Como Gerir um Museu: Manual Prático

t o d o s o s d ir eit o s r eser vad o s ISBN 92-9012-157-2 . Editor e Coordenador: Patrick J. lam en t e Mio llis 75732 Par is Ced ex 15 Fr an ça O ICO M agradece ao Fundo Fiduciário do Grupo para o Desenvolvimento das Nações Unidas (UNDGTF) por tornar esta publicação possível. O ICOM ag r ad ece ao s au t o r es e ao s o u t r o s au t o r es p r o t eg id o s p o r d ir eit o s d e au t o r . as f o t o g r af ias. d iag r am as. p elo seu ap o io e co o p er ação . © 2004.Como Gerir um Museu: Manual Prático PUBLICAÇÃO : ICOM – Co n selh o In t er n acio n al d e Mu seu s Maiso n d e l'UNESCO 1.A. Bo ylan Coordenação do Secretariado do ICO M: Jennifer Thévenot Concepção e produção da capa original: Edward Moody Desígn Impressão: Franly S. Fotografia e outros créditos de ilustração: Sem p r e q ue n ão exist a id en t if icação . ICOM. d o au t o r d o cap ít u lo co r r esp o n d en t e. e o u t r as ilu st r açõ es est ão p r o t eg id as p o r d ir eit o s d e au t o r .

.................................................................... Os No ve Ag en t es d e Det er io r ação .................Passo 3: Plan o d e m elh o r ias p ar a a g est ão d e r isco d o acer vo ....... In t egr ar e ger ir t o d o s o s q uat r o agen t es.................... Acesso p ú b lico ao acer vo ............... Segur o ... Recur so s h um an o s e f in an ceir o s.......... 1 por Geoffrey Lewis Hist ó r ia d o co leccio n ism o ......................... p o lu ição ................. Classif icação d o s r isco s p ar a o acer vo ................... Im agen s....... Aq uisição e in co r p o r ação .. co n t r o lo d o in ven t ár io e cat alo gação d a r eser va... Avaliar a exp o sição ap ó s o seu t ér m in o ......................... Inventário e D ocumentação ................ Man useam en t o e m o vim en t ação d o acer vo ..Conteúdos Prefácio .......... Os p r im eir o s m useus p úb lico s................... Dir ect r izes d e t em p er at ur a e d e h u m id ad e p ar a o m u seu ........................................................................ Desen vo lver a exp o sição ........ Aq uisição e m an ut en ção d o acer vo ........... Num er ação ... Presidente do ICO M Introdução.... ............ Exem p lo s d e avaliaçõ es d e r isco esp ecíf icas e so luçõ es in d ivid uais......... 17 por N icola Ladkin Desen vo lver a p o lít ica d e gest ão d o acer vo .......acesso ....... Num er ação e classif icação d o s o b ject o s d o acer vo ........ Gest ão d e r isco in t egr ad a d e p r agas (GIP)... Acer vo d e r eser va........ em p r ést im o s a lo n g o p r azo e in co r p o r ação ............ Coordenador e Editor OPapel dos M useus e o C ódigo de Ética Profissional ............................ In co r p o r ação ............... Pr o ject o : o p lan eam en t o b ásico e o p r o cesso ar t if icio so .................. C onservação e Preservação do A cervo................ Dir ect r izes d e p o lu ição p ar a o m useu................. 33 por A ndrew Roberts Aq u isiçõ es........... Gest ão d a exp o sição em r elação a o ut r as act ivid ad es m useo ló gicas.................... Sin t axe e t er m in o lo gia.... Co n t r o lo d o in ven t ár io e cat alo gação ............... Co m p let ar a exp o sição .................................. Ab at im en t o e ced ên cia.................................. Pr o d ução e m at er iais.............................Passo 2: In sp ecção d o s r isco s .................... Red uzir a p er d a e o s d an o s f ut ur o s em 100 an o s o u m ais........................... O o b ject o : in t er p r et ação n o co n t ext o d a exp o sição ............ Ger ir o m useu...................................................... t em p er at ur a e h um id ad e................................................................... Co n t r o lo d a m o vim en t ação e lo calização .............. Pad r õ es m ín im o s e ét ica p r o f issio n al................... Exibições e M ostras .............................................. Valo r ização e d ivulgação d o p at r im ó n io n at ur al e cult ur al...................................... Galer ias e salas d e exp o sição e m o st r a........ Ser viço p úb lico e b en ef ício p úb lico ............................. Em p r ést im o s..................................................... Gest ão d e r isco in t eg r ad a su st en t ável p ar a a ilu m in ação ... 55 por Stefan Michalski Pr io r id ad es n a d ecisão e avaliação d o s r isco s................................. Elab o r ar o sum ár io d o p lan eam en t o .......................................................................................... Tr ab alh ar co m as co m u n id ad es........................................... Cam p o s d e cat alo gação r eco m en d ad o s..................................................... v por A lissandra Cum m ins.................. Pr o f issio n alism o ..... 99 por Yani Herreman Tip o s d e exp o siçõ es.............. Dir ect r izes d e ilum in ação p ar a o m useu.................. vii por Patrick Boylan. Leg islação .. Cat alo gação e r ecu p er ação m an u al e in f o r m át ica..................................................... G estão do A cervo. Exposição......... In t er p r et ar e ap r o f u n d ar o co n h ecim en t o ................ O ciclo d e p r eser vação d o acer vo : Passo 1: Co n f ir a o s p r in cíp io s .... Fo t o gr af ia. Relat ó r io so b r e o est ad o d e co n ser vação .... et iq uet ação e id en t if icação d o o b ject o ............................... Acesso à In t er n et p ar a in f o r m ação so b r e o acer vo .............................. In vest igação d o acer vo ..........

.... Esco lh a d o s m ét o d o s d e en sin o e ap r en d izagem n a ed ucação d o m useu ....................... Med id as p ar a assegur ar a segur an ça d a exp o sição e d as salas d e exp o sição ......... f o r m ação e d esen vo lvim en t o p r o f issio n al d o p esso al................................................................ Ed ucação d o m useu e a co m un id ad e. Plan ear e g er ir o ser viço ao visit an t e.................................................... Tr ab alh o d e eq uip a.. G estão do M useu ..... Recup er ação ........................................... In f o r m ação ........................................................................ Relaçõ es p úb licas...... Pub licid ad e........... Gest ão f in an ceir a.. Educação do M useu no C ontexto das Funções M useológicas .............................. Ár eas esp ecíf icas a t er em at en ção ............................................................................................................................................................... G estão do Pessoal .................... Saúd e e seg u r an ça n o t r ab alh o .................................................. Fact o r es In t er n o s e ext er n o s................... Pr o ject ar p r o gr am as ed ucat ivo s: o s p r in cíp io s b ásico s.............. p r eço ............ Def in ir e co m p r een d er o visit an t e..... Cr iar a “m ar ca” d o m useu ........ Sist em a d e Co n t r o lo d e Acesso (SCA)................... 113 por V icky Woollard Qu ais são o s b en ef ício s p ar a o s m useus?.......................... 129 por Cornelia Brüninghaus-Knubel Acer vo e ed u cação .......................... 193 por Pavel Jirásek Qu em é o r esp o n sável p ela p o lít ica d e segur an ça e p ela sua ap licação ?.. Desen vo lver e ger ir a ed ucação d o m useu............. Segurança e Prevenção de A cidentes do M useu........................................................................................................ 175 por Paal Mork In t r o d u ção ao m ar ket in g ........................ Req uisit o s m ín im o s p ar a um a d eclar ação o u co n t r at o d as co n d içõ es d o em p r ego ...................................................................... Missão e visão ................... Mét o d o s e t écn icas d e selecção d e p r o m o ção e r ecr ut am en t o ...... Tip o s d e visit an t es e as suas n ecessid ad es................... O p r o cesso d e p lan eam en t o ......... Sist em a d e Alar m e e Det ecção Aut o m át ica d e In cên d io (SAI).................................................................................. An álise d o r isco e p lan o d e segur an ça.................... Pr o d ut o ........... Pr in cip ais cat ego r ias d o t r ab alh o e d o s f un cio n ár io s d o m useu. Fo r m ação ......... Est ilo s d e Lid er an ça d e d ir ect o r as e o ut r o p esso al d e t o p o ........................ Recu p er ação o n d e as co n ven çõ es n ão se ap licam ...................................... Cir cu it o Fech ad o d e Televisão (CFTV). 145 por Gary Edson Est r u t u r a d e g est ão ... Pub licaçõ es d o m useu.................. Tráfico Ilícito ....................................................................................................... Legislação n acio n al. Recr u t ar e m an t er p esso al d e elevad a q ualid ad e. Pr o m o ção . Im p lem en t ação d o p lan o est r at égico p ar a a p r o t ecção d o m u seu ............... An álise SWOT.................................................. Plan eam en t o est r at ég ico d e m er cad o ..................................................................... Gr up o s-alvo ............................ Gest ão .......................................................................................................................... Act ivid ad es ext r a-m ur ais..... en vo lvim en t o e eq uid ad e d o p esso al... A o r ien t ação act ual d o s m useus r elat ivam en t e à t eo r ia e p r át ica d o m ar ket in g .... Gest ão e ét ica d o m useu................................. Co m o avaliar o s r isco s n o lo cal d e t r ab alh o : cin co p asso s p ar a a avaliação d e r isco .............. In ven t ár io s............. Quais são o s p r in cíp io s-b ase p ar a p r o p o r cio n ar ser viço s d e q ualid ad e ao visit an t e................................. 223 ivro Referências e Informação A dicional ................. Sist em a d e Det ecção d e In t r uso (SDI).................................... Avaliação ..... Tip o s d e m at er ial d id áct ico co m um m en t e u t ilizad o s em m u seu s...................... p r o m o ção ............ M arketing ..................................A colhimento do Visitante............................ Ch ecklist d o Ob ject o ID............................ Co n ven çõ es in t er n acio n ais.......... 230 Breve Biografia dos A utores .................................. Elab o r ar a d eclar ação d e m issão . Assun t o s a co n sid er ar .................. Co o p er ação in t er n acio n al................ Algu n s asp ect o s-ch ave a co n sid er ar n o d esen vo lv im en t o d a d eclar ação d e p o lít ica d o ser viço ao visit an t e.................... Tur ist as e visit an t es.... 214 por Lyndel Prott Pr even ção .................................. O Plan o d e Em er gên cia....................... Ch ecklist d o s p o n t o s d e vist a d o visit an t e........ 160 por Patrick Boylan Co m p r een d er a g est ão d e p esso al................ Det ecção .. Lit ígio ........ 239 .. Pr o ced im en t o s d iscip lin ar es e d e q ueixa.................................................................................. Ed ucação in f o r m al..................................................... Seis r eg r as p ar a p lan ear o o r çam en t o ........................... Explicação G eral de A lguns Termos-C have U tilizados neste L . lo cal............. 236 C ódigo de Ética Profissional do IC M O ...

