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FUNDAÇÃO UNIVERSIDADE FEDERAL DE RONDÔNIA - UNIR

NÚCLEO DE TECNOLOGIA
DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA CIVIL

Adva Andressa Tomaz da Silva


Alister Lincoln Laud Rosignoli Spagnol
Daniel Pereira Peralta
Elinson Santos de Oliveira
Gabriela Carvalho da Silva
Jéssica Ribeiro Martins Lanis
Júlia Fonteles Lorenzetti
Kenyson Diony Souza Silva
Ketelyn Fernandes Ribeiro
Pedro Castro de Albuquerque

Barragem da Usina Hidrelétrica Santo Antônio

PORTO VELHO
2017
Adva Andressa Tomaz da Silva
Alister Lincoln Laud Rosignoli Spagnol
Daniel Pereira Peralta
Elinson Santos de Oliveira
Gabriela Carvalho da Silva
Jéssica Ribeiro Martins Lanis
Júlia Fonteles Lorenzetti
Kenyson Diony Souza Silva
Ketelyn Fernandes Ribeiro
Pedro Castro de Albuquerque

Barragem da Usina Hidrelétrica Santo Antônio

Pesquisa apresentada ao curso de


engenharia civil da Fundação
Universidade Federal de Rondônia –
UNIR, como requisito parcial para
aprovação na disciplina de Geologia.
Nome do orientador (a): Esp. Marcelo
Augusto Rambo.

PORTO VELHO
2017
Adva Andressa Tomaz da Silva
Alister Lincoln Laud Rosignoli Spagnol
Daniel Pereira Peralta
Elinson Santos de Oliveira
Gabriela Carvalho da Silva
Jéssica Ribeiro Martins Lanis
Júlia Fonteles Lorenzetti
Kenyson Diony Souza Silva
Ketelyn Fernandes Ribeiro
Pedro Castro de Albuquerque

Barragem da Usina Hidrelétrica Santo Antônio

Pesquisa apresentada em 05 de junho de 2017 ao curso de Engenharia Civil da


Fundação Universidade Federal de Rondônia (UNIR), como requisito avaliativo final
da disciplina de geologia.

______________________________________________
Prof. Marcelo Augusto Rambo, Esp.
Orientador

Comissão Examinadora

______________________________________________
Prof. Marcelo Augusto Rambo, Esp.
Orientador

PORTO VELHO
2017
Sumário
2.1 Usina Hidrelétrica de Santo Antônio ..................................................................................... 11
2.2 Escavações............................................................................................................................... 12
2.3 Contenção inicial do rio........................................................................................................... 13
2.4 Etapas da Obra ........................................................................................................................ 14
2.5 Continuidade do Crescimento................................................................................................ 18
2.6 Finalidade da Construção....................................................................................................... 19
3 CONSIDERAÇÕES FINAIS .......................................................................................................... 20
REFERÊNCIAS .................................................................................................................................. 21
LISTA DE TABELAS

Tabela 1- Tipos de barragem........................................................................................7


Tabela 2- Etapas Construtivas....................................................................................14
LISTA DE FIGURAS

Figura 1- Escavações em solo e rocha........................................................................13


1 INTRODUÇÃO

A água é o principal recurso natural, sendo esta de grande revelância para a


história da humanidade, para o desenvolvimento econômico, tecnológico, social e
corporativo em todas as áreas abrangíveis. Porém, a irregularidade e imprevisibilidade do
fluxo dos rios e de outros recursos, conduzem a inundações violentas e destrutivas num
ano, e a condições de seca em anos não implícito, fazendo com que haja necessidade da
construção de barreiras físicas para proteção e contenção de consideráveis volumes de
água. Um tipo de barreira é a barragem. (JESUS, 2011, Tradução nossa).

Filho (2008) especifica que uma barragem é um elemento estrutural, composto na


transversal por vales ou depressões com o propósito de elevar o nível da água dos cursos
naturais, ou então formar um reservatório a fim de acumular água. Este tipo de estrutura
pode ser projetado com múltiplos propósitos, seja ela construída de materiais rochosos,
terrosos ou de concreto, com o objetivo de satisfazer as necessidades de cada projeto.

