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FICHA DE LEITURA REFENTE AO TEXTO : “ A DÚVIDA DE CÈZZANE” DE AUTORIA DE MERLEAU PONTY .

O
Olho e o Espírito.Cosac & Naify ,São Paulo ,2004.
Aluna:Elaine Regina dos Santos
Disciplina: Arte como Forma Pensamento
Prof.Dra.Carmen Aranha

Cézanne é uma pessoa ansiosa, colérica, solitária, perturbada e faz da pintura seu mundo, apesar de ter
uma “esquizoidia”, persegue sem cessar seus estudos na pintura, e ao envelhecer tem dúvidas sobre sua
vocação, se pergunta se chegará à meta que tanto buscou, se pergunta se sua pintura não é resultado de
um distúrbio dos olhos.
Alguns críticos rechaçaram seu trabalho. Zola, seu amigo de infância, apesar de reconhecer que era um
gênio, também achava que era um “gênio abortado”, amigo “mais atento à seu caráter que à sua pintura”.
(p 124) Emile Bernard também acreditava num fracasso.
A vida é assustadora para Cézanne, torna-se cada vez mais tímido, desconfiado, não suporta contato por
lembrar-se de uma criança que o machucara na infância. Mantém distância cada vez mais de todos, aos 51
anos vai viver com a mãe e a irmã em Aix, depois que ela morre procura apoio no filho.
Ponty conjetura que esta esquizoidia, essa fuga nos hábitos, essa perda de contatos dóceis com os
homens, é responsável por esta busca da natureza, da cor, e do caráter inumano de sua pintura, “sua
devoção ao mundo visível não seriam senão uma fuga ao mundo humano, a alienação de sua
humanidade.” Mas disto não se conclui apenas negatividade, talvez este aspecto tenha possibilitado o
pintor olhar a natureza como nenhum outro homem foi capaz, “o sentido de sua obra não pode ser
determinado pela sua vida”. (p.125)
Os impressionistas, principalmente Pissarro, influenciaram Cézanne a trabalhar a partir de estudos da
natureza, diferentemente de seus trabalhos anteriores que eram sonhos pintados, mas logo se separou
deles. Sua paleta tem dezoito cores, não sete como dos impressionistas, quer representar o objeto e
reencontrá-lo por trás da atmosfera, não sufocá-lo com a verdade geral da impressão. Também não quer a
divisão de tons, mas sim misturas graduadas e através de matizes cromáticos sobre o objeto, produzir
uma modulação de cores que acompanha a forma e a luz recebida. A luz de seus objetos é interior não
como no impressionismo coberto de reflexos, o que lhes dá uma impressão de solidez e materialidade.
Para fazer vibrar as cores quentes ele emprega o azul.
Émile Bernard chama sua conduta de suicídio: “ele visa a realidade e proíbe-se os meios de alcançá-la”, já
que em sua opinião era um paradoxo o que Cézanne fazia: “buscar a realidade sem abandonar a sensação,
sem tomar outro guia senão a natureza na impressão imediata, sem delimitar os contornos, sem
enquadrar a cor pelo desenho, sem compor a perspectiva nem o quadro.” (p 127)
Merleu-Ponty nos ensina a olhar a pintura de Cézanne, e afirma que ele pinta a matéria em via de se
formar, a ordem nascendo por uma organização espontânea. “Não estabelece um corte entre “os
sentido”" e a “inteligência”, mas entre a ordem espontânea das coisas percebidas e a ordem humana das
idéias e das ciências.” Suas pesquisas na perspectiva descobrem o que a psicologia mais tarde viria
formular sobre a percepção.