assim como uma edição em inglês. Esta publicação é outro exemplo da resposta directa do ICO M à necessidade de dar formação profissional e aconselhamento prático sempre que necessário. a nível mundial e durante os próximos anos.Prefácio A lissandra Cum m ins. Na minha opinião. agradecidamente. Com o Gerir um Museu: Manual Prático. o desenvolvimento da profissão de museu. a ICO M procurou promover padrões profissionais de formação e prática profissional em conjunto com abordagens de colaboração no trabalho. novos modelos de colaboração. A missão-chave do ICO M após estabelecer padrões profissionais e éticos para as actividades museológicas. surgiu a pedido do Comité Intergovernamental da UNESCO para a Protecção do Património Cultural do Iraque. que apoiará. juntos criaram uma ferramenta excelente tanto para o ensino académico como para a auto-aprendizagem directa. nos seus quase sessenta anos de existência. Houve a necessidade de desenvolver um manual elementar que pudesse ser utilizado pelos formadores e formandos em cursos relacionados com o museu. Na verdade. para a utilidade desta publicação ser reconhecida através da comunidade internacional dos museus. Gostaria de reconhecer. O s autores dos doze capítulos utilizaram a sua extensa experiência em museu e técnica profissional enquanto ao mesmo tempo representaram habilmente a/ s várias sociedade/ s multi-culturais nas quais vivemos. um dos objectivos estabelecidos pela organização permanece para aprofundar “a partilha do conhecimento e da prática profissional de museu através de apoio mútuo internacional. Finalmente. No entanto. Alissandra Cummins. Presidente do ICO M A elaboração deste livro. o pessoal do sector de programas do ICO M teve um papel fundamental na preparação e coordenação deste livro. também deve ser reconhecida. Presidente Conselho internacional de Museus (ICO M) v . A inestimável contribuição de todos os escritores que trabalham sob a redacção inspirada de Patrick J. como ferramenta para as pessoas que já trabalham em museus no Iraque e como documento de referência que providencia orientação para um estudo mais detalhado em determinados aspectos. Boylan. Actualmente. é promover a formação e o avanço do conhecimento. o apoio financeiro do Fundo Fiduciário do Grupo para o Desenvolvimento das Nações Unidas na produção deste livro. a UNESCO decidiu alargar a sua extensão e disponibilizá-la a todos os museus do mundo de língua árabe. Também será motivo de interesse para o leigo compreender os aspectos básicos de como gerir um museu. para uma utilização mais vasta.” enquanto ao mesmo tempo incentiva activamente.

Idealmente. uma região ou um país inteiro. tenham valor prático: 1 . Em muitos pontos. O s museus devem permanecer fiéis aos valores tradicionais do museu e continuar a enfatizar a preservação e desenvolvimento do acervo que providencia testemunhos físicos da cultura e do meio ambiente do território escolhido pelo museu. Por outro lado. estes exercícios sejam ainda mais vii . para os profissionais experientes e técnicos nas diversas áreas de trabalho especializadas do museu. 2 . 3 . no século XXI. para novos ou futuros profissionais de museu com experiência mínima de como gerir um museu. posições de trabalho e níveis de responsabilidade da instituição de forma a trazer várias perspectivas diferentes relevantes para a questão a estudar. uma cidade. tal estudo ou grupos de trabalho devem ser escolhidos entre várias especializações diferentes. o leitor encontrará exercícios práticos e temas importantes realçados. tanto a nível de política como de prática. explicando-lhes sobre as responsabilidades e trabalho dos seus colegas de outros departamentos e especialidades. Espera-se que a informação e aconselhamento na actual “melhor prática” . Espera-se também que. Q ueremos sublinhar que Com o Gerir um Museu não deve ser considerado nem como um tipo de livro de ensino teórico nem tão pouco como um manual de referência técnico. no entanto. Embora alguns destes possam ser levados a cabo como um exercício a solo pelo leitor.Introdução Patrick J. Boylan Com o Gerir um Museu: Manual Prático pretende providenciar uma avaliação dos aspectos fundamentais das actividades do museu. De igual modo. visitantes gerais da localidade. quer este seja um simples local histórico ou arqueológico. ansioso para servir as necessidades e expectativas dos seus visitantes e da comunidade em geral. estas tarefas são principalmente designadas para a discussão de grupo e exercícios práticos envolvendo vários membros do pessoal do museu. como um recurso valioso nas discussões internas. com as suas discussões sobre temas e princípios importantes e os muitos exemplos práticos de “ boa prática”. turistas nacionais ou internacionais ou investigadores especializados. sempre necessárias entre o pessoal e as autoridades administrativas sobre o desempenho actual e a futura política e direcção da sua própria instituição. quer sejam crianças em idade escolar. porém. os autores esperam que seja uma mais-valia tanto na formação profissional em museus como no desenvolvimento da carreira e como uma importante fonte de informação e aconselhamento técnico. o museu contemporâneo tem de concentrar-se fortemente na procura da excelência dos seus serviços para os seus mais variados públicos. estudantes do ensino superior. Com o Gerir um Museu tem como objectivo servir vários propósitos. esperamos que ajude o pessoal do museu num processo de reforma e modernização interna das suas próprias instituições.

