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PAULO LÉPORE

Professor de Direito Constitucional e Direito da Criança e do Adolescente. Pós-clo.-or em Direito pela Universidade Federal
de Santa Catarina- UFSC. Doutor em Serviço ~ocial pela Universidade Estadual Pau i;ta- UNESP. Doutorando em Direito p~la
Universidade de Coimbra. Mestre em Direitos Coletivos e Função Social do Direito oel.a Universidade de Ribeirão Preto- UNP.ERP.
Coordenador de Coleções e autor de diversos livros e artigos jurídicos. Advoga de•. Coordenador da Comissão de Direitos
lnfantoJuvenis da 12' Subseção da Ordem dos Advogados do Brasil do Estado de São Paulo- OAB-SP.

Contato: www.paulolepore.com.br I Facebook: Paulo Lépore ·lnotagram: @paulolepore

As questões de concursos para Cartório


e Delegado de Polícia Civil foram comemada; em
coautoria com
KERTON NASCIMENTO ECOSTA.
c
As questões de concursos para Procurador e M•Jnicípio
foram comentadas em coautoria corr
MAURICIO DA SILVA MIRANDA e
RAFAEL ASSED DE CASTRO
As questões de concursos para lnvestigadcr, Esc.rivão,
Agente, Inspetor de Polida Civil e Agente Penil:enciário
foram comentadas em coautoria c::>m
DENIS ORTIZ JORDAN I

DIREITO
CONSTITUCIONAL

3a edição
Revista, ampliada e atualizada
2016

EDITORA
)i.tsPODIVM
v.ww.editorajuspodivm.com.br
EDITORA
JusPODIVM
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Cor,selho Editorial: Eduardo Viana Portela Neves, Dirley da Cunha Jr., Leonardo de Medeiros Garcia, Fredie
Di c er Jr., José Henrique Mouta, José Marcelo Vigliar, Marcos Ehrhardt Júnior, Nestor Távora, Robério Nunes
Filh:::, Roberval Rocha Ferreira Filho, Rodolfo Pamplona Filho, Rodrigo Reis Mazzei e Rogério Sanches Cunha.

Capa: Rene Bueno e Daniela Jardim (www.buenojardim.com.br)

T"dos os direitos desta edição reservados à Edições JusPODIVM.


t t=rminantemente proibida a reprodução total ou parcial desta obra, por qualquer meio ou processo,
s-=-m a expressa autorização do autor e da Edições JusPODIVM. A violação dos direitos autorais caracteriza
cri11e descrito na legislação em vigor, sem prejuízo das sanções civis cabíveis.
~-
I Apresentação da
'b==Co=l=eç=ã=o=R=ev=is=a=ço=

"REVISAÇO" é a consagrada coleção de questões comentadas da Editora Juspodivm.


Com cuidado, pensamos num formato que fosse além dos comentários das questões. Algo que real-
mente pudesse ajudar o aluno no estudo de concursos ou Exames de Ordem, principalmente na revisão
final.

Para isso, estabelecemos a seguinte estrutura diidática:


Questões divididas por matéria e assunto, comentadas assertiva por assertiva, item por item,
demonstrando tanto o que está certo como o que está errado na questão;
Sempre que possível, há uma "nota do autor" em cada questão trazendo comentários que vão além
do assunto abordado no exercício.

Ao final das disciplinas apresentamos:


Dicas de estudo, funcionando como verdadeiro resumo da matéria;
Súmulas dos Tribunais Superiores;
Informativos do STF, STJ e TST;
Orientações Jurisprudenciais.

A ideia, portanto, é apresentar a prática do concurso ou Exame da Ordem (questões), a doutrina


para estudo (dicas) e a jurisprudência (súmulas e informativos), formando a tríade necessária para uma
revisão (verdadeiro REVISAÇO!) rumo ao sucesso na aprovação.
Vários livros compõem a coleção e, para todos, chamamos grandes nomes, professores experientes,
profissionais de destaque e especialistas em cada área para que organizassem as obras e comentassem
as questões.
Acreditamos que essa coleção será bastante útil aos candidatos de concursos públicos e Exame de
Ordem.

EDITORA JUSPODIVM
www.editorajuspodivm.com.br
(Sumário

CAPITULO 1- TEORIA DA CONSTITUIÇÃO EDAS 11.9. Quanto ao Valor ou Ontolog a (Karl


NORMAS CONSTITUCIONAIS ......................... .. 11 Loewestein): ............................................ . 118
12. Elementos das Constituições................................. 118
+ QUESTÕES ................................................. 11
1.1. Constitucionalismo e história das 13. Bloco de Constitucionalidade ................ -············· 118
Constituições............................................................. 11 14. Convenções Constitucionais: ................ -............. 119
1.2. Conceito e concepções de Constituição............ 25 15. Normas, Postulados Normativos, Princípio e
1.3. Classificação das Constituições............................. 32 Regras.......................................................................... 119
16. Colisão de Direitos Fundamentais:...................... 119
1.4. Elementos da Constituição..................................... 52
17. Classificação das Normas Constitucionais
1.5. Componentes da Constituição: preâmbulo,
quanto à Eficácia..................................................... 119
corpo ou articulado e ADCT................................ 55
18. Métodos de Interpretação Constitucional........ 120
1.6. Teoria da norma constitucional: postulados
normativos, princípios e regras.......................... 59 19. Leitura Moral da Constituição:.............................. 120

1.7. Interpretação, eficácia e aplicabilidade das 20. Princípios de Interpretação Constitucional...... 121
normas constitucionais......................................... 68 20.1. Princípios Enunciados por Canotilho... 121
1.8. Princípios de interpretação constitucional....... 92 20.2. Outros Princípios......................................... 121
1.9. Métodos de interpretação constitucional......... 105 21. Classificação dos princípios cons:itJCionais
+ DICAS (RESUMO)...................................... 115 segundo José Afonso da Silva............. 121
1. Constitucionalismo....................................................... 115
2. Constitucionalismo Primitivo (aproximadamente CAPITULO 11- PODER CONSTITUINTE E
de30.000a.C.até 1.000a.c)..................................... 115 DIREITO CONSTITUCIONAL INTERTEMPORAL ... 123
3. Constitucionalismo Antigo (aproximadamente + QUESTÕES................................................. 123
de 1.000 a.c. ao Séc. V d.c.)................................... 115 11.1. ldeia ou teoria clássica do poder constituinte 123
4. Constitucionalismo Medieval (Séc. V a XVIII)...... 115 11.2. Poder constituinte originário/genuíno/
primário/de primeiro grau.................................. 126
5. Constitucionalismo Moderno (Séc. XVIII a
Séc. XX).................................................................... 115 11.3. Poder constituinte derivado reformador/
de reforma/secundário/de segundo grau/
6. Constitucionalismo Contemporâneo (Séc. XX a
instituído ou constituído.................................... 129
Séc. XXI):..................................................................... 115
11.3.1. Limites ao poder ccnstituin:e
7. Neoconstitucionalismo (Séc. XX e Séc. XXI) ....... 116
derivado reformador..... 130
8. Concepções de Constituição.................................... 116
11.4. Revisão constitucional....................... 148
9. Supremacia Constitucional: ..................................... 116
11.5. Mutação constitucional.................. 148
10. Preâmbulo:.................................................................... 117
11.6. Poder constituinte derivado decorrente......... 152
11. Classificação das Constituições............................. 117
11.7. Direito constitucional intertemporal:
11.1. Quanto à Origem.......................................... 117 revogação, recepção, repristinação e
desconstitucionalização ................. .. 158
11.2. Quanto ao Conteúdo;................................ 117
+ DICAS (RESUMO)...................................... 171
11.3. Quanto à Forma:.......................................... 117 1. Poder Constituinte.................................. 171
11.4. Quanto à Estabilidade............................... 117 2. Direito constitucional intertempora ..................... 173
11.5. Quanto à Extensão:..................................... 118
11.6. Quanto à Finalidade: ..................................
CAPITULO 111- PRINCIPIOS FUNDAMENTAIS .. .. 175
118
11.7. Quanto ao Modo de Elaboração: ........... 118
+ QUESTÕES ................................................ . 175
111.1. Fundamentos da República Feder3tiva do
11.8. Quanto à Ideologia: .................................... 118 Brasil ...................................................... . 175
Revisaço- Direito Constitucional • Paulo lépore
--------~-------- -----~~-

111.2. Separação dos Poderes.......................................... 194 Vll.3. Capacidade eleitoral passiva e


111.3. Objetivos fundamentais........................................ 199 inelegibilidades........................................................ 567

111.4. Princípios que regem a República VIlA. Ação de impugnação do mandato eletivo.... 588
Federativa do Brasil em suas relações Vll.5. Cassação, perda e suspensão dos direitos
internacionais........................................................... 201 políticos....................................................................... 591
+ DICAS......................................................... 209 Vll.6. Princípio da anterioridade ou anualidade
eleitoral........................................................................ 593
CAPÍTULO IV- DIREITOS E Vll.7. Partidos políticos..................................................... 596
GARANTIAS FUNDAMENTAIS........................... 211 + DICAS (RESUMO)...................................... 598
+ QUESTÕES................................................. 211
IV.1. Teoria dos direitos fundamentais....................... 211 CAPÍTULO VIII -ORGANIZAÇÃO POLÍTICO
IV.2. Direitos e deveres individuais e c-:>letivos....... 247 ADMINISTRATIVA.......................................... 603
IV.3. Ações ou remédios constitucionais................... 396 + QUESTÕES................................................. 603
IV.3.1. Habeas corpus.............................................. 196 Vlll.1 Entes Federados...................................................... 603
Vlll.2. Distribuição de competências.......................... 650
IV.3.2. Mandado de segurança indivicual.... 408
Vlll.3. Intervenção.............................................................. 721
IV.3.3. Mandado de segurança coletivo........ 421
+ DICAS (RESUMO)...................................... 749
IV.3.4. Mandado de injunção............................. 431 + SÚMULAS APLICÁVEIS............................ 756
IV.3.5. Habeas data................................................ 441 + INFORMATIVOS APLICÁVEIS.................. 756

IV.3.6. Ação popular.............................................. 449


CAPÍTULO IX- ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA,...... 761
+ DICAS (RESUMO)...................................... 460
1. direitos e garantias fundamentais.......................... 460 + QUESTÕES................................................. 761
IX.1. Princípios constitucionais...................................... 761
+ SÚMULAS APLICÁVEIS............................ 481
+ INFORMATIVOS APLICÁVEIS.................. 483 IX.2. Organização da Administração Pública e
direitos dos servidores públicos........................ 770
CAPÍTULO V- DIREITOS SOCIAIS •...• -·····-······· 487 IX.3. Improbidade administrativa................................ 820
+ QUESTÕES................................................. 487 IX A. Responsabilidade do Estado e ilícitos que
V.l. Teoria geral................................................................... 487 causem prejuízo ao erário.................................... 821
V.2. Direitos sociais do art. 6° da CF............................. 492 + DICAS (RESUMO) .................................... .. 826
V.3. Direitos dos trabalhadores urbanos e rurais... 496
+ SÚMULAS APLICÁVEIS ........................... . 831

V.4. Associação profissional ou sindical e direito CAPÍTULO X- SEPARAÇÃO DOS PODERES........ 833
de greve....................................................................... 507
+ QUESTÕES................................................. 833
+ DICAS (RESUMO)...................................... 514
X.1. Poder Legislativo........................................................ 833

CAPÍTULO VI- DIREITOS DA NACIONALIDADE. 519 X.1.1. Legislativo da União.................................. 833


+ QUESTÕES ............................................... .. 519 X.l.l.l. Organização e
Vl.l. Nacionalidade brasileira: brasileiro nato e funcionamento do
naturalizado............................................................... 519 Congresso NacionaL.................. 833
V1.2. Distinção de tratamento e cargos privativos x.l.1.2. Formas de manifestação
de brasileiro nato..................................................... 535 do Legislativo da União ou
federal............................................. 841
Vl.3. Perda da nacionalidade......................................... 541
X.1.1.3.Comissões...................................... 861
VIA. Extradição.................................................................. 545
X.1.1.4.1munidades, prerrogativas,
+ DICAS (RESUMO)...................................... 553
impedimentos/
incompatibilidades e
CAPÍTULO VIl- DIREITOS perda de mandato dos
POLÍTICOS ESISTEMAS ELEITORAIS................. 557 Parlamentares.............................. 877
+ QUESTÕES................................................. 557 X.l.l.5. Processo legislativo da União
Vll.l. Conceitos fundamentais: democracia, ou federal...................................... 900
sufrágio, voto, sistemas eleitorais, plebiscito, X.1.1.5.1. Processo legislativo
referendo e iniciativa popular de lei................. 557
ordinário ou
Vil.2. Capacidade eleitoral ativa.................................. 562 comum......................... 900
Sumário
I~
X.1.1.5.2. Processo legislativo X.3.2. Estatuto da Magistratura, princípios,
sumário ou prerrogativas e garantias
abreviado.................... 931 constitucionais........................................ 1148
X.l.l.5.3. Processo legislativo X.3.3. Precatórios................................................... 1172
especial de lei
delegada..................... 932
+ DICAS (RESUMO)...................................... 1176
1. Separação dos Poderes............................................... 1176
X.1.1.5.4. Processo legislativo
2. Poder Legislativo........................................................... 1176
especial de
decretos legislativo 3.1munidades...................................................................... 1177
e resoluções............... 938 4. Comissão Parlamentar de Inquérito- CPI........... 1178
X.l.1.5.5. Processo 5. Tribunal de Contas........................................................ 1180
legislativo especial 6. Processo Legislativo..................................................... 1181
de emendas 7. Poder Executivo ............................................................. 1183
constitucionais......... 938
8. Poder Judiciário............................................................. 1186
X.1.1.5.6. Processo legislativo
9. Conselho Nacional de Justiça- CNJ....................... 1191
especial de medidas
provisórias.................. 949 10. Súmula vinculante...................................................... 1193
X.1.1.6. Fiscalização contábil, + INFORMATIVOS APLICAVEIS .................. 1193
financeira e orçamentária
do Legislativo da União ou CAPITULO XI- FUNÇÕES ESSENCIAIS A
federal............................................. 970 JUSTIÇA........................................................ 1199
X.1.2. Legislativo dos Estados, do Distrito + QUESTÕES................................................. 1199
Federal e dos Municípios.................... 986 Xl.l. Ministério Público..................................................... 1199
X.2. Poder Executivo......................................................... 994 Xl.2. Advocacia Pública.................................................... 1230
Xl.3. Advocacia.................................................................... 1236
X.2.1. Executivo da União ou federal.............. 994
X1.4. Defensoria Pública................................................... 1238
X.2.1.1. Eleição, posse e linha
sucessória do Presidente da + DICAS (RESUMO)...................................... 1249
República....................................... 994 1. Ministério Público.......................................................... 1249

X.2.1.2. Atribuições do Presidente da 2. Advocacia Pública......................................................... 1253


República....................................... 1004 3. Advocacia......................................................................... 1253
X.2.1.3.1munidades e 4. Defensoria Pública........................................................ 1253
responsabilidade do + SÚMULAS APLICAVEIS ............................ 1254
Presidente da República.......... 1025 + INFORMATIVOS APLICAVEIS .................. 1254
X.2.2. Ministros de Estado, Conselho da
CAPITULO XII- CONTROLE DE
República e Conselho de Defesa
CONSTITUCIONALIDADE ................................. 1257
Nacional ................................................... . 1035
+ QUESTÕES................................................. 1257
X.2.3. Executivo dos Estados-membros, do
Xll.l. Formas de inconstitucionalidade...................... 1257
Distrito Federal e dos Municípios.... 1039
Xl1.2. História do controle de constitucionalidade 1260
X.3. Poder Judiciário......................................................... 1043
Xll.3. Controle não-jurisdicional................................... 1262
X.3.1 Organização do Poder Judiciário......... 1043 Xll.4. Controle Difuso........................................................ 1267
X.3.1.1. STF..................................................... 1045 Xll.5. Controle Concentrado.......................................... 1302
X.3.1.1.1. Súmula Vinculante ... 1065 Xll.5.1. Ação Direta de
X.3.1.2. CNJ .................................................. . 1085 Inconstitucionalidade (ADI) por
X.3.1.3. STJ .................................................. .. 1112 ação ............................................................ . 1302
X.3.1.4. TRFs e juízes federais................. 1125 Xll.5.2. Ação Direta de
X.3.1.5. TST, TRTs e juízes do trabalho 1131 Inconstitucionalidade (ADI) por
X.3.1.6. TSE, TREs e juízes eleitorais..... 1138 omissão...................................................... 1368
X.3.1.7. STM, TMs e juízes militares. Xll.5.3. Ação Direta de
TJs e juízes estaduais e do Inconstitucionalidade (ADI)
Distrito Federal............................ 1142 lnterventiva .............................................. 1374
Revisaço- Direito Constitucional • Paulo Lépore

XII.S.4. Ação Declaratória de CAPiTULO XIII- DEFESA DO ESTADO EDAS


Constitucionalidade (ADC)................. 137S INSTITUIÇÕES DEMOCRÁTICAS........................ 1459
XII.S.S. Arguição de Descumprimento de + QUESTÕES................................................. 1459
Preceito Fundamental (ADPF)........... 138S Xlll.1. Estado de defesa e Estado de sítio.................. 1459
XII.S.6. Controle Concentrado em âmbito Xll1.2. Forças Armadas...................................................... 1471
estadual..................................................... 1410 Xll1.3. Segurança Pública................................................. 1473
Xll.6. Temas especiais de controle de + DICAS (RESUMO)...................................... 1486
constitucionalidade................................................ 1420
Xll.6.1. Bloco de constitucionalidade e
CAPiTULO XIV- TRIBUTAÇÃO EORÇAMENTO... 1487
controle de norma interposta........... 1420 + QUESTÕES................................................. 1487
XIV.1. Princípios gerais...................................................... 1487
Xl\.6.2.1nconstitucionalidade
XIV.2. Limitações ao poder de tributar...................... 1494
superveniente......................................... 1422
XIV.3. Impostos................................................................... 1501
Xl\.6.3. Inconstitucionalidade por
XIV.4. Repartição das receitas tributárias.................. 1504
arrastamento ou atração e a teoria
XIV.5. Finanças Públicas................................................... 1506
da divisibilidade da lei.......................... 1424
XIV.6. Orçamentos............................................................. 1508
Xl\.6.4. Interpretação conforme a
+ DICAS (RESUMO)...................................... 1516
Constituição e declaração de
+ SÚMULAS APLICÁVEIS............................ 1517
nulidade ou inconstitucionalidade
sem redução de texto........................... 1426 CAPITULO XV- ORDEM ECONÔMICA E
XII.6.S. Efeito repristinatório.............................. 1436 FINANCEIRA.................................................. 1519
Xll.6.6. Teoria da transcendência dos + QUESTÕES.................................................
1519
motivos determinantes....................... 1439 XV.1. Princípios gerais da atividade econômica..... 1519
+ DICAS (RESUMO)...................................... 1440 XV.2. Política urbana......................................................... 1540
1. Controle de Constitucionalidade............................ 1440 XV.3. Polícia agrícola e fundiária e da reforma
2. Bloco de constitucionalidade................................... 1440 agrária.......................................................................... 1546

3. Evolução do controle de constitucionalidade + DICAS (RESUMO) .................................... .. 1552


no Brasil........ .......................................... .. 1440
CAPiTULO XVI -ORDEM SOCIAL. ................... .. 1555
4. Formas de inconstitucionalidade ......................... . 1441
S. Controle prévio ou preventivo ............................... . 1441
+ QUESTÕES................................................. 1555
XV\.1. Seguridade social.................................................. 1SS6
6. Controle posterior ou repressivo .......................... . 1441
XV\.2. Educação, cultura e desporto........................... 1577
7. Controle jurisdicional .................................... .. 1441
XVI.3. Ciência, tecnologia, inovação e
8. Controle difuso .. . ....... ............. ......................... 1442 comunicação social................................................ 1S93
9. Controle concentrado ............................................... . 1445 XVI.4. Meio ambiente....................................................... 1S96
10.ADI .................. . 1448 XVI.S. Família, Criança, adolescente, jovem e idoso. 1601
11. ADC.. ................ . 1451 XV\.6. [ndio ........................................................................... 1608
12. ADI por omissão 1452 + DICAS (RESUMO)...................................... 1615
13. ADI interventivil ...... . 1452 + INFORMATIVOS APLICÁVEIS.................. 1618

14.ADPF .............. . 14S2


CAPITULO XVII- DISPOSIÇÕES
1S. Controle concentrado estadual. .......................... . 14S4
CONSTITUCIONAIS GERAIS ............................ .. 1619
16. Reclamação Constitucional. ................................ . 1454
+ QUESTÕES ................................................ . 1619
17. Hermenêutica no controle de + DICAS (RESUMO) .................................... .. 1622
constitucionalidade ......... . 1455
+ SÚMULAS APLICÁVEIS............................ 14S8 CAPiTULO XVIII -ADCT.................................. 1623
Capítulo I -Teoria da
Constituição e das Normas
Constitucionais

rar direitos e coibir o arb trio, mediante a separação do~


poderes. Chamado de Constitucionalismo Modernc
+QUESTÕES (Séc. XVIII ao Séc. XX) configurou-se pela materializa-
ção e afirmação das Con;tituições Formais Liberais, que
1.1. CONSTITUCIONALISMO E representavam garantias sérias de limitação dos Podere~.
Soberanos, e eram dotadas de legitimidade democréticc
HISTÓRIA DAS CONSTITUIÇÕES popular. Desenvolveu-se à partir das revoluçõe5 liberai~.
(Revolução Francesa e Revolução das 13 Colõn:as Esta-

* PROCURADOR DO ESTADO
dunidenses). Representou o início do garantismo e o sur-
gimento das primeiras Constituições dirigentes.
Alternativa "b": o Constitucionalismo Moderno
(Fundatec- Procurador do Estado- RS/2015) O movi- (Séc. XVIII a Séc. XX) incorreu na materialização e afir-
mento do constitucionalismo surgiu mação das Constituições Formais Liberais, que repre·
sentavam garantias sérias de limitação dos Poderes
A) no final do século XVIII, com a elaboração das pri-
Soberanos, e eram dotacas de legitimidade democrática
meiras constituições escritas, com o objetivo de
popular. Desenvolveu-se- à partir das revoluções liberai'
assegurar direitos e coibir o arbítrio, mediante a
(Revolução Francesa e Revolução das 13 Colônias Esta·
separação dos poderes.
dunidenses). Representou o início do garantismo e o
B) no início do século XX, com a emergência das consti- surgimento das primeiras Constituições dirigentes. Já o
tuições sociais, com o objetivo de assegurar a igual- Constitucionalismo Contemporâneo (Séc. XX a Séc. XXI:·
dade social, em face do flagelo da la Guerra Mundial. caracteriza-se pela cons:Jiidação da existência de Cons-
C) em meados do século XX, com a emergência do tituições garantistas, cõlcadas na defesa dos direito;
pós-positivismo, com o objetivo de assegurar o fundamentais igualitárieos, sociais e solidários. As dispo-
princípio da dignidade humana e a proteção de sições constantes nas Constituições têm 'eafirmada sua
direitos. força normativa destacada em relação às prescrições de
outras fontes jurídicas (l2is e atos estatais). Esse período
D) no final do século XX, com a emergência das constitui- é marcado pelas constiêuições dirigentes, que prescre-
ções pós-sociais, com o objetivo de reduzir o alcance vem programas a sererr implementados pelos Estado,.,
do Estado, em nome do princípio da eficiência. normalmente por meio de normas programáticas. Vai-=
E) no final do século XVII, com a elaboração das pri- destacar que esse períojo acabou manchado por algu·
meiras constituições escritas, com o objetivo de mas constituições criad 35 apenas para justificar o exer-
assegurar liberdades e coibir o arbítrio, mediante a cício de um Poder não cemocrático, a exemplo da Cart3
cláusula federativa. Polaca de 1937, que sus:tentou a Era Vargas no Brasil, 2
que faz parte do que SE denomina constitucionalism·:J
semântico, uma vez que se busca extrair da Constituiçã :J
apenas os significados que possam reconhecer a tor1ad3
Alternativa correta: letra "a" (responde também
e manutenção de Poder por regimes autoritários.
a alternativa "e"): o movimento do constitucionalismo
surgiu, no final do século XVIII, com a elaboração das pri- Alternativa "c" (responde também a alternativa
meiras constituições escritas, com o objetivo de assegu- "d"): o movimento de constitucionalismo surgiu, n:J
[12\ ____
R_evisaço- Direito Constitucional• Paulo Lépore

final do sécu:o )<<,com o que se convém chamar consti-


tucionalismo contemporâneo. Ele caracteriza-se pela
consolidação da existÊ-ncia de Constituições garantfstas, Certo. A partir de 1945 o Partido Comunista Brasi-
calcadas na defesa dJs dire·tos fundamentais igualitá- leiro- PCB ganhou muita força política no país, o que
rios, sociais e solidari:õs. As disposições constantes nas culminou na participação de alguns de seus membros
Constituições tê TI reafirmada sua força normativa des- na Assembleia Constituinte de 1946.
tacada em relaç3o 3s prescrições de outras fontes jurí-
dicas (leis e atoo. estatais). Esse período é marcado pelas Coerente com os processos decorrentes da Revolução
constituiçõe; d'cigE:n:es, que prescrevem programas a de 1930, a Constituição âe 1934 contemplou a eleição,
serem imp <'!menta dos pelos Estados, normalmente por pelo voto direto e secreto, de todos os integrantes das
meio de norma; pr.::>gramáticas. Vale destacar que esse casas legislativas.
período aca~ou mm·:hado por algumas constituições
criadas apenas pan . JStificar o exercício de um Poder
não demo:rátio, a exemplo da Carta Polaca de 1937,
HI.I!Jiibai·LlP
Errado. De acordo com a Constituição de 1934, os
que sustertcu a Era \'~rgas no Brasil, e que faz parte do
que se denJm 1a coostitucionalismo semântico, uma Deputados eram eleitos tanto por meio de voto direito
quanto de modo indireto, via organizações profissio-
vez que se busca ext·air da Constituição apenas os sig-
nais, o que se chamava de representação classista.
nificados que ~os'.an reconhecer a tomada e manu-
tenção de Pode· por regimes autoritários. Vale destacar
também o reoconst :ucionalsmo (Séc. XX e Séc. XXI), A Constituição de 1937 dissolveu a Câmara dos Deputa-
como um aJrimoramento de Constitucionalismo Con- dos, o Senado Federal, as assembleias legislativas e as
temporâneo, p~ga a import.lncia destacada da moral câmaras municipais.
e dos valores 50ci~is, garantidos predominantemente
por meio de prirKípio5. Não se conforma com as normas UDJLILD
programáticas e ao constituições dirigentes, afirmando
Certo. A Constituição de 1937, apelidada de Polaca,
que as Constituil;ões -:levem ser dotadas de força norma-
por ter sido inspirada na Carta Polonesa, continha idei as
tiva. Para conferir normatividade aConstituição, destaca autoritárias e fascistas, impondo, dentre outros medi-
o Poder Judiciário como garantidor, colocando a ativi-
das, a dissolução do Congresso Nacional.
dade legislativ<. err segundo plano. Em resumo: trabalha
com a ideia de Extração da maxima efetividade do Texto
Constitucional, pois ;, Constituição deve ocupar o cen- (FCC- Procurador do Estado- SP/2011) A Constitui-
tro do sist:ma jurídio. Segundo Ana Paula de Barcellos ção de 16 de julho de 1934 é considerada o marco ini-
("Neoconsritucic.nmisr;w, Direitos Fundamentais e Politi cas cial do constitucionalismo social-democrático no Brasil,
Públicas", :lispooível em www.mundojuridico.adv.br), o nela estando presentes a introdução e a reconfiguração
Neoconstrtucic 1alisno tem as seguintes características: de institutos com o objetivo de conferir maior eficiência
1. Do ponto de vis<:a metodológico-formal: a) Nor- à ação estatal. Nesse sentido:
matividade da ·:onsl tuição: todas as disposições cons- a) adotou-se nova disciplina para o habeas corpus e
titucionais são ncrrr.as jurídicas; b) Superioridade da para o exercício do poder regulamentar.
Constituição sobre c restante da ordem jurídica: o que
b) extinguiu-se a Justiça Federal e introduziu-se a téc-
se dá por meic de constituições rígidas; c) Centralidade
nica de repartição vertical da competência legisla-
da Constituiçãc ncs ~istemas jurídicos: os demais ramos
tiva.
dos Direit:>s deJen ,;er compreendidos e interpretados
a partir do que disp:Se a Constituição. 2. Do ponto de c) introduziu-se o controle abstrato de normas e o
vista matl!f"ial a) Incorporação explícita de valores e veto presidencial.
opções pol"ticas noo textos constitucionais, sobretudo d) outorgou-se ao Presidente da República autoriza-
no que diz respeito 3 promoção da dignidade humana ção para expedir decretos-leis e criou-se o man-
e dos direit~s run:la 11enta<s; b) Expansão de conflitos dado de segurança.
especificas e gérai; entre as c·pções normativas e filosó-
ficas existente, dent·o do próprio sistema constitucio- e) atenuou-se o bicameralismo do Poder Legislativo e
nal: envol~e as co:isc:s reais e aparentes entre regras e atribuiu-se certa europeização ao sistema de con-
princípios (o:onflitc-s :specificos) e o papel da Constitui- trole de constitucionalidade.
ção (cont:ito gerar. Esse conflito geral sobre o papel da
constituiçãc· di••ide c; autores em duas correntes.
O Nota do Autor: a questão tem alto nível de
(CESPE - Procurador do Estado - DF/ 2013) Consi- dificuldade, pois exige que o candidato domine as
derando a :vc ução constitLcional do Brasil, julgue os principais características das Constituições brasileiras.
itens a se~ ui r. Perguntas desse tipo são comuns, de modo que o can-
didato deve estudar o tema com afinco.
A Assembleia Na:icnal Corstituinte de 1946 contou Alternativa correta: letra "e": na Constituição de
com a pa·ticip;ção d~ representantes comunistas. 1934 atenuou-se o bicameralismo do Poder Legisla-
Capítulo I -Teoria da Constituição e das Normas Constitucionais

tivo, pois a função legislativa precípua cabia à Câmara d) o exercício do controle de constitucionalidade pelo
dos Deputados, e o Senado Federal atuava como mero Poder Judiciário somente foi permitido no Brasil a
órgão colaborador (SILVA, José Afonso da. Curso de partir da criação da representação interventiva pela
Direito Constitucional Positivo. 6 ed. 1990, p. 73) e atri- Constituição de 1946.
buiu-se certa europeização ao sistema de controle de. e) o bicameralismo no Poder Legislativo brasileiro
constitucionalidade, mormente pela criação da repre- foi instituído apenas com a Constituição de 1946,
sentação interventiva, confiada ao Procurador Geral como modo de assegurara participação dos Esta-
da República e sujeita à competência do Supremo dos- membros no processo legislativo federal.
Tribunal Federal, nas hipóteses de ofensa, pelos Esta-
dos-membros, aos princípios consagrados no art. r,
I, alíneas"a"e"h" da Constituição, os ditos princípios
constitucionais sensíveis. Essa ação direta interventiva Alternativa correta: letra "b": a primeira Cons-
representou o primeiro passo para o desenvolvimento, tituição brasileira que previu a forma federativa de
entre nós, do controle "europeu" ou "concentrado" de Estado foi a de 1891 (que junto com o federalismo, tam-
constitucionalidade (CUNHA JÚNIOR, Dirley da. Curso de bém instituiu a República), ainda que não se tenha, na
Direito Constitucional. 6 ed. Salvador: Juspodivm, 2012, ocasião, garantido aos Municípios autonomia de ente
p. 308). federativo, que somente se materializou na Constitui-
ção Federal de 1988.
Alternathta "a": a expressa previsão constitucio-
nal da nova disciplina para o habeas corpus ocorreu na Alternativa "a": desde a primeira Constituição
Constituição de 1891 (não na de 1934). brasileira, em 1824, há previsão expressa de direitos
fundamentais. Assim, a Constituição de 1988 não foi a
Alternativa "b": em 1934 foi estruturada (e não primeira a trazer tais direitos.
extinta) a Justiça Federal, com a previsão dos Juízes e
Tribunais Federais. Alternativa "c": o Supremo Tribunal Federal foi
previsto expressamente pela primeira vez na Consti-
Alternativa "c": a Constituição de 1934 apresen- tuição de 1891, sendo que a Constituição de 1946, por
tou-se como a primeira fonte do controle concentrado, meio da EC no 16/65, instituiu aquele mecanismo que
com a previsão da representação interventiva. Mas, o pode ser entendido como o embrião da Ação Direta
controle abstrato de normas somente se materializou de Inconstitucionalidade, qual seja: a representação de
na Constituição de 1946 (mais precisamente a partir inconstitucionalidade.
da emenda constitucional no 16, de 26 de novembro
de 1965), com a criação da representação de inconsti- Alternativa "d": desde a Constituição de 1891 já
era possível ao Judiciário o exercício do controle de
tucionalidade que, diferentemente da representação
constitucionalidade, mas unicamente na forma difusa.
interventiva, não tinha como pressuposto um conflito
A Constituição de 1934 apresentou-se como a primeira
entre União e Estado-Membro e posterior intervenção
fonte do controle concentrado, com a previsão da repre-
federal, pois poderia ser ajuizada para simples controle
sentação interventiva. Mas, o controle abstrato de nor-
abstrato de constitucionalidade de uma norma. Já o ins-
mas somente se materializou na Constituição de 1946
tituto do veto foi previsto pela primeira vez na Consti-
(mais precisamente a partir da emenda constitucional
tuição de 1891, consoante lição de Alexandre de Moraes
no 16, de 26 de novembro de 1965), com a criação da
(Presidencialismo. São Paulo: Atlas, 2004, p. 192).
representação de inconstitucionalidade que, diferente-
Alternativa "d": a outorga de autorização ao Pre- mente da representação interventiva, não tinha como
sidente da República para expedir decretos-leis se deu pressuposto um conflito entre União e Estado-Membro
na Constituição de 1937, que instituiu o Estado Novo e posterior intervenção federal, pois poderia ser ajui-
de Getúlio Vargas. Ja o mandado de segurança, de fato, zada para simples controle abstrato de constitucionali-
foi previsto pela primeira vez, na Constituição de 1934. dade de uma norma.
Alternativa "e": o bicameralismo do Poder Legis-
(FCC- Procurador do Estado - AM I 2010) Conside- lativo não foi introduzido apenas com a Constituição de
rando a história do constitucionalismo brasileiro, é cor- 1946, pois esta somente foi responsável pelo retorno
reto afirmar que: ao bicameralismo igual, que havia sido suprimido
a) a primeira Constituição brasileira que previu quando em vigor a Constituição de 1934, momento em
expressamente direitos fundamentais foi a de 1988. que vigeu o bicameralismo desigual, em que a função
legislativa precípua cabia à Câmara dos Deputados, e o
b) a primeira Constituição brasileira que previu a Senado Federal atuava como mero órgão colaborador
forma federativa de Estado foi a de 1891, ainda que (SILVA, José Afonso da. Curso de Direito Constitucional
não se tenha, na ocasião, garantido aos Municípios Positivo. 6 ed. 1990, p. 73).
autonomia de ente federativo.
c) o Supremo Tribunal Federal foi criado com a Consti- (Cespe - Procurador do Estado - PE/ 2009) Chega
tuição de 1946, que também previu a ação direta de de ação. Queremos promessas. Assim protestava o
inconstitucionalidade, atribuindo àquele Tribunal a grafite, ainda em tinta fresca, inscrito no muro de uma
competência para julgá-la originariamente. cidade, no coração do mundo ocidental. A espirituosa
IRevisaço- Direito Constitucional • Paulo Lépore

inversão da lógica natural dá conta de uma das marcas


dessa geração: a velocidade da transformação, a profu-
são de ideias, a multiplicação das novidades. Vivemos O Nota do Autor: o neoconstitucionalismo é o
a perplexidade e a angústia da aceleração da vida. Os tema do momento e os textos de Luís Roberto Barroso
tempos não andam propícios para doutrinas, mas para também. O estudo do assunto e dos textos do autor é
mensagens de consumo rápido. Para jingles, e não para imprescindível para o sucesso em provas de direito
sinfonias. O direito vive uma grave crise existencial. Não constitucional para as Procuradorias Estaduais.
consegue entregar os dois produtos que fizeram sua Alternativa correta: letra "d": o constituciona-
reputação ao longo dos séculos. De fato, a injustiça pas- lismo pode ser definido como uma teoria (ou ideologia)
seia pelas ruas com passos firmes e a insegurança é a que ergue o princípio do governo limitado indispensá-
característica da nossa era. vel à garantia dos direitos em dimensão estruturante da
Na aflição dessa hora, imerso nos acontecimentos, organização político-social de uma comunidade. Nesse
não pode o intérprete beneficiar-se do distanciamento sentido, o constitucionalismo moderno representa uma
crítico em relação ao fenómeno que lhe cabe anali- técnica de limitação do poder com fins garantísticos,
sar. Ao contrário, precisa operar em meio à fumaça e pois teve como marcos a materialização e a afirmação
à espuma. Talvez esta seja uma boa explicação para o das Constituições Formais Liberais, que representavam
recurso recorrente aos prefixos pós e neo: pós-moderni- garantias sérias de limitação dos Poderes Soberanos,
dade, pós-positivismo, neoliberalismo, neoconstitucio- e eram dotadas de legitimidade democrática popular.
nalismo. Sabe-se que veio depois e que tem a pretensão Desenvolveu-se à partir das revoluções liberais (Revolu-
de ser novo. Mas ainda não se sabe bem o que é. Tudo ção Francesa e Revolução das 13 Colõnias Estaduniden-
é ainda incerto. Pode ser avanço. Pode ser uma volta ao ses). Ademais, marcou o início do garantismo e o surgi-
passado. Pode ser apenas um movimento circular, uma mento das primeiras Constituições dirigentes.
dessas guinadas de 360 graus. Alternativa "a": o neoconstitucionalismo tem
I. R. Barroso. Neoconstitucionalismo e constitucio- como marco filosófico o pós - positivismo, com a cen-
nalização do direito. O triunfo tardio do direito consti- tralidade dos direitos fundamentais, e prima por uma
tucional no Brasil. In: Internet: <jus2.uol.com.br> (com aproximação entre direito e ética.
adaptações). Alternativa "b": a democracia, como vontade da
Tendo o texto acima como motivação, assinale a maioria, é essencial na moderna teoria constitucional,
opção correta a respeito do constitucionalismo e do mas isso não significa que as decisões judiciais devem
neoconstitucionalismo. ter o respaldo da maioria da população, sem o qual não
possuiriam legitimidade. Isso porque, o Poder Judiciário
a) O neoconstitucionalismo tem como marco filosó- tem como missão fiscalizar o cumprimento do orde-
fico o pós - positivismo, com a centralidade dos namento jurídico, ainda que, em determinado caso ou
direitos fundamentais, no entanto, não permite circunstância, isso não signifique respeito à vontade da
uma aproximação entre direito e ética. maioria popular.
b) A democracia, como vontade da maioria, é essen- Alternativa "c": no neoconstitucionalismo, a Cons-
cial na moderna teoria constitucional, de forma que tituição é vista como um documento jurídico e com
as decisões judiciais devem ter o respaldo da maio- força normativa, não como um mero convite à atua-
ria da população, sem o qual não possuem legitimi- ção dos poderes públicos, ressaltando que a concretiza-
dade. ção de suas propostas não pode ficar condicionada à
c) No neoconstitucionalismo, a Constituição é vista liberdade de conformação do legislador ou à discricio-
como um documento essencialmente político, um nariedade do administrador.
convite à atuação dos poderes públicos, ressal- Alternativa "e": o neoconstitucionalismo tem
tando que a concretização de suas propostas fica como premissa a participação ativa do magistrado
condicionada à liberdade de conformação do legis- na condução das políticas públicas quando houver
lador ou à discricionariedade do administrador. descumprimento das prioridades constitucionais, não
d) O constitucionalismo pode ser definido como representando qualquer violação do princípio da
uma teoria (ou ideologia) que ergue o principio separação dos poderes.
do governo limitado indispensável a garantia dos
direitos em dimensão estruturante da organização (Cespe - Procurador do Estado - Pl/ 2008) Conside-
politico-social de uma comunidade. Nesse sentido, rando a evolução constitucional no Brasil, assinale a
o constitucionalismo moderno representa uma téc- opção correta.
nica de limitação do poder com fins garantísticos.
a) A Constituição de 1937 trouxe diversos avanços
e) O neoconstitucionalismo não autoriza a participa- no campo do controle de constitucionalidade das
ção ativa do magistrado na condução das politi- normas, conferindo ao STF amplos poderes para
cas públicas, sob pena de violação do principio da exercer o controle abstrato e concreto de constitu-
separação dos poderes. cionalidade.
Capítulo 1- Teoria da Constituição e das Normas Constitucionais
-- -----··---·-·--------- ---

b) A Constituição de 1988 ampliou o rol de direitos e citar o a prime ·amento da Federação brasileira, com a
garantias individuais, prevendo, pela primeira vez, descentralização :Je competências e o fortalecimen:o
nas constituições brasileiras, o mandado de segu- do princípio d.; separação dos poderes.
rança e a ação popular.
c) Uma das inovações trazidas pela Constituição brasi-
leira de 1891 foi a divisão do território brasileiro em * DEFENSOR PÚBLICO ESTADUAL
estados e a ampla liberdade de culto, com o fim do
catolicismo como religião oficial do Estado.
(FMP- Defensor Público- PA/2015) t correto afirmar
d) A Constituição de 1934 ficou marcada pela sua que o neocor<ititucionalismo, que pode ser entendido
longa duração e pelo seu cunho autoritário, que tanto como uma teoria do Direito, quanto como uma
permitiu a concentração de poderes nas mãos do teoria do Esta :lo, na primeira das acepções apresenta
chefe do Poder Executivo. como uma de .;uas características essenciais:
e) Entre as principais características da Constituição a) a sobreint~rpretação constitucional, forma de inte-
de 1967, pode-se citar o aprimoramento da Fede- gração co1stitucional, assim entendida como uma
ração brasileira, com a descentralização de compe- interpreta ;ãc extensiva da constituição, de forma
tências e o fortalecimento do princípio da separa- que de SEU texto se possam extrair normas implí-
ção dos poderes. citas de molde a se afirmar que ela regula todo e
qualquer as~ecto da vida social e política, dis;o
resultand :> a nexistência de espaços vazios de nor-
O Nota do Autor: a questão versa sobre a história matização constitucional relativamente aos quai~. a
das constituições, mas vai além do mero conhecimento atividade legislativa estaria previamente regulada
de quais foram as constituições brasileiras. Assim, ao ao nfvel cons:itucional.
estudar o tema, o candidato deve prestar atenção às b) a sobrein:erpretação constitucional, que permrte
principais mudanças introduzidas por cada Constitui- pelo raciocír io da subsunção, a aplicação direta
ção, pois essa é a tõnica na cobrança das provas. de toda e qualquer norma constitucional aos casos
concreto~. fazendo desnecessária qualquer forna
Alternativa cÓrreta: letra "c": uma das inovações
trazidas pela Constituição brasileira de 1891 foi a divisão de interposição entre aquelas e os fatos da vida.
do território brasileiro em estados e a ampla liberdade c) a sobrein:erpretação constitucional, forma de inte-
de culto, com o fim do catolicismo como religião oficial gração cc•nstitucional, assim entendida como una
do Estado. Isso porque, na Constituição anterior, de interpretação extensiva da constituição, de forma
1824, o Brasil era um Estado Unitário (sem divisão entre que de sEu texto se possam extrair normas implí-
Estados) e confessional (tinha o catolicismo como reli- citas de molde a se afirmar que ela regula todc- e
gião oficial). qualquer aspecto da vida social e política, disso
Alternativa "a": a Constituição de 1946, a partir resultanc>:> a existência de espaços vazios de nor-
da EC16/0S, criou a representação de inconstituciona- matizaçã•:> constitucional relativamente aos quai; a
lidade, primeiro instrumento de controle concentrado atividade legislativa não estaria previamente reçu-
e abstrato de constitucionalidade. Já os diversos avan- lada ao n vel constitucional.
ços no campo do controle de constitucionalidade das d) a sobrein:erpretação constitucional, a qual pres~u­
normas, conferindo ao STF amplos poderes para exercer põe uma interpretação literal do texto constitucio-
o controle abstrato e concreto de constitucionalidade, nal.
somente se deram com a Constituição de 1988, que
ampliou e regulamentou o controle de constitucionali- e) a sobreinterpretação constitucional, identificada
com a atuação do legislador infraconstitucional no
dade no Brasil de modo contundente.
preenchi-nento dos espaços normativos do sistema
Alternativa "b": a Constituição de 1988 ampliou o jurídico com discricionariedade política fundada no
rol de direitos e garantias individuais. Mas foi a Consti- princípio democrático.
tuição de 1934 que previu pela primeira vez, nas cons-
tituições brasileiras, o mandado de segurança e a ação
popular
t:t-mmEtitlli•
Alternativa correta: letra "a": segundo prelecic·na
Alternativa "d": A Constituição de 1824 (não 1934) Uadi Lammê9o Bufos, acerca do neoconstitucionalismo
ficou marcada pela sua longa duração (67 anos) e pelo como modeb de Estado de Direito, "Conforme os 'neo-
seu cunho autoritário (presença do Poder Moderador), constitucionalistas', durante muito tempo as correntes
que permitiu a concentração de poderes nas mãos do do pensamerto constitucional andaram dissociadas. De
chefe do Poder Executivo (Imperadores D. Pedro I e D. um lado, os norte-americanos com a sua constituicão
Pedro li). garantista, e, de outro, os europeus sem textos consti-
Alternativa "e": entre as principais características tucionais ganntistas. O neoconstitucionalismo propõe
das Constituições de 1946 e de 1988 (mas não a de juntar essas duas vertentes, de modo a existirem com-
1967, que foi criada durante a ditadura militar), pode-se tituições nor-nativas garantistas, que, dotadas de a~er-
G~l Revisaço- Direito Constitucional• Paulo Lépore

feiçoado controle de constitucionalidade, seriam capa- vida social e política. A atividade legislativa estaria pre-
zes de propiciar ao Poder Judiciário maior segurança viamente regulada ao nível constitucional.
na resolução de con4itos. Como modelo de Estado de
Direito, implantado c:::>m base em determinada forma de (FCC- Defensor Público- PR/2012) O constituciona-
organização política, a ideia de neoconstitucionalismo, lismo fez ;urgir as Constituições modernas que se carac-
de acordo com os ac eptos dessa vertente, assentar-se- terizam pela adoção de
-ia:. na força nonnat va e vinculante das constituições;
• na supremacia e ris idez constitucional diante do sis- a) rol de direitos civis, políticos, econõmicos, sociais e
tema de fontes do Direito;· na eficácia e aplicabilidade culturais e regime presidencialista de governo.
integrais da carta magna; e • na sobreinterpretaçáo b) pactos de poder entre soberanos e súditos que
constitucional, de socte a impedir a existência de espa- garantem àqueles privilégios, poderes e prerroga-
ços em branco, sujei-:os à discricionariedade legislativa. tivas sem a contrapartida de deveres e responsabili-
Por mais político qu-e um litígio se apresente, ele deve dades exigíveis por estes.
ser submetido a urr controle de constitucionalidade
imparcial e técnico". Aludido doutrinado r aponta ainda c) princfpio do governo limitado pelas leis, separação
que "O neoconstituàonalismo como conjunto de ideias de p)deres e proteção de direitos e garantias fun-
hauridas de uma no-..a Teoria do Direito defende:· mais damentais.
respeito a princípios. em vez de normas;· mais ponde- d) cont·ole de constitucionalidade difuso das normas
ração do que subsunção; • mais direito constitucional, realizado por qualquer membro do Poder Judiciá-
e não conflitos jurídkos desnecessácios; ·mais trabalho rio.
judicial, em vez de cr ação de leis pelo Poder Legislativo
(ativismo judicial); e· mais valores, no lugar de dogmas e) cartas constitucionais escritas, formais, dogmáticas,
indiscutíveis" (Curso :!e Direito Constitucional. 9 ed. São diriçentes, analítica e outorgadas.
Paulo: Saraiva, 2015. p. 81-82). Desse modo, a sobrein-
terpretação constitucional, forma de integração cons-
titucional, assim er:endida como uma interpretação Alte.-nativa correta: "c" (responde a todas as
extensiva da cor.stiUição, de forma que de seu texto se alternativas): o constitucionalismo moderno (Séc. XVIII
possam extrair nor!T'as implícitas de molde a se afirmar a Séc. XX) trouxe a materialização e a afirmação das
que ela regula todc e qualquer aspecto da vida social Constituições Formais Liberais, também chamadas de
e política, disso resultando a inexistência de espaços
Constituições Modernas, que representavam garantias
vazios de normatiz.,ção constitucional relativamente
sérias de limitação dos Poderes Soberanos, e eram dota-
aos quais a atividade legislativa estaria previamente
das de legitimidade democrática popular. Desenvolveu-
regulada ao nível CO·lstitucional.
-se a partir das revoluções liberais (Revolução Francesa e
Alternativa "b•: a sobreinterp·etação constitucio- Revolução das 13 Colõnias Estadunidenses) e represen-
nal, que consiste em uma forma de integração cons- tou o ini:io do garantismo e o surgimento das primeiras
titucional, visa abranger as hipóteses em que não se Constituições dirigentes.
vislumbra a aplicaçáo direta da norma constitucional
aos casos concreto~ sendo desnecessária a interpreta-
(CESPE- Defensor Público- ES/2012) Em relação ao
ção extensiva da Constituição, de modo a extrair nor-
conceito de supremacia constitucional e de constitucio-
mas implícitas.
nalismo, julgue o item seguinte.
Alternativa "c": a sobreinterpretação constitucio-
nal, forma de integração constitucional, assim enten- Na perSJectiva moderna, o conceito de constituciona-
dida como uma interpretação extensiva da constituição, lismo abrange, em sua essência, a limitação do poder
de forma que ce s.;,u texto se possam extrair normas
político e a proteção dos direitos fundamentais.
implícitas de 11olde a se afirmar que ela regula todo e
qualquer aspec:o d 3 vida social e política, disso resul-
tando a inexistência (e não existência) de espaços vazios
de normatização constitucional relativamente aos quais Certo. Conforme destacado em questão anterior,
a atividade legislati"a estaria previ~ mente regulada ao o constitucionalismo moderno (Séc. XVIII a Séc. XX)
nivel constitucional. trouxe a materialização e a afirmação das Constituições
Formais Liberais, também chamadas de Constituições
Alternativa "d": a sobreinterpretação constitucio-
Moderr-.as, que representavam garantias sérias de limi-
nal pressupõe uma interpretação extensiva (e não lite-
tação d )S Poderes Soberanos, eram dotadas de legiti-
ral) do texto constitucional.
midade democrática popular e traziam proteção aos
Alternativa "e": a sobreinterpretação constitucio- direitos fundamentais.
nal, identificada co11o uma interpretação extensiva da
constituição (e não 3tuação do legislador infraconstitu-
cional), resulta no preenchimento dos espaços vazios (Fumare- Defensor Público- MG/2009) Constituiu-
de normatização cc·nstitucional. por meio da extração -se no cerne do constitucionalismo social:
de normas implícitas que regulem qualquer aspecto da a) O juiz, como boca da lei.
Capítulo I -Teoria da Constituição e das Normas Constitucionais
. --······-·- ·-·-·· L1!.J
b) Os interesses difusos.
c) O voto censitário.
Alternativa correta: letra "b" (responde todas
d) O intervencionismo diversificado. as demais alternativas): a Constituição de 1891 foi a
primeira Carta brasileira que previu a forma federativa
e) Os direitos individuais.
de estado ..(junto a isso, também instituiu a república).
Influenciada pelas Constituições norte-americana e
francesa, ficou marcada por trazer o sufrágio universal
Alternativa correta: letra "d" (responde todas masculino para os alfabetizados maiores de 21 anos e
as demais alternativas): o constitucionalismo social por introduzir o habeas corpus no sistema normativo
remonta ao início do Século XX, e teve como marcos a brasileiro. Desse modo, de fundo puramente liberal,
Constituição Mexicana de 1917, a Constituição de Wei- ampliou o municipalismo e incorporou importante
mar de 1919 e a Constituição do Brasil de 1934. Por meio capítulo relativo à declaração de direitos e suas garan-
desses documentos implementou-se um intervencio- tias. Por seu turno, a Constituição de 1934 foi consequ-
nismo diversificado, com atuação ativa do Estado nas ência da revolução constitucionalista de 1932. Trazendo
mais diversas áreas: saúde, cultura, educação, proteção o sufrágio feminino e o voto" secreto. Inaugurou um
ao trabalho, dentre outras, com o mister de realização federalismo de cooperação. Ainda, com seu advento,
das prestações positivas que garantissem igualdade criou-se a Justiça do Trabalho, bem como ampliou
entre os indivíduos. direitos e garantias sociais. Mostrou força renovadora
na solução social apresentada em seu contexto, com
Alternativa "a": a ideia do juiz como boca da lei
capítulos novos inspirados na Constituição alemã de
remonta ao Séc XVII, época do Constitucionalismo
Weimar, de 1919 (que, ao lado da Constituição Mexicana
Medieval, em que as leis estavam acima de tudo e de
de 1917, é um marco no constitucionalismo social).
todos. Os juízes não tinham o poder de interpretar o
texto legal, o que levou Montesquieu a vaticanizar: o
juiz é a boca da lei. (Vunesp - Juiz Substituto - MT 2009) Movimento
político social e cultural que, sobretudo a partir de
Alternativa "b": os interesses difusos compõem
meados do século XVIII, questiona nos planos político,
o constitucionalismo contemporâneo do final
filosófico e jurídico os esquemas tradicionais de domí-
do século XX, notadamente após a criação da ONU,
nio político, sugerindo, ao mesmo tempo, a invenção
momento em que começaram a emanar direitos de titu-
de uma nova forma de ordenação e fundamentação do
laridade coletiva, a exemplo da paz, do meio ambiente
poder político. Esta definição, formulada por J. J. Gomes
sadio e ecologicamente equilibrado e da não-interven-
Canotilho, designa
ção.
a) o poder constituinte.
Alternativa "c": o voto censitário é aquele discrimi-
nado e garantido a apenas uma parcela da população, b) o constitucionalismo moderno.
sendo oposto ao universal. Como um direito de civil e c) o constitucionalismo antigo.
político, não representa marco para o constituciona-
lismo social, cujos direitos são marcadamente cunhados d) a democracia.
na igualdade. e) a autocracia.
Alternativa "e": os direitos individuais, por essên-
cia, não são sociais, daí porque não podem representar
o constitucionalismo social. Alternativa correta: letra "b": além da definição
de Canotilho que consta do enunciado, o constitu-
cionalismo moderno pode ser entendimento como a
· * JUIZ DE DfRErTO materialização e a afirmação das Constituições Formais
Liberais, que representavam garantias sérias de limita-
ção dos Poderes Soberanos, e eram dotadas de legitimi-
(Vunesp- Juiz de Direito - RJ/2014) Uma, de fundo dade democrática popular. Desenvolveu-se à partir das
puramente liberal, ampliou o municipalismo e incorpo- revoluções liberais (Revolução Francesa e Revolução
rou importante capítulo relativo à declaração de direi- das 13 Colônias Estadunidenses). Representou o início
tos e suas garantias. Outra mostrou força renovadora na do garantismo e o surgimento das primeiras Constitui-
solução social apresentada em seu contexto, com capí- ções dirigentes.
tulos novos inspirados na Constituição alemã de Wei-
mar. Essas afirmações estão, correta e respectivamente, Alternativa "a": o poder constituinte pode ser Ori-
relacionadas às Constituições brasileiras de ginário, Derivado ou Decorrente. O Poder Constituinte
Originário (também denominado por Genuíno, Pri-
a) 1946 e 1988. mário ou de Primeiro Grau) cria a primeira ou nova
b) 1891 e 1934. constituição de um Estado. Para atingir seu objetivo, ele
é inicial (não existe outro poder anterior ou superior a
c) 1934 e 1937.
ele) autônomo (tem autonomia para escolher o Direito
d) 1824e1891. que irá viger, ou seja, não se subordina à qualquer ideia
Revisaço- Direito Constitucional • Paulo Lépore
--. -·-----~--·------- ----· -~-----

jurídica preexistente) e incondicionado (é dotado de


liberdade quanto aos procedimentos adotados para
a criação da Constituição, ou seja, não precisa seguir O Nota do autor: toda a questão se baseia no
nenhuma formalidade preestabelecida). Já o Poder artigo intitulado Neoconstituciona/ismo, Direitos
Constituinte Derivado (também denominado por Fundamentais e Políticas Públicas, escrito por Ana
Reformador, Secundário, de Segundo Grau, Institu- Paula de Barcellos (In CAMARGO, Marcelo Nove li no. Lei-
ído, Constituído, ou de Reforma) é responsável pela turas Complementares de Constitucional. 2 ed. Salvador:
reforma da constituição (no Brasil, por meio de Emen- Juspodivm, 2007, p. 43-64).
das Constitucionais). A seu turno, o Poder Constituinte Alternativa certa: letra "b" (a questão pede a
Decorrente é aquele exercido pelos Estados-membros, incorreta): como esclarece Ana Paula de Barcellos, exis-
na construção das Constituições Estaduais. Portanto, tem duas posições quanto ao papel da Constituição no
não há qualquer relação com o enunciado da questão. neoconsticionalismo: a) Percepção/Visão Substancia-
Alternativa "c": o constitucionalismo antigo (apro- lista: cabe à Constituição impor ao cenário político um
ximadamente de 1.000 a.c. ao Sé c. V d.c.) foi movimento conjunto de decisões valorativas que se consideram
em que os Parlamentos e Monarcas formulavam as nor- essenciais e consensuais e; b) Percepção/Visão Pro-
mas de convívio social, em concomitância a uma exor- cedimentalista: cabe à Constituição apenas garantir
o funcionamento adequado do sistema de participa-
tação aos direitos fundamentais dos indivíduos. Entre-
ção democrático, ficando a cargo da maioria, em cada
tanto, o constitucionalismo tinha pouca efetividade,
momento histórico, a definição de seus valores e de suas
pois os Monarcas não cumpriam as garantias dispostas
políticas. Assim, uma visão fortemente substancialista
nos direitos fundamentais. Não se trata, portanto, da
tenderá a justificar um controle de constitucionalidade
definição constante do enunciado.
mais rigoroso e abrangente dos atos e normas produzi-
Alternativa "d": a democracia é o governo do dos no âmbito do Estado, ao passo que uma percepção
povo para o povo, normalmente relacionada ao Regime procedimentalista conduzirá a uma postura mais defe-
Republicano. Não se refere, assim, ao conceito enun- rente acerca dos Poderes Públicos. Portanto, a alterna-
ciado por Canotilho. tiva está incorreta porque é a visão procedimentalista
(não a substancialista) que conduz a uma postura mais
Alternativa "e": a autocracia é o governo de um
deferente das decisões dos Poderes Públicos.
líder que concentra o Poder para satisfazer aos seus pró-
prios interesses. Não há, pois, relação com o enunciado Alternativa "a": segundo Ana Paula de Barcellos,
da pergunta. o Neoconstitucionalismo tem as seguintes caracte-
rísticas: 1. Do ponto de vista metodológico-formal: a)
Normatividade da Constituição: todas as disposições
* PROCURADOR DA REPÚBUCA
constitucionais são normas jurídicas; b) Superio-
ridade da Constituição sobre o restante da ordem
jurídica: o que se dá por meio de constituições rígidas;
(MPF - Procurador da República/2012) Assinale a c) Centralidade da Constituição nos sistemas jurídicos:
alternativa incorreta: os demais ramos do Direitos devem ser compreen-
didos e interpretados a partir do que dispõe a Cons-
a) Para o neoconstitucionalismo, todas as disposições tituição. 2. Do ponto de vista material: a) Incorporação
constitucionais são normas jurídicas, e a Constitui- explícita de valores e opções políticas nos textos cons-
ção, além de estar em posição formalmente supe- titucionais, sobretudo no que diz respeito à promoção
rior sobre o restante da ordem jurídica, determina a da dignidade humana e dos direitos fundamentais;
compreensão e interpretação de todos os ramos do b) Expansão de conflitos específicos e gerais entre as
Direito. opções normativas e filosóficas existentes dentro do
próprio sistema constitucional: envolve as colisões reais
b) A visão substancialista da Constituição conduz, no
e aparentes entre regras e princípios (conflitos específi-
controle de constitucionalidade, a uma postura
cos) e o papel da Constituição (conflito geral). Assim, é
mais deferente acerca das decisões dos Poderes
correto dizer que, para o neoconstitucionalismo, todas
Públicos.
as disposições constitucionais são normas jurídicas, e
c) Para os procedimentalistas, a jurisdição constitu- a Constituição, além de estar em posição formalmente
cional tem o papel exclusivo de assegurar os pres- superior sobre o restante da ordem jurídica, determina
supostos necessários ao bom funcionamento da a compreensão e interpretação de todos os ramos do
democracia. Direito.
d) A Constituição brasileira de 1988 enquadra-se na Alternativa "c": como visto nos comentários à
categoria das constituições dirigentes, porque, alternativa "b", para os procedimentalistas, a jurisdição
além de estabelecer a estrutura básica do Estado e constitucional tem o papel exclusivo de assegurar os
de garantir direitos fundamentais, impõe ao Estado pressupostos necessários ao bom funcionamento da
diretrizes e objetivos principalmente tendentes a democracia.
promover a justiça social, a igualdade substantiva e Alternativa "d": a Constituição brasileira de 1988
a liberdade real. enquadra-se na categoria das constituições dirigen-
Capítulo I -Teoria da Constituição e das Normas Constitucionais
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[19]
tes, porque, além de estabelecer a estrutura básica do car um controle de constitucionalidade mais rigorosc•
Estado e de garantir direitos fundamentais, impõe ao e abrangente dos atos e normas produzidos no âmbito
Estado diretrizes e objetivos principalmente tendentes do Estado, ao passo que uma percepção procedimen-
a promover a justiça social, a igualdade substantiva e a talista conduzirá a uma postura mais deferente a:erc<o
liberdade real. Em outras palavras, pode-se dizer que a dos Poderes Públicos. Portanto, a alternatrta está incor-
constituição dirigente é aquela que tem por finalidade reta porque é a visão procedi menta lista, não a sJbstan-
conferir especial atenção à implementação de progra- cialista que conduz a uma postura mais ceferente das
mas pelo Estado. decisões dos Poderes Públicos. Assim, o p·c-ced menta-
lismo não se coaduna com uma constatação da incapa-
(MPF- Procurador da República/2011) Assinale ares- cidade das instâncias representativas de pautarem a SUé
posta correta: atuação pela axiologia constitucional.
a) O procedimentalismo sustenta a legitimidade Alternativa "b": o ~ositivismo jurídko não negé
democrática da jurisdição constitucional, diante da o caráter constitutivo da interpretação d-:J Direito. Ac·
constatação da incapacidade das instâncias repre- contrário, ele o sustenta. Para o positivismo jurídico
sentativas de pautarem a sua atuação pela axiolo- interpretar é dar concreção ao direito e r.ã:J mel'3mente
gia constitucional. declará-lo.
b) O positivismo jurídico nega o caráter co~stitutivo Alternativa "d": No paradigma pós-positi\'ista, os
da interpretação do Direito. princípios são mais de que componentes ce integração
c) No neoconstitucionalismo preconiza-se a abertura São verdadeiros elementos normativos rnormas) quE
da hermenêutica constitucional aos influxos da integram a estrutura dos direitos fundamentais r_BAR-
moralidade crítica. ROSO, Luis Roberto. Fundamentos teóricos e filosóficos
d) No paradigma pós-positivista, os princípios gerais do novo direito constitucional brasileiro- pós-moderni-
de direito são meios de integração do ordena- dade, teoria critica e ~ós-oositivismo. A nc vo int?rpreta·
mento, voltados ao suprimento de lacunas, ao lado ção constitucional. Ponderação. Direitos FI.XIdamentais E

da analogia e dos costumes. relações privadas. Rio de Janeiro: Renovar, 2003).

U·MiiitM!.f• (MPF- Procurador da República/2008)


DIZER QUE:
~lÃO SE PODE
Alternativa correta: letra "c": o neoconstitucio-
nalismo apresenta-se como um aprimoramento do a) As heteroconstituições foram fenômenos relativa-
Constitucionalismo Contemporâneo, prega a impor- mente frequentes nos processos constitui'ltes de
tância destacada da moral e dos valores sociais, garan- século XX.
tidos predominantemente por meio de princípios. Não
b) As convenções constitucionais são fOfmas :Je limi·
se conforma com as normas programáticas e as cons-
tação de poderes sem necessidade de uma Consti-
tituições dirigentes, afirmando que as Constituições
tuição formal.
devem ser dotadas de força normativa. Para conferir
normatividade à Constituição, destaca o Poder Judici- c) O debate entre republicanista e liberais pode ser
ário como garantidor, colocando a atividade legislativa grosso modo, resumido à prioridade qJe se estabe·
em segundo plano. Em resumo: trabalha com a ide ia de Ieee ao "justo" e a8 "bem", respectivanente
extração da máxima efetividade do Texto Constitucio- d) A tese de distinção entre regras e pr ncipi:Js mais
nal, pois a Constituição deve ocupar o centro do sistema em voga no Brasil se baseia em elementos estrutu·
jurídico. Assim, é correto dizer que no neoconstitucio- rais da norma.
nalismo preconiza-se a abertura da hermenêutica cons-
titucional aos influxos da moralidade crítica. l@'fMIUJfiD,
Alternativa "a": como já destacamos em questão
O Nota do autor: vale notar que o e1crociaco "NÃC
anterior, consoante artigo de Ana Paula de Barcellos
SE PODE DIZER QUE" equivale a pedir pêra assinalar é
intitulado Neoconstitucionalismo, Direitos Funda-
alternativa INCORRETA.
mentais e Políticas Públicas (In CAMARGO, Marcelo
Novelino. Leituras Complementares de Constitucional. 2 Alternativa certa: letra "c": segund:J os de:Jates.
ed. Salvador: Juspodivm, 2007,_ p. 43-64), existem duas entre Habermas e Rawls, os liberais funduan suas ideia,.
posições quanto ao papel da Constituição no neocons- na "liberdade dos modernos", na liberdad'> de crençé
ticionalismo: a) Percepção/Visão Substancialista: cabe e consciência, na proteção da vida e na liberdade dê
à Constituição impor ao cenário político um conjunto pessoa e da propriedade, ou seja. no nGc eo do direito
de decisões valorativas que se consideram essenciais privado. Já os republicanistas, ao contn\rio defendiarr
e consensuais e; b) Percepção/Visão Procedimentalista: a "liberdade dos antigos", fundada nos dirEitos de par-
cabe à Constituição apenas garantir o funcionamento ticipação e de comunicação política que possil::ilitam c
adequado do sistema de participação democrático, autodeterminação dos cidadãos. (HABERf>I,AS, JJrgen E
ficando a cargo da maioria, em cada momento histórico, RAWLS, John. Debate sobre e/liberalismo r;-''iticc. Barce-
a definição de seus valores e de suas políticas. Assim, lona: Paidós, 1998.). Portanto, o debate po:Je s:r resu-
uma visão fortemente substancialista tenderá a justifi- mido na diferença da lib<:>rdade dos modernos para é
~---- Revisaço- Direito Constitucional • Paulo Lépore

liberdade dos antigos. Assim, não se pode dizer que enfrenta a distinção entre regras e princípios sob uma
o debate entre republicanista e liberais pode ser, grosso perspectiva logicista, entendendo que os princípios
modo, resumido à prioridade que se ~stabelece ao não expressam consequências jurídicas que se seguem
"justo" e ao "bem", respectivamente. automaticamente quando se dão as condições previs-
tas. Em sentido contrário, as regras são aplicadas à fei-
Alternativa "a": em palavras simples, pode-se
ção do "ali or nothing", ou seja, se ocorrerem os fatos
dizer que heteroconstituição é aquela criada fora do
estabelecidos por uma regra, então: ou a regra é valida,
Estado em que irá vigorar. Por isso hetero (outro/fora)
e em tal caso, deve-se aceitar a resposta que ela fornece;
constituição. Jorge Miranda (Momentos constitucio-
ou a regra é inválida, e em tal caso, não influí na decisão
n.3is e mudança política. Disponível em: http://con-
(DWORKIN, Ronald. Levando os direitos a sério. São Paulo:
greso.us.es/cidc/Ponencias/momentos/jorgeMIRANDA.
Martins Fontes, 2007). Por sua vez, o doutrinado r germâ-
pdf), esclarece que se incluem nas heterxonstituições
nico Robert Alexy aponta que entre princípios e regras
"algumas das Constituições, ou das primeiras Constitui-
existe não só uma diferença gradual, mas também, qua-
ções, dos países da common wealth aprovadas por leis
litativa. Os princípios seriam normas que prescreveriam
do Parlamento britânico (Canadá, Nova Zelândia, Aus-
algo para ser efetivado da melhor forma possível, levan-
trália, Jamaica, Maurícia, etc.), a primeira Constituição
do-se em conta as possibilidades fáticas e jurídicas.
da Albânia (obra de uma conferênda internacional, de
Assim, os princípios seriam mandados de otimização
1913) ou a Constituição cipriota (procedente dos acor-
(ALEXY, Robert. Teoria de las Derechos Fundamentales.
dos de Zurique, de 1960, entre a Grã-Bre:anha, a Grécia
Madrid: Centro de Estúdios Políticos y :::onstitucionales,
e a Turquia) ou a Constituição da Bósnia-Herzegovina
1993.), que se caracterizam por poderem ser cumpridos
(após os chamados acordos de Dayton de 1995)". Por-
proporcionalmente às condições reais e jurídicas exis-
tanto, é possível afirmar-se que as hete,oconstituições
tentes, fazendo gradação da aplicação a ser dada. Ao
foram fenõmenos relativamente frequerot:es nos proces-
seu lugar, as regras teriam caráter peremptório, e por
sos constituintes do século XX.
estarem submetidas ao critério do tudo ou nada, devem
Alternativa "b": segundo Canotil~.o. as conven- ser cumpridas umas em detrimento de outras, com a
ções constitucionais"( ...) consistem em acordos, implí- vencedora do conflito eliminando qualquer possibili-
citos ou explícitos, entre as várias forças políticas, sobre dade de aplicação da perdedora. Assim, como predo-
o comportamento a adaptar para se dar execução ou mina a concepção forte, pode-se dizer que a tese de
êctuação a determinadas normas constitucionais, legis- distinção entre regras e princípios mais em voga no Bra-
l3tivas ou regimentais." Esses acordos não necessaria- sil se baseia em elementos estruturais da norma.
mente criam normas solenes, mas têm força material,
õpresentando-se como verdadeiras 'imitações aos
(MPF- Procurador da República/2008) É correto afir-
poderes constituídos. (Direito constitucional e teoria da
mar-seque:
Constituição. Coimbra: Almedina, 2007). Já uma Consti-
tuição Formal é aquela que se compõe do que consta a) As pessoas jurídicas são titulares da liberdade de
em documento solene. Nestes termos é correto dizer associação e de expressão, segundo jurisprudência
que as convenções constitucionais são formas de limita- pacífica do Supremo Tribunal Federal.
cão de poderes sem necessidade de uma Constituição
b) A ideia de constituição formal foi derivada da noção
formal, pois os acordos entre as forças políticas têm
medieval de constituição mista.
força limitadora mesmo sem integrar •Jm documento
>olene. c) O pelagianismo está associado ao movimento cons-
titucionalista do século XVIII.
Alternativa "d": de acordo com o p~nsamento her-
menêutica de vanguarda, os ordenarrentos jurídicos d) A teoria política de Maquiavel pode ser identificada
>ão formados pelo gênero normas, que tem como espé- com o humanismo cívico.
cies os princípios e as regras. Existem duas concepções
para a correta distinção entre principic5 e regras: uma
é denominada forte e a outra débil. A concepção forte
O Nota do autor: trata-se de mais uma questão em
preceitua que entre princípios e regras h3 uma distinção
que o examinador seleciona ideias pouco conhecidas
lógica e qualitativa, fundada nos eleme1tos estruturais
de autores estrangeiros.
das normas. Os princípios prescreveriam fins a serem
alcançados, enquanto que as regras 1rariam simples Alternativa correta: letra "d": Ricardo Silva des-
comportamentos a serem seguidos. Por sua vez, a con- taca que foi Hans Baron quem identificou o humanismo
cepção débil se vale de um critério quantitativo, procu- cívico na teoria política de Maquiavel. In verbis: "Baron
·ando estabelecer a diferença sob um ponto de vista de interpreta Maquiavel não apenas como um parti-
.3brangência, a partir da ideia que os princípios possui- dário do republicanismo, mas também como um
·iam a característica da generalidade, r-epresentando a autor plenamente imerso na cultura do humanismo
"undamentalidade do sistema, não conseguindo, assim, cívico italiano. O panorama retratado pelo historiador
3pontar uma diferença clara entre princ'pios e regras. A alemão fornece uma visão essencialmente política do
:Joutrina que desenvolve a concepção fc•rte de distinção Renascimento. O humanismo cívico é situado no cen-
entre princípios e regras tem como seu:; maiores expo- tro da cultura que passa a se expandir desde o século
entes Ronald Dworkin e Robert Alexy. ~onald Dworkin XIV, intensificando-se e ganhando contornos mais níti-
Capítulo 1- Teoria da Constituição e das Normas Constitucionais

dos quando se inicia, principalmente em Florença, a DSC_NOME_ARQUI20060607103635.pdf). Ao seu lugar,


luta contra a expansão de principados tirânicos. Sendo o constitucionalismo do Século XVIII é denominado
o palco do ressurgimento de um conjunto de valores por moderno, e traduz a materialização e afirmação
clássicos associados ao republicanismo, a Florença da das Constituições Formais Liberais, que representavam
virada do século XIV para o século XV viu surgir uma garantias sérias de limitação dos Poderes Soberanos,
nova vaga de interesse em clássicos como Aristóteles e, e eram dotadas de legitimidade democrática popular.
principalmente, Cícero, cuja influência no movimento Desenvolveu-se a partir das revoluções liberais (Revolu-
intelectual do renascimento é enfatizada por Baron. O ção Francesa e Revolução das 13 Colõnias Estaduniden-
principal legado desses clássicos da antiguidade para os ses). Marcou o início do garantismo e o surgimento das
humanistas do renascimento italiano teria sido a lição primeiras Constituições dirigentes. Portanto, o pelagia-
de que a plena realização da humanidade dos indiví- nismo não está associado ao movimento constituciona-
duos só seria possível mediante a participação desses lista do século XVIII.
indivíduos - quacidadãos - nos assuntos públicos"
(Maquiavel e o conceito de liberdade em três vertentes
do novo republicanismo.ln: Revista Brasileira de Ciências
Sociais, Fev. 201 O, V. 25, no 72).
* PROMOTOR DE JUSTIÇA

Alternativa "a": a jurisprudência do STF não é


(MP- DFT- Promotor de Justiça- DFT/2011) Analise
pacífica quanto ao fato de as pessoas jurídicas serem
as enunciações e marque a alternativa correta:
titulares da liberdade de associação. Vale destacar tre-
cho da ADI 2054: "1. Liberdade de associação. 1. Liber- I. As declarações de direito, no constitucionalismo
dade negativa de associação: sua existência, nos textos brasileiro, mostraram-se em geral mais avançadas
constitucionais anteriores, como corolário da liberdade do que as práticas políticas de seu tempo.
positiva de associação e seu alcance e inteligência, na
11. O Brasil adotou o cesarismo ou bonapartismo como
Constituição, quando se cuide de entidade destinada a
efetiva técnica de elaboração constitucional no
viabilizar a gestão coletiva de arrecadação e distribui-
curso de sua história.
ção de direitos autorais e conexos, cuja forma e organi-
zação se remeteram à lei. 2. Direitos autorais e conexos: 111. As eleições a bico de pena foram resultados da
sistema de gestão coletiva de arrecadação e distribui- efetividade das normas constitucionais atinentes à
ção por meio do ECAD (L 9610/98, art. 99). sem ofensa participação pol,ítica do povo brasileiro.
do art. 5°, XVII e XX, da Constituição, cuja aplicação, na IV. A fiscalização abstrata de constitucionalidade não
esfera dos direitos autorais e conexos, hão de conciliar- foi discutida em processos constituintes anteriores
-se com o disposto no art. 5°, XXVIII, b, da própria Lei à Constituição de 1946.
Fundamental. 3. Liberdade de associação: garantia
constitucional de duvidosa extensão às pessoas a) Apenas o item I é verdadeiro.
jurídicas (ADI 2054, julgado em 2003 e relatado pelo b) Estão corretos os itens I, li e IV.
Ministro limar Galvão).
c) Apenas o item IV é verdadeiro.
Alternativa "b": quanto ao conteúdo, Constitui-
ção formal é aquela que se compõe do que consta em d) Apenas o item 11 é falso.
documento solene. Já Constituição mista, segundo e) Apenas 11 e IV são verdadeiros.
Canotilho, "é aquela em que o poder não está concen-
trado nas mãos de um monarca, antes é partilhado por
ele e por outros órgãos do governo (rei e Parlamento)"
(Direito constitucional e teoria da Constituição. Coimbra:
Alternativa correta: "a".
Almedina, 2007). Não há, pois, nenhuma ligação entre Item "1". Verdadeiro. De fato, as declarações de
os conceitos. Assim, a ideia de constituição formal não direito, no constitucionalismo brasileiro, mostraram-se
foi derivada da noção medieval de constituição mista. em geral mais avançadas do que as práticas políticas de
Alternativa "c": Pelágio foi um monge e pensador seu tempo, a exemplo da primeira vontade do Século
que viveu no início do Século I. Ele foi o responsável XX, que pode contar com uma Constituição de 1934,
pelo desenvolvimento do que se convencionou chamar pródiga em garantir direitos sociais, notadamente os
de pelagianismo, ide ia ou teoria segundo a qual a salva- trabalhistas, mas que foi criada durante a Era Vargas,
ção não devia ser atribuída ao Espírito Santo. Segundo claro Estado de exceção.
Amarildo Fernando de Almeida, para Pelágio (pelagia- Item "11". Falso. Cesarismo e bonapartismo podem
nismo) o pecado original não tem tanta importância ser entendidos como formas de exercício de poder
para o resto da humanidade, diríamos, não tem nenhum quase absoluto pelo Chefe de Estado, que se apre-
poder hereditário. O pecado de Adão foi só seu; a huma- senta como uma figura carismática, mas que promove
nidade não tem que pagar por isto. É impossível, para um enfraquecimento do Poder Legislativo. Apesar de
Pelágio, a alma trazer consigo algo que não~ culpa sua, o Brasil ter c0ntado com várias Constituições outorga-
pagar por algo que não cometeu (Pelágio, Pelagianismo das ou impostas, não se pode dizer que ele adotou o
x Santo Agostinho. Liberdade x Graça. Disponível em: cesarismo ou bonapartismo como efetiva técnica de
http://www.pucminas.br/imagedb/documento/DOC_ elaboração constitucional no curso de sua história,
LcnJ~2:::2J-------------------~Revisaço- Direito Constitucional • Paulo Lépore

pois a maioria das constituições tem origem democrá- almente, é marcado pelas Constituições dirigentes, a
tica não vinculada a esse ideal. exemplo da Constituição Federal Brasileira de 1988.
Item "111". Falso. As eleições a bico de pena remon- Alternativa "a": as constituições norte-americana,
tam à República Velha, do "Café-com-Leite", em que de 1787, e a francesa, de 1791, são os marcos históricos
paulistas e mineiros se revezavam no poder. À época e formais do constitucionalismo moderno, que vigeu do
o voto era aberto e, por isso, fomentava o voto de século XVIII ao século XX, e representou a materializa-
cabresto, ou controlado. O bico de pequena refere-se ção e a afirmação das Constituições Formais Liberais,
às listas em que eram dispostos os nomes e votos dos que elencavam garantias sérias de limitação dos Pode-
eleitores, e que, não raras as vezes, eram manipuladas. res Soberanos, e eram dotadas de legitimidade demo-
Daí não se poder sustentar que essas eleições foram crática popular. Essa fase do constitucionalismo desen-
resultados da efetividade das normas constitucionais volveu-se à partir das revoluções liberais: Revolução
atinentes à participação política do povo brasileiro, pois Francesa e Revolução das 13 Colônias Estadunidenses,
traduziam um verdadeiro engodo. que culminaram na Constituição Norte Americana de
1787 e na Constituição Francesa de 1791.
Item "IV". Falso. A fiscalização abstrata de consti-
tucionalidade foi discutida em processos constituintes Alternativa "b": o constitucionalismo garante
anteriores à Constituição de 1946. A AOI\nterventiva já aos cidadãos o exercício dos seus direitos, mesmo que
tenha que limitar o poder do governo, e essa afirma-
estava prevista na Constituição de 1934.
ção retrata bem o Constitucionalismo Medieval, que se
caracterizou pelo surgimento de documentos que limi-
(MPE/GO- Promotor de Justiça- G0/2010) Segundo tavam os poderes dos Monarcas e garantiam liberdades
J. J. Gomes Canotilho, o constitucionalismo é uma "... públicas aos cidadãos, a exemplo da Magna Charta de
teoria (ou ideologia) que ergue o princípio do governo 1215, na Inglaterra.
limitado indispensável à garantia dos direitos em
Alternativa "d": o neoconstitucionalismo busca
dimensão estruturante da organização po\itico-social
ultrapassar a ide ia de limitação do poder politico para
de uma comunidade. Neste sentido, o constituciona-
representar a busca de eficácia da Constituição, parti-
lismo moderno representará uma técnica específica de
cularmente na efetivação dos direitos fundamentais.
limitação do poder com fins garantísticos. O conceito
Isso porque ele se apresenta como um aprimoramento
de constitucionalismo transporta, assim, um claro juizo
do Constitucionalismo Contemporâneo, pregando a
de valor. t, no fundo, uma teoria normativa política, tal
importância destacada à moral e aos valores sociais,
como a teoria da democracia ou a teoria do liberalismo." garantidos predominantemente por meio de princí-
A partir dessa visão conceitual, assinale a alternativa pios. Não se conforma com as normas programáticas
incorreta: e as constituições dirigentes, afirmando que as Cons-
a) As constituições norte-americana, de 1787, e a fran- tituições devem ser dotadas de força normativa. Para
cesa, de 1791, são os marcos históricos e formais do conferir normatividade à Constituição, destaca o Poder
constitucionalismo moderno. Judiciário como garantidor, colocando a atividade legis-
lativa em segundo plano. Em resumo: trabalha com a
b) O constitucionalismo garante aos cidadãos o exerci- ide ia de extração da máxima efetividade do Texto Cons-
cio dos seus direitos, mesmo que tenha que limitar titucional.
o poder do governo.
c) A concepção de constituição dirigente é antagô- (Cespe - Promotor de Justiça - RN/2009) Acerca do
nica ao conceito de constitucionalismo. constitucionalismo, assinale a opção incorreta.
d) O neoconstitucionalismo busca ultrapassar a ideia a) A origem do constitucionalismo remonta à anti-
de limitação do poder politico para representar a guidade clássica, especificamente ao povo hebreu,
busca de eficácia da Constituição, particularmente do qual partiram as primeiras manifestações desse
na efetivação dos direitos fundamentais. movimento constitucional em busca de uma orga-
nização politica fundada na limitação do poder
absoluto.

