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XXXVI ENSEA – Encontro Nacional sobre Ensino de Arquitetura e Urbanismo

XIX CONABEA – Congresso da Associação Brasileira de Ensino de Arquitetura e
Urbanismo

Projetando com Movimentos Sociais no Campo:
potencialidades para o ensino de arquitetura na UFFS

Prof. Dr. Ricardo Socas Wiese
Universidade Federal de Santa Catarina - UFSC; ricardo.sw@ufsc.br
Profa. Dra. Angela Favaretto
Universidade Federal da Fronteira Sul - UFFS; angela.favaretto@uffs.edu.br
Profa. Dra. Marcela Álvares Maciel
Universidade Federal da Fronteira Sul - UFFS; marcela.maciel@uffs.edu.br

RESUMO
O objetivo do presente trabalho é analisar as potencialidades pedagógicas da atividade de extensão
universitária em comunidades associativas do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) para
formação social do arquiteto urbanista. Para tanto, foi utilizado como método a pesquisa-ação, através
da integração de atividades extensionistas e de ensino do curso de Arquitetura e Urbanismo da UFFS em
Pontão (RS). Os resultados são apresentados em termos de práticas de ensino-aprendizagem para
desenvolvimento dos trabalhos práticos das componentes curriculares Projeto Arquitetônico e sua
integração com Planejamento Urbano e Regional. As práticas interdisciplinares a partir da perspectiva dos
movimentos sociais têm se mostrado eficiente no debate acerca do papel social do arquiteto urbanista e
da construção regional do espaço rural e urbano. Portanto, os movimentos sociais contêm, em si, grande
potencial pedagógico a ser explorado em atividades integradas de ensino e extensão para a produção do
saber crítico e comprometido com a transformação social.
PALAVRAS-CHAVE: potencialidades pedagógicas, movimentos sociais, arquitetura e urbanismo, UFFS

1 INTRODUÇÃO

A Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS) é uma Instituição de Ensino Superior
multi-campus, com sedes espalhadas pelo interior dos três estados da região sul do
Brasil. A política institucional da UFFS se destaca pela proposta de uma universidade
popular, sendo que 90% de suas vagas são voltadas para estudantes indígenas, negros,
e de baixa renda – muitos dos quais contam com bolsas de auxílio para financiar seus
estudos. Nesse contexto, merece destaque a participação dos movimentos sociais –
como a Central Única dos Trabalhadores (CUT), Via Campesina e o Movimento dos
Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) – no processo de criação da universidade em
2010, bem como sua atuação de forma continuada nos processos decisórios e
consultivos da instituição.
O curso de Arquitetura e Urbanismo da UFFS tem como uma das premissas de seu Plano
Pedagógico o comprometimento com as demandas sociais, com atenção especial à
comunidade regional, predominantemente rural. A atuação do arquiteto urbanista no
planejamento do desenvolvimento rural ainda é pouco significativa. Tendo em vista as
especificidades no contexto regional de Erechim - RS, o Projeto Pedagógico do Curso de
Arquitetura e Urbanismo da UFFS se propõe a refletir sobre as potencialidades de
atuação deste profissional no âmbito de ambiências rurais. A componente curricular

. Assim. responsável pelo reconhecimento e consolidação do movimento no Brasil (LUCIANO. sendo essa disciplina um dos diferenciais da formação do arquiteto urbanista da UFFS. utilizando como método a pesquisa-ação. A organização didático-pedagógica da componente curricular nos anos de 2015 e 2016 fundamenta-se em atividades extensionistas do curso de Arquitetura e Urbanismo no município de Pontão – RS. a estruturação da componente curricular Projeto Arquitetônico e Equipamentos Rurais é fundamentada na extensão universitária conjunta com os movimentos sociais. Figura 1 – Mapa de localização do município de Pontão Fonte: Os autores a partir de IBGE. Em outubro de 1985. Para tanto. Buscando consolidar as bases para uma relação interdisciplinar da Arquitetura com as demandas do contexto rural. 2010). 2 MST NO CONTEXTO DE PONTÃO A comunidade de Pontão é considerada um marco para o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST). A ocupação da Annoni se tornou uma das primeiras demonstrações de força do MST. O assentamento foi resultado da ocupação da Fazenda Annoni à época a maior do estado. com 9 mil hectares (Figura 2). ocuparam o latifúndio que estava há 13 anos em processo judicial de desapropriação. XXXVI ENSEA – Encontro Nacional sobre Ensino de Arquitetura e Urbanismo XIX CONABEA – Congresso da Associação Brasileira de Ensino de Arquitetura e Urbanismo cuja ênfase aborda especificamente os assentamentos rurais é denominada Projeto Arquitetônico e Equipamentos Rurais (PAER). o objetivo do presente trabalho é analisar as potencialidades pedagógicas da atividade de extensão universitária em comunidades associativas do MST para formação social do arquiteto urbanista. 1500 famílias. Está localizada no norte do estado do Rio Grande do Sul (latitude 28º03'33" e longitude 52º40'38") e faz divisa com Passo Fundo que é centro regional (Figura 1). cerca de 7 mil pessoas.

