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7.2.1.

5 Recursos Hídricos Superficiais

Os tópicos abordados para a caracterização dos recursos hídricos superficiais foram: (1) :circulação
e níveis das águas lacustres, (2) áreas sujeitas às enchentes, (3) diagnóstico limnológico do sistema
lagunar de Jacarepaguá. As respectivas descrições seguem abaixo.

• Circulação e Níveis das Águas Lacustres

Os níveis normais das águas lacustres foram embasados em duas fontes: uma primeira numa
campanha realizada pela Fundação Coppetec em 2004 e outra com dados de estudos da SERLA
relativos às estações operadas entre 1972 e 1981.

ƒ Campanha de Inverno de 2004 ( Fundação COPPETEC)

No período de 14 de setembro a 8 de outubro de 2004 foi realizada pela Fundação COPPETEC, no


Sistema Lagunar da Baixada de Jacarepaguá, a chamada Campanha de Inverno de 2004, sendo
medidos, dentre outras variáveis, os níveis d’água. As tabelas a seguir apresentam a localização dos
pontos de medições de nível d’água.

Estações de monitoramento de níveis d’água


Coordenadas
Estação Localização
N E
NP1 Canal da Joatinga 7.454.161 674.728
NP2 Ilha do Ipê 7.455.090 672.908
NP3 Condomínio Lagoa Mar Norte 7.455.865 671.206
NP4 Condomínio Jardim Marapendi 7.454.887 668.972
NP5 A. P. A. Marapendi 7.453.712 659.050
NP6 Ponte Av. Ayrton Senna 7.488.210 667.777
Fonte: COPPETEC, 2004.

364
Localização dos Pontos de Medição.
7460500
na
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Pa
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7458500 Ri

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7456500 R io do Mar inho R

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7454500
NP5 NP4 NP2
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NP1
Ca na l da s Ta
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C anal

7452500 EV3

Oceano Atlântico
7450500
(UT M) 654000 656000 658000 660000 662000 664000 666000 668000 670000 672000 674000 676000

Fonte: COPPETEC, 2004.

As informações sobre as medições realizadas encontram-se descritas mais adiante. As medições de


níveis d’água, em 6 (seis) locais, foram realizadas através de linígrafos de pressão Global Water
modelo WL-15 a cada 10 minutos, sendo as cotas medidas referenciadas ao RN 3001-V do IBGE.
O nivelamento altimétrico para tais estações foi contratado com a firma especializada Microars
Consultoria e Projetos Ltda.

• Medições de nível d’água em NP1

O linígrafo de pressão NP1 foi instalado no Canal da Joatinga, próximo ao seu desemboque no mar,
aproveitando-se a estrutura de madeira do “deck” de atracação da casa no 32, situada na Rua Praia
dos Amores conforme revelam fotos a seguir.

365
Linígrafo de pressão NP1 instalado e em operação no Canal da Joatinga.

Fonte: COPPETEC, 2004.

• Medições de nível d’água em NP2

O linígrafo de pressão NP2 foi instalado na “entrada” do Canal de Marapendi (extremidade Leste),
próximo ao desemboque na Lagoa da Tijuca, sendo aproveitada a estrutura da cerca externa da Rua
Canal Grande no 52 casa 1, na Ilha do Ipê (Figura a seguir).

Instalação do linígrafo de NP2 - Entrada do Canal de Marapendi.

Fonte: COPPETEC, 2004.

• Medições de nível d’água em NP3

Instalou-se o linígrafo de NP3 em um local próximo da “metade” da Lagoa da Tijuca (margem Sul),
sendo aproveitada a estrutura metálica de um “deck” de atracação do Condomínio Praia Mar Norte
(entre os supermercados Extra e Pão de Açúcar) (Figura a seguir).

366
Instalação do linígrafo NP3 - Metade da Lagoa da Tijuca.

Fonte: COPPETEC, 2004.

• Medições de nível d’água em NP4

O linígrafo NP4 foi instalado no terreno contíguo a um “deck” de atracação ao lado do Condomínio
Associação dos Moradores Jardim Marapendi (acesso pela Av. Sernambetiba no 5.300), situado no
final da rua Eugênio Lira Neto (Figura a seguir).

Instalação do linígrafo de NP4 - Final do Canal de Marapendi.

Fonte: COPPETEC, 2004.

• Medições de nível d’água em NP5

O linígrafo de NP5 foi instalado em um local próximo ao “final” da Lagoa de Marapendi, no terreno
da A.P.A. – Parque Marapendi, próximo ao desemboque do Canal das Taxas na Lagoa de
Marapendi (Figura abaixo).

367
Instalação do linígrafo NP5 - Final da Lagoa de Marapendi

Fonte: COPPETEC, 2004.

• Medições de nível d’água em NP6

Instalou-se o linígrafo NP6 foi em um local próximo ao pilar do lado Sul da ponte nova da Av.
Ayrton Senna (com tráfego na direção da Freguesia), em um trecho do canal que une as lagoas da
Tijuca e Jacarepaguá (Figura a seguir).

Instalação do linígrafo de NP6 - Sob a ponte da Av. Ayrton Senna

Fonte: COPPETEC, 2004.

Mediante os dados apresentados, algumas conclusões e resultados podem ser considerados. A seguir
apresenta a série temporal dos dados de níveis d’ água medidos nas várias seções (referenciados ao
RN 3001-V do IBGE) durante a Campanha de Inverno de 2004. Com o objetivo de serem realizadas
comparações, junto com os valores medidos são apresentados, os valores de maré previstos para o
Porto do Rio de Janeiro (obtidos da Tábua de Previsão de Marés da DHN).

368
Resultados das Medições de Nível d’água no Sistema Lagunar da Baixada de
Jacarepaguá (NP1, NP2, NP3, NP4, NP5 e NP6)

Nível de Água NP1


NP2
1.50 NP3 1.50
NP4
NP5
1.25 1.25
NP6
DHN Porto RJ

1.00 1.00

0.75 0.75
Nível ref IBGE (m)

N'ivel ref DHN (m)


0.50 0.50

0.25 0.25

0.00 0.00

-0.25 -0.25

-0.50 -0.50
15/9/2004 00:00 22/9/2004 00:00 29/9/2004 00:00 6/10/2004 00:00 13/10/2004 00:00
Tempo

Fonte: COPPETEC, 2004. – Campanha de Inverno de 2004.

A Figura apresentada abaixo revela detalhes das medições de nível d’água em torno de uma maré
de sizígia, enquanto a Figura na seqüência apresenta tais detalhes em torno de uma maré de
quadratura. Confirmando o que se espera do sistema lagunar, fica evidenciada a maior variação de
maré nas seções de medição mais próximas à comunicação com o mar. Na estação NP1, localizada
no canal de Joatinga, as preamares de sizígia alcançaram os níveis mais elevados (0,42 m) e as
baixa-mares atingiram os níveis mais baixos (-0,42 m). A altura de maré de sizígia nesta seção foi
de 0,84 m. Atenuações de maré já são sentidas após a entrada no SLBJ, na entrada do canal de
Marapendi aqui também chamada de extremidade leste do canal de Marapendi (NP2), onde a altura
da maré resultou em 0,46 m, com preamar de 0,31 m e baixa-mar de -0,15 m. Ao final do canal de
Marapendi ou na extremidade leste da Lagoa de Marapendi (NP4) a altura de maré decai para 0,19
m. Prosseguindo para extremidade oeste da Lagoa de Marapendi, em NP5, a estação mais distante
do desemboque com o mar, a preamar de sizígia alcançou 0,13 m, e a baixa-mar ficou em 0,05 m,
totalizando numa altura de maré de 0,18 m. Na lagoa da Tijuca (NP3) a altura da maré de sizígia

369
detectada foi de 0,29 m e na ligação desta com a lagoa de Jacarepaguá (NP6) a altura foi reduzida
para 0,21 m.

Destaca-se também a nítida defasagem da maré conforme se adentra o SLBJ. Enquanto a preamar
de sizígia no canal de Joatinga ocorreu às 01:40 hs do dia 28/09/04, em NP2 esta ocorre às 02:10 hs,
em NP3 às 03:20 hs, em NP4 às 04:30, em NP6 às 05:00 hs e no ponto mais distante, NP5, às 06:10
hs.

Detalhe dos Níveis d’água Medidos em Torno de uma Condição de Maré de Sizígia.

Nível de Água NP1


NP2
1.50 NP3 1.50
NP4
NP5
1.25 1.25
NP6
DHN Porto RJ

1.00 1.00

0.75 0.75
Nível ref IBGE (m)

N'ivel ref DHN (m)


0.50 0.50

0.25 0.25

0.00 0.00

-0.25 -0.25

-0.50 -0.50
28/9/2004 00:00 28/9/2004 12:00 29/9/2004 00:00 29/9/2004 12:00 30/9/2004 00:00
Tempo

Fonte: COPPETEC, 2004.

Na maré de quadratura essas atenuações e defasagens também foram acusadas, sendo, porém menos
evidentes que na situação de sizígia. O detalhe da quadratura destaca a maior altura de maré em
NP1, de 0,31 m, em NP2 a altura de quadratura foi de 0,23 m, em NP3 de 0,18 m, em NP6 o valor
cai para 0,12 m; e em NP4 e NP5, o ponto mais distante da embocadura, a maré medida foi de 0,09
m. As defasagens se comportaram tal como na maré de sizígia, com um máximo entre NP1 e NP5
de 3:50 hs.

370
Detalhe dos Níveis d’água Medidos em Torno de uma Condição de Maré de Quadratura
Nível de Água NP1
NP2
1.50 NP3 1.50
NP4
NP5
1.25 1.25
NP6
DHN Porto RJ

1.00 1.00

0.75 0.75
Nível ref IBGE (m)

N'ivel ref DHN (m)


0.50 0.50

0.25 0.25

0.00 0.00

-0.25 -0.25

-0.50 -0.50
5/10/2004 00:00 5/10/2004 12:00 6/10/2004 00:00 6/10/2004 12:00 7/10/2004 00:00
Tempo

Fonte: COPPETEC, 2004.


.

371
ƒ Dados obtidos junto a SERLA

Foram operadas pela SERLA, na Lagoa de Jacarepaguá, duas estações limnigráficas: Via 11 (entre
julho de 1972 e maio de 1981) e Camorim (entre julho de 1972 e abril de 1981). A localização e as
coordenadas das estações são apresentadas do Quadro a seguir.

Localização e coordenadas das estações limnigráficas.


Estação Coordenadas
Localização
limnigráfica Latitude Longitude
Margem do canal da lagoa de Jacarepaguá - ponte
Via 11 22o 58' 35" S 43o 21' 57" W
da Via 11 que liga a Barra da Tijuca a Jacarepaguá
Lagoa de Jacarepaguá - ponte que liga a Ilha
Camorim 22o 59' 02" S 43o 24' 20" W
Pombeba à Via 9
Fonte: SERLA, 1996.

Quanto às medições foram selecionadas as leituras de régua máximas e mínimas mensais relativas à
estação Via 11 e Camorim, determinando-se em seguida as cotas máximas e mínimas mensais
referidas a FIBGE, considerando-se as cotas dos zeros das réguas em diferentes períodos de
observação.

Cotas dos zeros das réguas.