As barragens de modo geral, se classificam em de terra, de enroncamento e de


concreto. Há também barragens de madeira, que são usadas em casos específicos, como
medidores de vazões em pequenos cursos d’água ou em açudes. O modelo de barragem
é adotado para o projeto hidráulico conforme as características do local (topologia,
geologia e hidrologia) e o uso (MIOTTO, 2013).

A Tabela 1 apresenta os tipos de barragem em função do autor Massad (2003),


que especifica as barragens ordenadas em concreto gravidade, concreto estrutural com
contrafortes, concreto em arco de dupla curvatura, terra homogênea, terra-enrocamenato,
enrocamento com membrana de concreto e barragem em aterro hidráulico.

Tabela 1 – Tipos de barragem

Barragens Características
Concreto gravidade A barragem do tipo concreto gravidade funciona através do
seu peso e sua fundação requer fixação em rocha.

Concreto estrutural com


São formadas de lajes ou abóbodas variadas contendo
contrafortes uma certa inclinação e apoiadas em contrafortes.
Concreto em arco de dupla
Seu formato é de dupla curvatura, permitindo que o
curvatura concreto tenha um esforço de compressão.
Terra homogênea Barragem mais utilizada por motivos topográficos, vales
acessíveis e disponibilidade de apetrechos terrosos no
Brasil, podendo suportar fundações deformáveis.
Terra-enrocamento Barragem mais segura se comparada com a de terra
homogênea.
Enrocamento com membrana
Essa barragem possui uma grande vantagem em relação
de concreto ao seu cronograma construtivo, pois tanto o aterro quanto
a membrana de concreto podem ser executadas
independentemente do clima.
Barragem em aterro hidráulico
Possui um baixo custo, construída por meios hidráulicos,
pois o solo com a água chega até a construção através de
tubulações.
Fonte: Autor com base em Massad (2003).

Visto essa classificação, em acordo com Camargo (2014), a aplicação de barragem


em geral tem o intuito de:

Controle de cheias; obtenção de energia elétrica; navegação;


abastecimento doméstico; irrigação; criação de peixes, dentre outras.
Dessa forma, são obras de engenharia que influenciam uma grande
parte das civilizações e apresentam benefícios bem como riscos a
vida do homem.

Os pioneiros na construção de barragens, surgiram entre 2950 a.C e 2750 a.C, e


foram os antigos egípcios, afim de amenizar os grandes períodos de seca que ocorriam
na região. A primeira barragem a ser construída foi designada por Sadd-el-Kafara, era
uma barragem de gravidade, que se localizava-se no sul do Cairo, no Wadi Garawi.
(JESUS, 2011, Tradução nossa).

Já no Brasil, o Comitê Brasileiro de Barragens (2011, p. 9) conhecido pela sigla


CBDB, afirma que “as barragens surgiram em decorrência da necessidade de se usufruir
dos benefícios do uso múltiplo dos recursos hídricos para a população brasileira”.
Segundo Pedroso (2011) foi nos últimos cinquenta anos do século XX que a engenharia
brasileira de barragens se estabilizou. O setor elétrico brasileiro iniciou o seu
desenvolvimento a partir de 1950, juntamente com a tecnologia para a construção das
barragens. Foi quando se iniciou as obras de grandes barragens, apoiadas em estudos e
projetos de alta qualidade (CBDB, 2011). Afim de reter água, para várias finalidades tanto
industriais como domesticas, para a regularização de um rio, navegação ou para
produção de energia elétrica. Sendo neste último caso, possível por meio das passagens
de água que aciona turbinas, aproveitando o desnível provocado pela barragem em
relação ao leito normal do rio, através da construção de usinas hidrelétricas.

O termo hidroeletricidade implica dizer que, a partir do potencial hidráulico de uma


localidade de um curso d’água, irá haver a obtenção de energia elétrica. Essa obtenção,
de acordo com a ENERGISA (2013), é realizada pela construção de uma barragem e da
formação de um reservatório. As Hidroelétricas com base em, Gerhard (1980), se dividem
em 3 tipos, as UHEs, Usinas Hidroelétricas de Energia, PCHs Pequenas Centrais
Hidroelétricas, e CGHs Centrais Geradoras Hidroelétricas. UHEs são as grandes usinas
que têm potência instalada superior a 30 megawatts e/ou área alagada superior 3 km².

