tornado um objeto idolatra. Josias a chamou de Neustã

71
AS RELIGIÕES E A APOLOGÉTICA BÍBLICA

(pedaço de cobre), dando a entender que a tal serpente era cobre e


nada mais.

O fato de o próprio Senhor Jesus comparar a sua morte na cruz ao


levantamento da serpente de bronze no deserto, por Moisés, não
significa idolatria ou justificativa para colocar objetos ou imagens
para veneração ou adoração, já que o uso aqui é figurado. Assim
como tantos foram curados de seu envenenamento físico, assim
também, em Jesus Cristo, aqueles que olharem para ele, impelidos
pela fé, são salvos das eternas conseqüências do pecado e da
morte. Assim, em João 3.14, nas palavras de Jesus, a serpente de
metal torna-se um símbolo de Cristo como nosso Remidor, portanto,
ao ser levantado (o que sucedeu na cruz, no caso de Jesus), Ele
atrairia todos os homens a si (Jo 12.32), e a redenção por Ele
preparada prove cura para o pecado e para a morte espiritual
produzida pelo pecado.

Há também casos de ornamentação do templo de Deus ricamente


construído por Salomão, como (1 Rs 6.23-30; 2 Cr 3.10-14) ou ainda
a profecia da restauração do templo (Ez 41.17-20). Porém, todos
esses objetos e imagens não eram para invocação, intercessão,
culto ou adoração, mas apenas ornamento.

Assim, um ídolo representa alguma divindade, ou então é aceito


como se tivesse qualidades divinas por si mesmo. Em qualquer
desses casos, aquele objeto recebe adoração. Contudo, é possível
haver uma imagem, sem que essa seja adorada, como no caso dos
querubins que havia no templo de Jerusalém. Sem dúvida, esses
querubins não eram adorados, nem eram padroeiros dos hebreus,
nem intercediam por eles, nem eram recordação de alguém que eles
amavam, tornaram-se uma exceção acerca da proibição de
imagens. Uma imagem também pode ser um amuleto que é

72
AS RELIGIÕES E APOLOGÉTICA BÍBLICA

concebido como dotado de alguma forma de poder de proteger, de


ajudar ou de permitir alguma realização.

E, naturalmente é possível a posse de uma imagem esculpida ou


pintada, representando algum santo ou herói, religioso ou não, sem
que a mesma seja adorada, por ser apenas um lembrete de que se
deveria emular as qualidades morais e espirituais de tal pessoa. Por
outro lado, quando tais imagens são veneradas então é provável
que, na maioria dos casos, esteja sendo praticada a idolatria. As
estátuas dos heróis no Brasil são comuns, mas nunca veneradas
como deuses ou poderes divinos nem se fazem elaboradas
cerimônias ou procissões com elas. Eles são relembrados como
grandes mestres, cidadãos, líderes, e suas imagens são apenas
memoriais desse fato.

O problema do catolicismo romano é que o fiel crê na intercessão


feita por aquele santo, representado na imagem, pensam que o
espírito daquele santo pode ajudar, proteger, guardar etc, daí todo
tipo de objeto e representação material daquele santo passa a ser
venerado, cultuado, adorado, e isso é idolatria. Além disso, as
imagens desses santos são veneradas ou adoradas mediante
alguma forma de cerimônia que supostamente lhes transmitem a
honra e reverência do povo. Ora, se a imagem é apenas
recordações dos nossos irmãos de fé, então por que se presta
consagração à imagem, se faz procissão, se oferece flores, se beija,
curva-se diante dela? Por que se ora a ela, faz pedidos, faz-se
poesias e cânticos a ela? Assim sendo, a declaração católica
romana de que a honra devolvida nas santas imagens éuma
veneração respeitosa, não uma adoração, parece mais com uma
charada teológica ou talvez o desejo de errar (Gl 6.7).

A Igreja Romana tem ensinado há séculos que os santos e Maria

73
AS RELIGIÕES E A APOLOGÉTICA BÍBLICA

intercedem pelos fiéis. Ora, se eles estão mortos e seus espíritos


são invocados, isso é invocação de pessoas que já morreram e isso
é pecado (Is 8.19). Isso parece mais com espiritismo que com
Cristianismo, além do mais, há um só mediador ou intercessor entre
Deus e os homens, Jesus Cristo, homem (1 Tm 2.5).

Os católicos romanos insistem em dizer que não adoram nenhuma


imagem, nenhum objeto e nenhuma pessoa humana, mas só a
Deus, porém, na prática não é isso que se verifica. Os intelectuais
romanistas, tal como seus colegas budistas, dizem que as imagens
de escultura são apenas memórias de qualidades dignas de
emulação, de santos ou heróis espirituais, o que, presumivelmente,
ajudaria os religiosos sinceros a copiarem tais virtudes. Entretanto, o
povo comum não é sofisticado o bastante para separar a imagem da
adoração à autêntica distinção entre a adoração e veneração. O
resultado disso é que a idolatria tornou-se muito comum na Igreja
Católica, tanto no Oriente como no Ocidente.

De acordo com uma teologia católica, a imagem seria apenas um


memorial de alguma verdade ou pessoa espiritual; e a veneração
assim prestada seria dirigida àquela verdade ou pessoa, e não à
imagem propriamente dita. Entretanto, no nível popular, as pessoas
realmente veneram as próprias imagens, e a cuidadosa distinção
entre adoração e veneração é forçada ao máximo, para dizermos o
mínimo. Na verdade, a veneração de imagens, nas igrejas
ocidentais e orientais, que foi tão vigorosa e corretamente repelida
pela Reforma Protestante, é precisamente aquilo que os judeus e os
islamitas diziam - é idolatria. Esse é um dos maiores escândalos da
cristandade. Teólogos católicos romanos têm chegado ao extremo
de afirmar que os objetos materiais assemelham-se a entidades
dotadas de espírito, capazes de atuar como pontes de ligação entre

74
AS RELIGIÕES E APOLOGÉTICA BÍBLICA

o que é material e o que é espiritual. Assim, não se trata apenas da


imagem em si, mas o que está por detrás delas. Se os que
morreram não podem interceder pelos que estão vivos, nem voltar
para a terra (Lc 16.19-31; 1 Tm 2.5; Hb 9.27), como fica a situação
dos romanistas que pedem ajuda e proteção, e mediação aos
santos e Maria? Não estariam eles invocando espíritos? Se os
mortos em Cristo estão com Cristo e os mortos no pecado estão no
Hades, quem pode responder a essas invocações e orações? Não
seriam os espíritos deste mundo, conforme nos escreve o apóstolo
Paulo (1 Co 10.14-24 e 1 Co 8.4-6)?

É inevitável que, à proporção que os homens crescem em sua


espiritualidade (oração e estudo da Palavra de Deus), que sua
abordagem à pessoa de Deus torne-se cada vez mais mística e
cada vez menos materialista. Os ritos vão perdendo mais e mais a
sua importância, e as imagens terminam por ser abertamente
rejeitadas. E, quando se obtém o contato direto com o Espírito Santo
de Deus, de tal modo que se estabelece uma comunhão viva entre o
Espírito de Deus e o espírito humano, então os homens não mais
sentem qualquer necessidade de agência intermediária. Que isso
ainda não tenha acontecido, no caso dos católicos romanos e
outros, após tantos séculos de existência da Igreja Romana,
somente demonstra o fato de que os homens, a despeito de tantas
vantagens, não têm progredido muito em sua espiritualidade.

Assim, por trás do ensinamento romanista de que a honra devolvida


nas santas imagens é uma veneração respeitosa, está a intenção de
se ver protegido, guardado, ou que o santo representado na imagem
venha a interceder pelo pedinte, e isso é pecado de idolatria, pois só
há um mediador (1 Tm 2.5) e de feitiçaria, pois os espíritos dos
mortos não podem ser invocados pelos vivos (Is 8.19).

75
AS RELIGIÕES E A APOLOGÉTICA BÍBLICA

Filhinhos, guardai-vos dos ídolos. Amém (1 Jo 5.21).

Portanto, a palavra idolatria é: Prestar culto divino a uma criatura ou


prestado a um objeto fabricado, no qual se supõe qualquer coisa de
Deus. Os católicos procuram minimizar o problema afirmando que
não prestam adoração às imagens, mas apenas as veneram.

4. O ARGUMENTO CATÓLICO

Defendem-se dizendo que Deus mandou fazer dois querubins de


ouro e colocá-los por cima da arca da aliança (Ex 25.18-20); que
mandou fazer a serpente de bronze (Nm 21.8-9); e o templo de
Salomão foi enfeitado com imagens de querubins, palmas, flores,
bois e leões (1 Rs 6.23-35; 7.29). Afirmam que Deus proíbe apenas
fazer deuses falsos e adorá-los, mas Ele não proíbe outras imagens.

Os querubins. A passagem bíblica dos querubins do propiciatório da


arca da aliança (Ex 25.18-20), advogada pelos teólogos romanistas,
não se reveste de sustentação alguma. Porque não existe na Bíblia
uma passagem, sequer, de um judeu dirigir suas orações aos
querubins, ou depositar sua fé neles, ou pagar-lhes promessas.
Esse propiciatório era a figura da redenção em Cristo (Hb 9.5-9). A
Bíblia condena terminantemente o uso de imagem de escultura
como meio de cultuar a Deus (Êx 20.4-5; Deuteronômio 5.8-9). O
culto aos santos e a adoração a Maria, à luz da Bíblia,
desclassificam o catolicismo) romano como religião cristã. É idolatria
(1 Jo 5.21). Então disse-lhe Jesus: Vai-te, Satanás, porque está
escrito: Ao Senhor teu Deus adorarás, e só a ele servirás (Mt 4.10).
Em Apocalipse de João lemos: E eu lancei-me a seus pés para o
adorar; mas ele disse-me: Olha não faças tal; sou teu conservo, e de
teus irmãos, que têm o testemunho de Jesus- Adora a Deus;porque

76
AS RELIGIÕES E APOLOGÉTICA BÍBLICA

o testemunho de Jesus éo espírito de profecia (Ap 19.10; 22.9).


Pedro recusou ser adorado por Cornélio (At 10.25-26).

L. AS INDULGÊNCIAS

Define a Igreja como indulgência: A indulgência é a remissão da pena


temporal devida pelos pecados já perdoados quanto à culpa, remissão
que a Igreja concede fora do sacramento da penitência ("Terceiro
Catecismo de Doutrina Cristã", Editora Vera Cruz Ltda., Ia edição,
agosto de 1976, resposta à pergunta 793, p. 145).

Ensinando que o papa é o Vigário de Cristo e o Cabeça da Igreja, pode


ele sacar do Tesouro da Igreja os bens de que a Igreja é depositária.
Ela constrói a sua doutrina sobre Mateus 16.19, onde se lê: E eu te
darei as chaves do reino dos céus; e tudo o que ligares na terra, será
ligado nos céus; e tudo o que desligares na terra será desligado nos
céus.

O papa sustenta que tem poder de outorgar qualquer destas


indulgências a toda a Igreja ou a qualquer membro da Igreja,
individualmente. Em 1903, o papa delegou autoridade a outros
sacerdotes, permitindo cardeais outorgarem indulgência por 200 dias,
cada um em sua própria diocese; aos arcebispos por cem dias; aos
bispos por 50 dias, cada um em sua própria diocese.

1. TIPOS DE INDULGÊNCIAS

Existem modalidades diferentes de indulgências: quanto ao tempo


de duração e quanto ao lugar. Quanto ao tempo de duração,
existem as indulgências plenárias ou completas e as indulgências
parciais. Nas indulgências plenárias ou completas, o pecador é
isento das penalidades desta vida e da que há de vir no purgatório.

77
AS RELIGIÕES E A APOLOGÉTICA BÍBLICA

O ensino católico sobre as indulgências plenárias é: A indulgência


plenária éa que perdoa toda a pena temporal devida pelos nossos
pecados. Por isso, se alguém morresse depois de ter recebido esta
indulgência, iria logo para o céu, inteiramente isento das penas do
Purgatório ("Terceiro Catecismo de Doutrina Cristã", Editora Vera
Cruz Ltda., Ia edição, agosto de 1976, resposta à pergunta 798, p.
146). Nas indulgências parciais, a isenção das penas é dada por um
tempo determinado de dez, vinte ou trinta dias.

Quanto ao lugar, as indulgências universais são para uso de todas


as Igrejas em toda parte. As indulgências particulares são para uso
da igreja específica ou de relicários.

Resposta Apologética:

A Bíblia afirma que após a morte segue-se o juízo (Hb 9.27). Como
afirmamos, existem dois lugares apontados para depois desta vida
e, num dos dois, todos os homens se encontrarão. Jesus falou do
céu ao afirmar: Então dirá o Rei aos que estiverem à sua direita:
Vinde, benditos de meu Pai, possuí por herança o reino que vos
está preparado desde a fundação do mundo. E falou do inferno,
dizendo: Então dirá também aos que estiverem à sua esquerda:
Apartai-vos de mim, malditos,para o fogo eterno, preparado para o
diabo e seus anjos... E irão estes para o tormento eterno, mas os
justos para a vida eterna (Mt 25.34,41,46). Jesus disse ao ladrão
arrependido: E disse-lhe Jesus: Em verdade te digo que hoje
estarás comigo no Paraíso (Lc 23.43). A mulher perdida que ungiu
os pés de Jesus com suas lágrimas, arrependida dos seus pecados,
ele falou: E disse-lhe a ela: Os teus pecados te são perdoados. E os
que estavam à mesa começaram a dizer entre si: Quem é este, que
até perdoa pecados? E disse à mulher: A tua fé te salvou; vai-te em
paz (Lc 7.48-50).

78
AS RELIGIÕES E APOLOGÉTICA BÍBLICA

Paulo não esperava o purgatório nem admitia indulgências. Falou o


seguinte: Porque para mim o viver é Cristo, e o morrer é ganho (Fp
1.21).

M. PURGATÓRIO

A doutrina do purgatório foi aprovada em 1439, no Concilio de


Florença, confirmada definitivamente no Concilio de Trento (1549-
1563), mas ela já existia desde 1070. Essa doutrina ensina que os
cristãos parcialmente santificados, que são a maioria, passam por um
processo de purificação para depois entrar no céu. Essa crença veio do
paganismo e é muito antiga, e não há espaço para ela na Bíblia.

A Igreja Católica ensina:

Vão logo para o céu os que morrem depois de ter recebido a


absolvição, mas antes de terem satisfeito plenamente a justiça de
Deus? Não; eles vão para o Purgatório, para ali satisfazerem à justiça
de Deus e se purificarem inteiramente ("Terceiro Catecismo de
Doutrina Cristã", Editora Vera Cruz Ltda., Ia edição, agosto de 1976,
resposta à pergunta 787, p. 144).

Em seguida é feita a seguinte pergunta:

Podem as almas que estão no Purgatório ser aliviadas por nós nas
suas penas?

Sim, as almas que estão no Purgatório podem ser aliviadas com


orações, com esmolas, com todas as demais obras boas e com as
indulgências, mas, sobretudo, com o Santo Sacrifício da Missa
("Terceiro Catecismo de Doutrina Cristã", Editora Vera Cruz Ltda., Ia
edição, agosto de 1976, resposta à pergunta 788, p. 144).

Refutação:

79
AS RELIGIÕES E A APOLOGÉTICA BÍBLICA

A Igreja Católica descobriu quatro lugares no além: céu, inferno,


purgatório e limbo. Para o limbo vão as pobres crianças que morrem
sem batismo. Não vão para o inferno, dizem, mas ficam numa sombra
eterna, sem penas, sem sofrimentos, mas também sem gozo algum. A
Bíblia diz que o batismo não salva ninguém (At 10.47; Ef 2.8-9; Mt 3.15;
Tt 3.5). Não ficou satisfeita com o que Cristo mencionou: dois
caminhos, duas portas, dois fins (Mt 7.13-14; 25.34-46). A Bíblia
menciona esses dois lugares depois desta vida: o céu e o inferno, que
nas línguas originais bíblicas são assim chamados: Seol, Hades,
Geena (Lc 16.19-31; 12.4-5). Para o cristão não há mais condenação
(João 5.24; Romanos 8.1), pois alcançou justificação pela fé (Rm 5.1).
O purgatório do cristão é o sangue de Cristo que nos purifica de todo o
pecado (1 Jo 1.7-9).

N. CONCLUSÃO

Temos nós a certeza de que são verdadeiras as doutrinas que a Santa


Igreja nos ensina?

Sim, temos a certeza absoluta de que são verdadeiras as doutrinas que


a Santa Igreja nos ensina, porque Jesus Cristo empenhou a sua
palavra, que a Igreja nunca se enganaria ("Terceiro Catecismo de
Doutrina Cristã", Editora Vera Cruz Ltda., Ia edição, agosto de 1976,
resposta à pergunta 862, p. 159).

Contrariando o que a Bíblia diz em (1 Tm 4.1): Mas o Espírito


expressamente diz que nos últimos tempos apostatarão alguns da fé,
dando ouvidos a espíritos enganadores, e a doutrinas de demônios.
Como pode uma pessoa se apostatar sem nunca antes ter estado na
verdade?

Paulo procurava acautelar os moradores de Roma em sua carta

80
AS RELIGIÕES E APOLOGÉTICA BÍBLICA

dizendo: E rogo-vos, irmãos, que noteis os que promovem dissensões


e escândalos contra a doutrina que aprendestes; desviai-vos deles.
Porque os tais não servem a nosso Senhor Jesus Cristo, mas ao seu
ventre; e com suaves palavras e lisonjas enganam os corações dos
simples (Rm 16.17-18).

A Igreja de Jesus Cristo não se define por lugares ou pessoas, mas por
princípios de fé e prática, e perdendo estes paradigmas a Igreja Cristã
em Roma morre para se erguer uma formidável organização, mas que
não passa de uma criação humana, com influências religiosas pagas.

Hoje o papa procura unir as igrejas em torno de si mesmo, por meio do


ecumenismo. Há, porém, os que estão caindo nessa armadilha. O
brado da Reforma Protestante de Sola Scriptura, Sola Gracia, Solo
Cristus e Sola Fides foi um apelo dramático ao retorno às Escrituras
Sagradas como única regra de fé e prática. Foi por questionar os
dogmas papistas que muitos foram torturados e outros pagaram com a
vida. É difícil entender como os herdeiros da Reforma comungam com
um Evangelho rejeitado pelos reformadores.

Observação: Aconselhamos consultar a Bíblia Apologética lançada


pelo Instituto Cristão de Pesquisas - ICP, para obter, assim, um vasto
conteúdo de versículos específicos sobre o tema catolicismo romano,
com suas respectivas respostas apologéticas.

81
AS RELIGIÕES E A APOLOGÉTICA BÍBLICA

CAPÍTULO 03

IGREJA LOCAL DE WITNESS LEE

A. INTRODUÇÃO

O escritor J. Cabral aponta em seu livro "Religiões, Seitas e Heresias"


que uma das peculiaridades das seitas religiosas é o exclusivismo que
caracteriza os grupos. Vêem os adeptos de uma seita na pessoa do
seu fundador um tipo de pessoa carismática que recebeu uma
revelação especial de Deus e assim tornou-se o porta-voz exclusivo
dessa vontade divina para os homens. Nenhuma pessoa, até a
chegada desse líder, conseguiu interpretar a Bíblia de modo correto. E
uma visão nova desconhecida de todos e recebida diretamente de
Deus ("Religiões, Seitas e Heresias". J. Cabral. Universal Produções-
Indústrias e Comércio, 3a. Edição, p. 18).

Essa é a característica da igreja denominada como Igreja sem nome ou


Igreja Local. O fundador Witness Lee não poupa o reconhecimento
dessa singularidade religiosa com que só poucos foram agraciados.
Witness Lee assim declara: Essas palavras não são meramente um
ensinamento, mas um forte testemunho do que tenho praticado e
experienciado por mais de cinqüenta anos. Fui capturado por esta
visão... Precisamos ter esta visão, e precisamos estar prontos para
pagar o preço, até mesmo o preço de nossa vida, por ela ("A Visão da

82
AS RELIGIÕES E APOLOGÉTICA BÍBLICA

Igreja". Witness Lee. Editora Árvore da Vida, 1991, p. 12).

Afirma Witness Lee que uma pessoa fora da Igreja Local não pode
entender o livro do Apocalipse, pois o livro não foi escrito para
indivíduos, mas para a Igreja Local que ele fundou: Se estivermos fora
das igrejas locais, não teremos posição ou condição para recebermos o
livro de Apocalipse, pois este não foi escrito para cristãos individuais.
Foi escrito para as igrejas locais, apesar do Senhor ter chamado
crentes individuais para ouvi-lo. Precisamos estar na igreja local; então
estaremos qualificados com a posição e a condição para aceitarmos
este livro e ouvirmos o que o Senhor Espírito diz às Suas igrejas ("A
Expressão Prática da Igreja." Witness Lee. Editora Arvore da Vida, Ia.
Edição - 1989, p. 12).

B. A RESTAURAÇÃO DA IGREJA

A Igreja Local adota o mesmo argumento usado pelo fundador do


mormonismo. Joseph Smith Jr. alegou que lhe foi revelado pelo Senhor
Jesus em 1820, quando estava com a idade de 15 anos, e foi orar na
floresta e Jesus lhe apareceu para lhe responder uma pergunta
intrigante que ele fazia a si mesmo: Qual a Igreja verdadeira? Queria
ele se filiar a uma, mas não tinha certeza de qual delas era a
verdadeira. Numa visão Jesus lhe apareceu proibindo-o de filiar-se a
qualquer igreja porque todas estavam erradas: seus credos eram uma
abominação e os seus líderes eram corruptos. Justificou assim Joseph
Smith a fundação da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos
Dias, em 6 de abril de 1830, nos Estados Unidos. Isso é repetido
freqüentemente pelos mórmons que aceitam piamente a visão do seu
fundador ("Doutrina e Convênios" -"Escritos de Joseph Smith".
Publicado por A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias,
pp. 50-60).

83
AS RELIGIÕES E A APOLOGÉTICA BÍBLICA

A Igreja Local usa do mesmo artifício do mormonismo, a diferença é


que enquanto a Igreja Local fala do localismo da igreja, o mormonismo
fala da restauração pelo nome da igreja. No entanto, freqüentemente
os membros da Igreja Local utilizam a palavra restauração para afirmar
que com o surgimento da Igreja Local, a igreja foi restaurada na terra:
A restauração de Deus não começou no século vinte. Embora seja
difícil fixar uma data exata para o seu início, é conveniente estabelecê-
la na época da Reforma. A restauração passou por muitos estágios
desde a Reforma, passando por uma restauração parcial da vida da
igreja na Boêmia, sob a liderança de Zinzendorf prosseguindo para a
revelação de muitas verdades preciosas da Bíblia por intermédio dos
Irmãos de Plymouth e depois continuando até a genuína experiência da
vida interior. Agora ela atingiu o seu estágio atual com, o
estabelecimento das genuínas igrejas locais como a expressão do
corpo de Cristo ("O Que Cremos e Praticamos nas Igrejas Locais",
Editora Fonte da Vida, p. 5).

Admitir que as igrejas locais sejam as genuínas igrejas de Jesus Cristo


implica reconhecer que todas as demais são falsas. É incrível que
pessoas que se servem da Bíblia para mostrar que suas doutrinas se
baseiam na autoridade da mesma consigam, ao mesmo tempo, negar
a continuidade da Igreja fundada por Jesus no dia de Pentecostes (At
2.37-44). Jesus prometeu que as portas do inferno não prevaleceriam
contra a sua Igreja (Mt 16.18). Será que não lhe foi possível manter a
integridade da sua Igreja e que a Igreja por Ele fundada veio a
apostatar, precisando ser restaurada porWitness Lee? Não prometeu
Jesus estar conosco todos os dias até à consumação dos séculos (Mt
28.20)? Como aceitar essa declaração de Witness Lee em afirmar que
com o estabelecimento das genuínas igrejas locais a igreja foi
restaurada na terra? Isso é realmente uma característica do sectarismo

84
AS RELIGIÕES E APOLOGÉTICA BÍBLICA

- a exclusividade da revelação dada supostamente pelo Senhor Jesus


ao líder fundador.

C. O EXCLUSIVISMO RELIGIOSO

A Igreja Local de Witness Lee estabelece três pontos sobre sua


posição em face das outras igrejas:

Denominacionalismo é pecado em detrimento do crescimento


espiritual. A igreja precisa ser unificada: Na vida da igreja,
posicionamo-nos pela unidade única do corpo de Cristo...Cremos que a
oração do Senhor em João 17 será respondida na terra e que, quando
formos aperfeiçoados em unidade, o mundo crera e saberá que o Pai
enviou o Filho ("O Que Cremos e Praticamos nas Igrejas Locais",
Editora Fonte da Vida, p. 12).

Só pode existir uma igreja em cada cidade e a Igreja Local é


independente de todas as igrejas.

Os crentes devem quebrar sua lealdade às suas igrejas e estabelecer


uma igreja local.

Não tente ser neutro. Não procure reconciliar as denominações com a


igreja local. Você nunca conseguirá reconciliá-Ias. ("A Expressão
Prática da Igreja", Witness Lee. Editora Arvore da Vida. 1 . Edição -
1989, p. 98).

Hoje em dia há principalmente dois tipos de crentes: uns são as


denominações, incluindo a Igreja Católica Romana, e o outro é
composto daqueles que estão fora das divisões e sobre a base correta
("A Expressão Prática da Igreja", Witness Lee. Editora Árvore da Vida.
Ia' Edição - 1989, p. 128).

O catolicismo romano e o protestantismo, assim como o judaísmo,

85
AS RELIGIÕES E A APOLOGÉTICA BÍBLICA

estão todos nessa categoria, tornando-se uma organização de


Satanás, como seu instrumento para danificar a economia de Deus
("Apocalipse - Versão Restauração", Witness Lee. Editora Fonte da
Vida. \. Edição - 1987, p. 28).

Visto que a Mãe das Prostitutas é a igreja apóstata, as prostitutas, suas


filhas, devem ser todas as diferentes facções e grupos no cristianismo
que mantêm, até certo ponto, o ensinamento, as práticas e as tradições
da Igreja Romana apóstata. A pura vida da Igreja não possui nenhum
mal transmitido da Igreja apóstata ("Apocalipse - Versão Restauração",
Witness Lee. Editora Fonte da Vida, 1a. edição - 1987, p. 107).

D. A HISTÓRIA

Witness Lee nasceu em 1905 em Chefoo, região da China. Teve


influências cristãs e budistas até que fez sua decisão por Cristo em
1925. Em 1927, Witness Lee começou a estudar a revista publicada
por Watchman Nee e começou a pregar para esse movimento.
Watchman Nee era membro da Igreja dos Irmãos de Plymouth e depois
se separou e criou seu próprio grupo denominado o Pequeno Rebanho.
Por vários anos, Lee presidiu o Pequeno Rebanho em Chefoo, até que
foi convidado a se dirigir para Xangai para ajudar Nee no trabalho e
isso durou até 1946. Depois que Nee foi preso, algumas diferenças de
doutrinas e práticas entre Lee e outros dirigentes do Pequeno Rebanho
contribuíram para a separação do grupo. Assim, Lee criou o seu
próprio grupo em 1950, levando consigo muitos membros do Pequeno
Rebanho e foi trabalhar em Taiwan e Filipinas. Em 1962, Lee fundou a
primeira igreja em Los Angeles, EUA.

Embora Witness Lee repudie abertamente as denominações,


afirmando que elas são divisões do corpo de Cristo, não pode negar,

86
AS RELIGIÕES E APOLOGÉTICA BÍBLICA

historicamente, que a Igreja Local é uma divisão de duas outras


denominações.

Mesmo sem essa ocorrência, ele não pode negar essa condição ao
declarar: No que diz respeito às questões financeiras, as igrejas locais
estão legalmente registradas com relação ao governo, como entidades
religiosas que não visam lucro ("O Que Cremos e Praticamos nas
Igrejas Locais", Editora Fonte da Vida, p. 17).

Essa não é situação legal de todas as denominações de estarem


registradas com relação ao governo como entidades religiosas? Isso
não faz da Igreja Local uma denominação igual às demais? Sem
dúvida que sim. Mas não é só isso. A Igreja Local é o resultado de uma
segunda divisão de uma denominação. Era conhecida originalmente
como Irmãos de Plymouth, surgidos na História em 1828.

Ironicamente, Witness Lee escreveu: Toda denominação foi


estabelecida por algum mestre. A história da igreja mostra que sempre
que e onde quer que houvesse um grande mestre, lá houve uma
divisão ("A Expressão Prática da Igreja", Witness Lee. Editora Árvore
da Vida, 1ª edição - 1989, p. 182). É exatamente isso que ele fez.

E. O LOCALISMO

A Igreja Local alega freqüentemente que a sua igreja está alicerçada


numa base correta. A expressão base correta da igreja quer dizer que
num município só poder haver uma igreja que represente o corpo de
Cristo ou a sua igreja. Quando indagados: Qual o nome da sua igreja?
Respondem: As igrejas locais não têm um nome. 0 único nome que
ostentamos e honramos é o nome do Senhor Jesus Cristo. Tomar
qualquer outro nome é insultá-lo. O termo igreja local não é um nome;
é uma descrição da natureza e expressão locais da igreja, isto é, a

87
AS RELIGIÕES E A APOLOGÉTICA BÍBLICA

igreja numa localidade. Imprimir as palavras 'igreja local' com letras


maiúsculas é um erro sério, pois isto dá a impressão que o nome é
'igreja local'. ("O Que Cremos e Praticamos nas Igrejas Locais." Editora
Fonte da Vida Ltda., p. 13). A jurisdição de uma Igreja local deve
abranger a cidade toda na qual a Igreja está; não deve ser maior nem
menor que o limite da cidade. Todos, os crentes dentro daquele limite
devem constituir a Igreja Local única naquela cidade ("Apocalipse —
Versão Restauração", Witness Lee. Editora Fonte da Vida. \. edição -
1987, p. 16).

Lee quer nos levar a crer que a igreja só é representada em um


ajuntamento em qualquer localidade. Em outras palavras, desde que
haja uma Igreja Local em qualquer lugar, não pode existir outra igual.

A mais óbvia contradição do LOCALISMO na Bíblia é encontrada em


Romanos 16.5: Saudai também a igreja que está em sua casa. Saudai
a Epêneto, meu amado, que é as primícias da Acaia em Cristo. Paulo
escrevendo à igreja em Roma indagou de vários membros e daqueles
que se reuniam em casa de Aquila e Priscila. Embora vivessem em
Roma, eles tinham uma igreja em sua casa, independentemente para
quem Paulo estava escrevendo. Se Áquila e Priscila tivessem sido
membros da igreja, ou se tivessem uma congregação submissa a ela,
estariam presentes por ocasião da leitura da Carta aos Romanos. A
Igreja local ensina que a base da unidade é o localismo, mas Jesus
disse que a base é Ele próprio (Mt 7.24-27). Em outras palavras, se a
nossa base de fé é uma fé viva em Jesus Cristo, não podemos falhar.
Mateus 16.16-18 confirma isso. Pedro respondeu à pergunta de Jesus:
E Simão Pedro, respondendo, disse: Tu és o Cristo, o Filho do Deus
vivo (Mt 16.16). Jesus respondeu: Pois também eu te digo que tu és
Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do
inferno não prevalecerão contra ela (Mt 16.18). A Igreja Local se acha

88
AS RELIGIÕES E APOLOGÉTICA BÍBLICA

com o direito de decidir qual é a verdadeira igreja em uma localidade


ou jurisdição.

F. NÃO ACEITAM CRÍTICAS

Apresentar os erros doutrinários ou prevenir as denominações contra a


forma de agir da Igreja Local junto às denominações é classificado pela
Igreja Local como perseguição religiosa. Quando outras igrejas
discordam dos seus ensinos e práticas, seus líderes recorrem aos
tribunais seculares. A Igreja Local tem vários processos nos Estados
Unidos, China, Alemanha e no Brasil (Instituto Cristão de Pesquisas e
ABEC- Associação Brasileira de Editores Cristãos) recorreram aos
tribunais reivindicando direitos postergados.

A Igreja Local declara: Não importa se você é ou não religioso, pois


desde que você persiga a igreja, você é parte do dragão ou pelo menos
um com ele. Os judeus antigos pensaram que estavam lutando por
Deus, mas não perceberam que estavam lutando com o dragão para
perseguir o povo de Deus, e para acusar dano e estorvar a economia
de Deus ("Estudo - Vida de Apocalipse", Witness Lee. Editora Arvore
da Vida. Volume 2, 1988, p. 393).

O Jornal Batista, de 16 de setembro de 1990, trouxe uma advertência


contra a Igreja Local mostrando sua intromissão entre os evangélicos
na venda de sua literatura produzida pela Editora Arvore da Vida. Essa
editora é a que edita os livros e outras literaturas produzidas para a
Igreja Local. O artigo trazia o título A Seita Que surgiu Para Minar as
Denominações. Dizia o artigo: Esse grupo, denominado por alguns
como Igreja Local, penetra em nossas igrejas, pregando diversas
distorções teológicas e eclesiásticas como: 'Cristo e o diabo, tornando-
se um na cruz, Deus como um ator', a necessidade de destruirmos as

89
AS RELIGIÕES E A APOLOGÉTICA BÍBLICA

denominações e suas estruturas, a não necessidade de líderes


(pastores), a não entrega de dízimos, e outras heresias ("O Jornal
Batista", Carlos Henrique Soares. 16-09-1990. p. 4). Foi repelido e a
Editora Árvore da Vida ameaçou processar o Jornal Batista se não
permitisse o direito de resposta no próprio jornal. Na edição de 30 de
dezembro de 1990, na página 4, o Jornal Batista se viu obrigado a
publicar a defesa deles- A defesa foi redigida nos seguintes termos: A
Editora Árvore da Vida e os membros das igrejas que praticam a visão
da unanimidade do corpo de Cristo em cada cidade vêm sendo vítimas
de uma onda de calúnias e ataques irresponsáveis e mentirosos desde
o segundo semestre do ano ("O Jornal Batista." Autor do texto: Editora
Árvore da Vida. 30-12-1990, p. 4). Só porque o pastor batista fez um
alerta no seu jornal se viu obrigado a ceder espaço para direito de
resposta que apresentava estarem eles sendo: vítimas de calúnias e
ataques irresponsáveis e mentirosas.

G. CONCEITO SOBRE AS DENOMINAÇÕES

Ensinam que ir a qualquer denominação quando se visita uma cidade é


entrar numa divisão porque para encontrar a igreja restaurada deve ir-
se à igreja que está nesse município: Se você se mudar de São Paulo
para Belo Horizonte, não precisa se preocupar quanto a qual igreja
você irá. É tão claro. Você irá à igreja naquela cidade, à igreja local.
Não irá a uma igreja chamada pelo nome de alguma rua, mas à igreja
local naquela cidade; não à igreja de alguma casa ou de alguma
universidade, mas daquela cidade. Se você entrar em qualquer outra
coisa afora a igreja local daquela cidade, entrará numa divisão; se
entrar na igreja daquela cidade, entrará na unidade ("A Visão da
Igreja", Witness Lee, Editora Árvore da Vida Ltda., pp.10-11).

90
AS RELIGIÕES E APOLOGÉTICA BÍBLICA

H. PROSELITISMO ENTRE AS DENOMINAÇÕES

Por um lado, como vimos, há uma exortação para os membros da


Igreja Local se manterem separados das demais denominações. Para
não se misturarem. Por outro lado, na tentativa de conquistarem novos
membros entre as denominações, infiltram-se entre elas, declarando
que somos todos irmãos e que devemos manter essa unidade: Damos
boas vindas a todos os verdadeiros crentes e buscamos comunhão
com eles como nossos irmãos e irmãs em Cristo ("O Que Cremos e
Praticamos nas Igrejas Locais." Editora Fonte da Vida, p. 1).

"Não ensinam que os membros das Igrejas Locais não devem ser
neutros e que a mistura de preto com branco resulta em cinza? Como
manter essa pretendida unidade se não for com o intuito de se
introduzirem em nossas igrejas denominacionais para aliciarem
pessoas?

I. ENSINOS, DOUTRINAS E PRÁTICAS RELIGIOSAS

1. O USO DA BÍBLIA

Assim Crê a Igreja Local:

Cremos que a Bíblia é a completa revelação divina verbalmente


inspirada pelo Espírito Santo ("O Que Cremos e Praticamos nas
Igrejas locais." Editora Fonte da Vida Ltda., p. 3).

Para a Igreja Local é coisa secundária entendermos o que lemos


das Escrituras Sagradas. Declara: Tudo depende da liberação do
espírito ("A Expressão Prática da Igreja", Witness Lee. Editora
Árvore da Vida, 1989, p. 146). A LETRA MATA - Todos precisamos
liberar o espírito. A letra mata, mas o Espírito dá vida. 'A letra

91
AS RELIGIÕES E A APOLOGÉTICA BÍBLICA

significa doutrinas, formas, estas coisas são letras. Qualquer coisa


além do Espírito é um tipo de letra, e essa mata ("A Expressão
Prática da Igreja", Witness Lee, Árvore da Vida, 1989, p. 145).
Esqueça sobre ler, pesquisar, entender e aprender a Palavra...
Todavia a idéia que muitos de nós temos a respeito da Bíblia, é que
ela é uma espécie de ensino, um livro cheio de doutrinas. Desse
modo chegamos à Palavra com a intenção de entendermos e
sabermos alguma coisa... Não devemos ir à Bíblia para aprender e
entender somente. ("Orar-Lendo a Palavra", Witness Lee. Editora
Árvore da Vida Ltda., pp. 5,11-12). Simplesmente pegue a Palavra
de Deus e ore lendo alguns versículos de manhã e à noite. Não há
necessidade de você exercitar a sua mente para tirar dela algum
proveito e não é necessário que reflita sobre o que leu. Por exemplo,
ao orar - ler Gálatas 2.19 (leia-se v. 20), apenas olhe para a página
impressa que diz: 'Estou crucificado com Cristo'. Então com os olhos
na Palavra e orando do fundo de seu interior diga: 'Glória ao Senhor,
Eu estou crucificado com Cristo'. Amém! Eu estou, Oh, Senhor!
Estou crucificado'. Louvado seja o Senhor! 'Crucificado com Cristo',
Amém! Aleluia! 'Estou crucificado com Cristo.' Contudo, Amém! 'Eu
vivo', O, Senhor! Eu vivo Aleluia! Aleluia!, 'Não eu, mas Cristo etc.
...Aí talvez, você abra em João 10.10 e leia: 'eu vim para que
tenham vida'. Então com os seus olhos ainda na Bíblia você pode
orar Eu vim, Amém! Eu vim. Aleluia! Eu vim para que tenham vida'.
Louvado seja o Senhor! 'para que tenham vida'. Aleluia! 'Vida
Amém! 'Vida 'Ó, Senhor! Vida ("Orar-Lendo a Palavra", Witness Lee.
Editora Arvore da Vida, pp.10-12).

Resposta Apologética:

Sem dúvida que a declaração de fé de crer na Bíblia é aceita por


todas as denominações evangélicas. Nenhum de nós nega o que a

92
AS RELIGIÕES E APOLOGÉTICA BÍBLICA

Igreja Local afirma sobre a Bíblia. Mas o problema não é esse. O


problema é a importância que seus adeptos dão ao entendimento
quando se lê ou se estuda a Bíblia.

Ora, ter uma Bíblia e recomendar que devemos lê-la sem procurar
entender o que lemos é perda de tempo. O modo correto de lermos
a Bíblia é procurarmos entender o que lemos. Na Parábola do
Semeador, Jesus ilustrou a importância de entendermos o que
lemos, dizendo: Mas o que foi semeado em boa terra é o que ouve e
compreende a palavra; e dá fruto, e um produz cem, outro sessenta,
e outro trinta (Mt 13.23). Mas o que ouve a Palavra e não a entende
foi comparado à semente que caiu à beira do caminho e que as
aves do céu comeram e ficou infrutífera: Ouvindo alguém a palavra
do reino, e não a entendendo, vem o maligno, e arrebata o que foi
semeado no seu coração; este éo que foi semeado ao pé do
caminho (Mt 13.19).

Filipe, quando foi enviado a pregar o Evangelho ao eunuco, ouviu


que ele lia o livro do profeta Isaías: E, correndo Filipe, ouviu que ha
o profeta Isaías, e disse: Entendes tu o que lês? E ele disse: Como
poderei entender, se alguém não me ensinar? E rogou a Filipe que
subisse e com ele se assentasse (At 8.30-31). O eunuco queria ler,
mas também queria entender o que estava escrito. E assim deve ser
com todos os leitores da Bíblia.

O Senhor Jesus ensinou também que não devemos ser repetitivos


na oração: E, orando, não useis de vãs repetições, como os gentios,
que pensam que por muito falar serão ouvidos (Mt 6.7). Quando
oramos, precisamos ser específicos na nossa oração e não falarmos
palavras desconexas, sem sentido. E necessário orarmos com o
espírito, mas orarmos também com o entendimento: Que farei, pois?
Orarei com o espírito, mas também orarei com o entendimento;

93
AS RELIGIÕES E A APOLOGÉTICA BÍBLICA

cantarei com o espírito, mas também cantarei com o entendimento


(1 Co 14.15).

Esse método de "Orar-Lendo a Palavra" contribui para que os


ensinos da Igreja Local sejam aceitos sem discussão, sem qualquer
espírito de crítica, e sejam preferidos a quaisquer outros ensinos,
inclusive a Bíblia.

J. CÂNTICO MÂNTRICO?

Paralelamente a essa prática de orar-lendo a Palavra, existe um tipo de


cântico repetitivo à semelhança de um mantra oriental. Palavras-chave
devem ser repetidas muitas vezes ao dia para o que Witness Lee
declara ser uma liberação do espírito (um tipo de êxtase espiritual) e
assim evitar a tentação. Os dizeres das palavras que devem ser
repetidos são assim indicados: Ó SENHOR, AMÉM, ALELUIA!
Amamos dizer quatro palavras: 'Ó Senhor, Amém, Aleluia! Nos
versículos de Apocalipse, vimos Amém' e Aleluia'. Onde então
podemos encontrar 'Ó Senhor'? Isso está em Salmos. Em muitas
páginas de Salmos é muito fácil achar "Ó Senhor". Portanto, essas
quatro palavras não são algo que inventamos, e sim algo que
descobrimos na Palavra ("A Expressão Prática da Igreja", Witness Lee.
Editora Árvore da Vida. 1\ Edição - 1989, p. 157).

A pergunta que se levanta é: não seria isso uma versão de um mantra


cristão? Sabemos que mantra é o uso repetitivo de certas palavras ou
frases com entonação característica e que, segundo crêem os
supersticiosos que disto se servem, libera determinado poder. A prática
do mantra é encontrada freqüentemente entre os budistas e os hindus
para entrar em estado de consciência alterada, inclusive para desfrutar
um êxtase. Um mantra muito conhecido é usado pelos adeptos do

94
AS RELIGIÕES E APOLOGÉTICA BÍBLICA

Movimento Hare Krishna.

A Igreja Local usa termos como: sinta, teste, toque, beba, coma, libere
o espírito etc. para provar o conhecimento de Deus e viver em
santidade. E uma teologia conhecida como a Teologia do
Emocionalismo, subjetiva (Jr 17.9). É baseada em experiências
emotivas. O misticismo domina toda a sua teologia. Os membros são
orientados a não questionar o que lhes é ensinado, desde que assim
fazendo estão procedendo como os pagãos. Todos os estudos são
exatamente harmonizados como Witness Lee ensina. Lee orienta a
fechar a mente quando nos aproximamos da Bíblia. A Bíblia condena
essa posição (At 17.11; 2 Tm 2.15; 3.5,15-17).

K. O VALOR DAS DOUTRINAS

Assim Crê a Igreja Local:

...Posso dizer uma palavra franca, honesta e amorosa para esses


queridos? Esqueçam-se da doutrina e olhem para vocês mesmos!
Quem e o que é você"? Pouco importa se a doutrina é correta ou não.
O que importa é o que vocês são. Por anos afio vocês têm se
preocupado com a doutrina, mas houve alguma mudança em vocês?...
("Estudo-Vida de Apocalipse." Vol. 2 (mens. 24 a 46). Witness Lee.
Editora Arvore da Vida. 1ª Edição -1988,362).

Ensinamentos bons, certos, bíblicos e até mesmo ensinamentos


espirituais têm sido usados pelo inimigo como um substituto para o
próprio Cristo. Muitos grupos de cristãos não se fundamentam em
Cristo, mas em seus ensinamentos ("A Estratégia de Satanás Contra a
Igreja", Witness Lee. Editora Arvore da Vida Ltda., p. 6) .

Com isso, os membros da Igreja Local devem apenas liberar o espírito


e se deixar guiar pelos ensinos do seu líder fundador sem poder

95
AS RELIGIÕES E A APOLOGÉTICA BÍBLICA

discernir se são corretos ou não: Estar no espírito não é uma questão


de certo ou errado;precisamos aprender a andar no espírito e nos
despojarmos de tudo o que somos e temos. Assim, quando formos às
reuniões da igreja, devemos ser ousados para funcionar. Não devemos
pensar demais, mas simplesmente funcionar liberando o nosso espírito
afim de expressarmos o Senhor. Desta maneira, cresceremos em
nossa função e seremos mais e mais fortes, mais e mais ricos ("A
Expressão Prática da Igreja", Witness Lee. Editora Arvore da Vida. 1 .
Edição - 1989, p. 144).

Resposta Apologética:

Ora, se somos aconselhados a não usarmos nosso entendimento


quando lemos ou ouvimos a Bíblia, não podemos discernir se o que
ouvimos e lermos está correto. Por isso, Paulo recomendou muito
cuidado com a doutrina de Deus, para não aceitarmos o ensino
diabólico ou de homens. Paulo acentua a importância da doutrina de
Deus. Disse ele: Tem cuidado de ti mesmo e da doutrina. Per severa
nestas coisas;porque, fazendo isto, te salvarás, tanto a ti mesmo como
aos que te ouvem (1 Tm 4.16). Se alguém ensina alguma outra
doutrina, e se não conforma com as sãs palavras de nosso Senhor
Jesus Cristo, e com a doutrina que é segundo a piedade, E soberbo, e
nada sabe, mas delira acerca de questões e contendas de palavras,
das quais nascem invejas, porfias, blasfêmias, ruins suspeitas (1 Tm
6.3-4). Conserva o modelo das sãs palavras que de mim tens ouvido,
na fé e no amor que há em Cristo Jesus (2Tm 1.13).

Admoestando-nos para o surgimento de falsos mestres para os nossos


dias, Paulo adverte: Porque virá tempo em que não suportarão a sã
doutrina; mas, tendo comichão nos ouvidos, amontoarão para si
doutores, conforme as suas próprias concupiscências; E desviarão os
ouvidos da verdade, voltando às fábulas (2 Tm 4.3-4).

96
AS RELIGIÕES E APOLOGÉTICA BÍBLICA

L. O BATISMO REGENERACIONAL

A doutrina do batismo regeneracional está baseada em Jo 3.5 e Tt 3.5.


Segundo este ensino o batismo tem o poder de regenerar os que se lhe
submetem. Assim crê a Igreja Local: Tal palavra indica claramente que
para ser regenerado e entrar no reino de Deus, é preciso nascer, não
só do Espírito, mas também da água. Por isso, o batismo é uma
condição para a regeneração e a entrada no reino de Deus ("Lições da
Verdade - Nível Um", Witness Lee. Editora Fonte da Vida. Edição 1987,
p. 92). Assim como a fé é uma condição da salvação, também o
batismo o /("Lição da Verdade - Nível Um", Witness Lee. Editora Ponte
da Vida- Edição 19B7, p. 93). A água é não só o símbolo do batismo,
mas também o meio da salvação ("Lições da Verdade - Nível Um",
Witness Lee. Editora Fonte da Vida. Edição 1987, p. 86). Batizar as
pessoas é tão importante quanto lhes pregar o evangelho ("Lições da
Verdade Nível Um", Witness Lee. Editora Fonte da Vida. Edição 1987,
p. 79).

Resposta Apologética:

O eunuco de Candace havia ido a Jerusalém para adoração e voltava


lendo o livro do profeta Isaías (53.7-8). Ouvindo a explicação de Filipe
sobre o Senhor Jesus, de quem Isaías falara (At 8.32-35), declarou sua
fé em Jesus (w. 36-37) na forma proposta em Romanos 10.9-13.
Restava, porém, cumprir outro passo, não para a salvação, mas, sim,
como obediência à ordenança de Cristo (Mt 28.19). E foi isto que o
eunuco pediu que Filipe fizesse, e ambos desceram às águas e Filipe o
batizou. O batismo não salva, pois não contém em si a graça
salvadora. Trata-se de uma ordenança do Senhor Jesus, um
testemunho público, de forma dramática, semelhante a um funeral, no
qual o novo crente declara que assim como Cristo morreu, foi

97
AS RELIGIÕES E A APOLOGÉTICA BÍBLICA

sepultado e ressuscitou dentre os mortos também ele, em Cristo,


considera-se morto, para o mundo e, como tal, tem de ser sepultado
(simbolicamente nas águas) Cl 2.12. Mas, assim como Cristo ressurgiu
dos mortos e vive para sempre (Ap 1.18), ele também emerge das
águas batismais, espiritualmente ressurreto, para viver uma nova vida
em seu Salvador Jesus Cristo (Rm 6.2-11; Gl 2.20). Na ordem de
pregar o Evangelho em Mt 28.19, Jesus ordena que procedamos da
seguinte forma: a) proclamar o Evangelho; b) discipular os novos
convertidos; c) batizá-los em nome do Pai e do Filho e do Espírito
Santo. Paulo declarou que Cristo o enviara para pregar o Evangelho e
não para batizar: Porque Cristo enviou-me, não para batizar, mas para
evangelizar; não em sabedoria de palavras, para que a cruz de Cristo
se não faça vã (1 Co 1.17).

M. TIPOLOGIA DO BODE EMISSÁRIO

Assim Crê a Igreja Local:

O ensinamento sobre o dia da expiação por Witness Lee diz


exatamente o que pregam os adventistas por meio de Ellen Gould
White. Interpreta ele que o bode emissário tipifica Satanás sobre quem
os pecados dos crentes serão finalmente colocados. Satanás se torna
o que carrega os pecados dos crentes da Igreja Local: Quando Deus
fez com que o Senhor Jesus levasse os nossos pecados na cruz para
sofrer o julgamento e a punição de Deus em nosso lugar, Ele também
fez com que todos os nossos pecados fossem postos sobre Satanás,
afim de que este arcasse com eles para sempre. Isso é revelado em
tipologia na expiação registrada em Levítico 16. Quando o sumo
sacerdote fazia expiação pelos filhos de Israel, ele tomava dois bodes e
os apresentava diante de Deus. Um era para Deus e devia ser morto
para fazer expiação pelos filhos de Israel, enquanto que o outro era por

98
AS RELIGIÕES E APOLOGÉTICA BÍBLICA

Azazel', isto é, para Satanás, para levar os pecados dos filhos de Israel
(Lv 16.7-10,15-22 - IBB, Imprensa Bíblica Brasileira) ("Lições da
Verdade — Nível Um", Witness Lee. Editora Fonte da Vida. Edição de
1987, p. 126). Deus pôs todos os nossos pecados sobre o Senhor
Jesus afim de que os levasse todos, para sofrer a punição de D eus por
nós e cancelasse a acusação contra nós diante Dele. Ele então deu
todos os nossos pecados de volta a Satanás afim de que ele mesmo os
carregasse. Deus, assim, pode perdoar-nos dos nossos pecados e
fazer com que eles nos abandonem ("Lições da Verdade - Nível Um",
Witness Lee. Editora Fonte da Vida. Edição de 1987, p. 127).

Resposta Apologética:

Os israelitas em seu calendário religioso celebravam sete festas


anualmente. A Festa dos Asmos, da Páscoa, de Pentecostes, das
Trombetas, da Expiação e dos Tabernáculos (duas festas com o
mesmo título). Uma das mais importantes era a Festa da Expiação e
que está mencionada em Lv 16.29-34. Nesse dia solene, os pecados
dos israelitas eram removidos deles na figura de dois bodes: um o
bode expiatório, que era morto e o sangue era aspergido no
propiciatório do lugar santo dos santos do tabernáculo e,
posteriormente, o sumo sacerdote saía do lugar santíssimo e colocava
as mãos sobre a cabeça do bode emissário e confessava os pecados
do povo. Posteriormente, o bode emissário era conduzido ao deserto
pela mão de um guia e lá deixado. Essa cerimônia do dia da Expiação
representava as duas fases da obra viçaria de Cristo. A morte de Cristo
efetua plena redenção do pecado do povo, nisso representando a obra
de Cristo no calvário (Hb 9.11-12,24; 10.10-12), a segunda fase a
remoção da maldição devida pelos pecados para nunca mais alcançar
de novo aqueles que os cometeram. As seguintes razões justificam
nossa interpretação:

99
AS RELIGIÕES E A APOLOGÉTICA BÍBLICA

Os dois bodes de Lv 16.5-10 eram apresentados para expiação dos


pecados dos israelitas e não só o bode expiatório;

Em Levítico 16.22 se lê: Assim aquele bode levará sobre si todas as


iniqüidades deles à terra solitária; e deixará o bode ao deserto;

Essa expressão levará sobre si todas as iniqüidades deles à terra


solitária se refere à obra de Cristo profetizada em Isaías 53.11: Ele
verá o fruto do trabalho da sua alma, e ficará satisfeito; com o seu
conhecimento o meu servo, o justo, justificará a muitos, porque as
iniqüidades deles levará sobre si;

Sabemos que Jesus é aquele de, quem o profeta falava (Is 53.4-7,
conforme interpretação que lemos em At 8.30-35).

E Jesus é o Cordeiro de Deus que leva os pecados do mundo (Jo


1.29). Podemos ver isso também em 1 Pedro 2.24.

N. A TRINDADE

Assim Crê a Igreja Local:

Procuram os obreiros da Igreja Local fazer entender aos evangélicos


que crêem na doutrina bíblica da Trindade como nós cremos.
Entretanto, declaram que o Pai, o Filho e o Espírito Santo são todos a
mesma pessoa, bem como o mesmo Deus e também que cada um
deles é um passo ou estágio sucessivo na revelação de Deus aos
homens. Veja a seguir o que eles dizem a este respeito: Alguns vêem
problema na palavra processado' e argumentam que é impossível que
Deus seja processado porque Ele é eterno e imutável. Embora Deus
seja eterno e imutável, contudo Ele passou por um processo ("Como
Receber o Deus Triúno Processado", Witness Lee. Editora Fonte da
Vida, p. 7). Assim as três Pessoas da Trindade tornam-Se os três
passos sucessivos no processo da economia de Deus. Sem esses três

100
AS RELIGIÕES E APOLOGÉTICA BÍBLICA

estágios, a essência de Deus nunca poderia ser dispensada para


dentro do homem ("A Economia de Deus", Witness Lee. Editora Árvore
da vida. 1 . Edição - 1989, pp. 12-13).

Lee declara: João 1.1 nos diz que a Palavra era Deus, e João 1.14 que
essa Palavra tornou-Se carne. Deus tornou-se carne, isto é, um
homem, e, esse Homem é a corporificação de Deus. Eleja não é mais
misterioso; agora está corporificado porque Se tornou um homem.
Temos de perguntar se esse homem-Deus é o Filho ou o Pai. Temos
de dizer que Ele é o Filho com o Pai. Deus tornou-Se carne e esse
Deus é o Filho com o Pai. Quando Deus Filho tornou-Se carne, Ele
tornou-Se carne com Deus Pai. Deus Filho, com Deus Pai, tornaram-se
carne. Provavelmente nos disseram no passado que quando o Filho
veio nascer como um homem, Ele deixou o Pai no trono no céu, mas a
Bíblia nos diz que quando o Filho veio, Ele veio com o Pai ("A
Economia Divina",Witness Lee. Editora Fonte da Vida, p. 41).

João 6.46, 7.29 e 16.27 dizem-nos que quando o Filho veio do Pai, Ele
veio com o Pai. Quando o Filho veio, não veio sozinho, não deixou o
Pai nos céus. No dia em que Jesus estava na casa de Simão, o
leproso, e Maria derramou o óleo precioso sobre Ele (Mt 26.6-7), Ele
era o Filho com o Pai. Se fosse simplesmente o Filho e tivesse deixado
o Pai nos céus quando veio, não seria a corporificação do Pai. Mas o
Filho estava lá com o Pai como a corporificação do Pai, como a
corporificação de Deus. Ele é o Filho, Ele é o Pai e Ele é Deus ("A
Economia Divina", Witness Lee. Editora Arvore da Vida. 1 . Edição -
1989, p. 41).

Resposta Apologética:

Num primeiro momento podemos classificar o ensino da Igreja Local


sobre a natureza de Deus de modalístico estatístico. Lee ensina que o
Pai, Filho e o Espírito Santo são simultaneamente um o outro e ao

101
AS RELIGIÕES E A APOLOGÉTICA BÍBLICA

mesmo tempo o Pai é o Filho e o Espírito Santo. Esse ensino também


é historicamente conhecido como patripassianismo — O Pai padeceu
na cruz como o Filho.

A Bíblia declara o que o Pai disse do Filho: E o Espírito Santo desceu


sobre ele em forma corpórea, como pomba; e ouviu-se uma voz do
céu, que dizia: Tu és o meu Filho amado, em ti me comprazo (Lc 3.22).
Como fica se o Pai e o Filho são a mesma pessoa? Jesus e o Pai são
um só Deus, não uma só pessoa. O Pai não veio com o Filho (Mt
5.16,48; 6.9; 10.32-33). Jesus declara ser uma pessoa distinta do Pai,
embora esteja em unidade com Ele: E, se na verdade julgo, o meu
juízo é verdadeiro, porque não sou eu só, mas eu e o Pai que me
enviou. E na vossa lei está também escrito que o testemunho de dois
homens é verdadeiro. Eu sou o que testifico de mim mesmo, e de mim
testifica também o Pai que me enviou (Jo 8.16-18). Ilustrando a sua
forma de crer na Trindade, assim escreve Witness Lee: 0 Pai está
ilustrado pela melancia inteira; o Filho, pelas fatias e, finalmente, o
Espírito, pelo suco. Agora você vê este ponto: o Pai não é apenas o
Pai, mas é também o Filho. E o Filho não é apenas o Filho, mas é
também o Espírito ("A Economia de Deus", Witness Lee. Editora Árvore
da Vida. Edição de 1989, p. 53).

Outra ilustração usada pelo mesmo escritor: Alguns homens são de


pouco propósito; por isso, sua aparência é sempre a mesma. Contudo,
um homem cheio de propósito terá várias aparências. Se você pudesse
visitá-lo em sua casa logo pela manhã, veria que ele é um pai ou um
mando. Depois do café da manhã, talvez vá a uma universidade para
ser um professor. A tarde, no hospital, é possível que o veja com um
uniforme branco de médico. Em casa é um pai, na universidade é um
professor, e no hospital é um médico. Por que ele é esses três tipos de
pessoas? Porque ele é um homem que tem grandes propósitos. O pai

102
AS RELIGIÕES E APOLOGÉTICA BÍBLICA

em casa, o professor na universidade e o médico no hospital são três


pessoas com um só nome ("A expressão Prática da Igreja", Witness
Lee. Editora Árvore da Vida. l". Edição - 1989, p. 8). Esse exemplo da
Igreja Local é classificado como modalismo. O pai, o professor e o
médico não são três pessoas distintas, senão uma só pessoa, com três
modos de agir: como pai, como professor e como médico. Uma pessoa
exercendo três modos de se revelar, o próprio Witness Lee declara
isso: Porque ele é um homem que tem grandes propósitos.

Embora a Igreja Local se esforce em declarar que não é modalista e


que crê na doutrina bíblica da Trindade, sua crença não é compatível
com a doutrina ortodoxa da Santíssima Trindade. O Credo Atanasiano
declara: E a fé católica [universal] é esta: que adoremos um Deus em
Trindade, e a Trindade na unidade, não confundindo as pessoas, nem
separando a substância:pois uma é a pessoa do Pai, outra, a do Filho,
outra, a do Espírito Santo; mas uma só a divindade do Pai, do Filho e
do Espírito Santo, igual a glória, co-eterna a majestade.