a gestão era considerada como uma parte relativamente sem importância nas actividades museológicas. em todas as organizações. e daí. praticável dentro da hierarquia ou da estrutura de pessoal. a transferência de tais responsabilidades para os próprios museus. incluindo o acervo do museu e locais de património. Um tema recorrente na maioria dos capítulos é a necessidade de todo o pessoal do museu cooperar entre si e trabalhar em conjunto como uma equipa. Porém. um pequeno grupo de estudo. em particular. documentação. viii . com capítulos sobre estes dois importantes tópicos. dados técnicos e padrões-chaves. de várias partes do mundo. gestão. obras de arte. necessitam cada vez mais de obter os seus gastos relacionados com a gestão. assim como a luta internacional contra o tráfico ilícito de antiguidades. assim como muita experiência de trabalho aconselhador e pedagógico em vários museus e outros órgãos do património mundiais. actualmente muitos museus.Como Gerir um Museu: Manual Prático Introdução valiosos em programas de formação formal em museus e de desenvolvimento da carreira. examinados. adquiridos e transferidos ilegalmente. para descentralizar o poder administrativo e a responsabilidade para um nível inferior. O capítulo sobre o papel dos museus e da ética profissional introduz as tradições. participantes em formação ou em programas ou exercícios de desenvolvimento pessoal ou por todo o pessoal. O próximo grupo de capítulos oferece uma perspectiva contemporânea da principal actividade museológica. com muitas décadas de experiência tanto prática como em trabalho de campo especializado abrangido pelo seu capítulo. provavelmente a maioria. sugestões para exercícios práticos e tópicos de discussão para utilização interna. incluindo por exemplo. num mundo onde existe uma ênfase cada vez maior. Este Manual conclui desta forma. tornou a gestão geral de pessoal mais importante e uma responsabilidade fundamental do director e outro pessoal de topo. espécimes de história natural e outros bens culturais roubados. O s doze colaboradores deste Manual. tais como a manutenção e a gestão dos edifícios do museu e as operações financeiras e do pessoal. são peritos reconhecidos na sua área. O m arketing também se tornou num aspecto importante do trabalho do museu nos dias de hoje. para rapidamente desenvolver uma compreensão do trabalho e das responsabilidades de todas as pessoas que trabalham no museu. a rápida tendência para a descentralização de tais funções. através de actividades para angariação de fundos e geração de rendimentos. O texto principal de cada capítulo é apoiado por informações adicionais. o emergente campo profissional do acolhimento ao visitante e da educação e aprendizagem sobre o museu tanto formal como informal. mas também do que se expandiu em escala e complexidade nos últimos anos: desenvolvimento. confrontados com o crescimento do crime internacional contra a propriedade cultural de todos os géneros. O objectivo de cada capítulo é providenciar aconselhamento prático e pontos para discussão. quer seja por um profissional individual. Tradicionalmente. desde a maioria das funções administrativas fundamentais. Do mesmo modo. são em contrapartida. Com os níveis do apoio público a declinarem. frequentemente responsabilidade especializada pelos departamentos governamentais ou camarários competentes. a preocupação pela segurança do museu é cada vez mais importante. valores e padrões de conduta institucional e profissional comuns que deverão estar por detrás de todas as actividades museológicas especializadas e instituições relacionadas os princípios pelos quais tudo o resto será desenvolvido. conservação e preservação do acervo. A comunicação também é uma função muito importante do museu e o papel da exposição e mostra. Nós vemos isto como uma necessidade prática.

para manter e melhorar os seus serviços profissionais e públicos.Como Gerir um Museu: Manual Prático Introdução Espera-se que os leitores constatem que Com o Gerir um Museu: Manual Prático desafia e provoca a forma de pensar em relação à sua compreensão sobre o papel e futuro potencial do museu como um todo e à contribuição pessoal actual e potencial do leitor. ix .

as dedicadas a ImamReza em Meshed. H istória do C oleccionismo As colecções de objectos foram reunidas devido às suas associações pessoais ou colectivas ocorridas na antiguidade. Na Europa Medieval. encontradas no local. e por isso representa uma contribuição importante para o conhecimento.O Papel dos Museus e o Código de Ética Profissional Geoffrey Lewis Presidente. com uma lápide que descrevia inscrições mais antigas em tijolo. Tem um estatuto especial na legislação internacional e normalmente. tal como nós o conhecemos hoje. Muitas vezes. No entanto. tais como arqueologia e ciências naturais. no noroeste do Ira. mas também. As relíquias acumuladas nos túmulos dos primeiros mártires muçulmanos. nem o império grego nem o impérios romano dão exemplos de um museu. sugerem que não eram só os reis Nebuchadrezzar e Nabonidus que coleccionavam antiguidades naquele tempo. Isto poderia ser considerado como uma “etiqueta de museu”. estavam normalmente abertos ao público. existia uma colecção de antiguidades numa sala próxima da escola do templo. por vezes construídos em câmaras especiais. envolvendo a doação de propriedade para o bem público e com propósitos religiosos. Apesar das origens clássicas da palavra “museu”. onde cópias de antigas inscrições foram reproduzidas para uso educativo nas escolas daquele tempo. pela mesma altura. O s artefactos encontrados nas câmaras funerárias do Paleolítico mostram indícios disto. existe legislação nacional para a proteger. O s locais de sacrifícios votivos instalados nos templos. Comité de Ética do ICO M OPapel dos M useus O s museus preservam a propriedade cultural mundial e interpretam-na ao público. É também. o desenvolvimento da ideia de museu ocorre no princípio do segundo milénio AC em Larsa. Faz parte do património natural e cultural mundial e pode ser de carácter tangível ou intangível. Esta não é propriedade comum. A ideia de al-waqf. estão actualmente instaladas num museu perto do túmulo. a nível nacional e internacional. Incluíam obras de arte. O s níveis de evidência arqueológica do século sexto AC em Ur. um componente significativo na definição da identidade cultural. também resultou na formação de colecções. curiosidades naturais assim como itens exóticos trazidos das partes mais longínquas do império mas eram principalmente uma provisão religiosa. as colecções eram a principal prerrogativa das casas nobres e da igreja. Tais colecções tiveram 1 . de entre as quais. A veneração do passado e das suas personalidades nos países orientais também levaram à colecção de objectos. o bem cultural providencia também a referência primária em vários temas da área. na Mesopotâmia. muitas vezes mediante o pagamento de uma pequena taxa.

Também se formaram colecções reais e nobres em muitos outros países europeus. em relíquias da Cristandade. n um ism át ica e m at er ial d e ar t e. As melhores que se conheceram. m as p ar a a ut ilização ger al e b en ef ício d o p úb lico ". Paris. A lei f un d ad o r a r ef lect iu est e p en sam en t o en ciclo p éd ico d a alt ur a. m an uscr it o s assim co m o et n o gr af ia. pelas colecções eclécticas. O utras colecções transformaram-se. Foi baseado em grande parte. d eclar an d o q ue "t o d as as ar t es e ciên cias est ão ligad as en t r e si". reunidas pela O Museu Br it ân ico f o i est ab elecid o p o r act o p ar lam en t ar . o b ser vo u q ue o Museu er a exp r essam en t e "p ar a a in st r ução e sat isf ação d o p úb lico ". esta é uma característica de dois outros museus famosos deste período inicial: o Museu Britânico. levou à criação de muitas colecções especializadas pela intelligentsia da altura. Antes desta altura. os sistemas de classificação do mundo natural e artificial estavam disponíveis para ajudar os coleccionadores a classificar o seu acervo. tornaram-se na Academia do Cimento em Florença (1 6 5 7 ). de várias partes do mundo. e algumas formaram as suas próprias colecções. ambos eram iniciativas do governo. Ab r iu em 1759 em Mo n t agu Ho use. Com carácter enciclopédico. em b o r a f o sse n ecessár io so licit ar um in gr esso p ar a ser ad m it id o . 2 . Antes do século dezassete. Com o ressurgimento do interesse pelo seu património clássico e facilitado pela ascensão de novas famílias comerciantes e bancárias. O m useu in cluía an t iguid ad es clássicas. Mas as co lecçõ es d e h ist ó r ia n at ur al f o r am t r an sf er id as p ar a f o r m ar o Museu d e Hist ó r ia Nat ur al. d eclar an d o q ue o m useu n ão só er a "p ar a a in vest igação e en t r et en im en t o d o in st r uíd o e d o cur io so . O Primeiros M s useus Públicos M useus Enciclopédicos O s museus públicos surgem devido ao espírito enciclopédico do denominado Esclarecimento Europeu. assim como pela história natural. Um visit an t e f r an cês em 1784. esp écim es d e h ist ó r ia n at ur al. criado pela Universidade de O xford em 1 6 8 3 . na Real Sociedade de Londres (1 6 6 0 ) e na Academia de Ciências de Paris (1 6 6 6 ). Este também foi o período em que foram estabelecidas as primeiras sociedades científicas. A mais impressionante das colecções era a formada e desenvolvida pela família Medici em Florença e eventualmente doada ao estado em 1 7 4 3 para estar “acessível ao povo de Tuscany e a todas as nações”. O Museu de Ashmolean. inquérito racional e a abordagem enciclopédica ao conhecimento que emergia actualmente na Europa. em sua casa em Londres. aberto em Londres em 1 7 5 9 e o Louvre. Isto reflecte o espírito sistemático. o aumento de interesse pela história humana. ab er t o em 1881.Como Gerir um Museu: Manual Prático OPapel dos M useus e o Código de Ética Profissional importância económica e foram utilizadas para financiar guerras e outras despesas do estado. In icialm en t e. alegadamente. família Tradescant e previamente exibidas ao público. o acesso p úb lico er a gr at uit o . é geralmente considerado o primeiro museu estabelecido por um órgão público para o benefício público. em 1 7 9 3 . formaram-se colecções impressionantes de antiguidades na Europa. Blo o m sb ur y (ver acim a) f o i co m p r ad o esp ecialm en t e co m est e p r o p ó sit o . o anterior resultado da aquisição de três colecções privadas e a posterior “democratização” das colecções reais.