Estação Cota do zero das réguas


Período
limnigráfica Referência FIBGE
julho de 1972 a setembro de 1974 (1) -1,23
Via 11 outubro de 1974 a abril de 1978 (2) -1,27
abril de 1978 a maio de 1981 (2) 0,00
julho de 1972 a setembro de 1974 (1) -1,23
Camorim outubro de 1974 a março de 1978 (2) -1,18
junho de 1978 a abril de 1981 (2) 0,00
Nota: (1) Neste período a estação foi operada pelo CNEC.
(2) Neste período a estação foi operada pela HIDROLOGIA COMERCIAL.
Fonte: SERLA, 1996.

372
Em seguida, foram determinados os eventos máximos anuais e analisou-se os limnigramas
correspondentes para a obtenção dos níveis d’água máximos instantâneos, bem como a diferença
entre ambos.
Como resultados e conclusões pode-se considerar que os níveis d’ água máximos anuais observados
na Lagoa de Jacarepaguá na estação Via 11 e Camorim são apresentados, respectivamente, nos
Quadros abaixo.

Níveis d’água Máximos Anuais – Via 11.

Obtido das leituras de régua (m) Obtido dos limnigramas (m) Diferença
Data
Hora LR Cota IBGE Hora LR Cota IBGE (m)
14/12/1972 07:00 1,45 0,22 0,54 1,49 0,26 0,04
13/5/1973 15:00 1,64 0,41 0,67 1,65 0,42 0,01
28/4/1974 07:00 1,64 0,41 0,33 1,65 0,42 0,01
28/2/1975 06:00 1,59 0,32 0,25 1,59 0,32 0,00
1/7/1976 08:00 1,78 0,51 0,92 1,80 0,53 0,02
2/4/1977 07:00 1,90 0,63 0,29 1,90 0,63 0,00
23/5/1978 06:00 0,45 0,45 0,79 0,46 0,46 0,01
9/4/1979 05:00 0,42 0,42 0,21 0,42 0,42 0,00
8/1/1980 10:00 0,45 0,45 0,42 0,45 0,45 0,00
17/4/1981 17:00 0,46 0,46 0,71 0,46 0,46 0,00
Fonte: SERLA, 1996.

Níveis d’água Máximos Anuais – Camorim.

Obtido das leituras de régua (m) Obtido dos limnigramas (m) Diferença
Data
Hora LR Cota IBGE Hora LR Cota IBGE (m)
5/8/1972 04:00 1,18 -0,05 04:00 1,18 -0,05 0,00
14/5/1973 08:00 1,45 0,22 17:00 1,46 0,23 0,01
28/4/1974 08:00 1,47 0,24 08:00 1,47 0,24 0,00
3/1/1975 08:00 1,44 0,26 09:00 1,45 0,27 0,01
2/7/1976 02:00 1,51 0,33 06:00 1,53 0,35 0,02
19/5/1977 07:00 1,62 0,44 07:00 1,62 0,44 0,00
2/6/1978 17:00 0,29 0,29 17:00 0,29 0,29 0,00
24/4/1979 06:00 0,35 0,35 06:00 0,35 0,35 0,00
1/1980 0,42 0,42
4/1981 0,42 0,42
Nota: Em 02/1/1980 foi retirado o aparelho da estação Camorim.
Fonte: SERLA, 1996.

373
De acordo com os dados aprestados, pode-se afirmar que o nível d’água máximo observado na
estação Via 11 foi de 0,63 m, no dia 2 de abril de1977; e na estação Camorim, foi de 0,44 m, em 19
de maio de 1977. As diferenças entre os níveis d’água máximos obtidos da série de leituras de régua
e dos limnigramas são de pequena magnitude, não ultrapassando 4,0 cm.

Segundo o relatório “Níveis d’água na lagoa de Jacarepaguá a serem considerados em projetos de


macrodrenagem” (SERLA, 1996), é recomendável para a elaboração de projetos de macrodrenagem
na bacia de Jacarepaguá, a adoção de um nível d’água máximo na lagoa de Jacarepaguá igual a 0,90
m. Este nível corresponde a um tempo de recorrência da ordem de 20 anos, mantidas as condições
atuais de assoreamento da lagoa.

374
• Circulação

Canal de Sernambetiba

A desembocadura do Canal de Sernambetiba é responsável pela drenagem da bacia de contribuição


do canal de Vargem Grande, que compreende parte do bairro do Recreio dos Bandeirantes e
Vargem Grande. A mesma não é estabilizada, isto é, sofre com o constante problema de
assoreamento com areia proveniente da praia da Macumba. Com isso, existe problema de circulação
e renovação das águas, interferindo diretamente na qualidade das águas, além de propiciar
inundações nas regiões mais próximas às margens.

A estrutura do guia-correntes atualmente existente encontra-se destruída, e a forma mostrada pelo


arranjo de pedra sugere que tal desmonte tenha sido provocado por ondas ocorridas em tempestade
(COPPETEC, 2000). Durante a maior parte do tempo, com exceção do período de grandes cheias, a
barra do canal fica completamente assoreada, causando represamento das águas interiores, havendo,
portanto, necessidade de dragagens na foz.

A seqüência das Figuras abaixo mostra a barra do canal em planta; a embocadura sendo obstruída
pelo enrocamento e o canal assoreado, sendo necessárias dragagens constantes.

375
Barra do Canal de Sernambetiba.

376
Embocadura do Canal de Sernambetiba obstruído por enrocamento.

Canal de Sernambetiba assoreado e a draga para desobstrução.

Na Campanha de Inverno de 2004, já mencionada, também foram realizadas medições de vazões


líquidas na seção SM1 (coordenadas 7.454.667 N e 673.858 E), situada no Canal da Joatinga,
abaixo da “Ponte Nova”, próximo do desemboque do sistema lagunar no mar. As medições de
vazões estavam previstas para serem realizadas na seção SM1e também na seção SM2 (próxima à
entrada do Canal de Marapendi), porém, constatou-se que nesta última não seria possível, devido às
baixíssimas profundidades locais. As medições de vazões líquidas foram realizadas na SM1,
durante o dia 28 de setembro de 2004, em condição de maré de sizígia, com intervalos aproximados
de 30 minutos, durante 25 horas consecutivas (1 ciclo completo de maré).

Durante o dia 05 de outubro de 2004, em condição de maré de quadratura, foram realizadas


medidas de vazões líquidas na mesma seção, também com intervalos aproximados de 30 minutos,
durante 25 horas consecutivas (1 ciclo completo de maré). Em ambos os dias as medições de vazões

377
líquidas foram realizadas utilizando-se um ADCP modelo ZedHed 1200 kHz fabricado pela R.D.
Instruments (USA).

As medidas de vazão nas situações de maré de sizígia e de maré de quadratura podem ser
observadas nas Figuras a seguir, respectivamente. Nestas também são apresentados os níveis d’água
medidos na estação NP1.

Convencionou-se associar valores positivos às vazões ocorridas durante a maré enchente (água
fluindo do mar para as lagoas) e valores negativos àquelas ocorridas durante a maré vazante (água
fluindo das lagoas para o mar). De acordo com uma das figuras apresentadas verifica-se que em
condições de maré de sizígia o valor máximo da vazão foi de aproximadamente 90 m3/s durante a
maré enchente e cerca de 70m3/s durante a maré vazante. Já em condições de maré de quadratura, o
valor máximo da vazão foi de aproximadamente 38 m3/s durante a maré enchente e cerca de 40 m3/s
durante a maré vazante.

Vazões líquidas medidas em condições de maré de sizígia.


Vazao
Canal da Joatinga - Sizígia
Nivel

100 0.5
80 0.4
60 0.3

Nivel de água (m)


40 0.2
Vazão (m 3/s)

20 0.1
0 0.0
-20 -0.1
-40 -0.2
-60 -0.3
-80 -0.4
-100 -0.5
28/9/04 28/9/04 28/9/04 29/9/04 29/9/04 29/9/04 29/9/04
6:00 12:00 18:00 0:00 6:00 12:00 18:00
Tempo

Fonte: COPPETEC, 2004.

378
Vazões líquidas medidas em condição de maré de quadratura.
Vazao
Canal da Joatinga - Quadratura
Nivel
100 0.50
80 0.40
60 0.30

Nivel de água (m)


40 0.20
Vazão (m 3/s)

20 0.10
0 0.00
-20 -0.10
-40 -0.20
-60 -0.30
-80 -0.40
-100 -0.50
5/10/04 5/10/04 5/10/04 6/10/04 6/10/04 6/10/04 6/10/04
6:00 12:00 18:00 0:00 6:00 12:00 18:00
Tempo

Fonte: COPPETEC, 2004.

• Áreas Sujeitas às Enchentes

A Bacia de Jacarepaguá, principalmente a partir da década de 70, tornou-se uma área da Cidade do
Rio de Janeiro fortemente atingida pelas enchentes, acarretando catástrofes que têm como
conseqüências, a destruição de bens materiais e perdas de vidas humanas.O próprio aspecto
geográfico da bacia contribui para tal fato, dificultando o escoamento das águas pluviais, já que se
trata de um relevo muito íngreme, seguido de uma planície, praticamente no nível do mar, com
cotas variando de 1 a 5 m. Quando chove, as águas descem com uma velocidade muito grande,
encontrando a planície, sem grandes declives, o que desacelera bastante o escoamento.

Os aterros, considerados necessários ao desenvolvimento da baixada, não foram executados


segundo um plano global de macro-drenagem para cada sub-bacia, ou seja, de montante para
jusante, respeitando o caminho natural das águas. O conjunto de sistemas de micro-drenagem,
muitas feitas vezes é implantado de forma isolada, na medida em que surgem novos

379
empreendimentos. Tal procedimento inviabiliza a existência de um sistema de drenagem global,
quando a região estiver completamente urbanizada.

O rápido crescimento ocorrido na região, nas décadas de 1970 e 1980 (conforme será abordado
oportunamente no Meio Antrópico) acarretou a proliferação de favelas e loteamentos irregulares.
Tal ocupação desordenada, principalmente das encostas, está diretamente associada às questões
ambientais, como por exemplo, a retirada da cobertura vegetal e a produção de lixo, que constituem
fatores de influência para as enchentes. O problema da retirada da vegetação natural é anterior ao
surgimento das favelas, já que a degradação da Floresta Tropical Atlântica teve como principais
agentes a extração e derrubada da vegetação, refletindo o interesse iniciado no século XVI, com a
extração do pau-brasil e outras árvores, para a utilização como corantes e madeira.

Posteriormente, com o avanço da colonização após a segunda metade do século XVII, as encostas e
meia-encostas foram ocupadas com cultivos e construções, desencadeando a conseqüente retirada
da vegetação, sendo preservadas apenas as áreas de maiores declives ou difícil acesso. A retirada da
vegetação do solo está diretamente ligada às enchentes, já que há um aumento do escoamento
superficial, devido à redução da infiltração. Com a modificação do uso do solo, antes, o que era
uma região agrícola, e permeável, transformou-se em uma área urbana, com vários trechos
impermeabilizados pelo asfalto.

As transformações da cobertura vegetal implicam mudanças no ciclo hidrológico, e intensificam o


processo erosivo nas encostas montanhosas e nas terras baixas. Tal fato vem aumentando a
concentração de sedimentos, que promove o assoreamento dos sistemas de drenagem, dificultando o
escoamento pluvial. O resultado deste problema é visto através do aumento na freqüência de
enchentes, particularmente nos períodos mais chuvosos.

