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Psicologia da Educação

Psicologia da Educação
Atividade de Portifólio
A Zona de Desenvolvimento Proximal:
um conceito fundamental para a prática pedagógica.

Aluno: Fabio D Christovam


RA: 8010990

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Psicologia da Educação

Atividade no Portfólio

Projeto de Prática

Título do Projeto: A Zona de Desenvolvimento Proximal: um conceito fundamental


para a prática pedagógica.

a) Descrição do Projeto

O projeto visa propiciar ao futuro professor um momento de reflexão sobre sua prática
pedagógica, com base na Abordagem Socio-construtivista, uma relevante teoria nas
áreas da Psicologia e da Educação. Além disso, objetiva-se que o aluno relacione teoria
e prática, aplicando um dos conceitos da abordagem a uma realidade prática ou real.

Etapa 1 – Estude a Unidade 4 – Teorias Cognitivas da Aprendizagem, bem como o


artigo indicado anteriormente
(trecho que aborda a Teoria de Vygotsky).

Etapa 2 – Realize a observação de uma situação natural que envolva algum tipo de
aprendizagem e mediação (na sua casa com seus filhos ou com outras crianças, uma
interação entre crianças no parque ou entre crianças e adultos), descrevendo esta
situação, ou seja, você deve descrever o que foi observado, qual a situação, enfim a
descrição detalhada da cena vista, inclusive o local onde a observação ocorreu. Se
possível, cite a idade das pessoas envolvidas, sem citar nomes, mantendo o sigilo quanto
à identidade das pessoas.

Etapa 3 – Elabore um texto com base na situação observada indicando onde é possível
perceber o conceito de zona de desenvolvimento proximal. Primeiramente, defina o
conceito, e depois o relacione com a situação observada, indicando na observação onde
aparece o nível de desenvolvimento real e potencial, e a zona de desenvolvimento
proximal propriamente dita.

Etapa 4- Faça uma conclusão, descrevendo como este trabalho auxilia na sua formação
acadêmica e a possibilidade de utilizar o conhecimento adquirido na sua prática
profissional.
Observações Os alunos não deverão informar o nome e as características da pessoa que
estão envolvidas na observação realizada. Por questões éticas, a identidade dos
participantes deve ser resguardada.

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A Zona de Desenvolvimento Proximal:


um conceito fundamental para a prática pedagógica.

Etapa 2 – Observação:

Para realização deste trabalho, quero trazer aqui uma experiência de que participei e
marcou muito a minha vida, e onde consigo perceber a questão proposta pelo trabalho de
forma mais clara. Meu primeiro e segundo acampamento escoteiro. Na época, a difícil
existência da passagem pela adolescência e com 14 anos de idade.

Sempre gostei de “mato”. Adorava caminhar com meu avô por horas no sítio da família
ouvindo histórias e “estórias”, aprendendo sobre plantas (vou comentar mais esta parte à
frente sobre a questão proposta), observando e vendo bichos que muita gente não viu.

Meu pai sendo militar, o escotismo representava uma influência (sem querer entrar hoje
nas questões pedagógicas do escotismo, que não só pela uniformização, mas por muita
atitudes equivocadas por parte dos adultos, transferem uma “ideologia militar junto com uma
frustração pessoal” abafando o “método escoteiro”, na forma e proposição para o qual foi
criado) da profissão do meu pai sobre nossa educação.

Enfim, eu e meu irmão, mais novo então, entramos em um “novo” (isso é literal) Grupo
Escoteiro, onde tudo era “novo mesmo”. Os “costumes”, a “ideologia”, as “técnicas”, “o
material”, os “termos usados” e uma “ideologia” poderosa (não por acaso todas as “ditaduras”
do mundo usaram e ainda usam esse modelo como “fabrica de soldados, cidadãos úteis…
enfim essa é outra discussão”). Era um “mundo novo” imaginativo, muito simbólico, com sua
“mística” própria.

No meio disso existiam duas figuras que eram centrais. Meu chefe, do qual hoje,
infelizmente esqueci o nome. E o “monitor” da minha “patrulha”, um garoto mais velho e
bem mais “treinado” do que todos nós. Não por coincidência, filho do chefe. Bom esse chefe,
um espanhol fugido da ditadura de Franco na Espanha era o arcabouço do nosso
conhecimento “escoteiro”.

Em nossos encontros aprendíamos de tudo. Músicas, jogos diversos, técnicas de nós,


material, organização, disciplina, fomentados em um ambiente de competição e cooperação,

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embasados por uma ideologia e ritos próprios.

