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Índice

Parte 1 - Introdução _________________________________________________3
Enquadramento do curso ______________________________________________ 4
Objectivos Gerais ........................................................................................................... 5
Objectivos Específicos .................................................................................................... 5

Estrutura Programática ________________________________________________ 5
Parte 2 – Desenvolvimento ___________________________________________8
1.Patologias da pessoa idosa ___________________________________________ 9
1.1.Patologia cardiovascular .......................................................................................... 9
1.2.Patologia respiratória ............................................................................................ 10
1.3.Patologia hematológica e oncológica .................................................................... 14
1.4.Patologia neurológica e sensorial .......................................................................... 15
1.5.Situações de emergência ....................................................................................... 18
1.5.1.Os acidentes _________________________________________________18
1.5.2. As intoxicações _______________________________________________19
2.Equilíbrio biopsicossocial da pessoa idosa_______________________________ 20
2.1.A pessoa idosa portadora de doença crónica ......................................................... 20
2.1.1.Sinais e sintomas______________________________________________21
2.1.2.Sinais de descompressão ________________________________________22
2.1.3.Agudização da doença __________________________________________22
3.Internamento da pessoa idosa em estado terminal _______________________ 24
3.1.Abordagem multidimensional ................................................................................ 24
3.2.Cuidados específicos .............................................................................................. 25

4.Hospitalização - efeitos psicossociais __________________________________ 27
4.1.A pessoa idosa e o hospital .................................................................................... 27
4.1.1.Meio hospitalar _______________________________________________27
4.1.2.“Colegas” de quarto ___________________________________________28
4.1.3.Técnicos e estruturas de apoio ___________________________________28
4.2.A hospitalização ..................................................................................................... 29
4.2.1.Aspectos positivos/benefícios ____________________________________29

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4.2.1.1.tratamento _________________________________________________29
4.2.1.2.ganhos em saúde ____________________________________________30
4.2.2.Aspectos negativos ____________________________________________30
4.2.2.1.perda do quadro de referências _________________________________30
4.2.2.2.família ____________________________________________________31
4.2.2.3.aumento dos níveis de dependência ______________________________31
5.Autonomia da pessoa idosa __________________________________________ 32
5.1.Minimizar os efeitos das hospitalizações na vida da pessoa idosa ........................33
5.1.1.Nas atividades da vida __________________________________________33
5.1.1.1.Higiene e alimentação ________________________________________34
5.1.1.2.Sono ______________________________________________________35
5.1.1.3.Ocupação e conforto__________________________________________36
5.1.1.4.As visitas __________________________________________________36
5.1.2.A família da pessoa idosa _______________________________________37
5.1.3.Apoio _______________________________________________________37
5.1.4.Informação __________________________________________________38
5.1.5.Preparação/ensino ____________________________________________39
5.2.O apoio extra-hospitalar ........................................................................................39
5.2.1.O recurso a outros recursos da sociedade ___________________________39
5.2.1.1.apoio domiciliário ____________________________________________39
5.2.1.2.Centro de dia _______________________________________________40
5.2.1.3.Lar _______________________________________________________41
5.2.2.A alta médica e continuidade da prestação de cuidados ________________42
5.2.2.1.Consultas __________________________________________________43
5.2.2.2.Medicação _________________________________________________44
5.2.2.3.Exames/tratamentos _________________________________________45
Parte 3 - Conclusão ________________________________________________48
Conclusão _________________________________________________________ 49
Bibliografia ________________________________________________________ 50
Nota _____________________________________________________________ 51

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PARTE 1
Introdução

Parte 1 - Introdução

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Enquadramento do curso

Nas últimas décadas observou-se um nítido processo de envelhecimento demográfico. A
Organização das Nações Unidas (ONU) considera o período de 1975 a 2025 a Era do
Envelhecimento.
Nos países em desenvolvimento, esse envelhecimento populacional foi ainda mais significativo e
acelerado, destaca a ONU: enquanto nas nações desenvolvidas, no período de 1970 a 2000, o
crescimento observado foi de 54%, nos países em desenvolvimento atingiu
123%.
No Brasil, segundo dados do IBGE, na década de 1970, cerca de 4,95% da população brasileira
era de idosos, percentual que pulou para 8,47% na década de 1990, havendo a expectativa de
alcançar 9,2 em 2010. De acordo com Cançado (1996), o aumento do número de idosos
também tem sido acompanhado por um acréscimo significativo nos anos de vida da população
brasileira. A esperança de vida, que era em torno de 33,7 anos em 1950/1955, passou para
50,99 em 1990, chegou até 66,25 em 1995 e deverá alcançar 77,08 em 2020/2025.
Esse processo de envelhecimento demográfico repercutiu e continua repercutindo nas
diferentes esferas da estrutura social, econômica, política e cultural da sociedade, uma vez que
os idosos, da mesma forma que os demais segmentos etários (crianças, jovens e adultos),
possuem demandas específicas para obtenção de adequadas condições de vida. Tais demandas
fizeram da velhice tema privilegiado de investigação nas distintas áreas de conhecimento,
elevando substancialmente o volume de obras publicadas nos últimos tempos.
As patologias são associadas ao envelhecimento, e podem ser físicas, psicológicas ou derivar de
questões socio biológicas. Ao longo deste percurso iremos definir os vários conceitos associados
à problemática.

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Objectivos Gerais

O curso de Patologia e efeitos psicossociais decorrentes da hospitalização da pessoa idosa tem
como objetivos gerais dotar os formandos de conhecimentos e aptidões necessárias ao
exercício de funções relacionadas com a área geriátrica preparando-os para perceber as
patologias e efeitos psicossociais decorrentes da hospitalização da pessoa idosa.

Objectivos Específicos

Em termos de competências específicas a adquirir, pretende-se que no final do curso os
formandos sejam capazes de:
 Identificar as patologias que conduzem à hospitalização da pessoa idosa.
 Detetar precocemente sinais de alteração ou equilíbrio bio-psicossocial da pessoa
idosa.
 Adquirir conhecimentos sobre a situação do doente terminal no hospital.
 Identificar consequências psicológicas e sociais da hospitalização da pessoa idosa.
 Promover a autonomia da pessoa idosa.

Estrutura Programática

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Técnicos e estruturas de apoio o A hospitalização  . será prosseguido o seguinte plano de estudos:  Patologias da pessoa idosa o Patologia cardiovascular o Patologia respiratória o Patologia hematológica e oncológica o Patologia neurológica e sensorial o Os acidentes  Equilíbrio bio-psicossocial da pessoa idosa o A pessoa idosa portadora de doença crónica o .A estrutura programática do curso de formação foi desenvolvida tendo por base as características do público-alvo. as suas necessidades de formação e os objetivos pedagógicos que se pretendem alcançar com a intervenção formativa.“Colegas” de quarto  .Meio hospitalar  .Sinais de descompressão o .Os acidentes o .As intoxicações  Internamento da pessoa idosa em estado terminal o Abordagem multidimensional o Cuidados específicos  Hospitalização . No âmbito do curso de formação. de forma a potenciar a melhoria do seu desempenho profissional. Os conteúdos programáticos a desenvolver visam. o reforço do nível de conhecimentos e aptidões dos formandos.Sinais e sintomas o .Tratamento  .Aspetos positivos/benefícios  . 6 de 51 | Ma n u al de F o rm aç ão .efeitos psicossociais o A pessoa idosa e o hospital  .Ganhos em saúde  3 5 5 2 – P AT O LO G I AS E E F EI T O S P SI CO S SO C I AI S D E CO R R E NT ES D A H O SP I T ALI Z AÇ ÃO D A P E S SO A I D O S A Pág. globalmente.Agudização da doença o Situações de emergência o .

Perda do quadro de referências  .Informação  .A família da pessoa idosa  . o .Medicação  .Aumento dos níveis de dependência  Autonomia da pessoa idosa o Minimizar os efeitos das hospitalizações na vida da pessoa idosa  .A alta médica e continuidade da prestação de cuidados  .Ocupação e conforto o .Centro de dia  .Consultas  .Família  .O recurso a outros recursos da sociedade  .Exames/tratamentos  3 5 5 2 – P AT O LO G I AS E E F EI T O S P SI CO S SO C I AI S D E CO R R E NT ES D A H O SP I T ALI Z AÇ ÃO D A P E S SO A I D O S A Pág.Preparação/ensino o O apoio extra-hospitalar  .Higiene e alimentação  .As visitas o .Apoio  .Nas atividades da vida  .Apoio domiciliário  .Aspetos negativos  . 7 de 51 | Ma n u al de F o rm aç ão .Sono  .Lar  .

8 de 51 | Ma n u al de F o rm aç ão . PARTE 2 Desenvolvimento Parte 2 – Desenvolvimento  3 5 5 2 – P AT O LO G I AS E E F EI T O S P SI CO S SO C I AI S D E CO R R E NT ES D A H O SP I T ALI Z AÇ ÃO D A P E S SO A I D O S A Pág.

surgindo muitas vezes em repouso. se tem uma sensação de peso. 9 de 51 | Ma n u al de F o rm aç ão . falta de força e vómitos. Enfarte do miocárdio É uma das situações de urgência/emergência médica cardíaca.1. que por vezes se estende até ao pescoço. especialmente se surge quando se está em repouso ou se nos obriga a acordar durante a noite. designadamente o coração e os vasos sanguíneos. durante um esforço físico. aperto ou opressão por detrás do esterno.1. sudação. Por vezes. O sintoma mais característico é a existência de dor prolongada no peito. principalmente em pessoas mais idosas: Dificuldade em respirar Pode ser o indício de uma doença coronária e não apenas a consequência da má forma física. Existem alguns sintomas que podem constituir sinais de alerta. Angina de peito Quando. é acompanhada de ansiedade. ao braço esquerdo ou ao dorso.Patologias da pessoa idosa 1.Patologia cardiovascular As doenças cardiovasculares são o conjunto de doenças que afetam o aparelho cardiovascular.  3 5 5 2 – P AT O LO G I AS E E F EI T O S P SI CO S SO C I AI S D E CO R R E NT ES D A H O SP I T ALI Z AÇ ÃO D A P E S SO A I D O S A Pág.

bombear sangue em quantidade suficiente através das artérias para os órgãos. açúcar e gordura no sangue. distensão do abdómen e pernas inchadas. em esforço. falta de ar em repouso.Patologia respiratória As doenças respiratórias são as que afetam o trato e os órgãos do sistema respiratório. A prevenção é o melhor tratamento de qualquer doença:  Alimentação equilibrada à base de legumes. Com o passar dos anos. Os sintomas mais comuns são a fadiga e uma grande debilidade. diminui de atividade proporcionando a acumulação de secreções que favorecem as infeções respiratórias e dificulta as trocas de gases. pelos motivos já expostos. a tosse torna-se menos eficiente. ou.  A musculatura do tórax perde a capacidade de eliminar secreções pela tosse.  A atividade ciliar. Estas mudanças facilitam e favorecem a instalação de doenças. de respirar profundamente expandindo os pulmões.Insuficiência cardíaca Surge quando o coração é incapaz de. fruta e cereais. Sintomas Tosse: A tosse é uma defesa do organismo na tentativa de expelir secreções acumuladas nas vias respiratórias. não consegue aumentar a quantidade adicional necessária. e de expelir dióxido de carbono. em repouso. 1.  Controlo regular da tensão arterial. vegetais.  3 5 5 2 – P AT O LO G I AS E E F EI T O S P SI CO S SO C I AI S D E CO R R E NT ES D A H O SP I T ALI Z AÇ ÃO D A P E S SO A I D O S A Pág.  A partir dos 40 anos deve haver realização de exames periódicos de saúde. que faz a limpeza das secreções.2. 10 de 51 | Ma n u al de F o rm aç ão . Estas alterações afetam especialmente os fumadores e pessoas que vivem em ambientes com alto teor de poluentes e acabam possuir desconforto respiratório.  Exercício físico moderado e com regularidade.  Não fumar. À medida que envelhecemos:  Os pulmões ficam menos elásticos diminuindo a Capacidade Vital.