O Nota do autor: a questão versa sobre o consti- b) O neoconstitucionalismo é caracterizado por um


tucionalismo e exige conhecimento critico por parte do conjunto de transformações no Estado e no direito
candidato, que não deve voltar seus estudos apenas aos constitucional, entre as quais se destaca a prevalên-
dispositivos constitucionais. cia do positivismo jurídico, com a clara separação
entre direito e valores substantivos, como ética,
Alternativa certa: letra "c": a concepção de Cons- moral e justiça.
tituição dirigente não é antagônica ao conceito de
constitucionalismo. Constituição dirigente é aquele que c) O constitucionalismo moderno representa uma
confere atenção especial à implementação de progra- técnica específica de limitação do poder com fins
mas pelo Estado. Por sua vez, o constitucionalismo é o garantidores.
movimento evolutivo de criação das Constituições. O d) O neoconstitucionalismo caracteriza-se pela
Constitucionalismo já passou por diversas fases e, atu- mudança de paradigma, de Estado Legislativo de
Capítulo 1- Teoria da Constituição e das Normas Constitucionais

Direito para Estado Constitucional de Direito, em destaca o Poder Judiciário como garantidor, colocando
que a Constituição passa a ocupar o centro de todo a atividade legislativa em s.egundc plano. Em resumo:
o sistema jurídico. trabalha com a ideia de extnção da m íxima efetividade
do Texto Constitucional.
e) As constituições do pós-guerra promoveram inova-
ções por meio da incorporação explícita, em seus Alternativa "e": as const tuições do p:\s-guerra
textos, de anseios políticos, como a redução de desi- promoveram inovações por mei•) da incorporação
gualdades sociais, e de valores como a promoção da explícita, em seus textos, de anseios políticos, como a
dignidade humana e dos direitos fundamentais. redução de desigualdades ~ociais, e de valores como a
promoção da dignidade h~ mana e d·)S direitos funda-
mentais. Trata-se, a propó~ito, do Constitucionalismo
Contemporâneo, que caracteriza-s: pela consolidação
O Nota do autor: a questão versa sobre o consti-
da existência de Constituiç•)es garantistas, calcadas na
tucionalismo, tema que vem sendo muito cobrado em
defesa dos direitos fundamentais i ~ualitários. sociais e
provas recentes.
solidários. As disposições constantes nas Constituições
Alternativa certa: letra "b": o neoconstituciona- têm reafirmada sua força normativa destacada em rela-
lismo representa um aprimoramento do Constituciona- ção às prescrições de outras fontes jurídicas (eis e atos
lismo Contemporâneo. Prega a importância destacada estatais). Esse período é rr arcado pelas constituições
da moral e dos valores sociais, garantidos predominan- dirigentes, que prescrevem programas a serem imple-
temente por meio de princípios. Não se conforma com mentados pelos Estados, normalne~te por meio de
as normas programáticas e as constituições dirigentes, normas programáticas.
afirmando que as Constituições devem ser dotadas de
força normativa. Para conferir normatividade à Cons-
titúição, destaca o Poder Judiciário como garantidor,
colocando a atividade legislativa em segundo plano.
* NOTÁRIO E REQISTRADOR
Em resumo: trabalha com a ideia de extração da máxima
efetividade do Texto Constitucional. Sendo assim, ele (EJEF - Notário-MG/2011: Quais fo·am os principais
não é caoacterizado pela prevalência do positivismo autores da primeira constituição repu ::>licana do Brasil?
jurídico, com a clara separação entre direito e valores a) Afonso Pena e Rui Barb·)Sa
substantivos, como ética, moral e justiça.
b) Prudente de Moraes e F.ui Barb•)Sa
Alternativa "a": a origem do constitucionalismo
remonta à antiguidade clássica, especificam'ente ao c) João Goulart. e Júlio Prestes
povo hebreu, do qual partiram as primeiras manifesta- d) Deodoro da Fonseca e Floriano Peixoto
ções desse movimento constitucional em busca de uma
organização política fundada na limitação do poder
absoluto. Trata-se do constitucionalismo primitivo, que
Alternativa correta: letra "b": a constituição de
remonta a aproximadamente 30.000 a. C. até 3.000 a. c
1891 foi fortemente influen•:iada pEla constituição ame-
Alternativa "c": o constitucionalismo moderno ricana, com nuances de descentrclização do poder, e
representa uma técnica específica de limitação do poder seus principais autores foram P·udente de Meoraes e Rui
com fins garantidores. Ele traz, ainda, a materialização Barbosa.
e afirmação das Constituições Formais Liberais, que
Alternativa "a": apesa· de ter sid::> uma inportante
representavam garantias sérias de limitação dos Poderes
figura política e colega de Rui Barboso na Faculdade de
Soberanos, e eram dotadas de legitimidade democrática
Direito de São Paulo, em 1S70, Afonso Pena não foi um
popular. Desenvolveu-se à partir das revoluções liberais
dos autores da primeira constituição republicana do
(Revolução Francesa e Revolução das 13 Colênias Esta-
Brasil.
dunidenses). Revelou, assim, o início do garantismo e o
surgimento das primeiras Constituições dirigentes. Alternativa "cp: Julio Prestes, outra importante
figura no cenário pclítico trasileiro, i.>iciou sua carreira
Alternativa "d": o neoconstitucionalism::> caracte-
política em 1909, ou seja, apó~ a primeira constituição
riza-se pela mudança de paradigma, de Estado Legis-
republicana brasileira, de 1891. João Goulart, conhecido
lativo de Direito para Estado Constitucional de Direito,
como "Jango", foi presidente do Brcsil entre 1961 e 1964.
em que a Constituição passa a ocupar o centro de todo
o sistema jurídico. Em outras palavras, pode-se dizer Alternativa "dP: o Marechal De•)doro da Fonseca
que o neoconstitucionalismo apresenta-se como um foi o proclamador da república e o primeiro presidente
aprimoramento do Constitucionalismo Contemporâ- do Brasil, e Floriano Peixotc· seu vice-presiderte.
neo, pregando a importância destacada da rr.oral e dos
valores sociais, garantidos predomir.anterr.ente por (EJEF- Notário-MG/2011: Qual das constitLições bra-
meio de princípios. Não se conforma com as normas sileiras foi conhecida como a ConstitLição da Polaca?
programáticas e as constituições dirigentes, afirmando
a) Constituição de 1824
que as Constituições devem ser dotadas de força nor-
mativa. Para conferir normatividade à Constituição, b) Constituição de 1891
Revisaço- Direito Constitucional• Paulo Lépore

* DEFENSOR PÚBLICO ESTADUAL


Alternativa "b": Constituição Material é o arca-
bouço de normas que tratam da organização do poder,
da forma de governo, da distribuição da competência,
(Fundep- Defensor Público- MG/2014) Sobre o con- dos direitos da pessoa humana, considerados os sociais
ceito, classificação e interpretação da constituição, assi- e individuais, do exercício da autoridade, ou seja, trata
nale a alternativa CORRETA. da composição e do funcionamento da ordem política.
Tem relação umbilical com a Constituição Política de
A) A concepção política da constituição ocorre
Carl Schimitt. Já a Constituição Jurídica (Hans Kelsen
quando na constituição há soma dos fatores reais
- 1934) é aquela que se constitui em norma hipotética
de poder que regem determinada nação, sob pena
fundamental pura, que traz fundamento transcendental
de se tornar mera folha de papel escrita, que não
para sua própria existência (sentido lógico-jurídico), e
corresponde à constituição real.
que, por se constituir no conjunto de normas com mais
B) A concepção material da constituição se caracteriza alto grau de validade, deve servir de pressuposto para
pela existência de uma norma hipotética funda- a criação das demais normas que compõem o ordena-
mental pura que traz fundamento transcendental mento jurídico (sentido jurídico-positivo).
para sua própria existência e que, por se constituir
no conjunto de normas com o mais alto grau de Alternativa "d": Constituição Aberta (Peter
validade, deve servir de pressuposto para a criação Haberle- 1975) é aquela interpretada por todo o povo
das demais normas. em qualquer espaço, e não apenas pelos juristas, no
bojo dos processos. Por seu turno, Constituição Plu-
C) A concepção aberta da constituição é aquela inter- ralista (Gustavo Zagrebelsky) não é nem um mandato
pretada por todo o povo em qualquer espaço e, não nem um contrato. t aquela dotada de princípios univer-
apenas, pelos juristas, no bojo dos processos. sais, segundo as pretensões acordadas pelas "partes".
O) A concepção aberta da constituição caracteriza-se Caracteriza-se pela capacidade de oferecer respostas
pela capacidade de oferecer respostas adequadas adequadas ao nosso tempo ou, mais precisamente, da
ao nosso tempo ou, mais precisamente, da capaci- capacidade da ciência constitucional de buscar e encon-
dade da ciência constitucional de buscar e encon- trar essas respostas na constituição.
trar respostas na constituição.
(CESPE- Defensor Público- ES/2012) Em relação ao
lmA'hM• conceito de supremacia constitucional e de constitucio-
nalismo, julgue o item seguinte.
Alternativa correta: letra· "c": a concepção
aberta da constituição (Peter Haberle - 1975), prega
uma Constituição interpretada por todo o povo em A rigidez e o controle de constitucionalidade não se
qualquer espaço e, não apenas, pelos juristas, no bojo relacionam com a supremacia da CF, mas com a compa-
dos processos. Segundo destaca Pedro Lenza, "propõe tibilidade das leis com o texto constitucional.
Hãberle que se supere o modelo de interpretação de
uma sociedade fechada (nas mãos de juízes e em proce-
dimentos formalizados) para a ideia de uma sociedade
mznmt•
Errado. A rigidez e o controle de constitucionali-
aberta dos intérpretes da Constituição, vale dizer, uma
interpretação pluralista e democrática. Ao afirmar que dade têm clara relação com a supremacia da CF, pois
a interpretação não mais deve ficar confinada dentro são elementos que contribuem para a manutenção de
de uma sociedade fechada, Haberle propõe a ide ia de sua força normativa.
que a interpretação não possa ficar restrita aos órgãos
estatais, mas que deve ser aberta para todos os que (lnstitutocidades - Defensor Público - AM/2011)
'vivem' a norma (a Constituição), sendo, assim, esses Quando se usa a expressão "a Constituição é norma
destinatários, legítimos intérpretes, em um interessante pura", "puro dever ser", a concepção de Constituição foi
processo de revisão da metodologia jurídica tradicional adotada:
de interpretação" (LENZA, Pedro. Direito Constitucional
a) no sentido político, como decisão concreta de con-
Esquematizado. 14 ed. São Paulo: Saraiva, 2010, p. 141)
junto sobre o modo e a forma de existência da uni-
Alternativa "a": a Constituição Sociológica (Ferdi- dade política.
nand Lassalle- 1862) é aquela que deve traduzir a soma
b) no sentido jurídico, sem qualquer referência à
dos fatores reais de poder que rege determinada nação,
fundamentação sociológica, política ou filosófica.
sob pena de se tornar mera folha de papel escrita, que
não corresponda à Constituição real. Por sua vez, Cons- c) no sentido estrutural, como norma em conexão
tituição Política (Carl Schmitt - 1928) é aquela que com a realidade social.
decorre de uma decisão política fundamental, e se traduz
d) no sentido total, com a integração dialética dos
na estrutura do Estado e dos Poderes, e na presença de
vá cios conteúdos da vida coleti'Ja.
um rol de direitos fundamentais. As normas que não tra·
duzirem a decisão política fundamental não serão consti- e) no sentido histórico, como uma concepção do evo-
tuição propriamente dita, mas meras leis constitucionais. luir social em direção à estabilidade.
Revisaço -Direito Constitucional • Paulo Lépore

c) Consti~Jiç~o de 1934 Altemativa "c": em que pese sua vital importância


para o constitucionalismo, a Constituição dos Estados
d) ConstitJiç~o de I937
Unidos da América não deu surgimento ao constitucio-
nalismo.
Altemativa "e": o constitucionalismo brasileiro
AlterMtiva correta: letra "d": a constituição de
não se inspirou fortemente no modelo constitucional
1S37 foi brtement2 influe-1ciada pela constituição
do Estad·:> da Inglaterra. Na verdade, a Carta de 1824 foi
a Ltoritária .:Ja F :>lônia, 11otiv:• pel·:> qual recebeu o ape-
inspiradê apenas na Constituição da Inglaterra (e não
lido de "Poi3Ca '.
no modelo constitucional do Estado da Inglaterra). Vale
Altern;,tiva "a": ê conS"Iituição de 1824 é conhe- dizer que a Carta de 1824 também recebeu influencia
cida como Carta lmpe ria!, pois vigeu enquanto o Brasil do const tucionalismo francês.
ahda era Império.
Altern~tiva "b":" constituição de 1891 foi a pri- (lESES - Notário-MA/2008) Assinale a alternativa
meira republkana, originad3 de u11 golpe político-mi- INCORRETA:
litar que de rrul:ou o lrr pé rio.
a) A Constituição de 1934 foi promulgada, ao passo
Alternativ.a "c": a cons:ituiç.3o de 1934 foi conse- que a de 1937 foi outorgada.
quência da revoluçã·:> con~.:i:ucionalista de 1932, sendo
a que mer.ls tempo durou no Brasil (apenas 3 anos). b) A Constituição de 1891 foi promulgada.
c) Das constituições brasileiras, as duas primeiras
(\'unesp - Notário-MS/2009) Assinale a alternativa eram semirrígidas.
que contém uma afirmativa correta a respeito do cons- d) A Ccnstituição de 1824 era semirrígida,já que pre-
ti:ucionalis11o. via a alteração de uma parte pelos chamados meios
a) O con~.titucionaiis11o te<•e seu marco inicial com a ordinários.
promu gacão, em 1215. da M;,gna Carta inglesa.
b: O cons titu~iona ismo ;urge f·xmalmente, em 1948,
com a =dição da Decl;;r;ção Universal dos Direitos
mm·a.
O Nota do autor: questões versando sobre as
Humaros da Orga1izaç~:> das Nações Unidas. Constituições ao longo da história merecem um estudo
c) A doutrinê do Direito Constitucional é uníssona no detalhaco, pois gravitam com frequência em questões
entendimento de que- C• constitucionalismo surgiu de concursos para cartório.
com a re\I'Oiuçã::> nor:e-3mericana resultando, em Alternativa certa: letra "c": o enunciado pede a
1787, r a C:>nstituio;ão dos Es:ados Unidos da Amé- alternativa incorreta. A constituição de 1824 era semirrí-
rica. gida, pois houve uma grande alteração em 1834, no ato
d• É poss.vel identifi:ar traços do constitucionalismo adicional, mas a de 1891 não.
mesmo na antiguijade dássi·:a e na Idade Média. Alternativa "a": a Constituição de 1934 foi promul-
e; O constitJcion3li;mo brasi eira inspirou-se for- gada, trazendo o sufrágio feminino e o voto secreto,
temen~e no mod~lo ceo1stitJcional do Estado da ao passo que a de 1937 foi outorgada, dando início a
Inglaterra. ditadura do Estado Novo e apelidada de "Polaca", por
ter sido influenciada pela Constituição autoritária da
Polônia

O Nota do autor: a que;tãotrata do surgimento do Alternativa "b": influenciada pelas constituições


constitucic..,al,;mo e foi nL to hem formulada, com a americana e francesa, a promulgada Constituição de
apresentação c e marc•:>S hisl•'>riccs entre as alternativas. 1891 trouxe o sufrágio universal masculino para os alfa-
betizadc-s maiores de 21 anos.
Alternativa correta: letra "d": entre os hebreus já
h3via uma me-nção ao con;titucionalismo, e também Alternativa "d": tal Constituição sofreu uma
n3 idade rréd<a, em qJe ê r:-agna carta de 1215 foi um grande alteração em 1834, por meio das emendas apro-
rr.arco. vadas no ato adicional.
Alternativa "a": r a icade m~dia a Magna Carta foi
u11a grance referên~io, porem,j2 havia traços do cons-
ti:ucionali~ mo entre os Hebreus. * DELEQADO DE POLÍCIA CIVIL
Alternativa "b": em 1948, com a proclamação da
Declaração Ur verso! dos D'·eitcs Humanos, podemos (Delegado de Polícia- MG /2008- ACADEPOL- PC/
d zer que ;urçe o neocc-ns.titudonalismo, uma nova MG) Segundo José Afonso da Silva, a Declaração do
v são sobre o constitucionalismo e que prima pela Povo Trabalhador e Explorado proclama, como seu
p2ssoa hunana. objetivo básico,
Capítulo I -Teoria da Constituição e das Normas Constitucionais

a) a supressão de toda exploração do homem pelo Gustavo Gonet Branco. 6' ed., pág. 65). A questão se
homem, abolindo definitivamente a divisão da referiu à concepção moderna do conceito de Consti-
sociedade em classes, fazendo triunfar o socialismo. tuição material e não à concepção original.
b) a visão universal dos direitos do homem, atribuin-
do-lhe como significado primordial o seu mundia-
lismo. * PROCURADOR DO ESTADO
c) o desenvolvimento do respeito ao direito e à liber-
dade individual, com base no reconhecimento e (FEPESE- Procurador do Estado- SC/2009) Assinale
aplicação do princípio da universalidade. a alternativa correta, com respeito ao modelo constitu-
d) a priorização da dignidade da pessoa humana, do cional, federal e estadual brasileiro.
ideal democrático e da resistência à opressão. a) A inconstitucionalidade de lei é de caráter formal
quando seu conteúdo contraria preceito ou princí-
pio da Constituição
Alternativa correta: letra "a": a alternativa vai ao b) O sistema de controle difuso de constitucionali-
encontro do que está previsto no capítulo li da mencio- dade se verifica quando se reconhece a uma Corte
nada Declaração, sendo citada por Jose Afonso da Silva Especial a competência para apreciar as ações de
em sua Obra.· inconstitucionalidade.
Alternativa "b": a expressão mundialismo é dire- c) O controle de constitucionalidade difuso também
tamente ligada ao capitalismo, portanto, incoerente é conhecido como controle in abstracto da lei que
com o pano de fundo da questão, de viés claramente fere a Constituição.
socialista.
d) A declaração de inconstitucionalidade na via indi-
Alternativa "c": tal alternativa, que elenca o prin-
reta, revoga a lei atacada até que o Senado declare
cípio da universalidade, tem supedâneo nos direitos
a sua invalidade.
humanos e não em uma luta de classes operárias, que
buscava o socialismo. e) Do princípio da supremacia da Constituição resulta
Alternativa "d": a priorização da dignidade da pes- o princípio da compatibilidade vertical das normas
soa humana ganhou destaque com a Declaração Uni- do ordenamentojuridico brasileiro.
versal dos Direitos Humanos, de 1948.
~UWt.fi~
Alternativa correta: letra "e": do princípio da
1.2. CONCEITO ECONCEPÇÕES supremacia da Constituição resulta o princípio da com-
DE CONSTITUIÇÃO patibilidade vertical das normas do ordenamento jurí-
dico brasileiro. Isso porque, a supremacia prega que
as normas constitucionais representam o paradigma
* ADVOaADO DA UNIÃO máximo de validade do ordenamento jurídico, de modo
que todas as demais normas são hierarquicamente infe-
riores a ela. Na pirâmide normativa de Hans Kelsen, a
(Cespe- Advogado da União/2012) No que se refere Constituição está no ápice, e as demais normas estão
ao conceito e à classificação das constituições bem como abaixo dela (relação de compatibilidade vertical).
das normas constitucionais, julgue o item que se segue.
Alternativa "a": a inconstitucionalidade de lei é de
caráter material (e não formal) quando seu conteúdo
Consoante a concepção moderna de constituição mate- contraria preceito ou princípio da Constituição
rial, ou substancial, o texto constitucional trata da nor-
Alternativa "b": o sistema de controle difuso de
matização de aspectos essenciais vinculados às cone-
constitucionalidade se verifica quando se reconhece a
xões das pessoas com os poderes públicos, não abran-
qualquer órgão investido de Poder Jurisdicional (e
gendo os fatores relacionados ao contato das pessoas e
dos grupos sociais entre si. não a uma Corte Especial) a competência para apreciar
as ações de inconstitucionalidade.
tt·1MJ@i;1!.{+ Alternativa "c": o controle de constitucionalidade
difuso também é conhecido como controle in concreto
Errado. Também conforme com o critério de cor-
(e não in abstracto) da lei ou ato normativo que fere a
reção do CESPE, segundo a doutrina, de acordo com a
Constituição.
concepção moderna do conceito de Constituição mate-
rial, a "Constituição passa a ser o local para delinear nor- Alternativa "d": A declaração de inconstitucionali-
mativamente também aspectos essências do contato dade na via indireta, nãc revoga a lei atacada. O máximo
das pessoas e grupos sociais entre sim, e não apenas que pode acontecer é o Senado expedir resolução para,
as suas conexões com os poderes públicos". (Curso de no todo ou em parte, suspender a execução de norma
Direito Constitucional. Gilmar Ferreira Mendes e Paulo declarada inconstitucional por decisão definitiva do STF.
Capítulo 1- Teoria da Constituição e das Normas Constitucionais 27

a) implementação de políticas públicas e ao ne•xons-


titucionalismo.
O Nota do Autor: a questão versa sobre as inúme-
b) desconstitucionalização dos direitos sacia s e à
ras concepções de Constituição, exigindo estudo atento
interpretação aberta da sociedade de Háberle.
do candidato.
c) petrificação dos direitos sociais e à interpr~tação
Alternativa correta: letra "b" (responde todas
literal de Savigny.
as demais alternativas): quando se usa a expressão
"a Constituição é norma pura", "puro dever ser", a con- d) ilegitimidade do controle jurisdicional e ao ativismo
cepção de Constituição foi adotada no sentido jurídico, judicial em direitos sociais.
sem qualquer referência à fundamentação sociológica, e) constituição reguladora de Juhmann e ao método
política ou filosófica. Tal concepção se refere à Consti- hermenêutica clássico.
tuição Jurídica, idealizada por Hans Kelsen, para quem
o Texto Constitucional deve se constituir em uma norma
hipotética fundamental pura, que traz fundamento
'k-IMil'f.!;ll·f•
transcendental para sua própria existência (sentido O Nota do Autor: a questão é complexa e exise
lógico-jurídico), e que, por se constituir no conjunto conhecimento aprofundado de hermenêutica :onsti-
de normas com mais alto grau de validade, deve servir tucional. Apesar de aparentemente fugir do padrão, é
questão considerada normal para a prova da defensor:a
de pressuposto para a criação das demais normas que
pública do Estado de São Paulo.
compõem o ordenamento jurídico (sentido jurídico-po-
sitivo). Alternativa correta: letra "a": a Constituição tem
compromisso com a efetivação de seu núcleo básico
(lnstitutocidades - Defensor Público - GOl 2010) (direitos fundamentais) como prega o neoconstitucio-
Quando se usa a expressão "a Constituição é a soma dos nalismo, o que somente pode ser pensado a patir co
fatores reais de poder", está se admitindo a concepção desenvolvimento de programas estatais, de ações, que
demandam uma perspectiva não teórica, mas si 11 con-
de constituição
creta e pragmática, de acordo com a ideia de imple-
a) no sentido político, como decisão concreta de con- mentação de políticas públicas, e que passe pe:o
junto sobre o modo e forma de existência da uni- compromisso do intérprete com as premissas do cor.s-
dade política. titucionalismo contemporâneo. Tal afirmação ;e sus-
b) no sentido sociológico, pela qual se entende a cons- tenta na ideia de que o neoconstitucionalismo apresen·
ta-se como um aprimoramento do Constitucior,alismc
tituição escrita apenas como uma "folha de papel".
Contemporâneo, pregando a importância de~tacada
c) no sentido lógico-jurídico, como norma jurídica da moral e dos valores sociais, garantidos predomina,-
hipotética fundamental. temente por meio de princípios. Não se conforma corr
d) no sentido jurídico-positivo, como norma positiva as normas programáticas e as constituições diri9entes
suprema que regula a criação de outras normas. afirmando que as Constituições devem ser dotcdas de
força normativa. Para conferir normatividade à Cors-
e) no sentido histórico, como uma concepção do evo- tituição, destaca o Poder Judiciário como garar,tidor e
luir social em direção à estabilidade. implementador de políticas públicas, colocando a ativi-
dade legislativa em segundo plano. Em resumo: traba-
lha com a ideia de extração da máxima efetividade do
Texto Constitucional, pois a Constituição deve o:upar o
Alternativa correta: letra "b" (responde todas
centro do sistema jurídico:
as demais alternativas): quando se usa a expressão "a
Constituição é a soma dos fatores reais de poder", está b) segundo Flávio Piovesan, a globalização econômica
se admitindo a concepção de constituição no sentido fundada no neoliberalismo, redução das despesas
sociológico, pela qual se entende a constituição escrita públicas, privatização, desconstitucionaliza·;ão/f e-
apenas como uma "folha de papel", como preceitua o xibilização dos direitos sociais, disciplina fiso:al paa
pensador Ferdinand Lassale. eliminação do déficit público, reforma tribJtárié e
abertura do mercado ao comércio exterior" :ausém
terrível abalo aos direitos sociais, que deix.am s2u
(FCC- Defensor Público- SP/2009) "A Constituição
caráter jurídico para se transformar em mercadOfia
tem compromisso com a efetivação de seu núcleo
passível de disposição. ("A desconstitucionalização
básico (direitos fundamentais), u que somente pode
dos direitos sociais na América Latina", in Gene-
ser pensado a partir do desenvolvimento de programas
sis, Curitiba, 16 (92), agosto 2000, p. 213-2:!3). Já a
estatais, de ações, que demandam uma perspectiva não
interpretação aberta de Peter Haberle presa que 3
teórica, mas sim concreta e pragmática e que passe pelo
Constituição deve ser interpretada por todo o po·to,
compromisso do intérprete com as premissas do cons-
e não apenas pelos juristas, no bojo dos proces;o.
titucionalismo contemporâneo."
Nenhuma dessas ideias se refere ao enunciado d3
Este enunciado diz respeito à questão.
[3] Revisaço- Direito Constitucional• Paulo Lépore

c) a petrificação dos direitos sociais consiste em


fenômeno possíve' por meio de interpretação- no
sentido que a expressão ''direitos individuais" cons- Alternativa correta: letra "e" (responde todas
tante no inciso :V, do§ 4°, do art. 60, da CF (cláusulas as alternativas): a Constituição Sociológica, ideali-
pétreas), de.te ser lida como •direitos fundamen- zada por Ferdinand Lassalle (1862) é aquela que deve
tais", abrange:1do, ::>ortanto, os direitos sociais. Já a traduzir a soma dos fatores reais de poder que rege
interpretação Iterai de Savigny, também chamado determinada nação, sob pena de se tornar mera folha
de semântica, é aquela por meio do qual a análise se de papel escrita, que nã.o corresponda à Constituição
real. Por sua vez, Constituição Política (Carl Schmitt-
·ealiza de modo textual e literal, ou seja, o texto da
1928) é aquela que decorre de uma decisão política
norma é tar.to o nício quanto o limite para a inter-
"fundamental, e se traduz na estrutura do Estado e
pretação. Verifica-;e, pois, que estas ideias não se
dos Poderes, e na presença de um rol de direitos fun-
relacionam ao conteúdo do enunciado da questão.
damentais. As normas que não traduzirem a decisão
Alternativa ud": há quem defensa a ilegitimidade política fundamental não serão constituição propria-
do controle jur sd·.cional quanto à implementação de mente dita, mas meras leis constitucionais. É, portanto,
políticas públicas, mas se trata de uma parte minoritária a decisão política fundamental sem a qual não se orga-
da doutrina. Isso porque, a maioria da doutrina e tam- niza ou funda um Estado.
bém o STF sustentam a ideia do ativismo judicial, em
que o judiciário passa a ser protagonista da efetivação (TJ-MG- Juiz de Direito- MG/2014) Sobre o conceito
dos direitos sociais. t'ão há, pois, adequação precisa ao de Constituição, assinale a alternativa CORRETA.
que se questiona nest= teste.
a) é o estatuto que regula as relações entre Estados
Alternativa "e": de iní:io destacamos que prova- soberanos.
velmente houve erro de digitação no caderno de prova,
pois a Constituição reguladora é de Niklas Luhmann b) é o conjunto de normas que regula os direitos e
(não Juhmann:. Ce toda forma, a Constituição regula- deveres de um povo.
dora é mais do que Lm paradigma de validade para o c) é a lei fundamental e suprema de um Estado, que
ordenamento. uridiw, representando um instrumento contém normas referentes à estruturação, à for-
faólitador à interpretação do sistema político. Já o mação dos poderes públicos, direitos, garantias e
método herme-néut co clássico é o defendido por Ernest deveres dos cidadãos.
Forsthoff, e parte d~ uma tese da identidade que exis-
d) é a norma maior de um Estado, que regula os direi-
tiria entre a ConstiU:ção e as demais leis, ou seja, se a tos e deveres de um povo nas suas relações.
co1stituição é uma ei, não há porque ter método espe-
cífico para interpre-tá-la. Note-se, pois que nenhuma
dessas ide ias r=sponde ao enunciado da questão.
Alternativa correta: letra "c" (responde a todas
as alternativas): a alternativa traz uma construção pró-
* ~'UIZ DE DIRErrO
xima ao conceito de Constituição Material estabelecido
pela doutrina, segundo o qual a Constituição é o arca-
bouço de normas que tratam da organização do poder,
(Vunesp - Juiz de Direito - MS/2015) Considerando da forma de governo, da distribuição da competência,
os diferentes conceitos de Constituição, abordados sob dos direitos da pessoa humana, considerados os sociais
a ótica peculiac de diversos doutrinadores, analise as e individuais, do exercício da autoridade, ou seja, trata
seguintes manifest:u;ões sobre o tema: da composição e do funcionamento da ordem política.
Constituição é a soma d8s fatores reais de poder
que regem uma determinada nação. {TJ - MG- Juiz de Direito- MG/2014) Sobre a supre-
macia da Constituição da República, assinale a alterna-
li. Constituh;ão é a decisão política fundamental sem a tiva CORRETA.
qual não ;e org2niza ou funda um Estado.
a) a supremacia está no fato de o controle da consti-
Assim, é correto afirmar que os conceitos I e 11 podem ser tucionalidade das leis só ser exercido pelo Supremo
atribuídos, reso-ectivamente, a Tribunal Federal.
a: Konrad He;se ~ Carl Schimitt. b) a supremacia está na obrigatoriedade de submis-
b) Ferdinand lass<Je e Hans Kelsen. são das leis aos princípios que norteiam o Estado
por ela instituído.
b) J.J. Canotilho e '-lans Kelsen.
c) a supremacia está no fato de a interpretação da
d) Hans Kelsen e Konrad Hesse.
constituição não depender da observância dos
e) Ferdinand Lassale e Carl Schimitt. princípios que a norteiam.
Capítulo 1- Teoria da Constituição e das Normas Consti_~u~~~~i~--------------------_1_~

d) a supremacia está no fato de que os princípios e tituição (sentido lógico-jurídico), e que, por se constituir
fundamentos da constituição se resumam na decla- no conjunto de normas com mais alto grau de validade,
ração de soberania. deve servir de pressuposto para a criação das demais
normas que compõem o ordenamento jurídico (sentido
HiMJifhM* jurídico-positivo). Já Emmanuel J. Sieyês é responsável
pela ideia clássica de Poder Constituinte, segundo a
Alternativa correta: letra "b": a noção de supre-
qual a soberania popular consiste essencialmente no
macia da Constituição é oriunda de dois conceitos
poder constituinte do povo. Ao seu lugar, Benjamin
essenciais: 1. a ideia de superioridade do Poder Cons-
Constant versa sobre o Poder Moderador, que é aquele
tituinte sobre as instituições jurídicas vigentes; e 2. a
que, paira sobre Executivo, Legislativo e Judiciário,
distinção entre Constituições Rígidas e Flexíveis. Nesse
podendo contê-los (moderá-los). Por fim, John Marshall
sentido, a supremacia prega que as normas constitucio-
é considerado o precursor do controle judicial (difuso)
nais representam o paradigma máximo de validade do
de constitucionalidade.
ordenamento jurídico, de modo que todas as demais
normas (incluídas, pois, as leis) são hierarquicamente
inferiores a ela e, portanto, aos seus princípios. Na pirâ-
mide normativa de Hans Kelsen a Constituição está no * PROCURADOR DA REPÚ8UCA
ápice e as demais normas estão abaixo dela, em uma
relação de compatibilidade vertical.
(MPF - Procurador da República/2008) REGISTRE A
Alternativa "a": o controle da constitucionalidade OPÇÃO INCORRETA:
não é exercido apenas pelo Supremo Tribunal Federal.
a) Uma leitura econômica e moral da Constituição,
No controle difuso de constitucionalidade qualquer juiz
em consonância com a tendência atual do Direito
pode declarar uma norma inconstitucional.
Internacional dos Direitos Humanos, tende a enxer-
Alternativa "c": a interpretação da constituição gar o combate à corrupção política e administrativa
depende da observância dos princípios que a norteiam, como garantia dos direitos fundamentais.
consoante comentários à alternativa "b".
b) A Constituição brasileira substituiu a dicção legal
Alternativa "d": os princípios e fundamentos da de excepcionalidade do patrimônio cultural a ser
constituição não se resumem na declaração de sobe- protegido pela sua referência à identidade, à ação
rania. A soberania decorre da superioridade do poder e à memória dos diferentes grupos formadores da
constituinte e de uma estrutura constitucional rígida. sociedade brasileira.
Por sua vez, os princípios e fundamentos enunciam
c) A técnica do "distinguishing" pode levar à inapli-
valores que vão além da noção de soberania, a exemplo
cabilidade total ou parcial de uma decisão judicial
do pluralismo político (art. 1',V, da CF).
vinculante.

(Vunesp -Juiz Substituto - MT 2009) Aponte a alter- d) A Constituição pluralista, como sistema parcial da
nativa que corresponde aos respectivos autores ou sociedade, reflete os diferentes pontos de vista e
defensores das seguintes ideias ou teorias do direito conflitos sociais, subsumidos a priori no princípio
constitucional: conceito jurídico de constituição; poder da unidade formal e axiológica da Constituição.
constituinte; poder moderador; e controle judicial de
constitucionalidade.
a) Ferdinand Lassale; Konrad Hesse; D. Pedro I; e Mon- Alternativa certa: letra "d" (a questão pede a
tesquieu. incorreta): segundo Gustavo Zagrebelsky, a Consti-
tuição Pluralista não é nem um mandato nem um
b) Konrad Hesse; Ferdinand Lassale; Rui Barbosa; e contrato. t aquela dotada de princípios universais,
RudolfVon lhering.
segundo as pretensões acordadas pelas "partes".
c) Hans Kelsen; Emmanuel J Sieyes; Benjamin Cons Caracteriza-se pela capacidade de oferecer respostas
tant; e John Marshal. adequadas ao nosso tempo ou, mais precisamente,
pela capacidade da ciência constitucional de buscar e
d) Carl Schimidtt; Ferdinand Lassale; Clóvis Bevilaqua;
encontrar essas respostas na constituição. Não se sub-
e lmmanuel Kant.
sume, portanto, a uma unidade formal e axiológica de
e) Hans Kelsen; Emmanuel J. Sieyes; Benjamin Cons- Constituição.
tant; e Ferdinand Lassale.
Alternativa "a": segundo Ronald Dworkin, a
leitura moral da Constituição elucida que a interpre-
tação jurídica deve valer-se de uma teoria política, sem
Alternativa correta: letra "c" (responde todas que isso signifique uma corrupção da interpretação. Os
as demais alternativas): Hans Kelsen foi o responsci- princípios e valores dos julgadores tendem a influenciar
vel pelo conceito jurídico de Constituição, fundado na nc desvelar das normas jurídicas (Uma questão de princi-
ideia que uma norma hipotética fundamental pura tr;;z pio. São Paulo: Martins Fontes: 2001, p. 246-247).Assim,
fundamento transcendental para a existência da Cons- de fato, uma leitura econômica e moral da Constitui-
30 Revisaço- Direito Constitucional • Paulo Lépore

ção, em consonância com a tendência atual do Direito Somando-se todos esses elementos tem-se uma Cons-
Internacional dos Direitos Humanos, tende a enxergar tituição Total.
o combate à corrupção política e administrativa como
Alternativa "a": concepção sociológica (Ferdi-
garantia dos direitos fundamentais.
nand Lassalle -1862): é aquela que deve traduzir a soma
Alternativa "b": a alternativa é reprodução literal dos fatores reais de poder que rege determinada nação,
da doutrina de José Afonso da Silva: "A Constituição sob pena de se tornar mera folha de papel escrita, que
brasileira substituiu a dicção legal de excepcionalidade não corresponda à Constituição real.
do patrimônio cultural a ser protegido pela sua refe-
Alternativa "b": concepção jurídica: (Hans Kelsen
rência à identidade, à ação e à memória dos diferentes
grupos formadores da sociedade brasileira" (Ordenação - 1934): é aquela que se constitui em norma hipotética
Constitucional da Cultura. São Paulo: Malheiros, 2001, p. fundamental pura, que traz fundamento transcendental
35). para sua própria existência (sentido lógico-jurídico), e
que, por se constituir no conjunto de normas com mais
Alternativa "c": distinguishing é um termo norte-a- alto grau de validade, deve servir de pressuposto para
mericano aplicado quando se distingue o caso concreto a criação das demais normas que compõem o ordena-
do precedente, ainda que. sumulado. Tendo em vista mento jurídico (sentido jurídico-positivo).
condições essenciais do caso concreto, o precedente
não deve ser aplicado, o que não significa que ele esteja Alternativa "c": concepção política (Carl Schmitt
sendo definitivamente abandonado. Assim, é correto - 1928): é aquela que decorre de uma decisão política
dizer que a técnica do distinguishing pode levar à inapli- fundamental, e se traduz na estrutura do Estado e dos
cabilidade total ou parcial de uma decisão judicial vin- Poderes, e na presença de um rol de direitos fundamen-
culante. tais. As normas que não traduzirem a decisão política
fundamental não serão constituição propriamente dita,
mas meras leis constitucionais.
* PROMOTOR DE JUSTIÇA Alternativa "e": a alternativa "d" é a correta.

(CEFET- Promotor de Justiça- BA/2015) As diferen- (MP- DFT- Promotor de Justiça- DFT/2011) Analise
tes formas de se compreender o direito acabam por pro- as afirmações abaixo e depois assinale a alternativa cor-
duzir diferentes concepções de constituição, conforme reta:
o prisma de análise. (. .. ). (NOVELINO, Marcelo. Direito O conceito de Estado de Direito moderno não era
Constitucional, 3 ed., Editora Método, 2009, p.101). incompatível com práticas democráticas restritivas.
Tendo como norte conceitual a doutrina do autor 11. As teorias mais aceitas contemporaneamente
acima, observe a seguinte formulação, realizada pelo defendem um conceito de Constituição que não
mesmo, acerca do fundamento de uma constituição: seja mera forma nem conteúdo estritamente diri-
"( ...) surge a ideia de constituição total, com aspec- gente.
tos econômicos, sociológicos, jurídicos e filosóficos, 111. Estado Democrático de Direito é zeteticamente um
a fim de abranger o seu conceito em uma perspectiva conceito com muitas concepções.
unitária(...)".
IV. A orientação constitucional sinepeica é formal -
Trata-se da: positivista, preocupando-se com a perfeição das
a) Concepção sociológica. normas em seu plano deôntico ou de "dever ser".
b) Concepção jurídica. a) Estão corretos os itens I, li e li\.

c) Concepção política. b) Apenas IV esta correto.

d) Concepção culturalista. c) Apenas os itens I e 11 estão corretos.


e) Estão incorretas todas as alternativas anteriores. d) Estão corretos os itens li e IV.
e) Apenas I é falso.

O Nota do Autor: a matéria relativa às concepções


de Constituição é cobrada com muita frequência. Reco-
~;J Nota do Autor: a questão tem alto nível de difi-
mendamos estudo atento do candidato ao Ministério
culdade, pois exige aprofundamento teórico, o que é
Público.
uma praxe nas provas para o MP- DFT.
Alternativa correta: letra "d": em complemento
Alternativa correta: "a".
à descrição do enunciado, concepção culturalista de
Constituição (Michel e Ainis- 1986) é aquela que repre- Item "I". Correto. O conceito de Estado de Direito
senta o fato cultural, ou seja, que disciplina as relações moderno, cristaiizado após a> revoluções liberais do
e direitos fundamentais pertinentes à cultura, tais como Século XVIII, não era incompatível com práticas demo-
a educação, o desporto, e a cultura em sentido estrito. cráticas restritivas, ao contrário, por estar forjado em
Capítulo I -Teoria da Constituição e das Normas Constitucionais I 31 I

um ideal de direito positivo e legalista, permitia sua mesmo modo que o poder constituinte originário,
manipulação com o objetivo de se sustentar um regime não tem limites paro realizar as alterações na ordem
totalitário. constitucional vigente.
Item "11". Correto. as teorias mais aceitas contem- a) As afirmativas I e 11 são falsas.
poraneamente defendem um conceito de Constituição
que não seja mera forma nem conteúdo estritamente b) As afirmativas 11 e IV são falsas.
dirigente, ou seja, que se extraia a máxima efetividade c) As afirmativas 111 e IV são falsas.
do Texto Constitucional por meio de uma atividade do
intérprete que otimize a norma constitucional para dela d) Todas as afirmativa~ são ;alsas.
extrair a maior efetividade possível, guardando estreita
relação com o princípio da força normativa. Esse ideal
também se relaciona ao método hermenêutico-concre-
Alternativa correta: letra "c"
tizador de Konrad Hesse, segundo o qual o intérprete
deve se valer de suas pré-compreensões valorativas Assertiva "I": segu 1do o conceito material, a Cons-
para obter o sentido da norma em um determinado tituição é o arcabouço de normas que tratam da orga-
problema. O conteúdo da norma somente é alcançado nização do poder, da fo·ma de governo, da distribuição
a partir de sua interpretação concretizadora, dotada do
da competência, dos direitos da pessoa humana, consi-
caráter criativo que emana do exegeta. Nesse sentido, o
derados o~ sociais e individuais, do exercício da autori-
método de Hesse possibilita que a Constituição tenha
força ativa para compreender e alterar a realidade. dade, ou seja, trata da composição e do funcionamento
da ordem política. O item é verdadeiro.
Item "111". Correto. A zetética admite questiona-
mentos em relação aos conceitos que estruturam um Assertiva "11": cor stitu ção semiflexível é aquela
saber, diferentemente do que ocorre com a dogmá- em que, para algumas natérias, as regras para sua alte-
tica. Assim, é correto dizer que Estado Democrático ração exigem quorum ~ualificado, mais difi:ultoso que
de Direito é zeteticamente um conceito com muitas as leis infraconstitucion3is, enquanto para outras maté-
concepções, porque não há consenso sobre o seu sig- rias, não exige essa formalidade. O item é verdadeiro.
nificado, que varia conforme a concepção ideológica do
intérprete. Assertiva "111": nas lições de Paulo Bonavides, clas-
sificam-se as constitu'ções esi::ritas como codificadas
Item "IV". Falso. A orientação constitucional sine-
ou legais. As legais são foriT adas por texto oriundo de
peica (que se traduz em uma consequência lógica)
documentos legais esparsos. Já as codificadas são for-
entende que o direito se aperfeiçoa metodicamente
madas por texto inscr to em documento único. Sendo
no tempo, figurando como instrumento de realização
da justiça. Assim, não se preocupa com a perfeição das assim, a Constituição Federal de 1988 é considerada
normas em seu plano deõntico ou de "dever ser", pois uma constituição codificada (não legal).
seu objetivo é outro. Assertiva "IV": de fat:l, o poder constituinte ori-
ginário é aquele que 'az a Constituição, instala uma
(MPE/GO - Promotor de Justiça - G0/2010) Leia as ordem jurídica nova e rompe com a ordem jurídica
afirmativas abaixo e, em seguida, assinale a alternativa anterior. Ademais, o poder constituinte derivado está
correta: mesmo inserido na Constituição, mas, diferentemente
Segundo o conceito material, a Constituição é o do que ocorre com o poder constituinte originário,
arcabouço de normas que tratam da organização ele tem limites para realizar as alterações na ordem
do poder, da forma de governo, da distribuição da constitucional vigente :amo, por exemplo, as cláusulas
competência, dos direitos da pessoa humana, con- pétreas (art. 60, § 4°, da CF:•.
siderados os sociais e individuais, do exercício da
autoridade, ou seja, trata da composição e do fun-

11.
cionamento da ordem política.
Constituição semiflexível é aquela em que, para
* DELEaADO DE POLÍCIA CIVIL

algumas matérias, as regras para sua alteração


exigem quorum qualificado, mais dificultoso que (Delegado de Polícia- SP/ 2011 - ACADEPOL) Há umê
as leis infraconstitucionais; enquanto para outras ide ia difundida de que a Constituição não se caracterizê
matérias, não exige essa formalidade. por ser
111. Classificam-se as constituições escritas como codi- a) a limitação do Poder do Estado.
ficadas ou legais. A Constituição Federal de 1988 é
considerada uma constituição legal. b) um corpo sistemático d 2 normas.

IV. O poder constituinte originário é aquele que faz c) a organização política tasilar de um Es:ado.
a Constituição, instala uma ordem jurídica nova e
d) a cúpula da ordem esta:Je'ecida.
rompe com a ordem jurídica anterior. O poder cons-
tituinte derivado está inserido na constituição e, do e) uma oligarquia eletiva.
Revisaço- Direito Constitucional • Paulo lépore

Alternativa correta: letra "e": uma oligarquia é Alternativa correta: "c".


um governo de poucos, o que vai ao encontro ao que
Item 1: incorreto. Uma Constituição não é votada
p·evê a CF de 1988, que elege o povo como detentor do
por simples processo ordinário, é fruto do trabalho de
p:>der estatal, exercido por meio de seus representantes
uma Assembleia Constituinte que, via de regra, é for-
e!eitos, ou diretamente, em determinados casos previs-
mada por representantes eleitos pelo povo para elabo-
tos na Constituição.
rar a Lei das leis. Porém não é regra absoluta que sejam
Alternativa "a": uma das características do consti- parlamentares os detentores de tais poderes. A Consti-
tucionalismo é a limitação do Poder Estatal, constante tuição Finlandesa, por exemplo, foi elaborada a partir
de um rol de direitos chamados de negativos, em que de ideias dos próprios cidadãos que assumiram o papel
·:>Estado deve interferir o mínimo na vida do cidadão. de Poder Constituinte Originário.
Alternativa "b": a Constituição chamada de mate- Item 11: correto. Uma Constituição em sua acepção
·ial é justamente o conjunto de normas que tratam da jurídica, é a Lei Maior que será o vértice do ordenamento
:>rganização do Estado. jurídico, ou seja, fundamento de validade de todas as
Alternativa "c": a organização do estado, em que normas existentes em determinado país, formando um
~ese ser elencada posteriormente aos direitos funda- escalonamento vertical hierárquico do direito positivo
mentais da pessoa humana na ordem de elaboração do Estado. A Constituição que organiza os elementos
ca Constituição, é presente por meio da constituição criados do próprio Estado estabelece a forma de Estado
naterial. e de Governo, atribui a separação de poderes a órgãos
independentes e harmônicos entre si e estabelece as
Alternativa "d": a Constituição é o documento
limitações do Poder Público.
legislativo que está no topo do ordenamento jurídico,
sendo responsável por balizar a confecção legislativa. Item 111: correto. A Constituição como norma orga-
nizadora de um Estado, por dar origem a este, natural-
mente estabelecerá os direitos e as garantias dos cida-
* INVESTiaADOR, ESCRIVÃO, AaENTE E
INSPETOR DE POÚCIA CIVIL.
dãos e delimitará o exercício da edição de normas jurídi-
cas, ou seja, das atividades legislativas e administrativas.
Tudv isso não deixa de ser uma garantia ao cidadão em
face do Estado, para coibir eventual abuso por parte
(Fumare- Escrivão de Polícia- MG/2011) A Constitui- deste. Pois todo aquele que detém um alto nível de
ção de um país é definida como sendo: poder, algum dia, tende a dele abusar.
o conjunto de comandos normativos elaborado e Item IV: incorreto. A Constituição é fruto do traba-
votado pelo Poder Legislativo, mediante processo lho da Assembleia Constituinte, que não será necessa-
ordinário, que estabelece competências no âmbito
riamente formada por parlamentares. Embora a Consti-
federal, estadual e municipal.
tuição de 1988 tenha sido elaborada por parlamentares,
11. a lei fundamental do Estado, que visa organizar essa não é a regra. Normalmente a Assembleia Consti-
os seus elementos constitutivos, como a formação tuinte é eleita pelo povo parar exercer apenas o papel
dos poderes, as formas de Estado e de governo, a de elaborar a Constituição e não de elaborar esta e ao
separação de poderes e as limitações ao exercício mesmo tempo legislar.
do poder político.
11. o diploma legal que estabelece os direitos, as
garantias e os deveres dos cidadãos, além de deter- 1.3. CLASSIFICAÇÃO DAS
minar as competências relativas à edição de normas CONSTITUIÇÕES
jurídicas, legislativas ou administrativas.
;V. o conjunto de leis, cuja elaboração é de com-
petência exclusiva da Câmara dos Deputados,
do Senado Federal ou do Con-:Jresso Nacional, na
* PROCURADOR FEDERAL.

forma e nos casos previstos pela própria Constitui-


ção. (Cespe- Procurador Federal/2010) No que se refere
ao conceito e à classificação de constituição, julgue o
A partir das definições acima, pode-se AFIRMAR próximo item
que
a) apenas as afirmativas I e IV estão corretas. Segundo a doutrina, quanto ao critério ontológico, que
b) apenas a afirmativa li está correta. busca identificar a correspondência entre a realidade
política do Estado e o texto constitucional, é possível
c) apenas as afirmativas li e 111 estão corretas.
classificar as constituições em normativas, nominalistas
d) as afirmativas I, li, 111 e IV estão corretas. e semânticas.
Capítulo I -Teoria da Constituição e das Normas Constitucionais

ganhou ainda mais relevância com as modificações


G.MIM4!!.f* introduzidas pela Emenda Constitucional no 45/2004,
Certo. Segundo a doutrina de Karl Loewestein, notadamente o art. 5', § 3', da CF, que traz a possibili-
quanto ao valor ou à ontologia, a Constituição pede ser dade de normas de tratados de direitos humanos serem
normativa (dotada de valor jurídico legítimo); nominal equivalentes às emendas constitucionais. Isso porque,
(sem valor jurídica; com papel eminentemente social), e segundo a doutrina, Constituição formal é aquela que
semântica (tem importância jurídica, mas não valoração se compõe do que consta em documento solene que
legitima, pois é criada apenas para jústificar o exercício tem posição hierárquica de destaque no ordenamento
de um Poder não democrático. São meros simulacros de jurídico. Já Constituiçã0 material é aquela formada por
Constituição). regras que exteriorizam a forma de Estado, organiza-
ções dos Poderes e direitos fundamentais. Portanto,
suas normas são aquelas essencialmente constitucio-
* PROCURADOR DA FAZENDA NACIONAL nais, mas que podem ser escritas ou costumeiras, pois a
forma tem importância secundária. As normas dos trata-
dos de direitos humanos incorporadas ao ordenamento
(ESAF- Procurador da Fazenda Nacional/2007) Assi-
jurídico brasileiro por força do art. 5', § 3', da CF, apesar
nale a opção correta no contexto do conceito e da clas- .de não integrarem o documento constitucional solene
sificação das constituições.
(o articulado da CF), compõem a Constituição material,
a) As constituições outorgadas não são precedidas de pois trazem conteúdo de direitos fundamentais.
atos· de manifestação livre da representatividade
Alternativa "c": Constituição não-escrita é aquela
popular e assim podem ser consideradas as Consti-
identificada a partir dos costumes, da jurisprudência
tuições brasileiras de 1824, 1937 e a de 1967, com a
predominante e até mesmo por documentos escritos
Emenda Constitucional no 01 de 1969.
(por mais contraditório que possa parecer). Como escla-
b) A distinção entre constituição em sentido material rece Dirley da Cunha Júnior, "não existe Constituição
e constituição em sentido formal perdeu relevância inteiramente não-escrita ou costumeira, pois sempre
considerando-se as modificações introduzidas pela haverá normas escritas compondo o seu conteúdo. A
Emenda Constitucional no 45/2004, denominada de Constituição inglesa, por exemplo, compreende impor-
"Reforma do Poder Judiciário". tantes textos escritos, mas esparsos no tempo e no
c) Considera-se constituição não-escrita a que se sus- espaço, como a Magna· Carta (1251). o Petition of Rights
tenta, sobretudo, em costumes, jurisprudências, (1628), o Habeas Corpus Act (1679), o Bill of Rights (1689),
convenções e em textos esparsos, formalmente entre outros" (Direito Constitucional. 6 ed. Salvador: Jus-
constitucionais. podivm, 2012, p. 120). O erro da alternativa está em
d) Carl Schmitt, principal protagonista da corrente afirmar que esses elementos são formalmente cons-
doutrinária conhecida como decisionista, advertia titucionais. É exatamente o contrário: esses elementos
que não há Estado sem Constituição, isso porque são materialmente constitucionais.
toda sociedade politicamente organizada contém Alternativa "d": Carl Schmitt sustenta a necessi-
uma estrutura mínima, por rudimentar que seja; por dade de uma Constituição Política, que decorra de
isso, o legado da Modernidade não é a Constituição uma decisão política fundamental, e se traduza na estru-
real e efetiva, mas as Constituições escritas.
tura do Estado e dos Poderes, e na presença de um rol
e) Para Ferdinand Lassalle, a constituição é dimensio- de direitos fundamentais. As normas que não traduzirem
nada como decisão global e fundamental prove- a decisão política fundamental não podem ser conside-
niente da unidade política, a qual, por isso mesmo, radas Constituição propriamente dita, mas meras leis
pode constantemente interferir no texto formai, constitucionais. Sua ideia se aproxima muito mais de
pelo que se torna inconcebível, nesta perspectiva uma concepção material de Constituição (como um
materializante, a idéia de rigidez de todas as regras. arcabouço de normas que tratam da organização do
poder, da forma de governo, da distribuição da com-
petência, dos direitos da pessoa humana, considerados
Alternativa correta: "a": segundo a classificação das os sociais e individuais, do exercício da autoridade, ou
Constituições quanto à origem, outorgadas são aquelas seja, trata da composição e do funcionamento da ordem
elaboradas sem a presença de legítimos representantes política) do que de uma perspectiva formal e escrita de
do povo, impostas pela vontade de um poder absolutista Constituição (todo o documento solene chamado de
ou totalitário, não democrático. As Constituições brasi- Constituição, independentemente de seu conteúdo).
leiras de 1824 (primeira Carta brasileira, de um Governo
Alternativa "e": Ferdinand Lassalle desenvolve a
ainda Imperialista), 1937 (Carta brasileira editada durante
concepção sociológica de Constituição, como aquela
a Era Vargas) e a de 1967, com a Emenda Constitucional no
que deve traduzir a soma dos fatores reais de poder que
01 de 1969 (haurida durante a ditadura militar principiada
rege determinada nação, sob pena de se tornar mera
em 1964), podem ser assim classificadas.
folha de papel escrita, que não corresponda à Consti-
Alternativa "b": a distinção entre constituição tuição real. Assim, não se sustenta como uma decisão
em sentido material e constituição em sentido formal proveniente meramente de uma unidade política.
34 Revisaço- Direito Constitucional • Paulo Lépore

* PROCURADOR DO ESTADO
Alternativa "c": as Constituições classificadas
como flexíveis são assim conhecidas porque o processo
para sua alteração é igual ao utilizado para criar leis. Ou
(PUC - Procurador do Estado - PR/201 5) Sobre as seja, admitem a alteração de seu conteúdo, de dificul-
possiveis classificações da Constituição, assinale a afir- dade igual ao utilizado para alteração de normas ordi-
mação CORRETA. nárias.
A) Na classificação de Loewenstein, a Constituição Alternativa "e": as Constituições tidas por rígidas
semântica é juridicamente válida, porém, não é real não são típicas de exercicios políticos autoritários e
e efetiva. Nesse caso, a Constituição possui validade temporalmente ilimitados. Na realidade, a constituição
jurídica, todavia, não é integrada na comunidade rígida é aquela em que o processo para a alteração de
política e social. qualquer de suas normas é mais difícil do que o utilizado
B) A Constituição da República Federativa do Brasil, para criar leis. Vale lembrar, nossa Carta Política de 1988
outorgada em 5/10/1988, pode ser classificada é considerada rígida (ou, segundo alguns doutrinado-
como semirrígida, porque admite o fenômeno da res, super-rigida).
mutação.
(Cespe- Procurador do Estado- AL/2008) Analise o
C) As Constituições classificadas como flexíveis são
seguinte dispositivo, reproduzido da CF.
assim conhecidas porque admitem a alteração de
seu conteúdo, desde que por meio de um processo Art. 242. O princípio do art. 206, IV (gratuidade do
legislativo formal, solene e mais dificultoso que o ensino público em estabelecimentos oficiais), não se
ordinário. aplica às instituições educacionais oficiais criadas por
D) A noção de Constituição dirigente determina que, lei estadual ou municipal e existentes na data da pro-
além de organizar e limitar o poder, a Constituição mulgação desta Constituição, que não sejam total ou
também preordena a atuação governamental por preponderantemente mantidas com recursos públicos.
meio de planos e programas de constitucionais vin- § 1."- O ensino da História do Brasil levará em conta
culantes. as contribuições das diferentes culturas e etnias para a
E) As Constituições tidas por rigidas são típicas de formação do povo brasileiro.
exercícios políticos autoritários e temporalmente § 2."- O Colégio Pedro 11, localizado na cidade do
ilimitados. Rio de Janeiro, será mantido na órbita federal.
Diante do dispositivo constitucional acima e acerca
do conceito e das concepções de constituição, bem
Alternativa correta: letra "d": a noção de Cons- como da classificação das constituições, assinale a
tituição dirigente determina que, além de organizar opção correta.
e limitar o poder, a Constituição também preordena a
atuação governamental por meio de planos e progra- a) As normas contidas no dispositivo acima transcrito
mas de constitucionais vinculantes. As constituições podem ser caracterizadas como materialmente
dirigentes prescrevem programas a serem implemen- constitucionais, porquanto traduzem a forma como
tados pelos Estados, normalmente por meio de normas o direito social à educação será implementado no
programáticas. Brasil.

Alternativa "a": na classificação de Loewenstein, a b) Os dispositivos constitucionais relativos à compo-


Constituição semântica tem importância jurídica, mas sição e ao funcionamento da ordem política expri-
não valoração legítima, pois é criada apenas para jus- mem o aspecto formal da Constituição.
tificar o exercício de um Poder não democrático. São c) A distinção entre o que é constitucional só na esfera
meros simulacros de Constituição. Ou seja, não possui formal~ aquilo que o é em sentido substancial só se
valoração legitima. Ainda, Loewestein aponta, ao lado produz nas constituições escritas.
da Constituição Semântica na classificação quanto ao
valor ou ontologia, a Constituição Normativa (dotada de d) O parágrafo 2." do art. 242 da CF, por trazer comando
valor jurídico legitimo) e a Constituição Nominal {sem tipico de legislação infraconstitucional, poderá ser
valor jurídico; com papel eminentemente social). alterado por meio do mesmo procedimento legis-
lativo utilizado para a alteração das leis ordinárias,
Alternativa "b": a Constituição da República
uma vez que a CF é classificada, quanto à estabili-
Federativa do Brasil, promulgada (e não outorgada)
dade, como semirrigida.
em 5/10/1988, pode ser classificada como Rígida ou
Super-rígida (mas não semirrigida). ~classificada rígida, e) O dispositivo constitucional em destaque demons-
pois seu processo de alteração é mais difícil do que o tra que a CF pode ser classificada, quanto à exten-
utilizado para criar leis. E Super-rígida, vez que, além são, como prolixa. Diante disso, é correto concluir
de o seu processo de alteração ser mais dificil do que que, no Brasil, há uma maior estabilidade do arca-
o utilizado para criar leis, ela tem uma parte imutável bouço constitucional que em paises como os Esta-
(cláusulas pétreas). dos Unidos da América.
Capítulo I -Teoria da Constituição e das Normas Constitucionais I 3s I

* PROCURADOR DO M'...INICÍPIO
O Nota do Autor: para a solução dessa questão é
importante relembrarmos a lição de Carl Schmitt. Para (Procurador do Municipio - Prefeitura Florianópo-
o referido pensador, Constituição Política é aquela que lis-se /2011 - FEPESE) Quando a Constituição exige
decorre de uma decisão política fundamental e se tra- um procedimento legislativo esp~cial para a alteração
duz na estrutura do Estado e dos Poderes e na presença de seu texto, mais dificultoso que o ~recesso legislativo
de um rol de direitos fundamentais. As normas que não ordinário, classifica-se como:
traduzirem a decisão política fundamental não serão
Constituição propriamente dita, mas meras leis consti- a) Rígida.
tucionais. Dessa constatação surge a ideia da Constitui- b) Flexível.
ção Material, que se traduz no arcabouço de normas que
c) Semirrígida.
tratam da organização do poder, da forma de governo,
da distribuição da competência, dos direitos da pessoa d) Semiflexível.
humana, considerados os sociais e individuais, do exer- e) Semi-imutável.
cício da autoridade, ou seja, trata da composição e do
funcionamento da ordem política. Assim, para Carl Sch-
mitt o objeto da constituição são as normas que tradu-
zem uma decisão política fundamental (e não todas que Alternativa cor:eta: letra ""a": assertiva está cor-
se encontram no texto constitucional). Ele faz, portanto, reta, pois, de fato, uma Constituiçã~ rígida exige um
uma distinção entre normas de cunho formal (que não procedimento legislativo especial p3ra a alteração de
por não se referirem à decisão política fundamental, seu texto, mais dificultoso que o p·ocesso legislativo
não traduziriam conteúdo constitucional) e material ordinário. A rigidez constitucional da at'ual Constituição
(normas que versam sobre a decisão política fundamen- Federal está prevista no artigo 60. qu.;>'estabelece o pro-
tal, que têm conteúdo constitucional, formando a Cons- cedimento de alteração do texto constitucional.
tituição Material). Alternativa "b": uma Constituição flexível não
Alternativa correta: letra "c": a distinção entre o exige um procedimento legislajvo especial para a
que é constitucioni só na esfera formal e aquilo que o alteração de seu texto, mais dificu:tcso que o processo
é em sentido substancial só se produz nas constituições legislativo ordinário. Ao contrário: o procedimento,
escritas, pois as Constituições não escritas são identifi- neste caso, é o mesmo de uma lei infraconstitucional.
cadas a partir dos costumes, da jurisprudência predomi- Alternativa "c": uma ConstitJiç3o semirrígida não
nante e até mesmo por documentos escritos (por mais exige um procedimento legislativ::> especial para a alte-
contraditório que possa parecer), o que faz com que se ração de seu texto em sua totalidade, ou seja, algumas
identifique apenas o que é materialmente constitucio- matérias reclamam um procedinen:o ma's dificultoso
nal. que o processo legislativo ordinírio, mas outras não.
A Constituição Imperial de 1824 é o único exemplo de
Alternativa "a": as normas contidas no disposi-
uma Constituição semirrígida em nossa história consti-
tivo acima transcrito podem ser caracterizadas como
tucional
formalmente (não materialmente) constitucionais,
porquanto não traduzem decisão política fundamental, Alternativa "d": semiflexível é ~ inônimo de sem ir-
mas mero detalhamento sobre o direito à educação, rígida, valendo, desta forma, as obse ·v ações da alterna-
já garantido em outros dispositivos constitucionais, a tiva anterior.
exemplos dos artigos 6° e 205, da CF. Alternativa "e": uma constitui ;ão imutável seria
Alternativa "b": os dispositivos constitucionais aquela inalterável, também denominada de perma-
relativos à composição e ao funcionamento da ordem nente. Logo, ainda que fosse seni-imutável. tal classi-
política exprimem o aspecto material da Constituição. ficação se adequaria ao enunciad•) proposto, pois parte
do texto constitucional não pode-ia ;e r alterado.
Alternativa "d": O parágrafo 2.0 do art. 242 da CF,
independentemente de trazer comando típico de
legislação infraconstitucional, não poderá ser alterado (Procurador do Município- Prefeitura Belo Horizon-
por meio do mesmo procedimento legislativo utilizado te-MG/2008 - Fundep) Assinale a c lternativa que cor-
responde à classificação das cons:itLições.
para a alteração das leis ordinárias, uma vez que a CF
é classificada, quanto à estabilidade, como rígida, ou a) Quanto ao conteúdo: materiais e formais; quanto
seja, aquela em que o processo para sua alteração é à forma: escritas e não escritas; quanto ao modo
mais difícil do que o utilizado para criar leis. de elaboração: dogmáticas e históricas: quanto à
origem: populares e outorgaja~; quanto à estabili-
Alternativa "e": o dispositivo constitucional em
dade: rígidas, flexíveis e semi-rígidas.
destaque demonstra que a CF pode ser classificada,
quanto à extensão, como analítica (e não como pro- b) Quanto à estabilidade: rígid~s • .;>stáveis e flexíveis;
lixa), pois a Constituição vai além dos princípios básicos, quanto à forma: escritas, dogrr áticas e costumei-
detalhando também outros assuntos. ras; quanto ao modo de elabor,3ção: codificadas e
~------------------- --------------~evi_saço- Direito Constitucional • Paulo Lépore

legois; quanto à origem: d.;,mocráticas, pactuadas,


po~ulares e outorgadas; qJanto à extensã_o: proli-
'+MWIUM•
xas e concisas. Alternativa correta: letra "a": está correta apenas
a proposição 111.
c) Qu.;nto ao conteúch mat~riais e formais; quanto
à origem: democr3ticas. populares e outorga- Proposição 1: incorreta. O exposto no enunciado
das quanto à forma: cos:umeiras, liberais, sociais; equivoca-se ao afirmar que as Constituições rígidas não
quanto a u1idade d:xumental: orgânicas e inorgâ- admitem modificação; o que ocorre nestes casos é um
nicas; quarto ao prccesso :Je reforma: fixas, imutá- processo de modificação mais rigoroso, mas é possível,
veio, rígida;, flexíveis e sem i-rígidas; quanto à dog- sim, a modificação.
má:ica: ortod·:Jxas e ecléticas; quanto à extensão:
Proposição 11: incorreta, pois a Constituição bra-
sintéticas e analítica;.
sileira é uma Constituição rígida, e não flexível, como
d) Quanto à i:Jeologia: ideal e real; quanto ao objeto: exposto no enunciado, em razão da existência de um
formais, substanciais e materiais; quanto à forma: his· processo de alteração mais solene das demais espé-
tóricas, dogmáticas e codificadas; quanto à origem: cies normativas. É o que está determinado no artigo.
prcmulgacas e outorgadas; quanto à alterabilidade: 60: A Constituição poderá ser emendada mediante
super-rígidas, semi:lexiveis. rígidas e flexíveis. proposta: I- de um terço, no mínimo, dos membros da
Câmara dos Deputados ou do Senado Federal; li -do
HMiitMN7 Presidente da República; 111 - de mais da metade das
Al1ernativa correta: letra "a": de acordo com os Assembleias Legislativas das unidades da Federação,
mais renomados constitucionalistas brasileiros, as cons- manifestando-se, cada uma delas, pela maioria relativa
tituições classi:icam-se em: material e formal, quanto ao de seus membros.
conteüdo; escrita e não escritos, quanto à forma; dog- Proposição 111: correta, já que o artigo 178 da Cons-
mática; e históricas, quanto ao seu modo de elabora- tituição do Império previa a alteração de alguns disposi-
ção; pcpulares e outor·:pdos, quanto à origem; e rígidas, tivos de forma mais solene, enquanto outros poderiam
flexíve se semi-ri9idas =1uanto à estabilidade. ser alterados pelo processo :egislativo ordinário.
At:ernativa "b": na class•ficação das constituições
quanto a estabilidade, não e>:iste a categoria estável. (Procurador do Município - Prefeitura Salvador-
Alternati•ta "c": no classificação das constituições ·BA/2006- FCC) Considerando o conceito de Constitui-
quant·J à forma, apenas existem escritas e costumeiras, ção e sua classificação, é correto afirmar que
e não costumeiras, liberais e sociais.
a) o conceito formal de Constituição aplica-se apenas
AHernati ~a "d": ·H classificação das constituições àquelas Constituições que acolhem normas com
quant::> ao objeto, a per as existem as formais e material- hierarquia de lei ordinária.
mente constituci-:Jnais.
b) a Constituição inglesa é um exemplo de constitui-
ção inteiramente costumeira, vale dizer, resultante
(Procurador do Município - Prefeitura Curitiba- apenas do costume popular.
·PR/2007- PIJC) Analise as proposições seguintes que
versam sobre a c assif cação das constituições: c) as Constituições flexíveis são sempre costumeiras.