No caso das encostas, a erosão é acentuada pelo desmatamento, ocasionando deslizamentos em


épocas de fortes chuvas, e conseqüentes riscos para a população que habita a região. No Maciço da
Tijuca, a situação é crítica na sub-bacia do Arroio Fundo; Anil e Rio das Pedras, devido à abertura
de acessos e loteamentos, tanto de baixo como de alto padrão, muitas vezes invadindo os últimos
limites de áreas preservadas. As duas últimas sub-bacias mencionadas estão sendo desmatadas
também, para a extração de granito ornamental. Já no Maciço da Pedra Branca, a devastação é

380
evidente nas sub-bacias da Zona dos Canais e Grumari, regiões atingidas principalmente pela
ocupação agrícola (bananeiras).

Identificam-se alagamentos freqüentes nas margens do Canal de Sernambetiba, que decorrem da


dificuldade de escoamento, não só em função da baixa declividade, como também, devido à
constante obstrução da sua desembocadura junto ao mar. Tais fatos trazem prejuízos à população
que habita próximo aos rios, proliferando doenças, como a leptospirose, e causando problemas para
a região, como por exemplo, a interrupção do fluxo viário.

O destino inadequado do lixo agrava ainda mais a situação, já que causa o entupimento de bueiros e
galerias, diminuindo a capacidade original da rede de drenagem. A construção de edificações sobre
rios e canais, constitui um outro problema da região, já que as mesmas atuam como obstáculos para
as dragas, fazendo com que as máquinas responsáveis pela limpeza, não consigam chegar ao leito.
Tal situação é ainda agravada pela condição precária, ou até mesmo a inexistência de um sistema de
esgotamento sanitário, fazendo com que os moradores despejem os detritos dentro dos rios,
contribuindo cada vez para o assoreamento dos cursos d’água, reduzindo as seções transversais dos
mesmos.

Outros problemas também podem ser apontados como fatores agravantes das enchentes, como por
exemplo, a falta de conservação do sistema de drenagem, a incapacidade das galerias para suportar
o aumento de vazão, decorrente da falta de permeabilidade do solo, interferência das redes e dutos
das concessionárias, que muitas vezes secionam as galerias, impedindo o livre escoamento das
águas pluviais e ocasionando extravasamento, além das ligações clandestinas de água e esgoto.

381
• Diagnóstico Limnológico do Sistema Lagunar de Jacarepaguá

O Sistema Lagunar de Jacarepaguá, que, conforme já descrito compreende as Lagoas de


Jacarepaguá, Camorim, Tijuca, Marapendi e Lagoinha, está localizado em região caracterizada pela
presença de cordões litorâneos, represando à sua retaguarda lagunas, como a Lagoa de Marapendi e
o sistema lagunar interligado, Jacarepaguá-Camorim–Tijuca.

Representa uma ampla planície costeira, com cerca de 130 km² de área (Marques 1987), represada
por um sistema de duplos cordões litorâneos, com cerca de 18 km de extensão, precedidos por
afloramentos residuais de arenitos de praia submersos (Maia et al. 1984), provavelmente
testemunhos de antigas posições do cordão frontal, holocênico (Muehe & Valentini, 1998).
Somente a Lagoa de Marapendi, localizada entre os dois cordões litorâneos, não recebe aporte de
água doce e sedimentos provenientes da rede fluvial (Marques 1987). Sua ligação com o mar se faz
através de canais, abertos nas áreas colmatadas, antes ocupadas pela laguna, e que se ligam, a leste
ao canal da Barra da Tijuca e a oeste ao canal de Sernambetiba. Possui uma área de drenagem
superficial, de apenas 4,6 km2, delimitada pelas restingas circundantes que apresentam elevações
em torno de 3m. Esta área de drenagem inclui a Lagoinha e o Canal das Taxas (FEEMA, 1991).

O sistema lagunar interligado de Jacarepaguá-Camorim-Tijuca se encontra embutido na planície


costeira, à retaguarda do cordão mais antigo, de idade provavelmente pleistocênica, apresentando
um formato alongado direcionado para a extremidade leste da planície onde se comunica com o mar
através de um canal de maré estabilizado por um guia corrente.

Segundo Barnes (1980), os sistemas lagunares representam 13% dos ambientes costeiros mundiais e
caracterizam-se por acumular matéria orgânica apresentando alta produtividade e biomassa, tanto
autotrófica quanto heterotrófica. São ambientes rasos, fato que associado ao regime de ventos
comuns nas áreas costeiras, quase sempre resultam em homogeinização da coluna d’água. Em geral
os sistemas lagunares sofrem impactos antropogênicos, e têm sido considerados ecossistemas sob
estresse e em processo de eutrofização (Kjerfve, 1994).

As lagunas costeiras são ambientes tipicamente de deposição e sedimentação, acumulando


contaminantes oriundos de fontes urbanas e/ou industriais. No sistema lagunar de Jacarepaguá o

382
impacto antropogênico é evidenciado pela ocupação urbana desordenada que resulta no aporte de
efluentes sem nenhum tipo de tratamento, além nos assoreamentos e aterros acelerados das lagoas,
causando o estrangulamento dos canais de ligação com o mar. Tal fato tem acelerado modificações
significativas na composição das águas lagunares, aumentando excessivamente a proporção de água
doce; como conseqüência das dificuldades de troca de água entre as lagoas e o mar, tem ocorrido
periodicamente, grandes taxas de mortandade dos peixes. No caso da Lagoa de Jacarepaguá há que
se destacar a intensa atividade industrial exercida na região, cujos resíduos vão desaguar na lagoa
(Feema, 1982; Feema, 1984). Cabe destacar que as lagunas do complexo lagunar se
intercomunicam, distribuindo de forma mais ou menos homogênea as descargas que recebem
(Domingos, 2001).

O processo de eutrofização observado no sistema lagunar vem sendo apontado a pelo menos cerca
de 20 anos (Saieg-Filho, 1986). Embora uma década antes, Semeraro e Costa (1972) já relatavam a
primeira ocorrência de florações de cianobactérias, além de destacar a frequente ocorrência de
florações de dinoflagelados (Gymnodinium spp.) que conferiam coloração castanha às águas da
Lagoa de Jacarepaguá.

Uma das principais conseqüências do processo de eutrofização é o aumento relativo de


cianobactérias na comunidade fitoplanctônica, resultante, dentre outros fatores do acúmulo de
nutrientes. No complexo lagunar Jacarepaguá-Camorim-Tijuca florações de cianobactérias vem
sendo registradas desde 1990 (Fernandes, 1993), inclusive sendo registradas a ocorrência de cepas
produtoras de cianotoxinas (Magalhes e Azevedo, 1998).

Vários estudos já foram publicados enfocando diversos aspectos ligados à ecologia e/ou problemas
ambientais das lagunas do Sistema Laguna de Jacarepaguá, como por exemplo a contaminação por
metais pesados (Fernandes et al., 1994) ou cianotoxinas (Magalhaes et al., 2001). Deste modo,
neste diagnóstico objetivamos a caracterização das atuais condições do Sistema Lagunar de
Jacarepaguá com base em informações recentes sobre diversas características limnológicas das
lagunas. Este diagnóstico foi baseado em informações já existentes, com uma base de dados
bastante ampla e recente, podendo ser considerada representativa tanto da variabilidade espacial
quanto temporal. Os dados utilizados são referentes, principalmente, a monitoramentos
desenvolvidos pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente (SMAC) diretamente ou através de
convênios e pela FEEMA. Estes monitoramentos abrangem uma série temporal de informações de
cerca de 10 anos entre 1995 e 2005 (Quadro abaixo). Nos referidos monitoramentos a localização

383
dos pontos de amostragem apresenta diferenças, contudo os dados abrangem toda a variabilidade
espacial da laguna. Na Figura a seguir são apresentados os pontos de amostragem dos diferentes
estudos que serviram de base para a caracterização da qualidade das águas do Sistema Lagunar de
Jacarepaguá. Os dados de monitoramento da SMAC são do período de dezembro / 95 a agosto / 05
em 21 pontos,distribuídos nas lagoas de Marapendi, Tijuca, Camorim, Jacarepaguá e Lagoinha. Os
dados do convênio SMAC/UFRJ são do período de dezembro / 98 a novembro / 99 - em seis
pontos nas lagoas da Tijuca, Camorim e Jacarepaguá. Já os dados da FEEMA são do período de
julho de 2001 a agosto de 2005 – em oito pontos nas lagoas da Tijuca, Camorim e Jacarepaguá.

A abordagem utilizada para caracterização da qualidade das águas objetivou uma comparação dos
dados disponíveis com os padrões estabelecidos pela Resolução N°357 do CONAMA de 2005.
Também, quando pertinentes, foram tecidas considerações sobre algumas das variáveis analisadas.

384
Relação dos Dados sobre Qualidade das Águas do Sistema Lagunar de Jacarepaguá
Período
Variável início fim estações unidade metodologia fonte
Temperatura dez/1998 nov/1999 6 pontos SMAC/UFRJ
dez/1995 ago/2005 23 pontos °C sonda SMAC
dez/2001 ago/2005 7 pontos FEEMA
Condutividade dez/2001 ago/2005 7 pontos mMHO/cm sonda FEEMA
Transparência dez/1998 nov/1999 6 pontos SMAC/UFRJ
m secchi
dez/2001 ago/2005 7 pontos FEEMA
Turbidez dez/1995 ago/2005 23 pontos NTU sonda SMAC
Salinidade dez/1998 nov/1999 6 pontos SMAC/UFRJ
dez/1995 ago/2005 23 pontos ppm sonda SMAC
dez/2001 ago/2005 7 pontos FEEMA
pH dez/1998 nov/1999 6 pontos SMAC/UFRJ
dez/1995 ago/2005 23 pontos sonda SMAC
dez/2001 ago/2005 7 pontos FEEMA
OD dez/1998 nov/1999 6 pontos SMAC/UFRJ
dez/1995 ago/2005 23 pontos mg/L sonda SMAC
dez/2001 ago/2005 7 pontos FEEMA
DBO abr/1997 ago/2005 23 pontos SMAC
mg/L -
dez/2001 ago/2005 7 pontos FEEMA
DQO abr/1997 ago/2005 23 pontos SMAC
mg/L -
dez/2001 ago/2005 7 pontos FEEMA
Óleos jan/1997 ago/2005 23 pontos mg/L - SMAC
Material particulado abr/1997 ago/2005 23 pontos mg/L gravimetria SMAC
N-total jan/1997 ago/2005 23 pontos SMAC
mg/L método kjeldahl
dez/2001 ago/2005 7 pontos FEEMA
N-total no sedimento mg/g método kjeldahl
método
Nitrito dez/2001 ago/2005 7 pontos mg/L FEEMA
sulfanilamida
método
Nitrato dez/2001 ago/2005 7 pontos mg/L FEEMA
sulfanilamida
Amônia dez/2001 ago/2005 7 pontos FEEMA
mg/L método indofenol
jan/1997 ago/2005 23 pontos SMAC
P-total dez/2001 ago/2005 7 pontos FEEMA
mg/L método persulfato
jan/1997 ago/2005 23 pontos SMAC
P-total no sedimento mg/g método persulfato
Fosfato dez/2001 ago/2005 7 pontos mg/L método persulfato FEEMA
Clorofila a dez/1998 nov/1999 6 pontos mg/L espectrofotometria SMAC/UFRJ
Coliformes totais dez/1995 ago/2005 23 pontos NMP/100mL membrana filtrante SMAC
Coliformes fecais dez/1995 ago/2005 23 pontos SMAC
NMP/100mL membrana filtrante
jun/2003 ago/2005 7 pontos FEEMA
Zinco µg/L
Chumbo µg/L
Cádmio µg/L
Fonte: FEEMA e SMAC.

