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DOCÊNCIA EM

SAÚDE
CÁLCULO DIFERENCIAL E INTEGRAL
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Portal Educação

P842c Cálculo diferencial e integral / Portal Educação. - Campo Grande: Portal


Educação, 2013.

204p. : il.

Inclui bibliografia
ISBN 978-85-8241-934-2

1. Matemática – Cálculo diferencial. 2. Matemática – Integral. I. Portal


Educação. II. Título.

CDD 515.3
SUMÁRIO

1 LIMITE E CONTINUIDADE ........................................................................................................5

1.1 LIMITES: UM CONCEITO INTUITIVO ........................................................................................5


3
1.2 LIMITES: TÉCNICAS PARA CALCULAR ..................................................................................24

1.3 LIMITES: UMA DEFINIÇÃO MATEMÁTICA ..............................................................................46

1.4 CONTINUIDADE .......................................................................................................................60

1.5 LIMITES E CONTINUIDADE DAS FUNÇÕES TRIGONOMÉTRICAS ......................................74

2 A DERIVADA ............................................................................................................................87

2.1 A RETA TANGENTE E A DERIVADA .......................................................................................87

2.2 TÉCNICAS DE DIFERENCIAÇÃO ............................................................................................97

2.3 DERIVADAS DE FUNÇÕES TRIGONOMÉTRICAS ................................................................109

2.4 REGRA DA CADEIA.................................................................................................................116

2.5 DIFERENCIAIS E APROXIMAÇÃO LINEAR LOCAL ...............................................................119

3 FUNÇÕES LOGARÍTMICAS E EXPONENCIAIS ....................................................................128

3.1 FUNÇÕES INVERSAS .............................................................................................................128

3.2 DIFERENCIAÇÃO IMPLÍCITA ..................................................................................................141

3.3 DERIVADAS DAS FUNÇÕES LOGARÍTMICAS E EXPONENCIAIS .......................................151

3.4 DERIVADA DAS FUNÇÕES INVERSAS TRIGONOMÉTRICAS E A REGRA DE


L´HOPITAL .........................................................................................................................................170

4 APLICAÇÕES DA DERIVADA ................................................................................................183


4.1 CRESCIMENTO, DECRESCIMENTO E CONCAVIDADE .......................................................183

4.2 EXTREMOS RELATIVOS ........................................................................................................193

4.3 EXTREMOS ABSOLUTOS E GRÁFICOS ................................................................................202

4.4 PROBLEMAS DE OTIMIZAÇÃO ..............................................................................................220


4

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ..................................................................................................237


1 LIMITE E CONTINUIDADE

1.1 LIMITES: UM CONCEITO INTUITIVO


5

Dois problemas geométricos estimularam o desenvolvimento do cálculo: achar a área


de regiões planas e as retas tangentes às curvas. Ambos os casos requerem um processo de
limite para obter a solução. Porém, o processo de limite ocorre em várias situações, sendo o
conceito de limite o alicerce sobre o qual todos os conceitos de cálculo estão baseados. Em
geral, pode-se dizer que o uso básico de limites é o de descrever o comportamento de uma
função quando a variável independente se aproxima de certo valor. Por exemplo, seja a função:

x2  x  2
f  x 
x2

Esta função não está definida para x  2 , porém, pode-se analisar o seu

comportamento nas proximidades de x  2 . Isto é, interessa-se o comportamento de f para

valores de x próximos a 2 , porém não para x  2 . A aproximação a 2 pode ocorrer de duas

formas, por valores menores do que 2 , isto é pela esquerda, e por valores maiores do que 2 ,
isto é, pela direita. Deste modo, pode-se construir a TABELA 1, apresentada logo a seguir.
TABELA 1
X 1,9 1,99 1,999 1,9999 2 2,0001 2,001 2,01 2,1

f(x) 2,9 2,99 2,999 2,9999 3,0001 3,001 3,01 3,1

FONTE: Elaboração Própria, Microssoft Word


6

Para reforçar este comportamento pode-se analisar, também, o gráfico da função que
é apresentado na FIGURA 1

FIGURA 1

FONTE: Elaboração Própria


Analisando a TABELA 1 e a FIGURA 1 fica evidente que os valores de f  x  tornam-

se cada vez mais próximos de 3 à medida que x estiver mais próximo de 2 , por qualquer um

dos lados, esquerdo ou direito. Pode-se também tornar os valores de f  x  o mais próximo que

se deseje de 3 , fazendo x suficientemente junto de 2 .

Definição 1.1.1. Se os valores de f  x  puderem ser definidos tão próximos quanto

queira de um número L , fazendo x suficientemente próximo de p (porém não igual a p ), ou

seja; f  x   L quando x p , então, escreve-se:

lim f  x   L (1.1)
x p

x2  x  2
Neste caso, tem-se que  3 quando x  2 , então, escreve-se:
x2

x2  x  2
lim 3
x 2 x2

O que foi feito anteriormente foi simplesmente uma conjetura a respeito do valor do

x2  x  2
limite lim , usando argumentos algébricos e gráficos para verificar o valor deste
x 2 x2
limite.

Exemplo Resolvido 1.1.1. Faça uma conjetura sobre o valor do seguinte limite:

x2  1
lim
x1 x  1
Solução. Observe que esta função não está definida para x 1 , então, fazendo os

valores de x se aproximarem de 1 , tanto pela esquerda, quanto pela direita, pode-se construir a
TABELA 2. Logo em seguida, tem-se o gráfico cartesiano da função.

TABELA 2 8
x 0,9 0,99 0,999 0,9999 1 1,0001 1,001 1,01 1,1

f(x) 1,9 1,99 1,999 1,9999 2,0001 2,001 2,01 2,1

FONTE: Elaboração Própria

FIGURA 2

FONTE: Elaboração Própria


Da análise da TABELA 2, do gráfico e da FIGURA 2, tem-se:

x2  1
 2 quando x 1 (por ambos os lados)
x 1

9
Logo, pode-se escrever:

x2  1
lim 2
x1 x  1

Exemplo Resolvido 1.1.2. Faça uma conjetura sobre o valor limite:

x
lim
x0 x 1 1

Solução. Esta função não está definida para x  0 , então, fazendo os valores de x se

aproximarem de 0 , tanto pela esquerda, quanto pela direita, pode-se construir a TABELA 3.

TABELA 3
x  0,01  0,001  0,0001  0,00001 0 0,00001 0,0001 0,001 0,01

f(x) 1,994987 1,9995 1,99995 1,999995 2,000005 2,00005 2,0005 2,004988

FONTE: Elaboração Própria, Microssoft Word

Para fazer o gráfico da função, pode-se simplificar algebricamente a expressão do


limite. Para x  0 , tem-se: ≠
x 

x  x 1 1 x x 1 1 x    x 1 1 
   x 1 1
x  1 1  x 1 1   x 1 1  x 1 1 x

Pode-se concluir que o gráfico da função é igual ao gráfico da função y  x  1  1

para x  0 . ≠ 10

FIGURA 3

FONTE: Elaboração Própria

Analisando os dados da TABELA 3 e do gráfico dado pela FIGURA 3, tem-se que:

x
 2 quando x  0 (por ambos os lados)
x 1 1

Logo, pode-se escrever:

x
lim 2
x1 x 1 1
O limite dado pela equação 1.1 é chamado comumente de limite bilateral porque
requer que os valores de f  x  fiquem cada vez mais de L quando x tende a p por qualquer

lado. Porém, algumas funções apresentam comportamentos diferentes em cada um dos lados de
um ponto p .

Em resumo, ao se procurar o limite de f  x  quando x tende a p nunca se 11


considera x  p . Na realidade, a função não precisa estar definida para x  p , como visto nos

exemplos anteriores. O que importa é como f está definida nas proximidades do ponto p .

Em muitas situações, a função pode apresentar comportamentos diferentes nas


proximidades de um ponto p . Por exemplo, considere a função:

x  1 se x  0
f  x  
x 1 se x  0

No qual o gráfico é apresentado na FIGURA 4.

FIGURA 4

FONTE: Elaboração Própria


Quando x se aproxima de 0 pela esquerda, os valores de f  x  tendem a 1 (na

realidade são iguais a 1 para esses valores) e, quando x se aproxima de 0 pela direita, os

valores de f  x  tendem a 1 (na realidade são iguais a 1 para esses valores).

Descrevem-se essas afirmações dizendo que o limite de f  x   x x é 1 quando x

tende a 0 pela direita e que o limite de f  x   x x é 1 quando x tende a 0 pela esquerda.


12

Definição 1.1.2. Se os valores de f  x  podem se tornar tão próximos de L quanto

queira, fazendo x suficientemente próximo de p (porém maior que p), ou seja:

Se f  x   L quando x  p

Pode-se escrever:

lim f  x   L (1.2)
x p 

Definição 1.1.3. Se os valores de f  x  podem se tornar tão próximos de L quanto

queira, fazendo x suficientemente próximo de p (porém menor que p), ou seja:

Se f  x   L quando x  p

Pode-se escrever:

lim f  x   L (1.3)
x p 

x
Para a função f  x   nas proximidades de 0 , tem-se:
x
x x
 1 quando x  0 e  1 quando x  0
x x

Podendo-se escrever:

x x 13
lim  1 (limite lateral à esquerda) e lim  1 (limite lateral à direita), logo
x0 x x0 x

x
se pode concluir que não existe o limite lim .
x 0 x

Teorema 1.1.1. O limite bilateral de uma função existe em um ponto p somente se


existirem os limites laterais naquele ponto e tiverem o mesmo valor; isto é:

lim f  x   L  lim f  x   L  lim f  x  (1.4)


x p x p  x p 

Exemplo Resolvido 1.1.3. Faça o gráfico da função e determine os limites laterais em


x 1 . Verifique se existe lim f  x  .
x1


 x 2  1 se x 1
f  x  
2 x  1 se x 1

Solução. A função é definida por partes, isto é, a função tem duas leis de formação.
Para o intervalo  ,1 , a função se comporta como uma função polinomial de expressão

f  x   x 2  1 e, para o intervalo 1,   , a função se comporta como uma função linear de

expressão f  x   2 x  1 . Logo, o gráfico da função é apresentado na FIGURA 5. ∞


FIGURA 5

14

FONTE: Elaboração Própria

De acordo com a FIGURA 5, pode-se ver claramente que quando x se aproxima de 1

pela esquerda f  x  é a parábola de equação x  1 e se aproxima de 2 , isto é:


2

f  x   2 quando x 1

Daí pode-se escrever:

lim f  x   2 (limite lateral à esquerda)


x1

Pode-se ver também que quando x se aproxima de 1 pela direita f  x  é a reta de

equação 2 x  1 e se aproxima de 1 , isto é:

f  x   1 quando x 1
Então, pode-se escrever:

lim f  x  1 (limite lateral à direita)


x1

Como os limites laterais são diferentes não existe, o limite de f quando x tende a 1 ,
15
isto é:

lim f  x   2 1 lim f  x    lim f  x 


x1 x1 x1

Em muitas situações, os limites laterais não existem devido ao fato de os valores da


função crescerem ou decrescerem indefinidamente. Por exemplo, analisando o comportamento
1
da função f  x   nas proximidades de x  0 , pode-se construir a TABELA 4.
x

TABELA 4
x -0,1 -0,01 -0,001 -0,0001 0 0,0001 0,001 0,01 0,1

f(x) -10 -100 -1000 -10000 10000 1000 100 10

FONTE: Elaboração Própria, Microsoft Word


FIGURA 6

16

FONTE: Elaboração Própria

Analisando os dados apresentados na TABELA 4 e por meio da FIGURA 6 que mostra


o gráfico da função fica evidente o seguinte: à medida que x fica mais próximo de 0 pela
1
esquerda, os valores de f  x   são negativos e decrescem indefinidamente e, à medida
x
1
que x fica mais próximo de 0 pela direita, os valores de f  x   são positivos e crescem
x
indefinidamente.

Definição 1.1.4. Se os valores de f  x  crescem indefinidamente quando x tende a

p , pela direita ou pela esquerda; ou seja:


f  x    quando x  p  ou f  x    quando x  p  ∞

Então, pode-se escrever:

lim f  x     ou lim f  x    
x p  x p  17

Definição 1.1.5. Se os valores de f  x  decrescem indefinidamente quando x tende

a p , pela direita ou pela esquerda; ou seja:

f  x    quando x  p  ou f  x    quando x  p 

Então, escreve-se: ∞

lim f  x     ou lim f  x    
x p  x p 

1
Logo o comportamento da função f  x   nas proximidades de 0 pode ser
x
resumido da seguinte forma:

1 1
  quando x  0 e   quando x  0
x x

1 1
Daí tem-se: lim    e lim   
x p  x x p  x

Exemplo Resolvido 1.1.4. De acordo com os gráficos apresentados nas FIGURAS 7 e


8, descreva o limite em x  p na notação de limite apropriado.
FIGURA 7

18

FONTE: Elaboração Própria

FIGURA 8

FONTE: Elaboração Própria

Solução (a). A função decresce indefinidamente quando x tende a p pela esquerda e


cresce indefinidamente quando x tende a p pela direita. Então:
 1   1 
lim     e lim   
 x p
x p   x p  x  p 

Solução (b). A função cresce indefinidamente quando x tende a p pela esquerda e


decresce indefinidamente quando x tende a p pela direita. Então: 19

 1   1 
lim      e lim   
x p   x  p  x p   x  p 

Solução (c). A função cresce indefinidamente quando x tende a p tanto pela


esquerda como pela direita. Então:

 1   1 
lim      e lim   
x p    x  p   x p    x  p  
2 2
   

Neste caso, pode-se escrever por comodidade:

 1 
lim   
x p   x  p 2 
 

Solução (d). A função decresce indefinidamente quando x tende a p tanto pela


esquerda como pela direita. Então:

 1   1 
lim      e lim   
x p    x  p   x p    x  p  
2 2
   

Neste caso, pode-se escrever por comodidade:


 1 
lim   
x p   x  p 2 
 

Definição 1.1.6. Uma reta x  p é chamada de assíntota vertical do gráfico de uma

função f  x  se f  x  tende a  ou  , quando x tende a p pela esquerda ou pela


20

direita. ∞

Às vezes, se está interessado em saber o comportamento da função não em torno de


um ponto específico p , e sim quando a variável x cresce ou decresce indefinidamente. Isto é
chamado de comportamento final da função, pois descreve como a função se comporta para
valores de x que estão longe da origem.

1
Novamente, considera-se a função f  x   , mas agora para valores de x que
x
estão bem distantes da origem. Fazendo x crescer e decrescer sem limitação, pode-se construir
a TABELA 5.

TABELA 5
x -10000 -1000 -100 -10 10 100 1000 10000

f(x) -0,0001 -0,001 -0,01 -0,1 0,1 0,01 0,001 0,0001

x decresce sem limitação x cresce sem limitação

FONTE: Elaboração Própria, Microsoft Word

É evidente, a partir da tabela 1.5 e pelo gráfico da função (ver FIGURA 6), que à
1
medida que os valores de x decrescem sem limitação, os valores de f  x   são negativos,
x
mas aproximam-se muitíssimo de 0 ; analogamente, à medida que os valores de x crescem
1
sem limitação, os valores de f  x   são positivos, mas aproximam-se muitíssimo de 0 .
x

Definição 1.1.7. Se os valores de f  x  subsequentemente ficam cada vez mais


21
próximos de um número L , à medida que x cresce sem limitação; ou seja:

f  x   L quando x  

Então, escreve-se: lim f  x   L .


x

Definição 1.1.8. Se os valores de f  x  subsequentemente ficam cada vez mais

próximos de um número L , à medida que x decresce sem limitação; ou seja:

f  x   L quando x  

Então, escreve-se: lim f  x   L .


x

1
Logo, podem-se descrever os comportamentos limitantes da função f  x   da
x
seguinte forma:

1 1
lim    0 e lim    0
x  x  x  x 

Definição 1.1.9. Uma reta y  L é chamada de assíntota horizontal do gráfico de uma

função f  x  se f  x   L , quando x   ou x   .


x
Exemplo Resolvido 1.1.5. De acordo com o gráfico da função f  x  
x 1
apresentado na FIGURA 9 determine os limites no infinito.

FIGURA 9
22

FONTE: Elaboração Própria

Solução. De acordo com o gráfico da função (ver FIGURA 9) tem-se que à medida que
x cresce sem limitação f  x  se aproxima cada vez mais de 1 , isto é:

x
 1 quando x  
x 1

x
Concluindo que lim 1
x x  1

Analogamente, tem-se que à medida que x decresce sem limitação f  x  se

aproxima cada vez mais de 1 , isto é:


x
 1 quando x  
x 1

x
Concluindo que lim 1
x x  1
23
x
A reta y 1 é a assíntota vertical do gráfico da função f  x   .
x 1

Definição 1.1.10. Se os valores de f  x  crescem sem limitação quando x  

ou x   ; ou seja: ∞

f  x    quando x   ou f  x    quando x  

Então, escreve-se:

lim f  x     ou lim f  x    
x x

Definição 1.1.11. Se os valores de f  x  decrescem sem limitação quando

x   ou x   ; ou seja: ∞

f  x    quando x   ou f  x    quando x  

Então, escreve-se:

lim f  x     ou lim f  x    
x x
1.2 LIMITES: TÉCNICAS PARA CALCULAR

Inicialmente, estabelecem-se os limites básicos para algumas funções simples e, em


24
seguida, desenvolve-se um repertório de teoremas que possibilitará usar estes limites como
blocos de construção para encontrar limites de funções mais complicadas.

Teorema 1.2.1 (Limites básicos).

(1) lim  k   k (2) lim  k   k (3) lim  k   k


x p x x

(4) lim  x   p (5) lim  x     (6) lim  x    


x p x x

1 1
(7) lim      (8) lim     
x0
 x 
x0  x

1 1
(9) lim    0 (10) lim    0
x  x x  x

FIGURA 10

FONTE: Elaboração Própria


Esses limites dados pelo teorema 1.2.1 podem ser confirmados por meio do gráfico
(ver FIGURA 10) das funções y  k (função constante), y  x (função identidade) e y 1 x

(função recíproca).

Teorema 1.2.2. Suponha que lim representa um dos limites lim , lim , lim ,
x p x p  x p 
25

lim ou lim . Se existirem L1  lim f  x  e L2  lim g  x  , então:


x x

(1) lim  f  x   g  x   lim f  x   lim g  x   L1  L2 .

(2) lim  f  x   g  x   lim f  x   lim g  x   L1  L2 .

 f  x   lim f  x  L1
(3) lim    se L2  0 .
 g  x   lim g  x  L2

(4) lim n f  x   n lim f  x   n L1 desde que L1  0 se n for par.

(5) lim  f  x   lim f  x    L1  .


n n n

Corolário 1.2.2.1. Suponha que lim representa um dos limites lim , lim ,
x p x p 

lim , lim ou lim . Se existirem L1  lim f1  x  , L2  lim f 2  x  ,..., Ln  lim f n  x  ,


x p  x x

então:

(1) lim  f1  x   f 2  x   ...  f n  x   lim f1  x   lim f 2  x   ...  lim f n  x 

 L1  L2  ...  Ln

(2) lim  f1  x   f 2  x   ...  f n  x   lim f1  x   lim f 2  x   ...  lim f n  x 

 lim f1  x   lim f 2  x   ...  lim f n  x 


Exemplo Resolvido 1.2.1. Sendo lim f  x    3 , lim g  x   4 e lim h  x   0 .
x2 x2 x2

Determine:

g  x
(a) lim  g  x   f  x   (b) lim
x2 x 2  h  x   f  x  
26
(d) lim  f  x  g  x    h  x  
2
(c) lim  f  x    g  x 
2 2
x2 x2 
 

Solução (a). Aplica-se a propriedade (1) do teorema 1.2.2.

lim  g  x   f  x   lim  g  x   lim  f  x    4    3  4  3  7


x2 x2 x2

Solução (b). Inicialmente, aplica-se a propriedade (3) do teorema 1.2.2 e, em seguida,


aplicam-se as propriedades (4) no numerador e (1) no denominador, do referido teorema.

g  x lim g  x  lim g  x 
x 2 x 2 4 2
lim    
x 2  h  x   f  x   lim  h  x   f  x  lim h  x   lim f  x  0   3 3
x 2 x 2 x 2

Solução (c). Inicialmente, aplica-se a propriedade (4) do teorema 1.2.2 e, em seguida,


aplica-se a propriedade (1) e, logo depois, a propriedade (5) do referido teorema.

lim  f  x    g  x   lim   f  x    g  x  


2 2 2 2
x2 
x2  

 lim  f  x   lim  g  x 


2 2
x2 x2

2 2
  lim f  x    lim g  x    4 2   32  5
 x2   x2 
Solução (d). Inicialmente, aplica-se a propriedade (1) do teorema 1.2.2 e, em seguida,
aplicam-se nas parcelas as propriedades (2) e (5), respectivamente, do referido teorema.

lim  f  x  g  x    h  x     lim  f  x  g  x   lim h  x 


2 2
x2   x2 x2
27

  
2
  lim f  x  lim g  x     lim h  x 
 x2 x2   x2 

  4 3   0   12
2

Exemplo Resolvido 1.2.2. Encontre:

1 1
(a) lim (b) lim
x x n x x n

Solução (a). Aplicando a propriedade (5) do teorema 1.2.2, tem-se:

n n
1 1  1
lim n  lim     lim   0
x x x  x   x x 

Solução (b). Aplicando a propriedade (5) do teorema 1.2.2, tem-se:

n n
1 1  1
lim n  lim     lim   0
x x x  x   x x 

Do exemplo resolvido 1.2.2 podem-se escrever as seguintes fórmulas:

1
lim 0 (1.5)
x x n
1
lim 0 (1.6)
x x n

Corolário 1.2.2.2. Suponha que lim representa um dos limites lim , lim , lim
x p x p  x p 
28
, lim ou lim . Se existirem L  lim f  x  e k um número real, então:
x x

lim k  f  x   lim  k   lim f  x   k  L

Ou seja, em outras palavras, o que o corolário afirma é que: um fator constante pode
ser movido por meio do símbolo de limite.

Exemplo Resolvido 1.2.3. Sendo k uma constante real, então, encontre:

k k
(a) lim (b) lim
x x n x x n

Solução (a). Inicialmente, pode-se escrever o quociente como um produto entre a

constante k e a função 1 x n e, em seguida, aplica-se o corolário 1.2.2.2.

k  1   1 
lim  lim  k n   k lim  n   k  0   0
x x n x  x  x  x 

Solução (b). Inicialmente, pode-se escrever o quociente como um produto entre a

constante k e a função 1 x n e, em seguida, aplica-se o corolário 1.2.2.2.

k  1   1 
lim  lim  k n   k lim  n   k  0   0
x x n x  x  x  x 
Dos exemplos resolvidos 1.2.2 e 1.2.3 podem-se escrever as seguintes fórmulas,
sendo k uma constante real qualquer.

k
lim 0 (1.7)
x x n

k 29
lim 0 (1.8)
x x n

3
x2

Exemplo Resolvido 1.2.4. Encontre o valor do limite lim 3x  2 x  3x  9 .
2

Solução. Inicialmente, pode-se expressar este limite como a soma de limites, corolário
1.2.2.1. Em seguida, aplica-se a propriedade do corolário 1.2.2.2 nas parcelas e depois a
propriedade (5) do teorema 1.2.2.

x2
  x2
  x2
 
lim 3x3  2 x 2  3x  9   lim 3x3  lim 2 x2  lim 3x   lim 9 
x2 x2

x2
  x2
 
  3 lim x3  2 lim x2  3 lim  x   lim 9 
x2 x2

     3 lim x  9
3 2
  3 lim x  2 lim x
x2 x2 x2

 3 2   2  2   3  2   9 1
3 2

1
Exemplo Resolvido 1.2.5. Encontre o valor do limite lim .
x2
3x3  2 x 2  3x  9
Solução. Inicialmente, usa-se a parte (3) do teorema 1.2.2 e, em seguida, a parte (4)
do mesmo teorema.

1 lim 1
x2

 
lim
x2
3x3  2 x 2  3x  9 lim 3x3  2 x 2  3x  9
x2
1 1 30
  1

lim 3x3  2 x 2  3x  9
x2
 1

Nos exemplos vistos anteriormente, pode-se ver que o cálculo de limites resume-se à
aplicação das propriedades vistas no teorema 1.2.2 e de seus corolários, 1.2.2.1 e 1.2.2.2, para
reduzir este limite aos limites básicos dados no teorema 1.2.1. Porém em muitos casos este
cálculo pode tornar-se exaustivo e repetitivo, então, em seguida, serão apresentados teoremas
que tornam estes cálculos mais rápidos e diretos.

Teorema 1.2.3. Para qualquer polinômio:

p  x   a0  a1x  ...  an x n (1.9)

E qualquer número real c , então:

xc xc

lim p  x   lim a0  a1x  ...  an x n  p  c   (1.10)

Prova.


lim p  x   lim a0  a1x  ...  an x n
xc xc

 lim a0  lim a1x  ...  lim an x n
xc xc xc

 lim a0  a1 lim x  ...  an lim x n


xc xc xc

 a0  a1c  ...  anc n  p  c 


Em outras palavras, o teorema 1.2.3 diz que: o limite de um polinômio em um ponto de
seu domínio é a própria imagem deste ponto.

