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ACESSO AO DIREITO

A OA possui uma política de apoio aos advogados, concedendo patrocínio


judiciário em ações destinadas a reivindicar honorários. Para tal, o Conselho indigita
algum colega advogado como patrono.

MEIOS DE REAÇÃO CONTRA ESTORNOS DE HONORÁRIOS

Há que proceder a diferenciação entre o direito sancionatório (Direito Penal,


Direito das Contra-Ordenações) e direito não sancionatório (Direito Civil).

Ex.: Pedido de honorários em Direito Civil. O funcionário judicial estorna os honorários.


O que fazer? Art. 157º/5, CPC – reclamação dos atos da secretaria. Caso o juiz
mantenha a invalidação dos honorários, recorre-se art. 629º/1, CPC. Todavia, o problema
não reside na alçada (normalmente, os honorários são maiores), mas sim na sucumbência
(muitas vezes os honorários não chegam aos € 2500, o que gera a irrecorribilidade).

Para ultrapassar a irrecorribilidade, utiliza-se o argumento da


inconstitucionalidade do art. 629º, CPC tendo por base o art. 20º, CRP (princípio da
tutela jurisdicional efetiva), art. 59º/1/c, CRP (direito ao trabalho
remunerado/compensação); art. 2º, CRP (Estado de Direito); princípio da segurança
jurídica e proteção da confiança (confiaram e incorporaram a confiança na retribuição,
além de verem a segurança da recorribilidade ser violada). Outra possibilidade é o recurso
ao TEDH ou ação judicial interposta pela OA em representação de seu associado.

Ex.: Pedido de honorários em Direito Penal. O funcionário judicial estorna os honorários.


O que fazer? Art. 157º/5, CPC ex vi art. 4º, CPP – reclamação dos atos da secretaria, por
força da aplicação subsidiária do CPC ao processo penal. No Direito Penal não há alçada
e a reclamação deve ser dirigida ao juiz da causa. Perante o indeferimento da reclamação,
há recurso (mesmo com ausência de alçada e sucumbência) a tribunais superiores.

Ex.: Pedido de honorários no inquérito criminal arquivado. Uma vez que o processo ao
vai ao juiz de instrução criminal (JIC), o funcionário judicial indefere o pedido. Recorre-
se para quem? À luz do art. 157º, CPC, dirige-se ao JIC.
Quanto à resolução extrajudicial de litígios, não há norma que regulamente o
pedido de honorários, devendo ser utilizado o art. 20º, CRP na argumentação.

Detalhe importante é a contabilização de sessões. Ex.: Sessão de manhã e de


tarde, no mesmo dia. A jurisprudência é divergente: o Acórdão TRP de 02/07/2014
entendeu que não se paga por duas sessões; o Acórdão TRC de 12/10/2016 entendeu que
paga por duas sessões. Diante desta divergência, torna-se necessário um recurso
extraordinário para fixação de jurisprudência.

VICISSITUDES, LANÇAMENTO DE HONORÁRIOS E OUTRAS QUESTÕES


PRÁTICAS

Legislação: Lei 34/2004; Reg. 330-A/2008; Portaria 10/2008; Portaria 1386/2004

Artigo 29.º, Portaria 10/2008. Notificações, pedidos de nomeação


e outras comunicações: Todas as notificações, pedidos de
nomeações e outras comunicações entre a Ordem dos Advogados
e os tribunais, as secretarias ou serviços do Ministério Público, os
órgãos de polícia criminal, os profissionais forenses participantes
no sistema de acesso ao direito, os serviços da segurança social e
o IGFIJ, I. P., devem realizar -se por via electrónica, através de
sistema gerido pela Ordem dos Advogados.

As nomeações são criadas a área reservada. Todavia, tendo caráter urgente, deve-se ligar
à Delegação respectiva para ser tratado de imediato (o pedido eletrônico tem uma duração
de 1 semana para ser tratado).

Vicissitudes: enquadramento jurídico das questões supervenientes, suscitadas no âmbito


do patrocínio.

Escusa: O pedido de escusa apresentado na pendência do processo, interrompe o prazo


que estiver em curso. Sendo concedida a escusa, procede-se imediatamente à nomeação
e designação de novo patrono, exceto no caso de o fundamento do pedido de escusa ser a
inexistência de fundamento legal da pretensão, caso em que pode ser recusada nova
nomeação para o mesmo fim. No âmbito cível, a escusa tem o efeito de interromper o
prazo. Ex.: No julgamento, o advogado que pediu a escusa não tem legitimidade. No
âmbito penal, apesar de ter solicitado a escusa, o advogado deve assegurar a realização
do direito. Assim, a interrupção do prazo só tem lugar nas seguintes hipóteses:
contestação; pedido de indenização civil; constituição de assistente. Sendo requerido
pedido de escusa ou dispensa de patrocínio, o patrono ou o defensor nomeado e o
substituto ajustam com os intervenientes seguintes a repartição dos honorários.

Segredo profissional: de forma a proteger o cliente, o anterior patrono nega a


transmissão de informações. Todavia, o que está sendo transmitido ao novo patrono já foi
transmitido ao cliente.

Vicissitude de inviabilidade: a inviabilidade, quando for suscitada pelo advogado, deve


ser fundamentada, de forma a que OA veja se é ou não viável nomear novo advogado. E
se criar, em processos pendentes, a vicissitude de inviabilidade? É gerada uma ordem de
pagamento, independentemente da decisão da OA.

Em processo de execução, pode haver vicissitude de inviabilidade. Todavia, deve-se


atentar que, independentemente do seu fundamento, o beneficiário pode necessitar de
advogado em alguma das fases da execução.

Morte do beneficiário: o benefício caduca se os herdeiros não se habilitarem/se houver


habilitação e não for concedido apoio.

Caducidade: decurso do prazo de 1 ano e a ação não foi instaurada por culpa do
beneficiário.