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CARAVANA PELOS DIREITOS DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE

ETAPA NORDESTE I - PARAÍBA

DOCUMENTO FINAL

DATA: 20 e 21 de setembro de 2017.


LOCAL: Auditório, JR Hotel, João Pessoa- PB.
UFs ENVOLVIDAS: CE, MA, PB, PI e RN

O Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente – CONANDA, em


parceria com a Secretaria Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente do
Ministério dos Direitos Humanos – SNPDCA/MDH, a Faculdade Latino-Americana de
Ciências Sociais – FLACSO BRASIL e a Organização dos Estados Íbero-americanos para
Educação, Ciência e Cultura – OEI, realizam a CARAVANA PELOS DIREITOS DAS
CRIANÇAS E ADOLESCENTES, através do Projeto: “POR ONDE PASSAM OS DIREITOS
DAS CRIANÇAS E ADOLESCENTES?"
Inspirada na Caravana de Educação em Direitos Humanos, idealizada pela
Flacso e pelo Movimento Nacional de Direitos Humanos e apoiada pela Secretaria de
Direitos Humanos e pela OEI, que surgiu como ação concreta de disseminação das
Diretrizes Nacionais de Educação em Direitos Humanos, com a convergência de redes,
movimentos, entidades e todas as pessoas que se dedicam na luta para afirmação dos
direitos humanos como elemento central da sociedade e do estado brasileiro, a
Caravana pelos Direitos das Crianças e Adolescentes tem como objetivos gerais:

 A formação e conscientização sobre direitos de crianças e adolescentes e


prevê a participação, além das próprias crianças e adolescentes, das lideranças
sociais, dos representantes de governos, dos conselheiros de direito, dos
conselheiros tutelares e de outros representantes do Sistema de Garantia de
Direitos da Criança e do Adolescente.
 Tecer uma rede entre os movimentos sociais, grupos, coletivos, pessoas,
entidades, instituições e demais interessados, desenvolvendo atividades
educadoras que levem os temas e campanhas acerca dos direitos das crianças
e adolescentes, e colham as escutas dos grupos vulneráveis e em situação de
violação de direitos, dando-lhes voz para legitimação das suas reivindicações,
com intuito de permear o avanço para inserção das demandas nas políticas
públicas.
 Compartilhar os saberes, relatar as experiências sobre direitos das crianças e
adolescentes desenvolvidas por esta rede e divulgá-los, dando visibilidade aos
grupos, coletivos, entidades e movimentos sociais.

A caravana se desenvolve em dois momentos distintos: atividade pública e


atividade formativa.
A ATIVIDADE PÚBLICA tem como objetivos específicos:

 Propiciar aos participantes o conhecimento/atualização da situação da infância e


adolescência no Brasil e nos Estados da Região que compõe cada Etapa da
Caravana;
 Momento de Escuta: Diálogo/debate com os participantes. Certamente o
momento mais importante no qual cada um e cada uma podem externar suas
preocupações a cerca da situação da criança e do adolescente, apontando os
principais desafios para que possamos de fato garantir a efetivação dos Direitos
das Crianças e Adolescentes.

A ATIVIDADE Formativa tem como objetivos específicos:

 Prover a reflexão sobre o Sistema de Garantia de Direitos e o papel de cada


órgão/entidade integrante do mesmo
 Promover a reflexão intersetorial para a Promoção, Proteção e Garantia dos
Direitos das Crianças e Adolescentes.

ETAPA NORDESTE I

A primeira etapa da Caravana Pelos Direitos das Crianças e Adolescentes foi


realizada na REGIÃO NORDESTE I, nos dias 20 e 21 de setembro de 2.017, tendo como
município/Estado sede João Pessoa/PB.
Participaram dessa etapa representantes dos seguintes Estados: Paraíba, Rio
Grande do Norte, Ceará, Piauí e Maranhão, além de representantes do Conanda, do
Instituto Marista de Assistência Social e da equipe da Flacso Brasil.
Cada Estado que compunha a Etapa NE I poderia indicar dez representantes,
sendo: dois adolescentes (um menino e uma menina); dois conselheiros dos direitos
das crianças e adolescentes (um governamental e 1 um não governamental), dois
conselheiros tutelares, um do Fórum Estadual dos Direitos das Criança e do
Adolescentes e três representantes do Sistema de Justiça ( Vara da Infância e
Juventude, Ministério Público e Defensoria Pública).
O Conanda orientou os Estados que, caso algum seguimento não indicasse
representante, os mesmos deveriam ser substituídos por adolescentes ou por
representantes das políticas setoriais básicas (educação, saúde e assistência social).
Na atividade pública contamos com a participação de cento de dezenove pessoas.
Já na atividade formativa participaram cinquenta e cinco pessoas sendo: quarenta
representantes dos Estados: seis do CE, seis do MA, onze da PB, nove do PI e oito do
RN, cinco conselheiros/as do CONANDA, cinco da equipe da FLACSO, uma do Instituto
Marista de Assistência Social.

PROGRAMAÇÃO

20 de setembro de 2017 - ATIVIDADE PÚBLICA

8:30 - Recepção dos/as Participantes


9:00 – Mesa Abertura:
9:30 – Apresentação da situação da infância e adolescência no Brasil e nos Estados que
compõem a Caravana Nordeste I
Expositora – Milda Lourdes Pala Moraes, Diretora Social do Instituto Marista de
Assistência Social
10:15 – Intervalo
10:30 – Escuta dos Participantes
11:30 – Considerações dos Integrantes da Mesa sobre as questões abordadas pelos
participantes
12:30 – Encerramento

ATIVIDADE FORMATIVA
13:30 - Recepção/Credenciamento dos/as Participantes

14:00 - Boas Vindas aos/as Participantes: Flacso Brasil e Conanda

14:15 - Apresentação dos Objetivos e Programação da Atividade Formativa

14:30 - Introdução para o Trabalho em Grupos Tema - Sistema de Garantia de Direitos


da Criança e do Adolescente - SGDCA e o papel dos órgãos/entidades integrante do
mesmo

15:00 - Trabalho em Grupos - Desafios e estratégias para o fortalecimento do Sistema


de Garantia de Direitos da Criança e do Adolescente – SGDCA

17:00 - Apresentação e discussão do Resultado do Trabalho de Grupos

18:30 - Encerramento do Trabalho do Dia


21 de setembro de 2017

8:30 - Introdução para o World Café


- Tema: Eixos do SGDCA Promoção, Proteção e Defesa e Controle Social

9:15 - World Café


- Tema: Desafios e estratégias para o fortalecimento do Sistema de Garantia de Direitos
da Criança e do Adolescente – SGDCA nos eixos de Promoção, Proteção e Defesa e
Controle Social

12:30 – Almoço

14:00 - Trabalho em Grupo Tema: Desafios e estratégias para o fortalecimento do


Sistema de Garantia de Direitos da Criança e do Adolescente - SGDCA nos Eixos de
Participação de Crianças e Adolescentes e Gestão da Política DCA

16:00 - Diálogo e discussão sobre os resultados do World Café e dos Trabalhos de


Grupos

18:00 – Encerramento

RESULTADOS DAS DISCUSSÕES REALIZADAS NAS ATIVIDADES DA ETAPA NORDESTE I


Atividade Pública:

20 de setembro de 2017

8:30 às 13:30
Mesa de abertura:
A mestre de cerimônia deu início à atividade explicitando os objetivos da Caravana
pelos Direitos das Crianças e Adolescentes e a dinâmica/metodologia da mesma, bem
como procedeu a composição da mesa com os/as seguintes representantes:

