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7.1.

3 Meio Antrópico

7.1.3.1. Contexto Regional de Inserção e Situação Político-Administrativa do Empreendimento

Como já mencionado, entende-se como empreendimento, neste caso, o conjunto de intervenções


que se encontram em pauta no âmbito do propósito principal apresentado pelo empreendedor, qual
seja, o da estabilização da barra do Canal de Sernambetiba e sua interligação com o complexo
lagunar de Jacarepaguá e Barra da Tijuca. Neste sentido, têm-se como intervenções pretendidas:
(1) a dragagem da desembocadura do Canal de Sernambetiba e a implantação dos guias-correntes,
(2) a dragagem dos canais das Taxas, Cortado e Portelo, (3) o alargamento dos canais do Cortado e
do Portelo, (4) a interligação desses canais ao Canal de Sernambetiba. Informações detalhadas sobre
as intervenções em pauta encontram-se no Capítulo 4_ Caracterização do Empreendimento.

Assim, observa-se que as intervenções mencionadas estarão ocorrendo diretamente em áreas


localizadas nos bairros (1) do Recreio dos Bandeirantes, (2) de Vargem Grande, (3) de Vargem
Pequena e (4) do Camorim, conforme indica mapa mais adiante. No entanto, considerando a
abrangência da Área de Influência Indireta das intervenções há que se considerar todos os bairros
que integram a AP-4 (Área de Planejamento 4 ) determinada pela Prefeitura do Rio de Janeiro para
fins de ordenamento territorial.

Divisão Político-Administrativa do Município e os Bairros que integram a AII das Intervenções


em Pauta

De acordo com a atual divisão político-administrativa do Município do Rio de Janeiro, este se


encontra dividido em 5 (cinco) Áreas de Planejamento (APs) e 32 (trinta e duas) Regiões
Administrativas (RAs), nas quais estão inseridos os diferentes bairros da cidade1. A Bacia
Hidrográfica de Jacarepaguá, se encontra basicamente inserida na AP4 (Área de Planejamento 4,
conforme já mencionado), aglomerando três Regiões Administrativas, quais sejam (1) a XVI RA-
Jacarepaguá, (2) a XXIV RA- Barra da Tijuca e (3) a XXXIV RA- Cidade de Deus (conforme
mostra mapa adiante) cujos bairros integrantes estão indicados no quadro abaixo.

1
Plano Diretor Decenal da Cidade do Rio de Janeiro, 1992

141
Situação Político-Administrativa na Área de Influência Indireta
(Bacia Hidrográfica de Jacarepaguá) - 1999

Área de Planejamento (AP) Região Administrativa (RA) Bairro

Jacarepaguá
Anil
Gardênia Azul
XVI RA – Jacarepaguá Curicica
Freguesia
Pechincha
Taquara
Tanque
Praça Seca (*)
Vila Valqueire (*)
AP 4
Barra da Tijuca
Joá (*)
Itanhangá
XXIV RA – Barra da Tijuca Camorim
Vargem Pequena
Vargem Grande
Recreio dos Bandeirantes
Grumari

XXXIV RA - Cidade de Deus Cidade de Deus


Fonte: Anuário Estatístico da Cidade do Rio de Janeiro / 1998

Nota: Bairros parcialmente inseridos na Bacia Hidrográfica de Jacarepaguá que compõem outras RAs (Alto
da Boa Vista, integrante da VIII RA-Tijuca e Jardim Sulacap, Realengo e Quintino Bocaiuva, integrantes por
sua vez da XXXIII RA-Realengo). Considerando a pouca relação que se estabelece entre esses bairros e a
AII do empreendimento, considerar-se-á apenas o contorno da Bacia Hidrográfica de Jacarepaguá como
sendo aquele compatível ao da AP4.

142
INSERIR MAPA REGIÕES ADMINISTRATIVAS NA AP-4

143
INSERIR MAPA DIVISÃO POLÍTICO-ADMINISTRATIVA COM DIVISÃO DOS BAIRROS
NA AP-4

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Apenas com o sentido de esclarecer para algumas questões conceituais no que tange ao
entendimento sobre os territórios chamados Barra da Tijuca, convém atentar conforme consta em
recente publicação sobre estudos urbanísticos em referência ao desenvolvimento da Barra da Tijuca
2
que “ quem atravessa o Túnel do Joá é recebido com um grande cartaz que lhe dá as boas-vindas
à Barra da Tijuca. Mas nesse momento está entrando em um território que admite três escalas
geográficas de nomeação. Partindo da escala menor para se chegar à mais ampla, tem-se
sucessivamente:

• Bairro da Barra da Tijuca, no terceiro nível da subdivisão territorial municipal conforme


estabelecido pela Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro, o qual está inserido na XXIVª Região
Administrativa. O bairro constitui a área que vai do canal da Joatinga, a leste até a Avenida
Salvador Allende a oeste, tendo como limites ao sul o oceano e ao norte a linha do complexo
lacunar formado pelas lagoas Jacarepaguá, Camorim e Tijuca. Admite ainda algumas
subdivisões geográficas conforme a tradição local, mas sem referência na classificação oficial,
como é o caso do Jardim Oceânico e a Barrinha, ambos junto ao canal da Joatinga mas em
margens opostas.

• Barra da Tijuca e Adjacências, que corresponde à XXIVª Região Administrativa (XXIV RA) no
segundo nível da subdivisão territorial municipal e que inclui diversos bairros (3º nível), sendo
um deles denominado Barra da Tijuca, como visto acima, o que às vezes traz alguma confusão.
Os outros bairros são: Joá, Itanhangá, Camorim, Vargem Pequena, Vargem Grande, Recreio
dos Bandeirantes e Grumari. Engloba portanto, grosso modo, toda a parte sul da Baixada de
Jacarepaguá, desde a orla litorânea até incluir o complexo lacunar.

• Baixada de Jacarepaguá, que equivale à Área de Planejamento 4 (AP 4) no primeiro nível da


subdivisão municipal, abrangendo uma área de quase 300 quilômetros quadrados ou 30 mil
hectares, igual a 293.783.351,28m², conforme apropriação feita pelo Instituto Pereira Passos da
Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro a partir de restituições aerofotogramétricas. Inclui três
regiões administrativas (2º nível): a XXIV RA - Barra da Tijuca com área de 165.971.080,83
metros quadrados, a XVI RA – Jacarepaguá com 126.606.496,88m² e a XXXIV RA – Cidade de
Deus com 1.205.773,57m². Os limites da Área de Planejamento 4 são quase coincidentes com a
bacia hidrográfica dos cursos d’ água que drenam dos maciços montanhosos para o complexo

2
CASTRO.V.F; VOGEL.D.C. 2005 Barra da Tijuca 2000/2020 – Consolidação do Desenvolvimento

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lacunar e que são lançados no mar através do canal da Joatinga. Entretanto, a Área de
Planejamento 4 inclui também Grumari, que é outra bacia hidrográfica e se fosse adotado um
critério ambiental rigoroso não estaria incluída na Baixada de Jacarepaguá. Como, porém, as
informações são sistematizadas com base na Área de Planejamento 4, na prática faz-se a
equivalência entre esta e a Baixada de Jacarepaguá.”

146
7.1.3.2. Processo Histórico de Ocupação da Região de Inserção do Empreendimento

Em passado longínquo, o mar penetrava pelo continente adentro formando grandes lagoas, alagados
e brejos. Com a elevação paulatina da costa meridional da América do Sul, o mar foi recuando, com
a formação de duas restingas (a de Itapeba e a de Jacarepaguá), deixando somente um canal de
ligação com o mar aberto, daí, a foz da barra. A origem da toponímia Barra da Tijuca associa-se,
portanto, a seguinte explicação: barra, entendida segundo dicionários como “entrada de um porto”,
“linha de arrebentação, permanente ou muito freqüente, de ondas junto à costa” ou “ a foz de um rio
ou riacho”; tijuca, palavra de origem tupi, em uma corruptela de ty-yúc que significa “água podre,
lama, brejo, atoleiro, barro, barreiro”.

A primeira citação em documento oficial da Barra da Tijuca, como local, remonta ao século XVI,
em 1594, quando da concessão dessas terras, feitas por Salvador Correia de Sá, primeiro
Governador Geral do Rio de Janeiro, a seus filhos Gonçalo e Martim. Sem dispor de satélites ou
mapas aerofotográficos, os Correia de Sá a começar por Salvador, escolheram sempre os melhores
sítios da cidade para contemplarem-se, uns aos outros, com extensas terras, sob forma de sesmarias.
Por este caminho, Salvador Correia de Sá deu aos seus filhos as terras da grande Baixada de
Jacarepaguá. Ficou com Gonçalo a área para os lados do maciço da Pedra Branca e, para Martim, o
lado oposto, subindo pelo maciço da Tijuca. Enquanto vivos, os irmãos sempre conviveram
harmoniosamente, tendo inclusive redividido, em comum acordo, a grande área da qual eram donos,
para atender às conveniências pessoais de cada qual. Se na época já existissem a Taquara e a
Freguesia, poder-se-ia dizer que Gonçalo era um homem da Taquara e seu irmão, Martim, o
equivalente na Freguesia.

Gonçalo tinha uma filha, Vitória, que ao casar com o Governador do Paraguai, Luiz Cespedes
Xeria, recebeu como dote parte dos terrenos do seu pai, acrescida por outra parte dada por seu tio,
Martim, então já Governador da Cidade. Os limites físicos da doação feita alcançavam,
aproximadamente, desde os contrafortes da Serra da Guaratiba até o arroio Pavuna (hoje um rio
poluído, mal tratado, vizinho a grande empreendimento imobiliário localizado na Av. Abelardo
Bueno). Martim Correia de Sá, primeiro Governador da cidade nascido no Brasil, por seu turno, era
pai de outro Salvador _ o Correia de Sá e Benevides, que chegou a ser, em três oportunidades,
igualmente a Governador Geral da Cidade. Com a morte de Gonçalo, suas herdeiras, a mulher
Esperança e a filha Vitória venderam a Correia de Sá e Benevides à parte que lhes cabia na herança,

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ficando o sobrinho e primo, respectivamente, dono de toda a área, exceto àquelas dadas como dote à
Vitória, que as preservou.

Vitória de Sá, muito religiosa e ligada à Igreja, não teve filhos e, ao morrer, em 1667, deixou tudo
que possuía na área para os Beneditinos, em troca de ser enterrada no Mosteiro de São Bento e de
ter missas rezadas em sua memória. Neste ponto, seu primo, Sá e Benevides, um dos primeiros
grandes latifundiários do Brasil, iniciou uma série de contestações sobre a legalidade da herança
recebida pelos Beneditinos, lutando nas esferas judiciais cabíveis, até que concordou em 1678, com
o testamento, depois de receber 5.000 cruzados (da época) como indenização.

Nas terras do Mosteiro predominavam as lavouras de cana-de-açúcar, produto altamente


comercializável àquela época, e assim prosseguiu até que a abolição da escravatura acabou tornando
difícil a situação econômico-financeira dos monges beneditinos, quando foram vendidas por seu
abade à “Companhia Engenho Central de Assucar e Álcool da Cana de Jacarepaguá”, da família
Teles Barreto de Menezes, que, em seguida passou-as ao Banco Crédito Móvel, sobre o qual pesam
muitas acusações, que dão motivo até hoje, de demandas na justiça. Do lado de Sá e Benevides,
eram também extensas as plantações de cana, para produção de açúcar, sendo que, em ambos os
casos, os engenhos, cujo total chegava a onze, sendo por isso o lugar conhecido pelo nome de
“planície dos onze engenhos”.Usavam todos como força motriz propulsora os rios que desciam das
serras vizinhas. As designações que permaneceram atestam este fato – Engenho d`Água, Engenho
da Serra, Engenho da Taquara, além das outras cuja memória já se perdeu: Engenho Velho,
Engenho Novo (hoje Colônia Juliano Moreira), Engenho de Fora (no vale do Marangá, hoje Praça
Seca) e as fazendas do Camorim, do Rio Grande (antigo Engenho do Pau da Fome, hoje
Condomínio Passaredo), da Vargem Grande, da Vargem Pequena e da Restinga. Também nessa
época foi fundado o povoado da Porta d`Água, na atual Freguesia, cujo nome acabou mudando para
Jacarepaguá, do tupi yaka`réù`pá`guá ou “lagoa rasa dos jacarés”.

A exportação dos produtos obtidos da cana-de-açúcar era normalmente feita por via marítima, pelo
Canal da Lagoa da Tijuca, mais precisamente, pela barra da Lagoa da Tijuca. Assim, toda a área da
Baixada, que, no início da colonização pertenceu à família Correia de Sá, foi, com o correr dos
anos, disputada pelos descendentes e sucessores, depois da extinção dos morgadios (“lei do
morgadio”, que impedia a partilha das terras que constituíssem um patrimônio familiar), quando
começaram a vendê-la, aos pedaços, de modo desordenado, fato que originou questões de direito à
propriedade, envolvendo muitos interesses. Nas propriedades primitivas de Correia de Sá e
Benevides está a maior parte do bairro da Barra da Tijuca, sobretudo na que, mais tarde, foi

148
conhecida por Fazenda da Restinga, redividida em glebas, designadas pelas letras do alfabeto de A
até H, que ocupavam a área da lagoa da Tijuca até o mar, tendo como limite longitudinal,
aproximadamente, a atual Avenida Ayrton Senna. A título de curiosidade, mas de forma pertinente,
relembra-se que, além dos Sá e dos Teles de Menezes, portugueses, os franceses por aqui andaram.
Primeiramente, em 1710, para invadir a cidade, numa segunda tentativa de criação da França
Antártica, comandados por Jean François Duclerc, nas imediações do Pontal e, mais tarde, na
década dos anos 20, pacificamente, para instalar um campo de pouso para seus aviões das Ligneas
Letécoère da Compagnie Entreprises Aéronautique, precursora da contemporânea Air France, no
local onde hoje está o aeroporto, erroneamente chamado de Jacarepaguá, pois está em solo da Barra
da Tijuca.

Com todas essas linhagens sucessórias, a titulação das terras na Barra da Tijuca deu origem à várias
ações judiciais que se arrastavam nos tribunais. A solução definitiva do poder judiciário para a
questão fundiária coincidiu com a abertura da auto-estrada Lagoa-Barra no início da década de 70,
que veio trazer acesso à parte oriental da Baixada de Jacarepaguá. Vencer obstáculos naturais
implicou investimentos vultuosos em infra-estrutura viária (túneis Dois Irmãos e do Pepino, elevado
e túnel do Joá, ponte do Canal da Joatinga), que possibilitaram a ligação da Gávea e do Leblon com
a Barra da Tijuca, tornando-a o passo seguinte no prosseguimento do vetor de expansão urbana da
Zona Sul do Rio de Janeiro.

Com vista a disciplinar uma ocupação que se previa explosiva, em 1969 foi elaborado, pelo
urbanista Lúcio Costa, o “Plano-Piloto para a Urbanização da Baixada Compreendida entre a Barra
da Tijuca, o Pontal de Sernambetiba e Jacarepaguá”. O Plano-Piloto – ou Plano Lúcio Costa, como
ficou conhecido – era o arcabouço institucional para a ocupação de uma área estabelecida como
Zona Especial, cujo acompanhamento era feito por um órgão de planejamento – SUDEBAR, que
contava com a consultoria do urbanista para intervir na pormenorização do parcelamento e do uso
do solo. O Plano-Piloto foi concebido à luz das formulações para o espaço de Brasília, também
projetado por Lúcio Costa. Em Brasília, as largas avenidas concretizavam a expressão do novo
status da economia brasileira, tanto pelo esforço de implantar uma indústria automobilística
empreendido pelo Presidente Juscelino Kubitschek – o idealizador da nova capital federal – quanto
pela mobilidade adquirida pelos moradores através do transporte individual acessível. Na Barra da
Tijuca, o Plano-Piloto repetia a estruturação em cruz, com as atuais Avenidas das Américas e
Avenida Ayrton Senna formando os dois eixos principais, a primeira na direção leste-oeste e a
segunda na direção norte-sul. Ao longo do tempo, porém, a Barra da Tijuca foi adquirindo
identidade própria, por vezes escapando dos parâmetros idealizados.
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Conclui-se que o interesse pela Barra da Tijuca remonta a alguns séculos e é de causar admiração
que a mesma tenha ficado quase intocada durante trezentos e cinqüenta anos, ainda que isso seja
justificado por alguns como uma conseqüência direta da topografia que lhe dificultava os acessos.
Trata-se, contudo, de espaço único, de beleza inigualável que se traduz hoje em dia em um dos
principais vetores de expansão imobiliária da cidade.

Contudo, é fato que, a pouca declividade do terreno acabava por constituir um obstáculo e formava
ecossistema com características peculiares, com seus grandes alagadiços, suas lagoas (Jacarepaguá,
Camorim, Tijuca, Lagoinha e Marapendi), emolduradas por manguezais e habitat de rica fauna.
Com o avanço progressivo da fronteira do tecido urbano para oeste, junto à linha da orla da Baía de
Guanabara e do mar, a dinâmica da cidade foi se deslocando ao longo do tempo do Flamengo e de
Botafogo para Copacabana e depois para Ipanema e Leblon. A transformação de terrenos vazios
destinados a residências em quadras fechadas com muitos edifícios justapostos, acabava por
degradar a condição de habitabilidade nos bairros de urbanização mais antiga, reforçando o
processo de deslocamento das pessoas em busca de uma melhor condição de moradia. Mais
recentemente esse caminhamento chegou à São Conrado e à Barra da Tijuca, esta última projetada
para ser uma “cidade” moderna, preparada para usufruir das conquistas urbanísticas e tecnológicas
do século XXI e atraente para uma parcela cada vez maior de habitantes do Rio de Janeiro.

Trata-se, portanto, de um dos últimos bairros que apresentam condições únicas de modificar o
processo de incorporação dos espaços urbanos como foi realizado até então, primeiramente em
função da amplitude e generosidade de suas áreas e por servir de alternativa para re-equilibrar as
outras partes da cidade, permitindo reordenar o processo de apropriação e dar alento aos bairros
mais antigos para que possa reverter a insidiosa deterioração que os acometeu. Porém, cabe lembrar
que a ocupação da Barra da Tijuca ainda depende da consolidação de investimentos em obras de
infra-estrutura urbana, como transportes e saneamento básico, para que possa ser mantida sua
concepção original.

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7.1.3.3. Uso do Solo
Em linhas gerais, pode-se considerar que a ocupação do solo no espaço concernente à Bacia
Hidrográfica de Jacarepaguá foi se configurando a partir dos elementos físico-geográficos
marcantes e que balizaram, em parte, este processo – os maciços da Pedra Branca e da Tijuca, as
lagoas de Jacarepaguá, Camorim, Tijuca e Marapendi. Os diferentes usos foram assumindo
tipologias distintas, à luz dos espaços mais nobres procurados para fins residenciais, onde a natureza
e as paisagens cênicas tiveram papel fundamental na atração do segmento imobiliário, quer
considerando a opção da proximidade com o mar ao sul, onde as possibilidades de lazer catalisam o
interesse humano, quer considerando as áreas menos litorâneas, porém belamente emolduradas pela
presença das linhas de montanhas e dos espelhos d`água das lagoas.

Contudo, foi a partir dos acessos viários que a ocupação urbana se deu com mais desenvoltura,
continuando a privilegiar o uso residencial na faixa oriental entre o mar e as lagoas, onde este se
deu primordialmente ao longo da Avenida Sernambetiba (até bem pouco tempo atrás chamada,
temporariamente, Av. Lúcio Costa) – entre a orla marítima e a Lagoa / Canal de Marapendi, que é a
ocupação mais nobre por estar à beira-mar. Quanto ao tipo de uso do solo ao longo da Av. das
Américas (entre a Lagoa / Canal de Marapendi e o complexo das lagoas de Jacarepaguá, Camorim e
Tijuca), este apresenta-se, quer na sua porção sul do eixo, quer na sua porção norte, entremeado
com as funções residencial e de comércio e prestação de serviços, diferenciando-se, contudo, pelo
fato de haver mais concentração de residências multifamiliares no lado sul (com a presença de
várias torres de apartamentos), enquanto no lado norte as residências unifamiliares, localizadas em
condomínios fechados, convivem ao lado de conjuntos de estabelecimentos varejistas –
supermercados principalmente e modelos de shoppings abertos e temáticos (como é o caso,
respectivamente, dos empreendimentos Downtown e Città America). A ocupação da faixa
intersticial entre essas duas vias vem ocorrendo principalmente ao longo das duas margens do Canal
de Marapendi, com maior concentração de edifícios nas proximidades da ponte Lúcio Costa
(incluindo também a ponte Oscar Niemeyer após a duplicação), única alternativa para cruzar o
canal entre o início da Avenida das Américas e a Avenida Ayrton Senna.

Esta vem sendo a lógica de ocupação da parte mais ao sul da Baixada de Jacarepaguá, em porção
onde, territorialmente, encontra-se o bairro da Barra da Tijuca (limites já descritos anteriormente).
A realização do Censo 2000 evidenciou o ritmo de crescimento singular que a região da .Barra da
Tijuca experimentou na última década em relação ao Município do Rio de Janeiro, com destaque

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para o bairro que lhe atribui o nome – Barra da Tijuca. (vide ítem Aspectos Demográficos mais
adiante).

É interessante observar o vetor de expansão residencial que vem ocorrendo de modo mais
interiorano neste bairro nos últimos cinco anos, na medida em que passam a surgir novos estímulos
de ocupação contíguos ao espelho d´água da Lagoa da Tijuca, no quadrante nordeste balizado entre
a Av. Ayrton Senna e a Av. das Américas. São lançamentos imobiliários de alto padrão
habitacional, voltados ao segmento de alta renda como pode ser observado nos empreendimentos
da Península (outrora Gleba E da Fazenda da Restinga) ou o empreendimento Le Parc na Avenida
das Américas. Neste rastro de ocupação deverão surgir mais adiante no tempo outros lançamentos
voltados a público-alvo semelhante que deverão ocupar o que atualmente se chama Gleba F (outra
península que adentra a Lagoa da Tijuca). Lançamentos imobiliários ainda mais interioranos, em
terrenos limítrofes ao bairro da Barra da Tijuca mas já localizados em Jacarepaguá, vêm tendo sua
venda estimulada à reboque desta proximidade e também por outras promoções mais específicas,
como é o caso do empreendimento voltado em um primeiro momento ao evento dos Jogos Pan-
Americanos de 2007 (Vila Olímpica Pan 2007), cuja localização em terreno marginal ao Canal do
Camorim (que interliga as lagoas de Jacarepaguá e Tijuca) vem viabilizando a ocupação em solo até
bem pouco tempo classificado como inundável, considerando as características de solos moles e
presença de turfas que apresenta.

A recente construção de alça viária interligando de modo mais ágil as avenidas Ayrton Senna e
Abelardo Bueno, bem como outras intervenções urbanísticas ao longo desta última, vem também
servindo de aspecto positivo para a aceleração da ocupação centro-oeste da Baixada de Jacarepaguá,
no sentido do Autódromo até o entroncamento com a Av. Salvador Allende que por sua vez limita,
ao encontrar a Av. das Américas ao sul, o bairro da Barra da Tijuca em sua porção sudoeste.

No que tange à ocupação do território onde se encontra o bairro do Recreio dos Bandeirantes,
embora aparentemente se apresente como uma expansão natural do tecido urbano da vizinha Barra
da Tijuca, há uma lógica diferenciada e balizada por alguns elementos físico-geográficos marcantes
e que merecem atenção. Parece claro admitir que o principal viés que estimulou e vem estimulando
a ocupação residencial no Recreio dos Bandeirantes é a proximidade à faixa litorânea, cuja mesma
lógica regiu a ocupação residencial na vizinha Barra, apresentando o esgarçamento do tecido
edificado entre as quadras localizadas no limite entre as avenidas Sernambetiba (cujo nome muda
para Estrada do Pontal a partir da Av. Gilka Machado) e Américas. Esta ocupação, no entanto, não
se deu de modo expandido nem linear na faixa litorânea, considerando as restrições impostas, até

152
então, para a ocupação ao longo de quase toda a faixa entre a Lagoa de Marapendi e a Av.
Sernambetiba. em função da presença de área considerada de proteção ambiental – APA do Parque
Municipal Ecológico de Marapendi

Cabe admitir que o alastramento do tecido urbano se deu ao longo da Av. das Américas
(ultrapassando o entroncamento com a Av. Salvador Allende e, portanto, ultrapassando o bairro da
Bara da Tijuca)) junto aos seus terrenos mais lindeiros, quer para uso residencial, quer para fins
comerciais e de serviços. Contudo, outro fator natural vem se apresentando como desestimulador à
expansão urbana na porção extrema oeste em função de extensa mancha de área inundável – os
Campos de Sernambetiba, que chegam a totalizar cerca de 15km². Essa formação também vem
freando os investimentos imobiliários que já se fazem visíveis nos terrenos marginais ao longo da
Estrada dos Bandeirantes. São edificações voltadas, na maioria das vezes, ao uso residencial
unifamiliar, de alto padrão habitacional. Sinalizam para ocupação mais intensa a médio prazo, à
medida que surjam outros investimentos em infra-estrutura urbana e ofertas qualificadas nas
atividades terciárias (comércio e prestação de serviços) em Vargem Pequena, cuja taxa de
crescimento populacional aferida no período 2000 / 1991 se revelou a segunda maior dentre os
bairros que integram a XXIV RA – Barra da Tijuca (o bairro com maior taxa de crescimento foi
Camorim – 20,66%, e o terceiro foi Recreio dos Bandeirantes com 11,29%). Estudos urbanísticos
mais recentes 3 revelam que, embora com valores reduzidos, a taxa média de crescimento
populacional estimada para o período 2000/2020 nestes bairros deva permanecer alta – 13,55% em
Vargem Pequena e 17,39% no Camorim. De qualquer modo ainda prevalece a atmosfera domiciliar
rururbana.em grande extensão dos bairros de Vargem Grande e Vargem Pequena.

Ao norte da Bacia Hidrográfica de Jacarepaguá, a mancha residencial se espraia território adentro,


ocupando o vale formado pelos maciços, onde se dá hoje a grande presença urbana nos bairros da
Taquara, Curicica, Pechincha, Freguesia, Gardênia Azul, Anil e Praça Seca, áreas que foram
recentemente contempladas em termos de acesso mais direto para o litoral com a abertura da Linha
Amarela no final da década de 90. As demais manchas referentes ao uso residencial ocupam,
pontualmente, as encostas dos maciços, respectivamente da Pedra Branca, em Jacarepaguá e da
Tijuca, no Alto da Boa Vista. Também nesta porção da bacia, encontram-se, embora pulverizadas,
as áreas onde são praticadas atividades industriais, representadas pelos ramos farmacêutico e de
alimentos e bebidas cuja expansão do parque vem se dando ao longo dos últimos dez anos.

3
CASTRO.V.F; VOGEL.D.C. 2005 Barra da Tijuca 2000/2020 – Consolidação do Desenvolvimento

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Ainda no que tange as áreas com usos comerciais e de serviços, cuja presença marcante veio a
reboque da abertura e consolidação da Avenida das Américas, esta função encontra-se hoje bastante
concentrada no eixo da Avenida Ayrton Senna, onde, além da presença de grupo varejista de
supermercado (Makro), sobressaem os ramos automobilísticos (através das concessionárias de
automóveis), de móveis e decoração (Casa Shopping), vindo a destacar-se mais recentemente a
implantação de rede hospitalar (Barra D´Or). Considerando ainda o uso de serviços, cabe sinalizar
para a presença do Aeroporto de Jacarepaguá, cujo acesso se dá a partir da Av. Ayrton Senna, em
trecho entre a Av. Abelardo Bueno e a Av. das Américas.

154
INSERIR MAPA USO DO SOLO NA AII

155
7.1.3.4. Dinâmica Imobiliária e Ocupação dos Espaços; Um Olhar sobre a AP- 4

Frente ao que foi exposto no item anterior, pretende-se retratar nesta abordagem a dinâmica
imobiliária que vem ocorrendo na Área de Influência Indireta das intervenções em pauta (AP-4), de
modo a permitir um melhor entendimento da. evolução dos aspectos demográficos (enfoque a
seguir) à luz da formação urbana nos bairros que integram esta área de planejamento do Município
do Rio de Janeiro. Assim, pressupõe-se ampliar o olhar não só para o quadro demográfico da AP-4
(formada pelas Regiões Administrativas de Jacarepaguá, Barra da Tijuca e Cidade de Deus) , como
entender este tema sob a égide do processo de ocupação das demais áreas da cidade, cuja interface
com o crescimento na região da Barra da Tijuca merece destaque.

Abordagem Geral para Contextualização

Foi do centro que a cidade se expandiu, contornando por ambos os lados o Maciço da Tijuca, a
oeste. As ferrovias, desde o século XIX, já vinham sustentando a formação de núcleos suburbanos
mais ou menos isolados, no sentido norte-oeste. A partir do início do século XX, a introdução do
bonde elétrico – veículos maiores e mais velozes do que os de tração animal – acelerou o
crescimento do cinturão de bairros e de diversos subúrbios. Como o porto modernizado localizou-se
no interior da baía, os grandes eixos de transporte interurbano partiam de suas proximidades na área
ao norte do Maciço da Tijuca.

Tais eixos atraíram a indústria moderna e os estabelecimentos de armazenagem. À proporção que a


faixa industrial avançava para o interior, manifestavam-se as tendências contraditórias de atração de
mão-de-obra e, ao mesmo tempo, desvalorização da área para funções residenciais da população
mais abastada. Apenas a título de exemplificação, São Cristóvão, bairro aristocrático do tempo do
Império, não conseguiu ver a renovação de seu capital imobiliário e declinou no seu status social.
Assim, nos sentidos norte-noroeste e noroeste-oeste, a cidade foi se alargando sobre planícies,
colinas e vales entalhados, formando a Zona Norte e a distante Zona Rural, atual Zona Oeste.
Enquanto isso, no sentido sul-sudoeste a abertura de túneis facilitou o crescimento ao longo da orla,
desde a entrada da baía até as praias oceânicas, ocupando planícies costeiras, restingas e vales
entalhados. Formou-se assim a Zona Sul. Essa distribuição fez a cidade assumir a forma de um
cometa, cujo núcleo é representado pelo Centro, a cabeceira pela união de bairros mais próximos, e
a cauda, pelos longos eixos de transporte periféricos separados entre si por vazios urbanos.

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A partir dos anos 50, o desenvolvimento da indústria automobilística contribuiu para o crescimento
do transporte urbano rodoviário. Esse processo influiu na ocupação dos espaços entre os grandes
eixos e o entrelaçamento do tecido urbano. O transporte rodoviário passou também a servir de
suporte para a expansão da cidade sobre novas áreas, como foi o caso da Barra da Tijuca. Nada
disso impediu, contudo, que os principais lugares centrais e as maiores densidades populacionais
continuassem localizados sobre os grandes eixos. Por isso, a configuração geral da cidade e os
deslocamentos populacionais apresentam um formato tentacular, mas circundado e atravessado por
vias perimetrais e transversais. É a história dessa configuração – bem como a da distribuição dos
lugares centrais e dos equipamentos urbanos e a distribuição das características do quadro natural –
que moldará as diferentes características da população e das famílias cariocas.

É interessante observar que a concentração de atividades econômicas atua de forma contraditória no


Rio. Ao mesmo tempo afugenta a função residencial para alguns setores da população, sobretudo os
de renda mais elevada, e atrai trabalhadores. De um modo geral, verifica-se um aumento da
população residente em áreas que assumiram elevada concentração de atividades econômicas,
seguida de uma fase de diminuição e mudança do perfil social da população. Exemplo claro foi o
que aconteceu em Copacabana, onde o crescimento do comércio no bairro acabou afastando parte
da população de classe média alta que caracterizava a ocupação original da área. Neste sentido,
pode-se considerar que, a expansão do espaço urbano carioca não se fez simplesmente por
justaposição de novas áreas com novas camadas de população, mas também com trocas de
populações.

Por exemplo, nas primeiras décadas do século XX, enquanto setores da classe média se retiravam
do Centro, de suas áreas em degradação, ali se instalavam os imigrantes estrangeiros pobres.
Copacabana também passou por mudanças na sua composição social mais recentemente. Isso
acontece porque as atividades de grande centralidade procuram se localizar nas regiões de maior
concentração de população de alta renda. Foi o que ocorreu também, nas últimas décadas em
Ipanema e Leblon. Desse modo, um dos processos da evolução da cidade mostra os lugares centrais
se adensando e empurrando as populações residentes para mais longe. Da união desses lugares
centrais resultou a criação do que costuma se chamar “Centro Expandido” na cidade do Rio de
Janeiro, que antes se estendia da Praça XV ao Leblon, hoje esgarçado para a Barra da Tijuca.

De todo o modo, percebe-se ainda nitidamente na Cidade do Rio de Janeiro uma hierarquia de
espaços, onde o topo da pirâmide social carioca coincide com a Zona Sul, onde vive o segmento da
população com maior aferição de renda, até bem pouco tempo atrás contemplado com os melhores

157
equipamentos de saúde e educação, comércio, praias com orlas urbanizadas e demais opções de
lazer. Em decorrência, a maior ou menor proximidade com a Zona Sul passou a ser um critério
universal para a avaliação da qualidade de vida da cidade. Atualmente, apresentando concentrações
de renda próximas aos índices aferidos pela população dos bairros nobres da Zona Sul, a Barra da
Tijuca vem exercendo forte poder de atração sobre este segmento carioca que busca residência em
espaços mais amplos, generosos, menos degradados ambientalmente pelas grandes massas
construídas do mercado imobiliário, fatores estes somados à eterna procura por áreas residenciais
mais protegidas da violência urbana conforme prometem os condomínios fechados multi e
unifamiliares da região.

158
A Barra da Tijuca como Pólo de Equilíbrio do Rio de Janeiro

A realização do Censo de 2000 evidenciou o ritmo de crescimento singular que a Região da Barra
da Tijuca experimentou na última década, em relação ao Município do Rio de Janeiro, como mostra
o quadro abaixo:

Evolução dos Domicílios no Rio de Janeiro e na Baixada de Jacarepaguá – AP 4

Domicílios Domicílios Variação


RA Nome
em 1991 em 2000 2000-1991

XXIV RA - Barra da Tijuca 27.769 54.494 26.725

XVI RA – Jacarepaguá 106.045 139.142 33.097

XXXIV RA - Cidade de Deus 9.435 10.760 1.325

AP 4 - Baixada de Jacarepaguá 143.249 204.396 61.147

Cidade do Rio de Janeiro 1.560.338 1.802.347 242.009

Fonte: IBGE – Censos Demográficos 91 / 00

159
No intervalo censitário observado (1991/2000) foram acrescentadas 240 mil novas habitações na
Cidade do Rio de Janeiro, das quais a quarta parte (25%) foi registrada na Baixada de Jacarepaguá /
Área de Planejamento 4 e mais de um décimo (11%) na Barra da Tijuca e adjacências / XXIV
Região Administrativa, a um ritmo de 3 mil moradias por ano. Ao mesmo tempo, no âmbito da
Baixada de Jacarepaguá – AP-4, a Barra da Tijuca – XXIV RA respondia por quase 44% do
acréscimo observado, em que pese Jacarepaguá – XVI RA ter a seu favor pouco mais de dois terços
do estoque de casas em 2000.

Em termos populacionais, enquanto a Cidade do Rio de Janeiro ganhava mais 377 mil habitantes, a
Baixada de Jacarepaguá aumentava em 155 mil, ou seja, mais de 40% da população correspondente
ao acréscimo municipal se fixou na Área de Planejamento 4. Ao mesmo tempo, 76 mil se mudaram
para a região da Barra da Tijuca, isto é, de cada cinco habitantes que o Rio de Janeiro ganhou nesse
período, um foi morar na XXIV RA. Esse fato torna-se mais relevante se considerado que, numa
cidade de 5,85 milhões de pessoas no ano 2000, a Baixada de Jacarepaguá – AP 4 com cerca de 680
mil habitantes correspondia a apenas 11% da população total municipal e a Barra da Tijuca, com 175
mil, a 3%.

Nesse mesmo intervalo censitário, das cinco Áreas de Planejamento que constituem o Município do
Rio de Janeiro, somente as correspondentes à AP 5 – Zona Oeste (Bangu, Realengo, Campo
Grande, Santa Cruz e Guaratiba) e à Área de Planejamento 4 – Baixada de Jacarepaguá tiveram
aumento expressivo de população, cerca de 265 mil pessoas no primeiro caso e, como visto, 155 mil
no segundo. A população da Zona Oeste, no entanto, apresenta sistematicamente menor nível de
renda que a da Baixada de Jacarepaguá.

Nas demais Áreas de Planejamento, experimentaram diminuição populacional a AP 1 – Centro


(Portuária, Centro, Rio Comprido, São Cristóvão e Santa Teresa) e a AP 2 – Zona Sul e Tijuca
(Botafogo, Copacabana, Lagoa, Tijuca e Vila Isabel) onde apenas a Lagoa – VI RA teve aumento
de população, mesmo assim de apenas 10 mil pessoas, por incluir também a Rocinha – XXVII RA
em 1991, enquanto a AP 3 – Zona Norte e Subúrbios (Ramos, Penha, Inhaúma, Méier, Irajá,
Madureira, Ilha do Governador, Anchieta e Pavuna, assim como os complexos das favelas do
Alemão e Jacarezinho) viu sua população se ampliar em 30 mil pessoas, com o acréscimo se
concentrando nas Regiões Administrativas de Anchieta, Ilha do Governador e Pavuna, isto é, as que
ficam a oeste na Área de Planejamento 3.

160
O gráfico a seguir mostra a evolução da população da Cidade do Rio de Janeiro (valores no eixo à
direita) e das suas Áreas de Planejamento desde o ano 1960 até o ano 2000. Vê-se claramente que a
Área de Planejamento 3 praticamente parou de crescer, embora mantenha expressivo contingente
populacional, enquanto as AP 2 e AP 1 vêm perdendo população. Somente as AP 4 e AP 5
garantem o crescimento geral da população municipal.

161
Evolução da População do Rio de Janeiro e das Áreas de Planejamento – AP’s

7 000 000
habitantes

Rio de Janeiro
6 000 000

5 000 000

4 000 000

3 000 000

AP 3

2 000 000
AP 5

AP 2
1 000 000
AP 4
AP 1

1 955 1 960 1 965 1 970 1 975 1 980 1 985 1 990 1 995 2 000 2 005

Fonte: IBGE – Censos Demográficos / Elaboração: Holística

162
Assim observa-se que na caminhada da fronteira urbana da Cidade do Rio de Janeiro para oeste, o
centro dessa trajetória é a região da Barra da Tijuca, como já previa o seu idealizador, o urbanista
Lucio Costa, que apontava a Baixada de Jacarepaguá como pólo de equilíbrio entre o pólo de
negócios no centro histórico e o pólo industrial em Santa Cruz. Na sua proposição, há mais de 35
anos, o urbanista Lucio Costa profetizava: “Deverá fatalmente surgir na Baixada de Jacarepaguá
um novo foco metropolitano norte-sul, beneficiado pelo espaço, pelo acesso às áreas industriais,
pelas disponibilidades de mão-de-obra e por amplas áreas contíguas para residência e recreio, e
que não será apenas um novo centro relativamente autônomo à maneira de Copacabana e Tijuca,
mas novo pólo de convergência e irradiação. .... O que lhe confere condições para ser já não
apenas o futuro Centro Metropolitano norte-sul assinalado, mas também leste-oeste, ou seja, com o
correr do tempo, o verdadeiro coração da Guanabara.”

A vocação do crescimento para a região da Barra da Tijuca é conseqüência da evolução urbana do


Rio de Janeiro. Impossibilitada de seguir para leste pela massa d’água da Baía de Guanabara, em
cujas margens foi fundada a Cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro, a fronteira do tecido
urbano expande-se para oeste. Olhando para o poente, a cidade cresce ao longo de dois vetores que
contornam o bloqueio da cadeia de montanhas, quais sejam (1) ao norte, estendendo-se
paralelamente aos maciços montanhosos, dirigindo-se até a Baía de Sepetiba e (2) ao sul,
acompanhando a orla marítima, porém bloqueado por várias pontas do cordão de montanhas que se
derramam sobre o oceano, obrigando a serem furados sucessivos túneis, até encontrar o primeiro 4

Ao norte do Maciço da Tijuca, ramais ferroviários em 1855 partem das estações centrais de D.
Pedro II e da Leopoldina, a expandir a cidade para oeste. São os subúrbios que se formam junto às
estações e logo adquirem vida própria – Mangueira, Meier, Madureira até chegar ao distante Bangu,
para terminar em Queimados. Favorecidos pelo transporte de cargas e pela disponibilidade de mão-
de-obra próxima, é onde surgem também as primeiras grandes indústrias. Hoje a infra-estrutura
viária de apoio (Avenida Brasil e Linha Vermelha) dá continuidade a esse crescimento para a Zona
Oeste do Rio de Janeiro.

Do outro lado, com a perda da condição de capital federal, o centro histórico deixa de ter
centralidade, com a vida urbana buscando novos espaços ao longo do vetor sul. Assim, a dinâmica
urbana foi se deslocando ao longo do tempo do Flamengo e de Botafogo para Copacabana e depois
para Ipanema e Leblon.n Conforme já mencionado, os bairros de urbanização mais antiga foram

4
CASTRO.V.F ; VOGEL..D.C; 2005. Barra da Tijuca 2000/2020_Consolidação do Desenvolvimento

163
sendo degradados na sua condição de habitabilidade, reforçando o processo de deslocamento das
pessoas em busca de uma melhor condição para morar.

Entretanto, o Maciço da Tijuca formava uma barreira que impedia a continuidade da expansão do
tecido urbano ao longo do vetor sul, que procurava incorporar o vasto território da Baixada de
Jacarepaguá, moldada pelo cinturão de montanhas. Este território permanecia como reserva de
expansão urbana com seus 140 quilômetros quadrados urbanizáveis (que correspondem à área abaixo da
cota 100 metros, sem contar o espelho d’água das lagoas e outras áreas de preservação natural),
apesar de distar apenas cerca de 20 quilômetros em linha reta do centro histórico da cidade, enquanto
áreas mais distantes na Baixada Fluminense por serem servidas por infra-estrutura rodoviária e
ferroviária, eram progressivamente ocupadas.

Outra questão que limitou a ocupação da Barra da Tijuca foram pendências judiciais, que por muitas
décadas impediram a definição fundiária dessas terras, cuja origem da titulação remonta à época da
fundação da Cidade do Rio de Janeiro, pois essa ocupação protegia o seu flanco oeste da cobiça dos
invasores. A solução definitiva do poder judiciário para a questão fundiária coincidiu com a abertura da
auto-estrada Lagoa - Barra no início da década de ‘70, que veio trazer acesso efetivo e desimpedido à
parte oriental da Baixada de Jacarepaguá. Vencer os obstáculos naturais implicou investimentos
vultosos em infra-estrutura viária (túneis Dois Irmãos e do Pepino, elevado e túnel do Joá, ponte do
Canal da Joatinga), que possibilitaram a ligação da Gávea e do Leblon com a Barra da Tijuca,
tornando-a o passo seguinte no prosseguimento do vetor da expansão urbana da Zona Sul do Rio de
Janeiro.