Figura 3 . localiza-se a horta coletiva. XXXVI ENSEA – Encontro Nacional sobre Ensino de Arquitetura e Urbanismo XIX CONABEA – Congresso da Associação Brasileira de Ensino de Arquitetura e Urbanismo Figura 2 . Este modo organizacional dispensa a presença de um proprietário que vincule seu nome à posse da terra e aos demais meios de produção.Vista aérea do núcleo da COOPTAR.Marcha dos militantes do MST. e parte dos recursos é destinada ao financiamento das atividade de militância do MST. Dentro dos assentamentos do MST. assim como suas reuniões e encontros (Figura 3). circundando uma área constituída por pomares e um campo de futebol. a cooperativa dispõe suas residências e edificações compartilhadas sem divisão de terrenos. Há. formaram-se as Cooperativas de Produção Agropecuárias (CPA’s): unidades produtivas que constituem. Fonte: Google Earth. rumo à ocupação da fazenda Annoni. onde os moradores realizam suas refeições diárias conjuntamente. algo que se ilustra no núcleo da Cooperativa de Produção Agropecuária Cascata – COOPTAR. . a matriz de organização produtiva nacional do movimento. uma sede comunitária. em outubro de 1985 Fonte: Acervo MST. em nível local. no assentamento de Pontão-RS. casas unifamiliares são distribuídas em disposição radial. 2017. Os princípios associativos e cooperativistas da CPA se refletem em sua organização espacial. Em contraponto ao paradigma de traçado delimitado por lotes. Todo resultado de produção social é gerenciado e dividido entre os trabalhadores das CPA’s. também. Em uma das extremidades. Já a implantação das construções se caracteriza pela ausência de fracionamento em lotes individuais. Nele. próxima ao setor produtivo animal (abatedouro e frigorífico).

o Educar ministra cursos de nível médio. Partindo do conceito de agrovila. O Instituto Educar tem abrangência nacional e opera com regime de alternância de três meses na escola e três meses em extensão para prática no campo. Atualmente. 2012)associados ao curso de agronomia da UFFS. 5º “Ambiente”. 8º “Paisagem”. Assim. Durante os anos de 2015 e . XXXVI ENSEA – Encontro Nacional sobre Ensino de Arquitetura e Urbanismo XIX CONABEA – Congresso da Associação Brasileira de Ensino de Arquitetura e Urbanismo Caume (2006) destaca o papel exercido por Pontão como um assentamento modelar do MST. “Região”. e Patrimônio Histórico e Técnicas Retrospectivas. com 4 créditos. o objetivo geral apresentado no Projeto Pedagógico do Curso é “Proporcionar ao estudante entendimento das demandas. Outro aspecto a se destacar de Pontão que o coloca em destaque frente ao MST é o Instituto Educar que foi criado através do Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária (PRONERA). 6º “A cidade e o edifício”. considerando um grau crescente de complexidade a cada semestre. Planejamento Urbano e Regional. 3º “Materiais. é abordada conceitualmente nos seguintes componentes curriculares: Projeto Arquitetônico e Equipamentos Rurais (PAER). As ênfases ao longo dos semestres são: 1º “Arte”. A ênfase definida para o nono semestre. técnico e superior. De natureza teórico-prática. 4º “Sistemas estruturais”. 2010). 3 PRÁTICAS DE ENSINO-APRENDIZAGEM NO ATELIÊ DE PROJETO O Projeto Pedagógico do Curso de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS) determina que o processo de ensino-aprendizagem de cada semestre seja focado em uma ênfase temática a qual oferece uma forma de integração horizontal entre os componentes curriculares. Partindo do pressuposto de um processo de ensino-aprendizagem cumulativo. correntemente veiculada pela mídia corporativa nacional. contando com processos educativos imersivos. voltado à formação de assentados. demonstrando uma alternativa às formas de ocupação vinculadas à propriedade privada da terra. a disciplina de “Projeto Arquitetônico e Equipamentos Rurais” demanda o desenvolvimento de vivências e experimentações para projeto colaborativo. Iniciativas como essa buscam romper com a imagem negativa do movimento. 9º “Região” (MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO. as CPA’s de Pontão tem entre suas diretrizes de organização o cuidado com aspectos paisagísticos: os moradores são estimulados a cultivar flores e árvores frutíferas em frente às suas casas. voltados às práticas de educação no campo e agroecologia (FAGUNDES. além de local de habitação e trabalho. 2010). Experiência similar é abordada por Borges et al (2010) no curso de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). 7º “Infraestrutura”. com 6 créditos. as ênfases pretendem introduzir novas temáticas. No caso específico da componente PAER. cuja ênfase da 9ª fase é definida como “demandas sociais”. os assentamentos se constituem como modelo contra-hegemônico. condicionantes e potencialidades do projeto arquitetônico em ambiente rural” (MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO. também com 6 créditos. 2º “Desenho”.

