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Belém: Cálculo errado derrubou Real Class, diz UFPA


Diário do Pará – Correa Neto, 13 de março de 2011
Após 39 dias da queda do edifício Real Class, que matou três pessoas e atingiu moradores de um
quarteirão, com casas, carros e nervos prejudicados, foi divulgada perícia que aponta a causa e dá
respostas. O Grupo de Análise Experimental de Estruturas e Materiais (Gaema), formado por professores
da Faculdade de Engenharia Civil da Universidade Federal do Pará, entregou o laudo pericial que aponta
que o edifício caiu por erro no cálculo do projeto estrutural. O engenheiro calculista da obra é Raimundo
Lobato da Silva, contratado pela Real Engenharia.
Chefiada pelo Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia (Crea-PA), a comissão que
solicitou a perícia é composta por representantes do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Pará
(Sinduscon), Associação dos Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário (Ademi), Associação dos
Construtores de Obras Públicas (Acoop), Faculdade de Engenharia da Universidade Federal do Pará,
Faculdade Ideal (Faci), Universidade da Amazônia (Unama) e Instituto de Avaliação e Perícias de
Engenharia do Pará (Iapep).
O fato de o reitor Carlos Maneschy fazer questão de frisar que a UFPA não tem nenhum envolvimento
com o laudo reforça, para José Viana, presidente do Crea, que o trabalho desenvolvido pelos engenheiros
do Gaema – ao custo de R$ 100 mil – é independente. “Eles têm autonomia e titulações competentes
para realizar o trabalho”, esclareceu.
Em pouco mais de um mês, os sete professores do grupo, engenheiros civis com titulações em materiais,
fundações e estruturas, analisaram os projetos de arquitetura, estrutura, fundações e laudos de
sondagem do edifício e realizaram testes e ensaios em amostras de aço e concreto no laboratório do
Instituto de Tecnologia da Faculdade.
O laudo, entregue às 9h de ontem ao Crea, foi lido à imprensa na tarde de ontem, na sede do conselho,
por Denio Ramam de Oliveira, PHD em estruturas e coordenador do Gaema. A perícia aponta que o
concreto e o aço empregados na estrutura apresentavam resistências compatíveis com as recomendadas
pelas normas brasileiras. As fundações foram corretamente projetadas, levando em consideração as
cargas informadas no projeto.
Em resumo, o que o documento informa é que o esqueleto do prédio foi mal projetado e, quando a
estrutura foi submetida a uma combinação elevada de carregamentos verticais e horizontais (vigas e
lajes), não conseguiu sustentar o peso. Por mais que os ‘sinais’ como estalos ou fissuras não tenham
aparecido, o problema estava ali presente. “Aconteceu diferente do que ele pensava e calculou como
estrutura para o prédio”, concluiu Manuel Diniz Perez, coordenador da Faculdade de Engenharia Civil da
UFPA e doutor em Materiais e Processos.
Por todas essas implicações, a edificação Real Class deformou, esmagou os pilares e tombou.
Boas fundações
Constatado que nada havia de errado com as fundações, foi descartada a hipótese de que a queda teria
iniciado por esgotamento da capacidade de resistência. Ou seja, apesar de o prédio ter caído
verticalmente e aparentemente ter sido sugado pela terra, não houve falha geológica nem erro no
estacamento da obra, pressupondo que as estacas do prédio estariam fincadas numa camada pouco
resistente do solo.
Essa hipótese foi levantada pelo próprio calculista Raimundo Lobato em entrevista concedida ao DIÁRIO
um dia após a queda.