Ao. Constituições r gidas não prevêem processo de d) a história brasileira não tem exemplos de Constitui-
rnodificacão. por isso duram mais no tempo do que ções outorgadas. Todas foram promulgadas, ainda
as f!exíve s que estio serrpre sofrendo reformas. que num contexto político não-democrático.
11. A Consti:uição Brasileica de 1988 é classificada e) a Constituição-dirigente tem como uma de suas
ceomo escrita, doçmática, popular e flexível. características a existência de numerosas normas
programáticas.
111. A Constituição do Império era semi-rígida, eis que
a ~umas de suas r;egras p·:·deriam ser alteradas pelo
pwcesso comum a todas as normas infraconstitu-
c· :mais, e outras estavam sujeitas a processo espe- Alternativa correta: letra "e": a constituição diri-
c oi previsto no p·óprio :exto constitucional. gente confere atenção especial à implementação de
Assinale a alternativa correta: programas pelo Estado, logo, contem inúmeras normas
programáticas.
É correta ou são ccrretas:
Alternativa "a": o conceito de Constituição Formal
a) Somente 111.
não se aplica às normas com hierarquia de lei ordinária,
b) Somente I. mas a todo o texto da Constituição. Como conceito bem
c) Somente I e 111. definido de constituição formal, temos que é aquela
composta pelo que consta em documento solene que
d) Somente 11. tem posição hierárquica de destaque no ordenamento
e) 1.11 e 111. jurídico.
Capítulo I -Teoria da Constituição e das Normas tConstitucioriais
-----~
Alternativa "b": conforme nos ensina o ilustre pois é criada apenas para justificar o exercfcio de um
autor Dirley da Cunha Júnior, "não existe Constituição Poder não democrático.
inteiramente não-escrita ou costumeira, pois sempre
Alternativa "a": a Constituição, na clássica defini-
haverá normas escritas compondo o seu conteúdo. A
ção de Carl Schimitt (não de Lassalle) é a decisão polí-
Constituição inglesa, por exemplo, compreende impor-
tica fundamental de um povo, insculpida em um texto
tantes textos escritos, mas esparsos no tempo e no
normativo que goza de superioridade jurídica frente
espaço, como a Magna Carta (1251), o Petition of Rights às demais normas constituciÓnais. Ferdinand Lassale
(1628), o Habeas Corpus Act (1679),0 Bill ofRights (1689), é responsável pela ideia de Constituição sociológica,
entre outros" (Direito Constitucional. 6 ed. Salvador: Jus- que deve traduzir a soma dos fatores reais de poder que
podivm, 2012, p. 120). rege determinada nação, sob pena de se tornar mera
Alternativa "c": a constituição flexível não é sem- folha de papel escrita, que não corresponda à Consti-
pre costumeira. Constituição flexível é aquela em que tuição real.
o processo para sua alteração é igual ao utilizado para Alternativa "b": para Hans Kelsen (não Carl Schi-
criar leis, podendo ser costumeira ou formal. mitt), a Constituição é a norma jurídica fundamental do
Alternativa "d": em nossa historia já houve cons- ordenamento jurídico, servindo de fundamento de vali-
tituições outorgadas, como, por exemplo, a· Carta de dade para as demais normas jurídicas.
1824. Alternativa "c": no entendimento de Ferdinand
Lasale (não Hans Kelsen), a Constituição é resultado das
forças reais de poder, buscando o seu fundamento de
* DEFENSOR PÚBLICO ESTADUAL validade em uma norma jurídica epistemológica.
Alternativa "d": para Carl Schmitt, há razão para
(lnstitutocidades - Defensor Público - AM/2011) A se fazer distinção entre normas constitucionais em sen-
respeito do conceito e da classificação da Constituição, tido formal e em sentido material, pois a Constituição
é correto afirmar que: Material representa o arcabouço de normas (em sen-
tido material) que tratam da organização do pocler, da
a) A Constituição, na clássica definição de Lassalle, é forma de governo, da distribuição da competência, dos
a decisão política fundamental de um povo, inscul- direitos da pessoa humana, considerados os sociais e
pida em um texto normativo que goza de superiori- individuais, do exercício da autoridade, ou seja, trata da
dade jurídica frente às demais normas constitucio- composição e do funcionamento da ordem política e,
nais. por isso, goza de superioridade jurídica frente às demais
b) Para Carl Schimitt, a Constituição é a norma jurídica normas constitucionais.
fundamental do ordenamento jurídico, servindo
de fundamento de validade para as demais normas (FCC - Defensor Público - SP/2010) A "Constituição
jurídicas. Dirigente" determina tarefas, estabelece metas e pro-
gramas e define fins para o Estado e para a sociedade.
c) No entendimento de Hans Kelsen, a Constituição é
Nesse modelo,
resultado das forças reais de poder, buscando o seu
fundamento de validade em uma norma jurídica a) são insindicáveis as políticas públicas no que se
epistemológica. refere aos meios necessários para atingi-las, pois é
nesse aspecto que reside a discricionariedade do
d) Para Carl Schmitt, não há razão para se fazer distin-
Governante.
ção entre normas constitucionais em sentido for-
mal e em sentido material, pois tudo o que está na b) não se aplica o controle de constitucionalidade das
Constituição tem o mesmo status constitucional. políticas governamentais, pois o Poder Judiciário
não tem legitimidade, nem atribuição sem que se
e) No sentido ontológico (Karl Loewenstein), a Consti-
viole a separação de poderes.
tuição pode ser classificada em semãntica, nominal
e normativa. A Constituição Federal de 1988 é um c) não cabe controle de constitucionalidade de "ques-
exemplo de Constituição normativa tões politicas" desde a Constituição de 1934 que
expressamente vedava ao Judiciário conhecer de
O:tMiiLW-t• questões exclusivamente políticas.

Alternativa correta: letra "e": no sentido ontoló- d) é cabível juízo de constitucionalidade de políticas
gico (Karl Loewenstein), a Constituição pode ser classi- públicas que podem ser consideradas incompatí-
ficada em semântica, nominal e normativa. A Constitui- veis com os objetivos constitucionais que vinculam
ção Federal de 1988 é um exemplo de Constituição a ação do Estado.
normativa, isso porque, ele é dotado de valor jurídico e) não é suscetível de controle de constitucionalidõde
legítimo, ao contrário da Constituição nominal, que tem as normas de caráter programático que integram o
valor apenas social, e da Constituição semântica, que núcleo político da Constituição, mas não o norma-
tem importância jurídica, mas não valoração legítima, tivo.
38 Revisaço- Direito Constitucional • Paulo Lépore

a) Não se considera o município entidade federativa,


embora se reconheça que ele dispõe de capacidade
O Nota do Autor: a questão exige vasto conhe- de auto-organização, autogoverno e autoadminis-
cimento sobre hermenêutica constitucional, além de tração.
senso crítico apurado, o que não é surpresa na prova
b) As formas de Estado e de governo adotadas na CF
de direito constitucional da Defensoria Pública de São
são consideradas, devido a previsão expressa, cláu-
Paulo. Sendo assim, o candidato deve dedicar boa parte sulas pétreas.
de seu estudo a essa temática, que se repete sistemati-
camente nessa prova. c) Quanto ao modo de elaboração, a CF é uma Consti-
tuição dogmática, na medida em que se apresenta
Alternativa correta: letra "d": a "Constituição como produto escrito e sistematizado por um órgão
Dirigente" determina tarefas, estabelece metas e pro- constituinte, a partir de valores predominantes em
gramas e define fins para o Estado e para a sociedade. determinado momento histórico.
Nesse modelo, é cabível juízo de constitucionalidade de
d) A matéria constante de proposta de emenda cons-
políticas públicas que podem ser consideradas incom-
titucional rejeitada ou havida por prejudicada não
patíveis com os objetivos constitucionais que vinculam
pode ser novamente apresentada na mesma legis-
a ação do Estado. Isso porque, a Constituição estabe-
latura.
lece metas a serem perseguidas, e o Poder Público deve
implementá-las. Nessa atividade de realização das polí- e) As normas presentes no ato das disposições consti-
ticas os agentes públicos têm discricionariedade quanto tucionais transitórias, pelo seu caráter temporário,
ao modo de realização de suas ações, mas não podem são dispositivos hierarquicamente inferiores às nor-
contrariar os preceitos estabelecidos pela Constituição, mas constantes do corpo principal da CF.
sob pena de se legitimar a atuação do Poder Judiciário
para controlar da constitucionalidade dessas ações. '+'ft!JIVNH•
Alternativa "a": são sindicáveis (ou seja, admitem Alternativa correta: letra "c": quanto ao modo de
investigação e questionamentos) as políticas públicas elaboração, uma Constituição pode ser: 1. Dogmática:
no que se refere aos meios necessários para atingi-las, sistematizada a partir de ide ias fundamentais; 2. Histó-
rica: de elaboração lenta, pois se materializa a partir dos
pois a discricionariedade do Governante não pode con-
costumes, que se modificam ao longo do tempo. A CF
trariar as prioridades dispostas na Constituição Federal,
de 1988 é uma Constituição dogmática, na medida em
notadamente quando envolver a realização de direitos
que se apresenta como produto escrito e sistematizado
fundamentais.
por um órgão constituinte, a partir de valores predomi-
Alternativa "b": no Brasil é plenamente admissível nantes em determinado momento histórico.
o controle de constitucionalidade das políticas gover- Alternativa "a": os Municípios são considerados
namentais (maioria da doutrina e do STF), pois o Poder entes federativos. A República Federativa do Brasil
Judiciário tem legitimidade para fiscalização cumpri- (RFB), formada pela união indissolúvel dos Estados
mento das prioridades constitucionais, e essa ação e Municípios e do Distrito Federal, constitui-se em
não viola a separação de poderes, pois a tripartição Estado Democrático de Direito e tem como fundamen-
das funções estatais somente tem lugar se houver res- tos: I -a soberania; 11 - a cidadania; 111 -a dignidade da
peito aos mandamentos constitucionais. pessoa humana; IV - os valores sociais do trabalho e da
livre iniciativa; V - o pluralismo político (art. 1• da CF).
Alternativa "c": no Brasil é plenamente cabível o
Segundo dispõe o artigo 18, da CF, a organização polí-
controle de constitucionalidade de "questões políticas",
tico-administrativa da República Federativa doBra-
nos termos da posição predominante tanto da doutrina
sil compreende a União, os Estados, o Distrito Fede-
quanto do STF.
ral e os Municípios, todos autônomos, nos termos
Alternativa "e": toda norma inscrita na Constitui- desta Constituição. Nesta esteira, vale destacar o que se
ção está sujeita a controle de constitucionalidade, inclu- denomina federalismo de terceiro grau, que é o nome
sive as normas de caráter programático que integram o que se dá à Federação que também confere autonomia
núcleo político e normativo da Constituição, em clara aos Municípios. No Brasil, o federalismo de terceiro grau
adesão ao Princípio da Máxima Efetividade ou Eficácia, passou a existir apenas a partir da Constituição Federal
inspirado na ideia de força normativa da Constituição, de 1988, momento em que os Municípios ganharam
intuída por Konrad Hesse. autonomia.
Alternativa "b": apenas a forma de Estado adotada
na CF é considerada expressamente cláusula pétrea
* JUIZ FEDERAL (art. 60, §4°, I, da CF). Quanto à forma de governo, há
o entendimento de que se trata de limitação implícita
do poder de reforma. Conforme aduz Nathalia Masson:
(TRF 1 - Juiz Federal Substituto 1• região/2015) A "Parece-nos impossível harmonizar a forma monárquica
respeito da ordem constitucional brasileira, assinale a com as cláusulas pétreas referentes à separação de
opção correta. poderes, ao voto periódico e a isonomia. Nesse sentido,
Capítulo 1- Teoria da Constituição e das Normas Constitucionais

seria hoje a forma republicana de Governo definitiva" e) O poder constituinte originário é a expressão das
(MASSON, Nathalia. Manual de direito constitucional. Sal- decisões soberanas da maioria de um povo, em
vador: Juspodivm, 2013, p. 143). dado momento histórico; esse poder se manifes:a
em uma assembleia constituinte soberana, respon-
Alternativa "d": A matéria constante de proposta
sável por inaugurar uma nova ordem jurldica.
de emenda rejeitada ou havida por prejudicada não
pode ser objeto de nova proposta na mesma sessão
legislativa (e não legislatura), em consonância com o 'H'@i@ét•
disposto no §5°, do artigo 60, da CF. Alternativa correta: letra "a": quanto ao conte-
údo, considera-se constituição formal aquela dotada
Alternativa "e": as normas presentes no ato das
de supremacia, que, como norma fundamental e supe-
disposições constitucionais transitórias não são hierar-
rior, regula o modo de produção das demais normas co
quicamente inferiores às normas constantes do corpo
ordenamento jurldico. Resumindo, pode-se dizer que
principal da CF. Não há hierarquia entre as normas da
a Constituição formal é aquela que se traduz em um
Constituição e as normas do ADCT. De acordo com Luís
documento solene que tem posição hierárquica de des-
Roberto Barroso, "[...] hierarquia, em Direito, designa o
taque no ordenamento jurídico.
fato de uma norma colher o seu fundamento de vali-
dade em outra, sendo inválida se contravier a norma Alternativa "b": as normas constitucionais são
matriz. Ora bem: não é isso que se passa na situação espécies de normas jurídicas, mas sua interpretação
aqui descrita. Pelo princípio da unidade da Constitui- não se baseia em conceitos e elementos clássicos
ção, inexiste hierarquia entre normas constitucionais da interpretação em geral, sendo possível afirmu,
originárias, que jamais poderão ser declaradas inconsti- portanto, que, no campo hermenêutica, as normas
tucionais umas em face das outras. A proteção especial constitucionais apresentam especificidades que as
dada às normas amparadas por cláusulas pétreas sobre- diferenciam das demais normas. Eventual colisão nor-
leva seu status político ou sua carga valorativa, com mativa ocorrida em âmbito constitucional não poce
ser considerada na mesma perspectiva do conflito
importantes repercussões hermenêuticas, mas não lhes
entre leis ordinárias, (também chamadas de "regras'),
atribui superioridade jurídica". (Curso de direito constitu-
ou seja, como um "conflito aparente de normas" para
cional contemporâneo. São Paulo: Saraiva, 2009, p. 167).
cuja solução seriam utilizados os critérios cronológio,
hierárquico ou da especialidade, na forma do "tudo cu
(Cespe- Juiz Federal Substituto 3• região/2011) Com nada" ("ali or nothing"), em que só se aplica um docu-
relação a poder constituinte originário, tipologia das mento normativo daqueles que aparentemente con-
constituições, hermenêutica e mutação constitucional, flitavam. Essa solução é inaplicável aos princípios, qLe
assinale a opção correta. não se sujeitam a esses critérios apontados pela dou-
trina, tampouco podem ser afastados uns em razão ce
a) Quanto ao conteúdo, considera-se constituição
outros. Assim, em toda colisão de princípios deve ser
formal aquela dotada de supremacia, que, como
respeitado o núcleo intangível dos direitos fundamen-
norma fundamental e superior, regula o modo de
tais concorrentes, mas sempre se deve chegar a uma
produção das demais normas do ordenamento jurí-
posição em que um prepondere sobre outro (mas, secn
dico.
eliminá-lo). A colisão deve ser resolvida por ponderaçeo
b) As normas constitucionais são espécies de normas ou concordância prática (Konrad Hesse), com aplicaçeo
jurídicas, e, como tal, sua interpretação baseia-se do principio da proporcionalidade (tradição alemã) ou
em conceitos e elementos clássicos da interpreta- pela dimensão de peso e importância (Ronald Dworkin).
ção em geral, não sendo possível afirmar, portanto, com aplicação do princípio da razoabilidade (tradiç~o
que, no campo hermenêutica, as normas constitu- norte-americana).
cionais apresentam especificidades que as diferen- Alternativa "c": segundo Luís Roberto Barros-a,
ciam das demais normas. a mutação constitucional pode ocorrer por inter-
c) A mutação constitucional ocorre por interpretação pretação, pela atuação do legislador e por via de
judicial ou por via de costume, mas não pela atu- costume. A mutação constitucional por via de interpr:-
ação do legislador, pois este age apenas editando tação "consiste na mudança de sentido da norma, e:n
normas de desenvolvimento ou complementação contraste com entendimento preexistente". Já a muto-
do texto constitucional, dentro dos limites por este ção pela atuação do legislador ocorrera "quando, P•Jr
ato normativo primário, procurar-se modificar a inter-
imposto.
pretação que tenha sido dada a alguma norma cons:i-
d) Conforme determinação expressa do Ato das Dis- tucional. É possível conceber que, ensejando a referida
posições Constitucionais Transitórias, cabe aos norma mais de uma leitura possível, o legislador opte
estados, ao DF e aos municípios exercer o poder por uma delas, exercitando o papel que lhe é próprio,
constituinte decorrente, entendido como a capaci- de realizar escolhas políticas. A mutação terá lugar se,
dade desses entes federativos de se auto- organi- vigerído um determinado entendimento, a lei vier a
zarem de acordo com suas próprias constituições, alterá-lo. Suponha-se, por exemplo, que o § 3° do art.
respeitados os princípios impostos, de fonma explí- 226 da Constituição - que reconhece a união estável
cita ou implícita, pela CF. entre homem e mulher como entidade familiar- viesse
[4o -, _______________________ _ Revisaço- Direito Constitucional • Paulo Lépore

a ser interpretado no sentido de considerar vedada só pode ser alteração pelo Poder Constituinte Originá-
a uni3o estável entre pessoas do mesmo sexo. Se a lei rio, "circunstância que implica, não em alteração, mas
ordinária vier a disciplinar esta última possibilidade, em elaboração, propriamente, de uma nova ordem
chancelando as uniões homoafetivas, terá modificado o constitucional" (CUNHA JÚNIOR, Dirley da. Curso de
sentido que vinha sendo dado à norma constitucional". Direito Constitucional. 6 ed. Salvador: Juspodivm, 2012,
PorfiTl, a mutação por costume é aquela que altera uma p. 122-123); 3. Rígida: aquela em que o processo para a
prática historicamente considerada válida. "Há outro alteração de qualquer de suas normas é mais difícil do
exerr pio expressivo contemporâneo, relacionado com que o utilizado para criar leis. Vale ressaltar que alguns
as Comissões Parlamentares de .nquérito (CPis). Nos autores falam em Constituição super-rígida, como
últimos anos, uma prática política persistente expandiu aquela em que além de o seu processo de alteração ser
os poderes dessas comissões e redefiniu suas compe- mais difícil do que o utilizado para criar leis, dispõe ainda
tênci3s. Passou-se a admitir, pacificamente, a determi-
de uma parte imutável (cláusulas pétreas); 4. Flexível:
naçã J de providên,cias que antes eram rejeitadas pela
aquela em que o processo para sua alteração é igual ao
dout·ina e pela jurisprudência, ai incluídas a quebra de
utilizado para criar leis; 5. Semi-rígida ou semiflexível:
sigilc·s bancários, telefônico e fis-:ais" (BARROSO, Luís
é aquela dotada de parte rígida (em que somente pode
Roberto. Curso de Direito Constitucional Contemporâneo.
ser alterada por processo mais difícil do que o utilizado
São Paulo: Saraiva, 2009, p. 128-135).
para criar leis), e parte flexível (em que pode ser alterada
Alternativa "d": cabe apenas aos Estados o exer- pelo mesmo processo utilizado para criar leis).
cício do poder constituinte decorrente (capacidade
dess~s entes federativos de se auto - organizarem de Alternativa correta: letra "b": as Constituições
acordo com suas próprias Constituições, respeitados rígidas são aquelas em que o processo para a alteração
os princípios impostos, de forma ~xplícita ou implícita, de quaisquer de suas normas é mais difícil do que o uti-
pela CF), e esta conclusão se extrai do art. 25, da CF, e lizado para criar leis. Elas dispensam cláusulas pétreas
não do ADCT. para que se qualifiquem como rígidas. Todavia, caso
haja dispositivos imutáveis (cláusulas pétreas), parte da
Alternativa "e": não necessariamente o poder
doutrina preferem classificá-las como super-rígidas.
constituinte originário é a expressão das decisões
soberanas da maioria de um povo, em dado momento Alternativa "a": não dispensa forma escrita, vez
histórico. Isso porque, o poder constituinte pode ser que toda Constituição rígida é escrita, pois não há rigi-
autcritário, representando a ideia de um líder não eleito dez em uma Constituição Não Escrita ou Costumeira.
democraticamente. Ademais, também não neces-
sariamente, esse poder se manifesta em uma assem- Alternativa "c": não pode ser modificada por lei
bleia constituinte soberana, responsável por inaugurar complementar, justamente pelo fato de que as Cons-
uma nova ordem jurídica. A organização e a forma de tituições rígidas possuem processo de alteração mais
exptessão do poder constituinte originário são livres, difícil do que o utilizado para criar leis (ordinárias ou
incoodicionadas, não sendo exigível uma assembléia complementares).
constituinte. Alternativa "d": não exclui quaisquer mecanismos
de controle preventivo de constitucionalidade. A exis-
tência ou não de controle preventivo de constituciona-
* JUIZ DE DIREfrO lidade não é incompatível com a rigidez constitucional.
Aliás, vale lembrar que nossa Carta Magna, classificada
como rígida (ou super-rígida) possui mecanismos de
(FCC- Juiz de Direito- RR/20151 Constituição rígida
controle preventivo de constitucionalidade.
a) dispersa forr:1a escrita.
Alternativa "e": não pressupõe mecanismo difuso
::J) dispensa clá~sulas pétreas. de controle de constitucionalidade. A Constituição
c) pode ser modificada por lei complementar. rígida pode adotar ou não mecanismo difuso de con-
trole de constitucionalidade.
d) exclui quaisquer mecanismos de controle preven-
tivo de constitucionalidade.
(TJ- MG- Juiz de Direito- MG/2014) Dentre as formas
~) pressupõe m~canismo difus::J de controle de consti-
de classificação das Constituições, uma delas é quanto
;ucionalidade.
à origem. Em relação às características de uma Consti-

~~
tuição quanto à sua origem, assinale a alternativa COR-
RETA.
O Nota do Autor: a classificação das constituições
a) dogmáticas ou históricas.
é um tema bastante abordado pelas bancas examina-
doras, de modo que é imprescindível que o candidato b) materiais ou formais.
con 1eça as principais classificações. Quanto à estabili-
c) analíticas ou sintéticas.
dade, classificam-se as Constituições em: 1. Imutável:
não prevê qualquer processo para sua alteração; 2. Fixa: d) promulgadas ou outorgadas.
Capítulo I -Teoria da Constituição e das Normas Constitucionais
------------------------ -----·~----- ------

e controversas da Constituição" (Curso de Direito Consti-


tucional. 22 ed. Malheiros: 200B, p. B4-BS), a exemplo do
Alternativa correta: letra "d": quanto à origem, que ocorre com a Constituição Norte-americana.
uma Constituição podem ser classificada como: 1.
Alternativa "b": toda Constituição rígida é escrita,
Democrática, Promulgada ou Popular: elaborada por
pois não há rigidez em uma Constituição Não Escrita ou
legítimos representantes do povo, normalmente orga-
Costumeira.
nizados em torno de uma Assembleia Constituinte; 2.
Outorgada: é aquela elaborada sem a presença de legí- Alternativa "c": toda Constituição costumeira é,
timos representantes do povo, imposta pela vontade de ao menos conceitualmente, flexível, pois seu processo
um poder absolutista ou totalitário, não democrático; de alteração não se diferencia do que se utiliza para a
3. Constituição Cesarista, Bonapartista, Plebiscitária ou alteração de qualquer outra norma que discipline o con-
Referendá ria: é aquela criada por um ditador ou impe- vívio social.
rador e posteriormente submetida à aprovação popular
Alternativa "d": nem toda Constituição escrita é
por plebiscito ou referendo; ou 4-. Heteroconstituição
rígida, pois a Constituição formadil por um texto pode
(ou "Constituição Dada"): é aquela criada fora do Estado
ser imutável, fixa, rígida, flexível, ou semiflexível.
em que irá vigorar. Ex: Constituição do Chipre (proce-
dente dos acordos de Zurique, de 1960, entre a Grã-Bre- Alternativa "e": uma Constituição pode ter partes
tanha, a Grécia e a Turquia). rígidas e partes flexíveis, e nesse caso será denominada
de semi-rígida ou semiflexível, pois tem parte rígida
Alternativa "a": dogmáticas ou históricas são for-
(que somente pode ser alterada por processo mais difí-
mas de-classificação quanto ao modo de elaboração.
cil do que o utilizado para criar leis), e parte flexível (que
Dogmática é a Constituição sistematizada a partir de
pode ser alterada pelo mesmo processo utilizado para
ideias fundamentais. Histórica é a Constituição de ela-
criar leis).
boração lenta, pois se materializa a partir dos costumes,
que se modificam ao longo do tempo.
(lESES -Juiz Substituto - MA/ 2008) De acordo com
Alternativa "b": materiais ou formais são formas a o conceito, classificações, elementos e histórico das
de classificação quanto ao conteúdo. Formal é a Cons-
constituições, marque V ou F, conforme as afirmações a
tituição que se compõe do que consta em documento
seguir sejam verdadeiras ou falsas.
solene que tem posição hierárquica de destaque no
ordenamento jurídico. ( ) A classificação das constituições em constituição
normativa, nominal e semântica foi formulada por
Alternativa "c": analíticas ou sintéticas são formas
Karl Loewenstein.
de classificação quanto à extensão. Sintética é a Consti-
tuição que regulamenta apenas os princípios básicos de li. ( ) A constituição como "decisão política do titular
um Estado. Analítica ou prolixa é a Constituição que vai do poder constituinte" é conceito criado por Carl
além dos princípios básicos, detalhando também outros Schmitt.
assuntos. 111. ( ) Nos Estados cuja constituição for flexível, uma lei
editada com conteúdo contrário ao texto constitu-
(FCC- Juiz Substituto- MS/ 2010) Relativamente às cional é válida e acarreta alteração no texto consti-
espécies de Constituições, é INCORRETO afirmar que tucional.
a) Constituições escritas excluem a possibilidade de IV. ( ) O artigo 3° do ADCT da CRFB/88 determinou que
costumes constitucionais. a revisão constitucional seria realizada após 5 anos
b) toda Constituição rígida é escrita. contados da promulgação da Constituição, pelo
voto da maioria absoluta dos membros do Con-
c) toda Constituição costumeira é, ao menos conceitu- gresso Nacional. em sessão unicameral.
almente, flexível.
A sequência correta, de cima para baixo, é:
d) nem toda Constituição escrita é rígida.
a) F- V- V- F
e) uma Constituição pode ter partes rígidas e partes
flexíveis. b) V- F- F- V
c) V- F- V- V
d) V-V-V-V
Alternativa correta: letra "a": as Constituições
escritas não excluem a possibilidade de costumes cons- m~mUPH#
titucionais. Como ensina Paulo Bonavides "deparem-
O Nota do autor: a questão explora bem a Teo-
-se-nos Constituições complementadas em sua apli-
ria do Direito Constitucional, exigindo conhecimento
cação pelo costume, quais as Constituições escritas de
sobre conceitos e classificações das Constituições. Esses
certos países, onde o elemento consuetudinário entra
temas devem ser constantemente revisados, pois as
igualmente como fator auxiliar e subsidiário importan-
tíssimo para completar e corrigir o texto constitucional questões pedem detalhes sobre eles.
lacunoso ou suprir, pela interpretação, partes obscuras Alternativa correta: letra "d":
Afirmativa 1: (V) A classificação das constituições
em constituição normativa, nominal e semântica foi
'+1MJII4M•
formulada por Karl Loewenstein. Para ele, Constituição Alternativa correta: letra "e"
Normativa é aquela dotada de valor jurídico; Nominal é Assertiva "1": Constituição cesarista é aquela for-
a que não tem valor jurídico, apenas social; e Semântica mada por dois mecanismos distintos de participação
é a que tem importância jurídica, mas não tem valora- popular: o plebiscito e o referendo. Em outras palavras,
ção legítima, pois é criada apenas para justificar o exer- Constituição Cesarista, Bonapartista, Plebiscitária ou
cício de um Poder. não democrático. Referendária é aquela criada por um ditador ou impe-
rador e posteriormente submetida à aprovação popular
Afirmativa 11: (V) A constituição como "decisão
por plebiscito ou referendo. Assim, o ítem está certo.
política do titular do poder constituinte" é conceito
criado por Carl Schmitt. Para o doutrinador, Constitui- Assertiva "11": atribui-se ao abade Emmanuel
ção Política é aquela que decorre de uma decisão polí- Sieyes o desenvolvimento da teoria do poder consti-
tica fundamental, e se traduz na estrutura do Estado e tuinte, com a obra "Que é o Terceiro Estado?". Para ele,
dos Poderes, e na presença de um rol de direitos funda- a soberania popular consiste essencialmente no poder
constituinte do povo. É o povo que constitui a atribui
mentais. As normas que não traduzirem a decisão polí-
seus poderes a órgãos estatais especialidades, que
tica fundamental não serão constituição propriamente
passam a se denominar Poderes (Executivo, Legislativo
dita, mas meras leis constitucionais.
e Judiciário). E se o povo delega certas partes do seu
Afirmativa 111: (V) Nos Estados cuja constituição for poder às diversas autoridades constituintes, ele man-
flexível (dotados de Texto Constitucional em que o pro- tém o poder constituinte. Portanto, a assertiva está
cesso para sua alteração é igual ao utilizado para criar certa.
leis), uma lei editada com conteúdo contrário ao Texto Assertiva "111": A Constituição flexível é aquela em
Constitucional é válida e acarreta alteração no texto que o processo para sua alteração é igual ao utilizado
constitucional, pois tem o mesmo valor que ele. para criar leis. Sendo assim, ela não adota o princípio da
Afirmativa IV: (V) O artigo 3° do ADCT da CRFB/88 supremacia da constituiç~o. pois todas as normas estão
no mesmo nível. Desta feita, a assertiva contém afirma-
determinou que a revisão constitucional seria realizada
ção certa.
após 5 anos contados da promulgação da Constitui-
ção, pelo voto da maioria absoluta dos membros do Assertiva "IV": Denomina-se mutação constitucio-
Congresso Nacional, em sessão. unicameral. Tal revisão nal o processo informal de mudança da constituição por
gerou seis emendas constitucionais de revisão que meio do qual são atribuídos novos sentidos à letra da
detêm o status de normas constitucionais derivadas, lei, sem que haja uma mudança formal do seu texto. Em
porque materializadas por meio de emendas. outras palavras: na mutação, altera-se a interpretação
sobre o texto da Constituição, chegando-se a norma
com sentido novo. O exemplo mais famoso é o empre-
(Cespe - Juiz Substituto - AL/ 2008) Julgue os itens gado ao STF ao art. 52, X, da CF, para dizer que a nova
subsequentes, relativos à teoria geral das constituições. norma que dele se extrai é no sentido que a resolução
I. Constituição cesarista é aquela formada por dois emitida pelo Senador Federal para suspender a execu-
mecanismos distintos de participação popular: c ção, no todo ou em parte, de norma declarada incons-
plebiscito e o referendo. titucional no controle difuso serve apenas para confe-
rir publicidade à decisão do STF. Por todo o exposto, a
11. Atribui-se ao abade Emmanuel Sieyes o desenvolvi- assertiva está certa.
mento da teoria do poder constituinte, com a obra
Que é o Terceiro Estado? (Cespe- Juiz Substituto- SE/2008) A CF é classificada
111. A constituição flexível não adota o princípio da como
supremacia da constituição. a) outorgada, formal, dogmática e histórica.
IV. Denomina-se mutação constitucional o processo b) formal, escrita, dogmática, rígida e popular.
informal de mudança da constituição por meio do
c) semi-rígida, popular, dogmática e histórica.
qual são atribuídos novos sentidos à letra da lei,
sem que haja uma mudança formal do seu texto. d) semi-rígida, histórica, dogmática e promulgada.
A quantidade de itens certos é igual a e) rígida, promulgada, histórica e material.

a) O. f!,],\l!l!f.i;ll-t•
b) 1.
Alternativa correta: letra "b" (responde a todas
c) 2. as alternativas): a Constituição Federal é classificada
como formal (documento solene). escrita (texto unido e
d) 3.
codificado), dogmática (sistematizada a partir de ideias
e) 4. fundamentais), rígida (processo de alteração é mais difí-
Capítulo I -Teoria da Constituição e das Normas Constitucionais

cil do que o utilizado para criar leis) e popular (elaborada (Direito Constitucional. 6 ed. Salvador: Juspocivm, 2012,
por legítimos representantes do povo, normalmente p. 120).
organizados em torno de uma Assembleia Constituinte).
Alternativa "c": a Constituição da lnglater·a classi-
fica-se como histórica, por ser prcduto do :e11po, ou

* PROMOTOR DE JU5T1ÇÂ
seja, de vagaroso pro-:esso de filtn;gem e absorção de
ideias. Constituição ortodoxa é aquela forjada sob a
ótica de somente uma ideologia, a exemplo da; Consti-
(Cespe - Promotor de Justiça - Pl/2012) Assinale a tuições da União Sovietica de 1923, 1936 e 1977.
opção correta no que diz respeito à classificação das Alternativa "d": constituição prolixa é sinônima de
constituições. analítica, e reflete aq<Jela que vai além dos princípios
a) A doutrina denomina constituição semântica as básicos, detalhando outros assuntos.
cartas políticas que apenas refletem as subjacentes Alternativa "e": quanto à ori~m. as constituições
relações de poder, correspondendo a meros simula- se classificam em popJiares. democráticas ou promul-
cros de constituição. gadas - deliberadas democraticanente - e outorga-
b) No que refere à forma, as constituições recebem das- impostas pelos governantes.
a denominação de materiais, quando consolida-
das em instrumento formal e solene, e não escri- (MPE- MS- Promotor de Justiça- I\IIS/2011) A atual
tas, quando baseadas em usos, costumes e textos Constituição da Repú ~lica Federativa do Brasil é consi-
esparsos. derada rígida em razã:>:
c) A Constituição da Inglaterra classifica-se como orto- a) das suas alterações e:<igirem procedirrento para
doxa, por ser produto do tempo, ou seja, de vaga- alteração mais qualificado que o'das leis :>rdinárias;
roso processo de filtragem e absorção de ideias.
b) da possibilidade de ser alterada após determinado
d) Diz-se que uma constituição é prolixa quando, prazo de sua promulgação;
por decorrência do tempo ou de radical mudança
do contexto social e político, deixa de refletir os c) de não permitir emenda constitucion ai quando
anseios e a realidade de determinado povo. houver violação às denominadas cláusulas pétreas;

e) Quanto à origem, as constituições se classificam em d) da possibilidade de haver modlicação da Constitui-


populares- deliberadas democraticamente- e pro- ção Federal mediante J:lebiscit~;
mulgadas- impostas pelos governantes. e) Nenhuma das alternati.,as anteriores.

mmmt.NH•
O Nota do Autor: o amigo leitor deve estudar o Alternativa correta: "a": Constituição rígida é
tema da classificação das Constituições, que vem sendo aquela em que o processo para a a teração de qualquer
cobrado com mais frequência nas provas. de suas normas é mais difícil do que o uti~Bdo para
Alternativa correta: "a": quanto ao valor ou onto- criar leis. Esse é o caso da Constituição de 1988, cujo
logia, segundo Karl Loewenstein, Constituição Semân- processo para edição de emenda constitucic.nal (art. 60
tica é aquela que tem importância jurídica, mas não da CF) é bem mais comple:<o do que o utilizado para a
valoração legítima, pois é criada apenas para justificar criação de lei.
o exercício de um Poder não democrático Assim, é cor- Alternativa "b": a pcssibilidade de alteo-ação de
reto dizer que são as cartas políticas que apenas refle- uma constituição após de1erminado prazo de sua pro-
tem as subjacentes relações de poder, correspondendo mulgação apresenta-se como u11 ·imitação temporal,
a meros simulacros de constituição. que não existiu ou existe na Constituição de 1988.
Alternativa "b": no que se refere à forma, as cons- Alternativa "c": a não permis5ão de emenda cons-
tituições recebem a denominação de formais (não titucional quando r.ouve• violaç3o às denominadas
materiais), quando consolidadas em instrumento for- cláusulas pétreas refere-se a uma limitação material
mal e solene, e não escritas quando identificada a partir ao poder de reforma que. apesar de estar presente na
dos costumes, da jurisprudência predominante e até
Constituição de 1988 (art. 60, § 4°), não é o que caracte-
mesmo por documentos escritos (por mais contra-
riza uma Constituição corr.•) rígida
ditório que possa parecer). Como esclarece Dirley da
Cunha Júnior, "não existe Constituição inteiramente Alternativa "d": a Corstituição Federal não admite
não - EScrita ou costumeira, pois sempre haverá nor- a sua modificação mediante plebis:ito, pois segundo
mas escritas compondo o seu conteúdo. A Constituição o art. 60, ela somente poderá ser emendada mediante
inglesa, por exemplo, compreende importantes textos proposta: I- de um terço, no míni11o, dos meo-nbros da
escritos, mas esparsos no tempo e no espaço, como a Câmara dos Deputados ou do Se1ado Federal; 11 -do
Magna Carta (1251), o Petition of Rights (1628), o Habeas Presidente da Repút lica; e 111 -de mais da metade das
Corpus Act (1679), o Bill of Rights (1689), entre outros" Assembléias Legisla:ivas das unidades da F'.!deração,
I~ ____R_ev_i_saço- Direito Constitucional • Paulo Lépore

m3nifestando-~e. cada uma delas, pela maioria relativa porque pede a categoria à partir da classificação ontoló-
de seus membr:>s. gica, e a classificação da Constituição como outorgada
Alternativa "e": prejudicada pela correção da segue critério quanto à origem.
alternativa "a". Alternativa "e": constituição ortodoxa é aquela
forjada sob a ótica de somente uma ideologia. A Carta
(Cespe - Pror.otor de Justiça - RN/2009) A Carta de 1937 é uma Constituição ortodoxa, mas a alternativa
outorgada em lO de novembro de 1937 é exemplo de está incorreta porque pede a categoria à partir da clas-
te~to constitt..cional colocado a serviço do detentor sificação ontológica, e a classificação da Constituição
do poder, para seu uso pessoal. t a máscara do poder. como outorgada segue critério quanto à ideologia.
t uma Constit•Jição que perde normatividade, salvo
n;;s passagens em que confere atribuições ao titular do
poder. . * NOTÁRIO E RECiiSTRADOR
Numerosos preceitos da Carta de 1937 permane-
ceram no dom r1io do puro nominalismo, sem qualquer
(EJEF- Notário-MG/2011) Como se classificam as cons-
aplicação e efetividade no mundo das normas jurídicas.
tituições quanto à origem?
Raul Machado Horta. Direito constitucional. 2 a ed.
Belo Horizonte: Dei Rey, 1999, ~- 54-5 (com adaptações). a) Escritas e não escritas

Considerar do a classificação ontológica das consti- b) Promulgadas e históricas


tuições, assinai~ a opção que apresenta a categoria que c) Outorgadas e promulgadas
se aplica à Ccmtituição de 1937, conforme a descrição
acima. d) Materiais e formais

a) constituição semântica
b' constituição dogmática
Alternativa correta: letra "c": a classificação
c) constituição formal de uma Constituição quanto à origem nos remete ao
constituição outorgada seu nascimento, ou seja, a maneira como ela surgiu,
d:
podendo ser promulgada, democrática ou popular,
e) constituição ortodoxa elaborada por legítimos representantes do povo, nor-
malmente organizados em torno de uma Assembleia
Constituinte. Pode ser também outorgada, que é
Alternativa correta: letra "a": a Carta de 1937 foi aquela elaborada sem a presença de legítimos repre-
o•Jtorgada dur.mte a denominada "Era Vargas", e foi a sentantes do povo, imposta pela vontade de um poder
responsável pEla afirmação do Estado Novo, em claro absolutista ou totalitário, não democrático.
atendimento a•)s interesses do Governante Getúlio Var-
Alternativa "a": essa assertiva diz respeito à clas-
g.,s. Desta feita, sob o ponto de vista do critério onto-
sificações das Constituições quanto à forma, e não
légico, a Carta de 1937 é classificada como uma Cons-
quanto à origem.
ti:uição semântica, pois teve importância jurídica, mas
n.lo teve valor2çâo legitima, pois foi criada apenas para Alternativa "b": sobre ser promulgada, não há
jLstificar o exercício de um Poder não democrático. dúvidas, porém, o examinador insere, na tentativa de
Alternativa "b": Constituição dogmática é aquela confundir o candidato, a informação "histórica", que
si;tematizada a partir de ideias fundamentais. A Carta diz respeito ao modo de elaboração. Uma constitui-
d~ 1937 é uma Constituição dogmática, mas a alterna- ção pode ser considerada histórica se sua elaboração é
ti·;a está incorreta porque pede a categoria à partir da lenta, pois se materializa a partir dos costumes, que se
classificação ontológica, e a classificação da Constitui- modificam ao longo do tempo.
ção como dog 11ática segue critério quanto ao modo Alternativa "d": esta classificação está relacionada
d~ elaboração.
ao conteúdo das constituições, sendo formal a que
Alternativa "c": constituição fcrmal é aquele que é composta de um documento solene, com posição
se c::>mpõe-se do que consta em documento solene. A hierárquica de destaque no ordenamento jurídico; e
C.Hta de 1937 é uma Constituição formal, mas a alterna- material aquela composta por regras que exteriorizam
ti·;a está incorreta porque pede a categoria à partir da a forma de Estado, organizações dos Poderes e direi-
classificação or.tológica, e a classificação da Constitui- tos fundamentais. Portanto, suas normas são aquelas
ção como formal segue critério quanto ao conteúdo. essencialmente constitucionais, mas que podem ser
Alternativa "d": constituição outorgada é aquela escritas ou costumeiras, pois a forma tem importância
elaborada sem a presença de legitimas representantes secundária.
do povo, impo5ta pela vontade de um poder absolutista
ou totalitário, r.ão democrático. A Carta de 1937 é uma (Vunesp- Notário-SP/2009) Nossa Constituição Fede-
C•)nstituição outorgada, mas a alternativa está incorreta ral é tida pela doutrina como rígida em razão de
Capítulo I -Teoria da Constituição e das Normas Constitucionais [45]
----------------------------~--~

a) não admitir emendas constitucionais, mormente se Alternativa "d": no que tange a constituição fle-
estas violarem cláusulas pétreas. xível, é aquela em que o processo para sua alteração é
b) poder ser modificada após certo tempo, se houver igual ao utilizado para criar leis.
um plebiscito assim determinando.
c) admitir alteração de~de que esta só ocorra após
determinado período da promulgação.
* DELECiADO DE POLÍCIA CIVIL

d) ser modificada mediante maior solenidade do que


exigido para as demais normas. (FGV- Delegado de Polícia - MA/2012) A respeito da
Constituição da República Federativa do Brasil, de 1988,
tendo em vista a classificação das constituições, assinale
a afirmativa correta.
Alternativa correta: letra "d": as emendas a cons-
tituição e sua forma de materialização estão previstas a:• A Constituição de 1988 é exemplo de Constituição
no art. 60 da CF, sendo que a proposta de emenda será semi-rígida, que possui um núcleo imutável (cláusu-
discutida e votada em cada Casa do Congresso Nacio- las pétreas) e outras normas passíveis de alteração.
nal, em dois turnos, considerando-se aprovada se obti- b) A Constituição de 1988 é exemplo de Constituição
ver, em ambos, três quintos dos votos dos respectivos outorgada, pois resulta do exercício da democracia
membros. indireta, por meio de representantes eleitos.
Alternativa "a": por óbvio que a Constituição c) O legislador constituinte optou pela adoção de uma
Federal de 1988 admite emendas, que inclusive estão Constituição histórica, formada tanto por um texto
previstas em seu art. 60. escrito quanto por usos e costumes internacionais.
Alternativa "b": não há previsão legal de plebiscito d) Na Constituição de 1988, coexistem normas mate-
pra a modificação da Constituição, bastando que a pro- rialmente constitucionais e normas apenas formal-
posta cumpra as formalidades quanto aos legitimados
mente constitucionais.
e ao quorum de aprovação, conforme previsão do art.
60, incisos I, 11 e 111, além dos parágrafos 1°, 2° e 3° da CF. e) A Constituição de 1988 pode ser considerada como
uma Constituição fixa (ou imutável). pois o seu
Alternativa "c": não há previsão legal de lapso
núcleo rígido não pode ser alterado nem mesmo
temporal para que seja possível alterar a Constitui-
por Emenda.
ção, bastando que a proposta cumpra as formalidades
quanto aos legitimados e ao quorum de aprovação,
conforme previsão do art. 60, incisos I, 11 e 111, além dos
parágrafos 1°,2° e 3° da CF. Alternativa correta: letra "d": a Constituição For-
mal compõe-se do que consta em documento solene
(Vunesp - Notário-SP/2009) Quanto à sua extensão, que tem posição hierárquica de destaque no ordena-
nossa Constituição Federal é definida pela doutrina mento jurídico. A Constituição Material é composta
como. por regras que exteriorizam a forma de Estado, organi-
zações dos Poderes e direitos fundamentais. Portanto,
a) sintética.
suas normas são aquelas essencialmente constitucio-
b) analítica. nais, mas que podem ser escritas ou costumeiras, pois
c) concisa. a forma tem importância secundária. A CF de 1988 tem
ambas, portanto, a alternativa está correta.
d) flexível.
Alternativa "a": em que pese a existência de cláu-
sulas pétreas, e de normas passíveis de alterações, a CF
de 1988 é rígida, pois é aquela em que o processo para
Alternativa correta: letra "b": nossa Constituição a alteração de qualquer de suas normas é mais difícil do
pode ser considerada analítica, pois vai além dos princí-
que o utilizado para criar leis.
pios básicos, detalhando também outros assuntos.
Alternativa "b": a Constituição de 1988 é promul-
Alternativa "a": sintética é a Constituição que
gada, já que foi elaborada por legitimas representantes
regulamenta apenas os princípios básicos de um
do povo.
Estado, o que não ocorre com a CF de 1988, que trata,
principalmente dos direitos e garantias fundamentais, Alternativa "c": a Constituição Brasileira é dogmá-
afirmando o princípio da dignidade da pessoa humana tica, pois foi sistematizada a partir de ideias fundamen-
como seu núcleo central. tais.
Alternativa "c": o conceito de constituição concisa Alternativa "e": a CF 1988 é rígida, possuindo um
é o mesmo de sintética, ou seja, regulamenta apenas os núcleo imutável, porém, com normas que podem sim
princípios básicos de um Estado. ser alteradas por meio de emendas constitucionais.
Revisaço- Direito Constitucional • Paulo Lépore

e) foi promulgada por Assembleia Nacional Consti-


(Delegado de Polícia- Pl/2009- NUCEPE) Analisadas, tuinte convocada na forma de Emenda à Constitui-
em caráter simultâneo, as Constituições da República ção anterior.
Federativa do Brasil, de 1988, e a dos Estados Unidos da
América, de 1787, é possível enquadrar as referidas nor-
mas fundamentais, respectivamente e nesta ordem, nas
«+MW!hM•
seguintes classificações: O Nota do autor: a questão aborda a classificação
da Constituição de 1988. O examinador busca confundir
a) escrita e não escrita. os candidatos com a inserção de características que não
b) sintética e analítica. são atinentes à rigidez do texto legal.

c) outorgada e promulgada. Alternativa correta: letra "c": a alternativa traduz


com clareza o significado da rigidez da CF/88. O pro-
d) rígida e sintética. cesso para a alteração das normas constitucionais está
e) histórica e dogmática. regulado por meio do art. 60 da CF. A Constituição é
considerada rígida por ser necessário um processo mais
elaborado e diferenciado para aprovar emendas à cons-
tituição, ou seja, um processo diferente do que é utili·
O Nota do autor: a questão versa sobre as classi- zado para a aprovação das leis ordinárias.
ficações das Constituições. Aqui, especificamente, o
Alternativa "a": a mutação constitucional é um
examinador ínvoca o conhecimento da Constituição
processo não formal de mudança da Constituição em
dos Estados Unidos, o que deve servir de alerta aos can-
que o texto constitucional permanece inalterado, modi-
didatos.
ficando-se apenas o significado e o sentido interpreta-
Alternativa correta: letra "d": a Constituição bra- tivo de determinada norma constitucional, portanto,
sileira é rígida, pois tem o processo para a alteração de perfeitamente aplicável na CF/88, que é rígida.
qualquer de suas normas é mais difícil do que o utilizado Alternativa "b": aqui o examinador elenca a rigi-
para criar leis. A Constituição dos EUA é sintética, pois dez como foram tratados tais crimes, induzindo o can-
é a Constituição que regulamenta apenas os princípios didato a erro.
básicos de um Estado.
Alternativa "d": outra alternativa em que o exa-
Alternativa "a": ambas as constituições são escri- minador busca demonstrar um tratamento rígido em
tas, sendo uma analítica, a do Brasil, e outra sintética, a determinados crimes, porém, sem que haja ligação com
dos EUA. a classificação da CF/88 como rígida.
Alternativa "b": aqui o examinador inverte a Alternativa "e": a classificação da CF como rígida
ordem, pois a do Brasil é analítica e a dos EUA é sintética. tem a ver com a forma como é feita a alteração de suas
normas, e não com o modo como ela se originou.
Alternativa "c": ambas são promulgadas, pois
foram elaboradas por legítimos representantes do
povo, normalmente organizados em torno de uma (Delegado de Polícia - RN/ 2008 - CESPE) A respeito
Assembleia Constituinte. das normas constitucionais, assinale a opção incorreta.

Alternativa "d": aqui o examinador inverte, nova- a) Dizem-se operativos os preceitos constitucionais
mente, a ordem das classificações. A Constituição do que são dotados de eficácia imediata ou, pelo
Brasil é dogmática, pois é sistematizada a partir de menos, de eficácia não dependente de condições
ideias fundamentais. A dos EUA é histórica, pois foi de institucionais ou de fato. Por outro lado, as normas
programáticas são as que definem objetivos cuja
elaboração lenta, pois se materializa à partir dos costu-
concretização depende de providências situadas
mes, que se modificam ao longo do tempo.
fora ou além do texto constitucional.

(Delegado de Policia- RJ/2009- CEPERJ) Diz-se que b) Quanto à matéria que disciplinam, as disposições
constitucionais podem ser classificadas em normas
a Constituição brasileira de 1988 é rígida porque:
de organização, que dispõem sobre a ordenação
a) não admite a ocorrência do fenômeno da mutação dos poderes do Estado, sua estrutura, competência,
constitucional. articulaçã::> recíproca e o estatuto dos seus titulares,
b) classifica como inafiançáveis os crimes de racismo e e normas definidoras de direitos, que traçam os
direitos fundamentais dos jurisdicionados.
tortura, entre outros.
c) Quanto à classificação das normas, a doutrina é
c) prevê, para sua reforma, a adoção de procedimento
unânime em afirmar que se pode realizar com
mais complexo, em tese, do que o adotado para a
segurança a distinção entre normas constitucionais
modificação das leis.
materiais e formais. As primeiras veiculam regras
d) estabelece penalidades severas para os crimes de que tratam da essência da constituição, tais como
responsabilidade. as que dizem respeito aos limites e atribuições dos
Capítulo 1- Teoria da Constituição e das Normas Constituc_io_n_a_is____________ ~

poderes políticos; as segundas, regras de conteúdo


variado. (Delegado de Polícia -TO/ 2008 - CESPEI Julgue os
itens a seguir, relativos à natureza jurídica, ~ classifica-
d) Consideram-se autoexecutáveis as disposições
ção e aos elementos da Constituição.
constitucionais bastantes em si, completas e sufi-
cientemente precisas na sua hipótese de incidên-
cia e na sua disposição, aquelas que ministram os A concepção política de Constituição, elaborada por
meios pelos quais se possa exercer ou proteger o Carl Schmitt, compreende-a como o conjL nto de nor-
direito que conferem, ou cumprir o dever e desem- mas que dizem respeito a uma decisãJ política funda-
penhar o encargo que elas impõem. mental, ou seja, a vontace manifestada pelo titular do
poder constituinte.
e) Os preceitos não autoaplicáveis são as disposições
constitucionais incompletas ou insuficientes, para
cuja execução se faz indispensável a mediação do
legislador, editando normas infraconstitucionais Certo. A Constituição política é aquela que decorre
regulamentadoras. de uma decisão política fundamental, e se traduz na
estrutura do Estado e dos Poderes, e na p·esença de
um rol de direitos fundamentais. As 1ormas que não
Alternativa certa: letra "c": a alternativa está cor- traduzirem a decisão política fundamental não serão
reta, pois apresenta-se em perfeita consonância com a constituição propriamente dita, mas r:1eras leis consti-
classificação de constituição material e formal. tucionais.

Alternativa "a": é justamente o contrário, cabendo


à interpretação garantir a funcionalidade de preceitos, Quanto ao conteúdo, a Constituição· material compre-
que por si só, não se tornam eficazes. ende as normas que, me:smo não sendo pertinentes à
matéria constitucional, so: encontram inseridas em um
Alternativa "b": quanto a norma organizadora, a
documento escrito e solene.
alternativa está correta, porém, no que tange às normas
garantidoras de direitos, esse tipo de norma possui qua-
tro divisões: direito individual -envolve a liberdade de
expressão, de religião, direito à propriedade, à justiça-; Errado. As normas c ue se encontram inseridas no
direito político - entendendo-se como o direito de ser texto da constituição, mas não versam sobro: a estrutu-
membro de uma autoridade política e como eleitor de ração e organização do Estado, fazem parte da Consti-
seus membros -;direito social -que é o direito à segu- tuição formal.
rança, a um mínimo bem-estar econômico e o de viver
a vida de acordo com os padrões predominantes na
Constituição-garantia é ê que, além de legitimar e limi-
sociedade- e o direito difuso- um direito difuso é exer-
cido por um e por todos, sendo seus maiores atributos tar o poder do Estado em face da sociedade, traça um
a indeterminação e a indivisibilidade. Faltou elencar as plano de evolução política e metas a seren alcançadas
normas programáticas, que são aquelas que descrevem no futuro.
os fins públicos que deverão ser alcançados pelo Estado,
verdadeiras normas-fim, que impõem uma atividade e
dirigem materialmente a concretização constitucional. Errado, pois esta dE-scrição corresponde à Consti-
Alternativa "d": tal definição recebe o nome de tuição-dirigente. A Cons~ituição garartia vi5a principal-
norma constitucional de eficácia plena, que são aque- mente a garantia das libE-rdades públi·:as.
las dotadas de aplicabilidade direta, imediata e integral,
pois não necessitam de lei infraconstitucional para tor- Os elementos orgânicos que compõ~m a Constituição
ná-las aplicáveis e nem admitem lei infraconstitucional dizem respeito às normas que regulo m a estrutura do
que lhes restrinja o conteúdo. Em outras palavras: elas
Estado e do poder, fixando o sistema de competência
trazem todo o conteúdo necessário para a sua materia-
dos órgãos, instituições e autoridades públi:as.
lização prática. São entendidas como de aplicabilidade
direta, imediata e integral, pois não necessitam de lei
i nfraco n stituciona I.
Alternativa "e": tal definição recebe o nome de Certo, já que tal des:rição corresponde a Constitui-
normas constitucionais de eficácia limitada, que são ção material. t o arcabc-uço de norrr as que tratam da
aquelas que possuem aplicabilidade indireta, mediata e organização do poder, da forma de govemo, da distri-
reduzida (não direta, não imediata e não integral), pois buição da competência, dos direitos da peswa humana,
exigem norma infraconstitucional para que se materia- considerados os sociais e individuais, do o:xercício da
lizem na prática. Elas podem ser de princípio programá- autoridade, ou seja, trata da composicão e do funciona-
tico ou princípio institutivo. mento da ordem política.
Revisaço- Direito Constitucional • Paulo Lépore

* POLICIAL RODOVIÁRIO trEDERAL •


Errado. A Constituição brasileira não sugere que
Texto
a guerra é o caminho natural para a resolução de pro-
Logo neo preânbu·lo da Carta de 7988, encontramos a blemas ou disputas no âmbito internacional, pois o seu
proclamaç(;' de q:Je Js representantes do povo brasileiro art. 4° reconhece que, em suas relações internacionais, a
se reuniram e~r Asse'Tlbléia Nacional Constituinte "para República Federativa do Brasil rege-se pelos princípios
instituir um Estado democrdtico, destinado a assegurar o da não-intervenção, da defesa da paz e da solução paci-
exerclcio dos diTei-os sucia:s e individuais, a liberdade, a fica dos conflitos.
segurança, •J bem - ec.tar, o desenvolvimento, a igualdade
e a justiça como valo:es suuremos de uma sociedade fra- No Estado democrático de direito, o princípio da
terna, plurc~sta e sem prece nceitos, fundada na harmonia intervenção máxima existe para garantir a segurança
social e comprometid!l, na orderr. interna e internacional, pública, não impondo limites à ação do agente no cum-
com a solução r- ac'fio das controvérsias". primento da lei.
No Estado demo.:rático de direito, o que se exige do
agente de cumprimento de lei não é que execute, a qual-
quer custo.. o que 1eh esti 1er previsto, mas que realize o
Errado. No Estado democrático de direito, o prin-
comando .'egal, de fcrmo :,ue lese o mínimo possível os
cipio da não-intervenção (e não máxima intervenção)
interesses particularer. existe como um vetor das relações internacionais, nos
José Tee genes Ab•eu. Jetson José da Silva, Luciano Cri- termos do art. 4° da CF.
safu/li Rodrk:Jues. ~ooedade, Estado e Polícia. Brasília: MJ/
DPRFICGA/CE, XJO'J, p.13 (com adaptações). A integridade física e moral do preso é garantida cons-
titucionalmente
(Cespe - Polida! Rodoviário Federal/2008) Tendo o
texto acima cc m•J ,~ferência inicial e considerando a
abrangência do tem~ por ele focêlizado, julgue os itens
Certo. Consoante art. 5°, XLIX, da CF, "é assegurado
seguintes.
aos presos o respeito à integridade física e moral".

Denominada CortStituição Cidadã, a Carta de 1988 foi


obra de parlarrenta--es eleitos pelo povo e contou com
ampla parti :ipação c e set·:Hes da sociedade brasileira.
* ANALISTA E TÉCNICO DE TRF E TRE
(IBFC - Analista Judiciário - Área Judiciária- TRE-
-AMI2014) Analise as seguintes afirmativas, referentes
Certo. Jenominada C:mstituição Cidadã (notada-
à classificação das Constituições, e indique a alternativa
mente por trazer vários cireitos relativos ao exercício
CORRETA:
da cidadania depois :Je muitos anos de ditadura mili-
tar), a Carta de 1SB8 foi oora de parlamentares eleitos a) "Constituições cesaristas" são aquelas impostas por
pelo povo e co 1teou com ampla participação de setores quem não recebeu poder para tanto.
da sociedade brc.sileira, doi porque, quanto à origem, b) "Constituições promulgadas" são aquelas que se
a Constit·Jição FedEral ~cde ~er denominada como restringem apenas aos elementos substancial-
democrática, pronu•gada ou popular. mente constitucionais, emitindo, especialmente,
princípios, organizando e limitado o poder.
Principio esser.ciêl cia Constituição de 1988, o Estado
c) "Constituições outorgadas" são originadas de um
democráti::· de direito pressupõe o respeito à cidada-
plebiscito popular sobre um projeto elaborado por
nia, à dign·dade da ~essoa humana, ao trabalho, à livre
um Imperador ou um Ditador.
iniciativa e 20 plurali: mo rolitico.
d) "Constituições pactuadas" são aquelas originadas
attrJ~~~~~,, de um compromisso instável de duas forças políti-
cas rivais, de maneira que o equilíbrio fornecido por
Certo. Prir.cí~·io essercial encartado no art. 1° da tal espécie de Carta é precário.
Con;tituição d~ 198E, o Estado democrático de direito
pressupõe c• re;peit: à cidadan.a, à dignidade da pes-
soa human '· ao tratalho, à livre iniciativa e ao plura-
lismo polí:ico. Alternativa correta: letra "d": segundo Uadi
Lammêgo Bulas, Constituições pactuadas "surgem
A Constitui cão Jrc-sileira sugere que a guerra é o cami- mediante pacto entre o soberano e a organização
nho natural para a re;oluç§o de problemas ou disputas nacional. Nelas, inclusive, o poder constituinte pode
no âmbito intema:iolal. se concentrar nas mãos de mais de um titular. Por isso,
Capítulo 1- Teoria da Constituição e das Normas Constitucionais

trata-se de modalidade anacrônica, dificilmente se ajus- jurídica, pois é criada apenas para justificar o exercício
tando à noção moderna de Constituição, intimamente de um Poder não democrático.
associada à ideia de unidade do poder constituinte
Alternativa "a": quanto à sua mutabilidade ou
Alternativa "a": Constituição Cesarista, Bonapar- estabilidade, a CF pode ser classificada como semi-r-
tista, Plebiscitária ou Referendá ria: é aquela criada por
rígida, se for dotada de parte rígida (em que somente
um ditador ou imperador e posteriormente submetida
pode ser alterada por processo mais difícil do que o uti-
à aprovação popular por plebiscito ou referendo. Por-
tanto, não é aquela imposta por quem não recebeu lizado para criar leis), e parte flexível (em que pode ser
poder para tanto. alterada pelo mesmo processo utilizado para criar leis).
Alternativa "b": Constituição Democrática, Pro- Alternativa "b": a CF é um exemplo de constitui-
mulgada ou Popular é aquela elaborada por legítimos ção promulgada (não outorgada), visto que foi elabo-
representantes do povo, normalmente organizados em rada por representantes legítimos do povo.
torno de uma Assembleia Constituinte, não havendo
qualquer relação quanto aos elementos que a com- Alternativa "d": quanto à ideologia, a CF é classifi-
põem. cada pela doutrina como eclética (não ortodoxa), pois é
Alternativa "c": Constituição Outorgada é aquela fundada em valores plurais.
elaborada sem a presença de legítimos representantes Alternativa "e": a CF foi elaborada a partir da
do povo, imposta pela vontade de um poder absolu-
sistematização de ideias fundamentais (e não sob
tista ou totalitário, não democrático. Não tem origem
relacionada a plebiscito popular sobre um projeto influxo dos costumes e transformações sociais). Sua
elaborado por um Imperador ou um Ditador, pois essa confecção não é fruto da evolução histórica das tradi-
espécie de Constituição é a Cesarista. ções do provo brasileiro, sendo, por isso, classificada
como uma constituição dogmática (não histórica).
(Analista Judiciário- Area Judiciária TRE/MT 2010-
CESPE) De acordo com a classificação das constituições, (Analista Judiciário - Execução de Mandados - TRF
assinale a opção correta. 4• região/ 2006 - FCC) A Constituição da República
a) Quanto à sua mutabilidade, a CF pode ser classifi- Federativa do Brasil (1988), pode ser classificada quanto
cada como semirrígida, uma vez que não pode ser ao seu conteúdo, seu modo de elaboração, sua origem,
alterada com a mesma simplicidade com que se sua estabilidade e sua extensão, como
modifica uma lei.
a) formal, histórica ou costumeira, promulgada, flexí-
b) A CF é um exemplo de constituição outorgada, visto
vel e sintética.
que foi elaborada por representantes legítimos do
povo. b) material, dogmática, outorgada, rígida e sintética.
c) Segundo a classificação óntológica de Karl c) formal, dogmática, promulgada, super-rígida e ana-
Loewenstein, as constituições podem ser divididas
lítica.
em normativas, nominais ou semânticas, conforme
o grau de correspondência entre a pretensão nor- d) material, pragmática, outorgada, semi-rígida e sin-
mativa dos seus preceitos e a realidade do processo tética.
de poder.
e) formal, histórica ou costumeira, outorgada, flexível
d) Quanto à ideologia, a CF é classificada pela doutrina
e analítica.
como ortodoxa.
e) A CF foi elaborada sob influxo dos costumes e
transformações sociais. Sua confecção é fruto da
evolução histórica das tradições do provo brasileiro, Alternativa correta: letra "c" (responde todas as
sendo, por isso, classificada como uma constituição alternativas): a Constituição da República Federativa
histórica. do Brasil de 1988 pode ser classificada como: i. quanto
ao seu conteúdo: formal (documento solene); ii. seu
modo de elaboração: dogmática (sistematiza a partir
Alternativa correta: letra "c": segundo a classi- de ideias fundamentais); iii. sua origem: promulgada
ficação ontológica de Karl Loewenstein, as constitui- (elaborada por legítimos representantes do povo); iv.
ções podem ser divididas em normativas, nominais ou sua estabilidade: super-rígida (além de o seu processo
semânticas, conforme o grau de correspondência entre
de alteração ser mais difícil do que o utilizado para criar
a pretensão normativa dos seus preceitos e a realidade
leis, ela tem uma parte imutável, que são as cláusulas
do processo de poder. Normativa é aquela dotada de
valor jurídico legítimo. Nominal é a que não tem valor pétreas); e sua extensão: analítica (vai além dos princí-
jurídico, mas meramente social. Por fim, semântica é pios básicos, trazendo detalhamento também de outros
aquela que tem importância jurídica, mas não valoração assuntos)
~------------- _____________ ~~is~~~-~ire~~()n_s_t_it_u_c_io_n_a_l_·_P~_u_lo_L_ép_o_r_e

* ANALISTA E TÉCNICO DE TRT


d) a Constituição dos Estados Unidos é analítica, rígida
e a da República Federativa do Brasil de 1988 é his-
tórica e consuetudinária.
(FCC- Técnico Judiciário- Area Administrativa- TRT e) a Constituição da República Federativa do Brasil de
4/2015) Em relação à sua mutabilidade ou alterabili- 1988 é democrática, promulgada e flexível, a dos
dade, as Constituições podem ser classificadas em: Estados Unidos, rígida, sintética e democrática.
a) flexíveis, rígidas, semirrígidas ou semiflexíveis, e
superrígidas.
b) delegadas, outorgadas ou consensuais. Alternativa "a": correta: a Constituição da Repú-
blica Federativa do Brasil de 1988 é escrita, analítica
c) analíticas ou sintéticas.
e rígida. Já Constituição dos Estados Unidos é rígida
d) escritas, costumeiras ou mistas. (seu processo de alteração é mais difícil do que o uti-
e) originárias ou derivadas. lizado para criar leis), sintética (regulamenta apenas os
princípios básicos do Estado) e negativa (privilegia as
'+'8WitúM• liberdades e a não-intervenção do Estado nas relações
particulares).
Alternativa correta: letra "a" (responde a todas
as alternativas): quanto à sua mutabilidade, as cons- Alternativa "b": a Constituição da República
tituições podem ser classificadas em flexíveis, rígidas, Federativa do Brasil de 1988 não é do tipo histórica
semirrígidas ou semiflexíveis, e superrígidas. Flexível é (de elaboração lenta, pela materialização a partir dos
aquela em que o processo para sua alteração é igual ao costumes, que se modificam ao longo do tempo), mas
utilizado para criar leis. Rígida é aquela em que o pro- sim dogmática. f tarrbém rígida, mas não é outorgada
cesso para a alteração de qualquer de suas normas é (elaborada sem a presença de legítimos representantes
mais difícil do que o utilizado para criar leis. Semirrígida do povo), pois é democrática. Já a Constituição dos Esta-
ou semiflexível é aquela dotada de parte rígida (em que dos Unidos, de fato, é rígida e sintética.
somente pode ser alterada por processo mais difícil do Alternativa "c": a Constituição dos Estados Uni-
que o utilizado para criar leis), e parte flexível (em que dos não é do tipo consuetudinária (identificada a partir
pode ser alterada pelo mesmo processo utilizado para dos costumes e da jurisprudência dominantes), pois é
criar leis). Superrígida é aquela em que além de o seu escrita, também não é flexível (processo de alteração
processo de alteração ser mais difícil do que o utilizado igual ao utilizado para criar leis), uma vez que é rígida.
para criar leis, dispõe ainda de uma parte imutável (cláu- Já a Constituição da República Federativa do Brasil de
sulas pétreas). 1988 é escrita e rígida.
Alternativa "d": a Constituição dos Estados Unidos
* AUDrTOR DA RECErTA FEDERAL não é analítica, pois é sintética, além de rígida. Por sua
vez, a Constituição da República Federativa do Brasil de
1988 não é histórica, pois é dogmática, e também não é
(ESAF - AFRFB - 2012) O Estudo da Teoria Geral da consuetudinária, pois se classifica como escrita.
Constituição revela que a Constituição dos Estados Uni-
Alternativa "e": a Constituição da República Fede-
dos se ocupa da definição da estrutura do Estado, fun-
rativa do Brasil de 1988 é democrática, promulgada e
cionamento e relação entre os Poderes, entre outros dis-
rígida (não flexível) e a dos Estados Unidos é rígida,
positivos. Por sua vez, a Constituição da República Fede-
sintética e democrática.
rativa do Brasil de 1988 é detalhista e minuciosa. Ambas,
entretanto, se submetem a processo mais dificultoso de
emenda constitucional. Considerando a classificação (ESAF- AFRFB- 2009) Marque a opção incorreta.
das constituições e tomando-se como verdadeiras essas a) A constituição escrita, também denominada de
observações, sobre uma e outra Constituição, é possível constituição instrumental, aponta efeito racionali-
afirmar que zador, estabilizante, de segurança jurídica e de cal-
a) a Constituição da República Federativa do Brasil de culabilidade e publicidade.
1988 é escrita, ana.lítica e rígida, a dos Estados Uni- b) A constituição dogmática se apresenta como pro-
dos, rígida, sintética e negativa. duto escrito e sistematizado por um órgão consti-
b) a Constituição da República Federativa do Brasil de tuinte, a partir de princípios e ideias fundamentais
1988 é do tipo histórica, rígida, outorgada e a dos da teoria política e do direito dominante.
Estados Unidos rígida, sintética. c) O conceito ideal de constituição, o qual surgiu no
c) a Constituição dos Estados Unidos é do tipo con- movimento constitucional do século XIX, considera
suetudinária, flexível e a da República Federativa como um de seus elementos materiais caracteriza-
do Brasil de 1988 é escrita, rígida e detalhista. dores que a constituição não deve ser escrita.
Capítulo 1- Teoria da Constituição e das Normas Constitucionais
cn=J
d) A técnica denominada interpretação conforme não O exemplo mais importante é a Constituição dos Esta-
é utilizável quando a norma impugnada admite dos Unidos de 1787, fruto da revolução liberal das treze
sentido unívoco. colônias fren:e à Grã-Bretanha.
e) A constituição sintética, que é constituição nega-
tiva, caracteriza-se por ser construtora openas de (ESAF- AFRFB- 2003) Assinale a opção correta.
liberdade - negativa ou liberdade-impedimento,
a) A norma constitucional programática, porque
oposta à autoridade.
somente delineia programa de ação para os pode-
res públi-:os, não é considerada norma jurídica.
b) Chama-s= norma constitucional de eficácia limitada
O Nota do autor: a ESAF tem por tradição pedir a
aquela emenda à Constituição que já foi votaca e
alternativa incorreta ou errada, o que exige maior cui-
aprovada no Congresso Nacional, mas ainda não
dado. Isso porque, pressionado pelo tempo, ao analisar
entrou em vigor, por não ter sido promulgada.
a alternativa "a" e percebê-la correta, o candidato acaba
assinalando-a sem ler as demais alternativas, incor- c) Somente o Supremo Tribunal Federal - STF esta
rendo em erro, e perdendo ponto precioso no concurso. juridicamente autorizado para interpretar a Corsti-
O ideal é que o candidato preste bastante atenção, e tuição.
quando for pedida a incorreta ou a errada, tome a cau-
d) Da Constituição em vigor pode ser dito que cor.-es-
tela de grifar o enunciado, evitando confusões.
ponde ao modelo de Constituição escrita, dogmá-
Alternativa certa: letra "c" (o enunciado pede a tica, promulgada e rígida.
"incorreta"): a assertiva está incorreta porque o con-
e) Os princípios da Constituição que se classificam
ceito ideal de Constituição, que surgiu no movimento
como cláusulas pétreas são hierarquicamente supe-
constitucional do século XIX, não entende que a cons-
riores às demais normas concebidas pelo poder
tituição não deve ser escrita. Ao contrário: a grande
constitui1te originário.
bandeira do constitucionalismo moderno (séculos XVIII
e XIX) é a constituição escrita, pois ela é capaz de sedi-
mentar as conquistas dos movimentos liberais frentes
aos Poderes monárquicos absolutistas. A Constituição Alternativa "d": correta: da Constituição em vigor
escrita é elemento de garantia das liberdades, pois sig- pode ser dito que corresponde ao modelo de Corsti-
nifica publicidade e segurança jurídica. tuição escrita (documento único e consolidado), dog-
Alternativa "a": por ser produto das revoluções mática (sistematizada a partir de ideias fundamentais),
liberais dos séculos XVIII e XIX, a Constituição escrita ou promulgada (elaborada por legítimos representantes
instrumental tem mesmo efeito racionalizador e estabi- do povo) e rígida (processo de alteração é mais difíci do
lizante, pois por ser dotada de calculabilidade e publi- que o utilizado para criar leis).
cidade, gera segurança jurídica, atendendo aos anseios Alternativa "a": a norma constitucional programá-
dos liberais, que buscavam impor limitações claras aos
tica, porque somente delineia programa de ação ~-ara
poderes dos Monarcas. Nada melhor do que uma Cons-
os poderes públicos, é considerada norma jurídica,
tituição escrita para sedimentar as liberdades conquis-
como o próprio nome denota.
tadas por uma revolução, e deixar claro a todos que não
há mais absolutismo. Alternativa "b": chama-se nonma constitu·:io·
na I de eficácia limitada aquela que precisa de lei para
Alternativa "b": a Constituição dogmática pratica-
regulamentar o seu conteúdo integral.
mente se confunde com a escrita, pois se constitui em
documento escrito que traduz os dogmas do povo no Alternativa "c": todos estão autorizados a inter-
momento em que é elaborada. pretar a Cor stituição, documento símbolo do Estado
Democrático de Direito.
Alternativa "d": a técnica denominada interpre-
tação conforme só pode ser utilizada quando a norma Alternativa "e": os princípios da Constituição que
impugnada admite mais de um sentido, ou seja, se ela se classificam como cláusulas pétreas não são hierarqui-
for equívoca ou polissêmica. Se somente admitir um camente superiores às demais normas concebidas pelo
sentido (unívoca), a norma não poderá receber interpre- poder constituinte originário. As cláusulas pétreas ~irn­
tação conforme, pois o exegeta (intérprete) não poderá plesmente estão protegidas de qualquer propostê de
extrair dela sentido diverso do que dela claramente emenda tendente a aboli-las (art. 60, § 4°, da CF).
emana.
Alternativa "e": a Constituição sintética é aquela (ESAF- AFRFB- 2002) Assinale a opção correta.
que traz apenas o essencial: normas de organização do
a) ~ típico de uma Constituição dirigente apresentar
Estado e liberdades públicas. As liberdades também
em seu corpo normas programáticas.
são conhecidas como direitos negativos, pois rE'presen-
tam direitos que negam a interferência desmedida do b) Uma lei ordinária que destoa de uma norma progra-
Estado na vida dos cidadãos. Desta feita, as Constitui- mática c a Constituição não pode ser considerada
ções sintéticas também são denominadas de negativas. inconstitucional.
L[ 5_2_ _ _ --~---------- ___ --------------------- Revisaco- Direito Constitucional • Paulo Lépore
cl Uma norma constitucional programática, por repre- d) Flexível, porque somente pode ser alterada por pro-
sentar um programa de ação política, não possui cesso especial, através de emenda constitucional.
eficácia jurídica. e) Flexível, porque permitiu a revisão constitucional
d) Uma Constituição rígida não pode abrigar normas ap-Ss 5 anos de sua vigência.
programáticas em seu texto.
e) Toda Constituição semirrígida, por decorrência da
sua própria natureza, será L'ma Constituição histó- Alternativa correta: letra "b": segundo pensamento
doutrir á rio recorrente, Constituição rígida é aquela cujo
rica.
processo de alteração é mais dificultoso do que o utilizado
para cr ar leis (é mais difícil emendar a Constituição do que
criar leis complementares ou ordinárias).
A! ter~ ativa "a": correta: está correta porque a Alternativa "a": como explicado na alternativa
const'tuiç~odirigente é aquela que traz em seus corpos anterior, a Constituição rígida pode ser alterada, o que
normas q~e estabelecem metas ou programas a serem a caracteriza é sua modificação por procedimento espe-
cumprido: pelos Poderes Constituídos. As normas com cial, m 3is rigoroso.
essas car<cterísticas são justamente as classificadas
Alternativa "c": de fato, Constituição flexível é
como programáticas.
aquelê que pode ser alterada por lei infraconstitucional,
Alternativa "b": estaria correta se afirmasse o mas e:sa não é uma característica da Constituição Fede-
oposto, is>o porque, uma lei or:iinária que destoa de ral brasileira.
uma norma programática não somente pode, como
Alternativa "d": a Constituição Federal de 1988
deve ser declarada inconstitucional. não é flexível, mas rígida, conforme explicação nas alter-
Alternativa "c": toda norma constitucional pos- nativa; anteriores.
;ui eficácia. A norma constitucional programática, por Alternativa "e": a Constituição Federal de 1988
representar um programa de ação política normal- não é flexível, mas rígida, conforme explicação nas alter-
mente tem eficácia limitada, dependendo de lei para nativas anteriores.
lhe c::>mp etar o conteúdo, mas isso não significa que
ela não te-n eficácia.
Alternativa "d": Constituição rígida é aquela cujo 1.4. ELEMENTOS DA CONSTITUIÇÃO
processo :le alteração é mais dificultoso do que o utili-
zado para criar leis (é mais difícil emendar a Constituição * PROCURADOR DO BANCO CENTRAL
do q~e criar leis complementar2s ou ordinárias). Nada
impede cue uma Constituição rígida abrigue normas (CESPE- Procurador BACEN/2013) A respeito do con-
programáticas. Não há qualquer incompatibilidade. ceito, dos elementos e das classificações dasconstitui-
Alternativa "e": Constituição semirrígida é aquela ções, 3ssinale a opção correta.
que :em •Jma que parte só pode ser alterada por pro- a) No que se refere ao modo de elaboração, a cons-
cesso mais dificultoso, e outra que pode ser modificada ti:uição dogmática espelha os dogmas e princípios
pelo me:.mo procedimento utilizado para criar leis. fundamentais adotados pelo Estado e não será
A Ccnstituição Brasileira de 1824 era deste tipo. Já a e.;crita.
Con:tituição histórica é aquela construída ao longo do
b] Quanto à estabilidade, a constituição flexível não
tempo, acompanhando a evolução dos costumes de um
se compatibiliza com a forma escrita, ainda que seu
povo. Não há qualquer relação entre as classificações,
etentual texto admitisse livre alteração do conte-
de modo que não se pode afirmar que uma Constitui- ú:lo por meio de processo legislativo ordinário.
ção :emir rígida também deve ser histórica.
c) Cs direitos e garantias fundamentais previstos na
CF são considerados elementos socioideológicos.
, * ACiENTE FISCAL. DE RENDA (ICMS) d) No sentido político, segundo Carl Schmitt, a consti-
tuição é a soma dos fatores reais do poder que for-
(VUHESP/AFR/2002) Dentre os tipos de Constituição, mam e regem determinado Estado.
a Constituição Federal brasileira pode ser classificada e) Cuanto aos elementos, o ADCT configura exemplo
com:J de elemento formal de aplicabilidade da CF.
a) ~ígida, pcrque não pode ser alterada.
b] ~ígicla, porque somente pode ser alterada por pro-
Jl.lternativa correta: "e": os elementos formais
:esso especial, através de emenda constitucional.
de a~·licabilidade são aqueles que trazem regras sobre
c) =lexí•tel, porque pode ser alterada por lei infracons- a apl cação das Constituições. O ADCT é um exemplo,
titucional pois :lisciplina a transição entre regimes constitucio-
Capítulo 1- Teoria da Constituição e das Normas Constitucionais ~l
nais. O preâmbulo é outro exemplo, pois enuncia os Alternativa correta: letra "c": O dispositivo cons-
valores que nortearam o constituinte na elaboração do titucional que arrola os princípios gerais da atividade
Texto Constitucional. econômica, como o da propriedade privada e sua fun-
Alternativa "a": a constituição dogmática é aquela ção social, é considerado elemento socioideológico da
sistematizada a partir de ideias fundamentais. Ao con- constituição, revelador do compromisso de um Estado
trário do que afirma a alternativa, tende a ser escrita. não meramente individualista e liberal, mas também
social, consoante classificação proposta por José
Alternativa "b": constituição flexível é aquela em Afonso da Silva. ·
que o processo para sua alteração é igual ao utilizado
para criar leis. Assim, há plena compatibilidade com Alternativa "a": a constituição, na visão de Ferdi-
a forma escrita. nand Lassalle, deve traduzir a soma dos fatores reais
de poder que rege determinada nação (e não uma
Alternativa "c": os direitos e garantias fundamen-
decisão política fundamental, ideia que pertence a Carl
tais previstos na CF são considerados elementos limi-
Schmitt), sob pena de se tornar uma mera folha de
tativos (pois serve como barreira aos Poderes Estatais),
papel.
não socioideológicos (que espelham ideologias adota-
das pelo Constituinte). Alternativa "b": para Carl Schmitt (e não "Schi-
midt"), o objeto da constituição são as normas que
Alternativa "d": quem defende que a constituição
traduzem uma decisão política fundamental (e não
é a soma dos fatores reais do poder é Ferdinand Las-
sale (não Carl Schmitt), em uma concepção sociológica todas que se encontram no texto constitucional). Ele
(não política). faz, portanto, uma distinção entre normas de cunho
formal (que não por não se referirem à decisão política
fundamental, não traduziriam conteúdo constitucional)
* PROCURADOR DO ESTADO
e material (normas que versam sobre a decisão política
fundamental, que têm conteúdo constitucional, for-
mando a Constituição Material).
(Cespe- Procurador do Estado- PB/2008) Acerca do Alternativa "d": como, no Brasil, a CF admite
conceito, do objeto, dos elementos e da classificação mudança por meio de emenda à constituição, respeita-
das constituições, assinale a opção correta. dos os limites por ela impostos, ela é considerada rígida
a) A constituição é, na visão de Ferdinand Lassalle, (não semi-rígida). Constituição rígida é aquela em que
uma decisão política fundamental e, não, uma mera o processo para sua alteração é mais difícil do que o
folha de papel. utilizado para criar leis (é mais difícil fazer emenda do
b) Para Carl Schimidt, o objeto da constituição são as que lei, pois a iniciativa é mais restrita e o quórum é mais
normas que se encontram no texto constitucional, qualificado). Já a Constituição semi-rígida ou semiflexi-
não fazendo qualquer distinção entre normas de vel é aquela dotada de parte rígida (em que somente
cunho formal ou material. pode ser alterada por processo mais difícil do que o uti-
lizado para criar leis), e parte flexível (em que pode ser
c) O dispositivo constitucional que arrola os princípios alterada pelo mesmo processo utilizado para criar leis).
gerais da atividade econômica, como o da proprie-
dade privada e sua função social, é considerado Alternativa "e": a distinção entre constituição for-
elemento socioideológico da constituição, revela- mal e material é irrelevante para fins de aferição da
dor do compromisso de um Estado não meramente possibilidade de controle de constitucionalidade das
individualista e liberal. normas infraconstitucionais. Isso porque, o parâmetro
para o controle de constitucionalidade abrange todas
d) Como, no Brasil, a CF admite mudança por meio de
as normas previstas na constituição (normas formal-
emenda à constituição, respeitados os limites por
mente constitucionais), pouco importando se também
ela impostos, ela é considerada semi-rígida.
são materialmente constitucionais (porque se referem à
e) A distinção entre constituição formal e material é decisão política fundamental).
relevante para fins de aferição da possibilidade de
controle de constitucionalidade das normas infra-
constitucionais.
* DEFENSOR PÚBLICO ESTADUAL

O Nota do Autor: a questão é abrangente, pois (Cespe - Defensor Público - DF/ 2013) Acerca dos
como o próprio enunciado diz, envolve conceito, objeto, elementos e normas constitucionais, julgue os itens
elementos e classificação das constituições. Para resol- seguintes.
ver questões desse tipo, o candidato deve ter conhe-
cimento sedimentado da matéria, pois dificilmente Consideram-se elementos limitativos da Constituição as
consegue-se eliminar uma alternativa comparando-a a normas constitucionais que compõem o catálogo dos
outra. Cada assertiva exige uma análise individualizada. direitos e garantias individuais.
54 Revisaço- Direito Constitucional • Paulo Lépore

classifica o ADCT como um elemento formal de aplica-


CMMNAM+• bilidade da Constituição.
Certo. Segundo José Afonso da Silva, os elementos
Alternativa "e": apenas os Estados dispõem do
limitativos referem-se aos direitos fundamentais, que
chamado poder constituinte derivado decorrente, e isso
limitam a atuação do Estado, protegendo o povo.
não está disposto de modo literal na CF. O art. 25, da
CF, versa sobre o tema da seguinte forma: "Os Estados

* JUIZ FEDERAL
organizam-se e regem-se pelas Constituições e leis que
adotarem, observados os princípios desta Constituição".

