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Antes de iniciar este curso leia a letra ou assista ao vídeo, da música de Lenine “Ninguém faz ideia”
Alguns desses grupos, devido a questões ligadas a gênero, idade, condição social, deficiência e
orientação sexual, tornam-se mais suscetíveis à violação de seus direitos, por isso são denominados
grupos vulneráveis.
Neste curso você estudará sobre eles e também sobre a importância do profissional da área de
segurança pública ter conhecimentos básicos sobre os dispositivos legais referentes a cada grupo.
Espera-se que as informações aqui contidas possam servir de subsídios para a prestação de um
atendimento de qualidade a estes grupos.
Bom estudo!

Importante!
Neste curso você irá estudar sobre os grupos vulneráveis, excetuando-se apenas a população LGBT e as
mulheres, pois, já existem cursos próprios para as temáticas na Rede Nacional de Educação a
Distância/Ministério da Justiça, com o nome: Segurança Sem Homofobia e Mulheres Vítimas de
Violência.

Objetivo do curso

Ao final do curso, você será capaz de:

• Definir grupos vulneráveis correlacionando os conceitos com Direitos Humanos;
• Identificar os principais grupos vulneráveis existentes em nossa sociedade;
• Analisar a legislação relativa à proteção dos grupos vulneráveis, tanto no Brasil como no mundo e sua
relação com a atividade policial;
• Apontar a atitude correta na atuação em ocorrências envolvendo integrantes desses grupos
vulneráveis;
• Realizar abordagens e buscas, em integrantes dos grupos vulneráveis, em conformidade com os
direitos humanos;
• Prestar o socorro a vítimas de grupos vulneráveis, levando em consideração os cuidados que cada
caso exige.

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Estrutura do curso

Este curso é composto pelos seguintes módulos:

• Módulo 1 – Introduzindo a questão
• Módulo 2 – Conceituando o tema: grupos vulneráveis e minorias
• Módulo 3 – Atuação policial e grupos vulneráveis: pessoas idosas
• Módulo 4 – Segurança Pública e população em situação de rua
• Módulo 5 – Atendimento policial às pessoas com deficiência
• Módulo 6 – Atendimento policial às crianças e adolescentes

3

MÓDULO
INTRODUZINDO A QUESTÃO
1
Apresentação do módulo

Com certeza você deve estar se perguntando: O que é um grupo vulnerável? Quem são as pessoas que
o compõem? Onde pode ser encontrado? E no que consiste a vulnerabilidade destas pessoas?
Antes de buscar respostas para essas perguntas deve-se compreender alguns aspectos da nossa
sociedade.
Neste módulo você estudará sobre os grupos vulneráveis e o papel da segurança pública em proteger
e promover os Direitos Humanos, notadamente em relação a estes grupos.

Objetivo do módulo

Ao final do módulo, você será capaz de:

• Compreender a relação existente entre grupos vulneráveis e o papel da Segurança Pública como
protetora e promotora dos Direitos Humanos;
• Reconhecer como é importante que o profissional da área de segurança pública saiba lidar com
as pessoas, sem discriminá-las, garantindo seus direitos e resolvendo conflitos de forma serena e igualitária.

Estrutura do Módulo

Este módulo abrange as seguintes aulas:

• Aula 1 – Grupos vulneráveis sob a ótica da segurança pública;
• Aula 2 – As exigências aos Profissionais de Segurança Pública frente aos Grupos Vulneráveis.

Aula 1 – Grupos vulneráveis sob a ótica da segurança pública

A sociedade brasileira possui, atualmente, mais de 200 milhões de habitantes, distribuída em um
território de dimensões continentais. A cultura brasileira é resultado de um grande sincretismo que uniu
costumes de diversos povos.

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ou seja. no dinâmico embate dos oprimidos por reconhecimento. existe atualmente um grande esforço nacional no sentido de dar mais visibilidade a estes grupos e de proporcionar mais informação à sociedade estimulando. faz cumprir efetivamente o que esteja escrito nas leis e nos estatutos. Porém. criam um ambiente propício a toda sorte de violações de direitos. Estes grupos são chamados. como a criação de conselhos temáticos como o Conselho Nacional dos Direitos da Mulher. notadamente. deficiência. também constituem esta diversidade tornando-a ainda mais bela. É possível citar como exemplo: as pessoas com deficiência. devem considerar-se e ser considerados. A busca destas pessoas pelo reconhecimento de seus direitos é hoje um fator democrático preponderante. no século XX. entre outros. o Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente. As diferenças relacionadas à etnia. tanto no espaço público quanto privado. dificuldades. Direitos Humanos. religião entre outros. traz a realização concreta de seus anseios. ainda hoje. de grupos vulneráveis. ao trabalho. uma imensurável riqueza cultural e social.). são todos os direitos que nós possuímos. a sociedade não está preparada para lidar com estas diferenças. as pessoas idosas. somente através da igualdade é que se percebe a plena democracia. Os Direitos Humanos foram construídos através da história. para na defesa e promoção dos direitos destes grupos. onde o crime e a violência ameaçam. (à vida. quando estas diferenças se convertem em desigualdade. Porém. as liberdades individuais e coletivas e as instituições democráticas. pois. no que for atinente à segurança pública. reconhecimento e a abertura de espaço político. para além do meramente formal. Dentro deste contexto o policial na sua atividade cidadã e de proteção social deve conhecer a dinâmica dos grupos humanos. Os caracteres genéticos que compõem as nossas raízes são frutos de uma secular miscigenação de etnias. É por isso que seus operadores de direitos (policiais. o que gera o preconceito e a indiferença tornando a vida destas pessoas. e garantidos em nossa Constituição Federal de 1988. aos filhos. assim. tornando vulneráveis as pessoas que estão na condição de diferentes. notadamente. necessidades e se engajar. a estes grupos vulneráveis. crianças e adolescentes e a população em situação de rua. etc. cada 5 . como cidadãos. idade. A precariedade de políticas públicas direcionadas a estes grupos e a desinformação da sociedade são fatores que contribuem para a vitimização e por isso. uma corresponsabilidade na formulação de leis e políticas garantidoras dos direitos dos grupos vulneráveis. bombeiros. ou seja. as mulheres. Foram muitos os movimentos sociais e conquistas. a cada dia mais. gerando uma diversidade que proporciona ao Brasil. É como afirma Balestreri: Dada a grave realidade nacional e internacional. gênero. agentes penitenciários e guardas municipais). de 10 de dezembro de 1948. A defesa dos Direitos Humanos proporciona à sociedade e. dos setores mais vitimados pelo preconceito e a discriminação. Com já sabemos. ainda mais difícil. e que estão listados nos 30 artigos da Declaração Universal dos Direitos Humanos. descobrir seus anseios. assim. à família. e pela liberdade. é preciso que a segurança pública seja resolutamente percebida como inclusa no mais fundamental rol dos Direitos Humanos.

essas pessoas esperam ser tratadas com respeito e dignidade. sexo.. como cidadãos sujeitos de direitos.. é claro. como todos os demais.. pois você está habituado a lidar com pessoas que podem se locomover normalmente. como profissional da área de segurança pública. Por isso. Por outro lado. vez mais. pense: • Como você agiria caso uma pessoa que usa cadeira de rodas lhe solicitasse ajuda para descer uma escada ou sair de seu carro? • Como agiria se uma pessoa surda e muda tivesse sido vítima de agressão? • Qual seria sua atitude caso um cidadão cego lhe solicitasse ajuda. (BALESTRERI. que contemplam questões sobre Minorias e Grupos Vulneráveis. sem discriminá- las. é necessário repensar as atitudes e valores que temos confrontando-os com a nova ordem social e política. sem preconceitos de origem. com relação às políticas públicas para enfrentamento.promover o bem de todos. cor. é claro. que podem entender o que lhes é solicitado. protegendo e promovendo seus direitos. IV . é imprescindível que o profissional de segurança pública conheça melhor as dificuldades de cada grupo e saiba como auxiliá-lo. estas seriam situações embaraçosas. III – (.. Você. enfim. Deve lembrar que a Constituição Federal de 1988 concita à todos a promoção dos direitos coletivos sem nenhuma discriminação: Art.. deve conhecer e se habituar aos procedimentos que fogem aos padrões. de forma a nortear a sua atuação no trato adequado com aquelas pessoas. quando se depara com casos como os citados. relativas aos grupos vulneráveis: 6 . como promotores de direitos. por fugirem da rotina de seu trabalho. ou você se deparasse com uma ocorrência de violência doméstica contra uma mulher ou abuso sexual de crianças e adolescentes? Com certeza. 2004. Porém. Também. Por exemplo. garantindo seus direitos e resolvendo conflitos de forma serena e igualitária. II – (.). E.49) Por vezes. que não possuem características que dificultarão suas vidas em sociedade.. idade e quaisquer outras formas de discriminação.). raça. p. 3º Constituem objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil: I – (. o Plano Nacional de Direitos Humanos III. como tal se portarem.). Aula 2 – As exigências aos profissionais de segurança pública frente aos grupos vulneráveis A atividade de segurança pública exige profissionais que saibam lidar com as pessoas. surgem dúvidas de como atuar.

tanto no espaço público quanto privado. como o Estatuto do Idoso. à liberdade. onde os vários órgãos ligados à proteção e promoção de direitos. tornando vulneráveis as pessoas que estão na condição de diferentes. a fim de prestar um atendimento de qualidade e dar os devidos encaminhamentos a cada caso. mulheres. pescadores. o profissional de segurança pública. ribeirinhos. de forma alguma. • Quando as diferenças se convertem em desigualdade. também. estejam integrados e formulando estratégias de atendimento em conjunto. o Estatuto da Pessoa com Deficiência. lésbicas. dentre outros. povos indígenas. a verdadeira efetividade destes dispositivos depende da participação da sociedade civil organizada e de políticas públicas de atendimento em diversas áreas. transexuais. Nesse contexto. pessoas idosas. no ordenamento jurídico encontram-se outros garantidores de direitos dos grupos vulneráveis mais específicos. ser mais um a vitimar e desrespeitar os direitos destas pessoas. as ações afirmativas constituem medidas especiais e temporárias que buscam remediar um passado discriminatório. inclusive na segurança pública. garantindo-se a todos a inviolabilidade do direito à vida. Ministério Público e Judiciário. à segurança e à propriedade. você estudou que: • A cultura brasileira é resultado de um grande sincretismo que uniu costumes de diversos povos. sem distinção de qualquer natureza. como forma capaz de estimular a inclusão de grupos socialmente vulneráveis. Os pactos e convenções que integram o sistema internacional de proteção dos Direitos Humanos apontam para a necessidade de combinar estas medidas com políticas compensatórias que aceleram a construção da igualdade. criam um ambiente propício a toda sorte de violações de direitos. Faz-se necessária a criação de redes. Além dos dispositivos já citados. gays. Neste módulo. 7 . (PNBDH III) No mesmo sentido. No rol de movimentos e grupos sociais que demandam políticas de inclusão social encontram-se crianças. Porém.. O aludido profissional deve ter conhecimentos básicos sobre cada um dos dispositivos legais referentes a cada segmento. ser alguém somente disposto a ajudar. a Lei nº 11. como conselhos temáticos. a Política Nacional para a População em Situação de Rua. Além disso. vazanteiros. Finalizando. Maria da Penha.340. à igualdade.. populações negras e quilombolas. entre outros. travestis. Polícias. pessoas com deficiência. é possível encontrar respaldo no artigo 5º da Constituição Federal: Todos são iguais perante a lei. adolescentes. ciganos. bissexuais. o Estatuto da Criança e do Adolescente. Não deve. não pode.

o exercício dos direitos e das liberdades fundamentais por pessoa com deficiência. Exercícios 1. 2. de forma alguma. ( ) Cria mecanismos para coibir e prevenir a violência doméstica e familiar contra a mulher. Não deve. enumere a segunda coluna de acordo com a primeira: (1) Estatuto do Idoso (2) Estatuto da Criança e do Adolescente (3) Estatuto da Pessoa com Deficiência (4) Política Nacional para a População em situação de Rua (5) Lei Maria da Penha ( )Destinada a assegurar e a promover. encontram-se no ordenamento jurídico brasileiro outros garantidores de direitos dos grupos vulneráveis mais específicos. ( ) Dispõe sobre a proteção integral à criança e ao adolescente. O aludido profissional deve ter conhecimentos básicos sobre cada um dos dispositivos legais referentes a cada segmento. uma corresponsabilidade na formulação de leis e políticas garantidoras dos direitos dos grupos vulneráveis. é imprescindível que o profissional de segurança pública conheça melhor as dificuldades de cada grupo e saiba como pode auxiliá-lo. em condições de igualdade. Além da Constituição Federal. • O profissional de segurança pública. a fim de prestar um atendimento de qualidade e dar os devidos encaminhamentos a cada caso. • A precariedade de políticas públicas direcionadas a estes grupos vulneráveis e a desinformação da sociedade são fatores que contribuem para a vitimização e por isso. não pode. 8 . • A atividade de segurança pública exige profissionais que saibam lidar com as pessoas. sem discriminá-las. Com base nisto. Estabeleça uma relação entre os grupos vulneráveis e o papel da Segurança Pública como protetora e promotora dos Direitos Humanos. ( ) Destinado a regular os direitos assegurados às pessoas com idade igual ou superior a 60 (sessenta) anos. também. protegendo e promovendo seus direitos. visando à sua inclusão social e cidadania. Por isso. ser mais um a vitimar e desrespeitar os direitos destas pessoas. ( ) Igualdade e equidade são princípios da sua política. assim. garantindo seus direitos e resolvendo conflitos de forma serena e igualitária. existe atualmente um grande esforço nacional no sentido de dar mais visibilidade a estes grupos e de proporcionar mais informação à sociedade estimulando. ser alguém somente disposto a ajudar.

Orientação de resposta: A segurança pública perpassa pelo respeito a todos independente de sua situação social. é importante conhecer um pouco sobre os grupos socialmente vulneráveis e buscar protegê-los. Por isso. idade. orientação sexual. 9 . ou qualquer característica que o torne uma pessoa diferente das demais. Gabarito 1. conquistando o seu reconhecimento e confiança. Resposta Correta: 3-4-5-1-2 2. gênero.

você deverá ser capaz de: • Definir grupos vulneráveis. condição social.Grupos Vulneráveis..youtube. • Enumerar os principais tipos de minorias. Objetivos do módulo Ao final desse módulo. Aula 1 – Grupos vulneráveis 1.1 Definição Grupo Vulnerável é .Minorias. MÓDULO CONCEITUANDO O TEMA: GRUPOS VULNERÁVEIS 2 E MINORIAS. 10 . tornam-se mais suscetíveis à violação de seus direitos. idade. Apresentação do módulo Neste módulo você estudará a diferença entre grupos vulneráveis e minorias e poderá responder a esta pergunta. deficiência e orientação sexual. um conjunto de pessoas que por questões ligadas a gênero.. antes de entramos no assunto assista ao vídeo (disponível em https://www. Estrutura do Módulo Este módulo é composto pelas seguintes aulas: • Aula 1 . • Diferenciar grupos vulneráveis e minorias. • Classificar os grupos vulneráveis. Porém. • Aula 2 .com/watch?v=icXc2fGlfjg) que mostra uma iniciativa da SENASP no treinamento de policiais para o atendimento aos grupos socialmente vulneráveis.

p. 31). você estudará sobre minorias. Importante! Neste curso você irá estudar sobre todos estes grupos em específico. • Pessoas com deficiência. a identificação de uma minoria envolve a apreciação de critérios objetivos e subjetivos. p. a vulnerabilidade aqui está mais afeta à sujeição constante ao preconceito e à discriminação. 19 e 20 apud DESCHÊNES. por vontade coletiva de sobreviver e cujo objetivo é conquistar igualdade com a maioria. dotada de características étnicas. para arbitrar se o grupo possui fatores característicos distintivos. Por isso. Em outras palavras caberá ao Estado 11 . religiosas ou linguísticas que diferem daquelas da maioria da população. • População LGBT. a seguir. • População em situação de rua. excetuando apenas a População LGBT e as mulheres. já existem cursos próprios para as temáticas na Rede Nacional de Educação a Distância/Ministério da Justiça. O entendimento da Corte Internacional de Justiça. • Crianças e adolescentes. Claro que existem outros grupos na sociedade em situação de risco. Contudo. senão apenas implicitamente. 1. independente de outros fatores. pois. nos fatos e na lei.1 O que são minorias? Segundo Sabóia (2001. é extremamente relevante que você saiba diferenciar um grupo vulnerável de uma minoria. minorias são: Um grupo de cidadãos de um Estado. constituindo minoria numérica e em posição não-dominante no Estado. porém. 1985. tendo um senso de solidariedade um para com o outro. Aula 2 – Minorias 2.2 Classificação Para efeitos didáticos pode-se classificar estes grupos em seis categorias: • Mulheres. A Organização das Nações Unidas não instituiu um conceito universal sobre minoria. motivado. é no sentido de que cada Estado tem discricionariedade. e se incide no conceito de minoria. Resumindo. com o nome: Segurança Sem Homofobia e Mulheres Vítimas de Violência. • Pessoas idosas.

27 . que claramente se diferencia daquela utilizada pela maioria.21) De acordo com o Pacto Internacional dos Direitos Civis e Políticos. bem como da adotada oficialmente pelo Estado.(id. 2001. judeus. em conjunto com os restantes membros do seu grupo. p. umbandistas. e. religiosas ou linguísticas. p.reconhecer determinados grupos como índios e demarcar terras para eles. religiosas e linguísticas. Minorias religiosas São grupos que professam e praticam uma religião (não simplesmente outra crença. Muçulmanos. p. não será negado o direito que assiste às pessoas que pertençam a essas minorias. praticantes de Candomblé (religião jeje-nagô ou iorubá). que são diferentes dos apresentados pela maioria. Minorias étnicas São grupos que apresentam fatores distinguíveis em termos de experiências históricas compartilhadas e sua adesão a certas tradições e significantes tratos culturais.23 apud POUTER.23 apud NOWAK. como o ateísmo. ciganos. Minorias linguísticas São grupos que usam uma língua. quer em público. (SABOIA 2001. Entretanto. que se diferencia daquela praticada pela maioria da população. 1993. dentre outros. cada uma delas. ou remanescentes de quilombos. meros dialetos que se desviam ligeiramente da língua da maioria não gozam do status de língua.156). Espíritas. p.23 apud Dienstein. a professar e praticar a sua própria religião e a utilizar a sua própria língua. 1986. a seguir. comunidades negras remanescentes de quilombos. No Brasil. p. Veja. (SABOIA 2001.Nos Estados em que existam minorias étnicas. quer entre os membros do grupo.g. Exemplos: índios. p. 12 .2).). as minorias protegidas são: étnicas. Não há necessidade de ser uma língua escrita.491). Art. p. em seu artigo 27. (SABOIA 2001. entre outras. a ter a sua própria vida cultural.1992. existem as seguintes minorias: Budistas. de um grupo minoritário. e reconhecer aquele sítio como histórico dando-lhes titularização coletiva das terras. ou como ciganos etc.

e se incide no conceito de minoria. De igual forma. religiosas ou linguísticas que diferem daquelas da maioria da população. para arbitrar se o grupo possui fatores característicos distintivos. deficiência e orientação sexual.2 Diferença entre grupos vulneráveis e minorias Os Grupos Vulneráveis são pessoas que podem fazer parte de uma minoria étnica. é no sentido de que cada Estado tem discricionariedade. constituindo minoria numérica e em posição não-dominante no Estado. Importante! A diferença básica é que as minorias estão limitadas aos aspectos étnicos. num país católico. 1985. 19 e 20 apud DESCHÊNES. as minorias protegidas são: étnicas. dentro dessa minoria. linguísticos e religiosos e os grupos vulneráveis. por sua vez.  A Organização das Nações Unidas não instituiu um conceito universal sobre minoria. 13 . O entendimento da Corte Internacional de Justiça.  Segundo Sabóia (2001. tornam-se mais suscetíveis à violação de seus direitos. senão apenas implicitamente. nos fatos e na lei. p. gênero. Finalizando.. 2. no Brasil. como religiosa e linguística. e também tem deficiência física. p. por sua vez. minorias são um grupo de cidadãos de um Estado. condição social. religiosas e linguísticas. linguísticos e religiosos e os grupos vulneráveis. 31). por vontade coletiva de sobreviver e cujo objetivo é conquistar igualdade com a maioria. gênero.  A diferença básica é que as minorias estão limitadas aos aspectos étnicos. idade. orientação sexual.. Por exemplo: uma pessoa que faz parte de um pequeno grupo islâmico. deficiência e condição social. orientação sexual. Neste módulo. estão relacionados com as características especiais que as pessoas adquirem em razão da idade. Ela pertence a uma minoria religiosa (islã) e integra outro grupo vulnerável por ter deficiência. estão relacionados com as características especiais que as pessoas adquirem em razão da idade. deficiência e condição social. motivado.  De acordo com o Pacto Internacional dos Direitos Civis e Políticos segundo o artigo 27. pode haver superposição dos tipos de minorias: o muçulmano. têm uma característica que as difere das demais e as torna parte de outro grupo. será integrante tanto de minoria étnica. mas. tendo um senso de solidariedade um para com o outro. dotada de características étnicas. você estudou que:  Grupo Vulnerável é um conjunto de pessoas que por questões ligadas a gênero.

