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MARCOS ALBERTO OSS VAGHETTI

EFEITOS DA CINZA VOLANTE COM CINZA DE CASCA DE ARROZ OU
SÍLICA ATIVA SOBRE A CARBONATAÇÃO DO CONCRETO DE CIMENTO
PORTLAND

DISSERTAÇÃO DE MESTRADO

UFSM
SANTA MARIA, RS, BRASIL
1999

EFEITOS DA CINZA VOLANTE COM CINZA DE CASCA DE ARROZ OU SÍLICA
ATIVA SOBRE A CARBONATAÇÃO DO CONCRETO DE CIMENTO
PORTLAND

por

MARCOS ALBERTO OSS VAGHETTI

Dissertação apresentada ao curso de Pós-Graduação em Engenharia Civil, da
Universidade Federal de Santa Maria (RS), como requisito parcial para obtenção do
grau de MESTRE EM ENGENHARIA CIVIL.

Santa Maria, RS - BRASIL
1999

UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA
CURSO DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ENGENHARIA CIVIL – MESTRADO EM
ENGENHARIA CIVIL

A COMISSÃO EXAMINADORA, ABAIXO ASSINADA, APROVA A
DISSERTAÇÃO DE MESTRADO

EFEITOS DA CINZA VOLANTE COM CINZA DE CASCA DE ARROZ OU SÍLICA
ATIVA SOBRE A CARBONATAÇÃO DO CONCRETO DE CIMENTO
PORTLAND

ELABORADA POR
MARCOS ALBERTO OSS VAGHETTI

COMO REQUISITO PARCIAL PARA A OBTENÇÃO DO GRAU DE MESTRE
EM ENGENHARIA CIVIL

COMISSÃO EXAMINADORA:

_______________________________________________________
Prof. Dr. Geraldo Cechella Isaia – Orientador – UFSM/RS

______________________________________________________
Prof. Dr. Antônio Luiz G. Gastaldini – UFSM/RS

______________________________________________________
Prof. Dr. Cláudio de Souza Kazmierczak – UNISINOS/RS

Santa Maria, 22 de janeiro de 1999.

“Acho que vai certo método através das minhas incoerências. Creio que há uma
coerência que passa por todas as minhas incoerências – assim como há na natureza uma
unidade que permeia aparentes diversidades”(GANDHI, 1985, p. 67).

“O erro não se torna verdade por se difundir e multiplicar facilmente. Do mesmo modo
verdade não se torna erro pelo fato de ninguém a ver”(GANDHI, 1985, p. 68).

“Aqueles que tem um grande auto controle, ou que estão totalmente absortos no
trabalho, falam pouco. Palavra e ação juntas não andam bem. Repare na natureza:
Trabalha continuamente, mas em silêncio”(GANDHI, 1985, p. 76).

“O ser humano possuindo cultura e não tendo um interior equilibrado e altruísta, vai
transformando o conhecimento que possui em uma arma de poder, onde ao invés de
ajudar os outros seres a serem livres, faz dos mesmos objetos acríticos e escravos da sua
sabedoria”(Helenise Sangoi Antunes, 1991).

“O otimismo é o forte dos humildes, por isso sempre vencem; enquanto que o
pessimismo é o forte dos fracos, por isso estão sempre amargurados”(Marcos Alberto
Oss Vaghetti, 1988).

Yolanda e Nilton. afeto e incentivo demonstrados ao longo da pesquisa. Marialva e Vítor. como o aditivo “Sikament”. após longo trabalho experimental e extensa pesquisa bibliográfica. Quando pessoas e entidades. cabe a mim a tarefa de agradecer a todos. professor José Mario Doleys Soares. para que eu pudesse desenvolver a pesquisa com o máximo de rigor científico e voltado para o objetivo principal. respectivamente. aos meus pais. e aos meus irmãos.A. um agradecimento especial pelos materiais doados para a pesquisa. na pessoa de seu diretor. Adelar. que me foi transmitido com segurança e determinação. pelo seu amor e carinho. pelo seu conhecimento adquirido ao longo de anos.. AGRADECIMENTOS Neste momento importante da dissertação. Mauro. envolvidas direta ou indiretamente na pesquisa. Helenise. e Engenho Da Cás Irmãos Ltda. pelo acolhimento. Prontomix Tecnologia de Concreto Ltda. Pelo seu conhecimento e contribuição para a pesquisa em metodologia científica e. a cinza volante e a cinza de casca de arroz. ao meu orientador. aos laboratoristas Alceu.LMCC. ao Laboratório de Materiais e Construção Civil . em especial. Aleise. necessários nos primeiros momentos da pesquisa e imprescindíveis no transcorrer dos ensaios.. às empresas Sika S. Gilberto. João. professor Geraldo Isaia. coordenaram ações na busca do aperfeiçoamento científico. como Natal e Ano Novo. pela paciência e dedicação em passar-me os conhecimentos práticos de laboratório. mais do que tudo. . é necessário reconhecer como foi fundamental o trabalho em conjunto. Marcelo. ao professor Antônio Gastaldini. Marcio e Myrta. como reconhecimento do trabalho e do incentivo demonstrados: à minha esposa. pela sua compreensão e ajuda nos momentos em que necessitei fazer os ensaios no laboratório em feriados universais. o que é natural quando a temática é envolvente e disseminada no meio técnico. pela oportunidade em disponibilizar os equipamentos e laboratoristas para a realização desta pesquisa. sem desviá-la para outros caminhos.

Adriana Cipolatto e Magali Segatti. pelo apoio e incentivo dispensado a este trabalho e também a todos os alunos e professores que criaram um ambiente saudável e propício ao desenvolvimento da pesquisa. que proporcionou a compra de equipamentos e materiais e foi fundamental para o seu desenvolvimento. CNPq/UFSM e CAPES. bem como na realização dos demais ensaios. que cumpriu todas as tarefas a ele destinadas com muito capricho e dedicação. agradeço a Deus por dar-me saúde e espírito forte para enfrentar todas as dificuldades inerentes a um trabalho como este. e por manter-me livre e cheio de esperança para encaminhar novas pesquisas. que contribuíram significativamente para o sucesso deste trabalho. pelo recurso financeiro destinado a esta pesquisa. também agradeço muito a colaboração dos alunos de graduação Marcos Renk e Rodrigo Bender. Também um agradecimento à FIPE/UFSM. à Fundação de Amparo à Pesquisa no Rio Grande do Sul (FAPERGS). ao curso de pós-graduação. que. finalmente. pelos recursos e bolsas concedidas a este trabalho. ao meu colega de curso Jorge Sarkis e ao aluno de graduação Rafael Muñoz pela valiosa contribuição na formatação do texto e ajustes dos gráficos no computador. mesmo não sendo contemplados com bolsa de pesquisa. na pessoa de seu coordenador. aos alunos bolsistas Elton Cagliari. Obrigado a todos. atuaram com dedicação e pontualidade nos ensaios programados ao longo dos trabalhos. com a ajuda na preparação dos materiais e moldagem dos corpos de prova. professor Jorge Luiz Pizzutti dos Santos. um agradecimento especial para André do Nascimento. principalmente. à professora Tatiana Choutova pela sua dedicada atenção e rigor na elaboração do abstract da dissertação. com suas dúvidas e questionamentos sobre o tema da pesquisa e. .

.................................................................................................2 Variáveis envolvidas na pesquisa.........................................1 Mecanismo............................................................................22 2........22 2....................................3 Cinza de casca de arroz.......xx INTRODUÇÃO ................7 1...................50 ......O MECANISMO DA CARBONATAÇÃO E SUA INFLUÊNCIA NO CONCRETO ...........................xii LISTA DE TABELAS ......................................................................................xiv LISTA DE FIGURAS ................26 2.............2................................................................................49 3................................................................................ SUMÁRIO RESUMO ...................................1 Introdução........x ABSTRACT ............................3 Procedimentos e técnicas para os ensaios.................................................O EMPREGO DE POZOLANAS E OS EFEITOS NA CARBONATAÇÃO DOS CONCRETOS DE ALTO DESEMPENHO .......................................40 3................................................................1 Cinza volante..................................................................................................2 Características das pozolanas.............INVESTIGAÇÃO EXPERIMENTAL ..........................7 1............................................................................2 A carbonatação e as variáveis que a influenciam..............4 Benefícios do emprego conjugado das pozolanas........xv LISTA DE SIGLAS E ABREVIATURAS ........................1 CAPÍTULO I ........................................42 3.........................................2 Sílica ativa.............20 2....................................4 Proporcionamento das pozolanas............................................................................................................................28 CAPÍTULO III .........xvii LISTA DE ANEXOS.......................39 3........................................20 2.....39 3.....................9 CAPÍTULO II .............................................24 2..............................................2.................................27 2....................................3 As pozolanas no CAD e a carbonatação..............1 Introdução..................................2.......................................................................5 Dosagem dos concretos........................................2...............................................

...6...........................................7 Durabilidade com vistas à carbonatação...6.............................6...............................................66 4..........63 3.....64 CAPÍTULO IV ...............................................63 3....................................................................62 3..............3 Alcalinidade (pH)..............8..............................1 Cimento........................................8.................84 CONCLUSÃO ......2 Análise dos resultados de resistência à compressão axial.................8 Ensaios realizados com o concreto.................................4 Aditivo..77 4...........92 ANEXO A (tabelas) ...............................................................................................................................................66 4............................1 Resistência à compressão axial...................................6 Integração dos resultados..........7 Ensaio realizado com a pasta.............75 4..................................80 4......................56 3...............99 ANEXO B (figuras) .............72 4..................................................64 3....... 3....69 4.........................6.....3 Agregados.........8....................52 3........................................................................................67 4...2 Alcalinidade versus carbonatação...............79 4........3 Desempenho das pozolanas....................3 Análise dos resultados de carbonatação acelerada.......................................6.................64 3.........................1 Introdução.............64 3..........2 Pozolanas................................111 ..............................................2 Carbonatação acelerada e natural.....................................7.........ANÁLISE DOS RESULTADOS E DISCUSSÃO.......................89 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ............................................................................................................5 Análise dos resultados de alcalinidade (pH).6.......................................................................................77 4..................................................1 Resistência à compressão versus carbonatação........................63 3.........1 Teor de hidróxido de cálcio remanescente (CH)....6 Ensaios de caracterização dos materiais......6.............................................52 3..............................................................................4 Análise dos resultados do teor de hidróxido de cálcio (CH)...........

os concretos foram curados ao ar no laboratório por um período de 28 e 91 dias da moldagem. tiveram sobre a carbonatação do concreto de cimento Portland. RESUMO EFEITOS DA CINZA VOLANTE COM CINZA DE CASCA DE ARROZ OU SÍLICA ATIVA SOBRE A CARBONATAÇÃO DO CONCRETO DE CIMENTO PORTLAND. durabilidade.45 e 0. sem adições. Os níveis de resistência foram definidos em função das relações água/aglomerante 0. investigou-se a influência que teores normais e elevados de pozolanas. Autor: Marcos Alberto Oss Vaghetti Orientador: Prof. Um aspecto da durabilidade do concreto que mais levanta questionamentos no meio técnico é a corrosão do aço.35. Neste trabalho. conferindo ao concreto propriedades tais como coesão. O tempo de cura úmida foi de 7 dias. levando ao avanço do comportamento e vida útil das estruturas de concreto armado e protendido. e os dois principais agentes de seu desencadeamento são a carbonatação e a ação de cloretos. Geraldo Cechella Isaia A partir do início dos anos 90. o termo CAD-Concreto de Alto Desempenho tornou- se prioridade em pesquisas de ponta em diversos países. etc.55. Foram realizados ensaios com 10 traços de concreto contendo pozolanas (cinza volante.. Dr. exsudação. sílica ativa e cinza de casca de arroz) em teores de 10% a 50% de substituição do cimento (em massa). principalmente pela necessidade do conhecimento de características de durabilidade deste material. resistência mecânica. em misturas binárias e ternárias. é necessário a utilização de pozolanas conjugadas com o cimento Portland e um aditivo superplastificante. trabalhabilidade. Para o CAD atuar satisfatoriamente. e um traço de referência. 0. compacidade. Após. antes da colocação dos corpos de prova na .

com coeficientes entre 2. 22 de janeiro de 1999.câmara climatizada com 10% de CO2.0 mm/ semana . . Em igualdade de resistência (60 MPa) e pré-cura de 28 dias. e a ternária de cinza volante e sílica ativa (15+10)%. todas com coeficientes de carbonatação acelerada abaixo de 2. carbonatação natural e resistência à compressão axial. Todos os traços investigados apresentaram coeficientes de carbonatação superiores ao concreto de cimento Portland. Dissertação de Mestrado em Engenharia Civil Santa Maria. situando-se na faixa para concretos duráveis. e a ternária de cinza volante e cinza de casca de arroz (10+15)%. Portanto. o dobro daqueles encontrados para os 28 dias. O tempo de pré-cura ao ar dos concretos influenciou nos resultados. para a corrosão do aço. Enquadram-se também como misturas adequadas. O bom desempenho da cinza de casca de arroz e cinza volante mostraram que é possível obter-se concretos duráveis com adição de elevados teores. como reafirmando a possibilidade de emprego da segunda em quantidades mais elevadas do que preconizam algumas normas ou entidades internacionais. sendo em média. apresentando coeficientes de carbonatação aos 91 dias. concretos executados com estas misturas terão profundidade carbonatada inferior a 40mm em 100 anos. não só prognosticando um futuro promissor para a primeira pozolana. UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA CURSO DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ENGENHARIA CIVIL Autor: Marcos Alberto Oss Vaghetti Orientador: Geraldo Cechella Isaia Título: Efeitos da cinza volante com cinza de casca de arroz ou sílica ativa sobre a carbonatação do concreto de cimento Portland.0 e 4. as misturas com melhor desempenho foram as binárias de cinza de casca de arroz (25%) e cinza volante (25%). com vida útil resistente aos efeitos da carbonatação e.0 mm/ semana . conseqüentemente. as misturas binárias de sílica ativa (10%) e cinza volante (50%). Os ensaios executados foram carbonatação acelerada.

and rice husk ash) with the ratio of 10% to 50% of cement substitution (in mass). silica fume. For the HPC satisfactory performance it is necessary that pozzolans are conjugated with the Portland cement. An aspect of the concrete durability rises a lot of technical questions related to the processes of the reinforcement steel corrosion connected with the two main agents of the material degradation: carbonation and chloride-ion penetration. compactness. mechanical resistance and durability.45 and 0. then concrete specimens were cured in the air at the laboratory up to 28 days (for one group) and 91 days (for the other). workability.55. Dr. mainly for estimation need of its durability characteristics related to the progress of the behavior and useful life of reinforced and pre-stressed concrete structures. Admixture of superplasticizers to the concrete mixtures gives to the material such properties as cohesion. Geraldo Cechella Isaia Starting from the beginning of the nineties. Experiments were accomplished with 10 groups of concrete mixtures containing pozzolans (fly ash. 0. ABSTRACT EFFECTS OF FLY ASH WITH RICE HUSK ASH AND SILICA FUME ON CARBONATION OF PORTLAND CEMENT CONCRETE Author: Marcos Alberto Oss Vaghetti Coordinator: Prof. and a reference mixture without admixtures. the High Performance Concrete (HPC) became priority in research in several countries. After these periods the specimens were placed in the . This work investigates effects of normal and high contents of pozzolans in binary and ternary mixtures on the carbonation of the Portland cement concrete. The initial wet cure period was 7 days. The resistance levels were defined in function of the water/binder ratios 0.35.

