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TEMA 1 │ Orientações de trabalho

No TEMA 1 vamos trabalhar questões estruturais da psicologia do desenvolvimento. Come-


çaremos por explorar algumas ideias do senso comum sobre o processo de desenvolvimento
dos seres humanos. É importante que, como futuros técnicos de educação, consigam questi-
onar aquilo que, num primeiro relance, vos parece óbvio. Este questionamento permite tomar
consciência e refletir sobre as representações sociais mais vulgarizadas deste processo, de
modo a construírem conceções mais adequadas e balizadas cientificamente.

Iremos delinear algumas ideias que traçaram a evolução da psicologia do desenvolvimento,


enquanto campo científico, e compreender as múltiplas influências que se cruzam para dar
forma a esse processo. Ainda, iremos tomar contacto com as perspetivas teóricas mais mar-
cantes no estudo do desenvolvimento dos seres humanos. O quadro que se segue mostra, de
modo esquemático, o nosso percurso neste tema.

Orientações de trabalho do TEMA 1 │ Psicologia do Desenvolvimento 1 │ 2015-16

A especificidade dos seres humanos resulta da relação única estabelecida entre o psiquismo e
o mundo que nos rodeia. O psiquismo humano é reflexivo, o que significa que constrói sentido
para si próprio e para aquilo que o circunda. O sentido que damos ao mundo assenta em re-
presentações que são, simultaneamente, cognitivas, afetivas e volitivas. E o homem, tal como
os outros seres vivos, resulta de uma evolução. No entanto, no caso dos humanos, a evolução
diferenciou-se tanto quanto ele foi capaz de desenvolver uma linguagem simbólica, talvez
fruto da sua fragilidade biológica, da qual fez a sua força.

Existe, ao mesmo tempo, uma continuidade genealógica e uma descontinuidade estrutural do


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humano relativamente aos outros seres vivos. Por isso, as civilizações e as culturas devem ser
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entendidas como produtos de uma evolução biológica, determinada pela seleção natural, mas
capaz de criar formas de existência que sobreviveram e se sobrepõem à lógica seletiva que as
produziu. A reciprocidade natureza/ cultura e a interdependência de ambas produzem «fenó-
menos emergentes» que são as culturas e a humanidade do Homem. O psiquismo apresenta-
se como continuidade e diferenciação entre a evolução e a historicidade.

O Homem é um ser biológico (Wallon propunha inclusive um Homem biologicamente social),


a quem os processos sociais outorgam uma natureza específica. Dupla referência que o tem
situado entre dois reducionismos, privilegiando-se ora o biológico, ora o relacional e o social.
Apesar da focalização histórica num ou noutro aspeto, apesar da ancoragem epistemológica
numa ou noutra perspetiva, a psicologia do desenvolvimento mostra-nos como indivíduos que
transcendem o biológico e o social, sujeitos psicológicos, capazes de auto-organização.

Iremos começar com a exploração de dois recursos em formato vídeo:

1) O documentário sobre Darwin 200 anos permite-nos viajar no tempo e compreender a im-
portância fundamental que a teoria da evolução teve as nossas conceções sobre os seres hu-
manos.

2) O filme de François Truffaut, O Menino Selvagem, é ponto de partida para a reflexão sobre a
nossa natureza. Por que razão para nos tornarmos «humanos» precisamos dos outros seres
humanos?

Em cada semana irão encontrar orientações para o trabalho nesse período de tempo. Este
desenrolar-se-á, sempre, a dois níveis: 1) ao nível de atividades que permitirão o desenvolvi-
mento de competências específicas da psicologia do desenvolvimento e 2) ao nível de ativida-
des que permitirão o desenvolvimento de competências metacognitivas, fundamentais na
regulação dos processos de aprendizagem e de autonomia desejáveis neste ciclo de estudos.

Orientações de trabalho do TEMA 1 │ Psicologia do Desenvolvimento 1 │ 2015-16


Como vamos verificar através das perspetivas de vários autores, o confronto de ideias é fun-
damental no processo de aprendizagem. Por isso, os fóruns são espaços de trabalho indispen-
sáveis e a atividade colaborativa a base do progresso pessoal e grupal. Quando estamos a
aprender não há «certos» nem «errados», mas apenas uma construção e configuração pro-
gressiva de ideias que se vai organizando em níveis cada vez mais diferenciados e adequados.
Se não arriscarmos pensar e confrontar com os outros o que pensamos estamos a negar a
nossa condição de seres humanos que precisa dos outros para arquitetar e compreender o
mundo.

É importante irem organizando e registando, progressivamente, as vossas reflexões e ideias.


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