(Cespe - Juiz Federal Substituto 1" região/ 2011}


Acerca do poder constituinte, da CF e do ADCT, assinale * JUIZ DE VIREITO
a opção correta.
a} As normas que versam sobre a intervenção federal (Cespe- Juiz de Direito Substituto-PB/ 2011} Com
nos estados e no DF, bem como dos estados nos relação ao objeto, aos elementos e aos tipos de consti-
municfpios, incluem-se entre os chamados elemen- tuição, assinale a opção correta.
tos de estabilização constitucional.
a} Quanto ao modo de elaboração, a vigente CF pode
b} O poder constituinte originário dá início a nova ser classificada como uma constituição histórica,
ordem jurfdica, e, nesse sentido, todos os diplomas em oposição à dita dogmática.
infraconstitucionais perdem vigor com o advento
b) O objeto da CF é a estrutura fundamental do Estado
da nova constituição.
e da sociedade, razão por que somente as normas
c} Consideram-se elementos socioideológicos da CF relativas aos lil)lites e às atribuições dos poderes
as normas que disciplinam a organização dos pode- estatais, aos direitos políticos e individuais dos cida-
res da República e o sistema de governo. dãos compõem a Cqnstituição em sentido formal.
d} O ADCT não tem natureza de norma constitucional, c} Por limitarem a atuação dos poderes estatais, as
na medida em que dispõe sobre situações excep- normas que regulam a ação direta de inconstitucio-
cionais e temporárias. nalidade e o processo de intervenção nos estados e
e} Segundo disposição literal da CF, os estados e muni- Municípios integram os elementos ditos limitativos.
cípios dispõem do chamado poder constituinte d) Os elementos formais de aplicabilidade são exterio-
derivado decorrente, que deve ser exercido de rizados nas normas constitucionais que prescrevem
acordo com os princípios e regras dessa Carta. as técnicas de aplicação delas próprias, como, por
exemplo, as normas inseridas no Ato das Disposi-
f:t·'·IWif.P• ções Constitucionais Transitórias.
Alternativa correta: letra "a": as normas que ver- e} Distintamente da constituição analítica, a constitui-
sam sobre a intervenção federal nos estados e no DF, ção dirigente tem caráter sintético e negativo, pois
bem como dos estados nos municípios, incluem-se impõe a omissão ou negativa de ação ao Estado e
entre os chamados elementos de estabilização consti- preserva, assim, as liberdades públicas.
tucional, que segundo José Afonso da Silva, são aque-
les que asseguram a solução de conflitos institucionais
entre Poderes, e também protegem a integridade do
B4@if.P\.f*
Alternativa correta: letra "d": nas lições de José
Estado e da própria Constituição. Afonso da Silva (Curso de Direito Constitucional Positivo.
Alternativa "b": o poder constituinte originário 6 ed. São Paulo: Malheiros, 1990, p. 43-44), os elemen-
dá início a nova ordem jurídica, mas todos os diplomas tos formais de aplicabilidade são exteriorizados nas
infraconstitucionais presumem-se de acordo com a normas constitucionais que prescrevem as técnicas de
nova ordem constitucional e continuam em vigor aplicação delas próprias, como, por exemplo, as normas
e gerando efeitos válidos até que sejam revogados e inseridas no Ato das Disposições Constitucionais Transi-
percam a vigência, ou sejam declarados não recepcio- tórias, além do Preâmbulo e da determinação que todos
nados/revogados e percam a validade. os direitos fundamentais tem aplicabilidade imediata
(art. 5", § 1", da CF).
Alternativa "c": consideram-se elementos orgâ-
nicos da CF as normas que disciplinam a organização Alternativa "a": Quanto ao modo de elaboração, a
dos poderes da República e o sistema de governo. Os vigente CF pode ser classificada como uma constituição
elementos sócio-ideológicos são aqueles que revelam o dogmática (não histórica), pois é sistematizada a partir
compromisso do Estado em equilibrar os ideais liberais de ideais fundamentais.
e sociais ao longo do Texto Constitucional.
Alternativa "b": o objeto da CF é a estrutura fun-
Alternativa "d": o ADCT tem natureza de norma damental do Estado e da sociedade, razão por que
constitucional, e sua particularidade é dispor sobre situ- somente as normas relativas aos limites e às atribuições
ações excepcionais e temporárias. José Afonso da Silva dos poderes estatais, aos direitos políticos e individu-
Capítulo 1- Teoria da Constituição e das Normas Constitucionais
~----~~------~
ais dos cidadãos compõem a Constituição em sentido Alternativa "b": na verdade, os elementos sócio-
material, pois Constituição em sentido formal abrange -ideológicos revelam o ompromisso do Estado em
todas as normas positivadas no Texto Constitucional. equilibrar os ideais liberais e sociais ao longo do Texto
Alternativa "c": devido ao fato de assegurarem a Constitucional.
solução de conflitos institucionais entre Poderes, e tam-
Alternativa "c": o exur.inador bu;ca confundir o
bém protegerem a integridade da própria Constituição
candidato misturan,jo características da cc·nstituição
(e não por limitarem a atuação dos poderes estatais), as
formal e material. O senticlc materia refere-;e ao con-
normas que regulam a ação direta de inconstitucionali-
dade e o processo de intervenção nos estados e Muni- junto de regras de :)rganii}Ção do Estado. O sentido
cípios integram os elementos ditos de estabilização formal é o que está :)resenot~ no corpo ja constituição.
constitucional (e não os limitativos). A norma pode esta contida na ccnstituição formal,
porém, não tratar da mganização do Estado.
Alternativa "e": Distintamente da constituição
analítica, a constituição sintética (não a dirigente) tem Alternativa "d": a Co11stituição Sociológica (Fer-
caráter sintético e negativo, pois regulamenta apenas dinand Lassalle- 1862) é aq•Jela que traduz a soma dos
os princípios básicos de um Estado. fatores reais de pode-r que rege determinada nação, sob
pena de se tornar mera foh" de papel ~scrita, que não

* DELE4ADO DE POLÍCIA CIVIL


corresponda à Constituiçãc -~ai.
Alternativa "e": é de Ferdinand Lassalle a ideia de
uma constituição que não passe de U11ê folha de papel,
(Delegado de Policia - RN/2008- CESPE) Acerca dos caso não traduza a s·: ma do~ fatores reais de :)Oder que
sentidos, dos elementos e das classificações atribuídos rege determinada nação. C ideal de 'cart Schmitt é o de
pela doutrina às constituições, assinale a opção correta. uma Constituição que deco.·re de uma decisão política
a) O elemento de estabilização constitucional é con- fundamental, e se traduz r ê estrutura do Estado e dos
sagrado nas normas destinadas a assegurar a solu- Poderes, e na presença de um rol de direitos f Jndamen-
ção de conflitos constitucionais, a defesa da Consti- tais. As normas que não traduzirem a decisão política
tuição, do Estado e das instituições democráticas. fundamental não serão cor.stituição prc·priamente dita,
b) O elemento socioideológico é assim denominado mas meras leis constitucior.a's.
porque limita a ação dos poderes estatais e dá a
tônica do estado de direito, consubstanciando o 1.5. COMPONENTES DA
elenco dos direitos e garantais fundamentais.
c) Quanto à forma, diz-se formal a constituição cujo
CONSTITUIÇÃO: PREÃMBULO,
texto é composto por normas materialmente cons- CORPO OU ARTICULADO EADCT
titucio.nais e disposições diversas que não tenham
relação direta com a organização do Estado. * PROCURADOR FEDERAL
d) Segundo o sentido sociológico da constituição, na
concepção de Ferdinand Lassalle, o texto consti- (Cespe - Procurador Federal/2013) Considerando o
tucional equivale à norma positiva suprema, que entendimento prevalecente m doutrina e na jLrisprudên-
regula a criação de outras normas. cia do STF sobre o preâmbulo constitLcional e as disposi-
e) Segundo o sentido político da constituição, na ções constitucionais tr3nsitér as, julgue os itens seguintes.
concepção de Carl Schmitt, o texto constitucional
equivale à soma dos fatores reais de poder, não pas- As disposições constitucionais trans tó·ias são normas
sando de uma folha de papel. de eficácia exaurida e a :>I cabilidade esgotada. Por
serem hierarquicamente inferiores às normas inscritas
no texto básico da c=, elas nã:) são co1sideradas normas
Alternativa correta: letra "a": os elementos de cogentes e não possuem e:icácia imediata.
estabilização constitucional, elencados nas normas des-
tinadas a assegurar a solução de conflitos constitucio-
nais, a defesa da Constituição, do Estado e das institui-
'k·MU:iht&
Errado. As disposições -:onstitu·:iooais transitórias
ções democráticas, pormenorizando os meios e técni-
são normas de efic~cia ex.3urível, p:>is.. por servirem à
cas contra sua alteração e infringência, são encontrados
no art. 102, I, a (ação de inconstitucionalidade). nos arts. transição entre regimes ccnstitucionais, su3s normas
34 a 36 (Da Intervenção nos Estados e Municípios), 59, I, e deixam de ter eficácia de:>ais que atendem à função
60 (Processo de Emendas à Constituição), 102 e 103 (Juris- para a qual foram criadas. Ademais, as normas do
dição constitucional) e Título V (Da Defesa do Estado e das ADCT são cogentes e têm o mesmo ní•el hierárquico
Instituições Demacróticas), todos da CF. daquelas que comp.Sem o :·:rpo perma11ente da CF.
--~
Revisaço- Direito Constitucional • Paulo Lépore

refletindo posição ideológica do constituinte. Ademais,


A )urisprudência do STF :onsidera que o preâmbulo ele conteria proclamação ou exortação no sentido dos
da CF não tem valor norrrativc. Desprovido de'força princípios inscritos na Constituição Federal. Quanto à
cogente, ele nãc é considerado parâmetro para declarar natureza jurídica do Preâmbulo, a posição do STF filia-se
a constitucionalidade ou a inconstitucionalidade nor-
à Tese da Irrelevância Jurídica, afastando-se da Tese da
mativa. Plena Eficácia (que defende ter o Preâmbulo a mesma
eficácia das normas que consta da parte articulada da
CF) e da Tese da Relevância Jurídica Indireta (para a qual
Certo. SegLndo posiçãJ exarada pelo STF no bojo o Preâmbulo é parte da Constituição, mas não é dotado
da ADI 2076, ju gada em 2002, o Freâmbulo da Consti- das mesmas características normativas da parte articu-
tuição da República não tem força normativa, figurando lada). Por essa razão, também não serve de parâmetro
co:no mero vetor interpreta tive. E11 seu voto, Celso de para controle de constitucionalidade. Esse posiciona-
Mello sustentou que o Pr~âmbulo não se situa no mento do STF serviu para definir que a invocação
âmbito do direito, mas no dom in io da política, refle- à proteção de Deus, constante do Preâmbulo da
tindo posição ideológica d•) con; tituinte. Ademais, ele Constituição da República vigente somente denota
conteria proclamação ou e:orta:;ão no sentido dos prin- inspiração do constituinte, não violando a liberdade
cípios inscritos na Constituição FE:deral. Quanto à natu- religiosa que permeia o Estado brasileiro.
reza jurídica do Pre5mbulo, a pcsrção do STF filia-se à
Tese da Irrelevância Jurídica, af;;tando-se da Tese da
O preâmbulo constitucional possui destacada relevân-
Plena Eficácia (que defende ter c Preâmbulo a mesma
cia jurídica, situando-se no âmbito do direito e não sim-
eficácia das normas que cc nsta d-3 parte articulada da
plesmente no domínio da política.
CF) e da Tese da Relevância JJrídi·:a Indireta (para a qual
o Preâmbulo é parte da Constituição, mas não é dotado
das mesmas características nor-r 3tivas da parte articu-
lada). Por essa razão, tamb.em não serve de parâmetro Errado. Vide comentários ao item anterior.
para controie de constitucional dade. Esse posicio-
namento do STF serviu para definir que a invocação à O preâmbulo da CF é norma central de reprodução obri-
prJteção de Deus, constante do Freâmbulo da Consti-
gatória na Constituição do referido estado-membro.
tuição da República vigen:E- somente denota inspiração
do constituinte, não violanjJ a Lberdade religiosa que
permeia o Estado brasileiro.
Errado. Também no julgamento da ADI2.076, o STF
(Cespe- Procurador Federal/2007) Um partido polí- firmou que: "Preâmbulo da Constituição: não constitui
tico ajuizou ação direta de inccnstitucionalidade devido norma central. Invocação da proteção de Deus: não se
à omissão da expressão 's::b a p·oteção de Deus" do trata de norma de reprodução obrigatória na Cons-
preâmbulo da Constituiç~c- de determinado estado da tituição estadual, não tendo força normativa." (ADI
Federação. Para, tanto, o p.Htdo alegou que o preâm- 2.076, Rei. Min. Carlos Velloso, julgamento em 15-8-
bulo da CF é um ato nocrrativ:• de supremo princípio 2002, Plenário, DJ de 8·8-2003.). Em resumo: como o STF
básico com con:eúdo prcçram't :o e de absorção com- entendeu que o preâmbulo nem norma é, torna-se clara
pulsória pelos estados, que J seu preâmbulo integra o a conclusão no sentido de não ser de reprodução obri·
te.<to constitucional e oue suas disposiçóes têm verda- gatória nas Constituições Estaduais.
deiro valor jurídico.
A partir dessa situação hipotÉ-tica, julgue os próxi·
m·os itens. * PROCURADOR DO BANCO CENTRAL

A invocação a Deus, pres<ent•? no preâmbulo da CF, (CESPE - Procurador BACEN/2013) No que se refere
re"lete um sent mento religi·o~.o. J que não enfraquece ao poder constituinte, ao preâmbulo da CF e ao ADCT,
o fato de o Estado brasile•r·: ser la co, ou seja, um Estado assinale a opção correta.
em que há liberdade de consci?no:ia e de crença, onde
a) As normas do ADCT são normas constitucionais,
ninguém é privado de d r?itos por motivo de crença
com o mesmo status jurídico e mesma hierarquia
re igiosa ou convicção Llosdico.
das demais normas previstas no texto principal.

iNMMwAA• b) De acordo com o entendimento do STF, o preâm-


bulo da CF constitui norma central que deve ser
Certo. Segundo posiç2c E>arada pelo STF no bojo
reproduzida obrigatoriamente nas constituições
da ADI 2076, julgada e-n 2:m c Preâmbulo da Consti-
estaduais.
tuição da República não te n forç.; normativa, figurando
como mero vetor interprE-tati•Jo. Em seu voto, Celso c) As normas acrescidas ao ADCT pelo poder consti-
de Mello sustentou que o Prei mbulo não se situa tuinte de reforma não admitem controle de consti-
no âmbito do direito, mas no domínio da política, tucionalidade.
Capítulo 1- Teoria da Constituição e das Normas Constitucionais

d) · Para que o poder constituinte originário possa dogmático e, consequentemente, serve como para-
expressar-se validamente, mediante a instalação de digma para a declaração de inconstitucionalidade.
uma nova ordem jurídica, é imprescindível a con- d) o preâmbulo da Constituição possui natureza inter-
sulta prévia ao titular do poder. pretativa ou unificadora e traz sentido às categorias
e) O exercício do poder constituinte derivado não jurfdicas da Constituição e, portanto, trata-se de
deve obediência às normas de natureza procedi- norma de reprodução obrigatória nas Constituições
mental estabelecidas pelo legislador constituinte estaduais.
originário.
IMt.WiiJ;M*
Alternativa correta: letra "b" (responde a todas
O Nota do autor: perceba que o CESPE pratica- as alternativas): segundo posição exarada pelo STF
mente repetiu a questão em concursos do mesmo ano, no bojo da ADI 2076, julgada em 2002, o Preâmbulo
mas para cargos diferentes.Fique ligado nos temas de da Constituição da República não tem força norma-
maior incidência! tiva, figurando como mero vetor interpretativo. Em seu
voto, Celso de Mello sustentou que o Preâmbulo não se
Alternativa correta: •a•: de fato, as normas do situa no âmbito do direito, mas no domínio da política,
ADCT são normas constitucionais, com o mesmo status refletindo posição ideológica do constituinte. Ademais,
jurídico e mesma hierarquia das demais normas previs- ele conteria proclamação ou exortação no sentido dos
tas no texto principal. Diferenciam-se apenas por serem princípios inscritos na Constituição Federal. Quanto à
normas de eficácia exaurível. natureza jurídica do Preâmbulo, a posição do STF filia-se
à Tese da Irrelevância Jurídica, afastando-se da Tese da
Alternativa "b": conforme visto na questão ante-
Plena Eficácia (que defende ter o Preâmbulo a mesma
rior, a questão envolvendo o preâmbulo foi definida
eficácia das normas que consta da parte articulada da
pelo STF na ADI 2076. Decidiu-se pela ausência de força
CF) e da Tese da Relevância Jurídica Indireta (para a qual
normativa e, portanto, que não é de reprodução obri-
o Preâmbulo é parte da Constituição, mas não é dotado
gatória. das mesmas características normativas da parte articu-
Alternativa "c": as normas do ADCT decorrentes lada). Por essa razão, também não serve de parâmetro
de emenda constitucional são passfveis de controle de para controle de constitucionalidade. Esse posiciona-
constitucionalidade como quaisquer outras da CF, pois mento do STF serviu para definir que a invocação à pro-
têm o mesmo status normativo. teção de Deus, constante do Preâmbulo da Constituição
da República vigente, somente denota inspiração do
Alternativa "d": o poder constituinte originário é constituinte, não violando a liberdade religiosa que per-
inicial (não existe outro poder anterior ou superior a meia o Estado brasileiro.
ele), portanto, não precisa realizar consulta prévia ao
titular do poder.
Alternativa "e": o poder constituinte derivado .
I
* PROMOTOR DE JUSTIÇA
deve obediência às normas de natureza procedimental
estabelecidas pelo legislador constituinte originário,
pois ele é condicionado. (FCC- Promotor de Justiça- CE/2011) A invocação à
proteção de Deus, constante do Preâmbulo da Consti-
tuição da República vigente,
* DEFENSOR PÚBL-ICO ESTADUAL a) é inconstitucional.
b) é ilícita.
(Vunesp - Defensor Público - MS/2014) No que se c) não tem força normativa.
refere à interpretação da natureza jurídica do pre- d) não foi recepcionada pelo texto constitucional.
âmbulo da Constituição, segundo jurisprudência do
Supremo Tribunal Federal, é correto afirmar que: e) é expressão de reprodução obrigatória nas Consti-
tuições estaduais.
a) o preâmbulo da Constituição é normativo, apresen-
tando a mesma natureza do articulado da Constitui-
ção e, consequentemente, serve como paradigma
13-@Jiit.i;jM.
para a declaração de inconstitucionalidade. O Nota do autor: a questão versa sobre o Preâm-
bulo e sua natureza jurídica, exigindo do candidato
b) o preâmbulo da Constituição não constitui norma conhecimento sobre a jurisprudência atualizada do STF.
central. não tendo força normativa e, consequente-
Alternativa correta: letra "c": segundo posição
mente, não servindo como paradigma para a decla-
exarada pelo STF no bojo da ADI 2076, julgada em
ração de inconstitucionalidade.
2002, o Preâmbulo da Constituição da República não
c) o preâmbulo da Constituição possui natureza tem força normativa, figurando como mero vetor inter-
histórica e política, entretanto, se situa no âmbito pretativo. Em seu voto, Celso de Mello sustentou que o
58 Revisaço- Direito Constitucional • Paulo Lépore

Preâmbulo não se situa no âmbito do direito, mas erro do Poder Constituinte ou de desatualização da
no domínio da política, refletindo posição ideológica Constituição.
do constituinte. Ademais, ele conteria proclamação ou
d) Para o STF o preâmbulo constitucional situa-se no
exortação no sentido dos princípios inscritos na Cons·
tituição Federal. Quanto à natureza jurídica do Preâm- domínio da política e reflete a posição ideológica
bulo, a posição do STF filia-se à Tese da Irrelevância do constituinte. Logo, não contém relevância jurí·
Jurídica, afastando-se da Tese da Plena Eficácia (que dica, não tem força normativa, sendo mero vetor
defende ter o Preâmbulo a mesma eficácia das normas interpretativo das normas constitucionais, não ser·
que consta da parte articulada da CF) e da Tese da Rele· vindo como parâmetro para o controle de constitu·
vância Jurídica Indireta (para a qual o Preâmbulo é parte cionalidade.
da Constituição, mas não é dotado das mesmas caracte·
risticas normativas da parte articulada). Assim, pode-se
afirmar que invocação à proteção de Deus, constante do
G·'·mliUM•
Alternativa correta: letra "d" (responde todas as
Preâmbulo da Constituição da República vigente não
demais alternativas): segundo posição exarada pelo
tem força normativa.
STF no bojo da ADI 2076, julgada em 2002, o Preâm·
Alternativa "a": por não ser considerado norma bulo da Constituição da República não tem força nor·
pelo STF (Tese da Irrelevância Jurídica), o Preâmbulo mativa, figurando como mero vetor interpretativo. Em
sequer pode ser submetido a controle de constitucio· seu voto, Celso de Mello sustentou que o Preâmbulo
nalidade, de modo que não faz sentido sustentar-se que não se situa no âmbito do direito, mas no domínio da
ele é inconstitucional. política, refletindo posição ideológica do constituinte.
Alternativa "b": vale a mesma justificativa da alter· Ademais, ele conteria proclamação ou exortação no
nativa anterior: por não ser considerado norma pelo STF sentido dos princípios inscritos na Constituição Federal.
(Tese da Irrelevância Jurídica), o Preâmbulo sequer pode Quanto à natureza jurídica do Preâmbulo, a posição do
ser submetido a controle legalidade. STF fi lia-se à Tese da Irrelevância Jurídica, afastando-se
Alternativa "d": repetimos a justificativa: por não da Tese da Plena Eficácia (que defende ter o Preâmbulo
ser considerado norma pelo STF (Tese da Irrelevância a mesma eficácia das normas que consta da parte arti·
Jurídica) o Preâmbulo sequer pode ser submetido a culada da CF) e da Tese da Relevância Jurídica Indireta
controle de recepção constitucional. (para a qual o Preâmbulo é parte da Constituição, mas
não é dotado das mesmas características normativas da
Alternativa "e": a ADI 2076, no bojo da qual o STF
parte articulada). Por essa razão, também não serve de
firmou seu posicionamento quanto à natureza jurídica
parâmetro para controle de constitucionalidade. Assim,
do Preâmbulo, versava sobre o Preâmbulo e as normas
em apertada síntese, no termos da alternativa, para o
de reprodução obrigatória. O Partido Liberal Social ajui-
STF o preâmbulo constitucional situa-se no domínio da
zou a ADI 2076 dizendo que ao não reproduzir a invo-
cação da proteção de Deus constante no Preâmbulo da política e reflete a posição ideológica do constituinte.
Constituição Federal, a Constituição do Estado do Acre Logo, não contém relevância jurídica, não tem força
tinha sido omissa, dado que seria uma norma de repro· normativa, sendo mero vetor interpretativo das normas
dução obrigatória. Considera-se norma de reprodução constitucionais, não servindo como parâmetro para o
obrigatória toda norma da Constituição Federal que, controle de constitucionalidade.
dada a sua importância estrutural, deve ser reprodu-
zida nas Constituições dos Estados. O STF então defi·
niu que o Preâmbulo não é norma de reprodução
obrigatória nas Constituições Estaduais porque nem
* NOTÁRIO E RECitSTRAOOR

norma é, filiando-se, pois, à Tese da Irrelevância Jurídica.


(EJEF- Notário-MG/2011) No preâmbulo da Constitui-
ção da República de 1988, NÃO consta menção
(MPE/GO- Promotor de Justiça- G0/2009) O preâm·
bulo é o pórtico da Constituição e revela a síntese do a) à segurança.
pensamento do legislador constituinte. Acerca de sua
b) ao bem-estar.
natureza jurídica, marque a resposta correta:
c) à erradicação da pobreza.
a) Para o STF o preâmbulo constitucional deve ser
contado como norma constitucional, integrando o d) ao preconceito.
articulado constitucional, possuindo eficácia jurí-
dica plena.
b) O preâmbulo na CF/88 é dotado de força normativa Alternativa correta: letra "c" (responde a todas
cogente, fazendo parte da declaração de direitos e, as alternativas): à erradicação da pobreza constitui
por isso, tomado como cláusula pétrea. objetivo fundamental da República Federativa do Brasil,
c) O preâmbulo, por expressa disposição constitucio· prevista no art. 3°, 111 da CF, mas não consta do Preâm-
na I, tem como finalidade a resolução das chamadas bulo. Os textos das demais alternativas estão positiva-
lacunas ocultas, que são aquelas decorrentes de dos no preâmbulo da CF.
Capítulo I- Teoria da Constítuíçao e das Normas Constitucionais 1 s9

* DELE4ADO DE POLÍCrA CML


a) no controle incidental de constitucionalidade, em
relação ao controle abstrato-principal.
b) na interpretação de normas-princípio, em rela·;ão à
(Delegado de Polícia - SP/ 2011 - ACADEPOL) A interpretação de ~ermas-regra.
Assembleia Nacional constituinte instituiu, de acordo
com o "Preâmbulo" da Constituição Federal, um Estado c) mediante o u~o do elemento sistêmico da intffpre-
Democrático destinado a assegurar tação, comparativamente à utilização dos demais
elementos exegéticos.
a) a promoção da integração ao mercado de trabalho.
b) a assistência social e a descentralização político-ad- d) nas decisões de controle de natureza interpretati .. a .
ministrativa. comparativamente às decisões simples de inconsti-
tucionalidade.
c) a liberdade, o bem-estar, o desenvolvimento e a
segurança. e) no controle de inconstitucionalidade tendo cone
d) que a fauna e a flora tenham sua função ecológica parâmetro a Constituição Federal, em relaç~o 30
ampliada. controle de nível estadual.

e) que o casamento religioso tenha efeito civil, inde-


pendentemente de lei.
O Nota do Autor: ao nosso sentir, a questão fc·i mal
mzmn.Np formulada, pois não se vale da melhor técnica jurdica.
Alternativa correta: letra "c": essa é única alterna- Explicaremos melhor nos comentários às alternati·•as.
tiva que se encaixa no preâmbulo da CF, que já foi alvo Alternativa correta: letra "d": o examinador ccn-
de polêmica, por gerar a dúvida quanto a ser ou não siderou correta a afirmação no sentido que "a dist nç3o
considerado como norma jurídica. Em que pese integrar entre a norma jurídica e a sua mer~ expressão textual
a Constituição formal, segundo posição exarada pelo resta sobremodo evidenciada que nas decisões de cc n-
STF no bojo da ADI 2076, julgada em 2002, o Preâm- trole de natureza interpretativa, comparativamerte às
bulo da Constituição da República não tem força nor- decisões simples de inconstitucionalidade". De fato, r as
mativa, figurando como mero vetor interpretativo. Em decisões que envolvem interpretação conforme a :ons-
seu voto, Celso de Mello sustentou que o Preâmbulo tituição, ou a consideração de uma mutação constitu-
não se situa no âmbito do direito, mas no domínio da cional, resta evidente que texto constitucional e norma
política, refletindo posição ideológica do constituinte. não se confundem. O texto é somente a base deor>de se
Ademais, ele conteria proclamação ou exortação no extrai a norma a partir da atividade interpretativa. Mas,
sentido dos princípios inscritos na Constituição Federal.
o que causa estranheza é a "decisão simples de inconsti-
Quanto à natureza jurídica do Preâmbulo, a posição do
tucionalidade" referida pelo examinador. Não há ·eç is-
STF filia-se à Tese da Irrelevância Jurídica, afastando-se
tros doutrinários ou jurisprudenciais de tal expressão.
da Tese da Plena Eficácia (que defende ter o Preâmbulo
Sendo assim, imaginamos que tal "decisão simples' foi
a mesma eficácia das normas que consta da parte arti-
utilizada para designar uma decisão baseada em norma
culada da CF) e da Tese da Relevância Jurídica Indireta
extraída de mera interpretação literal do Texto CJnsti-
(para a qual o Preâmbulo é parte da Constituição, mas
tucional. Somente dessa forma a alternativa pode ser
não é dotado das mesmas características normativas da
parte articulada). Por essa razão, também não serve de considerada correta, ainda que com bastante ressalva.
parâmetro para controle de constitucionalidade. Esse Alternativa "a": a distinção entre a norma jurídica
posicionamento do STF serviu para definir que a invo- e a sua mera expressão textual não resta sobremodo
cação à proteção de Deus, constante do Preâmbulo da evidenciada no controle incidental de constituci:m3li-
Constituição da República vigente somente denota ins- dade, em relação ao controle abstrato-principal, poi~ as
piração do constituinte, não violando a liberdade reli- diferenças entre eles (legitimidade ativa e competência,
giosa que permeia o Estado brasileiros. por exemplo) não têm o condão de sustentar a aArna-
ção feita pelo examinador.
Alternativa "b": a distinção entre a norma jurídica
1.6. TEORIA DA NORMA e a sua mera expressão textual não resta sobre01cdo
CONSTITUCIONAL: POSTULADOS evidenciada na interpretação de normas-princípio, ~n
relação à interpretação de normas-regra. Isso porque, o
NORMATIVOS, PRINCÍPIOS EREGRAS fato da interpretação e aplicação das normas princír;ios
se darem por ponderação, e das normas-regras se mcte-

* PROCURADOR DO ESTADO
rializarem por subsunção, não justifica a proposição da
questão .
. Alternativa "c": a distinção entre a norma jLrícica
(FCC- Procurador <io Estado- Sl'/2011) A distinção e a sua mera expressão textual não resta sobremod:>
entre a norma jurídica e a sua mera expressão textual evidenciada mediante o uso do elemento sist~mico
resta sobremodo evidenciada: da interpretação, comparativamente à utilizaçã:> dos
~---~--~~ ----------------- ·-------~· Revisaço- Direito Constitucional• Paulo Lépore

demais el ~mentos exegéticos, pois todos circundam o (mas, sem eliminá-lo). A colisão deve ser resolvida por
mesmo o:>jeto, qual seja: a norma. concordância prática (Konrad Hesse), com aplicação do
Altemativ;; "e": a distinção entre a norma jurídica e princípio da proporcionalidade (tradição alemã) ou pela
a sua men expr:ssão textu31 não resta sobremodo evi- dimensão de peso e importância (Ronald Dworkin), com
denciada no ccntrole de hcorstitucionalidade tendo aplicação do princípio da razoabilidade (tradição norte-
-americana).
como par3metr·J a ConstitLição Federal, em relação ao
controle de nív;ol estadual, pois a exemplo do que sus- Alternativa "a": a interpretação conforme a Cons-
tentamos na alternativa anterior, ambos trabalham com tituição somente é legítima quando existe um espaço
o mesmo elemento: a norma. de decisão que possa ser aberto a várias propostas
interpretativas. Em outras palavras, pode-se dizer que
(FEPESE- Procurador do Estado- SC/ 2009) Assinale a interpretação conforme consiste em conferir-se a
a alternai va correta, mm r;os peito ao modelo constitu- um ato normativo polissêmico (que admite vários sig-
cional, fe.jeral e- estadual brasileiro. nificados) a interpretação que mais se adéque ao que
preceitua a Constituição. Aplicável ao controle de cons-
a) A interpretação conforme a Constituição somente
titucionalidade, a interpretação conforme permite que
é leg'tima quando não existe um espaço de decisão
se mantenha um texto legal, conferindo-se a ele um
que possa ~er aberto a várias propostas interpreta-
sentido ou interpretação de acordo com os valores
tivas.
constitucionais.
b) A de-:laração de incomtitucionalidade parcial, sem
Alternativa "b": a declaração de inconstitucionali-
redu:ão de texto não se relaciona com qualquer
dade parcial, sem redução de texto, se relaciona com
técn>:a interpretativa ~ s n, exclusivamente, com
a técnica da interpretação conforme, nos termos do
técn>:a de decisão.
que justificamos nos comentários anteriores.
c) A colisão entre J:rinciJio; jusfundamentais resol-
ve-se atra,és de procedimentos de ponderação Alternativa "d": a Constituição brasileira não
ou Dpesamento dos valores neles inscritos, pela prevê expressamente a edição de lei regulamentando
máxi11a da propo•cion.alidêde. o processo e o julgamento das decisões do Supremo
Tribunal Federal.
d) A Cc nstitu ição brasileira prevê expressamente a
ediç2o de l~i regularrentando o processo e o julga- Alternativa "e": o Supremo Tribunal Federal não
mento das :Jecisões cc Supremo Tribunal Federal. pode, ainda que excepcionalmente, suprir o papel do
legislador, pois sua atividade deve ser de guardião da
e) O Suprem~ Tribcnal Federal exerce um controle
Constituição e fiscalizador do cumprimento do orde-
negctivo de leis. pois pode, excepcionalmente,
namento jurídico. Independentemente disso, ele pode
supr r o pa;Jel do legi~lador. acolhendo mandados
acolher mandados de injunção visando ao saneamento
de ir junção.
das omissões inconstitucionais.

(Cespe- Procurador do Estado - Pl/ 2008) A supera-


O Nota do Autor: a cuest3o exige conhecimento
ção histórica do jusnaturalismo e o fracasso político do
sobre a Teoria da Colisãc de Direitos Fundamentais,
positivismo abriram caminho para um conjunto amplo
tema contemp:>rânec e qJe "está na moda". Assim, o
e ainda inacabado de reflexões acerca do direito, sua
candidato devo;, dedicar pcrte do seu estudo para esse
função social e sua interpretação. Pós-positivismo é a
assunto.
designação provisória e genérica de um ideário difuso,
Alternativa correta: l.;,tra "c": A colisão entre prin- no qual se incluem a definição das relações entre valo-
cípios ju;fundamentais resolve-se através de procedi- res, princípios e regras, aspectos da chamada nova her-
mentos de pooderação ou sopesamento dos valores menêutica constitucional, e a teoria dos direitos funda-
neles inscritos, pela rr áxirr a da f.Jroporcionalidade. Isso mentais, edificada sobre o fundamento da dignidade
porque, -3 coli~ão ocorrida err 2mbito constitucional, humana. A valorização dos princípios, sua incorporação,
não pode ser -:onsiderada na rresma perspectiva do explícita ou implícita, pelos textos constitucionais, e o
conflito entre leis ordinárias. <:também chamadas de reconhecimento, pela ordem jurídica, de sua normati-
"regras"). ou seja, como um ":onflito aparente de nor- vidade fazem parte desse ambiente de reaproximação
mas" pa·a cuj.; solução seriêm utilizados os critérios entre direito e ética.
cronolóçico, hi;orárqu co oJ da e~.pecialidade, na forma Luís Roberto Barroso. Temas de direito constitucio-
do "tudo ou na :Ja" ("a.'/ o r r.nt~ing"), em que só se aplica nal. Tomo 111, Rio de Janeiro: Renovar, 2005, p. 12-3 (com
um docJmento normativo dacueles que aparente- adaptações).
mente conflita-1am. Essa s:>luçã:> é inaplicável, pois os
principies não se sujeitarr a esses critérios apontados Tendo o texto acima corno referência inicial, assi-
pela doutrina, tampouco podem ser afastado um em nale a opção correta quanto à teoria da interpretação e
razão de- outrc·. Assin, em todJ colisão de princípios aplicação dos princípios e regras constitucionais.
deve ser respe-itado o núcleo intangível dos direitos a) Princípios, normalmente, relatos objetivos, des-
fundamentais concor·entes, mas sempre se deve che- critivos de determinadas condutas, são aplicáveis
gar a urra posl;ão em que um prepondere sobre outro a um conjunto delimitado de situações. Assim, na
Capítulo 1- Teoria da Constituição e das Normas Constitu_c_io_n_a_i_s_~--------------'-1_6_1--'1

hipótese de o relato previsto em um principio ocor- Alternativa "c": na hipótese de conflito entre duas
rer, esse principio deve incidir pelo mecanismo tra- regras (não dois princfpios), só um deles será válido e
dicional da subsunção, ou seja, enquadram-se os irá prevalecer. Essa solução é Inaplicável aos princí-
fatos na previsão abstrata e produz-se uma conclu- pios, que não se sujeitam a esses critérios apontados
são. pela doutrina, tampouco podem ser afastado um em
razão de outro. Assim, em toda colisão de principias
b) A aplicação de um principio, salvo raras exceções,
deve ser respeitado o núcleo intangível dos direitos
se opera na modalidade do tudo ou nada, o que sig-
fundamentais concorrentes, mas sempre se deve che-
nifica que ele regula a matéria eni sua inteireza ou é
gar a uma posição em que um prepondere sobre outro
descumprido.
(mas, sem eliminá-lo). A colisão deve ser resolvida por
c) Na hipótese de conflito entre dois princípios, só um concordância prática (Konrad Hesse), com aplicação do
deles será válido e irá prevalecer. princípio da proporcionalidade (tradição alemã) ou pela
dimensão de peso e importância (Ronald Dworkin), com
d) Os princfpios, frequentemente, entram em tensão
aplicação do principio da razoabilidade (tradição norte-
dialética, apontando direções diversas. Por essa
-americana).
razão, sua aplicação se dá mediante ponderação.
Diante do caso concreto, o intérprete irá aferir o Alternativa "e": os princípios (e não as regras) são
peso de cada principio. normas que ordenam que algo seja realizado, na maior
medida possível, dentro das possibilidades jurídicas e
e) As regras são normas que ordenam que algo seja
reais existentes e, por isso, são consideradas mandados
realizado; na maior medida possível, r:lentro das
de otimização, caracterizando-se pela possibilidade de
possibilidades jurídicas e reais existentes e, por isso,
serem cumpridas em diferentes graus.
são consideradas mandados de otimização, carac-
terizando-se pela possibilidade de serem cumpri-
das em diferentes graus.
* DEFENSOR PÚBl-ICO ESTADUAL.

O Nota do Autor: mais uma vez o examinador de (Cespe- Defensor Público- DF/2013) Em relação aos
Direito Constitucional pede conhecimento sobre a teo- direitos e deveres individuais e coletivos, ao habeas data
ria de Luís Roberto Barroso, reforçando que a leitura e aos principies de interpretação das normas constitu-
de suas ideias é obrigatória para o candidato que quer cionais, julgue os itens subsequentes.
estar bem preparado.
Alternativa correta: letra "d": os princfpios, fre- Na hipótese de eventual conflito aparente de normas
qüentemente, entram em tensão dialética, ·apontando constitucionais decorrente da implantação de um
direções diversas. Por essa razão, sua aplicação se dá empreendimento empresarial que possa vir a causar
mediante ponderação. Diante do caso concreto, o intér- danos ao meio ambiente, aplica-se o principio da uni-
prete irá aferir o peso de cada principio. Trata-se do que dade constitucional, pelo qual as normas que consa-
se denomina por Colisão de Direitos Fundamentais. gram principies - como o da livre inciativa, inserido
Complementado as ideias de Barroso, esclarece-se no capítulo dos princípios gerais da ordem económica
que em toda colisão de princípios deve ser respeitado -devem prevalecer sobre as que disponham sobre inte-
o núcleo intangível dos direitos fundamentais concor- resses de ordem prática, como os relacionados à defesa
rentes, mas sempre se deve chegar a uma posição em da fauna e da flora.
que um prepondere sobre outro (mas, sem eliminá-lo).
A colisão deve ser resolvida por concordância prática iH@ihM•
(Konrad Hesse), com aplicação do princípio da propor- Errado. A colisão ocorrida em âmbito constitucio-
cionalidade (tradição alemã) ou pela dimensão de peso nal não pode ser considerada na mesma perspectiva
e importância (Ronald Dworkin), com aplicação do prin- do conflito entre leis (também chamadas de "regras"),
cípio da razoabilidade (tradição norte-americana). ou seja, como um "conflito aparente de normas" para
Alternativa "a": regras (não principies), normal- cuja solução seriam utilizados os critérios cronológico,
mente, relatos objetivos, descritivos de determinadas hierárquico ou da especialidade, na forma do "tudo ou
condutas, são aplicáveis a um conjunto delimitado de nada" ("ali or nothing"), em que só se aplica um docu-
situações. Assim, na hipótese de o relato previsto em mento normativo daqueles que aparentemente con-
uma regra (não em um principio) ocorrer, essa regra flitavam. Essa solução é inaplicável aos principies, que
(não esse princípio) deve incidir pelo mecanismo tradi- não se sujeitam a esses critérios apontados pela dou-
trina, tampouco podem ser afastados um em razão de
cional da subsunção, ou seja, enquadram-se os fatos na
previsão abstrata e produz-se uma conclusão. outro. Assim, em toda colisão de princípios deve ser
respeitado o núcleo intangível dos direitos funda-
Alternativa "b": a aplicação de uma regra (não de mentais concorrentes, mas sempre se deve chegar
um principio), salvo raras exceções, se opera na moda- a uma posição em que um prepondere sobre outro
lidade do tudo ou nada, o que significa que ele regula a (mas, sem eliminá-lo}. A colisão deve ser resolvida por
matéria em sua inteireza ou é descumprido concordância prática (Konrad Hesse), com aplicação do
62 Revlsaço- U1re1to LonstltUCional • t'aUlo Lepore

princípio da proporcionalidade (tradição alemã) ou pela pela sociedade ao escolher um modelo de consti-
dimensão de peso e importância (Ronald Dworkin), com tuição tão abrangente e irrealizável.
aplicação do prindpio da razoabilidade (tradição norte-
-americana). HWMihM*
Alternativa correta: "b": a alternativa representa
Para o exercício do direito de reunião em locais públicos,
a síntese do pensamento doutrinário de vanguarda, na
faz-se necessário apenas que os interessados dirijam à
esteira da lição de Cláudio Pereira De Souza Neto, "[...]
autoridade competente pedido de autorização prévia,
a despeito do otimismo com que nossa doutrina vem
como forma de evitar que frustrem outra reunião ante-
recebendo a técnica da ponderação, também crescem,
riormente convocada para o mesmo local.
tanto no Brasil quanto no exterior, algumas preocupa-
ções concernentes à possibilidade de um uso abu-
sivo da técnica. Argui-se, sobretudo, que a ponderação
Errado. t livre o direito de reunião pacífica, não leva a um aumento excessivo da discricionariedade
sendo necessária autorização. Entretanto, exige-se judicial, com sérios prejuízos para a segurança jurídica
prévio aviso (não pedido de autorização) à autori- e para a legitimação do judiciário. Como consequência
dade competente, para que não frustre outra reunião
dessas preocupações, tem se intensificado, mais recen-
anteriormente convocada (art. 5', XVI, da CF).
temente, o esforço de se estabelecerem padrões meto-
dológicos que levem ao incremento da racionalidade da
(FCC - Defensor Público - PR/2012) Alguns autores ponderação. Muitas são as propostas engajadas nesse
têm criticado o que consideram um uso abusivo dos esforço.[...]. Tais tendências são dominadas pelas idéias
princípios e da ponderação como forma de aplicação de 'coerência', 'razão pública', 'decomposição analítica'
dos direitos fundamentais. Com frequência os intér-
e 'pré-definição de standards' [...] O dever de gerar coe-
pretes dos direitos fundamentais acabam por trans-
rência incide sobre o intérprete quando este maneja
formá-los em princípios, utilizando-se em demasia do
colisões situadas em diferentes planos de abstração.
sopesamento na interpretação de suas inter-relações,
Por um lado, exige-se que o sistema de princípios, abs-
o que ocasiona, muitas vezes, perda de objetividade e
racionalidade na interpretação, dificultando seu con- tratamente considerado, seja interpretado de modo a
trole. Sobre esse tema, é correto afirmar: se conformar uma unidade coerente." (Ponderação de
princípios e racionalidade das decisões judiciais: coe-
a) Há elementos na interpretação com base em princí- rência, razão pública, decomposição analítica e stan-
pios que podem aflorar com mais facilidade, como
dards de ponderação. In Virtú. Revista virtual de Filo-
a intuição e a sensibilidade, por exemplo, que per-
sofia Jurídica e Teoria Constitucional. n' 1, Março 2007).
mitirão ao bom juiz decidir de forma mais consentâ-
nea com a constituição e suas concepções pessoais Alternativa "a": intuição e sensibilidade não per-
de justiça. mitem juiz decidir de forma mais consentânea com a
b) Não há como se eliminar totalmente toda subjetivi- Constituição. Isso porque, são valores subjetivos, despi-
dade na interpretação e aplicação do direito, mas as dos de critério cienticio, e que se afastam da inspiração
relações de preferência simples e sem qualificativos normativa que deve nortear o intérprete.
devem ser eliminadas para que hajam relações de Alternativa "c": na interpretação de direitos fun-
preferências fundamentadas, escalonadas e condi- damentais há que se buscar racionalidade ou objetivi-
cionadas sendo possível comparar grau de restrição dade sob pena de serem cometidos excessos e abusos.
de um direito fundamental com grau de realização
de direito que com ele colide. Alternativa "d": o juiz-intérprete tem legitimi-
dade democrática na sua investidura, pois ela ocorre
c) Na interpretação de direitos fundamentais não
nos termos do que dispõe a Constituição Federal, inde-
há que se buscar racionalidade ou objetividade já
pendentemente de qualquer atividade criativa quanto
que o próprio constituinte delegou ao intérprete a
ao direito.
possibilidade de lhes atribuir significado conforme
o momento histórico e as expectativas sociais. Alternativa "e": essa crítica é procedente. A sub-
d) t justamente na criação do Direito, a partir da apli- jetividade, irracionalidade, impossibilidade de controle
cação dos princípios, que o juiz-intérprete supre a e ausência de previsibilidade das decisões não são õnus
inexistência de legitimidade democrática na sua a serem suportados pela sociedade. Ademais, não é
investidura e exerce plenamente suas prerrogativas verdade que o modelo constitucional seja irrealizável.
constitucionais. A intepretação deve ser realizada, a partir das inúmeras
normas dispostas na Constituição análita, mas sempre a
e) Essa crítica é improcedente já que as normas
partir de parâmetros e critérios objetivos.
jurídicas não são fórmulas e nem interpretadas
por máquinas. A subjetividade, irracionalidade,
impossibilidade de controle e ausência de previsi- (Cespe- Defensor Público- ES/2012) Julgue o item a
bilidade das decisões são ônus a serem suportados seguir, relativo às normas constitucionais.
Lapttuto 1- teona aa l...onstttUiçao e aas Normas l...onstttuctonats

Uma das características da hermenêutica constitucional


contemporânea é a distinção entre regras e princípios; Alternativa corr'l!ta: letra "b~: o Supremo Tribuna
segundo Ronald Dworkin, tal distinção é de natureza Federal- STF, com a miss2o de resolver a questão ener-
lógico-argumentativa, pois somente pode ser perce- gética, tendo de um lado. a possibilidade de interrup-
bida por meio dos usos dos argumentos e rêzões no ções no suprimento de energia elétrica, se não houver
âmbito de cada caso concreto. economia, e, de outro, as restriçõe; a serviço público de
primeira necessidade, restrição que atinge a igualdade.
porque baseada em dedos de corsum~ pretérito, bern
Certo. Para Ronald Dworkin, o gênero norma é como limitações à liv·e iniciativa, êo direito ao trabalho,
composto por duas espécies: princípios e regra:s, que se à vida digna, dentre outros, deve optu pela aplicação
distinguem sob o ponto de vista lógico-argumêntativo. da proporcionalidade, que, segundo 3 jurisprudência
Isso porque a colisão ocorrida no âmbito dos r-incípios constitucional alemã e a doutrina de Robert Alexy, tem
não pode ser considerada na mesma perspectiva do estrutura racionalmente de'inida -análise da adec.ua-
conflito entre regras, ou seja, como um "conflito apa- ção, da necessidade e c a proporcionalidade em sentido
estrito.
rente de normas" para cuja solução seriam utilizados os
critérios cronológico, hierárquico ou da especialidade, Alternativa "a": a questão tanbém permite a apre-
na forma do "tudo ou nada" ("ali or nothing"), e11 que só ciação de uma colisão de direito; fundamentais, que,
se aplica um documento normativo daqueles ~ue apa- em sua maior parte, assunem a e~trutura normativa de
rentemente conflitavam. Essa solução é inaplicável aos princípios (não de "rêçras''). o que impjca em um juizo
princípios, que não se sujeitam a esses critério~ aponta- de ponderação com manutençã~ do núcleo estrutu-
dos pela doutrina, tampouco podem ser afastados um rante das normas colidertes (nãc na anulação de uns
em razão de outro (Levando os direitos a sério. S lo Paulo: em detrimento de oL t~s).
Martins Fontes, 2002). Alternativa "c": também pode ser determinada
a utilização do princíp o da razoabilidade, (que não se
(FCC- Defensor Público- SP/2010) Após grave crise pode dizer que já está ceonsagrado no Brasil, pois pre-
energética, o Governo aprova lei que disciplina o racio- fere-se a aplicação da :>reoporcion•lida:!e), e que deter-
namento de energia elétrica, estabelecendo metas de mina tratar os direitos :o~dentes ·:orno "mandamentos
consumo e sanções pelo descumprimento, que podem de otimização", na lição de Ronald Dworkin.
culminar, inclusive, na suspensão do fornecimento.
Alternativa "d": J STF também trabalho com a
Questionado judicialmente, se vê o Supremo Tribu-
ideia de eliminação da falsa dicotomia entre direitos
nal Federal - STF com a missão de resolver a questão, constitucionais, já que a nelhor solução é a que os har-
tendo, de um lado, a possibilidade de interru ~ções no moniza. Mas, nessa zti•rid3de de harmonização, o intér-
suprimento de energia elétrica, se não houver econo- prete acaba retirando parte da aplicabilidade de um
mia, e, de outro, as restrições a serviço público de pri- deles, para fazer preponderar o outro.
meira necessidade, restrição que atinge a igualdade,
porque baseada em dados de consumo pretérito, bem Alternativa "e": dizer que c STF deve resolver c
como limitações à livre iniciativa, ao direito ao trabalho, celeuma por meio de t.:m juízo de constitucionalidade
à vida digna etc. O controle judicial neste caso envolve clássico não tem qualq"er pertinência com a questão
em análise.
a) a apreciação de colisão de direitos fundamentais,
que, em sua maior parte, assumem a estrutura nor-
(Cespe - Defensor Fúblico - Pl/ 2009) Acerca dos
mativa de "regras", o que implica anulação de uns
princípios jurídicos e das regras de direito, bem como
em detrimento de outros.
das técnicas de interp·etação constitucional, assinale 3
b) a aplicação da regra da proporcionalid 3de, que, opção correta.
segundo a jurisprudência constitucional alemã,
a) Pelo seu caráter ê bs:rato e Em razão do seu gra•J
tem estrutura racionalmente definida - análise da
de indeterminaçãJ, os princí~ios .'urfdicos não são
adequação, da necessidade e da proporcionalidade
considerados, sc·b o prisma constitucional, normas
em sentido estrito.
jurídicas.
c) a utilização do princípio da razoabilidade. já consa-
b) Pela sua natureza 'inalística, êS regras de direito sã:
grado no Brasil, e que determina tratar c•s direitos
mandatos de otimização ou preceitos de intensi-
colidentes como "mandamentos de otimização".
dade modulável, l Sêrem aplicad~s na medida de
d) a eliminação da falsa dicotomia entre direitos possível e com dif:rentes graus dE.' efetivação.
constitucionais, já que a melhor solução é a que os c) Os princfpios constitucionais identificam as no·-
harmoniza, sem retirar eficácia e aplicab lidade de mas que expressam decisões poWticas fundamen-
nenhum deles. -tais, valores a s:r:m observados em razão de SUê
e) juízo de constitucionalidade clássico, pois nem dimensão ética cu fins públicos a serem realiza-
emenda à Constituição pode tender a abolir direi- dos, podendo referir-se tanto a direitos individua ~.
tos fundamentais. como a interessês coletivos.
Revisaço·- Direito Constitucional• Paulo Lépore

d 1 Todas as normas constitucior ais desempenham


uma função útil no ordenam~nto jurídico, mas,
.* JUIZ FEDERAL

diante de contradição entre e as, as normás que


compõem a Constituição material têm primazia e (TRF 4 - Juiz Federal Substituto 4' região/ 2010)
possuem status hierárquico su~·erior em relação às Dadas as assertivas abaixo, assinale a alternativa correta.
que veiculam conteúdo formalmente constitucio- Havendo colisão entre o princípio da liberdade
nal. de imprensa e o direito à privacidade, prevalecerá
e·t Em face de normas infracons~'ttucionais de múl- aquela, porque informada pelo interesse público.

I
tiplos significados, e visando preservar a supre- 11. A colisão entre dois princípios constitucionais. cal-
macia da Constituição, o intérprete constitucional cados em direitos fundamentais, resolve-se pela
deve, como regra, promover o descarte da lei ou supressão de um em favor de outro.
do ato normativo cuja constitucionalidade não seja
patente e inequívoca. 111. Relativamente ao direito que possui a imprensa de
informar, deve-se conferir maior proteção à priva- \
cidade e à imagem de pessoas públicas do que às f
pessoas privadas.
Alternativa correta: letra "c··: na lição de Luis
F.oberto Barroso os princípios con~titucionais identifi- IV. O conflito aparente de princípios constitucionais se

'
can as normas que ex!Jressam dedsões políticas fun- resolve pelas regras da ponderação e da razoabili-
damentais, valores a serem obser Jados em razão de dade.
sua dimensão ética ou fins público~ a serem realizados, a) Está correta apenas a assertiva I.
podendo referir-se tanto a direitos individuais como a
b) Está correta apenas a assertiva IV.
hteresses coletivos (Curso de Direito Constitucional con-
temporâneo: os conceitos fundamentais e a construção c) Estão corretas apenas as assertivas I e 11.
do novo modelo. São Paulo: Saraiva, 2009, p. 206).
d) Estão corretas apenas as assertivas 111 e IV.
Alternativa "a": independentemente de seu cará-
e) Estão corretas apenas as assertivas I, 11 e 111.
ter abstrato e do seu grau de inde:erminação, os prin-
cípios jurídicos são, ao lado das regras, espécies de t~"~·.
,.~~- . ' .· • ·>
!ioi]ri<J.' .
normas jurídicas.
Alternativa correta: letra "b"
Alternativa "b": pela sua natureza finalística, os
princípios (não as regras) de direito são mandados Assertiva "1": havendo colisão entre o princípio da
de otimização ou preceitos de int~nsidade modulável liberdade de imprensa e o direito à privacidade, preva-
1Robert Aiexy), a serem aplicados n• medidil do possível lecerá aquele cuja manutenção se apresentar como
e com diferentes graus de efetivaç2o. mais razoável no caso concreto. Não existe solução
predeterminada para a colisão de direitos fundamen-
Alternativa "d": todas as no~mas constitucionais
tais.
desempenham uma função útil no ordenamento jurí-
dico, mas, diante de contradição entre elas, ilS normas Assertiva "li": a colisão entre dois princípios cons-
que compõem a Constituição m;;terial têm primilzia titucionais, calcados em direitos fundamentais, resol-
:carl Schmitt), mas isso não significa que elas pos- ve-se por ponderação e não pela supressão de um em
;uem status hierárquico superior em relação às que vei- favor de outro.
•:u am conteúdo formalmente constitucional, pois não Assertiva "111": como dito na assertiva "1", não
1á hierarquia entre normas constitucionais. existe solução predeterminada para a c0lisão de direi-
Alternativa "e": em face de r.ormas infraconstitu- tos fundamentais.
·:ic·nais de múltiplos significados, e visando preservar a Assertiva "IV": o conflito aparente de princípios
;u:>remacia da Constituição, o intérprete constitucional constitucionais se resolve pelas regras da ponderação e
.:Je-1e, como regra, promover a conservação (não o da razoabilidade, consoante lições das tradições alemã
:Jescarte) da lei ou do ato normal vo cuja constitucio- e norte-americana (vide nota do autor).
lalídade não seja patente e inequívoca. Trilta-se de
3plicação do princípio da intE:rpretação conforme, que,
(TRF 4 - Juiz Federal Substituto 4• região/ :L010)
:m outras palavras, consiste em conferir-se a um ato
Dadas as assertivas abaixo, assinale a alternativa correta.
ncrmativo polissêmico (que admite vários significados)
a interpretação que mais se adéq~e ao que preceitua a A tese de que há hierarquia entre normas consti-
Ccnstituição. Aplicável ao controle de constituciondli- tucionais originárias, dando azo à declaração de
dade, a interpretação conforme permite que se mante- inconstitucionalidade de umas em frente às outras,
n~ a um texto legal, conferindo-se a ele um sentido ou é incompatível com o sistema de constituição
interpretação de acordo com os valores constitucionais. rígida.
Capítulo I -Teoria da Constituição e das Normas Constitucionais
------------------------~--~
[6s J

11. As cláusulas pétreas podem ser invocadas para sus-


tentar a inconstitucionalidade de normas constitu-
* JUIZ DE DIREITO

cionais originárias que lhe são inferiores.


(EJEF -Juiz Substituto- MG/ 2009) Com relação aos
111. Não havendo hierarquia entre as normas constitu-
princípios gerais constitucionais, é CORRETO afirmar:
cionais, é inadmissível a declaração de inconstitu-
cionalidade de norma introduzida na Constituição a) A obrigação dos sucessores de reparar danos atenta
contra o principio de que nenhuma pena passará da
Federal por emenda.
pessoa do condenado.
IV. Tanto as normas materialmente constitucionais e
b) O princípio da legalidade comporta exceção,
como normas formalmente constitucionais pos-
quando se trate de atos administrativos discricioná-
suem a mesma eficácia, não havendo hierarquia
entre elas.
rios. I
c) A coisa julgada formal tem garantia de imutabili-
a) Estão corretas apenas as assertivas I e 111. dade.
b) Estão corretas apenas as assertivas I e IV. d) O princípio da proporcionalidade exige do Poder
Público um justo equilíbrio entre os meios empre-
c) Estão corretas apenas as assertivas 11 e 111.
gados e as finalidades aspiradas.
d) Estão corretas todas as assertivas.
e) Nenhuma assertiva está correta.
Alternativa correta: letra "d": o princípio da pro-
porcionalidade exige do Poder Público um justo equilí-
brio entre os meios empregados e as finalidades aspira-
Alternativa correta: letra "b" das, em claro juízo de ponderação, modo correto de se
Assertiva "1": a tese de que há hierarquia entre nor- aplicar os princípios.
mas constitucionais originárias, dando azo à declaração Alternativa "a": a obrigação dos sucessores de
de inconstitucionalidade de umas em frente às outras, é reparar danos não atenta contra o princípio de que
incompatível com o sistema de constituição rígida, em nenhuma pena passará da pessoa do condenado,
que o processo para a alteração de qualquer de suas pois a reparação somente será devida até os limites
normas é mais difícil do que o utilizado para criar leis. elo património do de cujus, consoante art. s•, XLV, da
Isso porque, sob o ponto de vista hierárquico, nas cons- CF ("nenhuma pena passará da pessoa do condenado,
podendo a obrigação de reparar o dano e a decretação
tituições rígidas todas as normas constitucionais devem
do perdimento de bens ser, nos termos da lei, estendi-
ter o mesmo status normativo, privilegiando a estabili-
das aos sucessores e contra eles executadas, até o limite
dade constitucional.
do valor do património transferido").
'
Assertiva "11": as cláusulas pétreas não podem ser Alternativa "b": O principio da legalidade não
invocadas para sustentar a inconstitucionalidade de comporta exceção nem mesmo quando se trate de atos
normas constitucionais originárias que lhe são inferio- administrativos discricionários. Em verdade, o conteúdo
res, pois todas as normas de uma Constituição rígida do Princípio da Legalidade (art. 37, caput, da CF) não
(CF/88, por exemplo) têm o mesmo nível hierárquico, de exclui a possibilidade de atividade discricionária pela
modo que nenhuma pode ser paradigma de validade Administração Pública, desde que observados os limites
para outra. Ademais, não há que se falar em controle de da lei, quando esta deixa alguma margem para a Admi-
constitucionalidade de norma originária. nistração agir conforme os critérios de conveniência e
oportunidade. Isso porque, é insita à atividade admi-
Assertiva "111": apesar de não existir hierarquia nistrativa a tomada de decisões políticas, que se refe-
entre as normas constitucionais, é admissível a decla- rem às opções que o administrador pode escolher na
ração de inconstitucionalidade de norma introduzida administração dos bens e serviços públicos. Por exem-
na Constituição Federal por emenda. Apenas as normas plo: um administrador pode decidir entre a construção
constitucionais originárias são insuscetíveis de controle de uma escola ou hospital (valendo-se de critérios de
de constitucionalidade. conveniência e oportunidade), e ambas são opções
políticas legítimas. Entretanto, para materializar a obra,
Assertiva "IV": as normas materialmente consti- ele deverá abrir procedimento licitatório, pois a Consti-
tucionais e as normas formalmente constitucionais tuição Federal (art. 37, XXI) e a Lei 8.666/93 lhe impõem
possuem a mesma eficácia, não havendo hierarquia esse dever (limites da lei).
entre elas. Isso porque, não importa se a norma é ape- Alternativa "c": o art. s•, XXXVI, da CF, diz que a lei
nas formalmente constitucional ou também material- não prejudicará o direito adquirido, o ato jurídico per-
mente constitucional: todas as normas dispostas na feito e a coisa julgada. Mas, isso não significa que a coisa
Constituição são dotadas do mesmo nível hierárquico. julgada formal tem garantia de imutabilidade, pois
Revisaço- Direito Constitucional • Paulo Lépore

I
66

existe, por exemplo, a ação rescisória, que pode alterar jurídico, mas Isso não lhes confere caráter hierárquico
o seu conteúdo. superior às regras, pois não existe hierarquia entre prin-
cípios e regras, mas campos distintos de incidência.
(Cespe - Juiz Substituto - Al/ 2008) Considerando Alternativa "d": não existe relação de indução ou
que teorias relativas aos principias jurídicos sugerem dedução envolvendo regras e princípios, pois são nor-
que regras e princípios seriam espécies de normas jurí- mas autônomas.
dicas, assinale a opção congruente com essa ideia.
Alternativa "e": as regras podem estar em oposi-
a) As regras estabelecem o dever-ser mediante a ção tanto a princípios quanto a outras regras. O conflito
imposição de deveres, proibições e permissões; entre regras causará a validade de uma e a invalidade de
diferentemente, os princípios atuam tão-somente outra. Já no conflito entre regras e princípios, deverá ser
com função hermenêutica, para possibilitar a esco- aplicada a Teoria da Colisão de Direitos, sendo resolvido
lha das regras que melhor se conformem ao caso pela técnica da ponderação, mantendo-se o núcleo
concreto. essencial das normas colidentes, não se falando em vali-
b) O conteúdo das regras caracteriza-se por expressar dade ou invalidade.
determinações obrigatórias mais completas e pre-
cisas; diferentemente, o conteúdo dos princípios
se apresenta com maior abstração e generalidade,
afetando significativamente o modo de sua imple-
* PROMOíOR DE JUSTIÇA

mentação.
(MP- DFT- Promotor de Justiça- DFT/2011) Assinale
c) As regras restringem-se a regulamentar condutas a alternativa incorreta:
em casos concretos; diferentemente, os princípios
precipuamente estruturam o sistema jurídico, o que a) Há uma onda de direitos básicos que reivindicam a
lhes confere caráter hierárquico superior às regras. superação do especismo e que já encontra, ainda
que de modo limitado, expressão na Constituição
d) As regras são fundamentadas pelos princípios, brasileira.
sendo destes deduzidas; diferentemente, os princí-
pios só podem ser revelados pelas regras, extrain- b) Embora em fase de afirmação, a jurisprudência do
do-se indutivamente de suas aplicações particula- Supremo Tribunal Federal identifica a proteção
res os princípios implícitos ou explícitos no ordena- constitucional da vida humana a partir, pelo menos,
mento jurídico. da nidação do embrião no endométrio materno.

e) As regras podem estar em oposição tanto a princí- c) O princípio da proporcionalidade deve ser enten-
pios quanto a outras regras, conflito este que cau- dido como método objetivo, e não como critério
sará ou sua validade, ou sua invalidade; diferente- argumentativo ou subjetivo, de interpretação cons-
mente, os princípios só podem estar em oposiçf1o a titucional para aferir a legitimidade de intervenções
outros princípios, conflito que só poderá se resolver legislativas no âmbito dos direitos fundamentais.
pela técnica da ponderação. d) O principio da razoabilidade tem sentido variado
(medida de justiça, natureza das coisas, senso
ij@Wif.i;H·• comum, etc.), sendo mais empregado no âmbito
Alternativa correta: letra "b": o conteúdo das dos direitos de igualdade como forma de identificar
regras caracteriza-se por expressar determinações obri- discriminações injustificadas.
gatórias mais completas e precisas; diferentemente, o e) A hermenêutica filosófica, base para entendimento
conteúdo dos princípios se apresenta com maior abs- da hermenêutica constitucional, realça a influência
tração e generalidade, afetando significativamente das pré-compreensões do intérprete nos processos
o modo de sua implementação. Em outras palavras, de atribuição de sentidos e significados às normas
pode-se dizer que as regras prescrevem comporta- constitucionais.
mentos imediatos, de modo mais completo e preciso,
enquanto os princípios impõem a promoção de um fim,
com abstração e generalidade.
Alternativa certa: "c": no HC 82.959, julgado em
Alternativa "a": as regras não estabelecem o 2006 e relatado pelo Ministro Gilmar Mendes, o STF traz
dever-ser, pois são mais concretas e precisas, delimi- há didática lição sobre o tema: "[...) propõe Hesse uma
tando comportamentos. Por sua vez, os princípios não fórmula conciliadora, que reconhece no principio da
atuam somente com função hermenêutica, pois são proporcionalidade uma proteção contra as limitações
dotados de plena força normativa, normativa de acordo arbitrárias ou desarrazoadas (teoria relativa), mas tam-
com o que prega o movimento denominado de neo- bém contra a lesão ao núcleo essencial dos direitos fun-
constitucionalismo. damentais (...) a proporcionalidade não há de ser inter-
Alternativa "c": as regras restringem-se à regula- pretada em sentido meramente econômico, de adequa-
mentar condutas em casos concretos; diferentemente, ção da medida limitadora ao fim perseguido, devendo
os princípios precipuamente estruturam o sistema também cuidar da harmonização dessa finalidade com
Capítulo 1- Teoria da Constituição e das Normas Constitucionais

o direito afetado pela medida". Assim, o princ ·pio da mais empregado no âmb to do; direitos de igualdade
proporcionalidade deve ser entendido como um cri- como forma de identificar discrininaçces injustificadas,
tério argumentativo ou subjetivo, de interpretação a exemplo das ponderaçces sol:re critérios discrimina-
constitucional para aferir a legitimidade de in~erven­ tórios utilizados em conCJrsos públicos. Por exemplo,
ções legislativas no âmbito dos direitos fundamentais. quanto a concurso pú~lic:> e o ~rincí~io da igualdade,
Alternativa "a": há uma onda de direitos básicos ponderados com proporcionalidade, s~gundo e'ltendi-
que reivindicam a superação do especismo, ou 5eja, da mento do STF, é possível: õ) fixaç lo lim tes etáric-s máxi-
proteção exclusiva aos direitos dos seres humanos, e mos para a admissão de pessoa no se·viço púb ico em
que já encontra, ainda que de modo limitado, expressão atenção à natureza das atr buiçõ~s do cargo a ser preen-
na Constituição brasileira, haja vista o art. 225, ~ 1°, VIl, chido; b) estabelecimento de Iirr-ites rr ínimos d~ altura
prever proteção a fauna e a flora, vedadas, na forma da para candidatos em cone L rso publico e; c) distin-;ão em
lei, as práticas que coloquem em risco sua funçãc ecoló- razão da raça, pois em 2012, o 5TF afi·mou a constitu-
gica, provoquem a extinção de espécies ou submetam cionalidade da política de cotas que re-serva vaças para
os animais a crueldade. negros em universidaces públic.=s.
Alternativa "b": no bojo da ADI 3510, que versava Alternativa "e": a hermer.êutica filosófiG, base
sobre a constitucionalidade da utilização de células- para entendimento ca hermenêutica constitucional,
-tronco embrionária, restou consolidado pelo STF que: realça a influência das pré-compreensões do intérprete
"A decisão por uma descendência ou filiação exprime nos processos de atricuiçlo de sentidJs e signi-:icados
um tipo de autonomia de vontade individual que a pró- às normas constitucionais. o qu~ se reflete claramente
pria Constituição rotula como 'direito ao planejomento no método hermêutico-ccncreti;:ados de Konrad Hesse,
familiar', fundamentado este nos princípios igualmente segundo o qual o intérpr~te se vale de suas pré-com-
constitucionais da 'dignidade da pessoa humara' e da preensões valorativas para obter o sEntido da norma
'paternidade responsável'. (... ) A opção do ca;al por em um determinado problema. O corv:eúdo da norma
um processo in vitro de fecundação artificial de óvulos somente é alcançado o partir de sua interpretaç3o con-
é implícito direito de idêntica matriz constitucional,
cretizadora, dotada do caáter :riativo que em aha do
sem acarretar para esse casal o dever jurídico d J apro-
exegeta. Nesse sentido, o méto :lo de clesse po;sibilita
veitamento reprodutivo de todos os embriõe5 even-
que a Constituição tenha força a:iva põra compreender
tualmente formados e que se revelem geneticamente
e alterar a realidade. Mõs, nesse mister, o texto consti-
viáveis. O princípio fundamental da dignidade da pes-
tucional apresenta-se como um limite intrans-:JOnível
soa humana opera por modo binário, o que propicia a
para o intérprete, pois se o exeç eta passar por cima do
base constitucional para um casal de adultos recorrer a
texto, ele estará modif or,do ou rompendo a Ccnstitui-
técnicas de reprodução assistida que incluam a f~rtiliza­
ção, não interpretandc~a.
ção artificial ou in vitro. De uma parte, para aquinhoar
o casal com o direito público subjetivo à 'lib~rdade'
(preâmbulo da Constituição e seu art. 5°), aqui enten- (MP- DFT- Promotor de Justiça- DFTI2011) Assinale
dida como autonomia de vontade. De outra banda, para a alternativa incorreta:
contemplar os porvindouros componentes da Lnidade
a) Norma constitucional de pr:Jibiçã J é sem~·e uma
familiar, se por eles optar o casal, com planejada$ condi-
ordem autoaplicável, que ir :ieperde da prática de
ções de bem-estar e assistência físico-afetiva (art. 226 da
ato administrativo subsequente para exigil:: lidade,
CF). Mais exatamente, planejamento familiar qu~, 'fruto
a menos que haja cernissão expressa ao legi.Jador.
da livre decisão do casal', é 'fundado nos princípios da
dignidade da pessoa humana e da paternidade respon- b) Os princípios entendidos como mandado d~ otimi-
sável'(§ 7° desse emblemático artigo constitucbnal de zação recebem a crítica de parte da doutrina por
n° 226). O recurso a processos de fertilização ortificial confundir a lingu ogem jurídica com a linguagem
não implica o dever da tentativa de nidação no corpo moral.
da mulher de todos os óvulos afinal fecundadJs. Não
c) As normas constitJcionais c ·ganiz:atórias in;tituem
existe tal dever (inciso li do art. 5° da CF), porque incom-
órgãos, competências e p·ocedimentos, normal-
patível com o próprio instituto do 'planejamento fami-
liar' na citada perspectiva da 'paternidade respcnsável'. mente, apresentando ccnteüdo de eficácia progra-
Imposição, além do mais, que implicaria tratar o gênero mática.
feminino por modo desumano ou degradante, em con- d) As normas do AD::T possuem a mesma hie,rarquia
tra passo ao direito fundamental que se lê no nciso 11 das normas do te~ to perma1ente da Constituição.
do art. soda Constituição. Para que ao embrião in vitro
fosse reconhecido o pleno direito à vida, necessário e) As normas constit Jcionais originárias possuem vali-
seria reconhecer a ele o direito a um útero. Pro~osição dade autorrefererte não se submetendo .30 con-
não autorizada pela Constituição." (ADI 3.510, julgada trole de constitucio'12 Iidade.
em 2008 e relatada pelo Ministro Ayres Britto).
Alternativa "d": o princípio da razoabilidade, de
tradição estadunidense, tem sentido variado (medida de Alternativa certa: "c": Se<J Jndo Canotilho, as nor-
justiça, natureza das coisas, senso comum, etc.:, sendo mas constitucionais organizatórias regulam o e;tatuto
Revisaço- Direito Constitucional • Paulo Lépore

da organização do Estado e a ordem de domínio (são exceç.3o (Princípios Constitucionais. Porto Alegre: Sergio
norma; de ação na terminologi; italiana). Antor io Fabris Editor, 2003, p. 63).