3
x3

Exemplo Resolvido 1.2.6. Calcule lim x  3x  2 x  4 .
2

31

Solução. O limite de um polinômio em um ponto de seu domínio é a própria imagem


deste ponto. Isto é, o limite é encontrado por meio da substituição direta.

x3
 
lim x3  3x 2  2 x  4   3  3  3  2  3  4  27  27  6  4  2
3 2

2 x 2  3x  4
Exemplo Resolvido 1.2.7. Calcule lim .
x1 x3  4 x 2  1

Solução. Inicialmente, usa-se a propriedade (4) do teorema 1.2.2 e, em seguida, a


propriedade (3) do mesmo teorema, e, finalmente, o teorema 1.2.3.

lim
2 x 2  3x  4
 lim 3
2 x 2  3x  4
 x1

lim 2 x 2  3x  4  1 1

x1 x3  4 x 2  1 x1 x  4 x 2  1 lim  x 3
 4 x2  1 4 2
x1

n
O intuito agora é definir como se comporta a função polinomial da forma x para
n 1 , 2 , 3 , 4 , ... , quando x   e x   . A FIGURA 11 apresenta os gráficos para
os casos particulares em que n  2 , 3 e 4 , respectivamente, e os seus limites no infinito. ∞
FIGURA 11

32

FONTE: Elaboração Própria

Os resultados apresentados na FIGURA 11 são os casos particulares do seguinte caso


geral:

lim x n    (1.11)
x

 se n par
lim x n   (1.12)
x  se n ímpar

Exemplo Resolvido 1.2.8. Calcule os limites no infinito.

(a) lim kx n (b) lim kx n


x x
Solução (a).

 se k  0
lim kx n  k lim x n  
x x  se k  0

Solução (b).

 se k  0 33
(i) lim kx  k lim x  
n n
n par
x x  se k  0

 se k  0
(ii) lim kx  k lim x  
n n
n ímpar
x x   se k  0

Teorema 1.2.4. Um polinômio se comporta como seu termo de maior grau quando
x   ou x   . ∞

  
lim a0  a1x  ...  an x n  lim an x n
x x
 (1.13)
(

  
lim a0  a1x  ...  an x n  lim an x n
x x
 (1.14)
(

Exemplo Resolvido 1.2.9. Calcule os limites.

x

(a) lim 5 x  4 x  x  12
3 2
 x
3

(b) lim x  3x  3x
4 5

Solução (a). Como o polinômio se comporta como seu termo de maior grau, tem-se:

   
lim 5x3  4 x 2  x  12  lim 5x3   
x x

Solução (b). Como o polinômio se comporta como seu termo de maior grau, tem-se:

1 3 3   3 
lim  x3  x 4  x5   lim  x5    
x  2 5 7  x  7 
Uma função racional é uma razão entre dois polinômios, ou seja, é uma função do tipo
f  x f  x
com g  x   0 . Neste caso, há três métodos para se calcular o limite lim ,
g  x x p g  x 

dependendo se lim g  x  converge para zero ou não.


x p

Se lim g  x   0 , então, usa-se o fato de que o limite da razão é a razão dos limites, 34
x p

ou seja: ≠

f  x  x p   f  p 
lim f x
lim   (1.15)
x p g  x  lim g  x  g  p 
x p

f  x
Em outras palavras se lim g  x   0 , o limite lim deve ser calculado por
x p x p g  x
substituição direta.

2 x3  7
Exemplo Resolvido 1.2.10. Ache lim 2 .
x 2 x  3

 
Solução. Como lim x  3 1 0 , então o limite deve ser calculado por
2
x2

substituição direta, logo:

2 x3  7 2  2   7
3
lim 2  9
x 2 x  3  
2
2
 3

x 1
Exemplo Resolvido 1.2.11. Calcule lim 3 .
x2 2x  4
Solução. Inicialmente, tem que ser usado o fato de que o limite da raiz cúbica é a raiz
cúbica do limite, ou seja:

x 1 3 x 1
lim 3  lim
x2  2x  4 x2 2 x  4

35
Agora se calcula o limite da função racional e devido ao fato de que
lim  2 x  4    8  0 , então:
x2

x 1 2  1 1
lim  
x2 2 x  4 2  2   4 8

Logo,

x 1 3 x 1 3 1 1
lim 3  lim  
x2 2x  4 x2 2 x  4 8 2

Se lim g  x   0 e lim f  x   0 , então, o numerador e denominador terão um


x p x p

fator comum  x  p  e o limite pode, frequentemente, ser calculado cancelando-se primeiro os

fatores comuns. Se  x  p  é fator de f  x  , então, f  x    x  p  F  x  e se  x  p  é

fator de g  x  , então, g  x    x  p  G  x  , logo:

f  x  x  p  F  x   lim F  x 
lim  lim (1.16)
x p g  x  x p  x  p  G  x  x p G  x 

x2  9
Exemplo Resolvido 1.2.12. Calcule lim .
x3 x  3
x3
2
x3
 
Solução. Como lim  x  3  0 e lim x  9  0 , então, há um fator comum

 x  3 , logo,
x2  9  x  3 x  3  lim x  3  6
lim
x3 x  3
 lim  
x3 x 3 x3
36

x3  1
Exemplo Resolvido 1.2.13. Calcule lim .
x1 2 x  x  1
2

x1 
 
Solução. Como lim 2 x 2  x  1  0 e lim
x1 
 x  1  0 , então, há um fator
3

comum  x  1 , logo:

lim
x3  1
 lim

 x  1 x2  x  1
 lim

x2  x  1
x1 2 x  x  1 x1  x  1 2 x  1 x1 2 x  1
2

Tem-se uma nova função racional, assim, deve-se verificar se o limite do denominador
é igual a zero ou não. Como lim  2 x  1   3 , então, o limite deve ser calculado por
x1

substituição direta.

x 2  x  1  1   11 3
2
lim    1
x1 2 x  1 2  1  1 3

f  x
Se lim g  x   0 e lim f  x   0 , então, lim é  ou  , ou de um
x p x p x p g  x
lado  e do outro  , ou vice-versa. Neste caso, devem-se calcular os limites laterais e
f  x
para isso deve-se analisar o sinal da expressão nas proximidades do ponto x  p . ∞
g  x
x
Exemplo Resolvido 1.2.14. Calcule lim .
x2 x  2

Solução. Como lim  x  2   0 e lim  x    2  0 , então, devem-se calcular os


x2 x2

limites laterais. Sabe-se que os limites laterais são do tipo  , então resta saber o sinal. ∞ 37

(i) Quando x se aproxima de 2 pela esquerda, x   2 o que implica que

x
x  2  0 e como nas proximidades de x  2 tem-se x  0 , então, tem-se que 0.
x2
Daí pode-se concluir que:

x
lim  
x2 x2

(ii) Quando x se aproxima de 2 pela direita, x   2 o que implica que x  2  0 e

x
como nas proximidades de x  2 tem-se x  0 , então, tem-se que  0 . Daí pode-se
x2
concluir que:

x
lim  
x2 x2

Um modo mais prático de resolver estes limites é por meio da análise do sinal da
x
expressão , que é dado pela FIGURA 12:
x2
FIGURA 12

38

FONTE: Elaboração Própria

Logo, pode-se concluir que:

x x
lim    e lim   .
x2 x2 x2 x  2

Em alguns casos de limites envolvendo funções com radicais pode-se usar um


procedimento semelhante ao utilizado no cálculo para funções racionais. Neste caso, deve-se
simplificar a expressão do limite por intermédio da fatoração dos termos.

3x
Exemplo Resolvido 1.2.15. Calcule lim .
x0 x  1  2x  1
2

Solução. Como lim


x0   
x2  1  2 x  1  0 e lim  3x   0 , então, para
x0

resolver este limite deve-se simplificar a expressão do limite. Ou seja:


3x  3x   x2  1  2 x  1 

 2   2 
x  1  2 x  1  x  1  2 x  1   x  1  2 x  1 
2 


3x  x2  1  2 x  1   3x  x2  1  2 x  1 
    x2  1  2 x  1
2 2
x2  1  2x  1
39


3x  x2  1  2 x  1   3x  x2  1  2 x  1 
x  2x
2
x  x  2


3  x2  1  2 x  1 
x2

Logo, tem-se:

lim
3x
 lim
3  x2  1  2 x  1 
x0 x2  1  2 x  1 x0 x2

Como lim  x  2    2  0 , pode-se calcular o limite por meio da substituição


x0

direta, isto é:

lim
3  x2  1  2 x  1   3  0 2  1 2  0   1 
  3 2   3
x0 x2 02 2

Então, tem-se:

3x
lim 3
x0 x2  1  2 x  1
Para se calcular os limites no infinito de uma função racional devem-se dividir
numerador e denominador pela potência mais alta de x que aparece no denominador, logo
1
todas as potências de x tornam-se constantes ou potências de .
x

40
3x  5
Exemplo Resolvido 1.2.16. Calcule lim .
x 4  6 x

Solução. Divide-se numerador e denominar por x , então:

5 lim  3  5 
3  
3x  5 x  x  x  30 3 1
lim  lim   
x 4  6 x x 4
 6 lim   6  0  6 6
4 2
x x  x 

3x 2  2 x  5
Exemplo Resolvido 1.2.17. Encontre lim .
x 5 x3  7 x 2  x  1

3
Solução. Divide-se numerador e denominar por x , então:

3 2 5
 2 3
3x  2 x  5
2
x x x
lim 3  lim
x 5 x  7 x  x  1 x
2 7 1 1
5  2  3
x x x

3 2 5 
lim   2  3 

x  x x x   0  0  0  0 0
 7 1 1  5000 5
lim  5   2  3 
x  x x x 
Outra maneira de se resolver estes limites é considerando o fato de que, como uma
função racional é uma razão entre dois polinômios e como o polinômio se comporta como seu

termo de maior grau no infinito, logo se f  x   a0  a1x  ...  an x n  an  0  e

g  x   b0  b1x  ...  bm x m bm  0  , então:

41
f  x a0  a1x  ...  an x n an x n
lim  lim  lim (1.17)
x g  x  x b  b x  ...  b x m x b x m
0 1 m m

f  x a0  a1x  ...  an x n an x n
lim  lim  lim (1.18)
x g  x  x b  b x  ...  b x m x b x m
0 1 m m

Ou seja, uma função racional comporta-se quando x   e x   , como a


razão entre os termos de mais alto grau no numerador e no denominador. ∞

7 x 4  2 x3  5 x 2
Exemplo Resolvido 1.2.18. Encontre lim .
x  x3  6 x 2  8 x  13

Solução. Usando o fato anterior tem-se:

7 x 4  2 x3  5 x 2 7 x4
lim  lim  lim  7 x    
x  x3  6 x 2  8 x  13 x  x3 x

Exemplo Resolvido 1.2.19. Calcule:

2  3x 2  3x
(a) lim (b) lim
x x
x2  1 x2  1
Em ambos os itens seria mais prático manipular a função de forma que as potências de
x se tornem potências de 1 x . Pode-se conseguir isto em ambos os termos dividindo-se

numerador e denominador por x e lembrando-se do fato que x  x 2 .

42
Solução (a). Dividindo, então, numerador e denominador por x , tem-se:

2  3x
2  3x x
lim  lim
x x
x 1
2
x2  1
x

Como x  x 2 e para x  0 tem-se x  x , então:

2  3x 2 2  2 
3 lim   3  lim   3 
lim
x
 lim x 
x  x   x  x   3   3
x
x 1
2 x 1  1   1  1
1  2 lim  1  2  lim 1  2 
x x x  x 
x  x 

Solução (b). Fazendo o mesmo procedimento adotado no item (a), então:

2  3x
2  3x x
lim  lim
x x
x 1
2
x2  1
x

Como x  x 2 e para x  0 tem-se x   x , assim:


2  3x 2  2   2 
 3 lim    3  lim    3 
x x x  x   x  x   3 3
lim  lim 
x
x 2  1 x 1  1  1   1  1
lim  1   lim  1  
x x 2 x  x2  x  x2 

43
No caso de limite de funções definidas por partes, devem-se calcular separadamente
os limites laterais e verificar a existência do limite bilateral (ver teorema 1.1.1).

2 x  1 se x   1

Exemplo Resolvido 1.2.20. Seja f  x    , então calcule, caso

 x 2
 4 x se x   1

exista, lim f  x  .
x1

Solução. Como a função é definida por parte devem-se calcular os limites laterais.
Logo:

x1 
x1
 
lim f  x   lim x 2  4 x   1  4  1   3
2

lim f  x   lim  2 x  1  2  1  1  3


x1 x1

Como lim f  x    3  lim f  x  , implica que existe o limite e seu valor é


x1 x1

dado por: lim f  x    3 .


x1
 x3  3x 2  1 se x  2

Exemplo Resolvido 1.2.21. Seja g  x   0 se x  2 , então calcule,

 x2 se x  2

caso exista, lim g  x  .


x2

44

Solução. Como a função é definida por parte devem-se calcular os limites laterais.

Logo, os limites laterais são dados por:

x2 x2
 
lim g  x   lim x3  3x 2  1   2   3  2   1  3
3 2

lim g  x   lim
x2 x2
 
x  2  lim  x  2   2  2  2
x2

Como lim g  x    3  2  lim g  x  , implica que não existe o limite lim g  x 


x2 x2 x2


2 x  1 se x  0

Exemplo Resolvido 1.2.22. Seja a função f  x    x 2  1 se 0  x  2 .
 2
 x  1 se x  2
 2

Determine, caso existam, lim f  x  e lim f  x  .


x 0 x 2

Solução. Inicialmente, verifica-se a existência de lim f  x  por meio do cálculo dos


x 0

limites laterais. Isto é:


lim f  x   lim  2 x  1   1
x 0 x 0


lim f  x   lim x 2  1   1
x  0 x  0

45

Como lim f  x    1 lim f  x  , tem-se que lim f  x    1 .


x 0 x 0 x 0

Faz-se o mesmo para verificar a existência de lim f  x  . Isto é,


x 2


lim f  x   lim x 2  1  3
x  2 x  2

e

 x2 
lim f  x   lim   1  3
x  2 x  2  2 

Como lim f  x   3  lim f  x  , tem-se que lim f  x  .


x 2 x 2 x 2
1.3 LIMITES: UMA DEFINIÇÃO MATEMÁTICA

A definição de limite dada na seção 1.1 deste módulo foi baseada na intuição de como
46
o significado dos valores de uma função fica cada vez mais próximo de um valor limitante.
Porém, esta definição é muito imprecisa e inadequada para alguns propósitos, logo se torna
necessária uma definição mais precisa de um ponto de vista matemático.

Para isso, considere a função f : R   p  R cujo gráfico dado é apresentado na

FIGURA 13 e para o qual f  x   L quando x  p .

FIGURA 13

FONTE: Elaboração Própria

Escolhe-se um número positivo,  , e traçam-se duas retas horizontais que passam


pelos pontos L   e L   , no eixo y , para a curva y  f  x  e, então, retas verticais
daqueles pontos da curva para o eixo x (ver FIGURA 14) e sejam x0 e x1 os pontos onde as

retas verticais interseccionam o eixo x .

FIGURA 14

47

FONTE: Elaboração Própria

Fazendo x aproximar-se cada vez mais de p , por qualquer um dos lados, tem-se

que logo x estará no intervalo  x0 , x1  ; quando isto ocorre, o valor de f  x  estará entre

L   e L   (ver FIGURA 15). Ou seja, se f  x   L quando x  p , então, para

qualquer   0 tem-se um intervalo aberto  x0 , x1  no eixo x , com p   x0 , x1  e com a

propriedade que para cada x   x0 , x1  , exceto, possivelmente x  p , tem-se

f  x   L   , L    .
FIGURA 15

48

FONTE: Elaboração Própria

Definição 1.3.1 (1ª versão preliminar). Seja f  x  uma função definida em todo x

de algum intervalo aberto que contenha o número p , com a possível exceção de que f  x 

não precisa ser definida em p . Escreve-se:

lim f  x   L (1.19)
x p

Se dado   0 , pode-se encontrar um intervalo aberto  x0 , x1  que contenha p de

modo que f  x  satisfaça.

L    f  x  L   (1.20)

Para cada x   x0 , x1  , com a possível exceção de x  p .


Observa-se na FIGURA 15 que o intervalo  x0 , x1  amplia-se mais à direita que à

esquerda. Então, para muitos fins é preferível ter um intervalo com a mesma distância de p .

Escolhe-se um número positivo  menor do que x1  p e p  x0 , e considere o intervalo

 p   , p    que se amplia à mesma distância de p , em ambos os lados.

Uma vez que a condição L    f  x   L   é válida para o intervalo  x0 , x1  e


49

como  p   , p      x0 , x1  , então, esta condição também é válida para o intervalo

 p   , p    , como mostrado na FIGURA 16.

FIGURA 16

FONTE: Elaboração Própria

Definição 1.3.2 (2ª versão preliminar). Seja f  x  uma função definida em todo x

de algum intervalo aberto que contenha o número p , com a possível exceção de que f  x 

não precisa ser definida em p . Escreve-se:


lim f  x   L (1.21)
x p

Se dado   0 , pode-se achar um número   0 tal que f  x  satisfaça.

50
L    f  x  L   (1.22)

Para cada x   p   , p    , com a possível exceção de x  p .

A condição L    f  x   L   pode ser expressa como

f  x  L 

E a condição que x está situado no intervalo  p   , p    , mas x  p , pode ser

expressa como: 0  x  p   ≠

Definição 1.3.3 (versão final). Seja f  x  uma função definida em todo x de algum

intervalo aberto que contenha o número p , com a possível exceção de que f  x  não precisa

ser definida em p . Escreve-se:

lim f  x   L (1.23)
x p

Se dado   0 , pode-se achar um número   0 tal que:


f  x   L   se 0  x  p   (1.24)

Exemplo Resolvido 1.3.1. Prove que lim  2 x  5 1 .


x3

51

Solução. Deve-se mostrar que dado qualquer número positivo  , pode-se encontrar
um número positivo  tal que:

 2 x  5  1   se 0  x  3  

Simplificando, tem-se:

2 x  6   se 0  x  3  

2  x  2    se 0  x  3  

2 x  3   se 0  x  3  

2 x  3   se 0  x  3  

 
x 3  se 0  x  3   , logo fica evidente que   .
2 2

Exemplo Resolvido 1.3.2. Prove que lim  4  3x    2 .


x2

Solução. Deve-se mostrar que dado qualquer número positivo  , pode-se encontrar
um número positivo  tal que:
 4  3x    2   se 0  x  2  

6  3x   se 0  x  2  

3  x  2    se 0  x  2  

3 x  2   se 0  x  2   52

3 x  2   se 0  x  2  

 
x2  se 0  x  2   , logo fica evidente que   .
3 3

Exemplo Resolvido 1.3.3. Prove que lim  7 x  12   5 .


x1

Solução. Deve-se mostrar que dado qualquer número positivo  , pode-se encontrar
um número positivo  tal que:

 7 x  12  5   se 0  x   1  

7 x  7   se 0  x  1  

7  x  1   se 0  x  1  

7 x  1   se 0  x  1  

 
x2 se 0  x  1   , logo fica evidente que   .
7 7

O valor de  não é único, ou seja, uma vez encontrado um valor de  que preenche
as condições da definição 1.3.3, então, qualquer 1  0 , menor que  , também satisfaz estas

condições. Isto é, se é verdade que:


f  x   L   se 0  x  p  

Então, também será verdade que:

53
f  x   L   se 0  x  p  1

 
Exemplo Resolvido 1.3.4. Prove que lim x  1  2 .
x1
2

Solução. Deve-se mostrar que dado qualquer número positivo  , pode-se encontrar
um número positivo  tal que:

 x  1  2   se 0  x  1 
2

x 2  1   se 0  x  1  

Como x  1  x  1 x  1 , então:


2

x  1 x  1   se 0  x  1  

ou


x 1  se 0  x  1  
x 1

Para garantir esta afirmação, necessita-se achar um  que “controle” o tamanho de


ambos os fatores do lado esquerdo, pois o lado direito dá um “controle” do tamanho de x  1 ,

mas não de x  1 .
Para contornar isto, pode-se fazer uma restrição quanto ao valor de  , ou seja,
escolhendo  tal que  1, tem-se:

x  1 1   1 x  11  0 x  2  1 x  1 3
54

O que implica:

x 1 3

Resultando:


x 1  se 0  x  1  
3


Assim, pode-se tomar   (ou menos), sujeito à restrição  1. Ou seja, pode-se
3
  
obter isto tomando  como o mínimo entre   e 1 , escrito como   min  ,1 .
3 3 

Definição 1.3.4. Seja f  x  definida em todo x que pertence a algum intervalo

aberto infinito, o qual se estende na direção positiva do eixo x . Escreve-se:

lim f  x   L (1.25)
x

Se dado   0 , há um correspondente N  0 , tal que

f  x   L   se x  N (1.26)
FIGURA 17

55

FONTE: Elaboração Própria

Em outras palavras, se for permitido x crescer indefinidamente, então,


subsequentemente x irá estar no intervalo  N ,   , marcado pela faixa escura da FIGURA

17; quando isto ocorrer, os valores de f  x  estarão entre L   e L   , marcado pela faixa

clara da FIGURA 17.

Definição 1.3.5. Seja f  x  definida em todo x que pertence a algum intervalo

aberto infinito, o qual se estende na direção negativa do eixo x . Escreve-se:

lim f  x   L (1.27)
x

Se dado   0 , há um correspondente N  0 , tal que

f  x   L   se x  N (1.28)
FIGURA 18

56

FONTE: Elaboração Própria

Em outras palavras, se for permitido x decrescer indefinidamente, então,


subsequentemente x irá estar no intervalo  , N  , marcado pela faixa escura da FIGURA

18; quando isto ocorrer os valores de f  x  estarão entre L   e L   , marcado pela faixa

clara da FIGURA 18.

1
Exemplo Resolvido 1.3.5. Prove lim 0 .
x x

Solução. Aplicando a definição tem-se:

1
 0   se x  N
x

1
  se x  N
x
Como x   , então, x  0 e podem-se eliminar os valores absolutos nas

afirmações acima. Logo, tem-se: ∞

1
  se x  N
x
57

Ou seja,

1
x se x  N

1
Então, é evidente que N  .

Definição 1.3.6. Seja f  x  definida em todo x que pertence a algum intervalo

aberto contendo p , exceto que f  x  não precisa estar definida em p . Escreve-se:

lim f  x     (1.29)
x p

Se dado M  0 , pode-se achar   0 , tal que:

f  x   M se 0  x  p   (1.30)
FIGURA 19

58

FONTE: Elaboração Própria

Em outras palavras, supondo que f  x    quando x  p , e para M  0 seja

  0 o número correspondente descrito na definição 1.3.6. Logo, se x aproxima-se de p , por


qualquer lado, subsequentemente estará no intervalo  p   , p    , marcado pela faixa clara

da FIGURA 19; quando isto ocorrer, os valores de f  x  serão maiores do que M , marcado

pela faixa escura da FIGURA 19.

Definição 1.3.7. Seja f  x  definida em todo x que pertence a algum intervalo

aberto contendo p , exceto que f  x  não precisa estar definida em p . Escreve-se:

lim f  x     (1.31)
x p

Se dado M  0 , pode-se achar   0 , tal que:


f  x   M se 0  x  p   (1.32)

FIGURA 20

59

FONTE: Elaboração Própria

Em outras palavras, supondo que f  x    quando x  p , e para M  0 seja

  0 o número correspondente descrito na definição 1.3.7. Logo, se x aproxima-se de p , por


qualquer lado, subsequentemente estará no intervalo  p   , p    , marcado pela faixa clara

da FIGURA 20; quando isto ocorrer, os valores de f  x  serão menores do que M , marcados

pela faixa escura da FIGURA 20. ∞

1
Exemplo Resolvido 1.3.6. Prove que lim  .
x0 x 2

Solução. Deve-se mostrar que dado um número M  0 , pode-se achar um   0 tal


que:
1
 M se 0  x  0  
x2

Ou simplificando:

1
x2  se 0  x   60
M

1 1 1
Mas, x 2   x , logo   .
M M M

1.4 CONTINUIDADE

Para se falar em continuidade é necessário antes entender o significado de


descontinuidade em um ponto. Por exemplo, sejam os seguintes gráficos apresentados na
FIGURA 21:
FIGURA 21

61

FONTE: Elaboração Própria

Em (a) tem-se que o gráfico da função apresenta uma descontinuidade em x  p ,


mesmo sendo definida neste ponto. Isto se deve ao fato dos limites laterais neste ponto serem
diferentes, ou seja, lim f  x  L  M  lim f  x  , o que implica que não existe
x p  x p 

lim f  x  .
x p

Em (b) tem-se que o gráfico da função apresenta uma descontinuidade em x  p , mas

neste caso existe lim f  x   L . Isto se deve ao fato de a função não ser definida em x  p ,
x p

ou seja, não existe f  p  .


Em (c) a função é definida em x  p e existe lim f  x   L , porém a função
x p

apresenta uma descontinuidade neste ponto. Isto se deve ao fato da imagem de p ser diferente

do limite de f  x  quando x tende a p , ou seja, lim f  x   L  f  p  .


x p

Em (d) a função apresenta uma descontinuidade em x  p , mesmo sendo definida


62
neste ponto. Isto se deve ao fato da função crescer indefinidamente quando x se aproxima de
p , por ambos os lados, ou seja, lim f  x     . Este caso é chamado de descontinuidade
x p

infinita.

Da análise dos gráficos da FIGURA 21 pode-se chegar à conclusão que, para uma
função não ser descontínua em x  p , é necessário que a função seja definida em x  p ,

 f  p  , é necessário que o limite de f quando x tende a p exista,  lim f  x  , e


x p

que lim f  x   f  p  .
x p

Em outras palavras, para que uma função f  x  seja contínua em um ponto x  p ,

p  D  f  , é necessário que as seguintes condições sejam satisfeitas:

 Exista f  p  .