- Vice-presidente do CONANDA – Marco Antônio Soares


- Diretora da Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais – FLACSO BRASIL – Salete
Valesan Camba
- Representantes dos Adolescentes – Josué Henrique (MA) e Denise Sanders (CE)
- Representante da Secretaria de Desenvolvimento Humano responsável pela política
DCA no Estado da PB – Cristina França
- Representante do CEDCA/PB – Maria Madalena Pessoa Dias
- Representante dos Conselheiros Tutelares – Maria de Lourdes Ferreira Lima
- Representante do Fórum DCA– Ricardo Moreno
- Representantes do Ministério Público do Estado da PB – Alley Escorel
Em seguida, passou a palavra para os/as integrantes da mesma cuja síntese das
considerações segue abaixo:
Todos os representantes explicitaram a importância da presença do Conanda
na região, bem como a realização da Caravana, cujas atividades podem resultar na
discussão de algumas estratégias para fortalecimento do Sistema de Garantia de
Direitos da Criança e do Adolescente.
A presidenta do CEDCA/PB, Maria Madalena Pessoa Dias, deu boas vindas a
todos e todas, especialmente os representantes dos outros estados e lembrou o
momento de contraventos e tempestades que vivemos no cenário nacional e que é
preciso fortalecer as pautas da criança e adolescente. Ressaltou ainda que os
profissionais do serviço social recentemente sofreram ataque quando foi dito que os
mesmos não são importantes frente ao INSS. Disse esperar que nas discussões sejam
apontadas algumas estratégias para enfrentar o desmonte dos direitos das crianças e
adolescentes e das políticas públicas. Destacou que o momento é de resistência e luta.
A representante dos Conselheiros Tutelares, Maria de Lourdes Ferreira Lima-
Malu, na sua fala declarou ser capoeirista e que falar de resistência é falar de capoeira,
falar de capoeira é falar de resistência do povo negro, em especial os adolescentes
negros, que já estão sendo penalizados.
Ressaltou que estar no conselho tutelar é um espaço de militância sim, de luta,
de ativismo diário.
Lembrou que a primeira vez que esteve perto de uma carceragem disse para
seu filho Gabriel: Gabriel aquilo não foi feito pra gente não, aquilo na ressocializa não.
Por isso, quando o adolescente chega para atendimento no conselho, a
primeira coisa que consegue ver nele é que esta pedindo ajuda.
O representante do Fórum DCA, Ricardo Moreno, saudou a todos em nome do
Fórum Nacional explicitando que o papel do fórum é fortalecer cada vez mais as
entidades da sociedade civil para atuar na luta em defesa dos direitos das crianças e
adolescentes, especialmente para atuarem nos conselhos de direitos.
Ressaltou que estamos retrocedendo nos direitos das crianças e adolescentes
especialmente com a PEC da Redução da Idade Penal.
Entende que essa caravana vem verificar se o sistema esta funcionando e
reforçar os direitos das crianças e adolescentes, pois se diz que criança tem direito
absoluto, mas que esse direito não é garantido.
A diretora da Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais – FLACSO BRASIL
– Salete Valesan Camba, destacou que neste momento que estamos prestes a sofrer
um retrocesso imenso os representantes estaduais estarem na Caravana é um
momento de muita alegria e muito compromisso, pois é com eles e por eles,
especialmente os/as adolescentes, que o Conanda e os fóruns existem.
Ressaltou que a Flacso se juntou ao Conanda nos últimos cinco anos para
fortalecer essa rede. Construir um sistema e um marco regulatório, fazer com que
aconteça e funcione, para que os adolescentes que vem não tenham que viver o que
nós vivemos.
Destacou que o Estado é o nosso maior violador dos direitos humanos, por isso
é que foi organizada toda essa rede de proteção a criança e adolescentes, mas temos
uma fragilidade muito grande no funcionamento.
Chamou a atenção de que o Nordeste I tem a possibilidade de sair na frente
desse debate. Porém, não é um trabalho fácil, não é um momento fácil, mas é mais do
que necessário, que a gente se alinhe no campo da criança e adolescente, da politica
publica e encontre soluções o que não da mais é olhar para o contexto e achar que
está superado porque não está superado. Por isso que estamos aqui.
O representante do Ministério Público do Estado da PB, Alley Escorel, saudou a
todos e todas, destacou a importância da presença do Conanda na região e a
realização da Caravana.
Ressaltou que bons profissionais e maus profissionais, comprometidos ou não
temos em todas as áreas. Vai existir defensor, promotor e juiz não comprometidos. Em
nome dos promotores, juízes e demais profissionais comprometidos é que ainda
conseguimos algumas vitorias. É mais fácil desistir do que continuar lutando, mas
graças a nós, conseguimos algumas vitorias.
Lembrou que isso é um espaço de resgate de dignidade, é muito bonito, isso
aqui é um ideal. Parabenizou a todos que organizaram esse espaço de cidadania.
Destacou que já viu gente chamando nosso estatuto de carta poética e ele diz:
não é carta poética não, é lei. Por isso é que diante da omissão do poder publico
temos a proposta de redução da idade penal. Pensa que deveríamos realizar a
Campanha pela #ampliação da idade moral.
Lembrou que “infante” vem do prefixo sem voz porque os adultos na cultura
adultocêntrica falam por eles. Mas, ninguém nasce adulto, nasce criança, evolui.
Destaca que não existe menor, existe cidadão de direitos e que quando
pequenos dizem que somos o futuro da nação, mas não existe futuro se não houver
presente.
Ressaltou que há no seio da sociedade a ideia de que direitos humanos é coisa
de bandido e se entristece com isso.
Disse ainda que, no fronte, na porta de entrada que é o conselho tutelar
escutar o grito silencioso daquele pedido de ajuda é necessário, pois quem bate na
porta do conselho tutelar é por que está totalmente fragilizado, é porque não teve
apoio da rede. Por isso precisamos de profissionais que trabalhem com humanidade e
esses profissionais é quem a gente mais sente falta. De profissionais que reflitam:
como eu queria ser atendido se eu tivesse nessa condição, se eu tivesse fragilizado. Às
vezes só querem desabafar, é triste porque só ganham visibilidade quando cometem
um ato infracional. Explicitou que queria ver um estudo a respeito daquele
adolescente que cometeu ato infracional, sobre sua vida, as violações que viveu.
Fez um apelo aos profissionais presentes: onde quer que estejam na sua função
- atenda o outro se colocando no lugar o outro.
Finalizou afirmando: continuarei sendo uma voz que ecoe pelos que não tem
voz.
A representante da Secretaria de Desenvolvimento Humano responsável pela
política DCA no Estado da PB – Cristina França deu as boas vindas a todos, fez suas as
palavras do representante do Ministério Público e desejou que todos possam se
reenergizar como profissionais na luta em defesa dos direitos das crianças e dos
adolescentes.
Denise Sanders, representantes dos/as adolescentes, explicitou a felicidade de
estar representando os/as adolescentes na mesa de abertura e destacou que o
objetivo da sua presença e a presença de todos/as os/as adolescentes é de assegurar
o direito de participação. Ressaltou que só irão parar quando seus direitos forem
reconhecidos.
Josué Henrique, também representante dos/as adolescentes agradeceu a
organização do evento porque são espaços como esses que dão não só a vez aos/às
adolescentes, mas a voz.
Disse para todos os adolescentes que a voz é nossa, que todos/as tem que
falar.
Destacou que quando acontecem eventos como esses, não há a participação de
muitos jovens, que tem várias cadeiras vazias. Então porque não têm mais jovens?
Onde está o erro?
Ressaltou que sabem o preconceito que sofrem, assim como os negros, jovens,
mulheres e crianças. Indaga se faltam políticas públicas e leis ou será que faltam
cumprir as que já tem.
Lembrou que hoje em dia muitas pessoas não querem nem ouvir falar de
política porque relaciona com a corrupção. Porém entende que não podemos dar as
costas, temos que lutar, nos manifestar e não deixar que decidam por nós. Devemos
estar em todos os espaços. Vivemos numa democracia e devemos lutar: índios,
homens, mulheres, negros, brancos.
Explicitou estar feliz por representar os jovens do Brasil, expondo suas ideias e
sugestões e que espera que mais eventos desses aconteçam. Por fim, disse que os
rostos são sempre diferentes, então devemos refletir o que acontece com o jovem que
participa de um encontro, onde estão, porque não participam mais.
Finalizou dizendo que precisamos nos movimentar e que deseja que possamos
colher bons frutos.
O vice-presidente do Conanda, Professor Marco Antônio Soares, saudou a
todos e disse que essa Caravana foi uma conquista da sociedade civil. Em seguida
apresentou os conselheiros e a conselheira do Conanda presentes na caravana, a
assessora de comunicação do conselho e a equipe da Flacso.
Destacou que no dia de hoje podemos celebrar, mas não por completo porque
o Senado vai votar a PEC da Redução da Idade Penal e que fecharam as dependência
do congresso nos proibindo de fazer o contraponto lá dentro.
Lembrou que aqueles senadores não estão lá por acaso, a sociedade os elegeu.
Portanto, não é o senado que está com problemas, é a sociedade que tem problemas e
não acreditam nas nossas pautas. Assim é importante nos fortalecermos para fazer a
diferença nas próximas eleições.
Destacou que é com a âncora e metodologia de Paulo Freire que estamos
trabalhando nesse projeto, com a certeza que todos somos iguais na medida em que
somos trabalhadores e trabalhadoras das diversas entidades e órgãos que compõem o
Sistema de Garantia dos Direitos das Crianças e dos Adolescentes.
Desejou que todos possam ter unidade na ação e estar fortalecidos na luta e
finalizou explicitando que o Conanda fica muito feliz com a participação de todos.
Após as considerações dos representantes da mesa abertura passou-se a
apresentação sobre a situação da infância e adolescência no Brasil e nos Estados que
compõem a Caravana Nordeste I, cuja exposição foi realizada por Milda Lourdes Pala
Moraes, diretora social do Instituto Marista de Assistência Social.
A apresentação teve como objetivo apontar subsídios para as discussões que
serão realizadas na atividade formativa da caravana e se baseou no relatório do CADÊ
BRASIL 2016 – crianças e adolescentes em dados e estatísticas, elaborado pelo
Instituto Maristas. Além dos dados nacionais foi possível identificar a situação das
crianças e adolescentes dos estados que compõem a Caravana Nordeste I comparando
com a situação nacional.
Finalizada a apresentação acima, passou-se ao momento de escuta dos/as