The good performance of rice husk ash and fly ash showed that it is possible to obtain durable concrete with high content of pozzolans. It is also possible to consider as adequate other mixtures with coefficients between 2. In resistance equality (60 MPa) and for the 28-day group. The tests involved accelerated carbonation. January 22. It is also possible not only predict a promising future for the first pozzolan. consequently. The air cure period of the concrete specimens influenced the calculation results of the carbonation coefficient. Therefore. 1999. and fly ash with silica fume (15+10)%. but also emphasize the possibility of employment the second one in higher quantities than those established for some standards. All specimens presented higher carbonation coefficients comparing with the reference ones of Portland cement concrete. with resistant useful life to carbonation effects and. . all of them with accelerated carbonation coefficients below 2. this performance place these mixtures within the scope of durable concrete.0 mm/ week of binary mixtures of silica fume (10%) and fly ash (50%). the better mixtures were the binary of rice husk ash (25%) and fly ash (25%). and the ternary of fly ash and rice husk ash (10+15)%. for the steel corrosion. FEDERAL UNIVERSITY OF SANTA MARIA COURSE OF MASTERS DEGREE IN CIVIL ENGINEERING Author: Marcos Alberto Oss Vaghetti Coordinator: Geraldo Cechella Isaia Title: Effects of fly ash with rice husk ash and silica fume on carbonation of Portland cement concrete Dissertation of Master Degree in Civil Engineering Santa Maria. So. natural carbonation and axial resistance compression tests.carbonation chamber with 10% of CO2. It was found out that the calculated coefficients for the 91-day specimens group were two times higher than for the 28-day group.0 mm/ week .0 and 4. it is possible predict that such concrete mixtures will have carbonation depths lower than 40mm for 100 years.

......... 57 TABELA 3..Teor de reposição de CCA e volume de aglomerante.Composição granulométrica do cimento e pozolanas (% passante).........Características físicas das pozolanas.... 58 TABELA 3...9 .....Atividade pozolânica com cimento – NBR 5753 (Fratini)............Composição química do cimento e pozolanas (% em massa).......Coeficientes de carbonatação obtidos para as diferentes exposições (SIRIVIVATNANON & KHATRI......2 . 53 TABELA 3.. 53 TABELA 3.............................. 62 .............7 .. 35 TABELA 3.Características físicas dos agregados.. 54 TABELA 3.......... 55 TABELA 3...... .5 .......6 ........... 50 TABELA 3..... .8 .... LISTA DE TABELAS TABELA 2.. 57 TABELA 3............ ...........................................................................Parâmetros da curva granulométrica........ 1998....................Atividade pozolânica com cimento – NBR 5752.....Teores de pozolanas estudados no plano da pesquisa....... ...........1 ..................................1 ....... ......10 ...............................3 .4 ...........Características físico-mecânicas do cimento...... 44 TABELA 3.............

....55..4 ..................Porosidade das pastas não carbonatadas (HOUST............................................................1986)...................................................... 47 FIGURA 3..............................................................7 ..Efeito da relação a/c sobre a profundidade da carbonatação (FONTENAY...55................................2 .............. 33 FIGURA 2...... 1985)..... 1997).......................Efeito da relação a/c e duração da cura úmida sobre a profundidade de carbonatação dos concretos nos seguintes ambientes: (a) em ambiente quente-seco com carbonatação acelerada (30ºC e 40% UR) e (b) por 5 anos em ambiente marinho (quente e úmido) no leste do mar Mediterrâneo (Israel) (BENTUR. DIAMOND & BERKE.......6 ........ ..4 ........................... 10 FIGURA 1................... 48 FIGURA 3........... 1998)...........Esquema de cura para o ensaio de carbonatação acelerada....5 ...........Porosidade total para os quatro conjuntos de argamassa e teores de CV (GOÑI et al.... 46 FIGURA 3...........1 .......Profundidade de carbonatação após 6 anos de exposição em ambiente com 20oC e 50% UR (SKJOLSVOLD..........3 .............................Níveis de pH para os quatro conjuntos de argamassa e teores de CV (GOÑI et al....2 ....................... 10 FIGURA 1...........................3 ....................................Cinza Volante (25%)-17 semanas e relação a/ag = 0.... 34 FIGURA 3..........Profundidade de carbonatação aos 18 meses para os 17 tipos de cimento testados e para as 3 idades de cura úmida (1............... (SIRIVIVATNANON & KHATRI..Porosidade das pastas carbonatadas (HOUST.........3 .......................................1 .............. .. 32 FIGURA 2........ 11 FIGURA 1....Câmara de carbonatação aberta.................. 12 FIGURA 1......5.......Coeficientes de carbonatação para os concretos de referência e com CV.......... 47 FIGURA 3.....Efeito da relação a/c sobre o progresso da carbonatação (MEYER......... 12 FIGURA 1.......... .................1 . 1997).....Câmara de carbonatação fechada...... LISTA DE FIGURAS FIGURA 1. 49 ...Cinza Volante (50%)-17 semanas e relação a/ag = 0..1968)... 1996).....2 .. 19 FIGURA 2..... 1997).... 3 e 28 dias) (PARROT.......... 1997)............. 17 FIGURA 1.... 1997)............ ..........

... ........................... 76 FIGURA 4........ 68 FIGURA 4.....Relação entre a alcalinidade (pH) e a idade de permanência na câmara acelerada.......... para a cura aos 91 dias e fc=60 MPa............ 87 ................. 68 FIGURA 4......Distribuição granulométrica do cimento e pozolanas.8 ..Diagrama de pozolanicidade.............Atividade pozolânica (Fratini) – mmol CaO consumido...................... ....................Relação linear existente entre os coeficientes de carbonatação (kc) e alcalinidade (kpH). ... .........Composição granulométrica dos agregados.............Profundidade carbonatada das 11 misturas investigadas na idade de 28 e 91 dias de pré-cura ao ar.. .......4 ....6 .. 63 FIGURA 4............................5 ....... 81 FIGURA 4..... ..... 73 FIGURA 4........11 ....Correlação entre coeficiente de carbonatação e teor de hidróxido de cálcio da pasta não carbonatada aos 91 dias.1 ................ 80 FIGURA 4...Desempenho das misturas em relação a carbonatação acelerada na idade de cura dos 91 dias e resistência de 60 MPa...Difratogramas de raios X das pozolanas........................... para fc= 60 MPa...11 .......................... 56 FIGURA 3.. 83 FIGURA 4.......................... 70 FIGURA 4.....................Correlação entre resistência à compressão a 28 dias e relação a/ag para as misturas investigadas........................12 .....................7 .......... ilustrando o teor de CaO em função da alcalinidade total...........Relação entre coeficiente de carbonatação com o tipo e teor de pozolana..... 59 FIGURA 3....................................8................9 ........10 ...Correlação entre resistência à compressão a 91 dias e relação a/ag para as misturas investigadas....................7 ........ ...2 ...... 74 FIGURA 4.. ...........Evolução do kc com a resistência à compressão axial para as idades de 28 e 91 dias de pré-cura ao ar dos concretos.....................................10 .... para resistência de 60 MPa....Conteúdo de CH remanescente em pasta não carbonatada aos 91 dias de idade para todas as misturas.Relação entre o teor de pozolanas e o coeficiente de cabonatação acelerada na idade de cura dos 28 dias e resistência de 60 MPa...............6........45......................... 72 FIGURA 4............... para relação a/ag = 0............. 61 FIGURA 3...3 ............ 78 FIGURA 4.... ..FIGURA 3... 60 FIGURA 3....Difratograma de raios X do cimento............Desempenho das misturas em relação a carbonatação acelerada na idade de cura dos 28 dias e resistência de 60 MPa...9..... 54 FIGURA 3............

Cinza de casca de arroz CH .Hidróxido de cálcio (Ca(OH)2) Cim ..Silicato tricálcico C3S .Silicato bicálcico C2S .Concreto com teor elevado de cinza de casca de arroz (50%) ABCP .Ferroaluminato tetracálcico CA . LISTA DE SIGLAS E ABREVIATURAS a/ag .Cimento Portland de alta resistência inicial C2S .Associação Brasileira de Cimento Portland Al2O3 .Relação água/cimento. em massa a/c .Concreto com teor normal de cinza volante (10%) e cinza casca de arroz (15%) CaO .Concreto com teor normal de cinza de casca de arroz (25%) ARI .Relação água/aglomerante (cimento + pozolana).Concreto de Alto Desempenho CAN .Concreto com teor normal de cinza volante (25%) .Silicato bicálcico C3A .Relação iônica entre cloretos e hidroxilas CMA .Aluminato tricálcico C3S .Silicato tricálcico C4AF .Concreto com teor elevado de cinza volante (20%) e cinza casca de arroz(30%) CaCO3 – Carbonato de cálcio CAD .Óxido de cálcio CaSO4 – Sulfato de cálcio CCA .Óxido de Alumínio AN .Cimento Cl-/OH. em massa AA .Concreto com teor elevado de cinza volante (50%) Ca+2.Concreto com teor elevado de cinza volante (30%) e sílica ativa (20%) CMN .Concreto com teor normal de cinza volante (15%) e sílica ativa (10%) CN .Íons cálcio CAA .

Íons potássio K2O – Óxido de potássio kc .Sílica ativa sem .Coeficiente de alcalinidade MA .Óxido de silício SiO2 . em MPa Fe2O3 .Cimento Portland CPE .Desvio relativo médio fc .Concreto com teor normal de sílica ativa (10%) H.Hidróxido de sódio OH.Íons sódio Na2O – Óxido de sódio NaOH .Silicatos de cálcio hidratados CV .Potencial de hidrogênio ou hidrogeniônico r .CO2 .Coeficiente de carbonatação KOH .Coeficiente de correlação s .Concreto com cimento Portland mais escória de alto forno CPSA .Coeficiente de carbonatação em mm/ ano K+ .Concreto com cimento Portland mais sílica ativa C-S-H .Cinza volante dr .Concreto com teor elevado de sílica ativa (20%) MgO .Molécula de água (H2O) Na+ ..Dióxido de silício .Hidróxido de potássio kpH .Íon oxidrila ou hidroxila pH .Segundos SA .Semanas Si+4 .Óxido de Ferro IAP .Óxido de magnésio MN .Índice de atividade pozolânica K .Íons silício SiO .Resistência à compressão.Anidrido carbônico ou dióxido de carbono CP .

Temperatura do ar durante a moldagem dos corpos de prova Tc .Temperatura do concreto fresco ao final da mistura TR .Tempo de exposição ao CO2 em ano Tar .Diâmetro médio .Dióxido de enxofre t .SO2 .Umidade relativa do ar. em % x .Profundidade de carbonatação em mm φm .Traço de referência UR .

.................................................... 100 TABELA 2A ......Características do concreto fresco........... 102 TABELA 4A ............... 110 ANEXO B FIGURA 1B.......................................... 91 e 182 dias...... ....... ....................... 106 TABELA 8A............Compressão axial aos 7..... ................................ para a idade de pré-cura ao ar de 91 dias e resistências de 50.............. 109 TABELA 11A .Coeficientes de alcalinidade (kpH) para idade de pré-cura ao ar de 91 dias e resistência de 60 MPa.......... 103 TABELA 5A – Teor de hidróxido de cálcio (CH) remanescente da pasta não- carbonatada para a idade de pré-cura ao ar de 91 dias e resistência de 60 MPa........................................................................................................ 101 TABELA 3A . ......................................... ...............Sequência de moldagem........................Coeficientes de carbonatação acelerada calculados a partir das profundidades de carbonatação e do tempo de exposição ao CO2.... 104 TABELA 6A ..... ......Quantidade de materiais por m3 de concreto...........Coeficientes de alcalinidade (kpH) calculados a partir da alcalinidade (pH) do concreto aos 91 dias... 60 e 70 MPa......................................Correlação entre a resistência à compressão aos 182 dias e a relação a/ag para as misturas investigadas....... 28.....................Coeficientes de carbonatação acelerada calculados a partir das profundidades de carbonatação e do tempo de exposição ao CO2................ 113 .. .......... LISTA DE ANEXOS ANEXO A TABELA 1A ............ ................................Carbonatação acelerada e natural......... 60 e 70 MPa...... 107 TABELA 9A .............................................................. 105 TABELA 7A ..............Correlação entre a resistência à compressão aos 7 dias e a relação a/ag para as misturas investigadas.... 108 TABELA 10A ......................Determinação do hidróxido de cálcio livre pelo Etilenoglicol- NBR 7227........................... ........ ............ para idade de pré-cura ao ar de 28 dias e resistências de 50.......... 112 FIGURA 2B..........................

com emprego ainda bastante reduzido. A escória granulada de alto forno é obtida pelo resfriamento brusco com água ou uma combinação água-ar da escória líquida a alta temperatura na . resultando em uma maior durabilidade quando comparado aos concretos convencionais. a cinza volante e. pode-se citar a escória granulada de alto forno. mas são. Neste aspecto. INTRODUÇÃO O concreto é um material que. proporcionando não só a diminuição dos custos e aumento da resistência mecânica. antes de mais nada. O emprego de adições pozolânicas aumentou consideravelmente nos últimos tempos. por fim. Na produção desse concreto. a cinza de casca de arroz.662) ressalta que “os concretos de alto desempenho não são materiais revolucionários. p. uma evolução destes”. com granulometria adequada. que vem a ser um material com menor permeabilidade e maior resistência aos agentes agressivos. contribuindo para estruturas de maior porte. o uso de um superplastificante é quase sempre imprescindível para se conseguir uma relação água/aglomerante baixa. NEVILLE (1997. necessita de estudos e pesquisas avançadas que o façam melhorar o seu desempenho. com o avanço das pesquisas na tecnologia do concreto. Nos últimos oito anos. devido a sua composição heterogênea. nem contêm materiais não usados nos concretos usuais. com boa trabalhabilidade do concreto. principalmente frente a um mercado exigente quanto à capacidade de melhor resistir a ambientes agressivos e também à importância de se obter resistências mecânicas elevadas. e. podendo ser usado o cimento de alta resistência inicial (ARI). o emprego de pozolanas ou escória de alto forno em proporções definidas em substituição ao cimento é essencial para a obtenção das características desejáveis. a sílica ativa. mas principalmente o incremento de durabilidade nas estruturas de concreto. surgiu a denominação CAD (concreto de alto desempenho). o cimento é o Portland comum. Entre as adições utilizadas nos concretos de alto desempenho. utilizam-se normalmente agregados de boa qualidade.