Sob nosso olhar (ou pelo menos para mim), era mágico.

Depois de um mês e meio de encontros de salão, veio a hora da verdade. Nosso primeiro
“acampamento” de “verdade”. Um dia, uma noite e mais um dia inteiro no mato! Um bando
de adolescentes (36!), divididos em 4 patrulhas, vestidos de soldadinhos, fomos assim,
“explorar” o já conhecido ambiente de um sítio no interior de São Paulo.

Tudo foi previamente e sistematicamente preparado.

Caminhamos uns 6km com todo equipamento e comida (menos as barracas). Na época
os “sacos de dormir” pesavam 3kg, cheios de pena de ganso e caríssimos. Sapatos 752 da
Vulcabrás e Kichutes. Faziam calo, escorregavam. Cercamos nossos acampamentos,
montamos as barracas, catamos lenha e água, cozinhamos nossa comida (tínhamos um garoto
que era excelente cozinheiro!), cortamos lenha, fizemos latrinas (quem não demonstrava
muita “habilidade”, tradicionalmente era delegada essa tarefa, quase um castigo), corremos
montanha acima e abaixo, e depois de uma pequena e singela garoa, com um pouquinho de
vento… uma barraca desmontou, a minha alagou. Ficou história para se contar até hoje.
Passamos frio. A comida não deu para todo mundo (particularmente comeríamos 3x mais!).

Um colega meu, caminhando com sua mochila passou mal, porque a mochila estava
muito pesada. Carregamos o colega e a mochila dele, as nossas e chegamos arfando ao local
determinado. Ao chegar no acampamento, descobrimos uma série de coisas inúteis e um ferro
de passar roupa nesta mochila. Tivemos que fazer um “DR” (discutir a relação no melhor dos
termos para este trabalho), na patrulha. Ele nunca mais levou ferros de passar roupa para as
próximas caminhadas. Meu chefe ria.

Nosso chefe…? Tranquilo, sentado na sombra de uma árvore tomando seu café,
tranquilo, “dominava” toda situação se divertindo com os “problemas”, sem estresse. Não
gritava, falava manso. Pra cada situação, tinha uma solução, mas hoje depois de tantos anos e
de ter também passado pelo curso de chefe que fui fazer anos depois, observo que ele não
dava tudo de “graça”. Deixava a garotada “quebrar a cabeça”. Mesmo naquele tempo,
seguíamos uma linha pedagógica de escotismo onde a “autonomia” era muito incentivada. Ou
seja, primeiro tínhamos que “nos virar”.

A disciplina era fielmente mantida pelos “monitores”, escoteiros mais antigos que

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mostravam como as coisas eram feitas, o “modo de fazer”, a “cultura escoteira”. A


“segurança” em uso de ferramentas era repetida. Só podiam usar machadinhas e canivetes
quem tivesse passado pelo “curso” dessas ferramentas. A responsabilidade era algo a ser
cumprido.

E meu chefe na sombra da árvore. Tranquilo. Mas atento. Pouco intervindo nas nossas
dificuldades onde intervia mais através dos monitores. Orientando os jogos, todos esses com
intuito de aprimorar uma “habilidade”. Habilidades cognitivas de “atenção”, “observação”,
“escuta”, “olfativa”, “tátil”, “lógica”, e “motoras”. O tempo todo a “atenção” (veja o lema do
movimento, “Sempre Alerta!”)era muito chamada a ação. E todos nós nos policiávamos. E
essa chamada pela atenção, direcionava todo aprendizado. Os mais distraídos eram cutucados
e “arrastados” a prestar atenção. E o “grupo todo, ou seja a Tropa” toda, era incentivado o
desafio. Era tenso. Não raro havia uma “surpresa”, um desafio novo. Era um ambiente
competitivo. E a observação e o aprendizado de novas habilidades era muito importante e
desejado de forma coletiva.

A noite esfriou e ao redor de uma grande fogueira, em um céu cheio de estrelas


circundados pela escuridão no sítio, cantamos, ouvimos histórias, brincamos, dançamos. Que
modo mais poderoso que esse há de passar uma “tradição”?

E então...

Cansados, sem dormir por causa da chuva e frio, com fome e todo doloridos, arranhados
de espinhos, bolhas nas mãos, bolhas nos pés...mordidos por insetos e depois de um dia onde
tomamos banho muito muito frio no riozinho próximo, voltamos para casa, depois da “grande
aventura”. Literalmente… “destruídos”. Mas muito felizes. Tantos obstáculos foram ou não
superados (na nossa imaginação)! Tanta coisa por aprender. Tanta coisa deu errado. Mas
esse era “nosso trabalho”. Como “conviver” assim, fora de nossos lares, sem nossos pais.

