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Faculdade Assis Gurgacz

RESENHA DESCRITIVA

Texto: Codificação/Decodificação

Professor: Silvio Demétrio


Acadêmico: Eduardo Hayasi
CODIFICAÇÃO/DECODIFICAÇÃO

O modelo de comunicação de massa que analisa este processo como uma cadeia linear e
considera apenas emissor/mensagem/receptor, tem sido questionado. Pois se deixa de se
levar em consideração outras estruturas que estão interligadas neste complexo processo.
Em analise mais abrangente considera este processo como momentos distintos e
interligados, estes processos são: produção/circulação/distribuição (consumo) e
reprodução. Estas etapas possuem suas distinções e suas especificações, suas próprias
formas e condições de existência, considerando que o produto da comunicação se
realize em passagens de formas e estas formas com características especificas e
determinadas por cada momento (etapa) que tal forma aparece, sendo assim, este
processo se diferencia dos outros tipos de produção existentes em nossa sociedade e nos
sistemas de meios de comunicação.

O “objeto” que se pratica nestes processos é envolvido por significados e mensagens,


então podemos considerar que ele sofre interferências em todas as etapas
(produção/circulação/distribuição (consumo)/reprodução) mas é sob a forma discursiva
que a circulação do produto se realiza. Depois este discurso deve ser traduzido e é
novamente transformado de novo em práticas sociais, para que se complete e tenha
efeitos. Se nenhum “sentido” é apresentado não há consumo e também não se
desenvolvendo em pratica, ele não tem efeito. Entendendo isto percebemos que cada
momento é necessário para se completar todo o processo, nenhum dos momentos
garante inteiramente o próximo, da forma que ele necessita. Já que cada momento tem
suas próprias características e condições de existência, cada um pode romper ou
interromper a passagem das formas, que na verdade necessita apenas de uma
reprodução fiel.

Considerando todas estas etapas citadas e suas características, podemos considerar


momentos de codificação e decodificação, como momentos determinados. Um fato ou
evento histórico na sua forma “bruta” não pode ser colocado em um tele jornal, pois
representado dentro dos significados presentes nas formas visuais e auditivas do
discurso televisivo e ainda, se este mesmo acontecimento for posto em outro momento
histórico ele estará sujeito a todas as “regras” formais pelas quais esta situação histórica
se encontra. Por isso o acontecimento deve se tornar apenas uma narrativa antes que
possa se tornar um evento comunicativo.

Dentro dessa perspectiva podemos descrever o processo comunicativo da televisão,


onde o consumo ou a recepção da mensagem é também um momento do processo de
produção, pois se devem produzir mensagens codificadas na forma de discurso
significativo. As mensagens devem fazer parte da realidade, vontade, em suma da
significação da população e só assim é concretizado a comunicação efetiva. Mas é claro
que isso depende do grau de identidade onde os códigos extraídos e códigos
transmitidos podem se distorcer ou interromper o que esta se transmitindo. A falta de
concretização entre os códigos tem a ver com as diferenças entre transmissor e
audiência, também tem a ver com assimetria entre os códigos da fonte e do receptor no
momento da transformação da forma discursiva. Que podemos considerar como
“distorções” ou “mal-entendido” e surgem por falta de equivalência entre os dois lados
na troca comunicativa. Novamente temos a “autonomia relativa” e a “determinação”, da
entrada e saída da mensagem em momentos discursivos.

A TV é um signo complexo, pois se constitui por discurso visual e auditivo. Os signos


icônicos parecem com objetos do meio real por que reproduzem as condições
perceptivas de quem vê. Assim estas codificações de percepção são decodificadas por
operações virtualmente inconsciente, isto ocorre com imagens fotográficas ou
televisivas e também para qualquer outro signo. Signos icônicos acabam sendo
absorvidos como naturais e é menos do que o signo lingüístico, assim dizer “vaca” não
possui nenhuma das propriedades da coisa representada, ao passo que o signo visual
parece possuir algumas dessas propriedades.

O nível de conotação do signo visual do que ele representa no contexto e como se


apresenta é justamente onde os signos já absorvidos se cruzam e assumem dimensões
ideológicas. No discurso da publicidade onde Barths da o exemplo, que o suéter sempre
significa “uma vestimenta quente” (denotação) e assim a atividade de manter-se
aquecido. Mas é também possível, em níveis mais conotativos, significar a “chegada do
inverno” ou “um dia frio”. E nos subcódigos especializados da moda, o suéter pode
conotar um estilo formal ou informal de se vestir. Agora se estiver contra um fundo
correto de visual que se remete ao romântico pode conotar “longa caminhada de outono
no bosque”. Podemos observar ai como o discurso tem uma relação com a cultura de
uma sociedade e que esta cultura determina a forma deste discurso, a sua recepção.
Toda sociedade ou cultura impõem suas classificações do mundo social, cultural e
político. Estas classificações são determinadas como ordem cultural dominantes, não
que sejam únicas ou incontestáveis, mas se apresentam na grande maioria de uma
sociedade ou cultura.

Quando falamos nesses sentidos, não podemos determiná-los como sentidos de mão
única, mesmo eles possuindo uma ordem institucional/política/ideológica, pois esse
processo ocorre em conjunto até se concluir a decodificação do evento. Dentro do
discurso televisivo muitos produtores preocupados que ocorra mal entendidos na
decodificação, que pode ser explicada pela percepção seletiva, fazem constantes estudos
de audiência que mostram que não se pode garantir totalmente que a produção do
discurso seja recebido em sua totalidade. Portanto deve-se pensar em varias formas de
codificação/decodificação e estas devem ser testadas, refinadas e mesmo assim sempre
teremos recepções alternativas de terminadas por formas não esperadas no momento da
produção e influencias decorrentes de todo estes processo de comunicação.

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