é outra pozolana com excelentes qualidades. induzindo a um aumento nas resistências mecânicas iniciais e também nas finais. sua reatividade é boa. principalmente com relação à resistência à compressão. A cinza volante é obtida pela combustão do carvão mineral em usinas termoelétricas. além do fato de essa última pozolana adquirir melhores resultados em idades avançadas. entre outras. consiste na alta reatividade nas primeiras idades de 1 a 3 dias. com desenvolvimento da resistência já aos 7 dias de hidratação. a cinza volante.produção do ferro fundido ou ferro gusa em indústrias siderúrgicas. Quando apresenta finura adequada. Ela é obtida através da queima da . é uma das pozolanas mais consumidas em concretos de alto desempenho em todo o mundo. Essa pozolana é um subproduto dos fornos das indústrias de silício metálico e ligas ferro-silício. por sua vez. A cinza de casca de arroz. melhorando as características como coesão e viscosidade. utilizada no CAD ainda em pequena escala. a sílica ativa torna-se relativamente onerosa quando utilizada em altos teores e combinada somente com o cimento Portland. Apresenta boa reatividade nos primeiros períodos. em misturas ternárias no concreto. A sílica ativa. Como é um subproduto industrializado. contribuindo também para proteção ao ataque químico e ação do gelo. Este rejeito industrial poluidor é muito utilizado na mistura ao clínquer Portland para obtenção do cimento Portland de alto forno e confere ao concreto maior resistência à difusão de íons cloretos. proporcionando influência considerável na trabalhabilidade e na velocidade de desenvolvimento da resistência do concreto endurecido. principalmente pelas suas características físicas e químicas adequadas quando em contato com as partículas de cimento Portland. sendo seu custo unitário elevado. Esse efeito favorável é observado devido à alta reatividade da sílica ativa nos períodos iniciais combinados com os benefícios que a cinza volante apresenta sobre a reologia do concreto fresco. Por isso. sulfato e álcalis. Sua contribuição para o concreto. seu melhor aproveitamento ainda ocorre quando conjugada com outra pozolana.

principalmente na Região Sul. pois estas cinzas. Fortes argumentos induzem ao aproveitamento dessas cinzas no concreto. onde se tem abundância desse material. como o refinamento do tamanho dos poros entre as partículas. pela segmentação dos canais de fluxo d′água. com a crescente quantidade de cinza volante e cinza de casca de arroz produzidas atualmente. Por outro lado. principalmente quando dispostas nas margens dos cursos d’água. quando não aproveitadas pelas indústrias cimenteiras.casca de arroz a céu aberto ou pela combustão não controlada em fornos industriais. responsável diretamente no incremento da resistência à compressão. Entre os tipos de adições mencionadas.safra 97/98). principalmente na Região Sul. áreas urbanas ou rurais. Dessas. inclusive como substituição de parte do cimento para a fabricação de concreto. como é o caso da cinza volante. como coesão e trabalhabilidade. sejam utilizadas para os mais diversos fins. sem que ainda tenha sido encontrada uma solução para o problema da casca. O Rio Grande do Sul é detentor de aproximadamente 90% das reservas nacionais de carvão mineral (cerca de 28 bilhões de toneladas de carvão) e conta também com 42. as duas últimas são abundantes no Brasil. além de representar muitas vantagens técnico-econômicas.100 t/ano - fonte:IRGA. .4% da produção nacional de arroz (aproximadamente 3. O aumento do seu emprego nos concretos traz grandes benefícios ecológicos. Os efeitos das adições minerais no concreto são relatados por pesquisadores em todo o mundo. o efeito filler causado pela presença física da adição. a cinza volante e a cinza de casca de arroz. principalmente. vindo a ocasionar poluição. a melhora nas propriedades reológicas do concreto fresco. crescem também os problemas ambientais. são lançadas indiscriminadamente na superfície do solo. a diminuição do fenômeno da exsudação. e.609. três fazem parte do trabalho experimental: a sílica ativa. em vez de causarem um desequilíbrio na natureza. Usando-se uma tecnologia adequada. pode-se fazer com que as cinzas.

Esse mecanismo resulta na diminuição da alcalinidade da solução dos poros do concreto. Com a grande quantidade de arroz cultivada na maioria dos países do mundo. a natureza e a dosagem de cimento ou adições minerais. a resistência à compressão e também a presença de fissuras no concreto. a permeabilidade e a compacidade da pasta de cimento endurecida. tanto atuando isoladamente ou em conjunto. esse mecanismo é de grande importância para regular a durabilidade das estruturas. a cinza de casca de arroz pode estar disponível em quantidades suficientes para satisfazer as necessidades de uma mistura mineral de alta qualidade. a duração e as condições de cura. as nações estão se dando conta. a porosidade. a utilização nos ensaios das três pozolanas mencionadas. que depende de muitas variáveis. o que torna relevante seu . como a finura. A carbonatação é um fenômeno físico-químico decorrente da reação entre os constituintes ácidos do meio ambiente com o líquido intersticial existente nos poros do concreto. O processo ocorre por difusão gasosa do CO2 (existente na atmosfera) na fase aquosa dos poros do concreto e pela posterior reação química do CO2 dissolvido com o hidróxido de cálcio. do grande potencial dos materiais cimentantes suplementares. à umidade e à concentração de CO2 no ar. propiciando a despassivação do aço e a possibilidade de desenvolvimento da corrosão. A carbonatação do concreto é um fenômeno complexo. principalmente no que tange à temperatura. Como afirmam MEHTA e FOLLIARD (1995). que se encontra saturado por hidróxido de cálcio (CH) proveniente da hidratação do cimento. a influência das pozolanas na microestrutura dos concretos foi investigada principalmente com respeito à carbonatação. à medida que a demanda por um concreto mais durável aumenta. devido à complexidade que envolve. finalmente. em especial as cinzas provenientes dos recursos minerais disponíveis. formando os carbonatos e água. contribuem no sentido de procurar o aproveitamento dos rejeitos prejudiciais ao ambiente natural e que certamente. Então. pelas suas características. o fator a/ag. Nesta pesquisa. são importantes para o comportamento satisfatório do concreto de alto desempenho. Portanto.

o problema que motivou a realização deste estudo constitui-se no seguinte: Qual é a influência que teores normais e elevados de pozolanas. O terceiro capítulo constitui-se no relato da fase experimental. o teor de hidróxido de cálcio remanescente e a carbonatação dos concretos. permeando na busca de quais as misturas mais adequadas que proporcionam um melhor desempenho do material frente à carbonatação. objetiva-se incrementar o emprego de subprodutos industriais poluentes da natureza. Como propósito social. A dissertação está estruturada em quatro capítulos. .estudo nesta pesquisa. como a cinza volante. bem como algumas pesquisas referentes ao assunto. por último. a sílica ativa e a cinza de casca de arroz. o fato de se adicionar pozolanas ao concreto traz um novo horizonte de investigação. como a influência que o período de pré-cura ao ar do concreto tem sobre a carbonatação. O primeiro e o segundo capítulo foram construídos a partir de pesquisa bibliográfica sobre a temática investigada. procura-se investigar a influência que a substituição de parte do cimento por alguns tipos de pozolanas. exercem sobre a carbonatação do concreto. E. como acontece o seu mecanismo de deterioração e os fatores que o influenciam. terão sobre a carbonatação do concreto de cimento Portland? Decorrentes deste problema e como objetivos específicos do trabalho. Neste estudo. o quarto capítulo contém as análises e discussões dos resultados alcançados. sobre o emprego das pozolanas no CAD e os efeitos na carbonatação. são relatadas as principais características das pozolanas estudadas. a evolução do coeficiente de carbonatação quando se adicionam elevados teores de pozolanas e também as possíveis relações entre a alcalinidade. O capítulo I aborda o fenômeno da carbonatação dos concretos. Além disso. numa categoria de material que está sendo cada vez mais utilizado em obras de construção civil. Portanto. No capítulo II. representados pelas três pozolanas escolhidas. foram analisados outros aspectos importantes. em misturas binárias e ternárias.

Por fim. dos ensaios executados e seus resultados. foram respondidos os questionamentos elaborados para a dissertação. A descrição experimental está contida no capítulo III. as misturas com melhor desempenho encontradas e a relação entre os ensaios desenvolvidos. como a definição dos objetivos a serem alcançados. bem como uma discussão com outros estudos relacionados com a carbonatação dos concretos. como a influência dos períodos de pré-cura ao ar dos concretos. através da metodologia adotada. O capítulo IV envolve a análise dos resultados dos ensaios realizados para implementar os objetivos propostos. das variáveis envolvidas. . na conclusão. dos materiais utilizados.

em poros excessivamente secos. mas faltará água para que a reação ocorra... contribui decisivamente para o rebaixamento do pH e a despassivação da armadura. devido à baixa difusão do CO2. Segundo HELENE (1993. A penetração do gás carbônico no concreto dá-se preponderantemente por um mecanismo de difusão. em ambientes sujeitos a intempéries freqüentes. o processo de carbonatação quase não ocorre. o gás penetra facilmente. CAPÍTULO I – O MECANISMO DA CARBONATAÇÃO E SUA INFLUÊNCIA NO CONCRETO 1. Sabe-se que a maior concentração de CO2 no ar favorece o incremento da taxa de carbonatação. a carbonatação. ao longo dos anos. na presença de umidade.p. uma maior difusão desse gás nos poros e capilares do concreto. ao passo que. com tráfego intenso. comparativamente à concentração de CO2 nos poros capilares do concreto de cobrimento das armaduras. (. a carbonatação da superfície do concreto é lenta ou praticamente nula. em poros saturados de água. exigindo apenas uma certa concentração de CO2 no ar ambiente e uma variação de umidade. propiciando. Influirá a concentração de CO2 no ambiente externo. Embora progrida lentamente no interior da estrutura.) Portanto na maioria dos casos trata-se de gradientes de concentração de CO2. Por outro lado. como chuva e sol intenso. a concentração em volume de CO2 no ar pode variar entre 0. Pode-se afirmar que.2%.99-100). ocasionando o processo de corrosão da mesma. Em ambientes urbanos.1 e 1. Por isso. junto à estrutura. onde a umidade se mantém na faixa entre 50 .1 O Mecanismo O fenômeno da carbonatação acontece naturalmente nas estruturas de concreto. em locais protegidos. a partir de sua superfície.

O hidróxido de cálcio Ca(OH)2 é menos solúvel que outros álcalis do cimento. normalmente na forma de cristais enquanto os outros estão dissolvidos na forma de íons. Como sustenta KAZMIERCZAK (1993) “Neste pH e na presença de oxigênio. p. a velocidade de avanço da frente de carbonatação é alta. esse ambiente de estabilidade química do concreto é modificado. onde se verificam a formação de compostos perfeitamente cristalinos como o Al2O3 e Fe2O3. Entretanto. prevalecendo a reação principal. A principal reação que caracteriza o fenômeno da carbonatação é a seguinte: Ca(OH)2 + CO2 → CaCO3 + H2O O hidróxido de cálcio (Ca(OH)2). Outras reações também ocorrrem. o processo de corrosão não se inicia.99). como o hidróxido de potássio (KOH) e o hidróxido de sódio (NaOH). Na+ presentes na solução intersticial dos poros do material. a reação de carbonatação começa através dos álcalis NaOH e KOH passando a seguir ao Ca(OH)2. quando endurecido. pela ação de íons cloreto ou da carbonatação. devido principalmente aos íons OH-.na solução intersticial. Observa-se. O concreto. onde um composto cristalino Ca(OH)2 é transformado em outro também cristalino CaCO3. o hidróxido de sódio NaOH. como o gás sulfídrico (H2S) ou dióxido de enxofre (SO2). Como a solubilidade do Ca(OH)2 depende da concentração de OH. na solução presente nos poros do concreto. que lhe protege da corrosão”. mas menos importantes. liberado das reações de hidratação do cimento. K+. Ca++.e 80%. alterando o pH de . e o hidróxido de potássio KOH. reage com o gás carbônico (CO2) ou outros gases ácidos. contribuindo para a deterioração do concreto num prazo mais curto. assim. o aço se recobre de uma capa de óxidos muito aderente. Enquanto a armadura não for despassivada pela remoção desta camada de óxidos. Conforme afirma HELENE (1993. que as reações de carbonatação são muito complexas. Dessa forma o hidróxido de cálcio encontra-se. formando os carbonatos (CaCO3) ou sulfatos (CaSO4) e água. possui uma elevada alcalinidade (pH entre 12 e 14). os dois principais agentes desencadeantes da corrosão. Outros compostos formados na hidratação do cimento também são suscetíveis ao processo.

ocorre a deflagração do fenômeno da corrosão do aço no interior do concreto. contribuindo para melhor interpretação do fenômeno na microestrutura do concreto. c) a porosidade. pois muitas variáveis físico-químicas se inter-relacionam e determinam um processo de maior ou menor intensidade de avanço da frente carbonatada. FARDIS & VAYENDAS (1990). mas especialmente na corrosão da armadura que está dentro dele. 1. Com esse pH baixo e na presença de oxigênio e uma certa umidade. b) o fator a/c ou a/ag. O fenômeno da carbonatação dos concretos é muito complexo. Estes agentes não são prejudiciais ao concreto em si. portanto. fatores que afetam preponderantemente o concreto. estão relacionadas algumas das variáveis mais importantes que influenciam na carbonatação. junto com a ação dos íons cloretos. . Neste contexto. despassivando-a. d) a permeabilidade. como a lixiviação. utilizando na especificação dos projetos um cobrimento adequado das armaduras para cada caso e também uma boa qualidade deste material. bem como fatores que atacam preponderantemente a armadura. a expansão ocasionada pela reação álcali-agregado e por ação dos sulfatos. Existem. Essas variáveis são pesquisadas há várias décadas. auxiliando também na busca de novas misturas e adições que aumentem a durabilidade e a vida útil das estruturas.5 para 8. que são: a) a finura. 12. segundo pesquisa de PAPADAKIS.3. como é o caso da carbonatação e dos cloretos.2 A carbonatação e as variáveis que a influenciam A carbonatação é um dos principais agentes de deterioração das estruturas de concreto. o fator preponderante para a durabilidade do concreto consiste em tentar minimizar os efeitos da carbonatação. Abaixo. que garanta ao longo da sua vida útil uma importante proteção contra os agentes agressivos. a natureza e a dosagem de cimento ou adições minerais.

FIGURA 1. Relatos de várias pesquisas indicam que a taxa de carbonatação é fortemente influenciada pelo fator a/ag. Estudos como os de MEYER (1968). Em geral. f) a resistência à compressão axial. FONTENAY (1985) e SKJOLSVOLD(1986) mostraram a influência marcante do fator a/c ou a/ag na medida da profundidade de carbonatação conforme observa-se nas figuras 1.1968). e) a duração e as condições de cura.Efeito da relação a/c sobre o progresso da carbonatação. . 1. .1.2 e 1. a redução desta relação reduz significativamente a medida da profundidade de carbonatação.3 abaixo. (MEYER.1. Esta diminuição no fator a/c ou a/ag implica também a diminuição da porosidade e permeabilidade do concreto.

(FONTENAY.FIGURA 1.3.2. a forte relação linear existente entre a profundidade de carbonatação e a relação a/c. 1985) FIGURA 1. com vistas a melhor .1986). .Efeito da relação a/c sobre a profundidade da carbonatação. HOUST (1997) estudou as variações microestruturais da pasta de cimento hidratada devido à carbonatação. Nestes gráficos verifica-se. indicando assim que o controle do tamanho dos poros é muito importante para regular o aumento ou a diminuição da frente de carbonatação. Em pesquisa recente. para diversas condições de exposição e idades dos ensaios. Profundidade de carbonatação após 6 anos de exposição em ambiente com 20oC e 50% UR (SKJOLSVOLD.

com relação à porosidade da pasta.4 são afetados pela carbonatação.Porosidade das pastas carbonatadas (HOUST. A alta porosidade da pasta com a/c=0.3 até 0. com atmosfera de 80% a 90% de CO2 e umidade relativa de 76% até uma completa carbonatação. com relações a/c de 0. Esta redução é maior para relações a/c mais baixas.1997) A interpretação dos resultados de HOUST(1997) indica que a porosidade é significativamente reduzida. A carbonatação acelerada das pastas.8 mostra um aumento da quantidade de poros com diâmetros entre 0. Foram testadas amostras de pasta de cimento Portland. Todos os tamanhos de poros são afetados pela carbonatação nas pastas . nessa pesquisa.compreender os efeitos sobre a porosidade do material. encontram-se nas figuras 1.1 µm.4. mas em particular aqueles com diâmetros abaixo de 0.Os resultados desse estudo.4 e 1. FIGURA 1. e também uma diminuição dos poros finos. conclui o autor.5 a seguir.8. conduz a grandes modificações no sistema de poros. tanto para as amostras carbonatadas quanto para as não-carbonatadas. Os corpos de prova permaneceram durante seis meses submersos em água com cal para uma perfeita hidratação.04µm e 2µm. A modificação na microestrutura da pasta. Todos os poros da pasta com relação a/c=0. as amostras foram submetidas à carbonatação acelerada. foi medida através do ensaio de porosimetria por intrusão de mercúrio. Após a cura.