foi possível intensificar a integração das disciplinas e atuar sobre toda a extensão da área do município. utilizando como local de estudo e intervenção o município de Pontão e assentamentos do MST. instalações e ambiência. geralmente associadas com a questão da juventude campesina e a oferta de oportunidades. XXXVI ENSEA – Encontro Nacional sobre Ensino de Arquitetura e Urbanismo XIX CONABEA – Congresso da Associação Brasileira de Ensino de Arquitetura e Urbanismo 2016. considerando o contexto de suas cidades e as relações que tinham com a dinâmica e vida no campo. geralmente associados às matrizes de produção agrícola. (ii) Discutir conceitos relativos a identidade e linguagem arquitetônica em intervenções contemporâneas em meio rural. como: a disponibilidade de saúde. sistemas construtivos. a abordagem da temática foi desenvolvida a partir da integração de disciplinas da 9º fase do curso. através de atividades didáticas diversificadas. seminários de integração multidisciplinar e com convidados. que mantinham residência nos centros urbanos e possuíam culturas mecanizadas e arrendadas. (iii) Apresentar projetos arquitetônicos adaptados às necessidades das atividades rurais em termos de materiais. desde o as famílias de pequenos agricultores aos produtores vinculados ao agronegócio. Considerando essa proposta. alguns com longas e significativas vivências. a partir do conhecimento adquirido. a componente PAER tem como objetivos específicos: (i) Compreender a inter-relações entre meio urbano e rural. A atividade partiu do relato das experiências individuais de cada aluno a partir da elaboração de mapas mentais de suas cidades natais. incluindo a aplicabilidade dos instrumentos de planejamento urbano e regional no meio rural. com o objetivo de identificar a diversidade de contextos que configuram o contexto rural. colocando em evidência os diversos contextos. infraestrutura e lazer no campo. Ao longo deste período foram feitos aprofundamentos sobre a temática regional e o contexto rural. A partir dos relatos foi possível constatar que todos os alunos tinham uma relação com a realidade no campo. viagem de estudos como imersão na temática do rural e de movimento social adotados e gameficação como forma de ensino de projeto. (iv) Exercitar a prática projetual como síntese de condicionantes de planejamento urbano e regional. outros que possuíam uma conexão indireta. educação. explorando de forma coerente sua relação com a paisagem. A metodologia de ensino está estruturada em: dinâmicas de grupo como forma de introdução ao tema. e que de alguma maneira sentiam-se conectados a uma identidade rural. destacaram-se nos relatos a introdução de alguns conflitos e questões de interesse dos próprios alunos. O resultado da dinâmica foi muito enriquecedor ao grupo. DINÂMICA DE GRUPO A primeira atividade proposta aos alunos foi baseada em uma dinâmica de grupo. abordando de forma mais direta a questão das comunidades associativas e o desenvolvimento de projetos de assentamento rural. Na primeira edição as atividades nas disciplinas foram estruturadas a partir do contexto e da área do Instituto Educar e na segunda edição. . Da mesma forma. a partir de seus familiares (como avós).