Exercícios 1. dotado de características étnicas. Sobre grupos vulneráveis é correto afirmar que: a. orientação sexual. Considerando as minorias protegidas. como o ateísmo. quer entre os membros do grupo. deficiência. ( ) São grupos que apresentam fatores distinguíveis em termos de experiências históricas compartilhadas e sua adesão a certas tradições e significantes tratos culturais. c. Sim. que são diferentes dos apresentados pela maioria. religiosas ou linguísticas.) 3. É possível dizer que João pertence a um grupo vulnerável? a. Grupos vulneráveis estão relacionados às características especiais que as pessoas possuem em razão de idade. Grupos vulneráveis são grupos de cidadãos de um Estado que constituem minoria numérica e em posição não-dominante no Estado. b. Não há diferença entre grupos vulneráveis e minorias. b. e condição social e que as tornam suscetíveis à violação de seus direitos. que claramente se diferencia daquela utilizada pela maioria. ( ) São grupos que professam e praticam uma religião (não simplesmente uma outra crença. enumere a 2ª. Coluna de acordo com a primeira: (1) Minoria étnica (2) Minoria religiosa (3) Minoria linguística ( ) São grupos que usam uma língua. 14 . quer em público. Não. Analise a questão abaixo e responda: João é negro e possui deficiência. gênero. bem como da adotada oficialmente pelo Estado. pois já pertence a uma minoria. 2. etc. pois mesmo fazendo parte de uma minoria étnica João tem deficiência.

Gabarito 1. Resposta correta: Letra C 2. Resposta correta: Letra A 15 . Resposta correta: 3-1-2 3.

seus direitos e a atuação policial frente a este grupo.Atuação policial no trato com pessoas idosas 16 . você deverá ser capaz de: • Definir pessoa idosa.O Estatuto do Idoso • Aula 4 . Este módulo abordará os aspectos importantes relacionados a esta faixa etária. Objetivos do módulo Ao final deste módulo. Estrutura do módulo Este módulo é composto pelas seguintes aulas: • Aula 1 .A Situação da população idosa no Brasil • Aula 2 . • Proceder de forma adequada no atendimento à pessoa idosa. MÓDULO ATUAÇÃO POLICIAL E GRUPOS VULNERÁVEIS: 3 PESSOAS IDOSAS Apresentação do Módulo Chamar atenção para o nosso futuro é criar a possibilidade de melhorar as relações com a pessoa idosa no presente.Violência contra pessoa idosa • Aula 3 . • Analisar os principais documentos relativos à proteção da pessoa idosa. • Identificar os principais delitos praticados contra a pessoa idosa. • Compreender a situação da pessoa idosa no Brasil.

enquanto cerca de um em cada quatro idosos reside em domicílios com rendimento mensal per capita inferior a um salário mínimo. Informativo Em dez anos.9% idosos de 60 anos ou mais de idade encontra-se nesta situação. • a maioria (76. A participação relativa deste grupo na estrutura etária populacional aumentou de 9% para 12. são muitas vezes discriminadas e vitimadas no espaço doméstico e público.1% no período. aquela com idade igual ou superior a 60 anos.br/pt/noticias?view=noticia&id=1&idnoticia=2268&busca=1&t=sis-2012- acceso-jovenes-negros-y-pardos-la-universidad-triplico-en-diez No mundo. em consideração que. todos nós um dia passaremos pela experiência de ser uma pessoa idosa. define como: Pessoa idosa. • inserção no domicílio como a pessoa de referência (63.6% das pessoas de menos de 25 anos estão nos dois primeiros quintos da distribuição de renda.8%) recebe algum benefício da Previdência Social.5 milhões (2001) para 23.4%) vivem sozinhos. em 2011. Na distribuição do rendimento mensal familiar per capita. criado pela Lei nº 10. adolescentes e jovens: enquanto 53.ibge. enquanto a de idosos com 80 anos ou mais chegava a 1. de 1º de outubro de 2003. os idosos têm uma situação relativamente melhor do que o grupo de crianças. Perto de 3. Aula 1 – Situação da população idosa no Brasil O Estatuto do idoso.4 milhões de idosos de 60 anos ou mais (14. já conviveu ou convive com uma pessoa idosa em seu cotidiano. A maior parte da população idosa é composta por mulheres (55. • 48.7%). com ou sem presença de outro parente ou agregado). 17 . em 2050.5 milhões de pessoas (2011).7% viviam com os filhos (todos com mais de 25 anos de idade. apenas 17.7% da população. • 4. com certeza. Você. Outras características marcantes: • forte presença em áreas urbanas (84. • maioria branca (55%). Deve-se levar.741.1%). 30. um quinto da população mundial será de Pessoas idosas.gov. o número de pessoas idosas com 60 anos ou mais passou de 15. que apesar de terem grande experiência de vida. Fonte: http://saladeimprensa.4 anos de estudo em média (32% com menos de um ano de estudo). seja um parente ou vizinho e já deve ter presenciado várias situações em que pode comprovar.7%). na melhor de nossas expectativas.1% têm rendimento de todas as fontes igual ou superior a um salário mínimo.

sobretudo quando apresentam déficits cognitivos. psicológico. A decisão foi tomada no julgamento dos Recursos Extraordinários (REs) 567985 e 580963. assim. O Plenário considerou o critério defasado para caracterizar a situação de miserabilidade e também declarou inconstitucional o parágrafo único do artigo 34 do Estatuto do Idoso. a violência contra a população idosa se manifesta sobre vários aspectos: […]a violência contra os idosos existe e manifesta-se sob diferentes formas: abuso físico. Com base neste mesmo documento. Os idosos mais vulneráveis são os dependentes física ou mentalmente. o abuso financeiro e a autonegligência. de cuidados intensivos em suas atividades da vida diária.Lei 8.742/1993). necessitando. alterações de sono. abandono e negligência. Assistência Social .. Aliam-se a esse outros fatores de risco: quando o cuidador consome abusivamente álcool ou drogas. Some-se a essas formas de violência.. em muitos destes casos. Uma situação de elevado risco é aquela em que o agressor é seu dependente econômico. os violadores e agressores são os próprios parentes daquela pessoa.stf. ambos com repercussão geral.br/portal/cms/verNoticiaDetalhe. a ausência de ações que são devidas. que prevê como critério para a concessão de benefício a idosos ou deficientes a renda familiar mensal per capita inferior a um quarto do salário mínimo. os maus tratos contra idosos dizem respeito a: “A ações únicas ou repetidas que causam sofrimento ou angústia. que ocorrem numa relação em que haja expectativa de confiança”. incontinência e dificuldades de locomoção.jus. o Plenário julgou inconstitucional o parágrafo 3º do artigo 20 da Lei Orgânica da Assistência Social (LOAS . ou. apresenta problemas de saúde mental ou se encontra em estado de elevado estresse na vida cotidiana. Fonte: http://www. que questionava o critério utilizado para aferir a renda mensal per capita da família da autora. sexual. ainda. Segundo a Política Nacional de Redução da Morbimortalidade por Acidentes e Violência do Ministério da Saúde (2001).asp?idConteudo=249643 Aula 2 – Violência contra a pessoa idosa Você em sua rotina operacional já deve ter se deparado com inúmeros casos de violência praticados contra pessoa idosa e deve ter percebido que. O recurso extraordinário foi interposto pelo INSS. Cada uma dessas violências está assim classificada no documento da Política Nacional de Redução da Morbimortalidade por Acidentes e Violências do Ministério da Saúde (2001): 18 .No dia 18 de abril de 2013. Saiba mais.

rejeitar. O documento que trata sobre acidentes ampliados é a "DIRETIVA de SEVESO". pessoas idosas mais vitimadas são as que possuem alguma dependência. as pessoas idosas sofrem vários tipos de acidentes como atropelamentos. o Plenário concluiu o julgamento em que se discutia se os autores de crimes contra pessoas idosas teriam ou não direito a benefícios como conciliação ou transação penal. No ambiente doméstico o descrédito dado às informações e relatos de maus-tratos. Nestes casos. Abandono: Ausência ou deserção. O entendimento foi o de que o dispositivo legal deve ser interpretado em 19 . é possível perceber a importância de se ter um mecanismo moderno e eficiente de proteção dos direitos destas pessoas. gera impunidade aos agressores. Nestes casos. Saiba mais. proteger o agressor. Abuso físico ou maus-tratos físicos: Uso de força física que pode produzir uma injúria. que determina a aplicação dos procedimentos e benefícios relativos aos Juizados Especiais aos crimes cometidos contra idosos cuja pena máxima não ultrapasse quatro anos. e estimula o sigilo pelos próprios idosos que temem sofrer mais violência ou buscam. com a recusa ou o fracasso de prover a si mesmo um cuidado adequado. violência física ou ameaças. ao qual caberia prover custódia física ou cuidado. Juizados Especiais/crimes contra idosos . idosos e crianças sofrem mais os impactos. A questão foi tratada na Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI 3096) ajuizada pelo Procurador-geral da República contra o artigo 94 do Estatuto do Idoso.. a pessoa idosa pode sofrer com a negligência e a violência praticada por aqueles que deveriam protegê-los e garantir sua integridade física e mental. entre outras lesões. Diante de tantos fatos. Abuso psicológico ou maus-tratos psicológicos: Agressões verbais ou gestuais com o objetivo de aterrorizar. devido ao seu estado de fragilidade orgânica.Em 2010. queimaduras. quedas com fratura do colo do fêmur. A situação das pessoas idosas dependentes se agrava quando seu responsável ou cuidador é usuário de drogas ou alcoólico ou possui algum problema de saúde mental. Autonegligência: Conduta de pessoa idosa que ameaça sua própria saúde ou segurança. humilhar a vítima. em áreas urbanas. por parte do responsável. principalmente.. de alguma forma. Com frequência. No espaço público. O Estatuto do Idoso foi criado justamente para atender a esta demanda e você irá estudá-lo na próxima aula a partir de situações práticas. ferida. ferimento por bala perdida. dor ou incapacidade. seja em decorrência de uma doença ou deficiência física ou mental. Acidentes ampliados: Em suma são grandes desastres industriais que geram danos ao meio ambiente e as populações próximas ao evento. que na maioria das vezes levam à invalidez ou ao óbito. restringir a liberdade ou ainda isolá-la do convívio social. dos cuidados necessários às vítimas. Abuso sexual: Ato ou jogo sexual que ocorre em relação a hétero ou homossexual que visa estimular a vítima ou utilizá-la para obter excitação sexual e práticas eróticas e sexuais impostas por meio de aliciamento. Abuso financeiro aos idosos: Exploração imprópria ou ilegal e/ou uso não consentido de recursos financeiros de um idoso. feitos por idosos.

1º As pessoas portadoras de deficiência. somente se aplicam as normas estritamente processuais para que o processo termine mais rapidamente. as gestantes. Situação prática 2 20 . 15 do Estatuto do Idoso diz claramente que a pessoa idosa tem atendimento preferencial no Sistema Único de Saúde. após sete anos tramitando no Congresso.1º da Lei 10. os idosos com idade igual ou superior a 60 (sessenta) anos.asp?idConteudo=249643 Aula 3 – O Estatuto do Idoso O Estatuto do Idoso foi aprovado em setembro de 2003 e sancionado pelo Presidente da República no mês seguinte. de repente.1 Saúde Situação Prática 1 Imagine que você está de serviço próximo a um hospital. Você irá estudar os principais pontos do Estatuto do Idoso a partir de situações práticas relacionadas às áreas de saúde. 3.048. transporte e família. O Estatuto do Idoso amplia os direitos dos cidadãos com idade igual ou superior a 60 anos.stf. e não de quem lhe viole os direitos. e lhe diz que seu pai está muito doente. uma jovem lhe procura acompanhada do pai dela. (desde que não haja um caso mais grave ou outra pessoa idosa na sua frente). o Estatuto institui penas severas para quem desrespeitar ou abandonar pessoas idosas. Sugestão de atendimento Neste caso. de 08 de novembro de 2000 e passando a ter a seguinte redação: Art. de 79 anos de idade.jus. nos termos desta Lei. em benefício do idoso. as lactantes e as pessoas acompanhadas por crianças de colo terão atendimento prioritário.br/portal/cms/verNoticiaDetalhe. Mais abrangente que a Política Nacional do Idoso (Lei de 1994 que dava garantias à terceira idade). e o Artigo 114 alterou a redação do Art. Com isso. e que precisa de sua ajuda. pois a fila do Posto de Saúde está enorme e ninguém quer ceder lugar ao pai dela.favor do seu específico destinatário – o próprio idoso –. o pai da jovem deve ser atendido com prioridade. Fonte: http://www. e que. Como você agiria? Como iria orientar esta pessoa? O que diz o Estatuto? O Art.

devidamente identificados com a placa de reservado preferencialmente para idosos. Como você agiria neste caso? O que diz o Estatuto? O Art. Art. 3. do Art. § 3º No caso das pessoas compreendidas na faixa etária entre 60 (sessenta) e 65 (sessenta e cinco) anos. diz que incumbe ao Poder Público. pois não tem como comprá-los. principalmente os de uso continuado. a distribuição de remédios. basta que o idoso apresente qualquer documento pessoal que faça prova de sua idade. exceto nos serviços seletivos e especiais. você deve orientá-la a procurar um órgão de saúde da prefeitura local e fazer um cadastro para o recebimento dos remédios. Importante! Procure saber qual órgão em seu município é responsável pelo cadastro e pela distribuição de remédios gratuitamente para a população idosa. tem a seguinte redação: Art. 39. ficará a critério da a legislação local dispor sobre as condições para exercício da gratuidade nos meios de transporte previstos no caput deste artigo. 15. Uma senhora de 65 anos lhe procura e diz necessitar de remédios controlados para diabetes. § 1º Para ter acesso à gratuidade. do Estatuto do Idoso. indagando-o quanto a orientação de como ela pode adquiri-los gratuitamente. 40. nos termos da legislação específica: 21 . 39. No sistema de transporte coletivo interestadual observar-se-á. assim como a distribuição de próteses e órteses. de forma gratuita aos idosos. quando prestados paralelamente aos serviços regulares. Como você poderia ajudá-la? O que diz o Estatuto? O § 2º. serão reservados 10% (dez por cento) dos assentos para os idosos.2 Transporte Situação Prática 1 Você está trabalhando próximo à rodoviária e é acionado por um homem de 65 anos de idade que relata não poder viajar em um coletivo interestadual porque a empresa não autorizou a liberação de assento gratuito para ele. § 2º Nos veículos de transporte coletivo de que trata este artigo. Aos maiores de 65 (sessenta e cinco) anos fica assegurada a gratuidade dos transportes coletivos públicos urbanos e semiurbanos. Sugestão de atendimento No caso citado.

por ação ou omissão. será punido na forma da lei. física ou psíquica. policial. Expor a perigo a integridade e a saúde. 102 e 104. do Estatuto do Idoso: 22 . imprudência. 99. e gastam tudo com despesas pessoais. quando obrigado a fazê-lo. 40 e com desconto de 50% no caso do inciso II. crueldade ou opressão. de que a senhora está sofrendo maus-tratos e violência física. do idoso. a empresa de transporte é obrigada a emitir as passagens gratuitamente no caso do inciso I. I – a reserva de 2 (duas) vagas gratuitas por veículo para idosos com renda igual ou inferior a 2 (dois) salários-mínimos. Como você. constitui crime previsto nos artigos. os quais preveem: Art. discriminação. e todo atentado aos seus direitos. com renda igual ou inferior a 2 (dois) salários-mínimos. negligenciando os devidos cuidados com a mãe. submetendo-o a condições desumanas ou degradantes ou privando-o de alimentos e cuidados indispensáveis. 4º e 99 do Estatuto do Idoso. Seus filhos recebem a pensão por ela. Com relação à pensão da senhora que está sendo usada pelos filhos. para os idosos que excederem as vagas gratuitas. II – desconto de 50% (cinquenta por cento). ou sujeitando-o a trabalho excessivo ou inadequado: Pena – detenção de 2 (dois) meses a 1 (um) ano e multa. no valor das passagens. Sugestão de atendimento Se a pessoa preenche os requisitos exigidos por lei. seus filhos estão violando os Artigos. Em caso de resistência por parte da empresa um boletim de ocorrência deverá ser lavrado. no mínimo. do Art. Art. 4º Nenhum idoso será objeto de qualquer tipo de negligência. Existe também a informação. 3.3 Família Situação prática 1 Uma pessoa lhe relata a seguinte situação: uma mulher de 79 anos está sem nenhuma assistência em casa passando por dificuldade financeira e doente. agiria nesta situação? O que diz o Estatuto? No que se refere ao tratamento dispensado à vítima. § 1º Se do fato resulta lesão corporal de natureza grave: Pena – reclusão de 1 (um) a 4 (quatro) anos. § 2º Se resulta a morte: Pena – reclusão de 4 (quatro) a 12 (doze) anos.