Contrariando a doutrina ortodoxa, Witness Lee declara: Alguns


teólogos tradicionais nos dizem que as três pessoas na Trindade
divina: o Pai, o Filho e o Espírito, não devem ser confundidas e devem
ser mantidas claramente separadas o tempo todo. Mas a Bíblia ensina
que Jesus, o Filho de Deus, tornou-se o Espírito ("A Economia Divina",
Witness Lee. Editora Fonte da Vida. Edição de 1987, p. 71). Para
justificar sua teoria declara: 0 Credo de Nicéia, que foi formulado em
325 a.D., não é completo porque nada diz acerca dos sete Espíritos.
Esse credo fala da deidade do Deus Triúno, a Trindade divina, de uma
maneira geral, mas nada aborda de Apocalipse. Quando o Credo de
Nicéia foi feito em 325 a.D., ainda havia desacordo sobre Hebreus,
Tiago, 2 Pedro, 2 João, 3 João, Judas e Apocalipse. Não foi antes de
397 a.D., no concilio que houve em Cartago, no norte da África, que

103
AS RELIGIÕES E A APOLOGÉTICA BÍBLICA

Apocalipse, com os outros seis livros, foi reconhecido como parte do


Novo Testamento. O Credo de Nicéia não é completo porque não
aborda o livro de Apocalipse, o qual é a consumação final e máxima da
revelação divina ("A Economia de Deus", Witness Lee. Editora Fonte
da Vida. f. Edição - 1987, p. 120).

Mostrando que crê diferentemente do que cremos, ainda declara:


Assim, as três Pessoas da Trindade tornam-Se os três passos
sucessivos no processo da economia de Deus. Sem esses três
estágios, a essência de Deus nunca poderia ser dispensada para
dentro do homem ("A Economia de Deus", Witness Lee. Editora Árvore
da Vida. l\ Edição -1989, pp. 12-13). Essa definição de Witness Lee
acerca de Deus é a chamada teoria do Deus Processado, e nunca o
Deus Trino, conforme revelam as Sagradas Escrituras: Na natureza do
único e, eterno Deus, há três pessoas eternamente distintas, o Pai, o
Filho e o Espírito Santo. Todas as três pessoas são o mesmo Deus,
embora o Pai não seja nem o Filho nem o Espírito; o Filho não seja
nem o Pai nem o Espírito; e o Espírito não seja o Pai nem o Filho. A
distinção entre as três Pessoas da Trindade é observada na Bíblia,
como passamos a expor:

1. PAI E FILHO SÃO DUAS PESSOAS DISTINTAS

a. Como Duas Testemunhas:

Se eu testifico de mim mesmo, o meu testemunho não é


verdadeiro. Há outro que testifica de mim, e sei que o testemunho
que ele dá de mim é verdadeiro (Jo 5.31-32). E, se na verdade
julgo, o meu juízo é verdadeiro, porque não sou eu só, mas eu e
o Pai que me enviou. E na vossa lei está também escrito que o
testemunho de dois homens é verdadeiro. Eu sou o que testifico

104
AS RELIGIÕES E APOLOGÉTICA BÍBLICA

de mim mesmo, e de mim testifica também o Pai, que me enviou


(Jo 8.16-18).

b. O Que Envia e o Enviado:

Porque Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para que


condenasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por ele
(Jo 3.17);

Mas, vindo a plenitude dos tempos, Deus enviou seu Filho,


nascido de mulher, nascido sob a lei (Gl 4.4).

c. Nas Saudações:

Graça e paz da parte de Deus nosso Pai, e do Senhor Jesus


Cristo (1 Co 1.3);Paulo, apóstolo (não da parte dos homens, nem
por homem algum, mas por Jesus Cristo epor Deus Pai, que o
ressuscitou dentre os mortos) (Gl 1.1);

Graça, misericórdia e paz, da parte de Deus Pai e do Senhor


Jesus Cristo, o Filho do Pai, sejam convosco na verdade e amor
(2 Jo 3).

d. Outras Provas Bíblicas de Que Jesus Não É o Pai:

Em todo o tempo em que Jesus esteve na terra, o Pai esteve no


céu: Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que
vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai, que está
nos céus (Mt 5.16). Sede vós, pois perfeitos, como é perfeito o
vosso Pai que está nos céus (Mt 5.48);

Jesus disse que confessaria os homens que O confessassem


diante do Pai: Portanto, qualquer que me confessar diante dos
homens, eu o confessarei diante de meu Pai, que está nos céus.
Mas qualquer que me negar diante dos homens, eu o negarei
também diante de meu Pai, que está nos céus (Mt 10.32-33).

105
AS RELIGIÕES E A APOLOGÉTICA BÍBLICA

O Senhor Jesus Cristo está hoje à destra do Pai: E, ouvindo eles


isto, enfureciam-se em seus corações, e rangiam os dentes
contra ele. Mas ele, estando cheio do Espírito Santo,fixando os
olhos no céu, viu a glória de Deus, e Jesus, que estava à direita
de Deus; E disse: Eis que vejo os céus abertos, e o Filho do
homem, que está em pé à mão direita de Deus (At 7.54-56);

Deus Pai é Pai de Jesus e não Jesus é Pai de si mesmo: Bendito


o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o qual nos abençoou
com todas as bênçãos espirituais nos lugares celestiais em Cristo
(Ef 1.3). Graça, misericórdia e paz, da parte de Deus Pai e do
Senhor Jesus Cristo, o Filho do Pai, sejam convosco na verdade
e amor (2 Jo 3);

Jesus entregou o seu espírito a seu Pai e não a si próprio: E,


clamando Jesus com grande voz, disse: Pai, nas tuas mãos
entrego o meu espírito. E, havendo dito isto, expirou (Lc 23.46);

Jesus conhecia o Pai, mas não era o Pai: Assim como o Pai
conhece a mim, também eu conheço o Pai, e dou a minha vida
pelas ovelhas (Jo 10.15);

Jesus cita a lei sobre o testemunho de dois homens e faz


analogia entre Ele e o Pai, como duas testemunhas: E na vossa
lei está também escrito que o testemunho de dois homens é
verdadeiro. Eu sou o que testifico de mim mesmo, e de mim
testifica também o Pai que me enviou (Jo 8.17-18) etc.

2. O PAI NÃO É O ESPÍRITO SANTO

a. O Pai Envia o Espírito Santo

Eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Consolador, para que


fique convosco para sempre (Jo 14.16);

106
AS RELIGIÕES E APOLOGÉTICA BÍBLICA

Mas, quando vier o Consolador, que eu da parte do Pai vos hei


de enviar, aquele Espírito de Verdade, que procede do Pai, ele
testificará de mim (Jo 15.26).

b. O Espírito Santo Intercede Junto ao Pai

E da mesma maneira também o Espírito ajuda as nossas


fraquezas; porque não sabemos o que havemos de pedir como
convém, mas o mesmo Espírito intercede por nós com gemidos
inexprimíveis. E aquele que examina os corações sabe qual é a
intenção do Espírito; e é ele que segundo Deus intercede pelos
santos (Rm 8.26-27).

3. JESUS NÃO É O ESPÍRITO SANTO

a. O Espírito Santo É Outro Consolador

Eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Consolador, para que


fique convosco para sempre (Jo 14.16);

Meus filhinhos, estas coisas vos escrevo, para que não pequeis;
e, se alguém pecar, temos um Advogado para com o Pai, Jesus
Cristo, o justo (1 Jo 2.1).

b. O Espírito Santo Glorifica a Jesus

Ele me glorificará, porque há de receber do que é meu, e vo-lo há


de anunciar Jo 16.14).

c. O Espírito Santo Desceu Sobre Jesus no Momento do


Batismo

E, sendo Jesus batizado, saiu logo da água, e eis que se lhe


abriram os céus, e viu o Espírito de Deus descendo como pomba
e vindo sobre ele (Mt 3.16).

d. Outras Provas Bíblicas de Que o Espírito Santo Não É Jesus

107
AS RELIGIÕES E A APOLOGÉTICA BÍBLICA

O Espírito Santo é um outro Consolador, procedente do

Pai e do Filho: E eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro


Consolador, para que fique convosco para sempre (Jo 14.16).
Mas quando vier o Consolador, que eu da parte do Pai vos hei de
enviar, aquele Espírito de verdade, que procede do Pai, ele
testificará de mim (Jo 15.26);

O Filho pode ser blasfemado e o pecador culpado disso encontra


perdão. Mas, se o Espírito Santo for blasfemado, essa pessoa
não encontra perdão. Isto prova haver duas Pessoas: Portanto,
eu vos digo: Todo o pecado e blasfêmia se perdoará aos homens;
mas a blasfêmia contra o Espírito não será perdoada aos
homens. E, se qualquer disser alguma palavra contra o Filho do
homem, ser-lhe-á perdoado; mas, se alguém falar contra o
Espírito Santo, não lhe será perdoado, nem neste século nem no
futuro (Mt 12.31-32);

O Espírito Santo não veio falar de si mesmo ou glorificar a si


mesmo, mas sim para glorificar a Jesus: Mas, quando vier
aquele, o Espírito de verdade, ele vos guiará em toda a verdade;
porque não falará de si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido,
e vos anunciará o que há de vir. Ele me glorificará, porque há de
receber do que é meu, e vo-lo há de anunciar (Jo 16.13-14);

A descida do Espírito Santo no dia de Pentecostes foi a prova de


que Jesus havia chegado ao céu, onde assentou-se à destra de
Deus Pai: E isto disse ele do Espírito que haviam de receber os
que nele cressem; porque o Espírito Santo ainda não fora dado,
por ainda Jesus não ter sido glorificado (Jo 7.39). De sorte que,
exaltado pela destra de Deus, e tendo recebido do Pai a
promessa do Espírito Santo, derramou isto que vós agora vedes
e ouvis (At 2.33);

108
AS RELIGIÕES E APOLOGÉTICA BÍBLICA

Jesus afirmou, mesmo depois da ressurreição, que Ele não era


espírito. Portanto, Ele não podia ser nem o Pai (Jo 4.24) nem o
Espírito Santo (Jo 14.16-17,26; 15.26; 16.7,15), pois esses são
seres espirituais: Vede as minhas mãos e os meus pés, que sou
eu mesmo; apalpai-me e vede, pois um espírito não tem carne
nem ossos, como vedes que eu tenho (Lc 24.39).

4. ALGUNS VERSÍCULOS UTILIZADOS PARA JUSTIFICAR SUAS


TEORIAS

Eu e o Pai somos um (Jo 10.30). Disse-lhe Jesus: Estou há tanto


tempo convosco, e não me tendes conhecido, Filipe"? Quem me vê
a mim vê o Pai; e como dizes tu: Mostra-nos o Pai? (Jo 14.9). E,
havendo dito isto, assoprou sobre eles e disse-lhes: Recebei o
Espírito Santo (Jo 20.22). Ora, o Senhor é Espírito; e onde está o
Espírito do Senhor, aí há liberdade (2 Co 3.17).

Analisando os Versículos Citados

Eu e o Pai somos um (Jo 10.30). Nesse versículo, vemos a


pluralidade na unidade, basta observar a expressão somos -
pluralidade, um - unidade. Jesus não está dizendo que é a mesma
pessoa do Pai, mas que Ele e o Pai são duas pessoas distintas, em
unidade divina. Portanto João 10.30 deve ser entendido como uma
declaração de Jesus da sua unicidade de natureza essencial com
Deus, isto é, que Ele é essencialmente igual a Deus.

Disse-lhe Jesus: Estou há tanto tempo convosco, e não me tendes


conhecido, Filipe? Quem me vê a mim vê o Pai; e como dizes tu:
Mostra-nos o Pai? (Jo 14.9). Encontramos aqui uma reiteração da
mesma substância da declaração do versículo 7 deste capítulo: Se
vós me conhecêsseis a mim, também conheceríeis a meu Pai; ejá

109
AS RELIGIÕES E A APOLOGÉTICA BÍBLICA

desde agora o conheceis, e o tendes visto. Ver o Pai não consiste


em meramente contemplar a sua presença corporal, mas em
conhecê-lo. Fica subentendido que não ver o Pai, na pessoa de
Jesus, é o mesmo que não conhecê-lo. O Filho é o único expositor
do Pai aos homens (Mt 11.27; Jo 12.44-45; Cl 1.15; Hb 1.3; 1Tm
6.16).

E, havendo dito isto, assoprou sobre eles e disse-lhes: Recebei o


Espírito Santo (Jo 20.22). O Senhor Jesus faz aqui uma doação
preliminar do Espírito Santo, que era o símbolo da promessa e a
garantia de que seria concretizada a vinda do Espírito Santo,
quando o Senhor Jesus fosse glorificado (Jo 7.39). Essa vinda em
seu total poder não poderia anteceder de forma alguma a ascensão
de Jesus e a sua glorificação (Jo 16.7). Porém, o Senhor Jesus quis
mostrar que essa pessoa divina viria (Jo 14.16-26), por isso
concedeu aos seus discípulos algo simbólico do poder que haveriam
de receber mais tarde em plena medida (Atos 2).

Ora, o Senhor é Espírito; e onde está o Espírito do Senhor, aí há


liberdade (2 Co 3.17). Neste versículo, a expressão Senhor se refere
a Cristo, identificando o Espírito Santo com a mesma natureza e
divindade de Jesus, e não que Ele seja a mesma pessoa. Basta
observar que no versículo seguinte, o apóstolo separa as pessoas:
Mas todos nós, com rosto descoberto, refletindo como um espelho a
glória do Senhor, somos transformados de glória em glória na
mesma imagem, como pelo Espírito do Senhor (2 Co 3.18).

Devido a sua peculiar teoria a respeito da Trindade, a Igreja Local foi


classificada num primeiro momento de grupo modalista. O livrete "O
Que Cremos e Praticamos nas Igrejas Locais", página 15, pergunta
número 8, diz: Vocês têm uma visão " modalista" da Trindade? E a
Igreja Local responde: Certamente que não! O modalismo é

110
AS RELIGIÕES E APOLOGÉTICA BÍBLICA

herético. Ao invés de ensinar que os Três da Deidade: o Pai, o Filho,


e o Espírito, coexistem eternamente, o modalismo afirma que Eles
são mera manifestação temporária da essência divina. Cremos, de
acordo com a Bíblia, que Deus é essencialmente três em um e um
em três. Certamente reconhecemos distinções eternas dentro da
Deidade. Entretanto, a nossa ênfase com respeito à Trindade não
está baseada na análise doutrinária da natureza de Deus, mas no
dispensar do Deus Triúno para dentro de nós como nossa vida e
nosso tudo. A nossa ortodoxia com respeito à Doutrina de Deus
deve ser estabelecida em se o nosso ensinamento está ou não de
acordo com apura Palavra de Deus. Quando a nossa crença acerca
do Deus Triúno é fielmente considerada à luz da Escritura, ver-se-á
que não cremos no modalismo, nem no triteísmo, mas na revelação
do Deus Triúno segundo apura Palavra de Deus. De acordo com
essa declaração da Igreja Local, podemos considerar que a Igreja
Local:

Não crê na doutrina bíblica e ortodoxa da Trindade, conforme as


igrejas cristãs;

Utiliza o termo Trindade e Triúno com definição e significado


diferente da ortodoxia cristã;

Sua definição da unidade divina é: ...o Pai é o Espírito, o Filho


também é o Espírito, e o Espírito, é claro, é o Espírito. O Pai está no
Filho, o Filho está no Espírito e o Espírito está em nós como
apropria transmissão de Deus... ("A Economia de Deus", Witness
Lee.a Editora Arvore da Vida. 1 . Edição - 1989, p. 19). Com essa
declaração, fica claro que a Igreja Local confunde as pessoas na
unidade divina, revelando sua crença modalista, embora negue.
Basta analisar o exemplo da melancia dado por Witness Lee: O Pai
está ilustrado pela melancia inteira; o Filho, pelas fatias e,

111
AS RELIGIÕES E A APOLOGÉTICA BÍBLICA

finalmente, o Espírito, pelo suco. Agora você vê este ponto: o Pai


não é apenas o Pai, mas é também o Filho. E o Filho não é apenas
o Filho, mas é também o Espírito.

Por outro lado, declara crer nas três pessoas distintas da Trindade:
Cremos, de acordo com a Bíblia, que Deus é essencialmente três
em um e um em três. Certamente reconhecemos distinções eternas
dentro da deidade;

Se de um lado ela declara crer nas três pessoas distintas, de outro


nega as três pessoas. Esse entendimento contraditório
inevitavelmente leva à teoria do Deus Processado: Assim, as três
Pessoas da Trindade tornam-Se os três passos sucessivos no
processo da economia de Deus. Sem esses três estágios, a
essência de Deus nunca poderia ser dispensada para dentro do
homem ("A Economia de Deus", Witness Lee. Editora Árvore da
Vida. Edição-1989, pp. 12-13).

A teoria do Deus Processado ou Deus Triúno que tenta harmonizar


o modalismo com o trinitarismo pode ser notada na declaração de
Witness Lee: Os três são distintos, mas não separados. Quando o
Filho veio, o Pai veio com Ele. Quando o Espírito veio, o Filho e o
Pai vieram (Jo 14.17-23). Não cremos no modalismo, uma heresia
que diz que quando o Filho veio, o Pai deixou de existir, e então
quando o Espírito veio, o Filho deixou de existir. Cremos que Deus é
três-um, o Pai, o Filho e o Espírito como um Deus coexistindo e
coinerindo de eternidade a eternidade ("A Revelação Básica nas
Escrituras Sagradas", Witness Lee. 1 . Edição -1991. Editora Árvore
da Vida, p. 24);

Essa teoria do Deus Processado não é a definição da doutrina da


Trindade nem está de acordo com a pureza das Sagradas
Escrituras. Distinção muito clara é feita entre as três Pessoas da

112
AS RELIGIÕES E APOLOGÉTICA BÍBLICA

Trindade: Portanto ide, fazei discípulos de todas as nações,


batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo (Mt
28.19). A graça do Senhor Jesus Cristo, e o amor de Deus, e a
comunhão do Espírito Santo seja com todos vós. Amém (2 Co
13.14). E, sendo Jesus batizado, saiu logo da água, e eis que se lhe
abriram os céus, e viu o Espírito de Deus descendo como pomba e
vindo sobre ele. E eis que uma voz dos céus dizia: Este é o meu
Filho amado, em que me comprazo (Mt 3.16-17). Assim: adoremos
um Deus em Trindade, e a Trindade na unidade, não confundindo as
pessoas, nem separando a substância: pois uma é a pessoa do Pai,
outra, a do Filho, outra, a do Espírito Santo; mas uma só a divindade
do Pai, do Filho e do Espírito Santo, igual a glória, co-eterna à
majestade.

O. JESUS E SUAS NATUREZAS AMALGAMADAS

Assim Crê a Igreja Local:

A Igreja Local ensina o amálgama da sua natureza divina com a


natureza humana. Seria como se disséssemos que Jesus é 50% Deus
e 50% homem, formando nova natureza misturada: O princípio da
encarnação é que em tudo Deus está amalgamado com o homem, e o
homem está amalgamado com Deus ("A Expressão Prática da Igreja",
Witness Lee. Editora Arvore da Vida. 1 . Edição -1989, p. 147).
Podemos demonstrar esta relação mergulhando um lenço branco em
tinta azul. A divindade do Pai podia ser originalmente comparada ao
lenço branco. Este lenço, imerso em tinta azul, representa o Pai no
Filho encarnando-Se na humanidade. A peça branca agora se tornou
azul. Assim como o azul foi adicionado ao lenço, assim também a
natureza humana foi adicionada à divina, e as naturezas antes eram
separadas, agora se tornaram uma ("A Economia de Deus", Witness

113
AS RELIGIÕES E A APOLOGÉTICA BÍBLICA

Lee. Editora Árvore da Vida. 1 . Edição -1989, pp. 13-14). Através da


Sua encarnação, Ele trouxe Dem para dentro do homem e amalgamou
a essência divina de Deus com a humanidade. Em Cristo não há
somente Deus, mas também o homem ("A Economia de Deus", a
Witness Lee. Editora Arvore da Vida. 1 . Edição - 1989, p. 14).

Resposta Apologética:

O assunto cristologia tem sido motivo de muitas controvérsias.


Algumas seitas negam a humanidade de Jesus afirmando que Ele tinha
um corpo fluídico, aparente; outros negam sua divindade, alegando sei-
Ele o arcanjo Miguel, antes de tomar a forma humana.

Se o ensino de Witness Lee fosse correto, teríamos de concluir que a


natureza divina amalgamada à natureza humana faria com que essa
nova natureza deixasse de ser inteiramente divina e sua natureza
humana deixasse de ser inteiramente humana. Então Jesus não seria
absolutamente Deus nem absolutamente homem, mas metade de cada
um deles. Jesus, antes de tomar a forma humana, era absolutamente
Deus como lemos em João 1.1: No princípio era o Verbo, e o Verbo
estava com Deus, e o Verbo era Deus. Vivia na condição de Deus:
Que, sendo em forma de Deus, não teve por usurpação ser igual a
Deus (Fp 2.6). Na sua encarnação foi-lhe preparado um corpo humano:
Por isso, entrando no mundo, diz: Sacrifício e oferta não quiseste, mas
corpo me preparaste (Hb 10.5). Paulo define a natureza divino-humana
de Jesus, afirmando: Porque nele habita corporalmente toda a
plenitude da divindade (Cl 2.9). Ainda em Romanos 9.5 Paulo se refere
a Jesus dizendo: Dos quais são os pais, e dos quais é Cristo segundo
a carne, o qual é sobre todos, Deus bendito eternamente. Amém. É
assim uma personalidade theantrópica (théos: Deus; ântropos: homem)
como lemos em Is 7.14, comparado com Mt 1.23: Eis que a virgem
conceberá, e dará à luz um filho, e chamá-lo-ão pelo nome de

114
AS RELIGIÕES E APOLOGÉTICA BÍBLICA

EMANUEL, que traduzido é: Deus conosco. Afirmamos, pois, que


Jesus é verdadeiramente Deus e verdadeiramente homem e uma só
pessoa (1 Tm 2.5), não com naturezas amalgamadas ou misturadas.

P. A DEIFICAÇÃO DO HOMEM

Assim Crê a Igreja Local:

A Igreja Local reage quando é acusada de pregar a divindade do


homem: Vocês ensinam que o homem está evoluindo para Deus? Tal
acusação, que tem sido feita contra nós, é totalmente falsa e sem
fundamento. De acordo com a Bíblia, ensinamos que Deus está
dispensando a Si mesmo para dentro do homem e que o crente está
sendo transformado por e permeado com o elemento de Deus. O fato é
que, como filhos de Deus, participamos da vida e natureza de Deus.
Sim, o Deus Triúno está sendo trabalhado dentro de nós e nós
estamos participando da Sua própria natureza, mas, definitivamente,
não estamos evoluindo para a Deidade ("O Que Cremos e Praticamos
nas Igrejas Locais." Editora Fonte da Vida Ltda., p. 16).

No entanto, não é isso que encontramos em suas declarações: Ele não


quer que você seja um homem bom, mas quer que você seja um
homem-Deus. Você pode ser um 'homem bom, mas jamais poderá ser
uma expressão de Deus se for meramente isso. Deus fez o homem à
Sua própria imagem com o objetivo de que este 0 expresse. Ao nos
tornarmos um homem-Deus, que é cheio Dele, nós 0 expressamos. Um
homem-Deus é uma expressão de Deus ("A Economia Divina", Witness
Lee. Editora Fonte da Vida. 1 . Edição —1987, p. 17). Um cristão não é
meramente um homem bom, mas um homem-Deus ("A Economia
Divina", Witness Lee. Editora Fonte da Vida. 1 . Edição - 1987, p. 19).

Explicando o que significa a expressão homem-Deus com relação a

115
AS RELIGIÕES E A APOLOGÉTICA BÍBLICA

Jesus, assim definem: Ele (Jesus)possuía duas naturezas: a divina e a


humana. Ele era o Deus completo e o homem perfeito, um homem-
Deus ("A Economia Divina", Witness Lee. Editora Fonte da Vida. Ia.
edição — 1987, p. 45). Jesus era um homem-Deus e nós devemos
tornar-nos um homem-Deus. Sendo assim, temos a mesma natureza
de Jesus e se Jesus era "Deus completo" nós igualmente nos tornamos
um Deus completo.

Isso se torna bem claro na seguinte declaração, quando somos o corpo


vivo de Cristo em certo lugar realmente somos a casa de Deus e a
coluna e base da verdade. Somos, então, o aumento, a expansão, da
manifestação de Deus na carne. E novamente Deus Se manifestando
na carne, mas de uma maneira mais ampla ("A Economia Divina",
Witness Lee. Editora Fonte da Vida. Ia. Edição - 1987, p. 223)

Resposta Apologética:

Witness Lee deixa claramente implícito que pensa que Deus vai
aumentando. Esse ensino é impossível à luz de Malaquias 3.6 onde
Deus declara: Porque eu, o Senhor, não mudo; por isso vós, ó filhos de
Jacó, não sois consumidos. Paulo falou áe certos mestres que
confundem Deus como a sua criação em Romanos 1.20-23.

Como vemos, a Igreja Local ensina, inequivocamente que a Igreja (o


Corpo de Cristo) torna-se Deus e que Deus torna-se a Igreja. Cada vez
que alguém é adicionado à Igreja, Deus tem de expandir-se. Para que
não pai-1: dúvida sobre esse ensino deificador do homem, a Igreja
Local torna claro que sua teoria do Deus Processado na verdade
constitui uma quaternidade: O Pai está no Filho, o Filho está no
Espírito, e o Espírito agora está no Corpo. Eles agora são quatro em
um: o Pai, o Filho, o Espírito e o Corpo ("A Expressão Prática da
Igreja", Witness Lee. Editora Árvore da Vida, \\ edição - 1989, p. 46).

116
AS RELIGIÕES E APOLOGÉTICA BÍBLICA

Os mórmons tencionam se tornar deuses. É o ensino da exaltação do


homem: o grande propósito dos mórmons.Esperam com a exaltação
ganhar um planeta e se tornarem deuses. A Igreja Local, por sua vez
não quer esperar para o futuro essa nova condição, mas proclama que
já podemos ser homens-Deus.

A Bíblia nega essa condição de homem-Deus para o cristão e ensina


mais que a pretensão de o homem se tornar igual a Deus partiu
primeiro de Lúcifer que queria ser igual a Deus (Is 14.12-14; Ez 28.14-
16). Insinuou ao homem no Éden essa mesma possibilidade (Gn 3.5) e
levou nossos pais à queda (Rm 5.12).

Somos filhos de Deus por adoção (Gl 4.4-6), diferentemente de Jesus


que é Filho unigênito, isto é, da mesma natureza (espécie do Pai) do
grego monógenes. O homem regenerado é chamado nova criatura (2
Co 5.17). Repetindo: éramos criaturas de Deus (Gn 1.27) e nos
tornamos filhos de Deus por adoção quando recebemos a Jesus como
Salvador e Senhor (Jo.1.12; 1 Jo 3.1-2).

Não é isso o que ensina a Igreja Local: João 1.12 e 13 indicam que
aqueles que recebem o Senhor Jesus são nascidos de Deus.
Nascimento envolve um relacionamento íntimo e orgânico. Pelo fato de
sermos nascidos de nossos pais, temos uma relação íntima e orgânica
com eles. De acordo com a Bíblia, não somos filhos legais de Deus
nem meramente Seus filhos adotivos ("Como Receber o Deus Triúno
Processado." Editora Arvore da Vida, p. 6).

O cristão é participante da natureza divina (2 Pe 1.4) quando manifesta


os atributos morais de Deus, mas jamais podemos manifestar os
atributos incomunicáveis de Deus: a eternidade, onipotência,
onisciência e onipresença. Isso é negado pela Bíblia: Filho do homem,
dize ao príncipe de Tiro: Assim diz o Senhor Deus: Porquanto o teu
coração se elevou e disseste: Eu sou Deus, sobre a cadeira de Deus

117
AS RELIGIÕES E A APOLOGÉTICA BÍBLICA

me assento no meio dos mares; e Hão passas de homem, e não és


Deus, ainda que estimas o teu coração como se fora o coração de
Deus (Ez 28.2). Não executarei o furor da minha ira; não voltarei para
destruir a Efraim, porque eu sou Deus e não homem, o Santo no meio
de ti; eu não entrarei na cidade (Os 11.9).

Portanto, a doutrina de Deus, ensinada pela Igreja Local, é


manifestamente contrária ao que dizem as Escrituras. Ela ensina que
Deus é mutável, primeiramente tendo-se transformado de Pai em Filho,
de Filho em Espírito Santo e, então, tendo-se transformado na própria
igreja. Ela nega as pessoas reais e distintas do Pai, do Filho e do
Espírito Santo, preferindo falar em estágios da manifestação de Deus
aos homens. Como é lógico, essa posição que nega o Pai, o Filho e o
Espírito Santo é herética e devemos rejeitá-la: Quem é o mentiroso,
senão aquele que nega que Jesus é o Cristo? E o anticristo esse
mesmo que nega o Pai e o Filho (1 Jo 2.22).

Q. O CORPO DE JESUS INVADIDO POR SATANÁS

Assim Crê a Igreja Local:

Witness Lee identifica o pecado como Satanás. A princípio, Deus


tencionou criar o homem com o propósito de manifestar a si mesmo.
Mas Satanás tentou ao homem, de maneira tal que o homem tomou da
árvore do conhecimento do bem e do mal. Ao assim fazer, o homem
absorveu Satanás. Enquanto Satanás continuar no homem, este não
poderá manifestar Deus. Em vista disso, Deus resolveu apossar-se do
homem, o que conseguiu fazer primeiramente por intermédio da
encarnação, em Cristo. Então Deus conduziu Jesus à cruz, a fim de
que morresse tanto o homem quanto Satanás. Finalmente, Deus
ressuscitou ao homem e a Cristo (que é o próprio Pai) dentre os

118
AS RELIGIÕES E APOLOGÉTICA BÍBLICA

mortos, a fim de que o homem pudesse expressar plenamente a Deus:


Quando Cristo estava na cruz, Ele era um homem à 'semelhança' da
serpente. A serpente é Satanás, o diabo, o inimigo de Deus, mas Cristo
Se encarnou como homem, tendo até a semelhança da carne
pecaminosa, que é a semelhança de Satanás. 0 homem foi feito puro,
mas um dia Satanás entrou no homem para possuí-lo. Satanás estava
contente, pensando que fora bem-sucedido ao tomar posse do homem.
Deus, então, revestiu-se do homem que tinha Satanás dentro de si ("O
Homem e as Duas Arvores", Witness Lee. Editora Fonte da Vida, p.
10). Por intermédio da encarnação, Deus colocou o homem corruptível
sobre Si e levou tal homem à morte, na cruz. Ao mesmo tempo,
Satanás, dentro deste homem caído, foi também levado à morte.
Assim, foi por meio desta morte na cruz que Cristo destruiu o diabo ("O
Homem e as Duas Arvores", Witness Lee. Editora Fonte da Vida, p.
11).

Para a Igreja Local, Jesus é identificado como homem corruptível,


como homem caído e, tendo Satanás dentro de si, foi levado à morte
de cruz para pagar o preço da nossa redenção.

Resposta Apologética:

A Bíblia expõe claramente 'l distinção entre o pecado e Satanás. O


pecado é ali desvendado como a atitude que resulta em atos de
desobediência e deslealdade para com Deus e a sua Palavra (Rm
3.23; 7.15-16, 25). Apesar do que, ocasionalmente o pecado é
personificado como se fosse alguém dotado de vontade própria,
podemos perceber, isso tão-somente reflete uma linguagem figurada.
Por outra parte, Satanás é apresentado como um ser pessoal, como
um anjo caído (2 Co 11.14-15; 1 Co 5.5;Tg4.7; 1 Pe 5.8). Por
conseguinte, é incorreto confundir o pecado com Satanás.

É possível admitir tanta blasfêmia contra nosso Senhor e Salvador a

119
AS RELIGIÕES E A APOLOGÉTICA BÍBLICA

um só tempo? Não é o Jesus que conhecemos na Bíblia que foi


concebido sem pecado pelo Espírito Santo (Lc 1.31-35) e de quem se
fala: Porque nos convinha tal sumo sacerdote, santo, inocente,
imaculado separado dos pecadores efeito mais sublime do que os céus
(Hb 7.26).

R. O HOMEM, HABITAÇÃO DE SATANÁS

Assim Crê a Igreja Local:

Os membros da Igreja Local se irritam quando lhes fazemos a seguinte


pergunta: Vocês ensinam que Satanás está no corpo do homem? E
respondem: Quando o homem caiu por comer o fruto da árvore do
conhecimento do bem e do mal, o pecado, a natureza de Satanás, foi
injetado no corpo do homem e transmutou-o em carne. A queda não foi
simplesmente uma transgressão exterior, mas também um
envenenamento e contaminação interior do nosso próprio ser. De
acordo com Romanos 5 até 7, o pecado funciona em nossos membros
como a personificação virtual de Satanás. Por isso, podemos dizer que
Satanás, como pecado, habita na carne do homem. Isto não quer dizer,
entretanto, que Satanás não tenha existência objetiva aparte do
homem, pois a Bíblia claramente refere-se a ele como o espírito da
potestade do ar. Além disso, a Bíblia revela que os homens caídos são
filhos do diabo e que o diabo é o seu pai (1 Jo 3.10; Jo 8.44). Ser filhos
do diabo éter a vida e natureza de Satanás. No sentido de ter dentro da
nossa carne, a vida e a natureza de Satanás, dizemos, de acordo com
a Palavra de Deus, que Satanás, na forma de pecado, habita na carne
do homem ("O Que Cremos e Praticamos nas Igrejas Locais." Editora
Arvore da Vida, p. 16).

Será que somos impressionados com o fato de que todos os três seres:

120
AS RELIGIÕES E APOLOGÉTICA BÍBLICA

Adão, Satanás e Deus - estão em nós hoje"? Somos bastante


complicados. O homem Adão está em nós; o diabo, Satanás, está em
nós; e o Senhor da vida, o próprio Deus, está em nós. Portanto, nós
nos tornamos um pequeno jardim do Éden ("A Economia de Deus",
Witness Lee. Editora Árvore da Vida. 1a. Edição - 1989, p. 189). Adão,
o ego, está na nossa alma; Satanás, o diabo está em nosso corpo; e
Deus, o Deus Triúno, está em nosso espírito ("A economia de Deus",
Witness Lee. Editora Árvore da Vida. 1 . Edição - 1989, p. 190). Por
isso, o homem tem não só a vida e natureza de Satanás, mas também
o próprio Satanás como tal espírito maligno operando dentro de si
("Lições da Verdade - Nível Um", Witness Lee. Editora Fonte da Vida.
Agosto de 1987, p. 13).

Resposta Apologética:

Assim como a respeito da doutrina da Trindade a Igreja Local


contraditoriamente afirma que não é modalista, mas crê no que ensina
o modalismo. Diz crer na Trindade, mas não concorda com o Credo
Niceno, afirmando ser esse incompleto. Agora declara que Satanás
habita no corpo do homem e depois declara que Satanás não habita no
corpo do homem, tem existência objetiva à parte do homem, mas o
pecado é a personificação de Satanás. Afinal, Satanás habita ou não
habita no corpo do homem?

Para respondermos a essas primeiras questões, podemos verificar na


Bíblia que o nosso corpo é o templo do Espírito Santo: Não sabeis vós
que sois o templo de Deus, e que o Espírito de Deus habita em vós? (1
Co 3.16)- Ou não sabeis que o vosso corpo é o templo do Espírito
Santo, que habita em vós, proveniente de Deus, e que não sois de vós
mesmos? Porque fostes comprados por bom preço; glorificai, pois a
Deus no vosso corpo, e no vosso espírito, os quais pertencem a Deus
(1 Co 6.19-20). Pode o cristão ser um possesso? Jesus veio para

121
AS RELIGIÕES E A APOLOGÉTICA BÍBLICA

destruir as obras do diabo (1 Jo 3.8-10) e o diabo não toca na vida do


cristão fiel: Sabemos que todo aquele que é nascido de Deus não
peca; mas o que de Deus é gerado conserva-se a si mesmo, e o
maligno não lhe toca (1 Jo 5.18). Para justificar a teoria de que Satanás
habita no corpo do cristão, a Igreja Local se envereda num verdadeiro
labirinto de heresias. Vamos analisar a declaração da Igreja Local: 1º)
Quando o homem caiu por comer o fruto da árvore do conhecimento do
bem e do mal, o pecado, a natureza de Satanás, foi injetado no corpo
do homem e transmutou-o em carne. A queda não foi simplesmente
uma transgressão exterior, mas também um envenenamento e
contaminação interior do nosso próprio ser. Primeiramente a Igreja
Local cria a teoria de que o pecado é a natureza de Satanás. Seu
segundo passo será buscar apoio na Bíblia para essa teoria: 2) De
acordo com Romanos 5 até 7, o pecado funciona em nossos membros
como a personificação virtual de Satanás. Por isso, podemos dizer que
Satanás, como pecado, habita na carne do homem. Em Romanos 5 até
7, não existe essa declaração de que o pecado funciona em nossos
membros como a personificação virtual de Satanás. Esse entendimento
provém da primeira teoria que a Igreja Local criou. Ou seja, primeiro
cria-se a teoria, depois se faz a tentativa de harmonizá-la à Bíblia, o
famoso de fora para dentro. 3 ) Isto não quer dizer, entretanto, que
Satanás não tenha existência objetiva aparte do homem, pois a Bíblia
claramente refere-se a ele como o espírito da potestade do ar. Num
primeiro momento, a Igreja Local declara: podemos dizer que Satanás,
como pecado, habita na carne do homem, no entanto, como a Bíblia
declara que Satanás é um ser espiritual, então a Igreja Local irá
declarar que embora ele seja uma pessoa espiritual, ele é também o
pecado na carne do homem. 4 ) Além disso, a Bíblia revela que os
homens caídos são filhos do diabo e que o diabo éo seu pai (1 Jo 3.10;
Jo 8.44). Os cristãos são filhos de Deus ou do diabo? São filhos de

122
AS RELIGIÕES E APOLOGÉTICA BÍBLICA

Deus, logo eles não teriam então a natureza de diabo? Correto?


Segundo a Igreja Local: não. 5 ) Ser filhos do diabo é ter a vida e
natureza de Satanás. No sentido de ter dentro da nossa carne, a vida e
a natureza de Satanás, dizemos, de acordo com a Palavra de Deus,
que Satanás, na forma de pecado, habita na carne do homem. Afinal, a
Igreja Local está declarando que são filhos do diabo? Vamos repetir o
texto: Ser filhos do diabo éter a vida e natureza de Satanás. No sentido
de ter dentro da nossa carne, a vida e a natureza de Satanás, dizemos,
de acordo com a Palavra de Deus, que Satanás, na forma de pecado,
habita na carne do homem. Incrivelmente a Igreja Local declara que os
filhos do diabo têm a natureza de Satanás e declara explicitamente: No
sentido de ter dentro da nossa carne, a vida e a natureza de Satanás,
dizemos, de acordo com a Palavra de Deus, que Satanás, na forma de
pecado, habita na carne do homem ("O que Cremos e Praticamos nas
Igrejas Locais". Editora Árvore da Vida, p. 16). São declarações
assombrosas como estas que denunciam as estranhas doutrinas da
Igreja Local de Witness Lee.

S. JOÃO BATISTA – O PROFETA DESVIADO?

Assim Crê a Igreja Local:

A Igreja Local declara: João Batista é um exemplo de alguém que


começou na linha da vida, na incumbência de Deus, mas que no fim se
desviou. Ele foi usado por Deus para mudar uma era.(...) No início, ele
foi totalmente contra os fariseus, chamando-os de raça de víboras, mas
depois se igualou a eles (Mt 9.14). João começou a perder totalmente a
direção de Deus. (...) No princípio, João tinha um coração voltado ao
Senhor, mas depois ele olhou para o que tinha realizado e não quis
avançar com o Senhor. Ele se orgulhou, até mesmo chegou a competir
com Cristo: tinha seus próprios discípulos e andava no seu próprio

123
AS RELIGIÕES E A APOLOGÉTICA BÍBLICA

caminho. Por isso, o Senhor permitiu que sua cabeça fosse cortada
(Jornal "ÁRVORE DA VIDA" /Ano 3 - número 25, p. 6).

Resposta Apologética:

Contrariando essa estranha teoria, o apóstolo João, escritor do quarto


Evangelho, testifica de João Batista afirmando: Houve um homem
enviado de Deus, cujo nome era João. Este veio para testemunho, para
que testificasse da luz, para que todos cressem por ele. Não era ele a
luz; mas para que testificasse da luz (Jo 1.6-8).

João Batista é a única pessoa do Novo Testamento, exceto Jesus, cuja


obra foi predita no Antigo Testamento. Em Isaías 40.3 ele é a voz do
que clama no deserto:preparai o caminho do Senhor. Seu nascimento
foi anunciado a seu pai, Zacarias, que não acreditou na mensagem do
anjo Gabriel e ficou mudo até que se deu o seu nascimento.

O seu ministério profético é relatado em Mateus 3.1-5.- E, naqueles


dias, apareceu João o Batista pregando no deserto da Judéia, e
dizendo: Arrependei-vos, porque é chegado o reino dos céus. Porque
este é o anunciado pelo profeta Isaías, que disse: Voz do que clama no
deserto: Preparai o caminho do Senhor, Endireitai as suas veredas. E
este João tinha as suas vestes de pêlos de camelo, e um cinto de
couro em torno de seus lombos; alimentava-se de gafanhotos e de mel
silvestre. Então ia ter com ele Jerusalém, e toda a Judéia, e toda a
província adjacente ao Jordão. E eram por ele batizados no rio Jordão,
confessando os seus pecados.

Em Malaquias 4.5 fala-se dele/ Eis que eu vos envio o profeta Elias,
antes que venha o dia grande e terrível do Senhor (veja Mateus 11.14).
Um homem cujo ministério profético foi elogiado por Jesus é objeto de
acusações jamais previsíveis por qualquer leitor menos preparado da
Bíblia. Nunca! Nunca! Nunca poderíamos admitir que qualquer escritor

124
AS RELIGIÕES E APOLOGÉTICA BÍBLICA

jamais viesse denegrir o ministério profético de um homem tão íntegro


e incorruptível como João Batista!

a. Analisando as Declarações da Igreja Local Sobre João Batista

João Batista — um desviado?

João Batista é um exemplo de alguém que começou na linha da


vida, na incumbência de Deus, mas que no fim se desviou. Ele foi
usado por Deus para mudar uma era.(...) No início, ele foi totalmente
contra os fariseus, chamando-os de raça de víboras, mas depois se
igualou a eles (Mt 9.14). João começou a perder totalmente a
direção de Deus. (...) No princípio, João tinha um coração voltado ao
Senhor, mas depois ele olhou para o que tinha realizado e não quis
avançar com o Senhor. Ele se orgulhou, até mesmo chegou a
competir com Cristo: tinha seus próprios discípulos e andava no seu
próprio caminho. Por isso, o Senhor permitiu que sua cabeça fosse
cortada (Jornal "ÁRVORE DA VIDA V Ano 3 — número 25, p. 6).

Resposta Apologética:

O articulista do jornal acusa João Batista de desviado e que, pelo


orgulho, chegou a competir com Jesus. Isso não tem base bíblica. E
apresentamos a prova bíblica irrefutável quando ele foi interrogado
se era o Cristo, sua resposta foi negativa: ele não era o Cristo.

E confessou, e não negou; confessou: Eu não sou o Cristo (Jo 1.20).


Disse mais: Este é aquele que vem após mim, que é antes de mim,
do qual eu não sou digno de desatar a correia da alparca (v. 27).
Mais tarde, seus contemporâneos quiseram abrir rivalidade entre ele
e Jesus e disseram a João: E foram ter com João, e disseram-lhe:
Rabi, aquele que estava contigo além do Jordão, do qual tu deste
testemunho, ei-lo batizando, e todos vão ter com ele. João
respondeu, e disse: O homem não pode receber coisa alguma, se

125
AS RELIGIÕES E A APOLOGÉTICA BÍBLICA

lhe não for dada do céu. Ê necessário que ele cresça e que eu
diminua (Jo 3.26-27,30). Quem pode vislumbrar nesse procedimento
de João Batista palavras de um desviado e de alguém orgulhoso?

Quem poderia imaginar que um homem da estirpe de João Batista


pudesse um dia ser difamado com o título de desviado! Só porque
manifestou certa dose de dúvida quando na prisão, mandando
emissários a Jesus perguntar se Ele era o Cristo ou deveriam
esperar outro. Isso não significa que tivesse traído seu Mestre, nem
que tivesse se tornado infiel. Se o tivesse feito, Jesus não teria dado
a João Batista um elogio que não deu a qualquer outra pessoa. E,
se quereis dar crédito, é este o Elias que havia de vir (Mt 11.14).
Com isso, dizia Jesus que João estava se portando, profeticamente,
como um homem da envergadura espiritual de homem de Deus
como foi chamado Elias. Nisto conheço agora que tu és homem de
Deus, e que a palavra do Senhor na tua boca é a verdade (1 Rs
17.24). João nasceu com uma missão: ser o precursor de Jesus e
apresentá-lo ao mundo. Isso Ele o fez com clareza: No dia seguinte
João viu a Jesus, que vinha para ele, e disse: Eis o Cordeiro de
Deus, que tira o pecado do mundo (Jo 1.29). João Batista cumpriu
cabalmente sua missão.

b. O Testemunho de João Batista Sobre Jesus

João Batista veio para dar testemunho de Jesus: Este veio para
testemunho, para que testificasse da luz, para que todos cressem
por ele (Jo 1.7). Nessa sua missão lemos do testemunho de Jesus
nos versículos 7,15,32 e 34. São algumas das verdades que João
afirmou:

Que Jesus era a luz dos homens;

Que o que veio depois dele, era antes dele;

126
AS RELIGIÕES E APOLOGÉTICA BÍBLICA

Que ele mesmo não era o Cristo;

Que era apenas uma voz;

Que Jesus era infinitamente mais digno do que ele;

Que Jesus era o Cordeiro de Deus;

Que o Espírito Santo desceu sobre Jesus;

h) Que Ele era o Filho de Deus ("A Bíblia Explicada", p. 374).

c. O Testemunho de Jesus Sobre João Batista

O recado de João Batista revela uma certa decepção de Jesus: E


João, ouvindo no cárcere falar dos feitos de Cristo, enviou dois dos
seus discípulos, a dizer-lhes: Es tu aquele que havia de vir, ou
esperamos outro? Jesus aponta alguns dos benefícios mais
evidentes do seu próprio ministério em resposta à dúvida de João:
Os cegos vêem, e os coxos andam; os leprosos são limpos, e os
surdos ouvem; os mortos são ressuscitados, e aos pobres é
anunciado o evangelho (Mt 11.2-3-5). Esses milagres comprovavam
a messianidade de Jesus, como em outra ocasião testemunhou aos
judeus depois de declarar: Eu e o Pai somos um (Jo 10.30).
Entendendo os judeus a reivindicação de igualdade com Deus, o Pai,
Jesus apresenta prova de sua igualdade por meio de seus milagres
(Jo 10.37-39). Ê o que Jesus fez aqui quando recebeu o recado de
João Batista manifestando sua dúvida. Em seguida, Jesus dá o
seguinte testemunho sobre João Batista:

Mais do que um profeta. Fala dele como ...muito mais do que profeta
(v. 9); Não era nenhum volúvel, e sim um espírito forte: não era
...uma cana agitada pelo vento... (v. 7);

O maior dos nascidos de mulher: Em verdade vos digo que, entre os


que de mulher têm nascido, não apareceu alguém maior do que João

127
AS RELIGIÕES E A APOLOGÉTICA BÍBLICA

o Batista... (v. 11) ("A Bíblia Explicada", p. 316).

Diante de elogios tão enfáticos de Jesus sobre João Batista, poderia


alguém que lesse a Bíblia, com a iluminação do Espírito Santo,
chegar a conclusões tão levianas e esdrúxulas sobre João Batista?
O discurso de Paulo sobre João Batista é conclusivo: Tendo
primeiramente João, antes da vinda dele, pregado a todo o povo de
Israel o batismo do arrependimento. Mas João, quando completava a
carreira, disse: Que pensais vós que eu sou? Eu não sou o Cristo;
mas eis que após mim vem aquele a quem não sou digno de desatar
as alparcas dos pés (At 13.24-25). João Batista completou sua
carreira assim como o apóstolo Paulo o fez dizendo: Combati o bom
combate, acabei a carreira, guardei a fé (2 Tm 4.7). Poderia alguém
afirmar, conscientemente, que Paulo falhou na sua missão?
Certamente que não! O mesmo se pode dizer de João Batista.

128
AS RELIGIÕES E APOLOGÉTICA BÍBLICA

129
AS RELIGIÕES E A APOLOGÉTICA BÍBLICA

CAPÍTULO 04

LBV – LEGIÃO DA BOA VONTADE

A. SUA HISTÓRIA

Fundada por Alziro (Elias David Abraão) Zarur, sendo registrada a


seguinte cronologia no decorrer de sua história:

1914 - Zarur nasce em 25 de dezembro, filho de um casal de católicos


ortodoxos chegado há dois anos da Síria.

1926 - Aos 12 anos de idade, Zarur inicia na rádio como locutor. Neste
ano diz haver tido uma revelação de Jesus dando-lhe a missão de
revelar e pregar o Novo Mandamento no sentido oculto e no sentido
prático. Sentido oculto: Todas as criaturas e todas as religiões do
mundo são cristãs ("Livro de Deus - Saga de Alziro Zarur", José de
Paiva Netto, 16a edição, pp. 9, 25, 28, 29, 64, 96, 115,133,136, 207,
sumário).

1929 - Saiu da casa dos pais para morar em pensão (aos 15 anos).
Usou no rádio o pseudônimo de Ricardo Rey e nos jornais o de
Almanzor Kabul ou A.K. Escreveu também, para a revista Fon Fon. No
rádio, notabilizou-se com o seriado As Aventuras de Sherlock Holmes.

1939 — Renunciou ao estudo de Direito.

- Em 6 de janeiro, em uma sessão espírita, uma senhora idosa (Dona


Emília R. Melo) disse ter visto São Francisco de Assis ao lado de Zarur.

130
AS RELIGIÕES E APOLOGÉTICA BÍBLICA

São Francisco passou a ser o patrono da LBV.

- Lançou o programa Hora da Boa Vontade na Rádio Globo, do Rio


("Livro de Deus - Saga de Alziro Zarur", José de Paiva Netto, 16a
edição, p. 79). Lá criou a Prece do copo d'água (os legionários dizem
que houve muitas curas milagrosas com a Água Fluidificada ou Fluído
Cósmico Universal). Origem do nome LBV: Zarur repetia textos bíblicos
no rádio e dentre eles Lucas 2.14 (versão católica) Glória a Deus nas
alturas, paz na terra para os homens de boa vontade (Obs.: O texto
correto é boa vontade para com os homens). Boa vontade de Deus e
não boa vontade dos homens.

1950 - A Legião da Boa Vontade é organizada e torna-se oficial no dia


1o de janeiro ("Livro de Deus - Saga de Alziro Zarur", José de Paiva
Netto, 16a edição, p. 38).

1956 — A LBV é declarada de utilidade pública por Juscelino


Kubitschek. Em 19 de junho a LBV compra a Rádio Mundial do Rio. Em
julho é publicado o primeiro número da Revista Boa Vontade ("A Saga
de Alziro Zarur II", José de Paiva Netto, 10a edição, p. 84).

1958 - Casou-se com Iracy Abreu (uma fiel legionária) em três meses.
Ela tornou-se líder do movimento feminino da LBV.

1959 - Em 5 de setembro institui a Religião do Novo Mandamento.


Segundo o regimento interno: fundada por Nosso Senhor Jesus Cristo;
baseada em João 13.34 e no Evangelho; finalidade: pregação do
Evangelho. Propunha: Sendo uma religião simbólica, não terá
hierarquia, nem liturgia, não terá bens materiais, nem templos: a igreja
do legionário éa sua própria casa, e cada legionário é Templo de Deus
("A Saga de Alziro Zarur II", José de Paiva Netto, 10a edição, sumário).

Em 7 de setembro proclama o Sentido Prático do Novo Testamento:


Ou as religiões se irmanam em nome de Deus, ou o materialismo ateu

131
AS RELIGIÕES E A APOLOGÉTICA BÍBLICA

as devora, à proporção que elas se combatem e se devoram


fortalecendo o seu inimigo mortal, que nega a existência de Deus e a
imortalidade da alma.

1963 - Zarur tenta organizar um partido político, o Partido da Boa


Vontade - PBV ou Partido Trabalhista Nacional -PTN ("A Saga de Alziro
Zarur II", José de Paiva Netto, 10a edição, pp. 39,169), o que causou
muita polêmica nos meios políticos.

1966 - Vende a Rádio Mundial para a Rede Globo e, ao mesmo tempo,


vende para a paróquia São Judas Tadeu de quem recebeu dinheiro e
não devolveu, usando-o em investimento da LBV. Acabou indo a
processo para devolver.

1976 — Cria em todo o Brasil a CAPAZ. — Caixa de Auxílio Presidente


Alziro Zarur, uma caderneta de poupança, sem autorização do Banco
Central.

1979 - No dia 21 de outubro morre aos 64 anos. Nesta época a LBV


tinha um milhão de integrantes. Zarur era chamado por eles de
Paizinho ("A Saga de Alziro Zarur II", José de Paiva Netto, 10a edição,
p. 39).

1. O SUCESSOR – JOSÉ SIMÕES DE PAIVA NETTO

Nascido em 2 de março de 1941. Neste mesmo ano, inter-


relacionamento com uma previsão astrológica de Edward Lyndoe:
Da América Latina surgirá um homem que dominaria o mundo sem
violência e transformaria pela hei de Cristo (João 13.34). E dizem
eles: este homem está no Brasil. Paiva Netto entrou para a rádio por
meio de Alziro Zarur. Foi secretário, é músico e compositor e
executa músicas clássicas. Quando assumiu o cargo de Presidente
Mundial da LBV, Paiva Netto centralizou o foco num verdadeiro culto

132
AS RELIGIÕES E APOLOGÉTICA BÍBLICA

à personalidade de Alziro Zarur (Alziro está vivo enquanto a LBV


executa suas ideias).

A LBV mantém em todos os Estados 65 programas de televisão e


300 programas de rádio. Estão também no Uruguai, Paraguai,
Argentina, México e Estados Unidos.

2. O UNIFICADOR E CONSOLIDADOR

Graças a José de Paiva Netto, o Consolidador, a Legião da Boa


Vontade é hoje uma Obra completa, pois nada lhe falta (" Saga de
Alziro ZarurlI", José de Paiva Netto, 10a edição, p. 88).

Alziro Zarur - o Unificador ("A Saga de Alziro Zarur II", José de Paiva
Netto, 10a edição, p. 111).

B. ORIGEM DOS ENSINOS DA LBV

A LBV não nasceu de caprichos humanos, das cobiças e baixezas


humanas. Seu criador é Jesus, que segue na vanguarda do nosso
movimento, formando um só rebanho para um só Pastor ("A Saga de
Alziro Zarur II", José de Paiva Netto, 10a edição, p. 70).

Como vêem meus queridos irmãos, empenhei-me em levar adiante a


grande missão que Alziro Zarur recebeu dos Espíritos Cósmicos
Superiores ("A Saga de Alziro Zarur II" José de Paiva Netto, 10a
edição, p. 70).

C. O QUE FAZ A LBV

Por causa de suas obras assistenciais, a LBV goza de grande prestígio


junto ao povo. A LBV desenvolve suas atividades dentro da
preocupação de tratar da saúde do corpo e do espírito:

133
AS RELIGIÕES E A APOLOGÉTICA BÍBLICA

O sistema adotado pela Legião da Boa Vontade para distribuição da


Caridade preconizada pelo fundador desta Instituição de filantropia,
jornalista, Homem de Fé, Alziro Zarur, merece especial atenção e
simpatia por parte dos brasileiros. Porque se trata de um tipo de
Assistência Social diferente de qualquer outro existente em nosso País.
E que à ajuda material está vinculado o conforto espiritual que ampara
e conforta as almas ("A Saga de Alziro Zarur II", José de Paiva Netto,
10a edição, p. 88).

A LBV desenvolve suas atividades dentro da preocupação de tratar da


saúde do corpo e do espírito, objetivo principal do seu programa de
auxílio aos necessitados. Em campanha de alto sentido humano,
procura dar à Caridade Legionária uma perfeita harmonia de
Solidariedade Social e Paz interior entre os seres a quem proporciona
a sua proteção, inspirada nos ensinamentos de Jesus ("A Saga de
Alziro Zarur II" José de Paiva Netto, 10a edição, p. 88).

D. A LBV VEIO RESTAURAR O CRISTIANISMO

Em suma, a LBV é a restauração do Cristianismo do Novo


Mandamento que declara cristãos todas as criaturas e, portanto, todas
as religiões deste planeta. Inclusive o ateísmo, religião às avessas
("Livro de Deus", José de Paiva Netto, 16a edição, p. 25).

A LBV sempre declarou, alto e bom som, que ainda não houve
Cristianismo na face da Terra. O verdadeiro Cristianismo, o do Cristo
— A Religião de Deus"-só encherá a Terra quando forem destruídos
todos os reinos representados na estátua do sonho de Nabucodonosor,
conforme a Profecia do segundo capítulo do livro do Profeta Daniel
("Livro de Deus", José de Paiva Netto, 16a edição, p. 25).

Ainda não Houve Cristianismo na Face da Terra, Cristianismo como

134
AS RELIGIÕES E APOLOGÉTICA BÍBLICA

Jesus o quer e Como Entendem Seus Verdadeiros Seguidores. Este


Cristianismo Será uma divina Realidade Quando o Mundo Entender o
Significado Oculto do Novo Mandamento ("Livro de Deus", José de
Paiva Netto, 16a edição, p. 212).

Resposta Apologética:

Em Mateus 16.18 está escrito: Pois também eu te digo qúe tu és


Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do
inferno não prevalecerão contra ela.

Vejamos alguns ensinamentos da LBV:

Há quase dois mil anos, JESUS ensinou A Verdade, mas não Toda A
Verdade ("Saga de Alziro Zarur II", José de Paiva Netto, 10a edição, p.
141).

Resposta Apologética:

João 8.31-32 - Jesus dizia, pois, aos judeus que criam nele: Se vós
permanecerdes na minha palavra, verdadeiramente sereis meus
discípulos; e conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará.

João 8.36 - Se, pois, o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres.

João 8.40 - Mas agora procurais matar-me, a mim, homem que vos tem
dito a verdade que de Deus tem ouvido; Abraão não fez isto.

João 8.46-47 - Quem dentre vós me convence de pecado"?' E se vos


digo a verdade, por que não me credes1? Quem é de Deus escuta as
palavras de Deus; por isso vós não as escutais, porque não sois de
Deus.

João 14.6 - Disse-lhe Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida;


ninguém vem ao Pai, senão por mim.

João 17.17 - Santifica-os na tua verdade, a tua palavra é a verdade.

135
AS RELIGIÕES E A APOLOGÉTICA BÍBLICA

E. A RELIGIÃO DO NOVO MANDAMENTO

Afirma a imortalidade da alma e a reencarnação dos Espíritos; confirma


a possibilidade, por permissão de Deus, da comunicação entre
encarnados e desencarnados; reafirma a permanente Presença de
Deus em cada um de seus filhos ("A Saga de Alziro Zarur II" José de
Paiva Netto, 10a edição, p. 303).

Aqueles Homens eram Incapazes de Receber, aceitar e conservar uma


nova Revelação que, assim ficava reservada para os tempos
vindouros, para quando chegasse o momento de cumprir-se a
sentença A Letra Mata, O Espírito Vivifica, O ESPÍRITO VIHFICA. Só a
reencarnação e os séculos — expiação, reparação e progresso —
poderiam preparar as inteligências e os corações de maneira afazer
deles Odres Novos, Capazes de Conservar o Vinho Novo ("A Saga de
Alziro Zarur II", José de Paiva Netto, 10a edição, p. 259).

O homem como sabeis, nasce e morre muitas vezes, antes de chegar


ao estado de perfeição, no qual gozará, em toda a plenitude, das
dificuldades espirituais, isto é, em que possuirá a Caridade e o Amor
perfeitos ("A Saga de Alziro Zarur II", José de Paiva Netto, 10a edição,
p. 116).

