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PESQUISA E EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA

(PED)

GUIA DE ESTUDOS - 01

INSTITUTO PRÓ SABER


Profª. Úrsula Cunha (Org.)

Este módulo deverá ser utilizado apenas como base para estudos. Os créditos da autoria dos conteúdos aqui apresentados são dados aos seus respectivos autores. 0
PESQUISA E EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA (PED)

GUIA DE ESTUDOS - 01

INSTITUTO PRÓ SABER


Profª. Úrsula Cunha (Org.)

ATENÇÃO!
Este módulo está disponível apenas como base para estudos deste curso.
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respectivos autores citados nas Referências Consultadas.

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Caro(a) aluno(a),

O Instituto Pró Saber tem o interesse contínuo em proporcionar um ensino de


qualidade, com estratégias de acesso aos saberes que conduzem ao conhecimento.
Todos os projetos são fortemente comprometidos com o progresso educacional para o
desempenho do aluno-profissional permissivo à busca do crescimento intelectual.
Através do conhecimento, homens e mulheres se comunicam, têm acesso à
informação, expressam opiniões, constroem visão de mundo, produzem cultura, é desejo desta
Instituição, garantir a todos os alunos, o direito às informações necessárias para o exercício
de suas variadas funções.
Expressamos nossa satisfação em apresentar o seu novo material de estudo,
totalmente reformulado e empenhado na facilitação de um construto melhor para os respaldos
teóricos e práticos exigidos ao longo do curso.
Dispensem tempo específico para a leitura deste material, produzido com muita
dedicação pelos Doutores, Mestres e Especialistas que compõem a equipe docente do Instituto
Pró Saber.
Leia com atenção os conteúdos aqui abordados, pois eles nortearão o princípio de
suas ideias, que se iniciam com um intenso processo de reflexão, análise e síntese dos saberes.
Desejamos sucesso nesta caminhada e esperamos, mais uma vez, alcançar o
equilíbrio e contribuição profícua no processo de conhecimento de todos!

Atenciosamente,
Setor Pedagógico

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SUMÁRIO
INTRODUÇÃO .............................................................................................................................4

UNIDADE I – RELAÇÃO DO ENSINO-APRENDIZAGEM NAS INSTITUIÇÕES DE


ENSINO SUPERIOR (IES) ..........................................................................................................5
1. OS PILARES DO ENSINO UNIVERSITÁRIO ....................................................................5
2. ESTRATÉGIAS DIDÁTICAS PARA A RELAÇÃO ENSINO-APRENDIZAGEM NAS
IES ...............................................................................................................................................7
3. LEI Nº 5.540/68 E AS IES ...................................................................................................10

UNIDADE II – EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA: .........................................................................11


POSSIBILIDADES PEDAGÓGICAS PARA AS IES .............................................................11
1. PAPEL DO PROFESSOR FRENTE ÀS TECNOLOGIAS EDUCACIONAIS ..................13
2. TECNOLOGIAS DA INFORMAÇÃO E COMUNICAÇÃO E OS CURSOS EAD ..........13
3. AMBIENTES VIRTUAIS DE APRENDIZAGEM ..............................................................20
3.1 CIBERCULTURA OU CULTURAL DIGITAL .............................................................21
3.2 O CIBERESPAÇO ...........................................................................................................21
3.3 AS TIC COMO ESPAÇO DE APRENDIZAGEM .........................................................22
3.4 MOODLE .........................................................................................................................25
3.5 REDES E INTERNET .....................................................................................................28

UNIDADE III: LETRAMENTO E INCLUSÃO DIGITAL ....................................................30


1. INCLUSÃO DIGITAL ..........................................................................................................35
2. TIC E NOVOS PARADIGMAS EDUCACIONAIS ............................................................36
3. CIDADANIA, ÉTICA E VALORES SOCIAIS ....................................................................37

UNIDADE IV: METODOLOGIA CIENTÍFICA ....................................................................41


1. A PEQUISA E SEUS ELEMENTOS ....................................................................................42
1.1 ETAPAS DA PESQUISA ................................................................................................42
2. CLASSIFICAÇÃO ................................................................................................................43
3. MÉTODO DE PESQUISA: ...................................................................................................46
4. TIPOS DE DADOS ...............................................................................................................47
5. FASES DO PROCESSO METODOLÓGICO ......................................................................48
6. PESQUISA E PROCEDIMENTOS ÉTICOS .......................................................................48
7. TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO (TCC) ..........................................................48

CONSIDERAÇÕES FINAIS ......................................................................................................49

REFERÊNCIAS...........................................................................................................................50

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INTRODUÇÃO

Vivemos em uma época em que o conhecimento é um dos bens mais preciosos da


humanidade. No entanto, apesar de hoje o ser humano encontrar-se submerso em uma teia de
informações, nem sempre essas são canalizadas para o aprimoramento da vida em sociedade ou
transformadas em conhecimento.
A difusão da informação em diversos espaços, não apenas nas agências formais (a
exemplo das escolas, universidades, centros de ensino etc.), tem proporcionado mudanças de
paradigmas também na educação, como em diversas esferas da vida em sociedade. Isso
representa um grande avanço nas estruturas educacionais, pois não se concebe mais que apenas o
professor seja o detentor do saber e, assim, “preencha” a mente dos alunos, que são considerados
tábulas rasa. Nessa conjuntura, a função docente passa a ter um desenho diferente: o professor
configura-se como o moderador, como agenciador, como aquele que motiva o aluno a continuar
em um intercâmbio de troca de conhecimento. E o aluno passa a ser um agente que busca sua
autoformação, a partir de pilares traçados pelos planos de ensino das instituições, seus próprios
propósitos de aprendizagens e o intercâmbio com outros discentes e o docente.
As tecnologias da informação e comunicação constituem-se em ferramentas para
reconfigurar esse papel, proporcionando não apenas ao docente, mas também ao discente,
possibilidades de pesquisa e de descentramentos de funções, através de ambientes virtuais de
aprendizagens, redes sociais e cibernéticas. E é a partir dessa perspectiva que este módulo de
Pesquisa e Ensino a Distância (PED) aborda, em quatro unidades de ensino, a questão do ensino
e da aprendizagem, tendo como enfoque a relação do ensino-aprendizagem nas instituições de
ensino superior, possibilidades pedagógicas do ensino a distância, letramento, inclusão digital, a
pesquisa e seus elementos.

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UNIDADE I – RELAÇÃO DO ENSINO-APRENDIZAGEM NAS
INSTITUIÇÕES DE ENSINO SUPERIOR (IES)

1. OS PILARES DO ENSINO UNIVERSITÁRIO

O ingresso no ensino superior no nível de graduação e, por conseguinte, em outras


esferas acadêmicas (especialização lato sensu e stricto sensu) provoca uma mudança latente na
forma como docentes e discentes devem conduzir os processos de ensino e de aprendizagem. No
entanto, deve-se perceber que não se trata de novos paradigmas, pois todo ensino e toda
aprendizagem, em qualquer nível ou modalidade de ensino, dependem das mesmas condições,
mas sim mudanças de olhar para com o objeto estudado, pois agora não se entende mais a
aprendizagem apenas empírica. Ou seja: a implicação do processo ensino-aprendizagem no nível
universitário precisa ser intencionalmente assumida pelos sujeitos envolvidos e efetivamente
praticada, pois, se assim não for, o processo acadêmico pode perder seu sentido de ser.
O ensino universitário, tal como o conhecemos na modernidade, tem por meta atingir
três objetivos que devem estar articulados entre si: o primeiro objetivo é a formação de
profissionais das diferentes áreas aplicadas, mediante o ensino e a aprendizagem de habilidades e
de competências técnicas e acadêmicas. Nesse contexto, e face à banalização da informação na
atualidade, o papel docente deve ser ressignificado, pois agora sua função não mais poderia ser a
de simplesmente informar os saberes que a humanidade acumulou e sim, conforme destaca
Antunes (2002, p. 11), “de transmitir de forma maciça e eficaz novos saberes, mas também
encontrar e assimilar as referências que impeçam as pessoas de ficar submergidas nas ondas
maciças de informações”.
Outro objetivo do ensino superior, que deve ser evidenciado, é a formação de
pesquisadores, tanto em seu sentido lato como stricto, mediante a disponibilização dos métodos
e conteúdos de conhecimento das diversas especialidades do conhecimento. De modo geral, a
educação pode ser conceituada como o processo mediante o qual o conhecimento se produz, se
reproduz, se conserva, se organiza, se transmite e se universaliza, disseminando seus resultados
no seio da sociedade. E, no meio universitário, não apenas haverá essa “propagação” do
conhecimento, mas, também, a sua criação e validação através da pesquisa. Assim, as

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instituições de ensino superior também não podem omitir seu papel de produtoras de
conhecimento.
O terceiro objetivo do ensino universitário é referente à formação do cidadão, pelo
estímulo de uma tomada de consciência, por parte do estudante, do sentido de sua existência
histórica, pessoal e social. Neste contexto, está em pauta levar o discente a entender sua inserção
não só na sociedade como sujeito, mas também enquanto profissional. Dessa forma, e associando
os três objetivos das instituições de ensino superior (IES), percebe-se que o compromisso da
educação universitária tem um compromisso maior: a construção de uma sociedade na qual a
vida individual seja marcada pelos indicadores de cidadania, e a vida coletiva pelos indicadores
da democracia. Para dar conta desse compromisso, as IES desenvolvem atividades específicas,
que devem ser articuladas entre si, a saber: ensino, pesquisa e extensão.

Produção do conhecimento nas Instituições de Ensino Superior (IES)

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2. ESTRATÉGIAS DIDÁTICAS PARA A RELAÇÃO ENSINO-APRENDIZAGEM NAS IES

Para a relação entre ensino e aprendizagem nas IES, torna-se necessária a transposição
de paradigmas na ação didática universitária. É preciso, dessa forma, uma mudança de estratégia
didática, atualmente centrada no ensino e na transmissão de saberes acumulados, para a ênfase
na aprendizagem. Ao mudar essa dimensão, não se trata apenas da simplificação do ato de
substituir palavras, mas, na verdade, modificação de ações desenvolvidas na prática pedagógica
universitária. Assim, é preciso transitar da centralização do professor para o aluno, cabendo a
este, o papel central de sujeito que exerce as ações necessárias para que ocorra sua
aprendizagem, adquirindo habilidades, enfim, produzindo conhecimento; do papel do professor
enquanto agente de transmissão de informações para a função de mediador pedagógico, ou
mesmo de orientador do processo de aprendizagem do aluno.
Nessa perspectiva, um dos pilares do ensino no nível superior deve centrar-se na
produção de conhecimento. Isto quer dizer que o conhecimento se dá como construção do objeto
que se conhece, mediante nossa capacidade de reconstituição simbólica dos dados de nossa
experiência. Então, a atividade de ensinar e de aprender está intimamente vinculada ao processo
de construção de conhecimento, ou seja, ao processo de investigação. Por isso, o processo de
ensino-aprendizagem no curso superior tem seu diferencial na forma de se lidar com o
conhecimento, pois esse deve ser adquirido não mais através de seus produtos, mas de seus
processos. O conhecimento deve se dá mediante a construção dos objetos a se conhecer e não
mais pela representação desses objetos; pela experiência ativa do estudante e não mais ser
assimilado passivamente.
Partindo de uma noção de conhecimento como construção do objeto de pesquisa que se
conhece, a atividade da pesquisa torna-se elemento essencial e imprescindível no processo
ensino-aprendizagem. Então, o docente precisa fomentar a pesquisa para ensinar eficazmente; o
aluno precisa dela para aprender de forma proficiente e significativamente; e as IES precisam da
pesquisa para mediar à educação. Ensino e aprendizagem só serão motivadores se seu processo
se der como processo de pesquisa.
Desse modo, nas IES, a pesquisa assume três dimensões: epistemológica, centrada na
perspectiva do conhecimento; pedagógica, decorrente de sua relação com a aprendizagem,

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prática que se torna mediação necessária e eficaz para o processo de ensino-aprendizagem;
extensionista, que pretende uma dimensão social.
Aliado à pesquisa, ao ensino e à extensão, outro viés também se destaca em relação ao
processo de ensino e de aprendizagem, ou seja, as tendências pedagógicas. O tipo predominante
de corrente pedagógica escolhida como ação didática do professor possui um papel fundamental
no desenvolvimento e na formação do aluno que, desde a sua infância, sofre influência direta da
estruturação e das estratégias de ensino preferencialmente adotadas. De forma resumida, são
apresentados alguns pontos que podem caracterizar cada abordagem de ensino, seus elementos e
possibilidades.