Art. Caso sejam confirmadas as denúncias. no que for pertinente. procurar constatar a veracidade dos fatos e levantar o maior número de informações possíveis. que adotará as medidas previstas no Art. Estadual e Nacional do Idoso. Sugestão de atendimento No caso citado. Reter o cartão magnético de conta bancária relativa a benefícios. no caso dos idosos.CG) que tratam respectivamente da “Filosofia de Direitos Humanos da Polícia Militar de Minas Gerais” e da “Abordagem a pessoas” e que traz um capítulo exclusivo sobre atendimento aos grupos vulneráveis e. o feminicídio: quando crime for praticado contra a mulher por razões da condição de sexo feminino.02. na ausência daquele.05/2010 e o Caderno Técnico. deve ser registrado em uma delegacia local. A lei acrescentou ainda o § 7º ao Art. o próprio Ministério Público. de Delegacia Especializada no atendimento à Pessoa Idosa. Um Boletim de Ocorrência deve ser lavrado e direcionado à Delegacia Especializada de Proteção ao Idoso. Saiba mais. proventos. negando os fatos. 102. e todos são crimes previstos no Estatuto do Idoso. você deverá tomar alguns cuidados. 104. Informar-se sobre a existência. o B.. uma ação conjunta se faz necessária. Apropriar-se de ou desviar bens. pensão ou qualquer outro rendimento do idoso.O contrário. 121 do Código Penal. em muitos casos.104 de 9 de março de 2015. proventos ou pensão do idoso. estabelecendo causas de aumento de pena para o crime de feminicídio. Algumas polícias. possui a Diretriz para Produção de Segurança da PMMG nº 3. Existem hoje 79 delegacias especializadas no Brasil. 23 . dando-lhes aplicação diversa da de sua finalidade: Pena – reclusão de 1 (um) a 4 (quatro) anos e multa. Importante! Os órgãos responsáveis pela fiscalização e proteção dos direitos da população idosa são: o Ministério Público e os Conselhos Municipal. Se não houver. Em primeiro lugar.01.Profissional 3. 74 do Estatuto do Idoso. bem como qualquer outro documento com objetivo de assegurar recebimento ou ressarcimento de dívida: Pena – detenção de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos e multa. pois. Lei 13. porém. estão listados na próxima aula alguns procedimentos que o policial deve ter ao lidar com o idoso. como a Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG). caso exista na localidade. Na sua atuação.04. O Conselho Municipal da Pessoa Idosa irá notificar o Ministério Público e. a própria vítima pode querer proteger os seus filhos. Art. estão ocorrendo várias violações aos direitos da senhora. no município. Esta nova lei alterou o código penal para incluir mais uma modalidade de homicídio qualificado.

01. resguardados os aspectos de segurança do policial. o policial deve respeitar sua idade e condições de saúde. maior de 60 anos ou com deficiência. sempre que possível. A pessoa idosa deve ser esclarecido quanto à ajuda jurídica que poderá receber do Estado. eventualmente.05/2010 e do Manual Técnico Profissional 3.br/artigos/172479028/lei-do-feminicidio-entenda-o-que- mudou Aula 4 – Atuação policial no trato com pessoas idosas As orientações a seguir foram extraídas da Diretriz para Produção de Segurança da PMMG nº 3. c) na presença de ascendente ou descendente da vítima. Também será ótimo oferecer-lhe água e..741. ainda. Seja a pessoa idosa denunciante ou suspeito. vítima de crime. após sete anos tramitando no Congresso. Neste módulo.02). bem como quanto a outras informações sobre o trâmite da investigação ou processo. Dentro de uma delegacia. que ocorrem numa relação em que haja expectativa de confiança”. define como pessoa idosa. de 1º de outubro de 2003. e mantendo com ele prévia conversa sobre o ato cometido. A pessoa. será convidado a assentar-se.  O Estatuto do Idoso foi aprovado em setembro de 2003 e sancionado pelo Presidente da República no mês seguinte. Com isso.02 (Caderno Doutrinário nº. 24 . No desenvolvimento das suas ações. b) contra pessoa menor de 14 anos. para que ele comece a refletir sobre as consequências e esteja preparado para assumi-las. aquela com idade igual ou superior a 60 anos. Fonte: http://aurineybrito. criado pela Lei nº 10. os profissionais da área de segurança pública poderão se deparar com situações que envolvam pessoas idosas.com. O policial deve também evitar agressão verbal ou física aos familiares da pessoa idosa. deve ser acompanhado por algum membro familiar. Finalizando. o profissional promoverá uma atitude de confiança e respeito. O Estatuto do Idoso amplia os direitos dos cidadãos com idade igual ou superior a 60 anos. Se a pessoa idosa for suspeita.04. café.jusbrasil. A pena será aumentada de 1/3 até a metade se for praticado: a) durante a gravidez ou nos 3 meses posteriores ao parto. você estudou que:  O Estatuto do idoso.  Segundo a Política Nacional de Redução da Morbimortalidade por Acidentes e Violência do Ministério da Saúde (2001). os maus tratos contra idosos dizem respeito a: “A ações únicas ou repetidas que causam sofrimento ou angústia.. ou. a ausência de ações que são devidas. deverá ter sempre tratamento diferenciado.

Agora. você é acionado para atender a um caso de um homem de 79 anos que foi surpreendido furtando no interior de uma loja.  Os órgãos responsáveis pela fiscalização e proteção dos direitos da população idosa são: o Ministério Público e os Conselhos Municipal. que você tem que informar a uma mulher de 89 anos. Considera-se idosa a pessoa com 65 anos ou mais de idade. tem direito a transporte público gratuito. b. d. As pessoas idosas tem direito a remédio controlado gratuito. Quais os cuidados você deveria ter ao lidar com esta idosa? 3. Imagine. Qual seria seu procedimento para com ele? 25 . Estadual e Nacional do Idoso. Exercícios 1. As pessoas idosas são tratadas por um geriatra. c. de 65 anos ou mais.  No desenvolvimento das suas ações. os profissionais da área de segurança pública poderão se deparar com situações que envolvam pessoas idosas. que o filho dela acaba de ser preso e que se encontra a caminho de uma delegacia. exceto: a. 2. Você percebe que ele está muito nervoso. Seja a pessoa idosa denunciante ou suspeito. e treme muito. Todas as afirmativas a seguir sobre a pessoa idosa abaixo estão corretas. A pessoa idosa. deverá ter sempre tratamento diferenciado.

procurando ser firme. Orientação de resposta: Primeiro certificar-se de que esta pessoa tem algum histórico de problemas cardíacos. evite palavras ríspidas e ofensas desnecessárias. Porém. mas educado. Atenha-se ao problema e informe a ele seus direitos. e se não há uma outra pessoa da família a ser avisada. E evite o uso desnecessário de força. 26 . Convide-o a acompanhá-lo. devemos lembrar de que ele pode ter sérios problemas de saúde e vir inclusive a entrar em óbito. Resposta Correta: Letra A 2. o idoso cometeu um delito e se faz necessária sua condução. pela autoridade competente. Orientação de resposta: Neste caso. Por isto. em seguida avaliar a real necessidade de informar esta pessoa. até o local onde ele será ouvido. Gabarito 1. 3. Em último caso comunicar a idosa de forma tranquila procurando explicá-la passo a passo o que aconteceu.

que é a definição de um conceito para esse segmento. • Compreender a situação da população em situação de rua no Brasil. Objetivos do módulo Ao final deste módulo. • Proceder de forma adequada na abordagem à população em situação de rua.Casos: A realidade do povo vivendo na rua • Aula 3 .1 Conceitos. você deverá ser capaz de: • Definir população em situação de rua. Estrutura do Módulo Este módulo é composto pelas seguintes aulas: • Aula 1 . esbarra-se numa questão anterior. MÓDULO SEGURANÇA PÚBLICA E POPULAÇÃO EM 4 SITUAÇÃO DE RUA Apresentação do módulo Neste módulo você estudará sobre a relação da segurança pública e população em situação de rua (população adulta maior de 18 anos). contingente significativo da população urbana. A partir de alguns casos selecionados poderá compreender mais sobre estas pessoas.População em situação de rua: marco legal • Aula 4 .Atendimento à população de rua Aula 1 – População em situação de rua 1.População em Situação de Rua • Aula 2 . • Identificar os principais documentos relativos à proteção da população em situação de rua. características e perfil No processo de identificação do perfil da população em situação de rua. 27 .

sobretudo devido às diversas especificidades relacionadas a esse grupo de indivíduos e aos vários perfis existentes. define a população de rua como: As pessoas que vivem nas ruas fazem de logradouros públicos (ruas. por exemplo. vínculos interrompidos ou fragilizados e inexistência de moradia convencional regular. A Política Nacional para a População em Situação de Rua. pernoitam em albergues públicos. São trabalhadores excluídos do mercado de trabalho. com a própria moradia. ruínas. Tal processo não é fácil. subsistem com pouca ou nenhuma renda. Tal conceituação é uma das mais abrangentes e vem balizando uma série de ações e estudos. Dentre os moradores de rua existem várias realidades e situações diferenciadas. marquises e baixos de viadutos) e das áreas degradadas (prédios abandonados. composto por pessoas com diferentes realidades. por anos a fio. sem perspectiva de mudança significativa da condição na qual se encontram. especificidades. Decreto 7. mas que que têm em comum a condição de pobreza absoluta. Silva (2009). 2003) 28 . (PASTORAL DO POVO DA RUA. Existem também os trabalhadores sazonais e pessoas que não se fixam numa cidade. Os moradores de rua se encontram num estágio de grande vulnerabilidade social e. dependência química e situações de conflitos familiares que levam as pessoas a saírem de casa. podendo utilizar eventualmente albergues para pernoitar e abrigos . Normalmente. É comum trabalharem como catadores de material reciclável nas ruas e lixões ou sobreviverem de pequenos trabalhos artesanais e outras atividades. assim define a Pessoa em Situação de Rua: Grupo populacional heterogêneo. jardins. por contingência temporária ou de forma permanente . São vários os casos de pessoas portadoras de sofrimento mental. por contingência temporária ou de forma permanente. com a família e. por fim. sendo compelidas a utilizarem a rua como espaço de moradia e sustento. Há também os que. famílias que perderam o poder aquisitivo e as condições de subsistência. Estes últimos recebem a alcunha de trecheiros. muito comumente. o que torna esse contingente bastante heterogêneo. cemitérios e carcaças de veículos) espaço de moradia e sustento. migrantes que vêm para os grandes centros em busca de melhor qualidade de vida. praças. de 23 de dezembro de 2009.Desde o final da década de oitenta.053. como lavar e vigiar carros. canteiros. casa de acolhida temporária ou provisórias. estudiosos do tema e entidades que desenvolvem ações com moradores de rua vêm desenvolvendo conceituações. possuem um histórico de consecutivas perdas e uma série de rompimentos: com o trabalho.

 52.706 São Paulo 2003 10. Estes apontam a violência como principal motivo de não dormir na rua. foram desenvolvidas apenas duas pesquisas censitárias sobre população em situação de rua em quatro capitais brasileiras.164 2000 8.5% . são de caráter domiciliar. Belo Horizonte. 17.6%) e um grupo menor costuma dormir em albergues ou outras instituições (22. o levantamento de dados para traçar seu perfil também não é. 29 . Todas as pesquisas desenvolvidas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE. brancas.00 semanais. Porto alegre e São Leopoldo.6% recebem entre R$ 20.922 pessoas em situação de rua nos 71 municípios pesquisados (48 municípios com mais de 300 mil habitantes e 23 capitais). que realizaram pesquisas próprias. imensa maioria.5%) não participa de qualquer movimento social ou associativismo. incluindo o Censo.3% apenas assinam o próprio nome. CIDADE ANO DO CENSO FREQUÊNCIA 1995 302 Porto Alegre 1999 427 1998 916 Belo Horizonte 2005 1. Recife. o número divulgado nacionalmente é de aproximadamente 50.  53% das pessoas adultas em situação de rua entrevistadas possuem entre 25 e 44 anos. não estudam atualmente.  74% dos entrevistados sabem ler e escrever. chegamos a um total de 48. Somando esse número aos municípios de São Paulo.1% não sabem escrever e 8. Assim como a conceituação da população em situação de rua não é tarefa fácil. 2006 O Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome .000 pessoas em situação de rua. foram contabilizadas 31.399 2004 653 Recife 2005 1. Conforme demonstra a Tabela 01 (Que você verá na próxima tela). No período.  95%.938.390 Tabela 01: Cidades onde já houve censos de população em situação de rua Fonte: SILVA.  A maioria costuma dormir na rua (69.  67% das pessoas em situação de rua são negros e 29.MDS realizou em 2007 uma contagem da População em Situação de Rua em setenta e uma cidades do país. Segundo o Sumário Executivo publicado pelo MDS.1%). Dados relevantes apresentados pela contagem:  82 % da população em situação de rua são masculina.00 e R$ 80.  A grande maioria (95.

854 10.3%).4 1º grau completo 2.136 7.Aposentadoria (3. Exemplo disso é o que tange à migração.7 Não sabe / Não lembra 2.175 15. Durante muito tempo foi reforçada a ideia de que a pobreza urbana era decorrente. o que dificulta a obtenção de emprego formal e o acesso aos serviços e programas governamentais. se destacaram: .8% das pessoas entrevistadas sempre viveram no município em que moram atualmente.787 10. dos que afirmaram receber algum benefício.  24. Benefício de Prestação Continuada (1.647 100 Tabela 02: População em situação de rua: escolaridade Fonte: Pesquisa Nacional sobre a População em Situação de Rua.1 1º grau incompleto 13. ou de locais próximos. Meta/MDS.8 2º grau completo 881 3. não sendo decorrência de deslocamentos ou da migração campo/cidade.3 2º grau incompleto 1. 2008. 56% vieram de municípios do mesmo estado de moradia atual e 72% vieram de áreas urbanas. Do restante (54.1 Total 27.2 Superior incompleto 190 0.5%). flanelinha 30 . (Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome. Com a população em situação de rua.385 48.7 Não informado 2. o resultado da pesquisa é o apresentado pela Tabela 02: ESCOLARIDADE F % Nunca estudou 4. os dados da contagem também apresentam resultados interessantes: 70. nos últimos anos percebe-se que esse fator tem cada vez menor relevância.7 Superior completo 194 0. em grande parte.2% do total). Há destaque para catador de materiais recicláveis (27. 2008.) No que tange ao trabalho.045 3. 45.  Como a maioria não é atingida pela cobertura dos programas governamentais.3%).2%). Programa Bolsa Família (2.8% das pessoas em situação de rua não possuem quaisquer documentos de identificação. Isso significa que uma parte considerável da população em situação de rua é originária do mesmo local em que se encontra. Alguns dados coletados pela contagem são bastante elucidativos. No que se refere à escolaridade. do êxodo rural.9% exercem alguma atividade remunerada.

conforme demonstrado na Pesquisa Nacional e no Censo realizado na Cidade de Belo Horizonte (2013).9 % na Pesquisa Nacional conduzida pelo MDS. o objetivo desta pesquisa experimental é preparar o IBGE para incluir essa parcela da população no próximo censo. ao contrário do estereótipo idealizado pela sociedade.br ). 3. 31 . a maioria (88. sendo 80 nas ruas e 20 em abrigos e cujo relatório foi apresentado durante o Comitê Intersetorial de Acompanhamento e Monitoramento da Política Nacional para População em Situação de Rua.7 % na Pesquisa Nacional).(14. 2014b). Ainda segundo a contagem. Todavia.3% dessa população.2%) e carregador/estivador (3.5%) da população em situação de rua não é atingida por nenhum programa governamental. na qual os pesquisadores do instituto realizaram 100 entrevistas. limpeza (4. (Fonte: http://www.3%).conpes. reciclagem. Observa-se ainda que.1%). Somente 15. o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) promoveu em novembro de 2013 na cidade do Rio de Janeiro.ufscar. nota-se que pesquisas mais recentes demonstraram que.1%). destacam-se a coleta de recicláveis (catadores). grande parte dos entrevistados exerce atividade remunerada como meio de subsistência (70. que geralmente retrata a figura do morador de rua como indivíduos pedintes e desocupados. pintores) e flanelinhas. uma pesquisa experimental com o supracitado grupo. Assim.9% com carteira assinada 47. uma minoria dos indivíduos entrevistados exercia atividade remunerada com registro em carteira no momento (1. (SECRETARIA DE DIREITOS HUMANOS DA PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA. Dentre as atividades exercidas.7% das pessoas declararam que pediam esmola como meio de obtenção de renda.2% recebem aposentadoria e o Benefício de Prestação Continuada – BPC alcança 1. Destaca-se que ainda não há a inclusão oficial da população em situação de rua no censo demográfico nacional. na Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SDH) em julho de 2014. Dos que recebem algum benefício. construção civil (6. mais de 60% na Pesquisa de Porto Alegre (2011). atuação na construção civil (pedreiros. Voltando-se aos resultados obtidos pelas pesquisas com população de rua anteriormente mencionadas. Tal resultado mostra que a situação de pedinte não é a mais comum entre os moradores e moradoras de rua.

Neste caso o que você acha que faltou para que as senhoras fossem acolhidas? b. Você faria o mesmo por elas? Reflita! Casos como estes são comuns em nossas cidades. Numa das noites mais frias do inverno de 2006. de mais ou menos 50 anos. onde também não foram acolhidas pelo fato da casa atender apenas homens. por cerca de 12 horas. foram a uma instituição católica. e de Dona Chica. nomes de pessoas e locais foram omitidos ou trocados. Pergunta-se: a. mas sim didático. policiais que faziam plantão. uma vez que irão remeter a questões. na próxima aula. Aula 2 – Casos: A realidade do povo vivendo na rua Os casos a seguir são reais. por volta das 22h. foram deixadas no mesmo lugar onde estavam – marquise do Hospital das Clínicas e aquela foi mais uma noite em que sentiram muito frio. Anote as suas respostas. que também não as acolheu pelo fato de não ser objetivo acolher pessoas para pernoite e ter metodologia própria para seleção e recebimento de mulheres. fazia tanto frio naquela noite. CASO 1: Policiais tentam abrigar duas moradoras de rua. a reflexões e a sugestões de práticas que permitam a você estar mais preparado diante das situações que porventura vier a enfrentar. assim. que tinha dificuldade de locomover-se por ter uma perna amputada. as colocaram na viatura e rodaram a cidade toda. irá compará-las com o ordenamento jurídico sobre estas questões. porém. 32 . Na terceira e última tentativa. procurando um abrigo para deixá-las. foram a um abrigo conveniado com o município que não as acolheu com a justificativa de que não tinham documentos e pelo fato de não terem condição de acolher pessoas com dificuldades de locomoção. ao passarem pelas imediações do Hospital das Clínicas. pois. numa ocasião como essa você possa encaminhá-las. depois de rodarem a cidade numa viatura. mas será que não merecem atenção especial por parte da segurança pública? Pratique! Procure localizar em sua cidade abrigos e albergues que recepcionem pessoas em situação de rua para que. Num primeiro momento. Segundo Dona Chica. sensibilizaram-se com a situação de Dona Marilda de 72 anos. por questão de ética. que os dois PMs. A segunda tentativa foi numa República Feminina. sentiram pena delas e. além das duas não terem perfil para a casa. E. Estes casos não têm cunho depreciativo ou crítico.