Al-ternativa "a": norma constitucional de proibição Alternativa "a": os princípios da segurança jurí-
é sempre uma ordem autoaplidvel, que independe da dica, da presunção de constitucionalidade das leis e da
prática de ato administrativo !'Jbsequente para exigi- propc rcionalidade são princípios constitucionais implí-
bilidade, a menos que haja remissão expressa ao legis- citos, mas o da anterioridade tributária não, pois este
lador, pois seu conteúdo não pode ser interpretado último encontra previsão no art. 150, 111, "b", da CF.
extensiva-nente e nem restringido. Alternativa "b": ·a supra-infra-ordenação é a
Alternativa "b": os prinápios entendidos como particularidade que o direito tem de regular sua pró-
mandado de otimização, na lição de Robert. Alexy, rece- pria criação em uma relação de validade das normas
bem a crítica de parte da doutrina por confundir a lin- inferiores para as normas hierarquicamente superio·
gua9em jurídica com a linguagerr moral, uma vez que res. Essa observação é de Hans Kelsen, em sua clássica
permitem a "aloração que leva-n em consideração as obra Teoria Pura do Direito. Portanto, não se confunde
pré-ccmpreensões do exegeta com qualquer ideia desenvolvida por Canotilho, jurista
português que prega a inexistência de hierarquia entre
Atternativa "d": as normas do ADCT possuem a princrpios.
mesma h era·quia das normas d:> texto permanente da
Constitui·;ão . ou seja, são normas constitucionais, que Alternativa "d": o princípio da unidade normativa
estão ,o ~pice da pirâmide normativa. da Cc,nstituição preceitua que a interpretação constitu-
cional deve ser realizada tomando-se as normas consti-
AI ternativa "e": as norma:; :onstitucionais origi- tucio,ais em conjunto, de modo a se evitarem contradi-
nárias gozam de presunção at ;:>luta de constituciona- ções '.antinomias aparentes) entre elas. Assim, admite (e
lidade, nã·:> s: submetendo ao controle de constitucio- não êfasta) a hipótese de haver princípios',que incidem
nalidade. concomitantemente em relação a um mesmo assunto,
mas :nuncia que a interpretação constitucional deve
(MPEr"GO- Promotor de Just.ça- G0/2009) Aponte a evita· contradições que denotem antinomias aparentes.
alternativa verdadeira:
a) Os prinápios da segurança jurídica, da presunção
d: c:nsêitucionalidade das leis, da proporcionali-
1.7.1NTERPRETAÇÃO, EFICÁCIA
dade e :la anterioridade :ributária são princípios EAPLICABILIDADE DAS
constitu-:ionais implícitos.
NORMAS CONSTITUCIONAIS
b) ll1a lição de Canotilho, os pincipios constitucionais
n3o :Jodem ser reputados gualmente importantes,
havendo, dessa forma, hierarquia de supra·infra-or-
denaçãc entre ele;.
* ADVOQADO DA UNIÃO

c) S:gundo Walter Claudius Rothemburg, quando


incompatibilidade surgir ~ntre princípios e regras, (Ces:>e- Advogado da União/2012) No que se refere
esta,do ambos estampac Js na Constituição, estas ao conceito e à classificação das constituições bem
é que deverão prevalecer. com•) das normas constitucionais, julgue o item que se
segue.
d) (o princ"pio da unidade n:>rmativa da Constituição
afas:a a hipótese de haver princípios que incidem
De a:ordo com o critério da função exercida pela norma
c:mcomitantemente em relação a um mesmo
constitucional, considera-se impositiva a regra que
assunto.
vede a imposição de sanção penal ao indivíduo no caso
de inexistir lei anterior que defina como crime conduta
por ele praticada.
O Nota do autor: a questão exige do candidato
conh:cimerto abrangente de Cireito, não apenas Cons- ~(·~4}Z~~·
tituci::mal. pois pede elemento; que devem ser impor-
Errado. Na linha do critério de correção divulgado
tado,. da Teoria Geral do DireitJ e do Direito Tributário.
pela própria banca examinadora na análise de recurso
Alternativa correta: letra "c": Segundo Walter interposto em face dessa questão, de acordo com a dou-
Claudius Rothemburg. quando incompatibilidade surgir trina, a norma constitucional impositiva é aquela que
entre prhci:>ios e reçras, est<ndo ambos estampados esta:Jelece um dever para os poderes públicos (como
na Constituição, estas é que deverão prevalecer. Ainda os objetivos da República Federativa do Brasil, previs-
na lição do doutrinador, para solucionar tal impasse, tos no art. 3° da CF). A norma que veda a imposição
adota-se o critério hermenêL ti co da exceção (pontual de sanção sem lei anterior que defina a cot~duta como
e restrita), imaginando-se que o mnstituinte, ciente do crime constitui exemplo, segundo o critério da função
princípio qJe ele mesmo adotou como norma geral, exercida pela norma constitucional, de norma que ins-
previu expressa e especificê 11ente alguma regra de titui garantia aos cidadãos. A doutrina é expressa nesse
Capítulo 1- Teoria da Constituição e das Normas Constitucionais
----' ~
sentido: "normas constitucionais classificadas segundo
As correntes interpretativistas defendem a possibili-
a sua função:(...) Há normas que estabelecem um dever
dade e a necessidade de os juízes invocarem e aplica-
para os poderes públicos, uma tarefa para o Estado.
rem valores e princípios substantivos, como princípio;
São as normas constitucionais impositivas. Assim, por
de liberdade e justiça, contra atós de responsabilidade
exemplo, a que estabelece ser objetivo do Estado a erra-
do Poder Legislativo que não estejam em conformidade
dicação da pobreza e o fim das desigualdades sociais e
com o projeto da CF. As posições não-interpretativistas,
regionais (art. 3°, 111). Há normas que instituem garantias
por outro lado, consideram que os juízes, ao interpreta-
para os cidadãos, como a que repele a imposição de
rem a CF, devem limitar-se a captar o sentido dos pre-
sanção penal sem lei que defina previamente a conduta
ceitos nela expressos ou, pelo menos, nela claramente
como crime". (Curso de Direito Constitucional. Gilmar Fer-
reira Mendes e Paulo Gustavo Gonet Branco. 6• ed., pág. explícitos.
87). Portanto, segundo o critério da função, o exem-
plo cogitado pela questão diz respeito a norma
que institui garantia para os cidadãos e não norma Errado. O examinador praticamente inverteu o sen-
constitucional impositiva. O enunciado da questão tido de cada corrente. Segundo a corrente interpreta ti-
foi expresso ao exigir o exame da assertiva •de acordo vista, os intérpretes têm como limites os valores expres-
com o critério da função exercida pela norma constitu- sos, ou, ao menos, claramente implícitos nas Constitui-
cional", e, segundo o aludido critério, não se trata, como ções, de modo a respeitar-se a vontade do constituinte.
dito, de norma constitucional impositiva, na forma des- Já a corrente não-interpretativista sustenta que, o
tacada pela doutrina. intérprete pode invocar valores eventualmente não
expressos ou claramente implícitos nas Constituições, a
exemplo da justiça, da moral e da liberdade. A corrente
* PROCURADOR FEDERAL não-interpretativista recebe esse nome porque ela não
interpretaria a partir da Constituição, mas criaria uma
nova norma para servir à resolução do problema.
(Cespe- Procurador Federal/2010) A respeito das nor-
mas constitucionais programáticas, julgue o seguinte
item.
'
* PROCURADOR DO ESTADO

De acordo com entendimento do STF, configura exem-


plo de norma constitucional programática o preceito (PUC - Procurador do Estado - PR/2015) Em que
constitucional segundo o qual a política agrícola deve pesem os debates contemporâneos, ainda é bastante
ser planejada e executada na forma da lei, com a parti- utilizada a classificação de José Afonso da Silva acerca
cipação efetiva do setor de produção, envolvendo tanto da eficácia das normas constitucionais. De acordo com
produtores e trabalhadores rurais; como setores de essa classificação clássica, assinale a assertiva CORRETA.
comercialização, de armazenamento e de transportes. a) Poderá ser impetrado Mandado de Injunção para

uw.m®D sanar omissão de norma constitucional de eficácia


limitada.
Certo. Segundo o art. 187 da CF: "a política agrícola b) Todas as normas definidoras de direitos e garantias
será planejada e executada na forma da lei, com a parti- fundamentais contidas no artigo 5' da Constituição
cipação efetiva do setor de produção, envolvendo pro- podem ser consideradas como normas constitucio-
dutores e trabalhadores rurais, bem como dos setores nais de eficácia plena.
de comercialização, de armazenamento e de transpor-
c) Normas constitucionais de eficácia contida são
tes, levando em conta, especialmente: I -os instrumen-
aquelas desprovidas de qualquer eficácia jurídica e
tos creditícios e fiscais; 11 - os preços compatíveis com
social enquanto não houver legislação integrativa
os custos de produção e a garantia de comercialização;
infraconstitucional que lhes dê aplicabilidade.
111- o incentivo à pesquisa e à tecnologia; IV- a assistên-
cia técnica e extensão rural; V- o seguro agrfcola; VI -o cl) Normas constitucionais ele eficácia limitada são
cooperativismo; VIl- a eletrificação rural e irrigação; VIII aquelas que têm aplicabilidade integral, produ-
-a habitação para o trabalhador rural". Na visão do STF, zindo seus efeitos desde a entrada em vigor da
"O art. 187 da CF é norma programática na medida em Constituição, podendo sofrer redução no seu
que prevê especificações em lei ordinária." (ADI 1.330- alcance por atuação do legislador infraconstitucio-
MC, Rei. Min. Francisco Rezek, julgamento em 10-8- nal.
1995, Plenário, DJ de 20-9-2002.) e) O artigo 5', § 1', da Constituição Federal, que con-
signa a aplicabilidade imediata dos direitos e garan-
(Cespe- Procurador Federal/2007) Quanto à herme- tias fundamentais, é norma constitucional de eficá-
nêutica constitucional, julgue o item seguinte. cia limitada.
70 Revisaço- Direito Constitucional • Paulo Lépore

da CF/88" (MASSON, Nathalia. Manual de direito cons-


titucional. Salvador: Juspodivm, 2013, p. 203). Portanto,
O Nota do Autor: a classificação da eficácia das errado afirmar que todas as normas definidoras de
normas constitucionais realizadas por José Afonso da direitos e garantias fundamentais contidas no artigo s•
Silva é bastante cobrada em concursos públicos, de da Constituição podem ser consideradas como normas
modo que é imprescindível que o candidato a conheça constitucionais de eficácia plena.
em detalhes.
Alternativa "c": normas de eficácia contida ou
Alternativa correta: letra "a": normas de eficácia
restringível são aquelas que têm aplicabilidade direta,
limitada ou reduzida são aquelas que possuem aplica-
imediata, mas não integral, pois admitem que seus con-
bilidade indireta, mediata e reduzida (não direta, não
imediata e não integral), pois exigem norma infra- teúdos sejam restringidos por normas infraconstitucio-
constitucional para que se materializem na prática. nais, o que ocorre, por exemplo, com o enunciado que
Entretanto, apesar de não se realizarem sozinhas na garante o livre exercício de qualquer trabalho, ofício ou
prática, elas são dotadas de eficácia jurídica, pois revo- profissão, atendidas as qualificações profissionais que
gam as leis anteriores com elas incompatíveis; vinculam a lei estabelecer (art. 5•, XIII, da CF). Para ilustrar: a fun-
o legislador, de forma permanente, à sua realização; ção de advogado, somente pode ser exercida atendida
condicionam a atuação da administração pública e a qualificação profissional de ser bacharel em direito,
informam a interpretação e aplicação da lei pelo Poder aprovado no Exame da Ordem dos Advogados do Brasil
Judiciário. Desse modo, verifica-se que, para o exercício (art. a•, IV, da Lei 8.906/94).
do direito preconizado na Carta da República por inter-
Alternativa "d": normas constitucionais de eficá-
médio de norma de eficácia limitada, faz-se necessário
cia limitada ou reduzida são aquelas que possuem apli-
norma infraconstitucional regulamentando-o. Tendo
cabilidade indireta, mediata e reduzida (não direta, não
em vista que o mandado de injunção é utilizado sempre
imediata e não integral), pois exigem norma infracons-
que a falta de norma regulamentadora torne inviável o
titucional para que se materializem na prática. Entre-
exercício dos direitos e liberdades constitucionais e das
prerrogativas inerentes à nacionalidade, à soberania e tanto, apesar de não se realizarem sozinhas na prática,
à cidadania, pode-se afirmar que poderá ser impetrado elas são dotadas de eficácia jurídica, pois revogam as
Mandado de Injunção para sanar omissão de norma leis anteriores com elas incompatíveis; vinculam o legis-
constitucional de eficácia limitada. lador, de forma permanente, à sua realização; condicio-
nam a atuação da administração pública e informam a
Alternativa "b": normas de eficácia plena são
interpretação e aplicação da lei pelo Poder Judiciário.
aquelas dotadas de aplicabilidade direta, imediata e
Elas podem ser de principio programático ou princípio
integral, pois não necessitam de lei infraconstitucional
institutivo. As normas de eficácia limitada de princípio
para torná-las aplicáveis e nem admitem lei infraconsti-
programático (também referidas apenas como normas
tucional que lhes restrinja o conteúdo. Em outras pala-
programáticas) são aquelas que não regulam direta-
vras: elas trazem todo o conteúdo necessário para a sua
materialização prática. São entendidas como de aplica- mente interesses ou direitos nelas consagrados, mas
bilidade direta, imediata e integral, pois não necessitam se limitam a traçar alguns preceitos a serem cumpridos
de lei infraconstitucional. Exemplo: Brasília é a Capital pelo Poder Público, como programas das respectivas
Federal (art. 18, § 1•, da CF). O art. 5•, §1•, da CF, diz que atividades, pretendendo unicamente a consecução dos
as normas definidoras dos direitos e garantias funda- fins sociais pelo Estado. Podem-se citar como exemplos
mentais têm aplicação imediata. No entanto, deve- os objetivos da República Federativa do Brasil (art. 3', da
mos interpretar o dispositivo com cautela, tendo em CF), a estruturação da política agrícola brasileira (art. 187
vista que alguns direitos fundamentais, por essência, da CF), e a determinação de organização de um regime
não terão aplicação imediata por si só. Nesse sentido, de colaboração dos sistemas de ensino dos Entes da
Nathalia Masson desvenda o melhor sentido da norma Federação (art. 211 da CF). Já as normas de eficácia
Constitucional proclamada no artigo 5•, §1•, da CF: "tal limitada de princípio institutivo são aquelas responsá-
regra não é absoluta e não pode atropelar a natureza veis pela estruturação do Estado como, por exemplo, a
dos direitos constitucionalmente proclamados. Como norma segundo a qual os Territórios Federais integram
existem normas constitucionais, relativas a direitos fun- a União, e sua criação, transformação em Estado ou
damentais, que são evidentemente não auto-aplicáveis, reintegração ao Estado de origem serão reguladas em
isto é, que carecem de mediação legislativa para que lei complementar (art. 18, § 2', da CF).
possuam plena efetividade, é certo dizer que sozinhas
não produzirão todos os seus efeito' essenciais. A título Alternativa "e": O artigo 5', § 1', da Constituição
de exemplificação, vide as normas que .dispõem sobre Federal, que consigna a aplicabilidade imediata dos
direitos fundamentais de fndole social, que geralmente direitos e garantias fundamentais, é norma constitucio-
têm a sua plena eficácia condicionada a uma comple- nal de eficácia plena (e não limitada), pois ela é dotada
mentação legislativa ou a atuações estatais, por meio de de aplicabilidade direta, imediata e integral, pois não
políticas públicas. É o que acontece, por exemplo, com o necessitam de lei infraconstitucional para torná-las apli-
direito à educação, como disposto no art. 205 da CF/88, cáveis e nem admitem lei infraconstitucional que lhes
ou com o direito ao lazer, de que cuida o art. 6•, também restrinja o conteúdo.
Capítulo 1- Teoria da Constituição e das Normas Constitucionais

gramas oficiais do Estado são classificadas como !!imi-


(FURMARC- Procurador do Estado- MG/2012) Sobre tadas, não plenas.
a eficácia e aplicabilidade das normas constitucionais,
assinale a alternativa correta: Alternativa "c": as normas de eficácia limit;da,
aplicabilidade diferida ou mediata imprescinderr de
a) Normas de Eficácia Plena contém argumentos sufi- integração com outra norma infraconstitucional para
cientes para sua aplicabilidade imediata e integral, que tenham eficácia plena.
como por exemplo, as que preveem programas ofi-
ciais do Estado; Alternativa "d": as normas constitucionais defi-
nidoras de direitos e garantias fundamentais possLem
b) As Normas de Eficácia Limitada possuem eficácia aplicabilidade imediata, nos termos do art. 5', § 1', d;; c=,
imediata em relação ao efeito vinculante do legis- mas não eficácia absoluta.
lador ordinário.
Alternativa "e": as normas de eficácia corr:ida
c) As Normas de Eficácia Limitada, aplicabilidade dife- podem ter sua aplicabilidade reduzida em face de
rida ou mediata imprescindem de integração com norma não necessariamente constitucional, a exem-
outra norma constitucional para que tenham eficá- plo de uma lei ordinária.
cia plena;
d) As normas constitucionais definidoras de direitos e
garantias fundamentais possuem eficácia plena ou
absoluta e aplicabilidade imediata;
* PROCURADOR DO MUNICÍPIO

e) As normas de eficácia contida, em razão do cunho


(Procurador do Município- Prefeitura São José dos
constitucional, apenas podem ter sua aplicabili-
Campos-SP/2012- VUNESP) Analise os seguintes dis-
dade reduzida em face de norma igualm<?nte cons-
positivos constitucionais.
titucional.
t vedado à União, aos Estados, ao Distrito Fede cal e
aos Municípios: criar distinções entre brasileiroo ou
preferências entre si.
O Nota do Autor: no que tange à eficácia, segundo
classificação de José Afonso da Silva, as normas cons- 11. No caso de iminente perigo público, a autoridade
titucionais podem ser: plenas, contidas e limitadas. competente poderá usar de propriedade particular,
Normas de eficácia plena são aquelas dotadas de apli- assegurada ao pr~prietário indenização ulteric ·,se
cabilidade direta, imediata e integral, pois não necessi- houver dano.
tam de lei infraconstitucional para torná-las aplicáveis e 111. Compete privativamente à União legislar SC·bre:
nem admitem lei infraconstitucional que lhes restrinja o desapropriação.
conteúdo. Ern outras palavras: elas trazem todo o con-
teúdo necessario para a sua materialização prática. São Conforme a doutrina clássica, que trata da efic3c a
e aplicabilidade das normas constitucionais, os disposi-
entendidas como de aplicabilidade direta, imediata e
tivos da Constituição Federal reproduzidos na questão
integral, pois não necessitam de lei infraconstitucional.
Exemplo: Brasília é a Capital Federal (art. 18, § 1', da CF). são considerados, respectivamente, normas de eficacia
Normas de eficacia contida ou restringível são aquelas a) plena, contida e limitada.
que têm aplicabilidade direta, imediata, mas não inte-
b) contida, plena e limitada.
gral. pois admitem que seu conteúdo seja restringido, o
que ocorre, por exemplo, com o enunciado que garante c) limitada, contida e plena.
o livre exercício de qualquer trabalho, ofício ou profis-
d) plena, contida e plena.
são, atendidas as qualificações profissionais que a lei
estabelecer (art. 5', XIII, da CF). Para ilustrar: a função de e) plena, plena e limitada.
advogado, somente pode ser exercida atendida a qua-
lificação profissional de ser bacharel em direito, apro-
vado no Exame da Ordem dos Advogados do Brasil (art. O Nota do autor: essa é uma questão típica de ::>ro-
8', IV, da Lei 8.906/94). Normas de eficácia limitada são vas de concurso para o cargo de procurador municipal,
aquelas que possuem aplicabilidade indireta, mediata e pois envolve temas como desapropriação e requisição.
reduzida (não direta, não imediata e não integral), pois Exige do candidato conhecimento profundo sob•~ os
exigem norma infraconstitucional para que se materia-
temas.
lizem na pratica.
Alternativa correta: letra "d" (responde a tc·das
Alternativa correta: "b": as normas de eficácia as alternativas): a assertiva está correta, pois a af r-
limitada possuem eficacia imediata em relação ao efeito mação de número I corresponde às normas de eficácia
vinculante do legislador ordinário, pois impedem que plena. A afirmação de número 11 é expressão da ncrma
sejam criadas normas contrárias ao que dispõem.
de eficácia contida e a afirmação de número 111 se irtrela
Alternativa "a": normas de eficácia plena contém à norma de eficácia plena. Normas de eficácia plena
argumentos suficientes para sua aplicabilidade ime- são aquelas dotadas de aplicabilidade direta, imediata
diata e integral. Entretanto, normas que preveem pro- e integral, pois não necessitam de lei infraconstitLdJ-
Revisaço- Direito Constitucional • Paulo lépore

nal para tomá-la~ aplicáveis e nem admitem lei infra- Alternativa "e": as normas de eficácia contida,
constitucional que lhes restrinja o conteúdo. Nqrmas ou de Eficácia restringível, podem ser regulamentadas
de eficácia contida ou restringível são aquelas que têm por outras normas constitucionais, infraconstitucionais
aplic~bilidade direta, imediata, mas não integral, pois ou preceitos jurídicos amplamente aceitos, e, por meio
admitem que seL conteúdo seja restringido por norma destes, ;ua eficácia poderá ser restringida.
infraconstitucioml. E normas áe eficácia limitada são
aquelas que possuem aplicabilidade indireta, mediata e
reduzida (não direta, não imediata e não integral), pois
exigem norma infraconstitucional para que se materia-
* DEFENSOR PÚBLICO ESTADUAL.

lizem na prática.
(Vunes:> - Defensor Público - MS/2014) No que se
(Procurador do Município - Prefeitura Londrina- refere à eficácia e aplicabilidade das normas constitu-
-PR/2011 - CONSULPLAN) Dentre as várias classifica- cionais, é correto afirmar que
ções das normas constitucionais, a mais usual no Brasil é a) as roormas definidoras dos direitos e garantias fun-
a de José Afonso da Silva, para quem as normas se divi- damentais têm aplicação medi ata, vez que não há
dem em três grupos: normas constitucionais de eficá- dirEito fundamental absoluto.
cia plena, norma' constitucionais de eficácia contida e
b) os direitos e garantias expressos na Constituição ex-
normas constitucionais de eficácia limitada. Sobre essas
cluem outros dos Tratados Internacionais em que a
normas, assinale é alternativa INCORRETA:
Rei= ública Federativa do Brasil seja parte.
a) As normas cwstitucionais de eficácia plena produ-
zem ou podem produzir de imediato, com a entrada c) as normas definidoras dos direitos e garantias
em vigor da Constituição, todos os efeitos jurídicos fun :lamentais têm aplicação imediata.
a que se predispõem, independente de normatiza- d) as normas definidoras dos direitos e garantias
ção ou complementação infraconstitucional. fun :lamentais têm aplicação mediata e direta.
b) As normas d'" eficácia contida podem ser regula-
mentadas pc ·outras normas constitucionais, infra-
constitucionais ou preceitos jurídicos amplamente Alternativa correta: letra "c": trata-se da norma
aceitos. insculpi:Ja no art. 5°,§ 1°, da CF.
c) As normas de eficácia limitada são válidas a partir Alternativas "a" e 11d'': de acordo com o art. 5°,§
do regulame1to promovido pelo legislador ordiná- 1°, da CF, as normas definidoras dos direitos e garantias
rio. fundamentais têm aplicação imediata (não mediata). O
d) As normas dE- eficácia plena. por conterem todos os fato de não existirem direitos fundamentais absolutos
elemen:os inprescindíveis para produzirem seus não terr relação com a pergunta feita pelo examinador.
efeitos medi3tamente, são imutáveis.
Alternativa "b": consoante art. 5°, § 2°, da CF, os
e) As normas de eficácia contica possuem aplicabili- direitos e garantias expressos na Constituição não
dade imediat 3, podendo sofrer restrições posterio- excluerro outros decorrentes do regime e dos princípios
res, por isso nesmo rotuladas de não integrais. por ela <dotados, ou dos tratados internacionais em que
a Repúl:lica Federativa do Brasil seja parte.

Alternativa certa: letra "d": a assertiva está incor- (Cespe - Defensor Público - RR/2013) Assinale a
reta. Não há nenhuma correlação entre o fato de uma opção C•Jrreta referente à classificação das constituições
norma ser de eficácia piena e a característica da imuta- e à aplicabilidade e interpretação das normas constitu-
bilidade. Ser uma norma de eficácia plena garante a ela cionais.
a possibilidade de imediata aplicação; já a imutabilidade a) De acordo com o STF, o artigo da CF que assegura
se refere a impos' 'bilidade de m~dificação da norma. a grJtuidade nos transportes coletivos urbanos aos
Alternativa ~a": a assertiva está correta, já que ser mai-)res de sessenta e cinco anos de idade constitui
uma norma reves-:ida de eficácia plena garante a ela a norma de eficácia plena e de aplicabilidade ime-
possibilidade de i -nediata aplicação. diatJ.

Alternativa '·b": as normas de eficácia contida, ou b) É cc nsiderada norma de eficácia limitada o dispo-
de eficácia restringível, podem se' regulamentadas por sitiv::> constitucional que preceitua ser a DP insti-
outras normas cc nstitucionais, infraconstitucionais ou tuiç.ío essencial à função jurisdicional do Estado,
preceitos jurídicos amplamente aceitos, e por meio des- corr a incumbência de prestar orientação jurídica e
tes, sua eficácia poderá ser restringida. defEsa dos necessitadcs.
Alternativa ·c": as normas de eficácia limitada, c) No que se refere à classificação das constituições
para adquirirem ;ua validade, reclamam a edição de ao sistema, a denominada constituição preceituai
uma norma regulamentadora. é aquela na qual há a predominância de princípios,
considerados normas constitucionais, com elevado Alternativa "e": o art. 37, I, da CF, segundo o qual
grau de abstração e generalidade, a exemplo da CF. os cargos, empregos e funções públicas são acessíveis
aos brasileiros que preencham os requisitos estabeleci-
d) Quanto à origem, a chamada constituição cesarista
dos em lei, assim como aos estrangeiros, na forma da
independe de ratificação popular por referendo.
lei, de acordo com o STF, reflete uma norma de eficá-
e) Na CF, o dispositivo que estabelece o acesso dos cia limitada, nos seguintes termos: ""(. ..) Cargo público
estrangeiros aos cargos, empregos e funções públi- efetivo. Provimento por estrangeiro. (...) Até o advento
cas configura, segundo o STF, hipótese de norma de das Emendas 11/1996 e 19/199B, o núcleo essencial
eficácia contida. dos direitos atribufdos aos estrangeiros, embora cer-
tamente compreendesse as prerrogativas necessárias
ao resguardo da dignidade humana, não abrangia um
direito à ocupação de cargos públicos efetivos na estru-
O Nota do autor: essa questão deixa claro que o
tura administrativa brasileira, consoante a redação pri-
candidato deve conhecer a classificação das normas mitiva do art. 37, I, da Lei Maior. Portanto, o art. 243, §
constitucionais quanto à eficácia proposta por José 6°, da Lei 8.112/1990 estava em consonância com a Lei
Afonso da Silva e também como o STF a aplica em rela- Maior e permanece em vigor até que surja o diploma
ção aos dispositivos da CF/88. exigido pelo novo art. 37, I, da Constituição." (RE
Alternativa correta: "a": o posicionamento do STF 346.180 AgR, Rei. Min. Joaquim Barbosa, julgamento em
restou consignado no seguinte julgado: "Ação direta 14-6-2011, Segunda Turma, DJE de 1°-8-2011.). Explica-
de inconstitucionalidade. Art. 39 da Lei 10.741, de 1° -se: o fato de o STF afirmar que o dispositivo constitu-
de outubro de 2003 (Estatuto do Idoso), que assegura cional exige um diploma legislativo significa que, para
gratuidade dos transportes públicos urbanos e semiur- ele, o art. 37, I, da CF é uma norma de eficácia limitada.
banos aos que têm mais de 65 (sessenta e cinco) anos.
Direito constitucional. Norma constitucional de eficácia (Cespe- Defensor Público- ES/2012) Julgue os itens
plena e aplicabilidade imediata. Norma legal que repete a seguir, relativos às normas constitucionais.
a norma constitucional garantidora do direito. improce-
dência da ação. O art. 39 da Le; 10.741/2003 (Estatuto
De acordo com a classificação de José Afonso da Silva,
do Idoso) apenas repete o que dispõe o§ 2° do art. 230 as normas constitucionais podem ser classificadas,
da Constituição do Brasil. A norma constitucional é quanto à eficácia e à aplicabilidade, em normas de efi-
de eficácia plêna e aplicabilidade imediata, pelo cácia plena, normas de eficácia contida e normas de efi-
que não há eiva de invalidade jurídica na norma cácia absoluta.
legal que repete os seus termos e determina que se
concretize o quanto constitucionalmente disposto.
Ação direta de inconstitucionalidade julgada impro-
cedente." (ADI 3.768, julgada em· 2007 e relatada pela Errado. De acordo com a classificação de José
Ministra Cármen Lúcia). Afonso da Silva, as normas constitucionais podem ser
classificadas, quanto à eficácia e à aplicabilidade, em
Alternativa "b": é considerada ~arma de eficácia normas de eficácia plena, normas de eficácia contida e
plena (e não limitada) o dispositivo constitucional o art. normas de eficácia limitada. Normas de eficácia plena
134, caput, da CF, que preceitua ser a Defensoria Pública são aquelas dotadas de aplicabilidade direta, imediata
instituição essencial à função jurisdicional do Estado, e integral, pois não necessitam de lei infraconstitucional
com a incumbência de prestar orientação jurídica e para torná-las aplicáveis e nem admitem lei infraconsti-
defesa dos necessitados. tucional que lhes restrinja o conteúdo. Em outras pala-
Alternativa "c": no que se refere à classificação das vras: elas trazem todo o conteúdo necessário para a sua
constituições ao sistema, a denominada constituição materialização prática. São entendidas como de aplica-
principiológica é aquela na qual há a predominância bilidade direta, imediata e integral, pois não necessitam
de princípios, considerados normas constitucionais, de lei infraconstitucional. Exemplo: Brasília é a Capital
com elevado grau de abstração e generalidade, a exem- Federal (art. 18, § 1°, da CF). Normas de eficácia con-
plo da CF. Por sua vez, constituição preceituai é aquele tida ou restringível são aquelas que têm aplicabilidade
a em que prevalecem as regras, individualizadas como direta, imediata, mas não integral, pois admitem que
normas constitucionais revestidas de pouco grau de seu conteúdo seja restringido por norma infraconstitu-
abstração, concretizadoras de princípios, pelo que é cional, o que ocorre, por exemplo, com o enunciado que
possível a aplicação coercitiva, tal como a Constituição garante o livre exercício de qualquer trabalho, ofício ou
Mexicana (LENZA, Pedro. Direito constitucional esquema- profissão, atendidas as qualificações profissionais que
a lei estabelecer (art. 5°, XIII, da CF). Para ilustrar: a fun-
tizado. 16 ed. São Paulo: Saraiva, 2012, p. 94).
ção de advogado, somente pode ser exercida atendida
Alternativa "d": quanto à origem, a chamada cons- a qualificação profissional de ser bacharel em direito,
tituição cesaristil, bonapartista, plebiscitária ou refe- aprovado no Exame da Ordem dos Advogados do Bra-
rendária é aquela criada por um ditador ou imperador sil (art. 8°, IV, da Lei 8.906/94). Normas de eficácia limi-
e posteriormente submetida à aprovação popular por tada são aquelas que possuem aplicabilidade indireta,
plebiscito ou referendo. mediata e reduzida (não direta, não imediata e não inte-
[j~l_________________________ Revisaço- Direito Constituciona~:_P_CI~I~~~ore

gral), pois exigem norma infraconstitucional para que ações e serviços para sua promoção, proteção e recu-
se materializem na prática. Elas podem ser de princípio peração", A referida norma é programática, ou seja,
programático ou princípio institutivo. depende de ações estatais para ser implementada, mas,
não obstante essa característica, se algum paciente
De acordo com o que dispõe a CF, as normas definidoras carente com patologia crônica com indiscutível risco
de direitos fundamentais têm aplicação imediata, mas de morte necessitar de remédio de alto custo não for-
necido pelo SUS- Sistema Único de Saúde-, será possí-
gradual.
vel mover ação judicial para sua obtenção e, se houver
recurso, em última instância a pretensão será acolhida,
pois o STF admite a judicialização de políticas públicas,
Errado. De acordo com o que dispõe o art. 5', § 1', em especial, o fornecimento de medicamentos de alto
da CF, as normas definidoras de direitos fundamentais custo {conforme Suspensões de Tutela (STA) 175, 211 e
têm aplicação imediata, mas não gradual. 278; Suspensões de Segurança 3724, 2944, 2361, 3345
e 33SS; e Suspensão de Liminar (SL) 47, de Relato ria do
(Instituto cidades- Defensor Público- AM/2011) No Ministro Gil mar Mendes, julgadas em 2010).
art. 196 da Constituição Federal está estabelecido que a
"saúde é direito de todos e dever do Estado, garantido {FCC - Defensor Público - SP/2010) Utilizando-se a
mediante políticas sociais e econômicas que visem à classificação de José Afonso da Silva no tocante a eficá-
redução do risco de doença e de outros agravos e ao cia e aplicabilidade das normas constitucionais, a norma
acesso universal e igualitário às ações e serviços para constitucional inserida no artigo 5°, XII: "é inviolável o
sua promoção, proteção e recuperação". A referida sigilo de correspondência e das comunicações telegráficas,
norma é: de dados e das comunicações telefõnicas, salvo, no último
caso, por ordem judicial, nas hipóteses e na forma que a lei
a) programática, mas, não obstante essa caracte-
estabelecer para fins de investigação criminal ou instrução
rística, se algum paciente carente com patologia
processual penal", pode ser classificada como norma
crônica com indiscutível risco de morte necessitar
de remédio de alto custo não fornecido pelo SUS- a) de eficácia plena, isto é, de aplicabilidade direta,
Sistema Único de Saúde-, será possfvel mover ação imediata e integral, não havendo necessidade de
judicial para sua obtenção e, se houver recurso, em lei infraconstitucional para resguardar o sigilo das
última instância a pretensão será acolhida. comunicações.
b) de eficácia contida, portanto, lei ordinária federal b) de eficácia limitada, isto é, de aplicabilidade
poderá restringir os casos em que o Sistema Único indireta, mediata e não integral, ou seja, o sigilo
de Saúde fornecerá assistência farmacêutica e somente poderá ser garantido após a integração
médico-hospitalar. legislativa infraconstitucional.
c) de eficácia complementável, portanto, deverá ser c) de eficácia contida, isto é, de aplicabilidade direta,
colmatada pelo legislador infraconstitucional, sob imediata, porém não integral, ou seja, a lei infra-
pena de não produzir qualquer efeito jurídico. constitucional poderá restringir sua eficácia em
determinadas hipóteses.
d) de eficácia plena, portanto, se algum paciente
carente com patologia crônica com indiscutível d) com eficácia relativa restringível, isto é, o sigilo
risco de morte necessitar de remédio de alto custo pode ser limitado em hipóteses previstas em regra-
não fornecido pelo SUS- Sistema Único de Saúde-, menta infraconstitucional.
será possível mover ação judicial para sua obtenção
e) de eficácia relativa complementável ou depen-
e, se houver recurso, em última instância a preten-
dente de complementação legislativa, isto é,
são será acolhida. depende de lei complementar ou ordinária para se
e) de eficácia plena, portanto, se algum paciente garantir o sigilo das comunicações.
carente com patologia crônica com indiscutível
risw de morte necessitar de remédio de alto custo W~Hiil.j;Ho,_.
não fornecido pelo SUS - Sistema Único de Saúde
Alternativa correta: letra "c": a norma consti-
-,será possível mover ação judicial para sua obten-
tucional inserida no artigo 5°, XII: "é inviolável o sigilo
ção, mas, no entanto, se houver recurso, em última
de correspondência e das comunicações telegráficas, de
instância a pretensão não será acolhida.
dados e das comunicações telefõnicas, salvo, no último

«%\!MitJ;M* caso, por ordem judicial, nas hipóteses e na forma que a


lei estabelecer para fins de investigação criminal ou instru-
Alternativa correta: letra "a" {responde todas as ção processual penal", pode ser classificada como norma
demais alternativas): no art. 196 da Constituição Fede- de eficácia contida, isto é, de aplicabilidade direta, ime-
ral está estabelecido que a "saúde é direito de todos e diata, porém não integral, ou seja, a lei infraconstitu-
dever do Estado, garantido mediante políticas sociais e cional poderá restringir sua eficácia em determinadas
econômicas que visem à redução do risco de doença e hipóteses, haja vista que a lei poderá restringir o con-
de outros agravos e ao acesso universal e igualitário às teúdo da inviolabilidade do sigilo e das comunicações
Capítulo I -Teoria da Constituição e das Normas Constitucionais I 7s I
telefônicas, para fins de investigação criminal ou instru- quer trabalho, ofício ou ~ rofissão, atend das as qualifi-
ção processual penal, desde que por ordem judicial. cações profissionais que a lei estabelecer (art. 5', XIII, da
CF). Para ilustrar: a funçãc de advogado. ;omente pode
Alternativa "a": a norma de eficácia plena, isto é,
ser exercida atendida a ~JaWicação profissional de ser
de aplicabilidade direta, imediata e integral, não neces-
bacharel em direito, apro•tado no Exame da Ordem dos
sita de lei infraconstitucional, o que não se adapta ao
Advogados do Brasil (art .3', 11/, da Lei 8.906/94).
sigilo das comunicações.
Alternativa "a": o direito fundamertal no sentido
Alternativa "b": a norma de eficácia limitada, isto
que ninguém será obrigêdo a fazer ou deixar de fazer
é, de aplicabilidade indireta, mediata e não integral,
alguma coisa senão em •tirtude de lei está no rol das
não corresponde ao sigilo das comunicações, que tem
normas de eficácia plera, que são aquelas dotadas
aplicabilidade direta, imediata, mas não integral, pois
de aplicabilidade direta, imediata e inte-gral, pois não
admite que seu conteúdo seja restringido por norma
necessitam de lei infraccrstitJCional parê torná-las apli-
infraconstitucional.
cáveis e nem admitem lEi infraconstituáonal que lhes
Alternativa "d": como visto, o sigilo das comuni- restrinja o conteúdo. Em olftras palavrês: elas trazem
cações está inscrito em norma de eficácia contida, que todo o conteúdo neces;ilrio para a sua materialização
Maria Helena Diniz denomina por normas de eficácia prática.
relativa restringivel, mas, o sigilo pode ser limitado em
Alternativa "b": a garantia de que não haverá pena
hipóteses previstas na Constituição (somente sigilo
de morte, salvo em caso de guerra decl3rada, nos ter-
telefônico e por ordem judicial), sendo apenas detalha-
mos da Constituição tambérr está no rol das normas de
das infraconstitucionalmente. eficácia plena.
Alternativa "e": as normas de eficácia relativa Alternativa "c": o E11Urciado no sentido que no
complementável ou dependente de complementação caso de iminente perigo pútlico, a autoridade compe-
legislativa, assim denominadas por Maria Helena Diniz, tente poderá usar de pr::>priedade pa·ticular, assegu-
correspondem às normas de eficácia limitada da clas- rada ao proprietário incienização ulter o r, se houver
sificação de José Afonso da Silva. Como visto, o sigilo dano também representa urra norma d~ eficácia plena.
das comunicações está inscrito em norma de eficácia Vale notar que Pedro L~nza entende qce essa norma,
contida, o que leva à conclusão que a alternativa está prevista no art. 5', XXV, da CF, pode ~er classificada
errada. como de eficácia contidil (D'reito Consticucional Esque-
matizado. 13 ed. São Paulo: Saraiva, 2008. p. 137). Não
(FCC- Defensor Público- MA/2009) É imediatamente concordamos com esse p:Jsidonamento, e ficá mos com
aplicável, podendo ter sua eficácia contida pela legisla- o entendimento da banca e:<aminador3. pois a norma
ção, a norma constitucional segundo a qual não admite lei, em sentido estrito, limita 1do o seu con-
teúdo.
a) ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer
alguma coisa senão em virtude de lei. Alternativa "e": a ·,;2"antia segund·:J a qual a lei não
poderá exigir autorizaç~c do Estado para a fundação de
b) não haverá pena de morte, salvo em caso de guerra
sindicato, ressalvado o r2gistro no órg2o competente
declarada, nos termos da Constituição.
não foge à regras das :rês alternativ3; anteriores: é
c) no caso de iminente perigo público, a autoridade norma de eficácia plena.
competente poderá usar de propriedade particular,
assegurada ao proprietário indenização ulterior, se (Cespe- Defensor Públ co - Pl! 20091 •:om relaçãc às
houver dano. características das nonas :onstitucic naís, assinale a
d) é livre o exercício de qualquer trabalho, ofício ou opção correta.
profissão, atendidas as qualificações profissionais a) São consideradas mo.terialmente consti:ucionais as
que a lei estabelecer. normas que, mesmo não tendo ccnteúdo propria-
e) a lei não poderá exigir autorização do Estado para mente constituciona I, possuem em seus enuncia-
a fundação de sindicato, ressalvado o registro no dos todos os elemEntos necessários à sua executo-
órgão competente. riedade direta e int~gral.
b) As normas constitucionais programáticas definem
objetivos cuja conaetizêção de perde de providên-
cias situadas fora cu além do text::> constitucional,
Alternativa correta: letra "d": o direito funda-
traçando metas a ;erem alcançadas pela atuação
mental segundo o qual é livre o exercício de qualquer
futura dos podere;~ úbl:cos.
trabalho, ofício ou profissão, atendidas as qualificações
profissionais que a lei estabelecer é o exemplo clássico c) As normas constitucion3is definid:Jfas de direitos,
das normas de eficácia contida, que são aquelas que por sua natureza, não geram direit:JS na sua versão
têm aplicabilidade direta, imediata, mas não integral, positiva; assim, não investem os jurisdicionados no
pois admitem que seu conteúdo seja restringido por poder de exigir do Estado prestaç5es que propor-
norma infraconstitucional. o que ocorre, por exemplo, cionem o desfrute c os bens jurídicos nelas consa-
com o enunciado que garante o livre exercício de qual- grados.
Revisaç•J -Direito Constitucional • Paulo Lépore

c) Uma característica que diferencia a norma consti- que dependem de regulamentação para gerarem efei-
tucional das demais normas jurídicas é a natureza tos prát cos.
da linguagem, na medida em que a ConstituiÇ~o se
utiliza apenas de cláusulas fechadas, que exigem (Cespe- Defensor Público- AL/2009) Acerca da apli-
aplicação direta e não admitem mediações concre- cabilidade das normas constitucionais, julgue os itens
tizadoras por parte do intérprete constitucional. que se seguem.
e) Por desfrutarem de superioridade jurídica em rela-
ção a todas as demais normas, as disposições cons- De acordo com o entençlimento do STF, constitui norma
titucionais são autoaplicáveis, não dependendo de de eficocia restringivel o preceito constitucional que
regulamentação. veda a ~·risão civil por divida, salvo a do responsável por
inadimplemento voluntário e inescusável de obrigação
'+!ti.WuiW·» aliment ·c ia e a do depositário infiel.

Alternativa correta: letra "b": as normas consti-


t:Lcionais programáticas definem objetivos cuja con-
nmmttw·ra.
cretização depende de providências situadas fora ou Certo. De acordo com o entendimento do STF,
além do texto constitucional, traçando metas a serem constitL i norma de eficácia restringível o preceito cons-
alcançadas pela atuação futura dos poderes públicos. titucional que veda a prisão civil por dívida, salvo a do
Segundo José Afonso da Silva, elas se denominam de responsável por inadimplemento voluntário e inescusá-
normas de eficácia limitada de princípio program~tico, vel de obrigação alimentícia e a do depositário infiel. As
p·:>is não regulam diretamente interesses ou direitos normas de eficácia contida ou restringível são aquelas
nelas consagrados, mas se limitam a traçar alguns pre- que têm aplicabilidade direta, imediata, mas não inte-
ceitos a serem cumpridos pelo Poder Público, como gral, pcis admitem que seu conteúdo seja restringido
por nor11a infraconstitucional.
programas das respectivas atividades, pretendendo
uoicamente a consecução dos fins sociais pelo Estado.
Pode-se citar como exemplo a determinação de orga- O dispcsitivo constitucional que assegura aos idosos a
nização de um regime de colaboração dos sistemas de gratuidade dos transportes coletivos urbanos constitui
eosino dos Entes da Federação (art. 211, da CF). norma de eficácia contida.

Alternativa "a": são consideradas formalmente r.!·: I~~


~'#.i~W..t\!ifn ·
le não materialmente) constitucionais as normas que,
mesmo não tendo conteúdo propriamente constitucio- Err.ado. O dispositivo constitucional que assegura
nal, estão inseridas no texto da Constituição. As normas aos idO$OS a gratuidade dos transportes coletivos urba-
que possuem em seus enunciados todos os elementos nos constitui norma de eficácia plena (não contida),
necessários à sua executoriedade direta e integral são segundo posição prevalente da doutrina, que contou
denominadas normas de eficácia plena. com a c:mfirmação do STF no bojo da ADI 3.768, julgada
em 2007. Vale lembrar que as normas de eficácia plena
Alternativa "c": as normas constitucionais defini- são aquelas dotadas de aplicabilidade direta, imediata e
doras de direitos, por sua natureza, geram direitos na integral, pois não necessitam de lei infraconstitucional
sua versão positiva; assim, investem os jurisdicionados para torná-las aplicáveis e nem admitem lei infraconsti-
no poder de exigir do Estado prestações que proporcio· tucional que lhes restrinja o conteúdo. Em outras pala-
roem o desfrute dos bens jurídicos nelas consagrados. vras: elãs trazem todo o conteúdo necessário para a sua
T·ata-se de reflexo do princípio da força normativa, materialização prática. São entendidas como de aplica-
segundo o qual a partir dos valores sociais, o intérprete bilidade direta, imediata e integral, pois não necessitam
deve extrair aplicabilidade e eficácia de todas as normas de lei irfraconstitucional.
da Constituição, conferindo-lhes sentido prático, em
·=ara relação com o princípio da máxima efetividade ou
(Cespe- Defensor Público- ES/2009) Acerca da inter-
o:ficiência. Por meio dele, a Constituição tem força ativa
pretação e da aplicação das normas constitucionais, jul-
;J.ara alterar a realidade. gue o item seguinte.
Alternativa "d": uma característica que diferencia
a norma constitucional das demais normas jurídicas é a Norma~ constitucionais supereficazes ou com eficácia
oatureza da linguagem, na medida em que a Constitui- absoluta são aquelas que contêm todos os elementos
·;3o se utiliza também de cláusulas abertas, que admi- impre>cindiveis para a produção imediata dos efeitos
tem mediações concretizadoras por parte do intérprete previstos; elas não requerem normatização subcons-
-::>nstitucional. Tal afirmação de refere aos princípios titucioral subsequente, embora sejam suscetíveis a
-::mstitucionais, aplicáveis por meio de ponderação. emendas.
Alternativa "e": apesar de desfrutarem de supe-
·ioridade jurídica em relação a todas as demais normas,
nem todas as disposições constitucionais são autoapli- Errado. Na lição de Maria Helena Diniz, normas
::áveis, a exemplo das normas de eficácia limitada, constitucionais supereficazes ou com eficácia absoluta
Capítulo 1- Teoria da Constituição e das Normas Constitucionais

são aquelas que contêm todos os elementos imprescin- em parte, para que se comunique ao Poder Legisla-
díveis para a produção imediata dos efeitos previstos; tivo a mora em que se encontra, a fim de que adote as
elas não requerem normatização subconstitucional providências necessárias para suprir a omissão, deixan-
subsequente, e não são suscetíveis a emendas (daí a do-se de fixar prazo para o suprimento dessa omissão
denominação supereficazes ou com eficácia abso- constitucional em face da orientação firmada por esta
luta). Corte (MI361)." (MI584, julgado em 2001 e relatado pelo
Ministro Moreira Alves).

* JUIZ DE DIRErTO
Alternativa "a": a norma do art. 5°, 111 da Constitui-
ção Federal, segundo a qual "ninguém será submetido a
tortura nem a tratamento desumano ou degradante", é
(UFPR- Juiz de Direito Substituto-PR/2012) Em rela- dotada de eficácia plena, aplicabilidade direta, imediata
ção à aplicabilidade e à eficácia das normas constitucio- e integral, pois não necessita de lei infraconstitucional
nais, assinale a alternativa INCORRETA. para torná-la aplicável e nem admite lei infraconstitu-
a) A norma do art. 5°, 111 da Constituição Federal, cional que lhe restrinja o conteúdo.
segundo a qual "ninguém será submetido a tortura Alternativa "c": o art. 7°, XI da Constituição Fede-
nem a tratamento desumano ou degradante", é ral, que institui o direito do trabalhador à "participação
dotada de eficácia plena. nos lucros, ou resultados, desvinculada da remunera-
b) De acordo cóm o STF, o art. 192, § 3° da Constitui- ção, e, excepcionalmente, participação na gestão da
ção Federal, revogado pela Emenda Constitucio- empresa, conforme definido em lei", veicula norma
nal no 40/2003, que limitava a taxa de juros reais a de eficácia limitada, aplicabilidade indireta, mediata e
12% ao ano e estabelecia que "a cobrança acima reduzida (não direta, não imediata e não integral), pois
deste limite será conceituada como crime de usura, exige norma infraconstitucional para que se materialize
punido, em todas as suas modalidades, nos termos na prática.
que a lei determinar", veiculava norma constitucio-
nal de eficácia contida. Alternativa "d": o art. 5°, XIII da Constituição Fede-
ral, que assegura a liberdade de "exercício de qualquer
c) O art. 7°, XI da Constituição Federal, que institui o trabalho, ofício ou profissão, atendidas as qualificações
direito do trabalhador à "participação nos lucros, ou profissionais que a lei estabelecer", constitui norma de
resultados, desvinculada da remuneração, e, excep-
eficácia contida, aplicabilidade direta, imediata, mas
cionalmente, participação na gestão da empresa,
não integral, passível de ser restringida pelo legislador,
conforme definido em lei", veicula norma de eficá-
como no caso da restrição imposta pela exigência de
cia limitada.
aprovação no exame da OAB para o exercício da profis-
d) O art. 5°, XIII da Constituição Federal, que assegura são de advogado.
a liberdade de "exercício de qualquer trabalho, ofí-
cio ou profissão, atendidas as qualificações profis-
(Vunesp- Juiz de Direito Substituto-MG/ 2012) Ana-
sionais que a lei estabelecer", constitui norma de
eficácia contida, passível de ser restringida pelo lise as afirmativas a seguir.
legislador, como no caso da restrição imposta pela I. As normas que definem os direitos e garantias indi-
exigência de aprovação do exame da OAB para o viduais são consideradas programáticas.
exercício da profissão de advogado.
11. As normas constitucionais chamadas de "eficácia
limitada", de acordo com a doutrina brasileira, apre-
sentam aplicabilidade indireta, mediata e reduzida.
Alternativa certa: "b": de acordo com o STF, o art.
192, § 3° da Constituição Federal, revogado pela Emenda 111. Segundo a doutrina e jurisprudência brasileira, o
Constitucional no 40/2003, que limitava a taxa de juros direito de greve, reconhecido ao servidor público
reais a 12% ao ano e estabelecia que "a cobrança acima pela Constituição Federal brasileira de 1988, é de
deste limite será conceituada como crime de usura, eficácia plena.
punido, em todas as suas modalidades, nos termos IV. As normas infraconstitucionais anteriores à pro-
que a lei determinar", veiculava norma constitucional
mulgação de uma nova constituição, quando com
de eficácia limitada, não contida, in verbis: "Esta Corte,
esta incompatíveis ou não recepcionadas, são tidas
ao julgar a ADI4, entendeu, por maioria de votos, que o
como normas inconstitucionais.
disposto no§ 3° do art. 192 da CF não era autoaplicável,
razão por que necessita de regulamentação. Passados Está correto apenas o contido em
mais de doze anos da promulgação da Constituição,
a) 11.
sem que o Congresso Nacional haja regulamentado o
referido dispositivo constitucional, e sendo certo que b) IV.
a simples tramitação de projetos nesse sentido não é
c) I e 111.
capaz de elidir a mora legislativa, não há dúvida de que
esta, no caso, ocorre. Mandado de injunção deferido d) ll,llleiV.
78 Revisaço- Direito Constitucional • Paulo Lépore

construção jurisprudencial inicial, o STF flexibilizou a


interpretação constitucional primeiramente fixada para
Alternativa correta: "a": conferir uma compreensão mais abrangente à garan-
Item "1": as normas que definem os direitos e tia fundamental do mandado de injunção. A partir de
garantias individuais tem aplicabilidade imediata, nos uma série de precedentes, o Tribunal passou a admitir
termos do art. 5', § 1', da CF, não sendo consideradas soluções 'normativas' para a decisão judicial como alter-
programáticas como regra. nativa legítima de tornar a proteção judicial efetiva (CF,
art. 5°, XXXV). Precedentes: Ml 283, Rei. Min. Sepúlveda
Item "11": as normas constitucionais chamadas de Pertence, DJ de 14-11-1991; Ml 232/RJ, Rei. Min. Moreira
"eficácia limitada", de acordo com a doutrina brasileira, Alves, DJ de 27-3-1992; Ml 284, Rei. Min. Marco Auré-
notadamente José Afonso da Silva, conforme nota do lio, Rei. p/ o ac. Min. Celso de Mello, DJ de 26-6-1992;
autor da questão anterior, apresentam aplicabilidade
Ml 543/DF, Rei. Min. Octavio Gallotti, DJ de 24-5-2002;
indireta, mediata e reduzida.
Ml 679/DF, Rei. Min. Celso de Mello, DJ de 17-12-2002; e
Item "111": segundo a doutrina e jurisprudência Ml 562/DF, Rei. Min. Ellen Gracie, DJ de 20-6-2003. (...)
brasileira, o direito de greve, reconhecido ao servidor Em razão da evolução jurisprudencial sobre o tema da
público pela Constituição Federal brasileira de 1988, é interpretação da omissão legislativa do direito de greve
de eficácia limitada, não plena. Vale destacar o seguinte dos servidores públicos civis e em respeito aos ditames
julgado do STF: "Mandado de injunção. Garantia fun· de segurança jurídica, fixa-se o prazo de sessenta dias
damental (CF, art. 5°, LXXI). Direito de greve dos servi· para que o Congresso Nacional legisle sobre a matéria.
dores públicos civis (CF, art. 37, Vil). Evolução do tema Mandado de injunção conhecido e, no mérito, deferido
na jurisprudência do STF. Definição dos parâmetros de para, nos termos acima especificados, determinar a apli-
competência constitucional para apreciação no âmbito cação das Leis 7.701/1988 e 7.783/1989 aos conflitos e às
da Justiça Federal e da Justiça estadual até a edição da ações judiciais que envolvam a interpretação do direito
legislação específica pertinente, nos termos do art. 37, de greve dos servidores públicos civis." (MI 708, Rei. Min.
Vil, da CF. Em observância aos ditames da segurança Gilmar Mendes, julgamento em 25-10-2007, Plenário,
jurídica e à evolução jurisprudencial na interpretação DJE de 31-10-2008). No mesmo sentido: Ml 670, Rei. p/
da omissão legislativa sobre o direito de greve dos ser- o ac. Min. Gilmar Mendes, e Ml 712, Rei. Min. Eros Grau,
vidores públicos civis, fixação do prazo de sessenta dias julgamento em 25-10-2007, Plenário, DJE de 31-10-2008.
para que o Congresso Nacional legisle sobre a matéria.
Mandado de injunção deferido para determinar a apli-
Item "IV": as normas infraconstitucionais anterio-
res à promulgação de uma nova constituição, quando
cação das Leis 7.701/1988 e 7.783/1989. Sinais de evolu-
com esta incompatíveis ou não recepcionadas, não
ção da garantia fundamental do mandado de injunção
na jurisprudência do STF. No julgamento do Ml 107/DF, podem ser consideradas inconstitucionais. Isso por-
Rei. Min. Moreira Alves, DJ de 21-9-1990, o Plenário do que a inconstitucionalidade, quando existente, é sem-
STF consolidou entendimento que conferiu ao man- pre congênita, ou seja, existe em relação ao parâmetro
dado de injunção os seguintes elementos operacionais: constitucional vigente quando de sua criação. Portanto,
i) os direitos constitucionalmente garantidos por meio são genericamente referidas como não recepcionadas.
de mandado de injunção apresentam-se como direitos
à expedição de um ato normativo, os quais, via de regra, (Cespe- Juiz de Direito Substituto-ES/2012) Acerca
não poderiam ser diretamente satisfeitos por meio de da aplicabilidade e da interpretação das normas consti-
provimento jurisdicional do STF; ii) a decisão judicial tucionais, assinale a opção correta.
que declara a existência de uma omissão inconstitu-
a) O dispositivo constitucional que estabelece que lei
cional constata, igualmente, a mora do órgão ou poder
federal disporá sobre a utilização, pelo governo do
legiferante, insta-o a editar a norma requerida; iii) a
DF, das polícias civil e militar e do corpo de bombei-
omissão inconstitucional tanto pode referir-se a uma
ros militar constitui exemplo de norma de eficácia
omissão total do legislador quanto a uma omissão par-
limitada.
cial; iv) a decisão proferida em sede do controle abstrato
de normas acerca da existência, ou não, de omissão é b) Inexiste hierarquia entre normas constitucionais,
dotada de eficácia erga omnes, e não apresenta dife- salvo no que diz respeito às cláusulas pétreas e aos
rença significativa em relação a atos decisórios profe- direitos fundamentais, que representam o núcleo
ridos no contexto de mandado de injunção; iv) o STF essencial da CF e envolvem diretamente a noção de
possui competência constitucional para, na ação de dignidade da pessoa humana.
mandado de injunção, determinar a suspensão de pro-
c) As normas constitucionais de eficácia contida são
cessos administrativos ou judiciais, com o intuito de
de aplicabilidade indireta, mediata e reduzida,
assegurar ao interessado a possibilidade de ser contem-
havendo necessidade de lei integrativa infraconsti-
plado por norma mais benéfica, ou que lhe assegure o
tucional para produzir todos os seus efeitos.
direito constitucional invocado; v) por fim, esse plexo de
poderes institucionais legitima que o STF determine a d) As normas de eficácia limitada são desprovidas de
edição de outras medidas que garantam a posição do normatividade, incapazes de produzir quaisquer
impetrante até a oportuna expedição de normas pelo efeitos e de servir de parâmetro para a declaração
legislador. Apesar dos avanços proporcionados por essa de inconstitucionalidade.
Capítulo I -Teoria da Constituição e das Normas Constitucionais I 79 I
----~----~-------------~---~--·-·--·--~~----------~--------~-----------~---~

e) De acordo com o princípio da interpretação con- e) As normas institutivês, que tra·çam esquemas gerais
forme a Constituição, em face de normas plurissig- de organização e est·uturação de órgãos, entidades
nificativas, o intérprete deve buscar o sentido da ou instituições do E;t;;do, são dotadas de eficácia
norma que mais a compatibilize com a CF, ainda que plena e aplicabilidade mediata, \'isto q•Je possuem
sua interpretação contrarie o texto literal da norma. todos os elementos necessários 3 sua executorie-
dade direta e integrEI.

Alternativa correta: "a": o dispositivo constitu-


cional que estabelece que lei federal disporá sobre a Alternativa correta: letra "b": entre as modalida-
utilização, pelo governo do DF, das polícias civil e mili- des de eficácia dos princípios constitucionais inclui-se a
tar e do corpo de bombeiros militar constitui exemplo eficácia negativa, que impl ca a parali~.ação de qualquer
de norma de eficácia limitada, aplicabilidade indireta, norma ou ato jurídico que contrarie um pr ncfpio. Essa
mediata e reduzida (não direta, não imediata e não inte- é a comprovação de no\'a doutrina de dire:to constitu-
gral), pois exige norma infraconstitucional para que se cional, com destaque para Luís Roberto Buroso e Ana
materialize na prática. Paula de Barcellos, para quem os prindpios ainda teriam
mais duas modalidades de eficácia: positi•:a (reconhe-
Alternativa "b": inexiste hierarquia entre nor-
cimento de efeitos objeti,·os aos secs beneficiários) e
mas constitucionais e não há exceções. Nem mesmo
interpretativa (orientação :la interpretação das demais
as cláusulas pétreas e os direitos fundamentais estão
normas que compõem o si>tema).
acima das outras normas constitucionais.
Alternativa "a": não é prevalente na doütrina cons-
Alternativa "c": as normas constitucionais de eficá-
titucional brasileira, o erotendimento de que as normas
cia contida ou restringível são de aplicabilidade direta,
que consagram as cláusulas pétreas estão Em nível hie-
imediata, mas não integral, pois admitem que seu con-
rárquico superior às demais normas constitucionais. Isso
teúdo seja restringido por norma infraconstitucional
porque não há hierarquia entre normas constitucionais.
Alternativa "d": as normas de eficácia limitada não Alternativa "c": no que concerne à forma de apli-
são desprovidas de normatividade. Apesar de terem cação, os princípios ope·am por via d·) enqcadramento
aplicabilidade indireta, mediata e reduzida, servem de do fato no relato normativo, mas, diferentemente do
parâmetro para a declaração de inconstitucionalidade. que ocorre com as regras, eles não comportam a sub-
Alternativa "e": de acordo com o princípio da sunção, pois são aplicados por ponderação.
interpretação conforme a Constituição, em face de nor- Alternativa "d": ;egundo a doJtrina contempo-
mas plurissignificativas ou polissêmicas, o intérprete rânea (Luis Roberto Earroso, Ana Faula de Barcellos,
deve buscar o sentido da norma que mais a compatibi- Paulo Bonavides, Canotil~o. dentre outros) as normas
lize com a CF, mas sem que essa atividade se consti- constitucionais programáticas estipulam princípios ou
tua em atentado ao próprio texto constitucional. programas que devem ser perseguidos pelos poderes
públicos, e possuem eficácia vincul;.nte, sendo capa-
(Cespe- Juiz de Direito Substituto-PB/2011) Acerca zes de gerar direitos subjetivos. T"l afirmativa tem
dos princípios constitucionais e da classificação e inter- fundamento no Princípio :la Força N•)rmativa da Cons-
pretação das normas constitucionais, assinale a opção tituição (Konrad Hesse), segundo o qual, a partir dos
correta. valores sociais, o intérpre:e deve extrair aplicabilidade
e eficácia de todas as nc•rmas da Constituição, conferin-
a) É prevalecente, na doutrina constitucional brasi-
do-lhes sentido prático. e-n clara relação com o princí-
leira, o entendimento de que as normas que con- pio da máxima efetividõde ou eficiência. Por meio dele,
sagram as cláusulas pétreas estão em nível hierár-
a Constituição tem força ativa para a.terar a realidade.
quico superior às demais normas constitucionais.
Alternativa "e": as normas institutivas, que tra-
b) Entre as modalidades de eficácia dos princípios çam esquemas gerais de organização e estruturação de
constitucionais inclui-se a eficácia negativa, que órgãos, entidades ou instituições do Estado, são dota-
implica a paralisação de qualquer norma ou ato das de eficácia limitada, pois não oossuem todos os
jurídico que contrarie um princípio. elementos necessários à sua execu:oriedade direta e
c) No que concerne à forma de aplicação, os princí- integral, nos termos da doutrina de José Afonso da Silva.
pios operam por via do enquadramento do fato no
relato normativo, ainda que, tanto quanto as regras, (FGV- Juiz Substitutc - MS/2008) Assiroale a afirma-
eles comportem a subsunção. tiva incorreta.
d) As normas constitucionais programáticas cingem- a) As normas constitucbnais definidoras dos direitos
-se a estipular princípios ou programas que devem e garantias fundamentais têm aplicaçio imediata.
ser perseguidos pelos poderes públicos, não pos-
b) As normas const tucionais podem ter eficácia
suindo eficácia vinculante nem sendo capazes de
plena, contida e :imitada.
gerar direitos subjetivos na sua versã0 positiva ou
negativa, embora impeçam a produção de normas c) As normas constitucionais de eficád3 plena são
que contrariem o direito nelas inserido. aquelas que desde a entrada em vigor da Constitui-
Revisaço- Direito Constitucional • Paulo lépore

ção prJduzem, ou podem ~·r:>duzir, todos os efeitos b) t obrigação condicional do Estado-membro cus-
essenciais, relativos aos inleresses, comportamen- tear o exame de DNA em favor de hipossuficientes.
tos e situações, que o legislador constituéional,
c) A teoria constitucional discursivo-dialógica inter-
direta e normativa mente, quis regular. liga autonomia pública e autonomia privada.
d) As normas constitu:iona s de eficácia contida
d) O constitucionalismo whig (ou termidoriano)
são aquelas que apresen:am aplicação indireta,
defende mudanças constitucionais bruscas ou
m<:diata e reduzida, porque ~.o mente incidem total-
revolucionárias.
m<:nte sobre os interesse>, após uma normativi-
dade ulterior que lhes desen~olva a aplicabilidade.
e) As normas constitue anais programáticas são de
a~licação diferida e não de aplicação ou execução O Nota do autor: a questão tem alto nível de
irrediata. dificuldade, pois o examinar pinçou institutos pouco
conhecidos de vários doutrinadores estrangeiros.
R·'Mih'48 Alternativa correta: letra "c": A teoria consti-
Alternativa certa: letra "d ··: as normas constitu- tucional discursivo-dialógica proposta por Jurgen
cionais de eficácia conticia ou restringível são aquelas Habermas prega que os procedimentos jurídicos ou
que poderr. ter seu conteúdo restringido por norma jurisdicionais não podem determinar a lógica da argu-
infraconstitucional, o que ocorre, por exemplo, com o mentação. Somente a partir da intersecção entre a
enunciado ~ue garante o livré exercício de qualquer autonomia pública e a autonomia privada é que se
trabalho, ofício ou profissão, atendidas as qualifica- alcança um espaço de autonomia comum, o que se rea-
ções ~rofissionais que a lei estaC:Jelecer (art. 5", XIII, da liza no cotidiano compartilhado entre cidadãos e um
CF). Para ilustrar: a função de advogado, somente pode Estado Republicano Democrático (HABERMAS, Jürgen e
ser exercica atendida a qualificação profissional de ser RAWLS, John. Debate sobre e/liberalismo politico. Barce-
bacharel em direito, apro\'ado no Exame da Ordem dos lona: Paidós, 1998). Portanto, é correto dizer que a teoria
Advogados do Brasil (art 8", IV, c a Lei 8.906/94). Assim, constitucional discursivo·dialógica interliga autonomia
as normas que somente ircidem totalmente sobre inte- pública e autonomia privada.
resses após uma normatividade ulterior que lhes desen-
Alternativa "a": o patriotismo constitucional
volva a ap icabilidade são as de eficácia limitada, não
opõe-se à ideia de nacionalismo e prega que a Cons-
as de eficá:ia contida.
tituição deve ter como pressupostos o Estado Demo-
Alternativa "a": as normas constitucionais defini- crático de Direito e também os direitos humanos, que
doras dos d reitos e garantias fLrdamentais têm aplica- se materializam no plano internacional (HABERMAS,
ção imediata, nos exatos t=rmo> do art. 5", § 1•, da CF. Jürgen. Identidades nacionales e postnacionales. 3. ed.
Alternativa "b": àS norma~ constitucionais podem Madri: Tecnos, 2007). Já a mutação constitucional
ter eficácia plena, contida e lirr,i~ada, de acordo com a exogenética, nas palavras de Canotilho, é aquela
clássica lição de José Afonso da S<lva. que advém de uma interpretação do texto que altera
o sentido da norma valendo-se de elementos externos,
Alternativa "c": as norma> constitucionais de efi- ou seja, tomando-se como referência informações ou
cácia plena são aquelas que desje a entrada em vigor valores que estão fora da Constituição. Por essa razão, o
da ConstitJição produzer1, ou ~odem produzir, todos jurista português defende que essa mutação não deve
os efeitos essenciais, rela~ivos aos interesses, compor- ser admitida (CANOTILHO, José Joaquim Gomes. Direito
tamentos e situações, qu<: o legislador constitucional, constitucional e teoria da Constituição. Coimbra: Alme-
direta e normativamente, qu s regular. Em síntese, dina, 2007). Ante o exposto, percebe-se que não há
pode-se dizer que são aquelas que trazem todo o conte- qualquer relação entre os o patriotismo constitucional e
údo necessario para a sua materialização prática. Exem- as mutações constitucionais exogenéticas, o que torna
plo: Brasília.§ a Capital Feceral (a.-t. 18, § 1", da CF). a alternativa incorreta.
Alternativa "e": As normas constitucionais progra- Alternativa "b": no bojo do RE 207.732,julgado em
máticas são de aplicação diferida e não de aplicação ou 2002 e relatado pela Ministra Ellen Gracie, o STF definiu
execução imediata, pois s2o nonnas de eficácia limitada que: "Cabe ao Estado o custeio do exame de DNA
e exigem norma infraconstitucic<1al para que se mate- para os beneficiários da Assistência Judiciária gra-
rializem na prática. tuita, em virtude da auto-executoriedade do art. s•,
LXXIV, da CF, possibilitando o amplo acesso à Justiça e
a igualdade no litígio para os menos favorecidos, sendo
* PROCURADOR DA REPÚBLICA incabível a discussão de descumprimento do precató-
rio judicial, tendo em vista que não existe lide entre o
Estado agravante e as partes do processo contencioso
(MPF - Procurador da República/2008) t VERDA-
(... )".Assim, a alternativa está incorreta porque a obriga-
DEIRA>\ SEGUINTE SENTENÇA:
ção de o Estado-membro custear o exame de DNA em
a) O patrictismo constitucional defende as mutações favor de hipossuficientes não é condicional, mas sim
coostitucionais exogeoétiCês. direta, imediata e integral.
Capítulo I -Teoria da Constituição e das Normas Constitucionaís

Alternativa "d": a alternativa pede conhecimento


sobre evolução do constitucionalismo no plano inter- (Ces1,e - Promotor de Justiça - T0/2012) Com refe-
nacional, notadamente no direito inglês. A Revolução rência à CF e ao poder constituinte, assinale a opção
correta.
gloriosa (1688), culminou na monarquia constitucional
de Guilherme de Oranges, na edição da Bill of rights a) Os princípios constitucionais sensiveis estão pre-
(1689), e na ascensão do partido Whig ao Poder. Entre- vistos implicitamente na CF; os princípios constitu-
tanto, apesar da aparente e denominada revolução, não cionais taxativamente estabelecidos limitam a ação
houve a geração de grandes mudanças na estrutura de do poder constituinte decorrente e os princípios
Poder do Reino Unido. Esse movimento é que caracte- constitucionais extensiveis se referem à estrutura
riza o constitucionalismo whig. Portanto, a alternativa da Federação brasileira.
está incorreta porque o constitucionalismo whig não b) As normas programáticas são dotadas de eficácia
defende mudanças constitucionais bruscas ou revolu- jurídica, pois revogam as leis anteriores com elas
cionárias, mas lentas e graduais. incompatíveis; vinculam o legislador, de forma per-
manente, à sua realização; condicionam a atuação
da administração pública e informam a interpreta-
'
* PROMOTOR DE JUS'hÇA ção e aplicação da lei pelo Poder Judiciário.
c) A proposta de emenda constitucional não pode
tratar de temas que formem o núcleo intangível da
(FCC- Promotor de Justiça- PE/2014) Possui eficácia
CF, tradicionalmente denomir.ado como cláusulas
limitada a norma constitucional segundo a qual
pétreas, como, por exemplo, a separação de pode-
a) é livre o exercício de qualquer trabalho, ofício ou res e os direitos e garantias individuais.
profissão, atendidas as qualificações profissionais
d) A CF pode ser classificada como promulgada, analí-
que a lei estabelecer. tica, histórica e rígida.
b) ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer e) Poder constituinte derivado decorrente é o poder
alguma coisa senão em virtude de lei. que os entes da Federação (estados, DF e municí-
c) o servidor público estável só perderá o cargo pios) têm de estabelecer sua própria organização
mediante procedimento de avaliação periódica de fundamental, nos termos impostos pela CF.
desempenho, na forma de lei complementar, asse-
gurada ampla defesa. [{WWif.i;l!.}*
d) a lei não prejudicará o direito adquirido, o ato jurí- Alternativa correta: "b": segundo José Afonso da
dico perfeito e a coisa julgada. Silva, as normas constitucionais de eficácia limitada de
princípio programático, também chamadas apenas de
e) é assegurado à categoria dos trabalhadores domés- normas programáticas, são aquelas que não regulam
ticos o direito a décimo terceiro salário, com base diretamente interesses ou direitos nelas consagrados,
na remuneração integral ou no valor da aposenta- mas se limitam a traçar alguns preceitos a serem cumpri-
doria. dos pelo Poder Público, como programas das respecti-
vas atividades, pretendendo unicamente a consecução
dos fins sociais pelo Estado. Entretanto, apesar da limi-
tação, são dotadas de eficácia jurídica, pois revogam as
Alternativa correta: letra "c": trata-se de norma
leis anteriores com elas incompatíveis; vinculam o legis-
de eficácia limitada, pois exige a edição de lei com-
lador, de forma permanente, à sua realização; condicio-
plementar que delimite o procedimento de avaliação
nam a atuação da administração pública e informam a
periódica de desempenho que possa levar o servidor
interpretação e aplicação da lei pelo Poder Judiciário.
público estável a perder o cargo, nos termos do art. 41,
§ 1', 111, da CF. Alternativa "a": também na lição de José Afonso
ela Silva, os princípios constitucionais sensíveis estão
Alternativa "a": a norma descrita no art. 5', XIII, da previstos de forma expressa (e não implicitamente)
CF é de eficácia contida, conforme explicação na nota na CF, precisamente em seu artigo 34, 11. Os princípios
do autor. constitucionais taxativamente estabelecidos e os
Alternativa "b": o principio da legalidade, disposto principias constitucionais extensíveis limitam a ação
no art. 5', 11, da CF apresenta-se sob a forma de norma de do poder constituinte decorrente, pois trazem as nor-
eficácia plena. mas de organização que a Constituição Federal estende
aos Estados-membros, a exemplo do que dispõe o art.
Alternativa "d": o art. 5', XXXVI, da CF revela norma 6° da CF.
de eficácia plena.
Alternativa "c": sequer será objeto de delibe-
Alternativa "e": o décimo terceiro salário está ins- ração a proposta de emenda constitucional tendente
culpido no art. 7', VIII, da CF como norma de eficácia a abolir o núcleo intangível da CF, tradicionalmente
plena. denominado como cláusulas pétreas, corno, por exem-
~d--~-~------- ----~---- -·----~---~ -----~-------
Revisaço- Direito Constitucional • Paulo Lépore

pio, a separação de poderes e os direitos e garantias Público, como programas das respectivas atividades,
individuais, consoante art. 60, § 4•, da CF. pretendendo unicamente a consecução dos fins sociais
pelo Estado.
Alternativa "d": a CF pode ser classificada como
democrática ou promulgada (elaborada por legítimos Alternativa "b": a norma "A lei disporá sobre a
representantes do povo), analítica !vai além dos princí- organização administrativa e judiciária dos territórios"
pios básicos, trazendo detalhamento também de outros (art. 33, caput, CF/88) é de eficácia limitada de princí-
assuntos), rígida (seu processo de alteração é mais difícil pio institutivo.
do que o utilizado para criar leis), mas não histórica,
Alternativa "c": a norma "As taxas não poderão
pois ela não teve elaboração lenta à partir da cristaliza-
ter base de cálculo própria de impostos" (art. 145, § 2°,
ção dos costumes do povo. Em vez de histórica, quanto
CF/88) é de eficácia plena e aplicabilidade imediata.
ao modo de elaboração, a CF é dogmática, pois foi sis-
tematizada a partir de ideias fundamentais. Alternativa "d": a norma "Às Forças Armadas
compete, na forma da lei, atribuir serviço alternativo
Alternativa "e": poder constituinte derivado
aos que, em tempo de paz, após alistados, alegarem
decorrente é o poder que apenas os Estados-mem-
imperativo de consciência, entendendo-se como tal o
bros (e não todos os entes da Federação, excluídos,
decorrente de crença religiosa e de convicção filosófica
pois, o DF e os Municípios) têm de estabelecer suas pró-
ou política, para se eximirem de atividades de caráter
prias Constituições, nos termos do art. 25 da CF.
essencialmente militar" (art. 143, § 1•, CF/88) é de eficá-
cia limitada.
(UFMT- Promotor de Justiça- MT/2012) Nos termos
da célebre classificação sobre a eficácia e aplicabilidade Alternativa "e": a norma "São direitos dos traba-
das normas constitucionais de José Afonso da Silva, assi- lhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à
nale a afirmativa INCORRETA. melhoria de sua condição social: [...] proteção do mer-
cado de trabalho<:la mulher, mediante incentivos espe-
a) A norma "A segurança pública, dever do Estado, cíficos, nos termos da lei" (art. 7•, XX, CF/88) é de eficá-
direito e responsabilidade de todos, é exercida para cia limitada de princípio programático.
a preservação da ordem pública e da incolumidade
das pessoas e do patrimônio [.. .]" (art. 144, caput,
(MPE - SP - Promotor de Justiça - SP/2011) O livre
CF/88)
exercício de qualquer trabalho, o direito de greve no
b) A norma "A lei disporá sobre a organização admi- serviço público e a inadmissibilidade de provas obtidas
nistrativa e judiciária dos territórios" (art. 33, caput, por meios ilicitos no processo são, respectivamente,
CF/88) é de eficácia limitada de princípio institutivo. normas constitucionais de eficácia
c) A norma "As taxas não poderão ter base de cálculo a) plena, limitada e contida.
própria de impostos" (art. 145, § 2•, CF/88) é de efi-
b) limitada, contida e plena.
cácia plena e aplicabilidade imediata.
c) plena, contida e limitada.
d) A norma "Às Forças Armadas compete, na forma da
lei, atribuir serviço alternativo aos que, em tempo d) contida, limitada e plena.
de paz, após alistados, alegarem imperativo de e) contida, plena e limitada.
consciência, entendendo-se como tal o decorrente
de crença religiosa e de convicção filosófica ou
politica, para se eximirem de atividades de caráter
essencialmente militar" (art. 143, § 1•, CF/88) é de Alternativa correta: "d" (responde a todas as
eficácia limitada. alternativas): nos termos da classificação das normas
constitucionais proposta por José Afonso da Silva, o
e) A norma "São direitos dos trabalhadores urbanos e
livre exercício de qualquer trabalho, nos termos do art.
rurais, além de outros que visem à melhoria de sua
5•, XIII, da CF ("é livre o exercício de qualquer trabalho,
condição social:[...] proteção do mercado de traba-
oficio ou profissão, atendidas as qualificações profis-
lho da mulher, mediante incentivos específicos, nos
sionais que a lei estabelecer") é uma norma de eficácia
termos da lei" (art. 7•, XX, CF/88) é de eficácia limi-
contida, pois tem aplicabilidade direta, imediata, mas
tada de princípio programático.
não integral, pois admite que seu conteúdo seja restrin-
gido por norma infraconstitucional. Já o direito de greve
do servidor público, insculpido no art. 37, VIl, da CF ("o
Alternativa certa: "a": a norma "A segurança direito de greve será exercido nos termos e nos limites
pública, dever do Estado, direito e responsabilidade de definidos em lei específica") é uma norma de eficácia
todos, é exercida para a preservação da ordem pública limitada, uma vez que possui aplicabilidade indireta,
e da incolumidade das pessoas e do patrimônio [...]" mediata e reduzida (não direta, não imediata e não inte-
(art. 144, caput, CF/88) é norma de eficácia limitada de gral), pois exige norma infraconstitucional para que se
princípio programático pois não regula diretamente materialize na prática. Por fim, a inadmissibilidade de
interesses ou direitos nelas consagrados, mas se limita provas obtidas por meios ilícitos no processo, contida
a traçar alguns preceitos a serem cumpridos pelo Poder no art. s•, LVI, da CF ("são inadmissíveis, no processo, as
Capítulo 1- Teoria da Constituição e das Normas Constitucionais

provas obtidas por meios ilícitos") se traduz em norma údo extensivo, não se vinculando apenas às nor-
de eficácia plena, que não necessita de lei infraconsti- ma5 dos artigos 5° ao 17 do texto constitucional,
tucional para torná-la aplicável e nem admite lei infra- ampliando-se, com base na concepção material-
constitucional que lhe restrinja o conteúdo. mente aberta dos direitos fundamentais, para fon
do catálogo dos dispositivos constitucionais.
(FCC- Promotor de Justiça- CE/2011) Considera-se b) A maximização ca eficácia dos direitos fundamen-
de eficácia limitada a norma constitucional segundo a tais prestacionais legitima os órgãos estatais .3
qual concretização destes, não se prestando os limites
a) ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer da reserva do possível, bem como da colisão com
alguma coisa senão em virtude de lei. outros direitos fundamer.tais como óbices à gradu-
ação da aplicação destes direitos.
b) é livre o exercício de qualquer trabalho, ofício ou
profissão, atendidas as qualificações profissionais c) A existência de limites materiais expressamente
que a lei estabelecer. previstos na Constituição como "cláusulas pétreas"
ou "garantias de eternidade" impedem o reconhe-
c) a lei não prejudicará o direito adquirido, o ato jurí- cimento de limites materiais implícitos ou limites
dico perfeito e a coisa julgada. materiais imanentes à reforma constitucior ai, nã::>
d) são gratuitos, na forma da lei, os atos necessários ao se podendo falar em ação erosiva do Poder Consti-
exercício da cidadania. tuinte Reformador.