CORRENTES
TRADICIONAL NOVA TECNICISTA LIBERTADORA
ELEMENTOS
Objetivo Conhecimento Modelo ideal, Responder aos Transformação do
da verdade
funcionamento objetivos da modelo homem-
universal.
pleno. educação e da mundo.
sociedade.
Visão de Conhecimento Reconstituição A realidade é Aproximação da
Mundo acumulado ao do mundo dotada de leis realidade, o
homem como
longo dos anos. externo em si próprias.
construtor do
próprio. mundo percebido.
Visão de Homem ideal, Liberdade, O homem é Mundo passível à
iniciativa,
Homem tábula rasa. consequência mudança.
autonomia e
interesses. do meio
ambiente.
Ensino- O Quantum se O ensino está Aprender é Consciência do
aprendizagem aprendia. centrado na modificar o real.
pessoa. comportamento.
Conhecimento Conteúdos Construído a Indutivo, é o Subjetividade-
externos. partir da resultado direto objetividade.
experiência. da experiência.

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CORRENTES
TRADICIONAL NOVA TECNICISTA LIBERTADORA
ELEMENTOS
Metodologia O professor é o O professor Ênfase nas Inter-relação entre
expositor e o desenvolve uma condições método, teoria e
aluno receptor. metodologia ambientais, na prática.
própria e o aluno
avaliação
tem autonomia
somativa e no
para crítica e
controle.
aperfeiçoamento.
Avaliação Certificação da Autoavaliação. Ligada Autoavaliação
exatidão da diretamente ao e/ou avaliação
reprodução dos objetivo geral e mútua.
conteúdos aos específicos.
repassados.
Relação O professor é o O professor cria Professor e Aprendizagem
Professor- detentor do saber condições para aluno com o mútua.
aluno e o aluno é que o aluno mesmo papel: o
passivo ao aprenda onde de planejar,
professor. possa intervir. arranjar,
ordenar e
controlar os
meios.

Enfim, tendo a educação nos centros de ensino superior como núcleo a construção do
conhecimento, deve-se impor uma prática pedagógica condizente com essa função, apta a
superar a pedagogia do ensino universitário tradicional, apoiada na transmissão mecânica de
informações. O ensino-aprendizagem nas IES deve se constituir como uma mediação para a
formação, o que implica muito mais do que apenas repassar informações prontas e acabadas.
Não se trata de se apropriar e armazenar produtos, mas de apreender processos. Ou seja: o que
conta não é a capacidade de memorizar milhares de dados, fatos e noções, mas a capacidade de
entender, refletir e analisar essas informações, transformando-as em conhecimento.

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3. LEI Nº 5.540/68 E AS IES

Para se entender a atual situação do ensino brasileiro em nível universitário, é


necessário um revisitar a lei nº 5.540/68. Em seu artigo 1º, a lei determina que: “O ensino
superior tem por objetivo a pesquisa, o desenvolvimento das ciências, letras e artes e a formação
de profissionais de nível universitário”.
Lendo atentamente o artigo, percebemos que três elementos são importantes:
a) Pesquisa: A lei acrescenta, no artigo 2º, que o ensino superior é “indissociável da
pesquisa”. Percebemos, também a partir dessa lei, como a pesquisa é um elemento complementar
aos conteúdos programáticos das disciplinas universitárias, além da necessidade de continuidade
da pesquisa para além do curso.
b) Desenvolvimento das ciências, letras e artes: Esse desenvolvimento só acontecerá
se os cursos deixaram de ser apenas transmissão de conhecimento já adquiridos.
c) Formação de profissionais de nível universitário: o profissional deve receber, no
curso de nível superior, a formação técnico-científica que o habilite a desempenhar sua atividade
com eficiência e segurança.

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UNIDADE II – EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA:
POSSIBILIDADES PEDAGÓGICAS PARA AS IES

Pensar em Educação a Distância (EAD), na atualidade, exige por parte do educador


repensar práticas pedagógicas, métodos e estratégias para o ensino-aprendizagem nas Instituições
de Ensino Superior. Um conceito mais amplo de EAD nos remete a qualquer modalidade de
transmissão e/ou construção de conhecimento sem a presença simultânea dos agentes
envolvidos. Entretanto, o Ensino a Distância pode também se referir às modalidades de ensino,
cuja aprendizagem não mais estivesse atrelada à presença física dos alunos nas chamadas
escolas, atendendo à necessidade de uma parcela da população que, por motivos diferentes, não
podem frequentar esses estabelecimentos, regularmente. Foram criados, então, sistema de ensino
a distância utilizando-se veículos de comunicação diversos, a exemplo do correio, do rádio e da
televisão.
No entanto, essa primeira investida nos cursos EAD, como, por exemplo, os oferecidos
pelo Instituo Universal Brasileiro, em 1956, projeto Minerva, em 1970, Telecurso 2º Grau, em
1978, Telecurso 2000, em 1995, e TV Escola, em 1996 apresentava um grande problema: a falta
de interatividade do processo de aprendizagem, devido à dificuldade dos alunos trocarem
experiências e dúvidas, com professores e colegas, o que desestimulava e empobrecia todo o
processo educacional. Essa dificuldade, associada a outras de teor político-cultural e
socioeconômico, acabavam por limitar o sucesso desses empreendimentos que, mesmo assim,
continuaram a existir.

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Com o avanço e difusão das Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) em rede
essa situação começou a ser transformada, pois agora as possibilidades de acesso a informações e
conhecimentos sistematizados, assim como a interação entre diferentes sujeitos educacionais,
ampliaram-se significativamente.
Nesse novo cenário, o conceito de EAD passa a ser ampliado, sendo agora um novo
espaço de ensino-aprendizagem, possibilitado pela mediação dos suportes tecnológicos digitais e
de rede, esteja esta inserida em sistemas de ensino presenciais, mistos ou completamente à
distância.
É importante perceber que essa abordagem da EAD diferencia-se da apresentada no
Decreto 2494 de 10/02/1998 da legislação educacional brasileira que compreende esta
possibilidade pedagógica como:
Uma forma de ensino que possibilita a auto-aprendizagem, com a mediação de recursos
didáticos sistematicamente organizados, apresentados em diferentes suportes de
informação, utilizados isoladamente ou combinados, e veiculados pelos diversos meios
de comunicação. (DECRETO 2494 / 98).

Essa diferença torna-se relevante salientar visto que a EAD não é mais concebida a
partir da ênfase no autodidatismo, mas sim na construção coletiva do conhecimento, mediada
pelas tecnologias de rede.
Outro ponto a se destacar em relação ao sistema EAD atual diz respeito à interatividade.
Partindo do conceito de sujeito interativo de Vygotsky, temos a transformação do objeto de
conhecimento pelo sujeito que também é totalmente transformado pelo objeto, numa relação de
total imbricamento. Assim, o sujeito é ao mesmo tempo autor e ator dos processos de construção
de conhecimento, num fenômeno que se estabelece a partir de dimensões ao mesmo tempo
objetivas e subjetivas.
Assim, frente aos avanços das tecnologias digitais e das redes telemáticas de
comunicação, a EAD pode apresentar novas formas de interatividade, oferecidas principalmente
pelas tecnologias do tipo síncrono que disponibilizam, em tempo real, o acesso a conteúdos e
formas comunicacionais, que podem ser transformadas e modificadas constantemente, como
exemplo, os chats, sistema de mensagens, videoconferências, etc. Dessa forma, a interatividade é
compreendida como a possibilidade de o usuário participar ativamente da construção do
conhecimento, inferindo no processo com ações, reações, intervindo, tornando-se receptor e
emissor de mensagens que ganhem dinamicidade.

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1. PAPEL DO PROFESSOR FRENTE ÀS TECNOLOGIAS EDUCACIONAIS

Nesse contexto de tecnologias educacionais, o papel


do professor também deve ser redimensionado, pois agora o
papel do docente repassador de informações prontas e
acabadas deixa de existir e dá lugar a um agente organizador,
dinamizador e orientador da construção do conhecimento por
parte do aluno e de sua própria autoaprendizagem contínua.
Ou seja: o papel do professor não seria a de passar conteúdos
que só “ele sabe”, mas a de orientar o processo de construção
de conhecimento pelo aluno, apontando-lhe a necessidade de uma atitude crítica e ativa em
relação ao mundo de informações a que é submetido diariamente. Nessa esfera, cabe ao
professor levar o aluno a compreender que, com as informações recebidas, ele pode construir
conhecimento.
O professor necessita trabalhar em um contexto criativo, aberto, dinâmico, complexo.
Em lugar da adoção de programas fechados, ele deve passar a trabalhar com estratégias, isto é,
com cenários de ação que podem modificar-se em função das informações, dos acontecimentos,
dos imprevistos que sobrevenham no curso da ação.
Isso implica, conforme destaca Morin (1996), trabalhar com o princípio da incerteza e,
assim, na relação professor-aluno-conhecimento deve estar presente a interatividade, não como
consequência da presença das novas tecnologias, mas como foco, como uma característica, um
requisito para a construção do conhecimento.

2. TECNOLOGIAS DA INFORMAÇÃO E COMUNICAÇÃO E OS CURSOS EAD

As Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC) provocaram uma revolução não


somente no campo da educação, mas também influenciaram todo o estilo de vida da sociedade
do final do século XX. A característica principal que impulsionou sua aplicação na EAD foi a
possibilidade de manter, de forma fácil e rápida, a interação professor-aluno, mediação essa que
pode ser feita por diversos métodos que se utilizam das abordagens síncronas e assíncronas.