O quadro a seguir apresenta as coordenadas dos pontos onde foram coletadas as amostras, nas
lagoas da Tijuca, Jacarepaguá, Lagoinha e Marapendi, em janeiro de 2006. Durante a campanha, o
tempo esteve bom e com sol.

385
Localização dos pontos da campanha de janeiro de 2006.
Coordenadas
Localização do ponto Observação
E N
Tijuca 671.992 7.456.078 mto esgoto e floração de ciano, maré baixa
Jacarepaguá 663.119 7.457.201 floração de ciano
Lagoinha 656.636 7.453.103 espelho totalmente tomado por aguapés
Marapendi 666.000 7.454.720 floração de ciano
Fonte: FEEMA e SMAC

Variáveis analisadas

ƒ Temperatura

Um dos mais importantes fatores a serem considerados em estudos aquáticos é a temperatura da


água, devido a sua decisiva influência sobre a densidade, a viscosidade e os movimentos de
convecção da água. Além dessa importante influência física e hidrológica de grandes conseqüências
biológicas, a temperatura tem, ainda, uma ação direta sobre a distribuição e periodicidade e a
reprodução dos organismos (Margalef, 1983).

A temperatura também exerce influência sobre as diferentes reações químicas e bioquímicas que
ocorrem no ambiente e a formação de estratificação térmica nos ecossistemas aquáticos. Quando
este fenômeno ocorre, formam-se estratos ou camadas heterogêneas de organismos e dos diversos
fatores físico-químicos (Esteves, 1988). De suma importância é a temperatura para a produtividade
biológica da água, tanto para o ritmo do metabolismo das espécies quanto para o ritmo do processo
fotossintético (Margalef, 1983).

ƒ PH

O pH pode ser considerado como uma das variáveis ambientais mais importantes, ao mesmo que
uma das mais difíceis de se interpretar. Esta complexidade na interpretação dos valores de pH se
deve ao grande número de fatores que podem influenciá-lo. Geralmente em regiões em que os
ecossistemas aquáticos continentais são influenciados pelo mar, recebendo grandes contribuições de
386
carbonatos e bicarbonatos, são encontrados valores de pH elevados. Em geral, o pH em ambientes
aquáticos assume importância devido à estreita relação que mantém com os processos físicos e
químicos, como por exemplo, o sistema CO2, bem como por sua ação direta sobre a distribuição dos
organismos aquáticos (Esteves, 1988).

ƒ Salinidade

De acordo com APHA/AWWA/WEF (1995) a salinidade é uma propriedade importante de águas


naturais. A sua determinação foi inicialmente concebida como uma medida da massa de sais
dissolvidos em uma massa dada de uma solução. Contudo, a sua determinação evoluiu para o
cálculo da salinidade de modo indireto, seja pela medição da condutividade elétrica da solução, pela
densidade da água, ou mesmo pela velocidade do som.

As diferenças no teor de salinidade são devidas à diferenças em termos de evaporação e


precipitação. Teores elevados de salinidade ocorrem em áreas tropicais e subtropicais, onde as taxas
de evaporação são elevadas. Em áreas costeiras e bacias semi-fechadas, os teores de salinidade são
mais variáveis e podem apresentar valores próximos de 0‰, onde rios maiores descarregam grandes
volumes de água, até cerca de 40‰, como no Mar Vermelho e no Golfo Pérsico (áreas de pouca
precipitação e elevada evaporação).

ƒ Oxigênio Dissolvido

A maioria das formas de vida requer oxigênio, elemento essencial para a sobrevivência de
organismos aeróbios e que permite um metabolismo mais eficaz nos organismos facultativos.
Alguns tipos de bactérias conseguem viver em condições anaeróbias, mas muitos organismos não
sobrevivem se houver uma concentração de oxigênio dissolvido abaixo de certo limite mínimo.
Esse valor varia muito, dependendo do tipo de organismo, da atividade e do estágio de vida.

No ar, o oxigênio encontra-se sempre presente em uma percentagem estável (aproximadamente


20,94 %), enquanto que na água, devido a sua baixa solubilidade, torna-se um fator limitante. A
atmosfera e a fotossíntese constituem-se nas fontes de oxigênio para os ecossistemas aquáticos,
enquanto que, suas perdas estão relacionadas à decomposição de matéria orgânica, respiração de
387
organismos aquáticos, oxidação de íons e perdas para atmosfera (Esteves, 1988). De acordo com
APHA/AWWA/WEF (1995), à temperatura de 25ºC, e à pressão constante de 1 atmosfera (760mm
Hg), a solubilidade do OD em águas doces é de 8,263 mg/l O2. Já em ambientes com salinidade de
35‰, na mesma pressão e temperatura, esta solubilidade cai para 6,728 mg/l O2.

A conseqüência desta menor solubilidade do OD em águas costeiras é a sua maior vulnerabilidade


aos efeitos de decomposição da matéria orgânica, particularmente em ambientes semi-fechados
(como baías) que recebem contribuições significativas com matéria orgânica, onde a circulação das
águas (e a conseqüente renovação do OD) é mais restrita.

A quantidade de oxigênio pode aumentar com a fotossíntese ou diminuir se houver maior respiração
das comunidades locais com a falta de circulação ou oxidação da matéria orgânica. Um déficit de
oxigênio em toda coluna d’água pode ocorrer, eventualmente, quando, por ação de ventos de maior
intensidade, a estratificação térmica é desfeita e as águas das camadas inferiores enriquecem as
águas superficiais com compostos redutores, como matéria orgânica em diferentes graus de
decomposição, íon amônio, gás sulfídrico e metano. Estes compostos, ao se oxidarem, consomem
grande parte do oxigênio dissolvido da coluna d’água.

Deste modo, o oxigênio dissolvido é uma das variáveis mais importantes na caracterização
ambiental, e seus níveis podem ser usados como indicadores da qualidade da água, onde baixas
concentrações do mesmo indicam poluição ou degradação. As demandas bioquímica e química de
oxigênio são testes usados para determinação da qualidade da água.

ƒ Demanda Bioquímica de Oxigênio (DBO) e Demanda Química de Oxigênio (DQO)

A DBO de uma água é a quantidade de oxigênio necessária para oxidar a matéria orgânica, por
decomposição microbiana aeróbia, para uma forma inorgânica estável. A DQO é normalmente
considerada como a quantidade de oxigênio consumido durante um determinado período de tempo,
numa temperatura de incubação específica. Um período de tempo de cinco dias, numa temperatura
de incubação de 20 ºC, é freqüentemente usado e referido como DBO5). Em termos gerais, o
resultado da DBO5 fornece uma indicação do teor de matéria orgânica biodegradável na amostra.

388
Os maiores aumentos em termos de demanda bioquímica de oxigênio, num corpo d’água, são
provocados por despejos de origem predominantemente orgânica. A presença de um alto teor de
matéria orgânica pode induzir à completa extinção do oxigênio na água, provocando o
desaparecimento de peixes e outras formas de vida aquáticas. Um elevado valor da demanda
bioquímica de oxigênio pode indicar um incremento da micro-flora presente e, interferir no
equilíbrio da vida aquática. A DQO também indica a quantidade de matéria orgânica, contudo
diferente da DBO, expressa a quantidade de oxigênio dissolvido na água, que é consumido pela
oxidação química.

ƒ Fósforo

O fósforo participa de processos fundamentais do metabolismo dos seres vivos, tais como:
armazenamento de energia (forma fração essencial da molécula de ATP) e estruturação da
membrana celular (fosfolipídeos). Na maioria dos ecossistemas aquáticos pode ser considerado o
nutriente limitante da produtividade primária. O ortofosfato possui muita relevância no estudo de
ecossistemas aquáticos, por ser a principal forma de fosfato assimilada pelos vegetais aquáticos. O
fitoplâncton absorve o fósforo inorgânico necessário ao seu metabolismo essencialmente sob as
formas de íons ortofosfatos, íons de ácido ortofosfórico (H3PO4) e íons ácidos (H2PO4- e HPO42-)
(Paranhos, 1996).

O fósforo e suas diversas formas estão presentes em águas naturais e em efluentes domésticos e
industriais. Em sistemas de abastecimento, os polifosfatos podem ser empregados como
controladores da corrosão ou da incrustação em caldeiras industriais. Os esgotos domésticos são
ricos em fósforo, e a sua concentração vem aumentando devido ao uso de detergentes sintéticos
como polifosfatos. Os fosfatos são empregados como fertilizantes, e por lixiviação chegam aos
corpos d’água.

ƒ Nitrogênio

O nitrogênio é um dos elementos mais importantes do metabolismo de ecossistemas aquáticos,


principalmente devido a sua participação na formação de proteínas. Quando presente em baixas

389
concentrações, pode atuar como fator limitante na produção primária destes ambientes (Esteves,
1988).

O nitrogênio é essencial à síntese de estruturas celulares e participa na formação da molécula de


clorofila. Em conseqüência a falta deste composto no ambiente pode acarretar não somente a
limitação do crescimento das populações fotossintetizantes, como também a produção das
moléculas de clorofila (Esteves, 1988).

As principais fontes naturais de nitrogênio são a chuva, materiais orgânicos e inorgânicos de origem
alóctone (afluentes carregados de produtos de erosão e decomposição da região adjacente), poeiras
trazidas pelo vento, fixação de nitrogênio molecular por organismos autóctones, etc.

Com o desenvolvimento urbano e industrial acelerado, vários corpos d’água estão apresentando
modificações drásticas nas suas características naturais, principalmente no que se refere ao estado
trófico. Tais ecossistemas estão em acelerado processo de eutrofização artificial devido à ação
antrópica na região ou diretamente sobre ele. Isto devido ao lançamento contínuo e desenfreado de
efluentes domésticos e industriais, atividades agrícolas, chuvas ácidas, etc. Estes fatores trazem
como conseqüência imediata, o aumento das concentrações de nutrientes, especialmente fosfato e
nitrogênio, o que provoca o aumento de sua produtividade global, com elevação da biomassa de
produtores.

A maioria das espécies do fitoplâncton pode usar o nitrogênio amoniacal, e o nitrato (NO3-), porém,
quando essas duas formas estão juntas, o nitrogênio amoniacal é usado preferencialmente. A
absorção do íon NH4+ é menos dispendiosa em termos de energia do que a do NO3-, pois o primeiro
passo metabólico da utilização deste pela célula é sua redução ao nitrogênio amoniacal.

Juntamente com o nitrato, a amônia assume grande importância nos ecossistemas aquáticos, uma
vez que representam as principais fontes de nitrogênio para produtores primários (Esteves, 1988).
Esta variável abiótica representa o produto final da decomposição de matéria orgânica por bactérias
heterotróficas, podendo indicar possivelmente poluição por esgoto quando presente no ambiente
aquático em altas concentrações. Considera-se que concentrações elevadas de amônio podem ser

390
extremamente tóxicas para peixes, causando interferências no transporte de oxigênio, intoxicações
agudas, redução na reprodução e no crescimento (Hynes, 1960 apud Fernandes, 1993).

ƒ Clorofila a

A clorofila a é o pigmento responsável pela conversão da energia solar em energia química pelos
vegetais. De acordo com APHA/AWWA/WEF (1995), a determinação de pigmentos fotossintéticos
é utilizada extensivamente para estimar a biomassa de fitoplâncton. Todas as plantas verdes
possuem clorofila a, que constitui cerca de 1 a 2% do peso seco de algas planctônicas
(fitoplâncton). Neste diagnóstico, os dados de clorofila a servem para a verificação indireta da
intensidade da produtividade primária nas diversas lagunas estudadas. Este parâmetro também pode
ser utilizado para inferir o grau de enriquecimento nutricional das águas, já que o excesso de
biomassa fitoplanctônica é um dos indicadores principais do processo de eutrofização.