Com vista a disciplinar uma ocupação que se previa explosiva, em 1969 foi elaborado, pelo
urbanista Lúcio Costa, o «PLANO-PILOTO PARA A URBANIZAÇÃO DA BAIXADA COMPREENDIDA

ENTRE A BARRA DA TIJUCA, O PONTAL DE SERNAMBETIBA E JACAREPAGUÁ».

164
Importa salientar que as Regiões Administrativas da Barra da Tijuca e de Jacarepaguá, somadas,
representaram 42,74% da área dos "habite-se" residenciais no Rio de Janeiro em 1998, e 32,83% do
número total. Só a Barra da Tijuca foi palco de 29,74% das licenças residenciais e 43,90% das
comerciais, enquanto Jacarepaguá foi 92,17% das industriais. Ou seja, em 1998 a AP-4 foi
"campeã", pois representou 42,74% da área com "habite-se" residencial, 45,08% da comercial e
92,17% da industrial de todas as licenças para construção na cidade do Rio de Janeiro.Destaca-se
que a área licenciada no ano de 1998 para comércio e serviços na XXIV Região Administrativa era
44% da mesma área para a totalidade do território municipal. Isto é, quase a metade do que foi
licenciado para esse uso em toda a cidade estava na região da Barra da Tijuca, mostrando bem a sua
proeminência nas atividades comerciais e de serviços em relação ao Município do Rio de Janeiro.
Por outro lado, em 1999, metade das vendas imobiliárias da Cidade do Rio de Janeiro se dava na
Área de Planejamento 4 – Baixada de Jacarepaguá, pois 31,1% das unidades residenciais vendidas
ficavam na Barra da Tijuca e 19,3% em Jacarepaguá. Esta situação permaneceu no início do século
XXI, como mostra o quadro a seguir.com os lançamentos imobiliários na Baixada de Jacarepaguá
sendo até três quartas partes (75%) de todos os efetivados no Rio de Janeiro,

Lançamentos Imobiliários no Rio de Janeiro – Unidades

Bairros 2001 2002 2003 2004


Barra da Tijuca 718 1.951 1.584 901
Recreio dos Bandeirantes 78 721 788 429
Vargem Grande 460 102 248 207
Vargem Pequena 440 36
Jacarepaguá 470 170 1.564 1.278
Baixada de Jacarepaguá - AP 4 1.726 2.944 4.624 2.851
Rio de Janeiro 3.038 3.948 6.102 4.114
AP 4 / Rio de Janeiro 56,81% 74,57% 75,78% 69,30%

Fonte: ADEMI – Associação de Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário/2004

Também o metro quadrado construído na região da Barra da Tijuca foi o que mais ampliou seu
valor nos anos de 1997 a 1999. O apartamento de dois quartos valorizou-se em média 39% e o de
três quartos, uma média de 17% no mesmo período. Assim, a Barra da Tijuca, valorizada pela
proximidade da orla litorânea, vinha em 1º lugar em 1998 nos valores emitidos de IPTU, com
17,31% do total arrecadado no município, à frente de Lagoa (que inclui Ipanema e Leblon, com
15,48% do total), Centro (com 13,67%) e Botafogo (10,07%) – sendo que apenas estas regiões
administrativas têm participação superior a 10% no total municipal. No ISS, no IPTU e no ICMS de

165
Comércio e Serviços a região da Barra da Tijuca estava à frente de Jacarepaguá, sendo a
arrecadação dos dois últimos tributos 3 e 2 vezes maior na Barra, o que bem mostra suas
características voltada aos setores terciário e quaternário da economia. Por outro lado, no ICMS
Industrial a situação se inverte a favor de Jacarepaguá, que desponta no setor secundário, estando no
1º lugar do ranking municipal com 22,9% da arrecadação nesse imposto, vindo à frente de São
Cristóvão (20,2%) e de Pavuna (8,39%).

As Novas Licenças de Construção Concedidas na AP-4 em 2004

Ainda no que tange à abordagem sobre a dinâmica imobiliária na AP-4, é interessante observar os
últimos dados disponibilizados pelo IPP referente ao ano de 2004 sobre o número de novas licenças
concedidas pelas Gerências de Licenciamento e Fiscalização (ou pelas suas respectivas Diretorias
Regionais de Licenciamento e Fiscalização). Os dados confirmam o intenso crescimento da
ocupação no Recreio dos Bandeirantes nos últimos anos De um total de 14.786 novas unidades
licenciadas no Município do Rio de Janeiro, cerca de 27% ocorreram no bairro do Recreio, seguido
de Jacarepaguá ( 22%) e da Barra da Tijuca (14%). Como esperado, os dados revelam a forte
presença das edificações para fins residenciais, uma vez que de um total de 4.023 novas licenças
concedidas no Recreio, 2.975 (74%) foram para este propósito. Observa-se também que, embora o
Recreio tenha se apresentado no início de sua ocupação como um bairro mais voltado ao padrão
residencial unifamiliar, onde as amplas casas permitiam o resgate do bem viver do carioca com
mais espaço e privacidade, atualmente predominam as ofertas em termos de construções
multifamiliares, que já representam quase 93% das edificações licenciadas para fins residenciais
naquele bairro.Também cabe ressaltar o crescimento do número de novas edificações licenciadas no
Recreio para uso comercial (26%), enquanto na Barra da Tijuca este percentual foi de 17%.
Também o número de licenças concedidas na Barra, de modo geral, foi menor se comparado com o
do Recreio. Cabe informar que os dados das licenças apresentados pela DRLF do Recreio dos
Bandeirantes inclui as licenças também concedidas nos bairros de Grumari, Vargem Grande,
Vargem Pequena e Camorim, embora o amplo destaque seja para o Recreio.

166
Novas Unidades Licenciadas, por Utilização do Imóvel, segundo as GLF ou DLF / 2004

GLF/DLF Residencial Comerc Indust. Serv. Total

Total Uni Bi Multi Mista

Centro 29 - 4 11 14 18 - 1 48

Botafogo 502 9 - 405 88 3 - 5 510

Méier 754 3 2 749 - 7 - 4 765

B. Tijuca 1.695 92 60 1.543 - 366 - 4 2.065

C. Grande 1.209 89 288 832 - 77 - 5 1.291

Lagoa 251 11 - 115 125 5 - 2 258

Tijuca 286 6 - 181 99 83 - 2 371

Madureira 224 3 - 103 118 9 - 2 235

Ramos 185 3 - 182 - 243 - 2 430

Ilha Gov. 179 5 - 174 - 4 - 1 184

Irajá 1.034 7 344 669 14 23 - 1 1.058

Jacarepaguá 3.069 50 6 2.953 60 193 3 6 3.271

Recreio 2.975 41 178 2.756 - 1.046 - 2 4.023

Bangu 21 5 - 16 - 40 - 5 66

Sta. Cruz 209 1 - 208 - 209 - 2 211

TOTAL 12.622 325 882 10.897 518 2.117 3 44 14.786

Fonte: IPP_ Armazém de Dados / 2005

Assim, considerando a região da Barra da Tijuca (XXIV RA), do ponto de vista da demanda,
questiona-se o motivo pelo qual as pessoas escolhem esta região tanto para morar como para
trabalhar. Entende-se, do lado da demanda, serem pessoas que estão em busca de uma vida com
maior qualidade, que não existe mais nos outros bairros da cidade, cuja ocupação está saturada. São,
portanto, como já mencionado anteriormente, os espaços abertos, as vias amplas, as facilidades de
lazer e de consumo com oportunidades variadas que vem atraindo as pessoas.

167
Do lado da oferta, dentro deste contexto regional o bairro da Barra da Tijuca se destaca como citam
estudiosos sobre a área, uma vez que“ tem ainda a qualidade de vida derivada da beleza natural
da silhueta das encostas e dos cumes das montanhas na vertical, somado ao recortado dos prédios,
fazendo contraponto na horizontal com seus reflexos nas águas das lagoas, cujos contornos se
combinam com o rendilhado das praias, tudo destacado por uma luminosidade abundante, onde
reina o sol e a gente se impregna desse alto astral” (Castro,V;1996) . Aliás, como resgata também
Castro, “são maravilhas já decantadas em 1835 por Johann Moritz Rugendas na sua Viagem
Pitoresca Através do Brasil, onde cita ...“Talvez não exista no mundo uma região como a do Rio de
Janeiro, com paisagens e belezas tão variadas...Ao pé da Tijuca, do lado sul, existe um grande lago
chamado Jacarepaguá; nele se jogam os regatos que descem das montanhas cujos rochedos e
florestas se refletem em suas águas”. É claro que os demais bairros que integram esta região –
Recreio dos Bandeirantes, Grumari, Vargem Grande, Vargem Pequena, Itanhangá e Joá também
tem seu encanto próprio, embora, atualmente, nada se compare a mescla do ambiente natural e
edificado na Barra da Tijuca

168
7.1.3.5. Quadro Demográfico Geral; AP-4

O quadro demográfico será abordado considerando indicadores expressivos, quais sejam, (1) a
população total residente, (2) as taxas se crescimento populacional estimadas até 2020, (3) a
densidade demográfica, considerando a relação habitante / ha e (4) a renda média do chefe de
domicílio, considerando sua autonomia financeira mediante a faixa de salário mínimo auferida e (5)
a presença de ocupações subnormais.

De acordo com os últimos dados censitários de 2000, publicados pelo Instituto Brasileiro de
Geografia e Estatística – IBGE, o conjunto dos bairros que compõem a Área de Planejamento 4 do
Município do Rio de Janeiro totalizava, até aquele ano, 682.051 habitantes (o que representava
11,64% da população total do município) distribuídos sobre o território, balizado pelos elementos
físico-geográficos que determinaram (e ainda determinam) a ocupação da Baixada de Jacarepaguá.

Assim, entre os condicionamentos postos entre os maciços da Tijuca e da Pedra Branca (nas
porções leste e oeste da Bacia Hidrográfica de Jacarepaguá, respectivamente) e pelas lagoas e
canais que compõem os corpos de acumulação hídrica desta região de baixada, a população foi
desenhando sua ocupação a reboque dos principais eixos viários que garantem acessibilidade à esta
região da cidade. Uma análise entre gráficos montados com os dados demográficos da Baixada de
Jacarepaguá e aqueles referentes ao Município do Rio de Janeiro permite observar que até 1970 há
certo paralelismo nas curvas, o que mostra taxas de crescimento semelhantes entre a Cidade do Rio
de Janeiro e a Baixada de Jacarepaguá – AP4, conforme a comparação mostrada a seguir sobre a
evolução da população do Rio de Janeiro e da Baixada de Jacarepaguá.

169
Evolução da População do Rio de Janeiro e da Baixada de Jacarepaguá – AP 4
7 000 000 700 000
habitantes

6 000 000 600 000

Cidade do Rio de Janeiro


5 000 000 500 000

4 000 000 400 000

3 000 000 300 000

2 000 000 200 000

Baixada de Jacarepaguá – AP 4
1 000 000 100 000

1 950 1 960 1 970 1 980 1 991 2 000

Fonte: IBGE – Censos Demográficos / Elaboração: Holística


Nota: A curva da AP-4 está representada em escala vertical dez vezes maior que a do Rio de Janeiro para
facilitar a comparação, conforme mostrado pelo número de habitantes tanto à esquerda quanto à direita do
gráfico.

A tabela a seguir auxilia na compreensão.

170
Evolução da População do Rio de Janeiro e da Baixada de Jacarepaguá – AP 4

Anos Rio de Janeiro Área Planejamento 4 AP 4 / Rio


Taxas Anuais (hab) (%) (hab) (%) (hab) (%)
1960 3.307.163 166.672 5,04%
1970 4.251.918 241.017 5,67%
taxa a.a. 70/60 2,54% 3,76% 147,65%
1980 5.090.723 356.349 7,00%
taxa a.a. 80/70 1,82% 3,99% 219,50%
1991 5.480.790 526.302 9,60%
taxa a.a. 91/80 0,67% 3,61% 535,90%
2000 5.857.904 682.051 11,64%
taxa a.a. 00/91 0,74% 2,92% 393,75%
Fonte:IBGE – Censos Demográficos 1991 /2000 – Cálculos: Holística
Nota: A contagem populacional de 1996 foi eliminada para evitar distorções estatísticas

Convém também lembrar que, a partir da década de 70 do século passado, o Rio de Janeiro passa a ter taxas
de crescimento declinantes, estando hoje praticamente estabilizadas ou até indicando uma sutil
retomada do crescimento. Ao mesmo tempo, a Área de Planejamento 4 tem crescimento marcante,
sustentado a altas taxas geométricas anuais, que foram na média 5 vezes superiores às do município
no intervalo censitário de 1980/1991 e 4 vezes maiores no de 1991/2000, o que garante à AP-4 uma
participação crescente na população da cidade, pois passou de 5% em 1960 para mais do que o
dobro (11,6%) no ano 2000. Para a Baixada de Jacarepaguá – AP-4 fez-se projeções diferenciadas,
usando-se como base a taxa de crescimento do intervalo censitário de 1991/2000, ajustada para o
ano de horizonte de 2020, considerando ainda dois outros marcos intermediários (2007 – ano da
realização dos jogos pan-americanos e 2012) como indica o quadro a seguir, no qual são
apresentadas três hipóteses de crescimento para as populações abrangidas pelas Regiões
Administrativas XVIª RA – Jacarepaguá, XXIVª RA – Barra da Tijuca e XXXIVª RA – Cidade de
Deus.

171
Crescimento Demográfico por RAs para a Baixada de Jacarepaguá – AP 4 2000 / 2020

Hipótese 1 2000 2007 2012 2020


XVIª RA 469.682 529.093 567.638 622.217
XXIVª RA 174.353 266.106 355.936 549.633
XXXIVª RA 38.016 39.213 40.090 41.536
Total AP 4 682.051 834.412 963.664 1.213.386
Hipótese 2 2000 2007 2012 2020
XVIª RA 469.682 513.716 546.434 599.016
XXIVª RA 174.353 258.229 337.776 507.520
XXXIVª RA 38.016 35.773 34.198 31.636
Total AP 4 682.051 807.718 918.408 1.138.172
Hipótese 3 2000 2007 2012 2020
XVIª RA 469.682 513.169 543.934 590.448
XXIVª RA 174.353 257.921 336.150 500.314
XXXIVª RA 38.016 35.738 34.046 31.186
Total AP 4 682.051 806.828 914.130 1.121.948

Fonte: IBGE – Censo Demográfico 2000 / Cálculos Estimativos: Holística

Como se pode ver no quadro, há uma gradação nas hipóteses aventadas, sendo a hipótese 1 a do
crescimento mais alto, a 3 a do mais baixo e a hipótese 2 é a intermediária, por isso mesmo tendo
sido a escolhida para a elaboração das projeções discriminadas por bairros mais adiante.

172
Projeção do Crescimento Demográfico por RAs na AP 4 – Hipótese 2
1.200.000
Baixada de Jacarepaguá AP 4

1.000.000

800.000

Jacarepaguá XVIª RA
600.000

XXIVª RA
400.000

Barra da Tijuca

200.000

Cidade de Deus
XXXIVª RA
0
1995 2000 2005 2010 2015 2020 2025

Fonte: IBGE – Censo Demográfico 2000 / Cálculos Estimativos: Holística

No gráfico acima, vê-se claramente que a XXIVª RA – Barra da Tijuca é que influencia o
crescimento de toda a AP 4 – Baixada de Jacarepaguá. A XVIª RA – Jacarepaguá tem crescimento
declinante e considera-se que a XXXIVª RA – Cidade de Deus praticamente apenas mantém estável
a sua população. A continuar a situação indicada, ainda na década de 2020 a ocupação da Região
Administrativa da Barra da Tijuca, que inclui o espaço do Recreio dos Bandeirantes e das Vargens
Pequena e Grande, fará com que a sua população se equivalha a da Região Administrativa de
Jacarepaguá, tendo em vista o forte dinamismo da primeira em detrimento da tendência
estabilizadora da outra.

173
População por Bairros na Baixada de Jacarepaguá – AP 4 até 2020

1991 2000 Taxa Taxa


Projeção Projeção Projeção
Bairro Pessoas Pessoas Média (*) Média (*)
2007 2012 2020
residentes residentes 2000/1991 2020/2000
Pechincha 28.816 31.615 1,04% 32.252 32.715 33.469 0,29%
Taquara 88.576 93.741 0,63% 94.609 95.233 96.241 0,13%
Tanque 29.934 32.462 0,90% 32.816 33.071 33.483 0,15%
Vila Valqueire 28.050 31.717 1,37% 33.710 35.210 37.750 0,87%
Praça Seca 54.358 59.657 1,04% 60.874 61.758 63.200 0,29%
Freguesia 48.970 54.010 1,09% 56.298 57.991 60.807 0,59%
Anil 17.626 21.551 2,26% 28.858 32.401 38.150 2,90%
Gardênia Azul 9.844 19.268 7,75% 29.804 38.487 49.700 4,85%
Curicica 20.699 24.839 2,05% 27.183 28.991 32.139 1,30%
Jacarepaguá 62.991 100.822 5,37% 117.313 130.576 154.077 2,14%
Subtotal XVIª
RA Jacarepaguá 389.864 469.682 2,09% 513.716 546.434 599.016 1,22%
Joá 823 971 1,85% 1.104 1.211 1.402 1,85%
Itanhangá 9.356 21.813 9,86% 30.412 32.540 39.994 3,08%
Barra da Tijuca 63.492 92.233 4,24% 113.541 125.611 135.872 1,96%
Recreio
Bandeirantes 14.344 37.572 11,29% 64.382 94.616 134.485 6,58%
Grumari 117 136 1,69% 153 166 190 1,69%
Vargem Grande 6.558 9.306 3,97% 13.961 18.652 29.650 5,97%
Vargem Pequena 3.394 11.536 14,56% 31.750 58.923 146.531 13,55%
Camorim 145 786 20,66% 2.927 6.057 19.396 17,39%
Subtotal XXIVª
RA_Barra da.
Tijuca 98.229 174.353 6,58% 258.229 337.776 507.520 5,49%
Cidade de Deus 38.209 38.016 -0,06% 35.773 34.198 31.636 -0,91%
Subtotal XXXIVª
RA_Cidade de
Deus 38.209 38.016 -0,06% 35.773 34.198 31.636 -0,91%
Total da AP 4 526.302 682.051 2,92% 807.718 918.408 1.138.172 2,59%
Nota: taxa média anual de crescimento geométrico
Fonte: IBGE – Censos Demográficos 1991 / 2000 _ Cálculos Estimativos: Holística

Da análise do quadro acima pode ser observado que, embora a população da Região Administrativa
de Jacarepaguá – XVIª RA seja quase 4 vezes a da Barra da Tijuca – XXIVª RA, esta última vêm
crescendo a uma taxa geométrica 3 vezes maior. Do mesmo modo, bairros que tinham pouca
expressão em 1991 como Recreio dos Bandeirantes e Vargem Pequena tiveram incrementos
consideráveis na sua população (162% e 240% respectivamente) e despontam como os novos
endereços preferenciais da Região da Barra da Tijuca. Por outro lado, o próprio bairro da Barra da
174
Tijuca, que dá o nome à região administrativa, tem apresentado crescimento a uma taxa média
menor (4,24% ao ano) do que a média da XXIVª RA (6,58% a.a.), que foi a maior dentre as regiões
administrativas do Rio de Janeiro no intervalo censitário de 1991 a 2000, a qual puxa para cima
também a taxa média da Baixada de Jacarepaguá – AP 4 (2,92% a.a.). Esta, por sua vez, está
crescendo 4 vezes mais rápido que o Município do Rio de Janeiro (0,74% a.a.).

Como resultado, aumenta a participação da população da AP 4 na do município, que era de 9,6%


em 1991 e acrescentou dois centésimos em 2000, chegando a 11,6%. Isso tudo só faz confirmar a
idéia difundida de que “o Rio de Janeiro cresce para a Barra da Tijuca”. Na verdade, o
crescimento se dá para toda a Zona Oeste da cidade, pois experimentaram maior incremento
populacional nos últimos anos as Regiões de Bangu e Realengo, de Jacarepaguá e Cidade de Deus e
de Campo Grande. Vêm seguidamente perdendo população algumas regiões administrativas tanto
na Zona Central – Centro, Portuária, Santa Tereza, Rio Comprido e São Cristóvão – quanto na Zona
Sul tais como Copacabana (que baixou de 240 mil habitantes em 1960 para 160 mil em 2000) e
Botafogo, o que reforça o sentido do vetor de crescimento urbano para oeste.

Em termos de crescimento populacional, observe-se que haverá grande dinamismo demográfico no


quadrante nordeste (NE) além da linha da Lagoa do Camorim e portanto fora da Área de Influência
Direta do presente trabalho mas ainda dentro da Área de Influência Indireta, levando-se em conta a
construção da Vila Pan-Americana e suas adjacências imediatas, que em 2000 praticamente não
tinha ocupação alguma, assim permanecendo até 2007, quando então chegarão os proprietários das
moradias após os jogos. Porém, nessa vizinhança, a maior fixação das pessoas se dará em áreas de
moradias precárias, ou sub-normais no jargão dos programas habitacionais, tanto no caso da cidade
formal dos bairros de Gardênia Azul, Freguesia e Anil, cujo tecido urbano se espraia ao norte do
terreno da Vila Pan-Americana, como também no caso da cidade informal das favelas do complexo
do Rio das Pedras e Areal, mais distantes e de acesso indireto, porém ainda dentro do raio da grande
atração que os empreendimentos dos Jogos Pan-Americanos forçosamente exercerão.

A Densidade Demográfica na Baixada de Jacarepaguá

Outro fato a comentar é a densidade demográfica na Baixada de Jacarepaguá, Segundo dados do


Instituto Pereira Passos, na ocasião do Censo de 2000, a densidade urbana média na Baixada de
Jacarepaguá / Área de Planejamento 4 era de 73,45 habitantes por hectare, considerando somente a
área urbanizada, o que corresponde a 682 mil moradores distribuídos em pouco menos de 10 mil
hectares urbanizáveis, como indicado no quadro a seguir, ao passo que a densidade bruta ou global

175
era de 23 hab/ha. A densidade global é calculada sobre a superfície total do bairro, da região
administrativa ou do município e portanto nela são computadas as áreas naturais (florestas,
mangues, restingas, praias e lagoas) mais as áreas urbanizadas (áreas urbanas e urbanas não
consolidadas, campo antrópico e solos expostos), enquanto a urbana o é somente sobre a soma das
áreas urbanas e urbanas não consolidadas.

Densidade Demográfica

Áreas*
RAs e Bairros Área Total (m²) Urbanizadas População Densidade Densidade
% sobre ano 2000 Urbana Global
Total Geral Área Total (hab) (hab/ha) (hab/ha)
XVI RA Jacarepaguá 126.606.496,88 35,36% 469.682 104,91 37,10
Anil 3.500.410,64 67,56% 21.551 91,13 61,57
Curicica 3.339.565,58 73,18% 24.839 101,64 74,38
Freguesia 10.396.068,46 57,07% 54.010 91,03 51,95
Gardênia Azul 1.236.297,33 73,37% 19.268 212,42 155,85
Jacarepaguá 75.796.423,06 17,09% 100.822 77,83 13,30
Pechincha 2.830.915,67 75,65% 31.615 147,62 111,68
Praça Seca 6.499.977,57 62,56% 59.657 146,71 91,78
Tanque 5.567.990,24 48,63% 32.462 119,89 58,30
Taquara 13.206.629,87 74,40% 93.741 95,40 70,98
Vila Valqueire 4.232.218,46 65,77% 31.717 113,95 74,94
XXIV RA Barra da Tijuca 165.971.080,83 28,26% 174.353 37,17 10,51
Barra da Tijuca 48.150.629,86 41,16% 92.233 46,54 19,16
Camorim 8.859.905,71 4,24% 786 20,92 0,89
Grumari 9.598.826,18 0,00% 136 0,00 0,00
Itanhangá 13.197.726,51 31,35% 21.813 52,72 16,53
Joá 1.689.691,29 74,94% 971 7,67 5,75
Recreio dos Bandeirantes 30.655.624,39 37,61% 37.572 32,59 12,26
Vargem Grande 39.380.382,34 17,52% 9.306 13,49 2,36
Vargem Pequena 14.438.294,55 20,68% 11.536 38,64 7,99
XXXIV RA Cidade de Deus 1.205.773,57 98,46% 38.016 320,21 315,28
Cidade de Deus 1.205.773,57 98,59% 38.016 319,79 315,28
AP 4 Baixada de Jacarepaguá 293.783.351,28 31,61% 682.051 73,45 23,22
Fonte: IBGE – Censos Demográficos e IPP– Instituto Pereira Passos / Cálculos: Holística
Nota: (*) As áreas urbanizadas correspondem à soma da área urbana e da área urbana não consolidada.

Na XVI RA, somente o bairro de Jacarepaguá ainda poderia receber maiores contingentes de
população, pois os demais já foram urbanizados praticamente em 50% ou mais de sua Área Total,
conforme dados de 2003, o que reduz sobremaneira a continuidade da sua ocupação. Na XXIV RA,
os bairros de Barra da Tijuca e Recreio dos Bandeirantes quase se equivalem em termos de Área
Urbanizada, com aproximadamente 40% da Área Total para cada um.

176
A menor densidade nos bairros da XXIV RA Barra de Tijuca em relação à XVI RA Jacarepaguá
mostra bem as possibilidades de ocupação ainda em aberto na primeira. Mesmo no bairro da Barra
da Tijuca, o mais ocupado em termos de população total, ainda persiste a existência de amplos
vazios urbanos. A densidade urbana chegava a menos de 50 habitantes por hectare no ano 2000.

Deste modo, a densidade urbana média para a XXIV RA é de cerca de 40 hab/ha, se consideradas
apenas as áreas urbanizadas, e pouco mais de 10 hab/ha se considerada a densidade global.

Leve-se em conta que, em boa parte do lado ocidental do Recreio dos Bandeirantes e portanto da
Barra da Tijuca – XXIV RA, os terrenos são em solos encharcados, de drenagem complexa,
exigindo extensa rede de canais para seu eventual aproveitamento para urbanização, o que também
explica a menor densidade da Vargem Grande.

As altas densidades urbana e global da Cidade de Deus – XXXIV RA com mais de 300 hab/ha
remete à sua história de formação de conjuntos populares como reposição a favelas reassentadas das
margens da Lagoa Rodrigo de Freitas.

Como comparação, na ocasião do censo, a maior densidade urbana carioca correspondia à XXVII
Região Administrativa – Rocinha, com 1.236 habitantes por hectare, pela aglomeração óbvia que o
morar em favela produz. O segundo lugar era da XXVIII RA – Jacarezinho pelos mesmos motivos,
com 386 hab/ha. Entretanto, a V RA – Copacabana aparecia logo atrás em 3º lugar, com 382
hab/ha.

Seguindo a lógica que permeia a ocupação residencial do solo urbano, onde os eixos viários
exercem papel catalisador, a densidade demográfica na Baixada de Jacarepaguá concentra-se, com
índices mais expressivos em sua porção centro-norte que corresponde à XVI RA – Jacarepaguá,
cuja ocupação foi se intensificando favorecida pela penetração dos principais eixos arteriais –
Estrada dos Bandeirantes e Estrada de Jacarepaguá e a trama de coletoras à estas interligadas.
Observa-se, assim, mosaico residencial que encontra variações de 60 a 300 hab/ha, em contexto de
proporções crescentes, já chegando a atingir o patamar dos 1.000 hab/ha cuja principal incidência
em termos da XVI RA se dá no complexo de favelas do Rio das Pedras. Este cenário se destaca
frente a situação na Área de Influência Indireta do empreendimento, com predominância da região
administrativa de Jacarepaguá sobre o contexto da ocupação mais rarefeita da região administrativa
da Barra da Tijuca, como abordado no início desta análise temática. O mapa Densidade
Demográfica a seguir espacializa estas informações.

177
INSERIR MAPA DENSIDADE DEMOGRÁFICA NA AII

178
Renda Média Auferida e Condição de Vida da População Residente na AII: Abordagem Geral

Considerando que a renda é um meio e não um fim, ela torna-se necessária à avaliação das
condições de vida. Entretanto, como a renda é seguramente o recurso mais importante com o qual
uma família pode contar para a satisfação de suas necessidades, e caso existam mercados para todos
os bens e serviços que influenciam as condições de vida, a renda – quando adequadamente
mensurada – passa a ser um indicador sintético suficiente para caracterizar os meios disponíveis.
Por estas duas propriedades, quando a perspectiva dos meios é adotada, o acesso à renda torna-se
um ingrediente vital à avaliação das condições de vida.

Apenas com o objetivo de contextualizar a análise, de acordo com recentes levantamentos realizados
pelo IPEA e pela Prefeitura do Rio de Janeiro, os sete bairros cariocas com maior renda per capita são a
Barra da Tijuca, e seis dos sete bairros que compõem a Região Administrativa da Lagoa (Lagoa, Gávea,
São Conrado, Jardim Botânico, Leblon e Ipanema), à exceção evidentemente do Vidigal. Três outros
bairros da Zona Sul se seguem a esses – Humaitá, Copacabana e Leme – e completam a lista dos 10
bairros com maior renda per capita da cidade. Entre os 20 bairros com maior renda per capita, todos são
bairros da Zona Sul. O primeiro bairro fora da Zona Sul a aparecer é o Jardim Guanabara, na Ilha do
Governador, que aparece na 21° posição, seguindo-se a ele Grajaú e Maracanã. Em termos de
autonomia financeira nos bairros que integram a RA da Barra da Tijuca, percebe-se uma forte
concentração de chefes de domicílio que auferem uma renda média mensal que oscila de 5 a 10 e de
10 a 20 salários mínimos (SM). As porções mais “rurais” do território, onde se encontram as
ocupações mais rarefeitas nos bairros de Vargem Pequena e Vargem Grande, registram, segundo os
levantamentos realizados pelo IBGE, a residência de um segmento da população com menor renda
mensal, oscilando entre 2 a 5 SM e entre 1 a 2 SM. Nas demais RAs que compõem a AP4 –
Jacarepaguá e Cidade de Deus, dados levantados pelo IPP em 2000, revelam grande disparidade na
composição da renda média mensal em relação à RA da Barra da Tijuca, conforme mostra o quadro
apresentado adiante. Mapa mais adiante também espacializa o cenário da renda média mensal na
AII, de acordo com últimos levantamentos do Censo 2000 do IBGE e do IPP.

179
Domicílios particulares permanentes, por classes de rendimento nominal mensal da pessoa responsável
pelo domicílio, segundo as Áreas de Planejamento, Regiões Administrativas e Bairros - 2000

Domicílios particulares permanentes


Regiões Classes de rendimento nominal mensal da pessoa responsável
Administrativas Total pelo domicílio (1)
Até 1 Mais Mais Mais Sem Mais Sem
e Bairros SM de 1 a de 5 a de 20 renda de 20 renda
5 SM 20 SM SM (2) sobre sobre
Total Total
(%) (%)
Rio de Janeiro 1 802 347 166 464 734 751 598 788 158 823 143 521 8,81 7,96
Área de
Planejamento 4 204 396 14 420 75 774 68 478 30 786 14 938 15,06 7,31
XVI Jacarepaguá 139 142 10 678 57 223 51 760 9 397 10 084 6,75 7,25
Anil 6 340 340 1 937 2 638 1 059 366 16,70 5,77
Curicica 7 088 628 3 506 2 332 134 488 1,89 6,88
Freguesia
(Jacarepaguá) 16 361 840 4 779 7 613 2 284 845 13,96 5,16
Gardênia Azul 5 477 716 3 312 852 81 516 1,48 9,42
Jacarepaguá 29 366 3 026 16 474 5 898 820 3 148 2,79 10,72
Pechincha 9 936 445 2 872 5 054 1 118 447 11,25 4,50
Praça Seca 17 913 1 535 6 866 7 190 827 1 495 4,62 8,35
Tanque 9 536 775 4 015 3 705 378 663 3,96 6,95
Taquara 27 605 1 905 10 835 11 509 1 727 1 629 6,26 5,90
Vila Valqueire 9 520 468 2 627 4 969 969 487 10,18 5,12
XXIV
Barra da Tijuca 54 494 1 949 12 667 15 390 21 368 3 120 39,21 5,73
Barra da Tijuca 30 612 143 2 152 10 037 17 139 1 141 55,99 3,73
Camorim 217 45 111 32 4 25 1,84 11,52
Grumari 25 4 13 2 1 5 4,00 20,00
Itanhangá 6 295 425 3 751 936 621 562 9,86 8,93
Joá 266 4 37 71 144 10 54,14 3,76
Recreio dos
Bandeirantes 11 335 494 3 510 3 364 3 313 654 29,23 5,77
Vargem Grande 2 533 340 1 373 492 91 237 3,59 9,36
Vargem Pequena 3 211 494 1 720 456 55 486 1,71 15,14
XXXIV
Cidade de Deus 10 760 1 793 5 884 1 328 21 1 734 0,20 16,12
Cidade de Deus 10 760 1 793 5 884 1 328 21 1 734 0,20 16,12
Notas: (1) SM= Salário mínimo utilizado: R$ 151,00. Fonte: IBGE_Censo Demográfico/2000

Da análise do quadro acima, no qual se apresentam tanto as relações de proporção das pessoas
responsáveis pelo domicílio com a faixa de rendimento mais alto, acima de 20 salários mínimos, em
relação ao número total de domicílios (penúltima coluna) quanto a das pessoas sem renda (última

180
coluna), percebe-se com estes dois indicadores a grande disparidade de renda dos bairros entre si,
com relação às RAs e à Baixada de Jacarepaguá – AP 4.

Enquanto a AP 4 tem comportamento melhor em relação ao município do Rio de Janeiro no que se


refere à faixa superior de mais de 20 SM de renda mensal, com quase o dobro da proporção de
pessoas responsáveis (AP 4 com 15, 06% e Rio com 8,81%), no que tange à faixa dos sem renda a
proporção é parecida (AP 4 com 7,31% e Rio com 7,96%).

Do mesmo modo, a RA da Cidade de Deus é que tem perfil de menor renda nesses indicadores, pois
a faixa dos sem renda está em 16,12% e somente 0,20% dos responsáveis pelo domicílio se incluem
na faixa de mais de 20 SM mensais. A RA de Jacarepaguá está em situação intermediária, próxima
à média municipal, com 7,25% dos domicílios com responsáveis declarando não ter renda alguma e
6,75% que auferem mais de 20 salários mínimos mensais. Por último, a RA da Barra da Tijuca faz
jus à posição de tem população com alta renda, pois a proporção de domicílios nos quais o
responsável declara não auferir renda é de 5,73% (quase um terço da proporção encontrada na
região administrativa da Cidade de Deus) enquanto 39,21% dos domicílios têm o responsável com
renda superior a 20 SM mensais, ou seja, de cada 10 famílias da XXIVª RA, em 4 o responsável
ganhava mais de R$3020,00 por mês, à época do censo.

Para tanto muito contribui o bairro da Barra da Tijuca – que é o que apresenta maior renda per
capita na cidade do Rio de Janeiro, conforme apontado anteriormente – cuja proporção de
responsáveis sem renda é a menor de todos os bairros (3,73%) e a dos com renda superior a 20 SM
é a maior (55,99%). Logo atrás vêm os bairros do Joá (com 3,76% e 54,14% nos indicadores
referidos), porém muito próximo, e do Recreio dos Bandeirantes (com 5,77% e 29,3%). Pode causar
dúvidas a posição do bairro de Itanhangá nesses indicadores, porém faz-se mister lembrar que hoje
existem várias favelas que nele se localizam.

Por outro lado, na RA de Jacarepaguá o bairro que tem a pior situação nos mesmos indicadores é o
de Jacarepaguá, com o maior índice de pobreza (10,72% dos domicílios com o responsável sem
renda declarada) e menor índice de riqueza (apenas 2,79% com mais de 20 SM, a menor proporção
de toda a AP 4 depois da Cidade de Deus). O bairro que mais se destaca nessa região administrativa
é o Anil, que têm 5,77% das famílias sem renda e 16,70% recebendo mais de 20 SM mensais. A ele
se seguem a Freguesia (com 5,16% e 13,96% nos indicadores referidos – sem renda e com alta
renda respectivamente) e a Pechincha (com 4,50% e 11,25%).

181
No que diz respeito à situação distributiva da renda dentre todas as outras RAs no Rio de Janeiro,
também a região administrativa da Barra da Tijuca – XXIVª RA é a que mostra maior disparidade,
pois aparece em último lugar no Índice de Gini, medida estatística utilizada para este tipo de
comparação, variando de 0 a 1, cujos melhores resultados são os que mais se aproximam de zero
(0,00). Entretanto, já esteve abaixo do índice nacional, o qual foi de 0,60 em 1990, no meio dos
anos 90 caiu para 0,58 e em 2001 atingiu 0,56, porém hoje está ligeiramente acima, como mostrado
no quadro adiante. A XVIª RA – Jacarepaguá aparece no quinto lugar entre as piores na situação
distributiva, ao passo que a Cidade de Deus – XXIVª RA está no 8º lugar entre as dez melhores
regiões administrativas de acordo com este indicador, porém neste caso parece tratar-se de
distribuição homogênea da “pobreza”, como visto anteriormente com relação aos níveis de renda.

182
Distribuição de Renda de acordo com o Índice de Gini para as Regiões Administrativas do
Rio - 2000

Região (RA) Ìndice de Gini Região (RA) Índice de Gini


Barra 0,59 Realengo 0,49
Lagoa 0,55 Santa Cruz 0,49
Santa Teresa 0,55 Irajá 0,48
Ilha 0,54 Inhaúma 0,48
Jacarepaguá 0,53 Madureira 0,48
Rio Comprldo 0,53 Bangu 0,48
Copacabana 0,52 Anchieta 0,47
Tijuca 0,51 Pavuna 0,47
Penha 0,51 Cidade de Deus 0,46
Campo Grande 0,51 Centro 0,45
Guaratiba 0,51 Portuária 0,45
Méier 0,50 Rocinha 0,45
Ramos 0,50 Morro do Alemão 0,44
Botafogo 0,49 Paquetá 0,43
Vita Isabel 0,49 Maré 0,42
São Cristóvão 0,49 Jacarezinho 0,41
Brasil – 1990 0,60 Brasil 2001 0,56
Fonte: CPS/IBRE/FGV a partir dos microdados do Censo Demográfico 2000 / IBGE

183
INSERIR MAPA RENDA MÉDIA MENSAL NA AII

184
Ocupações Subnormais Presentes na Área de Influência Indireta do Empreendimento

No Brasil, adotam-se várias formas para se fazer referência ao fenômeno da subnormalidade


habitacional. As diferenças regionais e a ênfase que se queira dar a um dos aspectos envolvidos na
questão (legalidade fundiária, posturas municipais, estrutura física da moradia, forma e localidade
do assentamento e outros) dão origem a essa diversidade. Assim podem ser destacadas: (1) barraco,
mocambo ou palafita, cuja ênfase é quanto à estrutura física da moradia, em geral construída com
materiais improvisados ou não duráveis; (2) baixada, alagados, invasão, loteamento clandestino,
favela e assentamentos populares, que têm como foco o sítio e a forma ilegal como se deu a
ocupação.

Essas modalidades de ocupação do território e as alternativas construtivas a elas associadas, são as


formas pelas quais as populações mais pobres têm conseguido resolver, ainda que em geral
precariamente, suas necessidades de abrigo e de acessibilidade aos centros de produção para
alocação de sua mão-de-obra. No que diz respeito à região de interesse dos estudos, a ocupação do
solo na Baixada de Jacarepaguá gerou uma estratificação em faixas sucessivas a partir da orla
marítima, em função do poder aquisitivo combinado com o custo dos terrenos. Esse fato fez com
que as áreas com situação mais privilegiada — primeiramente junto ao oceano, depois entre o mar e
as lagoas — fossem ocupadas com habitações voltadas aos estratos sociais de maior renda,
enquanto que na estreita faixa de terra que vai da margem norte da Lagoa da Tijuca até a base do
maciço de mesmo nome, e ao longo dos principais canais e rios, foram se localizando invasões e
assentamentos irregulares, uma vez que inexistem basicamente, até então, alternativas de oferta de
habitação popular, em função da ausência há longas décadas de política habitacional para camadas
mais carentes.

Com isso a população favelizada na Baixada de Jacarepaguá quase triplicou em dez anos, pois era
de 27 mil pessoas em 1980 e passou para 72 mil em 1991. Na contagem populacional de 1996 era
de 86 mil pessoas, aumentando de novo 20% em cinco anos. Este cenário chegava a cerca de 144
mil pessoas em 2000, de acordo com últimos dados censitários contabilizados pelo IBGE, conforme
se pode ver no quadro adiante, o que significa que a população em favelas na AP-4 simplesmente
dobrou no período inter-censitário de 1991 a 2000 (ou seja cresce a uma taxa geométrica anual igual
a 8%), o que é muito alto em termos de crescimento demográfico. Para se ter idéia, essa taxa é 11
vezes a experimentada pela população de toda a Cidade do Rio de Janeiro no mesmo período
(0,74%). Considerando ainda que a população total residente na AP-4 recenseada em 2000 era de

185
682.051 habitantes, o contingente de pessoas residentes em ocupações subnormais representava até
aquele ano cerca de 22%, o que certamente é um índice preocupante.

AP-4 - População Residente em Comunidades Subnormais - 2000

Relação
Total
Bairro Total Pessoas Pessoas/
Domicílios
Domicílio
Anil 1.922 554 3,47
Curicica 3.201 857 3,74
Freguesia 3.770 1.033 3,65
Gardênia Azul 8.504 2.236 3,80
Jacarepaguá 62.674 18.467 3,39
Pechincha 1.242 342 3,63
Praça Seca 16.870 4.695 3,59
Tanque 3.201 844 3,79
Taquara 8.549 2.284 3,74
Vila Valqueire 1.515 393 3,85
XVI RA Jacarepaguá 111.448 31.705 3,52
Barra da Tijuca 1.069 275 3,89
Camorim 0 0 -
Grumari 0 0 -
Itanhangá 14.044 4.106 3,42
Joá 0 0 -
Recreio dos Bandeirantes 8.022 2.261 3,55
Vargem Grande 3.067 789 3,89
Vargem Pequena 4.905 1.339 3,66
XXIVRA Barra da Tijuca 31.107 8.770 3,55
Cidade de Deus 1.839 514 3,58
XXXIVRA Cidade de Deus 1.839 514 3,58

AP4 Baixada de Jacarepaguá 144.394 40.989 3,52


Fonte: IBGE / 2000

186
Observa-se na tabela acima que das 144.394 pessoas residentes em favelas na AP-4, a grande
maioria está localizada na XVI RA - Jacarepaguá (111.448 hab), representando 77% do contingente
totalizado. Nesta região a comunidade com maior número de domicílios é a Comunidade de Rio das
Pedras que, de acordo com levantamentos realizados pelo IBGE em 1991, já apresentava até aquele
ano 5.052 edificações, totalizando 18.357 hab. Dados do censo de 2000 apontavam para esse
complexo de favelas uma população total de 42.034 habitantes em 12.874 domicílios. Isto é, era
praticamente a metade (45,57%) dos habitantes do bairro da Barra da Tijuca nesse ano.