 Exista lim f  x   L .
x p

 lim f  x   L  f  p 
x p

A definição seguinte resume estas três condições em uma única, que engloba as
demais.

Definição 1.4.1. Diz-se que uma função f  x  é contínua em x  p , p  D  f  ,

se, e somente se,


lim f  x   f  p  (1.33)
x p

Exemplo Resolvido 1.4.1. Determine se as funções são contínuas em x   1 .

 x3  1  x3  1 63
 se x   1  se x   1
(a) f  x    x  1 (b) g  x    x  1
1 se x   1 3 se x   1
 

Solução (a). Como a função é definida em x   1 , ou seja, f  1 1 , verifica-se o

valor do limite,

x3  1
lim f  x   lim
x1

 lim x 2  x  1  3
x1 x  1 x1

e como lim f  x   3 1 f  1 , tem-se que f é descontinua em x   1 .
x1

Solução (b). Como a função é definida em x   1 , ou seja, g  1  3 , verifica-se o

valor do limite,

x3  1
lim g  x   lim
x1

 lim x 2  x  1  3
x1 x  1 x1

e como lim g  x   3  g  1 , tem-se que g é continua em x   1 .
x1

Se uma função f é contínua em cada ponto de um intervalo aberto  a, b  , então, f

é contínua em  a, b  . Isto se aplica aos intervalos abertos infinitos da forma  a,   ,


 ,b  e  ,   . No caso da função ser contínua em  ,   , então, é dito que f é

contínua em toda parte, ou na reta toda. ∞


 x 2  2 x se x   1

Exemplo Resolvido 1.4.2. Determine se a função h  x    1 é
 se x   1
 2x  1
contínua em x   1 .

64
Solução. Tem-se que h  1   1 , logo se verifica a existência de lim h  x  .
x1

Como a função é definida por partes, então, para que lim h  x  exista é necessário
x1

que lim h  x   lim h  x  . Então,


x1 x1

 
lim h  x   lim x 2  2 x   1
x1 x1

 1 
lim h  x   lim    1
x1 x1  2 x  1 

Como lim h  x    1 lim h  x  implica que lim h  x    1. Tem-se que


x1 x1 x1

lim h  x    1 h  1 , então, pode-se concluir que h é contínua em x   1 .


x1

Exemplo Resolvido 1.4.3. Mostre que as funções são descontínuas em p .

2 x  1 se x  2

(a) g  x   2 se x  2 p 2
 2
 x  x  1 se x  2

 x3  x  1 se x   1
(b) h  x    p  1
 x  x se x   1
2
Solução (a). A função é definida em x  2 , ou seja, g  2   2 .

A função é definida por partes, o que torna necessário o cálculo dos limites laterais
para verificar a existência do limite bilateral. Então:


lim g  x   lim x 2  x  1  3
x2 x2

65
e

lim g  x   lim  2 x  1  3
x2 x2

como lim g  x   3  lim g  x   lim g  x   3 .


x2 x2 x2

Por outro lado como lim g  x   3  2  g  2  a função é descontínua em x  2 .


x2

Neste exemplo, para tornar a função contínua em x  2 basta admitir que a função

assuma o valor de 3 quando x  2 , ou seja, admite-se que g  2   3 . Quando o limite existe

pode-se remover esta descontinuidade, se houver necessidade, assumindo o valor da imagem


do ponto como sendo o valor do limite neste ponto. Esta descontinuidade é chamada de
descontinuidade removível.

Solução (b). A função é definida em x   1 , ou seja, h  1 1 .

Novamente a função é definida por partes, então, devem-se determinar os limites


laterais para verificar a existência do limite bilateral. Então,


lim h  x   lim x3  x  1 1
x1 x2

e


lim h  x   lim x 2  x  0
x1 x1

como lim h  x   1 0  lim h  x    lim h  x  .
x1 x1 x1
Logo, a não existência do limite garante a descontinuidade em x   1 .

Neste exemplo, não há o que ser feito para tornar a função contínua em x   1 , ou
seja, a função é sempre descontínua neste ponto. Este tipo de descontinuidade é chamado de
descontinuidade essencial.

66
Teorema 1.4.1. Os polinômios são contínuos em toda parte.

Prova. Seja o polinômio

p  x   a0  a1x  ...  an x n

Então, para cada c   ,   , tem-se:

lim p  x   p  c 
xc

Que é a própria definição de continuidade em cada c real. Logo p  x  é contínuo em

 ,   , ou seja, em toda parte.


Exemplo Resolvido 1.4.4. Mostre que x é contínua em toda parte.

Solução. Pode-se escrever a função x como:

 x se x  0
x 
 x se x  0

Logo, no intervalo  ,0  , x é o polinômio  x , então, pelo teorema 1.4.1 a função

modular é contínua em  ,0  , enquanto que no intervalo  0,   x é o polinômio x ,


então, pelo teorema 1.4.1 a função modular é contínua em  0,   . Tem-se que a função x é

contínua em  ,0    0,   . ∞

Agora, basta verificar no ponto x  0 . Neste caso, devem-se calcular os limites


laterais.
67
lim x  lim   x   0
x0 x0

lim x  lim  x   0
x0 x0

Então, tem-se que lim x  0  0 , e pode-se concluir que a função x é contínua em


x0

toda parte.

Teorema 1.4.2. Se as funções f e g são contínuas em x  p , então:

(a) f  g é contínua em x  p .

(b) f  g é contínua em x  p .

é contínua em x  p se g  p   0 .
f
(c) ≠ ±
g

Prova (a). Por hipótese f e g são contínuas em x  p , logo lim f  x   f  p  e


x p

lim g  x   g  p  .
x p

(i) Define-se uma função   x   f  x   g  x  , então,

lim   x   lim  f  x   g  x   lim f  x   lim g  x   f  p   g  p    p 


x p x p x p x p
Logo, a função  é contínua em x  p .

(ii) Define-se uma função   x   f  x   g  x  , então,

lim   x   lim  f  x   g  x   lim f  x   lim g  x   f  p   g  p    p 


x p x p x p x p

68
Logo, a função  é contínua em x  p .

Prova (b). Deve ser feita como exercício.

Prova (c). Deve ser feita como exercício.

Corolário 1.4.2.1. Se as funções f1  x  , f 2  x  ,..., f n  x  são contínuas em


x  p , então:

(a) f1  f 2  ...  f n é contínua em x  p .

(b) f1  f 2  ...  f n é contínua em x  p .

Prova (a). Deve ser feita como exercício.

Prova (b). Se as funções f1  x  , f 2  x  ,..., f n  x  , então, respectivamente, tem-se

lim f1  x   f1  p  , lim f 2  x   f 2  p  ,..., lim f n  x   f n  p  .


x p x p x p

Define-se   x   f1  x   f 2  x   ...  f n  x  , daí:

lim   x   lim  f1  x   f 2  x   ...  f n  x 


x p x p

  lim f1  x    lim f 2  x   ...   lim f n  x 


 x p   x p   x p 
 f1  p   f 2  p   ...  f n  p    p 

Então, como lim   x    p  , a função   x   f1  x   f 2  x   ...  f n  x  é


x p

contínua em x  p .
69

Corolário 1.4.2.2. Uma função racional é contínua em toda parte, exceto nos pontos
onde o denominador for zero.

Prova. Semelhante à prova da parte (c) do teorema 1.4.2.

x2  x
Exemplo Resolvido 1.4.5. Prove que a função f  x   é contínua em
x 4 7 x 2  1
toda parte.

Solução. De acordo com o corolário 1.f4.2.2 uma função racional é contínua, exceto
nos pontos onde o denominador é zero. Logo, para mostrar a função f basta indicar que o
denominador nunca é zero, isto é, que a equação não tem solução:

x 4 7 x 2  1 0

A equação acima é uma equação biquadrada, logo, fazendo z  x 2 , tem-se a equação


do 2º grau abaixo:

z 2 7 z  1 0

Então, usando a Fórmula de Báskara:


 7   7 2  4 11 7  49  4 7  45
z  
2 1 2 2

Dando:
70
7  45 7  45
z1  e z2 
2 2

Como 6  45  7 , então, z1 e z2 são ambos negativos não há solução para:

7  45 7  45
x12  e x2 2 
2 2

Pode-se concluir que a equação x 4  7 x 2  1 0 não tem solução real, o que implica

x2  x
que a expressão não apresenta zeros no denominador, consequentemente a
x 4 7 x 2  1
função f é contínua em toda parte.

Teorema 1.4.3. Suponha que lim simboliza um dos limites lim , lim , lim ,
x p x p  x p 

lim e lim . Se lim g  x   L e se a função f for contínua em L , então:


x x

lim f  g  x    f  L  (1.34)

Isto é,

lim f  g  x    f  lim g  x   (1.35)


Em outras palavras, o que o teorema 1.4.3 afirma é que um símbolo de limite pode
passar pelo sinal da função desde que o limite da expressão dentro desse sinal exista e a função
seja contínua neste limite.

Corolário 1.4.3.1.
71
(a) Se a função g for contínua em p e a função f for contínua em g  p  , então

fog é contínua em p .

(b) Se a função g for contínua em toda parte e a função f , também, for contínua em

toda parte, então fog é contínua em toda parte.

Prova (a). Para provar que a função fog é contínua em p , basta provar que o valor

de fog e o valor de seu limite em x  p são os mesmos.

lim  fog  x   lim f  g  x    f  lim g  x    f  g  p     fog  p 


x p x p  x p 

Prova (b). Dever ser feita como exercício.

Definição 1.4.2. Uma função f é dita contínua em um intervalo fechado  a, b  , se

as seguintes condições são satisfeitas:

(a) f é contínua em  a, b  .

(b) f é contínua à direita em a , ou seja, lim f  x   f  a  .


xa 

(c) f é contínua à direita em b , ou seja, lim f  x   f  b  .


xb
FIGURA 22

72

FONTE: Elaboração própria

Teorema 1.4.4 (Teorema do Valor Intermediário). Se f for contínua em um

intervalo fechado  a, b  e k é um número qualquer entre f  a  e f  b  , inclusive, então há,

no mínimo, um número c no intervalo  a, b  tal que f  c   k .

FIGURA 23

FONTE: Elaboração Própria


Teorema 1.4.5 (Teorema de Bolzano). Se f for contínua em  a, b  , e se f  a  e

f  b  forem diferentes de zero e tiverem sinais opostos, então há, no mínimo, um número c no

intervalo  a, b  tal que f  c   0 .

73
FIGURA 24

FONTE: Elaboração Própria

Prova. Considere o caso em que f  a   0 e f  b   0 , como mostra a FIGURA 24.

Então, por hipótese f é contínua em  a, b  e 0 está entre f  a  e f  b  , logo, pelo

Teorema do Valor Intermediário, existe pelo menos um c   a, b tal que f  c   0 . Contudo,

como f  a  e f  b  são diferentes de zero, então, c está situado em  a, b  , o que completa

a prova.

Exemplo Resolvido 1.4.6. Prove que a função f  x   x  x  1 , tem pelo menos


3

uma raiz real.


Solução. Para provar que f possui ao menos uma raiz real, deve-se encontrar um
intervalo fechado no qual se tenha as hipóteses do Teorema de Bolzano.

Inicialmente, considera-se o intervalo  0,1 , daí tem-se:

f  0    0    0   11 0
3

74
f 1  1  1  1 3  0
3

Como não satisfaz as condições do teorema de Bolzano, deve-se escolher outro


intervalo. Considerando agora o intervalo  1,0 , então:

f  1   1   1  1 1 0


3

f  0    0    0   11 0
3

Neste caso, como a função f  x   x  x  1 é contínua em  1,0 e f  1 é


3

negativo e f  0  é positivo, tem-se pelo Teorema de Bolzano que a função f apresenta pelo

menos uma raiz real no intervalo  1,0  .

1.5 LIMITES E CONTINUIDADE DAS FUNÇÕES TRIGONOMÉTRICAS

Teorema 1.5.1 (Teorema do Confronto). Sejam f , g e h funções que satisfazem à


desigualdade:
g  x  f  x  h  x (1.36)

Para todo x de algum intervalo aberto que contenha o ponto p , com a possível
exceção que a desigualdade não precisa ser válida em x  p . Se,
75

lim g  x   L  lim h  x  (1.37)


x p x p

Então:

lim f  x   L (1.38)
x p

Na FIGURA 25 há uma interpretação geométrica para o teorema do confronto.

FIGURA 25

FONTE: Elaboração Própria


Exemplo Resolvido 1.5.1. Suponha que 1  4 x  x 2  F ( x)  x 2  4 x  9, para

x  2 . Encontre o valor de lim F ( x) .


x2

Solução. Para qualquer intervalo aberto contendo x2, tem-se


76
g  x   F  x   h  x  , onde g  x  1  4 x  x e h  x   x  4 x  9 . Logo, pode-se usar
2 2

o teorema do confronto para encontrar o limite solicitado, isto é,


lim g  x   lim 1  4 x  x 2  5
x2 x2

e


lim h  x   lim x 2  4 x  9  5
x2 x2

então, pelo teorema do confronto tem-se que:

lim F ( x)  5
x2

Teorema 1.5.2. Se p é um número no domínio natural da função trigonométrica,


então:

(a) lim senx  senp (b) lim cos x  cos p


x p x p

(c) lim tgx  tgp (d) lim cotgx  cotgp


x p x p

(e) lim sec x  sec p (f) lim cossec x  cossec p


x p x p

Do teorema 1.5.2 pode-se concluir que as funções seno e cosseno são contínuas em
toda parte e as demais funções trigonométricas são contínuas em todos os pontos em que elas
são definidas.
Prova (a). Para se provar que lim senx  senp , basta provar que
x p

lim  senx  senp   0 .


x p

Da trigonometria tem-se:

 x p  x p  x p  x p
0  senx  senp  2sen   cos    2cos   sen  
77
 2   2   2   2 

 x p x p  x p
mas como sen   e 2cos   2
 2  2  2 

Logo,

x p
0  senx  senp  2  0  senx  senp  x  p
2

Como, lim  0   0 e lim x  p  0 , então pelo teorema do confronto tem-se que


x p x p

lim senx  senp  0 e, portanto, lim  senx  senp   0 o que completa a prova.
x p x p

Provas (b), (c), (d), (e) e (f). Ficam como exercício.

Exemplo Resolvido 1.5.2. Encontre os limites.

(a) lim

 sec x 
2
(b) lim  cos x  1
x
x
4
Solução (a).

2
 
  
2
  
 2
2
lim sec x   lim sec x    sec  
2
2
   4

x  x
4  4 

78

Solução (b).

lim  cos x  1  lim  cos x   lim 1  cos   1  1  1 0


x x x

 x  2  
Exemplo Resolvido 1.5.3. Encontre o limite lim sen    .
 x  4  
x 2 2

Solução. Como a função seno é contínua em toda parte, então:

 x  2     x2     1     2
lim sen  2     sen  lim  2     sen  lim      sen   
x2  x  4    x2  x  4    x2  x  2   4 2

x2 x2 1
Obs.:  
x 2  4  x  2  x  2  x  2

sec3 x  8
Exemplo Resolvido 1.5.4. Encontre o limite lim .
x
 sec x  2
3

Solução. A expressão do limite pode ser simplificada, isto é:



sec3 x  8  sec x  2  sec x  2sec x  4
2

 sec2 x  2sec x  4
sec x  2  sec x  2 
Então:

sec3 x  8
lim
x
 sec x  2 x 
  x  
 lim  sec2 x  2sec x  4   lim s ec 2 x  2sec x  4 
3 3 3

 

 x

2

 lim sec x  lim  2sec x   lim  4  
x

x
 
79
 3 3 3 

 
2
   
  
2
      
  lim sec x  2 lim sec x  4    sec   2  sec   4 
    x 
 
3  3  
 x  3   
 3 
  2   2  2   4 12
2
 

Teorema 1.5.3 (Limites Fundamentais).

senx 1  cos x
(a) lim 1 (b) lim 0
x0 x x0 x

Prova (a). Inicialmente, interpreta-se x como ângulo medido em radiano e que



0 x  , como mostrado na FIGURA 26.
2
FIGURA 26 – CÍRCULO TRIGONOMÉTRICO

80

FONTE: Elaboração Própria

Consideram-se, então, as seguintes figuras planas:

FIGURA 27

FONTE: Elaboração Própria

Da FIGURA 27, pode-se concluir:


1
 O triângulo OBC tem uma área igual: AOBC  senx .
2

1
 O setor circular OBC tem uma área igual: AOBC  x.
2

1
 O triângulo retângulo ODC tem uma área igual: AODC  tgx . 81
2

Logo, verifica-se a seguinte desigualdade:

1 1 1
senx  x  tgx  senx  x  tgx
2 2 2

Dividindo tudo por senx , obtém-se:

x 1 senx
1   1  cos x
senx cos x x

Logo, como lim 1  1 e lim  cos x  1 , então, pelo teorema do confronto, pode-
x0 x0

senx
se chegar à conclusão que lim 1 .
x0 x

Prova (b). Para esta prova usa-se o resultado da parte (a) do teorema 1.5.3, a

continuidade da função seno e a identidade sen2 x 1  cos2 x . Isto é,

1  cos x 1  cos x 1  cos x   sen2 x 


lim  lim    lim  
x0 x x0  x 1  cos x  x0  x 1  cos x  

 senx senx   senx  senx 


 lim      lim  lim   1 0   0
x0  x 1  cos x   x0 x  x0 1  cos x 
tgx
Exemplo Resolvido 1.5. Prove que lim 1 .
x0 x

Solução.

senx
Como tgx  , então: 82
cos x

 senx 

senx x  x0 x 
lim
tgx senx 1
lim  lim  lim   1
x0 x x0 x cos x x0 cos x lim  cos x  cos 0
x0

Corolário 1.5.3.1.

sen  x  1  cos  x 
(a) lim 1 (b) lim 0
x0 x x0 x

Prova (a). Para provar este limite, basta fazer uma substituição da forma u  x . Se

x  0 implica que u  0 , logo:

sen  x  senu
lim  lim 1
x0 x u 0 u

Prova (b). Deve ser feita como exercício.

Exemplo Resolvido 1.5.6. Calcule os limites.

sen  4 x 
(a) lim (b) lim x cot g  5 x 
x0 sen  3 x  x0
1
Solução (a). Para resolver este limite, multiplica-se denominador e numerador por .
x

Então, tem-se:

sen  4 x  sen  4 x  sen  4 x 


sen  4 x  4 4 lim 4 1 4
lim  lim x  lim 4x  x0 4 x  
x0 sen  3 x  x0 sen  3 x  x0 sen  3 x  sen  3x  3 1 3 83
3 3lim
x 3x x0 3x

Solução (b). Neste caso, escreve-se:

1
cos  5 x  5 cos  5 x 
x cot g  5 x   x 
sen  5 x  sen  5 x 
5x

Então:

1  1 1
 5 cos  5 x   5 lim cos  5 x  
1
lim  x cot g  5 x    lim  
x0
5
x0 sen  5 x 
x0
  lim  sen  5 x   1 5
 5x  x0  5 x 

senx
Exemplo Resolvido 1.5.7. Determine o valor do limite lim .
x x 

Solução. Como sen    0 , então, tem-se uma forma indeterminada 0 0 . Neste

caso, deve-se fazer uma substituição de modo que se possa usar um dos limites fundamentais
da trigonometria.

Fazendo a substituição u  x   , tem-se que x  u   ,então:

senx  sen  u     senu cos   sen cos u   senu


1 0
E se x   implica que u  0 , resultando:

senx senu senu


lim  lim   lim  1
x x   u0 u u 0 u

Definição 1.5.1. Uma função f é dita limitada em um intervalo I se existir um 84


número positivo M tal que:

f  x  M (1.39)

Para todo x em I . Geometricamente, isto significa que o gráfico de f no intervalo I


fica entre as retas y  M e y  M .

FIGURA 28

FONTE: Elaboração Própria


A FIGURA 28 mostra o gráfico de uma função limitada no intervalo fechado  a, b  .

Isto é o gráfico de y  f  x  está compreendido entre as retas y   M e y  M para todo

x a, b .

85
1
Exemplo Resolvido 1.5.8. Prove que lim xsen    0 .
x0  x

Solução. Para prova deste limite deve-se recorrer ao teorema do confronto. Como a
função seno é uma função limitada (ver definição 1.5.1), tem-se:

1
1 sen   1
 x

Daí pode-se concluir que:

1
 x  xsen    x
 x

Como lim   x   0 e lim  x   0 , então, pelo teorema do confronto pode-se


x0 x0

1
concluir que: lim xsen    0 .
x0  x

Teorema 1.5.4. Se lim f  x   0 e se g  x   M para intervalo aberto no domínio


x p

de f , contendo p , e M  0 , então:

lim  f  x  g  x   0 (1.40)


x p
Mesmo que não exista o limite lim g  x  .
x p

 1 
Exemplo Resolvido 1.5.9. Prove lim 2 x   cos  0.

x  2x   
2
86

Solução. Inicialmente, prova-se que lim 2 x    0 , então como:



x
2

2 x   se x   2
2x    
  2 x se x   2

Tem-se que:

lim 2 x    lim   2 x   0
 
x x
2 2

lim 2 x    lim  2 x     0
 
x x
2 2

 1 
Então, pode-se concluir que lim 2 x    0 . Como cos   é limitada em

x  2x   
2

  1 
qualquer intervalo aberto contendo , isto é 1 cos   1 , assim, pelo teorema
2  2x   
 1 
1.5.4 tem-se que lim 2 x   cos  0.

x  2x   
2
2 A DERIVADA

2.1 A RETA TANGENTE E A DERIVADA


87

Muitos fenômenos físicos envolvem grandezas que variam, como por exemplo, a
velocidade de um foguete, a inflação da moeda, a contaminação de um rio, a temperatura da
água do mar e assim por diante. Por isso, o conceito de derivada é tão importante, sendo a
ferramenta matemática usada para estudar taxas nas quais as grandezas físicas variam.

Observa-se informalmente que, traçada uma reta secante por dois pontos distintos P e
Q sobre uma curva y=f(x), e se for admitido que Q move-se ao longo da curva em direção a P,
então, pode-se esperar uma rotação da reta secante em direção a uma posição limite, a qual
pode ser considerada como a reta tangente à curva no ponto P (ver FIGURA 29).

FIGURA 29

FONTE: Elaboração Própria


Definição 2.1.1. Se P(p, f(p)) é um ponto do gráfico de uma função f, então a reta
tangente ao gráfico de f em P, também chamada de reta tangente ao gráfico de f em p, é
definida como sendo a reta que passa por P com inclinação:

f  x  f  p
mtg  lim (2.1)
x p x p
88

Exemplo Resolvido 2.1.1. Determine a inclinação da reta tangente ao gráfico da


função f (x)= x² - 2x no ponto onde x=-1.

Solução. Usando a equação 2.1, pode-se determinar a inclinação da reta tangente ao


gráfico da função, isto é, a inclinação é dada por:

mtg  lim
f  x   f  1
 lim

x 2  2 x   3 
 lim
x2  2 x  3
x1 x   1 x1 x   1 x1 x 1

 x  3 x  1  lim
mtg  lim  x  3   4
x1 x 1 x1

A fórmula dada pela equação 2.1 pode ser escrita de uma forma diferente, isto é, se for
introduzida uma nova variável h=x - p, então, tem-se que x= p+h e, consequentemente, h -> 0
quando x -> p. Logo a equação 2.1 assume a seguinte forma:

f  p  h  f  p 
mtg  lim (2.2)
h0 h

A partir da geometria analítica tem-se que a forma ponto-inclinação de uma reta que
passa pelo ponto P  x0 , y0  e tem inclinação m é dada por:

y  y0  m  x  x0  (2.3)
Definição 2.1.2 Sendo P(p, f(p)) um ponto do gráfico da função f, então a equação da
reta tangente ao gráfico de f em P é dada por:

y  f  p   mtg  x  p  (2.4)

89
Exemplo Resolvido 2.1.2. Encontre a equação da reta tangente ao gráfico da função
f(x)=x³ - x² + 1 no ponto onde x=2.

Solução. Inicialmente, determina-se a inclinação da reta tangente, pelas fórmulas


dadas pela equação 2.1 ou equação 2.2.

f  2  h   f  2
mtg  lim
h0 h

Como, f (2+h)= (2+h)³ - (2+h)² + 1 = h³ + 5h² + 8h +5 e f (2)=5, então:

h3  5h2  8h  5  5 h3  5h 2  8h
mtg  lim
h0 h
 lim
h0 h h0

 lim h2  5h  8  8 

Logo, a equação da reta tangente será dada por:

y  f  2   mtg  x  2 

y  5  8  x  2  y  8x  11

Em geral, a inclinação da reta tangente ao gráfico da curva y=f (x) dependerá do ponto
x no qual a inclinação está sendo calculada; logo, a inclinação é uma função de x.

Exemplo Resolvido 2.1.3. Seja f (x)= x² - 1, então calcule a inclinação da reta


tangente ao gráfico de f em um ponto x genérico.
Solução. Para calcular esta inclinação, então, usa-se a fórmula da equação 2.2,
trocando p por x; isto é:

f  x  h  f  x
mtg  lim
h0 h

90
Como f  x  h    x  h   1 x  2 xh  h  1 , então:
2 2 2

x 2 2 xh  h2  1  x 2  1 2 xh  h2
mtg  lim  lim  lim  2 x  h   2 x
h0 h h0 h h0

Assim, poderá ser usada a fórmula geral mtg  2 x para calcular a inclinação da reta

tangente em qualquer ponto da curva f  x   x  1 .