De acordo com Esteves (1988), a eutrofização pode ser definida pelo aumento da concentração de
nutrientes, principalmente fósforo e nitrogênio, nos ecossistemas aquáticos, que têm como
conseqüência o aumento da produtividade primária. A eutrofização de águas costeiras é um forte
indicador de desequilíbrio ambiental, já que o excesso de produção primária (causado pelo aporte
excessivo de nutrientes) tem conseqüências negativas para os ecossistemas aquáticos, podendo, em
casos extremos (hiper-eutrofia) levar à redução na diversidade das comunidades biológicas. O
crescimento intenso (denominado de florações) de certos grupos do fitoplâncton (Dinoflagelados
em ambientes marinhos e Cianobactérias em águas continentais) apresentam caráter tóxico para as
espécies aquáticas e para o próprio homem, e podem ainda causar a morte de peixes pelo
entupimento de brânquias e outras estruturas. Essas florações também vulgarmente denominadas de
“marés vermelhas” podem ser estimuladas pelo acúmulo de nutrientes associado à condições
climáticas.

Outra conseqüência danosa da eutrofização se refere à sua relação com o balanço de oxigênio
dissolvido, particularmente em ambientes fechados, tais como lagunas com estreita ligação com o
mar (resultando em uma dinâmica de circulação reduzida). A mortalidade de uma grande
quantidade de células do fitoplâncton, e o acúmulo resultante de matéria orgânica no ambiente

391
afetado, resulta em um grande consumo do oxigênio dissolvido na água próximo ao fundo, como
conseqüência dos processos de degradação da matéria orgânica morta no sistema, o que pode causar
a morte de diversas espécies da comunidade bentônica. Do mesmo modo, ao contrário do que
acontece durante o período diurno, quando a grande densidade de células do fitoplâncton produz
(através da fotossíntese) grandes quantidades de oxigênio, ocasionando a super-saturação dos
ambientes eutrofizados à noite. Essas mesmas algas, ao respirar, retiram o oxigênio da água, que em
casos extremos, podem resultar em mortandades em massa de peixes e outros organismos aquáticos.
É útil estabelecer as relações entre os teores de clorofila a e os teores de oxigênio dissolvidos e
nutrientes registrados.

ƒ Avaliação Bacteriológica da Qualidade das Águas – Coliformes fecais

De acordo com APHA/AWWA/WEF (1995) o grupo dos coliformes consiste em alguns gêneros de
bactérias da Família Enterobacteriaceae. Dentro dessa família, o sub-grupo “Coliformes fecais” é
constituído por bactérias aeróbicas, anaeróbicas facultativas, gram-negativas, sem formação de
esporos, e tendo como principal componente a bactéria Escherichia coli. Os coliformes fecais não
são considerados organismos patogênicos, porém a sua detecção na amostra é um indicador da
existência potencial de agentes verdadeiramente patogênicos nas águas, tais como o vibrião
colérico, o vírus da hepatite e bactérias patogênicas (Salmonella, outros).

Atualmente, existem vários métodos desenvolvidos com o objetivo de detectar a presença de


bactérias indicadoras da contaminação das águas, destacando-se as análises de coliformes fecais e
totais, Clostridium perfringens, Enterovírus entre outras técnicas. A análise de coliformes fecais
fornece uma precisão de cerca de 93% na diferenciação dos coliformes encontrados nas fezes de
animais de sangue quente e aqueles provenientes de outras fontes no meio ambiente (matéria
orgânica em decomposição, outros), sendo portanto um excelente indicador da condição sanitária
das águas (APHA/AWWA/WEF, 1995). Além disso, a análise de coliformes fecais é referenciada
por padrões nacionais (Resolução 20/86 do CONAMA - SEMA/IBAMA/CONAMA, 1992) e
internacionais de qualidade das águas (Organização Mundial de Saúde, Comunidade Européia),
permitindo uma avaliação do grau de contaminação das águas com dejetos sanitários.

392
ƒ Óleos e graxas

De acordo com APHA/AWWA/WEF, (1995), o parâmetro óleos e graxas é formado primariamente


por matéria gordurosa animal e vegetal, além de hidrocarbonetos derivados do petróleo. O
conhecimento da quantidade de óleos e graxas presente no ambiente fornece indicações da
influência causada por descargas de esgotos e industriais. A presença destes compostos no ambiente
é percebida pela formação de filmes superficiais e depósitos costeiros, que indicam um estado de
degradação ambiental (APHA/AWWA/WEF, 1995).

Análise dos dados das variáveis ambientais no Complexo Lagunar de Jacarepaguá

Considerando a Resolução CONAMA 357/2005, todas as lagunas do Complexo Lagunar de


Jacarepaguá serão definidas como sendo Águas Salobras e para efeito deste Diagnóstico,
enquadradas como Classe 1. A análise das variáveis a seguir terá como base a classe de
enquadramento acima mencionada.

ƒ Temperatura

A temperatura das águas em todas as lagunas do Sistema Lagunar apresenta um padrão definido de
variação ao longo do ano. De modo geral, as temperaturas registradas nos meses mais frios do ano
(Maio a Agosto) atingem a faixa entre 20 e 25ºC. Por outro lado, nos meses mais quentes
(Dezembro a Março), a variação da temperatura oscila entre 27 e 33ºC (Figura abaixo).

Os valores de temperatura são comparáveis aos observados em diversos corpos de águas costeiros
do Estado do Rio de Janeiro, onde também são normalmente observados padrões sazonais de
variação da temperatura. As causas das variações de temperatura estão vinculadas às alterações
sazonais nas variáveis climatológicas, tais como a insolação, nebulosidade, temperatura do ar, entre
outras.

393
Variação da temperatura da água nas Lagoas de Jacarepaguá, Camorim, Tijuca, Marapendi e
Lagoinha no período de dezembro/1995 a agosto/2005 (dados de monitoramento UFRJ,
FEEMA e SMAC). (vide localização dos pontos no mapa da AID).
Temperatura - Jacarepaguá Temperatura - Camorim
40
40
35
35
30
30
ºC

25

°C
25
20
JAC01 20
15 JAC02
JAC03 15
10
96 97 98 99 00 01 02 03 04 05 10
96 97 98 99 00 01 02 03 04 05

Temperatura - Tijuca
40
35
30
°C

25
20
TIJ01
15 TIJ02
TIJ03
10
96 97 98 99 00 01 02 03 04 05

Temperatura - Lagoinha Temperatura - Marapendi


40
40
35
35
30
30
°C

25
°C

25
20 MAR01
20 MAR04
15 MAR05
15 MAR07
10
10 96 97 98 99 00 01 02 03 04 05
96 97 98 99 00 01 02 03 04 05

Fonte: UFRJ, FEEMA e SMAC.

394
ƒ Salinidade

A análise da série de dados de 9 anos da salinidade das lagunas do Complexo Lagunar de


Jacarepaguá evidenciou padrões distintos em relação às lagunas, relacionados às diferentes
interligações com o sistema marinho.

As lagoas de Jacarepaguá e Camorim, apresentam condições oligohalinas com salinidades médias


de 3,3 e 4,6 ppm respectivamente. Foi observado um ciclo sazonal com tendência a valores mais
elevados no período de menor pluviosidade (julho a setembro) e valores menores durante a estação
chuvosa. Os valores mais elevados foram em geral não muito superiores a 10 ppm tanto em
Jacarepaguá quanto no Camorim (Figura abaixo).

A Lagoinha também apresenta condições oligohalinas, com salinidades em geral, inferiores a 1


ppm. Salinidades maiores (2 a 8 ppm) foram observadas apenas entre agosto/2003 e junho/2004.

As maiores salinidades no Sistema Lagunar de Jacarepaguá foram observadas nas lagunas da Tijuca
e de Marapendi. Na lagoa da Tijuca, os valores oscilaram entre 0 e 39 ppm, sendo que os pontos
mais próximos da comunicação com o mar (representado por TIJ01 no gráfico) apresentaram as
maiores salinidades. Não foi observada sazonalidade, pois a influência do regime de marés foi mais
importante.

Na Lagoa de Marapendi os valores de salinidade variaram entre 3 e 33 ppm, com um gradiente


espacial bem definido aumentando no sentido do Canal de Marapendi (comunicação da laguna com
a Lagoa da Tijuca).

Não foi observada variação inter-anual, embora médias mais elevadas tenham sido observadas em
todas as lagunas com exceção da Lagoinha (Figura abaixo). Esta variação provavelmente esteve
associada a uma melhor troca de águas com o sistema marinho.

Os valores de salinidade registrados são freqüentemente observados em sistemas lagunares


costeiros do Rio de Janeiro. A salinidade no Sistema Lagunar de Jacarepaguá é basicamente

395
controlada pelo aporte de água salgada através do canal da Tijuca. Outro fator que pode estar
influenciando o regime salino é o ciclo sazonal de chuvas. Neste caso especialmente para as Lagoas
de Jacarepaguá e do Camorim.

Com base no sistema de classes de qualidade (Resolução CONAMA N°357/2005) e nos valores de
salinidade observados para as lagunas, Todas as lagunas apresentaram condições compatíveis com o
enquadramento na Classe 1 das Águas Salobras (0,5‰ a 30‰).

Variação da salinidade da água nas Lagoas de Jacarepaguá, Camorim, Tijuca, Marapendi e Lagoinha
no período de dezembro/1995 a agosto/2005 (dados de monitoramento UFRJ, FEEMA e
SMAC). (vide localização dos pontos no mapa da AID).

Salinidade - Jacarepaguá Salinidade - Camorim


40 40
JAC01
JAC02
30 JAC03
30

20
ppm

20
ppm

10 10

0 0

96 97 98 99 00 01 02 03 04 05
96 97 98 99 00 01 02 03 04 05

Salinidade - Tijuca
40

30
ppm

20

10

96 97 98 99 00 01 02 03 04 05
TIJ01
TIJ02
TIJ03

396
SALINIDADE - LAGOINHA Salinidade - Marapendi
40
40 MAR01
MAR04
30
MAR05
30 MAR07
20
ppm

ppm
20
10

10
0

0
96 97 98 99 00 01 02 03 04 05
96 97 98 99 00 01 02 03 04 05

Fonte: UFRJ, FEEMA e SMAC.

Variação média anual da salinidade da água nas Lagoas de Jacarepaguá, Camorim, Tijuca,
Marapendi e Lagoinha no período de dezembro/1995 a agosto/2005 (dados de
monitoramento UFRJ, FEEMA e SMAC).
Salinidade
30
25
20
15
ppm

10 Jacarepaguá
Tijuca
5
Camorim
0 Marapendi
Lagoinha
95 96 97 98 99 00 01 02 03 04 05

Fonte: UFRJ, FEEMA e SMAC.

ƒ pH

As águas do Sistema Lagunar de Jacarepaguá apresentaram grande variação dos valores de pH,
sendo os maiores valores observados nas lagunas de Jacarepaguá e Marapendi e os menores na
Lagoinha. O pH variou entre 7,2 e 9,9 na Lagoa de Jacarepaguá, com um valore médio de 8,4 para
todo o período analisado. Os maiores valores foram observados em 1997 e a partir do último
trimestre de 2000. Entre os anos 1996 e 1997 ocorreu incremento de cerca de 0,5 a 1,0 nas médias

397
anuais do pH . Os valores elevados observados nesta lagoa podem ser decorrentes das elevadas
taxas de produtividade primária.