No segundo dia levamos 4 horas para acender a fogueira e fazer café porque não
havíamos coberto a lenha e esta tomou chuva durante a noite. Já acendeu fogo com lenha
molhada?

Meu chefe não falava muito. Falava até pouco. Falava manso. Sempre calmo. Mas
firme. Acho que para todos nós ele era uma inspiração. Até hoje guardo em minha memória o
tanto de aprendizado que tive com ele. Era sua postura. Sua calma em dominar

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completamente 36 adolescentes “sem esforço”, distribuindo tarefas (previamente e


meticulosamente planejadas), dando orientações precisas. Chamando a atenção aos
“princípios da ideologia escoteira”, que era constantemente lembrada e embasava todo aquele
exercício. Todo aquele “arcabouço ideológico da cultura” escoteira, meio que protegia todo
processo de aprendizado. Focava disciplina, atenção, segurança, preocupação com o outro e
superação.

E pouco a pouco, nós introjetávamos isso. Não só eu, como meus colegas também.

Não querendo delongar muito essa observação, o segundo acampamento aconteceu um


ou 2 meses depois. Mas aí, a história foi muito diferente. Já éramos “escoteiros”!

Etapa 3 – Conceito:

Zona de Desenvolvimento Proximal se refere na perspectiva de


Vygotsky a um processo de ensino-aprendizagem, onde a distância que há entre o
conhecimento real que pode ser atingido pelo aluno, independente do problema, com o
potencial deste, intermediado pela ajuda de um mediador se efetiva.

No exemplo da observação:

Os níveis de conhecimento e habilidade dos adolescentes que entraram em um grupo


escoteiro “novo”, que estava sendo fundado era muito baixo. Quando penso hoje não arrisco
dizer “zero” absoluto, mas quase isso, porque tivemos que “aprender tudo”. Como se vestir,
como se portar, como “andar” em grupo… falar, … tudo “era novo”.

O potencial de aprendizagem era imenso, dado a vontade que tínhamos de “acampar”.


Acampar significava colocar em prática e testar todo arcabouço de “teorias, conhecimentos ,
técnicas e habilidades” que havíamos aprendido nos encontros na sede da cidade. Era nossa
“hora da verdade”. Mas tudo isso dependia, de observação, estudo, prática e “equipe”. Não
trabalhávamos sozinhos, mas em grupo. Cada um com uma função bem determinada e que
deveria ser cumprida dentro da patrulha.

O mediador… O modo como isso era feito era muito interessante. A figura do chefe
era muito poderosa. “Quase mística”. Era “aquele que sabe viver sozinho no mato!”. Isso
pode parecer esquisito e ridículo para alguém da cidade, e que não vivenciou isso, mas para

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nós era mágica. Ele era o “Gandalf” dos Senhor dos Anéis. O tempo todo, tudo era
observado. A “atenção” era chamada o tempo todo. A observação era muito importante. O
conhecimento era passado de um para o outro. Havia uma “aprendizagem” através de uma
“tradição oral” (já totalmente documentada, mas por trás disso, havias “histórias, “estórias” e
“causos””, que se seguiam de geração em geração desde o fundador do movimento). O chefe
ensinava muito pouco para todos. Nem se dava ao trabalho. Ele “ensinava” os monitores as
técnicas. E os monitores “passavam” essas técnicas para nós. Nós eramos depois “testados”
pelo chefe. Assim íamos adquirindo habilidades, competências e “insígnias”!!! Haviam assim
dentro das patrulhas (de cada patrulha): “lenhadores, cozinheiros, intendentes, almoxarifes,
navegadores, pioneiros, mestres de acampamento, secretários, tesoureiros, ...”. Cada um com
tarefas bem determinadas.

Ele se preocupava mais com as questões “ideológicas” do processo. E como é fácil


influenciar os jovens. Hoje eu estou aqui refletindo sua mediação conosco naquela época
final dos anos 70, mas para nós, naquele momento era “inspiração” que nos movia. Essa
figura foi extremamente transformadora em meu comportamento. Nunca fui tão bem na
escola. Ir bem na escola para poder acampar era pré-requisito em casa.