Na XXIV RA - Barra da Tijuca a população residente em ocupações subnormais somava 31.107


hab, representando 17,8% do total dessa região administrativa.Por sua vez, as favelas que estão no
bairro do Itanhangá, que correspondem à população que se estabeleceu ao norte da Lagoa da Tijuca
por não ter condições de morar mais perto das áreas mais bem estruturadas e urbanizadas,
correspondem a quase metade (45%) das pessoas residindo nas aglomerações sub-nomais da XXIV
RA – Barra da Tijuca., enquanto as do Recreio dos Bandeirantes equivalem a 25% das pessoas.

Por último, cabe comentar que, apesar do dinamismo da Baixada de Jacarepaguá em termos de
crescimento populacional, a ocupação dos domicílios pelas famílias tem mostrado um índice de 3,5
pessoas por moradia na AP 4, média que se desloca para próximo de 4 pessoas por moradia nos
bairros mais populosos e de ocupação mais antiga da XVI RA – Jacarepaguá.

187
INSERIR MAPA OCUPAÇÕES SUBNORMAIS NA AII,

188
7.1.3.6. Atividades Econômicas Dominantes

O entendimento das atividades econômicas pressupõe identificar as principais atividades que vem
sendo exercidas no setor primário (agropecuário, extrativista e pesca), secundário (transformação e
construção civil), terciário (comércio e prestação de serviços) e quaternário (atividades turístico-
hoteleiras e de entretenimento de modo geral, considerando as práticas culturais, esportivas e de
lazer) que regem a economia municipal. A separação das atividades terciárias das quaternárias se dá
em função da valorização das funções de entretenimento ao longo da última década, incluindo a
expansão do segmento hoteleiro o Brasil, com destaque para o atendimento ao turismo
coorporativo, principalmente na Cidade do Rio de Janeiro, onde o bairro da Barra da Tijuca vem
merecendo atenção de grupos nacionais e internacionais. Sinaliza-se, em futuro próximo, o
aproveitamento também dos atrativos naturais da região, mediante o interesse de investidores em
resorts para fins ecoturísticos em áreas de proteção ambiental.

Introdução

De modo geral, no âmbito da Bacia Hidrográfica de Jacarepaguá dois setores econômicos


apresentam destaque atualmente, quais sejam, os setores terciário e quaternário ao sul da Baixada de
Jacarepaguá onde estão localizados os bairros litorâneos da Barra da Tijuca e do Recreio dos
Bandeirantes, cujo predomínio recai sobre as atividades de comércio e prestação de serviços
(incluindo a presença de grandes grupos coorporativos) e aquelas relacionadas ao entretenimento de
modo geral e, ao norte em sua porção mais interiorana, as atividades industriais que vem tendo
papel preponderante, registrando o aumento do número de estabelecimentos nos ramos
farmacêutico, de maquinários e equipamentos, de bebidas e de produções gráficas com maior
concentração no prolongamento da Estrada dos Bandeirantes e demais tramas viárias que acabam
dando acesso aos bairros de Curicica, Taquara e outros.

Sob o ponto de vista histórico esta região, principalmente a porção onde ainda hoje prevalece
aspecto rural de ocupação (Vargem Grande, Vargem Pequena e parte do Recreio dos Bandeirantes)
foi palco de propriedades que exerciam, na década de 1950, atividades agropecuárias com destaque
para as culturas de repolho, aipim e batata-doce que chegavam a abastecer o mercado de Madureira.
Algumas fazendas serviam também como granjas-leiteiras, que durante o Governo Carlos Lacerda,
buscavam auxiliar a então Secretaria de Agricultura no fornecimento de leite à população, muitas
vezes desabastecida. No entanto, a falta de dragagens permanentes nos canais da região (Cortado,

189
Portelo, Urubu e Sernambetiba) contribuiu para o formação de enchentes frequentes, acabando por
inviabilizar as práticas primárias. Segundo relatos de antigos produtores “ a “indústria das
enchentes”favoreceu outros ramos de atividade.

A Relevância dos Setores Terciário e Quaternário na Atualidade

O grande desafio da Barra da Tijuca a ser enfrentado no início do século XXI é a sua consolidação
como pólo gerador de empregos qualificados, que corresponde ao seu destino como a cidade do
futuro na metrópole do Rio de Janeiro. A vocação urbana mais tradicional das metrópoles é a da
prestação de serviços. Com as mudanças ocorridas no modo de produção pelo advento do
computador, estão cada vez mais se consolidando as atividades econômicas ditas superiores. As
grandes empresas descentralizam serviços, terceirizam atividades que antes executavam diretamente
e procuram empresas menores ou profissionais independentes para gerenciar ou controlar a
produção das suas subcontratadas: com isso quarteirizando atividades.

Existe mais trabalho de escritório do que nas linhas de produção das fábricas, existem mais
negociações e comunicações do que operações de máquinas, existem mais empregos para pessoas
com educação mais aperfeiçoada e treinamento mais ampliado. São, portanto, atividades que
requerem maior conhecimento, maior responsabilidade e maior uso da inteligência, tanto no sentido
do esforço cerebral quanto no da acumulação da informação. Estas atividades implicam trocas
muito rápidas de grandes volumes de dados, sejam dos bytes relativos às movimentações
financeiras entre os mercados internacionais, sejam dos resultados de novos métodos e produtos
entre núcleos de pesquisa e desenvolvimento em diferentes lugares, sejam da transmissão das
informações e notícias vindas de todo o mundo, seja da interatividade pelos cabos.

No outro extremo dessa tendência, as atividades superiores representam também a consolidação da


produção única do pensamento - cérebro humano onde o computador - cérebro eletrônico não
consegue competir. São as idéias inovadoras nos vários campos do conhecimento humano, as
manifestações artísticas e culturais mais variadas no ramo do entretenimento, as experiências
individuais na busca de novas aventuras, paisagens ou sensações desconhecidas.

Com isso, a tendência das metrópoles nos países mais avançados é de se tornarem cidades
promotoras da inteligência, não só facilitando o número imenso de trocas entre pessoas ou empresas

190
numa sociedade globalizada, como também permitindo o maior domínio do conhecimento na era da
informação voltado ao aprimoramento do ser humano.

Essa é, por excelência, a vocação da Barra da Tijuca como pólo de equilíbrio dentro da metrópole
fluminense. Para tanto, a Cidade do Rio de Janeiro fará valer suas excepcionais condições de beleza
cênica através do turismo; de mercado financeiro através das operações dos bancos e das
instituições existentes ou atraídas; de comércio internacional através do fluxo de informações; e de
promoção do conhecimento aplicado através das universidades e centros de pesquisa e
desenvolvimento. Retoma-se assim o conjunto de propostas urbanísticas que previa a polinucleação
do espaço urbano do Rio de Janeiro com três centros bem caracterizados: (1) na extremidade leste
da cidade: o centro histórico de negócios e também centro comercial, tanto do pequeno varejo como
do comércio internacional; (2) na extremidade oeste do espaço municipal: o centro industrial
utilizando a base instalada em Santa Cruz, as ligações rodo-ferroviárias e atuando como retaguarda
para o Porto de Sepetiba; (3) na posição central da Baixada de Jacarepaguá: o centro metropolitano
administrativo-financeiro e de serviços avançados, desenvolvendo também atividades ligadas à
formação tecnológica e à informática como suporte às trocas e transações de informações
gerenciais. 5

Nessa visão, a Barra da Tijuca tem o potencial de tornar-se o Centro da Inteligência na Metrópole
do Rio de Janeiro, potencializando sua vocação voltada às atividades econômicas superiores, seja
pelos seus acessos e pela sua centralidade metropolitana, seja pela tranqüilidade favorecida pela sua
esplêndida paisagem, seja pelo espírito aberto às novas experiências de seus habitantes, seja pela
qualificação dos serviços que dispõe, seja enfim por sua própria organização espacial que permite a
localização de extensas áreas edificadas, altamente articuladas entre si.

É dentro deste contexto que se observa atualmente na região de interesse a abundância de


estabelecimentos varejistas e atacadistas (supermercados e hipermercados), shopping centers,
decor-shoppings , malls e diversos building offices que vem juntamente com salas de cinemas
multiplex consolidando a Barra da Tijuca como grande pólo de lazer e de serviços, cuja expansão
do tecido residencial acabou por atrair também não só os profissionais liberais mas, principalmente,
o segmento empresarial com a implantação de grande corporações de negócios (business
corporation), além da presença expressiva dos principais bancos públicos e privados que operam no
país.

5
Barra da Tijuca 2000/2020: Consolidação do Desenvolvimento;2005

191
Como já mencionado a presença marcante da função comercial e de prestação de serviços veio a
reboque da abertura e consolidação das Avenidas das Américas e Ayrton Senna, ao longo das quais
este uso encontra-se hoje bastante concentrado, com destaque para as grandes redes de
supermercados, onde a Barra, primeiramente e mais recentemente o Recreio dos Bandeirantes,
apresentam-se bem servidos contando com a presença de grupos renomados. Apenas para ilustrar o
rápido crescimento dessas atividades cabe lembrar que no início da Avenida das Américas, próximo
ao DownTown, o Grupo Sendas instalou no final de 1996 um hipermercado Bon Marché, enquanto o
Grupo Pão de Açúcar adquiriu em seguida os supermercados Paes Mendonça e Freeway, agora operando
sob bandeira Extra. Há que se mencionar ainda o Carrefour e, mais recentemente, a chegada dos
supermercados Zona Sul e Prezunic que já expandiram suas lojas para o Recreio, rente ao crescimento
da demanda residencial.

Destaque também deve ser dado a presença de grandes concessionárias de veículos e a presença dos
shoppings e malls voltados não só ao comércio das principais griffes nacionais e internacionais da
indústria da moda, como ao comércio no ramo da decoração de interiores, segmentos estes que
buscam público-alvo mais qualificado com maior poder aquisitivo. Também para o Recreio vem
sendo observado o crescimento de estabelecimentos para este fim ao longo da Avenida das
Américas. A presença de opções variadas em termos de programações gastronômicas enriquece em
paralelo esta oferta terciária. Importa registrar o aparecimento de novos estabelecimentos em
Vargem Grande e Vargem Pequena, cuja notoriedade e procura já evidencia uma tendência na
consolidação, em futuro próximo, de um centro gastronômico com repercussão turística dentre os
atrativos da Cidade do Rio de Janeiro.

Já no sentido norte da Baixada de Jacarepaguá as ofertas também se apresentam próximo ao eixo


da Linha Amarela e da Estrada de Jacarepaguá, onde a presença de shopping centers atende
população que reside principalmente nos bairros limítrofes nas Zonas Oeste e Norte. Demais áreas
voltadas ao comércio e prestação de serviços compõem o cenário das ofertas terciárias no âmbito da
Baixada de Jacarepaguá nos bairros de Jacarepaguá, Curicica, Taquara e Freguesia. Contudo, os
shopping centers na Barra da Tijuca (principalmente o Barra Shopping) exercem forte poder de
atração favorecido pela proximidade à Linha Amarela, no prolongamento da Av. Ayrton Senna que
lhe dá acesso. Essa atração atinge também parcela significativa da população da Zona Sul da
cidade, bem como de bairros das Zonas Norte e Oeste.

Cabe citar também o empreendimento Via Parque Shopping, onde atualmente circulam mensalmente
mais de um milhão de pessoas nas suas 300 lojas, fora as que estão surgindo em área de expansão,

192
sem mencionar os dois prédios comerciais com 200 salas. Na Avenida Ayrton Senna, próximo ao
Carrefour e ao Makro, foi edificado o Barra Plaza, que acrescentou mais lojas à essa área da Barra
da Tijuca, onde só o BarraShopping, considerado o maior da América Latina, tem mais de 500
pontos comerciais (sem considerar também a área mais recente de expansão junto ao New York
City Center, inaugurado no final dos anos 90 lançando complexo de cinemas com 18 salas de
projeção, que juntos, recebendo mais de três milhões de pessoas mensalmente, as quais triplicam na
época natalina. No lado oposto do Barrashopping, foi inaugurado no final de 2000, o Centro
Empresarial Barrashopping, cuja previsão era a de ser interligado por monorail ao shopping
center, opção descartada por falta de viabilidade financeira. Logo adiante, em um terreno de 78
mil metros quadrados, às margens da Lagoa da Tijuca, o grupo Agenco / Opportunity construiu
o Centro Empresarial Mário Henrique Simonsen, ocupando apenas 12% da área total com sete
unidades de seis pavimentos, incluindo um centro de convenções para 600 pessoas, um business
center para 100 pessoas e 1.600 vagas na garagem. Na seqüência da Avenida das Américas, a
implantação do Downtown, modelo de shopping aberto, com forte alusão ao comércio de rua, porém
mais protegido e com maior privacidade, vem atribuindo aos poucos à Barra da Tijuca um marco
referencial não só de entretenimento, com a presença de 12 salas de cinemas multiplex e seus bares com
música ao vivo, como de oferta de lojas comerciais e demais prestadores de serviços e profissionais
liberais. Ao lado do Downtown, o centro comercial Città America investiu US$ 80 milhões para reunir
640 lojas e 780 salas de escritórios comerciais, além de atrações como o Hard Rock Café e o parque
infantil da Turma da Mônica, que registram a presença de cerca de 30 mil visitantes por final de
semana, segundo dados dos empreendedores. Com funções específicas voltadas ao mercado de
decoração, o CasaShopping, cumpriu seu papel neste tipo de empreendimento na Barra, localizado
na Av. Ayrton Senna, com várias lojas das mais variadas marcas para fornecimento de materiais,
peças de arte, móveis e projetos em geral. Mais recentemente, o Rio DesignCenter incorporou-se
ao leque dos decorshoppings, resgatando as pequenas salas de projeção voltadas aos cinemas de
arte, bem como contemplando o bairro com bons restaurantes e opções gastronômicas mais
sofisticadas. O Recreio Shopping Center, com investimentos de US$ 15 milhões na altura do
quilômetro 19 da Avenida das Américas, no Recreio dos Bandeirantes, veio para atender a demanda
da população residente no bairro, dispondo de dez salas de cinemas, recentemente beneficiadas
também por equipamentos mais modernos tais como as salas multiplex. Conta também com
supermercado do Grupo Sendas.Cabe também mencionar o empreendimento Barra World com suas
lojas e estabelecimentos envoltos em proposta temática, também no Recreio Mais ao norte, na
Bacia Hidrográfica de Jacarepaguá, destaca-se o RioShopping, inaugurado em novembro de 1996,
próximo à Linha Amarela em Jacarepaguá, com 340 lojas, três cinemas e área de alimentação com

193
24 lojas, em um investimento total de US$ 60 milhões, integrado ao Bosque da Freguesia. A tabela
a seguir indica alguns dados estimativos, conforme controle dos empreendedores, levantados ao
final de 2001.

Freqüência aos Principais Empreendimentos Comerciais da Barra da Tijuca- 2001

Empreendimento Público (aproximado) (pessoas / dia)

RioShopping 20.000
Rio Design Center 15.000
Downtown 30.000
Città America (incluindo Parque da Mônica) 30.000
Via Parque Shopping 50.000
BarraShopping 120.000
Recreio Shopping X
Barra World X

Fonte: Holística Consultoria / 2001; Nota: (x) não informado.

A Importância da Barra da Tijuca no Crescimento do Turismo Coorporativo e do Ecoturismo

No que tange especificamente às atividades quaternárias, deve-se ressaltar para a presença contígua
à Barra da Tijuca de um dos maiores centros de convenções da América Latina – o Rio Centro.
Implantado em Jacarepaguá para sediar importantes calendários de eventos como feiras, congressos,
conferências e exposições diversas, o Rio Centro tem tudo para consolidar-se como importante
instrumento alavancador do turismo de negócios na Cidade do Rio de Janeiro. Com eventos
programados basicamente fora das grandes temporadas, os principais hotéis da cidade acabaram por
minimizar seus prejuízos nas épocas de baixas reservas, revertendo, de certo modo, os efeitos
negativos da sazonalidade turística tão marcada pelo Carnaval carioca. Desse modo, considerada
um dos principais portões de entrada turística no país, a Cidade do Rio de Janeiro vem se
candidatando como opção para sediar grandes eventos programados.

Há que se considerar, contudo, as dificuldades que vem impedindo o crescimento ainda maior deste
setor, no que concerne a falta de infra-estrutura física e social urbanas que permitam dar suporte às
atividades hoteleiras na Barra da Tijuca, tais como investimentos em sistema viário/ transportes e

194
saneamento básico, principalmente. Assim, a Barra da Tijuca vem lentamente sendo provisionada
com a instalação de algumas redes hoteleiras. Grandes grupos internacionais como Meliá, Sheraton,
Windsor e Transamérica realizaram investimentos nos últimos anos, enquanto outros vêm
manifestando interesse, como os grupos Four Seasons, Posadas e outros que olham com interesse
para as áreas de proteção ambiental. A tabela abaixo, indica para alguns números estimados, de
acordo com levantamentos realizados em final de 2002. Cabe mencionar que, nesta análise, não
foram considerados os investimentos já realizados e em andamento em apart-hotéis na região,
considerando a indisponibilidade de informações sobre os processos judiciais em trâmite hoje entre
os investidores e o poder público municipal.

Ainda no que diz respeito às atividades turísticas e temáticas do setor quaternário, cabe chamar a
atenção para o forte apelo que a região apresentou durante os anos 90 para a implantação de parques
aquáticos e de entretenimento de modo geral, principalmente nos bairros de Vargem Grande e
Vargem Pequena. Os parques aquáticos (muitos com investimentos de grupos internacionais em
parceria com empresas brasileiras) também marcaram época, hoje mais prejudicados por
dificuldades econômicas como Wet n`Wild e o Water Planet (este último reaberto recentemente
apenas para tentar aproveitar a época da temporada do verão de 2005). Mais associados aos
atrativos naturais com investimentos de pequeno porte em caráter rural citam-se o Bwana Park e a
Fazenda Alegria em Vargem Pequena. que também passaram por dificuldades, tendo inclusive
interrompido atividades. De qualquer modo de acordo com informações de moradores de Vargem
Grande e Vargem Pequena está em pauta na região mais um empreendimento temático – Parque
Fazenda Recreio, localizado em área entre os canais do Cortado e do Portelo em propriedade
particular. que deverá traduzir-se em parque com proposta ecoturística voltada basicamente ao
público infantil. A descrição mais detalhada deste empreendimento encontra-se na abordagem da
Área de Influência Direta (AID) mais adiante.

Apesar do entusiasmo despertado nos investidores em empreendimentos temáticos, lembra-se o


Parque Terra Encantada, no bairro da Barra da Tijuca (na Av. Via Parque), outro empreendimento
com dificuldades financeiras e já em estado de falência, assim como o Parque da Mônica que no
final da década de 90 surgiu como opção voltada apenas à faixa etária infantil, dentro do
empreendimento Città Améric mas que enfrentou dificuldades de viabilidade financeira. Com
proposta mais abrangente na área gastronômica e musical o Hard Rock Café, marca de renome

195
internacional, vem resistindo no âmbito das casas temáticas. A seguir, alguns dados mais
específicos sobre os parques temáticos que marcaram presença na região.

• Wet n`Wild (fechado quando do levantamento de dados)

O Wet n`Wild Rio, réplica de última geração do parque do mesmo nome existente nos Estados
Unidos, é o resultado de uma associação entre a Fundação dos Economiários Federais (Funcef) e a
Organização Suarez, apresentando capacidade para 5.000 pessoas com estacionamento para 1.300
veículos, implantado em uma área de 110.000 m2. De acordo com informações gerenciais, o Parque
vem se consolidando como forte atrativo turístico para o segmento interno, promovendo o receptivo
de visitantes provenientes não só do estado do Rio de Janeiro como de São Paulo, Minas Gerais e
Espírito Santo. Com atrações como o Twister, o Kamikaze e o Yahoo, pode-se despencar de
togoáguas de até 22 metros de altura, além de outras opções para os “amantes da boa adrenalina”. O
Complexo Aquático, que incorpora o que existe de mais atualizado em tecnologia do gênero,
movimenta 10 milhões de litros de água, tratada, filtrada e reciclada 24 horas por dia. Suficiente
para encher duas mil piscinas olímpicas, tem seu suprimento independente de fornecimento externo,
garantido por poços artesianos, escavados a grandes profundidades.

• Rio Water Planet:

Com 180.000 m2 o Rio Water Planet possui uma infra-estrutura de nível internacional. Operando
com os mais modernos equipamentos disponíveis no mercado, abriga em todo o complexo 12.000
000 de litros de água, equivalente ao consumo de uma cidade de 50.000 habitantes. Com captação
através de poços artesianos profundos, em média 180 metros, a água passa primeiramente por
sistema de tratamento próprio (ETA) para a retirada de todas as impurezas, sendo posteriormente
clorada e distribuída por todo o Parque, além de sofrer monitoramento contínuo através de sensores
eletrônicos para a dosagem de cloro e medição do PH. Com capacidade para receber cerca de 9.000
visitantes e estacionamento programado para o parqueamento de 2.500 veículos, o Water Planet
também vem se consolidando como pólo de entretenimento na região. De acordo com informações
da Prefeitura do Rio de Janeiro, as dependências deste Parque também serão utilizadas para
competições durante os Jogos Pan-Americanos – Canoagem e Slalom.

• Terra Encantada:

Inaugurado no início de 1998, com investimento de US$ 150 milhões em terreno de 300 mil metros
quadrados na Avenida Ayrton Senna, em pleno coração da Barra da Tijuca, o Parque Temático
Terra Encantada foi projetado para oferecer diversas atrações em brinquedos para várias faixas
etárias, além de lojas comerciais contando com a presença de grandes redes de fast food e outras
196
opções gastronômicas mais típicas do cardápio carioca. Com capacidade para receber ao redor de
30 mil pessoas nos dias mais movimentados, o empreendimento, contudo, não apresentou o sucesso
esperado, tendo tido inclusive vários contratos rescindidos e grandes prejuízos acumulados.

O Parque, no entanto, vêm tentando superar as dificuldades financeiras, buscando alternativas para
sua utilização, além daquelas originalmente propostas. Recentemente, foi locado amplo espaço para
a prática religiosa de grupo evangélico. Planejado inicialmente sob a égide do modelo de
entretenimento americano, estudiosos da área de viabilidade financeira atribuem as dificuldades
vividas pelos empreendedores à falta de demanda real para fazer frente aos investimentos alocados.

• Parque da Mônica:

Inaugurado em novembro de 2000, traduz-se em recente diversão para a faixa infantil em filial
carioca do Parque da Mônica, originalmente implantado em São Paulo. Nele a turma de Maurício
de Souza – Mônica, Cebolinha, Cascão & Cia – sai das revistinhas e viram personagens em uma
área de 10.000 m2 dentro do empreendimento Città América.

Ainda no que diz respeito ao ramo do entretenimento cabem citar as casas para shows e os amplos
espaços que vem servindo a realização de mega-eventos na região da Barra da Tijuca e que se
destacam pelo grande número de pessoas que conseguem conglomerar. São estes:

• Claro Hall (antigos ATL Hall e Metropolitan):

Consolidou-se na Barra da Tijuca como um dos mais amplos espaços para a promoção de
espetáculos na maior casa do gênero do Rio de Janeiro, que tem capacidade para atrair até 9 mil
pessoas, na sua configuração mais densa. Atualmente o Recreio dos Bandeirantes oferece outra casa
para shows – Ribalta – porém prejudicada ainda pela sua localização mais distante daquelas que
ditam este mercado no bairro da Barra da Tijuca que, em menor escala, oferece também o
estabelecimento Garden Hall ,a Av. das Américas na Barra.

• “Cidade do Rock”

Localizada em terreno de propriedade da Caravalho Hosken S.A, denominada Ilha Pura, junto ao
Rio Centro, ocupa uma área de 870.000 m2 cedida à empresa ArtPlan para a promoção de mega-
eventos musicais iniciados com o Rock in Rio, já na sua terceira edição e que vem atraindo grande
quantidade de pessoas procedentes não só de todo o Brasil, mas de várias partes do mundo.
Conforme já mencionado, sediará, de acordo com previsão da Prefeitura algumas modalidades
esportivas durante os Jogos Pan-Americanos, dentre elas o beisebol, softbal, arco e tiro em
instalações cujos investimentos serão realizados pela Prefeitura O quadro abaixo informa sobre

197
alguns dados em termos de visitas públicas, para alguns empreendimentos presentes na Área de
Influência do empreendimento.

Predominância na Atração do Público de Empreendimentos de Entretenimento e Lazer

Predominância em Atração de Público: Público


Na Baixada de Jacarepaguá Em pessoas - freqüência max.diária estimada
Wet`n Wild 9.000
Water Planet 5.000
Terra Encantada 30.000
Claro / ATL Hall 10.000
“Cidade do Rock” 200.000
Rio Centro 30.000
Autódromo 60.000
Fonte: Holística Consultoria /2001

A realização dos Jogos Pan-Americanos também dinamizará alguns estabelecimentos com


propósito turístico-esportivo, como é o caso do Autódromo Nelson Piquet que foi considerado
recentemente pelos avaliadores esportivos como um dos únicos no contexto internacional capaz de
permitir ampla visualização por parte dos espectadores de todo o circuito de corrida, diferentemente
do empreendimento paulista hoje monopolista do evento. O Autódromo Nelson Piquet vem
sediando a realização de corridas de grandes prêmios automobilísticos e de motocicletas, às quais
podem comparecer até 100 mil pessoas, além de 5 mil pessoas entre participantes, organizadores e
entourage.

O Setor Primário na AII

Como já mencionado na abordagem inicial introdutória, estas atividades inerentes a este setor têm
caráter mais de subsistência, se considerada as práticas agrícolas ainda encontradas nos bairros de
Vargem Grande, Vargem Pequena e parte do Recreio dos Bandeirantes. Até 2001, ano em que foi
constituído grupo de trabalho pela Prefeitura para elaborar o Projeto de Estruturação Urbana de
Vargem Grande _ PEU das Vargens, a legislação municipal considerava como área agrícola
basicamente toda a extensão da microbacia dos Campos de Sernambetiba, incluindo a parte oeste
das franjas do Maciço da Pedra Branca. Contudo, a pressão imobiliária para promover a expansão
urbana nesta área conduziu a mudanças na legislação do uso e ocupação do solo as quais já foram
198
aprovadas em primeira votação na Câmara dos Vereadores (no início de 2005), desestimulando a
retomada dessas atividades praticadas em moldes de subsistência faz tempo. Em algumas áreas, no
entanto, ainda é possível encontrar usos pecuários extensivos como a área onde existe criação de
búfalos em propriedade particular na Fazenda Calábria (propriedade Sr. Paquale Mauro), localizada
entre os canais do Cortado e do Portelo (vide caracterização das atividades na abordagem da AID).
Cabe lembrar a Fazenda Parque Recreio (também de propriedade do Sr. Paquale Mauro), já
mencionada, onde existe a previsão de ser implantado parque temático ecoturístico para público
infantil.

As Atividades Pesqueiras

Na Bacia Hidrográfica estão presentes três colônias de pescadores, quais sejam (1) ASPEBAGUÁ,
localizada na margem leste da Lagoa de Jacarepaguá na foz do rio Marinho (cruzamento sob a Av.
Salvador Allende), (2) a Colônia ASPERBAN, localizada próxima a Lagoinha e (3) a
APELABATA (filiada a Colônia Z-13), junto ao Canal da Joatinga.

De acordo com a APESBAGUA _ Associação de Pescadores da Baixada de Jacarepaguá de Rios e


Lagoas Adjacentes, a atividade pesqueira chega a totalizar cerca de 5 toneladas /mês de pescado
com destaque para a tilápia e tainha seguida do robalo, curvinata (curvina pequena), traira e siri. A
lagoa tem peixe de água doce e salgada uma vez que é uma lagoa salobra. o que favorece a pesca da
tilápia, tainha e robalo que podem existir em ambos ambientes. O peixe com maior valor comercial
é o robalo (R$ 8,00/kg), enquanto os demais são vendidos a R$ 2,00 /kg (qualquer um).
Dependendo do dia da semana são vendidos ou para a CEASA (com a qual mantém associação) ou
diretamente em restaurantes e pessoas físicas. A pesca é sempre praticada nas lagoas, o que não
acontece com a pesca no mar, esta última acontecendo com menor freqüência apenas no verão A
colônia existe a pelo menos 10 anos tendo atualmente cerca de 350 filiados oferecendo vários
benefícios tais como aposentadoria aos 65 anos, carteira de registro e outros. Como material de
pesca os pescadores utilizam a rede de espera e a tarrafa, podendo contar com cerca de 15 barcos
que navegam nas lagoas entre 2:00h e 4:00h da madrugada. Os pescadores também exercem suas
atividades no Rio das Pedras e na Lagoa da Tijuquinha e também próximo ao Hospital Rio Mar e
próximo aos condomínios Para a associação dos pescadores da APESBAGUA a interligação dos
canais das Taxas, Cortado e Portelo ao Canal de Sernambetiba seria melhoraria as atividades
pesqueiras na região hoje bastante prejudicadas.

199
Outra colônia atuante na área é a Colônia ASPERBAN _ Associação de Pescadores do Recreio dos
Bandeirantes, mas que só pescam em água salgada e na orla do Recreio dos Bandeirantes. De
acordo com informações obtidas junto aos pescadores a quantidade de pescado por dia varia muito,
mas normalmente tem sido de 15kg / dia em um barco com dois pescadores. As espécies mais
pescadas são robalo, pampo, carapeba, cherelete e anchova Dentre estes cobram R$ 5,00 /kg na
venda da carapeba e do cherelete, R$ 8,00 / kg na venda do pampo e da anchova e R$ 15,00 o
robalo e o linguado (quando aparece) pois são peixes mais nobres. Normalmente vendem para
pessoas físicas que os procuram mas, embora seja raro, às vezes vendem para os restaurantes. A
Associação existe desde 1991, tendo iniciado suas atividades com 27 associados sendo que agora
são apenas 14. Muitos abandonaram as atividades em função da grande diminuição do pescado nos
últimos anos. Como benefícios a Associação oferece aposentadoria após 65 anos, embora não seja
reconhecida. Quanto aos instrumentos de pesca utilizados mencionam a rede de espera, contando
com 14 barcos. Segundo relatos dos pescadores o que mais prejudica esta Associação são os
grandes barcos de pesca conhecidos como “ barcos de arraste” que são muito grandes e navegam
basicamente a noite por contarem com boa iluminação. Assim arrastam tudo que encontram,
principalmente camarões, levando areia e, junto, todas as larvas, peixes e. com isso, interferem
negativamente na fauna e na flora. Frente à esta situação, consideram a poluição das lagoas
problema desprezível nesta área em que praticam a pesca.

Outra colônia que também atua basicamente em água salgada é a APELABATA_ Associação de
Pescadores Livres e Amigos da Barra da Tijuca e Adjacências, filiados à Colônia Z-13, localizada
junto ao quebra-mar. De acordo com informações dos pescadores são pescados 9 toneladas de
pescado / mês com destaque para as curvinas, pescadinhas, cação, anchova, cherelete, linguado,
robalo e badejo (os dois últimos em menor quantidade). As espécies com maior valor comercial são
o linguado e o robalo que oscila em R$ 20,00/kg, enquanto as espécies mais baratas não
ultrapassam R$2,00, emora todas sejam típicas de águas salgadas.A associação vende para o
Mercado Produtor na Barra da Tijuca (na Av. Ayrton Senna) e diretamente para pessoas físicas que
os procuram Os pescadores tem pescado mais no litoral em São Conrado, Barra da Tijuca (junto ao
quebra-mar e Recreio dos Bandeirante depois de passar pelas Ilhas Cagarras). Atualmente tem
pescado também junto ao futuro Emissário Submarino da Barra. A Associação existe há 2 anos e
meio, tendo 70 asssociados que dispõem de vários benefícios tais como aposentadoria após os 65
anos de idade, carteira de registro, dentre outros. Quanto aos equipamentos que utilizam para a
pesca destaca-se a rede de espera, contando com 14 barcos com motor. Dependendo da situação
climática pescam de manhã e a tarde. Os pescadores que exercem mais as suas atividades junto ao

200
quebra-mar reclamam dos famosos barcos “pau-brocks” que depredam a fauna e a flora, além, é
claro, a poluição que vem das lagoas. Assim como os pescadores da ASPEBAGUÁ, entendem que
as intervenções pretendidas trarão grandes benefícios para a pesca na região, caso as lagoas
consigam ficar limpas, o que voltará a favorecer o aparecimento de robalo e linguado em maior
escala, além do pescado amarelo, carapeba, carapicu, caraúna, tainha, sacelha, cherelete, camarão e
outros que hoje em dia não existem mais, principalmente na Lagoa de Marapendi.

Quantidade e Tipo de Pescado na AII _ 2005


Associação Associados Barcos Pescado
Qt (t) Local
(água)
ASPEBAGUÁ 350 15 5 Doce/salobra
ASPERBAN 14 14 15 salgada
APELABATA 70 14 9 salgada
Fonte: COHIDRO _ Pesquisa de Campo / 05 junto às Associações de Pescadores

Exploração Mineral:

Ainda registra-se a presença de atividades de exploração mineral dentro da Bacia Hidrográfica de


Jacarepaguá embora muitas das unidades de exploração, principalmente as saibreiras, já tenham
sido desativadas (inclusive duas que ficavam dentro dos Campos de Sernambetiba. Outras
explorações também estão presentes tais como a extração de (1) areia , localizada no Recreio dos
Bandeirantes, próxima à Av. das Américas, (2) argila, também no Recreio próximo à Av. das
Américas, (3) saibro, mais presentes hoje em dia ao norte da Bacia Hidrográfica de Jacarepauá nos
bairros da Taquara, Tanque e Praça Seca, tendo sido desativadas na sua maioria aquela existentes
no Recreio dos Bandeirantes e em Vargem Grande, (4) brita, merecendo destaque a IBRATA
Mineração Ltda localizada em Vargem Pequena (conforme será melhor detalhado na abordagem da
AID), estando as demais em Jacarepaguá, (5) granito, cujos principais locais com extração
localizam-se próximo às franjas do Maciço da Tijuca, nos bairros do Itanhangá e Alto da Boa Vista
e um local de extração em Jacarepaguá.

De acordo com o empreendedor, o material pétrio para implantação dos guias-correntes deverá ser
fornecido pela IBRATA, jazida com autorização para operação da FEEMA (Proc. 201.148/98 _ LO
nº 347/98) e do DNPM (Proc. 808.641/75 e 808.415/75)

201
INSERIR MAPA ATIVIDADES ECONOMICAS SETOR TERCIÁRIO

202
INSERIR MAPA ATIVIDADES ECONÔMICAS SETOR QUATERNÁRIO

203
INSERIR MAPA ATIVIDADES ECONOMICAS SETOR SECUNDARIO

204
INSERIR MAPA ATIVIDADES ECONOMICAS SETOR PRIMÁRIA

205
A Presença do Setor Secundário na Baixada de Jacarepaguá: Importantes Pólos Indutores de
Geração de Emprego e Renda na Região

Conforme descrito acima a Baixada de Jacarepaguá vem concentrando nos bairros de Jacarepaguá,
Curicica, Tanque, Cidade de Deus, Freguesia e Gardênia Azul, principalmente, importantes
representantes da indústria farmacêutica, como os grupos Aché, Shering Plough, Roche, Merck,
Smithkline Beecham e Glaxo Wellcome. Com destaque cabe mencionar que os investimentos da
Smithkline Beecham chegaram a U$ 70 milhões para a implantação do novo laboratório
farmacêutico traduzindo-se no maior investimento da empresa em termos mundiais, em terreno que
soma 100 mil metros quadrados. Também de modo expressivo cita-se o grupo farmacêutico inglês
Glaxo-Wellcome que construiu sua segunda fábrica no Estado do Rio de Janeiro, totalizando
investimento de US$ 110 milhões em terreno de 100 mil metros quadrados no bairro do Camorim.
Algumas outras plantas industriais marcam presença na região. Na Baixada de Jacarepaguá destaca-
se a presença da AmBev (unidade da Antártica) que se transformou em centro de produção de
cerveja na região onde, de acordo com dados informados pela Empresa, a média produzida era de
1,25 bilhões de litros / ano de cerveja e 500 milhões de litros de refrigerantes, até início do ano
2000 (sem considerar a produção da unidade da Brahma de Campo Grande, inaugurada no início de
1996).

Ainda em Jacarepaguá, o grupo americano Block Drug investiu US$ 30 milhões na construção de uma
nova fábrica de produtos dentários da Stafford-Miller. O SENAC - Serviço Nacional do Comércio
erige na Avenida Ayrton Senna (junto ao que seria o pólo de ótica), com investimento de US$ 30
milhões, um centro de produção de aplicativos (software) educativos, visando ao auxílio do ensino
através de programas de computador. Com investimentos em equipamentos de informática a Cobra
Computadores encontra-se presente no bairro de Jacarepaguá. Parece pertinente também considerar
na região a presença de atividades ligadas à indústria televisiva e cinematográfica representadas
pela (1) PROJAC – Centro de Produção de Cenários e Filmagens televisivas da Rede Globo,
localizada em Jacarepaguá, que comporta 4 mil funcionários — na qual foram investidos US$ 120
milhões em 1,3 milhão de m2, dos quais 150 mil estão edificados, e (2) o Pólo de Cine-Vídeo, na
Barra da Tijuca, com espaço também para oferecimento de cursos e exposições que podem
congregar de 1.000 a 2.000 pessoas. De acordo com informações na região deverá ser inaugurado em
futuro próximo o estúdio para produções televisivas e cinematográficas do grupo Renato Aragão em
Vargem Pequena, na Estrada dos Bandeirantes.A tabela mais adiante sintetiza o poder de atração dos
pólos mencionados.

206
Convém mencionar os investimentos que vem sendo realizados no Porto de Sepetiba, embora fora da
área de influência indireta em estudo, porém facilmente atingível a partir da Barra da Tijuca, através das
Linhas Amarela e Vermelha Convém mencionar os investimentos que vem sendo realizados no Porto
de Sepetiba (já na casa dos U$ 360 milhões) e que futuramente deverão se concretizar junto ao Pólo-Gás
Químico no vizinho município de Duque de Caxias, cuja dinamização de ambas as atividades (portuária
e químico-industrial) poderá significar movimento de conurbação para alguns segmentos operacionais
de mão-de-obra mais qualificada, i.e., definindo perfil pendular casa-trabalho para o novo morador da
Barra da Tijuca em futuro próximo. Esta lógica também aplica-se sobre o mercado gerador de
oportunidades nas frentes do segmento farmacêutico, principalmente, que expande-se pela região de
entorno ao empreendimento. A tabela a seguir sintetiza as principais informações sobre as alocações no
setor secundário na Baixada de Jacarepaguá.

Pólos Atratores – Principais Investimentos

Predominância de Geração de Emprego: Investimento


Na Área de Influencia da Baixada de Em milhões de dólares (U$)
Jacarepaguá (externa a AII)
Pólo Gás-Químico de Duque de Caxias 800
Porto de Sepetiba 360
Na Baixada de Jacarepaguá Em milhões de dólares
Fábrica da Glaxo-Wellcome 110
Expansão da Fábrica da Antártica 90
Fábrica da Smith-Kline Beecham 70
Fábrica da Stafford-Miller 30
Centro de Tecnologia Educacional do SENAC 30
Fonte: Barra da Tijuca – Trajetória para o Ano 2002 – Holística Consultoria / 2002

207
7.1.3.7. INFRA-ESTRUTURA FÍSICA E SOCIAL

• Infra-Estrutura Física:

Sistema Viário e Transportes na Região de Inserção das Intervenções

A abordagem sobre sistema viário e transporte exige uma leitura mais abrangente que não permite
ser analisada à luz apenas do recorte físico-territorial da Bacia Hidrográfica de Jacarepaguá (AP-4)
mas sim buscando entender, de modo geral, as principais linhas de desejo que determinam os
movimentos mais intensos de entrada e saída desta região. Assim, de maneira a permitir uma
caracterização mais ampla as informações sobre o sistema viário e de transportes na AII estará
contemplando (1) informações gerais para contextualização, (2) a hierarquização do sistema viário
na região, (3) as linhas de desejo da população da AP-4 e (4) uma análise do sistema viário
estrutural.

• Informações Gerais para Contextualização

O contexto físico-geográfico de inserção da Baixada de Jacarepaguá, onde os maciços montanhosos


da Tijuca e da Pedra Branca acabam por confinar os terrenos que vão do sopé das montanhas até o
mar, formando quase que um espaço fechado, sempre criou dificuldades de acesso a essa região. O
retrospecto histórico mostra que o acesso terrestre originalmente só se fazia pelo vale do Marangá,
que é a garganta existente entre os maciços, possibilitando a única ligação no nível do mar. Este
corredor liga a Baixada de Jacarepaguá com a porção ao norte do território, passando atualmente
pela Praça Seca, correspondendo, grosso modo, ao trajeto da Avenida Cândido Benício.

Com a construção da auto-estrada Lagoa - Barra, na década de ‘70, o problema de acesso à Baixada
de Jacarepaguá parecia definitivamente resolvido. Entretanto, o crescimento exponencial da frota de
veículos em circulação veio a modificar esse conceito. Considerando a proporção de que 70% das
pessoas utilizam veículos individuais e 30% veículos coletivos, como é característica da Barra da
Tijuca (sendo a média de ocupação de 1,2 passageiros por veículo particular), têm-se ao redor 3.000
veículos por hora nos horários de pico para cada 100 mil habitantes. Ressalta-se que na área de
captação da Baixada de Jacarepaguá residem atualmente cerca de 680.000 mil pessoas,
considerando os resultados demográficos apresentados pelo IBGE para 2000.

A demanda potencial de tráfego em um sentido (entrada, por exemplo) é da ordem de 20.400


veículos por hora nos horários de pico, o que representa pelo menos a necessidade de dez faixas de

208
rolamento de via expressa com capacidade de 2.000 veículos por faixa, ou vinte faixas considerando
os dois sentidos (entrada e saída ou fluxo e contra-fluxo, em terminologia específica). Essa
demanda potencial atingiu novo patamar a partir de 1994, superior ao dobro do medido para os
estudos da Linha Amarela, pois a frota de veículos cresceu rapidamente com a estabilidade
alcançada pela nova moeda no Brasil – o Real - atendendo a uma demanda reprimida estagnada por
quase doze anos até então.

