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Morashá | MISTICISMO - SEFIROT, AS DEZ EMANAÇÕES DIVINAS http://www.morasha.com.br/misticismo/sefirot-as-dez-emanacoes-divin...

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Pergaminho cabalístico, 1605 - Oxford Library

SEFIROT, AS DEZ EMANAÇÕES DIVINAS


Rabi Moisés de Leon, cabalista espanhol do século XIII, escreveu: 'As dez sefirot são o segredo da existência, o
aparato da sabedoria, o meio pelo qual os mundos de cima e de baixo foram criados.
Edição 29 - Junho de 2000

Segundo o Zohar, D´us deu forma e conteúdo à Sua Criação através das dez sefirot. Toda a realidade, tanto
espiritual quanto material, é criada por meio destas que são vistas como "forças fundamentais", "recipientes" da
atividade de D´us. As sefirot são "canais" através dos quais a energia Divina flui, permeia e se torna parte de cada
coisa que existe, criando assim uma "corrente espiritual" que liga e vivifica todas as coisas, impregnando-as da
Essência Divina. As leis que regem o fluxo destas energias foram estabelecidas durante o processo da Criação,
que pode ser vista como uma progressiva transformação de níveis de energia espiritual. Nesta progressiva
transformação, foram criados universos espirituais paralelos, sendo o nosso mundo o último desta corrente.

Em nosso mundo, a Luz está mais afastada da sua Fonte Divina, portanto D´us está mais "escondido" de nós e,
por isso, este mundo é espiritualmente inferior aos outros. Mas, ao mesmo tempo, é superior por ser a meta e o fim
da Criação Divina. Nele, o homem -única criatura com livre arbítrio - pode afetar, por meio de suas ações, o fluxo
das Energias Divinas, criando mudanças de grande proporções em outros mundos. Com isto poderá aperfeiçoar o
Cosmo e fazer com que a Criação vá aproximando-se de sua meta Divina.

Nos textos cabalísticos podemos encontrar enumeradas onze sefirot. No entanto, como duas destas - Keter e Da'at
- representam dimensões diferentes de uma mesma força, ambas se excluem mutuamente. Por isso, a tradição
geralmente fala de dez sefirot. O Zohar, Livro do Esplendor, a obra central da Cabalá, de autoria do Rabi Shimon
Bar Yochai (séc II EC) e, mais tarde, a doutrina de Rabi Isaac Luria centram-se nas sefirot. Seu conceito aparece
em outras obras como o Sefer Yetsirá, atribuída ao patriarca Abraão, e o Sefer Ha-Bahir de autoria de Rabi
Nechunia ben ha-Kanah.
As sefirot parecem estar envolvidas em um mistério, de difícil compreensão, já que além de serem puramente
espirituais, possuem inúmeros e complexos níveis de significado, inúmeras interpretações e implicações. Podemos
até vislumbrar como agem, mas só alguns sábios espiritualmente elevados, verdadeiros mestres da Torá, chegam
a compreender sua essência e seus segredos.

Por que, então, estudar ou se preocupar com assunto tão indecifrável? Porque, como escreveu Rabi Moisés de
Leon, as sefirot são o segredo da existência e de nós mesmos, o segredo de como nos aperfeiçoamos,
aperfeiçoando, ao mesmo tempo, o mundo à nossa volta.

O que é uma sefirá

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Cada sefirá é um modo ou um poder específico através do qual D'us governa e sustenta o Universo. Por isso, as
sefirot podem ser consideradas como "atributos" ou "qualidades", ou ainda, "vestimentas" Divinas. Quando pedimos
a D´us que use conosco de Sua Bondade Absoluta e nos abençoe com a Sua Abundância, estamos pedindo para
que Ele se releve através do atributo da sefirá Chessed.

Podemos dizer que as sefirot são a "matéria-prima" do Cosmo, o "código genético" que pode ser identificado em
todos os níveis e dentro de todos os aspectos da Criação. Tudo o que foi criado - do mais espiritual ao mais
material, do maior ao menor - toma forma através das sefirot. Segundo nossos sábios místicos, por este motivo
elas constituem o paradigma conceitual para se entender a Criação.