e) não há crime sem lei anterior que o defina, nem d) A relevância econômica dos objetos dos direitos
pena sem prévia cominação legal. sociais prestacionais faz com que a discussão, pre-
visão e aplicação de recursos públicos, atribuiçõe;
G.J.@ihM• estas originárias do órgãos políticos, não legitime
o Poder Judiciário, diante da inércia ou deficiência
Alternativa correta: letra "d": consoante art. 5°, de atuação dos legitimados ordinários, à concret-
LXXVII, da CF, são gratuitas as ações de "habeas-corpus" zação dos direitos, sob pena de desrespeito à sepê-
e "habeas-data", e, na forma da lei, os atos necessários ração dos Poderes.
ao exercício da cidadania. A gratuidade para os atos
necessários ao exercício da cidadania se dará na forma
da lei, ou seja, exige-se norma infraconstitucional para
que tenha materialização prática. Tal normatização já foi Alternativa correta: letra "a": A aplicatilidade
criada, e corresponde às Leis 9.265/96 e 9.534/97. imediata das normas definidoras dos direitos e garar-
tias fundamentais, (apesar de disposta no parágrafo
Alternativa "a": a norma segundo a qual ninguém único do artigo 5°, da CF e de se referir aos direitos
será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa fundamentais), tem conteúdo extensivo, não se vincL-
senão em virtude de lei, estampada no art. 5°, li, da CF, é Iando apenas às normas dos artigos 5° ao 17 d-J text:õ
de eficácia plena. constitucional (direitos fundamentais sob o aspect·:>
Alternativa "b": o texto "é livre o exercício de qual- formal), ampliando-se, com base na concepção mate-
quer trabalho, ofício ou profissão, atendidas as qualifi- rialmente aberta do> direitos fundamentais, pc ra fora
cações profissionais que a lei estabelecer", insculpido do catálogo dos dispositivos constitucionais, podend:·
no art. 5°, XIII, da CF, traz norma de eficácia contida. atingir, por exemplo os direitos à saúde e educaçãc,
Exemplo disso é a função de advogado, que foi restrin- positivados nos artigos 196 e 205, da CF, res~ectivê­
gida pela Lei 8.906/94, apenas àqueles que forem apro- mente.
vados no Exame da Ordem dos Advogados do Brasil. Alternativa "b": a maximização da eficácia d:s
Alternativa "c": o art. 5°, XXXVI, da CF, garante que direitos fundamentais prestacionais legitima os órgãc;
a lei não prejudicará o direito adquir;do, o ato jurídico estatais à concretização destes. Entretanto, a reser·rc
perfeito e a coisa julgada. Trata-se de norma de eficácia do possível (limitação orçamentária do Estado), bem
plena, que não pode ser restringida e nem depende de como a colisão com outros direitos fundamentais (anti-
regulamentação infraconstitucional. nomia entre princíp;::>s) podem representar óoices a
graduação da aplicação destes direitos.
Alternativa "e": de acordo com o art. 5°, XXXIX, da
CF, não há crime sem lei anterior que o defina, nem pena Alternativa "c": a existência de limites materia's
sem prévia cominação legal, o que se traduz em norma expressamente previstos na Constituição como '·cláusu-
de eficácia plena, que não pode ser restringida e nem las pétreas" ou "garantias de eternidade" não impedem
depende de regulamentação infraconstitucional. o reconhecimento de limites materiais implícitos ou
limites materiais ima•entes à reforma constitucional (.3
exemplo de eventual alteração das regras pertinentes
(MPE/GO- Promotor de Justiça- G0/2010) Assinale a
ao processo para modificação da Constituição), que
alternativa correta:
visam impedir a ação erosiva do Poder Constituinte
a) A aplicabilidade imediata das normas definidoras Reformador, ou seja, a destruição das bases da Consti-
dos direitos e garantias fundamentais tem conte- tuição.
[}14] Revisaço- Direito Constitucional • Paulo Lépore

Alternativa Nd": a relevância econômica dos obje- sanado por meio de Ação Direta de Inconstitucionali-
tos dos direitos sociais prestacionais (que exigem atu- dade por Omissão ou via Mandado de Injunção.
ação estatal) faz com que a discussão, previsão e apli- Alternativa "d": as normas constitucionais de apli-
cação de recursos públicos, at~!:>u'çôes estas originárias cabilidade imediata e de eficácia plena, apesar de não
dos órgãos políticos, notadam2nte do Poder Executivo, poderem ser restringidas por normas infraconstitucio-
legitime o Poder Judiciário, diante da inércia ou defici-
nais, podem sim ser condicionadas por outras normas
ência de atuação dos legitimados ordinários, à concreti-
constitucionais.
zação dos direitos, sob pena de desrespeito à separação
dos Poderes. Aliás, esse é uma das características do que Alternativa "e": as· normas constitucionais de apli-
se tem chamado de judicializa ;ão de políticas públicas, cabilidade imediata e de eficácia plena não excluem
uma das facetas do neoconstitucionalismo. qualquer espécie de regulamentação legal. O que não
pode existir é uma regulamentação legal que restrinja
seu conteúdo, mas, se for simplesmente para detalhar
(FCC - Promotor de Justiça - CE/2009) As norrr.as
sua aplicação, não há nenhum tipo de vedação.
constitucionais de
a) aplicabilidade imediata e de eficácia contida são
plenamente eficazes até a superveniência de lei
regulamentar.
* NOTÁRIO E REatSTRADOR

b) eficácia limitada não impedem a recepção da legis-


lação infraconstitucional .mterior com elas incom- (Cespe - Notário-AC/2006) Com base na doutrina
pa.tíveis. constitucional de aplicabilidade e interpretação das
normas constitucionais, julgue os itens subsequentes.
c) eficácia limitada não en:;ejam o ajuizamento de
aç3o direta de inconstitucionalidade por omissão
O preâmbulo da Constituição pode ser classificado
ou a impetração de mandado de injunção.
como uma norma de reprodução obrigatória.
d) aplicabilidade imediata "' de eficácia plena não
pc.dem ser condicionada~ por outras normas cons-
titucionais.
Errado. O preâmbulo da Constituição Federal não é
e) a~!icabilidade
imediata e je eficácia plena excluem considerado norma, figurando como mero vetor inter-
qualquer espécie de regu arr.entação legal. pretativo. Esse foi o posicionamento exarado pelo STF
no bojo da ADI 2076, julgado em 2002. Em seu voto,
G.Jh@L\D Celso de Mello sustentou que o Preâmbulo não se situa
ALternativa correta: Jetn ua": as normas constitu· no âmbito do direito, mas no domínio da política, refle-
cionais de aplicabilidade imediata e de eficácia contida tindo posição ideológica do constituinte. Ademais, ele
são plenamente eficazes até a superveniência de lei conteria proclamação ou exortação no sentido dos prin-
regulamentar. !sso porque, a~. normas de eficácia con- cípios inscritos na Constituição Federal. Quanto à natu-
tida ou restringível são aque:z s que podem ter seu con- reza jurídica do Preâmbulo. a posição do STF filia-se à
teúdo restringido por norma infraconstitucional, o que Tese da Irrelevância Jurídica, afastando-se da Tese da
ocorre, por exemplo, com o o'>nunciado que garante o Plena Eficácia (que defende ter o Preâmbulo a mesma
livre e:<ercício de qualquer trabalho, ofício ou profissão, eficácia das normas que consta da parte articulada da
atendidas as qualificações profissionais que a lei estabe- CF) e da Tese da Relevância Jurídica Indireta (para a qual
lecer (art. 5°, XIII, da CF). Para ilustrar: a função de advo- o Preâmbulo é parte da Constituição. mas não é dotado
gado, somente pode ser exercida atendida a qualifica- das mesmas características normativas da parte articu-
ção pr::>fissional de ser bacharo'>l em direito, aprovado no lada).
Exame da Ordem dos Advogados do Brasil (art. 8°, IV, da
Lei 8.906/94). As normas constitucionais de eficácia limitada contam
Alternativa "b": toda norma constitucional pelo menos com a imediata eficácia de revogação das
impede a recepção da legi,Jação infraconstitucional regras preexistentes que lhes sejam contrárias.
anterior com ela incompatível, não importando o seu
~.~J!t;
grau de eficácia (plena, contica ou limitada). tJifN.Jd.W!~~
Alternativa "c": as norrr as constitucionais de efi- Certo. As normas constitucionais são denomina-
cácia :imitada são justamente as que ensejam o ajui- das de eficácia limitada por necessitarem de norma
zamento de ação direta de inconstitucionalidade por infraconstitucional para se materializarem na prática,
omissão ou a impetração de 11andado de injunção. Tal porém, como toda norma constitucional, sua eficácia
af'rmação decorre do fato de 3S normas de eficácia limi- tem o condão de revogar as regras preexistentes que
tada s3o aquelas que exigem norma infraconstitucional afrontem o ideal do constituinte. Tomemos como exem-
para que se materializem na prática. A inexistência da plo o inciso XII do art. 5°. que trata sobre a inviolabili-
norma infraconstitucional ~edida pela Constituição dade do sigilo nas comunicações telefônicas e de dados.
configura uma omissão inconstitucional, que pode ser Ainda que não existisse a lei 9.296/96 que regulamenta
Capítulo 1- Teoria da Constituição e das Normas Constitucionais [85]
tal norma, qualquer regra preexistente que afrontasse e não integral), pois exigem norma infraconstitucional
o sigilo tutelado pela CF seria naturalmente revogada. para que se materializem na prática. Entretanto, apesar
de não se realizarem sozinhas na prática, elas são dota-
É de eficácia plena a norma constitucional que deter- das de eficácia jurídica, pois revogam as leis anteriores
mina que se destinam apenas às atribuições de direção, com elas incompativeis; vinculam o legislador, de forma
chefia e assessoramento as funções de confiança exerci- permanente, à sua realização; condicionam a atuação
das exclusivamente por servidores ocupantes de cargo da administração pública e informam a interpretação e
efetivo, e os cargos em comissão a serem preenchidos aplicação da lei pelo Poder Judiciário. Elas podem ser de
por servidores de carreira, nos casos, condições e per- princípio programático ou princípio institutivo.
centuais mínimos previstos em lei. !\lternativa "c": normas de eficácia plena são aque-
las dotadas de aplicabilidade direta, imediata e integral,
l'MMiiiªM• pois não necessitam de lei infraconstitucional para tor-
ná-las aplicáveis e nem admitem lei infraconstitucional
Errado. Normas de eficácia contida ou restringí-
vel são aquelas que têm aplicabilidade direta, imediata, que lhes restrinja o conteúdo. Em outras palavras: elas
mas não integral, pois admitem que seu conteúdó trazem todo o conteúdo necessário para a sua materia-
seja restringido por norma infraconstitucional, o lização prática. São entendidas como de aplicabilidade
que ocorre, por exemplo, com o enunciado que deter- direta, imediata e integral, pois não necessitam de lei
mina que se destinam apenas às atribuições de direção, infraconstitucional. Exemplo: Brasília é a Capital Federal
chefia e assessoramento as funções de confiança exerci- (art. 18, § 1•, da CF).
das exclusivamente por servidores ocupantes de cargo Alternativa "d": as normas de eficácia limitada de
efetivo, e os cargos em comissão a serem preenchidos principio programático (também referidas apenas como
por servidores de carreira, nos casos, condições e per- normas programáticas) são aquelas que não regulam
centuais mini mos previstos em lei (art. 37, X, da CF). diretamente interesses ou direitos nelas consagrados,
mas se limitam a traçar alguns preceitos a serem cum-
pridos pelo Poder Público, como programas das respec-
* ANALISTA E TÉCNICO DE TRF E TRE tivas atividades, pretendendo unicamente a consecu-
ção dos fins sociais pelo Estado. Podem-se citar como
exemplos os objetivos da República Federativa do Brasil
(FCC- Analista Judiciário- Oficial de Just. Avaliador (art. 3•, da CF), a estruturação da polltica agricola brasi-
- TRF 4/2014) As normas constitucionais que têm apli- leira (art. 187 da CF), e a determinação de organização
cabilidade direta, imediata e integral, mas cujo alcance de um regime de colaboração dos sistemas de ensino
pode ser reduzido em razão da existência na própria dos Entes da Federação (art. 211 da CF).
norma de uma cláusula expressa de redutibilidade, são
ditas normas Alternativa "e": as normas de eficácia limitada
de princípio institutivo são aquelas responsáveis pela
a) de eficácia contida.
estruturação do Estado como, por exemplo, aquela
b) de eficácia limitada. segundo a qual os Territórios Federais integram a União,
c) e sua criação, transformação em Estado ou reintegração
de eficácia plena.
ao Estado de origem serão reguladas em lei comple-
d) programáticas. mentar (art. 18, § 2•, da CF).
e) de princípio institutivo.
(Analista Judiciário - Area Judiciária TRE/BA/ 2010
- CESPE) Quanto à aplicabilidade e interpretação das
normas constitucionais, julgue os itens subsequentes.
Alternativa correta: letra "a": segundo a doutrina,
normas de eficácia contida ou restringivel são aquelas
que têm aplicabilidade direta, imediata, mas não inte- No tocante à aplicabilidade, de acordo com a tradicional
gral, pois admitem que seus conteúdos sejam restringi- classificação das normas constitucionais, são de eficá-
dos por normas infraconstitucionais, o que ocorre, por cia limitada aquelas em que o legislador constituinte
exemplo, com o enunciado que garante o livre exerci- regula suficientemente os interesses concernentes a
cio de qualquer trabalho, ofício ou profissão, atendi- determinada matéria, mas deixa margem à atuação
das as qualificações profissionais que a lei estabelecer restritiva por parte da competência discricionária do
(art. s•, XIII, da CF). Para ilustrar: a função de advogado, poder público, nos termos em que a lei estabelecer ou
somente pode ser exercida atendida a qualificação pro- na forma dos conceitos gerais nela previstos.
fissional de ser bacharel em direito, aprovado no Exame
da Ordem dos Advogados do Brasil (art. 8•, IV, da Lei
8.906/94).
IMMJiit-i;i!.f•
Errado. No tocante à aplicabilidade, de acordo com
Alternativa "b": normas de eficácia limitada ou a tradicional classificação das normas constitucionais,
reduzida são aquelas que possuem aplicabilidade são de eficácia contida (não limitada) aquelas em que
indireta, mediata e reduzida (não direta, não imediata o legislador constituinte regula suficientemente os inte-
~6 Revisaço- Direito Constitucional • Paulo Lépore
~--------------------------------------------
resses concernentes a determinada matéria, mas deixa
(FCC - Analista Judiciário - Area Administrativa -
margem à atuação restritiva por parte da competência
TRT 4/2015} O direito de greve no serviço público, a
discricionária do poder público, nos termos em que a lei
inadmissibilidade de provas obtidas por meios ilícitos
estabelecer ou na forma dos conceitos gerais nela pre-
no processo e a liberdade de exercicio de qualquer pro-
vistos.
fissão constituem, respectivamente, normas constitu-
cionais de eficácia
A técnica da interpretação conforme a constituição per-
a) limitada, contida e plena.
mite a manutenção, no ordenamento jurídico, de leis e
atos normativos que possuam valor interpretativo com- b) contida, plena e limitada.
patível com o texto constitucional. c} contida, limitada e plena.
d) limitada, plena e contida.
e} plena, limitada e contida.
I
Certo. A técnica ou princípio da interpretação
conforme a constituição permite a manutenção, no
ordenamento jurídico, de leis e atos normativos que r
possuam valor interpretativo compatível com o texto
constitucional.
O Nota do Autor: a questão aborda matéria bas-
tante cobrada, qual seja, a classificação das normas
I

* ANALISTA E TÉCNICO DE TRT


constitucionais quanto à eficácia. A classificação mais
cobrada é a de José Afonso da Silva e, segundo ele, as
normas constitucionais podem ser plenas, contidas
!
e limitadas. Normas de eficácia plena são aquelas I
dotadas de aplicabilidade direta, imediata e integral, I
(FCC - Analista Judiciário - Area Administrativa - pois não necessitam de lei infraconstitucional para tor-
TRT 3/2015} O dispositivo da chamada "PEC da Bengala" ná-las aplicáveis e nem admitem lei infraconstitucional
(Emenda Constitucional no 88/2015), que prevê que os que lhes restrinja o conteúdo. Em outras palavras: elas
servidores públicos em geral, com exceção dos Minis- trazem todo o conteúdo necessário para a sua materia-
tros do Supremo Tribunal Federal, dos Tribunais Supe- lização prática. São entendidas como de aplicabilidade
riores e Tribunal de Contas da União, serão aposentados direta, imediata e integral, pois não necessitam de lei
"compulsoriamente, com proventos proporcionais ao infraconstitucional. Exemplo: Brasília é a Capital Fede-
tempo de contribuição, aos 70 (setenta) anos de idade, ral (art. 18, § 1", da CF}. Normas de eficácia contida ou
ou aos 75 (setenta e cinco) anos de idade, na forma de restringlvel são aquelas que têm aplicabilidade direta,
lei complementar", é classificado pela doutrina como imediata, mas não integral, pois admitem que seus con-
teúdos sejam restringidos por normas infraconstitucio-
norma constitucional de
nais, o que ocorre, por exemplo, com o enunciado que
a) eficácia contida. garante o livre exercício de qualquer trabalho, oficio ou
b) eficácia plena. profissão, atendidas as qualificações profissionais que
a lei estabelecer (art. 5", XIII, da CF). Para ilustrar: a fun-
c) eficácia limitada. ção de advogado, somente pode ser exercida atendida
d) conteúdo programático. a qualificação profissional de ser bacharel em direito,
aprovado no Exame da Ordem dos Advogados do Brasil
e) integração restringível. (art. 8", IV, da Lei 8.906/94). Normas de eficácia limitada
ou reduzida são aquelas que possuem aplicabilidade
indireta, mediata e reduzida (não direta, não imediata
e não integral), pois exigem norma infraconstitucional
O Nota do Autor: a questão aborda a classificação
para que se materializem na prática. Entretanto, apesar
das normas constitucionais quanto à eficácia, apontada
de não se realizarem sozinhas na prática, elas são dota-
por José Afonso da Silva. Dessa forma, é imperioso que
das de eficácia jurídica, pois revogam as leis anteriores
o candidato conheça a classificação e a entenda, já que
com elas incompatíveis; vinculam o legislador, de forma
bastante comum a questão apontar determinado dis- permanente, à sua realização; condicionam a atuação
positivo, exigindo que se faça a devida classificação. da administração pública e informam a interpretação e
Alternativa correta: letra "c" (responde a todas aplicação da lei pelo Poder Judiciário.
as alternativas}: normas de eficácia limitada ou redu- Alternativa correta: letra "d" (responde a todas
zida são aquel~s que possuem aplicabilidade indireta, as alternativas): o direito de greve do servidor público
medi ata e reduzida (não direta, não imediata e não inte- é garantido na Lei Maior, consoante art. 37, VIl. Entre-
gral), pois exigem norma infraconstitucional para que se tanto, por precisar de lei específica para se materializar
materializem na prática. Como o dispositivo em questão na prática, trata-se de norma de eficácia limitada. Já
exige edição de lei complementar, trata-se de norma de a inadmissibilidade de provas obtidas por meios ilíci-
eficácia limitada, necessitando de lei infraconstitucional tos no processo (art. 5°, LVI, da CF) é norma de eficácia
para que se materialize na prática. plena, pois não necessitam de lei infraconstitucional
Capítulo 1- Teoria da Constituição e das Normas Constitucionais

para torná-las aplicáveis e nem admitem lei infracons- direito, aprovado no Exame da Ordem dos Ad\-:>ga:los
titucional que lhes restrinja o conteúdo. Por fim, a liber- do Brasil (art. 8', IV, da Lei 8.S06/94).
dade de exercício de qualquer profissão (art. :o, XIII, da
CF) é norma de eficácia contida, admitindo que seu con- (Cespe -Técnico Administrativo - Area Administra-
teúdo seja restringido por norma infraconstitucional. tiva- TRT 8/2013) Com rel3ção à eficácia e à õplicabi-
lidade das normas constitucionais contidas na CF. assi-
(FCC- Analista Judiciário- Area Judiciária -Oficial nale a opção correta.
de Justiça - TRT 16/2014) Analise a seguin:e norma
a) ao assegurar aos presos o respeito à integric:ade
constitucional inerente aos direitos sociais:
física e moral, a G estabeleceu uma norma de efi-
Art. 8°: É livre a associação profissional ou sindical, cácia limitada, devendo referido direito s~r regu-
observado o seguinte: (...) IV- a assembleia geral fixará lamentado pelo Congresso Nacional, abrindo-se a
a contribuição que, em se tratando de categoria profis- possibilidade da propositura de mandado de ir,jun-
sional, será descontada em folha, para custeio do sis- ção se a regulamentação não ocorr;>r.
tema confederativo da representação sindical respectiva,
b) o preceito consti:ucional segundo o qual ~ livre a
independentemente da contribuição prevista em lei.
manifestação do pensamento, ressalvada a veda-
Trata-se de norma de eficácia ção ao anonimato, wnstitui norma de eficácia
plena.
a) exaurida.
c) no momento em que ocorreu a promulgação da CF
b) limitada.
as normas de eficácia plena nela contidas já seriam
c) plena. passíveis de produzir efeitos, não havenc::> neces-
d) contida. sidade de regulamentação infraco:1stitucionat
porém tais normas poderiam ter seu co1teúdc e
e) programática. alcance restringidos em consequéncia de legislaçãc
superveniente.
ff:1MâJUjút.t• d) a dignidade da pessca humana e uma norma de
Alternativa correta: letra "c" (responde a todas eficácia limitada, devendo haver regulamentação
as alternativas): o conteúdo do art. 8', IV, da CF espe- infraconstitucional para que referido direito ::>ossa
lha uma norma constitucional de eficácia plena, que se ser exercido.
{:1' caracteriza por ter aplicabilidade direta, imec i ata e inte-
[. e) as normas programáticas são espécies oo gênero
gral. não necessitando de lei infraconstitucional para
normas de eficácia contida.
torná-la aplicável e nem admitindo lei infraconstitucio-
nal que lhe restrinja o conteúdo. ~
~~