motivou a organização de uma etapa interdisciplinar. com a apresentação de conteúdos importantes para a compreensão do contexto proposto para o estudo. c. permitindo que os alunos refletissem sobre os conceitos previamente formados pelas suas experiências individuais. . b. Fonte: Os autores. XXXVI ENSEA – Encontro Nacional sobre Ensino de Arquitetura e Urbanismo XIX CONABEA – Congresso da Associação Brasileira de Ensino de Arquitetura e Urbanismo SEMINÁRIO INTERDISCIPLINAR A diversidade do contexto rural. permitindo a realização de um seminário multidisciplinar. buscando uma maior compreensão das questões relacionadas ao tema. formas de assentamentos: A partir dos estudos acerca dos movimentos sociais e as experiências relacionadas à reforma agrária no país. 2016 A contribuição feita pelos professores permitiu um maior aprofundamento nas discussões. considerando aspectos sociais. identificado na dinâmica de grupo. seus objetivos e lutas. fomentando o debate e reflexões acerca das diferentes temáticas propostas. modelos de agroecologia e os conflitos com o processo hegemônico do agronegócio. O debate acerca da temática se demonstrou intenso ao longo de todo o período da disciplina. movimentos sociais: Através de palestra com professores externos a disciplina. foram estudados diferentes tipologias de assentamentos. a partir de um panorama multidimensional. das áreas da: Geografia.Palestra e debate com professores do curso de Educação no Campo. Com tal objetivo. para então. Em conjunto com palestras temáticas pelos professores convidados. Os assuntos considerados pelos grupos temáticos foram: a. Ciências Sociais e do Curso Interdisciplinar em Educação no Campo (Figura 4). os alunos realizaram pesquisas em grupos temáticos. A partir de uma abordagem multidimensional buscou-se a compreensão de um panorama relacionado ao contexto rural considerando diversos conflitos envolvidos. foram convidados a participar da etapa professores de outros cursos da própria instituição. a partir da origem e seu processo histórico. buscou-se a compreensão do atual contexto dos movimentos sociais no campo. econômicos e ambientais. matrizes de produção agrícola: As diferentes matrizes de produção agrícola. buscando identificar diferentes modelos de organização e sua relação com os preceitos de cada movimento social. com o objetivo de fomentar as discussões propostas pela disciplina. Figura 4 . ter um panorama da diversidade dos movimentos. envolvendo discussões acerca da agricultura familiar.

Figuras 5 e 6 . Conhecer envolve intercomunicação. e. saúde e educação no campo: Temas como a saúde e educação no campo foram estudados com o objetivo de entender a atual organização e oferta dos serviços públicos e identificar os principais desafios e dificuldades. e os modelos de cooperação e associativismo campesino do MST. têm demonstrado um enorme potencial pedagógico. . As práticas vivenciais experimentadas pelos estudantes do Curso de Arquitetura e Urbanismo da UFFS e com os do Instituto Educar (MST) permitiram uma reflexão acerca da vida em coletividade. VIAGEM DE ESTUDOS: VIVÊNCIA COMO QUEBRA DE PARADIGMAS Para além das atividades desenvolvidas na sala de aula. A herança cultural coloca as mulheres camponesas em situações de grande vulnerabilidade. promovendo a integração entre os alunos do curso de Arquitetura e os jovens do curso de Educação no Campo e de Agronomia (todos integrantes do MST). intermediados pelo mundo real. juventude rural: As dificuldades enfrentadas pelos jovens que vivem no campo. na medida em que ela evidenciou o contraste entre a realidade das cidades (baseada na propriedade privada e na valorização do espaço individual). Segundo Freire (1996). do trabalho comunitário e da responsabilidade individual frente à coletividade (Figura 5. f. mulheres camponesas: Diferente da realidade nos centros urbanos as mulheres no campo encontram desafios ainda maiores na garantia de seus direitos. XXXVI ENSEA – Encontro Nacional sobre Ensino de Arquitetura e Urbanismo XIX CONABEA – Congresso da Associação Brasileira de Ensino de Arquitetura e Urbanismo d. são significativos ao processo contemporâneo de êxodo rural. 7 e 8). mas também. não apenas por seus direitos.Alunos do curso de Arquitetura e Urbanismo e Educação no Campo no Instituto Educar. conhecer não é um ato isolado. estruturadas sob forma de vivência. 6. 2015 e 2016. incentivando o crescimento de movimentos sociais que lutam. intersubjetividade. Uma quebra de paradigmas foi promovida a partir da experiência. Fonte: Os autores. como as limitações na oferta de lazer e acesso à tecnologia. É por meio dessa intercomunicação mediada pelos objetos a serem conhecidos que os homens mutuamente se educam. individual. desde a falta de oportunidades de estudo e trabalho. as viagens de estudo. pelo reconhecimento do papel fundamental da mulher no campo.