Na Lagoa do Camorim o pH variou entre 6,2 e 9,0 com um valor médio de 7,5, enquanto que na
Lagoa da Tijuca, oscilou entre 6,7 e 10,6, com pH médio de 7,9, sendo observada homogeneidade
espacial. Estas lagunas apresentaram variabilidade menor do que a Lagoa de Jacarepaguá. Na Lagoa
de Marapendi o pH variou entre 6,5 e 9,5 com uma média geral de 8,4, enquanto que na Lagoinha a
variação foi maior (6 a 9,3) porém a média geral foi inferior (7,0). Cabe ressaltar que na Lagoinha
foram observadas condições de pH levemente ácido entre 1996 e 2002 com incremento dos valores
de pH a partir de 2003 (Figura abaixo).

Considerando os limites estabelecidos pela Res. CONAMA 357/2005 (pH 6,5 – 8,5) fica
evidenciado que este padrão foi violado em vários períodos em todas as lagunas.

Variação do pH da água nas Lagoas de Jacarepaguá, Camorim, Tijuca, Marapendi e Lagoinha no


período de dezembro/1995 a agosto/2005 (dados de monitoramento UFRJ, FEEMA e SMAC). (vide
localização dos pontos no mapa da AID).

pH - Jacarepaguá pH - Camorim
11 11
JAC01
JAC02
10 JAC03 10

9 9
8
8
7
7
6
6
96 97 98 99 00 01 02 03 04 05 5
96 97 98 99 00 01 02 03 04 05

398
pH - Tijuca
11
TIJ01
TIJ02
10
TIJ03

6
96 97 98 99 00 01 02 03 04 05

pH - Lagoinha pH - Marapendi
11
11 MAR01
MAR04

10
10 MAR05
MAR07

9
9

8
8

7 7

6 6
96 97 98 99 00 01 02 03 04 05 96 97 98 99 00 01 02 03 04 05

Fonte: UFRJ, FEEMA e SMAC.

Variação da média anual do pH da água nas Lagoas de Jacarepaguá, Camorim, Tijuca, Marapendi e
Lagoinha no período de dezembro/1995 a agosto/2005 (dados de monitoramento UFRJ,
FEEMA e SMAC).

pH
9,0
8,5
8,0
7,5
7,0 Jacarepaguá
6,5 Tijuca
Camorim
6,0 Marapendi
5,5 Lagoinha
95 96 97 98 99 00 01 02 03 04 05

Fonte: UFRJ, FEEMA e SMAC.

399
ƒ OD, DBO e DQO

As séries temporais de OD denotam a grande variabilidade deste importante indicador de qualidade


das águas. Os valores oscilaram entre 0 mg/L, em todas as lagunas em várias amostragens, e 16
mg/L, na Lagoa do Camorim e Lagoinha (Figura abaixo). Em todas as lagunas foram observados
valores elevados (> 8,0 mg/L) em diversos períodos do ano, especialmente nas Lagoas de
Jacarepaguá e Marapendi. Porém estas concentrações parecem estar mais associadas a flutuações
relacionadas com elevadas taxas de produção primária do que com aspectos de sazonalidade.

A grande maioria dos valores de OD são inferiores a 5mg/L. A Lagoa do Camorim e a Lagoinha
são as lagunas em pior situação, com concentrações médias de 2,9 e 3,9 mg/L, respectivamente. É
interessante notar que embora a Lagoa da Tijuca, que possui ligação permanente com o sistema
marinho e conseqüentemente maior taxa de renovação das águas, também apresenta condições de
oxigenação comprometida, com valor médio de apenas 5,5 mg/L. Este fato pode ser explicado por
diferentes fatores autóctones e alóctones, tais como: aumento das atividades oxidativas por
decomposição da matéria orgânica ou a demanda química de oxigênio.

As médias anuais de OD evidenciaram incrementos importantes na Lagoa de Jacarepaguá e na


Lagoinha, e reduções nas lagunas da Tijuca e Camorim (Figura abaixo). No geral as baixas
concentrações de OD observadas nas lagunas do Sistema Lagunar de Jacarepaguá, refletem a
elevada poluição orgânica desses corpos d’água, e suas condições impróprias em relação aos
padrões para Classe 1 (CONAMA 357/2005).

400
Variação do OD da água nas Lagoas de Jacarepaguá, Camorim, Tijuca, Marapendi e Lagoinha no
período de dezembro/1995 a agosto/2005 (dados de monitoramento UFRJ, FEEMA e SMAC). (vide
localização dos pontos no mapa da AID).

OD - Jacarepaguá OD - Camorim
18 18
16 16
14 14
12 12
10

mg/L
mg/L

10
8
8
6
6
4
4 2
2 0
0
96 97 98 99 00 01 02 03 04 05 96 97 98 99 00 01 02 03 04 05
JAC01
JAC02
JAC03

OD - Tijuca
18
TIJ01
16 TIJ02
TIJ03
14
12
mg/L

10
8
6
4
2
0
96 97 98 99 00 01 02 03 04 05

OD - Lagoinha OD - Marapendi
18 18
MAR01
16 16 MAR04
14 14 MAR05
MAR07
12 12
mg/L

10 10
mg/L

8 8
6
6
4
4
2
2
0
0
96 97 98 99 00 01 02 03 04 05 96 97 98 99 00 01 02 03 04 05

Fonte: UFRJ, FEEMA e SMAC.

401
Variação da média anual do OD da água nas Lagoas de Jacarepaguá, Camorim, Tijuca, Marapendi e
Lagoinha no período de dezembro/1995 a agosto/2005 (dados de monitoramento UFRJ,
FEEMA e SMAC).
OD
14
12
10
8
mg/L

6
Jacarepaguá
4
Tijuca
2 Camorim
0 Marapendi
Lagoinha
95 96 97 98 99 00 01 02 03 04 05

Fonte: UFRJ, FEEMA e SMAC.

Os dados disponíveis sobre a DBO das águas das lagunas do Complexo Lagunar de Jacarepaguá
abrangem informações mensais entre abril e setembro de 1997 e entre novembro de 1998 e agosto
de 2005. Os valores foram bastante elevados especialmente nas lagunas de Jacarepaguá, Tijuca e
Marapendi. Nestas lagunas a DBO média foi de 30-35 mg/L, com valores máximos alcançando
1.500 mg/L na Lagoa da Tijuca (Figura abaixo). Taxas elevadas de DBO foram observadas em
todos os pontos amostrados destas lagunas e em diversas épocas do ano. Estes resultados indicam
ausência de sazonalidade e homogeneidade espacial.

Nas lagunas do Camorim e Lagoinha, os valores de DBO também foram elevados, embora os
máximos não tenham sido superiores 100 mg/L, como frequentemente observado nas outras
lagunas. Também não foi observado padrão sazonal ou anual de variação, embora os déficits de
1997 tenham sido muito maiores do que em anos subseqüentes (Figura abaixo).

Os valores de DQO também foram bastante elevados em todas as lagunas. Os valores médios foram
superiores a 100 mg/L nas Lagoas de Jacarepaguá, do Camorim e Lagoinha e maiores que 200mg/L
nas Lagoas da Tijuca e de Marapendi. Como observado para a DBO, não foi verificada a existência
de padrões sazonais ou espaciais de variação. Porém o ano de 1999 destaca-se como um período de
elevada DQO em todas as lagunas.

402
Estes valores de DBO e DQO indicam que os teores de OD são também controlados pelas carências
oriundas da decomposição e oxidação da matéria orgânica lançada na laguna através de aportes da
bacia de drenagem e/ou ressuspensão dos sedimentos.

Variação do DBO da água nas Lagoas de Jacarepaguá, Camorim, Tijuca, Marapendi e Lagoinha no
período de dezembro/1995 a agosto/2005 (dados de monitoramento UFRJ, FEEMA e SMAC). (vide
localização dos pontos no mapa da AID).

DBO - Jacarepaguá DBO - Camorim

300 200
240 JAC01 150
JAC02
150 JAC03 100
mg/L
mg/L

100 50
50
0
0
97 98 99 00 01 02 03 04 05 97 98 99 00 01 02 03 04 05

DBO - Tijuca

1500
1000 TIJ01
500 TIJ02
TIJ03
200
mg/L

150
100
50
0
97 98 99 00 01 02 03 04 05

DBO - Lagoinha DBO - Marapendi


200
450
300 MAR01
150 MAR04
MAR05
100 150 MAR07
mg/L

mg/L

50 100

0
50

0
95 96 97 98 99 00 01 02 03 04 05
97 98 99 00 01 02 03 04

Fonte: UFRJ, FEEMA e SMAC.

403
Variação da média anual da DBO da água nas Lagoas de Jacarepaguá, Camorim, Tijuca, Marapendi
e Lagoinha no período de dezembro/1995 a agosto/2005 (dados de monitoramento UFRJ,
FEEMA e SMAC).
DBO
120
100
80
60
mg/L

40 Jacarepaguá
Tijuca
20
Camorim
0 Marapendi
Lagoinha
97 98 99 00 01 02 03 04 05

Fonte: UFRJ, FEEMA e SMAC.

Variação do DQO da água nas Lagoas de Jacarepaguá, Camorim, Tijuca, Marapendi e Lagoinha no
período de dezembro/1995 a agosto/2005 (dados de monitoramento UFRJ, FEEMA e
SMAC). (vide localização dos pontos no mapa da AID).

DQO - Jacarepaguá DQO - Camorim

1200 1200
1000 JAC01 1000
JAC02 800
800 JAC03
mg/L

600
mg/L

600
400 400
200 200
0 0

97 98 99 00 01 02 03 04 05 98 99 00 01 02 03 04 05

DQO - Tijuca

6000
TIJ01
2000 TIJ02
1600 TIJ03
mg/L

1200
800
400
0
98 99 00 01 02 03 04 05

404
DQO - Lagoinha DQO - Marapendi
500 3000
MAR01
400 2500 MAR04
MAR05
300 2000 MAR07
mg/L

mg/L
200 1500

100 1000
500
0
0
96 97 98 99 00 01 02 03 04 05 98 99 00 01 02 03 04

Fonte: UFRJ, FEEMA e SMAC.

Estrutura vertical da coluna d’água

A estrutura vertical da coluna d’água está relacionada a diversos fatores como, por exemplo,
morfometria, ventos e hidrologia. No caso das lagunas do complexo lagunar de Jacarepaguá, a
escassa profundidade em associação com ventos favorece uma mescla freqüente da coluna d’água,
sem a formação de estratificação. Este fato pode ser verificado pelos dados de temperatura, OD e
salinidade.

A temperatura é quase sempre homogênea no perfil vertical, com valores ligeiramente mais
elevados em algumas coletas na Lagoa de Marapendi. Contudo estas diferenças devem-se mais ao
horário da coleta do que as estratificações duradouras. Por outro lado, cabe destacar as variações
observadas para a concentração de OD na superfície e fundo das estações de coleta. Estas são
decorrentes de processos principais: 1) produção primária – o excesso de biomassa fitoplanctônica
resulta na produção de grande quantidade de O2, especialmente na superfície; 2) decomposição e
oxidação de matéria orgânica – a grande quantidade de matéria orgânica lançada diariamente e já
acumulada ao longo de décadas promove um consumo de oxigênio, especialmente nas camadas
mais próximas ao sedimento, consumo este que ocorre tanto através de microorganismos
decompositores, quanto pela oxidação direta. A salinidade também aponta para a inexistência de
estratificação duradoura, embora nas lagunas com ligação com o sistema marinho (Tijuca e
Marapendi), tenham sido registradas salinidades maiores no fundo a partir de dezembro/2004. Estes
dados podem sugerir a existência de uma cunha salina.