Os aproveitamentos hidráulicos podem ser hidroelétricos, com o objetivo de


produção de energia. (GOMES, 2009, tradução nossa). O Brasil é um dos maiores
produtores de energia hidrelétrica do mundo. A primeira barragem hidrelétrica no Brasil foi
inaugurada em 1905 (em Canela, RS), e em 2009, o Brasil foi declarado o terceiro maior
produtor mundial de energia hidrelétrica (GOVERNO CHINES, 2010), e 81.9% da energia
elétrica no ano de 2012 foi produzido através de usinas hidrelétricas (EPE, 2012).

O País conta com um enorme potencial hidráulico e ainda tem grandes mananciais
a explorar. Hoje, aproximadamente 79,09% de nossa energia é de fonte hidráulica,
18,51% de térmicas, 2,37% de nuclear, 0,03% outras (SOARES 2014). Naquele, o início
do um estudo sistemático e do potencial hidrelétrico da região Amazônica se deu no final
dos anos sessenta, com o intuito de dirigir estudos e desenvolver projetos de
fornecimento de energia na região Amazônica, a onde foi fundada a Eletronorte (Centrais
Elétricas do Norte do Brasil S/A), em 20 de junho de 1973, como uma subsidiária regional
da Eletrobrás (Centrais Elétricas Brasileiras S/A). (GAMA, H. et al (2016).

O lugar para a implantação de qualquer obra geotécnica em geral e de barragem


em particular, é o passo mais relevante. É cada mais vez mais difícil a descoberta de tais
locais, pois, hoje em dia há ocupação do território para as mais variadas atividades.
(GAMA, 2012)
Diante disso, de acordo com Tamaki (2010), em setembro de 2008, no Brasil, se
deu o início da construção da Usina Santo Antônio, com a realização da montagem das
maiores turbinas bulbo do mundo, e apenas 8 anos depois, em novembro de 2016 a
mesma foi finalizada. Contendo 50 turbinas instaladas, com um potencial total de 3.568
megawatts. Isto é, podendo atender ao consumo de aproximadamente 45 milhões de
pessoas. Além disso, foi instalado um Sistema de Transposição de Peixes que, reproduz
as características de uma cachoeira, permitindo que as espécies migratórias subam o rio
durante a piracema, garantindo a sua reprodução.

A Usina Hidrelétrica de Santo Antônio está localizada no rio Madeira, em Porto


Velho, em referência à Comitê Brasileiro de Barragens (2011), possui uma barragem
relativamente curta, e tem em torno de 813 mil m³. Sua seção é mista, com núcleo de
argila e proteção em enrocamento. (TAMAKI, 2010). Esta é a maior bacia hidrográfica do
planeta com descarga anual média em 29.000 m3 /s na foz, com valores máximos de
40.000 m3 /s e na cheia e mínimos de 4.000 m3 /s na vazante (FERREIRA et al. 1988).
Dentre os afluentes amazônicos, é o maior tributário em termos da descarga de água,
contribuindo com aproximadamente 15% da descarga líquida total do rio Amazonas
(MARTINELLI et al. 1988)
2 DESENVOLVIMENTO