Alziro Zarur seguiu o mesmo caminho de Allan Kardec, em cujo túmulo


foi colocada a frase que sintetizou a doutrina da reencarnação: Nascer,
morrer, renascer ainda; e progredir sempre. Esta é a lei.

Resposta Apologética:

A palavra reencarnação, composta do prefixo re (designativo de


repetição) e do verbo encarnar (tomar corpo), significa
etimologicamente: tornar a tomar corpo. Designa a ação do ser
espiritual (espírito ou alma) que já animou um corpo no passado, foi
posteriormente dele separado pela morte e agora torna a vivificar um

136
AS RELIGIÕES E APOLOGÉTICA BÍBLICA

corpo novo. Allan Kardec define assim: A reencarnação éa volta da


alma à vida corpórea, mas em outro corpo especialmente formado para
ela e que nada tem em comum com o antigo ("Evangelho Segundo
Espiritismo", Allan Kardec - Obras Completas, 2a edição, Opus Editora
Ltda, p. 561).

Em Lucas 16.19-31 lemos: Ora havia um homem rico, e vestia-se de


púrpura e de Unho finíssimo, e vivia todos os dias regalada e
esplendidamente. Havia também um certo mendigo, chamado Lázaro,
que jazia cheio de chagas à porta daquele; e desejava alimentar-se
com as migalhas que caíam da mesa do rico; e os próprios cães
vinham lamber-lhe as chagas. E aconteceu que o mendigo morreu, e
foi levado pelos anjos para o seio de Abraão; e morreu também o rico,
e foi sepultado. E no inferno, ergueu os olhos, estando em tormentos, e
viu ao longe Abraão, e Lázaro no seu seio. E, clamando, disse: Pai
Abraão, tem misericórdia de mim! E manda a Lázaro, que molhe na
água a ponta do seu dedo e me refresque a língua, porque estou
atormentado nesta chama. Disse, porém, Abraão: Filho, lembra-te de
que recebeste os teus bens em tua vida, e Lázaro somente males; e
agora este é consolado e tu atormentado. E, além disso, está posto um
abismo entre nós e vós, de sorte que os que quisessem passar daqui
para vós não poderiam, nem tampouco os de lá passar para cá. E
disse ele: Rogo-te, pois, ó pai, que o mandes à casa de meu pai, pois
tenho cinco irmãos; para que lhes dê testemunho, afim de que não
venham também para este lugar de tormento. Disse-lhe Abraão: Têm
Moisés e os profetas; ouçam-nos. E disse ele: Não, pai Abraão; mas se
algum dentre os mortos fosse ter com eles, arrepender-se-iam. Porém,
Abraão lhe disse: Se não ouvem a Moisés e aos profetas, tampouco
acreditarão, ainda que algum dos mortos ressuscite. Aqui Jesus
oferece uma excelente oportunidade para dar ensinamentos sobre o

137
AS RELIGIÕES E A APOLOGÉTICA BÍBLICA

que acontecerá aos homens depois da morte: Ambos morreram:


primeiro o pobre que foi levado pelos anjos ao seio de Abraão. A
expressão seio de Abraão significava o céu entre os judeus. Se Jesus
fosse reencarnacionista teria agora uma boa ocasião para insistir nesta
doutrina: diria que a alma se desprende lentamente do corpo,
permanecendo ainda por algum tempo em estado de perturbação e
confusão; explicaria como ela readquire aos poucos um estado de
consciência, lembrando as existências passadas; como procura novas
oportunidades para reencarnar etc. Mas nesta passagem não
encontramos nada disso: ambos morreram, ambos são julgados, um
vai para o céu e outro para o inferno. Nada de sempre novas vidas,
nada de interruptos progressos, nada de se comunicar com os mortos.
Jesus nessa passagem não era reencarnacionista, nem espírita nem
esotérico.

E, como aos homens está ordenado morrerem uma só vez, vindo


depois disso o juízo, assim também Cristo oferecendo-se uma vez para
tirar os pecados de muitos, aparecerá segunda vez, sem pecado, aos
que o esperam pela salvação (Hebreus 9.27-28).

Um outro exemplo que temos nas Escrituras Sagradas é o da


crucificação que diz: E um dos malfeitores que estavam pendurados
blasfemava dele, dizendo: Se és tu o Cristo, salva-te a ti mesmo e a
nós. Respondendo, porém, o outro, repreendia-o, dizendo: Tu nem
ainda temes a Deus, estando na mesma condenação? E nós, na
verdade, com justiça, porque recebemos o que os nossos feitos
mereciam; mas este nenhum malfez. E disse a Jesus: Senhor, lembra-
te de mim, quando entrares no teu reino. E disse-lhe Jesus: Em
verdade te digo que hoje estarás comigo no paraíso (Lucas 23.39-43).
Se Jesus fosse reencarnacionista não poderia ter falado assim. Poderia
ter consolado este ladrão arrependido com algumas frases como esta:

138
AS RELIGIÕES E APOLOGÉTICA BÍBLICA

Deve ter paciência, pois cada qual deve resgatar-se a si mesmo. Tu


cometeste muitos crimes e toda falta cometida, todo mal realizado é
uma dívida contraída que deverá ser paga, se não for nesta existência
será em outra. Terás de reencarnar mais vezes, deveras voltar, em um
outro corpo especialmente formado para você que nada tem a ver com
o seu corpo antigo, para expiar e resgatar teus crimes. O que lemos é
que Ele falou de modo diferente, o que Ele disse não entra na filosofia
reencarnacionista. Isto demonstra que Jesus não era reencarnacionista
e não cria nas vidas sucessivas.

F. TERIA JESUS MORRIDO POR NÓS?

Diz a LBV: Mesmo que alguém diga que Jesus já morreu, diremos com
a Palavra do Divino Mestre na Bíblia Sagrada que Deus é Deus de
vivos e não de mortos. A morte é um boato, ensina o Irmão Zarur, e
todos sabemos que o Espírito é imortal. Portanto, Jesus, que não
morreu por nós, mas viveu por nós, está mais vivo do que nunca na
direção do planeta que Ele próprio criou ("A Saga de Alziro Zarur II",
José de Paiva Netto, 10a edição, p. 99).

Resposta Apologética:

Porque Cristo, estando nós ainda fracos, morreu a seu tempo pelos
ímpios (Romanos 5.6).

Mas Deus prova o seu amor para conosco em que Cristo morreu por
nós, sendo nós ainda pecadores (Romanos 5.8).

Porque primeiramente vos entreguei o que também recebi: que Cristo


morreu por nossos pecados, segundo as Escrituras, E que foi
sepultado, e que ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras (1
Coríntios 15.3).

E ele morreu por todos, para que os que vivem não vivam mais para si,

139
AS RELIGIÕES E A APOLOGÉTICA BÍBLICA

mas para aquele que por eles morreu e ressuscitou (2 Coríntios 5.15).

G. TERIA JESUS UM CORPO FLUÍDICO?

JESUS não poderia nem deveria, conforme as imutáveis Leis da


Natureza, revestir o corpo material do homem do nosso planeta, corpo
de lama, incompatível com sua natureza espiritual, mas um corpo
fluídico, apto a longa tangibilidade, formado segundo as leis das
esferas superiores, por aplicação e conformação dessas leis aos
fluídos ambientes do nosso planeta ("A Saga de Alziro Zarur II", José
de Paiva Netto, 10a edição, p. 108).

Mas, não o esqueçais: todo aquele que reveste a carne e sofre, como
vós, a humana— é falível. Jesus era Demasiadamente Puro para Vestir
a Roupa do Culpado ("A Saga de Alziro Zarur II", José de Paiva Netto,
10a edição, p. 134).

A presença de JESUS na Terra foi uma aparição espiritual tangível: o


Espírito — segundo as leis naturais que acabamos de explicar —
tomou todas as aparências do corpo. O perispírito, que o envolvia, foi
feito mais tangível, de modo a produzir a impressão perfeita, na medida
do que o reclamavam as necessidades. Mas Jesus Era Sempre
Espírito ("A Saga de Alziro Zarur II", José de Paiva Netto, 10a edição,
p. 134).

Agora, pense: como é que O Cristo - O Deus do Planeta Terra -


poderia ser fruto de concepção humana? Hoje, até as crianças
entendem isso muito bem. O "nascimento"foi obra dos Espíritos mais
elevados, sob as ordens do próprio Jesus. Eles cooperaram para o
aparecimento do Cristo entre os homens, em corpo fluídico. Diante dos
fatos, amigo, Jesus é tão judeu quanto Deus é brasileiro ("Livro de
Deus", José de Paiva Netto, 16a edição, p. 99).

140
AS RELIGIÕES E APOLOGÉTICA BÍBLICA

Não, JESUS não nasceu de ventre de mulher ("A Saga de Alziro Zarur
II", José de Paiva Netto, 10a edição, p. 134).

E Jesus não foi um homem carnal, como iremos provar na explicação


dos Evangelhos harmonizados e unificados pela vontade de Deus ("A
Saga de Alziro Zarur II", José de Paiva Netto, 10a edição, pp. 112-132).

Resposta Apologética:

E aconteceu que, estando eles ali, se cumpriram os dias em que ela


havia de dar à luz. E deu à luz a seu filho primogênito, e envolveu-o em
panos, e deitou-o numa manjedoura, porque não havia lugar para eles
na estalagem. Ora, havia naquela mesma comarca pastores que
estavam no campo, e guardavam, durante as vigílias da noite, o seu
rebanho (Lucas 2.7-8).

E, quando os oito dias foram cumpridos, para circuncidar o menino, e


foi lhe dado o nome de Jesus, que pelo anjo lhe fora posto antes de ser
concebido. E, cumprindo-se os dias da purificação dela, segundo a lei
de Moisés, o levaram a Jerusalém, para o apresentarem ao Senhor;
(Segundo o que está escrito na lei do Senhor: Todo o macho
primogênito será consagrado ao Senhor) (Lucas 2.21-23).

Amados, não creiais a todo espírito, mas provai se os espíritos vêm de


Deus; porque já muitos falsos profetas se têm levantado no mundo.
Nisto conhecereis o Espírito de Deus: todo espírito que confessa que
Jesus Cristo veio em carne é de Deus; E todo espírito que não
confessa que Jesus veio em carne não é de Deus; mas este é o
espírito do anticristo, do qual já ouviste que há de vir, e eis que já está
no mundo (1 João 4.1-3). Porque já muitos enganadores entraram no
mundo, os quais não confessam que Jesus Cristo veio em carne. Este
tal é o enganador e o anticristo (2 João 1.7).

• Jesus tinha um corpo real, pois a Bíblia declara:

141
AS RELIGIÕES E A APOLOGÉTICA BÍBLICA

Foi concebido como homem (Lucas 1.31);

Nasce como homem (Lucas 2.7);

Estava sujeito ao crescimento como todos os homens(Lucas 2.52);

• Em toda parte se comportou como homem entre os homens:

Fala com eles, sente fome (Mateus 4.2; Lc 4.2);

Sede (João 19.28);

Come e bebe (Mateus 11.19; Lucas 7.34);

Dorme (Mateus 8.25);

Caminha e cansa ao andar (João 4.6);

Sua sangue (Lucas 22.44);

E crucificado, morre na cruz, foi sepultado, portanto se apresenta


com um corpo (Lucas 23.32-33; Mateus 27.58; Marcos 15.37).

Negando a humanidade de Jesus, obviamente nega também a LBV a


ressurreição corporal, pois como poderia fazê-lo sem ter corpo? A
ressurreição de Cristo corporalmente é fato histórico e de fundamental
importância para o Cristianismo. Negá-la é negar o Evangelho como
disse o apóstolo Paulo: Porque primeiramente vos entreguei o que
também recebi: que Cristo morreu por nossos pecados, segundo as
Escrituras, e que foi sepultado, e que ressuscitou ao terceiro dia,
segundo as Escrituras (1 Coríntios 15.3-4).

H. ERA JESUS VERDADEIRO DEUS?

Declara a LBV: Agora, o mundo inteiro pode compreender que Jesus, o


Cristo de Deus, não é Deus nem jamais afirmou fosse Deus ("A Saga
de Alziro Zarur II" José de Paiva Netto, 10a edição, p. 112).

Jesus não é Deus porque Deus é um Só, porque não há outro Deus

142
AS RELIGIÕES E APOLOGÉTICA BÍBLICA

senão o Pai, que é o único e verdadeiro Deus ("A Saga de Alziro Zarur
II", José de Paiva Netto, 10a edição, p. 112).

Resposta Apologética:

Os cristãos professam que Jesus é verdadeiramente Deus e


verdadeiramente homem. A divindade de Jesus é a pedra fundamental
para a fé cristã. Jesus é Deus encarnado, que se fez homem e habitou
entre os homens como escreveu o apóstolo João: e o verbo se fez
carne, e habitou entre nós, e vimos a sua glória, como a glória do
unigênito do Pai, cheio de graça e verdade (Jo 1.14). Vejamos algumas
declarações do próprio Jesus:

• Afirma ser maior do que Jonas e Salomão: Os ninivitas ressurgirão


no juízo com esta geração, e a condenarão; porque se
arrependeram com a pregação de Jonas. E eis que está aqui quem
é mais do que Jonas. A rainha do meio-dia se levantará no dia do
juízo com esta geração, e a condenará;porque veio dos confins da
terra para ouvir a sabedoria de Salomão. E eis que está aqui quem é
maior do que Salomão (Mateus 12.41-42; Lucas 11.30);

• Maior do que Moisés e Elias, quando se transfigurou diante dos


discípulos: E transfigurou-se diante deles; o seu rosto resplandeceu
como o sol, e as suas vestes tornaram-se brancas como a luz. E eis
que lhes apareceram Moisés e Elias, falando com ele (Mateus 17.2-
3);

• Maior do que Davi que o chama de Senhor: E, falando Jesus, dizia,


ensinando no templo: Como dizem os escribas que o Cristo é o filho
de Davi? O próprio Davi disse pelo Espírito Santo: O Senhor disse
ao meu Senhor: Assenta-te à minha direita, até que eu ponha os
teus inimigos por escabelo dos teus pés. Pois, se Davi mesmo lhe
chama Senhor; como é logo seu filho? E a grande multidão o ouvia

143
AS RELIGIÕES E A APOLOGÉTICA BÍBLICA

de boa vontade (Marcos 12.35-37);

• Maior do que João Batista: No dia seguinte João viu a Jesus que
vinha para ele, e disse: Eis o cordeiro de Deus, que tira o pecado do
mundo. Este é aquele do qual eu disse: após mim vem um homem
que é antes de mim, porque foi primeiro do que eu (Jo 1.29-30);

• É maior do que os anjos.- Feito tanto mais excelente do que os


anjos, quanto herdou mais excelente nome do que eles. Porque a
qual dos anjos disse jamais: Tu és meu Filho, hoje te gerei? E outra
vez: Eu lhe serei Pai, E ele me será Filho? E outra vez, quando
introduz no mundo o primogênito, diz: E todos os anjos de Deus o
adorem (Hebreus 1.4-6).

Jesus aceita de seus seguidores sentimentos que se devem somente a


Deus.

• Exige fé absoluta em suas palavras e nas suas obras: Disse-lhe


Jesus: Eu sou a ressurreição e a vida; quem crê em mim, ainda que
esteja morto viverá; e todo aquele que vive, e crê em mim, nunca
morrerá. Crês tu isto? (Jo 11.25-26); Não crer nele é pecado do
mundo:

• Quem crê nele não é condenado; mas quem não crê já está
condenado, porquanto não crê no nome do unigênito Filho de Deus.
E a condenação é esta: Que a luz veio ao mundo, e os homens
amaram mais as trevas do que a luz, porque suas obras eram más
(Jo 3.18-19);

• Quem não crê nele não crê em Deus: E o Pai, que me enviou, ele
mesmo testificou de mim. Vós nunca ouvistes a sua voz, nem vistes
o seu parecer. E a sua palavra não permanece em vós,porque
naquele que ele enviou não credes vós. Examinais as Escrituras,
porque vós cuidais ter nelas a vida eterna, e são elas que de mim

144
AS RELIGIÕES E APOLOGÉTICA BÍBLICA

testificam; e não quer eis vir a mim para terdes vida (João 5.37-40);

• Jesus perdoa pecados, atitude que somente Deus pode realizar: E


alguns dias depois entrou em Cafarnaum, e soube-se que estava
em casa. E logo se ajuntaram tantos, que nem ainda nos lugares
junto aporta cabiam, e anunciava-lhes a palavra. E vieram ter com
ele conduzindo um paralítico, trazido por quatro. E, não podendo
aproximar-se dele, por causa da multidão, descobriram o telhado
onde estava e, fazendo um buraco; baixaram o leito em que jazia o
paralítico. E Jesus, vendo a fé deles, disse ao paralítico: Filho,
perdoados estão os teus pecados. E estavam ali assentados alguns
dos escribas, que arrazoavam em seus corações, dizendo: Por que
diz este assim blasfêmia"? Quem pode perdoar pecados, senão
Deus?' E Jesus, conhecendo logo em seu espírito que assim
arrazoavam entre si, lhe disse: Por que arrazoais sobre estas coisas
em vossos corações? Qual é mais fácil? dizer ao paralítico: Estão
perdoados os teus pecados;ou dizer-lhe: Levanta-te, e toma o teu
leito, e anda? Ora,para que saibais que o Filho do homem tem na
terra poder para perdoar pecados (disse ao paralítico), a ti te digo:
Levanta-te, toma o teu leito, e vai para tua casa (Mc 2.1-11);

• Jesus declarou a Satanás, que somente a Deus devemos adorar: Ao


Senhor teu Deus adorarás e só a ele servirás (Mt 4.10). E Jesus
ouviu que o tinham expulsado e, encontrando-o, disse-lhe: Crês tu
no Filho de Deus? Ele respondeu, e disse: Quem é ele, Senhor,
para que nele creia? E Jesus lhe disse: Tu já o tens visto, e é aquele
que fala contigo. Ele disse: Creio, Senhor! E o adorou (João 9.35-
38). O apóstolo João ao receber as revelações do tempo dos fins
quis se prostrar diante de um anjo ao qual lhe disse: Olha, não faças
tal; porque eu sou conservo teu e de teus irmãos, os profetas, e dos
que guardam as palavras deste livro. Adora a Deus (Ap 22.9).

145
AS RELIGIÕES E A APOLOGÉTICA BÍBLICA

• Jesus foi chamado de Deus: E Tome respondeu, e disse-lhe: Senhor


meu, e Deus meu (João 20.28). Paulo ao escrever para Tito disse-
lhe para aguardar a bem-aventurada esperança e o aparecimento
da glória do grande Deus e nosso Salvador Jesus Cristo (Tito 2.13).

A LBV, ao negar a divindade de Cristo, nega conseqüentemente a


Trindade, como se lê:

• Haveis de convir em que há grande presunção da parte dos


homens, especialmente dos que teimam em considerar JESUS uma
das três parcelas de DEUS (embora tenham DEUS por indivisível),
quando pretendem que o mestre revestiu um corpo igual aos vossos
("A Saga de Alziro Zarur II" o mesmo livro citado, p. 223)

Todos os cristãos professam sua fé na Santíssima Trindade. Quanto à


existência do Pai, do Filho e do Espírito Santo — três pessoas distintas
em uma unidade composta — ao qual damos o nome de Trindade, as
Santas Escrituras ensinam e provam a existência do Pai como Deus,
do Filho como Deus e do Espírito Santo como Deus como se lê nesses
versículosMt28.19; 1 Co 12.3-6; 2 Co 13.13; 1 Pe 1.2;Jd20-21 entre
outras passagens. Alguns alegam que Jesus é o próprio Pai enquanto
estava nos céus e que depois ao nascer do ventre de Maria veio a ser
o Filho, pois Ele não existia antes de nascer do ventre desta e por fim
depois da crucificação tornou-se o Espírito Santo. Analisaremos a
oração que Jesus nos ensinou a fazer, pois Ele disse: Pai Nosso que
estás nos céus (Mt 6.9), se Ele fosse o Pai, Ele não nos ensinaria
assim. Em Jo 8.14-18 se você ler com atenção poderá ver claramente
que a lei mosaica aceitava como verdadeiro o testemunho de duas ou
mais testemunhas, cumprindo as exigências da Lei Mosaica que dizia:
Por boca de duas testemunhas, ou de três testemunhas, será morto o
que houver de morrer; por boca de uma só testemunha não morrerá (Dt
17.6), e também em Dt 19.15 diz que uma só testemunha contra

146
AS RELIGIÕES E APOLOGÉTICA BÍBLICA

alguém não se levantará por qualquer iniqüidade, ou por qualquer


pecado, seja qual for o pecado que cometeu; pela boca de duas
testemunhas, ou pela boca de três testemunhas, se estabelecerá o
fato.

Jesus usou a Lei dizendo que Ele era uma testemunha e o Pai era a
outra testemunha, ou seja, duas pessoas distintas como declarava a
Lei. Ele e o Pai são pessoas distintas, mas estão em essência divina,
daí quem vê a Ele vê o Pai (uma única essência). Jesus usando a Lei
disse: Na vossa lei está escrito que o testemunho de dois homens é
verdadeiro. Eu sou o que testifico de mim mesmo, e de mim testifica
também o Pai que me enviou (Jo 8.17-18). Trindade é a união de três
Pessoas: o Pai, o Filho e o Espírito Santo, em uma só Divindade,
sendo iguais, eternas, da mesma substância, embora distintas, sendo
Deus cada uma dessas Pessoas (Mt 3.13-17; 17.1-6; 28.19; Jo 1.18; 2
Co 13.13; Ef 4.4-6).

147
AS RELIGIÕES E A APOLOGÉTICA BÍBLICA

CAPÍTULO 05

TABERNÁCULO DA FÉ

A. HISTÓRIA

William Marrion Branham nasceu em Kentuchy (EUA) em 6 de abril de


1909. Quando ele nasceu, os pais e a parteira alegaram ter visto uma
auréola sobre a cabeça do bebê. Ficaram assustados e sem saber
como interpretar tal fenômeno. Os seguidores acreditam que foi um
sinal de que Deus tinha sua mão sobre o William desde seu
nascimento. A auréola supostamente apareceu novamente em
Houston, Texas, em 1950, quando Branham pregava numa campanha.
Uma foto do fenômeno foi enviada para George Lacy, especialista em
examinar documentos questionáveis, o qual, depois de examiná-lo, fez
a seguinte declaração para Branham, seus seguidores e a imprensa:
Rev. Branham, você morrerá como todos os outros mortais; mas,
enquanto existir uma civilização cristã, sua foto permanecerá viva. A
famosa foto encontra-se em muitas publicações, como o "Dicionário de
Movimentos Carismáticos e Pentecostais", publicado em 1988, pela
Zondervan (p. 69), citado no ("Dicionário de Religiões, Crenças e
Ocultismo", p. 49, de George A. Mather & Larry A Nichols, Editora Vida,
2000). Branham afirma que a primeira vez que Deus falou com ele, foi
aos sete anos de idade. Enquanto carregava água para a destilaria
ilegal do pai, parou para descansar debaixo de uma árvore. No vento

148
AS RELIGIÕES E APOLOGÉTICA BÍBLICA

que assobiava entre as folhas do arbusto, ouviu uma voz que dizia:
Nunca beba, fume ou profane seu corpo com qualquer meio, pois eu
tenho uma obra para você realizar, quando estiver mais velho. A
conversão de Branham ao Cristianismo aconteceu por intermédio da
pregação de um pastor batista. Logo depois, sentiu a chamada para
pregar e começou a fazer planos para dirigir seu primeiro culto na
igreja. Em 1933, sob uma tenda em Jeffersonville, Indiana, Branham
pregou para aproximadamente três mil pessoas. A morte de sua
esposa, Hope Brumback, e de sua filha ainda bebê, ambas em 1937,
foi interpretada por Branham como juízo de Deus, por não ter dado
atenção ao chamado para ministrar aos pentecostais unicistas.

Em 1946, Branham alegou ter conversado com um anjo numa caverna


secreta, onde recebeu o poder de discernir qual era a enfermidade das
pessoas. Daí para a frente, os cultos de cura e reavivamento dirigidos
pelo pregador místico de Indiana eram freqüentados por milhares de
pessoas, em auditórios e estádios por todo o mundo. De outubro a
dezembro de 1951 Branham viajou pela África do Sul e dirigiu o que foi
chamado de a maior de todas as reuniões religiosas. Todos os tipos de
milagres e curas foram praticados nessas reuniões, nas quais
participaram centenas de milhares de pessoas. Branham morreu em
1965, atropelado por um motorista bêbado. Alguns de seus seguidores
esperavam sua ressurreição, enquanto outros edificaram um santuário
(uma pirâmide) em sua memória, no seu túmulo em Jeffersonville.

1. O MENSAGEIRO DO APOCALIPSE

O endeusamento do profeta pelos seus seguidores não tem limite.


Tanto é assim que o situam como cumprimento de Ap 10.7. Diz o
texto: Mas nos dias da voz do sétimo anjo, quando tocar a sua
trombeta, se cumprirá o segredo de Deus, como anunciou aos

149
AS RELIGIÕES E A APOLOGÉTICA BÍBLICA

profetas seus servos. A explicação do texto se segue: Esta é uma


profecia cumprida, pois os mistérios de Deus têm sido consumados
através do ministério do irmão William Marrion Branham. Este
profeta foi enviado por Deus para esta era e tem pregado a
mensagem que Deus lhe ordenou: a palavra pura de Deus tal qual
saiu da boca dos profetas e apóstolos... O irmão Branham desafiou
a muitos líderes religiosos em diferentes ocasiões para mostrar ao
povo o supérfluo de suas religiões ("De Volta à Palavra Original", pp.
10-11, Goiânia, GO).

2. O SUCESSOR

Willian Soto Santiago afirma que William Marrion Branham o indicou


como seu sucessor. Cada palavra dele é recebida como uma
revelação divina da mesma forma com que se dava com o seu
antecessor. Santiago afirma que a mesma coluna de fogo que
seguia William Branham também o guia até hoje, como sinal de
confirmação de seu chamado celestial. Alega Santiago que William
Marrion Branham errou quando interpretou que a era de Laodicéia
seria terminada em 1977. Afirma que a última dispensação é a do
Reino de Deus começada em 1977 e ele é então o mensageiro
escolhido. O que caracteriza esta nova dispensação do reino é que
tudo se fez novo (Ap 22.5) e isso inclui o fim do batismo ministrado
com água, sendo necessário tão-somente ouvir a mensagem da Voz
da Pedra Angular, grupo religioso formado por ele em 1974, em
Porto Rico. Seus seguidores o chamam de Anjo Mensageiro que
Jesus Cristo teria prometido em Ap 22.16. O próprio grupo aponta
para isso: Jesus é a Pedra Angular (1 Pe 2.6) e Santiago é a Voz da
Pedra ("Dicionário de Religiões, Crenças e Ocultismo", p. 392,
Editora Vida, ano 2000).

150
AS RELIGIÕES E APOLOGÉTICA BÍBLICA

B. A EXALTAÇÃO DO SEU FUNDADOR

O fundador do Tabernáculo da Fé engrandeceu o seu nome,


colocando-se como profeta mensageiro da última era da história do
mundo. Dividiu a História em sete dispensações ou idades. Cada uma
delas tem um profeta mensageiro; portanto, há sete profetas
mensageiros. Baseou sua idéia em Apocalipse, capítulos 2 e 3. A lista
das eras e suas datas é a seguinte:

Éfeso 53-170 a.D. O apóstolo Paulo

Esmirna 170-312 a.D. Irineu

Pérgamo 312-606 a.D. Martinho

Tiatira 606-1520 a.D. Columba

Sardes 1520-1750 a.D. Martinho Lutero

Filadélfia 1750-1906 a.D. João Wesley

William Marriom
Laodicéia 1907-1965 a.D.
Branham

Esta última dispensação teve o seu tempo de duração interrompido em


virtude da morte de Branham em 1965.

Com essa exposição, os adeptos dessa seita ensinam que a Igreja


Cristã de hoje está na mesma situação espiritual da igreja de
Laodicéia.

Dizem: O que vemos é a Escritura se repetindo. A filha de Herodias,

151
AS RELIGIÕES E A APOLOGÉTICA BÍBLICA

representada pelo sistema denominacional dançando frente ao rei,


procurando agradá-lo e tomando conselho com sua mãe, contra o
profeta [que é Branham] (fascículo, "De Volta à Palavra Original", p. 27,
Goiânia, GO).

Um dos seus adeptos por nome T. L. Osborn, no folheto intitulado Um


Homem Chamado William Branham, escreveu o seguinte:

Esta geração está incumbida: uma geração na qual Deus tem


caminhado em carne humana na forma de um Profeta. Deus tem
visitado seu povo. Porque Um grande Profeta Tem-se Levantado entre
Nós.

Osborn trata a pessoa de Branham como se fosse o próprio Deus. Em


outro lugar no mesmo folheto, diz:

Deus tem enviado o irmão Branham no século 20 e tem feito a mesma


coisa. Deus em carne, novamente passando por nossos caminhos, e
muitos não o conheceram. Eles tampouco o teriam conhecido se
tivessem vivido no tempo em que Deus cruzou seus caminhos no corpo
'chamado Jesus, o Cristo.

Resposta Apologética:

William M. Branham é comparado a Deus ou Jesus. Entretanto, Is 42.8


declara que Deus não reparte sua glória com nenhum outro. O apóstolo
Paulo preveniu-nos contra outro evangelho trazido mesmo que fosse
por um anjo do céu (Gl 1.6-9; 2 Co 11.4). Se Paulo vivesse hoje, qual
seria sua reação face às visões de William Branham e suas próprias
reivindicações de ser o anjo de Ap 10.7? E Porque tais falsos apóstolos
são obreiros fraudulentos, transfigurando-se em apóstolos de Cristo (2
Co 11.13). E você, o que diz? Seja anátema!

C. TESTE DE UM PROFETA VERDADEIRO

152
AS RELIGIÕES E APOLOGÉTICA BÍBLICA

1. ESTABELECIMENTO DA DATA DA SEGUNDA VINDA DE JESUS

Somos advertidos de que há muitos homens se intitulando profetas


de Deus e dizendo que falam em seu nome. Teria Deus dado meios
para se provar entre o falso e o verdadeiro profeta? A resposta à
pergunta está em Deuteronômio 18.21-22. O meio mais eficaz de
identificar um verdadeiro profeta é verificar se as profecias por ele
vaticinadas se cumprem. Do contrário, não devemos temê-lo, nem
seguir os seus ensinos (Dt 18.20-22). Em conexão com os ensinos
de Moisés, Jesus também nos advertiu contra os falsos profetas (Mt
7.15-20). Os frutos da árvore são as profecias entregues pelos
profetas. Como vivemos em dias que precedem a volta de Cristo, o
surgimento de falsos profetas cresce diariamente como dizem as
Escrituras (Mt 24.5, 11, 23-24; 2 Pe 2.1-3; 1 Jo 4.1-3).

Uma das doutrinas mais importantes da Bíblia é a que se refere à


Segunda Vinda de Jesus. A vinda de Jesus é certa (Jo 14.2; At 1.9-
11); entretanto, o dia e a hora são desconhecidos (Mt 24.36). Não
obstante, existem pessoas que ousam ir além do que está escrito,
fixando uma data para o acontecimento, caindo assim no erro de
serem tachadas de falsos profetas. É o caso de William Marrion
Branhamque em seu livro intitulado Las Siete Edades De La Iglesia,
p. 361, interpretando as palavras de Jesus em Marcos 13.32, diz:

Y, aunque muchas personas juzgam que esto es um pronóstico


irresponsable, em vita de que Jesus dijo que Empero de aquel diay
de Ia hora, nadie sabe (Marcos 13.32), y todavia me mantengo firme
em mi crencia despues de treinta anos, porque Jesus no dijo nadie
podia conocer al año, mês o semana en que Su venida habria de ser
completada. Asi que repito, yo sinceramente creo y mantengo como
um estudiante particular de la Palabra, juntamente com la

153
AS RELIGIÕES E A APOLOGÉTICA BÍBLICA

inspiración Divina, que el año de 1977 debe poner fim a los sistemas
mundiales e introducir el milênio.

Resposta Apologética:

O que aconteceu em 1977? Nem se deu o fim dos sistemas


mundiais nem o início do milênio. Com essas palavras proféticas
falsas, William Marrion Branham identificou-se como falso profeta,
insurgindo-se contra as palavras de Jesus como se lê: Mas daquele
dia e hora ninguém sabe, nem os anjos do céu, mas unicamente
meu Pai. Vigiai, pois porque não sabeis a que hora há de vir o vosso
Senhor. Por isso, estai vós apercebidos também; porque o Filho do
homem há de vir à hora em que não penseis (Mt 24.36, 42, 44).
Vigiai, pois porque não sabeis o dia nem a hora em que o Filho do
homem há de vir (Mt 25.13). Aos seus discípulos disse-lhes: Não
vos pertence saber os tempos ou as estações que o Pai estabeleceu
pelo seu próprio poder (At 1.7). Na vigência da Lei de Moisés, o
referido cidadão estaria morto a pedradas (Dt 18.20-22) porque usou
em vão o nome do Senhor (Ex 20.7).

D. REVELAÇÃO ALÉM DA BÍBLIA

O livro já citado - "Las Siete Edades de La Iglesia - contém uma


infinidade de registros de visões ocorridas em 1933 (veja o livrete n°5,
O Profeta Desta Era) e especificadas à página 360 do primeiro livro
mencionado, culminando com a fixação da data para a vinda de Jesus
em 1977. Uma visão importante - segundo ele -aconteceu enquanto
batizava os seus convertidos num rio. Ouviu a voz de Deus dizer:
Como João Batista foi enviado como precursor da minha primeira
vinda, também tu e tua mensagem têm sido enviados para preparar
minha segunda vinda.

154
AS RELIGIÕES E APOLOGÉTICA BÍBLICA

Resposta Apologética:

Para os crentes em Cristo, a revelação de Deus, registrada na Bíblia, é


suficiente e por isso não precisam de revelações adicionais e
contradizentes. O Senhor disse ao profeta Jeremias: Os profetas
profetizam falsamente no meu nome; nunca os enviei, nem lhes dei
ordem, nem lhes falei; visão falsa, e adivinhação, e vaidade, e o
engano do seu coração é o que eles vos profetizam (Jr 14.14). Ao
profeta Ezequiel disse o Senhor: Filho do homem, profetiza contra os
profetas de Israel que profetizam, e dize aos que só profetizam de seu
coração: Ouvi a palavra do Senhor; Assim diz o Senhor Deus: Ai dos
profetas loucos, que seguem o seu próprio espírito e que nada viram!
Os teus profetas, ó Israel, são como raposas nos desertos. Viram
vaidade e adivinhação mentirosa os que dizem: O Senhor disse;
quando o Senhor não os enviou; e fazem que se espere o cumprimento
da palavra. Porventura não tiveste visão de vaidade, e não falaste
adivinhação mentirosa, quando dissestes: O Senhor diz, sendo que tal
não falei? (Ez 13.2-4,6-7). Mormente quando faladas por alguém que
declaradamente se revela falso profeta por anunciar uma data para a
Segunda Vinda de Cristo que não se cumpriu.

E. REJEIÇÃO DA DOUTRINA DA TRINDADE

Cremos em um só Deus eternamente subsistente em Três Pessoas: O


Pai, o Filho e o Espírito Santo (Dt 6.4; Mt 28.19). No terceiro século da
nossa era surgiu uma doutrina nova com respeito à natureza de Deus.
Sabelius, presbítero da Igreja Cristã no Norte da África, começou a
negar a existência da Trindade, ensinando que Deus era uma Pessoa
— e não Três — e que Ele apareceu nos modos ou manifestações
como o Pai, como o Filho ou como o Espírito Santo. Ilustrando — como
se apresentasse no palco uma vez como o Pai trocando-se e,

155
AS RELIGIÕES E A APOLOGÉTICA BÍBLICA

representando em seguida o Filho e, pela terceira vez, representando o


Espírito Santo. Para Sabelius, entretanto, o Pai somente era o
verdadeiro Deus, sendo o Filho e o Espírito Santo apenas repetição de
si mesmo em outra forma ou manifestação. Ele foi condenado por esse
ensino, sua teologia modalística foi refutada e a sua heresia, que
houvera sido espalhada, foi rejeitada pela Igreja Primitiva Cristã. A
antiga heresia do sabelianismo surgiu num retiro espiritual no campo
de Arroyo Seco, ao lado de Los Angeles, Califórnia. Adotaram uma
nova interpretação da divindade, parecida com a de Sabelius: Jesus é
a um tempo o Pai, o único Deus. Jesus foi um que se manifestou a si
mesmo como o Pai, como o Filho e como o Espírito Santo.

Dizem: Se qualquer trinitariano aqui somente se soltasse um minuto,


você poderia ver que Pai, Filho e Espírito Santo não são três deuses.
São três atributos do mesmo Deus... Deus, expresso em Jesus Cristo,
Que era ambos Pai, Filho e Espírito Santo, "a plenitude da divindade
corporizada ("A Palavra Falada, vol. 3 n. 11, por W.M. B., Gravações "A
Voz de Deus", p. 24 # 157 e 25 # 160).

Assim, a doutrina histórica trinitária foi repudiada como antibíblica,


chegando ao cúmulo de William Marrion Branham ensinar que:

La marca en la frente significa que tendrán que aceptar la doctrina del


sistema mundial de iglesias, o qual es trinitarianismo, etc, y la marca en
la mano, significa cumplir com la voluntad de la iglesia ("Las Siete
Edades de La Iglesia", p. 428).

Deus precisa de homens que queiram sofrer pelo Seu Nome, não pelo
nome Trindade. O que tem Roma de Deus? E, no entanto, os
protestantes estão unidos com ela através da doutrina da Trindade ( De
Volta à Palavra Original, p. 27, Goiânia, GO).

Assim, dizem que a marca da Besta é aceitar a doutrina da Trindade.

156
AS RELIGIÕES E APOLOGÉTICA BÍBLICA

Mas — dirá você — em São João 14.23 está escrito: Se alguém me


ama guardará a Minha Palavra e o meu Pai o amará e viremos e
faremos nele morada. Não pense em três pessoas, mas em três ofícios
("De Volta à Palavra Original, p. 26, Goiânia, GO).

Resposta Apologética:

Se somente Jesus é Deus, e o Pai e o Espírito Santo são apenas


manifestações de Jesus, muitas passagens das Escrituras se tornam
confusas:

Mateus 3.17 — Imitou Jesus a voz do Pai?

Mateus 17.5 — Onde estava o Filho quando o Pai disse: Este é o meu
Filho amado, em quem me comprazo: a ele ouvi.

João 17.4 — Onde estava o Pai, quando Jesus disse: Eu te glorifiquei


na terra, consumando a obra que me confiaste para fazer. A mera
existência de Eu e Tu nas palavras de Jesus indicam personalidades
distintas e o Tabernáculo da Fé ignora ou torce os textos para perverter
o Ego entre os membros da Trindade.

Atos 13.2 — Imitou Jesus a voz do Espírito Santo na ordem de sair


para evangelizar?

Lucas 23.34 —Jesus disse: Pai,perdoa-lhes...

Lucas 23.46 — Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito! Seria uma
fraude se não houvesse uma pessoa chamada Pai distinta de uma
pessoa chamada Filho.

1. MANIFESTAÇÕES SIMULTÂNEAS DOS MEMBROS DA


TRINDADE

No relato da encarnação, temos a participação de toda a Trindade


(Lc 1.35);

157
AS RELIGIÕES E A APOLOGÉTICA BÍBLICA

No batismo de Jesus, houve a manifestação simultânea das três


Pessoas. Jesus, o Filho, que subia da água; o Espírito Santo que
baixava em forma de uma pomba, e a voz do Pai, que falava desde
os céus (Mt 3.16-17);

As orações de Jesus demonstram sua existência à parte do Pai (Mc


1.35; Lc 5.16; 6.12; 9.28; 11.1; 22.39-44; Jo 11.41).

2. ALGUMAS PROVAS BÍBLICAS DE QUE JESUS NÃO É O PAI

• Em todo o tempo em que Jesus esteve na terra, o Pai esteve nos


céus (Mt 5.16,48);

• Jesus disse que confessaria os homens que O confessassem,


perante o Pai (Mt 10.32-33);

• Cristo está hoje à destra do Pai (At 7.54-56);

• Deus é Pai de Jesus e não Jesus é Pai de si mesmo (Ef 1.3,17);

• Jesus entregou o seu espírito a seu Pai e não a si próprio(Lc


23.46);

• Jesus se fez carne e sangue (Lc 24.39; Jo 19.34), enquanto que


o Pai é Espírito (Jo 4.24);

• Simeão reconhecia que o Menino Jesus que tomou nos braços


não era o único membro da Trindade (Lc 2.26-33);

• João Batista conhecia o Pai, mas não conhecia o Filho (Jo 1.31-
34);

• Jesus veio para fazer a vontade do Pai e não a sua própria (Jo
5.30; 6.38). Isto implica a existência de duas personalidades
distintas;

• Jesus conhecia o Pai, mas não era o Pai (João 10.15);

158
AS RELIGIÕES E APOLOGÉTICA BÍBLICA

• Jesus era amado pelo Pai como Pessoa, e distinta que era (João
10.17-18);

• Jesus era o único caminho para o Pai (Jo 14.6);

• A expressão tanto a mim como a meu Pai prova que eram duas
Pessoas (Jo 15.24);

• Em Hb 1.1-2 se afirma que o Filho é herdeiro de Deus.


Logicamente, isso requer a existência de duas Pessoas: uma, o
testador e outra o herdeiro. As duas posições não podem ser
ocupadas por uma única Pessoa.

3. ALGUMAS PROVAS BÍBLICAS DE QUE O ESPÍRITO SANTO


NÃO É JESUS

• O Espírito Santo é um outro Consolador, procedente do Pai e do


Filho (Jo 5.32; 14.16-17,26; 15.26; 6.7,13);

• Era necessário que Jesus fosse, a fim de que o Espírito Santo


viesse (Jo 16.5-15);

• O Filho já fora dado antes que o Espírito Santo fosse dado (Jo
3.16; At 2.1-4);

• O Filho pode ser blasfemado e o pecador culpado disso encontra


perdão. Mas, se o Espírito Santo for blasfemado, essa pessoa
não encontrará perdão. Isto prova haver duas Pessoas (Mt 12.31-
32; Mc 3.29-30 e Lc 12.10); Os samaritanos haviam recebido
Jesus, mas ainda não o Espírito Santo (At 8.5-25);

• O Espírito Santo não veio falar de si mesmo ou glorificar a si


mesmo, mas sim para glorificar a Jesus (Jo 16.7-15);

• A descida do Espírito Santo no dia de Pentecostes foi a prova de

159
AS RELIGIÕES E A APOLOGÉTICA BÍBLICA

que Jesus havia chegado ao céu, onde assentou-se à destra de


Deus Pai. E mais uma prova da Trindade (Jo 7.39; At 2.33-34);

• Jesus afirmou, mesmo depois da ressurreição, que Ele não era


um ser em espírito. Portanto, ele não podia ser nem o Pai nem o
Espírito Santo, pois esses são seres espirituais (Lc 24.39; Jo
4.24; 14.16-17,26; 15.26; 16.7,15);

• Distinção muito clara é feita entre os nomes de todas as Três


Pessoas da Trindade (Mt 28.19; 2 Co 13.14 ACF).

4. A PERSONALIDADE E DIVINDADE DO ESPÍRITO SANTO

Os adeptos do Tabernáculo da Fé afirmam que o Espírito Santo não


é uma pessoa. Perguntam e respondem sobre o Espírito Santo:

Perguntamos: o Espírito é pessoa?A Bíblia diz que não... Espírito


não é pessoa (De Volta à Palavra Original',p. 25, Goiânia, GO).

Na realidade, o Espírito Santo é a terceira Pessoa da Trindade.


Tiram-lhe a personalidade, quando a própria Bíblia emprega
pronomes pessoais e oblíquos para referir-se ao Espírito Santo. Em
At 10.19-20: E pensando Pedro naquela visão, disse-lhe o Espírito:
Eis que três homens te buscam. Levanta-te, pois, desce, e vai com
eles, não duvidando;porque eu os enviei. Mas, quando vier o
Consolador, que eu da parte do Pai vos hei de enviar, aquele
Espírito de verdade, que procede do Pai, ele testificará de mim (Jo
15.26).

E, servindo eles ao Senhor, e jejuando, disse o Espírito Santo:


Apartai-me a Barnabé e a Saulo para a obra a que os tenho
chamado (At 13.2). É um erro grande. Os atributos de personalidade
são três:

160
AS RELIGIÕES E APOLOGÉTICA BÍBLICA

Inteligência, que é a capacidade de conhecimento, ...porque o


Espírito penetra todas as coisas, ainda as profundezas de Deus(í Co
2.10);

Vontade própria ou volição, que é a capacidade de escolher,


desejar, Mas um só e o mesmo Espírito opera todas estas coisas,
repartindo particularmente a cada um como quer (1 Co 12.11);

Sensibilidade ou emoção, que é a capacidade de amar, entristecer-


se, alegrar-se, E não entristeçais o Espírito Santo de Deus, no qual
estais selados para o dia da redenção (Ef 4.30).

5. ATIVIDADES PESSOAIS SÃO ATRIBUÍDAS AO ESPÍRITO


SANTO

a. Fala - Ap 2.7

b. Ensina - Jo 14.26

c. Testifica - Jo 15.26

d. Ordena - At 13.2

e. Intercede - Rm 8.26

f. Guia - Rm 8.14

6. DEVEMOS TER MUITO CUIDADO NA FORMA DE TRATAR COM


O ESPÍRITO SANTO

a) E possível
Is 63.10; Ef 4.30
entristecê-lo

b) Rebelar-se contra
Is 63.10
ele

161
AS RELIGIÕES E A APOLOGÉTICA BÍBLICA

c) Fazer-lhe agravo Hb 10.29

d) Mentir At 5.3,4

e) Blasfemar Mt 12.31-32

f) Resistir Gn 6.3

g) Apagar 1Ts5.19

7. A DEIDADE DO ESPÍRITO SANTO

As Escrituras ensinam que o Espírito Santo é Deus. Os atributos


naturais da deidade encontram-se nele:

Eternidade (Hb 9.14);

Onipotência (Gn 1.2; Lc 1.35; Rm 8.11);

Onipresença (Sl 139.7);

Onisciência (1 Co 2.10);

Obras da criação (Jo 33.4; Sl 104.30).

8. A DOUTRINA DA TRINDADE

Portanto, é insustentável manter o novo sabelianismo de Jesus


somente quando o testemunho das Escrituras a respeito é bem claro.
Existe, de acordo com as Escrituras, uma Pessoa que é chamada o
Pai, o qual é designado como Deus (Ef 1.2). Há também uma
Pessoa chamada o Filho, que é designado como Deus (Jo 1.1;
20.28; 1 Jo 5.20). Há ainda uma terceira Pessoa chamada o Espírito
Santo, que é designado como Deus (At 5.3-4). Todas essas três
Pessoas são coexistentes e, na unidade da Divindade, são

162
AS RELIGIÕES E APOLOGÉTICA BÍBLICA

designadas como um Deus (Dt 6.4). Ademais, quando comparamos


a palavra traduzida para um do hebraico de Dt 6.4 com outras
passagens como de Gn 2.24; 34.16 e Nm 13.23, encontramos uma
unidade composta, não unidade absoluta, como se pode pensar. Isto
nada prova para os adeptos do Tabernáculo da Fé. O argumento de
João 10.30, que identifica Jesus como uma Pessoa da Divindade em
virtude de sua unidade com o Pai, é contestado pelo simples fato de
que a palavra traduzida um do grego (en) nesta passagem é neutra -
não masculina - e refere-se à unidade de essência ou natureza, não
Pessoa. Portanto, na unidade de essência ou natureza de Deus
existem três Pessoas. Outros versículos que revelam pluralidade de
Pessoas na divindade (Trindade) podem ser encontrados em Gn
1.26; 3.22; Is 6.8; 48.16.

F. FÓRMULA BATISMAL APENAS NO NOME DE JESUS

No final de Mt 28.19 Jesus deu o seguinte mandamento: Portanto ide,


fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e
do Filho e do Espírito Santo. Entretanto, no livro de Atos lemos:
Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus
Cristo para perdão dos pecados; e recebereis o dom do Espírito Santo
(At 2.38). O Tabernáculo da Fé interpreta essa aparente discrepância
para sustentar sua negação da posição trinitária. Eles dizem que a
declaração de Mt 28.19 apóia os três nomes de Cristo que é designado
por Pai, Filho e Espírito Santo. Assim, estabelecem que a fórmula
correta do batismo é encontrada em At 2.38. Citam mais as seguintes
passagens: Porque sobre nenhum deles tinha ainda descido; mas
somente eram batizados em nome do Senhor Jesus (At 8.16); E
mandou que fossem batizados em nome do Senhor (At 10.48); E os
que ouviram foram batizados em nome do Senhor Jesus (At 19.5),

163
AS RELIGIÕES E A APOLOGÉTICA BÍBLICA

como prova de que a Igreja Primitiva batizava apenas em nome de


Jesus.

Resposta Apologética:

Analisemos as passagens citadas:

At 2.38 "...seja batizado em nome de Jesus Cristo..."

At 8.16 "...sido batizados em nome do Senhor Jesus..."

At 10.48 "...batizados em nome do Senhor."

At 19.5 "...batizados em nome do Senhor Jesus."

O que se observa da leitura atenta dos versículos citados? Que não se


trata de uma fórmula batismal porque não são uniformes as
expressões, variando de em nome de Jesus Cristo (At 2.38), para em
nome do Senhor Jesus (At 8.16) e em nome do Senhor (At 10.48).
Muito razoável é afirmar que, então, a narrativa de At 2.38, indicada
como batismo em nome de Jesus Cristo, esteja se referindo como pela
autoridade de Jesus, como se lê em At 3.16; 16.18, na qual a
autoridade de Jesus é invocada. Não se trata de fórmula que
acompanha tais acontecimentos, desde que em At 19.13 a invocação
do nome de Jesus por exorcistas nada significasse porque os que o
fizeram não tinham realmente a autoridade de Jesus. Em outras
palavras, o batismo foi ordenado e levado a efeito sob a divina
autoridade do Filho, empregando-se a fórmula de Mateus 28.19.

Não bastasse o apoio irrestrito à Bíblia Sagrada que torna irrebatível o


nosso entendimento, acresce observar o costume da Igreja Primitiva
encontrado no livro Os Ensinos dos Doze Apóstolos que diz: Agora,
concernente ao batismo, batizai desta maneira: depois de ensinar
todas estas coisas, batizai em nome do Pai e do Filho e do Espírito
Santo.

164
AS RELIGIÕES E APOLOGÉTICA BÍBLICA

Em outra parte do livro já citado se diz que:

O bispo ou presbítero deve batizar desta maneira conforme ao que nos


ordenou o Senhor, dizendo: Ide, portanto, fazei discípulos de todas as
nações batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo.

Cipriano (a.D. 200), falando de At 2.38 diz: Arrependei-vos, e cada um


de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo para remissão dos
vossos pecados, e recebereis o dom do Espírito Santo, disse:

Pedro menciona aqui o nome de Jesus Cristo, não para omitir o do Pai,
mas para que o Filho não deixe de ser unido com o Pai. Finalmente,
depois da ressurreição, os apóstolos são enviados pelo Senhor às
nações, afim de batizarem os gentios em nome do Pai e do Filho e do
Espírito Santo.

G. NEGAÇÃO DO INFERNO

O inferno foi criado para o diabo e seus anjos, para o anticristo e sua
gente; ele foi o diabo encarnado, e por isso foi preparado para destruí-
los. De tudo que existe, o mundo e tudo o demais, há um só Eterno;
esse é Deus ("A Revelação dos Sete Selos", pp. 27 # 128, Perguntas e
Respostas sobre os selos, WMB, 245, março de 1963, A Palavra
Original, Goiânia, GO).

Resposta Apologética:

A Bíblia nunca promete que todos serão salvos, pois existe o castigo
eterno. Em Mt 25.46, Jesus disse: E irão estes para o tormento eterno,
mas os justos para a vida eterna. O adjetivo eterno que qualifica vida
(zoem aionios), é o mesmo adjetivo que qualifica o tormento - tormento
eterno {aionios). Seria incoerente, em face do texto, afirmar que a vida
eterna é uma vida sem fim e admitir-se para o tormento eterno uma
duração limitada, restringindo-se à morte física. E verdade que o

165
AS RELIGIÕES E A APOLOGÉTICA BÍBLICA

inferno não foi criado para o homem e sim para o diabo e seus anjos
(Mt 25.41), mas para os que rejeitam a vida eterna oferecida como um
dom de Deus (Rm 6.26), padecerão eterna perdição (2 Ts 1.7-9).

166
AS RELIGIÕES E APOLOGÉTICA BÍBLICA

167
AS RELIGIÕES E A APOLOGÉTICA BÍBLICA

CAPÍTULO 06

O ESPIRITISMO

A. INTRODUÇÃO

Em certo sentido, pode-se afirmar que o espiritismo é a religião mais


antiga do mundo. Ε pode-se dizer mais, que a primeira sessão espírita
se realizou no Jardim do Éden, quando a serpente, incorporando o
diabo, entabulou conversação com a mulher e assim conseguiu
ludibriá-la (Gn 3.1-5).

A Bíblia é o livro, dentre outros, que nos dá a história do espiritismo.


Começando no Êxodo, ela mostra que os antigos egípcios foram
praticantes de fenômenos espíritas, quando os magos foram chamados
por Faraó para repetir os milagres operados por Moisés. Quando
Moisés apareceu diante desse monarca com a divina incumbência de
tirar o povo de Israel da escravidão egípcia, os magos repetiram alguns
dos milagres de Moisés (Êx 7.10-12; 8.18).

Mais tarde, já nas portas de Canaã, Deus advertiu o povo de Israel


contra os perigos do ocultismo, dentre os quais se destacava a
mediunidade como prática abominável à sua vista (Dt 18.9-12). O
castigo imposto aos que desobedecessem aos mandamentos de Deus
nesse particular é que seriam condenados à morte (Êx 22.18; Lv
20.27). O Antigo Testamento também indica como amaldiçoadas por
Deus pessoas com ligações com espíritos familiares e feiticeiras (Lv

168
AS RELIGIÕES E APOLOGÉTICA BÍBLICA

19.31; 20.6).

O rei Saul, antes da sua apostasia, quando ainda estava sob a direção
de Deus, baniu os praticantes de espiritismo em todas as suas
modalidades (1 Sm 28.3-9), da mesma forma como o fez o reto rei
Josias após ele (2 Rs 23.24-25). O profeta Isaías também se dirigiu aos
antigos espíritas que vaticinavam para o povo de Israel que essa
prática era inútil e detestável aos olhos de Deus (Is 8.19; 19.3; 47.9,13-
14).

Igualmente, a queda do rei Manassés se deu como resultado das suas


práticas ligadas ao espiritismo (2 Rs 21.6; 2 Cr 33.6). A Bíblia também
registra a tentativa de o homem procurar conhecer o futuro e os
mistérios do universo, seja por meio de adivinhação, encantamentos,
feitiçaria. Egípcios, caldeus e cananitas, diz-nos a Bíblia, estavam
envolvidos com essas práticas e têm continuado através dos séculos
(Mq 5.12; Na 3.4).

B. HISTÓRICO DO ANTIGO E MODERNO ESPIRITISMO

Em 1848, houve um recrudescimento do espiritismo no sítio de


Hydesville, perto da cidade de Arcádia, Condado de Wayne, Estado de
Nova Iorque, nos Estados Unidos. A família Fox alugou uma casa tida
como assombrada. Aí residia a família do Dr. João Fox, constituída
pela Sra. Margarida Fox, esposa do Dr. João, e as filhas Margarida,
cujo apelido familiar era Maggie, e Catarina, apelidada Katie. O casal
Fox tinha dois filhos que moravam fora da casa paterna: David e Ana
Leah (ou Lia), que era mais velha do que Maggie, 23 anos. Era um
lugar muito pobre de casas e de humilde aspecto, geralmente
construídas de madeira. Seus pais eram metodistas. Notava-se que
naquela residência acontecia algo de anormal que obrigava os seus

169
AS RELIGIÕES E A APOLOGÉTICA BÍBLICA

moradores a mudar-se. O último inquilino antes da família Fox fora um


homem chamado Miguel Weekman, em 1847, tendo várias vezes
ouvido baterem à porta e quando ia ver quem era não encontrava
ninguém, isso ocorrendo várias vezes. Como essa cena se repetia
constantemente, aborrecido, mudou-se de casa. Na referida casa,
passou habitar a família Fox: pai, mãe e as duas meninas — Katie,
com 12 anos, e Maggie, com 15. Neste mesmo ano a casa era
novamente perturbada por estranhas manifestações; ruídos
inexplicáveis faziam-se ouvir com tal intensidade que a família não
conseguia repousar. Freqüentemente esses fenômenos pareciam vir
do quarto onde dormiam as duas irmãs. Mesmo quando o quarto
estava fechado, percebia-se ali o movimento de objetos, móveis que
arrastavam, mesas e cadeiras que giravam. Chamados os vizinhos,
eles foram testemunhas dos mesmos fenômenos. Todos os meios de
vigilância foram colocados em ação para descobrir de onde procediam
aquelas batidas, e tudo foi inútil. Não se pôde descobrir a causa real
daquelas manifestações, apesar das numerosas pesquisas. A família
percebeu que a causa produtora era inteligente, pois, certa noite,
quando Katie comentava com sua mãe tais coisas, procurou imitar com
estalar de dedos aqueles sons misteriosos e para surpresa delas, de
súbito, os mesmos estalos se reproduziram e em número igual.
Surpreendida e, curiosa, Katie repetiu os estalos e os mesmos se
fizeram ouvir de novo. A senhora Fox pediu ao misterioso visitante que
contasse até dez. Ouviram dez pancadas! Perguntou-lhe qual era a
idade de cada uma de suas filhas, obtendo resposta exata. Por meio de
outras perguntas, verificou tratar-se de um espírito que respondia
afirmativamente, dando dois toques e negativamente dando um toque.

Desta maneira, foram informadas que o tal espírito era a alma de


Carlos Ryan, assassinado naquela casa e que fora enterrado na

170
AS RELIGIÕES E APOLOGÉTICA BÍBLICA

despensa. A notícia de que era possível falar com os mortos por


intermédio de seu espírito logo se espalhou e a casa da família Fox
começou a ser freqüentada pelos vizinhos, que ali iam passar noites
em consulta ao espírito. Em vista do crescente progresso espírita, a
família decidiu se mudar de cidade, transferindo-se para Rochester.
Após quatro meses nesta cidade, resolveram mudar-se para Nova
York.

Os investigadores dessas manifestações notaram que o fenômeno só


se produzia na presença da jovem Katie Fox, atribuindo-lhe um certo
poder que vieram a chamar de mediunidade.

Certa noite, sentada em torno de uma mesa, estava a senhora Fox


conversando com outras duas pessoas, quando de súbito a mesa se
agita e se eleva no ar. Uma das pessoas presentes deu ordem à mesa,
e a movimentação cessou. Lia logo atribuiu aos espíritos a locomoção
espontânea da mesa.

Lia, a irmã mais velha, com suas irmãs, teve a idéia de invocar outros
espíritos e assim muitos dos que assistiam àquelas sessões espíritas
foram levados pela curiosidade ou pelo desejo de também se tornarem
célebres a repetir, por conta própria, as experiências e as evocações
dos espíritos, de tal modo que pela América do Norte as sessões
espíritas se foram multiplicando rapidamente.

Essas meninas se tornaram médiuns e durante 30 anos produziram


fenômenos que se tornaram conhecidos em várias partes do mundo.
No dia 21 de outubro de 1888, a Sra. Margareth Fox Kane realizou pela
primeira vez seu intento de, com os próprios lábios, denunciar
publicamente o espiritismo e seu séquito de truques. Apresentou-se à
Academia de Música de Nova York perante numerosa e distinta
assembléia e, sem reservas, demonstrou a falsidade de tudo quanto no
passado fizeram sob o disfarce da mediunidade espírita.

