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COLOSSENSES 1:15-20 - A PREEMINÊNCIA DO FILHO

HINOS CRISTOLÓGICOS: 1 Tm.3:16; Ef. 1:3-13. Fp. 2:5-11

Os versos 15-20 formam uma unidade. Se não foi uma pérola literária composta pelo
próprio apóstolo, era provavelmente um hino ou algum testemunho fixo da Igreja primitiva
adotado por Paulo e reproduzido aqui por ele sem mudança alguma, ou com alterações
cabíveis às necessidades da igreja colossense. De qualquer modo, é uma unidade, e por
essa razão está impressa aqui na sua totalidade. E já que claramente consiste de duas
partes, essas são reproduzidas aqui em colunas paralelas.
A relação do tema às duas divisões é como segue. A preeminência do Filho é demonstrada:

A. Na criação (vv.15-17)

15. Que é a imagem do Deus


invisível,
O primogênito de toda criatura,
16. Pois, por meio dele, foram
criadas todas as coisas
Nos céus e na terra,
As visíveis e as invisíveis,
Sejam tronos ou domínios ou
principados ou autoridades,
Todas as coisas foram criadas
Por meio dele e com vistas a
ele;
17. E ele é antes de tudo,
E todas as coisas se firmam
nele.

B. Na Redenção (vv. 18-20)

18. E ele é o cabeça do corpo,


a igreja;
Que é o princípio, o primogênito
dos mortos,
Que em todas as coisas ele
possa ter a preeminência,
19. Pois nele, ele [Deus] agradou-se
em habitar toda a plenitude,
20. E por meio dele reconciliar
consigo todas as coisas,
Havendo feito a paz pelo sangue
da sua cruz,
Por meio dele, sejam as coisas
da terra
Ou as coisas nos céus.

As mesmas expressões se acham não apenas em ambas as colunas, mas aparecem na


mesma sequência. Existe um paralelismo definido de ideias e formas. A glória de Cristo
na Criação é balanceada por sua majestade na Redenção. Existem ainda outros pontos de
semelhança; por exemplo, a expressão “todas as coisas”, ocorrendo quatro vezes nos
versos 15-17 e duas vezes nos versos 18-20. E as palavras “por meio dele”, do verso 16,
são repetidas duas vezes no verso 20.
A igreja primitiva não possuía somente seus Salmos do Antigo
Testamento, mas também outros hinos (cf. ICo 14.26). Paulo gostavande “salmos, hinos e
cânticos espirituais”.
Isso não está claramente enunciado em Colossenses 3.16?
Não está vivamente ilustrado em 1 Timóteo 3.16?
E também claramente motivado por João 3.16?
A igreja primitiva tinha também seus famosos “ditos fidedignos” (lTm 1.15; 3.1; 4.8,9; 2Tm
2.11-13; Tt 3.4-8). Tais ditos, testemunhos, confissões e cânticos eram passados de boca
em boca e de coração para coração, até se entranharem na própria alma da comunidade,
onde, em tomo deles, giravam todos os medos, esperanças, lutas e alegrias dos crentes.
Portanto, não seria de estranhar se Paulo, em Colossenses 1.15-20, estivesse na realidade
citando exatamente, ou com alguma palavra adicional de um pedido, dito ou hino que já
houvesse assegurado para si um lugar de proeminência na vida da igreja.
Note, além do mais, que Colossenses 1.15-20 porta um testemunho à grandeza de Cristo,
que é o próprio tema de 1 Tm 3.16. Aquela passagem, como já foi indicado, era, com toda
probabilidade, outro hino.
OBS: A natureza cuidadosamente construída da passagem, Colossenses 1.15-20, a
correspondência paralela das suas duas partes, a reincidência de palavra e frases na
mesma sequência nas duas seções, é mais natural em um hino do que no estilo livre e
fluente de uma carta.
É preciso notar-se os seguintes pontos:
(1) A passagem indica pelo menos o seguinte: somente cerca de trinta anos após Jesus
sofrer a morte vergonhosa na cruz é que lhe foi atribuída honra divina. Sua preeminência,
tanto na criação como na redenção, e sua exaltação acima de toda criatura estavam sendo
claramente proclamadas pelo apóstolo Paulo.
(2) Pela forte insistência na grandeza de Cristo, essa passagem indica que ele é capaz de
conceder aos colossenses as coisas que Paulo, em sua linda oração (vv.9-14), havia pedido
para eles. Essa é a conexão entre a oração e o “hino” ou testemunho.
(3) Colossenses 1.15-20 retrata um Cristo que sustém em sua poderosa mão, e cerca com
seu amoroso coração, o domínio da criação e da redenção. Ele que é “o primogênito de
toda a criação” é também “o primogênito dos mortos”. Aquele que morreu na cruz sabe
o nome da mais distante estrela. Ele não apenas a conhece, mas a guia. Melhor ainda: ele
a controla de tal maneira que ela sirva aos interesses do seu povo (Rm 8.28).
A aplicação desta verdade, hoje, é imediatamente evidente. Já que o Cristo do Calvário
governa os céus e a terra para o benefício do seu reino e para a glória do seu nome, tendo
sempre a vitória do bem sobre o mal, nem a informática, nem bomba ou ameaça
comunista, nem recessão ou desequilíbrio econômico, nem acidente fatal ou declínio
gradual do vigor mental, nem alucinação devido a disfunção nervosa ou qualquer invasor
do espaço (a respeito dos quais algumas pessoas têm pesadelos) não conseguirão nos
separar do seu amor (Rm 8.35,38). Aquele que nos diz como ir ao céu, e na realidade nos
leva para lá, sabe também como tudo caminha; pois ele, em quem todas as coisas foram
criadas e se “convergem” nele, por meio dele e para ele, as faz exercer sua missão e ir ao
lugar por ele predestinado.