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Cena de Interior II

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de Adriana Varejão

Em um período marcado por censura e intolerância, as instituições de arte
têm pouco do que se orgulhar
Por Fabio Cypriano

As instituições de arte entram em 2018 mais fragilizadas e acovardadas do
que começaram 2017. De certa forma, isso é consequência da polarização
enlouquecida das redes sociais que também contaminou o mundo das
artes visuais. O início desse percurso ocorreu em Porto Alegre, quando o
Santander Cultural encerrou a mostra Queermuseu: Cartogra as da
Diferença na Arte Brasileira em setembro, quase um mês antes do prazo
previsto, por conta de denúncias nas redes sociais de apologia à pedo lia e
zoo lia, apontadas em 3 das 264 obras expostas.

Não foi a primeira mostra dessa temática no país. A 31ª Bienal de São Paulo,
Como Falar de Coisas Que Não Existem, em 2014, reuniu um segmento
muito mais radical, em torno de três projetos: Deus é Bicha, do peruano
Miguel López; o Museu Travesti do Peru, de Giuseppe Campuzano; e Zona
de Tensão, uma homenagem a Hudinilson Jr. (1957-2013), organizada por
Marcio Harum. Com muito mais visibilidade do que o Santander, a Bienal
não passou por nenhum tipo de constrangimento, mesmo que polêmicas
não sejam raras em sua história – é só lembrar dos urubus de Nuno Ramos,
em 2012, e dos pichadores, em 2008.

Certo é que o Brasil de 2014 era muito mais tolerante e aprazível que o país
surgido do golpe, em 2016, marcado pela quebra das regras democráticas
e o fortalecimento de movimentos reacionários contra a liberdade de
expressão. O posicionamento de censura do Santander certamente deu
forças para o segundo ato dessa ópera bufa: os protestos contra a
performance La Bête, de Wagner Schwartz, na abertura do 35º Panorama
da Arte Brasileira do Museu de Arte Moderna de São Paulo. Novamente,
pelas redes sociais, criou-se uma enxurrada de falsas acusações, de que
uma criança estaria interagindo com o artista nu e que, portanto, o museu
estaria fazendo apologia da pedo lia.

Geologia Doméstica Márcia Xavier

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'Hora de assumir lados'
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Coordenador do projeto Política da Arte na Fundação Joaquim Nabuco,
Moacir dos Anjos diz que a arte não pode mudar o mundo – mas sim nos
indicar ssuras nos consensos que nos formaram como sociedade
Andrei Reina

“Não se pode esperar que arte possa mudar a sociedade". A frase do
pesquisador e curador Moacir do Anjos, contudo, não invalida a ideia de
que ela possa oferecer novas maneiras de compreender o mundo e nossa
história. “Sem encarar as ssuras que nos zeram o que somos nós –
ssuras de raça, de classe, de gênero –, não seguiremos para lugar
nenhum diferente deste onde estamos há tanto tempo”, diz. Em entrevista à
Bravo!, Moacir – que coordena o projeto expositivo e pedagógico Política
da Arte, na Fundação Joaquim Nabuco, no Recife – avalia a produção
artística brasileira em 2017 e defende que os ataques conservadores às
artes exigem um posicionamento de artistas, curadores e gestores. “É hora
de assumir lados.”