(FCC - Analista Judiciário - Area Administrativa - Alternativa correta: letra "b": a disposiçiío cor.st -
TRT 12/2013) Considerando a capacidade d;> produção tucional do art. 5', IV, C:a CF, que tem natureza de direit::.
de efeitos das normas constitucionais, a previsão cons- fundamental, se traduzen norma de eficácia plena po s
tante do artigo 5°, XIII, da Constituição Feder3l, segundo não necessita de lei infraconstitucicnal pa1a torná-la
a qual "é livre o exercício de qualquer trabalho, oficio ou aplicável e nem acmite lei infracons:itucio~>al que lhe
profissão, atendidas as qualificações profissionais que a restrinja o conteúdo.
lei estabelecer", é norma de eficácia Alternativa "a": a norma do a1 t. 5', )QIX, do c=
a) contida. também é de eficácia plena (e não limitad2:', pois traz
todo o conteúdo necess:írio para a '.ua materia.izaç.3·:>
b) plena.
prática.
c) exaurida.
Alternativa "c": as normas de eficácia plena nõo
d) programática. podem ter seu c·::>nteúdo e alcance= re;tringidos em
consequência de legislação superveniente, :>ois isso se
e) limitada.
aplica apenas às nonma; de eficáciê contida, no:. ter-
~~~ mos explicados na nota do autor.
~~
Alternativa "d": a ::lignidade da pessoa humana,
Alternativa correta: letra "a" (responde a todas
insculpida no art. 1°, 111, da CF é uma norma de efi:á,ja
as alternativas): o art. 5', XIII, da CF é o exemplo clássico
plena, não sendo exigível regulamentação infracons:i-
de norma constitucional de eficácia contida ou restrin·
tucional para que possa ser exercida.
gível, que tem aplicabilidade direta, imedi;ta, mas não
integral, pois admite que seu conteúdo sej3 restringido Alternativa "en: éS normas ::>rogranáticas 'ão
por norma infraconstitucional. Ilustra essa afirmação a Pspécies do gênero normas de eficácia limitada (r.ão
função de advogado, que somente pode ser exercida contida), nos termos dos esclarecimento; fe-Itos na nota
atendida a qualificação profissional de ser bacharel em do autor.
Revisaço- Direito Constitucional • Paulo Lépore

[CESPE - Analista Judiciário - Judiciária - TRT


10(2013) No que concerne à aplicabilidade das normas Alternativa correta: "d" (responde a todas as
:onstitucionais, julgue os itens seguintes. alternativas): o inciso XIII do art. 5° da CF, que estabe-
lece ser livre o exercício de qualquer trabalho, ofício ou
As normas programáticas são dotadas de eficácia plena profissão, atendidas as qualificações profissionais que a
lei estabelecer é norma constitucional de eficácia con-
e independem de programas ou providências estatais
tida porque admite que seu conteúdo seja restringido
para a sua concretização.
por norma infraconstitucional. Por exemplo: a função
de advogado somente pode ser exercida atendida a
WJ!di®M.t• qualificaç~o profissional de ser bacharel em direito,
Errado. As normas programáticas não são dotadas aprovado no Exame da Ordem dos Advogados do Brasil
de eficácia plena. Na verdade elas são consideradas (art. 8°, IV, da Lei 8.906/94). Já o inciso LXVIII do art. 5° da
normas de eficácia limitada, aplicabilidade indireta, CF, segundo o qual conceder-se-á habeas corpus sempre
que alguém sofrer ou se achar ameaçado de sofrer vio-
mediata e reduzida (não direta, não imediata e não inte-
lência ou coação em sua liberdade de locomoção, por
gral) e dependem de programas ou providências esta-
ilegalidade ou abuso de poder, traz uma norma cons-
tais para a sua concretização. Trata-se da sempre lem-
titucional de eficácia plena, dotada, pois, de aplicabili-
brada cla>sificação das normas constitucionais quanto à
dade direta, imediata e integral, que não necessita de lei
eficácia, do doutrinador José Afonso da Silva. infraconstitucional para torná-la aplicável e nem admite
lei infraconstitucional que lhe restrinja o conteúdo.
As normas constitucionais de eficácia limitada, embora,
para produzirem todos os seus efeitos, demandem lei (FCC - Técnico Judiciário - Administrativa - TRT
integrativa, têm o poder de vincular o legislador ordiná- 11/2012) Considere as seguintes normas constitucio-
rio, podendo servir como parâmetro para o controle de nais:
constitucionalidade.
A República Federativa do Brasil buscará a integra-
ção econômica, política, social e cultural dos povos
da América Latina, visando à formação de uma
Certo. As normas constituciorais de eficácia limi- comunidade latino-americana de nações.
tada são aquelas que possuem aplicabilidade indireta, 11. A casa é asilo inviolável do indivíduo, ninguém nela
mediata e reduzida (não direta, não imediata e não podendo penetrar sem consentimento do morador,
i1tegral), pois exigem norma infraconstitucional para salvo em caso de flagrante delito ou desastre, ou
que se materializem na prática. Entretanto, conforme para prestar socorro, ou, durante o dia, por determi-
destacado no item, embora para produzirem todos os nação judicial.
seus efeitos demandem lei integrativa, as normas cons- 111. É direito dos trabalhadores urbanos e rurais, além
titucionais de eficácia limitada têm o poder de vincular de outros que visem à melhoria de sua condição
c· legislador ordinário para que não crie atos infracons- social, o piso salarial proporcional a extensão e a
nucionais contrários a elas, além de também poderem complexidade do trabalho.
servir como parâmetro para o controle de constitucio-
IV. É livre o exercício de qualquer trabalho, ofício ou
ralidade.
profissão, atendidas as qualificações profissionais
que a lei estabelecer.
(FCC -Analista Judiciário -Judiciária - TRT 9(2013)
São normas de eficácia limitada os preceitos indica-
O inciso XIII do artigo 5° da Constituição Federal brasi- dos SOMENTE em
leira estabelece que é livre o exercício de qualquer traba-
a) I, 11 e 111.
lho, offcio ou profissão, atendidas as qualificações profis-
SIOnais que a lei estabelecer e o inciso LXVIII afirma que b) I e 111.
cunceder-se-á habeas corpus sempre que alguém sofrer
c) I e IV.
o e~ se achar ameaçado de sofrer violência ou coação em
sua liberdade de locomoção, por ilegalidade ou abuso de d) li e IV.
p~der. Estes casos, são, respectivamente, exemplos de e) 111 e IV.
n:>rma constitucional de eficácia
a; plena e limitada. 'k·'MMifu;1D
Alternativa correta: "b" (responde a todas as
b plena e contida.
alternativas): os preceitos indicados nos itens I e 111 ("a
c) limitada e contida. República Federativa do Brasil buscará a integração eco-
nômica, política, social e cultural dos povos da América
d: contida e plena.
Latina, visando à formação de uma comunidade latino-
e) contida e limitada. -americana de nações" e 111 "é direito dos trabalhadores
Capítulo I -Teoria da Constituição e das Normas Const_i_tu_c_i_o_n_a_is_____________~c_B_9_J]

urhanos e rurais, além de outros que visem à melhoria


(FCC - TRT 22- Analista Judicláriof2010) No tocante
de sua condição social, o piso salarial proporcional à
extensão e à complexidade do trabalho") são normas à aplicabilidade, as normas constitucionais que não
de eficácia limitada porque possuem aplicabilidade regulam diretamente interesses ou direitos nelas con-
indireta, mediata e reduzida- não direta, não imediata e sagrados, mas que se limitam a traçar alguns preceitos a
não integral-, exigindo norma infraconstitucional para serem cumpridos pelo Poder Público, como programas
que se materializem na prática. Já o preceito do item das respectivas atividades, pretendendo unicamente a
11 (a casa é asilo inviolável do indivíduo, ninguém nela consecução dos fins sociais pelo Estado, são classifica-
podendo penetrar sem consentimento do morador, das como
salvo em caso de flagrante delito ou desastre, ou para
prestar socorro, ou, durante o dia, por determinação a) análogas.
judicial) enuncia uma norma de eficácia plena, dotada b) hermenêuticas.
de aplicabilidade direta, imediata e integral, que não
necessita de lei infraconstitucional para torná-la apli- c) andrógenas.
cável e nem admite lei infraconstitucional que lhe res- d) programáticas.
trinja o conteúdo. Por fim, o preceito do item IV (é livre
o exercício de qualquer trabalho, ofício ou profissão, e) satisfativas.
atendidas as qualificações profissionais que a lei esta-
belecer) reflete uma norma de eficácia contida, que tem
aplicabilidade direta, imediata, mas não integral, pois
Alternativa "d": correta (responde a todas as
admite que seu conteúdo seja restringido por norma
alternativas): as normas programáticas são justamente
infraconstitucional.
aquelas que não regulam diretamente interesses ou
direitos nelas consagrados, mas que se limitam a traçar
(FCC- TRT 4- Analista Judiciáriof2011) Analise:
alguns preceitos a serem cumpridos pelo Poder Público,
A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municí- como programas das respectivas atividades, preten-
pios organizarão em regime de colaboração seus dendo unicamente a consecução dos fins sociais pelo
sistemas de ensino.
Estado.
11. É livre o exercício de qualquer trabalho, ofício ou
profissão, atendidas as qualificações profissionais
que a lei estabelecer. ., * ANALISTA E TÉCNICO DO MPU
Em conformidade com o aspecto doutrinário, as
referidas disposições caracterizam-se, respectivamente,
(CESPE- Analista Processual - MPU/2010) Conside-
como normas constitucionais de·
rando a aplicabilidade, a eficácia e a interpretação das
a) eficácia plena e de eficácia negativa. normas constitucionais, julgue os itens a seguir.
b) princípio programático e de eficácia contida.
c) eficácia restringivel e de eficácia absoluta. As normas de eficácia contida permanecem inaplicáveis
enquanto não advier normatividade para viabilizar o
d) princípio programático e de eficácia plena.
exercício do direito ou beneficio que consagram; por
e) eficácia relativa e de princípio programático. isso, são normas de aplicação indireta, mediata ou dife-

~
. . rida.

Alternativa "b": correta (responde a todas as ~~p:nn>


alternativas): as normas de princípio programático,
O Nota do autor: a classificação de José Afonso da
como a própria denominação indica, trazem programas
Silva quanto à eficácia das normas constitucionais sem-
a serem implementados pelo Estado, o que ocorre com
pre é cobrada, merecendo, pois, estudo detalhado.
a determinação de organização de um regime de cola-
boração dos sistemas de ensino dos Entes da Federação Errado. As normas de eficácia limitada (não con-
(art. 211, da CF). Ao seu lugar, norma de eficácia contida tida) permanecem inaplicáveis enquanto não advier
é aquela que pode ter seu conteúdo restringido por normatividade para viabilizar o exercício do direito ou
norma infraconstitucional, o que ocorre com o enun- benefício que consagram; por isso, são normas de apli-
ciado que garante o livre exercício de qualquer traba-
cação indireta, mediata ou diferida.
lho, ofício ou profissão, atendidas as qualificações pro-
fissionais que a lei estabelecer (art. 5°, XIII, da CF). Exem-
plo disso é a função de advogado, que somente pode As normas constitucionais de eficácia limitada são des-
ser exercida atendida a qualificação profissional de ser providas de normatividade, razão pela qual não surtem
bacharel em direito aprovado no Exame da Ordem dos efeitos nem podem servir de parâmetro para a declara-
Advogados do Brasil (art. 8°, IV, da Lei 8.906/94). ção de inconstitucionalidade.
90 Revisaço- Direito Constitucional • Paulo Lépore

com o principio de divisão ou separação de poderes.


t exatamente o contrário. A organização do Estado e
Errado. As normas constitucionais de eficácia limi- dos Poderes constitui, ao lado das liberdades, elemento
tada não são desprovidas de normatividade, razão pela essencial da constituição ideal e escrita do constitucio-
qual surtem efeitos e podem servir de parâmetro para nalismo moderno.
a declaração de inconstitucionalidade.
Alternativa "b": trata-se de alternativa perniciosa.
Isso porque, mesmo as Constituições classificadas como
* AUDITOR DA RECEITA FEDERAL não-escritas, necessariamente tem partes escritas. Na
verdade, deve ser entendida como não escrita a Cons-
tituição que não é elaborada em documento único. O
(ESAF- AFRFB- 2005) Sobre conceito de Constituição exemplo é a Constituição da Inglaterra, que apesar de
e suas classificações e sobre a aplicabilidade e interpre- classificada como não-escrita, é composta por docu-
tação de normas constitucionais, marque a única opção mentos escritos e esparsos no tempo, como a Magna
correta. Carta de 1251, o Habeas Corpus Act de 1679 e a Bi/1 of
Rights de 1689.
a) Segundo a doutrina do conceito de constituição,
decorrente do movimento constitucional do início Alternativa "c": o principio da máxima efetividade
do século XIX, deve ser afastado qualquer conte- ou da eficiência exige que o intérprete otimize a norma
údo que se relacione com o principio de divisão ou constitucional para dela extrair a maior efetividade
separação de poderes, uma vez que tal matéria não possível. Não se confunde, pois, com a ideia que a inter-
se enquadra entre aquelas que se referem de forma pretação de uma norma constitucional exige a coor-
direta à estrutura do Estado. denação e combinação dos bens jurídicos em conflito,
b) Uma constituição não-escrita é aquela cujas normas de forma a evita~ o sacrifício total de uns em relação a
decorrem de costumes e convenções, não havendo outro, pois essa se refere ao principio da concordância
documentos escritos aos quais seja reconhecida a prática ou da harmonização.
condição de textos constitucionais. Alternativa "e": não há qualquer impedimento
c) De acordo com o principio da máxima efetividade quanto à aplicação do princípio de interpretação con-
ou da eficiência, principio de interpretação consti- forme a Constituição na avaliação da constituciona-
tucional, a interpretação de uma norma constitu- lidade de artigo de uma Emenda à Constituição pro-
cional exige a coordenação e combinação dos bens mulgada pelas Mesas da Câmara dos Deputados e do
jurídicos em conflito, de forma a evitar o sacrifício Senado Federal.
total de uns em relação a outros.
d) O art. 5°, inciso XXII, da Constituição Federal de (ESAF- AFRFB- 2002.2) Assinale a alternativa correta.
1988, que estabelece "Art. so [...] inciso XXII - é
a) As normas constitucionais programáticas, por se
garantido o direito de propriedade", é uma norma
destinarem, por sua própria natureza, a uma dura-
constitucional de eficácia contida ou restringível.
ção limitada no tempo, estão todas situadas na
e) O principio de interpretação conforme a constitui- parte da Constituição relativa às disposições cons-
ção não pode ser aplicado na avaliação da consti- titucionais transitórias.
tucionalidade de artigo de uma Emenda à Cons-
b) As normas constitucionais programáticas não pro-
tituição promulgada pelas Mesas da Câmara dos
Deputados e do Senado Federal. duzem efeito jurídico algum, a não ser depois de
desenvolvidas pelo legislador ordinário.
c) Nenhuma norma da Constituição Federal possui
Alternativa "d": correta: as normas constitucio- eficácia plena, porque todas elas dependem, em
nais de eficácia contida ou restringível são aquelas que maior ou menor grau, de desenvolvimento do seu
admitem lei limitando sua aplicabilidade integral ou conteúdo pelo legislador ordinário.
absoluta. O direito de propriedade garantido no art. 5°, d) A Constituição que não adota normas programáti-
inciso XXII, da CF/88, desde há muito tempo não é mais cas é conhecida pela doutrina como Constituição
considerado absoluto ou integral. O próprio inciso XXIII, dirigente.
do art. 5° da CF aduz que "a propriedade atenderá a sua
função social". Ademais, o Código Civil e o Estatuto da e) Um direito previsto numa norma constitucional de
Cidade (dentre outros documentos) também contém eficácia contida pode ser restringido por meio de lei
ou restringem o direito de propriedade no direito bra- ordinária.
sileiro.
Alternativa "a": a incorreção está na afirmação que
a doutrina do conceito de constituição decorrente do Alternativa "e": correta: algumas normas consti-
movimento constitucional do inicio do século XIX prega tucionais podem ser restringidas por lei ordinária. Trata-
o afastamento de qualquer conteúdo que se relacione -se das normas constitucionais de eficácia restringível.
Capítulo I -Teoria da Constituição e das Normas Constitucionais 91

Alternativa "a": as normas constitucionais pro-


gramáticas são aquelas que instituem metas aos Pode-
tMMMihM•
res Constituídos, e por essa razão devem se perpetuar Alternativa "e": correta: trata-se do fenômeno da
no texto da Constituição. Desta feita, devem estar na judicialização de políticas pública!, fêstejado pela dou-
parte permanente da Constituição, e não situadas na trina e acatado pela Jurisprudência do STF. Diante da
inefetividade do Texto Const tucio1al causada pela falta
parte relativa às disposições constitucionais transitó-
de regulamentação às normas prog·amáticas e de efi-
rias (o ADCT).
cácia limitada, a Suprema Corte tem proferida decisões
Alternativa "b": as normas constitucionais progra- de efeitos concretos, suprindo pontualmente a falta da
máticas, apesar de normalmente classificadas como de legislação regulamentar. En:retanto, trata-se de atua-
eficácia limitada e precisarem de lei ordinária que com- ção perigosa, pois o Judiciário não pode se substituir ao
plemente ou integre seu conteúdo, têm sim efeito jurí- Legislativo criando normas abstratas.
dico, ainda que mínimo. Elas poderão, por exemplo, ser- Alternativa "a": todo o :)Ode r emana do povo, que
vir como paradigmJ para efeito de controle de constitu- o exerce por meio de representa 1tes eleitos ou dire-
cionalidade, vinculando o poder constituinte derivado. tamente, nos termos da Cc·nstituiç§o Federal (art. 1°,
parágrafo único, da CF)
Alternativa "c": na Constituição Federal há inú-
meras normas de eficácia plena, que tem aplicabi- Alternativa "bn: a Rept.iblica Federativa do Brasil
lidade direta, imediata e integral. Elas podem ser adota nas suas relações internacionais o principio da
encontradas principalmente entre os elementos de igualdade entre os Estados. nos termos do art. 4°, V,
Organização do Estado e dos Poderes. Exemplo clás- da CF.
sico é a norma do art. 2° da CF: "São Poderes da União, Alternativa "c": a lei não poderá exigir autoriza-
independentes e harmônicos entre si, o Legislativo, o ção do Estado para a fundação de sindicato, ressalvado
Executivo e o Judiciário". o registro no órgão competente, consoante art. 8°, I,
da CF.
Alternativa "d": a Constituição que não adota nor-
mas programáticas é conhecida pela doutrina como Alternativa "d": a Corstituição Federal de 1988
garantia. Já a Constituição dirigente é justamente a previu os direitos sociais como direitos fcndamentais,
pois os elenca no capitulo 11, que é parte do Titulo 11,
que adota normas programáticas. Trata-se da classifica-
denominado Dos Direitos e Garantias Fundamentais.
ção da Constituição quanto à finalidade.

* ANAUSTA DA RECErrA FEDERAL.


* AUDrrOR FISCAL. DO TRABAL.HO

(Cespe - Auditor-Fiscal de· Trabalho - MTE/2013) A


(ESAF- ATRFB- 2009) Assinale a única opção correta. respeito da aplicabilidade das normas constitucionais
a) Todo o poder emana do povo, que o exerce apenas e dos direitos e garantias fundamentais, julgue os itens
por meio de representantes eleitos, nos termos da subsequentes de acordo con o entendimen:o do STF.
Constituição Federal. O dispositivo constitucional que reconhece aos
trabalhadores urbanos e rurais o dir2ito à remu-
b) A República Federativa do Brasil não adota nas suas
neração pelo serviço extraord 1ário superior, no
relações internacionais o principio da igualdade
mínimo, em 50% à remunera.ção normal tem apli·
entre os Estados.
cação imediata para os servidor?s públicos, por ser
c) A lei poderá exigir autorização do Estado para a norma autoaplicável.
fundação de sindicato, devendo, ainda, ser efetu-
ado o registro no órgão competente.
d) A Constituição Federal de 1988 não previu os direi· Certo. De acordo com o STF, "O art. 7', XVI, da CF,
tos sociais como direitos fundamentais. que cuida do direito dos trabalhado·es urbanos e rurais
à remuneração pelo serviço extrao·dinário com acrés-
e) Embora resida, primariamente, nos Poderes Legis- cimo de, no mínimo, 50%, aplica-se imediatamente aos
lativo e Executivo, a prerrogativa de formular e exe- servidores público!, por corsistir em norrra autoaplicá-
cutar políticas públicas, cabe, no entanto, ao Poder vel." (AI 642.528-AgR, rei. rrin. Dias Toffoli, julgamento
Judiciário determinar, ainda, que, em bases excep- em 25-9-2012, Primeira Turma, DJE de 15-1 J-2012.)
cionais, especialmente nas hipóteses de políticas
públicas definidas pela própria Constituição, sejam (ESAF - MTE - Auditor-Fiscal do Trabalho/2010) A
estas implementadas pelos órgãos estatais inadim- doutrina constitucionalista tem ccmentado muito sobre
plentes, cuja omissão mostra-se apta a compro- os direitos dos trabalhadores garantidos constitucional-
meter a eficácia e a integridade de direitos sociais mente. Sobre tais direitos, considerando a doutrina de
impregnados de estatura constitucional. José Afonso da Silva, é correto afirmar que:

i
ii
~------------- Revisaço - Direito Constitucional • Paulo Lépore

a) a distinção entre trabalhado·es urbanos e rurais ser exercido porque foi editada a Lei 10.101/00, que
ainda tem sua importância, p:ois ainda não gozam regulamenta o art. 7', XI, da CF, e dispõe sobre a parti-
dos mesmos direitos. cipação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da
empresa e dá outras providências.
b) a garartia do emprego previsto pela Constituição
não e, por si só, suficiente b3>tante para gerar o
direito nela previsto, 1ecessitando, por isso, de
regufar;,entação.
1.8. PRINCÍPIOS DE INTERPRETAÇÃO
c) a Cons:ituição Federal garantiu o direito ao gozo CONSTHUCIONAL
de fé·ias anuais remuneradas estabelecendo o perí-
odo ée 30 dias.
d) a Consttuição conferiu direito à participação nos
* PROCURADOR FEDERAL
lucros cu resultados da empre ;a. Tal direito já pode
ser exercido de imediato, em razão de a norma (Cespe- Procurador Federal/2010) Quanto à herme-
cons:itJCional ser auto·aplicá••el. nêutica constitucional, julgue o item a seguir.
e) a prote<;ão do mercadodetratalho da mulher não é Pelo princípio da concordância prática ou harmo·
auto-aplicável. nização, na hipótese de eventual conflito ou con-
corrência entre bens jurídicos constitucionalizados,
deve-se buscar a coexistência entre eles, evitando-se
o sacrifício total de um princípio em relação ao outro.
Alternativa correta: letra "e": nos termos do art.
7°, XX, da CF, é direito dos trabalhadores a proteção do
mercado de trabalho da mulher, mediante incentivos
específicos, nos termos da lei. Sé'ndo assim, a norma Certo. A colisão ocorrida em âmbito constitucio-
constitucional exige que lei infraonstitucional seja edi- nal não pode ser considerada na mesma perspectiva
tada pan que ela se torn~ aplicável, não sendo, pois, do conflito entre leis ordinárias, (também chamadas de
auto-apli:~vel. Segundo a doutri1a de José Afonso da "regras"), ou seja, como um "conflito aparente de nor-
Silva, trata· >e de norma de eficácia limitada, que possui mas" para cuja solução seriam utilizados os critérios cro-
aplicabilida:le indireta, me:liata e reduzida (não direta, nológico, hierárquico ou da especialidade, na forma do
não imediêta e não integra ). "tudo ou nada" ("ali or nothing"), em que só se aplica um
Alternativa "a": a di5tinção entre trabalhadores documento normativo daqueles que aparentemente
urbanos e ·urais não tem importância, pois eles gozam conflitavam. Essa solução é inaplicável aos princípios,
dos mesmos direitos, nos termos do art. r, caput, da CF. que não se sujeitam a esses critérios apontados pela
doutrina, tampouco podem ser afastados um em razão
Alternativa "b": a garantia do emprego previsto
de outro. Assim, em toda colisão de princípios deve ser
pela Constituição é, por s só, scficiente para gerar o
respeitado o núcleo intangível dos direitos fundamen-
direito r.el.c pre~isto, não necessitando, por isso, de
tais concorrentes, mas sempre se deve chegar a uma
regulam~r-tação. Nos termos do at. 7', caput e inciso I,
posição em que um prepondere sobre outro (mas, sem
da CF: "sãc direitos dos trabalhadores urbanos e rurais,
eliminá-lo). A colisão deve ser resolvida por concordân-
além de outros que visem à melhoria de sua condição
cia prática (Konrad Hesse), com aplicação do princípio da
social: I - relação de em;: rego protegida contra des-
proporcionalidade (tradição alemã) ou pela dimensão de
pedida art itrária ou sem justa causa, nos termos de lei
peso e importância (Ronald Dworkin), com aplicação do
complementar, que preverá indenização compensató-
princípio da razoabilidade (tradição norte-americana).
ria, dentre outro; direitos'. Para ilustrar a geração de
efeito antes mesmo da edição de qualquer ato infra-
constitucional, colacionamos o art. 10 11, do ADCT: "até (Cespe- Procurador Federal/2007) Quanto a herme-
que seja promulgada a lei complementar a que se refere nêutica constitucional, julgue o item seguinte.
o art. 7', l da Constituição, fica vedada a dispensa
arbitrária ou sem justa causa do empregado eleito principio da unidade da CF, como principio interpreta-
para cargo de direção de comissões internas de pre- tivo, prevê que esta deve ser interpretada de forma a
venção d~ acidentes, desde o re9istro de sua candida- se evitarem contradições, antinomias ou antagonismos
tura até •Jm ano a pós o final de seu mandato". entre suas normas.
Altemativa "c": a Constituicão Federal garantiu o
direito ao ;JOZO de férias anuais remuneradas, mas não
estabeleceu o período de 30 dias (art. 7', XVII, da CF). Certo. O princípio da unidade da Constituição
Alternativa "d": a Ccnstitui;ão conferiu direito à preceitua que a interpretação constitucional deve ser
participaçã:> nos lucros ou resu!lados da empresa. Tal realizada tomando-se as normas constitucionais em
direito jã p:>de ser exercico de i-nediato, mas não em conjunto (interpretação sistêmica), como um sistema
razão de a norma constitJCional ser auto-aplicável. A unitário de princípios e regras, de modo a se evitarem
norma não é auto-aplicável e o direito somente já pode contradições (antinomias aparentes) entre elas.
Capítulo I -Teoria da Constituição e das Norm_a_s_C_o_n_s_t_i_t_u_c_io_n_a_i_s_ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _----'-[!3]_9_3----'

,* PROCURADOR DO ESTADO
da unidade da Constituição, segundo o qual a interpre-
tação constitucional deve ser realizada tomando-se as
normas constitucionais em conjunto, como um sistema
(PGE/PA- Procurador do Estado - PA/ 2009) Analise unitário de prindpios e regras, de modo a se evitarem
as proposições abaixo e assinale a alternativa CORRETA: contradições (antinomias simplesmente aparentes)
entre elas. Ao .nosso sentir, a assertiva merece um
A noção de supremacia da Constituição é oriunda
reparo, pois a afirmação da tese de absoluta impos-
de dois conceitos essenciais: 1. a ideia de superio-
sibilidade de existência de normas constitucionais
ridade do Poder Constituinte sobre as instituições
inconstitucionais é uma meia verdade. Isso porque,
jurídicas vigentes e 2. A distinção entre Constitui-
não existe norma constitucional originária que
ções Rígidas e Flexíveis.
possa ser questionada quanto à sua validade, mas
11. A consagração no Direito Brasileiro, em face de as normas constitucionais decorrentes de emenda
decisões reiteradas do Supremo Tribunal Federal, podem ser objeto de controle de constitucionali-
da tese de absoluta impossibilidade de existência dade, nos termos da jurisprudência predominante
de normas constitucionais inconstitucionais, é con- no STF (Vide ADis 4357, 4372, 4400 e 4425, que versam
sequência direta da aplicação do postulado/princí- sobre a inconstitucionalidade da EC 62/2009, que criou
pio da unidade da Constituição. um regime especial de pagamento de precatórios).
1\1. Pelo princípio/postulado da harmonização não se Assertiva "111": pelo principio/postulado da harmo-
deve atribuir a um princípio ou regra constitucio- nização ou concordância prática, não se deve atribuir
nal um significado tal que resulte ser contraditório a um princípio ou regra constitucional um significado
com outros princípios ou regras pertencentes à tal que resulte ser contraditório com outros princípios
Constituição. Também não se lhe deve atribuir um ou regras pertencentes à Constituição. Também não se
significado tal que reste incoerente com os demais lhe deve atribuir um significado tal que reste incoerente
princípios ou regras. com os demais princípios ou regras. isso porque, a inter-
IV. As mutações constitucionais decorrem da conju- pretação de uma norma constitucional exige a harmo-
gação da linguagem constitucional, polissêmica nização dos bens e valores jurídicos colidentes em um
e indeterminada, com fatores externos, de ordem dado caso concreto, de forma a se evitar o sacrifício total
econõmica, social e cultural que a Constituição pre- de um em relação a outro.
tende regular, mas que, de modo dialético, intera-
Assertiva "IV": as mutações constitucionais
gem com ela, podendo produzir efeitos na concre-
decorrem da conjugação da linguagem constitucional,
tização do conteúdo das normas constitucionais,
polissêmica e indeterminada, com fatores externos, de
sem jamais, todavia, ultrapassar as possibilidades
ordem econõmica, social e cultural que a Constituição
semânticas do texto constitucional escrito.
pretende regular, mas que, de modo dialético, intera-
a) Apenas a afirmação 11 está fncorreta. gem com ela, podendo produzir efeitos na concreti-
b) Apenas a afirmação \11 está incorreta. zação do conteúdo das normas constitucionais, sem
jamais, todavia, ultrapassar as possibilidades semânti-
c) Apenas a afirmação IV está incorreta. cas do texto constitucional escrito. Em outros termos,
d) Todas as afirmações estão corretas. pode-se sustentar que a mutação constitucional é um
processo não formal de mudança da Constituição
em que o texto da Constituição permanece inalte-
rado, e alteram-se apenas o significado e o sentido
O Nota do Autor: a questão é polêmica e passível õnterpretativo de determinada norma constitucio-
de alteração de gabarito (alternativa "b" ao invés da "d") nal. Trocando em miúdos: na mutação, altera-se a inter-
ou anulação, notadamente por conta da assertiva \1,
pretação sobre o texto da Constituição, chegando-se a
conforme verificaremos na sequência.
norma com sentido novo. O exemplo mais famoso é o
Alternativa gabaritada como correta: letr<l "d". empregado ao STF ao art. 52, X, da CF, para dizer que a
nova norma que dele se extrai é no sentido que a reso-
Assertiva "1": a noção de supremacia da Consti-
tuição é oriunda de dois conceitos essenciais: 1. a ideia lução emitida pelo Senador Federal para suspender a
de superioridade do Poder Constituinte sobre as insti- execução, no todo ou em parte, de norma declarada
tuições jurídicas vigentes e 2. A distinção entre Consti- inconstitucional no controle difuso serve apenas para
tuições Rígidas e Flexíveis. Aliás, as constituições rígidas conferir publicidade à decisão do STF.
são a base para a existência c!o controle de constitucio-
nalidade. (Cespe- Procurador do Estado- CE/2008) Com rela-
ção aos princípios interpretativos das normas constitu-
Assertiva "11": a consagração no Direito Brasileiro,
cionais, assinale a opção correta.
em face de decisões reiteradas do Supremo Tribunal
Federal, da tese de absoluta impossibilidade de existên- a) Segundo o princípio do efeito integrador, na resolu-
cia de normas constitucionais inconstitucionais, é con- ção de problemas jurídico-constitucionais, deverá
sequência direta da aplicação do postulado/princípio ser dada maior primazia aos critérios favorecedores
r941 Revisaço- Direito Constitucional • Paulo Lépore
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da integração política e social, bem como o reforço


da unidade política.
* PROCURADOR DO MUNICÍPIO

b) De acordo com o princípio da eficiência ou da efeti-


vidade, na resolução de problemas constitucionais, (Procurador do Municfpio - Prefeitura Florianópo-
deve-se dar primazia aos direitos do Estado. lis-Se /2011 - FEPESE) Conforme os ensinamentos de
Canotilho, "toda a norma é significativa, mas o signifi-
c) Segundo o princípio da conformidade funcional,
cado não constitui um dado prévio; é, sim, o resultado
deve o intérprete harmonizar os bens jurídicos em
da tarefa interpretativa".
conflito, de modo a evitar o sacrifício de uns em
relação aos outros. Sobre o princípio de interpretação constitucional
da "justeza", é correto afirmar:
d) O princípio da força normativa da Constituição
estabelece que o intérprete deve ater-se ao que a) O texto constitucional deve ser interpretado de
consta do texto das normas constitucionais. modo a evitar antinomias entre suas normas e prin-
e) Segundo o princípio da unidade da Constituição, cípios.
uma constituição não deve ser interpretada a partir b) A interpretação constitucional deve considerar pri-
de valores e princípios contidos em outras consti- mordialmente os critérios que favoreçam a integra-
tuições. ção política e social e o reforço da unidade política.

'k·JiiUHiJ;h·f• c) O intérprete constitucional deve atribuir à norma


constitucional um sentido que lhe reconheça a
Alternativa correta: letra "a": segundo o princi- máxima eficácia.
pio do efeito integrador ou da eficácia integradora,
na resolução de problemas jurídico-constitucionais, d) A interpretação constitucional deve reconhecer a
deverá ser dada maior primazia aos critérios favore- coexistência, harmoniosa dos bens juridicamente
cedores da integração política e social, bem como o protegidos, evitando o sacrifício total de uns em
reforço da unidade política. relação aos outros.

Alternativa "b": de acordo com o princípio da e) O órgão encarregado de realizar a interpretação


máxima eficiência ou efetividade, o intérprete deve oti- constitucional não pode chegar a um resultado que
mizar a norma constitucional para dela extrair a maior subverta a estrutura organizatório-funcional defi-
efetividade possível, guardando estreita relação com o nida pelo legislador constituinte.
princípio da força normativa. Portanto, é incorreto <~fir­
mar que na resolução de problemas constitucionais,
deve-se dar primazia aos direitos do Estado.
Alternativa correta: letra "e": Há certa margem
Alternativa "c": segundo o princípio da conformi- de subjetividade na tarefa de interpretar. Daí a influên-
dade funcional ou da justeza, o intérprete não pode cia das pré-compreensões do intérprete. Entretanto, a
atuar de modo a desestruturar as premissas de organi- interpretação não pode fugir de um limite: o texto nor-
zação política previstas no texto Constitucional. A ide ia mativo. Deve-se buscar, então, reduzir e controlar essa
de que deve o intérprete harmonizar os bens jurídicos margem de subjetividade.
em conflito, de modo a evitar o sacrifício de uns em rela-
ção aos outros refere-se ao principio da concordâ11cia Alternativa "a": a assertiva está incorreta, já que a
prática ou da harmonização. assertiva refere-se ao princípio da unidade da Constitui-
ção, segundo o qual a Constituição é capaz de estender
Alternativa "d": o princípio da força normativa da
seus preceitos a todas as relações sociais, regulando-as
Constituição estabelece que a partir dos valores sociais,
de forma coerente, tendo em vista não haver conflitos
o intérprete, em atividade criativa, deve extrair aplica-
reais em suas normas. Conclui-se, então, não haver nor-
bilidade e eficácia de todas as normas da Constituição,
mas desnessárias na Constituição, devendo o intérprete
conferindo-lhes sentido prático e concretizador, em
delimitar o âmbito de incidência de cada uma, harmo-
clara relação com o princípio da máxima efetividade ou
eficiência. Por meio dele, a Constituição tem força ativa nizando-as, ao invés de desconsiderar qualquer uma
para alterar a realidade. Portanto, é errado dizer que o delas.
intérprete deve ater-se ao que consta do texto das nor- Alternativa "b": a interpretação constitucional
mas constitucionais. deve considerar primordialmente a unidade constitu-
Alternativa "e": segundo o princípio da unidade cional, o "espfrito da constituição". O enunciado desta
da Constituição a interpretação c"nstitucional deve ser assertiva refere-se ao princípio do efeito integrador,
realizada tomando-se as normas constitucionais em segundo o qual toda interpretação constitucional deve
conjunto, como um sistema unitário de princípios e procurar solucionar os problemas jurídico-constitucio-
regras, de modo a se evitarem contradições (antinomias nais com base em critérios que favoreçam a integração
aparentes) entre elas (e não que uma constituição não social e a unidade política, pois o sistema jurídico só se
deve ser interpretada a partir de valores e princípios torna viável num Estado em que prevaleça a coesão
contidos em outras constituições). sociopolítica.
Capítulo 1- Teoria da Constituição e das Normas Constitucionais I 9s I

Alternativa "c": a assertiva está incorreta, _já que a


observância deste princípio demonstra, por parte dos
agentes políticos, nítido respeito às decisões políticas Alternativa correta: letra "d": pelo princípio d~
tomadas pela Assembleia Constituinte, em n•Jme do força normativa, a partir dos valores sociais, o intér-
povo, e sacramentadas na Constituição. Esse ~ rincípio prete, em atividade criativa, deve extrair aplicabilidade
preserva, em suma, a própria Constituição, a República e eficácia de todas as normas da Constituição, conferir-
do-lhes sentido prático e concretizador, em clara relê-
e o Estado Democrático de Direito. Segundo o princípio
ção com o princípio da máxima efetividade ou eficiêr-
da Móxima Efetividade, princípio este diretamer·te inter-
cia. Por meio dele, a Constituição tem força ativa paro
ligado ao princípio da força normativa, deve-se buscar
alterar a realidade.
efetividade nas normas constitucionais. Uma vez reco-
nhecido que as normas constitucionais são dotadas de Alternativa "a": o princípio da unidade da Cors-
normatividade (ainda que mínima), cumpre éO intér- tituição preceitua que a interpretação constitucioral
prete expandir e densificar ao máximo essa normati- deve ser realizada tomando-se as normas constitucio-
vidade, especialmente se a norma interpretaca disser nais em conjunto, como um sistema unitário de prin-
respeito a direitos e garantias fundamentais. cípios e regras, de modo a se evitarem contradiçõEs
(antinomias aparentes) entre elas, logo não estand:o
Alternativa "d": a assertiva está incorre!<., já que apartado das regras.
o enunciado refere-se ao princípio da harmooização,
Alternativa "b": o princípio da máxima efetividade
segundo o qual exige-se a coordenação e c·Jmbina-
ou eficiência exige que o intérprete otimize a norma
ção dos bens jurídicos em conflito de forma a evitar o
constitucional para dela extrair a maior efetividade
sacrifício total de uns em relação aos outros. A aplica-
possível, guardando estreita relação com o princípio da
ção deste princípio pressupõe um conflito en:re bens
força normativa.
protegidos pela Constituição, de modo que, por terem
todos a mesma dignidade constitucional (decorrente da Alternativa "c": o princípio da concordância pra-
unidade da Constituição), devem receber o mesmo grau tica ou da harmonização a interpretação de uma norna
constitucional exige a harmonização dos bens e valo-
de proteção, sem que um aniquile ou prevale;a sobre
res jurídicos colidentes em um dado caso concreto, de
os demais.
forma a se evitar o sacrifício total de um em relaçãc· a
outro.
(Procurador do Município - Prefeitura T<!resina-
Alternativa "e": o princípio da interpretação ccn·
-PI/2010 - FCC) Para interpretar e aplicar 05 precei-
forme consiste em conferir a um ato normativo poi;-
tos constitucionais é essencial adentrar ao ânbito da
sêmico (que admite vários significados) a interpretaç3o
dogmática para diferenciar princípios e regras, assim,
que mais se adéque ao que preceitua a Constituição;,
quanto aos métodos de interpretação constitucional
sem que essa atividade se constitua em atentado ao
está cqrreto afirmar: próprio texto constitucional. Aplicável ao controle :e
a) O "Princípio da Unidade da Constituição" permite constitucionalidade, a interpretação conforme permite
ao intérprete dar coesão ao texto constitucional que se mantenha um texto legal, conferindo-se a e e
ao definir princípios como standards juridi~amente um sentido ou interpretação de acordo com os vaiare;
relevantes, abertos, apartado das regras. constitucionais,

b) O "Princípio da Máxima Efetividade" autoriza a alte-


ração do conteúdo dos direitos fundamentais da
norma com o fim de garantir o sentido que lhe dê a
* DEFENSOR PÚI3LICO DA UNIÃO
maior eficácia possível.
(Cespe - Defensor Público - OPU/ 2010) Acerca da
c) O "Princípio da Concordância Prática" indica que
aplicabilidade e da interpretação das normas constitJ-
diante de um conflito entre bens constitucional-
cionais, julgue o item seguinte.
mente protegidos, deve-se optar por um :leles em
nome da coerência lógica e segurança jurí:lica.
Atendendo ao princípio denominado correção funci:·-
d) O "Princípio da Força Normativa da Con:;tituição" nal, o STF não pode atuar no controle concentrado de
alude para a priorização de soluções hermenêuti- constitucionalidade como legislador positivo.
cas que possibilitem a atualização normativa e, ao
mesmo tempo, edifique sua eficácia e permanên-
cia.
Certo. De acordo com o princípio da correcão
e) O "Princípio da Interpretação Conforme a Consti- funcional, o intér~rete não pode subverter o esquerna
tuição" é uma diretriz para aplicação dos princípios organizatório-funcional estabelecido na Constitui-
constitucionais fundamentais que devem ser inter- ção, pois, caso contrário, haveria permissão para que
pretados no sentido de chegar a uma irotegração um poder invadisse a competência de outro. De outro
política e social. modo, pode-se sustentar que o princípio da conformi-
Revisaç·:>- Direito Constitucional • Paulo Lépore

dade/correção funcional/exatidão funcional ou da jus-


(FCC- Defensor Público- SP/2013) A doutrina elenca
teza limita o intérprete na atividade de concretizador
alguns princípios de interpretação especificamente
da Constituição, pois impede que ele atue de modo a
constitucionais, nos quais se encarta o princípio da con-
desestruturar as premissas de organização política pre-
cordância prática, que consiste na busca do intérprete e
vistas no Texto Constitucional. Ademais, segundo já se
aplicador das normas constitucionais
manifestou expressamente o STF, "(...] não é permitido
ao Poder Judiciário agir como legislador positivo [...]" a) pela primazia de pontos de vista que favoreçam
(ADI 1.949, julgada em 1996 e relatada pelo Ministro a integração política e social, de modo a alcançar
Sepúlveda Pertence). solcções pluralisticamente integradoras.
b) pela coexistência harmônica entre bens constitu-
cional - mente protegidos que estejam em uma
* DEFENSOR PÚI31..1CO ESTADUAl.. aparente situação de conflito entre eles, evitando-
-se ·J sacrifício total de um deles em detrimento do
out·o.
(Vunesp - Defensor Público - MS/2014) No que se
refere à Hermenêutica Constitucional, é correto afirmar c) por uma interpretação que atenda a harmonia
que: entre os três Poderes do Estado, evitando a ofensa
ao principio da tripartição dos poderes.
a) há hierarquia entre no;·mas constitucionais originá-
rias, admitindo-se a declaração de inconstitucio- d) pela garantia de manutenção do esquema organiza
nalidade de determinada norma em face de outra, - tório-funcional estabelecido pela Constituição
gerando assim declaração das normas constitucio- ao prever um sistema harmônico de repartição de
nais inconstitucionais. competências entre os entes federativos.
b) o princípio da unidade da Constituição prevê que e) por uma solução que atenda aos anseios dos
o intérprete deve considerar o texto na sua globali- diferentes setores da sociedade.
dade de forma a se evitarem contradições e anti no·
mias entre normas constitucionais.
c) o princípio da unidade da Constituição permite ao O r~ota do autor: os princípios de interpretação
intérprete larga discricionariedade, que favorece o constitL cional são muito requisitados nas provas de
subjetivismo voluntarista das consequências políti- defensc ria. Vale a pena dedicar uma atenção especial a
cas. esse tema.
d) o princípio da interpretação conforme a Constitui- Alternativa correta: letra "b: segundo o princípio
ção permite que na resolução de problemas jurídico da concordância prática ou da harmonização, a inter·
- constitucionais deve dar-se primazia aos critérios pretaçã·J de uma norma constitucional exige a harmo·
ou pontos de vista que favoreçam a integração polí- nização dos bens e valores jurídicos colidentes em um
tica e social e o reforço da unidade política. dado caso concreto, de forma a se evitar o sacrifício total
de um em relação a outro.
i!HMMW~ Alternativa "a": essa é a descrição do princípio do
Alternativa correta: letra "b": o princípio da uni- efeito integrador ou da eficácia integradora.
dade da Constituição preceitua que a interpretação
Alternativas "c" e ''d": trata-se do que determina o
constitucional deve ser realizada tomando-se as normas
princíp o da conformidade, correção funcional, exa-
constitucionais em conjunto (interpretação sistêmica),
tidão fcncional ou da justeza.
como um sistema unitário de princípios e regras, de
modo a se evitarem contradições (antinomias aparen- Alternativa "e: essa é umas das facetas do princí·
tes} entre elas. pio do efeito integrador ou da eficácia integradora.
Alternativa a": não há hierarquia entre normas
11

constitucionais originárias. Apesar disso, admite-se a (Vunesp- Defensor Público- MS/ 2012) I. "Sinaliza.
declaração de inconstitucionalidade de determinada portant•J, a aproximação, tão íntima quanto possivel.
norma criada por emenda constitucional em face de entre o dever-ser normativo e o ser da realidade social."'
outra norma originária, gerando assim declaração de 11. "( ... ) ~ uma especificação da interpretação sistema·
norma constitucional inconstitucional. tica, impondo ao intérprete o dever de harmonizar as
tensões e contradições entre normas jurídicas." (Luis
Alternativa "c": vide alternativa correta.
Roberto Barroso. In: Curso de Direito Constitucional
Alternativa "d": o princípio do efeito integrador Contemporâneo, Saraiva, 2009). Os trechos de doutrina
ou da eficácia integrado (e não o da interpretação con- transcritos dizem respeito ao tema dos princípios de
forme a Constituição) é que determina que, na resolução interpretação constitucional. Assinale a alternativa que
de problemas jurídico - constitucionais deve dar-se pri- contempla, correta e respectivamente, esses dois prin·
mazia aos critérios ou pontos de vista que favoreçam a in- cípios de hermenêutica sobre os quais trata o referido
tegração política e social e o reforço da unidade política. autor dE direito constitucional.
Capítulo 1- Teoria da Constituição e das Normas Constitucionais Fl
a) Da força normativa e da interpretação conforme a afirmar-se a compatibilidade da norma com a Constitui-
Constituição. ção, em meio a outras que carreavam para ela um juízo
de invalidade, deve o intérprete optar pela interpreta-
b) Da efetividade e da unidade da Constituição.
ção legitimadora, mantendo o preceito em vigor" (Inter-
c) Da concordância prática e da presunção de consti- pretação e aplicação da Constituição. 2. ed. São Paulo:
tucionalidade. Saraiva. 1998, p. 165).
d) Da supremacia da Constituição e da força norma- Alternativa "d": a noção de supremacia da Consti-
tiva da Constituição. tuição é oriunda de dois conceitos essenciais: 1. a ideia
de superioridade do Poder Constituinte sobre as insti-
JmmttttD tuições jurídicas vigentes e 2. A distinção entre Consti-
Alternativa correta: "b": o principio da máxima tuições Rígidas e Flexiveis. Nesse sentido, o princípio
efetividade ou eficiência exige que o intérprete oti- da supremacia da Constituição prega que as normas
mize a norma constitucional para dela extrair a maior constitucionais representam o paradigma máximo de
efetividade possível (aproximação entre o dever-ser e o validade do ordenamento jurídico, de modo que todas
ser da realidade social). Já o princípio da unidade da as demais normas são hierarquicamente inferiores a ela.
Constituição preceitua que a interpretação constitu- Na pirâmide normativa de Hans Kelsen, a Constituição
cional deve ser realizada tomando-se as normas cons- está no ápice, e as demais normas estão abaixo dela
titucionais em conjunto (interpretação sistêmica), como (relação de compatibilidade vertical). Sobre o princípio
um sistema unitário de princípios e regras, de modo a da força normativa da Constituição, vide comentários
se evitarem contradições (antinomias aparentes) entre à alternativa "a".
elas.
(Cespe - Defensor Público - BAI 2011) No que se
Alternativa "a": o princípio da força normativa
refere à hermenêutica e interpretação constitucional,
impinge uma exegese a partir dos valores sociais, em
julgue o item subsequente.
que o intérprete, em atividade criativa, deve extrair
aplicabilidade e eficácia de todas as normas da Consti-
De acordo com o denominado princípio do efeito inte-
tuição, conferindo-lhes sentido prático e concretizador,
grador, deve-se dar primazia, na resolução dos proble-
em clara relação com o princípio da máxima efetividade
mas jurídico-constitucionais, aos critérios que favore-
ou eficiência. Por meio dele, a Constituição tem força
çam a integração política e social e o reforço da unidade
ativa para alterar a realidade. Por sua vez, o princípio
da interpretação conforme a Constituição consiste política.
em conferir-se a um ato normativo polissêmico (que
admite vários significados) a interpretação que mais se
adéque ao que preceitua a Constituição, sem que essa De acordo com o denominado princípio do efeito
atividade se constitua em atentado ao próprio texto integrador, deve-se dar primazia, na resolução dos
constitucional. Aplicável ao controle de constituciona- problemas jurídico-constitucionais, aos critérios que
lidade, a interpretação conforme permite que se man- favoreçam a integração política e social e o reforço da
tenha um texto legal, conferindo-se a ele um sentido ou unidade política. Em outras palavras, pode-se dizer que
interpretação de acordo com os valores constitucionais. o Princípio do efeito integrador (ou da eficácia integra-
dora) traz a ideia que as normas constitucionais devem
Alternativa "c": o princípio da concordância prá-
tica ou da harmonização traz a ideia de que a inter- ser interpretadas com objetivo de integrar política e
pretação de uma norma constitucional exige a harmo- socialmente o povo de um Estado Nacional. Desta feita,
nização dos bens e valores jurídicos co li dentes em um o item está certo.
dado caso concreto, de forma a se evitar o sacrifício total
de um em relação a outro. A seu turno, o princípio da (Instituto cidades - Defensor Público - AM/2011)
presunção de constitucionalidade prega que todas Sobre os métodos e princípios hermenêuticas aplicá-
as normas infraconstitucionais criadas estão de acordo \'eis na seara constitucional é correto afirmar que:
com a lei. Toda lei é válida e constitucional até que se a) Os métodos clássicos de interpretação (literal ou
prove o contrário, portanto, a presunção de consti- gramatical, histórico, sistêmico e teleológico),
tucionalidade é relativa (juris tantum). Esse princípio segundo a doutrina majoritária, não são aplicáveis
ainda tem por missão orientar que o judiciário declare na interpretação do texto constitucional.
a inconstitucionalidade de uma norma apenas se ela
for patente ou chapada, não permitindo uma interpre- b) Segundo o método tópico-problemático, o intér-
tação conforme a constituição. Sobre a presunção de prete parte de uma pré-compreensão da norma
constitucionalidade, a lição de Luís Roberto Barroso: "a) para aplicar ao problema, pois considera que o
não sendo evidente a inconstitucionalidade, havendo texto constitucional é um limite intransponivel para
dúvida ou 2 possibilidade de razoavelmente se consi- o intérprete.
derar a norma como válida, deve o órgão competente c) De acordo com o princípio da correção funcional,
abster-se da declaração de inconstitucionalidade; b) o intérprete não pode subverter o esquema orga-
havendo alguma interpretação possível que permita nizatório-funcional estabelecido na Constituição,
9s
r=l Revisaço - Direito Constitucional • Paulo Lépore
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i',
pois, caso contrário, haveria permissão para que um Alternativa "e": segundo o princípio da unidade
poder invada a competência de outro. da Constituição a interpretação constitucional deve
d) Pelo princípio da eficácia Integradora, o intérprete, ser realizada tomando-se as normas constitucio-
ao concretizar a Constituição, deve harmonizar os nais em conjunto, de modo a se evitarem contradições
bens jurldicos envolvidos no conflito, de modo que (antinomias aparentes) entre elas. Não há que se falar,
não seja necessário sacrificar totalmente nenhum portanto, em aceitar o dogma de que existe apenas uma
deles. interpretação posslvel das normas constitucionais, pois
essa ide ia há tempos está ultrapassada.
e) Segundo o princípio da unidade da Constituição,
para que não se instaure a total insegurança jurí-
dica, é preciso aceitar o dogma de que existe ape- (lnstitutocidades - Defensor Público - GOl 2010) A
nas uma interpretação possível das normas consti- maioria da doutrina constitucionalista admite a especi-
tucionais. ficidade da interpretação constitucional e lista alguns
princípios a serem observados nessa tarefa. Quando o
INWM·W·t• intérprete se depara com duas normas constitucionais
aparentemente contraditórias e incidentes sobre a
Alternativa correta: letra "c": de acordo com o
mesma situação fática, o prindpio aplicável é o da:
princípio da correção funcional, o intérprete não pode
subverter o esquema organizatório-funcional esta- a) interpretação conforme a Constituição.
belecido na Constituição, pois, caso contrário, haveria b) unidade da Constituição.
permissão para que um poder invadisse a competên-
cia de outro. De outro modo, pode-se sustentar que o c) presunção da constitucionalidade das leis e atos do
princípio da conformidade/correção/exatidão funcional poder público.
ou da justeza: limita o intérprete na atividade de con- d) máxima efetividade.
cretizador da Constituição, pois impede que ele atue
de modo a desestruturar as premissas de organização e) força normativa da Constituição.
política previstas no Texto ConstitucionaL
Alternativa "a": os métodos clássicos de inter- 'k.JMJMW+•
pretação (literal ou gramatical, histórico, sistêmico e Alternativa correta: letra "b": quando o intér-
teleológico), segundo a doutrina majoritária, não são prete se depara com duas normas constitucionais apa-
aplicáveis na interpretação dos principios, mas são rentemente contraditórias e incidentes sobre a mesma
utilizados para a aplicação das regras dispostas no situação fática, o princípio aplicável é o da unidade da
texto constitucionaL Constituição, segundo o qual a interpretação constitu-
Alternativa "b": segundo o método hermenêu- cional deve ser realizada tomando-se as normas consti-
tico-concretizador (não o tópico-problemático), o tucionais em conjunto, de modo à se evitarem contradi-
intérprete parte de uma pré-compreensão da norma ções (antinomias aparentes) entre elas.
para aplicar ao problema, pois considera que o texto Alternativa "a": o princípio da interpretação con-
constitucional é um limite intransponlvel para o intér- forme consiste em conferir-se à um ato normativo polis-
prete. Por sua vez, o método tópico-problemático atua sêmico (que admite vários significados) a interpretação
sobre as aporias (a poria: dificuldade de escolher entre que mais se adéque ao que preceitua a Constituição.
duas opiniões contrárias e igualmente racionais sobre Aplicável ao controle de constitucionalidade, permite
um dado problema). Topos, que no plural são os topoi, que se mantenha um texto legal conferindo-se a ele um
representam formas de pensamento, raciodnio, argu- sentido, uma interpretação de acordo com os valores
mentação, pontos de vista ou lugares comuns. Os topo i constitucionais. Portanto, não tem relação com o enun-
são retirados da jurisprudência, da doutrina, elos prin- ciado.
cípios gerais de direito e até mesmo do senso comum.
Trata-se de uma teoria de argumentação jurídica em Alternativa "c": o princípio da presunção de cons-
torno do problema. A partir do problema expõem-se os titucionalidade das leis: traz a ideia que todas as normas
argumentos favoráveis e contrários e consagra-se como infraconstitucionais criadas estão de acordo com a lei.
vencedor aquele capaz de convencer o maior número Toda lei é válida e constitucional até que se prove o
de interlocutores. Tem aplicabilidade nos casos de difícil contrário, portanto, a presunção de constitucionalidade
solução, denominados por hard cases. é relativa (júris tantum). Esse princípio ainda tem por
missão orientar que o judiciário declare a inconstitu-
Alternativa "d": pelo princípio da concordância
cionalidade de uma norma apenas se ela for patente ou
prática (não da eficácia integradora), o intérprete, ao
chapada, não permitindo uma interpretação conforme
concretizar a Constituição, deve harmonizar os bens
a constituição. Não se relaciona, pois, com a pergunta
jurídicos envolvidos no conflito, de modo que não seja
feita pelo examinador.
necessário sacrificar totalmente nenhum deles. Já o
princípio do efeito integrador ou da eficácia integra- Alternativa "d": o princípio da máxima efetivi-
dora traz a ide ia que as normas constitucionais devem dade ou eficiência exige que o intérprete otimize a
ser interpretadas com objetivo de integrar política e norma constitucional para dela extrair a maior efetivi-
socialmente o povo de um Estado Nacional dade possível, guardando estreita relação com o prind-
Capítulo 1- Teoria da Constituição e das Normas Constitucionais 1991
pio da força normativa. Assim, não guarda pertinência as normas constitucionais em conjun:o. de nodo a se
com o enunciado. evitarem contradições (antinomias aparentes} entre elas.
Alternativa "e": o princípio da força normativa Alternativa "a": a mutação constituciooal se da
prega que, a partir dos valores sociais, o intérprete deve justamente por via de in:erpretação, e não per via legis-
extrair aplicabilidade e eficácia de todas as normas da lativa. Trata-se de um pro:Jcesso não fonnal de mudança
Constituição, conferindo-lhes sentido prático, em clara da Constituição em que o texto da Corstituição perma-
relação com o princípio da máxima efetividade ou efici- nece inalterado, e alteram-se apenas o significado e o
ência. Por meio dele, a Constituição tem força ativa para sentido interpretativo de determinada normc constitu-
alterar a realidade. Não responde, pois, ao questiona- cional. Em outras palavras: na mutaçãc, altera-se a inter-
mento do examinador. pretação sobre o texto da Constituiçã::-, chegando-se a
norma com sentido novo. O exemplo mais fcmoso é o
empregado ao STF ao art. 52, X, da CF para dizer que a
(Cespe- Defensor Público - Pl/ 2009} Relativamente
nova norma que dele se extrai é no sentido que a reso-
à mutação constitucional e aos princípios de interpreta-
lução emitida pelo Senador Federal pra suspender 2
ção constitucional, assinale a opção correta.
execução, no todo cu em parte, de 1orma :leclarad2
a} A mutação constitucional não se pode dar por via inconstitucional no con:role difuso serve apenas para
de interpretação, mas apenas por via legislativa, conferir publicidace à decisão do STF.
quando, por ato normativo primário, procura-se Alternativa "b": independenterrente da rigkez
modificar a interpretação que tenha sido dada a constitucional, a mutação constitucio1al não se mani-
alguma norma constitucional. festa por meio da reforma constitucional, ~<H proce-
b) Em constituições rígidas como a CF, a mutação dimento previsto no próprio texto constitucional. l~so
constitucional se manifesta por meio da reforma porque, como já esclarecido, a mutaç2o constitucional
constitucional, procedimento previsto no próprio é um processo nãc formal de mudanç< da Coostituição
texto constitucional disciplinando o modo pelo em que o texto da Constituiçãc perm<nece i'lalterado,
qual se deve dar sua alteração. e alteram-se apenas o significado e o sentido interpreta-
tivo de determinada nor'lla constitucio."\al.
c} De acordo com. o princípio da unidade da CF, as
Alternativa "d": o princípio da inte'llretação
normas constitucionais devem ser vistas não como
conforme (e não o da maxima efetividc :lei significa que,
normas isoladas, mas como preceitos integrados
entre interpretações possíveis das nor:nas infraconsti-
em um sistema unitário de regras e princípios que
tucionais, os aplicadores da CF devem prestig ar aquela
não comporta hierarquia, impondo ao intérprete
que consagre sua cor·stitucionalidade e que tenha mais
o dever de harmonizar as tensões e contradições
afinidade com os vaiares e fir.s constf":ucioncis Ao seu
eventualmente existentes entre elas.
legar, o princípio da máxima efetividade exige que
d) O princípio da máxima efetividade significa que, o intérprete otimize a norma constitucional para dela
entre interpretações possíveis das normas infra- extrair a maior efetividade possí•;el, g~.:ardando estreita
constitucionais, os aplicadores da CF devem pres- relação com o prin:ípio da força normativa.
tigiar aquela que consagre sua constitucionalidade Alternativa "e": o princípio da su:Hemacia con~ti­
e que tenha mais afinidade com os valores e fins tucional, mediantE o q•Jal nenhuma lEi ou ato •orma-
constitucionais. tivo poderá subsi~tir validamente se fcr incorr.patível
e) O princípio da supremacia constitucional, mediante com a CF, tem uma dimensão formal. não mater ai.
o qual nenhuma lei ou ato normativo poderá sub- Nesse sentido, o descumprimento de :xeceit;)S con~.ti­
sistir validamente se for incompatível com a CF, tem tucionais de natureza formal (todo o T~xto Coostituc a-
uma dimensão material, mas não formal. Nesse sen- nal) permite a fis·:alização judicial da validade do ato,
tido, o descumprimento de preceitos constitucionais resolvendo-se pelos métodos de controle pa ·lamen:ar
de natureza formal não permite a fiscalização judicial ou administrativo.
da validade do ato, resolvendo-se pelos métodos de
controle parlamentar ou administrativo. (Vunesp - Defensor Público - MS/ 2008} Conside-
rando a doutrina dominante do direit·J constitucioral,
analise as seguintes afirmativas a respe to da interpre:a-
ção da Constituição.
Alternativa correta: letra "c": de acordo com o
princípio da unidade da CF, as normas constitucionais O princípio segundo J qual a i oterpretação da
devem ser vistas não como normas isoladas, mas como Constituição deve ser realizada a e-.·itar cootradição
preceitos integrados em um sistema unitário de regras entre suas nor11as denomina-se p-incipio do efeito
e princípios que não comporta hierarquia, impondo ao integrador.
intérprete o dever de harmonizar as tensões e contra- 11. O·princípio da harmonização é o qJe dispõe que o
dições eventualmente existentes entre elas. Em outras intérprete da normc constitucional não pode che-
palavras, o princípio da unidade preceitua que a inter- gar a uma posição q Je subverta, a tere ou perturbe
pretação constitucional deve ser realizada tomando-se o esquema organizatório-funcional constitucional-
I}MJ Revisaço- Direito Constitucional • Paulo Lépore

mente estabelecido pelo legislador constituinte da realidade, e a constituição não configura apenas
originário. a expressão de um ser, mas também de um dever ser.
Assim, para ser aplicável, a constituição deve ser conexa
111. A concordância prática se traduz no princípio à realidade jurídica, social, política; no entanto, ela não é
interpretativo pelo qual se exige a coordenação apenas determinada pela realidade social, mas também
e a combinação dos bens jurídicos em conflito de determinante desta.
forma a evitar o sacrifício total de uns em relação t correto afirmar que o texto acima aborda o prin-
aos outros. cípio da
IV. Entre as interpretações possíveis, deve ser adotada a) unidade da constituição.
aquela que garanta maior eficácia, aplicabilidade e
b) força normativa da constituição.
permanência das normas constitucionais: é o que
assevera o princípio da força normativa da Consti- c) conformidade funcional.
tuição. d) concordância prática ou da harmonização.

Está correto apenas o que se afirma em e) eficácia integradora.

a) I, 11 e 11:.

b) l,lle IV. Alternativa correta: letra "b": o texto do enun-


c) 11 e 111. ciado aborda o princípio da força normativa da cons-
tituição, segundo o qual, a partir dos valores sociais, o
d) llleiV. intérprete deve extrair aplicabilidade e eficácia de todas
as normas da Constituição, conferindo-lhes-sentido prá-
tico, em clara relação com o princípio da máxima efeti-
vidade ou eficiência. Por meio dele, a Constituição tem
AlternaUva correta: letra "d"
força ativa para alterar a realidade.
Assertiva "1": O princípio segundo o qual a inter-
Alternativa "a": o princípio da unidade da cons-
pretação da Constituição deve ser realizada a evitar tituição preceitua que a interpretação constitucional
contradição entre suas normas denomina-se princípio deve ser realizada tomando-se as normas constitucio-
da unidade (não do efeito integrador). nais em conjunto, de modo a se evitarem contradições
(antinomias aparentes) entre elas.
Assertiva "11": o princípio da conformidade/
correção/exatidão funcional ou da justeza (e não o Alternativa "c": o princípio da conformidade/
da harmonização! é o que dispõe que o intérprete da exatidão funcional ou da justeza é aquele que limita o
norma constitucional não pode chegar a uma posição intérprete na atividade de concretizador da Constitui-
ção, pois impede que ele atue de modo a desestruturar
que subverta, altere ou perturbe o esquema organiza-
as premissas de organização política previstas no Texto
tório-funcional constitucionalmente estabelecido pelo
Constitucional.
legislador constituinte originário.
Alternativa "d": o princípio da concordância prá-
Assertiva "111": a concordâncio prática ou harmoni- tica ou da harmonização diz que a interpretação de uma
zação se trad:.~z no princípio interpretativo pelo qual se norma constitucional exige a harmonização dos bens e
exige a coordenação e a combinação dos bens jurídicos valores jurídicos colidentes em um dado caso concreto,
em conflito de forma a evitar o sacrifício total de uns em de forma a se evitar o sacrifício total de um em relação
relação aos outros. a outro.

Assertiva "IV": entre as interpretações possíveis, Alternativa "e": o princípio do efeito integrador
ou da eficácia integradora traz a ideia que as normas
deve ser adotada aquela que garanta maior eficácia,
constitucionais devem ser interpretadas com objetivo
aplicabilidade e permanência d3s normas constitucio-
de integrar política e socialmente o povo de um Estado
nais: é o que assevera o princípio da força normativa da Nacional.
Constituição, que também guarda estreita relação com
o princípio da máxima efetividade ou eficiência.
* PROCURADOR DA REPÚBLICA

* JUIZ DE DIREITO
(MPF - Procurador da República/2011) t CORRETO
AFIRMAR QUE:
(Cespe - Juiz Substituto - AL/ 2008) Para Konrad a) A ponderação de interesses é técnica que busca
Hesse, as normas jurídicas e a realidade devem ser con- equacionar as colisões entre princípios constitu-
sideradas em seu condicionamento recíproco. A norma cionais através da demarcação dos respectivos
constitucional não tem existência autõnoma em face âmbitos de proteção, de modo a evitar que normas
Capítulo 1- Teoria da Constituição e das Normas C o n s t i t u c i o n a i s f l 0 1 1
·-------------- -------------"-~--

divergentes incidam concomitantemente sobre a importância (Ronald Dworkin}, com aplicação do prin-
mesma hipótese fática. cipio da razoabilidade (tradição norte-americana}, mas
b} O Poder Judiciário deve interpretar os tratados sempre por ponderação.
internacionais de direitos humanos à luz da Cons- Alternativa "b": o Poder Judiciário deve interpre-
tituição Federal, mas não o contrário, pois se assim tar os tratados internacionais de direitos humanos à
não fosse, subverter-se-ia a hierarquia das fontes luz da Constituição Federal, e a recíproca é verdadeira.
normativas e o princípio da supremacia da Consti- Isso porque, nos termos do art. 5°, § 3°, incluído pela EC
tuição. 45/04, os tratados e convenções internacionais sobre
c} A mutação constitucional consiste na alteração da direitos humanos que forem aprovados, em cada Casa
jurisprudência do STF sobre algum tema de índole do Congresso Nacional, em dois turnos, por três quintos
constitucional, sem que haja mudança formal no dos votos dos respectivos membros, serão equivalen-
Texto Magno. tes às emendas constitucionais. Assim, os tratados de
direitos humanos podem ter nível hierárquico de norma
d} São intérpretes da Constituição não apenas os
constítuciona I, e suas normas devem ser consideradas
órgãos do Poder Judiciário, como também os
na interpretação constitucional. Portanto, não há que
demais poderes políticos, além dos múltiplos atores
presentes na sociedade civil, que, em seus debates se falar em subversão a hierarquia das fontes normati-
travados na esfera pública, participam da tarefa de vas ou ao princípio da supremacia da Constituição.
atribuição de sentido às normas constitucionais. Alternativa "c": a mutação constitucional é um
processo não formal de mudança da Constituição (e
~··!mi·PH• não da jurisprudência do STF} em que o texto constitu-
Alternativa correta: letra "d": o texto dessa alter- cional permanece inalterado, modificando-se apenas o
nativa reflete a obra intitulada "Sociedade Aberta dos significado e o sentido interpretativo de determinada
Intérpretes", de Peter Haberle. Para o doutrinador ale- norma constitucional. Em outras palavras: na mutação,
mão, são intérpretes da Constituição não apenas os altera-se a interpretação sobre o texto da Constituição,
órgãos do Poder Judiciário, como também os demais chegando-se a norma com sentido novo. O exemplo
poderes políticos, além dos múltiplos atores presen- mais famoso é o empregado pelo STF ao art. 52, X, da
tes na sociedade civil, que, em seus debates travados CF, para dizer que a nova norma que dele se extrai é no
na esfera pública, participam da tarefa de atribuição sentido que a resolução emitida pelo Senador Federal
de sentido às normas constitucionais. A Peter Haberle para suspender a execução, no todo ou em parte, de
atribui-se a ideia da Constituição Aberta, aquela inter- norma declarada inconstitucional no controle difuso
pretada por todo o povo, em qualquer espaço, e não serve apenas para conferir publicidade à decisão do STF.
apenas pelos juristas no.bojo dos processos. Outro exemplo é a interpretação do STF sobre o con-
ceito de casa, do art. 5°, XI, da CF, para dizer que inclui
Alternativa "a": a ponderação de interesses é téc-
também escritórios profissionais, hotéis, motéis, pen-
nica que busca equacionar as colisões entre princípios
o
constitucionais. Entretanto, ela não faz realizando sões e congêneres.
demarcação dos respectivos âmbitos de proteção, de
modo a evitar que normas divergentes incidam conco-
mitantemente sobre a mesma hipótese fática. A ponde- * PROMOTOR DE JUSTIÇA
ração trabalha justamente com a incidência concomi-
tante de normas sobre uma mesma situação, o que se
denomina colisão de direitos fundamentais. A colisão (MPE- MS- Promotor de Justiça- MS/2013} Relativa-
ocorrida em âmbito constitucional, não pode ser consi- mente aos princípios de interpretação especificamente
derada na mesma perspectiva do conflito entre leis ordi- constitucionais, é incorreto afirmar:
nárias, (também chamadas de "regras"}, ou seja, como a) o principio da interpretação conforme a Constitui-
um "conflito aparente de normas" para cuja solução ção não atua no campo do controle de constitucio-
seriam utilizados os critérios cronológico, hierárquico nalidade das leis, porque, declarando o Judiciário
ou da especialidade, na forma do "tudo ou nada" ("ali que certas aplicações da lei não são compatíveis
or nothing"}, em que só se aplica um documento nor- com a Constituição, está ele apenas conservando
mativo daqueles que aparentemente conflitavam. Essa a lei no sistema jurídico, evitando a sua não conti-
solução é inaplicável aos princípios, que não se sujeitam nuidade, ainda que com características diferentes,
a esses critérios apontados pela doutrina, tampouco podendo-se, em razão disso, sustentar-se a atuação
podem ser afastado um em razão de outro. Assim, em
do julgador como legislador positivo.
toda colisão de princípios deve ser respeitado o núcleo
intangível dos direitos fundamentais concorrentes, mas b} o princípio da supremacia constitucional é resul-
sempre se deve chegar a uma posição em que um pre- tado da rigidez normativa que ostentam os precei-
pondere sobre outro (mas, sem e!iminá-lo}. A colisão tos de nossa Constituição, impondo ao Poder Judi-
deve ser resolvida por concordância prática (Konrad ciário, qualquer que seja a sede processual, que se
Hesse). com aplicação do princípio da proporciona- recuse a aplicar leis ou atos estatais reputados em
lidade (tradição alemã} ou pela dimensão de peso e conflito com a Carta Federal.
1!02l Revisaço- Direito Constitucional• Paulo Lépore

c) o principio da presunção de constitucionalidade ção de inconstitucionalidade; b) havendo alguma inter-


das leis e dos atos do Poder Público também sig- pretação possível que permita afirmar-se a compatibi-
nifica que, não sendo evidente a inconstituciona- lidade da norma com a Constituição, em meio a outras
lidade, havendo dúvida ou possibilidade de razoa- que carreavam para ela um juízo de invalidade, deve o
velmente se considerar a norma como válida, deve intérprete optar pela interpretação legitimadora, man-
o órgão competente abster-se da declaração de tendo o preceito em vigor" (Interpretação e aplicação da
inconstitucionalidade. Constituição. 2. ed. São Paulo: Saraiva. 1998, p. 165).
d) o principio da unidade da Constituição tem o efeito Alternativa "d": o princípio da unidade da Cons-
prático de harmonizar as normas constitucionais, tituição preceitua que a interpretação constitucional
na medida em que se tem de produzir um equilí- deve ser realizada tomando-se as normas constitucio-
brio, sem negar por completo a eficácia de qual- nais em conjunto, como um sistema unitário de princí-
quer delas. pios e regras, de modo a se evitarem contradições (anti-
e) o princípio da razoabilidade traduz limitação mate- nomias aparentes) entre elas. Assim, ele tem o efeito
rial também às atividades normativas do Estado, prático de harmonizar as normas constitucionais, na
controlando o arbítrio do legislador. medida em que se tem de produzir um equilíbrio, sem
negar por completo a eficácia de qualquer delas.
Alternativa "e": o conteúdo da alternativa espelha
O Nota do Autor: os princípios de interpretação o voto do Ministro Celso de Mello, do STF, na relataria do
constitucional são cobrados com grande frequência nos HC 94404 MC/SP, julgado em 2008, e que, pela absoluta

I
concursos para Promotor de Justiça. Vale a pena estudá- pertinência, segue transcrito em parte: "Como se sabe,
-los com afinco. a exigência de razoabilidade traduz limitação mate-
rial à ação normativa do Poder legislativo. O exame
Alternativa certa: "a": o princípio da interpretação da adequação de determinado ato estatal ao prin-
conforme consiste em conferir-se a um ato normativo cipio da proporcionalidade, exatamente por viabilizar
polissêmico (que admite vários significados) a interpre-

I
o controle de sua razoabilidade, com fundamento no
tação que mais se adapte ao que preceitua a Constitui-
art. 5°, LV, da Carta Política, iflclui-se, por isso mesmo,
ção, sem que essa atividade se constitua em atentado
no âmbito da própria fiscalização de constitucionali-
ao próprio texto constitucional. Aplicável ao controle
dade das prescrições normativas emanadas do Poder
de constitucionalidade, a interpretação conforme per-
Público. Esse f'ntendimento é prestigiado pela jurispru-
mite que se mantenha 4m texto legal, conferindo-se
dência do Supremo Tribunal Federal, que, por mais de
a ele um sentido ou interpretação de acordo com os
uma vez, já advertiu que o Legislativo não pode atuar
valores constitucionais. Não há que se sustentar que
de maneira imoderada, nem formular regras legais cujo
a partir de sua aplicação o julgador estaria atuando
conteúdo revele deliberação absolutamente divorciada
como legislador positivo. O julgador não está proibido
dos padrões de razoabilidade. Coloca-se em evidência,
de conferir às normas uma interpretação conforme a
neste ponto, o tema concernente ao princípio da pro-
Constituição, aliás, essa é sua obrigação.
porcionalidade, que se qualifica- enquanto coeficiente
Alternativa "b": a noção de supremacia da Consti- de aferição da razoabilidade dos atos estatais (CELSO
tuição é oriunda de dois conceitos essenciais: 1. a ideia ANTÓNIO BANDEIRA DE MELLO, "Curso de Direito Admi-
de superioridade do Poder Constituinte sobre as insti- nistrativo", p. 56/57, itens ns. 18/19, 4• ed., 1993, Malhei-
tuições jurídicas vigentes e 2. A distinção entre Consti- ros; LÚCIA VALLE FIGUEIREDO, "Curso de Direito Admi-
tuições Rígidas e Flexíveis. Nesse sentido, a supremacia nistrativo", p. 46, item no 3.3, 2• ed., 1995, Malheiros) -
prega que as normas constitucionais representam o como postulado básico de contenção dos excessos do
paradigma máximo de validade do ordenamento jurí- Poder Público. Essa é a razão pela qual a doutrina, após
dico, de modo que todas as demais normas são hierar· destacar a ampla incidência desse postulado sobre os
quicamente inferiores a ela. Na pirâmide normativa de múltiplos aspectos em que se desenvolve a atuação do
Hans Kelsen, a Constituição está no ápice, e as demais Estado- inclusive sobre a atividade estatal de produção
normas estão abaixo dela (relação de compatibilidade normativa- adverte que o princípio da proporcionali-
vertical). Assim, é correto dizer que princípio da supre- dade, essencial à racionalidade do Estado Democrá-
macia constitucional resulta da rigidez normativa que tico de Direito e imprescindível à tutela mesma das
ostentam os preceitos de nossa Constituição, impondo liberdades fundamentais, proíbe o excesso e veda o
ao Poder Judiciário, qualquer que seja a sede proces- arbítrio do Poder, extraindo a sua justificação dogmá-
sual, que se recuse a aplicar leis ou atos estatais reputa- tica de diversas cláusulas constitucionais, notadamente
dos em conflito com a Carta Federal. daquela que veicula, em sua dimensão substantiva ou
Alternativa "c": a alternativa reflete a doutrina de material, a garantia do "due process of law" (RAQUEL
Luís Roberto Barroso sobre o princípio da presunção DENIZE STUMM, "Princípio da Proporcionalidade no
de constitucionalidade das leis: "a) não sendo evidente Direito Constitucional Brasileiro", p. 159/170, 1995,
a inconstitucionalidade, havendo dúvida ou a possibi- Livraria do Advogado Editora; MANOEL GONÇALVES
lidade de razoavelmente se considerar a norma como FERREIRA FILHO, "Direitos Humanos Fundamentais", p.
válida, deve o órgão competente abster-se da declara- 1111112, item no 14, 1995, Saraiva; PAULO BONAVIDES,
Capítulo 1- Teoria da Constituição e das Normas Constitucionais ~]
"Curso de Direito Constitucional", p. 352/355, item no 11, alteração e que, por isso mesmo, são consideradas per-
4• ed., 1993, Malheiros)". (grifas nossos) manentes. Constituição rígida é aquela em que o pro-
cesso para sua alteração é mais difícil de que o utilizado
(Cespe- Promotor de Justiça- R0/2010) As~ inale a para criar leis.
opção correta com referência ao conceito e à clêssifica- Alternativa "d": Pare o jurista =erdi1and Lassale, a
ção das constituições. Constituição de um país consiste na sc·ma dos fatores
a) Para a teoria da força normativa da constitJição- reais de poder que regulamentai a vica nessa socie-
desenvolvida, principalmente, pelo jurista alemão dade, em uma concepçio sociológica. Peter Haberle
Konrad Hesse-, a constituição tem força ati 1a para é responsável pela concepção aberta de :::onstituição,
alterar a realidade, sendo relevante a refle>ão dos que é aquela interpretada por todo o pc~·o em qualquer
valores essenciais da comunidade política subme- espaço, e não apenas pelos juristas no l:ojo dos proces-
tida. sos.
b) De acordo com a classificação quanto à extensão, Alternativa "e": O legado de Hans Kelsen (não
no Brasil, a Constituição de 1988 é sintética, pois Carl Schmitt), considerado expoerte da acepção jurí-
constitucionaliza aspectos além do núcleo dJro das dica da constituição, con~,istiu na a"irmação de que há,
constituições, estabelecendo matérias que pode- nesse conceito, um plano lógico-jurídic::>, em q~.;e esta-
riam ser tratadas mediante legislação infraconstitu- ria situada a norma hipotE-tica fundame1tal, e um plano
cional. jurídico- positivo, ou ~eja, a norma positivada.
c) As constituições denominadas rígidas são aquelas
que não admitem alteração e que, por isso mesmo, (MPE/GO - Promotor d-e Justiça - G0/2009) A res-

I
são consideradas permanentes. peito dos princípios de interpretação constitucional, é
incorreto dizer que:
d) Para o jurista alemão Peter Harbele, a constituição
de um país consiste na soma dos fatores r2ais de a) O princípio da maxima efetivi,jade constitucional
poder que regulamentam a vida nessa sociedade. guarda estreita vir,culação com o princípio da força
normativa da constitL ição, e termina por orientar os
e) O legado de Carl Schmitt, considerado expooó!nte da
aplicadores da Lex Legum a interpretá-la de sorte a
[; acepção jurídica da constituição, consistiu na afir-
lhe conferir máxima efetividade, ser, que, com isso,
mação de que há, nesse conceito, um plano lógico-
seja preciso alterar seJ conteúdo.
-jurídico, em que estaria situada a norma hi~otética
fundamental, e um plano jurídico - positivo, ou b) O princípio da unidade constitucional preconiza a
seja, a norma positivada. necessidade de se interpretar os dispo~,itivos consti-
tucionais não como n,Jrmas hermeticamente estan-
lf'Mâiif.MH• ques, mas como pre<:eitos harmonicamente inte-
grados em um sistem3 coeso de resra~ e princípios.
O Nota do autor: a questão tem alto nível de difi-
culdade, pois trabalha com diversos elementos doutri- c) Em havendo situaçõEs de concorrê~cia entre bens
nários acerca da hermenêutica constitucional e da teo- e valores constitucio1almente protegidos, deve o
ria da Constituição. responsável pela sua aplicação perseguir solução
que otimize a concretização de todcs Eles, mas que,
Alternativa correta: letra "a": para a te:Jria da
força normativa da constituição- desenvolvida. princi- concomitantemente, não determin2 a negação de
palmente, pelo jurista alemão Konrad Hesse -, a cons- nenhum, consoante estabelece o prlCípio da eficá-
tituição tem força ativa para alterar a realidade. sendo cia integradora.
relevante a reflexão dos valores essenciais da comu- d) O princípio da presunção da com:itucionalidade
nidade política submetida. Como decorrência dessa de leis e de atos norrrati·ios fur>cicna como fator de
teoria, exsurge o Princípio da Força Normati"a para demarcação da atividade judicial, em prol da pre-
o qual, a partir dos valores sociais, o intérprete deve servação do princí::>iJ da sepcração dos poderes,
extrair aplicabilidade e eficácia de todas as normas da a impedir o juiz cu tribunal qu-e de-:lare a inconsti-
Constituição, conferindo-lhes sentido prático, em clara tucionalidade quand•J esta nãc· for clara e patente,
relação com o princípio da máxima efetividade ou efici- antes existindo tese plausível para a conservação
ência. Por meio dele, a Constituição tem força ativa para da norma.
alterar a realidade.
Alternativa "b": de acordo com a class ficação
quanto à extensão, no Brasil, a Constituição de 1988 é Alternativa correta: letra "c": o princípio do
analítica (não sintética), pois constitucionaliza a;pectos efeito integrador ou dã eficácia into;gradora traz a
além do núcleo duro das constituições, estabelecendo ideia que as normas constitu:ionais dev~m ser interpre-
matérias que poderiam ser tratadas mediante legislação
tadaHom objetivo de integrar polftica ~ s::>cialmente o
i nfraco n stitu cio n ai.
povo de um Estado NaciJnal. Portar.tc, é errado dizer
Alternativa "c": as constituições denominadas que ele se aplica para as situaçõesd-= con:crrência entre
imutáveis (não rígidas) são aquelas que não admitem bens e valores constitucionalmente protegidos, deve o
[104 Revisaço- Direito Constitucional • Paulo Lépore
-------

responsável pela sua aplicação perseguir solução que rindo-se a ele um sentido ou interpretação de acordo
otimiz:e a concretização de todos eles, mas que, conco- com os valores constitucionais.
mitantemente, não -=etermine a negação de nenhum, Alternativa "a": Constituição flexível é justamente
pois tal ideia se refere ao princípio da harmonização
o contrário, pois é aquela em que o processo de reforma
ou concot"dància prática. é semelhante ao utilizado para a criação de leis, ou seja,
Alternativa "a": o prindpio da máxima efetivi- não é rígida.
dade o::onstitucional guarda estreita vinculação com o Alternativa "b": no Brasil temos exemplos de cons-
princfpio da força nc•mativa da constituição, e termina tituições outorgadas, sem qualquer participação dos
por orientar os apliwdores ca Lex Legum a interpretá- representantes do povo, como a Polaca, de 1937.
-la de sone a lhe conferir má <i ma efetividade, sem que,
com isso, seja preciso alterar seu conteúdo. Alternativa "c": as formas de interpretação são as
mesmas, o que deve ser levado em conta é que qual-
Alternativa "b": o princípio da unidade consti- quer ato normativo ou dispositivo legal deve ser inter-
tucio!lal preconiza ê necesEidade de se interpretar os pretado à luz da Constituição.
dispo;itivos constitudonais não como normas herme-
ticamente estanques, mas como preceitos harmoni-
came,te integrados em um sistema coeso de regras e
princi9ios.
* ANALISTA E TÉCNICO DE TRF E iRE

Alternativa "d": o princípio da presunção da


constitucionalidade de Ieis e de atos normativos (Analista Judiciário- Area Judiciária TRE/PE 2011 :..
func c·na como fato· de demarcação da atividade judi- FCC) No tocante à interpretação das normas constitu-
cial, e 11 prol da preservação do princípio da separação cionais, o Princípio da Força Normativa da Constituição
dos pderes, a imp;;dir o juiz ou tribunal que declare determina que:
a in•:·~ns:itucionalidade quando esta não for clara e a) a interpretação constitucional deve ser realizada de
paterte, antes existb>do tesE plausível para a conserva- maneira a evitar contradições entre suas normas.
ção da norma.
b) entre as interpretações possíveis, deve ser adotada
aquela que garanta maior eficácia, aplicabilidade e

* NOTÁRIO.E RECiiSTAAPOR . .
c)
permanência das normas constitucionais.
os órgãos encarregados da interpretação da norma
constitucional não poderão chegar a uma posição
(Cespe - N~tário-MT/2005) No que se refere à teoria que subverta o esquema organizatório funcional
geral :Jas constituições, assir.ale a opção correta. constitucionalmente já estabelecido.
a) : ~nstit•Jição fle:>:ivel é a~uela que somente admite d) na solução dos problemas jurídicos constitucionais,
3 sua reforma p·:r meio de emenda à constituição. deverá ser dada maior primazia aos critérios favore-
b) o cc·nstituição é sempe fruto de um processo cedores da integração politica e social.
:JemJCrático, nã~ haverdo constituição nos países e) a coordenação e combinação dos bens jurídicos em
~,de h.3 a usurpação dé poderes por meio de gol- conflito seja destinada a evitar o sacrifício total de
~ es mil'tares ou cevolucionários. uns em relação aos outros.
c) os normas constitucionais, em regra, não podem
s=r interpretad3s pelos mesmos mecanismos de
:rtenpretação d3s normas infraconstitucionais. Alternativa correta: letra "b": segundo o Princípio
d) o_ intenpretação conforme a constituição ocorre da força normativa, entre as interpretações possíveis,
~ Jar,dc· há, em relação a determinado dispositivo deve ser adotada aquela que garanta maior eficácia,
.egal, no mínimo dua' interpretações possíveis, aplicabilidade e permanência das normas constitucio-
sendo apenas L ma de;,as interpretações constitu- nais. Ademais, a partir dos valores sociais, o intérprete,
:::ional. em atividade criativa, deve extrair aplicabilidade e eficá-
cia de todas as normas da Constituição, conferindo-lhes
sentido prático e concretizador.

ll.ltemativa correta: letra "d": o princípio da inter- Alternativa "a": nos termo do princípio da uni-
pretlo;ão conforme consiste em conferir-se a um ato dade da Constituição, a interpretação constitucional
norm3tivo polissêmico (que edmite vários significados) deve ser realizada de maneira a evitar contradições
entre suas normas.
a int,-pretação que mais se adapte ao que preceitua a
Cons:ituição, sem q Je essa atividade se constitua em Alternativa "c": consoante o princípio da confor-
aterrbdc ao próprio texto constitucional. Aplicável ao midade/correção/exatidão funcional ou da justeza,
contmle de constitLcionalidade, a interpretação con- os órgãos encarregados da interpretação da norma
forme permite que se mantenha um texto legal, confe- constitucional não poderão chegar a uma posição que
Capítulo 1- Teoria da Constituição e das Normas Con~st~iti.IC:i~n_ais -~ __ ___ ___ _ _ _ ----~

subverta o esquema organizatório funcional constitu-


cionalmente já estabelecido
Alternativa correta: letra "c" (responde todas as
Alternativa "d": de acordo com o principio do
efeito integrador ou da eficácia integradora, na alternativas): é o Principio da Unidade da Constitui-
solução dos problemas jurídicos constitucionais, deverá ção que prega que a interpretação deve ser realizada de
ser dada maior primazia aos critérios favorecedores da maneira a evitar contradições entre suas normas.
integração política e social.
Alt.,rnativa "e": o princípio da concordância prá-
tica ou da harmonização preceitua que a coordenação e : *
I
AUDrrOR FISCAL. DO TRABAl-HO
combinação dos bens jurídicos em conflito seja destinada
a evitar o sacrifício total de uns em relação aos outros.
(ESAF- MTE- Auditor-Fiscal do Trabalho/2010) Pra-
ticamente toda a doutrina constitucionalista cita os
(Analista Judiciário- Area Judiciária TRE/AC 2010-
princípios e regras de interpretações enumeradas por
FCC) Sobre a interpretação das normas constitucionais,
analise: Canotilho. Entre os princípios e as regras de interpreta-
ção abaixo, assinale aquele(a) que não foi elencado por
O órgão encarregado de interpretar a Constituição
Canotilho.
não pode chegar a um resultado que subverta ou
perturbe o esquema organizatório-funcional esta- a) Unidade da constituição.
belecido pelo legislador constituinte.
b) Da máxima efetividade ou da eficiência.
li. O texto de uma Constituição deve ser interpretado
c) Da supremacia eficaz.
de forma a evitar contradições (antinomias) entre
suas normas, e sobretudo, entre os princípios cons- d) Do efeito integrador.

--
titucionais estabelecidos.
e) Da concordância prática ou da harmonização.
Os referidos princípios, conforme doutrina domi-
nante, são denominados, respectivamente, como
a) da força normativa e da justeza.
0 Nota do Autor:. segundo Canotilho (Direito
b) do efeito integrador e da harmonização. Constitucional e Teoria da Constituição. 7 ed. Coimbra:
c) da justeza e da unidade. Almedina, 2003, p. 1.223), os princípios de interpretação
constitucional são: 1. Princípio da Unidade da Consti-
d) da máxima efetividade e da unidade.
tuição; 2. Princípio do efeito integrador; 3. Princípio da
e) do efeito integrador e da forma normativa. máxima efetividade; 4. Princípio da justeza ou da con-
formidade funcional; 5. Princípio da concordância prá-
tica ou da harmonização; 6. Principio da força normativa
Alternativa correta: letra "c" (responde todas as da Constituição.
alternativas): de acordo com o Princípio da justeza,
Alternativa correta: letra "c" (responde todas
o órgão encarregado de interpretar a Constituição não
pode chegar a um resultado que subverta ou perturbe as alternativas): conforme esclarecimento na nota do
o esquema organizatório-funcional estabelecido pelo autor, o único princípio de interpretação constitucional
legislador constituinte. Já o Princípio da unidade que não foi elencado por Canotilho é o da supremacia
determina que o texto de uma Constituição deve ser eficaz.
interpretado de forma a evitar contradições (antino-
mias) entre suas normas, e sobretudo, entre os princí-
pios constitucionais estabelecidos. 1.9. MÉTODOS DE INTERPRETAÇÃO
(Analista Judiciário - Area Judiciária TRE/AM 2010
CONSTITUCIONAL
- FCC) Com relação aos princípios interpretativos das
normas constitucionais, aquele segundo o qual a inter-
pretação deve ser realizada de maneira a evitar contra- * PROCURADOR FEDERAL.
dições entre suas normas é denominado de
a) conformidade funcional. (Cespe- Procurador Federal/2010) Quanto à herme-
b) máxima efetividade. nêutica constitucional, julgue o item a seguir.

c) unidade da constituição.
O método hermenêutico-concretizador caracteriza-se
d) harmonização.
pela praticidade na busca da solução dos problemas, já
e) força normativa da constituição. que parte de um problema concreto para a norma.
~--~~--- - - - - - ----~-------· Revisaço- Direito Constitucional • Paulo Lépore

t+VW!h!!.f• a) Normas constitucionais de eficácia contida somente


incidem sobre interesses após uma normatividade
Errado. O método hermenêutico-concretizador é ulterior que lhes confira plena eficácia.
aquele em que o Intérprete se vale de suas pré-com-
b) O caráter criativo da interpretação constitucional
preensões valorativas para obter o sentido da norma e
consiste em concretizar o texto da Carta Magna,
então aplicá-la à resolução de determinado problema.
conferindo conteúdo concreto a normas gerais tais
Caminha-se da norma para o problema e não o con- como os princípios.
trário. O conteúdo da norma somente é alcançado a
partir de sua interpretação concretizadora, dotada do c) Normas constitucionais de eficácia limitada pos-
caráter criativo que emana do exegeta. Nesse sentido, suem grau de aplicabilidade plena, podendo ter
seus efeitos restringidos por norma ulterior.
o método de Hesse possibilita que a Constituição tenha
força ativa para compreender e alterar a realidade. Mas, d) Normas programáticas são aquelas que tratam de
nesse mister, o texto constitucional apresenta-se como programas socioeconómicos e possuem execução
um limite intransponível para o intérprete, pois se o exe- imediata, independente de manifestação judicial
geta passar por cima do texto, ele estará modificando ou legislativa.
ou rompendo a Constituição, não a interpretando. e) O método sistemático de interpretação constitu-
cional busca a finalidade da norma, pretendendo
(Cespe - Procurador Federal/2007) Quanto à herme- alcançar os valores por ela enunciados.
nêutica constitucional, julgue o item seguinte.

Não existe relação hierárquica fixa entre os diversos O Nota do Autor: a questão exige conhecimento
critérios de interpretação da CF, pois todos os métodos tanto dos métodos de interpretação da Constituição,
conhecidos conduzem sempre a um resultado possível, quanto das lições sobre aplicabilidade e eficácia das
nunca a um resultado que seja o unicamente correto. normas constitucionais. Sendo assim, o candidato deve
Essa pluralidade de métodos se converte em veículo da se aprofundar nos temas de hermenêutica constitucio-
liberdade do juiz, mas essa liberdade é objetivamente nal.
vinculada, pois não pode o intérprete partir de resulta- Alternativa correta: letra "b": o caráter criativo
dos preconcebidos e, na tentativa de legitimá-los, mol- da interpretação constitucional é parte do pensamento
dar a norma aos seus preconceitos, mediante a utiliza- de Konrad Hesse. Para o iminente publicista alemão,
ção de uma pseudo-argumentação. autor do método hermenêutico-concretizador, o
intérprete se vale de suas pré-compreensões valorati-
mmv~.t• vas para obter o sentido da norma em um determinado
problema. O conteúdo da norma somente é alcançado
Certo. Gilmar Ferreira Mendes, Inocêncio Mártires
a partir de sua interpretação concretizadora, dotada do
Coelho e Paulo Gustavo Gonet Branco explicam com
caráter criativo que emana do exegeta. Nesse sentido, o
maestria a questão envolvendo a eleição dos métodos método de Hesse possibilita que a Constituição tenha
de interpretação constitucional: "Não por acaso Gus- força ativa para compreender e alterar a realidade. Mas,
tavo Zagrebelsky afirma que não existe na literatura, nesse mister, o texto constitucional apresenta-se como
nem na jurisprudência, uma teoria de métodos interpre- um limite intransponível para o intérprete, pois se o exe-
tativos da Constituição que nos esclareça se é possível geta passar por cima do texto, ele estará modificando
e mesmo necessário adotar um método previamente ou rompendo a Constituição, não interpretando-a.
estabelecido ou uma ordem metodológica concreta,
Alternativa "a": normas constitucionais de eficácia
um dado de realidade que, se não configura lacuna
limitada (não contida) somente incidem sobre interes-
inexplicável, por certo reflete a consciência de que não
ses após uma normatividade ulterior que lhes confira
tem maior significado nos aproximarmos da interpre-
plena eficácia, nos termos das lições de José Afonso da
tação através dos seus métodos, ainda que a palavra Silva.
método, como todos sabem, signifique, precisamente,
o caminho a ser percorrido para se alcançar a verdade". Alternativa "c": normas constitucionais de eficácia
(Curso de direito constitucional. 2. ed. São Paulo: Saraiva, contida (não limitada) possuem grau de aplicabilidade
2008, p. 98).
direta, imediata, mas não integral, podendo ter seus
efeitos restringidos por norma ulterior.
Alternativa "d": normas programáticas (também
* PROCURADOR DO ESTADO denominadas por normas constitucionais de eficá-
cia limitada de princípio programático) são aquelas
que tratam de programas socioeconõmicos e têm apli-
(FEPESE- Procurador do Estado- SC/2009) Assinale cabilidade indireta, mediata e reduzida (não direta,
a alternativa correta, com respeito ao modelo constitu- não imediata e não integral), pois exigem norma
cional, federal e estadual brasileiro. infraconstltucional para que se materializem na
Capítulo 1- Teoria da Constituição e das Normas Constitucionais

prática (portanto, não possuem execução inediata, do povo, exigindo-se uma interpretação elástica do
independente de manifestação judicial ou legis ativa). texto constitucional
Alternativa "e": O método jurídico ou hermenêu- Alternativa "a": conforme entendimento do STF,
tica clássico de Ernest Forsthoff vale-se do elemento o dispositivo constitucional que afirma que o dever
sistemático de interpretação constitucional, que busca do Estado com a educação será efetivado mediante a
a análise do todo ou do conjunto das normas cons- garantia de educação infantil, em creche e pré-escola,
titucionais (e não a finalidade da norma, que é uma às crianças de até cinco anos de idade, é um "direito
característica de outro elemento: o teleológico) subjetivo público de crianças até cinco anos de
idade ao atendimento em creches e pré-escolas.( ... )
(Cespe- Procurador do Estado- PE /2009) N·J que se também consolidou o entendimento de que é possí-
refere à interpretação e à aplicação das normas consti- vel a intervenção do Poder Judiciário visando à efe-
tucionais, assinale a opção correta. tivação daquele direito constitucional." (RE 554.075-
AgR, Rei. Min. Cármen Lúcia, julgamento em 30-6-2009)
a) Conforme entendimento do STF, o dispositi 10 cons- Ademais, "a educação infantil, por qualificar-se como
titucional que afirma que o dever do Estado com direito fundamental de toda criança, não se expõe, em
a educação será efetivado mediante a ganntia de seu processo de concretização, a avaliações mera-
educação infantil, em creche e pré-escola, as crian- mente discricionárias da administração pública nem
ças de até cinco anos de idade, é um exemplo de se subordina a razões de puro pragmatismo gover-
norma de eficácia limitada, na medida em q•Je exige namental." (ARE 639.337-AgR, Rei. Min. Celso de Mello,
do Estado uma prestação discricionária e ~bjetiva julgamento em 23-8-2011)
no sentido de construção de creches ou aumento
das vagas nas creches públicas já existente~.. Alternativa "b": O preâmbulo constitucional,
segundo entendimento do STF, não se situa no âmbito
b) O preâmbulo constitucional, segundo entendi- do direito e, por nem norma ser, não é de reprodução
mento do STF, tem eficácia jurídica plena consis- obrigatória nas constituições estaduais (Vide ADI 2076,
tindo em norma de reprodução obrigatória nas julgada em 2002).
constituições estaduais.
Alternativa "c": se uma norma estadual contrariar
c) Se uma norma estadual contrariar uma norma pre- uma norma prevista nos atos das disposições constitu-
vista nos atos das disposições constitucionais tran- cionais transitórias, será admitido o controle concen-
sitórias, não será admitido o controle concentrado trado de constitucionalidade, pois o ADCT é parte da
de constitucionalidade. Constituição.
d) De acordo com o método de interpretação consti- Alternativa "e": em razão do princípio da confor-
tucional denominado científico-espiritual, a Cons- midade, correção, exatidão funcional ou da justeza
tituição é instrumento de integração, nãc apenas (e não da eficácia integradora) se norma fundamental
sob o ponto de vista jurídico-formal, mas também, instituir um sistema coerente e previamente ponde-