tenta negociar com as famílias sua saída. a presença da polícia garantia a segurança dos servidores da prefeitura. quando. a polícia não foi coerente. Não. verificar a legalidade da ação. Este procedimento tornará ainda mais difícil uma mediação pacífica daquela situação por parte da Polícia. por fim. para as famílias. Por isto. uma vez que deveria. ao máximo. monta operação para retirar as pessoas. busque certificar-se de todos os aspectos legais. Então o comprador busca apoio no poder público. forçando-as a aceitarem a desocupação. com o fim de desalojar as famílias de sua posse. c. a ação seria feita no dia anterior. e a pessoa interessada em comprá-lo. a prefeitura dificultou. trate as pessoas com polidez. ao atender uma ocorrência semelhante. No caso em tela. ganhe a simpatia e a confiança delas. previamente. negociar com a prefeitura uma saída mais pacífica para o conflito. que. dê apoio ao trabalho de retirada. Nesse caso. Ao invés de ajuizar uma Ação de Reintegração de Posse ou uma Ação Reivindicatória. Os adultos trabalhavam como catadores ou flanelinhas nas proximidades. inteirar-se melhor da situação. mas também intimidava as famílias. E a ação policial foi coerente? R. cumpra o que a lei pede. O que você faria numa situação semelhante? R. Reflita! As pessoas em uma situação semelhante à estudada. sem qualquer mandado judicial. moravam há cerca de 2 anos em um casarão abandonado. Pergunta-se: a. o proprietário se utiliza de via de duvidosa legalidade: aciona a Defesa Civil e esta mobiliza a Polícia Militar. Ouviria os envolvidos. vá com cautela. respeite as pessoas e preserve seus pertences. em busca de melhoria de vida e da conquista de seus direitos básicos. na verdade. O imóvel é colocado à venda. com laudo da defesa civil. Como estratégia. porém. Embora não tivesse ordem judicial. PM é solicitada retirar moradores de rua de um casarão ocupado. Neste caso. sem êxito. utilizando de uma estratégia que visou enganar as pessoas. 33 . Você julga que a ação da Prefeitura foi correta? R. a Gerência da Regional solicita apoio da PM para a retirada. ouvir as pessoas envolvidas e. b. entre elas solteiros e famílias com crianças. são cidadãos como nós. verificaria a legalidade da ação e mediaria o conflito. Um grupo de cerca de 20 pessoas. Caso seja realmente necessário. Durante esse período. as famílias são avisadas que seriam retiradas em um dia. os mesmos utilizavam os serviços de saúde e escola da região.

porém. Revoltado perguntava ao policial: E o senhor quer o quê? Vão prender um trabalhador? Pergunta-se: a. Pratique! Procure saber se em sua cidade existe algum órgão que lide diretamente com a melhoria das condições das pessoas em situação de rua. Ao chegar ao local. 34 . devemos entender a situação de rua como um problema social que requer diálogo. Assim. Ao serem abordados. resolução pacífica de conflitos e encaminhamentos adequados. Pratique! Procure se informar mais sobre os procedimentos legais nestes casos e as orientações institucionais sobre sua atuação. O diálogo é também muito importante. Seja cauteloso. a ponto de ser tratada como um infrator em potencial. mas cordial. e é imprescindível que você jamais deixe de considerar a condição de cidadão destas pessoas. Como você agiria numa situação assim? R. Qual resposta daria para João? R. dependendo de sua demanda ou violação de direito sofrida. haviam subtraído seus documentos e o próprio carrinho cheio de papel. Resolva o problema de forma coerente e pacífica. trate as pessoas com cuidado procurando acalmá-las. exaltado. Moradores de um condomínio residencial chamam a polícia para retirar casal de moradores de rua que dorme na marquise do prédio. inclusive. de falar. Neste caso. b. Por isso. Reflita! A situação de rua não retira de uma pessoa sua dignidade. Depois de acionar grupos religiosos assistenciais. A resposta mais adequada. Ana mostra os seus documentos. é necessária uma forma enérgica. dizia que os fiscais da prefeitura. em abordagem anterior. alegando que os mesmos estavam trazendo risco para os moradores. enquanto João. calma e tranquilidade para resolver o problema são fundamentais. aqui destacamos quatro serviços que tem foco ou exclusividade no atendimento a este público: • Serviço Especializado de Abordagem Social. dormiam sob o carrinho de coleta. a polícia encontrou o casal acordando e se preparando para trabalhar. o síndico chamou a polícia. seria dizer a ele que mantivesse a calma e que não iria prendê-lo. porém. pois não havia motivo para tal. Ambos eram catadores de material reciclável e. a Secretaria Municipal de Assistência Social do Município e não obter o resultado esperado (a retirada do casal que há mais de mês estava dormindo sob a marquise de um prédio situado em região nobre da cidade). como os Serviços tipificados no Sistema Único da Assistência Social (SUAS).

e os fiscais dizem que.. Pergunta-se: a. os provocam ainda mais e. houve um desrespeito às pessoas e aos seus pertences. A operação foi repleta de erros e cercada de aspectos que contrariam os preceitos de respeito aos direitos humanos daqueles cidadãos ali envolvidos. atenção integral à saúde. quando alguém se altera. desde que não sejam ilícitos. devem ir ao depósito com documento fiscal que comprove a posse. • Serviço Especializado para Pessoas em Situação de Rua. mandam que os moradores se encostem no muro. inclusive. onde têm o rosto apertado contra a parede para não poderem identificar os policiais. medicamento. de seus pertences e bens. Quando protestam. de maneira mais oportuna. enfim. apesar dos protestos. Os policiais. que passam a submetê-los a uma “revista”. Protegidos pela polícia. Qual a sua opinião sobre o caso citado? R. alimentação. • Serviço de Acolhimento Institucional. e • Serviço de Acolhimento em Repúblicas. enquanto os fiscais terminam o serviço. Não fossem suficientes os constrangimentos frequentes a que são submetidos. os fiscais humilham os moradores. É importante lembrar que morar na rua não é 35 . Reflita! Você. por vezes são colocados na viatura. Na área da Saúde: O Consultório na Rua é um equipamento da Atenção Básica em Saúde. pois. documentação. inclusive. Neste caso.. em momento algum. de seu carro. um grupo de pessoas que mora na região central da cidade vem sofrendo com operações rotineiras de fiscais que apreendem e levam todos os seus pertences: cobertores. orgulha-se de sua casa. o grupo está com os nervos à flor da pele. b. Os objetos são jogados em um caminhão. Você julga correto este tipo de operação? R. PM acompanha fiscais da Prefeitura em “operação de limpeza” Há mais de um ano. roupas. são tratados como vagabundos e não como cidadãos. ao chegarem. com certeza. integrante da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS). e pense neles como o único e precioso bem que elas possuem. para recuperá- los. os fiscais chamam reforço policial. Pelo fato de viverem na rua. documentos. Respeite sempre os direitos destas pessoas. papelão. não é mesmo? Pois. as pessoas em situação de rua também têm seus pertences e documentos que devem ser preservados e mantidos em sua posse. que objetiva ampliar o acesso da população em situação de rua à rede de atenção e ofertar. pagar uma taxa e apresentarem atestado de antecedentes. foi-lhe oferecida alguma alternativa. a cada abordagem todos os seus pertences são confiscados. Com isso. é claro. com apreensão de documentos. que geralmente está bem próximo e logo chegam ao local uma ou até três viaturas.

Troque ideias sobre a melhor forma de solucionar a situação. A realidade por eles vivida.. Aula 3 – População em situação de rua: marco legal 3. escreva a solução construída pelo grupo.. permanecer ou dele sair com seus bens. dos quais se destacam: 36 . uma praça ou demais espaços públicos não constitui.É interessante que a equipe esteja informada e possa orientar o cidadão sobre a existência de instituições de acolhida que podem acolhê-lo de forma segura (lembrando que ele(a) não é obrigado(a) a deixar o local onde se encontra). . Estes objetos têm grande importância para as pessoas em situação de rua.983. para juntos poderem buscar uma solução para este caso específico.Nos casos de situações conflitantes. cabe ressaltar que o cidadão em situação de rua tem o direito de permanecer em local público.Os procedimentos de segurança do policial não podem ser diferentes daqueles utilizados com qualquer outro cidadão.crime! Habitar uma rua.O policial deve considerar e tratar a pessoa em situação de rua como cidadão de direitos. por si só. nele entrar. . representa grave violação a diversos dispositivos constitucionais. O profissional de segurança pública deve reconhecer a vulnerabilidade da pessoa em situação de rua e garantir a isonomia (igualdade e equidade) do tratamento.A verificação dos pertences (quando e se necessária) deve ser feita de forma cuidadosa. faça um paralelo sobre suas respostas e o que diz nosso ordenamento jurídico. ..A Constituição Federal/88 assegura que é livre a locomoção no território nacional em tempo de paz. Após isso.A “mendicância” deixou de ser tipificada como contravenção penal a partir da Lei n° 11. de 16 de julho de 2009. podendo qualquer pessoa. . . garantindo- lhe proteção e segurança. . sobre as pessoas em situação de rua. Saiba mais.1 Dispositivos constitucionais As pessoas que se encontram em situação de rua constituem um grupo marcado por uma invisibilidade social. um delito ou infração penal. Os casos citados anteriormente foram utilizados para ajudá-lo a refletir sobre algumas situações muito frequentes em sua rotina operacional. Com a ajuda da próxima aula. desde que não esteja infringindo a lei. . Pratique! Procure reunir-se com seus colegas de trabalho. nos termos da lei.

e poderá estar aguardando o reconhecimento desse direito pelo Poder Judiciário. psicológica ou social. à honra e à imagem - Constituição Federal. 4 – Princípio da legalidade . devem ser tratados como os pertences de qualquer cidadão. Isto significa que as pessoas em situação de rua são cidadãs como qualquer outro cidadão que mora neste país. artigo 5º. 6 – Princípio da inviolabilidade do direito à intimidade. IV. quando for necessária e justificada uma revista. estará apenas dando a este imóvel (ou bem) uma utilidade social. sendo assegurado o direito a indenização pelo dano material ou moral decorrente de sua violação. e promover o bem de todos. à igualdade. 2 – Princípio da justiça social . seja particular. independentemente da aparência ou qualquer outra condição física.Constituição Federal. Assim. Ao mesmo tempo. o direito de viver. artigo 5º. Quer dizer que os pertences (por mais humildes e precários que sejam). sem que a sua presença signifique desrespeito à lei. Isto significa que. inciso X. e não com menosprezo ou humilhações por parte de qualquer pessoa. sendo abusiva qualquer exigência de taxa ou comprovante de propriedade. artigo 5º. à privacidade. 1 – Princípio da dignidade da pessoa humana e da vedação à discriminação. como qualquer cidadão do nosso país. incisos I. o Estado possa cumprir um dos seus objetivos fundamentais: o da justiça social. a vida privada. mas que esta propriedade deverá atender a sua função social. exceto se estiverem praticando um crime. a honra e a imagem das pessoas. inciso II. à segurança e à propriedade. quando uma pessoa estiver vivendo em condições sociais extremamente precárias. cor. sem agressões de qualquer natureza. o servidor público não pode aplicar nenhuma sanção ou penalidade que não esteja prevista em lei e que não tenha sido definida por um Juiz. diz que ninguém será submetido a tortura nem a tratamento desumano ou degradante. sexo. assim. todos podem buscar os seus direitos (especialmente. que diz que são objetivos fundamentais do nosso país: construir uma sociedade livre. diz que ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei. raça. que é dar guarida (acolhida) a um de seus beneficiários. 7 – Princípio da função social da propriedade . diz que são invioláveis a intimidade. a pessoa em situação de rua deve ser tratada com respeito. sem praticar nenhum delito ou tumulto anormal. III. à liberdade. deve ser atendida e encaminhada aos órgãos competentes para que possa recuperar as condições de vida digna e para que. e. 5 – Princípio da vedação à tortura e tratamentos desumanos ou degradantes . inciso III. assim. Portanto. 3 – Princípio da igualdade ou isonomia: Constituição Federal – o artigo 5º diz que todos são iguais perante a lei. erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades sociais. de estar e permanecer em um lugar) e devem ser tratados com respeito à sua dignidade de pessoa. garantindo-se a inviolabilidade do direito à vida. artigo 1º.Constituição Federal. em sentença fundamentada e transitada em julgado. ou seja.Constituição Federal – artigo 3º. nos seus incisos II e III: são fundamentos do nosso país a cidadania e a dignidade da pessoa humana. Assim.Constituição Federal. e devolvidos no mesmo estado em que se encontravam. sem preconceitos de origem. devem ser tratadas pelas autoridades e por todos. e são livres para estar em qualquer local. 37 . idade e quaisquer outras formas de discriminação. quando qualquer morador da cidade estiver próximo ou nas dependências de uma propriedade privada não ocupada ou não utilizada. incisos XXII e XXIII. diz que é assegurado o direito de propriedade.Constituição Federal. seja servidor público. sem distinção de qualquer natureza. as pessoas na rua não podem ser obrigadas a fazer nada que não seja exigido por lei. artigo 5º. justa e solidária.

23 das LOAS (Lei nº 11. de 23 de dezembro de 2009 . Deve estar distribuído no espaço urbano de forma democrática..Resolução nº 109.. Institui a Política Nacional para a População em Situação de Rua e seu Comitê Intersetorial de Acompanhamento e Monitoramento. de alimentação e provisão de documentação civil. de 11 de novembro de 2009 editada pelo Conselho Nacional de Assistência Social – Estabelece a Tipificação Nacional de Serviços Sócio assistenciais.053.” Estabelece a obrigatoriedade de criação de programas direcionados à população em situação de rua. . a incidência de trabalho infantil. .Política Nacional para a População em Situação de Rua.Lei orgânica da assistência social (LOAS) Lei nº 12. Decreto 7. aqui destacamos quatro serviços que tem foco ou exclusividade no atendimento a este público: Serviço Especializado de Abordagem Social: Serviço ofertado de forma continuada e programada com a finalidade de assegurar trabalho social de abordagem e busca ativa que identifique. respeitando o direito de permanência e usufruto da cidade com segurança. Saiba mais. porém. É previsto para pessoas em situação de rua e desabrigo por abandono. e dá outras providências. na perspectiva de fortalecimento de vínculos interpessoais e/ou familiares que oportunizem a construção de novos projetos de vida.435/11 . igualdade de condições e acesso aos serviços 38 . Serviço Especializado para Pessoas em Situação de Rua: Serviço ofertado para pessoas que utilizam as ruas como espaço de moradia e/ou sobrevivência. Aula 4 – Atendimento à população de rua A População em Situação de Rua pode ter seu atendimento realizado em vários serviços tipificados no Sistema Único da Assistência Social (SUAS). dentre outras. Tem como unidade o Centro Pop. de higiene pessoal. que deve promover o acesso a espaços de guarda de pertences. Alguns de seus objetivos são: construir o processo de saída das ruas e possibilitar condições de acesso à rede de serviços e a benefícios assistenciais e promover ações para a reinserção familiar e comunitária..altera o parágrafo único do art. Serviço de Acolhimento Institucional (para adultos e famílias em situação de rua): Uma das modalidades deste serviço é de acolhimento para adultos e famílias. que corresponde ao acolhimento provisório com estrutura para acolher com privacidade pessoas do mesmo sexo ou grupo familiar.258. Tem a finalidade de assegurar atendimento e atividades direcionadas para o desenvolvimento de sociabilidades. no âmbito da organização dos serviços de assistência social.. migração e ausência de residência ou pessoas em trânsito e sem condições de autossustento. . dependendo de sua demanda ou violação de direito sofrida. exploração sexual de crianças e adolescentes em situação de rua. nos territórios. de 30 de dezembro de 2005) que destaca que “Na organização dos serviços da Assistência Social serão criados programas de amparo (. numa perspectiva de ação Inter setorial.) II .às pessoas que vivem em situação de rua.

Ao mesmo tempo. Vale lembrar que os servidores públicos que atuam nas ruas e que.Tipificação Nacional de Serviços Sócio assistenciais (Abordagem Social. Minha Vida . de 25 de janeiro de 2012 (regula o funcionamento dos CR.435.Lei nº 11. alterada pela Lei nº 12. de 21 de outubro de 2011). devem buscar aplicá-las da maneira mais adequada e humana possível.Resolução nº 78. de 30 de dezembro de 2005. são operadores das normas legais. e podem encontrar saídas e soluções ditadas pelo bom senso para as dificuldades que lhes são trazidas pela população.Portaria nº 693. • 2014: PRONATEC População de Rua . no seu trabalho.Portaria nº 122. Deste modo. • 2012: Consultórios na Rua . É destinado a pessoas adultas com vivência de rua em fase de reinserção social. previstos na Política Nacional de Atenção Básica . O serviço deve ser desenvolvido em sistema de autogestão ou cogestão. podendo ser reavaliado e prorrogado em função do projeto individual formulado em conjunto com o profissional de referência. eles são intérpretes dessas normas. a seguir. • 2010: Inclusão da População Rua no Cadastro Único (Formulário Suplementar 2. em vez de provocar um aumento da 39 . com o limite máximo de 50 (cinquenta) pessoas por unidade e de 4 (quatro) pessoas por quarto. de 25 de novembro de 2014 (PRONATEC Direitos Humanos . • 2009: Resolução nº 109. com vínculos familiares rompidos ou extremamente fragilizados e sem condições de moradia e autossustentação. A linha do tempo. • 2005: LOAS – alteração do parágrafo único do art. Possui tempo de permanência limitado. lidam com as pessoas em situação de rua. • 2011: Acesso a serviços de saúde do SUS .258. conforme estabelecem os princípios. que estejam em processo de restabelecimento dos vínculos sociais e construção de autonomia.488. População de Rua e Viver sem Limites). Centro Popular. • 2013: Início das adesões de estados e municípios à Política Nacional / Possibilidade de priorização da Pop Rua no Programa Minha Casa. em vez de aumentar o problema com uma nova violação de direitos. Instrução Operacional. apoio e moradia subsidiada a grupos de pessoas maiores de 18 anos em estado de abandono. cartilha de orientação).Portaria nº 940. de 28 de abril de 2011 (regulamenta o Sistema Cartão Nacional de Saúde e permite o acesso da População de Rua mesmo sem comprovante de residência). Acolhimento Institucional e República). Guia de Cadastramento. possibilitando gradual autonomia e independência de seus moradores.Portaria nº 595. Nessa condição. demonstra a ampliação dos serviços ofertados: • 2004: PNAS . que oferece proteção. Serviço de Acolhimento em Repúblicas (para adultos em processo de saída das ruas): O Serviço de Acolhimento em Repúblicas destina-se ao acolhimento de adultos e pessoas idosas em processo de saída das ruas. Os Abrigos Institucionais devem apresentar espaço semelhante a uma residência. leis e diretrizes relacionadas à sua missão. 23 das LOAS .modalidades SINASE.Portaria nº 2.públicos. situação de vulnerabilidade e risco pessoal e social. em diversas situações. de 22 de junho de 2004. de 11 de novembro de 2009 . de 18 de dezembro de 2013.

à privacidade. e Serviço de Acolhimento em Repúblicas. aqui destacamos quatro serviços que tem foco ou exclusividade no atendimento a este público: Serviço Especializado de Abordagem Social.insegurança e da revolta na sociedade. dos quais se destacam os seguintes princípios: Dignidade da pessoa humana e da vedação à discriminação. inviolabilidade do direito à intimidade. porém. igualdade ou isonomia.. por contingência temporária ou de forma permanente.  A População em Situação de Rua pode ter seu atendimento realizado em vários serviços tipificados no Sistema Único da Assistência Social (SUAS). A realidade por eles vivida representa grave violação a diversos dispositivos constitucionais.. Serviço de Acolhimento Institucional. Marque a alternativa correta. que é a definição de um conceito para esse segmento. você estudou que:  No processo de identificação do perfil da população em situação de rua. de 23 de dezembro de 2009. contingente significativo da população urbana. contribuirão para recuperar nas pessoas o sentimento de confiança na justiça e nas instituições. vedação à tortura e tratamentos desumanos ou degradantes.”  As pessoas que se encontram em situação de rua constituem um grupo marcado por uma invisibilidade social. legalidade. composto por pessoas com diferentes realidades. Decreto 7. Exercícios 1. d. b. sendo compelidas a utilizarem a rua como espaço de moradia e sustento. Não há pessoas com nível superior. mas que que têm em comum a condição de pobreza absoluta. vínculos interrompidos ou fragilizados e inexistência de moradia convencional regular. 40 . Serviço Especializado para Pessoas em Situação de Rua. A maioria do público pesquisado é de homens. assim define a Pessoa em Situação de Rua: “Grupo populacional heterogêneo.  A Política Nacional para a População em Situação de Rua. Finalizando. é possível perceber que: a. Analisando o perfil da população em situação de rua pesquisada em algumas capitais brasileiras. Neste módulo. esbarra-se numa questão anterior. justiça social. As mulheres são a maioria das pessoas encontradas nas ruas. Em sua maioria é composta de idosos . à honra e à imagem e função social da propriedade.053. dependendo de sua demanda ou violação de direito sofrida. c.

tratando com polidez e respeito aqueles homens. Os policiais. 2. porém. 41 . dizendo que se tratassem aqueles “vagabundos” com carinho. Comente sobre a atitude dos policias. surpreenderam o dono da loja. Analise o caso a seguir e responda: Dois homens em situação de rua estavam dormindo em frente a uma loja no centro da cidade. eles com certeza voltariam sempre. O dono da loja solicitou auxilio policial para a retirada daqueles homens do local. O dono da loja criticou a ação dos policiais.