“A fundação do prédio era sólida, a empresa que fez o projeto e executou levou em consideração as
cargas verticais e horizontais informadas pelo calculista”, arrematou Manoel Diniz Perez.
De acordo com o laudo, o projeto estrutural não atendeu às recomendações normativas para
dimensionamento de estruturas de concreto, para carregamentos verticais (pilares) e para o vento.
Denio Oliveira contou que o Gaema refez todo o projeto em computador, utilizando três softwares de
análise estrutural, e que nessa simulação dos carregamentos foi constatada a falha nas estimativas
calculadas. Ele acrescentou que o prédio levou oito segundos para entrar em colapso: “Os pilares eram
muito estreitos e alguns até apresentaram ruptura brusca, mas sem fissuras”.
Com isso, eles atestaram que o desabamento ocorreu porque a carga não foi bem distribuída entre os
pilares, o que sobrecarregou as vigas, e que o terreno, um dos esforços atuantes, por se tratar do empuxo
exercido pela terra sobre a obra nela edificada, não aguentou o peso das cargas e o prédio ruiu.
Inquérito policial não considera laudo da UFPA
O documento assinado por profissionais contratados pelo Crea-PA sobre o desabamento do edifício Real
Class não é considerado oficial pela polícia e, portanto, não será usado no inquérito que apura as
responsabilidades no caso. Mas, segundo o delegado responsável, Rogério Moraes, o laudo deverá ser
analisado, mesmo que de forma extraoficial.
“Nós vamos pedir uma cópia desse documento e vamos, sim, analisá-lo. No entanto, isso não significa
que ele será anexado ao inquérito. Nós respeitamos o trabalho desses profissionais, mas eles não
tiveram acesso ao local de crime, fizeram o laudo baseado apenas nos projetos e isso faz toda a
diferença. O laudo do Centro de Perícias (Científicas Renato Chaves) é o oficial e vamos esperar que ele
seja concluído para poder anexar ao inquérito”, afirmou.
O documento a ser emitido pelo CPC Renato Chaves, inicialmente previsto para 180 dias, deve sair no
final do mês, mais tardar início do mês que vem, segundo o delegado.
Na segunda-feira (14) pela manhã, uma equipe formada por representantes da polícia civil, Ministério
Público, Centro de Perícias e da construtora Real estarão no local do desabamento para fazer testes de
prova no concreto e também nos ferros usados na construção.
Revolta
Para as vítimas do desabamento, o laudo emitido ontem é motivo de mais indignação e revolta. Para a
família da aposentada Maria Raimunda, morta durante a tragédia, o tempo de negociação está se
esgotando. Caso a construtora Real não ofereça uma proposta viável até o final do mês, o advogado da
família, David Lima, deverá entrar com uma ação na Justiça contra a construtora.
“Eles não querem nos indenizar e sim se livrar de um problema. Até agora não nos ofereceram uma
proposta que seja viável. Ficam barganhando e querem comprar nosso terreno por um preço que chega a
ser ridículo. Querem nos pagar menos de mil reais o m² construído. Esse valor é insignificante, até porque
não é só o valor material, são os danos morais. Perdemos nossa mãe e isso o dinheiro não traz de volta,
mas meu pai está vivo e quer voltar para casa”, lamentou Emídio Júnior, filho de Maria Raimunda. (Diário
do Pará)
Em Belém
Um edifício de 32 andares em construção desabou por volta das 14h dia 29 de janeiro de 2011
em Belém, capital do Pará. O edifício denominado Real Class estava sendo construído pela
empresa Real, com dois apartamentos por andar destinados à classe média alta.