esp écim es g eo ló g ico s e m in er aló g ico s” p er t en cen t es ao s Est ad o s Un id o s. Est e f o i o in ício d a in st alação d o r en o vad o m un d o cien t íf ico e ed ucat ivo co n h ecid o co m o a In st it u ição d e Sm it h so n ian em Wash in gt o n DC. Ho je. ser iam aco m o d ad o s lá. A legislação q ue a est ab elece p r o vid en cio u u m ed if ício p ar a alb er gar um a galer ia d e ar t e.. Nos Estados Unidos. Em Jacarta. As co lecçõ es r ap id am en t e am p liar am o ed if ício . Jam es Macie Sm it h so n q u er ia est ab elecer um a in st it u ição "p ar a o aum en t o e d if u são d o co n h ecim en t o en t r e o s h o m en s". As origens do Museu Indiano em Calcutá são semelhantes. an t r o p o lo gia e en t o m o lo gia. Dur an t e m uit o s an o s est eva in st alad o n a un iver sid ad e. p lan t as. salas d e co n f er ên cia. M useus Nacionais O papel do museu contribuiu para a consciencialização e identidade nacional desenvolvida inicialmente na Europa e com isto reconhecer que os museus eram as instituições apropriadas 3 . h ist ó r ia n at ur al. b ib lio t eca. o Museu d e Ciên cias Nat ur ais Ar gen t in o em Buen o s Air es.Como Gerir um Museu: Manual Prático OPapel dos M useus e o Código de Ética Profissional M useus da Sociedade As sociedades instruídas também estavam entre os primeiros originadores dos museus públicos. O acer vo ab r an ge t o d o s o s cam p o s d e h ist ó r ia n at ur al e h um an a m as é esp ecialm en t e esp ecializad o em p aleo n t o lo gia. quer seja animal. Isto acontecia na Ásia.. o Mall em Wash in g t o n DC in t er age co m o s m useus esp ecializad o s d a In st it u ição Sm it h so n ian . e galer ias d o m useu. O p r im eir o ed if ício Sm it h so n ian (im agem acim a) f o i t er m in ad o em 1855 e o Mu seu Nacio n al d o s Est ad o s Un id o s ab r iu t r ês an o s d ep o is. eventualmente para se tornar o Museu Central da Cultura Indonésia. iniciadas em 1 7 8 4 . sendo baseadas nas colecções da Sociedade Asiática de Bengal. vegetal ou mineral” com a perspectiva de exibir os aspectos práticos e comerciais da agricultura e medicina da província. Act ualm en t e. a Charleston Library Society de Sociedade da Carolina do Sul anunciou em 1 7 7 3 . a sua intenção de formar uma colecção de “produções naturais. Ambos os museus abrangiam as artes e ciências e estavam preocupados com o avanço do conhecimento sobre os seus respectivos países. a colecção da Sociedade de Artes e Ciência de Batavia foi iniciada em 1 7 7 8 . Um d o s p r im eir o s m useus d a Am ér ica d o Sul f o i f un d ad o em Buen o s Air es em 1812 e ab r iu ao p úb lico em 1823 co m o m useu n acio n al. f o i t r an sf er id o p ar a o seu act ual ed if ício (acim a) em 1937. lab o r at ó r io q u ím ico . "t o d o s o s o b ject o s d e ar t e e in vest igação cur io sa.

por exemplo. veio a ser identificado com a luta para a independência checa. o Museu Islâm ico (1903) e o Museu Có p t ico (1908). cr io u -se u m m u seu m as a co lecção n ão f o i exib id a n um ed if ício p er m an en t e at é o Mu seu Egíp cio n o Cair o ser ab er t o em 1902 (ver acim a).Como Gerir um Museu: Manual Prático OPapel dos M useus e o Código de Ética Profissional para a preservação do património histórico de uma nação. incluem o museu nacional de Budapeste. Belas-Artes. Este papel continua ainda hoje e é realçado frequentemente nos museus nacionais nos recentes estados estabelecidos ou restabelecidos. isto conduziu à formação de museus especializados: Artes Aplicadas. no século XIX.act ualm en t e d ivisão d e h ist ó r ia n at ur al – en co n t r a-se n o ed if ício d a sed e d o In st it ut o em Kin gst o n (acim a). 4 . ficou simbólico da revivificação nacional checa. que surgiu em 1 8 0 2 e foi construído com dinheiro angariado de impostos voluntários. Act ualm en t e. fechado até 1 8 9 1 . Em Praga. mas à medida que o acervo aumentava. uma revivificação do nacionalismo conduziu à fundação do museu nacional em 1 8 1 8 e o seu novo edifício. ger e vár io s m useus d e h ist ó r ia e et n o gr af ia n as d if er en t es p ar t es d a ilh a. ciên cia e ar t e n a Jam aica. Lo g o ap ó s. Em 1858. An t es d e 1891. Expressões deste papel. O m useu d e ciên cia . foram transferidos para outros edifícios. O In st it ut o d a Jam aica f o i est ab elecid o em 1879 p ar a in cen t ivar a lit er at ur a. Cultura Nacional e Ciência Natural. mais tarde. Na Hungria. ambos albergavam acervos de artes e ciências Em 1835. Inicialmente. exist ia um m useu d e ciên cia e n o an o seguin t e ab r iu um a galer ia d e r et r at o s. f o i est ab elecid o p elo g o ver n o egíp cio o Ser viço d e An t iguid ad es p ar a p r o t eg er o s seu s lo cais ar q u eo ló gico s e ar m azen ar o s ar t ef act o s. alg u m as d as co lecçõ es f o r am t r an sf er id as p ar a f o r m ar d u as n o vas in st it u içõ es f am o sas.

M useus de Trabalho O utros museus desenvolveram workshops para demonstrar as artes tradicionais e muitas vezes para serem exploradas comercialmente para benefício do museu. 1 NT: da versão original inglesa: “workshops” – estrangeirismo adoptado pela língua portuguesa e de uso comum. onde muita da arquitectura tradicional era muito frágil para ser movimentada. o acervo muitas vezes. em particular em meados do século XIX. durante o século XIX. então reerguidos em Skansen. M useus G erais e Locais A ideia de enciclopédico. um novo tipo de museu. Noutro local. num porto ou noutro centro de comércio internacional. um d o s p r im eir o s m u seu s n acio n ais. Na Nigéria. M useus ao Ar Livre Com a criação do Nordiska Museet em Estocolmo. realçou-se mais a preservação e manutenção dos processos históricos do que o 5 . inclusive o Museu Victoria e Albert e o Museu da Ciência em Londres. surgiu na Suécia em 1 8 7 2 . trouxeram os artesãos para o Museu de Arquitectura Tradicional em Jos. o Technisches Museum em Viena e o Palais de la Decouverte em Paris. resultado da industrialização. surgiu uma variação deste tema. Ist o f azia p ar t e d e u m a p o lít ica p ar a p r o m o ver o d esen vo lvim en t o d a id en t id ad e cult ur al e u n id ad e n acio n al. para construírem exemplos de edifícios representantes das diferentes partes da Nigéria. museus nacionais de especialização. os museus municipais eram vistos como meios de providenciar instrução e entretenimento para a população urbanizada crescente e desenvolveu-se no contexto de reformas para superar problemas sociais. Alg u n s an o s ap ó s a in d ep en d ên cia. Isto também se acentuou onde os museus eram vistos como veículos para promover o design industrial e a realização técnica. o primeiro museu ao ar livre. os locais de trabalho e os locais industriais foram preservados in situ e restaurados na sua condição de funcionamento anterior. O nde estes eram estabelecidos. Estes museus locais e regionais também tiveram um papel importante na promoção do orgulho cívico. permanece uma característica de muitos museus regionais e locais. O Jo s Museu m . a favor de cada vez mais. expressa actualmente nos museus comuns. Estes desenvolveram-se a partir de colecções de benfeitores e sociedades privadas. Alg u n s d est es m useus d esen vo lver am o f icin as d e t r ab alh o 1 o n d e se d em o n st r avam as ar t es t r ad icio n ais. o go ver n o n iger ian o f un d o u a Co m issão Nacio n al d e Mu seu s e Mo n um en t o s co m a r esp o n sab ilid ad e p ar a est ab elecer m u seu s n acio n ais n as p r in cip ais cid ad es. para preservar aspectos do povo/ vida tradicional da nação Foi ampliado e angariou edifícios tradicionais. Neste caso. Ao invés. reflectia a natureza geral do local.Como Gerir um Museu: Manual Prático OPapel dos M useus e o Código de Ética Profissional M useus Especializados O conceito de museu enciclopédico da cultura nacional ou mundial diminuiu. d esen vo lveu o m useu d e ar q uit ect ur a t r ad icio n al (im ag em acim a). Na Inglaterra. As exposições internacionais de fabricantes contribuíram para a formação de alguns destes museus especializados.