Quando se vai expelir o ar e as passagens encontram-se contraídas e/ou semi- obstruídas ocorre o sibilo. Causas comuns  Insuficiência Cardíaca Congestiva  Embolia Pulmonar  Pneumonias Graves  3 5 5 2 – P AT O LO G I AS E E F EI T O S P SI CO S SO C I AI S D E CO R R E NT ES D A H O SP I T ALI Z AÇ ÃO D A P E S SO A I D O S A Pág. por exemplo. Costuma apresentar-se em pessoas que estando em repouso ou com pouca atividade decidem. Alguns pacientes não se conseguem deitar completamente na cama. subir escadas. Dormem semi- sentados para aliviar o desconforto desta grave condição. Causas mais comuns  Tabagismo  Bronquites  Asma  Pneumonias  Refluxo Gastroesofágico  Cancro de Pulmão. Dispneia (Dificuldade para respirar.A presença de tosse persistente com duração de mais de 2 semanas deve ser alvo de avaliação. Trata-se de um sintoma característico em portadores de bronquite crónica e asma. muitas delas de extrema gravidade. 11 de 51 | Ma n u al de F o rm aç ão . Metástases  Tuberculose  Efeitos Adversos de Medicamentos Sibilos (Chiado): Também conhecido como broncoespasmo é um sintoma relacionado com o som gerado pela passagem do ar por estruturas tubulares (Brônquios). Falta de Ar): A falta de ar sempre é um sintoma preocupante comum a várias doenças e condições. Considera-se muito grave a presença de dispneia em repouso.

Ao contrário do paciente adulto jovem. a micobactéria silente acaba por encontrar a oportunidade para se reativar. Pode ocorrer de maneira absolutamente silenciosa. Pessoas que vivem em instituições estão mais expostas ao risco de contrair a doença.  3 5 5 2 – P AT O LO G I AS E E F EI T O S P SI CO S SO C I AI S D E CO R R E NT ES D A H O SP I T ALI Z AÇ ÃO D A P E S SO A I D O S A Pág. especialmente naqueles mais idosos. dores nas costas e prostração. com febre alta. Trata-se de um termo genérico comum a algumas doenças:  Enfisema  Asma  Bronquite Crónica Destas doenças destacam-se pela sua prevalência: a Bronquite Crónica e o Enfisema pulmonar.Nunca é demais enfatizar a gravidade deste sintoma. Tuberculose Doença grave. tosse produtiva. fragilizados e com o seu sistema imunológico comprometido. Pacientes em instituições têm um risco 50 vezes maior de contrair infeções pulmonares quando comparados com aqueles que vivem nos seus domicílios. 12 de 51 | Ma n u al de F o rm aç ão . Pode acometer todos os órgãos do corpo. Vários fatores contribuem e facilitam esta terrível complicação. Pneumonia A pneumonia é uma das doenças que frequentemente leva pessoas idosas à morte. Todos os pacientes portadores de DPOC devem ser vacinados contra a gripe todos os anos e uma vez contra a pneumonia. a pneumonia. transmitida pelo ar. catarro amarelado (purulento). Acredita-se que 80% dessas pessoas tenham tido contacto com o agente etiológico antes dos 30 anos de idade e agora. não se costuma apresentar de modo clássico. e às vezes apenas uma alteração no padrão de comportamento nos leva a considerar esta possibilidade. em especial nos pulmões. A presença de desconforto respiratório em idosos deve ser considerada uma emergência médica. Doença pulmonar obstrutiva crónica (DPOC) DPOC é uma doença crónica que se caracteriza pela diminuição da capacidade respiratória.

etc. 13 de 51 | Ma n u al de F o rm aç ão .  As caminhadas e exercícios físicos contribuem para a mobilização das secreções pulmonares. vacinas. os sintomas costumam ser vagos e inespecíficos:  Fraqueza  Emagrecimento  Tosse Algumas medidas são realmente eficazes na prevenção das infeções respiratórias.  O uso de aparelhos para inalação só deve ser indicado pelo médico.  3 5 5 2 – P AT O LO G I AS E E F EI T O S P SI CO S SO C I AI S D E CO R R E NT ES D A H O SP I T ALI Z AÇ ÃO D A P E S SO A I D O S A Pág.  Pacientes que apresentam pneumonias de repetição ou outras condições que representem risco. Estas medidas. manter uma garrafa de líquidos para controlo a respeito da quantidade efetivamente ingerida.Certas condições aumentam o risco:  Desnutrição  Diabetes Mellitus  Tabagismo  Alcoolismo  Neoplasias (Cancro)  Doenças graves e debilitantes Sintomas  Na faixa etária geriátrica. O que fazer para prevenir?  Estimular a tosse e hidratar convenientemente. com uma dieta bem balanceada ou com ajuda de suplementos alimentares se prescritas pelo médico. sem dúvida. previnem ou pelo menos diminuem o risco de infeções pulmonares.  O paciente deve ser mantido em boas condições nutricionais. o médico assistente deverá indicar outros recursos como: medicação específica de longa duração.  Especialmente nos dias quentes.

Algumas doenças crónicas. geralmente causados por dietas nutricionais deficientes em nutrientes derivados de animais (carne. 14 de 51 | Ma n u al de F o rm aç ão . podem levar à anemia. como doenças dos rins e do fígado. podendo provocar anemia. e confirmadas em diagnósticos feitos por meio de análises laboratoriais do sangue ou da medula óssea (aonde são formadas as células do sangue). infeções frequentes e sangramentos anormais. Hereditárias  Doenças crónicas . diminuição das plaquetas (causando sangramentos anormais) e.Patologia hematológica e oncológica As doenças hematológicas também são chamadas de doenças do sangue. uma proteína que transporta o oxigénio pelo corpo) no sangue se encontra abaixo do nível normal. O problema costuma atacar pessoas vegetarianas. As mais comuns são a anemia. uma proteína que transporta o oxigénio pelo corpo) no sangue se encontra abaixo do nível normal.  Alcoolismo. Anemia A anemia ocorre quando a quantidade de hemácias (glóbulos vermelhos que contêm hemoglobina. principalmente em pessoas que necessitam de hospitalização frequente. leucemia e hemofilia.  3 5 5 2 – P AT O LO G I AS E E F EI T O S P SI CO S SO C I AI S D E CO R R E NT ES D A H O SP I T ALI Z AÇ ÃO D A P E S SO A I D O S A Pág.  Falhas na medula óssea  Uso de medicamentos Leucemia Esta doença atinge a medula óssea e os gânglios do corpo. cansaço. Causas Nutricionais  A falta de Ferro. A anemia ocorre quando a quantidade de hemácias (glóbulos vermelhos que contêm hemoglobina. principalmente. gravidez e algumas doenças também podem levar à deficiência destes nutrientes.1.3. ovos e leite). vitamina B12 ou Ácido Fólico pode levar a quadros anémicos. Normalmente. são detetadas por sintomas clínicos como fraqueza.

O aumento do número de situações diagnosticadas é. pelo menos uma vez por ano. Causada pela deficiência dos fatores responsáveis pela ação coagulante do sangue. Há dois tipos de leucemia mais frequentes: a linfóide aguda ou linfoblástica (mais comum em crianças) e a leucemia mielóide aguda Hemofilia É a mais comum das doenças hemorrágicas hereditárias. na maioria dos casos. A doença de Alzheimer é uma doença do cérebro. relacionada com o envelhecimento. progressiva.alteração dos leucócitos (glóbulos brancos que fazem a defesa do corpo contra as infeções). A hemofilia afeta quase que exclusivamente os homens. uma consequência direta do atual sucesso da Medicina em prolongar a vida. Prevenção  Fazer uma dieta alimentar equilibrada. As cirurgias podem ser fatais para estas pessoas. por isso. Começa por atingir a memória e.4. sangramento anormal ou infeções frequentes. irreversível e com causas e tratamento ainda desconhecidos. 1. cansaço. como um corte ao se barbear ou extrações dentárias.  Fazer exames médicos de rotina. 15 de 51 | Ma n u al de F o rm aç ão . mesmo por motivos simples. progressivamente. o que torna o hemofílico sujeito a importantes hemorragias. acabando por determinar a completa ausência de autonomia dos doentes.  Procurar o médico sempre que os seguintes sintomas aparecerem: fraqueza. com ingestão adequada de proteínas e vitaminas. as outras funções mentais.Patologia neurológica e sensorial Patologia neurológica Doença de Alzheimer A Doença de Alzheimer está.  3 5 5 2 – P AT O LO G I AS E E F EI T O S P SI CO S SO C I AI S D E CO R R E NT ES D A H O SP I T ALI Z AÇ ÃO D A P E S SO A I D O S A Pág.