405
A seqüência das Figuras abaixo apresenta a variação da temperatura, oxigênio dissolvido e
salinidade na superfície e fundo das lagoas da Tijuca, Marapendi, Jacarepaguá e Camorim. Tais
dados foram obtidos junto à FEEMA.

Variação da temperatura, oxigênio dissolvido e salinidade na superfície e fundo da Lagoa da Tijuca


(ponto TJ303) e da Lagoa de Marapendi (ponto MAR363).
Lagoa da Tijuca Lagoa de Marapendi
Temperatura Temperatura

35 35
30 30
25 25
20 20
°C

°C
15 15
Sup Sup
10 10
5 Fundo 5 Fundo
0 0
set/03

dez/03

mar/04

jun/04

jun/03
set/04

dez/04

jun/05

set/03

dez/03
mar/05

mar/04

jun/04

set/04

dez/04

mar/05

jun/05
OD OD

25 30
Sup
20 25 Sup
Fundo
20 Fundo
15
mg/L

mg/L

15
10
10
5 5
0 0
set/03

dez/03

mar/04

jun/04

jun/03
set/04

dez/04

dez/03
mar/05

jun/05

set/03

mar/04

jun/04

set/04

dez/04

mar/05

jun/05

Salinidade Salinidade

35 40
30 35
Sup
25 30
Fundo 25
20
g/Kg
g/Kg

20
15
15
10 10 Sup
5 5 Fundo
0 0
dez/03

jun/04

dez/04

jun/05
set/03

mar/04

set/04

mar/05

jun/03

set/03

dez/03

mar/04

jun/04

set/04

dez/04

mar/05

jun/05

Fonte: FEEMA.

406
Variação da temperatura, oxigênio dissolvido e salinidade na superfície e fundo da Lagoa de
Jacarepaguá (ponto JC341) e da Lagoa do Camorim (ponto CM320).
Lagoa de Jacarepaguá Lagoa do Camorim
Temperatura Tem peratura

35 35
30 30
25 25
20 20
°C

°C
15 15 Sup
Sup
10 10 Fundo
5 Fundo
5
0 0
jul/03

out/03

jan/04

abr/04

jul/04

out/04

jan/05

abr/05

jul/05

ago/03

nov/03

ago/04

nov/04
fev/04

mai/04

fev/05

mai/05
OD OD

25 14
Sup
Sup 12
20 Fundo
Fundo 10
15
mg/L

8
mg/L

10 6
4
5
2
0
0
jul/03

out/03

jan/04

abr/04

jul/04

out/04

jan/05

abr/05

jul/05

jul/04

jul/05
nov/03

jan/04

nov/04

jan/05
mai/04

mai/05
set/04
mar/04

mar/05
Salinidade Salinidade

14 9
12 8 Sup
Sup 7
10 Fundo
Fundo 6
8
g/Kg

g/Kg

5
6 4
4 3
2 2
1
0
0
jul/03

out/03

jan/04

abr/04

jul/04

out/04

jan/05

abr/05

jul/05

ago/03

out/03

jun/04

ago/04
out/04

jun/05
dez/03

fev/04
abr/04

dez/04
fev/05
abr/05

Fonte: FEEMA.

407
ƒ Nutrientes inorgânicos

Na Lagoa de Jacarepaguá a concentração de nitrogênio amoniacal variou entre 0,02 e 27,7 μmol/L
com um valor médio de 2,4 μmol/L (Figura abaixo). Foram observadas concentrações mais
elevadas nos anos de 1997, 1999 e 2003, contudo, não foi observado nenhum padrão temporal.
Também não foram observadas diferenças espaciais, embora em 1999, os teores de N-amoniacal
tenham sido sempre maiores na região da laguna próxima à Lagoa do Camorim.

Na Lagoa do Camorim os teores de amônia variaram entre 0,02 e 33 μmol/L, com um valor médio
de 4,4 μmol/L. Diferentemente da Lagoa de Jacarepaguá, foi observado incremento apenas no ano
de 2003, mas com redução em 2004 e 2005. Na Lagoa da Tijuca, os teores médios de nitrogênio
amoniacal foram próximos aos de Jacarepaguá (2,4μmol/L), embora não tenham sido observados os
incrementos observados naquela laguna. Contudo, também foram registrados os maiores valores no
ano de 2003. Também foi verificada homogeneidade espacial em relação aos teores de nitrogênio
amoniacal.

As Lagoas de Marapendi e Lagoinha apresentaram os menores teores de amônia do Sistema


Lagunar de Jacarepaguá, com valores médios de 0,7 e 1,7 μmol/L, respectivamente. As maiores
concentrações em Marapendi também ocorreram em 2003, contudo na Lagoinha os maiores teores
foram registrados em 2000 e 2001.Em geral, não foram observados padrões sazonais, inter-anuais
ou espaciais para as concentrações de nitrogênio amoniacal no Sistema Lagunar de Jacarepaguá
(Figura abaixo). Os teores registrados podem ser considerados relativamente baixos durante o
período de 1997 a 2005, considerando os lançamentos de esgotos na área da bacia de drenagem ou
diretamente nas lagoas. Contudo, os elevados teores de OD registrados na água favorecem a rápida
oxidação da amônia. Outro fator a ser considerado é o rápido consumo pelo fitoplâncton que se
utiliza preferencialmente de amônia como fonte de nitrogênio inorgânico, sendo que as elevadas
biomassas dessas algas poderiam contribuir para a manutenção de concentrações mais reduzidas de
amônia, pelo menos na superfície.

408
Deste modo, as concentrações de nitrogênio amoniacal estiveram sempre dentro dos limites
estabelecidos pela Res. CONAMA (28,6μmol/L), com exceção da amostra de junho/2003 da Lagoa
do Camorim.

Variação da concentração de N-amoniacal nas Lagoas de Jacarepaguá, Camorim, Tijuca, Marapendi


e Lagoinha no período de dezembro/1995 a agosto/2005 (dados de monitoramento UFRJ, FEEMA e
SMAC). (vide localização dos pontos no mapa da AID).

N Amoniacal - Jacarepaguá N Amoniacal - Camorim

30 35
JAC01
JAC02 30
25 JAC03 25
20 20

mg/L
mg/L

15 15
10
10
5
5 0
0
97 98 99 00 01 02 03 04 05 98 99 00 01 02 03 04 05

N Amoniacal - Tijuca
30
TIJ01
25 TIJ02
TIJ03
20
mg/L

15
10
5
0
98 99 00 01 02 03 04 05

N AMONIACAL - Lagoinha N Amoniacal - Marapendi


30
14
25 12 MAR01
MAR04
20 10 MAR05
MAR07
8
mg/L

mg/L

15
6
10
4
5 2
0 0
97 98 99 00 01 02 03 04 05 98 99 00 01 02 03 04 05

Fonte: UFRJ, FEEMA e SMAC.

409
Variação da média anual da concentração de N-amoniacal nas Lagoas de Jacarepaguá, Camorim,
Tijuca, Marapendi e Lagoinha no período de dezembro/1995 a agosto/2005 (dados de
monitoramento UFRJ, FEEMA e SMAC).
N Amoniacal
10
8
6
μmol/L

4
Jacarepaguá
2 Tijuca
Camorim
0 Marapendi
Lagoinha
97 98 99 00 01 02 03 04 05

Fonte: UFRJ, FEEMA e SMAC.

Diferentemente da amônia, os teores de nitrogênio total (NT) no Sistema Lagunar de Jacarepaguá


são bastante elevados e característicos de ambientes eutrofizados (Figuras abaixo). Na Lagoa de
Jacarepaguá o NT variou entre 0,01 e 98,3 mg/L, com uma concentração média de 5,1 mg/L durante
o período de 1995 a 2005. Concentrações mais elevadas foram observadas na região próxima à
desembocadura do Arroio Pavuna, especialmente durante os anos de 2002 e 2003. Cabe ressaltar
que neste último foram registradas as maiores concentrações de NT na Lagoa de Jacarepaguá.

Na Lagoa do Camorim o NT variou entre 1,5 e 45,1 mg/L com média de 8,3 mg/L, valor superior
ao da Lagoa de Jacarepaguá. As maiores concentrações também foram observadas nos anos de 2002
e 2003. Cabe ressaltar que o ponto de amostragem nesta laguna também reflete os aportes do Arroio
Pavuna. Na Lagoa da Tijuca também foram observadas concentrações elevadas de NT variando
entre 0,01 e 88,2 mg/L, com valor médio de 5,3 mg/L. As maiores concentrações também
ocorreram nos anos de 2002 e 2003, sendo observada homogeneidade espacial. As concentrações de
NT na Lagoinha foram elevadas, oscilando entre 0,7 e 52 mg/L, com média geral de 6,8 mg/L para
o período de 1997 a 2005. Aumento das concentrações foi observado a partir de 2001, sendo que os
máximos também foram registrados em 2003. Embora as concentrações de NT na Lagoa de
Marapendi tenham sido em geral menores do que as demais lagunas, variando entre 0,12 e 34,5
mg/L e com média de 3,5 mg/L, estes teores também são bastante elevados e caracterizam sistemas
eutrofizados. Os valores máximos também foram registrados em 2003, não sendo observadas
diferenças espaciais importantes.

410
É interessante destacar que em todas as lagunas foi observada uma tendência de aumento nas
concentrações de NT entre os anos de 2000 e 2003 (Figuras abaixo). Embora os teores tenham
decrescido em 2004 e 2005, ainda podem ser considerados bastante elevados (média anual > 4
mg/L), com médias anuais superiores às observadas no período de 1997 a 2000. Estes dados
refletem as condições do acelerado processo de eutrofização artificial e degradação da qualidade
das águas das lagunas.

Variação da concentração do Nitrogênio total nas Lagoas de Jacarepaguá, Camorim, Tijuca,


Marapendi e Lagoinha no período de dezembro/1995 a agosto/2005 (dados de monitoramento UFRJ,
FEEMA e SMAC). (vide localização dos pontos no mapa da AID).

N Total - Jacarepaguá N Total - Camorim


120 50
JAC01
80 JAC02
40
JAC03
30 mg/L 30
mg/L

20
20
10
10
0
0
97 98 99 00 01 02 03 04 05 98 99 00 01 02 03 04 05

N Total - Tijuca
80
TIJ01
TIJ02
60 TIJ03
mg/L

40

20

0
98 99 00 01 02 03 04 05

N TOTAL - Lagoinha N Total - Marapendi


60
40
50
MAR01
40 30 MAR04
MAR05
30 MAR07
mg/L

mg/L

20
20

10 10
0
0
97 98 99 00 01 02 03 04 05 98 99 00 01 02 03 04 05

Fonte: UFRJ, FEEMA e SMAC.

411
Variação da concentração média anual do Nitrogênio total nas Lagoas de Jacarepaguá, Camorim,
Tijuca, Marapendi e Lagoinha no período de dezembro/1995 a agosto/2005 (dados de
monitoramento UFRJ, FEEMA e SMAC).