2

A inclinação da reta tangente a uma curva y  f  x  que passa pelo ponto

 p, f  p  dada pelo limite:


f  x  f  p
mtg  lim (2.5)
x p x p

Em muitas situações tem uma importância maior que a própria reta tangente e usa-se
a notação f ´( p ) para indicá-la chamando-a de derivada de f aplicada em um ponto p.

Definição 2.1.3. A derivada de uma função f aplicada em x = p, indicada por f ’( p ), é


dada pelo limite:

f  x  f  p
f '  p   lim (2.6)
x p x p
Se este limite existir, então a função é dita derivável ou diferenciável em x=p e p é dito
ser um ponto de diferenciabilidade de f, por outro lado, se este limite não existe então se diz que
p é um ponto de não diferenciabilidade de f. A derivada de f aplicada em x=p também pode ser
escrita na forma alternativa:

f  p  h  f  p
f '  p   lim (2.7) 91
h0 h

Definição 2.1.4. Sendo P(p, f (p)) um ponto do gráfico da função f, então a equação da
reta tangente ao gráfico de f em P é dada por:

y – f (p) = f’(p) (x - p) (2.8)

Enquanto a reta normal ao gráfico de f em P é dada por:

1
y  f  p    x  p (2.9)
f ' p 

Exemplo Resolvido 2.1.4. Encontre as equações das retas tangente e normal ao


gráfico da função f (x)=senx no ponto x=0.

Solução. A inclinação da reta tangente é dada pela derivada da função aplicada em


x=0.

f  x   f  0 senx  0 senx
f '  0   lim  lim  lim 1
x0 x0 x0 x x0 x

Daí, a equação da reta tangente é dada por:

y  f  0  f '  0 x  0  y  f '  0 x  yx


E a equação da reta normal é dada por:

1 1
y  f  0    x  0  y x  y x
f ' 0 f ' 0

Definição 2.1.5. A função f ´ é definida pela fórmula: 92

f  x  h  f  x
f '  x   lim (2.10)
h0 h

É chamada de derivada de f em relação a x. O domínio de f ´ consiste de todo x para o


qual o limite existe.

Exemplo Resolvido 2.1.5. Encontre a função derivada.

1
(a) g  x   x (b) h  x  
x

Solução (a). A derivada é dada pelo limite:

g  x  h  g  x xh  x
g '  x   lim  lim
h0 h h0 h

Para resolver este limite é necessário simplificar a expressão:

x  h  x  x  h  x  x  h  x  xhx 1
   
h  h  x  h  x  h x  h  x xh  x  
Então,

xh  x 1 1
lim  lim 
h0 h h0 x  h  x 2 x
1
Logo, tem-se que g '  x   .
2 x

Solução (b). A derivada é dada pelo limite:

1 1 xxh
h  x  h  h  x  x  x  h 1
 lim x  h x  lim
1
h '  x   lim  lim   2 93
h0 h h0 h h0 h h0 x  x  h  x

1
Logo, tem-se que h '  x   
x2

Se f é diferenciável em todos os pontos de um intervalo aberto (a, b), então se diz que f
é diferenciável em (a, b). Isto se aplica, também, a intervalos infinitos da forma (-∞, a), (b, +∞) e
(-∞, +∞). No caso de f ser diferenciável em (-∞, +∞), se diz que f é diferenciável em toda parte.

f  x  f  p
Para que o limite lim exista é necessário que os limites laterais
x p x p
existam e sejam iguais, isto é,

f  x  f  p f  x  f  p f  x  f  p
 lim  lim  f '  p   lim
x p x p x p  x p x p  x p

Pode-se concluir que:

f  x  f  p
f  '  p   lim (derivada à esquerda de p )
x p  x p

f  x  f  p
f  '  p   lim (derivada à direita de p )
x p  x p

A derivada de f em p existe se, e somente se, as derivadas à esquerda e à direita


existirem e forem iguais, isto é:
 f ' p  f '  p   f  '  p  (2.11)

Exemplo Resolvido 2.1.6. Mostre que f(x)=|x| não é diferenciável em x=0.

94
Solução. Para verificar a diferenciabilidade em x=0, basta verificar a existência do
limite:

f  x   f  0 x
f '  0   lim  lim
x0 x0 x0 x

x x x
Como lim   1 e lim 1 , então não existe lim e consequentemente
x0 x x0 x x 0 x

não existe f’(0) e a função não é diferenciável em x=0.

Teorema 2.1.1. Se f é diferenciável em um ponto p, então f é também contínua em p.

Prova. Por hipótese se f é diferenciável em p, então existe:


f  x  f  p
f '  p   lim
x p x p

Logo, para mostrar que f é contínua em p deve-se mostrar que lim f  x   f  p  ,


x p

ou de forma equivalente, lim  f  x   f  p    0 .


x p

Então,

 f  x  f  p 
lim  f  x   f  p    lim   x  p 
x p x p
 x p 
f  x  f  p
 lim lim  x  p   f '  x  0   0
x p x p x p

Provando que lim f  x   f  p  , ou seja, que a função é contínua em p.


x p
95

O que o teorema 2.1.1 diz é que a diferenciabilidade implica na continuidade, mas o


simples fato de a função ser contínua não garante que a função seja diferenciável. A função
pode ser contínua em um ponto e não diferenciável neste ponto, por outro lado se a função não
for contínua em um ponto ela não é diferenciável neste ponto.

2 x  1 se x 1

Exemplo Resolvido 2.1.7. Seja f  x   3 se x 1 , então:
 2
 x  x  1 se x 1

(a) Verifique se f é contínua em x=1.

(b) Verifique se f é diferenciável em x=1.

Solução (a).

lim f  x   lim  2 x  1  3
x1 x1


lim f  x   lim x 2  x  1  3
x1 x1

Tem-se que lim f  x   3 e como lim f  x   3  f 1 , então a função é contínua


x1 x1

em x=1.
Solução (b). A função é diferenciável no ponto onde x=1, se existe o limite
f  x   f 1
f ' 1  lim , isto é:
x1 x 1

f  x   f 1 2x  2 2  x  1
f  ' 1  lim  lim  lim  lim  2   2
x1 x 1 x1 x  1 x1 x  1 x1

96
e

f  x   f 1 x2  x  2  x  2 x  1  lim x  2  3


f  ' 1  lim  lim  lim  
x1 x 1 x1 x 1 x1 x 1 x1

Devido ao fato de que f  ' 1  2  3  f  ' 1 , então, pode-se concluir que não

f  x   f 1
existe f ' 1  lim e a função é dita não diferenciável em x=1.
x1 x 1

1  2 x se x   1

Exemplo Resolvido 2.1.8. Seja f  x   3 se x   1 . Mostre que a função f
 2
 x  2 se x   1
é diferenciável em x=1.

Solução. A função é diferenciável no ponto onde x= -1, se existe o limite


f  x   f  1
f '  1  lim , isto é:
x1 x 1

f  '  1  lim


1  2 x    3  lim
2  x  1
 lim  2    2
x1 x 1 x1 x 1 x1

f  '  1  lim


x 2

 2 3
 lim
x2  1
 lim
 x  1 x  1  lim x  1   2
 
x1 x 1 x1 x  1 x1 x 1 x1

Logo, pode-se concluir que f’(-1)=-2 e que a função é diferenciável em x= -1.


2.2 TÉCNICAS DE DIFERENCIAÇÃO

Agora se desenvolvem alguns teoremas importantes que possibilitarão o cálculo de


97
derivadas de uma forma mais eficientes, sem o uso da definição, o que em alguns casos pode
ser muito exaustivo e trabalhoso.

Se y=f(x), então, usam-se as seguintes notações alternativas para indicar a derivada


desta função:

dy d
 f '  x  ou f '  x    f  x   (2.12)
dx dx

Teorema 2.2.1. A derivada de uma função constante é zero, isto é, se k for um número
real qualquer, então:

d
k   0 (2.13)
dx

Prova. Seja f(x)=k, logo a partir da definição de derivada,

d f  x  h  f  x k k
 k   f '  x   hlim
0
 lim
h0 h
 lim  0   0
h0
dx h

Exemplo Resolvido 2.2.1. Se f(x)=4 para todo x, então f’(x)=0 para todo x, isto é,
d
 4  0 .
dx

Teorema 2.2.2. A derivada de uma função identidade é igual a um, isto é,


d
 x  1 (2.14)
dx

Prova. Seja f(x)=x, logo a partir da definição de derivada,


98
d f  x  h  f  x xhx
 x  f '  x   hlim
0
 lim
h0
 lim 1 1
h0
dx h h

Teorema 2.2.3 (Regra da Potência). Se n for um número inteiro positivo, então:

d  n
 x   nx n1 (2.15)
dx

Prova. Se f  x   x , então a partir da definição de derivada, obtém-se:


n

f  x  h  f  x  x  h  x n
d  n
x  f '  x   lim  lim
dx   h0 h h0 h
n n

Tem-se que: a  b   a  b  a  a b  ...  ab
n1 n 2 n 2
 bn1 , então: 
 x  h n  x n 
 x  h n1   x  h n2 x  ...   x  h  x n2  x n1
h
n fatores

Logo,

d  n  x  h   x  lim  x  h n1  x  h n2 x  ...  x  h xn2  xn1   nx n1


n
x  lim      
dx   h0 h h0  

Exemplo Resolvido 2.2.2. Calcule as funções derivadas.

(a) f  x   x (b) g  x   x
7 12
Solução (a).

d  7
f ' x    x   7 x71  7 x6
dx

Solução (b).
99
d  12 
g ' x   x  12 x121 12 x11
dx

Teorema 2.2.4. Se f for diferenciável em x e k for um número real qualquer, então kf


também é diferenciável em x e

d d
 kf  x   k  f  x  (2.16)
dx dx

Prova. Considera-se a função g(x)=kf(x), então pela definição de derivada tem-se:

g  x  h  g  x kf  x  h   kf  x 
g '  x   lim  lim 
h0 h h0 h
k  f  x  h   f  x  f  x  h  f  x
 lim   k lim  kf '  x 
h0 h h0 h

Exemplo Resolvido 2.2.3. Calcule as derivadas.

1
(a) p  x   3x (b) q  x   x9
2
3

Solução (a),

d  2 d
p ' x    3x   3  x 2   3  2 x   6 x
dx dx
Solução (b).

q ' x 
d 1 9  1 d  9  1 8
 x 
dx  3  3 dx  x   9 x  3 x8
3
 

Teorema 2.2.5. Se f e g forem diferenciáveis em x, então f+g e f-g também o são e: 100

d d d
 f  x   g  x    f  x    g  x  (2.17)
dx dx dx

d d d
 f  x   g  x    f  x    g  x  (2.18)
dx dx dx

Prova. Define-se uma função   x   f  x   g  x  , então pela definição, tem-se:

  x  h    x   f  x  h   g  x  h    f  x   g  x 
 '  x   lim  lim 
h0 h h0 h

 f  x  h   f  x    g  x  h   g  x 
 '  x   lim 
h0 h

f  x  h  f  x g  x  h  g  x
 '  x   lim  lim  f ' x  g ' x
h0 h h0 h

Corolário 2.2.5.1. Se as funções f1 , f 2 ,..., f n são diferenciáveis em x, então

f1  f 2  ...  f n também é, e:

d d d
 f1  x   ...  f n  x    f1  x   ...   f n  x 
dx dx dx (2.19)
Prova. Análoga ao teorema 2.2.5 e pode ser feita como exercício.

Exemplo Resolvido 2.2.4. Determine as derivadas.

(a) p(x)=2x³ - 4x² + x - 12 (b) q(x)=( 2 - 3x)²

101

Solução (a).

d  3   d  2 x3   d 4 x 2   d  x   d 12
p ' x  2 x  4 x 2
 x  12
dx   dx   dx   dx dx

p'(x)=6x²-8x+1

Solução (b). Inicialmente, desenvolve-se o produto notável:

q(x)=(2-3x)² =4-12x+9x²

Então:

d  d d d
q ' x   4  12 x  9 x 2    4  12 x   9 x 2 
dx dx dx dx

q'(x)= - 12+18x

Teorema 2.2.6 (Regra do Produto). Se f e g forem diferenciáveis em x, então f  g


também é diferenciável em x , e:

d d d
 f  x   g  x    f  x   g  x   f  x    g  x 
dx dx dx (2.20)

Prova. Define-se uma função   x   f  x  g  x  , então, pela definição tem-se:


  x  h    x  f  x  h g  x  h  f  x g  x 
 '  x   lim  lim
h0 h h0 h

f  x  h g  x  h  f  x g  x  h  f  x g  x  h  f  x g  x
 '  x   lim
h0 h

 f  x  h   f  x  g  x  h   f  x   g  x  h   g  x 
 '  x   lim  102
h0 h

 f  x  h   f  x  g  x  h  f  x   g  x  h   g  x 
 '  x   lim   lim
h0 h h0 h

 f  x  h   f  x    g  x  h   g  x 
 '  x   lim  lim g  x  h   f  x  lim 
h0 h h0 h0 h
f ' x  g ' x 

 ' x  f ' x g  x  f  x  g ' x

d d
Exemplo Resolvido 2.2.5. Prove que  senx  cos x e cos x   senx .
dx dx
Então, calcule:

d
 senx cos x .
dx

Solução.

(i) Usando a definição, tem-se:

d sen  x  h   senx senx cosh  cos xsenh  senx


 senx  hlim
0
 lim
h0
dx h h

cos xsenh  senx 1  cosh 


 lim
h0 h

cos xsenh senx 1  cosh 


 lim  lim
h0 h h0 h
senh 1  cosh
 cos x lim  senx lim  cos x
h0 h h0 h

(ii) Usando a definição, tem-se:

d cos  x  h   cos x cos x cosh  senxsenh  cos x


cos x  hlim
0
 lim
h0
103
dx h h

 senxsenh  cos x 1  cosh 


 lim
h0 h

 senxxsenh  cos x 1  cosh 


 lim  lim
h0 h h0 h

senh 1  cosh
  senx lim  cos x lim   senxx
h0 h h0 h

(iii) Usando os fatos obtidos nas partes (i) e (ii), pode-se, então, calcular a derivada
usando a regra do produto:

d d d
 senx cos x   senx  cos x    senx  cos x
dx dx dx

  cos x  cos x    senx  senx 

 cos2 x  sen2 x  cos 2 x

Exemplo Resolvido 2.2.6. Encontre


d  2
dx   
x  x 2 x  x3  .
 
Solução. Usando a regra do produto, então:

d  2
dx 
  d
  
x  x 2 x  x3    x 2  x  2 x  x3  x 2  x
 dx  
d 
dx 
 
2 x  x3 
   
  
  2 x  1 2 x  x3  x 2  x 2  3x 2  
104
 4 x 2  2 x 4  2 x  x3  2 x 2  3 x 4  2 x  3 x3

 5x4  4 x3  6 x 2  4 x

Este resultado poderia ter sido obtido se fosse realizado primeiramente o produto entre
os polinômios e logo em seguida derivando o resultado, isto é:

x 2
 
 x 2 x  x3   x5  x 4  2 x3  2 x 2

Daí,

d  2
dx 
  d

x  x 2 x  x3     x5  x 4  2 x3  2 x 2 
 dx

d  5 d  4 d d
  x    x   2  x3   2  x 2 
dx dx dx dx

 5x4  4 x3  6 x 2  4 x

Teorema 2.2.7 (Regra do Quociente). Se f e g forem diferenciáveis em x, e g ( x ) ≠ 0,


f
então também é diferenciável em x, e:
g

d d
d  f  x   dx 
 f  x  
  g  x   f  x    g  x  
 
dx (2.21)
dx  g  x    g  x  
2
f  x
Prova. Define-se uma função   x   , então pela definição tem-se:
g  x

f  x  h f  x

  x  h    x  g  x  h g  x
 '  x   lim  lim
h0 h h0 h
105
f  x  h g  x  f  x g  x  h
g  x  h g  x
 '  x   lim
h0 h

f  x  h g  x  f  x g  x  f  x g  x  f  x g  x  h
 '  x   lim
h0 h  g  x  h  g  x 

 f  x  h   f  x  g  x   f  x   g  x  h   g  x 
 '  x   lim 
h0 h  g  x  h  g  x  

 f  x  h   f  x   g  x  f  x   g  x  h   g  x 

 '  x   lim h h
h0  g  x  h  g  x  

  f  x  h   f  x   g  x  
   f  x   g  x  h   g  x  
 
lim     lim  
h0  h  h0  h 
 ' x      
lim  g  x  h  g  x  
h0

f ' x  g ' x 

 f  x  h  f  x   g  x  h  g  x 
g  x   lim   f  x   lim 
 h0 h   h0 h 
 ' x  
lim  g  x  h  g  x  
h0

g  x f ' x  f  x  g ' x 
 ' x 
 g  x  
2
x2  1
Exemplo Resolvido 2.2.7. Seja a função p  x   2 , calcule pela definição p ´(x).
x 1

Solução. Pela regra do quociente:

d  2  2
 x  1 x  1 x 2
 1
dx 
 
d  2 
x  1  2 x  x 
2
 1  x 2
 1  2 x  
106
  
p '  x   dx 
 x  1  x  1
2 2 2 2

2 x3  2 x  2 x3  2 x 4 x
p ' x   
x  x 
2 2
2
1 2
1

d
Exemplo Resolvido 2.2.8. Mostre que tgx  sec2 x .
dx

senx
Solução. Como tgx  , pode-se calcular esta derivada pela regra do quociente
cos x
usando os resultados obtidos nas partes (i) e (ii) do exemplo resolvido 2.2.5,

d d
d  senx  dx 
senx   cos x    senx  cos x 
d
tgx     dx
dx dx  cos x  cos x 2


 cos x  cos x    senx  senx  cos2 x  sen2 x

cos2 x cos 2 x
2
1  1 
    sec x
2
cos x  cos x 
2
Teorema 2.2.8 (Regra do Recíproco). Se g é diferenciável em x, e g ( x ) ≠ 0, então
1
também é diferenciável em x, e:
g

d
   g  x  
d 1 dx (2.22)
 
dx  g  x    g  x  
2 107

1
Prova. Como a função é um quociente, utiliza-se o resultado do teorema 2.2.7, isto
g
é:

d d
d  1  1 g  x   1  g  x   0 g x  1 g ' x
          g ' x 
dx dx
  
dx  g  x    g  x 
2
 g  x 
2
 g  x 
2

d  1 
Exemplo Resolvido 2.2.9. Calcule .
dx  x 2  1

Solução. Usando a regra do recíproco, então:

d
  x 2  1
d  1  dx 2 x
 
dx  x 2  1
   
2 2
x2  1 x2  1

Teorema 2.2.10 (Regra da Potência). Se n for um número racional qualquer, então:

d  n
x  nx n1 (2.23)
dx  
Exemplo Resolvido 2.2.10. Determine.

d   d  1 
(a) x (b)  
dx   dx  4 x3 

108
Solução (a). A expressão x pode ser escrita na forma da seguinte forma de uma
12
potência x , logo:

1 
d   d  1 2  1  2 1 1 1 2 1 1
 x   x   x  x  12 
dx dx 2 2 2x 2 x

1
Solução (b). A expressão pode ser escrita na forma da seguinte forma de uma
4
x3
3 4
potência x , logo:

 3 
d  1  d  3 4  3   4 1 3 3 3
 4 3    x    x   x 7 4   7 4  
dx  x  dx 4 4 4x 4
4 x7

Se a derivada f’ de uma função f for ela mesma diferenciável, então a derivada de f’


será denotada por f”, sendo chamada de derivada segunda de f. Isto é, pela definição:

f ' x  h  f ' x 
f ''  x   lim (2.24)
h0 h

À medida que se tem diferenciabilidade, pode-se continuar o processo de diferenciar


derivadas para obter as derivadas terceira, quarta, quinta e mesmo derivadas mais altas de f.
Exemplo Resolvido 2.2.11. Sendo f  x   x  3x  7 x  5x  1, então:
4 3 2

f '  x   4 x3  9 x 2  14 x  5

f ''  x  12 x 2  18x  14

f '''  x   24 x  18 109

f    x   24
4

f    x  0
5

... ... ... ...

f    x  0  n  5
n

2.3 DERIVADAS DE FUNÇÕES TRIGONOMÉTRICAS

Definição 2.3.1. Chama-se de função seno a função real de variável real que associa a
cada x real o número senx, isto é:

(2.25)
f(x)=senx

É necessário lembrar-se do fato de que quando se fala sobre senx significa o seno do
ângulo cuja medida em radianos é x. A função seno tem como domínio o conjunto dos reais e a
imagem é o conjunto [-1,1], isto é -1< senx <1. O gráfico da função seno é periódico e tem como
período 2π, sendo chamado de senoide. Este gráfico é apresentado na FIGURA 30.
FIGURA 30

110

FONTE: Elaboração Própria

Definição 2.3.2. Chama-se de função cosseno a função real de variável real que
associa a cada x real o número cosx, isto é:

f(x)=cosx (2.26)

É necessário lembrar-se do fato de que quando se fala sobre cos x significa o


cosseno do ângulo cuja medida em radianos é x. A função cosseno tem como domínio o
conjunto dos reais e a imagem é o conjunto [-1,1], isto é -1<cosx<1. O gráfico da função
cosseno é periódico e tem como período 2π, sendo chamado de cossenoide. Este gráfico é
apresentado na FIGURA 31.
FIGURA 31

111

FONTE: Elaboração Própria

Definição 2.3.3. As demais funções trigonométricas são definidas por:

(a) Função Tangente:

senx 
f  x   tgx  , x   k , k  Z (2.27)
cos x 2

(b) Função Secante:

1 
f  x   sec x  , x   k , k  Z (2.28)
cos x 2

(c) Função Cotangente:

cos x
f  x   cot gx  , x  k , k  Z (2.29)
senx

(d) Função Cossecante:

1
f  x   cossec x  , x  k , k  Z (2.30)
senx
Teorema 2.3.1.

d d
(a)  senx  cos x (b) cos x   senx
dx dx

d d
(c) tgx  sec2 x (d) sec x  sec xtgx
dx dx
112
d d
(e) cotgx   cossec2 x (f) cossec x   cossec x cot gx
dx dx

Prova (c). Para provar esta derivada deve-se recorrer à definição, isto é:

tgx  tgh
d
tgx  hlim
tg  x  h   tgx
 lim
1  tgxtgh
 tgx
 lim
tgh 1  tg 2 x  
dx 0 h h0 h h0 h 1  tgxtgh 

 lim



tgh 1  tg x 
2 
 lim

 tgh 
lim 
 1  tg 2 x 

 
h0  h 1  tgxtgh   h0   h 
 h 0  1  tgxtgh  
  
 
 1 1  tg 2 x  sec2 x

As demais provas do teorema 2.2.1 devem ser feitas como exercício.

Exemplo Resolvido 2.3.1. Calcule as funções derivadas.

 
(a) p  x   x  1 cot gx
2
(b) q  x  
x  senx
1  cos x

Solução (a). Neste caso, usa-se a regra do produto.

p ' x 
d  2
dx 
  d
x  1 cot gx    x 2  1  cot gx   x 2  1
 dx
d
dx
 
cot gx 

 
  2 x  cot gx   x 2  1  cossec2 x 
 2 x cot gx  x 2 cossec2 x  cossec2 x

Solução (b). Neste caso, usa-se a regra do quociente.

d d
d  x  senx  dx 
x  senx  1  cos x    x  senx  1  cos x 
q ' x     dx 113
dx 1  cos x  1  cos x  2


1  cos x 1  cos x    x  senx   senx  1  cos 2 x  xsenx  sen 2 x

1  cos x 2 1  cos x 2
1


 
1  cos 2 x  sen 2 x  xsenx

xsenx
1  cos x 2 1  cos x 2

Exemplo Resolvido 2.3.2. Encontre.

d  2  d 
(a) x tgx  (b) cot g 2 x 
dx  dx 

Solução (a). Neste caso, usa-se a regra do produto, isto é:

d  2  d  2
dx  x tgx    x   tgx   x 2
dx
d
dx
 
tgx   2xtgx  x 2 sec2 x

Solução (b). Neste caso, pode-se expressar o termo cotg²x como o produto cot gx cot
gx, logo, pode-se usar a regra do produto.

d  d d d
cot g 2 
x  
  cot gx  cot gx  
   cot gx   cot gx    cot gx   cot gx 
dx   dx dx dx

 cossec2 x cot gx  cot gx cossec2 x  2cossec2 x cot gx


Exemplo Resolvido 2.3.3. Encontre as equações das retas tangente e normal ao
gráfico da função f(x)=sen(2x) no ponto (0,0).

Solução. Para encontrar as retas tangente e normal é necessário localizar,


primeiramente, a derivada da função f(x)=sen(2x).
114
Da trigonometria tem-se que sem ( 2x ) = 2senx cosx, então,

d d d d 
f ' x   sen  2 x    2senx cos x   2   senx   cos x    senx  cos x 
dx dx  dx x 

 
 2 cos x  cos x    senx  senx   2 cos 2 x  sen2 x  2cos  2 x 

As equações das retas tangente e normal ao gráfico da função para x=0, são dadas,
respectivamente pelas equações (ver equações 2.8 e 2.9):

y  f  0  f '  0 x e y  f  0   
1
x
f ' 0

Como f(0)=0 e f’(0)=2, então, pode-se concluir que as equações das retas tangente e
x
normal são dadas, respectivamente, por: y=2x e y  
2

x
Os gráficos da função f(x)=sen(2x) e das retas y=2x e y   são mostrados na
2
FIGURA 32.
FIGURA 32

115

FONTE: Elaboração Própria

 2  
 x cos   se x  0
Exemplo Resolvido 2.3.4. Seja a função p  x    x . Verifique
0 se x  0

se p é diferenciável em x=0.

