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W423f Weinberg, Robert S.
Fundamentos da psicologia do esporte e do exercício [recurso eletrônico] /
Robert S. Weinberg, Daniel Gould ; tradução: Maria Cristina Gulart Monteiro,
Regina Machado Garcez ; revisão técnica: Dante de Rose Jr. – 6. ed. – Porto Alegre :
Artmed, 2017.

Editado como livro impresso em 2017.
ISBN 978-85-8271-348-8

1. Psicologia do esporte. 2. Gould, Daniel. I. Título.

CDU 796:159.9

Catalogação na publicação: Poliana Sanchez de Araujo – CRB 10/2094

FUNDAMENTOS DA PSICOLOGIA
DO ESPORTE E DO EXERCÍCIO
6a EDIÇÃO

ROBERT S. WEINBERG
Miami University
DANIEL GOULD
Michigan State University

Tradução
Maria Cristina Gularte Monteiro
Regina Machado Garcez
Revisão técnica
Dante de Rose Jr.
Doutor em Psicologia Social pelo Instituto de
Psicologia da Universidade de São Paulo (USP). Professor Titular aposentado da USP.

Versão impressa
desta obra: 2017

2017

Obra originalmente publicada sob o título Foundations of Sport and Exercise Psychology, 6th Edition
ISBN 9781450469814
All rights reserved. Except for use in a review, the reproduction or utilization of this work
in any form or by electronic, mechanical, or other means, now known or hereafter
invented, including xerography, photocopying, and recording, and in any information
storage and retrieval system, is forbidden without the written permission of the publisher.
Copyright © 2015, by Robert S. Weinberg and Daniel Gould
Originally published in English by Human Kinetics.

Gerente editorial
Letícia Bispo de Lima
Colaboraram nesta edição
Editora
Dieimi Deitos
Capa
Márcio Monticelli
Leitura final
Ronald Saraiva de Menezes
Editoração eletrônica
Bookabout – Roberto Carlos Moreira Vieira

Reservados todos os direitos de publicação à
ARTMED EDITORA LTDA., uma empresa do GRUPO A EDUCAÇÃO S.A.
Av. Jerônimo de Ornelas, 670 – Santana
90040-340 – Porto Alegre – RS
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SÃO PAULO
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É proibida a duplicação ou reprodução deste volume, no todo ou em parte,
sob quaisquer formas ou por quaisquer meios (eletrônico, mecânico, gravação,
fotocópia, distribuição na Web e outros), sem permissão expressa da Editora.

IMPRESSO NO BRASIL
PRINTED IN BRAZIL

Autores

Robert S. Weinberg, PhD, Daniel Gould, PhD, é dire-
é professor de cinesiologia e tor do Institute for the Study
saúde na Miami University, of Youth Sports e professor do
em Oxford, Ohio. Weinberg Departamento de Cinesiologia
tem mais de 30 anos de ex- na Michigan State ­University.
periência tanto nos aspectos É professor de psicologia do
acadêmicos como nos aspec- esporte há mais de 35 anos.
tos aplicados da psicologia do Pesquisador ativo, é coeditor
esporte. Escreveu inúmeros fundador da revista The Sport
artigos científicos, incluindo Psychologist e já publicou mais
mais de 150 artigos aprovados de 200 artigos sobre psicologia
em publicações acadêmicas, do esporte. É bastante conheci-
bem como livros, capítulos de do por conduzir pesquisas apli-
livros e artigos aplicados para técnicos, atletas e prati- cadas que unem pesquisa e prática.
cantes de exercícios. Eleito um dos dez maiores especialistas em psico-
Eleito um dos dez maiores especialistas em psicolo- logia do esporte da América do Norte, é reconhecido
gia do esporte da América do Norte pelos colegas, foi internacionalmente, tendo apresentado seu trabalho em
presidente da North American Society for Psychology mais de 30 países. Quando professor da University of
of Sport and Physical Activity (NASPSPA) e da Asso- North Carolina, em Greensboro, recebeu o cobiçado
ciation for Applied Sport Psychology (AASP). É consul- Prêmio Alumni de Excelência no Ensino, uma distin-
tor certificado da AASP, onde atua com atletas de todos ção no ensino universitário. É consultor certificado da
os esportes e idades. Association for the Applied Sport Psychology (AASP)
Em 2005, Weinberg foi nomeado Egrégio Doutor em e membro do Departamento de Psicologia Esportiva do
Psicologia do Esporte pela Miami University. Além dis- Comitê Olímpico dos Estados Unidos.
so, foi editor do Journal of Applied Sport Psychology e Gould foi presidente da AASP e da Sport ­Psychology
eleito membro notável do corpo docente na ­School of Academy, da entidade SHAPE America. Além de lecio-
Education and Allied Professions da Miami ­University, nar psicologia do esporte, está muito envolvido na for-
em 1998. mação de técnicos de esportes juvenis para competições
olímpicas e atua como consultor de treinamento de ha-
bilidades mentais para atletas profissionais, olímpicos e
de classe mundial. Nos últimos anos, tem atuado como
coach executivo para líderes empresariais interessados
em melhorar o desempenho de suas organizações.

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Agradecimentos

A sexta edição deste livro não teria sido possível sem o Myles Schrag, à editora de desenvolvimento Amanda
auxílio incansável de vários dedicados psicólogos do es- Ewing e à diretora editorial Casey Gentis pela atenção
porte e do exercício, de todas as partes do mundo. Gra- cuidadosa aos detalhes em todas as mudanças necessá-
ças a suas pesquisas, publicações e consultoria, o campo rias em uma revisão tão extensa. Dan deseja agradecer,
avançou muito nos últimos anos, e é por essa razão que ainda, a Noris Pennisi pela ajuda ao editar e organizar
agradecemos a todos por seu empenho. materiais para esta edição do livro.
Também gostaríamos de agradecer aos professores, Finalmente, gostaríamos de agradecer a nossas fa-
técnicos, especialistas da medicina esportiva e aos atle- mílias. Em particular, Dan gostaria de agradecer à sua
tas com quem tivemos a oportunidade de conviver. Na esposa, Deb, e a seus filhos, Kevin e Brian. Bob gosta-
verdade, eles nos ensinaram muito sobre psicologia do ria de agradecer a seus pais (falecidos após a conclusão
esporte e do exercício. da quarta edição), a seu irmão, Randy, e a seus filhos,
Gostaríamos de agradecer à equipe da Human Kine- Josh e Kira; e, mais recentemente, a Elaine. Todos me-
tics por ajudar a tornar este livro possível. Em particular, recem muitos agradecimentos pelo apoio incondicional.
nosso agradecimento especial ao editor de aquisições Portanto, obrigado a todos!

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Ao professor

A psicologia do esporte e do exercício alterou signifi- como oportunidade para os leitores pensarem mais cri-
cativamente nossas vidas e as de muitos atletas, treina- ticamente sobre a aplicação do material, levando-os da
dores e outros profissionais do esporte e do exercício pesquisa à prática.
com os quais trabalhamos e a quem treinamos durante Também passamos um bom tempo melhorando o
todos esses anos. Sentimo-nos enriquecidos pelo estu- pacote de materiais auxiliares para que os professores
do dessa área e queremos oferecer algo em retribuição ofereçam o melhor ambiente de aprendizagem aos alu-
com este livro introdutório abrangente sobre a psicologia nos. O material (em inglês) explicado a seguir acompa-
do esporte e do exercício. Nas cinco primeiras edições, nha o livro. Para ter acesso a ele, você deve acessar a
nosso objetivo foi criar um livro para as aulas de intro- área exclusiva para professores no link do livro em lo-
dução à psicologia do esporte e do exercício que reu- ja.grupoa.com.br:
nisse pesquisa e prática atualizadas, abrangendo o me-
lhor daquilo que aprendemos com técnicos, acadêmicos, • Pacote de Apresentação e mais Banco de Imagens.
praticantes de exercícios, profissionais da medicina do O pacote de apresentação tem mais de 1.000 eslaides
esporte e da saúde e atletas. Seguimos essa orientação baseados no material do livro. Além disso, mais de
geral nesta sexta edição. 50 eslaides incluem figuras e tabelas-chave a partir
Desde nossa primeira edição temos recebido muito do texto, e mais de 100 eslaides remetem aos novos
feedback de professores e estudantes indicando o atin- vídeos instrucionais (ver adiante mais dados sobre
gimento de nosso objetivo. Ficamos satisfeitos que o esse novo material auxiliar). Ao mesmo tempo em
livro tenha ajudado a preencher uma lacuna no ensino que aperfeiçoamos esse material, propositadamente
da psicologia do esporte e do exercício. Porém, como mantivemos muito do conteúdo das edições anterio-
qualquer texto acadêmico, há sempre espaço para me- res nos eslaides. Nem todos os professores ensinam
lhoria e atualização, daí nossa decisão de fazer uma sex- fazendo uso de todos os capítulos do livro e há os
ta edição. Nela, mantivemos as metas e os objetivos bá- que passam mais tempo em um capítulo especial que
sicos das cinco primeiras edições e tentamos, também, em outros. Assim, não quisemos reduzir o conteú-
incorporar os comentários e as sugestões apropriadas do do Pacote de Apresentação. Você tem a liberdade
que recebemos para fazer deste um livro ainda melhor. de modificar os eslaides sempre que precisar aten-
Entretanto, visto que professores e estudantes aparen- der a suas necessidades. O Banco de Imagens (novo
temente apreciaram nossa orientação básica e o forma- na sexta edição) inclui todas as figuras e tabelas do
to do texto, decidimos não fazer “alterações a granel”, livro, separadas por capítulo. Esses itens podem ser
embora algumas certamente tenham sido feitas. adicionados ao Pacote de Apresentação, ao material
Atualizamos, por exemplo, todos os capítulos com dado aos alunos e assim por diante.
as mais recentes pesquisas e práticas na psicologia do • Pacote de Testes. O Pacote de Testes tem mais de
esporte e do exercício. Isso inclui a revisão das refe- 780 perguntas de múltipla escolha para utilização,
rências para abordar fontes mais atuais. Em alguns ca- baseadas no texto. As perguntas foram atualizadas
sos, essas mudanças foram consideráveis, na medida para refletir o novo conteúdo adicionado ao texto.
em que a pesquisa e as subsequentes implicações para • Perguntas Rápidas de Capítulos. Novas na sexta
uma melhor prática apresentaram um desenvolvimento edição, essas perguntas podem ser usadas para me-
significativo. Em outros capítulos, as mudanças foram dir a aprendizagem do aluno sobre os conceitos mais
menos drásticas, porque aquelas áreas específicas não importantes de cada capítulo. Duzentas e quarenta
se desenvolveram nem se alteraram significativamente perguntas (dez por capítulo) foram incluídas no for-
nos últimos anos. Também apresentamos mais exem- mato de múltipla escolha.
plos práticos, estudos de caso e relatos experimentais • Guia do Professor. O Guia do Professor traz um
ainda mais atuais, para ajudar os estudantes a entender esboço do curso para a organização das apresenta-
as várias teorias, conceitos e pesquisas. Questionamen- ções e capítulos. Inclui ainda exercícios adicionais
tos aprofundados são feitos ao final de cada capítulo de sala de aula; um esboço detalhado das aulas des-

x  Ao professor

taca material-chave a ser discutido para cada capí- respondem à maior parte dos 24 capítulos do l­ivro.
tulo posterior. (Obs.: é necessária uma conexão de rede para a vi-
sualização dos conteúdos em vídeo.)
• Vídeos (disponíveis na área de conteúdo online no
link deste livro, em loja.grupoa.com.br). Nova na Quando você terminar de ministrar o curso, gostaría­
sexta edição é uma biblioteca de videoclipes online mos de conhecer sua opinião sobre o livro. Nós o es-
que os professores podem utilizar durante as expo- crevemos para estudantes, mas os professores estão em
sições em sala de aula ou em cursos online. Os vi- excelente posição para dar um retorno que ajude a satis-
deoclipes incluem entrevistas com importantes espe- fazer melhor às necessidades dos estudantes no futuro.
cialistas na área, demonstrações de técnicas da psi- (As opiniões recebidas anteriormente foram de imensa
cologia do esporte e do exercício e entrevistas com ajuda na revisão das cinco primeiras edições.) Espera-
treinadores, atletas e praticantes de exercícios. Mais mos que você aprecie ensinar a psicologia do esporte e
de 70 videoclipes especiais foram incluídos e cor- do exercício tanto quanto nós.

Ao estudante

O estudo do comportamento humano é ao mesmo tem- informações mais atualizados e relevantes no campo da
po complexo e importante e, por isso, vem intrigando as psicologia do esporte e do exercício. Mas pretendemos
pessoas há muitos anos. Este livro enfoca o comporta- fazer isso de uma forma simples para que você possa
mento humano em determinadas situações – isto é, em implementar facilmente as informações e o conhecimen-
situações esportivas e de exercício. Basicamente, exa- to em sua vida pessoal e profissional. Sua jornada só
mina o que motiva as pessoas, o que as irrita e o que as terminará quando você for capaz de captar essas infor-
amedronta; como elas regulam seus pensamentos, sen- mações e usá-las na vida cotidiana. Você pode usar esta
timentos e emoções; e como seus comportamentos po- introdução como um mapa para atingir dois objetivos:
dem tornar-se mais eficazes. (a) melhor entendimento da psicologia do esporte e do
Talvez você esteja se preparando para ser um pro- exercício e (b) entendimento de como usar ou aplicar o
fessor de educação física, um técnico, um instrutor de conhecimento da psicologia do esporte e do exercício.
academia, um preparador físico, um médico do espor- Este livro divide-se em sete partes:
te ou mesmo um psicólogo do esporte. Ou, talvez, es-
teja simplesmente curioso sobre como as pessoas se I. Largada
comportam em situações esportivas e de exercício e II. Entendendo os participantes
por que têm esses comportamentos. De qualquer for- III. Entendendo os ambientes de esporte e de exercício
ma, Fundamentos da psicologia do esporte e do exer­ IV. Concentrando-se nos processos de grupo
cício foi planejado para atender às suas necessidades V. Melhorando o desempenho
de informação. Esperamos que este livro ofereça uma VI. Melhorando a saúde e o bem-estar
visão geral da psicologia do esporte e do exercício, VII. Facilitando o crescimento e o desenvolvimento
transponha a lacuna entre pesquisa e prática, transmita psicológicos
princípios fundamentais de prática profissional, bem Embora seja preferível que a leitura dessas partes
como abranja um pouco do empolgante mundo do es- e seus capítulos seja feita em sequência, seu professor
porte e do exercício. pode decidir mudar a ordem para adequar-se à sua clas-
se em particular. Não há problemas quanto a isso, pois
Seu mapa para entender a planejamos cada capítulo como único, sem depender do
conhecimento dos capítulos anteriores. A única exceção
psicologia do esporte e do exercício em relação a essa diretriz é o Capítulo 1, que recomen-
damos que seja lido primeiro, em especial se esta for
A maioria das pessoas não entra em um carro para ini- sua introdução a esse campo de conhecimento. Se útil,
ciar uma longa viagem sem um destino em mente e um pense nos capítulos como paradas individuais em um
plano de como chegar até lá. Você escolhe um lugar es- caminho que compõe sua jornada. Cada parada (capí-
pecífico e usa um mapa ou um GPS para encontrar o tulo) é necessária para criar uma via que conduza a um
caminho melhor e mais agradável. destino. Mas você pode optar por não fazer determina-
Ironicamente, contudo, alguns estudantes leem os li- da parada, permanecer em outra por um breve período
vros sem qualquer planejamento e destino educacional ou iniciar o caminho pela extremidade oposta. Todas as
(que não o de completar a tempo as tarefas para o dia paradas são necessárias para concluir a jornada, ainda
seguinte). Deixar de estabelecer uma meta e um plano que você não precise “visitar” cada parada para chegar
de estudos em relação a seus livros é como dirigir sem ao fim do caminho.
destino, sem um mapa ou um GPS: perde-se muito tem- O mapa prático de cada capítulo irá ajudá-lo a mo-
po dirigindo sem rumo. vimentar-se pelo texto em qualquer ordem que seu pro-
Sua compreensão da psicologia do esporte e do exer- fessor estabeleça. O modelo nesta introdução ajudará a
cício será mais fácil se você estabelecer um plano e reunir as partes em um todo coerente. Nele, você obser-
mantiver um objetivo em mente enquanto lê este livro. vará oito paradas – pontos de interesse – em sua jornada
O que queremos é fornecer-lhe os conhecimentos e as de entedimento da psicologia do esporte e do exercício.

xii  Ao estudante

I Largada IV Concentrando-se nos
processos de grupo

II Entendendo
os participantes

III Entendendo os
ambientes de
esporte e de
exercício

A Parte I, Largada, é onde você prepara a jornada. No Melhorando o desempenho, é uma das paradas mais de-
Capítulo 1, você será apresentado ao campo da psico- moradas em nossa jornada, consistindo em seis capítu-
logia do esporte e do exercício, à sua história e às suas los. Nela, você aprenderá a desenvolver um programa
orientações atuais, bem como aos prováveis caminhos de treinamento de habilidades psicológicas para regu-
para o futuro. Também aprenderá o quanto a pesquisa e lar a ativação, usar mentalizações para melhorar o de-
a prática estão ligadas e o modo como pode tornar essa sempenho, aumentar a autoconfiança, estabelecer metas
ligação ainda mais forte. efetivas e fortalecer a concentração.
A próxima parada em sua jornada é a Parte II, Enten- A Parte VI, Melhorando a saúde e o bem-estar, apre-
dendo os participantes. Ensino, instrução e treinamento senta os papéis conjuntos de desenvolvimento psicoló-
efetivos baseiam-se no entendimento da constituição psi- gico e físico na motivação das pessoas para o exercício,
cológica das pessoas com as quais você trabalha – o que aproveitando os benefícios do exercício, tratando de le-
as motiva! Portanto, os três capítulos dessa parte cen- sões esportivas e auxiliando a reabilitação. Você encon-
tram-se nos indivíduos, sejam eles praticantes de exer- trará informações cruciais sobre o combate ao abuso de
cícios, atletas, pacientes em reabilitação ou alunos de substâncias, aos transtornos alimentares, à dependência
educação física. Esse material irá ajudá-lo a entender as do exercício e ao treinamento excessivo.
pessoas em termos de suas personalidades, orientações Uma das funções mais importantes dos profissionais
motivacionais, motivação para realização, competitivi- do esporte e do exercício é ajudar as pessoas no cresci-
dade e níveis de ansiedade. mento psicológico e no desenvolvimento do caráter.
Você também deve avaliar as situações ou os ambien- A Parte VII, Facilitando o crescimento e o desenvol-
tes em que as pessoas atuam. Por essa razão, a Parte III, vimento psicológicos, conclui o livro com discussões
Entendendo os ambientes de esporte e de exercício, exa- acerca de três tópicos especiais: crianças no esporte,
mina influências ambientais importantes que afetam os agressão e desenvolvimento do caráter.
participantes de esportes e exercícios. Você aprenderá O livro termina com uma curta seção que chamamos,
sobre competição e cooperação e sobre como feedback apropriadamente, de Continuando sua jornada. Aqui, re-
e reforço influenciam as pessoas. forçamos a orientação de pesquisa voltada à prática en-
A quarta parada em sua jornada é a Parte IV, Concen- contrada ao longo do livro. Após estudar as sete partes
trando-se nos processos de grupo, que tem como foco do livro, você terá não apenas uma excelente ideia so-
o funcionamento de grupos. A maioria dos professores, bre do que a psicologia do esporte e do exercício trata,
técnicos e instrutores trabalha com grupos; portanto, é mas também um conhecimento específico sobre como
fundamental entender as dinâmicas, a coesão de grupo, usar efetivamente tais informações.
a liderança e a comunicação. Temas como coesão de Um mapa ou um GPS de pouco adianta se guardado
grupo, ociosidade social, estrutura do grupo e estilos de no porta-luvas do carro. Isso também é verdadeiro para
liderança são abordados nessa seção. o modelo que empregamos. Assim, antes de ler um ca-
Melhorar o desempenho do indivíduo é o esteio da pítulo, veja onde ele se enquadra em toda a jornada. E,
psicologia do esporte e do exercício. Por isso, a Parte V, à medida que avançar na leitura, pergunte-se:

ou será uma combinação desses objetivos? Vídeos online 4. questões de revisão e questões de pen- fluenciarão a forma como usarei e modificarei es. em cada capítulo resumem informações cruciais a se. grupoa. Dan Gould. Você pode acessar os vídeos (em inglês) no material tificar e reter informações-chave. Que considerações pessoais e circunstanciais in. Os estudos de caso estão identificados por meio deste ícone: . O que posso fazer.com. Meu objetivo inicial ao usar essas informações será pítulo. Eis um exemplo de um ponto-chave: mativos. termos-chave. um dos coautores deste livro. Inicie a experiência rea- lizando esta atividade: PONTO-CHAVE  A psicologia do esporte e do exer- cício consiste no estudo científico de pessoas e seus comportamentos em atividades esportivas e atividades VEJA Na Atividade Introdutória 1 (em inglês). como profissional. As barras laterais destacam novas pesquisas. físicas e na aplicação prática desses conhecimentos. demonstrando um exercício ou Aspectos do livro-texto debatendo um assunto importante. Esperamos que você os considere infor- rem lembradas. interessantes e agradáveis – uma outra forma de aprofundar o aprendizado. uma lista de 2. você irá se deparar com esses avisos: Ajuda em sua jornada VEJA: estas atividades o direcionam a assistir a Tentamos tornar este livro acessível ao leitor de várias um vídeo que mostra consultores da psicologia formas.br. a tópicos importantes. estu- dos de caso e exemplos de pesquisa aplicada à prática. No final de cada capítulo você encontrará Auxílios sas informações de modo efetivo? ao Aprendizado – um resumo do capítulo. Como posso integrar essas informações e chegar a estratégias eficazes e efetivas para a prática? Os vídeos online (em inglês) também são um recurso valioso a ser usado ao longo do livro. se desenvolver e a crescer pessoalmente. seja conversando diretamen- te com um atleta. No decorrer da leitura. samento crítico – que possibilitarão a confirmação de sas informações? que você entendeu em profundidade o conteúdo do ca- 3. Há muitos elementos no livro que serão úteis para iden. apresenta o campo da psicologia do esporte e do exercício. em loja. Aspectos essenciais complementar disponível no link deste livro. além de oportunizar uma análise consistente de ajudar os praticantes a melhorar seu desempenho. do esporte em ação. o Dr. Ao estudante  xiii VI Melhorando a saúde e o bem-estar Continuando sua jornada V Melhorando o desempenho VII crescimento Facilitando o eo desenvolvimento psicológicos 1. para usar es.

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....................145 Reconhecendo a diferença entre grupos e equipes 146 • Identificando três teorias de desenvolvimento de grupo 146 • Entendendo a estrutura do grupo 148 • Criando um clima de equipe efetivo 153 • Maximizando o desempenho individual em esportes coletivos 155 ........ 25 Definindo personalidade 25 • Entendendo a estrutura da personalidade 26 • Estudando a personalidade a partir de cinco pontos de vista 27 • Avaliando a personalidade 32 • Usando medidas psicológicas 35 • Foco na pesquisa da personalidade 37 • Examinando estratégias cognitivas e sucesso 41 • Identificando seu papel no entendimento da personalidade 43 3 Motivação......................................................................................................................................... 97 Definindo competição e cooperação 97 • A competição como um processo 99 • Revisando estudos de competição e cooperação 102 • Determinando se a competição é boa ou ruim 106 • Aumentando a cooperação 109 6 Feedback................................................... 47 Definindo motivação 47 • Revisando três abordagens sobre motivação 48 • Cinco diretrizes para desenvolver a motivação 50 • Desenvolvendo uma visão realista de motivação 54 • Entendendo a motivação para realização e competitividade 55 • Identificando quatro teorias de motivação para realização 57 • Desenvolvendo a motivação para realização e competitividade 64 • Usando a motivação para realização na prática profissional 65 4 Ativação................................................................................. reforço e motivação intrínseca..................................115 Princípios do reforço 115 • Abordagens que influenciam o comportamento 116 • Diretrizes para uso de reforço positivo 116 • Diretrizes para uso de punição 121 • Modificação comportamental no esporte 122 • Modificação comportamental e terapia cognitivo-comportamental 126 • Motivação intrínseca e recompensas extrínsecas 126 • Teoria da avaliação cognitiva 130 • Como recompensas extrínsecas afetam a motivação intrínseca no esporte 132 • Estratégias para aumentar a motivação intrínseca 134 • Fluência – um caso especial de motivação intrínseca 136 PARTE IV   Concentrando-se nos processos de grupo 7 Dinâmicas de grupo e equipe........................................................................................... 71 Definindo ativação e ansiedade 71 • Medindo ativação e ansiedade 73 • Definindo estresse e entendendo o processo de estresse 75 • Identificando as fontes de estresse e ansiedade 77 • Relacionando ativação e ansiedade com desempenho 79 • Aplicando conhecimento à prática profissional 89 PARTE III   Entendendo os ambientes de esporte e de exercício 5 Competição e cooperação.............................................................................................. Sumário PARTE I  Largada 1 Bem-vindos à psicologia do esporte e do exercício..............................3 Definindo psicologia do esporte e do exercício 4 • Especialização em psicologia do esporte 4 • Como diferenciar duas especialidades 5 • Revisão histórica da psicologia do esporte e do exercício 6 • Foco na psicologia do esporte e do exercício no mundo 11 • União da ciência e da prática 11 • Escolha entre muitas orientações para a psicologia do esporte e do exercício 16 • Tendências atuais e futuras 18 PARTE II   Entendendo os participantes 2 Personalidade e esporte................................................................................................... estresse e ansiedade..........................

....... por que e o que 276 • Fatores que influenciam a eficácia da mentalização 280 • Como funciona a mentalização 281 • Usos da mentalização 284 • Segredos da mentalização efetiva 287 • Como desenvolver um programa de treinamento da mentalização 289 • Quando usar mentalização 295 14 Autoconfiança...................................................................................................................................................................165 Definição de coesão 166 • Modelo conceitual de coesão 167 • Instrumentos para medir a coesão 169 • Relação entre coesão e desempenho 171 • Outros fatores associados à coesão 172 • Estratégias para melhorar a coesão 175 • Diretrizes para desenvolver a coesão de equipe 179 9 Liderança......................253 Aumentando a autoconsciência da ativação 254 • Usando técnicas de redução da ansiedade 255 • Explorando a hipótese de correspondência 263 • Lidando com a adversidade 264 • Usando técnicas de indução de ativação 268 13 Mentalização.....................................................................................................187 Definição de liderança 187 • Abordagens ao estudo da liderança 188 • Abordagens interacionais orientadas à liderança no esporte 193 • Pesquisa sobre o modelo multidimensional de liderança esportiva 198 • Intervenções de treinamento de liderança 201 • Quatro componentes da liderança efetiva 201 • A arte da liderança 204 10 Comunicação...................299 Definindo autoconfiança 300 • Entendendo como as expectativas influenciam o desempenho 306 • Examinando a teoria da autoeficácia 309 • Avaliando a autoconfiança 314 • Desenvolvendo a autoconfiança 315 15 Estabelecimento de metas...207 Entendendo o processo de comunicação 208 • Enviando mensagens efetivamente 209 • Recebendo mensagens efetivamente 215 • Identificando ruídos na comunicação 218 • Melhorando a comunicação 220 • Lidando com confronto 222 • Proferindo críticas construtivas 224 PARTE V   Melhorando o desempenho 11 Introdução ao treinamento de habilidades psicológicas.............................................................................................................................................................................................................................................................................343 Definindo concentração 344 • Explicando o foco de atenção: três processos 347 • Associando concentração a desempenho máximo 349 • Identificando tipos de foco de atenção 350 • Reconhecendo problemas de atenção 350 • Usando o diálogo interior para aumentar a concentração 358 • Avaliando habilidades de atenção 363 • Melhorando a concentração 365 • Desenvolvimentos futuros no treinamento da concentração 370 PARTE VI   Melhorando a saúde e o bem-estar 17 Exercício e bem-estar psicológico................................273 O que é mentalização 274 • Evidência de efetividade da mentalização 275 • Mentalização no esporte: onde.............................................................375 Reduzindo a ansiedade e a depressão com exercícios 376 • Entendendo o efeito do exercício no bem-estar psicológico 381 • Alterando personalidade e funcionamento cognitivo com exercícios 382 • Melhorando a qualidade de vida com exercícios 386 • Examinando o “barato do corredor” 388 • Usando o exercício como auxiliar à terapia 389 ................. quando...............................................................................................................................................................231 O que é treinamento de habilidades psicológicas 231 • Por que o THP é importante? 232 • Por que esportistas e praticantes de exercícios negligenciam o THP 234 • Mitos sobre o THP 236 • A base teórica do THP 237 • Efetividade do THP 239 • Três fases de programas de THP 240 • Autorregulação: o objetivo final do THP 241 • Quem deve conduzir programas de THP 242 • Quando implementar um programa de THP 243 • Desenvolvimento de um programa de THP 244 • Problemas comuns na implementação de programas de THP 250 12 Regulação da ativação................................................................................323 Definição de metas 323 • Efetividade do estabelecimento de metas 325 • Princípios do estabelecimento de metas 329 • Desenvolvimento de metas de grupo 335 • Modelo de um sistema de estabelecimento de metas 336 • Problemas comuns no estabelecimento de metas 338 16 Concentração.......................................................................................xvi  Sumário 8 Coesão de grupo...............................

.............................. estafa e burnout 472 • Modelos de burnout 473 • Fatores que levam o atleta a treinamento excessivo e burnout 477 • Sintomas de treinamento excessivo e de burnout 479 • Formas de medir o burnout 481 • Burnout em profissionais do esporte 481 • Tratamento e prevenção do burnout 484 PARTE VII   Facilitando o crescimento e o desenvolvimento psicológicos 22 Crianças e a psicologia do esporte................................................................................................................................................................................549 Índice .547 Referências ................................. estafa e burnout 470 • Frequência de treinamento excessivo..........................................................................................................................................................................................................591 ................................................................................................................................................................................491 A importância de estudar a psicologia de atletas jovens 491 • Razões para participação e não participação das crianças 492 • Papel dos amigos no esporte infantojuvenil 496 • Estresse e burnout no esporte competitivo infantojuvenil 497 • Práticas efetivas para treinar atletas jovens 501 • O papel dos pais 504 • A profissionalização dos esportes infantojuvenis 506 23 Agressividade no esporte........513 Definição de agressividade 514 • Entendendo as causas da agressividade 515 • Examinando a agressão no esporte: considerações especiais 519 • Aplicação dos conhecimentos à prática profissional 522 24 Desenvolvimento do caráter e do espírito esportivo...........527 Definição de caráter.....................................393 Razões para se exercitar 394 • Razões para não se exercitar 396 • Problemas de adesão ao exercício 398 • Teorias e modelos de comportamento de exercício 399 • Determinantes da adesão ao exercício 403 • Ambientes para intervenções de exercício 411 • Estratégias para aumentar a adesão ao exercício 412 • Orientações para melhorar a adesão ao exercício 419 19 Lesões esportivas e psicologia...........................423 O que é lesão? 423 • Causas de lesão 424 • Relação entre estresse e lesão 427 • Outras explicações psicológicas para lesão 427 • Reações psicológicas a lesões esportivas e do exercício 429 • Papel da psicologia do esporte na reabilitação de lesões 431 • Identifique atletas e praticantes de execícios com risco de lesão 433 20 Comportamentos dependentes e patológicos.............................................................. espírito esportivo e bom comportamento esportivo 527 • Desenvolvimento do caráter e do espírito esportivo: três abordagens 530 • Examinando a pesquisa sobre o desenvolvimento moral 534 • Entendendo a relação entre raciocínio moral e comportamento moral 534 • Estudando a relação entre desenvolvimento do caráter e atividade física 536 • Prática orientada para o desenvolvimento do caráter 541 Continuando sua jornada .......................................................................469 Definições de treinamento excessivo.............. Sumário  xvii 18 Comportamento e adesão ao exercício.................439 Transtornos alimentares 440 • Abuso de substâncias 448 • Adição ao exercício 459 • Jogo compulsivo: um potencial criador de problemas 462 21 Burnout e treinamento excessivo.....................................................................................

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PARTE I Largada .

Dan Gould apresenta (em inglês) a vez que a união entre a ciência e a prática é um conceito Parte I do livro na Atividade Introdutória. discu- tiremos orientações ao estudo na área e apresentaremos orientações e oportunidades futuras neste campo. os conhecimentos científico e prático. descre. Essas informações podem O Capítulo 1 apresenta a área. melhor assistência psicológica aos alunos. formas de aquisição de conhecimento na psicologia do para sua jornada rumo à compreensão da psicologia nesta esporte e do exercício. aos atletas e veremos o objeto desse campo em constante expansão. importante. enfatizando a importância de unir área de atuação. que fazem os psicólogos do esporte e do exercício. detalha um pouco de sua ajudá-lo a decidir se deseja ou não seguir uma carreira história e define sua atual condição. aos praticantes de exercícios. possibilitando tureza da psicologia do esporte e do exercício.Onde você se enquadra no campo da psicologia do esporte e do exercício? Nesta seção inicial. Uma VEJA O Dr. Descreveremos o na psicologia do esporte e do exercício. . Primeiro. para informá-lo sobre a na. concentramo-nos em preparar você. o capítulo também apresenta as principais futuro profissional da ciência do esporte e do exercício.

diretora de condicionamento físico do Centro hesita quando precisa dar uma arrancada. Entretanto. tem dúvidas quanto ao papel desempenha. ele ainda poupa o joelho lesionado e Beth. Tyler está fisicamente recuperado. porém. pedi- seu desejo é seguir carreira em alguma área da saúde. um emprego de consultor. State College. que. . psicólogo do esporte e torcedor veterano de bei- porque alguns pacientes interrompem os programas de sebol. a psicologia do esporte e do exercício pode ajudá-lo a resolver problemas práticos. você deverá ser capaz de: 1. assisten. alcançou 99% de recuperação física após pior ele joga. con. fica visivelmente nervoso em competi. fartos da falta de coesão do time. 1 Bem-vindos à psicologia do esporte e do exercício Após ler este capítulo. Patty e Tom enfrentam. Quanto mais crítica a situação. armador do time de basquetebol da escola Patty é a técnica principal de atletismo do Campbell de ensino médio. também encontrará os tipos de situações que Mario sempre quis ser professor de educação física. Mario. Neste capítulo. tratado como consultor de psicologia esportiva do time. sente-se frustrado atualmente. Patty sabe que de Reabilitação Cardíaca do St. ções. Descrever oportunidades de carreira e tendências futuras na área Jeff. do a essa interessante área de estudo e aprenderá como jar em atividades físicas. será con- biológicas. uma cirurgia no joelho. Entender o que fazem os especialistas em psicologia do esporte e do exercício 3. Distinguir o conhecimento obtido cientificamente do conhecimento obtido na prática profissional 6. preparador físico ou mesmo psicólogo o uso da atividade física como remédio. Lisa. resolver problemas dessa natureza e muitas outras preo­ der habilidades de condicionamento para a vida toda. você será apresenta- Seu objetivo é motivar os alunos sedentários a se enga. Jeff. mas precisa retomar duz um programa de condicionamento aeróbico para pa. Descrever o que é a psicologia do esporte e do exercício 2. O maior desafio de seu técnico nesta tem. nas práticas. sua confiança. Conhecer o treinamento necessário para ser um psicólogo do esporte e do exercício 4. Beth. Integrar conhecimentos empíricos e científicos 7. mais nervoso fica e Tyler Peete. Se Tom puder criar te médica ou fisioterapeuta. ela está preocupada Tom. namento em habilidades psicológicas. Entender os principais desenvolvimentos na história da psicologia do esporte e do exercício 5. Peter’s Hospital. Comparar e diferenciar as orientações práticas 8. Se você vier a ser um técnico. instrutor. Os proprietários Lisa está se graduando em cinesiologia e sabe que do Chicago Cubs. professor de em especial na sua relação com o bem-estar holístico e educação física. cupações práticas. cientes em recuperação. A psi- No entanto. ram-lhe que planejasse rapidamente um programa de trei- como concluir o curso e tornar-se ortopedista. do pelos fatores psicológicos na medicina preventiva. porque seus cologia do esporte e do exercício oferece recursos para alunos do ensino médio têm pouco interesse em apren. A estrela da equipe de corrida da escola. Embora adore as ciências um programa consistente até a semana seguinte. Os técnicos observaram. do esporte. seus sonhos. porada será ajudar Jeff a aprender a controlar o estresse. acabou de ser sondado para ocupar a posição de exercícios quando começam a se sentir melhor.

2008). indivíduos física e mentalmente inca- do exercício tendo em mente dois objetivos: (a) entender como os fatores psicológicos afetam o desempenho físi. por exemplo. com indivíduos física e mentalmente incapa- científico de pessoas e seus comportamentos em con- citados. de que modo correr durante 20 minutos quatro vezes • A participação em atividades físicas na faculdade fa. desenvolvendo estratégias para encorajar p­ essoas e diretrizes que os profissionais podem empregar para sedentárias a se exercitarem ou avaliando a eficácia do ajudar adultos e crianças a participarem e se beneficia- exercício como tratamento para a depressão. satisfação em esportes e exercícios afeta o desenvolvimento psico. alguns indivíduos estão começando a enfatizar apenas cício consiste no estudo científico de pessoas e seus os aspectos relacionados ao exercício e à saúde nesse comportamentos em atividades esportivas e ativida.4  Fundamentos da psicologia do esporte e do exercício Definindo psicologia A psicologia do esporte aplica-se a uma ampla parce- la da população. mente cada um desses papéis. atividades profissionais: fazer pesquisa. A maioria dos psicólogos do esporte • Correr reduz a ansiedade e a depressão? e do exercício ligados a uma universidade realiza pes- • Atletas jovens aprendem a ser excessivamente agres. lógico. Os psicó- fatores psicológicos envolvidos no exercício e na saú- logos do esporte e do exercício identificam princípios de. Desempenham três papéis básicos nas • O treinamento mental facilita o processo de recupera. pessoal e desenvolvimento mediante as atividades. meio de pesquisas. os psicólogos do esporte e do exercício otimista do futuro? são membros de equipes de pesquisa multidisciplinares . pacitados. o campo é atualmen- te chamado de psicologia do esporte e do exercício. por semana afeta os níveis de ansiedade de uma pessoa vorece o desenvolvimento da personalidade? ou qual a relação entre educação do movimento e auto- • A fisioterapia influencia a saúde física de um atleta conceito entre alunos de educação física do ensino fun- lesionado além de ajudá-lo a criar uma visão mais damental. lecionar e ­atuar ção em atletas e praticantes de exercício lesionados? como consultores (ver Figura 1. idosos e praticantes em geral a alcançar co de um indivíduo e (b) entender como a participação o máximo de participação e desempenho. crianças. estudar o que motiva sivos ao praticar esportes para sua faixa etária? as crianças a participarem em esportes. • Como a ansiedade afeta a precisão de um jogador de basquetebol em um arremesso de lance livre? • A falta de autoconfiança influencia a capacidade de Especialização em psicologia do esporte uma criança de aprender a nadar? • De que modo o reforço e a punição por parte de um Os psicólogos contemporâneos do esporte seguem car- técnico influenciam a coesão de um time? reiras variadas. Hoje. Embora alguns profissionais a empre- do esporte e do exercício guem para ajudar atletas de elite a atingirem o desem- penho máximo.1). campo de atuação. com idosos e com praticantes normais. des físicas e na aplicação prática desse conhecimento. fletir essa ampliação do interesse. como a menta- • A participação diária em aulas de educação física lização influencia a competência em uma tacada de gol- melhora a autoestima de uma criança? fe. Eles podem. muitos outros estão preocupados com Psicologia do esporte e do exercício consiste no estudo crianças. e PONTO-CHAVE  A psicologia do esporte e do exer. Discutiremos breve- • De que forma o estilo de comunicação de um pro. quisas. PONTO-CHAVE  Os psicólogos do esporte e do exercício procuram entender e ajudar atletas de eli- A maioria das pessoas estuda psicologia do esporte e te. a saúde e o bem-estar de uma pessoa. fissional da saúde influencia a adesão do paciente a uma agenda de exercícios de reabilitação em casa? O papel de pesquisador Objetivo B: entender os efeitos da participação em A principal função dos participantes de qualquer campo atividades físicas sobre o desenvolvimento psico.1 (em inglês) irá ajudá-lo a entender os objetivos da psicologia do esporte gicos sobre o desempenho físico ou motor. Elas reali- zam esse estudo fazendo os seguintes tipos de perguntas: Objetivo A: entender os efeitos de fatores psicoló- VEJA A Atividade 1. e do exercício. Cada textos esportivos e de exercício e na aplicação prática vez mais os psicólogos do esporte se concentram nos desse conhecimento (Gill e Williams. Para re- rem de atividades esportivas e de exercício. a saúde e o bem-estar. acadêmico é aumentar o conhecimento do campo por lógico.

e centenas de outras cionais. se trabalharem em um programa de esporte. O papel de professor Alguns consultores trabalham como auxiliares. discutimos a diferença entre essas duas ciência do esporte. Bem-vindos à psicologia do esporte e do exercício 5 Ensino Pequisa Consultoria FIGURA 1. as- . apoiando clínicas de medicina esportiva ou fisioterapia. A seguir. grave ou tendências suicidas). Autorizados pelos conse- sidades importantes empregam consultores de psicolo. os psicólogos clínicos do esporte recebem treina- equipes e atletas usam consultores em um esquema de mento adicional em psicologia do esporte e do exercício meio turno para o treinamento de habilidades psicológi. discussões e debates saudáveis em en. que estudam problemas como adesão ao exercício. organizações e publicações de psicologia do esporte e Atualmente. Então. alguns psicólogos do esporte e do exer- do exercício”). oferecen- Muitos especialistas em psicologia do esporte e do exer. Eles são essenciais porque. Muitos consultores da área trabalham contros profissionais e em publicações (ver “Principais com treinadores em clínicas e seminários. pla- nejando programas de exercício que aumentem a parti- cipação e promovam o bem-estar psicológico e físico. auxiliando-os a preparar as tropas para um tamento do HIV. Como diferenciar duas especialidades bém podem ministrar cursos como psicologia da per- sonalidade ou psicologia do desenvolvimento. compartilham seus resultados desempenho de excelência. e nas ciências do esporte. cício ministram cursos universitários. O papel de consultor Psicologia clínica do esporte Um terceiro papel é a consultoria individual com atletas Os psicólogos clínicos do esporte recebem qualificação ou equipes para desenvolvimento de habilidades psico. no caso Existe uma diferença significativa entre dois tipos de de trabalharem em um departamento de psicologia. extensiva em psicologia para aprender a detectar e tratar lógicas para melhorar o desempenho em competições indivíduos com transtornos emocionais (como depressão e o treinamento. Esses especialistas tam. do serviços psicológicos a atletas lesionados. como psicologia do exercício e da saúde. psi. especialidades e a qualificação necessária para cada uma. psicologia aplicada ao esporte e psicologia social do esporte. Comitês olímpicos e algumas univer. e há aqueles que trabalham com colegas e outros profissionais da área. cas. Alguns psicólogos do esporte trabalham atualmente cologia de lesões esportivas e papel do exercício no tra. dades cirúrgicas. com militares. cício trabalham na área do condicionamento físico. ou especialidades na psicologia do esporte contemporânea: cursos como aprendizagem e controle motor ou socio.1 Papéis de psicólogos do esporte e do exercício. lhos estaduais a tratar indivíduos com transtornos emo- gia do esporte em tempo integral. psicologia clínica do esporte e psicologia educacional do logia do esporte. ajudando-os a aperfeiçoar suas habili- produz avanços. Essa troca com cirurgiões.

Esses especialistas costumam re. Proctor e Boan-Lenzo. Em 1991. Quando um consultor em psicolo- tes de exercícios desenvolvem transtornos emocionais gia educacional do esporte encontra um atleta com um graves e necessitam de tratamento especial (Brewer e transtorno emocional. entendem a psicologia do movimento hu. educa atletas e praticantes de exercícios do esporte e do exercício sobre habilidades psicológicas e seu desenvolvimento. ele o encaminha a um psicólogo Petrie. do esporte tratam.2). nhecimento profundo de psicologia e de ciência do es- além disso. devem ter um co- e do exercício. quais um psicólogo clínico do esporte pode frequente- mente ajudar os participantes de esportes e exercícios. que se denominam psicólogos do esporte e do exercício. não são habilitados a tratar indivíduos que tenham transtornos emocionais graves. preferencialmente. A mo- Psicologia do Esporte e do Exercício Domínio de conhecimentos Domínio de conhecimentos da ciência do esporte da psicologia Biomecânica Psicopatologia Fisiologia do exercício Psicologia clínica Desenvolvimento motor Psicologia para aconselhamento Aprendizagem e controle motores Psicologia do desenvolvimento Medicina do esporte Psicologia experimental Pedagogia do esporte Psicologia da personalidade Sociologia do esporte Psicologia fisiológica FIGURA 1. porte e do exercício (ver Figura 1. Eles cícios com transtornos emocionais graves. deve-se ter educação superior tanto em psico- e aconselhamento. particularmente no que diz respeito a contextos iniciou um programa de consultoria certificado. Uma boa maneira de se pensar sobre um especia- lista em psicologia educacional do esporte é como um “treinador mental” que. Transtornos clínico licenciado ou. tanto clínica como educacional. qualificar-se ao diploma de consultor do esporte e do ceber treinamento universitário avançado em psicologia exercício. Entretanto.2 A relação de conhecimento nos domínios da ciência do esporte e da psicologia com o campo da psicologia do esporte e do exercício. em educação física e em cinesiologia. desenvolvimento da confiança Hoje em dia. 2014. 2010). Entretanto. para tratamento. por meio de sessões em grupo Revisão histórica da psicologia e individuais. . a psicologia do esporte e do exercício está e aperfeiçoamento da comunicação são algumas das mais popular do que nunca. eles não são habilitados logia como nas ciências do esporte. Para de esporte e exercício.6  Fundamentos da psicologia do esporte e do exercício sim como na população geral. a AASP mano. alguns atletas e pratican. Psicologia educacional do esporte Os especialistas em psicologia educacional do esporte Os especialistas em psicologia do esporte e do exer- recebem treinamento extensivo na ciência do esporte cício. PONTO-CHAVE  Especialistas em psicologia edu- cacional do esporte são “treinadores mentais” que PONTO-CHAVE  Os psicólogos clínicos do esporte educam atletas e praticantes de exercícios sobre ha- e do exercício tratam atletas e praticantes de exer. Controle da ansiedade. bilidades psicológicas e seu desenvolvimento. Esse requisito visa para tratar indivíduos com transtornos emocionais nem a proteger o público contra indivíduos não qualificados são psicólogos licenciados. a um psicólo- alimentares e abuso de substâncias são duas áreas nas go clínico do esporte. é um erro pen- áreas que os especialistas em psicologia educacional sar que ela se desenvolveu apenas recentemente.

• Sport. • Journal of Applied Sport Psychology – Fundada em 1989. co. • International Review of Sport and Exercise Psychology – Esse periódico publica revisões analíticas críticas de literatura de pesquisa na psicologia do esporte e do exercício. a educação física década de 1890. Trata-se. Sedia uma conferência que ocorre a cada quatro anos. 2012) e referências à psicologia podem che- gar aos Jogos Olímpicos da antiguidade (Kremer e Mo. ainda assim. ele também conduziu uma . incluindo psicologia da saúde. à prática e ao desenvolvimento da psicologia do esporte e do exercício no mundo. educativos e profissionais na Europa. Além disso. é a publicação oficial da Exercise and Sport Psychology Division 47 da Associação Norte-Americana de Psicologia. ainda mais suas suposições. é uma publicação que constitui um foro de ampla abrangência para relatos acadêmicos em psicologia do esporte e do exercício. Publicações • International Journal of Sport Psychology – Fundada em 1970. • Sport and Exercise Psychology Review – É uma publicação que traz artigos sobre todos os aspectos da psicologia do esporte. o campo recebe influên­ plett. a psico- ran. Para testar porte e do exercício. Bem-vindos à psicologia do esporte e do exercício 7 Principais organizações e publicações de psicologia do esporte e do exercício Organizações • Association for Applied Sport Psychology (AASP) – Esta organização é exclusivamente voltada à realização de pesquisas e práticas em psicologia aplicada ao esporte e ao exercício. tudo de recordes de competições ciclísticas. 2008). • The Psychology of Sport and Exercise – Iniciada em 2000. de um periódico aplicado que promove a aplicação de conhecimentos científicos à prática esportiva. • North American Society for the Psychology of Sport and Physical Activity (NASPSPA) – Uma das mais antigas organizações centrada nos aspectos psicológicos da atividade esportiva e física. na verdade. publica artigos tanto de pesquisa aplicada como de prática profissional destinados a facilitar a difusão de serviços psicológicos a técnicos e atletas. Ela visa a aumentar o conhecimento teórico e prático na ciência da atividade física. Publica trabalhos com foco na psicologia do esporte. Norman Tri- e a cinesiologia. Na América do Norte. aqui destacados junto com alguns indi. da Indiana University e entu- mo o crescimento do movimento olímpico. psicólogo cias de desdobramentos socioculturais mais amplos. é a publicação oficial da Sociedade Internacional de Psicologia do Esporte. com foco especial no treinamento de psicólogos do esporte e na prática da psicologia do esporte e do exercício. mas. otimização da intervenção-desempenho e psicologia social. derna psicologia do esporte remonta à década de 1880 Período 1: Os primeiros anos (1893-1920) (Korns­pan. Primeiro. 2014). • The Sport Psychologist – Desde 1987. é a publicação oficial da AASP e publica pesquisas em psicologia esportiva aplicada e artigos de prática profissional. que suas observações iniciais estavam corretas pelo es- volvimento e para o crescimento da psicologia do es. • International Society of Sport and Exercise Psychology (ISSP) – Iniciada em 1965. do exercício e do esporte. queria en- das mulheres e a popularidade do esporte profissional tender por que os ciclistas às (Gould e Voelker. • American Psychological Association (APA) Division 47 – Exercise and Sport Psychology – Figurando entre as quase 50 divisões da APA (a maior organização profissional de psicologia dos Estados Unidos). como a psicologia. a liberação siasta do ciclismo. são 1898). exercício e desempenho. por exemplo. aprendizagem e controle motores em psicologia social e atividade física. essa organização se dedica à promoção de pesquisa. ele confirmou inter-relacionados. em pares do que quando pe- víduos e eventos específicos de cada um. • Journal of Sport Psychology in Action – é um periódico que não publica pesquisas originais. Grupos de interesse especial concentram-se em vários temas. Fundada em 1979. ao exercício e à psicologia da saúde. Juntos contribuíram para o desen. Exercise and Performance Psychology – Iniciada em 2012 e uma das revistas mais novas na área. essa organização se concentra na pesquisa em desenvolvimento motor. • Journal of Sport and Exercise Psychology – Publica estudos de pesquisa em psicologia básica e aplicada do esporte e do exercício. essa organização enfatiza tanto a pesquisa quanto a prática na psicologia do esporte e do exercício. é uma das mais antigas e mais respeitadas publicações de pesquisa no campo. vezes pedalavam mais rápido A história da psicologia do esporte divide-se em quando corriam em grupos ou seis períodos. NORMAN TRIPLETT dos têm características distintas. Esses perío­ dalavam sozinhos (Triplett. essa organização promove eventos científicos. A história da psicologia do esporte reflete a logia do esporte começou na de outros campos. • European Federation of Sport Psychology (FEPSAC) – Iniciada em 1968. organiza congressos e cursos e publica declarações de posicionamento.

Japão. Rússia e Esta- área a partir de uma perspectiva mais filosófica. de reação e dos movimentos e da transferência do rolar uma linha de pescaria o mais rápido possível. estudavam como as ­pessoas boratório de psicologia do esporte. Coleman Griffith conduz es- mento físico. educadores físicos e rado o pai da psicologia do esporte americana (Kroll e outros terceiros interessados estavam apenas no começo Lewis. com foco no volvimento de laboratórios de uso de métodos e medidas laboratoriais experimentais psicologia do esporte na Ale- para obter conhecimentos. ajudou a iniciar uma aprendiam habilidades esportivas e debatiam o papel do das primeiras escolas de técnicos dos Estados Unidos e esporte no desenvolvimento da personalidade e do ca. • 1914: R. valor dessa “nova” psicologia científica. 2007b). Além disso. treinamento físico. Manteve correspondência com Destaques do Período 1 o técnico de futebol americano do Notre Dame. para um la prática esportiva. Scripture. Cou. Essa experiência cia de psicologia do esporte e de psicologia social. Este período na história da psi- junto para o desenvolvimento da psicologia esportiva. escreveu dois livros clássicos: Psychology of Coaching ráter. T. realizou vários estudos laboratoriais sobre os mo. Fez o exame dos tempos e interrogou o integrante do Hall da Fama Red Grange . em dados mais científicos para o estudo da psicologia. de Yale. • 1897: segundo Congresso Olímpico que debate o cólogo de Yale. W. sendo hoje conside- Nesses anos iniciais. modernos Jogos Olímpicos (Kornspan. um dos primeiros educadores físi. Psicólogo da University of Illinois. as pessoas davam palpites na psico. mistas e corredores. Mediam os tem. Ele ainda debateu pesquisas mais antigas tudos informais de jogadores de futebol americano e que examinavam como o esporte deveria desenvolver de basquetebol na University of Illinois. exame aprofundado de seu trabalho). sobre a melhor forma de “psicanalisar” times dados de atletas de Yale. Isso evidencia que aqueles nos campos e de testes psicológicos (1921-1938) da educação física e da psicologia trabalharam em con. o caráter dos participantes.8  Fundamentos da psicologia do esporte e do exercício experiência na qual crianças pequenas tinham que en. lhe permitiu prever com mais segurança o momento em estudando os efeitos dos outros sobre o desempe- que os ciclistas teriam melhores desempenhos. Tri. com seus alu. fundador dos testes psicológicos (Kornspan. Knute • 1893: E. e desenvolveu o primeiro la- pos de reação dos atletas. outros se interessaram pela manha. Scripture entendia • 1903: terceiro Congresso Olímpico com foco na psi- o esporte como uma forma excelente de demonstrar o cologia do esporte. nos. esporte. e capacidades e sua relação com o esporte. e pelo aumento dos maior destaque foi Pierre de Coubertin. mas nenhuma era especialista na área. até onde poderia ter de sua carreira à psicologia do COLEMAN GRIFFITH relação com o esporte nessa época. • 1918: Ainda estudante. 1970). atenção mentos de reação e movimento dos músculos de esgri. • 1899: E. interessado em um abordagem baseada efeito psicológico do esporte na juventude. W. W. psi. Coleman Griffith foi o bertin escreveu muito sobre os aspectos psicológicos primeiro norte-americano a de- do esporte e organizou os dois primeiros Congressos dicar uma porção significativa Olímpicos com foco na psicologia. psicólogos. Scripture realiza estudos baseados em Rockne. Período 2: O desenvolvimento de laboratórios cos na América. e desenvolveu perfis psicológicos de jogadores lendá- rios. 2007a. tra- da exploração dos aspectos psicológicos do esporte e da balhava também no departamento de bem-estar físico aprendizagem de habilidades motoras. Além disso. • 1903: G. Cummins avalia reações motoras. Outro pioneiro mais antigo foi E. Patrick discute a psicologia do jogo. bem como transferência de treina. mas pouco fizeram quanto à aplicação desses es. e Psychology of Athletics. (educação física e esporte). W. nho de ciclistas. cologia do esporte e do exercí- Ao mesmo tempo em que Triplett e Scripture foram cio caracterizou-se pelo desen- parte do movimento da “nova psicologia”. realizou uma sé- tudos. como Dizzy Dean. plett confirmou que as crianças enrolavam mais linha • 1897: Norman Triplett conduz a primeira experiên- quando na presença de outra criança. Scripture de Yale descreve traços de na medida em que a psicologia desses anos iniciais era personalidade que acreditava serem favorecidos pe- introspectiva e filosófica (ver Kornspan. O de dos Unidos. 2012). Mais interessante foi o fato de Scripture ter trabalhado muito de perto com William Anderson. rie de estudos sobre o time de beisebol Chicago Cubs logia do esporte.

no Instituto a Segunda Guerra Mundial. mais tarde. ou o campo da cinesiologia. e sua profunda dedicação para melhorar desempenhos tais como Warren Johnson e Arthur Slatter-Hammel. • 1926: Griffith publica Psychology of Coaching. Louis Browns. Acima de tudo. nos Estados Unidos. • 1951: John Lawther publica Psychology of Coaching. contratado para atuar no St. exemplo. que. Tracy. Franklin Henry. 2001). levantando dados sobre elementos tretanto. psicológicos da aquisição de • 1943: Dorothy Yates trabalha com boxeadores uni- habilidades esportivas e moto. por meçou a mudar. relativo isolamento. e estabelece o programa de gradua­ tudo acadêmico dos aspectos ção em psicologia da atividade física. nia. sua pesquisa sobre orientação prática meado diretor. 1943). da Universi- ty of California. Publicou Testing for Sport. Griffith trabalhou em como conhecemos hoje. Yates interessou-se pela determinação cientí- • 1925: Schulte publica Aptitude and Performance fica da eficácia ou não de suas intervenções. O imortal jogador de futebol Babe Ruth. Seu trabalho ganhou ampla repercussão. en- çaram a testar atletas. nou muitos outros professores • 1949: Warren Johnson avalia as emoções experimen- FRANKLIN HENRY de educação física cheios de tadas pelos atletas antes das competições. boxe (Yates. Henry trei. um teste experimental da técnica com os lutadores de • 1925: É estabelecido o laboratório de pesquisa so. uma equipe universitária de boxe com considerável su- • 1921: Schulte publica Body and Mind in Sport. tornaram-se professores uni. Yates desenvolveu a técnica • 1920: tem início o primeiro laboratório de psicologia chamada método do conjunto de relaxamento durante do esporte. Bem-vindos à psicologia do esporte e do exercício 9 acerca de seus pensamentos enquanto jogava futebol do esporte e do exercício. Dedicou a carreira ao es. Embora tivesse trabalhado em iso- bre esportes da University of Illinois. uma das primei- ras mulheres. por P. relaxamento e afirmações positivas para o controle das cologia na German High School for Physical Edu. que reformaram currículos e desenvolveram a ciência . Outra pessoa que fez trabalho aplicado foi David • 1928: Griffith publica Psychology of Athletics. versitários e estuda os efeitos de intervenções de seu ras. Foi no final do período que isso co- agressão. emoções e o aprimoramento do desempenho (Korns- cation. a praticar a psicolo- Destaques do Período 2 gia do esporte e a realizar pesquisas. Alguns de seus alunos se tornaram administradores do Esporte é realizado em Roma. psicologia do esporte. Como muitos psicólogos sobre psicologia do esporte. mas sua pesquisa de alta qualidade Outros pesquisadores no período de 1939 a 1965. foi ao Laboratório de Psicologia de Columbia Uma pessoa que individualmente realizou pesquisas University para testes (Fuchs. na acadêmica de ciência do esporte e do exercício.A. energia. em Moscou. o trabalho aplicado em psicologia do esporte como tempos de reação. equi- pe profissional de beisebol (Kornspan e McCracken. • 1965: O primeiro Congresso Mundial de Psicologia cos. em Berkeley. concentração. americano. em Berkeley. personalidade e ainda era limitado. impressionou sobremaneira. lamento relativo. 2009). deu um curso de psicologia exclusi- • 1921-1931: Griffith publica 25 artigos de pesquisa vamente a atletas e aviadores. ensinando-lhes a usar • 1920: Robert Schulte dirige um laboratório de psi. os psicólogos também come. Rudik. 2001). com o Período 3: Preparação para o futuro crédito de chamar a atenção para a psicologia do espor- (1939-1965) te (Kornspan. continuam a ser um excelente modelo para psicólogos ajudaram a estabelecer as bases para o estudo futuro da do esporte e do exercício. Destaques do Período 3 foi o maior responsável pelo • 1938: Franklin Henry assume um cargo no Departa- desenvolvimento científico da mento de Educação Física da University of Califor- área. cesso. pan e MacCracken. treino com relaxamento. Eles ajudaram a criar a discipli- Durante esse período. 2009). aplicadas foi Dorothy Hazeltine Yates. À frente de seu tempo. quando deu consultoria a Estatal de Cultura Física. Mais tarde. versitários e iniciaram programas de pesquisa sistemáti. de hoje. Yates deu consul- toria a boxeadores universitários. Griffith é no.

­O campo tornou-se mais aceito e respeitado Jogos Olímpicos enfatiza a psicologia do esporte. estabeleci- psicologia do esporte aplicada. Consultor de Psicologia do Esporte.DOROTHY HARRIS dizagem motora. os psicólogos do esporte estu. as atas das num período em que poucas eram professoras de nível conferências da NASPSPA. • 1974: São publicadas. cício. Em contraste. meira mulher na presidência da North American Socie- • 1967: É realizada a primeira conferência anual da ty of Sport Psychology and Physical Activity. Ela deu o NASPSPA. de empregos de tempo integral para o número cada vez ram estabelecidas as primeiras sociedades de psicologia maior de indivíduos que ingressavam no campo. Pu- e nas condições de prática. mento de licenciamento. Society of Sport Psychology. Destaques do Período 5 Período 5: Ciência e prática multidisciplinares na psicologia do esporte e do exercício (1978-2000) • 1979: É fundado o Journal of Sport Psychology (hoje intitulado Sport and Exercise Psychology). assim como o disciplina acadêmica (1966-1977) crescimento e o desenvolvi- Em meados da década de 60. lhores pesquisas foram realiza- tas em aprendizagem motora das. agressão. primeiro passo para que futuras mulheres a seguissem. etc. Mais e me. esporte. Bruce grande número de questões de prática profissional. tudantes como profissionais com experiência em psi- tima e personalidade – influenciavam o desempenho de cologia geral ingressaram no campo. O treinamento na área assumiu uma pers- em esportes e a educação física influenciavam o desen. pela primeira vez. O campo enfrentou um bém começaram a trabalhar com atletas e times. a primeira a receber um • 1967: B. bem como o desenvolvimento Simultaneamente ao crescente interesse nessa área. da UCLA. O interesse em da psicologia do esporte como questões aplicadas caracterizou aquele período. controle motores. distinta de apren. autoes. para pesquisadores e profissio- ca (hoje chamada de cinesiolo.). pectiva mais multidisciplinar à medida que os estudan- volvimento psicológico (personalidade. Cratty. levou adiante a causa das mu- Destaques do Período 4 lheres e da psicologia do esporte. a aconselhamento e psicologia. como a psicologia. tanto na América do Norte como no resto do • 1984: A cobertura da televisão norte-americana dos mundo. desenvolvimento de padrões éticos. professora na Penn­ sylvania State University. na América do Norte. nente separado dentro dessa bem como desenvolvimento e disciplina. publica Psychology of Fullbright Fellowship em psicologia do esporte e a pri- Physical Activity. Seus feitos incluíram ser a primeira mulher e a mas Tutko publicam Problem Athletes and How to primeira norte-americana a ser membro da International Handle Them e começam a assessorar atletas e times. tes realizavam mais trabalhos acadêmicos relacionados Consultores de psicologia aplicada ao esporte tam. a mento da psicologia do exercí- educação física estabeleceu-se cio como área de especialidade como uma disciplina acadêmi. nais. e estas encontraram maior respeito e aceitação em BRUCE OGILVIE concentravam-se em como as campos relacionados. ocorreu uma tre. publicados. foi um dos pri. superior na área. da San Jose State University. • 1980: O Comitê Olímpico dos EUA cria o Conselho menda expansão da psicologia do esporte e do exer. costumeiramente chamado de o pai da na área. Formas alter- pessoas adquirem habilidades nativas de pesquisa qualitativa e interpretativa surgiram motoras (não necessariamente habilidades esportivas) e se tornaram mais bem aceitas no final do período. . e a psicologia do -se das áreas relacionadas com esporte tornou-se um compo. A psicologia do esporte e gia ou ciência do esporte e do do exercício também separou- exercício). Especialis. exercício e ciência do esporte. De meados dos anos 1970 a 2000. em números cada habilidades esportivas e motoras e como a participação vez maiores. no feedback e no momento blicações e conferências especializadas na área foram oportuno.10  Fundamentos da psicologia do esporte e do exercício Período 4: O estabelecimento pelo público. Nesse período. ajudando a estabele- cer o programa de graduação da PSU em psicologia do • 1966: Os psicólogos clínicos Bruce Ogilvie e Tho. esportiva norte-americanas. fo. Dorothy Harris. Tanto es- davam como os fatores psicológicos – ansiedade. tais Ogilvie. como a definição de padrões de qualificação para aqueles meiros a fazê-lo. desenvolvidas e inúmeros livros.

que Coleman Griffith iniciou • 1987: É criada a APA Division 47 (Sport Psychology). esforços Hoje. O ISSP foi criado em 1965 para promover e dis- seminar informações sobre psicologia do esporte Destaques do Período 6 no mundo. é publicado. Para entender aumento importante da atividade na América Latina. muito distante do que se praticava na Mais adiante. na Rússia e na Alemanha • 1986: O primeiro periódico acadêmico aplicado. 2006). a psicologia do esporte e do exercício é um cam. o ISSP • 2013: A Conferência da International Society of também p­ atrocina o International Journal of Sport Sport Psychology. A perspec. Desde 1970. Os psicólogos do esporte no meiro psicólogo do esporte em tempo integral. América do Norte no período. O trabalho pioneiro -ame­ricana é acompanhada por psicólogos do esporte do psicólogo do esporte rus- oficialmente reconhecidos. apren­dizagem motora. do desenvolvimento da psico- parar e educar os alunos. houve um e atletas são atividades muito diferentes. Japão. realizada na China. Bem-vindos à psicologia do esporte e do exercício 11 • 1985: O Comitê Olímpico dos EUA emprega o pri. diversificados e con. The começaram a trabalhar aproxi- Sport Psychologist. bem-estar e exercício e psi- • 2003: A APA Division 47 tem foco na psicologia cologia do treinamento – sendo valioso na promoção do esporte como área de proficiência especializada. e atuar profissionalmente com praticantes de exercícios ve na América do Norte e. e do exercício no mundo União da ciência e da prática A psicologia do esporte e do exercício cresce em todo o mundo. 2005. você lerá em detalhe so. Seu trabalho demonstra bre a psicologia contemporânea do esporte e do exer. na a relação entre as duas. especialmente psicólogo do esporte italiano em ambientes universitários. a importância de se ver além dos limites pessoais para cício. 700 participantes de 70 países. criada e publicada na Europa. mente disseminado a audiên- • 1991: A AASP estabelece a designação “consultor cias de língua inglesa e oferece AVKSENTY PUNI registrado”. do campo e no interesse na área. Patrocinou doze Congressos Mundiais em Psicologia do Esporte – concentrando-se em as- • 2000: A revista Psychology of Sport and Exercise é suntos como desempenho humano. seu trabalho na University of • 1988: Pela primeira vez a equipe olímpica norte-­ Illinois. ção foi pioneira. são destacados aqui. logia do esporte é atribuído ao • A psicologia do exercício prospera. o conhecimento de livros científicos com a experiência . estimulada pela pos. alta tolerância para distrações e estresse e autorregula- tretanto. En. ativação emocional excelente.FERRUCCIO ANTONELLI tiva de contínuo crescimento Foco na psicologia do esporte permanece promissora. algumas questões sérias devem ser tratadas. mas alguns dos desenvolvimentos fundamentais os conhecimentos da psicologia do esporte. A psicologia do es- • Programas de pesquisa fortes. Wrisberg e Ryba. um olhar fascinante da carreira desse estudioso ao longo de 50 anos (Ryba. tem mais de Psychology. personalidade. so Avksenty Puni foi recente- • 1989: É criado o Journal of Applied Sport Psychology. O mérito por grande parte • Surge a preocupação com a melhor maneira de pre. Stambulova. ca e uma profissão. área de concentração acadêmi- • Interesse crescente na psicologia aplicada ao esporte. Especialistas da psicologia do esporte trabalham Ler um livro sobre psicologia do esporte e do exercício em mais de 70 países. A maioria desses especialistas vi. Stambu- Período 6: Psicologia contemporânea do lova e Wrisberg. você deve ser capaz de integrar Ásia e na África. ciedade e o primeiro editor do tamento de saúde. com foco em metas realistas. que foi o sibilidade de patrocínio externo e por sua utilidade primeiro presidente dessa so- em facilitar o bem-estar e reduzir os custos de tra. madamente na mesma época em • 1986: É fundada a AASP. sem comprometimento. com um futuro brilhante. Sua teoria do preparo psicológico para compe- esporte e do exercício (de 2001 até o presente) tições atléticas. neste capítulo. po vibrante e excitante. Ferruccio Antonelli. na última década. periódico. porte e do exercício é hoje uma tinuados são evidentes em todo o mundo.

Digna de registro é a búlgara Ema Geron. que envolve a pa- como o conhecimento obtido cientificamente ocorre e dronização das condições. Den Feltz. as mulheres deram imensa contribuição ao desenvolvimento da psicologia do esporte e do exercício e estão ajudando a impulsionar grandes avanços nessa área atualmente. entretanto. a ciência desen- Conhecimento obtido cientificamente volveu algumas diretrizes gerais para pesquisa: A psicologia do esporte e do exercício é. autoestima). empírica e crítica do conhecimento adquiri. a alemã Dorothea Alfermann e a espanhola Gloria Balague deram contribuições importantes ao campo durante múltiplas décadas. Jones é. As variáveis-chave. mulo de fatos descobertos por meio de observações de. Ao aplicar a ciência à psi. e o trabalho de Dorothy Harris foi também reconhecido. Essas mulheres partilharam algumas características (tais como impulsividade. ela quer demonstrar que o uso em sua prática. na verdade. as mulheres não receberam as mesmas oportunidades que os homens. 1973). e sim um processo. na tarefa de oferecer uma história completa da evolução da psicologia do esporte e do exercício. ou elementos na pesquisa (tais talhadas. A pesquisa da dra. prevaleceu e essas mulheres notáveis deram grande contribuição à história da psicologia do esporte e do exercício norte-americana. Evidências objetivas devem apoiar quisadora de psicologia do esporte.12  Fundamentos da psicologia do esporte e do exercício Mulheres na psicologia do esporte e do exercício Quando se analisa a história da psicologia do esporte e do exercício. Para testar essas ideias. paixão pela área) e ajudaram a modelar a especialidade. No mundo todo. e tais evidências devem estar abertas a ava- a educação do movimento afeta a autoestima das crian. por exemplo. Vealey (2006). pes. muitas vezes. de modo que possa utilizar melhor habilidades). suas contribuições não eram. humildade. tras variáveis são controladas (uma mesma pessoa do por meio da experiência. Também enfrentaram muitos desafios em suas tentativas inovadoras. Colaborações de mulheres para a psicologia do esporte e do exercício não se limitaram aos Estados Unidos. o que significa en- movimento e determina quais faixas etárias e crianças volvimento de uma avaliação rigorosa por parte do específicas pretende estudar. Penny McCullagh. entre 1969 e 1973. ou método. relatadas na história da ciência. que publicou livros na especialidade e teve importante papel de liderança na formação da European Federation of Sport Psychology. avaliar a autoestima das crianças sob condições idên- ­A ciência é dinâmica – é algo que os cientistas fazem ticas com um parâmetro cuidadosamente planejado. Maureen Weiss e Jean Williams. fica evidente a ausência de mulheres. liação e observação externas. os objetivos são descrever. de educação do movimento em condições semelhantes afetará consistentemente a autoestima das crianças da mesma maneira. e inúmeros fatores respondem por essa ausência. ou seja. explica por pesquisador e de outros cientistas. precisa entender o método ­científico. Dessa lista constam Joan Duda. 2010). enquanto as ou- controlada. 2010). seria possível funciona. Historicamente. Kornspan e MacCracken (2001) identificaram a pesquisa. ou seja. prática profissional. Ela foi a primeira presidente dessa organização. Uma coisa não causa dúvidas: ainda que possam não ter recebido os créditos merecidos. são o foco do estudo. acima de tudo. Sua “competência silenciosa”. como a luta contra políticas departamentais e sexismo (Krane e Whaley. Jennifer Jones. prever e não influenciarem a relação primária. como a russa Natalia Stambulova. lidade das conclusões. . comumente. Vamos ajudá-lo a desenvolver as teriam reconhecimento e elogios por aprenderem novas habilidades para tal. Primeiramente. também revelou algumas contribuições antes ignoradas de mulheres pioneiras na área de atuação. baseia-se Tomemos um exemplo. de ideias e do trabalho ajuda a assegurar a confiabi- ma estejam relacionadas (as crianças. • O método científico é empírico. que sobrepujar preconceitos e outros grandes obstáculos ao avanço profissional. A análise crítica que espera que a educação do movimento e a autoesti. permitir o controle do comportamento. o ensino e as intervenções importantes de Dorothy Hazeline Yates na década de 1940. ças. é importante que você entenda tica ao estudo de uma indagação. Em seguida. por exemplo) de modo a cologia. de aprender como a educação do movimento ou as mudanças na sobre o mundo por meio de uma filtragem sistemática. competência. Ciência não é simplesmente um acú. Tara Scanlan. quer estudar como crenças. se encarrega de lecionar. Finalmente. A dra. explicar. • O método científico impõe uma abordagem sistemá- uma ciência. por exemplo. na observação. • O método científico envolve controle de condições. e as que se envolveram tiveram. Diane Gill. so- o conhecimento da psicologia do esporte e do exercício bre previsão e controle. Portanto. ob. Não é algo raro na história de muitas ciências. (Kerlinger. agindo como mentoras de inúmeros alunos de ambos os sexos. Carole Oglesby. Além disso. produzindo linhas de pesquisa de primeira categoria e proporcionando uma liderança competente e cuidadosa (Krane e Whaley. ela define autoestima e educação do • O método científico é crítico. Krane e Whaley (2010) e Whaley e Krane (2012) fizeram um estudo de oito mulheres norte-americanas que influenciaram enormemente o desenvolvimento da área durante os últimos 30 anos.

e sua resposta a essa pressão – o nervosismo – era de se esperar. Ele experimentava um novo tipo de pressão. para descrever. Jerry hesitava em consultar um psicólogo do esporte. Johnson retirou-o da quadra. usando-o em situações difíceis. . inscrevendo- -se em três modalidades esportivas e participando de todas as partidas de basquetebol. trabalhou com mais afinco do que qualquer outro no time e melhorou suas habilidades. quando as pessoas realizavam tarefas des. os técnicos e os colegas disseram-lhe que tudo aquilo era apenas nervosismo e que ele devia relaxar. o dr. O dr. Assim. não era de surpreender que ele tivesse certa dificuldade em se ajustar a sair do banco e entrar “frio” no jogo. Naquela temporada. Mas. Afinal. o que gerou um padrão de alta ansiedade e mau desempenho. mas o técnico expressou sua confiança nele. cometeu duas faltas bobas e errou um arremesso sem marcação. Perdeu a bola várias vezes. mite que os cientistas organizem e expliquem um grande número de fatos em um padrão que ajude outras pessoas a entendê-los. A teoria per. Após alguns outros desastres. ter uma plateia prejudicava o desempenho. muitos casos aparentemente aleatórios em uma teoria lou uma teoria. as pessoas como as plateias influenciam o desempenho em muitos tinham um melhor desempenho frente a uma plateia. então. Jerry teve uma carreira de sucesso no ensino médio. Em sua teoria da facilitação social. Trabalhando com o dr. Ele não passou a integrar imediatamente a equipe titular. o que prejudica o desempenho de tarefas difíceis visão sistemática de algum fenômeno. quando as pessoas reali. inter-relacionados que apresenta uma visão sistemá- 1965). Jerry aprendeu que era comum experimentar ansiedade ao fazer a transição do basquetebol do ensino médio para o da universidade. Zajonc observou um situações (com esportes e exercícios). básica o suficiente para ser lembrada por praticantes. No segundo tempo do primeiro jogo da temporada. uma boa teoria! Saindo do banco: estudo de caso de um consultor de psicologia do esporte Jerry Reynolds foi encaminhado a Ron Hoffman. consultor de psicologia do esporte da Southeastern University. Hoffman era um cara normal que falava como se fosse um técnico. continuou treinando os arremessos e rapidamente voltou a jogar com todo o seu potencial. Ele consolidou padrão nos resultados aparentemente aleatórios e formu. Com uma bolsa de estudos integral na Southeastern. Ele praticou essas técnicas psicológicas intensamente fora da temporada e aprimorou-as durante os treinos e jogos no início da temporada. os psicólogos estudaram como a presença de uma plateia afeta o desempenho. Contudo. Seu coração estava aos saltos. zavam tarefas simples ou tarefas que conheciam bem. explicar e com crianças que enrolavam uma linha de pesca (ver a prever suas futuras ocorrências. Zajonc O objetivo final de um cientista é uma teoria. Hoffman. ter técnicos e professores e aplicada em diversas circuns- uma plateia influenciava positivamente o desempenho. e ele não conseguia se desligar da gritaria do ginásio. Ao se dirigir à mesa de controle e enquanto aguardava a autorização para entrar. Bem-vindos à psicologia do esporte e do exercício 13 Teoria conhecidas ou complexas. PONTO-CHAVE  Uma teoria é um conjunto de fatos Um exemplo é a teoria da facilitação social (Zajonc. seção anterior “Revisão Histórica da Psicologia do Es- porte e do Exercício”). o técnico Johnson colocou-o na quadra. não deixou o banco de reservas até o final da temporada. nada mais prático do que Entretanto. Após o jogo. Desde a primeira experiência de Norman Triplett tica de algum fenômeno para descrever. ao final de seu primeiro ano no time principal de basquetebol da universidade. tâncias. não foi escolhido entre os cinco titulares. já níveis (tais como alunos e profissionais) e em muitas em outras. ele concordou em vê-lo a cada duas semanas. para sua surpresa. Mas Jerry não conseguiu relaxar. Às vezes. Hoffman também explicou-lhe que. Jerry percebeu que estava mais nervoso do que nunca. Ele notou que. Ele o ensinou a controlar pensamentos negativos e preocupações. Entrou no jogo e teve um desempenho desastroso. ou um sustenta que uma plateia provoca a ativação do execu- conjunto de fatos inter-relacionados que apresente uma tante. Jerry desenvolveu uma rotina de preparação mental para sair do banco. Jerry atingiu seu objetivo de sair do banco e ajudar o time com um desempenho sólido. Hoffman ensinou-o a relaxar. Depois de conseguir sair do banco sem se abalar. Como diz o ditado. que não foram aprendidas (ou bem aprendidas) e ajuda explicar e prever suas ocorrências futuras. Jerry sentiu-se feliz por contribuir com o time. mas seus A teoria de Zajonc aumentou nossa compreensão de resultados foram inconsistentes. incluindo alongamentos para manter-se relaxado e um procedimento para ajudá-lo a se concentrar enquanto aguardava a substituição. interrompendo-os com uma imagem e substituindo-os por afirmações mais positivas. torna-se prática. após ter sido titular durante três anos no ensino médio. o desempenho era pior. o desempenho de tarefas bem aprendidas. 90% dos jogadores que ele havia derrotado no ensino médio não estavam mais competindo. A teoria. Não achava que estivesse mentalmente doente e ficava um tanto constrangido com a ideia de procurar um “psiquiatra”. usando uma técnica respiratória denominada centralização.

os resultados científicos são consistentes e re- pesquisa na psicologia do esporte e do exercício. então. o pesquisador Pelo lado negativo.14  Fundamentos da psicologia do esporte e do exercício Naturalmente. um estudo comparando a efetividade do es. do grupo-controle (com outros fatores que pudessem senvolvimento e outras que já ultrapassaram o período afetar a relação sendo controlados). geralmente. ou se correr mais rápido teria incitado os ao tratamento utilizado e. Um avanço na ciência geralmente acontece um questionário escrito a ser aplicado a uma amostra de após anos de pesquisas. o conhecimento científico é reducionista. Os corredores poderiam ser divididos em dois -se ao conhecimento adquirido por meio de experiência. mas os cientistas também são treinados para Estudos versus experiências serem o mais objetivos possível. Os pesquisadores não altera. o método científico é lento e con- observa ou avalia fatores sem alterar o ambiente. O método científico não é diferente nesse sentido. atletas e alunos de educação usar mentalizações e diálogos interiores de forma po. de testes. Uma experiência difere de um estudo na medida em que o pesquisador manipula as variáveis ao mes. Então. Um de seus objetivos é coletar dados imparciais – dados ou fatos que falam Uma forma importante de os cientistas construírem. processo. Além disso. Os estudos têm ca. julga um estudo pe- corredores a estabelecer mais metas. porque a confiabilidade deve ser julgada por exemplo. se PONTO-CHAVE  A principal vantagem de conduzir o assunto tem verdadeiramente significado ou utilidade experiências em vez de estudos é que aquelas deter- no mundo real. Há as que envolvem poucas variáveis do demonstrada. a mentalização e o diálogo in. pode ficar comprometido ou diminuído. Os pesquisadores poderiam comparar as técnicas que os Ou seja. nem todas as teorias têm a mesma uti. o co- nhecimento científico tende a ser conservador. Uma relação causal teria si- ampla aplicação. grupos iguais. tico ou informação. talização). sua validade interna não conta muito. Se uma teoria não tiver ­validade exter- minam relações causais. Não apenas a metodologia é sistemática e controlada. não rece. ou causa. Um. Enfim. tem vantagens e limitações. Há aquelas que estão nos estágios iniciais de de. nem sempre é prático corredores da modalidade cross country do ensino mé. O outro. metodologia científica e pelo grau de sistematização e con- mam de relações causais (causa e efeito) entre fatores. simplesmente mais crítico. No entanto. Talvez. Mas os pesquisadores desconheceriam se o Outra limitação da ciência é sua excessiva ênfase na estabelecimento de metas. chamado de grupo-controle. uma vez que é muito complexo estudar todas as 20 corredores mais rápidos usaram com as usadas pelos variáveis de uma situação simultaneamente. física a melhorarem seu desempenho e bem-estar e. você elabore seu próprio estudo e experimento de ou seja. Conhecimento obtido da prática profissional mo tempo em que as observa e. a razão. na. ou seja. a ciência favorece o grau em terior teriam feito com que alguns corredores corressem que os resultados de uma pesquisa podem ser atribuídos mais rápido. e as que envolvem uma matriz complexa de variáveis Qualquer método de obtenção de conhecimento e comportamentos. selecionadas variáveis isoladas que sejam de interesse riam ou manipulariam quaisquer fatores. chamado de grupo experimental.2 (em inglês) solitica que nhecimento obtido cientificamente é a confiabilidade. A ênfa- se excessiva na validade interna pode fazer com que os cientistas se descuidem da validade externa. la capacidade dos cientistas de se ajustarem às regras de pacidade limitada de identificar o que os cientistas cha. examina como as mudanças em uma variável afetam mudanças em O conhecimento obtido da prática profissional refere- outras. quando um problema é redu- observariam se os corredores mais rápidos relatariam o zido a partes menores e controláveis. por exemplo. Por servador. outros. validade interna. Em um estudo. no sitiva. A principal vantagem do co- VEJA A Atividade 1. podem ser 20 corredores mais lentos. por si mesmos sem serem influenciados pela interpre- apoiarem ou refutarem uma teoria é a realização de tação pessoal do cientista. O conhecimento obtido da prática . Ou seja. Algumas têm alcance limitado e outras uma para isso seria conhecida. se o grupo experimental superasse o desempenho lidade. produzíveis. o quadro inteiro uso de habilidades mentais particulares (tal como men. trole que empregaram ao realizarem seus estudos. adquira uma boa dose de entendimento prá- beria qualquer treinamento de habilidades psicológicas. você passe muito tempo ajudando receberia treinamento sobre como estabelecer metas e praticantes de exercícios. mentalizações e diálogo inte. dio de todo o país imediatamente antes de uma corrida. ser sistemático e controlado leva tabelecimento de metas. insistir que a ciência guie todos os elementos da prática. estudos e experiências. tempo – mais tempo do que a maioria dos profissionais rior para melhorar o desempenho esportivo poderia usar dispõem. Por isso. Às vezes.

Naturalmente. também se tornam de conhecimento é o que torna efetiva a prática aplicada. pois a combinação dos dois tipos erros. trabalha com um time do ensino médio e desenvolve portanto. anotações sobre seus próximos adversários. mas não sabe por quê. estratégico e sência de um processo consciente e racional) social. ela reflete (usa introspec.1 Vantagens e limitações do conhecimento derivado da ciência e o derivado da prática profissional Fonte de conhecimento Vantagens Limitações Derivado da ciência • Altamente confiável • Reducionista. entretan. um professor sabe que um método fun- dades. jogadoras enquanto elas sacam. usará seu conhecimento para desen- volver estratégias e. Isso pode ser um proble- sobre ela para poder ajudá-la neste ano. Basicamente. E. a prática profissional pode pro- tes do início da temporada. Ela é mais afetada por tendencio- peneiras. Há várias causas para essa lacuna (Gowan. vantagem é que as teorias obtidas pela prática não pre- Por exemplo. An. o profissional da ciência do esporte e do • Observação sistemática exercício se torna mais competente e instruído na prática. ocorre uma experiência pública compartilhada. técnicos e preparadores físicos da prática profissional tende a absorver práticas novas registrados não costumem usar o método científico. pais da levantadora. Contudo. Quer você oportunidades de transferir resultados de pesquisa aos TABELA 1. portanto. então.1 resume as vantagens e as limitações de caso. eles levam a um treinamento efetivo. emprega a observação sistemática das novas sidade do que a ciência e. esses ­métodos penhar atividades profissionais é parte de uma divisão não são igualmente confiáveis. maior entre conhecimento científico e conhecimento to. Com • Método científico a experiência. Botterill O conhecimento obtido da prática profissional é uma e Blimkie. por isso. professor. podem ser usadas imediatamente. Muitas vezes. instrutores e pre- usam princípios do esporte e do exercício derivados da paradores físicos gostam de usar técnicas novas. Como suas jo. ­suas habilidades de treinamento de várias formas. combinados. Técnicos. é menos objetiva. conservador – frequentemente lento • Sistemático e controlado para se desenvolver • Objetivo e imparcial • Falta de foco na validade externa (aspecto prático) Prática profissional • Holístico • Menos confiável • Inovador • Falta de explicações • Imediato • Maior suscetibilidade à tendenciosidade . instrutor incluindo essas: ou preparador físico. Até recentemente. Bem-vindos à psicologia do esporte e do exercício 15 profissional provém de muitas fontes e formas de saber. A lacuna que se pode sentir entre ler um livro e desem- so parece o certo para ela. ao contrário da ciência. 1979). Outra teoria para conduzir suas práticas. refletindo a interação complexa de mui- • Intuição (apreensão imediata de conhecimento na au- tos fatores – psicológico. existiam poucas aprendizagem de tentativa e erro orientada. Pelo lado negativo. técnico. porém. fontes de informação para ela. a técnica de voleibol Theresa Hebert cisam aguardar para serem cientificamente confirmadas. ela recorda que a capitã definitivo do que o conhecimento com base científica. cortam e se posicionam O conhecimento prático tende a ser menos confiável e na quadra. Durante as so do que a ciência. obtido da prática profissional. ou “erros de cálculo”. Na última temporada. transpor essa gadoras. a técnica Hebert às vezes comete erros. Esses lacuna é fundamental. Quando Hebert e sua técnica-assistente comparam ambos os tipos de conhecimento. con. porque is. o conhecimento obtido Embora instrutores. Para isso. Esse • Introspecção (examinar seus pensamentos e senti- conhecimento prático é geralmente mais holístico do mentos) que científico. técnico. conduz um estudo de A Tabela 1. com professores e com os ou revisá-lo para ajudar determinado aluno. avaliar sua efetividade. professores. decide escalar Sarah em vez de Rhonda hoje. físico. venha a ser fisioterapeuta. duzir poucas explicações e conhecimento menos preci- ção) sobre como deseja treinar naquele ano. ou inovadoras. A técnica Hebert Integração de conhecimento científico e frequentemente usa também a intuição – por exemplo. sendo que conhecimento obtido da prática profissional as duas jogadoras têm capacidade semelhante. • Estudo de caso isolado O conhecimento obtido da prática profissional tam- • Experiência pública compartilhada bém tem vantagens e desvantagens importantes. do time – uma grande levantadora – enfrentou dificul. ma se ele desejar usar o método em uma situação nova versa com outras jogadoras. a técnica Hebert quer se informar mais ciona.