Passou a haver uma forte expansão dos movimentos de entrada e saída na Baixada de Jacarepaguá,
tanto em relação ao transporte individual, quanto em relação ao transporte de cargas (abastecimento
e construção civil, por exemplo), pois as condições de crescimento urbano se aceleraram a partir do
cenário de estabilização econômica, podendo citar, (1) o aumento dos investimentos no mercado
imobiliário, com a maior oferta de unidades habitacionais levando um maior número de pessoas a
morar nessa região, hoje a maior reserva de expansão urbana do Rio de Janeiro, (2) o aumento da
taxa de motorização, com maior número de pessoas dispondo de meio de transporte próprio e com
disponibilidade financeira para maiores gastos com combustível; Elevação da renda média familiar
e conseqüente tendência ao consumo e ao lazer, levando um maior número de pessoas a procurar os
serviços que a Barra da Tijuca oferece e que também estão sendo progressivamente ampliados.

Por outro lado, o patamar atingido ficou estável com as sucessivas crises econômicas no final da
década de ‘90 devidas à inserção do Brasil no processo de globalização, inclusive a desvalorização
da moeda, que reduziram os efeitos anteriormente apontados. Ao mesmo tempo, a oferta atual de
vias de acesso está limitada a um total de vinte faixas nos pontos de estrangulamento, considerando
os dois sentidos (entrada e saída).

Esses pontos são: Avenida das Américas na Ponte da Joatinga - 4 faixas de rolamento; Estrada de
Furnas - 2 faixas; Estrada dos Três Rios (Grajaú - Jacarepaguá) - 4 faixas; Avenida Cândido
Benício - 2 faixas; Linha Amarela – 6 faixas de rolamento. Dentre esses, o maior problema está na
Ponte da Joatinga, pois admitindo que 33% do tráfego saia por ela para a Zona Sul, tem-se que a
demanda potencial de tráfego é da ordem de 6.000 veículos por hora nos horários de pico, acima da
capacidade das 2 faixas da via. Isto torna esse trecho muito vulnerável a qualquer anormalidade,
seja por um acidente de trânsito maior ou um simples carro enguiçado. Mesmo a solução de utilizar
mais uma faixa de rolamento, em mão inglesa, nos horários de pico da saída matinal na ponte da
Joatinga - elevado das Bandeiras, é apenas paliativa pois o tráfego fica no limite da oferta, e não
resistirá ao aumento da demanda por muito tempo no ritmo de crescimento da Baixada de
Jacarepaguá. Melhor solução é utilizar mais duas faixas de rolamento na ponte da Joatinga / elevado

209
das Bandeiras, usando os acostamentos de modo a se ter três faixas com o mesmo sentido do
tráfego, como cogitam fazer as autoridades municipais.

A implantação da Linha Amarela melhorou substancialmente o fluxo de veículos que se dirige da


Baixada de Jacarepaguá para a Zona Norte, inclusive tendo captado parte do fluxo que para lá se
orientava via Auto-estrada Lagoa – Barra e Túnel Rebouças. Antes da Linha Amarela, quase
metade do fluxo de saída da Baixada de Jacarepaguá se dirigia a este corredor. Com a melhoria dos
seus acessos à Avenida Brasil e à Linha Vermelha no final de 1999, a Linha Amarela passou
também a ser uma opção consistente para a ligação Baixada de Jacarepaguá – Centro do Rio de
Janeiro. Esse cenário, entretanto, apresentou uma situação de atendimento à curto prazo. Do mesmo
modo que ocorreu com a experiência com a Linha Vermelha, o alívio experimentado só foi efetivo
por poucos anos.

Ou seja, já terminou como mostram os engarrafamentos nas horas de pico e, também, nos finais de
semana, tendo em vista as tendências de crescimento observadas, além de a Linha Amarela
favorecer basicamente a demanda dos habitantes da parte norte dessa região, isto é, os de
Jacarepaguá, pois os da Barra da Tijuca continuam a privilegiar a circulação ao longo da orla
marítima, tida como mais natural e como percorrendo uma paisagem cenicamente mais atraente,
para motorista e passageiros.

Nesse sentido, este corredor também deve ser preparado para suportar o acréscimo de tráfego que
lhe cabe com as correspondentes obras, seja pela ampliação da pista da Avenida Niemeyer,
lateralmente ou em lajes sobrepostas, seja pelo projeto que tem sido ainda discutido perfurando um
outro túnel no Morro dos Irmãos, ligando o Leblon a São Conrado. Se forem considerados cenários
à médio e longo prazos, levando em conta a ocupação dos terrenos vazios ainda oferecidos pela
Barra da Tijuca e a ampliação da frota de automóveis, o tráfego de entrada e saída para a Baixada
de Jacarepaguá exigirá que continuem sendo realizados expressivos investimentos em infra-
estrutura viária.

No que diz respeito à questão de transportes, chegam à região da Barra da Tijuca várias linhas de
ônibus provenientes de bairros dos subúrbios mais distantes e das Zonas Oeste, Norte e Sul,
permitindo o acesso de grande contingente de mão-de-obra, principalmente daquele residente em
comunidades subnormais, como é o caso das comunidades da Rocinha, Cidade de Deus e Rio das
Pedras, muitas vezes alocado na construção civil, hoje também bastante presente nas frentes de
construção civil no Recreio dos Bandeirantes. Aliás, foi exatamente pela intenção em residir em

210
locais mais próximos aos postos de trabalho que acentuaram-se as ocupações informais naquele
bairro como já analisado. Provavelmente, investimentos em transportes de massa poderiam estar
evitando tais situações indesejáveis na cidade.

Como local de convergência de parada final das linhas de ônibus que acessam à região ganha
destaque o Terminal Rodoviário da Alvorada, localizado no Trevo das Palmeiras, basicamente no
entroncamento viário entre as Avenidas das Américas e Ayrton Senna

Quanto aos deslocamentos internos no bairro da Barra da Tijuca, embora saiba-se da predominância
do uso de transporte individual, os moradores vem sendo contemplados por linhas de ônibus que
circulam pelos principais eixos viários intra-urbanos, garantindo acesso aos principais centros de
circulação (shoppings). O acesso aos bairros do Recreio dos Bandeirantes, Grumari, Vargem
Grande e Vargem Pequena é feito basicamente através dos transportes particulares, monopolizados
pelas vans, embora a Prefeitura tenha projeto para implantar a Via 4, cuja área reservada para tal
intervenção viária já foi também parcialmente invadida por favelas.

• Hierarquização do Sistema Viário na AII:

Frente ao contexto analisado, apresenta-se a seguir mapa indicativo da hierarquização viária,


considerando o contexto de inserção da Área de Influência Indireta dos locais onde deverão existir
intervenções. Para a caracterização das vias inseridas na atual área de estudo considerou-se, em
termos funcionais, critérios para a configuração hierárquica segundo as definições contidas no
Código de Trânsito Brasileiro (Anexo I – Dos Conceitos e Definições), quais sejam:

¾ Via Arterial - caracterizada por interseções em nível, geralmente controlada por semáforo, com
acessibilidade aos lotes lindeiros e às vias secundárias e locais, possibilitando o trânsito entre as
regiões da cidade;

¾ Via Coletora - destinada a coletar e distribuir o trânsito que tenha a necessidade de entrar ou sair
das vias de trânsito rápido ou arteriais, possibilitando o trânsito dentro das regiões da cidade;

¾ Via Local _ caracterizada por interseções em nível e não semaforizadas, destinadas apenas ao
acesso local ou a áreas restritas.

Portanto, frente aos estudos em pauta, fica estabelecida a seguinte classificação e função:

• Vias Especiais – àquelas expressas, com controle total de acesso, que sirvam de ligação entre os
bairros de interesse da área de estudo com o restante da cidade;

211
• Vias Arteriais Principais - àquelas vias principais que sirvam. de ligação entre os bairros de
interesse da área de estudo com o restante da cidade;

• Vias Arteriais Secundárias – àquelas vias principais que sirvam internamente à área de estudo,
para ligação entre os bairros de interesse;

• Vias Coletoras _ àquelas vias secundárias que sirvam, internamente aos bairros, de ligação entre
as vias arteriais;

• Vias Locais _ as demais vias que sirvam para deslocamentos localizados de acessos a
residências, comércio e serviço local.

212
INSERIR MAPA SISTEMA VIÁRIO AII (HIERARQUIZAÇÃO VIÁRIA)

213
Assim, a partir das classes relacionadas anteriormente, foram consideradas como Vias Especiais,
Vias Arteriais Principais; Vias Arteriais Secundárias e Vias Coletoras as seguintes vias, por
classificação, quais sejam:

Vias Especiais:

São consideradas como Vias Especiais, Auto-Estrada Lagoa – Barra, Elevado das Bandeiras,
Estrada do Joá, Linha Amarela, Túnel de São Conrado, Túnel do Joá.

Vias Arteriais Principais:

Como Vias Arteriais Principais tem-se, Avenida Armando Lombardi, Avenida Ayrton Senna,
Avenida das Américas, Avenida Guignard, Avenida Ministro Ivan Lins

Vias Arteriais Secundárias:

As Vias Arteriais Secundárias dentro do contexto em estudo são, Avenida Afonso Arinos de Melo
Franco, Avenida Benvindo de Novaes, Avenida Embaixador Abelardo Bueno, Avenida Engênio.
Souza Filho, Avenida Salvador Allende, Avenida Lúcio Costa (antiga Av.Sernambetiba), Estrada
Barra da Tijuca, Estrada do Itanhanga, Estrada do Picapau, Estrada dos Bandeirantes, Estrada
Jacarepagua, Estrada Pontal, Estrada Tres Rios, Ponte Lucio Costa, Prc. Des. Araujo Jorge, Rua
Dom Rosalvo Costa Rego, Rua Estrela Dalva, Rua Maria Luiza Pitanga, Rua Tirol.

Vias Coletoras:

Podendo serem citadas, Avenida Alda Garrido, Avenida Alfredo Balthazar Silveira, Avenida
Antonieta Campos da Paz, Avenida Arquit Affonso Reidy, Avenida Assis Chateaubriand, Avenida
AW PLT 5222143, Avenida Érico Verissimo, Avenida Eugenio Lyra Neto, Avenida Gal.
Felicissimo Cardoso, Avenida Gilberto Amado, Avenida Gilka Machado, Avenida Glaucio Gil,
Avenida Grande Canal, Avenida Guiomar Novaes, Avenida Juan Manuel Fangio, Avenida Mal
Henrique Lott, Avenida Nelson Cardoso, Avenida Nelson Mufarrej, Avenida Olegario Maciel,
Avenida Olof Palme, Avenida Pref Dulcidio Cardoso, Avenida Rodolfo Amoedo, Avenida Cel
Muniz de Aragão, Estrada Arroio Pavuna, Estrada Calmette, Estrada Capenha, Estrada da
Curicica, Estrada da Ligacao, Estrada do Guerengue, Estrada do Outeiro Santo, Estrada dos
Bandeirantes, Estrada Engenho d’Água, Estrada Gabinal, Estrada Joá, Estrada Mal. Miguel Salazar
M. Morais, Estrada Mapua, Estrada Pau Ferro, Estrada Pontal (parte), Estrada Rio Morto, Estrada
Rodrigues Caldas, Estrada Tindiba, Estrada Tres Rios, Estrada Vereador Alceu Carvalho, Praça da

214
Taquara, Praça Viriato Silva, Rua Andre Rocha, Rua Canal do Pitangueiras, Rua Candido Benicio,
Rua Cel. Eurico de S. Gomes Filho, Rua Cel Ribeiro Gomes, Rua da Reverencia, Rua da Ventura,
Rua Edgard Cavalheiro, Rua Edgard Werneck, Rua Heloisa Alberto Torres, Rua Ipadu, Rua
Jackson de Figueiredo, Rua Jose Eusebio, Rua Mal Jose Bevilaqua, Rua Marquês de Jacarepaguá,
Rua Mirataia, Rua Prof Henrique Costa, Rua Prof Rocha Lagoa, Rua Sessenta e Oito PAL 21403,
Rua Tirol (parte).

As demais são vias consideradas locais, com função predominante de permitir acessibilidade ao
comércio e residências a elas lindeiras e/ou ligando vias coletoras.

Dando continuidade mais avançada a análise temática sobre o sistema viário na área de interesse da
Baixada de Jacarepaguá, entender-se-ão as vias até então consideradas como Vias Especiais e
Arteriais Principais como passando a serem entendidas como integrantes características do Sistema
Viário Estrutural da Área de Influência Indireta do empreendimento, sendo estas, (1) Linha
Amarela, (2) Av. Ayrton Senna, (3) Av. das Américas e (4) Auto Estrada Lagoa-Barra. A seguir
procede-se, assim, a análise deste Sistema Estrutural, de suma importância para este diagnóstico
temático.

215
• Linhas de Desejo da População da AP-4

A partir dos dados constantes do Anuário Estatístico do IPLAN-RIO relativos aos dados básicos da
Área de Planejamento AP-4, detalhado por bairro segundo as Regiões Administrativas que a
compõem são importantes variáveis para a estimativa de viagens produzidas por seus respectivos
habitantes.

Dessa forma, aplicando a metodologia já mencionada no tocante ao Índice de Mobilidade, o número


de viagens produzidas resultantes por bairro que compõe as regiões Administrativas da Barra da
Tijuca e de Jacarepaguá, que por sua vez formam a Área de Planejamento AP-4 é mostrada a seguir.

216
Essas viagens produzidas nas regiões Administrativas da Barra da Tijuca e de Jacarepaguá são
distribuídas segundo linhas de desejo obtidas a partir dos dados da maior pesquisa dos últimos
tempos realizadas pelo DETRAN/RJ com a SUBSECRETARIA de INFRA-ESTRUTURA do
Governo do Estado do Rio de Janeiro, são visualizadas nas respectivas figuras na seqüência.

217
LINHAS DE DESEJO TRANSPORTE INDIVIDUAL: ORIGEM, MORADORES DA BARRA JACAREPAGUÁ.

LINHA DE DESEJO DE CARRO DE PASSEIO A PARTIR DE


BARRA DA TIJUCA
3,93%
0,40% 1,8%

0,73%
1,45%

6,16% 1,4%
0,67%
0,45%

4,26% 1,40%
0,53% 0,73%
13,52%
1,40%

6,66%
6,73% 3,20%

2,86%
0,13%
35,40%
6,93%

218
2 ,9 7 %

0 ,4 1 %

1 ,4 9 %
0 ,7 3 %

1 ,4 5 %

1 ,1 9 %

4 ,5 0 %
1 ,4 6 %

6 ,1 6 %

7 ,6 2 % 1 ,3 4 %
0 ,5 2 % 1 ,1 2 %

9 ,3 3 %
2 ,2 7 %

3 ,0 5 %
3 ,0 1 %
2 8 ,8 %

0 ,8 9 %
0 ,0 7 %

1 4 ,4 8 % 3 ,4 2 %

219
Essas mesmas linhas de desejo devidamente agrupadas por corredores no período de pico de 7 às 9
horas no que tangem aos moradores da Barra da Tijuca em sua primeira viagem são mostrada na
figura:

LINHAS DE DESEJO DA BARRA PARA


OUTRAS REGIÕES

Z.NORTE
JACAREPAGUÁ
Z.OESTE 24,50%

TIJUCA
1,93%
6,73% 8,07%

GUARATIBA BARRA 16,45%


Z.SUL CENTRO
35,4%
0,13% 13,52%

Observa-se que no corredor Centro/Sul no pico horário matinal (7 às 9 horas) o destaque é a Zona
Sul, com 16,45% portanto maior participação que aqueles que se destinam ao Centro da Cidade, que
é de 13,52% das viagens produzidas na RA da Barra da Tijuca, cuja principal saída é o Viaduto da
Joatinga com apenas 2 faixas de tráfego por sentido.As viagens geradas pelos moradores da Barra
atingem 320,8 mil viagens por dia das quais 115 mil são viagens internas na própria RA da Barra e
205,8 mil apresentam destino fora da Barra, enquanto as atraídas, portanto oriundas de outras
regiões chegam a mais 358,8 mil viagens por dia.

Já no sentido contrário, ou seja, da Zona Sul para a Barra o movimento daqueles com origem nessa
Zona Sul com destino a Barra é de 25,37% e de apenas 0,78% o movimento dos usuários advindos
do Centro como origem da primeira viagem em direção a Barra no período de pico matinal entre 7 e
9 horas, como pode ser visto a seguir.

220
Da mesma forma, fornece-se as linhas de desejo dos moradores da Região Administrativa de
Jacarepaguá agrupadas por corredor. Cabe observar, que enquanto as viagens geradas diariamente
pelos moradores de Jacarepaguá montam 508,9 mil, por outro lado as que são atraídas de outras
regiões para Jacarepaguá atingem apenas 146,8 mil viagens por dia.

LINHAS DE DESEJO DE JACAREPAGUÁ


PARA OUTRAS REGIÕES

26,13%
Z.NORTE
6,14%
Z.OESTE

JACAREPAGUÁ
28,81%
7,74% TIJUCA
9,33%
0,07%
14,46%

GUARATIBA 7,32%
BARRA Z.SUL CENTRO

Na figura abaixo as linhas de desejo agrupadas por corredor advindas de outras regiões, com destino
a Região Administrativa de Jacarepaguá.

LINHAS DE DESEJO DAS OUTRAS REGIÕES


PARA JACAREPAGUÁ

43,87%
13,57% Z.NORTE
Z.OESTE

JACAREPAGUÁ

TIJUCA
0,39% 13,18%
13,19%
1,7%

GUARATIBA 9,79%
BARRA Z.SUL CENTRO

Os níveis de Tráfego Médio Diário Anual, conhecido pela sigla TMDA, resultantes representativas
das Linhas de Desejo da População, aqui determinados probabilisticamente a partir das contagens
automáticas e seletivas realizadas pela CET-RIO são mostrados nas próximas figuras na região de
interesse.

221
NÍVEIS DE TMDA – TRÁFEGO MÉDIO DIÁRIO ANUAL: AMBOS OS SENTIDOS

93.417
93.417

TMDA:
TMDA:
TRÁFEGO
TRÁFEGOMÉDIO
MÉDIODIÁRIO
DIÁRIOANUAL
ANUAL
118.560
118.560

117.958
117.958 158.000
158.000
116.750
116.750

17.985
MAC
MACDOWELL
DOWELL
222
SERRA DA GROTA FUNDA : TMDA EM AMBOS SENTIDOS

17.554

223
• Análise do Sistema- Viário Estrutural

O diagnóstico será abordado segundo o quadrante Oeste/Norte e em seguida no sentido Leste


segundo o esquema da figura abaixo.

AV. BRASIL

A
R EL
A
GROTA FUNADA

A M
L.
AV. ª SENNA


TO
SERLA

N
AL

EL
R
EB

O

OU
CO
AV. AMÉRICAS AV. AMÉRICAS NR
AD

Ç
O

AS
N
LAGOA

O L

O fato concreto é que o tráfego da AP4 enfrenta sérios problemas não apenas para sair para outras
regiões da Cidade, como para acessar seus próprios bairros em face das restrições de capacidade de
escoamento que se apresentam em todas entradas e saídas. Os níveis de congestionamento (NÍVEL
F) variam de 393 horas por ano na Serra da Grota Funda a 1410 horas por ano na Auto-Estrada
Lagoa Barra no segmento envolvendo o Túnel ZUZU ANGEL no sentido BARRA/LAGOA. A
título de exemplo as velocidades pesquisadas nas rotas entre o Cebolão e o Centro.

224
PARA O NORTE
PARA O LESTE:

VELOCIDADE MÉDIA NAS VIAS


CEBOLÃO/CANDELÁRIA
Entre: 7 e 8 horas

26
Pres. Vagas 20

51
Av. Brasil
VIAS

26

38
Linha Amarela 47

57
Ayrton Senna 33

0 10 20 30 40 50 60
VELOCIDADE (km/h)

ANO:2002 ANO: 1997

VELOCIDADE MÉDIA NAS VIAS


CEBOLÃO/CANDELÁRIA
Entre: 7 e 8 horas

P.VARGAS/CANDELARIA 16
16
ESTÁCIO/P.VARGAS 12
8
VIADUTO P.F./ESTÁCIO 60
45
VIAS

T.REBOUÇAS/VIADUTO P.F. 80
60
LAGOA/T.REBOUÇAS 14
9
TUNEL/LAGOA 89
20
S.CONRADO/TUNEL 45
20
CEBOLÃO/SC 60
60

0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 100
VELOCIDADE (km/h)

80 min ANO:2002 ANO: 1997 56 min

MAC DOWELL

225
Serra da Grota Funda

Trata-se de trecho em via singela, quanto ao uso desse segmento de serra na hipótese de ocorrer
intensificação de tráfego de caminhões. Na Serra da Grota Funda a estrada se apresenta com rampa
forte de 6% e seqüência de curvas horizontais no seu traçado tanto no sentido Barra, quanto no
sentido Santa Cruz e, nessa situação, a seção transversal possui 3 faixas das quais duas no sentido
de subida e uma no sentido de descida.

LOCALIZAÇÃO DA SERRA DA GROTA FUNDA

226
Determinação do TDMA

O volume de tráfego médio diário é mostrado por sentido no croqui fornecido a seguir de pesquisa
realizada em Fevereiro de 2005:

Local: Santa Cruz


ESTR. DA GROTA FUNDA
Barra
Referência: 1
na Ilha de Guaratiba Posto de
9.115
Gasolina

(movimento 1) 2 8.531

15/02/05 - terça-feira Estrada da Grota Funda

A participação de veículos pesados chega a 14% do tráfego cujo Tráfego Médio Diário Anual
determinado probabilisticamente pelo Autor é de 17.754 ao nível de 2005.
As composições por sentido podem ser vistas na figura.

ESTRADA DA GROTA FUNDA ESTRADA DA GROTA FUNDA


SENTIDO SANTA CRUZ SENTIDO BARRA

BUS CAM BUS CAM


8% 6% 8% 5%

AUTO AUTO
86% 87%

O croqui fornecido a seguir ilustra a situação e na seqüência o resultado da distribuição horária


obtida na mencionada pesquisa em cada sentido, cujo posto de contagem foi localizado no lado de
Santa Cruz no sentido BARRA.

227
ESTRADA DA GROTA FUNDA

DISTRIBUIÇÃO DO VOLUME HORÁRIO DE CAMINHÕES


BARRA ESTRADA DA GROTA FUNDA (2005) SANTA CRUZ
1200
991 2 FAIXAS NA SUBIDA
1000 RA
% MP
A6
P821 A6
1 FAIXA NA DESCIDA
800 M %
RA
veículos/hora

600

400

200

0
00:01
01:02
02:03
03:04
04:05
05:06
06:07
07:08
08:09
09:10
10:11
11:12
12:13
13:14
14:15
15:16
16:17
17:18
18:19
19:20
20:21
21:22
22:23
23:24
horário

SENTIDO BARRA SENTIDO SANTA CRUZ

Constata-se que os volumes de tráfego nos dois sentidos se aproxima de uma condição ideal sob o
ponto de vista do maior escoamento de tráfego total nos dois sentidos em se tratando de via singela,
pois a medida que cresce este desbalanceamento entre os sentidos acarreta redução da capacidade
de escoamento em relação a condição ideal de equilíbrio. Essa redução de capacidade de
escoamento da via singela em relação ao nível de desbalanceamento dos fluxos é ilustrada no
gráfico abaixo obtido através da aplicação da técnica de regressão polinomial aos dados do
HCM/1994.

228
FATOR DE REDUÇÃO: CAPACIDADE VIA SINGELA
1 1
0.99
0.97
FATOR DE REDUÇÃO DE CAPACIDADE

0.96
0.94
0.93
0.91
0.9
pgb 0.88
0.87
fit( t ) 0.85
0.84
0.82
0.81
0.79
0.78
0.76
0.75
0.73
.7 0.71
0.7
50 55 60 65 70 75 80 85 90 95 100
50 K, t 100
FATOR DIRECIONAL DO TRÁFEGO
Original data
Smoothed data

Voltando ao gráfico da distribuição dos volumes horários obtidos na mencionada pesquisa constata-
se que em uma única faixa (descida) foi registrado o volume horário de 821 veículos e na hora
seguinte ocorreu queda brusca de tráfego voltando ao mesmo nível uma hora mais tarde
caracterizando o escoamento máximo nesse trecho da Serra. Antes da queda o número máximo de
veículos por hora atingiu 1821 em ambos os sentidos, enquanto no sentido mais carregado, portanto
aquele deslocado nas duas faixas de subida atingiu 54,7% do tráfego total.
Aplicando o procedimento probabilístico desenvolvido por MAC DOWELL determinou-se o
TMDA por sentido na Serra da Grota Funda.

• SENTIDO SANTA CRUZ

200000
⌠ α1− 1 − β1⋅ x
⎮ β1⋅ ( β1⋅ x) ⋅e 8760
TMA := ⎮ ⋅ x dx⋅
⎮ Γ ( α1) 365

0
TMA = 8583 <-- TRÁFEGO MÉDIO DIÁRIO
ANUAL esperado em 2005
SENTIDO SANTA CRUZ.

Com parâmetros:
−3
β1 = 6.746 × 10

α1 = 2.413

229
• SENTIDO BARRA

200000
⌠ α1− 1 − β1⋅ x
⎮ β1⋅ ( β1⋅ x) ⋅e 8760
TMA := ⎮ ⋅ x dx⋅
⎮ Γ ( α1) 365

0

TMA = 9171 <-- TRÁFEGO MÉDIO DIÁRIO


ANUAL esperado em 2005
SENTIDO BARRA.
Com parâmetros:
−3
β1 = 4.654 × 10

α1 = 1.778

O TMDA envolvendo os dois sentidos é de 17.754 veículos, próximo daquele obtido na referida
pesquisa feita em 2005 que é de 17.646, alto em se tratando de via singela, mesmo considerando as
duas faixas de rolamento nas rampas, que se apresentam com pouco mais de 3 m de largura cada.
Isso é confirmado, por ocasião da pesquisa realizada durante uma semana em JUN/2000, pela então
Concessionária Serra Azul 6, responsável pela implantação do Túnel da Grota Funda, cujo
coeficiente de variação do tráfego médio diário durante a semana foi de apenas 4%.
Inclusive, o nível de horas congestionadas como será visto mais adiante levou a Prefeitura conceder
à iniciativa privada a concessão da nova alternativa via a implantação do Túnel da Grota Funda,
mas cujo contrato foi encerrado, adiando dessa forma a construção desse importante Túnel.

6
CONCESSIONÁRIA SERRA AZUL, ESTUDO DE TRÁFEGO VISANDO A CONCESSÃO DO TÚNEL DA
GROTA FUNFA, PREFEITURA DA CIDADE DO RIO DE JANEIRO, 2000.

230
A Capacidade de Escoamento

A função representada graficamente que relaciona probabilisticamente o comportamento físico da


velocidade do fluxo de veículos em relação ao nível de volume horário de tráfego na Serra da Grota
Funda com largura de faixa de 3 m cada e com 14% de tráfego pesado, onde o fator de equivalência
adotado é de 4,5 (determinado pelo Autor com base nas pesquisas realizadas na BR-116-SP na
Serra do Cafezal através do Convênio IME/DNIT, antigo DNER), é a seguinte.

MAC/02 : VOLUME VERSUS VELOCIDADE


80 80
VELOCIDADE MEDIA DO FLUXO DE VEÍCULOS

72

64

56

48
velpi
40

32

24

16

8
0
0
0 200 400 600 800 1000 1200 1400 1600 1800 2000
0 Vpi 1820.909

VOLUME HORÁRIO

A capacidade de escoamento nessas condições é de 1821 veículos reais por hora em ambos os
sentidos. O tráfego de caminhões que se desloca diariamente em 2005 nesse trecho crítico de
interesse do estudo é de 529 caminhões por dia no sentido de Santa Cruz e de 444 no sentido da
Barra. No que tange ao volume horário de pico no dos caminhões atinge no sentido Barra em aclive
47 com duas faixas de tráfego e 56 em declive na serra, portanto no sentido Santa Cruz em uma
faixa de tráfego disponível de acordo com os resultados da pesquisa de contagem seletiva de tráfego
executada em FEV/2005 constante do PARECER TÉCNICO do Prof. Mac Dowell 7.

7
MAC DOWELL, FERNANDO, IMPACTO DO SISTEMA DE TRASNPORTE GERADO COM A
IMPLANTAÇÃO DO CTR-RIO E DE SUAS 7 ETRs, GRUPO JULIO SIMÕES, COMLURB & PREFEITURA
DA CIDADE DO RIO DE JANEIRO, MAR/2005.

231
Na próxima figura mostra-se a distribuição horária dos volumes de caminhões durante 24 horas do
dia que trafegam na Serra da Grota Funda por sentido, lembrando que a pesquisa foi feita no pé da
serra no lado de “Santa Cruz” para a Barra (vide croqui fornecido anteriormente)

DISTRIBUIÇÃO DO VOLUME HORÁRIO DE CAMINHÕES


ESTRADA DA GROTA FUNDA (2005)
60 56
50 47
40
veículos/hora

30
20
10
0
00:01
01:02
02:03
03:04
04:05
05:06
06:07
07:08
08:09
09:10
10:11
11:12
12:13
13:14
14:15
15:16
16:17
17:18
18:19
19:20
20:21
21:22
22:23
23:24
horário

SENTIDO BARRA SENTIDO SANTA CRUZ

Conclui-se que na Serra da Grota Funda por sentido o tráfego apresenta atualmente 393 horas de
congestionamento por ano, assim determinadas.

⎡ ⌠
CAP ( p ) ⎤
⎢ ⎮ − β ⎥
α −1 ⋅x
⎢ ⎮ β ⎛ β ⋅x⎞ kk1 ( p ) ⎥
⎢ ⎮ ⋅ ⎜ ⎟ ⋅ e ⎥
kk1 ( p ) ⎝ kk1 ( p ) ⎠
NHC ( p ) := ⎢ 1 − ⎮ dx ⎥ ⋅ 8760
⎢ ⎮ Γ (α ) ⎥

⎣ 0 ⎦
NHC ( 0 ) = 392.764 <-- horas por ano com tráfego congestionado
na SITUAÇÃO ATUAL.

232
Avenida das Américas

Entre o Cebolão e o Recreio dos Bandeirantes

Após o Cebolão no sentido RECREIO são fornecidos a seguir os volumes horários no pico

registrados entre 18 e 19 horas constantes do croqui:

Av. General Olinto Pillar


1

1828
SÃO CONRADO

RECREIO
CEBOLÃO Av. das Américas
2 2249

2060
4
2

1830
3

Volume de Tráfego
Av. General Olinto Pillar

5ª Feira(08/11/01)
17:00 às 18:00

A Prefeitura investiu nessa área no sentido de melhorar as condições operacionais, como mostram
as fotos obtidas no "site" da Secretaria Municipal de Obras e de Serviços Públicos.

233
Av.das Américas entre o Cebolão
e o RECREIO

A próxima foto registra o acúmulo de veículos na baia de 150 m de extensão para o retorno ou
travessia da AV. das Américas, com nítida invasão da faixa da via lateral, reduzindo sua capacidade
de escoamento e ampliando os riscos de acidente, porque também é entrada na pista lateral como
pode ser visto na seqüência.
AV. DAS AMÉRICAS

234
INDUÇÃO A ACIDENTE

150 m

“S” com apenas 50 m FAIXA DE ENTRADA E DE ARMAZENAMENTO:


Incompatível FUNÇÕES ANTAGANÔNICAS
Com a velocidade!

O fato importante é que o “S” em planta se apresenta com raio de curva incompatível com a
velocidade da faixa da via principaL, portanto de entrada no “S” e ainda apresenta como na
fotografia anterior acumulo de veículos parados, portanto armazenados aguardando a vez para
atravessar a AV. das Américas. Essa situação é perfeitamente corrigível com adequado ciclo de
sinal a ser implantado nessa e nas outras travessias, bem como mudar a geometria desses “S”,
substituindo pelos utilizados nos trechos da própria AV. das Américas na Barra que se apresentam
com mais de 92 m, portanto mais compatível com a velocidade com que os veículos trocam de
pistas.

“Lamentavelmente”, a Engenharia de Tráfego em rodovias ou em vias urbanas críticas não se


resume apenas na avaliação da relação volume/capacidade, principalmente quando o denominador é
universalizado previamente como resultado de aplicação, por exemplo, do HCM/2000 8 e na prática
se constata através de contagens a passagem de volume horário, “superior a capacidade de
escoamento” previamente fixada.

Se o erro conceitual nasce na origem, sem, contudo pesquisar a constatação prática ocorrida na
própria via, de pouco adianta a sua classificação quanto a determinação do tempo perdido em
interseções críticas, que não representará a realidade imaginada e, portanto não são suficientes para
alicerçar qualquer conclusão, sob o impacto do tráfego numa área urbana.

8
TRB, TRANSPORTATION RESEARCH BOARD, HIGHWAY CAPACITY MANUAL – HCM 2000.

235
É importante ressaltar, que em via urbana dotada de sinal luminoso, a capacidade de escoamento
do tráfego mantendo-se o mesmo ciclo de sinal, será tanto maior, quanto maior for o tempo
destinado ao verde efetivo nessa via principal, portanto, mais próxima será a sua capacidade de
escoamento a de uma rodovia com o mesmo número de faixas de tráfego sem restrição de
escoamento do fluxo causada pelo semáforo.

Por outro lado, o uso conceitual isolado da relação matemática entre o “volume de tráfego e a
capacidade de escoamento” é inadequado quando se avalia uma interseção urbana dotada de
semáforo, se não levar em consideração a disponibilidade de armazenamentos a montante dos
semáforos em cada via.

Entretanto, o que limita a capacidade física de escoamento do tráfego numa interseção semaforizada
são as respectivas áreas de armazenamento disponibilizadas tanto na via principal quanto na
via secundária, que não devem ter suas respectivas áreas de armazenamento ultrapassadas sob
pena de trancar as interseções adjacentes ampliando sua a área de impacto ambiental. A Engenharia
de Tráfego é uma ciência complexa alicerçada em base físico-matemática e nas técnicas da teoria
das probabilidades, tendo em vista a aleatoriedade de suas variáveis envolvidas, destacando as
comportamentais como as relacionadas aos motoristas e aos pedestres, que ainda a torna mais
complexa que a ciência que rege o escoamento de água (mais disciplinada) em uma rede de
distribuição, apesar dos princípios serem semelhantes àqueles utilizados na Engenharia Hidráulica.

Um simples erro de avaliação ou de operação num sistema viário urbano pára-se uma cidade.
O objetivo acima definido é exatamente para se obter os maiores volumes horários possíveis e o
ciclo correspondente de tal forma que não sejam ultrapassados os mencionados armazenamentos.
Alem dessas condicionantes, o ciclo de sinal ainda precisa satisfazer a mais duas condicionantes
relacionadas aos pedestres, como a do tempo mínimo necessário à travessia da Avenida e
finalmente a relativa ao tempo de impaciência do pedestre, enquanto espera a vez para iniciar essa
travessia. Vale dizer, que ciclos muito longos apresentam em seu bojo grande período de tempo
verde para a passagem dos veículos e, portanto, longo tempo fechado para os pedestres
atravessarem a via principal ensejando maior incidência de atropelamento, pela impaciência dos
pedestres. Até porque, o tempo de impaciência do carioca para atravessar uma via começa a partir
de 60 segundos (1 minuto), ou seja, mais de 90% dos pedestres o farão arriscando seu nível de
segurança. Esse tempo se baseia na pesquisa realizada no Rio de Janeiro e coordenada pela Prof.

236
Marilita 9da COPPE, cujos dados permitiram ao Prof. Mac Dowell do IME, estabelecer
matematicamente a distribuição acumulada de probabilidade dos tempos de impaciência, portanto
de espera para atravessar ruas ou avenidas.

Da mesma forma, o tempo de travessia, depende da extensão a ser vencida, e fundamentalmente da


velocidade com a qual se desloca o pedestre, essa por sua vez relacionada a sua idade. A maior
pesquisa 10 realizada no gênero ocorreu em Tóquio, apresentados os resultados pelas autoridades
responsáveis pelo tráfego rodoviário daquela cidade, foi possível aqui estabelecer a distribuição de
probabilidade das velocidades dos pedestres, devendo a mesma não ser superior a 0,367 m/s ou 1,32
km/h, que corresponde à probabilidade de atendimento de 95% dos pedestres (pessoas idosas,
adultas com crianças, pelotões de estudantes e assim por diante) sem a necessidade de forçar a
marcha. Apesar do HCM/2000 estabelecer como velocidade “defaut” para o pedestre de 1,2 m/s ou
4,32 km/h, essa velocidade corresponde ao valor modal da distribuição de probabilidade e por
segurança ao que foi exposto recomenda-se sempre que possível a velocidade 0,367m/s ou 1,32
km/h, portanto bem abaixo do que hoje normalmente tem-se utilizado.

DISTRIBUIÇÃO DAS VELOCIDADES : PED. PROBABILIDADE: VELOCIDADE MAIOR QUE


60.359 70
100 100

60
80
probabilidade de velocidade maior

50
probabilidade (%)

40 60
P ( v1) ph i

30
40

20

20
10

0
0
0
0 0.5 1 1.5 2 2.5 3 0
0 1 2 3 4
0 v1 3
VELOCIDADE DOS PEDESTRES (m/s) 0 Xi 4
VELOCIDADE Dos PEDESTRES (m/s)
XX 1 hh 95
Figura: Distribuição de Velocidade dos Pedestres nas Travessias Urbanas

9
MARILITA, PESQUISA COMPORTAMENTAL DO TEMPO DE ESPERA E NÍVEL DE RISCO
ESTABELECIDO PELO PEDESTRE, COPPE.
10
SHIMIZU, KOSHIRO & KIMURA, YOSHIOKA, BEHAVIOR AND SAFETY OF ENDERLY PEDESTRIANS
IN A CROSSING SECTION, ANAIS DO CONGRESSO DA WCTR, LYON, FRANÇA, 1992.

237
Avenida Ayrton Senna

A contagem volumétrica horária de tráfego realizada pela CET-RIO nas 24 horas do dia é suficiente
para determinar o Tráfego Médio Diário Anual, na AV. Ayrton Senna, aplicando a metodologia de
autoria do Prof. Mac Dowell, validada no relatório técnico da Linha Amarela 11 em face da riqueza
de informações estatísticas de tráfego, devido ao fato de ser uma rodovia concedida.

No croqui apresentado a seguir, se mostra para um dos dias contados pela CET-RIO, através de
contadores automáticos aplicados simultaneamente na interseção semaforizada no pico matinal,
entre 8 e 9 horas, os volumes horários registrados.
BARRA DA TIJUCA

Volume de Tráfego
AV. ABELARDO

5ª Feira(28/02/03)
BUENO

08:00 às 09:00

475
AV. AYRTON 3 AV. AYRTON
SENNA SENNA

18
04 1
PTE. SANTOS
DUMONT
AV. AYRTON
2
2465 SENNA

3 4269
CIDADE DE DEUS

RETORNO
3
4

A próxima figura ilustra para outra 5a Feira, dia 21/02/02 as distribuições dos volumes horários de
tráfego na AV. AYRTON SENNA por sentido nessa interseção crítica, onde se pode observar os picos horários
registrados correspondentes.

11
MAC DOWELL, FERNANDO, REAVALIAÇÃO DA CONCESSÃO DA LINHA AMARELA, PARECER
TÉCNICO CONCLUSIVO, SECRETARIA MUNICIPAL DE TRANSPORTES, PREFEITURA DA CIDADE DO
RIO DE JANEIRO, OUT/2003.

238
CONTAGEM VOLUMÉTRICA DE VEÍCULOS POR SENTIDO
Local: Av. Ayrton Senna, entre Av. Emb. Abelardo Bueno e Av. Isabel Domingues.( 5ª Feira 21/02/02)
6000

5396
5219
5000

4000
VOLUME

3000

2000

1000

0
0-1

1-2

2-3

3-4

4-5

5-6

6-7

7-8

8-9

9-10

10-11

11-12

12-13

13-14

14-15

15-16

16-17

17-18

18-19

19-20

20-21

21-22

22-23

23-00
HORA À HORA

Sentido Barra Sentido Linha Amarela

Verifica-se que ocorre quase um patamar de volumes horários de tráfego, no sentido da Barra,
comparativamente ao sentido inverso. O Tráfego Médio Diário Anual no ano de 2002 determinado
probabilisticamente atingiu 118.560 veículos, dos quais 60.820 no sentido Barra/Fundão e de
57.740 no sentido inverso. O volume máximo de tráfego registrado ocorre entre 8 e 9 horas no
sentido Barra com 5.396 veículos registrados, enquanto no sentido contrário 5.219 veículos por hora
entre 18 e 19 horas. Constata-se que exatamente entre 18 e 19 horas os volumes em ambos os
sentidos se apresentaram absolutamente equilibrados.

Por outro lado, o número de horas congestionadas por ano na AV. Ayrton Senna é de 659 horas no
sentido da Barra da Tijuca e de 659 horas no sentido Fundão, essas assim determinadas.

⎡ ⎡ ⌠ max( P1) ⎤⎤
⎢⎢ ⎮ −β ⎥⎥
α −1 ⋅x
⎢⎢ ⎮ β ⎛β ⎞ k ⎥⎥
⎢⎢ ⎮ ⋅ ⎜ ⋅ x⎟ ⋅e ⎥⎥
k ⎝k ⎠
ph := ⎢ ⎢ 1 − ⎮ dx⎥ ⎥ ⋅ C
⎢⎢ ⎮ Γ (α ) ⎥⎥

⎣⎣ 0 ⎦⎦

ph = 659.331 <-- número de horas por ano com tráfego congestiionado

Por outro lado, os ciclos de sinais utilizados pela CET-RIO basicamente não variam nessa via,
conforme são mostrados a seguir como resultado do levantamento realizado in loco em AGO/03.

239
Esse ciclo de sinal atuante no período de pico matinal dá vazão por sentido a 1.798 veículos por
hora e por faixa e por sentido na AV. Ayrton Senna, permite que no chamado contorno pode
atender até 1200 veículos por hora. Entretanto, esse volume é muito superior ao volume horário real
que atravessa essa Avenida (vide croqui) nesse horário, mesmo para o maior volume horário
registrado que foi de 749 e mesmo assim só ocorreu entre as 14 e 15 horas, conforme pode ser visto
no gráfico de distribuição dos volumes horários contados pela CET-RIO aqui mostrados para três
dias diferentes devidamente identificados na figura que se segue.