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As abordagens síncronas referem-se àquelas em que professor e aluno devem estar
utilizando o meio ao mesmo tempo. Nas assíncronas a interação pode se dar independente da
presença de ambos, podendo ser realizada em momentos distintos.
Nas abordagens síncronas uma das vantagens é a possibilidade de interação em tempo
real, não sendo necessário esperar para obter respostas ou realizar discussões. Como exemplos,
temos os chats, as videoconferências, etc. Como no modelo assíncrono não há necessidade da
presença dos atores do processo ensino-aprendizagem ao mesmo tempo, torna-se mais flexível a
interação entre eles. A possibilidade de o aluno enviar suas dúvidas a qualquer momento e o
professor poder respondê-las posteriormente, estabelece uma dinâmica importante para o
desempenho dos alunos e os estimula a criarem questões bem elaboradas, colaborando para a
sistematização de suas dúvidas e uma melhor organização de seus questionamentos acerca do
tema em estudo. Como exemplo de assíncrono, podemos mencionar o correio eletrônico (email),
os fóruns de discussão, etc.
No entanto, é importante salientar que alguns pontos são de extrema importância na
interação entre professor-aluno no modelo assíncrono:
a) tempo de resposta: é preciso que as questões e/ou considerações enviadas pelo aluno
sejam respondidas para que isso não sirva de desmotivação para o discente.
b) sobrecarga do professor: é importante que o professor realize um planejamento para
que não haja perguntas de mais para serem respondidas, pois, se assim acontecer, será incapaz de
dar conta de todas as discussões.
c) motivação do aluno: o aluno deve ser mantido sempre motivado e disposto a
interagir com o professor e com outros colegas. Além disso, ele precisa perceber que as suas
contribuições nos chats, fóruns etc., são importantes e necessárias para o crescimento do grupo
como um todo.
d) sistematização de questões: deve ser uma preocupação constante dos envolvidos do
curso, pois questões evasivas serão menos compreendidas pelo professor, interferindo no tempo
de resposta, e poderão não ter o resultado que o aluno espera, interferindo na sua motivação.
e) sistematização de respostas: é importante o professor estar preparado para responder
de forma clara e objetiva às dúvidas dos alunos, pois disso dependerá a motivação do aluno.

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Dentre as tecnologias mais utilizadas na atualidade em relação aos cursos EAD, temos a
internet, sobre a qual falaremos a seguir.
INTERNET

A Internet liga computadores e telefones, sendo atualmente o meio de comunicação e


difusão de informação que mais atrai a atenção educacional. Trata-se de uma rede de redes de
computadores que permite que os usuários tenham acesso a base de dados no mundo todo. A
Internet não significa apenas, entretanto, ter acesso a uma maior gama de informações. Ela
também propicia uma economia e agilidade de comunicação, pois ela oferece um tipo de
comunicação “muitos-a-muitos”, oferecendo muitas maneiras de comunicação.
Nos cursos EAD, a Internet deve ser apresentada como algo natural para a realização das
atividades. Esse instrumento apresenta diversas vantagens para a efetivação da EAD, dentre elas a
possibilidade de rompimento de barreiras geográficas de espaço e temporais, permitindo ainda o
compartilhamento de informações em tempo real, o que apoia o estabelecimento de cooperação e
comunicação entre grupo de indivíduos. Além disso, a internet disponibiliza os mecanismos de
mediação síncrona e/ou assíncrona, que são utilizados no processo da educação a distância, sendo
os mais disponibilizados o HTML, EMAIL, FÓRUM, CHAT, LISTA DE DISCUSSÃO,
VIDEOCONFERÊNCIA, QUADRO ELETRÔNICO, sobre os quais falaremos a seguir.

 HTML:
A HyperText Markup Language (HTML) é uma linguagem criada para a manipulação e
exibição de hipertextos disponíveis em todos os servidores da Internet.
A HTML se apresenta como um dos principais mecanismos de apoio a EAD na Internet,
pois a sua utilização permite a disponibilização do material didático necessário para o
desenvolvimento das aulas, criando apostilas online que podem ser utilizadas pelos alunos.

 E-MAIL
O e-mail ou correio eletrônico é um dos serviços mais utilizados na Internet. Com ele, é
possível enviar correspondências em texto, ou com arquivos de quaisquer tipos anexados, para
qualquer pessoa de forma assíncrona.

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Na EAD, o e-mail exerce papel muito importante, pois é responsável pela interface
entre alunos-professores, alunos-alunos, professores-professores, englobando, assim, todos que
estão envolvidos com o curso ou com a administração do ambiente virtual.

 FÓRUM
Os fóruns são constituídos por discussões assíncronas realizadas por meio de um quadro
de mensagens, com diversos assuntos e temas sobre os quais o usuário pode emitir sua opinião,
além de poder argumentar sobre a opinião de outros respondentes, como também contra-
argumentar, formando uma teia dinâmica de debates.
Esse tipo de comunicação pode ser classificado por assuntos e as mensagens
relacionadas em ordem cronológica, mantendo certa sequência de discussão.
Ao estabelecer uma gama variada de temas que podem ser acessadas a qualquer
momento, os fóruns se tornam uma ferramenta importante para o desenvolvimento da EAD.
Nesse ambiente, além de emitir opinião, o aluno pode utilizá-lo para esclarecimento de dúvidas,
mediante a leitura de textos previamente indicados pelos professores ou demais membro do
grupo.
O fórum torna-se uma ferramenta muito rica para a construção colaborativa de
conhecimento e, para que possa efetivar de forma proficiente essa função, torna-se necessário
que o aluno seja motivado pelo professor a fazer uso dessa ferramenta.
No entanto, é preciso atentar-se para algumas características desse gênero emergente: as
discussões que são postadas nos fóruns devem ser claras, objetivas e, ao contra-argumentar outro
debatedor, deve existir a cortesia na forma de escrita.
Para dinamizar os fóruns, o professor deve sempre atentar-se para incluir questões que
possam ter mais de uma resposta ou tese, podendo também ser postados, pelo professor, duas
alternativas que devem ser escolhidas pelo discente e, em seguida, comentar a razão pela qual fez
a sua escolha. É importante lembrar que a metodologia utilizada pelo professor será fundamental
para que se alcance sucesso na utilização do fórum EAD.
Existem outros termos que são utilizados para se referir aos fóruns de debates, tais
como: quadros de avisos, discussões temáticas, grupos de notícias, conferências por computador
e fóruns eletrônicos.

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 CHAT
Esse tipo de comunicação, muito
conhecida como sala de bate-papo, é outra
ferramenta que pode ser aplicada a EAD,
tendo como objetivo principal o
estabelecimento de discussões síncronas
por meio de texto, imagens, emoticons. Os
participantes do chat, que podem ser
identificado pelo nome ou pseudônimos,
podem enviar e ler mensagens,
estabelecendo uma discussão em grupo e,
ainda, trocar mensagens de forma reservada ou particular.
A partir desse tipo de “conversa online”, podemos perceber alguns objetivos
educacionais para a EAD: esclarecimento de dúvidas, discussões ou debates, formação de grupo
de estudos etc. No entanto, é importante que o aluno seja instruído de que o chat trata-se de uma
forma de interação educacional, para que a função primordial desse expediente, dentro do curso
de educação a distância, não seja modificada com conversas pessoais.
O professor, enquanto articulador dessa ferramenta, também deve ficar atento em
relação aos alunos que pouco participam ou não utilizam a ferramenta em seu cotidiano de
estudo e instigá-los a se expressar através dessa ferramenta, mas sem que isso pareça uma
obrigatoriedade. É preciso, ainda, que o professor esteja atento aos desvios das discussões,
emitindo considerações que levem o grupo a retomar o objetivo pretendido.
Os sistemas de chats utilizados pelos cursos EAD apresentam várias alternativas de
interface visando minimizar a sensação de distância e impessoalidade destes sistemas. Assim,
pode-se utilizar como imagem identificadora dos participantes da interação fotos, imagens
escolhidas pelos participantes que possam simbolizar alguma identidade, personagens de
histórias etc, além de os interlocutores poderem exprimir emoções a partir dos emoticons, tipo de
escrita (se escreve tudo em maiúsculo o usuário pode estar gritando ou chamando a atenção),
sinais de pontuação, cores e tamanho de letra, entre outros recursos visuais e auditivos.

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 LISTA DE DISCUSSÃO
As listas de discussões são muito interessantes para os cursos de educação a distância,
pois possibilitam o envio de correspondências eletrônicas a um único endereço, sendo repassadas a
um grupo de endereços previamente cadastrados em um Servidor de Listas. Dessa forma, reduz-se
sensivelmente o esforço no envio de mensagens para o grupo e possibilita que qualquer membro
do grupo possa enviar dúvidas ou comentários que deseja compartilhar com todos os integrantes.
Esse tipo de comunicação apresenta listas que podem ser livres ou moderadas, isto é, as
mensagens enviadas podem estar sujeitas à aprovação de uma pessoa, chamada moderador, que
irá decidir se o conteúdo da mensagem deve ou não ser repassado para o grupo, evitando que
circule na lista informações que não dizem respeito a seus objetivos, fazendo com que os
usuários tenham suas caixas de mensagens lotadas com grande número de correspondências,
causando-lhe transtorno no recebimento e tempo de leitura de tais mensagens.
No entanto, a moderação acaba se tornando um trabalho extra para o professor, que
pode preferir uma alternativa mais simples, deixando a lista sem restrições, mas estabelecendo
normas de conduta na utilização da lista.

 VIDEOCONFERÊNCIA
A Videoconferência constitui-se em um conjunto de
facilidades de telecomunicações que permite aos participantes,
em duas ou mais localidades distintas, estabelecer comunicação
bidirecional mediante dispositivos eletrônicos de comunicação,
enquanto compartilham, simultaneamente, seus espaços
acústicos e visuais, tendo a impressão de estarem todos em um
único lugar.
Esse tipo de ferramenta é considerado um dos melhores meios de comunicação de
abordagem síncrona, pois possibilita o uso de imagem e som em tempo real e possibilita explorar
a linguagem corporal. No entanto, esse sistema ainda não pode se tornar uma realidade popular
devido ao alto custo de equipamentos e à falta de uma infraestrutura de telecomunicações
adequada.
Esta tecnologia pode ser oferecida por meio de salas de videoconferência ou por meio
do computador, cujas conexões podem ou não ser realizadas pela Internet. Essas salas são
formadas por auditórios equipados com TVs, câmera de vídeo e consoles de controle. As
soluções por computador são compostas por modem, placa processadora de som e imagem, uma

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pequena câmara e um microfone, além do software para videoconferência, o que se forma uma
solução mais barata e acessível, mas com outras limitações, principalmente, devido à falta de
qualidade de muitas conexões de banda larga.
As videoconferências apresentam como pontos positivos a ampliação da interação entre
os participantes do curso, o aluno tende a sentir-se mais motivado, amplia a capacidade de
comunicação do grupo, gera economia de recursos e de tempo, evitando o deslocamento físico
das pessoas que integram a equipe, tem a possibilidade de ser mais um recurso de pesquisa, pois
a reunião pode ser gravada e assistida posteriormente e o compartilhamento de informações entre
pessoas de diversas localidades.
Além disso, esse tipo de ferramenta traz uma certa pessoalidade a relações no curso
EAD, pois permite estabelecer um contato visual entre os alunos e professores, deixando esses se
serem um mero referencial simbólico que faz contato por meio eletrônico.
No entanto, é sabido que em relação às videoconferências existem também limitações
tecnológicas e estruturais para seu bom funcionamento, principalmente em relação aos
provedores de acesso à Internet que temos disponíveis na atualidade.