171
AS RELIGIÕES E A APOLOGÉTICA BÍBLICA

A Sra. Maggie (Margarida) manteve-se em pé sobre o palco. Tremendo


e possuída de intensos sentimentos, fez uma aberta e extremamente
solene abjuração do espiritismo, enquanto a Sra. Catharine Fox
Jencksen assistia de um camarote vizinho, dando, por sua presença,
inteiro assentimento a tudo que a irmã dizia (The World, 22.10.1888,
citado no livro "O Espiritismo no Brasil", p. 444).

Desta maneira, o espiritismo assumia sua feição definitiva.

MONUMENTO AO ESPIRITISMO MODERNO

O Congresso Internacional de Espiritismo reunido em Paris no ano de


1925 aprovou unanimemente a proposta de erigir um monumento
comemorativo em Hydesville, nos Estados Unidos para comemorar as
primeiras manifestações espíritas, que tiveram lugar a 31 de março de
1848, nas pessoas das então meninas Katie e Margareth Fox. O
monumento recebeu a seguinte inscrição:

Erigido a 4 de dezembro de 1927 pelos espiritistas de todo o mundo,


em comemoração das revelações do espiritismo moderno em
Hydesville, Nova York, a 31 de março de 1848, em Homenagem à
mediunidade, base de todas as demonstrações sobre que se apóia o
espiritismo. A morte não existe. Não há mortos.

C. O ESPIRITISMO NA EUROPA

Dos Estados Unidos, o espiritismo passou para a Europa, indo


primeiramente à Alemanha, por meio de uma carta, onde eram
expostos os processos empregados para obter-se os curiosos
fenômenos. Posto fielmente em prática, foi infalível: as mesas giraram,

172
AS RELIGIÕES E APOLOGÉTICA BÍBLICA

ouvindo-se ruídos. Neste país, numerosos pesquisadores lhe


dedicaram atenção, não como adeptos, mas como estudiosos dos
chamados fenômenos psíquicos. Em 1869, é fundada a Bibliothek des
Spiritualismus fur Deutschland y Spirite Studien. O espiritismo na
Alemanha contava entre os seus principais adeptos o astrônomo
Zoellner, professor de Física na Universidade de Leipzig, que se
dedicou a experiências espíritas de 1877 a 1881. Neste mesmo ano de
1852 o espiritismo era introduzido na Escócia e logo depois na
Inglaterra, Rússia e França.

D. O ESPIRITISMO FRANCÊS

A notícia dos fenômenos misteriosos que se produziam na América


suscitou na França intensa curiosidade e, em pouco tempo, a
experiência das mesas giratórias era grandemente disseminada. Nos
salões, a moda era interrogá-las sobre as mais fúteis questões.
Durante os anos de 1851 e 1852, essas práticas eram vistas apenas
como divertimento; não se tomavam essas manifestações a sério. O
barão de Guldenstubbé ao entrar em contato com as mesas giratórias
ficou muito impressionado pelo caráter inteligente que revestia o
movimento da mesa e publica, em 1857, um livro intitulado "La Réalité
des Espirits" relatando as primeiras experiências deste fenômeno. Os
jornais, as revistas e as academias protestaram, ridicularizando esse
novo fenômeno, chegando quase a extingui-lo.

E. O ESPIRITISMO NO BRASIL

No Brasil, as mesas começaram a dançar em 1853. O Jornal do


Comércio, do Rio de Janeiro, foi o primeiro a publicar matéria sobre as
mesas girantes da Europa e dos Estados Unidos, em sua edição de 14

173
AS RELIGIÕES E A APOLOGÉTICA BÍBLICA

de junho de 1853. Duas semanas depois, no dia 30 de junho, o mesmo


jornal informa sob o título de A Rotação Elétrica, os fenômenos que
empolgavam Paris, depois de terem feito sucesso nos Estados Unidos,
México, Londres, Viena e Berlim.

No dia 2 de julho de 1853, o Diário de Pernambuco, editado no Recife,


informava a seus leitores que, em Paris, grande era a curiosidade, que
toda a sociedade se colocava em torno das mesas esperando algum
movimento.

O Jornal Cearense, de Fortaleza, na edição de 19 de maio de 1854,


informava aos seus leitores sobre a evocação de almas por meio das
mesas girantes: A evocação se faz por intermédio de um iluminado, a
quem se dá o nome de médium ("Espiritismo Básico", Pedro Franco
Barbosa, FEB, 2ª edição, p. 68).

Foi assim que o espiritismo no Brasil conquistou adeptos, passando da


mesa rodante para a mesa falante; da mesa inteligente à relação com
os mortos; da comunicação com os mortos a novas revelações; destas
revelações a uma nova religião, com doutrinas e práticas opostas ao
Evangelho de Jesus Cristo.

A primeira sessão espírita realizada no Brasil ocorreu em Salvador,


Bahia, no dia 17 de setembro de 1865, sob a direção de Luiz Olímpio
Teles de Menezes. Este fundou no mesmo ano o primeiro centro
espírita, com o nome de Grupo Familiar de Espiritismo.

Em julho de 1869, Luís Olímpio publica "O Eco do Além Túmulo —


Monitor do Espiritismo no Brasil", o primeiro jornal espírita do Brasil,
com 56 páginas, circulando no Brasil e em capitais estrangeiras como
Londres, Paris, Madri, Nova York.

Em 28 de novembro de 1873, é desfeito o Grupo Familiar do


Espiritismo, fundando-se a sociedade científica, sob o título de

174
AS RELIGIÕES E APOLOGÉTICA BÍBLICA

Associação Espírita Brasileira, sendo Luís de Menezes o primeiro


presidente.

O primeiro movimento organizado do espiritismo, no Rio, começou em


2 de agosto de 1873, com a fundação da Sociedade de Estudos
Espiríticos — Grupo Confúcio, sob a direção dos Drs. Francisco de
Siqueira Dias Sobrinho, presidente e Antônio da Silva Neto. O Grupo
Confúcio tinha como divisa; sem caridade não há salvação; sem
caridade não há verdadeiro espírita ("Espiritismo Básico." Pedro Franco
Barbosa, FEB, 2ª edição, p. 70); recebia mensagens de seu patrono e
tinha como guia espiritual um espírito chamado Ismael, que se revelou
como diretor espiritual do Brasil; praticava a homeopatia e aplicava
passes nos doentes.

Em 1º de janeiro de 1875, o Grupo Confúcio lançou a Revista Espírita,


redigida e dirigida pelo Dr. Antônio da Silva Neto. Era o segundo
periódico espírita do Brasil e o primeiro do Rio de Janeiro, que até
então era a capital do Império. Neste mesmo ano o Grupo Confúcio
publicou a tradução de várias obras de Kardec, a cargo de Fortúnio,
pseudônimo de Joaquim Carlos Travassos: O "Livro dos Espíritos", "O
Livro dos Médiuns", "O Céu e o Inferno", "O Evangelho Segundo o
Espiritismo". Estes foram os primeiros livros publicados no Brasil, pela
editora B.L. Garnier.

Em 23 de março de 1876, funda-se a Sociedade de Estudos Espíritas


Deus, Cristo e Caridade sob a orientação de Bittencourt Sampaio; e,
em 1878, também de Antônio Luís de Sayão. Em 20 de maio de 1877,
membros dissidentes da Sociedade fundaram a Congregação Espírita
Anjo Ismael. No ano seguinte, outros componentes da mesma
Sociedade fundam o Grupo Espírita Caridade. Essas instituições, bem
como o Grupo Espírita Confúcio, desaparecem em 1879.

Em 1883, foi fundada a Revista Reformador, que mais tarde veio se

175
AS RELIGIÕES E A APOLOGÉTICA BÍBLICA

tornar o órgão oficial da Federação Espírita Brasileira, organizada em


1º de janeiro de 1884. A partir de então se multiplicam os grupos e
centros espíritas, ocasionando a formação de federações de âmbito
estadual.

O nome mais conhecido do espiritismo kardecista brasileiro é o do


médium Francisco Cândido Xavier, mais conhecido como Chico Xavier.
Natural da cidade de Uberaba, Minas Gerais, onde reside. Ele é muito
procurado por pessoas de todas as classes sociais, vindas de todos os
lugares do país, que recorrem a seus serviços mediúnicos em busca de
ajuda espiritual e também de curas físicas. De acordo com a revista
Veja, de 10/4/1991, p. 40, Chico Xavier já incorporou os espíritos de
605 autores mortos, 328 dos quais eram poetas, entre eles alguns dos
mais famosos tanto em Portugal como no Brasil.

Tudo isso faz do Brasil o maior país espírita do mundo. Enquanto a


doutrina espírita cresce no Brasil, ela praticamente desapareceu na
França, onde nasceu.

F. CAUSAS DA DIFUSÃO DO ESPIRITISMO NO BRASIL

São variadas as causas para que o espiritismo, em todas as suas


formas, progredisse tanto no Brasil, a ponto de nosso país ser
considerado o maior país espírita do mundo, como apregoam
fartamente os seguidores de Allan Kardec. Eis algumas razões:

1. VOCÊ É UM MÉDIUM – PRECISA DESENVOLVER-SE

São as palavras dos espíritas quando se deparam com pessoas


com problemas ligados à insônia, tristeza, perturbação, arrepios e
por aí afora. Logo a idéia do espírita é que essa pessoa está sob a
pressão de espíritos opressores e precisa desenvolver a

176
AS RELIGIÕES E APOLOGÉTICA BÍBLICA

mediunidade num centro espírita. E lá se vai a pessoa cheia de


esperança de ver-se livre desses incômodos inexplicáveis.
Envolvendo-se com o espiritismo, vem em seguida o temor de sair,
julgando que as conseqüências serão fatais.

2. A GRANDE SAUDADE DOS MORTOS

Essa saudade é habilmente explorada pelo espiritismo, pois é


aberta a possibilidade dessa comunicação com o ente morto. Veja o
relato de uma pessoa envolvida por esse meio:

No dia 16 de julho de 1933 morreu minha irmã, então com sete


anos de idade, e, logo depois, uma família das proximidades de
Bemidji, Minnesota, nos disse que havia entrado em contato com o
espírito da menina morta e que ela estava ansiosa por falar
conosco. A família toda ficou alvoroçada e combinamos nos
encontrar em Bemidji na ocasião marcada para a sessão. Com isso,
deu-se o envolvimento. Certa ocasião, foi anunciada no citado
centro uma sessão de perguntas e respostas e foi orientado que as
perguntas deveriam ser de ordem espiritual. Foi dirigida a primeira
pergunta ao espírito mentor se ele cria que Jesus era filho de Deus.

Resposta do espírito mentor: É lógico, meu filho, Jesus é o Filho de


Deus. Crê apenas como diz a Bíblia.

Segunda pergunta: Ó tu, grande e infinito Espírito, crês que Jesus é


o Salvador do mundo?

Resposta: Meu filho, por que duvidas? Por que não crês? Tens
estado conosco; por que continuas a duvidar?

Terceira pergunta: Ó espírito, crês que Jesus é o Filho de Deus, e


que Ele é o Salvador do mundo — crês que Jesus morreu na cruz e
derramou seu sangue para a remissão de pecados?

177
AS RELIGIÕES E A APOLOGÉTICA BÍBLICA

O médium, em profundo transe, foi arremessado de sua cadeira. Foi


cair bem no meio da sala de estar e gemia como se estivesse sen-
tindo profunda dor. Os sons turbulentos sugeriam espíritos num car-
naval de confusão.

("Eu Falei com Espíritos", Editora Mundo Cristão, 1977, pp. 23-24).

G. DIVISÕES DO ESPIRITISMO NO BRASIL

1. O ESPIRITISMO KARDECISTA

Pode ser chamado de espiritismo ortodoxo. Aquele que está filiado à


Federação Espírita Brasileira e para quem Allan Kardec é
considerado o Mestre Divino. É o maior grupo.

2. A LEGIÃO DA BOA VONTADE - LBV

O nome do fundador completo é Alziro Elias Davi Abraão Zarur e


nasceu aos 25 de dezembro de 1914, de pais sírios, que eram
católicos ortodoxos. Considerava-se ele a reencarnação de Allan
Kardec como declara no livro "Jesus - A Saga de Alziro Zarur". Não
crê que Cristo tivesse corpo real e humano, seguindo a linha de
pensamento de João Batista Roustaing.

3. RACIONALISMO CRISTÃO

Fundado em 1910, por Luiz de Mattos. Luiz José de Mattos nasceu


em Portugal (Traz os Montes em 3 de janeiro de 1860). É panteísta
e fala de Deus como O Grande Foco, Inteligência Universal. Possui
templos suntuosos em várias regiões de São Paulo.

178
AS RELIGIÕES E APOLOGÉTICA BÍBLICA

4. CULTURA RACIONAL

Fundada por Manoel Jacintho Coelho, em 1935, no Rio de Janeiro


(Meyer), idéia mais divulgada a partir de 1970, quando alcançou
fama nacional. Aceita a metempsicose (retorno do espírito do morto
a seres inferiores).

5. UMBANDA

Seita afro-brasileira que é divulgada mais como folclore do que


como religião, embora advogue esta última condição. Formada pelo
sincretismo de cultos afros, ameríndios e catolicismo europeu
trazido pelos portugueses. Declara-se com o objetivo de desfazer os
males invocados pela Quimbanda através de Exus. Evoca, diferindo
do espiritismo kardecista, os Orixás, seres elementares da natureza,
mas evoca também os espíritos dos pretos velhos; e caboclos, que
são segundo eles, os espíritos dos índios mortos.

6. CÍRCULO ESOTÉRICO DA COMUNHÃO DO PENSAMENTO

Fundado em 1909 pelo Sr. Antônio Olívio Rodrigues.

Possui espalhados pelo Brasil milhares de tattwas ou centros.

Aceita a doutrina reencarnacionista.

7. ORDEM ROSACRUZ

Com suas várias organizações como: AMORC (Antiga e Mística


Ordem Rosae Crucis). A fraternidade segue uma tradição mística
egípcia. Alega ser originária do reinado de Amenhotep IV, imperador

179
AS RELIGIÕES E A APOLOGÉTICA BÍBLICA

egípcio no ano de 1353 a.C, mais conhecido como Akhenaton. A


Fraternidade Rosacruz de Max Heindel, a FRC (Fraternidade Rosae
Crucis) de Clymer. A FRA (Fraternitas Rosacruciana Antíqua) de
Krummheller ou a Igreja Gnóstica e a Ordem Cabalística da
Rosacruz (Igreja Expectante do Sr. Léo Alvarez Costet de
Mascheville).

8. OUTROS GRUPOS DE PRÁTICA ESPÍRITA

Finalmente, poderíamos agrupar aqui as sociedades teosófícas, as


seitas orientais japonesas como Seicho-No-Ie, Igreja Messiânica
Mundial, Arte Mahikari, Perfect Liberty. Seitas orientais provindas do
hinduísmo, como movimento Hare Krishna, Meditação
Transcendental, e outras. Todas elas são adeptas do
reencarnacionismo.

H. DECLARAÇÃO COMPROMETEDORA

Declara Allan Kardec que: Um direito imprescritível é o direito de


exame e de crítica, do qual o espiritismo não tem a pretensão de
eximir-se, assim como não tem a de satisfazer a todos. Cada um é livre
para aceitá-lo ou rejeitá-lo, mas depois de discuti-lo com conhecimento
de causa... Para saber qual a parte de responsabilidade que cabe ao
espiritismo em dada circunstância há um meio bem simples: inquirir de
boa fé, não dos adversários, mas na própria fonte, o que ele aprova e o
que condena. E isto é fácil porque ele nada tem de secreto. Seus
ensinamentos são divulgados e todos podem examiná-los ("Obras
Póstumas", Opus Editora Ltda., p. 1127, 28, 2ª edição, 1985).

É justamente o que pretendemos fazer: analisar as doutrinas espíritas


à luz da Bíblia Sagrada, nos dirigindo principalmente aos livros de

180
AS RELIGIÕES E APOLOGÉTICA BÍBLICA

autoria de Allan Kardec, que constituem a base do espiritismo.

I. A DOUTRINA ESPÍRITA

Define-se como doutrina espírita o conjunto de princípios básicos,


codificados por Allan Kardec, que constituem o espiritismo. Estes
princípios estão contidos nas obras fundamentais, que são: "O Livro
dos Espíritos", "O Que É o Espiritismo", "O Livro dos Médiuns", "O
Evangelho Segundo o Espiritismo", "O Céu e o Inferno", "A Gênese" e
"Obras Póstumas".

J. O QUE É SER UM ESPÍRITA

Allan Kardec define como espírita todo aquele que crê nas
manifestações dos espíritos ("O Livro dos Médiuns", p. 44, 20ª edição).
Com essa definição, embora não agrade aos espíritas kardecistas, não
podem negar que os chamados cultos afro-brasileiros integram tal
prática, portanto podem ser também reconhecidos como espíritas. São
considerados como integrantes do baixo espiritismo.

K. ESPIRITISMO É RELIGIÃO?

Como acontece com outras organizações religiosas que não querem


assumir seu caráter de religião, o espiritismo, a princípio, nega essa
sua condição de entidade religiosa:

O espiritismo é, antes de tudo, uma ciência, e não cuida de questões


dogmáticas.

Melhor observado depois que se generalizou, o espiritismo vem


derramar luz sobre um grande número de questões, até hoje insolúveis
ou mal compreendidas. Seu verdadeiro caráter é, portanto, o de uma

181
AS RELIGIÕES E A APOLOGÉTICA BÍBLICA

ciência e não de uma religião ("O Que Ê o Espiritismo", p. 294, Opus


Editora Ltda., 2ª edição especial, 1985).

Em lugares novos, onde os espíritas começam a penetrar, a primeira


coisa que propagam é dizer que o espiritismo não é religião.

Depois, tiram a máscara e identificam-se como religião:

O espiritismo foi chamado a desempenhar um papel imenso na Terra.


Reformará a legislação tantas vezes contrária às leis divinas; retificará
os erros da História; restaurará a religião do Cristo, que nas mãos dos
clérigos se transformou em comércio e tráfico vil; instituirá a verdadeira
religião, a religião natural, a que parte do coração e vai direto a Deus,
sem se deter às abas de uma sotaina ou nos degraus de um altar
("Obras Póstumas. Obras Completas." Editora Opus, p. 1206, 2ª edição
especial).

Aproxima-se a hora em que terás de declarar abertamente o que é o


espiritismo e mostrar a todos onde está a verdadeira doutrina
ensinada pelo Cristo. A hora em que, à face do Céu e da Terra,
deveras proclamar o espiritismo como única tradição realmente
cristã, a única instituição verdadeiramente divina e humana ("Obras
Póstumas. Obras Completas." Editora Opus, 2ª edição especial, p.
1210) (destaques nossos).

O espiritismo reivindica ser uma religião. Afirma ser a verdadeira


religião, superior a todas as outras, ainda que alguns de seus adeptos
aleguem que o espiritismo seja uma filosofia ou ciência.

O Cristianismo tem seus fundamentos históricos e doutrinários


baseados na Bíblia. Qualquer movimento religioso que alegue ser
cristão deve ter seus ensinos confrontados com a Palavra de Deus
para se verificar a veracidade dos mesmos e se, de fato, podem ser
chamados cristãos.

182
AS RELIGIÕES E APOLOGÉTICA BÍBLICA

L. A FALACIOSA PROPAGANDA ESPÍRITA

O espiritismo arroga para si a condição de ser autêntico Cristianismo.


Será?

A doutrina espírita nos ensina a praticar o Cristianismo em sua forma


mais pura e simples, assim, o espírita procura ser um bom cristão. Ele
sente que precisa combater seus próprios defeitos e praticar os
ensinamentos de Jesus ("O Espiritismo em Linguagem Fácil", p. 61).

Resposta Apologética:

Para praticar o Cristianismo em sua forma mais pura e simples, em


primeiro lugar seria preciso que o espiritismo tivesse sua base na Bíblia
e suas crenças fossem as mesmas do Cristianismo histórico. Não é o
caso. Daí porque o espiritismo usa uma falsa propaganda ao fazer
afirmações como as citadas e como outras, entre as quais destacamos:

É preciso que nos façamos entender. Se alguém tem uma convicção


bem assentada sobre uma doutrina, ainda que falsa, é necessário que
o desviemos dessa convicção, porém, pouco a pouco, eis porque nos
servimos, quase sempre, de suas palavras e damos a impressão de
partilhar de suas ideias, a fim de que ele não se ofusque de súbito e
deixe de se instruir conosco. (Destaque nosso).

Então, o texto citado afirma que Allan Kardec recomenda:

Primeiro: nos servimos... de suas palavras...

Segundo: damos a impressão de partilhar de suas ideias...

Com que propósito? a fim de que ele não se ofusque de súbito e deixe
de se instruir conosco...

1. ELOGIOS A JESUS CRISTO

183
AS RELIGIÕES E A APOLOGÉTICA BÍBLICA

Assim, para atingir seu objetivo, o espiritismo elogia Jesus Cristo


dizendo:

Qual o tipo mais perfeito que Deus ofereceu ao homem para lhe
servir de guia e de modelo? "Jesus."

Em seguida, segue-se uma declaração de Allan Kardec, nos


seguintes termos:

Jesus é para o homem o tipo de perfeição moral a que pode aspirar


a humanidade na terra. Deus no-lo oferece como o mais perfeito
modelo e a doutrina que ele ensinou é a mais pura expressão
de sua lei, porque ele estava animado pelo Espírito divino e foi o ser
mais puro que já apareceu na terra. (Destaque nosso).

Qual o cristão que não concordaria com essas declarações sobre


Jesus e seus ensinos? Encontramos aprovação bíblica para essas
declarações em Hebreus 7.26; Mateus 3.16-17.

Mas, logo em seguida, coloca na boca dos espíritos as seguintes


palavras que contradizem a posição antes adotada com relação à
pessoa e aos ensinos de Jesus:

Se Jesus ensinou as verdadeiras leis de Deus, que utilidade têm os


ensinamentos dos espíritos? Poderão eles ensinar alguma coisa
além do que ensinou Jesus?

Os ensinamentos de Jesus eram freqüentemente alegóricos e na


forma de parábolas, dado que ele falava de acordo com a época e
os lugares. Hoje, é preciso que a verdade seja inteligível para todos,
razão por que é preciso explicar e desenvolver esses ensinamentos,
tão poucos são os que os compreendem e ainda menos os que o
praticam. Consiste nossa missão em abrir os olhos e os ouvidos a
todos, para confundir os orgulhosos e desmascarar os hipócritas,
esses que exteriormente se revestem das aparências da virtude e

184
AS RELIGIÕES E APOLOGÉTICA BÍBLICA

da religião para melhor ocultarem suas torpezas ("O Livro dos


Espíritos", p. 172, Obras Completas, Editora Opus, 2ª edição
especial).

Resposta Apologética:

Com essa explicação dada pelos espíritos, Kardec se vê com o


direito de remover da Bíblia tudo quanto a Bíblia diga contra as
práticas e ensinos do espiritismo. O que for contra o espiritismo
pode-se alegar, com muita propriedade, que fazia parte dos ensinos
parabólicos ou alegóricos de Jesus.

Enquanto os espíritas se baseiam no ensino dos espíritos, os


cristãos se baseiam na Bíblia Sagrada.

Um autor espírita assim se pronuncia sobre a Bíblia:

Nem a Bíblia prova coisa nenhuma, nem temos a Bíblia como


probante. Não rodopia junto à Bíblia. Mas a nossa base é o ensino
dos espíritos, daí o nome espiritismo. A Bíblia não pode ser razão de
peso contra o ensino dos espíritos ("A Margem do Espiritismo", pp.
214, 227, Carlos Embassahy).

Allan Kardec opina sobre a Bíblia afirmando:

Todos os escritos posteriores, sem excetuar os de São Paulo, são e


nem podem deixar de ser, apenas comentários ou apreciações,
reflexos de opiniões pessoais, muitas vezes contraditórias, que não
poderiam, em caso algum, ter a autoridade de um relato dos que
haviam recebido as instruções diretamente do Mestre ("Obras
Póstumas", p. 1170. Opus Editora Ltda., 2ª edição especial, 1985).

E nós? Temos a Bíblia como regra de fé e conduta para a vida e o


caráter do cristão (1 Ts 2.13; 2 Tm 3.15-17; 2 Pe 1.20-21). Negam
eles as demais doutrinas cristãs, principalmente nossa redenção por
Cristo. O credo espírita é negativista em face das doutrinas cristãs,

185
AS RELIGIÕES E A APOLOGÉTICA BÍBLICA

tãs, pois nega a ressurreição corporal de Jesus e da humanidade,


nega os milagres de Jesus, nega a Trindade, nega a deidade
absoluta de Jesus, nega a Personalidade do Espírito Santo, nega a
existência dos anjos, nega a existência do Diabo e dos demônios,
nega a existência do céu e do inferno, nega o pecado original, nega
a unicidade da vida terrestre. Poderiam, realmente, os espíritas ser
classificados como cristãos? A resposta é óbvia: não!

M. A TERCEIRA REVELAÇÃO

Não obstante a disparidade entre as crenças espíritas e crenças


cristãs, alegam os espíritas que eles surgiram na História como a
terceira revelação de Deus aos homens.

A lei do Antigo Testamento teve em Moisés a sua personificação; a do


Novo Testamento a tem no Cristo. O espiritismo é a terceira revelação
da hei de Deus, mas não tem a personificá-la nenhuma individualidade,
porque é fruto do ensino dado, não por um homem, mas pelos
espíritos, que são as vozes do céu, em todos os pontos da Terra, com
o concurso de uma legião inumerável de intermediários ("O Evangelho
Segundo o Espiritismo", p. 550. Editora Opus Ltda., 2ª edição especial,
1985).

N. ALLAN KARDEC

Foi, em Lyon, na França que, no dia 3 de outubro de 1804, nasceu


aquele que mais tarde devia ilustrar o pseudônimo de Allan Kardec
("Obras Completas" - Editora Opus, p. 1, 2ª edição especial, 1985).

Hippolyte Léon Denizard Rivail nasceu às 19 horas, filho de Jean


Baptiste Antoine Rivail, magistrado, juiz, e Jeanne Duhamel, sua
esposa, moradores de Lyon, rua Sala, 76 ("Obras Completas." Allan

186
AS RELIGIÕES E APOLOGÉTICA BÍBLICA

Kardec. Editora Opus, p. 1).

Seus primeiros estudos foram feitos na sua terra natal e completou a


sua bagagem escolar na cidade de Yverdun (Suíça), onde estudou sob
a direção do famoso mestre Pestalozzi, de quem recebeu grande
influência. Inúmeras vezes, quando Pestalozzi era solicitado pelos
governos, para criar institutos como o de Yverndun, confiava a
Denizard Rivail o trabalho de substituí-lo na direção da escola.
Bacharelou-se em letras e ciências e doutorou-se em Medicina, após
completar todos os estudos médicos e defender brilhantemente sua
tese. Conhecia e falava corretamente o alemão, o inglês, o italiano, o
espanhol; tinha conhecimentos também do holandês e com facilidade
podia expressar-se nesta língua. Foi isento do serviço militar e, depois
de dois anos, fundou, em Paris, na rua Sèvres 35, uma escola idêntica
à de Yverdun. Fizera sociedade com um tio, para esse
empreendimento, irmão de sua mãe, o qual entrava como sócio
capitalista. Encontrou destaque no mundo das letras e do ensino ao
qual freqüentava, em Paris, vindo a conhecer a senhorita Amélie
Boudet, a qual conquista o seu coração. Ela era filha de Julien Louis
Boudet, antigo tabelião e proprietário, e de Julie Louise Seigneat de
Lacombe. Amélie nasceu em Thias (Sena), em 23 de novembro de
1875. Denizard Rivail casa-se com ela no dia 6 de fevereiro de 1832. A
senhorita Amélie Boudet era nove anos mais velha do que Rivail. Seu
tio, que era sócio na escola que fundaram, era dominado pelo jogo
levando essa instituição à falência. Fechado o instituto, Rivail liquidou
as dívidas, fazendo a partilha do restante, recebendo cada um a
quantia de 45 mil francos. O casal Denizard aplicou suas rendas no
comércio de um dos seus amigos mais íntimos. Este realizou maus
negócios, indo outra vez à falência, nada deixando aos credores. Rivail
trabalhando duro, aproveitava a noite para escrever sobre gramática,

187
AS RELIGIÕES E A APOLOGÉTICA BÍBLICA

aritmética, livros para estudo pedagógicos superiores; ao mesmo


tempo traduzia obras inglesas e alemãs. Em sua casa organizava
cursos gratuitos de química, física, astronomia e anatomia.

Escreveu: "Curso Prático e Teórico de Aritmética", segundo o Método


de Pestalozzi, com modificações, dois tomos em 1824; "Plano proposto
para a melhoria da educação pública", que assina como discípulo de
Pestalozzi e em que expõe processos pedagógicos avançados em
1828.

Escreveu os seguintes livros: "Qual o sistema de estudos mais em


harmonia com as necessidades da época?", "Memória sobre estudos
clássicos", premiado pela Academia Real das Ciências, de Arras, em
1831; "Gramática francesa clássica" em 1831; "Manual dos exames
para os certificados de habilitação: soluções racionais das perguntas e
dos problemas de Aritmética e de Geometria", em 1846; "Catecismo
gramatical da língua francesa" em 1848; "Programa dos cursos
ordinários de Química, Física, Astronomia e Fisiologia" em 1849;
"Ditados normais (pontos) para exames na Municipalidade (Hotel-de-
Ville) e na Sorbonne" (1849), obra escrita com a colaboração de Lévi-
Alvares. Escreveu ainda: "Questionário gramatical, literário e filosófico",
em colaboração com Lévi-Alvares. Segundo informa André Moreil,
várias de suas obras são adotadas pela Universidade da França. Era
membro de inúmeras sociedades de sábios, especialmente da
Academia Real d'Arras.

O. A PRIMEIRA INICIAÇÃO DE RIVAIL NO ESPIRITISMO

Ainda jovem, no ano de 1823, Denizard Rivail demonstrava grande


interesse pelo magnetismo animal, um movimento da época chamado
também de mesmerismo, porque fora criado pelo médico alemão

188
AS RELIGIÕES E APOLOGÉTICA BÍBLICA

Francisco Antônio Mesmer (1733-1815), que morava em Paris desde


1778. No ano de 1853, quando as mesas girantes e dançantes vindas
dos Estados Unidos invadiram a Europa, os adeptos do mesmerismo
ou magnetistas de Paris logo quiseram explicar com suas teorias
magnéticas este curioso fenômeno. No final do ano de 1854, o
magnetista Fortier notificou a Rivail o fenômeno das mesas dançantes
que se comunicavam, dizendo-lhe: Sabe o senhor da singular
propriedade que acabam de descobrir no magnetismo? Parece que
não são unicamente os indivíduos que magnetizam, mas também as
mesas, que podemos fazer girar e andar a vontade. No ano de 1855,
encontrou o Sr. Carlotti, um antigo amigo seu que tornou a lhe falar
desses fenômenos durante uma hora com muito entusiasmo, o que lhe
fez despertar novas ideias. No fim da conversa disse-lhe: Um dia serás
um dos nossos. Respondeu-lhe: Não digo que não. Veremos mais
tarde ("Obras Póstumas. Obras Completas." Editora Opus, p. 1160, 2ª
edição especial, 1985).

Em maio de 1858, Rivail foi à casa da Sra. Roger, encontrando com o


Sr. Fortier, seu magnetizador. Estavam presentes ali o Sr. Pâtier e a
Sra. Plainemaison que explicaram a ele aquelas manifestações. Rivail
foi convidado a assistir às experiências que se realizavam na casa da
Sra. Plainemaison, na rua Gange-Batelière, nº 18. O encontro foi
marcado para terça-feira às oito horas da noite. Foi ali pela primeira
vez que Rivail presenciou o fenômeno das mesas que giravam,
saltavam e corriam, em condições tais que não houve mais dúvida
nele. Numa das reuniões da Sra. Plainemaison, Rivail conheceu a
família Baudin, que morava na rua Rochechouart, que o convidou para
ir a sua casa para assistir às sessões semanais que se realizavam ali.
Ele aceita o convite e, desde então, Rivail passa a ser muito assíduo às
reuniões ("Obras Completas", p. 1160).

189
AS RELIGIÕES E A APOLOGÉTICA BÍBLICA

Uma noite, por intermédio de um médium, seu espírito pessoal lhe


revelou que eles haviam vivido juntos em outra existência, no tempo
dos Druidas, nas Gálias, e que seu nome era Allan Kardec ("Obras
Completas." Editora Opus, 2ª edição, 1985 p. 1). Em 1856, Kardec
freqüentava sessões espíritas que eram feitas na rua Tiquetone, na
residência do Sr. Roustan e da Srta. Japhet. No dia 25 de março deste
ano, na casa do Sr. Baudin, sendo médium uma de suas filhas, Rivail
aceita a revelação de ter como guia um espírito familiar chamado: A
Verdade. Depois ficará sabendo que se trata do Espírito Santo, o
Espírito da Verdade, que Jesus havia prometido enviar.

Reuniu todas as informações que tinha sobre o espiritismo e codificou


uma série de leis, publicando no dia 18 de abril de 1857 uma obra com
o nome de: Le Livre des Espirits ("O Livro dos Espíritos"). Este livro
alcançou grande repercussão, esgotando rapidamente a primeira
edição. Allan Kardec fê-la reeditar no ano de 1858, neste mesmo ano
em janeiro ele publica a Revue Spirite ("Revista Espírita"), o primeiro
órgão espírita da França, e cuja existência ele assim justificou: Não se
pode contestar a utilidade de um órgão especial, que mantenha o
público a par desta nova ciência e opremuna contra os exageros, tanto
da credulidade excessiva, como do ceticismo. É essa lacuna que nos
propusemos preencher com a publicação desta revista, no intuito de
oferecer um veículo de comunicação a todos aqueles que se
interessam por essas questões e de vincular por um laço comum
aqueles que compreendem a doutrina espírita sob seu verdadeiro
ponto de vista moral, ou seja, a prática do bem e da caridade
evangélica para com o próximo ("Espiritismo Básico." Pedro Franco
Barbosa, 2ª edição, FEB, p. 53).

E em 1º de abril funda a Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas.

Editou ainda outros livros: "O Livro dos Médiuns", que surgiu na

190
AS RELIGIÕES E APOLOGÉTICA BÍBLICA

primeira quinzena de janeiro de 1861, considerado como a obra mais


importante sobre a prática do espiritismo experimental. Em 1862,
publicou "Uma Refutação de Críticas contra o Espiritismo"; em abril de
1864, "Imitação do Evangelho Segundo o Espiritismo", que mais tarde
foi alterado para o "Evangelho Segundo o Espiritismo", com
explicações das parábolas de Jesus, aplicação e concordância da
mesma com o espiritismo. Kardec interpreta os sermões e as parábolas
de Jesus, fazendo de maneira que concordem com seus ensinos e com
as crenças espíritas e animistas que sempre existiram. Em Io de
agosto de 1865, lançou nova obra com o título de "O Céu e o Inferno"
ou a "Justiça Divina Segundo o Espiritismo"; em janeiro de 1868, a
"Gênese, os milagres e as predições segundo o espiritismo", com a
qual completa a codificação da doutrina espírita e o nome de Allan
Kardec passa a figurar no Novo Dicionário Universal, de Lachâtre,
como filósofo.

Hippolyte Léon Denizard Rivail — Allan Kardec — morreu em Paris, na


rua Santana, 25 (Galeria Santana, 59), no dia 31 de março de 1869,
com 65 anos de idade, sucumbindo pela ruptura de um aneurisma. A
senhora Rivail contava 74 anos quando seu esposo morreu.
Sobreviveu até 1883, morrendo em 21 de janeiro, com a idade de 89
anos sem deixar herdeiros diretos.

P. LÉON DENIS, O CONSOLIDADOR

Diz J. Herculano Pires, no prefácio do livro "Vida e Obra de Léon


Denis", de Gastão Luce (Edicel, SP):

Léon Denis foi o consolidador do espiritismo. Não foi apenas o


substituto e continuador de Allan Kardec, como geralmente se pensa.
Denis tinha uma missão quase tão grandiosa quanto a do Codificador.

191
AS RELIGIÕES E A APOLOGÉTICA BÍBLICA

Cabia-lhe desenvolver os estudos doutrinários, continuar as pesquisas


mediúnicas, impulsionar o movimento espírita na França e no mundo,
aprofundar o aspecto moral da doutrina e, sobretudo, consolidá-la nas
primeiras décadas do século.

Nessa nova Bíblia (o espiritismo) o papel de Kardec é o de sábio e o


papel de Denis é o de filósofo.

Nasceu em 1º de janeiro de 1846, em Foug, na Lorena francesa, e


morreu em Tours, em 12 de abril de 1927, com a idade de 81 anos
incompletos. Seus pais foram Anne-lucie e o mestre de pedreiro e
ferroviário Joseph Denis.

Cursou as primeiras letras em Estrasburgo, mas interrompe os estudos


para ajudar o pai, funcionário da Casa da Moeda; retorna aos estudos
em Bordéus, mas de novo os abandona para auxiliar o genitor, que
agora serve na estrada de ferro de Moux; depois, em Tours, onde
trabalha carregando cerâmica e estuda à noite. Dedica-se ao desenho,
à geografia e à contabilidade. Preocupado com as questões filosóficas
e religiosas, estuda com grande interesse a História e as Ciências
Sociais, conhecimentos que aprofunda graças às numerosas viagens
que faz pela França, Itália, Suíça, Espanha, Inglaterra e África
(Tunísia). Seu encontro com o espiritismo se deu quando Léon tinha 18
anos de idade, lendo o "Livro dos Espíritos".

Serviu como tenente na guerra de 1870, desastrosa para a França, e


convidado para a vida política recusou, como também não se casou,
pois entendia que seu tempo devia ser todo dedicado à doutrina, à sua
missão, da qual os espíritos sempre lhe falavam.

Denis se encontrou algumas vezes com Allan Kardec e, como médium


vidente e psicógrafo, recebia mensagens de Sorella (Joana D'arc), do
Espírito Azul e de Jerônimo de Praga. Escreveu vários livros, entre

192
AS RELIGIÕES E APOLOGÉTICA BÍBLICA

eles:

"O Progresso" (conferências);

"O Por que da Vida", (1885);

"Depois da Morte";

"Cristianismo e Espiritismo" (1889);

"No Invisível" (1903);

"O Problema do Ser, do Destino e da Dor";

"A Verdade sobre Joana D'arc" (1912);

"O Grande Enigma";

"Resposta de um Velho Espírita a um Doutor em Letras,

de Lyon";

"O Mundo Invisível e a Guerra" (1919);

Participou de inúmeros congressos espiritualistas mundiais como:

Congresso Espiritualista Internacional de 1889, realizado no mês de


setembro, em Paris; Congresso Internacional de 1900, realizado
também em Paris, no mês de setembro, do qual Léon Denis foi
nomeado presidente efetivo; Congresso de Liège, na Bélgica, realizado
em 1905, cuja presidência de honra coube a Denis; Congresso Espírita
Universal de Bruxelas, realizado de 14 a 18 de maio de 1910, ao qual
Denis compareceu como delegado da França e do Brasil; Congresso
de Genebra (II Congresso Espírita Universal), realizado em 1913, em
maio, do qual participaram Denis e Gabriel Delanne; III Congresso
Espírita Internacional, realizado em 1925, em Paris, de que foi
presidente, aos 80 anos de idade, a pedido de seus guias espirituais,
Jerônimo de Praga e Joana D'arc.

193
AS RELIGIÕES E A APOLOGÉTICA BÍBLICA

Q. A VISÃO ESPÍRITA DA BÍBLIA

Allan Kardec arroga ao espiritismo a condição de ser a terceira


revelação de Deus, que vem completar a revelação inicial dada a
Moisés com o Antigo Testamento, depois por meio de Jesus com o
Novo Testamento e, por fim, como a consumação pelos espíritos:

Aproxima-se a hora em que deveras apresentar o espiritismo tal como


é, demonstrando abertamente onde se encontra a verdadeira doutrina
ensinada pelo Cristo ("Obras Póstumas. Obras Completas." Editora
Opus, p. 1178) (destaque nosso).

A Lei do Antigo Testamento teve em Moisés a sua personificação; a do


Novo Testamento a tem no Cristo. O espiritismo é a terceira
revelação da Lei de Deus, mas não tem a personificá-la nenhuma
individualidade, porque é fruto do ensino dado, não por um homem,
mas pelos espíritos, que são as vozes do céu, em todos os pontos da
Terra, com o concurso de uma legião inumerável de intermediários
("Evangelho Segundo o Espiritismo. Obras Completas." Editora: Opus,
p. 534). (Destaque nosso).

A Primeira Revelação era personificada em Moisés; a Segunda, no


Cristo; a Terceira não o é em indivíduo algum. As duas primeiras são
individuais. A terceira coletiva; aí está uma característica essencial e de
grande importância ("A Gênese. Obras Completas." Editora Opus, p.
888).

No Livro "Evangelho Segundo o Espiritismo", Allan Kardec escreveu


que: O Cristianismo e o espiritismo ensinam a mesma coisa
("Evangelho Segundo o Espiritismo. Obras Completas." Editora Opus,
p. 1178).

Se o espiritismo ensina as mesmas doutrinas que o Cristianismo, é de


se esperar que os seus ensinamentos concordem com as palavras de

194
AS RELIGIÕES E APOLOGÉTICA BÍBLICA

Jesus e dos apóstolos. A melhor maneira de verificar essa afirmação é


conferir o que diz o espiritismo e o que ensina a Bíblia. Como Kardec
expressou que o espiritismo é uma revelação que procede de Deus,
então essa revelação deve confirmar o que fora revelado pelas duas
anteriores. Vejamos o que Kardec diz a respeito da Bíblia:

A Bíblia contém evidentemente fatos que a razão, desenvolvida


pela ciência, não pode hoje aceitar, e outros que parecem singulares
e que repugnam, por se ligarem a costumes que não são mais os
nossos. A ciência levando as suas investigações desde as entranhas
da terra até às profundezas do céu demonstrou, portanto,
inquestionavelmente os erros da Gênese mosaica, tomada ao pé da
letra, e a impossibilidade material de que as coisas se passassem
conforme o modo pelo qual estão aí textualmente narradas, dando por
essa forma profundo golpe nas crenças seculares ("A Gênese. Obras
Completas." Editora: Opus, p. 911). (Destaque nosso).

Léon Denis, o filósofo do espiritismo, expressou sua opinião sobre a


Bíblia assim: ...não poderia a Bíblia ser considerada a palavra de Deus,
nem uma revelação sobrenatural ("Cristianismo e Espiritismo." Léon
Denis. FEB, 7ª edição, p. 267).

Todas as verdades se encontram no Cristianismo. Os erros que nele se


arraigam são de origem humana ("O Evangelho Segundo o Espiritismo.
Obras Completas." Editora: Opus, p. 564).

Com essas declarações do próprio codificador do espiritismo a respeito


da Bíblia, verifica-se que o espiritismo ensina o oposto do Cristianismo.

Resposta Apologética:

Toda Escritura é divinamente inspirada, e proveitosa para ensinar, para


redarguir, para corrigir, para instruir em justiça; Para que o homem de
Deus seja perfeito, e perfeitamente instruído para toda a boa obra (2

195
AS RELIGIÕES E A APOLOGÉTICA BÍBLICA

Tm 3.16-17).

Porque em verdade vos digo que, até que o céu e a terra passem, nem
um jota ou um til se omitirá da lei, sem que tudo seja cumprido (Mt
5.18).

Como lemos, o espiritismo, através de duas de suas maiores


autoridades, nega a revelação divina das Escrituras, colocando-as ao
nível de uma mera compilação de fatos históricos e lendários. Os
espíritas quando querem dizer que são cristãos, usam as Escrituras,
citando-as como lhes convém para apoiar suas teorias espíritas. A
Bíblia passa a ser então apenas obra de consulta, não faz diferença se
é ou não a Palavra de Deus, desde que possam usá-la como desejam.

Carlos Imbassahy declara:

Em matéria de escritura, os espíritas, no que se referem, é tão


unicamente aos Evangelhos. Não os apresentam, porém, como prova,
senão como fonte de luz subsidiária, elemento de reforço (p. 126).
Pois, nem a Bíblia prova coisa nenhuma, nem temos a Bíblia como
probante. O espiritismo não é um ramo do Cristianismo como as
demais seitas cristãs. Não assenta seus princípios nas Escrituras... a
nossa base é o ensino dos espíritos, daí o nome espiritismo ("À
Margem do Espiritismo", p. 219).

O próprio Allan Kardec reconhece que, quando necessário, o


espiritismo utiliza a linguagem de outras crenças com o propósito de
ganhar adeptos:

É preciso que nos façamos entender. Se alguém tem uma convicção


bem assentada sobre uma doutrina, ainda que falsa, é necessário que
desviemos dessa convicção, porém pouco a pouco; eis por que nós
nos servimos, quase sempre, de suas palavras e damos a impressão
de partilhar de suas ideias, a fim de que ele não se ofusque de súbito e

196
AS RELIGIÕES E APOLOGÉTICA BÍBLICA

deixe de se instruir conosco ("O Livro dos Médiuns. Obras Completas."


Editora: Opus, p. 481, 2a edição, 1985).

Fica evidente, que o espiritismo, ao mesmo tempo em que alega ser


cristão, nega a Palavra de Deus, a base do Cristianismo, e também
que os expositores e defensores do espiritismo ora apelam para a
Bíblia em busca de apoio, ora negam firmemente que ela tenha valor
para sua fé, como lemos nas declarações acima. O Senhor Jesus e os
apóstolos Pedro e Paulo afirmaram repetidamente a inspiração divina
das Escrituras, reconhecendo-as como Palavra de Deus para a
salvação da Humanidade, infalível em seu conteúdo.

R. OS ENSINAMENTOS ESPÍRITAS SOBRE DEUS

A doutrina espírita sobre Deus é ambígua, ora assumindo aspectos


deístas, ora aspectos panteístas, ora confundindo-se com o
Cristianismo histórico. No "Livro dos Espíritos", Allan Kardec responde
à pergunta sobre o que é Deus com a seguinte assertiva: Deus é a
inteligência suprema, causa primária de todas as coisas ("O Livro dos
Espíritos - Obras Completas." Editora Opus, p. 50, 2ª edição especial,
1985). A fim de explicar a existência de Deus, ele se vale da
argumentação clássica do deísmo, de que não há efeito sem causa.
Apela também para o sentimento intuitivo que todos os homens
carregam em si mesmos da existência de Deus ("O Livro dos Espíritos.
Obras Completas". Editora Opus, p. 51, 2ª edição especial, 1985).

De acordo com a concepção deísta, Deus teria criado o universo e


depois se retirado dele, deixando-o entregue à ação das leis físicas
que, desde então, o governam, como se o universo fosse um grande
relógio. Deus seria, portanto, a causa primária do universo, porém não
está imanente nele; qualquer contato com a divindade é impossível.

197
AS RELIGIÕES E A APOLOGÉTICA BÍBLICA

Por outro lado, o próprio Kardec afirma que: Deus é eterno, infinito,
imutável, imaterial, único, todo-poderoso, soberanamente justo e bom
("O Livro dos Espíritos. Obras Completas." Editora Opus, p. 52, 2ª
edição especial, 1985). Este conceito que Kardec declara acerca de
Deus concorda com o que o Cristianismo reconhece como alguns
atributos de Deus. Porém, o fato de uma determinada religião ou seita
ter pontos em comum com o Cristianismo bíblico não é suficiente para
que lhe seja conferido o título de cristã.

Kardec, algumas vezes, declara-se contra o panteísmo dizendo que: a


inteligência de Deus se revela nas suas obras, como a de um pintor no
seu quadro; mas as obras de Deus não são o próprio Deus, como o
quadro não é o pintor que concebeu e executou ("O Livro dos Espíritos.
Obras Completas." Editora Opus, p. 53, 2ª edição especial, 1985).

Todavia, em outros lugares, Kardec faz declarações panteístas, por


exemplo, que estão mergulhados no fluído divino ("A Gênese. Obras
Completas." Editora Opus, p. 902, 2ª edição especial, 1985). Para ele a
matéria inerte se decompõe e vai formar novos organismos. O princípio
vital retorna à massa de onde saíra ("O Livro dos Espíritos. Obras
Completas." Editora Opus, p. 63, 2ª edição especial, 1985).

S. OS ENSINAMENTOS ESPÍRITAS SOBRE JESUS

Os espíritas negam a deidade absoluta de Jesus Cristo: No princípio


era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus...
Primeiramente, é preciso notar que as palavras citadas acima são de
João e não de Jesus. Admitindo-se que não tenham sido alteradas, não
exprimem, na realidade, senão uma opinião pessoal, uma indução que
deixa transparecer o misticismo habitual, contrário às reiteradas
afirmações do próprio Jesus ("Obras Póstumas, Obras Completas."

198
AS RELIGIÕES E APOLOGÉTICA BÍBLICA

Editora Opus, p. 1182, 2ª edição especial, 1985).

Resposta Apologética:

Reiterando sua posição de não aceitaram a Bíblia como a inspirada


Palavra de Deus (2 Timóteo 3.16), opina o espiritismo que João 1.1
não são palavras de Jesus, mas apenas de João, o evangelista
escritor. E daí? Se ele escreveu por inspiração divina, a sua declaração
quanto a João 1.1 deve ser aceita. João mostra no seu Evangelho
várias vezes os judeus dispostos a matar a Jesus (Jo 5.18; 10.30-33) e,
principalmente, João 8.58 (comparado com Êx 3.14), quando Jesus se
identificou como o Eu Sou desta última passagem. Considerem-se
mais os seguintes registros bíblicos:

Jesus perdoa pecados, atribuição exclusiva de Deus (Is 43.25


comparado a Mc 2.1-12);

Aceita adoração, atitude exclusiva a se prestar a Deus (Mt 4.10


comparado a Mt 8.1-2; 14.33; 15.25; 28.9,17; Hb 1.6);

Foi chamado abertamente de Deus, sem que se opusesse a tal


declaração (Jo 20.28). O mesmo escritor do Evangelho de João o
identifica como Deus verdadeiro (1 Jo 5.20).

T. RESPOSTAS APOLOGÉTICAS ÀS OBJEÇÕES ESPÍRITAS


CONTRA A DEIDADE ABSOLUTA DE JESUS CRISTO

• Em nenhuma parte do Novo Testamento encontramos Jesus


afirmando formalmente que era Deus.

Resposta Apologética:

O que Jesus nunca disse foi: Eu sou Deus Pai. Repete várias vezes
ser Filho de Deus e igual a Deus (João 5.16-18; 8.58; 10.30-33).

• Jesus mesmo declarou que é inferior ao Pai (João 14.28).

199
AS RELIGIÕES E A APOLOGÉTICA BÍBLICA

Resposta Apologética:

Em Cristo havia duas naturezas perfeitas: divina e humana: 100%


Deus e 100% homem. Jesus é verdadeiramente Deus (e como tal
pode dizer - João 14.8-10 -Quem me vê a mim vê o Pai.,.); e
verdadeiro homem. Como homem, é menor do que o Pai (e como tal
disse: o Pai é maior do que eu).

• Jesus falava do Pai. Quem envia é maior, superior.

Resposta Apologética:

Teimam os espíritas em ignorar que Jesus tinha também uma


natureza humana verdadeira e completa, na qual era evidentemente
inferior à natureza divina. Na sua preexistência existia como Deus
(Fp 2.6). Não se apegando a essa forma de viver como Deus, tomou
a forma humana (Fp 2.7-8). E nessa condição foi feito menor do que
os anjos (Hb 2.9). Numa das suas orações assim se pronunciou: E
agora glorifica-me tu, ó Pai, junto de ti mesmo, com aquela glória
que tinha contigo antes que o mundo existisse (Jo 17.5).

• Se Jesus ao morrer entrega sua alma nas mãos de Deus, é que ele
tinha uma alma distinta da de Deus, subordinada a Deus e, portanto,
ele não era Deus ("Obras Póstumas", p. 1146, Editora Opus Ltda.,
2ª edição especial, 1985).

Resposta Apologética:

Não negamos que tinha uma verdadeira alma humana distinta de


Deus e submissa, mas daí não segue que não era Deus.

• Negam a ressurreição corporal de Jesus

Depois do suplício de Jesus, o seu corpo ficou lá inerte e sem vida;


foi sepultado como os corpos comuns, e todos puderam vê-lo e
tocá-lo. Depois da ressurreição, quando quis deixar a Terra, não

200
AS RELIGIÕES E APOLOGÉTICA BÍBLICA

tornou a morrer; seu corpo elevou-se, apagou-se e desapareceu,


sem deixar vestígio algum —prova evidente de que morrera na
cruz... Jesus teve, pois, como toda agente, um corpo carnal e um
corpo fluídico... ("A Gênese", pp. 1054, 1055. Editora Opus Ltda., 2a
Edição especial, 1985).

Resposta Apologética:

Negar a ressurreição corporal de Jesus é pregar outro evangelho (1


Co 15.3-6). Paulo chega a afirmar que uma organização religiosa
que nega a ressurreição corporal de Jesus é uma religião inútil, sem
valor (1 Co 15.14-17); é pregar outro evangelho anatematizado (Gl.
1.8-9).

Por outro lado, as provas da ressurreição corporal de Jesus são


abundantes (Atos 1.3):

• Afirmou em vida que haveria de ressuscitar corporalmente (Jo 2.19-


22);

• O corpo de Jesus não foi encontrado no túmulo, quando visitado


pelas mulheres (Lc 24.1-3);

• O testemunho dos anjos dado às mulheres de que Jesus


ressuscitara, quando estavam no sepulcro à procura do seu corpo,
para derramar perfumes (Lc 24.4-6);

• Sua aparição várias vezes depois de ressuscitado afirmando que


um espírito não tinha carne e ossos como Ele tinha. Mesmo diante
de Tomé que duvidara da sua ressurreição, foi convidado para tocá-
lo e confirmar que tinha carne e ossos (Lc 24.36-41; Jo 20.19-21,25-
28; Mc 16.9);

• Depois de ressuscitado, permaneceu cerca de 40 dias com eles,


dando provas infalíveis da sua ressurreição. Em seguida se

201
AS RELIGIÕES E A APOLOGÉTICA BÍBLICA

despediu deles e ascendeu vitoriosamente ao céu (At 1.9-11).

• Negam nossa redenção por Cristo

Léon Denis, o segundo na hierarquia espírita depois de Kardec,


declarou blasfemamente: Não, a missão de Cristo não era resgatar
com o seu sangue os crimes da humanidade. O sangue, mesmo de
um Deus, não seria capaz de resgatar ninguém. Cada qual deve
resgatar-se a si mesmo ("Cristianismo e Espiritismo", T edição, 1978
— p. 86).

Resposta Apologética:

Paulo, em 1 Coríntios 15.3-4, afirma que a missão de Jesus Cristo a


este mundo foi a de salvar e por isso morreu por nós pecadores.
Assim, a Bíblia é clara ao declarar que:

• O seu nome (Jesus) indicaria sua missão: salvar (Lc 2.10-11);

b) Jesus declarou que essa era sua missão aqui na terra (Mt 20.28;
Lc 19.10);

• Paulo afirma que a nossa redenção é feita por Cristo e que seu
sangue nos purifica do pecado (Ef 1.7; Rm 4.25; 1 Tm 1.15);

• Pedro acentua em sua carta esse ensino (1 Pe 1.18-19; 2.24);

• João, o apóstolo, repete o mesmo em 1 João 1.7-9; 2.12. No


Apocalipse João descreve uma multidão no céu e todos tinham lá
chegado pela redenção realizada por Cristo mediante sua morte na
cruz Ap 7.9-14; 19.1-2).

U. RESPOSTAS APOLOGÉTICAS AOS FALSOS ENSINOS ESPÍRITAS

• Negam a existência do Céu como lugar de felicidade A felicidade


dos espíritos bem-aventurados não consiste na ociosidade

202
AS RELIGIÕES E APOLOGÉTICA BÍBLICA

contemplativa, que seria, como temos dito muitas vezes, uma eterna
e fastidiosa inutilidade ("O Céu e o Inferno", p. 722. Editora Opus
Ltda., 2ª edição especial, 1985).

Em que se deve entender a palavra céu? Achais que seja um lugar,


como aglomerados, sem outra preocupação que a de gozar, pela
eternidade toda, de uma felicidade passiva? Não; é o espaço univer-
sal; são os planetas, as estrelas ("O Livro dos Espíritos", p. 250.
Editora Opus Ltda., 2ª edição especial, 1985).

Resposta Apologética:

Os espíritas zombam da idéia do céu como lugar de felicidade


eterna. Costumam citar João 14.2: Na casa de meu Pai há muitas
moradas; se não fosse assim, eu vo-lo teria dito. Vou preparar-vos
lugar. E dizem: A casa de meu Pai é o Universo; as diversas
moradas são os mundos que circulam no espaço infinito e oferecem
estâncias adequadas ao seu adiantamento ("O Evangelho Segundo
o Espiritismo", p. 556. Editora Opus Ltda., 2ª edição especial, 1985).

O texto citado de João 14.2 conclui da seguinte forma: vou preparar-


vos lugar, e no versículo 3 afirma: para que onde eu estiver estejais
vós também.

Ora, daí se nota que, primeiro, o céu é um lugar e, segundo, os que


pertencem a Jesus estarão no mesmo lugar onde Jesus foi. E
sabemos que Ele foi para o céu e sentou-se à direita de Deus (Mc
16.19; Hb 8.1; Ap 3.21). Jesus prometeu mais que os seus estariam
onde Ele estivesse (Jo 17.24). Paulo falou da sua esperança
celestial (Fp 3.20-21); o mesmo falou Pedro (1 Pe 1.3).

• Negam o inferno como lugar de tormento eterno e consciente

(Jesus) Limitou-se a falar vagamente da vida bem-aventurada, dos


castigos reservados aos culpados, sem referir-se jamais nos seus

203
AS RELIGIÕES E A APOLOGÉTICA BÍBLICA

ensinos a castigos corporais, que constituíram para os cristãos um


artigo de fé ("O Céu e o Inferno", p. 726. Editora Opus Ltda., 2a edi-
ção especial, 1985).

Resposta Apologética:

Jesus não falou vagamente sobre os castigos reservados aos


culpados. Falou claramente em Mateus 25.41, 46 sobre o sofrimento
eterno dos injustos. Neste último versículo, Jesus declarou que a
duração da felicidade dos justos é igual à duração do castigo dos
injustos: E irão estes para o tormento eterno, mas os justos para a
vida eterna. Outros textos onde Jesus empregou palavras que
indicam duração sem fim do castigo reservado aos ímpios (Mateus
5.22-29; 10.28; 13.42, 49-50; Mc 9.43-46; Lc 6.24; 10.13-15; 12.4-5;
16.19-31). Nos textos citados aparecem as expressões tais como:

a) suplício eterno;

b) fogo eterno;

c) fogo inextinguível;

d) onde o bicho não morre e o fogo não se apaga;

e) trevas exteriores;

f) choro e ranger de dentes.

• Negam a existência do diabo e demônios como pessoas reais


espirituais

Satã, segundo o espiritismo e a opinião de muitos filósofos cristãos,


não é um ser real; é a personificação do mal, como nos tempos anti-
gos Saturno personificava o tempo ("O Que É o Espiritismo", p. 297.
Editora Opus Ltda., 2ª edição especial, 1985).

Há demônios, no sentido que se dá a essa palavra? Se houvesse


demônios, seria obra de Deus. E Deus seria justo e bom, criando

204
AS RELIGIÕES E APOLOGÉTICA BÍBLICA

seres, eternamente voltados ao mal? ("O Livro dos Espíritos", pp.


72-74. Editora Opus Ltda., 2ª edição especial, 1985).

A propósito de Satanás, é evidente que se trata da personificação


do mal sob uma forma alegórica ("O Livro dos Espíritos", p. 74.
Editora Opus Ltda., 2ª edição especial, 1985).

Resposta Apologética:

Deus não criou um ser maligno, mas um anjo de luz que se


transviou (Is 14.12-14; Ez 28.14-16); Jesus disse que ele não
permaneceu na verdade (Jo 8. 44). Trata-se de uma personalidade
real, pois:

a) É mencionado entre pessoas espirituais (Jó 1.6);

b) Conversou com Jesus no monte, tentando-o (Mt 4. 1-10);

c) É uma pessoa inteligente, que faz planos para ludibriar os outros


(Jo 8.44; 1 Pe 5.8);

d) Está condenado ao fogo eterno (Ap 20.10).

