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FACULDADE CLARETIANA DE TEOLOGIA – STUDIUM

THEOLOGICUM

ELINAEL OLIVEIRA DE ARAÚJO

PESQUISA CIENTÍFICA
IGREJA MUNDIAL DO PODER DE DEUS, UMA PERSPECTIVA
SOCIOLÓGICA

CURITIBA
2017
ELINAEL OLIVEIRA DE ARAÚJO

PESQUISA CIENTÍFICA
IGREJA MUNDIAL DO PODER DE DEUS, UMA PERSPECTIVA
SOCIOLÓGICA

Trabalho de Pesquisa Científica solicitado pela


disciplina SOCIOLOGIA DA RELIGIÃO pela
Faculdade Claretiana de Teologia, a ser utilizada
como nota complementar, tendo como
orientador o Prof. Pe. Joachim Andrade.

CURITIBA
2017
Igreja Mundial do Poder de Deus, Uma Visão Sociológica

A religião está sendo secularizada pela modernidade, deixando-a


completamente sem prestígio e sem status para controlar as coisas ações
consideradas mundanas. Com isso, cria determinadas vias de acesso para que
essa mesma religião recrie novas formas de religiosidade.
Dentro desta perspectiva, a sociedade moderna, de forma geral,
apresenta um crescente surgimento de novas religiões e denominações. Esta
demanda está intrinsicamente atrelada também com o fluxo corrente de pessoas
entre essas novas religiões.
De acordo com as observações feitas durante em um certo campo de
pesquisa (sociológico), foi verificado que a Igreja Mundial do Poder de
Deus (IMPD) é uma das muitas igrejas que estão nesse caminho por onde as
pessoas passam. Essa igreja surge da cissiparidade com a Igreja Universal do
Reino de Deus (IURD), resultado de um possível conflito entre Valdemiro
Santiago (fundador da IMPD) e Edir Macedo (fundador da IURD).
Essas igrejas possuem traços que são comuns a todas as igrejas
neopentecostais, sendo mais visada pela população e mais divulgada pelas
igrejas que são: cura/exorcismo/prosperidade. No caso da IMPD, existe uma
ênfase na cura divina. Programas de TV e de rádio, jornal e livros enfatizam os
testemunhos dos fiéis que foram curados após receberem a oração de
Valdemiro Santiago e de seus pastores.
Na IMPD, o exorcismo é tratado de forma diferente, e é chamado de
“libertação”, assim como na Renovação Carismática Católica. A libertação pode
ser individual ou coletiva. A forma individual se dá por meio de orações entre
o pastor e o fiel.
Essas atividades cura/exorcismo/prosperidade devem ser vistas como um
ato conclusivo. Ou seja, o crente busca a cura, busca uma melhora porque quer
que sua vida seja próspera. A teologia da prosperidade é propagada de forma
intensa no universo neopentecostal. A IMPD, por exemplo, possui cultos
exclusivos voltados para a cura/exorcismo/prosperidade durante sua liturgia
semanal.
Ao analisarmos esses três aspectos, podemos dizer que eles estão
intrinsecamente ligados. O crente quer a cura de Deus; para isso, ele deve
primeiro se libertar daquilo que o prende, e assim se submeter à libertação; após
ter sido liberto, Deus opera nele um milagre, seja ele a cura de alguma doença,
ou outra benesse que ele almeje. Dessa forma, Deus ajuda o fiel, para que ele
possa ter uma vida próspera, como mandam as escrituras.
Na verdade, as pessoas estão em busca do que lhes é conveniente e
eficaz. Nesses casos, as pessoas buscam soluções divinas para os
seus problemas, e a maioria dos “crentes” encontrou essa solução na IMPD. A
cura divina, ou a solução divina para os problemas, faz com que as pessoas
transitem mesmo de uma igreja para outra, até encontrarem o que de fato
almejam. De certa forma, o pentecostalismo resgata a ideia de cura divina, pois
a Igreja Católica tratou de delegar a cura apenas aos santos canonizados pelo
Vaticano. No pentecostalismo, não é necessário ser santo para “praticar”
milagres.
A pregação da teologia da prosperidade e à ruptura com o sectarismo e
ascetismo pentecostal tradicional, é a estruturação empresarial dessas igrejas,
algumas inclusive com fins lucrativos. Outra novidade ainda mais acentuada
nessa nova experiência religiosa é a realização crescente de obras sociais, a
participação na política partidária, nos postos de poder e nos setores público e
privado e o uso religioso da TV e do rádio. Diferentemente dos pentecostais, há
um rompimento com a relação de dependência entre estado de santidade (estar
cheio do Espírito) e as distinções ascéticas de aparência. De fato, já não se
distingue mais alguns evangélicos por hábitos como deixar de usar maquiagem,
saias longas, recusa a ouvir músicas “do mundo” ou a participar de um churrasco
de faculdade. Há um crescente processo de “mundanização”, em que as
fronteiras do mundo e da igreja estão cada vez menos acentuadas. Ao invés de
rejeitarem o mundo, esse novo pentecostalismo passa a afirmá-lo, uma vez que
o principal sacrifício exigido por Deus são os dízimos e ofertas polpudas. Nesse
ínterim, as igrejas do protestantismo histórico, também tem se deixado afetar
pelo movimento do Espírito Santo trazido pela onda pentecostal. O Bispo
Macedo da IURD, criou a categoria “históricas renovadas” para se referir a outras
denominações que acreditavam na contemporaneidade dos dons do Espírito,
denominações essas oriundas de cisões de igrejas protestantes históricas a
partir da década de 60. Essa nova forma de religiosidade, essa distinta
configuração pentecostal, é um ajustamento ao mundo moderno, uma
acomodação à cultura de consumo. Afastando os fiéis das raízes sectárias e
ascéticas próprias ao pentecostalismo de primeira e segunda onda, o
neopentecostalismo é quase incapaz de promover inovações sociais, se
envolvendo em um processo de assimilação cultural, de rivalidades com outras
religiões, de importações das teologias norte americanas, de distanciamento do
protestantismo.
Por isso, Igrejas neopentecostais como IMPD ao ter como base estrutural
o neopentecostalismo, deve ser considerada como uma das engrenagens do fim
da religião e fundamentalmente, como um conceito social, onde a finalidade do
culto resulta em um bem material de cada participante. Não há mais a busca pelo
divino, pelo místico, mas sim, um resultado imediato de suas petições voltado ao
bem comum.
REFERÊNCIAS

http://sociologia.uol.com.br/o-funcionamento-das-religioes-na-atualidade/
ALMEIDA, Ronaldo Rômulo Machado; MONTERO, Paula. Trânsito religioso no
Brasil. In São Paulo em Perspectiva 15/3 (2001): p. 92-101
https://profcesarmaia.files.wordpress.com/2013/08/o-peregrino-e-o-convertido-
1.pdf