Erro no cálculo estrutural e uso de material inadequado na obra. Essas foram as causas oficiais
do desabamento do edifício Real Class, segundo relatório da perícia do Centro de Perícias
Científicas Renato Chaves. O resultado deve servir de prova importante para o inquérito aberto
na Polícia Civil para investigar os culpados pela queda do prédio, que causou a morte de três
pessoas.

Segundo o perito Dorival Pinheiro, que coordenou os trabalhos do CPC, houve erro “no
projeto, com falha na concepção do sistema estrutural, erro na escolha do modelo matemático
(usado para avaliar e monitorar a obra) e no dimensionamento e detalhamento dos estribos dos
pilares da obra”. Os estribos são ferros retorcidos que servem para “amarrar” as colunas de
ferros usados nos pilares de sustentação do prédio.

Além disso, foi detectado que a bitola (diâmetro) do ferro era menor que o recomendado nos
dois pilares centrais do prédio. Os pilares de ferro deveriam ter pelo menos 5mm, mas tinham
4,2mm.

Dorival concluiu que houve “falhas na concepção do sistema estrutural e que o prédio não
deveria ter 34 andares”.

Outro ponto importante na investigação dos peritos foi o fato de que eles descartaram a ação
do vento, que foi considerado como principal fator da queda da estrutura no laudo emitido por
engenheiros ligados ao Curso de Engenharia Civil da UFPA. A análise dos peritos foi toda feita
com os indícios e materiais coletados no local do acidente.
Tecnologia & Materiais
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Perícia conclui que erro no cálculo estrutural causou


desabamento de edifício em Belém
Segundo o laudo do Centro de Perícias Renato Chaves, os pilares centrais
não resistiram às cargas da estrutura
Mauricio Lima

18/Abril/2011
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O Centro de Perícias Renato Chaves (CPC), ligado ao governo do Pará, divulgou, na sexta-feira
(15), o laudo sobre o desabamento do edifício Real Class, em Belém, ocorrido no dia 29 de janeiro.
Segundo o laudo, quatro problemas principais resultaram na queda do edifício: falha na concepção
estrutural do prédio; no dimensionamento e detalhamento estrutural; erro de concepção no modelo
matemático; e não cumprimento de normas administrativas.

Inquérito policial sobre o caso deverá ser finalizado até o próximo dia 29

De acordo com o perito Dorival Pinheiro, coordenador das ações da perícia, os dois pilares centrais
do prédio não resistiram às cargas verticais e horizontais. Era necessário que os pilares tivessem
barras de ferro com diâmetro de pelo menos 5 mm, mas, segundo os peritos, as barras existentes nos
pilares tinham 4,2 mm.

O perito Silvio Conceição, que também trabalhou durante os 45 dias no local do desabamento,
afirmou que houve um erro matemático na projeção da obra e que o prédio não poderia ter 34
andares. Segundo Conceição, o cálculo estrutural foi feito pavimento por pavimento, e não para o
edifício como um todo.
Os peritos afirmaram ainda que a construtora não fez a revisão do projeto estrutural do prédio antes
de iniciar as obras, o que estaria desrespeitando as normas da Associação Brasileira de Normas
Técnicas (ABNT). "Ao finalizar o projeto, a construtora deve repassá-lo para outro profissional, que
deverá fazer a revisão do projeto. Isto não foi feito", explicou o perito.

O laudo foi entregue ao delegado Rogério Moraes, da Divisão de Investigações e Operações


Especiais (Dioe), que afirmou que a conclusão da perícia irá resultar em indiciamentos. "Vamos
trabalhar com a possibilidade de homicídio culposo, já que três pessoas morreram em decorrência de
um erro", disse o delegado. O depoimento do engenheiro responsável pelo projeto estrutural está
marcado para a próxima quarta-feira (20).

A reportagem procurou o CPC para obtenção do laudo na íntegra, mas o centro afirmou, por meio de
sua assessoria de imprensa, que o documento só poderá ser divulgado após o término do inquérito
policial. A polícia tem até o dia 29 deste mês para concluir o inquérito.
Em 11 de março, um laudo técnico divulgado pela UFPA (Universidade Federal do Pará), chefiado
pelo Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia (Crea-PA), também concluiu que
erros no cálculo estrutural foram responsáveis pela queda do edifício Real Class. Para ler a notícia
sobre o primeiro relatório do acidente, clique .
aqui
Real Class desabou por falha estrutural
Domingo, 29/01/2012, 08:03:07 - Atualizado em 29/01/2012, 08:03:07 Ver comentário(s) A-A+

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(Foto: Tarso Sarraf - arquivo)

Uma estrutura incapaz de suportar o peso de um prédio de


aproximadamente 100 metros de altura, divididos em 32 andares.
Essa foi a razão do desabamento do edifício Real Class segundo o
laudo do Centro de Perícias Técnicas Renato Chaves. Quando
prédio veio abaixo há exato um ano, muitas pessoas se
perguntaram o que poderia ter causado a tragédia, que matou três
pessoas (dois operários e uma idosa, vizinha da obra) e deixou
outras duas feridas.