CONTAGEM VOLUMÉTRICA DE VEÍCULOS POR SENTIDO


Local: RETORNO)
800

749
700

600

500
VOLUME

400

300

200

100

0
0-1

1-2

2-3

3-4

4-5

5-6

6-7

7-8

8-9

9-10

10-11

11-12

12-13

13-14

14-15

15-16

16-17

17-18

18-19

19-20

20-21

21-22

22-23

23-00

HORA À HORA

21/2/2002 28/2/2002 1/3/2002

Como a área de armazenamento no local não deve ser superior a 30 veículos e mantendo as mesmas
condições expostas anteriormente, esse volume horário de tráfego no contorno não deve ser superior

240
a 844 veículos por hora que corresponde à probabilidade de 90% de não ser ultrapassada a
capacidade física de armazenamento, sobre pena de interferir na fluidez do tráfego da via principal.
Por outro lado, sobre o ponto de vista ambiental, quanto menor for o a soma dos produtos em cada
sentido do tempo médio de atraso por veículo pelo volume horário de tráfego por hora escoado na
interseção, tanto menor será a emissão de CO (Monóxido de Carbono) enviado a atmosfera e ao
próprio interior dos veículos, da mesma forma, tanto menor será também a emissão de Dióxido de
Carbono (CO2), e a quantidade de particulados.

Assim, para escoar os mesmos volumes horários de tráfego registrados, nas contagens da CET-RIO
sob o ponto de vista ambiental o ciclo deve ser de 94 segundos contra o atual ciclo de 123 segundos,
resultando em redução de 7,4% na emissão de CO e de CO2 em relação à situação atual.

Na próxima figura ilustra para os mesmos volumes horários na interseção no sentido BARRA, a
soma dos mencionados produtos correspondente a variação da duração do ciclo semafórico, aonde
se pode observar que essa soma passa pelo valor mínimo para o ciclo de 94 segundos. Logo, para os
mesmos volumes registrados, variando o ciclo de sinal tem-se:

DV1 = 844 <-- VOLUME HORÁRIO NO


RETORNO

DV2 = 1798 <-- VOLUME HORÁRIO NO


SENTIDO BARRA POR FAIXA

VARIAÇÃO DOS ATRASOS TOTAIS: INTERSEÇÃO


1600001.6 .105
PRODUTO(ATRSO MÉDIO PELO VOLUME HORÁRIO)

1.4 .10
5

1.2 .10
5

T ( CC , DV1 , DV2 , S)

1 .10
5

8 .10
4

4
7.36×10
6 .10
4
70 80 90 100 110 120 130 140 150 160 170 180 190 200 210 220 230 240 250 260 270 280 290 300
70 CC 300
CICLO SEMAFÓRICO (SEGUNDOS)

241
É importante ressaltar que em 1993, portanto há 10 anos atrás nessa mesma AV. Ayrton Senna
(antiga Alvorada) o Tráfego Médio Diário nos dois sentidos era de 52.830 12, contra os atuais
118.560, ou seja, apresentou extraordinária taxa média anual de crescimento do tráfego de 9,4% ao
ano, em face da implantação da Linha Amarela. Já o pico horário no sentido Barra era de 2602
veículos por hora contra os atuais 5396, apresentando taxa geométrica de crescimento anual de
8,5%, portanto inferior a registrada para o volume de tráfego médio diário, como era de se esperar,
em vista à restrição de capacidade de escoamento no horário de pico.
Em outras palavras, à medida que se aumenta o volume horário de tráfego diário nessa via, tanto
maior será o achatamento do pico, ou seja, a relação entre o volume horário de pico dividido pelo
tráfego médio diário será menor. Em face ao exposto, a Prefeitura eliminará essa interseção crítica,
substituindo-a pela rótula mostrada a seguir e que já está em construção.

Em que pese a Rótula da AV. Ayrton Senna com a AV. Embaixador Bueno ter sido feita
parcialmente eliminando o principal ponto crítico da AV. Ayrton Senna, mesmo completa não irá
eliminar os congestionamentos provocados no acesso à AV. Ayrton Senna na altura da Cidade de
Deus, que chega paralisar o tráfego da Linha Amarela no sentido Fundão/Barra não incomum até
altura da AV. Gerimário Dantas, bastando para isto ampliá-lo através de projeto que contemple a

12
MAC DOWELL, LINHA AMARELA, ESTUDO VISANDO A CONCESSÃO, PREFEITURA DA CIDADE
DO RIO DE JANEIRO, MARÇO/1994.

242
canalização do tráfego para a entrada na Ayrton Senna. Observa-se na foto apresentada a seguir que
a Ayrtotn Senna após esse problema apontado flui graças a alça concluída da mencionada rótula.

nna
AV. Ayrton Se

243
Linha Amarela

Inicialmente ilustra-se a distribuição horária do fluxo de veículos por sentido, durante 24 horas do
dia registrada na Praça de Pedágio, onde se pode observar, que o pico horário no sentido
Barra/Fundão ocorre entre as 7 e 8 horas e no sentido inverso entre as 18 e 19 horas.
Distribuição Horária por Sentido na Praça de Pedágio

DISTRIBUIÇÃO DOS VOLUMES HORÁRIOS


NA PRAÇA DE PEDÁGIO
a
5 feira, dia 25/11/2004

5000
4509
4500 4.201
4000
VEÍCULOS POR HORA

3500

3000

2500

2000

1500

1000

500

0
00 - 01

01 - 02

02 - 03

03 - 04

04 - 05

05 - 06

06 - 07

07 - 08

08 - 09

09 - 10

10 - 11

11 - 12

12 - 13

13 - 14

14 - 15

15 - 16

16 - 17

17 - 18

18 - 19

19 - 20

20 - 21

21 - 22

22 - 23

23 - 24

BARRA/FUNDÃO FUNDÃO/BARRA

Carregamento do Tráfego na Linha Amarela

A conjunção dos novos dados de contagem em 2004 em cada acesso e a última e fundamental
pesquisa de O/D de placas, permitiu a elaboração do carregamento de tráfego na Linha Amarela
entre a Praça de Pedágio e a Linha Vermelha aqui exemplificada para o horário de pico entre 7 e 8
horas no sentido mais crítico, Barra/Fundão e no sentido Fundão/Barra

244
Sentido Barra / Fundão.

T R Á F E G O E N T R E A S S A ID A S
CARREGAM ENTOS: TO TAL E APENAS PAGANTES
S E N T ID O : B A R R A /F U N D Ã O
T R E C H O : P R A Ç A D E P E D Á G IO E A L IN H A V E R M E L H A

CARREGAMENTO: LA (7 as 8h)
8000
8000 TOTAL
7000 C A P A C ID A D E
6000
pg
5000
PED
volume/hora

Z1 ( t )
4000
Z2 ( t ) S2
CAP ( t )3000
S3 S7
S4 S4A S8
S5 S9A
2000 S6 S9B
LV
1000
0
0
0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11
0 K1 , t 11

MARCO QUILOMÉTRICO CONTÍNUO


Original data APENAS PAGANTES
Smoothed data
trace 3
trace 4

Observa-se que as linhas de desejo indicam que o trecho mais carregado da Linha Amarela
encontra-se entre a saída S7 e a saída S9A (para a AV. Brasil), que vale dizer que existem dois
segmentos críticos bem distintos dos demais, quais sejam entre o acesso A7 e a saída S8 e o outro
entre o acesso A8 e a saída S9A, aqui cognominados respectivamente de Segmento A7/S8 e de
Segmento A8/S9A. Esses segmentos são distintos, por terem capacidade de escoamento diferentes
em face do segmento A8/S9A se apresentar com rampa de 5,12%, medida topograficamente em
2005, largura de faixa de 3,25 m cada uma de suas 4 faixas, enquanto o segmento A7/S8 com rampa
de 2,5% obtida da mesma forma e suas 4 faixas de 3,11 m e ambos os segmentos com o percentual
de veículos pesados no entorno de 6,6%, dos quais 3,8% de caminhões.
Tais segmentos podem ser apreciados na foto satélite fornecida a seguir.

245
AV.BR
BARRA FUNDÃO
TRECHOS CRÍTICOS: sentido BARRA/FUNDÃO
LA
1
LA 2

A7 S9A
S8 A8

É importante salientar, que no segmento A7/S8 a rampa se apresenta com 2,5% no Viaduto
Sampaio Correia, portanto a mesma inclinação do vão central da Ponte Rio-Niterói mostrada na
foto a seguir

5 %
2,
PA
M
RA

246
Já no segmento A8/S9A, a inclinação da rampa se apresenta com o dobro da inclinação da do
segmento A7/S8, portanto o dobro da inclinação mostrada na foto do vão central da PONTE RIO-
NITERÓI. Essa rampa de 5,12% restringe a capacidade de escoamento em relação ao segmento
precedente, o A7/S8 com rampa de 2,5%, em 15%.

Sentido Fundão / Barra

Da mesma forma como ocorre no sentido Barra / Fundão, o carregamento no sentido inverso,
Fundão / Barra, também se concentra no Viaduto Sampaio Correia entre as saídas S7 e S6 neste
sentido, mas com a vantagem que nesse sentido se encontra em contra rampa (declive), com maior
capacidade de escoamento em relação ao sentido inverso.A seguir o carregamento na mesma 5a
Feira de NOV/04.

As funções oriundas dos respectivos relacionamentos probabilísticos entre a Velocidade do fluxo e


o Volume horário de tráfego por sentido estão representadas em figura mais adiante, onde (VEL) no
sentido Fundão/Barra e (Vel) e no sentido Barra/Fundão no Viaduto Sampaio Correia, segmento
A7/S8.

CARREGAMENT O DA LINHA AM ARELA: PICO HORÁRIO


18 ÀS 19 HORAS
SENTIDO: FUNDÃO/BARRA
8000
7165
6803
7000 6484
6239
5701
6000 5264
VEÍCULOS/HORA

4755 4631
5000 4509

4000

3000

2000

1000

0
S9D-S8 S8-S7 S7-S6 S6-S5 S5-S4 S4-S3 S3-S2 S2-PED PED

247
VOLUME VERSUS VELOCIDADE LINHA AMARELA
110
110
VELOCIDADE DO FLUXO DE VEÍCULOS (km/h)

100

90

80

70

Vel1( D , VV1) 60 REGIÃO ESTÁVEL


VEL( D , VVV) 50

40

30 REGIÃO INSTÁVEL
20

10
0
0
0 1000 2000 3000 4000 5000 6000 7000 8000
0 Vol( D , VV1) , VOL( D , VVV) 8000

VOLUME HORÁRIO (veiculos/hora)

A capacidade no sentido Fundão/Barra, não apenas é superior em cerca de 3,3% ao que ocorre no
sentido inverso, mas com vantagem fundamental é que a velocidade é 10,2% maior na região do
fluxo estável e este segmento relativo ao Viaduto Sampaio Correia não se apresenta restritiva ao
segmento a montante. A seguir as distribuições probabilísticas das velocidades, do tipo GAMMA, a
partir dos dados da pesquisa de 2004, obtidas para o mesmo nível de fluxo de tráfego registrado
de 7232 veículos por hora em cada sentido, onde se pode observar, que a distribuição das
velocidades no sentido Barra-Fundão nesse segmento A7/S8, não só apresenta menor velocidade do
fluxo, mas menor dispersão de velocidade em relação ao seu par no sentido contrário onde à
velocidade média é maior da mesma forma maior é a dispersão das velocidades registradas que
confirma a maior capacidade de escoamento neste sentido Fundão/Barra.

248
DISTRIB. PROB. VELOC. SEGUNDO VOL/h
6
5.328 VOLUME HORÁRIO
7.232 VEÍC/ h SENTIDO: BARRA Æ FUNDÃO
5
OCORRÊNCIA (%)

Fr( V)
3
Fr1( V)
SENTIDO: FUNDÃO Æ BARRA

0
0
20 30 40 50 60 70 80 90 100
20 V 100

VELOCIDADE (km/h)

Os resultados:

SENTIDO FUNDÃO SENTIDO BARRA IDENTIDADE

TH = 7219 TH1 = 7232 <-- volume horário de tráfego

Vv = 46.844 VV1 = 52.842 <-- velocidade média (km/h)

Vsd = 7.561 Vsd1 = 12.81 <-- desvio padrão das velocidades (km/h)

CV = 16.141% CV1 = 24.242% <-- coeficiente de variação das velocidades

D = 154.106 D1 = 136.862 <-- densidade (veic/km)

249
CONJUNTO DOS SEGMENTOS CRÍTICOS IDENTIFICADOS POR SENTIDO

BARRA FUNDÃO

VIADUTO SAMPAIO CORREIA


S7
A9D

A7 A8 S8

S8 A8

250
No que tange a variação semanal do tráfego médio diário em set/02 e nov/04 na Praça de Pedágio, o
pico de tráfego diário ocorre na sexta feira, como é ilustrado nos respectivos quadros.

PRAÇA DE PEDÁGIO: TRÁFEGO MÉDIO DIÁRIO,


SEMANA 22 A 28 NOV/2004

TMD: 16/09/02 A 22/09/02 SENTIDO


DIA DIA TOTAL
BARRA/FUNDÃO FUNDÃO/BARRA TOTAL B/F F/B
SEG 51.589 50.162 101.751
SEG 46.046 44750 90.796
TER 52.822 50.689 103.511
TER 47266 45740 93.006
QUA 54.446 54.446 108.892
QUA 48406 47201 95.607 QUI 55.614 53.988 109.602
QUI 49958 48750 98.708 SEX 60.268 57.461 117.729
SEX 54495 51881 106.376 SAB 48.384 47.595 95.979
SAB 42753 42390 85.143 DOM 33.953 33.288 67.241
DOM 29751 28828 58.579 TMD 51.011 49.661 100.672
FONTE: LAMSA, PRAÇA DE PEDÁGIO FONTE: DADOS PRIMÁRIOS LAMSA
ELABORAÇÃO: MAC DOWELL/05

O TMDA (tráfego médio diário anual) no ano de 2002 foi de 88 mil veículos em ambos os sentidos,
apresentando pico horário entre 7 e 8 horas de 4.190 veículos e de 4.400 entre 18 e 19 horas, contra
4201 e 4505 veículos por hora respectivamente no ano de 2004. Por ser uma rodovia concedida
apresenta uma excelente organização de dados estatísticos permanentemente atualizados, que
permite afirmar que em 2004 o TMDA atingiu na Praça de Pedágio 93.417 veículos que
corresponde a uma taxa média anual de crescimento geométrica de 3% entre 2002 e 2004. Apesar
da Linha AMARELA não apresentar congestionamentos importantes entre a Barra e a Praça de
Pedágio nesse sentido, tal não ocorre no trecho entre essa mesma Praça de Pedágio e a Linha
Vermelha, onde a CET-RIO no trecho mais carregado cuja extensão não chega a 2 km, foi
registrado o volume horário de 7.000 veículos por hora em sua seção de 3 faixas de tráfego por
sentido da pista principal e mais uma faixa para o tráfego vindo do acesso A7 que se entrelaça
criticamente com o tráfego da via principal, onde o volume médio diário anual nesses segmentos
críticos contínuos é mais que o dobro do tráfego que passa pela Praça de Pedágio, se tornando assim
um ponto crítico, que chega refletir o congestionamento nos trechos a montante conforme mostra o
flagrante fotográfico das câmaras da LAMSA.

251
Por outro lado, em 2004 em relação ao ano de 2002, a frota registrada de automóveis na Cidade do
Rio de Janeiro foi ampliada em 6,2% e o tráfego dessa categoria na Linha Amarela aumentou 4,9%,
enquanto o da Ponte Rio Niterói apresentou queda de 1,24% entre esses dois anos dá uma idéia da
complexidade da dinâmica comportamental do tráfego.

252
Avenida das Américas

Entre o Cebolão e o Canal de Marapendi e entre o Cebolão e o Recreio dos Bandeirantes

No croqui apresentado a seguir, se mostra o resultado dos volumes horários obtidos através dos
contadores da CET-RIO, aplicados simultaneamente na interseção semaforizada indicada no croqui,
correspondente ao pico horário entre 18 e 19 horas.

Av. Luis
Carlos Prestes
1370 5 1904
7
385
1
6
2354

SÃO CONRADO
CEBOLÃO Av. das Américas
2 2532
RECREIO

3217
4

Av. das Américas

2658
3

Volume de Tráfego
4ª Feira(09/04/03)
18:00 às 19:00
Essa interseção crítica na vizinhança do Barra Shopping com a AV. das Américas, foram
registrados os maiores picos horários no mesmo sentido, qual seja São Conrado, entre 7 e 8 horas
com 5.584 veículos e de 5875 veículos entre 18 e 19 horas. Na próxima figura encontram-se
ilustradas as distribuições horárias dos volumes de tráfego por sentido na AV. das Américas,
obtidas através dos contadores automáticos da CET-RIO no dia 09/04/02, 4a Feira.

253
CONTAGEM VOLUMÉTRICA DE VEÍCULOS POR SENTIDO
(Local: Av. das Américas 3979, entre Rua Maria Philomena Lages e Av. Gen. Felicíssimo Cardoso.)
( 4ª feira 09/04/02)
7000

5875
6000 5584

5000

4000
VOLUME

3000

2000

1000

0
0-1

1-2

2-3

3-4

4-5

5-6

6-7

7-8

8-9

9-10

10-11

11-12

12-13

13-14

14-15

15-16

16-17

17-18

18-19

19-20

20-21

21-22

22-23

23-00
HORA À HORA

Sentido Recreio Sentido São Conrrado

Já o Tráfego Médio Diário Anual no ano de 2002, aplicando o procedimento já mencionado atingiu
128.060 veículos, dos quais 68.290 no sentido Barra/São Conrado e de 59.770 no sentido inverso.
Por outro lado, os ciclos de sinais utilizados pela CET-RIO apresentam pequena variação entre o
pico matinal e o pico noturno, conforme são mostrados a seguir obtidos através de medições
expeditas realizadas in loco em AGO/03.

Entretanto, o CICLO AMBIENTAL, ou seja, aquele que corresponde à minimização das emissões
de CO e de CO2, para o mesmo escoamento dos volume horários de tráfego, da mesma forma como
foi mostrado para a AV. Ayrton Senna, deveria entre 18 e 19 horas ser de 155 segundos contra o
atual ciclo de 120 segundos. A seguir o gráfico que indica para cada ciclo a variação dos atrasos
totais na interseção em pauta para os mesmos volumes registrados nas contagens automáticas, a
saber:
254
DV1 = 685 <-- VOLUME HORÁRIO NO ADVINDO DO
BARRA SHOPPING, POR FAIXA

DV2 = 1072 <-- VOLUME HORÁRIO NO SENTIDO


SÃO CONRADO POR FAIXA
Esse ciclo determinado de 155 segundos reduz as emissões desses gases (CO e CO2) em 14%.

VARIAÇÃO DOS ATRASOS TOTAIS: INTERSEÇÃO


2⋅ 10 2 .10
5 5
PRODUTO(ATRSO MÉDIO PELO VOLUME HORÁRIO)

1.5 .10
5

T ( CC , DV1 , DV2 , S)

1 .10
5

4
5⋅ 10
5 .10
4
100 150 200 250 300 350 400
100 CC 400
CICLO SEMAFÓRICO (SEGUNDOS)

A seguir fornece-se a distribuição do volume horário de tráfego (fluxo 5 do croqui) que atravessa a
AV. das Américas, obtida através das contagens automáticas realizadas pela CET-RIO, quando foi
registrado o pico horário, entre 18 e 19 horas.

255
CONTAGEM VOLUMÉTRICA DE VEÍCULOS
(Local: Av. das Américas 3979, BARRA SHOPPING ( 2ª feira 18/11/02)

1600

1370
1400

1200

1000
VOLUME

800

600

400

200

0
0-1

1-2

2-3

3-4

4-5

5-6

6-7

7-8

8-9

9-10

10-11

11-12

12-13

13-14

14-15

15-16

16-17

17-18

18-19

19-20

20-21

21-22

22-23

23-00
HORA À HORA

SHOPPING

O que fica claro é que o volume de tráfego nas transversais à AVENIDA das Américas apresenta
dificuldade em face da fila excessiva que é decorrente da sinalização semafórica, que apresenta
90% de probabilidade de armazenar até 42 veículos por faixa. Nas baias dos retornos acumulam
veículos acima da capacidade de armazenamento ensejando modificações, que serão objeto do
próximo relatório, da mesma forma no tocante a travessia dos pedestres na AV. das Américas onde
se deve considerar não apenas o tempo de impaciência, mas do tempo que precisa para atravessá-la,
em função da distribuição da idade dos pedestres, que por sua vez define a sua velocidade.

Cabe registrar, que em 1994, o tráfego total da AV das Américas era de 99.640 veículos, que
comparado ao de 128.060 em 2002, apresentou nesse período taxa geométrica de crescimento de
3,2% ao ano.

Entre o Cebolão e o Recreio dos Bandeirantes:

Após o Cebolão no sentido Recreio são fornecidos a seguir os volumes horários no pico registrados
entre 18 e 19 horas constantes do croqui:

256
Av. General Olinto Pillar
1

1828
SÃO CONRADO

RECREIO
CEBOLÃO Av. das Américas
2 2249

2060
4
2

1830
3

Volume de Tráfego
Av. General Olinto Pillar
5ª Feira(08/11/01)
17:00 às 18:00

A Prefeitura vem investindo nessa área no sentido de melhorar as condições operacionais, como
mostram as fotos obtidas no "site" da Secretaria Municipal de Obras e de Serviços Públicos.

Av.das Américas entre o Cebolão


e o RECREIO

257
Auto-Estrada Lagoa-Barra

Saída e Entrada na Barra

No croqui apresentado a seguir, se mostra o resultado dos volumes horários obtidos através dos
contadores automáticos da CET-RIO aplicados simultaneamente indicados no croqui,
correspondentes ao pico horário entre 17 e 18 horas.

Estrada Lagoa Barra 2886 4

BARRA DA TIJUCA
3944 3

2 104
Estrada do Joá
897 1

Volume de Tráfego
6ª Feira(30/08/02)
17:00 às 18:00

Na próxima figura encontram-se ilustradas as distribuições horárias dos volumes de tráfego por
sentido no viaduto do JOA de acesso à Barra, obtidas através dos mencionados contadores no dia
08/11/01, 5a Feira.

258
CONTAGEM VOLUMÉTRICA DE VEÍCULOS POR SENTIDO
Local: VIADUTO DO JOÁ
(5ª FEIRA - 08/11/01).
4500
4000
4000 4015

3500 3329

3000
VOLUME

2500

2000

1500

1000

500

0
0-1

1-2

2-3

3-4

4-5

5-6

6-7

7-8

8-9

9-10

10-11

11-12

12-13

13-14

14-15

15-16

16-17

17-18

18-19

19-20

20-21

21-22

22-23

23-00
HORA À HORA
Sentido Barra Sentido Gávea

O Tráfego Médio Diário Anual no ano de 2001 determinado probabilisticamente atingiu 116.750
veículos, dos quais 59.450 no sentido Gávea/Barra e de 57.300 no sentido inverso. Cabe ressaltar,
que em 1993 esse volume de tráfego médio diário já era de 94.072, portanto apresentou taxa
geométrica de crescimento de apenas 2,7% ao ano, em face da capacidade de escoamento.

No tocante ao volume máximo de tráfego registrado no pico matinal ocorreu entre 7 e 8 horas no
sentido Barra/Gávea, com 4.000 veículos por hora, diferentemente ao que ocorre nas demais vias da
Barra que o pico se situa entre 8 e 9 horas, enquanto no sentido contrário ou seja em direção à Barra
foi de 4.015 veículos entre 18 e 19 horas e 20 e 21 horas mostrando o nível de congestionamento
nesse sentido.A seguir, os volumes relativos ao TMDA na saída da BARRA até o Túnel ZUZU
ANGEL.

259
99.922

116.750

30.000

A saída e entrada na Barra dos 116.750 veículos por dia são feitas por apenas duas faixas de tráfego
por sentido.

260
O número de horas congestionadas em NÍVEL F na saída da Barra da Tijuca via AUTO-ESTRADA
LAGOA-BARRA é de 527 horas de puro congestionamento por ano e no sentido contrário de 844
horas por ano, que faz desse acesso ou saída da Barra, sem deixar lugar à dúvida que se trata de um
dos pontos mais crítico, razão pela qual a Prefeitura realizou o projeto de ampliação de capacidade
dessa via conforme a figura. Cabe registrar, que do tráfego total que utiliza a Linha Amarela, 7%
foram desviados da Auto Estrada Lagoa-Barra, que representa 6160 veículos por dia em ambos os
sentidos.
As gerações de tráfego de veículos leves no pico horário entre 8 e 9 horas que saem das RAs da
Barra da Tijuca e de Jacarepaguá, para diversos destinos, bem como as respectivas frotas e número
de habitantes espelham a importância dessas Regiões comparativamente as RA da Lagoa e
Copacabana, por onde 6274 veículos por hora tentam sair pelo viaduto da Joatinga/Joá com destino
principalmente para a Zona Sul e Centro, conforme podem ser vistas no próximo quadro.

VEÍCULOS GERADOS/HORA FROTA POPULAÇÃO


REGIÃO ADMINISTRATIVA
TOTAL SAIDA AUTOMÓVEIS HABITANTES
JACAREPAGUÁ 12.328 8.769 147.820 506.706
BARRA DA TIJUCA 11.351 7.262 136.075 174.744
LAGOA 8.623 6.324 102.628 173.834
COPACABANA 5.182 4.780 62.344 160.834

As principais linhas de desejo da Barra e de Jacarepaguá obtidas a partir da maior pesquisa já


realizada no Rio de Janeiro entre 1996 e 1997, referenciada anteriormente, onde foram
entrevistados 100 mil usuários de automóveis, só comparável à pesquisa semelhante realizada em
1976 pelo Metrô do Rio de Janeiro, podem ser vistas a seguir por ordem de importância.
TRÁFEGO DE AUTOMÓVEL TRÁFEGO DE AUTOMÓVEL
BARRA PARA: GERAÇÃO JACAREPAGUÁ PARA: GERAÇÃO
Barra Da Tijuca 35,95% Jacarepagua 28,80%
Centro 13,51% Barra Da Tijuca 14,46%
Lagoa 6,97% Centro 9,36%
Botafogo 6,75% Madureira 6,32%
Jacarepagua 6,75% Meier 5,47%
Meier 4,36% Bangu 4,50%
Tijuca 3,27% Outros Bairros 4,37%
Ilha Do Governador 3,05% Lagoa 3,40%
Copacabana 2,83% Botafogo 3,04%
Outros Bairros 2,83% Tijuca 3,04%
Rio Comprido 1,96% Ilha Do Governador 2,92%
Penha 1,74% Vila Isabel 2,31%
Ramos 1,53% Iraja 1,46%
Iraja 1,31% Penha 1,46%
Sao Cristovao 1,31% Ramos 1,46%
Vila Isabel 1,31% Sao Cristovao 1,34%
Madureira 1,09% Campo Grande 1,09%
Bangu 0,65% Inhauma 1,09%
Campo Grande 0,65% Rio Comprido 1,09%
Inhauma 0,44% Copacabana 0,85%
Pavuna 0,44% Anchieta 0,49%
Santa Cruz 0,44% Portuaria 0,49%
Guaratiba 0,22% Santa Cruz 0,49%
Portuaria 0,22% Pavuna 0,36%
Santa Teresa 0,22% Guaratiba 0,12% 261
Vale dizer, que no sentido Barra Zona Sul, 32,8% ou 4185 veículos por hora se dirigem para o
Viaduto do Joá com origem na RA da Barra da Tijuca, acrescido ainda de 2062 veículos por hora
com origem na RA de Jacarepaguá, totalizando 6247 veículos por hora, mas só passam 4000, que
explicam os constantes congestionamentos.

262
TÚNEL ZUZU ANGEL

É o segmento mais crítico da Auto-Estrada Lagoa Barra no sentido BARRA/LAGOA em face da


seqüência de interseções semaforizadas entre a Auto-Estrada Lagoa Barra ressaltando na Gávea
Avenida Visconde de Albuquerque, no Leblon a Bartolomeu Mitre e na Lagoa a Mario Ribeiro.
A foto fornecida a seguir ilustra a interseção da AUTO-ESTRADA LAGOA/BARRA com a AV.
Bartolomeu Mitre onde se observa a dificuldade de acesso a rua Jardim Botânico ocasionada pela
interdição da saída do Túnel ZUZU ANGEL, que ampliou o tráfego na congestionada AV.Borges
de Medeiros na Lagoa.

Av. Bartolomeu Mitre

Assim em virtude dessas interseções ocorrem por ano 1418 horas de puro congestionamento, isto é
em NÍVEL F no sentido BARRA/LAGOA.
⎡ ⌠ max( P1) ⎤
⎢ ⎮ β1⋅ ( β1⋅ x)
α1− 1 − β1⋅ x ⎥
⋅e 3
⎢1 − ⎮ dx⎥ ⋅ 8760 = 1.418 × 10
⎢ ⎮ Γ ( α1) ⎥

⎣ 0 ⎦

O volume de tráfego apresenta variações permanentes que ocorrem nos sub-intervalos da hora, nos
intervalos horários, diários, mensais e anuais e hoje em dia ainda apresenta uma outra variação não

263
comum na bibliografia corrente que é aquela motivada pela insegurança dos usuários nos períodos
noturnos e da madrugada, razão pela qual lançou-se mão das técnicas que envolvem as distribuições
de probabilidade.
Observa-se na próxima figura as respectivas representações das distribuições dos volumes horários
de tráfego em 2000 obtida a partir dos dados coletados pela CET-RIO, comparativamente a de 2003
constante do PDTU, com nítida concentração de tráfego mais cedo em 2003 (P1) em relação a 2000
(P2), da mesma forma o esvaziamento no período noturno e na madrugada em 2003 em face da
variável insegurança.
Localização da Contagem:

São Conrado

TÚNEL ZUZU ANGEL

Administração
Lagoa

DISTRIB. HORÁRIA:TÚNEL ZUZU ANGEL

4200 4000
VOLUME HORÁRIO BARRA/LAGOA

3000

P1 j
2000
P2 j

1000

43
0
0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23
0 j 23

HORAS DO DIA (5 FEIRA 08/03 E 08/00))

264
SEGMENTO DA LAGOA ATÉ O TÚNEL REBOUÇAS

Os níveis de tráfego médio diário anual (TMDA) podem ser apreciados a seguir em ambos os sentidos.

75.886

36.342

99.922 83.584

MAC DOWELL

CAPACIDADE DE ESCOAMENTO E A CONSEQUENTE VARIAÇÃO DA VELOCIDADE EM


RELAÇÃO A VARIAÇÃO DO VOLUME HORÁRIO

O primeiro passo para o entendimento do procedimento 13 é a determinação da capacidade física de


escoamento da AV. Borges de Medeiros, como se a mesma não tivesse sinal, portanto semelhante a
uma rodovia com duas faixas de tráfego por sentido.
Em seguida passa-se a determinação da capacidade de escoamento da AV. Borges de Medeiros na
situação atual, com sinalização semafórica e nesse caso a capacidade de escoamento varia em
função da relação entre o tempo de verde efetivo disponível e o ciclo de sinal utilizado.
O procedimento desenvolvido para a determinação da capacidade prática de uma rodovia rural14
com a mesma seção da AV. Borges de Medeiros pode ser determinada probabilisticamente, a partir

13
TRB-TRANSPORTATION RESEARCH BOARD, HIGHWAY CAPACITY MANUAL-HCM/2000,
NATIONAL RESEARCH COUNCIL, WASHINGTON, DC. 2000.
265
de dados simultâneos pesquisados no campo, através de contagens volumétrica, seletiva, velocidade e
correspondente desvio padrão tudo referenciado ao mesmo período de tempo.
Para cada volume horário com o mesmo percentual de veículos pesados e respectivos desvios
padrão das velocidades observadas, determina-se a função acumulada de probabilidade do tipo
ERLANG, cuja expressão matemática, seus parâmetros e o gráfico são fornecidos a seguir relativa a
condição de rodovia.

⎡⎢ ⎡⎢⌠ vol ⎤⎤
Vsd( vol) := ⎢1 − ⎢⎮
⎛ ββ α a ⋅ x α a−1 ⋅ e − ββ ⋅x 1 ⎞ dx⎥⎥ ⋅ s

⎜ ⋅ ⎟ ⎥⎥
⎢ ⎢⌡0 ⎝
( αa − 1)! ⎠
⎥⎥
⎣ ⎣ ⎦⎦

Parâmetros determinados:

αa = 52 ββ = 0.016 s = 17.241 <-- DP das veloc. (km/h)


DESVIO PADRÃO DAS VELOCIDADES
20
17.241
DESVIO PADRÃO DAS VELOCIDADES

15

Vsd ( vol1) 10

0
0
0 1000 2000 3000 4000 5000
0 vol1 5000

VOLUME HORÁRIO

Figura: Velocidade e Volume Horário segundo a Densidade de Veículos por km

Observa-se, que a partir do volume horário 2426 veículos por hora os desvios padrão das
velocidades decaem rapidamente tendendo a zero, quando nessa ocasião as velocidades de todos os
veículos apresentam desvio padrão nulo caracterizando a capacidade de escoamento dessa via e o
limite da área de estabilidade do fluxo. Recomenda-se, entretanto, a utilização do valor do desvio
padrão correspondente à capacidade de escoamento seja numericamente igual a 0,1 km/h, em face
da comprovação prática utilizando este procedimento, observada em pesquisas realizadas vias
altamente congestionadas tais como a PONTE RIO/NITERÓI, LINHA VERMELHA entre outras.

14
MAC DOWELL, FERNANDO, MODELO SISTÊMICO DE ENGENHARIA FINANCEIRA, DA
DUPLICAÇÃO DA BR-116 (SÃO PAULO/CURITIBA), BR-101 (CURITIBA/FLORIANÓPOLIS) E BR-101
(FLORIANÓPOLIS/OSÓRIO), INSTITUTO MILITAR DE ENGENHARIA, DNER/DNIT, BANCO
INTERAMERICANO DE DESENVOLVIMENTO-BID, 1995 / 2002.
266
Dessa forma, a capacidade da rodovia (sem semáforo) semelhante a Avenida é de 4493 veículos por
hora (capF) com 5% de veículo pesado (aqui não se trata de capacidade de veículos equivalentes e
sim capacidade real)
Para se determinar as curvas probabilísticas relativas à velocidade e ao volume horário em função
da densidade (veic/km) respectivamente resolve-se o sistema de equações através do MATHCAD
12.

Na próxima figura são mostradas as funções probabilísticas obtidas que relacionam


probabilisticamente a velocidade e o volume horário, ambas em função da densidade (veic/km),
tanto para a rodovia com duas faixas de 3,60 m cada, quanto para a AV. Borges de Medeiros, essa
semaforizada na interseção com a Rua Saturnino de Brito, correspondente ao ciclo de sinal de 136
segundos, no sentido T.Rebouças/Leblon, cujo procedimento é mostrado mais adiante.

VELOCIDADE E VOLUME HORÁRIO VERSUS DENSIDADE:


SEM RESTRIÇÃO E AV.BORGES DE MEDEIROS CICLO 136 s

VELOCIDADE VERSUS DENSIDADE


100 VOLUME HORÁRIO VERSUS DENSIDADE
100
5000
90
5000
SEM RESTRIÇÃO 4500
SEM RESTRIÇÃO
VOLUME HORÁRIO (VEÍC/h)

80
4000
70
3500
VELOCIDADE (km/h)

60
AV. BORGES DE MEDEIROS 3000 AV. BORGES DE
Volf( d)
Velf ( d)
50 2500 MEDEIROS
Vel ( d) Vol( d)
40
2000
1500
30
1000
20
500
0
10
0
0 0 40 80 120 160 200 240 280 320 360 400
0 0
0 40 80 120 160 200 240 280 320 360 400 0 d 400
0 d 400

DENSIDADE (veículo/km) DENSIDADE (VEÍCULO/km)


D : 200

Figura: Velocidade e Volume Horário segundo a Densidade de Veículos por km

Observa-se, que quanto maior for a densidade de veículos por km na via, tanto menor será a
velocidade do fluxo, enquanto o volume horário do fluxo de tráfego passa por um valor máximo,
que corresponde à densidade de veículos, que caracteriza a capacidade de escoamento mostrada na
mencionada Figura para cada uma das situações indicadas no respectivo gráfico.
Já a função de probabilidade resultante que relaciona o volume horário e a velocidade do tráfego
correlativa, encontra-se representada graficamente na figura, para a situação sem restrição e para a
AV. Borges de Medeiros, aonde se destaca a velocidade do fluxo correspondente à capacidade

267
máxima de escoamento em função por sua vez do tempo de verde na AV. Borges de Medeiros, para
o ciclo medido de 136 15 segundos, bem como são indicadas as áreas características de escoamento
estável e instável do fluxo de tráfego.

VELOCIDADE DO FLUXO VERSUS VOLUME HORÁRIO:


RODOVIA EM VIA DUPLA E AV. BORGES DE MEDEIROS
SEMAFORIZADA

MAC/02 : VOLUME VERSUS VELOCIDADE


100
100
VELOCIDADE MEDIA DO FLUXO DE VEÍCULOS

90

80

70

60
Velf ( d)
50
Vel ( d)
40
FLUXO ESTÁVEL

30

20
FLUXO INSTÁVEL
10 CAPACIDADE DE ESCOAMENTO
0 DA AV. BORGES DE MEDEIROS
0
0 500 1000 1500 2000 2500 3000 3500 4000 4500
0 Volf ( d) , Vol ( d) 4500

VOLUME HORÁRIO

Figura: Velocidade versus Volume Horário na Av. Borges de Medeiros, ciclo 136s.

Cabe observar, que o limite de velocidade na Avenida é fixada pela Autoridade de tráfego em
função das suas características geométricas e deve ser claramente indicada ao o usuário na via e
controlada,

seja por pardais ou radares eletrônicos, para coibir velocidade acima desse limite, principalmente
quando o nível de volume horário na via não restringe fisicamente a velocidade do fluxo, ou ainda na
seqüência de uma onda verde projetada de tal forma que o veículo ao trafegar entre sinais consecutivos com velocidade
maior que a estabelecida no projeto da onda verde o mesmo encontrará o sinal fechado na interseção à jusante, ou
alternativamente se o volume horário de tráfego for maior que o correspondente à velocidade de projeto da onda o fluxo

15
CICLO MEDIDO NA INTERSEÇÃO AV. BORGES DE MEDEIROS X RUA SATURNINO DE BRITO EM
JUN/2003.
268
não se beneficiará desse tipo de solução.Em 2003 a CET-RIO realizou contagens volumétricas horárias simultâneas
durante uma semana na interseção da AV. Borges de Medeiros com a Rua Saturnino de Brito, cujo maior volume
horário registrado nessa avenida no sentido Túnel Rebouças/Leblon aqui exemplificado ocorreu entre 16 e 17 horas do
dia 6/06/03, 6a feira.
No croqui da figura encontram-se as indicações dos volumes horários registrados correspondentes ao horário
mencionado, bem como as capacidades físicas de armazenamento a montante dos semáforos e na sequência os tempos
do ciclo medidos nessa mesma oportunidade.

MAIOR VOLUME HORÁRIO REGISTRADO DURANTE NO SEMANA SENTIDO


REBOUÇAS/LEBLON NA AV. BORGES DE MEDIROS
TRÁFEGO HORÁRIO 6a Feira (pico:16h-17h -2003):

AV. BORGES DE MEDEIROS X SATURNINO DE BRITO


SATURNINO DE BRITO

434
30 CARROS

260 174
LEBLON

2207 2381
14 CARROSS
260 AV. BORGES DE MEDEITOS
2787

2573

T.REBOUÇAS
PIRAQUE

AV. BORGES DE MEDEIROS

Figura: Croqui do Volume de Tráfego Horário e dos Armazenamentos Críticos


A seguir o ciclo medido no campo (JUN/03) de 136 s..

Nessa interseção ocorrem 893 horas de congestionamento por ano no sentido Leblon/Túnel Rebouças.

⎡ ⌠ max( P1) ⎤
⎢ ⎮ β1⋅ ( β1⋅ x)
α1− 1 − β1⋅ x ⎥
⋅e
⎢1 − ⎮ dx⎥ ⋅ 8760 = 892.84
⎢ ⎮ Γ ( α1) ⎥

⎣ 0 ⎦

269
• Saneamento Básico

Introdução: Cenário Geral para Contextualização dos Principais Problemas Ambientais da


Região Associados ao Saneamento Básico

A Bacia Hidrográfica de Jacarepaguá está totalmente inserida no Município do Rio de Janeiro,


abrangendo 300 km2 de superfície, onde, de acordo com últimos levantamentos censitários
realizados pelo IBGE encontravam-se residindo, até então, 628.051 hab. Os divisores de águas da
bacia são constituídos pelas cristas da Pedra da Gávea, Mesa do Imperador, Maciço da Tijuca, Serra
do Engenho Velho, e morros do Catonho, do Monte Alto, São José e Covanca e, ainda, pelo Maciço
da Pedra Branca. A bacia é formada pelos rios que descem das vertentes dos maciços mencionados
e do escudo rochoso situado ao norte da baixada, tendo como ponto de drenagem inicial o complexo
lacunar composto pelas lagoas da Tijuca, Camorim, Jacarepaguá, Marapendi e Lagoinha, e,
posteriormente, o Oceano Atlântico. Da área total da bacia, cerca de 176 km2 (58,7%) referem-se às
superfícies drenadas pelos rios mencionados. O sistema formado pelas lagoas de Jacarepaguá,
Camorim e Tijuca tem um espelho d’água de cerca de 9,3 km2, com uma extensão de cerca de 13
quilômetros, desde o final da primeira, nas proximidades do Autódromo do Rio de Janeiro, até a
ligação da última com o mar, no Canal da Joatinga, sendo esta barra uma das duas ligações do
sistema com o oceano; a segunda ligação se faz pelo Canal de Sernambetiba que é objeto maior de
interesse neste estudo.

Diversos corpos hídricos da Bacia Hidrográfica de Jacarepaguá vêm merecendo a atenção do poder
público em função da ocorrência de transbordamentos e inundações, acabando por configurar
diversas áreas de risco considerando a presença de população residente em construções irregulares
nas faixas marginais das lagoas e rios, problema agravado pelo lançamento indiscriminado de
dejetos inorgânicos (lixo). Recentemente, a SERLA- Fundação Secretaria Estadual de Rios e
Lagoas (em publicação da série SEMADS / 2001, editada pelo Projeto PLANAGUA SEMARS /
GTZ), apontou como mais críticas as seguintes áreas, conforme indica quadro abaixo.

270
Rios que Apresentam maior Criticidade por População Ribeirinha Atingida – 2001

Rio Bairro / Localidade População Atingida (hab)


Banca da Velha rua Camatiá 3.000
Guerenguê Curicica 12.000
Covanca Jacarepaguá 2.000
Panela Jacarepaguá 5.000
Orfanato Jacarepaguá 2.000
Tindiba Jacarepaguá 2.000
Caçambê Jacarepaguá 2.000
Anil Jacarepaguá 8.000
Rio das Pedras Jacarepaguá 10.000
Cachoeira Itanhangá 4.000
Pavuninha Jacarepaguá 10.000
São Francisco Jacarepaguá 1.000
Grande Jacarepaguá 10.000
Sangrador Jacarepaguá 10.000
Fonte: SEMADS/2001

A Lagoa de Jacarepaguá possui a maior área drenante da região, onde os índices de oxigênio são
baixos por falta de circulação das águas e onde proliferam algas Microcystis, que liberam
microcistina, potencialmente causadora do câncer no fígado, segundo especialistas do Núcleo de
Pesquisas de Produtos Naturais da UFRJ. A Lagoa da Tijuca possui o maior espelho d’água, mas
uma pequena área drenante. Nela, registram-se os maiores índices de coliformes fecais de todo o
conjunto lacunar e cerca de 30% de seu espelho d’água assoreado. Já a Lagoa do Camorim que as
interliga traduzindo-se mais em canal – praticamente sem oxigênio - tem uma característica inversa
à da Tijuca, possuindo um pequeno espelho d’água que, normalmente, é repartido entre as áreas das
lagoas da Tijuca e Jacarepaguá, mas apresentando uma grande área drenante extensa.