• Negam a ressurreição do corpo Em que se torna o Espírito depois


de sua última encarnação? Em puro Espírito ("O Livro dos
Espíritos", p. 84. Editora Ltda., 2ª edição especial, 1985).

Resposta Apologética:

A ressurreição do corpo é uma doutrina enfatizada na Bíblia. Isaías


que viveu cerca de 600 anos antes de Jesus, já afirmava no seu
livro (26.19): Os teus mortos e também o meu cadáver viverão e
ressuscitarão; despertai e exultai, os que habitais no pó, porque o
teu orvalho será como o orvalho das ervas, e a terra lançará de si os
mortos.

Ainda no Antigo Testamento encontramos exemplos de ressurreição


realizados por Elias e Eliseu (1 Rs 17.17-24; 2 Rs 4.32-37). Jesus

205
AS RELIGIÕES E A APOLOGÉTICA BÍBLICA

falou da ressurreição futura de todos os mortos em João 5.28-29.


Quando Lázaro morreu, sua irmã Marta revelou crer na
ressurreição. Ao ouvir que Jesus se aproximava: Disse, pois, Marta
a Jesus: Senhor, se tu estivesses aqui, meu irmão não teria morrido.
Mas também agora sei que tudo quanto pedires a Deus, Deus to
concederá. Disse-lhe Jesus: Teu irmão há de ressuscitar. Disse-lhe
Marta: Eu sei que há de ressuscitar na ressurreição do último dia
(João 11.21-24). O mesmo fez Paulo em Atos 24.15: Tendo
esperança em Deus, como estes mesmos também esperam, de que
há de haver ressurreição de mortos, assim dos justos como dos
injustos. No Juízo Final, diante do trono branco, todos irão
ressuscitar, até mesmo os mortos nos mares, para prestar contas a
Deus de seus atos praticados no corpo: E vi os mortos, grandes e
pequenos, que estavam diante de Deus, e abriram-se os livros... E
os mortos foram julgados pelas coisas que estavam escritas nos
livros, segundo as suas obras. E deu o mar os mortos que nele
havia... (Ap 20.11-15).

• Negam a inspiração divina da Bíblia

A Bíblia contém evidentemente fatos que a razão, desenvolvida pela


ciência, não pode aceitar, e outros que parecem singulares e que
repugnam, por se ligarem a costumes que não são mais os
nossos... A ciência, levando as suas investigações desde as
entranhas da terra até as profundezas do céu, demonstrou,
portanto, inquestionavelmente os erros da Gênese mosaica...
Incontestavelmente, Deus que é a pura verdade, não podia conduzir
os homens ao erro, consciente, nem inconscientemente, do
contrário não seria Deus. Se, portanto, os fatos contradizem as
palavras atribuídas a Deus, é preciso concluir logicamente que Ele
as não pronunciou ou que foram tomadas em sentido contrário ("A

206
AS RELIGIÕES E APOLOGÉTICA BÍBLICA

Gênese", p. 936. Opus Ltda; 2ª edição especial, 1985).

Resposta Apologética:

O espiritismo nega a criação conforme descrita no livro de Gênesis


1.26-27 e 2.7. Acredita no evolucionismo. Por isto, admite que o
registro bíblico não deve ser tomado literalmente, mas apenas em
sentido figurado. Jesus reiterou a criação dos seres humanos,
descrita em Gênesis 1.26-27, ao dizer: Não tendes lido que aquele
que os fez no princípio macho e fêmea os fez (Mt 19.4). Em
Hebreus 11.3, lemos que: Pela fé entendemos que os mundos pela
Palavra de Deus foram criados; de maneira que aquilo que se vê
não foi feito do que é aparente. E, assim, outros textos confirmam a
descrição do Gênesis (Sl 19.1; 24.1). Posto isto, aceitamos as
declarações de 2 Timóteo 3.16-17 que toda a Bíblia é inspirada e é
a inerrante Palavra de Deus (1 Ts 2.13). A ciência, na qual se
baseia o espiritismo, está mudando de opinião frequentemente, de
modo que não pode ser levada a sério, pois não tem a última
palavra.

• Negam a doutrina da Trindade

Examinemos os principais dogmas e mistérios, cujo conjunto


constitui o ensino das igrejas cristãs. Encontramos a sua exposição
em todos os catecismos ortodoxos. Começa com essa estranha
concepção do Ser divino, que se resolve no mistério da Trindade,
um só Deus em três pessoas, o Pai, o Filho e o Espírito Santo. Essa
concepção tributária tão obscura, incompreensível... ("Cristianismo e
Espiritismo", 7ª edição 1978, p. 86)

Resposta Apologética:

Definindo a doutrina da Trindade apontamos a existência de um só


Deus eternamente subsistente em três pessoas: o Pai, o Filho e o

207
AS RELIGIÕES E A APOLOGÉTICA BÍBLICA

Espírito Santo. Estas três pessoas constituem um só Deus, o


mesmo em natureza, sendo as pessoas iguais em poder e glória.

Essa definição pode ser explanada e biblicamente provada seguindo


três fatos:

a) Existe um só Deus (Dt 6.4; Is 43.10; 45.5-6). Trata-se de unidade


composta como se lê em Gn 2.24 (serão dois uma só carne).

b) Esse único Deus é constituído de uma pluralidade de pessoas


(Gn 1.26; 3.22; 11.7; Is 6.1-3,8), textos que empregam o verbo
façamos, o pronome nossa e nós.

Isto pode ser visto ainda pela seguinte comparação entre as


seguintes passagens:

1. Em Isaías 6.1-3, quando Isaías disse que viu o Senhor;

2. Em Jo 12.37-41, João disse que Isaías viu Jesus, quando viu o


Senhor;

3. Em Is 6.8-9, se lê que o Senhor falou a Isaías. Ainda no versículo


6 se lê: A quem enviarei e quem irá por nós?

4. Em At 28.25, Paulo declara que quem falou a Isaías foi o Espírito


Santo.

a) Há três Pessoas na Bíblia que são chamadas de Deus e que são


eternas por natureza:

1. O Pai (2 Pe 1.17);

2. O Filho (Jo 1.1; 20.28; Rm 9.5; Hb 1.8; Tg 2.13);

3. O Espírito Santo (At 5.3-4).

O vocábulo Trindade foi usado pela primeira vez por Teófilo de


Antioquia em 189 a.D. (no livro "Epístola a Autolycus" 2.15).

• Negam os Milagres de Jesus

208
AS RELIGIÕES E APOLOGÉTICA BÍBLICA

Convém, pois riscar os milagres do rol das provas em que pre-


tendem basear a divindade do Cristo ("Obras Póstumas", 1172.
Editora Opus Ltda., 2ª edição especial, 1985).

Resposta Apologética:

Os espíritas negam a deidade absoluta de Jesus.


Consequentemente, negam também os milagres arrolados na Bíblia.
Para os espíritas, Jesus é apenas um médium.

Com isso Allan Kardec procura explicar os milagres atribuídos a


Jesus, da forma como se fora um médium, que exibe poderes extra-
sensoriais. Descreve e explica os milagres de Jesus.

• Pesca Maravilhosa - Lucas 5.1-7

A pesca qualificada de miraculosa explica-se igualmente pela dupla


vista, Jesus de modo algum produziu espontaneamente peixes onde
os não havia; mas viu, como um vidente lúcido acordado, pela vista
da alma, o lugar onde se achavam os peixes, e pôde dizer com
segurança aos pescadores que lançassem ali as suas redes ("A
Gênese", p. 1036. Editora Opus Ltda., 2ª edição especial, 1985).

Resposta Apologética:

Ora, quando Jesus pediu a Pedro que lançasse as redes ao mar,


Pedro muito naturalmente respondeu como pescador: Mestre,
havendo trabalhado toda a noite, nada apanhamos; mas, sobre a
tua palavra, lançarei a rede (Lc 5.5). Não havia peixe. Foi sobre a
autoridade da palavra de Jesus que a rede foi lançada. E, então, o
milagre foi realizado. Jesus era onisciente, e não um vidente lúcido
acordado, que pela vista da alma, pudesse ver o lugar onde se
achavam os peixes. Ele viu Natanael debaixo da videira (Jo 1.48-
51). Jesus não precisava receber referências sobre as pessoas.
Conhecia-as todas (Jo 2.24-25).

209
AS RELIGIÕES E A APOLOGÉTICA BÍBLICA

• A cura da mulher que sofria de fluxo de sangue -Marcos 5.25-34

Estas palavras — conhecendo ele próprio a virtude que saíra de si


— são significativas; elas exprimem o movimento fluídico que se
operara de Jesus para com a mulher doente; ambos sentiram a
ação que se acabava de produzir. É notável que o efeito não fosse
provocado por ato algum da vontade de Jesus; não houve
magnetização, nem imposição de mãos. A irradiação fluídica normal
foi suficiente para operar a cura ("A Gênese", p. 1036. Editora Opus
Ltda., 2ª edição especial, 1985).

Resposta Apologética:

A mulher, depois de curada, confessou que havia gastado todos os


seus bens com os médicos, indo de mal a pior (Mc 5.26). Confessa
sua cura radical pelo poder divino de Jesus e não por irradiação
fluídica normal. Quase todos, senão todos, os fenômenos espíritas
estão cercados de dolo. Se houvesse essa possibilidade aventada
por Allan Kardec, já a mulher poderia ter sido curada muito antes
porque, admite-se, devia haver outros homens nos dias de Jesus
com essa ridícula irradiação fluídica normal. Doze anos de
sofrimento e depois a cura milagrosa realizada imediatamente por
Jesus e não por um médium que precisa de ocasião preparatória
para exibir esse tipo de irradiação fluídica.

• A cura do cego de nascença - João 9. 1-7 Aqui, o efeito magnético é


evidente; a cura não foi instantânea, mas gradual e seguida de ação
sustentada e reiterada, apesar de ser mais rápida do que na
magnetização ordinária ("A Gênese", p. 1037. Editora Opus Ltda., 2ª
edição especial, 1985).

Resposta Apologética:

Por que esse efeito magnético evidente não se manifesta

210
AS RELIGIÕES E APOLOGÉTICA BÍBLICA

espontaneamente entre os médiuns espíritas nos dias atuais?

• A ressurreição do filho da viúva de Naim - Lucas 7.11-17 e a


ressurreição da filha de Jairo - Marcos 5.21-43

O fato da volta à vida corporal de um indivíduo, realmente morto,


seria contrário às leis da natureza, e, por conseguinte, miraculoso.
Ora, não é necessário recorrer a esta ordem de fatos para explicar
as ressurreições operadas por Cristo...

Há, pois, toda a probabilidade de que, nos dois exemplos acima, só


se dera uma síncope ou uma letargia. O próprio Jesus o diz
positivamente sobre afilha de Jairo: Esta menina, diz ele, não está
morta, apenas dorme ("A Gênese", p. 1045. Editora Opus Ltda., 2ª
edição especial, 1985).

Resposta Apologética:

Kardec prefere admitir a probabilidade de que só se dera uma


síncope ou uma letargia a crer nos milagres de Jesus, embora a
descrição bíblica deva merecer crédito. Por que a tristeza tão
grande manifestada pelos pais dos filhos mortos, tanto no caso da
filha de Jairo como no caso do filho da viúva de Naim, se eles
estivessem simplesmente acometidos de uma síncope ou letargia?
O fato é que o filho morto da viúva de Naim estava sendo conduzido
ao cemitério para sepultamento. Sepultar um vivo acometido de
síncope? Que descuido fatal cometido por uma mãe chorosa! Para
Kardec, isso é mais fácil de explicar do que crer no milagre operado
por Jesus.

• A ressurreição de Lázaro - João 11.1

A ressurreição de Lázaro, digam o que quiserem, não invalida de


forma alguma esse princípio. Ele estava, diziam, havia quatro dias
no sepulcro; mas sabe-se que há letargias que duram oito dias ou

211
AS RELIGIÕES E A APOLOGÉTICA BÍBLICA

mais ("A Gênese", p. 1045. Editora Opus Ltda., 2ª edição especial,


1985).

Resposta Apologética:

Quando Allan Kardec explica que Lázaro não estava morto, mas
apenas desacordado, negando francamente o texto bíblico que
registra as palavras de Jesus, Lázaro está morto (Jo 11.14), já se
nota sua pretensão de invalidar o texto bíblico. Prefere explicar o
milagre como se fora Lázaro acometido de uma doença conhecida
como letargia ou síncope e que tal doença podia durar até oito dias.
Se a própria irmã de Lázaro declarou que o corpo do seu irmão
morto já cheirava mal: Senhor, já cheira mal, porque é já de quatro
dias (Jo 11.39) como ousa Kardec invalidar o texto e lançar uma
hipótese contra a explicação dada por alguém presente da própria
família do morto? Já se vê que sua intenção é negar a qualquer
custo a deidade de Jesus. Julgando absurdo seu argumento, se
antecipa e declara: digam o que quiserem... Essa sua explicação é
aceita pelos seus adeptos.

• O milagre da transformação da água em vinho - João 2.1-11

Ele deveria ter feito durante o jantar urna alusão ao vinho e à água,
para tirar daí alguma instrução ("A Gênese , p. 1047, Editora Opus
Ltda., 2ª edição especial, 1985).

Resposta Apologética:

Ressalta a incoerência de Kardec em admitir apenas uma alusão ao


vinho e à água para daí tirar alguma instrução. Como explicar a
admiração do mestre-sala diante do milagre operado por Jesus ao
dizer: Todo o homem põe primeiro o vinho bom e, quando já tem
bebido bem, então o inferior; mas tu guardaste até agora o bom
vinho (Jo 2.10). É certo que bebera literalmente do vinho trans-

212
AS RELIGIÕES E APOLOGÉTICA BÍBLICA

formado da água.

• A multiplicação dos pães - Mateus 14.13-21

A multiplicação dos pães tem intrigado os comentadores e ali-


mentado, ao mesmo tempo, a exaltação dos incrédulos. Estes
últimos, sem se darem ao trabalho de sondar o sentimento
alegórico, consideram-no um conto pueril; mas a maior parte das
pessoas sérias o considera, embora sob forma diferente da vulgar,
uma parábola comparando a nutrição espiritual da alma com a
nutrição do corpo ("A Gênese", p. 1047. Editora Opus Ltda., 2ª
edição especial, 1985).

Resposta Apologética:

Kardec nada disse dos 12 cestos de pedaços de pão que sobraram


depois de todos comerem sobejamente. Eram cinco pães e dois
peixes. E comeram todos, e saciaram-se; e levantaram, doze
alcofas cheias. E os que comeram foram quase cinco mil homens,
além das mulheres e crianças (Mt 14.20-21).

• O JESUS ESPÍRITA É UM MÉDIUM

Allan Kardec declara que: Segundo definição dada por um Espírito,


ele era o médium de Deus ("A Gênese", p. 1034. Editora Opus Ltda.,
2ª edição especial, 1985).

Resposta Apologética:

A propósito, João admoesta a que não creiamos a todo o espírito,


porque existem espíritos que não são de Deus:

Amados, não creiais a todo o espírito, mas provai se os espíritos


são de Deus, porque já muitos falsos profetas se têm levantado no
mundo (1 Jo 4.1).

Ora, a interpretação dos textos apontados parece ser muito simples,

213
AS RELIGIÕES E A APOLOGÉTICA BÍBLICA

e o próprio Allan Kardec é um deles. Não seria ele por isso incluído
entre os possíveis falsos profetas? Sim, ele poderia ser incluído,
pois nega a veracidade de João 1.1. No princípio era o Verbo, e o
Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. Diz Allan Kardec que
essas palavras eram apenas a opinião do escritor e não podem ser
tidas como prova da deidade de Jesus. Com isso, está negando a
inspiração da Bíblia. Portanto, João está apontando em 1 João 4.1
que o espírito que não confessa Jesus como Deus, que veio em
carne (Jo 1.14) é um falso mestre religioso. Kardec, para reforçar
sua posição contra a deidade de Jesus, vai ao extremo de negar os
próprios milagres de Jesus. Aproveita-se da Bíblia para dar consis-
tência à sua doutrina espírita, mas quando a Bíblia enfatiza a
deidade de Jesus, ele não só nega a declaração de João 1.1, como
também nega os milagres de Jesus, como descritos na Bíblia, para
provar sua condição de Deus conosco, Jesus (Mt 1.21-23; Jo 10.30,
37-38).

a) Apontava para seus milagres como prova da veracidade de suas


palavras e doutrinas (Mt 11.2-6; Lc 5.24; Jo 5.36; 15.22; 20.30-31);

b) Aceitava adoração como Deus, sem lhes corrigir essa


interpretação (Jo 20.28).

V. DOUTRINAS PECULIARES ENSINADAS PELO ESPIRITISMO

• EVOCAÇÃO DOS MORTOS OU MEDIUNIDADE

• REENCARNAÇÃO

• CARMA

Kardec ensina que: Os espíritos podem comunicar-se espon-


taneamente-, ou acudir ao nosso chamado, isto é, por evocação.

214
AS RELIGIÕES E APOLOGÉTICA BÍBLICA

Quando se deseja comunicar com determinado espírito, é de toda a


necessidade evocá-lo. Mas existe um ponto essencial quando se sente
a necessidade de evocar determinado espírito.

Qual o ponto essencial quando se fala sobre comunicação dos mortos


com os vivos?

Allan Kardec perguntou aos espíritos qual o ponto essencial quando se


pratica a mediunidade? A resposta que lhe deram os espíritos foi:

O ponto essencial, nós temos dito, é sabermos a quem nos dirigimos


("O Livro dos Espíritos", p. 42. Editora Opus Ltda., 2ª edição especial,
1985).

Explica, então, Kardec que o ponto essencial é identificar o espírito que


fala por meio do médium. Diz ele:

A identidade constitui uma das grandes dificuldades do


espiritismo prático. É impossível, com freqüência, esclarecê-la, espe-
cialmente quando são espíritos superiores antigos em relação à nossa
época. Entre aqueles que se manifestam, muitos não têm nome conhe-
cido para nós, e, a fim de fixar nossa atenção, podem assumir o de um
espírito conhecido, que pertence à mesma categoria. Assim, se um
espírito se comunica com o nome de São Pedro, por exemplo, não
há mais nada que prove que seja exatamente o apóstolo desse
nome. Pode ser um espírito do mesmo nível, por ele enviado ("O
Que É o Espiritismo", p. 318. Editora Opus Ltda., 2ª edição especial,
1985). (Destaques nossos).

Fica claro que não se pode identificar o espírito que vem nos dar
supostas notícias ou instruções do além.

Kardec pergunta:

Os espíritos protetores que tomam nomes conhecidos são sempre e,


realmente, os portadores de tais nomes?

215
AS RELIGIÕES E A APOLOGÉTICA BÍBLICA

Não.

Então como fica a situação de uma pessoa convidada pelos espíritas e,


levada pela saudade, vai ao centro para ter notícias de alguém morto.
Por exemplo, sua mãe? Façamos de conta que o médium seja pessoa
honesta e digna de toda a confiança e dando crédito de que o médium
conseguiu ligação com um espírito, quem pode afirmar com segurança
que será o espírito da mãe procurada? Então como fica a pessoa
quando um espírito se diz ser fulano ou beltrano? Talvez seja fulano ou
beltrano, mas pode também ser um espírito substituto.

O problema é mais grave quando se leva em conta as palavras de


Kardec:

Esses espíritos levianos pululam ao nosso redor, e aproveitam todas as


ocasiões para se imiscuírem nas comunicações; a verdade é a menor
de suas preocupações, eis porque eles sentem um prazer maligno em
mistificar aqueles que têm fraqueza, e algumas vezes a presunção de
acreditar neles, sem discussão ("O Livro dos Médiuns", p. 402. Editora
Opus Ltda., 2ª edição especial, 1985).

Apreciemos mais um problema levantado por Kardec:

Um fato que a observação demonstrou e os próprios espíritos


confirmam é o de que os espíritos inferiores com freqüência usurpam
nomes conhecidos e respeitados. Quem pode, assim, garantir que os
que dizem ter sido, por exemplo, Sócrates, Júlio César, Carlos Magno,
Fenelon, Napoleão, Washington etc, tenham de fato animado essas
personalidades? Tal dúvida existe até entre alguns fervorosos adeptos
da doutrina espírita, os quais admitem a intervenção e a manifestação
dos espíritos, porém indagam como pode ser comprovada sua iden-
tidade? ("O Livro dos Espíritos" - p. 41. Editora Opus Ltda., 2ª edição
especial, 1985).

216
AS RELIGIÕES E APOLOGÉTICA BÍBLICA

Pode-se insistir em obter a identificação dos espíritos que falam pelos


médiuns?

Kardec diz que não, ao assim se expressar:

Insistir para obter detalhes exatos é expor-se às mistificações dos


espíritos levianos, que predizem tudo quanto se quer, sem se
importarem com a verdade, e que se divertem com os terrores e
decepções causadas ("A Gênese", p. 1060. Editora Opus Ltda., 2ª
edição especial, 1985).

Então cabe a pergunta: Quem é quem? São as almas realmente dos


mortos? São espíritos demoníacos - dizemos nós. E por quê? Porque o
próprio Kardec admite perigo nas evocações dos espíritos.

1. PERIGOS DA EVOCAÇÃO

Admite o codificador do espiritismo haver perigos na evocação e,


então, se manifesta que não existe assim tanto perigo,
aconselhando os praticantes a não se deixarem levar pelo medo:

Também há pessoas que vêem perigo em toda aparte e em tudo


aquilo que desconhecem. Daí a pressa com que, do fato de terem
perdido a razão alguns dos que se entregaram a esses estudos
tiram conclusões desfavoráveis ao espiritismo ("O Livro dos
Espíritos", 38 p. 43. Editora Opus Ltda., 2ª edição especial, 1985).

Alguns ou muitos perderam a razão pela sua prática? Alguns,


quando os médicos estão de acordo em apontar o espiritismo como
uma das grandes causas da loucura? Opiniões de alguns médicos.

O Dr. Xavier de Oliveira, em sua obra "Espiritismo e Loucura", p.


211 (Rio, 1931) fala assim do "O Livro dos Médiuns": É a cocaína
dos debilitados nervosos que se dão à prática do espiritismo. E com

217
AS RELIGIÕES E A APOLOGÉTICA BÍBLICA

um agravante a mais: é barato, está ao alcance de todos, e, por isso


mesmo, leva mais gente, muito mais, aos hospícios, do que a poeira
do diabo', a 'coca maravilhosa'... É o tóxico com que se envenenam,
todos os dias, os débeis mentais, futuros hóspedes dos asi-los de
insanos.

O Dr. João Teixeira Alves dirigiu a diversos médicos de grandes


nomeadas carta com a seguinte pergunta: Baseado nas suas
observações, que idéia faz V. Sa. do espiritismo como fator de lou-
cura e outras perturbações nervosas?

O Dr. Juliano Moreira, diretor do Hospício de Alienados do Rio de


Janeiro, respondeu: Tenho visto muitos casos de perturbações ner-
vosas e mentais evidentemente despertadas por sessões espíritas.

Kardec tenta explicar que não existem somente espíritos do mal,


mas que Deus permite que os bons espíritos venham nos dar bons
conselhos.

Efetivamente, como acreditar que Deus só ao espírito do mal


permita que se manifeste, para perder-nos, sem nos dar por
contrapeso os conselhos dos bons espíritos? ("O Livro dos
Espíritos", p. 41. Editora Opus Ltda., 2ª edição especial, 1985).

É muito aceitável, porque os conselhos, não digo já dos bons


espíritos, mas dos ótimos espíritos, todos eles são unânimes em
negar a nossa redenção por Cristo.

2. O CASO DE SAUL E A FEITICEIRA DE ENDOR

(1 Samuel 28)

Razões que provam que houve fraude ou manifestação demoníaca:

• Saul perdera a graça de Deus (1 Sm 15.23), daí Deus não lhe

218
AS RELIGIÕES E APOLOGÉTICA BÍBLICA

responder mais (1 Sm 28.6). Havia três maneiras de Deus


comunicar-se com os homens naquela ocasião:

- por sonhos - revelação pessoal (Jó 33.15-17);

- por Urim e Tumim - revelação sacerdotal (Êx 28.30);

- por profetas - revelação inspiracional (Hb 1).

• Não se pode entender que Samuel, enquanto vivo, homem santo,


depois de morto pudesse prestar-se a obedecer à pitonisa -
mulher abominável - para a prática proibida por Deus (Êx 22.18;
Lv 20.27; Dt 18.9-12; Is 8.19-20; 47.13-14);

• Não se pode conceber que Deus tenha proibido a feitiçaria e a


consulta a mortos e depois Ele próprio concordasse em permitir a
feiticeira trazer, de fato, o espírito de Samuel (Tg 1.17);

• Em 1 Samuel 28.13, a mulher diz: Vejo deuses que sobem da


terra. Quais eram? Só podiam ser deuses do inferno (Ap 12.7; Mc
5.9; Lc 8.30). O diabo pode transfigurar-se em anjo de luz (2 Co
11.13-14; 1 Sm 16.23);

• Os mortos não se comunicam com os vivos (Lc 16.19-31; Hb


9.27; Mt 25.41-46);

• O resultado dessa consulta foi trágico para Saul (1 Cr 10.13). De


acordo com Deuteronômio 18.22, as profecias devem ser
julgadas. Essas profecias do pseudo Samuel não resistem ao
exame, são ambíguas, imprecisas e infundadas:

a) Saul não foi entregue nas mãos dos filisteus (1 Sm 28.19), mas
se matou (1 Sm 31.4) e veio parar nas mãos dos homens de
Jabes Gileade (1 Sm 31.11-13);

b) tu e teus filhos estareis comigo (1 Sm 28.19); não morreram


todos os filhos de Saul como insinua essa profecia obscura.

219
AS RELIGIÕES E A APOLOGÉTICA BÍBLICA

Ficaram vivos pelo menos três filhos de Saul - Is-Bosete (2 Sm


2.8-10); Armoni e Mefibosete (2 Sm 21.8). Apenas três morreram
(1 Sm 31.6; 1 Cr 10.6).

3. REENCARNAÇÃO

A reencarnação é a doutrina central do espiritismo. Allan Kardec


chega a ponto de afirmar ser ela um dogma do espiritismo. A
palavra reencarnação é formada do prefrxo re (repetir) e do verbo
encarnar (tomar corpo). O sentido etimológico é tornar a tomar
corpo. Kardec define então esse ensino da seguinte forma: A
reencarnação é a volta da alma à vida corpórea, mas em outro
corpo, especialmente formado para ela e que nada tem de comum
com o antigo ("O Evangelho Segundo o Espiritismo", p. 561. Editora
Opus Ltda., 2ª edição especial, 1985). Quando Kardec estabelece a
volta da alma a outro corpo, com isso, difere da palavra
ressurreição, que significa a volta da alma ou espírito ao próprio
corpo. Ressurreição é uma doutrina bíblica ensinada por Jesus e os
evangelhos apresentam vários exemplos de pessoas ressuscitadas
por Jesus, cujo espírito retornou ao próprio corpo. Mas ele (Jesus),
pondo-os todos fora, e pegando-lhe na mão, clamou, dizendo:
Levanta-te, menina. E o seu espírito voltou, e ela logo se levantou; e
Jesus mandou que lhe dessem de comer (Lc 8.54-55). Ressuscitar
significa, pois, tornar a levantar-se, e, a reencarnação é doutrina
antibíblica ensinada pelo hinduísmo e, posteriormente, ensinada por
Kardec, com pequenas diferenças. Enquanto Kardec admite o
retorno da alma a outro corpo que pode ser de sexo diferente, o
hinduísmo ensina a metempsicose, que é o retorno do espírito aos
irracionais. Diz ele: A pluralidade das existências segundo o
espiritismo, difere essencialmente da metempsicose, em não admitir

220
AS RELIGIÕES E APOLOGÉTICA BÍBLICA

aquele a encarnação da alma humana nos corpos dos animais,


mesmo como castigo. Os espíritos ensinam que a alma não
retrograda, mas progride sempre ("O Que É o Espiritismo", p. 85.
Editora Opus Ltda., 2ª edição especial, 1985).

Quer Kardec justificar a reencarnação com a Bíblia, afirmando que:

O princípio da reencarnação ressalta, aliás, de muitas passagens


das Escrituras, encontrando-se especialmente formulado, de
maneira explícita, no Evangelho ("O Livro dos Espíritos", p. 96.
Editora Opus Ltda., 2ª edição especial, 1985).

Aponta como prova a história de João Batista como sendo a


reencarnação de Elias; o diálogo entre Jesus e Nicodemos, quando
Jesus afirmou a necessidade do novo nascimento e de outras
passagens bíblicas.

Mt 11.14 - Era João Batista o Elias reencarnado?

Se, portanto, segundo a crença deles, João Batista era Elias... ("O
Evangelho Segundo o Espiritismo" - Editora Opus, p. 561 Ltda., 2ª
edição especial, 1985).

Resposta Apologética:

João Batista era Elias, não reencarnado, mas profético, isto é, tinha
as características e missão semelhantes.

a) Se Elias reencarnou, como se explica que não tenha


desencarnado? Foi ele elevado ao céu num redemoinho, sem provar
a morte (2 Reis 2.11);

b) Se Elias tivesse reencarnado, na Transfiguração, descrita em


Mateus 17.1-6, quem deveria ter aparecido seria João Batista. Este
já havia sido morto por Herodes e ele então deveria ter aparecido e
não Elias, pois conforme estabelece a doutrina da reencarnação,

221
AS RELIGIÕES E A APOLOGÉTICA BÍBLICA

quando o espírito se encarna toma sempre a forma da última


existência.

c) Traços de identidade de ministérios:

• Aparecimento de Elias descrito em 1 Reis 17.1 se assemelha ao


aparecimento de João Batista como descrito em Mateus 3.1;

• Elias repreendeu o rei Acabe, casado com Jezabel, mulher


idólatra e ímpia (1 Reis 18.17-18), e João Batista repreendeu o
rei Herodes por viver com a mulher de seu irmão (Mateus 14.3-4);

• Elias foi perseguido por Jezabel (1 Reis 19.2-3) e João Batista foi
perseguido por Herodias, mulher de Herodes (Mateus 14.6-8);

• João Batista, interrogado, respondeu claramente que não era


Elias (João 1. 21);

• Em Mateus 11.13, Jesus disse: Todos os profetas e a eles


acrescenta João, logo Elias e João não são os mesmos.

O Novo Nascimento de Jo 3.1-7

Se o homem não renasce da água e do espírito, ou em água e em


espírito, significa, pois: Se o homem não renasce com seu corpo e
sua alma ("O Evangelho Segundo o Espiritismo", p. 561. Editora
Opus Ltda., 2ª edição especial, 1985).

Resposta Apologética:

A palavra nascer de novo (do grego anothen, significa nascer do


alto). Fala Jesus da regeneração que é a mudança das disposições
íntimas da alma, estando no mesmo corpo e não do retorno do
espírito a outro corpo. Os escritores bíblicos interpretam a palavra
água como sinônimo da palavra de Deus: Sendo de novo gerados,
não de semente corruptível, mas da incorruptível, pela palavra de
Deus, viva, e que permanece para sempre (1 Pe 1.23). Nicodemos

222
AS RELIGIÕES E APOLOGÉTICA BÍBLICA

perguntou: Como pode um homem nascer, sendo velho? Pode,


porventura, tornar a entrar no ventre de sua mãe, e nascer? Depois
concluiu Jesus: O que é nascido da carne é carne, e o que é
nascido do Espírito é espírito. Não te maravilhes de te ter dito:
Necessário vos é nascer de novo. O novo nascimento é, como
dissemos, a regeneração, e esta ocorre quando se ouve o
Evangelho de Jesus Cristo e se crê (Jo 3.16-18,36). Fenômeno que
ocorre numa existência (Ef 4.23-24; Cl 3.9-10; Tt 3.3-6; 1 Co 6.11).

João 9.2: E os seus discípulos lhe perguntaram: Rabi, quem pecou,


este ou seus pais, para que nascesse cego? Essa pergunta provaria
que os apóstolos acreditavam na reencarnação.

Resposta Apologética:

Sejam quais tenham sido as ideias pessoais dos apóstolos acerca


da reencarnação, é certo que longe estava Cristo de partilhá-las.
Então respondeu: Nem ele pecou nem seus pais; mais foi assim
para que se manifestem nele as obras de Deus (Jo 9.3).

Esta resposta arrasa os alicerces de toda a construção


reencarnacionista, baseada na opinião de que o pecado pessoal faz
decorrer toda a infelicidade, todo sofrimento.

Há infelicidades e sofrimentos que Deus envia simplesmente para


que sejam manifestas as obras de Deus.

Mateus 19.28-29: A reencarnação é extensiva a todos Dizem os


espíritas que não se deve acreditar seja a reencarnação privilégio
exclusivo de alguns personagens eminentes, como Cristo, João ou
Elias. E Jesus disse-lhes: Em verdade vos digo que vós, que me
seguistes, quando, na regeneração, o Filho do homem se assentar
no trono da sua glória, também vos assentareis sobre doze tronos,
para julgar as doze tribos de Israel. E todo aquele que tiver deixado

223
AS RELIGIÕES E A APOLOGÉTICA BÍBLICA

casas, ou irmãos, ou irmãs, ou pai, ou mãe, ou mulher, ou filhos, ou


terras, por amor de meu nome, receberá cem vezes tanto, e herdará
a vida eterna.

Porque Jesus, ao dizer cem vezes tanto, promete uma centena de


mães. Que significa isto? Uma centena de nascimentos, uma
centena de reencarnações, evidentemente.

Resposta Apologética:

O próprio Cristo responde a esta pergunta em Lucas 18.29-30: E Ele


lhes disse: Na verdade vos digo que ninguém há, que tenha deixado
casa, ou pais, ou irmãos, ou mulher, ou filhos, pelo Reino de Deus,
que não haja de receber muito mais neste mundo, e na idade
vindoura a vida eterna. Tudo nesta vida ou neste mundo. A vida e a
vida eterna, que imediatamente se lhe seguirá - eis a existência do
homem. Não sobra lugar para a reencarnação, que não receba cem
vezes tanto, já neste tempo, em casas, e irmãos, e irmãs, e mães e
filhos, e campos, com perseguições; e no século futuro a vida eterna
(Mc 10.30). Ademais, a reencarnação, segundo confessam os mais
ilustrados reencarnacionistas, de forma alguma vem a ser uma
recompensa; ao contrário, é antes um castigo, uma vida dolorosa de
purificações sucessivas.

Ora, os escritores Mateus, Marcos, Lucas e João registraram a vida


de Jesus durante o seu ministério público e, então, importa
confrontar os ensinos de Jesus com a doutrina da reencarnação
para verificar-se se elas são compatíveis:

a. JESUS E A PLURALIDADE DE VIDAS TERRESTRES

Kardec procura justificar a doutrina da reencarnação afirmando


que só mediante esse ensino é que se pode ter compreensão dos
ensinos de Jesus exarados nos evangelhos e na própria Bíblia.

224
AS RELIGIÕES E APOLOGÉTICA BÍBLICA

Do contrário, fica tudo ininteligível e até irracional. Vejamos sua


declaração:

Muitos pontos do evangelho, da Bíblia e dos escritos sagrados


em geral, são ininteligíveis, muitos mesmo se não afiguram
irracionais por falta de uma chave, para se lhes conhecer o
verdadeiro sentido. Ora, essa chave se acha inteiramente no
espiritismo, conforme conheceram aqueles que o estudam
seriamente e que melhor o reconhecerão mais tarde ("O
Evangelho Segundo o Espiritismo", p. 536. Editora Opus Ltda., 2ª
edição especial, 1985).

b. RESUMO DA DOUTRINA REENCARNACIONISTA

A doutrina reencarnacionista pode ser assim sintetizada:

• Pluralidade de existências terrestres;

• Progresso permanente até à perfeição;

• Conquista da meta final por esforços próprios;

• Definitiva independência do corpo — espírito puro.

Devemos pesquisar se Jesus reconhecia a pluralidade de


existências terrestres; o progresso permanente até à perfeição;
conquista da meta final por esforços próprios; e, a vida do espírito
definitivamente livre do corpo.

• Jesus ensinou a unicidade da vida terrestre e não a


pluralidade de vidas terrestres.

Em Lc 23.39-43, vemos Jesus pregado na cruz e suspenso no


meio de dois ladrões. Os dois tinham sido muito maus, tanto é
que um deles faz sua confissão ao companheiro de crimes,
dizendo: E nós, na verdade, com justiça, porque recebemos o
que os nossos feitos mereciam; mas este nenhum malfez. E

225
AS RELIGIÕES E A APOLOGÉTICA BÍBLICA

disse a Jesus: Senhor, lembra-te de mim, quando entrares no


teu reino. E disse-lhe Jesus: Em verdade te digo que hoje
estarás comigo no Paraíso.

Fosse Jesus reencarnacionista, não poderia ter falado assim.

Poderia quando muito dizer: É bom que tu te arrependas, pois


o arrependimento é o primeiro passo para tornar-te um espírito
puro. Mas não basta. Deves ter paciência contigo mesmo.
Cada qual deve resgatar-se a si mesmo. Tu cometeste muitos
crimes e toda a falta cometida, todo mal realizado é uma
dívida contraída e que deverá ser paga. Já não podes fazê-lo
nesta existência: terás de reencarnar mais vezes, deverás
voltar a esta terra, em novo corpo, para expiar e resgatar teus
crimes.

Paulo, fiel discípulo e, zeloso apóstolo de Cristo, nos assegura


ter recebido seu Evangelho diretamente de Jesus (Gl 1.12). E
ele escreveu: E, como aos homens está ordenado morrerem
uma vez,, vindo depois disso o juízo (Hb 9.27). Morrerem uma
vez, não muitas vezes, não um número indefinido de vezes:
uma só vez.

• Jesus ensinou a existência de dois lugares finais e irrever-


síveis depois da morte e não progresso contínuo até à
perfeição.

Em Lc 16.19-31, lemos a narrativa de Lázaro e do rico. São


palavras de Cristo. Oferece-se a Jesus a oportunidade do que
se segue imediatamente após a morte. Os dois morrem, tanto
Lázaro, que foi levado pelos anjos para o seio de Abraão
assim como o rico. No Hades, o rico se encontra em tormentos
conscientes e pediu compaixão: Pai Abraão, tem misericórdia

226
AS RELIGIÕES E APOLOGÉTICA BÍBLICA

de mim, e manda a Lázaro, que molhe na água a ponta do seu


dedo e me refresque a língua, porque estou atormentado
nesta chama. Abraão respondeu: Filho, lembra-te de que
recebeste os teus bens em tua vida, e Lázaro somente males;
e agora este é consolado e tu atormentado. E, além disso,
está posto um grande abismo entre nós e vós, de sorte que os
que quisessem passar daqui para vós não poderiam, nem
tampouco os de lá passar para cá.

Fosse Jesus reencarnacionista, teria agora uma boa ocasião


para insistir nesta doutrina: diria que a alma se desprende do
corpo, permanecendo ainda por algum tempo em estado de
perturbação e confusão; explicaria como ela readquire aos
poucos um estado de consciência, como vai depois se perder
na imensidão dos espaços, na erraticidade; como procura
novas oportunidades para reencarnar.

Esse ensino de Jesus é paralelo ao que se encontra em Mt


7.13-14, quando Jesus falou de duas portas, dois caminhos e
dois lugares finais e definitivos. Esse ensino é corroborado
pela referência de Mt 25.34, 41,46.

• Jesus ensinou a nossa redenção por sua morte na cruz e não


redenção por esforços próprios.

Enquanto a Bíblia aponta nossa redenção por meio de Jesus


Cristo através de sua obra salvífica realizada em nosso favor
no Calvário, o espiritismo anuncia: Fora da Caridade não
existe Salvação. É o dogma central da doutrina espírita. Um
dos mais eminentes escritores espíritas - Léon Denis - assim
se pronuncia:

Não, a missão de Cristo não era resgatar com o seu sangue

227
AS RELIGIÕES E A APOLOGÉTICA BÍBLICA

os crimes da humanidade. O sangue, mesmo de um Deus,


não seria capaz de resgatar ninguém. Cada qual deve
resgatar-se a si mesmo, resgatar-se da ignorância e do mal. É
o que os espíritos, aos milhares, afirmam em todos os pontos
do mundo ("Cristianismo e Espiritismo", p. 85, 7a edição).

Para justificar tal ensino blasfemo, Léon Denis se vale da


informação trazida pelos espíritos, aos milhares, em todos os
pontos do mundo. É também o caso de Kardec que se baseia
no ensino dos espíritos quando prega a reencarnação,
dizendo:

A doutrina da reencarnação, que consiste em admitir para o


homem muitas existências sucessivas, é a única que
corresponde à idéia da justiça de Deus com respeito aos
homens de condição moral inferior, a única que pode explicar
o nosso futuro e fundamentar as nossas esperanças, pois
oferece-nos o meio de resgatarmos os nossos erros através
de novas provas. A razão assim nos diz, e é o que os Espíritos
nos ensinam ("O Livro dos Espíritos", p. 84. Editora Opus
Ltda., 2ª edição especial, 1985).

Ora, ora. Que espíritos seriam esses em todo o mundo que


anunciam doutrina oposta à ensinada por Jesus? Lendo Mt
16.21-23, encontramos o seguinte relato: Desde então
começou Jesus a mostrar aos seus discípulos que, convinha ir
a Jerusalém, e padecer muitas coisas dos anciãos, e dos
principais dos sacerdotes, e dos escribas, e ser morto, e
ressuscitar ao terceiro dia. E Pedro, tomando-o de parte,
começou a repreendê-lo, dizendo: Senhor, tem compaixão de
ti; de modo nenhum te acontecerá isso. Ele, porém, voltando-
se, disse a Pedro: Para trás de mim, Satanás, que me serves

228
AS RELIGIÕES E APOLOGÉTICA BÍBLICA

de escândalo; porque não compreendes as coisas que são de


Deus, mas só as que são dos homens.

Satanás tinha sugerido a Pedro que Jesus jamais passasse


pelo Calvário para redimir a humanidade pelo seu sangue. E
quando os espíritos sugeriram a Léon Denis que nem o
sangue de um Deus poderia resgatar ninguém, é de se notar
que esses espíritos a que se refere esse escritor certamente
são espíritos demoníacos que orientam os escritores espíritas
a partir do codificador Allan Kardec. E Paulo declara que não é
para se admirar que isso aconteça porque esses espíritos
satânicos se transfiguram em anjos de luz: Porque tais falsos
apóstolos são obreiros fraudulentos, transfigurando-se em
apóstolos de Cristo. E não é maravilha, porque o próprio
Satanás se transfigura em anjo de luz (2 Co 11.13-14).

Podemos afirmar que jamais um cristão pode ser espírita,


como também um espírita jamais poderá tornar-se um cristão.
São francamente opostos em práticas e ensinos. O espiritismo
é outro evangelho (Gl 1.8-9). O Evangelho verdadeiro está
explicado por Paulo em 1 Co 15.3-4: Porque primeiramente
vos entreguei o que também recebi; que Cristo morreu por
nossos pecados, segundo as Escrituras, e que foi sepultado, e
que ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras.

Essas palavras de Paulo são a repetição da profecia de Isaías


com relação à obra resgatadora de Jesus: Verdadeiramente
ele tomou sobre si as nossas enfermidades, e as nossas dores
levou sobre si; e nós o reputávamos por aflito, ferido de Deus,
e oprimido. Mas ele foi ferido por causa das nossas
transgressões, e moído por causa das nossas iniqüidades; o
castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas

229
AS RELIGIÕES E A APOLOGÉTICA BÍBLICA

pisaduras fomos sarados (Is 43.4-5). É a mensagem central


cristã. Nossa redenção por Cristo é a medula do Evangelho
bem como o Filho do homem não veio para ser servido, mas
para servir, e para dar a sua vida em resgate de muitos (Mt
20.28). O texto de João 3.16 é considerado a Bíblia em
miniatura: Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu
o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não
pereça, mas tenha a vida eterna.

• Jesus ensinou a ressurreição final de todos os homens. Ao


contrário, o espiritismo ensina o estado final como espírito
puro. Durante o seu ministério público Jesus ressuscitou
algumas pessoas mencionadas nos evangelhos e,
paralelamente, ensinou a ressurreição dos mortos, apontando
que sua ressurreição era a base para a ressurreição dos seus
seguidores. Não só isso apontou também um dia de juízo final
em que todos os mortos irão ressuscitar corporalmente.
Falando da sua ressurreição, afirmou: Derribai este templo, e
em três dias o levantarei. Disseram, pois, os judeus. Em
quarenta e seis anos foi edificado este templo, e tu o levan-
tarás em três dias? Mas ele falava do templo do seu corpo.
Quando, pois, ressuscitou dentre os mortos, os seus
discípulos lembraram-se de que lhes dissera isto; e creram na
Escritura, e na palavra que Jesus tinha dito (Jo 2.19-22).
Sobre a ressurreição universal, Ele diz: Não vos maravilheis
disto: porque vem a hora em que todos os que estão nos
sepulcros ouvirão a sua voz. E os que fizeram o bem sairão
para a ressurreição da vida; e os que fizeram o mal para a
ressurreição da condenação (Jo 5.28-29). Diante do túmulo de
Lázaro, Jesus declarou à irmã dele, Marta: Teu irmão há de

230
AS RELIGIÕES E APOLOGÉTICA BÍBLICA

ressuscitar. Disse-lhe Marta: Eu sei que há de ressuscitar na


ressurreição do último dia. Disse-lhe Jesus: Eu sou a
ressurreição e a vida; quem crê em mim, ainda que esteja
morto, viverá (Jo 11.23-25). Dois pontos devem ser apontados
nesse diálogo de Jesus com Marta: primeiro, declarar que o
irmão dela haveria de ressuscitar; segundo, ela falou da
ressurreição do último e Jesus não rebateu sua afirmação,
dado que estava conforme o seu ensino sobre a ressurreição
em João 5.28-29.

Quando, pois, os espíritas nos vêm ensinar outros caminhos,


opostos ao que Jesus estabeleceu, será tão absolutamente
impossível que, esses espíritos, sejam os inimigos de Jesus,
os espíritos que a Bíblia chama de demônios? (2 Co 11.14-15;
Ef 6.10-12; 1 Rs 22.21-22).

Dragon, no Congresso Espírita Internacional realizado em


Liège, Bélgica, de 26 a 29 de agosto de 1923, disse: A reen-
carnação tal como tem sido exposta até agora, não passa de
teoria boba para criança de escola primária (citado no livro
"Religião & Religiões - Perguntas Que Muita Gente Faz", p.
139. Editora Santuário, 1997).

4. CARMA

Paralelamente à doutrina da reencarnação segue-se a doutrina do


carma que, nas palavras de Kardec, explica essa doutrina dizendo
que toda a falta cometida, todo o mal praticado, é uma dívida
contraída que deverá ser paga pelo próprio homem através do
arrependimento, expiação (que é o sofrimento) e reparação (que são
as boas obras). Assim, as condições para alguém se tornar um

231
AS RELIGIÕES E A APOLOGÉTICA BÍBLICA

espírito puro são três:

Arrependimento, expiação e reparação constituem, portanto, as três


condições necessárias para apagar os traços de uma falta e suas
conseqüências ("O Céu e o Inferno", p. 747. Editora Opus Ltda., 2ª
edição especial, 1985).

Resposta Apologética:

a. Arrependimento

Quanto ao arrependimento, a Bíblia afirma que o ladrão na cruz


se arrependeu e ouviu de Jesus a promessa de que naquele
mesmo dia estaria com Ele no paraíso: Senhor, lembra-te de mim
quando entrares no teu reino. E disse-lhe Jesus: Em verdade te
digo que hoje estarás comigo no Paraíso (Lc 23.42-43). Jesus,
por sua vez, estabeleceu: se não vos arrependerdes, todos de
igual modo perecereis (Lc 13.3).

b. Expiação

Então, segundo Kardec, esta vida é uma expiação. O que


sofremos é justo; foi merecido por nós, ainda que seja noutras
encarnações. Muito bem. Então, quando um homem mau
persegue o seu semelhante; quando alguém furta; quando o
capanga mata; é sempre instrumento de justiça divina. Deus não
pode deixar exceder o que a pessoa mereceu; pois que, se o
sofrimento passasse o mal cometido, Deus seria injusto; faria
diferença entre as suas criaturas inteligentes. Segue-se que, se
matarmos, se torturarmos ao próximo, não fazemos nada de mal.
É apenas o que ele mereceu noutras encarnações! Sim, pelos
dizeres dos espíritas, Deus não pode permitir a injustiça; Deus
não pode permitir a desigualdade do mundo. Se o permite, é
porque foi merecida. E daí? Daí que resulta que não há mal

232
AS RELIGIÕES E APOLOGÉTICA BÍBLICA

nenhum em matar; que é uma boa obra o furtar; que há


merecimento em martirizar os outros... e não é só isso: deduz-se
que se está fazendo um bem quando todo mundo pensa que se
está a fazer mal aos outros.

Quando um amigo atraiçoa outro, rouba-o, deixa-o na miséria -


devia ser abraçado por este com lágrimas de gratidão. Não lhe
podia fazer um bem maior.

E depois, ele já tinha mesmo de passar por essa... Estava


escrito... Ele o tinha merecido na encarnação anterior. Logo,
espíritas, pelas suas doutrinas, ensinam que podemos e devemos
praticar o mal. Quanto mais mal fizermos aos outros, maior será o
benefício que eles recebem. Quanto mais pagar das suas culpas,
tanto mais nos agradecerão.

Pela doutrina bíblica, fazendo mal aos outros, expomo-nos a


fazer sofrer um inocente. Pela doutrina espírita, só fazemos sofrer
a quem mereceu.

c. Reparação

Quanto a esta última, o espiritismo adotou o slogan: Fora da


Caridade não há Salvação.

Meus filhos, na máxima, Fora da Caridade Não Há Salvação,


estão contidos os destinos dos homens na terra como nos céus
("O Evangelho Segundo o Espiritismo", p. 631, Ibidem).

Muitos querem identificar a caridade cristã com a filantropia. Na


realidade são duas coisas distintas. Em 1 Coríntios, 13.3, Paulo
afirma que alguém pode dar seu corpo para ser queimado e todos
os seus bens aos pobres e ainda não ter caridade. Se não é
caridade cristã, então o que é? Seria, a verdadeira filantropia.
Filantropia e caridade podem apresentar um aspecto externo

233
AS RELIGIÕES E A APOLOGÉTICA BÍBLICA

exatamente igual e, no entanto, haver diferença fundamental


entre ambas. Dizemos, à luz da Bíblia, que a razão da nossa
existência consiste em glorificarmos a Deus: Assim resplandeça a
vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas
obras e glorifiquem a vosso Pai, que está nos céus (Mt 5.16).
Digno és, Senhor, de receber glória, e honra, e poder, porque tu
criaste todas as coisas, e por tua vontade são e foram criadas (Ap
4.11). Logo, o primeiro mandamento, em importância, é o amar a
Deus sobre todas as coisas (Mt 22.37-39). E afirmamos que
existe uma conexão entre a caridade cristã e o amor a Deus. Os
dois chegam mesmo a identificar-se, pois em Mateus 25.40 Jesus
declara: E, respondendo o Rei, lhes dirá: Em verdade vos digo
que quando o fizeste a um destes meus pequeninos irmãos, a
mim o fizestes. Aí está a significação da caridade. O cristão ama
a Deus no próximo. Foi assim que se deu com Zaqueu (Lc 19.1-
10). Ao receber Jesus em casa, logo nasceu a preocupação pelos
menos favorecidos e se pronunciou espontaneamente: E,
levantando-se Zaqueu, disse ao Senhor, eis que eu dou aos
pobres metade dos meus bens; e, se nalguma coisa tenho
defraudado alguém, o restituo quadruplicado (Lc. 19.8).

As boas obras nunca salvaram e nunca ajudaram a salvar. Paulo


afirma em Efésios 2.8-10: Porque pela graça sois salvos, por
meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus. Não vem das
obras, para que ninguém se glorie. Porque somos feitura sua;
criados em Cristo Jesus para as boas obras, as quais Deus
preparou para que andássemos nelas. Somos criados para as
boas obras e não pelas obras e é por meio da fé é que somos
salvos. As boas obras são o resultado da nossa fé em Cristo.
Paulo, em 2 Coríntios 5.17, declara que nos tornamos novas

234
AS RELIGIÕES E APOLOGÉTICA BÍBLICA

criaturas, abandonando as práticas más e nos voltamos para a


prática do bem, desde que estejamos em Cristo Jesus. Logo, as
boas obras devem ser apenas a manifestação externa do interno
amor que temos a Deus.

d. Perguntas que fazem os espíritas:

a) Por que uns nascem com saúde e outros doentes e aleijados?

Pai sifilítico gera filho sifilítico. A TV apresentou uma


reportagem a respeito de oito mil crianças nascidas aleijadas e
defeituosas, porque suas mães em estado de gravidez
tomaram o conhecido psicotrópico Talidomida. Este é o fato
inconcusso absoluto. O resto não passa de pura fantasia dos
adeptos da reencarnação.

b) Por que alguns nascem ricos e outros na mais extrema


miséria?

Dizem os reencarnacionistas que os ricos são espíritos


adiantados e os pobres, espíritos atrasados.

Ora, se assim fosse, Cristo deveria ser um espírito muito


atrasado, pois morreu pobre, crucificado entre dois ladrões e
miseravelmente caluniado.

Pelo que sofreu deveria ter cometido hediondos crimes na vida


passada. Ocorre que Kardec ensina que a pessoa não tem
lembrança alguma dos fatos da vida anterior.

Castigar sem que o réu saiba por que parece brutalidade e não
satisfaz nem o nosso próprio sentimento de justiça humana,
quanto mais o da justiça divina. Um Hitler fica livre de seus
crimes, porque uma menina nascida no Brasil é a
reencarnação de Hitler e vai sofrer no lugar dele. Mesmo sem
saber por que está acometida de uma doença grave, por

235
AS RELIGIÕES E A APOLOGÉTICA BÍBLICA

exemplo, leucemia. Morre sem saber dos seus crimes numa


existência anterior quando vivia como Hitler. É lógico? Kardec
afirma mais que: a reencarnação se enquadra melhor com a
justiça ao dizer que é a única que corresponde à idéia da
justiça de Deus... ("O Livro dos Espíritos", p. 84. Editora Opus
Ltda., 2a edição especial, 1985).

c) Qual o estado da alma, originalmente?

São criadas simples e ignorantes as almas, quer dizer, sem


cultura e sem reconhecerem o bem e o mal ("O Livro dos
Espíritos", p. 324. Editora Opus Ltda.; 2ª edição especial,
1985).

Façamos então uma comparação entre os homens e os ani-


mais. Afirma Kardec que os animais tiraram o seu princípio
inteligente do elemento universal inteligente, igualmente como
o que aconteceu com o homem. Posto isto, os animais
possuem uma inteligência que lhes faculta certa liberdade de
ação, inclusive passando pela erraticidade como o homem,
sujeito a uma lei progressiva. Mas, por fim, fica o animal no
mesmo nível de que o homem, admitindo-se o princípio de
justiça de que cada qual faz por merecer? Não! Os homens
sempre se colocam num nível superior aos olhos dos animais,
para quem os homens são deuses, permanecendo assim os
animais num estado de inferioridade. Logo, Deus criou seres
intelectuais perpetuamente destinados à inferioridade, que,
parece, contraria o princípio de justiça divina a que se refere
Allan Kardec para justificar a reencarnação.

De onde tiram os animais o princípio que constitui a espécie


particular de alma de que são dotados?

236
AS RELIGIÕES E APOLOGÉTICA BÍBLICA

Do elemento inteligente universal.

Tendo os animais uma inteligência que lhes dá certa liberdade


de ação, haverá neles algum princípio independente da
matéria?

Sim, e que sobrevive ao corpo.

Sobrevivendo à morte do corpo, a alma do animal fica errante,


como a do homem?

Há uma como erraticidade, uma vez que não se acha unida a


um corpo...

Os animais estão sujeitos, como o homem a uma lei


progressiva?

Sim, e daí vem que nos mundos superiores, onde os homens


são mais adiantados, os animais também o são, dispondo de
meios mais amplos de comunicação. São sempre, porém,
inferiores ao homem e se lhe acham submetidos, tendo neles o
homem servidores inteligentes ("O Livro dos Espíritos", p. 167.
Editora Opus Ltda., 2ª edição especial, 1985).

d) Por que é que uns nascem inteligentes e outros medíocres?

Como acontece com os animais, os vegetais e também a parte


somática do indivíduo em que não há nada absolutamente
igual, assim também acontece com a inteligência do homem.
Já viram porventura uma impressão digital igual à outra? De
maneira nenhuma. Assim também acontece com a inteligência,
faculdade da alma. Temos ainda a palavra de um médium
espírita:

Anatole Barthe refuta assim as desigualdades humanas: Para


desenvolver as desigualdades humanas os espíritas ensinam a

237
AS RELIGIÕES E A APOLOGÉTICA BÍBLICA

reencarnação. Não sabem estes que não há dois seres, duas


coisas perfeitamente iguais na natureza e que nem no imenso
espaço nem tampouco ao longo do tempo podem ser
encontradas? Não éprecisamente na diversidade que nasce a
harmonia do universo? ("Le Livre des Espirits, Recueli de
Comunications Obenues par Divers Médiuns", Paris, 1863 p.
21).

e) Regressão de idade prova a reencarnação? Absolutamente


não. Já se acha comprovado pela hipnologia: quando o
hipnotizado é reencarnacionista, revela reencarnação,
entretanto quando não é, nega-a. De forma que a regressão de
idade para provar ou negar a palingenesia depende da opinião
do hipnotizado.

Experiências Inversas - Podemos também fazer experiências


de progressão de memória sugerindo que o hipnotizado tenha
envelhecido, situação irreal, que se comporta como autêntico
ancião. Conclui-se daí que em ambos os casos as situações
são puramente imaginárias, sugeridas tanto pelo consciente
como pelo hipnotizado.

f) O problema populacional:

Sabemos que a população do mundo aumenta assustado-


ramente, ultrapassando hoje os seis bilhões de habitantes.
Sabemos também que há poucos anos eram três bilhões. No
Brasil, por exemplo, em 1935, havia mais ou menos 34 milhões
de pessoas; em 2001 somos mais de 160 milhões. Portanto, se
a pessoa morre e se reencarna, não pode absolutamente
aumentar a população. De onde, então, vêm tantos espíritos?
Allan Kardec ensina que o homem vem do macaco, evoluindo.
Será por isso que os macacos estão em extinção?

238
AS RELIGIÕES E APOLOGÉTICA BÍBLICA

W. GLOSSÁRIO ESPÍRITA

Aparição - Fenômeno pelo qual os seres do mundo incorpóreo se


manifestam à vista.

Clarividência - Faculdade de ver sem o auxílio dos órgãos da visão. É


uma faculdade inerente à própria natureza da alma ou do espírito, e
que reside em todo o seu ser; eis porque em todos os casos em que há
emancipação da alma, o homem tem percepções independentes dos
sentidos. No estado corporal normal, a faculdade de ver é limitada
pelos órgãos materiais: desprendida desse obstáculo, ela não é mais
circunscrita, estende-se por toda a parte onde a alma exerce sua ação:
tal é a causa da visão a distância de que gozam certos sonâmbulos.
Eles se vêem no próprio local que observam e descrevem ainda que
este se situe mil léguas a distância, visto que, se o corpo não se acha
acolá, a alma, em realidade, ali se encontra. Pode-se, pois, dizer que o
sonâmbulo vê pelos olhos da alma.

Encarnação - Estado dos espíritos que revestem um invólucro


corporal. Diz-se espírito encarnado, em oposição a espírito errante. Os
espíritos são errantes no intervalo de suas diferentes encarnações. A
encarnação pode ocorrer na Terra ou em outro mundo.

Erraticidade - Estado dos espíritos errantes, ou erráticos, isto é, não


encarnados, durante o intervalo de suas existências corpóreas.

Espírita - O que tem relação com o espiritismo; adepto do espiritismo;


aquele que crê nas manifestações dos espíritos.

Espiritismo - Doutrina fundada sobre a crença na existência dos


espíritos e em suas manifestações.

Espírito - No sentido especial da doutrina espírita, os espíritos são os


seres inteligentes da criação, que povoam o Universo, fora do mundo

239
AS RELIGIÕES E A APOLOGÉTICA BÍBLICA

material, e constituem o mundo invisível. Não são seres oriundos de


uma criação especial, porém, as almas dos que viveram na Terra, ou
nas outras esferas, e que deixaram o invólucro corporal.