critica  as mega- instituições de arte em sua distância da vida comum e em sua subserviência aos patrocinadores. ao menos – um espaço de re exão crítica cada vez mais escasso na esfera criativa do país. às instituições criticadas. tanto inclui quanto exclui aspectos dessa realidade. onde se busca sufocar. nossa realidade. Por que as exposições de arte foram alçadas a vilãs da moral do país? As artes visuais não não se moldam. como já foi inúmeras vezes dito e analisado. se ancora em associações com patrocinadores e patronos. Essa onda de censura e de ataques a exposições é expressão violenta dessa disputa. para o bem e para o mal. modos menos excludentes de representar o mundo. em termos de poder simbólico. Estamos em disputa aberta pelas imagens. Representação que. Poder simbólico que. alguns poucos se equivalem. em lmes como The Square. Com as eleições à frente. direta ou indiretamente. à força. Há um descompasso entre a experiência brasileira e a global? Ou os fenômenos estão relacionados? A teia institucional artística brasileira é extremamente desigual. A que você atribui a onda de censura e ataques em exposições e mostras? Estamos vivendo. no campo do sensível. Palma de Ouro em Cannes. Crise que não alcança apenas o campo da chamada política partidária. mas que envolve todos os espaços de vida onde equivalentes simbólicos do mundo são criados e difundidos. Terminamos o ano de 2017 com a sensação de que as artes visuais no Brasil estão contra a parede. ecoando o receio de seus patrocinadores e patronos frente aos danos simbólicos e políticos que um eventual ataque conservador ao museu lhes causaria. 2018 promete manter o clima de polarização do ano passado. O lme The Square. muitas vezes. que fazem parte de seus conselhos e direções. Esta associação cou tristemente clara na decisão que o conselho e a direção do Masp – formado por representantes de algumas das maiores fortunas do país – tomaram de proibir a mostra Histórias da Sexualidade para menores de 18 anos. a um consumo massivo. posto que constituem – ainda. uma crise de representação. por ser necessariamente um recorte da experiência vivida. Enquanto a maior parte dos museus e centros culturais vive à míngua e luta para não fechar de vez as portas. É justamente essa característica que faz com que as artes visuais sejam agora alvo dos ataques conservadores. Quais são suas expectativas para o ano nas artes? . discursos e gestos que supostamente representariam.

Cada qual a seu modo. crítico. cerca de 20 exposições com artistas de várias procedências e interesses. quando os próprios valores e critérios para atestá-la têm sido postos à prova nas últimas décadas e. a meu ver. levando-nos a questionar julgamentos supostamente assentados e resolvidos. não se pode esperar da arte aquilo que ela não pode entregar – mudar a sociedade. educador ou gestor de museu que con e no poder que a arte tem de apontar para outras formas possíveis de entender o mundo. contudo. em novos consensos sobre juízos de valor. sobre qualidade de produção artística. Parece-me que a reação rme de muitos artistas visuais aos ataques conservadores – usando seus corpos e também vias legais nessa defesa – conseguiu criar um obstáculo à fúria cega e ignorante dos que desejam um país sem espaços de re exão crítica. mas creio que .Difícil de prever o que pode acontecer em ambiente de tamanha incerteza e insegurança política e jurídica. seja nas escolas. Oferecer formas de entender o mundo mais inclusivas e complicadas. nos últimos anos. debates e cursos chamado Política da Arte. Apesar disso. e em função de seu contexto de trabalho e de vida. pois nos põem em posição de alerta. além de inúmeros eventos discursivos. de modo mais radical. em algum tempo. um dever de todo artista. mais chances existem de que algo novo oresça. é de cada um que entre em contato com ela. Mas é preciso estar sempre alerta e contrapor-se de imediato a qualquer novo ataque. O que não é necessariamente ruim. O que a arte pode oferecer são outras maneiras de entender aquilo que pensávamos já conhecer. curador. Os artistas têm sido felizes em responder às novas contradições da sociedade? Que horas são para as artes visuais no Brasil? É difícil falar. Mas a responsabilidade de fazer algo maior disso tudo não é da arte. É possível que cheguemos. é certa: quanto mais universidades. seja nos museus. nos últimos sete anos. museus. em novos acordos. Você coordena pesquisas sobre arte e política na Fundação Joaquim Nabuco. seja de que modo for. Este é. Quais relações entre os dois termos vocês têm observado? E o que esperar delas nos dias de hoje? Coordeno um projeto de exposições. É hora de assumir lados. No âmbito desse projeto realizamos. centros culturais e galerias promovam um contato cada vez mais próximo com essa produção crítica e potencialmente emancipadora. Abrir ssuras nos consensos com os quais vamos levando nossas vidas através dos anos. de modo inequívoco. Uma coisa. apresentou trabalhos de grande contundência crítica. E não somente no Brasil.