Resposta Correta: Letra D 2. Orientação de resposta: A atitude dos policiais foi correta. 42 . A condição social das pessoas não retira delas a condição de cidadãos. Gabarito 1.

• Identificar os principais órgãos de proteção à pessoa com deficiência no Brasil. É importante que compreenda a situação destas pessoas no Brasil e que aprenda como prestar um atendimento adequado. nos últimos anos. É importante que o profissional de segurança pública tenha consciência destas leis para a promoção e defesa das pessoas com deficiência. não está adequado às necessidades delas. visando à melhoria de sua qualidade de vida e condições de participação das pessoas com deficiência em igualdade de condições com as demais pessoas. MÓDULO ATENDIMENTO POLICIAL ÀS PESSOAS COM 5 DEFICIÊNCIA Neste módulo você estudará sobre as pessoas com deficiência.Legislações Importantes relacionadas a Pessoas com Deficiência. além de barreiras atitudinais que geram tratamento desigual às pessoas com deficiência. A sociedade ainda não está preparada para uma convivência harmônica e consciente com estas pessoas. • Aula 3 . • Identificar os principais documentos relativos à proteção da pessoa com deficiência.Como Melhorar o Atendimento às pessoas com deficiência. Porém. Objetivos do módulo Ao final desse módulo. O espaço público.Situação das Pessoas com Deficiência no Brasil. e faltam políticas públicas mais eficazes para o atendimento a elas. assistimos a grandes mobilizações do setor e diversas leis foram criadas. Estrutura do Módulo Este módulo é composto pelas seguintes aulas: • Aula 1 . na maioria das vezes. • Aula 2 . 43 . • Compreender a situação da pessoa com deficiência no Brasil. • Proceder de forma adequada na abordagem à pessoa com deficiência. você deverá ser capaz de: • Definir pessoa com deficiência.

o correspondente a 23. 23.6% das pessoas com deficiência. A deficiência visual era a mais significativa. mental. ou seja. podem obstruir sua participação plena e efetiva na sociedade em igualdades de condições com as demais pessoas.10% e da deficiência mental ou intelectual. O censo demográfico do IBGE 2010 apurou que 45.4 milhões residiam em áreas urbanas e 7. acometendo 18.6 milhões de pessoas declararam apresentar algum grau de limitação.7 milhões de pessoas das quais 45. 1.1 Definição De acordo com a Convenção sobre os Direitos da Pessoa com Deficiência: Pessoas com deficiência são aquelas que têm impedimentos de longo prazo de natureza física.2 Deficiências por tipo Segundo o IBGE havia no Brasil em 2010.6 milhões com alguma deficiência. os quais.9 % da população brasileira.1 milhões em áreas rurais. em interação com diversas barreiras. Em segundo lugar a dificuldade de caminhar ou subir escadas incidia sobre 7% das pessoas com deficiência. intelectual ou sensorial. 190. O Censo 2010 foi elaborado a partir dos novos conceitos introduzidos pela OMS (Organização Mundial da Saúde). em (1. 44 . seguida da deficiência auditiva 5.9% da população das quais 38. Aula 1 – Situação das Pessoas com Deficiência no Brasil 1. Para saber mais sobre o uso de conceitos relativos às pessoas com deficiência visite o site da Secretaria Nacional de Promoção dos Direitos da Pessoa com Deficiência. o qual considera a informação dos vários graus de incapacidade e sua relação com contexto social e ambiental.40%).

constatou-se que essas pessoas estavam distribuídas na mesma proporção nas zonas rurais e urbanas do Brasil (ver tabela.92% Norte 14.4% Nordeste 16.9% 22.gov. por tipo de deficiência e alfabetização.8% 26.1% 23. segundo o sexo Fonte: Cartilha do Censo 2010: pessoa com deficiência.4% do total da população com deficiência.br/app/sites/default/files/publicacoes/cartilha-censo-2010-pessoas- com-deficienciareduzido.Distribuição regional das deficiências 2000-2010 Fonte: Cartilha do Censo 2010: pessoa com deficiência.7% 23.gov.3 Distribuição Regional das Deficiências A região com maior incidência de deficiências é o Nordeste com 23.63% Sudeste 13.br/app/sites/default/files/publicacoes/cartilha-censo-2010-pessoas- com-deficienciareduzido.3% na urbana. Brasil e Grandes Regiões Proporção da população com pelo menos uma das deficiências investigadas Total 2000 Total 2010 Brasil 14.pdf 45 .SDH/PR. O Censo 2000 registrou uma pequena diferença na proporção de pessoas com deficiência que que viviam no campo e nas cidades. em 2010.50% Tabela 4 .pessoacomdeficiencia.3% 22. seguida da Região Norte com 23.2% na população rural e 14.SDH/PR.03% Sul 14.pdf 1.pessoacomdeficiencia. 15. Disponível em: http://www. Mas. Tipos de deficiência Pelo menos uma Visual Auditiva Total Alfabetizadas Total Alfabetizadas Total Alfabetizadas Total 45 220 745 36 964 660 35 606 169 29 608 907 9 638 276 7 281 134 Homens 19 600 953 15 871 348 14 883 098 12 249 824 4 864 949 3 727 827 Mulheres 25 619 792 21 093 312 20 773 071 17 359 083 4 773 327 3 553 30 Tabela 3 – Pessoas de 5 anos ou mais de idade.51% Centro Oeste 13.2012.4% (ver tabela 2).5% 23.2012. Disponível em: http://www.3).

as nações ou sociedades que tiverem: • precárias condições de vida com escassos recursos de saneamento.9 População Urbana (%) 14. dos quais 7. as mulheres estavam em supremacia numérica em 2010. A partir desse último grupo.5 milhões eram homens e 9. que se refletem diretamente sobre a população mais vulnerável. para cada 100 mulheres na população brasileira existiam 96 homens.9 milhões eram mulheres.9 População Rural (%) 15. de alimentação e de habitação adequada. cerca de 17.4 milhões de pessoas.pessoacomdeficiencia.pdf . podemos observar um forte aumento nos grupos de idade de 5 a 9 anos e de 40 a 44 anos. 1. De acordo com o Programa de Ação Mundial para Pessoa com Deficiência da ONU estão sob maiores riscos de apresentar grande número de cidadãos com deficiência.gov.3 23. de água tratada.2 23. No que se refere à população com deficiência esta razão é de que para 100 mulheres existem 76. ocorreu o maior contingente de pessoas com deficiência. a prevalência da deficiência cresceu acentuadamente.pessoacomdeficiencia. O contingente populacional que tem pelo menos uma das deficiências investigadas pelo Censo de 2010 revela que sua prevalência é bastante alta na população brasileira e se distribui por todos os grupos de idade. Na faixa de 40 a 59 anos. Segundo o IBGE. o que ocorre com frequência muito mais alta no segmento das pessoas com deficiência. falta de informação em matéria de serviços sociais.gov. • alto índice de doenças infectocontagiosas e inadequado atendimento. às condições socioeconômicas do país. fundamentalmente. • alto índice de analfabetismo. Disponível em: http://www.5 23.4 Causas de deficiência As causas mais frequentes de deficiência identificadas nas áreas de maior carência estão ligadas. Esses indicadores refletem o conhecido fato de que os homens morrem mais cedo do que as mulheres.9 Tabela 5 – Proporção de pessoas com pelo menos uma deficiência vivendo nas zonas urbanas em 2010 Fonte: Cartilha do Censo 2010: pessoa com deficiência.pdf Distribuição das deficiências por sexo e por idade No conjunto da população.2012.br/app/sites/default/files/publicacoes/cartilha-censo-2010-pessoas- com-deficienciareduzido. Fonte: Disponível em: http://www. Ano 2000 2010 Total (%) 14.7 homens. 46 .br/app/sites/default/files/publicacoes/cartilha-censo-2010-pessoas- com-deficienciareduzido.SDH/PR. No entanto. bem como de medidas sanitárias e educacionais.

cultura. pessoas. educação. violência no trânsito. • falta de controle no uso de medicamentos. cardíacas. ou seja. previdência e assistência social. acentuadas pelo alto índice de violência urbana e no campo. • ausência de políticas sociais de médio e longo prazo. estar ligadas à prevenção. o meio que determina o efeito de uma 47 . trabalho. alta taxa de acidentes nos locais de trabalho. Embora a pobreza e a marginalização social não sejam exclusivas das pessoas com deficiência. 1. • centralização excessiva das decisões e das atividades nas áreas urbanas.5 Medidas governamentais relacionadas à situação das pessoas com deficiência As medidas governamentais destinadas a melhorar a situação das pessoas com deficiência devem. no transcorrer de suas atividades cotidianas encontram-se com limitações na sua capacidade de deslocamento ou de acesso aos bens e serviços da comunidade. idosas. não são suficientes as medidas de reabilitação orientadas para as pessoas com deficiência. nas grandes aglomerações populacionais e no campo. frequentemente. Afinal. esporte. Quanto à reabilitação. • acentuada desigualdade social por concentração dos meios de produção. reabilitação e equiparação de oportunidades. • mercado de trabalho estagnado e mão de obra não qualificada. A prevenção implica na adoção de medidas intersetoriais que impeçam o surgimento de deficiências em qualquer de suas manifestações ou que impeçam que deficiências já instaladas se agravem produzindo consequências negativas para a qualidade de vida dessas pessoas. Alguns marcos internacionais de direitos humanos. A realidade brasileira possui. em alto grau. Há uma necessidade urgente de simplificação e de integração familiar e comunitária para favorecer a interiorização e universalização dessa política pública. dentre outras. • contaminação do meio ambiente e deterioração da condição de sobrevida. como a Convenção e Classificação Internacional de Funcionalidade. agravados pela desigualdade na distribuição regional e no acesso individual aos diferentes serviços. mas se faz necessária a adequação do ambiente às exigências de toda a população. Para que se alcance a igualdade e a plena participação. com toda certeza agem mais cruelmente sobre elas. obesas. O avanço do conhecimento científico tornou possível prevenir a incidência de condições de saúde que levam à deficiência com medidas simples e de custo reduzido. com problemas respiratórios e mulheres grávidas. de acordo com o Programa de Ação Mundial para Pessoa Portadora de Deficiência da ONU. esta é uma questão que corresponde a um conjunto de procedimentos diversos. a reabilitação da pessoa com deficiência só pode ser equacionada dentro do contexto geral e integrado das políticas de saúde. as características definidas pela ONU. As características atuais dos atendimentos de reabilitação revelam insuficiência da rede. Apontam para a ideia de que é. drogas e agentes agrícolas. necessariamente. interdependentes e que deve partir da valorização das potencialidades das pessoas. em grande parte.

o caminho inverso. como educação. Essas oportunidades são necessárias para efetivar os aspectos fundamentais para a vida familiar. participação em grupos sociais e políticos. 1. cultura e turismo.6 Inclusão da pessoa com deficiência As transformações sociais necessárias para a inclusão das pessoas com deficiência não dependem apenas de ações pontuais. intersetoriais e articuladas de forma a contemplar todas as dimensões da vida dessas pessoas. Assim. Muitas vezes a sociedade vem usando esses atributos pessoais e sociais para separar as pessoas. da implementação. o fim da escravidão. saúde. essas pessoas precisam estar incluídas mediante a adaptação da sociedade às necessidades e peculiaridades específicas de cada segmento. O modelo da inclusão se baseia nos seguintes princípios: • a aceitação das diferenças individuais. específicas e momentâneas. portanto. • a valorização de cada pessoa. idade e deficiência. os benefícios. O reconhecimento da liberdade religiosa. do monitoramento e da avaliação dessas iniciativas. o redimensionamento das prioridades de governo para a vertente social irá tanto promover a inclusão da pessoa com deficiência. Necessitam de políticas públicas consequentes. 48 . proteção econômica e social.deficiência sobre a vida diária de uma pessoa. A partir desse novo paradigma. universal e deve ser preocupação constante não só do governo. A diversidade humana é representada por origem nacional. mas da sociedade em geral. • a convivência dentro da diversidade humana. acesso às instalações públicas. quando lhe são negadas as oportunidades de acesso a tudo que a comunidade disponibiliza aos cidadãos. inclusive. Ao se falar da inclusão social. Essas particularidades não devem se constituir em barreiras para o relacionamento humano. Mais do que uma questão de educação. os programas. faz-se referência a todas as pessoas. emprego. religião. A questão das deficiências é. e • o direito de pertencer. mas os mesmos devem participar do desenvolvimento. cultura. habitação. os serviços e as práticas sociais não podem ser simplesmente disponibilizadas a determinados segmentos populacionais. quanto reduzir o número de novos casos. para promover o tratamento das pessoas com deficiência em igualdade de condições com as demais pessoas. sexo. gênero. Embora os preconceitos existam. lazer. de forma contraditória. a aceitação das nacionalidades e da autodeterminação dos povos são bons exemplos da luta contra o pensamento intolerante. As políticas. dentre outros. trabalho. cor e etnia. Daí. é uma questão de cidadania. a importância da inclusão. aos demais grupos vulneráveis. • a aprendizagem através da cooperação. transporte. é bom lembrar que a sociedade constrói. atividades religiosas. atividades esportivas.

maior qualidade de vida. a médio prazo. poderá haver uma diminuição de custos relevantes para o Governo Federal. levando em conta que as pessoas com deficiência são crianças. estão estabelecidos os compromissos dos Países Membros para reafirmação dos direitos humanos e das liberdades fundamentais da pessoa humana. por meio da supressão de barreiras e obstáculos nas vias e espaços públicos. portanto. brancos e índios.296/04. O texto constitucional dispõe sobre essa temática nos seus artigos 227 e 244. uma vez que o direito de ir e vir. intensificar ações que impulsionem o desenvolvimento de políticas integradas junto a todas as esferas de governo e com a sociedade civil. ainda.098/00 e 10. No texto. Além disso. 49 . negros. que as regulamenta. no mobiliário urbano. É clara a necessidade de se intensificarem políticas de qualificação profissional e de empregabilidade para esse grupo. de forma a garantir os direitos desse segmento e combater todas as formas de discriminação. Faz-se necessário. foram promulgadas as Leis n° 10. ainda. Estes preceitos legais nos levam à essência maior dos direitos para todos. algumas das maiores causas de deficiências. Faz-se necessária a adequação do ambiente às exigências de toda a população. adultos e idosos. produzem sob a forma de pobreza. Ainda no campo legal e no sentido de estabelecer normas gerais e critérios básicos para a promoção da acessibilidade. As políticas públicas para as pessoas com deficiência devem levar em conta as disparidades regionais e a desigual distribuição de renda que. incluindo o grupo dessas pessoas tão distintas que necessitam de soluções especiais que lhes garantam autonomia e segurança e consequentemente. pertencentes aos mais variados segmentos sociais e econômicos. homens e mulheres. são elementos dos direitos humanos e da cidadania. Tais políticas devem. associadas. Outro aspecto relevante a ser tratado é a questão da inclusão da pessoa com deficiência no mercado de trabalho. possibilitando o acesso aos bens e serviços existentes e buscando meios de sua inclusão qualificada no processo de desenvolvimento do país. com a capacitação exigida. com fundamento no princípio de que justiça e seguranças sociais são bases para uma paz duradoura. integrar-se ao conjunto das ações executadas pelo sistema básico de serviços sociais. Tal medida poderá trazer benefícios econômicos para o conjunto da sociedade brasileira. nos transportes e nos meios de comunicação e informação é parte indissociável dos direitos humanos. o compromisso firmado pelo Governo brasileiro com a Organização dos Estados Americanos – OEA. A promoção de acesso adequado às pessoas com deficiência ou com mobilidade reduzida. em especial as medidas previstas no Artigo III. de ter acesso à informação e à comunicação. Percebe-se que políticas desta natureza irão.048/00 e o Decreto nº 5. no contexto da Convenção Interamericana para Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra as Pessoas Portadoras de Deficiência. garantir cidadania e gerar mercado consumidor dentre as pessoas com deficiência. A questão da acessibilidade é fator estruturante de desenvolvimento do país. jovens. Ressalta-se. na construção e reforma de edifícios. de garantir patamares mais elevados de qualidade de vida.

Veja a seguir: 2. institui a tutela jurisdicional de interesses coletivos ou difusos dessas pessoas. define crimes.8 Decreto n°. de 24 de outubro de 1989. e dá outras providências. 5. que dispõe sobre a Política Nacional para a Integração da Pessoa com Deficiência. 2. 2. de 24 de outubro de 1989: Dispõe sobre o apoio às pessoas portadoras de deficiência. 2.686.213. de 10 de Dezembro de 1997: Autoriza o Poder Executivo a conceder apoio financeiro aos Municípios que instituírem programas de garantia de renda mínima associados a ações socioeducativas.533.5 Lei n°.9 Decreto n°.1 Lei nº 7. 9. 50 .956.6 Lei nº. de 20 de dezembro de 1999: Regulamenta a Lei n°.853. instituída pela lei 7070 de 20 de dezembro de 1982. 7853. 2.3 Lei n° 8. 9. disciplina a atuação do Ministério Público. 2.048. sobre a Coordenadoria Nacional para Integração da Pessoa Portadora de Deficiência (CORDE). de 20 junho de 1993: Dispõe sobre reajustamento da pensão especial aos deficientes físicos portadores de Talidomida.4 Lei n° 8. de 8 de outubro de 2001: Promulga a Convenção Interamericana para a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra as Pessoas Portadoras de Deficiência. 3. de 02 de dezembro de 2004: Regulamenta as Leis nºs 10.7 Decreto n° 3. 2. de 24 de março de 1988: Institui normas gerais sobre o desporto e dá outras providências. de 24 de julho de 1991: Dispõe sobre os Planos de Benefícios da Previdência Social e dá outras providências. e 10. consolida as normas de proteção e dá outras providências. Aula 2 – Legislações importantes relacionadas às pessoas com Deficiência O tema pessoas com deficiência reúne um conjunto de legislações bem amplo. de 8 de novembro de 2000 que dá prioridade de atendimento às pessoas que especifica.098.2 Lei nº 8. e dá outras providências. 2. de 20 de julho de 1993: Retira da incidência do Imposto de Renda benefícios percebidos por deficientes mentais.296.687. sua integração social. 2. de 19 de dezembro de 2000 que estabelece normas gerais e critérios básicos para a promoção da acessibilidade das pessoas portadoras de deficiência ou com mobilidade reduzida.298.615.