 QUADRO ELETRÔNICO
Essa ferramenta é uma versão
eletrônica de um quadro branco tradicional, que
pode ser apagado. Ela permite que os alunos de
uma sala de aula virtual vejam o que o professor
está escrevendo ou desenhando. Normalmente,
essa técnica é combinada a outros tipos de
interações síncronas, como o chat de texto. As
ilustrações criadas nos quadros eletrônicos
podem ser salvas e postadas em quadros.
O uso compartilhado de um aplicativo, como uma planilha eletrônica ou uma
apresentação em PowerPoint, permite que os participantes adquiram e compartilham
informações em tempo real (síncrono).

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3. AMBIENTES VIRTUAIS DE APRENDIZAGEM

Um ambiente virtual é um espaço de significação onde seres humanos e objetos técnicos


interagem, potencializando, assim, a construção de conhecimentos, isto é, de aprendizagem, que
podem acontecer tanto através da utilização das novas tecnologias da informação e comunicação
como em outros locais.
No entanto, as novas tecnologias digitais da informação e comunicação (Internet, TV,
Vídeo, entre outras) se caracterizam pela sua nova forma de materialização. As informações que
vinham circulando em diferentes épocas através de diversos portadores (madeira, papiro, papel)
continuam, na atualidade, em processo de circulação através dos bits, códigos digitais universais,
o que gerou a revolução digital.
Agora, com a informação digitalizada, ela se reproduz, modifica, circula e se atualiza
em diferentes interfaces: sons, imagens, gráficos, textos, entre outros. Dessa forma, a informação
se constitui no principal elemento de nossa organização social moderna, difundidas no
ciberespaço.

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3.1 CIBERCULTURA OU CULTURAL DIGITAL

A cibercultura, cultura cibernética ou cultura digital caracteriza um conceito emergente


da pós-modernidade, que nasce da perspectiva do impacto das novas tecnologias e da conexão
em rede na sociedade. Essa cultura promove uma recombinação da ciência com as artes,
utilizando-se da metalinguagem digital e da capacidade de remontar arquivos para exprimir a
produção simbólica de um determinado grupo social, mas que atinge a todos que estão
conectados à rede. O barateamento do computador pessoal e do telefone celular, aliado à rápida
evolução das aplicações em software livre e dos serviços gratuitos na rede, promoveu uma
radical democratização no acesso a novos meios de produção e de acesso ao conhecimento.

3.2 O CIBERESPAÇO

De acordo com Kenway (2001), o ciberespaço é um


“lugar” sem cara de lugar e sem espaço, pois não há em seu
interior fronteiras ou corpos, apenas textos e imagens e sons feitos
de bits e bytes; um espaço transnacional, um “lugar” que não tem
os aspectos de espaço, sem fronteiras, representando um lugar de
peregrinação, de andarilho. Este espaço oferece novas relações
entre produtores e consumidores de conhecimentos, pois
permitem aos sujeitos serem não apenas consumidores ativos ou
passivos dos produtos de informação e da cultura global, mas agentes de seus próprios produtos
culturais e também distribuidores desses elementos.
Percebe-se, assim, que o ciberespaço não surge apenas por conta da digitalização,
evolução da informática e suas interfaces, mas da interconexão de computadores, da
disseminação de produtos culturais.
Portanto, a Internet e o ciberespaço oferecem novas relações entre produtores e
consumidores de textos culturais, novas e diferentes formas de relacionamento, novas
identidades culturais e sociais e novas formas de desenvolver e armazenar conhecimento,
indicando, assim, novas possibilidades para as pedagogias transformacionais.

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3.3 AS TIC COMO ESPAÇO DE APRENDIZAGEM

É inegável que vivemos uma época com muitas transformações. Desde a década de
1970 experimentamos um mundo caracterizado por um meio técnico-científico-informacional,
que se distingue dos períodos anteriores da história em virtude da profunda interação da ciência
com a técnica. Nesse cenário, a informação assume papel essencial nos processos de produção,
não só de mercadorias, mas também na organização do espaço, exigindo que o território seja
cada vez mais equipado com objetos técnicos que facilitem sua circulação em redes. Antenas,
cabos submarinos e satélites são alguns destes objetos que marcam cada vez mais a paisagem ao
darem origem a redes de comunicação eletrônicas.
Conforme asseguram Malaguti e Nunes (2009), neste contexto de interação entre
técnica e ciência, a implantação das redes de telecomunicações em alguns países por meio da
aproximação entre setores da comunidade acadêmica e governos deu origem às National
Research and Education Networks – NRENs (Redes Nacionais de Ensino e Pesquisa). Tendo
como principal objetivo a integração das comunidades acadêmicas dentro e fora dos seus
respectivos territórios nacionais, as NRENs foram implementadas por meio de modelos e
arranjos institucionais que variaram de acordo com cada país, como a Advanced Research
Projects Agency Network – ARPANET, nos Estados Unidos, que a história registra como o
embrião do que popularmente chamamos de internet.
No Brasil, as primeiras conexões às redes globais de computadores foram estabelecidas em
1988 com a ativação de um enlace de comunicação do Laboratório Nacional de Computação
Científica (LNCC), no Rio de Janeiro, com a Universidade de Maryland (EUA), por meio da rede
BITNET (sigla de Because It´s Time Network, uma das primeiras redes de conexão em grande
escala), assim como a conexão da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo
(FAPESP) com o Fermi National Laboratory (Fermilab) de Chicago (EUA).
No ano seguinte, em 1989, o Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT) deu início à
implementação da NREN brasileira lançando, com apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento
Científico e Tecnológico (CNPq), o projeto Rede Nacional de Pesquisa (RNP).
Dez anos depois da criação do projeto RNP, em 1999, o Ministério da Educação
(MEC), por meio da instituição do Programa Interministerial de Implantação e Manutenção da

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RNP, passa a compartilhar os custos da rede com o MCT. Em 2002, a RNP deixa de ser um
projeto e é qualificada como Organização Social (OS), responsável pela prestação de um serviço
de interesse público.
No entanto, a Internet não pode ser considera hoje apenas como equipamentos,
ferramenta de comunicação ou apoio utilitário, mas são meios potenciais de transformação de
práticas pedagógicas, fato esse que nos leva a pensar na concepção de educação e também na
importância do investimento na formação do professor para o desenvolvimento do trabalho com
as TIC, principalmente a Internet, tornando-as como instrumentos de aprendizagem.
A implementação das TIC no sistema educacional, principalmente a conexão de
computadores à Internet, pode tornar o processo de ensino-aprendizagem algo sintonizado com a
vida contemporânea, proporcionando para o aluno a escolha dos próprios caminhos para ter
acesso à informação. As TIC potencializam a difusão dessas informações, que seriam os nós na
rede, formando assim uma teia, onde os conhecimentos são permanentemente (re)construídos a
partir das interrelações entre os sujeitos que estão ligados à máquina. Ou seja: o uso dessas
tecnologias na educação busca não apenas transmitir a informação, mas tornar o ambiente mais
interativo e propício à construção de aprendizagens, a partir da conexão entre professor-aluno,
aluno-aluno.
No entanto, em um programa de educação a distância, os estudos são feitos, na maior
parte do tempo, individualmente, sem a presença de colegas e professores. Essa autonomia de
construção de conhecimento é uma das principais características dessa modalidade de estudo.
São, portanto, bastante diferentes das experiências de cursos presenciais, nos quais o aluno conta
com a mediação constante de um professor. Em um curso a distância, os materiais e o sistema de
apoio tutorial cumprem essa função de mediar a aprendizagem, requerendo um papel mais ativo
e participante do cursista. Essa situação individual tem a vantagem de permitir ao aluno definir
quando vai estudar, onde e quanto tempo vai dedicar a essa tarefa, ou seja, oferece condições de
trabalho bem flexíveis. Porém, para que essa vantagem potencial não resulte numa prática em
desvantagem, é muito importante que o discente esteja ciente da necessidade de planejar
cuidadosamente o tempo que vai dedicar ao estudo e as condições em que ele vai acontecer.
Nesse contexto, planejar o estudo quer dizer organizar com alguns dias de antecedência as suas
sessões de estudo, a que horas, onde e durante quanto tempo vai estudar. Além disso, é

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necessária a participação em ambientes virtuais de aprendizagens, para a troca de interação
aluno-aluno e aluno-professor.
3.3.1 Formação do Professor para o uso das TIC

No atual contexto de sociedade tecnológica, o papel do


professor vem mudando, apesar de esse processo de
transformação ainda não ser percebido por diversas instituições
acadêmicas. Na atualidade, o professor não necessita absorver
mais um universo e transmiti-las para seus alunos, pois elas estão
sendo disponibilizada por diversos meios de comunicação e
tecnológicos, de forma atualizada.
As escolas públicas começam a ser informatizadas na década de 70, a partir da criação da
Secretaria Especial de Informática (SEI). A educação foi a área escolhida como aquela que
deveria receber, com prioridade, recursos tecnológicos e a implementação de uma política
especial de informatização, visando à profissionalização dos alunos para integrarem o quadro de
trabalho das empresas estrangeiras que, nessa época, começavam a se difundir no país.
No entanto, o trabalho com as TIC na educação não pode (nem deve) se resumir a
transmissão de conteúdos de informática ou treinamento ou treinamento de programas
educacionais, visando a fins utilitários, pois na verdade essas ferramentas devem estar dentro de
uma proposta pedagógica. Isso significa que o professor, na verdade, será mais do que um
“multiplicador” de conhecimentos sobre tecnologias; ele precisa ser um agente mediador, produtor
de ideias e informações para interagir com os elementos tecnológicos (TV, celular, vídeo,
computador, filmadora, entre outros), de forma a proporcionar a construção de conhecimentos.
Para que essa interação entre tecnologia-professor-conhecimento ocorra, é necessária
uma formação continuada, uma reflexão constante sobre as potencialidades que os recursos
tecnológicos podem promover em relação à aprendizagem dos alunos e a troca de
conhecimentos. A escola, entretanto, precisa se tornar um espaço de formação e reconstrução e,
para isso acontecer de forma proficiente, é importante que a proposta pedagógica e práticas
docentes indisciplinares proporcionem a implantação de redes de formação continuada,

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possibilitando ao professor a construção de projetos coletivos, a reflexão sobre sua prática
pedagógica, buscando a implementação das TIC como ferramenta de um fazer pedagógico.
Mas para essa formação se efetivar, o professor também deve exercer outro papel: o de
pesquisador que, junto com os alunos, busquem outras formas de aprendizagem, considerando a
reflexão, a crítica, a interação e a construção coletiva.
O professor precisa estar aberto para atuar com essa tecnologia no sentido de formar o
cidadão atuante na sociedade. Para se construir esse novo cidadão, é preciso o uso consciente e
relevante das tecnologias e o desenvolvimento de práticas não lineares, mas, sim, estrutura de
forma hipertextual: uma educação interativa, em que as comunicações entre professor e aluno
acontecem de forma bidirecional, não apenas centrada na transmissão de informação por um
único agente emissor: o professor.
Assim, ao pensar nessa forma de comunicação, o professor redimensiona a sala de aula,
tornando o aluno autor e coautor de seus textos e de suas enunciações discursivas.
Os novos espaços de aprendizagem via Internet potencializam novas formas de ensinar e
de aprender não mais em uma estrutura vertical, mas em uma estrutura horizontal em rede, onde
cada nó é ao mesmo tempo centro e não-centro, de acordo como as relações de interação
acontecem no espaço tecnológico.
Outra percepção nessa esfera é relevante: a sala de aula no ciberespaço e a sala de aula
presencial não são opostas: elas, apenas, ocupam tempo e espaço diferenciados. Isso quer dizer
que dar aulas no espaço virtual não significa uma simples transposição das aulas presenciais.
Assim, é preciso pensar, nesse espaço cibernético, em novas formas de materialização do ensino
e da aprendizagem, o que pode favorecer novas formas interativas e viabilizar novas formas de
aprendizagem.