implicando o aumento da durabilidade do concreto. em misturas binárias e ternárias. conjuntamente com um aumento na quantidade de poros mais finos. a carbonatação é tanto mais rápida quanto menor a . com aumento no volume de poros de gel e diminuição no volume de poros capilares. Com isso. um refinamento dos poros. Este comportamento microestrutural ratifica o efeito benéfico das pozolanas no concreto.48 e curados por 7 e 28 dias. os pozolânicos. o trabalho de Venuat apud PARIS (1973) mostrou ser nula a influência da finura na velocidade de carbonatação durante o primeiro ano. o cimento Portland comum. os cimentos que contêm escórias e.Em seu trabalho. PARIS (1973) aponta como fatores que influenciam na velocidade deste fenômeno a natureza. melhoram as propriedades como permeabilidade e exsudação. investigou a carbonatação das pastas hidratadas dentro de uma interpretação físico-química. Em pesquisa recente. ou seja. além da redução na porosidade total. Com relação à finura do aglomerante. Posteriormente. a finura e a dosagem do cimento ou adições. contribuindo para uma menor permeabilidade. Numa contribuição importante para o estudo da carbonatação em pastas hidratadas. que houve modificação na microestrutura das pastas com pozolanas. uma vez que restringe os movimentos da água. através dos resultados dessa pesquisa. que a natureza dos aglomerantes influencia na carbonatação. através dos ensaios. (1996) investigou a influência das adições minerais na porosidade das pastas de cimento Portland. Foram estudadas várias misturas de cimento Portland (ARI) com cinza volante. A porosidade total e o diâmetro médio dos poros foram determinados em amostras de pasta com relação a/ag igual a 0. diminuindo o tamanho dos poros. Constatou-se. mas é particularmente os poros com diâmetros < 0. cinza de casca de arroz. Hamada apud PARIS (1973) constatou. por fim.1µm que são reduzidos. Em geral.de relações a/c ≤ 0. citando por ordem os que são mais resistentes ao fenômeno: o cimento Portland de alta resistência inicial (ARI). afirma que os aglomerantes compostos se carbonatam mais rapidamente que os Portland simples. íons e gases para o interior do concreto. GASTALDINI et al. escória granulada de alto forno e sílica ativa.5.

embora.. por sua vez. pois regulam as variações na microestrutura do concreto. das condições de cura e também do tipo e proporção de cimento ou adições minerais deste concreto. como as características físico-químicas do aglomerante e dos agregados. para efeitos práticos. é evidente que essa profundidade de carbonatação irá sofrer variações substanciais. a velocidade diminui à medida que a proporção de cimento ou adições aumenta. Por essa razão. portanto. A permeabilidade do concreto é outro fator que influencia na carbonatação. Esta permeabilidade está vinculada a fatores inerentes ao próprio material. em especial a carbonatação. Qualquer ação que tende a diminuir a porosidade freia o processo de carbonatação.. pois a maior ou menor difusão dos gases dentro dos poros capilares implica aumento ou diminuição na velocidade da reação principal deste fenômeno. através dessas pesquisas. por sua vez. Entretanto. a relação a/c ou a/ag. é influenciado pelo grau de hidratação. muitas vezes se diz que a carbonatação é função da resistência do concreto”. seja verdade”. na dosagem do cimento ou adições. p. A difusividade do CO2 na pasta de cimento hidratada é um fator que regula a carbonatação. Essas variáveis. O sistema de poros da pasta.498). da finura e da dosagem do cimento ou adições. Segundo NEVILLE (1997. Também pode estar relacionada . “Esses fatores influenciam a resistência do concreto qualquer que seja a pasta de cimento que ele contenha. quando expostos ao CO2. as variações são tão pequenas que podem ser consideradas nulas. essa abordagem “. Ela é função da distribuição dos poros no momento em que ocorre a difusão do CO2 na pasta. Também segundo esse autor. as propriedades que influenciam na durabilidade. modificam a microestrutura da pasta de cimento e influenciam na resistência à compressão do concreto.finura. pela relação a/ag e também pelo tipo de cimento. Mas. conforme o local de exposição da peça de concreto. a importância do controle da natureza. Nota-se. é uma simplificação inadequada. o conteúdo de cimento no traço. no final.. etc. conforme este autor. Mas. Principalmente porque a resistência obtida nos ensaios de laboratório não reflete a mesma realidade que os concretos em obra. e.

um conteúdo de cimento adequado e uma idade de cura prolongada. Estudo realizado por COSTA. não tiveram influência direta na permeabilidade dos concretos. como líquidos e gases do ambiente. O trabalho de DHIR. torna-se difícil a adequação de modelos ou regras definidas que permitam diminuir a permeabilidade do concreto com vistas a sua durabilidade. e esta. barato e simples de operar. com equipamento portátil. eles salientam que a profundidade de carbonatação pode ser relacionada com a permeabilidade intrínseca. HEWLETT & CHAN (1989) teve o propósito de investigar a praticabilidade de usar a permeabilidade intrínseca para predizer a resistência potencial do concreto à carbonatação. concluem os pesquisadores. E. lançamento e cura. tempo de cura e também das resistências desenvolvidas pelos concretos. Esta proteção. Os tipos de cimentos testados. tais como ambientes com gases agressivos. por fim. na carbonatação. é necessário conhecer os diversos elementos que alteram a microestrutura do material e influenciam na permeabilidade. Entretanto. concretos com pozolana natural. relatam os autores. por sua vez. conteúdo de cimento. Com isso. umidade relativa e temperatura no local de exposição e ações de congelamento do concreto. no entanto.com fatores ambientais. FACOETTI & MASSAZZA (1992) sobre a permeabilidade e difusão de gases em concreto mostra que os coeficientes de fluxo de gás são altamente dependentes da relação a/c. está relacionada diretamente com as características de permeabilidade do concreto. como a própria execução do concreto: transporte. Como conclusões. A redução na permeabilidade dos concretos torna-se mais significativa quando há uma diminuição na relação a/c. influindo ou não sobre a resistência à carbonatação. e o teste de índice de ar de FIGG. . Sabe-se que a área próxima à superfície do concreto promove uma proteção tanto física quanto química para o ingresso de agentes agressivos no seu interior. a fatores tecnológicos. mas sim indireta e dependente da resistência à compressão. pode ser utilizado para prognosticar diretamente a resistência potencial do concreto à carbonatação. Nessa pesquisa utilizaram-se concretos com cinza volante. concretos com escória de alto forno e concretos com cimento Portland.

observa-se que o concreto sofre influência marcante do tipo de ambiente ao qual ele é exposto. mas protegidos). Quando está sujeito a intempéries. Foram testadas três condições de exposição: uma internamente. no laboratório. a carbonatação quase não ocorre ou progride muito lentamente através da superfície do concreto. Foram testadas duas séries de concretos . Também com relação às condições de exposição. e uma terceira embaixo d′água a 20ºC. a profundidade de carbonatação dos concretos depositados internamente foi de 1. fazendo a comparação em igualdade de relação a/ag ou conteúdo de aglomerante. em igualdade de resistência aos 28 dias. A cura úmida para todos os concretos foi de 24 horas. sob cobertura. Muitos estudos relatam a necessidade de uma boa cura para minimizar os efeitos do CO2 sobre a superfície deste material. ou seja. aumentando este de 1 para 3 dias. próximo à saturação devido a chuvas prolongadas ou faces muito secas pela estiagem. pois encontra condições favoráveis para a difusão do CO2 nos poros. Quanto ao período de cura úmida. ela se desenvolve com maior velocidade. como a umidade relativa entre 50 e 80% e temperatura praticamente constante. Após 3 anos. Outra variável importante que influencia na carbonatação é a cura do concreto. outra externamente. Entre as conclusões da pesquisa consta que os concretos contendo cinza volante apresentaram carbonatação similar ou ligeiramente maior que o concreto de referência.0 vezes maior do que aqueles depositados externamente. Entretanto. a pesquisa de BARKER & MATTHEWS (1994) relata que concretos armazenados em locais fechados (ambiente de laboratório à 20°C e 65% UR) carbonataram mais que os armazenados ao ar livre (expostos ao tempo.5 a 2. a profundidade de carbonatação foi significantemente maior para os concretos com cinza volante. Entretanto. em locais protegidos e úmidos. Pesquisa como a de HOBBS (1988) mostra a influência da cura sobre a profundidade de carbonatação em concretos contendo 35% de cinza volante em substituição ao cimento Portland. sendo que estes apresentaram redução de 40% na profundidade de carbonatação quando comparados aos concretos em recinto fechado. Pelo experimento relatado acima. com umidade e temperatura controladas (65% e 20ºC). eles verificaram que. a profundidade carbonatada reduz-se ao redor de 15%.

Através da boa correlação entre a profundidade de carbonatação na idade de 1 ano e as resistências à compressão aos 28 dias para ambas as séries ensaiadas. abaixo. os prismas de 75x75x200 mm foram colocados em sacos plásticos umidecidos sob uma temperatura de 20°C. Esta é substancialmente reduzida quando o equilíbrio de umidade entre a superfície do concreto de cobertura e o exterior encontra-se adequado. em especial a carbonatação. como as pozolanas. conseqüentemente. foi verificada a influência dos tipos de cimento e da cura na profundidade de carbonatação e na corrosão do aço dentro do concreto. . para as 3 idades de cura úmida. pode-se acompanhar o desenvolvimento da profundidade de carbonatação para os diversos tipos de cimento após 18 meses. Outra pesquisa que trata sobre o efeito da cura sobre a carbonatação é a de PARROTT (1996). A cura úmida para o concreto. principalmente quando são analisados diversos tipos de cimento com uma variedade de componentes secundários. Através da figura 1. Foram testados três períodos de cura úmida 1. aumento das resistências finais. define praticamente o comportamento das propriedades deste material ao longo de sua vida útil. portanto. e usados 17 tipos de cimento. sendo constatado que aos 18 meses a espessura foi 64% maior do que aos 6 meses. 3 e 28 dias. Nesse trabalho. principalmente nos períodos iniciais com uma cura prolongada.com diferentes tipos de cimentos. os autores concluíram que a resistência à compressão é um parâmetro mais fidedigno que a relação a/c para predizer a espessura carbonatada dos concretos. Para a cura úmida por 3 dias. As leituras da profundidade carbonatada foram feitas aos 6 e 18 meses.6. diminuição da porosidade e. Os concretos permaneceram nos moldes por 24 horas após a moldagem. possibilitando melhor hidratação do cimento.

em média.6. Junta-se a isso o fato de a camada superficial do concreto apresentar uma microestrutura menos porosa. A influência da cura no experimento de PARROTT (1996) foi significativa. DIAMOND & BERKE (1997). Com isso.6. verifica-se que.Profundidade de carbonatação aos 18 meses para os 17 tipos de cimento testados e para as 3 idades de cura úmida (1. 3 e 28 dias) PARROTT (1996). de carbonatação após 18 meses 3 dias de cura 15 28 dias de cura 10 (mm) 5 0 D54 U1 U2 U3 U4 U5 U6 U7 U8 U9 F1 F2 F3 F4 F5 F6 F7 Tipos de cimento FIGURA 1. ela aumenta 33% em relação a cura por 28 dias e reduz 20% em relação à cura por 1 dia. BENTUR. A influência combinada da cura e . ao comentarem o papel da cura sobre a carbonatação. ocorrendo em média 38% de redução na profundidade de carbonatação quando a comparação é feita entre as idades de 1 e 28 dias de cura úmida para os 17 tipos de cimento testados. dificultando a difusão do CO2. podendo ser explicada também. fizeram comparações de concretos curados em ambientes diferentes. nota-se a tendência de uma menor carbonatação à medida que se prolonga o tempo de cura. devido à maior reserva alcalina proporcionada pela melhor hidratação dos compostos anidros do cimento durante esse aumento do período de cura inicial. 20 1dia de cura Prof. além dos fatores já citados. baseados em pesquisas de JAEGERMANN & CARMEL (1988) e BENTUR & JAEGERMANN (1989 e 1990). Fazendo ainda a comparação da espessura carbonatada para a idade de cura por 3 dias. como pôde-se observar na figura 1.

A necessidade da prática de uma boa cura para o concreto é enfatizada na figura 1. entende-se que o efeito de aumentar o período de cura úmida torna-se obrigatório para as estruturas de concreto. contribuindo para incrementar as potencialidades das propriedades deste material.7. os prejuízos de uma cura inadequada dependem das condições ambientais. DIAMOND & BERKE(1997). . Segundo BENTUR. Eles são piores sob condições quente-secos. reduzindo com isso os custos de recuperação. salientam os autores. mas terá uma influência mais danosa sobre a profundidade de carbonatação. 2 e 7 dias. não pode por si só ser suficiente para obter o desempenho de durabilidade desejados. A prescrição de resistência ou a/c para os concretos. Os autores observaram que uma cura inadequada resulta em um aumento da profundidade de carbonatação de um fator de 2 a 4.7. é ilustrada na figura 1.relação a/c em relação à profundidade de carbonatação. concluem os pesquisadores. mas também não podem ser ignoradas em ambientes quente- marinhos úmidos. como também para retardar ou impedir o aparecimento dos fatores de deterioração. e uma cura inadequada pode resultar numa redução de 20% na resistência à compressão. Neste contexto. quando os concretos foram expostos em locais diferentes e com 3 períodos de cura úmida 1.

reage quimicamente com o hidróxido de cálcio a temperaturas ambientes para formar compostos com propriedades cimentantes.1 Introdução A utilização de adições minerais nos concretos vem a ser.O EMPREGO DE POZOLANAS E OS EFEITOS NA CARBONATAÇÃO DOS CONCRETOS DE ALTO DESEMPENHO 2. uma das formas de aumentar as características de durabilidade das estruturas. Em outras palavras. numa forma finamente dividida e na presença de umidade. na atualidade. acontece um mecanismo de dissolução e precipitação do CH. formando o CSH com locais preferenciais de nucleação. como foi enfatizado nas palestras proferidas pelos professores MEHTA e SWAMY. liberando os íons Ca+2 e. a reação principal que ocorre entre o CH liberado da hidratação do cimento Portland e a pozolana. Assim. faz dos pesquisadores que estudam o tema sujeitos na busca de trabalhos experimentais que comprovem os benefícios destas adições e sua conseqüente disseminação nos concretos. portanto. juntamente com o fato do aproveitamento das cinzas para a diminuição dos problemas ambientais. especialmente as relativas à durabilidade. realizado recentemente na cidade do Rio de Janeiro (agosto. 1998). posteriormente. O emprego de pozolanas. é a seguinte: Pozolana + CH + H → C – S – H Nas reações pozolânicas. com a . Isto. Uma pozolana é assim definida. ocorre uma aceleração da hidratação do C3S pelas partículas finas das pozolanas.217). de acordo com MASSAZZA(1998). Material silicoso ou sílico-aluminoso que em si mesmo possui pouca ou nenhuma propriedade cimentante mas. p. segundo MEHTA & MONTEIRO (1994. fazendo com que este precipite na solução dos poros . chamada reação pozolânica. parece ser a tendência mundial para melhorar as propriedades do concreto. CAPÍTULO II. no 40º Congresso Brasileiro do Concreto (REIBRAC).

contribui para o refinamento do tamanho dos poros. modificando as características microestrutural e estrutural dos poros dos compostos cimentantes. devido ao aumento da resistência da pasta através das reações pozolânicas. Tanto o refinamento do tamanho dos poros como o dos grãos aumentam a resistência da zona de transição. ou seja. fazendo com que necesssite menor quantidade de CO2 para reagir com o CH e formar os carbonatos (NEVILLE. portanto. Entretanto. impedindo a penetração de agentes agressivos e. ou por um processo topoquímico ou hidratação no estado sólido. nas reações de carbonatação o mecanismo não é o mesmo. diminui sensivelmente a permeabilidade do sistema. induz a uma diminuição nos teores de CH na solução dos poros do concreto. na medida em que o processo de formação do C-S-H nas reações pozolânicas ocorre por dissolução e precipitação do CH. melhorando a durabilidade do material. Esta redução na microfissuração do concreto. aumentando com isso a resistência da pasta de cimento. de baixa densidade. que é a transformação dos grãos maiores de um componente em grãos menores.adsorção dos íons Ca+2 pelos íons Si+4 dissolvidos da superfície dos grãos da pozolana. conseqüentemente. quando os compostos anidros do cimento são dissolvidos em seus constituintes iônicos com a formação dos hidratos. Segundo MATALA (1997). a transformação de vazios capilares grandes em muitos vazios de pequenos tamanhos. . Além deste efeito físico importante. nas reações de carbonatação. a difusão e dissolução do CO2 na solução dos poros ocorre por um mecanismo de dissolução. com a conseqüente formação do C-S-H. quando acontecem as reações diretamente na superfície dos componentes do cimento anidro sem entrarem em solução. O desenvolvimento das reações pozolânicas. que é fonte principal das microfissuras no concreto.1997). a reação pozolânica é responsável também pelo refinamento do tamanho dos grãos. devido às diferenças de natureza entre as reações. A formação dos silicatos de cálcio hidratados (C-S-H) secundários.