708.405. de 20 de dezembro de 1982.11 Decreto n°.10 Decreto n°.17 Lei Nº 12.14 Lei Nº 10. e dá outras providências.19 Lei Nº 12. de 13 de abril de 1943. que dispõe sobre a isenção do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) na aquisição de automóveis destinados ao transporte autônomo de passageiros e ao uso de pessoas com deficiência física. altera a Lei nº 7.845. de 12 de janeiro de 2001: Restaura a vigência da Lei nº.764. de 19 de dezembro de 2000. da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). de 19 de dezembro de 2005: Regulamenta o art. e altera o § 3º do art.12 Lei n°.394. 2.190. 2. 80 da Lei no 9. e 5. DE 8 DE MAIO DE 2012: Institui o Dia Nacional do Atleta Paraolímpico e dá outras providências. de 1º de maio de 1943.133. de 10 de setembro de 1973.626. 2. 10. de 3 de junho de 1941.261.20 Lei Nº 12. reduz o imposto de importação para os produtos que especifica e dá outras providências. DE 27 DE JUNHO DE 2005: Dispõe sobre o direito do portador de deficiência visual de ingressar e permanecer em ambientes de uso coletivo acompanhado de cão-guia.326. 5. 2.15 Lei Nº 11. 18 da Lei no 10. e das Leis nºs 5. aprovada pelo Decreto-Lei nº 5. DE 5 DE MARÇO DE 2004: Institui o Programa de Complementação ao Atendimento Educacional Especializado às Pessoas Portadoras de Deficiência. DE 14 DE JULHO DE 2005: Institui o Dia Nacional de Luta da Pessoa Portadora de Deficiência.126. que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional. de 11 de dezembro de 1990. e dá outras providências. 5.917.18 Lei Nº 12. de 24 de fevereiro de 1995. 2. DE 3 DE JANEIRO DE 2012: Institui as diretrizes da Política Nacional de Mobilidade Urbana. 2. de 24 de abril de 2002. DE 13 DE JANEIRO DE 2010: Concede indenização por dano moral às pessoas com deficiência física decorrente do uso da talidomida. 2.16 Lei Nº 11.098. 2. 51 .452. 2. que dispõe sobre a Língua Brasileira de Sinais – Libras. 98 da Lei nº 8. 2.622. 8989. de 22 de dezembro de 2005: Regulamenta a Lei no 10.13 Lei Nº 10. de 20 de dezembro de 1996.622. 2.070. e o art. e 6. de 14 de novembro de 1975.182.436. revoga dispositivos dos Decretos-Leis n°s 3. DE 27 DE DEZEMBRO DE 2012: Institui a Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista.112.587. e dá outras providências. DE 31 DE JULHO DE 2003: Institui o auxílio-reabilitação psicossocial para pacientes acometidos de transtornos mentais egressos de internações.

Estamos conscientes. reconheceu um instrumento que gera maior respeito aos Direitos Humanos. a Lei Brasileira de Inclusão (estatuto da pessoa com Deficiência): Institui a Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (Estatuto da Pessoa com Deficiência).949/2009. de maneira geral. 2. quando o fez. Aula 3 – Como melhorar o atendimento às pessoas com deficiência 3. guie-se pelas orientações a seguir: Procure: • Olhar diretamente para a pessoa ao dialogar com ela. o Brasil decidiu. 52 . no sentido mais amplo desse conceito.br/app/sites/default/files/publicacoes/ convencaopessoascomdeficiencia. A pena será aumentada de 1/3 até a metade se for praticado: a) durante a gravidez ou nos 3 meses posteriores ao parto.1 Orientações gerais Se você nunca atendeu ou auxiliou uma pessoa com deficiência.23 Lei 13. na comunicação e nos serviços. ela já orientou muita gente como você. • Ser atencioso e paciente. Com certeza.pdf 2. interessada em ajudá-la. de que hoje não é o limite individual que determina a deficiência. e. na informação. Após uma atuação de liderança em seu processo de elaboração. no transporte. 121 do CP estabelecendo causas de aumento de pena para o crime de feminicídio. Portanto. 2. A lei acrescentou ainda o § 7º ao art. nos termos previstos no Artigo 5º. o feminicídio: quando crime for praticado contra a mulher por razões da condição de sexo feminino.22 Lei 13. ratificá-la com equivalência de emenda constitucional. Fonte: Disponível em: http://www. Convenção sobre os Direitos da pessoa com deficiência: A Convenção da ONU sobre os Direitos da Pessoa com Deficiência foi incorporada à legislação brasileira em 2008. por exemplo. mas sim as barreiras existentes nos espaços. § 3º da Constituição brasileira. Nota A Convenção e seu Protocolo Facultativo são uma referência essencial para o País que queremos e já começamos a construir: um Brasil com acessibilidade. especialmente se ela tiver dificuldade de fala ou de audição.21 Decreto 6.pessoacomdeficiencia. b) contra pessoa menor de 14 anos.gov.146/2015. no meio físico. maior de 60 anos ou com deficiência.104 de 9 de março de 2015: A nova lei alterou o Código Penal para incluir mais uma modalidade de homicídio qualificado. c) na presença de ascendente ou descendente da vítima. fique tranquilo. soberanamente.

que é a língua oficial do surdo brasileiro regulamentada pelo Decreto n°. Faça sua parte. • Utilizar mais de uma forma de comunicação. como todo ser humano. procure se aperfeiçoar. Evite: • Ser apressado no diálogo. Por sua vez. possui habilidades. • Ajudar sem que seja pedido.2 Orientações específicas 3. via de regra. com ou sem prótese auditiva. • Ficar olhando de maneira fixa ou repetidamente para algo que lhe chame atenção na pessoa. Sua audição não é funcional na vida comum. busque por curso de LIBRAS em sua cidade. 5626. Assim. de 24 de abril de 2002.1 Diferença entre Pessoa com Deficiência Auditiva e Pessoa surda: Por vezes as pessoas cometem o equívoco de não diferenciar a pessoa surda da pessoa com deficiência auditiva ou hipoacústico. Lembre-se: • A pessoa atendida tem alguma deficiência. Outro equívoco que pode ser cometido é tratar toda pessoa surda como surda e muda. em substituição à audição e à fala. a audição. de 22 de dezembro de 2005 e pela Lei nº 10. Uma das definições que poderíamos adotar é a que coloca os surdos como pessoas que utilizam a comunicação espaço-visual como principal meio de conhecer o mundo. se utilizada a Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS). talentos e potencialidades em áreas específicas.436. é funcional. Uma deficiência não é necessariamente condicionante da outra. oferecendo soluções aos problemas apresentados e receba sugestões. como vimos na aula anterior. Se quiser mais informações sobre os Surdos e até mesmo sobre como solicitar um manual virtual de LIBRAS acesse o site do Instituto Nacional de Educação de Surdos. mas lembre-se de que a comunicação com o surdo será mais bem compreendida. • A pessoa atendida está exercendo sua independência. ainda que deficiente. Muitas pessoas surdas são usuárias da Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS). se necessário. Saber se comunicar em LIBRAS o torna um profissional mais bem preparado. 53 . mesmo que ela esteja acompanhada. mas. • Dirigir-se diretamente à pessoa com deficiência. Os procedimentos abaixo são comuns tanto para o hipoacústico quanto para o surdo. • Completar as frases ou falar pela pessoa que está sendo atendida. 3. Veja a seguir as orientações para atendimento para os tipos de deficiências mais facilmente encontradas. para o hipoacústico (deficiente auditivo). salvo em caso de acidente ou de a pessoa passar mal.2.

observe se a porta do “carona” não está ao lado de um buraco ou de uma poça d’água. mensagens de uma pessoa com deficiência auditiva. Ajuda na locomoção da pessoa cega: • cumprimente a pessoa e pergunte-lhe se quer ajuda. • conversar com outras pessoas. • ao transmitir. • Se possível utilize a LIBRAS. para melhor compreensão da demanda da pessoa.. informe-se. • exagerar na articulação das palavras. cuidando para não mudar repentinamente a forma de comunicação. repita o que ela disse na primeira pessoa do singular. atender telefone. Procurando entender: • Fique atento aos lábios. existe o curso de LIBRAS. certificando-se de que foi entendido. • ao descer do carro. da SENASP. Ao encaminhá-la para outros setores ou repartições.2 Pessoa com Deficiência Visual Entrar e sair do carro: • abrir a porta do carro utilizando o braço seguro pela pessoa cega (para que ela possa sentar-se). • utilizar gestos com as mãos que possam cobrir a boca ou rosto. por telefone e em tempo real..2. fale no seu tom e ritmo normais. 3. • utilize a escuta. de forma clara e objetiva. Lembre-se. quando necessário. movimentos e às expressões faciais e corporais da pessoa com quem o diálogo está sendo mantido. Fazendo-se entender: • Procure verificar se a pessoa atendida consegue se comunicar e tem condição de compreender o que foi dito. ou trabalhar no computador. • Repasse uma informação de cada vez. quando necessário. Evite: • iniciar o diálogo sem possuir a atenção visual da pessoa. • solicite. Nota Na Rede EAD. 54 . gestos. que seja repetida a frase ou faça o comunicado de outra forma. indique e oriente sobre as placas ou sinais visuais do ambiente.

3. Feito isso. entre na frente (ela irá continuar segurando seu braço). Evite • ficar aborrecido se a pessoa que está sendo atendida se distrai.3 Pessoa com Deficiência Mental: Procure: • repassar as informações. Subir e descer escada: • antes de subir ou descer uma escada. dê as orientações necessárias. avise se tem mão única. Você precisa saber • algumas dessas pessoas são capazes de ler e escrever. audição ou de visão. Caso você saia sem avisá-la. Chegando ao outro lado da rua. • encoste seu braço no braço dela (como cotovelo dobrado). parar. ela continuará falando como se você ainda estivesse ali. solicitações e/ou orientações de forma clara e utilizando exemplos concretos. fique normalmente. Abrir e fechar portas: • quando abrir uma porta verifique se há algum obstáculo à frente. se não for acompanhar a pessoa. 55 . • ao conduzi-la através de uma porta.2. • ao atravessar uma rua. Fique sempre um degrau acima da pessoa ao subir e um degrau abaixo dela ao descer. pergunte-lhe se necessita ainda de ajuda. assim como se existe faixa de proteção. Evite: • deixar a pessoa sozinha sem avisá-la de sua saída. prevenindo quando for virar. olhe se o elevador está disponível. pare e avise a pessoa conduzida. conforme o caso. Ao entrar e sair de elevadores: • ao entrar. • observe se ela está se sentando com segurança. as informações devem ser repassadas por escrito. Sentar numa cadeira: • aproxime a pessoa da cadeira de forma que ela possa tocá-la. Não interprete como falta de educação. subir ou descer escadas ou rampas. outras podem apresentar também dificuldade de memória. só vá embora depois de despedir se dela. Ela pode segurar perto do seu cotovelo.

23.6% das pessoas com deficiência. • No conjunto da população. as mulheres estavam em supremacia numérica em 2010.02/2013-CG da PMMG. Ao entrar e sair de escadas rolantes: • quando auxiliar uma pessoa em cadeira de rodas a subir ou descer de escadas. Neste módulo.2. você estudou que: • De acordo com a Convenção sobre os Direitos da Pessoa com Deficiência: ”Pessoas com deficiência são aquelas que têm impedimentos de longo prazo de natureza física. em interação com diversas barreiras.04. Nesse sentido. leia parte do capítulo do Manual Técnico Profissional n° 3.9 % da população brasileira. têm dado bons exemplos na elaboração de diretrizes para atendimento às pessoas com deficiência. consulte . para tirar e/ou guardar a cadeira de rodas etc. deve- se fomentar a criação de mecanismos internos. 190. seja compreensivo e cordial e vá em frente. A deficiência visual era a mais significativa. seguida da deficiência auditiva 5.a sobre a melhor forma de conduzi-la.7 milhões de pessoas das quais 45.10% e da deficiência mental ou intelectual. para entrar e sair do carro. Finalizando. Segundo o IBGE. intelectual ou sensorial.6 milhões com alguma deficiência. os quais.40%). podem obstruir sua participação plena e efetiva na sociedade em igualdades de condições com as demais pessoas. dentre elas a Polícia Militar de Minas Gerais. 3. para cada 100 mulheres na população brasileira existiam 96 homens. que possibilitem a capacitação dos policiais. Antes de terminar a aula. Importante! A construção de uma corresponsabilidade social nas políticas públicas de atendimento e tratamento digno para as pessoas com deficiência. Em segundo lugar a dificuldade de caminhar ou subir escadas incidia sobre 7% das pessoas com deficiência. perpassa também pela segurança pública. pergunte sempre à pessoa como você pode auxiliá-la.. também. mental. principalmente nas instituições policiais. em (1. acometendo 18.4 Pessoa com Deficiência Física Ao entrar e sair do carro: • pergunte se a pessoa precisa de ajuda.. Algumas polícias. tornando. a segurança pública mais acessível a este grupo. Siga o que aprendeu nesta aula. Não fique inibido em ajudar uma pessoa com necessidade por não saber como trata-la. 56 .” • Segundo o IBGE havia no Brasil em 2010. ou seja.

Qual é o número estimado de pessoas com deficiência no Brasil? b. fundamentalmente. Antes de terminar a aula.04. Quando sair de sua presença como você deve proceder? Situação 2 – Você irá ajudar um deficiente físico a entrar no carro. de acordo com o Programa de Ação Mundial para Pessoa Portadora de Deficiência da ONU. • As causas mais frequentes de deficiência identificadas nas áreas de maior carência estão ligadas. estar ligadas à prevenção. • As medidas governamentais destinadas a melhorar a situação das pessoas com deficiência devem. pergunte sempre à pessoa como você pode auxiliá-la. leia parte do capítulo do Manual Técnico Profissional n° 3. Como deve proceder? 57 . que trata sobre a forma correta de abordagem às pessoas com deficiência. às condições socioeconômicas do país. • Não fique inibido em ajudar uma pessoa com necessidade por não saber como tratá-la. Leia a situação a seguir e responda: Situação 1. • O tema pessoas com deficiência reúne um conjunto de legislações bem amplo.Você está conversando com uma pessoa com deficiência visual. têm dado bons exemplos na elaboração de diretrizes para atendimento às pessoas com deficiência.02/2013-CG da PMMG. Quais as duas regiões brasileiras que concentram maior número de pessoas com deficiência no Brasil? 2. Na aula 3 você poderá consultá-las. Siga o que aprendeu nesta aula. necessariamente. Exercícios 1. • Algumas polícias. dentre elas a Polícia Militar de Minas Gerais. seja compreensivo e cordial e vá em frente. que se refletem diretamente sobre a população mais vulnerável. reabilitação e equiparação de oportunidades. Responda as questões a seguir: a.

6 milhões de pessoas declararam apresentar algum grau de limitação. 58 . Orientação de Resposta: O IBGE 2010 apurou que 45. a. para tirar e/ou guardar a cadeira de rodas etc. b. Orientação de Resposta: Sudeste e Nordeste. Gabarito 1. 2. Orientação de Resposta: Deve avisá-la de que irá se retirar de sua presença. Situação 2. Situação 1. para que ela possa interromper o diálogo. para entrar e sair do carro. Orientação de Resposta: Pergunte se a pessoa precisa de ajuda.

leia o texto de Rubem Alves “. mãe. Depois reflita: como pai. • Identificar os principais órgãos de proteção à criança e ao adolescente. • Proceder de forma correta no atendimento à criança e ao adolescente. o que vem fazendo para ajudar a garantir esses direitos? Neste módulo você estudará sobre algumas questões relacionadas a crianças e adolescentes presentes na rotina dos profissionais da área de segurança pública.. Objetivos do módulo Ao final deste módulo. você deverá ser capaz de: • Definir criança e adolescente.O melhor de tudo são as crianças.”.. • Compreender a situação de crianças e adolescentes no Brasil.. Nele o renomado educador apresenta a Declaração dos Dez Direitos Naturais das Crianças.. responsável ou servidor da área de segurança pública. Estrutura do Módulo Este módulo é composto pelas seguintes aulas: • Aula 1 – Crianças e Adolescentes: definição dos termos • Aula 2 – Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) • Aula 3 – Violação dos Direitos Humanos em relação à Criança e ao Adolescente: dados sobre esta questão • Aula 4 – Atuação policial frente a casos de violação dos direitos da criança e do adolescente • Aula 5 – Legislações internacionais sobre o direito das crianças 59 . • Identificar os principais documentos nacionais e internacionais relativos à proteção dos direitos da criança e do adolescente. MÓDULO ATENDIMENTO POLICIAL A CRIANÇAS E 6 ADOLESCENTES Apresentação do Módulo Antes de iniciar o estudo desse módulo.

Criança e adolescente são sujeitos de direitos universalmente reconhecidos. Em seu artigo XXV. De acordo com esta doutrina. Aula 1 – Crianças e Adolescentes: definição dos termos 1. Conforme o Art. pelo Estado e pela sociedade. que reconhece em seu preâmbulo “A NECESSIDADE DE CUIDADOS E PROTEÇÃO ESPECIAIS. Você. Nesse sentido. a proteção da criança e do adolescente foi ampliada. à educação. exploração. além da DUDH.)” Importante! Em nível internacional. à dignidade. Até hoje este documento é considerado a principal norma de direitos humanos no mundo. que regulamentou o Artigo 227 da Constituição Federal. a Convenção sobre os Direitos da Criança (CDC).. as diretrizes desta Convenção foram implementadas pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). violência. No Brasil. de 13 de julho de 1990. à saúde. 227 da Constituição Federal: É dever da família. à profissionalização. com certeza. crueldade e opressão. O Governo brasileiro ratificou a referida Convenção em 24 de setembro de 1990 e ela entrou em vigor em 23 de outubro de 1990. passando a valer como norma aplicável no ordenamento jurídico brasileiro. vários outros direitos especiais provenientes de sua condição peculiar de seres em desenvolvimento devem ser assegurados pela família. à liberdade e à convivência familiar e comunitária. em 20 de novembro de 1989.1 Doutrina de proteção Integral A adoção definitiva da Doutrina Jurídica da Proteção Integral a partir da Constituição Federal de 1988 passou a representar um novo marco na proteção da criança e do adolescente. o direito à vida. e eles passaram a ser tratados como sujeitos de 60 . além de colocá-los a salvo de toda forma de negligência. já ouviu falar ou já leu a Declaração Universal dos Direitos Humanos (DUDH) de 1948 . por unanimidade. à cultura. a Assembleia Geral das Nações Unidas adotou. discriminação. crianças e adolescentes devem ser protegidos e seus direitos garantidos. à alimentação. com absoluta prioridade.. Através deste. da sociedade e do Estado assegurar à criança e ao adolescente. INCLUINDO A PROTEÇÃO JURÍDICA ADEQUADA PARA A CRIANÇA. ao lazer. consta que “a maternidade e a infância têm direito a cuidados e assistência especiais (. Não é suficiente que apenas os mesmos direitos humanos e liberdades de um adulto lhe sejam concedidos. ao respeito. além de terem reconhecidos os mesmos direitos dos adultos.” Tal Convenção foi ratificada por 192 países e é o instrumento de direitos humanos mais aceito na história universal.