na busca pela socialização da terra e pela criação do assentamento onde vivem (Figura 9 e 10). as experiências realizadas e o conhecimento produzido fundamentam a estruturação de novas práticas de interação. Esta experiência permitiu identificar o potencial pedagógico a partir da vivência e troca de experiências. Fonte: Os autores. Figura 9 e 10 . os estudantes puderam interagir com práticas formativas do MST como a mística. . com jovens universitários. XXXVI ENSEA – Encontro Nacional sobre Ensino de Arquitetura e Urbanismo XIX CONABEA – Congresso da Associação Brasileira de Ensino de Arquitetura e Urbanismo Figuras 7 e 8 . Os resultados desta experiência permitiram colocar em evidência a discussão acerca do papel social do arquiteto e urbanista. integrantes do MST provenientes de todos os estados brasileiros. sobretudo. a partir das refeições nos espaços coletivos e nas visitas às cooperativas ajudam a romper com estigmas que são lançados sobre o MST. a própria inserção dos discentes no cotidiano do assentamento. baseadas na construção do conhecimento a partir da experiência coletiva. No caso da vivência realizada pela 9° fase do curso de Arquitetura e Urbanismo em Pontão. com diferentes culturas. Fonte: Os autores. Trata-se de uma representação lúdica em que jovens assentados reconstituem o histórico de luta dos seus pais.Apresentação da mística para os alunos do curso de Arquitetura. direcionadas à integração e construção conjunta com os movimentos sociais do campo. 2015.Atividades de interação no Instituto Educar. e promover a integração entre universidade e comunidade regional. permitindo a promoção de experiências relacionadas à Assistência Técnica. 2015. Como destaca Caume (2006) a mística é um relevante instrumento na construção do imaginário e na legitimação simbólica do movimento. Além de atividades dessa natureza. Neste sentido. além de identificar o potencial existente para intensificar a prática de atividades de extensão e pesquisa.

tendo sido fundada em 1990. 1995). A partir da obra desses autores. contribuem de forma igualitária na distribuição da renda entre os cooperados. A construção de maquetes como um modo de refletir sobre os problemas de projeto em cada etapa de ação. que atuam na rede pública municipal. como os demais.Alunos do curso de Arquitetura e Urbanismo na COOPTAR. Há. EXERCÍCIOS PROJETUAIS DE CURTA DURAÇÃO O ensino do projeto arquitetônico tradicionalmente baseia-se em exercícios desenvolvidos em atelier. a cooperativa conta com cerca de 13 famílias. núcleo anteriormente mencionado (Figura 11 e 12). contando com TV à cabo. Pinon e Mendes da Rocha. foi a visita à COOPTAR. Figura 11 e 12 . integrantes que trabalham em cooperativas fora do espaço do assentamento mas que. A COOPTAR têm buscado implementar infraestrutura digital. 2015 e 2016. Seus trabalhadores se distribuem entre as diversas atividades de produção na área. Dentre as metodologias de ensino de projeto aplicadas em ateliê destacam-se alguns autores como Boudon. Sem prescindir destes princípios aplicáveis ao modelo de ensino centrado no ateliê de . XXXVI ENSEA – Encontro Nacional sobre Ensino de Arquitetura e Urbanismo XIX CONABEA – Congresso da Associação Brasileira de Ensino de Arquitetura e Urbanismo A segunda parte das viagens de estudo e que contribuiu significativamente para a abertura de novas possibilidades de reflexão. Fonte: Os autores. internet e sinal de telefone celular como meios de incentivo à permanência dos jovens no assentamento e maior conectividade e comunicação. Atualmente. A utilização do procedimento de cópia sistemática de projetos como maneira de fazer a leitura atenta do objeto arquitetônico. especialmente na sua dimensão construtiva. Como já destacado. No núcleo de assentamento da COOPTAR também residem médicos integrantes do MST. que ainda apresenta dificuldades na construção do conhecimento necessário do futuro arquiteto (SALAMA. que trabalham sobre uma área total de 205 hectares. Vidigal (2010) apresenta uma síntese dos princípios estruturação didática-pedagógica do ateliê. sendo: a. As famílias que fazem parte da COOPTAR possuem a maior renda per capita do município de Pontão. c. trata-se de uma CPA tida como modelo. ainda. A aplicação de exercícios de curta duração que sirvam para sedimentar as questões ligadas a teoria do projeto. b.