Com a expansão do território brasileiro, novas fontes de geração de energia


são necessárias para suprir a demanda energética. No caso brasileiro, há um
predomínio de bacias hidrográficas que são passíveis de serem fontes geradoras de
energia por meio da instalação de hidrelétricas.
A região norte, favorecida pelo clima úmido com poucos meses de estiagem,
possui a maior bacia hidrográfica do mundo - Bacia Amazônica - que conta com
3.843.402 de km² apenas em território brasileiro. A Bacia é caracterizada por rios
onde há um período prolongado de cheia, o que assegura um fornecimento de
energia estável. Nesta bacia está incluído o Rio Madeira que é um dos afluentes do
Rio Amazonas.
Sendo o principal rio do estado de Rondônia, o. Desde 1970 estudos foram
realizados para analisar a viabilidade da construção de uma usina hidrelétrica no Rio
Madeira. Nos primeiros projetos analisados, havia o grande empecilho em relação a
possibilidade de se ter uma área inundada na região boliviana e a sedimentação do
rio, levando a grandes perdas na capacidade de geração de energia. A partir de
2001, a empresa estatal Furnas e a privada Odebrecht realizaram um estudo com
base no projeto inicial e concluíram que, com algumas alterações, seria possível
manter a geração de energia sem perdas significativas e manter uma menor área
alagada, restringindo-se unicamente a região brasileira (SWITKES, 2008).
O avanço do projeto seria possível graças ao uso de novas tecnologias, em
especial a turbina tipo bulbo, que funciona a fio d’água, sem necessidades de
grandes reservatórios. Assim, viabilizou a execução da obra, pois, o relevo na área
de implantação da barragem é plano e quanto menor o desnível de água requerido,
menor também a área inundada e altura da barragem.

2.1 Usina Hidrelétrica de Santo Antônio

De acordo com Tamaki (2010), em setembro de 2008, no Brasil, se deu o início da


construção da Usina Santo Antônio, com a realização da montagem das maiores turbinas
bulbo do mundo, e apenas 8 anos depois, em novembro de 2016 a mesma foi finalizada.
Contendo 50 turbinas instaladas, com um potencial total de 3.568 megawatts. Isto é,
podendo atender ao consumo de aproximadamente 45 milhões de pessoas. Além disso,
foi instalado um Sistema de Transposição de Peixes que, reproduz as características de
uma cachoeira, permitindo que as espécies migratórias subam o rio durante a piracema,
garantindo a sua reprodução.

A Usina Hidrelétrica de Santo Antônio está localizada no rio Madeira, em Porto


Velho, em referência à Comitê Brasileiro de Barragens (2011), possui uma barragem
relativamente curta, e tem em torno de 813 mil m³. Esta é a maior bacia hidrográfica do
planeta com descarga anual média em 29.000 m3 /s na foz, com valores máximos de
40.000 m3 /s e na cheia e mínimos de 4.000 m3 /s na vazante (FERREIRA et al. 1988).
Dentre os afluentes amazônicos, é o maior tributário em termos da descarga de água,
contribuindo com aproximadamente 15% da descarga líquida total do rio Amazonas
(MARTINELLI et al. 1988)

2.2 Escavações

As perfurações para a construção da Usina foram feitas em solo com


características argilosas. Já a rocha do local é o granito (Fig 1). As escavações no
solo foram feitas com escavadeiras de 30t a 50t. Abaixo, para a escavação das
rochas, foram usados o método de perfuração e detonação com a utilização de
explosivos.
Figura 1 - Escavações em solo e rocha

Fonte: Site Infraestrutura Urbana

Para a retirada do material acumulado nos procedimentos de escavação,


foram utilizados 30 caminhões fora-de-estrada, além de mais de 200 caminhões
convencionais.
Nem todo o material proveniente da extração de rochas do local da Usina é
descartado. Este conteúdo rochoso é utilizado, em partes, nos enrocamentos de
proteção das ensecadeiras e barragens. Além disto, o mesmo também possui fins
na produção de agregados para o concreto.
O descarte da rocha retirada é maior que o reuso. Então, grande parte do
material extraído do local é enviado para Aterro de Inertes que são locais onde são
descartados os materiais provenientes de obras de terraplenagem que envolvam
escavação e remoção de terra ou ainda, demolições e reformas que necessitem de
remoção de entulhos.

2.3 Contenção inicial do rio

O passo inicial da construção da Usina foi a levantamento da ensecadeiras.