participantes da atividade pública da Caravana, conforme descrito abaixo.
Ednardo, conselheiro tutelar CE – parabenizou o Conanda e parceiros pela realização
da caravana. Ressaltou que está sendo difícil fazer o trabalho de conselheiro tutelar na
cidade de Fortaleza e em todos os municípios brasileiro. Pediu que a sociedade abrace
o conselho tutelar e ao Conanda para que a Caravana não fique aqui e se estenda para
todos os estados.
Francisco Leite, Conselheiro Tutelar PI – solicitou informações sobre o SIPIA – Sistema
de Informação para a Infância e Adolescência que em alguns estados esta no papel e
na vontade de alguns. Informou que foram na SDH enquanto estavam em conexão
para pedir o implementação do sistema no estado e pede o empenho do Conanda pra
fazer essa intervenção.
Veronica Oliveira, conselheira tutelar PB – ressaltou que é preciso tomar cuidado para
não criminalizar a política, pois a política é uma das ciências mais belas e é isso que
também estamos fazendo na caravana. Comentou que é um vício cultural não
propiciar a participação de crianças e adolescentes. Aproveitou para questionar a
ausência dos adolescentes que compõem a comissão de participação do CEDCA/PB.
Com relação ao Sipia, entende que se não aconteceu até 2015, nesse governo golpista
não acontece. Destacou que hoje não existe meio termo, ou você esta do lado da luta
de classes ou não e que, na sua opinião, o conselheiro tutelar tem que ir pra rua
também.
Lorenzo, representante da Rede Margarida - REMAR PB – disse que é preciso refletir
quais estratégias pra enfrentar todas as lutas. Para ele não há outro caminho se não
trabalho em rede: mas ela deve ser pensada, planejada e acompanhada, pois se ela for
forte, sobrevive e faz o contraponto. Destacou a importância do protagonismo infanto-
juvenil, mas disse perceber como estamos longe, pois na pratica as instituições não
apoiam.
Josiana, do fórum DCA/PB – levantou preocupação em relação aos planos estaduais,
após a reunião do Conanda e Cedcas onde pode conhecer como esta a situação dos
mesmos. Entende que nesse momento deve-se trazer a discussão sobre a construção
dos planos, pois estamos devendo isso.
Alan, assistente social do colégio Marista – enfatizou a importância do trabalho em
rede. Destacou que as vezes esquecemos de articular junto com o Ministério Público.
Também lembrou que algumas escolas públicas tem grêmio estudantil, mas nas
privadas a escola Marista é a única na Paraíba que tem e que esses espaços são
importantes para garantir a participação dos adolescentes. Lembrou o que dizia Frei
Beto: quem não gosta de política é governado por quem gosta. Por fim propôs a
aprovação de moção publica contra a redução da idade penal.
Davi, do fórum DCA CE – disse que é necessário ampliar para todas as outras pautas
sem perder o foco dos direitos da criança e do adolescente: pautar o encarceramento
em massa, por exemplo. Informou que é membro do comitê Cearence de prevenção
ao suicídio, e que no estado aconteceram 775 suicídios de criança e adolescentes.
Disse que ao discutir suicídio não podemos discutir apenas violência, temos que
discutir: moradia, raça, classe social. Destacou que é preciso articular com o Comitê
nacional de enfrentamento a violência sexual. Por fim entende que temos que pautar
um novo modelo de sociedade, juntar as pautas.
Rose Veloso, da Rede Margaria - REMAR – destacou o direito à participação indagando:
Onde estão os adolescentes? Onde estão os grêmios estudantis? Ressaltou que remos
um discurso de participação democrática, mas não fazemos o processo de incentivo à
essa participação.
Rayssa, conselheira do Cedca CE – destacou que Fortaleza é a capital que mais mata
adolescentes hoje. Ressaltou que o conselho tutelar é violado pelo MP dentro do
Ceara. Salientou que foi universalizada a realização das conferencias municipais no
estado, mas que o MP não participa. Ressaltou ainda que a política da criança e do
adolescente é de todos e não somente da assistência social e que é preciso garantir a
formação continuada das equipes de atendimento. Por fim informou que o Sistema de
Justiça não indicou representantes para participar da Caravana e pensaram em trazer
mais adolescentes mas não tiveram autorização por parte do Conanda.
A representante do Fórum Estadual de Prevenção e Erradicação do Trabalho Infantil
destacou que com a crise econômica e política do país há um aumento do trabalho
infantil e isso é preocupante. Também ressaltou que as crianças e adolescentes em
situação de rua estão invisibilizadas inclusive nas estatísticas. Por fim salientou que é
necessário garantir a intersetorialidade, especialmente na Educação.
Antonio Barbosa, do Tribunal de Justiça PI – reforçou a importância do trabalho em
rede e do protagonismo. Disse que a sociedade civil precisa ser protagonista e se fazer
protagonista. Entende que as famílias estão abandonadas e que é preciso criar
estratégias para fortalecê-las.
Carlos Santos, conselheiro de Direito _ CMDCA/PB – destacou que muitas vezes os
gestores sofrem muito no trabalho. Salientou que através do PPCAM conseguiram
salvar muitas vidas. Solicita que o MP contrate e componha a sua equipe
multidisciplinar, porque o conselho tutelar já tem muita demanda.
Kauan, do NUCA – Núcleo de adolescente CE – Lembrou que no estado constituíram
cento e oiten NUCAs e que tinha cento e cinquenta deles na época do selo do Unicef,
hoje em dia tem vinte funcionando. Destacou que os adolescentes precisam de
suporte para fazer o trabalho que deve ser continuo e assistido. Pediu a ajuda do
Conanda e do CEDCA para garantir essa participação.
Uena, da Secretaria de Desenvolvimento Humano/PB – salientou que crianças e
adolescentes deveriam ser prioridade e não são. Disse que gostaria de chamar a
atenção para a institucionalização de crianças e adolescentes, pois as mesmas tem
sido abandonados em instituições de acolhimento e precisamos tocar nessa ferida.
Solicitou informações do Conanda sobre quais discussões e quais próximos
encaminhamentos sobre esse tema.
Claudinei, coordenador da Associação de Conselheiros Tutelares/MA– disse que
observando as fotos das unidades socioeducativas que estavam em exposição se
percebe a falta de politicas publicas e quem esta atrás dessas grades: são seres
humanos a quem faltou educação, moradia e estrutura. A historia diz que em vários
momentos políticos desse país os jovens estiveram a frente. Disse que na sua cidade
tem varias entidades de representação de adolescentes que só são utilizadas em
campanhas, quando chamam para eventos eles não comparecem e precisamos saber o
porque, talvez eles não concordem com os modelos de participação que fazemos.
Destaca que o Sipia tem inúmeros problemas inclusive para coloca-lo em pratica, em
muitos conselhos não funcionou simplesmente porque não tem computador. Conta
que estiveram em reunião com a Ministra Luizlinda para que volte a entrega dos kits
de equipamentos para os conselhos tutelares de todo Brasil. Ressaltou ainda os
conflitos existentes entre segurança publica e judiciário que está caminhando para
casos de morte. Disse ao Conanda que é preciso fortalecer a rede através dos
Conselhos Estaduais. Destacou ainda que Creas e Cras, estão em situação precária e
que há falta equipamentos e estrutura. Disse ainda que é necessário que o conselheiro
tutelar tenha conhecimento do seu papel, pois assim não se deixa ser utilizado por
qualquer outro órgão.
Claudeir, do centro de apoio da infância no MP/PI – ressaltou que no PI o MP trabalha
de forma efetiva e harmoniosa com os conselhos tutelares. Disse que realizaram curso
para os promotores públicos e abriram a participação dos conselheiros tutelares e que,
além disso, realizaram caravana de formação para conselheiros tutelares no interior
do estado. Informou que o MP do estado está desenvolvendo ações de
monitoramento dos fundos municipais DCA para garantir seu pleno funcionamento.
Destacou também que e necessário diálogo institucional para garantir a atuação
conjunta. Trabalhamos em conjunto.
Após a escuta dos participantes, os representantes da mesa fizeram suas
considerações, conforme segue:
Madalena, do CEDCA/PB – ressaltou que a política da criança e do adolescente é uma
politica que perpassa as demais politicas publicas. Salientou que o relatório
apresentado com os dados da criança e do adolescente é muito interessante e
observando a realidade dos cinco estados com a realidade nacional é uma realidade
assustadora. Também lembrou que o Acolhimento Institucional de crianças e
adolescentes é ultimo recurso, no entanto isso não está sendo observado.
Denise, representante dos/as adolescentes – agradeceu a oportunidade de ouvir a
todos e todas e disse que deseja que possamos ser semeadores e que tenhamos uma
ótima caravana.
Josué, representante dos/as adolescentes – também agradeceu a oportunidade e disse
aos adolescentes não tenham medo ou vergonham de falar e que não deixem a luta
morrer.
Salete, diretora da Flacso, salientou que sua fala em relação ao Estado como Estado
violador está calcada na constatação de que o Brasil é o maior violador dos Direitos
Humanos, lembra que o Estado é composto pelos três poderes e não apenas o
executivo. Destaca que o Estado tem o dever de garantir os direitos, mas não é isso
que vemos acontecer.
Cita como exemplo nosso sistema prisional, destacando que é preciso pensar na máfia
dos presídios, no crime organizado e que os dois são comandados pelo sistema
financeiro.
Finaliza dizendo que espera que as reflexões trazidas sirvam para fortalecer a luta de
todos e todas nos seus locais de atuação.
Ricardo, representante do Fórum DCA – disse que é necessário garantir que os planos
sejam elaborados e executados. Entende que o MP tem que respeitar o trabalho do
Conselho Tutelar. Por fim agradeceu ao Conanda pela realização da caravana.
Malu, representante do conselho tutelar – indaga porque a sociedade tem a visão de
que o conselho tutelar não faz nada? No seu entendimento é porque a própria rede
não entende o trabalho do conselho tutelar. Sobre a participação, o DAR A VOZ:
entende que deve ser um processo autônomo, construído democraticamente.
Professor Marcos, vice - presidente do Conanda – informou que de fevereiro até sexta
passada quando terminou a assembleia do Conanda, o conselho discutiu e deliberou
sobre mais de duzentas e cinquenta e cinco ações dos mais diversos temas. Disse que
os demais questionamentos serão respondidos durante a atividade formativa que será
realizada na Caravana. Finalizou dizendo que é preciso ter foco na unidade entre nós
que é a implementação da politica da criança e adolescente, pois a desunião nos
enfraquece.