O Rabi Isaac Luria, o Arizal, afirmava que as sefirot são "tanto os instrumentos que D´us usa para dirigir o mundo,
quanto as janelas através das quais podemos perceber o Divino".

A palavra sefirá é relacionada com várias palavras hebraicas: Saper, que significa revelar ou se comunicar; Sapir,
safira, brilho ou luminárias; Safar, contagem, número, e também com Sefar, que significa limite, fronteira. Em sua
essência, todas estas palavras têm conceitos inter-relacionados e apontam para duas funções básicas das sefirot.

Em primeiro lugar são "luzes" (orot). A luz de uma sefirá é o fluxo de energia Divina que está em seu interior e
serve para revelar ou expressar a grandiosidade Divina. Em segundo lugar são "vasos" ou "recipientes" (kelim) que
"filtram" ou "revestem" a Luz Infinita que as preenche. Trazem esta Luz desde a Fonte de Todas as Fontes, Raiz de
todas as Raízes, D´us Infinito, o Ein Sof, até nosso mundo finito. Sem estes "filtros" ou "vestimentas" a Criação
seria totalmente dominada pela Luz Divina. Em sua trajetória espiritual, a Luz vai diminuindo, possibilitando que a
Criação se aproxime do Criador.

Para tentar entender estes conceitos, pensemos por um instante no sol, uma das menores estrelas criadas por
D´us neste universo. Apesar de posicionado a milhões de quilômetros da Terra, sua energia nos dá luz e calor
indispensáveis. Mas, se tentarmos fitá-lo, sem proteção, sua luz nos cegará. Imaginemos uma nave espacial
tentando aproximar-se do sol. O calor e a energia a aniquilariam !

Do ponto de vista humano, as sefirot podem parecer possuir existência múltipla e independente. Uma sefirá
representa a força e o poder do julgamento rigoroso; outra, a bondade e o amor; outra, a misericórdia e assim por
diante. Porém, as sefirot e o Ein Sof formam uma unidade, uma existência única.

Moisés Cordovero, cabalista do século XV escreveu a este respeito: "Para ajudar-te a conceber o processo da
emanação das sefirot, imagina a água que escorre por vasos de diferentes cores: branco, vermelho, verde e assim
por diante. À medida em que a água se espalha nesses vasos, parece adquirir a cor do vaso, embora seja
desprovida de cor. A mudança na cor não afeta a água em si, mas apenas a nossa percepção da mesma. O
mesmo acontece com as sefirot. A essência não muda; só parece mudar quando escorre dentro dos vasos ".

De onde vêm? O processo de emanação

Numa interpretação mística, o primeiro capítulo de Gênese, ao relatar a Criação, descreve um início, o mais
primordial: revela o processo da saída de D'us das profundezas Dele mesmo e a emanação das dez sefirot, ou
seja, sua emergência de dentro do Ein Sof, D´us Infinito.

Para se referir a D'us os cabalistas mais antigos cunharam o termo Ein Sof, que significa literalmente "Infinito" ou
"Aquele que não tem fim nem limite". Um dos axiomas básicos da Cabala é que o homem não tem meios de
entender D´us, Infinito e Imutável, nem tão pouco os Seus motivos. Porém, apesar de D'us ser ilimitado e oculto,
Ele se revela a nós parcialmente - e na medida em que cada um de nós pode reconhecer o Seu poder e a Sua
existência - através da Criação e das dez sefirot. Em contraste com este D'us "pessoal" das sefirot, Ein Sof
representa a transcendência absoluta de D'us.