Como estratégia didática são propostos exercícios projetuais de curta duração. assim. a proposta de gamificação do ensino de projeto de arquitetura para assentamentos rurais encontra ressonância na proposta de Mahfuz (s. XXXVI ENSEA – Encontro Nacional sobre Ensino de Arquitetura e Urbanismo XIX CONABEA – Congresso da Associação Brasileira de Ensino de Arquitetura e Urbanismo projeto. em detrimento a realização apenas de estudos de caso. educacionais. unidades de produção. estão previstas aulas temáticas abordadas como Projeto Relâmpago. Como estratégia didática. tais como: modelos de assentamento. Destaca-se assim. 5. Transferir. Essa proposta apresenta-se fundamentada na perspectiva freiriana de que “ensinar não é transferir conhecimento. A partir da experiência destes exercícios. no plano de ensino da componente curricular “GCS 034: Projeto Arquitetônico e Equipamentos Rurais. Os exercícios projetuais foram desenvolvidos em aulas de 6 horas/aula. propõe-se a utilização complementar das estratégias de design instrucional para criação de experiências de aprendizagem gamificadas para o ensino de projeto arquitetônico. com o objetivo de permitir ao aluno desenvolver possibilidades e introduzir as questões até então discutidas teoricamente na disciplina em propostas espaciais. seguido de painéis para apresentação e discussão das propostas. como também. Destaca-se assim uma das maiores contribuições da gamificação para a Educação que é pensar a ação didática não como um processo instrucional e sim como uma proposta de experiência com contexto e significado. este exercício permitiu aos alunos explorar de forma mais livre soluções projetuais que pudessem contribuir para o desenvolvimento de uma linguagem arquitetônica adequada ao contexto rural proposto. 2.d apud Sansão e Pessoa. Analisar. Aprender. os alunos puderam aprofundar as reflexões projetuais na etapa seguinte de desenvolvimento do projeto do assentamento rural propriamente dito. Para tanto. Destaca-se nesse caso. Identificou-se que a forma do espaço está . mas criar as possibilidades para a sua produção ou a sua construção (FREIRE. Nesse caso. que foi realizada juntamente com a componente Planejamento Urbano e Regional. 4. Assegurar e 6. 3. as etapas do método proposto por Alves (2015) ao ensino de projeto. institucionais. Ao longo destes exercícios. contando com o tempo para desenvolvimento conceitual e concepção do projeto propriamente dito. equipamentos religiosos. na autonomia e na experimentação como práticas pedagógicas. Aplica-se. a importância destes projetos de curta duração como estratégia didática para construção do repertório arquitetônico dos alunos. 2013) para um ensino de arquitetura que se baseie na alegria e no lúdico. Arquitetar. 4 RESULTADOS E DISCUSSÃO PLANEJAMENTO URBANO – MACROZONEAMENTO DE PONTÃO Através do estudo dos aspectos biofísicos e culturais procedeu-se a compreensão das macro paisagens de Pontão. o desenvolvimento de atividades projetuais gamificadas desenvolvidas segundo a Metodologia SG+ apresentada por Alves (2015) que inclui as seis seguintes etapas: 1. 2001). unidades habitacionais. Definir. os alunos puderam discutir e experimentar diferentes soluções projetuais.