O Artigo 87 do ECA traz as linhas de ação da política de atendimento.2 Política de atendimento e o sistema de garantia de direitos A política de atendimento é o conjunto de todas as ações realizadas para promover. na destinação de recursos e na prestação de socorro. o Estatuto da Criança e do Adolescente. adolescente como “aquele entre doze e dezoito anos de idade”. tem-se que crianças e adolescentes são: • prioridade absoluta na formulação de políticas.º definiu criança como: “Todo ser humano com menos de dezoito anos de idade. 227 da CF/88. a não ser que. a criança. em seu Artigo 2º. • sujeitos de direitos. do Estado ou da sociedade. aspecto que deve fundamentar ações e decisões no âmbito individual e coletivo. Conforme preceitua a Declaração dos Direitos da Criança. Importante! Como princípios norteadores do ECA. proteger ou resgatar os direitos das crianças e dos adolescentes. Aula 2 – Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) 2. em conformidade com a lei aplicável à criança. • a sociedade. necessitando de proteção integral e assistência prioritária.1 O ECA e seus princípios O ECA. • o Estado. 2. Lei Federal nº 8069. a maioridade seja alcançada antes”. em virtude de sua condição de pessoa em situação de desenvolvimento. • sujeito em condição de desenvolvimento. A CDC. resguardando-a de qualquer violação aos seus direitos fundamentais. em seu artigo 1. definiu criança como “a pessoa até doze anos de idade incompletos” e. a saber: 61 . como eram quando da vigência do Código de Menores de 1927 e 1979. sendo sancionado em 13 de julho de 1990. Tem-se como responsáveis pela execução: • a família. Seguindo o conceito da CDC.direitos e não mais como propriedade da família. originou-se a partir do art.

010. estaduais e municipais vinculados aos respectivos conselhos dos direitos da criança e do adolescente.integração operacional de órgãos do Judiciário. de 2009) Vigência As ações da política de atendimento devem ser orientadas pelas diretrizes do ECA. exploração.criação de conselhos municipais. com vista na sua rápida reintegração à família de origem ou. órgãos deliberativos e controladores das ações em todos os níveis.criação e manutenção de programas específicos. crianças e adolescentes desaparecidos. assegurada a participação popular paritária por meio de organizações representativas. IV .municipalização do atendimento.políticas e programas destinados a prevenir ou abreviar o período de afastamento do convívio familiar e a garantir o efetivo exercício do direito à convivência familiar de crianças e adolescentes. (Incluído pela Lei nº 12. para efeito de agilização do atendimento de crianças e de adolescentes inseridos em programas de acolhimento familiar ou institucional. 87. especificamente inter-racial. se tal solução se mostrar 62 . maus-tratos. Defensoria. VI . de 2009) Vigência VII . II . São linhas de ação da política de atendimento: I . preferencialmente em um mesmo local. em caráter supletivo. III . V . (Incluído pela Lei nº 12. responsável. observada a descentralização político-administrativa. Segurança Pública e Assistência Social. Ministério Público.políticas sociais básicas. crueldade e opressão. V . abuso.serviço de identificação e localização de pais.manutenção de fundos nacional. para efeito de agilização do atendimento inicial a adolescente a quem se atribua autoria de ato infracional. VI . Conselho Tutelar e encarregados da execução das políticas sociais básicas e de assistência social. a saber: Art. estaduais e municipais.integração operacional de órgãos do Judiciário.010. Art. de crianças maiores ou de adolescentes. Ministério Público. IV . para aqueles que deles necessitem. São diretrizes da política de atendimento: I . Defensoria.políticas e programas de assistência social.proteção jurídico-social por entidades de defesa dos direitos da criança e do adolescente. regando leis federal. 88.serviços especiais de prevenção e atendimento médico e psicossocial às vítimas de negligência.campanhas de estímulo ao acolhimento sob forma de guarda de crianças e adolescentes afastados do convívio familiar e à adoção. estaduais e nacional dos direitos da criança e do adolescente. com necessidades específicas de saúde ou com deficiências e de grupos de irmãos. III . II .

não jurisdicional. • atender quaisquer cidadãos que queiram denunciar. se ele está articulado com outros órgãos. encarregado pela sociedade de zelar pelo cumprimento dos direitos da criança e do adolescente”. Importante saber se o plantão do conselho é regulamentado. conforme a demanda existente. • estabelecer contatos. comprovadamente inviável. VII . 63 . pois algumas coisas são regidas por legislações municipais.mobilização da opinião pública no sentido da indispensável participação dos diversos segmentos da sociedade. previdência. • requisitar serviços públicos na área da saúde. trabalho. Importante! É Responsabilidade dos Conselhos a formulação das políticas públicas. Você sabe o que é e qual a função do Conselho Tutelar? De acordo com o ECA. São algumas atribuições do Conselho Tutelar. 28 desta Lei. caso seja necessário.Procure: • Localizar o Conselho Tutelar de seu município ou da sua regional e suas condições de funcionamento. e ter no conselheiro um parceiro para identificação e encaminhamento de casos de violação de direitos contra crianças e adolescentes. Praticando . se há estrutura boa para o trabalho. 2. Artigo 131. educação. • atender educadores e dirigentes de estabelecimentos de ensino em busca de alternativas para problemas cuja solução esteja além de suas possibilidades. mobilizar e realizar os encaminhamentos. discutir ou simplesmente informar-se sobre questões relacionados à infância e adolescência. “o Conselho Tutelar é um órgão permanente e autônomo. • atender pais ou responsáveis que necessitam de orientação. em quaisquer das modalidades previstas no art. conforme Artigo 136 do ECA: • Atender crianças e adolescentes com direitos ameaçados ou violados.3 Integração dos órgãos responsáveis pelo atendimento aos adolescentes em conflito com a lei. aconselhamento ou advertência. sua colocação em família substituta.

01. Orientações Gerais A Expressão: “menor infrator”. era usada na vigência do Código de Menores . • conhecer o Conselho dos Direitos de seu município. 2. Diretriz para Produção de Segurança da PMMG nº 3. • ter em mãos o Estatuto da Criança e do Adolescente. suas atribuições. “considera-se ato infracional a conduta descrita como crime ou contravenção penal”. Não havendo esta opção. a expressão tornou-se errônea. deverá ser encaminhado à delegacia local. ser-lhe-á aplicada medida especial de proteção como orientação. tratamento legal diferente dos réus imputáveis (maiores de dezoito anos).05/2010 e o Caderno Técnico. Importante! Criança e o adolescente não cometem crime e sim ato infracional.4 O ECA e a criança e adolescente em conflito com a lei A exemplo de outras polícias estaduais.CG). Recebem. A criança acusada de ato infracional deverá ser encaminhada à presença do Conselho Tutelar. deverá ser encaminhada aos pais ou responsável legal. do ECA.Profissional 3. • conhecer mais sobre a Doutrina de Proteção Integral. frequência obrigatória a ensino fundamental. frentes de defesa. As duas publicações que trazem em seus capítulos. que aplicará medida protetiva direcionada a ela ou aos seus pais ou responsáveis legais. orientações sobre a atuação policial frente a crianças e adolescentes. acompanhar seu trabalho. • participar de grupos de discussão existentes no seu município: fóruns dos direitos. Já o adolescente em caso de flagrante de ato infracional será levado à autoridade policial especializada. como você estudará a seguir: 1. Após a promulgação do ECA. a quem cabe a responsabilização.04. entre outras medidas. sendo o registro junto ao Juizado da Infância e da Juventude. Segundo o Artigo 103. e não podendo.02. as prioridades e ações. apoio e acompanhamento temporário. Não havendo disponibilidade de nenhum dos dois. A forma correta de se referir a uma criança ou adolescente que comete um ato infracional é: criança ou adolescente em conflito com a lei ou adolescente infrator. requisição de tratamento médico e psicológico. ficando separado dos 64 . serem condenados a nenhuma pena. a Polícia Militar de Minas Gerais possui em seu arcabouço de normas. portanto. Se efetivamente praticou ato infracional. que trata da atuação policial segundo a filosofia de Direitos Humanos e abordagem a pessoas. que dará recibo no Boletim. São inimputáveis todos os menores de dezoito anos. consequentemente.

o adolescente será imediatamente conduzido à presença do promotor de justiça. II – obrigação de reparar o dano. I a VI. 101. de imediato. III – prestação de serviços à comunidade. sem caráter de apenação. que poderá promover o arquivamento da denúncia. IV . Medidas aplicadas aos adolescentes O adolescente que cometer ato infracional estará sujeito às seguintes medidas socioeducativas. em qualquer das hipóteses. e não preso. É ilegal a apreensão do adolescente para averiguação. conforme Artigo 112 do ECA: I – advertência.liberdade assistida. Os adolescentes não são igualados a réus ou indiciados. nem são condenados a nenhuma pena (reclusão e detenção). O adolescente tem direito à identificação dos responsáveis pela sua apreensão. 178 do ECA . Fica apreendido. conceder remissão-perdão ou representar ao juiz para aplicação de medida socioeducativa. a autoridade policial deverá comunicar aos responsáveis pelo adolescente. A apreensão somente ocorrerá quando for em flagrante ou por ordem judicial. Caso a detenção seja justificada como imprescindível à investigações e manutenção da ordem pública. como o de permanecer calado. 65 . VII – qualquer uma das previstas no art. 3. Importante! Art. ser acompanhado pelos pais ou responsáveis. e. será comunicada. 2. assim como informá-lo de seus direitos. Recebem medidas socioeducativas.adultos. ao juiz competente. devendo ser informado acerca de seus direitos.O adolescente apreendido pela prática de ato infracional não poderá ser conduzido ou transportado em compartimento fechado de veículo policial. em condições atentatórias à sua dignidade. como ocorre com os maiores de dezoito anos. ou que impliquem risco à sua integridade física ou mental. bem como à família do adolescente. VI . V – inserção em regime de semiliberdade.internação em estabelecimento educacional. Apreensão do adolescente infrator A autoridade policial deverá averiguar a possibilidade de liberar imediatamente o adolescente. sob pena de responsabilidade. ter advogado. Após a apreensão.

saúde. ao desemprego e à miséria. incluindo alimentação. com 27. Por fim. Outros 3 milhões de meninos e meninas trabalhavam e estudavam.9% do total. Muitas vezes. que trabalha em vez de estarem na escola. que já chega a 60 milhões de crianças. como desnutrição e até mesmo fome. 3.1 Criança e adolescente em situação de risco O Brasil. no que diz respeito a problemas relacionados à fome. conforme Bondaruk (2005. segundo o IBGE. Crianças que estão nas ruas pedindo esmolas. educação e informação. São crianças e adolescentes que vivem em situações difíceis. Esse número representa 10% da população infantil do Brasil. 66 . A pesquisa ainda mostra que 15% das crianças brasileiras vivem sem condições sanitárias básicas. roubando ou matando. As áreas rurais do Brasil concentram a maioria das crianças carentes.19): Severa degradação das condições humanas básicas. Você. do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE. já presenciou ou já ficou sabendo de vários fatos envolvendo crianças e adolescentes. Veja o mapa a seguir e entenda melhor a radiografia do trabalho infantil no Brasil. sendo exploradas sexualmente. p.1 milhões de jovens (86. Nas áreas urbanas. esse número representa 4.2 Criança e adolescente em trabalho infantil Segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) de 2008-2011. fazendo malabarismos e até mesmo furtando. A maior parte das crianças e adolescentes brasileiros. Para que possa compreender melhor esta questão. Mais de 1. ocupa lugar de destaque. consideradas de absoluta pobreza. habitação. violentadas.5% delas vivendo em absoluta pobreza. Aula 3 – Violação dos Direitos Humanos em relação à criança e ao adolescente. que vivem quase 6 milhões de crianças brasileiras. trabalham.3% da população infantil. veja alguns dados estatísticos sobre algumas situações relacionadas a violações de direitos humanos: 3. condições sanitárias. 3. 721 mil crianças só trabalhavam. o que corresponde a 6.3 milhão sofre com problemas alimentares no Brasil. água limpa. com certeza.9%) entre 5 e 17 anos na escola. segundo pesquisa publicada recentemente pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância. o Unicef. de 5 a 17 anos de idade. essas crianças e adolescentes são exploradas até mesmo no espaço doméstico. São nessas condições.7 milhões de crianças e adolescentes na faixa. apenas estudava: são 37.

Conforme Silva (2002). morreram 211. 67 .918 crianças e adolescentes por acidentes e violências (causas externas). padrastos ou parentes”. apud Maria Luiza e Mônica Barcellos (2006. 33.3 Violência contra crianças e adolescentes Segundo Minayo (2004).203 crianças nas idades de 0 a 9 anos. diariamente.512 púberes de 10 a 14 anos e 119. sendo 59. p. p. “três entre dez crianças de zero a doze anos sofrem.04). no Brasil: No período de 1990 a 2000. algum tipo de maus-tratos dentro da própria casa. 05). perpetrados por pais.203 adolescentes de 15 a 19 anos. segundo dados do Ministério da Saúde. apud Maria Luiza e Mônica Barcellos (2006. Figura 1 – Mapa do trabalho infantil Fonte: IBGE 3.

O número do crescimento social do Brasil. A violência física pode deixar ou não marcas evidentes e nos casos extremos pode causar a morte. 68 . Normalmente.mppr.mp.  Negligência.4 Tipos mais comuns de violência contra crianças e adolescentes Como mostra a figura 2. (http://www.  Violência psicológica.  Síndrome de Münchausen por Transferência. as formas de violência às quais crianças e adolescentes podem ser submetidos são classificadas em:  Violência física. por um agente agressor adulto (ou mais velho que a criança ou o adolescente). não-acidental. esses agentes são os próprios pais ou responsáveis que muitas vezes machucam a criança ou adolescente sem a intenção de fazê-lo.pdf) Vamos conhecer um pouco sobre cada uma destas formas de violência? Violência Física Uso da força física de forma intencional. Figura 2 – Tipos de violências Fonte: Cartilha: Disque 100. e  bullying.br/arquivos/File/publi/pair/cartilha_disque_100.  Violência sexual. 3.crianca.

obriga outra pessoa à realização de práticas sexuais contra a vontade. vídeo. em situação de poder. os utilizamos para atender a necessidades dos adultos. Mas esse tipo de exploração sexual também pode ocorrer sem intermediários. distribuição. • Turismo com motivação sexual: 
é a exploração sexual de crianças e adolescentes por visitantes de países estrangeiros ou turistas do próprio país. Essa violência pode se manifestar dentro do ambiente doméstico (intrafamiliar) ou fora dele (extrafamiliar). ou mesmo. publicação ou divulgação de materiais pornográficos (fotografia. posse. agenciadores. aquisição. • Pornografia infantil: 
é a produção. por meio da força física. A violência sexual se apresenta de duas formas: abuso sexual e exploração sexual O abuso sexual é a utilização da sexualidade de uma criança ou adolescente para a prática de qualquer ato de natureza sexual. censurar e pressionar a criança de modo permanente.) envolvendo crianças e adolescentes. aterrorizamos. Violência Psicológica Conjunto de atitudes. sedução) ou do uso de armas ou drogas. (Fonte: http://www. exposição. reprodução. venda. comercialização. Ela ocorre quando xingamos. e que participa do seu convívio. normalmente com o envolvimento.crianca. rejeitamos. filme etc. saída ou deslocamento no território nacional ou para outro país de crianças e adolescentes com o objetivo de exercerem a prostituição ou outra forma de exploração sexual. cumplicidade ou omissão de estabelecimentos comerciais de diversos tipos. exigimos demais das crianças e dos adolescentes. Trata-se de toda ação na qual uma pessoa. A pornografia também pode ocorrer por meio da Internet.mppr. aliciamento. seja pela força ou outra forma de coerção. A exploração sexual ocorre de quatro formas: 
 • Exploração sexual no contexto da prostituição: 
é o contexto mais comercial da exploração sexual. objetos de valor ou outros elementos de troca. da influência psicológica (intimidação. 
 • Tráfico para fins de exploração sexual: 
é a promoção ou facilitação da entrada. isolamos. ou ao seu desenvolvimento psicossexual.mp. palavras e ações para envergonhar.pdf) 69 . facilitadores e demais pessoas que se beneficiam financeiramente da exploração sexual. normalmente envolvendo rede de aliciadores. ao envolver crianças e adolescentes em atividades sexuais impróprias à sua idade cronológica.br/arquivos/File/publi/pair/cartilha_disque_100. A exploração sexual 
É a utilização de crianças e adolescentes para fins sexuais mediada por lucro. 
O Abuso Sexual é geralmente praticado por uma pessoa com quem a criança ou adolescente possui uma relação de confiança. desenho. Violência Sexual É uma violação dos direitos sexuais porque abusa do corpo e da sexualidade.

emocional e social. que ocorrem sem motivações evidentes. e executa. intencionais e repetidas. ausência de proteção contra as condições adversas do meio ambiente (como frio ou calor). além de provocar danos psicológicos pelas multiplicações de consultas e internações sem motivo. Outros estudiosos sugerem a comparação dos tratos dispensados a cada filho. Devido à situação de miséria e de extrema pobreza em que muitas famílias vivem no Brasil. por exemplo) e o desequilíbrio de poder são as características essenciais. é necessária a notificação e a tomada de decisão a favor da proteção da criança ou adolescente que está sofrendo a situação de desamparo. buscando identificar algum tratamento especialmente desigual. No entanto. Pode ser definida como a situação na qual a criança ou adolescente é trazido para receber cuidados médicos devido a sintomas e/ou sinais inventados ou provocados por seus pais (frequentemente a mãe) ou responsáveis. praticada particularmente nas escolas e incrementada pelos meios virtuais de comunicação. grande parte delas chefiada por mulheres que precisam trabalhar fora de casa para garantir a sobrevivência dos filhos. principalmente por meio das redes sociais. que tornam possível a 70 . como a exigência de exames complementares desnecessários.das dentro de uma relação desigual de poder. não provimento de estímulos e de condições para a frequência a escola. a identificação da negligência frequentemente é um ato de difícil discernimento. Síndrome de Münchausen por Transferência É outra forma de violência para a qual os profissionais da saúde devem estar atentos. o uso de medicamentos ou ingestão forçada de substâncias. Esta prática impõe sofrimentos físicos ao paciente. Negligência É o ato de omissão do responsável pela criança ou adolescente em prover as necessidades básicas para o seu desenvolvimento físico. Alguns autores indicam que uma boa referência é comparar os recursos que aquela família dispõe para suas crianças com os recursos oferecidos por outras famílias de mesmo nível social. Pode caracterizar-se pela omissão de cuidados básicos como a privação de medicamentos. independente da culpabilidade dos pais ou responsáveis pelos cuidados com os filhos. adotadas por um ou mais adolescentes contra outro(s). O termo bullying compreende todas as formas de atitudes agressivas. falta de atendimento aos cuidados necessários com a saúde. Portanto. os atos repetidos entre iguais (estudantes. Tal dificuldade aumenta quando o profissional ou a equipe de saúde depara-se com o questionamento da existência de intencionalidade numa situação objetiva de negligência. Bullying É uma forma de violência que está sendo percebida com maior intensidade entre adolescentes. causando dor e angústia. descuido com a higiene. como a internet. O abandono é considerado como a forma extrema de negligência.