Ensecadeiras são estruturas utilizadas para formar uma área seca quando há a
necessidade de trabalhar em locais onde há o curso d’água. Estas, auxiliam na
contenção temporária da ação da água em superfícies que estejam abaixo do nível
desta, para que não haja nenhuma interferência da água na construção. No caso da
hidrelétrica de Santo Antônio, as ensecadeiras foram construídas com o solo retirado
do local. A proteção com enrocamento foi feita com o granito extraído do local. A
altura do Rio Madeira tem uma amplitude de 12m entre a época da cheia e a da
seca. Nesta perspectiva, as ensecadeiras evitam a inundação na área que a
barragem está sendo construída, pois a mesma é edificada abaixo do nível do curso
do rio.

2.4 Etapas da Obra

Tabela 2: Etapas Construtivas.

Período Atividade realizada

Set/2008 • Início das obras civis na


margem direita;
• Desmatamento dos canteiros,
acessos, instalações
industriais e estruturas
definitivas;
• Construção de ensecadeiras
em direção à Ilha do Presídio.
Nov/2008 • Escavações no solo do Grupo
2.

Dez/2008 • Esgotamento do recinto


ensecado na margem direita.
Jan/2009 • Escavações na margem
direita;
• Escavações no setor do
vertedouro principal da
margem esquerda;
• Construção do canteiro na
margem esquerda.
Abr/2009 • Escavações do solo Grupo 3.

Jul/2009 • Concreto na Casa de Força


(Grupo 1).

Out/2009 • Montagem do tubo de sucção


(Grupo 1).

Nov/2009 • Lançamento de concreto no


vertedouro principal.

Abr/2010 • Lançamento de Concreto do


vertedouro complementar;
• Montagem da ponte rolante
principal.
Mai/2010 • Montagem das guias de
comporta do vertedouro
principal.

Jun/2010 • Lançamento de concreto na


Casa de Força (Grupo 2);
• Lançamento de materiais na
barragem da margem direita.
Jul/2010 • Início da montagem da
primeira turbina (Grupo 1).

Out e Nov/2010 • Escavações no solo da Casa


de Força (Grupo 3);
• Escavação na rocha dos
canais de adução e fuga das
Casas de Força (Grupos 1 e
2);
• Escavação dos canais de
aproximação e restituição do
vertedouro principal;
• Lançamento de concreto e
montagem da Casa de Força
(Grupo 1) e vertedouro
principal;
• Concretagem do vertedouro
complementar e do Grupo 2.
Final de 2011’ • Testes com água na primeira
unidade geradora (Grupo 1).

Mai/2012 • Conclusão da montagem das


unidades geradoras do Grupo
1;
• Início de operações das 24
unidades geradoras dos
Grupos 2 e 3.
Dez/2014 • Início da operação da Casa de
Força (Grupo 4).
Fonte: Site Infraestrutura Urbana.

Na margem direita do Rio Madeira, encontra-se a Casa de Força do Grupo 1.


Esta abriga oito turbinas e o vertedouro complementar, com três vãos. Já na margem
esquerda, constata-se duas Casas de Força do segundo e do terceiro Grupo, onde
cada uma destas abriga 12 (doze) turbinas. Neste setor também é localizado o
vertedouro principal que conta com 15 (quinze) vãos. O último grupo é situado no leito
do rio e é composto por 12 (doze) turbinas também (TAMAKI, 2010).
A primeira parte da obra foi efetuar o desmatamento da região para que
houvesse a construção do primeiro grupo de energia. Para este fim, também foi feito
a construção de ensecadeiras para desviar o curso do rio. Só então, a partir de 2009,
foi possível a realização das escavações no local (TAMAKI, 2010).
Em Julho de 2009, deu-se o primeiro lançamento de concreto na Casa de Força
do primeiro grupo. O primeiro tubo do grupo foi montado em Outubro de 2009. Já a
montagem da primeira das oito turbinas do Grupo 1 iniciou-se após um ano da
concretagem do local. A concretagem do vertedouro complementar, abrigado no
Grupo 1, ocorreu em Abril de 2010 (TAMAKI, 2010).
Os dois vertedouros da UHE de Santo Antônio possuem a finalidade de escoar
a água em excesso acumulada na barragem. Na Usina Hidrelétrica de Santo Antônio,
em especial, a abertura do vertedouro principal (Fig. 2) é constante, pois há a
necessidade de se escoar a água juntamente com as toras que existem no Rio
Madeira. A construção deste vertedouro, graças aos seus 15 (quinze) vãos,
possibilitou o escoamento da água e madeiras. Fato de extrema importância, pois
evita o acúmulo de toras evitando problemas futuros.
Figura 2 – Vertedouro Principal