e Presidente Médici. Este processo. e também a que mais produz cinza. sendo constituídas essencialmente de sílica. em Bagé. O fenômeno da carbonatação no CAD também é tratado neste capítulo. Estados Unidos e China. a sílica ativa e a cinza de casca de arroz. é a maior produtora de carvão no mundo. entre os países que mais detém estes recursos. Este capítulo aborda as principais características destas pozolanas. Neste último estado. No Brasil. aumenta a velocidade de carbonatação. como as vantagens e desvantagens do seu emprego nos concretos. pois a difusão do CO2 nos poros é mais rápida devido à menor quantidade de CH disponível para reagir. e os sistemas de geração de vapor da Riocell. são resíduos sólidos obtidos principalmente em usinas termoelétricas.2 Características das pozolanas 2. cerca de 10 milhões de toneladas/ano. nos estados de Santa Catarina e Rio Grande do Sul. encontram-se as usinas termoelétricas de Charqueadas. em Guaíba. 2. conseqüentemente. chamadas de cinzas volantes (CV). em São Jerônimo. quando suas partículas finas e esféricas são retidas por precipitadores eletrostáticos ou mecânicos e armazenadas em silos apropriados. alumina e óxidos de ferro. estão a União Soviética. bem como dos seus efeitos na combinação ternária com o cimento Portland. buscando pesquisas recentes realizadas com as pozolanas estudadas neste trabalho. A União Soviética. As pozolanas utilizadas na pesquisa experimental foram a cinza volante. e.1 Cinza volante As cinzas provenientes da combustão do carvão mineral. e da Copesul. relacionando-as com as propriedades do concreto. .2. as fontes produtoras estão restritas à Região Sul. em Montenegro e Triunfo. Sabe-se que o carvão mineral é uma das maiores fontes de energia não- renovável da Terra. segundo MEHTA (1989).

sendo que os . A constituição mineralógica das cinzas volantes de baixo teor de cálcio (tipo F) consistem principalmente de vidros de aluminossilicatos. são utilizadas nas indústrias cimenteiras para a fabricação do cimento pozolânico. facilitando o transporte e o bombeamento a grandes distâncias. As cinzas do tipo F são as mais comuns e provenientes do carvão betuminoso. Outro emprego dessa cinza é como componente na estabilização de solos. segundo a norma americana ASTM C 618 (1980): as de baixo teor de cálcio (menos de 10% de CaO) do tipo F. e as cinzas do tipo C são originadas do carvão sub-betuminoso ou lignito e resultam cinzas volantes ricas em cal.000 t/ano (KIHARA & SCANDIUZZI. ocorre o aumento da resistência do concreto. 1992). A cinza volante foi utilizada durante muito tempo em obras de barragem para a diminuição do calor de hidratação e o custo do empreendimento. As quantidades de cinza volante produzidas anualmente nessas usinas são as seguintes: Presidente Médici.000 t/ano e Riocell-50. A outra parte que não é aproveitada pela indústria é lançada na natureza.120. diminuição da exsudação e segregação. melhora na coesão e trabalhabilidade. da durabilidade do material. Boa parte dessas cinzas.000 t/ano. conseqüentemente.000 t/ano. Os benefícios da CV para o concreto no estado fresco são significativos. A longo prazo. causando poluição do ar e da água. que. As cinzas volantes são classificadas em duas categorias. as reações de hidratação ficam um pouco retardadas nos períodos iniciais. contribuindo para a diminuição da temperatura. em idades superiores a 28 dias. segundo a especificação brasileira EB-758. Com isso. e as de alto teor de cálcio (entre 10 e 30% de CaO) do tipo C. Copesul-190. as vantagens da adição dessa cinza aos concretos se traduz no incremento da impermeabilidade e.220. devido principalmente ao refinamento dos poros da pasta. como o aumento no tempo de pega. Charqueadas. aproximadamente 60%. usada junto com a cal para formação da base em pavimentações de estradas. admite de 15% a 50% (em massa) de pozolanas na sua composição. No concreto endurecido.

1994). pois influencia sobretudo na atividade pozolânica. tanto a do tipo F quanto a do tipo C. eles tendem a reduzir a reatividade das cinzas. bem como do modo de coleta das cinzas. 1991). e até cerca de 10% de carvão não-queimado (MEHTA & MONTEIRO.9 e 2. A composição química da cinza volante restringe-se basicamente ao teor de óxidos. A finura é uma propriedade importante desta pozolana. juntamente com a morfologia da cinza. hematita ou magnetita. A área específica Blaine está normalmente entre 250 e 600 m2/kg. A massa específica da CV encontra-se na faixa entre 1. com mais de 50% menores do que 20 µm. Com relação à carbonatação dos concretos com CV. pois não reagem com o hidróxido de cálcio à temperatura ambiente. quanto mais elevado for o teor de matéria amorfa. os principais requisitos são os seguintes: o total de sílica. mas é um indicativo da dimensão dos grãos. e um teor máximo de álcalis (Na2O) de 1. não sendo uma característica determinante da qualidade da cinza. sob a forma de vidro. As partículas de cinza volante são esféricas e possuem diâmetro entre 1 µm e 100 µm.principais minerais cristalinos são quartzo. 1997). Estas características. possuem aproximadamente 60 a 85% de vidro.5%. da qualidade e tipo de equipamento da combustão. quanto mais fina. As características físicas das cinzas volantes são muito variáveis e dependem muito da composição e grau de pulverização do carvão. perda ao fogo de até 5%. teor máximo de 5% de SO3. a trabalhabilidade do concreto fresco e a velocidade de desenvolvimento da resistência do concreto endurecido (NEVILLE. Quando esses minerais estão presentes em grandes proporções. mais reativas serão as cinzas volantes. Esses requisitos para a cinza volante também estão de acordo com a norma brasileira NBR 12653/92. Portanto. mulita. com exceção apenas do limite da perda ao fogo. vários estudos demonstram que o pH não é substancialmente reduzido para promover a . exercem muita influência sobre a demanda de água. alumina e óxido férrico não deve ser inferior a 70%. que admite um máximo de 6%. A maioria das cinzas volantes.4 g/cm3. de modo que. Pela norma ASTM C 618 (1980). mais rapidamente elas reagem com o cimento (ISAIA. 10 a 30% de compostos cristalinos.

investigando dois tipos de pasta de cimento com cinzas volantes. Essa pozolana. 1993) e BIJEN & SELST (1993). O consumo de CH por estas reações proporciona uma redução na espessura da camada entre a pasta e o agregado. é um subproduto da fabricação de silício ou ligas de ferro-silício a partir de quartzo de elevada pureza em fornos a arco e de indução das indústrias de silício metálico.2. reduzindo a possibilidade de microfissuração. devido a sua elevada superfície específica que está entre 20000 e 25000 m2/ kg e não pode ser detectada pelo método Blaine. reforçando a zona de transição pasta-agregado. sílica volatizada ou simplesmente fumo de sílica.. tanto o efeito microfiller como a influência pozolânica da SA são responsáveis pelo aumento da resistência na interface pasta-agregado. quando adicionada ao concreto. ratificada por várias pesquisas. A sílica ativa também melhora a zona de transição através das reações pozolânicas. por esta razão o nome de fumo de sílica”. contribuindo para o acréscimo de resistência e impedindo a entrada de agentes agressivos devido à maior compacidade do concreto.2 Sílica ativa A sílica ativa (SA).despassivação do aço.. 104). ocorrendo uma densificação da mesma.o SiO que se desprende na forma de gás. O efeito filler das pequenas partículas induz a uma microestrutura da pasta mais densa e uniforme. foi observado que a alcalinidade é mais dependente dos teores de hidróxido de sódio e potássio provenientes do cimento do que do hidróxido de cálcio liberado das reações de hidratação. como as de LARBI & BIJEN (1990. também conhecida por microssílica. Segundo NEVILLE (1997. “. . 2. melhora sensivelmente a resistência à compressão nos períodos iniciais (2 e 3 dias). se oxida e se condensa na forma de partículas esféricas extremamente pequenas de sílica amorfa (SiO2). Portanto. p. mas sim através de ensaio por adsorção de nitrogênio. Na pesquisa como a de DIAMOND (1981).

A maioria das partículas de SA possuem diâmetro entre 0. uma motivação para a descoberta de soluções que visem ao aproveitamento desses rejeitos. Apesar do alto consumo de CH pelas reações pozolânicas. 1994). representa um sério problema ambiental. Essa questão tem despertado nos pequisadores. que. Pesquisa realizada por HAVDAHL & JUSTNES (1993) com pastas de cimento e SA na proporção de 1 a 20% de substituição e relações a/ag entre 0. ao mesmo tempo. as pesquisas em certos países encontram-se num bom ritmo. especialmente em engenhos de beneficiamento de arroz. A distribuição granulométrica das partículas de SA é duas ordens de grandeza mais fina que a do cimento Portland comum e das cinzas volantes típicas. ar e nas margens dos rios. buscando a utilização da casca na geração de energia e da cinza como material suplementar para o emprego em concretos. A massa específica situa-se na ordem de 2. é lançada ao solo. pois. Esse comportamento caracteriza a SA como altamente pozolânica. 2. sendo explicado pela alcalinidade fornecida pelo C-S-H.1 µm. causando um desequilíbrio no ecossistema. em todas as pastas em que o CH havia sido consumido. por sua vez. minimizando os efeitos danosos à natureza.2 e 0. que detém uma grande produção de arroz em nível mundial. principalmente da área tecnológica. os concretos com SA não modificam substancialmente o seu pH. Com isso. o pH encontrava-se superior a 12. quando ela é queimada.03 µm e 0. mas. arroios ou açudes.20 g/cm3 (NEVILLE. sendo que a dimensão média é aproximadamente 0. Nos dias de hoje. o acúmulo da casca. aumenta o consumo de água no concreto. 1997). como no Japão e Malásia. .4 mostraram que.3 Cinza de casca de arroz A cinza de casca de arroz (CCA) é um subproduto da queima da casca de arroz a céu aberto ou pela combustão não-controlada em engenhos para a secagem dos grãos. que só é solucionado com o emprego de aditivos plastificantes (MEHTA & MONTEIRO.3 µm.2.5. gera um volume considerável de cinza. como também em fornos de olarias para a fabricação de tijolos.

Com isso. Como acontece com a SA. tais como a cristobalita e a tridimita. 1994). formando cristais de menores dimensões. de acordo com MEHTA (1992). 1994). No beneficiamento do arroz. o efeito filler (físico). apesar das poucas pesquisas realizadas até o momento. apresentando superfície microporosa. 2. as partículas ficam mais finas e passam a desenvolver atividade pozolânica (MEHTA & MONTEIRO. se deve ao fato de a CCA ser formada a baixas temperaturas. já são suficientes para torná-la corriqueira em experimentos e lançá-la como a adição mineral do futuro. cada tonelada produz ao redor de 200 kg de casca e esta. As qualidades que ela apresenta.2.4 Benefícios do emprego conjugado das pozolanas . facilitando a formação de C-S-H e de sílica hidratada. sendo este o maior responsável pelo aumento da resistência à compressão. quando produzidas industrialmente (MEHTA & MONTEIRO. Com as outras pozolanas. por combustão. não só pelas altas resistências nas primeiras idades (1 e 3 dias) como também a longo prazo. que é determinada por adsorção de nitrogênio e gira ao redor de 50000 a 60000 m2/kg. Em vista dessas características. acompanhado das reações de natureza química (reações pozolânicas) da CCA. a CCA tem comportamento similar ou até melhor que a SA. necessitando de maior tempo de indução para que a sílica amorfa reaja com os compostos alcalinos. fazendo com que ocorra o refinamento dos grãos de CH. A explicação. gera 40 kg de cinza. devido a sua alta reatividade quando a queima for controlada. que geralmente contém altos teores de minerais de sílica não-reativos. produzindo partículas com superfície mais impermeável. a zona de transição pasta- agregado é diminuída e reforçada pela produção do C-S-H secundário. Nesse aspecto. Após um processo de moagem. contribui para a segmentação dos poros do concreto. a CCA é uma pozolana que desperta muito interesse no meio técnico. melhorando as propriedades relativas a durabilidade do concreto. por isso alguns pesquisadores a consideram como uma superpozolana. o processo de obtenção se dá pelo rápido resfriamento de gotas fundidas a altas temperaturas. A finura da CCA está representada pela sua elevada superfície específica.

seis binárias e uma mistura de referência. penetração de água e carbonatação acelerada. refere-se a sílica ativa (SA). Foram relatadas as vantagens da utilização das pozolanas (CV. xvi). Os resultados. com a CV que possui efeito mais retardado. retração. .". Extenso trabalho experimental foi realizado por ISAIA(1995). SA e CCA) em misturas binárias com o cimento Portland. conclui ISAIA(1995. a ação física (defloculação. de pozolanas altamente reativas nos períodos iniciais. foram analisados de forma não segmentada.. privilegiando os processos interativos que ocorrem na hidratação das pastas cimentantes..217). como é o caso da SA e CCA. após 28 dias. Com isso. conforme anunciada na citação de ISAIA(1995. módulo de elasticidade.p. Foram estudadas 13 misturas. a CV foi conjugada com a SA e a CCA. 217) ". Assim. Nesta dissertação. indicando que o aumento do efeito sinérgico foi mais significativo para os altos teores. portanto. sob ótica integrada (holística). Entre as variáveis investigadas estão resistência à compressão. calor de hidratação. foi adotado um fator de desempenho global para cada mistura. relação Cl-/OH-. bloqueio dos poros) e textura mais homogênea (nucleação e refinamento dos grãos)". ". As pesquisas com essas adições apontam que a conjugação em misturas ternárias apresenta igual ou maior benefício que seu emprego isoladamente. Nos traços ternários. segundo ISAIA(1995. analisando várias propriedades ligadas à durabilidade do CAD com vistas à corrosão do aço... penetração de cloretos. parece ser mais promissora para os concretos sob o ponto de vista da durabilidade. em especial a CV+CCA(20+30)%. procura-se também analisar o efeito sinérgico da CV conjugada com a SA ou CCA em relação ao fenômeno da carbonatação. 1 A sigla MS . dispersão) que a CV exerceu em conjunto com as adições pozolânicas da CCA e MS1. A combinação... sendo seis ternárias. empregando misturas binárias e ternárias com as três pozolanas citadas acima. resultou em microestrutura com menor porosidade (tortuosidade. caracterizando a ação sinérgica entre as adições como um fator importante no desempenho das misturas ternárias.. p. para mostrar sua eficiência com relação à durabilidade. p. As misturas que apresentaram os melhores resultados foram as ternárias.