Doença de Parkinson A doença de Parkinson é uma perturbação degenerativa e lentamente progressiva do sistema nervoso que apresenta várias características particulares: tremor em repouso. lentidão na iniciação de movimentos e rigidez muscular. A doença de Parkinson afeta cerca de 1 % da população com mais de 65 anos e 0. acamados.Os doentes de Alzheimer tornam-se incapazes de realizar a mais pequena tarefa. Iniciam-se as dificuldades de locomoção. como abotoar os botões da camisa ou atar os atacadores. etc. A deterioração no controlo da musculatura das mãos provoca uma dificuldade crescente para as atividades diárias. tornam-se cada vez mais dependentes de terceiros.  3 5 5 2 – P AT O LO G I AS E E F EI T O S P SI CO S SO C I AI S D E CO R R E NT ES D A H O SP I T ALI Z AÇ ÃO D A P E S SO A I D O S A Pág. Acabam por não reconhecer os próprios familiares e até a si mesmos quando colocados frente a um espelho. perdas de memória. deixam de reconhecer os rostos familiares.4 % da população com mais de 40 anos. Os pacientes tornam-se confusos e. A rigidez e a imobilidade podem contribuir para produzir dores musculares e sensação de cansaço. É uma doença muito relacionada com a idade. À medida que a doença evolui. de forma insidiosa e avança de forma gradual. agressivos. por vezes. como alimentação. passando a apresentar alterações da personalidade. com distúrbios de conduta. diminui com o movimento voluntário da mão e desaparece durante o sono. normalmente aceites pelos familiares como parte do processo normal de envelhecimento. até mesmo para as atividades elementares do quotidiano. quase sempre. pode perceber-se a rigidez e uma espécie de rangido. 16 de 51 | Ma n u al de F o rm aç ão . O tremor é máximo em repouso. A dificuldade para iniciar o movimento é particularmente importante e a rigidez muscular dificulta ainda mais a mobilidade. A doença de Parkinson inicia-se. ficam incontinentes e acabam. frequentemente. a comunicação inviabiliza-se e passam a necessitar de cuidados e supervisão integral. A combinação de todos estes sintomas causa muitas dificuldades. A estimativa de vida para os pacientes situa-se entre os 2 e os 15 anos. vestuário. Sintomas Ao princípio observam-se pequenos esquecimentos. que se vão agravando gradualmente. afetando as pessoas com mais de 50 anos. Em muitas pessoas inicia-se como um tremor da mão quando está em repouso. higiene. Quando o antebraço é fletido ou estendido por outra pessoa.

Uma dieta rica em fibras e uma ingestão adequada de alimentos contribuirão para combater a obstipação que pode ocorrer devido à inatividade. Patologia sensorial Em função da idade. É frequente que estas pessoas se babem ou se engasguem como consequência da rigidez muscular na cara e na garganta. No entanto. A maioria mantém uma inteligência normal. A prática diária do máximo de atividades físicas possíveis e o seguimento de um programa regular de exercícios podem contribuir para que os afetados pela doença de Parkinson mantenham a mobilidade.  3 5 5 2 – P AT O LO G I AS E E F EI T O S P SI CO S SO C I AI S D E CO R R E NT ES D A H O SP I T ALI Z AÇ ÃO D A P E S SO A I D O S A Pág. Os doentes que sofrem de Parkinson costumam falar sussurrando com voz monótona e podem gaguejar devido à dificuldade que têm para exprimir os seus pensamentos. uma deterioração progressiva no desempenho motor especializado. A fisioterapia e as ajudas mecânicas (como as cadeiras de rodas) podem ser úteis para restabelecer um grau suficiente de autonomia. Às vezes. mas nenhum destes cura a doença nem suprime a sua evolução. mas muitos desenvolvem demência. Tratamento Na abordagem terapêutica da doença de Parkinson pode utilizar-se uma ampla variedade de medicamentos. esta falta de expressão confunde-se com uma depressão. e às vezes de forma grave. facilitam o movimento e durante anos estes doentes podem levar a cabo uma vida funcionalmente ativa. Com o tempo a cara adquire um olhar perdido. com a boca aberta e uma diminuição do pestanejar. o que a longo prazo pode produzir desnutrição. Neste sentido é útil acrescentar suplementos à dieta e tomar laxantes para manter a regularidade da função intestinal. embora muitas pessoas com a doença de Parkinson se tornem efetivamente depressivas. 17 de 51 | Ma n u al de F o rm aç ão . à desidratação e ao uso de alguns fármacos.As feições são menos expressivas devido à imobilidade dos músculos da cara responsáveis pela expressão. o que dificulta a deglutição. são detetadas diversas mudanças nas funções percetivas dos idosos. Podemos destacar como consequência dessas alterações. Deve prestar-se uma atenção especial à dieta porque a rigidez muscular pode dificultar a deglutição.

dificuldade em andar e manter o equilíbrio. vivem em casas grandes demais para apenas uma pessoa. responsável pela informação ao sistema nervoso da temperatura do ambiente externo.A visão. sensações de dor e de toque.Situações de emergência 1.1.5. por exemplo: vivem em prédios antigos. vivem em ambientes desadaptados às suas necessidades. 1. Os acidentes mais frequentes em casa são causados por:  Pôr-se de pé em cima de um banco. a surdez. Os problemas ligados ao envelhecimento. considerada por muitos como o órgão do sentido mais essencial. é sensivelmente diminuído. gavetas abertas. O olfato também é afetado. O tato. escadote ou cadeira  Andar sobre pavimentos molhados. A diminuição da capacidade auditiva é considerada por muitos estudiosos da área como um importante motivo da exclusão social do idoso. A maior dificuldade auditiva da pessoa idosa é na deteção de sons de alta frequência e no aumento do tempo de reação aos sons. os défices sensoriais. ocorrendo uma queda gradual na capacidade de identificar corretamente os odores.5. 18 de 51 | Ma n u al de F o rm aç ão . peças de mobília ou outros obstáculos deixados no seu caminho  Má iluminação  3 5 5 2 – P AT O LO G I AS E E F EI T O S P SI CO S SO C I AI S D E CO R R E NT ES D A H O SP I T ALI Z AÇ ÃO D A P E S SO A I D O S A Pág. Muitas das pessoas idosas. com muitas escadas. tornam as pessoas idosas mais vulneráveis às quedas e aos acidentes de toda a espécie. por vezes sem iluminação. ou tapetes de quarto sem forro antiderrapante  Mobiliário instável. moram nos arredores dos centros de comércio e não têm meios de transporte adequados. é prioritariamente afetada. como a cegueira ou a diminuição da acuidade visual. húmidos ou encerados  Pequenos tapetes.Os acidentes Os acidentes são responsáveis pelo aumento do grau de dependência das pessoas idosas.

O tratamento baseia-se em produzir o vómito a fim de eliminar o mais depressa possível os fármacos. A ingestão costuma acontecer por acidente ou por confusão. não se deve provocar o vómito. Fármacos: Os idosos costumam intoxicar-se devido a confusões.2. Depois da referida ingestão. recomenda-se que se provoque o vómito.  Escadas com degraus de tamanhos diferentes  Fios elétricos ou de telefone deixados no chão  Banheira ou chuveiro sem barras de apoio ou tapete antiderrapante Medidas para prevenção das quedas no idoso Intrínsecas • Tratar causas subjacentes • Otimizar o uso de medicamentos • Programa de terapia física • Programa de atividades físicas Extrínsecas • Reduzir os riscos ambientais (especialmente dentro do domicílio) • Melhorar iluminação • Resultam de uma complexa interação entre fatores intrínsecos e extrínsecos. A pessoa afetada deve ser enviada imediatamente para um centro médico. Recomenda-se que se ingira gemas de ovo para contrariar o efeito corrosivo.5. As intoxicações Produtos químicos (lixívias) As mais perigosas são as industriais ou as produzidas especificamente para a limpeza do lar. porque aumentará a lesão no trato esofágico ao sair de novo para o exterior. 1. o efeito costuma ver-se logo. Se se ingeriu qualquer outro tipo de substância não corrosiva. Se se ingeriu alguma destas substâncias. com uma sensação de mal- estar e ardência interna. Gases:  3 5 5 2 – P AT O LO G I AS E E F EI T O S P SI CO S SO C I AI S D E CO R R E NT ES D A H O SP I T ALI Z AÇ ÃO D A P E S SO A I D O S A Pág. 19 de 51 | Ma n u al de F o rm aç ão .

ou a gases gerados por combustão. 20 de 51 | Ma n u al de F o rm aç ão . com náuseas e vómitos.A pessoa idosa portadora de doença crónica  3 5 5 2 – P AT O LO G I AS E E F EI T O S P SI CO S SO C I AI S D E CO R R E NT ES D A H O SP I T ALI Z AÇ ÃO D A P E S SO A I D O S A Pág.As intoxicações por gases quase sempre se devem ao gás butano. e neurológica. não tem cheiro.Equilíbrio biopsicossocial da pessoa idosa 2. 2. Quando se suspeitar de que um gás foi libertado. evacuando-se o mais depressa possível. A intoxicação costuma identificar-se com uma intoxicação por sintomatologia digestiva. uma vez que. é fundamental desligar a eletricidade para evitar qualquer chispa que gere a deflagração e ventilar bem a casa O monóxido de carbono é originado na combustão habitual dos aquecedores a gás butano. É um gás muito difícil de identificar. com dores de cabeça e perda de conhecimento.1. O gás butano é reconhecido facilmente pelo seu cheiro. É necessário fazer imediatamente uma ventilação adequada da casa.

Sinais e sintomas Entende-se por doença crónica a enfermidade de curso prolongado. observação ou cuidados. no que respeita à adequação das respostas dos serviços face ao aumento do número de casos.  Obesidade. potencialmente incapacitante. produzem incapacidades/deficiências residuais.  Doenças cardiovasculares. Na velhice o risco de hospitalização em situações agudas e crónicas aumenta.1. exigir uma formação especial do doente para a reabilitação. o que significa que cada doente crónico tem necessidades especiais e requer atenção particularizada. exigir longos períodos de supervisão.2.  Doenças respiratórias.  Tabagismo. As doenças crónicas mais prevalentes são:  Diabetes.  Algumas infeções como a tuberculose As doenças crónicas. É frequente a coexistência de patologia crónica múltipla.  Sedentarismo. com evolução gradual dos sintomas e com aspectos multidimensionais. enquanto doenças que se prolongam no tempo. fisiológicas ou anatómicas Para ser considerada doença crónica esta terá que apresentar uma ou mais das seguintes particularidades: ser permanente. psicológica e espiritual) e condicionam as políticas de saúde.  Cancro. ser causada por alterações patológicas irreversíveis. em média. produzir incapacidade/deficiência residual.1. 21 de 51 | Ma n u al de F o rm aç ão . Cerca de 75 por cento das doenças cardiovasculares são atribuíveis a:  Colesterol elevado. implicam a necessidade de readaptação (física. familiar. Num doente crónico. pois as pessoas idosas tendem a apresentar multipatologias e níveis acentuados de  3 5 5 2 – P AT O LO G I AS E E F EI T O S P SI CO S SO C I AI S D E CO R R E NT ES D A H O SP I T ALI Z AÇ ÃO D A P E S SO A I D O S A Pág. coexistem. que afeta as funções psicológicas. social.  Dieta pobre em frutas e vegetais. cerca de cinco condições crónicas.  Tensão arterial elevada.