Fonte: Portal de Rondônia

A concretagem do vertedouro principal ocorreu em Novembro de 2009. Além


deste local, também foi lançado concreto no segundo grupo de energia. No mesmo
mês, houve a escavação no solo do terceiro grupo (TAMAKI, 2010).
No final de 2011, houve o primeiro teste na primeira unidade geradora de
energia. A partir de Maio de 2012, as turbinas deste grupo e dos demais foram
finalizadas e, consequentemente, entraram em operação. No total, 44 turbinas
estavam disponibilizando 3.150,4 MW de potência instalada.

2.5 Continuidade do Crescimento

Em Dezembro de 2016, a 50ª turbina foi acionada. Houve uma ampliação do


projeto inicial para que a última unidade geradora da Hidrelétrica de Santo Antônio
alcance sua capacidade máxima de produção energética. A ampliação ocorrida
resultou em um aumento na potência instalada. A UHE de Santo Antônio que,
anteriormente contava com 3.150,4 MW, hoje conta com 3.568 Megawatts de
potência instalada. A produção total de energia é 2.551.60 MegaWatts/h. Tal energia
é responsável por produzir energia elétrica para 45 milhões de brasileiros. Esta
produção é capaz de abastecer o estado de São Paulo por completo.
Das 50 turbinas instaladas no local, apenas 6 são destinadas aos estados de
Rondônia e Acre. O restante é responsável por auxiliar o abastecimento a nível
nacional.

2.6 Finalidade da Construção

A finalidade da instalação da usina foi para suprir, além das necessidades


proveniente do desenvolvimento brasileiro, as necessidades das indústrias extrativas
minerais. A instalação de empresas nacionais e internacionais foi favorecida porque
receberam subsídios no preço da energia elétrica, quando da transferência da
indústria mineradora eletro-intensiva, a partir da década de 1970, dos países
centrais para as economias periféricas, em decorrência do encarecimento de
energia nos países desenvolvidos (WERNER, 2010 apud. Cano 2007).
3 CONSIDERAÇÕES FINAIS

As barragens são construções com diversas finalidades. Estas podem


ser: Reservatório de água, contenção de rejeitos sólidos, produção de energia entre
outros. No entanto, desde sua construção até o decorrer de seu funcionamento, a
edificação estará sujeita à um alto grau de risco.
Apesar dos benefícios econômicos, energéticos e alguns sociais gerados pela
Usina, a construção de algo tão grandioso altera as características locais a jusante.
Impactos ambientais podem ser notados e, consequentemente, influir na
preservação de áreas naturais, inundar de uma vasta localidade, alterar significante
da fauna e da flora da região, desestabilizar a rotina de migração e desova de
peixes, etc.
Após o término da construção, os riscos ainda são presentes. A possibilidade
de se haver deficiências na construção, eventos sísmicos na região, ou mesmo a
degradação da construção, podem fazer que a mesma entre em colapso,
provocando a ruptura da edificação. Casos assim, promovem o acontecimento de
acidentes gravíssimos, envolvendo grandes prejuízos econômicos e a perda de
vidas humanas.
Então, é necessário haver um planejamento por completo da obra. Este
contará com a identificação dos riscos associados à construção e ao seu uso e,
então, gerenciá-los. Identificação de eventos sísmicos na região, o período de
retorno de chuvas torrenciais entre outros será de suma importância para a redução
acidentes graves.
É necessário que, após o término da construção, sistemas de monitoramento
constante auxiliem os engenheiros para que qualquer medida preventiva não seja
tomada tardiamente. Juntamente a isto, programas de evacuação imediata devem
ser implantadas no local.
REFERÊNCIAS

FILHO, Carlos Leite Maciel. Introdução a Geologia de engenharia. 3 ed. Santa


Maria: Ed. da UFSM, 2008.