Pesquisa de HO & LEWIS (1987) investigando 16 combinações de misturas contendo de 20% a 40% de CV mostrou. 4. temperatura ao redor de 23ºC e concentração de CO2 de 4%. entre outros aspectos. principalmente devido ao aumento do teor de finos. Nesse aspecto.contribuindo para mostrar o desempenho das misturas ternárias neste tema específico dentro da durabilidade dos concretos. implicando uma maior compacidade e resistência da pasta endurecida. concluem os autores. Os corpos de prova tiveram cura úmida inicial durante 1. se faz presente através da densificação da matriz da pasta. 7. a influência dos altos teores sobre a carbonatação dos concretos. As medidas da espessura carbonatada foram realizadas após 1. SA e CCA na carbonatação dos concretos de alto desempenho encontram-se relatados neste item. a porosidade e a permeabilidade. reforçando a zona de interface pasta-agregado. Analisando as misturas. em corpos de prova de 75x75x300 mm. procurando estabelecer relações existentes entre as propriedades modificadas pelo fenômeno. trabalhabilidade e exudação. Por outro lado. o aumento da quantidade de pozolana no traço do concreto contribui favoravelmente. em igualdade de . tanto para o concreto fresco como a coesão. 91 e 365 dias. ocasionando o incremento na carbonatação. seguidas de cura ao ar no laboratório por 21 dias. bem como pelas reações químicas entre as pozolanas e o CH liberado da hidratação do cimento. ocorre um maior consumo de CH. caracterizado pela alta superfície específica destes materiais. como visto anteriormente. 28. A incorporação de maior quantidade de CV aumentou o coeficiente de carbonatação dos concretos. quanto para o concreto endurecido como o desenvolvimento das resistências mecânicas. 9 e 16 semanas de processo acelerado.3 As pozolanas no CAD e a carbonatação Alguns estudos sobre a influência da CV. Para o teste de carbonatação acelerada foi utilizada câmara com umidade relativa de 50%. O efeito das adições pozolânicas na micreoestrutura do CAD. 2.

resistência aos 28 dias, mesmo teor de aglomerante e mesma relação a/ag, os
concretos com cinza volante apresentaram menor resistência à carbonatação.
ISAIA (1992) faz um enfoque crítico sobre concretos com altos teores de
cinza volante frente à corrosão da armadura. Segundo o autor, embora exista uma
queda do pH da solução dos poros, essa diminuição ainda não é suficiente para
promover a despassivação da armadura, pois a reserva alcalina encontra-se
superior ao mínimo necessário. À medida que decresce levemente o pH, aumenta
o valor crítico da relação Cl-/OH-, dificultando a difusão dos íons cloreto.
O pequeno decréscimo do pH e o aumento da relação Cl-/OH-, obtido nos
ensaios de difusão de cloretos, pode ser explicado, de acordo com ISAIA(1992,
p.225), pelo “...refinamento dos poros proporcionados pela cinza, a presença de
compostos alcalinos em sua constituição, aliado à existência de Ca(OH)2
remanescente...”.
Também com relação aos altos teores de cinza volante, GALEOTA,
GIAMMATTEO & MARINO (1995) testaram concretos variando a proporção de
CV de 0 a 50%. As propriedades analisadas foram, entre outras, a resistência à
compressão e a flexão, módulo de elasticidade, aderência concreto-aço e retração.
Os resultados deste estudo mostraram que o concreto com altos teores possui
considerável potencial dentro de uma ampla variedade de aplicações estruturais.
Outra pesquisa com CAD contendo CV foi realizada por MÜLLER,
HÄRDTL & SCHIESSL (1997), sendo investigadas as propriedades mecânicas e
de durabilidade do concreto. As conclusões indicam que conteúdos de CV entre
40 e 60% de substituição do cimento fornecem resistências satisfatórias e também
uma boa proteção do aço contra a corrosão.
Com isso, observa-se que a utilização de altos teores de CV no CAD, apesar
de diminuir a sua resistência à carbonatação, ainda não é suficiente para promover
a deterioração do material em níveis prejudiciais à corrosão do aço.
A reserva alcalina do CAD com pozolanas é influenciada pelo aumento ou
diminuição no consumo de CH através das reações pozolânicas. Esse consumo é
modificado conforme a quantidade de adições minerais, bem como na combinação
binária ou ternária das mesmas com o cimento Portland. Diversas pesquisas

relatam o efeito sinérgico das pozolanas na carbonatação e também a influência
do conteúdo de CH.
SCHUBERT(1987) comenta que a substituição do cimento e/ou dos
agregados finos por cinza volante como uma adição, ou como um componente
principal do cimento no concreto ou na argamassa, afeta a permeabilidade e o
conteúdo de cálcio deste concreto. O consumo de CH na reação pozolânica,
conforme o autor, reduz a quantidade que pode ser carbonatada, de tal forma que a
ação do CO2 leva à formação de uma quantidade menor de carbonato de cálcio.
Neste caso, a taxa de carbonatação pode ser aumentada, já que a permeabilidade é
diminuída pelo carbonato de cálcio.
Outro estudo enfocando o conteúdo de CH nos concretos com misturas
binárias e ternárias de cinza volante e escória de alto forno em relação à taxa de
carbonatação foi apresentado por HORIGUCHI et al.(1994). Numa das
conclusões verificadas, em especial sobre as misturas binárias com cinza volante,
os autores referem que a utilização da CV em teores até 30% aumentou o
coeficiente de carbonatação, sendo que esse incremento foi proporcional à medida
que cresceu o teor de pozolana no traço e a tendência não mudou para os três tipos
de cimentos testados. Ainda com relação às conclusões, eles afirmam que, para
avaliar a taxa de carbonatação dos concretos com pozolanas, deve ser levado em
conta o conteúdo de CH presente na mistura, sendo determinado pelo balanço
entre a quantidade de CH produzido pela hidratação do cimento Portland e a
quantidade de CH necessária para a completa reação com as pozolanas.
Pesquisa, também envolvendo concretos com misturas binárias e ternárias de
CV, realizada por JONES, DHIR & MAGEE (1997), verificou que as taxas de
carbonatação dos concretos com pozolanas em misturas ternárias eram
significativamente mais altas que os traços binários e o concreto de referência. As
profundidades de carbonatação obtidas foram em média 2,5 vezes maiores que
para as misturas binárias. O aumento também foi proporcional à medida que
cresceu o teor de pozolana na mistura. Estudo de ISAIA (1997) sobre a ação
sinérgica da cinza volante em misturas pozolânicas ternárias concluiu que esta
pozolana possui efeito multiplicador tão maior quanto mais elevados forem os
teores de pozolanas contidos em cada mistura. Isto se deve, segundo o autor, à

maior dispersão dos grãos de cimento proporcionados pela cinza volante,
resultando na formação de locais adicionais de nucleação, bem como maior
quantidade de produtos hidratados.
BRANCA et al.(1993) estudou concretos contendo diferentes quantidades de
cimento Portland comum e cinza volante. Uma das conclusões dessa pesquisa
mostra que a adição de CV para substituir o cimento acelera o processo de
carbonatação. Os autores explicam é o fato de que, quando a CV substitui o
cimento, o CH é reduzido em função das reações pozolânicas, tornando o
processo de carbonatação mais rápido.
Pesquisa realizada por SASATANI, TORII & KAWAMURA(1995) também
estudou concretos contendo adições minerais, sendo expostos a várias condições
de cura. Foram analisadas a resistência à compressão axial, a permeabilidade, a
profundidade de carbonatação e a penetração de cloretos. Com respeito à
carbonatação, os pesquisadores observaram que, para todas as condições de cura,
a profundidade de carbonatação dos concretos contendo 30% de CV e concretos
com 50% de escória foi muito maior que o concreto testemunho e com aqueles
contendo 10% de sílica ativa. Este comportamento, segundo eles, não está
associado somente à porosidade do concreto e ao grau de saturação do mesmo,
mas também à quantidade de CH remanescente.
Estudo na microestrutura da argamassa com teores de CV de 15%, 35% e
50%, realizado por GOÑI et al.(1997), confirma que a diminuição na porosidade
total é decorrente da carbonatação. Os corpos de prova de argamassa de 10x10x60
mm permaneceram 24 horas nos moldes e, após, foram acondicionados em
câmara saturada de umidade por 28 dias. Quatro conjuntos de argamassa foram
moldados, um de referência (não-carbonatado), um para carbonatação natural (1
ano) no laboratório (40% a 50% UR) e dois conjuntos para carbonatação
acelerada, sendo um com 5% CO2 e outro com 100% CO2. Os ensaios para
caracterização da argamassa foram os de porosimetria, microscopia eletrônica de
varredura e resistência à flexão. A relação a/ag foi de 0,5 para todos os conjuntos.
Pela análise da solução dos poros, o pH foi um bom indicador do estágio da
carbonatação, como é mostrado na figura 2.1.

Níveis de pH para os quatro conjuntos de argamassa e teores de CV (GOÑI et al. que a carbonatação total ainda não foi atingida. sendo explicado provavelmente pelo elevado conteúdo de CH não-carbonatado dentro do cimento. exceto para o teor de 50% de CV. de acordo com o indicador de fenolftaleína (pH<9). (1997) observaram que a neutralização total da solução dos poros. o valor do pH da solução dos poros ainda encontrou-se elevado.1. Após um ano de carbonatação natural. . Através da figura 2. segundo os autores.2 ilustra as variações microestruturais causadas pela carbonatação.. a figura 2. Com relação à porosidade das argamassas. GOÑI et al.1. FIGURA 2. Isto dá a impressão. 1997). somente foi encontrado para a carbonatação acelerada com presença de altos teores de CV.

e para as amostras completamente carbonatadas. de acordo com GOÑI et al. sendo menos densa para teores de 50% de CV. sendo expressiva a percentagem diminuída (em média 45%) da porosidade total para os poros < 0. a porosidade diminui ligeiramente para teores abaixo de 15% de CV. significando que o material não é afetado do ponto de vista da sua microestrutura porosa. Em geral. . concluem os autores. Existe algumas diferenças no comportamento da porosidade dependendo se a carbonatação é acelerada ou natural. ambos os tamanhos de poros (> 0.05µm e < 0. Quando a carbonatação é acelerada. após um ano de exposição. enquanto que para adições mais elevadas (35 e 50%) a porosidade total aumenta ligeiramente. que a distribuição dos poros em misturas pozolânicas carbonatadas modifica a porosidade total. Observa-se.05µm. 1997) Na figura 2.05µm) são diminuídos como resultado da carbonatação das argamassas. havendo aumento dos macroporos e diminuição dos microporos à medida que cresce o teor de adição no traço. portanto. a densificação da microestrutura é claramente observada. Para a carbonatação natural.2.FIGURA 2.Porosidade total para os quatro conjuntos de argamassa e teores de CV (GOÑI et al. que as variações na porosidade total foi menos relevante para as argamassas com 50% de CV (redução de 12%) do que para aquelas apenas com cimento Portland (redução de 22%)..2. (1997). pode-se notar.

Com relação à carbonatação. o efeito do ambiente sobre a taxa de carbonatação. A quantidade adequada de CV para os concretos de alto desempenho dentro de uma variedade de aplicações estruturais consistiu no experimento de SIRIVIVATNANON & KHATRI (1998). Em função disso. Nesta figura 2. Para estabelecer a validade do teste acelerado para a idade de pré-cura aos 90 dias. em função das resistências.3 estão representados os coeficientes de carbonatação para os concretos de referência e com 30% de CV. penetração de cloretos e ataque de sulfatos. (SIRIVIVATNANON & KHATRI. FIGURA 2. os autores observaram que a cura dos concretos em períodos curtos (28 dias) pode afetar os coeficientes de carbonatação devido à exposição prematura dos corpos de prova ao processo acelerado. Sobre os ensaios acelerados. eles deixaram os concretos envelhecerem naturalmente por três meses (90 dias) para depois colocarem os corpos de prova na câmara com 4% de CO2. 1998). bem como os testes de carbonatação acelerada.3.3. Na figura 2. os autores fizeram uma comparação dos resultados . em termos da resistência para a carbonatação. sem adições.Coeficientes de carbonatação para os concretos de referência e com CV. A durabilidade dos concretos com CV foi comparada com os concretos de cimento Portland. foi investigado o efeito do emprego de aditivos nos concretos. em igualdade de resistência à compressão (28 dias). observa-se que os concretos com cinza volante possuem coeficientes de carbonatação em mm/ semana mais elevados que o concreto de referência.

Concretos CP CPE CPSA Resistência (MPa) 35 40 50 35 40 50 35 40 50 Teste acelerado 4.6 0.3 0. concretos com cimento Portland mais escória (CPE) e concretos com cimento Portland mais sílica ativa (CPSA) para as três condições de exposição.3 2.5 3.7 2. os coeficientes foram significativamente menores do que aqueles obtidos em laboratório e no ensaio acelerado. Essa preocupação dos pesquisadores SIRIVIVATNANON & KHATRI (1998).9 (mm/ semana ) Laboratório 3. quanto ao período de pré-cura ao ar dos concretos antes da colocação dos . pois em Sydney o tempo apresenta-se muito chuvoso. Na tabela 2.dos coeficientes de carbonatação para três tipos de exposição dos concretos.3 1. TABELA 2.4 (mm/ ano ) Através dos resultados da tabela 2.1 5.9 5.6 4.9 1. 1998). Neste último. enquanto no laboratório a umidade é baixa e encontra-se numa faixa controlada.6 4. De qualquer modo.1 1.8 5. segundo SIRIVIVATNANON & KHATRI (1998). quando comparados com os dados do laboratório e de campo. um no teste acelerado.1 0.1 encontram- se os coeficientes de carbonatação obtidos.1.2 3.6 2.0 2.6 1. Foram testados concretos com cimento Portland (CP). sempre com altas umidades.1 0. concluem que a tendência obtida para o ensaio acelerado e para a exposição no laboratório pode ser considerada igual à exposição de campo.0 1.1. embora os valores absolutos dos coeficientes sejam diferentes.Coeficientes de carbonatação obtidos para as diferentes exposições (SIRIVIVATNANON & KHATRI. Isto pode ser explicado pelas diferenças nas condições ambientais.4 5.9 (mm/ ano ) Campo (Sydney) 2.1 4. na Austrália).9 2. pode-se observar que os coeficientes são mais elevados para o teste acelerado. sendo expressos em mm/ ano para os corpos de prova com exposição natural (laboratório e campo) e mm/ semana para os corpos de prova com exposição acelerada.2 2. um dentro do laboratório e outro de campo (em Sydney.

com idades de leitura da profundidade carbonatada aos 28. favoráveis à segurança estrutural”. o aumento do período de cura inicial de 1 para 7 dias teve o efeito de reduzir a carbonatação em 50%. aumentou. o autor afirma que “As profundidades de carbonatação medidas em câmaras condicionadas podem então ser consideradas como valores máximos. Portanto. Segundo o autor. procurando contribuir para compreender melhor esta questão. independentemente da presença da cinza volante. Também com relação à cura. 365 e 730 dias. o concreto de referência apresentou maior carbonatação que os concretos com adições minerais. pois o concreto com pozolanas necessita de um tempo adequado para que as reações pozolânicas se processem antes das reações de carbonatação e sem a interferência destas. Os resultados enfatizam a importância de uma cura adequada para a durabilidade do concreto. verificando que para a cura úmida de 7 dias. Em alguns casos. a . Na câmara condicionada. quando mantidas a céu aberto. 90. Um dos objetivos desta pesquisa é justamente verificar a influência dos períodos de pré-cura ao ar dos concretos antes do processo acelerado. o efeito da duração da cura se tornou menos marcante num ambiente de umidade relativa mais alta. indicando que os concretos com pozolanas são mais sensíveis a condições de cura mais severas. como uma das conclusões do estudo. pelo menos de uma forma marcante como acontece nos ensaios acelerados. Uma das conclusões deste trabalho mostra que a taxa de carbonatação diminuiu à medida que a duração da cura inicial era aumentada. Conclusão semelhante a de THOMAS & MATTHEWS (1992) também foi relatada por HO & LEWIS (1987). ALMEIDA(1991) testou concretos com pozolanas e concretos testemunhos. Pesquisa realizada com concretos contendo cinza volante foi relatada por THOMAS & MATTHEWS (1992). Entretanto. com ênfase particular sobre o papel da cura. A profundidade de carbonatação também diminuiu à medida que a umidade relativa. bem como as reduções tornaram-se mais marcantes nas umidades relativas acima de 80%. 180. Os corpos de prova foram submetidos a dois tipos de exposição: um a céu aberto (sujeito a intempéries) e outro em câmara condicionada (20°C e 55% UR). depois da moldagem.corpos de prova em câmara acelerada de carbonatação é justificada. o inverso foi quase sempre verdadeiro.

que avaliaram às propriedades físicas e químicas da CCA incorporada ao concreto. etc. portanto. onde foram retiradas 16 amostras de concreto em estruturas com SA e 11 amostras em estruturas que continham apenas cimento Portland. bem como o .7 MPa) foram corrigidas para 60 meses e 33 MPa. ZHANG & MALHOTRA (1995).9 mm). e valores menores para ambientes chuvosos ou muito secos. muitos experimentos têm destacado as qualidades desta pozolana. por exemplo. A espessura média de carbonatação foi de 11. foram retirados 3 pedaços de concreto com diâmetro de 31mm e comprimento entre 30 e 40 mm. respectivamente. tanto o período de tempo (valor médio de 58. As profundidades de carbonatação em concretos com e sem sílica ativa foi objeto de estudo de SKJOLSVOLD (1986). bem como dados pouco confiáveis sobre a composição dos concretos (relação a/c.6 mm para os concretos com SA e 8. O autor conclui que as investigações em estruturas existentes não são fidedignas para a comparação entre os concretos estudados. resistências. como.5 meses) quanto as resistências (valor médio de 34. Algumas amostras foram extraídas da parte interna das edificações e outras da parte externa.carbonatação foi essencialmente dependente da relação a/ag. sendo mais elevado para os concretos com SA (desvio padrão= 5. procedendo após os ajustes em todas as profundidades de carbonatação. Para uma razoável comparação dos concretos. Com relação à CCA.8 mm para os concretos com cimento Portland. e as razões disso são as variações locais de cada estrutura. podendo apresentar valores mais elevados em ambientes quentes e com umidade entre 50% e 80%. encontra-se como o maior responsável pela variação das profundidades de carbonatação dos concretos. As investigações de campo mostraram resultados inaceitáveis para as profundidades de carbonatação em ambos os concretos . O tempo de exposição destas amostras variou de 41 a 90 meses antes da leitura da profundidade carbonatada. após 5 anos. a carbonatação diminuiu. Estes valores apresentaram um grande desvio padrão para as profundidades de carbonatação dos concretos. mostrando-se indiferente ao tipo de mistura considerada no estudo.). enquanto ficou praticamente inalterada quando ela foi superior a 7 dias. Quando a cura inicial foi aumentada de 1 para 7 dias. Para cada teste. O microclima de cada região.