Quanto a isso. ao menos quatro mostras foram sensíveis a esse novo quadro: Modos de Ver o Brasil. ou de um ensaio. era a de que o eixo cultural brasileiro se restringe demais . contudo. Como você de niria o papel de um curador de arte hoje? Concorda com as críticas de que curadores por vezes ganham mais destaque do que as obras e os artistas? Apesar de atuar como curador há muitos anos. Lentamente. Falando de um modo muito genérico. ou de um seminário. Também como alguém que pensa junto do artista sobre interesses e preocupações comuns e que participa. pois são muitas as maneiras de a arte fazer política no sentido que mencionei anteriormente. mas de modo inexorável. é patente que há hoje. Uma crítica que era comum de se ouvir. outras vezes se adiantando. E. Pre ro entender o papel do curador de arte como o de um pesquisador que eventualmente traduz os seus “achados” na forma de uma exposição. muitos mais artistas confrontando as contradições do Brasil do que há dez ou mesmo cinco anos atrás. ou tudo isso junto. Estamos apenas engatinhando. nesse sentido. Confronto que nem sempre é temático ou didático. Acho que há um tanto de frivolidade e de vaidade em muitas dessas discussões. claro. que este ano sejam oito e depois mais. com sugestões críticas. Um assunto inevitável nos últimos anos é a sublevação promovida pelos movimentos identitários na sociedade. não me importo muito com as discussões especí cas do campo. como parte disso tudo. Se no ano passado foram quatro mostras. O jogo está mudando? Está mudando. na apresentação do trabalho daquele a uma audiência mais ampla. mas parece ter passado ao segundo plano. E o mundo das artes. no Brasil. Um pequeno poder. contemporâneas de seu tempo. São Paulo Não é uma Cidade e Agora Somos Todxs Negrxs?. associadas. As artes visuais no Brasil se fazem. Às vezes com retardo. sou otimista. embora haja quem se iluda com sua suposta grandeza. segue mudando também. Acho muito importante e salutar para nossa jovem e já combalida democracia que mais e mais mostras discutam as desigualdades históricas e atuais que fundamentam nosso país. cada vez mais. No ano passado. a disputas por um naco de poder. que é a arte e aqueles que a produzem.vivemos um intenso momento de disputa. Brasil por Multiplicação. e não somente nas artes. concordo que muitas vezes os curadores terminam ganhando um destaque desproporcional frente ao que realmente importa nisso tudo.

. às vezes até inclassi cável. Globalização. do Rio de Janeiro. lutas de a rmação identitária ou mesmo de recusa a qualquer reducionismo identitário. o do dinamismo institucional. E isso tem consequências em termos de acesso diferenciado tegrou a à produção que o chamado meio da arte pode promover. Como ou se essa dinâmica vai se ancorar em novas instituições ou mesmo em nichos de mercado é algo que a incerteza em que vivemos hoje no Brasil torna impossível sequer considerar. é evidente que ainda há uma enorme concentração da produção artística brasileira nas cidades de São Paulo e eh-Jen Chen. internet. Mas o mundo e o Brasil caram mais complicados nas últimas décadas. associadas à criação de vários outros circuitos que ignoram ou ao menos não se submetem a galerias e museus tem criado um ambiente muito mais diverso. o quanto disso ainda é verdade? Se o critério para de nir eixos ou polaridades for o do mercado ou mesmo ute (2006). ao Rio de Janeiro e São Paulo. No caso das artes visuais. E isso é Levantes muito bom.