A Zona de Desenvolvimento Proximal que ele “criou” conosco. O tempo que levamos
para o aprendizado em minha mente pode ser definida claramente pela diferença de habilidade
e adaptação que tivemos do desastrado (e maravilhoso) primeiro acampamento, para o mais
organizado (e não menos maravilhoso) segundo acampamento e assim sucessivamente. Essa
figura que “orientava”, planejava e organizava de forma “quase oculta” nosso aprendizado,
além de ser a figura de autoridade central no grupo. E quanto ao espaço – tempo a que se
refere Vygotsky, não foi muito. Em 6 meses estávamos bem “treinados” e fomos para um
acampamento com um grupo escoteiro de São Paulo, “bem antigo”. E não fizemos feio!

Etapa 4: - Conclusão:

Toda vez que trabalho com grupos de jovens, seja na minha profissão (sou assistente
social), seja como chefe escoteiro (já fui, hoje não sou mais), seja como professor, não tiro
essa imagem da cabeça. Na verdade, aquela forma de mediação, de uma figura de autoridade
que não “fazia nenhum esforço” em ser autoritário. Era educado e gentil conosco. Mas firme.

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Que pouco falava, mas em seu jeito quieto fazia com que todos nós sempre estávamos atentos
aos seus comentários, comandos, chamados, histórias, ensinamentos, magnetizando nossa
atenção, através da imaginação, das histórias, dos “truques”, das brincadeiras e nos levava
brincando a descobrir coisas novas, interessantes.

Longe da crítica que hoje construí com as “ideologias” educacionais dentro do


escotismo, o método utilizado por esse chefe ainda é inspirador. Cada um de nós era visto por
ele, pois todos tínhamos “provas práticas” para passar e adquirir “habilidades”. E, todos com
suas peculiaridades, pois dentro de nossa patrulha tínhamos um garoto de “inclusão”, e outro
de quase “semi-inclusão” (aquele que levou o ferro de passar roupa para um acampamento),
tínhamos os alérgicos, os com medo disso e daquilo, os “espertos”, e cada um representando
sua figura arquétipa dentro do grupo, bem definida.

Vestir aquela farda, participar dos “rituais” (hasteamento, arriamento da bandeira e


tantos, tantos outros) e tantas formas de “transmissão” de conhecimento, em tantos níveis,
mexia muito conosco. Foi de longe para nós, alguns amigos guardo até hoje e ainda dessas
épocas recordamos, os melhores momentos da difícil adolescência.

Não vi ainda mais poderoso processo de, vou chamar ainda que não corretamente,
“assimilação cultural”, porque o Movimento Escoteiro, está em praticamente todos os países
do mundo desde sua fundação, chegando no Brasil em 1910, através de oficiais da Marinha
que passaram pela Inglaterra.

Por outro lado chama a atenção e não posso deixar de mencionar, como é poderosa uma
ferramenta que usa a “ideologia”. A ideologia, a história, a cultura dos Cavaleiros Medievais,
dos “códigos de honra”, e como isso dá um sentimento de “pertencimento” ao grupo tão
necessário ao desequilíbrio transformador psicofisiológico de um adolescente. É chão firme!
Ou melhor é chão que ele acredita que é firme. Por isso tão utilizada até hoje. Isso é tão
poderoso e “útil” aos governos. É tão delicada essa questão. É tão fácil inspirar um jovem,
dentro de um grupo assim. Hoje no Brasil, por questões de diferenças “ideológicas” o
Movimento Escoteiro se dividiu em 2 correntes com várias interpretações do modo de fazer o
escotismo, que ainda não tive a paciência de estudar. Apenas fiquei sabendo por um chefe
conhecido. Basicamente, dentro das linhas “pedagógicas” há uma corrente “militarista”, que
insiste em treinar “pequenos soldados”. E outra “construtivista”. Somente citando duas.

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Mas a minha referência ainda é aquele “velho espanhol tranquilo” que da sombra de
uma árvore no meio do campo, inspirava todos nós.

Referências:

1. CAMPOS, Juliane Aparecida de Paula Perez - Psicologia da educação – Batatais,SP :


Claretiano, 2013.
2. VIOTTO FILHO, I. A. T.; PONCE, R. F.; ALMEIDA, S. H. V. As compreensões do
humano para Skinner, Piaget, Vygotski e Wallon: pequena introdução às teorias e suas
implicações na escola. Psic. da Ed., São Paulo, 29, p. 27-55, 2009. Disponível em:
Disponível em: <http://pepsic.bvsalud.org /pdf/psie/n29/n29a03.pdf>. Acesso em: 23
de Out. de 2017, Artigo Completo.

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