Segundo o Rabi Isaac Luria, "no início do início" a Luz de D'us Infinito, Or Ein Sof, preenchia toda a realidade, pois
D'us é a própria Realidade, sem início e sem fim. Nada havia além da Luz Divina, pois nada pode manter sua
própria existência dentro do Ein Sof. Para que o universo passasse a existir como entidade independente, D'us Se
"ocultou" e Se "retraiu", cedendo espaço para a Sua Criação. Esta ação não diminui, de modo algum, a Perfeição
Divina. Este conceito de ocultamento da Luz Divina é chamado nos textos cabalísticos de tzimtzum (contração).
Esta "contração" resultou no aparecimento de um "espaço" vazio, um "vácuo", um "ponto" no qual o universo
passou então a existir.

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Rabi Haim Vital, cabalista e discípulo do Ari, ao explicar o processo dessa retração Divina, tzimtzum, dá o seguinte
exemplo: "A Luz retirou-se como a água de uma lagoa quando agitada por uma pedra. Quando a pedra cai na
lagoa, a água que está naquele exato lugar não desaparece, mas se afasta, incorporando-se ao restante. Desta
forma, a Luz retraída convergiu-se para o além e no meio ficou o vácuo".

No vácuo primordial criado por este tzimtzum passou a existir a ausência da Luz, a escuridão primordial. Neste
"vácuo", D'us emanou um "raio" que serviu de "condutor" da Luz Divina finita. A revelação inicial dentro do "vazio"
primordial é a revelação da Luz. Em Gênese, a primeira declaração explícita da Criação foi: "D'us disse: Faça-se a
luz e a luz se fez".

A partir deste "raio" de Luz, as dez sefirot emanam de forma sucessiva e em ordem específica. É através destas
que D'us - por Sua vontade - limita Sua Luz e manifesta qualidades específicas que Suas criaturas podem
apreender e absorver.

De uma forma simplificada, no decorrer do processo de emanação das sefirot são criados cinco universos paralelos
- olamot, quase todos espirituais em sua essência. O primeiro Adam Kadmon é completamente ligado e unido ao
Ein Sof, na realidade não poderia ser chamado de universo. Segue-se o Atzilut, o mundo da emanação; Beriyá, da
criação, Yetzirá, da formação, e, por último, Assiyá, o mundo da ação no qual vivemos.

As Dez Emanações Divinas

Apesar de D'us ter-Se "ocultado", continua intimamente conectado à Sua Criação, pois sem Ele nada existe. Como
vimos, agindo como um canal de ligação entre D'us e Sua Criação, as sefirot permitem a D'us , Infinito e Ilimitado,
interagir com Sua Criação, finita e limitada. É através destas que o Ser Absoluto se revela e se conecta com Sua
Criação. A simples relação de seus nomes não vai transmitir adequadamente sua essência. Além disso, temos que
ter em mente que as imagens e símbolos são usados apenas para nossa compreensão, pois não expressam o
mistério da Criação e tem que ter cuidado ao abstrair os conceitos.

A configuração gráfica das sefirot, em textos cabalísticos, é uma composição vertical ao longo de três eixos
paralelos. Textos cabalísticos usam vários nomes quando referem-se à mesma: uma árvore (etz), uma escada
(sulam) ou a "imagem celestial de D´us" - (tzelem Elokim).

Neste caso a configuração lembra um corpo humano. Segue-se a ordem de emanação das sefirot:
Keter, coroa - representa a onipotência e onipresença de D'us ; a Vontade Divina Absoluta; a Soberania e
Autoridade de D'us sobre todas as forças da Criação. É a primeira e mais elevada das sefirot e está além de
qualquer compreensão. De tão inexprimível, às vezes nem é incluída entre as dez sefirot. É a mais próxima da
Fonte Divina, é a base de toda a Criação. Keter transcende as leis que governam o universo, pois estas só passam
a existir após a emanação das sefirot de Chochmá e Biná. A Cabalá refere-se a esta sefirá como o "mundo da
Misericórdia".