Falava-se em desconsideração da força do vento, pois na hora


tinha início uma forte chuva. Outros questionavam a fundação do
terreno, que não seria adequada a um empreendimento deste
porte. Até mesmo laudos extraoficiais como o realizado pela
Universidade Federal do Pará (UFPA), a pedido do Conselho
Regional de Engenharia Arquitetura e Agronomia no Pará
(CREA/PA), considerou tais fatos.
Mas para os peritos técnicos que entregaram o documento final de
análise do sinistro, em abril de 2011, a causa foi bem mais simples,
e por isso mesmo ainda mais surpreendente: a bitola (estrutura de
amarração em ferro) da construção media apenas 4,2 milímetros,
ou seja, 0,8 a menos do que o necessário para o cálculo de um
prédio com aquela dimensão, de 5 milímetros.

“Foi uma falha exclusivamente estrutural, sem constatação de


outras irregularidades”, sintetizou Orlando Salgado, diretor geral do
CPC Renato Chaves. Segundo o laudo, houve erro de concepção
no modelo matemático, pois o engenheiro calculista fez o projeto
considerando cada pavimento - enquanto o correto seria verificar o
prédio no total.

Para a perícia criminal, as deficiências de estribos (estruturas


transversais que dão resistência à edificação) nos pilares P15 e
P16 ficaram claramente caracterizadas pela forma com que foram
constatados no local do desabamento. “Por conta da utilização
equivocada das seções, houve, inicialmente, a movimentação
transversal dos dois pilares principais da obra, o P15 e o P16, que
após se movimentarem sofreram colapso e se romperam”, detalhou
durante a divulgação do laudo o perito criminal Dorival Pinheiro.

Outro problema apontado pelo laudo do CPC está relacionado à


questão administrativa. Foi constatado que a construtora não fez a
revisão do projeto estrutural do prédio antes de iniciar as obras, o
que estaria desrespeitando as normas da Associação Brasileira de
Normas Técnicas (ABNT). O ideal é que construtora tivesse
submetido o projeto à análise de outro profissional.

Durante 72 dias, seis peritos lotados no setor de Engenharia Legal


do Instituto de Criminalística do CPC analisaram o caso, fazendo
testes nos materiais recolhidos e na planta do prédio. A fim de dar
ainda mais segurança ao resultado, diversos especialistas foram
consultados durante o estudo, explica Salgado. “Contatamos
pessoas das universidades, fizemos pesquisas sobre o assunto, até
concluir o caso”.

PONTOS OCULTOS
Mais detalhes, contudo, ainda são desconhecidos, uma vez que os
processos que ainda correm nas justiças trabalhista, civil e criminal
impedem a divulgação, na íntegra, do laudo. “Não podemos
comprometer o órgão e os peritos sem que sejam encerrados os
embates judiciais”, frisou o diretor do centro.
Como os erros foram decorrência de falhas nos cálculos da obra, o
engenheiro responsável pelo projeto, Raimundo Lobato, foi
indiciado por homicídio culposo e lesão corporal culposa.

A Perícia
No dia 03 de fevereiro, quando os corpos de todas as vítimas já
haviam sido resgatados, CPCRC assumiu o controle do local,
fiscalizando a retirada dos escombros. Neste momento já eram
fotografadas a disposição das peças arruinadas, os locais que
apresentavam as peças mais íntegras e demais detalhes
importantes para a investigação. No decorrer dos trabalhos, foram
realizadas aproximadamente vinte perícias de danos em casas e
em cinco prédios residenciais localizados no entorno do sinistro. A
etapa mais demorada foi a retirada dos escombros para que os
peritos verificassem a conformação dos pilares restantes, bem
como a integridade da laje do subsolo. A equipe de peritos se
dividiu entre trabalho no campo, local de crime, e no escritório,
analisando os documentos e projetos, apreendidos na sede da
empresa Real Engenharia. No dia 15 de abril de 2011, foi
apresentado oficialmente o laudo da perícia técnica. (Diário do
Pará)