resquício do processo histórico daquela área antes da atuação do MST e. inclusive fortemente trabalhado no Instituto Educar. O detalhamento de cada Macrozona em zonas com a definição dos tipos de uso e dos parâmetros de ocupação ficou à cargo de cada equipe da turma. e ainda a Macrozona Ambiental Sagrisa que compreende a Zona de Amortecimento do Parque da Sagrisa. Fonte: Acervo pessoal da disciplina (Turma 2016) São: a Macrozona Urbana referente ao que encontra-se consolidado. Figura 13 – Macrozoneamento definido coletivamente pela turma de 2016. O . esta classificada em 1 pelo potencial para atividade de piscicultura e 2 referente à da Barragem Anonni que tem potencial paisagístico de turismo e lazer. a Macrozona Rural Pequena Propriedade. com produção preponderante de monocultura. conforme Figura 13. a Macrozona Rural Grande Propriedade. o espaço rural é tradicional de pequenos produtores rurais sem refletir claramente uma identidade do movimento do MST. De modo geral. que necessita a escolha de um local para implantação. a Macrozona de Expansão Urbana. A partir das diferentes leituras e debates foi definido colaborativamente pela turma o macrozoneamento. XXXVI ENSEA – Encontro Nacional sobre Ensino de Arquitetura e Urbanismo XIX CONABEA – Congresso da Associação Brasileira de Ensino de Arquitetura e Urbanismo diretamente associada com a questão agrícola e agrária. ainda não se materializa no espaço de Pontão. as pequenas propriedades. A maioria das pequenas propriedades são dos assentamentos do MST. Os ideais contemporâneos de produção agroecológica. com 2 hectares que é a Fração Mínima de Parcelamento (FMP) permitida pelo INCRA (2013). O centro urbano está numa posição central no limite entre duas formações geomorfológicas. Estas definições são necessárias para a elaboração da próxima etapa projetiva que é do assentamento rural para o contexto do MST. É clara a distinção entre a configuração de grandes propriedades identificadas como latifúndios. em contraponto. Cada Macrozona apresenta paisagem bastante distinta. Nota-se que o ideal de coletividade preconizado pelo MST no âmbito do espaço rural acontece como assentamento apenas na COOPTAR e nos espaços das cooperativas e do Instituto Educar.

as disciplinas de graduação envolvidas na atividade desenvolveram projetos de assentamentos voltados às organizações associativas. seguir os parâmetros de uso e ocupação do solo definidos para sua respectiva Macrozona e Zona. Figura 16 e 17 – Exemplos de resultados dos projetos de assentamento rural propostos pelos alunos da UFFS. distintas das convencionalmente impostas pelas disciplinas de projeto e planejamento (como a vinculação do projeto ao paradigma do lote individual urbano). 2016. O sítio para implantação do projeto de assentamento rural para o MST em Pontão foi definido pelas equipes utilizando como referência o Macrozoneamento da cidade definido coletivamente pela turma (Figura 14 e 15). os estudantes desenvolveram projetos de assentamento (Figura 16 e 17). Assumindo premissas de projeto. . XXXVI ENSEA – Encontro Nacional sobre Ensino de Arquitetura e Urbanismo XIX CONABEA – Congresso da Associação Brasileira de Ensino de Arquitetura e Urbanismo projeto do assentamento deve então. Figura 14 e 15 – Apresentações dos alunos ao longo do processo de projeto. PROJETO DE ASSENTAMENTO RURAL PARA O MST EM PONTÃO A partir dos conteúdos assimilados nas experiências relatadas. Fonte: Os autores.