O museu e o seu acervo devem estar disponíveis a todos. Exige padrões de prática profissional mais elevados. A direcção e omissão estratégica do museu normalmente são da responsabilidade do órgão administrativo. estatuto ou outro documento público redigido. missão. Haverá a preocupação particular para que o local possa ser mantido o máximo possível. particularmente de fontes diversas de modo a apresentar e a interpretar o património cultural e natural e comunicá-lo a um público mais vasto. G o museu erir Um serviço museológico eficaz requer a confiança do público a quem presta serviço. Toda a responsabilidade relacionada com a preservação e interpretação de qualquer aspecto do património cultural tangível e intangível mundial. a horas razoáveis e em períodos 6 . Devem preparar e dar publicidade à definição da missão. objectivos e políticas do museu. como uma responsabilidade importante dos museus. a oportunidade de reunir imagens digitais. necessita de promover esta confiança. quer a nível local ou nacional. Deve declarar. de modo claro. O Conselho Internacional de Museus (ICO M) estabelece padrões mínimos no seu Código de Ética. esperam alcançar de modo razoável. o seu estatuto legal. de tudo o relacionado com a provisão e execução dos serviços museológicos. Posição Institucional A protecção e promoção do património público exigem que a instituição seja constituída correctamente e que providencie uma permanência apropriada para esta responsabilidade. deve ser considerado actualmente. Instalações O órgão administrativo deve assegurar instalações e meio ambiente adequados para que o museu desempenhe as funções básicas definidas na sua missão. em boas condições. levando em consideração os factores ambientais. Deve existir uma constituição. inclusive a temperatura e o impacto que os visitantes possam ter no local. Estes são utilizados aqui para indicar o nível de desempenho que tanto o público como os colegas. Padrões M ínimos e Ética Profissional O trabalho do museu é um serviço para a sociedade. As instalações interpretativas também necessitam de tratamento especial para que estas possam ser alcançadas da melhor forma e discretamente tanto para o local como para os achados. M useus no Local Sempre que a propriedade local esteja a ser preservada. Para isso é necessário criar uma consciencialização pública sobre o papel e propósito do museu e o modo pelo qual este é gerido. Isto pode manifestar-se de vários modos. Com este propósito. Também devem estabelecer o papel e a composição do órgão administrativo. Tal abordagem pode ser aplicada de modo amplo em várias situações museológicas. Estes padrões podem ser desenvolvidos para satisfazer as exigências locais particulares e as exigências especializadas do pessoal do museu. publicado e outorgado pela legislação nacional. tanto em locais arqueológicos como em áreas de habitat natural.Como Gerir um Museu: Manual Prático OPapel dos M useus e o Código de Ética Profissional equipamento utilizado para os alcançar e assegurar uma continuidade das capacidades associada a eles. permanência e de natureza sem fins lucrativos. É neste nível que os aspectos intangíveis do património e a necessidade para os preservar são particularmente aparentes. M useus Virtuais A disponibilidade de informações e tecnologias da comunicação trazem novas oportunidades aos aspectos interpretativos dos museus. aplicam-se critérios diferentes. a posição da instituição. O conhecimento detalhado e as capacidades exigidas para fabricar um objecto são melhor transmitidas por meios orais e visuais e preservadas por técnicas multimédia.

m ed ian t e a co n d ição d o seu n o m e ser asso ciad o co m a m esm a. A im p r en sa e a t elevisão f izer am p u b licid ad e ao f act o d e n ecessit ar d e u m p at r o cin ad o r . A abordagem para assegurar ou indemnizar os recursos do museu pode variar. Deverá existir considerações especiais na acessibilidade de pessoas com necessidades específicas. Deve existir uma política definida de prática aceitável para todas as fontes de rendimento. Nestes casos. Vo cê p ar t ilh a est as b o as n o t ícias co m u m co leg a q u e lh e d iz q u e a co m u n id ad e lo cal est á a d ir ig ir u m a cam p an h a co n t r a est a em p r esa p o r q u e ela q uer d esen vo lver u m lo cal d e in t er esse cien t íf ico q u e t am b ém é sag r ad o p ar a o s p r im eir o s h ab it an t es d a ár ea. O órgão administrativo deve assegurar que todas as medidas relativas ao pessoal sejam tomadas de acordo com as normas do museu e com a legislação vigente. em q u alq u er p u b licid ad e. contra acidentes causados pela natureza ou pelo homem. As actividades desenvolvidas para gerar receitas. O s órgãos administrativos devem levar em consideração o conhecimento e as competências específicas necessárias para exercer o cargo. Pessoal O pessoal do museu é um recurso importante. com as competências necessárias para responder ao conjunto das responsabilidades a cargo dos museus. u m a g r an d e em p r esa escr eve a o f er ecer -se p ar a su p o r t ar o cu st o t o t al d a exp o sição . A contabilidade dos recursos deve ser feita de forma profissional. Segurança O órgão administrativo deve garantir segurança apropriada para proteger o acervo do museu contra furtos ou danos. Devem existir também políticas para proteger o público. Financiamento É da responsabilidade do órgão administrativo assegurar que existem recursos suficientes para manter e desenvolver as actividades museológicas. o órgão administrativo deve garantir que a cobertura seja adequada e inclua objectos em trânsito. Estas qualidades devem incluir capacidade intelectual e experiência profissional específica. não devem comprometer as normas da instituição ou prejudicar o seu público. funcionários. o museu deve manter o controlo sobre o conteúdo e integridade dos seus programas. Independentemente da origem do financiamento. Par a su a su r p r esa. É indispensável a admissão de profissionais qualificados. Alguns museus incentivam o trabalho voluntário.Como Gerir um Museu: Manual Prático OPapel dos M useus e o Código de Ética Profissional regulares com as normas apropriadas para assegurar a saúde. Porém. sob empréstimo e outros que possam estar sob a responsabilidade do museu. Co m o p r o ced e? O director ou coordenador do museu é um posto chave e deve ser directamente responsável pelos seus actos e ter acesso directo ao órgão administrativo. exposições e actividades. segurança e acessibilidade dos seus visitantes e pessoal. o órgão administrativo deve ter normas estabelecidas sobre o 7 . p lan eo u o r g an izar u m a exp o sição im p o r t an t e r elacio n ad a co m a su a ár ea m as a f alt a d e f in an ciam en t o sem p r e o im p ed iu d e o f azer . Estes recursos podem advir do sector público. fontes privadas ou gerados pelas próprias actividades museológicas. acervo e outros equipamentos. áreas de trabalho ou de armazenamento. Ética . O s profissionais de museus devem ter oportunidades de formação permanente e de actualização profissional.Estudo de Caso 1 Du r an t e an o s. além de reconhecido comportamento ético. em exposições. mostras. ou quando em trânsito.

O órgão administrativo nunca deve exigir aos profissionais de museus que ajam de maneira conflituante com as disposições da legislação nacional ou com outro código de ética profissional. empréstimo. A quisição e M anutenção do A cervo Política de Aquisições O s museus têm a responsabilidade de adquirir. Propriedade Nenhum objecto ou espécimen deve ser adquirido por compra. preservação e utilização do acervo. científicos ou técnicos.Como Gerir um Museu: Manual Prático OPapel dos M useus e o Código de Ética Profissional trabalho voluntário que promovam o bom relacionamento entre os voluntários e os funcionários do museu. em b o r a est ejam asso ciad o s d e o u t r a f o r m a co m p esso as. Caso isto aconteça. para garantir que qualquer objecto ou espécimen não tenha sido obtido ou exportado ilegalmente do seu país de origem ou de qualquer país intermediário. assim como a legislação e os regulamentos vigentes. no qual possa ter sido adquirido legalmente (incluindo o próprio país do museu). doação. Mesmo nestas circunstâncias. em que é dada ênfase à preservação de processos culturais. geológicos. A política também deve esclarecer a situação de qualquer material que não está registado. antes da aquisição. Por exemplo. não devem ser adquiridos objectos sem título de propriedade válido. sem que o museu comprove a validade do seu título de propriedade. O s voluntários devem conhecer o Código de Ética do ICO M.Estudo de Caso 2 Est á a t en t ar r eu n ir u m a co lecção r ep r esen t at iva d a su a ár ea. Tam b ém t em vár io s esp écim es d o m esm o t ip o q u e f o r am o f er ecid o s ao m u seu . o órgão administrativo deve atender às recomendações profissionais disponíveis e à opinião de todas as partes interessadas. legado ou troca. Um atestado ou um título de propriedade legal reconhecido em determinado país não é necessariamente um título de propriedade válido para os museus. A obrigação de diligência deverá restabelecer o historial completo do bem desde a sua descoberta ou produção. os museus não devem adquirir bens quando existam indícios de que a sua obtenção envolveu destruição ou deterioração não autorizada. A aquisição de objectos ou espécimes não mencionados na política estabelecida do museu só deve ser feita em circunstâncias excepcionais. Por esta razão. Este acervo constitui um património público significativo que envolve o conceito de confiança pública. ao invés dos próprios Ética . assim como o interesse de outros museus em coleccionar tais materiais. conservado ou exposto. d o m esm o t ip o . lo cais e o u t r o s m at er iais. locais arqueológicos. preservar e promover o seu acervo. ou quando os objectos ou espécimes foram preparados para manuseamento com fins pedagógicos. O q u e f az? objectos. deverão ser feitos todos os esforços. O órgão administrativo deve adoptar e divulgar uma declaração escrita sobre a política aplicada à aquisição. podem existir certos tipos de colecções de trabalho. Estas recomendações deverão abranger a importância dos objectos ou espécimes para o património cultural ou natural. Exist e u m co leccio n ad o r lo cal q u e t em d o is it en s q u e aju d ar iam a co m p let ar a su a co lecção e ele o f er ece-se p ar a t r o car est es it en s p o r aq u eles q u e vo cê t em . Informação Relacionada O contexto e associações de um objecto ou espécimen também são muito importantes uma vez que providenciam informação que aumenta em grande parte o conhecimento do item. Exist em alg u m as lacu n as q u e n ecessit am d e ser p r een ch id as. Sendo assim. espécimes 8 . não cientifica ou intencional de monumentos antigos.