Chochmá, sabedoria - é o pensamento puro que D'us utiliza para o funcionamento do universo. É o poder da Luz
Original, a força primordial usada para criar os céus e a terra. Chochmá é a inspiração inicial da qual o Cosmo
evoluiu. É vista como "a planta" usada para a criação do universo físico e espiritual, pois contém - potencialmente -
todas as leis que vão reger a Criação e os axiomas que determinam como estas leis funcionam. É a raiz dos
elementos espirituais: fogo, água, terra e ar. Sua essência é também incompreensível para nós.

Biná, entendimento, a compreensão, a lógica. Com sua emanação, é criado o sistema lógico pelo qual os axiomas
de Chochmá são delineados e definidos. É através da Biná que podemos começar a entender os axiomas tanto da
Criação quanto do nosso próprio ser.
Da'at, conhecimento; a "lógica aplicada" de modo diferente das duas anteriores. Não é apenas o acúmulo, mas
também a soma de tudo o que é conhecido. É a capacidade de juntar as informações básicas e fazê-las funcionar
logicamente.

Quando Keter se manifesta, D'aat se oculta, já que são manifestações interna e externa, respectivamente, da
mesma força.

Chessed, graça, amor e bondade que nos beneficiam; a grandeza (Guedulá) do amor. Esta sefirá representa o dar
incondicional, o altruísmo, o impulso incontrolável de expansão. É D'us dando-se às Suas criaturas de forma
irrestrita, abrindo todas as portas da Sua Abundância. D'us usou este atributo como o instrumento supremo no
processo da Criação.

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Guevurá - poder, justiça, o julgamento severo (Din); as forças para disciplinar a criação. Guevurá representa a
contração, a restrição, a criação de barreiras. A "auto-limitação" Divina foi indispensável para a criação do Cosmo.
A Cabalá se refere a esta como midat hadin, a medida ou atributo do julgamento, do rigor.

Esta sefirá direciona a energia espiritual para atingir uma meta específica. É a força que permite o controle para
podermos vencer tanto nossos inimigos internos quanto os externos.

Tiferet, beleza, no sentido da harmonia. É a combinação da harmonia e da verdade, dando espaço para a
compaixão. Esta sefirá está associada com o poder de conciliar as inclinações conflitantes de Chessed e Guevurá,
para que haja compaixão. Na Cabalá é designada como midat harachamim, "o atributo da misericórdia". A alma do
homem emana desta sefirá pela união desta qualidade com Malchut, o corpo.

Netzach, vitória, eternidade, resistência. Esta sefirá representa a imposição Divina. É o domínio, a conquista ou a
capacidade de vencer. Representa o motivo primeiro da Criação: a capacidade de vencer o mal.

Hod, esplendor, empatia. Esta sefirá permite que o poder e energia repassados sejam apropriados e aceitáveis a
quem os recebe. É responsável pela criação dentro de uma relação do espaço deixado para o outro. A qualidade
espiritual de Hod salienta o atributo da humildade e reconhecimento. Hod representa também a submissão que
permite a existência do mal.

Yesod, fundação; alicerce representa a reciprocidade ideal numa relação. É o meio de comunicação, o veículo de
transporte de uma condição para outra. Representa o lugar do prazer espiritual e físico; o vínculo mais poderoso
que pode existir entre dois indivíduos, assim como entre o homem e D'us: a aliança entre D'us e Israel: o Brit Milá.

Malchut, reinado. É a Schechiná, o aspecto imanente de D'us neste mundo. É o mundo revelado onde o potencial
latente é concretizado. É o poder que D'us nos deu de receber Dele. Como símbolo do receber, esta sefirá é
caracterizada como aquela que não tem nada próprio. É um keli, um mero recipiente. Malchut é o último elemento
de uma corrente que se inicia na Vontade Divina e encontra sua realização neste mundo. Aquele que recebe pode
dar de volta, tornando-se além de receptor, um doador.

As sefirot são refletidas no homem e desta forma o homem compartilha o Divino. A pessoa que somos é
determinada pelas sefirot no mundo da ação, pois são as bases de nossa personalidade individual. O "cabo
condutor" ou o canal através do qual estas se manifestam, é a nossa alma.

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