A Lagoa de Marapendí situa-se entre uma estreita faixa de praia e as lagoas mais interiores (Tijuca,
Camorim e Jacarepaguá). Possui cerca de 10 km de comprimento e 350 m de largura, em média.
Tem, portanto, o formato alongado, dividida em sete compartimentos semelhantes a bolsões que
reduzem a sua capacidade de renovação da água. Está ligada à Lagoinha pelo Canal das Taxas, o
qual se encontra assoreado em alguns trechos e totalmente coberto por macrófitas aquáticas, o que
causa uma troca precária de água entre as duas lagoas por esta ligação.

Na extremidade oposta ao Canal das Taxas, a Lagoinha recebe uma pequena contribuição hídrica
devido ao avançado processo de assoreamento desta ligação. Tanto a Lagoa de Marapendi quanto a
Lagoinha estão associadas a parques ecológicos municipais, já que a primeira está, a partir do
segundo bolsão, dentro da Reserva Biológica de Marapendi e, na sua parte final, já no Recreio dos

271
Bandeirantes, dentro da área do Parque Zoo-Botânico. A Lagoinha, por sua vez, situa-se no Parque
Chico Mendes. A grande importância da Lagoinha está no fato de ser área de pouso para aves
migratórias.

A interação do sistema lacunar com o mar, adjacente, faz-se através dos canais de ligação já citados
- da Joatinga e da Sernambetiba. As trocas de água entre os dois sistemas, mediante a ação do
regime de marés, não é suficiente para renovar grande parte das águas das lagoas, até por que os
canais das Taxas, Cortado e Portelo não estão ligados ao Canal de Sernambetiba. O Canal de
Sernambetiba, atualmente fechado por assoreamento atenua a ação da maré, praticamente
impedindo a sua penetração e não renovando as suas águas. Este canal tem um papel fundamental
para o escoamento das águas provenientes do Maciço da Pedra Branca e a drenagem de toda a parte
oeste da Baixada de Jacarepaguá. O assoreamento da sua barra, se por um lado melhora as
condições de balneabilidade das praias adjacentes, por outro contribui para provocar inundações de
suas margens e piorar sobremaneira a qualidade de suas águas.

O Canal da Joatinga tem um papel fundamental nas trocas entre as lagoas da Tijuca e Marapendi e o
mar. Devido ao grande volume de água que passa pelo canal a cada ciclo de maré, é certo que a
água proveniente das lagoas atinja a região litorânea adjacente, alterando as condições naturais e
prejudicando a balneabilidade das mesmas. Em função disto, a Praia da Barra da Tijuca é a mais
prejudicada.

Portanto, o complexo lacunar da Baixada de Jacarepaguá desempenha uma função de filtro,


recebendo a drenagem das vertentes dos maciços montanhosos e das que atravessam as partes
baixas, cortando áreas de ocupação intensiva, o que tem comprometido seriamente a qualidade das
águas destas lagoas. Além das águas pluviais, dos esgotos domésticos e de resíduos sólidos, existem
lançamentos de despejos das zonas industriais de Camorim, Curicica, Jacarepaguá e Taquara,cujos
parques aumentaram muito nos últimos anos conforme já mencionado, mantendo a situação de
qualidade da água como crítica na quase totalidade dos corpos d’água, hoje praticamente valas de
esgoto a céu aberto.

As lagoas de Jacarepaguá, Camorim e Tijuca formam uma única massa líquida, sem obstáculos
naturais que as separem claramente. Na verdade, a Lagoa de Camorim é praticamente o canal de
ligação entre as lagoas de Jacarepaguá, a oeste e a da Tijuca, a leste. No seu trecho a leste, a Lagoa
da Tijuca recebe as águas da Lagoa de Marapendi através do Canal de Marapendi. As águas, então,
se dirigem em conjunto para a sua barra no litoral pelo Canal da Joatinga. No sentido inverso dá-se

272
a penetração das águas do mar, sendo que a atenuação da maré é tal que já atinge valores
desprezíveis na altura da Lagoa de Camorim. Porém, a troca hídrica entre as lagoas está cada vez
mais dificultada pelo assoreamento, pois em certos pontos a lâmina d’água tem apenas poucos
centímetros.

Esgotamento Sanitário na Baixada de Jacarepaguá: Um dos Problemas mais Críticos

Como é de conhecimento público a região de ocupação da Bacia Hidrográfica de Jacarepaguá ainda


não é provida de rede coletora na sua totalidade, sendo esta solução necessária juntamente com o
tratamento dos efluentes e seu afastamento das lagoas, que não poderão receber esgotos, mesmo
tratados. A maioria dos corpos receptores dos rios, do mesmo modo que o conjunto de lagoas, são
poluídos pelos efluentes sanitários, quer por lançamento direto ou através das redes de águas
pluviais, que se tornaram redes de esgotos. Apenas uma pequena parcela de efluentes recebe
tratamento, sendo que uma parte em unidades operadas pela Prefeitura (SMO - Secretaria Municipal
de Obras e SMH - Secretaria Municipal de Habitação) e a outra em instalações particulares
(condomínios residenciais e comerciais, hipermercados, shoppings e conjuntos habitacionais),
devidamente aprovadas pelos órgãos governamentais competentes de saneamento e de controle
ambiental.

Segundo cálculos recentes, o complexo lacunar recebe cerca de 3.200 litros de esgoto por segundo
(3,2 m³/s), o equivalente a aproximadamente 220 piscinas olímpicas por dia. A região de
Jacarepaguá contribui com 70%, enquanto que a Barra da Tijuca e o Recreio contribuem com 30%.
Quanto à carga orgânica em DBO (Demanda Bioquímica de Oxigênio) Jacarepaguá produz 54 t/dia
(lançando 38 t/dia), enquanto Barra / Recreio produzem 22 t/dia (lançando 7 t/dia). Assim, o total
lançado no sistema lacunar existente é de 45 t/dia em carga orgânica de DBO. Ainda, são lançados
no sistema, 1.300 t/dia de lodo de esgoto e 80 t/dia de lixo (que causam assoreamento). Com isso,
na pior situação — a do Canal de Marapendi — a concentração de coliformes fecais é dez vezes
maior que a permitida pelo órgão ambiental estadual.

Enfim, pode-se considerar que apesar da beleza paisagística do complexo lacunar da região todo o
sistema apresenta-se fragilizado pela poluição dos esgotos domésticos, que atinge a orla marítima
da região da Barra da Tijuca e Recreio dos Bandeirantes. Aproximadamente 630.000 mil habitantes
que residem nos bairros integrantes da Baixada de Jacarepaguá contribuem com cerca de 45 mil
kg/DBO/dia de esgotos, comprometendo os ambientes naturais da região. O complexo lacunar da

273
baixada de Jacarepaguá vem sofrendo, assim, um acelerado processo de descaracterização
ambiental, fenômeno negativo, de alta previsibilidade, considerando a rapidez com que se deu a
urbanização da região. Esta crescente ocupação do solo vem agravando a intensidade da entrada de
nutrientes no sistema aquático, os quais são oriundos dos mais variados tipos de resíduos sólidos e
efluentes (domésticos e industriais), em sua maioria ainda sem tratamento. Estes sinais de
degradação vem sendo bastante estudados conforme diversos dados disponíveis para consulta no
que concerne às abordagens do meio físico, tais como eutrofização, contaminação bacteriana,
blooms fitotóxicos, mortandade de peixes, proliferação de vetores de doenças hídricas, entre outros.

A FEEMA, já no final da década de 80 por monitoramentos, considerava as condições lacunares da


região como anoxibióticas, com liberação de gases tóxicos. Como medida de controle e
acompanhamento, o Município do Rio de Janeiro vem, há algum tempo, procedendo a extensivos
levantamentos da qualidade destas águas por monitoramentos constantes nas lagoas do complexo
lacunar de Jacarepaguá, conforme indica croquis abaixo, apresentando os pontos de coleta para
análises de parâmetros físico-químicos, biológicos e bacteriológicos. Os resultados vem permitindo
à SMAC considerá-las impróprias para a recreação de contato primário, aquicultura para
alimentação humana e proteção de comunidades aquáticas.

Mais recentemente, em 2000, a Secretaria de Estado de Meio Ambiente e a FEEMA declararam


todo o sistema lacunar impróprio para banho e atividades de pesca. Também o IBAMA (Instituto
Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Renováveis), em conjunto com a SMAC, desaconselhou o
consumo do pescado oriundo da Lagoa de Jacarepaguá. O quadro a seguir indica para os principais
corpos hídricos receptores, considerando os tributários ao complexo lacunar da região.

274
Principais Corpos Hídricos Receptores e Corpos d’Água Contribuintes na AII

Área Área Drenagem


Lagoa (km2) (km2) Cursos d’Água Contribuintes

Rios Guerenguê, Monjolo, Areal, Pavuninha,


Jacarepaguá 3,7 102,8 Passarinhos, Caçambé, Camorim, do Marinho,
Ubaetá, Firmino, Calembá, Cancela, Vargem
Pequena e Canudo; arroio Pavuna; córrego
Engenho Novo; canais do Cortado e do Portela

Rios Banca da Velha, Tindiba, Pechincha, da


Camorim 0,8 91,7 Covanca, Grande, Pequeno, Anil, Sangrador,
Panela, São Francisco, Quitite e Papagaio; arroio
Fundo; riacho Palmital

Rios das Pedras, Retiro, Carioca, Muzema,


Tijuca 4,8 26 Itanhangá, Leandro, da Cachoeira, Tijuca, da
Barra, Gávea Pequena e Jacaré; córrego Santo
Antonio

Marapendi 3,5 Rio das Piabas e canal das Taxas

Lagoinha 0,7 Canal das Taxas


Fonte: Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro/2001

Estações de Tratamento de Esgoto na AII (ETEs)

A implantação de Estações de Tratamento de Esgotos (ETEs) na Bacia Hidrográfica de Jacarepaguá


vem se dando por parte do Estado do Rio de Janeiro através da CEDAE, por parte do Município
através da RioÁguas e, de modo particular, por parte dos condomínios e empreendimentos diversos
na região. Todas, no entanto, ainda despejam seus resíduos em canais ou redes de águas pluviais
que, infelizmente, acabam sendo escoados para as lagoas, uma vez que o Emissário Submarino da
Barra da Tijuca ainda não entrou em operação.

A principal ETE a ser colocada em operação pela CEDAE está sendo implementada na Av. Ayrton
Senna, que deverá receber os esgotos da Barra da Tijuca, a qual estará ligada às instalações do

275
Emissário Submarino localizado na Praia da Barra da Tijuca também na altura da Av. Ayrton
Senna.

Quanto as ETEs de competência do Município do Rio de Janeiro, estas são de responsabilidade da


Fundação RioAguas, sendo que uma se localiza no Recreio dos Bandeirantes, próximo a Lagoinha,
recebendo 12 l/seg despejando, na seqüência, no Canal das Taxas. De acordo com informações
recentes da Prefeitura esta estação deverá ampliar sua capacidade para receber 24 l/seg em futuro
próximo. A Rio Águas também está implantando outra ETE em Vargem Pequena localizada
próxima ao entroncamento da Estrada dos Bandeirantes com a Av. Vereador Alceu de Carvalho
sem previsão para operação.O Poder Público Municipal também está presente (1) no loteamento
Novo Palmares (Vargem Grande) – lodos ativados por bateladas, (2) comunidade Santa Maria
(Jacarepaguá) – lodos ativados por bateladas, (3) .comunidade Tijuquinha (Itanhangá) – lodos
ativados por bateladas, (4) .comunidade Muzema (Itanhangá) – lodos ativados por bateladas, (5)
.comunidade Vila da Paz (Itanhangá) – lodos ativados por bateladas, (6) comunidade Mato Alto
(Jacarepaguá) – lodos ativados por bateladas, (7) .conjunto Habitacional Cunha Pedrosa (Cidade de
Deus) – lodos ativados por bateladas, (8) .loteamento Novo Horizonte I (Vargem Grande) – lodos
ativados contínuos, (9) .loteamento Novo Horizonte II (Vargem Grande) – lodos ativados
contínuos.

De acordo com estimativas da CEDAE, existiam até o início dos anos 2000 cerca de 300 unidades
de tratamento de esgotos particulares no âmbito da Bacia Hidrográfica da AII, construídas, operadas
e mantidas pelos condomínios residenciais e estabelecimentos comerciais e de entretenimento em
geral (shoppings, malls, hipermercados e outros), considerando-se, nestes casos, estações de
tratamento em nível secundário e sistemas fossa séptica - filtro anaeróbio. Em 1999, a SMAC _
Secretaria Municipal de Meio Ambiente realizou em conjunto com a Coordenadoria de Despoluição
dos Recursos Ambientais um levantamento junto a alguns condomínios (a campanha de observação
de campo totalizou 53 unidades vistoriadas, sendo que destas apenas 22 tiveram seus afluentes
analisados) localizados no entorno da Lagoa de Marapendi com o objetivo de identificar o potencial
de contaminação orgânica que existia então na época efetuada por estas ocupações. O objeto do
contrato era a aquisição de informações a respeito das condições dos sistemas de tratamento
instalados naqueles condomínios, através de coleta e análise de amostras dos efluentes
encaminhados para este corpo lagunar. A escolha da Lagoa de Marapendi como objeto de análise se
deu pela sua localização em área de crescente ocupação urbana em local nobre, mais próximo da
faixa litorânea e que não possui um sistema de esgotamento sanitário eficiente, o que faz com que
empreendimentos situados ao seu redor sejam obrigados a tratar seu esgoto para posteriormente,
276
lançá-lo nesta lagoa ou no canal que faz sua ligação com o mar. A falta de consciência de
proprietários aliada aos altos custos de manutenção e operação destas unidades de tratamento vem
fazendo com que a qualidade dos efluentes lançados na lagoa não seja adequada à sua capacidade
de depuração. Como é de conhecimento público, a solução definitiva para o esgotamento desta
região é a implantação do Emissário Submarino, proposto pela CEDAE, mas cujo término das obras
e conseqüente operação vem sendo adiada ao longo dos anos. No desenvolvimento dos trabalhos
foram consideradas as alterações das condições naturais causadas pelo crescimento urbano ocorrido
sem a implantação de sistema de tratamento adequado.

Como produto final foi disponibilizado Relatório contendo o resultado das análises efetuadas em
cada ETE indicada pela SMAC. O contrato foi parte de trabalho realizado pela equipe da
Coordenadoria no sentido de apoiar ações do ETR-4 quanto às medidas de controle relacionadas ao
funcionamento das ETEs, consubstanciando-se no Programa de Análises Laboratoriais para
Monitoramento do Sistema Composto por Estações de Tratamento de Esgotos no Entorno da Lagoa
de Marapendi (também conhecido como Programa S.O.S Marapendi). Os parâmetros selecionados
para análise em cada ETE foram: (1) nos afluentes DBO e DQO e (2) nos afluentes DBO, DQO,
Resíduos Sedimentáveis, Detergentes e Resíduos não filtráveis totais e vazão. A campanha de
observação de campo foi realizada no período compreendido entre maio e outubro de 1999. A
tabela abaixo indica para os resultados apresentados pela TECMA, empresa contratada pela
Prefeitura para a realização de coletas de amostras de esgotos e realização das análises laboratoriais.

Programa S.O.S Marapendi – Resultados das Analises Laboratoriais - 1999

Condomínio DBO a DBO b Remoção DQO a DQO b Remoção


(%)

P. de Itauna 259 17 93 430 120 72

Estrela do 310 16 95 440 80 82


Mar

Mirante C. 287 14 95 600 60 90


Barra

Barra Mares 120 24 80 500 40 92

Charles de 111 6 94 230 60 74


Gaule

Alfabarra I 184 65 65 240 100 58

277
Alfabarra II 329 16 95 427 80 81

Atlântico Sul 205 9 96 560 30 95

Riviera del 136 8 94 267 20 92


Fiori III

Riviera del 183 30 84 307 260 15


Fiori V

Four Seasons 319 19 94 400 190 52

Nova 362 46 87 520 140 73


Ipanema

Pontões da 96 5 95 340 50 85
Barra

Barra Palace 96 45 53 183 71 61


H. Residence

Rosa dos 140 135 4 270 230 18


Ventos

Barra Golden 170 165 3 390 340 13


Green I

Barra Golden 169 140 17 520 330 36


Green. II

Casa Blanca 374 146 61 595 290 51

Califórnia 364 155 57 590 380 41

Barra Sul 201 4 98 380 10 97

Varanda das 328 62 81 420 220 47


Rosas

Barra Golden 200 58 71 633 330 48

Fonte: TECMA_ Tecnologia em Meio Ambiente

De acordo com resultados emitidos pela TECMA, a campanha de coleta e análise laboratorial dos
esgotos dos maiores empreendimentos cadastrados nessa região foi realizada entre julho e setembro
de 1999. representando cerca de 53% da vazão total que a lagoa recebia então na época. Eram cerca
de 150 empreendimentos multifamiliares e comerciais implantados o entorno da lagoa. Destes,
aproximadamente 100 possuíam estação de tratamento de esgoto e o restante sistema fossa-filtro
anaeróbico. Das que possuíam ETE, 48 foram visitadas e 22 tiveram seus esgotos coletados e
encaminhados para análise laboratorial. O levantamento indicou a existência de cerca de 20 grandes

278
empreendimentos em fase de implantação. Com isso a vazão de efluente para a lagoa já era prevista
em ser aumentada em aproximadamente 30% em um período de 3 anos (prazo na época estimado
para término das obras então iniciadas) alcançando valores da ordem de 360 l / seg. Os resultados
analisados evidenciaram que cerca de 68% da carga orgânica é removida, representando 2,0
toneladas que deixam de ser lançadas diariamente nas águas da lagoa. Revelaram também que 46%
dos condomínios apresentavam índice de eficiência do tratamento medida em função da redução de
DBO maior do que 90% (considerado muito bom), 17% apresentavam índice entre 80% e 90%
(considerado bom), 5% considerado regular (entre 70% a 80%) , 17% ruim (entre 50 % e 70%) e
15% considerado péssimo (menor do que 50%). Conforme revelaram dados analisados na época, os
condomínios com os melhores resultados haviam sido Barra Sul, Atlântico Sul, Mirantes e Centro
da Barra, enquanto os três piores foram Barra Golden Green e Rosa dos Ventos.

No que tange a espacialização das áreas atendidas por rede de esgotamento sanitário, estas também
são fruto de dados levantados pelo IBGE, por ocasião da elaboração do Censo / 2000. Estas
informações em mapa permitem observar que parcela significativa dos domicílios presentes na área
não se encontra atendida por provisionamento público em rede, acabando por ocorrer os despejos
indevidos, sendo os esgotos geralmente encaminhados aos corpos hídricos da região por pequenas
redes localizadas mas que não compõem, efetivamente, uma rede de captação de esgotos sanitários
padrão. Mapeamento mais adiante espacializa informações descritas.

Futuro Sistema de Esgotamento Sanitário da Barra da Tijuca: ETE e Emissário Submarino

A recuperação ambiental do complexo lacunar da baixada de Jacarepaguá poderá ser alcançada, ao


lado de outras medidas importantes, quando estiver operando o sistema de esgotamento sanitário da
Barra da Tijuca, Jacarepaguá e Recreio, que inclui ligações prediais, o assentamento de redes e
troncos coletores, a construção de estações elevatórias, travessias especiais, uma estação de
tratamento de esgotos na Avenida Ayrton Senna e o emissário – Emissário da Barra da Tijuca – que
terá uma parte terrestre, com quase 2,5 km, e outra marítima, com 5,0 km. Com isso, mediante o
sucesso na implantação deste sistema, dentro da boa técnica da engenharia sanitária e ambiental,
incluindo o Recreio dos Bandeirantes, ao lado de outras medidas, ficará garantida a balneabilidade
nas praias, hoje bastante prejudicada.

279
Esta importante obra de saneamento está projetada para atender, na primeira fase, a uma população
de 700 mil habitantes, com capacidade para trabalhar 2,8 m3/s e, na segunda fase, a uma população
de 1,2 milhões de habitantes, com capacidade para 5,3 m³/s.

A licitação das obras esteve bloqueada por pendências judiciais, tendo se arrastado desde 1979,
sendo estas finalmente iniciadas em 2001, em três frentes distintas: na Barra da Tijuca, no Lote 1
(Estação de Tratamento de Esgotos) a cargo da Construtora OAS Ltda. e no Lote 2 (Emissário
Submarino) a cargo do Consórcio Nova Barra, formado pelas Construtora Norberto Odebrecht S.A.
e Carioca Christiani Nielsen Engenharia S.A e, em Jacarepaguá, no Lote 3 (redes coletoras e
elevatórias) a cargo do consórcio formado pelas construtoras Ivai-Sanesc-Banenge. Por razões
diversas as obras, em todas as suas frentes, sofreram solução de descontinuidade. Foram reiniciadas
em outubro de 2003 mas a previsão de término e entrada em operação foi novamente postergada de
novembro de 2005 para janeiro de 2006 segundo informações da CEDAE..

Resumidamente, de acordo com dados das empresas diretamente envolvidas com a empreitada,
constam como obras projetadas para o esgotamento sanitário da região as seguintes intervenções,
quais sejam, (1) 5.000 m de emissário submarino em tubos de PEAD, (2) 2.152 m de emissário
terrestre, (3) 1.265 m de interceptor, (4) 286 km de coletores tronco e redes de esgoto, (5) 7 estações
elevatórias, (6) 31 travessias especiais e (7) 216.900 ligações domiciliares

Da mesma forma que o uso da água, os esgotos sanitários devem ter seu planejamento executado
em função da sua quantificação visando horizontes de curto, médio e longo prazos, quando serão
estudadas as projeções de crescimento da população e o incremento desta contribuição nos corpos
receptores ou em ETEs, como contribuintes diretas dos corpos hídricos na Bacia Hidrográfica de
Jacarepaguá, conforme será abordado durante a fase seguinte dos estudos (Análise dos Impactos
Ambientais e Prognóstico das Condições Emergentes com e sem as intervenções em pauta). Cabe
lembrar que, deverá sempre ser considerada a possibilidade de o esgoto tratado não corresponder a
100% do total de esgoto gerado, uma vez que ainda poderá haver contribuintes isolados (e, neste
caso irregulares) durante algum período de tempo, embora se considere a possibilidade de
implementação de Estação de Tratamento de Esgotos (ETEs) para atendimento a todas as
comunidades. Esta poluição poderá ocorrer diretamente aos corpos hídricos ou através de
percolação no terreno com o uso de fossas construídas irregularmente ou por lançamento direto e
infiltração sem tratamento.

280
INSERIR MAPA AII - ESGOTAMENTO SANITÁRIO

281
Abastecimento de Água na Bacia Hidrográfica de Jacarepaguá: Os Mananciais que Abastecem a
Região

A Bacia Hidrográfica de Jacarepaguá conta com cinco mananciais para abastecimento da região,
quais sejam, (1) a represa do Camorim, com vazão média de 120l/s, tendo como área de influência
parte de Curicica e de Vargem Pequena, (2) a represa do Rio Grande, com vazão média de 50 l/s e
área de influência chegando a parte da Boiúna, Pai da Fome e do Rio Grande, (3) represa do
Sacarrão, com vazão média de 20 l/s, tendo Vargem Grande como área de influência, (4) a represa
de Três Rios / Ciganos, que apresenta vazão média de 5,5 l/s, tendo como área de influência parte
da Freguesia (Jacarepaguá) e (5) a represa da Covanca, com vazão média de 2,5 l/s, tendo como
área de influência parte da comunidade Inácio Dias.

Quanto aos reservatórios existentes no contexto desta bacia, encontram-se as seguintes unidades, (1)
reservatório da Reunião, tendo como área de influência o bairro do Tanque e parte da Taquara, (2)
reservatório da Joatinga, cuja área de influência estende-se ao Joá e Joatinga e (3) reservatório do
Valqueire, este fora de carga quando da realização deste diagnóstico. Registra-se também a
existência de uma elevatória, localizada no bairro do Itanhangá e três represas, quais sejam, (1) a
represa do Sacarrão, localizada em Vargem Grande, (2) a represa do Camorim, localizada no bairro
que lhe atribui o nome e (3) a represa do Rio Grande, em Jacarepaguá. O mapa mais adiante
espacializa estas informações. O volume de água distribuída atualmente na Baixada de Jacarepaguá
é de 3,6 m3/s, sendo que a perda ocasionada por “espetos” (roubos) e vazamentos chega a 30%. A
água, proveniente do Reservatório de Guandu Novo é transportada através de túnel, embora não
apareça no contexto da Bacia Hidrográfica de Jacarepaguá.

Para a área de influência da cada reservatório é obedecido o planejamento da rede tronco, de acordo
com o previsto no Plano Diretor de Abastecimento de Água (CEDAE). Considerando a
espacialização da rede de abastecimento da região pela CEDAE, sabe-se que a água que vem da
Estação de Tratamento do Guandu, pelo Túnel Guandu Novo, chega à caixa de Urucuia, em Vila
Valqueire. Daí segue, em linha de 1.750 mm de diâmetro para o Reservatório Reunião, na Praça
Seca. Daí sai uma primeira rede de abastecimento, de 700 mm de diâmetro, passando pelo Tanque,
Pechincha e Freguesia, através da avenida Geremário Dantas, e uma segunda, de 900 mm de
diâmetro, passando pela rua André Rocha, Curicica e avenida Salvador Allende. A primeira, a partir
da Freguesia, agora com 500 mm de diâmetro, segue pela Estrada de Jacarepaguá até a Barrinha.
Antes da Barrinha, na ponte sobre a Lagoa da Tijuca, há uma derivação desta rede, com diâmetros
variados de 250 mm, 300 mm, 400 mm e 500 mm, para atender o Jardim Oceânico, Tijucamar,

282
Avenida Prefeito Dulcídio Cardoso, Avenida Lúcio Costa (antiga av. Sernambetiba) e Avenida das
Américas. A segunda, tem uma derivação na estrada do Guerenguê, passa pela Cidade de Deus
(diâmetro de 1.200 mm) e chega à Avenida Ayrton Senna (diâmetro de 1.000 mm) até o Trevo das
Palmeiras (Cebolão). Daí, um trecho segue em 900 mm até encontrar a Avenida Sernambetiba e
outro trecho segue pela Avenida das Américas (400 mm de diâmetro) até o Recreio. A rede que
vem da rua André Rocha tem uma derivação ao atravessar a Estrada dos Bandeirantes que tem uma
outra derivação que segue a Estrada dos Bandeirantes (400 mm de diâmetro) para atender as regiões
de Camorim, Vargem Pequena e Vargem Grande.

No que tange ao número de ligações por categoria e volume faturado considerando as regiões
administrativas de Jacarepaguá e Barra da Tijuca que, dentro da AP-4, traduzem-se em distritos de
água e esgoto pela CEDAE, dados de meados da década de 90 (1995) divulgados pela Prefeitura da
Cidade do Rio de Janeiro, através do Anuário Estatístico da Cidade, revelam que, até aquele
período, esta área representava cerca de 10 % das ligações do município como um todo,
computando cerca de 11% do volume faturado, conforme dados absolutos apresentados adiante.
Embora sem informações mais recentes por parte da CEDAE, sabe-se que o grande crescimento
demográfico ocorrido na AP-4 , permitem inferir que estes percentuais também tenham sido
acrescidos.

283
Ligações por Categoria Principal e Volume Faturado por Distrito de Água/Esgoto CEDAE /
1995

Distrito Ligações Categoria % Vol. Faturado


Água/Esgoto Principal (m3)
Jacarepaguá 53.264 Domiciliar 93,0 3.322.961
Barra da Tijuca 8.023 Domiciliar 83,5 1.425.055
Total 61.287 Domiciliar 4.748.016
Município 649.015 Domicilia 89,5 44.762.677
Fonte: Anuário Estatístico da Cidade do Rio de Janeiro / 1998 - CEDAE /95

Considerando o sistema de abastecimento de água para toda a Região Metropolitana do RJ, dados
da CEDAE referentes a 2001, permitem observar, em termos de volume, os limites de fornecimento
de água não só para a Região Metropolitana, mas para todo o Estado do RJ.

Situação de Abastecimento de Água - Região Metropolitana e Estado do RJ / 2001

Região Manancial Vazão Mínima Vazão Distribuída Capacidade de


(l/s) (l/s) Atendimento (1)
Estado - - 61.046,14 16.208.103
Metropolitana - - 55.183,90 13.278.011
Rio Guandu 130.000 40.000 9.600.000
Represa de Lajes - 5.000 1.200.000
São Paulo 150 900 216.000
Nota: (1) Capacidade = vazão X segundos/dia (utilizado o índice per capita de 300 l/dia para a região Metropolitana e
200 l/d para as demais regiões.
Fonte: CEDAE, Concessionárias Águas do Imperador S.A; Concessionária Águas do Paraíba S.A, Concessionária de
Serviços Públicos de Água e Esgotos - PROLAGOS e Concessionária Águas de Niterói S.A.

O mapa mais adiante espacializa no contexto da Bacia Hidrográfica de Jacarepaguá as áreas em


termos de percentual de domicílios atendidos por rede de abastecimento de água, conforme último
levantamento censitário realizado pelo IBGE para o Censo / 2000. Apesar do grande crescimento
demográfico observado na AP-4 nos últimos anos, conforme revelou análise demográfica anterior,
estas informações permitem ratificar o provisionamento em termos de abastecimento de água por
rede pública para as áreas onde se encontram as principais manchas de densidades demográficas
que já registraram, também de acordo com o último censo do IBGE, até 1.000 hab / há, em algumas
localidades já ultrapassado este índice. Nestas áreas, segundo dados secundários, de 80 a 100% dos
domicílios encontram-se atendidos, ficando os demais dependendo, na maioria das vezes de
captação individual ou auxílio de carros-pipa.

284
No que tange ao abastecimento de água na região convém enfatizar que este serviço também deverá
ser equacionado adequadamente no futuro, com a distribuição da água tratada a ser fornecida em
bloco pela CEDAE, além da construção de reservatórios e linhas-tronco.

285
INSERIR MAPA AII - ABASTECIMENTO DE ÁGUA

286
Coleta de Resíduos Sólidos

O maior problema no que se refere ao destino de resíduos sólidos na Bacia Hidrográfica de


Jacarepaguá é a geração de dejetos urbanos e de origem doméstica, muita vezes lançados a ermo,
em locais abertos, nos rios e canais, nas praças públicas, ao contrário de outros resíduos de origem
variada, como aqueles de origem hospitalar e industrial que, com freqüência, acabam sendo
dispostos, mesmo que de forma inadequada, em um aterro sanitário, considerando seu fator maior
de contaminação.

Na verdade, a solução para os despejos indevidos de resíduos sólidos vem sendo, sobretudo, de
ordem financeira, à medida que existem soluções já voltadas ao seu adequado tratamento,
considerando as possibilidades de reuso, reciclagem, refino, entre outras, todas com alternativas já
desenvolvidas e possíveis e que se apresentam à disposição de empresas e autoridades da área de
saúde, saneamento e meio ambiente, bastando para tal a disponiblização de recursos para a
implantação de projetos específicos visando o tratamento adequado dos resíduos e visando o retorno
dos materiais, sob novas formas, para uso do homem (ex. papel, papelão, vidros, plásticos, óleos,
metais, madeira, entre outros), cabendo apenas, neste caso, estabelecer qual a relação ideal entre o
custo destes tratamentos e o retorno – inclusive ambiental – que estas operações podem gerar.

É sabido que qualquer curso d’água deve permanecer livre e desimpedido, de forma a permitir o
fluxo natural da água, independente da sua vazão em considerando as épocas do ano de seca e de
chuvas, quando a vazão será, obviamente variável, por vezes, em épocas de grandes chuvas, com a
possibilidade de causar inundações. Este fato, deve ser atentado quando da análise das condições
em que se encontram as populações ribeirinhas, geralmente de baixa renda, que se instalam às
margens e, por vezes, dentro das calhas dos corpos d’água, em residências sob a forma de palafitas,
que lançam naturalmente os resíduos nos corpos hídricos, reduzindo a capacidade de escoamento
das vazões, fato este que gera uma série de desconfortos e riscos pela poluição provocada, quais
sejam, a ausência de beleza cênica pelo amontoamento de lixo, mau-cheiro, disseminação de
doenças de veiculação hídrica, proliferação de vetores (ratos, baratas, moscas e mosquitos),
procriação indevida de animais domésticos (principalmente de porcos) e alterações na biótica
aquática.

Desta forma, deve-se considerar a disposição inadequada dos resíduos sólidos, das mais variadas
fontes e tipologias, como sendo um dos fatores mais agravantes da má qualidade da maioria dos
corpos hídricos da Bacia Hidrográfica de Jacarepaguá, problema este que ainda persiste,

287
independente da vontade e ação do poder público, quando da implantação de sistema de coleta e de
disposição de resíduos sólidos em todo o Município do Rio de Janeiro.

Atualmente, a COMLURB não faz uso de lixões na área em análise, sendo os resíduos da região
transportados, a partir das Estações de Transferências, para o Aterro Sanitário de Gramacho,
localizado no Município de Duque de Caxias. A Unidade de Transferência mais próximas dos
locais onde estão previstas intervenções da SERLA é a Unidade de Transferência de Vargem
Pequena, da onde, após realizados os procedimentos de separação de resíduos sólidos por parte dos
catadores, segue para o CTR de Gericino (Centro de Transferência de Resíduos) e de lá para
Gramacho.

Segundo depoimentos de antigos moradores e proprietários de terrenos em Vargem Grande,


Vargem Pequena e Recreio dos Bandeirantes, a área localizada entre os canais do Portelo e do
Cortado já foi outrora utilizada para depósito de lixo tendo sido, portanto, objeto de aterro. Trata-se
de local onde se encontra a Fazenda Calábria de propriedade do Sr. Pasquale Mauro. Nos anos 80 a
CEDAE firmou um acordo com o proprietário para que a área servisse como aterro técnico sanitário
a ser composto por barro e lixo. Contudo, segundo depoimentos do proprietário o depósito era
basicamente de lixo, não tendo se configurado em aterro técnico.

Também adotando mesma metodologia utilizada para espacialização das áreas atendidas por rede de
abastecimento de água e esgotamento sanitário, recorreu-se aos dados censitários do IBGE, os quais
revelam que, até o início dos anos 2000, a maior extensão da área ocupada na bacia hidrográfica de
Jacarepaguá apresentava cerca de mais de 60% dos domicílios atendidos por serviços de coleta,
chegando algumas áreas a registrar quase 100% de unidades atendidas. Cabe salientar para o
atendimento também observado junto às comunidades de baixa renda.

288
INSERIR MAPA AII LIXO

289
A frequência de coleta não ocorre diariamente na região da baixada de Jacarepaguá, conforme
dados da COMLURB. Apenas algumas comunidades são contempladas todos os dias, quais sejam,
(1) complexo Rio das Pedras e parte da Cidade de Deus, (2) complexos da Vila Amizade, Beira Rio,
Tijuquinha e Coroado. Os demais setores são atendidos três vezes por semana. É o que acontece nos
bairros da Barra da Tijuca e de Jacarepaguá, sob sistema intercalado pela divisão dos bairros em
setores numerados, sendo que, no caso da Barra, os que apresentam numeração par são atendidos às
segundas, quartas e sextas-feiras e os com numeração ímpar às terças, quintas e sábados.

Quanto a média de coleta de lixo/dia, registradas nos últimos doze meses (setembro/2002 a
agosto/2003), de acordo com informações da COMLURB, observa-se destaque no posto da
Freguesia (317,0 t lixo/dia), seguido dos postos da Barra da Tijuca e Recreio (311 t lixo/dia) e de
Jacarepaguá (305 t lixo/dia). Sendo assim, o volume de lixo coletado é da ordem de 933 t/dia,
proveniente de domicílios, pequenos comércios e varrição das vias públicas. No entanto, apesar dos
serviços públicos prestados às comunidades, a média de volume de lixo/dia no sistema lacunar da
região ainda vem sendo de 2,45 t/dia, conforme levantamentos também da COMLURB.

No que diz respeito a tipologia do lixo produzido na AII, estes são do tipo domiciliar, comercial,
público, industrial e hospitalar. Entretanto, os dados apresentados no item anterior, referem-se
apenas aos resíduos domiciliar e público, que são de competência da Companhia de Lixo Urbano do
Rio de Janeiro. O quadro a seguir informa sobre as áreas de abrangência destes postos de coleta
(também chamados de distritos de coleta pela COMLURB).

290
Área de Abrangência dos Postos de Coleta

Distritos de Coleta Área de Abrangência


LG16F - Freguesia Freguesia, Pechincha, Anil, Jacarepaguá (parte), Gardênia Azul,
Cidade de Deus e Curicica
LG16J – Jacarepaguá Jacarepaguá (parte), Tanque, Taquara, Praça Seca e Vila Valqueire
LG24B – Barra da Tijuca Barra da Tijuca, Itanhangá e Joá
LG24R – Recreio dos Recreio dos Bandeirantes, Grumari, Camorim, Vargem Grande e
Bandeirantes Vargem Pequena
Fonte: Companhia Municipal de Limpeza Urbana- COMLURB

Quanto ao atendimento, toda a frota de veículos da AP-4 é terceirizada por contratos de locação de
veículos. Os garis das guarnições são da COMLURB, que também é responsável pelo planejamento
e fiscalização dos serviços. Em alguns pontos específicos, que se diferenciam dos demais pelo
grande volume de lixo produzido, a coleta é feita de modo tercerizado, segundo a Resolução n.
09/93, de 01/11/93, que considera como grandes geradores os estabelecimentos que mantém
produção diária maior do que 100 litros, como é o caso dos shopping centers, supermercados,
grandes escolas, grandes condomínios fechados, etc. Nestes casos, a coleta é feita por empresas
particulares, sob a responsabilidade da COMLURB, a exemplo da KOLETA e da LOCANTY,
principais coletoras particulares atuantes na Barra da Tijuca, Jacarepaguá e outros bairros
integrantes da Baixada de Jacarepaguá. Quanto aos principais pontos com despejos indevidos
observados na AII, citam-se (1) ao lado da Concessionária de Veículos EUROBARRA, (2) debaixo
do viaduto da Linha Amarela (avenida Ayrton Senna, Gabinal, Edgar Werneck).

• Energia Elétrica

O fornecimento de energia elétrica para a região em foco é de competência da LIGHT A


espacialização de dados fornecidos pelo Anuário Estatístico da Cidade do Rio de Janeiro /98
revelam a presença de unidade transformadora de transmissão de Furnas localizada no bairro de
Jacarepaguá que repassa energia através de linha de transmissão de 138 kv até a unidade
distribuidora e transformadora da LIGHT localizada no bairro da Barra da Tijuca antes do
entroncamento da Av. das Américas com a Av Salvador Allende. A Subestação mais perto dos
locais onde estão previstas as intervenções em pauta é a SE Itapeba, localizada na Av. Célia
Ribeiro, ao lado do Canal do Cortado no Recreio dos Bandeirantes.
De acordo com informações da LIGHT a principal classe de consumo na Baixada de Jacarepaguá é
residencial.

291
INSERIR MAPA ELÉTRICA AII

292
• Telecomunicações / Telefonia

O grande desafio da Barra da Tijuca a ser enfrentado no início do século XXI é a sua consolidação
como pólo gerador de empregos qualificados, que corresponde ao seu destino como a cidade do
futuro na metrópole do Rio de Janeiro. A vocação urbana mais tradicional das metrópoles é a da
prestação de serviços. Com as mudanças ocorridas no modo de produção pelo advento do
computador, estão cada vez mais se consolidando as atividades econômicas ditas superiores. As
grandes empresas descentralizam serviços, terceirizam atividades que antes executavam
diretamente e procuram empresas menores ou profissionais independentes para gerenciar ou
controlar a produção das suas subcontratadas: com isso quarteirizam atividades.

Existe mais trabalho de escritório do que nas linhas de produção das fábricas, existem mais negociações
e comunicações do que operações de máquinas, existem mais emprego para pessoas com educação mais
aperfeiçoada e treinamento mais ampliado. São, portanto, atividades que requerem maior conhecimento,
maior responsabilidade e maior uso da inteligência, tanto no sentido do esforço cerebral quanto no da
acumulação da informação.

Estas atividades implicam trocas muito rápidas de grandes volumes de dados, sejam dos bytes
relativos às movimentações financeiras entre os mercados internacionais, sejam dos resultados de
novos métodos e produtos entre núcleos de pesquisa e desenvolvimento em diferentes lugares,
sejam da transmissão das informações e notícias vindas de todo o mundo, seja da interatividade
pelos cabos.

No outro extremo dessa tendência, as atividades superiores representam também a consolidação da


produção única do pensamento - cérebro humano onde o computador - cérebro eletrônico não
consegue competir. São as idéias inovadoras nos vários campos do conhecimento humano, as
manifestações artísticas e culturais mais variadas no ramo do entretenimento, as experiências
individuais na busca de novas aventuras, paisagens ou sensações desconhecidas.

Com isso, a tendência das metrópoles nos países mais avançados é de se tornarem cidades promotoras
da inteligência, não só facilitando o número imenso de trocas entre pessoas ou empresas numa
sociedade globalizada, como também permitindo o maior domínio do conhecimento na era da informação
voltado ao aprimoramento do ser humano. Essa é, por excelência, a vocação da Barra da Tijuca como
pólo de equilíbrio dentro da metrópole fluminense. Para tanto, a cidade do Rio de Janeiro fará valer

293
suas excepcionais condições de beleza cênica através do turismo; de mercado financeiro através das
operações dos bancos e das instituições existentes ou atraídas; de comércio internacional através do
fluxo de informações; e de promoção do conhecimento aplicado através das universidades e centros
de pesquisa e desenvolvimento.

Retoma-se assim o conjunto de propostas urbanísticas que previa a polinucleação do espaço urbano
do Rio de Janeiro com três centros bem caracterizados 16
• na extremidade leste da cidade: o centro histórico de negócios e também centro comercial, tanto
do pequeno varejo como do comércio internacional;
• na extremidade oeste do espaço municipal: o centro industrial, utilizando a base instalada em
Santa Cruz, as ligações rodoferroviárias e atuando como retaguarda para o Porto de Sepetiba;
• na posição central da Baixada de Jacarepaguá: o centro metropolitano administrativo-financeiro e
de serviços avançados, desenvolvendo também atividades ligadas à formação tecnológica e à
informática como suporte às trocas e transações de informações gerenciais.