transferência. nos quais possam existir sensibilidades particulares. doação ou outra forma de cessão que permita 9 . Normalmente. em conjunto com o director do museu e o curador do acervo em questão. para benefício da colecção e principalmente em aquisições para a mesma. tanto para venda. Devem ser tomados cuidados especiais em relação ao ambiente natural e social dos quais originam espécimes botânicos e zoológicos vivos. só deve ser feito com pleno conhecimento da importância do mesmo. um assunto sério. nacionais. Deverá ser feito de acordo com os padrões profissionais. A política do museu sobre cedência deve estabelecer os métodos autorizados para o abatimento definitivo de um objecto do acervo. De igual modo.Como Gerir um Museu: Manual Prático OPapel dos M useus e o Código de Ética Profissional ou habitats naturais. O dinheiro ou compensação recebidos pela cedência ou transferência de objectos e espécimes de um acervo do museu devem ser utilizados apenas. Devem ser mantidos registos completos de todo o processo de cedência. venda. A decisão de cedência deve ser da responsabilidade do órgão administrativo. resguardando os interesses e convicções das comunidades. O acervo do museu é um bem público e não pode ser considerado como um activo financeiro. O acervo de restos mortais e material de carácter sagrado só devem ser adquiridos caso possam ser preservados em segurança e tratados com respeito. No caso de acervo sujeito a condições especiais de cedência. assim como em relação à legislação ou tratados locais. Q uando existirem poderes legais que permitam a cedência ou remoção de um objecto ou espécimen do acervo do museu. ilicitamente reunidos ou recuperados em território sob a sua jurisdição. a autorização deve ser obtida de acordo com os procedimentos legais adequados. Se for este o caso. todo o item cedido. estejam cientes da descoberta. Conflitos de Interesse É necessário avaliar cuidadosamente qualquer oferta de bens. Q uando a aquisição inicial foi compulsória ou feita em condições especiais. cultural ou biologicamente. Da mesma forma. originam. do seu estado (recuperável ou não. repatriação ou destruição. regionais ou internacionais relativos à protecção das espécies ou conservação da natureza. M aterial “Sensível” É preciso cuidado ao adquirir certos objectos ou espécimes. devem ser integralmente cumpridos os requisitos e os procedimentos estabelecidos. muitos museus não têm poderes legais para dispor de espécimes. a aquisição não deve ocorrer sem que as autoridades legais ou governamentais e o proprietário da terra. quer seja por meio de doação. que permita a transferência de propriedade sem restrições para a entidade beneficiária. regionais ou internacionais relativos à protecção das espécies ou conservação da natureza. estes requisitos devem ser observados excepto quando o seu atendimento seja impossível ou prejudicial à instituição. vendidos ou transferidos em desacordo com a legislação ou tratados locais. o museu poderá ter que agir como depositário autorizado de espécimes ou objectos sem proveniência certificada. Abatimento no Inventário de O bjectos e Espécimes do Acervo do M useu A natureza permanente do acervo do museu e a dependência do benefício privado para formar colecções torna qualquer remoção de um item. situação legal) e da repercussão de perda de confiança pública que poderá resultar de tal acção. troca. Por isso. Só o deverá fazer com a aprovação total necessária da autoridade administrativa. quando conhecido. dos objectos envolvidos e do seu destino. deve ser preliminarmente oferecido a outro museu. Por vezes. não devem ser adquiridos espécimes biológicos ou geológicos recolhidos. grupos religiosos e étnicos dos quais os objectos. nacionais.

Têm responsabilidades específicas com a sociedade. O museu deve tomar cuidado para evitar a revelação de informações pessoais delicadas ou outras. O objectivo primordial deverá ser a estabilização do objecto ou espécimen. aprovado por um especialista na área veterinária.Como Gerir um Museu: Manual Prático OPapel dos M useus e o Código de Ética Profissional incentivo fiscal. levando em consideração o conhecimento e recursos actuais disponíveis. As políticas do museu devem assegurar que as colecções (permanentes e temporárias) e a informação relacionada. Estes registos devem ser mantidos em ambiente seguro e apoiados por sistemas de recuperação que permitam o acesso à informação pelos funcionários do museu e outros utilizadores habilitados. famílias. mesmo que temporariamente. A principal responsabilidade dos profissionais de museus. ou que sejam supervisionados de forma adequada. bem como as alterações físicas ou genéticas devem estar perfeitamente identificáveis no objecto ou espécimen original. quando os dados do acervo são disponibilizados ao público. para utilização pessoal. D ocumentação do Acervo A importância da informação relacionada com o acervo do museu requer a sua documentação em conformidade com os padrões profissionais. proveniência. Q ualquer modificação genética deve estar claramente identificada. em 10 . contexto. Prevenção de Acidentes A natureza do acervo do museu exige que todos os museus desenvolvam políticas para assegurar a protecção do acervo em caso de conflito armado e de emergência e de outros acidentes causados pela natureza ou pelo homem. estado de conservação. tratamento e localização actual. e todos os elementos adicionados. por parte de membros do órgão administrativo. suas famílias ou pessoas vinculadas. pessoas vinculadas ou outros de se apropriarem de bens do acervo do museu. Conservação e Restauro O museu deve monitorizar cuidadosamente o estado de conservação do acervo para determinar quando um objecto ou espécimen necessita de trabalho de conservação/ restauro e dos serviços especializados do conservador/ restaurador. profissionais de museu. sejam devidamente registadas e estejam disponíveis para utilização corrente e possam ser transmitidas às gerações vindouras. nas melhores condições possíveis. é prover e manter um ambiente adequado para a preservação do acervo ao seu cuidado. Isto deve incluir uma identificação e descrição completa de cada item. U tilização Pessoal do Acervo do M useu Não deve ser permitido aos profissionais de museus. A responsabilidade profissional que envolve a preservação das colecções deve ser atribuída a pessoas com conhecimento e competências compatíveis. Todos os procedimentos relacionados com a conservação devem ser documentados e reversíveis. quer este esteja em reserva. Conservação Preventiva A conservação preventiva é um elemento importante na política de preservação do acervo do museu. Não deve ser permitido a estas pessoas adquirirem objectos que tenham sido abatidos ao acervo pelo qual eles eram responsáveis. O museu deve elaborar e implementar um código de segurança para protecção do pessoal e dos visitantes. Interpretar. exposto ou em trânsito. relacionadas com assuntos confidenciais. Bem-estar de Animais Vivos Q ualquer museu que mantenha animais vivos tem que assumir a total responsabilidade pela saúde e bem-estar deles. assim como dos próprios animais. órgão administrativo. D isponibilizar e A profundar o C onhecimento Referência Primária O s museus asseguram a referência primária em vários campos.