Atividade Formativa: 20 de setembro de 2017


15:00 às 18:00

A atividade formativa foi realizada no Auditório, JR Hotel, João Pessoa- PB e


participaram da mesma somente os representantes indicados pelos Estados, os/as
conselheiras do Conanda, a representante do Instituto Marista de Assistência Social e a
equipe da Flacso Brasil.
Após a recepção e credenciamento dos/as participantes, Maria Izabel da Silva
(Bel), da Equipe da Flacso Brasil, fez a apresentação dos objetivos do momento
formativo.
Em seguida fez a apresentação sobre o Tema: Sistema de Garantia de Direitos da
Criança e do Adolescente - SGDCA e o papel dos órgãos/entidades integrante do mesmo,
oferecendo subsídios para as discussões nos grupos de trabalho.
Ato contínuo apresentou o objetivo e a metodologia dos grupos de trabalho e
em seguida os participantes foram divididos pelos números descritos nos crachás para
seus respectivos GTs.

GRUPOS DE TRABALHO
20 de setembro de 2017 – tarde.

Objetivo:

Promover a reflexão sobre o Sistema de Garantia de Direitos – SGDCA e o papel


de cada órgão/entidade integrante do mesmo.
Metodologia:
1- Cada Grupo terá um conselheiro do Conanda responsável pela moderação;
2- Cada grupo deverá escolher um representante para relatar a discussão à
plenária;
3- Os grupos terão 1h30min para refletir sobre a situação e o fortalecimento do
Sistema de Garantia de Direitos, a partir das seguintes perguntas norteadoras:
- Que desafios precisam ser superados para garantir o plano funcionamento do
SGDCA?
- Quais ações devem ser implementadas para superar os desafios apontados?

4- Os grupos terão 15 minutos para sistematizar suas conclusões


5- Após a discussão em grupo, os relatos dos grupos apresentarão os resultados à
plenária;
6- Por fim, abre-se para comentários e discussões em Plenária.

RESULTADOS DOS TRABALHOS DE GRUPO

Em virtude do avançado da hora, a apresentação dos resultados das discussões


dos grupos de trabalho foi realizada na manhã do dia 21 de setembro.

GRUPO 1

Desafios:
 Evitar a fragmentação da política na ponta.
 Enfrentar a dificuldade de diálogo entre os conselhos e a fragilidade dos
conselhos de direito quanto suas atribuições.
 Romper com a precariedade dos serviços.
 Enfrentar a dificuldade quanto a contratação de funcionários (grande
rotatividade) .
 Existência de diferentes fluxos em ações referentes a um mesmo
encaminhamento da infância.
 Carências de diagnóstico da situação da infância.
 Falta de espaço para participação e protagonismo infanto-juvenil.
 Romper com a cultura da verticalidade do poder.
 Enfrentar a pouca formação dos atores do sistema.
 Garantir a formação de rede.
 Fazer a reflexão e o enfrentamento às questões de invisibilidade do Conselho
Municipal da Criança e Adolescente.

Ações que devem ser implementadas para superar os desafios apontados:


 Construção de uma política nacional da infância.
 Normatização do sistema de garantia de direito.
 Fomento do trabalho em rede nas bases.
 Elaboração de diagnósticos situacionais.
 Ampliação de espaços de participação de crianças e adolescentes.
 Ação que contemple relação entre instituições e a escola promovendo diálogo
do conselho com os alunos, pais e comunidade.

GRUPO 2
Desafios:
 O cumprimento das medidas socioeducativas de forma municipalizada, ficando
a existência de unidades centralizadas nas capitais e municípios de maior porte,
dificultando o convívio familiar dos adolescentes.
 Aplicação de medidas socioeducativas equivocadas por parte dos juízes.
 Garantir que as políticas públicas cheguem de fato às crianças e adolescentes.
 Enfrentar a fragilidade em estruturas familiares que, por vezes, acaba por
resultar na violação de direitos da criança e do adolescente.
 Investimentos em políticas de proteção em detrimento às políticas de
promoção de direitos da criança e do adolescente.
 Falta de conhecimento da população do real papel dos conselheiros tutelares.
 Dificuldade de efetiva participação dos adolescentes nos Conselhos DCA
(devido linguagem não acessível e a falta de divulgação).
 Falta de interação dos Conselhos DCA e Conselhos Tutelares.
 Falta de informação da sociedade civil acerca dos processos e do SGDCA: isso
não contribui para a garantia de direitos, em especial, na perspectiva da
prevenção.
 Garantir o cumprimento das responsabilidades pelos profissionais do SGDCA.
 A falta de formação continuada dos Conselhos Tutelares e Conselheiros de
Direitos dificulta a excelência do trabalho realizado.
 Desconhecimento do ECA pelas crianças, adolescentes e jovens.
 A falta de sistematização de dados sobre a infância dificulta a formulação de
políticas públicas no âmbito dos municípios.
 Falta de estruturas nos Conselhos DCA e Conselhos Tutelares.
 Falta de regulamentação dos Fundos DCA, principalmente os fundos
municipais.