Solução. A definição de derivada é dada por:

 
x 2 cos  
p  x   p  0  x   lim  x cos    
f '  0   lim  lim   
x0 x x0 x x0   x 

     
Como lim  x   0 e lim  cos    não existe, mas cos   é limitada, isto é
x0 x0   x  x
 
1 cos   1 . Então, pode-se concluir do Teorema 1.5.4 (Módulo 1) que:
x

   
f '  0   lim  x cos     0
x0   x 

O que implica que a função p é diferenciável em x=0.


2.4 REGRA DA CADEIA

Teorema 2.4.1 (Regra da Cadeia). Se g for diferenciável em x e f for diferenciável em


116
g(x), então f(g(x)) é diferenciável em x e,

 f  g  x    f '  g  x    g '  x 


d
(2.31)
dx 

Ou ainda, se y=f(g(x)) e u=g(x), então y=f(u) e,

dy dy du
  (2.32)
dx du dx

2
 
Exemplo Resolvido 2.4.1. Se y  tg x , encontre
dy
dx
.

Solução. Seja u=x², assim:

y=tgu

E pela regra da cadeia:

dy dy du d
dx du dx du
d
 
   tgu    x 2   sec2 u   2 x   2 x sec2 u
dx

Mas como u=x², então:


dy
dx
 
 2 x sec2 x 2 .

d  2 
Exemplo Resolvido 2.4.2. Ache x 1 .
dx  
Solução. Fazendo u=x² +1 e y  u , então:

d  2  dy
x 1 
dx   dx

Logo, pela regra da cadeia: 117

dy dy du d   d  2   1  x
    u    x  1      2x  
dx du dx du dx 2 u  u

d  2  x
Mas como u=x² +1, então: x 1 
dx  
x2  1

Uma forma alternativa para a regra da cadeia é dada por:

d du
 f  u    f '  u  (2.33)
dx dx

 
11
Exemplo Resolvido 2.4.3. Determine f ´( x ) para f  x   x  4 x  17
3
.

Solução. Fazendo u  x3  4 x  17 , então f  u   u . Logo:


11

d  3
 
11  d  11  10 du
f ' x  x  4 x  17  u
 dx    11 u
dx  f ' u  dx

  d  3
   3x 
10 10
f '  x  11 x3  4 x  17  x  4 x  17  11 x3  4 x  17 2
4
dx
Fórmulas generalizadas de diferenciação

d  n du d   1 du
 u   nu n1 u 
dx dx dx   2 u dx

d du d du
 senu   cos u cos u    senu
dx dx dx dx
118
d du d du
tgu   sec2 u cot gu    cossec2 u
dx dx dx dx

d du d du
sec u   sec u tgu cossec u    cossec u cotgu
dx dx dx dx

Exemplo Resolvido 2.4.4. Calcule:

d  3
x  cossec x 
d
(a) cos  2 x  1  (b)
dx  dx  

 
d  2 7 
(c) x  3cot gx  1
dx  

Solução (a).

d d
cos  2 x  1   sen  2 x  1  2 x  1   2sen  2 x  1
dx dx

Solução (b).

  3x  cossec x cot gx
2
d  3
x  cossec x  
1 d  3
 x  cossec x 
dx  
2 x3  cossec x dx 2 x3  cossec x
Solução (c).

   
d  2 7  6 d  2
x  3cot gx  1    7 x  3cot gx  1
2
x  3cot gx  1
dx  dx 


7 2 x  3cossec2 x 
 
d  2 7 
x  3cot gx  1  
dx 
x 
6
2
 3cot gx  1 119

2.5 DIFERENCIAIS E APROXIMAÇÃO LINEAR LOCAL

dy
Até o presente momento tem sido visto como uma simples notação para a
dx
dy
derivada de y=f(x). Porém, pode-se interpretar como um quociente entre dois acréscimos.
dx
Isto é, olhando para dx como um acréscimo em x, deve-se procurar interpretar o acréscimo dy
em y.
FIGURA 33

120

FONTE: Elaboração Própria

Sabe-se que f’(x) é o coeficiente angular da reta tangente t, no ponto (x, f(x)), ver
dy
FIGURA 33, e que  f '  x  . Olhando para dy como o acréscimo na ordenada da reta
dx
tangente t, correspondente ao acréscimo dx em x, tem-se:

dy=f’(x)dx dy  f '  x  dx (2.34)

Os acréscimos dx e dy são chamados de diferenciais das variáveis x e y,


respectivamente.

Sabendo que dx=Δx, então, pode-se definir a variação da variável y, ou incremento da


variável y, da seguinte forma:
Δy=f (x+Δx) – f(x) (2.35)

Onde Δx é chamado de incremento da variável x.

Usando os incrementos Δx e Δy, pode-se escrever uma fórmula de diferencial usando


121
a seguinte notação:

y f  x  x   f  x 
f '  x   lim  lim (2.36)
x0 x x0 x

Exemplo Resolvido 2.5.1. Seja a função f(x)=x³ -2x, então, escreva a sua forma
diferencial.

Solução. Inicialmente, determina-se a função derivada,

f '(x)=3x²-2

E como dy=f ’(x)dx, então:

dy=(3x² -2)dx

Exemplo Resolvido 2.5.2. Seja a função f(x)=x² e sabendo que dx=Δx=0,01, então,
determine dy e Δy para x=2.

Solução. Tem-se que:

f (2)=(2)² = 4

f (2+Δx) = f (2,01) = (2,01)² = 4,0401


Então:

Δy=f (2+Δx) –f (2) = f (2,01) – f (2) = 4,0401 – 4 = 0,0401

Como f’(x)2x, então, o diferencial dy é dado pela equação:

dy =2xdx 122

dy =2(2)(0,01)=0,04

Exemplo Resolvido 2.5.3. O volume de uma esfera de raio R é dado pela equação:

4
V   R3
3

Determine a derivada do volume V em função do raio R e escreva na forma diferencial.

Solução. Sendo o volume V uma função do raio R da esfera, então, a sua derivada é
dada por:

dV d  4 3  4 d  3  4
  R  
dR dR  3  3 dR  R    3R 2  4 R 2
3
 

 dV 
Como o diferencial dV    dR , então:
 dR 

dV =4πR²dR

Considere uma função f diferenciável em um intervalo contendo o ponto p. Agora,


pode-se definir uma reta tangente ao gráfico da função y=f(x) no ponto (p, f (p)), como mostrado
na FIGURA 34.
FIGURA 34

123

FONTE: Elaboração Própria

Em muitas situações, pode ser fácil calcular um valor f(p) de uma função, mas é difícil
(ou até mesmo impossível) calcular valores próximos de f. Neste caso, pode-se usar a expressão
que define a reta tangente para calcular estes valores próximos de f.

Em outras palavras, usa-se a reta tangente t (ver FIGURA 34) em (p, f (p)) como uma
aproximação para a curva y=f(x) quando x está próximo de p. A equação da reta tangente é
dada por:

y=f(p)+f’(p)(x-p) (2.37)

E a aproximação:

f(x)≈f(p)+f’(p)(x-p) (2.38)
É denominada aproximação linear local ou aproximação pela reta tangente de f em p.
A função linear cujo gráfico é essa reta tangente, isto é:

L(x)=f(p)+f’(p)(x-p) (2.39)

124

É chamada de linearização de f em p.

Exemplo Resolvido 2.5.4. Encontre uma aproximação linear local da função f(x)=senx
em x=0.

Solução. A derivada da função f(x)=senx é dada por:

f'(x)=cosx

Então, em x=0, tem-se:

L  x   f  0   f '  0  x  0   sen0  cos 0 x  x


0 1

Pode-se concluir que a linearização é dada por:

L(x)=x

A qual pode ser vista na FIGURA 35.


FIGURA 35

125

FONTE: Elaboração Própria

Exemplo Resolvido 2.5.5. Seja a função f  x   x  1 , então encontre a


aproximação linear local em x  3 . Use esta aproximação para encontrar valores próximos para

os números 3,96 e 4,04 .

Solução. A derivada da função f  x   x  1   x  1


12
é dada por:

1 1
f ' x   x  11 2
2 2 x 1

1 1
E assim tem-se que f  3  3  1  2 e f '  3   , então, a
2 3 1 4
aproximação linear local é dada por:

1 1 5
L  x   f  3  f '  3 x  3  2   x  3  x 
4 4 4
Pode-se concluir que a linearização é dada por:

1 5
L  x  x 
4 4

Que pode ser vista na FIGURA 36.


126

FIGURA 36

FONTE: Elaboração Própria

Em outras palavras pode-se dizer que na vizinhança de x = 3, tem-se a função


1 5
f  x   x  1 que se comporta como a reta L  x   x  , isto é:
4 4

1 5
x 1 x 
4 4

Para encontrar 3,96 e 4,04 usa-se a expressão linear, ou seja:


1 5 7,96
3,96  2,96  1   2,96    1,99
4 4 4

1 5 8,04
4,04  3,04  1   3,04     2,01
4 4 4
127
3 FUNÇÕES LOGARÍTMICAS E EXPONENCIAIS

3.1 FUNÇÕES INVERSAS


128

A ideia de resolver uma equação do tipo y=f(x) para x como uma função de y, isto é
x=g(y), é uma das mais importantes ideias na matemática. Este processo é bastante simples em
muitas situações; por exemplo, usando álgebra básica, a equação:

y=x³

Pode ser resolvida para x como uma função de y da seguinte forma:

x 3 y

A equação y=x³ pode ser usada para calcular um valor para y se x for conhecido,

enquanto que a equação x  3 y pode ser usada para encontrar um valor para x se y for

conhecido, veja a FIGURA 37.


FIGURA 37

129

FONTE: Elaboração Própria

O intuito nessa seção é identificar as relações que possam existir entre as funções f e
g, quando uma função y=f(x) pode ser expressa como x=g(y). Por exemplo, sendo as funções

f(x)=x³ e g  y   3 y , então, quando elas são compostas em qualquer ordem, uma cancela o

efeito da outra, isto é:

g  f  x    3 f  x   3 x3  x

f  g  y    g  y    y y
3 3
3

Definição 3.1.1. Se a funções f e g satisfazem as duas condições:

g (f (x))=x para todo x no domínio de f

f (g(y))=y para todo y no domínio de g

Então, diz-se que f e g são funções inversas.


Exemplo Resolvido 3.1.1. Mostre que as funções f(x)=x²+1, x>0 e

g  y   y  1, y 1 são inversas.

Solução. Usando o fato apresentado na definição 3.1.1, tem-se:


130
g  f  x    f  x   1  x 2  1  1  x 2  x , para x  0

f  g  y     g  y    1  
2 2
y  1  1 y  1  1 y , para y 1

1
A função inversa pode ser denotada por f , isto é, a inversa da função f(x)=x²+1,

x>0 pode ser expressa por f  y   y  1, y 1 .


1

Teorema 3.1.1 (Teorema da Unicidade da Inversa). Se uma função f admitir inversa,


1
denotada por f , ela é única.

É muito importante entender que uma função está determinada pela relação
estabelecida entre suas entradas e saídas e não pela letra usada para a variável independente.
Ou seja, as fórmulas f(x)=x² e f(y)=y² usam variáveis independentes diferentes, porém, estas
fórmulas definem a mesma função f, pois atribuem o mesmo valor para cada entrada, como por
exemplo, em ambas as notações f (3)=9.

1
Logo, a partir de agora se expressa tanto a função f quanto a sua inversa f com a
mesma variável independente x. Usando esta notação, então, a Definição 3.1.1. pode ser escrita
da forma seguinte.

1
Definição 3.1.2. Duas funções, f e f , são ditas inversas se satisfazem as
condições:
f 1  f  x    x para todo x no domínio de f

 
f f 1  x   x para todo x no domínio de f 1

Exemplo Resolvido 3.1.2. Confirme cada um dos seguintes itens. 131

(a) A inversa de f  x   3x é f 1  x   x .
1
3

(b) A inversa de f  x   x  4 é f  x  3 x  4 .
3 1

Solução (a). Tem-se que:

f 1  f  x     f  x     3x   x
1 1
3 3

   
1 
f f 1  x   3 f 1  x   3  x   x
3 

Solução (b). Tem-se que:

f 1  f  x    3 f  x   4  3 x3  4  4  3 x3  x

     
3 3
f f 1  x   f 1  x   4  3
x4  4 x  4  4 x

Teorema 3.1.2. Se uma equação y=f(x) pode ser resolvida para x como uma função de

y, então f admite uma inversa e a equação resultante é x  f


1
 y.
4x 1 5
Exemplo Resolvido 3.1.3. Seja a função f  x   , x   , então, encontre
3x  5 3
a sua inversa.

4x 1 5
Solução. Sendo y  , x   , então, basta resolver x como uma função de y 132
3x  5 3
5
para encontrar a expressão da inversa. Logo, para todo x   tem-se:
3

4x 1
y
3x  5

3xy  5 y  4 x  1

3xy  4 x  1  5 y

4 x  3xy  5 y  1

5y 1
x 4  3y  5y 1  x
4  3y

5x  1 4
Logo, a inversa é dada por f 1  x   , x .
4  3x 3

Exemplo Resolvido 3.1.4. Encontre a inversa da função f  x   1  x3  1 .


5

Solução. Para encontrar a inversa basta resolver x como uma função de y. Isto é, se:

y  5 1  x3  1
Então:

5
1  x3  y  1

1  x3   y  1
5

x3  1   y  1
5
133

x3  1   y  1 x  3 1   y  1
5 5

Trocando as variáveis pode-se concluir que a função inversa é dada por:

f 1  x   3 1   x  1
5

Definição 3.1.3. Uma função f é dita injetiva, ou um a um, se para quaisquer x1 e x2 do


domínio de f, com x1 ≠ x2, tem-se f (x1)≠f (x2). Em outras palavras, se f (x1) = f (x2) implica que x1 =
x2.

Teorema 3.1.3. Se f é uma função injetiva, então existe uma e somente uma função f-1
com domínio igual à imagem de f que satisfaz a equação:

 
f f 1  x   x (3.1)

Para todo x na imagem de f.

Fica evidente que:

1 1
Domínio de f = Imagem de f e Imagem de f = Domínio de f
2x 1
Exemplo Resolvido 3.1.5. Mostre que a função f  x   , x   3 é injetiva
x3
em  , 3   3,   .

Solução. Para mostrar que a função é injetiva basta mostrar que se f  x1   f  x2  134

implica que x1  x2 .

Então, supondo que f  x1   f  x2  , então, tem-se:

2 x1  1 2 x2  1

x1  3 x2  3

 2x1  1 x2  3   2x2  1 x1  3


2 x1x2  6 x1  x2  3  2 x1x2  6 x2  x1  3

6 x1  x2  6 x2  x1

7 x1  7 x2  x1  x2

De onde se pode concluir que a função é injetiva.

Corolário 3.1.3.1. Se uma função f é injetiva, então, f é invertível, isto é, admite uma
1
função inversa f .
FIGURA 38

135

FONTE: Elaboração Própria

De acordo com a FIGURA 38, pode-se ver claramente que o gráfico em (a) representa
uma função não injetiva devido ao fato de que f  x1   f  x2  para x1  x2 . O gráfico em (b)

representa uma função injetiva, pois f  x1   f  x2  para quaisquer x1  x2 , e neste caso a

função é invertível. Geometricamente, para definir se uma função é invertível, pode-se aplicar o
seguinte teste apresentado no Teorema 3.1.3.

Teorema 3.1.3 (Teste da reta horizontal). Uma função f admite uma inversa se, e
somente se, o gráfico de f for cortado, no máximo, uma única vez por qualquer reta horizontal.
Aplicando este teste nos gráficos (a) e (b) apresentados na FIGURA 38, pode-se confirmar que a
função em (a) não é invertível, enquanto que em (b) a função é invertível.

Exemplo Resolvido 3.1.6. Esboce o gráfico da função f (x)=x² em (- ∞, + ∞ ) e aplique


o teste da reta horizontal para determinar se a função é invertível.

Solução. O gráfico da função é a parábola que passa na origem (0,0), e que tem a
concavidade voltada para cima, como mostra a FIGURA 39:
FIGURA 39

136

FONTE: Elaboração Própria

Aplicando o teste da reta horizontal, FIGURA 39, pode-se ver claramente que a função
f (x)=x² em seu domínio não é invertível. Se (a,b) for um ponto no gráfico de y=f(x) invertível,

então, pode-se concluir que b=f(a). Isto é equivalente a afirmar que a  f  b  , e significa que
1

(b,a) é um ponto no gráfico de y  f  x  .


1

Para resumir, pode-se afirmar que invertendo as coordenadas de um ponto do gráfico


1
de f encontra-se um ponto do gráfico de f . Analogamente, invertendo as coordenadas de um
1
ponto do gráfico de f , encontra-se um ponto do gráfico de f.

Geometricamente, o efeito de inverter as coordenadas de um ponto (a,b) é refletir este


ponto sobre a reta y=x, como mostrado na FIGURA 40. Pode-se concluir que os gráficos das

funções y=f(x) e y  f  x  são reflexões um do outro em relação à reta y=x.


1
FIGURA 40

137

FONTE: Elaboração Própria

Ou seja, da FIGURA 40 pode-se ver claramente que os pontos (a,b) e (b,a) são
reflexões sobre y=x.

Teorema 3.1.4. Se f tiver uma inversa, então os gráficos de y=f(x) e y  f  x  são


1

reflexões um do outro em relação à reta y=x; isto é, cada um é a imagem especular do outro com
relação a y=x.
FIGURA 41

138

FONTE: Elaboração Própria

Então, do teorema 3.1.4 pode-se concluir que para obter o gráfico da função

y  f 1  x  , basta fazer uma rotação do gráfico de y=f(x) em torno da reta y=x.

Teorema 3.1.5. Se o domínio de f for um intervalo no qual a função seja estritamente


crescente ou estritamente decrescente, então, a função f tem uma inversa.

Em muitas situações, uma função que não admite inversa pode passar a admitir,
apenas restringindo o seu domínio. Por exemplo, a função f (x)=x² em (- ∞,+∞) não é invertível
(ver Exemplo Resolvido 3.1.6), porém as funções g(x)=x², x>0 e h(x)=x², x<0, as quais resultam
da restrição do domínio da função f, admitem inversas.

Os gráficos das funções g e h são apresentados na FIGURA 42. A função g é


estritamente crescente em [0,+∞) e a função h é estritamente decrescente em (- ∞,0], logo de
acordo com o teorema 3.1.5 passam a admitir inversas. As funções inversas são dadas,

respectivamente, por g
1
 x  x e h1  x    x , cujos gráficos são apresentados na
FIGURA 43.
FIGURA 42

139

FONTE: Elaboração Própria

FIGURA 43

FONTE: Elaboração Própria


1
Teorema 3.1.6. Se uma função f for contínua e tiver uma inversa, então f é
também contínua.

Teorema 3.1.7 (Diferenciabilidade da função inversa). Suponha que a função f seja


1
invertível e diferenciável em um intervalo I. Então, f é diferenciável em qualquer ponto de x 140

 
onde f ' f  x   0 e:
1

 f  ' x   f '
1 1
f 1
 x  (3.2)

Exemplo Resolvido 3.1.7. Seja a função f :   ,     1,1 definida por

f  x   senx . Sua inversa é a função f 1 :  1,1    ,   definida por

f 1  x   arcsenx , então, encontre a sua derivada.

Solução. De acordo com a equação 3.2 pode-se concluir que:

d 1
 arcsenx 
dx cos  arcsenx 

Como cos x  0 em   ,   , então, da trigonometria tem-se que:

cos  arcsenx   1  sen2  arcsenx   1   sen  arcsenx  


2

e como sen  arcsenx   x , pode-se concluir que:

cos  arcsenx   1  x 2
Então, tem-se:

d 1
 arcsenx 
dx 1  x2

141

3.2 DIFERENCIAÇÃO IMPLÍCITA

As técnicas de diferenciação vistas até o exato momento foram desenvolvidas para


funções que são expressas na forma y=f(x). Uma equação do tipo y=f(x) define explicitamente y
como uma função de x, devido ao fato da variável y aparecer sozinha de um lado da equação.

Por exemplo, as equações:

y  sen3 x e y  x  x3  arctgx

Definem cada uma explicitamente y como uma função de x.

Em muitos casos as funções estão definidas com equações nas quais a variável y não
está sozinha de um lado, neste caso, sempre que possível, deve-se resolver a equação como y
em função de x, isto é, isolar y em um lado da equação.

Por exemplo, a equação:

x y+y+1=x

Não está na forma y =f(x), porém ela ainda define y como uma função de x, basta
isolar y em um lado da equação, isto é,
x 1
y
x 1

Assim, se diz que a equação x y+y+1=x define y implicitamente como uma função de x,
sendo:
142

x 1
f  x 
x 1

Exemplo Resolvido 3.2.1. Mostre que a equação x²+y²=4 define mais do que uma
função de x.

Solução. Resolvendo a equação x²+y²=4 para y como função de x, obtém-se:

y   4  x2 .

Então, a equação x²+y²=4 define implicitamente pelo menos duas funções, isto é, para

y>0 tem-se f1  x   4  x 2 e para y<0 tem-se f 2  x    4  x 2 , como mostrado na

FIGURA 44.
FIGURA 44

143

FONTE: Elaboração Própria

Definição 3.2.1. Diz-se que uma dada equação nas variáveis x e y define a função f
implicitamente se o gráfico de y=f(x) coincidir com algum segmento do gráfico da equação.

Em geral, não é necessário e, muitas vezes, não é possível resolver uma equação de y
dy
em termos de x, neste caso usa-se a diferenciação implícita para encontrar .
dx

A diferenciação implícita consiste em derivar os dois lados da equação em relação à


variável x, sem a necessidade de resolver y como função de x, e, em seguida, deve-se expressar
dy
como função das variáveis x e y.
dx

dy
Exemplo Resolvido 3.2.2. Encontre para a equação x 2  y 2  4 , y  0 .
dx

Solução. Na diferenciação implícita derivam-se os dois lados da equação em relação a


x, logo:
d  2 d
 dx  4
2 
x  y 
dx 

d 2
dx
 
x 
d 2
dx
y 0  
dy
2x  2 y 0 144
dx

dy x

dx y

Como para y  0 , tem-se y  4  x , pode-se, então, concluir que:


2

dy x

dx 4  x2

dy
Neste caso, pode-se calcular sem haver a necessidade de usar a diferenciação
dx
implícita, isto é, resolvendo a equação x 2  y 2  4 , para y  0 , obtém-se:

y  4  x2

Então, usando a regra da cadeia tem-se:

x
dy d 

dx dx 
4  x2  

1 d
2 4  x 2 dx

4  x2 
1

2 4  x2
 2 x  
4  x2

dy x
Ou seja: 
dx 4  x2
dy
Exemplo Resolvido 3.2.3. Encontre para a equação x 2 seny  y3 x  tgx .
dx

Solução. Na diferenciação implícita derivam-se os dois lados da equação em relação a


x, ou seja:
145
d  2   d  y 3 x   d tgx 
x seny
dx   dx   dx

 d  2 2 d
 seny      y3  x  y3  x   tgx 
d d d
  x  seny  x
 dx dx   dx dx  dx

dy dy
2 xseny  x 2 cos y  3 y 2 x  y 3  sec2 x
dx dx

x 2
cos y  3 y 2 x  dy
dx
 sec 2
x  2 xseny  y 3

dy sec2 x  2 xseny  y 3

dx x 2 cos y  3 y 2 x

Exemplo Resolvido 3.2.4. Encontre a equação da reta tangente ao gráfico do Fólio de

3 3
Descartes de equação x³+y³=3xy no ponto  ,  .
2 2

Solução. Diferenciando implicitamente os lados da equação do Fólio de Descartes,


resulta:

d  3 d
 dx 3xy 
3
x  y 
dx 

d  3 d  3  d
 y  
d
 x    x   3   x  y  x
dx dx  dx dx 
dy dy
3x 2  3 y 2  3 y  3x
dx dx

y 2
x  dy
dx
yx 2

dy y  x 2
 146
dx y 2  x

A inclinação da reta tangente é dada pela derivada da função aplicada no ponto

3 3
 ,  , ou seja:
2 2
2
3 3

dy  3 3  2  2 
mtg   ,    1
dx  2 2   3 2 3
  
2 2

Então, a reta tangente é dada por:

3  3
y    1 x  
2  2

3 3
y   x 
2 2

x  y 3

d  
Exemplo Resolvido 3.2.5. Encontre  arcsenx , x  0,  .
dx  2

Solução. Outra forma de encontrar esta derivada é por meio da diferenciação implícita,
como segue:
y=arcsenx seny=x

Então, por diferenciação implícita tem-se:

d d
 seny    x
dx dx
147
dy dy 1 dy 1
cos y 1    
dx dx cos y dx 1  sen2 y

E como seny=x, pode-se concluir que:

d 1
 arcsenx 
dx 1  x2

Exemplo Resolvido 3.2.6. Um balão esférico está se expandindo. Se o raio está


aumentando a uma taxa de 5 centímetros por minuto, em que taxa o volume estará aumentando
quando o raio for de 12 centímetros?