Como Gerir um Museu: Manual Prático OPapel dos M useus e o Código de Ética Profissional consequência da tutela. sempre que isto for conhecido.Estudo de Caso 3 Tem p esq u isad o so b r e um t ó p ico r elacio n ad o co m o seu acer vo q u e even t u alm en t e p r o vid en ciar á a b ase p ar a a exp o sição p r in cip al. respeitando as restrições por razões confidenciais ou de segurança. devem desenvolver políticas consistentes com os padrões académicos e nacionais e direitos internacionais e obrigações de tratado aplicáveis. a investigação envolve técnicas analíticas destrutivas. Investigação A investigação em material de fontes primárias efectuadas pelos profissionais de museu deve estar relacionadas com os propósitos e objectivos do mesmo. A investigação que envolva despojos humanos e material com significado sagrado deve ser realizada de acordo com os padrões profissionais. D isponibilidade O s museus têm a responsabilidade de dar pleno acesso ao seu acervo e às informações existentes. Alg u n s d o s seu s ach ad o s p r o v id en ciam n o vas r ef er ên cias. Ética . sem preconceitos nacionais ou internacionais. O casionalmente. Qu ais as in f o r m açõ es q u e lh e ir á d isp o n ib ilizar ? Recolha de Campo Se os museus empreenderem a sua própria recolha de campo. Q uando empreendidas. q u e p r o vavelm en t e ir ão at r air u m a p u b licid ad e co n sid er ável p ela exp o sição . u m f in alist a em d o u t o r am en t o t elef o n a-lh e p ar a est ud ar o m esm o acer vo . Estas devem ser empreendidas ao mínimo. deve integrar o registo permanente do objecto. éticas e académicas. grupos étnicos ou religiosos dos quais os objectos originam. Deve evitar-se que isto seja definido pelas tendências intelectuais circunstanciais ou pela rotina do museu. incluindo os resultados da análise e da pesquisa efectuada. além de obedecer às normas legislativas. seus recursos ambientais. A decisão de aceitar um bem desta natureza no acervo do museu deve ser tomada por especialistas no assunto em questão. práticas culturais e esforços para valorizar o património natural e cultural. An t es q u e t en h a a o p o r t u n id ad e p ar a p ub licar o seu t r ab alh o o u p r ep ar ar a exp o sição . em que a 11 . uma documentação completa do material analisado. na medida dos possíveis. tendo em consideração os interesses e as convicções da comunidade. Recolha Excepcional de Referências Primárias Em casos muito excepcionais. O s trabalhos de campo só devem ser empreendidos com o devido respeito e consideração pelas comunidades locais. Reserva de D ireitos de Investigação Q uando os profissionais de museu preparam material para uma exposição ou para documentar a recolha de campo deve existir um acordo claro com o museu patrocinador sobre todos os direitos relativos ao trabalho realizado. Principalmente com instituições de ensino superior e serviços públicos. A política do acervo do museu deve salientar a importância do acervo como fonte primária de informação. um bem sem proveniência determinada pode ter um valor intrínseco tão importante para o conhecimento que seja de interesse público preservá-lo. disponibilidade e interpretação do material contido no seu acervo. Cooperação entre as Instituições e o Pessoal O s profissionais de museu devem reconhecer e apoiar a necessidade de cooperação e intercâmbio entre instituições com interesses e políticas de aquisição similares.

Valorização e D ivulgação do Património Natural e C ultural O s museus têm o importante dever de promover o seu papel educativo e atrair maiores audiências da comunidade. Não devem comprometer a qualidade. Vo cê m an t eve b o as r elaçõ es co m ele n a exp ect at iva d e q u e o seu m u seu p o ssa b en ef iciar co m isso . Exposição de M aterial sem Proveniência O s museus devem evitar mostrar ou utilizar material de origem questionável ou sem proveniência definida. política e objectivos do museu. seja qual for o meio. As solicitações de devolução deste material deverão ser tratadas da mesma forma. m ed ian t e d u as co n d içõ es: Qu e a exp o sição só exp o n h a m at er ial d a sua co lecção e q u e ele ser á o r esp o n sável p o r t o d o o co n t eú d o d a et iq u et a e d a p u b licação . Publicação e Reproduções A informação publicada pelos museus. a preservação e ou a conservação do acervo. sem ferir a dignidade humana de quaisquer povos. dos quais os objectos originam. grupos étnicos ou religiosos. com responsabilidade. A interacção com a comunidade e a promoção do seu património fazem parte do papel educativo dos museus. ap esar d e ele t er p er sp ect ivas n ão o r t o d o xas so b r e o m esm o . precisa e deve levar em consideração os assuntos académicos. Todas as cópias devem ser devidamente identificadas e permanentemente marcadas como fac-símiles. O s profissionais de museu também têm a obrigação de partilhar os seus conhecimentos e experiências relevantes com colegas. O s museus devem respeitar a integridade do original aquando de cópias. mas onde para os quais não exista condições de segurança a longo prazo. 12 . deve ser tratada com respeito e sensibilidade. localidade ou grupo que representa. eruditos e estudantes. devem estar em conformidade com a missão. Vo cê aceit a a o f er t a? As informações apresentadas nas mostras e exposições devem estar bem fundamentadas. físicas ou por meio electrónico. réplicas. quando conhecidos. Cer t o d ia ele o f er ece-se p ar a em p r est ar a su a co lecção p ar a u m a exp o sição t em p o r ár ia. Ética . A solicitação para a retirada deste material da exposição pública. ou reproduções de peças do acervo utilizadas na exposição. As publicações do museu não devem comprometer os padrões institucionais. sociedades ou convicções apresentadas.Estudo de Caso 4 Um co leccio n ad o r lo cal t em u m a d as m elh o r es co lecçõ es p r ivad as d e m at er ial r elacio n ad o co m a su a ár ea.Como Gerir um Museu: Manual Prático OPapel dos M useus e o Código de Ética Profissional investigação possa gerar acervos importantes. deve ser bem fundamentada. os grupos ou convicções representadas. M ostras e Exposições As mostras e exposições temporárias. Devem estar cientes que a exposição ou utilização deste material pode ser considerada como uma forma de incitamento ao tráfico ilícito de bens culturais. As políticas do museu devem definir claramente os procedimentos para atender a estas solicitações. Devem respeitar e reconhecer aqueles com os quais aprenderam e devem transmitir os avanços técnicos e experiências que possam ser úteis a outros. ao en car g o d o m u seu . serem precisas e também levar em consideração. os interesses e as convicções da comunidade. O acervo de despojos humanos e material com significado sagrado deve ser exposto em conformidade com os padrões profissionais e levando em consideração. Este material deve ser exposto com bastante cuidado e respeito.

O bjectos Culturais de Países O cupados O s museus devem abster-se de comprar ou adquirir objectos culturais de um território ocupado. Estes serviços devem ser organizados de forma a não comprometer a missão do museu. capacidades e recursos materiais que têm uma aplicação muito mais vasta do que no próprio museu. assim como na legislação local. regional. de tal actividade. caso o museu seja o beneficiário. A identificação e a autenticação de objectos que se considere ou suspeite terem sido adquiridos. As aquisições só devem ser feitas de comum acordo. deve ser avaliada. Identificação dos O bjectos e Espécimes O s museus prestam frequentemente serviços de identificação ou de opinião para o público. Isto deve ser feito de forma imparcial. ao invés de acções governamentais ou políticas. D evolução de Bens Culturais O s museus devem estar preparados para iniciar o diálogo sobre a devolução de bens culturais aos países ou povos de origem. tomar as providências necessárias para cooperar na sua restituição. que se prove ter sido exportado ou transferido em violação dos princípios estabelecidos nas convenções internacionais e nacionais. a avaliação do objecto ou espécimen deve ser feita através de consultoria independente. importados ou exportados ilegal ou ilicitamente. directa ou indirectamente. As informações sobre o valor monetário de outros objectos só podem ser fornecidas mediante requisição formal de outros museus ou de autoridades públicas ou outras governamentais legalmente competentes. Comunidades Contemporâneas As actividades museológicas envolvem frequentemente. importante que a política do museu leve em consideração estas responsabilidades. exportação e transferência de materiais culturais ou naturais. toda a legislação e convenções que regulam a importação. nacional e internacional aplicável. É necessário ter cuidado para assegurar que o museu ou o indivíduo não procede de forma a poder ser acusado de tirar proveito. Desde que se possa comprovar que o património cultural ou natural faz parte daquele país ou povo. sem exploração do 13 . Trabalhar com as C omunidades O acervo do museu reflecte o património cultural e natural das comunidades da qual provem. transferidos.Como Gerir um Museu: Manual Prático OPapel dos M useus e o Código de Ética Profissional Serviço Público e Benefício Público O s museus utilizam uma vasta variedade de especializações. Cooperação O s museus devem promover a partilha de conhecimentos. Autenticação e Valorização (Avaliação) Podem ser feitas avaliações do acervo do museu para propósitos de seguro ou indemnização. documentação e acervos com museus e organizações culturais dos países e comunidades das quais os acervos originam. Como tal. Devem respeitar integralmente. poderá ter um valor que vai além da propriedade comum e que pode envolver fortes afinidades com a identidade local. religiosa ou política. nacional. não devem ser divulgadas até que as autoridades competentes sejam notificadas. No entanto. étnica. É por isso. baseado preferencialmente em princípios científicos. pode querer a restituição de um objecto ou espécimen. A possibilidade de desenvolver parcerias com museus em países ou áreas que tenham perdido uma parte significante do seu património. uma comunidade contemporânea e o seu património. Restituição do Património Cultural Um país ou povo de origem. profissionais e humanitários. Isto permite aos museus partilhar e prestar outros serviços públicos como actividades de extensão do museu. se for legalmente autorizado. o museu envolvido deve.