Logo. Neste contexto. os idosos tem tendência a isolar-se completamente. constituem o grupo etário da população que mais utiliza os cuidados hospitalares. pelo que.  Ajudá-lo a encontrar um sentido para a sua vida e para a sua morte. etc. essencialmente. como tal. Muitas vezes a pessoa não é capaz de integrar estas mudanças no seu dia-a-dia.1. O aparecimento de uma doença crónica implica. frequentemente. continuidade de cuidados. o profissional deve:  Dar ao idoso esperanças e não falsas esperanças. 2.3. é altamente destruidora da qualidade de vida e. Aliás. não deseja senão uma coisa. independentemente do contexto (ou sector) de prestação em que os doentes se encontrem.  3 5 5 2 – P AT O LO G I AS E E F EI T O S P SI CO S SO C I AI S D E CO R R E NT ES D A H O SP I T ALI Z AÇ ÃO D A P E S SO A I D O S A Pág.Agudização da doença Na fase de agudização da doença crónica.dependência. em reação. isolá-los cada vez mais. mais do que para a cura da doença em causa. sendo fundamental o papel do profissional de saúde junto deste.1. a prioridade de topo são os cuidados e não a cura.2. a tornarem-se exigentes. 2. As suas frustrações encontram muitas vezes eco na atitude de quem as trata e que. a intervenção do profissional deve dirigir-se para o controlo dos sintomas e manutenção da qualidade de vida do doente. Por permanecer sub-diagnosticada. 22 de 51 | Ma n u al de F o rm aç ão . a depressão sobrecarrega as famílias e instituições que providenciam cuidados a pessoas idosas. A incapacidade funcional encontra-se frequentemente associada a depressão nos idosos. resultando daí riscos para a sua saúde.  Ajudar a exprimir as suas emoções de desgosto. Para estes. coléricos. exigem.  Encoraja-lo a manter um certo controlo. impõe uma grande carga social e económica para a sociedade. a modificação dos hábitos de vida e também a necessidade de recorrer a métodos terapêuticos. a depressão encontra-se associada a níveis mais reduzidos de qualidade de vida entre as pessoas idosas.Sinais de descompressão O regime que o doente deve seguir pode apresentar-se complexo.

 Ajudar o idoso a manter o contacto com a realidade e a manter-se consciente o mais tempo possível.  Mostrar-se disponível e permitir ao idoso falar daquilo que vive.  Ajudar o idoso a conservar a autoestima.  Ficar junto do idoso.  Estabelecer uma comunicação verdadeira e de ajuda.  Ajudar o idoso a manter as suas forças e a energia.  Dar provas de honestidade.  3 5 5 2 – P AT O LO G I AS E E F EI T O S P SI CO S SO C I AI S D E CO R R E NT ES D A H O SP I T ALI Z AÇ ÃO D A P E S SO A I D O S A Pág.  Estabelecer uma relação de empatia.  Ajudar o idoso a satisfazer as suas necessidades sociais e reforçar os laços familiares. 23 de 51 | Ma n u al de F o rm aç ão . estar presente.

assim como a condições ambientais condignas.3. devem integrar uma componente sócio-afectiva especial que deve ser assegurada por todo o pessoal atendendo ao respeito por esta fase da vida.1.Abordagem multidimensional Os cuidados terminais.  3 5 5 2 – P AT O LO G I AS E E F EI T O S P SI CO S SO C I AI S D E CO R R E NT ES D A H O SP I T ALI Z AÇ ÃO D A P E S SO A I D O S A Pág. pronta e atempada dos diversos níveis de prestação de cuidados. É urgente tomar medidas que permitam uma resposta coordenada. se assim o desejarem. 24 de 51 | Ma n u al de F o rm aç ão . além da sua especificidade técnico-científica. Os doentes internados no final da vida ou que necessitem de cuidados paliativos. pelos seus familiares e / ou pessoa da sua escolha. têm direito a ser acompanhados. O acompanhamento deve ser integral e.Internamento da pessoa idosa em estado terminal 3. como garantia da eficácia do atendimento ao utente. por isso contemplar a dimensão espiritual.

Direitos do moribundo: 1. 25 de 51 | Ma n u al de F o rm aç ão . 7. que são áreas assistenciais. com o único objetivo de melhorar a qualidade da sua vida neste transe definitivo. Conservar a esperança (num alivio. Não ser enganado. 6. proporciona-se uma atenção integral ao doente terminal. que contempla o problema da morte do homem numa perspetiva profundamente humana.  3 5 5 2 – P AT O LO G I AS E E F EI T O S P SI CO S SO C I AI S D E CO R R E NT ES D A H O SP I T ALI Z AÇ ÃO D A P E S SO A I D O S A Pág. 12. 4. existentes física e funcionalmente nos hospitais.Cuidados específicos A “medicina paliativa”. 13. 3. Receber cuidados médicos e de enfermagem quando necessários. Esta é uma nova especialidade de cuidados médicos ao doente terminal. 8. 14. O moribundo tem o direito de viver plenamente até ao fim. que compreendem as suas necessidades e que o querem ajudar a ultrapassar esta ultima fase da vida. 10. ou “cuidados paliativos”. Ser tratado por pessoas competentes. 2. Ter respostas francas às suas perguntas. mesmo quando os objetivos de cura são modificados para objetivos de conforto.Sendo impossível evitar a morte. Nas Unidades de Cuidados Paliativos. 3. capazes de manter a esperança. reconhecendo a dignidade da pessoa no âmbito do grave sofrimento físico e psíquico que o fim da existência humana muitas vezes comporta. Ser tratado até ao fim como um ser humano. competentes e capazes de ajudar. Morrer em paz com dignidade. numa vida futura). Não sofrer. Participar nas decisões quanto aos cuidados.2. é a forma civilizada de entender e atender aos doentes terminais. Receber os cuidados de pessoas sensíveis. oposta principalmente aos dois conceitos extremos aludidos: obstinação terapêutica e eutanásia. Não morrer só. Exprimir à sua maneira os sentimentos e as emoções quanto à morte. 11. Uma equipa de profissionais assiste estes doentes na fase final da sua enfermidade. 5. 9. Conservar a individualidade e não ser julgado por decisões e escolhas que entrem em conflito com os valores ou crenças de outros. Saber que após a morte o seu corpo será respeitado. é no entanto possível tornar a vida da pessoa que está a morrer o mais agradável e significativa.

antes da morte. excecionalmente. que combinam ciência e humanismo. precisa de confiar na equipa de profissionais que o trata. Com tratamento adequado pode-se chegar a controlar grande parte da dor. aos doentes agónicos. As unidades de cuidados paliativos podem prestar cuidados em regime de internamento ou domiciliário e abrangem um leque variado de situações. especialmente em casos de cancro. Os cuidados paliativos não são determinados pelo diagnóstico das doenças. incurável e progressiva. 26 de 51 | Ma n u al de F o rm aç ão . O doente precisa de se sentir seguro. meses ou. sociais e espirituais do paciente e da sua família. o desajuste pode ser duradouro. apenas.  3 5 5 2 – P AT O LO G I AS E E F EI T O S P SI CO S SO C I AI S D E CO R R E NT ES D A H O SP I T ALI Z AÇ ÃO D A P E S SO A I D O S A Pág. Os cuidados paliativos proporcionam aos doentes que vão morrer a possibilidade de receberem cuidados num ambiente apropriado. de ter a segurança de uma companhia que o apoie e não o abandone. As necessidades psicológicas são evidentes. mas pela situação e pelas necessidades do doente.atendendo às necessidades físicas. mas não se destinam. Frequentemente. As necessidades físicas advêm das graves limitações corporais e sobretudo da dor. que promova a proteção da dignidade do doente incurável na fase final da vida. psíquicas. na tentativa de prevenir o sofrimento que ela gera e de proporcionar a máxima qualidade de vida possível a estes doentes e suas famílias. toda a atenção dos membros da família concentra-se no membro doente e. se a sobrevivência se prolonga. São cuidados de saúde ativos. doenças como o cancro. Necessita de amar e de ser amado. Os cuidados paliativos definem-se como uma resposta ativa aos problemas decorrentes da doença prolongada. rigorosos. No entanto. já que este atinge 80% dos doentes terminais. A doença terminal causa em quem a padece e na sua família um intenso desgaste e não poucos desajustes familiares. Os cuidados paliativos dirigem-se prioritariamente à fase final da vida. Muitos doentes necessitam de ser acompanhados durante semanas. idades e doenças. a sida e doenças neurológicas graves e rapidamente progressivas implicam frequentemente a necessidade de cuidados paliativos.