GAMA, H. et al. Concreto. Barragem de Tucurí, o maior volume de concreto no


Brasil. São Paulo, v. ,nº 42, p. 1-120, Mai. 2016.

JESUS, Rafael. Optimização da forma estrutural de uma barragem. Dissertação


(Mestrado em Engenharia Civil da Faculdade de Engenharia Universidade do Porto -
FEUP). Portugal, Faculdade de Engenharia Universidade do Porto, 201. Disponível
em: < https://repositorio-aberto.up.pt/bitstream/10216/61502/1/000148778.pdf >.
Acesso em: 27/04/2017.

GAMA, Pedro. Injeção de caldas de cimento em


fundações rochosas de barragens:
Revisão crítica de metodologias. Dissertação (Mestrado em
Engenharia Geológica (Geotecnia) da Faculdade de Ciências e Tecnologia
Universidade Nova de Lisboa). Portugal, Faculdade de Ciências e Tecnologia
Universidade Nova de Lisboa, 2012. Disponível em:
<https://run.unl.pt/handle/10362/7800 >. Acesso em: 27/04/2017.

GOMES, Alexandre. Metodologia de análise e dimensionamento de estruturas


de apoio de comportas de barragens. Dissertação (Mestrado em Engenharia Civil
da Faculdade de Engenharia Universidade do Porto - FEUP). Portugal, Faculdade
de Engenharia Universidade do Porto, 2009. Disponível em: <https://repositorio-
aberto.up.pt/handle/10216/59849>. Acesso em: 27/04/2017.

GOVERNO CHINES, 2010. Indicators 2009. National Electric Power Industry.

EPE, 2012. Balanço energético nacional. Ministério de Minas e Energia, Brasília.

FERREIRA, L. F. COELHO, R. P. LIMA, &W. W. THOMAS. 1988. Implantação de


parcelas para monitoramento de dinâmica florestal na área de proteção
ambiental, UHE Samuel, Rondônia: Relatório preliminar. Piracicaba: Centro de
Energia Nuclear na Agricultura (CENA), 1988. 72 p.

MARTINELLI, L.A, FERREIRA, J.R.; Fostverg, B.R. e VICTORIA R.L. 1988. Mercury
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ENERGISA. Sobre PCHs. Disponível em:


<http://www.energisa.com.br/Geracao/oqueeumapch/default.aspx>. Acesso em: 28
de abril. 2017.
COMITÊ BRASILEIRO DE BARRAGENS. A história das barragens no Brasil,
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Coordenador, supervisor: Flavio Miguez de Mello. Editor: Corrado Piasentin. Rio de
Janeiro: CBDB, 2011. 522 p.

PEDROSO, Fábio Luís. Grandes Barragens Brasileiras e suas histórias.


Concreto e Construções, São Paulo, ano XXXIX, n. 63, p. 31-43, jul, ago, set.
2011.

MIOTTO, Luana de Paula; MIOTTO, Viviane de Paula. Uma síntese acerca de


estudos de modelos reduzidos de barragens. 2013. Trabalho de
Conclusão de Curso (Bacharelado em Engenharia Civil) – Universidade Tecnológica
Federal do Paraná. Pato Branco, 2013.

TAMAKI, Luciana Hidrelétrica construída às margens do Rio Madeira, em


Rondônia, terá as maiores turbinas bulbo do mundo.Conheça detalhes das
inovações tecnológicas e construtivas do empreendimento Disponível em:<
http://infraestruturaurbana.pini.com.br/solucoes-tecnicas/1/usina-santo-antonio-
detalhes-das-inovacoes-tecnologicas-da-hidreletrica-192203-1.aspx >Acesso em:28
04 2017

Faiçal Massad. Obras de Terra: curso básico de geotecnia. 2ª edição, São Paulo,
Ed. Oficina de Textos, 2003.

SOARES. Projeto Estrutural de uma Barragem de Concreto com


Contraforte. Trabalho de
Conclusão de Curso (Bacharelado em Engenharia Civil) – Universidade Federal de
Santa Catarina. Florianópolis, 2014.