seja no campo ou na cidade. Infraestrutura social para o assentamento rural. institucionais. do uso de materiais e do conforto ambiental. a partir das propostas de assentamento. Nesse sentido. XXXVI ENSEA – Encontro Nacional sobre Ensino de Arquitetura e Urbanismo XIX CONABEA – Congresso da Associação Brasileira de Ensino de Arquitetura e Urbanismo Fonte: Acervo pessoal da disciplina (Turma 2016) Os diversos projetos priorizaram a elaboração de alternativas que contemplassem a coletividade e trouxeram uma rica gama de soluções em relação a: a. que relata ações de desenvolvimento e consolidação das áreas de assentamento e seus espaços de sociabilidade. Fomenta sobretudo o debate acerca do papel social do arquiteto urbanista e da construção regional do espaço rural e urbano. semelhanças. a partir dos estudos formais. As propostas consideravam. diferenças e inter-relações. tais como: . incluindo uma postura dialógica entre o saber técnico e o saber popular. equipamentos religiosos. utilizando como referência as interfaces rural-urbano sintetizadas no Macrozoneamento do Município. destacam os desafios da assistência social. a integração com a paisagem rural. busca-se referências em Borges et al (2010. Nota-se. Nesse aspecto. que já não há fronteiras entre o urbano e rural. sobretudo. especialmente se não há muita distância física entre ambos. c. expressas nas temáticas propostas de TFG – Trabalho Final de Graduação. é querido e já é realidade que no espaço rural se tenham tecnologia e infraestrutura como as ofertadas na cidade. Os assentamentos rurais seriam um núcleo urbano no meio rural? A didática da interdisciplinaridade e de estudar o rural a partir da perspectiva dos movimentos sociais têm se mostrado eficiente no atendimento aos objetivos da ênfase do semestre e da componente. Tipo de parcelamento utilizando como premissa a síntese dos conteúdos e reflexões discutidas ao longo da disciplina. contemplando projetos arquitetônicos de unidades de produção. unidades habitacionais. as experiências relatadas por Borges et al (2009). seus conflitos. como também. compositivos. com destaque para formas de organização associativas e seus respectivos modelos de assentamento. Proposição de parâmetros de uso e ocupação do solo para a elaboração do plano de assentamento rural. Observou-se ainda que as reflexões centrais do semestre têm aberto percepção dos acadêmicos sobre novas e ampliadas perspectivas de atuação do arquiteto e urbanista. 2016). b. d. educacionais.

XXXVI ENSEA – Encontro Nacional sobre Ensino de Arquitetura e Urbanismo XIX CONABEA – Congresso da Associação Brasileira de Ensino de Arquitetura e Urbanismo assentamento quilombola. A realidade vista. fomentando novas propostas de interlocução. estruturas de serviços itinerantes para o espaço rural e residência rural. utilizando como temática os movimentos sociais e comunidades associativas suscitou novas problemáticas em sala de aula e gerou novos saberes. que nos recebeu na instituição nas diversas visitas com muita disposição e nos auxiliou nas demais visitas em Pontão. AGRADECIMENTOS A Prefeitura Municipal de Pontão. pode ser entendida como um mecanismo de interlocução capaz de atuar na produção do saber crítico e comprometido com a transformação social. destacou-se a oposição à ideia do lote privado como unidade básica de organização do espaço. a quebra de paradigmas. CONCLUSÃO O desenvolvimento de propostas projetuais com ênfase na região. Dentre os paradigmas rompidos. abre campo para que as formas associativas desempenhem um papel indutor. À Salete Campigotto. Aos professores convidados que gentil e prontamente se dispuseram a vir debater as temáticas nos seminários interdisciplinares. constatou-se que a experiência das viagens de estudo e das vivências trouxeram contribuições significativas para a formação dos envolvidos. . e que extensão universitária e seus possíveis desdobramentos em termos de assistência técnica pública e gratuita. A sobreposição entre espaço urbano e rural. As experiências de ensino integradas a atividades extensionistas no curso de Arquitetura e Urbanismo da UFFS relatadas colocam em evidência a importância de direcionar o olhar do arquiteto também para o espaço rural. Conclui-se que os movimentos sociais e organizações associativas contêm. grande potencial pedagógico a ser explorado. sentida e vivida permitiu uma grande abertura à problemática do acesso à terra. e a construção de novas interpretações acerca da temática dos assentamentos. ao Instituto Educar. Dados estes desdobramentos. coordenadora do Instituto Educar. 5. Ao Curso de Arquitetura e Urbanismo por aceitar a proposta para a nona fase e. que passaram a ser aplicados pelos professores e estudantes em seus trabalhos acadêmicos. inclusive nas aglomerações urbanas. como parte da problemática urbana. a COOPTAR e COOPERLAT pela recepção e pela oportunidade da vivência. centro comunitário para o MST. possibilitar o desenvolvimento das atividades. junto com a Direção de Campus. característica do modo de produção capitalista. em si. O modelo de cooperação que se espacializa nos assentamentos do MST nos ensina que novas formas de produção do espaço podem ser pensadas. As potencialidades evidenciadas pelas ações junto ao assentamento de Pontão demonstram que as atividades de extensão devem continuar sendo desenvolvidas.

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