o museu paulistano e o instituto de Porto Alegre. no Sesc Pinheiros Por conta dos boatos e da má-fé dos detratores. É certo que esses ataques aos artistas e às instituições de arte miravam não a “defesa da família”. a CPI dos maus-tratos às crianças. em outubro. Georges Didi-Huberman | Filósofo e curador da mostra 'Levantes' - O filósofo Georges Didi-Huberman. criada em julho de 2017 no Congresso Nacional para tratar de instituições que praticam violência contra crianças e adolescentes. mas sim deslegitimar um dos segmentos mais ativos em denunciar os retrocessos sociais decorrentes do governo menos popular do mundo. passou também a investigar. . fala da curadoria da mostra "Levantes". professor da Escola de Estudos Avançados em Ciências Sociais.

Está no Masp a mesma pintura de Adriana Varejão. para o museu liberar a entrada a todas as faixas etárias. Interventu . quando o Museu de Arte de São Paulo (Masp). que gerou as acusações de zoo lia em Porto Alegre.Stephan Doitschinoff - . atacada pelos fundamentalistas da internet. ao inaugurar a mostra Histórias das Sexualidades. cerca de um mês depois. mesmo acompanhados de seus pais – o que contraria todas as normas classi catórias do país.Todo esse contexto levou a um terceiro ato. Foi necessário que o Ministério Público Federal emitisse uma nota. antecipou-se a eventuais assédios e fez autocensura. Aqui. não houve protestos. proibindo a visita de menores de 18 anos. o mais grave deles.

em uma nota divulgada logo após a repercussão. que diz respeito à falta de sintonia entre os dirigentes dessas instituições e as . uma questão mais dramática e mais relevante. como se pode observar no trecho da nota divulgada pela instituição: “O museu lamenta as interpretações açodadas e manifestações de ódio e de intimidação à liberdade de expressão que rapidamente se espalharam pelas redes sociais. é preciso reconhecer que o MAM-SP foi o único a tomar partido em defesa da arte e do artista.” O encerramento prematuro no Santander e a autocensura do Masp apontam. contudo.Nesses três atos.

É muito possível que a mostra Queermuseu tenha sido uma estratégia de aproximação com o Pink Money. cada vez mais tomam parte de seus corpos diretivos guras mais interessadas em captação de recursos. marketing e eventos do que com arte. "Na Arte Interessa o que Não" - . se tornou ícone da liberdade de expressão por conta dos fundamentalistas virtuais. a resposta mais pragmática foi cancelar a mostra. Com o questionamento na internet e a ameaça de evangélicos em realizar campanhas contra o banco. conhecido por atitudes egocêntricas (seu nome costuma aparecer maior que o dos artistas nas mostras que organiza) e exposições conceitualmente frágeis (o próprio Queermuseu foi questionado por militantes LGBTQ). Gaudêncio Fidelis.práticas artísticas. O perverso nessa história é que seu curador. como nos Estados Unidos é chamado o dinheiro que pertence à comunidade LGBTQ. Com a importância que museus e centros culturais assumem na sociedade atual.

Performance de Wagner Schwartz no MAM-SP. foto: Humberto Araújo Marketing como norte - 1 2 .

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10 exposições fundamentais de 2017 - 5 .

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que patrocina a futura coleção Masp Riachuelo. A saída dos artistas. ao invés de propor o que pode um museu realizar de inovador no século 21. Primeiro. desta vez a saída de três artistas – Caetano de Almeida. mostra liderada por Pietro Maria Bardi nos anos 60. como o apresentador Luciano Huck. Gestão que levou ao seu conselho guras nada representativas no circuito das artes. já que Rocha é envolvido com o MBL. mas é contra a liberdade de expressão – uma hipocrisia que apenas é a ponta do iceberg do movimento. repetindo projetos de Pietro e Lina Bo Bardi. se deve justamente por esse apreço inconteste pelo dinheiro e da falta de sensibilidade com a arte que vem caracterizando a gestão do museu. Iran do Espírito Santo e Sandra Cinto – e alguns estilistas. . que os artistas abandonaram o projeto. Foi por conta da empresa desse último. o ministro Henrique Meirelles e o empresário Flávio Rocha. no entanto. composta por 78 peças. é digno de nota que a direção artística do Masp vem se especializando em ideias requentadas.- Já o Masp terminou o ano com mais uma confusão. que fariam parte de um projeto previsto para ser realizado em 2020: a reencenação da coleção Masp Rhodia. o agrupamento que prega a defesa da livre iniciativa.