Apesar de poucos experimentos com esta adição. sendo que o concreto com CCA mostrou-se com excelente resistência à penetração de íons cloretos. Isto pode ser atribuído ao aumento da densidade do concreto pelo uso da CCA e da SA.75 e 0. por MATSUI et al. os autores colocam que os efeitos da CCA no aumento da resistência à compressão e também na melhoria do concreto ao ataque ácido.80. 4 e 8 semanas de processo acelerado com 5% de CO2 na câmara. Para a carbonatação. mas valores menores do que os concretos com sílica ativa. os concretos com CCA apresentaram melhores resultados em várias idades até 180 dias quando comparados com o concreto testemunho. penetração de íons cloretos e carbonatação. Os autores concluem que a CCA é altamente pozolânica e pode ser usada como material cimentante suplementar. também com relação a CCA. módulo de elasticidade e retração. sob condições de 30ºC de temperatura e 60% de umidade relativa. Todos os concretos estudados indicaram resultados semelhantes com relação às propriedades de resistência à flexão e cisalhamento. Pesquisa como a de SUGITA et al. e um efeito favorável ao desenvolvimento da resistência do concreto. mostra a resistência dos concretos feitos com esta pozolana para o ataque ácido.(1996). Em relação ao teste de carbonatação acelerada. Para a resistência à compressão. as leituras foram realizadas após 2.desempenho desta cinza no concreto fresco e endurecido. Como conclusões. a CCA tem-se mostrado com boa performance nas propriedades do CAD como descrito acima. a CCA tem sido apontada como uma mistura promissora para o concreto. (1997). e relações a/ag de 0. concretos com SA e concretos testemunhos (com cimento Portland comum). Foram analisados concretos contendo CCA. e também com relação à carbonatação. enquanto nenhuma carbonatação pôde ser detectada para as misturas com CCA ou SA. já que possui uma maior ou igual área específica quando comparada com a sílica ativa. podem ser atribuídos principalmente a formação de . Foram utilizadas adições de 10 a 50% de CCA. Com efeito. penetração de íons cloreto e carbonatação. foi observado que a profundidade de carbonatação diminuiu com o decréscimo da relação a/ag da mistura testemunho.

Por isso. visão.1 Introdução Pelos padrões da ciência. para a interpretação do fenômeno da carbonatação do concreto com pozolanas. portanto. que é possuir criatividade e imaginação. toda descoberta necessita ser embasada em parâmetros físicos. envolvem uma base teórica de onde se criam modelos e referencial para o aprofundamento do assunto ou tema e um desenvolvimento prático e experimental. de uma maneira integrada. As pesquisas científicas de um modo geral. Esta visão um tanto cartesiana contribuiu de forma eficiente para que prevalecesse a idéia de que somente era científico aquilo que poderia passar pelo crivo da racionalidade. admitir outras formas de contemplar a diversidade da pesquisa científica. Nesta pesquisa. que possa ser comprovada mediante os cinco sentidos: tato. . mas sim disseminar a verdadeira faceta do ser humano. apesar de buscar através dos resultados dos experimentos uma resposta aos problemas propostos.maior quantidade de gel C-S-H e menos Portlandita (CH). audição e paladar. principalmente devido à pluralidade da dimensão humana. Este trabalho experimental procura dar subsídios. CAPÍTULO III – INVESTIGAÇÃO EXPERIMENTAL 3. tanto os materiais quanto os recursos humanos. deve-se possuir uma visão despreendida do experimento em si e procurar analisar todos os elementos envolvidos na pesquisa. propiciando assim contribuir para a desmistificação do “pensar ciência” apenas com a racionalidade de Descartes. da mensuração e da comprovação. isto é. olfato. que visa ratificar através da física o problema proposto dentro do delineamento teórico. bem como na diminuição do tamanho dos poros. é necessário certamente ampliar os olhares. através de seus resultados.

procedeu-se à realização dos ensaios com a pasta (teor de CH) e com o concreto (alcalinidade/pH. isolada ou conjuntamente.. em comparação com o concreto de referência. em misturas binárias e ternárias com o cimento. a alcalinidade e a carbonatação dos concretos estudados? • Como evolui o coeficiente de carbonatação quando se adicionam elevados teores de pozolanas. Para implementar os objetivos da pesquisa. a temperatura. O objetivo principal que move esta investigação é o de verificar qual a influência que teores normais e elevados de pozolanas. como também para elucidar possíveis questionamentos sobre a microestrutura dos concretos. . etc. onde se procurou fixar as condições dos ensaios. tais como as idades de cura do concreto. as relações a/ag. na câmara climatizada? • Quais são as possíveis influências entre o teor de hidróxido de cálcio (CH) remanescente. terão sobre a carbonatação do concreto. umidade e concentração de CO2 na câmara climatizada. as pozolanas e os agregados serviram para a determinação das propriedades fisicas e químicas necessárias ao desenvolvimento dos demais ensaios. Este objetivo principal foi desdobrado em questões mais específicas tais como: • Quais as pozolanas que mais influenciam na velocidade de carbonatação. sem pozolanas? O delineamento da experiência foi realizado a partir da determinação das variáveis envolvidas na pesquisa. determinaram-se os procedimentos e técnicas para a execução dos ensaios. Os ensaios de caracterização dos materiais como o cimento. Com as variáveis definidas. como a preparação dos materiais e as recomendações das normas brasileiras e internacionais. e em que teores de substituição do cimento elas contribuem mais diretamente para o fenômeno? • O período de pré-cura ao ar do concreto causa alguma influência entre as reações pozolânicas e as reações de carbonatação. carbonatação acelerada e carbonatação natural). resistência à compressão axial.

Neste intuito. A utilização da cinza volante conjugada com a sílica ativa ou cinza de casca de arroz. b) Variáveis intervenientes: são aquelas que modificam as propriedades do material cimentante. 3. é importante para o concreto. Para esta pesquisa. • cinza volante.Relação água/aglomerante (a/ag – em massa): 0. torna-se importante a definição de cada uma delas dentro dos padrões tecnológicos. intervenientes e dependentes. 2. a saber: a) Variáveis independentes: são aquelas que influenciam a relação sólido/espaço da pasta e o seu grau de compacidade. 28. 1. deve-se definir e quantificar as variáveis utilizadas para atingir os objetivos propostos. 91 e 182 dias para a compressão axial. . foram definidas as seguintes: . 91 dias para os ensaios de teor de hidróxido de cálcio e alcalinidade. principalmente porque a sílica ativa e a cinza de casca de arroz são mais ativas nos primeiros períodos (1 a 7 . procura-se fixar as variáveis independentes.Idade de ensaio: 7. • cinza volante com cinza de casca de arroz. • cinza de casca de arroz. Consistem nas seguintes: . e.Tipo de pozolana: • sílica ativa.55. para melhor adaptar a pesquisa dentro dos prazos de tempo disponíveis e condições físicas para os ensaios. sendo inerente à própria constituição do concreto.45 e 0. • cinza volante com sílica ativa. pois apresentam propriedades complementares ao longo do tempo. bem como facilitar o alcance das metas desejadas.35. ½. Para tal. mantidas fixas para todos os concretos ao longo do experimento. 0. em misturas ternárias. 3. 4 e 5 anos para a carbonatação natural.2 Variáveis envolvidas na pesquisa Na elaboração da metodologia de um experimento.

Em um primeiro momento.dias). • profundidade de carbonatação acelerada.Em pasta endurecida: • teor de hidróxido de cálcio remanescente. 3. • pH da solução aquosa dos poros. com embalagens de 40 kg. do tipo CPV–ARI. . normal e elevado. Este tipo de cimento é o mais adequado para a pesquisa porque tem menos adições. cada uma delas interligada com as outras e principalmente com o objetivo final de obtenção dos resultados para análise e conclusões da pesquisa.3 Procedimentos e técnicas para os ensaios O experimento dividiu-se em três fases. O cimento usado foi o Portland de alta resistência inicial. • cinza volante e cinza de casca de arroz: (10 + 15)% e (20 + 30)%. como segue abaixo: • sílica ativa: 10% e 20%. • cinza de casca de arroz: 25% e 50%.Em concreto: • resistência à compressão axial. procedeu-se à coleta dos materiais e à preparação dos mesmos para os ensaios. c) Variáveis dependentes: são aquelas que necessitam da definição das outras variáveis para estas atingirem os resultados esperados. geralmente acima de 28 dias. Constituem-se nas seguintes: . • profundidade de carbonatação natural. . enquanto que a cinza volante tem ação mais tardia. • cinza volante: 25% e 50%. . • cinza volante e sílica ativa: (15 + 10)% e (30 + 20)%. possibilitando a substituição de altos teores por pozolanas.Teor de pozolana: foram definidos dois níveis de substituição de cimento por pozolana. fase inicial.

3mm. foram doadas por empresas da região e passaram por processos de moagem. A cinza volante foi fornecida pela empresa Prontomix-Tecnologia de Concreto Ltda. Na fase seguinte do experimento.3mm. As cinzas foram acondicionadas em embalagens plásticas bem fechadas e identificadas. pronta para os ensaios. sendo após secas em estufa a 110 o C e peneiradas. A brita foi previamente lavada. O aditivo usado para conferir a trabalhabilidade desejada aos concretos foi o “Sikament”. cinza volante e cinza de casca de arroz. A cinza de casca de arroz. primeiramente.. As outras pozolanas.18 g/cm3 . seca ao ar ambiente e armazenada em caixas para o uso quando da moldagem dos concretos. como agregado graúdo. tomando-se para os ensaios a fração passante na peneira #0. Foi empregada. foi coletada em dois engenhos da região. Foi devidamente lavada para a retirada de impurezas e seca em estufa a 110º C. peneiramento e secagem no laboratório. fase intermediária. os ensaios de trabalhabilidade com o concreto e a moldagem definitiva dos corpos de prova. utilizou-se areia de rio. natural e quartzoza. Este último procedimento teve a finalidade de empregar-se no concreto areia praticamente isenta de umidade. Das três pozolanas utilizadas na pesquisa. Por meio dos ensaios de pozolanicidade foi escolhida a que apresentou melhor reatividade com o cimento. Este material foi adquirido de fabricante nacional. pedra britada de rocha basáltica. Portanto. proveniente do Arenal e peneirada na #6. oriunda de jazida da região. Como agregado miúdo. apenas a sílica ativa veio industrializada. sendo proveniente da Riocell (Guaíba/RS). com partículas na maioria de forma equidimensional e diâmetro máximo de 19 mm. optou-se pela cinza proveniente do engenho Da Cás Irmãos Ltda. Tanto a cinza volante como a cinza de casca de arroz sofreram moagem por um período de uma hora em moinho de bolas. . produto da empresa Sika S/A. foram realizados os ensaios de caracterização dos materiais. Este superplastificante é isento de cloretos e possui densidade de 1. que a obtinham através da queima da casca de arroz para secagem dos grãos. do tipo não-densificada.

à medida que aumentou o teor de pozolanas de cada traço. portanto. foi necessária a determinação da massa específica do cimento e pozolanas para aplicá-las ao ensaio de atividade pozolânica com cimento. O ensaio de trabalhabilidade com o concreto fresco teve por objetivo a obtenção da consistência desejada para os traços. Primeiramente. Este procedimento foi necessário para impedir que teores mais elevados de pozolanas aumentassem excessivamente o volume de argamassa. segundo as normas brasileiras ou recomendações de normas estrangeiras. Alguns ensaios. procedeu-se à realização dos ensaios de caracterização. . manteve-se constante o volume de argamassa para todos os traços da pesquisa. até obter-se a consistência desejada pelo abatimento do cone de Abrams. Experimentalmente. bem como o tempo de remoldagem pelo aparelho de Vebe. exigiram equipamentos não disponíveis no laboratório. retirando-se o volume correspondente de agregado miúdo (areia média). devido à grande diferença de densidade entre o cimento e as pozolanas. Tendo em vista a importância do conhecimento das características físicas e químicas dos materiais envolvidos na pesquisa. e com isso também a demanda de água. Encontrou-se um volume ótimo de 52% de argamassa seca em relação ao volume total dos materiais secos. através da variação na quantidade de água ou aditivo superplastificante. Após. como as análises químicas e a distribuição granulométrica do cimento e pozolanas. que foi especificado em 60mm ± 15mm. sendo. executados na Associação Brasileira de Cimento Portland-ABCP em São Paulo. possíveis de serem feitos no laboratório. realizaram-se os outros ensaios de caracterização com os materiais finos e também com os agregados miúdo e graúdo. bem como também para a correção dos traços definitivos. Portanto. o volume de argamassa no concreto de referência foi determinado variando-se os volumes de areia das misturas-testes. correspondendo ao tempo de 3” com tolerância de 1”.

foi pesada uma quantidade de material suficiente para moldar 19 corpos de prova cilíndricos (10x20 cm). o acondicionamento dos mesmos para o processo de cura e os . Após a determinação da quantidade de água e aditivo a ser adicionado a cada um dos 11 traços de concreto. Esse incremento foi de até 23% para a mistura binária de cinza de casca de arroz.8 0 .1-Teor de reposição de CCA e volume de aglomerante. de acordo com a pozolana estudada e com a conjugação da mesma em traços ternários. Optou-se pelo método da simples substituição de parte da massa de cimento por pozolanas.9 50 23. aumentando a homogeneidade e a coesão da mistura. com teores variando de 10% a 50%. verificando-se a umidade e temperatura ambiente e a temperatura do concreto no final da mistura.6 35. em massa. e o concreto lançado no molde em três tempos. Tendo todas as proporções de cada traço definidas. TABELA 3. sendo 12 deles para o ensaio de compressão axial. conforme mostra a tabela 3. O adensamento foi executado com mesa vibratória. Na tabela 1A do anexo A. Essa substituição do cimento por pozolanas proporcionou um aumento no volume de pasta de cimento dos traços em relação ao concreto de referência sem cinza.5 112 50 15. Para cada traço de concreto foi feito o ensaio de abatimento do tronco de cone e também o tempo de remoldagem (VEBE). deu-se o corte dos concretos com disco diamantado. encontra-se a seqüência de moldagem dos corpos de prova. procedeu-se à moldagem dos corpos de prova. 31. houve necessidade de correção na quantidade de areia média para manter o volume de argamassa constante.1 39.0 123 Com o aumento no volume de pasta.8 100 75 23. Na última fase do experimento. fase final. 4 para carbonatação acelerada e 3 para carbonatação natural.1 abaixo.9 25 11. através do ensaio de trabalhabilidade. CIMENTO CCA AGLOMERANTE Peso Volume( Peso Volume( Volume( % 3 3 (Kg) dm ) (Kg) dm ) dm3) 100 31.

ilustra o esquema de cura para o ensaio de carbonatação acelerada. a carbonatação natural e acelerada. tais como a resistência à compressão axial. permanecendo nesta por 4. enquanto que os demais. em número de sete para cada traço.1. 28. As séries destinadas ao ensaio de carbonatação acelerada tiveram pré-cura ao ar de 28 e 91 dias.Esquema de cura para o ensaio de carbonatação acelerada. 12 e 16 semanas. 91 e 182 dias). resultando em corpos de prova cilíndricos de 10x10 cm. 3. A figura 3. quando então foram acondicionados na câmara climatizada para o ensaio acelerado. Após a desmoldagem. 4 e 5 anos. E1 E2 E3 E4 CURA 91 DIAS 13 17 21 25 29 E1 E2 E3 E4 SEMANAS CURA 28 DIAS CURA ÚMIDA CURA AO AR CARBONATAÇÃO 1 4 8 12 16 20 SEMANAS FIGURA 3.1. a seguir. todos os corpos de prova foram identificados e colocados na câmara úmida. As séries destinadas ao ensaio de carbonatação natural foram deixadas ao ar até as idades de ensaio: 182 dias. os corpos de prova foram deixados ao ar. foram retirados da câmara aos 7 dias e serrados ao meio. Depois de serrados. Os concretos destinados ao ensaio de compressão axial permaneceram nesta câmara até as idades de rompimento (7. 1. 2. . em ambiente do laboratório. 8.ensaios propriamente ditos para a coleta dos resultados. até as idades de ensaio. com temperatura e umidade controladas. a alcalinidade e o teor de hidróxido de cálcio remanescente.