Ações que devem ser implementadas para superar os desafios apontados:


 Criação de um sistema de regulação do número de vagas para evitar
superlotação e alocar o adolescente o mais próximo possível a sua residência.
 Propor junto aos gestores a regionalização do cumprimento das medidas
socioeducativas de privação de liberdade.
 Assegurar a formação continuada dos profissionais que atuam na rede do
SGDCA: Implementação das Escolas de Conselhos para a formação continuada,
envidando esforços para que os juízes e MP sejam também seu público-alvo..
 Entender e fazer funcionar a intersetorialidade.
 Fortalecer os vínculos familiares.
 Resgatar e fomentar a integração da família com a escola, utilizando, inclusive,
as redes sociais como meio de comunicação.
 Promover a formação dos profissionais da comunidade escolar para melhor
atenção a família como um todo.
 Fortalecer as políticas de promoção dos direitos da criança e do adolescente.
 Promover planejamento integrado de ações intersetoriais.
 Articular o estabelecimento de termos de compromissos intersetoriais com
áreas afins pela promoção dos direitos da criança e do adolescente.
 Fortalecer os Fundos DCA.
 Investir mais no OCA.
 Promover a divulgação do papel e das ações dos conselheiros tutelares,
propiciando maior interação da comunidade com os mesmos.
 Propiciar meios para que os adolescentes possam efetivamente participar dos
Conselhos DCA.
 Promover maior informação e divulgação das ações dos Conselhos,
fomentando a participação, utilizando, inclusive, os meios televisivos que são
de maior alcance.
 Promover reuniões itinerantes dos Conselhos para propiciar a participação.
 Fomentar a criação de Comitês Consultivos de Adolescentes no âmbito dos
Conselhos DCA Municipais.
 Realizar um diagnóstico da situação da criança e do adolescente na localidade
com vistas ao fortalecimento da intersetorialidade, o trabalho em rede e a
comunicação.
 Propiciar meios de comunicação, informação e formação da sociedade civil
para que ela entenda melhor o SGDCA e possa atuar nele, na defesa dos
direitos da criança e do adolescente.
 Fortalecer os mecanismos de fiscalização dos órgãos do SGDCA.
 Implantar efetivamente as Escolas de Conselhos.
 Promover a divulgação do ECA (campanhas nas escolas em parcerias com os
Conselhos Tutelares).
 Incentivar pesquisas acadêmicas na área.
 Articular convênios no âmbito nacional, estadual e municipal para assegurar
estrutura de funcionamento para os Conselhos.
 MP cobrar do poder legislativo esta regulamentação.
GRUPO 3

Desafios:
 Falta de qualificação das Equipes.
 Garantir o Conhecimento das políticas locais.
 Atuar em Rede.
 Ausência de Fluxo interligado.
 Garantir a conversa entre pares (sociedade civil- sociedade civil).
 Quebrar/enfrentar a burocracia.
 Desconhecimento do papel de cada instituição por parte da criança e o
adolescente
 Medo do conselho tutelar por parte das crianças e dos adolescentes.
 Garantir o trabalho de base.
 Melhorar a parceria entre conselho e escola.
 Enfrentar a falta de conhecimento sobre o trabalho desenvolvido pelas
instituições.
 Enfrentar o fato de que algumas instituições não sabem o que precisam fazer.
 Garantir o Monitoramento das políticas, programas e serviços existentes.

Ações que devem ser implementadas para superar os desafios apontados:


 Garantir a formação continuada das equipes.
 Utilizar os meios de Comunicação para garantir o conhecimento das políticas
locais.
 Criação de um fluxo de atendimento para o território municipal.
 Criação de comitês e comissões com um representante de cada ator, bem
como facilitação de comunicação entre eles.
 Instituir termo de cooperação entre as instituições.

Observação: ao final da apresentação dos grupos a coordenadora da atividade


formativa alertou ao grupo 2 que deveriam trazer desafios e ações para o
fortalecimento do sistema de garantia como um todo e que muitas dizem respeito aos
eixos que serão discutidos nos próximos passos. Assim, orientou que os considerassem
na próxima etapa de discussão.

Atividade Formativa: 21 de setembro de 2017 – 08:30 às 18:00

A continuidade da atividade formativa iniciou as 8:30 do dia 21 de setembro,


com a apresentação do resultado das discussões dos grupos de trabalho realizado na
tarde do dia anterior, cuja síntese está apresentada no item acima.

Em seguida, Maria Izabel da Silva (Bel), da Equipe da Flacso Brasil fez a


apresentação sobre os Eixos do Sistema de Garantia de Direitos, apontando subsídios
para as discussões dos participantes no World Café e nos grupos de trabalho.

Ato contínuo apresentou os objetivos e a metodologia do Word Café


WORLD CAFÉ
21 de setembro de 2017 – manhã.

Objetivo:

- Prover a reflexão intersetorial para a Promoção, Proteção, Defesa e Garantia dos


Direitos das Crianças e Adolescentes.

Metodologia:
1- Organização de 3 mesas correspondentes aos Eixos: Promoção, Proteção e
Defesa e Controle Social;
2- Em cada mesa haverá um responsável pela facilitação do debate a respeito do
tema;
3- Os participantes serão divididos em 3 grupos, cada grupo se sentará em uma
mesa temática

4- Os grupos discutirão as perguntas orientadoras:


a- Que desafios precisam ser superados para garantir o pleno funcionamento do
SGDCA para Promoção, Proteção e Defesa e Controle Social dos Direitos da
Criança e do Adolescente?
b- Quais ações devem ser implementadas para superar os desafios apontados?

5- Ao término da discussão os grupos trocarão de mesa passando a discutir a


temática seguinte;
6- Os responsáveis pela facilitação das mesas temáticas apresentarão o resultado
da mesa anterior ao novo grupo;
7- A dinâmica se repetirá até que os três grupos tenham passado por todas as
mesas temáticas;
8- Após a discussão em grupo, os responsáveis pelas mesas temáticas ou alguém
escolhido pelo grupo apresentarão os resultados à plenária e
9- Por fim, abre-se para comentários e discussões em Plenária.

RESULTADOS DAS DISCUSSÕES DO WORLD CAFÉ

EIXO – PROMOÇÃO DOS DIREITOS DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE


Desafios
 Garantir a integração de políticas, programas e serviços.
 Romper com a precariedade dos serviços.
 Enfrentar a falta de formação das equipes.
 Desconhecimento do ECA.
 Romper com a cultura minorista, do encarceramento como solução.
 Garantir que os profissionais do Sistema de Justiça – Defensoria Pública, MP, Vara
da Infância tenham conhecimento das políticas e serviços.
 Garantir políticas de prevenção com foco na cultura, lazer e esporte.
 Romper com sobrecarga das equipes técnicas dos Cras e Creas.

Ações que devem ser implementadas para superar os desafios apontados:


 Promover melhor articulação entre os órgãos incluindo a escola como parceira.
 Criação de comitês, comissões com realização de reuniões periódicas.
 Uso de tecnologia para participação dos atores.
 Promover o Planejamento integrado de ações entre secretarias setoriais.
 Garantir Orçamento, controle social das políticas, realização de concurso publico e
formação continuada.
 Realizar a formação dos profissionais da rede de atendimento à criança e
adolescente.
 Dar visibilidade ao conteúdo para os profissionais da rede de atendimento, por
meio de campanha, redes sociais, publicização do fazer profissional das
instituições.
 Garantir efetivação da lei do ECA na Escola.
 Garantir a efetivação da Escola de Conselho.
 Garantir orçamento para efetivação das políticas, programas e serviços de
promoção e atendimento dos direitos da criança e do adolescente.
 Promover a formação nas comunidades, nos bairros por meio da associação do
bairro.
 Pensar uma metodologia de educação popular ação-reflexão – ação, sair da
educação conservadora.
 Realizar seminários, encontros, formação articulada em rede integrada.
 Promover atividades culturais, esportivas com as quais os adolescentes se
identifiquem.
 Criar espaço de arte e garantir universalização dos programas e serviços existentes.
 Incluir a discussão da diversidade cultural.
 Inserir a arte educação nas políticas de educação.
 Garantir equipe técnica multidisciplinar do Ministério Público.