a direção do Masp ignora a questão e considera que qualquer dinheiro é bem-vindo. e não à curadoria. Em uma concorridíssima palestra. realizada no Instituto Tomie Ohtake. Nan Goldin defendeu boicote a museus patrocinados pela família Sackler. todos advogados. A própria decisão de autocensura foi atribuída pelo museu a consultores externos. Enquanto isso. como pode o Masp aliar-se a uma empresa que tem por liderança uma gura com essa cha corrida? Cada vez mais artistas se preocupam em saber a origem do nanciamento de suas mostras ou de museus. em novembro passado. proprietária de uma marca de remédios que tornaram e continuam fazendo vítimas de vício e morte milhares de norte- americanos.Contudo. Exposição Monumento Minimo de Nele Azevedo no centro cultural Oswald… - .

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Sempre cercado de curadores competentes. Com a derrocada do mecenas. a exposição faz um breve percurso da histórica exposição organizada pelos nazistas que combatia a arte moderna. Com curadoria de Helouise Costa e Daniel Rincon. antes de ser radicado no Brasil. ca a dúvida sobre o futuro de Inhotim. Segundo documentação na mostra do museu dedicado a Lasar Segall. tanto de artistas nacionais como internacionais. que renunciou à presidência do instituto após ser condenado por lavagem de dinheiro. criado pelo empresário Bernardo Paz. Em suma. criou um ambiente perfeito para toda a radicalidade da produção contemporânea. Uma exceção nesse cenário é Inhotim. Felizmente. organizada pelo galerista Miécio Askanazy em 1945. também provocou reações semelhantes às atuais. . no Rio de Janeiro. Arte Condenada pelo Terceiro Reich. mas a inviabilização de Inhotim seria mais uma imensa perda para o país. as instituições culturais têm poucas pessoas de fato especializadas em arte e mesmo as que são pro ssionais da arte não costumam ter a opinião decisiva sobre questões essenciais desses espaços. em defesa da família e condenando a exposição carioca. Paz adquiriu o melhor acervo de arte contemporânea no Brasil. em cartaz no Museu Lasar Segall até o m de abril. Com isso. gerando expressões que parecem com as que circularam na rede. algo como se vê na excelente mostra A ‘Arte Degenerada’ de Lasar Segall: Perseguição à Arte Moderna em Tempos de Guerra. não teria sido encerrado prematuramente o Queermuseu e nem a censura para menores de 18 teria ocorrido no Masp. denominada Mostra de Arte Degenerada. possibilitando um diálogo inusitado entre a estranheza das re exões da arte atual com a natureza. aquelas guras são hoje apenas notas patéticas de uma história superada. em 1937. em meio a um jardim botânico quase sem precedentes. tanto esses dirigentes de museus e instituições culturais quanto os difamadores raivosos serão lembrados por suas atitudes irresponsáveis. Conseguirá manter sua qualidade. que incluía obras de Segall. agora nas mãos de pessoas sem o mesmo poder nanceiro de seu criador? Teria o Estado capacidade para dar continuidade a esse projeto? As respostas são difíceis. patéticas e oportunistas. Se fosse assim.No futuro.

"Desenho Moderno: as formas da ideia sobre o branco do papel" na Galeri… .