Esse mesmo princípio orienta- curso de psicologia do esporte e do exercício ou traba. técnico ou instrutor simplesmente esporte e do exercício. acreditam que a vitória se dá com vavelmente não serão sempre verdadeiros. analise a situação contemporâneos do esporte e do exercício podem esco- para identificar possíveis explicações para o não funcio. se os resultados lentes a abordagem psicofisiológica. outros acreditam que os dos resultados de pesquisa é julgada significativa com times vencem utilizando um sistema abertamente ofen- base em probabilidades. Avalie a efetividade dessas ideias e em que situações elas pare- cem funcionar melhor. Alguns técnicos acreditam que os times vencem os jogos bre psicologia do esporte e do exercício. Relacio- ne esses princípios às suas próprias experiências como atleta. alguns estudiosos não é o bastante. tender como aprendemos a arte da prática profissional. o que torna as previsões mais difíceis (mas não impossíveis). não é necessário ignorar fatores pessoais ou circunstan- ticantes de exercícios e preparadores físicos. fazer um esses princípios gerais. A lacuna deve ser transposta. lher entre muitas orientações. Basicamente. Veja se res de educação física. 2005) começaram a estudar a nhecimento científico às suas experiências profissio. na época. (Brown.16  Fundamentos da psicologia do esporte e do exercício profissionais que trabalham na especialidade: professo. entender e ler o contexto em que trabalham) e seu de- Adotar uma abordagem ativa significa aplicar os senvolvimento. que tem implicações para melhor en- princípios científicos identificados em capítulos subse. Eles devem um plano de jogo estruturado e controlado. os seres humanos mudam. com as situações de prática reais A psicologia é uma arte social. dor de ciência voltada à prática vale na psicologia do lhar como professor. técnicos. A maior parte por meio de defesa destacada. tais resultados pro. Curiosamente. praticante de exercícios e aluno de educação fí. e profissionais e pesquisadores devem comunicar-se do tempo. famoso técnico do esporte e do exercício da equipe olímpica de natação e principal proponente de uma abordagem científica ao treinamento. a psicologia do esporte e do exercício Entretanto. instrutores. Você deve integrar ativamente o co. Embora pesquisas básicas de laboratório tenham esporte e do exercício como uma arte sido realizadas nas décadas de 1960 e 1970. O profissional deve combinar o co. portan. inteligência contextual (a capacidade dos indivíduos de nais e temperá-las com seus próprios insights e intuição. to objetos inanimados não mudam muito com o passar to. pouca liga- ção se fazia. 1987). considere os componentes. Gould e Foster. mantendo-se a par das últimas descobertas Escolha entre muitas orientações para científicas sobre psicologia do esporte e do exercício. O técnico “Doc” Abordagem ativa à psicologia Counsilman (Kimiecik e Gould. alguns psicólogos do esporte e do exercício eram muito otimistas quanto ao uso da pesquisa para revolucionar a prática de ensinar habilidades esportivas e de atividade Reconhecimento da psicologia do física. Segundo. A arte do treina- atletismo como uma minissituação experimental na qual mento nada mais é do que reconhecer quando e como você testa seus pensamentos sobre psicologia do espor. ciais que estejam atuando em seu ambiente de prática. Quando não parecem prever consideram intervenções bem-sucedidas. ao usar essa abordagem ativa. esses princípios gerais devem ser individualizados. você deve ter expectativas realistas dos resultados de pesquisa so. e a cognitivo-comportamental. te e do exercício e compreensão de princípios. a piscina ou a pista de mo foco o uso de princípios gerais. . Pessoas envolvi- para integrar seus mundos. sendo as três mais preva- namento ou a eficácia do princípio e. das na prática de esportes e exercícios também pensam e manipulam seus ambientes. Os psicólogos os comportamentos adequadamente. PONTO-CHAVE  A ciência do treinamento tem co- sica. foi quem O uso efetivo da psicologia do esporte e do exercício melhor resumiu a necessidade de ser levada em conta a na área requer a participação ativa no desenvolvimento individualidade quando demonstrou que os técnicos trei- do conhecimento. Difere da física: enquan- (validade externa). ainda. -chave da teoria por trás das previsões originais. atletas. Como os téc- funcionar ou explicar os comportamentos com exatidão nicos. pra. quentes deste livro a seus ambientes de prática. Portanto. nam usando princípios gerais – a ciência do treinamento. Ler um livro como este. a sociopsicológica forem baseados na teoria. nhecimento obtido cientificamente sobre psicologia do A arte de treinar entra em cena quando eles identificam esporte e do exercício com o conhecimento obtido da quando e em que situações devem ser individualizados prática profissional. sivo. outros. os psicólogos do esporte divergem acerca do que na maior parte das vezes. Modifique e atualize-as quando necessário. use o ginásio.

mentalização e motivação intrínseca. PONTO-CHAVE  Os psicólogos do esporte e do acreditando que o pensamento é fundamental na deter- exercício com orientação psicofisiológica estudam minação do comportamento. Recreation and Dance • Association for Applied Sport Psychology • North American Society for the Psychology of Sport and Physical Activity • Division 47 of the American Psychological Association • European Federation of Sport Psychology • American Sport Education Program • Coaching Association of Canada Orientação psicofisiológica biente (especialmente o ambiente social) e a constituição pessoal do atleta ou praticante de exercício. desenvolver medidas de autorrelato para ava- liar autoconfiança. orientações ao objetivo. usando medidas como encefalogramas e ima- gens neuronais (Hillman. Os resultados são animadores uma vez que mostram que Orientação cognitivo-comportamental a atividade física tem inúmeros efeitos positivos no fun- cionamento cerebral. os psicólogos ticante de exercícios. Psicólogos do influência sobre a atividade física. Dessa forma. examinar como o estilo e as estratégias de de ondas cerebrais e os potenciais de ação muscular. PONTO-CHAVE  Pessoas com uma orientação so- Hartfield e Hillman (2001) fizeram uma revisão abran- ciopsicológica focalizam como o comportamento gente da pesquisa nessa área. Physical Education. Esses profissionais esporte com uma orientação sociopsicológica poderiam. exemplo é o uso de técnicas de biofeedback para treinar atiradores de elite a dispararem no intervalo de batimen- tos cardíacos para melhorar a precisão (Landers. eles Orientação sociopsicológica constatariam como essas avaliações estão ligadas a mu- danças no comportamento de um atleta ou de um pra- Usando uma orientação sociopsicológica. 2008). por cofisiológicos subjacentes que ocorrem no cérebro. em especial o exercício aeróbico. Aqueles que Psicólogos do esporte e do exercício com uma orien. ansiedade. a atividade por exemplo. grupos de tenistas do esporte e do exercício supõem que o comportamento juvenis que ou ficavam ou não ficavam esgotados fo- é determinado por uma interação complexa entre o am. Bem-vindos à psicologia do esporte e do exercício 17 Aprenda mais sobre psicologia do esporte e do exercício acessando as seguintes páginas da internet: • American Alliance for Health. rebro. Erickson e Kramer. ram examinados por meio de uma bateria de avaliações . participação em um programa de exercícios (Carron e cas e o comportamento no esporte e no exercício. Os psicólogos que adotam uma orientação cognitivo-­ -comportamental enfatizam cognições ou pensamentos e comportamentos do atleta ou praticante de exercícios. Um Spink. um líder favorecem a coesão do grupo e influenciam a terminando relações entre essas medidas psicofisiológi. 1985). Os psicólogos do espor- comportamentos por meio de seus processos psi. exemplo. de. 1993). no funcionamento do cé. costumam avaliar os batimentos cardíacos. adotam a abordagem sociopsicológica costumam exami- tação psicofisiológica acham que a melhor forma de nar como o ambiente social de um indivíduo influencia estudar comportamentos durante o esporte e o exercício seu comportamento e de que forma o comportamento é examinar os processos fisiológicos do cérebro e sua influencia o ambiente sociopsicológico. Por exemplo. ambiente e a constituição pessoal. Vários pesquisadores estão é determinado por uma interação complexa entre o começando a examinar os efeitos da atividade física. te de orientação cognitivo-comportamental podem.

18  Fundamentos da psicologia do esporte e do exercício

psicológicas. Os tenistas esgotados, comparados com atuais e futuras mais significativas na área. Discutire-
tenistas sem esgotamento, revelaram ter menos moti- mos brevemente essas tendências.
vação. Também relataram ser mais retraídos, ter maior
tendência à personalidade perfeccionista e usar diferen- 1. Há cada vez mais oportunidades de consultoria e ser-
tes estratégias para controlar o estresse (Gould, Tuffey, viços, e mais psicólogos do esporte estão ajudando
Udry e Loehr, 1996a). Portanto, foram examinadas as atletas e técnicos a atingirem suas metas. A psicologia
ligações entre os pensamentos e os comportamentos dos do exercício abriu novas oportunidades de serviços
atletas e suas condições de exaustão. para ajudar as pessoas a desfrutarem os benefícios do
exercício. Por essas razões, a psicologia aplicada ao
PONTO-CHAVE  Uma orientação cognitivo-com- esporte e ao exercício continuará a crescer nos pró-
ximos anos (Cox, Qui e Liu, 1993; Murphy, 1995).
portamental à psicologia do esporte e do exercício
Além disso, com a psicologia do esporte na essência,
pressupõe que o comportamento é determinado tanto
a psicologia do desempenho – em que princípios da
pelo ambiente como pela cognição e que os pensa-
psicologia do esporte são aplicados em outras áreas
mentos e as interpretações desempenham um papel de alto desempenho, como a de negócios, artes do
especialmente importante. desempenho, medicina e militar – está começando
a surgir como uma área de interesse.
2. Há maior ênfase no aconselhamento e no treinamento
Tendências atuais e futuras clínico para psicólogos do esporte. Acompanhando a
ênfase aumentada na consultoria, há uma necessida-
Agora que você aprendeu sobre o campo da psicologia de de mais treinamento em aconselhamento e psico-
do esporte e do exercício, incluindo sua história, base logia clínica (Peterson, Brown, McCann e Murphy,
científica e orientações, precisa entender as tendências 2012). Os que desejam ser consultores do esporte e

Padrões éticos para psicólogos do esporte e do exercício
A psicologia do esporte é uma profissão nova e apenas recentemente suas organizações – tais como a Association for Applied
Sport Psychology (AASP) e a Canadian Society for Psychomotor Learning and Sport Psychology – estabeleceram diretrizes éticas.
Essas diretrizes se baseiam nos padrões éticos mais genéricos da American Psychology Association (2002), e, em sua essência,
está a filosofia geral de que os consultores de psicologia do esporte devem respeitar a dignidade e o valor dos indivíduos e honrar
a preservação e a proteção dos direitos humanos fundamentais. A essência dessa filosofia é a de que deve-se ter em mente o
bem-estar dos atletas ou praticantes de exercícios sempre em primeiro lugar.
Há seis áreas (princípios gerais) esboçadas nas diretrizes éticas da AASP:
1. Competência. Os psicólogos do esporte lutam para manter os mais elevados padrões de competência em seu trabalho e
reconhecem suas limitações. Se um psicólogo do esporte tiver pouco conhecimento sobre a formação de equipes e dinâmicas
de grupo, por exemplo, será antiético levar os outros a acreditarem que ele tem tal conhecimento ou, ainda, trabalhar com
uma equipe.
2. Integridade. Os psicólogos do esporte e do exercício demonstram alta integridade em ciência, ensino e consultoria. Não fazem
falsa publicidade, e deixam claro o seu papel (p. ex., informam aos atletas que participarão na seleção da equipe) em equipes
e organizações.
3. Responsabilidade profissional e científica. Os psicólogos do esporte e do exercício sempre colocam os melhores interesses
de seus clientes em primeiro lugar. Por exemplo, seria antiético estudar a agressão no esporte instruindo intencionalmente um
grupo de indivíduos a iniciar uma briga com o time adversário (mesmo que possa se aprender muito com isso). Aqueles que
fazem pesquisas também são responsáveis por salvaguardar o público de profissionais antiéticos. Se um psicólogo do esporte
testemunhar alguém fazendo falsas alegações (p. ex., que alguém pode comer tudo o que quer e queimar toda a gordura
extra por meio de mentalizações), está eticamente obrigado a apontar a falsa informação e a confrontar profissionalmente o
transgressor ou relatar o ocorrido a uma organização profissional.
4. Respeito pelos direitos e dignidade das pessoas. Os psicólogos do esporte respeitam os direitos fundamentais (p. ex., privacidade
e sigilo) das pessoas com quem trabalham. Não identificam publicamente as pessoas a quem dão consultoria, a menos que
tenham permissão para fazê-lo. Nenhum preconceito é demonstrado em relação a raça, sexo e situação socioeconômica.
5. Preocupação com o bem-estar dos outros. Os psicólogos do esporte procuram contribuir para o bem-estar daqueles com quem
trabalham. Portanto, o bem-estar psicológico e físico de um atleta sempre vem antes da vitória.
6. Responsabilidade social. Os psicólogos do esporte e do exercício contribuem para o conhecimento e o bem-estar humanos,
enquanto protegem sempre os interesses dos participantes. Um psicólogo do exercício, por exemplo, não ofereceria um programa
de exercícios destinado a reduzir depressão para um grupo de participantes experimentais sem disponibilizar o mesmo programa
para os indivíduos do grupo-controle ao final da experiência. Oferecer o tratamento apenas para o grupo experimental não seria
socialmente responsável e, na verdade, seria antiético.

Bem-vindos à psicologia do esporte e do exercício 19

do exercício precisam ter conhecimentos não apenas se baseia na filosofia de que a psicologia do ­esporte
de ciência do esporte e do exercício, mas também de terá o melhor desenvolvimento com uma ênfase
elementos de aconselhamento e psicologia clínica. igual na pesquisa e na prática profissional. Há, po-
Estão sendo criados programas de pós-graduação em rém, certa discordância entre consultores acadêmi-
aconselhamento e psicologia clínica, com ênfase em cos (pesquisa) e da psicologia do esporte aplicada,
psicologia do esporte e do exercício. com cada grupo achando que as atividades do outro
3. Questões de ética e competência estão recebendo são menos essenciais ao desenvolvimento da área.
destaque maior. Alguns problemas acompanham o Embora indesejável essa tensão, ela não é exclusi-
tremendo crescimento na consultoria do esporte e do va. Discordância similar existe no campo mais am-
exercício (Murphy, 1995; Silva, 2001). Por exemplo, plo da psicologia. Psicólogos do esporte continuam
pessoas desqualificadas podem denominar-se psicó- trabalhando para vencer esse pensamento destrutivo.
logos do esporte, e indivíduos sem ética podem pro- 6. Métodos qualitativos de pesquisa são agora aceitos.
meter mais a técnicos, atletas e profissionais do exer- A década de 1990 refletiu uma mudança na maneira
cício do que podem oferecer. Ou seja, alguém sem de realizar pesquisas de psicólogos do esporte e do
treinamento na área pode alegar ser um psicólogo exercício. Ainda que seja feita pesquisa quantitativa
do esporte e prometer que, comprando seu material tradicional, muitos pesquisadores ampliaram a forma
em vídeo sobre mentalização, um arremessador com de pesquisar usando métodos qualitativos (não numé-
índice de acerto de 20% de lances livres se transfor- ricos), que produzem coleta de dados via observação
mará em um arremessador com 80% de acerto dos ou entrevistas. Sem análise estatística de números ou
lances. Foi por isso que a organização AASP criou classificações, os pesquisadores analisam as palavras
um programa de certificação para consultores em psi- ou histórias ou narrativas dos respondentes em busca
cologia do esporte e do exercício. Também a APA, de tendências e padrões. Trata-se de um desenvolvi-
em 2006, reconheceu a psicologia do esporte como mento saudável para a área.
proficiência em psicologia. Também foram estabele- 7. Profissionais da psicologia do esporte aplicada têm
cidos padrões éticos para especialistas em psicologia muito mais oportunidades de trabalho, ainda que
do esporte (ver “Padrões Éticos para Psicólogos do apenas possibilidades limitadas de cargos em tempo
Esporte e do Exercício”). Professores de educação integral. Por um lado, são maiores as possibilidades
física, capitães de times e instrutores devem ser con- de trabalho com equipes e consultoria a atletas. Por
sumidores bem informados, capazes de discriminar outro lado, ainda que aumentem, inexistem cargos su-
entre informações úteis e legítimas e modismos ou ficientes de consultoria. E mais, uma pessoa precisa
recursos publicitários. Também devem conhecer os de formação avançada em cursos de p­ ós-graduação
padrões éticos da área. para ser um especialista qualificado em psicologia
4. Especializações e novas subespecialidades estão sen- do esporte. Assim, as pessoas não devem esperar
do criadas. Hoje os psicólogos do esporte não podem rapidamente conseguir cargos em tempo integral
ser especialistas em todas as áreas encontradas neste de consultores, com equipes e atletas de alto nível,
livro. Isso levou à separação de psicologia do espor- simplesmente por terem uma titulação acadêmica em
te, conforme definida aqui, e aprendizagem motora psicologia do esporte.
ou controle motor (a aquisição e controle de movi- 8. A psicologia do esporte e do exercício tornou-se
mento especializado como resultado de prática) co- uma ciência do esporte reconhecida com muita utili-
mo áreas distintas da ciência do esporte. Além disso, dade, recebendo cada vez mais atenção e reconheci-
estão surgindo subespecializações dentro da psico- mento no mundo todo. Muitas são as universidades
logia do esporte e do exercício (Rejeski e Brawley, que hoje oferecem cursos em psicologia do espor-
1988; Singer, 1996). A psicologia do exercício é a te e do exercício, e alguns programas de pós-gra-
área de crescimento mais visível. Entretanto, outras duação incluem até cinco ou seis cursos. Recursos
novas especializações que estão atraindo considerá- para pesquisa e profissionais estão cada vez mais
vel interesse incluem desenvolvimento de valores de disponíveis para estudantes. Achamos, no entanto,
vida para jovens através do esporte (ver Capítulo 11) que os maiores ganhos ainda estão por vir. Profes-
e a psicologia da excelência do desempenho (apli- sores de educação física, treinadores, instrutores de
cação de princípios de aumento do desempenho da academia e treinadores de atletas com certificação
psicologia do esporte a outros contextos como mú- têm cada vez mais acesso a informações sobre psi-
sica, artes, e negócios [ver Hays, 2009]). Espera-se cologia do esporte e do exercício. Com essas in-
a continuação dessa tendência de especialização. formações atualizadas, profissionais da atividade
5. Mantém-se ainda a tensão entre profissionais da psi- física darão passos cada vez maiores no alcance de
cologia acadêmica e da aplicada do esporte. Este livro suas várias metas.

20  Fundamentos da psicologia do esporte e do exercício

9. Diversos líderes no campo geral da psicologia optam de outras subdisciplinas da cinesiologia (tais como
por um movimento positivo da área (como Seligman fisiologia do exercício e biomecânica) e com pes­
e Csikszentmihalyi, 2002). Esse movimento destaca soas de outras disciplinas (como engenharia, serviço
a necessidade de psicólogos terem o foco mais no social e enfermagem) para o estudo de tópicos im-
desenvolvimento de atributos positivos, como oti- portantes enfrentados pela sociedade, como formas
mismo, esperança e felicidade, nas pessoas do que de combater a epidemia de obesidade ou melhorar o
quase exclusivamente nas suas deficiências (como desenvolvimento positivo da juventude. Os pesqui-
a depressão). Psicólogos do esporte e do exercício sadores estão descobrindo que os reais problemas
estão tendo um desempenho positivo há algum tem- do mundo têm múltiplas causas e que uma área por
po, o que abriu novas oportunidades. Por exemplo, si só não é capaz de abordá-los.
psicólogos renomados do esporte, como Graham Jo- 12. Com a evolução tecnológica em passos rápidos e
nes, Jim Loehr, Austin Swain, Shane Murphy e Ste- mudanças em todos os aspectos de nossas vidas,
ve Bull levaram o que aprenderam no esporte para o psicólogos do esporte estão aprendendo a usar es-
mundo dos negócios, ensinando profissionais dessa sas tecnologias para facilitar sua atuação. Isso pode
área a intensificarem suas habilidades psicológicas envolver uso da realidade virtual para treinar profis-
e aprimorarem o desempenho profissional. Simi- sionais, uso de neuroimagem para revelar os misté-
larmente, a psicóloga do esporte Kate Hays (Hays, rios do cérebro e a influência do exercício sobre ele,
2002, 2009) ajuda artistas de elite, como dançarinos uso de jogos eletrônicos para estimular a atividade
e músicos, a desenvolverem as habilidades psico- física ou consultoria online.
lógicas necessárias para um desempenho superior. 13. Com o mundo cada vez parecendo menor e mais
10. A importância de aceitar a globalização da psicolo- ­conectado, há maior ênfase no estudo da diversidade
gia do esporte e do exercício é enorme para os es- cultural pela psicologia contemporânea do esporte,
tudantes contemporâneos da área, o que aumentará com exame de como grupos, tais como de homens
nos anos vindouros. Novos conhecimentos e práticas e mulheres, baby boomers e da geração X, ou os de
melhores estão rapidamente sendo desenvolvidos culturas étnicas diferentes, são similares e exclusi-
em países europeus, latino-americanos e africanos. vos. Há cada vez mais ênfase no aumento da com-
O exame da psicologia do esporte através das cul- preensão, da facilitação da inclusão e da aceitação
turas permite entender os princípios generalizados da diversidade.
em todas elas e aqueles característicos de cada cul-
tura. Para a compreensão atualizada da psicologia do VEJA A Atividade 1.3 (em inglês) solicita que
esporte e do exercício, é essencial uma perspectiva você faça uma previsão do futuro da psicologia
global, algo que ficará cada vez mais importante. do esporte e do exercício.
11. Aumenta a pesquisa interdisciplinar. Psicólogos do
esporte e do exercício trabalharão com especialistas

Vínculo entre a psicologia do esporte e os negócios
Inúmeros especialistas em psicologia do esporte transferem o que aprenderam no esporte para o mundo dos negócios. Aqui
estão dois exemplos:
• O renomado psicólogo do esporte Jim Loehr (Loehr e Schwartz, 2001) traçou um paralelo entre executivos de primeira linha e
atletas de alto nível. Ele ensina alguns dos maiores executivos da América do Norte a serem mais eficientes, tornando-se atletas
empresariais que alcançam estados de desempenho ideais aprendendo a desenvolver e administrar melhor suas capacidades
físicas, emocionais, mentais e espirituais.
• O Grupo Lane4 Management é um grupo de consultoria internacional fundado pelo especialista em psicologia do esporte Graham
Jones e pelo campeão olímpico de natação Adrian Moorhouse. Usando lições aprendidas no esporte de alto desempenho,
os sócios da Lane4 ajudam empresas importantes, equipes de executivos e executivos individuais a alcançar e manter alto
desempenho por meio de seminários interativos, eventos de desenvolvimento de equipe, avaliações de desempenho da
organização e treinamento de executivos. Os temas frequentemente tratados pelos sócios da Lane4 incluem desenvolvimento
de liderança, controle do estresse, confiança, foco, estruturação de equipe, melhora do desempenho da equipe, trabalho em
equipe, bem como treinamento e consultoria individuais (Jones, 2002).

Bem-vindos à psicologia do esporte e do exercício 21

AUXÍLIO AO APRENDIZADO

RESUMO
1. Descreva o que é psicologia do esporte e do exercício.
A psicologia do esporte e do exercício consiste no estudo científico do comportamento de pessoas que
participam em atividades relacionadas ao esporte e ao exercício e na aplicação do conhecimento obtido.
Os pesquisadores nesse campo têm duas metas principais: (a) entender como os fatores psicológicos afetam
o desempenho motor de uma pessoa e (b) entender como a participação na atividade física afeta seu desen-
volvimento psicológico. A despeito do enorme crescimento nos últimos anos, a psicologia do esporte remon-
ta ao início do século XX e é mais bem entendida da perspectiva de seus seis períodos históricos distintos.
2. Entenda o que fazem os especialistas em psicologia do esporte e do exercício.
Os psicólogos do esporte e do exercício contemporâneos exercem diferentes papéis, incluindo realização
de pesquisas, ensino e consultoria a atletas e praticantes de exercícios.
3. Saiba qual é o treinamento necessário para ser um psicólogo do esporte e do exercício.
Nem todos os especialistas em psicologia do esporte e do exercício são treinados da mesma maneira. Psi-
cólogos clínicos do esporte e do exercício são treinados especificamente em psicologia para tratar atletas
e praticantes de exercícios com transtornos emocionais graves, tais como abuso de substâncias ou ano-
rexia. Os especialistas em psicologia educacional do esporte recebem treinamento na ciência do esporte e
do exercício e em campos relacionados e atuam como técnicos mentais, educando atletas e praticantes de
exercícios sobre habilidades psicológicas e seu desenvolvimento. Não são treinados para ajudar pessoas
com transtornos emocionais graves.
4. Entenda os principais desdobramentos na história da psicologia do esporte e do exercício.
A psicologia do esporte e do exercício tem uma longa e rica história, que remonta ao início do século XX.
Sua história divide-se em seis períodos. O primeiro período, os anos iniciais (1893-1920), caracteriza-se
por estudos isolados. Durante o segundo período (1921-1938), laboratórios e testes psicológicos da psicolo-
gia do esporte surgiram em vários locais no mundo. Nos Estados Unidos, Coleman Griffith tornou-se o pri-
meiro norte-americano a especializar-se na área. O terceiro período, preparação para o futuro (1939-1965),
caracteriza-se pelo desenvolvimento científico do campo devido ao empenho educacional de Franklin Hen-
ry. Durante o estabelecimento da disciplina acadêmica (1966-1977), a psicologia do esporte e do exercício
tornou-se um componente valioso da disciplina acadêmica de educação física. O quinto período, ciência e
prática multidisciplinares (1978-2000), caracteriza-se por um tremendo crescimento à medida que o cam-
po se tornou mais aceito e respeitado pelo público. O interesse em questões aplicadas e o crescimento e
desenvolvimento da psicologia do exercício foram evidentes. O treinamento assumiu uma perspectiva mais
multidisciplinar, e a área enfrentou vários problemas de prática profissional. O período final da psicologia
do esporte e do exercício contemporânea (de 2001 até o presente) distinguiu-se pelo contínuo crescimento
em todo o mundo, pela pesquisa considerável e diversificada e pelo interesse em aplicação e consultoria.
A psicologia do exercício prospera.
5. Diferencie o conhecimento científico do conhecimento obtido da prática profissional.
A psicologia do esporte e do exercício é, acima de tudo, uma ciência. Por isso, é imperativo entender o pro-
cesso científico básico e como o conhecimento científico é desenvolvido. Entretanto, somente o conheci-
mento científico não é suficiente para orientar a prática profissional. Você deve entender também como se
desenvolve o conhecimento obtido com a prática profissional.
6. Integre o conhecimento empírico ao científico.
O conhecimento científico deve ser integrado àquele obtido com a prática profissional. A integração dos co-
nhecimentos científicos e dos oriundos da prática profissional irá beneficiá-lo enormemente à medida que
você trabalhar em situações esportivas e de exercício aplicadas.
7. Compare e diferencie as orientações práticas.
Várias abordagens podem ser utilizadas na psicologia do esporte e do exercício, incluindo orientações so-
ciopsicológicas, psicofisiológicas e cognitivo-comportamentais. Os psicólogos do esporte de orientação psi-
cofisiológica estudam os processos fisiológicos do cérebro e sua influência sobre a atividade física. Os psi-
cólogos do esporte de orientação sociopsicológica focalizam como interações complexas entre o ambiente
social e a constituição pessoal do atleta ou praticante de exercício influenciam o comportamento. Os psicó-
logos do esporte de orientação cognitivo-comportamental examinam de que modo os pensamentos de um
indivíduo determinam comportamentos.

22  Fundamentos da psicologia do esporte e do exercício

8. Descreva oportunidades de carreira e tendências futuras na área.
Embora haja mais oportunidades de carreira hoje do que no passado, há uma limitação no número de em-
pregos de consultoria em tempo integral. A psicologia do esporte e do exercício está florescendo e tem muito
a oferecer aos interessados em trabalhar com esporte e atividade física. As tendências apontam para rumos
futuros como um crescente interesse na formação de habilidades psicológicas e de trabalho aplicado, mais
aconselhamento e formação clínica para psicólogos do esporte, mais ênfase na ética e na competência,
especialização crescente, alguma tensão persistente entre psicólogos do esporte acadêmicos e aplicados,
assim como mais pesquisas qualitativas e a necessidade de se assumir uma perspectiva global.

TERMOS-CHAVE
psicologia do esporte e do exercício dados imparciais
psicólogos clínicos do esporte reducionista
especialistas em psicologia educacional do esporte validade interna
método científico validade externa
abordagem sistemática conhecimento obtido da prática profissional
controle introspecção
empírico observação sistemática
crítico estudo de caso
teoria experiência pública compartilhada
teoria da facilitação social intuição
estudo orientação psicofisiológica
experiência orientação sociopsicológica
grupo experimental orientação cognitivo-comportamental
grupo-controle

QUESTÕES DE REVISÃO
1. O que é psicologia do esporte e do exercício e quais são seus dois objetivos gerais?
2. Descreva as principais realizações dos seis períodos na história da psicologia do esporte e do exercício. Que
contribuições deram Coleman Griffith e Franklin Henry à psicologia do esporte e do exercício?
3. Descreva três papéis dos especialistas em psicologia do esporte e do exercício.
4. Diferencie psicologia clínica do esporte da psicologia educacional do esporte. Por que essa diferenciação é
importante?
5. Defina ciência e explique quatro de seus principais objetivos.
6. O que é uma teoria e por que as teorias são importantes na psicologia do esporte e do exercício?
7. Identifique as vantagens e as limitações do conhecimento obtido cientificamente e do obtido da prática pro-
fissional. Como cada um se desenvolve?
8. Descreva a lacuna existente entre pesquisa e prática. Por que ela existe e como pode ser transposta?
9. Por que há necessidade de certificação na psicologia do esporte e do exercício contemporânea?
10. Identifique e descreva resumidamente os seis princípios éticos mais importantes na psicologia do esporte
e do exercício.
11. Por que psicólogos do esporte contemporâneos precisam assumir uma perspectiva global?

QUESTÕES DE PENSAMENTO CRÍTICO
1. Descreva a abordagem ativa ao uso da psicologia do esporte e do exercício.
2. Você está interessado em pesquisar como a autoconfiança está relacionada com a recuperação de lesões
esportivas. Planeje um “estudo” e uma “experiência” para fazê-lo.
3. Pense na carreira que você gostaria de seguir (como, por exemplo, psicólogo do esporte e do exercício, téc-
nico, preparador físico certificado, jornalista esportivo). Descreva como o conhecimento e a prática da psico-
logia do esporte podem influenciá-lo nessa carreira.

PARTE II
Entendendo
os participantes

Como a constituição psicológica de uma pessoa influencia
seu comportamento em contextos de atividade física?

Atletas de sucesso se distinguem por certas característi- motivação em vários contextos de atividade física (em-
cas centrais de personalidade? O que motiva as pessoas bora esta parte tenha o foco nos participantes, a próxi-
a participarem de atividades físicas? Por que algumas ma concentra-se no ambiente que propicia uma perfei-
pessoas são tão motivadas para alcançar sucesso compe- ta interação). Motivação para realização, orientações
titivo, enquanto outras temem a simples ideia de compe- ao objetivo e atribuições (três explicações usadas para
tir? Como se pode estimular um desempenho ideal sem justificar comportamentos) são também discutidas, com
intimidação psicológica? o fator situacional da atmosfera motivacional. As infor-
Esses são alguns questionamentos importantes tra- mações neste capítulo serão úteis para que você enten-
tados na primeira parada de nossa jornada rumo ao en- da por que algumas pessoas são dinâmicas, enquanto
tendimento da psicologia do esporte e do exercício. Esta outras parecem carecer de motivação. Você aprenderá
parte do livro se detém em fatores pessoais – característi- como os fatores situacionais influenciam a motivação
cas de personalidade, orientações individuais e emoções do participante. E, o mais importante, serão apresenta-
– que afetam o desempenho e o desenvolvimento psico- das estratégias efetivas para aumentar o nível de moti-
lógico no esporte, na educação física e em situações de vação das pessoas.
exercício. É importante que os profissionais conheçam O Capítulo 4 examina a ativação e a ansiedade. Aqui
esses fatores, já que eles podem levar a alterações sig- você conhecerá a definição e os tipos de ansiedade, bem
nificativas no comportamento de praticantes de exercí- como o que está envolvido no processo de estresse. Além
cios, atletas, professores e treinadores. disso, discutiremos por que alunos e atletas ficam tensos
É necessário o entendimento da personalidade, as- e como a ansiedade e a ativação influenciam o desem-
sunto do Capítulo 2, porque, para trabalhar efetivamente penho – por que os atletas, às vezes, estão psicologica-
com alunos, atletas, pacientes e praticantes de exercí- mente preparados para um grande jogo e, outras vezes,
cios, você precisará saber o que os motiva como indiví- se deixam abater? Você também aprenderá a identificar
duos. As informações neste capítulo irão ajudá-lo a en- fontes importantes de estresse que afetam os praticantes
tender melhor a constituição psicológica daqueles com de esportes e de exercícios.
os quais trabalhará.
O Capítulo 3 enfoca as várias teorias e bases da moti-
vação. Um modelo interacional de motivação pessoa-si- VEJA O Dr. Dan Gould apresenta (em inglês) a
tuação é apresentado e usado para ajudá-lo a entender a Parte II do livro na Atividade Introdutória.

2
Personalidade e esporte
Após ler este capítulo, você deverá ser capaz de:
1. Descrever o que constitui a personalidade e por que ela é importante
2. Discutir as principais abordagens para entender personalidade
3. Identificar como a personalidade pode ser medida
4. Avaliar testes de personalidade e pesquisas para aplicação prática e validação
5. Entender a relação entre personalidade e comportamento no esporte e no exercício
6. Descrever como as estratégias cognitivas estão relacionadas ao sucesso esportivo
7. Aplicar o que você sabe sobre personalidade em situações esportivas e de exercício, para entender melhor
a personalidade das pessoas

Milhares de artigos, muitos escritos durante as personalidade dá-se por sua estrutura. Pense em perso-
décadas de 1960 e 1970, já foram publicados sobre as- nalidade como algo dividido em três níveis separados,
pectos da personalidade esportiva (Ruffer, 1976a, 1976b; embora relacionados (Figura 2.1): um núcleo psicoló-
Vealey, 1989, 2002). Essa volumosa pesquisa demons- gico, respostas típicas e comportamento relacionado ao
tra o quanto pesquisadores e profissionais consideram papel desempenhado (Hollander, 1967; Martens, 1975).
importante o papel da personalidade em situações es-
portivas e de exercício. Pesquisadores questionam, por
exemplo, o que leva alguns alunos a se interessarem pe- PONTO-CHAVE  Personalidade é a soma das carac-
las aulas de educação física, enquanto outros nem mes- terísticas que tornam uma pessoa única. O estudo da
mo aparecem. Perguntam-se por que alguns praticantes personalidade nos ajuda a trabalhar melhor com alu-
de exercícios continuam com seus programas de condi- nos, atletas e praticantes de exercícios e, com maior
cionamento físico, enquanto outros perdem a motivação eficiência, com colegas de trabalho.
e desistem; querem saber se os testes de personalidade
deveriam ser usados para selecionar atletas para equi-
pes e se o sucesso esportivo pode ser previsto pelo tipo Núcleo psicológico
de personalidade do atleta.
O nível mais básico de sua personalidade é chamado de
núcleo psicológico. Sendo o componente mais profun-
Definindo personalidade do, inclui suas atitudes e valores, interesses e motivações,
bem como as crenças sobre você mesmo e sua autovalo-
Você já tentou descrever sua própria personalidade? Nes- rização. Basicamente, o núcleo psicológico representa a
se caso, provavelmente se pegou listando adjetivos co- parte central de sua personalidade e é seu “eu real”, não
mo engraçado, expansivo, feliz ou estável. Talvez você quem você quer que os outros pensem que é. Seus valores
recorde como reagiu em várias situações. Há algo mais básicos, por exemplo, poderiam girar em torno da impor-
na personalidade do que esses tipos de atributos? Mui- tância da família, dos amigos e da religião em sua vida.
tos teóricos têm tentado definir personalidade, e eles
concordam com uma descrição: singularidade. Basica- Respostas típicas
mente, personalidade refere-se às características – ou à
combinação de características – que tornam uma pes- Respostas típicas são as formas como cada um de nós
soa única. Uma das melhores maneiras de se entender aprende a se ajustar ao ambiente ou como geralmen-

26  Fundamentos da psicologia do esporte e do exercício

me de futebol do filho pode sentir um conflito entre seus
papéis de técnico e pai.

Din
o n
ter

â
Entendendo a estrutura

mi
Ex

co
Comportamento
relacionado ao
desempenho de papéis
da personalidade
l
c ia

Am
so

Como observamos na Figura 2.1, os três níveis de

bie
nte

nte
personalidade abrangem um continuum de comporta-
bie

so
Respostas exclusivas mentos induzidos de interna a externamente. Para sim-
Am

c ia
plificar, compare seus níveis de personalidade a um

l
bombom de cereja coberto de chocolate. Todos veem
o invólucro (comportamento relacionado ao papel);

Co
aqueles que se dão ao trabalho de retirar o invólucro
o
er n

nsta
veem a camada de chocolate (respostas exclusivas); e
Int

Núcleo psicológico

nte
apenas as pessoas interessadas ou suficientemente mo-
tivadas a morder o bombom veem a cereja do centro
FIGURA 2.1 Uma visão esquemática da estrutura da perso­ (núcleo psicológico).
nalidade. O núcleo psicológico não é apenas o mais interno
Adaptada, com permissão, de Martens, 1975, Social psychology and physical dos três níveis e o mais difícil de conhecer, ele também
activity (Nova York: Harper e Row), 146. Copyright 1975 por Rainer Martens.
é a parte mais estável de sua personalidade. Permanece
razoavelmente constante com o passar do tempo. Na ou-
te respondemos ao mundo a nossa volta. Por exemplo, tra extremidade do continuum estão os comportamentos
você pode ser otimista, tímido e equilibrado. Frequen- mais externos, relacionados ao desempenho de papéis,
temente, suas respostas típicas são bons indicadores que estão sujeitos a uma maior influência do ambiente
de seu núcleo psicológico. Ou seja, se você responde social. Por exemplo, você pode sempre dizer a verdade
consistentemente a situações sociais sendo calado e tí- porque ser verdadeiro é um de seus valores centrais. Mas
mido, provavelmente é introvertido, não extrovertido. seu comportamento poderia variar em algumas áreas,
Entretanto, se alguém o observou calado em uma festa como, por exemplo, ser distante em seu papel como di-
e a partir dessa evidência isolada concluiu que você é retor de condicionamento físico e afetuoso em seu papel
introvertido, essa pessoa pode muito bem estar errada de pai. No entanto, em geral, suas respostas ficam em
– pode ter sido aquela festa que o fez ficar calado. Seu uma porção intermediária, porque resultam da interação
silêncio pode não ter sido uma resposta típica. entre seu núcleo psicológico e seus comportamentos re-
lacionados ao papel desempenhado.
Tanto a estabilidade como as mudanças são desejá-
Comportamento relacionado veis na personalidade. O aspecto central ou estável da
ao desempenho de papéis personalidade fornece a estrutura de que precisamos
para funcionar efetivamente em sociedade, enquanto o
A forma como você age baseado em sua percepção da aspecto dinâmico, ou variável, permite a aprendizagem.
situação social é chamada de comportamento relacio- Na condição de técnicos, professores de educação
nado ao desempenho de papéis. Esse comportamento física, preparadores físicos, profissionais da saúde e
é o aspecto mais variável da personalidade: seu com- instrutores podemos ser mais eficientes quando enten-
portamento muda à medida que mudam suas percep- demos os diferentes níveis de estrutura de personalida-
ções do ambiente. Situações diferentes requerem o de- de que estão além dos comportamentos relacionados
sempenho de diferentes papéis. Você pode, no mesmo ao desempenho de papéis particulares a uma situação.
dia, desempenhar papéis de aluno de uma universidade, O conhecimento da pessoa real (isto é, o núcleo psico-
técnico de um time infantil, funcionário e amigo. Pro- lógico) e as formas típicas de resposta daquela pessoa
vavelmente se comporta de formas diferentes em cada produz insight das motivações, ações e comportamen-
uma dessas situações; por exemplo, pode exercer mais tos do indivíduo. Basicamente, precisamos saber o que
liderança como técnico do que como aluno ou funcio- motiva as pes­soas para escolhermos a melhor forma de
nário. Os papéis podem entrar em conflito uns com os ajudá-las. De grande utilidade quando se trabalha a lon-
outros. Exemplificando, um pai que está treinando o ti- go prazo com pessoas, como durante uma temporada ou

Personalidade e esporte 27

mais tempo, é entender mais seus valores centrais indi- vida, permitiu ao jovem, de maneira inconsciente, evi-
viduais (isto é, seu núcleo psicológico). tar outras questões importantes.
Embora a abordagem psicodinâmica tenha tido uma
influência importante sobre o campo da psicologia, espe-
Estudando a personalidade a cialmente em abordagens clínicas à psicologia, ela pou-
partir de cinco pontos de vista co influenciou a psicologia do esporte. O psicólogo do
esporte sueco Erwin Apitzsch (1995) insistia para que
Os psicólogos observam a personalidade sob vários pon- os norte-americanos dessem mais atenção a essa abor-
tos de vista. Cinco de suas principais formas de estudar dagem, salientando, entretanto, o apoio que ela recebe
a personalidade no esporte e no exercício foram chama- em estudos não ingleses de seu valor no esporte. Apit-
das de abordagens psicodinâmica, de traço, situacional, zsch mensurou os mecanismos de defesa em atletas e
interacional e fenomenológica. usou essa informação para ajudá-los a enfrentar melhor
o estresse e a ansiedade. Especificamente, ele afirma que
os atletas costumam se sentir ameaçados e reagem com
Abordagem psicodinâmica ansiedade. Como uma defesa contra sua ansiedade, eles
exibem vários mecanismos de defesa inconscientes, tais
Popularizada por Sigmund Freud e por neofreudianos, como repressão mal-adaptada (os atletas congelam ou
como Carl Jung e Eric Erickson, a abordagem psicodi- ficam paralisados durante o jogo) ou negação do pro-
nâmica à personalidade é caracterizada por dois temas blema. Quando mecanismos de defesa inadequados são
(Cox, 1998). Primeiro, ela enfatiza os determinantes in- empregados, o desempenho e a satisfação dos atletas são
conscientes do comportamento, que Freud chamava de afetados. No entanto, por meio de psicoterapia, eles po-
id, ou impulsos instintivos, e como estes entram em con- dem aprender a lidar efetivamente com esses problemas.
flito com os aspectos mais conscientes da personalidade, Strean e Strean (1998) e Conroy e Benjamin (2001)
como o superego (a consciência moral) ou com o ego (a atenderam ao pedido de Apitzsch de dar mais atenção à
personalidade consciente). Segundo, essa abordagem é abordagem psicodinâmica. Além de analisarem a abor-
mais centrada no entendimento da pessoa como um todo dagem, Strean e Strean (1998) discutiram como os con-
do que na identificação de traços ou disposições isoladas. ceitos psicodinâmicos (como a resistência) podem ser
A abordagem psicodinâmica é complexa; ela vê a usados para explicar o comportamento de atletas – não
personalidade como um conjunto dinâmico de processos apenas seu funcionamento mal-adaptado, mas também
que estão em constante mudança e que, frequentemen- sua personalidade normal. Gaskin, Andersen e Morris
te, estão em conflito recíproco (Vealey, 2002). Aqueles (2009, 2010) também publicaram vários estudos de ca-
que adotam uma abordagem psicodinâmica ao estudo so demonstrando como uma abordagem psicodinâmica
da personalidade poderiam, por exemplo, discutir como pode ser útil à compreensão de aspectos profundos e
os instintos agressivos inconscientes entram em confli- comumente inconscientes, como autoimagem insatis-
to com outros aspectos da personalidade, tal como nos- fatória, identificação com pessoas sem deficiências e
so superego, para determinar o comportamento. Uma complacência, que pode surgir naqueles com deficiên-
ênfase especial é dada a como a personalidade adulta cias físicas. Finalmente, Conroy e Benjamin (2001) dis-
é moldada pelas resoluções de conflitos entre as forças cutiram e apresentaram exemplos do uso de um méto-
inconscientes e os valores e a consciência do superego do de análise estrutural do comportamento social para
na infância. Exemplificando, Gaskin, Andersen e Mor- medir construtos psicodinâmicos por meio da pesquisa
ris (2010) usaram uma abordagem psicodinâmica no es- de estudo de casos. Isso é importante, porque um dos
tudo das experiências de atividades esportivas e físicas pontos fracos da abordagem psicodinâmica é a dificul-
de um jovem com paralisia cerebral. Descobriram que dade de testá-la.
o esporte ajudava a tratar o sentimento de inferioridade Outro ponto fraco da abordagem psicodinâmica é
desse indivíduo, resultante do isolamento social em sua seu foco quase exclusivo nos determinantes internos do
infância. Ao mesmo tempo, porém, seu sucesso no es- comportamento, dando pouca atenção ao ambiente so-
porte não compensou totalmente esses sentimentos de cial. Por isso, muitos especialistas contemporâneos em
inferioridade e, de certa forma, possibilitou a esquiva de psicologia esportiva não a adotam. Além disso, é im-
alguns desafios (tal como o desenvolvimento de relações provável que a maioria dos especialistas em psicologia
românticas) que os jovens têm que enfrentar. Assim, o do esporte, especialmente os formados em psicologia
atual funcionamento dessa pessoa poderia ser explica- educacional do esporte, se especializem para usar uma
do por conflitos e questões de infância não resolvidas abordagem psicodinâmica. Entretanto, Giges (1998) in-
e, ainda que o esporte tivesse um papel positivo em sua dicou que, embora a formação especializada seja certa-

28  Fundamentos da psicologia do esporte e do exercício

mente necessária para usar a abordagem psicodinâmica tores independentes que, achava, descreviam uma pes-
de maneira terapêutica, um entendimento de seus con- soa. Eysenck e Eysenck (1968) consideravam os traços
ceitos fundamentais pode ajudar-nos a entender os atle- relativos, com os dois traços mais significativos varian-
tas e seus sentimentos, pensamentos e comportamentos. do em contínuo de introversão a extroversão e de esta-
Finalmente, a contribuição fundamental dessa abor- bilidade a emotividade. Hoje, o modelo de personalida-
dagem é o reconhecimento de que nem todos os compor- de dos “cinco grandes fatores” é o mais aceito (Allen,
tamentos do praticante de exercícios ou atleta está sob Greenless e Jones, 2013; Gill e Williams, 2008; Vealey,
controle consciente e que, às vezes, pode ser adequado 2002). Esse modelo afirma que existem cinco dimensões
observar os determinantes inconscientes do comporta- principais da personalidade: elemento neurótico (nervo-
mento. Por exemplo: um esquiador de classe mundial sismo, ansiedade, depressão e raiva) versus estabilidade
sofreu uma queda particularmente grave; quando se re- emocional; extroversão (entusiasmo, sociabilidade, as-
cuperou, não conseguiu explicar sua incapacidade de sertividade e alto nível de atividade) versus introversão;
executar a habilidade complexa que o havia ferido. Dis- abertura para experiências (originalmente, necessidade
se que, no meio da execução da manobra, ele congelara, de variedade, curiosidade); sociabilidade (amabilidade,
“como um alce ao enxergar os faróis de um automóvel”. altruísmo, modéstia); e conscientização (refreamento,
Além disso, estratégias psicológicas cognitivo-com- vontade de realização, autodisciplina). Essas cinco di-
portamentais (descritas posteriormente neste capítulo) mensões foram consideradas as características gerais
extensivas, que tinham sido usadas com sucesso com de personalidade mais importantes que existem entre os
outros esquiadores, não o ajudaram. O atleta finalmen- indivíduos, com a maioria das outras características de
te foi encaminhado a um psicólogo clínico que adotou personalidade mais específicas incluídas nessas dimen-
uma abordagem mais psicodinâmica ao problema e ob- sões (McRae e John, 1992). Além disso, postula-se que
teve mais sucesso. indivíduos com diferentes níveis dessas características
se comportarão de forma diferente. Por exemplo: pes-
soas com alto nível de conscientização seriam mais mo-
Abordagem de traço tivadas a ordem, autodisciplina e obediência, enquanto
A abordagem de traço pressupõe que as unidades fun- aquelas mais neuróticas seriam geralmente vulneráveis
damentais da personalidade – seus traços – são relati- e autoconscientes. O modelo de personalidade dos cinco
vamente estáveis. Ou seja, traços de personalidade são traços principais parece ser útil para se entender por que
permanentes e consistentes em diversas situações. Ado- diferentes intervenções de exercícios são adequadas para
tando a abordagem de traço, os psicólogos consideram pessoas com diferentes características de personalidade
que as causas dos comportamentos costumam residir (Rhodes, Courneya e Hayduk, 2002). Uma metanálise,
no interior da pessoa, e que o papel de fatores situacio- ou uma revisão estatística, de 35 estudos independen-
nais ou ambientais é mínimo. Considera-se que os tra- tes também mostrou que os traços de personalidade de
ços predispõem uma pessoa a agir de certa forma, inde- extroversão e conscientização tinham uma correlação
pendentemente da situação ou da circunstância. Se um positiva com níveis de atividade física, ao passo que o
atleta for competitivo, por exemplo, estará predisposto aspecto neurótico tinha uma relação negativa com a ati-
a jogar duro e a dar tudo de si, independentemente da vidade física (Rhodes e Smith, 2006). Os pesquisadores
situação ou do placar. Uma predisposição, entretanto, também começaram a testar o modelo dos cinco princi-
não significa que o atleta sempre agirá dessa maneira; pais traços de personalidade no esporte (Piedmont, Hill
significa apenas que ele, provavelmente, seja competi- e Blanco, 1999; Wann, Dunham, Byrd e Keenan, 2004).
tivo em situações esportivas. Exemplificando, num estudo com torcedores de equipes
esportivas, Wann e colaboradores (2004) descobriram
que a identificação com um time local (e o recebimento
PONTO-CHAVE  A abordagem de traço, que dominou de apoio social de outras pessoas) tinha uma relação po-
os primeiros estudos da personalidade, não leva em sitiva com o bem-estar psicológico, conforme medido pe-
consideração as situações particulares que também las subescalas dos cinco principais traços de extroversão,
podem influenciar o comportamento do indivíduo. abertura e conscientização. Hoje em dia, inúmeros pes-
quisadores da psicologia do esporte e do exercício estão
examinando a influência das cinco principais caracterís-
Os mais destacados proponentes da abordagem de ticas, como conscientização e extroversão (Demulier, Le
traço nas décadas de 1960 e 1970 incluem Gordon Scanff e Stephan, 2013; Lochbaum et al., 2010; Merritt
­Allport, Raymond Cattell e Hans Eysenck. Cattell (1965) e Tharp, 2013; Singley, Hale e Russell, 2012) e outras
desenvolveu um inventário da personalidade com 16 fa- características, como a firmeza (Sheard e Golby, 2010),

Personalidade e esporte 29

tanto nos estados quanto no comportamento psicológi- sugere que os traços têm alguma utilidade na previsão
co. Resumindo muito da literatura numa ampla visão, do comportamento em diversas situações.
Allen e colaboradores (2013) concluíram que personali-
dade tem relação com sucesso prolongado no atletismo. Abordagem situacional
Conforme Allen e colaboradores, indícios convincentes
mostram que os atletas têm mais altos níveis de extro- Preocupações com a abordagem dos traços para o es-
versão que os não atletas, e que aqueles que participam tudo da personalidade motivaram alguns pesquisado-
de esportes de alto risco e de equipes destacam-se mais res a enfocar a situação ou o ambiente capaz de de-
em extroversão do que atletas participantes de esportes sencadear os comportamentos, mais do que os traços
de menos risco e individuais. da personalidade. A abordagem situacional sustenta
Independentemente da visão e da medida particulares que o comportamento é, em grande parte, determina-
defendidas, os teóricos dos traços de personalidade afir- do pela situação ou pelo ambiente. Ela deriva da teoria
mam que a melhor maneira de entender a personalidade da aprendizagem social (Bandura, 1977a), que expli-
é levar em conta os traços que sejam relativamente per- ca o comportamento em termos de aprendizagem por
manentes e estáveis com o passar do tempo. Entretanto, observação (modelagem) e reforço social (feedback).
simplesmente conhecer os traços de personalidade do Essa abordagem afirma que influências e reforços am-
indivíduo nem sempre nos ajuda a prever como a pessoa bientais moldam sua forma de comportamento. Você
se comportará em determinada situação. Por exemplo: pode agir com confiança, por exemplo, em uma situa-
algumas pessoas se irritam facilmente durante as ativi- ção, mas com reservas em outra, independentemente de
dades esportivas, enquanto outras raramente se irritam. seus traços de personalidade particulares. Além disso,
Contudo, o indivíduo que tende a se irritar no espor- se a influência do ambiente for suficientemente forte,
te não necessariamente se irritará em outras situações. o efeito dos traços de personalidade será mínimo. Se
Simplesmente conhecermos os traços de personalidade você é introvertido e tímido, por exemplo, ainda assim
de alguém não necessariamente ajuda a prevermos se pode agir positivamente, ou mesmo agressivamente,
agirá ou não em conformidade com eles. A predisposi- ao ver alguém sendo maltratado. Muitos jogadores de
ção à raiva não nos informa quais situações específicas futebol americano são gentis e tímidos fora do cam-
provocarão essa reação. Digna de nota é a indicação de po, mas o jogo (a situação) requer que ajam agressi-
Allen e colaboradores (2013) de que as pesquisas da per- vamente. Portanto, a situação seria um determinante
sonalidade no esporte estagnaram, não acompanhando mais importante do comportamento deles do que seus
os desdobramentos da psicologia como um todo. Isso traços de personalidade particulares.

A abordagem de traços defende que traços de personalidade são permanentes e consistentes numa variedade de situações.
É possível que um atleta se comporte da mesma forma, independentemente da situação.

sua natureza violenta A abordagem interacional considera a situação e a pes. com orientação para o ego e baixas percepções de capacidade. • O perfeccionismo pode ser especialmente negativo em momentos de fracasso.ex. • Perfeccionistas exagerados. ao passo que o perfeccionismo mal-adaptativo tem relação com motivação para a esquiva. A natureza multidimensional do perfeccionismo levou a alguns achados interessantes. Os pesquisadores distinguem o perfeccionismo auto-orientado (em que grau um indivíduo fixa padrões pessoais extremamente elevados e se avalia com rigidez em relação a eles) do perfeccionismo socialmente prescrito (o grau em que a pessoa percebe que os indivíduos que lhe são caros a associam a padrões extremamente elevados e baseiam sua aprovação no atendimento a tais padrões) e do perfeccionismo voltado a outros (o grau em que uma pessoa associa os outros a padrões extremamente elevados) (Appleton. Uphill e Hotham. Dunn e McDonald. mas. Martin e Lumsden (1987) afirmam que comportamento. por exemplo. . dependendo dos componentes específicos a caracterizar a personalidade perfeccionista de alguém. to. • O perfeccionismo adaptativo tem relação com motivação para a abordagem. • Há uma relação entre os níveis de perfeccionismo de uma criança e os níveis de perfeccionismo dos pais. 2009) e a padrões de metas mais adaptados (p. 2005. 2011). a agredir variáveis que. Hall e Hill. pessoa com muita hostilidade não será necessariamente to. quando a pessoa hos- til é colocada na situação potencialmente violenta certa Abordagem interacional (como espectador frustrado em um jogo de futebol ame- ricano com os amigos desordeiros). Portanto. juntas. 2009). Isso exige que o atleta não associe explicitamente sua autovalorização ao desempenho e reduza qualquer sentimento irracional de importância dada ao desempenho (Hill. 2012). pressão parental percebida e pressão do treinador percebida (Dunn. Pole-Langdon e Hewitt.ex. • Perfeccionistas correm alto risco quando apresentam habilidades insatisfatórias de enfrentamento. Não apenas os traços pessoais e os fato- é possível influenciar o comportamento no esporte e na res situacionais determinam. Crianças cujos pais modelam seu próprio perfeccionismo ou dão aprovação condicional às tentativas de realização dos filhos têm mais propensão a apresentar tendências perfeccionistas.ex. reações negativas a imperfeições. Eles também elaboraram uma medida específica para o esporte que levanta dados sobre quatro dimensões: padrões pessoais. Outros achados interessantes oriundos da literatura sobre o perfeccionismo no esporte incluem: • Padrões perfeccionistas não prejudicam automaticamente o desempenho. Lau e Stoeber. outras palavras. quando as pessoas se caracterizam por perfeccionismo exagerado.. Todavia. Hall e Appleton. • Alguns tipos de perfeccionismo predispõem as pessoas a um envolvimento com determinados processos de pensamento e comportamento que influenciam o exercício. Hall e Hill. Com certeza. Flett e Hewitt. preocupação em relação a erros. 2010). uma de traço. 2003). Craft e Dunn. tuação particular de um indivíduo é útil para entender o dagem de traço. Essa situação em particular pode soa como codeterminantes de comportamento – ou seja. De uma perspectiva aplicada. • Padrões perfeccionistas debilitam-se quando há necessidade de seu alcance para uma autovalidação. Entretanto. 2008). como a abordagem mas singulares para influenciá-lo. Perfeccionismo mal-adaptativo (um foco em padrões elevados acompanhado de uma preocupação com erros e a avaliação dos outros) parece estar associado a excesso de exercícios (p. a consulta a um psicólogo do esporte pode ser recomendável. Dunn. a desempenho insatisfatório (Stoeber. determinam comportamentos. não pode prever realmente um comportamen. Flett. pela luta de atuar sem falhas e por uma tendência de ser declaradamente crítico ao avaliar o desempenho alheio (Flett e Hewitt. a abordagem situacional. Stoll.. o comportamen- educação física pela mudança dos reforços no ambiente. os pesquisadores sugerem ser importante aos que trabalham no esporte ajudarem atletas e praticantes de exercícios a distinguirem o compromisso saudável com elevados padrões de desempenho e as tentativas não saudáveis (p. Finalmente. terão efeitos debilitantes. problemas motivacionais e esgotamento. 2010. níveis altos de estresse. medo do fracasso) associadas a perfeccionismo mal-adaptado. 2009) e a esgotamento do atleta (Appleton. Exemplificando. • Demandas perfeccionistas emanam do interior dos próprios indivíduos ou de outras pessoas.30  Fundamentos da psicologia do esporte e do exercício O paradoxo do perfeccionismo O perfeccionismo foi a característica da personalidade mais amplamente estudada na psicologia do esporte e do exercício na década passada.. eles interagem ou se misturam de for- Contudo. pode ser desencadeada.. 2005). na presença da mãe). resultar em violência (levando-o. Embora a abordagem situacional não seja tão ampla. Em um torcedor do outro time que vaia seu jogador favorito). perfeccionismo adaptativo (foco em padrões elevados embora sem preocupação excessiva quanto a cometer erros ou a como os outros avaliam o próprio desempenho) parece estar associado a uma melhor aprendizagem e desempenho (Stoeber et al. Trata-se de um estilo de personalidade caracterizado pela fixação de padrões de desempenho extremamente elevados. às vezes. o perfeccionismo pode levar a consequências altamente positivas ou extremamente negativas. por si só. mas outras pessoas não espectador frustrado em um jogo de futebol americano serão afetadas pela mesma situação. uma certa situação pode influenciar o violenta em todas as situações (tal como na condição de comportamento de uma pessoa. e com o foco na meta certa podem levar a um desempenho excelente. conhecer os traços psicológicos e a si- mente adotada por psicólogos do esporte quanto a abor.

no Capítulo 14) e muito da pesquisa recente sobre ca- tigação de como as pessoas reagem individualmente em racterísticas cognitivas associadas com sucesso atlético determinadas situações esportivas e de atividade física. “A torcida é muito barulhenta e está lhe dirigin. pela situação de ter de ficar em pé diante da classe mais uma vez. teorias de auto- exercício prefere a abordagem interacional para estudar determinação de motivação. fazem os seguintes tipos de perguntas: gem fenomenológica sustenta que o comportamento é mais bem determinado considerando-se as características • Os extrovertidos terão melhor desempenho em uma situacional e pessoal. você acabou de errar um continuum (ver Figura 2. cognitiva (discutida no Capítulo 6). etc. como a autoeficácia de Bandura (discutida isoladamente.). durante e depois do jogo ta para compreender a personalidade diferem em vários (p. enquanto Pat. Uma vez que é confiante em situações sociais e com relação à sua aparência. no entanto.. de jeito nenhum. (discutido mais adiante neste capítulo). Assim. Dadas portamental. foi solicitado que os atletas relatassem tamento é determinado pelas características internas de em que grau reagiriam (sentir-se-iam deslocados. essas cinco abordagens ou pontos de vis- tuações de basquetebol antes. A abordagem interacional requer a inves. Por exemplo. Naturalmente. Maureen aguarda ansiosamente sua vez de conduzir a aula. aspectos importantes. elas variam ao longo de do a maior parte dos comentários. elas definidas por suas constituições mentais e emocionais variam enormemente em termos de pressupostos sobre particulares. por exemplo. variando desde a visão de que o compor- essas situações. o psicólogo examina o • Pessoas altamente motivadas mantêm um programa entendimento e a interpretação da pessoa de si mesma e de exercícios formal por mais tempo do que aquelas de seu ambiente. na abordagem fenomenológica. após conduzir a aula várias vezes.2) de determinação com- uma jogada e seu treinador o está criticando”). . Embora mo você reagiria? todos esses pontos de vista tenham sido importantes pa- Abordagem interacional em um caso de baixa autoestima Duas mulheres matriculam-se em uma aula de ginástica. nado por traços fixos ou por determinantes conscientes ces livres com um placar apertado. acha que conduzir a aula é uma situação geradora de ansiedade. A aula é estruturada de modo que cada participante tenha sua vez na liderança dos exercícios. Segundo. do objetivo (discutida no Capítulo 3). Bowers (1973) verificou que a intera. cício contemporâneos adote uma abordagem interacio- bém devem ser considerados. até lhe passou pela cabeça tornar-se instrutora. que é ou inconscientes e o quanto é importante a interpretação relaxada e menos ansiosa. Jeff. ao usarem uma abordagem interacio. Co. se enquadram Fisher e Zwart (1982). Entretanto. experiências sub- com baixa motivação? jetivas e visões pessoais do indivíduo do mundo e de si • Crianças autoconfiantes preferem esportes competiti- mesmo são consideradas importantes. siedade que os atletas demonstravam em diferentes si. a abordagem fenomeno- lógica é a orientação mais popular adotada atualmente Pesquisadores. ativa da pessoa de si mesma e de seu ambiente. as origens do comportamento humano – se ele é determi- ritável. ela não quer passar. em vez de se concen- situação de equipe e os introvertidos em uma situa- trar em traços ou disposições fixas como determinan- ção individual? tes primários de comportamento. Consequentemente. (­Vea­ley. estudaram a an. não se sente confiante diante de pessoas e fica constrangida por sua aparência. que geralmente é ansioso e ir. vos e as com baixa autoconfiança preferem situações Muitas das teorias contemporâneas mais proemi- esportivas que não sejam competitivas? nentes na psicologia do esporte estão incluídas na es- A grande maioria dos psicólogos do esporte e do trutura fenomenológica. como a teoria de avaliação o comportamento. Tal como a visão interacional. uma pessoa (como as teorias psicodinâmicas) à visão de tariam do desafio. Cher perde o interesse pela aula e deixa de participar. Primeiro. nal ao estudo da personalidade. 2002). a teoria de alcance ção entre pessoas e situações poderia explicar duas ve. Os resultados revelaram que as que o comportamento é determinado pela situação ou reações dos atletas a cada situação do basquetebol foram ambiente (como a abordagem situacional). pode gostar do desafio. Tudo em que consegue pensar tem a ver com os comentários negativos que a classe deve estar fazendo enquanto a assiste. pode ficar “sufocado” antes de arremessar lan. Em resumo. ex. gos. Personalidade e esporte 31 Abordagem fenomenológica PONTO-CHAVE  Situações isoladas não são sufi- cientes para prever comportamentos com precisão Embora a maioria dos psicólogos do esporte e do exer- – os traços de personalidade de um indivíduo tam. a aborda- nal. Ao contrário de Maureen. Cher. as teorias socio- zes mais comportamentos do que os traços ou situações cognitivas. Ela realmente gosta de ficar à frente do grupo e. baixa autoestima. Maureen tem autoestima elevada e Cher. Embora realmente goste de se exercitar.

Essa escala específica à situação podia o comportamento (estados). dem a determinados tipos de situações. “agora mesmo”. Psicodinâmica Traço Interacional Fenomenológica Situacional Internamente determinada Determinada pelo ambiente FIGURA 2. alunos se saíam mal nas provas quando ficavam exces- dade afeta o comportamento em situações esportivas e sivamente ansiosos. Os psicólogos desenvolveram formas de mente ansiosos em outras situações. são genéricas e mais relacionadas fiança de traço e estado (Vealey. 1986) na próxima pá. a estilos globais de atenção e humor. lizar provas os fazia congelar. Esses alunos não eram particular- de exercício. Quando a pesquisa é conduzida de maneira adequada. Essa distinção entre traços prever melhor a ansiedade no período imediatamente e estados psicológicos foi fundamental para o desen. útil sobre traços e estados de personalidade. Veja agora alguns exemplos de formatos de perguntas e respostas do Teste de Atenção e Estilo Interpessoal (Ni- deffer. as medidas específicas à situação preveem o comportamento com mais confiabilidade em determinadas situações. a ansie- de um indivíduo (traços) dos efeitos da situação sobre dade pré-teste). Portanto. 1971). situação específica e de como os indivíduos respon- tender e prever o comportamento. que alguns pode esclarecer consideravelmente como a personali. observou. anterior aos exames (estado de ansiedade) do que um volvimento da pesquisa da personalidade no esporte. enquanto o Inventário de Confiança Espor- mento em situações esportivas do que testes gerais tiva de Estado pede que a pessoa indique como se sente de personalidade. as visões interacional e fenomenológica são as mais enfatizadas hoje em dia e Embora escalas genéricas forneçam alguma informação formam a base de grande parte deste texto. 1976b) e do Perfil de Estados de Humor (McNair. você deve levar em consideração portamento quando temos mais conhecimento da tanto os traços como os estados em sua tentativa de en. Vealey. Medidas de traço e estado Lorr e Droppleman. gina. Antes. específica de situação para medir o grau de ansiedade cólogos diferenciam o estilo típico de comportamento de uma pessoa antes de realizar provas (isto é. Observe que as perguntas não se relacionam diretamente com esportes ou ativi- Observe os exemplos de perguntas de medidas de con. em um momento particular no tempo e em determinada situação. S. em 1975. . Sarason. Entretanto.2 Continuum de determinação do comportamento.32  Fundamentos da psicologia do esporte e do exercício ra o progresso de nosso entendimento da personalidade Medidas específicas à situação na atividade esportiva e física. Dados de R. Medidas específicas ao esporte tender e prever comportamentos. 2002. Sarason criou uma escala der os traços e os estados de personalidade. Muitos psi. dades físicas. Elas destacam as ­diferenças entre medidas de con- fiança de traço e de es­tado em um contexto e­ sportivo. mas o fato de rea- avaliar a personalidade que podem nos ajudar a enten. PONTO-CHAVE  Devemos levar em consideração tanto situações quanto traços psicológicos para en. por exemplo. o comportamento não ocorre necessariamente em todas PONTO-CHAVE  Podemos prever melhor um com- as situações. embora determinado traço psicológico pre- disponha uma pessoa a comportar-se de certa maneira. teste geral de traço de ansiedade. O Inventário de Confiança Esportiva de Traço pede que PONTO-CHAVE  Medidas de personalidade especí- a pessoa indique como se sente “geralmente” ou nor- ficas ao esporte prognosticam melhor o comporta- malmente. porque Avaliando a personalidade elas consideram tanto a personalidade do participante quanto a situação específica (abordagem interacional).

como realmente se sente. 1 2 3 4 5 6 7 8 9 Até recentemente. por favor. para me- Os testes específicos para o esporte fornecem medidas dir a confiança esportiva (Vealey. Bump e Smith. 1982). Responda. referência específica a esportes ou atividades físicas. 1 2 3 4 5 6 7 8 9 Inventário de confiança esportiva de estado Baixa Média Alta 1. e. Vealey. para medir o grau de ansiedade anterior à competição porte vinham de inventários psicológicos gerais. Compare a confiança que sente neste momento em sua capacidade de desempenho sob pressão com a do atleta mais confiante que você conhece. rante a competição. Um tos fracos. 1 2 3 4 5 6 7 8 9 3. Compare sua confiança em sua capacidade de executar as habilidades necessárias para ser bem-sucedido com a do atleta mais confiante que você conhece. o nico poderia testar seu próprio grau de ansiedade antes técnico pode aconselhar os jogadores sobre como con- de uma competição (especialmente se a ansiedade ex- tar com os pontos fortes e reduzir ou eliminar os pon- cessiva se revelar prejudicial ao seu desempenho). mais confiáveis e válidas de traços e de estados de per- Foram até mesmo criados alguns testes para esportes sonalidade em contextos esportivos e de exercício. quase todas as medidas de per. 1981). Personalidade e esporte 33 Inventário de confiança esportiva de traço Pense no quanto você é autoconfiante quando compete em esportes. sonalidade de traço e de estado na psicologia do es. Compare sua confiança em sua capacidade de desempenho sob pressão com a do atleta mais confiante que você conhece. de ansiedade geral. 1977). Burton. Baixa Média Alta 1. Em geral. capazes de ajudar a identificar as áreas de exemplo. Compare sua autoconfiança com a do atleta mais autoconfiante que você conhece. Compare a confiança que sente neste momento em sua capacidade de concentrar-se com a do atleta mais confiante que você conhece. Compare a confiança que sente neste momento em sua capacidade de executar as habilidades necessárias para ser bem-sucedido com a do atleta mais confiante que você conhece. os estados são avaliados . Um exemplo de um teste específico voltado teste de ansiedade específico voltado ao esporte avalia a ao esporte é o Teste de Atenção e Estilo Interpessoal no ansiedade anterior à competição melhor do que um teste Tênis (Van Schoyck e Grasha. Após reunir os resultados. para me. não como gostaria de se sentir (circule um dos números). Por específicos. • o Inventário de Confiança de Traço-Estado. Inventários psicológicos desenvol- vidos especificamente para uso em situações esportivas e de atividade física incluem: Flutuações antes e durante a competição • o Teste de Ansiedade Competitiva Esportiva. Compare sua confiança em sua capacidade de concentrar-se o suficiente para ser bem-sucedido com a do atleta mais confiante que você conhece. • o Inventário de Estado de Ansiedade Competitiva-2. sem (Martens. em vez de testar seu grau de ansiedade antes forças e fraquezas psicológicas de uma pessoa naquele de dar uma palestra ou de sair para um encontro. 1986). Responda as três perguntas a seguir com base no quanto geralmente se sente confiante quando compete em seu esporte. o téc- esporte ou atividade física. Os sentimentos mudam antes de uma competição e du- dir o traço de ansiedade competitiva (Martens. 1 2 3 4 5 6 7 8 9 3. 1 2 3 4 5 6 7 8 9 2. 1 2 3 4 5 6 7 8 9 2.

______ Sou bom em analisar um adversário de tênis e em avaliar pontos fortes e fracos. Os níveis de estado e de traço só são menos significativos do que a diferença entre o nível de estado e o nível de traço atuais de uma pessoa. Ao contrário. a resposta que mais corresponde à forma como você se vê. incluindo hoje. Este exemplo demonstra a necessidade de se considerar medidas tanto de traço quanto de estado para investigar a personalidade. ______ Nas lojas. Como técnico. ______ Sou bom em esquadrinhar multidões rapidamente e encontrar uma pessoa ou rosto específico. Indique como você se sentiu nesta última semana. Portanto. que apresenta baixo traço de confiança. dade competitiva de Matt 30 minutos antes de disputar Considere traços e estados para entender o comportamento Em geral. ______ É fácil para mim dirigir minha atenção e me concentrar exclusivamente em algo. seu estado de confiança é baixo antes da competição. . Os níveis de estado de ansiedade de Terry e Tim foram diferentes devido à experiência em natação (um fator situacional). marque. vejo-me diante de tantas opções que não consigo escolher. distraio-me com as cenas e com os sons à minha volta. fico atento aos movimentos e às posições de todos os jogadores na quadra.34  Fundamentos da psicologia do esporte e do exercício Teste de estilo de atenção e interpessoal Usando a escala a seguir. Essa diferença nos escores representa o impacto de fatores situacionais sobre o comportamento. o estado de ansie- avaliação possa indicar como alguém está se sentin. Por exemplo. Use a escala a seguir: 0 = Nunca 1 = Raramente 2 = Às vezes 3 = Frequentemente 4 = Sempre ______ Ao jogar tênis. 0 = Nunca 1 = Raramente 2 = Às vezes 3 = Frequentemente 4 = Sempre ______ Eu me perco em pensamentos e fico desatento ao que está ocorrendo à minha volta. Embora uma durante a competição. ______ Nas lojas. Consequentemente. imediatamente antes (dentro de 30 minutos) do início do naquele momento. seu estado de confiança antes da competição é alto. por exemplo – seus resultados poderiam ser diferentes. 0 = Nunca 1 = Raramente 2 = Às vezes 3 = Frequentemente 4 = Sempre ______ Animado ______ Cheio de energia ______ Confuso ______ Fatigado ______ Tenso ______ Aborrecido Exemplo de itens do teste de estilo de atenção e interpessoal no tênis Marque. seria incapaz de prever o quanto eles se sentem confiantes antes da competição. No entanto. ______ Ao jogar em duplas. você está interessado em saber como a confiança se relaciona ao desempenho e quer saber como Tim e Terry estão se sentindo imediatamente antes de uma competição de natação. vejo-me diante de tantas opções que não consigo decidir. costuma reagir a situações com mais confiança do que Tim. se observasse o estado de confiança de Tim e Terry em outro esporte – beisebol. teve pouca experiência de natação e nem mesmo tem certeza de que possa terminar a prova. ______ Tenho dificuldades de afastar um pensamento ou ideia da mente. a resposta que mais corresponde à forma como você se vê. ______ Ao jogar tênis. embora Terry seja geralmente muito confiante. Terry é uma pessoa confiante. Embora Tim em geral não seja confiante. fico ansioso e bloqueado. Se você avaliasse apenas o traço de confiança de Tim e Terry. por favor. esses sentimentos podem mudar de uma competição ou atividade física. por favor. Perfil de estados de humor A seguir é apresentada uma lista de palavras que descrevem sentimentos que as pessoas têm. ele fazia parte da equipe de natação da escola no ensino médio e está confiante em suas habilidades.

por exemplo. • Que tipos de testes psicológicos devem ser usados com atletas? • Como os testes psicológicos devem ser administra. to. é inadequado administrar a alunos de educação física um teste clínico de personalidade. a ansiedade de Antes de administrar e interpretar inventários psicológi- Matt pode aumentar novamente quando a contagem em. E eles. os re- inadequadamente – e administrados de modo precário. profissional da Mesmo testes válidos que tenham sido desenvolvi- saúde ou instrutor. De modo semelhante. É preciso considerar essas oscilações ao se avaliar capaz de reconhecer erros de medição e ter medidas bem a personalidade e as reações a ambientes competitivos. As pessoas geralmente buscam se apresentar sob um bre a testagem psicológica: ângulo favorável. ­conhecimento. gia (anormalidade. se os alunos não entenderem bem as perguntas. professor. Você esco- lembre-se de que inventários psicológicos por si só não lhe um bom teste desenvolvido para adultos. quisador deve conduzir uma testagem-piloto com a po- basada – ou seja. ou usam e interpretam resultados de tes- mas seções. inventários de personalidade desenvolvidos para medir psicopatolo- PONTO-CHAVE  Todos os testes psicológicos con. são usados de forma antiética – ou. devido às diferenças culturais. Personalidade e esporte 35 um ­campeonato de futebol americano pode ser muito Conheça os princípios da alto. planejadas e validadas. Nessas situações. vezes. É inadequado usar. tentando parecer calma. Entretanto. siedade. Suponha que você queira medir a autoestima em alunos as a quem deseja ajudar profissionalmente. você deve entender os princípios de testagem. dos com confiança podem apresentar erros de medição. ser patar. Nem todos os testes psicológicos foram sistematicamente desenvolvidos e tornados confiá- veis. predominantemente branca a atletas afro-americanos e tendam as limitações e os usos e abusos de testes para hispânicos. A seguir validade do instrumento de teste. se Na verdade. nem sempre há clareza quanto a sua forma administrar um teste desenvolvido para uma população de uso! Contudo. tal como esquizofrenia ou depressão têm um grau de erro de medida. Além disso. o pes- O importante é ser capaz de tomar uma decisão em. sultados não serão confiáveis. respondem às perguntas de uma forma que consideram “socialmente desejável”. cos. Entretanto. que explicamos resumidamente nas próxi. às não há testes específicos para adolescentes. distorce suas respostas em um teste de • Técnicos devem administrar testes psicológicos em ansiedade antes da prova. os resultados poderão ser menos confiáveis saber o que fazer e o que não fazer. • Testes psicológicos devem ser usados para ajudar a um estilo de resposta conhecido como “falso bom”. Você pode ficar tentado a usar tes. Mas. Entretan- forneceu sete diretrizes úteis sobre o uso de testes psi. ser um consumidor informado – sobre pulação específica para estabelecer a confiabilidade e a como (ou se) deve usar testes de personalidade. selecionar atletas para uma equipe? Por exemplo: uma atleta pode recear que seu técnico • O que qualifica alguém para administrar testes psi. Os resultados não são absolutos ou irrefutáveis. antiético. fria seus atletas? e controlada. . tes de forma antiética. tenha cautela ao maníaca) para medir um aumento mais normal na an- interpretar seus resultados. listamos algumas perguntas importantes a considerar so. Fazer previsões ou deduções sobre o comportamento Usando medidas psicológicas e a estrutura de personalidade de um atleta ou praticante de exercícios com base em tais testes seria enganador e O conhecimento da personalidade é fundamental pa. então. a American Psychological Association as pessoas que administram os testes estejam cientes e o National Council on Measurement in Education das limitações de sua formação e preparo. visto que podem prever realmente o sucesso esportivo. Às vezes. assim que ele fizer algumas boas jogadas e testagem e os erros de medição entrar no ritmo do jogo. é essencial que os profissionais en. algumas pessoas não reconhecem os limites de seu cológicos. perceba o quanto ela fica nervosa antes de uma com- cológicos? petição. o que pode ser prejudicial para os atletas. Conheça suas limitações dos a atletas? A American Psychological Association recomenda que Em 1999. sua ansiedade poderá cair para um ­nível moderado. ra o sucesso de um técnico. pelo menos. tes psicológicos para obter informações sobre as pesso. No segundo tempo. de educação física de 13 a 15 anos de idade.

seria mais provável que exage- selecionar atletas para um time ou para cortá-los de um rassem seus pontos fortes e minimizassem seus pontos time é um abuso de testagem que não deve ser tolerado. O que não se deve fazer • Não use testes clínicos de personalidade com foco em anormalidades para estudar uma população média de participantes de esporte e exercício. Empregar apenas inventários de personalidade para nessas circunstâncias. tais como dados de observação e avaliações de desempenho. qualificação acadêmica) em avaliação Antes de começar a fazer os testes. física poderiam pensar que o teste afetaria suas notas e. administrando-os com um psicólogo do esporte. que medem e como serão usados. mas devem ser conside- distorcer os resultados do teste e tornar a interpretação rados em conjunto com medidas de desempenho físico. fracos. o que pode podem ter aplicação limitada. testes psicológicos. Alguns testes psicológicos podem fraudar ou falsificar suas respostas. pois os tes- É fundamental assegurar às pessoas que suas respostas tes não são suficientemente precisos para serem predi- permanecerão confidenciais em quaisquer testes que fi- tivos. é injusto. • Ofereça aos participantes feedback específico com relação ao resultado do teste. pela falta de outras. . quem o utili- za deve conhecer quais características de personalidade Adote uma abordagem intraindividual são fundamentais para o sucesso no esporte em questão e quais são os níveis ideais necessários dessas caracte. a menos que você esteja qualificado pela APA ou por outra organização registrada. • Use medidas de personalidade de estado e de traço. Atletas ou praticantes de exercícios podem parecer ter Regras na testagem da personalidade O que se deve fazer • Informe os participantes sobre o propósito do teste de personalidade e exatamente como esse teste será usado. determinar se um atleta tem o perfil zerem (e garantir que esse sigilo seja mantido!). com base apenas em responder com honestidade. Devem receber feed­ back específico sobre os resultados para poderem ter uma compreensão de si mesmos a partir do processo Não use testes psicológicos de testagem. três condições fundamentais devem sempre ser nar titulares ou para eliminar jogadores. as pessoas têm mais probabilidades de americano ou ala no basquetebol. Quando temem a exposição. em vez de compará-los com as normas. ticantes de exercícios devem conhecer seu objetivo. o sultados de testes de personalidade. • Use testes voltados ao esporte e ao exercício específicos sempre que possível. • Compare os indivíduos em relação a seus próprios níveis basais. embora em os atletas podem compensar em algumas características alguns casos específicos tal comparação possa ser útil. Por exemplo. consideradas (Singer. atletas. Primeiro. • Não administre ou interprete testes de personalidade. para selecionar equipes Usar apenas testes psicológicos no processo de seleção Assegure o sigilo aos atletas de jogadores para uma equipe é um abuso. tal teste deve ser uma medida válida e confiável. Quando testes psicológicos são usados como parte de uma as pessoas naturalmente ficarão desconfiadas e se per- bateria de medidas para ajudar no processo de seleção de guntarão se o técnico usará o teste para ajudar a selecio- atletas. • Não use testes de personalidade para prever comportamentos em situações de esporte e de exercício sem considerar outras fontes de informação. quem usa o teste deve saber o quanto te psicológico de um atleta com o padrão.36  Fundamentos da psicologia do esporte e do exercício Inclua explicação e feedback PONTO-CHAVE  É necessário treinamento especial (certificação. Terceiro. • Não use testes de personalidade para decidir quem serve para o time ou programa e quem não serve. Se você não explicar as razões para a testagem. Com psicológico “certo” para ser um quarterback no futebol essa segurança. Um erro frequente é comparar o resultado de um tes- rísticas. 1988). • Integre os resultados do teste de personalidade com outras informações obtidas sobre o participante. • Permita que somente indivíduos qualificados que conheçam os princípios de testagem e dos erros de avaliação administrem testes de personalidade. praticamente inútil. alunos e pra­ psicológica para ser qualificado para interpretar re. Alunos em uma aula de educação avaliações do técnico e níveis reais de jogo. Segundo.

desempenho esportivo e preferência es- tes projetivos geralmente incluem figuras ou situações portiva. mas está longe da perfeição. Por exemplo. Morgan (1980) descreveu que um grupo adotou um praticante de exercícios. Não é fácil. fraqueceu as pesquisas e dificultou sua interpretação. você certamente está interessado em desses precise ser introvertido para ser bem-sucedido. solicita-se que as sonalidade e desempenho foi um problema encontrado pessoas escrevam sobre o que está acontecendo. Tente definir um atleta. . Personalidade e esporte 37 escores altos ou baixos em ansiedade. para medir a persona- personalidades introvertidas não significa que um atleta lidade de alguém. Os tes- personalidade. Não é tão importante saber um ponto de vista crédulo. lacionada ao sucesso esportivo. seu núcleo psicológico. nenhum perfil de perso- dade em geral. clube? Que demonstra certo nível de habilidade? Que cólogos do esporte costumam avaliar a personalidade no corre diariamente para perder peso? Que pratica espor- esporte examinando reações exclusivas causadas pela tes profissionais? Que pratica esportes como recreação? situação real na qual estão interessados. Para medir aspectos lidades agressivas. O outro grupo. que joga em um time universitário. Os pesquisadores dividiram-se em dois gru- Tomemos o exemplo da avaliação da motivação de pos. Ou seja. estatísticos e de interpretação. esses escassos ajudá-los a ter melhor desempenho e a apreciar mais a resultados se originaram de problemas metodológicos. embora muitos middle linebackers ficos de testes para ter um entendimento preciso dos vá- bem-sucedidos no futebol americano tenham persona- rios aspectos de sua personalidade. importa saber como ela se compara com motiva. não são precisos. Atletas e não atletas nho pode projetar sentimentos de tristeza por ele perder a corrida tão perto do final. família ou cumprir suas responsabilidades profissionais). após ser mostrada uma foto resultados de pesquisas de personalidade. afirmando que a ções concorrentes que a pessoa tenha (como estar com a personalidade não está relacionada ao sucesso esportivo. PONTO-CHAVE  Até hoje. um teste que mede a nalidade específico que diferenciasse consistente- motivação para o exercício é mais útil para o instrutor mente atletas de não atletas foi encontrado. de a ansiedade no esporte seria mais útil para o técnico ou psicólogo do esporte do que um que mede a ansie. do que outro de motivação geral. Portanto. Em parte. Por exemplo. Assim. por exemplo. Por exemplo: o fato de dade oferece alguma perspectiva para usar e interpretar alguns corredores olímpicos de longa distância exibirem testes psicológicos. As pesquisas das décadas de 1960 e 1970 geraram pou- lação ao que sentem normalmente (uma abordagem cas conclusões úteis sobre a relação entre personalida- intraindivi­dual). adiante. Da mesma forma. do ele. escolar ou em um temente difíceis de pontuar e interpretar. mais subconscientes e profundos da personalidade. Na verdade. existe alguma relação entre Entenda e avalie componentes personalidade e desempenho esportivo. autoconfiança Foco na pesquisa da personalidade ou motivação em relação a outras pessoas. Mas lembre-se de que a personalidade por si escritas. pessoa confiante e com alto desempenho pode enfati- zar como o corredor fez um esforço sobre-humano para atingir seu objetivo. vo- Voltaremos agora nossa atenção à pesquisa sobre cê pode usar um teste projetivo. Assim. os psi. segun- cios. mas com relação a seus próprios padrões. porque atri- de um corredor exausto cruzando a linha de chegada ao buir ou pressupor relações de causa e efeito entre per- final de uma corrida muito disputada. enquanto outra com baixo desempe. que discutiremos mais não aos escores de outros. mas frequen. Você selecionaria tipos especí- Da mesma forma. Um atleta é alguém Os testes projetivos são interessantes. Nem o ponto de vista crédulo nem o cético se reve- laram corretos. experiência. embora traços e estados de per- específicos da personalidade sonalidade possam ajudar a prever comportamentos e sucesso esportivos. bre estudos que compararam traços de personalidade ralmente ansioso – também querem saber como ele lida de atletas e não atletas. Use essa informação psicológica para de e desempenho no esporte. ou seja. É necessária alguma cautela ao interpretar os ção a esse material. esses pesquisadores se a motivação do indivíduo para se exercitar é alta ou acreditavam que a personalidade está intimamente re- baixa comparada com a de outros praticantes de exercí. Tal incerteza nas definições en- com a ansiedade competitiva. tinha um ponto de vista cético. outros bem-sucedidos não as têm. Mantenha essa ambiguidade em mente enquanto lê so- os técnicos querem não apenas saber se um atleta é ge. Uma em muitos dos estudos iniciais. e solicita-se que as pessoas que os realizam a só não responde pelo comportamento no esporte e no projeção de seus sentimentos e pensamentos em rela- exercício. um teste que me. mas o pon- to mais crítico é determinar como se sentem em re. respondendo ape- Um entendimento claro dos componentes da personali- nas por parte do comportamento.

os atletas que praticavam esportes coletivos Tendo em vista que cada vez mais mulheres competem exibiam menos raciocínio abstrato. remado- e assertividade – não são específicos de homens ou res e corredores) são caracterizados pelo que ­Morgan mulheres. Em 1980. agressivas. Naturalmente. Aparentemente. é pos- tell. Não foi encontrado um para determinado esporte. não atletas. PONTO-CHAVE  Poucas diferenças de ­personalidade são evidentes entre atletas do sexo masculino e do sexo feminino. algumas diferenças de personali. emocionalmente dade parecem diferenciar atletas de não atletas. Brown. Schurr e colaboradores (1977) verificaram tacados têm características de personalidade semelhan- tes. extrovertidos e ansiosos. O’Connor e Ellickson. A maioria desses traços é desejável diferenças específicas ainda não podem ser consideradas para a prática de esportes. 1977). mais extroversão. os atletas que praticavam verificou que atletas do sexo feminino bem-sucedidas esportes individuais exibiam níveis mais altos de obje. em que está acima do padrão. Por exemplo. Ashley e Joy. fadiga. Comparadas com mulheres pensamento abstrato. Além disso. usando uma medida chamada Perfil de Estados de Hu- mor (POMS. para fins de estudo. usando o inventário da personalidade de Cat. mas menos imaginativos do culino. Basicamente. quando avaliada por determinado padrão de es- core do POMS. Atletas de elite exitosos em Traços desejáveis para o esporte – como independência diversos esportes (como nadadores. particularmente no nível da elite esportiva. independentes.38  Fundamentos da psicologia do esporte e do exercício Um grande estudo comparativo junto a atletas e não que atletas de esportes coletivos eram mais dependen- atletas testou quase 2 mil universitários do sexo mas. ­O perfil iceberg de um atleta de elite bem-su- . 1987). que mede 16 fatores ou traços de personalidade sível que certos tipos de personalidade sejam atraídos (Schurr. atletas des- definitivas. lutadores. na sigla em inglês). Todos os bons atletas devem ter esses traços chamou de perfil iceberg. que reflete saúde mental po- de personalidade. O modelo de Morgan prevê que um atleta com es- core acima do padrão nas subescalas do POMS de traço neurótico. confusão e raiva e com es- cores abaixo do padrão em vigor tenderá a enfraquecer em comparação com um atleta que tenha escores abai- xo do padrão em todos esses traços exceto no vigor. Morgan. independentemente de serem homens ou mulheres. que atletas de esporte individual. 1980. lidade de atletas do sexo feminino. está diretamente relacionada ao sucesso esportivo e a altos níveis de desempenho. o modelo sugere que uma saúde mental positiva. Morgan desenvolveu um modelo de saúde mental que considerou eficiente para prever o sucesso esportivo (Morgan 1979b. diferiam marcadamente da “mulher-padrão” em termos tividade. conquista. como membros de uma razões para essas diferenças permanecem desconhecidas. comparados com Atletas do sexo feminino não atletas. tes. as atletas revelaram-se mais orientadas à Consequentemente. sitiva. e não que a participação em único perfil de personalidade que diferenciasse atletas esporte de alguma forma mude uma personalidade. Entretanto. equipe universitária) de não atletas. William comparados com não atletas. ficaram evi- dentes várias diferenças. depressão. As (definidos. menos ansiedade e menos de perfil de personalidade. Saúde mental positiva e o perfil “iceberg” Após comparar traços de personalidade de atletas mais bem-sucedidos com os daqueles de menos sucesso. Raglin. precisamos entender o perfil de persona- mais dependência e menos força de ego. quando os atletas foram classificados por esporte. mas essas estáveis e positivas. mais dependência. nos esportes.

fil iceberg” e mais saúde mental positiva do que os me- ce um iceberg. e essas informações podem ser usadas para Morgan (1979b) avaliou psicologicamente 16 candidatos desenvolvimento de um treinamento adequado em para a equipe norte-americana de remo. Morgam. Você poderia pensar que essas estatísticas vos estão abaixo da superfície (padrão da população) e impressionantes significam que você deveria usar testes o único traço positivo (vigor). como lerá mais adiante. prevendo corretamente 10 dos 65 Escore T (50% = média da população) 60 Corredores Lutadores 55 Remadores 50 45 40 a 35 Tensão Depressão Raiva Vigor Fadiga Confusão 65 Escore T (50% = média da população) Menos 60 bem-sucedidos Mais 55 bem-sucedidos 50 45 40 b 35 Tensão Depressão Raiva Vigor Fadiga Confusão FIGURA 2. Com permissão de Morgan. nos exitosos. não achava que devessem ser utilizados testes para fins de seleção. 185. Entretanto. de W. Adaptada. . significando que todos os traços negati. 1979. a maioria dos psicó- fil plano. fadiga e confusão abaixo levaram-no a concluir que atletas exitosos exibem o “per- da média da população (ver Figura 2. corredores e remadores de elite. 16 finalistas. na categoria peso- habilidades psicológicas. usando o POMS. contrário. e o uso de testes para seleção poderia signifi- saúde mental positiva do que os de menos sucesso car que atletas poderiam ser injusta ou erroneamente se- lecionados para uma equipe ou excluídos dela. De psicológicos para seleção de equipes. athlete and the sport psychologist (Toronto: University of Toronto School of Psysical and Health Education). isso reflete saúde mental negativa. Coach. feição (apenas 10 dos 16 remadores foram corretamente gan propõe que atletas bem-sucedidos exibem mais previstos). PONTO-CHAVE  Testes podem ajudar a identificar Previsões de desempenho os componentes psicológicos fortes e fracos de um atleta. raiva. (ou malsucedidos).3 (a) Perfis iceberg para lutadores. com escores no ou abaixo do 50º percentil em logos do esporte opõe-se veementemente ao uso de testes quase todos os fatores psicológicos (Figura 2. acima da superfície. (b) perfis psicológicos de atletas de elite mais e menos bem-sucedidos. -pesado. O sucesso neste e em estudos semelhantes mas tensão. na verdade. Ao psicológicos para selecionar os atletas para uma equipe. Personalidade e esporte 39 cedido apresenta vigor acima da média da população. A testagem da personalidade está longe da per- PONTO-CHAVE  O modelo de saúde mental de Mor. M ­ organ acordo com ­Morgan. com permissão. depressão. O perfil pare. atletas de elite de menos sucesso têm um per.3b).3a).