Solução. O balão tem a forma de uma esfera de raio R, como mostrado na FIGURA 45.
O volume da esfera é dado por:

4
V   R3
3
FIGURA 45

148

FONTE: Elaboração Própria

Como o volume V e o raio R variam com o tempo, então, pode-se concluir que V = V (t)
4
e R=R(t), então diferenciando implicitamente a equação V   R3 em relação à variável
3
tempo t , tem-se:

V     R3 
d d 4 dV dR
  4 R 2
dt dt  3  dt dt

dR
Quando R 12 , tem-se  5 , então,
dt

dV
 4 12   5  2880
2
dt
Logo, o volume está aumentando a uma taxa de 2880π centímetros cúbicos por
minuto.

Exemplo Resolvido 3.2.7. Um tanque cônico com água com o vértice para baixo tem
um raio de 10m no topo e uma altura de 24m. Se a água fluir dentro do tanque a uma taxa de
149
20m³ / min, com que taxa a profundidade da água estará crescendo quando ela tiver 12m de
profundidade?

Solução. Seja o tangue como mostrado na FIGURA 46.

FIGURA 46

FONTE: Elaboração Própria

No instante t qualquer, tem-se uma altura h e o raio r, como mostrado na FIGURA 47:
FIGURA 47

150

FONTE: Elaboração Própria

Logo, pode-se escrever o raio r em função da altura h, da seguinte forma:

5
r h
12

Escreve-se o volume como função apenas da altura h:

1 25
V   r 2h  V  h3
3 432

Logo, diferenciando implicitamente, tem-se:

V     h3  
d d 25 25 d  3 
h 
dh dh  432  432 dh 
dV 25 dh
  h2
dt 144 dt

De onde se pode concluir que:

dh 144 dV
 151
dt 25 h 2 dt

dV
Como  20 e h 12 , então:
dt

dh 144 4
 20 
dt 25 12  2
5

4
Logo, pode-se concluir que a taxa de aumento da altura é de m min .
5

3.3 DERIVADAS DAS FUNÇÕES LOGARÍTMICAS E EXPONENCIAIS

Definição 3.3.1. Dado um número real b, tal que 0<b≠1, chama-se função exponencial
x
de base b a função f de variável real e imagem real, que associa a cada x o número b . Ou
seja:

f  x  bx (3.3)
Teorema 3.3.1. Se b>0 e b≠1, então:

(a) A função f  x   b está definida para todo valor real de x; logo o domínio natural
x

é o intervalo (-∞,+∞).

(b) A função f  x   b é contínua no intervalo (-∞,+∞) e a sua imagem é o intervalo


x 152

(0,+ ∞).

Teorema 3.3.2 (Propriedades dos Expoentes).

x y b x x y
(a) b b  b
x y
(b) y  b
b

  x y
 
y 1y
(c) b  bx y (d) bx  bx  bx y

x
a a
x
(e)  ab   a b
x
(f)    x
x x
b b

O gráfico da função exponencial é injetivo e pode ser estritamente crescente se b>1 e


estritamente decrescente se 0<b<1, como mostrado na FIGURA 48.
FIGURA 48

153

FONTE: Elaboração Própria

De acordo com a FIGURA 48, podem-se concluir os seguintes limites:

1) Para 0  b 1 : lim b x  0 e lim b x   


x x

2) Para b 1 : lim b x    e lim b x  0


x x

Definição 3.3.2. Sendo a e b números reais positivos, com b ≠ 1, chama-se logaritmo


de a na base b o expoente que se deve dar à base b de modo que a potência obtida seja igual a
b. Isto é, se a  R , b  R , 0  b 1 e a  0 , então:

logb a  x  b x  a (3.4)

Definição 3.3.3. Chama-se de função logarítmica na base b, 0<b≠1, a função que


associa a cada x>0, o número real logb x . Isto é:
f  x   logb x (3.5)

As funções f  x   b e f  x   logb x formam um par de inversas. Se o domínio


x 1
154
1
de f é o mesmo que a imagem de f obtém-se:

log
b
b   x, x  R
x

(3.6)
blogb x  x, x  0

Os primeiros logaritmos a serem estudados foram os de base 10 chamados de


logaritmos decimais. Para estes logaritmos é comum suprimir a base, isto é, são escritos na
forma logx e não log10 x . Recentemente, os logaritmos de base 2 desempenharam importante

papel em ciência computacional, pois surgem naturalmente em sistemas numéricos binários.

Os logaritmos mais utilizados nas aplicações são os logaritmos naturais, cuja base é o
número irracional e, número de Euler, em homenagem ao matemático suíço Leonard Euler.
Neste caso, escreve-se lnx e não log e x . Esta constante cujo valor aproximado em seis casas

decimais é:

e  2,718282 (3.7)

Surge como assíntota horizontal ao gráfico da equação:


x
 1
y  1   (3.8)
 x

Podem-se concluir os seguintes limites no infinito:


155

x
 1
lim 1    e (3.9)
x  x

x
 1
lim 1    e (3.10)
x  x

Logo, têm-se as funções logarítmica e exponencial na base e , respectivamente,

f  x   e x e f 1  x   ln x que formam um par de inversas, tal que:

 
ln e x  x, x  R
(3.11)
e ln x
 x, x  0

Dos limites dados pelas equações 3.9 e 3.10, pode-se demonstrar o seguinte limite:

lim 1  x 
1x
e (3.12)
x0

Que será usado posteriormente para deduzir a função derivada do logaritmo.


Os limites dados pelas equações 3.9, 3.10 e 3.12 podem ser provados por meio da

regra de L’Hopital, que será vista posteriormente. O gráfico da função f  x   ln x é obtido


1

rotacionando o gráfico da função f  x   e em torno da reta y  x (FIGURA 49). O mesmo


x

pode ser feito para obter o gráfico da função f


1
 x   logb x a partir da função f  x   b x .
156
Dos gráficos representados na FIGURA 49, podem-se concluir os seguintes limites:

1) lim e x    e lim e x  0
x x

2) lim ln x    e lim ln x   
x x0

3) lim logb x    e lim logb x   


x x0

FIGURA 49

FONTE: Elaboração Própria

Teorema 3.3.3. Comparação entre funções exponenciais e logarítmicas para b>1.


b 0 1 logb 1 0

b1  b logb b 1

 
Im b x   0,   D  logb x    0,  
157

 
D b x   ,   D  logb x    ,  

0  b x 1 se x  0 logb x 0 se 0  x 1

Teorema 3.3.4 (Propriedades algébricas dos Logaritmos).

x
(a) logb  xy   logb x  logb y (b) logb    logb x  logb y
 
y

1
(c) logb x y  y logb x (d) log y x  logb x
b y

1 log y x
(e) logb     logb x (f) logb x 
 x log y b

Teorema 3.3.5. Seja x>0 e 0<b≠1, então:

d 1
logb x  (3.13)
dx x ln b

Prova. Aplicando a definição, tem-se:


 xh
logb  
d logb  x  h   logb x  x   lim  1 log 1  h  
 b  h0
log x  lim  lim  b 
dx h h0 h h0  h  x 

158

h
Fazendo a substituição u  , tem-se que h=ux e se h-> 0, então u -> 0, logo:
x

1  h  1  1 1 
lim  logb 1     lim  logb 1  u   lim  log b 1  u 
h0  h  x   u0  ux  x u0  u 

1
lim logb 1  u  
1u

x u0  

Como a função logb x é contínua em seu domínio, então:

  1
1 1  1u 1 1 ln e 1
lim logb 1  u    log b  lim 1  u    log b e 
1u

x u 0   x u 0 x x ln b x ln b
 e


Assim, chega-se à conclusão desejada:

d 1
logb x 
dx x ln b

Exemplo Resolvido 3.3.1. Encontre:


d d
(a) log x (b) log 2 x
dx dx

Solução (a). Neste caso, a base do logaritmo é 10, então:


159
d 1
log x 
dx x ln10

Solução (b). Neste caso a base é 2, então:

d 1
log 2 x 
dx x ln 2

Teorema 3.3.6. Seja x>0, então:

d 1
ln x  (3.14)
dx x

Prova. Basta aplicar o teorema 3.3.5, isto é:

d d 1 1
ln x  loge x  
dx dx x ln e x
1

Exemplo Resolvido 3.3.2. Calcule, em cada caso, a função derivada.

(a) f  x   senx log3 x


ln x
(b) g  x  
ln x  1
Solução (a). Neste caso, usa-se a regra do produto para encontrar a função derivada,
isto é:

d d d
f ' x   senx log3 x   senx  log3 x    senx  log3 x 
dx dx dx

1
f '  x   cos x log3 x  senx 160
x ln 3

senx
f '  x   cos x log3 x 
x ln 3

Solução (b). Neste outro caso, usa-se a regra do quociente para se encontrar a função
derivada, isto é:

d d
d  ln x  dx  ln x   ln x  1   ln x  ln x  1
g ' x     dx
dx  ln x  1  ln x  1 2

1 1 1 1 1
 ln x  1   ln x  ln x   ln x
g ' x   x xx x x
 ln x  1 2
 ln x  12
1
g ' x  
x  ln x  1
2

Usando a notação da regra da cadeia as fórmulas em (3.13) e (3.14) ficam,


respectivamente:

d 1 du
logb u   (3.15)
dx u ln b dx

d 1 du
ln u   (3.16)
dx u dx
Exemplo Resolvido 3.3.3. Encontre:

(a)
d 
dx 

log x3  x 2   
 
d
(b) ln  senx  cot gx  
dx 
161

Solução (a). Pela regra da cadeia tem-se:

 2x
 
2
d   1 d  3 2  3 x
log x  x    3 2
3 2
x  x  
dx  
 x  x   ln10 dx 
 x3  x 2   ln10
 
Solução (b). Pela regra da cadeia tem-se:

d 1 d cos x  cossec2 x
ln  senx  cot gx    senx  cot gx 
dx  senx  cot gx dx senx  cot gx

  
d   sen 4 x x 2  1  
Exemplo Resolvido 3.3.4. Determine ln .
dx  
   3

x  1  2 x  1  
5


Solução. Se for usada diretamente a fórmula generalizada com a regra da cadeia, tem-
se:

    
d   sen 4 x x 2  1   1 d  sen 4 x x 2  1 
ln 
   
dx   3 x  1  2 x  15  
 sen 4 x x 2  1  
dx  3 x  1  2 x  15 
 
 3

x  1  2 x  1
5
 
d  sen 4 x x 2  1 
Ou seja, a derivada é muito trabalhosa, logo deve ser
 
dx  3 x  1  2 x  15 
 
evitada. Então, usam-se as propriedades dos logaritmos para simplificar a expressão e facilitar o
cálculo da derivada, isto é:

162

 
sen 4 x x 2  1 
ln   ln   
 senx 4 x 2  1 1 2   ln  x  1 1 3 2 x  1 5 
    

  3

x  1  2 x  1 
5

 

 
12
 ln  senx   ln x 2  1  ln  x  1  ln  2 x  1
4 13 5

1
2
 1

 4ln  senx   ln x 2  1  ln  x  1  5ln  2 x  1
3

Então,

  
d   sen 4 x x 2  1  
ln  4
d

 ln  senx  
 
1 d 
ln x 2  1   
 
3
 
dx   x  1  2 x  1   dx
5
 
2 dx  

1 d d
 ln  x  1   5  2 x  1
3 dx dx

1 1 1 1 1 d
4  cos x   2  2 x   1  5  2
senx 2 x 1 3 x 1 2x  1

x 1 10
 4cot gx   
x  1 3  x  1 2 x  1
2
Logo, pode-se concluir que:

  
d   sen 4 x x 2  1   x 1 10
ln  4cot gx   
dx  
   3

x  1  2 x  1  
5

x 2  1 3  x  1 2 x  1

163
Exemplo Resolvido 3.3.5. Determine a função derivada da função

 
g  x   log 3
 2x2  7 x .

x
x2  x4

Solução. Como neste caso tanto o logaritmando como a base são funções, então, não
existe nenhuma regra para se calcular a derivada da função g diretamente. Logo, deve-se usar a
regra da mudança de base para expressar a função como uma razão entre dois logaritmos de
base constante e depois usar a regra do quociente para calcular a derivada.

g  x 

ln x3  2 x 2  7 x 

ln x 2  x 4 
d 
   
ln x3  2 x 2  7 x  ln x 2  x 4  ln x3  2 x 2  7 x

d 
 

ln x 2  x 4 
   
g '  x   dx dx
 
2
ln x 2  x 4 
 

3x 2  4 x  7 2 x  3x3
ln x 2
 x 4
 ln x3
 2 x 2
 
 7 x 
g ' x   x  2x  7 x x2  x4
3 2

 
2
ln x 2  x 4 
 

 3x 2
 
 4 x  7 ln x 2  x 4   ln  x 3

 2 x 2  7 x 2  3x 2 
g ' x   x  2x  7x
3 2
xx 3

 
2
ln x  x 
2 4
 
3 2 

Exemplo Resolvido 3.3.6. Calcule


d  8 x 2
 tg 2 x   
 .
dx  5

senx  x 3 3 
  

Solução. Pela regra do quociente tem-se: 164

d 3 2  3   d 5 3 3
    8x   
2
 8 x 2  tg 2 x   5 senx  x3    3 2
 tg 2 x   senx  x 
dx      dx  
2
5 3
 senx  x

3
  

Que é uma expressão muito complicada, então é possível recorrer à diferenciação


logarítmica. Neste caso, para a simplificação usa-se a diferenciação logarítmica, que consiste em
se aplicar o logaritmo em ambos os lados de uma equação y=f(x) formando uma expressão do
tipo lny=ln f(x). Em seguida, aplicam-se as propriedades dos logaritmos para simplificar a
expressão ln f(x) e facilitar os cálculos das derivadas.

Ou seja,

3 2 
8x  tg 2 x   
2
 8 x  tg 2 x 
3 2 2

y  ln y  ln  
 senx  x  3 3
 
3
5  5 senx  x3 
 

    2
 3
  
23 35
ln y  ln 8 x 2  tg 2 x  ln senx  x3  ln 8 x 2  tg 2 x  ln senx  x3
3 5

d
dx
ln y  
2 d 
3 dx  
ln 8 x 2  tg 2 x  

3 d 
5 dx  
ln senx  x3 
  
1 dy 2

1
y dx 3 8 x  tg 2 x
2
16 x  2sec2 2 x 3 1
5 senx  x 3
cos x  3x 2   
   
dy  2 16 x  2sec 2 x 3 cos x  3x

2

2
  y

dx  3 8 x 2  tg 2 x
  
5 senx  x3  
 
      8x  tg 2x 
2

dy  2 16 x  2sec 2 x 3 cos x  3 x
2 2 3 2

 
 
dx  3 8 x 2  tg 2 x  
5 senx  x3     senx  x 
5 3 3

 165
 

x3 9 tgx  cot gx dy
Exemplo Resolvido 3.3.7. Seja y  , então calcule .
 3x 
34
5
 4 x3  x dx

Solução. Aplicando o logaritmo natural em ambos os lados da expressão, tem-se:

 39 
 x tgx  cot gx 
ln y  ln
 5 34

 3 x  4 x 3
 x 

 
34
ln y  ln x3  ln  tgx  cot g 
19
 ln 3x5  4 x3  x

1
9
3

ln y  3ln x  ln  tgx  cot g   ln 3x5  4 x3  x
4

d
dx
ln y   3ln x  ln  tgx  cot g   ln 3x5  4 x3  x 
d
dx 
1
9
3
4 
 
1 dy
y dx
1 1
3 
1
x 9 tgx  cot gx

sec2 x  cossec2 x 
3 1
4 3x  4 x  x
5 3 
15 x 4  12 x 2  1  

  
4 2

1 dy 3 sec 2 x  cossec 2 x 3 15 x  12 x  1 
y dx x 9  tgx  cot gx  4 3 x5  4 x3  x  

  
4

dy  3 sec2 x  cossec 2 x 3 15 x  12 x  1
2
  y
dx  x

9  tgx  cot gx  4 3x5  4 x3  x  

  
4

dy  3 sec2 x  cossec2 x 3 15 x  12 x  1
2
   x39 
tgx  cot gx 
dx  x

9  tgx  cot gx  
4 3 x5  4 x3  x    3x 5

 4 x3  x
34
 166

Exemplo Resolvido 3.3.8. Encontre:

d  x
x
dx  

Solução. Aplicando em ambos os lados o logaritmo natural tem-se:

y  xx  ln y  ln x x  x ln x

d d
ln y    x ln x
dx dx

1 dy d d
  x  ln x  x ln x   ln x  1
y dx dx dx

dy
  ln x  1 y
dx

dy
  ln x  1 x x
dx

Tem-se que:

d  x
 x    ln x  1 x x
dx
Teorema 3.3.7. Seja 0<b≠1, então:

d  x x
b  b ln b (3.17)
dx  

167
Prova. Para provar este resultado usa-se a diferenciação implícita, isto é:

y  bx  logb y  x

Então:

d d 1 dy dy
logb y    x  1   y ln b  b x ln b
dx dx y ln b dx dx

Exemplo Resolvido 3.3.9. Encontre:

d  x d  x
(a) 2 (b) 6
dx   dx  

Solução (a). Como a base é 2, tem-se:

d  x x
2  2 ln 2
dx  

Solução (b). Como a base é 6, tem-se:

d  x x
6  6 ln 6
dx  
Teorema 3.3.8. Se b  e , então:

d  x x
e e (3.18)
dx  

168
Prova. Usando o resultado do teorema 3.3.7, tem-se:

d  x x
 e   e ln e  e x
dx 1

Exemplo Resolvido 3.3.10. Encontre a derivada primeira da função dada.

(a) p  x   e senx (b) q  x   x 10


x 3 x

Solução (a).

p ' x 
d  x
dx 
d
 
e senx   e x   senx   e x
dx
d
dx
 senx  e x senx  e x cos x

Solução (b).

q ' x 
d  3 x  d  3 x
dx  dx
   
x 10    x  10  x3
d  x
dx 10   3x 210 x  x310 x ln10

Usando a notação da regra da cadeia as fórmulas em (3.17) e (3.18) ficam,


respectivamente:

d  u u du
b  b ln b (3.19)
dx   dx
d  u  u du
e e (3.20)
dx   dx

Exemplo Resolvido 3.3.11. Encontre:


169
d   tgxcot gx   d  x
(a) e (b) 2
dx   dx  

Solução (a).

d  tgxcot gx   tgxcot gx  d
dx 
e

e
dx

tgx  cot gx  sec2 x  cossec2 x etgxcot gx  

Solução (b).

d  x d   1 ln 2
2 2 x
ln 2 x 2 x
ln 2  2 x
dx   dx   x x

Exemplo Resolvido 3.3.12. Resolva


d 
dx  
ln 2senx  3cos x  .
 

Solução. Usando a regra da cadeia:

d 
dx 
 
  2 3 
1 d
ln 2senx  3cos x    senx cos x  2senx  3cos x 
 dx

 1  d d 
  senx cos x  2senx  senx   3cos x  cos x  
 2 3  dx dx 


 2 3
1 

  senx cos x  2senx  cos x   3cos x   senx 


Pode-se concluir que:

 senx 3cos x
 
senx
d  cos x  cos x 2
ln 2  3
senx

dx   2senx  3cos x 170

3.4 DERIVADA DAS FUNÇÕES INVERSAS TRIGONOMÉTRICAS E A REGRA DE L´HOPITAL

Definição 3.4.1. A função inversa do seno, denotada por arcsenx, está definida como a
inversa da função seno restrita:

senx, -π/ 2<x<π / 2

Em seguida, na FIGURA 50, tem-se o gráfico da função y=senx com a restrição -π/

2<x<π / 2, e o gráfico da sua inversa y 1  arcsenx .

FIGURA 50
FONTE: Elaboração Própria

Da FIGURA 50 pode-se concluir que:

(1) D(senx)=[- π/2, π/2] e Im(senx)=[-1,1]

(2) D(arcsenx)= [-1,1] e Im (arcsenx)=[- π/2, π/2]

171
Devido ao fato das funções y=senx e y=arcsenx serem inversas tem-se:

Para todo x 1,1 , sen  arcsenx   x

Para todo x   2,  2 , arcsen  senx   x

Teorema 3.4.1. Seja 1 x 1 , então:

d 1
 arcsenx  (3.21)
dx 1  x2

Prova.

y  arcsenx  seny  x

d d dy dy 1 1 1
 seny    x  cos y 1    
dx dx dx dx cos y 1  sen2 y 1  x2

Exemplo Resolvido 3.4.1. Determine:

d d  2
(a) ln  arcsenx  (b) x arcsenx 
dx  dx 
Solução (a). Pela regra da cadeia tem-se:

d 1 d 1 1 1
ln  arcsenx    arcsenx  
dx arcsenx dx arctgx 1  x 2 arctgx 1  x 2

172

Solução (b). Usando a regra do produto, então:

d  2 d  2 2 d x2

x arcsenx    x  arcsenx  x  arsenx  2 xarcsenx 
dx  dx dx 1  x2

Definição 3.4.2. A função inversa da tangente, denotada por arctgx, está definida
como a inversa da função tangente restrita:

tgx, -π/2<x<π/2

Em seguida, na FIGURA 51, tem-se o gráfico da função y= tgx com a restrição -

π/2<x<π/2, e o gráfico da sua inversa y 1  arctgx .

FIGURA 51
FONTE: Elaboração Própria

Da FIGURA 51 pode-se concluir que:

(1) D(tgx)=(- π /2, π /2) e Im(tgx)=(- ∞,+∞)

(2) D(arctgx)=(- ∞,+∞) e Im(arctgx)=(- π /2, π /2)

173
Devido ao fato das funções y= tgx e y= arctgx serem inversas tem-se:

Para todo x  ,   , tg  arctgx   x

E para todo x   2,  2  , arctg  tgx   x

Teorema 3.4.2. Seja - ∞<x<+∞, então:

d 1
 arctgx  (3.22)
dx 1  x2

Prova.

y=arctgx  tgy=x

d d dy dy 1 1 1
tgy    x  sec2 y 1   2  
dx dx dx dx sec y 1  tg y 1  x 2
2

Exemplo Resolvido 3.4.2. Determine:

d  arctgx 
(a) e
dx  

d  x
(b) e arctgx 
dx 

Solução (a). Neste caso, tem-se, pela regra da cadeia:


d  arctgx  arctgx d arctgx  1  earctgx
e  e  arctgx  e  2   2
dx  dx 1 x  1 x

Solução (b). Pela regra do produto, tem-se:

d  x
dx 
d
 
e arctgx   e x   arctgx   e x
dx
d
dx
 arctgx
174

   
 1 
 e x  arctgx   e x  
 1  x2 

 1 
 e x   ar ctgx 
1  x 2

Definição 3.4.3. A função inversa da secante, denotada por arc sec x, está definida
como a inversa da função secante restrita:

sec x, 0  x   com x   2

Em seguida, na FIGURA 52, tem-se o gráfico da função y=sec x com a restrição


0  x   com x   2 , e o gráfico da sua inversa y 1  arc sec x .

FIGURA 52
175

FONTE: Elaboração Própria

Teorema 3.4.3. Seja x>1 ou x<- 1, então:

d 1
 arc sec x  (3.23)
dx x x2  1

Prova.

y=arsec x  sec y=x

d d dy
sec y    x  sec y tgy 1
dx dx dx

dy 1 1 1
  
dx sec y tgy sec y sec2 y  1 x x2  1

Exemplo Resolvido 3.4.3. Encontre:

d 
(a) arc sec x 
dx 
d
(b) tg  arx sec x  
dx 

Solução (a). Neste caso, tem-se:

d  1 d 1
arc sec x   arc sec x  176
dx   arc sec x dx x x  1 arc sec x
2

Solução (b). Neste caso, tem-se:

d d 1
tg  arc sec x   sec2  arc sec x   arc sec x   sec2  arc sec x 
dx dx x x2  1

Como

2
 
sec  arc sec x   sec  arc sec x    x 2
2
 
 x 

Então:

d 1 x
tg  arc sec x   x 2 
dx x x2  1 x2  1

Fórmulas de derivação

d 1 du d 1 du
(1)  arcsenu   (2) arccos u  
dx 1  u 2 dx dx 1  u 2 dx

d 1 du d 1 du
(3)  arctgu   2 (4)  arcotgu   2
dx 1  u dx dx 1  u dx
d 1 du d 1 du
(5)  arc sec u   (6)  ar cossec u  
dx u u 2  1 dx dx u u 2  1 dx

Exemplo Resolvido 3.4.4. Calcule:

 
d  d  177
(a) arc sec 2 x  (b)  arcsen3 x 
dx   dx

Solução (a).

d 
  
arc sec 2 x  

1 d  x
2 
1
dx   2 x 22 x  1
2 x
ln 2 
ln 2
 
dx
  22 x  1
2
2 x
2x 1

Solução (b).

d  d  2 d 3arcsen 2 x
3 
arcsen x    arcsenx    3arcsen x arcsenx  
3
dx  dx  dx 1  x2

Teorema 3.4.4 (Regra de L’Hopital para a forma 0 0 ). Suponha que lim

representa um dos limites lim , lim , lim , lim ou lim , e que lim f (x) = 0 e lim g (x) =
x p x p  x p  x x

 f ' x  
0. Se lim   tem um valor finito L , ou se este limite for  ou  , então: ∞
 g '  x  

f  x f ' x 
lim  lim (3.24)
g  x g ' x

Exemplo Resolvido 3.4.5. Determine os limites:


cos x  1 2x
(a) lim (b) lim
x0 senx x0 1  e x

Solução (a).

d
cos x  1 cos x  1  senx
178
lim  lim dx  lim  lim  tgx   0
d
x0 senx x0
 senx x0 cos x x0
dx

Solução (b).

d
2 x
lim
2x
x0 1  e
 lim dx 2

 lim x  lim 2e x   2e0   2 
1  e x  x0 e x0
x x0 d
dx  

tgx  1
Exemplo Resolvido 3.4.6. Encontre lim .
x
 sen  4 x 
4

Solução. Como o limite é uma forma indeterminada 0/0, então, aplica-se L´Hopital.

d lim sec 2 x 
tgx  1 tgx  1 sec2 x x

lim  lim dx  lim  4
 sen  4 x   d  4cos  4 x  lim  4cos  4 x  
x
4
x
4  sen  4 x   x 4   
dx x
4

 
sec2   1
  4   2  1
4cos   4 8

5
x  2 x 1
Exemplo Resolvido 3.4.7. Calcule o limite lim .
x1 x4  1
Solução. Pode-se resolver este limite por fatoração do quociente, mas como esta
fatoração é muito complicada, usa-se a regra de L´Hopital.