1. é uma experiência significativa acompanhada por um conjunto de sentimentos.Meio hospitalar O hospital inclui uma grande variedade de unidades/serviços que apresentam características muito diferentes. 27 de 51 | Ma n u al de F o rm aç ão .A pessoa idosa e o hospital 4. quase sempre marcantes.4. pois o hospital é um mundo à parte.Hospitalização .  3 5 5 2 – P AT O LO G I AS E E F EI T O S P SI CO S SO C I AI S D E CO R R E NT ES D A H O SP I T ALI Z AÇ ÃO D A P E S SO A I D O S A Pág.1. sobretudo quando em situação de internamento. apesar de inter-relacionados.efeitos psicossociais 4. tornando-a uma organização heterogénea e complexa. O contacto dos utentes com o hospital.1.

como a necessidade de cuidar da sua higiene sempre de manhã. fá-lo sentir-se como um indivíduo único com valor e dignidade. e das rotinas usuais sobretudo nos idosos. efetuadas por vagas sucessivas de estranhos. medos. a existência de companheiros de quarto pode ter um efeito benéfico na minimização da solidão do idoso.2. a necessidade de partilhar um quarto com pessoas que desconhece.1. autonomia. desejos.A hospitalização por sua vez. cada qual com as suas próprias expectativas. O seu tempo define-se pelas rotinas do contexto e a comunicação com o exterior é limitada. Estes procedimentos podem ser vivenciados como ameaçadores. em particular. geradores de ansiedade. A alteração dos hábitos. No entanto. O utente geralmente está apreensivo e. exige que a mesma seja efetuada de forma responsável e atenta. enquanto espaço que reserva à sua volta para um comportamento social adequado.1. etc. competência e profissionalismo. com demonstração de verdadeiro interesse. trazendo desconforto. constitui quase sempre um trauma para o utente e sua família. insegurança e stress. vontades. as pessoas conscientes e capazes de dialogar devem ser colocadas num quarto com pessoas com as mesmas capacidades 4. 28 de 51 | Ma n u al de F o rm aç ão . angústias.  3 5 5 2 – P AT O LO G I AS E E F EI T O S P SI CO S SO C I AI S D E CO R R E NT ES D A H O SP I T ALI Z AÇ ÃO D A P E S SO A I D O S A Pág.3. 4. Durante o internamento ocorrem procedimentos (simples e rotineiros para o profissional) que promovem o sentimento de despersonalização no doente. pela dificuldade em manter a privacidade e individualidade. a atitude da equipa de saúde envolvida na admissão pode fazê-lo sentir-se mais confortável. obriga a pessoa gradualmente a aprender a adaptar-se a toda uma nova dinâmica diária. que cada indivíduo exprime de acordo com a sua personalidade. altruísmo. independentemente da profissão. provocando com frequência desde a admissão. ou até as manobras por vezes invasivas ao próprio corpo.Técnicos e estruturas de apoio O trabalho com pessoas dependentes encerra uma incontornável dimensão humana dado que os profissionais são pessoas que trabalham com pessoas. fantasmas. Neste sentido. O exercício da prestação de trabalho.“Colegas” de quarto O internamento condiciona a pessoa idosa uma readaptação na gestão do seu espaço pessoal. Uma recepção acolhedora. imbuída de um espírito de cooperação.

aumenta a adesão e o compromisso. assim como dificuldades de comunicação com os profissionais de saúde. dependendo de fatores como a capacidade de adaptação. a separação da família.  3 5 5 2 – P AT O LO G I AS E E F EI T O S P SI CO S SO C I AI S D E CO R R E NT ES D A H O SP I T ALI Z AÇ ÃO D A P E S SO A I D O S A Pág. o número de medicamentos ingeridos e facilita a recuperação do doente. envolvê-los. 29 de 51 | Ma n u al de F o rm aç ão .1. são causadores de stress. preserva a dignidade e o respeito. para as instituições de saúde e para a humanização dos cuidados:  A nível médico-legal. permite o consentimento informado.tratamento A hospitalização representa para as pessoas idosas um desafio que pode ser vivenciado de diferentes formas. a falta de informação (apesar de nem todos os utentes desejarem ser informados). como dos conceitos.1.2. Profissionais e doentes não falam a mesma língua. ajuda a lidar com a doença. o stress e a ansiedade. salvo em caso de necessidade para efeitos de diagnóstico ou tratamento e tendo o doente expressado o seu consentimento. experiências prévias e representações de saúde e doença. reduz os estados depressivos.1.2.2.  A nível psicológico.  A nível médico-institucional – reduz o número de dias de internamento. comunicar com eles.A hospitalização 4. A vida privada do doente não pode ser objeto de intromissão. e na sua recuperação. para além da própria doença.Aspectos positivos/benefícios 4. promove o sentimento de segurança.Em ambiente hospitalar. fornecer informação aos doentes. satisfaz várias necessidades a diferentes níveis. 4. tendo repercussões positivas para os utentes e famílias. no estado de saúde deste último: na sua capacidade de adaptação aos tratamentos. a aceitação dos procedimentos terapêuticos e a responsabilidade do utente/doente. Neste sentido. Os benefícios de uma boa comunicação entre os profissionais de saúde e o utente. a não obtenção de respostas às questões. não só sob o ponto de vista da comunicação.

prevenindo complicações futuras. passa a ter de se reajustar a uma situação nova em que o seu papel passa a ser o de doente. que de outra forma agravavam a morbilidade e mortalidade das pessoas. pode também existir com particular relevo.Por exemplo. recorrendo às experiências passadas para enfrentar os problemas atuais. medo de que não se ocupem dele.2. 4.  3 5 5 2 – P AT O LO G I AS E E F EI T O S P SI CO S SO C I AI S D E CO R R E NT ES D A H O SP I T ALI Z AÇ ÃO D A P E S SO A I D O S A Pág.ganhos em saúde O espaço hospitalar não é apenas um espaço de sentimentos negativos.1.2. medo de ser humilhado. 30 de 51 | Ma n u al de F o rm aç ão . não apenas relativamente ao tipo de tratamentos e técnicas a que irá ser submetido. que poderá levar a mais sofrimento ou até à morte. tratar ou reabilitar o problema de saúde que preocupa as pessoas. medo das mãos inábeis ou muito bruscas. ou medo do sofrimento. Paralelamente surgem alterações nos outros papéis sociais desempenhados. medo de ficar diminuído. medo da decadência.1. A incerteza poderá surgir em resultado das dúvidas sobre o que espera a pessoa. a invalidez ou ainda outro tipo de receios como: medo de ser manipulado. pois é onde se oferecem condições para prevenir.2. O doente pode recear a lesão corporal. No caso dos idosos. medo de exames diagnósticos dolorosos. pessoas idosas com história anterior de internamento poderão encarar o hospital com alguma naturalidade.2.Aspectos negativos 4. uma alteração nas suas referências existenciais.2.2. Em termos comportamentais. também. provocando na maioria dos idosos. Pode ser um espaço que transmita segurança.perda do quadro de referências A admissão num hospital confronta o utente com um ambiente que lhe é estranho. o conformismo face à hospitalização. É também o espaço em que se resolvem situações. medo de ser inútil. Ocorre. medo de ser mobilizado. o medo de ser abandonado. pois algumas pessoas idosas vivenciam a hospitalização como algo que faz parte da vida. o indivíduo que se confronta com o internamento. como ao percurso da própria doença. além destes medos. uma vez que frequentemente receiam mais o abandono do que da morte em si. 4.

Também não é de menosprezar a variedade de reações que os familiares dos doentes podem ter perante uma situação de internamento e doença deste último – aceitação ou rejeição. passa a ser um espaço estranho e por vezes hostil. aumentando o nível de dependência. As visitas. num horário nem sempre adaptado às exigências quotidianas das famílias. Evidencia-se aspectos como:  A diminuição da água corporal torna o indivíduo mais vulnerável à desidratação e à hipotensão.  3 5 5 2 – P AT O LO G I AS E E F EI T O S P SI CO S SO C I AI S D E CO R R E NT ES D A H O SP I T ALI Z AÇ ÃO D A P E S SO A I D O S A Pág. sobretudo de forma repetida ou prolongada.2. de relações e pela diluição ou anulação dos papéis de responsabilidade. como seja a separação do seu ambiente familiar ou a interrupção nas atividades que lhe poderiam dar satisfação. 4. habitualmente ocorrem num único período diário.  O internamento com permanência na cama e a administração de sedativos aumenta o risco de síncope e de quedas.2.aumento dos níveis de dependência As consequências físicas do internamento na pessoa idosa são diversas.3. Tradicionalmente esse espaço/tempo de contacto tem ocorrido no período chamado a visita. podendo potenciar e agravar alterações físicas associadas ao processo de envelhecimento. confiança ou apreensão. com um número controlado de pessoas em simultâneo. o doente tem outras perdas muito significativas. curiosidade ou aversão. solidariedade ou pena. para além da perda de saúde e dos papéis.2. pela quebra de funções habituais.família No hospital. 31 de 51 | Ma n u al de F o rm aç ão . Quando existe necessidade de hospitalização do doente idoso. estima ou desprezo – e a influência que a perceção destes sentimentos pode ter na pessoa doente. o espaço físico em que ocorre o contacto entre os familiares ou pessoas significativas e os idosos.2. Em situação de internamento hospitalar.4. pode assistir-se a uma perda do seu papel sociofamiliar.2.

Autonomia da pessoa idosa  3 5 5 2 – P AT O LO G I AS E E F EI T O S P SI CO S SO C I AI S D E CO R R E NT ES D A H O SP I T ALI Z AÇ ÃO D A P E S SO A I D O S A Pág. reforçar o sentimento de dependência. 32 de 51 | Ma n u al de F o rm aç ão .  As características da pele alteram-se ficando mais fina e menos vascularizada. dispneia e ao risco de pneumonia. 5.  A oxigenação celular diminui. por sua vez. Este sentimento pode. assim como a massa muscular.  A redução da capacidade respiratória que acompanha o envelhecimento. Esta dependência reforçada pelo ambiente hospitalar e pela doença geram um sentimento de inferioridade. o doente assume um comportamento de dependência de quem o cuida. Face aos sentimentos de impotência e insegurança. aumentando o risco de quedas. leva a uma menor ventilação. sonolência. e maior risco de fraturas. podendo conduzir a confusão mental. ao fim de pouco tempo. comer. andar. Essa dependência dos outros para os gestos mais familiares como: beber.  A imobilidade leva a uma perda de 5% de força muscular por dia. com agravamento da osteoporose.  No caso das mulheres a permanência na cama leva a uma aceleração da desmineralização. a capacidade de andar. lavar-se ou vestir-se vai acentuar o sentimento de impotência e insegurança. o que pode pôr em risco. a permanência na cama aumenta a sua fragilidade com maior risco de úlceras de pressão. quando associada à imobilidade.

33 de 51 | Ma n u al de F o rm aç ão . o de assumir o poder sobre si próprio.5. A fragilidade devida à situação clínica determina. necessidades específicas não só de diagnóstico e tratamento. As barreiras arquitetónicas deverão ser reduzidas ao mínimo: nos quartos ou enfermarias. etc. para o doente internado. mas também de instalações e equipamentos.Nas atividades da vida A autonomia da pessoa idosa é vista como um processo suscetível de ser potenciado pela presença de cuidados adequados. o de participar nas decisões e o desejo de não separação daqueles que pertencem a sua esfera emocional.1.1.1. As instalações e equipamentos que o doente utiliza devem estar de acordo com a sua vulnerabilidade e situação clínica. O doente internado deve ser informado sobre os diferentes serviços existentes no estabelecimento. nas escadas. passando pela satisfação de um conjunto de necessidades como a de expressar a sua individualidade. incluindo aqueles não diretamente relacionados com a prestação de  3 5 5 2 – P AT O LO G I AS E E F EI T O S P SI CO S SO C I AI S D E CO R R E NT ES D A H O SP I T ALI Z AÇ ÃO D A P E S SO A I D O S A Pág. na disposição dos equipamentos.Minimizar os efeitos das hospitalizações na vida da pessoa idosa 5. na sinalização interna.