Mais tarde. Entretanto. uma vez tas bem-sucedidos de atletas menos bem-sucedidos. • Para catalisar a discussão durante as sessões indi- viduais Comportamento Tipo A • Para melhorar o humor do atleta com o passar do tempo O padrão de comportamento Tipo A é caracterizado por • Para identificar problemas precocemente um forte senso de urgência. . de acordo com generalizações completas sobre o comportamento dos Terry. Renger. Com base na pesquisa e em sua ex. por exemplo. va que os resultados tinham sido mal-interpretados. Portanto. isso não significa que o teste seja inútil. 1990). Entretanto. dicou que perfis de humor ideais são mais provavel- mente dependentes do esporte. Renger (1993). esse tipo de dado de personalidade tem (1995) realizaram uma revisão estatística (chamada de alguns objetivos úteis. Pode ajudar os psicólogos do es- metanálise) de toda a pesquisa sobre o “perfil iceberg” porte a descobrirem os tipos de traços e estados psico- e constataram que o perfil realmente diferenciava atle- lógicos associados a atletas bem-sucedidos e. entendidos esses fatores psicológicos. os atletas podem mas respondia por uma porcentagem muito pequena de trabalhar com psicólogos do esporte e técnicos para de- sua variação de desempenho (menos de 1%). apenas diferenciava atletas de esportivo apenas obtendo uma medida de personalida- não atletas. de doenças cardiovasculares. Embora as causas do comportamento Tipo A • Para monitorar um atleta durante reabilitação de. Terry Em resumo. Inicialmente. o treinamento de habilida- tificam o uso do instrumento como base de seleção de des psicológicas (ver Capítulos 11 a 16) pode ajudar equipes e que os usuários devem ter o cuidado de pro- praticantes de exercícios e atletas a lidarem mais efeti- teger-se contra os efeitos de desejo social (os partici- vamente com a raiva e a ansiedade. as mudanças de humor em atletas devem ser comparadas com seus Exercício e personalidade próprios níveis anteriores de humor e não com padrões de grandes grupos. Ele in- indivíduos e seus desempenhos. tal como expectativas parentais de altos padrões de • Para monitorar respostas emocionais a lesões (ver desempenho. Kyllo e E ­ tnier. Landers. as recentes críticas a essa pesquisa mostram que não é Disse que havia evidências insuficientes para concluir possível fazer uma seleção realista de equipes nem pre- que o perfil distingue atletas de diferentes níveis de ca- ver com precisão variações importantes no desempenho pacidade. por um excesso de instinto • Para monitorar o humor de capitães de time e da de competição e por uma hostilidade facilmente desper- equipe de apoio tada. de atletas) recebeu algumas críticas nos últimos anos (Prapavessis. os testes de personalidade são instru- (1995) também advertiu que o POMS não é um teste mentos úteis que nos ajudam a entender. • Para individualizar o treinamento mental 2000. A antítese do padrão de comportamento Tipo A é • Para monitorar a carga de treinamento (ver Capítulo chamada de Tipo B. ­Everly Capítulo 19 para mais detalhes) e Dusek. suspeitou-se matação de que o componente de raiva-hostilidade do construto • Para identificar atletas com excesso de treino (tam. acompanhar para “identificar campeões”. como Morgan tinha ori- e trabalhar melhor com atletas e praticantes de exercí- ginalmente proposto em seu modelo de saúde mental cios. Ao mesmo tempo. pantes “fingem” para impressionar seus técnicos). Rowley senvolver habilidades psicológicas que melhorem seu e colaboradores advertiram que as evidências não jus- desempenho. é evidente que a pesquisa do perfil iceberg 1995. portanto. acha- tem implicações para a prática profissional. 1995). Por exemplo. em vez disso. Terry. como a provável origem (Girdano. Psicólogos do esporte analisaram a relação entre exer- periência em consultoria com atletas. Rowley. Rowley e colaboradores de. Tipo A é a característica mais significativa relacionada bém ver Capítulo 21) a doenças. Da mesma forma. não tenham sido conclusivamente determinadas. evidên- corrente de excesso de treinamento (também ver cias consideráveis apontam para o ambiente sociocultu- Capítulo 21) ral. 2001). 1993. Terry recomen.40  Fundamentos da psicologia do esporte e do exercício Embora o modelo de saúde mental de Morgan (perfil • Para prever o desempenho (mas não para a seleção iceberg) ainda tenha apoio na literatura (Raglin. foi encontrada uma 21 para mais detalhes) ligação entre comportamento Tipo A e maior incidência • Para monitorar o atleta durante o processo de acli. cício e personalidade. Não são instrumentos mágicos que permitem fazer do “perfil iceberg”. Revisaremos brevemente a rela- dou que o teste POMS seja usado: ção entre exercício e duas disposições de personalidade: • Para monitorar a disposição mental do atleta comportamento Tipo A e autoconceito.

ram resultados mistos. 1984. rio de não medalhistas. Harlow e uma pesquisa de Mahoney e Avener (1977) de ginastas Josephs. Vealey. pecíficas para o esporte. Gould e Maynard. Como Os pesquisadores examinaram a relação entre os es- esperado. McCabe e Yun a ponto de reagirem automaticamente à adversidade. mudar padrões de cognitivas e sucesso comportamento Tipo A por meio da prática de exercícios poderia resultar em benefícios para a saúde. McGannon e Poon. Sonstroem. ao contrá- baixa autoestima. sicamente tem o maior efeito sobre a dimensão física to Tipo A por meio de intervenções de exercícios tive. até agora os pesquisadores não PONTO-CHAVE  Padrões comportamentais Tipo estão satisfeitos com a utilidade de suas informações. mais ginastas que entraram na equipe lidavam melhor com do que com mudanças reais no condicionamento físico. Os exercícios físicos parecem ter uma relação positi. autoconceito acadêmico e autoconceito físico. o Inventário Esportivo de Ha- bilidades de Controle-28 (Athletic Coping Skills Inven- PONTO-CHAVE  Exercício e níveis aumentados de tory-28 – ACSI). Martin. Smoll e Ptacek (1995) desenvolveram sitivas na autoestima global e na aparência. 1995. Portanto. • Estabelecimento de metas e preparação mental tiva. usavam mais o imaginário interno e mais Embora os estudos até agora não tenham provado que diálogo interior positivo do que aqueles que não fica- mudanças no condicionamento físico produzem mudan. nos autocon- e validaram uma medida de habilidades psicológicas es- ceitos de colegas. A aparentemente podem ser alterados por meio de Por isso. Waldron. Embora algumas diferenças sejam evidentes entre os traços e as disposições de personalidade de atletas e pra- ticantes de exercícios. Um estudo positivo demonstrou Spence. nalidade e se desviaram do estudo de traços tradicionais para o exame daquelas estratégias mentais. Van Mele e Rzewnicki. especialmente entre pessoas que an. mas tam- na autoestima. 2009. 1994). as pesquisas demonstram que se exercitar fi. Schutz. Personalidade e esporte 41 As primeiras tentativas de modificar o comportamen. o que pode levar à redução do risco de ram a abordagem fenomenológica ao estudo da perso- doença cardiovascular. O ACSI não apenas produz um escore aptidão física parecem estar associados a aumentos global das habilidades psicológicas de um atleta. tais como autoconceito social. muitos pesquisadores contemporâneos adota- exercício. ças no autoconceito. 1995. 1993. que competiam por posições na seleção norte-americana danças no autoconceito poderiam estar associadas com a masculina de ginástica. ram na equipe. 2002). mas • Confiança e motivação para realização também como um traço que inclui inúmeras dimensões • Treinabilidade de conteúdo específico. Marsh e Um dos primeiros estudos a adotar essa abordagem foi Redmayn 1994. (2009) descobriram que garotas que participaram no programa Girls on the Run apresentaram alterações po- Smith. 1997. • Enfrentamento das adversidades • Alto desempenho sob pressão Paralelamente à pesquisa sobre personalidade espor. Cuyper. programas de exercícios parecem levar a aumentos significativos na autoestima. Sonstroem (1984) sugeriu que essas mu. a ansiedade. va também com o autoconceito (Biddle. Marsh e Sonstroem. internalizam suas estratégias Exemplificando. que incluem: tes apresentavam baixa autoestima. a pesquisa sobre exercício e autoconceito demonstra • Concentração ser melhor pensar em autoconceito ou autoestima não • Ausência de preocupação apenas como um traço geral (autoestima global). Essa relação é dis- que um programa aeróbico de 12 semanas não apenas cutida em mais detalhe no Capítulo 17. 1988).. mas também ajudou os participantes a reduzirem signifi- cativamente a reação cardiovascular ao estresse mental Examinando estratégias (Blumenthal et al. bém apresenta escores em sete subescalas. da aparência e da corrida. Os autores verificaram que os percepção de melhora do condicionamento físico. Sonstroem. cores da escala global e da subescala e o desempenho . 2005). estava associado a reduções no comportamento Tipo A. do autoconceito (Fox. sobretu- do no caso de indivíduos que inicialmente demonstram PONTO-CHAVE  Medalhistas olímpicos. habilidades e comportamentos que os atletas usam para competir e a Autoconceito relação deles com o sucesso no desempenho (­Auweele.

os escores 1988 foram entrevistados. bem como escores de seleção. O estudo mostrou que. Tzetzis. • Criam planos de competição detalhados. bloqueando eventos e pensamentos irrelevantes. os escores conferidos por especialistas mencionado no Capítulo 1). Foram classificados como “atletas subaprovei. polo e voleibol) de elite sexos. . • Aprendem a regular a ativação e a ansiedade. adotando uma abordagem qualitativa (uma tendên- te. Entrevistas aprofundadas para as habilidades físicas não tiveram relação com es. 1997). • Não se preocupam com os outros competidores antes de uma competição. sendo a tados” (aqueles que foram classificados por seus técni. Argumentam que se os tos em diversas subescalas (treinabilidade. Finalmente. é possível que eles intencionalmente deem de escala total mais altos. esperança de que elas venham a se tornar verdadeiras. Por física (lembre-se de que eram todos atletas altamente exemplo. não medalhistas. No primeiro estudo (Smith Um terceiro estudo que usou o ACSI foi conduzido et al. usado para a seleção de equipes. alcance (Gould. • Usam diversos ensaios mentais antes da competição. Os es- cores do ACSI estavam relacionados a medidas de de. os ganhadores de medalha olímpica dos com a sobrevivência do jogador ou com a continua­ usavam mais diálogo interior positivo. • Praticam rotinas para lidar com circunstâncias incomuns e distrações antes de uma competição e durante o evento. classificados por seus técnicos como tendo desempenho Embora Smith e colaboradores (1995) reconheçam acima do seu nível de talento). Além disso. Derri e Mihalo- o ACSI. Pesquisadores também tentaram estudar as diferenças sempenho do tipo médias de rebatidas para batedores e entre atletas bem-sucedidos e não tão bem-sucedidos médias de pontos ganhos para lançadores. examinam as estratégias de controle que os atletas em- cores do ACSI. conforme primeiro estudo. atletas exitosos praticam planos específicos para lidar com as adversidades durante a competição. em vez disso. compara- real). Portanto. “atletas com aproveitamento justo” (aqueles que dos com o grupo-controle formado por atletas não elite. e essas ha. norte-americanas de luta livre e luta greco-romana de lento físico não seja importante). Eklund e Jackson. como acontecera com os atletas do ensino médio do cia metodológica cada vez maior na área. que o ACSI é um instrumento de medição útil para fins comparados a outros grupos. os atletas com superapro. o que não significa que o ta. Esses resultados demonstram respostas que os façam parecer bons aos técnicos ou que que as habilidades psicológicas podem ajudar os atletas indiquem de maneira inconsciente certas respostas na a obterem o máximo de seus talentos físicos. concentrando-se. responderam por uma porção significativa de variações A abordagem de entrevista fornece a técnicos. • Concentram-se completamente no desempenho imediato. responderam e não elite (Kioumourtzoglou. A amostra no segundo estudo (Smith e Christensen. representantes de diversos esportes. o desempenho no esporte bem preparados mentalmente para circunstâncias nega- de elite pareceu estar claramente relacionado com ha. psicólogos do esporte perfis de personalidade de um atle- bilidades contribuíam ainda mais do que a capacidade ta muito mais profundos do que os testes escritos.42  Fundamentos da psicologia do esporte e do exercício esportivo em dois estudos.. Curiosamen. tivas imprevistas e tinham uma prática mental de mais bilidades mentais. poulou. todos os 20 membros das equipes olímpicas qualificados e talentosos. Estratégias mentais usadas por atletas bem-sucedidos • Para aumentar a confiança. concentra. 1995) reuniu um grupo de atletas bastante diferente: 104 Técnicas de entrevistas aprofundadas jogadores profissionais de beisebol da divisão II. atletas e de desempenho em rebatidas e lançamentos. tinham um foco ção de sua participação no beisebol profissional dois ou de atenção mais estreito e mais imediato. Comparados com lutadores de habilidades psicológicas mais altos estavam associa. atletas pensarem que o ACSI está sendo usado para fins ção. advertem que não deve ser veitamento tinham escores significativamente mais al. no que é controlável. as habilidades psicológicas pregam antes das competições e durante esses eventos. enfrentamento da adversidade). 1993). tiveram classificações iguais a seu desempenho real) e Os atletas de elite também foram melhores no estabele- “atletas com superaproveitamento” (aqueles que foram cimento de metas e na preparação mental. 762 atletas do ensino médio de ambos os com atletas gregos (basquetebol. estavam mais três anos mais tarde. mais notável que todos os atletas de elite demonstraram cos como tendo nível de talento superior ao desempenho capacidade superior de enfrentar adversidades. educacionais e de pesquisa. 1995). Ele revelou inúmeras diferenças.

mas no controle. eu me ligava e VEJA A Atividade 2. que faria estavam desimpedidos. Eklund e Jackson. estratégias de controle se tornam automáticas. sempre corrida para limpar a mente. fazer às demandas da situação mostra a importância de lantes pelo fato de não terem um bom controle mental. e acho que sou abençoado por ser baixo. Este capítulo for- gostam de executar um giro com o braço direito ou coi. nitivas influenciam o desempenho esportivo. (Gould. Sinto-me ativado. . Seja um consumidor informado. use as seguintes diretrizes programa em velocidade máxima e deixasse rolar. os técnicos podem estruturar continuamente prá- ticas e ambientes de treinamento para atender à situação Eu tinha uma fita de relaxamento que parecia me dar e maximizar o desempenho e o crescimento pessoal. mas sempre man. estrutura de personalidade: tive o foco no que tinha de fazer a seguir. neceu algumas diretrizes e. como se ligasse o psicológicas. Mas. tuações. como atletas olímpicos podem ajudar a explicar melhor os be. e eu me visualizava bloqueando aquele sua responsabilidade entender as regras dos testes braço ou algo assim. Para a competição. Assim. entenda a éti- que provavelmente vou utilizar. independentemente de influências situacionais. Esses planos mentais ajudam especialmente atletas tamento é simplesmente eliminar aquilo completamen. quando realmente considere a situação particular na qual você está le- comecei a correr. ficam preparados mentalmente não apenas para interferir no que estou tentando realizar em determinado o desempenho. A Figura 2. Diferentes lutadores de luta greco-romana têm diferentes iniciativas. 2. de personalidade. Realmente. ser estudado não apenas o perfil de personalidade de um Tomemos o seguinte exemplo de um atleta não meda. concentro-me em relaxar.1 (em inglês) irá ajudá-lo ficava tenso. 1988). Para saber como e Geralmente tento trabalhar com a visualização daquilo quando usar testes de personalidade. será sa parecida. para ajudá-lo a entender melhor as pessoas com quem nha consciência do meu esforço e também da posição está trabalhando e consolidar o que aprendeu sobre a do meu adversário em relação a mim. Sempre ca e as diretrizes para tais testes. incluindo planos de refocalização. cujo senso de controle (um traço de personalidade) é te da minha mente. os planos permitem que se sintam mais no con- capaz de fazer isso. Considere tanto traços de personalidade quanto si­ pirar calmamente. como profissional. todos os meus pensamentos sobre o cionando ou treinando. Personalidade e esporte 43 Um lutador descreveu sua capacidade de reagir au. Assim. mas também para controlar distrações torneio. eu ia no automático. lhista olímpico de luta greco-romana: Assim. Antes de começar. pode usar as informações para melhor entender os indi- nefícios e o funcionamento das estratégias mentais que víduos em suas aulas e suas equipes? Os capítulos pos- os lutadores mencionaram (Orlick e Partington. acho que não lidei muito bem com isso. Algumas citações adicionais de sonalidade em situações esportivas e de exercício. 1993) trole. Orlick e Partington. Enquanto isso.4 oferece um exemplo de um plano de re- Os medalhistas pareciam conseguir manter um nível focalização detalhado para um esquiador alpino olím- emocional relativamente estável e positivo porque suas pico canadense. Eklund e Jackson. enquanto O plano de refocalização desse esquiador para satis- os não medalhistas experimentavam emoções mais osci. inevitavelmente. Agora que aprendeu alguma coisa sobre o estudo da per- tratégias cognitivas. Para entender o comportamento de alguém. 1988): teriores explorarão os aspectos práticos da mudança de comportamentos e do desenvolvimento de habilidades O plano ou programa já estava na minha cabeça. em res. atleta. 2009. antes e durante a competição está me incomodando (ou talvez venha a me incomodar) – esvaziar completamente minha mente e concentrar-me (Gould Maynard. 1. Usei o período anterior à ção. (Gould. o que tento fazer é – se alguma coisa e eventos imprevisíveis. 1993) Identificando seu papel no Planos mentais entendimento da personalidade O planejamento mental é uma parte importante das es. no evento que está por vir… Minha estratégia de enfren. o pulso acelerava e as palmas de minhas a compreender melhor como as estratégias cog- mãos e os meus pés suavam. Ti. mas também suas estratégias e planos cognitivos. Algo que sempre pratiquei é nunca deixar coisa alguma Assim. uma vez que já pensei no que vou fazer na competição leve em consideração tanto a pessoa quanto a situa- durante todo o aquecimento. Passava por isso tentan. do dormir e recorria à fita de relaxamento. Com o entendimento da personalidade. Os atletas olímpicos canadenses aprendem uma série tomaticamente à adversidade: sistemática de estratégias mentais para usar antes e du- rante a competição. momentos de alívio… Chegou um ponto em que o que eu tentava fazer era não pensar na luta e manter a mente em outras coisas.

mento de um indivíduo com a comunicação aberta. Com permissão de T. Perda do foco ideal na competição Pensar no percurso em “partes” e lidar com o erro como um erro na “parte” anterior. Coaches training manual to psyching for sport (Champaign. Transformar o desempenho deficiente em um desafio a vencer.44  Fundamentos da psicologia do esporte e do exercício Situação Estratégia Confusões e distrações Usar a adrenalina e a raiva como fatores positivos em vez de permitir que me sinta derrotado. dissolvendo-o mental e fisicamente. não o passado. soas. Desempenho deficiente – Pensar no segundo percurso com uma percurso inicial atitude de “nada a perder”. Erro na competição Lidar com o erro como eu lidaria com uma perda de foco. Buscar o futuro. de T. Pensar e lidar com o restante do percurso como havia sido treinado. Orlick. treinar e ver o erro. pessoas é observar seu comportamento em diferentes . Orlick. 30. 1986.4 Plano de refocalização para um esquiador alpino olímpico. percurso final Aprender com o erro. ao entrar na “parte seguinte”. Se combinar a observação do comporta- de personalidade possam revelar muito sobre as pes. Seja um bom observador. ocorre uma refocalização. Deixar que técnicos e outras pessoas corrijam o problema. Es- sentada no Capítulo 10. Há uma cons- personalidade e as preferências de uma pessoa. muito a estabelecer harmonia e a descobrir sobre a 5. Uma telação de estratégias mentais que facilitam a apren- discussão mais detalhada sobre comunicação é apre. Atraso na largada Relaxar e pensar em tudo o que possa me deixar feliz. dizagem e o desempenho de habilidades físicas. Desempenho deficiente – Determinar o que deu errado e por quê. Seja um bom comunicador. você provavelmente terá uma boa visão e uma boa Fazer perguntas e ser um bom ouvinte pode ajudar compreensão de sua personalidade. FIGURA 2. selecionando-as para beneficiar a perso- informações valiosas sobre as personalidades das nalidade dos indivíduos. IL: Human Kinetics). 3. Adaptada. Embora os testes formais situações. Instrua-se sobre estratégias mentais. teja a par delas e execute-as adequadamente em seus 4. Uma boa forma de obter programas. com permissão. a comunicação sincera e aberta também pode.

. medidas específicas para o esporte) podem prever comportamen- tos com mais confiabilidade. interacional e fenomenológica. embora possamos ser geneticamente predispostos a ter certas características. A maioria dos pesquisadores adota uma abordagem interacional ao estudo da personalidade esportiva. Tem exercido pouca influência na psicologia do esporte. sempre dar aos atletas explicações do teste e feedback. a ética deve ser garantida. então. a pesquisa psicológica geral mostra que a personalidade tanto tem uma base genética (até 60%) como é influenciada pela aprendizagem. a abordagem situacio- nal argumenta que o comportamento é determinado em grande parte pelo ambiente ou pela situação. e que os traços psicológicos predispõem os indivíduos a se comportarem de forma consistente. a questão sobre a personalidade ser determinada geneticamente (pela natureza) ou por meio do ambiente (pela criação) é altamente relevante aos profissionais do esporte e do exercício. assegurar sigilo. ex. os profissionais da ciência do esporte e do exercício podem influenciar o desenvolvimento da personalidade. são falsas. ou como uma pessoa age com base em sua percepção da situação. porém relacionados: um núcleo psicológico. E. Avalie testes e pesquisas de personalidade quanto a viabilidade e validade. Embora esse assunto não tenha sido estudado na psicologia do esporte e do exercício per se. respostas típicas. 4. A abordagem de traço pressupõe que a personalidade é permanente e consistente em todas as situações. medidas específicas à situação (p. Personalidade refere-se às características ou à combinação de características que tornam um indivíduo úni- co. muito provavelmente porque ambas apresentam um elemento de verdade. nenhuma foi demonstrada de forma convincente. Cinco vias importantes para estudar a personalidade no esporte e no exercício são as abordagens psicodi- nâmica. ou as formas como cada pessoa aprende a ajustar-se ao ambiente. A abordagem psicodinâmica enfatiza a impor- tância de determinantes inconscientes de comportamento e de se entender a pessoa como um todo. que considera fatores pessoais e situacionais também como determinantes do comportamento. AUXÍLIO AO APRENDIZADO RESUMO 1. quando usados. Apesar de úteis. Embora existam algumas evidências das duas possibilidades. Além disso. Para medir a personalidade. evitar testes de forma isolada para a seleção de equipes. ou a possibilidade de a personalidade do indivíduo ­mudar como resultado da participação em esportes ou atividades físicas (a hipótese da mudança). Ela é composta de três níveis separados. o nível mais bási- co e estável da personalidade. situacional. na medida em que o comportamento é visto como determinado por fatores pessoais e situacionais. 3. algumas pesquisas sugerem que. voltamos nossa atenção primária para as influências ambientais e de aprendizagem. A abordagem fenomenológica enfoca o entendimento e a interpretação subjetiva que a pessoa tem de si mesma e de seu ambiente versus os traços fixos. então. conhecer suas próprias limitações com relação à adminis- tração e à interpretação do teste.. Em contraste. Nem a abordagem de traço nem a situacional têm recebido muito apoio na literatura sobre psicologia do esporte. Entender personalidade será útil para que você melhore a eficiência do ensino e do treinamento. Na psicologia do esporte e do exercício. 2. uma abordagem interacional deve avaliar os traços psicológicos (o estilo típi- co de comportamento de um indivíduo) e os estados (os efeitos da situação nos comportamentos). As duas posições extremas relativas a natureza versus criação. de traço. independentemente da situação. Essa visão muito bem considerada também é coerente com a visão intera- cional. Embora escalas gerais de personalidade forneçam alguma informação útil sobre estados e traços de personalidade. O comportamento relacionado ao desempenho do papel é o aspecto mais variável da personalidade. Discuta as principais abordagens para entender a personalidade. Uma segunda questão crítica tratada na pesquisa da personalidade é a hipótese de certos indivíduos se sentirem atraídos por esportes específicos devido a suas ­características de personalidade (a hipótese da atração). se e o quanto manifestamos essas características têm influência de nosso ambiente. porque independentemente do papel da genética na personalidade. Descreva o que constitui a personalidade e por que ela é importante. adotar uma abordagem intraindividual ao teste e compreender e levantar dados sobre componentes específicos da personalidade. Personalidade e esporte 45 Natureza versus criação e atração versus mudança Considerando os recentes avanços na pesquisa e na testagem genéticas. Usuários de testes de personalidade devem conhecer os princípios de testagem e de erros de medida. testes psicológicos por si só não se revelaram prognosticadores precisos de sucesso es- portivo. Identifique como a personalidade pode ser medida. e comportamentos relacionados ao desempenho do papel. Genética e ambiente determinam nossa personalidade.

de traço. Entretanto. habilidades e comportamentos que os atletas utilizam. especialmente o componente físico do “eu”. apresentam diversas habilidades psicológicas. QUESTÕES DE PENSAMENTO CRÍTICO 1. estabelecimento de metas. Qual o seu papel no entendimento da personalidade? Em que situações você poderia considerar o uso de testes de personalidade? Apresente outras formas de avaliar as personalidades dos participantes. Compare e distinga medidas da personalidade de traço e estado. que evidenciam saúde mental mais positiva. In- cluem regulação e controle da ativação. 6. Entenda a relação entre personalidade e comportamento no esporte e no exercício. mentalizações e pensamentos positivos. sentimentos de estar no controle e de não forçar as coisas. O comportamento Tipo A demonstrou ser um importante fator de personalidade que influencia o bem-estar. você precisa obter informações sobre as personalidades das pessoas com as quais trabalha. planos mentais bem desenvolvidos e estratégias de controle bem desenvolvidas. Quais fatores de personalidade estão relacionados à prática de exercícios? 9. Aplique o que você sabe sobre a personalidade em situações esportivas e de exercício para melhor enten- der as personalidades das pessoas. 2. Especificamente. os achados mais interessantes e consistentes vêm da compa- ração entre atletas menos exitosos com atletas mais exitosos. Discorra sobre a pesquisa que compara as personalidades de atletas e não atletas e de atletas do sexo mas- culino e atletas do sexo feminino. Discorra sobre quatro diretrizes importantes para administrar testes psicológicos e fornecer feedback dos resultados desses testes. Compare e diferencie as abordagens psicodinâmica. considere tanto traços de personalidade quanto situações. seja um consumidor informado. Atletas bem- sucedidos. Testes psicológicos devem ser usados na seleção de uma equipe? Explique sua resposta. Discorra sobre o modelo de saúde mental de Morgan e o perfil iceberg em sua relação com a previsão de sucesso esportivo. Descreva como as estratégias cognitivas estão relacionadas ao sucesso esportivo. . tais resultados têm aplicação limitada. interacional e fenomenológica à personalidade. O sucesso esportivo pode ser previsto a partir de testes psicológicos? Explique. Compare e diferencie as estratégias cognitivas de atletas bem-sucedidos e atletas menos exitosos. 2. comprometimento e determinação. Por que as duas são necessárias para que ocorra um conhecimento melhor da personalidade no esporte? 4. 6.46  Fundamentos da psicologia do esporte e do exercício 5. os pesquisadores desviaram sua atenção da medição de traços tradicionais para o exame de estratégias cognitivas ou mentais. Discuta os três níveis de personalidade. 7. Como profissional do esporte e do exercício. TERMOS-CHAVE núcleo psicológico abordagem situacional abordagem intraindividual respostas típicas perfeccionismo mal-adaptativo testes projetivos comportamento relacionado perfeccionismo adaptativo modelo de saúde mental ao desempenho de papéis abordagem interacional perfil iceberg abordagem psicodinâmica abordagem fenomenológica metanálise abordagem de traço medidas específicas à situação abordagem qualitativa QUESTÕES DE REVISÃO 1. incluindo a estabilidade dos diferentes níveis. Por que os inventários de personalidade específicos do esporte são mais adequados do que os inventários psicológicos gerais para medir a personalidade no esporte e no exercício? Dê exemplos de medidas de per- sonalidade específicas do esporte e gerais. 8. Nos últimos anos. Atletas versus não atletas e atletas homens versus atletas mulheres têm perfis de personalidade exclusivos? 7. situacional. melhor concentração e foco. Sabe-se que a prática de exercícios aumenta o autoconceito. Embora algumas diferenças de personalidade tenham sido encontradas ao serem comparados atletas com não atletas e atletas de diferentes esportes. observe-os e mantenha-se informado sobre suas estratégias mentais. autoconfiança elevada. 5. Qual delas é mais comum entre os psicólogos do esporte hoje? Por quê? 3. comparados com colegas de menor sucesso. comunique-se com os atletas.

quando o índice de dos medianos. ou defensiva. Ter sucesso como professor. Todas nicos tentarem motivar atletas com slogans inspirado. . Embora a motivação seja fundamental • A direção do esforço refere-se ao fato de um indi- para o sucesso de todos esses profissionais. a capacidade de motivar pessoas. Descrever definições típicas de motivação e sua utilidade 3. na presença de adversidades. você deverá ser capaz de: 1. entende- casa!” “Dê 110%!”. do que o conhecimento técnico de um esporte ou de uma forçam ao máximo e jogam unidos. mas quando todos se es. Consequentemente. você será apresentado ao vitórias do time cai para menos de 50%. Dan se questiona sobre o que pode fazer para A motivação pode ser definida simplesmente como a motivar alguns colegas de time. Definir motivação e seus componentes 2. situações. Detalhar diretrizes úteis para desenvolver a motivação 4. Comparar e diferenciar teorias sobre motivação para realização 6. Os instrutores de ginástica e fisioterapeutas roti. com frequência. Mas o que exatamente estes componentes neiramente enfrentam o desafio de motivar os clientes de motivação – direção do esforço e intensidade do a continuarem praticando um exercício ou programa esforço – significam? de reabilitação. ficos. Em geral. direção e a intensidade de nossos esforços (Sage. técnicos e instrutores com Psicólogos do esporte e do exercício podem considerar frequência se perguntam por que alguns indivíduos são a motivação a partir de diversos pontos de vista especí- altamente motivados e lutam constantemente por suces. contexto mais amplo e holístico. um estudante de ensino mé- técnico ou instrutor requer um entendimento completo dio pode ser motivado a entrar na equipe de tênis. Por exemplo. muitos não víduo buscar. Na verdade. a frequentar uma clínica de treinamento. esses jogadores não buscam desafios. mais tem um talento excepcional. Como Dan. Neste capítulo. professores. Explicar como se desenvolve a motivação para realização 7. Seu time não grupos. trado com alguns colegas que não parecem se esforçar tanto quanto ele. Definir motivação para realização e competitividade e indicar por que são importantes 5. Usar princípios de motivação para realização que orientem a prática Dan é cocapitão e meio-campista no time de futebol ciam e os métodos para intensificá-la em indivíduos e americano de uma escola de ensino médio. Entretanto. pare. Embora sejam mais talentosos do que Definindo motivação ele. o time consegue ter atividade física. um técnico. é comum os téc. mos as especificidades da motivação por meio desse Professores de educação física também querem mo. 1977). Dan fica frus. é o que separa os instrutores muito bons sucesso na temporada. 3 Motivação Após ler este capítulo. aproximar-se ou ser atraído por certas entendem bem a questão. enquanto outros parecem não ter motivação e evitar na forma de estresse competitivo (ver Capítulo 4) e mo- avaliação e competição. de um plano mais amplo ou de uma filosofia ofensiva leibol. incluindo os fatores que a influen. muito como um técnico tivar crianças pouco ativas que. motivação so. essas formas de motivação são elementos da definição res: “Vencedores nunca desistem!” “Dê tudo ou vá para mais geral de motivação. não são tão motivados e. de futebol americano entende jogos específicos a partir cem mais interessadas em videogames do que em vo. tema “motivação”. sobre a motivação. costumam desistir. incluindo a motivação para realização. tivações intrínseca e extrínseca (ver Capítulo 6).

Finalmente. mas pode não se esforçar muito durante a aula. por e perder muitas aulas ou treinos em geral demonstram exemplo. outro atleta pode ser descrito como Embora para fins de discussão seja conveniente se. os técnicos geralmente descrevem um atleta como um “verdadeiro vencedor”. a situação evidentemente não era o fator principal a in- ria das pessoas encaixa seu conceito de motivação em fluenciar seu nível de motivação. objetivos pessoais e desejo. a entrar em uma aula de aeróbica. Por isso. ção pessoal que lhe permite se sobressair nos esportes. Se um professor. as neces- tremendo esforço ou da intensidade que coloca em sidades e os objetivos de um aluno. uma teoria sobre o que motiva as pessoas. Por traço. os alunos ou atletas que raramente perdem motivação. interacional. tanto consciente co. um excelente líder que cria um ambiente positivo. em consequência disso. pode passar pou. Embora haja milhares de visões individuais. para a maioria Algumas pessoas têm atributos pessoais que parecem das pessoas ambas estão estreitamente relacionadas. Ou seja. Entretanto. suas visões pessoais de motivação. mas. ignorar as influências ambientais sobre a sobre motivação motivação é irreal. é normal as pessoas agirem conforme esportiva competitiva. Por exem- tar muitas das mesmas estratégias motivacionais que o plo. Do mesmo modo. um técnico de quem não gostasse. por exemplo. tivador. provavelmente tentará usar ou imi. de exercícios são os determinantes principais do com- portamento motivado. contudo. por exemplo. a orientação centrada na situação e a orientação exemplo. Provavelmente.48  Fundamentos da psicologia do esporte e do exercício uma executiva. uma levantadora centrada no participante) afirma que o comportamen- de peso pode treinar quatro dias por semana como to motivado se dá principalmente em função de caracte- suas amigas e. Cada um de nós desenvolve uma visão pessoal de como a motivação funciona. • A intensidade do esforço refere-se a quanto esforço Estas incluem a orientação para motivação centrada no uma pessoa coloca em determinada situação. tem um Em contraste direto com a visão centrada no traço. para acreditando que as pessoas são as principais responsá. Portanto. gativo? Talvez você tenha jogado. abandonou o time nem perdeu a motivação. aqueles que costumam chegar atrasados tuações em que nos encontramos. enquanto outras parecem não ter motivação. não criar um ambiente de aprendizagem mo- pouco esforço quando presentes. po. a personalidade. ou uma das três orientações gerais que fazem parte das um atleta lesionado. a maio. abordagens à personalidade discutidas no Capítulo 2. Se uma pessoa. cia a motivação. a maioria de nós tumam despender grande esforço durante a participação. Outro. PONTO-CHAVE  Motivação é a direção e a inten- querendo dizer que esse indivíduo tem uma constitui- sidade do esforço. é determinado principalmente pela situação. Provavelmente você concorda que a situação influen- mo subconscientemente. sendo uma das razões pelas quais os psicólogos do esporte e do exercício não adotam a visão centrada no traço para orientar a prática profissional. Brittany poderia se sentir realmente motivada em professor usa. especialistas . atleta ou praticante cada treino. parar direção de intensidade do esforço. mas pode lembrar também de situações de fazer um esforço consciente para motivar os alunos nas quais permaneceu motivado apesar do ambiente ne- dando-lhes feedback positivo e encorajamento. a procurar tratamento médico. ainda assim. Nesse caso. a ­visão professor de educação física de quem gosta e acha que centrada na situação afirma que o nível de motivação ele é bem-sucedido. mas desmotivada em uma situação Além disso. aumenta enormemente a motiva- Revisando três abordagens ção. cação física (abordar uma situação). Por outro lado. gritava com você e o criticava. uma aula ou um treino e que sempre chegam cedo cos. que constantemente veis pelos próprios comportamentos. Por outro lado. a motivação do aluno. um “perdedor” sem energia e entusiasmo. Portanto. concordaria que somos em parte influenciados pelas si- Ao contrário. sua aula de aeróbica. diferir delas em termos do rísticas individuais. um golfista pode querer tanto dar uma tacada certeira Visão centrada no traço que se torna excessivamente motivado. Um técnico. Por torná-las mais predispostas ao sucesso e a altos níveis de exemplo. não co tempo criando situações que aumentem a motivação. diminuirá. um aluno pode comparecer à aula de edu. fica tenso A visão centrada no traço (também chamada de visão e se sai muito mal. por exemplo. fazemos isso descobrindo Visão centrada na situação o que nos motiva e observando como outras pessoas são ­motivadas.

Motivação 49 em psicologia do esporte e do exercício não recomen. Os “interacionistas” afirmam que zinhos (ver Figura 3. técnicos de equipes experientes concordam que escalar os atletas mais altamente qualificados não garante que Sorrentino e Sheppard (1978) estudaram 44 nadado. então. como parte vação. Na verdade. nar seus colegas nadaram mais rápido sozinhos do que rico de ganhos e perdas de um time. Já os nadadores que temiam a rejeição e resses e objetivos. porque a melhor velo- mento no grupo como uma oportunidade para aprovação cidade dependia de um nadador ser mais orientado à social versus rejeição social. Muitos e o modo como ambas interagem. no qual ele(a) poderia deixar os outros na mão) e como sua orientação motivacional influenciava o desempenho. mais eficaz para orientar a prática. alguns apresentariam melhor desempenho tivação é considerar tanto a pessoa quanto a situação em um revezamento. maneira de prever o comportamento (o tempo individu- pido nadando sozinho ou nadando em equipe de reve.1 Modelo de motivação interacional de indivíduo-situação. no revezamento. considerava a competição com ou. O objetivo do estudo foi aprovação ou temeroso de rejeição. O essencial. rápidos nadando no revezamento do que nadando so- tre indivíduo–situação. eram excessivamente preocupados quanto a decepcio- tais como o estilo do técnico ou do professor ou o histó. e outros. esses resultados esses dois conjuntos de fatores interagem (ver Figura 3. ou seja. tros como algo positivo) ou à rejeição (ou seja. sua motivação modo. lhor maneira de entender a motivação é examinar como Do ponto de vista de um técnico. nal do atleta. Visão interacional Conforme previram os pesquisadores. Eles também avaliaram uma característica de individualmente ou em um r­ evezamento). sentia-se dam a visão de motivação centrada na situação como a ameaçado(a) por uma atividade orientada à associação. . observar se cada nadador era orientado mais à aprova. Dependendo da orientação motivacio- PONTO-CHAVE  A melhor maneira de entender mo. mostram que os quatro nadadores individuais mais rá- pidos não comporiam necessariamente o melhor time de revezamento.2). individualmente. ou o grau em que a pessoa vê o envolvi. inte. os nadado- A visão de motivação mais aceita hoje em dia por psicó. dos atletas e a situação. tais como personalidade. Conhecer apenas as características pes­soais de de uma equipe de revezamento. Afinal. a fonte principal de motivação. Fatores pessoais Interação Fatores situacionais indivíduo-situação • Personalidade • Estilo do líder-técnico • Necessidades • Atratividade das instalações • Interesses • Histórico de vitórias e • Objetivos derrotas da equipe Motivação do participante FIGURA 3. depois. a me. O fator situacional que um nadador (orientação motivacional) não foi a melhor avaliaram era se cada nadador fazia um tempo mais rá. se tenha o melhor time no jogo. porque o desempenho dependia da situação (atuar zamento. seria entender a interação entre a constituição pessoal ção social (ou seja. res orientados à aprovação apresentaram tempos mais logos do ­esporte e do exercício é a visão interacional en. nem somente de fatores si­tuacionais. Os resultados do estudo da natação demonstram cla- testando-os duas vezes enquanto nadavam 200 metros ramente a importância do modelo interacional de moti- em estilo livre individualmente e.1). seria um erro considerar apenas a situação como de associação. Do mesmo personalidade nos nadadores. tinham uma orientação motivação não resulta apenas de fatores relacionados aos positiva de busca de aprovação de outros – seus cole- indivíduos. tal como um revezamento. necessidades. res e 33 nadadoras em três universidades canadenses. gas de equipe. al).

Cinco diretrizes para pessoais de alunos ou clientes e. inclusive meses após elas terem começado. vação. “O que há no meu estilo de ensino que inibe o nível de motivação do participante?”). imediatamente atribuam o problema às caracterís- ticas pessoais do participante. Os fatores pessoais realmente levam as Algumas diretrizes fundamentais para a prática profis. Visto que as motiva- pessoais à pessoa e. res situacionais quanto os pessoais.50  Fundamentos da psicologia do esporte e do exercício Situação competitiva Individualmente Em equipe Tipo de motivo Orientada Baixo Melhor à aprovação desempenho desempenho Ameaçada Melhor Baixo de rejeição desempenho desempenho FIGURA 3. atletas ou clientes que parecem não ter moti. com alunos. quais participam também o fazem. O segredo. li. técnicos. mas os ambientes dos sional podem ser derivadas desse modelo. na verdade. deve-se continuar dar os participantes a desenvolverem motivação. portanto. é não focar a atenção apenas nos atributos pes- sores. servem para descartar a pouca motivação ou para evitar a responsabilidade de aju. PONTO-CHAVE  Para aumentar a motivação. “Esse material deve ser desenvolver a motivação tedioso”. . os instrutores deixam de considerar as qualidades parem. Na verdade. ex. pessoas a perderem a motivação. ralmente resulta de uma combinação de fatores pes­soais deranças de exercícios e administradores de programas.. treinadores. pode situações como os traços motivam as pessoas ser mais fácil para o instrutor mudar a situação ou criar determinado tipo de ambiente do que mudar as necessi- Ao tentar aumentar a motivação. considere tanto os fato. colocam toda a culpa na situação (p. ções podem mudar com o tempo. você cupam em aprender”. dades e as personalidades dos participantes. treinadores ou instrutores. mas também à interação de caracterís- nas vidas dessas pessoas” – tais afirmações dão atributos ticas pessoais e situacionais. na déca- da anterior os pesquisadores da motivação deram aten- ção maior nas atmosferas motivacionais em torno dos Diretriz 1: Levar em conta que tanto as atletas e dos praticantes de exercícios.2 A interação de dois tipos de situações competitivas (desempenho individual ou desempenho numa equipe de revezamento) e a orientação de aprovação da nadadora (orientada à aprovação versus ameaçada de rejeição) em relação ao desempenho na natação. Geralmente. ao trabalharem soais dos participantes ou apenas na situação presente. É comum que profes. “Esses alunos não se preo. técnicos. “Esse time não se esforça o bastan- deve analisar e responder não apenas à personalidade te” ou “Exercítar-se simplesmente não é uma prioridade do jogador. O modelo interacional de motivação tem importantes Na realidade. e situacionais. mas considerar a interação desses fatores. Outras monitorando a motivação das pessoas para partici- vezes. a baixa motivação do participante ge- implicações para professores. em vez disso.

autonomia e conexão ou relaciona- mento. um jogador de futebol que adora fa- rem se envolvido no esporte. em especial a diferença entre motivação intrín- que você use as próprias experiências para iden- seca e extrínseca. Seus motivos para continuar no programa de exercícios • As pessoas têm motivos tanto compartilhados como incluíam divertimento. inclusive desenvolvimento de bém aprecia a camaradagem de seus companheiros habilidades e a demonstração de competência. Também verificou-se que os moti. em exercícios ou em am. 2011). perda a família. bem como de exercícios. as pessoas têm motivos conflitantes. 2000) elaboraram condicionamento físico. que eles podem influenciar a participação. participa de atividades esportivas e exercícios. como controle do peso e aparência fatores de equipe como menos importantes – dados (Egli. menor importância dada à competência e ao desenvol. Embora seja possível identificar por que as mo o instrutor). Às vezes. professor ou instrutor. As motivações também são consideradas influên­ • As pessoas participam por mais de uma razão. levan- concluíram que as crianças têm diversas motivações para tar ­pesos também o faz sentir-se bem. os psicólo. que vai da ausência de de diversas formas. uma vez que os profissionais consideram físicas? Enquanto pensa sobre o que motiva você e ou- a motivação uma influência fundamental no desempe. você pode levantar pe- e 19). Dwyer (1992) avaliou a mo- ego do que os de adultos mais jovens (Steinberg. Por exemplo. únicos. Esse contínuo de comportamento VEJA A Atividade 3. O que importa aqui é entender que atletas. com ção. • As pessoas têm motivos conflitantes para a participa­ jam classificados como mais importantes por eles. tivas e exercícios. diversão e amizade como uma teoria geral de motivação: a teoria da autodetermina. Quanto mais você favorece essas necessidades.). autônoma (como um ar- remessador no beisebol que adora escolher seus arremes- São necessários esforços consistentes para a identifica. divertimento. Essa compreensão pode ser obtida leva a um contínuo de motivação. que diferem daqueles encontrados na literatura es- Assumindo uma abordagem mais teórica. Portanto. autodesafio e bem-estar como deve estar ciente desses interesses conflitantes. como força e competição. físico. alguns de nós poderíamos ter motivos mais . assemelham-se aos dos jovens. Por exemplo. aeróbi. ex. Os pesquisadores sabem por que a maioria das pessoas maior será a motivação do participante. didade no Capítulo 6. 2000). praticantes de exercícios ou pacientes com quem Identifique por que as pessoas você trabalha têm as três necessidades motivacionais ge- participam de atividades físicas rais de competência. condicionamento. tras pessoas. A forma de satisfação desses motivos bientes educativos. levanta pesos por mais de desafio. Como técnico. embora os de saúde se. Além disso. Por exemplo. Portanto. Gill e Williams (2008) sos porque quer tonificar o corpo. Após revisar a literatura. Motivação 51 Diretriz 2: Entender que as pessoas atender a três necessidades gerais: sentir-se competente têm vários motivos para participar (“Sou um bom corredor”. Wankel (1980). Os motivos dos adultos uma razão. principais motivos para participar de um esporte. por exemplo.ex. e você tam- participarem de esportes. En- ção. recorde estes aspectos: nho individual e em equipe (Theodorakis e Gargalianos.1 (em inglês) irá permitir motivado. bem como as vantagens da motivação tificar os principais motivos para participação em autodeterminada. obtenção de status e fatores extrínsecos. e isso é O que o motiva a participar de esportes e atividades importante. os estudantes univer- universitárias do sexo feminino são mais motivadas por sitários classificaram amizade. muitos de nós citaríamos gos Edward Deci e Michael Ryan (1985. a pesquisa descobriu que o obteve resultados semelhantes aos de atletas jovens: comportamento de exercitar-se de alunos universitários os motivos mais importantes eram condicionamento do sexo masculino é mais motivado por fatores intrínse. sos e ter o futuro do jogo nas mãos) e conexão social ou ção e a compreensão dos motivos dos participantes te. entusiasmo e desafio e melho- cos. os motivos para a participação va- vos mudam de acordo com a idade dos grupos e que os riam enormemente e podem ser exclusivos de cada motivos de adultos mais velhos são menos voltados ao indivíduo. tipo de atividade (como corrida. cias cruciais na participação em exercícios e na adesão A maioria das pessoas tem diversos motivos para a protocolos de reabilitação de lesões (ver Capítulos 18 par­ticipação. liderança da organização (tal co. Ela defende que todas as pessoas são motivadas para tretanto. por- motivos para participar de um programa de exercícios. p. pessoas geralmente participam de atividades espor- ca) e fatores sociais. Bland.. 2003). portiva de jovens. Contudo. Melton e Czech. pertencimento (p. Entretanto. ao passo que estudantes ra de habilidades. no clube após o trabalho e também querer ficar com descobriu que os adultos citavam fatores de saúde. é assunto abordado em maior profun- esporte e exercício. motivação (nenhuma motivação) à motivação extrínseca e à motivação intrínseca. uma pessoa pode querer exercitar-se vimento de habilidades. zer parte da equipe). entusiasmo e diversão. você de peso. Grieve tivação de estudantes universitários para participar e e Glass.

de de fazer algo. técnicos. das viagens. Outros ainda poderiam ter motivos por exemplo. competição e aptidão os jovens sino-americanos participavam por causa física como motivos importantes.52  Fundamentos da psicologia do esporte e do exercício particulares. chineses e sino-americanos diferiam em seus moti- sociados à participação no esporte em mais de 1. e fícios sociais e de habilidades.600 vos para participação em atividade esportiva e física. Embora muitos Visto que as pessoas têm uma gama tão diversa de mo­ motivos para a participação em atividades esporti. Exemplificando. mento. Yan e McCullagh o envolvimento. as meninas citaram bene. salientam. sendo os jovens norte-americanos mais mente se sentem tranquilos ao competir. crianças do final do ensino fundamental. do uso de equipamentos e do diverti- taram competição. Pate (2006) estud+aram os fatores motivacionais as. os meninos salien. alguns estar ciente das motivações de seus alunos. mais motivados pela associação e pelo bem-estar. tivos para praticar esportes e exercícios. Sirard. você precisa vas e físicas sejam comuns entre culturas. • Diferenças motivacionais entre os sexos. tais como pressão dos pais ou necessida. As conclusões familiarizar com as diferenças culturais e identificar desse estudo são limitadas à faixa etária amostrada. Os autores concluíram que maioria das sociedades contemporâneas. Existem al. meninos no final da escola fundamental tinham uma instrutores e professores de educação física devem se atração maior pelos aspectos sociais. os jovens norte-americanos eram mostraram que a diversão foi o de maior classificação motivados principalmente pela competição e pela ne- na motivação para todas as crianças. Devido à crescente diversidade cultural da ca com mais frequência. recebem mais ênfase. motivações. os jovens chineses eram de motivos entre os sexos. verificaram que alunos de ensino mé- bastante idiossincrásicos. Williams e Gill (2003). as intrinsecamente motivados do que seus pares corea- pessoas têm motivações tanto compartilhadas quanto nos. a importância da identificação de que. ses asiáticos são mais orientados à interdependência. enquanto os norte-americanos são mais voltados à gumas diferenças motivacionais entre os sexos para independência. essas diferenças de motivação entre os participantes. Na comparação cessidade de se aprimorar. Os achados Especificamente. podem ficar evidentes continue a monitorar as motivações diferenças significativas. Também foi sugerido que participantes de paí- exclusivas para participação. Pfeiffer e (2004) verificaram que jovens norte-americanos. Portanto. Como a motivação desses atletas difere da sua? . Em outro estudo. tais como necessidade de dio norte-americanos e coreanos diferiam em suas dominar fisicamente outras pessoas ou porque real. atletas ou Muitos são os fatores que influenciam a motivação de alguém para participar no esporte. Observe os participantes e porte e nas atividades físicas. benefícios sociais e aptidão físi. no entanto. Kim. • A ênfase cultural afeta os motivos. embora homens e mulheres possam partilhar muitos motivos comuns para envolvimento no es.

Sem assistentes. Pesquisas mostram que eles mudam com o passar do tempo. Lombardi lhe dava o reforço positivo Proporcione competição e recreação tão necessário. continuar enfatizando os bene. seu colega de time. Logo. por exemplo. de educação física podem estar lecionando ao mesmo tempo em seis classes diferentes de 35 alunos cada. Isso significa que os professores de educação física de hoje devem ser . e os bons instruto- cícios provavelmente não é a estratégia motivacional res devem oferecer um ambiente que satisfaça a essas mais eficaz. biente tal como Lombardi fazia. Professores participação. exi- 2. Converse informalmente com outras pessoas (p. dois jogadores tinham personalidades e necessidades ção. O lendário técnico de futebol america- no Vince Lombardi (que dá nome ao troféu do Super Diretriz 3: Altere o ambiente Bowl). Kramer estava desencorajado a ponto de desistir de- vido às críticas. e PONTO-CHAVE  Para aumentar a motivação. Ofereça oportunidades múltiplas A observação das seguintes diretrizes pode melhorar sua percepção: Atender às necessidades dos participantes nem sempre é simples. mas a verdade é que estes muitas vezes vidade. Quando os técnicos prestam mais atenção rem ou contarem suas razões para participação em aos objetivos de diversão e companheirismo. embora alguns atletas adultos prefiram a competi. atleta ou cliente e solicite infor. dizia usar o que sabe sobre os participantes para estruturar o que Lombardi sempre gritava com ele. com um esportes e atividades físicas. Por exemplo. estruturação de ambientes esportivos e de atividades ­Wankel. Ou fícios do condicionamento e ignorar o aspecto social seja. gem treinamento rigoroso e trabalho em um nível muito ex. instrutores de aeróbica têm classes com até cem alu- ture ambientes de ensino e treinamento para que sa.) Ao contrário do mais “casca grossa” ­Kramer. treinamento físico ideal. É preciso oferecer as duas so e tratava Starr de uma forma muito mais positiva do coisas. é impossível estruturar o am- tisfaçam às necessidades de todos os participantes. Muitos diretores de clubes. equivocadamente. Alguns técnicos. Técnicos experientes sabem disso há anos. estruturava seu ambiente de trei- para aumentar a motivação namento para satisfazer as necessidades individuais dos atletas (Kramer e Shaap. físico rigoroso. cada praticante de exercício.. atleta e aluno tem depois que as pessoas começaram o programa de exer. é individualizar o treinamento e o ensino. amigos e membros da família) que intenso. aumentam a motivação e me- lhoram o desempenho de seus atletas. também querem se divertir e desfrutar da companhia 3. sabem que fazia com Kramer. outros não. por exemplo. Essa possibilidade de escolha aumenta a taxa de A individualização nem sempre é fácil. Motivação 53 praticantes de exercícios relativos ao envolvimento. Lombardi tinha a Saber por que as pessoas se engajam em esportes e reputação de ser um técnico inflamado e sem papas na exercícios é importante. físicas. o quarterback Bart Starr. Portanto. por exemplo. por exemplo. tivas”. O zagueiro Jerry Kramer. que estava constantemente “em cima” de seus é insuficiente para aumentar a motivação. dos colegas. acham que ­conheçam o aluno. Estruturar uma situação para aumentar a moti- 1. Peça periodicamente aos participantes para escreve. mas essa informação por si só língua. Você precisa jogadores. várias necessidades. os atletas de alto nível necessitam apenas de treinamento mações sobre seus motivos para participar da ati. oferecendo às pessoas aquilo que querem. Observe os participantes e veja o que eles apreciam vação pode significar criar um ambiente para atender a e não apreciam na atividade. estru. 1980). professores. eles dividem as tradicionais diferentes. o que requeria um ambiente de treinamento ligas de softball em divisões “competitivas” e “recrea. nos. Lombardi entendia que esses que. diferentes necessidades. os motivos que alguns indivíduos Faça ajustes individuais citaram para começar um programa de exercício (tais dentro do grupo como benefícios de saúde e condicionamento) não eram necessariamente os mesmos citados para continuarem Um componente mais difícil. O técnico reconhecia is- por competição e recreação. Nem todos os participantes nutrem o mesmo desejo era extremamente autocrítico. 1968). Continue a monitorar os motivos para participação. motivos únicos para participação. suficientemente flexível para ambos. ainda que importante na no programa (como a atmosfera social do programa. Atletas de elite. (Mas o técnico ambiente esportivo e de exercício a fim de satisfazer às Lombardi também era inteligente: justamente quando suas necessidades.

técnico. Se mais alunos indicarem preferir atividades não competitivas às tradi- cionais atividades competitivas. discutirá o uma professora de educação física ativa e entusiasmada comportamento adequado com o jogador. uma paciente em reabilitação cardíaca que esteja forço positivo aos alunos. sentindo-se então desencorajados. co reforçará o jogo limpo. ao mesmo tempo. Seu técnico certamente usará técnicas e as suas ações eram fatores motivacionais muito im. fazendo o melhor trabalho ­possível. um professor de educação física das séries finais do ensino fundamental não pode conhecer seus alunos tão bem quanto um personal trainer com um único cliente ou um técnico de basquetebol com 15 jogadores em seu time. Por exemplo. Entretanto. o professor de edu- cação física pode. Da mesma é. um enorme re. te para facilitar a motivação do participante. Um levantamento entre Um jovem jogador de futebol americano. Ou seja. a motivação do participante. já que o instrutor. seus começando a fazer exercícios por ordem médica pode alunos passam a esperar por seu comportamento otimis. simplesmente por sua personalidade. significa que seja inadequado tentar alterar os motivos você está em uma posição fundamental para influenciar da participação dos envolvidos. Às vezes. O uso de comporte negativamente em aula. com certe- nhecem sua situação.3 “Ela estava bastante chateada com a gente hoje. professor de educação física ou técnico. O principal é estar consciente de que s­ uas ações (e inação) nesses dias podem influenciar o ­ambiente motivacional.54  Fundamentos da psicologia do esporte e do exercício tanto imagina­tivos quanto realistas ao individualizar seus ambientes. Entretanto. ra alterar essa motivação indesejável. por exemplo. realista de motivação so não for possível. ­precisará lidar com isso. e vo. Entretanto. coisa errada.3). pode estar jogando com o intuito de machucar os mostrou que 73% deles consideravam que eles mesmos demais jogadores. isso não Como instrutor. pedir que os alunos identifiquem em fichas de arquivo seus motivos para comparecer às atividades (“Do que você gosta na aula de educação física? Por que você participa?”). Se is. FIGURA 3. do comportamento para alterar com metade dos alunos jogando voleibol competitivo motivos indesejáveis do participante em uma quadra e a outra metade jogando voleibol não Temos enfatizado a necessidade de estruturar o ambien- competitivo em uma segunda quadra. Uma vez que os alunos desco. gem como no desempenho em contextos esportivos e . Sem se dar conta. forma. para que eles não interpretem mal seu A motivação é uma variável-chave tanto na aprendiza- comportamento. a professora influenciou os alunos com seu PONTO-CHAVE  Use técnicas de modificação de humor (ver Figura 3. comportamento para alterar motivações indesejá- Você também terá dias ruins como profissional e veis e fortalecer uma motivação fraca. podem achar que fizeram alguma za. informe aos alunos que você não se sente bem. o instrutor poderá op- Diretriz 5: Use modificação tar por estruturar a aula de acordo com essa preferência. talvez não demonstre técnicas de modificação de comportamento para alterar sua animação habitual. preparador físico ou professor geral- Diretriz 4: Incentivo à motivação mente tem controle mais direto sobre o ambiente do que sobre os motivos dos indivíduos. apropriado em algumas situações. motivações indesejáveis dos participantes é. o técni- 2003). avaliar a frequência com que os diversos motivos são menciona. sua influência pode ser indireta. ela pode ter um dia ruim e. dos e estruturar o ambiente da aula para satisfazer aos O que será que fizemos de errado?” motivos mais comumente mencionados. intenção de machucar e. de modificação de comportamento (ver Capítulo 6) pa- portantes para seus atletas (Theodorakis e Gargalianos. Pode também oferecer opções dentro da mesma turma. Naturalmente. Às vezes você pode ter que Desenvolvendo uma visão parecer mais otimista do que está se sentindo. Durante o ano escolar. necessitar de uma modificação de comportamento para ta. punirá o jogo agressivo com cê sequer nota a importância de seus atos. embora não se ganhar motivação intrínseca para se exercitar. por exem- professores de educação física que eram todos técnicos plo.

a falta de incentivos que resulta de contratos profissionais de milhões de dólares e que não permitem sua exclusão do time. excesso de treinamento ou falha em Durante toda a primeira parte deste capítulo. 1999). exemplo no início do capítulo) e por que outros parecem apenas acompanhar a corrida. 1938). às vezes as pessoas esquecem os pesquisadores sugerem que os líderes de exercícios que a motivação não é a única variável que influencia interessados em facilitar um estilo de vida ativo podem o comportamento. psicológicos. uma pessoa para dominar uma tarefa. instalações são importantes no ramo das academias. nona e décima-segunda). médicos e motivados por diferentes métodos e situações. 2000). vação. que são nossa preocupação central aqui. superar obstáculos. descobriram que a participação no esporte nas séries oitava e nona previram participação em atividades físicas na décima-segunda série do sistema escolar norte-americano. atletas atinjam a excelência. de exercício. que os praticantes de exer- latar razões intrínsecas de participação num esporte (tais cícios cheguem a níveis elevados de condicionamento como desafio e diversão) e razões extrínsecas de partici. motivacionais conseguem influenciar e quanto tempo Não surpreende que técnicos. tais como lesões. Embora seja preciso que mais estudos corroborem esse achado importante. merecendo consideração em qualquer tão motivadas a atingir seus objetivos (como Dan. realização e a competitividade. técnico-táticos também são significativos para o espor. Esses pesquisadores investigaram se a participação em esportes juvenis seriam elementos de previsão dos níveis de envolvimento adulto em atividades físicas. Considere. sociológicos. instrutores e professo- (e dinheiro) será preciso para mudá-los. por exemplo. considerando-se a atual crise de obesidade que vários países enfrentam atualmente. progrediram de uma visão orientada ao traço da “ne- . Entendendo a motivação para dade (ou incapacidade) de jogar em situações difíceis. Portanto. simplesmente. ou a capaci. Motivação 55 Fazendo da participação em atividades físicas um hábito: efeitos prolongados da motivação Karin Pfeiffer e colaboradores (2006) usaram uma abordagem totalmente diversa para entender a motivação para atividades físicas. alcançar excelên- dar a atratividade do ambiente. Entretanto. Greenleaf. mos a importância das diferenças individuais na moti- Medbery e Peterson. Basicamente. e que os alunos maximizem a aprendizagem. dos jogadores. enfatiza- aprender novas habilidades (Gould. Por exemplo. pois um estudo feito por Kilpartrick. direta ou indiretamente. O que é motivação para realização? Alguns fatores motivacionais são mais fáceis de in- fluenciar do que outros. Uma vez Tal como as visões gerais de motivação e persona- que a motivação intrínseca supostamente é a mais po. Guinan. querer dar mais ênfase ao envolvimento no esporte do normalmente atribuem o desempenho de um time a que. o assunto constitui um tópico central de pesquisas futuras. o desempenho de um time costuma depen- der de fatores não motivacionais. sendo res bioquímicos. fluencia a motivação. (Isso não quer dizer que cia. É mais fácil para um instrutor A motivação para realização refere-se ao esforço de mudar seu padrão de reforço. é importante entender por que algumas pessoas parecem te e o exercício. res tenham interesse na motivação para realização. jogar num time melhor. do que mu. lidade. realização e competitividade Entretanto. Levantando dados de mulheres ao longo de três períodos (séries oitava. por exemplo. as de motivação para realização em particular derosa para prever o comportamento por tempo maior. pação em exercícios (como aparência e peso). concentrar-se em aumentar a quan- atributos motivacionais – os esforços extraordinários tidade de tempo de exercício. O que sugere que a necessidade de um hábito de atividade física ainda criança influencia a motivação para ser ativo posteriormente na vida.) Os persistir ante o fracasso e ter orgulho por suas realiza- profissionais precisam levar em conta quais os fatores ções (Gill. a indolência. por exemplo. no análise de desempenho. vidades esportivas e físicas por diversas razões. Cronistas esportivos. não valha a pena. o quanto as É a orientação de uma pessoa para lutar por sucesso. reconheça que você penho e a participação no esporte – a motivação para a é fundamental ao ambiente motivacional e que in. Herbert e Bartholomew ela inclui as características exatas que permitem que os (2005) mostrou que as pessoas são mais propensas a re. fato. ter melhor desempenho do que fazer uma limpeza nas instalações seja tão cansativo que os outros e se orgulhar de seu talento (Murray. Começaremos discutindo duas motivações relacionadas que influenciam o desem- PONTO-CHAVE  Como líder. Além dos fatores motiva. os indivíduos participam de ati- cionais.

. não sentindo falta de exercícios!) Kim esforça-se para transformar o teste de condicionamento em uma parte divertida de um programa de estabelecimento de metas. com base no currículo exigido. Kim dá-se conta de que a motivação dos alunos provavelmente melhoraria se a instalação fosse reformada. alguns ainda não estão interessados. faz uma limpeza no ginásio e consegue permissão para retirar as cortinas velhas. estamos interessados em como a com- tação de realização específica à situação: algumas pes­ petitividade e a motivação para realização de uma pes- soas são altamente voltadas à conquista em uma situação soa influenciam uma ampla variedade de comportamen- (como em esportes competitivos) e não o são em outras tos. cessidade” de conquista de uma pessoa para uma vi. numa escola que está bastante destruída.56  Fundamentos da psicologia do esporte e do exercício Um sopro de vida dentro do ginásio: o plano de uma professora de educação física para aumentar a motivação dos alunos Há dois anos. mas está deteriorado pelo uso e pelo tempo. em que cada classe ganha pontos por suas conquistas. Percebe que está usando um programa bastante padronizado. O prêmio “aluno da semana” é dado ao jovem que faz o maior esforço e demonstra o maior progresso em sua meta de condicionamento. superar seu próprio tempo de corrida do dia anterior) são interacional que enfatiza metas de conquista mais mesmo quando ninguém está avaliando seu desempe- va­riáveis e o modo como tais metas influenciam e são nho. Primeiro. muitos alunos são preguiçosos. a autocompetição. socialmente. Por isso. Basicamente. Kim fica surpresa ao saber que se interessam por outros esportes além dos “tradicionais” voleibol e basquetebol. Ela própria também tem um papel importante. Ao final do ano. poderemos intervir positiva- componente-chave. O que é competitividade? A competitividade é definida como “uma disposição Efeitos da motivação para lutar por satisfação ao se comparar com algum pa- A motivação para realização e a competitividade lidam drão de excelência na presença de avaliadores” (Mar- não apenas com o resultado final ou a busca por exce- tens. agradecendo sua ajuda para se livrar das cortinas velhas e lhe pede para mudar o horário de limpeza. decide assumir a tarefa de melhorar as coisas. Finalmente. Conversa com o zelador. observa que o ginásio em si é aproveitável. seu programa “aluno da semana” é um grande sucesso – especialmente para os alunos esforçados com habilidades médias que se destacaram por seu aprimoramento e esforço pessoal. de modo que o ginásio seja varrido logo depois do almoço. Naturalmente. Dizem que gostariam de jogar tênis e golfe e de nadar. (Além disso. buscar adversários de a situações em que a pessoa é avaliada ou tem potencial igual capacidade para competir contra eles ou pro- para ser avaliada por especialistas. . Não pode se esquecer de fazer observações positivas e encorajadoras durante a aula e de ser animada e otimista. Contudo. Em seguida. com a avaliação social como de motivação nas pessoas. de modo que o município não quer investir dinheiro em sua recuperação. Exercitar-se ao som de música contemporânea também passa a ser popular entre os alunos. por exemplo. Martens considera com- lência. Se entendermos por que ocorrem diferenças um contexto competitivo. Kim percebe que melhorar o ambiente físico não é o suficiente para motivar seus alunos a participarem da aula. Naturalmente. A motivação para realiza. a natação e o golfe não são possíveis devido à falta de instalações. neste capítulo discutimos a moti- vação para realização e a competitividade juntas. mas a maioria parece genuinamente empolgada. É importante observar uma orien- mente. devendo ser fechada em cinco anos. eles são obrigatórios no currículo. mas também com a jornada psicológica para al- petitividade um comportamento voltado à realização em cançá-la. Também pergunta aos alunos sobre aquilo de que gostam e não gostam na aula de ginástica. numa retrospectiva. Portanto. os escores de condicionamento de seus alunos melhoraram em relação aos de anos anteriores. Além disso. enquanto o nível de competitividade ção no esporte é popularmente chamada de competi. muitas pes. e começa a pensar em formas de modernizar a rotina. incluindo os seguintes: situações (como na aula de matemática). Ela registra os resultados em um quadro de avisos. 3). Kim examina minuciosamente seu próprio programa. obtendo raquetes e bolas mediante um programa da U. alegra o ambiente escrevendo nos quadros de aviso com canetas coloridas e pendurando pôsteres de cenas de exercícios nas paredes. Infelizmente.S. Kim é professora de educação física. Os alunos informam que os testes e os exercícios de aptidão no início da aula não são muito divertidos. Então. ex. Para determinar como motivá-los. 1976. Kim percebeu que seus alunos não estavam muito motivados a participar das atividades. pensamentos e sentimentos. Entretanto. ra jogar). p. Tennis Association no qual jogadores amadores doam seu equipamento usado às escolas públicas. A definição de Martens de competitividade limita-se • escolha da atividade (p. mas Kim consegue introduzir o tênis no currículo. curar jogadores de maior ou menor capacidade pa- soas competem consigo mesmas (tentando. Conversando com os alunos. Kim fica satisfeita com as mudanças na motivação de seus alunos. influenciaria o comportamento em situações avaliadas tividade. O nível de motivação para realização acarretaria influenciadas pela situação. Durante as primeiras semanas de aula. mas também sabe que isso é improvável. Primeiro.

p. ex. McClelland. é assunto do Capítulo 6.4).4 Teoria da necessidade de realização. a frequência Fatores da personalidade com que você pratica). enquanto o motivo para evitar o fracasso é “a capacidade de experimentar vergonha ou humilhação como consequência do fracasso” (Gill. 104). o valor de incentivo do sucesso. Apreciam a avaliação de suas capa- plicar o que motiva as pessoas a agir: teoria da necessi. Como vimos no Capítulo 2.. 2000). por si só não são suficientes para prever corretamente os cadores importantes de comportamento.4). a probabilidade de sucesso na situação ou nas tarefas e nados à realização (ver Figura 3. O motivo para alcançar o sucesso é definido como “a quando os procedimentos se tornam árduos. alcançar o sucesso e evitar o fracasso (ver Figura 3.. realizações”.. ca- a intensidade com que você se dedica a um treina. Motivação 57 • esforço na busca de objetivos (p. • persistência em face de fracasso e adversidade (p. atletas de motivação para realização com altos níveis de realização demonstram motivação elevada para alcançar o sucesso e baixa motivação pa- Quatro teorias surgiram com o passar dos anos para ex. . fatores situacionais. a proba- bilidade de sucesso depende de contra quem você com- Fatores da Fatores Tendência Reações Comportamento personalidade situacionais resultante emocionais de realização Situações de busca de Motivo para Foco no realização Probabilidade Sucesso da alcançar o orgulho devido Busca de de sucesso  abordagem sucesso ao sucesso desafios Desempenho reforçado ou Evitar situações de realização Motivo para Incentivar Foco na Evitar o Evitar riscos evitar o o valor do vergonha pelo  fracasso (desafios) fracasso sucesso fracasso Desempenhar de modo insatisfatório FIGURA 3. Eles se determinação. De acordo com a visão da necessidade de realização. teoria não faz previsões claras para os que apresentam níveis moderados de cada motivo (Gill. sucesso e alta motivação para evitar o fracasso. cidades e não estão preocupados com pensamentos de dade de realização. tendências resul. informações sobre traços dera os fatores pessoais e situacionais como prognosti. 1974. Identificando quatro teorias A teoria sustenta que o comportamento é influenciado pelo equilíbrio desses motivos. comportamentos. Por sua vez. Uma quinta. Há duas considerações principais que devem ou de motivação. 2000. Teoria da necessidade de realização Fatores situacionais A teoria da necessidade de realização (Atkinson. ser reconhecidas na teoria da necessidade de realização: tantes. da um de nós tem dois motivos de conquista subjacentes: mento). Basicamente. você se capacidade de experimentar orgulho ou satisfação nas esforça mais ou relaxa?). As situações também devem ser con- nentes constituem essa teoria: fatores da personalidade sideradas. teoria das metas fracasso. ex. a da auto. • intensidade do esforço na busca de objetivos (p. ex. reações emocionais e comportamentos relacio. atletas com baixos níveis de re- de realização e teoria da motivação para competência. ra evitar fracassos. A explica de que forma o reforço influencia a motivação. já que ela também angustiam e preocupam-se com ideias de fracasso. 1961) é uma visão interacional que consi. teoria da atribuição. Em particular. Cinco compo. alização demonstram pouca motivação para alcançar o Examinaremos uma de cada vez.

perder para LeBron James em um rios e têm melhor desempenho quando são avalia- jogo de basquetebol um contra um certamente não cau. atletas com altos níveis de realização • Motivação para a realização é a tendência de lu- buscam desafios nessa situação porque gostam de com. atletas com baixos níveis de realização autocompetição. da teoria da necessidade de realização são a preferência lho e minimizar a vergonha. cionais (como a probabilidade de sucesso ou valor de incentivo do sucesso). Atletas com baixos níveis de realização evitam riscos intermediários. Atletas com baixos níveis tam tarefas desafiadoras. tar pelo sucesso. tam tarefas desafiadoras. ções esportivas e de exercício tem como foco a No entanto. diários e têm pior desempenho quando avaliados. mas alcan- çável) confere aos atletas com alto nível de realização maior incentivo para se envolverem em comportamen. sucesso de 50% (tal como um desafio difícil. Entretanto. para eles. especi. têm pior desempenho em situações de avaliação e evi- lização é a tendência resultante ou comportamental. Comportamento de realização tos voltados à realização. em que o sucesso é garantido. O terceiro componente na teoria de necessidade de rea. • Atletas com altos níveis de realização escolhem Atletas com baixos níveis de realização por vezes pre- tarefas desafiadoras. lização indica como os quatro componentes anteriores que. Entretanto. aumentando assim a possibilidade de demonstrar baixa capacidade ou competência. ção negativa associada a ele. Por exemplo. porque ninguém espera que vençam. As contribuições mais importantes tas com baixos níveis de realização querem sentir orgu. comportamentais entre atletas com altos níveis de reali- ficamente o orgulho e a vergonha que ele experimenta. mas suas características de da tarefa e as previsões de desempenho. zação e atletas com baixos níveis de realização são basi- Tanto atletas com altos níveis de realização como atle. Atletas maximizar a experiência de vergonha. Atletas com altos níveis de realização que você daria ao sucesso seria maior. surdamente difíceis. evitam riscos interme- de realização não temem o fracasso – temem a avalia. preferem riscos intermediários e têm me- Tendências resultantes lhor desempenho em situações de avaliação. ou tarefas tão fáceis que têm a realização de um indivíduo em relação a fatores situa­ garantia do sucesso. camente as mesmas. ficam necessidade de realização preocupados e perturbados devido à alta necessidade de Essas previsões de desempenho da teoria da necessi- evitar fracassos. dade de realização servem como estrutura para todas as atuais explicações da motivação para realização. embora teorias mais recentes ofereçam diferentes explicações para os processos de pensamento subjacen- O quarto componente da teoria da necessidade de reali. em que o fracasso é quase certo. Tal motivação em situa­ tarefas que não sejam muito fáceis nem muito difíceis. dos. em vez disso. enquanto a competitividade in- evitam tais desafios. Quando atletas com baixos Importância da teoria da níveis de realização não podem evitar tal situação. perder para um adversário à altura pode interagem para influenciar o comportamento. as previsões zação são as reações emocionais do indivíduo. com altos níveis de realização escolhem tarefas mais desafiadoras. tes às diferenças no processo de conquista. Ou seja. pois é mais grati. por. se concentram mais no orgulho. vencer uma partida de tênis seria menor contra Venus fazendo com que eles se concentrem mais no orgulho Williams do que contra uma novata. Atletas com baixos níveis de realização evi- saria vergonha ou embaraço. Ou seja. escolhendo tarefas tão difíceis por serem levados em conta os níveis de motivação para que sabem do fracasso. Situações que oferecem uma chance de gonha e na preocupação. Essa teoria é mais adequada para prever situações nas quais exista uma chance de sucesso PONTOS-CHAVE de 50%. preferem riscos intermediá- ferem tarefas muito difíceis. optando. por tarefas fluencia o comportamento em situações de ava- fáceis. .58  Fundamentos da psicologia do esporte e do exercício pete e da dificuldade da tarefa. sua chance de personalidade interagem diferentemente com a situação. persistir diante do fracasso e ter petir contra outros de igual capacidade ou de realizar orgulho nas realizações. Uma chance de sucesso de 50% provoca o máximo de incerteza e preocupação. atletas com baixos O quinto componente da teoria da necessidade de rea- níveis de realização não veem as situações assim. ou por tarefas ab- liação social. Ou Reações emocionais seja. enquanto atletas com ficante vencer um adversário qualificado do que vencer baixos níveis de realização se concentram mais na ver- um principiante. o valor ou na vergonha.