Nessa visão, a Barra da Tijuca tem o potencial de tornar-se o Centro da Inteligência na Metrópole
do Rio de Janeiro, potencializando sua vocação voltada às atividades econômicas superiores, seja
pelos seus acessos e pela sua centralidade metropolitana, seja pela tranqüilidade favorecida pela sua
esplêndida paisagem, seja pelo espírito aberto às novas experiências de seus habitantes, seja pela
qualificação dos serviços que dispõe, seja enfim por sua própria organização espacial que permite a
localização de extensas áreas edificadas, altamente articuladas entre si.

Dentro deste contexto, em uma região que se moderniza aceleradamente, um outro fator de infra-
estrutura que pode se tornar impeditivo ao desenvolvimento é a capacidade do sistema de
telecomunicações, uma vez que as relações pessoais, profissionais e comerciais dependem cada vez
mais de ligações telefônicas, de transações através de fax (fac-símile), dos modens ligando
computadores, e destes acessando a rede mundial no hiper-espaço. Pressupõem, portanto, que exista
uma rede de infra-estrutura que torne essa comunicação instantânea e de boa qualidade.

Com a privatização das concessionárias de serviços telefônicos, a Baixada de Jacarepaguá teve um


ajuste na sua capacidade de processar ligações, com a instalação de novas centrais, subdividindo as
estações existentes e ampliando a rede local. Apesar de eliminada boa parte da demanda, até então
reprimida, existentes nos bairros da região, esta ainda não dispõe totalmente de serviços rápidos e
totalmente confiáveis. Porém, a instalação de novos terminais pressupõe também o correspondente
16
Barra da Tijuca 2000/2020 – Consolidação do Desenvolvimento

294
incremento na montagem de outras centrais de comutação digital, a interligação física por rede de
fibra ótica e a possibilidade de utilização de sistemas de transmissão à distância de alto alcance.

Cabe lembrar que as telecomunicações são fundamentais para se evitar muitos deslocamentos
físicos, desde que se possa resolver por telefone o que normalmente obrigaria a presença do usuário,
o que evita sobrecargas em um sistema viário já a beira do colapso.

• Infra-Estrutura Social

A abordagem da infra-estrutura social na região em foco, tem como objetivo principal identificar a
assistência urbana no que tange a rede (1) de saúde, (2) de educação, (3) de segurança pública e (4)
de oferta em termos de espaços culturais, de esporte e lazer, de modo a permitir observar os locais
de maior referência no afluxo de pessoas demandantes destes serviços / atividades.

• Saúde

As informações no âmbito da saúde foram direcionadas de modo a ermitir a caracterização do (1)


contexto institucional de saúde na AII e (2) o aspecto epidemiológico. que prevalece na região.

Contexto Institucional da Saúde na Área de Influência Indireta do Empreendimento: Principais


Hospitais e Centros de Saúde de Referência

O bairro da Barra da Tijuca exerce hoje papel relevante na prestação de serviços no âmbito da saúde
na Área de Influência Indireta das intervenções em pauta, quer à nível emergencial, curativo ou
preventivo. O atendimento é basicamente provido pela rede particular de assistência médico-
hospitalar, cujos estabelecimentos encontram-se equipados com o que há de mais moderno no setor
para atendimento humano. Como principais hospitais de referência, entre unidades particulares, o
bairro da Barra da Tijuca conta hoje com o (1) Hospital Barra D`Or, localizado na Av. Ayrton
Senna, com 154 leitos, perfazendo uma média de 320 atendimentos / dia entre consultas e
emergências; (2) Hospital Rio Mar, onde oferece 85 leitos para internação, com uma média de 90
atendimentos / dia, também entre consultas e emergências. Em termos de atendimento público cita-
se a presença do Hospital Municipal Lourenço Jorge, com capacidade instalada de 147 leitos e
totalizando 1.200 atendimentos / dia entre consultas e emergências.

O bairro da Barra da Tijuca está também contemplado por instalações médicas específicas para
atendimentos cardio-vasculares, no Jardim Oceânico, onde o Cardio Barra passou a ser
estabelecimento de referência. Algumas clínicas de atendimento mais emergenciais também
compõem a rede de assistência particular – Clínica Médica São Bernardo, com 60 leitos e média de

295
200 atendimentos / dia, a Clínica Médica Jardim Oceânico e a Clínica Geriátrica da Barra com
atendimentos direcionados à faixa etária acima dos 65 anos. Alguns condomínios fechados
encontram-se também provisionados com pronto-socorros próprios, como é o caso do Condomínio
Mandala (Mandala Pronto-Socorro e Urgência Médica). Cabe mencionar o Centro Médico Barra
Shopping que embora ofereça internações apenas por pequenos espaços de tempo (como é o caso da
rede Day Hospital) tornou-se referência para a realização de consultas e diagnósticos por imagem
de grande resolução com grandes especialistas.

Considerando a Baixada de Jacarepaguá como um todo, foram identificados quatorze centros de


saúde de referência, sendo que nove destes encontram-se localizados na Barra da Tijuca e no
caminho do Recreio dos Bandeirantes (Hospital Rio Mar já mencionado). A concentração desses
atendimentos, basicamente na Barra da Tijuca, encontra-se espacializada em mapa mais adiante,
sinalizando para as carências que os bairros mais à oeste da XXIV RA (Vargem Grande, Vargem
Pequena, Recreio dos Bandeirantes e Grumari) apresentam. Estes contam apenas com uma Unidade
Auxiliar de Cuidados – UAC (UAC Posto de Saúde Vargem Grande). Já na porção centro-norte da
Baixada de Jacarepaguá, outras cinco unidades de saúde buscam garantir o atendimento, estando
quatro em Jacarepaguá e uma no bairro do Tanque. Com destaque cita-se o Hospital Cardoso
Fontes, localizado próximo da auto-estrada Grajaú-Jacarepaguá. Também convém ressaltar para a
presença do Centro de Reabilitação Infantil Sarah Kubitschek – SARAH Rio de Janeiro, localizado
na Ilha da Pombeba, circunscrita a Lagoa de Jacarepaguá, com acesso pela Avenida Salvador
Allende. Inaugurado em janeiro de 2002, o SARAH-Rio é um Centro de Reabilitação Infantil. Em
2002, realizou 30.040 atendimentos a pacientes. A média diária foi de 119 atendimentos. Realizou
152.317 procedimentos de assistência médica e reabilitação. Atende crianças e adolescentes de zero
a 16 anos. Surgiu da necessidade de expansão da Rede para a região sudeste, na medida em que
muitas crianças tinham que se deslocar até Brasília para tratamento especializado, com um custo
social e humano elevado.

O Centro de Reabilitação situa-se na lagoa de Jacarepaguá, o que permitiu que o projeto tirasse o
melhor proveito da natureza, viabilizando esportes como vela e canoagem, além de todas as
atividades de diagnóstico e reabilitação como nos demais hospitais SARAH. Os casos que
eventualmente necessitam de procedimentos cirúrgicos são referidos para outras unidades da
Rede.Há um projeto de construção, nas proximidades do Centro de Reabilitação, de um grande
hospital dedicado a adultos e crianças, semelhante ao Sarah Brasília. A tabela a seguir e o mapa

296
Infra-Estrutura de Saúde mais adiante, permitem melhor visualização, dando destaque aos Hospitais
Lourenço Jorge, Barra`Or e Rio Mar. .

297
Estabelecimentos de Saúde, por Esfera de Competência, Leitos, Atendimento , Especialidades
e Casos Epidemiológicos no Contexto da AII – 2003

Atendi- Casos de
Estabelecimento Compe- Especialidades
Bairro Leitos mentos / Epidemio
/ Tipo tência Ofertadas
dia logia
Meningite,
B. da Todas as
Hospital Barra D’Or Particular 200 340 Leptos-
Tijuca especialidades
pirose
Diarréia,
Ortopedia, Cirurgia Varicela,
Geral, Meningite,
Hospital Lourenço B. da
Municipal 160 1.500 Bucomoscirofacial, Leptos-
Jorge Tijuca
Clínica Média, PS, pirose,
Ambulatório Dengue e
Hepatite
Clínica Geral, Diarréia,
Hospital Cardoso Jacarép Pediatria, Leptospiros
Municipal 140 500
Fontes aguá Cardiologia, e,
Cirurgias em Geral Meningite
Centro Médico B. da Consultas em todas
Particular - - -
Richet Barra Tijuca as especialidades
Unidade Integrada
Cidade
de Saúde Hamilton Municipal - 100 X X
de Deus
Land
Todas as
Hospital RioMar Recr. Particular 85 90 -
Especialidades
Consultas em todas
Clínica S. Bernardo B. Tijuca Particular 60 200 -
as especialidades
Clínica J. Oceânico B. Tijuca Particular - x X x
Rio das
Clínica Geriátrica Municipal - 110 X x
Pedras
Cárdio Barra B. Tijuca Particular 25 30 X X
Atendimento
Mandala P.Socorro B. Tijuca Particular emergencial- -
curativo
UAC V. Grande (3) V. Gg Municipal X -
C. Médico Barra
B. Tijuca Particular X -
Shop.
Fonte: Pesquisas de campo realizadas em 2003 por ocasião de estudos urbanísticos ara o PAN / 07; Nota(1) X = dado
não disponível= não existe (2) Ainda não incluídos dados das unidades de saúde em Jacarepaguá

298
Contexto Epidemiológico

A análise do contexto epidemiológico na Área de Influência Indireta em questão busca identificar as


principais ocorrências de doenças (novas ou recorrentes) que possam significar situações mais
críticas sobre o ponto de vista de saúde pública nos bairros integrantes da Baixada de Jacarepaguá.
Levantamentos realizados em 2003 nos hospitais e demais unidades de saúde da região em foco
revelam que, embora constem notificações tais como meningite, leptospirose, diarréia, varicela e
hepatite, a dengue vem sendo certamente o alvo de atenção dos órgãos de saúde de competência
quer municipal ou estadual.

A Secretaria Municipal de Saúde vem alertando para o risco de uma nova epidemia de dengue por
causa da desmobilização da população no que diz respeito ao combate ao mosquito transmissor.
Segundo dados coletados de maio a agosto deste ano (2003), o índice de infestação do município
vem se mantendo alto como no mesmo período do ano passado – na faixa de 2%. É o dobro do
permitido pela Organização Mundial de Saúde (OMS).

No último levantamento realizado pela Secretaria Municipal de Saúde, existem 21 (vinte e um)
bairros com índice de infestação superior a 5%, nível considerado de alto risco por especialistas. O
Anil, um dos bairros integrantes da Baixada de Jacarepaguá foi o único a ficar na zona alarmante
entre 12% e 25%, índice justificado, em parte, pelo excesso de casas com áreas sombreadas e
contíguas às linhas ribeirinhas onde predomina água parada e poluída. Apenas a título de
complementação de dados, São Conrado teve resultado também surpreendente, por ter sido incluído
na lista de bairros infestados no grupo de risco em que estão presentes áreas como a da Leopoldina.
Outros bairros da Zona Sul, como Leblon, Gávea, Flamengo e Urca também têm apresentado
infestação superior ao limite permitido pela OMS.

O risco para a população carioca, de modo geral, segundo especialistas da Secretaria Municipal de
Saúde é ainda maior pela proximidade geográfica do vírus 4 da dengue, já identificado na Bolívia e
no Caribe. Segundo especialistas, o vírus já está em nossas fronteiras, em países com os quais o
Brasil tem todas as relações abertas. Portanto, existem chances elevadíssimas e o problema chegar
ao Rio de Janeiro neste próximo verão de 2005. Caso isso aconteça, alertam os técnicos da
Prefeitura “ provavelmente teremos uma e uma epidemia explosiva em 2005” Os três outros tipos
de vírus de dengue já foram identificados no Rio e, também segundo especialistas, as pessoas já
infectadas por eles uma vez, ficam imunes. A proteção porém não é suficiente para evitar o vírus 4.

299
De acordo com levantamentos do índice de infestação predial do Aedes Aegypti por bairro existe
grande preocupação, no que tange aos bairros integrantes da AP4, no Anil, primeiramente e no
Tanque na sequência. Dentre os demais bairros, a Barra da Tijuca e o Pechincha são os menos
infectados (índices próximo a zero). Contudo, Jacarepaguá apresentou índice com variação de 1 a
5%. O mapa a seguir espacializa estas informações. É também oportuno observar tabela apresentada
abaixo com as notificações e atendimentos que ocorreram no Hospital Municipal Lourenço Jorge,
único estabelecimento público de referência na Barra; onde os registros vem sendo crescentemente
ao longo do período junho de 1996 a julho de 2003, com destaque para o ano de 2002.

Casos de Epidemia de Dengue registrados no Hospital Lourenço Jorge - 2003

Junho de Julho de
1997 1998 1999 2000 2001 2002
1996 2003
50 2 1.248 490 316 2.079 16.269 127
Fonte: Hospital Lourenço Jorge – 2003/04

300
INSERIR MAPA DENGUE

301
• Educação

Rede Educacional na AII

O intenso crescimento demográfico, principalmente no bairro da Barra da Tijuca, acabou por atrair
também escolas e universidades de renome para atendimento à população em faixa etária escolar
desde o 1° ao 3° grau, sem considerar a pulverização de creches e maternais na busca do segmento
de pré-alfabetização. A região da Baixada de Jacarepaguá passou a observar maior aumento do
número de estabelecimentos na década de 90 e durante o início dos anos 2000 com destaque para o
bairro do Recreio dos Bandeirantes, onde foram surgindo novos estabelecimentos para atendimento
de demanda residencial crescente na área. Contudo, a vinda de colégios de renome da Zona Sul do
Rio de Janeiro para a Barra da Tijuca acabou por concentrar o maior número de matriculas, mesmo
de alunos residentes em Jacarepaguá e do Recreio, por exemplo.

302
Estabelecimentos Particulares de Ensino na Barra da Tijuca - 2002

Estabelec. Tipo Bairro Matrícula Séries Proced. Proced. Proced. Proced


Barra Recreio Jacarep Outros
.
Veiga de Colégio Barra 1.000 EI,EF,E 70% 20% 10% -
Almeida M
Saint John Colégio Barra 1.030 EI,EF,E 50% 50% - -
M
Miguel Colégio Barra 1.200 PV 70% 10% 20% -
Couto/
Bahiense
Santo Colégio Barra 2.500 EF,EM 60% 30% - 10%
Agostinho
PH Colégio Barra 1.000 EI,EF,E 80% - 20% -
M
MVI Colégio Barra X EI,EF,E 45% 45% - 10%
M,PV
Anglo Colégio Barra 750 EF,EM 45% 45% - 10%
Americ.
Santa Colégio Barra 1.200 EI,EF,E 80% 15% 5% -
Mônica M,PV
Pinheiro Colégio Barra 370 EI,EF,E 60% 40% - -
Guimar. M,S
CEL Colégio Barra 500 EI,EF,E 80% 10% 10% -
M,PV
GPI Colégio Barra 187 EM, PV 90% 10% - -
Estácio de Universidade Barra 8.450 (*) S 40% 40% 15% 5%

Veiga de Universidade Barra 1.100 S 40% 40% 10% 10%
Almeida
Gama Filho Universidade Barra 2.500 S 20% 20% 20% 40%
Castelo Universidade Barra 800 S 20% - 50% 30%
Branco
Nota: (*) distribuídos em 4 Campi
Fonte: EIA/ Rima _ Vila Jogos PanAmericanos / 07

303
Quanto à assistência da esfera pública (tanto municipal quanto estadual) esta se encontra presente
em vários estabelecimentos de ensino em quase toda a AP-4, subsidiando os ensinos de 1o e 2o grau
(fundamental e médio, respectivamente). Com um total de aproximadamente 9.300 alunos
matriculados nos estabelecimentos do município, de acordo com dados referentes ao ano de 2000,
as escolas da Prefeitura vem tentando suprir basicamente o atendimento educacional de crianças
com famílias de baixa renda, na maioria das vezes residentes nas ocupações subnormais presentes
na região (vide item Aspectos Demográficos – Ocupações Subnormais).A tabela a seguir indica a
distribuição de alunos por estabelecimentos municipais na AII.

304
Estabelecimentos Municipais de Ensino presentes na XXIV RA – Barra da Tijuca - 99

Estabelecimento Competência Bairro Série Matrículas


Prof. Alb.Einstein Municipal Barra da Tijuca EI a 8ª 805
Almeida Garret Municipal Barra da Tijuca EI a 4ª 646
Rep da Colômbia Municipal Barra da Tijuca EI a 4ª 773
Golda Meir Municipal Barra da Tijuca EI a 4ª 951
Dom Pedro I Municipal Barra da Tijuca 5ª a 8ª 634
Frederico Trotta Municipal Barra da Tijuca 5ª a 8ª 937
Vice Alm.Silva Municipal Barra da Tijuca EI a 4ª 418
Tristão de Ataíde Municipal Barra da Tijuca EI a 4ª 875
Jacson Figueiredo Municipal Barra da Tijuca EI a 3ª 296
Rodrigues Alves Municipal Barra da Tijuca 5ª a 8ª 458
P. Margarida Faria Municipal Barra da Tijuca EI a 1ª 373
Prof Zuleica N. A. Municipal Barra da Tijuca 5ª a 8ª 549
Prof. Dídia M. F Municipal Barra da Tijuca EI a 4ª 484
Vice Al..Álvaro A Municipal Barra da Tijuca 1ª a 4ª 548
Sérgio Buarque H Municipal Barra da Tijuca 5ª a 8ª 501
Paulo Castro M.S Municipal Barra da Tijuca EI a 4ª 418
Olegário Doming. Municipal Vargem Pequena - -
São Sebastião Municipal Vargem Pequena - -
Alvaro Sodré Municipal Vargem Grande - -
Teófilo M. Costa Municipal Vargem Grande - -
Perola Byngton Municipal Vargem Grande - -
Comunidade de Municipal Vargem Grande - -
Vargem Grande
Jurandyr P.Leme Municipal R. Bandeirantes - -
Margaret Mee Municipal R. Bandeirantes - -
Carlos D. Carvalho Municipal R. Bandeirantes - -
Fonte: SME – Secretaria Municipal de Educação / 1999; Nota: (-) = Dados não disponibilizados para consulta. Não
foram disponibilizados dados da Secretaria Estadual de Ensino.

305
Estabelecimentos de Ensino na XVI RA Jacarepaguá e XXXIV RA Cidade de Deus --2000

Estabelecimento Tipo Bairro Matrícula Séries


Marechal Canrobert
Escola Municipal Anil 727 5ª, 6ª, 7ª, 8ª
Pereira da Costa
CP1, 3ª, 4ª, CE,
Victor Hugo Escola Municipal Anil 1.106
5ª, 6ª, 7ª, 8ª
Naturalista Augusto EF, CP1, CP2, 3ª,
Escola Municipal Anil 356
Ruschi 4ª
Prof. Helena Lopes EI, EF, CP1, CP2,
Escola Municipal Gardênia Azul 1.346
Abranches 3ª, 4ª
Compositor Luiz EF, CP1, CP2, 3ª,
Escola Municipal Frequesia 1158
Gonzaga 4ª
Rio das Pedras Escola Municipal Rio das Pedras 1.160 5ª,6ª, 7ª, 8ª
CIEP Lindolpho EI, EF, CP1, CP2,
Escola Municipal Rio das Pedras 1.841
Collor 3ª, 4ª
EF, CP1, CP2, 3ª,
Augusto Magne Escola Municipal Cidade de Deus 536

Prof. Leila Barcellos EI, EF, CP1, CP2,
Escola Municipal Cidade de Deus 730
de Carvalho 3ª, 4ª, CE
Alphonsus de Escola Municipal Cidade de Deus 559 EF, CP1, CP2, 3ª,
Guimaraen 4ª
Escola Municipal Cidade de Deus 1.104 EF, CP1, CP2, 3ª,
Pedro Aleixo
4ª, 5ª, 6ª, 7ª, 8ª
CIEP João Batista Escola Municipal Cidade de Deus 590 EF, CP1, CP2, 3ª,
dos Santos 4ª, CE
Colégio Particular Barra da Tijuca 500 EI, EF, 3ª, 4ª, 5ª,
CEC
6ª, 7ª, 8ª
Otávio H.enrique de
Creche Municipal Rio das Pedras 138
Oliveira
Gardência Azul Creche Municipal Gardênia Azul 104
Rio Novo – Rio das
Creche Municipal Rio das Pedras 81
Flores
Luzes do Amanhã Creche Municipal Cidade de Deus 91
Margarida Gabinal Creche Municipal Cidade de Deus 90
Sempre Vida Josué Creche Municipal Cidade de Deus 38
Fonte: EIArima_ Vila PanAmericana / 07 Nota: EI = Ensino Infantil | EF = Ensino Fundamental | CP1 = Classe de
Progressão 1 | CP2 = Classe de Progressão 2 | CE = Classe Especial

306
• Atividades Culturais, de Esporte e Lazer

No que diz respeito as principais ofertas em termos de atividades culturais, de esporte e lazer na
Área de Influência Indireta das intervenções pretendidas, certamente o bairro da Barra da Tijuca se
destaca. Por todos os motivos já expostos, a Barra da Tijuca vem se consolidando em uma das áreas
da cidade mais bem servidas em termos de atividades culturais, entendidas estas enquanto ofertas de
cinemas, teatros, casas de espetáculos e casas de cultura (modalidade típica do bairro inaugurada
com a Universidade Estácio de Sá). Os conjuntos multiplex de cinemas, grandes salas de projeção
em formato stadio, traduzem-se hoje em dia em uma das atrações mais procuradas pela classe
média tanto residente nos bairros que integram a XXIV RA – Barra da Tijuca como também de
pessoas que vem de outros bairros, principalmente da Zona Sul. Demais casas de espetáculos
localizadas em malls (shoppings menores) também atraem público de fora do bairro quando em
época de boa temporada.

Cinemas existentes na Região da Barra da Tijuca – 2002

Estabelecimento Salas Bairro Capacidade (lugares)

Via Parque 6 Barra da Tijuca 1.990


Cinemark Downtown 12 Barra da Tijuca 2.330
UCI NY City Center 18 Barra da Tijuca 4.517
Estação Barra Point 2 Barra da Tijuca 330
Est. Rio Design Center 3 Barra da Tiuca 353
Recreio Shopping 4 R. Bandeirantes 1.154

Fonte: EIA / Rima_ Vila dos Jogos PanAmericanos / 07

307
Teatros, Casas de Culturas e de Espetáculos na Região da Barra da Tijuca – 2002

Estabelecimento Salas Bairro Capacidade

Teatro de Lona 1 Barra da Tijuca 900


Teatro Barra Shopping 1 Barra da Tijuca 236
Teatro. Grandes Atores 1 Barra da Tijuca 404
Teatro Grandes Atores 1 Barra da Tijuca 408
Casa Cultura .Estácio Sá 1 Barra da Tijuca 100
Claro / ATL Hall (*) 1 Barra da Tijuca 4.000
Ribalta 1 R. Bandeirantes 3.550

Fonte: EIA/ Rima_Vila Olímpica Jogos PanAmericanos /07


Nota: (*) Antigo Metropolitan

Quanto aos adeptos das atividades esportivas , estes encontram nas praias o lugar ideal para a
prática de diversas atividades aquáticas ou na areia, onde a proximidade da orla imprime forte
tendência. A Praia da Barra da Tijuca ainda é aquela com maior capacidade de atração de fluxo de
pessoas, principalmente pelo acesso da Linha Amarela que facilitou a vinda de pessoas da Zona
Norte, de modo geral. Do entroncamento da Av. Salvador Allende com a Av. das Américas, a faixa
litorânea passa a ser chamada de Praia do Recreio dos Bandeirantes até o Morro do Pontal de
Sernambetiba, proeminente costão rochoso que se destaca na paisagem mar a dentro. No sentido
oeste outras praias ganham destaque _ Praia do Pontal, entre o Morro do Pontal de Sernambetiba e a
Pedra de Tapoã e, no prolongamento para oeste a Praia da Macumba que vai até a desembocadura
do Canal de Sernambetiba. Já em Grumari, as praias ganham foro mais selvagem considerando a
proteção dada pela APA da Prainha, cuja faixa de areia mais encaixada atribui à praia de mesmo
nome paisagem especial. Na seqüência, a Praia do Abricó, a Praia do Inferno, a Praia Funda, a Praia
do Meio e a Praia do Perigoso também acabam mais protegidas pela presença do Parque Natural
Municipal de Grumari, encerrando-se na Pedra da Tartaruga, aproximadamente. Convém lembrar,
no contexto litorâneo apresentado, que tratam-se de trechos com índice de balneabilidade
diferenciado, conforme afere periodicamente a FEEMA. Certamente, os locais mais próximos ao
Canal da Joatinga apresentam índices de grande criticidade, principalmente em períodos com chuva.
Assim, as praias mais protegidas atualmente vêm merecendo atenção por parte de diferentes ONGs
que defendem a manutenção do seu estado de conservação.

308
Atenção especial vem sendo dada ao trecho litorâneo compreendido na APA do Parque Municipal
Ecológico de Marapendi, na Barra da Tijuca. Recentes mudanças na lei que determinava sobre os
parâmetros urbanísticos a serem seguidos para construções naquela unidade de conservação
ambiental vem causando polêmica. De acordo com informes recentes, a nova legislação permitiria
que cinco hotéis em dois ecoresorts com dois mil quartos fossem erguidos na reserva. Na sessão do
dia 30/08/05 os vereadores derrubaram o veto do Prefeito que, na seqüência, foi à Justiça contra a
lei.Insatisfeitos, presidentes de associações de moradores e de defesa da APA informaram que
acionariam o Ministério Público. A nova lei permitiria hotéis em terrenos de 40 mil metros
quadrados, sendo o gabarito máximo de três andares tendo sido a área de edificação aumentada em
relação à legislação anterior, uma vez que antes os prédios teriam ed ser construídos em degraus,
como uma pirâmide. Para preservar a restinga, os hotéis seriam erguidos sobre pilotis, contudo os
vereadores haviam permitido que os vãos fossem fechados, o que era proibido anteriormente. As
novas regras atraíram investidores. Um grupo português informou à mídia que pretendia fazer o
replantio de espécies da restinga na reserva e preparar a infra-estrutura para os hotéis. Redes como
Four Seasons, Othon e Grupo Posadas já demonstraram interesse também. De acordo com
depoimentos dos investidores interessados estes pretendiam revitalizar a restinga, que está
degradada e oferecer um parque público de 200 mil metros quadrados com acesso à Lagoa de
Marapendi, nos moldes do Aterro do Flamengo, além de um campo de golf. Os empreendimentos
permitiriam com que o Rio de Janeiro disputasse o mercado ecoturístico com a Bahia, além de atrair
o fluxo de interesse do segmento de alta renda de São Paulo. Segundo especialistas na área “ com o
turista paulista vem o turista estrangeiro”.Contudo, conforme decisão do Governo do Estado do
Rio de Janeiro, a APA de Marapendi deverá ser tombada, recurso este que impediria de vez
qualquer prática construtiva, eliminando a implantação dos ecoresorts. A situação encontra-se ,
assim, ainda indefinida.

As práticas aquático-esportivas também poderiam ser viáveis nas lagoas não fosse o alto índice de
poluição existente nos corpos lagunares fruto do despejos de esgotos indevidos.

Apesar das boas opções encontradas nos espaços públicos e da lógica dos clubes particulares
implementados nos condomínios fechados, alguns estabelecimentos também aparecem como
alternativa para aqueles que procuram atividades mais monitoradas e protegidas. Embora seletos na
aceitação de associados, existem na Barra da Tijuca, atualmente, três clubes que, basicamente,
atendem aos moradores do Jardim Oceânico, cujo padrão de ocupação dos lotes, não contempla,
grandes áreas de lazer. São estes: (1) Marina Barra Clube, (2) Nevada Praia Clube e (3) Fazenda
Clube Marapendi, este último de menor porte. Cabe mencionar o Clube Ginástico Português, já

309
localizado no Recreio dos Bandeirantes. Quanto aos demais clubes, abertos à associados, estes
apresentam práticas esportivas específicas, como é o caso do (1)Itanhangá Golf Club, (2) Barra
Tennis Clube, (3) Clube Rio Mar Raquete, (4) Aeroclube do Brasil e (5) Clube Esportivo de
Ultraleve Céu. Outros estabelecimentos voltados

O Recreio dos Bandeirantes também atraiu na década de 90 o interesse de clubes de futebol como o
Vasco da Gama que além de campo de futebol construiu sede social na região assim como o Centro
de Treinamento Zico, este voltado ao treinamento de aperfeiçoamento de atletas mirins.Como local
também destinado à prática esportiva relembra-se a presença do Autódromo Nelson Piquet.

310
• Segurança Pública

A criminalidade e a violência certamente não são fenômenos apenas cariocas, mas, se a rigor não se
pode desvinculá-los de contextos geográficos mais amplos – a região metropolitana, o Estado, o
País e os circuitos transnacionais, há alguns elementos que particularizam suas manifestações, sua
evolução mais recente e seus impactos sociais na cidade e nos diferentes bairros que a compõe. O
casamento entre o tráfico de drogas e de armas ocorrido em fins da década de 80 foi responsável por
uma profunda mudança no patamar e na dinâmica da criminalidade local. A ponta mais visível deste
mercado clandestino, instalada em comunidades carentes, forneceu também uma nova e assustadora
visão das favelas cariocas como baronatos de traficantes armados, fora do alcance da lei,
guerreando entre si pelo controle da venda de drogas. Politicamente manipulada e intensamente
dramatizada pela mídia essa visão obscureceu , em um primeiro momento, os trágicos impactos da
nova economia política do crime sobre a própria população residente nas áreas submetidas à
tirania do tráfico e enfatizou sobretudo seus transbordamentos para o “lado nobre” do Rio de
Janeiro, sob a forma de balas perdidas, “arrastões”, assaltos, sequestros e latrocínios. Imagens
disseminaram-se, com os “cidadãos de bem” tendo que viver cada vez mais cercados, sitiados de
maneira a minimizar os efeitos da violência urbana.

Os bairros integrantes da AP-4, em especial a Barra da Tijuca, não foge à este conceito, muito pelo
contrário, seu estilo de vida acabou por imprimir na cidade do Rio de Janeiro um dos modelos mais
bem acabados do processo de guetificação, onde a exclusão social se materializa nos grandes
condomínios fechados, imersos em verdadeiros aparatos de segurança particular, de maneira a
tentar devolver ao cidadão carioca a possibilidade de moradia em lugar tranqüilo totalmente seguro.
Este conceito arrastou-se para os lugares públicos, onde os shoppings passaram a serem vistos como
os locais mais seguros para o exercício das compras. Essa “linguagem” ganhou espaço na Barra da
Tijuca, onde, mais recentemente, buscou-se resgatar a idéia do “comércio de rua”, porém protegido
sob a égide da segurança em área controlada, como é o caso do Downtown, localizado na Av. das
Américas, com seu partido arquitetônico marcante na paisagem.

O rápido crescimento demográfico, principalmente neste bairro, com a atração da classe média e
alta, acabou também por colocá-lo no “cardápio” dos cenários adequados para a prática de atos de
violência urbana, onde assaltos, seqüestros, roubos e furtos de veículos e / ou de seus acessórios
ganharam destaque. Parece pertinente admitir que sua condição como localidade com forte atração
de mão-de-obra braçal, alocada principalmente nas frentes da construção civil e nos trabalhos
domésticos, imprime à Barra da Tijuca uma característica de fácil observação dos comportamentos

311
e hábitos diários praticados por seus moradores, o que, para a polícia, de acordo com registros de
análise, vem sendo objeto de averiguação constante, principalmente junto às residências localizadas
no Jardim Oceânico, onde a segurança restringe-se muitas vezes à presença de porteiros ou
elementos contratados por um conjunto de moradores de vários prédios vizinhos para ocuparem
guaritas implantadas em determinadas ruas. Autoridades policiais atribuem também à facilidade de
saída do bairro através da Linha Amarela para acesso aos nichos preferenciais para desmontes de
veículos e/ou venda de acessórios, um forte motivo para a prática de roubo de veículos na Barra.

Cabe sinalizar também para o grande aumento do número de “crianças de rua” que passaram a
ocupar os sinais de trânsito do bairro, até algum tempo atrás como pedintes, hoje cena esta mais
atenuada pela prática circense que vem utilizando. Contudo, assaltos nestes cruzamentos ainda
ocorrem, embora com menor frequencia, a partir do intenso policiamento que vem ocorrendo pela
Polícia Militar nos principais entroncamentos viários do bairro.

A Barra da Tijuca conta atualmente com uma Delegacia Policial – 16o DP, localizada no Jardim
Oceânico, com uma média de 40 a 50 ocorrências / dia, principalmente relacionadas a roubo e furto
em residências e garagens de modo geral, assaltos em sinais de trânsito e lesões corporais, na
maioria das vezes fruto de conflitos entre jovens residentes no bairro, pertencentes à classe média
alta, onde o uso de drogas ainda é bastante intenso, principalmente junto aos condomínios fechados.

No que tange às demais ações de defesa civil na região, estas são cobertas pelo Corpo de
Bombeiros, localizado próximo à Av. Ayrton Senna na Barra e no bairro do Recreio dos
Bandeirantes, na Estrada do Pontal. O Grupamento Marítimo de Apoio – GMAR, também exerce
papel relevante nas ações de salvamento junto à orla da Barra da Tijuca. Estas informações
encontram-se espacializadas no Mapa Infra-Estrutura Social.

312
INSERIR MAPA INFRA-ESTRUTURA SOCIAL

313
7.1.3.8. ÁREAS ESPECIAIS DE PROTEÇÃO

Estarão sendo contempladas neste item as Unidades de Conservação Ambiental inseridas


parcialmente e / ou integralmente na Bacia Hidrográfica de Jacarepaguá, bem como os patrimônios
históricos e arqueológicos tombados e / ou em fase de pré-tombamento pelas diferentes esferas de
competência de governo.

• Unidades de Conservação Ambiental – UCAs – Patrimônio Natural

As Unidades de Conservação Ambiental são áreas que, por seus atributos ecológicos, apresentam
um estatuto especial de uso e ocupação do solo e de manejo de seus ecossistemas naturais. No
Brasil é encontrada a maior diversidade de espécies do mundo, cerca de 50% de todas já descritas.
Sua flora é a mais rica do planeta e sua fauna é considerada a mais importante em relação aos
vertebrados terrestres, primatas e peixes de água doce. Também pode ser destacada pelo grande
número de espécies de aves, mamíferos, répteis e anfíbios. A cidade do Rio de Janeiro, por ter sido
palco de várias transformações de caráter político-administrativo (foi capital federal, Estado da
Guanabara e, por último município, capital do novo Estado do Rio) conseguiu proteger grande parte
de seu patrimônio, através da criação de várias Unidades nos diversos níveis de governo.

As UCAs podem ser classificadas por diversas categorias de manejo, em função da multiplicidade
dos objetivos de conservação, tais como (1) manter a diversidade, (2) oferecer educação ambiental,
(3) conservar recursos genéticos,(4) favorecer a pesquisa científica, (5) proporcionar recreação e
lazer, (6) proteger sítios históricos entre outros. O enquadramento das áreas protegidas com base
nos objetivos de conservação define as categorias das UCAs.

São vários os diplomas legais que trazem esta definição, um deles a Resolução CONAMA 011/87,
declara como Unidades de Conservação: As Estações Ecológicas; as Reservas Ecológicas; as Áreas
de Proteção Ambiental; os Parques Nacionais, Estaduais e Municipais; as Reservas Biológicas; as
Florestas Nacionais , Estaduais e Municipais; os Monumentos Naturais; os Jardins Botânicos; os
Jardins Zoológicos e os Hortos Florestais.

O Plano Diretor Decenal da Cidade, a Lei Complementar de 16/92, definiu oito categorias de
UCAs, sendo estas:

a) Área de Proteção Ambiental – APA

314
De domínio público ou privado, dotada de características ecológicas e paisagísticas notáveis, nas
quais serão limitados ou proibidos o uso e ocupação do solo e atividades potencialmente poluidoras
ou degradantes do meio ambiente, visando à melhoria de suas condições ambientais;

b) Áreas de Proteção Ambiental e Recuperação Urbana – APARU

De domínio público ou privado, apresenta as características descritas anteriormente e depende de


ações do Poder Público para regulação do uso e ocupação do solo e restauração de suas condições
ecológicas e urbanas. Esta categoria foi criada pelo Plano Diretor e só existe no município do Rio.
Já foram criadas duas delas: APARU do Alto da Boa Vista e APARU do Jequiá, na Ilha do
Governador. Têm em comum a existência de comunidades de baixa renda em ocupações
irregulares, gerando impactos ambientais negativos no ecossistema e portanto necessitando do
Poder Público ações localizadas;

c) Área de Proteção do Ambiente Cultural – APAC

De domínio público ou privado, que apresenta relevante interesse cultural e características


paisagísticas notáveis, cuja ocupação deve ser compatível com a valorização e proteção da sua
paisagem e do seu ambiente urbano e com a preservação e recuperação de seus conjuntos urbanos.
A Secretaria Municipal de Cultural, através do Departamento Geral do Patrimônio Cultural
(DGPC), tem a tutela destas Unidades;

d) Área de Relevante Interesse Ecológico – ARIE

De domínio público ou privado com características naturais extraordinárias e que abriga


remanescentes raros da biota regional a ser protegida ou recuperada;

e) Reserva Biológica

Área de domínio público, destinada à preservação de ecossistemas naturais;

315
f) Estações Ecológicas

Área de domínio público cujo ecossistema é objeto de conservação para a realização de estudos e
pesquisas, podendo ser criada no interior de outras Unidades de Conservação;

g) Parque

Área de domínio público, destinada à visitação pública e ao lazer, podendo compreender Área de
Relevante Interesse Ecológico ou Área de Preservação;

h) Área de Preservação Permanente – APP

De domínio público ou privado para a proteção de mananciais, dunas e remanescentes da Mata


Atlântica, na qual ficam vedadas a exploração da vegetação nativa, e qualquer forma de utilização
dos recursos naturais.

Frente a estes conceitos legais, encontram-se parcialmente ou integralmente inseridas nos limites da
Bacia Hidrográfica de Jacarepaguá as seguintes Unidades de Conservação Ambiental:

¾ APA do Bairro da Freguesia - (Decreto Municipal no. 11.830, de 11/12/92)

Com uma área total de 366 há, a Área de Proteção Ambiental da Freguesia abrange parte dos
bairros da Freguesia, Anil e Gardênia Azul, englobando ainda o Bosque da Freguesia (parque
municipal aberto à visitação pública contemplado mais adiante). A área apresenta características
peculiares que evocam a lembrança das chácaras que outrora existiram no bairro. Ainda hoje
predominam as residências unifamiliares, localizadas em lotes de dimensões generosas e farta
arborização. A região tem também seus centros dinâmicos, como o Largo da Freguesia e arredores,
onde se concentra a atividade comercial, área que se consolida como importante pólo econômico de
Jacarepaguá. Nos últimos anos, a região tem sido beneficiada pela melhoria de infra-estrutura e pela
expansão e diversificação do comércio, fruto dos investimentos públicos e privados realizados.

Na APA da Freguesia, está se desenvolvendo uma iniciativa pioneira de recuperação ambiental no


país, que é o Projeto Corredor Verde. O objetivo do Projeto é atrair algumas espécies da fauna das
matas vizinhas de Jacarepaguá, principalmente da avifauna, fazendo-as migrar para a área
urbanizada. Para tanto há que se realizar o reflorestamento do Bosque da Freguesia e das encostas
da APA, além da arborização de ruas e praças com espécies vegetais de interesse para a avifauna.

Trata-se, portanto, de um ecossistema antropomorfizado, cuja tutela é da Secretaria Municipal de


Meio Ambiente – SMAC. Apresenta como bens de valor cultural, (1) Igreja de Nossa Senhora da
Pena; (2)Igreja e Seminário de Nossa Senhora do Loreto e (3) Casa da Fazenda do antigo Engenho
d`Água.

316
Breve Histórico:

Conforme já abordado no início deste diagnóstico, a história da área remonta a 1594, quando as
terras da Baixada de Jacarepaguá foram repartidas pelo governador da cidade, Salvador Correia de
Sá, entre seus filhos. Parte dela, compreendida pelo que é hoje a Barra da Tijuca e a maior parcela
de Jacarepaguá, foi herdada por Salvador Correia de Sá e Benevides, seu neto, considerado um
homem desbravador.

Durante o séc. XVII, a cultura do açúcar se espalhou pela planície de Jacarepaguá, promovendo a
remoção de toda vegetação nativa. A sesmaria de Salvador Correia de Sá e Benevides foi então
desmembrada para a formação de engenhos. Um dos principais engenhos da região, o Engenho
d`Água, ficou com o próprio Salvador Correia de Sá. O local onde estava sediada a antiga Casa da
Fazenda foi preservado, sendo atualmente ocupado por edificação erguida em meados do séc.
XVIII. Em função do desenvolvimento da região, foi criada, em 1661, a freguesia de Nossa Senhora
do Loreto. Nessa ocasião foi construída a Igreja Matriz de N. S. do Loreto, implantada no topo de
uma pequena elevação, a partir da qual pode-se ter acesso ao outeiro onde se localiza a Igreja de N.
S. da Pena. Essa última foi erguida no séc. XVII, tendo sido posteriormente reconstruída. São dessa
época a Estrada de Jacarepaguá, e a Avenida Geremário Dantas, antiga Estrada da Freguesia, vias
que até hoje se contituem em importantes eixos de circulação do bairro.

O Rio Sangrador que corta a região foi muito utilizado para o escoamento da produção agrícola,
pois tinha o seu curso navegável, e desempenhou esse papel até o final do séc. XIX. No fim do séc.
XVIII e início do séc. XIX, o declínio do plantio de cana-de-açúcar provocou o desmembramento
das fazendas em propriedades menores, nas quais eram conjugadas diversas plantações, inclusive a
do anil, com a criação de gado.

A partir de meados do séc. XIX com a chegada dos bondes à região estabelecendo a ligação com
Cascadura, foi se intensificando o parcelamento das antigas fazendas em chácaras. Esse processo se
acelerou com o fim da escravatura. A partir de 1940, diversos loteamentos urbanos modificaram a
fisionomia rural da área. Durante os anos 60, novas mudanças ocorreram, com a instalação de
indústrias e de conjuntos habitacionais. A partir dos anos 70, com a melhoria dos acessos pela Barra
da Tijuca e pela Estrada Grajaú-Jacarepaguá (Av. Menezes Cortes), a região passou a atrair um
contingente maior de novos moradores.

¾ Bosque da Freguesia - (Decreto Municipal n° 11.830, de 11/12/92).

317
Com uma área de 31 há, localizado no centro da APA da Freguesia, o Bosque representa a única
área remanescente das antigas chácaras da região que é destinada ao uso público. Sua cobertura
vegetal é intensa e variada, sendo possível encontrar inúmeras espécies frutíferas do antigo pomar.