N Total
24
20
16
mg/L

12
Jacarepaguá
8 Tijuca
Camorim
4
Marapendi
0 Lagoinha
97 98 99 00 01 02 03 04 05

Fonte: UFRJ, FEEMA e SMAC.

Como observado para o nitrogênio total, as concentrações de Fósforo Total (PT) nas lagunas do
Sistema Lagunar de Jacarepaguá também foram bastante elevadas no período de 1997 a 2005, com
concentrações médias em torno de 1,0 mg/L (Figura abaixo).

Na Lagoa de Jacarepaguá o PT variou entre 0,02 e 5,7 mg/L, com concentração média no período
analisado de 1 mg/L. Na Lagoa do Camorim o máximo observado foi de 6,2 mg/L e o valor médio
foi superior ao de Jacarepaguá, alcançando 1,3 mg/L. Na Lagoa da Tijuca, as concentrações de PT
variaram na mesma ordem de grandeza, entre 0,01 e 6,6 mg/L porém a média geral foi inferior às
demais lagunas, 0,8 mg/L. A Lagoinha e a Lagoa de Marapendi também apresentaram
concentrações de PT variando em duas ordens de grandeza. Na Lagoinha, os teores oscilaram entre
0,07 e 8,8 mg/L, enquanto que em Marapendi o valor máximo regsitrado foi de 6,6mg/L. As médias
entre 1997 e 2005 foram 1,3 mg/L e 0,8 mg/L, respectivamente. Não foram observadas diferenças
espaciais importantes nem padrões sazonais nas concentrações de PT. Contudo, foram registradas
variações inter-anuais na concentração de PT. O Padrão observado foi muito similar em todas as
lagunas, com incremento nas concentrações médias entre os anos de 1997 e 2000, seguido de
redução dos teores até 2005 (Figura abaixo). Apesar desta redução, a concentração média de PT
ainda está acima dos limites estabelecidos pela Resolução CONAMA 357/2005 para Águas
Salobras da Classe 1 (0,124 mg/L).

412
Variação da concentração do fósforo total (P-total) nas Lagoas de Jacarepaguá, Camorim, Tijuca,
Marapendi e Lagoinha no período de dezembro/1995 a agosto/2005 (dados de
monitoramento UFRJ, FEEMA e SMAC). (vide localização dos pontos no mapa da AID).

P Total - Jacarepaguá P Total - Camorim


7 7
JAC01 6
6 JAC02
JAC03 5
5
4

mg/L
4
mg/L

3
3
2
2
1
1
0
0
97 98 99 00 01 02 03 04 05 98 99 00 01 02 03 04 05

P Total - Tijuca
7
6
TIJ01
5 TIJ02
4 TIJ03
mg/L

3
2
1
0
98 99 00 01 02 03 04 05

P TOTAL - Lagoinha P Total - Marapendi


10 7
MAR01

8
6 MAR04
MAR05
5 MAR07
6
4
mg/L
mg/L

4 3
2 2
1
0
0
97 98 99 00 01 02 03 04 05 06 98 99 00 01 02 03 04 05

Fonte: UFRJ, FEEMA e SMAC.

413
Variação da concentração média anual do fósforo total (P-total) nas Lagoas de Jacarepaguá,
Camorim, Tijuca, Marapendi e Lagoinha no período de 1997 a 2005 (dados de
monitoramento UFRJ, FEEMA e SMAC). A linha indica o padrão CONAMA.
P Total
4

3
mg/L

2
Jacarepaguá
Tijuca
1 Camorim
Marapendi
0 Lagoinha
97 98 99 00 01 02 03 04 05

Fonte: UFRJ, FEEMA e SMAC.

ƒ Coliformes fecais

As séries temporais de coliformes fecais analisadas abrangem 9 anos de coletas mensais, no período
de dezembro de 1996 a agosto de 2005. As concentrações registradas para o Sistema Lagunar de
Jacarepaguá evidenciam valores muito elevados, em geral maiores que 103 NMP/100mL em todas
as lagunas (Figura abaixo). As maiores concentrações foram registradas na Lagoa do Camorim que
apresentou uma concentração média de 1,6 x 106 NMP/100mL, e as menores na Lagoa de
Marapendi com um valor médio de 8,6 x 106 NMP/100mL. Não foram observados padrões sazonais
na variação das concentrações de coliformes nas lagunas. Contudo, incremento nas densidades de
microorganismos a partir de 1999/2000 foi registrado na Lagoinha. Nas demais lagunas os valores
foram sempre elevados não sendo identificadas tendências inter-anuais (Figura abaixo).

Foi observada heterogeneidade espacial para as lagunas de Jacarepaguá e Marapendi. Em


Jacarepaguá a região próxima à desembocadura do Arroio Pavuna apresentou, em geral,
concentrações mais elevadas do o restante da lagoa. Enquanto que em Marapendi, as maiores
concentrações de coliformes fecais foram registradas no saco situado na região da APA de
Marapendi, e no saco que se comunica com o canal de Marapendi. Esta heterogeneidade reflete
aportes diferenciados nestas lagunas.

414
A análise desta série de dados evidencia que a situação de contaminação por coliformes no Sistema
Lagunar de Jacarepaguá é crítica já à quase uma década. Mesmo na Lagoa da Tijuca que apresenta
comunicação permanente com o mar, a contaminação é sempre elevada e as concentrações de
coliformes fecais acima de 103 NMP/100mL. Assim, baseando-se nos padrões microbiológicos
estipulados pela Resolução No 357/2005 do CONAMA, as águas das lagunas do Sistema Lagunar
de Jacarepaguá apresentam concentrações acima dos limites estabelecidos para Águas Salobras da
Classe 1.

415
Variação da concentração de coliformes fecais nas Lagoas de Jacarepaguá, Camorim, Tijuca,
Marapendi e Lagoinha no período de dezembro/1995 a agosto/2005 (dados de monitoramento UFRJ,
FEEMA e SMAC). (vide localização dos pontos no mapa da AID).

E. Coli - Jacarepaguá E. Coli - Camorim


8
10
108
107
107 JAC01

Log (NMP/100ml)
Log (NMP/100ml)

JAC02 106
106 JAC03
105
105
104
104
103
103
102
102
101
101
100
100
96 97 98 99 00 01 02 03 04 05 96 97 98 99 00 01 02 03 04 05

E. Coli - Tijuca
108
107
Log (NMP/100ml)

106
105
104
103
102 TIJ01
TIJ02
101 TIJ03
100
96 97 98 99 00 01 02 03 04 05

E. Coli - Marapendi
E. COLI - Lagoinha
108 108
107 107
MAR01
Log (NMP/100ml)

MAR04
Log (NMP/100ml)

106 106 MAR05


MAR07
105 105
104 104
103 103
102 102
101 101
100 100
96 97 98 99 00 01 02 03 04 05 96 97 98 99 00 01 02 03 04 05

Fonte: UFRJ, FEEMA e SMAC.

416
Variação da média anual da concentração de coliformes fecais nas Lagoas de Jacarepaguá, Camorim,
Tijuca, Marapendi e Lagoinha no período de dezembro/1995 a agosto/2005 (dados de
monitoramento UFRJ, FEEMA e SMAC).

E. Coli
108
107
Log (NMP/100ml)

106
105
104
Jacarepaguá
103
Tijuca
102 Camorim
101 Marapendi
100 Lagoinha
95 96 97 98 99 00 01 02 03 04 05

Fonte: UFRJ, FEEMA e SMAC.

ƒ Óleos e Graxas

A concentração de óleos e graxas nas águas das lagunas do Sistema Lagunar de Jacarepaguá foi
avaliada com base nos dados mensais obtidos entre 1997 e 2005 pelo monitoramento da Secretaria
Municipal de Meio Ambiente do Rio de Janeiro (SMAC). Foi observada a presença de
contaminação em todas as lagunas (Figura abaixo), com valores oscilando entre 0,1 e 332 mg/L. A
maior concentração média foi observada na Lagoa de Marapendi (10,5 mg/L). Contudo, este valor é
fortemente influenciado pelos picos acima de 200 mg/L observados em 1999 e 2000.

Não foram observados padrões sazonais para a presença de óleos e graxas, indicando que a
contaminação deve estar relacionada com aportes freqüentes de origem antrópica. Contudo,
concentrações elevadas foram, em geral, registradas no período de 1997 a 2000. Entre 2001 e 2005
foi observada a redução da contaminação com valores observados < que 3 mg/L e médias anuais
inferiores a 2 mg/L (Figura abaixo).

417
Variação da concentração de óleos e graxas nas Lagoas de Jacarepaguá, Camorim, Tijuca, Marapendi
e Lagoinha no período de dezembro/1995 a agosto/2005 (dados de monitoramento
UFRJ, FEEMA e SMAC). (vide localização dos pontos no mapa da AID).

Óleos e Graxas - Jacarepaguá


Óleos e Graxas - Camorim
140
60
120 JAC01

100
JAC02 50
JAC03
80 40
mg/L

mg/L
60 30
40 20
20 10
0
0
97 98 99 00 01 02 03 04 05
97 98 99 00 01 02 03 04 05

Óleos e Graxas - Tijuca


300
250 TIJ01
TIJ02
200 TIJ03
mg/L

150
100
50
0

97 98 99 00 01 02 03 04 05

Óleos e Graxas- Lagoinha Óleos e Graxas - Marapendi


250 400
200 MAR01
300 MAR04
150 MAR05
mg/L

MAR07
200
mg/L

100
50 100

0 0

97 98 99 00 01 02 03 04 05 97 98 99 00 01 02 03 04

Fonte: UFRJ, FEEMA e SMAC.

418
Variação da concentração de óleos e graxas nas Lagoas de Jacarepaguá, Camorim, Tijuca, Marapendi
e Lagoinha no período de dezembro/1995 a agosto/2005 (dados de monitoramento UFRJ,
FEEMA e SMAC).
Óleos e Graxas
30
25
20
15
mg/L

10 Jacarepaguá
Tijuca
5
Camorim
0 Marapendi
Lagoinha
97 98 99 00 01 02 03 04 05

Fonte: UFRJ, FEEMA e SMAC.

O Quadro a seguir apresenta os resultados obtidos na campanha de janeiro de 2006, nas lagoas da
Tijuca, Jacarepaguá, Marapendi e Lagoinha. Pôde-se verificar que tais dados, na maioria das vezes,
estiveram de acordo com os analisados no período de dezembro de 1995 a agosto de 2005.
Resultados da campanha de janeiro de 2006.
Localização dos pontos
Parâmetros
Tijuca Jacarepaguá Lagoinha Marapendi
Temperatura °C 28.0 29.3 25.8 29.4
pH 8.7 8.6 6.6 8.6
OD mg/L 11.7 14.0 0.61 8.55
Condutividade μS/cm 3200 1017 621.0 -
Ortofosfato µg/L 858.7 302.3 506.5 583.4
Fósforo Total mg/L 1.00 0.40 0.52 0.83
Amônia µg/L 1474.5 19.7 1277.4 29.3
Nitrito µg/L 21.8 21.0 30.1 17.2
Nitrato µg/L ND ND 263.76 ND
Nitrogênio Total mg/L 1.89 0.49 2.59 0.93
Clorofila µg/L 0.0 20.6 19.5 184.4
Feofitina µg/L 140.0 0.0 22.0 182.9
Óleos e Graxas mg/L ND ND ND ND
DBO mg/L 32 53 26 44

Fonte: UFRJ, FEEMA e SMAC.

419
LOCALIZAÇÃO DOS PONTOS NO MAPA DA AID – QUALIDADE DA AGUA

420