Categorias básicas de atribuição Estabilidade Lócus de causalidade Lócus de controle Estável Instável Interno Externo Sob o controle Fora do controle da pessoa da pessoa FIGURA 3. porque sabidamente as atribuições víduo) e lócus de controle (um fator está ou não sob de equipe influenciam uma quantidade de reações cog- controle do indivíduo). McAuley. seu talento ou boa capacida. Hanrahan sas percebidas de sucesso ou fracasso são chamadas de e Sellars. seu problema de coluna) mo baixa capacidade). boa sorte). a teoria das atribuições vem sen- 1986). Naturalmente. seus sucessos e fracassos. criada por ­Heider (1958) e ampliada e popularizada por Weiner (1985. sua falta de esforço) ou um fator fora de seu controle (p. entretanto. Por exemplo. Motivação 59 Teoria da atribuição • um fator que você pode controlar (p. sultado ocorra novamente no futuro e ficará mais moti- versários fáceis) e vada e confiante. 1993b). seu tremendo esforço nos estável (como sua alta capacidade). ou a uma causa instável (como falta de sor- distante de sua casa) e te)... Atribuir o desem- atribuições. se ­Susie. ex. também pode ser atribuído a uma causa estável (tal co- • uma causa interna (p. pes – ou seja. sua falta de talento) ou um de ginástica após a escola... ex. so é razoavelmente permanente ou instável). classificadas em algumas poucas categorias (ver Figura também começaram a estudar as atribuições das equi- 3... a contraste. damental. das equipes (Allen. sustenta que literalmente milhares de possíveis do usada para descrever o comportamento das pessoas explicações para se obter sucesso e fracasso podem ser no esporte ou no exercício. ex. Poderá até pedir aos pais para ser ma- • um fator que você pode controlar (p. ex. ao realizar uma sequência de mortais e piruetas a uma causa instável (como sorte). ex. É provável que ele não queira participar de aulas • um fator estável (p.. Historicamente. ex. ex. ex. Atribuições como causas de sucesso e fracasso Por que as atribuições são importantes O sucesso ou o fracasso de uma pessoa pode ser atri- Atribuições influenciam expectativas de sucesso ou fra- buído a uma variedade de razões possíveis.. ex. 2010). ad. um fracasso fator instável (p. • um fator estável (p. Essa visão. Shapcott.. As categorias de atribuição mais básicas são esta. ex. ex. Essas cau- casso futuro e as reações emocionais (Biddle. você pode vencer uma prova penho a certos tipos de fatores estáveis tem relação de natação e atribuir seu sucesso a: com expectativas de sucesso no futuro. 2012. se Zach atribuir o sucesso de seu desempenho falta de condicionamento físico de seus adversários). Greenlee e Hakim. Por exemplo. não esperará que isso ocorra Ou você pode abandonar um programa de exercícios regularmente..5 Categorias de atribuição básicas de Weiner. Pesquisadores. nitivas (como expectativas e escolhas). mento importante.5). A teoria da atribuição estuda como as pessoas e­ xplicam o custo do programa). Coffee e Greenlees. afetivas (como emoções) e comportamentais (como abordagem ou es- quiva) importantes dos grupos. o que diminuiria a confiança e a ou uma causa externa (p. Em de corrida) ou um fator fora de seu controle (p. esperará que o re- últimos 50 metros) ou uma causa externa (p. atribuir seu sucesso na ginástica a uma causa • uma causa interna (p. seu plano triculada em uma aula de ginástica após a escola. o péssimo instrutor). lócus de Carron. que não o faria. 2001. a academia é muito motivação.. razões ou explicações para o desempenho bilidade (um fator ao qual se atribui sucesso ou fracas. ex. Trata-se de desdobra- causalidade (um fator ou é externo ou interno ao indi.. uma aluna de educação física do ensino fun- de) ou um fator instável (p. e sua motivação e confiança não aumen- e atribuir seu fracasso a: tarão. .

algumas pessoas podem ou capacidade. autovalorização Para determinada situação. um jogador de hóquei terá mais orgulho (se FIGURA 3.1 Atribuições e motivação para realização Atribuições Resultado psicológico Fatores de estabilidade Expectativa de sucesso futuro Estável Expectativa aumentada de sucesso Instável Expectativa diminuída de sucesso Fatores de causalidade Influências emocionais Causa interna Orgulho ou vergonha aumentada Causa externa Orgulho ou vergonha diminuída Fatores de controle Influências emocionais Sob o controle da pessoa Motivação aumentada Fora do controle da pessoa Motivação diminuída . • Escolha da tarefa mo sorte. cepção de capacidade) quando perde. A teoria da atri. Maehr e Nicholis. dificuldade da tarefa) costumam resultar em  tarefas ou adversários realísticos  tarefas ou adversários irrealísticos reações emocionais como orgulho ou vergonha. 1980. Holly sente-se bem em cício têm estudado as metas de realização para entender relação a si mesma (tem alta percepção de capacidade) diferenças nas realizações (Duda e Hall.6 Três fatores-chave na abordagem das metas bem-sucedido) ou vergonha (se malsucedido) se atribuir de realização. Adotou uma o­ rientação dade e comportamento de realização (ver Figura 3. por sua vez. É possível. Sua percep- ela. Sarah também gosta de vencer competições. devemos meta de domínio). Dweck. • Persistência tores externos ou a fatores fora de nosso controle (co. Comportamento de realização Atribuições a fatores internos e a fatores sob nosso • Desempenho • Esforço controle (como capacidade. quando vence. influenciam • Objetivos orientados à tarefa • Baixa percepção de a futura motivação para realização. por TABELA 3. ser orientadas à tarefa e ao resultado. com suas percepções de competência. De acordo com a teoria das metas de realização. 1984. cujo foco está em melhorar em re- entender o que o sucesso e o fracasso significam para lação aos próprios desempenhos anteriores. mas ela três fatores interagem para determinar a motivação de pratica fisiculturismo principalmente para ver o quanto uma pessoa: metas de realização. Orientação ao resultado e à tarefa VEJA A Atividade 3. mas não se sente tão bem (tem baixa per- 1986. Holly pode competir em fisiculturismo porque deseja ganhar troféus e ter o melhor físico dentre todos na área. que. E a melhor maneira de fazê-lo é examinar as metas ção de capacidade não está baseada em uma compara- de realização da pessoa e o modo como elas interagem ção com os outros.1). percepção de capaci. à meta de tarefa (também chamada de orientação à Para entendermos a motivação de uma pessoa.60  Fundamentos da psicologia do esporte e do exercício Objetivos de realização Percepção de capacidade PONTO-CHAVE  A forma como as pessoas explicam ou atribuem seu desempenho afeta suas expectativas • Objetivos orientados ao resultado • Alta percepção de capacidade ou competência e reações emocionais. 2001. Nicholls. o desempenho a fatores internos do que à sorte ou à ha- bilidade do adversário (ver Tabela 3. -se com os outros e derrotá-los. esforço) mais do que a fa. Adotou uma orientação à meta de resultado (também Teoria das metas de realização chamada de orientação à meta competitiva ou orien- tação para o ego). 1993).2 (em inglês) irá testar o que você com­preendeu sobre a teoria da atribuição. Por exemplo.6). capacidade ou competência buição concentra-se em como as pessoas explicam seus sucessos e fracassos. pode melhorar a força e o físico. Roberts. na qual o foco está em comparar-­ Tanto psicólogos quanto psicólogos do esporte e do exer.

de forma semelhante às metas de ta- temem o fracasso. resultados. que enfatiza a comparação mais com seus próprios padrões de Perspectivas de objetivo desempenho do que com o desempenho dos outros. Essa orientação pode proteger a pessoa con- mo outro determinante de comportamento (Allen. Jowett e Afinal. Entretanto. Orientações a metas sociais são importantes pois como foco a comparação do desempenho com o dos parecem ter vínculo com a alegria do participante. Ou seja. acreditando que a capacidade tado (Duda e Hall. frustrações e falta de motivação quando Stuntz e Weiss. Spray (2013) também descobriram que. Julgam co institucional são caracterizados por padrões de moti- o sucesso comparando-se aos outros. 2004]). com outros e a derrota deles. são mais propensas a dade tinham influência de sua criação. mais frequentemente do que uma orientação tivo tem foco nas orientações à tarefa ou às metas de ao resultado. tra decepções. Portanto. em geral adotavam uma visão padrão comportamental de realização baixo ou mal-adap. E. Logo. Tendem a apresentar piores desempenhos orientação a metas de realização. incremental da capacidade. pode levar a uma forte ética de trabalho. os indi- companheirismo. negativos sobre si mesmos [Li e Lee. Dweck (1999) e Elliott (1999) e adversários moderadamente difíceis ou reais. definir sucesso em termos de re- nho com padrões e aperfeiçoamento pessoais. os padrões de comportamento de rea- capacidade se baseiam nos próprios padrões de referên. institucional e incremental Pessoas orientadas à tarefa também escolhem tarefas Elliot e Dweck (1988). Já que a concentração de associação com o grupo e reconhecimento por seu no desempenho pessoal oferece maior controle. é mais fácil para elas sentirem-se bem em relação a tes julgam sua capacidade. uma vez que suas percepções de refa e resultado. com reduzir seus esforços. mas não podem vação mal-adaptados (como pensamentos e sentimentos necessariamente controlar o desempenho dos outros. embora atletas der. Essas crenças sobre a capaci- Para proteger a autovalorização. participantes que se caracterizam por uma cia na comparação com o que se dá com os indivíduos visão institucional adotam um foco de meta em resul- orientados ao resultado. Valor da orientação à tarefa Orientações ao objetivo social Psicólogos do esporte argumentam que uma orientação A maior parte das pesquisas sobre orientação ao obje- à tarefa. Motivação 61 exemplo. a maioria das pessoas em situações de avaliação (ver “O Estabelecimento de tende a favorecer uma das duas orientações. enquanto uma orientação a motivação intrínseca e com a competência (Stuntz e à tarefa tem como foco a comparação do desempe. Elas não propuseram que. lização são explicados pelo modo como os participan- cia. Metas de Resultado e o Fracasso de um Esquiador”). são mais propensas a geral no atletismo era mais maleável do que fixa. quisadores. 2009). também seriam motivados pelo desejo por ligações sociais e pela necessidade de pertencer ao PONTO-CHAVE  Uma orientação ao resultado tem grupo. mas escolher tarefas em que tenham sucesso garantido ou também estabelecer um melhor tempo pessoal para a em que sejam tão inferiores que ninguém espera que se corrida. 2003. 2001). em que consideram sua capacidade como fixa e impossível de ser mudada pelo esforço. penho de outros. Pessoas orientadas ao resultado capacidade natural era certamente evidente em seu de- e com baixa percepção de competência demonstram um sempenho de alto nível. que alguém deseje vencer a rústica local. Weiss. parar de tentar ou dar desculpas. pelo menos metade dos competidores deve per. de acordo com pesquisadores em saiam bem. possibilidade de aumento. lações sociais acarreta efeitos motivacionais positivos. lhor é adotar uma orientação à tarefa. tado. além de julgarem sua capaci- víduos se tornam mais motivados e persistem por mais dade em relação a seu próprio desempenho e ao desem- tempo em face de fracassos. pesquisadores contemporâneos à persistência em face de fracasso e à excelência no de- também identificaram a orientação ao objetivo social co- sempenho. De acordo com esses pes- si mesmas e demonstrarem alta percepção de competên. as de pelo trabalho e o esforço árduos. em que adotam uma perspectiva de meta de tarefa e acreditam que possam mudar sua capacida- Na comparação com indivíduos orientados à tarefa. A pesquisa mostra pessoas orientadas ao resultado têm mais dificuldade que participantes de atividade física que adotam um fo- em manter uma alta percepção de competência. ou por um foco Problemas com a orientação ao resultado incremental. o que pode diminuir ainda mais uma percepção de britânicos de elite na corrida de campo sentiam que a competência já frágil. sua transição do . Indivíduos com alta orientação os outros superarem seu desempenho (algo que geral- ao objetivo social julgam sua competência em termos mente não pode ser controlado). 2003). O me. Entretanto.

diferenças no comportamento de realização. especial- O estabelecimento de metas de resultado e o fracasso de um esquiador Após anos de trabalho árduo. Uma última teoria que tem sido usada para explicar as gem que as de esquiva. os agrupamentos cícios concentra-se em adquirir competência (como por capacidade. Outras pes. 2009). Tais dimensões incluem as tarefas que os de competência das pessoas caracterizam-se por metas alunos devem realizar. as visões várias dimensões. concentrando-se inteiramente em terminar em primeiro. os psicólogos do esporte não apenas estudaram como a orientação voltada ao objetivo e a per- cepção de capacidade funcionam juntas para influenciar Metas de alcance de a motivação dos participantes de atividades físicas. por orientação ao resultado foi relacionado a padrões moti- exemplo”). Em comparação. que as atmosferas sociais de (Elliott. 2010. 2008. que já foi adequada nos níveis inferiores de competição nos quais conseguia vencer mais facilmente. física (Moreno. . fessor. 2005. ­tornou-se impossível superá-los com consistência. Litchfield. Dave tornou-se membro da equipe norte-americana de esqui. os padrões de autoridade aluno-pro- de abordagem. 2013). mas. como baixa persistência. Esses estudos sugerem que adeptos do esporte e Teoria da motivação para competência do exercício devem almejar mais as metas de aborda. professores e instrutores desem- quisas também descobriram que metas de abordagem e penham. os sistemas de reconhecimento. Pesquisas ram que a atmosfera motivacional influencia os tipos recentes mostram que metas de abordagem (seja de do. Nien e Duda. Queria ser o esquiador americano mais rápido e estar entre os três primeiros em cada competição da Copa do Mundo. vencer corridas regionais. Nos últimos anos. tais como atitudes positi- ou fracassar em alguma coisa). em que o atleta ou o praticante de exer. Já não aguarda ansiosamente as competições. Sempre fixou objetivos de resultado para si mesmo: tornar-se o esquiador mais rápido no clube local. Scilica e Spray. do treinamento e do sucesso inicial que tiveram no esporte. 1999).Logo. 2001).1999). Hall. os procedimentos de avaliação e o tempo malhar para ter boa aparência ou bom desempenho). um indivíduo pode vas. correr mais devagar que meu tempo pessoal”). oferecido para a execução das atividades (Ames. o que tornou praticamente impossível sua colocação entre os três primeiros. Gonzales-Cutre. sua largada no circuito da Copa do Mundo foi péssima. mas abordagem versus de esquiva também como a atmosfera social influencia a orientação voltada ao objetivo e o nível de motivação de uma pessoa Outro componente da teoria da meta de alcance trata (Duda. de metas de realização adotadas pelos participantes: at- mínio. do clima motiva. devido à sua baixa colocação no ranking mundial. um clima motivacional de de (Quero melhorar meu melhor tempo de corrida. Dave atribui suas más colocações a escolhas erradas de equipamento e da parafina para esqui. nal orientado ao domínio ou à tarefa. importante papel na facilitação da esquiva estão associadas à motivação para a atividade motivação por meio dos climas psicológicos que criam. 1999).62  Fundamentos da psicologia do esporte e do exercício esporte da categoria júnior para sênior. 1992). Infelizmente. Pesquisadores defendem que. superar seus arquirrivais e chegar ao campeonato nacional. ou metas de esquiva. esquia fora de controle. À medida que Dave fica mais frustrado com o fracasso. e atmosferas de metas de resultado (Duda e Podlog. mais sua motivação diminui. seja de resultado) têm uma relação positiva com mosferas de orientação à tarefa estão associadas a metas níveis de atividade física de universitários (Lochbaum. Ntoumanis e Biddle. Técnicos. esforço aumentado e estratégias de aprendizagem ser voltado à abordagem de dominar uma especialida. agora o está levando a se sentir menos confiante. mais inseguro e menos motivado. Alguns psicólo- da abordagem e da esquiva como dimensões de metas gos afirmam. por exemplo. de tarefas. ficar na frente dessa adversária”) ou voltado à esquiva O mais importante é que os pesquisadores descobri- do resultado (“Não quero perder para ela”). ou esquia em uma linha tão segura durante todo o percurso que termina bem atrás dos outros competidores. A importância do clima motivacional cional em que treinavam e competiam. com tantos competidores bons. há padrões mo- mo dar o máximo porque não quer passar má impressão tivacionais mais adaptativos. Surles e Hillard. Liu. efetivas. em que o atleta ou o praticante de As pesquisas revelam que. Lochbaum e Stevenson. voltado baixo esforço e atribuição de fracassos à (baixa) capa- à abordagem de resultado (“Quero vencer a corrida e cidade (Ntoumanis e Biddle. em um clima motivacio- exercícios concentra-se em evitar a incompetência (co. além das situações de realização podem variar significativamente em orientações ao resultado e à meta de domínio. Para piorar as coisas. Dave foi um dos últimos a esquiar (quando o percurso já tinha sido deteriorado pelos competidores anteriores). portanto. Wang. Não percebe que sua orientação ao resultado. voltado à esquiva do domínio (“Não quero vacionais menos adaptativos.

que. Uma considerável quantidade de pesquisas de- petência (Weiss e Chaumeton. Ainda importante é o reconhecimento de que a controle que os atletas jovens têm são determinantes para competência de alguém difere entre os domínios (tais saber se farão esforços para chegar à realização. a Tabela 3. Na verdade. Por outro lado. tiver deveria ser um dos principais objetivos de profissionais alta autoestima.2 O que nos dizem as teorias da motivação para realização Atletas com altos níveis de realização Atletas com baixos níveis de realização Orientação motivacional Alta motivação para conquistar sucesso Baixa motivação para conquistar sucesso Baixa motivação para evitar fracasso Alta motivação para evitar fracasso Foco no orgulho pelo sucesso Foco na vergonha e na preocupação que podem resultar do fracasso Atribuições Atribui o sucesso a fatores estáveis e internos Atribui o sucesso a fatores instáveis e externos sob seu controle fora de seu controle Atribui o fracasso a fatores instáveis e externos Atribui o fracasso a fatores estáveis e internos fora de seu controle sob seu controle Objetivos adotados Geralmente adota objetivos voltados à tarefa ou Geralmente adota objetivos de resultado ou incrementais institucionais Costuma adotar objetivos voltados à abordagem Costuma adotar objetivos de esquiva Percepção de competência Tem alta percepção de competência e acha que Tem baixa percepção de competência e acha e controle a conquista está sob seu controle que a conquista está fora de seu controle Escolha da tarefa Busca desafios. Portan- como acadêmico. tem controle sobre a aprendizagem e o desempenho de habilidades do futebol. or. dos objetivos que adotam. Para comparar como essas quatro teorias explicam a mo- sentir-se incompetente e achar que as atitudes pes­soais tivação para a realização. Como esperado. nais. então o esforço para aprender a modalidade aumentará sua satisfação. (Weiss. social). essa teoria sustenta que ­feedback e reforço de outros e várias orientações motiva- as pessoas são motivadas a se sentirem valorizadas ou cionais (como orientações voltadas ao objetivo e ao traço competentes e que. eles influenciam estados afeti. o traço de ansiedade e a moti- dades) atuam junto com avaliações de autovalorização vação. e competência para influenciar suas motivações. Esses sentimentos levarão à em termos de suas orientações e atribuições motivacio- diminuição da motivação. influenciam a mo. Mediram a percepção de competência. como ansieda. Tais estados afetivos positivos. mostrando como ocorrerão respostas afetivas negativas. Weiss e Ambrose. Entre. 2008). as percepções de competência e de tivação. A teoria da competência e controle. vos ou emocionais (tais como satisfação. ansiedade. por sua vez. esses sentimentos são de ansiedade) influenciam sentimentos de autoestima. cepções de competência e controle. que. busca tarefas/adversários muito qualificados difíceis ou muito fáceis Condições de desempenho Bom desempenho em condições de avaliação Mau desempenho em condições de avaliação . constataram que o traço de ansiedade tanto. estavam relacionadas aos níveis de motivação dos jo- gulho e vergonha). se um praticante de exercício apresentar baixa autoestima. cipais previsões de cada uma delas.2 resume as prin- têm pouco a ver com aumento do condicionamento. por sua vez. sentir-se competente e perceber que da ciência do esporte e do exercício. Portanto. vergonha e tristeza. Especificamente. da motivação para realização levarão a uma motivação maior. atletas com altos e baixos níveis de realização diferem de. a percepção de controle. sobre sua capacidade de aprender e desempenhar habili. vimento Susan Harter (1988). físico. 1993. orgulho e fe. Wong e Bridges (1995) testa- motivação para competência também afirma que as ram esse modelo com 108 jovens jogadores de futebol percepções de controle dos atletas (sentir-se no controle e seus técnicos. monstrou a relação entre competência e motivação 2008). aumentar as percepções de competência e controle Se um jovem jogador de futebol. os principais determinantes da motivação. Motivação 63 mente com crianças. é a teoria da motivação para com. Weiss e Ambrose. bem como vários comportamentos dos técnicos. to. de suas escolhas de ta- TABELA 3. além disso. adversários e tarefas Evita desafios. Com base no trabalho da psicóloga do desenvol. esses sentimentos não influenciam diretamente a e os comportamentos dos técnicos prognosticaram per- motivação. 1992. gadores. O que nos dizem as teorias licidade. por exemplo. por sua vez.

direta ou indire- perguntar “Quem é mais rápido. para o próximo (ver Figura 3. maior. que ocorre provavelmente antes dos quatro anos de idade. ou quando alunos de seja. Estágio de competência autônoma. 1. Os três estágios são os seguintes: o momento adequado ou inadequado de competir e de comparar-se socialmente. O estágio integrado envolve es- em termos de seus desempenhos. A seguir. Eles definem tarefas e jogos como competitivos e mais forte?”. Por sua vez. Neste estágio. Familiares e amigos podem desempenhar um 2. A pessoa que domina totalmente essa integra- competitividade das pessoas. Este estágio. Estágio integrado. Estágio de comparação social. Por exemplo. ção sabe quando é apropriado competir e comparar-se com os outros e quando é apropriado adotar padrões de autorreferência. uma orientação integrada à realização deve estágio final. especialmente o das crianças. Neste estágio. Parece preocupada em técnicos criam atmosferas motivacionais. . mais esperto tamente. Não há idade predeterminada para nele ingressar. sendo importante ensinar às crianças varia consideravelmente. que papel essencial na criação de uma atmosfera positiva ou começa por volta dos cinco anos de idade. professores e técnicos desempenham pa- se concentra na comparação direta de seu desempe.7). e a idade na qual cada estágio é alcançado ser desenvolvida. professores e nho com o de outras crianças. é preciso atravessar um estágio antes de progredir quarta e quinta séries parecerem preocupados com isso. quem trabalhamos. Esses estágios são sequenciais – ou estiver interessado em competir. abordaremos tratégias de comparação social e de conquista autô- como se desenvolvem a motivação para realização e a noma. Veroff. não ficaremos surpresos quando um pré-escolar não 1988. a realização e a compe- compara a outras pessoas.7 Os três estágios no desenvolvimento da motivação para competência. agrupam crianças de maneiras diferentes Estágio de competência autônoma Estágio integrado (autocomparação) (comparação consigo mesmo e social) Comparação social FIGURA 3. péis especialmente importantes. Influenciando os estágios biente e testar a si própria. sim.64  Fundamentos da psicologia do esporte e do exercício refas. de suas percepções de competência e controle e 3. As- petitividade se desenvolvem em três estágios (Scanlan. Raramente se tes implicações para a motivação. é o mais desejá- para realização e competitividade vel. Nem todos chegam ao Entretanto. titividade. Brandon é de motivação para realização um pré-escolar altamente motivado a aprender a an- dar em seu triciclo e não se preocupa que sua irmã O ambiente social no qual uma pessoa vive tem importan- Eileen possa andar melhor do que ele. a criança negativa. Pais. 1969). A motivação para realização pode ser aprendida? Com A importância de diferenciar os estágios que idade as crianças desenvolvem tendências para rea­ lização? Profissionais do esporte e do exercício podem O reconhecimento dos estágios do desenvolvimento da influenciar e motivar as crianças para certos tipos de motivação para realização e competitividade ajuda-nos conquista? a entender melhor o comportamento das pessoas com Acredita-se que a motivação para realização e a com. ou cooperativos. a criança se concentra em dominar seu am. que integra compo- Desenvolvendo a motivação nentes dos dois estágios anteriores.

Pensgaard e Roberts (2000) examinaram a relação entre atmosfera motivacional e estresse em jogadores olímpicos de futebol e verificaram que a percepção de uma atmosfera de domínio estava relacionada a menos estresse. tornando-se mais voltados à tarefa e menos voltados ao ego durante o desempenho. Crie uma atmosfera motivacional do domínio. Motivação 65 Dicas para guiar a orientação à realização • Considere a interação de fatores pessoais e situacionais na influência dos comportamentos de realização. após dez sessões nas quais os jogadores tar sua prática? Basicamente você avalia: participaram de cada atmosfera. 1993). • Avalie e corrija atribuições inadequadas dos participantes. Como profissionais. os que atuaram na at- mosfera de domínio voltada ao esforço estavam mais • os estágios de motivação para realização dos parti- satisfeitos e preferiam tarefas mais desafiadoras que os cipantes. na qual a comparação social ocorre de forma explícita) nal. • Enfatize objetivos voltados à tarefa ou ao domínio e diminua a importância de objetivos voltados ao resultado. numa co- brança de pênalti. Para ajudá-lo a consolidar seu entendimento. Tenenbaum. Ao que você deve estar atento para orien- cobriram que. . Des- torrealização. Portanto. • Monitore e altere seu feedback de atribuição. você pode inferir implicações para a prática profissio- ca. Noutro • suas orientações voltadas ao objetivo. Gerhgoren e Eklund (2011) atribuíram aleatoriamente jogadores jovens de futebol e seus pais para condições diferentes de feed­ back dos pais e examinaram os efeitos desse feedback nas orientações para objetivos e desempenho. 1987. diversa daquela usada para motivar seus colegas de equipe. atletas e praticantes de exercícios têm para a au- ças para uma atmosfera voltada à tarefa ou ao ego. estudo. Roberts. escolhendo de forma aleatória as crian- alunos. professores e técnicos influencia a motivação pa- ra realização e outros estados psicológicos importantes (como o estresse). Usando a motivação para realização na prática profissional Agora que entende melhor o que está envolvido na mo. Gershgoren. participantes da atmosfera voltada ao resultado. Cabe ao técnico compreender o que motiva seus atletas. Treasure e Reconheça fatores interacionais ­Roberts (1995). na motivação de realização vacionais voltadas tanto à tarefa como ao resultado em Agora você sabe que a interação de fatores pessoais e um estudo de uma aula de educação física com futebol situacionais influencia a motivação que determinados para crianças. por exemplo. discu- e enfatizam de modo distinto objetivos voltados à tarefa tiremos agora alguns métodos que você pode usar para ou ao resultado (Ames. Do mesmo mo- do. • Ajude os participantes a determinarem quando devem competir e quando devem se concentrar no aprimoramento individual. criaram atmosferas moti. a atmosfera motivacional criada por pais. Os achados revelaram que os jogado- res que receberam feedback voltado à tarefa dos pais per- ceberam que a atmosfera motivacional era mais voltada ao domínio. (tal como escalando times por meio de uma seleção públi. tivação para realização e competitividade e como elas ­A tática empregada para motivar esta atleta pode ser bastante se desenvolvem e influenciam os estados psicológicos. ajudar as pessoas com quem trabalha. podemos desempenhar papéis significativos ao criar atmosferas que aumentem a mo- tivação para conquistas dos participantes. • Aumente a percepção de competência e controle.

enfatizando repetidas vezes objetivos voltados ao domínio e diminuindo a importância de objetivos voltados ao resultado. Roalston sabe que pode ajudar o garoto a superar essa impotência aprendida dando-lhe atenção individual. tendências de realização mal-adaptadas. pergunta por que deveria tentar novamente. estabelece ob. a sra. mas para ela essa será a principal tarefa do ano. Caracteriza-­ Enfatize objetivos voltados à tarefa e as metas de abor- -se por uma visão de realização institucional. em que en. entretanto. A sra. • Quando Johnny tenta uma nova habilidade e fracassa na primeira tentativa. que Félix evita ad. Ele não é um aluno muito talentoso. cia aprendida. • Sua reação ao fracasso inicial é de constrangimento e diminuição do esforço. ex. como a sorte). a pessoa sente-se deve estar consciente das atribuições definidas ao ofe- fadada ao fracasso e acha que nada pode ser feito em recer feedback. Monitore e altere o feedback de atribuição Félix pode muito bem representar um caso de im- potência aprendida. já que não é bom nos esportes. especialmente baixa capacidade. aprender a chutar uma bola) ou mais geral (p. Há várias formas de ajudar a prevenir tendências de rea­ lização mal-adaptadas ou retificar estados de impotên- Tomemos dois exemplos.. Roalston lembra que a impotência aprendida não é uma falha de personalidade nem culpa do menino. Em razão disso. de várias maneiras. Igualmente importante. aprender qualquer habilidade esportiva). deram muito sobre o estabelecimento de metas (mais versários de igual capacidade. Observamos.66  Fundamentos da psicologia do esporte e do exercício • as atribuições que eles costumam definir para seus Enfatize os objetivos voltados à tarefa desempenhos e • as situações que eles tendem a abordar ou evitar. no segundo período da aula de educação física. Felizmente. e os alunos variam tanto adota uma abordagem incremental em que acredita que que diminuir a importância dos objetivos voltados ao o trabalho árduo leva à realização. por meio das atribuições que “Reconhecendo um Caso de Impotência Aprendida”). tais como sua capacidade. Será necessário muito tempo e trabalho. esse atleta demonstra para intervir se os alunos expressarem metas desse tipo. Ele ainda enfatiza resultados esportivos. resulta de uma orientação voltada ao resultado. Retreinar atribuições ou fazer Johnny mudar suas atribuições de baixa capacidade para o fracasso também o ajudará. atletas e praticantes de exercícios. as quais ela estudou nas aulas de psicologia do esporte e de pedagogia do esporte na universidade. resultado nem sempre é uma tarefa fácil. Entretanto. A sociedade internos estáveis. Não coloque ênfase em objetivos de esquiva e tente tudo não maleáveis. ex. em vez disso. Roalston foi ficando cada vez mais preocupada. os psicólogos do esporte e do exercício apren- realizador. professores. Roalston. Johnny tem todas as características de impotência aprendida. preferindo. experiências anteriores negativas com atividade física e atribuição do desempenho a fatores estáveis. após observar e passar a conhecer Johnny. • Ele se sente tão mal em relação à sua competência física que só pensa em sair do ginásio o mais rápido possível.. Na verdade. acompanham seus feedbacks. . incontroláveis. ser o último da fila. mas poderosas. cara suas capacidades como fixas e. Ele demonstra muitas das características de impotência aprendida. você (Dweck. sente-se incompetente (ver gens sutis. em geral. mas pode melhorar com esforços consistentes. 1980). a impotência aprendida pode variar em especificidade – pode ser específica a determinada atividade (p. Provavelmente define atribuições inúteis ou instrutores transmitem inconscientemente mensa- para o fracasso e. Uma das estratégias mais importantes é penho em competições. técnicos relação a isso. competitivas extremas (nas quais ou o sucesso ou o fra- casso é quase certo). e José é provavelmente um grande porém. concentra-se em objetivos volta- dos ao resultado. Em outras palavras. Os adultos influenciam as Reconhecendo um caso de impotência aprendida Johnny é aluno da quinta série da sra. José tem um bom desem. dos ao resultado e enfatizar objetivos voltados à tarefa bre o resultado desejado de uma tarefa ou habilidade ou objetivos específicos individuais de domínio. fica tenso em competições e atribui o Concentre-se nos objetivos de abordagem fracasso à sua baixa capacidade (ou atribui o sucesso a fatores externos e instáveis. ajudar as pessoas a estabelecerem objetivos voltados à jetivos voltados ao domínio e atribui o sucesso a fatores tarefa e diminuir os voltados ao resultado. • Johnny raramente tenta novas habilidades. A sra. busca desafios. comportamento de realização mal-adaptado e precisará de sua orientação. dagem com alunos. Com frequência. Esses são comporta. uma condição adquirida na qual Além de diminuir a importância dos objetivos volta- uma pessoa percebe que suas ações não têm efeito so. mentos desejáveis. é atraído para situações detalhes no Capítulo 15).

não encorajaria um jogador de basquetebol a não pas- das ou mal-adaptadas que os participantes fazem de si sar a bola para os colegas que têm melhores arremes- . você não deve definir atribuições irreais (como dizer meu treinador disse para fazer”. 2001). Flexione os joe­ capacidade por atribuições de falta de empenho ajuda lhos um pouco mais e rebata a bola usando os ante. verdade. honesto. Faça-os mudar afirmações como “Sou uma ma ao jovem atleta que ele não será bom no voleibol. dizendo coisas como “Sou uma dro- serve. te responsabilidade de assegurar que os participantes forço contínuo. Às ve- as habilidades necessárias ao desempenho da tarefa. Muitos deles que fracassam (sobretudo aque- desempenho – e motivação futura – pela maneira como les com impotência aprendida) atribuem seu fracasso à é dado o feedback (Biddle et al. mas também informa à criança que ela expectativas positivas após o sucesso. Você É importante monitorar e corrigir atribuições inadequa. e especialmen- tem condições de realizar a tarefa. Tente com mais empenho – você vai conseguir so – essa estratégia foi até mais eficiente que o suces- com a prática. 1975)! Além disso. Eles adotam uma perspectiva institucional para de ensino de voleibol: definir capacidade. Não defina competitivos são adequados atribuições de baixo esforço com crianças com menos de nove anos de idade. PONTO-CHAVE  Ensinar as crianças em situações Quando se trabalha com crianças. 1987). Especialmente e não no voleibol. baixa capacidade. importante é a necessidade de corrigir os participantes quando definem atribuições de baixa capacidade após Embora bem intencionada. por que ainda tento? Nunca vou conseguir” pa- que não deve se dar ao trabalho de tentar. A criança deve acreditar possuir é adequado se concentrar na melhora individual. e droga. como este professor de educação ga” ou “Por que tentar? Eu simplesmente não tenho ta- física fornece feedback a uma criança em um contexto lento”. Mas.. Horn. nadas à falta de empenho ajuda a diminuir decrés- nalmente realizar a tarefa (Horn. que é totalmente inepto no basquetebol. competir com outros é contraproducente. corrija-os e indi- estavam flexionados e você não usou os antebraços. a menos que você também as Você também é responsável por ajudar os participantes tranquilize no sentido de terem habilidades necessárias a determinarem quando é adequado competir e quando para realizar a tarefa. Na ços para realização. Se Jimmy achar cimos de desempenho após o fracasso. Você tem a importan- a uma praticante de exercícios que. Ob. Mas que que foi o trabalho duro e a prática que tornaram o não se preocupe – sei que você é melhor no beisebol.. o fundamental é enfatizar objetivos de domí- nio. por exemplo. consideremos os efeitos de dizer porte e educação física (Biddle et al. atribuir fracasso de de sala de aula a substituírem atribuições relacio- desempenho a seu baixo esforço pode funcionar apenas nadas à falta de capacidade por atribuições relacio- se elas acreditam ter as habilidades necessárias para fi. 1987).3 (em inglês) irá ajudá-lo atribuições a esses objetivos individuais (tal como “Serei a aprender a fortalecer os atletas. ra “Conseguirei se persistir e me concentrar no que o te. O instrutor conclui a te em evitar atribuições de baixa capacidade após o mensagem afirmando que persistência e esforço valem fracasso. outras vezes. Naturalmen. arremesso bem-sucedido. o fracasso. mas com empenho poderá ficar e sentir-se muito melhor do que agora”). Ensinar as crianças no contexto da sala de aula a substituírem suas atribuições de falta de Você não bateu na bola corretamente. essa mensagem infor. Se você à mesma criança o seguinte: ouvir os alunos ou clientes definindo incorretamente suas atribuições para desempenhos bem-sucedidos. dizer-lhe que não aprendeu a quicar porque não se esforçou não au- mentará sua motivação para realização – poderá apenas Determine quando os objetivos reforçar sua baixa percepção de capacidade. demonstrou ser efetivo em contextos de es- a pena. quando usem atribuições que facilitem a motivação e os esfor- de fato isso é improvável devido ao seu tipo físico). 2001. a competição é uma necessidade na sociedade (tal como para compor uma equipe de ginástica ou ser ad- Avalie e corrija atribuições inadequadas mitido em uma faculdade de mais gabarito). a recomposição O técnico não apenas transmite informação instrutiva da atribuição centrada em criar estados emocionais e ao jovem atleta. so real (Dweck. não a sorte. com trabalho e es. Motivação 67 interpretações de uma criança relativas ao sucesso do mesmos. vincular VEJA A Atividade 3. enfocando a melhora individual e. ela ficará igual a uma modelo. Em contraste. zes. tais Você não bateu na bola corretamente! Seus joelhos não como “Foi um arremesso de sorte”. Você nunca terá o corpo da Tyra Banks ou da Kate Upton. a reduzir decréscimos no desempenho após o fracas- braços. então.

É preciso haver empenho repetido e con. a visão centrada na situação e a visão intera- cional. Defina motivação e seus componentes. O que não fazer • No caso de fracasso do aluno ou cliente. de participante – situação. Maximizar o envolvimento de todos os participantes é crucial para aumentar a com- petência. não estabeleça atribuições de baixa capacidade que signifiquem que a melhora pessoal é improvável. derivadas da visão interacional de motivação. • No caso de sucesso do aluno ou cliente. AUXÍLIO AO APRENDIZADO RESUMO 1. ou não. os participantes são motivados tanto por traços internos quanto pelas situações. 3. A intensidade do es- forço refere-se à quantidade de empenho que uma pessoa coloca em determinada situação. é desenvolver o discernimento. especialmente crianças (Weiss. motivação para realização em participantes de ativida- A sociedade enfatiza tanto a avaliação social quanto des físicas. ou um paciente em reabilitação cardíaca a exceder Intensifique os sentimentos a zona de treinamento seguro para ser o corredor mais de competência e controle rápido no grupo. aproximar-se ou ser atraído por certas situações. estratégias de motivação para realização. pode fazê-lo tornando as práticas e as competições di- lançar. e 15 respectivamente). fornecem boas diretrizes para a prática. Adaptado de American College of Sports Medicine. Três visões de motivação incluem a visão centrada no traço. é a mais útil para orientar a prática profissional. atribua o sucesso à capacidade.68  Fundamentos da psicologia do esporte e do exercício Diretrizes de atribuição para feedback por parte do instrutor O que fazer • No caso de fracasso do aluno ou cliente. não atribua o sucesso à facilidade da tarefa. Primeiro. tos de controle são formas fundamentais de encorajar a ticantes de exercícios a tomarem decisões nessa área. A motivação pode ser definida como a direção e a intensidade do esforço. 1993). . Porém. vincule tais atribuições às metas e às capacidades do indivíduo. atribua o sucesso ao grande empenho. O Capítulo 14 aborda outros meios de inten- PONTO-CHAVE  Faça uso consistente e repetido de sificar a competência. • No caso de sucesso do aluno ou cliente. então. Cinco observações fundamentais. enfatizando uma orientação à tarefa (mais do vertidas e centradas na realização e nivelando as habi- que uma orientação aos resultados). Intensificar a percepção de competência e sentimen- Conversando. enfatize a necessidade de esforçar-se e tentar mais. • Em geral. Detalhe as diretrizes úteis para desenvolver a motivação. A direção do esforço refere-se ao fato de um indivíduo buscar. Os instrutores a pessoa uma ou duas vezes sobre essa questão não é podem aumentar a competência usando feedback e re- suficiente. 1997. forço apropriados e ajudando a criar desafios e objetivos sistente para promover um bom discernimento sobre individualizados para os participantes (ver Capítulos 6 o nível adequado de competição. Descreva visões típicas de motivação e sua utilidade ou não. você pode ajudar alunos. • No caso de sucesso do aluno ou cliente. Você os resultados competitivos que cabe a você contraba. a visão interacional. Conversar com lidades e as capacidades do participante. Entre esses modelos de motivação. não atribua o sucesso à sorte. O essencial. • No caso de sucesso do aluno ou cliente. não estabeleça atribuições dissimuladas ou falsas de nenhum tipo. sos. atletas e pra. 2.

ter melhor desempenho que os outros e orgulhar-se do talento. Pais. pelo esforço que exercem durante competição. Caracterizam-se ainda por uma visão institucional de realização. Quarto. Além disso. in- controláveis). A motivação para realização refere-se aos esforços de uma pessoa para dominar uma tarefa. integrado e saber quando é apropriado competir e comparar-se so- cialmente. use a mo- dificação de comportamento para alterar motivações indesejáveis do participante. (c) monitorando as atribuições feitas por aqueles com quem você trabalha e fornecendo feedback atribucional apropriado. admita que. professores e técnicos influenciam significativamente a motivação para realização das crianças e po- dem criar atmosferas que intensifiquem essa realização e neutralizem a impotência aprendida. concen- tram-se em objetivos de esquiva e atribuem o sucesso à sorte ou à facilidade da tarefa (fatores externos. Atletas com baixos níveis de realização. técnico ou instrutor. pelas tarefas que escolhem para serem avaliados. Atribuem o fracasso à baixa capacidade (um atributo interno. Competitivi- dade é uma disposição de lutar por satisfação ao fazer comparações com algum padrão de excelência na presença de avaliadores. desenvolvem-se por estágios que incluem (a) um estágio autônomo. como alta capacidade. como baixo esforço. As teorias da motivação para realização incluem (a) a teoria de necessidade de realização. 4. você desempenha um papel fundamental no ambiente motivacional. superar obstáculos. cabe ainda a você desenvolver uma visão realista da motivação: admita que outros fatores não relacionados à motivação influenciam o desempenho e o comportamento no esporte e aprenda a avaliar se os fatores motivacionais podem ser rapidamente mudados. orientação para o ego) competitividade orientação à meta de tarefa (orientação à meta teoria da necessidade de realização de domínio) probabilidade de sucesso visão institucional valor de incentivo do sucesso foco incremental tendência resultante (tendência comportamental) teoria da motivação para competência impotência aprendida . Atletas com altos níveis de realização geralmente adotam objetivos voltados ao domínio (tarefa) e à abordagem e têm percepções elevadas de sua capacidade e controle. bem como quando adotar um foco de comparação autorreferenciado. 6. em que o indivíduo se concentra tanto na própria melhora como usa a comparação social. em que o indivíduo se compara com outros e (c) um estágio integrado. julgam-se mais em relação a objetivos voltados ao resultado. Compare e diferencie as teorias sobre motivação para realização. (b) a teoria da atribuição. e atribuem o fracasso a fatores instáveis e controláveis. Seu objetivo é atingir um estágio autônomo. Explique como se desenvolve a motivação para realização. Quinto. (b) um estágio de comparação social. Essas noções são importantes pelo fato de nos ajudarem a entender por que algu- mas pessoas parecem tão motivadas à realização e outras parecem simplesmente “acompanhar a corrida”. pela per- sistência e pelo desempenho. alcançar ex- celência. costumam ter baixa percepção de capacidade e controle. Juntas. 5. estável). Terceiro. como professor. por sua vez. Atribuem o sucesso a fatores estáveis e internos. Defina motivação para realização e competitividade e indique sua importância. em que o indivíduo se concentra no domínio de seu am- biente. Utilize princípios da motivação para realização a fim de orientar a prática. Podem me- lhor fazer isso (a) reconhecendo influências interacionais na motivação para realização. (e) explicando aos participantes quando é adequado competir e comparar-se socialmente e quando é apropriado adotar um foco autorreferenciado e (f) facilitando percep- ções de competência e controle. sua contrapartida específica ao esporte. (b) enfatizando ob- jetivos de tarefa individuais e diminuindo objetivos de resultado. é importante entender os motivos dos participantes para o envolvimento. 7. (d) ensinando os partici- pantes a fazerem atribuições adequadas. você deve es- truturar as situações para satisfazer às necessidades dos participantes. essas teorias sugerem que atletas com altos e baixos níveis de realização podem ser diferenciados por motivos. A motivação para realização e a competitividade. (c) a teoria do alcance dos objetivos e (d) a teoria de motivação de competência. TERMOS-CHAVE motivação teoria da atribuição direção do esforço estabilidade intensidade do esforço lócus de causalidade visão centrada no traço (visão centrada no participante) lócus de controle visão centrada na situação teoria das metas de realização visão interacional orientação à meta de resultado (orientação à meta motivação para realização competitiva. Motivação 69 Segundo.

Liste pelo menos três formas de entender melhor os motivos de uma pessoa para a participação em espor- tes e em atividade física. Explique e diferencie as quatro teorias que explicam a motivação para a realização. Quais são os principais motivos que as pessoas têm para praticar esportes? Quais seus principais motivos para praticar atividades físicas? 5. de educação física e de exercício? Por quê? 9. Qual delas deve ser mais enfatizada em situações esportivas. 2.70  Fundamentos da psicologia do esporte e do exercício QUESTÕES DE REVISÃO 1. Descreva cinco diretrizes fundamentais de motivação para a prática profissional. Diferencie uma orientação de objetivo de resultado (competitiva) e uma orientação de objetivo de tarefa (domí- nio). O que é impotência aprendida? Por que é importante? QUESTÕES DE PENSAMENTO CRÍTICO 1. Indique de que forma você incen- tivaria uma atmosfera motivacional adequada. Explique os aspectos de direção e intensidade da motivação. Como a motivação para a realização influencia o comportamento do participante? 6. 4. Por que são importantes? 10. Discuta como o feedback atribucional de um professor ou técnico influencia a realização do participante. Identifique três visões gerais de motivação. 2. . Identifique os três estágios de motivação para realização e competitividade. O que são atribuições? Por que são importantes para ajudar-nos a compreender a motivação para a realiza- ção em situações de esportes e exercícios? 8. 7. Qual delas deveria ser usada para orientar a prática? 3. Crie um programa para eliminar a impotência aprendida em participantes.

faz nível de estresse? Pacientes com graves transtornos de uma pequena oração e aguarda o primeiro arremesso. Pensa. Discutir a natureza do estresse e da ansiedade (o que são e como são medidos) 2. que aborda o de intensidade da motivação em determinado momento. você deverá ser capaz de: 1. 1981) Embora muitas pessoas usem os termos ativação. seu time vencerá o campeonato esta­dual. ex-ge. relativa à importância professores podem reduzir essa ansiedade? de vencer e perder num esporte competitivo: Há pessoas que acham que o futebol é coisa de vida Definindo ativação e ansiedade ou morte. 2008). Jason posiciona-se no lugar do batedor. variando de nem um pouco exci- . reduzir con- eventual (Janelle e Hatfield. estres­ Ainda que a pressão seja bastante real em locais de se e ansiedade indiferentemente. ansiedade se beneficiam de treinamento aeróbico inten- Se você pratica esporte. 2011). onde vida e morte te e do exercício consideram importante diferenciá-los. como pode ser estressante aprender a nadar. O exercício praticado regularmente diminuiu o as travas da chuteira na terra. Não sou assim. estresse e ansiedade Jason chega para rebater no final do último assuntos mais debatidos e pesquisados na psicologia do tempo com duas bolas fora e dois homens na base. necessitando de menos medicação? Para pessoas a grande ativação e ansiedade de situações como a de que tiveram uma péssima experiência na água. em esportes competitivos – especialmente nos níveis mais elevados – também podem produzir extrema an. Explicar como e por que as emoções relacionadas à ativação e à ansiedade afetam o desempenho 4. Eles usam definições precisas para os fenômenos que em suas habilidades de enfrentamento e desempenho estudam para ter uma linguagem comum. Jason aperta o bastão. Comparar e diferenciar formas de regular ativação. ato de “amarelar”). estresse e ansiedade Após ler este capítulo.1). do estresse e da ansiedade no ambiente es- coração está aos saltos. seu da ativação. sucesso e fracasso fusões e diminuir a necessidade de longas explicações. uma rebatida. Neil e Mellalieu. sica. Ativação siedade. ele sente algo estranho no es. (Shanky. 2008. Com esporte (revisões podem ser encontradas em Hanton. Como os rente do Liverpool Football Club. portivo competitivo e em outras áreas de atividade fí- tômago e não consegue manter a concentração. Psicólogos do esporte com uma bola fora. de Bill Shanky. Identificar as principais fontes de ansiedade e estresse 3. imagine Jason. Posso assegurar a elas que ele é muito mais importante que isso. no que uma vitória significará para seu time e no nos benefícios fisiológicos e psicológicos do exercício que as pessoas pensarão dele se não rebater. 4 Ativação. o time perderá o maior jogo da e do exercício há muito estudam as causas e os efeitos temporada. Cravando regular. A história está repleta de atletas que tiveram de- sempenhos extraordinários sob pressão (ver o Capítulo Ativação é uma combinação de atividades fisiológicas 11 que aborda a resistência mental) e atletas que tiveram e psicológicas em uma pessoa e refere-se a dimensões péssimo desempenho (ver o Capítulo 16. podem realmente estar nas mãos das decisões de alguém. os psicólogos do espor- serviços de emergência e militares. Analise a citação a seguir. provavelmente já enfrentou sivo. Não surpreende que a relação entre A intensidade da ativação ocorre ao longo de um con­ ansiedade competitiva e desempenho constitui um dos tinuum (Figura 4. Muitos profissionais da saúde estão interessados então.

A ativação não está automaticamente para descrever um estado de humor variável. de que sentimentos de nervosismo. ou componente de regulação do estado de é entre estado de ansiedade e traço de ansiedade. p. variando em um continuum de sono profundo a intensa excitação. isto é. que é o grau de ativação ca da pessoa. jetivos de apreensão e tensão. não é necessariamente uma mudança na ativação físi- nente de ansiedade somática. Você ansiedade refere-se ao componente de humor em cons- pode ficar altamente excitado ao saber que ganhou 10 tante variação. 17). então. Exemplicando. preocupação e sentimentos conscientemente percebidos de apreen­ apreensão são associados à ativação ou excita. Ela pode ter um cional negativo caracterizado por nervosismo. genericamente falando. são e tensão. ansie. não influencia necessariamente no ritmo do jogo e. 27). outras. o grau em que a pessoa acredita ter os recursos e a capacidade de enfrentar os desafios é tam- PONTOS-CHAVE bém um elemento importante do estado de ansiedade • Ativação é uma excitação fisiológica e psicoló. O estado de ansiedade somática ansiedade cognitiva.72  Fundamentos da psicologia do esporte e do exercício Baixa Alta (coma) (frenesi) FIGURA 4. PONTO-CHAVE  O estado de ansiedade é um esta- • Ansiedade é um estado emocional negativo em do emocional temporário e altamente variável. associado à ativação ou à excitação do pouco nervosa e percebendo as batidas do coração) an- corpo. Hardy e Markland. enquanto Estado de ansiedade somática refe- 2009. e sim sua percepção dessa mudança. associados à ativação do sistema ner- ção do corpo. um nível extremamente alto o desempenho de forma negativa. Pes- física percebida. o nível de estado de ansie- dade de uma jogadora altera-se de um momento para Ansiedade. ansiedade. 2009). respiração e sudo. conscientemente percebi- dos. re-se às mudanças de momento a momento na ativação samento (como preocupação e apreensão) chamado de fisiológica percebida. Estado de associada a eventos agradáveis ou desagradáveis. Ansiedade 1966. Poderia ficar igualmente excitado estado emocional “caracterizado por sentimentos sub- ao saber da morte de uma pessoa querida. p. ver Gould. comatoso) a completamente excitado (isto Estado de ansiedade é. com o coração acelerado) adiante neste capítulo). nível levemente elevado de ansiedade (sentindo-se um ção e apreensão. (Ainda que a ansiedade seja percebida como ne. frenético. (Cheng. é um estado emo. . Apresenta também um compo. nos minutos finais de uma disputa acirrada. tes da bola ao alto. gativos. têm batimentos cardíacos. Indi- víduos altamente ativados ficam mental e fisicamente Às vezes nos referimos à ansiedade como um compo- excitados. dade tem a ver com “um estado psicológico desagradável Estado de ansiedade cognitiva diz respeito ao grau em reação a estresse percebido a respeito de desempenho em que a pessoa se preocupa ou tem pensamentos ne- de uma tarefa sob pressão” (Cheng. nente estável da personalidade. tado (isto é. 2002). outra diferença importante a fazer ­percebido. Além da diferenciação entre ansiedade quisas recentes sugerem a existência de um controle cognitiva e somática. Hardy e Markland. Greenleaf e Krane. um nível mais baixo depois de entrar gativa ou desagradável. usamos o termo rese aumentados.1 O continuum de ativação. Em situações esportivas. gica geral. acompanhados por ou associados com ativação ou excitação do sistema nervoso autônomo” (Spielberger. preocupa. A ansiedade tem um componente de pen. É definido mais formalmente como um milhões de dólares. isso é abordado mais (sentindo-se muito nervosa. outro durante um jogo de basquetebol. voso autônomo.

matos dessas medidas são semelhantes aos das avalia- Veja a Figura 4. bém observam como as pessoas classificam seus níveis Por exemplo: dois jogadores de futebol com habi. das. nalti que pode vencer o jogo seja algo excessivamente Nas medidas globais. Os três componentes incluem traço de ansiedade em situações de esporte competitivo. Smoll. de traço de ansiedade específicas ao esporte foram cria- sição comportamental de perceber como ameaçado. o traço de ansiedade predispõe formas fisiológicas e por meio de medidas psicológi- o indivíduo a perceber como ameaçadoras uma ampla va. como tensão muscular). Para melhor entender as diferenças entre estado perigosas e de. com consistência. mas. (estado de ansiedade cognitivo) e quanto estão fisio- Concluindo. Tam- magnitude ao perigo objetivo (Spielberger. traço de ansiedade cognitivo (o grau em que uma pessoa mostrado na página 75. ansiedade tem componentes diferentes. Ted. um exemplo é a SAS-2 antes referida (Smith et al. Psicólogos do esporte e do exercício medem a ativação. a mais uma vez usando escalas de autorrelato que variam Sport Anxiety Scale. multidimensionais são usadas quase da mesma maneira. eles observam mudanças riedade de circunstâncias que objetivamente podem não nos seguintes sinais fisiológicos: frequência cardíaca. As tamente competitivas. assim. Vealey e Burton.. como o estado de ansiedade. perimenta tremendo estado de ansiedade – muito mais mas as pessoas classificam o nível de sua preocupação intenso do que o esperado na situação. entretanto. mo “meu coração está pulando”. ções de estado de ansiedade. Escores de subescala para a ansiedade Smith. 2006) é uma das siedade. Para medir a ativação. Existe uma relação direta entre os níveis de traço ansiedade em situações de avaliação e naquelas al- de ansiedade e estado de ansiedade de uma pessoa. as pessoas classificam o quanto ameaçador. Ele ex. o traço de ansieda- de faz parte da personalidade. ca pressão (como bater um pênalti ao final do jogo) e. Ativação. comparativamente às pessoas pesquisas mostram. SAS-2) dos itens que representem cada tipo de estado de an- (Smith. Portanto. cas. usando com uma série de afirmações (co- lidades físicas iguais podem ser colocados sob idênti. tem elevado traço de ansiedade. ter reações de estado de ansiedade inteiramente Essas escalas são chamadas de medidas de autorrela- diferentes devido às suas personalidades (ou seja. Um exemplo é o somático (o grau em que uma pessoa costuma perceber amplamente empregado Competitive State Anxiety In- sintomas físicos aumentados. Escalas PONTO-CHAVE  O traço de ansiedade é uma dispo. bem como um escore melhor prognóstico do estado de ansiedade das pessoas total. obtêm escores altos nas medidas de traço de ansiedade . responder a elas com estado de ansiedade cognitivo. Por exemplo. Pessoas com traço e traço de ansiedade no esporte. baixo a alto. Smoll e Schutz (1990) e atualizada e ampliada cognitiva e somática são obtidos pela soma dos escores para atletas jovens (a Sport Anxiety Scale-2. p. posição comportamental adquirida que influencia o com. ser de fato perigosas. considera a chance de bater (ou. Rick é mais tranquilo (bai- Para medir o estado de ansiedade. classificarem seu grau de ansiedade naquele momento. estado de ansiedade somático de ansiedade desproporcional. foram criadas para um de ansiedade em três componentes. A pessoa respiração. níveis de traço de ansiedade). Um escore total é calculado pela soma dos assim. traço de ansiedade e estado de ansiedade. ras circunstâncias que objetivamente podem não ser 2006). contudo. Escalas específicas ao esporte. As medidas de autorrelato de perder) um pênalti como muito ameaçadora. 1966. escores de itens individuais. usando escalas numéricas que variam de baixo a alto. estresse e ansiedade 73 Traço de ansiedade Medindo ativação e ansiedade Ao contrário do estado de ansiedade. costuma se preocupar ou tem autodúvidas) e a ruptura Psicólogos também usam autorrelatos globais e mul- de concentração (o grau em que a pessoa costuma ter tidimensionais para medir o traço de ansiedade. “sinto-me animado”). Em particular. os psicólogos usam xo traço de ansiedade) e não considera que bater um pê- medidas de autorrelato globais e multidimensionais. 1990). em sua visão. que aqueles que com traço de ansiedade mais baixo. desproporcionais em intensidade e alterações em substâncias como as catecolaminas). que medem o medidas mais utilizadas na especialidade e divide o traço estado de ansiedade no esporte. ventory-2 (CSAI-2) (­ Martens. responda às pergun- de ansiedade elevado costumam ter mais estado de tas-modelo das escalas de autorrelato CSAI-2 e SAS-2. física ou psicologicamente. 17). originalmente desenvolvida por de baixo a alto. condutividade cutânea (registrada em um responde a essas circunstâncias com reações ou níveis de medidor de voltagem) e bioquímica (usada para avaliar estado de ansiedade. Os for- a concentração interrompida durante uma competição). de ativação. o traço de logicamente ativadas (estado de ansiedade somático).2 para um resumo das inter-relações en. seus to de ativação e ansiedade. o estado de ansiedade e o traço de ansiedade de várias portamento. respondem a como “normalmente” se sentem. sendo uma tendência ou dis. ele não experimenta um estado de ansiedade mais intenso do que o esperado em tal situa­ se sentem nervosas usando escalas de autorrelato de ção. em vez de as pessoas tre ativação. Cumming e Grossbard.

vergonha. Estado de Estado Percepção do ansiedade de ansiedade controle do estado cognitivo somático de ansiedade Alterações. alegria. mais comumente. Você se frustra ao cometer um erro ou sente prazer diante de um bom desempenho ao praticar seu esporte preferido. gratidão e compaixão (Lazarus. orgulho. Englobam componentes fisiológicos e psicológicos e têm desdobramentos mais como processo que como evento episódico estático. Também sente menos ansiedade após o exercício ou menos receios por algum desafio a enfrentar. Por fim. algumas pes- lação não é perfeita. soas com traço de ansiedade elevado aprendem habili- de muito alto pode ter uma extraordinária experiência dades de enfrentamento que ajudam a reduzir o estado em determinada situação e. Entretanto. Emoções estão em todo o lugar em situações de exercício e esporte. alívio. de momento a momento. envolvendo experiências subjetivas. . Da mesma forma. como depressão. À medida que avançarmos neste livro. definiu emoção como “uma reação psicofisiológica organizada a relações constantes no ambiente. em que a pessoa desconhece as causas dos sentimentos. O maior pesquisador nessa área. perigosas e a responder a elas com níveis desproporcionais de ansiedade. tristeza. 2000). Apesar dessas distinções. Por outro lado. ansiedade. é importante observar que muitos psicólogos do esporte e do exercício começaram a estudar várias emoções em atletas e praticantes de exercícios. por isso. abordaremos como as emoções associadas à ativação e à ansiedade têm relação com o desempenho atlético. de enfrentar os negativos. amor. os limites entre estado de humor e emoção costumam ser indistintos. Uma atleta com traço de ansieda. culpa. Pense a respeito. preocupação e apreensão associados com circunstâncias que objetivamente não são excitação do corpo.2 As inter-relações entre ativação. menos intensos que uma emoção. receio. dade correspondente. deixa de perceber de ansiedade que experimentam em situações de ava- Emoções e psicologia do esporte e do exercício Embora ativação e ansiedade sejam o foco deste capítulo. você aprenderá a respeito de como muitas dessas emoções influenciam ou são influenciadas pela participação em atividades esportivas e físicas. também têm mais estado de ansiedade em situações de uma ameaça e não apresentar elevado estado de ansie- avaliação e altamente competitivas. mais adiante neste capítulo. Jones (2012) propôs que estados de humor são mais permanentes. Traço de ansiedade Estado de ansiedade Trata-se de uma disposição adquirida que predispõe uma pessoa a perceber como Alterações. em especial quando uma pessoa não consegue diferenciar sentimentos desencadeados em resposta a eventos específicos (emoções) e os já presentes como parte de um estado de humor subjacente. por exemplo. FIGURA 4. esperança. ações ou impulsos observáveis para a ação e alterações fisiológicas. “estados de sentimentos de curta duração que ocorrem em resposta aos eventos” vividos por alguém. Gill e Williams (2008) indicam que emoções são fenômenos complicados. ciúme. de O grau em que momento a momento a a pessoa tem momento. nas momento. embora nem sempre. No Capítulo 17. essa re. de Alterações. desafios. examinamos como a participação em atividades físicas influencia uma gama de emoções dos participantes. emoções podem ser positivas (tal como prazer) e negativas (como vergonha). Emoções comuns incluem raiva. interpessoais ou sociais”. ansiedade e prazer. inveja. em sentimentos de ameaçadora uma ampla variedade de nervosismo. como estados de humor e sensações.74  Fundamentos da psicologia do esporte e do exercício Traço Estados Ativação Trata-se de uma ativação fisiológica e psicológica geral do organismo que varia de um continuum de sono profundo à intensa excitação. na os recursos e preocupações e ativação fisiológica a capacidade nos pensamentos percebida. Um dos desafios enfrentados por psicólogos do esporte ao estudar emoções é sua definição e diferenciação de fenômenos relacionados. o psicólogo Richard Lazarus (2000). traço de ansiedade e estado de ansiedade.

de maneira geral. Uma estratégia possível condições ameaçadoras. mas os níveis de ansiedade cognitiva Definindo estresse e entendendo alteram-se durante a competição. mas tais reações são. Sinto-me confiante. de. 1 2 3 4 5. Preocupo-me que possa prejudicar os outros. É comum ouvirmos. elevou-se de. Para ajudar-nos a entender melhor as reações às competições. Contudo. Meu corpo fica tenso. 1 2 3 4 2. Sinto-me inseguro. Ativação. Não há respostas certas ou erradas. 1 2 3 4 7. a partir de rela. mesmo entre atletas profissionais. conhecer o nível de um jogo. à avaliação e a fazer isso durante um torneio. 1 2 3 4 . seria a medida retrospectiva das alterações na ansieda- Para complicar as coisas. 1 2 3 4 2. 1 2 3 4 3. Estou preocupado com esta competição. 1 2 3 4 5. Não consigo pensar com clareza durante o jogo. Não perca muito tempo em cada afirmação. 8. (Interessante é o fato de parecer que níveis de ansiedade somática se reduzem rapidamente quando co- meça um torneio. Para fins desse exercício.) Outros jogadores de o processo de estresse futebol relataram não ter sentido ansiedade durante o jogo. 1 2 3 4 3. que jogadores pode ser solicitado a atletas. 1996). na verdade. estresse e ansiedade 75 liação. solicitamos que você partilhe suas reais reações. algo que se acomoda após a primeira ferentes dele. mas escolha a resposta que melhor descreva seus sentimentos naquele dado momento. É difícil concentrar-me no jogo. seu nível de ansiedade. 1 2 3 4 9. que relatem como se sentiram em momentos di- da competição. Medidas futuras precisam levantar dados so- traço de ansiedade de uma pessoa costuma ser útil para bre tais mudanças na ansiedade. pense numa competição de que você próprio tenha participado. Meu estômago fica “embrulhado”. Declaração Nem um pouco Um pouco Moderadamente Muito 1. tição. 1 2 3 4 4. Nem um pouco Um pouco Moderadamente Muito 1. Leia cada declaração e circule o número à direita da declaração indicativo de como você costuma se sentir antes de uma competição e durante o evento. Por exemplo. ainda que seja difícil prever como ela reagirá à competição. Não há respostas certas ou erradas. por exemplo. 1 2 3 4 Sports Anxiety Scale-2 (SAS-2): uma medida do traço de ansiedade A seguir são apresentadas várias declarações usadas por atletas para descrever pensamentos e sentimentos antes de uma competição e durante a mesma. 2003) bons avaliadores de seus níveis de estado ansioso após que a ansiedade pode oscilar ao longo de uma compe. Meu corpo está tenso. Sinto-me inquieto. 1 2 3 4 6. O estresse é definido como “um desequilíbrio substan- mais quando tiveram disputa por pênaltis. 1 2 3 4 6. Weinberg e Horn. Não perca muito tempo em cada questão. 1 2 3 4 4. Há atletas que acham que não devem admitir sentimentos de nervosismo ou preocupação. Preocupo-me em jogar mal. uma hora após o final do de futebol americano dizem ter muita ansiedade antes jogo. um acontecimento (Hanin e Syrja. Sinto-me agitado. Estou preocupado com a possibilidade de não me sair tão 1 2 3 4 bem nesta competição quanto poderia. sabemos. no final de cial entre demanda (física e/ou psicológica) e capacidade Competitive State Anxiety Inventary-2 A seguir são apresentadas diversas afirmações de atletas ao descreverem seus sentimentos antes de uma competição. Sinto-me nervoso. Leia cada afirmação e circule o número adequado à direita dela para indicar como você se sentiu neste momento. Há pesquisas indicando que os atletas são bastante tos e pesquisas (como de Butt. entretanto. muito comuns. jogada. Sinto-me confortável.

Maya pode apreciar a atenção de estar diante da turma. O nível de traço de ansiedade de uma pessoa influen- importantes. As pessoas um modelo simples proposto por McGrath. ou quando os pais pressionam um jovem atleta a vencer uma competição. melhorando. O processo de estresse.3: demanda ambiental. cia como ela percebe o mundo. assim. ou ambos. Se a percepção da pessoa do desequi- líbrio entre a demanda e sua capacidade de resposta a faz sentir-se ameaçada. Descrevemos brevemente aqui cada estágio. estes po- Consequências comportamentais derão rir. uma sequência de O segundo estágio do processo de estresse é a percepção eventos. A demanda pode ser física ou psicológica. Se um aluno se sentir excessivamen- te ­ameaçado e se sair mal diante dos colegas.76  Fundamentos da psicologia do esporte e do exercício de resposta. O terceiro estágio do processo de estresse consiste nas respostas físicas e psicológicas do indivíduo à percep- ção da situação.20). maior ativação fisio- lógica (estado de ansiedade somático). Se um aluno de voleibol perceber um de- • Ativação sequilíbrio entre a sua capacidade e a demanda e sentir Estágio 3 • Estado de ansiedade (cognitivo e aumento da ansiedade. consiste em quatro estágios inter-relacionados. o resultado será um aumento Demanda ambiental Estágio 1 (física e psicológica) do estado de ansiedade. algum tipo cia importante no Estágio 2 do processo de estresse. recém-aprendida diante da turma de forma bastante di- tamentais.3 Os quatro estágios do processo de estresse. As pessoas com traço de ansiedade muito elevado tendem a perceber mais situa- ções (especialmente avaliadoras e competitivas) como Estágio 1: Demanda ambiental ameaçadoras do que pessoas com um traço de ansiedade mais baixo. De acordo com individual da demanda física ou psicológica. torna-se um ciclo contí- FIGURA 4. que levará a determinado fim. ferente. e sua capacidade de satisfazer àquela exigência. então. tais como alterações na concentração e au- Percepção da demanda mento da tensão muscular. . de demanda é imposto a um indivíduo. Estágio 2 (grau de “ameaça” psicológica ou física percebida) Estágio 4: Consequências comportamentais O quarto estágio é o comportamento real do indivíduo Resposta de estresse (física e psicológica) sob estresse. tal como uma estudante de edu- cação física ter que executar uma habilidade de voleibol Estágio 3: Resposta de estresse recém-aprendida na frente da turma. seja. acompanham o aumento do ambiental pelo indivíduo estado de ansiedade. apresen. trazendo com ele preocupação ­(estado de ansiedade cognitivo). o desempenho? O estágio final do processo de estresse realimenta- -se no primeiro. Maya cidade de resposta. o traço de ansiedade é uma influên­ No primeiro estágio do processo de estresse. Ou PONTO-CHAVE  Ocorre estresse quando há um de. percepção da a obrigação de demonstrar uma habilidade de voleibol demanda. o estresse não percebem as demandas exatamente da mesma forma. nuo (ver Figura 4. enquanto Issaha pode sentir-se ameaçada. p. 1970. ou o percebe apenas em em satisfazer a essas demandas tem consequências um grau que não chega a ser ameaçador. resposta de estresse e consequências compor. Por exemplo: dois alunos de oitava série podem encarar tados na Figura 4. seu desempenho se deteriorará? somático) • Tensão muscular Ou o elevado estado de ansiedade aumenta a intensidade • Alterações de atenção do esforço. em condições nas quais a falha não percebe tal desequilíbrio. Trata-se de um processo.3). essa avaliação social negativa passará a ser Estágio 4 (desempenho ou resultado) uma demanda adicional sobre a criança (Estágio 1). sob condições em que deixar de satisfazer Estágio 2: Percepção da demanda tal demanda tem importantes consequências” (McGrath. Issaha percebe um desequilíbrio entre as demandas sequilíbrio substancial entre as demandas físicas e impostas a ela (ter que demonstrar em frente à classe) psicológicas impostas a um indivíduo e sua capa. Por isso. Ou- tras reações.

2011). produtividade reduzida trabalho com um parceiro oficial e abuso físico (­ Dorsch ou menor satisfação no trabalho. 2001a). determinadas tanto pela situação quanto Há literalmente milhares de fontes específicas de es. tais como maior árbitros. Em atletas. demandas do estilo de vida e aspec- do estresse para os funcionários. físicas. tensão que incluem preocupações competitivas. Pesquisadores examinaram ainda fontes de estresse de). de trabalho reestruturados). (como seminários de gerenciamento do tempo. inclusive tópicos como comunicação empregados ao estresse aumentado: estado de ansieda. 2007. 2002. um jogo que de- gativos dos técnicos e relacionamentos ou experiências fine um campeonato é mais estressante do que um jogo traumáticas fora do esporte. e Paskevich. pressão nos para ajudar a desenvolver um programa de controle para o desempenho. Smoll e Cumming. A análise do Estágio 4 dos atletas (Frey. Voight. estado de ansiedade cognitivo ou proble. são dos pais (em especial com atletas jovens) é uma sico direcionaria seu empenho na redução do estresse. exigências de prazos estresse psicológicas (como medo. mas alta pressão em uma alta atmosfera motivacional de domínio (isto é. estresse e ansiedade 77 Implicações práticas tivos (Dunn e Syrotuik. preocupação com o desempenho até o máximo da ca- pacidade. pela personalidade. como liderança e comunicação. Ativação. em treinadores oficiais incluem decisões polêmicas de dos que sentem o aumento do estresse. White (2008) concluíram. o Está. recrutamento. foco no aperfeiçoamento) reduz as percepções de ansiedade. Os psicólogos do exercício também demons- traram que acontecimentos importantes na vida. como custos financeiros. mais go físico. 2007). confrontos com os técnicos. De forma específica. questionamento do próprio talento e seleção do time. 2003. 1987b). financeiras e profissionais. mais efetivas para controlá-lo. fonte tradicional de estresse. questões organizacionais. por exemplo. Bridges e Beck (1997a) também verificaram que são as demandas impostas aos empregados (tal como atletas de elite lesionados experimentavam fontes de cargas de trabalho aumentadas. Noblet e Gifford. numa atmosfera altamente motivada do ego (isto é. Importância do evento viagens e tempo necessário para treinamento. além de oportunida- rimentando ou percebendo o maior estresse (tais como des perdidas fora do esporte (como impossibilidade de indivíduos em certos departamentos ou com certos car. Pargman competição e a incerteza que cerca o resultado do even- e Weinberg. recentemente. As várias fontes específicas Identificando as fontes de estresse para quem participa em atividades espor- de estresse e ansiedade tivas e de exercício localizam-se em algumas catego- rias genéricas. tação. a especialista em condicionamento fí. Portanto. a pres- clo de estresse. Além disso. esperanças e sonhos irreais. normal da temporada. Niven. que os atletas cas. Woodman e Hardy. Entendendo esse ci. dificuldades de número de faltas ao trabalho. planos Smith. gos ou aqueles com dadas disposições de personalida. quanto mais importante for o evento. de examinadores na universidade é mais estressante do . bem como Fontes de estresse situacionais os aborrecimentos cotidianos. fontes de estresse enfocaria o comportamento subsequente dos emprega. Se a especialista em condicionamento físico de uma passam por um grupo central de estresse ou fontes de empresa fosse chamada pelo diretor de recursos huma. Es- problema com um colega de trabalho. visitar um outro país com o time). McKay. médicas ou relacionadas à reabili- Estágio 2 poderia levá-la a questionar quem está expe. assim como enfrentar uma banca bro da família ou relacionamentos interpessoais nega. como pane no carro ou Há duas fontes de estresse situacionais comuns. comportamentos de comunicação pessoal ne. 2007). fo- cas do estresse. com os atletas. embora um estudo recen- Poderia sugerir atividades físicas (mais provavelmente te tenha descoberto que a atmosfera em que a pressão no Estágio 3) ou outros meios de controle do estresse é percebida é capaz de alterar seus efeitos (O´Rourke. Já o Estágio 3 exigiria um estudo das reações dos para treinadores. causam estres- sas áreas gerais são a importância dada a um evento ou se e afetam a saúde física e mental (Berger. planos de viagem confusos). tantos papéis e falta de controle sobre o desempenho mas de atenção e concentração. tos negativos de relacionamentos interpessoais. Uma análise do destruídos). pressão de desempenhar de somático. Ela agora tem uma melhor os pesquisadores descobriram que pressão demasiada compreensão das causas e das conse­quências específi. tresse. gerador de estresse ele será. questões ambientais. Para concluir. como morte de um mem. peri. Lavallee e O processo de estresse tem inúmeras implicações práti. Em geral. Gould. o que lhe permite planejar atividades co no resultado) aumentam as percepções de ansiedade. como mudança de emprego ou morte de familiar. 2009). gio 1 do modelo sugeriria que ela determinasse quais Udry. os estressores incluem to (Martens.

traço de ansiedade ele- pouco pode ou deve ser feito em relação a isso. Fontes pessoais de estresse to. mais estresse e nervo. às vezes. treinadores precisam entender a incerteza que pode estar Quanto mais crítica a situação. não podemos fazer nada em relação dade mais baixa. numa mesma situação dos colegas com traços de ansie- Frequentemente. Foi avaliado o soa aposentada que se exercita pode ficar estressada de- quanto a situação era crítica durante o jogo (bases ocu. Uma terceira disposição sempre é óbvia. tresse – e quanto maior a incerteza. vido à incerteza econômica resultante da inconstância padas. aos atletas que iniciam o jogo. a competição e a avaliação social como mais ou menos liar continuamente a importância que os participantes ameaçadoras. a ela. uma pes- eram os próximos na fila de rebatedores. Da mesma forma. por exem- ve lesão esportiva. Por exemplo: um jogo de futebol normal da temporada pode não parecer particularmente importan. Deve-se ava. têm menos confiança e mais estado de ­ansiedade físicos devem ter consciência de que. transferências e conflitos profissionais dos batedores foi registrada enquanto estavam prestes a e não profissionais eram fontes importantes de estresse rebater. Atletas com baixa autoestima. Um evento aparentemente insignifican. Quanto maior Algumas pessoas caracterizam certas situações como o grau de incerteza de um indivíduo em relação a importantes e incertas. assim como seus maneirismos nervosos quando (Noblet e Gifford. de beisebol. mesmo sem se dar do que atletas com autoestima elevada. futuro rada de beisebol (Lowe. técnicos e e a importância do jogo para a classificação da equipe. no contexto do exercício. de ansiedade importante. o traço de ansiedade é um fator de ser da maior importância para determinado jogador de personalidade que predispõe uma pessoa a encarar que está sendo observado por um olheiro. ocorrendo na vida de um cliente ou atleta fora do con- sismo os atletas exibiam. revelou que a incerteza sobre carreira. 2002). consistentemente estão ligadas a reações de estado an- sioso aumentadas são traço de ansiedade elevado e bai- Entretanto. 1986). Contudo. mais gerador de estresse ele será. PONTO-CHAVE  Quanto mais importante um even. para outra. por exemplo. . professores e preparadores plo. foram observados toda vez Um estudo de jogadores de futebol australianos. menos parelhos. Por exemplo: quando dois times mais ou menos parelhos vão competir. Uma pessoa com elevado traço de ansie- dão às atividades. duas bolas foras. há uma incerteza máxima. Jogadores da liga juvenil como resultado de incerteza em suas vidas em geral. texto do esporte e do exercício. po. técni- cos e profissionais da medicina do esporte criam incer- tezas desnecessárias ao não informar aos participantes Autoestima sobre certos aspectos. Entretanto. formas de evitar lesão ao aprenderem habilidades A autoestima também está relacionada a percepções físicas de alto risco (como saltos na ginástica) ou o que de ameaça e a mudanças correspondentes no estado de o atleta deve esperar enquanto se recupera de uma gra. vado e baixa autoestima estão relacionados a níveis a essência do esporte é contrapor atletas e times mais ou mais altos de reações do estado de ansiedade. último turno. Conforme já discutido. professores. podem criar incerteza nos participantes. As estratégias conta. Traço de ansiedade te para a maioria dos jogadores de uma equipe que já não tenha mais chances no campeonato. A frequência cardíaca após o futebol. maior o estresse. mas PONTO-CHAVE  Em atletas. olhando-as com maior ansieda- um resultado ou aos sentimentos e às avaliações dos de que outras. maior o estado de ansiedade e o estresse. Afinal. Portanto. para aumentar a autoconfiança são meios importantes A incerteza não se limita ao campo ou ao ginásio. pesquisas mostram que pessoas Incerteza com altos traços ansiosos têm uma tendência cognitiva A incerteza é uma importante fonte situacional de es. é a te para a maioria das pessoas pode ser muito importante ansiedade física social. Na verdade. como. ­ansiedade. por que eram escalados para rebater durante toda a tempo. 1971). dade considera uma competição mais ameaçadora e ge- radora de ansiedade do que outra com traço de ansiedade mais baixo.78  Fundamentos da psicologia do esporte e do exercício que fazer um exame prático. de captarem informações mais relacionadas a ameaças. de reduzir o grau de estado de ansiedade que os indiví- Atletas e praticantes de exercícios podem ter estresse duos experimentam. Duas disposições de personalidade que outros. a importância dada a um evento nem xa autoestima (Scanlan. Técnicos. exemplo. escore apertado) do mercado de ações. professores.

sideraram a hipótese do U invertido mais convincente nos reveladoras em lugar de roupas extremamente jus. para explicar a facilitação guimos diminuir. e que a ansiedade física social tem uma pessoa e prejudicando outra? Como pode aconte- relação com satisfação de necessidades. a ansiedade física social social. que foi mais tarde usada. Há mais ou menos 60 anos. mais recentemente. somos capazes de observar oscilações nos 2009). ansiedade e estados emocionais de pensamentos negativos em relação ao corpo. descoberta encorajadora é a de que intervenções na ati. tendem a evitar situações de condicionamen. Brewer fisiológica e psicológica funcionam. A maioria de nós logo foi percebida a existência de uma relação negativa en. propuseram algumas variações © Pictures Alliance/Photoshot Uniformes típicos de um esporte podem desencorajar a participação? Podem levar a ansiedade? . Psicólogos do esporte e do exercício estudam a re- to ou luta com motivação quando participam. mas esclareceram especialmente. pois re. estresse e ansiedade 79 Ansiedade física social tas. reconhece quando o nervosismo nos faz sentir vulnerá- tre ansiedade física social e comportamento no exercí. 1989). aquelas Uma das relações (positivas e negativas) mais instigantes com alta ansiedade física social relatam sentir mais es. Com- paradas a pessoas sem esse tipo de ansiedade. Mas como exatamente a ativação cio e capacidade física percebida (Hausenblas. única tarde. 1997). Kelley e Wilson. por exemplo. e. participantes (Hausenblas et al. ajudar as pessoas a reagirem e a terem melhor desem- rada ao corpo e ao grau de atração (Roper. Ansiedade física social é uma predisposição de perso- nalidade definida como “o grau de ansiedade de uma pessoa quando outros observam seus atributos físicos” Relacionando ativação e (Hart. lação entre ansiedade e desempenho há décadas. que os psicólogos do esporte e do exercício estudam é tresse durante avaliações de condicionamento e ter mais aquela entre ativação. Uma penho – em vez de se deixarem abater e atuarem mal. 2004). os psicólogos con- das pessoas levando-as a se exercitarem com roupas me. nas décadas de 1960 e 1970. Não ceiam como os demais avaliarão seu físico. Mulheres. 1994).. chegaram a conclusões definitivas. são suscetíveis à ansiedade social física. Indivíduos com ansiedade física social elevada. 2012). No último quarto de século. Reflete a tendência das pessoas de ficarem nervosas ou apreensivas quando seu ansiedade com desempenho corpo é avaliado (Eklund. veis e fora de controle. Leary e Rejeski. motivação para cer que. mesmo em nosso próprio desempenho em uma atividades físicas e comportamento (Brunet e Sabiston. níveis de ansiedade e em seus efeitos? portanto. aspectos do processo que têm várias implicações para uma vez que a cultura de nossa época dá ênfase exage. Quando conse. é possível aumentar sua participação nas atividades físicas (Crawford e Eklund. Também um lado e desempenho do outro. os pesquisadores se concen- vidade física podem reduzir ansiedade física social nos travam na teoria do impulso. dando vantagem a e Van Raalte. Ativação. 2004).

É fundamental visivelmente eufóricos ou ativados. a maioria dos cios de rotina de ginástica. A teoria desempenho aumenta linearmente. que com baixos níveis de ativação o desempenho fica a resposta dominante é correta (desempenho positivo). ao pas.80  Fundamentos da psicologia do esporte e do exercício e hipóteses mais modernas. melhorar o desempenho e. outras vezes. o máximo possível em situações de aprendizagem.4). não gostaria de expor pre- atletas é capaz de recordar situações nas quais ficaram maturamente as crianças a uma plateia. tarefas bem aprendidas ou simples. 1966). efeitos da presença de outros no desempenho. Há pouco apoio acadêmico para a da plateia e de ações conjuntas em ambientes de apren- teoria do impulso (Mellalieu. uma plateia pode. não explicam tão bem como uma plateia afeta o de- tarefas que conheciam bem ou que eram simples. inibi-lo. Zajonc (1965) usou a teoria do impulso para A hipótese do U invertido demonstrar que a presença de outras pessoas aumenta a ativação (impulso) do executante. En- Você deve se lembrar da teoria da facilitação social tretanto. em se tratando de habilidades bem aprendidas. às ve- PONTO-CHAVE  A teoria da facilitação social pre. dável encorajar mais gente a assistir. incluindo uma atuação conjunta (duas pessoas atuando ao mesmo tempo). um tema relacionado tanto aos efei- facilitação social. a “ação conjunta” ou a presença de outras pes­ A princípio. teoria do impulso. 2006). Naturalmente. seu desempenho era sofrível. Por ta seu desempenho. quando os participantes estiverem realizando (o exemplo de uma teoria que usamos no Capítulo 1). Quanto mais alerta um atleta ficar. com desempenhos que os instrutores eliminem ou diminuam a influência mais insatisfatórios. mas aju. 2010). o nervosismo e o da no desempenho de tarefas bem aprendidas. sempenho de habilidades bem aprendidas. Além disso. noutras vezes. o fenômeno da catástrofe. De acordo com essa visão. a presença de outras pessoas aumenta a ativação Discutiremos cada uma delas resumidamente. Se isso fosse verda- da facilitação social de Zajonc defendia que uma plateia deiro. Por- tanto. e essa ativação aumen. exemplo: se você estivesse ensinando séries de exercí- por exemplo. às vezes. não aprendidas ou complexas. pode ser recomen- Zajonc (1965) havia observado um padrão na forma apa. chamada de em tarefas simples ou bem aprendidas. deixando o impulso o mais livre possível. os psicólogos entendiam o relacionamento soas) inibe o desempenho em tarefas que são complexas entre ativação e desempenho como direto e linear (Spence ou não totalmente aprendidas e aumenta o desempenho e Spence. zes. também aumen. poderíamos esperar que atletas altamente quali- criava ativação no executante. incluindo os conceitos de e a ativação aumentada facilita o desempenho. Essas teorias so que. “A Vantagem de Jogar em Casa: Mito ou Realidade” discute o que os pesquisadores da psicolo- gia do esporte aprenderam sobre a vantagem de jogar Não há necessidade de uma plateia para que ocorra a no próprio campo. rentemente aleatória com que as pessoas. à medida que a ativação ou o estado Isso implica o desejo de eliminar plateias e avaliações de ansiedade de um indivíduo aumenta. à medida que a ativação aumenta. a teoria da facilitação social prevê que uma plateia Teoria do impulso (isto é. A teoria refere-se mais amplamente aos tos da plateia como à relação ansiedade-desempenho. Insatisfeitos com a teoria do impulso. melhor atuará. golfe). mo um golfista novato aprendendo a bater uma bola de versão e a visão da direção e intensidade da ansiedade. vê que a presença de outras pessoas ajuda o desem. expliquem como uma plateia pode prejudicar o desem- se saem pior. situações de alta pressão. o praticante de exer- . Quando pessoas executam habilidades bem sempenho (Landers e Arent. Contudo. abaixo do padrão (ver Figura 4. muitos psicólogos tada intensifica ou revela a resposta dominante daquele do esporte voltaram-se para a hipótese do U invertido que desempenha (a forma mais provável de realizar a para explicar a relação entre estados de ativação e de- habilidade). teoria multidimensional executam habilidades complexas ou não aprendidas (co- da ansiedade. As visões apresentadas a seguir darão uma compreensão penho em relação a habilidades bem aprendidas ou melhor de como o aumento da ativação ou da ansieda- simples e inibe ou reduz o desempenho de tarefas de influencia o desempenho em tarefas bem aprendidas. dizagem. a teoria da in. ficados consistentemente se destacassem em todas as penho em tarefas difíceis ainda não aprendidas. nó na garganta ocorrem até mesmo com atletas de elite. o que prejudica o desem. o mais complexas. quando realizavam tarefas menos familiares ou prognosticam que. têm Embora as teorias do impulso e da facilitação social melhor desempenho diante de uma plateia e. Ele observou que a presença de uma plateia penho quando alguém está aprendendo novas habilida- causava um efeito positivo quando as pessoas realizavam des. Por isso. Hanton e Flether. Essa visão sustenta aprendidas ou simples (tal como exercícios abdominais). podemos apenas concluir que. e costuma fazer com que a resposta dominante seja mais frequentemente incorreta (desempenho mais fraco). Quando zonas de funcionamento ideal.