Breve Histórico:

No início deste século, a área integrava a propriedade do empresário Joaquim Catramby. A fazenda
dedicou-se, durante décadas, à produção agrícola e à criação de animais. Após a morte de seus
antigos proprietários, o terreno foi vendido, sendo adquirido por diversas empresas. A antiga sede
da Fazenda, datada do séc. XIX, foi demolida em 1988. O bosque, parte remanescente da
propriedade, constituía o seu pomar e manteve as características originais.

No início dos anos 90, um movimento de moradores e ambientalistas conseguiu a transformação


dessa área verde em parque público. O Bosque foi tombado pelo município, em 1992, com a
finalidade de proteger sua cobertura vegetal. Trata-se de ecossistema de Mata Atlântica de baixada
e antropomorfizado, sob tutela da Fundação de Parques e Jardins – FPJ.

¾ APA do Parque Municipal Ecológico de Marapendi – (Decreto Municipal n° 10.368, de


15/08/91)

Com cerca de 971 há, situada na Baixada de Jacarepaguá, compreende a Lagoa e o Canal de
Marapendi, além das áreas de entorno, nas quais se inclui a faixa de areia entre a lagoa e o oceano,
no trecho que se estende da Avenida Ayrton Senna à Avenida Pedro Moura. Abrange uma área de
9.718 km2. O encanto da região reside na proximidade dos dois ambientes aquáticos – a lagoa e o
mar – que podem ser observados de diversos pontos da Avenida Sernambetiba.

O espelho d`água da Lagoa cobre cerca de 3.500 km2 e apresenta um desenho sinuoso emoldurado
por vegetação típica de restinga. A área é habitada por grande variedade de aves, como o biguá e o
irerê, que se deslocam em bandos e podem ser apreciadas principalmente ao alvorecer e ao
crepúsculo. A APA engloba, além de terrenos particulares, o Parque Municipal Ecológico de
Marapendi que envolve as faixas marginais de Lagoa, de domínio municipal, e a Reserva Integral
de Praia, cordão arenoso com cerca de 2 km de extensão compreendido entre a avenida litorânea e o
mar. A criação da APA consolidou uma antiga idéia de proteger a ambiência da Lagoa, cujas
primeiras iniciativas datam do final da década de 50.

Breve Histórico:

Até o final do séc. XVII, a maior parte dessa região integrava as propriedades de D. Vitória de Sá e
Benevides, neta do antigo Governador da cidade. A Lagoa de Marpendi, compreendida entre dois

318
cordões de restinga, se formou há cerca de 3.000 anos. O nome Marapendi, de origem indígena,
significa “mar limpo”. As águas da Lagoa sempre foram doces até a abertura do Canal de
Marapendi para o mar, executada na primeira metade do séc.XX. A salinização da água alterou
algumas das características ambientais da lagoa. Ainda assim, permaneceram as condições que a
qualificam como um dos mais significativos ecossistemas lagunares do município. A primeira
proposta de proteção ambiental da riqueza faunística e florística típica de restinga data da década de
30, quando o historiador Magalhães Correia sugeriu a criação de uma reserva biológica na região. A
concretização dessa proposta somente ocorreu em 1959, quando foi instituída a Reserva Biológica
de Jacarepaguá. A Reserva englobou as faixas marginais das lagoas de Marapendi, Jacarepaguá e
Tijuca, da Lagoinha e do Canal das Tachas, além da Reserva Integral de Praia. Após a criação,
todas as áreas da reserva foram declaradas de utilidade pública para fins de desapropriação, medida
que se efetivou apenas para as áreas onde foram implantados o Parque Ecológico Municipal Chico
Mendes e o então Parque Zoobotânico de Marapendi. Em 1965, foi declarado o Tombamento da
Reserva Biológica de Jacarepaguá pelo recém-criado Estado da Guanabara, ratificando as medidas
anteriormente tomadas. Até meados da década de 60, a Baixada de Jacarepaguá era apontada como
a última região de nosso litoral cuja paisagem ainda guardava aspectos primitivos. Na década de 70,
e mais acentuadamente na década de 80, nela ocorreu um intenso processo de urbanização,
responsável pela descaracterização de seus ambientes naturais.

Em 1969 foi elaborado o Plano-Piloto da baixada de Jacarepaguá, de autoria do arquiteto e


urbanista Lúcio Costa, que estabeleceu diretrizes voltadas para a proteção ambiental das margens da
lagoa, que foram implantadas por legislação municipal em 1981. Estes mecanismos foram
aperfeiçoados após a decretação da APA em 1991.

A criação da Área de Proteção Ambiental veio em resposta ao movimento ambientalista e das


associações comunitárias locais, preocupados com a proteção das áreas remanescentes dos
ecossistemas de restinga e manguezal, considerados como de preservação permanente pela
legislação ambiental brasileira. A área tem como tutela a Secretaria Municipal de Meio Ambiente –
SMAC.

¾ Parque Municipal Ecológico de Marapendi (Lei Municipal n° 61, de 03/04/78, e Decreto


Municipal n° 14.203, de 18/09/95).

O Parque é constituído pelas áreas marginais à Lagoa de Marapendi, localizada na baixada


litorânea de Jacarepaguá. Sua configuração atual data de 1995, quando ocorreu uma ampliação de
seu território, retomando parcialmente a idéia de proteção ambiental das faixas marginais das lagoas
de Jacarepaguá instituídas pela antiga Reserva Biológica de Jacarepaguá. Essa medida quintuplicou
319
a área originalmente destinada ao Parque e lhe conferiu novo significado como reserva natural,
resguardando e valorizando a paisagem e o ecossistema locais e aumentando seu potencial como
espaço de recreação e lazer. A infra-estrutura atual se concentra em terreno localizado em uma das
margens da lagoa, com acesso pela Avenida Alfredo Balthazar da Silveira, no final do Recreio dos
Bandeirantes, entre as Avenidas Sernambetiba e das Américas.

Breve Histórico:

O Parque de Marapendi, como é popularmente conhecido, foi instituído pelo município em 1978
com a denominação de Parque Zoobotânico de Marapendi, aproveitando parte da área
anteriormente destinada à Reserva Biológica de Jacarepaguá. Em 1989, sua administração foi
assumida pela Fundação Jardim Zoológico da Cidade do Rio de Janeiro – Rio Zôo, de forma a
melhor responder aos objetivos de sua criação, passando mais tarde a ser administrado pela FPJ –
Fundação Parques e Jardins. Na área destinada à sua implantação, com cerca de 25 há, foram
construídos a sede do Parque e o laboratório de pesquisa, infra-estrutura básica que se conserva até
hoje. Devido a dificuldades administrativas não foram concretizados os objetivos pretendidos. Em
1995, por proposta da Fundação Parques e Jardins, foi alterada sua denominação para Parque
Municipal Ecológico de Marapendi, mantida a função original e ampliada a área, que passou a
totalizar 152 há. Desde 1996, a Prefeitura tem elaborado projetos voltados para a melhoria da infra-
estrutura a ser oferecida aos visitantes e também projetos de recuperação paisagística e florística do
Parque, este último permitirá a reintrodução de espécies animais desaparecidas da região. Sua
tutela, como já mencionado pertence à Fundação Parques e Jardins.

¾ Bosque da Barra (Parque Arruda Câmara) - (Decreto Municipal n° 4.105, de 03/06/83).

Com 50 há, o Bosque da Barra, cuja denominação oficial é Parque Arruda Câmara (em
homenagem ao importante médico e botânico brasileiro), foi criado com a finalidade de preservar
uma região ainda com características de vegetação nativa de restinga e constitui uma importante
opção de lazer para os moradores da Barra da Tijuca, Recreio dos Bandeirantes e arredores.

O Parque está inserido no cordão arenoso que divide as Lagoas de Marapendi e de Jacarepaguá e
situado próximo ao enroncamento das Avenidas Ayrton Senna e das Américas. O ecossistema
existente no Parque é similar ao que originalmente dominava toda a Baixada de Jacarepaguá. A
fauna existente ainda é bem representativa da riqueza zoológica que habitava a região.

Breve Histórico:

Seus solos eram utilizados para cultura de cana-de-açúcar, pertencentes à Fazenda do Camorim,
Vargem Pequena e Vargem Grande, de propriedade de D. Vitória de Sá e Benevides até o final do

320
Séc.XVIII. Após o declínio das fazendas produtoras de açúcar, a região permaneceu sem outro uso
intensivo durante quase um século, em função da natureza do solo e da dificuldade de acesso, o que
permitiu a regeneração da cobertura vegetal em grandes extensões de terras da baixada.

A ocupação urbana da orla da Barra da Tijuca foi iniciada em meados deste século, para fins de
balneário. Na década de 80, após a construção da Auto-Estrada da Lagoa-Barra, a urbanização da
restinga foi intensificada, ocasionando grandes perdas nos ecossistemas existentes. A proposta de
criação do Bosque é oriunda do Plano-Piloto da Baixada de Jacarepaguá, elaborado pelo arquiteto e
urbanista Lúcio Costa em fins dos anos 60, que propunha a preservação ambiental desse importante
remanescente de restinga e a sua transformação em parque municipal.

O Bosque foi implantado em 1982, com bases nos projetos de paisagismo e de arquitetura,
respectivamente de autoria dos arquitetos Mario Sophia e Carlos Werneck de Carvalho. A partir de
1992, o Bosque passou a desenvolver o projeto Flora do Litoral, objetivando a produção de mudas
de espécies nativas da restinga carioca, voltadas para a arborização e o tratamento paisagístico das
áreas litorâneas. O desenvolvimento do projeto culminou com a criação, em 1997, do Horto
Municipal Carlos Toledo Rizzini, situado no interior do Bosque e cuja produção mensal já alcançou
cerda de 25.000 mudas.

¾ Parque Municipal Ecológico Chico Mendes – (Decreto Municipal N° 8.452 , de 08/05/89)

Com área aproximada de 40 há, situado em área de restinga, na planície arenosa da Baixada de
Jacarepaguá, o Parque Ecológico Municipal Chico Mendes foi criado com o objetivo de preservar a
Lagoinha das Tachas e seu entorno, local de ocorrência de espécies de fauna e flora consideradas
raras e ameaçadas de extinção. O Parque possui sede administrativa e trilhas, sendo que algumas
delas levam o visitante até às margens da Lagoinha. A manutenção das condições naturais do sítio
permitiu, entre outros aspectos positivos, a reintrodução de espécies nativas como o jacaré-de –papo
amarelo, que constitui um dos principais atrativos do Parque.

Breve Histórico:

Como grande parte das terras da Baixada de Jacarepaguá, a área onde atualmente se localiza este
Parque integrava a Fazenda do Camorim, Vargem Pequena e Vargem Grande. Originalmente, na
área que contornava a Lagoinha existia uma mata paludosa, típica de solo encharcado, onde se
desenvolvia uma espécie rara de árvore – a Pavonia Alnifolia da Família Malvaceae. Esta
ocorrência mobilizou, desde a década de 30, os naturalistas do Museu Nacional que reivindicaram a
criação de uma reserva biológica na área. A configuração da região se manteve inalterada até o final
dos anos 50, quando foram iniciadas as obras para drenagem de áreas alagadas da Baixada,

321
envolvendo aterros, retificação de rios e abertura de canais. A alteração no sistema de drenagem
natural ocasionou o assoreamento paulatino da Lagoinha das Tachas. Em decorrência dessas
intervenções e visando resguardar a riqueza dos ecossistemas, foi decretada em 1959 a Reserva
Biológica de Jacarepaguá compreendendo, entre outras, as áreas de entorno da Lagoinha e do Canal
das Tachas. Em 1960, essas áreas foram declaradas como de utilidade pública para fins de
desapropriação pelo então Estado da Guanabara.

Em 1989, foi decretada a criação do Parque Ecológico Municipal Chico Mendes, nome dado em
homenagem ao líder seringueiro do Acre, que lutou pela preservação da floresta amazônica. Em
1995, o Parque vem sendo beneficiado pela recuperação de sua flora e revitalização das atividades.
Entre as melhorias introduzidas, destaca-se o plantio de 5.700 mudas de arbustos e árvores,
compreendendo 28 espécies nativas e a remoção do excesso de aguapé, espécie de planta aquática
que havia recoberto todo o espelho d`água da Lagoinha.

¾ APA da Prainha - (Lei municipal n° 1.534, de 11/01/90)

Com uma área de 166 há, a região apresenta peculiaridades que a diferenciam de outras da cidade.
A praia, de pequena extensão, é delimitada pelas vertentes litorâneas dos Morros do Caeté, Boa
Vista e Pedra dos Cabritos, que compõem uma bela paisagem natural. A criação da Área de
Proteção Ambiental tem como objetivo resguardar esse cenário natural e implantar um parque
ecológico na região, abrangendo as áreas contíguas à praia e às encostas.

Breve Histórico:

Integrante também em tempos idos das propriedades rurais das Fazendas do Camorim, Vargem
Pequena e Vargem Grande, a Prainha permaneceu praticamente intocada até poucas décadas atrás.
Somente a partir de 1970, com a abertura da Av. Estado da Guanabara, que interligou as estradas do
Pontal e de Grumari, o local tornou-se acessível. Posteriormente, no início dos anos 90, a região foi
beneficiada pelo projeto da Prefeitura Municipal, conhecido como Rio-Orla, passando a oferecer
melhores condições de infra-estrutura àqueles que a visitam. A criação da APA foi motivada pela
iminência de descaracterização da área, em 1989, devido a um projeto para edificação de hotel no
local e implantação de um condomínio residencial. A tutela da área é da SMAC.

¾ APA de Grumari - (Lei Municipal n° 944, de 30/12/86).

Com 951 há, é uma Unidade de Conservação Ambiental vizinha à APA da Prainha e abrange parte
do contraforte litorâneo do Maciço da Pedra Branca, formando um grande anfiteatro natural voltado
para o mar. Dentro dos seus limites incluem-se as ilhas das Palmas e das Peças, localizadas em
frente à praia.

322
A APA de Grumari destaca-se pelo ecossistema de restinga que ainda conserva, considerado pelos
estudiosos como um dos mais representativos de todo o Município do Rio de Janeiro. O objetivo da
APA é a preservação desses patrimônio ambiental da cidade, em face da eventual ocupação da
região. Segundo a legislação ambiental vigente, é permitida a construção de prédios destinados a
pousadas, hotéis e residências, além de outros usos compatíveis com a vocação da área, desde que
não promovam seu desmatamento. A praia tem uma extensão de 4 km, sendo seus pontos mais
extremos os mais procurados pelos visitantes. Destacam-se a escondida e curiosa Praia do Abricó,
marcada pela presença de enormes pedras junto à arrebentação das ondas, e a parte final da Praia de
Grumari, local mais protegido do vento sudoeste.

Breve Histórico:

Registros da história local indicam que, antes da implantação do Ramal Ferroviário de Santa Cruz,
ocorrida em 1890, Grumari foi um importante ponto de escoamento da produção agrícola da região
para o Rio de Janeiro. O transporte era feito através de pequenas embarcações, que aproveitam a
viagem de retorno para trazer produtos manufaturados para seus habitantes. Até o ocaso do período
monárquico, no final do séc. XIX, a região abrigava diversas fazendas que se dedicavam ao plantio
de café, mandioca e frutos diversos, além das tradicionais culturas de subsistência. Ao longo do
tempo, as lavouras foram sendo substituídas pela monocultura de banana situação que hoje
predomina.

Grumari manteve-se desocupada e preservada por muito tempo, devido à inexistência de infra-
estrutura e a dificuldade de acesso ao litoral. Somente a partir de 1970, com a abertura da Av.
Estado da Guanabara, que facilitou a ligação litorânea do Recreio dos Bandeirantes com Barra de
Guaratiba, a praia de Grumari começou a ser mais procurada pelos banhistas.

Em 1985, o Estado do Rio de Janeiro decretou o tombamento da região litorânea, consagrando os


seus valores naturais e paisagísticos. Esse passo foi desdobrado pelo município em 1986, que
propôs a criação da APA de Grumari, cujos limites são mais amplos do que aqueles definidos pelo
tombamento estadual. Desde 1995, a Prefeitura da cidade do Rio de Janeiro vem realizando ações
que visam conter a degradação e promover a recuperação ambiental da área. Sua tutela é da SMAC.

¾ Parque Estadual da Pedra Branca - (Lei Estadual n° 2.377, de 28/06/1974)

Localizado no centro geográfico do Município do Rio de Janeiro, é a Unidade de Conservação


Ambiental mais extensa da cidade. Distribui-se por 12.500 há, no Maciço da Pedra Branca,
compreendendo todas as encostas localizadas acima da cota de nível 100 metros, limitando-se com

323
vários bairros da Zona Oeste e da Baixada de Jacarepaguá. Dentro do Parque situa-se o ponto
culminante do município, o Pico da Pedra Branca, com 1.024m de altitude.

Além do variado patrimônio natural, o Parque e o seu entorno dispõem de construções de interesse
cultural como o antigo aqueduto, represas e ruínas de sedes de antigas fazendas, além do pórtico e
da sub-sede do Pau da Fome, principal acesso ao Parque, cujo projeto é de autoria do “mestre” em
construções de madeira, José Zanini Caldas. Próximo ao Parque, encontra-se ainda o Museu Nise da
Silveira, na Colônia Juliano Moreira, com obras do artista Artur do Bispo do Rosário, reconhecido
nacional e internacionalmente.

Breve Histórico:

A cobertura vegetal da pedra Branca não ficou excluída do processo de devastação da Floresta
Atlântica iniciado no período colonial com a extração do pau brasil, ao qual seguiram-se os ciclos
da cana-de-açúcar, café e pecuária, além de outras atividades econômicas mais recentes, igualmente
predatórias. Como já registrado, a ocupação do Maciço data do final do séc. XVI.

No início do séc. XVII, os franceses tentaram dominar o Rio de Janeiro, aportando em Guaratiba e
utilizando a Baixada de Jacarepaguá como passagem. O fato despertou a atenção das autoridades
para a necessidade de povoamento da região. Foi então aberto o Caminho da Grota Funda, no
Maciço da Pedra Branca, que deu origem à mais importante via de ligação entre as Baixadas de
Jacarepaguá e de Sepetiba.

Durante o séc. XIX, quando o café tornou-se o principal suporte da economia fluminense, várias
fazendas prosperaram no Maciço da Pedra Branca. Entre elas destacava-se a Fazenda do Engenho
Novo, propriedade de porte, cortada por um dos maiores aquedutos da cidade, executada na
segunda metade do séc.XVIII sobre grandes pilares de granito. A propriedade é atualmente ocupada
pela Colônia Juliano Moreira, uma instituição pública de saúde. Dadas às características
fisiográficas, o potencial hídrico do Maciço sempre foi notável, apesar dos desmatamentos e das
atividades predatórias. Dois mananciais destacam-se na Pedra Branca: o do Rio Grande e o do Rio
Camorim. Ambos foram represados no séc. XIX e constituíam as principais fontes de abastecimento
da região.

As áreas dos mananciais do Rio Grande, pertencentes à fazenda do Barão da Taquara, foram
adquiridas em 1908 pelo Governo Federal que realizou importantes melhorias na represa do Pau da
Fome. Na época também foi desapropriada pela União a área do manancial do Camorim, para o
estabelecimento de uma reserva florestal e ampliação do açude e dos sistemas de tratamento e

324
distribuição de água. Esses sistemas são hoje marcos históricos da engenharia hidráulica
fluminense, tanto pelo porte das obras realizadas, como pela tecnologia empregada nas benfeitorias.

O cultivo da laranja, que se desenvolveu em grande escala no estado do Rio de Janeiro, após a
década de 20, chegou a ocupar algumas encostas do Maciço da Pedra Branca. Umas das fazendas
pioneiras na cultura de laranja foi a Fazenda Independência, localizada no Sopé do Morro do
Cabuçu, que pertenceu durante a segunda metade do séc. XIX ao Major Manoel Gomes Archer,
responsável pelo reflorestamento das matas da Tijuca. Nesta Fazenda, segundo o historiador
Magalhães Corrêa, o Major Archer estudou, aprendeu e ensinou silvicultura, e viveu até falecer, em
1905, apenas se ausentando para reflorestar Petrópolis em 1874. Nas primeiras décadas do séc. XX
ocorreu uma intensa subdivisão das fazendas e iniciou-se o plantio de banana, hoje intensamente
explorado no Maciço. Na década de 30, Magalhães Corrêa já defendia a proteção urgente das
florestas da Pedra Branca, visando a preservação dos mananciais. Na mesma época, foram
instituídas pelo Governo Federal as florestas protegidas pela União. Entre as matas selecionadas em
todo país, diversas se localizavam no Maciço da Pedra Branca como as do Camorim, Rio grande,
Caboclos, Batalha, Guaratiba, Quininha, Engenho Novo de Guaratiba, Colônia, Piraquara e
Curicica, todas com captação d’água para abastecimento da cidade. A necessidade de aumentar o
volume da água distribuída aos subúrbios cariocas, que cresceram intensamente a partir dos anos
50, fez como que o poder público instituísse medidas legais para a preservação das matas do
Maciço da Pedra Branca e dos seus mananciais.

Em 1963, o Maciço da Pedra Branca foi declarado de utilidade pública para fins de desapropriação,
tendo sido criado o Parque Nacional da Pedra Branca em 1974, protegendo as florestas sob
jurisdição federal. Em 1988, o Município do Rio de Janeiro criou a APA da Pedra Branca, acima da
cota de 300m de altitude e, em 1990, estabeleceu como Reserva Biológica a área compreendida
entre a região de Camorim e Pau da Fome, contida dentro da área de proteção. Desde o início da
década de 90, o Governo do Estado do Rio de Janeiro vem desenvolvendo o projeto Floresta da
Pedra Branca, com o objetivo de realizar a implantação definitiva do Parque e a valorização de suas
florestas. Algumas metas do projeto já foram atingidas, como a construção dos Pórticos do
Camorim e do Pau da Fome e a criação de um Horto Florestal na Colônia Juliano Moreira, para dar
suporte aos trabalhos de reflorestamento. A tutela do Parque Estadual da Pedra Branca é da
Fundação Instituto Estadual de Florestas.

¾ Parque Nacional da Tijuca – (Decreto Federal n° 50.923, de 06/07/1961, com a denominação


de Parque nacional do Rio de Janeiro; Decreto Federal n° 60.183, de 08/02/1967, que altera o
nome para Parque Nacional da Tijuca e estabelece as dimensões e demais características atuais).

325
A exuberância da Mata Atlântica pode ser apreciada no Parque Nacional da Tijuca, em seus 3.360
há. Naquele ambiente de floresta, onde os caminhos formam verdadeiros túneis verdes e a luz
penetra de forma difusa, o visitante encontra um clima fresco e a possibilidade de inúmeros
passeios. De seus mirantes pode-se ter uma vista privilegiada, tanto da Zona Sul quanto da Zona
Norte da cidade, descortinando-se ora a Lagoa Rodrigo de Freitas e o litoral de Copacabana,
Ipanema e Leblon, ora a Baía de Guanabara e o relevo da Serra do Mar ao fundo. É o único Parque
Nacional do Brasil localizado em área urbana, sendo considerado um dos maiores parques urbanos
do mundo. Em 1991, foi declarado Reserva da Biosfera pela UNESCO, em reconhecimento da
importância de seu acervo natural para o ecossistema mundial.

A massa florestada existente no Parque e nas áreas que o circundam desempenha o papel de redutor
da poluição e de amenizador do clima da cidade, além de contribuir para a contenção das encostas
do Maciço da Tijuca.

Breve Histórico:

O nome tijuca, de origem indígena, significa picada, caminho ou estrada que leva ao mar. As matas
primitivas eram cortadas por inúmeros caminhos que ligavam as áreas interioranas da região ao
litoral. Entretanto, a floresta hoje existente não é a original. É fruto de um longo processo de
reflorestamento, realizada durante a segunda metade do século XIX, como objetivo de recuperar os
principais mananciais de água que abasteciam a cidade. Isto porque, durante os séculos XVII e
XVIII, as matas foram praticamente devastadas para dar lugar a diferentes plantações,
principalmente de café. Em conseqüência, as nascentes dos rios foram prejudicadas pelo
desmatamento e o abastecimento d`água à sede da colônia tornou-se crítico. No início do séc. XIX,
o governo Real proibiu pela primeira vez a derrubada de mata nos mananciais dos rios Paineiras e
Carioca, localizados na região e principais responsáveis pelo fornecimento de água à cidade. Esta
iniciativa não surtiu os efeitos desejados e a crise da água agravou-se. Somente em meados do séc.
XIX, o Governo Imperial tomou medidas mais drásticas, iniciando a desapropriação de terras
particulares, como objetivo de proteger e recuperar os principais mananciais, além da execução de
diversos reservatórios próximos aos mesmos. A iniciativa de maior repercussão foi, sem dúvida, o
reflorestamento da região devastada. A empreitada foi iniciada em 1861, sob a condução do Major
Manuel Gomes Archer e do administrador Thomas Nogueira da Gama. Enquanto o Major Archer
recuperou as matas da região da Tijuca, Thomas da Gama reflorestou a região de Sumaré e das
Paineiras, na qual se localizavam o manancial e o aqueduto do rio Carioca, ambos sob sua
responsabilidade administrativa. Durante os 13 anos de atuação do Major Archer foram plantadas
cerca de 80 mil mudas de variadas espécies de árvores exóticas e nativas. Em 25 anos de

326
administração, Thomas da Gama plantou mais de 20 mil mudas de árvores, além de ter ampliado e
melhorado a rede de trilhas e caminhos de acesso ao Silvestre, às Paineiras e ao Corcovado,
contribuindo para aumentar o número de visitantes na região durante aquele período. Em 1874, o
coronel Gaston de Robert d`Escragnolle assumiu a tarefa de cuidar da floresta da Tijuca, tendo
como colaborador o botânico e paisagista francês Auguste François Marie Glaziou. O trabalho da
dupla durou até 1888, e voltou-se principalmente para o embelezamento da área que recebeu jardins
de estilo francês, pontes, lagos e mirantes. Ainda assim, foram plantadas mais de 35 mil mudas no
período. Após o esforço realizado pelo Império no final do séc XIX, a floresta enfrentou quase meio
século de abandono. Somente em 1944 a atividade de recuperação e manutenção sistemática da
cobertura vegetal foi retomada, sob a supervisão do industrial Raymundo Ottoni de Castro Maia
que, com o auxílio do paisagista Roberto Burle Marx, mudou a feição atual do Parque.

O Parque Nacional da Tijuca foi criado em 1961, sob o nome de Parque nacional do Rio de janeiro,
tendo recebido a atual denominação em 1967. Na década de 70, a direção do Parque promoveu o
repovoamento da fauna das matas, com a reintrodução de espécies animais que já haviam
desaparecido. Os últimos melhoramentos no Parque foram realizados na Estrada das Paineiras, por
ocasião da Conferência Nacional das Nações unidas para o meio Ambiente e Desenvolvimento –
ECO 92. Sua tutela pertence ao IBAMA - Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos
Naturais Renováveis.

¾ APARU do Alto da Boa Vista - (Decreto Municipal n° 11.301, de 21/08/1992, alterado pelo
Decreto Municipal n° 12.242, de 30/08/1993).

A APARU do Alto da Boa Vista, com 3.183 há, situa-se em região considerada privilegiada, tanto
pela presença da vegetação exuberante quanto pelo clima ameno, já que nela registram-se as
temperaturas mais baixas da cidade. A paisagem dominante é a de mata, que cobre suas encostas e
penetra nas áreas ocupadas. A área de proteção ambiental abrange todo o bairro do Alto da Boa
Vista e parte do bairro do Itanhangá, estando em seus limites grande parte do Parque Nacional da
Tijuca. Sendo assim, a APARU apresenta um grande e variado acervo, sob a forma de monumentos
naturais e culturais, distribuído em seus inúmeros recantos.

O objetivo principal da Unidade é o de proteger e recuperar o patrimônio ambiental da área de


entorno do Parque. Pretende também promover a sua revitalização, mediante o incentivo à prática
de novos usos e atividades que sejam complementares àquelas praticadas no Parque Nacional da
Tijuca. Predomina na região o uso residencial, chamando a atenção as belas mansões construídas no
início desse século. A presença do comércio e de serviços é pouco significativa, concentrando-se no

327
entorno da praça Afonso Viseu e no polígono formado pelas ruas Itapirucu, estrada de Maracaí e
Estrada de Furnas.

Breve Histórico:

Os registros indicam que até o final do séc. XVIII o atual bairro do Alto da Boa Vista não era
ocupado. Nesta época a região era de propriedade da Sesmaria dos Jesuítas, à qual pertencia toda a
vertente norte da serra da Tijuca e seus arredores. A ocupação da área ocorreu a partir do início do
séc. XIX, em conseqüência da chegada da Família Real ao Rio de janeiro. A transferência da corte
portuguesa para o Brasil aumentou o fluxo de imigrantes franceses, ingleses e holandeses, que
também fugiam do conturbado cenário político europeu. Por volta de 1816, alguns estrangeiros
introduziram a produção de café em toda a região. O plantador pioneiro foi o francês Aymar Marie
Jacques Gestas, o Conde Gestas, que iniciou o cultivo do café e da cana-de-açúcar em sua Fazenda
da Boa Vista, cujo nome acabou denominando o futuro bairro. A cafeicultura disseminou-se, então,
às custas da grande disponibilidade de terras e da fertilidade natural do solo da floresta. Em menos
de 50 anos, tais práticas levaram à destruição da vegetação nativa, à redução dos mananciais de
água e ao esgotamento dos solos. A consequ6encia inevitável deste quadro foi a necessidade de
reflorestamento, iniciado em meados do séc. XIX, que alterou radicalmente a paisagem da região.

A decadência da cafeicultura e a chegada do bonde, em 1897, intensificaram a ocupação do Alto da


Boa Vista, atraindo novos usos, inclusive atividades fabris. Surgiram então diversos
estabelecimentos industriais, devido às boas condições climáticas da região e à recuperação dos
mananciais de água, fruto dos processos de reflorestamento. As primeiras fábricas concentraram-se
na Estrada das Furnas, destacando-se a Companhia Franco Brasileira de Papel, a Companhia
Industrial de Papel e Cartonagem e o Lanifício Alto da Boa Vista.

Entre 1926 e 1931, atraídos pelas indústrias, surgiram os primeiros núcleos de população de baixa
renda, que se expandiram na segunda metade do séc. XX. Neste último período também ocorreram
o declínio e a paralisação das atividades industriais no bairro. A região dispunha de jazidas de
granito negro de excelente qualidade, cuja exploração para fins ornamentais foi tão intensa nas
últimas décadas que praticamente levou ao esgotamento de suas reservas. Atualmente a extração do
granito preto da tijuca, como ficou nacionalmente conhecido, está proibida em todo o Maciço da
Tijuca.

¾ APA da Orla Marítima – (Lei Municipal n° 1.272, de 06/07/1988)

Compreendendo uma área de 248 há, traduz-se em um dos cartões postais da cidade e um local dos
mais procurados para o lazer, não só pelos cariocas como pelos turistas. Abrange toda a orla

328
marítima dos bairros do Leme, Copacabana, Ipanema, Leblon, São Conrado e Barra da Tijuca,
compreendendo as vias, as calçadas e as faixas de areia, numa extensão total de mais de 30km.

Com a criação da APA, em 1988, foi reconhecida a importância de toda a orla litorânea como
patrimônio paisagístico e como equipamento de turismo e lazer do Rio de Janeiro.

Breve Histórico:

Abrange toda a orla Marítima dos bairros do Leme, Copacabana, Ipanema, Leblon, São Conrado e
Barra da Tijuca, compreendendo as vias, as calçadas e as faixas de areia, numa extensão total de
mais de 30 km. Acerca da orla da Barra da Tijuca, com 18 km de extensão, a ocupação somente
ocorreu em meados da década de 60, em função das dificuldades de acesso a partir da Zona Sul. Na
segunda metade dessa década foi desenvolvido um plano urbanístico para a região, de autoria do
arquiteto e urbanista Lúcio Costa, que procurou conciliar os novos padrões de ocupação com a
preservação ambiental. Nos anos de 1991 e 1992, a Prefeitura implantou o projeto Rio-Orla, de
autoria do engenheiro Sérgio Dias, visando organizar as atividades comerciais que proliferaram ao
longo de toda orla, além de implantar estacionamentos, ciclovias, quiosques de alimentação e postos
de salvamento nos locais que ainda não dispunham desses equipamentos. A Secretaria Municipal de
Meio Ambiente e o Conselho Municipal do Patrimônio Cultural do Rio de Janeiro tem a sua tutela.

¾ APA da Paisagem – Área do Pontal

Não constam informações descritivas disponíveis, apenas sua localização.

¾ APA das Tabebuias – (Decreto n° 18.119 de 08/12/99)

A APA das Tabebuias é o resultado de uma ação de emergência para preservar o último grande
remanescente da Floresta Paludosa Costeira de Caixeta do Município do Rio de Janeiro. Abrange
uma gleba particular (CATISA). Está situada entre os bairros da Barra da Tijuca e Recreio dos
Bandeirantes, margeada pela Avenida Salvador Allende e Avenida das Américas, possuindo nos
arredores duas áreas tombadas - Pedra de Itaúna e Morro do Amorim.

Sua área total é de 68,53ha, sendo que 41% foram definidas como Zona de Vida Silvestre – ZVS
(≈25,27ha); os outros 59% são Zonas de Uso urbano (ZOC`s 1, 2, 3 e 4), residencial, comercial e
serviços. A Floresta Paludosa Costeira possui 16ha da ZVS. Na ZOC 3 temos uma área non
aedificandi, com 2,57ha, que abriga fragmento de restinga scrub, degradado.

A gestão da área cabe a SMAC, mas a mesma continua sendo propriedade privada, inclusive a ZVS.

¾ APA dos Pretos Forros

329
Não constam informações descritivas disponíveis, apenas sua localização.

Além das Unidades de Conservação Ambiental citadas, existem presentes na Bacia Hidrográfica de
Jacarepaguá alguns patrimônios naturais tombados por lei estadual e municipal que estarão sendo
descritos no item seguinte _ Patrimônio Histórico, Natural e Arqueológico.

Ainda no que diz respeito às áreas protegidas por lei, cabe destacar para a demarcação das faixas
marginais de proteção de corpos hídricos conforme já mencionado no Capítulo 5 _ Legislação
Aplicável e de Pertinência sobre a Área de Influência das Intervenções.

Faixa Marginal de Proteção (FMP)

A Faixa Marginal de Proteção (FMP) nos limites da definição contida no artigo 2° da Lei n° 4.771
de 15 de setembro de 1965, é demarcada pela Superintendência Estadual de Rios e Lagoas -
SERLA, obedecidos os princípios contidos no artigo 1° do Decreto-Lei n° 134, de 16 de junho de
1965 e artigos 2° e 4° da Lei n° 6.938, de 31 de agosto de 1981, na largura mínima estabelecida no
artigo 14 do Decreto n° 26.643, de 10 de junho de 1934”.

A competência estadual resgata a aplicabilidade da Lei 3.239 de 02 de agosto de 1999 a qual Institui
a Política Estadual de Recursos Hídricos, criando o Sistema Estadual de Recursos Hídricos e
regulamentando a Constituição Estadual sendo pertinente atentar para as determinações do Capítulo
V – da Proteção dos Corpos d’água e dos Aqüíferos, merecendo destaque:

Art.33.- Sobre a proteção das margens e leitos de rio, lagoas e lagunas por:

II - Projeto de Alinhamento de Orla de Lagoa ou Laguna (PAOL);

III - Projeto de Faixa Marginal de Proteção (FMP)

330
INSERIR MAPA ÁREAS ESPECIAI S DE PROTEÇÃO – UNIDADES DE CONSERVAÇÃO

331
Patrimônios Históricos, Naturais e Arqueológicos

Quanto aos patrimônios históricos foram identificados na Bacia Hidrográfica de Jacarepaguá os


seguintes bens históricos tombados, quais sejam por competência:

• De Competência Federal: (1) Colônia Juliano Moreira em Jacarepaguá, (2) Casa da Fazenda
da Taquara, no bairro que lhe atribui o nome, (3) Igreja Nsa da Pena na Freguesia, (4) Casa
da Fazenda do Engenho d´Água, no bairro Gardênia Azul.

• De Competência Estadual: (1) Reservatório do Tanque no bairro de mesmo nome, (2) Açude
do Pau da Fome no Tanque, (3) Igreja Nsa Loreto também na Freguesia, (4) Capela São
Gonçalo do Amarante no Gardênia Azul, (5) Represa e Açude do Camorim no Camorim, (6)
Capela Nsra do Monte Serrat

• De Competência Municipal: (1) Educandário Nsra da Vitória na Praça Seca, (2) Fazenda
Catambry na Freguesia, (3) Fonte d`Outono em Jacarepaguá, próximo ao entroncamento da
Av. Ayrton Senna com a Av. Abelardo Bueno, (4) Quiosque Oxumaré na Barra da Tijuca,
(5) Casa do Pontal e Coleção de Arte Popular no Recreio dos Bandeirantes, (6) Área
delimitada pelas Avenidas João Paul Satre, Rua João Geraldo Kulman, Rua vista Nova e a
Via 4 PAL 897 do PAL 31.418, circunscrição da XXIV RA, ZE-5 – Barra da Tijuca, através
do Tombamento Municipal em 27/03/2001 (Lei n° 3.202) Fica impedida nesta área a
realização de construções, edificações ou alterações de qualquer espécie, permanente ou
temporária, por obra de vontade humana, que não as destinadas a lazer. Não existem
informações que permitam espacializar esta área.

Quanto aos patrimônios naturais, por competência tem-se:

• De Competência Estadual: (1) Morro do Portela no Recreio dos Bandeirantes, (2) Represa e
Açude do Camorim no bairro do Camorim.

• De Competência Municpal:os morros localizados no bairro do recreio dos Bandeirantes (1)


do Rangel, (2) do Urubu, (4) do Amorim , (5) do Cantagalo, (6) Pedra de Itapoâ próximo ao
Canal das Taxas também no Recreio dos Bandeirantes, (7) Pedra de Itaúna na Barra da
Tijuca e (8) Pedra da Gávea no limite Joá, Itanhangá e Gávea.

Como Sítios Arqueológicos foram identificados dois acervos na AII, quais sejam (1) sambaqui da
Lagoa de Marapendi e (2) sítio do Recreio dos Bandeirantes. Contudo, não existem informações
precisas sobre sua localização oficial, não tendo sido possível, assim, localizá-los em mapa.

332
¾ Sambaqui da Lagoa de Marapendi, de categoria Pré-Colonial, do tipo berbigueiro, concheiro,
com exposição à céu aberto.

¾ Sítio do Recreio dos Bandeirantes (Não constam outras descrições no IPHAN)

333
INSERIR MAPA AII ÁREAS ESPECIAIS DE PROTEÇÃO – PATRIMÔNIOS HISTÓRICO E
ARQUEOLÓGICO.

334
7.1.3.9. Principais Associações Representativas e Organizações não Governamentais

Como principais Associações representativas que atuam de um modo geral na Área de Influência
Indireta citam-se, (1) ACIBARRA – Associação Comercial e Industrial da Barra da Tijuca, (2)
Câmara Comunitária da Barra, (3) Rotary Club da Barra da Tijuca, (4) Barralerta, (5) Amol –
Associação de Moradores da Orla da Lagoa, (6) APEDEMA – Assembléia Permanente das
Entidades de Defesa do Meio Ambiente. As associações de moradores dos bairros que integram a
AID _ XXIV RA Barra da Tijuca serão consideradas em abordagem oportuna.

Quanto as Organizações não Governamentais (ONG`s) atuantes na região destacam-se:

• Ecomarapendi

A Associação Projeto Lagoa de Marapendi é uma entidade não governamental, sem fins lucrativos,
de utilidade pública (Lei Estadual no. 2815, de 31/10/97). Foi criada em 1989 com o objetivo de
despertar na comunidade o interesse e a responsabilidade pelas questões ambientais, assim como
pela busca de soluções para os problemas identificados, uma vez que, desde a época de sua criação,
as agressões ambientais sofridas pelo complexo lagunar da Baixada de Jacarepaguá já eram
alarmantes, a partir da ocupação desenfreada da região. Atuando em conjunto com a comunidade,
organismos de governo, universidades e lideranças empresariais, desencadeou uma campanha de
recuperação e valorização da área, utilizando como tema central a Lagoa de Marapendi: “ Usar para
Preservar, Preservar para Usar”. Desde então, a Ecomarapendi vem ampliando sua equipe técnica e
suas áreas de atuação, desenvolvendo estudos e ações de informação, comunicação e educação
ambiental, com foco em duas áreas principais, quais sejam, (1) os ecossistemas costeiros e (2) os
resíduos sólidos.

• Instituto Cultural e Ecológico Lagoa Viva

Fundada em 16 de Fevereiro de 2000 tem como objetivos principais a promoção e organização de


projetos para a recuperação das lagoas, bem como a elaboração de campanhas de conscientização
ambiental para a preservação do meio ambiente de modo geral. A Fundação está sediada na antiga
Ilha da Fantasia (Av. Grande Canal 52), tendo já 27 ações realizadas, 3 eventos, destacando-se, (1)
Pacto de resgate Ambiental , (2) Projeto Limpe sua Barra , (3) apoio para a confecção da Carta
Náutica junto ao Crea/RJ, de todo o Sistema Lagunar da Barra e Jacarepaguá, entre outros.

• SAVE – Serviço de Apoio Voluntário à Emergência

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O SAVE é um projeto sem fins lucrativos, planejado em obediência às determinações da Resolução
CFM no. 1529, do Conselho Federal de Medicina e Portaria no. 814/GM de 01 de junho de 2001 do
Ministério da Saúde. O Projeto SAVE tem por objetivo o apoio às vítimas de situações de
emergência e é executado por voluntários que buscavam uma forma direta de ajudar a salvar vidas e
diminuir sofrimentos, nos termos da Lei 9.608, de 18 de fevereiro de 1998. A principal área de
atuação é no apoio à vítimas de acidentes automobilísticos, fazendo a proteção do local do acidente
(evitando acidentes secundários), prestando os primeiros socorros e estabelecendo contactos com as
autoridades competentes conforme a necessidade. O atendimento é realizado na Barra da Tijuca,
Recreio dos Bandeirantes e Jacarepaguá, desde o dia 22 de abril de 2000, tendo somado mais de
100 atendimentos de acidentes automobilísticos realizados no primeiro ano de atuação nessa região.
A escolha dessa área de atuação para atendimento deveu-se aos seguintes fatores: (1) alto índice de
acidentes; (2) freqüente acontecimento de múltiplas ocorrências; (3) baixo risco de assalto e outras
violências contra os voluntários durante a madrugada devido ao policiamento na região; (4) grandes
distâncias a serem vencidas, muitas vezes, entre o local do acidente e a ambulância mais próxima.

Os voluntários, médicos e para-médicos, são treinados sistematicamente para estas atividades e


submetidos a reciclagens periódicas, devendo ser seguidos os protocolos internacionais de
atendimento.

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