- Revista Bravo! Conversa com Mauro Restiffe Compartilhar Política de Cookies - Registro da mesa redonda realizada na Pinacoteca de São Paulo. na qual o diretor da Pinacoteca Jochen Volz. o curador Rodrigo Moura e o fotógrafo Mauro Restife discutiram a exposição "Álbum". Autorretrato de Lasar Segall. que faz parte da exposição . dos anos 1920.

de novo. o que deu cara ao nível baixo dos fundamentalistas. de Mauro Resti e). o 20º Festival de Arte Contemporânea Sesc-VideoBrasil e a Trienal Frestas. que demonstrou algum arrojo apenas na mostra Álbum. . democrático e antenado com a produção atual. acolhendo e organizando mostras signi cativas como Todo Poder ao Povo! Emory Douglas e os Panteras Negras. A direção do Sesc manteve o evento. entre outras. a presença da lósofa Judith Butler foi também alvo de ataques nas redes e no próprio Sesc. como a Pinacoteca. Aqui. Levantes. onde participava de um seminário sobre democracia. que queimaram uma boneca de Butler. A Arte Degenerada de Lasar Segall O senhor da razão -Se museus e instituições culturais diminuíram em 2017 (enquanto alguns passaram quase em branco. como se queimavam as bruxas na Inquisição da Idade Média. Não por acaso. o Sesc solidi cou-se como o espaço mais plural. em Sorocaba.

Jaime Lauriano e Rafael RG. com São Paulo Não é uma Cidade. sobre a visualidade das manifestações e as insurgências como expressão artística e social. além das exposições já citadas. . Em um momento caracterizado por limitações à cidadania. Sob a direção de Danilo Miranda. em Paris. aproximando o que as duas últimas edições experimentais produziram da população do interior. que verticaliza uma praça pública em uma região tão adensada e com tão poucos espaços de convivência. A qualidade das exposições do Sesc na capital é inegável. é outro feito notável. não se trata de uma exposição simplesmente importada. originalmente vista no Jeu de Paume. Ele trouxe a excelente mostra organizada por Georges Didi-Huberman. é um gesto fundamental. e aí se vê a sensibilidade do curador e dos pro ssionais da instituição. a própria Bienal de São Paulo excursiona pelo Estado. o Sesc é a referência fundamental da independência necessária das instituições culturais. Graças a seu apoio. curadoria de Paulo Herkenho . Contudo.o ataque não era à conhecida teórica do feminismo. O catálogo da mostra. o Sesc 24 de Maio. Primeiro pelo projeto de Paulo Mendes da Rocha. mas ao próprio Sesc. Mas. como Clara Ianni. mas que em São Paulo foi atualizada com artistas nacionais. é sensacional. por sua conduta de abrigar a produção de ponta no país. problematiza suas características e ainda centra na produção de afrodescendentes uma conquista importante do circuito. mas com o apoio de uma rede de pro ssionais que têm na arte sua preocupação central. Já a mostra de Herkenho ao invés de exaltar a cultura paulistana. no qual um dos textos é de Butler. a inauguração da nova sede no centro.

quiçá malfeito. desimportante e olvidável. . Admiro sua fé e tenho muito carinho por sua necessidade de organizar. classi car. De minha parte. separar o bom do mau. algum dia. do que emitir juízos. Mania de historiador. há de achar graça. Penso que lhe dá paz de espírito e um sentido para suas compulsões. em medida. Alguém. Fernando Limberger Contenção Verde e Botânica SP Pinacoteca de São P… - Seguir pra onde? - Não será a ponderação. e como esses valores mudam. Também amor pelo que é secundário. interesse ou uso naquilo que para você ou para mim hoje parece completamente descartável. a nossa arma contra os cínicos. há muito me interessa mais compreender como as coisas são valoradas. em critérios. que não mereça ter memória. É uma dessas raras almas que ainda acreditam em juízos de valor. o bom senso. E não ajudam em nada as teorias conspiratórias dos apocalípticos Fernanda Pitta Tenho um amigo que é obcecado por listas dos “melhores”. Ou uma espécie de religião que se recusa a achar que algo deva ser desprezado. vão dizer.