 3 5 5 2 – P AT O LO G I AS E E F EI T O S P SI CO S SO C I AI S D E CO R R E NT ES D A H O SP I T ALI Z AÇ ÃO D A P E S SO A I D O S A Pág. A imagem corporal é uma base da identidade. A sinalização interna deve ser suficientemente clara para que o doente possa deslocar- se com facilidade dentro do hospital.gabinete do utente. os tratamentos pré e pós operatórios. as visitas médicas.cuidados. não apenas a doença. sob pena de se estar a violar os direitos dos indivíduos e. o ensino. radiografias. consequentemente. hábitos e modos de vida e ser-lhe assegurada privacidade. Os organogramas do serviço deverão estar afixados para que o doente e visitas conheçam a organização e os seus responsáveis. serviços religiosos e voluntariado. não se garantir a qualidade dos serviços. toda a mudança na estrutura corporal é sentida como uma ameaça.1. Portanto. diagnósticos e tratamentos precoces podem evitar. banco. o tipo e o tamanho das letras deverão ser cuidadosamente estudados. pois. cafetaria. É difícil a certos doentes aceitar serem tocados e observados por outras pessoas inclusive por profissionais de saúde. O respeito pela intimidade do doente deve ser preservado durante os cuidados de higiene. o transporte em maca e em todos os momentos do seu internamento.Higiene e alimentação Muitos dos medos dos doentes hospitalizados advêm da ameaça que sentem à integridade física e à alteração da sua imagem corporal. 34 de 51 | Ma n u al de F o rm aç ão . correio. por isso. autonomia. pela sua identidade. como por exemplo . Na prestação dos cuidados de higiene e imagem. as consultas. 5. Essa ameaça pode ter por base. As refeições devem ser momentos de prazer e dadas com segurança ao idoso.1. cada doente tem de ser tratado com respeito pelos seus direitos e deveres. A sua entrega é um dos momentos privilegiados para lembrar o cliente de beber líquidos com frequência ao longo do dia. é necessário identificar os pacientes de risco nutricional. dignidade e confidencialidade. A terapêutica nutricional durante o período de internamento possivelmente melhora o estado nutricional e também contribui para a melhoria da qualidade de vida e para a redução dos custos hospitalares. longos períodos de internamento e de complicações. As cores. como também as ações e comportamentos dos prestadores de cuidados.1. em muitos casos.

Entre os fatores que mais influem esta realidade são:  Sentir dores. Não se pode afirmar que os idosos precisem de dormir menos. 5. nem demasiado quente.  Presença de uma ou mais pessoas estranhas (companheiros de quarto). 35 de 51 | Ma n u al de F o rm aç ão .Sono O sono dos idosos é mais fragmentado e menos profundo. Estudos realizados demonstram que as horas de sono no hospital diminuem em relação às horas em domicílio. Os idosos passam mais facilmente de um estádio para outro. nas horas de repouso ou de sono.  Barulho. É recomendado que se tenha cuidado com as costas das pessoas acamadas. períodos curtos e leves e os idosos revelam mais dificuldade em adormecer. O quarto não deve estar demasiado frio.O responsável pelo processo deve definir as regras para o apoio na alimentação.  Desconforto emocional. Os profissionais de saúde devem ter especial atenção a estes fatores. A mudança de estádio ou níveis de sono é muito frequente.  Luminosidade excessiva. segurança e promoção da autonomia dos utentes. O seu sono é mais frequentemente interrompido por despertares noturnos. A intensidade da luz deverá ser tida em consideração.  Vontade de urinar frequente. Todos os incómodos devem ser reduzidos ao mínimo.1.  Mau posicionamento na cama. comparativamente às pessoas de outra idade.2.  3 5 5 2 – P AT O LO G I AS E E F EI T O S P SI CO S SO C I AI S D E CO R R E NT ES D A H O SP I T ALI Z AÇ ÃO D A P E S SO A I D O S A Pág. na medida em que o sono e repouso se revelam essências para a plena recuperação do idoso hospitalizado. mas têm menos capacidade de dormir de forma contínua. No hospital. o sono é mais superficial.1. Não é conveniente que a parte lombar seja sacrificada nem que os idosos se dobrem muito pois esta postura pode ser bastante prejudicial. nomeadamente.

1.3. não só ajudam o idoso/doente a se movimentar mais facilmente. com vista à readaptação física ou mental das pessoas incapacitadas. entre outros benefícios. Todas as atividades diárias. sempre que não exista contraindicação. Este profissional organiza e desenvolve programas particulares de tratamento.4.1. os idosos dispõem de tempo livre e este momento caracteriza- se por permitir a criação.1. como lhe proporcionam uma sensação de confiança na ajuda que recebe. recupera capacidade funcional dos músculos e movimentos das articulações. a coordenação dos movimentos e a resistência à fadiga. A criatividade. Estudos indicam que se verifica uma significativa melhora funcional por meio da estimulação psicomotora em idosos hospitalizados. 36 de 51 | Ma n u al de F o rm aç ão . Movimentos delicados e seguros da parte da/o técnica/o baseados em conhecimentos de mecânica corporal. 5. uma vez que ocupa o tempo ocioso. Com atividades manuais e trabalhos criadores. devem privilegiar o conforto do utente. incapazes de se movimentar sozinhos.5. estimula a inter- relação com os seus pares e profissionais da equipe de saúde.  3 5 5 2 – P AT O LO G I AS E E F EI T O S P SI CO S SO C I AI S D E CO R R E NT ES D A H O SP I T ALI Z AÇ ÃO D A P E S SO A I D O S A Pág. visando transformar a hospitalização num evento menos penoso. enquanto ocupação do tempo livre. remete ao preenchimento destes períodos com atividades de lazer. Deve ter-se especial atenção ao posicionamento e mobilidade. com o objetivo de obter o máximo de funcionalidade e independência. de rotina ou ocupacionais. dependem completamente da/o técnica/o para mudar de posição.As visitas O doente internado tem direito à visita dos seus familiares e amigos quando o desejar e os horários o permitam.Ocupação e conforto A ocupação dos períodos de solidão com atividades que propiciem prazer mostram-se uma estratégia favorável para minimizar os efeitos negativos da hospitalização.1. As instituições e os profissionais devem facilitar e mesmo incentivar o apoio afetivo que podem dar “entes significativos” para o doente. momento em que a tendência é de fragilidade e propício à dependência. Alguns idosos/doentes. Durante o internamento. Estas atividades poderão ser desenvolvidas por um terapeuta ocupacional. particularmente para os idosos.

assegurar cuidados durante o descanso.1. b) Os cuidados que é capaz de prestar. em especial se estiver previsto o regresso a casa do utente.  3 5 5 2 – P AT O LO G I AS E E F EI T O S P SI CO S SO C I AI S D E CO R R E NT ES D A H O SP I T ALI Z AÇ ÃO D A P E S SO A I D O S A Pág. proporcionar o envolvimento da família e o seu suporte. suporte emocional. como dos seus conhecimentos face à situação específica do doente. receios e angústias. o enfermeiro deverá apoiar e vigiar o cuidador.2. alimentação ou outros. tais como o auxílio na lida ou governo da casa. A ajuda tanto pode ser a prestação de serviços. 37 de 51 | Ma n u al de F o rm aç ão . Na escolha do cuidador deve atender-se ao empenho do candidato em fazer tudo o que de melhor se possa fazer ao doente. por ex.A família da pessoa idosa Para que a família possa desempenhar na totalidade a sua função de prestadora de cuidados.1. devem ser consideradas na preparação do regresso a casa. assim como apoio à tomada de decisão. suporte financeiro. 5. como pode ser a prestação de cuidados diretos. orientar para rede de suporte social e de grupos de apoio. gestão de outros serviços. Este é um tempo oportuno para o ensino do familiar cuidador. de saúde e de relacionamento (questões de pudor ou outras). mas também à sua lucidez em ser capaz de avaliar as suas capacidades e todas as suas outras obrigações ou responsabilidades: a) O tempo que pode retirar ao emprego sem o perder ou o modo como gerir a conciliação entre trabalho e prestação de cuidados. aconselhamento e instilação de esperança. e de favorecer o seu melhor desempenho. As necessidades da família ou de pessoas significativas que prestam apoio e Assistência nos cuidados. os profissionais de saúde devem procurar compreender e avaliar as necessidades sentidas pelos familiares e criar condições para que a família e o utente possam verbalizar os seus sentimentos. informar. Os doentes que não têm visitas e se sentem isolados devem ter um maior apoio quer do pessoal de saúde. incluindo o suporte emocional. 5. tanto devido às suas próprias capacidades físicas.3. apoio na toma de medicação.As situações familiares mais complicadas onde existem conflitos entre os diferentes familiares e / ou amigos têm que ser ponderadas discreta e subtilmente pelos profissionais.Apoio A fim de aumentar o bem-estar do cuidador. ensinar. quer do pessoal voluntário devidamente preparado e enquadrado.

nomeadamente: nacionalidade e situação no País. nomeadamente sobre direitos e deveres. aos benefícios disponíveis. 38 de 51 | Ma n u al de F o rm aç ão . económico-financeira e socioprofissional ou escolar. língua. e ainda a rentabilização dos recursos de saúde e sociais próprios de cada Unidade de Internamento. transportes. às condições de vida após o internamento tendo em vista a preparação da alta: graus de autonomia física. tais como: subsídios na doença. pela centralidade que coloca na dimensão psicossocial do adoecer e do estar doente. vizinhança. internos e externos ao hospital. prestando informações. acesso à habitação. tem significado neste contexto. alimentação. como ao da articulação dos serviços. c) Os limites impostos à sua disponibilidade devido à hierarquização global das suas responsabilidades.1.  Apoio à adaptação à situação de doença e/ou dependência do doente.  Gestão de expectativas quanto ao tempo de internamento. 5. assegurando a ligação à rede de suporte ao doente e família:  Suporte emocional face à identificação e interpretação do doente e/ou família de perdas sofridas. isenções. religião. O desempenho destes profissionais desenvolve-se tanto ao nível do apoio psicossocial ao doente e família. facilitando a aceitação e capacitação para a superação das mesmas. a satisfação dos doentes e famílias. d) As modalidades e possibilidades de articulação entre cuidados formais e informais. visa a humanização e a qualidade dos cuidados.4. especificidades culturais. disponibilizando informação sobre direitos sociais.Informação A informação garantida ao próprio e seus familiares como preparação para o mais rápido regresso a casa possível. acompanhamentos. profissão. condições de  3 5 5 2 – P AT O LO G I AS E E F EI T O S P SI CO S SO C I AI S D E CO R R E NT ES D A H O SP I T ALI Z AÇ ÃO D A P E S SO A I D O S A Pág. etnia. habitação. A intervenção dos assistentes sociais nos serviços de internamento. mental. serviços voluntários.  Recolha de informação pertinente à preparação da alta e continuidade dos cuidados. escolaridade. situação profissional.  Apoio à integração do doente e/ou família nas unidades de internamento. local de residência. vida profissional/ escolar.