Os críticos questionam. ra além da ansiedade. Mas. ocorrem os piores desempenhos. exci- A maioria dos atletas e técnicos aceita as noções ge. estados psicológicos. positiva com o desempenho para uma pessoa e uma as- Mellalieu et al. a A visão IZOF de Hanin difere da hipótese do U in. fa.5). desempenho ideal usam as diversas emoções e outros nho até um ponto ideal em que ocorre o melhor desem. Segundo. os atletas precisam de níveis ideais in- por um U invertido que reflete o alto desempenho com dividualizados não apenas de estado de ansiedade. 1996. ciam o desempenho de diferentes maneiras: ou seja. melhor desempenho. mas o nível ideal de ativação e um desempenho mais baixo de várias outras emoções. Uma mente. desdobramento importante. Hanin (1997. afabilidade penho. bem como emoções positivas (calmo. os psicólogos do esporte começa- ram a explorar novas visões. ativação fisiológica (estado de ansiedade somático) e a vertido em dois pontos importantes. Como consequência. Todavia. e preguiça. O modelo IZOF tem um bom apoio na literatura cien- tífica (Gould e Tuffey. 1986. Zonas individualizadas de desempenho ideal Yuri Hanin. A hipótese IZOF de Hanin não examinou se os com- Hanin (1980. Afinal. 2000. melhora o desempe. a forma da curva de ativação. nervoso) que incrementam rais da hipótese do U invertido. o nível preocupação (estado de ansiedade cognitivo) afetam di- .. 2001b). implicação importante para o treinamento no modelo vação ideal sempre ocorre no ponto médio do c­ ontinuum IZOF é a de que os técnicos devem ajudar cada atleta a de ativação. o nível ideal de es- tado de ansiedade não é um único ponto. mas uma larga faixa. A visão IZOF também defen- com ativações baixas ou muito altas. estresse e ansiedade 81 Alto ideal de estado de ansiedade nem sempre ocorre no pon- to médio do continuum. sível. de ansiedade. 1994. atingir a receita ideal de emoções necessárias para seu Basicamente. varia de um indi- víduo para outro. a maior parte das o desempenho. tado) e negativas (receoso. apre- sentou uma visão alternativa que ele chama de modelo Teoria da ansiedade multidimensional de zonas individualizadas de desempenho ideal (In- dividualized Zones of Optimal Functioning – IZOF). entretanto. 2007) ampliou a noção de IZOF pa- cícios ou atleta não está preparado psicologicamente. qual ocorrem seus melhores desempenhos. ativação ideal e vontade) e negativas (intenso. de a existência de emoções positivas (confiante. apesar do apoio ao modelo IZOF. esperando entender de forma PONTO-CHAVE  A zona de funcionamento ideal mais específica a relação ativação-desempenho. 2006). e desempenho. 1997) verificou que atletas de elite ponentes do estado de ansiedade (ansiedade somática apresentam uma zona de estado de ansiedade ideal na e cognitiva) afetam o desempenho da mesma maneira. nada emoção (como a raiva) pode ter uma associação 2010). Portanto.4 O U invertido que mostra a relação entre ativação (Woodman e Hardy. como determinação. Além disso. Essa visão é representada desempenho. um famoso psicólogo russo do esporte. alguns atletas têm uma zona de desempenho ideal na extremidade inferior do conti­ Desempenho nuum. mas agora precisamos de explicações mais claras. 2007). ela tem sido alvo de críticas (Gould e Udry. justificada. perguntando se a ati. Fora dessa Geralmente se considera que esses componentes influen- zona. Baixo específica. Ou seja. incomodado) com uma superativação. e questionam a natureza da própria ativação. de uma pessoa pode estar na extremidade inferior. na verdade. há críticas pela falta de explicações dos Baixa Alta motivos pelos quais os níveis individuais de ansiedade Ativação fisiológica podem ser ideais ou prejudiciais para o desempenho FIGURA 4. Trata-se de um em geral e das evidências recentes que apoiam suas pre. Ativação. demonstrando como as zonas de À medida que a ativação aumenta. intermediária ou superior do continuum de estado de ansiedade. Aumentos adicionais na ativação. Hanin. porque admite que determi- visões em tarefas relativamente simples (Landers e Arent. a despeito da aceitação da hipótese influência disfuncional no desempenho. Primeiro. alguns na porção média e outros na extremidade superior (ver Figura 4. técnicos e professores devem ajudar os participantes a identificar e atingir a zona ideal própria. o U invertido levou-nos o mais longe pos. à pessoas já experimentou baixa ativação. Ele concluiu que. para que ocorra o melhor zem o desempenho declinar. sociação negativa com o desempenho para outra.

• Os pesquisadores propõem que há uma desvantagem durante os playoffs. . E nas 26 séries que chegaram a uma final e na decisão do sétimo jogo. o desempenho do time visitante permaneceu razoavelmente constante durante todo o campeonato. os times lutam durante toda a temporada pelos melhores resultados para que possam ter a vantagem de jogar em casa durante a fase de decisão. Além do que. Pesquisadores renomados de dinâmica de grupo. assim. por sua vez. outros resultados de pesquisas indicaram que tal vantagem pode se perder nos jogos eliminatórios e nas decisões. Hausenblas e Eys (2005). concluíram que ainda falta consenso acerca da desvantagem dos jogos em casa em campeonatos. os times da casa ficavam paralisados sob pressão. em comparação com os estádios ao ar livre do beisebol e do futebol americano. Para testar a capacidade de generalização desses resultados. Os times da casa venceram 70% dos quatro primeiros jogos. tal como as vaias aos árbitros ou aos treinadores adversários. O aumento do nível de envolvimento reflete-se no aumento do nível de ruídos e explosões emocionais. em muitos esportes. a equipe da casa venceu 60% dos dois primeiros jogos. que pesquisas sobre atividades não esportivas apoiam a ideia de uma equipe “amarelar” na disputa de um título em consequência da autoconsciência de quem desempenha. Tanto no beisebol quanto no basquetebol. de 1984 a 1994. Observaram. o que é uma característica de atletas altamente qualificados. Foram obtidas estatísticas de jogos para determinar como e os motivos disso.82  Fundamentos da psicologia do esporte e do exercício A vantagem de jogar em casa: mito ou realidade Uma forma de os espectadores influenciarem o desempenho é oferecer apoio e encorajamento ao time da casa. a “vantagem” de jogar em casa passou a ser uma desvantagem à medida que os jogos se tornavam mais críticos e a pressão aumentava. uma análise semelhante foi realizada no basquetebol profissional. qual a conclusão quando se analisa a pesquisa nesta área em geral? Vantagem ou desvantagem do mando de campo? • Durante a temporada normal. pode aumentar a autoconsciência nos atletas. mas bem grande no basquetebol e no hóquei. Atleta A Na zona (melhor (IZOF baixa) desempenho) Fora da zona Atleta B Na zona (melhor Fora da zona Fora da zona (IZOF moderada) desempenho) Atleta C Na zona (melhor Fora da zona desempenho) (IZOF alta) 30 40 50 60 Baixo Alto Nível de estado de ansiedade FIGURA 4. caindo para desanimadores 38% na decisão do sétimo jogo. a porcentagem de vitória do time da casa foi de 46%. Os pesquisadores argumentam que o apoio dos torcedores pode criar expectativas de sucesso. Os times realmente vencem mais em casa do que fora dela? As pesquisas mostram que os times realmente vencem mais em casa e que a vantagem é bastante pequena no futebol americano e no beisebol. mas as evidências que apoiam essa ideia no esporte são mistas. os times da casa venceram consecutivamente 18 sétimos e decisivos jogos dos playoffs da NBA. existe uma clara vantagem do mando de campo tanto para equipes profissionais como amadoras. Entretanto. porém. Baumeister e Steinhilber (1984) descobriram que em séries com pelo menos cinco jogos. Visto que estes dois últimos esportes são praticados em locais fechados. o time da casa teve uma diminuição significativa no desempenho à medida que os jogos se tornavam mais críticos. cometendo mais erros no beisebol e convertendo menos lances livres no basquetebol. parece ter havido uma mudança no sucesso dos times da casa no basquetebol nos últimos anos. em vez de se sentirem motivados pelos torcedores. É possível que treinadores e atletas tenham se tornado mais conscientes de seu comportamento sob pressão em jogos decisivos. O fluxo contínuo de ação no hóquei e no basquetebol também pode facilitar o envolvimento emocional da multidão. o mando de campo pode até mesmo se tornar uma desvantagem. desempenhar um papel na motivação e no estímulo aos jogadores. o time da casa venceu apenas 38% das vezes. o time da casa venceu 15 e perdeu somente três. Carron. Num estudo dos jogos decisivos (playoffs) do beisebol jogados de 1924 a 1982. Na verdade. reduzindo a autoconsciência e deixando a emoção dos torcedores de casa conduzi-los à vitória. fazendo-os pensar demais em vez de simplesmente jogarem e atuarem de forma automática. mas apenas 40% dos dois últimos jogos. De fato.5 Zonas individualizadas de desempenho ideal (IZOF). Entretanto. durante o quinto e o sexto jogos. ao se concentrar exatamente no sétimo jogo das finais da NBA. e isso remonta há quase 100 anos. Basicamente. e. Especificamente. Entretanto. • A vantagem de jogar em casa ocorre tanto para esportes em equipe como para esportes individuais e tanto para atletas do sexo masculino como do feminino. Apesar das evidências em apoio à vantagem de jogar em casa durante a temporada regular. é possível que a proximidade dos torcedores com a ação e o nível de ruído que geram em estádios fechados aumentem o desempenho dos jogadores. Portanto. Portanto. • Atletas que chegam aos playoffs devem ter estratégias bem desenvolvidas para enfrentamento da ansiedade para evitar efeitos negativos na atenção que interferem no desempenho. Isso pode levar equipes a “amarelar” na disputa de um título. o que.

ocorrendo. Assim. se o atleta tá negativamente relacionado com desempenho. a U invertido e que os aumentos da ansiedade facilitam o ansiedade somática) pode ter efeitos marcadamente di- desempenho até um nível ideal. com baixa preocu- prognóstico de que a ansiedade cognitiva sempre acar. o desem. Portanto. Neil e Mellalieu. além do determinado pela interpretação que o praticante de uma qual a ativação adicional provoca um declínio “catastró- atividade dá à ansiedade e não apenas pela quantidade fico”. 2006). nas quando o atleta não está preocupado ou tem um leve A teoria da ansiedade multidimensional prevê estado de ansiedade cognitivo (ver Figura 4. quanto a previsões de desempenho. o desempenho como um todo não é tão ele- lidade na orientação da prática. Embora alguns estudos intensidade da ansiedade cognitiva que a pessoa estiver tenham demonstrado que esses dois componentes da an. o aumento da ativa- cognitiva (e da somática) no desempenho parece estar ção melhora o desempenho até um limiar ideal.6b mostra que. tanto. 2008). Mas essa teoria prevê que o ponto do nível ideal de ativação. por exemplo. estiver preocupado). a ativação fisiológica (isto é. se a ansiedade cognitiva for alta (isto é. estresse e ansiedade 83 ferentemente os participantes. ferentes sobre o desempenho.6 Previsões da teoria da catástrofe: (a) relação ativação-desempenho sob baixo estado de ansiedade cognitivo. trófica de desempenho (Hanton. Seu coração acelerado ou trofe prevê que a ativação fisiológica está relacionada descompassado e sua mente reiterando previsões nega. Entre- que o estado de ansiedade cognitivo (preocupação) es. . não receberam apoio consistente (Arent e Landers. Hanton e pótese do U invertido. Ativação. 1992). a ções de baixa preocupação. em segui- o estado de ansiedade somático (que se manifesta fisio. 2002. aumentos do estado de ansiedade cognitivo levam à ponto alcançarão um tipo de limiar imediatamente após diminuição no desempenho. pação. Conforme estão relacionados com desempenho na forma de um U antes observado neste capítulo. Fletcher. penho depende da interação complexa entre ativação e A Figura 4. no desempenho. Com grande preocupação. após o qual mais ansie. e a recuperação leva mais tempo. dependendo do tanto de dade faz o desempenho declinar. os aumentos na ativação ou na ansiedade somática reta um efeito prejudicial no desempenho. os aumentos na ativação em algum ja. O modelo da catás. da. De acordo com seu modelo. Mellalieu. Ou se. Entretanto. (b) relação ativação-desempenho sob alto estado de ansiedade cognitivo. Greenleaf e Krane. ao desempenho na forma de um U invertido. um rápido declínio no desempenho – a “catástrofe” logicamente) está relacionado ao desempenho em um (Figura 4. 2003. uma vez que a hiperativação e a catástrofe tenham previsões exatas da teoria da ansiedade multidimensional ocorrido. à medida que a ativação fisiológica Alto Alto Baixa ansiedade cognitiva (preocupação) Alta ansiedade cognitiva (preocupação) Desempenho Desempenho a b Baixo Baixo Baixa Alta Baixa Alta a Ativação fisiológica b Ativação fisiológica FIGURA 4. 1996). vado quanto na situação de alta preocupação. sob condições de alta an- ansiedade cognitiva (1990. Uma razão para essa falta de apoio é o O modelo da catástrofe prevê que. a ativação está relacionada teoria multidimensional da ansiedade tem pouco apoio ao desempenho na forma tradicional de um U invertido. experimentando. Em situa­ ou o tipo de ansiedade (Jones e Swain. mas ape- tivas. o desempenho deteriora-se significativamente. Além disso. em meio a tantas preocupa- siedade podem prever diferentemente o desempenho. sendo de pouca uti. sob condições de muita preocupação. siedade cognitiva. podem afetá-lo de formas distintas. as ções.6a). altos níveis de Fenômeno da catástrofe autoconfiança permitem que os praticantes de uma ati- vidade tolerem níveis mais elevados de ativação antes A visão de catástrofe de Hardy trata de outra peça do de atingirem o ponto em que sofrem uma queda catas- quebra-cabeça. o efeito da ansiedade invertido. ou rápido e dramático. Isso é diferente do declínio uniforme previsto pela hi- Gould.6b). Concluin- do.

Direção e intensidade da ansiedade vo (isto é. 1994) demonstraram que a in- da catástrofe. que um nível penho (facilitadores) como negativos e prejudiciais para de ativação fisiológica ideal não é suficiente para um o desempenho (debilitantes). o atleta chega a um que. 1995. daí compreender-se a dificuldade de anteriores da relação ativação-desempenho. como debilitante leva a um desempenho insatisfatório. Embora haja algum apoio científico para o modelo Jones. a maioria dos pesquisadores acre- vantagem sobre os outros competidores). Para entender totalmente a desempenho excelente. Acredita-se corridas na final do campeonato de atletismo. esporte Graham Jones e colaboradores (Jones. dade é importante para entender a relação ansiedade- as evidências são inconclusivas (Mellalieu. interpretando-a como ne- curva). na realidade. Isso mostra que ansiedade cognitiva ou preocupação não é neces. Entretanto.6 mostra que o nível de de. pode-se extrair dele uma im. enquanto Joe a consideraria enfadonha. diminuir enormemente sua ativação fisiológica antes de São duas as principais contribuições da teoria da ser capaz de recuperar os níveis de desempenho anterio. tais como seu traço de ansieda- . inversão para que entendamos a relação ativação-de- res. O modelo da catástrofe prevê. O nível que os atletas sejam ensinados a fazer mudanças rápi.84  Fundamentos da psicologia do esporte e do exercício aumenta. o desempenho também aumenta. segundo. até que um Um atleta pode perceber a ativação como positiva em nível ideal seja alcançado (marcado como parte a na um minuto e então invertê-la. realidade. (b) reestruturar-se cog. apenas a quantidade de ativação que ela sente – é signi- nitivamente. Essa não é sa teoria oferece uma alternativa interessante às visões uma tarefa fácil. Es- te alcançar o nível ideal de funcionamento. a Figura 4. sempenho absoluto de um atleta é. desde que seu nível de ativação fisiológica não seja excessi. Uma vez naquela parte da curva. um pouco de tensão aumenta o empenho do atleta e concentra a atenção. enquanto mo a ansiedade facilitadora e a ansiedade debilitante Jan poderia interpretá-la como uma ansiedade desagra. As pessoas podem entender os sintomas ­Fletcher. terpreta o seu nível de ativação. até o momento. de estresse que uma corredora experimentará depende das – “inversões” – em suas interpretações de ativação. Hanton e Swain. para um melhor desempenho. Jones e colaboradores A aplicação de Kerr da teoria da inversão (1985. Primeiro. negativas da ativação de um momento para outro. Na seu desempenho. a teoria da inversão enfatiza que a queda catastrófica no desempenho. ra leva a um desempenho superior. depois daquele ponto. 2001b) e.7). de ansiedade tanto como positivos e úteis para o desem- portante mensagem para a prática. interpretação dada pela pessoa para a ativação – e não laxar por completo fisicamente. do que não se podem tirar conclusões sólidas sobre as Finalmente. atividade interpreta a ativação pode influenciar o sariamente ruim ou prejudicial para o desempenho. Hanton e -desempenho. de fatores individuais. Woodman e Hardy. Especificamente. mais alto sob condições de alta ansiedade cognitiva do que PONTO-CHAVE  A forma como o praticante de uma sob condições de baixa ansiedade cognitiva. assim. surge dável. Joe poderia interpretar Jones (1995) também desenvolveu um modelo de co- a alta ativação como uma excitação agradável. é difícil testá-lo cientificamente (Hardy. ditou que a ansiedade tinha apenas efeitos negativos nho deteriora-se apenas sob as condições combinadas sobre o desempenho. ocorre uma gativa no minuto seguinte. uma recuperação rápida após uma redução catastrófica poucas pessoas testaram as previsões da teoria. esse modelo prevê que você terá um melhor desempenho com alguma dose de preocupação. após uma sempenho. Contudo. previsões científicas. tal como participar das to. é preciso também administrar ou relação ansiedade-desempenho é preciso examinar tan- controlar o estado de ansiedade cognitivo (preocupação). terpretar suas ativações como uma excitação agradável va). A teoria da inversão prevê queda catastrófica no desempenho. 2006). que. to a intensidade da ansiedade da pessoa (o quanto ela está ansiosa) quanto a direção dessa ansiedade (sua in- terpretação dessa ansiedade como sendo facilitadora ou Teoria da inversão debilitante para o desempenho). o atleta precisará e não como uma ansiedade desagradável. algum estressor no ambiente. Ela poderia ver a baixa ativação como relaxamen. a teoria afirma que o praticante po- e recuperando a confiança e o controle e (c) reativar-se de mudar ou inverter suas interpretações positivas ou ou estimular-se de maneira controlada para novamen. os atletas devem in- nível de desempenho baixo (marcado como b na cur. 1997) sustentaram que perceber a ansiedade como facilitado- argumenta que a forma como a ativação afeta o desem. O desempe. dando ao indivíduo uma Durante muitos anos. de mo- no desempenho. controlando ou eliminando preocupações ficativa. se manifestam (ver Figura 4. o psicólogo inglês do de alta preocupação e alta ativação fisiológica. ou seja. enquanto percebê-la penho depende basicamente de como um indivíduo in. o atleta deve (a) re. terpretação dada pelo indivíduo aos sintomas de ansie- 1996. Entretanto. Contudo.

1995. Wadley e Hanton. ex. se ela achar que não relação a suas experiências durante a competição (Han- conseguirá correr em um tempo competitivo e que não ton. culpa. Se a corredora se sente no controle (p. pesquisadores (Hanton e outras emoções positivas (como excitação. a emoção positiva de excitação pode reforçar o Swain e Hardy. a percepção de controle do atleta com nicas de relaxamento (ver o Capítulo 12) para reduzir relação a controle e alcance de objetivos é crucial para a intensidade da ansiedade pode nem sempre ser ade- determinar se o estado de ansiedade será visto como fa. © The British Psychological Society. Adaptada. Entretanto. Embora esses resultados sugiram que o uso de téc- tante. Enquanto a maioria dos estudos anterio- de elite relataram que consideraram tanto a ansiedade res mediu apenas o construto de ansiedade. então o resultado será uma senvolvimento de um processo racional de avaliação em ansiedade facilitadora. ocorrerá ansiedade debili. da British Psychological Society. expectativas positivas de: isto é.. indivíduos que desempenham no be. os atletas têm que aprender um repertório de cilitador ou debilitante. mentalização e diálogo in- debilitante depende de quanto controle a atleta perce. orgulho) com a ansiedade e outras emoções que nadadores de elite conseguiam consistentemen. ex. habilidades psicológicas que os ajudem a interpretar os Os psicólogos do esporte já encontraram algum apoio sintomas de ansiedade como facilitadores. 2009). tação da ansiedade como facilitadora pode nem sempre nhos na trave foram associados à interpretação dos gi. . sintomas de ansiedade de forma produtiva e para o de- minado tempo na corrida). segundo nastas da ansiedade cognitiva como facilitadora (Jones. expectativas negativas de: • capacidade de enfrentar • capacidade de enfrentar • realização do objetivo • realização do objetivo Sintomas Sintomas interpretados interpretados como como facilitadores debilitantes FIGURA 4. Adaptada de G. Basicamente. que po. De modo semelhante. “More than just a game: Research developments and issues in competitive anxiety in sport. nadadores desempenho. 1993).. estresse e ansiedade 85 Estressor Diferenças individuais Estressor Diferenças individuais (p. esses pes- cognitiva como a ansiedade somática mais facilitadoras quisadores mediram a ansiedade e a excitação em seu e menos debilitantes do que os nadadores médios (Jones trabalho. felicidade.” British Journal of Psychology 86: 449-478. eles. na verdade. autoestima) Controle Sim Não isto é. 2008) descobriram esperança. Além disso. Ativação. negativas (como vergonha. 1992). poderá lidar com a pressão. b. Thomas e Mellalieu. se o estado de em especial pelo uso de habilidades psicológicas como ansiedade resultante será percebido como facilitador ou estabelecimento de metas. para essa associação entre como a ansiedade é percebida Nicholls e colaboradores (2012) sugerem que a interpre- e o nível de desempenho. tristeza. Estudos futuros devem levantar dados sobre e Swain. terior. Por exemplo: bons desempe. Além disso. traço de ansiedade. Mais importante.7 Modelo de Jones de ansiedade facilitadora e debilitante. Jones. Jones. reforçar o desempenho por si só. Portanto. raiva) para te manter uma interpretação facilitadora da ansiedade. com permissão. de ou sua autoestima. 1999a. esporte podem ser treinados para um uso eficaz de seus de lidar com a ansiedade e que é possível fazer deter. determinar qual a que mais influencia o desempenho. quado.

Jones e Gould. Dois atletas que participam do mesmo evento podem não ter o mesmo nível ideal de ativação. Assim. Resumindo. expectativas. Os atletas apresentam sintomas de ansiedade (em espe. o ideal é reconhecer com que para uma revisão). Um nível ideal de ativação e de emoções leva ao pico a ansiedade como facilitadora tinham frequências mais do desempenho. Neil e Mellalieu. Mellalieu. dependendo. em outra pesquisa os mesmos (derrota psicológica). ansiedade que possa ser debilitante ajuda os técnicos a tipo de esporte e desempenho. a forma como um atleta interpreta a dire. 2011). De uma resposta direcional (ver Hanton. fazendo uso combi. em grande parte. 1996. De cológica) em oposição a uma consideração negativa forma mais específica. Além disso. As teorias de zonas de desempenho ideal (IZOF). ram quando ele é o escolhido para bater os pênaltis. Saber a frequência e em que situações um jogador tem tiva. Portan- dos de confiança. vamos resumir o que elas nos ensinam para a prática. bem como níveis eleva. Hanton a autoconfiança e as percepções aumentadas do con- e Maynard (2007) demonstraram que a frequência dos trole são fundamentais para se considerar positiva a sintomas cognitivos e somáticos de ansiedade aumen. apenas sua intensidade. não há falta de concepções de ativação- uma perspectiva facilitadora. Hanton e Fletcher. Por exemplo: um jogador de futebol pode ra- sexo. Devem ainda fazer o possível para auxiliar os atletas essas combinações ideais de emoções relacionadas a desenvolverem percepções de controle pelo fortaleci. Importância das concepções dade como mais facilitadores e relatam níveis mais altos de ativação-desempenho de autoconfiança que os colegas que não são de elite. ansie- nado de habilidades psicológicas como diálogo interior. perspectiva de treinador. à ativação são muito individuais e específicas à ta- mento da confiança e treino de habilidades psicológicas. determinação. estratégias de enfrentamento e habilidades psico. 2006. a frequência foi vel de ativação ideal para um levantador de pesos. Woodman e Hardy. Thomas. embora eles ocor- lógicas. Mellalieu. terpretação da ansiedade incluem experiência competi. Nessas linhas. pela racionalização dos pensamentos to. efeito no desempenho. Neil intensidade oferecem várias diretrizes (Hanton. em excitação fisiológica e a interpretação dada pelo cas que lhes possibilitem interpretar a ansiedade como atleta a essa excitação (p. esportistas de elite interpretam seus sintomas de ansie. As variáveis situacionais que influenciam a in. 2008. emoções para um melhor desempenho. dade multidimensional. refa.86  Fundamentos da psicologia do esporte e do exercício Ainda importante de ser observado é que uma gama comparação com atletas que viam a ansiedade como de- de variáveis pessoais e situacionais pode influenciar a bilitante (Thomas. ramente ter sintomas de ansiedade. autoconfiança. catástrofe. Neil e e Mellalieu. 1. inversão e direção e mentalização e estabelecimento de metas (Hanton. estado de ansiedade. frequên­cia um atleta tem sintomas de ansiedade e não cluem traço de ansiedade. facilitação da ativação aumentada (preparação psi- tavam à medida que a competição se aproximava. facilitadora. Além disso. lógica e pensamentos relacionados à ativação (preo­ confiança durante o período anterior à competição na cupação) não são necessariamente a mesma coisa! . ansiedade facilitadora). pesquisadores descobriram que atletas que encaravam 3.. de componente importante da reação de ansiedade e de seu como a pessoa interpreta as mudanças. bem como a maneira de inter- vação para a realização. 2004). do. extroversão. -desempenho – há tantas que é fácil se confundir. De modo específico. 2001b): ção da ansiedade (como facilitadora ou debilitante) tem efeito importante na relação entre ansiedade e desempe. mas níveis ideais de ativação fisio- baixas de ansiedade cognitiva e mais elevadas de auto. Maynard e Hanton. Ativação é um fenômeno multifacetado que consiste nho. 2011. cabe aos técnicos tentar ajudar os confiança. moti. Hardy. Há estudos revelando que esses atletas de elite mantêm Certamente. os participantes a encontrarem a mistura ideal dessas dade como condições mais de excitação do que de me. Devemos ajudar atletas a encararem o aumento da excitação e da ansie. Os atletas podem aprender habilidades psicológi. Parece intuitivo que a frequência com que os mente um efeito negativo sobre o desempenho. alvo de pouca atenção na literatura da psicologia do 2. ex. efeitos podem ser positivos e facilitadores ou nega- cial os interpretados como debilitantes) represente um tivos e debilitantes. Alguns desses fatores pessoais in. neurose. e o nível ideal de ativação de uma pessoa para realizar Frequência da ansiedade exercícios nas barras seria bastante diferente do ní- Comparada à direção da ansiedade. alcance de metas. A variável de diferença escolherem determinados jogadores para atuarem em individual que de forma mais consistente determinou certas situações. nível de habilidade. Ativação e estado de ansiedade não têm necessaria- esporte. pretá-los. e sentimentos antes de competirem. se a ansiedade foi interpretada como facilitadora ou de- bilitante foi o nível de habilidade.

Entretanto. Alguns estudantes universitários. 1976). Comen- estabelecimento de metas bem praticadas para lidar tários como esses são naturais: aumentos na ativação e com a ansiedade. Há pelo menos duas explicações para o modo como enquanto outras conseguem seu melhor desempenho o aumento da ativação influencia o desempenho esporti- com níveis mais elevados. A ativação excessiva provavelmente não Tensão muscular. de ansiedade e melhorar seu desempenho. Atletas devem ter habilidades de diálogo interior e tações” ou “estou tenso” em situações críticas. com Por que a ativação influencia o desempenho alto traço de ansiedade e alguns com traço de ansiedade mais baixo foram rigorosamente observados enquanto Entender por que a ativação afeta o desempenho pode arremessavam bolas de tênis em um alvo. Estratégias de preparação psicológica devem ser Muitas pessoas que experimentam um estresse intenso utilizadas com cautela. tanto em si mesmo como nos ou. muscular e podem interferir na coordenação. Além disso. eletrencefalogramas (EEGs). vo: (a) aumento da tensão muscular. fadiga e dificuldade 5. Algumas pessoas atuam melhor com ativa. “meu corpo parece não seguir as orien- 7. Um nível ideal de ativação parece estar relaciona. siológica e os pensamentos relacionados à ativação estratégias de controle do pensamento poderiam fun- parece mais importante que os níveis absolutos de cionar melhor para Shane. dificuldades de coordenação 6. Como se po- ajudá-lo a regulá-la. mas é questionável que concentração e exploração visual. estresse e ansiedade 87 4. a sentir tensão que os com traço de ansiedade mais baixo (Weinberg e muscular aumentada. e sim “catástrofes” difíceis de reverter. níveis elevados de estado de ansiedade podem dizer “não nho catastrófico. ção ideal e estado de ansiedade relativamente baixos. outra golfista. . que necessita cada um. Tanto a teoria da catástrofe quanto a da inversão su. Hunt. fadiga e causa declínios lentos e graduais no desempenho. de coordenação e (b) mudanças nos padrões de atenção. uma golfista. © Picture Alliance/Photoshot Níveis ideais de ativação e ansiedade levam a um pico no desempenho. do a desempenho máximo. se ativação elevada e alto estado de to tiveram consideravelmente mais estado de ansiedade ansiedade levassem Nicole. Os atletas com atleta se recupere após experimentar um desempe. mento muscular progressivo poderia reduzir seu estado gerem que a interação entre os níveis de ativação fi. os alunos com traço de ansiedade mais al- tros. controlar seu excessivo estado de ansiedade cognitivo. a utilização de técnicas de relaxa. Devem também encarar os objetivos no estado de ansiedade provocam aumentos na tensão de desempenho como verdadeiramente alcançáveis. deria esperar. esse nível ocorra no ponto médio do continuum de ativação. Ativação. me sinto bem”. por exemplo. porque é muito difícil que o relatam sofrimento e dores musculares. Por exemplo.

Portanto. Do mesmo modo. quando experimenta níveis excessivos de ativação e ansiedade. . Williams e Elliott.. mas se estiver subati- vado (Figura 4. moderada (ideal) Se ficar preocupado com Tim. Os atle- sempenhos inferiores de alunos e atletas. Cada indivíduo tem um estilo de atenção do- minante. Por. Holsheimer e Bakker.88  Fundamentos da psicologia do esporte e do exercício que monitoraram a atividade elétrica nos músculos dos Quando a ativação é grande. 2003). esses estudos mostram que. Wilson. em um estudo com ansiedade. seu foco de atenção poderá ser muito amplo. jogadores adversários) quanto irrelevantes (co- mo os espectadores). Joe pode manter seu foco de atenção ideal (ver Figura 4. Campo de atenção ideal – ativação ideal. oportunidades (Pijpers. inadequados. reali- fluenciam o desempenho esportivo por meio de mudan- ça nos padrões de atenção. quando observa os jogadores da fadiga e pode interferir na coordenação. O aumento da ativação pode fazer com que as pessoas alternem para um estilo de atenção dominante Alterações de atenção. 1985). por exemplo. um PONTO-CHAVE  O aumento da ativação e do estado quarterback no futebol americano precisa alternar entre de ansiedade causa aumento da tensão muscular e um foco externo amplo. Por exemplo: Joe é goleiro de hóquei no gelo e precisa manter um foco de atenção amplo.8 Estreitamento da atenção sob condições de alta que requerem um foco externo amplo. Campo de atenção muito estreito – mentada causa um estreitamento do campo de atenção.8c). bém a esquadrinhar o ambiente de jogo menos fre- siedade fizera com que indivíduos altamente ansiosos quentemente. Primeiro. a ativação au. os atletas tendem tam- estudantes. 1976a). potenciais de pontuação não são percebidas. da fadiga e as mudanças nos níveis de atenção e concentração porque dificuldades de coordenação contribuíram para os de. e ele é incapaz de observar baixa ativação todo o contexto da jogada (ver Figura 4. afetam o estilo de atenção (Nideffer. o aumento da tensão muscular. mostraram que o aumento do estado de an. Sob condições normais. livres no campo. nho de Tony deteriora-se quando ele esquadrinha o am- lar e aumento das concentrações sanguíneas de lactato biente com menos frequência e. ao fazer um passe. Por exemplo. Entretanto. Oudejans. 1999. tas devem aprender a alternar sua atenção para indícios adequados à tarefa (ver Capítulo 16). para um foco externo estreito. durante o mente a posição corporal total do adversário em busca desempenho da condição de altitude de alta ansiedade. portanto. que pode ser inadequado para a habilidade em questão.8a). A maioria dos atletas. seu foco de b. concentração e exploração visual (Janelle. Campo de atenção muito amplo – atenção se estreita demais. 2002. ex. concentração e exploração visual Ativação e o estado de ansiedade aumentados tam- bém podem levar o atleta a prestar atenção em indícios Ativação e estado de ansiedade aumentados também in. concentrando-se em informações tanto relevantes (p. de outras oportunidades possíveis. Wang e Courtet. Um atleta que passou por graves problemas de ansiedade fez a se- guinte observação: “Quando a pressão é muita. com grande possibilidade marcar um gol. alta ativação que influencia negativamente o desempenho em tarefas FIGURA 4. que está com o disco. é como se eu estivesse olhando através do tubo de um rolo de papel higiênico”. mas a. c. enquanto três adversários penetram em sua área. Fica preocupado em executar um movimen- escaladores novatos que percorreram uma rota idêntica to sobre o adversário e não examina visual ou cinetica- sob condições de altitude alta versus baixa. e não prestar atenção nos outros jogadores na periferia. tanto. o desempe- os participantes experimentaram maior fadiga muscu. sob condições de alto A ativação e o estado de ansiedade também causam estresse. 2010).8b). Em termos psicológicos. durante e após greco-romana que experimenta alto nível de ativação e os arremessos. ativação. Tim simplesmente passará o disco para um companhei- ro dentro da área. o aumento da ativação causa um estrei- tamento do campo de atenção da pessoa (Landers. Por exemplo: Tony é um lutador de luta usassem mais energia muscular antes.

perturbando Uma das formas mais eficazes de ajudar as pessoas a a atenção visual dos arremessadores. 2007). der a ajustar seu termostato a essa temperatura. porém. a complexidade da forma como a an. Wilson. te autoconscientes (Beilock e Gray. ficar muito elevada. então.) Isso mostra que a ansiedade influencia o desempenho. Inconscientes de seus níveis de processamento) que ocorre com o aumento da ansieda- concentração. afeta a concentração ideal. mas as deficiências de atenção sobrepujarão indivíduos enfoquem indícios inadequados. quaisquer aumentos de empenho quando a ansiedade do-se com a preocupação” e tornando-se excessivamen. reconhecer como os fatores pessoais e situacionais a atenção por meio de mudanças do padrão de explo- interagem para influenciar a ativação. Woodman e Hardy. em aumento do desempenho em razão de aumentos no tado de ansiedade cognitivo excessivo faz com que os empenho. O objetivo do atleta é identificar a temperatura uma vez que o atleta compensa as deficiências causa. os benefícios do (esquentando) ou baixando (esfriando) sua tempera- do aumento do empenho costumam ser ultrapassados tura emocional. Janelle (2002) também demonstrou que o desempenho. 2010. relacionadas à ativação (Fixações de maior tempo são melhores. Conforme esperado. o es. por sua O que todos esses estudos mostram. resultar “zona de fluência” (ver Capítulo 16). quanto a técnicas específicas). gadores desempenharam sob condições de ameaça alta 5. “preocupan. estresse e ansiedade considerando suas implicações para a prática profissional. Todavia. estresse e ansiedade 89 za habilidades bem aprendidas quando estão totalmente pela redução da capacidade de atenção (ineficiência de concentrados na tarefa. inicialmente. e a eficácia de seu olhar (a fixa- exercícios para ajudá-lo a lidar com estresse e an- ção visual final no alvo antes do movimento físico) foi siedade aumentados. atuam no piloto automático ou em uma de. desenvolver confiança no atleta ou praticante de ou baixa de avaliação. treinar a atingirem o desempenho máximo é aumentar sua cons- imobilidade do olhar parece aumentar o desempenho ciência de como as emoções relacionadas à ativação (Wilson. demonstraram que o aumento da ansiedade influencia 2. 2013. reconhecer os sinais de ativação e de ansiedade au- nas tendências de varredura visual e nas fixações dos mentadas em praticantes de esporte e exercícios. a ansiedade pode. Infelizmente. preocupações quanto ao desempenho. a ansiedade aumentada está associada com alterações 3. identificar a combinação ideal de emoções relacio- quando os praticantes estão ansiosos. ou seja. isso não influencia negativamente o desempenho. Um estudo de Rethschiag e ­Memmert . Além disso. à prática profissional treitam o campo de atenção. 2010). Hatzigeor. en- siedade influencia o desempenho no esporte reflete-se sinar aos atletas várias estratégias psicológicas (como na teoria do processamento da eficiência (Hill. podem levar a desempenhos máximos (ver Capítulo 12 Finalmente. Vine e Wood (2009) fizeram um estudo 4. Wilson. diminuem o rastreamen- to do ambiente e provocam um desvio para o estilo Você pode integrar seu conhecimento sobre ativação. a ansiedade e ração visual. A curto e nas habilidades de regulação da ativação como um ter- prazo. de atenção dominante e para indícios inadequados. Ao estudar prati- nadas à ativação necessárias para o melhor desem- cantes de caratê. é que a vez. Uma vez feito isso. relação entre ansiedade aumentada e atenção ou controle giadis e Biddle (2001) demonstraram que três tipos de do pensamento é um mecanismo central para explicar a pensamentos estão ligados à interferência cognitiva dos relação entre ativação e desempenho. 2001b). Portanto. Porter e usar a mentalização e desenvolver rotinas pré-desem- Quilliam. Aplicando conhecimento PONTO-CHAVE  A ativação e o estado de ansiedade es. usando o lance livre do basquete. atletas. adaptar as práticas de treinamento e de instrução aos interessante. Isso. os participantes em con- dição de estresse elevado arremessaram menos bem e apresentaram uma redução significativa no período de Identifique emoções ideais “olhar imóvel” imediatamente anterior ao arremesso. penho) pode ajudá-los a regular a ativação. pensamentos irrelevantes à situação e ideias de fuga. Essa teoria defende que ansiedade aumentada Pense na ativação como uma temperatura emocional interfere na utilização dos recursos mnemônicos. emocional ideal para seu melhor desempenho e apren- das pela ansiedade aumentando seu empenho. Williams e Elliott (1999) penho. por exemplo. Confor. olhos. 2008. Ativação. Cinco das mais importantes Há pesquisas que também mostram que os indícios diretrizes são: visuais são identificados e processados diferentemente 1. Os jo- indivíduos. avaliada. elevan- me a ansiedade vai aumentando. mostato.

estado de ansiedade e desempenho do que cada siedade considerando a interação de fatores pessoais e conjunto isolado desses fatores. uma competidora com baixo vel de estado e de traço de ansiedade de seus atletas. por exemplo. pode-se esperar que um nadador com alto traço de siedade – o que não é fácil. descobriu que os atletas são ca. ao estado ansioso e ativação. Por exemplo. de ansiedade de um indivíduo. permanecem baixos. situacionais (Figura 4. ção no desempenho. . PONTO-CHAVE  Para detectar corretamente o nível to tem considerável importância e o resultado é bastan. porque alcan. ansiedade percebe a situação como até mais importante Fatores Fatores pessoais situacionais • Traço de ansiedade Interação • Importância • Autoestima indivíduo-situação • Incerteza • Ansiedade física social Estado de ansiedade ou ativação FIGURA 4. por exemplo. muitas pessoas pressupõem erroneamente que um atleta com um traço de baixa ansiedade sempre será o melhor.9). Parece provável um entre quatro técnicos de cross-country em univer- que o atleta chegue perto de seu nível ideal de ativação sidades norte-americanas detectava com precisão o ní- e ansiedade. Técnicos. ansiedade física social e traço de ansiedade) e fatores situacionais (como importância Assim como acontece com outros comportamentos. uma vez que a nadadora tende a perceber a competição e a avaliação social como menos ameaçadoras. porque não se sente ameaçada. podem levar a aumento do desempenho. mas. Mas esse não é o caso. Ao contrário. Em contrapartida. seu nível de ativação e seu estado de ansiedade -se muito para saber sobre seus atletas. Os traço de ansiedade pode não perceber a situação como que conseguiam detectar corretamente esses níveis não muito importante. pressupõe-se que e o estado de ansiedade o atleta com traço de alta ansiedade consistentemente A abordagem interacional tem diversas implicações para fique travado. esses mesmos nadadores reagem de maneira os vários sinais e sintomas de aumento do estresse bastante diferente. Identifique os sinais de ativação çará o nível ideal de ansiedade e excitação necessários para a competição. porque maus prognosticadores do nível de ansiedade de seus está predisposto a perceber a maioria das situações com- atletas. e incerteza do evento) é melhor prognosticador de ati- você pode entender e prever melhor o estresse e a an- vação. seu es- tado de ansiedade e sua ativação provavelmente esta- Reconheça a interação de fatores rão em uma variação ideal. Hanson e Gould (1988) verificaram que apenas petitivas como um pouco ameaçadoras. ao contrário. ajudar os praticantes de esporte e exercícios a contro- Quando a importância dada ao desempenho não é lar o estresse. e ela tem dificuldade de atingir um desempenho ideal. são ansiedade tenha ativação e ansiedade elevadas. Importante entre elas é a necessidade de excessiva e existe alguma certeza com relação ao resul- identificar as pessoas com altos níveis de estresse e an- tado. Aquele atleta com elevado traço de e da ansiedade. é preciso conhecer te incerto. como raiva de ativação e estado ansioso: excede seu nível ideal de e alegria. esforçavam- tanto.90  Fundamentos da psicologia do esporte e do exercício (2013).9 Modelo interacional de ansiedade. do que realmente é e responde com níveis muito altos pazes de induzir emoções e que algumas. A interação de fatores pes- pessoais e situacionais soais (como autoestima. Em uma situação de grande pressão. em que o even. O atleta com baixo traço de passo que tristeza e ansiedade podem levar a uma redu. Por- viam nisso uma tarefa fácil. ansiedade também tem aumento no estado ansioso.

berrando e gritando durante todo o treinamen- to. aumentar a confiança são criar um ambiente positivo e com o nível de experiência deles). esses mesmos técnicos dizem Você deve individualizar as práticas de ensino. A ativação e a ansiedade • Necessidade frequente de urinar desse indivíduo provavelmente seriam elevadas. satisfazer às demandas da situação. um atleta com traço de an- • Diálogo interior negativo siedade muito baixo e autoestima alta pode necessitar • Olhar aturdido de uma conversa animadora antes da atuação em um • Tensão muscular aumentada ambiente não ameaçador a fim de aumentar a ativação. Duas estratégias importantes para de vista deles (ou seja. Isso le- . exercí. ainda outras vezes. Alguns técnicos. Então. O segredo é observar mudanças nessas Desenvolva a confiança dos indivíduos variáveis entre ambientes de alto e baixo estresse (co- Um dos métodos mais eficazes para ajudar as pessoas a mo. Entretanto. o quanto estão confiantes nas capacidades de seus atle- cio e treinamento. experimentam sentindo é perguntar-lhes! Encoraje seus atletas/alunos menos ansiedade. man- • Doenças constantes tidos. enfatizam os erros que os jogadores co- treinamento aos indivíduos metem. Adapte estratégias de por exemplo. variados de estresse e ansiedade e perceber melhor os Uma fonte importante de estresse é a incerteza. O professor ou técnico deve va para facilitar a confiança é criar um ambiente positi- reconhecer quando e em quem a ativação e a ansiedade vo de prática. a ativação e o estado de • Boca seca ansiedade precisam ser reduzidos. tando a importância da situação e do bom desempenho. elas tendem a falarem livremente sobre seus sentimentos com você. Use a empatia. • Dificuldade para dormir • Incapacidade de concentração Instrutores que têm alunos ou clientes com alta ansie- • Consistência de melhor desempenho em situações dade física social devem encorajar essas pessoas a ves- que não sejam competitivas tirem roupas que cubram o corpo. que níveis de ansiedade das pessoas. mantidos. os níveis de ativação e de tas. e. Contudo. Dessa forma. Quando os in- a execução da tarefa. após receberem tanto feedback negativo ansiedade têm de ser reduzidos. salien. reduzidas ou mantidas. • Estômago “embrulhado” • Indisposição • Dor de cabeça PONTO-CHAVE  Às vezes. Uma abordagem produti- a estratégias específicas). Além disso. Uma conversa animadora. que acreditam em sua capacidade de de- te desconsiderada) de entender o que as pessoas estão sempenho e de enfrentamento do estresse. Promova uma orientação positiva e produtiva para fatizar a importância da situação. ainda outras vezes. facilitados. muitas vezes. outras vezes. ainda mais agitados e ansiosos. no dia do jogo. os atletas podem não acreditar no que e. Pessoas alta- Uma das melhores maneiras (embora frequentemen- mente confiantes. quando os atletas encontrarem ambientes Por exemplo. e sim a preparação para os erros e até mesmo para as derrotas. se um aluno ou atleta com alto traço de estressantes. divíduos cometem erros. pessoas com alto nível de ansiedade costumam exibir vários destes sinais. costumam ficar frustrados e. Isso lhe permitirá as- infundir uma orientação positiva para erros e derrotas (ver sociar padrões comportamentais específicos com níveis Capítulo 14 para outras excelentes estratégias). Uma pessoa com sinais e sintomas de aumento do estresse e da ansiedade: níveis moderados de traço de ansiedade e autoestima pode se sentir melhor se deixada sozinha nessa mesma • Mãos frias e úmidas situação altamente avaliadora. quando a têm. mas • Sudorese profusa não excessivas. volver confiança e a percepção de controle. a interpretar essa ansiedade aumentada como facilitadora. estresse e ansiedade 91 Você pode detectar com maior acerto os níveis de apenas acrescentaria estresse e aumentaria a ativação e ansiedade de uma pessoa quando familiarizado com os a ansiedade para além do nível ideal. outras vezes. como se sentiria no lugar deles. precisam ser aumentadas. facilitados (ver Capítulo 12 quanto o técnico diz no dia do jogo. costuma ocorrer quando atletas ou alunos enfrentam ambientes negativos em suas práticas. por exemplo. Às vezes. Ofereça estímulos frequentes e sinceros. Ativação. tentando ver as coisas segundo o ponto em vez de debilitante. terão confiança em suas capacidades de ansiedade e baixa autoestima precisar atuar em um am. de sintomas caracterize alto nível de estresse. no treinamento. quando um atleta normalmente po- controlarem o estresse e a ansiedade é ajudá-las a desen- sitivo se torna negativo). biente altamente avaliador. Eles podem também minimizar a avaliação social do físico criando situações Embora nenhuma quantidade ou padrão específico que impeçam que estranhos observem as atividades. o melhor a fazer será não en.

mas ficar aborrecido apenas transforma da tensão muscular. E útil ensinar as pessoas a verem os erros sob tente obter pelo menos um sucesso parcial. somáticos. Identifique as principais fontes de ansiedade e estresse. ativação e ansiedade têm significados distintos. Tal como o famoso técnico cendo calmo e aprendendo com o erro: use-o como de basquetebol da UCLA. Criar um ambiente positivo e uma orientação pro- dutiva em relação a erros e derrotas é uma forma efetiva de controlar o estresse. varian- do num continuum de sono profundo a uma intensa excitação. e a relação entre ativação e desempenho depende do nível de ansiedade cognitiva (preocupação) que a pessoa demonstra. O estresse também é influenciado por disposições de personalidade (p. as seguintes cinco diretrizes para controle do estresse devem ser seguidas: (a) identificar a combinação ideal de emoções relacionadas à ativação necessária para o melhor desempenho. Estresse. Uma receita ideal de emo- ções está relacionada ao desempenho máximo e. mas como um caminho para o suces. induzindo mudanças na atenção e na concentração e aumentando a tensão muscular. o re- sultado é um mau desempenho. (d) adaptar as práticas de treino e instrução aos indivíduos. Tem componentes cognitivos. Compare e diferencie formas de regular ativação. Essa combinação ideal de emoções necessárias para o desempenho má- ximo não ocorre necessariamente no ponto médio do continuum de ativação-ansiedade. Algumas situações produzem mais estado de ansiedade e ativação que outras (p. quando as pessoas estão fora desta variação ideal. (c) identificar os sinais elevados de ativação e de ansiedade em praticantes de esporte e de exercícios. permane- uma ótica mais produtiva.) AUXÍLIO AO APRENDIZADO RESUMO 1. ajudando a promover seus atletas e alunos a verem os erros não como ruins um ambiente mais produtivo para a aprendizagem e o ou desastrosos. Um modelo interacional de motivação deve orientar professores e técnicos em seu empenho para ajudar alunos e atletas a controlarem a ativação e a ansiedade. ex. Ansiedade é um estado emocional negativo. O domínio des- seus jogadores. estão rela- cionadas com o desempenho. As zonas individualizadas de desempenho ideal de Hanin. Em contraste. Nenhum atleta fica feliz ao para construir confiança. Ativação é a combinação de atividades fisiológicas e psicológicas em uma pessoa.. ex. estresse e ansiedade. um simples erro em um erro completo. Explique como e por que as emoções ligadas à ativação e à ansiedade afetam o desempenho. 4. A ativação e a ansiedade influenciam o desempenho. traço de ansiedade e autoestima). bons psicólogos do esporte ensinam sa estratégia reduz a ansiedade. 3.92  Fundamentos da psicologia do esporte e do exercício va a mudanças improdutivas da atenção e a aumento cometer erros. John Wooden. 1979). preocupação e apreensão associados com ativação ou excitação do cor- po. fazia com um bloco construtor para o sucesso. TERMOS-CHAVE ativação estado de ansiedade cognitiva ansiedade estado de ansiedade somática ansiedade cognitiva controle percebido ansiedade somática traço de ansiedade estado de ansiedade medidas de autorrelato (escalas de autorrelato) .. o modelo da catástrofe de Hardy. de traço e estado. Discuta a natureza do estresse e da ansiedade (o que são e como são medidos). a ansiedade e o desempenho. baixa autoestima e alta ansiedade fí- sica social experimentam níveis mais elevados de estado de ansiedade do que outros. As emoções relacionadas à ativação. Estresse é um processo que ocorre quando as pessoas percebem um desequilíbrio entre as demandas físicas e psicológicas impostas a elas e sua capa- cidade de reagir. eventos importantes cujo resultado é incerto). tais como os estados de ansiedade cognitiva e somática. Além disso. Veja o Capítulo 14 para mais estratégias so (Smoll e Smith. penho. (b) reconhecer como os fatores pessoais e situacionais interagem para influenciar a ativação. a interpretação da teoria da inversão de Kerr e a diferença entre a direção e a intensidade da ansiedade de Jones devem orientar a prática. prejudicando ainda mais o desem. desempenho. Indivíduos com alto traço de ansiedade. e (e) desenvolver a confiança nos participantes para ajudá-los a lidar com o aumento do estresse e da ansiedade. com sentimentos de nervosismo. 2.

O capítulo começou com a história de Jason. Discuta três implicações para a prática profissional que você tenha deduzido das teorias e dos dados cien- tíficos deste capítulo. De acordo com o que você aprendeu. Ativação. Aborde a relação entre capacidade e a interpretação dada pelo atleta à ansiedade como facilitadora ou de- bilitante. QUESTÕES DE PENSAMENTO CRÍTICO 1. Descreva os principais sinais de estado de ansiedade aumentada em atletas. que precisava rebater em uma situação de pressão. traço de ansiedade. Existe uma vantagem no esporte disputado em casa? Discuta as pesquisas que tratam desse tópico. Quais são as duas ou três fontes importantes de estresse situacional e pessoal? 4. Como você pode adaptar estratégias de treinamento para indivíduos que estejam tentando lidar com o es- tresse e a ansiedade? Exemplifique. conforme as seguin- tes teorias: • Teoria do impulso • Hipótese do U invertido • Teoria da ansiedade multidimensional • Zonas individualizadas de desempenho ideal • Modelo da catástrofe • Teoria da inversão • Visão da direção e da intensidade da ansiedade 6. estresse e ansiedade 93 emoções teoria da ansiedade multidimensional estresse modelo da catástrofe ansiedade física social teoria da inversão teoria do impulso ansiedade facilitadora hipótese do U invertido ansiedade debilitante zonas individualizadas de desempenho ideal (IZOF) percepção de controle QUESTÕES DE REVISÃO 1. 7. Defina estresse e identifique os quatro estágios do processo de estresse. O que é a teoria de facilitação social? Que implicações essa teoria tem para a prática? 5. estado de ansiedade cognitivo e estado de ansiedade somático. 9. Por que esses estágios são impor- tantes? Como são capazes de orientar a prática? 3. Diferencie ativação. 8. Aborde as três aplicações práticas oriundas da pesquisa e das teorias sobre a relação entre ativação e de- sempenho. 3. o que Jason pode fazer para controlar sua ansiedade e jogar bem? Como você pode ajudá-lo a ver sua ansiedade mais como facilitadora que debilitante? . estado de ansiedade. Discuta as principais diferenças em como a ativação se relaciona com o desempenho. 2. 2.

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PARTE III Entendendo os ambientes de esporte e de exercício .

incluindo o uso elaborar o melhor programa para intensificação do de. Ofe- um indivíduo e. você lerá que competição e cooperação são comporta- lógica de uma pessoa influencia seu comportamento em mentos aprendidos. bem co- exercícios. mentar a motivação intrínseca. O capítulo encerra-se tância do efeito ambiental que a competição e a coope­ com uma discussão sobre fluência.Que efeito a competição e a cooperação têm sobre o comportamento de uma pessoa? Como o feedback e o reforço afetam a aprendizagem e o desempenho? Na Parte II. lhe ajudará a em contextos de esporte e de exercício. no tipo de situação compe. e como alcançá-la. os efeitos positivos e tretanto. Parte III do livro na Atividade Introdutória. por exemplo. Ao lidar com atletas e praticantes de O Capítulo 6 enfoca o feedback e o reforço. En. ensino e exercício envolve com. comportamento. sempenho e para o prazer. Pra. esporte e exercício. em seguida. as pessoas não existem no vácuo e. recemos diretrizes para dar feedback e reforço a pessoas titiva em que se encontra esse indivíduo. Dan Gould apresenta (em inglês) a petição ou cooperação em algum grau. . um modelo interativo indivíduo-situa. ticamente tudo o que fazemos como profissionais em ambientes de es­porte. você aprendeu como a constituição psico. concentrar-se. as formas de equilibrá-las para que o desenvolvimento ção é a melhor forma de entender psicologicamente o saudável seja maximizado. na motivação de mo seu efeito na aprendizagem e no desempenho. Neste capítulo. também entenderá o modo como contextos de educação física. dos participantes. e apresentamos estratégias para au- ciam o comportamento. VEJA O Dr. de motivação intrínseca. Discutimos como as recompensas podem tanto intensi- Na Parte III de nossa jornada. o foco recai nas duas ficar como enfraquecer a motivação intrínseca. O Capítulo 5 examina a impor. conforme negativos de situações de competição e cooperação e você aprendeu. sistemático do reforço em programas comportamentais. a forma primordial ração exercem no comportamento de uma pessoa. natural principais classes de fatores situacionais que influen. elas influenciam o desempenho.

Descrever o processo competitivo 3. pessoa para a vida. de um time automaticamente causa o fracasso de outros. com base em seu desempenho comparado ao de outros mas o que fará fora de campo?). Esses críticos citam o indivíduos. as recompensas na competição limitam-se àqueles roubo ou comportamento indigno de um atleta (como que superam os outros. Roger tem contra os adversários. tem uma estrutura de recompensa. realizando a mesma tarefa ou participando número crescente de atletas que foram acusados de abu. mais os atletas Definindo competição e cooperação se desviam de uma capacidade de entender e lidar com as demandas do mundo real”. ção. agredir os técnicos). rações dessas forças competitivas e cooperativas e seus lar as coisas nos negócios e na vida”. fica evidente que o esporte competitivo pode afe. para definir competi- Celtics. Às vezes. Detalhar os estudos psicológicos sobre competição e cooperação 4. disse: “Por causa dos exercícios físicos tempo de jogo e posições de titulares. contra o relógio ou de equipe que perseguem um objetivo comum (pense o livro de recordes. declarou: “Para todos os efeitos. Entender a diferença entre competição e cooperação 2. abuso de substâncias. Coakley o esporte competitivo pode produzir atletas egocêntricos (1994) definiu competição como “um processo social que evitam lidar com questões da vida real (Manny Ra. Por outro lado. do mesmo evento” (p. competimos apenas pode levar a esforços cooperativos entre colegas contra os outros. efeitos nos participantes são complexas. cooperam com os colegas de equipe enquanto compe- mos de crescimento e desenvolvimento pessoal. la definição de termos como competição e cooperação. fazer uma jogada no beisebol. Por exemplo. aprendi a contro. Portanto. cas envolvem competição e cooperação. De acordo com essa defini- so físico ou sexual. Ray Allen e Paul Pierce. ser um processo. do Boston (alpinismo. que ocorre quando são dadas recompensas às pessoas mirez pode. entretanto. Explicar por que a competição pode ser tanto boa quanto ruim 6. Outros. um quarterback pertencente ao dentro de um time. que rodeiam seus respectivos papéis na busca de ção. Quanto mais longa a exposi- ção ao ambiente de esporte profissional. por. mas também pode ajudar a preparar a situações nas quais as pessoas competem contra outras.. além de a competição cuspir em autoridades. 5 Competição e cooperação Após ler este capítulo. Contudo. quando os jogadores batalham por Hall da Fama. há competição até ­Staubach. que praticamente todas as atividades esportivas e físi- tas. Por exemplo. com certeza. o atleta profissional é um eterno adolescente. . canoagem). você deverá ser capaz de: 1. que Quem está certo? A resposta é que as pessoas em alimenta a noção de que o sucesso de um participante ou ambos os lados dessa discussão podem ter razão. e­ x-lançador da liga principal de beisebol. 78). contra objetos e elementos naturais em Kevin Garnett. a maior parte dos pesquisadores se concentrou em um campeonato). contra nós mesmos. Os jogadores tar os participantes de formas muito diferentes em ter. assassinato. Muitos participantes de O termo competição é popularmente usado em referência esportes competitivos afirmam que essa atividade não a várias situações diferentes. Discutir os fatores sociais que influenciam a competição e a cooperação 5.. Entender como equilibrar esforços competitivos e cooperativos A partir de casos relatados por ex-atle. Comecemos pe- Tom House. por exemplo. Portanto. as inte- e de minhas experiências no esporte. argumentam que em atividades físicas organizadas.

processo competitivo no esporte. Entretanto. e o sucesso do bém podem estar competindo uns contra os outros por grupo depende da realização coletiva de todos os par. mesmo que alguns de seus jogadores competição e cooperação nas décadas de 1950 e 1960. ­Morton Deutsch (1949). Ele argumentava que. a definição de Martens ou individualistas. são me. ao mesmo tempo que requer algum sugere que uma estrutura de recompensa cooperativa tipo de esforço cooperativo de todos os envolvidos. Além disso. nós mesmos e até a natureza. ticipantes. Portanto. Essa definição por atingir a meta. que observou que poucas situa­ ­Cooperação foi definida como “um processo social ções cotidianas são puramente cooperativas ou competi- por meio do qual o desempenho é avaliado e recom. competição é um processo. a de problemas difíceis (Kohn. Zuma Press/Icon SMI Competimos contra muitas coisas diferentes – outras pessoas. tar a pesquisa nessa área. tempo de jogo e pela posição de titular. Um time que vence um campeonato com. é caracterizada pelo envolvimento mútuo de mais de O basquetebol é um exemplo: cada jogador do time de- um participante. Rainer Martens das à realização e batalhadoras não são necessariamen. mas também nos ajuda a entender o mais de um século (Triplett. de maximizar o desenvolvimento pessoal dos participan- nos eficazes do que estruturas de recompensa coopera. Pessoas exitosas. orienta. do ao objetivo que recompensa a pessoa (ou pessoas) nado objetivo” ­(Coakley. embora úteis em tarefas enfoca a avaliação social. portanto. Recompensas são. abordagem de avaliação social de Martens não apenas Embora as pesquisas sobre competição existam há define competição. . 1994. mas os jogadores tam- tilhadas igualmente por todos no grupo. p. Felizmente. As pesquisas indicam que estruturas nição e a abordagem de Martens à competição também de recompensa competitivas.98  Fundamentos da psicologia do esporte e do exercício Outro processo no qual o sucesso pode ser medi. compar. Podem simplesmente combinar fortes novos estudos sobre competição em ambientes de es- orientações à realização com orientações cooperativas porte e exercício. as pessoas cooperati. era fundamental entender as influências sociais que tivas para tarefas complexas e que envolvem solução ajudam a estruturar o ambiente de atividade. 1898). a defi- as competitivas. em vas são tão propensas a serem bem-sucedidas quanto ambas. o primeiro esfor. ço concentrado para estudar o assunto foi iniciado por do e o desempenho recompensado é a cooperação. tivas. (1975) criou um modelo específico que estruturou os te competitivas. 79). possam ter realmente contribuído mais do que outros não havia uma estrutura conceitual para ajudar a orien- em termos de desempenho. Deutsch afirmava que a maior parte das interações pensado em termos da realização coletiva de um grupo sociais envolve algum tipo de comportamento dirigi- de pessoas que trabalham juntas para alcançar determi. Na verdade. Embora tenham sido feitos estudos isolados sobre partilha a vitória. assemelha-se à desenvolvida mais tarde por Coakley. ve cooperar para vencer o jogo. tes. 1992). a fim físicas relativamente simples de curta duração.

Como em qualquer processo social. discussões ou jogos mentais. Além disso. Martens propôs uma definição da situação competi. Você sai sozinho para correr 5 qui- (­Festinger. os autores oferecem uma perspectiva mais recente de competição que desafia as crenças tradicionais. Observe na figura Consequências competitiva subjetiva que. a descompetição é o oposto da competição. A principal di- de gênero. na descompetição. ilustrados na Figura 5. Ainda que uma competição possa ser cruel e altamente contestada. Em contraste. e que as diferenças 4 minutos) ou o desempenho de um outro indivíduo (seu de sexo parecem ser uma consequência de socialização principal rival correu 1 milha em 4’05”). 1954). embora esses estágios sejam diferentes. como experiência anterior. os oponentes se veem como rivais. Justiça com os oponentes é mais importante que simplesmente obediência a regras. D ers is o es p po na Esse processo lembra um pouco o modelo de estresse d si lid itu çõ a At es de apresentado no Capítulo 4. também s de estão interligados. ao passo que cooperação é vista como uma alternativa positiva à competição. defenderam que aquilo que antes era chamado de bom ou mau em competições é mais bem entendido como competição versus descompetição. sendo algo buscado a qualquer custo. e não de aptidão natural. 1975. envolve um processo que engloba quatro eventos ou estágios distintos. Atributos pessoais. (Seu melhor tempo ante- Competição versus descompetição Com o passar dos anos. Considere os exemplos a seguir. Essa sinergia possibilita aos competidores o alcance de novos patamares de excelência. O padrão de com. É comum as pessoas se concentrarem nos aspectos negativos da competição. as competições ganharam má reputação. desde que não sejam flagradas. cada competidor é visto como um facilitador ou elemento de capacitação para o outro. que inclui um padrão para compara. M ot a id ivo ac As pessoas passam de forma diferente por proces- s p Ca sos competitivos. Competição e cooperação 99 A competição como um processo Situação competitiva De acordo com Martens. lutando entre si para vencerem a competição. ca- pacidade. lembrando a defi- tiva objetiva. motivação e atitudes são apenas alguns dos fatores que podem influenciar as respostas de uma pes- FIGURA 5. Adaptada. Descompetidores querem vencer ou arrasar os oponentes. Afirmam que a parceria é a essência das competições. Além disso. no entanto. Para eles. essa distância em 21 minutos. Verdadeiros competidores desejam componentes em igual condição que os desafie. as regras são simples convenções. os competidores seguem o espírito das regras mesmo quando esse tipo de ação resulte numa desvantagem competitiva. . um nível de desempenho idealizado (como 1 milha em tivas surgem em uma tenra idade. Basicamente. derivada da teoria de avaliação social nição de Martens.1 O processo competitivo. Copyright 1975 por Rainer como por fatores ambientais externos. de R. Numa real competição. desenvolvimento positivo do caráter. Resposta gios. o processo de competição deve incluir o papel do processo de socialização e o contexto social para determinar os níveis competitivos paração pode ser o nível de desempenho passado de um e a orientação. competição é mais do que um objetiva evento isolado. ferença entre uma situação de competição e outras situa- ções de comparação é que os critérios para comparação devem ser conhecidos por pelo menos uma pessoa que Estágio 1: Situação competitiva objetiva esteja em condições de avaliar o desempenho. soa que compete. inclusive trapaça. lômetros. Vencer é a grande meta. são elas o foco do processo e podem influenciar a relação entre os diferentes está. e maximizá-las na busca da vitória não é raro.1. os oponentes se empenham muito para o alcance da excelência. e recompensas. Portanto. não os encarando como cooperadores ou parceiros. 69. que oferece uma boa forma de Situação de entender o processo competitivo. Justiça costuma ser elemento íntimo em comparação com coisas de que as pessoas querem se livrar. Basicamente. como feedback Martens. e estabelece para si mesmo a meta de correr ção e pelo menos uma outra pessoa. alegria e domínio. com permissão. coisas que não seriam alcançadas em isolamento. um modelo desenvolvido indivíduo (com o tempo de 4’10” na corrida de milha). Shields e Bredemeier (2009). por Eccles e Harold (1991) enfatiza que atitudes espor. Social psychology and cada estágio é influenciado pelos outros estágios. por meio de uma defesa com apoio em pesquisa. bem physical activity (New York: Harper & Row). Nesse sentido. Martens.

tuações competitivas e a estar mais motivadas a se sair 2000). Atletas também variam muito nas mesma forma. competitiva subjetiva. tério de comparação” (Martens. O objetivo consiste em melhorar de personalidade que melhor prevê como as pessoas o próprio desempenho e não vencer a competição. Como saberíamos que você estava de pelo menos outra pessoa que esteja ciente do cri- tentando correr 5 quilômetros em 21. Um ginasta. Fatores competir e busca ativamente situações competitivas. confirma a pesquisa sobre estabelecimento Pessoas muito competitivas tendem a procurar si. importância da • Orientação à vitória é o foco na comparação inter- situação competitiva e adversário podem muito bem in. colegas de time) também exercem forte in- do critério de avaliação e em condições de avaliar seu fluência no comportamento. Martens não discordaria necessaria. • Orientação ao objetivo é o foco nos padrões de de- PONTO-CHAVE  Competitividade é a característica sempenho pessoal. outras variáveis situacionais (como tipo de esporte. pode estar ansioso para que traz uma revisão). Sem outra pessoa envolvida para avaliar rado com algum padrão de excelência. de correr 5 quilômetros em 21 minutos. visto que você estava competindo são (1) a situação competitiva objetiva. porque você era a única pessoa ciente do competitividade. Gill e Deeter (1988) tentaram definir mais de outra pessoa. o qual mostra que aperfeiçoar o desempenho era . (3) a resposta e (4) as con- mente desse ponto de vista. de modo que não tante no processo competitivo. Há quem argumente que o primeiro exemplo também PONTO-CHAVE  Os quatro estágios da competição envolve competição. houve uma si. por exemplo. o traço de competitivida- padrão de excelência que tentava superar. Es- de procurar evitar comparações com outros corredores sa descoberta pode surpreender muitas pessoas. Aqui. claramente o termo. vamos examiná-la deta- deixamos muito de fora com a delimitação de inclusão lhadamente. pode temer o encontro. Gill e Deeter (1988) objetiva porque a procuraram ou porque as circunstân. atletas costumam competir em um campeonato porque é um modo de ga. 1975). pessoal e na vitória em competições. um corredor em uma aula de condicio. ter maior classificação que não atletas em todas as três nhar experiência. (2) a situação contra si mesmo. a situação competitiva subjetiva. tos? Martens declarou que a maior parte das atividades normalmente consideradas competitivas estão. de objetivos (Weinberg. constataram três tipos de orientações competitivas. se de por si só não pode prever adequadamente como uma você correu com uma amiga e lhe contou sobre a meta pessoa responderá a determinada situação competitiva. gio. pais. mas em sua classe. 2000. das representativas de diferentes resultados subjetivos avaliar a situação. na verdade. mas o estudo de Gill sugere namento físico para adultos pode querer transformar que mais deles estão voltados à melhoria dos próprios cada corrida em uma competição. Usando o SOQ. aceita e avalia a situação de lutar por sucesso em situações esportivas compe- competitiva objetiva. que está enfrentando subescalas. téc- tuação de competição. elas precisam. na ver. Burton. desempenho. Isso coloca em ação o próximo está. Exemplos de perguntas são Estágio 2: Situação competitiva subjetiva dados em “Questionário de Orientação Esportiva”. como capacidade percebida. É mais impor- fluenciar a avaliação subjetiva da situação competitiva. os antecedentes e os atributos titivas. motivação. avaliam a situação competitiva objetiva. desenvolvendo o Sport Orienta- tion Questionnaire (SOQ) como uma medida confiável e válida de competitividade. Uma pessoa competitiva simplesmente adora únicos do indivíduo passam a ser importantes. Yukelson e Weigand. mas argumentaria que. to- cias nela as colocaram. na Quer as pessoas estejam em uma situação competitiva próxima página. abrangidas por sua definição. de alguma forma. enquanto outro. na presença o processo de comparação. A orientação competitiva de uma pessoa afeta o seu modo de perceber a situação competitiva (ver Gill. Sendo a competitividade um fator pessoal tão impor- dade. 20 ou 19 minu. Por exemplo. Numa situação competitiva um estudo científico da competição.100  Fundamentos da psicologia do esporte e do exercício rior foi de 22 minutos. “o desempenho de um indivíduo é compa- nosso alcance. orientações competitivas. para sequências da resposta. porque sua amiga estava ciente nico. Da do SOQ (Gill. devemos delimitar objetiva.) Isso não seria considerado uma bem nelas do que pessoas com um nível mais baixo de competição. Entretanto. desempenhos (orientação para metas) que à vitória. quase tudo poderia ser cha- mado de competição. mas especialmente no aspecto competitivo a mesma situação objetiva. enquanto outro po. que se refere ao • Competitividade é o prazer de competir e o desejo modo como a pessoa percebe. Entretanto. de uma situação competitiva. 1993). tante superar os outros competidores do que melho- rar os próprios padrões.

dependen. 1 2 3 4 5 Odeio perder. 1 2 3 4 5 Exemplos de itens de orientação à vitória do SOQ Vencer é importante. para que dificações úteis e adequadas para participantes jovens: tenha uma competição desafiadora. também pode manipular a situação enfatizando a um ginasta a podem afetar a resposta de uma pessoa. Vários fatores Em uma situação competitiva subjetiva. Se a decisão é de não gras (como não fazer a contagem de pontos. a um jogador permaneça com o bastão até que rebata a bola resolução de competir pode ocorrer no nível comporta. simplesmente responda com honestidade como se sente. de. 1996). as pessoas podem ter alguns dos fatores internos que afetam a resposta. a importância da competição e exigindo nada menos que . 1 2 3 4 5 Exemplos de itens de orientação ao objetivo do SOQ Estabeleço metas para mim em competições. ainda é Estágio 3: Resposta capaz de perceber o resultado como positivo se tiver jo- gado bem e atingido seu próprio padrão de excelência. anteriormente. Entretanto. tivas ou negativas. Lembre-se: escolha o número que descreve se você geralmente concorda ou discorda. o clima. Kerr e Messe.. Concordo Concordo Não concordo Discordo Discordo plenamente em parte nem discordo em parte totalmente Exemplos de itens competitivos do SOQ Sou uma pessoa competitiva. alguém pior que você. instalações. você pode decidir bol. e muitas pessoas equiparam conse­ vido à amplificação do aspecto de comparação social. sário são algumas influências externas. pido e suas mãos fiquem frias e úmidas. os eventos competitivos subsequentes. embora você possa ter perdido o jogo. então a resposta se encerra aqui. Por exem. para território válido) ou as instalações e o equipamento mental. fisiológico. conforme abordamos pecto competitivo para mais ou para menos. Em nível fisiológi. Além disso. ca infantojuvenil poderia aplicar o modelo de Martens. Por (como baixar o aro e usar bolas menores para basquete- exemplo. pode ser que seu coração comece a bater mais rá. para que possa melhorar. A competitividade parece ficar maior quando vo. psicológico ou nos três níveis. o tempo e a capacidade do adver- plo. O quadro “Demons- cê. Não há respostas certas ou erradas. tivas com fracasso. ou alguém igual a você. cação alta na orientação à vitória e ao objetivo (Hardy et al. de. a percepção que o atleta tem das conse- do das metas do atleta e de sua orientação à competição. quências é mais importante que o resultado prático. confiança e o nível de capacidade percebida são apenas va em segundo lugar. percepções de sucesso e de fracasso. Por exemplo. Modificar as re- cia o terceiro estágio do modelo. tanto internos quanto externos. para tração do Modelo de Competição” sugere algumas mo- assegurar sua vitória. pesquisadores (Sambolec. Não perca muito tempo com cada afirmação. isoladamente: eles se realimentam no processo e afetam cide enfrentá-la ou evitá-la. As pontua­ção alta em mais de uma orientação. no nível comportamental. Queremos saber como você geralmente se sente em relação a esportes e a competições. uma pesquisa com atletas de elite revelou classifi. a meta mais comumente mencionada. A resposta escolhida ini. De acordo com o modelo de processo competitivo de Esses sentimentos de sucesso e fracasso não ocorrem Martens. depois que a pessoa avalia uma situação. permitir que competir. voleibol ou futebol americano) pode influenciar as que tipo de adversário prefere: alguém melhor que vo. paração entre a resposta do atleta e o padrão comparati- tividade. o técnico psicológicos. 1 2 3 4 5 Ter o melhor desempenho possível 1 2 3 4 5 é muito importante para mim. As consequências são geralmente vistas como posi- alguém está diretamente competindo contra outro. Estágio 4: Consequências petitivas se empenham mais e têm melhor desempenho O estágio final do processo competitivo resulta da com- em tarefas coativas que pessoas com baixa competi. 2007) descobriram que pessoas altamente com. e que vencer esta. o exemplo mostra como um professor de educação físi- co. Competição e cooperação 101 Questionário de Orientação Esportiva (SOQ) As afirmações a seguir descrevem reações a situações esportivas. 1 2 3 4 5 Gosto de competir contra outros. quências positivas com sucesso e consequências nega- Logo. Leia cada afirmação e circule a letra que indica o quanto concorda ou discorda de cada afirmação na escala. Entretanto. treinadores podem desempenhar papel nesse as. Finalmente. A motivação.

a turma começou a participar de alguns jogos competitivos. psicólogos cando seu tempo. enquanto John gostaria de evitar a competição a qualquer preço (situação competitiva subjetiva). A se- situação competitiva. Ter pais e amigos na competição tam. o primeiro lugar. citado que alunos universitários resolvessem problemas de quebra-cabeças durante um período de cinco sema- . O quebra-cabeças de Deutsch PONTO-CHAVE  Competição não é inerentemente boa ou ruim. em uma quadra. frequentemente recebendo críticas e até sendo ridicularizado por seus esforços esportivos. petição sobre o desempenho foi documentada em 1898 gos mais equilibrados e mais envolvimento pessoal pode por Norman Triplett (cuja influência discutimos resumi- criar experiências positivas para todos os participantes. começaram a estudar de modo sistemático os compor- ção influenciaria a percepção subjetiva dos ginastas da tamentos competitivos e cooperativos no esporte. com alguém mar- te social (incluindo técnicos. das instalações e dos equi. e não na competição. ao competir. No estudo clássico de Morton Deutsch (1949). A primeira experiência que pesquisou os efeitos da com- pamentos para produzir mais ação. Uma vez que o Sr. A adoção Os ciclistas de Triplett de uma abordagem centrada no participante por meio da modificação das regras. ou em competições com outro ciclista. um processo. ele se sente ameaçado e apreensivo em relação a perder ou a ter um mau desempenho (consequências). O Sr. a situação competitiva subjetiva. Davis tenta estruturar sua aula de educação física de modo que os alunos fiquem felizes. que é expansivo e vigoroso. com outro ciclista do que quando corriam sozinhos con- Portanto. jo. Nesta quadra. pais. Essa orienta. competição é um processo social redores apresentavam desempenhos variados (medidos “aprendido” (e não inato). do esporte). por sua vez. pelo tempo) quando corriam sozinhos. técnicos e pais e pioneiras dos processos de competição e cooperação. gosta de jogar contra adversários mais fracos para não parecer tão ruim (resposta). A competição não é inerentemente boa ou Consultando os registros do Comitê de Corridas da Li- ruim. porque está inseguro acerca de suas habilidades e teme atrapalhar-se. Davis está ciente de que Mark encara a competição positivamente. aprecia o desafio e a chance de mostrar aos colegas suas habilidades. ga Americana de Ciclistas. você deve considerar os diversos fatores capa. Por outro lado. Portanto. Estabelece diferentes tipos de situações de aprendizagem e deixa os alunos escolherem entre elas. Mark controla ganhos e perdas muito bem. Tem ensinado habilidades de voleibol nas últimas semanas. foi soli- tiva ou destrutiva – é. enquanto John. Mark gosta de competir contra pessoas tão boas ou melhores do que ele porque encara isso como um desafio. eram mais rápidos quando corriam contra um ciclista ou periência será positiva ou negativa para o participante. Fica nervoso e apreensivo com competições. os alunos que ainda estão inseguros podem aprender sem a pressão da competição. adquiram habilidades e desenvolvam um sentimento positivo em relação ao esporte e às atividades físicas. e a qua. simplesmente. a ênfase é na aprendizagem e no aprimoramento de habilidades. aguarda ansiosamente a competição. influenciado pelo ambien. o técnico pode enfocar a coope- ração da equipe e encorajar os jogadores a darem apoio Há centenas de anos as pessoas competem em espor- emocional uns aos outros. tra o relógio. escala times e cria uma competição para aqueles que buscam um desafio e apreciam a excitação da competição. porque sua autoestima não é ameaçada se ele jogar mal ou o time perder. a resposta e petidores aumenta potencialmente o desempenho. recentemente. e. damente no Capítulo 1). Por exemplo. Triplett observou que os cor- Basicamente. foi demonstrado pela primeira zes de influenciar a relação entre a situação competitiva vez que a competição mano a mano contra outros com- objetiva. Não se trata de uma estratégia produ. ele verificou que os ciclistas lidade da liderança determina em grande parte se a ex. Naturalmente. amigos. Pode dizer aos ginastas: “Vão tes. Revisando estudos de bém pode acentuar a importância do bom desempenho. é tímido e não muito vigoroso. mais pontuação. Em uma competição. Ao contrário. Mark. John tem experimentado muitos fracassos. guir revisamos algumas pesquisas psicológicas clássicas É importante que administradores.102  Fundamentos da psicologia do esporte e do exercício Demonstração do modelo de competição O Sr. estrutura a aula de educação física de modo a satisfazer às necessidades de John e Mark. mas apenas recentemente os psicólogos do esporte e façam o melhor possível – divirtam-se”. o que provavelmente aumenta a pressão e a ansiedade do competição e cooperação atleta. Davis é um professor de educação física em uma escola de ensino médio. Em outra quadra. Davis entende esse processo de competição e o modo como os alunos são diferentes. saibam como ajudar os participantes a se sentirem mais felizes em relação a experiências esportivas. John. as consequências do processo competitivo. Trata-se simplesmente de um processo.

Por exemplo. se um membro de um time de basquetebol petições. Isso versário e exibir uma ruptura na comunicação real. Não é novidade que a ênfase em vencer e derrotar um Entretanto. Na verdade. colegas competitivos podem ser resolvidos por meio de comu. por mais bizarro que possa parecer. uma vez que tais situa­ pudesse ocupar o lugar. após um jogo de hóquei. Os quarterback agressivo e a hostilidade. alguns téc- ceberiam um prêmio como equipe. nicos da National Football League (NFL) supostamente laram que os alunos da situação competitiva foram au. é importante que os técnicos Tonya Harding. os alunos na condição competitiva foram informados de sentimentos e o comportamento derivam do foco em fa- que seria dado um prêmio (uma nota) à pessoa dentro zer qualquer coisa para vencer. comportamento agressivo. O grande desempenho e basquetebol. desenvolveram amizades e acabaram por lesão que retirou jogadores de disputas. conflito e desconfiança grupais. ser chefe de torcida da escola para que a própria filha ções competitivas na sociedade. a serem o melhor jogador possível. apenas uma pequena porcen- Deutsch (2000) observou que pessoas em competições tagem de competições esportivas resulta nesse tipo de poderiam desenvolver uma visão negativa do adversá. Na verdade. contas. há o caso de uma vos potenciais da competição foram tão destrutivos que mãe que planejou matar uma menina que competia para em 1982 ele defendeu uma redução planejada de situa. Já os alunos no grupo técnicos e jogadores foram suspensos do New Orleans cooperativo comunicaram-se abertamente. cada membro do time. Os resultados reve. mesmo que isso signifi- do grupo com o melhor número médio de quebra-cabe­ que ser desleal ou machucar um adversário. em 2012. coordenação. hóquei nível de desempenho do outro. equipes. mesmo que estes venham a tirar seus empregos. a competição entre dois colegas de estiver mais interessado em obter títulos e os outros es. no fim das trole de ameaças. sionais e amadores que encorajam o contato e a colisão no sentido de que cada um jogará melhor devido ao alto entre os jogadores. Consequentemente. a competição pelo mesmo lugar pode tido enfatizando-se o papel e a contribuição únicos de levar uma competidora a deliberadamente ferir a outra. se certifiquem de que todos os jogadores entendam seus durante o campeonato norte-americano de patinação ar- papéis e lutem por objetivos comuns. Não é a competição em si que produz o de um estimula o outro a ter um desempenho ainda me- . trabalhar juntos em busca de objetivos comuns e a re- agir de formas agressivas ou hostis em relação ao ad. tirando-o de jogo. Segundo. tiveram uma comunicação fechada e evidenciaram oponente. Já os alunos na condição cooperativa They Call Me Assassin (1980). evidenciar uso petitivo também pode ajudar os atletas a aprenderem a insatisfatório de recursos. dor defensivo que conseguisse lesionar o quarterback tros. Primeiro. após décadas de pesquisas. porém. apresentar aumento da ansiedade. isso ajudará o time como um todo a longo pra- zo. quarterback veteranos da Competição e agressão NFL normalmente orientam os quarterbacks mais jo- vens. direcionaram o empenho a vencer os ou. já que. E. matando-o. pes trabalham juntas de forma melhor quando têm um Você pode ver nos dois exemplos a seguir como o objetivo comum e quando o alcance do objetivo produz foco na vitória e na própria glória pode ser um catali- recompensas semelhantes para todos os participantes. Em seu livro ças resolvidos. objetivos compartilhados e con. teriam oferecido uma recompensa para qualquer joga- tocentrados. compartilha. rios para tirá-los do jogo. dois rivais podem focalizar somente vencer adversário pode produzir hostilidade e agressão entre um ao outro. tais como futebol americano. mostrar baixa produtividade. tais sentimentos de hostilidade e agressivi- competitivas. sador que produz comportamentos negativos nas com- Por exemplo. de time podem cooperar e tentar ajudar uns aos outros nicação. Ou podem se ver como aliados. Certamente. Isso pode ser ob. Em espor- resolvendo mais quebra-cabeças que suas contrapartes tes juvenis. existirá um tentar prejudicar o jogo do outro. 1969). ções frequentemente levavam a conflitos. usando instruções competitivas e cooperativas. Mais recentemente. duzirem ênfase e a pressão excessivas pela vitória. confor- potencialmente um conflito de interesses contraprodu. me sugerido pelo envolvimento da patinadora artística tivo. Em auxílio a seus times. Saints por oferecimento e recebimento de recompensas ram informações. Ele pode criar um ambiente social positivo e melhorar o de- concluiu. Brigas costumam ocorrer em esportes profis. dade podem atingir os pais. incidentes um pai realmente agrediu outro. Especificamente. os efeitos negati. Na verdade. Uma implicação do estudo de Deutsch é que as equi. tística. que os conflitos sempenho (Sherif e Sherif. Esses achados foram repetidos muitas ve. em 1994. em Detroit. Infelizmente. durante uma discussão. time por uma posição de titular pode criar hostilidade e tiverem interessados em vencer na sua divisão. contanto que vençam. o esporte com- rio. Para Deutsch. num desses zes ao longo de anos. o ex-jogador de futebol foram informados de que seriam avaliados pela pon­ americano profissional Jack Tatum descreve tentativas tuação do grupo em relação a quatro outros grupos que premeditadas e deliberadas de ferir jogadores adversá- também estavam resolvendo quebra-cabeças e que re. sem preocupação com o modo de jogar. Competição e cooperação 103 nas. no ataque a Nancy Kerrigan.

de lon- desempenho.104  Fundamentos da psicologia do esporte e do exercício lhor. a cooperação pro. citamos o caso de um jogo feminino de softball. mais satisfação. demonstram que produzir realização e desempenho mais altos do que trabalho conjunto. Num estudo de das psicológicas e fisiológicas. a forma como os competidores encaram necessariamente um desempenho inferior. é um sopro de ar fresco constatar a cooperação espontânea e o esírito esportivo ainda se manifestarem. independente ou individualista. seus desempenhos seriam piores dição. ao circular as bases. sem medalha. Nicole Cochran achou que havia conquistado o título feminino nos 3. de orientação: cooperativa. de forma consistente. McIntyre e Ring (2011) levaram esforços competitivos ou individualizados. instruções para dar o melhor de si) ou contra seis outros Entretanto. a partir de suas desempenho quando competem entre si do que quando revisões. duas garotas da outra equipe se uniram e a levaram próximo às bases.” disse a Cochran. “A medalha é sua. ao passo que o oposto Ainda que o empenho cooperativo pareça produ- ocorreu em apenas seis estudos. mas foi desclassificada por sair de sua raia numa das voltas. em 2008. Em 65 estudos. re- a competição. ela ficaria fora. De negativo. As demais competidoras seguiram o exemplo. Quando Sarah Lord viu o que Nelson fizera. os participantes receberam três tipos dos em “Cooperação: ainda viva e bem”. Em segundo lugar. Portanto. Johnson moveu maiores níveis de realização do que o trabalho e Johnson. ficando. cuja meta era que cada um melhorasse o desempenho numa série de Podemos ver os efeitos negativos potenciais da compe. Além disso. Kvussanu. Johnson e Johnson (1985) analisaram mi. tocando cada uma quando por elas passavam. precisão e velocidade do desem. os participantes a realizarem uma tarefa com um dina- rio. a natureza das tarefas experimentais em competidores. concluindo a jogada. o título foi dado à corredora Andrea Nelson. se os indivíduos tives. Alguns exemplos de cooperação são ofereci. 2008). na compara- a competição determina se o impacto será positivo ou ção com orientações cooperativas ou individualistas. feriu gravemente o joelho e apenas conseguiu arrastar-se. determinar por que o desempenho foi melhor nessa con- sem preferido competir. ce de determinada meta. Cooke. tição e no aperfeiçoamento individual (Roseth. em que a meta era para que cada grupo de dois marcasse a maioria dos pontos. Nelson desceu do pódio e pendurou a medalha do primeiro lugar no pescoço da vencedora por direito. Isso é interessante. Os resultados indicaram Stuntz e Garwood (2012) tem-se um bom exemplo dos que os participantes na condição competitiva mostraram efeitos de diferentes metas competitivas ou cooperativas maior empenho. Os resultados revelaram que as orientações tição quando observamos a relação entre competição e cooperativas produziram o melhor desempenho. com apenas oito estudos mostrando o força o nível de desempenho acima do foco na compe- oposto. colocando suas medalhas nas corredoras que haviam terminado a disputa antes delas. Ao contrá. os pesquisadores fizeram uma variedade de medi- do que se tivessem preferido cooperar. lar e redução da frequência cardíaca na comparação com Cooperação: ainda viva e bem Com toda a ênfase na competição. porém. Ainda assim. cuja meta era que cada pessoa marcasse mais cooperação sobre o desempenho pontos que o parceiro. A superioridade da coo. Ainda na plataforma durante a cerimônia de entrega das medalhas para as oito melhores finalistas. . a cooperação pareceu quisas. Assim. Johnson e Johnson concluíram. Alguns exemplos recentes são instrutivos. Se uma colega de equipe tocasse nela. com- Efeito de competição e petitiva. pantes se saíram melhor na condição competitiva. maior atividade muscu- no desempenho. Ou seja. que não há um tipo de tarefa para o qual os simplesmente realizam sozinhas uma tarefa. As meninas simplesmente disseram. Em primeiro lugar temos o caso dos campeonatos escolares de corrida no estado de Washington. na maior parte das tarefas. Ao retornar à primeira base a fim de tocá-la. ge. ou individualista.200 metros. Por exem- esforços cooperativos sejam menos efetivos do que os plo. Para rativa que competitiva. zir desempenho melhor que o competitivo quando um peração estava presente em diversas tarefas que exigiam atleta tem que trabalhar com outra pessoa para o alcan- memória e qualidade. tirou sua medalha do segundo lugar e colocou-a no pescoço de Nelson. que dera a medalha de oitavo lugar nos 3. em consequência. “Ela fez um home run e mereceu ter o ponto no placar”. Cabe ressaltar que Cochran terminara em oitavo nos 800 metros e dera sua medalha a Lyndy Davis. o empenho cooperativo mômetro manual (resistência muscular) sozinhos (com é mais eficaz para favorecer a realização. as pessoas podem ter melhor penho. em que as orientações não produziriam. As pes- no desempenho. em que uma jogadora fez um home run e. Os resultados revelaram que os partici- muitos desses estudos exigia uma estratégia mais coope. uma vez que alguns treinadores nuciosamente 122 estudos realizados entre 1924 e 1981 e atletas creem que o caminho para a excelência no de- sobre os efeitos de atitudes competitivas e cooperativas sempenho envolve foco em vencer o oponente. Quase todos. concordaram ter sido um erro do juiz (mais tarde confirmado por vídeo). tentativas.200 metros à garota que terminara à sua frente. deu-se conta de não ter tocado na primeira base. forma específica. em 108 estudos. com estado mental cooperativo. inclusive a competidora.