e principalmente, em perspectiva política e socioló- rado de repartição de competências, não poderão os
gica, como instrumento de solução de con"litos, de seus aplicadores chegar a resultado que subverta esse
construção e de preservação da unidade sc·cial. esquema organizatório-funcional.
e) Em razão do princípio da eficácia integradora, se
norma fundamental instituir um sistema coerente
e previamente ponderado de repartição de compe- * DEFENSOR PÚBLICO ESTADUAL
tências, não poderão os seus aplicadores o:hegar a
resultado que subverta esse esquema organizató-
rio-funcional. (Fundep -Defensor Público - MG/2014) Quanto aos
métodos de interpretação da constituição e das norrPas
te'IDMPH• constitucionais, assinale a alternativa CORRETA.
A) Diz-se método científico espiritual, valorativo ou
Alternativa correta: letra "d": de acord J com o
sociológico, aquele que parte de uma tese da iden-
método de interpretação constitucional denominado
tidade que existiria entre a constituição e as demais
científico-espiritual, a Constituição é instrurrento de
leis, ou seja, se a constituição é uma lei, não há por
integração, não apenas sob o ponto de vista jurídico-
que ter método específico para interpretá-la.
-formal, mas também, e principalmente, em perspectiva
política e sociológica, como instrumento de solução de B) Diz-se método tópico problemático aquele em
conflitos, de construção e de preservação da unidade que o intérprete se vale de suas pré-compreensões
social. Tal método foi desenvolvido por Rudolf Smend, valorativas para obter o sentido da norma em um
e tem como norte o Espírito Constitucional, ou seja, determinado problema pois o contPúdo da norma
valores consagrados nas normas constitucionais. Além somente é alcançado a partir de sua interpreta-
dos valores, levam-se em conta também outrcs fatores ção concretizadora, dotada de caráter criativo que
extraconstitucionais, como a realidade social E- cultural emana do exegeta.
~~----- Revisaço- Direito Consti.tucional • Paulo Lépore

C) Diz-se método da comparação constitucional a) Segundo o método tópico-problemático, as nor-


aquele que prega que a constituição deve, ser inter- mas constitucionais são fechadas e determinadas,
pretada por todos e em qualquer espaço. sem nenhum viés fragmentário.
D) Diz-se método normativo estruturante ou concre- b) Para cada caso concreto que envolva normas cons-
tista aquele em que o intérprete parte do direito titucionais, há um método de interpretação ade-
positivo para chegar à estruturação da norma, quado que se revela o correto.
muito mais complexa que o texto legal. Há influ- c) De acordo com o método hermenêutica clássico,
ência da jurisprudência, doutrina, história, cultura e devem-se adotar os critérios tradicionais relacio-
das decisões politicas. nados por Savigny como forma de se preservar .o
conteúdo da norma interpretada e evitar que ele se
tg~tM@aJiiD perca em considerações valorativas.
Alternativa correta: letra "d": diz-se Método Nor- d) Uma das características do método hermenêuti-
mativo-estruturante (Friedrich Müller) ou Concretista co-concretizador é ignorar a pré-compreensão do
(Paulo Bonavides) aquele em que o intérprete parte do intérprete.
direito positivo para chegar à estruturação da norma,
e) Consoante o método científico-espiritual, a inter-
muito mais complexa que o texto legal. Nesse caminho,
pretação da Constituição restringe-se ao campo
há influência da jurisprudência, da doutrina, da h1stória,
jurídico-formal, não sendo admitida qualquer pers-
da cultura e das decisões polfticas. Em outras palavras: o
pectiva politica ou sociológica de construção e pre-
exi'geta colhe elementos da realidade social para estru- servação da unidade social.
turar a norma que será aplicada.
Alternativa "a": o Método Científico-espiritual,
'lalorativo ou Sociológico (Rudolf Smend) tem como
Alternativa correta: "c": o Método Jurídico ou
norte o espírito constitucional, ou seja, valores consa-
Hermenêutica Clássico, de Ernest Forsthoff, parte de
grados nas normas constitucionais. Além dos valores,
uma Tese da Identidade que existiria entre a Constitui-
le•;am-se em conta também outros fatores extracons-
ção e as demais leis, ou seja, se a constituição é uma lei,
tit·JCionais, como a realidade social e cultural do povo,
não há porque ter método específico para interpretá-
exigindo-se uma interpretação elástica do texto consti- -la. Ele se vale basicamente dos seguintes elementos
~u.;ional, alçando a Constituição a instrumento de inte-
(selecionadas a partir das clássicas lições de Savigny):
-Jração e solução de conflitos em busca da construção e a) genético (origem do ato); b) gramatical ou filológico
da preservação da unidade social. (análise textual e literal); c) histórico (momento e con-
Alternativa "b": o Método Tópico-problemá- texto de criação do ato); d) lógico (não contradição); e)
tico (Theodor Viehweg) atua sobre as aporias (aporia: sistemático (análise do todo ou conjunto); f) teleológico
:Jificuldade de escolher entre duas opiniões contrá- (finalidade social do ato).
·ias e igualmente racionais sobre um dado problema). Alternativa "a": segundo o método tópico-proble-
Topos que no plural são os topoi representam formas mático, de Theodor Viehweg, as normas constitucionais
:Je pensamento, raciocínios, argumentações, pontos de não são fechadas e determinadas. Em verdade, esse
,;;.ta ou lugares comuns. Os topoi são retirados da juris- método atua sobre as aporias (aporia: dificuldade de
::>rudência, da doutrina, dos princípios gerais de direito escolher entre duas opiniões contrárias e igualmente
: até mesmo do senso comum. Trata-se de uma teoria racionais sobre um dado problema). Topos que no plu-
:le argumentação jurídica em torno do problema. A ral são os topei, representam formas de pensamento,
partir do problema expõem-se os argumentos favorá- raciocínio, argumentação, pontos de vista ou lugares
veis e contrários e consagra-se como vencedor aquele comuns. Os topoi são retirados da jurisprudência, da
:apaz de convencer o maior número de interlocutores. doutrina, dos princípios gerais de direito e até mesmo
Tem aplicabilidade nos casos de difícil solução, denomi- do senso comum. Trata-se de uma teoria de argumen-
nados por hard cases. Segur.do Uadi Lammêgo Bulas, tação jurídica em torno do problema. A partir do pro-
'propõe a descoberta mais razoável para a solução de blema expõem-se os argumentos favoráveis e con-
~n caso jurídico concreto, considerando a constituição trários e consagra-se como vencedor aquele capaz de
un sistema aberto de regras e princípios. Parte do caso convencer o maior número de interlocutores. Tem apli-
:oncreto para a norma" (Curso de Direito Constitucional. cabilidade nos casos de difícil solução, denominados
~ ed. São Paulo: Saraiva, 2015, p. 458). por hard cases.
Alternativa "c": o Método da Comparação Cons- Alternativa "b": em tese os métodos de interpre-
titucional (Peter Haberle) prega a interpretação a partir tação são adequados para todos os casos concretos.
:la comparação entre diversas Constituições. Todos os métodos são dotados de potencialidades para
realizar qualquer interpretação constitucional, ficando a
(C.espe - Defensor Público - SE/ 2012) Com relação critério do intérprete a escolha sobre qual deles utilizar.
acs métodos de interpretação das normas constitucio- Alternativa "d": uma das características do
nais, assinale a opção correta. método hermenêutico-concretizador é justamente se
Capítulo I -Teoria da Constituição e das Normas Corl_s_t_it_u_c_io_n_a_i_s~~~~~~~~~~~__j_[ml_1_0_9_j

valer das pré-compreensões do intérprete para obter


o sentido da norma em um determinado problema. O
I

I
* JUIZ FEDERAl...
conteúdo da norma somente é alcançado a partir de sua
interpretação concretizadora, dotada do caráter cria- (TRF 5 - Juiz Federal Substituto 5• região/2015) A
tivo que emana do exegeta. Nesse sentido, o método prática constitucional brasileira, por se tornar a cada dia
de Hesse possibilita que a Constituição tenha força ativa mais complexa, exige o incremento do estudo da teo-
para compreender e alterar a realidade. Mas, nesse mis- ria da Constituição com o objetivo de se compreender
ter, o texto constitucional apresenta-se como um limite e justificar a atuação cada vez mais proeminente do
intrans~ponível para o intérprete, pois se o exegeta pas- Poder Judiciário. Acerca desse assunto, assinale a opção
sar por cima do texto, ele estará modificando ou rom- correta.
pendo a Constituição, não a interpretando. A) De acordo com o positivismo de Hans Kelsen, a esco-
lha de uma interpretação dentro da moldura de
Alternativa "e": consoante o método científico-
possibilidades proporcionada pela norma jurídica
-espiritual, de Rudolf Smend, a interpretação da Cons-
realiza-se segundo a livre apreciação do tribunal,
tituição não se restringe ao campo constitucional.
e não por meio de qualquer espécie de conheci-
Levam-se em conta também fatores extraconstitucio- mento do direito preexistente.
nais, como a realidade social e cultural do povo, exigin-
do-se uma interpretação elástica do texto constitucio- B) Para Ronald Dworkin, princípios constitucionais são
nal, alçando a Constituição a instrumento de integração conceituados como mandamentos de otimização
que conduzem à única resposta correta.
e solução de conflitos em busca da construção e da pre-
servação da unidade social. C) A corrente doutrinária denominada não interpreta-
cionismo defende que os juízes, ao decidirem ques-
tões constitucionais, devem limitar-se a fazer cum-
(Cespe - Defensor Público - BA/ 2011) No que se
prir as normas explícitas ou claramente implícitas
refere à hermenêutica e interpretação constitucional,
na Constituição escrita.
julgue o item subsequente.
D) A teoria da Constituição dirigente, por conc~ber um
projeto bastante ambicioso e totalizante da Cons-
De acordo com o método tópico-problemático, a aná-
tituição, implica a adoção de uma concepção pro-
lise da norma constitucional não deve estar embasada
cedimentalista do' papel institucional das cortes
na literalidade da norma, mas na realidade social e nos constitucionais.
valores subjacentes do texto constitucional, razão pela
qual a Constituição deve ser interpretada, por esse E) Segundo a teoria substancialista, o Poder Judiciário
método, como algo em constante renovação, em com· deve decidir os casos constitucionais de maneira
estreita e rasa, utilizando-se apenas dos argumen-
passo com as modificações dà vida em sociedade.
tos estritamente necessários para a solução do
litígio, deixando de parte questões morais contro-
versas.
Errado. De acordo com o método normativo-es-
truturante (não o tópico-problemático), a análise da
norma constitucional não deve estar embasada na lite- O Nota do Autor: a questão é de cunho puramente
ralidade da norma, mas na realidade social e nos valores teórico, exigindo do candidato conhecimentos aprofun-
subjacentes do texto constitucional, razão pela qual a dados da teoria do Direito Constitucional.
Constituição deve ser interpretada, por esse método,
Alternativa correta: letra "a": de acordo com o
como algo em constante renovação, em compasso
positivismo de Hans Kelsen, a escolha de uma inter-
com as modificações da vida em sociedade. O métoc!o
pretação dentro da moldura de possibilidades propor-
tópico-problemático atua sobre as aporias (aporia:
cionada pela norma jurídica realiza-se segundo a livre
dificuldade de escolher entre duas opiniões contrá- apreciação do tribunal, e não por meio de qualquer
rias e igualmente racionais sobre um dado problema). espécie de conhecimento do direito preexistente. Por
Topos que no plural são os topoi, representam formas conta da abstração e indeterminação da norma jurí-
de pensamento, raciocínio, argumentação, pontos de dica, ela deve ser como uma moldura, de modo que a
vista ou lugares comuns. Os topoi são retirados da juris- sua interpretação deve ocorrer sob a ótica desse molde.
prudência, da doutrina, dos princípios gerais de direito Além disso, dado o seu ideal positivista, Kelsen defende
e até mesmo do senso comum. Trata-se de uma teoria que não há vinculação de qualquer espécie de conheci-
de argumentação jurídica em torno do problema. A par- mento do direito preexistente.
tir do problema expõem-se os argumentos favoráveis e Alternativa "b": para Robert Alexy (e não Ronald
contrários e consag:a-se como vencedor aquele capaz Dworkin), princípios constitucionais são conceituados
de convencer o maior número de interlocutores. Tem como mandamentos de otimização que conduzem a
aplicabilidade nos casos de difícil solução, denomina- uma interpretação efetivadora da de normas atinentes
dos por hard cases. a determinadas situações jurídicas.
[~ Revisaço- Direito Constitucional • Paulo Lépore

Alternativa "c": a corrente doutrinária denomi- e) conforme o método jurídico ou hermenêutica clás-
nada interpretacionista (e não a corrente não-inter- sico, a Constituição deve ser considerada como uma
pretacionismo) defende que os juízes, ao decidirem lei e, em decorrência, todos os métodos tradicionais
questões constitucionais, devem limitar-se a fazer cum- de hermenêutica devem ser utilizados na atividade
prir as normas explícitas ou claramente implícitas na interpretativa, mediante a utilização de vários ele-
Constituição escrita. mentos de exegese, tais como o filológico, o histó-
rico, o lógico e o teleológico.
Alternativa "d": acerca da teoria da Constituição
dirigente, idealizada pelo jurista português Canotilho,
Uadi Lammêgo Bulas nos ensina que "Significa que o
texto constitucional seria uma lei material, para preor- Alternativa correta: letra "e": complementando
denar programas a serem realizados, objetivos e prin- o conteúdo da alternativa, esclarecemos que o método
cípios de transformação econõmica e social. A ideia de jurídico ou hermenêutica clássico de Ernest Forsthoff
constituição dirigente, muito própria dos juristas de ins- parte de uma tese da identidade que existiria entre a
piração ideológica socialista, portanto, diverge daquela Constituição e as demais leis, ou seja, se a constituição
visão tradicional de constituição, que a concebe como é uma lei, não há porque criar-se um método específico
lei processual ou instrumento de governo, definidora para interpretá-la. Ele se vale basicamente dos seguin-
de competências e reguladora de processos" (Curso de tes elementos: a) genético (origem do ato); b) grama-
Direito Constitucional. 9 ed. São Paulo: Saraiva, 20'15, p. tical ou filológico (análise textual e literal); c) histórico
109-110). (momento e contexto de criação do ato); d) lógico (não
contradição); e) sistemático (análise do todo ou con-
Alternativa "e": segundo a teoria substancia-
junto); f) teleológico (finalidade social do ato).
lista, cabe à Constituição impor ao cenário político um
conjunto de decisões valorativas que se consideram Alternativa "a": conforme o método de interpreta-
essenciais e consensuais. Contrapõe a percepção pro- ção denominado científico-espiritual de Rudolf Smend,
cedimentalista, em que cabe à Constituição apenas a análise da norma constitucional não deve se fixar na
garantir o funcionamento adequado do sistema de par- literalidade da norma. Devem ser levados em conta fato-
ticipação democrático, ficando a cargo da maioria, em res extraconstitucionais, como a realidade social e cul-
cada momento histórico, a definição de seus valores e tural do povo, exigindo-se uma interpretação elástica
de suas políticas. do texto constitucional, alçando a Constituição a instru-
mento de integração e solução de conflitos em busca da
construção e da preservação da unidade social.
* JUIZ DE DIREITO
I
Alternativa "b": o art. 37, I, da CF, que prevê o
acesso a cargos, empregos e funções públicas a brasi-
leiros e estrangeiros na forma da lei, não se traduz em
(Cespe- Juiz de Direito- DFT/2014) No que se refere
norma de eficácia plena, mas sim de eficácia limi-
à aplicabilidade e à interpretação das normas constitu-
tada, pois exige norma infraconstitucional para que se
cionais, assinale a opção correta.
materialize. Assim decidiu o STF no RE 602.912-AgR/RS,
a) conforme o método de interpretação denominado Rei. Carmen Lucia, Primeira Turma, DJ 2.12.2010).
cientifico - espiritual, a análise da norma constitu-
Alternativa "c": o dispositivo constitucional que
cional deve-se fixar na literalidade da norma, de
assegura a gratuidade nos transportes coletivos urba-
modo a extrair seu sentido sem que se leve em con-
nos aos maiores de sessenta e cinco (art. 230, § 2', da
sideração a realidade social.
CF) configura norma de eficácia plena e aplicabili-
b) as denominadas normas constitucionais de eficácia dade imediata, pois não demanda uma lei integrativa
plena não necessitam de providência ulterior para infraconstitucional para produzir efeitos. Nos termos
sua aplicação, a exemplo do disposto no art. 37, I, da jurisprudência do STF: ""Ação direta de inconstitu-
da CF, que prevê o acesso a cargos, empregos e fun- cionalidade. Art. 39 da Lei 10.741, de 1° de outubro de
ções públicas a brasileiros e estrangeiros. 2003 (Estatuto do Idoso), que assegura gratuidade dos
transportes públicos urbanos e semiurbanos aos que
c) o dispositivo constitucional que assegura a gratui-
têm mais de 65 (sessenta e cinco) anos. Direito constitu-
dade nos transportes coletivos urbanos aos maio-
cional. Norma constitucional de eficácia plena e apli-
res de sessenta e cinco anos não configura norma
cabilidade imediata. Norma legal que repete a norma
de eficácia plena e aplicabilidade imediata, pois
constitucional garantidora do direito. Improcedência
demanda uma lei integrativa infraconstitucional
da ação. O art. 39 da Lei 10.741/2003 (Estatuto do Idoso)
para produzir efeitos.
apenas repete o que dispõe o § 2° do art. 230 da Cons-
d) a norma constitucional de eficácia contida é aquela tituição do Brasil. A norma constitucional é de eficácia
que, embora tenha aplicabilidade direta e imediata, plena e aplicabilidade imediata, pelo que não há eiva
pode ter sua abrangência reduzida pela norma de invalidade jurídica na norma legal que repete os seus
infraconstitucional, como ocorre com o artigo da termos e determina que se concretize o quanto cons-
CF que confere aos estados a competência para a titucionalmente disposto. Ação direta de inconstitucio-
instituição de regiões metropolitanas. nalidade julgada improcedente." (ADI 3.768, Rei. Min.
Capítulo 1- T~_or_ia da~~nstitu_iç_ã_o_e_d_a_s_Nor~_as_C_o_n_stit_~:~_C~~~~i~--- _________ ____j~

Cármen Lúcia, julgamento em 19-9-2007, Plenário, DJ Alternativa "b": ~s elementos orgânicos é que se
de 26-10-2007.) No mesmo sentido: AI707.810-P.gR, Rei. consubstanciam nas normas que regulam a estrutura
Min. Rosa Weber, julgamento em 22-5-2012, Primeira do Estado e do poder, a seguranç2 pública e as Forças
Turma, DJE de 6-6-2012". Armadas. Os elemer.tos de estabilização constitu-
Alternativa "d": a norma constitucional que con- cional asseguram a solução de co1flitos ir sttucionais
fere aos estados a compet~ncia para a instituição de entre Poderes e também pntegecn a integridade do
regiões metropolitanas é de eficácia limitada, pois Estado e da própria C~nstituição, a exe1nplo da ADI, da
segundo decidiu o STF, depende de lei complementar Intervenção e da Defesa do Estado e das ln;tituições
estadual (A DI 1.841, Rei. Min. Carlos Velloso, julgamento Democráticas.
em 1°-8-2002, Plenário, DJ de 20-9-2002.) Alternativa "c": o preânbulo d3 •:F e a; disposi-
ções constitucionais :ransitó·ias constituem exemplos
(JUIZ de Direito Substituto-SAl 2012) Com relação de elementos formais de a pli cabili da de. Os elementos
aos elementos da Constituição, à aplicabilidade e limitativos é que se referem lOs di·eitos fundlmentais,
interpretação das normas constitucionais, assinale a que limitam a atuação do Estado, pro:egenc! o o povo.
opção correta.
Alternativa "d": não só os dispositivos que versam
a) O método hermenêutica clássico de inter~·retação sobre os direitos e deveres individuais e coletivos, por
constitucional concebe a interpretação como uma possulrem todos os elementos ne:e;s.lrio'. à sua exe-
atividade puramente técnica de conhecimento do cutoriedade direta e integral podem s2r con;iderados
texto constitucional e preconiza que o intérprete normas constitucionais de eficácia plena 2 aplicabili-
da Constituição deve se restringir a buscar o sentido dade imediata, pois ~á outrcs normas na Constituição
da norma e por ele se guiar na sua aplicação, sem que assim também podem ser classificadas, a exemplo
formular juízos de valor ou desempenhar atividade do art. 18, § 1°: "Brasília é a Capital Fece·al".
criativa.
Alternativa "eH: denomina-s2 cientifico-espiri-
b) Os elementos de estabilização constitucio 1al con- tual (e não hermenêutico-o:oncretiza:Jor) o método
substanciam-se nas normas que regulam a estru- desenvolvido por RU<lolf Smend, parê quem o intér-
tura do Estado·e do poder, a segurança pública e as prete constitucional não pode se~arar o programa
Forças Armadas. normativo inserido nas constituiçõe; d; realidade
c) O preâmbulo da CF e as disposições constitucionais social. Esse método :em como nort2 o eopi·ito cons-
transitórias constituem exemplos de elementos titucional, ou seja, \'alares consagr3cos 1a; normas
limitativos, que restringem a atuação do legislador constitucionais. Alé1r dos vê lares, levam-se 2m conta
constituinte derivado e dos titulares do poder esta- também outros fatores extraconotitucionais. como a
tal. realidade social e cultural elo po\'o, exigind~·se uma
d) Apenas os dispositivos que versam sobre os direi- interpretação elásticc do texto constitucio1a, alçando
tos e deveres individuais e coletivos, por possuírem a Constituição a instrumento :i e integra;ão e o::>lução de
todos os elementos necessários à sua executorie- conflitos em busca da construção e da prese·vação da
dade direta e integral, podem ser cons dera dos unidade social.
normas constitucionais de eficácia plena e 3plicabi-
lidade imediata. (Cespe- Juiz Substituto- P.LI200é) O mJco de pen-
sar que foi retomado por Theodor V ehweg, em sua
e) Denomina-se hermenêutico-concretizador o
obra Topik und Jurisprudenz, tem por pincpll caracte-
método desenvolvido por Rudolf Smend, para
rística o caráter práti-:o da interpretaçã·J coos:itucional,
quem o intérprete constitucional não pode separar
o programa normativo inserido nas constituições que busca resolver c problema comtitucioml a partir
do próprio problema. após a ident ficao;ão ou o estabe-
da realidade social.
I lecimento de certos pontos de pê>rt.d.l. É un método
f: aberto, fragmentário cu indeterm:n2do, q Je dá prefe-
rência à discussão do problema em virtude da abertura
Alternativa correta: "a": o método jurídic::> ou her- textual das normas constitucionais.
menêutica clássico, de Ernest forsthoff, parte de uma
tese da identidade que existiria entre a Constituição e as O método de interpretação co1s:itJciooal indicado
demais leis, ou seja, se a constituição é uma lei, não há no texto acima é den~minado
porque ter método específico para interpretá-la. Ele se a) tópico-problemático.
vale basicamente dos seguintes elementos: a) genético
(origem do ato); b) gramatical ou filológico (análise tex- b) hermenêutico-concretiZ3dor.
tual e literal); c) histórico (momento e contexto de cria- c) científico-espiritual.
ção do ato); d) lógico (não contradição); e) sis-temático
d) normativo-estruturante.
(análise do todo ou conjunto); f) teleológico (finalidade
social do ato). e) sistêmico.
Revisaço- Direito Constitucional • Paulo Lépore

R.JM@tWi• seguidos nesta tarefa. Todos eles tomam a Constituição


como Jm conjunto de normas jurídicas, como uma lei,
O Nota do autor: para re~ponder a essa quéstão o que SE; destina a decidir casos concretos. Ocorre que
Glndidato dE;~e conhecer profuro:lamente os métodos nem todo o problema concreto acha um desate direto
de interpretaçiso constituci::>nal e quem foram os seus e imediato num claro dispositivo da Constituição, exi-
idealizadores. gindo que se descubra ou se crie uma solução, segundo
Alternativa correta: letra "a": além da descrição um m-étodo que norteie a tarefa. (...). (MENDES, Gil-
que consta d·::> enunciado, pod2-s2 dizer que o Método mar FHreira; BRANCO, Paulo Gustavo Gonet. Curso de
Tópico-problemático, desenvclvido por Theodor Direito Constitucional, ·9 ed., IDP, 2014, p.91)
Viehweg, atua sobre as aJorias (aporia: dificuldade de LeJando-se em consideração a doutrina dos auto-
esco her entre duas opiniões contrárias e igualmente res acima, bem como a caracterização dos Métodos de
racionais SJbre um dado ::>roblema). Topos que no plu- Interpretação da Constituição, é possível AFIRMAR que
ral são os top·:•i, representam formas de pensamento, o métc·do jurídico-estruturante:
raciocínio, argumentação, ponto; de vista ou lugares
comuns. Os :opoi são retirados da jurisprudência, da a) To'Tla a Constituição como um conjunto aberto
doutrina, do: :•rincípios gerais de direito e até mesmo de regras e princípios, dos quais o aplicador deve
do senso com-m. Trata-se de Jma teoria de argumen- escolher aquele que seja mais adequado para a pro-
tação jurídica em torno co problema. A partir do pro- moção de uma solução justa ao caso concreto que
blema expõem-se os ar;~ument::>s favoráveis e con- an3lisa. O foco, para este método, é o problema,
trários e con,a;~ra-se como vencedor aquele capaz de servindo as normas constitucionais de catálogo de
convencer o maior número de interlocutores. Tem apli- multiplos e variados princípios, em que se busca
C3bilidade nos casos de difícil solução, denominados argumento para o desate adequado de uma ques-
por hard cases. tão prática. ·
Alternativa "b": o Méto ~o Hermenêutico-con- b) En~erga a Constituição como um sistema cultural
cretizador, intufdo por Kor.rac Hesse, é aquele em que e de valores de um povo, cabendo à interpretação
o intérprete se ~ale de sues Jré-compreensões valorati- aproximar-se desses valores subjacentes à Carta
vas para obter o sentido da norma em um determinado Mõior. Tais valores, contudo, estão sujeitos a flutu-
problema. Sendo assim, ele pcssiJilita que a Constitui- ações, tornando a interpretação da Constituição
ç3o tenha forç;o ativa para compreender e alterar a rea- fundamentalmente elástica e flexível, submetendo
lidade. Não se coaduna, portanto com o enunciado da a f.::>rça de decisões fundamentais às vicissitudes da
questão. re;;lidade cambiante.
Alternativa "c": o Método Científico-espiri- c) En'atiza que a norma não se confunde com o seu
tual, Valorativo ou Sociológico, proposto por Rudolf te>:to (programa normativo), mas tem a sua estru-
Smend, tem c·:•mo norte o Es::>irrro Constitucional, ou tura composta, também, pelo trecho da realidade
seja, valores onsagrados nas normas constitucionais. social em que incide (o domínio normativo), sendo
Alérr dos valores, levam-5E em conta também outros
es'e elemento indispensável para a extração do sig-
fatores extra:cnstituciomis, como a realidade social
nificado da norma.
e cultural do povo, exi9indo-se uma interpretação
e'ást ca do tf>:o constituciJnal. Também não está de d) Preconiza que a Constituição seja compreen-
a-:ordo com c enunciado. dida com os mesmos recursos interpretativos das
de TI ais leis, segundo as fórmulas desenvolvidas
Alternativa "d": o Método Normativo-estrutu-
po- Savigny: a interpretação sistemática, histórica,
r;onte, de Friedrich Müller, é aquel2 em que o intérprete
lóç ica e gramatical. A interpretação constitucional
p3rtE; do direi!:• positivo para che;~ar à estruturação da
não fugiria a esses padrões hermenêuticos, não
n ::>rrr a, muitc 'TI ais compte•a que o texto legal. Nesse
caminho, rá irrluência de jJri,prudência, da doutrina, ob;tante a importância singular que lhe é reconhe-
d3 história, da c Jltura e das c ecisões políticas. Em outras cida para a ordem jurídica.
p3la~ras: o ex=~eta colhe elementns da realidade social e) Parte do pressuposto de que a interpretação cons-
para estrutur3.- a norma qLe serii aplicada. Afasta-se, titucional é concretização, entendida como uma
pois, do enun: ado da questiio. norma preexistente na qual o caso concreto é indi-
Alternativa "e": não ~2 registro doutrinário sobre vicáJalizado. Aqui, o primado não é do problema,
um método sistêmico de interpretação constitucional. mas do texto constitucional. A tarefa hermenêutica
é sJscitada por um problema, mas, para equacio-
ná-lo, o aplicador está vinculado ao texto constitu-
* PROMOTVR DE JUSTIÇA ·
cio~al. Para obter o sentido da norma, o intérprete
arranca da sua pré-compreensão o significado do
enunciado, atuando sob a influência das suas cir-
(CEFET- Promotor de Justiça- BA/201 S) A relevância cunstâncias históricas concretas, mas sem perder
dos problem;;s envolvido: na interpretação da Consti- de vista o problema prático que demanda a sua
tLição tem motivado a proposta :Je métodos a serem atenção.
Capítulo 1- Teoria da Constituição e das Normas Constitucionais

Alternativa "d": os métodos clássicos de inte-


pretação constitucional foram desenvolvidos por Sa-
Alternativa correta: letra "c": o Método Normati- vigny. Acerca deles, nos explica a doutrina que, "Embo-
vo-estruturante (Friedrich Müller), concretista (Pau- ra criados para interpretar as normas de Direito Civil, os
lo Bonavides) ou jurídico estruturante é aquele em métodos clássicos ou tradicionais de exegese, defini-
que o intérprete parte do direito positivo para chegar à dos por Savigny (gramatical, lógico, histórico e sistemá-
estruturação da norma, muito mais complexa que o tex- tico), e aperfeiçoados com o tempo (teleológico, popu-
to legal. Nesse caminho, há influência da jurisprudência, lar, doutrinário e evolutivo), afiguram:se úteis ainda ho-
da doutrina, da história, de cultura e das decisões polí- je. Friederich Carl von Savigny, corifeu da Escola Históri-
ticas. Em outras palavras: o exegeta colhe elementos ca do Direito, surgida na Alemanha, no Século XIX, pro-
da realidade social para estruturar a norma que se- pôs investigar o fer,ômeno jurídico em sua perspectiva
rá aplicada. Assim é que, nos termos da alternativa, histórica (System des heutigen romisches Rechts, p. 5 e s.).
enfatiza que a norma não se confunde com o seu tex- Para ele, o Direito seria um fenômeno social, originan-
to (programa normativo), mas tem a sua estrutura com- do-se do espírito do povo, da convicção intima e comum
posta, também, pelo trecho da realidade social em que. dos homens. Seu grande mérito reside no fato de ter re-
incide (o domínio normativo), sendo esse elemento in- lacionado, pela primeira vez, o dever-ser com o ser his-
dispensável para a extração do significado da norma. tórico, interligando a norma jurídica à realidade social"
Alternativa "a": o Método Tópico-problemático (BULOS, Uadi Lammêgo. Curso de Direito Constitucional.
(Theodor Viehweg) atua sobre as aporias (a poria: dificul- 9 ed. São Paulo: Saraiva, 2015, p. 455). Portanto, os méto-
dade de escolher entre duas opiniões contrárias e igual- dos clássicos preconizam que a Constituição seja com-
mente racionais sobre um dado problema). Topos que no preendida com os mesmos recursos interpretativos das
plural são os topoi representam formas de pensamen- demais leis, segundo as fórmulas desenvolvidas por Sa-
to, raciocínios, argumentações, pontos de vista ou luga- vigny: a interpretação sistemática, histórica, lógica e gra-
res comuns. Os topoi são retirados da jurisprudência, da matical. A interpretação constitucional não fugiria a es-
doutrina, dos princípios gerais de direito e até mesmo ses padrões hermenêuticas, não obstante a importân-
do senso comum. Trata-se de uma teoria de argumenta- cia singular que lhe é reconhecida para a ordem jurídica.
ção jurídica em torno do problema. A partir do proble-
Alternativa "e": trata-se do Método Hermenêuti-
ma expõem-se os argumentos favoráveis e contrários e
co-concretizador (Konrad Hesse) que é aquele em que
consagra-se como vencedor aquele capaz de convencer
o intérprete se vale de suas pré-compreensões valorati-
o maior número de interlocutores. Tem aplicabilidade
vas para obter o sentido da norma e então aplicá-la à re-
nos casos de difícil solução, denominados por hard ca-
ses. Segundo Uadi Lammêgo Bulas, "propõe a descober- solução de determinado problema. O conteúdo da nor-
ta mais razoável para a solução de um caso jurídico con- ma somente é alcançado a partir de sua interpretação
creto, considerando a constituição um sistema aberto de concretizadora, dotada do caráter criativo que emana do
regras e princípios. Parte do caso concreto para a norma" exegeta. Nesse sentido, o método de Hesse possibilita
(Curso de Direito Constitucional. 9 ed. São Paulo: Saraiva, que a Constituição tenha força ativa para compreender
2015, p. 458). Aludido método toma a Cónstituição como e alterar a realidade. Mas, nesse mister, o texto constitu-
um conjunto aberto de regras e princípios, dos quais o cional apresenta-se como um limite intransponível pa-
aplicador deve escolher aquele que seja mais adequado ra o intérprete, pois se o exegeta passar por cima do tex-
para a promoção de uma solução justa ao caso concre- to, ele estará modificando ou rompendo a Constituição,
to que analisa. O foco, para este método, é o problema, não a interpretando. Nesse sentido, o método em testi-
servindo as normas constitucionais de catálogo de múl- lha parte do pressuposto de que a interpretação cons-
tiplos e variados princípios, em que se busca argumento titucional é concretização, entendida como uma norma
para o desate adequado de uma questão prática. preexistente na qual o caso concreto é individualizado.
Aqui, o primado não é do problema, mas do texto consti-
Alternativa "b": Método Cientifico-espiritual, tucional. A tarefa hermenêutica é suscitada por um pro-
Valorativo ou Sociológico (Rudolf Smend): tem co- blema, mas, para equacioná-lo, o aplicador está vincula-
mo norte o espírito constitucional, ou seja, valores con-
do ao texto constitucional. Para obter o sentido da nor-
sagrados nas normas constitucionais. Além dos valores,
ma, o intérprete arranca da sua pré-compreensão o sig-
levam-se em conta também outros fatores extracons-
nificado do enunciado, atuando sob a influência das su-
titucionais, como a realidade social e cultural do povo,
as circunstâncias históricas concretas, mas sem perder
exigindo-se uma interpretação elástica do texto consti-
de vista o problema prático que demanda a sua atenção.
tucional, alçando a Constituição a instrumento de inte-
gração e soluçao de conflitos em busca da construção e
da preservação da unidade social. Enxerga a Constitui- (Cespe - Promotor de Justiça - RN/2009) Desde o
ção como um sistema cultural e de valores de um po- momento da elaboração do texto até o instante de sua
vo, cabendo à interpretação aproximar-se desses valo- aplicação, a norma é determinada histórica e socialmente.
res subjacentes à Carta Maior. Tais valores, contudo, es- Logo, quando o jurista cogita dos elementos e situações do
tão sujeitos a flutuações, tornando a interpretJção da m11ndo da vida sobre os quais recai determinada norma,
Constituição fundamentalmente elástica e flexível, sub- nóo se refere a um tema meta jurldico. A norma é com-
metendo a força de decisões fundamentais às vicissitu- posta pela história, pela cultura e pelas demais caracterís-
des da realidade cambiante. ticas da sociedade no âmbito da qual se aplica.
[_1141 ____________ ·~- _____________ -~-~~~~~~ =~i."!_it_o_<:.~nstitucional• Paulo Lépore
O texto normativo - diz Mulfer - é uma fração da Alternativa "b": o método tópico-problemático,
norma, aquela parte absorvida pela linguagem jurídica, de Theodor Viehweg, atua sobre as aporias (aporia:
porém não é a norma, pois a norma jurldica não se reduz dificuldade de escolher entre duas opiniões contrá-
à linguagem jurídica. A norma congrega todos os elemen- rias e igualmente racionais sobre um dado problema).
tos que compõem o âmbito normativo (elementos e situa- Topos que no plural são os topoi, representam formas
ções do mundo da vida sobre os quais recai determinada de pensamento, raciodnio, argumentação, pontos de
norma). vista ou lugares comuns. Os topoi são retirados da juris-
prudência, da doutrina, dos princípios gerais de direito
Além disso, os textos normativos são formulados
e até mesmo do senso comum. Trata-se de uma teoria
tendo em vista determinado estado da realidade social
de argumentação jurídica em torno do problema. A par-
(que eles pretendem reforçar ou modificar); este estado
tir do problema expõem-se os argumentos favoráveis e
da realidade social geralmente não aparece no texto da
contrários e consagra-se como vencedor aquele capaz
norma.
de convencer o maior número de interlocutores. Tem
O texto é abstrato e geral (isto é, sem referência a moti- aplicabilidade nos casos de difícil solução, denomina-
vos e contexto real). Mas o aspecto da realidade referida dos por hard cases.
pela norma constitui conjuntamente seu sentido (esse
Alternativa "d": o método hermenêutico-con-
sentido não pode, a partir daí, ser perseguido apartado da
cretizador é da lavra de Konrad Hesse e prega que o
realidade a ser regulamentada). A realidade é tanto parte
intérprete deve se valer de suas pré-compreensões para
da norma quanto o texto; na norma, estão presentes inú-
obter o sentido da norma em um determinado pro-
meros elementos do mundo da vida.
blema.
Eros Roberto Grau. Ensaio e discurso sobre a interpre-
Alternativa "e": o método científico- ESpiritual,
tação/aplicação do direito. 3.a ed. São Paulo: Malheiros,
preconizado por Rudolf Smend, tem como norte o Espí-
2005, p. 74-5 (com adaptações).
rito Constituciqnal, ou seja, os valores consagrados nas
O método de interpretação constitucional tratado normas constitucionais. Além dos valores, levam-se
pelo autor no trecho de texto acima é o método em conta também outros fatores extraconstitucionais,
a) jurídico ou hermenêutico-clássico. como a realidade social e cultural do povo.

b) tópico-problemático.
(MPE/BA - Promotor de Justiça - BA/2008) A nova
c) normativo- EStruturante. hermenêutica constitucional, superando os métodos
d) hermenêutico-concretizador. clássicos, fez surgir novas correntes interpretativas da
norma jurídica, entre elas destacando-se o método que,
e) científico- ESpiritual. superando o positivismo clássico, postula a não identi-
dade do texto da norma com a norma, sendo o texto
da prescrição jurídica tão somente a ponta do Iceberg,
O Nota do autor: a questão pede aprofundado onde, na parte mais baixa, profunda e invisível, é que
conhecimento doutrinário sobre os métodos de inter- se deve procurar a essência da normatividade, feita dos
pretação constitucional. Quando do estudo, o candi- fatos e relações de natureza estatal e social (Paulo Bona-
dato deve memorizar quem são os autores responsáveis vides).Trata-se do método:
por cada método, pois, com essa informação, muitas a) Tópico-problemático.
vezes, já é possível chegar à resposta correta. Na ques-
b) Hermenêutico-concretizador.
tão em análise. em meio a um longo trecho doutrinário,
o examinador arrola o nome do autor responsável pelo c) Científico- espiritual.
método, o que permite acertar a resposta com mais faci-
d) Normativo- EStruturante.
lidade.
e) Interpretação comparativa.
Alternativa correta: letra "c": o método norma-
tivo - estruturante, desenvolvido por Friedrich Mül-
ler, em resumo, é aquele em que o intérprete parte do
direito positivo para chegar à estruturação da norma,
•mtm»
O Nota do autor: a questão exige aprofundado
muito mais complexa que o texto legal. Nesse caminho, conhecimento sobre os métodos de interpretação
há influência da jurisprudência, da doutrina, da história, constitucional, tema que merece atenção especial do
da cultura e das decisões políticas. Em outras palavras: o candidato.
exegeta colhe elementos da realidade social para estru-
Alternativa correta: letra "d": a descrição do
turar a norma que será aplicada.
enunciado da questão corresponde ao método norma-
Alternativa "a": o método jurídico ou hermenêu- tivo- EStruturante, de Friedrich Müller. Em outras pala-
tica clássico, nas lições de Ernest Forsthoff, é aquele vras, pode-se dizer que esse método de interpretação
que parte de uma Tese da Identidade que existiria entre constitucional é aquele em que o intérprete parte do
a Constituição e as demais leis, ou seja, se a constitui- direito positivo para chegar à estruturação da norma,
ção é uma lei, não há porque ter método especifico para muito mais complexa que o texto legal. Nesse caminho,
interpretá-la. há influência da jurisprudência, da doutrina, da história,
Capítulo 1- Teoria da Constituição e das Normas Constitucionais

da cultura e das decisões políticas. Em outras p;;lavras: o 3. CONSTITUCIONALISMO ANTIGO (APRO-


exegeta colhe elementos da realidade social para estru-
XIMADAMENTE DE 1.000 A.C. AO SÉC. V
turar a norma que será aplicada.
D.C.)
Alternativa "a": o método tópico-prob!emático
Os Parlamentos e Monarcas formulavam as normas
não corresponde ao enunciado da questão, pai~- ele atua
de convívio social, e _iá existia uma exortação a:>s direi-
sobre as aporias (a poria: dificuldade de escolher entre
tos fundamentais dos indivíduos. Entretanto, o consti-
duas opiniões contrárias e igualmente racionais sobre
tucionalismo tinha pouco efetividade, pois os Monarcas
um dado problema). Topos que no plural são :>s topoi,
não cumpriam as gacantias dispostas nos direitos fun-
representam formas de pensamento, raciocínlo, argu- damentais.
mentação, pontos de vista ou lugares comuns. Os topoi
são retirados da jurisprudência, da doutrina, dos prin-
4. CONSTITUCIONALISMO MEDIEVAL (SÉC.
cípios gerais de direito e até mesmo do senso comum.
Trata-se de uma teoria de argumentação jur dica em
V A XVIII)
torno do problema. A partir do problema expõ~m-se os Surgimento de documentos que limita·tam ::>s
argumentos favoráveis e contrários e consagra-se como poderes dos Monarcas e garantiam liberdades públicas
vencedor aquele capaz de convencer o maior número aos cidadãos, a exemplo da Magna Charta de 1215_. no
de interlocutores. Tem aplicabilidade nos casos de difícil Reino Unido. També11 é desta época o que s= deno-
solução, denominados por hard cases. mina constitucionalismo whig ou termidoriano, que
caracteriza a evolução lenta e gradual do movimento
Alternativa "b": o método hermenêuticc-concre-
constitucionalista, e que se materializo•J com a ascensão
tizador não corresponde ao enunciado da questão, pois
de Guilherme de Or;;nges e do partido whig no Reino
é aquele em que o intérprete se vale de suas pré-com-
Unido, no final do seculo XVII, também marcado pela
preensões para obter o sentido da norma em um deter- edição da Bill of Righ~s (1689).
minado problema.
Alternativa "c": o método científico - espiritual 5. CONSTITUCIONALISMO MODERNO (SÉC.
não corresponde ao enunciado da questão, pois tem XVIII A SÉ C. XX)
como norte o Espírito Constitucional, ou seja, valores
Materialização e afirmação das Constituiçôes For-
consagrados nas normas constitucionais. Além dos
mais Liberais, que representavam garantias sérias de
valores, levam-se em conta também outros fatores
limitação dos Poderes Soberanos, e eram dotadas de
extraconstitucionais, como a realidade social e cultural
legitimidade democrática popular. Desenvolveu-se à
do povo.
partir das revoluções liberais (Revolução Francesa e
Alternativa "e": o método de interpretacão com- Revolução das 13 Colônias Estadunidenses). Represen-
parativa não corresponde ao enunciado da questão, tou o início do garantismo e o surgimento das primeiras
pois ele prega a interpretação à partir da comparação Constituições dirigertes.
entre diversas Constituições.
6. CONSTITUCIONALISMO CONTEMPORÂ-
NEO (SÉC. XX A SÉC. XXI):
+ DICAS (RESUMO) Caracteriza-se p=la consolidação da existência de
Constituições garantistas, calcadas na defesa dos direi-
tos fundamentais igualitários, sociais e solidários. As dis-
1. CONSTITUCIONALISMO
posições constantes nas Constituições têm reêfirma :la
Movimento evolutivo de criação das Cons!ituições. sua força normativa destacada em relação às prescri-
ções de outras fontes jurídicas (leis e ãtos estatais!. Esse
2. CONSTITUCIONALISMO PRIMITIVO período é marcado pelas constituições dirigentes, que
(APROXIMADAMENTE DE 30.000 A. C. ATÉ prescrevem programas a serem implementados pelos
Estados, normalmen:e por meio de normas pro9ramáti-
1.000A.C)
cas. Vale destacar que esse período acabou manchado
Na antiguidade clássica, os líderes das famflias dita- por algumas constituições criadas apenas para justificar
vam e resguardavam as regras supremas pa-a o con- o exercício de um P::>der não democrático, a exemplo
vívio social. Segundo Karl Loewestein, o povo hebreu, da Carta Polaca de 1~37, que sustentcu a Era Vargas no
teve grnnde destaque no movimento constitu :ionalista Brasil, e qúe faz parte do que se denomina constitucio-
desse período, notadamente por reconhecer que os nalismo semântico, uma vez que se busca e:<trair da
valores garantidos pelos primeiros textos bítlicos não Constituição apenas os significados que passem reco-
podiam ser violados por ninguém (Teoria de La Constitu- nhecer a tomada e manutenção de Poder por re~imes
ción. Barcelona: Ariel, 1986, p. 154-157). autoritários.
Revisaço- Direito Constitucional • Paulo Lépore

7. NEOCONSTITUCIONALISMO (SÉC. XX E 8. CONCEPÇÕES DE CONSTITUIÇÃO


SÉC.XXI) 1) Constituição Sociológica (Ferdinand Lassalle -
Como um aprimoramento do Constitucionalismo 1862): é aquela que deve traduzir a soma dos fato-
Contemporâneo, prega a imp::>rtância destacada da res reais de poder que rege determinada nação, sob
mora ~ dos valores sociai;, ga'<lntidos predominante- pena de se tornar mera folha de papel escrita, que
ment~ por meio de princ 'pios. Não se conforma com
não corresponda à Constituição real.
as normas programáticas e as constituições dirigentes, 2) Constituição Política (Carl Schmitt- 1928): é aquela
afirmando que as ConstitL i·;ões devem ser dotadas de que decorre de unia decisão política fundamental,
força normativa. Para conferir normatividade à Cons- e se traduz na estrutura do Estado e dos Poderes, e
tituição, destaca o Poder Judiciário como garantidor, na presença de um rol de direitos fundamentais. As
colocando a atividade legi;lativa em segundo plano. normas que não traduzirem a decisão política fun-
Em resumo: trabalha com a ideia de extração da máxima damental não serão constituição propriamente dita,
efetividade do Texto Constitucional, pois a Constituição mas meras leis constitucionais.
deve o·:upar o centro do sistema jurídico. 3) Constituição Material: é o arcabouço de normas
e Segundo Ana Paula de Barcellos ("Neoconstitucio- que tratam da organização do poder, da forma de
na.'ismo, Direitos Fundamentais e Po/lticas Públicas", governo, da distribuição da competência, dos direi-
disponível em www.mundojuridico.adv.br), o Neo- tos da pessoa humana, considerados os sociais e
constitucionalismo tem as seguintes caracterís- individuais, do exercício da autoridade, ou seja, trata
ticas: da composição e do funcionamento da ordem polí-
tica. Tem relação umbilical com a Constituição Polí-
tica de Carl Schimitt.

a) Normati·~ idade da Constituição:


4) Constituição Jurídica (Hans Kelsen- 1934): é aquela
todas as disposições constitucionais que se constitui em norma hipotética fundamental
são normas jurídicas; pura, que traz fundamento transcendental para sua
própria existência (sentido lógico-jurídico), e que,
bJ Superio ..idade da Constituição
sobre o restante da ordem jurfdica: o por se constituir no conjunto de normas com mais
1) Do ponto de alto grau de validade, deve servir de pressuposto
que se :Já: por meio de constituições
vista metodo-
rígida;; para a criação das demais normas que compõem o
lógico-formal:
c) Centralidade da Constituição nos
ordenamento jurídico (sentido jurídico-positivo).
sisterr·as jurídicos: os demais ramos 5) Constituição Culturalista (Michele Ainis- 1986): é
do Direitos devem ser compreendi· aquele que representa o fato cultural, ou seja, que
:tos e int€'q:retados a partir do que
disciplina as relações e direitos fundamentais perti-
dispõe 1 Constituição.
nentes à cultura, tais como a educação, o desporto,
a) lnc,xpor-e:ção explícita de valores e a cultura em sentido estrito.
e opç~~s políticas nos textos cons-
:ituclcnaJs, sobretudo no que diz 6) Constituição Aberta (Peter Haberle - 1975): é
respeito 2 oromoção da dignidade aquela interpretada por todo o povo em qualquer
humana e dos direitos fundamentais; espaço, e não apenas pelos juristas, no bojo dos pro-
b) Exr:ans3o de conflitos específicos
cessos.
2) D• ponto de e geras errtre as opções normativas e 7) Constituição Pluralista (Gustavo Zagrebelsky):
vista material: filosóficas ~xistentes dentro do pró- não é nem um mandato nem um contrato. É aquela
prio si'slera constitucional: envolve
dotada de princípios universais, segundo as pre·
as cal s5es reais e aparentes entre
regras E prir:cípios (conflitos especí- tensões acordadas pelas "partes". Caracteriza-se
ficos) e- o papel da Constituição (con- pela capacidade de oferecer respostas adequadas
flito genl). Esse conflito geral sobre o ao nosso tempo ou, mais precisamente, da capaci·
papel da ccnstituição divide os auto- da de da ciência constitucional de buscar e encontrar
res em c ucs correntes.
essas respostas na constituição.
2:1 Percepi;à:J/Visão Substancialista:
cabe à Cons:ituição impor ao cená- 9. SUPREMACIA CONSTITUCIONAL:
rio pol·t co um conjunto de decisões
3) Correntes valoralivas cue se conside:-am essen- A noção de supremacia da Constituição é oriunda de
sobre o papel da ciais e ·:omensuais. dois conceitos essenciais: 1. a ide ia de superioridade do
Constituição no Poder Constituinte sobre as instituições jurídicas vigen-
Neoconstitucio- bl Percepção/Visão Procedimen-
nalismo, segundo t::tlista: cab-e à Constituição apenas tes; e 2. a distinção entre Constituições Rígidas e Flexi-
Ana Paula de g;nant r o funcionamento adequado veis. Nesse sentido, a supremacia prega que as normas
Barcellos: do sistema de participação democrá- constitucionais representam o paradigma máximo de
tico, ficanco a cargo da maioria, em validade do ordenamento jurídico, de modo que todas
cada rrcmento histórico, a definição
as demais normas são hierarquicamente inferiores a ela.
de seu~ va ~ores e de suas políticas.
Na pirâmide normativa de Hans Kelsen a Constituição
Capítulo I -Teoria da Constituição e das Normas Constitucionais 11171
está no ápice e as demais normas estão abaixo dela (rela- 11.2. QUANTO AO CONTEÚDO:
ção de compatibilidade vertical).
1.1 Formal: compõe-se do que consta em documento
solene que tem posição hierárquica de destaque no
10. PREÂMBULO: ordenamento jurídico.
É o texto introdutório da Constituição. Segundo 2) Material: composta por regras que exteriorizam a
posição exarada pelo STF no bojo da ADI 2076, julgada forma de Estado, organizações dos Poderes e direi-
em 2002, o Preâmbulo da Constituição da República tos fundamentais. Portanto, suas normas são aque-
não tem força normativa, figurando como mero vetor las essencialmente constitucionais, mas que podem
interpretativo. Em seu voto, Celso de Mello sustentou ser escritas ou costumeiras, pois a forma tem impor-
que o Preâmbulo não se situa no âmbito do direito, mas tância secundária.
no domínio da política, refletindo posição ideológica
do constituinte. Ademais, ele conteria proclamação ou 11.3. QUANTO À FORMA:
exortação no sentido dos princípios inscritos na Consti- 11 Escrita/Instrumental: formada por um texto.
tuição Federal. Quanto à natureza jurídica do Preâmbulo, A) Escrita Legal (Paulo Bonavides): formada por texto
a posição do STF filia-se à Tese da Irrelevância Jurídica, oriundo de documentos esparsos ou fragmentados.
afastando-se da Tese da Plena Eficácia (que defende ter BJ Escrita Codificada (Paulo Bonavides): formada por
o Preâmbulo a mesme eficácia das normas que consta texto inscrito em documento único.
da parte articulada da CF) e da Tese da Relevância Jurí- 2) Não Escrita: identificada a partir dos costumes, da
dica Indireta (para a qual o Preâmbulo é parte da Cons- jurisprudência predominante e até mesmo por
tituição, mas não é dotado das mesmas características documentos escritos (por mais contraditório que
normativas da parte articulada). Por essa razão, também possa parecer). Como esclarece Dirley da Cunha
não serve de parâmetro para controle de constituciona- Júnior, '"não existe Constituição inteiramente não-
lidade. Esse posicionamento do STF serviu para definir -escrita ou costumeira, pois sempre haverá normas
que a invocação à proteção de Deus, constante do Pre- escritas compondo o seu conteúdo. A Constituição
âmbulo da Constituição da República vigente, somente inglesa, por exemplo, compreende importantes
denota inspiração do constituinte, não violando a liber- textos escritos, mas esparsos no tempo e no espaço,
como a Magna Carta (1251), o Petition of Rights
dade religiosa que permeia o Estado brasileiro.
(1628), o Habeas Corpus Act (1679), o Bill of Rights
(1689), entre outros" (Direito Constitucional. 6 ed. Sal-
11. CLASSIFICAÇÃO DAS CONSTITUIÇÕES vador: Juspodivm, 2012, p. 120).

11.1. QUANTO À ORIGEM 11.4. QUANTO À ESTABILIDADE


1) Democrática, Promulgada ou Popular: elaborada 1) Imutável: não prevê qualquer processo para sua
por legítimos representantes do povo, normal- alteração.
mente organizados em torno de uma Assembleia 2) Fixa: só pode ser alteração pelo Poder Constituinte
Constituinte. Originário, "circunstância que implica, não em alte-
2) Outorgada: é aquela elaborada sem a presença de ração, mas em elaboração, propriamente, de uma
legitimas representantes do povo, imposta pela nova ordem constitucional" (CUNHA JÚNIOR, Dirley
vontade de um poder absolutista ou totalitário, não da. Curso de Direito Constitucional. 6 ed. Salvador:
Juspodivm, 2012, p. 122-123)
democrático.
3) Constituição Cesarista, Bonapartista, Plebiscitária 3) Rígida: aquela em que o processo para a alteração
de qualquer de suas normas é mais difícil do que o
ou Referendária: é aquela criada por um ditador ou
utilizado para criar leis.'
imperador e posteriormente submetida à aprova-
ção popular por plebiscito ou referendo. 4) Flexível: aquela em que o processo para sua altera-
ção é igual ao utilizado para criar leis.
4) Pactuada/Dualista: originada de um compromisso
instável de duas forças políticas rivais, de modo que 5) Semi-rígida ou semiflexível: é aquela dotada de
o equilíbrio fornecido por tal espécie de Constitui- parte rígida (em que somente pode ser alterada por
ção é precário. Esse modelo foi muito utilizado na processo mais difícil do que o utilizado para criar
monarquia da Idade Média. A Magna Carta de 1215, leis), e parte flexível (em que pode ser alterada pelo
mesmo processo utilizado para criar leis).
que os barões obrigaram João Sem Terra a jurar, é
um exemplo.
5) Heteroconstituição (ou '"Constituição Dada'"): é
ii
Vale ressaltar que alguns autores falam em Consti-
aquela criada fora do Estado em que irá vigorar. Ex: 1·1
tuição super-rígida, como aquela em que além de I.
Constituição do Chipre (procedente dos acordos de o seu processo de alteração ser mais difícil do que o i, I
Zurique, de 1960, entre a Grã-Bretanha, a Grécia e a utilizado para criar leis, dispõe ainda de uma parte li
.,
Turquia). imutável (cláusulas pétreas).

~i
1

[,
Oi
Revisaço- Direito Constitucional • Paulo Lépore

11.5. QUANTO À EXTENSÃO: -~- ---· ~~·;}:t.;l;r \'~ ·. / -)- . 51~;.f~~:r ,! 1 ~X~ ~J.•,JI~~;;; .. ~~~:..
-~~Jr1 • ~!:!ti! f \'I~·~>~~,.\< ,l • iL ~)=-~L·l _; ,." :'~,
1) Sintética: é a Constituição que regulamenta apenas . . . . . . ~· . . . . . ,_ ~-" •• _,,.,. ~ .>!.~~ •• ·-~...._"-" ....... ' _,..,,., .~

os princípios básicos de um Estado. 1. Democrática Elaborada por legítimos representan-


ou Promulgada tes do povo
2) Analítica ou prolixa: é a Constituição que vai além
. ··'' ou Popular.··
dos princípios básicos, detalhando também outros
assuntos. Documento solene
3. és·.:~~i~ ou Texto único
11.6. QUANTO À FINALIDADE: ·· instrííineíjt~( ·

1) Garantia: contém proteção especial às liberdades Rígida: seu processo de alteração é


mais difícil do que o utilizado para
públicas.
criar leis; Super-rfgida: além de o seu
4.Rfgidaou
2) Dirigente: confere atenção especial à implementa- processo de alteração ser mais difícil
Super-rígida
ção de programas pelo Estado. do que o utilizado para criar leis, ela
tem uma parte imutável (cláusulas
pétreas)
11.7. QUANTO AO MODO DE ELABORA-
Vai além dos princípios básicos, tra-
ÇÃO: 5. Analítica zendo detalhamento também de
outros assuntos
1) Dogmática: si~tematizada a partir de ideias funda-
mentais. Confere atenção especial à implemen-
6. Dirigente
tação de programas pelo Estado
2) Histórica: de elaboração lenta, pois se materializa a
partir dos costumes, que se modificam ao longo do Sistematizada a partir de ideias funda-
7.'Dogmática
mentais
tempo. I

8. Eclética Fundada em valores plurais


11.8. QUANTO À IDEOLOGIA: Tem valor jurídico legítimo (não ape-
9. Normativa
nas social)
1) Ortodoxa: forjada sob a ótica de somente uma ide-
ologia.
2) Eclética: fundada em valores plurais.
12. ELEMENTOS DAS CONSTITUIÇÕES 2
1) Elementos Orgânicos: regulam a estrutura do
11.9. QUANTO AO VALOR OU ONTOLOGIA
Estado e do Poder
(KARL LOEWESTEIN):
2) Elementos Limitativos: referem-se aos direitos
1) Normativa: dotada de valor jurídico legitimo. fundamentais, que limitam a atuação do Estado,
2) Nominal: sem valor jurídico; com papel eminente- protegendo o povo.
mente social. 3) Elementos Sócio-ideológicos: revelam o compro-
3) Semântica: tem importância jurídica, mas não valo- misso do Estado em equilibrar os ideais liberais e
ração legítima, pois é criada apenas para justificar o sociais ao longo do Texto Constitucional.
exercício de um Poder não democrático. São meros 4) Elementos de Estabilização Constitucional: asse-
simulacros de Constituição. guram a solução de conflitos institucionais entre
e Máximas quanto às Classificações das Constitui- Poderes, e também protegem a integridade do
ções Estado e da própria Constituição.

e Toda Constituição rígida é escrita, pois não há rigi- 5) Elementos Formais de Aplicabilidade: refe-
dez em uma Constituição Não Escrita ou Costu- rem-se às regras de interpretação e aplicação da
meira. Constituição, a exemplo do preâmbulo, do ADCT,
e a aplicabilidade imediata dos direitos e garantias
e Toda Constituição costumeira é, ao menos concei- fundamentais.
tualmente, flexível, pois seu processo de alteração
não se diferencia do que se utiliza para a alteração
13. BLOCO DE CONSTITUCIONALIDADE
de qualquer outra norma que discipline o convívio
social. O bloco de constitucionalidade (ideia de Louis
Favoreu, mas desenvolvida por Canotilho e consagrada
e Nem toda Constituição escrita é rígida, pois a Cons- nas ADis 595 e 514, pelo Ministro Celso de Mello) con-
tituição formada por um texto pode ser imutável,
fixa, rígida, flexível, ou semi flexível.
e Uma Constituição pode ter partes rígidas e partes 2 José Afonso da Silva. Curso de Direito Constitucio-
flexíveis, e nesse caso será denominada de semi-rí- nal Positivo. 6 ed. São Paulo: Malheiros, 1990, p.
gida ou semiflexivel. 43-44.
Capítulo I -Teoria da Constituição e das Normas Constitucionais
• • • ____ jl~~ul
siste no conjunto de normas materialmente wnstitu- e importância (Ronald Dworkin), com aplicação do prin-
cionais, que até servem de paradigma para controle de cípio da razoabilidade (tradição norte-americana).
constitucionalidade, mas que, não necessariamente,
integram formalmente a Constituição, a exemplo dos
17. CLASSIFICAÇÃO DAS NORMAS CONS-
tratados internacionais de direitos humanos aprovados
de acordo com o regramento do art. 5", § 3", da CF. TITUCIONAIS QUANTO À EFICÁCIA
No que tange à eficácia, segundo classificação de
14. CONVENÇÕES CONSTITUCIONAIS: José Afonso da Silva, as normas constitucionais podem
ser: plenas, contidas e limitadas.
"( ...) consistem em acordos, implícitos ou e <plícitos,
entre as várias forças políticas, sobre o cc mporta- 1) Normas de eficácia plena são aquelas dotadas de
mento a adaptar para se dar execução ou actuação aplicabilidade di ·e ta, imediata e integral, pois n.ão
a determinadas normas constitucionais, legislativas necessitam de Ie infraconstitucional para torná- as
ou regimentais." Esses acordos não necessaria- aplicáveis e nem admitem lei infraconstitucional
mente criam normas solenes, mas tem for;:a mate- que lhes restrinja o conteúdo. Em outras palavr3s:
rial, apresentando-se como verdadeiras limitações elas trazem todo o conteúdo necessário para a sua
aos poderes constituídos. (Direito constitucional e materialização prática. São entendidas como :Je
teoria da Constituição. Coimbra: Almedina, 2007). aplicabilidade diceta, imediata e integral, pois não
necessitam de lei infraconstitucional. Exemplo: B·a-
15. NORMAS, POSTULADOS NORMATI- sília é a Capital Federal (art. 18, § 1•, da CF).
VOS, PRINCÍPIO E REGRAS 2) Normas de eficácia contida ou restringível são
e Normas Jurídicas de Primeiro Grau (Princípios aquelas que têm aplicabilidade direta, imediata,
e Regras): os Princípios são mandados de otimiza- mas não integral, pois admitem que seus conteúdos
ção que impõem a promoção de um fim, 1a maior sejam restringidos por normas infraconstitucionc is,
medida possível, com abstração e generalidade, o que ocorre, por exemplo, com o enunciado que
enquanto as Regras prescrevem comportlmentos garante o livre e:<ercício de qualquer trabalho, cfí-
imediatos, de modo mais completo e preciso. cio ou profissão, atendidas as qualificações profis-
sionais que a lei estabelecer (art. s•, XIII, da CF). Para
e Normas Jurídicas de Segundo Grau/Postulados
ilustrar: a função de advogado, somente pode ser
Normativos (Humberto Avila): situam-se num
exercida atendid3 a qualificação profissional de ser
plano distinto daquele das normas cuja <.plicação
bacharel em direito, aprovado no Exame da Ordem
estruturam. A violação deles consiste na r ão inter-
dos Advogados co Brasil (art. 8", IV, da Lei 8.906/S4).
pretação de acordo com sua estruturacão. Não
impõem a promoção de um fim, mas, em \'ez disso, 3) Normas de eficácia limitada ou reduzida são
estruturam a aplicação do dever de prorrover um aquelas que possuem aplicabilidade indireta,
fim. Não prescrevem imediatamente ceomporta- mediata e reduzida (não direta, não imediata e nã:>
mentos, mas modos de raciocínio e de argumen- integral), pois exigem norma infraconstitucion31
tação relativamente a normas que indirEtamente para que se materializem na prática. Entretanto,
prescrevem comportamentos. apesar de não se realizarem sozinhas na práti·:a,
elas são dotadas de eficácia jurídica, pois revogam
16. COLISÃO DE DIREITOS FUNDI\MEN- as leis anteriores com elas incompatíveis; vinculam
o legislador, de f:>rma permanente, à sua realização;
TAIS:
condicionam a atuação da administração públ ca
A colisão ocorrida em âmbito constituci Jnal não e informam a interpretação e aplicação da lei pelo
pode ser considerada na mesma perspectiva do con- Poder Judiciário. Elas podem ser de princípio pro-
flito entre leis (também chamadas de "regras":, ou seja, gramático ou pri,cípio institutivo.
como um "conflito aparente de normas" para cuja solu-
ção seriam utilizados os critérios cronológiw, hierár- A) As normas de eficácia limitada de princípio
quico ou da especialidade, na forma do "tudo ou nada" programático (também referidas apenas como
("ali or nothing"), em que só se aplica um documento normas prograrráticas) são aquelas que não regu-
normativo daqueles que aparentemente corflitavam. lam diretamentE interesses ou direitos nelas ccon-
~-
Essa solução é inaplicável aos princípios, que não se sagrados, mas se limitam a traçar alguns preceitos
i sujeitam a esses critérios apontados pela doutrina, a serem cumpridos pelo Poder Público, como p·o-
l tampouco podem ser afastados um em razão de outro. gramas das respectivas atividades, pretende~do

~ Assim, em toda colisão de princípios deve ser rEspeitado


o núcleo intangível dos direitos fundamentai; concor-
unicamente a consecução dos fins sociais pelo
Estado. Podem-~.e citar como exemplos os objeti-
! rentes, mas serr.pre se deve chegar a uma posição em vos da República Federativa do Brasil (art. 3", da CF).
a estruturação da política agrícola brasileira (art.
que um prepondere sobre outro (mas, sem el miná-lo).
A colisão deve ser resolvida por concordânda prática 187 da CF), e a determinação de organização de um
(Konrad Hesse), com aplicação do princípio da propor- regime de colaboração dos sistemas de ensino c os
cionalidade (tradição alemã) ou pela dimensão de peso Entes da Federação (art. 211 da CF).
Revisaço- Direito Constitucional • Paulo lépore

B) Já as normas de eficácia limitada de princípio 4) Método Hermenêutico-concretizador (Konrad


institutivo são aquelas responsáveis pela estru- Hesse): é aquele em que o intérprete se vale de suas
turação do Estado como, por ex em pio, a norma pré-compreensões valorativas para obter o sentido
segundo a qual os Território; Federais integram a da norma e então aplicá-la à resolução de determi-
União, e sua criação, transformação em Estado ou nado problema. O conteúdo da norma somente é
reintegração ao Estado de origem serão reguladas alcançado a partir de sua interpretação concreti-
em lei complementar (art. 18, § 2•, da CF). zadora, dotada do caráter criativo que emana do
exegeta. Nesse sentido, o método de Hesse possibi-
1. Eficácia lita que a Constituição tenha força ativa para com-
Plena preender e alterar a realidade. Mas, nesse mister, o
texto constitucional apresenta-se como um limite
2. Eficácia
intransponível para o intérprete, pois se o exegeta
Contida
passar por cima do texto, ele estará modificando ou
é) Princípio Programá- rompendo a Constituição, não a interpretando.
3. Eficácia tico (Programáticas)
Limitada 5) Método Normativo-estruturante (Friedrich Mül-
b) Princípio lnstitutivo
ler) ou Concretista (Paulo Bonavides): é aquele
em que o intérprete parte do direito positivo para
chegar à estruturação da norma, muito mais com-
18. MÉTODOS DE INTERPRETAÇÃO CONS- plexa que o texto legal. Nesse caminho, há influên-
TITUCIONAL cia da jurisprudência, da doutrina, da história, da
1) Método Jurídico ou Hermenêutica Clássico cultura e das decisões políticas. Em outras palavras:
o exegeta colhe elementos da realidade social para
(Ernest Forsthoff): parte d~ uma Tese da Identi-
'estruturar a norma que será aplicada.
dade que existiria entre a Ccnstituição e as demais
leis, ou seja, se a constituição é uma lei, não há 6) Método Concretista da Constituição Aberta
porque criar-se um método específico para inter- (Peter Haberle): traz a ideia que a Constituição
pretá-la. Ele se vale basicamente dos seguintes ele- deve ser interpretada por todos e em quaisquer
mentos: a) genético (origem do ato); b) gramatical espaços (abertura interpretativa), e não apenas
ou filológico (análise textual e literal); c) histórico pelos juristas no bojo de procedimentos formais.
(momento e contexto de criação do ato); d) lógico
7) Método da Comparação Constitucional (Peter
(não contradição); e) sistemárico (análise do t0do ou
Haberle): prega a interpretação a partir da compa-
conjunto); f) teleológico (fin<lidade social do ato). ração entre diversas Constituições ..
2) Método Científico-espiritual, Valorativo ou 8) Inexistência de hierarquia entre métodos de
Sociológico (Rudolf Smend): tem como norte o interpretação constitucional: segundo Gilmar
espírito constitucional, ou ! eja, valores consagra- Ferreira Mendes, Inocêncio Mártires Coelho e Paulo
dos nas normas constitucionais. Além dos valores, Gustavo Gonet Branco: "Não por acaso Gustavo
levam-se em conta também outros fatores extra- Zagrebelsky afirma que não existe na literatura,
constitucionais, como a rea idade social e cultural nem na jurisprudência, uma teoria de métodos
do povo, exigindo-se uma inl:erpretação elástica do interpretativos da Constituição que nos esclareça se
texto constitucional, alçand:J a Constituição a ins- é possivel e mesmo necessário adotar um método
trumento de integração e solução de conflitos em previamente estabelecido ou uma ordem metodo-
busca da construção e da p·eservação da unidade lógica concreta, um dado de realidade que, se não
social. configura lacuna inexplicável, por certo reflete a
3) Método Tópico-problemático (Theodor consciência de que não tem maior significado nos
Viehweg): atua sobre as aporias (a poria: dificuldade aproximarmos da interpretação através dos seus
de escolher entre duas opin.iões contrárias e igual- métodos, ainda que a palavra método, como todos
mente racionais sobre um dado problema). Topos sabem, signifique, precisamente, o caminho a ser
que no plural são os topo i representam formas de percorrido para se alcançar a verdade". (Curso de
pensamento, raciocínios, a·gumentações, pontos direito constitucional. 2. ed. São Paulo: Saraiva, 2008,
p. 98).
de vista ou lugares comuns. Os topo i são retirados
da jurisprudência, da doutrina, dos princípios gerais
de direito e até mesmo do senso comum. Trata-se 19. LEITURA MORAL DA CONSTITUIÇÃO:
de uma teoria de argumentação jurídica em torno Segundo Ronald Dworkin, a leitura moral da Cons-
do problema. A partir do problema expõem-se os tituiç~oelucida que a interpretação jurídica deve valer-
argumentos favoráveis e ccntrários e consagra-se -se de uma teoria política, sem que isso signifique uma
como vencedor aquele capaz de convencer o maior corrupção da interpretação. Os princípios e valores dos
número de interlocutores. -em aplicabilidade nos julgadores tendem a influenciar no desvelar das normas
casos de dificil solução, denominados por hard jurídicas (Uma questão de princípio. São Paulo: Martins
cases. Fontes: 2001, p. 246-247).
Capítulo 1- Teoria da Constituição e das Normas Constitucionais

20. PRINCÍPIOS DE INTERPRETAÇÃO se adéque ao que preceitua a Constituição, sem que


essa atividade se constitua em atentado ao próprio
CONSTITUCIONAL
texto constitucional. Aplicável ao controle de cons-
20.1. PRINCÍPIOS ENUNCIADOS PORCA- titucionalidade, a interpretf!ção conforme permite
NOTILHO que se mantenha um texto legal, conferindo-se a
ele um sentido ou interpretação de acordo com os
1) Princípio da unidade da Constituição: preceitua
valores constitucionais.
que a interpretação constitucional deve ser rea-
lizada tomando-se as normas constitucionais em 3) Principio da presunção de constitucionalidade
conjunto (interpretação sistêmica), como um sis- das leis: traz a ideia que todas as normas infracons-
tema unitário de princípios e regras, de modo a se titucionais criadas estão de acordo com a Consti-
evitarem contradições (antinomias aparentes) entre tuição. Toda lei é válida e constitucional até que se
elas. prove o contrário, portanto, a presunção de cons-
titucionalidade é relativa (juris tantum). Esse princi-
2) Princípio do efeito integrador ou da eficácia pio ainda tem por missão orientar que o judiciário
integradora: traz a ideia que as normas constitu- declare a inconstitucionalidade de uma norma ape-
cionais devem ser interpretadas com objetivo de nas se ela for patente ou chapada, não permitindo
integrar política e socialmente o povo de um Estado uma interpretação conforme a constituição. Sobre
Nacional. o principio, a lição de Luís Roberto Barroso: "a) não
3) Princípio da máxima efetividade ou eficiência: sendo evidente a inconstitucionalidade, havendo
exige que o intérprete otimize a norma constitucio- dúvida ou a possibilidade de razoavelmente se
nal para dela extrair a maior efetividade possível, considerar a norma como válida, deve o órgão
guardando estreita relação com o princípio da força competente abster-se da declaração de inconsti-
normativa. Segundo Luis Roberto Barroso, por meio tucionalidade; b) havendo alguma interpretação
dele realiza-se uma aproximação, tão íntima quanto possível que permita afirmar-se a compatibilidade
possível, entre o dever-ser normativo e o ser da rea- da norma com a Constituição, em meio a outras que
lidade social. (Curso de direito constitucional contem- carreavam para ela um juizo de invalidade, deve o
poràneo. São Paulo: Saraiva, 2009). intérprete optar pela interpretação legitimadora,
mantendo o preceito em vigor" (Interpretação e
4) Princípio da conformidade/correção funcional/ aplicação da Constituição. 2. ed. São Paulo: Saraiva.
exatidão funcional ou da justeza: limita o intér- 1998, p. 165).
prete na atividade de concretizador da Constitui-
ção, pois impede que ele atue de modo a desestru- 4) Princípio da vedação do retrocesso: significa que
turar as premissas de organização política previstas uma vez garantido em um ordenamento jurídico,
no Texto Constituciona I. notadamente no Texto Constitucional, um direito
humano (que se torna fundamental pela positiva-
5) Princípio da concordância prática ou da har- ção na Constituição) não pode mais deixar de exis-
monização: a interpretação de uma norma consti- tir naquela sociedade ou Estado. Tal principio está
tucional exige a harmonização dos bens e valores implícito nos ordenamentos jurídicos de todos os
jurídicos colidentes em um dado caso concreto, de países que reconhecem a importância e a validade
forma a se evitar o sacrifício total de um em relação do direito internacional dos direitos humanos.
a outro.
5) Correntes interpretativista e não-interpretati-
6) Princípio da força normativa: a partir dos valores vista: segundo a corrente interpretativista, os intér-
sociais, o intérprete, em atividade criativa, deve pretes têm como limites os valores expressos, ou,
extrair aplicabilidade e eficácia de todas as normas ao menos, claramente implícitos nas Constituições,
da Constituição, conferindo-lhes sentido prático e de modo a respeitar-se a vontade do constituinte.
concretizador, em clara relação com o principio da Já a corrente não-interpretativista sustenta que o
máxima efetividade ou eficiência. Por meio dele, intérprete pode invocar valores eventualmente não
a Constituição tem força ativa para alterar a reali- expressos ou claramente implicitos nas Constitui-
dade. ções, a exemplo da justiça, da moral e da liberdade.
A corrente não-interpretativista recebe esse nome
20.2. OUTROS PRINCÍPIOS porque ela não interpretaria a partir da Constitui-
ção, mas criaria uma nova norma para servir à reso-
1) Princípio da razoabilidade ou da proporciona-
lução do problema.
lidade: exige a tomada de decisões racionais, não
abusivas, e que respeitem os núcleos essenciais de
todos os direitos fundamentais. Por meio dele, ana- 21. CLASSIFICAÇÃO DOS PRINCÍPIOS
lisa-se se as condutas são adequadas, necessárias e CONSTITUCIONAIS SEGUNDO JOSÉ AFON-
trazem algum sentido em suas realizações. SO DA SILVA
2) Princípio da interpretação conforme: consiste 1) Princípios Constitucionais Sensíveis: são aqueles
em conferir-se a um ato normativo polissêmico (que que devem ser observados, sob pena de interven-
admite vários significados) a interpretação que mais ção federal, consoante art. 34, 11, da CF.
[ill] Revisaço- Direito Constitucional • Paulo Lépore

2) Princípios Constitucionais Extensíveis: são aque- 3) Princípios Constitucionais Estabelecidos: são


les que trazem as normas de organização que a aqueles que limitam a autonomia organizatória do
Constituição Federal estendeu aos Estados-mem- Estado, a exemplo do art. 37 da CF.
bros, a exemplo do art. 6• da CF.
Capítulo 11 -
Poder Constituinte e Direito
Constitucionallntertemporal

+QUESTÕES
fX1mijmra
Alternativa corr~ta: letrz "c": :Je acordo com a
teoria clássica do Poc er Comtrtuinte. a Constituição é
Jl.l.IDEIA OU TEORIA CLÁSSICA resultado do exercícic de um poder criginá•io, anterior
e superior a ela, no qual <=la 5e rad;ca e do qual advem
DO PODER CONSTITUINTE toda a sua premên:i.3 e irr<=St"ição. A ldei.3 ou Tecria
Clássica de Poder Constituirte (de Emmar,ue Joseph
* PROCURADOR DO ESTADO Sieyes, na obra Que é o Terc-=ho Estado?) é no sentido
de que a soberania pc.:>ular c::msiste <essencialmente no
poder constituinte da nação. E1tretanto, atJalmente, a
(PUC- Procurador do Estado- PR/2015) A tarefa do ide ia de nação cedeu iugar a:> :>oder do pc ~o. Assim, é
Poder Constituinte é criar normas jurídicas :le valor o povo que atribui seus poderes a órçãos estatais espe-
cializados, que pass.3r a se denominar Podere' (Exe·:u-
constitucional, isto é, fazer a Constituição que atenda
tivo, legislativo e Judi:iário). E se o povo delega certas
às demandas políticas e jurídicas de criação ou transfor-
partes do seu poder ~-diversa;. autoridade;. constituin-
mação. Sobre a teoria do Poder Constituinte, a;sinale a tes, ele mantém o é·o:ler :ors-:ituinte. Nesse sentido, o
assertiva CORRETA. Poder Constituinte ~em suas raízes em uma fo ·ça geral
da Nação (JJ. Gomes C:.nctilhOL
a) O Poder Constituinte derivado é competêno:ia cons-
titucional estabelecida voltada exclusivamente à Alternativa "a": c P·Jder Constituinte Derivado
revisão do texto constitucional. Reformador (tambo!,r denom nado por Se.:un:lário, de
Segundo Grau, lnst tuído Con;tituíd:>, ou :le Reforma)
b) O Poder Constituinte derivado decorre 1te não é responsável pela r<="orma :1< Constituiçã:> (no Brasil,
pode ser considerado limitado, sob pena de viola- por meio de Emend<s Constitucion;;is ou da incorpo-
ção do princípio da autonomia dos entes federados. ração de tratados int-ornacion<is de direito; human:>s).
Vale notar que a CF :!e 1988 r ão pre•Jê expressE mente o
c) De acordo com a teoria clássica do Poder Constituinte, poder de reforma, que m3terializa o poder :or stituinte
a Constituição é resultado do exercício de um poder derivado, mas este s.e enontr< implícito, e se e <trai, Gor
originário, anterior e superior a ela, no qual ela se exemplo, da norma ccnstitucicnal qLe pre•ê propostas
radica e do qual advêm toda a sua prenência e de emendas à Constituiçi'o. A :eu tumo, o Poder Coos-
irrestrição. tituinte Derivado De<:orTente é aquele exercido pe,los
Estados-membros, r1a onstr ;ção :las C:>nstituiç5es
d) O processo da mutação constitucional equ vale for- Estaduais (art. 25, ·:la CF). I< Revisão Con:stitucional,
malmente ao exercício do Poder Constituinte deri- prevista no art. 3°, do ACCT da CF, foi real zaca 5 a1os
vado reformador. após a promulgaçã·J :la CF/BS :em 1S93, porta1to) pelo
voto da maioria abso;·Jt< dos membros d::> Congresso
e) O Poder Constituinte- tanto em sua versão originária Nacional, em sessãc un ica 1leral, tendo gerado seis
quanto derivada- possui as mesmas carac:erísticas emendas constitucionais de •e·1isão que d~êm o st<tus
e limites, já que estabelece normas consti':ucionais de normas constituci:,nais d-:r:vadas. porqJe mater:ali-
por meio de um processo legislativo extraNdinário. zadas por meio de emendas. P.demas, elas estão sujei-
~------- _________ ----------~e_v_i_sa_ç_o_-Direito Constitucional• Paulo Lépore

tas ao controle de constitucionalidade, pois apenas as Roberto. Curso de Direito Constitucional Contemporâ-
normas constitucionai; or:ginárias gozam de presunção neo. São Paulo: Saraiva, 2009, p. 128-135).
absoluta de constitucionalidade. Desse modo, o Poder
Alternativa "e": O Poder Constituinte em sua ver-
Consttuinte derivado não é voltado exclusivamente à
são originária não possui identidade de limites como
revisá:> do texto const tudeonal. Ele pode ainda ser para
o Constituinte derivado, uma vez que o Poder Consti-
reforma da Constituição c·L para criação das Constitui-
tuinte Originário é ilimitado. O Poder Constituinte Ori-
ções c os Estados-membrc s.
ginário (também denominado por Genuíno, Primário
A~ternativa "b": o Poder Constituinte Derivado ou de Primeiro Grau) cria a primeira ou nova constitui-
Decorrente é aquele exerd:Jo pelos Estados-membros, ção de um Estado. Para atingir seu objetivo, ele é ini-
na construção das Constituições Estaduais (art. 25, da cial (não existe outro poder anterior ou superior a ele),
CFI. Ele encontra-se limit2co pela própria Constituição autônomo (o poder constituinte determina a estrutura
Fedenl. da nova Constituição), ilimitado (tem autonomia para
Alternativa "d": Mutação Constitucional é um escolher o Direito que irá viger, ou seja, não se subordina
processo não formal de 'nudança da Constituição em a nenhuma ideia jurídica preexistente) e incondicio-
nado (é dotado de liberdade quanto aos procedimen-

I
que o texto constitucional permanece inalterado, modi-
ficanco-se apenas o signi'i :a do e o sentido interpreta- tos adotados para a criação da Constituição, ou seja, não
tivo de determinada norma constitucional. Em outras precisa seguir nenhuma formalidade preestabelecida).
palavras: na mutação, altHJ-se a interpretação sobre o (L~PORE, Paulo. Direito constitucional. 2. Ed. Salvador:
texto da Constituição, chegando-se a norma com sen- Juspodivm, 2014, p. 25). Ademais, o poder constituinte I
~
tido novo. O exemplo ma i~ famoso é o empregado ao originário pode ser qualificado como permanente, "[...]
STF ao art. 52, X, da CF, para dizer que a nova norma que já que o poder constituinte originário não se esgota com
dele se extrai é no sentidc que a resolução emitida pelo
Senador Federa I para su=~ender a execução, no todo
a edição da nova Constituição, sobrevivendo a ela e fora
dela como forma de expressão da liberdade humana, i
ou em parte, de norma declarada inconstitucional no em verdadeira ideia de subsistência." (LENZA, Pedro. I
II
controle difuso serve lpems para conferir publicidade Direito constitucional esquematizado. 16. ed. São Paulo:
à dec são do STF. Outro e-xemplo é a interpretação do Saraiva, 2012, p. 186). Já o Poder Constituinte Derivado
STF sobre o conceito de casa, do art. s•, XI, da CF, para Reformador (também denominado por Secundário, de
dizer que inclui também e;critórios profissionais, hotéis, Segundo Grau, Instituído, Constituído, ou de Reforma)
motéis, pensões e congên~res. Segundo Luís Roberto é responsável pela reforma da Constituição (no Brasil,
Barroso, a mutação con,titucional pode ocorrer por por meio de Emendas Constitucionais ou da incorpo-
I
inter~ relação, pela atJaçlo do legislador e por via de ração de tratados internacionais de direitos humanos).
costu-ne. A mutação constitucional por via de interpre-
tação •·consiste na mudança de sentido da norma, em
contraste com entencime-rto preexistente". Já a muta-
ção pela atuação do .egi;lador ocorrera "quando, por
Vale notar que a CF de 1988 não prevê expressamente o
poder de reforma, que materializa o poder constituinte
derivado, mas este se encontra implícito, e se extrai, por
exemplo, da norma constitucional que prevê propostas
II
f

ato normativ.o primário, procurar-se modificar a inter-


preta•;ão que tenha sido :lada a alguma norma consti-
tucional.~ possível conceber que, ensejando a referida
de emendas à Constituição. Ele possui as seguintes limi-
tações: a) Temporais: impedem a alteração da Consti- l
norma mais de uma leitura possível, o legislador opte
tuição em um determinado período de tempo (A CF/88
não prevê nenhuma limitação temporal, em privilégio
!
per U'na delas, exerci:ando o papel que lhe é próprio, ao ganho de estabilidade); b) Circunstanciais: impedem
de realizar escolhas polít cas. A mutação terá ligar se, a alteração da CF em momentos de extrema gravidade,
vigendo um determinad J entendimento, a lei vier a nos quais a livre manifestação do poder reformador
alterá-lo. Suponha-se, po· exemplo, que o § 3• do art. possa estar ameaçada (Estado de Defesa, Estado de
226 da Constituição - qce reconhece a união estável Sítio, e Intervenção Federal); c) Formais/Processuais/
entre homem e mulher cc mo entidade familiar- viesse Procedimentais, que podem ser de duas espécies: c.1.
a ;er interpretado no se-rtido de considerar vedada Formal Subjetiva (há legitimados específicos para a
a união estável entre pes;oas do mesmo sexo. Se a lei propositura de Emendas Constitucionais); c.2. Formal
ordinária vier a discblinlr esta última possibilidade, Objetiva (quórum qualificado de três quintos, em dois
chancelando as uniõe' homoafetivas, terá modificado o turnos, em cada Casa do Congresso Nacional, com pro-
sentido que vinha sendo dado à norma constitucional". mulgação pelas mesas do Senador Federal e da Câmara
Por fim, a mutação por co~tume é aquela que altera uma dos Deputados); d) Materiais/Substanciais: cláusulas
prática historicament~ considerada válida. "Há outro pétreas; e) Implícitas: vedam a alteração das regras per-
exem:>lo expressivo ontemporãneo, relacionado com tinentes ao processo para modificação da Constituição.
as Comissões Parlam~ntares de Inquérito (CPis). Nos
últimos anos, uma prática ~·olítica persistente expandiu
(Cespe- Procurador do Estado- PB/2008) Com rela-
os poderes dessas comis~ê·es e redefiniu suas compe-
ção ao poder constituinte, à teoria da recepção e às
tênciês. Passou-se a a:Jmrtir, pacificamente, a determi-
naçãc ele providências que antes eram rejeitadas pela emendas à constituição, assinale a opção correta.
doutrina e pela jurisprudércia, aí incluídas a quebra de a) A teoria do poder constituinte, desenvolvida pelo
sigilos bancários, telefõn co e fiscais" (BARROSO, Luís abade Emmanuel Sieyes no manifesto O que é o
terceiro estado? contribuiu para a distinção entre Alternativa "c": considere-se que o Senado Fede-
poder constituído e poder constituinte. ral tenha rejeitado, no final do ano de 2007, proposta de
emenda à CF. Nessa hipótese, nova proposta de emenda
b) Uma norma infraconstitucional que não seja com-
poderá ser apresentada, com a mesma matéria, no ano
patível, do ponto de vista formal ou material, com a
de 2008, pois houve mudança na sessão legislativa (ano
nova constituição, é por esta revogada.
legislativo), e só há vedação para que matéria cons-
c) Considere-se que o Senado Federal tenha rejeitado, tante de proposta de emenda rejeitada ou havida por
no final do ano de 2007, proposta de emenda à CF. prejudicada seja objeto de nova proposta na mesma
Nessa hipótese, nova proposta de emenda não sessão legislativa (art. 60, § 5", da CF).
poderá ser apresentada, com a mesma matéria, no Alternativa "d": mutação constitucional, con-
ano de 2008. forme doutrina majoritária, é definida como a mudança
d) Mutação constitucional, conforme doutrina majori- no sentido da norma, e não no texto da constituição,
tária, é definida como a mudança no texto da cons- o que se dá por interpretação, e não por meio de
tituição, seja por meio de emenda, seja por revisão. emenda. Em outras palavras: mutação constitucional é
um processo não formal de mudança da Constituição
e) Considere-se que a assembleia legislativa de um em que o texto constitucional permanece inalterado,
estado da Federação tenha promulgado emenda à modificando-se apenas o significado e o sentido inter-
Constituição estadual, de iniciativa de parlamentar, pretativo de determinada norma constitucional.
dispondo acerca do regime jurídico dos servidores
Alternativa "e": considere-se que a assembleia
públicos do estado. Nessa hipótese, não há qual-
legislativa de um estado da Federação tenha promul-
quer violação à Constituição estadual ou Federal,
gado emenda à Constituição estadual, de iniciativa de
visto que a iniciativa privativa do chefe do execu-
parlamentar, dispondo acerca do regime jurídico dos
tivo está restrita aos projetos de lei.
servidores públicos do estado. Nessa hipótese, não há
qualquer violação à Constituição estadual ou Federal,
R·'Mittt·t;H·f+ visto que a iniciativa privativa do chefe do executivo
O Nota do Autor: questão densa e que exige está restrita aos projetos de lei
conhecimento doutrinário aprofundado, o que é carac-
terísticas das provas do Cespe, por isso, é sempre bom
prestar atenção na instituição que promoverá a prova. : * DEFENSOR PÚBLICO ESTADUAL
Alternativa correta: letra "a": a teoria do poder
constituinte, desenvolvida pelo abade Emmanuel (FCC- Defensor Público- SP/2012) Emmanuel Joseph
Sieyés no manifesto O que é o terceiro estado? contri- Sieyés (1748-1836), um dos inspiradores da Revolução
buiu para a distinção entre poder constituído e poder Francesa, foi autor de um texto que teve grande reper-
constituinte. Ainda segundo essa teoria, a soberania cussão na teoria do Poder Constituinte. O referido texto
popular consiste essencialmente no poder constituinte é:
do povo. É o povo que constitui a atribui seus poderes
a) Que é o terceiro Estado.
a órgãos estatais especialidades, que passam a se deno-
minar Poderes (Executivo, Legislativo e Judiciário). E se b) O poder do terceiro Estado.
o povo delega certas partes do seu poder às diversas c) Que pretende o terceiro Estado.
autoridades constituintes, ele mantém o poder consti-
tuinte. d) Que tem sido o terceiro Estado.

Alternativa "b": uma norma infraconstitucional e) A importância do terceiro Estado.


que não seja compatível, do ponto de vista material,
com a nova constituição, é por esta revogada. Se a
incompatibilidade for meramente formal, ocorrerá o O Nota do autor: a questão tem alto nível de difi-
fenômeno da recepção. Quando do surgimento de culdade, notadamente porque se restringe a cobrar
uma nova Constituição, as normas infraconstitucio- conhecimento sobre o titulo de uma obra. Entretanto,
nais anteriores que forem materialmente compatíveis o tema não é inédito, o que reforça a ideia de que será
serão recepcionadas. As materialmente incompatíveis lembrado outras vezes, merecendo estudo atento.
serão revogadas (nomenclatura utilizada pelo STF) ou Alternativa correta: "a" (responde a todas as
não-recepcionadas. A incompatibilidade formal super- alternativas): a ideia ou teoria clássica de poder cons-
veniente não impede a recepção, mas faz com que a tituinte, de Emmanuel Joseph Sieyés, exposta na obra
norma adquira uma nova roupagem. Exemplo: CTN (Lei "Que é o Terceirc Estado?", é no sentido de que a sobe-
5.172/66) foi recepcionado, por EC pela CF/67 e também rania popular consiste essencialmente no poder cons-
pela CF/88 como Lei Complementar, logo, só pode ser tituinte da nação. Entretanto, atualmente, a ideia de
revogado por outra lei complementar. Em outras pala- nação ced€u lugar ao porler do povo. Assim, é o povo
vras: na recepção constitucional só importa o aspecto que atribui seus poderes a órgãos estatais especializa-
material. dos, que passam a se denominar Poderes (Executivo,
11261 Revisaço- Direito Constitucional • Paulo Lépore

Legislativo e Judiciário). E se o povo delega certas partes Item "111". Errado. Não se pode sustentar que
do seu poder às diversas autoridades constituintes, ele as manifestações do poder constituinte (originário)
mantém o poder constituinte. Nesse sentido, o Poder no curso do século XX mostraram-se inteiramente de
Constituinte tem suas raízes em uma força geral da acordo com a passagem acima transcrita, pois durante
Nação (JJ. Gomes Canotilho). a ditadura militar iniciada em 1964, o Brasil foi regido
por Atos Institucionais baixados pelos militares, que se
sobrepunham à vontade constitucional do povo.
*
I

PROMOTOR DE JUsnÇA ,· Item "IV". Certo. Heteroconstituição é aquela


criada fora do Estado em que irá vigorar. Ex: Constitui-
ção do Chipre (procedente dos acordos de Zurique, de
(MP- DFT- Promotor de Justiça - DFT/2011) Analise
1960, entre a Grã-Bretanha, a Grécia e a T11rquia). Assim
a seguinte passagem de ementa de julgamento prola-
as heteroconstituições ou as constituições "dadas" são
tado pelo Supremo Tribunal Federal, cotejada com as
exemplos de manifestações constituintes (orginárias)
afirmações que se seguem: limitadas, "pois o fundamento de validade da Cons-
"A eficácia das regras jurídicas produzidas pelo tituição estava na ordem jurídica donde proveio" (c.f.
poder constituinte (redundantemente chamado ele MIRANDA, Jorge Miranda. Manual de direito constitu-
'originário') não está sujeita a nenhuma limitação nor- cional. Tomo 11. Coimbra: Almedina, 2007).
mativa, seja de ordem material, seja formal, porque pro-
vém do exercício de um poder de fato ou supra positivo".
ADIMC 2356/DF. Rei. p/ac. Min. Ayres Britto, julgamento 11.2. PODER CONSTITUINTE
em 25/11/2010.
ORIGINÁRIO/GENUÍNO/PRIMÁRIO/
A teoria clássica do poder constituinte (originário)
absoluto, incondicionado e ilimitado foi desenvol- DE PRIMEIRO GRAU
vida nos Estados Unidos durante a "Revolução de

11.
Independência"
O poder constituinte (originário) material se
* PROCURADOR DO MUNICÍPIO

expressa em movimentos de ruptura simbólica ou


violenta em face dos poderes constituídos (Procurador do Município - Prefeitura Teresina-
·PI/2012 - IVIN) O poder constituinte originário é
111. As manifestações do poder constituinte (originário)
aquele que instaura uma nova ordem jurídica, rom-
no curso do século XX mostraram-se inteiramente
pendo por completo com a ordem jurídica precedente.
de acordo com a passagem acima transcrita
Sobre esse tema, assinale a alternativa CORRETA.
IV. As heteroconstituições ou as constituições "dadas"
a) O poder constituinte originário pode ser subdivi-
são exemplos de manifestações constituintes (orgi-
dido em histórico e revolucionário. Revolucionário
nárias) limitadas
seria o verdadeiro poder constituinte originário,
Marque a opção correta: estruturando, pela primeira vez. Histórico seriam
todos os posteriores àquele primeiro poder revo-
a) Os itens I, 111 e IV são verdadeiros
lucionário, rompendo por completo aquela antiga
b) Apenas 111 e IV são corretos ordem e instaurando, historicamente, um novo
Estado.
c) Apenas li e IV estão certos
b) O poder constituinte originário é também denomi-
d) Apenas IV é verdadeiro
nado inicial, inaugural, instituído e constituído.
e) Os itens I e 11 são verdadeiros
c) São formas de expressão do poder constituinte ori-
ginário a outorga e a Assembléia Constituinte.
d) A expressão do poder constituinte originário verifi-
Alternativa correta: "c".
ca-se através das emendas constitucionais.
Item "1". Errado. A teoria clássica do poder cons-
~~
tituinte (originário) absoluto, incondicionado e ilimi- ~~
tado foi desenvolvida na Europa durante a Revolução
Alternativa correta: letra "c": os mais renomados
Frances2, e não nos Estados Unidos durante a "Revolu-
autores de Direito Constitucional enumeram a outorga
ção de Independência".
(imposição de uma nova Constituição por um gover-
Item "11". Certo. o poder constituinte (originário) nante autoritário) 2 a assembleia constituinte (que
material se expressa em movimentos de ruptura simbó- debate e formula uma nova Constituição) como expres-
lica ou violenta em face dos poderes constituídos, pois são do poder constituinte originário. O poder consti-
significa a criação de uma nova ou da primei ca Consti- tuinte originár!o (também denominado por genuíno,
tuição para determinado Estado, que estabelecera uma primário ou de primeiro Grau) cria a primeira ou nova
nova organização político-jurídico-social. constituição de um Estado. Para atingir seu objetivo, ele
capítulo 11- Poder Constituinte e Direito Constitucionallntertemporal 127

é inicial (não existe outro poder anterior ou suj:erior a entendido de modo absoluto. Isso porque a doutrina
ele) autônomo (tem autonomia para escolher o Direito tem sustentado a necessidade de observância a certos
que irá viger, ou seja, não se subordina à qualquer ideia limites extrajurídicos, como valores éticos e ;ociais.
jurídica preexistente) e incondicionado (é dotado de Assim entendem Branco, Coelho e Mendes: "[...] Se o
liberdade quanto aos procedimentos adotadcs para poder constituinte é a expressão da vontade política
a criação da Constituição, ou seja, não precisa seguir
da n~ção, não pode ser entendido sem a referência aos
nenhuma formalidade preestabelecida).
valores éticos, relig:osos, culturais que informa11 essa
Alternativa "a": poder constituinte originário his- mesma nação e que motivam as suas ações". (C~rso de
tórico seria o verdadeiro poder constituinte originário, direito constiucional. 2. ed. São Paulo: Saraiva, 2008, p.
estruturando, a primeira Constituição de um Estado 199.)
Nacional. Já o poder constituinte originário re\ll)lucio-
nário seria todo aquele posteriores ao poder consti- Alternativa "b~: com a promulgação da CF, não se
tuinte originário histórico, responsável pela criação de esgotou no Brasil, o poder constituinte originário. Isso
uma nova Constituição porque, o poder constituinte originário é permanente,
·não se esgota com a edição da nova Constituição,
Alternativa "b": instituído e constituíc o são
expressões atinentes ao poder constituinte deri·;ado, e sobrevindo a ela e fora dela como forma e expressá~ da
não ao poder constituinte originário. liberdade humana, em verdadeira ideia de subsistência"
(LENZA, Pedro. Direito constitucional esquematizado. 16.
Alternativa "d": as emendas constitucion3is são
ed. São Paulo: Saraiva, 2012, p. 186).
uma forma de manifestação do poder constituin:e deri-
vado. Alternativa "c'·: ao serem eleitos, os parlamenta-
res que integraram a Assembleia Nacional Constituinte
instalada no Brasil em 1987 não se tornaram os únicos
* DEFENSOR PÚBL-ICO ESTADUAL. titulares do poder constituinte originário. Isso porque
a titularidade do poder constituinte originário e do
povo.
(Cespc - Defensor Público - SE/ 2012) Ass nale a
opção correta no que se refere ao poder constitt. in te. Alternativa "d'": a Assembleia Nacional Consti-
tuinte instalada no Brasil em 1987 exerceu poder c~ns­
a) O caráter ilimitado do poder constituinte orix:Jinário
tituinte originário, instaurando uma nova ordem c~ns­
deve ser entendido guardadas as devidas propor-
ções: embora a Assembleia Nacional Cons:ituinte titucional.
de 1987/1988 não se subordinasse a nenhuma Alternativa "e": a Assembleia Nacional ·:onsti-
ordem jurídica que lhe fosse anterior, devia obser- tuinte instalada no Brasil em 1987 exerceu poder cons-
vância a certos limites extra jurídicos, como valores tituinte originário, •:aracterizado como inicial e autô-
éticos e sociais. nomo, mas se submetendo a limitações extrajurídi-
b) Com a· promulgação da CF, esgotou-se, no Brasil, o cas, conforme explicações à alternativa "a".
poder constituinte originário.
c) Ao serem eleitos, os parlamentares que integraram
a Assembleia Nacional Constituinte instal3da no * PROMOTOR DE JUSTIÇA
Brasil em 1987 tornaram-se os únicos titul3res do
poder constituinte originário.
(MPE- MS- Promotor de Justiça- MS/2013) Sobre o
d) A Assembleia Nacional Constituinte instalada no Poder Constituinte é incorreto afirmar:
Brasil em 1987 exerceu poder constituinte derivado.
a) o objetivo fundamental do Poder Constituinte Ori-
e) A Assembleia Nacional Constituinte instalada no ginário é o de criar um novo Estado.
Brasil em 1987 exerceu poder constituinte! origi-
nário, caracterizado como inicial e autônono, não b) o Poder Constituinte Originário é inicial, nã:J autô-
se subordinando a limitações de nenhuma ~rdem, nomo (segundo a corrente positivista adotada no
ainda que extrajurídicas. Brasil) e ilimitac o juridicamente.
c) o Poder Constitu:nte Derivado também é denomi-
f'm!JiilMH• nado de Poder Constituinte Instituído, Consti:uído,
O Nota do autor: poder constituinte é tema recor- Secundário ou de Segundo Grau.
rente nos concursos para a magistratura estadual. O
d) o Poder Cons:ituinte Derivado Decorrente tem
candidato diligente deve se aprofundar na matéria.
como missão e~truturar a Constituição dos Estados-
Alternativa correta: "a": atualmente o caráter ili-
-Membros.
mitado (desnecessidade de respeito ao direito existente
à época de elaboração da nova ordem constitucional) e) o Poder Consti:uinte Derivado é limitado e condi-
do poder constituinte originário não deve mais ser cionado.
Revisaço- Direito Constitl,lcional • Paulo Lépore

Alternativa correta: letra "b": o Poder Consti-


tuinte Originário cria a primeira ou nova Constituição
O Nota do Autor: c poder constituinte'é tema de um Estado. Para atingir seu objetivo, ele é inicial
recorren:e nas provas para o MP. Vale a pena estudá-lo (não existe outro poder anterior ou superior a ele) autô-
com afin:o. nomo (tem autonomia para escolher o Direito que irá
viger. ou seja, não se subordina à qualquer ideia jurídica
Alternativa certa: "b ··:o poder constituinte origi-
preexistente) e incondicionado (é dotado de liberdade
nário (também denominado por genuíno, primário ou
quamo aos procedimentos adotados para a criação da
de primeiro grau} cria a primeira ou nova constituição
Constituição, ou seja; não precisa seguir nenhuma for-
de um Estado. Para atingir ;eu objetivo, ele é inicial (não
malidade preestabelecida).
existe outro poder anteriJr ou superior a ele} autô-
nomo (tem autonom1a para escolher o Direito que irá Alternativa "a": como visto na alternativa correta,
viger, ou seja, não se subor:lina à qualquer ideia jurídica o Poder Constituinte Originário é Ilimitado. Quem fica
preexistente) e incondicionado (é dotado de liberdade limite do apenas pelas cláusulas pétreas da Constituição
quanto aos procedimento~ adotados para a criação da Federal (mas, não apenas por elas) é o Poder Consti-
Constitui·;ão, ou seja, não precisa seguir nenhuma for- tuinte Derivado, Reformador ou Constituído, que é
malidade preestabele·:ida) respcnsável pela reforma da Constituição (no Brasil, por
meio de Emendas Constitucionais).
Alternativa "a": o obj =tivo fundamental do poder
constituinte originário é o c e criar um novo Estado, està- Alternativa "c": o Poder Constituinte Originário
belecendo as bases jurídicas para tanto por meio da edi- (também denominado por Genuíno, Primário ou de
ção de ur1a Constituição. Primeiro Grau) responsável pela criação da primeira
ou de uma nova Constituição) não se confunde com o
Alternativa "c": o p:Jder constituinte derivado
Poder Constituinte Derivado (também denominado
também é denominado de poder constituinte institu-
por Reformador, Secundário, de Segundo Grau, Ins-
ído, constituído, secundário ou de segundo Grau e é
tituído, Constituído, ou de Reforma} respo~sável pela
responsável pela reforma da Constituição (no Brasil, por
reforr1a da Constituição.
meio d