I a VII. Como você agiria nesta situação? O que diz o Estatuto? O art. ou Disque 100. vinculado ao Programa Nacional de Enfrentamento da Violência Sexual contra Crianças e Adolescentes..pdf ) Saiba mais. Em contato com a criança ela diz que está perdida e que é do interior e você não consegue nenhum contato com os familiares dela.sp. a sugestões de atendimento a crianças e adolescentes em casos de violação de seus direitos. Situação prática 1 .crianca. da SPDCA/SDH. gays. já deve ter sido acionado ou deparado com inúmeros casos de violência praticada contra crianças e adolescentes. 136. como crianças e adolescentes. A Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SDH/PR) fez mudanças no Disque 100 que atendia exclusivamente denúncias de abuso e exploração sexual contra crianças e adolescentes.br/cidade/secretarias/upload/saude/arquivos/crianca/Adolescente. 71 . omissão ou abuso dos pais ou responsável e em razão de sua conduta.gov. travestis e transexuais). pessoas com deficiência e população LGBTT (lésbicas. por meio de algumas situações.Crianças e adolescentes em situação de risco Você está trabalhando no centro de sua cidade. especialmente os Grupos Sociais Vulneráveis. é um serviço de proteção de crianças e adolescentes com foco em violência sexual. O Disque Direitos Humanos. A seguir. O serviço foi ampliado. passou a acolher denúncias que envolvam violações de direitos de toda a população. É atribuição do Conselho Tutelar. Trata-se de um canal de comunicação da sociedade civil com o poder público. bissexuais.mppr.br/modules/conteudo/conteudo. atender as crianças e adolescentes sempre que os direitos reconhecidos no referido estatuto forem ameaçados ou violados por ação ou omissão da sociedade ou do Estado. em um local movimentado e é solicitado por um cidadão que relata que uma criança está perdida próximo ao ponto de ônibus.. você terá acesso. idosos.mp. aplicando as medidas de proteção previstas no art.intimidação da vítima. 136 do Estatuto da Criança e do Adolescente prevê: Art. por falta. Fonte: http://www.php?conteudo=3 Aula 4 – Atuação policial frente a casos de violação dos direitos da criança e do adolescente Você. em sua labuta operacional ou administrativa. 101. bem como orientar a elaboração de políticas públicas. (Fonte: http://www. pessoas em situação de rua.prefeitura. que possibilita conhecer e avaliar a dimensão da violência contra os direitos humanos e o sistema de proteção.

Sugestão de atendimento:
Neste caso, a criança deve ser encaminhada ao Conselho Tutelar para que sejam tomadas as
providências previstas no art. 101 do ECA.

Situação Prática 2 - Crianças e adolescentes em trabalho infantil
Imagine que você está de serviço próximo a um local onde funciona uma serralheria e uma pessoa lhe
aborda e relata a seguinte situação: uma criança de 12 anos está trabalhando no local, pois o pai ganha pouco
e o seu filho tem de ajudar em casa. Como você, como profissional operador de segurança pública, agiria nesta
situação?

O que diz a Doutrina de Proteção Integral
A Constituição Federal diz ainda sobre a Doutrina da Proteção Integral, explica em seu Artigo 227,
conforme citado na introdução desta aula, que o ECA reforça tais direitos em seus artigos 3º, 4º e 5º.

Art. 3º. A criança e o adolescente gozam de todos os direitos fundamentais inerentes
à pessoa humana, sem prejuízo da proteção integral de que trata esta lei,
assegurando-lhes, por lei ou por outros meios, todas as oportunidades e facilidades,
a fim de lhes facultar o desenvolvimento físico, mental, moral, espiritual e social, em
condições de liberdade e de dignidade.
Art. 4º. É dever da família, da comunidade, da sociedade em geral e do poder público
assegurar, com absoluta prioridade, a efetivação dos direitos referentes à vida, à
saúde, à alimentação, à educação, ao esporte, ao lazer, à profissionalização, à cultura,
à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária.
Art. 5º. Nenhuma criança ou adolescente será objeto de qualquer forma de
negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão, punido na
forma da lei qualquer atentado, por ação ou omissão, aos seus direitos
fundamentais.

Importante!
A Doutrina de Proteção Integral assegura os seguintes direitos da criança e do adolescente:
• Relacionados à sobrevivência (vida, saúde).
• Relacionados ao desenvolvimento social (educação, lazer, profissionalização, convivência familiar e
comunitária).
• Relacionados à integridade física, moral e psicológica (respeito, dignidade, liberdade).

72

O que diz a Lei?
A Constituição Federal de 1988, em seu Artigo 7º, inciso XXXIII, com nova redação dada pela Emenda
Constitucional nº 20, de 16/12/1998, prevê a “proibição de trabalho noturno, perigoso ou insalubre a menores
de dezoito e de qualquer trabalho a menores de dezesseis anos, salvo na condição de aprendiz, a partir de
quatorze anos.”

Importante!
ECA, Artigo 60, 65 e 67 e Lei nº 10.097/00 – Estes artigos falam sobre o direito à
profissionalização e à proteção no trabalho dos adolescentes.

Sugestão de atendimento:
Você deve tomar alguns cuidados, sendo um deles o de procurar verificar a veracidade do fato que lhe
foi repassado. Caso haja realmente suspeita de trabalho infantil faz-se necessária a lavratura de um Boletim de
Ocorrência com destino a um dos órgãos abaixo, que tomará as providências necessárias:
- Ministério Público do Trabalho.
- Ministério do Trabalho – Delegacia Regional do Trabalho.
- Ministério Público do Estado – Promotoria Pública.
- Conselhos Estaduais dos Direitos da Criança e do Adolescente.
- Conselho Tutelar.
- Rede sócio assistencial, CRAS ou CREAS.

Situação Prática 3 - Violência contra crianças e adolescentes

A situação que é abordada aqui está relacionada a violência doméstica e sexual contra criança e
adolescente (ver texto complementar “Violência Doméstica contra Crianças e Adolescentes”).
Você trabalha próximo a uma escola e em um determinado dia a diretora lhe chama, tendo em vista
que suspeita de que uma aluna de 08 anos foi violentada sexualmente por seu padrasto. A suspeita da diretora
se deu após ela ter estabelecido um clima de confiança, o que viabilizou o relato. Como você, profissional
operador de segurança pública, agiria neste caso?

O que diz a Constituição Federal, Código Penal e o ECA?
A Constituição Federal prevê em seu artigo 227, parágrafo 4º, que “a lei punirá severamente o abuso, a
violência e a exploração sexual da criança e do adolescente”.

A Lei nº 12.015/ 2009 (Crimes contra a Dignidade Sexual) trouxe a seguinte modificação no Código
Penal:

Estupro de vulnerável ( Artigo 217- A do Código Penal).
O estupro de vulnerável é a prática de relações sexuais ou ato libidinoso com menor
de 14 anos ou com pessoa que, por enfermidade ou deficiência mental, não tem o
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necessário discernimento para a prática do ato, ou que, por qualquer outra causa, não
pode oferecer resistência. A pena é de 8 a 15 anos de reclusão, podendo variar de 10
a 20 anos no caso de lesão corporal grave ou de 12 a 30 anos se resultar na morte da
vítima. A prática do delito independe do consentimento da vítima, e a ação penal é
pública incondicionada. (Neste caso, o Artigo 224 foi revogado, pela Lei nº 12.015, e
a presunção de violência se tornou um tipo penal autônomo, descrito no Artigo 217-
A)

Pela nova Lei nº 12.015/09, quem praticar ato libidinoso ou relações sexuais com menor de 18 anos e
maior de 14 anos, mesmo que essa pessoa já tenha se corrompido por meio da prostituição, incorre na mesma
pena de quem: “submeter, induzir ou atrair à prostituição ou outra forma de exploração sexual alguém menor
de 18 (dezoito) anos ou que, por enfermidade ou deficiência mental, não tem o necessário discernimento para
a prática do ato, facilitá-la, impedir ou dificultar que a abandone”. A pena e varia de 04 a 10 anos de reclusão.
(Art. 218 – B § 2º inciso I).
Outra questão legal a ser observada é a que foi trazida pela Lei nº 13.104/15. A nova Lei alterou o
Código Penal para incluir mais uma modalidade de homicídio qualificado, o feminicídio: o que ocorre quando
o crime for praticado contra a mulher por razões da condição de sexo feminino.

O § 2º-A foi acrescentado como norma explicativa do termo "razões da condição de sexo feminino",
esclarecendo que ocorrerá em duas hipóteses: a) violência doméstica e familiar; b) menosprezo ou discriminação
à condição de mulher; A Lei acrescentou ainda o § 7º ao Artigo 121 do CP estabelecendo causas de aumento de
pena para o crime de feminicídio. Assim a pena será aumentada de 1/3 até a metade se for praticado: a) durante
a gravidez ou nos 3 meses posteriores ao parto; b) contra pessoa menor de 14 anos, maior de 60 anos ou com
deficiência; c) na presença de ascendente ou descendente da vítima.

Sugestão de atendimento:
Você não pode esquecer que o caso citado é considerado crime. Nesse sentido, é necessário procurar
obter o maior número de informações possíveis, como vimos a violência sexual é traumática e por isso mesmo,
a condução da ocorrência deve ser revestida de cuidados conforme o tipo de abuso sofrido, a saber: violência
sexual aguda (episódio único) e violência sexual crônica (episódios repetitivos). A primeira forma, na maioria das
vezes, demanda atendimento médico imediato, em caráter de urgência; enquanto que a segunda tende a exigir,
além do atendimento inicial, intervenção mais aprofundada por parte de uma equipe multidisciplinar ( psicóloga,
pediatra, hebiatra, assistente social, entre outros profissionais), em caráter ambulatorial
Fonte: http://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/upload/saude/arquivos/crianca/Adolescente
.pdf
Importante!
A criança ou adolescente deve ser mantida protegida, sem risco de revitimização.

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A primeira providência a ser tomada nos casos de suspeita ou confirmação de quaisquer tipos de maus-
tratos contra crianças e/ou adolescentes (entre eles, a violência sexual), é a notificação do fato ao Conselho
Tutelar. O ECA estabelece que é obrigatório comunicar ao Conselho Tutelar todos os casos de suspeita e de
maus-tratos contra crianças ou adolescentes – Art. 13 do ECA. A finalidade é promover cuidados voltados para
a proteção da criança e do adolescente, vítimas de violação de seus direitos fundamentais.

O ato da notificação inicia um processo que visa interromper as atitudes e comportamentos violentos,
no âmbito da família e/ou por parte de qualquer agressor.

Importante!
Quando não houver Conselho Tutelar, suas funções serão exercidas pela autoridade judiciária,
conforme previsto no art. 262 do ECA.

É necessária uma atuação conjunta entre os órgãos, Polícia, Conselhos, Ministério Público, serviços de
assistência social, saúde, Delegacia Especializada, dentre outros, para que hajam os encaminhamentos
necessários, a fim de garantir os direitos fundamentais da criança ou adolescente. O fato deve ser lavrado em
Boletim de Ocorrência, tendo em vista que é crime, e encaminhada à Delegacia Especializada de Proteção à
Criança e ao Adolescente. Caso não haja um unidade na localidade, deve-se encaminhar à Delegacia local.
O cuidado institucional e profissional é um direito que a criança e o adolescente têm. Para o
profissional, prover a assistência e notificar são deveres.
Faz-se necessário que, você, como operador de segurança pública, saiba que situações agudas de
violência sexual (ocorridas num prazo igual ou inferior a 72 horas), devem ser imediatamente encaminhadas a
um hospital de referência para esse tipo de atendimento. Neles, a vítima recebe atendimento médico e
psicossocial especializados, medicação preventiva de doenças sexualmente transmissíveis (DST) e outras
orientações.

Praticando
Procure saber:
• Quais hospitais em seu município são considerados de referência para esse tipo de atendimento?
• Informe-se: o número do disque denúncia de violência sexual contra crianças e adolescentes é o
100.

Aula 5 – Legislações internacionais sobre o direito das crianças

Agora que você estudou sobre os direitos da criança e do adolescente procure pesquisar mais sobre o
assunto visitando os sites a seguir e leia as legislações internacionais sobre os direitos da criança e do
adolescente.

• Diretrizes das Nações Unidas para Prevenção da Delinquência Juvenil – Diretrizes de RIAD,
(1988) Dispõe sobre a prevenção do delito e tratamento do delinquente.

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“considera-se ato infracional a conduta descrita como crime ou contravenção penal”. • Regras Mínimas das Nações Unidas para a Administração da Justiça de Menores – Regras de Beijing . Segundo o Artigo 103. não jurisdicional. Síndrome de Münchausen por Transferência. • Declaração de Direitos da Criança – Res. e bullying. por circunstâncias várias. 1386 da Assembleia Geral. e não podendo. Exercícios 1. portanto.  As formas de violência às quais crianças e adolescentes podem ser submetidos são classificadas em: violência física. Dispõe sobre a defesa dos direitos das crianças e adolescentes que. de 20 de novembro de 1959.  De acordo com o ECA. Lei Federal nº 8069.  Criança e o adolescente não cometem crime e sim ato infracional. a quem cabe a responsabilização.  São inimputáveis todos os menores de dezoito anos.  A política de atendimento é o conjunto de todas as ações realizadas para promover. 76 .  A criança ou adolescente deve ser mantida protegida. tratamento legal diferente dos réus imputáveis (maiores de dezoito anos). além de terem reconhecidos os mesmos direitos dos adultos. violência psicológica. você estudou que:  A adoção definitiva da Doutrina Jurídica da Proteção Integral a partir da Constituição Federal de 1988 passou a representar um novo marco na proteção da criança e do adolescente. Artigo 131. Responda as questões a seguir: a) Qual a diferença entre abuso sexual e exploração sexual? b) Defina corretamente criança e adolescente segundo o ECA. sendo sancionado em 13 de julho de 1990. sem risco de revitimização. Resolução 40/33. tornam-se alvo da ação da justiça. do ECA. serem condenados a nenhuma pena. proteger ou resgatar os direitos das crianças e dos adolescentes. crianças e adolescentes devem ser protegidos e seus direitos garantidos. Finalizando Neste módulo. violência sexual. negligência.  O ECA. de 29 de novembro de 1985. Recebem. De acordo com esta doutrina. encarregado pela sociedade de zelar pelo cumprimento dos direitos da criança e do adolescente”. Adotadas pela Assembleia Geral da ONU. “o Conselho Tutelar é um órgão permanente e autônomo. originou-se a partir do art. consequentemente. 227 da CF/88.

em que estariam enquadrados este caso? 77 . um fato no mínimo inusitado. também criança. que atirou uma pedra em sua vizinha. c) Os jornais noticiaram recentemente. Faça uma análise deste caso e se possível cite os dispositivos do ECA. Uma criança de quatro anos. foi detida por policias e levada até uma delegacia.

Gabarito 1. pelas circunstâncias do fato. esclarecer que o fato não teve gravidade e foi resultado de uma brincadeira entre duas crianças. Assim bastaria aos policiais conversarem com os pais de ambas as crianças e resolverem tudo de forma amistosa. c. aquele entre doze e dezoito anos de idade. Embora a situação de exploração envolva o abuso sexual. No entanto. 2º. adolescente. Segundo o ECA. b. o socorro a mesma deveria ser acionado. 105 e 101 do ECA) como já vimos anteriormente. onde os envolvidos desconheciam totalmente os procedimentos a serem adotados neste caso. caso houvesse ferimento na criança ofendida pela pedra. Orientação de resposta: a. definiu criança como a pessoa até doze anos de idade incompletos e. em caso de ato infracional cometido por crianças. ou seja. O fato em questão se trata de uma ação policial. sem causar impacto às crianças envolvidas. em seu art. só cabem medidas de proteção. não cabe nem mesmo medidas protetivas. Uma criança de quatro anos ainda não tem noção do que está fazendo. no caso em tela. quando falamos na exploração estamos nos referindo àquele tipo de violência que possui fins comerciais e tem como intermediário o aliciador – pessoa que lucra com a venda do sexo com meninos e meninas. já que o fato poderia ter sido esclarecido e resolvido no próprio local. (Art. 78 . O Estatuto da Criança e do Adolescente.

E bom trabalho! 79 . Tenha sempre em mente que saber respeitar os grupos vulneráveis é sobre tudo um gesto de humanidade. Você pode perceber que as pessoas que fazem parte destes grupos. Concluindo o Curso Neste curso entramos no universo dos grupos vulneráveis. são uma parcela significativa da população brasileira que sofre com preconceito social e. lidando com elas de forma mais adequada e dando as devidas orientações quando necessário. Dentro desta nova visão. você terá agora condições de ajudar muito mais estas pessoas. Você estudou sobre como lidar com cada grupo em específico e atender a suas necessidades básicas. muitas. é um indicativo de evolução para a segurança pública no Brasil. Conquistar a confiança e o reconhecimento destes grupos. não perca tempo! Comece hoje mesmo a colocar em prática o que aprendeu aqui. com a falta de políticas públicas voltadas para a melhoria da sua qualidade. Por isto.

Constituição da República Federativa do. • CERQUEIRA. Graduanda do curso de Direito da Universidade Católica de Goiás.34. Coordenadoria Nacional de Combate à exploração do Trabalho da Criança e do Adolescente: Trabalhar só depois que crescer. Lei nº 9. Caderno de Formação Para o Enfrentamento da Violência Sexual Contra Crianças e Adolescentes. • BRASIL. Curitiba: Editora Universitária Champagnat. • BRASÍLIA. Ministério Público do Trabalho.acesso em 14/04/2008 • BRASIL. 355-370: A eficácia das ações do poder público na erradicação do trabalho infantil. Lei nº 11. Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome. • BRITO. 3ª Edição. Segrac. • MEDRADO. Líliam Campos. de 1º. • DUTRA. Bendito. Mariana Coelho.455. Conjunto De Princípios Para a Proteção de Todas as Pessoas Sujeitas a Qualquer Forma de Detenção ou Prisão (Resolução nº 43/173. • BRASIL. Programa de Erradicação do Trabalho Infantil (PETI). 2006. Brasília: AGENDE.898. Disponível em: http://www.legis. 2004. Lei nº 8. • BONDARUK. Carlos Magno Nazareth. • OLIVEIRA. Pelo fim da violência Contra as mulheres – Um Compromisso Também Para os Homens.senado. Belo Horizonte. Construindo a Fábrica Social. Cartilha infância é para brincar e aprender. Código De Conduta Para Os Funcionários Responsáveis Pela Aplicação da Lei. O império das casas abandonadas: crianças e adolescentes “de rua” e a polícia. Polícia e Gênero. Declaração Universal dos Direitos Humanos (1948). 17 de Dezembro de 1979. 80 . de 7 de agosto de 2006.340. 1988). CAFÉ. • BRASIL.741. p. Cria mecanismos para coibir a violência doméstica e familiar contra a mulher. 2008. Brasília.br/con1988. De outubro de 2003 – Estatutos do Idoso • BRASÍLIA. de 09 de dezembro de 1965. • BRASIL. Belo Horizonte: 2007 – 1ª Edição. • CONANDA/Secretaria Especial dos Direitos Humanos. • FIGUEIREDO.069. • BRASIL. Brasília. PEDROSA. Maria Luiza Moura. Estatuto da Criança e do Adolescente.gov. 2005. Goiânia: 2007. Referências Bibliográficas • AMAS. • ONU. 2005. Rio de Janeiro: Editora Freitas Bastos. Roberson Luiz. Cartilha o ECA vai à escola. CARTILHA VIOLÊNCIA DOMÉSTICA: CONHECENDO PARA PROTEGER E PREVENIR. Mônica Barcellos. de 13 de julho de 1990. Maria Lúcia Gomes. 2006. 2007. Cláudio.htm . Goiânia: 2006. de 07 de abril de 1997. • ONU. v. Lei nº 10. Gladston de Andrade e COSTA. Lei n º 4. • ONU. Belo Horizonte: CEDCA. 2001. ONU.

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