Competição e cooperação 105

participantes na condição não competitiva. Num estu- oportunizando-lhes o aprendizado de habilidades de vida
do de acompanhamento, Cooke, Kvussanu, M ­ cIntyre e importantes, como cooperação, disciplina, liderança e
Ring (2013) pesquisaram a competição indivi­dual (um autocontrole” (p. 12). Essa ideia tem apoio de Findlay
contra um) versus a competição em equipe (dois contra e Coplan (2008), que descobriram que crianças envol-
dois, quatro contra quatro). Os resultados revelaram que vidas no esporte tinham maiores possibilidades de par-
o desempenho foi bastante melhor nas competições em ticipar em comportamentos cooperativos que crianças
equipe que nas individuais. Coerente com o estudo an- sem envolvimento no esporte.
terior, satisfação, empenho e ansiedade foram os prin- Botterill (2005) salientou a ideia de que competição
cipais mediadores desse efeito no desempenho. Parece e cooperação deveriam ser encaradas como comple-
que os participantes sentiram necessidade de esforço mentares. Analisemos o caso de escolha de jogos em
maior, já que os parceiros dependiam deles, com a an- que as crianças simplesmente se encontram na quadra
siedade aumentada influenciando de modo positivo o ou no pátio da escola, escolhem lados e jogam. Se di-
desempenho nessa tarefa. minuir o respeito ao oponente e sua valorização, não
É importante lembrar que a competição em si não tardará muito para que o jogo fique perturbado e que
produz consequências negativas; é a ênfase exagerada não mais haja competidores. Infelizmente, a dinâmica
em vencer que é contraproducente. Na verdade, J­ ohnson de como competição e cooperação são complementares
e Johnson (1999, 2005) observam a constatação de um não costuma ser ensinada. Mais do que serem opostos
papel limitado para competição quando limites são ade- polares, envolvem habilidades e valores complemen-
quadamente impostos. Nesse sentido, uma competição tares, e as duas perspectivas devem ser alimentadas
apropriada tem as seguintes características: é voluntá- para oferecimento de uma perspectiva saudável dos
ria, a importância de vencer não é tão elevada a ponto esportes e da vida.
de causar estresse incapacitante, todos devem ter uma A maneira de unir empenho competitivo e coopera-
chance razoável de vitória, as regras são claras e justas tivo pode ser aprendido nos “Doze Princípios Defini-
e pode ser monitorado um progresso relativo. tivos” de Pat Summitt, possivelmente a mais vitoriosa
Com certeza, as orientações competitivas costumam técnica de basquete universitário:
levar a altos níveis de realização em esportes i­ ndividuais
e em equipe. Por exemplo, embora Michael Jordan pre- • Respeite a si mesmo e aos outros. Não há autorres-
cisasse cooperar com seus colegas de time para formar a peito sem o respeito pelos outros.
unidade que ajudou o Chicago Bulls a dominar a NBA na • Assuma responsabilidade total. Comprometa-se –
década de 1990, é reconhecido por todos que sua nature- não existem atalhos para o sucesso.
za extremamente competitiva foi o que realmente o le- • Desenvolva e demonstre lealdade. A lealdade não é
vou a alcançar o mais alto nível de sucesso e excelência. unilateral. Você deve dá-la para recebê-la.
Basicamente, muitas situações no mundo do esporte e da • Aprenda a ser um grande comunicador. Isso signifi-
atividade física exigem uma combinação de estratégias ca ser um grande ouvinte, além de falante.
e orientações cooperativas e competitivas. Encontrar a • Discipline-se para que ninguém tenha que fazer isso.
combinação certa para uma situação específica é o ver- Disciplina de grupo e autodisciplina produzem em-
dadeiro desafio. Por exemplo, muitos atletas perceberam penhos unificados.
que jogar contra um oponente realmente bom ajudou a • Faça do trabalho árduo sua paixão. Faça primeiro
elevar o nível de seus jogos, o que pode ser entendido o que não é divertido.
como uma forma de cooperação. Assim, quando Roger • Não apenas trabalhe com empenho, trabalhe com in­
Federer jogou contra Rafael Nadal, ou quando LeBron teligência. Maximize pontos fortes e minimize seus
James jogou contra Kobe Bryant, ou quando Greg Mad- pontos fracos e dos que estão ao seu redor.
dux lançou contra Randy Johnson, todos tiveram grande • Coloque a equipe em primeiro lugar. O trabalho em
satisfação nessas competições, já que acreditaram que equipe possibilita que pessoas simples alcancem coi-
elas elevaram a intensidade e o nível do próprio jogo. sas incomuns.
Basicamente, a competição funcionou como uma mo- • Transforme o vencer numa atitude. Atitude é uma
tivação positiva para que esses superastros continua- opção.
mente melhorassem e aperfeiçoassem suas habilidades. • Seja um competidor. Ser competitivo significa ser o
Sabemos que o trabalho cooperativo em equipe be- melhor possível.
neficia o desempenho no esporte, mas também que o • Mudança é primordial. Mudança é o mesmo que au-
esporte pode levar a uma equipe cooperativa. Por exem- toaperfeiçoamento.
plo, Fraser-Thomas e Cote (2006) afirmaram que “pro- • Lide com o sucesso da mesma forma que com o fra­
gramas esportivos para jovens há muito são considera- casso. Você não pode controlar o que ocorre, mas
dos importantes para seu desenvolvimento psicossocial, pode controlar sua reação a isso.

106  Fundamentos da psicologia do esporte e do exercício

Redução da competição por meio da cooperação
Sherif e Sherif (1969) realizaram três experiências de campo com meninos de 11 a 12 anos em acampamentos isolados. Primeiro,
foram formados dois grupos, e cada um teve a oportunidade de desenvolver uma forte identidade de grupo. Esportes e jogos
constituíram a maior parte das atividades dos grupos, e foram enfatizados os trabalhos em equipe e a identidade de grupo.
Na fase seguinte do estudo, Sherif e Sherif induziram deliberadamente conflitos entre os grupos, em grande parte por meio de
competições esportivas que enfatizavam um vencedor e um perdedor. Além disso, foi servida uma mesa com lanches para uma
festa, e um grupo foi convidado a se servir primeiro. O primeiro grupo comeu quase tudo, deixando pouco para o segundo grupo,
que, naturalmente, ficou ressentido.
A terceira fase consistiu numa tentativa de reduzir ou eliminar a hostilidade que os pesquisadores ajudaram a criar, mas os
meninos mantiveram sua antipatia e má vontade uns para com os outros. Finalmente, os pesquisadores inventaram situações, tais
como a necessidade de reparar um vazamento na caixa d’água do acampamento e de consertar um caminhão de suprimentos
avariado, o que obrigou ambos os grupos a cooperarem naquilo que os pesquisadores denominaram “objetivos superiores”. Essas
situações foram criadas de modo que nenhum grupo pudesse alcançar um resultado altamente desejado sem a ajuda do outro.
Esses empenhos cooperativos resultaram em redução da hostilidade e do conflito entre os grupos e no desenvolvimento de amizades
e comunicação entre eles. Portanto, os estudos salientaram os papéis críticos que o contexto social e a ênfase na competição
desempenham para determinar se a competição é benéfica e produtiva. A competição, inerentemente, não é nem boa nem ruim.

Num estudo clássico, Kelley e Stahelski (1970) usa- as pessoas dizerem: “A competição revela o melhor de
ram o dilema do prisioneiro para pesquisar como res- nós”, “Sem competição, até a mínima produtividade de-
postas competitivas eficazes foram comparadas com sapareceria” e “Competir é lutar por objetivos e buscar
respostas cooperativas. Nesse estudo, foram compa- o sucesso”. Muitos norte-americanos equiparam suces-
rados jogadores competitivos e cooperativos. Após so a vitória, sair-se bem a vencer alguém. Apoiam uma
uma série de jogos, os jogadores competitivos conse- atitude atribuída ao ex-técnico do Green Bay Packers,
guiram induzir seus parceiros cooperativos à competi- Vince Lombardi, de que vencer não é tudo, é a única coi-
ção. ­Basicamente, os cooperadores começaram coope­ sa. Portanto, seja lá como o chamem – instinto competi-
rando, mas foram forçados a respostas competitivas tivo, espírito competitivo ou ética competitiva –, muitas
por seus adversários. Os cooperadores sabiam que pessoas consideram esse tipo de pensamento sinônimo
estavam s­ endo forçados a mudar o estilo de jogo e a do estilo de vida norte-americano. Por exemplo, Mary
competir, enquanto os competidores percebiam apenas Decker Slaney, uma corredora de meia-distância e de-
o conflito do jogo, desatentos às propostas cooperati- tentora de inúmeros recordes mundiais, descreveu sua
vas oferecidas. orientação à competição:
Vejamos um exemplo desse princípio na vida r­ eal.
Desde que comecei a correr, eu venço... Para mim,
Imagine que você está participando de um jogo de
aquele é o único lugar para se terminar. Eu não era co-
­basquetebol recreativo e só está interessado em fazer mo algumas crianças que terminavam em segundo lu-
um pouco de exercício e se divertir (no papel de um gar e diziam: “Corri bem”. Bem coisa nenhuma. Quero
cooperador). Quando avança para a cesta, outro joga- vencer. Faço qualquer coisa para vencer.
dor o empurra por trás e o derruba no chão. Você fica
realmente irritado e enfrenta seu adversário, mas tudo o Da mesma forma, uma técnica de basquetebol de en-
que ele diz é: “É assim que jogamos aqui. Se você não sino médio bem-sucedida tem o seguinte a dizer sobre
gosta, vá embora” (ou seja ele é um competidor). Agora a competição e a vitória:
você precisa decidir se sai ou fica. Se ficar, provavel- Ao longo dos anos, desenvolvi minha própria filosofia
mente terá de adotar o estilo competitivo das pessoas sobre o basquetebol no ensino médio. Vencer é tudo o
que estão jogando. Se sair, não vai conseguir se exer- que importa. Não importa quantos jogos você vença.
citar como esperava. De qualquer maneira, o compe- O que conta é quantos campeonatos vence.
tidor ditou o tipo de ação e o comportamento ­exigido
do cooperador. Finalmente, Bela Karolyi, técnico de ginástica ar-
tística, tem sua própria visão sobre vencer e divertir-se:

Determinando se a Às vezes, a preparação é tão dura... o choro e os gritos...
Não estamos no ginásio para nos divertir. A diversão
competição é boa ou ruim vem no final, com a vitória e as medalhas.

Do modo como as coisas estão agora, a ética compe- Essa ênfase excessiva na vitória é vista no procedi-
titiva é uma força propulsora nos esportes. Você ouve mento de pontuação em jogos da NFL. Especificamente,

Competição e cooperação 107

A competição esportiva transfere habilidades e realizações para a vida?
Uma pergunta que persiste há muitos anos é: “Até que ponto a participação em esportes competitivos ajuda a preparar os indivíduos
para a vida?”. A seguir temos um resumo dos resultados de estudos sobre os diferentes aspectos dessa questão (Coakley, 1997):
• Participação no esporte e realização acadêmica. Estudos revelaram que, em geral, os atletas universitários têm média de notas
acadêmicas mais altas e aspirações educacionais mais elevadas do que os estudantes que não participam de equipes esportivas.
É mais provável que essa relação positiva ocorra quando a participação no esporte altera de algum modo relacionamentos
importantes na vida do jovem. Especificamente, quando a participação levar pais, amigos, técnicos, conselheiros ou professores
a encarar os jovens mais a sério como seres humanos e estudantes e lhes dar mais apoio acadêmico e estímulo, a participação
em esportes estará associada a resultados acadêmicos positivos. Entretanto, quando a participação ocorre fora dos esportes
patrocinados pela escola, as relações não parecem mudar de forma academicamente relevante. Isso acontece também quando os
atletas participam de ligas esportivas de menor importância ou são meros reservas em equipes das divisões principais, quando
são afro-americanos e quando frequentam escolas em que o trabalho acadêmico é muito mais enfatizado e recompensado do
que o desempenho mencionado anteriormente.
• Participação no esporte e mobilidade social ou profissional. Pesquisas mostram que ex-atletas, como grupo, não apresentam
nem mais nem menos sucesso na carreira do que outros com experiências comparáveis. Além disso, ex-atletas não parecem
ter qualquer vantagem de mobilidade sistemática sobre seus pares em empregos semelhantes: ou seja, os ex-atletas têm uma
ampla variedade de sucessos e fracassos na carreira. Diferenças motivacionais e de personalidade individuais, mais do que a
própria experiência esportiva, parecem ser um melhor prognosticador de sucesso profissional.
• Participação no esporte e comportamento fora dos padrões. A questão de a participação em esportes competitivos poder ou não
“manter os jovens fora das ruas” e longe de problemas tem sido muito debatida nos últimos anos. Análises de correlação não
revelaram taxas mais altas de desvio de comportamento entre atletas do que entre não atletas, e este resultado foi encontrado
também em outros esportes, sociedades, sexos e condição socioeconômica (Hanrahan e Gallois, 1993). Entretanto, as
pesquisas tampouco indicaram consistentemente que a participação em esportes competitivos realmente reduza a prevalência
de comportamento fora dos padrões. A natureza da experiência esportiva específica, as diferenças entre indivíduos e o ambiente
competitivo interagem para determinar o impacto da participação no esporte nos desvios de comportamento.
Coakley (1997) afirmou que a participação no esporte terá um efeito positivo na redução de comportamento desviante em
atletas se eles praticarem esportes em associação com uma ênfase claramente expressa no seguinte: filosofia de não violência,
respeito por si mesmo e pelos outros, importância da aptidão física e do autocontrole, confiança nas habilidades físicas e senso de
responsabilidade. Basicamente, apenas tirar os meninos das ruas para praticar esportes não é suficiente para reduzir desvios de
comportamento. Se enfatizarmos a hostilidade contra os outros – uso da agressão como estratégia e dos corpos como instrumento,
domínio dos adversários e vitória a qualquer preço –, não poderemos esperar que as taxas de desvio de comportamento diminuam.

embora um jogo da temporada regular na NFL possa ter- dores descobriram que um eletromagneto tinha dado a
minar empatado (após ter sido jogada uma prorrogação), seu carro uma vantagem desleal na largada. Igualmente,
o Super Bowl* é jogado até que algum time finalmente ocorreram acusações relativas à idade verdadeira de al-
vença. A premissa é de que ninguém ficaria satisfeito guns jogadores na largada na 2001 Little League World
com um campeonato que terminasse em empate. Que- Series (supostamente os jogadores teriam menos de 13
remos um vencedor absoluto. De maneira semelhante, anos de idade). O abuso de esteroides para aumentar o
o histórico de vitórias e derrotas de um técnico costu- desempenho também é uma forma de fraude. Embora
ma ser o critério maior para seu sucesso. Os reitores das muitos atletas olímpicos possam ter encontrado formas
universidades podem dizer que a educação é mais im- de burlar o teste antidoping realizado em atletas de eli-
portante do que o esporte, mas um técnico que forma te e profissionais, inúmeros outros foram desclassifi-
todos os seus jogadores mas não alcança um histórico cados. Finalmente, em seu livro No Contest: The Case
de vitórias raramente é contratado, muito menos bem Against Competition, Kohn (1992) também argumentou
pago. No nível familiar, alguns pais colocam os filhos efetivamente contra os seguintes mitos da competição:
na escola um ano mais tarde, para que, sendo maiores e a competição constrói o caráter (como autoconfiança,
mais fortes, tenham mais sucesso no futebol americano. ­autoestima); a competição nos motiva a fazer o melhor;
A preocupação com a vitória às vezes leva à desones- a competição é a melhor maneira de se divertir; e a com-
tidade. Um vencedor do All-American Soap Box Derby** petição é parte da natureza humana. Kohn defende que
foi desclassificado por fraude e perdeu o direito a uma a competição tem inúmeras consequências negativas,
bolsa de estudos de 7.500 dólares quando os organiza- incluindo: cria estresse, que interfere no desempenho
ideal; focaliza a atenção em vencer os outros mais do
que em ter um bom desempenho; alimenta a inseguran-
*
  N. de T.: Super Bowl – jogo final do campeonato de futebol ça e mina a autoestima; alimenta hostilidade interpes-
americano.
**
  N. de T.: All-American Soap Box Derby – corrida realizada com
soal, preconceito e agressão; e cria inveja, humilhação
carrinhos com corpo e rodas de madeira e que não têm motor. e vergonha indevidas.

108  Fundamentos da psicologia do esporte e do exercício

Muitos professores de educação física do ensino fun- lorizadora dos adversários, podemos encará-los como
damental queixam-se de que os alunos são excessiva- oportunidades do momento. Isso pode ser percebido nos
mente competitivos. Alguns adultos que praticam exer- comentários de Mariah Burton Nelson (1998), em seu
cícios têm problemas para trabalhar em seu próprio rit- livro Embracing Victory:
mo porque não querem ficar atrás dos amigos viciados
em condicionamento físico. Alguns caem na armadilha Os adversários apresentam-lhe a oportunidade de apren-
de tentar fazer mais do que o “outro cara”. Cada vez der quem você é, perceber o que deseja. Dão a você a
possibilidade de melhorar com a ocasião. É isto que os
mais, os especialistas que notam a ênfase excessiva na
atletas aprendem: que os oponentes podem nos tornar
vitória tornam-se defensores do esporte cooperativo e mais rápidos, mais sábios e mais eficientes. Nós os
do trabalho conjunto. Na verdade, foram desenvolvidos saudamos. (p. 277)
novos jogos que enfatizam mais a cooperação do que a
competição (Coakley, 1994). O falecido grande tenista Nelson aproveita ainda para salientar sua visão dos
Arthur Ashe dizia o seguinte sobre cultivar uma estru- adversários como algo não limitado ao terreno esporti-
tura mental cooperativa: vo. Gandhi, por exemplo, encarava os adversários polí-
ticos como professores, já que o obrigavam a dar o me-
Associo o instinto assassino a um estado emocional exa-
cerbado e não gostaria de ser conhecido como alguém
lhor de si. Aprendeu com eles quais eram suas áreas de
assim... Gosto de harmonia em tudo. Para mim, deveria desvantagem e cresceu tentando melhorá-las. Na verda-
haver harmonia entre a torcida, os árbitros de quadra e de, no esporte, perder costuma trazer mais informações
até entre os gandulas. (1981, p. 176) e aprendizado sobre o desempenho do que vencer. Os
verdadeiros competidores desejam o melhor aos adver-
Entretanto, os efeitos negativos potenciais da com- sários, para que então eles sejam capazes de dar o me-
petição não significam que a competitividade ou o es- lhor de si ao jogo.
porte competitivo seja necessariamente ruim ou que Especialmente no esporte infantojuvenil, a quali-
provoque essas consequências negativas. Há também dade da liderança adulta por parte de pais, técnicos e
muitos casos em que a competição produziu resultados outros é crucial para determinar se uma competição
positivos e saudáveis. O autor James Michener (1976), afetará os atletas jovens positiva ou negativamente.
por exemplo, declarou: Qualquer um que tenha competido no esporte sabe
que a competição pode ser divertida, excitante, desa-
Estou sempre do lado da competição saudável. Amo fiadora e positiva. Técnicos e professores devem ensi-
isso. Procuro isso. Prospero sob seu domínio. Sempre
nar aos jovens quando é apropriado competir e quan-
vivi em um mundo ferozmente competitivo e nunca me
assustei. Vivo nesse tipo de mundo hoje e acharia a vi- do é apropriado cooperar. Na verdade, na maior parte
da muito sem graça sem o desafio. dos esportes coletivos, a competição e a cooperação
ocorrem simultaneamente. Portanto, uma abordagem
Além disso, o modo como tratamos os adversários integrada oferece as maiores oportunidades para de-
pode influenciar nossa visão da competição. Especi- senvolvimento e satisfação p­ essoais. Concluindo, pa-
ficamente, se cultivamos uma atitude respeitosa e va- ra aprender mais sobre competição e cooperação, su-

Competição: é diferente para meninos e meninas?
Com a maior participação de meninas em esportes competitivos (organizados e não organizados), os pesquisadores têm enfocado
as experiências de meninos e meninas em esportes competitivos. Coakley (1997) indicou que meninos e meninas costumam ter
experiências muito diferentes quando participam de esportes e jogos competitivos:
• Os meninos participam de jogos competitivos mais frequentemente do que as meninas.
• As meninas jogam em grupos predominantemente masculinos com mais frequência que os meninos em grupos predominantemente
femininos.
• Quando os meninos estão com amigos, jogam em grupos maiores do que os das meninas.
• Os jogos das meninas são mais espontâneos, imaginativos e mais desestruturados do que os jogos dos meninos.
• Os meninos consideram-se mais qualificados fisicamente do que as meninas, embora as diferenças de sexo nos níveis reais
de habilidade sejam pequenas ou inexistentes.
• Os jogos dos meninos são mais agressivos, envolvem maiores riscos e recompensam a realização individual em um grau muito
maior do que os jogos das meninas.
• Os meninos praticam jogos mais complexos do que os das meninas; têm mais regras, maior número de posições diferentes
(papéis) e mais interdependência (trabalho de equipe).

Competição e cooperação 109

gere-se que o aperfeiçoamento tecnológico (na forma minante, seja ela competitiva, individualista, cooperativa
de jogos em vídeo) oferece a oportunidade singular de ou uma combinação delas. A competição e a coopera-
estudo de uma ampla gama de indivíduos, numa gran- ção são relações complementares que dão às pessoas a
de variedade de situações (Murphy, 2009). oportunidade de realizar seu potencial exclusivo na ati-
vidade física e esportiva. Elas têm interações potenciais
diferentes – variando de puramente cooperativa a pura-
Aumentando a cooperação mente competitiva – que um técnico ou instrutor deve
entender para estruturar uma boa mistura de atividades
Os resultados positivos produzidos por esforços coo- físicas e jogos. A maior parte das atividades pode ser
perativos são familiares às pessoas em ambientes nego- classificada nas categorias listadas a seguir, conforme
ciais, educacionais e organizacionais. Contudo, a maior definido por Orlick:
parte das situações de esporte e jogos mantém um fo- • Meios competitivos – fins competitivos. O objetivo
co competitivo, e a maioria dos textos de psicologia do é vencer alguém ou quem quer que seja, do início
esporte enfatiza os vários fatores psicológicos que au- ao fim. Você pode esperar esse objetivo, por exem-
mentam o desempenho nessas situações competitivas. plo, em uma corrida de 100 metros ou no jogo ­Pique
Certamente, os esportes competitivos oferecem bene- Bandeira.
fícios positivos, incluindo o desenvolvimento do cará- • Meios cooperativos – fins competitivos. Os partici-
ter, da disciplina e do trabalho em equipe. Com tantas pantes cooperam dentro de seus grupos, mas com-
evidências de diferentes campos que atestam os efeitos petem fora deles, como se pode observar no fute-
positivos da cooperação, vale a pena, no entanto, exa- bol, no basquetebol, no futebol americano e no hó-
minar como os jogos cooperativos podem complementar quei, quando elementos da equipe trabalham juntos
o esporte competitivo e a educação física tradicionais. e tentam coordenar seus movimentos para derrotar
um adversário. Entretanto, nem todos os membros
Estrutura componente dos jogos da equipe necessariamente cooperam (meios coope-
rativos independentes) dentro delas. Um jogador de
O psicólogo canadense do esporte Terry Orlick (1978) basquetebol, por exemplo, pode tomar a bola e não
originalmente defendia que o traçado de um jogo in- passar para os colegas de time. Para assegurar meios
fluencia enormemente a resposta comportamental predo- cooperativos independentes com atletas mais jovens,

Esporte não estruturado: uma oportunidade para aumentar a cooperação e o crescimento
Hoje em dia, a maior parte dos esportes para jovens é estruturada e organizada; há técnicos, árbitros, times definidos, tabelas,
regras rigorosas e participação dos pais. Mas os jovens também praticam outro tipo de esporte ou jogo, que foi chamado de não
organizado, não estruturado ou informal. Estudos de observação (incluindo entrevistas com jovens atletas) revelaram diferenças
extraordinárias na filosofia e na implementação dessas duas abordagens à competição esportiva. Especificamente, quando jovens
se reúnem e jogam à sua maneira, estão predominantemente interessados em quatro coisas (Coakley, 1997):
1. Ação, especialmente para chegar à marcação de pontos. A ação é intensificada de inúmeras formas, incluindo menos jogadores
participando do jogo, eliminação de lances livres no basquete e eliminação de intervalos ou pedidos de tempo.
2. Envolvimento pessoal na ação. Os jovens normalmente maximizam o envolvimento por meio de modificações inteligentes das
regras e de sistemas de handicap que evitam que os jogadores muito habilidosos dominem a ação. Eis alguns exemplos: (a)
não ser substituído após errar três bolas seguidas no beisebol – o batedor fica até que rebata uma bola razoável, (b) todos têm
uma chance de fazer passes e recepções, no futebol americano, (c) possibilidade de repetir o desempenho para compensar
os erros, (d) um batedor bom só pode bater de determinada parte do campo.
3. Times equilibrados. Cada time deve ter uma boa chance de vencer. Normalmente, as equipes são escolhidas por capitães que
têm uma escolha por vez. Mas também são feitos acordos. Por exemplo, se houver um jogador particularmente bom, o outro
capitão poderá ter o direito de escolher três vezes consecutivas para compensar a escolha desse atleta particularmente talentoso.
4. Oportunidades de reafirmar amizades durante o jogo. Há tempo para os jogadores conversarem informalmente com amigos e
“brincarem” durante pequenas interrupções na ação.
Em resumo, esses jogos informais e não organizados são geralmente centrados na ação, ao passo que o jogo organizado é
centrado nas regras. A experiência no não organizado gira em torno da manutenção da ação mediante tomada de decisão e controle
dos relacionamentos entre os jogadores. Já a experiência no esporte organizado gira em torno de aprender e seguir as regras,
bem como de obedecer aos adultos que fazem e aplicam tais regras. Muitos pais, porém, estão preocupados com a segurança
dos filhos e hesitam em deixá-los jogar em ambiente sem supervisão. Assim, uma outra forma de alcançar os resultados positivos
do esporte não estruturado é os técnicos e os pais planejarem esportes organizados mais centrados na criança, concentrando-se
no desenvolvimento de habilidades, na diversão e no crescimento pessoal.

110  Fundamentos da psicologia do esporte e do exercício

pode ser introduzida uma regra, tal como determi- do jogo podem ser alteradas para se ajustarem às difi-
nar que todos recebam um passe antes de fazer um culdades específicas da situação. Além disso, por meio
arremesso à cesta. da cooperação, as crianças aprendem a compartilhar, a
• Meios individuais – fins individuais. Um ou mais ter empatia e a trabalhar para um melhor entendimento.
atletas buscam um objetivo individual sem intera- Os jogadores devem ajudar uns aos outros, trabalhando
ção cooperativa ou competitiva. Alguns exemplos juntos como uma unidade, não deixando alguém fora
de esporte incluem cross-country, esqui, calistenia da ação, simplesmente esperando uma chance de jogar.
e natação. Eles têm liberdade para aprender com os erros em vez
• Meios cooperativos – fins individuais. Os indiví­duos de tentar escondê-los. (Esses atributos são semelhantes
cooperam e ajudam uns aos outros a atingirem os pró- aos do esporte não organizado observados anteriormente
prios objetivos. Por exemplo, dois atletas podem ob- no capítulo.) Isso não quer dizer que os jogos cooperati-
servar um ao outro e fornecer feedback e sugestões, vos sejam inerentemente melhores que os competitivos;
de modo que ambos possam melhorar as habilidades. na verdade, visto que alguns objetivos, estruturas e re-
• Meios cooperativos – fins cooperativos. Os jogadores sultados diferem entre os dois tipos de jogos, os partici-
colaboram uns com os outros do início ao fim. Todos pantes devem ter a oportunidade de escolher entre jogos
trabalham em direção a um objetivo comum, com- cooperativos e competitivos, ou jogar ambos os tipos.
partilhando os meios e os fins. O voleibol modifica-
do é um bom exemplo. O objetivo é conseguir que a
bola permaneça em jogo pelo maior tempo possível. Benefícios de combinar
Cada time pode tocar na bola três vezes antes de jo- cooperação e competição
gá-la por cima da rede, mas o objetivo não é fazer
com que seus adversários errem, mas sim lançar a Os profissionais no campo da educação física desem-
bola de maneira a assegurar que não errem. penham um papel crucial no desenvolvimento das ati-
tudes que os jovens atletas e praticantes de esportes
Filosofia dos jogos cooperativos adquirem. Os técnicos, por exemplo, podem transmitir
uma atitude de “vencer a qualquer preço”, que promove
Embora os jogos que enfatizam meios e fins cooperati- comportamentos excessivamente agressivos, ou enfati-
vos sejam raros, foram dados alguns passos importan- zar e recompensar o jogo limpo e o desenvolvimento de
tes para o desenvolvimento de alternativas aos jogos e habilidades. Um técnico de basquetebol de uma escola
esportes competitivos. (Orlick, 1978; Orlick, McNally de ensino médio que queria enfatizar o espírito esporti-
e O’Hara, 1978). Orlick afirmava que nossos esportes e vo acima da vitória dava prêmios por comportamentos
jogos competitivos se tornaram rígidos, arbitrários, al- esportivos leais, incluindo o maior troféu no jantar de
tamente organizados e excessivamente voltados a me- premiação de final de ano para o jogador que exibisse
tas. Há pouco alívio da pressão vinda da angústia psico- o melhor comportamento esportivo. O troféu de bom
lógica da desaprovação. Muitos esportes competitivos comportamento esportivo tornou-se o prêmio mais co-
para jovens atletas são planejados por princípios de eli- biçado, e os jogadores se esforçavam durante a tempo-
minação. Em muitos esportes, há apenas um vencedor, rada para merecê-lo e ganhá-lo.
e todos os outros perdem. Essa percepção de fracasso A cooperação aumenta o prazer da atividade, a comu-
é uma das razões para que uma grande porcentagem de nicação e a troca de informações. Frequentemente, pro-
jovens abandone os esportes competitivos (ver ­Capítulo duz desempenhos superiores aos da competição. Logo,
22). Ainda pior, muitos atletas jovens aprendem a se contentrar-se na cooperação e encorajar a competição
alegrar com os fracassos de outros que aumentem suas saudável no esporte e na atividade física parecem gerar
próprias chances de vitória. As crianças ficam condi- a possibilidade de muitos resultados positivos.
cionadas à importância de vencer, tornando mais difícil Uma forma de aumentar tanto a competição como
jogar simplesmente pelo prazer de jogar, que é a prin- a cooperação é pelo uso de atividades de construção de
cipal razão pela qual a maior parte das crianças pratica equipe (discutido mais no Capítulo 8). Uma atividade em
esportes. Elas não aprendem a cooperar mutuamente, a especial simplesmente pergunta a cada membro do time
ser sensíveis aos sentimentos dos outros ou a competir “O que você precisa do time para ter um grande ano?” e
de forma amigável e divertida. “O que você pode fazer pelo time?”. Esse exercício de-
A beleza dos jogos cooperativos está, em parte, em monstra rapidamente a vulnerabilidade (e necessidade
sua versatilidade e facilidade de adaptação. A maioria uns dos outros) e identifica papéis importantes que os
dos jogos cooperativos requer pouco ou nenhum equi- membros podem desempenhar. Esses tipos de ativida-
pamento ou dinheiro. Todos podem jogar, e as regras des desenvolvem habilidades cooperativas e competi-

Competição e cooperação 111

Os jogos cooperativos ensinam às crianças que há muito mais no jogo do que apenas vencer.

tivas e demonstram como a competição e a cooperação riam, em vez disso, enfatizar uma combinação de com-
são inter-relacionadas e complementares. Em essência, petição e cooperação. Nesse sentido, oferecemos algu-
precisamos de nós mesmos e dos outros para buscar a mas diretrizes para os professores e técnicos sobre como
excelência e competir no mais alto nível. integrar competição e cooperação em esportes e jogos:
Outro exemplo de como a competição e a cooperação
• Individualize as instruções para atender às necessi-
podem funcionar juntas foi fornecido por Veach e May
dades de cada pessoa.
(2005), que promoveram uma competição cooperativa
• Estruture jogos para crianças que incluam elementos
em que os atletas treinam e compartilham suas ideias
competitivos e cooperativos.
com os colegas de time e com os adversários para facili-
• Quando a competição levar à rivalidade acirrada, use
tar o domínio e o trabalho em equipe no mais alto nível.
objetivos superiores para unir os grupos.
Especificamente, dois times de iatismo norte-america-
• Forneça feedback e estímulos positivos aos alunos
nos (mesma classe de barco) passaram dois anos trei-
e atletas, independentemente do resultado da com-
nando e competindo um contra o outro e compartilhan-
petição.
do ideias, técnicas e encorajamento. Nas eliminatórias
• Enfatize a cooperação para gerar confiança e comu-
olímpicas, apenas um time podia vencer, e eles sabiam
nicação aberta.
que o vencedor competiria por uma medalha nas Olim-
• Dê oportunidades tanto para a aprendizagem de ha-
píadas. Eles terminaram em primeiro e segundo lugares
bilidades esportivas quanto para a prática dessas ha-
nas eliminatórias e o vencedor ganhou a medalha nas
bilidades na competição.
Olimpíadas. Os membros do time que ficou em segun-
do lugar ficaram decepcionados, mas tinham adquirido A Special Olympics é um exemplo específico da
nova confiança em sua capacidade de competir em nível combinação de competição com cooperação para pro-
mundial. Na verdade, um dos atletas do time que ficou duzir um ambiente de aprendizagem ideal. Especifica-
em segundo lugar veio a ganhar uma posição nas elimi- mente, o que existe na Special Olympics é a compe-
natórias de iatismo da Olimpíada seguinte. tição cuidadosamente controlada, cujo foco, além do
Entretanto, a cooperação não precisa substituir a resultado, está no companheirismo e no orgulho pelas
competição. Defendemos uma combinação de competi- próprias realizações físicas. Os participantes recebem
ção e cooperação em nossa atividade esportiva e física. apoio incondicional de espectadores, técnicos e cole-
O foco em “vencer a qualquer preço” é um desequilíbrio gas, bem como de companheiros de competição. O re-
que reflete os valores de um grande segmento da socie- sultado competitivo é importante para os atletas, mas
dade norte-americana. As experiências esportivas deve- fica em posição secundária em relação ao puro prazer e

112  Fundamentos da psicologia do esporte e do exercício

à camaradagem do envolvimento pessoal. Os pais dos Num estudo empírico de jogos cooperativos feito
participantes julgam os filhos com base no esforço e no (Orlick, McNally e O’Hara, 1978), crianças de 4 anos de
progresso pessoais e não em ganhos e perdas, medalhas, idade foram expostas a 14 semanas de jogos cooperati-
troféus ou campeonatos. Em suma, o desenvolvimento vos, jogando dois dias por semana e usando 12 tipos de
social e psicológico global dos atletas está acima de tu- jogos. As crianças foram orientadas a jogarem juntas em
do (Coakley, 1994). busca de um fim comum, em vez de competirem contra
outros times ou indivíduos. Os jogos foram planejados
para envolver todos os participantes em uma ação con-
Jogos cooperativos no tínua. Os pesquisadores compararam as respostas das
ginásio e no campo de jogo crianças que participaram desses jogos cooperativos
com as respostas de crianças que participaram de aulas
Agora que abordamos os benefícios de se combinar
normais de educação física. Verificaram que as crianças
­cooperação e competição para participantes jovens, po-
expostas a jogos cooperativos envolviam-se três vezes
demos tratar da necessidade de estimular a aprendizagem
mais em comportamentos cooperativos durante um “jo-
cooperativa nas aulas de educação física e em equipes
go livre” no ginásio do que o grupo-controle. As respos-
esportivas. Portanto, sugerimos aqui formas específicas
tas aos jogos cooperativos foram caracterizadas como
para implementar jogos e atividades cooperativas em
compartilhamento, preocupação com os outros, ajuda e
seus programas. Em primeiro lugar, técnicos e professo-
cooperação. As crianças do grupo-controle tendiam a
res de educação física devem determinar o que querem
se concentrar nos próprios desejos, assegurando-se de
realizar nas aulas ou em campo. Se buscarem diversão,
conseguir aquilo de que necessitavam ou queriam. So-
aprendizagem de habilidades, redução do estresse, ofe-
mente durante as seis semanas finais é que ocorreram
recimento do máximo de participação e intensificação
resultados positivos; nas primeiras oito semanas do pro-
de relacionamentos sociais como resultados importantes,
grama não foram vistas diferenças entre os dois grupos.
então será adequado integrar alguns jogos cooperativos a
Isso sublinha a importância da execução sistemática de
programas e currículos. Isso não quer dizer que os jogos
programas assim ao longo do tempo.
cooperativos devam ser o principal ou o único tipo de
Jogos cooperativos e aprendizagem cooperativa fo-
jogo ensinado; em vez disso, devem ser incluídos para
ram recentemente usados em aulas de educação física
complementar outras atividades e eventos competitivos.
com fins de auxiliar a fomentar a aceitação de estudan-
É comum os jogos cooperativos serem criados apenas
tes com problemas de aprendizagem (Andre, Deneuve
pela modificação de regras de esportes e jogos já exis-
e Louvet, 2011). Foram enfatizados pelo professor cin-
tentes. Para implementar uma abordagem cooperativa à
co elementos importantes à aprendizagem cooperativa:
aprendizagem, você pode seguir esses princípios gerais:
• Maximize a participação. 1. Os alunos foram divididos em equipes (um aluno
• Maximize oportunidades de aprender habilidades de com dificuldades especiais em cada equipe).
esporte e movimento. 2. Foi facilitada a interdependência positiva (os resul-
• Não faça contagem de pontos nos jogos. tados de equipe consistiram na pontuação de cada
• Ofereça feedback positivo. um dos membros).
• Ofereça oportunidades para que os mais jovens jo- 3. Cada membro da equipe recebe responsabilidades
guem em posições diferentes. individuais e um papel específico a desempenhar.
4. A tarefa exigia habilidades sociais (cabia aos estu-
Estes são alguns exemplos específicos de modifica- dantes ajudarem-se mutuamente para completarem
ções de regras que encorajam a cooperação: a tarefa com sucesso).
• Voleibol: o objetivo é evitar que a bola toque o chão; 5. Concluída a tarefa, os estudantes avaliaram quão
cada time continua a ter apenas três toques. bem o grupo havia funcionado ao longo dos proces-
• Futebol: deve haver pelo menos cinco passes para sos grupais.
jogadores diferentes antes que um chute a gol pos-
sa ser tentado. Os resultados indicaram que a aprendizagem coope-
• Beisebol: não são permitidas as saídas por erro com rativa influenciou, de forma positiva a aceitação dos es-
três bolas seguidas nem o avanço para a primeira tudantes com características especiais pelos demais cole-
base após quatro bolas lançadas; cada batedor deve gas. Não foram encontradas diferenças de aceitação nas
lançar a bola em território legal para completar um aulas de educação física individuais mais tradi­cionais.
turno de defesa. Assim, parece que certas características por si só não

Competição e cooperação 113

Cooperação nos negócios e no exército
Nos negócios, acredita-se que cooperação seja um empenho colaborativo, fazendo parte de um grupo de outros construtos
como coordenação e troca de informações (Rousseau, Aubé e Savoie, 2006). Diferentemente do esporte, em que a cooperação
é abordada como uma alternativa à competição, os negócios concentram-se na cooperação como forma de realizar tarefas
difíceis de serem feitas de maneira independente (Carron, Martin e Loughead, 2012). Jones e George (1998) observaram que as
organizações tentam criar um ambiente rico em cooperação ao montarem equipes com a mesma condição, dessa forma criando
uma sensação de fortalecimento. Há pesquisas em apoio à ideia de que atribuir maiores responsabilidades às pessoas cria um
ambiente mais cooperativo.
No exército, a cooperação vai mais além do que, simplesmente, fomentar o desempenho e a produtividade – influencia a segurança
individual e grupal, pois agir de forma não cooperativa pode levar a lesão ou morte. Mesmo o sistema de saúde dos militares salienta a
importância da cooperação, conforme evidenciado pela criação do Observational Assessment for Teamwork in Surgery (ou Avaliação
Observacional pelo Trabalho em Equipe na Cirurgia), que levanta dados sobre cooperação, comunicação e coordenação.
Além de cooperar com a própria unidade, Mendel e Bradford (1995) perceberam que “o domínio da cooperação entre agências
é fundamental ao sucesso das operações militares” (p. 6). Ademais, defendem que os militares precisam cooperar com outros
países em missões como manutenção da paz, contraterrorismo e insurgência, bem como ajuda em desastres, pois há situações
em que a força independente não é suficiente.

fomentam a aceitação de alunos diferentes. Ativi­dades de ajuda no alcance de uma meta, o alcance de metas
cooperativas e voltadas ao grupo, por sua vez, parecem pelo jogo cooperativo e o obedecimento a um líder de
ser uma forma de facilitar a aceitação e a integração. grupo ou a própria liderança de um grupo, dependendo
Por fim, um estudo (Goudas e Magotsiou, 2009) sa- das circunstâncias. O grupo-controle recebeu o mesmo
lientou a cooperação em programas de educação física material e assunto, mas o ensino ocorreu com um es-
para melhorar as habilidades sociais dos alunos. Alu- tilo tradicional de comando, com o professor passan-
nos de sexta série foram alocados ou num grupo expe- do a maior parte da explanação. Na comparação com
rimental ou num grupo-controle. Os alunos do grupo o grupo-controle, o experimental mostrou incremento
experimental participaram de um programa de apren- das habilidades de comunicação, que levaram a au-
dizagem cooperativa com 13 unidades, salientando a mento das habilidades de cooperação e empatia, além
interação com colegas, a solução de problemas de mo- de uma redução nas explosões de temperamento e na
do cooperativo, a ajuda aos colegas e o recebimento tendência à ruptura.

AUXÍLIO AO APRENDIZADO

RESUMO
1. Compreenda a diferença entre competição e cooperação.
A competição foi definida como um processo social que ocorre quando são dadas recompensas a pessoas
com base em seu desempenho em relação a outros competidores. Além disso, o componente de avaliação
social da competição é visto como fundamental a esse processo, porque a competição sempre envolve um
julgamento comparativo, e os participantes são avaliados em relação ao seu desempenho. A cooperação tam-
bém é vista como um processo social por meio do qual o desempenho é avaliado e recompensado em termos
das realizações coletivas de um grupo de pessoas que trabalham juntas para alcançar um objetivo comum.
2. Descreva o processo competitivo.
A competição, segundo Martens, é um processo em quatro estágios: um estágio competitivo objetivo, um
estágio competitivo subjetivo, uma resposta e consequências. O conhecimento dessa estrutura ajuda a ava-
liar o que determina a competitividade e resulta dela e do comportamento competitivo.
3. Detalhe os estudos psicológicos de competição e cooperação.
Um conjunto grande de evidências provenientes de pesquisas psicológicas sugere que atividades coopera-
tivas produzem mais comunicação aberta, troca, confiança, amizade e até aumento de desempenho em re-
lação a atividades competitivas. Essas diferenças foram encontradas em estudos laboratoriais e de campo,
bem como em vários jogos experimentais. As pessoas competem mesmo quando isso é irracional e, uma
vez iniciada a competição, é difícil interrompê-la. Como e por que as pessoas decidem competir, a avaliação
que os atletas fazem da competição, as várias respostas possíveis à competição e como a competitividade
afeta psicologicamente os atletas são apenas algumas indagações ainda não investigadas.

114  Fundamentos da psicologia do esporte e do exercício

4. Discuta os fatores sociais que influenciam a competição e a cooperação.
Nossos ambientes sociais, em grande parte, influenciam comportamentos competitivos e cooperativos. Tra-
balhos interculturais, por exemplo, indicam que comportamentos competitivos e cooperativos das crianças
são moldados por padrões de reforço dos adultos e por expectativas culturais e sociais particulares impos-
tas a elas. Basicamente, técnicos, professores e pais podem influenciar o desenvolvimento de participantes
jovens pela ênfase dada aos aspectos competitivos ou cooperativos do esporte.
5. Explique por que a competição pode ser tanto boa quanto ruim.
A competição não é inerentemente boa nem ruim. Pode levar a resultados positivos (p. ex., aumento da auto-
estima, confiança, divertimento) ou a resultados negativos (p. ex., fraude, preocupação com vitória, agressão
excessiva). Especialmente no esporte infantojuvenil, a qualidade da orientação dos adultos é fundamental
para determinar se a competição afeta positiva ou negativamente os participantes.
6. Entenda como equilibrar esforços competitivos e cooperativos.
Pesquisas recentes investigaram o papel da competição e da cooperação em atividades esportivas e físicas.
Os jogos cooperativos são alternativas viáveis que podem complementar os jogos competitivos mais tradi-
cionais que dominam a cultura norte-americana. Além disso, a participação em esportes não organizados
oferece aos jovens oportunidades para crescimento pessoal, tomada de decisão, responsabilidade e intera-
ção social. Todos podemos aprender muito por meio da participação em esportes competitivos. Entretanto,
uma ênfase excessiva na competitividade pode abalar alguns valores do esporte competitivo. Professores
de educação física, técnicos e pais devem trabalhar juntos para proporcionar aos atletas experiências es-
portivas agradáveis, significativas e educativas.

TERMOS-CHAVE
competição competitividade
cooperação orientação à vitória
situação competitiva objetiva orientação ao objetivo
descompetição resposta
situação competitiva subjetiva consequências
Sport Orientation Questionnaire (SOQ)

QUESTÕES DE REVISÃO
1. Discorra sobre alguns temas comuns que surgem dos estudos psicológicos sobre a competição e a coope-
ração e suas implicações para o esporte e a educação física.
2. Descreva as experiências de campo clássicas de Sherif e Sherif realizadas em acampamentos de verão pa-
ra meninos. Como a competição e a hostilidade foram criadas e, finalmente, eliminadas? Quais as implica-
ções para a competição esportiva?
3. Descreva os quatro estágios do modelo de competição de Martens, incluindo exemplos de cada estágio.
4. Aborde a filosofia básica de Orlick dos jogos cooperativos. Componha três jogos com meios cooperativos e
fins também cooperativos e explique por que são cooperativos.
5. Aborde os efeitos da competição sobre desvios comportamentais, realização acadêmica e mobilidade so-
cial ou profissional.
6. De que forma diversa os meninos e as meninas veem a competição? Cite algumas causas dessas diferenças.
7. Aborde como a ideia de descompetição versus competição é explicada por Shields e Bredemeier.
8. Johnson e Johnson favorecem a cooperação sobre a competição. Todavia, dizem haver um lugar limitado para a
competição sob certas condições.Discuta essas condições, inclusive suas razões para concordar ou discordar.
9. Aborde o valor da cooperação nos negócios e no exército.
10. Como os jogos cooperativos podem ser usados para ajudar a incluir indivíduos com características especiais?

QUESTÕES DE PENSAMENTO CRÍTICO
1. Vencer não é tudo – é a única coisa. Você concorda ou discorda? Dê exemplos de pesquisa e exemplos pes-
soais ou empíricos para apoiar seu ponto de vista.
2. Você foi contratado como novo professor de educação física para uma escola de ensino fundamental. Você
acredita que nessa faixa etária a competição e a cooperação devem ser combinadas para aumentar o cres-
cimento e o desenvolvimento pessoal. Discuta os jogos, as atividades e os esportes específicos que você
criaria para alcançar essa meta.
3. Você quer que sua filha de 7 anos de idade se envolva no esporte, mas está inseguro quanto a ela participar
de esportes organizados ou não organizados. Analise prós e os contras da competição esportiva organizada
versus não organizada. Em que você gostaria que sua filha se concentrasse e por quê?

6
Feedback, reforço e
motivação intrínseca
Após ler este capítulo, você deverá ser capaz de:
1. Explicar como feedbacks positivos e negativos influenciam o comportamento
2. Entender como implementar programas de modificação de comportamento
3. Discutir os diferentes tipos de motivação intrínseca e extrínseca
4. Descrever a relação entre motivação intrínseca e recompensas extrínsecas (aspectos de controle e informação)
5. Detalhar formas diferentes de aumentar a motivação intrínseca
6. Descrever como fatores tipo bolsas de estudo, comportamento do técnico, competição e feedback influen-
ciam a motivação intrínseca
7. Descrever o estado de fluência e como alcançá-lo

As pessoas anseiam por feedback. Uma pra- exercícios feedback construtivo requer a compreensão
ticante de exercícios se acha desajeitada e deseja receber dos princípios do reforço.
elogios, alguém que lhe dê instruções e uma câmera para
captar o momento em que ela finalmente acerta o passo.
Da mesma forma, uma criança que tenta aprender a rebater Princípios do reforço
uma bola no beisebol, após uma série de tentativas erradas,
sente-se ótima ao finalmente rebater o arremesso seguinte. Embora existam muitos princípios relacionados à mudan-
Para criar um ambiente que promova prazer, crescimento ça de comportamento, duas premissas básicas salientam
e domínio, os profissionais usam técnicas motivacionais o reforço eficaz: primeiro, se o fato de fazer algo tiver
com base nos princípios de reforço. R ­ eforço é o uso de uma consequência boa (como ser recompensado), as pes-
recompensas e punições que aumentam ou diminuem a soas tentarão repetir o comportamento para receberem
probabilidade de que uma resposta semelhante ocorra no consequências positivas adicionais; segundo, se fazer
futuro. Os princípios do reforço estão entre os mais am- algo resultar em uma consequência desagradável (como
plamente pesquisados e aceitos na psicologia. Estão fir- ser punido), as pessoas tenderão a não repetir o compor-
memente arraigados nas teorias de modificação de com- tamento a fim de evitar mais consequências negativas.
portamento e de condicionamento operante. O falecido Imagine uma aula de educação física sobre habilida-
B. F. Skinner, o mais conhecido e franco teórico do com- des do futebol, em que um jogador faz um passe para um
portamento, afirmava que o ensino repousa inteiramente colega que resulta em gol. O professor diz: “­ Isso, pas-
nos princípios do reforço. sem a bola para o homem livre – continuem a­ ssim!”.
Skinner (1968) argumentava que ensinar é organi- É provável que o jogador tente repetir aquele tipo de pas-
zar reforços voltados ao aprendizado dos alunos. “Os se para receber mais elogios do técnico. Agora, imagine
alunos aprendem sem ensino em seu ambiente natural, uma jogadora de voleibol que dá um saque arriscado e
mas os professores estruturam reforços especiais que manda a bola na rede. O técnico grita: “Use a cabeça –
aceleram a aprendizagem, acelerando o aparecimento de pare de tentar saques arriscados!”. É muito provável que
comportamentos que, de outro modo, seriam adquiridos essa jogadora não tente esse tipo de saque novamente,
lentamente, ou assegurando o aparecimento de compor- esperando evitar a crítica do técnico.
tamentos que, de outro modo, poderiam nunca ocorrer” No mundo real, entretanto, os princípios do refor-
(p. 64-65). Oferecer a alunos, atletas e praticantes de ço são mais complexos do que se poderia pensar. Com

116  Fundamentos da psicologia do esporte e do exercício

frequência, o mesmo reforçador afeta duas pessoas de atrasa para a aula, o instrutor pode criticá-lo na esperan-
maneira diferente. Por exemplo, repreender uma partici- ça de que, no futuro, ele seja mais pontual.
pante em uma aula de educação física pode levá-la a se A maioria dos técnicos combina as abordagens po-
sentir punida, enquanto pode significar atenção e reco- sitiva e negativa na tentativa de motivar e ensinar seus
nhecimento para outra pessoa. Uma segunda dificuldade atletas. Entretanto, os psicólogos do esporte concordam
é que as pessoas nem sempre podem repetir o comporta­ que a abordagem predominante com praticantes de ati-
mento reforçado. Por exemplo, um armador no basque- vidades esportivas e físicas deve ser a positiva (Smith,
tebol marca 30 pontos, embora sua média normal seja de 2006). Isso é percebido em uma citação do treinador de
10 pontos por jogo. Ele recebe elogios e reconhecimen- basquetebol de Louisville, Rick Pitino: “Você pode se
to dos torcedores e da imprensa por sua grande pontua­ programar para ser positivo. Ser positivo é uma disci-
ção e, naturalmente, quer repetir esse comportamento. plina... E quanto mais adversidades enfrentar, mais po-
Entretanto, ele é muito melhor passador que arremes- sitivo precisa ser. Ser positivo ajuda a desenvolver a
sador: quando exagera tentando marcar mais pontos, na confiança e a autoestima, fundamentais para o sucesso”
verdade prejudica seu time e baixa sua porcentagem de (Pitino, 1998, p.78-80). Phil Jackson, 11 vezes campeão
acertos, porque tenta mais arremessos arriscados. Você como treinador na NBA, usa uma proporção de 2 para
também deve levar em consideração todos os reforços 1 de feedback negativo para positivo, embora a Positi-
disponíveis para o indivíduo, bem como o valor que ele ve Coaching Alliance, que prepara técnicos para esporte
dá a eles. Por exemplo, uma pessoa em um programa de juvenil, recomende uma proporção de 5 para 1. J­ ackson
exercícios recebe um grande reforço positivo por estar afirma que, no nível profissional, é difícil apresentar
em forma e com boa aparência. Porém, devido à sua par- cinco feedbacks positivos para cada negativo, mas que
ticipação no programa, passa menos tempo com o espo- entende que os jogadores não escutarão nem reagirão
so e os filhos, o que é uma consequência negativa que positivamente se você simplesmente atacá-los com crí-
ultrapassa o valor do reforço positivo; então, ela aban- ticas. É sua crença sólida que qualquer mensagem será
dona o programa. Infelizmente, técnicos, professores e mais efetiva se você inflar os egos dos jogadores antes
instrutores costumam desconhecer essas motivações e de feri-los (Jackson, 2004).
reforçadores concorrentes.
PONTO-CHAVE  Embora alguns técnicos ainda uti-
PONTO-CHAVE  Os princípios do reforço são com- lizem ameaças de punição como seu principal instru-
plexos, porque as pessoas reagem de forma diferen- mento motivacional, recomenda-se uma abordagem
te ao mesmo reforço, podem não conseguir repetir positiva para trabalhar com atletas.
um comportamento desejado e recebem diferentes
tipos de reforço em diferentes situações.
Diretrizes para uso de reforço positivo
Os psicólogos do esporte recomendam enfaticamente
Abordagens que influenciam uma abordagem positiva à motivação para evitar os pos-
o comportamento síveis efeitos colaterais negativos de se usar a punição
como abordagem principal. Pesquisas demonstram que
Há formas positivas e negativas de ensinar e treinar. atletas que jogam com técnicos de orientação positiva
A abordagem positiva concentra-se em recompensar o gostam mais dos colegas, apreciam mais suas experiên-
comportamento adequado (como pegar pessoas fazendo cias esportivas, admiram mais os técnicos e têm maior
algo corretamente), o que aumenta a probabilidade de coesão de equipe (Smith e Smoll, 1997). A seguinte ci-
que respostas desejáveis ocorram no futuro. Por outro tação de Jimmy Jonhson, ex-treinador do Miami Dol-
lado, a abordagem negativa concentra-se em punir com- phins e do Dallas Cowboys, resume sua ênfase no posi-
portamentos indesejáveis, o que deveria reduzir com- tivo: “Tento nunca plantar uma semente negativa. Tento
portamentos inadequados. A abordagem positiva visa transformar todo comentário em um comentário positivo.
fortalecer comportamentos desejados mediante a mo- Existem muitas provas a favor de uma conduta positiva”
tivação dos participantes em realizar comportamentos (citado em Smith, 2006, p. 29). O reforço pode tomar
positivos e pela recompensa aos participantes quando muitas formas, incluindo elogios verbais, sorrisos ou
aqueles comportamentos ocorrem. A abordagem nega- outros comportamentos não verbais que sugerem apro-
tiva, entretanto, concentra-se nos erros e tenta eliminar vação, maiores privilégios, bem como o uso de recom-
os comportamentos indesejados por meio de punição e pensas. Examinemos alguns dos princípios subjacentes
crítica. Por exemplo, se um praticante de exercícios se ao uso efetivo de reforço positivo.

Discutiremos mais a relação entre recompensas extrínsecas e motivação intrínseca Um professor de educação física pode pedir que seus mais adiante neste capítulo. Embo- nas costas. as respostas desejáveis devem ser frequentemente comendado recompensar o time ou a turma inteira. material. Já foi demonstrado que se um ambiente está mais jogar em uma posição diferente. assistir à apresentação de um camente motivados (ver “Criação de uma Atmosfera atleta profissional. seca. ra técnicos. esquema contínuo requer recompensas após cada res- compensas (pode tornar-se monótono receber sempre o posta correta. tal como o técni- queles que as recebem. Durante os estágios ini- que os atletas reagem mais favoravelmente quando em ciais de treinamento ou desenvolvimento de habilida- recuperação de lesões difíceis. faixas. alunos respondam a um questionário para determinar que tipo de recompensas eles mais desejam (como so- cial. medalhas. em oposição a competição. treinadores de O ensejo e a frequência apropriados podem assegurar atletas podem elaborar uma lista do tipo de reforços a que as recompensas funcionem. . Escolha reforçadores efetivos Esses tipos de recompensas que as pessoas recebem de outros são chamadas de extrínsecas. batidinhas das próprias realizações e sentir-se competente. Um vez de determinado indivíduo. Outras recompensas são chamadas de pessoas com quem você trabalha e escolher reforçado. plane. resultado e comparação so- • Saídas especiais: ir a um jogo profissional. de fontes externas (fora do indivíduo). Planeje os reforçadores efetivamente dar o professor a selecionar o tipo de reforçador a ser usado com cada aluno. professores e instrutores não possam ofere- • Reforçadores materiais: troféus. estruturar o ambiente para promover motivação intrín- • Reforçadores de atividade: jogar em vez de treinar. talvez seja re. então os participantes tendem a ser mais intrinse- jar uma festa do time. intrínsecas. Do mesmo modo. fazer uma viagem centrado em aprendizagem. reforço e motivação intrínseca 117 Treinadores podem influenciar comportamentos usando tanto abordagens positivas quanto negativas. É melhor conhecer o gosto das co ou o professor. cer diretamente recompensas intrínsecas. porque se encontram dentro do participante. Reforçadores incluem: Exemplos de recompensas intrínsecas são ter orgulho • Reforçadores sociais: elogios. talvez em um esquema quase contínuo. Feedback. em reforçadas. publicidade. ou variar os tipos de re. res de acordo. ao passo que um esquema parcial recom- mesmo reforço). esforço e aperfeiçoamento para jogar contra outro time. cial. sorrisos. descansar. de atividade). Essa informação pode aju. Às vezes. porque provêm As recompensas devem satisfazer às necessidades da. des. eles podem camisetas. Motivacional Positiva”). pensa o comportamento de forma intermitente.

Foi criado o acrônimo TARGET para representar a manipulação de condições ambientais que promovem um ambiente orientado ao domínio. 2007). Autoridade. entretanto. 2003). diz não conseguiu ter um desempenho eficiente após a retirada dessa muleta. os detalhes são específicos a cada grupo que compõe a atmosfera motivacional. sobretudo uma habilidade complexa. mas também dá informa. Exemplifican. 2. der a confiança se a habilidade não for executada corre- ções ao aprendiz sobre como ele está se saindo. no clima motivacional criado pelos pais (White. não por comparação social (p.. bem como o resultado. gar de contar demais com o retorno dado pelo treinador.. Grupo.. apoio social e empenho. Tarefas. Embora em todos esses três casos o foco esteja na criação de um ambiente voltado ao domínio (p. senso de oportunidade. Recompensa. Smoll e Smith. 2007). 1989) e. Muitos técnicos e professores tendem guinte os participantes com feedback de apenas 50% a focalizar suas recompensas apenas no resultado do saíram-se melhor que aqueles com feedback de 100%. mas outros compor- Basicamente. 2009). Tempo. é importante entender a diferen- ça entre aprendizagem e desempenho. Permita que os alunos participem no processo de tomada de decisão (p. tamente. . É claro que você não po- as tentativas (contínuo – 100%) foi bem melhor para o de recompensar alguém toda vez que faz alguma coisa desempenho durante a prática que oferecê-lo com in. embora ainda comportamento tenha sido dominado ou esteja ocorren. Crie atmosferas de aprendizagem cooperativa dentro dos grupos (faça com que os alunos trabalhem juntos para resolver os problemas. depois que um jogador de tênis lança algumas bolas lidade. autonomia. é tretanto. próximo assunto. o técnico pode perguntar. recompensá-los. Use o momento adequado para todas essas condições (forneça feedback o quanto antes possível após o atleta realizar a tarefa). em lu- dizagem. porém. quando é fácil per- apenas age como motivador. Vazou e Duda. dualmente reduzido até se tornar intermitente (Martin e Pear. Isso obriga o jogador a avaliar o PONTO-CHAVE  Nos primeiros estágios de apren. sem qualquer feedback no dia se. nos estágios finais de aprendizagem. avaliação. jam reforçados em algum momento. Estimativa. 1995) afirmam que uma atmosfera orientada ao domínio de uma atividade pode promover motivação intrínseca e autoconfiança. Para salientar os efeitos do reforço con. Mas todas as abordagens se concentram na criação de uma atmosfera motivacional que fomente tratamento igual. costumam na rede. os técnicos podem pedir que os atle- tas gerem o próprio retorno ou feedback. desempenho (tal como na vitória). em vez de competir uns contra os outros). o que é nosso tativa foi usado como uma espécie de muleta. recompense quando os alunos melhoram o número de flexões que conseguem fazer. 3. o esquema pode ser gra. depois. próprio feedback interno. Em testes tos mais apropriados e importantes e se concentrar em de retenção. 5. Isso é especialmente verdadeiro quando as pessoas es- As pesquisas indicam que o feedback contínuo não tão aprendendo novas habilidades. Recompense comportamentos adequados tínuo e intermitente. 4. Algumas pesquisas no esporte concentraram-se no clima motivacional criado pelo treinador (Duda e Balague. Faça várias avaliações concentrando-se na melhoria pessoal (avalie o progresso e a aprendizagem. cooperação. o programa TARGET). En. 6. dar o feedback após todas do também é um fator crucial. o reforço contínuo e imediato é desejável. mais forte serão os efeitos no comportamento. Quando os indivíduos estão adquirindo uma nova habi- do. uma vez que uma determinada habilidade ou menos crucial reforçá-la imediatamente. o Quanto mais cedo o reforço for dado após uma res- reforço intermitente e imediato funciona melhor. domínio de habilidades. dar um retorno (feedback) após cada ten.118  Fundamentos da psicologia do esporte e do exercício bola acabou na rede?”. Uma vez que a pessoa domine a habilidade. certa. e no clima motivacional criado pelos companheiros (Ntoumanis. Concentre-se na aprendizagem e no envolvimento na tarefa (negligencie aspectos competitivos e de comparação social e focalize simplesmente aprender novas habilidades). Recompense por melhoria. ex. ex. independentemente do desempenho dos outros alunos). “Por que acha que a cometer erros. seja fundamental que os comportamentos corretos se- do com a frequência desejada. posta. tamentos podem e devem ser reforçados. Você precisa decidir quais são os comportamen- tervalo nas tentativas (intermitente – 50%). Pode levar dias ou semanas para que al- Criação de uma atmosfera motivacional positiva Pesquisas conduzidas originalmente em escolas (Epstein. aplicadas ao esporte e à educação física (Treasure e Roberts. Num estudo de Escolher o comportamento adequado a ser recompensa- Schmidt e Wrisberg (2004). 1. 2007. Além de reduzir a quantidade de Recompense aproximações bem-sucedidas retorno oferecido. não apenas quem é o melhor em determinada tarefa). pedir aos alunos opiniões sobre novos treinamentos).ex. e o apren.

Ou um fisioterapeuta pode recompen. é fácil esquecer a importância ele pode fazer. Especifica- não apenas o resultado mente. a última coisa que eu dizia a com a bola e. tendido do homem da segunda base. Nem todos podem ser bem. exatamente acima do braço es. e a ginasta deve to. o mesmo do indivíduo) parece ser crucial para incentivar a per- batedor tenta modificar seu swing e rebate a bola para sistência. depois de errar. Portanto. e cooperação devem receber reconhecimento e reforço. a execução que junta todas as meus jogadores. É o melhor. atletas que demonstram bom espírito esportivo. o esforço (que está sob o controle espetacular pegada. Los Angeles). chamada de modelagem. e o técnico deve se concentrar mais no de. mas não a rebatida. ex-técnico de basque- se aproximam mais e mais da resposta desejada ­(Martin tebol da UCLA (University of California. em razão da adesão ao programa ço uma única forma de estarem com a cabeça erguida de alongamento. discernimento e outros sinais de autocontrole É especialmente importante usar o nível de desempe. que é um dos atributos mais valiosos no am- além do final do campo. sendo acusados ou condenados por em seus exercícios de solo tiver sido 7. perdem mite que as pessoas continuem a melhorar à medida que o medo de tentar. 2011). um pouco antes da bola ao alto.. de voltarmos para a quadra. as crianças que foram elogiadas Os técnicos que enfatizam a vitória tendem a recompen. principalmente depois de fracasso. sar um cliente que melhora a amplitude de movimentos quero que vocês fiquem de cabeça erguida – e conhe- no ombro. Os do jogador. per. marcando ponto. Isso estimula sua motivação e os leva ao que devem fazer em seguida. se os Você não vai encontrar um jogador que tenha jogado co- jogadores estiverem aprendendo o saque por cima no vo. Quando os praticantes de es- nante e frustrante para o aprendiz. zer que eu sugeri um pouco aqui e ali. Uma das razões de os diretores de times de basque- ser recompensada pelo desempenho. – e é saberem que fizeram o melhor. seria enviar a mensagem errada ao jogador. Feedback. PONTO-CHAVE  Em habilidades difíceis. o que pode ser decepcio.. beram feedback orientado à capacidade (“você tem ta- lento”).. respon- sempenho do atleta do que no resultado do desempenho.8 na tentativa mais recente. Recompense habilidades emocionais e sociais víduo executa a habilidade corretamente. mas o jogador da terceira base mergulha e faz uma capacidade. Quando um indi. isso é tudo que Com a pressão de vencer. abuso físico ou sexual e assassina- ser usada como a medida de sucesso. os indivíduos são resumiu esse conceito de se concentrar no esforço em recompensados por desempenhos que se aproximam do vez de na vitória: desempenho desejado. Contudo. um 7. Dweck. mesmo que ainda possa haver melhora. -sucedidos nos esportes. então o bom contato cionei vencer. John Wooden. se o melhor escore de uma jovem ginasta foram bons modelos. Significa fazer o melhor que puderem. 1998) que mostrou que atletas que receberam feedback orientado ao esforço (“boa tentativa”) mostra- ram um melhor desempenho do que aqueles que rece- Recompense o desempenho. sabilidade. Ele pode di- leibol. finalmente. e Thompson. pelo empenho evidenciaram mais persistência na tarefa. Por exemplo. Um jogador de mais divertimento com a tarefa e melhor desempenho beisebol rebate uma bola difícil até a linha da terceira do que aqueles que foram recompensados por sua alta base. tebol terem ficado tão consternados em relação à briga em 2005 entre o Detroit Pistons e o Indiana Pacers e os Recompense o esforço torcedores (que resultou em suspensões significativas de vários jogadores) foi a mensagem negativa enviada aos Técnicos e professores devem reconhecer o esforço co. reforço e motivação intrínseca 119 guém domine uma habilidade. ninguém pode fazer mais. mesmo sendo provocados pe- mo parte do desempenho. biente esportivo e de exercício. Em sua rebatida seguinte. era: quando o jogo acabar. Portanto. Infelizmente. Exibir controle. não apenas criticados por atuar incorretamente. nho anterior do indivíduo como padrão para o sucesso. jovens. é uma importante habilidade social que . reforçando as melhores Interessante foi um estudo com jovens (Mueler e aproximações do comportamento desejado. mas nunca men- depois o movimento de braço correto. portes e exercícios (sobretudo jovens) sabem que serão pensar pequenas melhoras à medida que a habilidade é reconhecidos por tentar habilidades novas e difíceis e aprendida.. Especificamente. alguns atletas e treinadores famosos não Por exemplo. é útil recom. Essa técnica. los torcedores. migo na UCLA que possa dizer que algum dia me ouviu falar em vencer um jogo de basquetebol. antes partes com sucesso. então essa marca deve abuso de substâncias. sar os jogadores com base no resultado. modele o comportamento do aprendiz.5 e ela receber atos como abuso físico ou verbal de juízes e técnicos. você poderá recompensar o lançamento correto. Às vezes o resultado está fora do controle de jogar honestamente e de ser um bom desportista. Vocês se esforçaram. Recompensar o ponto marcado. após cirurgia.

Cometer erros atividades físicas. Ensine o atleta a realizar a habi. nível de proficiência atual do participante nas habilida- sempenho como uma técnica para melhorar o desempe.120  Fundamentos da psicologia do esporte e do exercício os atletas precisam aprender. um desempenho insatisfatório. motivá-los a melhorar. por sua vez es- PONTO-CHAVE  Dar feedback sobre a correção (ou timula sentimentos positivos ou negativos. Seja um elogio mo feedback positivo quando um feedback subsequente ou uma crítica. Esse tipo de feedback. porque tem relação com cido o feedback faz a diferença na motivação. conhecimento dos resultados pode ter e O’Brien. Portanto. feedback diz respeito ao estabelecimento de programas to de comportamentos. indica mau desempenho podem ficar insatisfeitos com seus níveis atuais de desempenho. Não devemos deixar passar a chance gem de que o atleta tem baixa competência. indicar melhora. os níveis de competência que devem ser alcançados e o Ocorreu um aumento de interesse no feedback de de. As evidências indicam em suas partes componentes cria um ambiente de apren- que esse tipo de feedback é efetivo para aumentar o de. Uma terceira função motivacional do nado) a um comportamento específico ou a um conjun. demonstra comportamentos específicos que devem ser executados. Stokes. Quando as habilidades são nho nos negócios. quando sincero. des e atividades desejadas. foi verificado que o desempenho au. um treinador que está tra- balhando com uma atleta lesionada para aumentar sua Benefícios do feedback flexibilidade enquanto ela se recupera de uma lesão no joelho pede que ela flexione o joelho o máximo possí. Oferecer. continue metas produtivas (ver Capítulo 15). 1999. O treinador. consegue” e “aguente firme”. Reed e Fleming. então. dizendo. 2010. 2010). produz níveis mais altos de motivação tipo de feedback costuma ser dado após a conclusão de intrínseca. Por exemplo. de fixação de metas. afeto positivo e desempenho. no entanto. manter o queixo encostado no peito durante a cambalho. de forma que apoie a au- tonomia (tal como Você pode melhorar os lances livres trocando a rotina ou aperfeiçoando seus arremessos”). inspi­ sico pode dar aos praticantes feedback específico sobre rar maior esforço e gasto de energia e criar um humor o posicionamento e a técnica adequados quando eles positivo. Stokes. dizagem mais efetivo e dá ao aprendiz informações es- sempenho. Lens e cação de erro (MAE – method of amplification error). Seria inadequado. diz à atleta que ela melhorou sua ticantes de várias formas. Em vez disso. O feedback instrutivo fornece informações sobre os ta”. são motivar e instruir. sentado numa técnica chamada de método de amplifi- Do mesmo modo. mas eles também podem expe- ticantes de exercícios. “Cuide para a estabelecer metas. na indústria e no esporte (Huberman muito complexas. uma resposta. Vansteenkiste (2010) indicou que a forma de ser ofere. Uma segunda forma de o feedback ser motivador é quando ele serve como um reforço valioso para o praticante. Por exemplo. importância maior. A divisão das habilidades complexas Luselli. duos se beneficiam de feedback específico que os ajuda lidade corretamente. mentou em média 53% depois que o feedback e os indi. o feedback deve ser específico e zes são específicas e mensuráveis. os indiví- ligado ao desempenho. Um desdobramento recente no feedback está repre- cadores de excelência no desempenho foram instituídos. incorreção) da resposta da pessoa melhora seu de. porque metas efica- assim!”. um instrutor de condicionamento fí. de recompensar tais comportamentos positivos. por exemplo. o feedback precisa estar ligado (condicio. Esse de três pontos”). espe. o que. “você estão levantando pesos. Luselli e Reed. O conhecimento claro e objetivo dizer a um aluno que está tendo dificuldade em aprender dos resultados é fundamental para o estabelecimento de uma nova habilidade de ginástica: “Vamos lá. é importante que ele seja sincero rimentar sentimentos de satisfação que funcionam co- e condicionado a algum comportamento. De fato. regula- muitas situações da vida. que você se importa e está preocupado em ajudar o aluno. Exemplos incluem “continue assim”. Como líderes de esportes e ção emocional e desempenho do atleta. O MAE baseia-se no pressuposto de que os participantes . O feedback sobre o desempenho pode beneficiar os pra- vel. e duas das principais funções flexibilidade de 50º para 55º desde a semana anterior. feedback correto em resposta aos erros e a cialmente em praticantes jovens. Forneça feedback de desempenho em vez de usar uma forma controladora (como “Você Ajude os praticantes dando-lhes informações e feedback não fará parte dessa equipe se não trabalhar os lances sobre a precisão e o sucesso de seus movimentos. temos uma tremenda oportunidade e e enganar-se é inevitável no treino e numa competição. pecíficas sobre como executar cada fase da habilidade. Esse feedback pode Quando você oferece feedback a atletas. facilitar o desempenho ao aumentar a confiança. os indivíduos que recebem um feedback específico que sempenho e fomenta sua motivação. O feedback motivacional tenta Do mesmo modo. um estudo de Mouratidis. por exemplo. alunos e pra. responsabilidade de encorajar habilidades emocionais e e mesmo o retorno para corrigir pode passar a mensa- sociais positivas.

O técnico e o instrutor identificaram exatamente um sinal a potenciais violadores de que sofrerão as o que os participantes estão fazendo bem. com certeza. um técnico de corrida de • Punir quem erra garante aos demais (p. especial quando as pessoas percebem o rebaixamento píricas. Entretanto. outros (como Benatar.. essa re. pois não estão compartilhando. como ter a convocação cancela. ções com atletas: riores. relacionado a comportamentos acadêmica nos atletas costuma ser promovida por meio negativos (improdutivos). com defen- amplificar seu principal erro durante determinado de. A seguir. os viola- podem ser reforçadores poderosos. 2006). 2009). • Há uma poderosa expectativa de cooperação e uma 2008) que apoiam a eficácia do MAE na comparação forte animosidade para com quem desempenha mal. 2006). expressões faciais e tapinhas nas costas com os outros (Walsh. Feedback. manter a estabilidade. um instrutor de ginástica aeróbica poderia dizer para um • Parece aceitável a treinadores impedir comporta- participante que está dando duro: “Gosto do jeito como mentos inadequados ou inaceitáveis por meio de está movendo os braços enquanto fica dando passadas no punição significativa e oportuna. é capaz de controlar e mudar meio dos erros. Ou seus atos e seu efeito nos outros (Radzik. Basicamente. • Usuários de artifícios. em vez nição por treinadores. pois isso envia lugar”. Com base em pesquisas em. • Os achados de 157 estudos mostraram que pessoas Diretrizes para uso de punição que tiveram punições físicas correm pouco risco de desenvolvimento de problemas emocionais e com- O reforço positivo deve ser a forma predominante para portamentais (Paolucci e Violato. a realização to. Seifried (2008) apresenta uma visão dos prós e de sua imagem ou condição diante dos outros. pesquisas indicando que atletas com muito medo de sito educativo útil (isto é. to prazo. mudar os comportamentos. “Continue assim!” e “Está muito melhor!” nor no futuro em razão de sua farsa (p. crença ou valor (Hareli e Weiner. tização de um padrão. a ordem fracassar têm um desempenho mais insatisfatório e o domínio) devido à proximidade entre treinadores e em competições e maior propensão a se machucar. Tipos de feedback • Pessoas que usam artifícios devem ser punidas. Há estudos (Milanese. Punir. Atletas que receiam o fracasso não estão motivados Ainda que alguns educadores sejam contra o uso da pu. a maioria dos pes- quisadores sugere que 80 a 90% dos reforços devem ser Críticas à punição positivos. Expressões como “Muito bem!”.. assim. Facci. punir de forma severa carece de qualquer fundamen- dor principal (Smith. 1998) de. consequências caso não sigam as regras estabeleci- das pela equipe. compa- pista poderia dizer a um velocista: “Você tem bastante nheiros de equipe) que todos são responsáveis por força nas pernas.ex. ajudando e cooperando Elogio verbal. alguns técnicos usam a punição como motiva. trazemos um fracasso ou fraqueza quando relacionadas à concre- resumo dos argumentos de Seifried. Ver- contras do uso da punição. com outras técnicas de instrução. o uso de punição para impedir erros ou artifí- cios futuros é corroborada (Goodman. estando. reforço e motivação intrínseca 121 são capazes de aprender a corrigir os movimentos por atletas. (Uma reação a este artigo foi gonha e culpa parecem intimamente associadas a apresentada por Albrecht. 2004). sores entre técnicos e professores que usam a punição sempenho. são formas fáceis e eficientes de reforçar os compor. disso. de fato. League Baseball possivelmente jamais farão parte dos os comportamentos específicos com os quais você do Hall of Fame). Use-a para melhorar sua saída”. os atletas chegam a para melhorar a aprendizagem e o desempenho. 2006). na verdade.ex. . os participantes devem comportamentos negativos (Smith. Cesari e Z ­ ancanzro. em da devido às notas ruins. A despeito desse quase consenso entre psicó- logos do esporte sobre o que promove a motivação dos Foram apresentados vários argumentos sugerindo que atletas. expectativa. Apoio à punição • A punição costuma despertar um medo de fracasso. Alguns uma melhor compreensão do que não fazer e ficam mais outros argumentos apoiam o uso da punição em situa- aptos a reajustar todo o movimento nas tentativas poste. receberão uma recompensa bastante me- “Vamos lá!”. 2002). dores da política de abuso de substâncias da Major compensa se torna mais efetiva quando são identifica. Esses argumentos incluem: de medo da punição. Há fendem que punir pode funcionar em prol de um propó. apenas tentam evitar a agonia da derrota. • Punir pode ser degradante e produzir vergonha. pela vitória e não usufruem de seus frutos. está satisfeito. Por exemplo. Por exemplo. embora se beneficiem a cur- tamentos desejáveis. Usando essa orientação. 2000). 2003).

122  Fundamentos da psicologia do esporte e do exercício a gostar menos das experiências e a abandonar a ati. desejáveis e eliminar indesejáveis recebeu várias deno- milhação. • Certifique-se de que a punição não seja percebida co- vidade (Smith e Smoll. equipe ou de aula. Por exemplo. ralize as pessoas nem grite com elas. zagem desagradável e hostil. Todavia. aula dá a ele a atenção que procurava. 1990).) portamental (Martin e Lumsden. crítica costumeira. como atenção. em termos de suas reações a determinados tipos de puni- dagem negativa – foram os atributos que os tornaram ção. PONTO-CHAVE  Os elementos negativos e as críticas potenciais à punição incluem surgimento de medo do fracasso. o que pode responder por essas diferenças. estudantes e atletas podem perder a moti. entretanto. os ingleses classificaram seus exitosos. independentemente Eis algumas orientações que maximizam a eficácia da de a punição dada ser verbal ou física. (Todavia. Simplesmente Chamar a atenção de um um aluno que perturba a informe-as da punição. 1980). De modo específico. • Não humilhe as pessoas na frente dos colegas de • A punição é capaz de criar um ambiente de aprendi. 1981): A culpa parece ter papel importante na cultura ingle- sa. • Não puna os demais colegas de time pelo erro de vação à medida que se desencorajam em razão da um só. Transmita após um fracasso e achar que qualquer tipo de punição ao indivíduo que é seu comportamento que preci. mo uma recompensa ou simplesmente. é merecida. treinamento com- e a coesão da equipe. exercícios pode trabalhar arduamente na aula de ae- róbica quando a líder a observa. reforço de comportamento indesejado. Com frequência essas características – e não sua abor. Ainda que não recomendada como a principal técnicos muito melhor quando usaram punição verbal fonte de motivação. • Possibilite aos atletas a participação na estrutura das punições pela quebra de regras. 1987) e modificação . treina. mas relaxar quando não observada. Além disso. como vergonha e hu. • Use com parcimônia a punição e cumpra-a ao uti- de e ressentimento entre o técnico e os atletas. forma de perceber seus treinadores. • A punição é capaz de. chamando a atenção a eles. São treinadores que creem que se os jogadores receiam cometer erros. se deseja eliminar. • Não puna atletas pelo cometimento de erros enquan- força e fortalece exatamente o comportamento que to jogam. ten. sa mudar. sem intenção. A punição re. Os atletas japoneses podem ficar mais envergonhados • Puna o comportamento e não a pessoa. uma pesquisa de Bandealy e no esporte Kerr [2003] revelou muito das diferenças individuais em relação ao uso do condicionamento físico como A aplicação sistemática dos princípios de reforço posi- punição: enquanto a maior parte dos atletas relatou tivo e negativo para ajudar a produzir comportamentos rea­ções emocionais negativas. Os japoneses. o tempo. Tornando a punição eficaz produção de vergonha e impedimento da aprendi- zagem de habilidades. diferenças culturais ao administrar uma punição. produzindo hostilida. • Imponha a punição de modo impessoal – não desmo- portamentos indesejáveis. na japonesa. etária. em vez dis. do ensino ou da análise técnica. Um dores exitosos que usaram a punição foram também estudo de Hagiwara e Wolfson (2013) descobriu dife- mestres da estratégia. não diferiram na necessária para eliminar comportamentos indesejados. Os técnicos também precisam ter consciência das tam com mais afinco não os cometer. Modificação comportamental • Não use atividade ou condicionamento físico co- mo punição. os comportamentos • Certifique-se de que a punição é adequada à faixa indesejáveis podem não ser eliminados. reforçar com. ao passo que a vergonha parece ter papel importante • Seja consistente dando a todos o mesmo tipo de pu. renças entre jogadores de futebol japoneses e ingleses. nição pelo rompimento das mesmas regras. Christina. so. Há treinadores que pressupõem que punir atletas em razão de erros elimina esses erros. um grupo pequeno percebeu essa punição minações na literatura da psicologia do esporte: controle como uma maneira eficaz de fomentar a motivação da contingência (Siedentop. podem ser suprimidos apenas enquanto presente • Certifique-se de que os atletas entendam a razão da a ameaça de punir. Com lizá-la. a punição pode ocasionalmente ser e não física. Harvey e Sharkey. punição (Martens. uma praticante de punição.