Espiritualismo - Usa-se em sentido oposto ao de materialismo; crença


na existência da alma espiritual e imaterial. O espiritualismo é a base
de todas as religiões.

Espiritualista - O que se refere ao espiritualismo; adepto do


espiritualismo. É espiritualista aquele que acredita que em nós nem
tudo é matéria, o que de modo algum implica crença nas
manifestações dos espíritos. Todo espírita é necessariamente
espiritualista; mas, pode-se ser espiritualista sem ser espírita; o
materialista não é uma nem outra coisa.

Expiação - Pena que sofrem os espíritos como punição das faltas


cometidas durante a vida corporal. A expiação, sofrimento moral,
ocorre no estado de erraticidade como o sofrimento físico ocorre no
estado corporal. As vicissitudes e os tormentos da vida corporal são, ao
mesmo tempo, provas para o futuro e expiação do passado.

Fluido Universal - Princípio elementar do qual a condensação resulta


nos diversos estágios da matéria, que é mais ou menos condensada
conforme os mundos. A partir dele desenvolve-se o princípio vital. O
fluido universal não é causa da inteligência, apenas serve de veículo
do pensamento.

Livre-arbítrio - Liberdade moral do homem; faculdade que ele tem de


se guiar pela sua vontade na realização de seus atos.

Médium - Pessoa que pode servir de intermediária entre os espíritos e


os homens. Todo aquele que sente, num grau qualquer, a influência
dos espíritos é, por esse fato, médium. Essa faculdade é inerente ao
homem; não constitui, portanto, um privilégio exclusivo. Por isso

240
AS RELIGIÕES E APOLOGÉTICA BÍBLICA

mesmo, raras são as pessoas que dela não possuam alguns


rudimentos. Pode, pois, dizer-se que todos são, mais ou menos,
médiuns. Todavia, usualmente, assim só se qualificam aqueles em que
a faculdade mediúnica se mostra bem caracterizada e se traduz por
efeitos patentes, de certa intensidade, o que então depende de uma
organização mais ou menos sensitiva.

Mediunidade - Faculdade dos médiuns.

Obsessão - Domínio que alguns espíritos logram adquirir sobre certas


pessoas. Nunca é praticada senão pelos espíritos inferiores, que
procuram dominar. Os bons espíritos nenhum constrangimento
infligem. Aconselham, combatem a influência dos maus e, se não os
ouvem, retiram-se. Os maus, ao contrário, se agarram àqueles de
quem podem fazer suas presas. Se conseguem dominar algum,
identificam-se com o espírito deste e o conduzem como se fora
verdadeira criança.

Perispírito - Envoltório semimaterial do espírito. Nos encarnados,


serve de intermediário entre o espírito e a matéria; nos espíritos
errantes, constitui o corpo fluídico do espírito. O perispírito é o órgão
sensitivo do espírito, por meio do qual este percebe coisas espirituais
que escapam aos sentidos corpóreos. Pelos órgãos do corpo, a visão,
a audição e as diversas sensações são localizadas e limitadas à
percepção das coisas materiais; pelo sentido espiritual ou psíquico,
elas se generalizam; o espírito vê, ouve e sente, por todo o seu ser,
tudo o que se encontra na esfera de irradiação do seu fluído
perispirítico.

Pneumatofonia - Voz dos espíritos; comunicação oral dos espíritos,


sem o concurso da voz humana.

Pneumatografia - Escrita direta dos espíritos, sem o auxílio da mão de

241
AS RELIGIÕES E A APOLOGÉTICA BÍBLICA

um médium.

Princípio Vital - Nome que se dá ao princípio geral da vida material,


comum a todos os seres orgânicos, homens, animais e plantas. O
princípio vital é o mesmo para todos os seres orgânicos, mas se torna
espécie-específico: individualiza-se no ser vivo, isto é, passa a
constituir-lhe sua própria vida orgânica modificada, conforme a
espécie. Tem sua fonte no fluido universal, atuando como elo entre o
espírito e a matéria, na forma de fluido magnético.

Psicofonia - Comunicação dos espíritos pela voz de um médium


falante.

Psicografia - Escrita dos espíritos pela mão de um médium.

Reencarnação - Volta do espírito à vida corpórea, pluralidade das


existências.

242
AS RELIGIÕES E APOLOGÉTICA BÍBLICA

243
AS RELIGIÕES E A APOLOGÉTICA BÍBLICA

CAPÍTULO 07

ISLAMISMO

A. INTRODUÇÃO

A religião islâmica é hoje a segunda maior religião em número de fiéis,


estando à sua frente apenas o Cristianismo (incluem-se aqui
Catolicismo Romano, Ortodoxos, Protestantes etc). O Islã possui
seguidores em todos os continentes do mundo.

O Islamismo e o Cristianismo são as duas religiões de maior porte e


mais missionárias no mundo. Suas crenças são muito semelhantes em
vários aspectos. Ambos são monoteístas, foram fundados por um
indivíduo específico em um contexto definido e historicamente
verificável, são universais, e crêem na existência de anjos, do céu e do
inferno, numa ressurreição futura, e que Deus fez-se conhecer ao
homem por meio de uma revelação.

Entretanto, existem também diferenças óbvias entre elas,


particularmente em relação à pessoa de Jesus, o caminho da salvação,
e a escritura ou escrituras de fé. Estas diferenças abarcam as doutrinas
mais fundamentais de cada religião, e, portanto, mesmo que ambos
possam ser igualmente falsos, o Islamismo e o Cristianismo não podem
ser verdadeiros ao mesmo tempo.

Nossa tarefa é examinar as declarações islâmicas para ver se cada

244
AS RELIGIÕES E APOLOGÉTICA BÍBLICA

uma delas é verificável. A razão para isso deve ser evidente por si
mesma: é muito fácil alguém fazer declarações a respeito de si mesmo,
prová-las é um assunto totalmente diferente. Este material apresentará
as principais objeções islâmicas contra a fé cristã, oferecendo, em
contrapartida, uma resposta cristã.

B. A VIDA DE MAOMÉ

Quase 570 anos depois da morte e da ressurreição de nosso Senhor


Jesus, um homem chamado Maomé nasceu na cidade de Meca, capital
do comércio na Arábia. Seu pai morreu antes que ele nascesse, e sua
mãe morreu quando ele tinha somente seis anos de idade. Primeiro foi
o seu avô que cuidou dele e, depois da sua morte, um tio.

A maior parte do povo da Arábia era pagã, e acreditava em muitos


deuses e os adorava especialmente num templo que chamavam Kaaba
(palavra árabe para cubo).

No Alcorão lemos acerca de Maomé: Fui mandado adorar o Senhor


desta Terra... (Sura 27:91). Os muçulmanos dizem que isso se refere a
Alá e provavelmente têm razão, segundo o entendimento islâmico, mas
Alá era um nome que se usava para um dos deuses da Arábia, que era
conhecido como o pai das deusas Lat, Uzza e Manat, adoradas por
muitos. Maomé repudiou esta idéia, assim como qualquer outra que
fomentasse idolatria em seu pensamento.

Quando Maomé tinha 25 anos de idade, casou-se com sua patroa, uma
senhora já duas vezes viúva. Seu nome era Khadija. Maomé era um
homem quieto e de vida simples. Seu casamento com Khadija, que era
15 anos mais velha do que ele, durou 25 anos, até a morte da esposa.
Parece que havia boa relação entre os dois. Tiveram vários filhos,
porém o único varão morreu quando ainda era criança, o que trouxe

245
AS RELIGIÕES E A APOLOGÉTICA BÍBLICA

grande sofrimento a Maomé.

Aproximadamente dez anos antes da morte de sua esposa, Maomé


começou a ouvir vozes, ter visões e sonhos. Freqüentemente saía da
cidade e ia para uma caverna no monte de Hira, para lá meditar, às
vezes, por vários dias.

Aos 40 anos, teve uma experiência extraordinária. Lá na caverna


recebeu a primeira revelação do que, mais tarde, se tornou o livro
santo do Islã, o Alcorão (capítulo = Sura, versículo = Ayate). Maomé
disse que recebeu as revelações do anjo Gabriel e que, a princípio,
ficou muito atemorizado, mas depois recebeu mensagens durante 22
ou 23 anos, até sua morte. Segundo a tradição islâmica, pelo menos no
início, Maomé ficou preocupado porque espumava pela boca e rugia
como camelo novo. Era como se sua alma fosse tirada do corpo, e ele,
então, parecia embriagado.

Primeiro as mensagens diziam que há só um Deus, que é Alá e que


todos os ídolos deveriam ser destruídos. Muito foi revelado acerca do
julgamento vindouro, sobre a necessidade de viver corretamente e a
perspectiva da vida eterna no paraíso ou no inferno. Tanto o paraíso
como também o inferno receberam uma descrição muito viva. Os que
fossem ao Céu receberiam todo o bem: comida maravilhosa, frutas,
taças e jarras cheias de néctares e huris (virgens bonitas) de olhos
grandes, semelhantes a pérolas em suas conchas. No inferno nada
haveria para refrescar ou agradar, e os que fossem para lá beberiam
água fervente e pus em cima de frutas amargas (Sura 56:1-56). Quanto
aos crentes que praticam o bem, introduzi-los-emos em jardins abaixo
dos quais correm rios, onde morarão eternamente, onde terão esposas
imaculadas, e os faremos desfrutar uma densa sombra (Sura 4:57).

O sucesso da pregação de Maomé foi inicialmente pequeno. Sua


esposa foi a primeira convertida e, ao longo dos anos, cerca de mais

246
AS RELIGIÕES E APOLOGÉTICA BÍBLICA

200 moradores de Meca o seguiram. Em 622 a.D., Maomé recebeu um


convite para mudar-se para Medina, a 250 km ao norte de Meca, a fim
de servir como líder e árbitro nas questões existentes entre
muçulmanos, pagãos e judeus que ali moravam. Somando isso à
oposição que sua pregação ainda suscitava, ele emigrou para Medina.
Essa fuga para Medina foi chamada de Hégira e tornou-se o início do
calendário islâmico. Durante sua permanência em Medina, ele
transformou-se, de um simples pregador revolucionário, em poderoso
homem de guerra, e tornou-se polígamo também. Alguns sugerem que
para poder sustentar sua família e seus seguidores Maomé em Medina
instituiu a guerra santa (o Jihad) contra os infiéis, com o saque dos
despojos e prisioneiros: ...matai os idólatras onde quer que os
encontreis e capturai-os e cercai-os e usai da emboscada contra eles...
Quando, no campo de batalha, enfrentardes os que descrêem, golpeai-
os no pescoço. Combatei os que não crêem no último dia e não
proíbem o que Deus e Seu Mensageiro proibiram... Até que paguem,
humilhados, o tributo (Jyza, uma taxa especial para os que não eram
muçulmanos)... E combatei-os até que não haja mais idolatria e que a
religião pertença exclusivamente a Deus... (Sura 9:5; 47:4; 9:29; 8:39).
Os muçulmanos entendem que estas batalhas surgiram em função do
fato de que estavam sendo atacados, porém há discussão entre os
intelectuais sobre se este era realmente o caso.

Baseado neste princípio, o Islã dividiu o mundo em duas partes: o


Dhar-ul-Islam e o Dhar-ul-Harb, isto é, o território do Islã e o território
de guerra! A guerra santa não apenas tinha o objetivo de. amealhar
bens, mas também de conquistar os vencidos para o Islã. Hoje tal
guerra já não se faz pela espada, mas pela aplicação de enormes
somas de dinheiro dos países muçulmanos em países pobres, como
forma de atraí-los ao Islã. A violência tem sido a característica, não da

247
AS RELIGIÕES E A APOLOGÉTICA BÍBLICA

comunidade islâmica em geral, mas, sim, dos radicais.

Maomé morreu em 632 a.D., mas não sem antes tomar a cidade de
Meca. Ele aproximou-se da cidade com dez mil guerreiros e o povo de
Meca rendeu-se, sem resistência nenhuma. Maomé destruiu todos os
ídolos, mas manteve como prática islâmica a peregrinação a Kaaba,
em Meca, o que já era prática comum na Arábia, mesmo antes de o
Islamismo ser implantado. Nos séculos seguintes, a nova fé espalhou-
se, seja pela espada, seja por meio do comércio, por todo o Oriente
Médio, Norte da África, parte da índia, Espanha, África Oriental e Ásia
Central.

C. CAUSAS DA EXPANSÃO VITORIOSA DOS ÁRABES

Os historiadores apresentam as seguintes causas para a expansão


árabe:

1. CAUSA RELIGIOSAS

Estudando as causas das conquistas árabes no século 7, temos de


considerar o entusiasmo religioso dos muçulmanos que alcançava o
grau supremo do fanatismo e da intolerância, e vê-se nele uma das
causas determinantes dos espantosos êxitos militares obtidos pelos
árabes em sua luta contra a Pérsia e contra o Império Bizantino no
século 7. Deduz-se que os árabes se tenham precipitado sobre as
províncias asiáticas e africanas com a determinação de cumprir a
vontade de seu profeta que lhes havia prescrito a conversão de todo
o mundo à nova fé. Em resumo, costuma-se explicar em geral as
vitórias árabes pelo entusiasmo religioso que preparava os
muçulmanos fanáticos para encarar a morte com desprezo, fazendo-
os assim invencíveis na ofensiva, mas também existe o lado da

248
AS RELIGIÕES E APOLOGÉTICA BÍBLICA

atração da pilhagem e das rapinas, o entusiasmo religioso dos


muçulmanos contratados com um mundo profundamente dividido e
etnicamente heterogêneo. É importante mencionar ainda que os
chefes muçulmanos eram discípulos apaixonados de Maomé,
oravam mais do que lutavam e, com o tempo, inspiraram aos seus
adeptos um fanatismo que aceitava a morte numa guerra 'santa'
como um 'abre-te sésamo' para o paraíso.

2. CAUSAS ECONÔMICAS

A Arábia, reduzida em recursos naturais, não poderia satisfazer já


às necessidades físicas de sua população e, então, sob a ameaça
da miséria e da fome, os árabes viram-se na necessidade de fazer
um esforço desesperado para libertar-se da ardente prisão do
deserto. A isca do saque e da rapina constituiu, sem dúvida, um
poderoso atrativo para as hordas beduí-nas. A promessa de uma
rica presa incitou as tribos a se alistarem sob a bandeira do Califa. O
êxodo triunfante da península recebeu um enorme estímulo bem
depressa ao chegarem notícias das fabulosas riquezas encontradas
na Síria e no Iraque.

3. CAUSAS MILITARES

As tropas árabes eram mais rigorosamente disciplinadas e


conduzidas com habilidades, estavam habituadas às agruras e eram
recompensadas com os despojos. Podiam lutar com o estômago
vazio e dependia da vitória a sua comida. Finalmente havia causas
militares da invasão, à medida que os vitoriosos exércitos árabes
cresciam com recrutas famintos ou ambiciosos, criava-se o
problema de lhes fornecer novas terras e conquistar apenas para

249
AS RELIGIÕES E A APOLOGÉTICA BÍBLICA

prover-lhes alimentos e soldos. Cada vitória exigia outra, até que as


conquistas árabes - mais rápidas do que as romanas e mais
duradouras do que as dos mongóis - resultaram no mais espantoso
feito da história militar.

Além disso, o exército árabe era mais adaptado ao meio onde se


movimentara para atacar o inimigo - o deserto vasto e uniforme. A
cavalaria árabe soube tirar proveito do uso do camelo especialmente
como eficiente meio de transporte a longas distâncias em
relativamente pouco tempo. Camelo e deserto formavam um quadro
harmônico em que o guerreiro árabe atuava com vantagem sobre o
adversário.

4. AFINIDADE RACIAL E CULTURAL

Outro fato importante foi que os conquistadores árabes encontraram


em algumas regiões populações de origem semítica. Na Palestina e
na Síria, existiam numerosos habitantes de origem árabe. No Iraque,
havia muito, processara-se uma infiltração de tribos árabes.

Assim, para as províncias conquistadas, os árabes não eram


considerados bárbaros ou estrangeiros; por intermédio do comércio,
essas populações sempre tiveram relações com os árabes.

5. FRAQUEZAS DOS ADVERSÁRIOS

O Império Bizantino possuía os seguintes pontos fracos: problemas


religiosos, o descontentamento existente entre a população ortodoxa
das províncias orientais em relação ao governo central por causa de
certas concessões de compromissos outorgados aos monofisistas;
problemas socioeconômicos e impostos exagerados pesavam sobre
a população revoltada, especialmente quando a população teve de

250
AS RELIGIÕES E APOLOGÉTICA BÍBLICA

arcar com as despesas da guerra com o Império Persa. Em relação


aos problemas militares, o Império Bizantino estava profundamente
enfraquecido em virtude da tremenda luta contra os persas. As
tropas esgotadas não podiam opor uma resistência eficaz aos
exércitos árabes constituídos por soldados bem dispostos à luta.
Ainda havia outros fatores como as constantes invasões persas na
Síria e Palestina; as fronteiras do Império Bizantino estavam
desguarnecidas.

As lutas entre o Império Bizantino e o Império Persa haviam


enfraquecido a ambos, os persas tinham sido derrotados pelo
Império Bizantino; estavam desmobilizados, com sérios problemas
econômicos e com profundas divisões na sociedade e na religião
zoroastrista.

• Tolerância muçulmana e benefícios econômicos

Os árabes eram extremamente tolerantes, exigiam apenas que


admitissem a supremacia política do Islã, materializada,
sobretudo no pagamento de impostos especiais, na interdição de
qualquer proselitismo junto a muçulmanos e no caráter pura-
mente árabe do exército.

Essa tolerância explica porque os judeus de Jerusalém


receberam os árabes como verdadeiros libertadores (637 a.D.) e
que os cristãos monofisistas de Alexandria tenham acolhido o
maometano Omar (643 a..D.). Quando da última tentativa de
Heráclito para conquistar a Síria, os cristãos colaboraram com os
muçulmanos e, segundo o historiador Abd-Al-Hakam, as auto-
ridades eclesiásticas do Egito, ordenaram aos coptas que não se
opusessem aos árabes, por ódio pelas perseguições bizantinas, e
o patriarca Ciro, representante da autoridade imperial, entendeu-
se facilmente com os árabes.

251
AS RELIGIÕES E A APOLOGÉTICA BÍBLICA

Além do bom entendimento entre árabes e cristãos, encontramos


aqui os benefícios econômicos que o jovem império árabe trouxe
a essas regiões, com contato comercial em vários lugares da
Síria à Índia, da Mesopotâmia até as ilhas distantes, tudo sob a
administração árabe.

D. AS CRENÇAS DO ISLAMISMO

A teologia islâmica é tão vasta quanto a teologia cristã e, assim como


os cristãos possuem um credo resumido, os muçulmanos também o
possuem:

1. CRENÇA EM DEUS

Deus é chamado de Alá, é UNO (wahed), e não tem companheiros


nem ninguém que lhe seja igual. Deus é totalmente diferente do
homem. A essência da natureza de Deus no Islã é poder.

Os muçulmanos tiraram do Alcorão 99 nomes (ou adjetivos) para


Deus. Eles normalmente usam rosários de 99 contas, para recitar
todos os seus nomes. É interessante notar que, entre os 99 nomes
ou adjetivos citados, não existem as palavras amor e pai.

2. CRENÇA NOS PROFETAS

Maomé ou Mohammed ensina que existe um profeta para cada


época, começando por Adão e terminando em Maomé. A tradição
islâmica diz que existiram 120 mil profetas.

Para cada profeta foi dado um livro sagrado. Todos se perderam,


exceto três: O da Lei (Torá), dado a Moisés; o dos Salmos (Zabur),
dado a David; e os Evangelhos (Injil), dado a Jesus. Nesse

252
AS RELIGIÕES E APOLOGÉTICA BÍBLICA

esquema, Jesus era apenas mais um profeta. Maomé é considerado


o Selo dos Profetas, o último e o maior deles.

3. CRENÇA NOS LIVROS SAGRADOS

Segundo a crença islâmica, o Alcorão é o último livro sagrado dado


ao homem. O Alcorão é eterno, escrito em placas de ouro ao lado
do trono de Alá e recitado a Maomé pelo anjo Gabriel, de acordo
com a necessidade.

O Alcorão confirma os livros anteriores, ou seja, os dados a Moisés,


David e Jesus. Os muçulmanos acreditam que alguns versos mais
antigos do Alcorão foram substituídos. Alguns especialistas afirmam
que 225 versos foram suprimidos, o que é motivo de
constrangimento para muitos adeptos do Islã.

4. CRENÇA NOS ANJOS

Deus criou todos os anjos. A maioria dos anjos é má e eles são


chamados ginn (de onde cremos originar-se a palavra gênio). Miguel
é considerado o anjo-patrono dos judeus. Gabriel é o anjo que
trouxe o Alcorão.

Cada ser humano tem um anjo-ombro: um escrevendo suas boas


obras, e outro as más. Satanás (Iblis ou Shitan) foi desobediente.
Deus ordenou-lhe adorar Adão e ele se recusou. Este é mais um
constrangimento para os muçulmanos, pois Satanás estava certo:
somente Deus deve ser adorado.

5. CRENÇA NO DIA DO JUÍZO FINAL

A salvação é pelas obras. As obras de todas as pessoas serão

253
AS RELIGIÕES E A APOLOGÉTICA BÍBLICA

pesadas numa balança. Se as boas superarem as más, tal pessoa


irá para o paraíso. Os mártires irão todos para o paraíso.

O conceito de paraíso é bem sensual. Há lindas virgens de olhos


negros para cada homem. Existem rios, árvores frutíferas e
perfumes no paraíso.

O inferno é para os não-muçulmanos. É um lugar de fogo e tormento


indescritível. A maioria dos muçulmanos aceita a idéia da existência
do purgatório. O pecado imperdoável é associar algo ou alguém a
Deus.

6. CRENÇAS NOS DECRETOS DE DEUS

Deus (Alá) é absolutamente soberano. Deus não tem nenhuma


obrigação moral, pois isto limitaria seu poder e soberania. Tudo o
que acontece é porque Deus assim quis.

Deus decreta o destino de cada ser humano. Entende-se que isto


acontece numa determinada noite do ano. Deus é o autor do mal.

E. PRÁTICAS DO ISLAMISMO (DIN)

O Islamismo é um modo de vida que envolve todos os aspectos da


existência. Ele cobre os aspectos religiosos, político, social e cultural.
Não existe a idéia que nós temos da separação entre a Igreja e o
Estado, mas existe o que se chama de pilares do Islamismo. Em geral
aceita-se que estes pilares são:

1. TESTEMUNHO OU CONFISSÃO (SHAHADAH)

Eu testifico que não existe outro deus além de Deus, e que


Mohammed é o mensageiro de Deus. Recitar isto, crendo no que

254
AS RELIGIÕES E APOLOGÉTICA BÍBLICA

você está dizendo, o faz um muçulmano.

Isto é recitado no ouvido do recém-nascido. É recitado no ouvido da


pessoa que está morrendo. Mérito é acumulado cada vez que se
recita essa confissão. Nas orações diárias, repete-se esta confissão
mais de 30 vezes.

2. ORAÇÕES FORMAIS (SALAT)

As orações rituais devem ser feitas cinco vezes por dia:

- Ao amanhecer, quando você pode ver um fio branco;

- Ao meio-dia;

- No meio da tarde;

- Ao pôr-do-sol;

- À noite, em algum momento antes de se deitar.

O Salat requer prostrar-se, tocando a testa no chão. Tem de ser


feito sem nenhum erro, para que se alcance mérito. Você pode dizer
outras vezes, para ganhar mais méritos. Existe outro tipo de oração
que se chama dua.

3. DAR ESMOLAS E FAZER CARIDADE (ZAKAT)

Existe uma escala proporcional para o dar.

2,5% das suas entradas financeiras

5% dos produtos agrícolas

10% de todos os bens importados

Isto pode ser dado aos pobres ou para causas religiosas, incluindo a
Guerra Santa muçulmana (Jihad). Existe muita controvérsia sobre

255
AS RELIGIÕES E A APOLOGÉTICA BÍBLICA

quem deve coletar estas ofertas.

4. O MÊS DE JEJUM (SAOUM)

É no mês lunar do Ramadan. O jejum tem uma duração de 29 a 30


dias. Jejua-se somente durante o dia. Não se deve comer nem
beber desde o nascer até o pôr-do-sol. De noite até o amanhecer,
pode-se comer tanto quanto desejado. 1/30 do Alcorão deve ser lido
diariamente. Os viajantes, mulheres grávidas, mulheres durante o
período menstrual, crianças e enfermos estão isentos.

5. A PEREGRINAÇÃO (HAJJ)

A peregrinação é uma idéia pré-islâmica. O primeiro a mencionar a


Ka'aba foi Diodorus Siculus, em 60 a.C.

É obrigatória a peregrinação a Meca, pelo menos uma vez na vida.


Uma vez lá, é necessário cumprir as seguintes obrigações:

- Caminhar sete vezes ao redor da Ka'aba.

- Vestir roupas especiais para a ocasião.

- Apedrejar Satanás.

- Relembrar a busca de Hagar por água.

- Viver em tendas nas planícies de Arafat.

- Beijar ou tocar a pedra negra na parede da Ka'aba.

Os que não são muçulmanos estão proibidos de entrar nas áreas


santas das cidades de Meca e Medina.

6. A GUERRA SANTA (JIHAD)

256
AS RELIGIÕES E APOLOGÉTICA BÍBLICA

A palavra árabe jihad significa lutar por Deus. Isto pode ser
interpretado como guerra ou qualquer outra forma militar a favor de
Deus, por exemplo, pregando, escrevendo, promovendo melhorias
na área educacional etc. Alguns especialistas muçulmanos tentam
dizer que este não é um dos pilares do Islamismo.

F. A FORMAÇÃO DO ALCORÃO – O LIVRO SAGRADO MUÇULMANO

1. O CONCEITO DE REVELAÇÃO DE MAOMÉ

Segundo o Islamismo, o Alcorão é eterno no céu. O Alcorão foi


escrito em placas de ouro no céu. O anjo Gabriel se aproximou de
Maomé e lhe disse: Recite! Então Maomé memorizou o que escutou
deste ser angelical, e recitou de memória, tudo que escutou.
Conforme ele recitava a seus companheiros, iam escrevendo tudo
que escutavam.

As recitações contidas no Alcorão foram dadas conforme a


necessidade das situações em que se encontrava Maomé.
Aparentemente, Maomé foi a uma caverna aos pés do Monte Hira,
perto de Meca, para buscar estas revelações, enrolando-se num
manto, da mesma forma que os outros faziam para buscar estas
experiências. As primeiras revelações podiam ser anuladas por
revelações mais recentes.

O Alcorão confirma todas as escrituras anteriores, que são a Lei de


Moisés, os Salmos de David e o Evangelho de Jesus. Estes livros
foram dados a estas pessoas da mesma forma que o Alcorão foi
dado a Maomé. Como o Alcorão veio por último, já não se faz
necessário estudar os livros anteriores. Segundo o Islã, o Alcorão é
todo-suficiente. Nunca mais haverá outro profeta ou livro sagrado. O

257
AS RELIGIÕES E A APOLOGÉTICA BÍBLICA

Alcorão é a revelação final.

2. COMO SE FORMOU O ALCORÃO APÓS A MORTE DE MAOMÉ

Não tinha sido escrito de uma forma sistemática. Os primeiros


adeptos do Islã memorizaram o Alcorão. Abu Bakr, a conselho de
Ornar, decidiu fazer uma coleção das revelações. Deve-se observar
que por volta do ano 11 da Hégira havia morrido em combate
grande número de adeptos do Profeta que sabiam de cor os textos
corânicos. Zaid ben Tsabit, que fora um dos escribas de Maomé,
recebeu a incumbência de reunir tudo que havia sido escrito sobre
os diferentes temas de revelação e também tudo que os
companheiros do Profeta haviam retido na memória. Essa primeira
compilação dos textos corânicos, embora não possuísse autoridade
oficial, iria desempenhar papel relevante por ocasião da elaboração
de uma nova compilação sob o califado de Otmã. Deve-se observar
que a redação feita por Zaid não foi a única: outros companheiros de
Maomé promoveram também compilações particulares que
apresentavam divergências entre si e provocaram naturalmente
divisões doutrinárias entre os crentes. Compreende-se assim a
decisão de Otmã no sentido de mandar fazer uma redação oficial do
livro santo. O califa apelou para o auxílio de Zaid cuja compilação
serviu de base para o estabelecimento do novo texto. A nova versão
foi então imposta oficialmente pelo califa: enviaram-se cópias às
principais cidades com ordem de destruição das demais coleções.
Compreende-se que essa imposição oficial tenha despertado
reações por parte de muitos muçulmanos ("História do Mundo
Árabe", Mário Curtis Giordani, Ed. Vozes 1975, p. 330).

258
AS RELIGIÕES E APOLOGÉTICA BÍBLICA

3. OUTRAS FONTES DE AUTORIDADE ALÉM DO ALCORÃO

A tradição de Maomé foi primeiramente seguida por seus


companheiros mais próximos e depois por seus sucessores, era
chamada de Tradição Viva ou Sunnah. A Sunnah existia à parte do
Alcorão e abarca tudo o que Maomé disse e fez. Eventualmente a
Tradição Viva foi escrita e classificada em volumes chamados
Hadith ou Traduções Escritas.

A Lei Islâmica (Sharia) é baseada principalmente em duas fontes: O


Alcorão e o Hadith.

G. REJEIÇÃO À TEOLOGIA CRISTÃ

Essa nova religião pretendia ser a verdadeira depositária da


mensagem do Deus único, Alá, que foi entregue a judeus e cristãos,
mas da qual eles tinham se afastado. Ela declara acreditar na Bíblia
(Taurat = Lei, Zabur = Salmos, Injil = Evangelho), alegando que os
textos existentes foram adulterados, apesar de não possuírem nenhum
tipo de prova disso. Variação de manuscritos das Escrituras ou erros
de tradução são maximizados pelos polêmicos muçulmanos, e uma
interpretação literal é feita de passagens de linguagem figurada, como
forma de justificar a reivindicação de que a Bíblia está corrompida.

Maomé considerou os ensinos do Novo Testamento sobre Jesus, o


Filho de Deus na Trindade, e Sua morte substitutiva na cruz, como uma
blasfêmia total. Obviamente ele presumiu que isso não era bíblico,
mas, sim, um excesso, uma heresia: ...E os cristãos dizem: 'O Messias
é o filho de Deus'. Essas são suas asserções. Erram como erravam os
descrentes antes deles. Que Deus os combata (Sura 9:30). São
palavras fortes, mas cada muçulmano sente realmente assim acerca
da fé cristã.

259
AS RELIGIÕES E A APOLOGÉTICA BÍBLICA

Os muçulmanos crêem que a Bíblia não é o texto original da Lei, dos


Salmos e do Evangelho. Eles sustentam que judeus e cristãos
corromperam e mudaram o original, acrescentando os ensinos sobre a
divindade de Jesus e sua filiação divina, o conceito de Trindade, a
crucificação e a doutrina de expiação. A maior parte da literatura
muçulmana contra o Cristianismo ataca violentamente os alicerces da
nossa fé.

Será que devemos evitar falar sobre estas questões? Ou devemos


tentar esclarecê-las? Se evitarmos falar sobre suas acusações, eles
chegarão à conclusão de que os cristãos não têm nenhuma resposta
às afirmações muçulmanas; por isso é necessário esclarecer
exatamente o que cremos e por que cremos. A Bíblia apresenta uma
maneira maravilhosa de fazer isso: Antes santificai ao Senhor Deus em
vossos corações; e estai sempre preparados para responder com
mansidão e temor, a qualquer que vos pedir a razão da esperança que
há em vós (1 Pe 3.15).

1. VAMOS APRENDER ALGUMAS LIÇÕES IMPORTANTES

a. O que quer que falemos, qualquer que seja nosso com-


portamento, façamos tudo na presença de Cristo e sob seu
senhorio!

b. Estamos preparados! Não debatemos pontos que não


conhecemos. Nós nos informamos de antemão e respondemos
inteligentemente, de modo sábio e convencedor. O estudo deste
material é muito útil neste aspecto.

c. Respondemos a perguntas reais! Freqüentemente, ao


compartilhar o Evangelho com muçulmanos, cristãos respondem
às perguntas que pensam que eles têm. Tais perguntas são

260
AS RELIGIÕES E APOLOGÉTICA BÍBLICA

inúteis para os muçulmanos, porque eles pensam e raciocinam


de maneira bem diferente.

d. Ao falarmos com muçulmanos, não nos aproximamos deles como


cruzados, guerreiros, mas como testemunhas! Não lutamos com
eles nem os intimidamos! O amor de Cristo nos guia. Não os
forçamos, mas compartilhamos com eles, esclarecendo ponto por
ponto o que os muçulmanos precisam conhecer e entender.

e. As informações aqui constantes sobre o Islã não são armas


contra eles! São ferramentas para ajudar a entender o que é o
Islã na sua essência. São úteis para ajudar ao leitor, com man-
sidão e bondade, a demonstrar a um muçulmano a diferença que
há entre uma vida segura do favor divino recebido através da
morte de Cristo e da incerteza de alguém que não conhece o
Senhor.

H. COMO RESPONDER ÀS OBJEÇÕES MUÇULMANAS

Considerando que a Bíblia contradiz o Alcorão, e vice-versa, não


podem os livros se originar da mesma fonte, a não ser que um deles ou
ambos tenham sido e mudados manipulados pelo homem.

É, portanto, nossa tarefa sentar-nos com os muçulmanos a fim de


estabelecermos, juntos, a verdade. Não adianta querer insistir em
estarmos certos porque a Bíblia é verdadeira, enquanto o muçulmano
insiste em que o Alcorão foi inspirado e é verdadeiro. Por que cremos
que a Bíblia é verdadeira? Por que o muçulmano crê que o Alcorão é
verdadeiro? Vamos primeiro ver os argumentos islâmicos:

a) A Bíblia foi mudada e corrompida!

As nossas respostas, em contraperguntas, são estas:

261
AS RELIGIÕES E A APOLOGÉTICA BÍBLICA

1. Por que alguém mudaria a Bíblia, se nela está escrito que aqueles
que acrescentam ou tiram dela alguma coisa sofrerão castigo eterno
(Ap 22.18-19)?

2. Se alguém tivesse mudado a Bíblia, todos os outros que tivessem


conhecimento dessa mudança se oporiam a isso. Nenhum homem
pode mudar todas as Bíblias existentes ou partes dela.

3. O Alcorão afirma, em termos bem certos, que o Taurat, o Zabur e


o Injil foram dados por Alá!

4. O Alcorão também afirma que ninguém consegue mudar as


palavras de Alá (Sura 6:34). Se então o Taurat, o Zabur e o Injil são
palavras de Alá, como alguém poderia conseguir mudá-las?

5. Quando foi a Bíblia mudada? Não poderia ser depois de Maomé,


pois todos os manuscritos bíblicos são datados de antes dele. Não
poderia ser antes, pois o Alcorão teria então acusado os cristãos ou
os judeus por terem feito isso.

6. Quem mudou a Bíblia?

7. Como é que alguém pode crer que a Bíblia foi mudada, se não
receber respostas satisfatórias a pelo menos algumas de nossas
perguntas?

É possível que os muçulmanos digam que o Evangelho original é o


Evangelho de Barnabé. Tal evangelho é forjado, datado do século
14, o que pode ser provado sem dificuldades.

Os muçulmanos também podem argumentar que - conforme o


Alcorão - o Evangelho foi dado a Jesus, (neste caso pensam que o
Evangelho é um livro revelado a Jesus), mas que os nossos
evangelhos foram escritos por Mateus, Marcos, Lucas e João, por
isso não podem ser originais. A Jesus, porém, nunca nenhum
evangelho foi dado! Ele é o ponto central das Boas-Novas do

262
AS RELIGIÕES E APOLOGÉTICA BÍBLICA

Evangelho! Ele é o Evangelho, e não um livro que lhe foi dado. Ele é
o Evangelho das boas-novas através do que Deus se revelou aos
homens. Muçulmanos especialistas neste assunto aparecem com
vários argumentos, questionando o texto bíblico; produzem literatura
sobre isso.

b) Jesus não é o Filho de Deus, nem é divino

Devemos dizer que a crítica islâmica deste ensino bíblico


fundamental é extremamente fraca. O Alcorão ataca a Trindade:
adeptos do Livro, não vos excedais em vossa religião, e não digais
de Deus senão a verdade. O Messias, Jesus, o filho de Maria, nada
mais era do que o Mensageiro de Deus e Sua palavra um sopro de
Seu espírito que Ele fez descer sobre Maria. Acreditai, pois, em Deus
e em Seus Mensageiros e não digais: 'Trindade'. Abstende-vos
disso. É melhor para vós. Deus é um Deus único. Glorificado seja!
Teria um filho? Como! A Ele pertence tudo o que está nos céus e
tudo o que está na terra. Basta-vos Deus por defensor (Sura 4:171).

São descrentes aqueles que dizem que Deus é o Messias, o filho de


Maria, quando o próprio Messias declarou: filhos de Israel, adorai a
Deus, meu Senhor e vosso Senhor'. Em verdade, quem atribuir asso-
ciados a Deus, Deus lhe proibirá o Paraíso e lhe dará o Fogo por
morada. Os iníquos não têm aliados. São descrentes aqueles que
dizem que Deus é o terceiro de três (...) (Sura 5:72-73).

Por que Deus teria tomado a Si um filho? Exaltado seja! Quando


decreta algo, basta-lhe dizer: 'Sê!' para que seja (Sura 19:35).

Podemos ver claramente o entendimento estranho que Maomé tinha


da Trindade. Para ele, era constituída por Alá, Maria e Jesus, e está
implícito que Cristo nasceu de uma relação física entre Alá e Maria.
Não admire que Maomé rejeitou esta idéia. Nós também a

263
AS RELIGIÕES E A APOLOGÉTICA BÍBLICA

rejeitamos!

É interessante, contudo, que na Sura 19 está implícito claramente


que Alá é quem deu origem à gravidez de Maria, assim confirmando
o papel de Deus como pai, embora diferente de uma cópula física.

Que é Trindade?

O que queremos dizer quando falamos sobre nosso Deus trino? Este
conceito é tão impossível de analisar ou imaginar quanto o do próprio
Deus. Tudo que sabemos de Deus percebemos através das coisas
que Ele fez e está fazendo e também pelo que Ele revelou sobre si
mesmo nas Escrituras. Além disso, Deus revelou-se a si mesmo em
Jesus Cristo: ...quem me vê a mim vê o Pai... (João 14.9); Eu e o Pai
somos um (João 10.30).

A filiação divina de Jesus e a Trindade de Deus são mais que


ensinadas explicitamente, verdades implícitas nas Escrituras: Jr
23.5-6; Jr 33.15-16; Is 7.14; Is 9.6; 63.7-10 (a palavra salvador é
tradução verbal do hebraico Jeshua, ou seja, Jesus!). A tradução
verbal de Dt 6.4 também comprova isso. O texto diz: ...o Senhor,
nosso Deus, é um (numa unidade plural). O próprio nome de Deus
(Elohim) é uma forma plural, sublinhando a Trindade. Também nos
Salmos 2.1-7 e 110.1 encontramos referências ao Filho de Deus. O
Novo Testamento nada acrescenta à essência desses ensinos do
AT, mas confirma estas afirmações acerca do Filho e da Trindade
em passagens como (Mt 28.19; 2 Co 13.14) etc.

Deus é demasiadamente grande e diferente de nós para que O


possamos compreender. Deveríamos, porém, crer no que Ele diz
sobre si mesmo.

O Alcorão ataca a divindade de Cristo

Devemos notar a alta consideração que o Senhor Jesus recebe no

264
AS RELIGIÕES E APOLOGÉTICA BÍBLICA

Alcorão:

Ele nasceu de uma virgem (Sura 19:20)

Ele era santo e perfeito (Sura 19:19)

Ele é o Messias (Sura 4:171)

Ele é a Palavra de Deus (!) (Sura 4:l71)

Ele é um espírito vindo de Deus (Sura 4:171)

Ele criou vida (Sura 5:110)

Ele curou os doentes (Sura 5:110)

Ele ressuscitou os mortos (Sura 5:110)

Ele veio com sinais claros (Sura 43:63)

Ele é um sinal para toda a humanidade (Sura 19:21; 21:91)

Ele é ilustre neste mundo e no além (Sura 3:45)

Ele foi levado ao Céu (onde continua a estar) (Sura 4:158)

Ele voltará para o julgamento (Sura 43:63)

Estas são 13 afirmações sobre Jesus Cristo. Poderíamos imaginar


algum homem que jamais tenha vivido, exceto talvez Elias, que
poderia verdadeiramente reivindicar para si mesmo pelo menos três
destas qualidades? Somente a evidência destas afirmações faz de
Jesus mais do que um profeta. Estas 13 qualidades obviamente dão
a Ele uma posição divina.

Como já vimos, tanto o Alcorão como os muçulmanos rejeitam a


divindade de Jesus completamente, mas a Bíblia proclama isso sem
a mínima dúvida e com toda a evidência necessária. Vale a pena
fazer um estudo disso: Jo 14.6; Cl 1.15-20; 1 Jo 5.20; Jo 10.25-33;
Mt 26.63-64; Tt 2.11; Lc 7.48-50; Dn 7.13-14; Fp 2.5-6; Mt 14.32-33;
At 20.27-28; Jo 1.10-12; Jo 5.21-27; Jo 20.26-29; Hb 1.1-4; 2 Co 4.4;

265
AS RELIGIÕES E A APOLOGÉTICA BÍBLICA

Rm 9.4-5.

Baseados nestes textos bíblicos, tente responder às perguntas


seguintes:

1. O que de fato expressa o título filho de Deus? Quais são os


poderes que este título tem?

2. Quando foi que Jesus começou a ser o Filho de Deus?

3. O título Filho de Deus realmente significa que Jesus é Deus?

4. Que significa afirmar que Jesus é a imagem de Deus? Não é


somente o Novo Testamento que ensina que Jesus é o Filho de
Deus; mesmo o Antigo Testamento afirma isso claramente,
profetizando sobre o Messias que viria: Portanto o mesmo Senhor
vos dará um sinal: Eis que uma virgem conceberá e dará à luz um
filho, e será o seu nome EMANUEL (Deus conosco) (Isaías 7.14).

Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu; e o principado


está sobre seus ombros e se chamará o seu nome: Maravilhoso,
Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz (Isaías
9.6).

O Senhor Jesus tem as naturezas divina e humana em si mesmo. A


sua aparência era totalmente humana. Ele tinha de comer, beber,
dormir; sentiu dores, tristeza e mostrou alegria. Ele também sentiu a
necessidade de orar, mas foi a sua divindade que o capacitou a
alimentar cinco mil pessoas com cinco pães e dois peixes, a curar os
leprosos, os aleijados, os paralíticos e os cegos, a ressuscitar os
mortos, a acalmar a tempestade, a perdoar pecados, a andar sobre
as águas e a ressuscitar dentre os mortos.

c) O Islã rejeita a crucificação de Jesus e a sua expiação

Talvez a resistência mais forte do Islã seja contra a crucificação e

266
AS RELIGIÕES E APOLOGÉTICA BÍBLICA

morte do nosso Senhor: E por terem dito: Matamos o Messias,


Jesus, o filho de Maria, o Mensageiro de Deus', quando, na
realidade, não o mataram nem o crucificaram: imaginaram apenas
tê-lo feito. E aqueles que disputam sobre ele estão na dúvida acerca
de sua morte, pois não possuem conhecimento certo, mas apenas
conjecturas. Certamente, não o mataram (Sura 4:157).

O Messias, o filho de Maria, nada mais é do que um Mensageiro, (...)


Adorareis, em vez de Deus, quem não vos pode nem prejudicar nem
beneficiar? (Sura 5:72).

Em muitos livros, panfletos, folhetos, cassetes e vídeos islâmicos,


(alguns deles antigos e outros recentes) esta afirmação é fortalecida
aparentemente como se fosse com base nas Escrituras. Alguns
muçulmanos dizem que Jesus foi pregado na cruz, mas que não
morreu lá. Então realmente não foi crucificado. Ele desmaiou, foi
tirado naquele estado e recuperou-se no túmulo com a ajuda das
mulheres. Outros dizem que Judas foi confundido com Jesus e
crucificado. A palavra crucificar tem origem nas palavras latinas de
cruz = cruz e ficere = fixar. Afirmam que crucificar significa, então,
fixar alguém numa cruz; não necessariamente a morte da pessoa na
cruz; contudo, toda essa argumentação não faz sentido.

A cruz de Jesus sempre foi um escândalo, uma ofensa: Porque os


judeus pedem sinal, e os gregos buscam sabedoria; mas nós
pregamos a Cristo crucificado, que é escândalo para os judeus, e
loucura para os gregos, mas, para os que são chamados, tanto
judeus como gregos, lhes pregamos a Cristo, poder de Deus, e
sabedoria de Deus (1 Co 1.22-24).

Em Gálatas 5.11, lemos sobre o escândalo (ofensa) da cruz. O que é


tão ofensivo na cruz?

267
AS RELIGIÕES E A APOLOGÉTICA BÍBLICA

O sacrifício de Jesus Cristo na cruz mostra que o homem é


completamente incapaz de ir ao Céu, à presença de Deus, pela sua
própria bondade e força. Jesus deixou isso claro, quando disse:
...sem mim, nada podeis fazer (Jo 15.5). Paulo confessa: sei que em
mim não habita bem algum.

O homem precisava e precisa de Jesus, que se tornou o nosso


sacrifício, que morreu em nosso lugar para abrir o caminho ao Céu.
O orgulho do homem faz que ele se rebele contra a sentença de
Deus. Ele se ofende porque Deus não aceita seus esforços pessoais!

d) Expiação

Em Hebreus 9.22, lemos: ...sem derramamento de sangue, não há


remissão. Isto, naturalmente, refere-se ao sangue de sacrifícios. O
Antigo Testamento ensina isso em toda a parte: ... é o sangue que
fará expiação... (Lv 17.11). Expiação significa reconciliação; é a
restauração de uma relação quebrada.

Negar o sacrifício de Jesus na cruz, ou fazê-lo parecer des-


necessário, é uma forma de invalidar a única maneira de o homem
ser salvo, segundo a Bíblia, e isto é exatamente o que o Alcorão faz
ao negar a crucificação de Jesus (Sura 4:157).

Como este é um ponto crucial, devemos utilizar algum tempo para


estabelecer a verdade sobre a crucificação e a morte do Senhor
Jesus Cristo:

1. Quase um terço dos Evangelhos trata da última semana de vida


de Jesus e da sua morte!

2. O sacrifício de Jesus é a conclusão lógica dos ensinamentos do


Antigo Testamento.

3. O Antigo Testamento profetizou a morte de Cristo na cruz com


detalhes enormes.

268
AS RELIGIÕES E APOLOGÉTICA BÍBLICA

4. Temos a narrativa de testemunhas oculares. Que sentido faria


para eles inventar tal história?

5. Cristo predisse a sua morte várias vezes.

6. Existe evidência histórica aceitável da crucificação e da morte de


Jesus.

I. EVIDÊNCIAS DA VERDADE

Vamos ver em mais detalhes alguns destes aspectos acima


mencionados:

a) Relatórios de Testemunhas Oculares

Paulo refere-se a muitas testemunhas oculares para comprovar a


ressurreição: Porque primeiramente vos entreguei o que também
recebi: que Cristo morreu pelos nossos pecados, segundo as
Escrituras, ...e que foi visto... uma vez, por mais de quinhentos
irmãos, dos quais vive, ainda, a maior parte... (1 Co 15.3-6).

O que o apóstolo Paulo parece estar afirmando é: se vocês não


acreditam no que eu estou dizendo, tomem um barco de Corinto para
Jope, vão a Jerusalém e perguntem a eles mesmos!

Pedro dá a evidência de testemunhas oculares: Somente imagine o


que teria acontecido no fim da pregação de Pedro no dia de
Pentecostes, se não tivesse falado a verdade! A Jesus, nazareno,
homem aprovado por Deus entre vós, com maravilhas, prodígios e
sinais... como vós mesmos bem sabeis; a este que vos foi entregue
pelo determinado conselho e presciência de Deus, prendestes,
crucificastes e matastes pelas mãos dos injustos (At 2.22-23).

Lembrem-se de que isso foi somente sete semanas depois da


crucificação! Se não fosse verdade, os ouvintes teriam dito: Querido

269
AS RELIGIÕES E A APOLOGÉTICA BÍBLICA

Simão Pedro, você deve estar sonhando! Quem foi crucificado e


morto?

Quando o Evangelho começou a espalhar-se, o povo de Jerusalém


teria feito objeções à crucificação, em voz alta, se fosse mentira.

Os judeus admitem a crucificação de Jesus (pois eles estavam lá!),


mas negam que Ele era o Messias. Muçulmanos admitem que Jesus
era o Messias, mas negam que Ele foi crucificado; porém eles não
estavam lá, e as afirmações deles foram feitas 600 anos depois do
próprio acontecimento.

b) Historiadores Confirmam a Crucificação

O bem conhecido historiador do primeiro século, Tácito, registrou


que o nome cristão vem a eles de Cristo, que foi executado no reino
de Tibério, pelo procurador Pôncio Pilatos. Tácito era um crítico bem
agudo da fé cristã.

O (quase) contemporâneo historiador judeu, Flávio Josefo, escreveu:


Nesse mesmo tempo apareceu Jesus, que era um homem sábio, se,
todavia, devemos considerá-lo simplesmente como um homem, tanto
suas obras eram admiráveis. Ele ensinava os que tinham prazer em
ser instruídos na verdade e foi seguido não somente por muitos
judeus, mas mesmo por muitos gentios. Era o Cristo. Os mais
ilustres da nossa nação acusaram-no perante Pilatos, e ele fê-lo
crucificar. Os que o haviam amado durante a vida não o abandona-
ram depois da morte. Ele lhes apareceu ressuscitado e vivo no
terceiro dia, como os santos profetas o tinham predito e que ele faria
muitos outros milagres. Ê dele que os cristãos, que vemos ainda
hoje, tiraram seu nome ("Antigüidades Judaicas", Livro Décimo
Oitavo, Flávio Josefo, parágrafo 772).

c) O Cumprimento das Profecias Sobre Jesus no Antigo

270
AS RELIGIÕES E APOLOGÉTICA BÍBLICA

Testamento É Evidência Abundante da Veracidade da Bíblia

Temos visto, ainda que rapidamente, o que os profetas divinos


predisseram. Jesus, o Messias, veio a este mundo segundo as
Escrituras, ou seja, como as Escrituras (o Antigo Testamento)
haviam predito:

a) Ele nasceu 483 anos depois do decreto para edificar Jerusalém,


após a destruição por Nabudonosor, Dn 9.24-26 (ano 445 a.C);

b) Ele nasceria em Belém (Mq 5.2): cumprido em Lc 2.4ss;

c) Nascido de uma virgem (Is 7.14): cumprido em Mt 1.18ss;

d) Seria o próprio Deus (o que não significava que Deus também


não estaria em todos os outros lugares!) (Is 7.14; 9.6): cumprido em
Mt 1.18ss;

e) Seu nome seria Salvador (= Jesus) (Is 49.1-8; 63.8): cumprido em


Mt 1.21;

f) Ele viria para salvar e curar (Is 35.4-5): cumprido em Mt 1.21; Lc


19.10;

g) Jesus entraria em Jerusalém montado num jumento (Zc 9.9):


cumprido em Mt 21.1-11;

h) Seria traído por um amigo (Sl 41.9): cumprido em Mt 27.3-8;

i) Seria vendido por 30 moedas de prata (Zc 11.12s): cumprido em


Mt 26.15;

j) Seria julgado e executado, mas não por males que houvesse feito!
Ele morreria em favor de outros (Is 50.6; 53.1-12): cumprido em Jo
18.28-40;

1) As suas mãos e pés seriam traspassados (Sl 22.1, 7-17):


cumprido conf. Jo 20.27;

271
AS RELIGIÕES E A APOLOGÉTICA BÍBLICA

m) Os seus vestidos seriam divididos, e sortes seriam lançadas


sobre a sua túnica (Sl 22.18): cumprido em Jo 18.23-24;

n) O Santo não veria corrupção (Sl 16.10): cumprido em Lc 24.1-11;

o) Seria elevado ao Céu para se sentar à mão direita de Deus (Sl


110.1): cumprido em Mt 26.64; Hb 1.13;

p) Ele voltará, e todos os habitantes de Jerusalém olharão para


aquele a quem traspassaram (Zc 12.10).

Estas profecias foram entregues entre os anos 1500 a 100 a.C.


Todas descrevem em detalhes admiráveis algo impossível de prever,
mas que se cumpriu em todos os detalhes.

Alguém precisa esperar ainda mais evidências quanto à veracidade


da vida, morte e ressurreição de Jesus? O próprio Deus inspirou os
profetas antigos para que, depois de as profecias serem cumpridas,
nós pudéssemos saber que tudo isso era verdadeiro e ordenado por
Deus. Por causa destes sinais divinos podemos perfeitamente contar
com a veracidade da Bíblia.

Analisando Alguns Versículos:

Há alguns versículos secundários e menos específicos que os


muçulmanos declaram ser profecias relacionadas a Maomé.
Entretanto, os versículos que a maioria dos muçulmanos cita como
os mais explicativos são Deuteronômio 18.15-18 e João 14.16; 15.26
e 16.7.

Em Deuteronômio 18. 15-18 lemos: O Senhor teu Deus te levantará


um profeta como eu, do meio de ti, de teus irmãos. A ele ouvireis.
Conforme a tudo o que pediste ao Senhor teu Deus em Horebe, no
dia da assembléia, dizendo: Não ouvirei mais a voz do Senhor teu
Deus, nem mais verei este grande fogo, para que não morra. Então o
Senhor me disse: Falaram bem naquilo que disseram. Eu lhes

272
AS RELIGIÕES E APOLOGÉTICA BÍBLICA

suscitarei um profeta no meio de seus irmãos, como tu; e porei as


minhas palavras na sua boca, e ele lhes falará tudo o que eu lhe
ordenar.

Estes versículos são tidos universalmente pelos muçulmanos como


uma profecia relativa a Maomé.1 Há várias razões porque acreditam
que essa passagem não pode ser uma referência a Jesus. Primeira,
o Profeta Prometido deveria ser um Profeta Legislador. Jesus não
apresentou nenhuma declaração referente a uma nova lei. Segunda,
o Profeta Prometido seria suscitado não dentre Israel, mas dentre
seus irmãos e Jesus era um israelita. Terceira, a profecia diz: ...porei
as minhas palavras na sua boca... mas os evangelhos não consistem
de palavra que Deus pôs na boca de Jesus, eles apenas nos contam
a história de Jesus e o que Ele disse em alguns de seus discursos
públicos e o que os seus discípulos disseram ou fizeram em
ocasiões diferentes. Quarta, o Prometido deveria ser um profeta. O
ponto de vista cristão é que Jesus não era um profeta, mas o Filho
de Deus.2 Nesse sentido o muçulmano salientará semelhanças entre
Maomé e Moisés. Cada um deles surgiu dentre idólatras. Ambos são
legisladores. Inicialmente foram rejeitados pelo seu povo e tiveram
de se exilar. Retornaram posteriormente para liderar suas nações.
Ambos casaram e tiveram filhos. Após a morte de cada um, os seus
sucessores conquistaram a Palestina.

A conclusão muçulmana é que esta profecia foi cumprida somente


por Maomé: se estas palavras não se aplicam a Maomé, elas ainda
permanecem sem cumprimento. 3

Antes de prosseguir, analisaremos primeiramente estes pontos. A


primeira objeção levantada contra esta profecia ter sido cumprida em
Jesus foi a de que Jesus não foi um legislador. Os muçulmanos que
afirmam isso demonstram apenas falta de compreensão do Novo

273
AS RELIGIÕES E A APOLOGÉTICA BÍBLICA

Testamento. Vejamos o Evangelho de João 13.34 e a Epístola aos


Gálatas 6.2: Novo Mandamento vos dou: que vos ameis uns aos
outros; assim como eu vos amei, que também vos ameis uns aos
outros. Levai as cargas uns dos outros, e assim cumprireis a lei de
Cristo.

A próxima objeção foi que irmãos devem se referir aos ismaelitas,


não aos próprios israelistas. Este argumento pode ser refutado
facilmente. Basta verificar como o termo irmãos é usado na Bíblia.
Um exemplo irrefutável encontra-se no próprio livro de Deuteronômio
17.15. Moisés instrui os israelitas: Porás certamente sobre ti como rei
aquele que escolher o Senhor teu Deus, dentre teus irmãos porás
reis sobre ti. Não poderás pôr homem estranho sobre ti, que não seja
de teus irmãos. Ora, alguma vez Israel estabeleceu algum
estrangeiro como rei? É claro que não! Escolher um rei entre os teus
irmãos refere-se a escolher alguém de uma das 12 tribos de Israel.
Da mesma forma, o Profeta Prometido de quem se fala no livro de
Deuteronômio 18 deveria ser um israelita.

Outra objeção à passagem de Deuteronômio 18.15-18 é que


supostamente os evangelhos não consistem das palavras que Deus
deu a Jesus, extremamente importante à luz do versículo 18.
Entretanto, dizer que Jesus não fala de Deus Pai, revela novamente
falta de conhecimento do Novo Testamento: Porque eu não tenho
falado de mim mesmo; mas o Pai, que me enviou, ele me deu
mandamento sobre o que hei de falar. E sei que o seu mandamento
é a vida eterna. Portanto, o que eu falo, falo-o como o Pai mo tem
dito (Jo 12.49-50).4

Percebemos outra vez que os muçulmanos têm pouca familiaridade


com o Novo Testamento. O próprio Jesus, profetizando sua morte
iminente, disse que deveria continuar sua jornada até Jerusalém:

274
AS RELIGIÕES E APOLOGÉTICA BÍBLICA

Importa, porém, caminhar hoje, amanhã, e no dia seguinte: para que


não suceda que morra um profeta fora de Jerusalém (Lc 13.33).5

O muçulmano salientará que as muitas semelhanças entre Moisés e


Maomé ainda não foram explicadas. É verdade que existem muitas
analogias, mas também muitas diferenças. Por exemplo, se Maomé
era analfabeto como a maioria dos muçulmanos afirma, então ele
não era como Moisés que foi instruído em toda a ciência dos
egípcios... (Atos 7.22). Diz-se que Maomé recebeu suas revelações
de um anjo. Moisés, porém, recebeu a Lei diretamente de Deus.
Maomé não operou nem sinais nem milagres para corroborar o seu
chamado. Moisés, entretanto, executou muitos sinais. Maomé era
árabe, Moisés, era israelita. Analisando os evangelhos, percebemos
que Jesus era diferente de Moisés em alguns aspectos, em outros,
muito parecido. Ambos eram israelitas, o que é muito importante à
luz do que aprendemos sobre a expressão "entre os teus irmãos".
Ambos deixaram o Egito para ministrar a seu povo (Mt 2.15; Hb
11.27). Ambos renunciaram a grandes riquezas a fim de melhor se
identificar com seu povo (Jo 6.15; 2 Co 8.9; Hb 11.24-26).

Dessa maneira, percebemos que tanto Jesus como Maomé tiveram


semelhanças com Moisés. Em que sentido então este Profeta
Prometido seria semelhante a Moisés? A resposta encontra-se em
Deuteronômio 34.10-12, porquanto duas características peculiares
de Moisés são mencionadas: Nunca mais se levantou em Israel
profeta algum como Moisés, a quem o Senhor conhecera face a
face; Nem semelhante em todos os sinais e maravilhas, que o
Senhor o enviou para fazer na terra do Egito, a Faraó, e a todos os
seus servos e a toda a sua terra. E em toda a mão forte, e em todo o
grande espanto, que praticou Moisés aos olhos de todo o Israel.

Esta é uma referência direta a Deuteronômio 18.15-18. Referindo-se

275
AS RELIGIÕES E A APOLOGÉTICA BÍBLICA

à profecia anterior, duas características de Moisés são mencionadas


aqui: a primeira é que o Senhor conhecia Moisés face a face.6
Maomé nunca teve esse tipo de relacionamento com Deus. Deus é
tão transcendente no Islamismo que, exceto no caso de Moisés,
nunca falou diretamente com o homem. Jesus, o verbo feito carne
(Jo 1.14), é o único que teve relacionamento com Deus, assim como
Moisés. De fato, o relacionamento de Jesus ultrapassa em muito o
de Moisés: No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o
Verbo era Deus (Jo 1.1).