Deixamo-nos envolver por completo pela narrativa sem narrativa de The Clock. de Christian Marclay. Artistas como Mauro Resti e e Laercio Redondo abriram arquivos particulares e expuseram – sem traço de narcisismo – aquilo que há de mais poderoso na banalidade. Por m. tenho di culdade em fazer retrospectivas ou avaliações. a curadoria inteligente e discretíssima (por isso mesmo incrível e certeira) de Heloisa Espada nos mostrou outras duas exposições (ela também curou a t d M l ) á i A iS l M t P t Continuar lendo texto de Fernanda Pitta . em 2017 tivemos exposições com pesquisa criteriosa como a de Cícero Dias.Seja quais forem os motivos. Pudemos ver artistas poderosas como Terezinha Soares ou Leticia Parente. Ao contrário. Não por falta de coisas boas. Di Cavalcanti e Toulouse Lautrec.

É impressionante ver a ocupação do edifício em dias da semana. Aí está outro importante exemplo de pro ssionalismo no circuito da arte. "À Procura do Quinto Elemento". em um de seus mais nobres locais. projeto do escritório Andrade Morettin Arquitetos. Além do mais. Corpo a Corpo. como a Zum e a Serrote. com todos os seus espaços ocupados. na avenida Paulista. com curadoria de Thyago Nogueira e . especialmente a biblioteca. que esteve na exposição "Corpo a Corpo". e sua sede paulista também cria um espaço público raramente visto na cidade. O IMS possui programa e publicações impecáveis. a mostra inaugural. no IMS Foto: Pedro Vannucchi Tão signi cativo quanto o novo Sesc é a nova sede do Instituto Moreira Salles (IMS). de Barbara Wagner.

em parte por conta da natural sinergia que irradia do Ibirapuera. Agora mesmo em 2017. O mais preocupante. em um país marcado pela censura. A Bienal só ocorre neste ano. a dupla Elmgreen & Dragset foi responsável pela Bienal de Istambul.Valentina Tong. mas necessária. Ou seja. caso do coletivo Mídia Ninja. cargo que atualmente é exercido por Pérez-Barreiro. O discurso para apresentar A nidades Afetivas. é que em torno dos sete artistas escolhidos as temáticas apresentadas praticamente se resumem a temas particulares Pluralidade à vista da arte: a pintura. a Fundação Bienal se rende a curadores próximos da megacolecionadora Patricia Cisneros indicando Gabriel Pérez-Barreiro como responsável pela 33ª edição. a narrativa e assim por diante. em parte para impressionar o público externo. enquanto o mundo está se dissolvendo em con itos. Finalmente. é bonito. No caso desta edição. mas como seu curador foi selecionado em 2017. a tragédia. realmente é possível pois. com uma edição política. novamente. Feliz 2018! . traz obras sobre o tempo presente. na Bienal do Mercosul: convidando artistas para organizar mostras na bienal. o título da mostra. Muitas bienais já foram organizadas por artistas. Ele defende que esta edição questione o papel do curador usando uma fórmula utilizada por ele mesmo há dez anos. contudo. uma aproximação radical. a nal em torno dela o circuito se potencializa. já é possível antever o que vem por aí. e mostras com mais densidade costumam ser organizadas durante sua permanência. não dá para não falar da Bienal de São Paulo. que já foi curador da coleção Cisneros. a tradição. Há três edições o curador foi Luís Perez-Oramas. a abstração. além de trabalhos atuais que não costumam ser vistos como do campo artístico. como as de Barbara Wagner ou Jonathas de Andrade. mas vazio. a - Bienal vai falar do umbigo das artes.

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