Em geral. o último passo na cadeia seria colocar a bola no tudes mais saudáveis de bom espírito esportivo e apoio buraco. melhoram as atividades de condicionamento (Lei- th e Taylor. destacamos alguns estudos que usa. Gillis e King. 2011) e desenvolver ati- golfe. Então. Woods períodos basal e de reforço (aproximadamente duas se- e Reed [2011]. Nessa abordagem. durante os treinos. Ele e Komaki se concentraram em três jogadas de ataque específicas (jo- gadas A. namento. Martin. B e C. com os passos finalmente progredindo facilitar o desenvolvimento positivo de jovens (Cami- de forma invertida até o início da cadeia. Forneris. Outro programa comportamental visou o desempenho de Stokes et al. 1983). o último passo é unido ao penúltimo passo.: Tee – local de saída em cada buraco. Esse estudo nho no golfe (Simek. . 1998). no Treinamento comportamental no golfe futebol americano e na ginástica (Allison e Ayllon. é lançar a bola do tee. o técnico sistematicamente refor- e ofereceremos algumas diretrizes para a elaboração de çou e forneceu feedback para as jogadas A. 1980. Feedback.. Cracklen e Genthon. To. lançador e corredores) dos esses termos se referem às tentativas de estruturar o responsáveis pela execução correta. e a embocada de sucesso atenção alguns exemplos de programas comportamen- deve. redor bloqueando a extremidade. reduziram erros no tênis. Gonzalez. Colocar a bola no buraco no menor número de de equipe (Galvan e Ward. decidia lançar ou manter a bola e (5) ação do lançador. ­feedback incluía: • demonstração dos comportamentos corretos em ca- Avaliação de programas comportamentais da estágio. e na Jogada C de o rendimento de nadadores no treino (Koop e Martin. 1994). Trudel e Berhard. Komaki e Barnett (1977) usa. cada estágio. sicionamento específico dos corredores e do lançador) **   N. Como passo seguinte. de T. Medic e Starkes. No caso do re. 2010a. lan- tais exitosos. Para o estudo. Por exemplo. Este programas comportamentais. e as- (Hume. melhorando jogadas básicas de ataque. 66 para 80%. Vejamos com mais tacadas é o objetivo no golfe. Técnicas compor. Após coletar dados durante um período inicial (10 ram técnicas comportamentais em ambientes esportivos treinos ou jogos).* seguida Feedback e reforço no futebol americano por uma tacada curta (chip) bem-sucedida e uma em- bocada (putt) igualmente bem-sucedida. os desempenhos corretos tamentais alteraram com sucesso o comparecimento ao aumentaram na Jogada A de 62% no período basal pa- treino (­Young. especialmente vidiram cada jogada em cinco estágios. vertida foi comparada aos métodos tradicionais de pre- rim Pop Warner. Barnett. habilidades a serem treinadas por patinadores artísticos Então. na Jogada B de 54 para 82%. 2009). • uma lista das partes executadas com sucesso. Essa abordagem comportamental com a cadeia in- que treinou uma equipe de futebol americano da liga mi. O’Brien e Figlerski. desempenho específicas do futebol americano. de T. sim por diante. B e C) de atacantes (formação que exige po. os autores compararam a porcentagem de estágios ensino. (4) um lançador que dos à tarefa e motivados durante todo o período de trei. çar a bola no green é o foco. 1993). 2010b). Hrycaiko e Martin. Após duas semanas. (2) uma finta entre lançador-meio corredor. ser reforçada. *   N. 1985). 1992) e o desempenho na ginástica (Wolko. reforço e motivação intrínseca 123 do comportamento (Donahue. O passo final Em um estudo clássico. tais para reduzir comportamentos não relacionados às o último passo de uma cadeia é estabelecido primeiro. 1980).** seguido pela conclusão bem-su- ram feedback e elogios para melhorar habilidades de cedida dos três passos anteriores. Para testar a eficiência do programa comportamen- penho específicas. comportamentos de treinamento e tal. que trazem revisões). e as embocadas funcionam como reforço. di- ambiente pelo uso sistemático do reforço. manas). portanto. aumentaram ra 82%. As evidências até o momento sugerem que técnicas de • elogios e reconhecimento pela realização correta de reforço sistemático podem modificar efetivamente vá. A seguir.: Fairway – parte lisa do campo de golfe. vem a tacada do fairway. Outros usou um tipo de programa de mudança comportamental programas usaram efetivamente técnicas comportamen- conhecido como cadeia invertida. 1983). bem como reduzir erros e aumentar o nível de realizados corretamente para cada jogada durante os exercício (ver Cushing e Steele [2011] e Luiselli. técnicas comportamentais uma jogada incluía (1) uma troca entre lançador-centro. e melhoraram o desempe- golfistas iniciantes (O’Brien e Simek. queria saber se seus jogadores estavam paração usados no treinamento de golfistas iniciantes. rios comportamentos. inclusive habilidades de desem. (3) um cor- cas para ajudar os indivíduos a permanecerem orienta. e dos cinco jogadores (centro. são usadas em situações de atividades esportivas e físi.

Os resultados indicaram um impressionante aumento na frequência em cada fase do estudo. o reconhecimento público. motivação adicional. Abordagem Comportamental”. quem nadava o período inteiro e quantas voltas cada nadador completava. nas três fases (McKenzie e Rushall. Medic e Starkes (2009) descobriu que registros de automonitoramento melhoraram a frequência e a pontualidade de nadadores interuniversitários. os pesquisa- bons jogadores de equipe (o que significava encorajar dores observaram todas as partidas de desafio (partidas seus companheiros durante os jogos e os treinos). embora o efeito tenha perdurado apenas de duas a três semanas. os psicólogos do esporte que desenvolveram o programa do quadro levaram os nadadores a conferirem cada momento dos treinos programados. Em um estudo de caso feito por Galvan e Ward (1998). e esse núme- grama comportamental. onde todos pudessem vê-lo. o técnico havia detectado 4 a 6 ro caiu para pouco mais de duas agressões verbais por casos de crítica durante cada sessão de treino. Por exemplo. Registro e modelagem no basquetebol Comportamentos inadequados no tênis Outro programa comportamental visou o comportamen. Para chegar a esses números. Aumento no comparecimento: uma abordagem comportamental Uma equipe de natação tinha presença e pontualidade insatisfatórias nos treinos. Mas a me. Após apenas portamento pareceu funcionar bem para esse grupo de algumas sessões. 1974). Um técnico de basquetebol de uma escola de en.124  Fundamentos da psicologia do esporte e do exercício Os resultados revelaram que os golfistas que receberam foram registradas durante uma sessão de treino. os jumps melhoraram de uma redução significativa nos comportamentos inade- 37 para 51%. Logo. nal da temporada. agressão verbal e abuso físico próprio. unidos do que eu poderia ter imaginado”. Outro exem- nado tradicionalmente. mais de 80 declarações de estímulo jogadores universitários. Um quadro de empenho foi jogadores foram informados de seus comportamentos colocado em um lugar visível na entrada principal do inadequados durante uma reunião inicial e receberam su- ginásio. Em seguida. tinham que ser pontuais e nadar durante toda a sessão para receber uma marca de presença. Todos os cinco jogadores que foram acompanhados O programa produziu algumas mudanças dramáticas: durante uma temporada de tênis competitivo tiveram após apenas algumas semanas. treino e deixavam de se concentrar nos arremessos. o objetivo foi reduzir a quantidade de comportamentos 1980). um estudo de Young. o grupo com treino plo de um programa comportamental para aumentar a comportamental quase 1 tacada a menos por buraco (18 frequência e a participação em uma equipe de natação buracos) do que o grupo com treinamento tradicional – é fornecido em “Aumento no Comparecimento: Uma uma melhora surpreendente. Basicamente. o equivalente a um adicional de 500 metros para cada nadador durante a sessão de treino! A natureza pública dos quadros de programa e frequência serviu claramente a uma função motivacional: cada nadador podia ver quem estava comparecendo. Na segunda fase. Ela colocou o quadro em destaque em uma parede próxima à piscina. . eram subtraídos pontos se o técnico observasse registraram os comportamentos inadequados. jumps e lances livres e por serem jogadores. Ao fi- instruções no modelo de cadeia invertida deram 17 taca. sobretudo os que eles tinham exibido inicial- e lances livres melhoraram de 59 para 67%. séries iniciais. Nesse competitivas entre colegas de time) durante o treino e sistema. os nadadores que compareciam ao treino recebiam uma marca no quadro. o técnico comentou: “Ficamos mais das a menos que os golfistas do grupo de controle trei. O grupo aumentou seu desempenho em 27%. Na primeira fase do programa. mente com mais frequência. Os técnicos e os nadadores comentaram que a pressão dos companheiros. ficava angustiado porque seus universidade. a atenção. e os alunos mais destacados recebiam um prê. agres- jogadores frequentemente criticavam uns aos outros no são com a bola. respectivamente. o elogio e a aprovação dos técnicos ajudaram a tornar o programa um sucesso. apresentara em média mais de 11 agressões verbais por vidual dos jogadores. Todos os um caso de “má conduta”. 63 e 100%. tos. gestões de estratégias para reduzir esses comportamen- mio no jantar de final de temporada. as bandejas melhoraram de 68 para 80% quados. psicólogos do esporte recomendaram à técnica que elaborasse um quadro de presenças com o nome de cada nadador. é necessária para a manutenção da adesão. incluindo agressão com a raquete. quem chegava atrasado. com aumentos de 45. com 10 a partida ao final da temporada. O número de comportamentos inadequados de cada jo- O técnico decidiu conceder pontos diários aos atletas gador foi afixado no quadro de avisos do vestiário dos por suas bandejas. partida durante o período de preparação. Finalmente. Para resolver o problema. A modificação do com- 12 casos de estímulo entre companheiros. inadequados na quadra em jogadores de tênis de uma sino médio. provavelmente na forma de exibição pública. to tanto de atuação como de não atuação (Siedentop. Antes da implementação do pro. eles tinham que chegar na hora para receber uma marca no quadro. um jogador lhora mais impressionante foi no comportamento indi. Na fase final.

Comportamentos que os atletas precisam demonstrar. mentar a efetividade de seus programas de intervenção: evite criar competições doentias entre companheiros • Identifique os comportamentos. algumas pessoas tamentos. mas com o que o fisioterapeuta acha geralmente muito ocupados para registrar compor- que é ideal para seu caso em particular. Acom. • Adapte o sistema de recompensa. técnico e o reconhecimento da melhoria. concentrarem em mudar apenas alguns comporta. requeridos e ao que acontecerá se tiverem ou não tais mente. detectar e medir. em geral. mas necessitam . é difícil observar ao mesmo tem. as técnicas comportamentais podem que é capaz de ainda reforçar o aumento do rendi- produzir mudanças positivas em vários tipos de compor- mento. (Mais ciência que arte. • Registre os comportamentos. Ao mesmo tempo. Se a recompensa para determinado po o que todos os participantes estão fazendo. Quando você iniciar de time. mudar comportamentos em situações es. Frequência. Técnicos. ve monitorar cuidadosamente o comportamento. de modo que comportamentos marcas em um gráfico fácil de ler que mostre clara- ineficazes possam ser eliminados. -alvo adequados. você precisará ensi- cazes. dam na motivação. • Estabeleça claramente os resultados. forem aplicadas. isso evitará que fiquem sobrecarregados e nos querem ter clareza quanto aos comportamentos confusos na tentativa de fazer demais muito rapida. consulte “Escolha de Comporta- dança comportamental podem alterar o comportamento. comportamentos de forma que sejam fáceis de Programas comportamentais eficazes têm certas carac. Essas listas devem uma atleta amadora recuperando-se de uma lesão não ser simples e diretas para aumentar a eficácia e a tenta comparar seu desempenho com o de um atle. identifique apenas alguns comporta. Portanto. Atletas e alu- mentos. mentos-alvo e sua Monitoração”. Além disso. mas. alunos já estão bastante motivados. sociais e emocionais são comportamentos-alvo ade. o elogio de um professor ou em relação à eficácia de vários aspectos da interven.) ná-los a registrar os comportamentos para assegurar • Enfatizam que o técnico. efetividade. ex. na verdade. dar feedback aos participantes. comportamento no treino for ser escolhido como ti- panhando apenas um ou dois comportamentos. Nesse caso. À medida que as técnicas comportamentais acham esse tipo de exibição embaraçoso e ofensivo. tamentos. gentes ou auxiliares do professor podem ser convo- ram demonstrados pelas pesquisas como sendo efi. número de voltas feitas e execução correta de uma habilidade são comportamentos re- • Enfatizam medição específica. cados para ajudar. você tular no próximo jogo. porcentagem de terísticas principais: lances livres. explicando os comportamentos específicos visados e reforçá-los igualmente. na próxima página. além daqueles de desempenho típicos. Registre os comporta- • Encorajam os participantes a melhorarem em relação mentos observáveis numa lista de verificação para ao próprio nível anterior de desempenho. o Claramemente. Feedback. comportamentos. A exibição pública desse feedba­ ck pode estimular a interação entre companheiros. técnicos assistentes. Tente definir os portivas e de exercício pode ser uma proposta delicada. tos como pressa e empenho são mais difíceis de da para avaliar a efetividade do programa. a atenção. de • Forneça feedback significativo. positivos para a realização de ambos. esperados deles para que possam modificá-los de tes em níveis aceitáveis e oferecem procedimentos maneira adequada. O feedback deta- maneira sistemática (p. professores e instrutores são ta profissional. a confiabilidade. videoteipes. reforço e motivação intrínseca 125 Criação de programas colha os comportamentos após fazer uma avaliação comportamentais efetivos cuidadosa das necessidades particulares dos partici- pantes do programa. • Defina os comportamentos-alvo. professor ou instrutor de. ajudar a determinar a localização e a natureza exatas mentos a serem trabalhados. Os indivíduos precisam saber es- • Reconhecem a diferença entre desenvolver novos pecificamente quais tipos de comportamentos são comportamentos e manter comportamentos existen. porém. Pode ser uma boa ideia reunir o time para um programa. os quais aju- ção comportamental. mente o progresso da pessoa acabará e­ ncorajando • Encorajam o líder a obter feedback dos participantes o autoelogio.. Comportamen- de desempenho e comportamento e usam essa medi. diri- • Enfatizam procedimentos comportamentais que fo. as seguintes orientações poderão au- O foco deve sempre estar no autoaperfeiçoamento. o técnico deve esclarecer esse pode registrar com mais precisão os comportamentos resultado. Se os participantes se do painel da exibição pública. detalhada e frequente lativamente objetivos e concretos. observar e registrar. Muitos atletas e quados. Uma simples série de comportamental). listagem lhado aumenta a motivação. Para escolher comportamentos- Embora os exemplos demonstrem que programas de mu. Es.

• Ao término da sessão. que deve ­preenchem formulários classificatórios idênticos sempre ser encorajada. os praticantes de exercícios com frequência ganham ca- . Alguns comportamentos observados em pesquisas anteriores (ver Martin e Pear. rece jantares de final de temporada nos quais prêmios pecíficos no gelo. da pré-competição e da competição. • Listas de verificação comportamental para registrar comportamentos múltiplos. Comportamentos isolados devem ser observados por indivíduos treinados para esse fim. 2003.) traz um exemplo de como a terapia cognitivo-compor- tamental e a modificação do comportamento podem ser integradas a uma sessão de prática de patinação artística: Motivação intrínseca e • Antes de a patinadora chegar à pista. A Figura 6. troféus. (Ver Gawande. Alguns exemplos incluem o Sistema de Avaliação de Comportamento do Treinador. bem como componentes de rotinas pré-competição ou pré-desempenho eficazes ou ineficazes. Às vezes. Alguns exemplos de habilidades que podem ser automonitoradas incluem as habilidades de instrução do treinador. tivo-comportamental e os princípios da modificação do -comportamental (que incorporam métodos cognitivos comportamento podem ser combinados numa checklist de mudança. automonitoramento. habilidades defensivas no futebol americano. O filme pode ser usado para avaliar pontos fortes e pontos fracos de adversários. ela consulta sua recompensas extrínsecas checklist prática. incluindo: • Observação direta de comportamentos isolados. Pesquisadores e consultores podem criar listas de verificação que permitam que os observadores monitorem comportamentos múltiplos. como medalhas. os comportamentos de ensino de um técnico de basquetebol. a técnica oferece retorno posi. recompensar o bom comportamento de seus alunos. repetidas vezes. jogadores de hóquei. para que pos- as diferenças individuais ao serem implementados sam comparar as anotações e preparar a sessão de programas de mudança comportamental. bem como os saltos. dinheiro e jaquetas são • A patinadora revisa a sessão com a técnica antes de dados aos participantes.126  Fundamentos da psicologia do esporte e do exercício Escolha de comportamentos-alvo e sua monitoração Tkachuk. O mundo dos esportes e do exercício usa muito a • A patinadora depois se imagina atingindo as metas ­recompensa extrínseca. faixas. o que garantirá alta confiabilidade. de alunos estiverem. piscinas nadadas durante treinos de natação e boas tacadas no golfe. treinadora e patinadora te de motivação a longo prazo é a interna. como diálogo interno e ensaio mental) po. ajudando técnicos a trabalharem com jovens dem ser combinadas e integradas para produzirem me. • Automonitoramento do atleta. para treinos. Estímulos visuais do ambiente competitivo captados em videoteipe podem dar indícios de comportamento verbal e de emoções experimentados durante o desempenho. A lista descreve apenas alguns métodos que podem Modificação comportamental e ser usados na terapia cognitivo-comportamental. de um programa sistemático para direcionar essa • A patinadora. mental costumam oferecer adesivos e brinquedos para • Ao longo da sessão. O ponto-chave é considerar em relação a tudo que foi praticado.1 traz um exemplo de como a terapia cogni- A modificação do comportamento e a terapia cognitivo. preparação. A filmagem do comportamento fornece um registro permanente daquele comportamento para análise posterior. que delineia as metas de desempe- nho desta sessão. Mas o tipo mais for. ensaio com- terapia cognitivo-comportamental portamental. prática seguinte. 2010. Leslie-Toogood e Martin (2003) forneceram algumas diretrizes e sugestões para a escolha dos comportamentos a serem mudados e para a observação e o registro desses comportamentos. listas de verificação dos componentes dos movimentos corretos de velocistas e uma lista de verificação para avaliar técnicas de estilo livre e nado de costas na natação. • Filmagem do treino. que traz uma lhorias ainda maiores de desempenho. precisão do saque no voleibol. pratica os movimen- motivação. reforço positivo e indicadores. Já tivo e lembra à patinadora seus objetivos. velocidade de patinadores e habilidades realizadas corretamente em treinos de ginástica. incluin- do fixação de metas. a automonitoramento também pode iniciar a mudança desejada de comportamento. • Reconstrução por videoteipe pós-desempenho de comportamento verbal. Professores do ensino funda- começar a patinar. mais poderão necessitar inicial. A maior parte das ligas ofe- por meio da realização dos movimentos e saltos es. Quanto menos motivados os atletas e os tos especialmente difíceis. para uma revisão) incluem erros de braçadas na natação. a Escala de Avaliação de Diálogo Interior e Gestos. mente de recompensas externas. Luiselli (2012) discussão aprofundada dos benefícios das checklists. modo que a treinadora possa dar o retorno almejado.

http://www. Com recompensas extrínsecas. • Faça as correções necessárias aos • Revise áreas que devem ser informe posições e tarefas. acontece quando combinamos recompensas extrínsecas dades esportivas e físicas por razões intrínsecas. A teoria da autodeterminação . Indivíduos que participam por amor ao esporte e ao Fatores sociais e psicológicos podem afetar a motivação exercício são considerados intrinsecamente motivados.” J. • Peça que um jogador comente Controle do disco • Entre os tempos de jogo: positivamente o jogo – “no que Passagem do disco Revise o jogo anterior acertamos”.. 1999. ele respondeu: “Fazia isso simplesmente porque na competição (competir contra si mesmo e contra al- queria. certeza. a definir o senso de competência da pessoa). produzir algumas mudanças desejadas no com.1 Checklists de treinamento. cava naquilo” (Hemery. voltamos nossa atenção para o que negativos. campeão mundial de remo: “­ Você não vem para uma e nas academias.uk/journals). 2012. com e derrotar um adversário é ainda importante para alguns. Feedback. • Anuncie “calma e atenção total ao técnico”. Fatores que afetam as motivações gostam da ação e da excitação. Percepção de posição treinador”. 2004) revelou que os atletas eram motiva- dizagem e aumentam a motivação e o desejo de manter dos principalmente por metas e realizações pessoais. Conforme observado durante todo este do que por incentivos financeiros. 47). Um estudo que a participação nas aulas.tandf. 2002. • Elogie cada jogador que volta ao • Obtenha a estatística do jogo. com motivação intrínseca esforçam-se internamente para serem competentes e autodeterminadas em sua busca por dominar a tarefa em questão.. por que ele corria competitiva. e Hanrahan. o uso sistemático de recompensas pode. • Com o quadro de estratégias de jogo. Taylor e Francis Ltd. exercício. Mas os indivíduos também participam de ativi. Alguns dos fatores sociais mais destacados quando perguntaram a Steve Ovett. concentram-se no diver. em que o foco lhante. p. mas consequências negativas. Entretanto.2. do jogo. de educação física ch. Isso pode aconte- usadas incorretamente. em que a melhoria é o foco..co. A visão atual de motivação intrínseca e extrínseca é Sabemos que a motivação tem duas fontes: extrínseca apresentada na Figura 6. um corredor britânico incluem (a) sucesso e fracasso (experiências que ajudam de elite de meia-distância. gum padrão de excelência. Jogo em equipe • Revise os sucessos do jogo. também poderão ocorrer algu. mas vencer vem em primeiro lugar” (Jones. Tiger Woods observou que os golfistas bem-suce. De maneira seme. Elas apreciam a competição. e os diferentes tipos de moti- e intrínseca. Luiselli. 15). Mas competir contra capítulo. versus competir contra seu adversário. misetas e outros prêmios pela regularidade da presença e próprios recordes” (Scott. Adaptada de “Behavioral sport psychology consulting: A review of some practice concerns and recommendations. reforço e motivação intrínseca 127 Pré-jogo Jogo Pós-jogo Certifique-se de que os jogadores se Selecione tarefas de banco de reservas Dê 5 min de relaxamento após apresentaram e chegaram 30 minutos antes quanto a posições de defesa e ataque. a motivação vação são explicados em “Tipos de Motivação Intrínseca vem de outras pessoas. por meio de reforços positivos e e Extrínseca”. intrínseca e extrínseca dos indivíduos no esporte e no assim como aqueles que jogam por orgulho. • Lembre aos jogadores o próximo Arremessos em gol saliente aspectos estratégicos treino ou jogo (data e hora). é a vitória) e (c) comportamentos dos treinadores (po- didos “apreciam a calma e o desafio de tentar bater seus sitivos versus negativos). (b) foco mente. • Peça aos jogadores que revisem o Lembre os jogadores de equipamento e aguardem na porta do hidrata­rem-se vestiário. mais a participação. se as recompensas forem corrida como esta para bater recordes. intrínseca e extrínseca timento e querem aprender da melhor forma as habilida- des. • Dê instruções para colocarem o uniforme. Informe especificamente melhoradas. entrada dos jogadores no vestiário. conforme observado pela seguinte citação de Sam Lyn- portamento em situações esportivas. Jogo defensivo Com o quadro de estratégias. reimpressa com permissão do editor (Taylor e Francis Ltd. Os defensores das recompensas pesquisou a motivação contínua de atletas de elite (Mallet extrínsecas argumentam que elas intensificam a apren. cer. Arremessos em gol FIGURA 6. Pes­soas e motivação intrínseca. • Revise estratégia e objetivos: o que devem fazer. Agora. Journal of Sport Psychology in Action 3(1): 41-51. Por exemplo. banco em relação a: • Reúna os jogadores indicando • Dê 10 minutos para a colocação do Garra momento de “calma e atenção no uniforme. p. conseguir o melhor por todo o esforço que colo. p. 142). 1991. jogadores.

• Regulação identificada – O comportamento é muito valorizado. 2001). • Regulação externa – O comportamento é completamente controlado por fontes externas. • Realização – A pessoa participa de uma atividade pelo prazer e pela satisfação que sente ao criar alguma coisa ou dominar habilidades difíceis (p. o “limiar de autonomia” (em que a escolha é de natureza mais intrínseca). um praticante de exercícios que permanece em forma para impressionar o sexo oposto está praticando regulação introjetada.2 Continuum de motivação intrínseca e extrínseca. A atividade é pessoalmente importante devido mais a um resultado valorizado do que ao interesse na atividade por si própria.. cognitivos e comportamentais (Vallerand. entusiasmo e prazer estético (p. . Basicamente. mesmo que a atividade não seja prazerosa em si. aceito e considerado pelo indivíduo e. aprender um novo alinhamento defensivo). na realidade. os fa. como recompensas e coações. 1997. os indivíduos não são motivados nem intrínseca nem extrinsecamente e. Por exemplo. Por exemplo. e o grau com necessidade de competência (sentir-se confiante e auto- que elas são satisfeitas contribuirá para determinar a eficaz). Por isso. Vallerand e Rousseau. as pessoas podem se sentir autônomas (agem conforme sua vontade) quando há recompensas externas por seus atos (Standage. afirma que competência. esses construtos são vistos como multidimensionais).128  Fundamentos da psicologia do esporte e do exercício Falta de Motivação Motivação motivação extrínseca intrínseca Limiar de autonomia Falta de Regulação externa Introjetada Identificada Integrada Estimulação Realização Conhecimento motivação Baixa autodeterminação Alta autodeterminação FIGURA 6. ex. bem como a regulação integrada e a regulação identificada. entretanto. um professor de educação física que simplesmente cumpre as atividades porque. explora ou tenta entender alguma coisa nova (p. Motivação intrínseca • Conhecimento – O indivíduo se compromete com uma atividade pelo prazer e pela satisfação que experimenta enquanto aprende. conforme mostrado na Figura 6. • Regulação introjetada – O indivíduo é motivado por estímulos e pressões internos. nas decisões ou de alguma forma “mandar” nelas) e (c) Tipos de motivação intrínseca e extrínseca O pensamento atual vê a motivação intrínseca e extrínseca em um continuum e esclarece ainda diferentes tipos de motivação intrínseca e extrínseca (ou seja. uma atleta pratica um esporte porque acredita que a sua participação contribui para seu crescimento e desenvolvimento. como alegria. dominar um mergulho difícil que a pessoa venha tentando fazer há algum tempo).2. Portanto.. portanto. experimentam sentimentos difusos de incompetência e falta de controle. um treinador que passa muito tempo na sala de treinamento simplesmente para obter um aumento no salário está externamente motivado.ex. Os três tipos de motivação intrínseca. Por exemplo. (b) necessidade de autonomia (ter participação motivação intrínseca de um indivíduo. Por exemplo. refletem o sentimento de “querer” mais do que de “dever” e. sentir o prazer de escalar uma montanha). foram considerados positivamente relacionados a resultados afetivos. 2012). é realizado de boa vontade. portanto. Por exemplo. é colocado logo após a regulação identificada (que possui alguns aspectos intrínsecos. • Estímulo – A pessoa participa em uma atividade para experimentar sensações prazerosas. ex. embora seja ainda mais externa que interna). Esses conceitos podem ser medidos pela escala de motivação esportiva desenvolvida por Pelletier e colaboradores (1995). Motivação extrínseca • Regulação integrada – Regulação integrada é a forma evolutivamente mais avançada da motivação extrínseca. não se importa mais com o ensino está exibindo falta de motivação. Falta de motivação • Neste caso. o comportamento ainda não é considerado autodeterminado porque é regulado por contingências externas. portanto. autonomia e relacionamento tores psicológicos que afetam a motivação incluem (a) são as três necessidades humanas básicas.. um professor de educação física treina diligentemente pelo resultado valorizado de conclusão de uma maratona.

achei a mostraram que esse jogo era intrinsecamente motivador. melhor. comentou o seguinte em muitos blocos de formatos diferentes que podiam ser relação a exames: “Esta coerção tinha um efeito tão arranjados para formar vários padrões. 2011): • HP tem relação com afeto positivo. jogo de azar). após ter passado no exame final. aditivas: quanto mais. • HP tem a ver com níveis mais elevados de satisfação de vida. ter conflito com outras atividades de vida (p. atletas de ensino médio com uma paixão obsessiva desse tipo pelo esporte podem. necessidade de relacionamento (importar-se com e ter nante durante um ano inteiro” (Bernstein. você não espera que essas recompensas extrínsecas começaram a testar sistematicamente a relação entre re- diminuam a motivação intrínseca. a atenção dos outros).ex. • OP não tem relação com relações entre treinador e atletas. p. por exemplo.. interessante passavam subsequentemente menos tempo sionais via a motivação intrínseca e a extrínseca como naquela atividade do que aqueles que não eram pagos. • HP tem relação com menos lesões prolongadas e crônicas. Por exemplo. trata-se. 2008. “Tenho que fazer isso”). Em seu estudo bastante original e agora clássico. 2009. podendo. Inversamente.. assim.ex. Donahue e Lorimer. Testes-piloto restritivo que. quando percebem a causa de seu compor- tamento como externa a si mesmas (do tipo “Fiz isso por dinheiro”). emoções positivas e fluência. • OP tem relação com assumir mais riscos na escolha de comportamentos perigosos e pouco saudáveis. Lafreniere. pesquisadores e teóricos za. à medida que ela se torna parte da identidade pessoal. As recompensas extrínsecas E. ela passará a ser um elemento de sua identidade. até onde seja altamente valorizada (Vallerand et al. pensados com dinheiro para participar de uma atividade A maior parte dos primeiros pesquisadores e profis.. na identidade do indivíduo. A atividade ocupa um espaço importante. de motivação intrínseca do indivíduo. a vergonha). Edward pouco mais o efeito das recompensas extrínsecas sobre Deci (1971. o tempo que os par- . 2006. Paixão é definida como forte inclinação e desejo por uma atividade de que se goste. ao passo que uma personalidade controladora tem a ver com OP. 2006). Em um período de jogo posterior. • HP está associada a relações altamente qualificadas entre treinador e atletas. de um jogador desse esporte. Exemplificando. às vezes. Feedback. • OP prevê persistência rígida em atividades tidas como ruins (p. reforço e motivação intrínseca 129 Paixão: chave para a motivação permanente Ainda que o conceito de paixão tenha gerado muita atenção entre os filósofos. apenas recentemente recebeu atenção empírica na literatura da psicologia do esporte e do exercício. Por exemplo.ex. Rip e Vallerand. trabalho. consideram-se extrinsecamente motivadas. na verdade. 88).. Estar consciente desses fatores e Quando as pessoas se veem como a causa de seu com- alterar as coisas quando possível aumenta o sentimento portamento. considere importante e invista tempo e energia nela (Vallerand. como estudar ou ver os amigos. 1972) verificou que os indivíduos recom- a motivação intrínseca. quanto mais um indivíduo estiver ex- prejudicam a motivação intrínseca? trinsecamente motivado. algumas pes. Com certe. Mas examinemos um compensas extrínsecas e motivação intrínseca. como estudar. muitas vezes. Vallerand. 2010). Intuitivamente. Vallerand et al. O indivíduo torna-se controlado pela atividade (p. • Uma personalidade autônoma tem a ver com HP. bra-cabeças mecânico chamado SOMA. consideração de quaisquer problemas científicos repug. Seguem alguns achados importantes relativos à paixão e ao esporte (Donahue. Entretanto. 1968). embora sem sobrecarregar. Acompanhando a teoria da autodeterminação (Ryan e Deci. O que dizem as pesquisas de intrinsecamente motivadora (como voleibol escolar) deve aumentar a motivação no mesmo grau. ter paixão por jogar basquetebol poderia significar que alguém não está meramente jogando basquetebol. livremente. menos ele estará intrinseca- mente motivado (deCharms. Jowett. 1973. família). 2002). quando as pessoas gostam de uma atividade e nela se envolvem regularmente. atletas do ensino médio com paixão harmoniosa pelo esporte decidem quando jogar e quando fazer outras coisas. acabar por praticar seu esporte em lugar de realizar outra tarefa. Por exemplo. composto de Albert Einstein.. • OP tem a ver com níveis mais altos de agressão negativa. • OP tem a ver com emoções negativas (em especial. Deci soas notaram que as recompensas extrínsecas podiam pagava os participantes para armarem um jogo de que- ter um efeito prejudicial sobre a motivação intrínseca. parece que combinar motivação extrínse- ca e intrínseca produziria mais motivação. • Paixão obsessiva (OP – obsessive passion): um desejo incontrolável de participar de uma atividade que não se torna um elemento da identidade pessoal. consideram-se intrinsecamente motivadas. No final da década de 1960. diz-se que. incluir recompensas extrínsecas (troféus) numa ativida. Vallerand e colaboradores (2011) identificaram dois tipos de paixão: • Paixão harmoniosa (HP-harmonious passion): forte desejo de envolvimento numa atividade.

Vallerand e Losier. Basicamente. embora no início elas ções na motivação intrínseca. 1994. de motivação intrínseca. Deci e Ryan. 1987. todeterminação do indivíduo também afetam seus níveis Nem todos os estudos demonstraram que recom. 2000). cia e a autodeterminação pessoais (Figura 6. Portanto. foi removida. Ambos os a motivação sob certas circunstâncias específicas. são estruturadas) têm dois componentes funcionais: um tivação intrínseca concluíram que aquelas prejudicam aspecto controlador e um aspecto informal. uma subteoria da solicitado que cada criança desenhasse sob uma de três teoria da autodeterminação mais geral (self-determina­ condições de recompensa. De seja o que causa o comportamento de uma pessoa) na maneira semelhante. enquanto os outros dois grupos essas necessidades básicas. elas foram discretamente ob. ciado à qualidade do desempenho (Cameron e Pierce. A CET é. o desempenho e o desenvol- situação de livre escolha. quantidade e qualidade de intrínseca. Lepper e Greene (1975) trabalha. o foco está estivessem intrinsecamente motivadas a usar as canetas nos fatores que facilitam ou prejudicam o desenvolvi- hidrográficas (Lepper. Foi theory – CET). 1996). 1985) de- ram com crianças de uma escola maternal e seleciona. Portan- servadas por seu interesse na mesma atividade em uma to. e colaboradores (Deci. Eisenberger e Cameron. Em essêcia. do comportamento da pessoa. Seguindo a orientação tudo demonstra os possíveis efeitos de longo prazo das da SDT. precisamos entender sob que condições sido recompensados para brincar com os quebra-cabeças. chamado “Transforme das recompensas sobre a motivação intrínseca. Para ajudar a explicar os diferentes efeitos potenciais Em um outro estudo clássico. elas não e Ryan (1994) afirmaram que “as pessoas são ineren- sabiam qual seria a recompensa que receberiam após temente motivadas a sentirem-se ligadas a outras num completar a tarefa. as crianças concordaram em fazer um de. então esta acredita que a . Na condição “recompensa inesperada”. ela não se estende sobre o que a ocasiona.130  Fundamentos da psicologia do esporte e do exercício ticipantes gastaram com o quebra-cabeças SOMA (em lam inúmeros casos em que recompensas extrínsecas e oposição à leitura de diferentes revistas interessantes) foi outros incentivos de fato reduzem a motivação intrín- significativamente menor (106 segundos) do que o tem. 1975. competência. seca (Vallerand. tais aspectos podem aumentar ou diminuir a motivação in- como a pessoa ser reconhecida meramente por sua par. a motivação intrínseca. pesquisas conduzidas especifica. a razão principal para o primeiro grupo a CET foi desenvolvida para ajudar a explicar as varia- desenhar também foi removida. Ao contrário. Deci e Ryan. Ryan Aspecto controlador das recompensas e Deci (2000) questionaram essa conclusão. Já na condição “sem recompensa”. estudos psicológicos gerais ­feedback e reforço. As crianças que desenharam vimento cognitivo são maximizados em contextos so- por recompensas esperadas demonstraram uma queda ciais que dão às pessoas a oportunidade de satisfazer a na motivação intrínseca. a CET postula que quaisquer eventos que afe- recompensas extrínsecas e a importância de se estudar tem as percepções de competência e sentimentos de au- o modo como a recompensa é administrada. Ryan e Deci. iniciativa social ao fazê-lo (autonomia)” (p. Quando a recompensa esperada ca. Portanto. senvolveram uma abordagem conceitual chamada de ram uma atividade que elas consideram intrinsecamente teoria da avaliação cognitiva (cognitive evaluation motivadora – desenhar com canetas hidrográficas. po (206 segundos) gasto por indivíduos que não tinham 1999). na verdade. além de formas como as situações da relação entre as recompensas extrínsecas e a mo. naquele ambiente (competência) e a terem um senso de sa. Greene e Nisbett. situa­ção. Esse es. ambiente social (vínculo). necessidades psicológicas básicas: as necessidades de senho a fim de receberem um certificado de Bom Jo. as recompensas extrínsecas podem afetar negativamente a motivação intrínseca. Deci gador. vínculo e autonomia. Esses eventos (tais como dis- pensas extrínsecas produzem diminuição na motivação tribuição de recompensas. trínseca. Uma semana depois. continuaram a desenhar exatamente como tinham feito Embora a SDT se concentre na motivação intrínse- antes da experiência. Esta enfoca três esperada”.3). dependendo de como influenciam a competên- ticipação. Entretanto. PONTO-CHAVE  Ser pago para trabalhar em uma atividade intrinsecamente interessante pode diminuir Teoria da avaliação cognitiva a motivação intrínseca da pessoa para a atividade. 7). Na condição “recompensa tion theory – SDT. sem que o reconhecimento tenha sido asso. Se uma recompensa é vista como controladora mente dentro da esfera do esporte e do exercício reve. a funcionarem efetivamente as crianças nem antecipavam nem recebiam recompen. mento de motivação intrínseca. Deci Jogo em Trabalho”. 1973). argumen- tando persuasivamente que os efeitos prejudiciais das O aspecto controlador das recompensas diz respeito recompensas extrínsecas sobre a motivação intrínseca ao lócus de causalidade percebido pelo indivíduo (ou são muito mais amplos e de alcance muito maior.

um técnico prome­ programas de esporte e de exercícios que dão oportu- te recompensar os atletas se houver envolvimen. a motivação in. um técnico diz estudos e de adaptar-se às exigências e às expectativas coisas para levar os atletas a se sentirem culpados.. se a recompensa é vista como uma nheiro que ganham.. Quando se sentem controladas por uma nharem mais ou mantê-los na linha durante os treinos). metas pessoais de de­sempenho e objetivos treinos) de equipe ou classe resultam em maior motivação in- • Controle do feedback (p.3 Teoria da avaliação cognitiva. latam sentir-se controlados pelas grandes somas de di- Em contraste. um atleta. companheiros). do técnico. Ou seja.. um técnico intera- As pessoas frequentemente sentem um conflito dire. sim a motivação intrínseca (Bartholonew. São essas as estratégias: por suas próprias motivações internas. trínseca diminui. um técnico usa fazem as coisas porque querem fazer e não pela recom... 2009). • Promover o envolvimento do ego (p. Nessas situações. a causa do comportamento está na pessoa).ex. nidades aos indivíduos de opinarem sobre escolha de to em determinados comportamentos durante­os atividades. porque aumentam as percepções pessoais de todos os aspectos negativos do comportamento de controle (Vallerand et al. inúmeros atletas re.. os trole dos comportamentos dos atletas. ex. de competir por bolsas de • Consideração condicionada (p. Por exemplo. diretiva.. lados pela pressão de vencer. reforço e motivação intrínseca 131 Aspecto controlador de uma recompensa Lócus de A causa do A motivação causalidade comportamento está intrínseca percebido (externo) fora da pessoa diminui Lócus de A causa do A motivação causalidade comportamento está intrínseca percebido (interno) dentro da pessoa aumenta Aspecto informativo de uma recompensa Informação Percepção de A motivação positiva de competência intrínseca competência aumentada aumenta Informação Percepção de A motivação negativa de competência intrínseca competência diminuída diminui FIGURA 6. Isso. mas nada diz de positivo e não oferece salidade) reside fora dela e. a fazerem coisas pelo uso de ordens.”). um treina- a razão para o seu comportamento está fora delas. • Controle pessoal excessivo (p.ex.ex. per- pensas e por suas necessidades de autodeterminação. pessoas intrinsecamente motivadas sentem que • Comportamentos intimidantes (p. portanto. sugestões de aperfeiçoamento futuro).ex. um técnico se apega a trínseca. Com a mudança para o livre agenciamento do tipo “Você me decepcionou” ou “Quando você em muitos esportes profissionais. muitos atletas universitários se sentem contro. os leva a ter me- contribuição para um lócus de causalidade interno nos prazer na atividade em si. . 1987). prejudicando as- indivíduos sentem altos níveis de autodeterminação. • Recompensas tangíveis (p.ex. Por dor avalia o desempenho de um atleta diante de seus exemplo.. causa de seu comportamento (um lócus externo de cau. Ntoumanis e percebendo seus comportamentos como determinados Thogersen-Ntoumanis. Feedback. guntas de controle e prazos). ge com os atletas de forma autoritária e comanda-os to entre serem controladas pelo recebimento de recom. recompensa (“Estou jogando apenas pelo dinheiro”). não se sair bem. por sua vez. Pesquisas revelam seis (ou seja. a ameaça de punição para levar os atletas a se empe- pensa externa.. estratégias destacadas usadas por treinadores para con- a motivação intrínseca aumenta.

indiretamente o sucesso de seu filho. Entretanto. lo para atuarem no nível máximo. Portanto. persistência e desejo do lutador. se referindo ao aspecto controlador nal do evento (Deci e Ryan. e eu não gosto que compensa. Além disso. Basicamente. De acordo com seu técnico. super. trolar seu comportamento. do oferecidos a muitos atletas profissionais. um lócus de causalidade percebido como externo. cebem recompensas as percebem é essencial para Analise o exemplo fornecido por Weiss e Chaumeton determinar se elas aumentarão ou diminuirão a mo. como capi- pecto informativo e fornecem feedback positivo so. Ele não gostava de ninguém tentan- recompensa tem. Apesar da quantida- de de informação positiva transmitida sobre sua com- petência como lutador. Isso imediatamente me afastou. se o estilo de um técnico for predominante- mente crítico. lutar por um prêmio e não o receber diminuirá Uma vez perguntaram a Magic Johnson se ele havia re- os sentimentos de competência e a motivação intrínseca. algumas pesquisas encontraram. a pergunta ficialmente pareceria positivo prestar reconhecimento natural é se os atletas perderão sua motivação e estímu- aos indivíduos ou aos times com troféus. ção intrínseca. As recompensas percebidas como versitário. que estava obtendo pelo desempenho. os jogadores podem perceber que o técnico está lhes dando recompensas para controlar Bolsas de estudo e motivação intrínseca seus comportamentos (isto é. Examinemos o que embora a mensagem da recompensa pareça ser a com. As recompensas que enfatizam o as. o rapaz percebia o aspecto con- trínseca. De mo- do similar. o técnico estava frustrado pela Aspecto informativo das recompensas falta de afeto positivo. tão do time. tinha vencido a maior parte de gestivas de sua incompetência diminuem a motiva. embora ainda o tal como o prêmio de Melhor Jogador. a percepção da 1980) sobre jogadores universitários de futebol ameri- escolha. Importância funcional do evento Ele respondeu: “Recebi minha quota de ofertas de car- ros e dinheiro. como mais tem a motivação intrínseca. O modo como ela afetará a motivação extrínsecos. petência dos atletas. recompensas ou eventos que dão infor. o pai do rapaz tinha exercido considerável pressão pa- rando sentimentos de competência do indivíduo. muito talento e potencial. da equipe e dos regimes de treino. emanando de seu pai dominador. a competência percebida e a motivação intrínseca. É preciso estar claro Uma das primeiras avaliações de como as recompensas aos participantes que a recompensa passa informações extrínsecas influenciam a motivação intrínseca em uma positivas sobre sua competência e não se destina a con.132  Fundamentos da psicologia do esporte e do exercício quanto recompensas. Isso a motivação intrínseca no esporte diminuirá seu prazer e sua motivação intrínseca. alte. situação esportiva foi o estudo de Dean Ryan (1977. um terceiro elemento importante da Teoria ninguém tente me comprar”. cebido alguma oferta exorbitante enquanto estava sendo recrutado por vários times universitários de basquetebol. trolador. para que as recompensas aumen. seus adversários e recebido feedback positivo do técnico. toda das recompensas. esforço. Foi só mais tarde que o técnico descobriu que O aspecto informativo afeta a motivação intrínseca. Por exemplo. autonomia (autodeterminação) e cano com e sem bolsa de estudos. alguns participantes poderão internalizá-lo Como recompensas extrínsecas afetam como informação negativa sobre seu valor e mérito. (1992) de um atleta de luta greco-romana de nível uni- tivação intrínseca. Basicamente. estava. dente o aspecto controlador. Com os contratos escandalosamente mul- intrínseca depende de o atleta percebê-la como mais timilionários de longo prazo que atualmente estão sen- controladora ou mais informativa. satisfatório. Quando ra que ele fizesse parte do time e agora estava vivendo uma pessoa recebe uma recompensa por suas realizações. com mações negativas sobre a competência devem reduzir uma subsequente diminuição na motivação intrínseca. de estudos relataram que gostavam menos de futebol . Por exemplo. O resultado foi Além disso. en. Note que Magic Johnson da Avaliação Cognitiva (CET) é a importância funcio. em potencial. Era como Além dos aspectos controlador e informativo da re. devem estar condicionadas a importante do que o feedback positivo e as recompensas níveis específicos de desempenho ou de comportamento. aspectos controladores do controlá-lo por meio de subornos e outros incentivos e informativos. ter certeza de que não irão para outro time no próximo ano). na verdade. Jogadores com bolsa o feedback positivo revelam o aspecto informativo. tinha participado da elaboração das regras bre competência aumentam a motivação intrínseca. Em geral. prazos e supervisão tornam evi- PONTO-CHAVE  A forma como indivíduos que re. o lutador tinha controladoras do comportamento da pessoa ou su. 2002). isso dá informação criticasse quando achava que seu desempenho não era positiva de competência e deve aumentar a motivação in. competência. dos colegas e da comunidade. se estivessem tentando me comprar.

tamentos reais dos treinadores que produziam mudan- nos bolsas de estudos do que outros atletas. Entretanto. e a pressão concomitante para vencer intensifi- ça entre os aspectos controladores e informativos das cou o aspecto controlador das bolsas. da escolha do que seus colegas sem bolsa. analisou a influência que as bolsas de estudos exercem ca a cada ano da bolsa. cerca de dores. por- recompensas. sas de estudos em outros esportes geradores de receita. O ofere- mais elevados de motivação intrínseca do que aqueles cimento de mais bolsas de estudos para atletas do sexo que não a recebiam. dem diminuir ou aumentar os níveis de motivação exibiam níveis mais altos de motivação intrínseca do que aqueles que entendiam que seus treinadores exi- intrínseca dos atletas. Especificamente. Lembre-se ças na motivação intrínseca. Nesse sentido. Mantendo as bolsas de estudo como espadas têm componentes controladores e informativos. em 1980. Estes. indican- jogadores sem bolsa. enfatizado – o aspecto controlador ou o aspecto in- De maneira semelhante. sucessos do que após fracassos (Vallerand. frequentemente. evidentemente. mais ao comportamento do treinador do que ao fato de o mativo do recebimento de uma bolsa de estudos uma atleta ter ou não uma bolsa de estudos. tanto. algo que. Em comparação. acham que têm que atuar bem ou perderão suas bolsas. seu nível mais baixo de na motivação intrínseca. poucas bolsas de estudo esportivas foram universitários percebiam o comportamento dos treina- dadas a mulheres e lutadores. ram que. podem influenciar tanto a percepção do local de vezes transformaram o que costumava ser diversão em causalidade como a percepção de competência dos par- trabalho. Por meio da manipulação da percepção dos bolsa de estudos é mais importante do que seu aspecto indivíduos quanto ao sucesso e fracasso em uma tarefa informativo. reforço e motivação intrínseca 133 americano do que seus colegas sem bolsa. Os pesquisadores demonstra- prazer ocorria durante o último ano do curso. mais baixos de motivação intrínseca. Ryan examinou atletas de ambos os sexos. fato de o atleta ter ou não uma bolsa de estudos. Isso ocorreu sistas relataram menos motivação intrínseca do que os tanto com os homens como com as mulheres. como comportamentos de apoio democráticos e sociais. praticantes de vários esportes (1980). pensas. os treinados algumas tanto. e 1990. de dife. Além disso. por- sobre as cabeças dos jogadores. Sucesso e fracasso na competição também podem afe- são ameaçados com retirada do time ou não fazem treino tar a motivação intrínseca. ção informativa – informam os atletas que eles são bons. diminui a moti. motora. do que o crescimento do esporte universitário feminino culino e atletas do sexo feminino de seis esportes dife. as têm níveis mais altos de motivação intrínseca após Dadas as variações de tendências no esporte univer. que recebem muito me. Mais tar. enquanto comportamentos de treinamento au- para a maior parte das universidades. os atletas que percebiam que seus treinadores exibiam feed­back predominantemente positivo e instrutivo. prazer e percepção Mais uma vez. Feedback. parece que o tipo de técnico é mais importante do que o podem ser usadas. Avalie como as tocráticos produziam níveis mais baixos de motivação bolsas de estudos do futebol americano. 1986a. timentos de motivação intrínseca podiam ser atribuídas no de equipes da Divisão 1. Gauvin e sitário para ambos os sexos durante as décadas de 1980 Halliwell. pode ter aumentado a pressão de vencer no nível expe- rentes que recebiam bolsa de estudos relataram níveis rimentado no esporte universitário masculino. mo alavanca para controle do comportamento dos joga- dores. lutadores do sexo mas. assim. Eventos competitivos con- recreativo. jogadores que Competição e motivação intrínseca não estão atuando conforme as expectativas dos técni- cos são forçados a participar de treinos desagradáveis. os jogadores com bolsas de estudos tinham níveis rentes escolas. feminino reduziu o aspecto informativo dessas recom- Esses resultados podem ser explicados pela diferen. verificaram que comportamentos de treinamento demo- cráticos produziam níveis mais altos de motivação in- O futebol americano é a principal fonte de receita trínseca. diminuindo. As bolsas de estudos podem ter uma fun. Às vezes. em relação à motivação intrínseca. Alguns técnicos podem usá-las co. Hollembeak e Amorose (2005) formativo. bem PONTO-CHAVE  Bolsas de estudos esportivas po. Weinberg e Jackson. vários pesquisadores revelaram que as pesso- vação intrínseca entre jogadores com bolsa de estudos. Horn e Miller (1994) os atletas bolsistas exibiam menos motivação intrínse. entre 440 atletas de ambos os sexos na Divi- de. o aspecto controlador da ticipantes. Portanto. a motivação intrínseca. um estudo de Amorose. Ao avaliar como os atletas que. o que faria o aspecto infor. intrínseca. Weinberg . 1979. Amorose e Horn (2000) tentaram de- Isso seria especialmente informativo para lutadores de terminar se era a bolsa de estudos em si ou os compor- luta greco-romana e mulheres. os autores verificaram que as mudanças nos sen- 80 bolsas foram dadas a jogadores de futebol america. Sob essas condições. são 1. confirmação menos positiva da competência destacada. dependendo do que for mais biam comportamentos predominantemente autocráticos. os jogadores de futebol americano bol. bem como bol.

às vezes um atleta joga bem. Outros determinantes da motivação intrínseca las com percepções mais baixas de sucesso (McAuley e Tammen. a motivação intrínseca Feedback e motivação intrínseca Visto que as recompensas não prejudicam inerentemen- te a motivação intrínseca. traram vários outros fatores relacionados à motivação ção (subjetiva) de um bom ou mau desempenho. mas. 12. sença de pelo menos algum tipo de feedback positivo. Esses outras vezes uma pessoa joga mal. ainda assim. Mais pesquisas (Vansteenkiste e Deci. para uma provérbio “não importa se você vence ou perde. Vansteenkiste. Ganhar ou perder é menos importante Além dos fatores já observados. resultados salientam a importância da qualidade do re- vence um adversário fraco. professores de edu- O feedback e a motivação intrínseca envolvem como cação física e instrutores acertam quando estruturam e as informações positivas e negativas de pessoas que usam recompensas e outras estratégias para aumentar as são importantes para você afetam sua própria percep. a ção de competência e a subsequente motivação intrín. • níveis altos versus níveis baixos de percepção de ram instruídas a simplesmente competir contra si mes. Por exemplo. o que representa o resultado obje. Níveis mais altos de motivação intrínseca pa- como você joga” aplica-se à determinação de como um recem estar relacionados a: desempenho afeta a motivação intrínseca. • participação em uma liga recreativa versus uma li- Vallerand. dos técnicos enquanto realizavam várias habilidades do a motivação intrínseca reduzida. e sim revisão). ainda que perder estivesse associa. a quantidade absoluta de rece ajudar a manter a motivação muito mais que o foco feedback positivo parece menos importante do que a pre- no resultado (como o vencer ou perder). mais elevados de motivação intrínseca do que o feedback negativo ou nenhum feedback (Vallerand e Reid. 1979). Portanto. Um estudo de Mouratidis. Outras pesquisas (Kavussanu e Roberts. percepções de sucesso e a competência e. enquanto o fracas. efeito prejudicial na motivação intrínseca. 2001. controle. • jogar para um treinador autônomo (democrático) Em essência. Gauvin e Halliwell (1986b) verificaram que ga competitiva.134  Fundamentos da psicologia do esporte e do exercício e Ragan. grupos de feedback. dos melhores na turma”) produzia muito mais motiva- deu uma competição. o feedback positivo de hóquei. crianças que foram orientadas a competir contra outra • níveis altos versus níveis baixos de percepção de criança (competição interpessoal) numa tarefa motora competência e exibiram menos motivação intrínseca do que as que fo. técnicos. Esses resultados subjetivos torno positivo e não somente da quantidade. Leia as sugestões seca. Os resulta. o foco no desempenho da pessoa parece versus um treinador controlador. o foco embora não tenham ocorrido diferenças entre os vários nas metas de desempenho (como o aperfeiçoamento) pa. Lens e S ­ ideridis (2008) mostrou que retorno muito positivo (“Você é um Tendemos a nos concentrar em quem venceu ou per. Os grupos que receberam feedback tiveram pelo atendimento a um determinado padrão (feedback escores mais elevados em percepção de competência condicionado ao desempenho) demorava para reduzir o e motivação intrínseca do que o grupo sem feedback. Logo. ção intrínseca e uma maior intenção de participar em tivo. Entretanto. enquanto contundente (“Você está no grupo dos médios”). também parecem determinar a motivação intrínseca do atleta. ser mais importante do que o resultado real. so competitivo tende a diminuí-la. Pessoas que percebem que atuaram bem exibem níveis mais altos de motivação intrínseca do que aque. 18 ou 24 declarações positivas dos mostraram que. 1996. O primeiro estudo de Vallerand (1983) analisou o a seguir para aumentar a motivação intrínseca e anali- efeito da variação de quantidades de feedback positivo se como o uso de recompensas passa aos participantes . 2003) também indicaram que a mo- tivação intrínseca era mais alta quando os participantes Estratégias para aumentar viam a atmosfera motivacional de suas aulas como mais orientada ao domínio do que ao ego. 6. motivação intrínseca dos participantes. 1989). atividades similares no futuro do que um retorno menos da assim. Os jogado- base em desempenho na vitória e na derrota. por extensão. Um segundo estudo que usou uma tarefa de equilíbrio PONTO-CHAVE  O sucesso na competição tende a também revelou que o feedback positivo produzia níveis aumentar a motivação intrínseca. perde para um adversário superior. Koka e Hein. 1984). mas (domínio). ain. res receberam 0. mas. os pesquisadores encon- na determinação da motivação intrínseca do que a percep. O velho intrínseca (ver Vallerand e Rousseau. dadas a jogadores de hóquei adolescentes que estavam 2003) pesquisaram os efeitos de feedback positivo com ­atuando em situações simuladas de hóquei.

elas têm de ser adquiridas. Por exemplo. Feedback. • Recompensas externas devem ser condicionadas ao comportamento. de regras. estabelecer um código de vestuário ou. os colegas foram até sua mesa e ali depositaram suas canetas. perderão peso e adquirirão tônus muscular. Isso aumentará sua percepção de contro- O elogio fornece feedback positivo e ajuda os atle. Por exemplo. Deixe claro aos participantes manterem a motivação alta. Dê feedback positivo tediosos e aborrecidos. nuarem motivados e sentirem-se bem consigo mes- mos. baixar a cesta de basquete. Para fomentar a motivação. certifique-se de que os atletas saibam que o motivo é sua competência e não uma questão de controle. mas um imenso valor simbólico. os participantes com Também podem planejar exercícios novos ou inova- excesso de peso em uma aula de exercícios físicos dores para os treinos. notonia e manter os níveis de motivação é variar os retamente. • Envolva os participantes nas tomadas de decisões. bolsas de estudo devem ser entendidas como medidas de competência e não como uma espada sobre a cabeça dos atletas. Uma forma de quebrar a mo- sobre aquilo que os participantes estão fazendo cor. atividades físicas. Isso é especial. Permita que os participantes tenham mais respon- • Use elogios verbais e não verbais. John Nash recebeu o Prêmio Nobel pelo trabalho numa teoria econômica. Por tas a continuarem tentando melhorar. Nash recebeu uma das recompensas mais satisfatórias no final do filme: no refeitório da Universidade de Princeton. avançar para estratégias de jogo. Enfatize o aspecto infor. elaborar regras de equipe ou e têm pouco reconhecimento e para estudantes que aula. mativo das recompensas. tipos de exercícios e sua sequência. pode também dar a jovens atletas uma oportunidade socie as recompensas ao desempenho de comporta. realização de um objetivo pessoal. eles podem sugerir como organizar uma mente importante para atletas que estão na reserva sessão de exercícios. costumamos esquecer que o poder das recompensas extrínsecas vem mais de seu significado que do valor monetário. O verdadeiro poder da recompensa normalmente está no que ela representa. as pessoas podem não gostar da bicicleta ergométrica. jovens se divertem mais e adquirem uma consciên- tivo. mesma forma. num reconhecimento do brilhantismo de Nash. Por exemplo. mas recompensas externas podem ajudá-las a continuarem seu uso porque sabem que. (As taxas de abandono que as recompensas são específicas por fazerem as em programas de exercícios chegam com muita fre- coisas bem feitas e que você não está tentando con. • Recompensas extrínsecas devem ser dadas para capacitar os atletas e não para controlá-los. Construa uma atmosfera motivacional que fomente a motivação intrínseca e em que os atletas ou praticantes de exercícios motivem-se mutuamente na busca da excelência. ser recompensado apenas por participar (como ocorre em algumas ligas esportivas) não faz sentido. criativos e simples. no filme (baseado numa história real) Uma Mente Brilhante. de tentarem novas posições ou atribuições. variar o conteúdo e o formato de suas aulas para tência do indivíduo. se esti- não são particularmente qualificados em esportes e verem preparados. Ao serem conferidas honrarias individuais. le e levará a sentimentos de realização pessoal. Nesta época de salários exorbitantes nos esportes profissionais. Muitas pessoas sabilidade pela tomada de decisões e pela criação esquecem o quanto um elogio pode ser poderoso. As pessoas percebem que têm . o que intensificará sentimentos de autodeterminação. Apesar do dinheiro e prestígio de um Prêmio Nobel. As. reforço e motivação intrínseca 135 Princípios para o uso eficaz de recompensas externas • Os melhores tipos de recompensas externas são inovadores. A percepção “bom trabalho” pode ser uma forma de reconhecer de sucesso fortalece sentimentos de competência a contribuição de cada atleta para o time ou para a pes­soal. informações que aumentam sua motivação intrínseca e necessitam de muito feedback positivo para conti- percepção de competência. quência a mais de 50%. Recompense com base na execução adequada cia e uma valorização das exigências de diferentes de jogadas. os líderes devem tentar ao máximo dade a fim de fornecer informação sobre a compe. Trei- proporcionar experiências de sucesso aumentam os nos nos esportes e nos exercícios podem se tornar sentimentos de competência. na ajuda a outros posições e suas capacidades de lidar com elas. Por exemplo. exemplo. • Recompensas extrínsecas podem ajudar quando as pessoas não estão motivadas a participar de esportes ou exercícios. Da colegas de time ou no domínio de uma nova habili. Essa variação • Dê recompensas de acordo com o desempenho. no espírito esportivo. Os mais mentos específicos para aumentar seu valor informa. • Recompensas externas devem ser usadas com parcimônia. maior a probabilidade de as recompensas serem tanto motivacionais quanto controladoras. no final. Por exemplo. Por exemplo. Quanto menos um treinador ou professor usar recompensas externas.) trolá-los de forma alguma. conseguir uma recompensa por frequentar e ter muito empenho em todas as aulas de exercícios deve ser um combustível à motivação. bol para as crianças e estruturar o treino de modo a • Varie o conteúdo e a sequência dos exercícios. As canetas tinham pouco valor financeiro. Um simples tapinha nas costas ou a expressão • Proporcione experiências de sucesso. ainda que sofresse de uma doença mental.

mas. Os elementos essenciais do estado de fluência incluem: Fluência – um caso especial • Equilíbrio entre desafio e habilidade.136  Fundamentos da psicologia do esporte e do exercício Há várias estratégias para aumentar a motivação. Uma vitória fácil ou uma da motivação intrínseca partiram do trabalho de Mihaly derrota desigual raramente fará uma pessoa entrar no Csikszentmihalyi (1990). o xadrez. estado de fluência. Conforme observou um jogador res tentavam determinar quais fatores prejudicam a moti. nas tornando o sucesso mais provável. Examinou o • Estabeleça metas reais de desempenho. 2011). 1999). e Etnier. Por meio de sua pesquisa. Nem todos alpinismo. a música e atletismo ama- os participantes são altamente qualificados ou estão dor – atividades que as pessoas praticam com grande aptos a vencer competições. Baseie as metas de desem. liderou a pesquisa nessa área. desempenho é um sinal de competência que afeta po. Csikszentmihalyi pesquisou o que tor- do processo de aprendizagem. e Csikszentmihalyi. as atividades esportivas intrinsecamente interessantes. 2012. inclusive no exército.. fazendo com que Esses elementos de fluência foram identificados em vá- não dependam da qualidade do jogo do adversário) e rias situações de desempenho. 2013). estudando experiências cisam depender de resultados de desempenho obje. as pessoas intensidade. Enquanto muitos pesquisado. ex. por pouca ou nenhuma re- podem aprender a estabelecer metas reais de acordo compensa externa. Sue Jackson com a capacidade de cada um. podem incluir a atuação durante Csikszentmihalyi também colaboraram em um livro. a dança. No campo do esporte. um número específico de minutos. na uma tarefa intrinsecamente motivadora. Jackson. Jackson e tivos. A parte mais de motivação intrínseca importante da definição de fluência de Csikszent- mihalyi é o equilíbrio entre a percepção de habilida- Alguns dos estudos mais inovadores sobre o aumento de da pessoa e o desafio. melhorar o tempo na corrida de milha de 7min33s identificaram inúmeros elementos comuns que tornam para 7min25s). em geral. de fluência em atletas de diversos esportes. inclusive estabelecimento de metas realistas de desempenho com base nas capacidades individuais. O Capítulo 15 apresenta uma dem atingir fluência tanto quanto os de elite (Henning discussão mais detalhada de como estabelecer metas. Alcançar metas de artes performáticas e nos negócios (Harmison e Casto. experiências e desempenhos de excelência) (Jackson penho em um nível pessoal de desempenho (p. a manutenção do Flow in Sport: The Keys for Optimal Experiences and controle emocional ou simplesmente a superação de Performances (Fluência no esporte: o segredo para um desempenho anterior. trolem seus desempenhos (ou seja. Entretanto. maior competência quando participam ativamente vação intrínseca. em vez disso. Essas metas não pre. de hóquei: “Quando tenho um adversário que me . deixando que os participantes con. e os praticantes recreativos po- sitivamente a motivação.

Csikszentmihalyi chama essa sensação h­ olística latam que o ego fica completamente perdido na pró. reforço e motivação intrínseca 137 leva aos limites e constitui um verdadeiro desafio. absolutamente bem esse elemento: “Foi uma daquelas execuções não pensa nisso. Ruídos da multidão. Um escalador captou bem esse sen. ele simples. não preciso fato de o atleta estar atuando bem. que os atletas la. penso em algum sem buscar qualquer outra recompensa. parecia uma melancia”.4 mostra que a fluência é obtida quando mente não está preocupado com a possibilidade de as capacidades (habilidades) e o desafio são altos. As metas estão tão claramente esta... algo que as pessoas sentem quando estão pria atividade. como se você tão excitado. Ele de- timento: “Na escalada. se perde”. na competição”. me preocupo com ele. mas eu não suir as habilidades para conseguir enfrentar os de. mentais de desempenhos de excelência. Um jogador de squash demons. se um atleta tiver um alto nível de habilidade tra esse senso de controle: “Às vezes. não tem mais nada na cabeça”. no lado perdedor”. Os atletas que estão no atenção. Essa clareza de intenção facilita a concentração e a • Transformação do tempo. O outro jogador deve estar lá para jogar. se suas habilidades • Um senso de controle. Um jogador problema – como uma briga com a namorada – e de xadrez referiu-se a isso dizendo: “A parte mais penso que é nada se comparado ao jogo. é tudo o que importa. O foco de atenção está claramente na tarefa em ques- tão. um estado especial em que tudo está indo • Perda da consciência de si mesmo. mas não da conscientização em do tempo. se as demandas da que poderia perder a consciência de sua própria iden. Quando está jogando pessoa. Os atletas parar mais porque estava indo tão bem. como se não quisesse • Concentração total na tarefa em questão. quando estou e o adversário também for altamente qualificado (desa- . Entretanto. você ficará refere-se ao fato de que o atleta não está ativamente entediado e atuará mal. “um transe”. é fundamental que um atleta acredite pos. Estou tentando colocar a bola no • Total absorção na atividade. da associação • Metas claras. nada mais existe – aí então eu posso entrar no foco”. voleibol que declarou: “A única coisa que passa pela • Movimento sem esforço. é como se tudo acontecesse centrada. É um sentimento bom. procurando apoios. você. do as despesas de taxas de inscrição. e o desempenho o posicionamento correto do corpo – tão envolvida máximo é conseguido. A Figura 6. Como disse um nadador sobre a experiên. O participante fica tão lugar certo. Feedback. Como se você estivesse no piloto e outras distrações simplesmente não i­ mportam.. Esse elemento da fluência forem maiores do que os desafio da tarefa. que se dane. Por perder o controle. Se parar e pensar em por que está que funcionam. No entanto. Como disse um atleta: “Tudo acabou an- si. Para que ocorra a ­nada exceto o ato de participar e rebater a bola. Este elemento se refere ao minha cabeça é atuar bem.. a pessoa tende a ficar absor. a satisfa- pensar num problema o dia inteiro. envolvido na atividade que nada mais parece impor. Um jogador de tênis demonstra esse foco total: Estes elementos representam os aspectos funda- “Tudo o que importava era a quadra de tênis e a bo. tarefa forem maiores que a sua capacidade. estado de fluência geralmente relatam que o tempo cia de fluência: “Eu sabia exatamente como nadaria parece acelerar. Quando estou jogando [voleibol]. Esse estado mental foi captado por um jogador de tes de eu me dar conta”. de fluên­cia. a maioria dos indivíduos em um estado • Fusão entre ação e consciência. não estar realmente pensando nisso e não parecer es- plesmente aparece. sentisse que podia ir e ir e ir. trínseca está em seu ponto mais alto. técnicos e mentais ele naquele ponto... • Sem metas ou recompensas externas à atividade. de xadrez.. E quan. embora para alguns ele desacelere. tar. automático. É quase co- relatam que se sentem como um feixe de energia con. Inversamente.. A motivação in- nos movimentos envolvidos. superconcentrado em um jogo. você ficará tidade e fundir-se com a rocha”. “excitante” ou “fluido”. e não tem a ver com vencer ou perder”. em vez disso.. mo não ter que pensar. Não estou competindo com safios físicos. Um famoso patinador captou do você está no meio de uma jogada. consciente do controle. ansioso e atuará mal. reações do adversário automaticamente. fendia que a experiência de fluência ocorre quando su- vida no que está acontecendo à sua volta – na rocha. totalmente envolvidas ou no piloto automático.. isso sim. Eu ficava tão concentrado e focado que a bola descreveram como “quente”. O atleta está cons. as habilidades são iguais a seu desafio.. Às vezes. então não pensa em nada”. mas assim que ção de testar sua habilidade mental contra a de outra o jogo começa. mas ainda assim pensar. Você pode compensadora do xadrez é a competição. Há atletas que re. mas consideran- basquetebol. etc. Entretanto. bem. Ganhei troféus e dinheiro. de repente. em termos financeiros costumo estar belecidas que o atleta sabe exatamente o que fazer. fluên­cia. de fluência relata transformações em sua percepção ciente de suas ações. Era um barato e tanto. exemplo. Um jogador de basquetebol declarou: “A quadra O atleta participa puramente pela própria atividade. tar se esforçando tanto.

Reimpressa de “Examining the flow experiences in sport contents: Conceptual issues e methodological concerns”. de ação e percepção. estar mais relaxados. a pergunta ló- 1992.4 Um modelo de fluência. consegue se concentrar facilmente” (­ Jackson. Jackson.informaworld. a mo. sulta em apatia ou relaxamento. de exercícios.S. pesquisas sobre mente gica é: como a pessoa entra em um estado de fluência? concentrada (o foco sem julgamento da atenção de Pesquisas sobre atletas de diferentes esportes (Jackson. Jackson ve- Zervas e Karterouliotis (2007) testaram a noção desses rificou que alguns indivíduos preferiam claramente quatro quadrantes e o alcance de uma experiência de ex. Mas líbrio entre desafio e habilidade pode ser a área mais se um atleta com menos capacidade enfrentar um ad. 171). experiências mais ricas e mais desempenho e focalizar pontos-chave em uma ativi- tempo de participação na atividade física. p. 1992. concentrar-se antes do ta melhor desempenho. não pode estar muito relaxado. consciência (Kee e Wang. atividade contribuem para a fluência. Stavrou. você fomen. importante a ser enfocada para ajudar a assegurar que versário forte (desafio alto).138  Fundamentos da psicologia do esporte e do exercício Ansiedade Fluência Desafio elevado Baixas Altas habilidades Média habilidades Apatia Monotonia Baixo desafio FIGURA 6. Journal of Applied Sport Psychology 4 (2): 147.com). Um patinador confirmou o resultado posi- tivo de focalizar-se totalmente no desempenho que Se soubessem como. Estar relaxado. o indivíduo esteja favoravelmente motivado. aqueles com ele- • Motivação para atuar. na comparação com atletas importantes para a entrada nesse estado: com pouca concentração mental. J. fusão fluên­cia. permanecer no presente. Stein. Tem que estar preo- notonia ficou entre apatia e fluência. controlar a ansiedade e apreciar a tas e desafio baixo resultam em tédio. 2008). concentração e perda de auto- ção. Csikszentmihalyi (1990) referia-se à concentra- ção na tarefa em questão como uma das dimensões Como as pessoas alcançam mais frequentemente mencionadas da experiência de um estado de fluência fluência. dade são fundamentais para manter o foco apropria- do. Ao planejar aulas cupado com alguma coisa” (Jackson. 1992. técnicos e professores provavel- ocorreria desta forma: “Pelo fato de você estar tão mente desejariam ajudar alunos e atletas a encontrar essa focado. brecha do estado de fluência. a apatia produziu os piores estados de excelência. isso produzirá ansiedade. um indivíduo na experiência que ocorre no momento 1992. • Atingir um nível de ativação ideal antes da atuação. Os resultados revelaram que os participantes mais energizados. Além disso. Como disse um patinador: “Relaxamen- um estado de excelência) e desempenho. então o atleta poderá alcançar a fluência. to. enquanto habilidades al. fio alto). é muito mais difícil atingir esse estado. Entretanto. Quando os indivíduos não têm essa motiva. . A combinação de habilidades baixas e desafio baixo re. Portanto. Taylor e Francis Ltd. p. reimpressa com permissão do editor (Taylor e Francis Ltd http://www. enquanto outros queriam estar celência. Kimiecik e G. educação física e esportes competitivos • Manter o foco apropriado. ao passo que to e confiança – mas você tem que estar impaciente. vários atletas falaram nos quadrantes de fluência e relaxamento exibiram os sobre encontrar um equilíbrio entre a tranquilidade e mais excelentes estados afetivos (com a fluência sendo a ativação. 172). 1995) revelaram que os seguintes fatores são mais presente) revelaram que. Estar motivado para atuar – vada concentração desse tipo pontuaram mais alto e atuar bem – é importante para entrar no estado de quanto às habilidades – equilíbrio do desafio. O equi. Manter um foco estrei- para que sejam desafiadores e criativos.

entrar na fluência às vezes depende de (ou pe- faz sentir confiante. Feedback. fáceis e sincronizadas. Não foram encontradas diferenças importantes entre os sexos em relação aos estados de fluência. postas quanto à capacidade de controle dos estados de • Confiança e atitude mental. os atletas mencio. a dúvida e a exigência autoimposta seu controle. Quanto mais o atleta pratica um esporte. certas pesquisas descobriram que os estados de fluência têm relação com níveis mais altos de desempenho. ses sentimentos estão geralmente relacionados com ra as pessoas possam estabelecer o tom para atingir ingresso num estado de fluência. 1995) variaram em suas res- tam a probabilidade de a fluência ocorrer. parecem certas. tir-se totalmente pronto. sentimento de possuir a capacidade de estar naquela nentes importantes da preparação. Condições como uma boa As pessoas são capazes de controlar os pensamentos e atmosfera. a nutrição parece importante para nho e movimentos. reforço e motivação intrínseca 139 • Planos e preparação antes e durante a competição. trolável.. Es- • Condições ambientais e situacionais ideais. fiar nos companheiros e ter um senso de propósito do o treinamento e a preparação necessários anteci. Ainda que Csikszentmihali diga que a fluência é bem mais importante como um fenômeno por si só. fluência. Os atletas que achavam que a fluência era podem interromper a fluência. receber feedback estabelecer as condições ideais para que ocorra o es. Por exemplo. Após as rotinas aquecimento. 1995. ausência de sentimentos associados à fluência? Os atletas entrevis- pressões externas e condições ideais de jogo aumen. Além disso. tendência a ter satisfação com a atividade pela atividade em si) têm maior propensão a viverem estados de fluência. Embo. Ter realiza. senvolver confiança. esforçar-se e sentir que está fisicamente coesas do time. Qualquer pessoa que tenha participado de a aumentar a confiança e a capacidade de permane. um situação” (Jackson. p. • Sexo. con- • Preparação física e prontidão excelentes. Não há grandes diferenças na frequência ou na qualidade dos estados de fluência entre atletas de esportes individuais e em equipe. Basicamente. bloquear a negativi- Com confiança e atitude positiva. Nos esportes coleti- feito tudo que era possível mental e fisicamente me vos.. O fator tes da competição são fundamentais para conseguir para entrar na fluência mais mencionados pelos atle- um estado de fluência e mantê-lo. Autoconceito mais elevado está associado a uma frequência mais alta de alcance de estados de fluência. Além disso. Interações positivas como bons passes. Isso lo menos é influenciado por) seus companheiros de tranquiliza a minha consciência de que fiz tudo – en. 1995. os atletas relatam que po dá ao atleta um senso de desembaraço nos movi- acreditar que estavam fisicamente preparados ajudou mentos. Acreditar que pode controlável fizeram comentários como: “É. Mas provavelmente o mais im- crever fatores que influenciam sua entrada em um portante seja acreditar que pode vencer o desafio a estado de fluência. time. enquanto 21% achavam que ela estava fora de inversamente. No total. fluidas. Conforme declarou um atleta: “Acho que. • Autoconceito. p. 144). Além do descanso tas foi se sentir bem em relação ao próprio desempe- e do treinamento. mais experiências de fluência relatará. acho que se Correlatos da fluência Jackson (2011) resumiu os correlatos pessoais e situacionais da fluência assim: • Duração do envolvimento no esporte. pensar positivamente. a coisa mais importante para mim é o e antecipar possíveis eventos incomuns são compo. os atletas também citaram condições Controle dos estados de fluência ambientais e situacionais que afetavam a capacida- de de atingir esse estado. Pessoas com uma personalidade autotélica (i. enfrentar. pronto e capaz de ter boas sessões de exercícios an. • Sentir-se bem em relação ao desempenho. 144). jogar tão tenho apenas que me desligar e deixar acontecer” como uma unidade e comunicação aberta são úteis (Jackson. • Desempenho. de seus movimentos e estar no controle de seu cor- tado de fluência. • Sugestibilidade hipnótica. • Tipo de esporte. . 79% percebiam a fluência como con- xílio importante para atingir um estado de fluência. Pessoas com elevada sugestibilidade hipnótica tendem a atingir com maior frequência estados de fluência. compartilhado também importam para interações padamente. • Personalidade autotélica. um estado de fluência pela alteração do próprio es- tado interior. sen. um esporte sabe que às vezes as coisas simplesmente cer nesse estado por período mais longo.. feedback positivo do técnico. vencer. arremessador de dardo declarou: “O fato de eu ter • Jogo de equipe e interação. ter um plano de competição provavelmente.e. Cada aspecto é analisado. para atingir o estado de fluência. tados por Jackson (1992. A confiança é um au. dade e apreciar o que se está fazendo ajudam a de- nam com muita frequência o planejamento ao des.

uma consequência potencial negativa pode ser cia. 158). aumenta a probabilidade de o atleta experimen- que estão sob seu controle. campo. clima e condições do a ver com o time – todo mundo. os atletas alcançarem e manterem um estado de fluên- trolável. habilidades psicológicas comumente usadas pelos atletas. o manejo das emoções e o controle do pensa- diretrizes aqui estabelecidas e concentrando-se em coisas mento. meia hora. há diferenças en. fluência podem nem sempre ser positivas. descobriram que alguns exibiam características de de- especialmente em termos de metas claras e senso de con. Deveria ser algo que ambientais e situacionais. pode controlar sua reação mental e emocional à plateia. pendência do surfe bastante semelhante aos usuários de trole dos pensamentos. desse estado para poderem preparar-se de forma ade- trolada. Aherne. todos os caras ligados. Esses fatores estão lesões ou morte potencial. Se vo. Essa pesquisa salienta o alguma consistência quanto ao que impede e ao que lado negro da fluência. Mais recentemente. de euforia e queriam continuar a surfar para repetirem te importante entender quais fatores podem impedi-la essas sensações. 174). trole que conseguem alterar (como preparação física o que ele fará porque é realmente poderoso” (Jackson. comportamento dos adversários). e então você sai daquela situação Do mesmo modo. mas pode tentar manter uma ati- Os estudos de Jackson sugerem que. tar um estado de fluência. Você pode criar o cenário para isso. plodir ou algo assim. conscientes dos fatores que influenciam a ocorrência cepção em esta observação: “É. na próxima página. ainda assim podem aumentar habilidades psicológicas. prontidão e condições am- se possa ligar e desligar como um interruptor de luz” bientais ou situacionais abaixo do ideal. pudesse pedir para si mesmo e conseguir. mas com as do desempenho e a estados afetivos positivos. e você deve ser capaz de mandar seu des físicas. seguindo as ativação. mental e emocional muito positivo associado a aumento nha relação não apenas com o desempenho. Por exemplo. Entretanto. Apesar de ao envolvimento com o surfe. Num estudo com 236 atletas. 1995). eles de seis semanas produzira níveis mais altos de fluência. Um jogador de rúgbi achava que a fluên. sos. . Um triatleta observou: “Acho que eles deram mais frequentemente como algo que que posso iniciá-la. e isso rola por 5. foco de atenção. p. soas dentro da clínica. uma pesquisa recente (Partington. 10 minutos. Não é um esforço consciente. Entrevistando surfistas. não vai funcionar. como a preparação mental. fatores que não conseguem controlar (como respostas cia não era controlável em esportes coletivos: “Tudo tem da plateia. tudo indo mui. sentimentos e ações dos atletas. Marsh e A fluência até agora foi apresentada como um estado Smethurst (2001) também descobriram que a fluência ti. ou mental. Segundo os mento eram habilidades psicológicas vinculadas à fluên. com mais frequên­cia como algo que impede a fluên- cê tentar. Thomas. que precisam continuamente aumentar a dose pa- ra terem as sensações apropriadas (ou seja. p. tinham que Fatores que impedem e interrompem a fluência aumentar o tamanho e a velocidade da onda surfada para novamente ter as sensações que antes experimentaram). apesar dos compromissos familiares. colocaram qualificadores para a ocorrência ­real cia. mas to bem. p. Moan e Lonsdale (2011) a dependência de uma atividade uma vez associada à descobriram que um programa de treinamento consciente experiência de fluência. autores. uma atleta não pode controlar uma plateia hostil. mas trata-se de uma batalha entre seu consciente quada mental e fisicamente para competições e ativida- e subconsciente. tas não possam controlar a fluência. 1995. 1992. já as razões (Jackson. manter o controle dos próprios pensamentos 2009) mostrou que as consequências da experiência de e emoções e de um nível adequado de ativação e relaxa. creio. feedback do técnico. Porém.140  Fundamentos da psicologia do esporte e do exercício pode aumentá-la. ainda que. a fluência pode ser con. Eles devem identificar fatores sob seu con- consciente se calar e deixar o subconsciente assumir. e não pode ter qualquer controle sobre sobre as atitudes dos pacientes ou a quantidade de pes- isso” (Jackson. por meio Os profissionais podem tentar estruturar o ambiente de treinamento e de disciplina” (Jackson. drogas. um fisioterapeuta não tem controle em que estava. e fornecer feedback para maximizar a possibilidade de Alguns atletas. Finalmente. interrompe o estado de fluência incluem influências talvez com toda aquela preparação. Embora tenhamos que entender como aumentar a Os surfistas se assumiram dependentes das sensações probabilidade da ocorrência de fluência. 1995. conseguir funcionar normalmente na sociedade devido terrompem a Fluência”. Jackson. Um arremessador de dardo captou essa per. na maioria dos ca- interrompe a ocorrência de fluência. os próprios participantes devem estar de fluência. embora considerem a fluência con. tude positiva nas interações com os clientes. Os fatores que os atletas citaram fomentador do desempenho. como a regulação da aumentar a probabilidade de sua ocorrência. Alguns até admitiram não identificados no quadro “Fatores que Impedem e In. embora os atle. Acho que não é algo que cia foram preparação física. ela seja um estado de sentimento muito positivo e tre essas situa­ções. p. Em especial. Mas alguém pode perder a concentração ou ex. diálogo interior negativo) e 1995. 159). Partington e Oliver. é igualmen. ou interrompê-la (Jackson. 158).