3.4 MOODLE

A plataforma ou Software Livre Moodle (Modular Object-Oriented Dynamic Learning


Environment) é um ambiente de aprendizagem a distância que foi desenvolvido pelo australiano
Martin Dougiamas em 1999. Esse ambiente é utilizado por diversas instituições, possuindo uma

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grande comunidade cujos membros estão em discussões sobre estratégias pedagógicas de
utilização do ambiente e suas interfaces.
O Moodle dispõe de um conjunto de ferramentas que podem ser selecionadas pelo
professor de acordo com seus objetivos pedagógicos. Dessa forma, a depender do curso será
escolhida a estratégia de comunicação, que pode ser através de fóruns, diários, chats,
questionários, textos wiki (textos construídos coletivamente e publicados em enciclopédias
virtuais, a exemplo da Wikipédia), publicar materiais de quaisquer tipos de arquivos, dentre
outras funcionalidades.

Esse ambiente virtual permite que seja oferecido ao aluno de forma mais flexibilizada,
os conteúdos a serem estudados no curso, bem como uma maior interação entre professor-aluno,
aluno-aluno. Isto é: o professor, além de poder definir a sua disposição na interface, poderá
utilizar metáforas que imputem a estas ferramentas diferentes perspectivas, que apesar de
utilizarem a mesma funcionalidade, se tornem espaços didáticos únicos.
Dessa forma, diversos recursos interacionais podem ser utilizados como elementos
didáticos. Assim, Chat pode ser utilizado como um espaço para discussão de conceitos
relacionados a um tema, como pode ser chamado de “Ponto de Encontro” e ser utilizado para
estimular o estabelecimento de vínculos entre os participantes do curso ou comunidade. A
utilização de outras ferramentas conversacionais deve surgir a partir do momento em que o
professor percebe a necessidade de inclusão de outros elementos, da abertura de novos espaços
dialógicos e inicia uma reflexão sobre a possível intervenção que deve fazer para o processo de
ensino-aprendizagem do discente.
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Da mesma forma podemos criar metáforas para outras ferramentas como o fórum, que
pode se tornar um portfólio, um repositório de atividades, um relatório de atividades de campo,
além de um espaço para discussão de conceitos. Ao mesmo tempo, um glossário pode ser usado
com um dicionário, uma FAQ, um pequeno manual, dentre outras alternativas.

No entanto, quando o professor utiliza uma dessas ações para propor atividades não há a
exclusão de outra, pois elas podem ser inseridas ao mesmo tempo no mesmo curso quantas vezes
e quando o professor achar necessário. Nessa perspectiva, concebe-se o ambiente virtual como
mais do que um simples espaço de publicação de materiais, mas como um local onde o professor
perceba a interação e a comunicação que cada contexto educacional pode apresentar em
diferentes momentos e situações.
O Moodle é dotado de uma interface simples, seguindo uma linha de portal. As páginas
dos cursos são divididas colunas que podem ser personalizadas pelo professor, inserindo
elementos em formato de caixas como Calendário, Usuários Online, Lista de Atividades, dentre
outros. Estas caixas são dispostas nas colunas à direita e à esquerda da tela podendo ser
deslocadas de um lado para o outro pelo professor.
Na parte central do ambiente virtual, encontramos um conjunto informações, dados,
figuras que podem representar a sequência de aulas por meio de uma lista de tópicos numerados
ou datados ou por grupo de conteúdo, áreas afins, etc. Por exemplo, poderia criar uma Área de
Convivência, para o registro de notícias relacionadas ao curso, um bate papo livre e um fórum
para discussão geral, uma Área de Conteúdo, para inserir os textos, imagens e apresentações
relativos à temática em foco, uma Área de Atividades, para orientar as atividades a serem

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realizadas e/ou entregues ao professor e, finalmente, uma Área de Interações, para dispor os
mecanismos de interações que o professor achar conveniente para realizar a mediação
pedagógica do curso.
Os fóruns são ferramentas importantes ferramentas no Moodle e geralmente são
utilizados com diversas perspectivas pedagógicas, devido ao seu formato ser bem aceito pelos
discentes, pois além de apresentar o encadeamento das discussões, identifica os autores das
mensagens por meio de foto e nominalização, incluídos pelo usuário do ambiente virtual. Isto
gera um maior sentimento de vínculo entre os alunos, já que personalizam a mensagem,
diminuindo a sensação de estar conversando com a máquina.

3.5 REDES E INTERNET

Etimologicamente, a palavra rede tem como significado um emaranhado de coisas que


se ligam umas a outras. Uma rede de computadores é formada por dois ou mais equipamentos
conectados entre si, que podem compartilhar textos, programas, entre diversos recursos da
informática.

Existem redes locais, chamadas de LAN (Local Area Network), que servem para ligar
computadores próximos um aos outros. A ideia de uma rede que pudesse conectar um
computador ao outro surgiu na década de 50. Nessa época, os computadores só conseguiam
desempenhar uma tarefa por vez e os programadores não podiam trabalhar diretamente no

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computador, pois esse não apresentava uma velocidade compatível com programações, mas, sim,
trabalhavam manualmente.
Assim, nessa década, começaram as experiências para ver se era possível os
programadores trabalharem ao mesmo tempo no mesmo computador, introduzindo, assim, uma
LAN, que seria a base para a rede Internet.
A Internet é formada por milhares de computadores ligados entre si. Para que possa
existir uma comunicação entre eles, é necessária uma conexão e, para isso, precisa-se de um
provedor de acesso. Provedores são empresas que garantem o acesso de um computador à
Internet. A conexão entre um computador e o restante da rede pode ser feita por uma linha de
telefone, ondas de rádio, cabos, entre outros.
O navegador é um software que permite ao usuário conseguir informações na Internet.
A criação do navegador mudou a história da Internet. Em 1970, a palavra Internet não existia. A
primeira rede chamava-se arpanet e no início reunia apenas quatro universidades americanas. No
entanto, essa rede criou as bases para o que conhecemos hoje como Internet, nome esse que só
começou a ser usado na década de 80. Mas navegar por essa rede nessa época ainda era difícil e
trabalhoso e, para resolver essa problemática, o engenheiro britânico Timothy John Lee,
organizou as informações contidas na Internet, através da criação do web que, do inglês, significa
teia.
As páginas da Internet se ligam uma a outras através de links, que são o ponto de
conexão entre uma página e outra. O link pode ser uma palavra destacada em uma cor diferente,
pode ser um desenho, uma foto ou qualquer outro elemento de uma página web.
A web é uma rede infinita de sites e mais sites sobre todos os assuntos, onde o usuário
“navega”. O primeiro navegador da história da Internet foi criado por Timothy Berners Lee,
sendo esse aperfeiçoado 1993, por Marc Andreessen, quando criou o mosaic. Hoje, existem
vários tipos de navegadores, que mantiveram a mesma essência.
Cada máquina conecta à Internet tem um endereço único, o IP, apesar de fazer parte de
uma rede. O IP tem a função de localizar um computador em uma rede.

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UNIDADE III: LETRAMENTO E INCLUSÃO DIGITAL

O letramento digital, conforme


assegura Soares (2002), seria um estado ou
condição dos sujeitos que se apropriam das
novas tecnologias digitais e exercem, com
autonomia, práticas de leitura e de escrita em
telas, a exemplo dos computadores, aparelhos
celulares, caixas eletrônicos etc. Sobre isso,
Barton (1998 apud XAVIER, 2007, p. 4) diz
que o letramento digital seria apenas um tipo de letramento, tendo em vista a existência de outros
letramentos, e não um novo paradigma de letramento imposto à sociedade hodierna pela difusão
das tecnologias da informação e comunicação. Para Barton (apud XAVIER, 2007), os modelos
de letramento mudam porque são situados e históricos e acompanham a transformação de cada
contexto tecnológico, social, político, econômico, cultural em uma sociedade.
Essa perspectiva de letramento considera a necessidade de os indivíduos dominarem um
conjunto de informações e de habilidades cognitivas que devem fazer parte das práticas
escolares, com o objetivo de capacitar os alunos para que possam desempenhar sua cidadania
tecnológica nesta sociedade, cada vez mais cercada por máquinas eletrônicas, digitais e por
recursos imagéticos.
Não se pode esquecer que o acelerado desenvolvimento das tecnologias da informação e
comunicação deve também levar o professor a pensar nesse outro modo de escrita e de leitura,
uma vez que a tela do computador, do aparelho celular, caixa eletrônico, máquina digital, vídeo-
game torna-se novo portador textual (e de hipertextos), suscitando novos gêneros, novos
comportamentos sociais referentes às práticas de uso da linguagem oral e escrita, cobrando de
toda a sociedade – e por que não da escola? – novos modelos de interpretação dos fenômenos da
linguagem e as suas consequências sociais.
Nesse contexto de leitura e de escrita, fica evidente que o texto digital não apresenta, de
certa forma, a linearidade presente no texto escrito e passou a utilizar unidades menores de textos
organizados em links, hipertextos, imagens. Assim, percebe-se que muitos gêneros textuais

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emergentes (escritos veiculados nos meios digitais) obedecem a uma lógica definida, a depender
de seu suporte e, ao ver de Nelson (1992 apud KOCH, 2008), é a evidência não apenas de um
novo suporte de texto, mas de um novo modo de pensar e de exprimir a subjetividade.
Assim, é importante perceber que esses textos constituem-se em elementos abertos e
múltiplos, caracterizado pelo princípio da não-linearidade, interatividade, multicentramento e
virtualidade. Para Lévy (1996), o hipertexto desterritorializa o texto, deixando-o sem fronteiras
nítidas, sem interioridade definível. O texto, assim construído, é dinâmico, está sempre por se
fazer. Isto implica, conforme assegura Koch (2008), por parte do leitor, um trabalho contínuo de
organização, seleção, associação, contextualização de informações e, consequentemente, de
expansão de um texto em outros textos, de um mosaico textual para se posicionar contra a
originalidade radical de qualquer texto e para situar a experiência cultural comum no
compartilhamento dos textos, pois sempre assumimos posição de sujeito individual
(BAZERMAN, 2007). Ou seja: exige que o leitor esteja no centro da leitura e não apenas a sua
margem; exige uma nova postura de leitor (e de escritor), a qual a escola, focada em um único
tipo de letramento, produzindo sentido e significados sobre seus saberes, ainda não consegue
promover.
Esses novos procedimentos de leitura e de escrita de textos devem tramitar na escola
como elemento de integração de linguagens e interação social entre o sujeito local e um sujeito
global, pois todas as alunas e os alunos que fazem parte desta pesquisa evidenciam identidades
múltiplas, saberes diversos, negociam identidades, linguagens, ocupam posições diferentes na
enunciação de seu discurso, reconhecendo contextos e possibilidades comunicativas. E, por mais
que a escola construa uma barreira em relação à leitura e à escrita de textos virtualizados, o
mundo digital entra na vida daqueles que nunca tiveram acesso a esse conhecimento de forma
sistematizada, sejam eles da periferia ou dos bairros centrais da cidade.
Frade (2007, p. 60) define letramento digital como “a apropriação de uma tecnologia,
quanto ao exercício efetivo das práticas de escrita que circulam no meio digital”. Ribeiro (2007,
p. 125) amplia um pouco mais esse conceito, acrescentando que letramento digital diz respeito à
“maneira como os leitores / usuários se apropriariam dos novos suportes e dos novos recursos de
apresentação para a escrita / leitura”.