Pouco é preciso falar sobre a segunda característica de Moisés. Os


muitos milagres que tanto Jesus como Moisés operaram são bem
conhecidos. O próprio Alcorão testifica que Maomé não operou
milagres,7 mas que Jesus operou milagres.8

Finalmente, Jesus diz-nos quem é o Profeta Prometido que


Deuteronômio 18.15-18 profetiza: Porque se crêsseis em Moisés,
creríeis também em mim, porque de mim escreveu ele (Jo 5.46).9

Evangelho de João 14.16; 15.26; 16.7

Os muçulmanos afirmam que os versículos que falam do Consolador


vindouro (Paracletos no original grego) são, na verdade, referências
à vinda de Maomé, a razão para isto é que o Alcorão faz Jesus dizer
que após Ele seria enviado um apóstolo, cujo nome será Ahmad
(Alcorão 61.6). O que segue é o comentário de Yusuf Ali sobre este
versículo: Ahmad ou Muhammad o Louvado, é quase uma tradução
da palavra grega Periclytos. No atual evangelho de João, XVI. 16 XV
26 e XVI. 7, a palavra Confortador na versão inglesa é para a palavra
grega Paracletos que significa Advogado, aquele chamado para
ajudar um outro, um amigo, bondoso, mais do que Confortador.
Nossos doutores sustentam que Paracletos é uma leitura corrompida
de Periclytos, e que em seu (sic) discurso original de Jesus havia

276
AS RELIGIÕES E APOLOGÉTICA BÍBLICA

uma profecia de nosso santo profeta Ahmad pelo nome.10 Assim, os


muçulmanos acreditam que todas as nossas Bíblias foram
corrompidas e que João realmente usou a palavra Periclytos nesses
versículos, e não a palavra Paracletos.

Ao examinar a afirmação muçulmana de que o texto foi corrompido,


a crítica textual deveria muito corretamente olhar para a verdadeira
evidência textual. Há mais de 24 mil cópias manuscritas do Novo
Testamento que datam antes de 350 a.D.11 Não existe um sequer
dos manuscritos que contenha essas passagens e possamos
encontrar a palavra periclytos usada. A palavra que achamos
utilizada todas as vezes é paracletos. Assim absolutamente não há
evidência textual que possa apoiar sua alegação de que o texto
tenha sido corrompido. A posição muçulmana é ainda mais
lamentável quando lemos cuidadosamente estes versículos para
vermos o que Jesus estava dizendo. Há muita coisa que poderia ser
dita a respeito de cada versículo; entretanto, limitaremos nosso
exame às discrepâncias óbvias entre a posição islâmica e o que
realmente está sendo dito: Eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro
Consolador,12 para que fique convosco para sempre (Jo 14.16).
Primeiramente, Jesus disse que o Pai vos dará outro Consolador. A
quem Jesus estava se dirigindo nesses versículos? Aos árabes, ou
mais especificamente, aos ismaelitas? É claro que não. Ele está
falando aos crentes judeus. Por conseguinte, o Consolador deveria
ser enviado inicialmente a eles. E isto não pode referir-se a Maomé.

Segundo este versículo afirma que o Paracletos, o Consolador:


esteja convosco para sempre. Como isto pode aplicar-se a Maomé?
O profeta muçulmano morreu e foi enterrado há mais de 1.300 anos.

No capítulo 14 e versículo 17 do Evangelho de João diz: o Espírito


da verdade, que o mundo não pode receber, porque não o vê nem o

277
AS RELIGIÕES E A APOLOGÉTICA BÍBLICA

conhece. Mas vós o conheceis, pois habita convosco, e estará em


vós. Aqui, o Espírito da verdade é usado com um outro título ou sinô-
nimo para Paracleto. Vemos a partir deste versículo que o Paracleto
estaria em vós. Outra vez, é impossível reconciliar esta declaração
com a posição islâmica.

A declaração do Senhor Jesus no Evangelho de João 14.26


desmonta completamente a hipótese islâmica de que Maomé era
verdadeiramente aquele profetizado nos versículos que tratam do
Consolador (ou Paracleto): Mas o Consolador, o Espírito Santo que o
Pai enviará em meu nome, vos ensinará todas as coisas e vos fará
lembrar de tudo o que vos tenho dito. Jesus disse que o Consolador
é o Espírito Santo. Esta é a razão pela qual todos os apologistas
muçulmanos deixam este versículo de fora, citando somente os
versículos que lhes agradam.

O Consolador foi dado aos discípulos de Jesus. Ele vos dará, e


Maomé não foi seu discípulo. Jesus disse que os discípulos
conheciam o Consolador: Vós o conheceis, e eles não conheciam
Maomé, que não nasceu senão seis séculos depois. Jesus disse que
o Consolador seria enviado em seu nome (em nome de Jesus). Mas
nenhum muçulmano crê que Maomé tenha sido enviado por Jesus,
em seu nome. Jesus disse que o Consolador não falaria de si
mesmo (Jo 16.30-31), ao passo que Maomé constantemente testifica
de si mesmo no Alcorão.13 A Bíblia diz claramente que o Consolador
iria glorificar a Jesus (Jo 16.14), e Maomé declara substituir Jesus,
na condição de profeta posterior.

O Senhor Jesus ordenou a seus discípulos em Atos 1.4-5: E,


estando com eles, determinou-lhes que não se ausentassem de
Jerusalém, mas que esperassem a promessa do Pai, que (disse ele)
de mim ouvistes. Porque, na verdade, João batizou com água, mas

278
AS RELIGIÕES E APOLOGÉTICA BÍBLICA

vós sereis batizados com Espírito Santo, não muito depois destes
dias. Estes versículos aplicam-se realmente a Maomé, que surgiu
600 anos depois em Meca? A luz do texto bíblico, a interpretação
islâmica é impossível. O cumprimento das palavras do Senhor Jesus
ocorreu dez dias depois, no dia de Pentecostes (Atos 2.1-4) e não
seis séculos depois, a centenas de milhas de Jerusalém.

Portanto, não há base alguma para se concluir que o Profeta


Prometido de Deuteronômio 18.15-18 e o Consolador de João 14.16;
15.26 e 16.7 sejam profecias a respeito de Maomé como declara o
Islamismo. Blaise Pascal resumiu sucintamente a questão: Qualquer
homem pode fazer o que [Maomé] fez; porque ele não operou
milagres, ele não foi predito. Nenhum homem pode fazer o que
Cristo fez.

J. A ESCRITURA SAGRADA DO ISLAMISMO – O ALCORÃO

Devemos iniciar nosso estudo da apologética muçulmana examinando


a sua fonte de autoridade mais respeitada, o Alcorão. Para os
muçulmanos, esta é a palavra pura de Deus, sem nenhuma mistura de
pensamento ou teor humano. De fato, muitos muçulmanos possuem
um zelo tão intenso pelo Alcorão que se ressentem profundamente se
um não muçulmano não possuí-lo.

O termo corão vem de uma palavra árabe que significa '-leitura' ou


'recitação', os muçulmanos afirmam que o Alcorão foi dado a Maomé
em língua árabe, parte por parte, durante um espaço de tempo de 23
anos até a sua morte (Alcorão 43.3; 44.58; 17.106). A apologética
muçulmana do Alcorão cobre quatro áreas principais: Sua preservação,
eloqüência, profecias alegadas e compatibilidade com a ciência
moderna.

279
AS RELIGIÕES E A APOLOGÉTICA BÍBLICA

1. A AFIRMAÇÃO ISLÂMICA DA PRESERVAÇÃO DO ALCORÃO

Referindo-se à autenticidade presente do Alcorão, Maulvi


Muhammad Ali faz a grandiosa declaração que segue: No que tange
à autenticidade do Alcorão, eu não preciso deter o leitor por muito
tempo. De um extremo do mundo ao outro, da China no Extremo
Oriente a Marrocos e Argélia no Ocidente, das ilhas dispersas do
Oceano Pacífico ao grande deserto da África, o Alcorão é um, e
nenhuma cópia que difira sequer num ponto diacrítico pode ser
encontrada em posse de um dos 400 milhões de muçulmanos. Há, e
sempre houve, seitas rivais, mas o mesmo Alcorão é aposse de um
e de todos... Um manuscrito com a mais leve variação no texto é
desconhecido.

Assim, os muçulmanos não apenas acreditam que o Alcorão seja a


palavra de Deus in toto, mas também estão seguros de que nenhum
erro, alteração ou variação tocou-o desde seu começo. Esta,
portanto, é uma de suas provas de que o Alcorão é um milagre de
Deus.

K. O MILAGRE DO ALCORÃO – A RESPOSTA CRISTÃ

A Preservação do Alcorão – Mohammad Marmaduke Pickthall, em "The


Meaning of The Glorious Koran", diz-nos que na época da morte de
Maomé as suratas (ou capítulos) do Alcorão ainda não haviam sido
compiladas. Isto foi completado apenas durante o califado de Abu Bakr.

O segundo Califa, Ômar, subseqüentemente fez um único volume


(mus-haf) que ele preservou e deu na ocasião de sua morte à sua filha
Hafsa, a viúva do Profeta. Finalmente, sob o califado de Uthman,
ordenou-se que todas as cópias do Alcorão fossem trazidas e qualquer

280
AS RELIGIÕES E APOLOGÉTICA BÍBLICA

uma que divergisse do texto de Otman foi queimada.

Nós não discutimos a posição islâmica de que desde a revisão de


Otman o Alcorão permaneceu intacto. Entretanto, por causa da
destruição de todas as cópias discordantes, ninguém pode saber com
certeza se o Alcorão como temos é exatamente o mesmo que Maomé
os entregou.

O Islamismo ensina que a única razão pela qual Otman queimou todas
as outras coletâneas do Alcorão era porque havia variações dialéticas
de somenos nos diferentes textos. Entretanto, há algumas evidências
que tendem a refutar isto.

Primeiramente, é muito significativo que os Qurra, os muçulmanos que


haviam memorizado o Alcorão completo, foram contrariados
veementemente pela revisão. Segundo, os Xiitas, que são a segunda
maior seita no mundo islâmico, declaram que o Califa Otman eliminou
intencionalmente muitas passagens do Alcorão que se relacionavam a
Ali e à sucessão da liderança que ocorreria depois da morte de
Maomé.

L. Bevan Jones, em sua obra "The People of the Mosque", responde


sucintamente o argumento muçulmano para a suposta preservação
miraculosa do Alcorão: Mas conquanto possa ser verdade que
nenhuma outra obra tenha permanecido por doze séculos com um
texto tão puro, é igualmente provável verdade que nenhuma outra
tenha sofrido tamanho expurgo.

1. A AFIRMAÇÃO ISLÂMICA DA ELOQUENCIA DO ALCORÃO

Uma segunda asserção feita para provar a origem sobrenatural do


Alcorão, encontrada na Surata 17:88, é que sua beleza e eloqüência
provam que seu autor é Deus: Dize-lhes: Mesmo que os humanos e

281
AS RELIGIÕES E A APOLOGÉTICA BÍBLICA

os gênios se tivessem reunido para produzir coisa similar a este


Alcorão, jamais teriam feito algo semelhante, ainda que se
ajudassem mutuamente.

Em uma nota de rodapé na sua tradução do Alcorão, Yusuf Ali


declara: nenhuma composição humana poderia conter a beleza,
poder e discernimento espiritual do Alcorão.

Entretanto, os muçulmanos não acreditam que o Alcorão seja um


milagre somente por causa de sua eloqüência e beleza, mas
também porque a Surata 157 refere-se a Maomé como o profeta
iletrado. Acreditando que ele era analfabeto, eles perguntam como
tal homem poderia produzir o Alcorão.

Uma declaração final a respeito da realização literária do Alcorão é


que ele é tão coerente do começo ao fim que nenhum homem
poderia tê-lo arquitetado. Suzanne Haneef pergunta: Como o
Alcorão inteiro poderia ser tão completamente coerente se não se
originou de Deus?

Eloqüência do Alcorão - A Resposta Cristã

A respeito da beleza, estilo e eloqüência do Alcorão, qualquer leitor


imparcial teria de admitir que certamente é verdade a respeito da
maior parte dele. Entretanto, a eloqüência por si mesma é
dificilmente um teste lógico para a inspiração. Se esse fosse o
critério utilizado para julgar uma obra, então teríamos de dizer que
os autores de muitas das grandes obras da antigüidade foram
inspirados por Deus. Homero teria de ser um profeta para produzir a
magnífica Ilíada e a Odisséia. Na língua inglesa, Shakespeare é
ímpar como dramaturgo, mas seria absurdo que por causa disso
disséssemos que suas tragédias tiveram inspiração divina. Da
mesma maneira para com a eloqüência do Alcorão.

282
AS RELIGIÕES E APOLOGÉTICA BÍBLICA

Mas, e a respeito da coerência do Alcorão? Pode ser utilizada para


demonstrar que esta escritura muçulmana foi inspirada? Para
começar, pode-se mostrar que o Alcorão não é totalmente coerente,
mas, ao contrário, possui contradições de vulto nele.23 E ainda que
consentíssemos com a tese de que o Alcorão é totalmente
concorde, isto ainda não provaria coisa alguma. Em um ensaio
intitulado "How Muslims Do Apologetics" o Dr. John Warwick
Montgomery demonstra isto para nós: Esta apologética é também
de pouco efeito porque a coerência de um escrito não prova que
seja uma revelação divina. A geometria de Euclides, por exemplo,
não se contraria a si mesma em nenhum ponto, mas ninguém afirma
que por isso esta é uma obra divinamente inspirada em algum
sentido excepcional. 24

E por fim, o que dizer a respeito do suposto analfabetismo de


Maomé? Antes de mais nada, há bastante evidência contra isso,
mas, mesmo se aceitássemos o fato de que Maomé não podia ler
nem escrever, isso não faria o Alcorão miraculoso. Por quê? Porque
todos os muçulmanos sabem, que ele tinha tido pelo menos vários
amanuenses ou escribas; e, portanto, ele poderia facilmente ter
composto o Alcorão dessa forma isto não seria excepcional, pois há
precedentes para isso. Um exemplo que seria familiar à maioria das
pessoas diz respeito a Homero. Ele era cego e assim, com toda
probabilidade, não podia escrever. Ainda assim, ele foi o autor da
Ilíada e da Odisséia, os dois maiores épicos do mundo antigo. Da
mesma maneira, a questão se Maomé era ou não realmente
analfabeto não tem relação com o caso em questão.

2. A AFIRMAÇÃO ISLÂMICA SOBRE AS PROFECIAS NO


ALCORÃO

283
AS RELIGIÕES E A APOLOGÉTICA BÍBLICA

O Alcorão fala muito pouco profeticamente, se de fato ele profetiza


afinal de contas. Daí, poucos apologistas muçulmanos utilizarem a
profecia cumprida como prova de sua fé. Entretanto há uma série de
versículos no Alcorão que prometem que os muçulmanos serão
vitoriosos tanto em seu próprio país como no exterior.25 Maulana
Muhammad Ali discute estas profecias detalhadamente em sua obra
"The Religion of Islam": ...nós encontramos profecia após profecia
publicada nos termos mais seguros e certos no sentido de que as
grandes forças de oposição seriam arruinadas. .. que o Islamismo
se espalharia para os cantos mais longínquos da terra e que seria
finalmente triunfante sobre todas as religiões do mundo.26

Profecias no Alcorão - Resposta Cristã

Podemos dizer que a vasta expansão do Islamismo, predita por


Maomé, é cumprimento de profecia? Se nós pensarmos nisto de
ponta a ponta por um momento, eu creio que podemos facilmente
responder não.

Para começar, um líder prometendo uma vitória às suas tropas ou


seguidores, no mínimo não é nem um pouco excepcional. Todo
comandante ou general o faz a fim de inspirar seu exército e
levantar o seu moral. Se, então, eles são vitoriosos, ele é vindicado;
se eles perdem, então nunca ouvimos de suas promessas porque
elas, com o seu movimento, são esquecidas.

Além disso, o muçulmano tinha vários incentivos importantes a


considerar enquanto lutava para promover a causa do Islamismo.
Se ele morresse, ele seria admitido no paraíso. Se continuasse vivo
e fossem vitoriosos na batalha, os soldados muçulmanos poderiam
dividir quatro quintos do despojo.

Há uma outra razão para que o Islamismo se expandisse tão

284
AS RELIGIÕES E APOLOGÉTICA BÍBLICA

rapidamente no início. Se olharmos para algumas das imposições


do Alcorão a respeito do que os incrédulos poderiam esperar das
mãos dos muçulmanos, fica fácil de entender porque tantos se
submeteram, como encontramos na Surata 5:33-3427 O castigo,
para aqueles que lutam contra Deus e Seu Apóstolo e semeiam cor-
rupção na terra, consiste em que sejam matados, crucificados, ou
lhe seja decepada a mão e o pé oposto, ou banidos. Exceto aqueles
que se arrependerem antes de caírem em vosso poder; sabei que
Deus é indulgente, misericordiosíssimo.

Os politeístas tinham duas escolhas, submissão ou morte.

Os cristãos e os judeus tinham uma terceira alternativa, pagar


pesados tributos (Alcorão 9.5, 29).

Um último ponto a ser considerado é que se o crescimento rápido e


amplo de um movimento indicasse o favor divino, então o que
diríamos dos conquistadores como Genghis Khan? Ele consolidou
as tribos mongóis e, em um espaço de tempo mais curto do que o
do Islamismo antigo, conquistou uma área geográfica muito maior.
Seu sucesso militar evidenciaria que ele era dirigido por Deus? E o
que dizer a respeito do próprio crescimento do Islamismo que foi
freado no Ocidente por Carlos Marrei (a.D. 732) e o Oriente por
Leão III (a.D. 740)? Significaria que eles haviam perdido o favor de
Alá? E sobre a história posterior de muitas nações islâmicas que
sofreram o ultraje de tornarem-se colônias das então potências
mundiais? Não, nós não podemos encontrar nada misterioso ou
sobrenatural sobre o surpreendente crescimento primitivo do
Islamismo e sua subseqüente queda.

3. A AFIRMAÇÃO ISLÂMICA DA CIÊNCIA E O ALCORÃO

285
AS RELIGIÕES E A APOLOGÉTICA BÍBLICA

Finalmente, existe uma obra "A Bíblia, o Alcorão e a Ciência" escrita


por um cirurgião francês chamado Maurice Bucaille, que tenta
demonstrar a origem divina do Alcorão ao mostrar a sua
supostamente notável afinidade com a ciência moderna. Depois de
citar um certo número de exemplos, o Dr. Bucaille concluiu que
levarão a julgar inconcebível que um homem, vivendo no século 7
da era cristã, pudesse, sobre os assuntos mais diversos, emitir no
Alcorão ideias que não são só de sua época, e que concordarão
com o que se demonstrará séculos mais tarde. Para mim, não existe
explicação humana para o Alcorão.28

A Ciência e o Alcorão - Resposta Cristã

Ao responder ao Dr. Bucaille, devemos primeiro salientar que a


maior parte do livro não trata do Alcorão e ciência. Ao contrário
disso, a sua maior parte é uma tentativa (utilizando-se técnicas da
autocrítica) de desacreditar a Bíblia. As porções de seu livro que
tentam mostrar que o Alcorão está em concordância surpreendente
com o conhecimento científico são muito vagas.

Entretanto, e se nós concordássemos com sua tese de que as


afirmações do Alcorão estão em total harmonia com a ciência
moderna? O Dr. Bucaille declara que se isto fosse verdade, então
Esta última constatação torna inaceitável a hipótese daqueles que
vêem em Mohammad o autor do Alcorão.29 Eu concordo com sua
conclusão, supondo que sua tese seja a verdade. Se o Alcorão
contém afirmações científicas detalhadas que temos descoberto
recentemente serem verdade e ainda, se foram escritas no sétimo
século a.D., então poderia não ser simplesmente produção de
Maomé. Mas isto não indica a fonte da informação, e somente
demonstra que nenhum ser humano poderia tê-lo escrito sem ajuda
sobre-humana.

286
AS RELIGIÕES E APOLOGÉTICA BÍBLICA

Se, de fato, o Alcorão teve uma origem sobrenatural, ainda somos


deixados com a tarefa de encontrar quem foi essa fonte. O Dr.
Bucaille presume que foi Deus. Mas por quê? Se pararmos e
pensarmos um momento, perceberemos que há outros seres
sobrenaturais além de Deus. Um destes seres é conhecido na Bíblia
como Satanás, assim como no Alcorão. A Bíblia nos diz que ele está
na terra há tanto tempo quanto o homem, que ele tem poder e
inteligência muito superiores aos nossos, e que ele é o pai da
mentira (Jo 8.44). Sussurrar alguns fatos científicos nos ouvidos de
alguém não seria uma grande proeza para ele. Para dizer a
verdade, a Bíblia diz que ele aparece aos homens de tempos em
tempos: porque o próprio Satanás se transforma em anjo de luz (2
Co 11.14). É interessante que este tenha sido exatamente o temor
inicial que Maomé sentiu a primeira vez que a voz falou a ele.

Ao concluir esta secção sobre o Alcorão, o leitor pode estar


interessado em saber que muitas das histórias e relatos
encontrados no Alcorão são reconhecíveis (atribuíveis a) histórias
muito semelhantes (algumas vezes quase idênticas) encontradas
em escritos pré-islâmicos. Recomendaríamos ao leitor o clássico de
Clair-Tisdall "The Sources of Islam", do Ver. W. Goldsack, "The
Origins of the Qur'na", e de Samuel M. Zwemer Islam: "A Challenge
of Faith". Também seria importante a leitura do livro "Esperanza
para los Musulmanes" de Don McCurry, Editorial UNILIT - Miami -
Flórida.

L. OUTROS ELEMENTOS QUE DEVEMOS SABER PARA


COMPARTILHAR O EVANGELO COM OS MUÇULMANOS

A evangelização dos muçulmanos é um dos maiores desafios da Igreja,


isso porque nenhuma religião do mundo odeia tanto a cruz de Cristo

287
AS RELIGIÕES E A APOLOGÉTICA BÍBLICA

como o Islamismo; e, além disso, ensinam seus adeptos a opor-se ao


Cristianismo. Alguns muçulmanos, principalmente do MAGREB (Norte
da África) não fazem distinção alguma entre fé cristã e cultura
européia. Evangelizar os muçulmanos é entrar num verdadeiro campo
de batalha, por isso requer-se dos missionários a eles enviados um
preparo especial.

1. O PROBLEMA CULTURAL

Um grande número de muçulmanos vive em antigas colônias.


Podem ser muito suscetíveis ao racismo ou a atitudes paternalistas.
Podem manifestar para com os cristãos (os ocidentais) muita
desconfiança e hostilidade, que encorajam e reforçam a ignorância e
o analfabetismo. As várias formas de pensamento variam através do
mundo muçulmano e estão freqüentemente em profundo contraste
com o pensamento ocidental. É muito importante estudar a cultura
islâmica, para que esses obstáculos sejam ultrapassados.

2. O PROBLEMA PSICOLÓGICO

A sociedade muçulmana exige uma conformidade estrita da parte


dos seus cidadãos. A opinião do indivíduo conta pouco. O que a
comunidade pensa é muito mais importante. O comportamento de
um indivíduo é controlado de tal maneira pela sociedade que quase
não resta espaço para uma ação independente. Daí resulte que o
muçulmano não está habituado a tomar decisões pessoais, como
aceitar o Evangelho.

Há um provérbio árabe que diz: num país em que ninguém te


conhece podes fazer o que te apetece. É apenas fora de seu país
que um muçulmano fica livre das restrições da sua religião e da

288
AS RELIGIÕES E APOLOGÉTICA BÍBLICA

sociedade. Mas mesmo fora de seu país, a influência psicológica da


religião e da sociedade é muito forte e um muçulmano tem difi-
culdade em agir de forma independente e em aceitar a fé cristã.

3. O PROBLEMA DA COMUNICAÇÃO

A cultura islâmica e a língua árabe determinam a forma de


pensamento. Muitas vezes cristãos e muçulmanos atribuem sig-
nificados diferentes à mesma palavra, por exemplo: (pecado, ora-
ção, fé, Filho de Deus). Quem deseja partilhar sua fé com um
muçulmano deve procurar utilizar termos simples e defini-los de
forma a assegurar que foram bem compreendidos.

4. TRÊS REQUISITOS PRÉVIOS

Há três áreas, portanto, que são simples, porém de capital


importância, que devem ser examinadas antes de movermos a
outros temas teológicos que estão também incluídos.

a. Ser Cheio do Espírito Santo

Um dos pontos mais críticos ao testificar a um muçulmano é que


devo estar cheio do Espírito Santo. Jesus disse em João 15.26-
27: Mas quando vier o Consolador, que eu da parte do Pai vos
hei de enviar, aquele Espírito de verdade, que procede do Pai, ele
testificará de mim. E vós também testificareis, pois estivestes
comigo desde o princípio. O sucesso em testificar consiste
simplesmente em compartilhar, no poder do Espírito Santo,
deixando os resultados a Deus. Deus é soberano e pode operar
apesar das nossas imperfeições. Satanás gosta de colocar na
mente de quem está pregando que essas pessoas estão longe do
Reino de Deus, e que não vale a pena continuar. Para vencer

289
AS RELIGIÕES E A APOLOGÉTICA BÍBLICA

esse pensamento e continuar perseverando devemos ser cheio


do Espírito Santo.

b. Orar em Todo Tempo

Devemos orar pedindo que um muçulmano possa entrar no Reino


de Deus, se não o fazemos, não vale a pena nem sequer
começar. O Islã está baseado numa pressuposição: O
Cristianismo é falso. O muçulmano declara que sua religião existe
porque o Cristianismo tem se corrompido, e se ele aceita que o
Cristianismo é a verdade, ele deverá admitir que o Islã não tem
razão de existir.

Os muçulmanos são as pessoas mais difíceis de evangelizar e


haverá momentos que você se sentirá desanimado e terá a tenta-
ção de abandonar totalmente. Não desanime! Pare um momento,
clame ao Senhor em oração e continue avante com suas forças.

O Islamismo ensina que o muçulmano não deve duvidar em


perseguir e ainda matar a uma pessoa que deixe o Islão e se
converta ao Cristianismo. Quatro ex-muçulmanos no Egito foram
processados na corte como traidores ao Islão e receberam
condenação entre cinco e dez anos de prisão. A corte citou uma
lei que proíbe a difamação de qualquer das três religiões:
Cristianismo, Islamismo e Judaísmo, portanto eles foram
acusados de difamar o Islão para converter-se ao Cristianismo.
Por exemplo, os assassinos de Sadat, o anterior presidente do
Egito, diziam que seu tratado de paz era uma afronta ao
Islamismo. É por esse tipo de hostilidade, não contra nós
pessoalmente, mas contra a fé cristã, que o muçulmano cresce.
Portanto, não se pode evangelizar um muçulmano sem estar
cheio do Espírito Santo e sem ter orado previamente.

290
AS RELIGIÕES E APOLOGÉTICA BÍBLICA

c. Demonstrar Amor

A mídia no Ocidente tem feito um excelente trabalho para fazer


crer que os muçulmanos são odiados. Quando a maioria das
pessoas pensa nos muçulmanos geralmente os relaciona com
Khomeini, e com os petrodólares. Em geral, não existe
compaixão nem interesse para que eles conheçam a Cristo, e
tampouco existe consciência de que eles estão perdidos.

Muitas vezes eles são vistos como os terroristas muçulmanos.


Mas temos direito de afirmar que cerca de um bilhão da
população mundial possa ser todo terrorista? E, ainda que isto
fosse verdade, como crentes não podemos odiá-los.
Necessitamos do amor cristão para combater essas ideias
equivocadas e restaurar nossa luta por aqueles que estão
perdidos sem Cristo.

A segunda razão, pela qual necessitamos demonstrar amor, é


que somente o amor nos preservará de desanimarmos quando
um muçulmano rejeita a Cristo. Sem amor é tão fácil parar de orar
por eles, ou deixar de encontrar-se com eles. Os muçulmanos
sentem pena dos cristãos, eles nos consideram uns blasfemos
que têm perdido o rumo. Eles crêem que estão pregando a Deus,
e querem levar-nos à verdade, se necessário até por força. Mas
através do amor, eles podem conhecer a Cristo.

Uma terceira razão pela qual necessitamos amor é porque é a


única coisa que o muçulmano não pode argumentar. Você pode
falar de Iraque e de Irã, duas nações muçulmanas que lutaram
entre si por oito anos e eles podem dizer: e o que acontece na
Irlanda entre católicos e protestantes? Se você mostrar argu-
mentos da Bíblia eles lhe mostrarão argumentos do Alcorão.
Você argumenta sobre Cristo e eles sobre Maomé. Tome qual-

291
AS RELIGIÕES E A APOLOGÉTICA BÍBLICA

quer argumento que você quiser e o muçulmano terá uma res-


posta para contradizê-lo. Mas faça a obra com amor incondicional
e aceitação, e verá que eles não poderão fazer nada para
devolver-lhe este amor.

Essas três coisas, ser cheio do Espírito Santo, oração e amor são
muitíssimo mais importantes do que conhecer tudo sobre o
Islamismo ou o Alcorão, se bem que é verdade que nós podemos
conhecer mais coisas sobre os muçulmanos. Duvido que alguém
possa levar um muçulmano a Cristo, se não estiver cheio do
Espírito, sem oração e amor. De modo que estas três coisas
serão uma evidência para eles.

292
AS RELIGIÕES E APOLOGÉTICA BÍBLICA

293
AS RELIGIÕES E A APOLOGÉTICA BÍBLICA

CAPÍTULO 08

SANTO DAIME

A. INTRODUÇÃO

São bem oportunas as palavras bíblicas de Romanos 1.22: Dizendo-se


sábios, tornaram-se loucos, quando nos propomos a falar sobre o
grupo religioso Santo Daime. Dizemos isso porque, nesse grupo
religioso, aparentemente desconhecido, existem celebridades da TV
que já se pronunciaram publicamente como membros dele. E não é só
isso, até o pastor Nehemias Marien já fez parte de reuniões religiosas
onde o chá foi bebido. Conta ele: Concentrado no culto, cantei, com o
mais vivo entusiasmo, todas as canções de louvor, mas sempre muito
atento às mínimas ocorrências envolvendo os circunstantes. Vi
nocauteada a resistência de muitos que se entregavam relaxados nos
colchonetes e poltronas espalhados pela sala. Vi outros se
transfigurarem, em êxtase, os olhos vítreos esbugalhados. Um jovem
tomou-me a mão, como um náufrago perdido no mar e, literalmente,
urrava como leão. Muitos vomitavam, enquanto outros corriam ao
banheiro. Um outro virou uma estátua vibrante, o tempo todo em
obediência a seus chacras, segundo disse. Então, após o segundo
cálice, comecei a sentir as mãos frouxas e uma ligeira cãibra nas
pernas, dando-me a impressão de desmaio, embora em momento
algum me sentisse tenso. Procurei cantar com mais entusiasmo, mas

294
AS RELIGIÕES E APOLOGÉTICA BÍBLICA

logo percebi ser melhor procurar o sofá, no qual o meu corpo caiu
pesado. Foi nesse instante que, relaxado, rendi-me ao Daime, sem
alucinações, mas com a consciência da purificação espiritual centrada
em Jesus... Creio que, também, pelo Santo Daime, pode-se contemplar
a luz divina e alcançar a purificação do espírito e a cura interior
('JESUS, A Luz da Nova Era", Pr Nehemias Marien, Editora Record,
pp. 120-121).

Pode haver maior apostasia do que essa, um pastor afirmar que


contemplou a luz divina e alcançou a purificação do espírito e cura
interior depois que tomou o chá? A luz divina, como lemos na Bíblia, é
Jesus Cristo, veja a declaração de João: Ali estava a luz verdadeira,
que alumia a todo o homem que vem ao mundo (Jo 1.9). Purificação do
espírito se faz pelo sangue de Jesus e não por tomar-se um chá - No
dia seguinte João viu a Jesus, que vinha para ele, e disse: Eis o
Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo (Jo 1.29). E cura interior
alcançamos quando atendemos ao convite de Jesus, em Mt 11.28-29
lemos: Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu
vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, que sou
manso e humilde de coração; e encontrareis descanso para as vossas
almas.

B. EFEITOS DO CHÁ

A bebida é preparada com o cozimento de dois vegetais da floresta


amazônica: o cipó jagube (Banisteriopsis caspi) e a folha chacrona
(Psychotria veridis). É conhecida como ayahuasca ou, abreviadamente,
OASCA. É ingerida para proporcionar vidências, comunicação com
espíritos, alívio físico e psíquico, curas, etc. É uma porta aberta para os
estados alterados de consciência. Produz um desarranjo intestinal tão
violento que a pessoa que o bebe sente necessidade de ter ao seu

295
AS RELIGIÕES E A APOLOGÉTICA BÍBLICA

lado um vomitório móvel porque não dá tempo de ir ao banheiro


comum.

C. O NOME DAIME

DAIME - dizem - vem do verbo dar, no imperativo. Daime paz, Daime


saúde, Daime felicidade - é a aspiração dos membros da entidade. É
um tipo de seita eclética, uma mistura de espiritismo, cultos afro-
brasileiros e catolicismo romano, resultantes de três culturas (a branca,
a negra e a indígena). O livro sagrado que adotam é o seu hinário. As
letras dos hinos constituem a diretriz para os seguidores. Todos os
ensinamentos são ministrados por hinos naquele estado alterado de
consciência proporcionado pelo Daime, encontrando-se neles suas
crenças básicas. A principal característica do Santo Daime é o canto.
São conhecidos também como Povo de Juramidam, expressão
composta de Jura (pai) e Midam (filho). Esse é o nome que o iniciador
da seita diz ter recebido das entidades divinas. Juramidam representa
a segunda volta de Jesus à Terra, sendo assim o povo de Juramidam o
povo de Jesus Cristo. Impossível para um cristão que conhece a Bíblia
ler sobre um tipo de culto envolvido com práticas mediúnicas, idolatria
e feitiçaria, admitir que seja povo de Jesus. O próprio Jesus declara ser
a luz do mundo e que aquele que o segue não andará em trevas (Jo
8.12). Em nenhuma passagem bíblica se encontra qualquer ensino de
Cristo que se assemelhe a um ensino que envolva espiritismo, feitiçaria
e idolatria.

D. O FUNDADOR

O fundador, Raimundo Irineu Serra, nasceu em 1892, no Maranhão, e


morreu em 1971. Aos 20 anos de idade, integrou um movimento

296
AS RELIGIÕES E APOLOGÉTICA BÍBLICA

migratório de nordestinos para trabalhar na extração de látex. Na


floresta amazônica, Irineu e seus companheiros foram misturando a
sua cultura à dos índios e aprenderam a preparar a bebida, que lhes
provocava visões. Numa dessas visões apareceu a Irineu uma mulher
chamada Clara, que se dizia Nossa Senhora da Conceição, a rainha da
floresta. Ela falou-lhe: Quem é que tu achas que eu sou? Ele olhou e
disse: Para mim a senhora é uma deusa universal. Tu tens coragem de
me chamar de Satanás, isso ou aquilo outro? Não, a senhora é uma
deusa universal. Tu achas que o que estás vendo agora, alguém já
viu? O mestre Irineu refletiu e achou que alguém já podia ter visto, e
havia tantos que faziam a bebida que ele podia estar vendo o resto. A
senhora então disse: O que estás vendo agora ninguém jamais viu, só
tu. E eu vou te entregar esse mundo para governar. Agora tu vais te
preparar, porque eu não vou te entregar agora. Vais ter uma pre-
paração para ver se tu podes merecer verdadeiramente: tu vais passar
oito dias comendo só macaxeira (mandioca) cozida, com água e mais
nada.

Relatou Irineu que foi ela quem deu o nome de Santo Daime à bebida e
ditou normas para a realização do ritual. Ele adquiriu poderes extra-
sensoriais e aí passou a ter vidência e a comunicar-se com os mortos.
Nas reuniões, evocam Jesus Cristo e os santos católicos como Nossa
Senhora da Conceição, São João Batista, São José. Paralelamente,
evocam entidades indígenas como Tuperci, Ripi Iaiá, Currupipipiraguá,
Equior, Tucum, Barum, Marum Papai Paxá, B. G., Rei Titango, Rei
Agarrube, Rei Tintuma, Princesa Soloína, Princesa Janaína e
Marachimbé.

E. A HISTÓRIA

Em 1945, Mestre Irineu fundou o Centro de Iluminação Cristã Luz

297
AS RELIGIÕES E A APOLOGÉTICA BÍBLICA

Universal, que chegou a congregar 500 membros efetivos. Um


discípulo de Irineu, o seringueiro padrinho Sebastião, fundou outra
comunidade, a Colônia Cinco Mil, também no Estado do Acre, que no
foro civil foi registrada como entidade filantrópica, tendo o nome de
Cefluris (Centro Eclético de Fluente Luz Universal Raimundo Irineu
Serra). Depois da morte do fundador em 1971, o padrinho Sebastião o
substituiu na direção da entidade, vindo a morrer em 1990. O filho de
Sebastião, o padrinho Alfredo Gregório de Melo, está na liderança do
movimento Santo Daime que, atualmente, conta com 30 núcleos e
mais de cinco mil adeptos.

F. AS FESTIVIDADES

Quase na totalidade seguem as festividades dos dias santos do


catolicismo, juntando mais uma festa extra na data do nascimento do
fundador (15 de dezembro). O ano religioso começa em 6 de janeiro,
em homenagem aos Três Reis do Oriente, seguindo-se as datas de 20
de janeiro (São Sebastião), Sexta-feira Santa, 24 de junho (São João
Batista), 2 de novembro (Finados), 8 de dezembro (Nossa Senhora da
Conceição, padroeira dos trabalhos).

G. DOUTRINAS E REFUTAÇÕES

1. RITUAL

Dentro do ritual encontramos práticas religiosas ligadas à idolatria, à


feitiçaria e às cerimônias católicas.

a) Idolatria e Feitiçaria:

O Estatuto da Cefluris declara seguir a orientação implantada pelo

298
AS RELIGIÕES E APOLOGÉTICA BÍBLICA

mestre Irineu, fundamentada no Ritual do Ecletismo Evolutivo, ou


seja, de várias correntes religiosas que se interpenetram, tendo
como ponto de partida o Cristianismo ("Pergunte e respondemos",
Editora Lumen Christi. Edição Encadernada. Ano XXXI, setembro
1990, p. 425).

Resposta Apologética:

O Santo Daime é formado por várias correntes religiosas como


catolicismo, cultos afro-brasileiros e indígenas. Ora, o ecletismo
religioso é uma abominação aos olhos de Deus. Apontamos como
exemplo o povo israelita no deserto, acampado junto ao Monte
Sinai. Enquanto Moisés estava no Monte Sinai, o povo embaixo
resolveu prestar um culto a Deus, criando um ídolo na forma de um
bezerro de ouro. Depois de pronto instituíram uma festividade e a
justificaram com os seguintes dizeres: E ele os tomou das suas
mãos, e trabalhou o ouro com um buril, e fez dele um bezerro de
fundição. Então disseram: Este é teu Deus ó Israel, que te tirou da
terra do Egito. E Arão, vendo isto, edificou um altar diante dele; e
apregoou Arão, e disse: Amanhã será festa ao Senhor (Êx 32.4-5).
Como Deus viu uma festividade eclética entre Ele e o bezerro de
ouro? Disse Deus a Moisés, no Monte Sinai: Vai, desce; porque o
teu povo, que fizeste subir do Egito, se tem corrompido. E depressa
se tem desviado do caminho que eu lhes tinha ordenado; eles
fizeram para si um bezerro de fundição, e perante ele se inclinaram,
e ofereceram-lhe, e disseram; Este é o teu deus, ó Israel, que te
tirou da terra do Egito (Êx 32.7-8). As práticas ligadas à idolatria
foram mais tarde condenadas pelos profetas: Eu sou o Senhor; este
é o meu nome; a minha glória, pois, a outrem não darei, nem o meu
louvor às imagens de escultura (Is 42.8). Eu anunciei, e eu salvei, e
eu o fiz ouvir, e deus estranho não houve entre vós, pois vós sois as

299
AS RELIGIÕES E A APOLOGÉTICA BÍBLICA

minhas testemunhas, diz o Senhor; eu sou Deus (Is 43.12).

Sabemos que os cultos afro-brasileiros tributam louvores a


entidades também conhecidas como orixás, que pensam ser os
intermediários entre o deus Olorum e os homens. Ora, sabemos que
tais entidades espirituais, embora sejam chamadas santos, na
verdade são espíritos demoníacos que povoam os ares como afirma
o apóstolo Paulo em Efésios 6.12: Porque não temos que lutar
contra a carne e o sangue, mas, sim, contra os principados, contra
as potestades, contra os príncipes das trevas deste século, contra
as hostes espirituais da maldade, nos lugares celestiais. Afirmamos:
o que consta do estatuto nada tem a ver com o Cristianismo.
Quando há genuína conversão a Deus, há o abandono dos ídolos e
de todo o ecletismo. Jesus foi enfático ao dizer: Ninguém pode servir
a dois senhores; porque ou há de odiar um e amar o outro, ou se
dedicará a um e desprezará o outro. Não podeis servir a Deus e a
Mamon (Mt 6.24).

b) Ritual da bebida:

O cipó é cortado em pedaços de 20 cm de comprimento. A partir das


duas horas da madrugada, realiza-se a bateção. Turmas de 12
homens revezam-se de duas em duas horas no trabalho de
esmagar os pedaços de jagube sobre troncos de árvores frxos no
solo, utilizando marretas de cumaru, pau tirco ou bálsamo, sendo
que o ritmo é acompanhado por hinos adequados. A bateção
significa purificação em si e serve para o sujeito se disciplinar. O
cozimento do cipó macerado e das folhas se dá na proporção de
duas medidas de cipó para uma das folhas de cha-crona e é uma
das etapas mais delicadas do ritual. Não se deve conversar com a
pessoa encarregada, pois ela controla o ponto de fervura da bebida,
que é indicado por uma entidade do Santo Daime presente no plano

300
AS RELIGIÕES E APOLOGÉTICA BÍBLICA

astral, a qual se manifesta no momento em que se completa o


cozimento para que a panela seja retirada da fornalha. Todos são
avisados desse procedimento através de uma campainha acionada
pelo encarregado.

Essa entidade, que desce e se manifesta no momento em que é


completado o cozimento, é uma das manifestações malignas,
embora possa ser chamada por nomes indígenas como Tuperci,
Ripi laiá, Currupipipiraguá, Equior, Tucum, Bvarum, Marum Papai
Paxá, B. G. , Rei Titango, Rei Agarrube, Rei Tintuma, Princesa
Soloína, Princesa Janaína e Marachimbé.

c) Cerimônias católicas

Durante o ritual, rezam missa em favor dos mortos e cantam dez


hinos sem instrumentos musicais, sem bailados. Reza-se um terço,
ficando o Salve Rainha para o término da sessão. Essa prática é
ligada à Igreja Católica.

Resposta Apologética:

Não se deve celebrar missas aos mortos, porque elas são inúteis.
Jesus afirmou que se alguém morrer sem crer nele como único e
suficiente Salvador nunca poderá ir para onde Ele foi. Jesus foi para
o céu de onde virá para buscar o seu povo (Jo 8.21-24; Jo 14.2-3).
O ritual do Santo Daime é ritual pagão, impróprio e condenado pela
Bíblia em Deuteronômio 18.9-12.

H. A APARIÇÃO DE NOSSA SENHORA DA CONCEIÇÃO

Relata o Mestre Irineu que recebeu uma visão de uma senhora divina
que ele pensou ser uma deusa universal, identificando-a até como se
fosse Satanás. Entretanto, posteriormente, na própria visão, foi
esclarecido de que se tratava de Nossa Senhora da Conceição.

301
AS RELIGIÕES E A APOLOGÉTICA BÍBLICA

Resposta Apologética:

Os que têm a Bíblia e a consideram como autoridade maior no campo


religioso devem ter presentes as palavras de Paulo, que afirmam: Mas,
ainda que nós mesmos ou um anjo do céu vos anuncie outro
evangelho além do que já vos tenho anunciado, seja anátema. Assim
como já vo-lo dissemos, agora de novo também vo-lo digo. Se alguém
vos anunciar outro evangelho além do que já recebestes, seja anátema
(Gl 1.8-9). Ora, se esse grupo religioso tem como princípio básico e
fundamental o Santo Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo como
reza o item 2 do Estatuto, deveria saber que o Evangelho que Jesus
pregou incluía o arrependimento e fé na sua pessoa (Mc 1.15), pois
sem arrependimento ninguém poderia salvar-se (Lc 13.3); e que
afirmava a necessidade da sua morte, sepultamento e ressurreição
como meio de salvação (Mt 16.21-23; 20.28). Jesus nada ensinou
sobre ecletismo, mas foi incisivo ao afirmar que existem duas portas e
dois caminhos que levam a dois fins distintos. Ensinou Jesus: Entrai
pela porta estreita; porque larga é a porta, e espaçoso o caminho que
conduz à perdição, e muitos são os que entram por ela; e porque
estreita é a porta, e apertado o caminho que leva à vida, e poucos há
que a encontrem (Mt 7.13-14).

I. UM CULTO ABSURDO

É tão absurdo esse culto do Santo Daime que se declara: Há quem


vomite e quem seja cometido de desarranjos intestinais, ou as duas
coisas juntas. E com que objetivo? Ocorrendo a ânsia de vômitos e a
diarréia depois que se toma o chá é que a pessoa está passando por
uma espécie de limpeza espiritual. Ou seja, de alguma maneira está se
livrando de tudo aquilo que a impede de estar em comunhão com
Deus. É esse um culto racional? Paulo recomenda que apresentemos

302
AS RELIGIÕES E APOLOGÉTICA BÍBLICA

os nossos corpos como um sacrifício vivo, santo e agradável a Deus,


que é o nosso culto racional (Rm 12.1).

303
AS RELIGIÕES E A APOLOGÉTICA BÍBLICA

CAPÍTULO 09

IGREJA SEICHO-NO-IE

A. HISTÓRIA

O fundador da Seicho-No-Ie, Masaharu Taniguchi, nasceu na vila de


Karasuhara, no município de Kobe, Japão, no dia 22 de novembro de
1893. Como é comum a quase todos os fundadores de movimentos
religiosos, teve a primeira revelação do seu chamado religioso em 13
de dezembro de 1929, quando começou a escrever uma revista com o
próprio título do atual grupo religioso, e com o lançamento do primeiro
número da revista, em Io de março de 1930, deu-se a fundação desse
movimento religioso no Japão. A palavra japonesa Seicho-No-Ie (lê-se:
seitiô-no-iê) quer dizer Lar do Progredir Infinito.

A obra principal da sua filosofia se encontra no livro "A Verdade da


Vida".

B. COMPARAÇÃO DE TANIGUCHI CM JESUS CRISTO

A admiração que os adeptos da Seicho-No-Ie têm pelo seu fundador é


tal que fazem dele um ser onipresente, igual a Jesus (Mt 18.20; 28.20),
dizendo: em todas as partes, assim como Jesus está vivo eternamente
em todas as partes considero o Dr. Taniguchi não como um ser carnal,
mas um ser espiritual que foi enviado por Deus para nos transmitir a
Verdade, para libertar realmente o ser humano das garras do
materialismo ("Acendedor", Associação dos Moços da Seicho-No-Ie no
Brasil. Ano 3, 1967, nº 7, p. 40). Embora seja fantástica essa

304
AS RELIGIÕES E APOLOGÉTICA BÍBLICA

declaração sobre Taniguchi, o certo é que ele morreu em 17 de junho


de 1985, em Nakasaki, Japão, aos 92 anos de idade, e, até onde
sabemos, seus seguidores não falam de sua ressurreição dos mortos,
ao passo que Jesus ressuscitou e está vivo no céu (Ap 1.17-18). Nessa
cidade se localiza a sede mundial da Seicho-No-Ie. O sucessor e atual
supremo presidente mundial é Seicho Taniguchi, que nasceu em 23 de
outubro de 1920, em Hiroshima, Japão. Casou-se com a filha do
fundador Emiko Taniguchi, tornando-se assim membro da família
Taniguchi.

C. A SEICHO-NO-IE NO BRASIL

A Seicho-No-Ie chegou ao Brasil por intermédio de suas publicações,


em 1930, data da publicação da primeira revista Seicho-No-Ie e foi
organizada em 1º de agosto de 1952. Aqui no Brasil foi registrada com
o título de Igreja Seicho-No-Ie do Brasil, cuja sede nacional se localiza
no Jabaquara, na cidade de São Paulo. Os primeiros conhecedores da
Seicho-No-Ie no Brasil foram os irmãos Daijiro Matsuda e Miyoshi
Matsuda (Principal Orador na América Latina) ("Acendedor",
Associação dos Moços da Seicho-No-Ie no Brasil. Ano 2, 1966, nº 4,
pp. 43-44).

D. FONTE DE AUTORIDADE RELIGIOSA

Leiamos a seguinte declaração: A Seicho-No-Ie não é nenhuma seita


religiosa e, com o sentido de dar vida a todas religiões, faz
conferências baseadas em escrituras do Budismo, em textos da
antigüidade japonesa, e, também, na Bíblia ("A Verdade da Vida", Vol
II. Sociedade Religiosa Seicho-No-Ie no Brasil. Masaharu Taniguchi, p.
13).

305
AS RELIGIÕES E A APOLOGÉTICA BÍBLICA

Os propagandistas da Seicho-No-Ie afirmam que não pregam uma


religião, mas apenas uma filosofia, embora tenham todas as
características de uma religião. Assim, a Seicho-No-Ie possui: igrejas,
ritos, preces e preceitos. Logo, trata-se de uma religião e, como
veremos por meio de seus ensinos, é uma religião falsa sem apoio
bíblico.

E. EMBLEMA

Como identidade visual, a Seicho-No-Ie utiliza o emblema do Sol,


símbolo do xintoísmo; da Lua, símbolo do budismo; e da estrela,
símbolo do Cristianismo. É a união de três religiões: o xintoísmo, o
budismo e o Cristianismo. É uma religião sincretista.

Observemos quais são os livros sagrados que a Seicho-No-Ie utiliza


para divulgar os seus ensinos: escrituras do budismo, textos da
antigüidade japonesa e a Bíblia. Freqüentemente a Bíblia é citada fora
do seu contexto, como declara Pedro: Falando disto, como em todas as
suas epístolas, entre as quais há pontos difíceis de entender, que os
indoutos e inconstantes torcem, e igualmente as outras Escrituras, para
sua própria perdição (2 Pe 3.16). Leia outros textos sobre a autoridade
da Bíblia como autoridade única: (Pv 30.5-6; Ap 22.18-19; Jr 23.29-31).

1. EVANGELHO DE JOÃO BATISTA

Falando do que desconhece, pois a Seicho-No-Ie é de origem


japonesa e não está familiarizada com o Novo Testamento, declara
que o evangelho de João foi escrito por João Batista quando, na
verdade, foi escrito por João, o evangelista, autor de mais três
epístolas e do Apocalipse.

Assim se expressa a Seicho-No-Ie: O evangelho de João Batista é

306
AS RELIGIÕES E APOLOGÉTICA BÍBLICA

uma obra literária mais espiritual entre os evangelhos de Jesus


Cristo... Devemos ler o evangelho de João Batista milhares e
milhares de vezes, até sentirmo-nos a vida de Jesus Cristo
("Acendedor", Associação dos Moços da Seicho-No-Ie no Brasil.
Ano 1, 1965, nº 1, p. 20). Indo mais além, a Seicho-No-Ie declara: O
evangelho de São João ensina a mesma filosofia da Seicho-No-Ie
("Acendedor", Associação dos Moços da Seicho-No-Ie no Brasil.
Ano 2, 1966, nº 2, p. 30).

F. PUBLICAÇÕES

As publicações pelas quais divulgam seus ensinamentos são as


seguintes:

Livro Principal - "A Verdade da Vida", com mais de 40 volumes. Esse


livro pode ser considerado sua bíblia.

Sutras Sagradas:

Louvor aos Apóstolos da Missão Sagrada

Chuva de Néctar da Verdade

Palavras do Anjo

Contínua Chuva de Néctar da Verdade

Revistas Sagradas:

Fonte de Luz (substituiu a revista Acendedor)

Pomba Branca (para mulheres)

O Mundo Ideal

O Querubim (jornal para crianças)

Shinsokan e outras orações.

Periodicamente são ministrados seminários nas denominadas

307
AS RELIGIÕES E A APOLOGÉTICA BÍBLICA

academias: Academia Sul-americana de Treinamento Espiritual de


Ibiúna (SP); Academia de Treinamento Espiritual de Santa Tecla (RS);
Academia de Treinamento Espiritual de Santa Fé (BA).

G. SEUS ENSINOS

1. A REVELAÇÃO DO ANJO

Masaharu Taniguchi declara que seu ensino fundamental foi


recebido por intermédio de um anjo, na hierarquia de Querubim.
Disse o anjo: Tendo assim pregado o Anjo, torna o Querubim a
indagar: Mestre, esclarecei a natureza real do homem.

Responde o Anjo:

O homem não é um ser material,

O homem na realidade, não é a sua existência corpórea;

Nem as células cerebrais são a sua essência,

nem as células nervosas, nem os glóbulos,

nem o soro, nem as células musculares,

não é também a soma de todos eles

("O Santo Sutra da Seicho-No-Ie", Educação Divina e Treinamento


Espiritual Para a Humanidade. Masaharu Taniguchi. Sociedade
Religiosa Seicho-No-Ie no Brasil, 3ª edição, p. 302).

Quem ousaria exclamar: Pecadores, Pecadores!?

Deus jamais criou pecadores,

Assim, não poderia existir nesta terra,

Um único homem realmente pecador;

308
AS RELIGIÕES E APOLOGÉTICA BÍBLICA

("Sutras Sagradas", A Verdade da Vida. Masaharu Taniguchi.


Sociedade Religiosa Seicho-No-Ie no Brasil, 1965, p. 213).

Como bem o sabeis, freqüentemente muitas pessoas,

Têm se curado das suas doenças

Pela mera leitura do periódico Seicho-No-Ie;

Simplesmente porque o seu primeiro sonho,

Do homem mortal, foi destruído.

("O Santo Sutra da Seicho-No-Ie", Educação Divina e Treinamento


Espiritual Para a Humanidade. Masaharu Taniguchi. Sociedade
Religiosa Seicho-No-Ie no Brasil, 3ª edição, p. 304).

2. A INEFICÁCIA DA MORTE DE CRISTO

Esse mesmo Querubim declarou mais o seguinte: Pecado, doença e


morte, porque não são criações de Deus, são irrealidades, são
falsidades, embora usem a máscara da Realidade. Vim para
arrancar essa máscara e mostrar a irrealidade do pecado, da
doença e da morte. No passado, veio Sakyamuni com essa mesma
finalidade; Jesus Cristo também veio com essa finalidade. Se os
pecados tivessem existência real, mesmo a pregação da verdade de
Buda em todas as esferas não poderia destruí-los; a crucificação de
Cristo também teria sido ineficaz para destruí-los ("Sutras
Sagradas", A Verdade da Vida. Masaharu Taniguchi. Sociedade
Religiosa Seicho-No-Ie no Brasil, 1965, p. 210).

Resposta Apologética:

a) Paulo, escrevendo sua carta aos Gálatas, admoesta que


tenhamos cuidado com as mensagens trazidas por anjos,
notadamente, na hierarquia de Querubim, quando sua mensagem

309
AS RELIGIÕES E A APOLOGÉTICA BÍBLICA

não se ajusta ao Evangelho genuíno de Jesus Cristo. Diz ele: Mas


ainda que nós mesmos ou um anjo do céu vos anuncie outro
evangelho além do que já vos tenho anunciado, seja anátema (Gl
1.8).

b) O evangelho pregado por Paulo, acerca do qual disse ser o poder


de Deus para a salvação de todo o que crer (Rm 1.16), é revelado
com as seguintes palavras: Porque primeiramente vos entreguei o
que também recebi: que Cristo morreu por nossos pecados,
segundo as Escrituras, que foi sepultado, e que ressuscitou ao
terceiro dia, segundo as Escrituras (1 Co 15.3). Ora, se lemos que
Jesus morreu por causa dos nossos pecados e o Querubim da
Seicho-No-Ie revelou a Masaharu Taniguchi que o pecado não
existe, então que necessidade haveria de Cristo ter vindo ao mundo
para morrer por nossos pecados se eles não existem? Nisso está o
erro fundamental da Seicho-No-Ie. Procura negar a queda do
homem, admitindo como ensino central que o homem é filho de
Deus, incapaz de pecar, e consequentemente nunca se deve dizer
que o homem é pecador. Sabemos que o Diabo é o pai da mentira,
declaração essa feita por Jesus (Jo 8.44). Se um ensino religioso
enfatiza não existir pecado, está ensinando uma mentira religiosa.
Se dissermos que não temos pecado, enganamo-nos a nós mes-
mos, e não há verdade em nós (1 Jo 1.8). É enfática também a
declaração de Paulo sobre o pecado: Porque todos pecaram e
destituídos estão da glória de Deus (Rm 3.23). Porque o salário do
pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna, por
Cristo Jesus Nosso Senhor (Rm 6.23).

c) O homem foi criado com duas naturezas: uma material e outra


espiritual. Então, não se pode negar que o homem é matéria, é uma
realidade, originalmente isento de pecado, dado que o homem foi

310
AS RELIGIÕES E APOLOGÉTICA BÍBLICA

criado à imagem e semelhança de Deus, e Deus viu que tudo


quanto tinha feito era muito bom: E disse Deus: Façamos o homem
à nossa imagem, conforme a nossa semelhança; e domine sobre os
peixes do mar, e sobre as aves dos céus e sobre o gado, e sobre
toda a terra, e sobre todo o réptil que se move sobre a terra (Gn
1.26). E depois de ter concluído toda a obra da criação diz o texto
bíblico: E viu Deus tudo quanto tinha feito, e eis que era muito bom;
e foi a tarde e a manhã, o dia sexto (Gn 1.31). Essa declaração é
reiterada em Ec 7.29: Eis aqui, o que tão-somente achei: que Deus
fez ao homem reto, porém eles buscaram muitas astúcias.

d) Não se deve, porém, negar que o homem, abusando de sua


liberdade de escolha, optou por desobedecer a Deus, comendo do
fruto proibido e assim tornou-se pecador. É o que lemos em Rm
5.12: Portanto, como por um homem entrou o pecado no mundo, e
pelo pecado, a morte, assim também a morte passou a todos os
homens, por isso que todos pecaram.

O que dizer dos noticiários sobre abortos provocados, infidelidade


conjugal, latrocínios, seqüestros, acidentes, guerras etc?

Dizem: Muitos cristãos pregam que o homem é filho do pecado, mas


será isto verdade? ("Acendedor", Associação dos Moços da Seicho-
No-Ie no Brasil. Ano 3, 1966, nº 3, p. 36).

Como aceitar como corretas estas afirmações: Não pronuncies:


Pecadores, pecadores. Todos são filhos de Deus. Não existe
nenhum pecador ("Acendedor", Associação dos Moços da Seicho-
No-Ie no Brasil. Ano 9, 1967, nº 3, p. 41).

Com todos esses ensinamentos contrários ao Cristianismo histórico


e ortodoxo, afirmam que a Seicho-No-Ie é um movimento de
iluminação espiritual dizendo: Acredito piamente de que este

311
AS RELIGIÕES E A APOLOGÉTICA BÍBLICA

pensamento de iluminação da Seicho-No-Ie é a Verdade absoluta


que realmente salva o homem e toda a humanidade. Esta mesma
Verdade foi pregada pelo Jesus Cristo há dois mil anos.
("Acendedor", Associação dos Moços da Seicho-No-Ie no Brasil.
Ano 2,1966, nº 2, p. 28).