O serviço de apoio domiciliário garante a prestação de cuidados de enfermagem e médicos. Esta atividade tem sido igualmente potenciada por fatores que se prendem com o envelhecimento da população. 39 de 51 | Ma n u al de F o rm aç ão .apoio domiciliário Hoje. e o consequente aumento do número de indivíduos portadores de doença crónica ou.1. É desejável que. a população tem acesso a um amplo leque de informação. ainda. de carácter preventivo. que receberá a formação adequada para prestar os cuidados básicos no domicílio. Tem como finalidade assegurar a satisfação das suas necessidades e / ou as atividades da vida diária.2. núcleo familiar. levando a que. de preferência acompanhados de um documento escrito que o doente poderá consultar em sua casa. conviventes com ou sem possibilidade de serem identificados como familiar-cuidador. de acordo com a situação do doente e os condicionalismos do serviço. ainda durante o internamento.2. habitabilidade. O Apoio Domiciliário consiste na prestação de cuidados individualizados e personalizados a indivíduos e famílias na sua própria residência.O recurso a outros recursos da sociedade 5. por motivos de doença. com as altas hospitalares precoces. em algumas áreas. curativo e outros.  3 5 5 2 – P AT O LO G I AS E E F EI T O S P SI CO S SO C I AI S D E CO R R E NT ES D A H O SP I T ALI Z AÇ ÃO D A P E S SO A I D O S A Pág.1.1. bem como a prestação de apoio social indispensável à satisfação das necessidades básicas. 5.5. o Apoio Domiciliário. 5.1.O apoio extra-hospitalar 5. um familiar ou pessoa da escolha do doente.2. se integre na equipa prestadora de cuidados. por exemplo. deficiência ou impedimentos de outra ordem.Preparação/ensino Devem ser proporcionados os conhecimentos e informações essenciais aos prestadores de cuidados no domicílio. haja uma maior procura dos serviços como.

a prestar no domicílio. constituída por familiares. a qualidade de vida do indivíduo que necessita destes cuidados. uma das atividades básicas dos cuidados de saúde primários. mas que com frequência são claramente deficientes na sua capacidade de responder às necessidades qualitativas e quantitativas. esta rede informal tem vindo a reduzir-se. clientes e pessoas da comunidade. respondem a um direito de igualdade no acesso aos cuidados de saúde. integrada e multidisciplinar. e promovem atividades socioculturais e recreativas diversificadas. Os cuidados domiciliários. flexíveis. tendo como objetivo essencial a criação de condições mais favoráveis à manutenção das pessoas idosas no seu domicílio. o Centro de Dia é uma resposta que possibilita às pessoas novos relacionamentos e elos de ligação com o exterior. mas. Em sua substituição emergiram organizações privadas. A existência dos cuidados domiciliários reveste-se de grande importância. O centro de dia aparece como uma estrutura de apoio social fornecendo diversos serviços que dão respostas imediatas às carências socioeconómicas dos idosos. Favorecem as suas relações interpessoais a fim de evitar o isolamento. Simultaneamente. se não mesmo a desaparecer.2. levando a uma redução da sobrecarga hospitalar e promovendo. 40 de 51 | Ma n u al de F o rm aç ão . Por alterações demográficas e culturais. de familiares que assegurem esta função. No passado estas situações eram resolvidas através de uma rede informal. porque permite aos indivíduos permanecerem em suas casas enquanto tal for possível. através do estabelecimento de contactos com os colaboradores. em simultâneo. Os Centros de Dia como respostas sociais locais têm a sua área de influência maioritariamente a nível da freguesia. direito este contemplado pelo Sistema Nacional de Saúde. São cuidados caracterizados pela sua intervenção integral.  3 5 5 2 – P AT O LO G I AS E E F EI T O S P SI CO S SO C I AI S D E CO R R E NT ES D A H O SP I T ALI Z AÇ ÃO D A P E S SO A I D O S A Pág.1. acessíveis e articuladas. 5.Este tipo de serviço é praticado através de um conjunto de ações multidisciplinares. também. abrangentes. voluntários.2.Centro de dia Os centros de dia aparecem em meados dos anos setenta. donde a qualidade da intervenção dever ser uma exigência a ter em conta permanentemente na gestão desta Resposta Social. e que tipicamente não era contabilizada. de apoio social e de saúde.

participarem na gestão da Resposta Social. interesses. para criar um ambiente que facilite a interação. confidencialidade. dignidade.  Transmitir e garantir aos clientes um clima de segurança afetiva. igualdade de oportunidades. capacidades e competências. inseridos no seu meio social. torna-se necessário que resulte deste conjunto uma intervenção pautado por critérios de qualidade.1.  Compreender a individualidade e personalidade de cada cliente. sexuais dos clientes e/ou pessoas próximas. voluntários.  Respeitar o projeto de vida definido por cada cliente.  Respeitar as diferenças de género. coresponsabilizá-los no desenvolvimento de atividades/ ações no âmbito dos serviços prestados. culturais.Para que haja um aproveitamento das sinergias que se desenvolvem no contexto do Centro de Dia. física e psíquica durante a sua permanência na Resposta Social. 41 de 51 | Ma n u al de F o rm aç ão . autonomia. 5. a criatividade e a resolução de problemas por parte destes.2.3. p. participação. tendo em consideração as pessoas. individualidade. No entanto esta realidade nem sempre é possível.  Desenvolver os cuidados ao nível da qualidade das relações que o cliente vai estabelecer com todos os intervenientes (colaboradores internos e externos. de que se destacam os seguintes:  Garantir o exercício de cidadania e o acesso aos direitos humanos dos clientes. os colaboradores.  3 5 5 2 – P AT O LO G I AS E E F EI T O S P SI CO S SO C I AI S D E CO R R E NT ES D A H O SP I T ALI Z AÇ ÃO D A P E S SO A I D O S A Pág. entre outros). privacidade. expectativas. socioeconómicas. a estrutura e o funcionamento. para que os clientes possuam segurança e sentimento de pertença.Lar A política social de apoio aos idosos tem vindo a desenvolver medidas que visem a permanência destes na sua residência.  Estabelecer uma parceria e articulação estreita com o cliente e/ou pessoa(s) próxima(s). originando a necessidade de recorrer a lares. a fim de recolherem a informação necessária sobre as necessidades. assim como se sintam valorizadas para aderir ao processo de cuidados. bem como os seus hábitos de vida. religiosas.e. devido a falta de eficácia nos serviços de apoio. necessidades e expectativas.

Em relação aos aspectos jurídicos os lares podem ser lares oficiais. higiene e conforto.2. a avaliação da situação social e financeira do doente bem como a articulação com os outros serviços de saúde.2. fomentando o convívio e propiciando a animação social e a ocupação dos tempos livres dos utentes” (Despacho Normativo nº 12/98. Segurança Social. antes da alta hospitalar. principalmente os mais carenciados. Dada a importância da continuidade dos cuidados o doente tem direito a que o hospital em conjunto com o centro de saúde assegurem. de utilização temporária ou permanente. sendo que os oficiais e os particulares de solidariedade social são financiados pelo estado. Os idosos presentemente possuem estruturas sociais específicas criadas para lhes prestar auxílio. afastando-se simultaneamente da administração direta. A preparação cuidadosa da alta. Organizações Não Governamentais e Instituições Privadas de Solidariedade Social. Assim. deve iniciar-se o mais cedo possível e tendo em conta o conhecimento da situação socioeconómica (nomeadamente a habitacional e familiar)  3 5 5 2 – P AT O LO G I AS E E F EI T O S P SI CO S SO C I AI S D E CO R R E NT ES D A H O SP I T ALI Z AÇ ÃO D A P E S SO A I D O S A Pág.Nos dias de hoje a posição do idoso adquiriu autonomia e tratamento relativamente diferenciado. O lar de idosos é um estabelecimento onde são desenvolvidas: “Atividades de apoio social a pessoas idosas através de alojamento coletivo. 42 de 51 | Ma n u al de F o rm aç ão . contribuindo os idosos de acordo com as suas possibilidades / reformas. O Estado fornece apoio financeiro e fiscaliza no sentido de garantir uma boa prestação dos serviços e uma correta utilização dos apoios fornecidos. fornecimento de alimentação. cuidados de saúde. sendo os membros da família o elo fundamental na transição de cuidados hospitalares para casa. a continuação dos cuidados. 25-2-1998.767-774). Os lares continuam a alojar idosos. Os lares particulares de Solidariedade Social têm vindo a aumentar. estes vêm praticando mensalidades livres e muitos deles não se encontram devidamente legalizados.A alta médica e continuidade da prestação de cuidados A pessoa idosa na alta hospitalar poderá não se sentir completamente preparada para o regresso a casa ou incapacitada para o autocuidado. terão que ser realizados antes da alta. IPSS. p. 5. No que se refere aos lares privados. e lares privados com fins lucrativos. Existem diferenças na origem dos financiamentos nos vários tipos de lares.

Em complemento da avaliação feita inicialmente. garantidas. é necessário ter em conta as seguintes avaliações:  Tempo. frequência e irradiação de dor.  Localização. psíquico.  Atitude perante a morte. periodicamente. 5. onde ficam registadas as necessidades e o plano terapêutico.  Modelo de adaptação. uma avaliação das necessidades dos utentes e das respetivas famílias.tomam-se as medidas em consonância.  Necessidades da família/cuidadores informais. O doente e os seus familiares têm direito a ser informados das razões da transferência do doente de um nível técnico de cuidados para outro e a ser esclarecidos de que a continuidade e a qualidade dos cuidados ficam. Durante a consulta o médico deve fornecer informação sobre os fatores de risco.  Crenças e valores. incluindo o encaminhamento social e administrativo para a sua reintegração social.  Informação.1.2. disposições prévias. É de extrema importância a existência de um processo clínico individualizado. social e espiritual que devem ser avaliadas no momento da anamnese inicial e do exame físico geral e completo. para que se consigam estabelecer objetivos terapêuticos. 43 de 51 | Ma n u al de F o rm aç ão . bem como a monitorização e a avaliação dos ganhos em saúde.  Impacto físico e emocional da doença e tratamentos. intensidade. reforçando comportamentos que melhorem a saúde e procurando modificar aqueles que podem originar doenças.  Relacionamentos pessoais.  3 5 5 2 – P AT O LO G I AS E E F EI T O S P SI CO S SO C I AI S D E CO R R E NT ES D A H O SP I T ALI Z AÇ ÃO D A P E S SO A I D O S A Pág. deverá ser efetuada e registada.  Recursos sociais e familiares.2. no entanto. evolução e características básicas da doença. Para a concretização de um bom processo clínico.Consultas O utente e a família têm necessidades a nível físico.