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A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB/ 96) aponta para a necessidade
de uma alfabetização digital em todos os níveis de ensino da Educação Básica e do Ensino
Superior. Ou seja: cabe à escola o papel socializador do saber tecnológico, pois assim ocorrendo,
na visão de Santos (2009, p. 21), aconteceria “o exercício de democracia direta em grandes
comunidades em situação de mudança e desterritorialização.” No entanto, essa democratização
não se constituiria diretamente em autonomia do sujeito que utiliza esses recursos (WILLIAMS,
1975, apud SANTOS, 2009), mas pode interferir na concepção identitária que os sujeitos
possuem de si mesmos.
Ribeiro (2007, p. 85) acredita que, com as tecnologias da comunicação e informação,
principalmente a internet, a identidade de um povo deixa de ser algo unitário e cede lugar para
um sujeito coletivo que, aos poucos, interfere nas subjetividades e identidades. “O sujeito é o elo
de uma teia de relações, formando um ecossistema, no qual, sozinho, não é ninguém.” No
entanto, cabe à educação, ao implementar o trabalho com as TIC em suas atividades cotidianas,
considerar as identidades individuais e garantir o respeito à diversidade, sem uma ideologia
homogeneizadora” (Ibidem, p. 85).
Para Kenway (2001, p. 116),
Educar os estudantes para o cambiante mundo do trabalho e para o papel das novas
tecnologias deve constituir uma parte importante do currículo, mesmo que isso
signifique conceder atenção a impopulares culturas extra-escolares.

Nota-se, assim, que deve-se tornar papel da escola desenvolver habilidades que
permitam que o estudante utilize os meios digitais de forma adequada às suas expectativas
discursivas. Kenway (2001) vai um pouco mais além. Para a autora, “a competência tecnológica
constitui o novo equipamento básico dos educadores”, pois, para ela, “o computador tornar-se
um instrumento indispensável e uma faceta de todo e qualquer local da prática humana” (Ibidem,
p. 117).
Kleimam e Vieira (2006, p. 122) asseguram que “debaixo do impacto tecnológico, o
sujeito desloca-se do local para o transnacional e, na luta desigual entre o local e o transnacional,
o local é preterido pela nova concepção de território.” Em outras palavras,
A capacidade de os sujeitos desvincularem-se do local para se ligarem ao global sob o
efeito da velocidade com que lidam com as TIC, como a Internet, pode torná-los
descompromissados de qualquer problema local, pois a qualquer momento ele pode se
mover para outro lugar sempre que esse se torne inóspito e pouco favorável aos seus
propósitos. (KLEIMAN; VIEIRA, 2006, p. 122-3)

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Dentro desse contexto, as instituições de ensino têm o papel de fazer emergir o cidadão
global com responsabilidades locais, favorecendo um intercâmbio discursivo entre essas duas
esferas. Assim, segundo Kleiman e Vieira (2006), torna-se papel do docente desmistificar a
concepção de que ser local em um mundo globalizado é sinal de privação e de degradação social,
pois o letramento digital deve ser uma prática que vise incluir digitalmente sujeitos à margem
das tecnologias e preservar a diferença e a diversidade.
Kenway (2001) ainda destaca que as agências escolares devem ensinar aos estudantes as
habilidades de análises semióticas, da análise do discurso, da desconstrução, da contraleitura
crítica e as tecnologias – meios, por si só, multissemióticos – podem servir de instrumentos para
essas aprendizagens. A autora assegura que “é necessário que os estudantes se movimentem
entre o alfabetismo da escrita e outros alfabetismos, que utilizem uma gama de formas
tecnológicas de comunicação” (Ibidem, p. 102). Mas para isso acontecer, segundo Deacon e
Parker (2001, p. 149), é necessária “a mudança em direção à produção de aprendizes ativos e
auto-regulados, em vez de aprendizes controlados e passivos, exigirá a reinvenção das
identidades e das subjetividades tanto de professores quanto de aprendizes”, identidades essas
que podem ser reveladas, preservadas e modificadas através do ciberespaço.
Ribeiro (2007, p. 93) destaca que “a educação deve garantir o resgate da identidade e da
autoestima do homem, convertendo-se num instrumento libertário”. E, para ele, a tecnologia
pode ser um instrumento para essa potencialização, pois:
O papel da escola é ensinar a pensar, preparando o aluno para lidar com situações
novas, problematizando, discutindo e tomando decisões. Sobretudo, cabe à educação
resgatar o homem de sua pequenez, ampliando os horizontes, buscando outras opções,
tornando as pessoas mais sensíveis e comunicativas (Ibidem, p. 94).

Para realmente transformar as TIC como ferramenta que evidencie as identidades dos
sujeitos, Teixeira e Santos (2009) acreditam ser necessário redesenhar nas instituições
acadêmicas o trabalho com a questão da identidade cultural frente à desterritorialização
promovida pelas mídias digitais, traçando, nesse percurso, as percepções sobre as hibridizações
dos códigos culturais e suas possíveis reconversões, tornando-se, assim, um vetor para a
construção do desenvolvimento local.
Na visão de Kleiman e Vieira (2006, p. 119),

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A escola tem papel central na realização das mudanças necessárias às novas exigências
tecnológicas. É fundamental, em qualquer sociedade, que o indivíduo aprenda nas
instituições escolares a se defender, conscientemente e de modo crítico, das influências
nefastas ou não, que atuam por meio das novas práticas discursivas instituídas pelo uso
do computador.

Assim, deve ser dentro da escola – e não alheia a ela – que discussões a respeito da
constituição das identidades do sujeito no mundo mediado pelas tecnologias devem ocorrer, com
o intuito de anular a falta de acesso a esses equipamentos, para que se possa partilhar
democraticamente o poder das modernas tecnologias. Além disso, debaixo do impacto
tecnológico, o sujeito desloca-se do local para o transnacional. Mas, conforme observam
Kleiman e Veira (2006), o local não deve ser preterido pela nova noção de território – que na
verdade é desterritorializada e sem fronteiras –, pois as TIC permitem o desvelamento de
identidades, mesmo essas, muitas vezes, sendo emancipadas. No entanto, as novas tecnologias
não podem (nem devem) gerar sujeitos descompromissados de problemas locais em nome de um
global. E é aí que, mais uma vez, entra a missão da escola: integrar o internauta aos elementos
globais, sem, contudo, permitir a homogeneização discursiva do sujeito virtual que, devido a
essas conexões diárias e velozes, podem aparecer sem ligações explícitas com o seu contexto
cultural e social.
Seguir essa concepção que permeia um intercâmbio entre as atividades culturais e
discursivas do local e do global faz com que os enunciados dos sujeitos se modifiquem e se
expandam, “pois todo e qualquer sujeito faz uso do discurso e como tal será constituído em
qualquer circunstância. O sujeito poderá ser múltiplo, ou único, mas nunca será nulo, zero,
apagado” (KLEIMAN e VIEIRA, 2006, p. 129).
Conforme Ribeiro (2007, p. 96), “a serviço da educação, as novas tecnologias devem
servir como mediação pedagógica a partir de um projeto educativo, num diálogo efetivo com a
realidade.” Assim, o trabalho com as TIC na escola deve potencializar o diálogo entre o mundo
real e o virtual, fornecendo aos sujeitos que as utilizam ou passaram a utilizá-las uma ferramenta
para a leitura de mundo e, em sua escrita, uma possível transformação dos textos e de realidades
que fazem parte do cotidiano desses indivíduos.

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1. INCLUSÃO DIGITAL

O agravamento da desigualdade tecnológica na era da informática ocorre por fatores


históricos, econômicos e políticos, mas é sustentado pela exclusão do conjunto da população ao
acesso às tecnologias e ao próprio desenvolvimento. Em pesquisa divulgada pelo IBOPE, em
2005, o Brasil tinha 16,1 milhões de internautas residenciais. No entanto, apesar desse número
de usuários domésticos, esse quantitativo, no Brasil, ainda é insignificante, pois o uso da Internet
no país ainda não se democratizou, nem se tornou popular visto grande parte da população estar
excluída do uso das tecnologias da informação e comunicação. Ou seja, de acordo com o IBGE,
menos de 10% da população tem acesso à rede mundial de computadores.
Partindo desses dados, percebe-se que os excluídos serão cada vez mais excluídos em
diversas atividades sociais, a exemplo de lojas, bancos, mercado de trabalho, entretenimento, a
não ser que se implantem, massivamente, ações para se promover a inclusão digital. Nesse
sentido, parece existir consenso entre o governo e a sociedade civil na compreensão de que, na
era da informação e do conhecimento, garantir o acesso à informática tornou-se tão
indispensável ao exercício da cidadania quanto o direito à saúde e à educação.
A luta contra o apartheid tecnológico e pelo enfrentamento da pobreza e exclusão social
conduziu amplos setores sociais e sociedade civil brasileira a implantar centenas de programas
de inclusão digital no Brasil, entre eles a criação de telecentros para acesso de comunidades de
baixa renda e os laboratórios de informática nas escolas.
Mas uma experiência muito significativa de inclusão digital, na esfera escolar, foi a
criação do Programa Escola Aberta, em 2006, pelo governo federal, que tem por objetivo
trabalhar a inclusão digital para a inclusão social por meio de integração escola-comunidade em
contextos populares desfavorecidos.
Em relação à inclusão digital nas escolas públicas,
prevista pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação, LDB/96,
não basta instalar computadores nas escolas, mas, sim,
primeiramente quebrar a barreira de acesso e, depois, manter
esse acesso.
Mas uma pergunta é importante se fazer: a inclusão

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digital garante a inclusão social das populações de baixa renda? A inclusão social pode ser
compreendida como o acesso e o exercício dos direitos civis (direito de ter um nome, acesso à
justiça, à uma identidade de referência); direitos político (acesso à informação, à liberdade de
expressão); direitos socioeconômicos (acesso a trabalho digno, à saúde, à educação); direito à
ecologia e à diversidade cultural (acesso a um meio ambiente livre de discriminações,
desigualdades sociais, acesso ao reconhecimento das diferenças).
Assim, a inclusão social vai além das questões identitárias e das apropriações das
tecnologias nas atividades do mundo do trabalho. Além do controle das esferas virtuais, é
necessário garantir aos jovens de contextos populares, igualmente, o acesso ao controle das
esferas reais. Ou seja: além de a escola (ou outra instituição social) possibilitar o acesso aos
meios tecnológicos, é necessário garantir a permanência de acesso, para a construção de uma
ciberdemocracia, condição contemporânea para que todos possam ser incluídos socialmente.