EIXO – PROTEÇÃO E DEFESA DOS DIREITOS DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE

Desafios no Eixo - Proteção:

 Garantir o cumprimento das medidas socioeducativas de forma municipalizada,


ficando a existência de unidades centralizadas nas capitais e municípios de maior
porte, dificultando o convívio familiar dos adolescentes.
 Garantir que as políticas públicas cheguem de fato às crianças e adolescentes.
 Inverter a lógica do investimento em políticas de proteção em detrimento às
políticas de promoção de direitos da criança e do adolescente.
 Garantir o cumprimento das responsabilidades pelos profissionais do SGDCA.
 Enfrentar a falta de formação continuada dos Conselhos Tutelares e Conselheiros
de Direitos que dificulta a excelência do trabalho realizado.
 Refletir e enfrentar as questões relativas a atuação equivocada de
agentes/educadores que atuam no sistema socioeducativo e que não favorecem a
reintegração social.
 Enfrentar as condições precárias de funcionamento de unidades de atendimento
socioeducativo que implicam em risco a saúde e segurança dos adolescentes.
 Enfrentar a precariedade dos serviços públicos que excluem ainda mais as crianças
e adolescentes.

Ações que devem ser implementadas para superar os desafios apontados no Eixo –
Proteção

 Criação de um sistema de regulação do número de vagas para evitar superlotação


e alocar o adolescente o mais próximo possível a sua residência.
 Propor junto aos gestores a regionalização do cumprimento das medidas
socioeducativas de privação de liberdade.
 Assegurar a formação continuada dos profissionais que atuam na rede do SGDCA.
 Entender e fazer funcionar a intersetorialidade.
 Fortalecer as políticas de promoção dos direitos da criança e do adolescente.
 Promover planejamento integrado de ações intersetoriais.
 Articular o estabelecimento de termos de compromissos intersetoriais com áreas
afins pela promoção dos direitos da criança e do adolescente.
 Fortalecer os Fundos DCA.
 Investir mais no OCA.
 Fortalecer os mecanismos de fiscalização dos órgãos do SGDCA.
 Implantar efetivamente as Escolas de Conselhos.
 Criar obrigatoriedade de realização de concurso público para contratação de
educadores com formação específica em direitos humanos.
 Conanda regulamentar mecanismos mais rígidos para fiscalização pelos Conselhos
de Defesa dos processos de formação dos profissionais do sistema socioeducativo.
 Fortalecer as Comissões de Combate aos Maus Tratos no âmbito do sistema
socioeducativo.
 Fortalecer os mecanismos de fiscalização das Unidades de Atendimento
Socioeducativo de Privação de Liberdade.
 Garantir serviços públicos básicos comunitários abrangentes e de qualidade.

Observação: alguns desafios e ações foram trazidas do resultado anterior, conforme


orientado pela coordenação da atividade.

Desafios no Eixo - Defesa:


 Enfrentar as situações em que há aplicação equivocadas de medidas
socioeducativas por parte de alguns juízes.
 Enfrentar a exposição negativa dos adolescentes nas grandes mídias.
 Romper com a mentalidade retrógada por parte do sistema de justiça em relação
ao ECA.
 Enfrentar a atuação repressora da polícia junto aos adolescentes.
 Resolver a questão relacionada ao cumprimento das medidas de internação:
passados os 45 dias de internação provisória os adolescentes ainda permanecem
internados.
 Resolver a ausência de atores importantes no diálogo e na defesa de direitos da
criança e do adolescente (OAB, PM, Guarda Municipal, representantes do poder
executivo, segurança pública).

Ações que devem ser implementadas para superar os desafios apontados no Eixo –
Defesa
 Implementação das Escolas de Conselhos para a formação continuada, envidando
esforços para que os juízes e MP sejam também seu público-alvo.
 Revisão e implementação da Resolução do CONANDA que trata deste assunto.
 Designação de pessoas/grupos estratégicos para atuarem junto ao sistema de
justiça, na perspectiva de mudança da mentalidade retrógada por parte do sistema
de justiça em relação ao ECA.
 Articulação de formação do sistema de justiça, no âmbito do poder judiciário,
sensibilizando para a incorporação da pedagogia “GRIOT”, com ênfase no respeito
à diversidade.
 Promoção da conscientização dos profissionais quanto ao seu real papel na
sociedade.
 Implantação de defensorias nas DCA´s para evitar coações de crianças e
adolescentes detidas, com a devida destinação de recursos para garantia da
estrutura necessária para tanto.
 Fortalecimento e potencialização do PROERD na perspectiva de prevenção do uso
de drogas e aproximação da PM junto às crianças e adolescentes em comunidades
periféricas – sugestão de que a metodologia do PROERD seja revista.
 Diálogo e sensibilização com a polícia para maior participação dos movimentos de
defesa dos direitos da criança e do adolescente.
 Sensibilização dos delegados e policiais para que a apreensão de adolescentes
envolvidos com ato infracional se dê com base na abordagem atual e não em
passagens do passado, para atuação mais humanizada.
 Implementação de campanha nacional de alerta e vigilância do poder judiciário
com relação aos prazos a serem cumpridos.
 Articulação e fomento a participação de atores importantes e fundamentais para
efetivação de muitas ações em relação as políticas públicas.

EIXO - CONTROLE SOCIAL PARA A EFETIVAÇÃO DOS DIREITOS DA CRIANÇA E DO


ADOLESCENTE

Desafios:
 Promover o fortalecimento dos Conselhos.
 Garantir a comunicação da Criança e do Adolescente com os Conselhos de Direito e
Tutelar.
 Garantir a Infraestrutura adequada dos Conselhos.
 Melhorar a Comunicação.
 Enfrentar a Fragilidade do Fórum DCA.
 Promover a Revisão dos Planos.
 Garantir a divulgação do trabalho desenvolvido pelo Conselho.
 Garantir o acesso do controle social ao orçamento.
 O controle social deve discutir e incidir para aprimorar o processo de adoção de
crianças e adolescentes.
 Promover o controle social para enfrentar a prática de “Devolução” das crianças e
adolescentes adotadas.
 Garantir o controle social para enfrentar o Trabalho infantil, sobretudo na zona
rural.
 Melhorar a atuação das entidades do controle social no enfrentamento ao Abuso e
Exploração Sexual.
 Promover a fiscalização dos serviços e programas existentes.
 Estimular e realizar o controle social das obras e empreendimentos nos municípios.
 Promover a atuação do controle social para superar a cultura punitiva.
 Respeitar a diversidade.

Ações que devem ser implementadas para superar os desafios apontados

 Promover a formação continuada para fortalecer os Conselhos.


 Esclarecimento sobre os direitos da criança e adolescente e capacitação para o
acolhimento institucional.
 Replicar o conhecimento adquirido na Caravana para as escolas e comunidade.
 Garantir a implementação e funcionamento das Escolas de Conselhos.
 Promover a Formação na perspectiva da Educação Popular.
 Garantir o pleno funcionamento das secretarias executivas dos Conselhos.
 Fortalecimento e regularização do fundo.
 Criação de uma comissão de criança e adolescente dentro dos conselhos.
 Monitoramento e acompanhamento do cumprimento da Lei do Conselho Tutelar
pelos Conselhos de Direitos.
 Garantir a implementação real do SIPIA.
 Universalização das comissões de comunicação nos conselhos de direitos.
 Organização das estruturas governamentais e da sociedade civil para que haja esse
conhecimento.
 Conscientizar sobre a importância do monitoramento.
 Definição do orçamento para criança e adolescente – especificar.
 Promover a formação dos Conselheiros para conhecimento do orçamento:
- Orçamento Participativo.
- Orçamento Popular.
- Orçamento Participativo Criança e Adolescente.
 Convidar o Fórum DCA Ceará para dar uma consultoria sobre a pauta
orçamentária.
 Acompanhamento das famílias que desejam adotar (palestras, debates, etc), por
parte das entidades do controle social.
 Fortalecimento das organizações da sociedade civil que trabalham com a
convivência familiar e comunitária.
 Promover o acompanhamento das instituições de adoção.
 Realizar o diálogo do Conselho com o Sistema de Justiça.
 Acompanhamento do processo de adoção para saber se o processo formal está
ocorrendo.
 Promover a ampliação dos projetos de Família Acolhedora.
 Acompanhamento dos canteiros de obras, garantindo que haja comissão
permanente par essa finalidade.
 Promover a articulação com os movimentos de moradia (Zona Especial de
Interesse Social).