Devem reconhecer a importância desta contribuição e incentivar uma relação harmoniosa entre a comunidade e os profissionais de museus. 1 9 5 4 e Segundo Protocolo. a política do museu deve reconhecer a seguinte legislação internacional. nacional ou local e obrigações de tratado do seu país. a fim de desenvolver uma melhor compreensão pública sobre a contribuição dos museus para a sociedade. regional. UNESCO . Legislação Internacional A ratificação da legislação internacional varia entre os países. Convenção sobre os Meios para Proibir e Prevenir a Importação. Este acervo deve ser utilizado para promover o bem-estar humano. 1 9 5 4 . A utilização do acervo de comunidades contemporâneas requer respeito pela dignidade humana e pelas tradições e culturas que o utilizam. Devem aproveitar todas as oportunidades para educar e informar o público sobre os objectivos.Como Gerir um Museu: Manual Prático OPapel dos M useus e o Código de Ética Profissional proprietário ou informante. o órgão administrativo deve cumprir com todas as responsabilidades legais ou quaisquer condições relativas aos vários aspectos. UNESCO . Exportação e Transferência Ilícita de Bens Culturais (1 9 7 0 ). sempre que estas interfiram com o seu funcionamento. Convenção para a Diversidade Biológica (1 9 9 2 ). propósitos e aspirações da profissão. Convenção para o Comércio Internacional de Espécies em Extinção da Fauna e Flora Selvagem (1 9 7 3 ). manter a dignidade e honrar a sua profissão. Para além disso. Devem evitar situações que possam ser interpretadas como condutas impróprias. Convenção para a Protecção do Património Cultural Subaquático (2 0 0 1 ). O NU. desenvolvimento social. Financiamento dos Serviços Comunitários A procura de recursos para o desenvolvimento de actividades que envolvam as comunidades contemporâneas deve assegurar que os seus interesses não são prejudicados pelas potenciais associações de patrocinadores. Apoio das O rganizações da Comunidade O s museus devem criar condições favoráveis para receber apoio comunitário (por exemplo. Devem salvaguardar o público contra comportamentos profissionais ilegais e condutas pouco éticas. funcionamento e acervo do museu. 1 9 9 9 . tolerância e respeito pela defesa da expressão multisocial. multicultural e multilingue. nacional e local vigente e com as condições de prestação de serviços. UNIDRO IT. Legislação Local e Nacional O s museus devem atender à legislação nacional e local e respeitar as normas de outros países. Convenção para a Protecção do Património Cultural Intangível (2 0 0 3 ). UNESCO . Protocolo [actualmente Primeiro Protocolo]. 14 . O respeito pelo desejo da comunidade envolvida deve prevalecer. L egislação O s museus devem funcionar de acordo com a legislação internacional. Convenção para os Bens Culturais Roubados e Exportados Ilegalmente (1 9 9 5 ). associações de Amigos do Museu e outras organizações de apoio). Familiaridade com a Legislação Vigente Todos os profissionais de museu devem estar familiarizados com a legislação internacional. Profissionalismo O s profissionais de museus devem cumprir as normas e a legislação vigente. utilizada como referência na interpretação do Código de Ética do ICO M: Convenção para a Protecção do Património Cultural em caso de Conflito Armado (Convenção de Haia). No entanto.

podem perfeitamente opor-se às práticas que pareçam prejudiciais ao museu. 15 . ou possam ser consideradas. devem ser mantidos em sigilo absoluto. Não devem ter outro emprego remunerado ou aceitar comissões externas que sejam. conhecidos no desempenho dos deveres oficiais. As informações sobre bens levados ao museu para identificação são confidenciais e não devem ser divulgadas ou transmitidas a qualquer pessoa ou instituição sem a expressa autorização do proprietário. à profissão e à ética profissional. pode estar completamente separado da instituição empregadora. Empregos Externos ou Interesse em Negócios O s profissionais de museus. As informações sobre o sistema de segurança do museu ou de colecções privadas e locais reservados. Conduta Profissional A lealdade aos colegas e ao museu empregador é uma responsabilidade profissional importante e deve basear-se na fidelidade aos princípios éticos fundamentais aplicáveis à profissão como um todo. Devem obedecer ao disposto no Código de Ética do ICO M e conhecer os códigos e políticas aplicáveis ao trabalho em museus. favores. Consulta Profissional É responsabilidade profissional consultar outros colegas dentro ou fora do museu. Empréstimos ou O utros Benefícios Pessoais O s profissionais de museus não devem aceitar presentes. empréstimos ou outros benefícios pessoais que possam ser-lhes oferecidos devido às funções que desempenham no museu. Confidencialidade O s profissionais de museus devem manter sigilo sobre informação confidencial obtida em função do seu trabalho. Favores. o tráfico ou comércio ilícito de bens naturais e culturais. O casionalmente. devem evitar executar qualquer actividade ou envolverem-se em circunstâncias que possam resultar em perdas de informações académicas e científicas. Espera-se que prestem os seus serviços profissionais de forma eficiente e eficaz. preservação e utilização das informações referentes ao acervo. quando o conhecimento disponível no museu for insuficiente para assegurar uma tomada de decisão eficaz. incompatíveis com os interesses do museu. pode ocorrer a doação ou recebimento de presentes por cortesia profissional mas isto deve ocorrer sempre em nome da instituição envolvida. Por isso.Como Gerir um Museu: Manual Prático OPapel dos M useus e o Código de Ética Profissional Responsabilidade Profissional O s profissionais de museu têm a obrigação de seguir as políticas e as normas da instituição empregadora. deve reconhecer que nenhum negócio ou interesse profissional privado podem estar completamente desvinculados da instituição empregadora. Tráfico e Comércio Ilícito O s profissionais de museus não devem apoiar. devem estar cientes que nenhum negócio privado ou interesse particular. Responsabilidades Académicas e Científicas O s profissionais de museus devem desenvolver a investigação. directa ou indirectamente. apesar de terem direito a uma relativa independência pessoal. O princípio de confidencialidade está sujeito ao dever legal de apoiar a polícia ou outras autoridades competentes na investigação de bens suspeitos de roubo. No entanto. Independência Pessoal Ainda que um profissional tenha direito à independência pessoal. Presentes. aquisição ou transferência ilegal. Relações Profissionais O s profissionais de museus estabelecem relações de trabalho com numerosas pessoas dentro e fora do museu no qual trabalham.

o órgão administrativo e o profissional de museu devem estabelecer compromissos que devem ser cumpridos escrupulosamente. Resumo O s museus têm um papel activo e múltiplo na sociedade. ou outra pessoa como indução à compra ou alienação de bens do museu. por parte do comerciante. A diversidade da provisão tem um propósito comum: a preservação da memória colectiva da sociedade expressa através do património cultural e natural. leiloeiros. Além disso. tangível e intangível.Como Gerir um Museu: Manual Prático OPapel dos M useus e o Código de Ética Profissional Comércio de Património Natural ou Cultural O s profissionais de museus não devem participar directa ou indirectamente no comércio (compra ou venda visando lucro). ou avaliadores específicos a pessoas físicas. Um a g aler ia co m er cial. O d ir ect o r d a g aler ia co n vid a-o p ar a escr ever a in t r o d u ção p ar a o cat álo g o d a exp o sição . Relações com Comerciantes O s profissionais de museus não devem aceitar qualquer presente. Qu an d o vo cê vê a list a d o s b en s in clu íd o s n a exp o sição . de património natural ou cultural. às questões administrativas. para o fazer. “ICO M” ou o seu logótipo para promover ou apoiar qualquer actividade ou produto com fins lucrativos. 16 . leiloeiro. avaliação e compreensão do nosso património. os profissionais de museus não devem recomendar comerciantes. os museus possibilitam a partilha. n o t a q u e alg un s n ão t êm p r o ven iên cia cer t if icad a e vo cê su sp eit a q u e p o ssam t er sid o o b t id o s ileg alm en t e. Desta forma. No entanto. Ética . ou para efectuar ou evitar uma acção judicial.Estudo de Caso 5 Vo cê é esp ecializad o n o assu n t o e o seu m u seu in cen t iva o p esso al p ar a p ub licar d o cu m en t o s acad ém ico s. est á act u alm en t e a o r g an izar u m a exp o sição d e p r est íg io so b r e a su a ár ea. Vo cê aceit a o co n vit e? Colecções Privadas O s profissionais de museus não devem competir com a sua instituição na aquisição de bens ou em qualquer actividade de colecta pessoal. têm uma responsabilidade pública. os interesses do museu devem prevalecer. Isto deve condicionar o seu comportamento. O utros Conflitos de Interesse Na eventualidade da ocorrência de conflitos de interesse entre um indivíduo e o museu. U tilização do Nome e Logótipo do ICO M O s membros do ICO M não podem utilizar a denominação “Conselho Internacional de Museus”. d a q u al o seu m u seu o casio n alm en t e co m p r a m at er ial b em d o cu m en t ad o p ar a o acer vo . No caso de actividades privadas de colecta. ou qualquer outra forma de recompensa. O Código de Ética do ICO M estabelece padrões mínimos que podem ser considerados como uma expectativa pública razoável e com a qual os praticantes do museu podem avaliar o seu desempenho. políticas ou académicas. hospitalidade. só fará sentido se estiver associado à acessibilidade e interpretação dessa memória. uma vez que essa responsabilidade não se limita necessariamente. O s responsáveis pelos museus e os que se preocupam em providenciar todos os aspectos relacionados com o museu.

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