2. TIC E NOVOS PARADIGMAS EDUCACIONAIS

Nessa era de demandas digitais, percebe-se a necessidade de criar novas estratégias


educacionais que possam, efetivamente, ligar o sujeito aprendiz ao mundo contemporâneo. Entre
os desafios da escola atual, empreende-se o de transformar o mundo de informações em
conhecimentos, através do reposicionamento do papel docente bem como de seus instrumentos
de trabalho.
Um dos novos paradigmas que devem fazer parte da escola na atualidade diz respeito à
pesquisa que, na era das TIC, deve ser estruturada e ancorada em certos princípios, que cabem ao
docente efetivá-los.
A cada segundo alguém publica um dado novo na Internet a respeito de assuntos
diversos. Nesse contexto, um dos papéis docente diz respeito a ensinar aos alunos como separar a
toneladas de informações que fazem parte de diversos sites em conhecimentos potenciais para a
pesquisa. Além disso, é importante estar atento para outras questões, tais como:
1) Manter o foco no professor e não na tecnologia. A mera instalação na sala de aula
de equipamentos interativos não garante que a classe esteja tendo uma aula interativa, com
acesso a novas experiências educacionais. O professor deve associar aos seus métodos

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tradicionais em sala de aula estratégias que têm a tecnologia como suporte, a partir de um
exercício de criatividade. Dessa forma, mais do que capacitar o professor quando a nova
tecnologia entra na sala de aula, é fundamental manter programas de formação continuada em
longo prazo.

2) Oferecer para o professor acesso a uma comunidade para o desenvolvimento de


novos conteúdos e novos modelos de aula. Não cabe ao fornecedor A ou B ou à entidade
educacional C ou D ser a fonte de conteúdos revolucionários, que farão o melhor uso das novas
tecnologias de sala de aula. Esses personagens podem e devem suportar o desenvolvimento
desses conteúdos. É papel do professor, de pesquisadores, de especialistas em educação,
“inventar” novas e atraentes aulas a partir do novo ambiente educacional. Comunidades locais,
comunidades interligadas por redes sociais, comunidades internacionais e comunidades voltadas
ao desenvolvimento de conteúdos específicos sobre disciplinas específicas (Português,
Matemática, Ciência, etc.) são essenciais para suportar a missão do professor audaz, que anseia
desvendar novos horizontes e cativar os alunos ao longo de toda esta caminhada.

3) O professor deve se preparar para mudar seus paradigmas. O verdadeiro


educador sabe que tudo muda nesta área e que é impossível voltar ao passado.

4) Construção de conteúdos. A infraestrutura da sala multimídia pode ajudar o


professor a dar uma aula brilhante, atraente, que mantém os alunos conectados a ele todo o
tempo. Mas isso não diminui a importância da sólida formação em conhecimentos, da
capacidade de estar sempre atualizado. Esse é um valor eterno da educação. Com as novas
tecnologias educacionais, a única diferença é que a forma de transmitir esses conhecimentos
também é mais atualizada.

3. CIDADANIA, ÉTICA E VALORES SOCIAIS

Cada pessoa responde sozinha pelo que faz diante da sua própria consciência moral,
Contudo, o ato moral nunca é solitário e sim solidário, porque traz a exigência do respeito e do
compromisso com os outros. Neste sentido, nunca se falou tanto nessa sociedade globalizada
sobre a degradação dos valores éticos e morais.

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Mas o que são valores? O que é ética? E moral? Embora a preocupação com esses
termos sejam tão antigos como a humanidade, só no século XIX que surge a axiologia. A
axiologia dos valores é a ciência dos valores, que configura a valoração e hierarquização da
escala de valores, agrupando-os em morais, éticos, espirituais, humanos, ambientais, etc. O
vocábulo axiologia origina-se do grego; axios = valor, valia e logos = teoria. Este termo é muito
usado atualmente para designar a teoria do valor que investiga a natureza, a essência e também
os diversos aspectos que o valor pode tomar na cultura humana. A axiologia iniciou-se com o
filósofo Platão, na teoria das formas ou ideias subordinadas à forma do Bem, e se desenvolveu,
posteriormente, com Aristóteles, através dos estóicos e dos epicuristas, que investigaram sobre o
sumum bonum ou supremo bem. Na filosofia escolástica, o Summum Bonum ou supremo
bem é Deus. No século XIX, surgem diversas doutrinas sobre a relatividade dos valores em
decorrência da influência da Economia, da Sociologia e da Psicologia dos Valores. Na axiologia
jurídica, o maior valor é a justiça e a paz, na axiologia gnóstica é sabedoria, na axiologia
holística é a totalidade e a interdependência de todas as coisas.
Diante dos seres, sejam eles coisas inertes ou seres vivos ou ideias, somos mobilizados
pela afetividade, somos afetados de alguma forma por eles, porque nos atraem ou nos provocam
repulsa. Portanto, algo possui valor quando não permite que permaneçamos indiferentes.
Os valores são, num primeiro momento, herdados por nós. O mundo cultural é um
sistema de significados já estabelecidos por outros, de tal modo que aprendemos desde cedo
como nos comportar, por exemplo, à mesa, na rua, diante de estranhos, como falar, andar, correr,
como cobrir o corpo, qual o padrão ideal de beleza, que direitos e deveres temos. Conforme
atendemos ou transgredimos os padrões, os nossos comportamentos são avaliados como bons ou
maus. A partir da valorização, as pessoas nos recriminam ou nos elogiam por sabermos escolher
comportamentos maus ou bons respectivamente. Neste contexto, o resultado dos nossos atos está
sujeito à sanção dos outros sujeitos da sociedade.

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Para que a ação coletiva se torne possível, surgem a moral e a ética. Moral vem do latim
mos, moris que significa “maneira de se comportar regulada pelo uso” e ética vem do grego
etnos que significa “costume”.
A moral surge com a finalidade de organizar as relações entre os indivíduos, através de
um conjunto de regras que determinam o comportamento dos indivíduos em um grupo social.
É de tal importância a existência do mundo moral, que se torna impossível imaginar um
povo sem qualquer conjunto de regras. Uma das características fundamentais do homem é ser
capaz de produzir interdições, ou seja, proibições. Exterior e anterior ao indivíduo há, portanto, a
moral constituída, que orienta seu comportamento por meio de normas. Em função da adequação
ou não à norma estabelecida, o ato será considerado moral ou imoral.
O homem, ao mesmo tempo que é herdeiro, é criador de cultura e só terá vida
autenticamente moral se, diante da moral constituída, for capaz de propor a moral constituinte,
aquela que é feita dolorosamente por meio das experiências vividas.
Nessa perspectiva, a vida moral se funda numa ambiguidade fundamental, justamente a
que determina o seu caráter histórico. Toda moral está situada no tempo e reflete o mundo em
que a nossa liberdade se acha situada. Diante do passado que condiciona nossos atos, podemos

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nos colocar à distância para reassumi-lo ou recusá-lo. A historicidade do homem não reside na
mera continuidade no tempo, mas constitui a consciência ativa do futuro, que torna possível a
criação original por meio de um projeto de ação que tudo muda.
Cada um sabe, por experiência pessoal, como isso é penoso, pois supõe a descoberta de
que as normas, adequadas em determinado momento, tornam-se caducas e obsoletas em outro e
devem ser mudadas. As contradições entre o velho e o novo são vividas quando as relações
estabelecidas entre os homens, ao produzirem sua existência por meio do trabalho, exigem um
novo código de conduta.
Essa questão é importante, sobretudo nos tempos atuais, quando nos encontramos no
extremo oposto das sociedades primitivas ou tradicionais, nas quais persiste a homogeneidade de
pensamentos e valores. Hoje, no bojo de uma conjuntura globalizada, há múltiplas expressões de
moralidade, e a sabedoria consiste na aceitação tolerante dos valores dos grupos diferentes,
evitando o moralismo, que consiste na tentação de impor nosso ponto de vista aos outros.

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UNIDADE IV: METODOLOGIA CIENTÍFICA

A Metodologia Científica ou Metodologia da Pesquisa constitui-se de um


componente curricular obrigatório nos cursos de graduação e pós-graduação nas Universidades
brasileiras. Ela tem por objetivo instrumentalizar o estudante para a realização de atividades de
cunho científico, partindo de duas concepções: método e objeto de pesquisa.
Durante diversas épocas da história dos agrupamentos sociais, o ser humano passou por
diversos tipos de conhecimentos que os ajudaram a instigar o seu potencial de pesquisa. Os
estágios da evolução humana podem ser compreendidos a partir de algumas eras, tais como
mencionadas a seguir:
 Medo: quando o homem não compreendia os fenômenos da natureza e, por isso,
sentia medo desses fenômenos.
 Misticismo: o homem, nessa esfera, não se sente mais acuado pelos fenômenos da
natureza, mas, por não entendê-los, explica-os através de elementos ligados à
divindade.
 Ciência: agora, não apenas se entende os fenômenos, mas apresenta estratégias para
explicá-los e comprová-los, através de métodos.
A partir dessas considerações, é possível entender que ciência é o conhecimento que
apreende e registra fatos e os demonstra pelas suas causas. Ou seja:
Entendemos por ciência uma sistematização de conhecimentos, um conjunto de
proposições logicamente correlacionadas sobre o conhecimento de certos fenômenos
que se deseja estudar: a ciência é todo um conjunto de atitudes e atividades racionais,
dirigidas ao sistemático conhecimento com objeto limitado, capaz de ser submetido à
verificação. (TRUJILLO FERRARI, 1982).

Ou seja: a ciência constitui-se do pensamento racional, objetivo, lógico e confiável,


sistemático, exato e falível, mas não final e definitivo, pois deve ser verificável.
Assim, a ciência necessita da aplicação sistemática de métodos de investigação e de
cuidadosa análise lógica aos estudos de objetivos e ainda ao corpo de conhecimentos produzidos
através destes meios.
A ciência tem por objetivo ampliar conhecimentos, compreender fenômenos, contribuir
para a solução de problemáticas, além de aperfeiçoar a relação dos homens entre si e com a
natureza. Para se alcançar esses objetivos, a ciência parte de análises sistemáticas, factuais,
construídas passo a passo, passível de crítica.