No entanto. o médico deve ainda ter em atenção sinais indicativos de deterioração das capacidades cognitivas e do comportamento. a administração por via oral.Os principais fatores de risco que o médico deve avaliar e discutir com um paciente que tem mais de 65 anos são:  Polimedicação  Abuso de álcool  Tabagismo  Hábitos alimentares  Vida sedentária  Fatores associados a quedas  Ausência de suporte familiar e social Algumas das doenças cujo rastreio e tratamento pode originar ganhos em saúde:  Hipertensão arterial:  Hipercolesterolémia:  Cancro da mama (na mulher)  Diminuição da visão e audição  Cancro do cólon e reto  Cancro da próstata Nos exames de vigilância dos idosos.2. a alteração dos hábitos de vida com a passagem à reforma e perda do cônjuge são problemas importantes cuja abordagem pode ser feita nas consultas de vigilância. para aplicação de testes de despiste precoce da demência ou para diagnóstico da depressão. O médico deve estar disponível para discutir com o paciente todo o tipo de questões que afetam a sua saúde ou bem-estar.2.Medicação A administração de terapêutica é. essencialmente. um ato de enfermagem. além da aplicação tópica (pomadas.  3 5 5 2 – P AT O LO G I AS E E F EI T O S P SI CO S SO C I AI S D E CO R R E NT ES D A H O SP I T ALI Z AÇ ÃO D A P E S SO A I D O S A Pág. via rectal. 44 de 51 | Ma n u al de F o rm aç ão . No idoso.2. 5. a incontinência urinária. sob a orientação das/os enfermeiras/os e segundo a prescrição médica. as questões relacionadas com a sexualidade. gotas nos olhos e ouvidos) pode ser uma tarefa da família da pessoa idosa ou das/os técnicas/os de apoio á vida familiar.

5. existindo o perigo de engano. aconselhar a escolher uma hora que coincida com determinada atividade da vida diária.  Se a pessoa idosa for analfabeta. no que diz respeito às doses dos medicamentos. Não deve nunca experimentar medicamentos prescritos para outras pessoas. 45 de 51 | Ma n u al de F o rm aç ão . se não houver contraindicação. qual a melhor forma de ser o mais possível independente. dando informações no sentido da continuidade de cuidados.3. através da nota de alta.  3 5 5 2 – P AT O LO G I AS E E F EI T O S P SI CO S SO C I AI S D E CO R R E NT ES D A H O SP I T ALI Z AÇ ÃO D A P E S SO A I D O S A Pág. combinar com ela. contato telefónico prévio e envio da informação por fax ou por outra forma. para não se esquecer de os tomar.  Reforçar as instruções verbais com instruções escritas. neste capítulo deve incidir em:  Explicar à pessoa idosa para que servem os medicamentos que está a tomar (a sua ação). quando as suas faculdades mentais começarem a diminuir.2. duma forma simples e clara. Só deve ser substituído. incluem-se:  Uma ligação formal entre o hospital e a comunidade.  Articulação com outras instituições.2. O ensino à pessoa idosa. “O Projeto de Cuidados Continuados e Apoio Social” visa a criação de um modelo de intervenção articulada (Saúde/Ação Social).A pessoa idosa deve ser estimulada a tomar conta da sua medicação.  Articulação com os cuidados de saúde primários.Exames/tratamentos Das intervenções que devem ser implementadas para assegurar uma adequada transição do hospital para a comunidade. no tomar da medicação. que garanta a continuidade de cuidados.  Em relação aos horários de tomar os medicamentos. lares.  Sugerir á pessoa idosa que tenha as embalagens dos medicamentos sempre à vista. muito especialmente.  Alertar a pessoa idosa para os riscos que pode correr se não cumprir os ensinamentos feitos. com o envolvimento dos parceiros e o aproveitamento e racionalização dos recursos existentes. cuidados domiciliários ou outros.

46 de 51 | Ma n u al de F o rm aç ão . assentam em parcerias com a finalidade de contribuir para a melhoria da qualidade dos serviços prestados e são compostas por diversas entidades que participam em experiências piloto por todo o país.  Prioridade à permanência no meio habitual de vida.  Promoção da autonomia. garantir a qualidade de vida das pessoas em situação de dependência e o reforço das capacidades e competências das famílias e comunidade para gerir estas situações. é constituída pelo conjunto de instituições públicas ou privadas. Esta atividade deve desenvolver-se de acordo com os seguintes princípios definidos conjuntamente pelos Serviços de Saúde e Sociais:  Prevenção da dependência. com um número crescente de camas para os cuidados continuados.  Reforço das parcerias locais. que prestam cuidados continuados preferencialmente no local de residência do utente.  Coordenação das políticas de saúde e de ação social. mas também em instalações próprias quando tal não for possível.  Reconhecimento da dignidade e dos direitos sociais das pessoas em situação de dependência. A Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados. Os serviços prestados tanto por entidades públicas (hospitais e centros de saúde) como privadas (nomeadamente IPSS e Misericórdia). A prestação de cuidados continuados é assim assegurada da seguinte forma: Unidades de Internamento  Unidades de Convalescença (internamento até 30 dias)  Unidade de Média Duração e Reabilitação (internamento até 90 dias)  Unidade de Longa Duração e Manutenção (internamento superior a 90 dias)  Unidade de Cuidados Paliativos Unidades de Ambulatório  Unidades de Dia e de Promoção da Autonomia Equipas Hospitalares  Equipa de Gestão de Altas  3 5 5 2 – P AT O LO G I AS E E F EI T O S P SI CO S SO C I AI S D E CO R R E NT ES D A H O SP I T ALI Z AÇ ÃO D A P E S SO A I D O S A Pág.Tem como finalidade.

Em última análise. quando necessário. também após a alta.  3 5 5 2 – P AT O LO G I AS E E F EI T O S P SI CO S SO C I AI S D E CO R R E NT ES D A H O SP I T ALI Z AÇ ÃO D A P E S SO A I D O S A Pág. cabe aos Serviços de Saúde a responsabilidade de promover a acessibilidade e a qualidade na continuidade dos cuidados que prestam. Está provado por estudos efetuados. 47 de 51 | Ma n u al de F o rm aç ão . deverá favorecer satisfação de todas as dúvidas se o doente assim o solicitar.  Equipa Intra-Hospitalar de Suporte em Cuidados Paliativos Equipas Domiciliárias  Equipas de Cuidados Continuados Integrados  Equipas Comunitárias de Suporte em Cuidados Paliativos. após ter-lhe sido possibilitado o contacto telefónico. ou outra forma considerada. Após a alta hospitalar o enfermeiro / equipa de enfermagem ou pessoa referenciada para o efeito. que doentes informados recorrem menos após a alta aos serviços de saúde. devendo o enfermeiro / equipa de enfermagem disponibilizar-se para prestar todos e quaisquer esclarecimentos.

48 de 51 | Ma n u al de F o rm aç ão . PARTE 3 Conclusão Parte 3 .Conclusão  3 5 5 2 – P AT O LO G I AS E E F EI T O S P SI CO S SO C I AI S D E CO R R E NT ES D A H O SP I T ALI Z AÇ ÃO D A P E S SO A I D O S A Pág.

Concluímos que. Os indivíduos (principalmente os que acompanham uma doença ou mesmo doentes) têm de ser flexíveis às variações no curso da doença: do diagnóstico até à morte. ao longo do seu curso de vida. cultural. Cada idoso é um ser único que.Conclusão Ao longo da ação foram descritas as várias patologias e efeitos psicossociais decorrentes da hospitalização da pessoa idosa. foi e continua sendo influenciado por acontecimentos de ordem biológica. social. psicológica.  3 5 5 2 – P AT O LO G I AS E E F EI T O S P SI CO S SO C I AI S D E CO R R E NT ES D A H O SP I T ALI Z AÇ ÃO D A P E S SO A I D O S A Pág. o envelhecimento não ocorre de forma generalizada. É necessário que as pessoas sejam sensíveis ao impacto imposto pela incapacidade a longo prazo e para a doença com tratamento a vida toda. que interferem no seu modo de viver. 49 de 51 | Ma n u al de F o rm aç ão .

2006 Gonçalves. Ministério da Saúde/ Direcção-Geral de saúde AA VV. Ministério do trabalho e da segurança social. Centro Hospitalar de Coimbra.seg-social..pt  3 5 5 2 – P AT O LO G I AS E E F EI T O S P SI CO S SO C I AI S D E CO R R E NT ES D A H O SP I T ALI Z AÇ ÃO D A P E S SO A I D O S A Pág. 2002 AA VV.Bibliografia AA VV. Ed. Deolinda. 2008 Webgrafia  Ministério da saúde http://www.min-saude..pt  Segurança social http://www. Respostas sociais: nomenclaturas/ conceitos. Universidade Aberta. A preparação do regresso a casa da pessoa idosa hospitalizada. Manual da qualidade para a organização do atendimento dos utentes do serviço social. Carta de direitos do doente internado. 50 de 51 | Ma n u al de F o rm aç ão . Dissertação de Mestrado em Comunicação em Saúde.

Os direitos são cedidos pelo autor à Bestcenter para efeitos de reprodução e disponibilização aos formandos em frequência do curso de Patologia e efeitos psicossociais decorrentes da hospitalização da pessoa idosa.  3 5 5 2 – P AT O LO G I AS E E F EI T O S P SI CO S SO C I AI S D E CO R R E NT ES D A H O SP I T ALI Z AÇ ÃO D A P E S SO A I D O S A Pág. 51 de 51 | Ma n u al de F o rm aç ão .Nota Os conteúdos deste manual de formação são da exclusiva responsabilidade do/a formador/a Eva Gonçalves. As fontes mencionadas foram fornecidas pelo autor.