GRUPOS DE TRABALHO
21 de setembro de 2017 – tarde.

Na tarde do dia 21 de setembro, foram realizados grupos de trabalho para


discutirem os eixos de Gestão da Política e Participação de Crianças e adolescentes.
A apresentação dos objetivos e metodologia dos trabalhos de grupos foi
realizada por Maria Izabel da Silva (Bel) da Equipe da Flacso – Brasil.
Foram formados dois grupos dos participantes adultos, sendo um para discutir
o tema Controle Social e outro para discutir o tema Participação de crianças e
adolescentes.
Os/as adolescentes se reuniram em grupo específico para discussão do tema
Participação de Crianças e Adolescentes.

Objetivo:
- Prover a reflexão sobre a Gestão da Política de promoção, Proteção, Defesa e
garantia dos Direitos das Crianças e Adolescentes e sobre a Participação de Crianças e
Adolescentes.

Metodologia:
1- Cada Grupo terá um responsável pela facilitação/moderação e de uma pessoa
para apoio na sistematização/relatoria das discussões;
2- Cada grupo deverá escolher um representante para relatar a discussão à
plenária;
3- Os grupos terão 1h30min para refletir sobre a situação e o fortalecimento do
Sistema de Garantia de Direitos, a partir das seguintes perguntas norteadoras:

- Grupo 1: Adultos - Que desafios precisam ser superados para garantir a


Gestão da Política de Promoção, Proteção defesa e Garantia dos Direitos das
Crianças e Adolescentes?

- Quais ações devem ser implementadas para superar os desafios apontados?

- Grupo 2: Adultos - Que desafios precisam ser superados para garantir a


Participação de Crianças e Adolescentes na discussão e controle social da
Política de Promoção, Proteção defesa e Garantia dos Direitos das Crianças e
Adolescentes?

- Quais ações devem ser implementadas para superar os desafios apontados?

- Grupo de Adolescentes - Que desafios precisam ser superados para garantir a


Participação de Crianças e Adolescentes na discussão e controle social da
Política de Promoção, Proteção defesa e Garantia dos Direitos das Crianças e
Adolescentes?
- Quais ações devem ser implementadas para superar os desafios apontados?

4- Os grupos terão 15 minutos para sistematizar suas conclusões;


5- Após a discussão em grupo, os relatos dos grupos apresentarão os resultados à
plenária;
6- Por fim, abre-se para comentários e discussões em Plenária.

RESULTADOS DAS DISCUSSÕES DOS GRUPOS DE TRABALHO

EIXO - GESTÃO DA POLÍTICA DA INFÂNCIA

Desafios:
 Garantir a Intersetorialidade das políticas, programas e serviços para a promoção,
proteção e defesa dos direitos das crianças e dos adolescentes.
 Promover a normatização da intersetorialidade da política da criança e adolescente
 Garantir o Orçamento para as políticas, programas e serviços para a promoção,
proteção e defesa dos direitos da criança e do adolescente: financiamento por
meio do co-financiamento Fundo a Fundo.

Ações que devem ser implementadas para superar os desafios apontados


 Elaborar lei a respeito de Normatização da intersetorialidade da política da criança
e adolescente.
 Elaborar lei sobre Orçamento; financiamento por meio do co-financiamento Fundo
a Fundo.

EIXO - PARTICIPAÇÃO DE CRIANÇAS E ADOLESCENTES

GRUPO DOS ADOLESCENTES

Obs.: os adolescentes realizaram a apresentação do resultado das suas discussões de


forma a garantir a participação de todos/as no plenário.

Desafios:

 Enfrentar o desconhecimento dos papéis e funções dos diversos agentes do


SGDCA.
 Agenda escolar não incentiva e não apoia a criação dos grêmios estudantis.
 Desconhecimento de quem são os conselheiros de direitos e conselheiros tutelares
dos municípios, o que dificulta a interlocução com os adolescentes, quando
necessário.
 Não reconhecimento dos adolescentes enquanto sujeitos de direitos.
 Metodologia conservadora das escolas que não favorece o diálogo e a escuta dos
adolescentes.
 Falta de interesse dos adolescentes em participar (por exemplo: Grêmios
Estudantis).
 Falta de formação do adolescente para o exercício do protagonismo frente às
realidades enfrentadas (p. ex. trabalho infantil).
 Dependência de decisões de adultos na tomada de decisões.
 Não conhecimento dos espaços de participação existentes.
 Pouca divulgação das conferências DCA no âmbito das escolas o que restringe a
participação à pequenos grupos.

Ações que devem ser implementadas para superar os desafios apontados


 Implementar mecanismos de ampla divulgação dos agentes do SGDCA com seus
respectivos papéis e funções, em especial, potencializando as redes sociais como
ferramenta de divulgação.
 Incentivar a criação dos Grêmios Estudantis com a devida autonomia para atuação.
 Fomentar o planejamento integrado dos Grêmios Estudantes Livres.
 Tornar pública e acessível a relação dos conselheiros de direitos e tutelares dos
municípios para favorecer a interlocução.
 Garantir o empoderamento dos adolescentes na defesa de seus direitos.
 Criar as CPA´s no âmbito dos Conselhos Estaduais e Municipais também.
 Tornar as escolas mais disponíveis ao diálogo e a escuta dos adolescentes.
 Fomento às lideranças adolescentes no meio escolar.
 Promover ações interdisciplinares, temáticas, culturais, artísticas, que favoreçam a
liberdade de expressão e que valorizem a diversidade.
 Fortalecer os projetos já existentes no âmbito das ONG´s, CRAS e CREAS e demais
órgãos e entidades que atuem com as adolescentes.
 Promover a organização dos adolescentes para apropriação de pautas e temas de
seu interesse, assumindo-as como agendas propositivas (p. exemplo: Plano
Decenal assinado pelos adolescentes do Ceará).
 Mapear e divulgação dos espaços e oportunidades de participação existentes.
 CONANDA deve contemplar no plano de comunicação das Conferências peças
específicas para divulgação nas escolas, mesmo que virtuais e para divulgação nas
redes sociais.
 Garantir o amplo acesso ao site do CONANDA pelos adolescentes para fins de
disseminação para outros grupos.

GRUPO DOS ADULTOS

Desafios:
 Adequar a linguagem utilizada nas atividades para melhor compreensão do público
adolescentes.
 Melhorar a Comunicação com os/as adolescentes.
 Garantir maior participação política dos/as adolescentes.
 Ativar os grêmios estudantis.
 Ativar a frente parlamentar nas Câmaras e Assembleias.
 Criação de espaço de lazer nas comunidades.

Ações que devem ser implementadas para superar os desafios apontados


 Explicar as siglas.
 Utilizar uma linguagem compreensiva.
 Construir os eventos com os adolescentes (não apenas convidar).
 Criar espaços onde os adolescentes possam replicar os aprendizados.
 Incentivar a participação em associação/conselhos/instituições comunitários.
 Incentivar a reativação dos grêmios estudantis.
 Garantir a formação com diretores e professores sobre a política da
infância/grêmio estudantil.
 Construir com os adolescentes espaços menos institucionalizados.
 Ampliar e garantir manutenção dos espaços de lazer com a participação de
adolescentes.