1 1 1
d 5
   
5
x  2 x 1 dx  x 2 x 1 5 5 4
x x 5 1 1
lim  lim  lim   179
x1 x 1
4 x1 d  4 
x  1
x1 4x 3
4 5
dx  

Teorema 3.4.5 (Regra de L’Hopital para a forma ∞/∞). Suponha que lim
representa um dos limites lim , lim , lim , lim ou lim , e que lim f (x) = ∞ e lim g (x)
x p x p  x p  x x

 f ' x  
= ∞. Se lim   tem um valor finito L , ou se este limite for + ∞ ou - ∞, então:
 g ' x 

f  x f ' x 
lim  lim (3.25)
g  x g ' x

Exemplo Resolvido 3.4.8. Calcule os limites.

ex 1 x2  x
(a) lim (b) lim
x x x e x

Solução (a).

d  x 
ex 1 e  1
lim  lim dx
d
 lim e x     
x x x
 x x
dx
f ' x 
Se o limite lim também for uma forma indeterminada 0/0 ou ∞/∞, então,
g ' x 
pode-se aplicar novamente a regra de L’Hopital,

f ' x  f ''  x 
lim  lim
g ' x g ''  x 
180

E se for necessário,

f ' x  f ''  x  f '''  x  f    x


n
lim  lim  lim  ...  lim  n   ...
g ' x g ''  x  g '''  x  g  x

Solução (b).

d  2 d
x2  x  x  x 
2 x  1  2 x  1 2
lim  lim dx  lim  lim dx  lim 0
x e x x d  x x e x x d x e x
e e x
dx   dx  

Para resolver limites do tipo:

g x
lim f  x  (3.26)
x p

Primeiramente, considere a expressão:

g x
y  f  x (3.27)
Aplicando o logaritmo natural em ambos os lados, obtém-se:

g x
ln y  ln  f  x    ln y  g  x  ln  f  x 
 

g  x  ln  f  x  g  x  ln  f  x 
eln y  e  y e

181

Então:

g x g  x  ln  f  x 
lim f  x   lim e
x p x p

E como a função exponencial é contínua, logo:

g x g  x  ln  f  x  

lim g  x  ln  f  x   
lim f  x   lim e e x p (3.28)
x p x p

Exemplo Resolvido 3.4.9. Prove.

(a) lim x x 1
x0 
  (b) lim 1  x 
x0
1x
e

Solução (a). Como x x  e x ln x , então:

x0 
 x0 
 
 x0 
 
lim x x  lim e x ln x  exp  lim  x ln x  

ln x
lim  x ln x   lim Forma Indeterminada  
x0 x0 1
x

d 1
ln x ln x
lim  lim dx  lim x  lim   x   0
 1  d 1
x0 x0 x0 1 
 2 x0
x dx  x  x
Então:

 
lim x x  e0 1
x0

Solução (b). Como 1  x   e    , então:


1x 1 x ln 1 x
182

 ln 1  x  
lim 1  x   lim e     exp  lim
1x 1 x ln 1 x
x0 x0

 x0 x 

ln 1  x 
lim Forma Indeterminada 0 0
x0 x

d 1
ln 1  x  ln 1  x  
 lim 1  x  lim
1
lim  lim dx 1
  d 
x0 1  x

x0 x x0
 x x0 1
dx

Logo:

lim 1  x 
1x
 e1  e
x0
4 APLICAÇÕES DA DERIVADA

4.1 CRESCIMENTO, DECRESCIMENTO E CONCAVIDADE

183

Neste módulo, usam-se métodos do cálculo diferencial para analisar as funções e seus
gráficos, identificando intervalos em que o gráfico da função seja crescente ou decrescente,
onde ocorrem seus pontos mais altos e mais baixos, de que forma os gráficos se inclinam e qual
o comportamento limite em pontos específicos.

Inicialmente, deve-se entender que os termos crescente, decrescente e constante são


usados para descrever o comportamento do gráfico de uma função em um intervalo, à medida
que este é percorrido da esquerda para a direita. Por exemplo, a função descrita na FIGURA 53
pode ser descrita como crescente nos intervalos  x0 , x1  e  x2 , x3  , decrescente no intervalo

 x1, x2  e constante no intervalo  x3 , x4  .

FIGURA 53

FONTE: Elaboração Própria


Definição 4.1.1. Seja f uma função definida em um intervalo e sejam x1 e x2 pontos

deste intervalo, então:

(a) f é crescente no intervalo se f  x1   f  x2  para x1  x2 ;

(b) f é decrescente no intervalo se f  x1   f  x2  para x1  x2 ;


184
(c) f é constante no intervalo se f  x1   f  x2  para todo x1 e x2 .

FIGURA 54

FONTE: Elaboração Própria

De acordo com a FIGURA 55, se uma função diferenciável f tem o gráfico crescente
em algum intervalo aberto, então se pode chegar à conclusão de que qualquer reta tangente ao
gráfico de f tem uma inclinação positiva, isto é, f’>0. De modo análogo, se f diferenciável tem
um gráfico decrescente em algum intervalo aberto, então, f’<0 e se f diferenciável for constante
em algum intervalo aberto, então, f’=0.
FIGURA 55

185

FONTE: Elaboração Própria

Teorema 4.1.1. Seja f uma função contínua em um intervalo fechado [a,b] e


diferenciável no intervalo aberto (a,b).

(a) Se f´(x) > 0 para todo x a, b  , então f é crescente em [a,b];

(b) Se f´(x) < 0 para todo x a, b  , então f é decrescente em [a,b];

(c) Se f´(x) = 0 para todo x a, b  , então f é constante em [a,b].

Exemplo Resolvido 4.1.1. Encontre os intervalos abertos nos quais as funções sejam
crescentes ou decrescentes.

(a) f(x)=x² -8x+1 (b) f(x)=2x³ +3x²

Solução (a). Para saber os intervalos de crescimento e decrescimento, deve-se


analisar o sinal da derivada primeira. A derivada primeira da função é dada por:

f’(x)=2x-8
A distribuição de sinal da função f’ é dada por:

Logo, pode-se concluir que: 186


f é decrescente em (- ∞,4)

f é crescente em (4,+ ∞)

Solução (b). Para saber os intervalos de crescimento e decrescimento, deve-se


analisar o sinal da derivada primeira. A derivada primeira é dada por:

f(x)=6x²+6x

A distribuição de sinal da função f’ é dada por:

Logo se pode concluir que:

f é decrescente em (-1,0)

f é crescente em  , 1   0,  

Exemplo Resolvido 4.1.2. Seja g  x   xe , então, encontre intervalos abertos nos


x

quais a função seja crescente ou decrescente.

Solução. Para encontrar intervalos abertos deve-se estudar o sinal da derivada


primeira.

g '  x    x  1 e x
Como e x  0 para todo x  R , então a distribuição de sinal da derivada é igual ao

da expressão x  1, que é dada por:

187
Logo, g é decrescente em (-∞,-1) e g é crescente em (-1,+∞).

Exemplo Resolvido 4.1.3. Seja a função h  x   3 x5  3 x 2 , então estude o sinal

de sua derivada primeira e encontre intervalos de crescimento e decrescimento.

Solução. Para facilitar o cálculo de sua derivada, pode-se escrever a função da


seguinte forma:

h  x   x5 3  x 2 3

A função derivada é dada por:

5 2 5 2
h '  x   x 2 3  x 1 3  3 x 2  3
3 3 3 3 x

Para estudar o sinal da função h’, pode-se escrever esta função como um quociente,
da seguinte forma:

5x  2
h ' x 
33 x

De onde se pode concluir que a distribuição de sinal é dada por:


Tem-se, pois:
188
 2
h é crescente em  ,     0,  
 5

 2 
h é decrescente em   ,0 
 5 

Definição 4.1.2. Se f for diferenciável em um intervalo aberto I, então o gráfico de f é


classificado como sendo convexo se f’ for crescente em I, e côncavo se f’ for decrescente em I.

FIGURA 56

FONTE: Elaboração Própria


Como o crescimento e o decrescimento de uma função são determinados pelo sinal da
função derivada, pode-se concluir que f’ é crescente se f”>0, e, analogamente, f’ é decrescente
se f”<0, o que é confirmado pelo teorema 4.1.2.

Teorema 4.1.2. Seja f duas vezes diferenciável em um intervalo aberto I, então:


189
(a) Se f”(x)>0 em I, então f tem o gráfico convexo em I.

(b) Se f”(x)<0 em I, então f tem o gráfico côncavo em I.

Definição 4.1.3. Uma função f é dita convexa ou côncava em um intervalo I, quando o


gráfico de f é convexo ou côncavo em I, respectivamente.

Exemplo Resolvido 4.1.4. Encontre intervalos abertos nos quais a função tenha o
gráfico convexo e côncavo.

(a) q(x)=x³ -3x² (b) p(x)=ln(1+x²)

Solução (a). Para encontrar os intervalos nos quais o gráfico da função seja convexo e
côncavo, deve-se estudar o sinal da derivada segunda.

As derivadas, primeira e segunda, são dadas, respectivamente, por:

q'(x)=3x² -6x

q”(x)=6x -6

A distribuição de sinais da segunda derivada é dada por:


Então, q é côncava em (-∞,1) e q é convexa em (1, +∞).

Solução (b). Para encontrar os intervalos nos quais o gráfico da função seja convexo e
côncavo, deve-se estudar o sinal da derivada segunda.

As derivadas, primeira e segunda, são dadas, respectivamente, por: 190


2x
p ' x 
1  x2

p ''  x  

2 1  x2 
1  x 
2 2

 
2
Como a expressão 1  x 2  0 , a distribuição de sinais da segunda derivada é dada

pela distribuição de sinais da expressão 2(1-x²), que é dado por:

Então, p é côncava em  , 1  1,   e p é convexa em  1,1 .

Definição 4.1.4. Se f for contínua em um intervalo aberto contendo x0 e se o gráfico

de f muda de convexo para côncavo, e vise-versa, em x0 , diz-se, então, que f tem um

ponto de inflexão em x0 e chama-se o par  x0 , f  x0   do gráfico de f um ponto de inflexão

de f .
FIGURA 57

191

FONTE: Elaboração Própria

1
Exemplo Resolvido 4.1.5. Considere a função F  x   , então, verifique se a
4  x2
função apresenta pontos de inflexão.

Solução. Tem-se que a função é definida para todo x R . As derivadas primeira e


segunda são dadas, respectivamente por:

2 x
F ' x  
4  x  2 2

6 x2  8
F ''  x  
 
3
4  x2
Os pontos de inflexão são encontrados por meio do estudo do sinal da função F”.

   0 , então o sinal de F” é igual ao sinal da expressão 6x2  8 ,


3
Como a expressão 4  x 2

que é dado por:

192

2 3 2 3
Como ocorre a mudança de sinal de F “em x   e em x  , tem-se que a
3 3
função F apresenta os seguintes pontos de inflexão:

 2 3 3  2 3 3 
 , e , 
 3 16   3 16 

Exemplo Resolvido 4.1.6. Seja a função h  x   e x , então, determine intervalos


2

abertos nos quais:

(a) h é crescente e decrescente;

(b) h é côncava para cima e côncava para baixo.

Solução (a). A função derivada primeira é dada por:

h '  x    2 xe x
2

2
Devido ao fato de e x  0 e, então o sinal da função h´ é igual ao sinal da expressão
– 2x, que é dado por:
Tem-se que a função h é crescente no intervalo (-∞,0) e é decrescente no intervalo (0,
+∞).

Solução (b). A função derivada segunda é dada por:

 
h ''  x   4 x 2  2 e x
2
193

2
Devido ao fato de e x  0 e, então o sinal da função h” é igual ao sinal da expressão

4x²-2, que é dado por:

 1 1 
Daí a função h é côncava no intervalo   ,  e convexa no intervalo
 2 2
 1   1 
 ,   ,   .
 2  2 

4.2 EXTREMOS RELATIVOS

Definição 4.2.1. Uma função f se diz ter um máximo relativo em x0 se houver um

intervalo aberto contendo x0 , no qual f  x0  é o maior valor, isto é, f  x0   f  x  para

todo x no intervalo. Analogamente, se diz que f tem um mínimo relativo em x0 se houver um

intervalo aberto contendo x0 , no qual f  x0  é o menor valor, isto é, f  x0   f  x  para


todo x no intervalo. Quando f tiver um máximo ou um mínimo relativo em x0 , se diz que f

tem um extremo relativo em x0 .

FIGURA 58
194

FONTE: Elaboração Própria

Os gráficos (a) e (b) da FIGURA 58 apresentam um máximo relativo em x0 , porém,

em (a), como é um ponto de pico, tem-se que f '  x0  e em (b) tem-se que f '  x0   0 . De

modo análogo, os gráficos (c) e (d) da FIGURA 58 apresentam um mínimo relativo em x0 ,


porém, em (c), como é um ponto de pico, tem-se que f '  x0  e em (d) tem-se que

f '  x0   0 .

Teorema 4.2.1. Se uma função f tiver extremos relativos, então eles ocorrem ou em
pontos onde f’(x)=0 ou em pontos de não diferenciabilidade.

Os pontos onde a derivada primeira é nula, ou seja, f’(x)=0, e os pontos onde não 195
existe a derivada primeira, são chamados de pontos críticos de f. Os pontos no quais f’(x)=0
podem, ainda, ser chamados de pontos críticos estacionários.

Corolário 4.2.1.1. Os extremos relativos de uma função, se houver, ocorrem em


pontos críticos. O teorema 4.2.1 diz que se uma função tiver extremos relativos eles precisam
ocorrer em pontos críticos e não o inverso disso, ou seja, que se ela tiver pontos críticos, estes
são extremos relativos. Então, todo extremo relativo é ponto crítico e não o contrário.

Teorema 4.2.2 (Teste da Derivada Primeira). Suponha f contínua em um ponto crítico


x0 .

(a) Se f’ (x)>0 em um intervalo aberto ampliando-se à esquerda de x0 e f’ (x)<0 em um

intervalo aberto ampliando-se à direita de x0 , então f tem um máximo relativo em x0 ;

(b) Se f’ (x)<0 em um intervalo aberto ampliando-se à esquerda de x0 e f’ (x)>0 em

um intervalo aberto ampliando-se à direita de x0 , então f tem um mínimo relativo em x0 ;

(c) Se f’ (x) tiver o mesmo sinal em um intervalo aberto ampliando-se à esquerda de


x0 e, em um intervalo aberto ampliando-se a direita de x0 , então f não tem extremos relativos

em x0 .

Exemplo Resolvido 4.2.1. Encontre os extremos relativos.

(a) p(x)=x²-2x-3 (b) q(x)=x³-3x² -9x+11


Solução (a). A derivada primeira é dada por:

p'(x)=2x-2

Como a função é polinomial, então, não há pontos de não diferenciabilidade. Logo os


pontos críticos são encontrados resolvendo-se a equação p’(x)=0. Isto é, resolvendo: 196
2x-2=0

Tem-se x=1. Então a função p apresenta um ponto crítico estacionário em x=1.

A distribuição de sinais da função derivada é dada por:

Aplicando o teste da derivada primeira, tem-se que, como o sinal da derivada primeira
muda de negativo para positivo em x=1, a função p apresenta um mínimo relativo em x=1. Ou
seja, a função apresenta um valor mínimo dado por p(1)=4.

Solução (b). A derivada primeira é dada por:

q'(x)=3x²-6x-9

Como a função é polinomial, então não há pontos de não diferenciabilidade. Logo, os


pontos críticos são encontrados resolvendo-se a equação q'(x)=0. Isto é, resolvendo:

3x²-6x-9=0

Tem-se x1   1 e x2  3 . Então, a função q apresenta pontos críticos estacionários

em x1   1 e x2  3 .

A distribuição de sinais da função derivada é dada por:


O sinal da derivada primeira muda de positivo para negativo em x1   1 , logo a

função q apresenta um máximo relativo em x1   1 , dado por q(-1)=16. Analogamente, como o 197

sinal da derivada primeira muda de negativo para positivo em x2  3 , então, q tem-se um

mínimo relativo em x2  3 , dado por q(3)= -16.

Exemplo Resolvido 4.2.2. Encontre os pontos críticos da função

f  x   x 4  4 x3  1 e classifique-os em máximo relativo, mínimo relativo ou nenhum dos


dois.

Solução. Como a função é polinomial, então os pontos críticos são dados pelos zeros
da derivada primeira. Isto é, deve-se resolver a equação f’(x)=0.

Tem-se que a derivada primeira é dada por:

f’(x)=4x³+12x²

Resolvendo a equação f’(x)=0, então:

4x³+12x² =0

A qual pode ser simplificada para a forma:

4x²(x=3)=0
As raízes desta equação são x1  0 , com multiplicidade dois, e x2   3 . Como

4x²>0, então, a distribuição de sinais da derivada primeira é igual ao da expressão x+3 que é
dado por:

198
Como o sinal de f’ muda de negativo para positivo em x=- 3, tem-se que f apresenta
um mínimo relativo em x=- 3 que é dado por f (-3)=-28. Em x=0 não ocorre uma mudança de
sinal, logo, pode-se concluir que a função f não apresenta extremo relativo neste ponto.

Exemplo Resolvido 4.2.3. Seja a função g  x  12 3 x  3 3 x 4 , então, determine

os pontos críticos e classifique-os em máximo relativo, mínimo relativo ou nenhum dos dois.

Solução. Inicialmente, encontram-se os pontos críticos. A função pode ser escrita da


forma:

g  x  12 x1 3  3x 4 3

Cuja derivada é dada por:

4 1  x 
g '  x   4 x 2 3  4 x1 3 
x2 3

A função g apresenta dois pontos críticos; em x=1, um ponto crítico estacionário, pois
g’(1)=0, e em x=0, um ponto crítico de não diferenciabilidade, pois g '  0  .

A distribuição de sinal da função g’ é dada por:


Como o sinal de g’ muda de positivo para negativo em x=1, então g apresenta máximo
relativo neste ponto, dado por g(1)=9. Em x=0 como o sinal de g’ não muda, então, não há
extremos relativos neste ponto.

199
FIGURA 59

FONTE: Elaboração Própria

Se a função apresenta um mínimo relativo em um ponto crítico estacionário x0 , então


o gráfico da função é convexo, como mostrado na FIGURA 59 (a), então, pode-se concluir que
em um intervalo aberto contendo x0 , tem-se f”(x)<0 e consequente f ''  x0   0 .

Analogamente, se a função apresenta um máximo relativo em um ponto crítico


estacionário x0 , então o gráfico da função é côncavo, como mostrado na FIGURA 59 (b), então,

pode-se concluir que em um intervalo aberto contendo x0 , tem-se f”(x)>0 e consequente

f ''  x0   0 .
Da análise da FIGURA 59 pode-se concluir que para determinar se um ponto crítico
estacionário é um extremo relativo basta analisar o sinal da derivada segunda neste ponto, como
mostra o teorema 4.2.2.

Teorema 4.2.2 (Teste da Derivada Segunda). Suponha que f seja duas vezes
200
diferenciável em um ponto crítico estacionário x0 .

(a) Se f ''  x0   0 , então f tem em x0 um mínimo relativo;

(b) Se f ''  x0   0 , então f tem em x0 um máximo relativo;

(c) Se f ''  x0   0 , então o teste é inconclusivo.

O que o teorema 4.2.2 parte (c) afirma é que se f ''  x0   0 , então, o ponto x0 pode

ser um máximo relativo, mínimo relativo ou nenhum dos dois. Se ocorrer este caso deve-se,
então, utilizar o teorema 4.2.1 para determinar se o ponto é ou não um extremo relativo.

Exemplo Resolvido 4.2.4. Seja a função h  x   x 2e x , então, encontre os pontos


2

críticos e classifique-os.

Solução. A função derivada primeira é dada por:

 
h '  x   2 x  2 x3 e  x
2

Resolvendo a equação

 
h '  x   2 x 1  x 2 e x  0
2
Obtêm-se as seguintes soluções: x1   1 , x2  0 e x3 1 , que são os pontos

críticos da função h .

A função derivada segunda é dada por:

 
h ''  x   4 x 4  12 x 2  2 e x
201
2

Aplicando o teste da derivada:

6
i) para x   1 , tem-se h ''  1    0 . Então se pode concluir que h tem um
e
1
máximo relativo em x   1 , dado por h  1  ;
e

ii) para x=0, tem-se h”(0)=2>0. Então, pode-se concluir que h tem um mínimo relativo em
x=0, dado por h(0)=0;

6
iii) para x 1 , tem-se h '' 1    0 . Então, pode-se concluir que h tem um máximo
e
1
relativo em x 1 , dado por h 1  .
e

Exemplo Resolvido 4.2.5. Encontre os extremos relativos para a função g : R  R

1 1 2 1
dada por g  x   x  x  .
4
4 2 4

Solução. A derivada primeira é dada por:

g'(x)=x³ - x
Resolvendo a equação:

g'(x)=x³ - x=0

Obtém-se a seguintes soluções: x1   1 , x2  0 e x3 1 , que são os pontos críticos 202

da função g.

A derivada segunda é dada por:

g"(x)=3x²-1

Agora, aplica-se o teste da derivada segunda nos pontos críticos:

i) para x=-1, tem-se g"(-1)=2>0. Assim, pode-se concluir que g tem um mínimo relativo
em x=-1, dado por g(-1)=0;

ii) para x=0, tem-se g"(0)=-1<0. Assim, pode-se concluir que g tem um máximo relativo
em x=0, dado por g(0)=0;

iii) para x=1, tem-se g"(1)=2>0. Assim, pode-se concluir que g tem um mínimo
relativo em x=1, dado por g(1)=0.

4.3 EXTREMOS ABSOLUTOS E GRÁFICOS

Definição 4.3.1. Diz-se que uma função f tem um máximo absoluto em x0 de um

intervalo I , se f  x0  for o maior valor de f em I ; isto é, f  x0   f  x  para todo x em

I . Analogamente, se diz que uma função f tem um mínimo absoluto em x0 de um intervalo


I , se f  x0  for o menor valor de f em I ; isto é, f  x0   f  x  para todo x em I . Se
f tiver em x0 qualquer um dos dois, máximo absoluto ou mínimo absoluto, diz-se que f tem

em x0  I um extremo absoluto.

Teorema 4.3.1 (Teorema do Valor Extremo ou Teorema de Weierstrass). Se uma


função f for contínua em um intervalo fechado finito [a,b], então, f tem ambos um máximo e um 203
mínimo absolutos em [a,b].

Exemplo Resolvido 4.3.1. Seja a função f:[1,3] -> R dada por f(x)=x³-4, então,
determine os extremos absolutos.

Solução. A função é polinomial, então, ela obedece às hipóteses do teorema 4.3.1.


Pode-se concluir que há um máximo e um mínimo absolutos em [1,3].

A função f é estritamente crescente, pois, f‘(x)=3x²>0. Logo, os extremos absolutos


devem ocorrer nos extremos do intervalo [1,3]. Então, calculando as imagens dos extremos tem-
se:

f(1)= - 3

f(3)= 23

Então, pode-se concluir que f assume um mínimo absoluto em x=1, dado por f(1)=-3, e
ostenta um máximo absoluto em x=1, dado por f(3)= 23. Pode-se confirmar este resultado por
meio do gráfico da função apresentado na FIGURA 60. Isto é, para este domínio fechado [1,3], a
imagem é o intervalo fechado [-3,23].
FIGURA 60

204

FONTE: Elaboração Própria

Teorema 4.3.2. Se f tiver um extremo absoluto em um intervalo aberto (a,b), então ele
precisa ocorrer em um ponto crítico de f.

Exemplo Resolvido 4.3.2. Encontre os extremos absolutos da função g(x)=x³-3x²+1


no intervalo [-2,5].

Solução. Inicialmente, deve-se verificar se neste intervalo há extremos relativos.

g'(x)=3x²-6x

Resolvendo:

3x²-6x =0
Obtém-se os pontos críticos x=0 e x=2.

Agora se estuda o sinal da função g’ para classificar os pontos críticos.

205

Assim, pode-se concluir que a função g assume um valor máximo relativo em x=0 e um
valor mínimo relativo em x=2. Agora como a função é crescente em 2,0  2,5 e

decrescente em  0,2 , determinam-se as imagens dos extremos do intervalo, além dos pontos

críticos.

Tem-se que g(-2)=-19, g(0)=1, g(2)=-3 e g(5)=51. Analisando as imagens dos pontos,
pode-se concluir que o máximo absoluto ocorre em x=5 e é dado por g(5)=51 e o mínimo
absoluto ocorre em x=-2 e é dado por g(-2)=-19.