Resposta Apologética:

Jesus jamais ensinou que o homem não fosse pecador. Ensinou que
nós, seres humanos, deveríamos orar: E perdoa-nos as nossas
dívidas, assim como nós perdoamos os nossos devedores (Mt 6.12),
o que significa que todos pecamos. Disse mais, que o mal está no
coração do homem e é isso que contamina o homem (Mt 15.18-19).
Disse que o homem, sendo mau, sabe dar boas dádivas aos filhos
(Lc 11.13). Ensinou que sua missão seria a de salvar os pecadores
(Lc 19.10). Várias de suas parábolas ilustram essa situação comum
a todos os homens. Em Lucas 15 encontramos três parábolas (a da
ovelha perdida, a da dracma perdida e a do Filho Pródigo) todas
ilustradoras dessa condição comum a todos nós, pecadores. Depois
de tantos ensinos contrários à Bíblia, jactam-se de representar o
verdadeiro Cristianismo.

H. IDENTIFICA-SE COM O CRISTIANISMO

A Seicho-No-Ie afirma que representa o autêntico ensinamento de


Jesus, dizendo: As pessoas que seguem o Cristianismo deverão
ultrapassar as formalidades e deslumbrar diante da Verdade da
Seicho-No-Ie que explica a realidade dos ensinamentos de Jesus
Cristo, abrindo os olhos para o real Cristianismo ("Acendedor",
Associação dos Moços da Seicho-No-Ie no Brasil. Ano 2, 1966, nº 3, p.
38).

312
AS RELIGIÕES E APOLOGÉTICA BÍBLICA

1. ENSINOS DETURPADORES SOBRE JESUS

a. Jesus fez jejum e práticas ascéticas para alcançar a verdade

Jesus fez jejum e outras práticas ascéticas durante quarenta dias


e quarenta noites à beira do rio Jordão para alcançar a Verdade,
mas aqueles que ouvem os seus ensinamentos podem ceifar sem
maiores esforços e sem passar por aqueles sofrimentos. A
semente do Homem Filho de Deus foi conseguida a custo através
de jejum e outros sacrifícios ("Acendedor", Associação dos Moços
da Seicho-No-Ie no Brasil. Ano 3, 1967, nº 9, p. 49).

Resposta Apologética:

Imaginemos se é bíblico o ensino da Seicho-No-Ie em afirmar que


Jesus fez jejum e práticas ascéticas para alcançar a verdade. Em
João 1.9 se declara ser Ele a verdadeira luz que, vinda ao
mundo, ilumina a todo o homem. Jesus declarou ser o caminho; a
verdade e a vida e não que praticou ascetismo para alcançar a
verdade (Jo 14.6). Disse que: quem o segue não anda em trevas,
mas tem a luz da vida (Jo 8.12).

b. Jesus não propagou uma religião estrita

Nem neste monte, nem em Jerusalém adorareis o Pai. Jesus não


propagou uma religião estrita. Ele disse que o homem éfilho do
Deus único e pode orar de onde e como quiser. Assim como
Jesus disse, surgiu o ensinamento da Seicho-no-Ie que faz
adorar o único Deus através de todas as religiões ("Acendedor",
Associação dos Moços da Seicho-No-Ie no Brasil. Ano 3, 1967,
n° 8, p. 50).

Resposta Apologética:

313
AS RELIGIÕES E A APOLOGÉTICA BÍBLICA

Ora, Jesus afirmou que existem apenas duas portas e dois


caminhos. Um desses caminhos leva à vida, o outro leva à
perdição (Mt 7.13-14). Consequentemente, é impossível admitir
que Jesus tivesse ensinado adorar o Deus único através de todas
as religiões, porque nem todas as religiões são monoteístas,
sendo algumas delas politeístas e panteístas, como é o caso da
Seicho-No-Ie que ensina: A mão é uma, porém dela saem cinco
dedos, cada qual com diferentes funções. Do mesmo modo, de
um Deus único manifestam-se vários deuses com suas
respectivas funções ("Acendedor", Associação dos Moços da
Seicho-No-Ie no Brasil. Ano 9, 1973, nº 52, p. 25). Isso é
politeísmo. O hinduísmo é politeísta.

c. O homem Deus

Diz mais a Seicho-No-Ie: O homem é o próprio Deus e por isso


possui tudo dentro de si ("Acendedor", Associação dos Moços da
Seicho-No-Ie no Brasil. Ano 9, 1973, nº 55, p. 8). Outra
declaração comprometedora: Deus é o todo em tudo
("Acendedor", Associação dos moços da Seicho-No-Ie no Brasil.
Ano 3, 1967, nº 9, p. 7). Isso é panteísmo, ensino segundo o qual
tudo é Deus. O panteísmo pregado pela Seicho-No-Ie é visto
ainda na seguinte declaração: A maior entre todas as des-
cobertas é a descoberta do verdadeiro eu. O verdadeiro eu é o
Deus onipotente ("Acendedor", Associação dos Moços da Seicho-
No-Ie no Brasil. Ano 3, 1967, nº 8, p. 10). Filho de Deus não
significa ser ele menos do que Deus ("Acendedor", Associação
dos Moços da Seicho-No-Ie no Brasil. Ano 3, 1967, nº 9, p. 7).

Resposta Apologética:

Nesse ensino a criatura é identificada como o próprio Criador. O


verdadeiro eu (o subconsciente) é o próprio Deus. Homem e

314
AS RELIGIÕES E APOLOGÉTICA BÍBLICA

Deus são um.

Isso é panteísmo. O taoísmo e o budismo são panteístas; logo


temos religiões diferentes com diferentes deuses.

A Bíblia condena tanto o politeísmo como o panteísmo. Apresenta


o conceito de um Deus pessoal que criou o universo (Gn 1.1).
Embora esteja presente em todos os lugares, dado que é
onipresente (Jr 23.23-24), tem sua existência separada das obras
por Ele criadas ou da própria natureza. Ele transcende a sua
criação e não se mistura com a natureza (At 17.24-29). Lemos
ainda em Isaías 43.10: Vós sois as minhas testemunhas, diz o
Senhor, o meu servo, a quem escolhi; para que o saibais, e me
creiais e entendais que sou eu mesmo, e que antes de mim deus
nenhum se formou, e depois de mim nenhum haverá. Ainda
lemos em Deuteronômio 5.7: Não terás outros deuses diante de
mim.

Isaías 44.24: Assim diz o Senhor, teu redentor, o que te formou


desde o ventre: Eu sou o Senhor que faço tudo, que sozinho
estendo os céus, e espraio a terra por mim mesmo.

d. Todos os homens são filhos de Deus

Essa afirmação é feita da seguinte maneira: Todos os homens


são filhos de Deus, assim Jesus não é o filho unigênito. E,
nenhum homem consciente iria abrandar a própria cólera fazendo
sofrer e matando o seu filho único pelos pecados cometidos por
outras pessoas. Ademais, Deus, que é perfeito amor, não iria
fazer isto ("Acendedor", Associação dos Moços da Seicho-No-Ie
no Brasil. Ano 3, 1967, nº 8, p. 13). (Destaque nosso).

Resposta Apologética:

Quando lemos essas palavras de Taniguchi, não podemos deixar

315
AS RELIGIÕES E A APOLOGÉTICA BÍBLICA

de concluir que ele não passa de um homem natural e, como tal,


não entende das coisas de Deus, realmente (1 Co 2.14). Os
homens tornam-se filhos de Deus quando aceitam Jesus como
seu Salvador pessoal. Mas a todos quantos o receberam, deu-
lhes o poder de serem feitos filhos de Deus; aos que creem no
seu nome (Jo 1.12).

e. Jesus e nós somos o Verbo e Unigênitos de Deus

A Seicho-No-Ie estende a divindade de Jesus para todos os seres


humanos, dizendo: Quem nasceu de Deus, Deus será. É o Verbo
que se faz carne, e habitou entre nós. E vimos a sua glória, como
a glória do unigênito do pai, cheio de graça e de verdade. Aqui
diz: o verbo se fez carne e habitou em nós. Preste atenção na
aplicação do plural. O verbo não habitou somente em Jesus
Cristo. Todos nós somos unigênitos de Deus. Há muitos
unigênitos. Quem não compreende o que é unigênito, vive iludido,
écomo um filho pródigo que parte para uma viagem sem destino
("Acendedor", Associação dos Moços da Seicho-No-Ie no Brasil.
Ano 2, 1966, n° 2, p. 34).

Resposta Apologética:

Em Jo 1.1 encontramos uma declaração solene da divindade


absoluta de Jesus. Diz o texto: No princípio era o Verbo, e o
Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. O texto, formado
por três sentenças, não deixa dúvidas sobre três aspectos da
pessoa de Jesus. Quando lemos: 1) No princípio era o Verbo:
encontramos uma declaração sobre a eternidade de Jesus. O
Verbo sempre existiu co-eternamente com Deus, o Pai (Mq 5.2;
Jo 8.58); 2) e o Verbo estava com Deus: esta cláusula fala da
distinção de pessoas. O Verbo coexistia lado a lado, frente a
frente com Deus, o Pai; e por fim: 3) e o Verbo era Deus: O que

316
AS RELIGIÕES E APOLOGÉTICA BÍBLICA

indica que o Verbo era, em sua natureza divina, o que Deus era,
Deus na sua plenitude (Cl 2.9).

O texto de Jo 1.14 não diz que o verbo se fez carne e habitou em


nós, porém, que habitou entre nós. E o Verbo se fez carne, e
habitou entre nós, e vimos a sua glória, como a glória do
unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade. Jesus habitou
entre nós - repetindo - e não em nós. Não temos a natureza de
Jesus, mas temos comunhão com Jesus (1 Jo 1.3).

f. A negação da ressurreição corporal de Jesus

Diz a Seicho-No-Ie sobre a ressurreição de Jesus: Quem


considera a ressurreição de Jesus como um mero aparecimento
de seu corpo astral perante os discípulos não conhece o profundo
significadoda mesma ("Acendedor", Associação dos Moços da
Seicho-No-Ie no Brasil. Ano 3, 1967, nº 8, p. 19).

Continua a negação da ressurreição corporal de Jesus, e a


Seicho-No-Ie ensina: Jesus ressuscitou em espírito. O verdadeiro
significado da ressurreição de Jesus após a morte na cruz é:
ressuscitar no fundo do subconsciente de toda a humanidade a
convicção de que o homem é filho de Deus, após anular a
consciência do filho do pecado através do sofrimento de Jesus.
Não é a ressurreição de somente uma pessoa, mas a
ressurreição de toda humanidade ("Acendedor", Associação dos
Moços da Seicho-No-Ie no Brasil. Ano 3, 1967, nº 8, p. 20, junho
de 1967).

Resposta Apologética:

Ora, a ressurreição corporal de Jesus é assunto muito importante


na Bíblia, como lemos em 1 Co 15.1-6,14-17. Não se trata de
uma ressurreição espiritual, pois, não tendo Jesus pecado, não

317
AS RELIGIÕES E A APOLOGÉTICA BÍBLICA

precisava ressuscitar espiritualmente, que é um sentido figurado


de quem, sendo pecador, nasce de novo, ou se torna nova
criatura, quando aceita a Cristo como Salvador (2 Co 5.17; Ef 2.1-
3; Cl 3.1-5). Jesus ressuscitou corporalmente dentre os mortos.
No primeiro dia da semana, muito de madrugada, foram elas ao
sepulcro, levando as especiarias que tinham preparado, e
algumas outras com elas. E acharam a pedra revolvida do
sepulcro. E, entrando, não acharam o corpo do Senhor Jesus (Lc
24.1-3). O restante de Lucas 24.36-43 declara que essa
ressurreição de Jesus foi corporal. Ainda quando Tomé duvidou
da ressurreição física de Jesus, Jesus permitiu que Tomé lhe
tocasse: Depois disse a Tomé: Põe aqui o teu dedo, e vê as
minhas mãos; e chega a tua mão, e põe-na no meu lado; e não
sejas incrédulo, mas crente. E Tomé respondeu e disse-lhe:
Senhor meu, e Deus meu! (Jo 20.27-28). Isso é ensino
fundamental da Bíblia.

g. Jesus é igual a Buda

Ensinam: Sakia Muni (Buda) e Jesus foram máximos entre os


mestres ("Acendedor", Associação dos Moços da Seicho-No-Ie
no Brasil. Ano 2,1966, nº 2, p. 33).

Resposta Apologética:

Buda foi considerado mestre iluminado quando descobriu a razão


do sofrimento humano. Admitiu que sua iluminação se deu
quando definiu que o sofrimento humano era resultado do desejo.
Jesus afirmou que o sofrimento era consequência do pecado,
usando o seu direito de livre-arbítrio (Gn 2.16-17; 3.1-9; Rm 5.12)
e para eliminar o sofrimento do homem morreu por nós no
Calvário (Mt 16.21-23; 26.26-28).

318
AS RELIGIÕES E APOLOGÉTICA BÍBLICA

2. FALSOS MILAGRES

a. Salvo da Morte

São atribuídos milagres à leitura das publicações, notadamente


as sutras sagradas e a Shinsokan. Lemos de alguns milagres
atribuídos a tais publicações: Durante a guerra também houve um
soldado que foi salvo pelo KANRO NO HOOU, que contém as
palavras da Verdade. A bala inimiga dirigida para ele acertou e
ficou retida no KANRO NO HOOU, que carregava consigo e ele
saiu ileso ("Acendedor", Associação dos Moços da Seicho-No-Ie
no Brasil. Ano 9, 1973, nº 52, p. 37).

b. Sono da crianças

Fazer a criança dormir ouvindo a leitura do KANRO NO HOOU,


que fala sobre o homem-filho de Deus e Perfeito, é também um
bom método ("Acendedor", Associação dos Moços da Seicho-No-
Ie no Brasil. Ano 9, 1973, nº 51, p. 21).

c. Mosquitos e percevejos são beneficiados pela Shinsokan

O Sr. Endo, pela leitura do livro "A Verdade da Vida" e a sutra


sagrada KANRO NO HOOU, compreendeu a Verdade de que o
homem é filho de Deus e que todos os seres vivos são irmãos. E
concentrando o pensamento em Deus, que é a origem do filho de
Deus, os mosquitos, que são seus irmãos, ficaram fazendo o
shinsokan em harmonia com ele, sem lhe sugar o sangue
("Acendedor", Associação dos Moços da Seicho-No-Ie no Brasil.
Ano 9, 1973, nº 52, p.35).

O homem é filho de Deus, e irmão de todos os seres, até os


percevejos, que parecem ter nascido para sugar o homem,
passam a não ferir mais o homem ("Acendedor", Associação dos

319
AS RELIGIÕES E A APOLOGÉTICA BÍBLICA

Moços da Seicho-No-Ie no Brasil. Ano 9, 1973, nº 52, pp.34-36).

Resposta Apologética:

Jesus profetizou o surgimento de falsos profetas e falsos cristos


que fariam sinais e prodígios que, se possível, enganariam até os
escolhidos: Porque surgirão falsos cristos e falsos profetas, e
farão tão grandes sinais e prodígios que, se possível fora,
enganariam até os escolhidos (Mt 24.24). Uma pergunta deve ser
respondida pelos adeptos da Seicho-No-Ie: quando um mosquito
ou percevejo suga o seu sangue, terá ele coragem de matar seu
irmão?

d. O Câncer não existe

Na seção Perguntas e Respostas, lemos:

Pergunta: Tive câncer de mama, e a mama esquerda foi retirada.


Realizei tratamentos radioterápicos e quimioterápicos, mas o
câncer tornou a manifestar-se no mesmo local. Eu acredito na
Seicho-No-Ie, pratico a Meditação Shinsokan, realizo o culto aos
antepassados, faço a oração do perdão e leio as sutras sagradas.
Apesar de tudo, por que houve a recidiva do câncer? Desde a
primeira cirurgia, tenho praticado o que a Seicho-No-Ie ensina.

Resposta: A Seicho-No-Ie ensina que o homem é filho de Deus, o


câncer não existe originariamente, o câncer manifestado é
projeção da mente. Por que um filho de Deus originariamente
saudável manifesta doenças? A causa está na mente e nos atos
condizentes com seu estado mental. As práticas religiosas da
Seicho-No-Ie não são realizadas com o fim de curar doenças. O
seu ponto fundamental é agradecer aos antepassados, aos pais,
aos irmãos, a todas as pessoas, a todas as coisas e a todos os
fatos ("Fonte de Luz", Associação dos Moços da Seicho-No-Ie no

320
AS RELIGIÕES E APOLOGÉTICA BÍBLICA

Brasil. Ano 29, 1993, nº 277, pp. 36-37).

Resposta Apologética:

Quantas mortes tem provocado esse ensino que leva os doentes


com câncer a negar a realidade da enfermidade durante o
período em que ainda se poderiam tomar providências médicas
que viessem contribuir para a saúde do paciente. Param os
adeptos da Seicho-No-Ie de reconhecer a existência da
enfermidade apenas quando estão nos caixões mortuários e já
não podem gritar: Não estou doente! Não estou doente, pois a
doença não existe. Tudo é apenas uma miragem da nossa
mente.

I. OUTROS ENSINOS PECULIARES

1. CULTO AOS ANTEPASSADOS

As doenças dos ossos, sobretudo as da coluna, têm como causa o


problema de relacionamento com os antepassados. Deve efetuar
culto aos antepassados com sincera dedicação. É fundamental que
o culto aos antepassados seja feito com sincero sentimento de
gratidão ("Fonte de Luz", Associação dos Moços da Seicho-No-Ie no
Brasil. Ano 29, 1993, nº 278, p. 37).

Recomenda a Seicho-No-Ie: Cultuemos também os filhos ou netos


que morreram precocemente, oferecendo-lhes diariamente a leitura
da Sutra Sagrada, Chuva de Néctar da Verdade ou Palavras do
Anjo. Se possível, devemos determinar um horário fixo para, diante
dos espíritos dos antepassados (em frente a um oratório), evocá-los
("Fonte de Luz", Associação dos Moços da Seicho-No-Ie no Brasil.
Ano 29, 1993, nº 286, p. 9). A Seicho-No-Ie recomenda então o

321
AS RELIGIÕES E A APOLOGÉTICA BÍBLICA

seguinte: Quando a família for constituída por um casal e filhos,


deve-se evocar os antepassados de quatro famílias: primeiramente,
evocam-se os antepassados das famílias do pai e da mãe do
marido: Ó almas dos antepassados da Família; Ó almas dos
antepassados da Família. A seguir, evocam-se os antepassados das
famílias do pai e da mãe da esposa. Depois, deve-se pronunciar, um
por um, o nome dos parentes mortos há menos de 50 anos. Deve-
se, então, chamando pelo nome essas pessoas mortas, dizer: Ó
alma de fulano de tal ("Fonte de Luz", Associação dos Moços da
Seicho-No-Ie no Brasil. Ano 29, 1993, nº 286, p. 10).

Resposta Apologética:

Pela Bíblia, sabemos que os mortos não se comunicam com os


vivos. Quando, pois, vos disserem: Consultai os que têm espíritos
familiares e os adivinhos, que chilreiam e murmuram: Porventura
não consultará o povo a seu Deus? A Lei e ao Testemunho! Se eles
não falarem segundo esta palavra é porque não há luz neles (Is
8.19-20). Têm os mortos consciência do que ocorre em torno deles
no lugar onde estão: os cristãos ficam com Cristo no céu (2 Co 5.6-
8; Fp 1.21-23); os descrentes ficam no Hades até o dia do Juízo
Final, quando de lá sairão para o lago de fogo ou Geena (Lc 16.22-
25; Ap 20.11-15). Nada sabem do que ocorre na terra (Hb 9.27).
Devemos ter respeito pelos nossos parentes enquanto vivos, mas
não há possibilidade de que eles nos ajudem ou prejudiquem depois
da morte.

2. CARMA

Ensinam: Se uma criança nasce com algum problema, a causa não


está somente na criança, mas também no carma dos pais. Os espí-

322
AS RELIGIÕES E APOLOGÉTICA BÍBLICA

ritos procuram eliminar os pecados através dos sofrimentos ("Fonte


de Luz", Associação dos Moços da Seicho-No-Ie no Brasil. Ano 29,
1993, nº 284, p. 36).

Efetue diariamente o culto aos antepassados, acreditando que com


isso o seu carma do passado se extinguirá ("Fonte de Luz",
Associação dos Moços da Seicho-No-Ie no Brasil. Ano 29, 1993, nº
278, p. 37).

Resposta Apologética:

Queremos que nossos filhos e netos mostrem respeito e admiração


por nós enquanto vivemos, mas nada valem homenagens prestadas
após a nossa morte (Ef 6.2-3; Pv 23.22; 1 Tm 5.4). Devemos prestar
culto a Deus e a Jesus Cristo, Seu Filho (Ap 5.11-13).

3. PESSOAS MÁS NÃO EXISTEM

Ensinam: E então poderemos perceber que neste mundo criado por


Deus jamais existem pessoas más ("Acendedor", Associação dos
Moços da Seicho-No-Ie no Brasil. Ano 9, 1973, nº 31, p. 9).

Resposta Apologética:

Dizer isso é ignorar a história dos grandes criminosos como Nero,


Hitler, Stalin e outros que se notabilizaram pelas suas crueldades.
Parece incrível! Diante de tanta maldade humana hoje existente, e
muito mais à medida que a vinda de Cristo se avizinha que ouse
alguém afirmar que não existem pessoas más. Isso é ridículo! Como
está escrito: Não há um justo, nem um sequer. Não há ninguém que
entenda; não há ninguém que busque a Deus. Todos se
extraviaram, e juntamente se fizeram inúteis. Não há quem faça o
bem, não há nem um só (Rm 3.10-12; Mt 24.12,37-39; 2 Tm 3.1-6).

323
AS RELIGIÕES E A APOLOGÉTICA BÍBLICA

4. SATANÁS (OU DIABO) E INFERNO NÃO EXISTEM

Ensina a Seicho-No-Ie:

PERGUNTA: Na doutrina da Seicho-No-Ie existe Satanás, diabo ou


inferno?

Resposta: Satanás ou diabo e inferno não são existências ver-


dadeiras, porque Deus não os criou. Como poderia Deus criar o
diabo ou o inferno? Ele não faria isso ("Fonte de Luz", Associação
dos Moços da Seicho-No-Ie no Brasil. Ano 28, 1992, nº 275, p. 39).

Resposta Apologética:

Na realidade, quando Deus criou o mundo e todas as coisas, Ele viu


que tudo quanto tinha feito era muito bom (Gn 1.31), mas, o homem,
por livre-arbítrio, escolheu dar ouvidos à voz da serpente e caiu em
pecado. Pelo pecado a morte passou a todos os homens porque
todos pecaram (Rm 5.12). A solução para o pecado do homem veio
com Jesus Cristo, que, sendo Deus (Jo 1.1) se fez homem (Jo 1.14)
e para nos livrar da condenação morreu por nós trazendo-nos a
salvação (Tt 2.11-14). O homem é responsável por aceitar ou
recusar a salvação gratuita na pessoa de Jesus Cristo. Quem crer
em Cristo e for batizado será salvo, mas quem não crer será
condenado (Mc 16.15-16). Jesus falou do céu (Jo 14.2-3), mas
também falou do inferno como lugar preparado para o Diabo e seus
anjos (Mt 25.41). No entanto, o homem ao ir para o inferno, vai para
um lugar que não lhe foi destinado. Então dirá também aos que
estiverem à sua esquerda: Apartai-vos de mim, malditos, para o fogo
eterno, preparado para o diabo e seus anjos. E irão estes para o
tormento eterno, mas os justos para a vida eterna (Mt 25.41,46).
Como lemos o inferno foi preparado para o Diabo e seus anjos. Se o

324
AS RELIGIÕES E APOLOGÉTICA BÍBLICA

homem vai para lá é por vontade pessoal.

A ironia da Seicho-No-Ie é tanta, que, zombando do inferno, assim


se pronuncia: Quem prega: Pecadores, vós caireis no inferno, ele
próprio cairá no inferno ("Acendedor", Associação dos Moços da
Seicho-No-Ie no Brasil. Ano 6, 1967, nº 3, p. 38). Ora, como alguém
cairá num lugar, que, segundo a Seicho-No-Ie, não existe? Deus
não criou um diabo, mas criou um querubim de grande poder e ele
se ensoberbeceu e sofreu a queda, pela qual se tornou Satanás (Is
14.12-14; Ez 28.14-16). E depois de tudo o que de mal aconteceu
no mundo pelo pecado insuflado de Satanás, outro Querubim - o da
Seicho-No-Ie está causando grandes males no mundo com seus
ensinos falsos e absurdos.

A. CONCLUSÃO

A Seicho-No-Ie é um movimento que procura estar bem com todas as


religiões mundiais. Isso se observa a partir das citações contidas em
suas publicações, que freqüentemente fazem citações da Bíblia e de
outros livros de religiões orientais.

A Seicho-No-Ie e o Cristianismo originariamente são unos, e a sua


ideologia básica é a Verdade do homem FILHO DE DEUS,
originalmente perfeito, donde surgem todos os bens reinantes. É neste
ponto que a Seicho-No-Ie e o Cristianismo se unem perfeitamente
("Acendedor", Associação dos Moços da Seicho-No-Ie. Ano 5, 1966, nº
2, p. 43).

O leitor diria que essa última declaração corresponde à verdade? A


resposta só pode ser uma: NÃO!

325
AS RELIGIÕES E A APOLOGÉTICA BÍBLICA

CAPÍTULO 10

ADEPTOS DO NOME YEHOSHUA E SUAS

VARIANTES

A. INTRODUÇÃO

Os Adeptos do Nome Yehoshua e Suas Variantes (ASNYV) surgiram


no Brasil por volta de 1987 aproximadamente. Esse movimento não é
propriamente dito uma heresia ou seita de origem brasileira, já que
existem similares nos Estados Unidos e em outros lugares. Embora
seja relativamente novo no Brasil, esse movimento experimentou um
incrível fracionamento. Entre os adeptos do nome Yehoshua há muita
divisão e ramificações, tanto doutrinária quanto institucional. Há grupos
que negam a doutrina bíblica da Trindade, outros são sabatistas, ou
seja, defendem a guarda do sábado, outros crêem ainda em duas
categorias de salvos: os cristãos que habitarão no céu e os judeus,
assírios e egípcios, que embora possam ser salvos, herdarão a terra.
Outros, ainda crêem na totalidade dessas ideias. São exclusivistas,
ostentando assim o monopólio da salvação. Alguns grupos são
denominados de as Testemunhas de Yehoshua, Gideões de Yehoshua
Hamashiach, Igreja do Deus Yehoshua etc. Alguns dos seus líderes e
escritores no Brasil são: José Cláudio Pinheiro, Josué B. Paulino, Ivo
Santos de Camargo etc.

326
AS RELIGIÕES E APOLOGÉTICA BÍBLICA

B. O NOME YEHOSHUA

Os Adeptos do Nome Yehoshua e Suas Variantes declaram que o


nome Yehoshua é de origem divina e significa Deus Salvador (YEHO =
SENHOR + SHUAH = SALVAÇÃO). Falam que o nome Jesus é de
origem pagã e significa Deus-cavalo (YE = DEUS + SUS = CAVALO).
Vão mais além na sua obstinação contra o nome Jesus, comparando-o
com Esus — deus mitológico dos celtas, que aparece segurando
serpentes com cabeça de carneiro. Concluindo precipitadamente que
os cristãos adoram a serpente, ao invés do Cordeiro de Deus. Admitem
ainda que o Senhor Jesus seja o portador do misterioso número 666.

Gostaríamos de iniciar nossa breve consideração aos Adeptos do


Nome Yehoshua e Suas Variantes (ASNYV), partindo da perspectiva
de que a complexidade do Nome de Deus ‫( יהוה‬YHWH), conforme nos
é apresentada em Êx 3.13-15, é uma e a insistência de que somente a
pronúncia Yehoshua (hebraico ‫)יהושע‬, para o nome de nosso Senhor e
Salvador Jesus Cristo deve ser outra.

Nossa intenção não é desprezar, nem muito menos ridicularizar, mas


apenas fazer a apologia cristã das questões concernentes aos
argumentos apresentados por eles.

Concordamos inteiramente com os ASNYV que o estudo de diversas


línguas é importante e de muito proveito. Discordamos, porém, dos
exemplos que eles oferecem para apoiar suas doutrinas.

A diferença entre hipótese e fato comprovado desempenhará um papel


importante em nossa argumentação, pois somos cientes de que há
uma tendência no ser humano para confundir esses dois conceitos.
Confusão esta que se encontra sedimentada em fatores de ordem
subjetiva, assumindo, muitas vezes, um aspecto passional.

327
AS RELIGIÕES E A APOLOGÉTICA BÍBLICA

Dizem os ASNYV que nome próprio não deve ser traduzido, mas
apenas transliterado. Será que realmente este princípio deverá ser
sempre observado? Se a resposta for afirmativa, o que podemos
concluir acerca de tais nomes próprios: Simão, João, Pedro, José,
Judas, Jacó, Maria, Isabel, Débora, Moisés, Elias, Obadias etc? Todos
esses nomes próprios, dentre outros, são transliterações, traduções ou
equivalentes (formas) portugueses de nomes próprios hebraicos?
Nomes como rabi, messias, dracma, sábado, pentecostes, e siclo, são
traduções, transliterações ou equivalentes portugueses de nomes
hebraicos?

Para esclarecer o significado de transliteração, tradução e equivalente,


partiremos de um texto do Evangelho de João (1.38,41-42)·. Ε Jesus,
voltando-se e vendo que o seguiam, disse-lhes: Que buscais?
Disseram-lhe: Rabi (que, traduzido, quer dizer mestre), onde moras? ...
Este achou primeiro a seu irmão Simão e disse-lhe: Achamos o
Messias (que, traduzido, é o Cristo). Ε levou-o a Jesus. E, olhando
Jesus para ele, disse: Tu és Simão, filho de Jonas; tu serás chamado
Cefas (que quer dizer Pedro).

Os nomes Jesus, Rabi, Mestre, Simão, Messias, Cristo, Jonas (João) e


Pedro são escritos respectivamente da seguinte forma no original
grego: Ιησους (Iesous), Ραββι (rabbi), Διδασκαλος (didáskalos),
Σιμων (Símon), Μεσσίας (Messias), Χρίστος (Khristós), υιος (hyiós),
Ιωαννης (Ioánnes), Κηφας (Kephâs) e Πετρος (Pétros).

Uma vez que todos os manuscritos do Novo Testamento grego estão


escritos em grego Koiné, não seria sensato insistirmos em argumentos
que partem da hipótese de que os autógrafos, ou seja, os escritos
elaborados por seus próprios autores, teriam sido escritos em hebraico
ou aramaico e depois traduzidos para o grego. Por isso, o critério
máximo de autoridade em termos de exegese e hermenêutica do Novo

328
AS RELIGIÕES E APOLOGÉTICA BÍBLICA

Testamento será o texto grego, ainda que sejam admitidos os


problemas de variantes textuais.

A tabela a seguir será útil para iniciarmos as nossas considerações:

Equivalente Tradução
Português Hebraico Aramaico
Grego Grega

Jesus ‫יהושע‬ .... Ιησους ....

Rabi ‫רבי‬ .... Ραββι Διδασκαλος

Simão ‫שמעון‬ .... Σιμων ....

Messias ‫משיח‬ .... Μεσσιας Χριστος

Filho .... ‫בר‬ .... υιος

João ‫יוחנן‬ .... Ιωαννης ....

Cefas .... ‫כיפא‬ Κηφας Πετρος

Em todos estes nomes não encontramos a transliteração de nomes


próprios. Ιησους (Iesous), Σιμων (Símon), ‫( יוחנן‬Ioánnes) e Κηφας
(Kephâs), não são transliterações do hebraico e aramaico, são apenas
equivalentes gregos de nomes próprios provenientes do hebraico e
aramaico. Ραββι (rabbi) e Μεσσιας (Messias) são equivalentes do
hebraico ‫( רבי‬rabbi) e ‫( משיח‬Mashiach). Κηφας (kephâs) é um
equivalente grego do aramaico ‫כיפא‬ (keypha). Διδασκαλος
(didáskalos), Χριστος (Khristós), υιος (hyiós) e Πετρος (Pétros) são
traduções gregas do hebraico e aramaico. Como podemos perceber,
não há nestas palavras nenhum exemplo de transliteração de nomes
hebraicos e aramaicos.

329
AS RELIGIÕES E A APOLOGÉTICA BÍBLICA

Os ASNYV não percebem a inconsistência de insistir somente na


transliteração de ‫( יהושע‬YEHOSHUA). Partem da hipótese de um
exemplo bíblico de transliteração, contido em Lc 23.38. Afirmam que a
transliteração de ‫( יהושע‬YEHOSHUA) em letras gregas seria Ιεηοξυα
(Ieêoksya). Em letras latinas seria Yehoshua. Lembremos ao prezado
leitor que transliterar significa reduzir um sistema de escrita por outro,
letra por letra, observando-se as leis fonéticas pertencentes a ambos
os sistemas. Duas observações merecem destaques nesta hipótese:

1ª) Nem todos os manuscritos gregos apresentam a leitura: em letras


gregas, latinas (romanas) e hebraicas. O Novum Testamentum
Graecae (NA 27), de suma importância para a crítica textual, não aceita
esta citação. Seria menos problemático o texto de João 19.20;

2ª) A transliteração Ιεηοξυα (Yeêoksya) apresentada pelos ASNYV não


é plena. O Sh'váh sonoro (‫ )׃‬é representado por ε (epsylon). O Π (he)
consonantal é representado pela vogal longa η (eta), a vocalização ‫ו‬
(cholem) é representada por ο (omikron), o ‫( ש‬shin), uma consoante
fricativa palatal, que soa como ch na palavra portuguesa achar, é
representada pela consoante dupla ξ (ksi) = κ (káppa) + σ (sigma). A
letra grega ξ soa em português como x na palavra táxi. Percebemos,
então, que ela não é o equivalente pleno da consoante hebraica ‫ש‬
(shin). A vocalização (quibbúts) é representada por υ (hypsilón).

Daremos ao leitor o nome hebraico ou aramaico, a transliteração latina,


o equivalente grego, o equivalente latino, a tradução grega, a tradução
latina, o equivalente português e a tradução portuguesa, quando
possível, destes nomes em questão:

330
AS RELIGIÕES E APOLOGÉTICA BÍBLICA

Tradução Latina
Tradução Grega
Nome Hebraico

Transliteração

Grego (forma)
ou Aramaico

Equivalente

Equivalente

Equivalente

Portuguesa
Português

Tradução
(forma)
Latino
Latina

‫הושע‬ Yehos
Ιησους Iesus .... .... Jesus ....
‫י‬ hua

Rabbi Διδασκ Magis Mestr


‫רבי‬ Ραββι Rabbi Rabi
y αλος ter e

‫מעון‬ Shime'
Σιμων Simon .... .... Simão ....
‫ש‬ on

‫שיח‬ Mashi Μεσσι Messi Christ Messi (Ungi


Χριστος
‫מ‬ ach ας as us as do)

‫בר‬ Bar (Βαρ) Bar υιος Filius .... (Filho)

Yocha Ιωανν loanne


‫יוחנן‬ .... .... João ....
nan ης s

(Keyp Cepha Petru (Pedra


‫כיפא‬ Κηφας Πετρος Pedro
ha) s s )

Podemos concluir facilmente que:

a) Jesus, Simão e João são equivalentes portugueses dos nomes


próprios Ιησους (Iesous), Σιμων (Símon) e Ιωαννης (Ioánnes), que
são equivalentes gregos dos nomes próprios hebraicos ‫יהושע‬
(YEHOSHUA), ‫( שמעון‬Shimeon) e ‫( יוחנן‬Yochanan);

331
AS RELIGIÕES E A APOLOGÉTICA BÍBLICA

b) Messias e Rabi são equivalentes portugueses de Μεσσιας


(Messias) e Ραββι (rabbi), equivalentes gregos dos substantivos
hebraicos ‫( משיח‬Mashiach) e ‫( רכי‬rabbi);

c) Cristo é o equivalente português de Χριστος (Khristós), tradução


grega do hebraico ‫( משיח‬Mashiach);

d) Filho é a tradução do aramaico ‫( כר‬bar), traduzido em grego por υιος


(hyiós) e em latim por filius;

e) Mestre é a tradução portuguesa do hebraico ‫( רכי‬rabbi), que em


grego é Διδασκαλος (didáskalos);

f) Cefas é o equivalente português de Κηφας (Kephâs), equivalente


grego do aramaico ‫( כיפא‬keypha);

g) Pedro é o equivalente português da tradução grega Πετρος (Pétros),


que é a tradução do aramaico ‫( כיפא‬keypha).

Obs.: Não houve transliteração alguma, segundo o critério adotado


pelos ASNYV.

Josué B. Paulino, referindo-se ao texto abordado por nós, declara o


seguinte: Por isso nós vemos as Escrituras repletas de textos
"parafraseados", e frases espúrias acrescentadas entre ( ), como por
exemplo João 1.41-42; 4;25, onde aparece entre ( ) acréscimos
espúrios deturpando o sentido do texto sagrado. Examinemos, então,
prezado leitor, as referências citadas por ele, na edição Revista e
Corrigida de João Ferreira de Almeida: Este achou primeiro a seu
irmão Simão e disse-lhe: Achamos o Messias (que, traduzido, é o
Cristo). Ε levou-o a Jesus. E, olhando Jesus para ele, disse: Tu és
Simão, filho de Jonas; tu serás chamado Cefas (que quer dizer Pedro),
e: A mulher disse-lhe: Eu sei que o Messias (que se chama o Cristo)
vem; quando ele vier, nos anunciará tudo. Sabemos que os parênteses
servem para isolar explicações, indicações ou comentários acessórios.

332
AS RELIGIÕES E APOLOGÉTICA BÍBLICA

As frases que os ASNYV chamam de espúrias: (que, traduzido, é


Cristo), (que quer dizer Pedro) e (que se chama o Cristo), encontram-
se no texto grego sem parênteses. Como podem ser espúrias se
aparecem no texto grego? No grego o εστιιν μεθερμηνευομενον
χριστος (ho estin methermeneuómenon Khristós), o ερμηνευεται
πετρος (ho hermeneúetai Pétros) e o λεγομενος χριστος (ho
legómenos khristós). Temos três verbos:

1) o verbo μεθερμηνευω (methermeneúo), composto da preposição


μετα (metá) + ερμηνευω (ermeneúo), cujo significado é traduzir (para
outra língua ou idioma);

2) ερμηνευω (ermeneúo), cujo sentido é interpretar e

3) λεγω (lego), que pode ser lido aqui como chamar (por um nome).

Nem todas as traduções são unânimes em utilizar os sinais de


pontuação, pois sabemos que os critérios variam de tradutor para
tradutor. Discutamos os critérios de pontuação em destaque, mas não
os coloquemos no mesmo nível do texto grego. Deduzimos facilmente
que estas frases são consideradas espúrias pelos ASNYV devido ao
fato de elas apoiarem a tradução de nomes próprios, o que seria um
problema para os ASNYV, uma vez que eles insistem em que nome
próprio não se traduz, apenas se translitera.

Josué B. Paulino apresenta-se como profeta da restauração do


verdadeiro e único NOME do Senhor. Vejam a conclamação sugerida
por ele:... Diante do exposto, sem nenhum insulto ou afronta
fraternalmente CONVIDAMOS a todos os Ministros Evangélicos,
presbíteros, diáconos, obreiros e a comunidade evangélica em geral;
bem como toda a população para participarem de um amplo e profundo
DEBATE sobre tradução ou transliteração do nome sagrado Yehoshua
nas Escrituras Sagradas. Todos, devem participar desse debate inédito

333
AS RELIGIÕES E A APOLOGÉTICA BÍBLICA

inclusive telefonando para a Comissão de Tradução, Revisão e


Consulta da SOCIEDADE BÍBLICA DO BRASIL. Fone (011) 421 6711,
Barueri - SP; COBRANDO deles a edição de uma Bíblia corrigida com
o Nome verdadeiro do Filho de Deus em lugar do pseudônimo Jesus...

Seria um absurdo cobrar da Sociedade Bíblica do Brasil uma edição da


Bíblia corrigida com o nome verdadeiro Yehoshua, sempre que no
Novo Testamento aparecer o pseudônimo Jesus, e Mashiach sempre
que aparecer a suposta deturpação fonética Cristo. Acreditar nesta
edição seria não levar em conta a contribuição de três ciências que se
opõem às ideias dos ASNYV:

1) a lingüística;

2) a hermenêutica;

3) a apologética.

A lingüística porque os ASNYV não levam em consideração o estudo


histórico e comparativo das línguas, chegando a ponto de afirmar que
Ιησους é uma palavra grega, que, em hebraico significa deus-cavalo.
Se a palavra é grega, como podemos dar o seu significado em
hebraico? Para tal falácia, desmembram Ιησους em Ιη (Ie) = Deus
(hebraico?) mais σους (sus) = ‫( סוס‬cavalo em hebraico).

A hermenêutica porque desconsideram os problemas concernentes à


interpretação, chegando a afirmar que trocaram a palavra hebraica
Messias pelo Cristo grego, assim como Yehoshua foi trocado por
Jesus, também dos gregos. Lembremos que Μεσσιας (Messias) está
para o hebraico ‫( משיח‬Mashiach) assim como Ιησους (Iesous) está
para ‫( יהושע‬Yehoshua). Assim sendo, podemos afirmar que ‫המשיח‬
‫( יהושע‬Yehoshua hamashiach) encontra o equivalente grego Ιησους ο
Μεσσιας (Iesous ho Messias). Ιησους ο Χριστος (Iesous ho Khristós)
é a tradução grega sem a tradução do nome ‫( יהושע‬Yehoshua), Iesus

334
AS RELIGIÕES E APOLOGÉTICA BÍBLICA

Christus é o equivalente latino, Jesus Cristo é o equivalente português


e Jesus o Ungido é a tradução portuguesa de ‫( יהושע המשיח‬Yehoshua
hamashiach).

A apologética porque por trás da insistência dos ASNYV na


transliteração, a doutrina da Trindade é negada. Eles chegam a afirmar
que Yehoshua é o imutável NOME do Pai, Filho e Espírito Santo....

Analisando agora Atos 26.14-15: E, caindo nós todos por terra, ouvi
uma voz que me falava e, em língua hebraica, dizia: Saulo, Saulo, por
que me persegues? Dura coisa te é recalcitrar contra os aguilhões. Ε
disse eu: Quem és, Senhor? Ε ele respondeu: Eu sou Jesus, a quem tu
persegues. Dizem os ASNYV que se o próprio Jesus falou seu nome
em língua hebraica — no texto grego τη Εβραιδι (tê hebraídí) — como
poderemos, então, pronunciá-lo de outra forma? Seu sistema
doutrinário os obriga a ignorar um dado muito importante: a autoridade
do texto de Lucas encontra-se primeiramente em sua língua original, o
grego, apesar de estar escrito em grego que Jesus falou com Paulo em
hebraico. É óbvio que ‫( יהושע‬Yehoshua) é o nome hebraico de Ιησους
(Iesous), seu equivalente grego. Já demonstramos que Iehoxua
(Ieêoksya) não é a transliteração de ‫( יהושע‬Yehoshua). Veja, prezado
leitor, que seria difícil acreditar na hipótese de que pelo menos um
manuscrito grego apresentasse a transliteração sugerida pelos ASNYV.
Hipoteticamente, deveria ser assim o texto grego: Εγω ειμι Ιεηοξυα ov
συ διωκεις (ego eimi Ieêoksya hon syDiokeis). Nesse caso, teria
acontecido uma conspiração lingüística muito bem estruturada pelos
gregos e romanos que a lingüística moderna parece ignorar. Assim
como as Testemunhas de Jeová inseriram o nome Jeová na Tradução
do Novo Mundo no Novo Testamento, sem a autorização de pelo
menos um manuscrito grego, assim também querem fazer os ASNYV,
inserindo o nome Yehoshua. Se levássemos em consideração apenas

335
AS RELIGIÕES E A APOLOGÉTICA BÍBLICA

o Antigo Testamento, poderíamos aceitar a discutibilidade de tal


projeto; tratando-se, porém, do Novo Testamento, não há base
lingüística alguma que o justifique. Gostaríamos de salientar ainda que
os Nominna Sacra (os nomes sagrados) estão relacionados a diversas
ciências, tais como, a semântica, a hermenêutica, a exegese, a
teologia, a filologia e a apologética.

Se a lingüística já descarta tal hipótese, o que esperar, então, dessas


outras ciências em relação ao projeto dos ASNYV? Façamos um breve
retrospecto do Nome Jesus: Jesus é proveniente do hebraico ‫יהושע‬
(Yehoshua), cuja transliteração é Yehoshua — Josué. Sua tradução é
YHWH (‫ )יהוה‬é salvação. Josué era chamado de ‫( הושע בן נון‬Hoshea
ben Nun). Oséias, filho de Num (Nm 13.8; Dt 32.44) é a sua tradução.
Em Nm 13.16 Moisés mudou o nome ‫( הושע‬Hoshe'a) para ‫יהושע‬
(Yehoshua). Após o cativeiro babilônico, ‫( יהושע‬Yehoshua) tornou-se
‫( ישוע‬Yeshua). O sumo sacerdote Jesua é chamado em hebraico tanto
‫( יהושע‬Yehoshua) (Ag 1.1,12,14; 2.2,4; Zc 3.1,3,6,8,9; 6.11) quanto ‫ישוע‬
(Yeshua) (Ed 3.2,8; 4.3; 5.2; Ne 7.7). A Septuaginta usou Ιησους
(Iesous) tanto para ‫( יהושע‬Yehoshua) como para ‫( ישוע‬Yeshua).
Concluímos, portanto, que Ιησους (Iesous) e seu equivalente latino
Iesus é o nome do nosso Senhor e Salvador. Jesus é o equivalente
português do ‫ יהושע‬/ ‫( ישוע‬Yehoshua / Yeshua ).

Acreditam os ASNYV que o Novo Testamento, com exceção das cartas


de Paulo, foram escritos em aramaico e posteriormente copiados para
o grego. Os manuscritos mais antigos do Novo Testamento são
datados do ano 340 a.D. os Codex Vaticanus. Esses Codex são
escritos em grego. Não são os originais escritos pelos apóstolos, mas
são cópias posteriores. Em primeiro lugar, devemos diferenciar a
evidência da hipótese. Josué B. Paulino não distingue o hebraico do
aramaico, pois em determinado momento ele afirma: Sabemos com

336
AS RELIGIÕES E APOLOGÉTICA BÍBLICA

certeza que pelo menos o Evangelho de Mateus foi escrito em


aramaico... Logo em seguida, afirma: Visto que Mateus escreveu em
hebraico, é inconcebível que ao relatar a anunciação do Anjo em
Mateus 1.21, ele não tenha escrito Yehoshua.11 Hebraico ou
aramaico? Sabemos com certeza que ambas as línguas são semíticas,
mas a dúvida permanece, pois são línguas distintas. Gostaríamos de
lembrar ao prezado leitor que os papiros Bodmerianos 66, 75 e 76, à
disposição de pesquisadores na Biblioteca Bodmer, em Geneve, Suíça,
apresentam a abreviação IS ou IC para Ιησους (lesus). No papiro 75
encontramos os evangelhos de Lucas e João. Sua datação é dada
como provável entre 175 e 225 a.D., sendo bem anterior a Jerônimo, o
responsável, segundo os ASNYV pela criação do nome blasfemo,
unindo o J de Júpiter, o equivalente romano da suprema divindade
Zeus dos gregos, à divindade dos celtas (gauleses) Esus. O nome
Jesus para os ASNYV seria, então, a união de Júpiter e Esus. Seria
importante lembrarmos que o ‫( י‬Yod) hebraico pode representar a vogai
i ou a consoante y. Pierre de la Ramée difundiu, na Renascença, as
letras J e V como equivalentes consonantais para o i e u latinos
(romanos). Temos, portanto, dois fortes argumentos contra os ASNYV
para a explicação da origem do nome blasfemo: o papiro 75 (p 75),
anterior a Jerônimo, e Pierre de La Ramée, posterior a Jerônimo.

Algo que parece ser digno de destaque é a incrível afirmação de


Haroeh José Cláudio Pinheiro, outro difusor das ideias dos ASNYV —
[Haroeh é a transliteração do hebraico ‫( הרעה‬Haroeh), que traduzido é
o pastor] — em sua apostila declara: Durante todo o tempo da história
da humanidade, o homem procurou interpretar o tetragrama YHWH =
YEHOSHUA. Nomes como Jeová, Iavé, Javé, Yawé, Yahweh foram
apresentados como sendo a transliteração do nome Sagrado do eterno
Deus. Onde encontramos na tradução "SEPTUAGINTA" (tradução feita

337
AS RELIGIÕES E A APOLOGÉTICA BÍBLICA

dos originais hebraicos para o grego por 70 judeus) o nome


"SENHOR", na verdade se encontra nos originais hebraicos o
tetragrama "YHWH" que significa transliterado literalmente
"YEHOSHUA" ou "YHWH TSIDKENU" (O eterno é a salvação, ou O
Senhor é a Salvação). Mais tarde, o nome Yehoshua foi substituído por
"KY" e "KC" forma abreviada da palavra grega "Kyrios" (SENHOR). Ε
ainda prossegue, citando Êx 6.3, e dando sua explicação para a
pronúncia do tetragrama, estabelecendo uma equivalência com
Yehoshua: Apareci a Abraão, a Isaque, e a Jacó, como o Deus Todo-
Poderoso, mas pelo meu nome, o Senhor (YHWH = YEHOSHUA), não
lhes fui conhecido ÊXODO 6.3. O que nos chama a atenção é o fato
dos ASNYV não se preocuparem com a transliteração dos nomes
destes três patriarcas citados! Se nome próprio não se traduz,
perguntamos mais uma vez: Abraão, Isaque e Jacó são transliterações,
traduções ou equivalentes portugueses de nomes próprios hebraicos?
Além do mais, duas observações, pelo menos, merecem destaque:

1ª) A significação independe de uma transliteração literal, uma vez que


a questão do sentido das palavras pertence ao domínio da semântica,
ciência que estuda a significação das palavras e da hermenêutica,
ciência que tem a interpretação como objeto essencial de análise;

2ª) Yehoshua (hebraico ‫ )יהושע‬jamais poderá ser o equivalente de


YHWH, em hebraico ‫יהוה‬. Percebemos que as duas letras ‫ ש‬e ‫( ע‬shin e
ayin) não estão presentes no tetragrama ‫( יהוה‬YHWH). A questão
referente ao nome de Deus em Êxodo 3.15 não deve, em hipótese
alguma, estar associada à questão do nome Yehoshua. A incerteza da
pronúncia do tetragrama leva em consideração somente as
possibilidades vocálicas. As duas letras hebraicas ‫ ש‬e ‫( ע‬shin e ayin)
apresentam problemas vocálicos e consonantais.

Josué B. Paulino nos apresenta um relato para fortalecer a crença na

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AS RELIGIÕES E APOLOGÉTICA BÍBLICA

pronúncia do nome Yehoshua: Em maio de 1995, a minha filha Miriã


teve um sonho e assim me relatou: 'Sonhei que havia terminado de
assistir a um estudo bíblico sobre o nome de Yehoshua e havia ficado
preocupada com o significado desse nome. Então eu estava lendo um
livro e nesse livro aparecia a inscrição: INRI, esse nome brilhava e
clareava todo o quarto onde eu estava e eu sentia um grande poder;
sentia como que uma voz dizia: INRI significa YEHOSHUA
NAZARENUS REXIUDEAEROUM em latim e hebraico éYEHOSHUA
HANOZRI WUMELECK HAYCHUDIM (YHWH) e em português é
YEHOSHUA NAZARENO REI DOS JUDEUS... .

Uma dúvida surge, subitamente, em nosso interior após a leitura do


relato desse sonho: por que não foi dado o significado em grego? Será
que poderíamos levantar uma hipótese para explicar tal omissão? A
omissão, talvez, seja devido ao fato de que o texto grego de João
19.19 não possa apoiar esta revelação, pois seria desta forma: Ιησους
ο Ναζωραιος ο βασιλευς των Ιουδαιων (Iesous ho Nadzoraios ho
basileús tôn loudaion). Como encontrar no grego o equivalente do
hebraico? Já demonstramos que Iesus é o equivalente latino de ‫יהושע‬
(Yehoshua) e Ιησους (lesous), seu equivalente grego. O significado em
hebraico dado pela filha de J. B. Paulino não corresponde à índole do
idioma hebraico, pois deveria ser Yehoshu'a hánotsri mélekh (ou
mélech) hayehudim. Wumeleck não é aceitável, pois não há presença
de ‫( ו‬waw) conjuntivo na inscrição em hebraico. ‫( ו‬waw) surge, então,
para corresponder ao ‫( ו‬waw) do tetragrama ‫( יהוה‬YHWH).

Valem-se ainda os ASNYV de um esquema criptográfico conhecido


como gematria, para afirmar que Jesus Cristo é o portador do
famigerado número 666, sendo, portanto, o nome da besta citada em
Apocalipse 13.18. Demonstram isso da seguinte maneira:

IESUS CRISTVS FILII DEI

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AS RELIGIÕES E A APOLOGÉTICA BÍBLICA

1+ 5 + 100 + 1 + 5 + 1 + 50 + 2 + 500 + 1 = 666

Em primeiro lugar, gostaríamos de lembrar que IESVS CRISTVS FILII


DEI é IESVS CRISTVS + FILII DEI.

Em segundo lugar, IESVS CRISTVS sozinho equivale a 112.

Em terceiro lugar, FILII (genitivo masculino singular) deveria ser FILIVS


(nominativo masculino singular).

Assim sendo, teríamos:

FILIVS DEI

1 + 50 + 1 + 5 + 500 + 1 = 558

IESUS CRISTVS = 112 + FILIVS DEI = 558 = 670

670 é diferente de 666

Percebemos, portanto, a necessidade da presença de títulos ou


apostos — sem contar com a presença de FILII, em vez da forma
correta FILIVS — para se chegar ao número 666.

Os ASNYV, para caracterizar sua exclusividade, acreditam na


evidência da confirmação de sua doutrina fonética por meio de sonhos,
visões, revelações e consultas ao Senhor através da caixinha da
promessa. Eis algumas de suas evidências:.. Ε ο Senhor nosso Deus
vem confirmando a Mensagem através de diversos Sonhos, Visões e
Revelações, concedidos a muitos irmãos e irmãs conforme as
Promessas de Sua Palavra (Joel 2.28-32; Ap 11.3-6).

...Eu, irmã Guinoral Μ. Paulino, tive um sonho, no qual estávamos nos


preparando para a grande tribulação...

...Então, eu orava a Deus (no sonho) e consultava ao Senhor através


da caixinha de promessas. Porém, quando abri a caixa de promessa,
constatei que não havia nenhuma mensagem dentro da caixa, no
entanto havia uma CANETA, que parecia do tipo tinteiro; a qual era

340
AS RELIGIÕES E APOLOGÉTICA BÍBLICA

extremamente pesada e bonita. Ε estava escrito horizontalmente na


mesma caneta, como se fosse uma dedicatória: "Eu te constituí profeta
entre as nações".

Veja, caro leitor, que não nos parece razoável acreditar em sistemas
doutrinários que tenham outra fonte de revelação além da Bíblia, a
Palavra de Deus. A subjetividade pode, muitas vezes, fornecer
subsídios para o dogmatismo político, religioso ou cultural. Por esse
motivo, devemos ter cuidado com as pessoas que se julgam
exclusivamente detentoras ou portadoras da verdade, como é o caso
dos ASNYV. Acrescentamos também que não podemos aceitar a idéia
do aspecto duvidoso do Evangelho de Mateus, uma vez que os ASNYV
acreditam na autografia hebraica ou aramaica. Conclusões forçadas ou
precipitadas sobre os textos Sagrados em suas línguas originais são,
pelo menos, um indício de predisposição ao sectarismo ou à heresia (2
Pe 2.1-2).

C. O CREDO DOS ADEPTOS DO NOME YEHOSHUA E SUAS


VARIANTES

1. Alguns negam a inspiração do Evangelho de Mateus, sob alegação


de que é um livro apócrifo;

2. Ensinam que o nome correto de Jesus é Yehoshua e que Jesus


significa deus-cavalo;

3. Fazem ligação entre Jesus (no grego Iesous) com Esus, um deus
celta, pretendendo com isso afirmar que os cristãos são pagãos;

4. Ensinam que o número 666 (número da Besta de Ap 13.6,18) se


enquadra no nome de Jesus;

5. Negam o nascimento virginal de Jesus, ensinando ser Ele filho de


José e Maria;

341
AS RELIGIÕES E A APOLOGÉTICA BÍBLICA

6. Negam a doutrina da Trindade, afirmando que o Pai é o Filho e o


Filho, o Pai (Unicismo);

7. O batismo é realizado em nome de Yehoshua-Mashiach,

8. Crêem em duas classes de pessoas: os cristãos, que vão para o


céu; e os judeus, assírios e egípcios, que irão herdar a terra;

9. Negam a salvação de quem invoca o nome de Jesus. Só há


salvação para quem invoca o nome Yehoshua;

10. Ensinam a guarda do sábado como fator necessário à salvação.

D. AS INOVAÇÕES

Ultimamente tem havido inúmeras inovações no meio do povo de


Deus. Tanto fora da Igreja como no seio dela surgem as heresias. O
apóstolo Paulo disse que Deus permite que isso aconteça para provar
os fiéis (1 Co 11.19). É verdade que cada ser humano tem a liberdade
de expressar seus pensamentos, por mais exóticos que sejam, porém
causa-nos estranheza o fato de os agentes dessas ideias excêntricas
encontrarem adeptos, acharem quem acredite nessas invenções.

Os fundadores das seitas costumam dizer que receberam revelação


direta de Deus. Geralmente essas revelações contradizem a Bíblia.
Seus adeptos, muitas vezes, deixam a Bíblia para seguir seus líderes.
Isso aconteceu com Joseph Smith Jr., fundador do mormonismo;
William Miller, depois Ellen Gould White, com o adventismo do sétimo
dia; Charles Taze Russell, fundador das Testemunhas de Jeová etc, e
agora, Ivo dos Santos Camargo, José Cláudio Pinheiro, Josué B.
Paulino com as Testemunhas de Iehoshua.

Todo líder que procura impor uma inovação com base em suas
supostas revelações, como doutrina básica de sua religião, deve ser

342
AS RELIGIÕES E APOLOGÉTICA BÍBLICA

rejeitado.

Como alerta aos crentes em Jesus que não conhecem as línguas


originais e deixaram se levar por heresias e dúvidas dos ASNYV,
apresentamos a exortação do apóstolo Paulo: Mas temo que, assim
como a serpente enganou Ενα com a sua astúcia, assim também
sejam de alguma sorte corrompidos os vossos sentidos, e se apartem
da simplicidade que há em Cristo. Porque, se alguém for pregar-vos
outro Jesus que nós não temos pregado, ou se recebeis outro espírito
que não recebestes, ou outro evangelho que não abraçastes, com
razão o sofrereis (2 Co 11.3-4).

E. GLOSSÁRIO

Anátema: Maldito.

Apócrifo: Obra sem autenticidade comprovada.

Apologia: Defesa.

Celtas: Povos de raça indo-germânica, que já na Idade do Bronze


chegaram às ilhas britânicas.

Criptogáfico: Relativo à criptografia, arte de atribuir valor numérico aos


vocábulos.

Exegese: Comentário para esclarecimento ou interpretação de um


texto ou de uma palavra.

Falácia: Engano.

Famigerado: Famoso

Gauleses: Natural ou habitante da Gália.

Hipótese: Acontecimento incerto, suposição.

Koiné: Língua comum, fundamentada no dialeto ático.

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AS RELIGIÕES E A APOLOGÉTICA BÍBLICA

Pseudônimo: Nome suposto ou falso, geralmente adotado por artista


ou escritor.

Septuaginta: Tradução do Antigo Testamento hebraico e aramaico


para o grego.

TNM: Tradução do Novo Mundo, a Bíblia das Testemunhas de Jeová.

Variantes Textuais: Formas ou possibilidades de leitura do mesmo


texto

344
AS RELIGIÕES E APOLOGÉTICA BÍBLICA

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AS RELIGIÕES E A APOLOGÉTICA BÍBLICA

BIBLIOGRAFIA
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Norman Geisler e Thomas Howe, Editora Mundo Cristão.

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Um Manual das Religiões de Hoje (Entendendo o Oculto,


Entendendo as Religiões Seculares, Entendendo as Religiões
não Cristãs e Entendendo as Seitas), Josh McDowell e Don
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"Bíblia Apologética" - Instituto Cristão de Pesquisas, ICP -


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