Encerramento da ETAPA NORDESTE I da Caravana pelos Direitos das Crianças e dos


Adolescentes

Após as apresentações dos resultados das discussões dos grupos de trabalho foi
aberta a palavra aos participantes para que tecessem considerações sobre as
atividades da caravana, sendo destacadas/explicitadas pelos mesmos as seguintes
questões:
- a importância da realização da atividade, promovendo a aproximação do
CONANDA com os integrantes das entidades do sistema de garantia de direitos
estaduais;
- necessidade de garantir número maior de adolescentes nas atividades da
caravana;
- a dinâmica/metodologia utilizada na atividade formativa foi positiva,
propiciando a reflexão e participação de todos/as os/as participantes, bem como o
apontamento de estratégias para o fortalecimento do sistema de garantia de direitos
no território;
- garantir maior tempo para realização dos debates, especialmente nos grupos
de trabalho e em plenário.
- o Conanda deve promover outras atividades como esta para fortalecer as
entidades/órgãos na implementação das políticas de promoção e garantia dos direitos
das crianças e adolescentes nos Estados e Municípios;
- deve-se promover uma maior aproximação dos conselhos, sobretudo do
Conanda, com os órgãos do sistema de justiça;
- garantir maior mobilização e divulgação da atividade pública, articulando a
presença de mídia local para dar visibilidade à presença do Conanda no Estado;
- garantir passagem aérea para todos os participantes.
- o momento atual é preocupante, trazendo a tona novos preconceitos ou
revivendo alguns que estávamos conseguindo combater; o crescimento das propostas
políticas de direita, com possíveis candidaturas que podem trazer o retrocesso na luta
e avanços conquistados em relação aos direitos humanos e dos direitos da criança e do
adolescente;
- é necessário garantir a formação na perspectiva da educação popular;
- foi importante garantir a participação de integrantes da defensoria pública nas
atividades da caravana;
- a participação dos adolescentes foi extremamente positiva. Assim é
importante garantir a ampliação de representantes por estados, pois eles se sentem
mais confortáveis quando estão em grupos maiores;
- os adolescentes agradeceram a oportunidade de participar, explicitando que a
caravana foi produtiva. Poderão multiplicar compartilhando as experiências em suas
comunidades. Destacaram também que é importante ter conhecimento da atuação de
outros atores da área da infância e da juventude;
- foi ressaltado que há dificuldade de compreensão sobre o papel/função do
conselho tutelar, sendo que muitas vezes a própria rede ‘massacra’ o conselheiro.

Nesse momento foi proposta para aprovação a indicação de duas moções de


repúdio: uma contra a redução da idade penal e o aumento do tempo de internação e
outra contra a proposta de Estatuto da Família em tramitação no congresso nacional,
cujo texto segue anexo.

Encerrando a ETAPA NORDESTE I da Caravana pelos Direitos da Criança e do


Adolescente, Salete Valesan Camba, diretora da Flacso-Brasil, registrou a importância
da participação de todos e todas, agradeceu aos conselheiros do Conanda e a equipe
da Flacso. Salientou ainda a necessidade dos participantes replicarem os
conhecimentos e discussões realizadas na caravana em seus estados de origem.

Lucimara Cavalcante, coordenadora da Comissão de Mobilização e Formação


do CONANDA também externou sua satisfação com a realização da primeira etapa da
Caravana, salientando que foram vários momentos de discussão no Conanda para que
chegar a esse momento que foi de profunda reflexão sobre a importância do Sistema
de Garantia de Direitos, bem como de propostas para fortalecer as entidades que o
compõe.

Por fim, Marco Antônio Soares, vice-presidente do CONANDA, registrou que foi
uma decisão acertada do Conanda realizar a Caravana, pois todas as etapas propiciará
o contato maior do conselho nacional com os órgãos e entidades que compõem a rede
de garantia dos direitos da criança e do adolescente nos estados. Destacou a
importância da participação dos/as adolescentes que agregaram muita qualidade nas
discussões. Agradeceu ainda o conselho estadual dos direitos da criança e do
adolescente da Paraíba pelo apoio para que pudéssemos organizar uma boa atividade,
a todos os conselhos estaduais que se fizeram presente, os conselheiros/as do
Conanda que acompanharam o processo e a equipe da Flacso pela organização da
logística, dinâmica e coordenação da Caravana.

AVALIAÇÃO DOS/AS PARTICIPANTES

Foi distribuído instrumental para avaliação das atividades da caravana aos


participantes, cujas considerações/resultados seguem abaixo:
- A programação da caravana foi considera excelente por 59% dos participantes
e boa por 38%.
- A Relevância dos Temas abordados obtiveram avaliação excelente e boa, 59%
e 41%, respectivamente.
- Quanto à metodologia das atividades, 66% consideraram excelente e 28% boa
a metodologia utilizada na atividade pública. A metodologia da atividade formativa
(dos grupos de trabalho) foi considerada excelente e boa pela absoluta maioria dos
participantes.
- A coerência das discussões com o tema/objetivo da caravana foi considerada
excelente e boa por 55% e 45% dos participantes, respectivamente.
- Quanto a participação dos representantes estaduais, 52% dos participantes
consideraram excelente, 45% boa. Sobre a participação dos conselheiros nacionais,
52% consideraram excelente, 38% boa e 07% regular.
Constava do formulário de avaliações questões relacionadas à
logística/infraestrutura dos locais que foram realizadas as atividades, sendo que foram
avaliadas como positivas. Quanto à atuação da equipe de organização da caravana,
79% e 21% dos/as participantes avaliaram como excelente e boa, respectivamente.
Por fim, no item: Sugestões, Críticas, Elogios, Justificativa às Respostas
Escolhidas, constante do formulário de avaliação, identificamos as seguintes
considerações:

Participante 1
- convidar mais adolescentes para as caravanas;
- tudo ocorreu bem e a estadia foi ótima;

Participante 2
- excelente ... porém precisa dar mais visibilidade na comunicação;
- garantir maior presença dos jovens das redes municipais e estadual, para que eles
vejam o que estamos dialogando: Direitos da Criança e do Adolescente;
- bastante incrível essa participação.

Participante 3
- ótima essa aproximação presencial do CONANDA com os atores do SGD. Isso
fortalece a política da infância e adolescência, a partir desse diálogo
pessoal/institucional;
- excelente a escolha da FLACSO para a execução desse encontro;
- lamentável que algumas pessoas tenham viajado antes do término do encontro
porque faltou recursos para comprar passagem de avião.

Participante 4
- necessidade de atividade formativa para os adolescentes no início da caravana para
compreensão da temática.

Participante 5
- evento muito produtivo, com profissionais altamente gabaritados, com bagagem
suficiente para discutir sobre os direitos das crianças e dos adolescentes.

Participante 6
- com relação às instalações físicas de formação do hotel é apertado, dificultando a
visibilidade dos slides e a escuta das falas dos formadores;
- espaço dos quartos e refeitório – muito bom!

Participante 7
- sugestão: trazer linguagem acessiva para o grupo de adolescentes;
- rever programação: muitas informações com pouco tempo;
- no primeiro período de formação dar esta atividade sobre participação de
adolescente: contribui para maior integração entre adolescentes, garantindo assim
maior participação nos grupos com adultos.
Participante 8
- percebi que nas atividades do dia 21 de setembro (2º dia) no turno da tarde – temas
foram repetitivos.

Participante 9
- realizar mais momento formativo para o SGDCA.

Participante 10
- boa iniciativa, porém é necessário maior diálogos formais de nomenclatura para
adolescentes;
- faltou um momento social;
- ficou solto de como poderemos agir levando a caravana às nossas cidades de origem.

Participante 11
- grata pela acolhida e zelo. Foi possível perceber que não mediram esforços para que
tudo acontecesse bem . Parabéns!

Participante 12
- parabenizar a facilitadora pela sua forma simples, mas bem pertinente para uma boa
compreensão geral.

Participante 1
- senti falta de divulgação da Caravana no âmbito dos meios de comunicação;
- faltou tornar a caravana um fato político no Estado e na Região na perspectiva da
incidência política, afinal de contas é a presença do Conanda na região discutindo o
contexto regional.

Relatório Elaborado por:


Cristiane Valesan Canabal Camba
Maria Lizeth Acquisti
Maria Izabel da Silva (Bel)

ANEXOS

1- Listas de Presenças
2- Síntese das avaliações dos participantes
3- Moções Aprovadas