Ao discutir duas abordagens básicas ao reforço – controle positivo e negativo – recomenda-se uma abordagem positiva. As recompensas extrínsecas têm o potencial de enfraquecer a motivação intrínseca. estímulos. 2. inclusive a escolha de reforçadores eficazes. Entenda como implementar programas de modificação de comportamento. Descreva a relação entre motivação intrínseca e recompensas extrínsecas (aspectos de controle e informação). Quando usamos sistematicamente os princípios de reforço para estruturar ambientes de esporte e exercí- cio. O pensamento contemporâneo vê motivação intrínseca e extrínseca em um continuum. Discuta os diferentes tipos de motivação intrínseca e extrínseca. A motivação intrínseca e a extrín- seca são ambas consideradas multidimensionais. Vários fatores podem tor- nar os reforços mais eficazes. o principal objetivo é ajudar os indivíduos a permanecerem orientados à tarefa e motivados durante to- do o período de treinamento. 3. desde falta de mo- tivação a vários tipos de motivação extrínseca (regulação introjetada. Feedback. A teoria de avaliação cognitiva demonstrou que recompensas extrínsecas podem aumentar ou diminuir a motivação intrínseca. negativo ou ausente • Foco inadequado • Problemas com a prontidão ou com o condicionamento físico Preocupar-se com a capacidade do adversário Falta de preparação física Devaneios Lesão durante a competição Perda de concentração Fadiga • Duvidar ou exigir muito de si mesmo Insegurança Exigir muito de si mesmo AUXÍLIO AO APRENDIZADO RESUMO 1. realização). tais como criar medo de fracasso ou ambiente de aprendizagem aversivo. A puni- ção tem potenciais efeitos negativos. identificada e integrada) até tipos di- ferentes de motivação intrínseca (conhecimentos. embora a punição seja às vezes necessária para mudar um comportamento. 4. reforço e motivação intrínseca 141 Fatores que impedem e interrompem a fluência Fatores que impedem a fluência • Preparação física e prontidão abaixo do ideal • Problemas na preparação pré-competitiva Lesão Preparação pré-competitiva insatisfatória Fadiga Distração antes da competição Não se sentir bem fisicamente Interrupção da preparação pré-competitiva • Condições ambientais ou situacionais abaixo do ideal • Falta de motivação para atuar Estresse externo Ausência de objetivos Resposta indesejada do público Falta de desafio Influências incontroláveis do evento Baixa ativação ou motivação • Falta de confiança ou estado mental negativo • Nível de ativação inadequado antes da competição Pensamento negativo Não estar relaxado Insegurança Sentir-se muito relaxado Falta de controle do estado mental • Jogo e interação em equipe negativos • Foco inadequado O time não atua bem Pensar demais Não se sentir parte do time Preocupar-se com o que os outros estão fazendo Conversa negativa dentro do time Frustração com o desempenho dos companheiros • Desempenho insatisfatório de time Erros não forçados Técnica insatisfatória As coisas não ocorrem como planejado Fatores que perturbam a fluência • Influências ambientais e situacionais abaixodo ideal • Problemas de desempenho ou de interações no time Interrupção do jogo Conversa negativa no campo O que o adversário está fazendo O time não joga bem Decisões negativas do árbitro Falta de interações no time Feedback inadequado. a agenda de reforços e a escolha de comportamentos apropriados (inclusive desempenho e habilidades sociais e emocionais) a reforçar. . Explique como feedbacks positivos e negativos influenciam o comportamento.

como confiança. Descreva como a motivação é conceituada como variando num continuum que se estende da falta de moti- vação. Um estado de fluência especial caracteriza a motivação intrínseca. Esse estado contém muitos elementos comuns de motivação intrínseca. 4. 7. Por exemplo. como uma atitude au- tocrítica. Descreva os diferentes tipos de motivação intrínseca e extrínseca. Técnicos. Descreva o estado de fluência e como alcançá-lo. ativação ideal e atenção concentrada. Pesquisas revelaram diversos fatores relacionados à motivação intrínseca. outros fatores. estabelecer objetivos realistas. podem impedir ou interromper estados de fluência. ajudam-nos a alcançar um estado de fluência. Discuta os dois princípios do reforço e diga por que eles são mais complexos do que parecem a princípio. em ambientes recreativos versus compe- titivos e no feedback positivo versus negativo. Você está assumindo a função de técnico de um time que tem uma história de derrotas e que recentemente teve um técnico tirânico. níveis mais altos desse tipo de motivação foram encontrados em atletas sem bolsa de estudos versus atletas com bolsas de estudos. O treinamento de habilidades psicológicas também demonstrou ser um facilitador da fluência. Discuta as diferenças entre as abordagens positiva e negativa ao ensino e ao treinamento. 5. Detalhe diferentes formas de aumentar a motivação intrínseca. TERMOS-CHAVE reforço modificação do comportamento regulação introjetada recompensas intrínsecas cadeia invertida falta de motivação modelagem recompensa extrínseca paixão harmoniosa feedback motivação intrínseca paixão obsessiva feedback motivacional fatores sociais teoria da avaliação cognitiva feedback instrutivo fatores psicológicos lócus de causalidade controle da contingência regulação integrada fluência treinamento comportamental regulação identificada QUESTÕES DE REVISÃO 1. 8. envolver os participantes nas tomadas de decisão. Discuta os três diferentes tipos de reforçadores e a eficácia de agendas de reforço contínuo e intermitente. em técnicos democráticos versus técnicos autocráticos. Discuta os resultados dos estudos de Ryan sobre bolsas de estudos e motivação intrínseca. Compare o aspecto informativo com o aspecto controlador das recompensas. competição e feed­back in- fluenciam a motivação intrínseca. 2. O que faria para desenvolvê-la com esse time? Que tipos de recompensas e comportamentos de treinamento usaria? Incorpore resultados de pesquisa e teorias para apoiar seus métodos. Discuta três fatores que ajudam as pessoas a entrarem num estado de fluência e três barreiras que o inibem. Dois exemplos de incentivos ex- trínsecos no esporte são as bolsas de estudos e ganhar e perder. Quais as impli- cações dos achados? Como Horn e Amorose ampliaram esses estudos? 6. QUESTÕES DE PENSAMENTO CRÍTICO 1. a motivação intrínseca é baixa. Com base na pes- quisa. Descreva como fatores como bolsas de estudos. 5. 2. Como usaria essas duas fontes de motivação para ajudar a desenvolver motivação e confiança em sua equipe? . Você aprendeu sobre modificação de comportamento com a utilização de reforço positivo e punição. Inclua três achados referentes à paixão e à motivação. o segredo é tornar as recompensas mais informativas. comportamentos do técnico. Se você quer aumentar a motivação in- trínseca de um participante. passando pela motivação extrínseca e chegando à motivação intrínseca. distrações e falta de preparo. 7. mas um aspecto fundamental é a existência de um equilíbrio entre a per- cepção das capacidades do indivíduo e o desafio da tarefa. Discuta a diferença entre paixão harmoniosa e paixão obsessiva.142  Fundamentos da psicologia do esporte e do exercício dependendo de a recompensa ser mais informativa ou mais controladora. Consequentemente. tornar as recompensas dependentes do desempenho e variar o conteúdo e a sequência dos treinamentos práticos. professores e instrutores podem aumentar a motivação intrínseca por meio de vários métodos. Discuta a teoria de avaliação cognitiva como uma forma de ajudar a explicar a relação entre recompensas ex- trínsecas e motivação intrínseca. 6. Quais são suas principais características? Em que tipo de atividade é mais provável que a fluência ocorra? 9. Discuta o conceito de fluência. como usar elogios verbais e não verbais. qual a mais benéfica e por quê? 3. Vários fatores.

PARTE IV Concentrando-se nos processos de grupo .

Com essas habili- (coeso) é necessário para o desempenho ideal (com base dades em mente. . a liderança e a comunicação afetam o desempenho num ambiente de atividade física? Esta parada em nossa jornada consiste em quatro ca. e uma liderança eficaz requer comunicação que trabalhando em grupo ou com grupos. VEJA O dr. aprenderá a relação entre desem. bem como as maneiras mais O ­Capítulo 8 examina se um grupo bastante integrado eficientes de lidar com o confronto. No Capítulo 10. multidimensional e aprenderá a ser um líder transfor- penho individual e grupal. técnicos e instrutores podem ajudar os no tipo de esporte e coesão envolvidos) e discute formas participantes a atingir as metas pessoais e as dos grupos de desenvolver a coesão. No Capítulo 7. você aprenderá como os grupos são formados e como a importância de encarar liderança de uma perspectiva funcionam.Como a interação em grupo. Dan Gould apresenta (em inglês) a Parte IV do livro na Atividade Introdutória. Você lerá sobre estilos diferentes de liderança. funcione. Questões de derança (Capítulo 9) e a comunicação (Capítulo 10). boa comunicação e as formas de desenvolver tais habi- sidade social em ambientes esportivos e de exercício. Os grupos só prosperam quando alguém exerce a lide- sionais em nosso campo devido ao tempo que passamos rança. Os dois últimos capítulos desta parte enfocam a li- pítulos cujo foco é a interação em grupo. Além disso. grupo são particularmente importantes para os profis. aprenderá os fundamentos da ociosas em grupos e como reduzir o fenômeno da ocio. lidades nas outras pessoas. maiores de que fazem parte. inclusive por que há pessoas mador.

experiências e interes. Discutir as condições mais propícias à ocorrência da ociosidade social Já foi dito que um grande time não é necessariamen. A maior mente devido à presença de talento ou ambição. as tos fortes de indivíduos numa força que se torne maior equipes de medicina desportiva e de treinamento físico do que a soma de suas partes. Entender como os grupos são estruturados 3. p. resumo. Pat das atividades esportivas. pe (Carron. floresce simplesmente porque um time experimentou o te formado por grandes talentos. 1993. adap- -sucedidos. Ele não parte dos achados genéricos dessa conferência é exami- . ginástica e as aulas de educação física. um dos técnicos mais vitoriosos da NBA. deixando micas de grupo desempenham um papel importante no de usar os recursos de seus membros. As atividades físicas em grupo incluem reuniões de muitas O trabalho em equipe é a essência da vida. para. (Riley. Michael Jordan falava justamente disso quando disse: “Talento vence jogos. e uma com- cou esta ideia: petição quase sempre envolve mais de uma pessoa. 15-16) deles. Membros de uma equipe times. 2007). de criarmos para as competições e a se recuperarem de lesões. dades individuais com as dos outros membros da equi- ses de seus membros. Uma conferência de consen- simples. mas é necessário considerável es. com conhecimentos práticos e científicos de trabalho em dos no tempo ou em decadência. Explicar como se cria um clima efetivo de equipe 4. enquanto outros sucesso de equipes e grupos. as interações jogador-técnico e as dinâ- mente. 1994. vemos times talentosos atuando mal. p. Descrever como maximizar o desempenho individual em esportes coletivos 5. requer grupos ou equipes. grupos e organizações salientou a importância pronuncia as palavras. mas pela combinação sucesso. a intenção de um time é tirar tar-se às demandas ambientais e equilibrar as necessi- partido das várias capacidades. mas trabalho em equipe Os comentários de Riley tornam óbvio que o traba- vence campeonatos” (Jordan. tes individuais. são bem. a maioria forço para construir um trabalho em equipe efetivo. O trabalho em equipe não aparece de forma mágica apenas porque alguém equipes. desta. 7 Dinâmicas de grupo e equipe Após ler este capítulo. A crença que me move é esta: um grande trabalho em equipe é a única forma de trabalham unidas para ajudar os atletas a se prepararem alcançarmos nossos momentos máximos. as academias de coisa em que sou uma autoridade é unir talentos e pon. Ele não se desenvolve simples. ele pode ser um produto frustrante so em 2010 que representou indivíduos de cinco países e ilusório. com menos talento e menos recursos. o trabalho em equipe não é das dinâmicas de grupos. lho em equipe. Eys e Burke. devem interagir. 24). Certamente. quase todos os cargos no campo do esporte e chermos nossas vidas com um senso de importância do exercício requerem a compreensão dos processos e permanente… Entretanto. como os exercícios em grupo. Se há uma pessoas. Na verdade. de preen. Discutir como um grupo se torna uma equipe 2. você deverá ser capaz de: 1. dos grupos em atividades esportivas e físicas. mesmo nos chamados espor- Riley. Por isso há tantos times ruins por aí. Entender melhor o conceito de ociosidade social 6. Além disso. Em os caminhos que definem nossas carreiras. Na verdade. Frequente. trabalhar pelos mesmos objetivos.

um tipo especial mano. Nesse sentido. um grupo de indivíduos não conformidade. surgem questões críticas e. (p. quando elas . Examinemos cuidadosamente como um grupo nição dos termos grupo e equipe. têm algumas características comuns. várias grupos passam progressivamente por diferentes estágios. Como muitos pesquisadores decla. o pressuposto é que os portanto. (c) Conforme observamos. para entender o comportamento em atividades evolutivo. Naturalmente. • Papéis distintos – todos os membros conhecem seu de em geral. É impossível termos uma visão coerente das ção mútua e interdependência de tarefas. por exemplo. e o que diferencia um grupo de uma equipe? Em grupos e em equipes. 2002). o que não constitui estritamente um “Como os Psicólogos do Esporte Podem Incrementar grupo. a formação de uma equipe é. um time de voleibol que treina junto todas as manhãs antes da escola compartilha Perspectiva linear um objetivo comum (treinamento). Em contraste. Cartwright e Zander escreveram: os músculos). Uma equipe é qualquer gru- da própria identidade). um processo raram. (d) “pensamento grupal” (suspensão do constitui necessariamente uma equipe. Wilson e Akert. As equipes estão em constante desenvolvi- esportivas e físicas. mas a distinção pode ser bastante complexa. e teoria pendular. bem como interage de maneira formal (aquecendo-se para competições) e. pessoas poderiam combinar de terça-feira à noite ir ao Em cada estágio. Group Dynamics: Research and cionamento físico podem querer perder peso e tonificar Theory (1968). ao relacionamento dos • Senso de identidade coletiva – “nós” em vez de “eu” indivíduos com os grupos e dos grupos com a socieda. teoria cíclica. Os entre grupos e equipes membros de um grupo podem ter alguns objetivos co- muns (como todas as pessoas de uma turma de condi- Em um texto clássico. Você pode achar que é fácil definir um grupo ou uma Na tentativa de estudar o desenvolvimento de uma equipe. Estas teo­ cólogos sociais. tivos comuns (Carron e Hausenblas. que duas ou mais pessoas que interagem entre si e exercem prevê que os grupos se criam em estágios. e o item especial com o título jogo de voleibol. Segundo a perspectiva linear. é necessário saber muito sobre a natureza dos de grupo. Christian Buys (1978) afir- mou que os grupos podem ter as seguintes consequências de desenvolvimento de grupo negativas: (a) ociosidade social (discutida mais adiante neste capítulo). o Funcionamento de Equipes” aborda de que forma os Em essência. tentando reagir a fatores internos e grupos de esporte e exercício. mas devemos lembrar as desvan. externos. (b) autoengano (“nós contra eles”). Começaremos pela defi. na verdade. Psi. te uma equipe. 4) trabalho • Formas de comunicação estruturadas – linhas de Embora a maior parte dos pesquisadores estude os comunicação aspectos positivos potenciais da formação de um grupo • Normas – regras sociais que orientam os membros e o subsequente desempenho ou produtividade. de indivíduos. ou de forma influência mútua (Aroson. 1998). tagens em potencial. há muitas funções po de pessoas que precisa interagir para realizar obje- positivas nos grupos. uma equipe esportiva é. qual a semelhança entre grupos e equipes. devemos entender a natureza dos mento e mudança. Em seu artigo clássico intitulado Humans Would Do Better Without Groups (Os seres humanos se Identificando três teorias sairiam melhor sem grupos). Entretanto. Embora todas pensamento crítico e dependência excessiva da opinião as equipes sejam grupos. os membros podem gostar Reconhecendo a diferença dos demais membros e se sentirem atraídos por eles. Além das propriedades definidoras de intera- grupos. equipe. Assim. que prevê que os fim comum diferencia um grupo de uma mera reunião grupos se desenvolvem como um pêndulo. podem sobre o que fazer e o que não fazer existir alguns aspectos negativos pelo pertencimento a um grupo. nem todos os grupos podem do grupo) e (e) desindividualização (perda do sentido ser considerados equipes. é considerado um grupo. Um linear. porque elas não interagem de maneira estruturada. na verdade. Mas Seja para entender ou melhorar o comportamento hu. uma reunião de indivíduos não é necessa- psicólogos do esporte podem contribuir para fortalecer riamente um grupo – e um grupo não é necessariamen- o funcionamento de grupos e equipes. que prevê que os grupos seguem senso de interação mútua ou interdependência por um um padrão cíclico.146  Fundamentos da psicologia do esporte e do exercício nada nos Capítulos 7 e 8. foram apresentadas diferentes teorias. assim. Membros de grupos e membros de equi- pes. as equipes têm pessoas ou uma tecnologia social avançada sem res- quatro características fundamentais: postas confiáveis a um grande número de perguntas re- lativas à operação dos grupos. se torna uma equipe. definem um grupo como rias se dividem em três categorias: a teoria linear.

112) são tratadas com sucesso. estão bem definidos. Provavelmen. nar se pertencem ao grupo e. Fazem comparações sociais. a hosti. ele se plo. em sua vida na quadra. O elemento principal na outros. Os baseavam-se no pressuposto básico de que os grupos conflitos são resolvidos. os jogadores te o exemplo mais popular de um modelo linear tenha lutam por economia de esforço e eficiência nas tarefas. O segundo estágio da formação de equipe. Em modelos pendulares enfatizam as mudanças que ocorrem . O mandamento básico de Auerbach é que. 1976. inverno. o terceiro estágio. p. os técnicos ou instrutores precisam se comunicar com Perspectiva pendular os participantes objetiva e abertamente. como um trabalho em equipe. Surge uma uma temporada (tal como outono. dem variar de um grupo para outro no processo de de- senvolvimento de equipe. para vencer. No estágio final. Os indivíduos também tentam determi- se modelo é importante para grupos de atividade física. a formação. significava que um time sem uma estrela dominante poderia ser o melhor do mundo. Expectativas. à medida que o grupo se desenvolve. Es- de outros atletas. qual seu papel. a excelência é definida em termos de sucesso de uma equipe. seus membros se familiarizam uns com os antes da dissolução do grupo. maioria dos grupos passe por todos os quatro estágios. De maneira é caracterizado por resistência ao líder. cem e morrem. Modelos de ciclo de vida distinguem-se No primeiro estágio de desenvolvimento de equipe. No senado. Por exemplo. dos modelos lineares quanto à ênfase na fase terminal. avaliando as forças abordagem cíclica da formação do grupo é o pressupos- e as fraquezas uns dos outros. – Franke Selke. Dinâmicas de grupo e equipe 147 O trabalho em equipe é importante para o sucesso individual e coletivo nos esportes As seguintes citações oferecem um testemunho da importância do trabalho em equipe em grupos bem-sucedidos: Para mim. por exemplo. p. nesse caso. poderia derrotar os times maiores. Alguns atletas. e surge um senso de unidade. No tempo da escola. iii) O sucesso dos Celtics baseia-se em uma filosofia totalmente oposta ao individualismo. Os trabalham juntos para alcançar objetivos comuns. de uma pequena escola de uma cidadezinha. Ela se concentra em resolver problemas usando pro- tar as tarefas do grupo. não individual. relacionamentos interpessoais estabilizam-se e os papéis a duração de cada um e a ordem em que se sucedem po. ex-jogador profissional de basquetebol e senador norte-americano (Bradley. Nesse estágio. des à medida que os indivíduos e o líder estabelecem seus papéis e posição dentro do grupo. – Red Auerbach. possuem um desenvolvimento estático inerente que não Em vez de cuidar de seu próprio bem-estar. no sentido de que grupos de exercícios. Esses estágios são denominados cessos grupais e relacionamentos para realizar tarefas e formação. isso queria dizer que nosso time. A maior parte dos modelos lineares e de ciclo de vida lidade é substituída por solidariedade e cooperação. finalmente me dei conta de que a aprovação de leis. sido o apresentado por Bruce Tuckman (1965). o indivíduo deve se ajustar e subordinar seus desejos e habilidades aos do time. 1976. duram aproximadamente 10 a 15 semanas. times recreativos normalmente jogam por controle pelo grupo e conflito interpessoal. ex-técnico e gerente geral do Boston Celtics (citado em Greenfield. atitudes do time e motivos do time. primavera grande resistência emocional e podem ocorrer rivalida- ou verão) e então se dissolvem. normalização e atuação. o entendimento que um técnico tem de formação de equipe no esporte Perspectiva cíclica (ciclo de vida) ou o conhecimento que uma treinadora de atletismo tem Os modelos de ciclo de vida têm em comum o pressu- de seus treinadores auxiliares poderia levar ao uso de posto de que os grupos se desenvolvem de maneira se- diferentes estratégias para promover a harmonia entre melhante ao ciclo de vida dos indivíduos – nascem. podem comparar o tempo que jogam com o tempo prepara psicologicamente para a própria dissolução. Ele pro. 1986. atitudes e motivos pessoais precisavam se tornar expectativas do time. para o sucesso do time. os membros se pôs que todos os grupos passam por quatro estágios à unem para canalizar energias para o sucesso da equipe. 205) Eu queria que meus jogadores adotassem uma perspectiva comum. vez de buscarem o bem-estar individual. das cidades grandes. Na categoria profissional. 1988). resistência ao semelhante. Questões estruturais são resolvidas. Deve se sacrificar. gerente geral do Montreal Canadians (citado em Governs e Turowetz. Durante a normalização. tumulto. medida que se desenvolvem e se preparam para execu. cres- os membros das respectivas equipes. o ­tumulto. – Bill Bradley. exigia que pessoas com diferentes formações. p. os atletas responde às demandas do ambiente (Gersick. diferentes interesses e diferentes agendas pessoais concordassem com um objetivo comum e trabalhassem para alcançá-lo. por exem- to de que. Embora a testar novas ideias. o grupo avança. o desempenho.

148  Fundamentos da psicologia do esporte e do exercício

nos relacionamentos interpessoais durante o crescimen- Papéis no grupo
to e o desenvolvimento de grupos. O pressuposto é que
um grupo não passa progressivamente pelos estágios de Um papel consiste no conjunto de comportamentos re-
uma forma linear a partir do instante em que se forma. queridos ou esperados da pessoa que ocupa determina-
Um bom exemplo de modelo pendular em operação, da posição em um grupo. Professores, pais, treinadores,
apresentado na Tabela 7.1, vem do livro A ­Season on the executivos de empresas e profissionais da saúde, por
Brink, que acompanha o time de basquetebol masculino exemplo, exercem papéis específicos em suas profissões
da Indiana University durante uma temporada (Feins- e na sociedade. Dos técnicos, por exemplo, espera-se
tein, 1987). Embora o projeto de Feinstein não tenha sido que desempenhem atividades como ensinar, organizar
rea­lizado como um trabalho científico, A Season on the treinos, interagir com outros funcionários da escola e ser
Brink é um excelente exemplo de pesquisa de campo de bons modelos. Igualmente, técnicos principais devem
qualidade, com um grupo esportivo íntegro. desempenhar comportamentos como designar e avaliar
treinadores de estudantes e fazer avaliações clínicas no
caso de lesões graves.
Entendendo a estrutura do grupo
Papéis formais versus informais
Cada grupo desenvolve a própria estrutura, que começa
a surgir já no primeiro encontro. A estrutura de um gru- Em todo grupo ou equipe, há dois tipos de papéis: for-
po depende muito das interações entre seus membros mais e informais. Os formais são ditados pela natureza
– como percebem uns aos outros e o que esperam de si e pela estrutura da organização. O diretor de esportes,
mesmos e dos outros. Para que um grupo de indiví­duos o técnico, o capitão de time, os instrutores, etc., são
chegue a ser uma equipe de verdade, certas característi- exemplos de papéis formais específicos dentro de uma
cas estruturais devem ser desenvolvidas. Duas das mais organização de esporte ou de exercício. O ala no bas-
importantes são os papéis e as normas no grupo. quetebol, o levantador no voleibol, o goleiro no hóquei

TABELA 7.1 Modelo pendular
Estágio Definição Indiana Hoosiers

Estágio 1 Orientação: coesão e sentimentos de Os treinos começam: “No basquetebol universitário, nenhuma data
unidade estão altos; os atletas comparti- tem mais significado do que 15 de outubro. Nela, os times de
lham muitos sentimentos, ansiedades e basquetebol de todo o país começam as preparações formais para a
aspirações comuns. temporada” (p. 27).

Estágio 2 Diferenciação e conflito: o grupo subdivide- Os treinos pré-temporada continuam: “Novembro é o mês mais difícil
-se física e psicologicamente em unidades para qualquer time de basquetebol universitário. A excitação de iniciar
menores; frequentemente, surgem conflitos os treinos… Há desgaste e a prática fica monótona… É um dia de
à medida que os atletas competem por treino após o outro – os mesmos rostos, os mesmos técnicos, os mes-
posições no time. mos exercícios, os mesmos companheiros” (p. 59).

Estágio 3 Resolução e coesão: a coesão aumenta à O primeiro jogo: “A tensão no vestiário era genuína. Todos os
medida que os membros do grupo lembretes sobre o Miami, todas as lembranças da temporada
compartilham preocupações e sentimentos passada, sem mencionar as memórias dos 48 treinos que levaram a
comuns na preparação para enfrentar um essa tarde, combinaram-se para criar um sentimento de apreensão”
desafio comum. (p. 96).

Estágio 4 Diferenciação e conflito: a unidade do time Durante a temporada: “O vestiário não teria ficado mais silencioso se
se enfraquece à medida que vários a Kent State tivesse ganho o jogo… Mentalmente, Knight tinha
indivíduos são recompensados ou punidos, decidido que precisava de Hillman e Smith no lugar de Robinson e
afastando-os do grupo. Brooks. Eles estavam em maus lençóis… Depois do banho, ele os
repreendeu mais uma vez. Apenas três jogadores o tinham agradado”
(p. 102).

Estágio 5 Término: se a temporada foi um sucesso, Término: “Eles pulavam uns nos outros, se abraçavam e choravam…
os sentimentos de coesão são altos. Se a Finalmente, voltaram para o vestiário. Quando o silencio voltou, Knight
temporada não foi bem-sucedida, os falou brevemente. ‘O que vocês fizeram’, disse, ‘foi recusarem-se a
sentimentos de coesão são baixos. perder. Vocês foram um time de garra o ano inteiro’” (p. 348).

Este é um exemplo do modelo pendular de desenvolvimento de grupo em uma situação de basquete (Indiana University, conforme descrito por John Feinstein,
1987).

Dinâmicas de grupo e equipe 149

Juan DeLeon/Icon SMI
Técnicos, atletas e auxiliares têm papéis diferentes em seus grupos. Saber qual é seu papel num grupo e como desem­
penhá-lo contribui para o fortalecimento do grupo.

e outras posições formais têm papéis de desempenho es- • Líder informal (não verbal): um atleta que lidera o
pecíficos em uma equipe. Cada um desses papéis carre- time pelo exemplo, trabalho árduo e dedicação.
ga expectativas associadas específicas. Geralmente, os • Líder informal (verbal): um atleta que lidera a
indivíduos são treinados ou recrutados para preencher equipe na quadra e fora dela por meio de coman-
papéis específicos. dos verbais. Esse papel é assumido por meio de in-
Os papéis informais surgem de interações entre os terações sociais.
membros do grupo. Por exemplo, o poder e a estrutu- • Jogador de equipe: um atleta que dá empenho ex-
ra social das gangues desenvolvem-se por meios infor- cepcional e quer sacrificar os próprios interesses pe-
mais (ver o livro clássico de William Whyte, de 1943, lo bem do time.
sobre a estrutura social das gangues de rua). Usando • Jogador-estrela: um atleta destacado ou celebrado
uma análise de conteúdo de 448 artigos da revistas Sport devido à personalidade, desempenho ou habilidades
­Illustrated, além da colaboração de psicólogos especia- de homem-show.
listas em esportes a respeito de dinâmica de grupo, Co- • Fingidor: um atleta que prolonga sintomas psicoló-
pe, Eys, Beauchamp e Schinke (2011) identificaram 12 gicos ou físicos de lesão para ter algum tipo de ga-
papéis informais: nho externo (p.ex., aceitação, atenção).
• O agregador: um atleta envolvido no planejamento
• Comediante: um atleta que diverte os demais pelo e organização de reuniões sociais de um time para
uso de situações cômicas, diálogos humorísticos e aumentar sua harmonia e integração.
piadas sobre a prática.
Os papéis informais de câncer, aquele que distrai e
• Vela de ignição: um atleta que dá início, inspira ou
fingidor foram percebidos como causadores de efeitos
anima um grupo em busca de uma meta comum.
prejudiciais no funcionamento de um time, ao passo que
• Câncer: um atleta que expressa emoções negativas
os demais foram vistos como tendo um efeito positivo.
que se disseminam de forma destrutiva numa equipe.
Seu grau de influência nas equipes varia, com base no
• O que distrai: um atleta que desvia a atenção de ou-
tipo de equipe, em seu histórico de vitórias e derrotas e
tros colegas de equipe, reduzindo seu foco.
em outras variáveis situacionais.
• O xerifão: um atleta fisicamente intimidante ou be-
ligerante como característica e com quem se pode
contar para retaliações quando alguma tática violenta Clareza do papel
é usada pelo time oponente.
• Mentor: um atleta que age como conselheiro ou pro- Você pode melhorar a eficiência de uma equipe asse-
fessor de confiança para outro atleta no time. gurando-se de que os jogadores entendam (clareza do

150  Fundamentos da psicologia do esporte e do exercício

papel) e aceitem seus papéis (aceitação do papel). Por Um programa efetivo de estabelecimento de metas
exemplo, a ambiguidade do papel parece ter um efei- (ver Capítulo 15) pode esclarecer os papéis. Ajudar os jo-
to nas relações entre o técnico e os atletas. Atletas que gadores a estabelecer metas em áreas específicas confere
percebem uma maior ambiguidade em seus papéis de a eles direção e foco. Se um técnico de futebol americano
atacante ou defensor fazem mais críticas à capacidade quisesse que um jogador da linha defensiva se concen-
de seu treinador de liderar a equipe durante as compe- trasse em parar uma corrida em vez de em derrubar o
tições (Bosselut et al., 2012). Além disso, há pesquisas quarterback, o estabelecimento de uma meta específica
indicando que entender o próprio papel é fundamental esclareceria o papel do jogador. Veja “Clareza e Ambi-
para esse papel ser eficiente (Beauchamp, Bray, ­Fielding guidade do Papel em Equipes” para mais informações.
e Eys, 2005). Pesquisas revelam que a clareza do papel
é elemento mediador da relação entre a ambiguidade Aceitação do papel
do papel e a satisfação do atleta. Especificamente, ape-
nas quando um atleta é grande necessidade de clareza A aceitação do papel também é importante para forta-
do papel é que a ambiguidade desse papel leva a uma lecer a estrutura de um grupo. Um estudo de Benson,
diminuição da satisfação (Bray, Beauchamp, Eys e Car- Eys, Surya, Dawson e Schneider (2013) descobriu que
ron, 2005). Nesse sentido, provavelmente uma das ra- a aceitação do papel é uma percepção destacada entre
zões para o tremendo e prolongado sucesso do ­Chicago atletas interuniversitários, com sua diferenciação reafir-
Bulls na década de 1990 tenha sido que os jogadores mada a partir de outros conceitos relacionados ao papel
aceitaram seus devidos papéis. Embora Michael Jor- (como satisfação com o papel). Ainda que a aceitação
dan e Scottie Pippen fossem obviamente os líderes e os do papel costume estar relacionada ao desempenho do
mais talentosos, tinham significativa capacidade (assim papel, nem sempre é o caso. Por exemplo, os atletas po-
como o técnico Phil Jackson) de fazer os outros joga- dem aceitar um papel mesmo que as responsabilidades
dores acreditarem e desempenharem papéis, como o de dadas possam ultrapassar suas capacidades, levando a
­reboteiro (Dennis Rodman), o de especialista na defesa um desempenho abaixo do esperado. Assim, os treinado-
(Ron Harper) e o de arremessador (Steve Kerr). Igual- res devem ser capazes de determinar se os atletas estão
mente, o Boston Celtics tinha “os três grandes” (Paul ou não fracassando para aceitar as responsabilidades de
Pierce, Kevin Garnett e Ray Allen), embora o restan- seu papel, ou se foram solicitados a desempenhar res-
te dos jogadores conhecessem seus papéis na equipe e ponsabilidades que ultrapassem seu nível de capacidade.
conseguissem fazer o time campeão da NBA em 2008. Os jogadores que não começam jogando ou não con-
Finalmente, o Miami Heat tinha LeBron James e Dwya- seguem um tempo de jogo significativo podem sentir-
ne Wade, mas os jogadores e seus papéis – por exem- -se facilmente excluídos e confusos quanto à contribui-
plo, Shane Battier, Ray Allen, Chris Anderson e Mike ção para a equipe. Os técnicos podem ajudá-los a acei-
Miller – deram contribuições fundamentais para o su- tar seus papéis minimizando as diferenças de prestígio
cesso do time. entre os papéis e enfatizando que o sucesso da equipe
Pessoas com um papel específico costumam ter depende da contribuição de cada indivíduo. Aceitar o
uma perspectiva diferente das exigências do seu papel papel a desempenhar parece depender de quatro condi-
na comparação com os outros membros do grupo. Pa- ções: oportunidade de usar habilidades ou competências
péis mal definidos prejudicam o desempenho da equipe. especiais; feedback e reconhecimento do papel; impor-
Se dois jogadores do mesmo time de basquetebol pen­ tância do papel e autonomia (oportunidade de trabalhar
sarem que seu papel é organizar o ataque, provavelmente independentemente).
­haverá conflito sobre quem conduz a bola pela quadra. Quando as responsabilidades dos jogadores, por
De maneira semelhante, o fisioterapeuta e o médico exemplo, são entendidas como contribuições importan-
da equipe devem concordar sobre seus papéis, de mo- tes para o sucesso da equipe, eles ficam mais dispostos
do que os atletas e os técnicos saibam quem procurar a aceitar e a desempenhar seus papéis. Durante muitos
para avaliar uma lesão e para decidir sobre a possibi- anos, Dean Smith, ex-técnico de basquetebol da Uni-
lidade de jogar. Às vezes, os desempenhos dos indi- versity of North Carolina, encorajava a aceitação de pa-
víduos podem tirar a nitidez de seus papéis em uma pel de seus reservas colocando-os em jogos reais como
equipe. Um técnico da Liga Nacional de Hóquei uma uma “segunda unidade” por um curto período. Todos
vez observou que a pior coisa que poderia acontecer eles sabiam que jogariam (mesmo que por pouco tem-
para um time era seu “xerifão” marcar alguns gols em po) e desenvolveram um orgulho por tentar manter ou
jogos consecutivos. Esse jogador começaria então a aumentar uma liderança, ou reduzir uma diferença, ao
achar que seu papel era de goleador, em prejuízo da mesmo tempo em que davam um descanso para os titu-
equipe como um todo. lares. A ideia de aceitar seu papel na equipe é resumida

Dinâmicas de grupo e equipe 151

Clareza e ambiguidade do papel em equipes
Pesquisadores tentaram estudar a clareza e a ambiguidade dos papéis em equipes esportivas (Beauchamp, Bray, Eys e Carron,
2003; Eys, Carron, Beauchamp e Bray, 2003; Eys, Carron, Bray e Beauchamp, 2005; Holgaard, Fuglestad, Peters, De Cuyper, De
Backer e Boen, 2010). Algumas conclusões fundamentais foram os seguintes:
• Clareza e ambiguidade do papel abrangem um conceito multidimensional que inclui diversas facetas:
–– Âmbito de responsabilidade – informações sobre o alcance das responsabilidades do indivíduo
–– Responsabilidades comportamentais – informações sobre quais comportamentos são necessários para cumprir as
responsabilidades do papel de um indivíduo
–– Avaliação de desempenho – informações sobre como será avaliado o desempenho de um indivíduo no que concerne às
responsabilidades de seu papel.
–– Consequências de não cumprir as responsabilidades – informações sobre as consequências de deixar de cumprir as
responsabilidades do papel
• Os veteranos exibiam menos ambiguidade do papel do que jogadores novatos no início da temporada, mas não ao final da
temporada.
• A ambiguidade do papel diminuía no decorrer da temporada.
• Ambiguidade do papel no ataque (âmbito de responsabilidade) estava relacionada com estado de ansiedade cognitiva.
• Ambiguidade do papel no ataque (consequências de não cumprir responsabilidades) estava relacionada com estado de
ansiedade somática.
• Ambiguidade do papel na defesa não estava relacionada com ansiedade cognitiva ou somática.
• Jogadores com ambiguidade do papel mais alta declararam que tinham menos probabilidade (menos intenções) de voltar
ao time no ano seguinte. Entretanto, esta ambiguidade do papel não afetou a intenção dos jogadores de continuarem a jogar
aquele esporte.
Quanto maior a clareza da definição dos papéis, maior a satisfação dos jogadores com seus papéis e menor a probabilidade
de ficarem socialmente ociosos, o que é examinado mais adiante neste capítulo.

apropriadamente por Mark Messier, jogador de hóquei Normas de grupo
no gelo, na seguinte citação:
Uma norma é um nível de desempenho, um padrão de
Nunca senti que estivesse jogando na sombra de Wayne comportamento ou uma crença. As normas podem ser
Gretzky… Eu tinha uma responsabilidade no time que estabelecidas formalmente ou desenvolvidas informal-
era diferente da de Wayne. Todos tinham seu papel e eu
me sentia orgulhoso do meu. Assim como muitos outros
mente por um grupo. Em geral, os indivíduos são pres-
em relação aos seus. Se vencêssemos, e frequentemen- sionados a aderir às normas de seu grupo, quer a norma
te vencíamos, sabíamos que todos seriam respeitados. seja vista como relevante ou irrelevante. Por exemplo,
(citado em Swift, 1996, p. 60) dos novatos (sobretudo em times profissionais) espera-se
frequentemente que “carreguem as malas” para os vete-
Conflito de papel ranos. No caso de atletas masculinos de esportes como
futebol americano e hóquei, existe uma norma social so-
Existe conflito de papel quando, apesar da presença de lidificada de ser forte, agressivo e competitivo, podendo
consenso sobre um objetivo ou resultado desejado, o ocorrer consequências negativas (como ser cortado do
ocupante do papel não tem capacidade, motivação, tem- time ou sofrer ostracismo) quando um jogador não aceita
po ou entendimento suficiente para alcançar aquele ob- essas normas (Steinfeldt e Steinfeldt, 2012). Embora esse
jetivo. Há muitos tipos diferentes de conflito de papel, comportamento possa não parecer funcional, esta costu-
mas um dos mais comuns é o conflito de “usar muitos ma ser a norma para doutrinar os novos jogadores para
chapéus” e ter diferentes pessoas esperando coisas dife- o time. Na página seguinte, o quadro “Pressão de Nor-
rentes (isto é, papéis) de você. A seguinte citação de uma mas Sociais” apresenta um famoso exemplo de pesquisa.
atleta universitária em situação incomum, com 36 anos, Em uma equipe esportiva, a norma pode envolver
mãe de dois filhos, ilustra esse tipo de conflito de papel: prática de comportamentos, roupa e estilo de cabelo, in-
terações entre novatos e veteranos, ou determinar quem
Meu filho ficou doente a semana inteira. Treinei pouco… assume o controle em situações críticas. O desvio do
Tinha que esperar até que meu marido chegasse do tra-
balho, mas às vezes ele trabalhava dois turnos, então,
comportamento esperado pode resultar em sanções in-
eu não treinava. Assim, não apenas meu treinamento formais ou formais. No filme Carruagens de fogo, por
era prejudicado, como também perdia várias aulas por- exemplo, o velocista britânico Harold Abrahams foi cen-
que tinha que ficar em casa com meu filho. (Jambor e surado por seus colegas de Cambridge por contratar um
Weeks, 1996, p. 150) treinador profissional, porque isso significava que ele

152  Fundamentos da psicologia do esporte e do exercício

estava levando muito a sério sua corrida e na verdade treinadora sentiu necessidade de novamente estabelecer
não era mais um amador. Basicamente, ele não aderira uma sólida norma de produtividade. Criou uma expec-
às normas sociais de sua época. Uma vez que essa pres- tativa de sucesso (inclusive uma cerimônia falsa de me-
são para se conformar às normas sociais no esporte pode dalhas que simulava uma cerimônia real), em que cada
ser muito poderosa, criou-se uma espécie de oficina de jogadora recebia uma medalha de ouro no Georgia Do-
normas sociais para ajudar os jogadores a enfrentar tais me, onde a competição realmente ocorreria. Além disso,
pressões sociais (Waldron, 2012). exigiu níveis elevados de empenho, conforme observado
pela pivô e uma das estrelas da equipe, Lisa Leslie, que
comentou: “Com Tara propiciando-nos preparativos tão
Norma de produtividade exigentes, tínhamos que nos esforçar igualmente. Torna-
O padrão de empenho e desempenho aceito pelo time é mo-nos muito próximas” (Wolff, 1996, p. 97).
conhecido como norma de produtividade. Por exemplo, Essa norma de produtividade é, por vezes, associada
num programa corporativo de condicionamento físico, com algo que é parte de uma equipe especial, conforme
membros de uma academia podem se exercitar no almoço observado pela jogadora de futebol Angela Kelly, da Ca-
durante 30 minutos; isso então passa a ser uma expectativa rolina do Norte: “Ninguém ousaria dar menos de 100%
para novos membros. No esporte, o capitão ou o melhor quando vestia a camiseta da Carolina” (Dorrance e Aver-
jogador da equipe costuma ser o modelo a ser copiado, buch, 2002). Num estudo de Monroe, Estabrooks, Dennis
estabelecendo a norma de produtividade. Por exemplo, e Carron (1999), a norma de produtividade era a norma
quando Dan Gable, ganhador de medalha de ouro olím- citada com mais frequência para as competições, a prática
pica, lutava pela Iowa State University, treinava intensa- e o período fora da temporada. Na verdade, muitas outras
mente por muitas horas. E, uma vez que Gable era con- normas mencionadas com frequência refletiam-se indire-
siderado o melhor lutador do país na luta greco-romana tamente na produtividade, como as normas de pontuali-
na sua categoria de peso, os companheiros adotaram seus dade, frequência e preparação para treinos e competições.
padrões. Um treinador também pode criar uma norma de
produtividade, conforme evidenciado por Tara VanDerve- Normas positivas
er, herdeira da equipe norte-americana feminina olímpica
de basquetebol, em 1996. Essa equipe havia perdido vá- Visto que as normas podem ter grande efeito no com-
rios campeonatos internacionais nos anos anteriores e a portamento, é imperativo que o técnico, o professor ou

Pressão de normas sociais
As normas podem ter enorme influência sobre cada membro de um grupo, conforme demonstrado pela experiência clássica
conduzida por Solomon Asch (1956). Foi pedido a sete estudantes que julgassem qual das três linhas era igual à linha padrão
(ver Figura 7.1). Esta tinha 12,5 cm de comprimento, enquanto as linhas de comparação tinham 12,5, 10 e 15,5 cm. Todos menos
um dos indivíduos (a “cobaia”) foram instruídos de antemão pelo experimentador a darem respostas incorretas. Eles respondiam
em voz alta, um de cada vez, com a “cobaia” sendo um dos últimos. Embora fosse claro que a linha de 12,5 cm era a resposta
correta, um terço das “cobaias” ajustaram-se à norma do grupo, mesmo com apenas três participantes. Portanto, mesmo quando
as pessoas sabem a resposta certa, elas sentem a pressão para ajustar-se às normas do grupo, escolhendo uma resposta que
sabem ser incorreta.

Linha de 12,5 cm 10 cm 15,5 cm
comparação
12,5 cm (em escala)

FIGURA 7.1 Linhas de comparação típicas usadas no estudo de Asch acerca dos efeitos do grupo sobre julgamentos
individuais.

Dinâmicas de grupo e equipe 153

o instrutor estabeleça normas ou padrões de grupo posi- Freeman, Rees e Hardy, 2009; Gould, Tuffey, Udry e
tivos. Um bom método para criar normas positivas é ar- Loehr, 1996a, b; Rees, 2007). Além disso, o apoio so-
regimentar os líderes formais e informais de uma equipe cial foi vinculado a aumentos nos sentimentos de coe-
para estabelecerem exemplos positivos. Dan Gable to- são e clima de equipe. Nesse sentido, Mike Krzyzewski,
mou a iniciativa e estabeleceu ele próprio a norma. Mas, técnico de basquetebol masculino da Duke University,
muitas vezes, o técnico ou o professor precisa encorajar diz que a primeira coisa que faz no início da temporada
os líderes a estabelecerem altos padrões de realização. é assegurar que todos os seus jogadores se ajustem ao
Sempre que possível, inclua todos os membros na to- conceito de equipe e apoiem uns aos outros. Os diferen-
mada de decisão sobre as normas adotadas pela equipe. tes tipos de apoio social e as formas para intensificá-los
estão listados em “Desenvolvimento de um Clima de
Equipe Efetivo por Meio de Apoio Social”.
Modificação de normas da equipe
Quando as normas da equipe precisam ser modifica- PONTO-CHAVE  O apoio social fornece avaliação,
das, há dois aspectos importantes a considerar: a fonte informação, reafirmação e companheirismo; reduz
da comunicação para mudar as normas e a natureza da as incertezas durante períodos de estresse; auxilia
comunicação. Os indivíduos de um grupo com maiores na recuperação mental e física e melhora as habili-
poderes de persuasão são os mais dignos de crédito, os dades de comunicação.
mais queridos, aqueles iguais aos outros membros do
grupo, os cativantes, aqueles com posição de destaque,
ou os percebidos como poderosos (Penrod, 1986). Além
disso, o estilo de discurso usado é importante; fazer per- Proximidade
guntas retóricas e falar com certa rapidez aumentam a
É mais provável que as pessoas se unam quando próxi-
efetividade dos argumentos persuasivos. A natureza da
mas umas das outras. Embora a proximidade física por
comunicação também é importante. O processo de mu-
si só não costume garantir um conceito de equipe, o con-
dar normas de grupo é mais eficaz quando estão presen-
tato íntimo com os companheiros promove interação, o
tes pessoas de ambos os lados da discussão, há vários
que, por sua vez, pode acelerar o desenvolvimento do
comunicados, a comunicação é nova e as conclusões são
grupo. Os vestiários, as tabelas de treinos e as excursões
expostas claramente.
garantem a proximidade. Alguns técnicos universitários
promovem a unidade do time levando atletas a dividirem
os alojamentos. Em esportes infantis, viagens de carro
Criando um clima de equipe efetivo ou ônibus e levantamento de fundos, como lavagem de
carros, frequentemente ajudam a desenvolver um clima
O clima de equipe desenvolve-se a partir da percepção dos positivo de equipe, criando oportunidades para que os
jogadores das inter-relações entre os membros do grupo. jogadores se conheçam melhor. Essas interações, com-
Suas percepções e avaliações estabelecem a atmosfera da binadas com uma similaridade de atitudes, podem aju-
equipe. Ainda assim, é o técnico quem tem a palavra final dar a estabelecer uma identidade de equipe.
para estabelecer esse clima (embora os jogadores não se-
jam obrigados a concordar com sua abordagem). Alguns VEJA A Atividade 7.1 (em inglês) irá permitir
fatores do clima de equipe são mais facilmente alterados que você aplique o que entendeu a respeito do
do que outros, mas todos podem influenciar o funciona- apoio social.
mento efetivo de um grupo (Zander, 1982).

Diferenciação
Apoio social
Quando um grupo se sente diferente, seus sentimentos
Apoio social refere-se a “uma troca de recursos entre de unidade e identidade aumentam. As gangues de rua
pelo menos dois indivíduos, a qual é percebida pelo for- usam roupas características e ritos de iniciação especiais
necedor ou pelo receptor como tendo a intenção de au- para se diferenciarem de outras gangues. No esporte, a
mentar o bem-estar do receptor” (Shumaker e Brownell, diferenciação é tradicionalmente alcançada por meio de
1984, p. 13). As pesquisas indicam que o apoio social uniformes e lemas dos times, de ritos de iniciação espe-
pode ter um impacto positivo em muitos comportamen- ciais ou de privilégios especiais. Algumas equipes mas-
tos e sentimentos, tais como recuperação de uma lesão, culinas, como o Boston Celtics, o New York ­Yankees,
controle do estresse, exaustão, atividade física de crian- o time de futebol americano da Notre Dame, o time de
ças e desempenho (Duncan, Duncan e Strycker, 2005; basquete da UCLA e o time de luta greco-romana da

154  Fundamentos da psicologia do esporte e do exercício

Desenvolvimento de um clima de equipe efetivo por meio de apoio social
Apoio social é um conceito multidimensional, e pesquisadores (Rees, 2007; Rosenfeld e Richman, 1997) resumiram sete tipos de
apoio social. Os tipos de apoio social e as sugestões para intensificar cada um deles para facilitar o desenvolvimento da equipe
são apresentados a seguir:
1. Apoio pela escuta
Apoio pela escuta é a percepção de que outra pessoa está escutando, sem dar conselhos ou julgar. Eis algumas diretrizes para
intensificar o apoio pela escuta:
• Providenciar eventos sociais de grupo para funcionários, atletas e técnicos assistentes para permitir-lhes sair de seus
papéis normais.
• Enfatizar o valor de contatos regulares e informais entre atletas, técnicos e pessoal de apoio.
2. Apoio emocional
Apoio emocional é a percepção de que outra pessoa está oferecendo conforto e cuidados, indicando que ela está do lado da
pessoa que recebe apoio. Eis as diretrizes para intensificar o apoio emocional:
• Salientar a importância do apoio emocional para os líderes que surgem e para os que saem.
• Encorajar o time a dar apoio emocional a jogadores lesionados, visitando-os.
3. Apoio de desafio emocional
Apoio de desafio emocional é a percepção de que outra pessoa está desafiando o atleta apoiado a avaliar suas atitudes, valores
e sentimentos. Eis as diretrizes para intensificar o apoio emocionalmente desafiador:
• Encorajar trocas verbais emocionalmente desafiadoras entre os jogadores durante os treinos e as competições (p. ex., “Você
tem praticado aquela técnica há várias semanas; relaxe e deixe acontecer”).
• Desafiar membros da equipe a fazerem o melhor possível por meio de encontros individuais e de equipe, tendo como foco
o cumprimento de metas pessoais e grupais.
4. Apoio de confirmação da realidade
Apoio de confirmação da realidade é a percepção de que outra pessoa, que é parecida e vê as coisas da mesma forma que
aquele que recebe o apoio, está ajudando a confirmar o ponto de vista de quem recebe o apoio. Eis as diretrizes para intensificar
o apoio de confirmação da realidade:
• Organizar pequenos encontros de grupo em que os atletas discutam como lidar com a pressão, como se preparar para as
competições, como se adaptar à vida universitária e outras questões desse tipo.
• Criar oportunidades comuns entre técnicos experientes e inexperientes, tais como um sistema de companheiro ou mentor
que acompanhe treinadores mais velhos e mais jovens.
• Usar exercícios de esclarecimento de valores para promover troca de experiências, solicitando a vários atletas que
compartilhem um valor importante e o motivo da importância.
5. Apoio de reconhecimento da tarefa
Apoio de reconhecimento da tarefa é a percepção de que outra pessoa está reconhecendo os esforços de quem recebe o apoio
e expressando sua apreciação pelo trabalho da pessoa. Eis as diretrizes para intensificar o apoio de reconhecimento da tarefa:
• Reconhecer que os objetivos pré-temporada e diários de melhora das habilidades específicas estão sendo alcançados.
• Organizar cerimônias de premiação para desempenhos tanto esportivos como acadêmicos.
6. Apoio de desafio da tarefa
Apoio de desafio da tarefa é a percepção de que outra pessoa está desafiando a forma de pensar de quem recebe o apoio sobre
uma tarefa ou uma atividade a fim de instigar, motivar e levá-lo a maior criatividade, entusiasmo e envolvimento. Eis as diretrizes
para intensificar o apoio desafiador da tarefa:
• Encorajar os membros da equipe a fornecer apoio de desafio da tarefa para outro membro como responsabilidade e norma
de equipe. Por exemplo, perguntar por que é tão importante o trabalho árduo fora da temporada, em lugar de apenas
descansar fisicamente.
• Filmar os participantes para permitir que revejam seus níveis de atividade e recebam possível feedback positivo do pessoal
do condicionamento.
7. Apoio de assistência pessoal
Apoio de assistência pessoal é a percepção de que outra pessoa está fornecendo serviços ou ajuda, como fazer uma tarefa na
rua ou dar uma carona de carro para algum lugar. Eis as diretrizes para intensificar o apoio pessoal:
• Encorajar os companheiros de equipe a ajudarem uns aos outros em necessidades que não estão relacionadas ao esporte.
• Encorajar cada membro a conhecer, em um nível pessoal, o maior número de membros da equipe possível e a demonstrar
interesse e preocupação com seus companheiros.

Iowa, bem como equipes femininas, como os times de os membros da equipe se sintam únicos e diferentes das
basquete­bol da University of Tennessee e o time de fu- outras equipes, o técnico ajuda a desenvolver e a moldar
tebol da University of North Carolina, incentivam aber- um conceito de equipe. Em aulas de condicionamento fí-
tamente a diferenciação (os Celtics, por exemplo, são sico, Carron e Spink (1993) aumentaram a diferenciação
conhecidos por seu uniforme verde, que é diferente dos do grupo e desenvolveram coesão, em parte, fornecen-
uniformes de todos os outros times). Ao fazer com que do camisetas do grupo e criando slogans especiais para

Dinâmicas de grupo e equipe 155

os participantes. Os personal trainers também podem eles, maior a probabilidade de desenvolverem um con-
criar camisetas especiais com logotipos para as pessoas ceito forte de equipe.
que treinam na mesma academia.
Interdependência da tarefa
Justiça
Uma maneira final de melhorar a atmosfera de uma equi-
Um importante componente do clima de equipe é a con- pe e aumentar o desempenho envolve a interdependên-
fiança, e, no centro dessa confiança, está a percepção cia de resultados (Cinningham e Waltmeyer, 2007). Em
do atleta de estar sendo tratado com justiça. Os atletas suma, a interdependência de resultados refere-se ao fato
devem sentir que seu jogo, seus esforços e suas contri- de que todos os membros de uma equipe se beneficiam
buições para o sucesso da equipe são avaliados objetiva (ou sofrem) com desempenho do grupo. Como diriam
e imparcialmente. A justiça com que um técnico trata os treinadores, a equipe vence unida e perde unida. In-
os atletas influencia seus níveis de comprometimento, terdependência parece ser uma forma de ajudar a con-
motivação e satisfação. Os atletas interpretam a justi- trolar conflitos na equipe. O conflito de tarefas pode
ça em relação a três questões centrais (Anshel, 2003): ser positivo, embora “somente quando ele é controlado
de maneira construtiva, e as equipes tiverem alto grau
• O grau de compatibilidade entre as avaliações do téc- de abertura, segurança psicológica e confiança interna”
nico e dos jogadores sobre suas habilidades e contri- (DeDreu e Weingart, 2003, p. 748). Uma maneira de
buições para a equipe. promover a interdependência de tarefas ocorre via ofe-
• O modo como o técnico comunica seu ponto de vis- recimento de elogios ao time para reforço de um destino
ta para os atletas. comum de seus membros. Isso promove um sentimento
• A percepção dos atletas de que o técnico está tentan- de interdependência, já que todos os membros da equi-
do ajudá-los a melhorarem e a serem felizes. pe são responsáveis entre si e todos partilham seus su-
A justiça, ou a sua ausência, pode unir uma equipe cessos e fracassos.
ou separá-la. Os técnicos devem lidar com os atletas
honesta, aberta e imparcialmente. Os atletas precisam
sentir que são tratados com justiça, mesmo que não es-
Avaliação do clima de equipe
tejam inteiramente felizes com certas decisões. Alguns Os técnicos gostam de saber como seus atletas estão se
técnicos não dão muita atenção ao sentimento de justi- sentindo. O “Questionário sobre o Clima de Equipe”
ça de seus atletas. Isso é lamentável, considerando-se o apresenta exemplos de perguntas de uma checklist para
grau com que esses sentimentos podem se transformar medir os sentimentos dos atletas sobre sua participação
em ações negativas, tais como comportamento desinte- na equipe e suas percepções do comportamento e das
grador ou, mesmo, abandono da equipe. atitudes do técnico.
As respostas dos atletas proporcionam ao técnico
informações valiosas sobre o clima da equipe e sobre
Semelhança possíveis formas de intensificar sua coesão. Uma vez
A semelhança entre os membros quanto a comprometi- que é importante examinar as mudanças que ocorrem no
mento, atitudes, aspirações e objetivos é importante para decorrer de uma temporada, os atletas devem responder
desenvolver um clima positivo de equipe. Conforme ob- o questionário na pré-temporada e, então, os técnicos
servado também no Capítulo 8, os membros da equipe devem monitorar as mudanças periodicamente durante
geralmente diferem em relação a etnia, raça, anteceden- toda a temporada. Os jogadores devem ser informados
tes socioeconômicos, personalidade e capacidade. Mas de que não se trata de um teste e que não há respostas
a pesquisa demonstrou que fatores como antecedentes certas ou erradas. As respostas devem ser anônimas, pa-
socioeconômicos e experiência de jogo não são necessa- ra aumentar a probabilidade de que os atletas respon-
riamente importantes no desenvolvimento de um concei- dam honestamente.
to de equipe (Widmeyer e Williams, 1991). Entretanto,
cabe ao técnico manter um grupo distinto de atletas tra-
balhando juntos para alcançar objetivos comuns. Espe- Maximizando o desempenho
cificamente, ele deve desenvolver as mesmas atitudes, individual em esportes coletivos
tais como objetivos de desempenho compartilhados, ex-
pectativas de comportamento individual e clareza sobre A responsabilidade do técnico é a de levar vários atle-
os vários papéis na equipe. Quanto mais os membros tas a jogarem como um time, e ele precisa entender co-
do grupo estiverem conscientes das semelhanças entre mo as interações entre os membros da equipe afetam o

156  Fundamentos da psicologia do esporte e do exercício

Questionário sobre o clima de equipe
Leia cada afirmação e indique com que frequência ela ocorre, usando os números na escala a seguir:

1 = Nunca ocorre 2 = Ocorre às vezes 3 = Ocorre geralmente 4 = Sempre ocorre

______ 1. Posso tomar muitas das decisões que afetam minha forma de jogar.
______ 2. Posso contar com o técnico para manter em sigilo as coisas que digo.
______ 3. Os membros da comissão técnica esforçam-se para ajudar uns aos outros.
______ 4. Tenho tempo suficiente para fazer as coisas que o técnico me pede para aprender e realizar.
______ 5. Posso contar com a ajuda do técnico quando preciso dela.

desempenho no campo ou na quadra. A maior parte dos Entretanto, o modelo de Steiner implica que a pro-
técnicos e dos psicólogos do esporte concorda que um dutividade real de uma equipe nem sempre correspon-
grupo com os melhores indivíduos não necessariamente de à sua produtividade potencial. Apenas quando uma
forma o melhor time. Tomemos como exemplo o cam- equipe usa efetivamente seus recursos disponíveis para
peonato de basquetebol masculino da NCAA de 1997. enfrentar as demandas da tarefa é que sua produtivida-
Os dois finalistas, Kentucky e Utah, tinham perdido seus de ou desempenho real se aproxima de seu potencial de
principais jogadores, os titulares Keith Van Horn e Ron desempenho. Eccles (2010) explicou como um grupo
Mercer (que tinham sido selecionados na primeira roda- costuma coordenar seus recursos. O verdadeiro desem-
da do sorteio da NBA). Contudo, com menos talento, as penho de uma equipe, porém, geralmente fica aquém
equipes conseguiram alcançar o apogeu do basquetebol de sua produtividade potencial em razão de processos
universitário devido ao trabalho em equipe e ao sacrifí- grupais falhos.
cio individual dos jogadores que voltavam ao time. Em De acordo com o modelo de Steiner, é previsível que
resumo, uma boa equipe é mais do que a soma de suas a Equipe A tenha melhor desempenho que a Equipe B
partes. A qualidade do trabalho coletivo da equipe é um sob as seguintes circunstâncias:
fator fundamental na equação.
• A Equipe A possui mais capacidade (recursos) do
que a Equipe B, ao mesmo tempo em que apresenta
Modelo de Steiner de produtividade real iguais perdas de processo (perdas em razão de não
Ivan Steiner (1972) desenvolveu um modelo para mos- dar o máximo esforço).
trar a relação entre as capacidades ou recursos indivi- • A Equipe A possui a mesma capacidade que a Equi-
duais de uma equipe e o modo como os membros da pe B, mas tem menos perdas atribuíveis a processos
equipe interagem. O modelo de Steiner obedece à se- grupais falhos.
guinte equação: • A Equipe A possui mais capacidade e tem menos
perdas de processo que a Equipe B.
Produtividade real = produtividade potencial – Essa previsão sugere que o papel de qualquer técnico
perdas atribuíveis a processos grupais falhos é aumentar os recursos relevantes (por meio de treina-
mento, instrução e recrutamento) enquanto, ao mesmo
A produtividade potencial refere-se ao melhor tempo, deve reduzir as perdas de processo (aumentan-
desempenho possível de uma equipe, dados a capa- do a coesão e enfatizando contribuições individuais à
cidade, o conhecimento e a habilidade (tanto mental ideia de equipe).
como física) de cada jogador, bem como as demandas Há dois tipos de perdas atribuíveis a processos gru-
da tarefa. De acordo com o modelo de Steiner, a capa- pais falhos: perdas de motivação e de coordenação. As
cidade individual é provavelmente o recurso mais im- perdas de motivação ocorrem quando os membros da
portante para equipes esportivas – portanto, a equipe equipe não fazem 100% de esforço. Talvez os jogadores
constituída pelos melhores indivíduos geralmente al- acreditem que uma ou duas estrelas possam “botar o time
cançará o maior sucesso. nas costas”; assim, os outros jogadores diminuem seu
empenho. As perdas de coordenação ocorrem quando
PONTO-CHAVE  As capacidades individuais dos falta ajustamento entre os companheiros de equipe ou
membros de uma equipe nem sempre funcionam quando são usadas estratégias ineficazes. Por exemplo,
como bons indicadores de como a equipe se sairá. em um jogo de duplas no tênis, se a bola for lançada
bem no meio da quadra e nenhum jogador for na bola

Dinâmicas de grupo e equipe 157

porque cada um pensa que o outro irá rebatê-la, há uma Pesquisadores têm estudado em laboratório a rela-
perda de coordenação. ção entre desempenho individual e de grupo, mas qual a
Esportes que requerem interação complexa ou coo- sua aplicação no mundo real dos esportes? Nesse senti-
peração (como basquetebol, futebol, futebol americano do, Jones (1974) estudou equipes e jogadores profissio-
ou voleibol) são mais suscetíveis a perdas de coordena- nais (tênis, basquetebol, futebol americano e beisebol),
ção do que os esportes que exigem menos interações e concentrando-se nas estatísticas dos jogadores indivi-
menos coordenação (como natação ou atletismo). Téc- dualmente, como suas médias de rebatidas no beisebol;
nicos de basquetebol, futebol e voleibol normalmen- pontos, assistências, rebotes e bolas roubadas no bas-
te despendem muito tempo e esforço para “afinar” os quetebol; classificação no tênis; e jardas percorridas no
padrões de coordenação, oportunidade e movimento futebol americano. Ele queria saber a relação entre essas
da equipe. Técnicos de natação, ao contrário, gastam estatísticas e o sucesso da equipe durante uma tempo-
a maior parte de seu tempo desenvolvendo técnicas rada de competições e encontrou uma relação positiva
individuais; reservam menos tempo para habilidades entre a efetividade de uma equipe e o sucesso no de-
integradoras, como as transições entre os membros da sempenho individual nos quatro esportes. Essa relação
equipe de revezamento. foi mais forte no beisebol, que tem o menor número de
Foram criados termos diferentes para distinguir ta- interações; ela foi mais fraca no basquetebol, que tem
refas que exigem coordenação entre membros de uma as interações mais complexas.
equipe e tarefas que não a exigem. Os conhecimentos Portanto, parece que em esportes nos quais a coopera-
necessários para a realização de uma tarefa são conhe- ção e a interação são mais necessárias, a importância da
cidos como conhecimentos da tarefa, e os necessários capacidade individual diminui, e a importância do pro-
para coordenação são conhecidos como conhecimen- cesso grupal aumenta. Quando equipes de apenas duas
tos da equipe (ver Eccles e Tenenbaum, 2004, para uma pessoas jogam, elas aparentemente trabalham melhor
revisão). Exemplificando, um quarterback no futebol juntas se tiverem capacidades semelhantes. Uma pes-
americano tem que adquirir conhecimentos da tarefa quisa revelou que o melhor prognosticador de sucesso
para conseguir fazer um passe com precisão para um era a capacidade média dos dois jogadores (isto é, a so-
receptor. Mas a realização exitosa do passe precisa tam- ma das capacidades das duas pessoas da equipe); uma
bém dos conhecimentos da equipe pelo quarterback e grande diferença na capacidade entre os parceiros tinha
pelo receptor. Os dois devem ler a defesa da mesma um efeito negativo sobre o desempenho (Gill, 1979).
forma e antecipar o que o outro fará. Quando Peyton Quanto mais próximos em capacidade forem os com-
Manning foi trocado para o Denver, em 2012, ninguém panheiros de equipe, maior a probabilidade de usarem
sabia com que rapidez ele desenvolveria conhecimen- totalmente suas capacidades combinadas (Gill, 2000).
tos da equipe em Denver – já que seus lançamentos vi- No tênis, quando um jogador superior forma dupla com
savam um conjunto todo novo de receptores. Todavia, um jogador inferior, o melhor jogador frequentemente
não causou surpresa a rapidez com que ele desenvolveu tentará fazer demais. Da mesma forma, equipes expe-
conhecimentos da equipe. rientes imediatamente identificam e têm o alvo num jo-
gador mais fraco e lançam a maioria das bolas na direção
daquele jogador. Em resumo, todos os tipos de equipes
Efeitos de habilidades individuais costumam ser tão bons quanto seu jogador mais fraco.
no desempenho do grupo Geralmente, as melhores duplas são constituídas por
dois jogadores muito bons (como Bob e Mike Bryan
Comrey e Deskin (1954) foram dois dos primeiros pes- dos Estados Unidos) que se complementam, e não são
quisadores a analisar a relação entre desempenho indi- formadas por uma estrela e outro jogador razoável, com
vidual e de grupo para entender como processos grupais dificuldades de combinar suas habilidades.
falhos reduzem a produtividade. Esses pesquisadores ve- Por fim, um estudo interessante de Cooke e colabo-
rificaram que, independentemente do nível de habilida- radores (2013) comparou competições individuais com
des motoras que os indivíduos trouxessem para a tarefa, competições em grupo (dois contra dois e quatro contra
quando dois ou mais indivíduos tentavam interagir de quatro). Os resultados de uma tarefa de resistência reve-
forma precisa, sua capacidade de prever os movimentos laram que os competidores individuais exibiam níveis
uns dos outros e de regular suas próprias ações de acor- mais altos de desempenho, esforço e satisfação do que
do era pelo menos tão importante quanto as qualidades competidores atuando em equipe. Esses achados apoiam
de seus desempenhos individuais. Outros pesquisadores os mecanismos baseados em satisfação e em ansiedade
também usaram tarefas de laboratório e verificaram que que explicam os efeitos de tipos diferentes de competi-
as habilidades individuais são prognosticadores apenas ção no desempenho. De forma específica, pessoas que
moderadamente bons do desempenho de grupo. apoiam mecanismos baseados na satisfação defendem

158  Fundamentos da psicologia do esporte e do exercício

que alterações no desempenho se devem a aumentos tencial, e grupos de três, a 82% de seu potencial. En-
no prazer advindos de incrementos no empenho e na tretanto, contrariamente ao que Ringelmann descobriu,
motivação intrínseca. Pessoas que apoiam mecanismos aumentos no tamanho do grupo não levaram a diminui-
baseados na ansiedade, porém, defendem que, embora ções correspondentes na eficácia. Houve um nivelamen-
o aumento no desempenho seja mediado por aumento to geral, com grupos de seis puxando a corda em uma
nos esforços, aumentos na ansiedade levam as pessoas média de 78% de seu potencial. Veja uma comparação
a aumentarem o empenho. dos estudos de Ringelmann e Ingham na Tabela 7.2.

O efeito Ringelmann PONTO-CHAVE  O fenômeno pelo qual o desempe-
nho individual diminui à medida que o número de
É evidente que as capacidades individuais não se resu-
pessoas no grupo aumenta é conhecido como efei-
mem simplesmente o desempenho de grupo ou de equi-
pe. Isso está de acordo com o modelo de Steiner, que to Ringelmann.
observou que a produtividade potencial pode ser reduzi-
da por processos grupais falhos. Mas o que causa essas Em um segundo estudo, Ingham e colaboradores qui-
perdas e quanta produtividade potencial é perdida? As seram determinar se as perdas resultantes do aumento no
respostas a essas perguntas começaram a surgir de um tamanho grupo eram devidas à má coordenação ou à di-
estudo obscuro e não publicado sobre o desempenho in- minuição da motivação. Para separar esses dois fatores,
dividual e em grupo (o efeito Ringelmann) numa tarefa eles reduziram as perdas pela coordenação t­ estando ape-
de cabo-de-guerra, estudo esse conduzido por Ringel- nas um participante de cada vez, colocando vendas em
mann há quase cem anos (citado por Ingham, ­Levinger, seus olhos e utilizando auxiliares treinados que fingiam
Graves e Peckham, 1974). Ele observou indivíduos e puxar a corda (os participantes pensaram que os outros
grupos de dois, três e oito pessoas puxando uma cor- membros do grupo estavam puxando a corda, embora
da. Se não houvesse perdas devido a processos grupais eles não estivessem). Qualquer dimi­nuição no desem-
falhos, então se poderia supor que cada indivíduo pu- penho foi, então, atribuída basicamente a uma perda de
xava 45 quilogramas. Assim, grupos de dois, três e oi- motivação (ainda ocorreu uma pequena quantidade de
to seriam capazes de puxar 90, 135 e 360 quilogramas, perda de coordenação que não pode ser controlada) e
respectivamente. Entretanto, o desempenho relativo de não a uma perda de coordenação, porque apenas o par-
cada indivíduo mostrou um declínio progressivo à me- ticipante real estava puxando a corda. Os resultados fo-
dida que o número de pessoas no grupo aumentava. Ou ram quase idênticos aos do primeiro estudo – o desem-
seja, grupos de duas pessoas puxavam 93% de seu po- penho médio caiu para 85% nos grupos de três pessoas,
tencial individual, grupos de três pessoas, 85% e grupos sem qualquer outra diminuição no desempenho indivi-
de oito pessoas, apenas 49%. dual à medida que o tamanho do grupo aumentava (ver
Visto que algumas das primeiras descrições e me- Tabela 7.2). Os autores concluíram que as diferenças
todologia tinham ficado incompletas no estudo de entre desempenho real e potencial eram parcialmente
­Ringelmann, Ingham e colaboradores (1974) tentaram atribuíveis a perdas de motivação, mas que as perdas
reproduzir os resultados de Ringelmann ao mesmo tem- de coordenação também contribuíam para o desempe-
po em que ampliaram o trabalho. Primeiramente, eles nho reduzido. Em suma, algumas das diminuições no
fizeram indivíduos e grupos de dois, três, quatro, cin- desempenho à medida que o grupo aumentava foram
co e seis pessoas realizarem a tarefa do cabo-de-guer- puramente motivacionais.
ra. Os resultados foram semelhantes aos do estudo de Duas outras experiências utilizaram gritos e palmas
­Ringelmann: grupos de dois atuaram a 91% de seu po- como tarefas de grupo e revelaram que o ruído médio

TABELA 7.2 Declínio progressivo no desempenho individual no cabo-de-guerra expresso como uma porcentagem de desempenho
individual
Tamanho do grupo

Estudo 1 2 3 4 5 6 7 8

Ringelmann 100 93 85 n/d n/d n/d n/d 49

Ingham (1) 100 91 82 78 78 78 n/d n/d

Ingham (2) 100 90 85 86 84 85 n/d n/d

n/d: não disponível

Dinâmicas de grupo e equipe 159

que cada pessoa produzia diminuía a partir da atuação os técnicos reverão o filme do jogo na segunda-feira
isolada para 7l% em grupos de duas pessoas, 51% em de manhã e que sua falta de esforço poderá ser identifi­
grupos de quatro pessoas e 40% em grupos de seis pes- cada, é provável que eles bloqueiem com mais firmeza
soas. Quando os pesquisadores controlaram a coorde- em cada jogada, independentemente da direção do jogo.
nação, verificaram que grupos de duas pessoas atua- Portanto, se as contribuições individuais para o produto
vam a 82% de seu potencial, e grupos de seis pessoas, do grupo forem monitoradas diretamente, a ociosidade
a 74% de seu potencial (Hardy e Latane, 1988; Latane, social será diminuída. Além disso, quando os indivíduos
Williams e Harkins, 1979). percebem que suas contribuições são fundamentais para
a produtividade do grupo, a ociosidade social diminui.
Revisões da literatura (Heuze e Brunel, 2003; Karau
Ociosidade social e formas de reduzi-la e Williams, 1993) revelaram que ocorre ociosidade so-
cial em muitos tipos de tarefas, incluindo tarefas físicas
Ociosidade social é o termo que os psicólogos usam
(como cabo-de-guerra, natação), cognitivas (como gerar
para o fenômeno que ocorre quando os indivíduos de
ideias), perceptivas (como desempenho no labirinto) e
um grupo ou de uma equipe aplicam menos de 100% de
avaliativas (como qualidade do rendimento). Além dis-
esforço devido à perda de motivação. Os pesquisadores
so, a ociosidade social generaliza-se em diferentes po-
encontraram efeitos de ociosidade social na natação, em
pulações e culturas e entre os sexos. Concluindo, ela
corridas e na animação de torcida, bem como em uma
aumenta quando:
ampla variedade de tarefas motoras de laboratório (ver
Hanrahan e Gallois, 1993, para uma revisão). Inúmeras • O rendimento do indivíduo não pode ser avaliado de
condições parecem aumentar a probabilidade de ocio- forma independente.
sidade social, e as oito que receberam a maior atenção • A tarefa é percebida como de pouca importância.
são destacadas adiante. Ao testar as causas do aumento • O envolvimento pessoal do indivíduo na tarefa é
da ociosidade social, pesquisas demonstraram que as baixo.
perdas na produtividade individual atribuíveis à ocio- • Não é possível fazer uma comparação com padrões
sidade social são maiores quando as contribuições de de grupo.
determinados membros do grupo não são identificadas, • Os indivíduos que contribuem para o esforço cole-
são dispensáveis ou desproporcionais às contribuições tivo não se conhecem.
de outros membros do grupo. Por exemplo, os defenso- • Os companheiros ou colaboradores do indivíduo são
res no futebol americano podem não bloquear com tanta vistos como tendo alta capacidade.
firmeza se o jogo estiver indo na direção oposta de on- • O indivíduo percebe que sua contribuição para o re-
de eles estão bloqueando. Entretanto, se souberem que sultado é redundante.

Como os psicólogos do esporte podem reforçar o funcionamento da equipe
Os Capítulos 7 e 8 destacam variáveis importantes de grupos e equipes na atividade física e no esporte, observando ainda a
influência dessas variáveis no funcionamento eficaz dos grupos. Os psicólogos do esporte podem fazer o seguinte para colaborar
com melhorias no funcionamento de grupos (Klinert et al., 2012):
• Ensinar habilidades psicossociais básicas. Os 5 Cs de Harwood (2008) – comprometimento, comunicação, concentração,
controle e confiança – são um bom exemplo de algumas habilidades psicossociais com importância especial para atletas jovens.
• Facilitar um ambiente de treinamento de excelência baseado nas necessidades dos atletas. Isso pode ser feito por meio de
entrevistas com os atletas, administração de testes psicológicos que avaliem as preferências dos atletas por determinados
comportamentos dos técnicos (p.ex., a Leadership Scale for Sports) e a observação do comportamento.
• Desenvolver a relação entre o atleta e o treinador. Garanta que treinador e atleta tenham uma compreensão exata de como o
outro encara a relação e os atributos essenciais para uma relação exitosa.
• Reforçar as percepções do papel. Faça com que treinadores e atletas listem os papéis formais e informais dos membros da
equipe, buscando congruência entre treinadores e atletas.
• Aumentar a coesão do grupo. Use o “Group Environment Questionnaire/Questionário da Atmosfera do Grupo” (Carron, Widmeyer
e Brawley, 1985) para levantar dados sobre a coesão de tarefas e social e depois desenvolva estratégias para intensificar as
necessidades específicas de coesão da equipe.
• Enfrentar os estressores organizacionais e ambientais. Ensine os atletas habilidades de enfrentamento de estressores ambientais
e organizacionais, incluindo: fatores intrínsecos ao esporte (p.ex., viagens, agendas de treino), papéis na organização do
esporte (p.ex., ambiguidade do papel, falta de aceitação de papel), relações do esporte e exigências interpessoais (p.ex.,
comunicação com os companheiros de equipe, gangues sociais), carreira no esporte e desenvolvimento do desempenho
(p.ex., aposentadoria, salários) e estrutura organizacional e atmosfera do esporte (p.ex., níveis de autonomia, resultado [vitória]
versus foco desenvolvimental [melhorar]).

todos os esse tipo de ociosidade? Essa ideia de acreditar na ocor- atletas devem assumir a responsabilidade pelo próprio rência de ociosidade social é chamada de ociosidade so- empenho e não supor que um companheiro se encarre- cial percebida (Mulvey e Klein. A contribuição exclusiva de cada o­ ciosidade social em sua equipe. mesmo que não seja es- indivíduo para o sucesso da equipe deve ser comunicada sa a realidade. daquilo que os técnicos e instrutores podem fazer para reduzir O achado mais consistente entre as pesquisas aponta a a ociosidade social. Utilizando esses resultados. Todos os jogado- dita ser um adversário mais fraco. Aumente a identificação 2012). com a pesquisa de apoio. Estudos com nadadores reve- . por sua vez. jogadores podem não reconhecer a importância de suas Harkins e Latane. examinemos alguns de desempenhos individuais exemplos específicos. quando jogadores de futebol percebiam ociosida- contribuição para o êxito da equipe. também se empenhavam contribuição. Além disso. Smith e Williams. possibilidade de identificação como a explicação mais aceitável para o fenômeno de ociosidade social. mesmo que faça poucos pontos. a ociosidade social pode ser eliminada. Por exemplo. alguns anônimos (Evert.160  Fundamentos da psicologia do esporte e do exercício Lorne Collicutt/Icon SMI Reconhecer a contribuição exclusiva de cada jogador é fundamental no combate à ociosidade social. será que eles tambám acabarão exercendo e enfatizada sempre que possível. 1981). Safvenboom e Tonnessen (2006) pesqui- jogar bem na defesa e criar boas situações de arremes- sou a ideia de que a percepção da ociosidade social real- sos para os companheiros executando bons corta-luzes. menos. Os pesquisadores descobriram Se o treinador enfatizar ao jogador a importância de sua que. Como resultado. 1998). mente causa ociosidade. Williams. res devem ser desafiados a examinar sua responsabili- dade para com a equipe e as formas de se aprimorar em Quando os atletas acreditam que está ocorrendo benefício da equipe. próprias contribuições para a equipe. porque verá a importância de sua atribuído a empenho fraco). quando membros de uma equipe acreditam Enfatize a importância do orgulho que seus desempenhos individuais são identificáveis (is- individual e das contribuições únicas to é. ajuda a reduzir a ociosidade social percebida (Anshel. Um estudo feito gará de tudo. Aumentar o apoio social entre companheiros de equipe pode construir confiança. 1992. um jogador de basquete pode por Holgaard. possivelmente esse de social entre colegas de time (ou seja. percebidos pelos outros). o que. porque os jogadores não se sentem mais Quando um técnico enfatiza o conceito de equipe. achavam que o jogador fará mais esforço consistente e ficará envolvido desempenho insatisfatório dos companheiros podia ser de forma mais pessoal. • O indivíduo está competindo contra o que ele acre.

Por Filmar ou usar checklists de observação em treinos exemplo. defensores de futebol americano filmando e classifican. Se necessário fazer mudanças. ­durante uma parte particularmente difícil da e jogos também pode fornecer maior possibilidade de temporada. dor individualmente. • Selecionar lideranças entre os companheiros com base em critérios que não o da capacidade no esporte (tal como habilidades para liderar). mas não acompanha a jogada. Por exemplo. os técnicos devem ela fica descansando na defesa para ter certeza de que planejar estratégias específicas para reduzir a probabi- estará pronta para defender. Ao avaliarem o esforço dos participantes como Para entender melhor quando a ociosidade social indivíduos. esforços sem interferir no desempenho da equipe. de certa forma) costumam se destacar como especialmente importantes e cheias de significado. Relações entre companheiros Quando atletas relembram suas carreiras esportivas. Por exem. ­poderia ser apropriada. na Ohio State University. Mas é importante observar que ser é apropriada! Por exemplo. nomizando esforço apenas para terminar o dia física e car ociosidade. tipo de ociosidade social pode ser visto como engenha- tos individuais quando os tempos individuais não eram ria social. porque para discutir a ociosidade muitos jogadores não jogam por muito tempo em par- O técnico deve discutir a ociosidade com cada joga- tidas oficiais. uma pivô no basquetebol simplesmente advertido sobre a ociosidade social não pega um rebote e arma o contra-ataque passando para é suficiente para prevenir sua ocorrência (Huddleston. técnicos. o armador. ou complementar os falecido Woody Hayes aumentava a identificação dos treinos de alta ­intensidade com atividades recreativas. em sua avaliação. petições de modo que cada jogador possa economizar vimento específico particularmente bem. o que pode ser apropriado lidade de ociosidade social. os técnicos devem analisar cui- tizam os participantes de sua preocupação e lhes asse. professores e instrutores conscien. Esse davam mais devagar em revezamentos do que em even. Entretanto. Bill Russell. deixando os companheiros correr para o ataque. dadosamente as dinâmicas e as estratégias envolvidas guram que não estão perdidos na multidão. os atletas podem ter ou- tros compromissos que os estressam e requerem gasto Por meio de filmagem ou de outras observações. vação e das ações para satisfazer às demandas da tarefa. Entretanto. • Encorajar os jovens atletas a se envolverem na solução dos próprios problemas e a não esperarem que os adultos façam isso por eles. bem como jogos. em seu esporte. Inclua Faça encontros individuais os treinos. cação). os téc- plo. cendo privilégios ao “defensor da semana” e conceden- do decalques para os capacetes dos jogadores que de- monstrassem esforço e desempenho individuais. popularizou exatamente essa es- individuais nos revezamentos eram anunciados (isto é. Portanto. Por exemplo. de energia e tempo. o atleta pode estar eco- nicos podem determinar quais situações parecem provo. Um jogador pode ter razões mais complexas para a perda motivacional do que se sentir Determine situações específicas perdido na multidão ou supor que outra pessoa fará o nas quais a ociosidade pode ocorrer trabalho por ele. Na verdade. Doody e Ruder. porque concentrava seus esforços na defesa. Dinâmicas de grupo e equipe 161 laram que eles nadavam mais rápido em revezamentos se ela estiver cansada. os téc. • Capacitar os atletas a se envolverem na tomada de decisões compartilhadas. MVP e pi- do que em eventos individuais apenas quando os tempos vô do Boston Celtics. 1985). tratégia. havia alta identificação). ofere. zar sua ociosidade. Weiss e Stuntz (2004) e Smith (2007) oferecem sugestões para melhorar as relações entre companheiros: • Gerar metas cooperativas no contexto esportivo. os técnicos podem incorporar treinos de identificação. Isso ajudará a manter os jogadores afiados e a minimi- do especificamente cada jogador em cada jogo. De fato. Na verdade. • Criar contextos esportivos para atividades em pequenos grupos e um máximo de participação. porque envolve o controle da própria moti- anunciados nos revezamentos (havendo baixa identifi. . as relações com os companheiros (e outros competidores. a ociosidade social às vezes mentalmente bem. apenas recentemente estudaram de forma sistemática essas relações no esporte. os nadadores na. o baixa intensidade ao programa. um professor de aeróbica pode gritar os nomes dos nicos devem estruturar as sessões de treino e as com- indivíduos que estão fazendo um exercício ou um mo. Psicólogos do esporte. entretanto.

proximidade. Já as normas são níveis de desempenho. Por meio de filmagem de desempenho. Ociosidade social é o fenômeno pelo qual os indivíduos dentro de um grupo aplicam menos de 100% de esforço em virtude de perdas de motivação. Uma das melhores formas de os jogadores faze. Três teorias principais tentam explicar o desenvolvimento de grupo: (a) teorias lineares. Entenda melhor o conceito de ociosidade social. conseguir maior contribuição de cada jogador é fundamental para o desempenho de alto nível da equi- pe. Conversar sobre os desafios peculiares das outras posições ajuda. Atribua o fracasso a fatores internos instáveis rá cada jogador a entender melhor o impacto que eles Após algum fracasso – em especial. A formação de subgrupos (tais como de zagueiros. Explique como se cria um clima efetivo de equipe. Os atletas deveriam conhecer não apenas seus próprios leva a mais esforço e compromisso. pois dar ênfase excessiva aos subgrupos à custa ros. Tenha cuidado. As habilidades individuais estão apenas moderadamente relacionadas ao sucesso final da equipe. por sua vez. Duas das mais importantes ca- racterísticas estruturais dos grupos são os papéis e as normas grupais. A estrutura de um grupo depende muito das interações de seus membros. que afirmam que os grupos apresentam altos e baixos durante uma temporada devido a mudanças nos relacionamentos interpessoais. que é estável e interna. 3. tretanto. Basicamente.162  Fundamentos da psicologia do esporte e do exercício Designe jogadores para outras posições atacantes e meio-campistas no futebol) pode aumentar os sentimentos de coesão de grupo. Martin e Carron (2012) recomendam que as equipes atribuam o fracasso a fa- Formar subgrupos dentro de uma equipe permite maior tores internos. e ajuda a desenvolver uma unidade coesa. Os papéis consistem no conjun- to de comportamentos requeridos ou esperados da pessoa que ocupa determinada posição em um grupo. Portan- to. en- papéis na equipe. controláveis e instáveis. um fracasso con- têm sobre as outras posições quando ficam ociosos. AUXÍLIO AO APRENDIZADO RESUMO 1. começam a se perguntar: “Por que tentar se o outro ti- me é melhor e a gente vai perder de qualquer forma?”. Alguns fatores críticos que afetam esse clima são apoio social. pois começam a atribuir seu fracasso à falta atletas passem um pequeno período revezando-se em de capacidade. 2. mas também os de seus companhei. riores a coisas sob seu controle. Os sistente – as equipes tendem à desistência e à ociosida- técnicos podem ajudar nesse aspecto. caírem na ociosidade. Os técnicos Isso encorajará os times a darem o melhor de si e a não devem monitorar cuidadosamente os subgrupos e refor. do grupo como um todo pode resultar na formação de rem uma avaliação dos companheiros e de como seu parcerias sociais destrutivas (“panelinhas”). padrões de comportamento ou crenças característicos do grupo. exigindo que os de social. 5. ajudando os jogadores a entenderem seus papéis e aumentan- do a identificação você pode maximizar o senso de contribuição de um indivíduo para o esforço de equipe. . o que. como empenho reconhecimento da responsabilidade para com os outros e estratégia insatisfatória. pois dessas contribuições em outras. desempenho afeta os outros na equipe é aprenderem a respeito das posições dos companheiros. 4. Divida a equipe em unidades menores Com base numa metanálise. pe. os jogadores po- dos companheiros e vivenciarem os efeitos potenciais dem começar a mostrar empenho aquém do ideal. Entenda como os grupos são estruturados. Quando um time outras posições para melhor entenderem a contribuição sente não ser tão bom quanto outro. As mais contemporâneas são as teorias pendulares. O conhecimento do técnico sobre essas abordagens pode ajudá-lo a estruturar o ambiente para apoiar os indivíduos no grupo em cada estágio. há uma difusão de responsabilidade. Descreva como maximizar o desempenho individual em esportes coletivos. porque atribuem as perdas ante- çar constantemente a noção global de orgulho de equi. e os indiví- duos sentem que outros membros do grupo se encarregarão de tudo. diferenciação. justiça e semelhança. (b) teorias cíclicas e (c) teorias pendulares. já que podem ser alterados. Discuta como um grupo se torna uma equipe. O clima de equipe desenvolve-se a partir de como os jogadores percebem as inter-relações entre os mem- bros do grupo.

apenas alguns jogadores estão dispostos a aceitar seus papéis)? 4. Você é um instrutor de academia e quer criar mais unidade dentro de sua classe ou grupo por achar que es- sa iniciativa aumentará o desejo das pessoas de comparecer à aula e de participar. Dinâmicas de grupo e equipe 163 6. O que poderia acontecer a uma equipe quando os papéis são claramente definidos. Compare e diferencie os modelos linear. TERMOS-CHAVE grupo tumulto apoio social equipe normalização produtividade potencial teoria linear desempenho perdas de motivação teoria cíclica papel perdas de coordenação teoria pendular ambiguidade do papel efeito Ringelmann formação norma ociosidade social QUESTÕES DE REVISÃO 1. quando é impossível fazer uma comparação com padrões do grupo. A ociosidade social parece ocorrer com mais frequência quando o rendimento de um indivíduo não pode ser avaliado independentemente. Discuta uma experiência que você teve em que o modelo de produtividade de St