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1. A PEQUISA E SEUS ELEMENTOS

Pesquisar significa, de forma ampla, procurar


respostas para indagações propostas. Minayo (1993, p.23),
vendo por um prisma mais filosófico, considera a pesquisa
como atividade básica das ciências na sua indagação e
descoberta da realidade. Dessa forma, pode-se perceber que a
pesquisa é uma atitude e uma prática teórica de constante
busca que define um processo intrinsecamente inacabado e permanente. É uma atividade de
aproximação sucessiva da realidade que nunca se esgota, fazendo uma combinação particular
entre teoria e dados.
A pesquisa pode ser inserida como uma atividade cotidiana considerando-a como uma
atitude, um “questionamento sistemático crítico e criativo, mais a intervenção competente na
realidade, ou o diálogo crítico permanente com a realidade em sentido teórico e prático”,
(DEMO, 1996, p.34).
Para Gil (1999, p.42), a pesquisa tem um caráter pragmático, é um “processo formal e
sistemático de desenvolvimento do método científico. O objetivo fundamental da pesquisa é
descobrir respostas para problemas mediante o emprego de procedimentos científicos”.
Sendo assim, é possível inferir que pesquisa é um conjunto de ações, propostas para
encontrar a solução para um problema, que têm por base procedimentos racionais e sistemáticos.
A pesquisa é realizada quando se tem um problema e não se tem informações para solucioná-lo.
A pesquisa científica se distingue de outra modalidade qualquer de pesquisa pelo método, pelas
técnicas, por estar voltada para a realidade empírica e pela forma de comunicar o
conhecimento obtido.

1.1 ETAPAS DA PESQUISA

Para a realização de uma pesquisa, deve-se seguir algumas etapas, cuidadosamente


planejadas e executadas.

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 Reconhecimento e formulação do problema: nessa etapa, deve-se selecionar o
objeto de pesquisa e definir o problema a ser investigado, a partir da exploração
inicial do tema e estabelecimento da problemática. Para isso, torna-se necessária a
escolha do assunto, a formulação da questão investigativa e a ampliação da revisão
bibliográfica sobre o problema a ser resolvido.
 Planejamento da pesquisa: nesse momento, deve-se definir objetivos e hipóteses da
pesquisar, além de definir a metodologia, método de pesquisa, técnica de coleta de
dados e o corpus (população e amostra de pesquisa).
 Execução da pesquisa: na execução da pesquisa, é necessário preparar o campo
onde ocorrerá a investigação, processar e analisar os dados coletados na investigação
(digitação, análise, interpretação, conclusão).
 Comunicação dos resultados: constitui-se na redação de relatório e apresentação do
resultado da pesquisa para a comunidade científica e pesquisada.

No entanto, é preciso que o pesquisador tenha em mente que o sucesso de uma pesquisa
está ligado a vários fatores, entre eles se destacam a indagação minuciosa do assunto; capacidade
para selecionar material bibliográfico e documental; transcrição correta de informações;
anotações claras e objetivas; apresentação ordenada e clara das conclusões ou dos resultados
alcançados e o desenvolvimento do processo de pesquisa, em harmonia com os objetivos
propostos no projeto.

2. CLASSIFICAÇÃO

As pesquisas são classificadas de diferentes formas em relação à natureza, abordagem,


aos objetivos e aos procedimentos técnicos.

Do ponto de vista da sua natureza, pode ser:

 Pesquisa Básica: objetiva gerar conhecimentos novos úteis para o avanço da ciência
sem aplicação prática prevista. Envolve verdades e interesses universais.

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 Pesquisa Aplicada: objetiva gerar conhecimentos para aplicação prática dirigidos à
solução de problemas específicos. Envolve verdades e interesses locais.
Do ponto de vista da forma de abordagem do problema pode ser:

 Pesquisa Quantitativa: considera que tudo pode ser quantificável, o que significa
traduzir em números opiniões e informações para classificá-las e analisá-las. Requer
o uso de recursos e de técnicas estatísticas (percentagem, média, moda, mediana,
desvio-padrão, coeficiente de correlação, análise de regressão, etc.).

 Pesquisa Qualitativa: considera que há uma relação dinâmica entre o mundo real e
o sujeito, isto é, um vínculo indissociável entre o mundo objetivo e a subjetividade
do sujeito que não pode ser traduzido em números. A interpretação dos fenômenos e
a atribuição de significados são básicas no processo de pesquisa qualitativa. Não
requer o uso de métodos e técnicas estatísticas. O ambiente natural é a fonte direta
para coleta de dados e o pesquisador é o instrumento-chave. É descritiva.

Do ponto de vista de seus objetivos (Gil, 1991) pode ser:

 Pesquisa Exploratória: visa proporcionar maior familiaridade com o problema com


vistas a torná-lo explícito ou a construir hipóteses. Envolve levantamento
bibliográfico; entrevistas com pessoas que tiveram experiências práticas com o
problema pesquisado; análise de exemplos que estimulem a compreensão.

 Pesquisa Descritiva: visa descrever as características de determinada população ou


fenômeno ou o estabelecimento de relações entre variáveis. Envolve o uso de
técnicas padronizadas de coleta de dados: questionário e observação sistemática.
Assume, em geral, a forma de Levantamento.

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 Pesquisa Explicativa: visa identificar os fatores que determinam ou contribuem para a
ocorrência dos fenômenos. Aprofunda o conhecimento da realidade porque explica a
razão, o “porquê” das coisas. Quando realizada nas ciências naturais, requer o uso do
método experimental, e nas ciências sociais requer o uso do método observacional.
Do ponto de vista dos procedimentos técnicos (Gil, 1991), pode ser:

 Pesquisa Bibliográfica: quando elaborada a partir de material já publicado,


constituído principalmente de livros, artigos de periódicos e atualmente com material
disponibilizado na Internet.

 Pesquisa Documental: quando elaborada a partir de materiais que não receberam


tratamento analítico.

 Pesquisa Experimental: quando se determina um objeto de estudo, selecionam-se as


variáveis que seriam capazes de influenciá-lo, definem-se as formas de controle e de
observação dos efeitos que a variável produz no objeto.

 Levantamento: quando a pesquisa envolve a interrogação direta das pessoas cujo


comportamento se deseja conhecer.

 Estudo de caso: quando envolve o estudo profundo e exaustivo de um ou poucos


objetos de maneira que se permita o seu amplo e detalhado conhecimento.

 Pesquisa-Ação: quando concebida e realizada em estreita associação com uma ação


ou com a resolução de um problema coletivo. Os pesquisadores e participantes
representativos da situação ou do problema estão envolvidos de modo cooperativo ou
participativo.

 Pesquisa Participante: quando se desenvolve a partir da interação entre


pesquisadores e membros das situações investigadas.

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3. MÉTODO DE PESQUISA:

Existem basicamente dois métodos de pesquisa: o indutivo e o dedutivo.

MÉTODO INDUTIVO

Processo mental que, partindo de dados particulares, suficientemente constatados,


infere-se uma verdade geral ou universal, não contida nas partes examinadas.
O método indutivo realiza-se em três etapas:
 Observação dos fenômenos
 Descoberta da relação entre eles
 Generalização da relação

MÉTODO DEDUTIVO:

Parte-se de dados gerais para se alcançar dados particulares. De forma, pode inferir que
há diferença entre os métodos, a saber:

DEDUTIVOS
 Se todas as premissas são verdadeiras, a conclusão deve ser verdadeira;

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 Toda a informação ou conteúdo factual da conclusão já estava, pelo menos
implicitamente, nas premissas.
INDUTIVOS
 Se todas as premissas são verdadeiras, a conclusão é provavelmente verdadeira, mas
não necessariamente verdadeira.
 A conclusão encerra informação que não estava, nem implicitamente, nas premissas.

4. TIPOS DE DADOS

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5. FASES DO PROCESSO METODOLÓGICO

6. PESQUISA E PROCEDIMENTOS ÉTICOS

Ao se pensar em pesquisa, é importante também que o pesquisador se atente a alguns


procedimentos éticos em relação à investigação. Assim, um dos principais elementos que devem
ser levados em conta seria a análise dos dados tais como se apresentam ao pesquisador, que deve
se referir sempre as diferentes perspectivas encontradas durante a investigação. Além disso,
outra estratégia que deve ser observada é a citação das fontes que são utilizadas no processo
investigativo.

7. TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO (TCC)

Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) é uma atividade escrita, sobre um determinado


tema, de responsabilidade do aluno e com orientação de um professor, com o objetivo de refletir
uma problemática de pesquisa, a partir de uma minuciosa análise de referencial teórico. O
mesmo é indispensável para obtenção de títulos. Para a NBR 14724:2002, seu resultado “deve
expressar conhecimento do assunto escolhido.” Existem diversos tipos de TCC, entre eles o
artigo, monografia, paper, ensaio, entre outros.

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CONSIDERAÇÕES FINAIS

A pesquisa é uma ferramenta inerente para a transformação de informações em


conhecimentos científicos, principalmente em relação às instituições de ensino superior. No
entanto, nesse novo contexto das tecnologias da informação e comunicação, é importante
fomentar um novo tipo de aprendizagens, ancoradas em uma perspectiva ativa de sujeitos.
Com a implementação das Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC), entre elas o
computador, aparelho celular, caixa eletrônico, entre outros equipamentos tecnológicos no
mundo moderno, nota-se mudanças estruturais nas práticas cotidianas de muitos sujeitos. No
entanto, apesar de essas ferramentas já fazerem parte do dia a dia da população, muitos
indivíduos encontram-se à margem dessas tecnologias, constituindo-se os excluídos
digitalmente. Para esses, o exercício de sua autonomia tornou-se limitado a partir do momento
que diversas práticas sociais pautam-se na utilização intensiva de muitas ferramentas digitais.
E, para incluir esses sujeitos, não apenas na esfera tecnológica, mas também social as
tecnologias constituem um processo de emancipação para aqueles que têm acesso sistemático a
essas ferramentas e, da mesma forma, uma opressão dos indivíduos que encontram-se à margem
da esfera digital.
A sociedade pós-industrial requer uma forma de educação, em que a tecnologia será uma
das chaves de concretização de um novo paradigma educativo, capaz de promover um vínculo
maior entre os alunos e a comunidade, enfatizar a descoberta e a aprendizagem, possibilita o
sujeito-autor, e minimizar a distinção entre aprender na escola e aprender fora dela, valorizando
a autoaprendizagem. Dessa forma, muda-se o modelo educacional que vem sendo reproduzido
desde a época industrial, uma educação baseada no modelo fabril, que visava à produtividade e à
automação do ser aprendente, para uma forma de educação em que a autonomia do sujeito e suas
potencialidades de aprendizagem passam a ser valorizadas, pois, nesse contexto, valoriza-se o
aprender a aprender.
E para que essa mudança se efetive com sucesso é necessário o investimento na formação
de professores, para que esses, incluídos também em uma esfera digital, possam redimensionar o
seu papel enquanto produtor de conhecimento.

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