Teorema 4.3.3. Seja f uma função contínua em  ,   .

(a) Se lim f  x     e lim f  x     , então, f tem um mínimo absoluto,


x x

porém nenhum máximo absoluto em  ,   ;

(b) Se lim f  x     e lim f  x     , então, f tem um máximo absoluto,


x x

porém nenhum mínimo absoluto em  ,   ;

(c) Se lim f  x     e lim f  x     , então, f não tem nem mínimo


x x

absoluto, nem máximo absoluto em  ,   ;

(d) Se lim f  x     e lim f  x     , então, f não tem nem mínimo


x x

absoluto, nem máximo absoluto em  ,   .


FIGURA 61

206

FONTE: Elaboração Própria

FIGURA 62
1 1 4
Exemplo Resolvido 4.3.3. Prove que a função h  x   x 
2
x possui máximo
2 4
absoluto em  ,   . Onde ocorre esse máximo?

Solução. Para verificar se a função apresenta extremos absolutos basta determinar os 207
limites infinitos, isto é:

1 1 
lim h  x   lim  x 2  x 4    
x x  2 4 

1 1 
lim h  x   lim  x 2  x 4    
x x  2 4 

Logo, como lim h  x     e lim h  x     , então, h apresenta um máximo


x x

absoluto em ( -∞, +∞). Este máximo absoluto precisa ocorrer em um ponto crítico de h.

Os pontos críticos são determinados pelos zeros da função derivada, isto é:

h'(x)=x-x³=0

Obtendo x=-1, x=0 e x=1, como pontos críticos.

A derivada segunda é dada por:

h"(x)=1-3x²

Então, aplicando o teste da segunda derivada, tem-se:

1
i) para x=-1 tem-se h”(-1)=-2<0, então, ocorre um máximo relativo em x=-1 dado por h  1 
4
;
ii) para x=0 tem-se h”(0)=1>0, então, ocorre um mínimo relativo em x=0 dado por h(0)=0;

1
iii) para x=1 tem-se h”(-1)=-2<0, então, ocorre um máximo relativo em x=1 dado por h 1  .
4

1
Disso pode-se concluir que o valor máximo que a função assume é e ocorre nos
4
208
pontos onde x=-1 e x=1.

Teorema 4.3.4. Seja f uma função contínua em um intervalo aberto (a,b).

(a) Se lim f  x     e lim f  x     , então, f tem um mínimo absoluto,


xa xb

porém nenhum máximo absoluto em  a, b  ;

(b) Se lim f  x     e lim f  x     , então, f tem um máximo absoluto,


xa xb

porém nenhum mínimo absoluto em  a, b  ;

(c) Se lim f  x     e lim f  x     , então, f não tem nem mínimo


xa xb

absoluto, nem máximo absoluto em  a, b  ;

(d) Se lim f  x     e lim f  x     , então, f não tem nem mínimo


xa xb

absoluto, nem máximo absoluto em  a, b  .

Nas FIGURAS 63 e 64 podem-se ver claramente as quatro situações apresentadas no


teorema 4.3.4. Nestes quatro casos, as retas x=a e x=b são as assíntotas verticais do gráfico da
função y=f(x).
FIGURA 63

209

FONTE: Elaboração Própria

FIGURA 64

FONTE: Elaboração Própria


Teorema 4.3.5. Suponha f contínua e com exatamente um extremo relativo em um
intervalo I, digamos em x0 .

(a) Se f tiver um mínimo relativo em x0 , então f  x0  é o mínimo absoluto de f

em I .

(b) Se f tiver um máximo relativo em x0 , então f  x0  é o máximo absoluto de f 210

em I .

Para se esboçar o gráfico de uma função é necessário seguir os seguintes passos


listados abaixo:

a) Determinar o domínio da função;


b) Intervalos de crescimento e decrescimento;
c) Intervalos de concavidade e convexidade;
d) Pontos críticos e de inflexão;
e) Extremos relativos;
f) Limites infinitos e assíntotas verticais;
g) Limites no infinito e assíntotas horizontais;
h) Fazer um esboço do gráfico.

Exemplo Resolvido 4.3.4. Seja F:R ->R dada por F(x)=x³-3x²-9x+6, então, esboce o
seu gráfico.

Solução. O domínio da função é dado por: D(F)=R. Em seguida, determinam-se os


intervalos de crescimento e decrescimento, e os intervalos nos quais a função seja côncava e
convexa.

As derivadas primeira e segunda são dadas, respectivamente, por:

F '  x   3x 2  6 x  9

e
F ''  x   6 x  6

Os sinais das derivadas primeira e segunda são dados, respectivamente, por:

211

Os pontos críticos da função ocorrem em x = -1 e x = 3, enquanto que ocorre um ponto


de inflexão em x = 1. De acordo com as informações dadas pelos sinais das derivadas primeira e
segunda, pode-se construir a TABELA 6

TABELA 6

x F  x F ' x  F ''  x  Conclusão

x  1   F é crescente e côncava
x  1 11 0 12 Máximo relativo

1 x 1   F é decrescente e côncava


x 1 5 0 Ponto de inflexão

1 x  3   F é decrescente e convexa
x 3 21 0 12 Mínimo relativo

x 3   F é crescente e convexa
FONTE: Elaboração Própria
A função é polinomial e não há assíntotas verticais e horizontais. Deve-se, no entanto,
determinar os limites no infinito. Logo:

x

lim F  x   lim x3  3x 2  9 x  6   
x

e
212
x x

lim F  x   lim x  3x  9 x  6   
3 2

De onde se pode concluir que não há nenhum extremo absoluto.

O gráfico da função é apresentado na FIGURA 65.

FIGURA 65

FONTE: Elaboração Própria

x2
Exemplo Resolvido 4.3.5. Seja f: R -> R dada por f  x   , então, esboce o
x2  1
seu gráfico.
Solução. O domínio da função é dado por: D  f  x  R / x  1 . Como a

função é racional, então, inicialmente, devem-se determinar os pontos que zeram o

denominador. Isto significa resolver a equação x 2  1 0 , que tem como soluções x1   1 e

x2 1 . Neste caso, estes pontos são dito pontos de descontinuidades infinitas. As derivadas
primeira e segunda são dadas, respectivamente, por: 213

2 x 6 x2  2
f ' x   e f ''  x  
  x 
2 3
x2  1 2
1

Os sinais das derivadas primeira e segunda são dados, respectivamente, por:

De onde se pode concluir que a função apresenta apenas um ponto crítico, em x = 0,


porém não apresenta pontos de inflexão.

Os limites infinitos ocorrem nas proximidades para x = -1 e x = 1, e são dados por:

x2 x2
lim f  x   lim 2    e lim f  x   lim 2   
x1 x1 x  1 x1 x1 x  1

x2 x2
lim f  x   lim    e lim f  x   lim  
x1 x1 x2  1 x1 x1 x  1
2
Onde as retas x= -1 e x = 1 são chamadas de assíntotas verticais do gráfico.

Os limites no infinito são dados por:

x2 x2
lim f  x   lim 2 1 e lim f  x   lim 2 1
x x x  1 x x x  1 214

De onde se pode concluir que a reta y = 1 é a assíntota horizontal do gráfico.

De acordo com as informações dadas pelas derivadas primeira e segunda, pode-se


construir a TABELA 7.

TABELA 7

x f  x f ' x  f ''  x  Conclusão

x  1   f é crescente e convexa
x  1    Descontinuidade infinita

1 x  0   f é crescente e côncava


x0 0 0 2 Máximo relativo

1 x  3   f é decrescente e côncava
x 1    Descontinuidade infinita

x 3 _  f é decrescente e convexa
FONTE: Elaboração Própria

O gráfico é, então, apresentado na FIGURA 65.


FIGURA 66

215

FONTE: Elaboração Própria

Exemplo Resolvido 4.3.6. Esboce o gráfico da função g  x   xe .


x

x
Solução. A função é um produto entre as funções x e e , que são definidas em toda

parte, logo, pode-se concluir que o domínio da função é dado por: D  g   R .

As derivadas primeira e segunda são dadas, respectivamente, por:

g '  x    x  1 e x

g ''  x    x  2  e x

Os sinais das derivadas primeira e segunda são dados, respectivamente, por:


e

216

A função apresenta um ponto crítico em x= -1 e um ponto de inflexão em x= -2. De


acordo com as informações dadas pelos sinais das derivadas primeira e segunda, pode-se
construir a TABELA 8.

TABELA 8

x g  x g ' x  g ''  x  Conclusão

x  1   g é decrescente e côncava
x 2  2 e2 0 Ponto de inflexão

2  x  1   f é decrescente e convexa
x  1 1 e 0 1e Mínimo relativo

x  1   f é crescente e convexa
FONTE: Elaboração Própria

A função é um produto entre uma função polinomial e uma função exponencial, logo
não há assíntotas verticais. Em seguida, devem-se determinar os limites no infinito:

  
lim g  x   lim xe x   lim x  lim e x    
x x  x  x 
 

e
  
lim g  x   lim xe x   lim x  lim e x 
x x  x  x 
 0

Neste caso, deve-se escrever este limite da forma indeterminada ∞/∞:


217
d
x  x 1
lim  x  lim dx  lim   lim e x  0

e x  x e
x e x d x x
dx  

Assim, tem-se que a reta y = 0 é uma assíntota horizontal do gráfico da função. Em


seguida, tem-se o gráfico da função apresentado na FIGURA 67.

FIGURA 67

FONTE: Elaboração Própria


Ao analisar o gráfico apresentado na FIGURA 66 pode-se chegar à conclusão que a
1
função apresenta um valor mínimo absoluto de  que ocorre em x = -1.
e

Teorema 4.3.6 (Teorema de Rolle). Seja f diferenciável em (a,b) e contínua em [a,b].


218
Se f(a) = f(b), então, há pelo menos um ponto c em (a,b), tal que f´(c)=0.

FIGURA 68

FONTE: Elaboração Própria

Este teorema afirma que se o gráfico de uma função cruza qualquer reta horizontal em
dois pontos, a e b, então necessariamente deve existir entre eles pelo menos um ponto no qual a
reta tangente é horizontal, como mostrado na FIGURA 68.

Teorema 4.3.7 (Teorema do Valor Médio). Seja f diferenciável em (a,b) e contínua em


[a,b], então existe pelo menos um ponto c em (a,b), tal que:
f b  f  a 
f 'c  (4.1)
ba

O teorema do valor médio afirma, geometricamente, que se uma função f for contínua
em [a,b] e diferenciável em (a,b), então existe pelo menos um c em (a,b) tal que a reta tangente 219
à curva y= f(x) em x=c é paralela à reta secante que passa pelos pontos (a,f(a)) e (b,f(b)), como
mostra a FIGURA 69.

FIGURA 69

FONTE: Elaboração Própria

De acordo com a FIGURA 69 a reta t é paralela à reta s, logo têm a mesma inclinação,
f b  f  a 
isto é mt  ms . Como mt  f '  c  e ms  , então, pode-se chegar à
ba
f b  f  a 
conclusão que f '  c   .
ba
4.4 PROBLEMAS DE OTIMIZAÇÃO

Os métodos estudados nos tópicos 4.1, 4.2 e 4.3 para encontrar valores extremos têm
220
muitas aplicações práticas em várias áreas do dia a dia, por exemplo: um empresário quer
minimizar os custos e maximizar os lucros; um dono de transportadora quer minimizar o tempo
de transporte de um produto, etc. O princípio de Fermat na óptica estabelece que um feixe de luz
segue o caminho que leva o menor tempo. Nesta seção, resolvem-se os problemas tais como
maximizar as áreas, os volumes e os lucros e minimizar as distâncias, o tempo e os custos.

Nestes problemas práticos, tem-se como maior desafio a conversão do problema em


um problema de otimização matemática, estabelecendo uma função que deve ser maximizada
ou minimizada. Os problemas de otimização aplicados incidem nas seguintes categorias:

a) Problemas que se reduzem a maximizar ou a minimizar uma função contínua, em um


intervalo finito fechado.

b) Problemas que se reduzem a maximizar ou a minimizar uma função contínua, em um


intervalo infinito ou finito, mas não fechado.

O Teorema do Valor Extremo (Teorema 4.3.1) garante que o problema do tipo 1 tem
solução e esta solução pode ser obtida por meio da análise dos valores da função nos pontos
críticos e nos extremos do intervalo. Por outro lado, os problemas do tipo 2 podem ou não ter
solução. Logo, parte do trabalho em problemas de otimização é determinar se, realmente, estes
problemas têm solução. Se a função for contínua e tiver exatamente um extremo relativo no
intervalo, então, o Teorema 4.3.5 garante a existência de uma solução e fornece um método
para calculá-la.

Exemplo Resolvido 4.4.1. Encontre as dimensões de um retângulo de perímetro de


1000m, cuja área é a maior possível.
Solução. Sejam:

x = comprimento do retângulo (m)

y = largura do retângulo (m)

A = área do retângulo (m2)

221

Como mostrado na FIGURA 69.

FIGURA 70

FONTE: Elaboração Própria

Então:

A(x,y) = xy

Como o perímetro do retângulo é 1000m, as variáveis x e y estão relacionadas pela


equação:

2x + 2y = 1000

ou

y= 500-x
Logo, a função área pode ser escrita em função apenas da variável x, da seguinte
forma:

A  x   x  500  x   500 x  x 2

Devido ao fato de x representar um comprimento, este não pode ser negativo e como 222
os dois lados de comprimento x não podem ter um comprimento que ultrapasse o perímetro de
1000m, então a variável x está restrita ao intervalo:

0  x  500

Como A (x) é uma função contínua em [0,500], então, o máximo ocorre ou nos
extremos deste intervalo ou em um ponto estacionário.

dA
 500  2 x
dx

dA
Equacionando-se  0 , obtém-se:
dx

500 – 2x=0

ou

x= 250

Que é um ponto crítico estacionário.

Para analisar a natureza deste ponto crítico aplica-se o teste da derivada primeira, no
dA
qual é necessário se estudar o sinal desta derivada. A distribuição de sinais de é dada por:
dx
De onde pode-se concluir que x = 250 é um máximo relativo e consequentemente um
máximo absoluto. 223
Se x = 250 implica que y = 250. Então, o retângulo de perímetro 1000m com maior
área é um quadrado de lado 250m.

Exemplo Resolvido 4.4.2. Encontre dois números positivos cuja soma seja 60 e o
produto entre o quadrado do primeiro com o segundo seja o máximo possível.

Solução. Sejam dois números positivos x e y cuja soma é 60, então:

x+y=60

O produto do quadrado do primeiro, x, com o segundo, y, pode ser escrito como uma
função:

P  x, y   x 2 y

As variáveis x e y relacionam-se da seguinte forma:

y= 60-x

Então, a função P pode ser escrita em função apenas da variável x,

P  x   x 2  60  x   60 x 2  x3

Devido ao fato de x representar um número real positivo, este não pode ser negativo e
a soma entre eles não pode ultrapassar 60, logo a variável x está restrita ao intervalo:
0  x  60

Como P(x) é uma função contínua em [0,60], então, o máximo ocorre ou nos extremos
deste intervalo ou em um ponto estacionário.

dP 224
120 x  3x 2
dx

dP
Equacionando-se  0 , obtém-se:
dx

120 x  3x 2  0

ou

x1  0 e x2  40

Que são os pontos críticos da função.

Para analisar a natureza deste ponto crítico aplica-se o teste da derivada primeira, no
dP
qual é necessário se estudar o sinal desta derivada. A distribuição de sinais de é dada por:
dx

De onde se pode concluir que x=40 é um máximo relativo e consequentemente um


máximo absoluto.

Então, os números reais cujo produto entre o quadrado de um com outro são dados
por: x=40 e y=20.
Exemplo Resolvido 4.4.3. Uma lata cilíndrica é feita para receber 1 litro de óleo.
Encontre as dimensões que minimizarão o custo do metal para fabricar a lata.

Solução. Sejam:

r = raio da base e da tampa do cilindro (cm) 225


h = altura do cilindro (cm)

Como mostrado na FIGURA 71.

Então, a área da superfície é dada por:

AS  r , h   2 r 2  2 rh

FIGURA 71

FONTE: Elaboração Própria

Como o volume do cilindro é 1 litro, que é igual a 1000 cm3 , as variáveis r e h


estão relacionadas pela equação:
1000
 r 2h 1000 ou h
 r2

Então, a função área de superfície pode ser escrita em função apenas da variável r, da
seguinte forma:
226
 1000  2000
AS  r   2 r 2  2 r  2   2 r 2 
 r  r

Devido ao fato de r representar a medida do raio, este não pode ser negativo e nem
zero, então, tem-se:

r 0

Como AS  r  é uma função contínua para r > 0, então, o mínimo ocorre em um ponto

estacionário. Assim:

dAS 2000 4 r 3  2000


 r   4 r  2 
dr r r2

dAS
Equacionando-se  0 , obtém-se:
dr

2000 500
4 r   0 ou r  3
r 2

Que é um ponto crítico estacionário.


Para se analisar a natureza deste ponto crítico aplica-se o teste da derivada primeira,
dAS
no qual é necessário se estudar o sinal desta derivada. A distribuição se sinais de é dada
dr
por:

227

500
De onde se pode concluir que r  3 é um mínimo relativo e consequentemente

um mínimo absoluto.

500  500 
Se r  3 implica que h  2r  2  3  . Então, o cilindro que minimizará a
   

500  500 
área superficial tem raio da base e da tampa igual a 3 e uma altura igual a 2  3 .
   

Exemplo resolvido 4.4.4. Determine um ponto na curva y 2  x que esteja mais

próximo do ponto (0,18).

Solução. A distância L entre (0,18) e um ponto (x,y) arbitrário na curva y 2  x , como


mostrado na FIGURA 72, é dada por:

L  x  02   y  182

Como  x, y  está na curva, x e y satisfazem y 2  x , assim,


L  y 4   y  18
2

Não há restrições para y , logo este exemplo se reduz a encontrar um valor de y em

 ,   para o qual a distância L seja mínima, desde que este valor exista.
228

FIGURA 72

FONTE: Elaboração Própria

Para problemas de distância L, tem-se que o seu máximo ou mínimo ocorrem no

mesmo ponto em que ocorrem no seu quadrado L2 . Logo, o valor mínimo de L e o valor mínimo
de:

P  L2  y 4   y  18
2
Ocorrem no mesmo valor de y.

A função P  y 4   y  18 é contínua para todo y real, logo, o mínimo absoluto


2

deve ocorrer em um ponto crítico estacionário.

dP
 4 y 3  2  y  18  4 y 3  2 y  36
dy 229

dP
Equacionando-se  0 tem-se:
dy

4 y3  2 y  36  0

Ou de uma forma equivalente

2 y3  y  18  0

A expressão acima pode ser escrita como:

 y  2  2 y 2  4 y  9  0

E como as soluções da equação:

2 y2  4 y  9  0

São números complexos, então, a única solução real é y=2. Deste modo, y=2 é um
ponto crítico da função P.

Em termos de simplificação deve-se usar o teste da derivada segunda para verificar a


natureza deste ponto crítico. A derivada segunda é dada por:
d 2P
2
12 y 2  2
dy

daí,

d 2P
2  
2 12  2   2  50  0
2

dy 230

O que mostra que em y=2 ocorre um mínimo relativo para P e consequentemente para
L.

Como só ocorre um extremo relativo em (-∞,+∞), então, pelo teorema 4.3.5, este
mínimo relativo é um mínimo absoluto de L.

Desse modo, pode-se afirmar que o ponto sobre a curva y 2  x mais próximo de

(0,18) é o ponto(x,y)=(4,2).

Exemplo Resolvido 4.4.5. Mostre que o quadrado tem a maior área dentre todos os

retângulos inscritos numa dada circunferência x  y  r .


2 2 2

Solução. Seja (ver FIGURA 73)

2x= comprimento do retângulo inscrito na circunferência

2y = largura do retângulo inscrito na circunferência

Então, a área é dada por:

A(x,y) = (2x)(2y)=4xy
FIGURA 73

231

FONTE: Elaboração Própria

As variáveis x e y relacionam-se da seguinte forma:

x 2  y 2  r 2 ou y   r 2  x 2

Em termos de simplificação considera-se x>0 e y>0, logo,

y  r 2  x2

E a área do retângulo pode ser escrita como:

A x   4x r 2  x2

Onde 0  x  r .
Tem-se:

dA 4x2 4r 2  8 x 2
 4 r 2  x2  
dx r 2  x2 r 2  x2

dA 232
Equacionando-se  0 , obtém-se:
dx

4r 2  8 x 2
0
r x
2 2

ou

4r 2  8 x 2  0

2 2
Cujas soluções são dadas por: x1   r e x2  r.
2 2

Como x>0, descarta-se a solução negativa, então, considera-se apenas o ponto crítico

2
x2  r.
2

Para se analisar a natureza deste ponto crítico, aplica-se o teste da derivada primeira,
no qual é necessário estudar o sinal desta derivada.

dA
A distribuição de sinais de é dada por:
dx
2
De onde se pode concluir que x  r é um máximo relativo e consequentemente
2
um máximo absoluto.

2
Se x  r então:
2
233
2
 2  r2 r2 r 2 2
y r  2
r   r2      r
 2  2 2 2 2 2

De onde se pode concluir que o retângulo com maior área inscrito na circunferência é
um quadrado.

Estes problemas de otimização também podem ser aplicados na economia ou na


indústria. Neste caso, as três funções de importância são:

 C(x) = função custo, isto é, o custo total da produção de x unidades de um produto,


durante certo período de tempo.
 R(x) = função rendimento, isto é, o rendimento total da venda de x unidades de um
produto, durante certo período de tempo.
 L(x) = função lucro, isto é, o lucro total na venda de x unidades de um produto,
durante certo período de tempo.

Tem-se que se todas as unidades produzidas forem vendidas, então, estas funções
relacionam-se da seguinte forma:

L(x)=R(x)-C(x) (4.1)

Isto é, o lucro é igual ao rendimento menos o custo.


A função custo C(x) da produção de x unidades de um produto pode ser expressa
como uma soma:

C(x)=a+M(x) (4.2)

234

Onde é a uma constante chamada de despesas gerais e a função M(x) é chamada de


custo de manufatura.

As despesas gerais, como aluguel e seguro, não dependem de x e mesmo que não
haja produção devem ser pagas. Porém, o custo de manufatura, como o custo da matéria-prima
e o custo do trabalho depende da quantidade de artigos manufaturados. Por meio de hipóteses
simplificadoras, pode-se escrever M(x) como:

M  x   bx  cx 2 (4.3)

Onde b e c são constantes. Substituindo a equação 4.3 na equação 4.2 obtém-se:

C  x   a  bx  cx 2 (4.4)

Se uma fábrica conseguir vender toda a sua produção a p unidades monetárias cada,
então, a função rendimento R(x) pode ser escrita como:

R(x)=px (4.5)
Substituindo as equações 4.4 e 4.5 na equação 4.1, então, pode-se escrever a função
lucro L(x) da seguinte forma:


L  x   px  a  bx  cx 2  (4.5)
235

A variável x na equação 4.5, dependendo de alguns fatores tais como a quantidade de


empregados, maquinário disponível, condições econômicas e competição, irá satisfazer:

0  x  (4.5)

Onde  é uma limitação superior sobre a quantidade de artigos que um fabricante é


capaz de produzir e vender.

Exemplo Resolvido 4.4.6. Um produto farmacêutico é fabricado por uma firma


farmacêutica e vendido a um preço de R$100,00 a unidade. O custo total para a produção de x
unidades é de:

C  x  100.000  40 x  0,0025 x 2

Se a produção máxima for de 40.000 unidades durante um período de tempo


especificado, quantas unidades devem ser fabricadas e vendidas neste período de tempo para
se obter o lucro máximo?

Solução. Como o rendimento total na venda de x unidades é R(x)=100x, então, o lucro


L(x) sobre x unidades será:

L  x   R  x   C  x  100 x  100.000  40 x  0,0025 x 2 
L  x   100.000  60 x  0,0025x 2

Como a produção máxima é de 40.000 unidades, x deve estar no intervalo [0,40.000]. 236
Como A(x) é uma função contínua em [0,40.000], então, o máximo ocorre ou nos
extremos deste intervalo ou em um ponto crítico estacionário.

Tem-se, pois:

dL
 60  0,005 x
dx

dL
Equacionando-se  0 , obtém-se:
dx

60  0,005x  0 ou x  24.000

Que é um ponto crítico estacionário da função L(x).

Para analisar a natureza deste ponto crítico pode-se usar o teste da derivada primeira
dL
por meio do sinal desta derivada. O sinal de é dado por:
dx

De onde se pode concluir que em x=24.000 ocorre um máximo relativo, e é também


um máximo absoluto.

Então, para a firma obter um lucro máximo devem ser produzidas e vendidas 24.000
unidades.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ANTON, H. Cálculo: um novo horizonte. São Paulo: Artmed, 2000.

DEMIDOVITCH, B. Problemas e Exercícios de Análise Matemática. São Paulo: Artmed, 1993.


237

GUIDORIZZI, H. L. Um curso de cálculo. Rio de Janeiro: LTC, 2007.

IEZZI, G.; MURAKAMI; C.; MACHADO, N. J. Fundamentos de matemática elementar. São


Paulo: Atual, 2005.

SALAS, S. L. Cálculo. Rio de Janeiro: LTC, 2005.

STEWART, J. Cálculo. São Paulo: Cengage, 2005.