Abaixo. que absorve parte da umidade do interior da câmara. 50% UR e 23°C). HEWLETT & CHAN (1989). Os resultados ficaram sempre na média de 10% de CO2. A umidade ótima dentro desta câmara. estabelece que cada semana em processo acelerado corresponde a 15 meses de exposição normal (câmara com 4% CO2.3.Câmara de carbonatação fechada . De acordo com HO & LEWIS (1987). retirando-se parte do ar do seu interior através de vácuo. 50% UR e 20°C). aproximadamente. A câmara climatizada tem a função de acelerar a carbonatação do concreto em um ambiente que propicia este processo pelo aumento da concentração de CO2. A temperatura manteve-se sempre em torno de 23oC ± 3oC. a 12 meses de exposição normal (câmara com 4% CO2.2 . nas figuras 3. Foram realizadas recargas diárias de CO2 na câmara. cada semana na câmara de carbonatação equivale. e injetando-se o mesmo volume de gás. FIGURA 3. como o de DHIR. foi controlada mediante a utilização de recipientes com sílica gel.2 e 3. enconta-se a câmara de carbonatação utilizada para os ensaios. Outro estudo. Controlou-se o teor de CO2 através da coleta periódica de amostras de solução para ensaios químicos. Para este trabalho. a concentração de CO2 na câmara foi de 10% do volume da mesma. entre 50% e 80%.

pH e teor de CH. ou seja. . No ensaio de carbonatação acelerada. idade e relação a/ag. 29% de água destilada e 1% de fenolftaleína sobre a superfície do concreto. os corpos de prova eram retirados da câmara climatizada e rompidos por compressão diametral. da aspersão da solução composta de 70% de álcool absoluto. Neste ensaio. realizaram-se os ensaios de compressão axial. segundo a norma NBR 5738. em especial a carbonatação.3 . Procedeu-se ao rompimento logo em seguida e sempre com três corpos de prova para cada mistura. 91 e 182 dias da moldagem. 28. O ensaio de resistência à compressão axial.Câmara de carbonatação aberta Para o complemento do trabalho de pesquisa. FIGURA 3. determinava-se a profundidade carbonatada através do uso de indicador químico. faziam-se as leituras dos diâmetros para o cálculo da área e o capeamento das superfícies com enxofre. Após. os corpos de prova eram retirados da câmara úmida nas idades de 7. teve por objetivo inter-relacionar a resistência dos concretos com as demais propriedades a serem avaliadas. Após. carbonatação.

indicava o concreto carbonatado e era medida com paquímetro digital. Esta solução possui ponto de viragem conhecido.Cinza Volante (25%)-17 semanas e relação a/ag = 0.55 O ensaio de alcalinidade (pH) foi realizado para o período de pré-cura ao ar dos concretos de 91 dias. nas figuras 3. com adição de cinza volante. pode-se ver dois exemplos de corpos de prova carbonatados. onde o pH encontrava-se abaixo de 9.55 FIGURA 3.Cinza Volante (50%)-17 semanas e relação a/ag = 0. Esta região incolor. Visualmente era possível definir a cor violeta. caracterizando um pH alto e uma faixa incolor. Abaixo. Na idade determinada para o ensaio de carbonatação . a partir da superfície.4 .4 e 3. onde ocorre a mudança do pH. FIGURA 3.5. O mesmo procedimento foi realizado para o ensaio de carbonatação natural.5.

075mm. fazia-se a extração com furadeira de 50g de pó de cada metade dos corpos de prova (10x10cm). Após a coleta do pó. Com as amostras prontas. que taxas normais são aquelas que propiciam resultados adequados. A desmoldagem ocorreu depois de 24 horas e em seguida foram colocados imersos em água com cal a fim de manter o meio alcalino e a hidratação por 91 dias. Pesou-se material suficiente para a moldagem de dois corpos de prova (3x5)cm para cada traço. segundo relatos da literatura. em especial ao fenômeno da carbonatação. pelo efeito benéfico . O ensaio de teor de hidróxido de cálcio da pasta endurecida não-carbonatada também foi feito na idade de 91 dias para todas as misturas.acelerada e após a leitura da profundidade carbonatada. até o presente momento. Com as amostras secas. tanto para as misturas binárias quanto ternárias. A verificação do pH da solução aquosa foi determinada conforme técnica descrita por AL-AMOUDI. procedeu-se à pulverização da pasta para a extração de 1g na peneira #0. 3. RASHEEDUZZAFAR & MASLEHUDDIN (1991). Nesta idade. com profundidade de 1. principalmente sobre a durabilidade dos concretos ensaiados. da cinza volante com a sílica ativa ou cinza de casca de arroz. Com a finalidade de verificar-se o efeito de dosagens elevadas de pozolanas. com bom desempenho quanto à durabilidade e à resistência dos concretos. Adotou-se para a pesquisa experimental o uso conjugado. foram moldados com as mesmas relações a/ag dos traços em concreto.5cm a partir da superfície lateral. Considerou-se como nível normal as taxas de substituição geralmente empregadas em pesquisas e mesmo em obras.4 Proporcionamento das pozolanas A dosagem das pozolanas nos concretos deu-se em dois níveis de substituição de igual massa de cimento: normal e alto. considerou-se como altos teores de substituição o dobro dos níveis normais. interrompeu-se o processo de hidratação através da secagem em estufa a 110 oC. Após. É de consenso geral. as mesmas foram encaminhadas para o ensaio químico. foi realizada a lavagem com etanol e novamente a secagem em estufa a 110º C. em misturas ternárias.

estudaram-se 11 misturas.2. fixaram-se as relações a/ag em 0. 1:4. a seguir. no plano do trabalho. o volume de argamassa seca foi fixado em 52%. com proporções aglomerante: agregado de 1:2. sendo 10 de pozolanas e 1 sem pozolana. . conforme relatado por MEHTA (1992). respectivamente. Na tabela 3. Assim. 0. como descrito anteriormente no item 3. mais ativas nos primeiros períodos.45 e 0. Para os níveis de resistência pretendidos. como também algumas instruções básicas para o proporcionamento de concreto de alto desempenho recomendados por MEHTA & AITCIN (1990).2 . encontram-se os teores de pozolanas investigados.3.0.que apresentam estas duas últimas pozolanas. POZOLANAS NORMAL ALTO Cinza volante (CV) 25% 50% Sílica ativa (SA) 10% 20% Cinza de casca de arroz(CCA) 25% 50% CV + SA 15 + 10% 30 + 20% CV + CCA 10 + 15% 20 + 30% 3. tomada como referência. com aquela de atividade mais tardia.0.35. TABELA 3.Teores de pozolanas estudados no plano da pesquisa.5 e 1:6. após os 28 dias.5 Dosagem dos concretos Os concretos foram dosados pelo método experimental. Como parâmetro constante em todos os traços.55.5 ou 1:3. calculados a partir da massa de cimento. bem como para os níveis de resistências desejados. Utilizaram-se conceitos e procedimentos práticos determinados por HELENE (1992) para a definição dos traços. buscando sempre a melhor trabalhabilidade e coesão da mistura para as relações a/ag pretendidas.

sendo 3 para cada uma das misturas de pozolanas. o número de traços moldados foi de 33.5% e 6.1% para as relações a/ag = 0. • temperatura e umidade relativa do ambiente.1% para a/ag = 0.6 Ensaios de caracterização dos materiais 3. tipo V – ARI conforme EB-NBR 5733. Na dosagem dos traços. • ensaio de tempo de remoldagem – VEBE – RILEM CPC 2.6. • temperatura interna do concreto ao final da mistura. • moldagem de corpos de prova cilíndricos (10 x 20) cm – NBR 5738.5% da massa de aglomerante para teores normais de pozolanas e entre 1. adquire elevadas resistências em idades menores.0% para os teores elevados. Portanto. em 8. com valores de referência no intervalo de 45 a 75 mm para o abatimento do tronco de cone e tempo de remoldagem entre 2 e 6 segundos. como foram adotadas 11 misturas e 3 relações a/ag para o experimento.35. Foram realizados os seguintes ensaios e medições com o concreto fresco: • consistência pelo abatimento do tronco de cone – NBR 7223.1 Cimento O aglomerante utilizado na pesquisa foi o cimento Portland de alta resitência inicial.5% e 3.55. Os ensaios para caracterizar o cimento foram os seguintes: . A tabela 2A do anexo A apresenta as quantidades de materiais por m3 de concreto empregadas na dosagem dos traços.2. Esse cimento apresenta teores de calcário e argila diferenciados na produção do clínquer. que. Procurou-se manter a consistência do concreto constante para todos os traços.45 e em 8. O teor de aditivo ficou entre 0.0% para a/ag = 0. o teor de (água + aditivo)/(materiais secos) manteve- se em uma média de 9. 3. A tabela 3A do anexo A contém os resultados dos ensaios realizados com o concreto fresco para os 33 traços executados. bem como uma moagem mais fina. ao reagir com a água.

• análise química – NBR 5743.9 ENSAIOS RESULTADOS Início de pega-min 215 Fim de pega-min 290 Resíduo # 0. 7227 e 9203. • massa específica – NBR 6474. • curva granulométrica – granulômetro laser (ABCP). 5744. • resistência à compressão da argamassa normal – NBR 7215. A tabela 3. • superfície específica – NBR 7224. O ensaio da distribuição granulométrica das partículas do cimento e pozolanas foi realizado por granulômetro de difração a laser.Composição granulométrica do cimento e pozolanas (% passante).075 mm (%) 0.3 apresenta os resultados dos ensaios físicos e mecânicos. • análise por difração de raios X.14 TABELA 3.2 3 32.80 Superfície específica – BLAINE(m2/kg) 463 Massa específica (kg/dm3) 3. • finura #0. .3 .045 mm (%) 1. • tempo de pega – NBR 11581.045 mm – NBR 9202. e os resultados são mostrados na tabela 3.28 Resíduo # 0. IDADE (dias) fc (MPa) 1 14. • água da pasta de consistência normal – NBR 11580. TABELA 3. 5745. 5747.4 .0 7 45. • finura #0.5 28 58.075 mm – NBR 11579.4 e figura 3.6.Características físico-mecânicas do cimento.

69 100.0 90.0 80 100.82 5 37.44 40 99.04 13.24 24.79 20 81.16 100.0 100.70 75.84 1.0 130 100.41 100.58 45.73 40.DIÂMETRO (µm) CIMENTO CV SA CCA 1 9.69 95.0 99.0 100.0 FIGURA 3.0 100.0 96.6 .48 100.0 99.55 3.85 12.0 100.19 65.0 60 100.Distribuição granulométrica do cimento e pozolanas .0 100 100.84 90.81 37.81 100.82 2.0 100.12 10 56.

34 0.14 CaO 60. sendo que o valor médio para este material está ao redor de 0. Arroz Sílica Ativa Perda fogo 1.50 92. para os quatro materiais. Na análise desta distribuição.00 2. foram tomados todos os cuidados adicionais para precaver-se da aglutinação das partículas.C. enquanto que a CCA com ∅m = 6. TABELA 3.5 estão os valores de dimensão média e a equivalente a 90% de partículas passantes.94 1.24 94. com valor de 11.83 3. TABELA 3. da CV e da CCA com os demais ensaios físicos.6 mostra a composição química do cimento – ARI e das pozolanas utilizadas.02 CV 22. conforme relatório da ABCP. Apesar disto.72 19.32 SiO2 20.96 SA 11. como o uso de defloculantes e dispersão por ultrassom durante a medição.10 25.Parâmetros da curva granulométrica Material Dimensão média Diâmetro abaixo do qual encontram-se 90% das (µm) partículas (µm) Cimento 9. os diâmetros abaixo dos quais encontram-se 90% das partículas foram menores do que os do cimento. Na tabela 3.46 Al2O3 4.5 e da figura 3.62 .36 3. através dos valores da tabela 3.89 16. que a CV apresenta partículas mais grossas que os outros materiais.59 0. A sílica ativa apresentou resultados inconsistentes.89 0.89 µm. Volante C.25 µm.27 65.25 0.25 59.6 . Componentes Cimento C. constatam-se características concordantes do cimento.15 0. A tabela 3.Composição química do cimento e pozolanas (% em massa). como também com o encontrado na literatura. com ∅m = 22.1 µm.78 0.64 25.5. Neste ensaio com a sílica ativa. principalmente para o diâmetro médio.6. situa-se como a pozolana mais fina.86 0.15 Fe2O3 3.07 CCA 6.76 Observa-se.72 µm.

48 0.37 * * * CaO livre 1.24%. O componente químico principal da SA e da CCA é o dióxido de silício (SiO2). mostrados na tabela 3. respectivamente.29 K2O 0.03 0. A perda ao fogo ficou abaixo de 5% para as duas pozolanas. Na figura 3.46% e 92.09 0.6. 0. .7 pode-se visualizar o difratograma de raios X do cimento ARI utilizado no experimento. contribuindo para o bom desempenho do concreto fresco e endurecido. MgO 3.12 0.66 * não determinado Nos resultados da análise química..85 1. com teores de SiO2 e Al2O3 de 65..89%.36 99.66 1. com SiO2 de 55% a 69% e Al2O3 de 20 a 29%. Estes componentes estão dentro da faixa de variação das cinzas volantes nacionais. A cinza volante apresenta composição sílico-aluminosa. com valores de 94.60 99.21 0. respectivamente.32 100. com resíduo insolúvel ≤ 1.92 Res.5%.09 * * * Total 98.69 * * * Na2O 0. Ins. devido ao aumento do teor de sílica que praticamente comanda o comportamento pozolânico destes materiais. pode-se verificar que o cimento está de acordo com a norma NBR 5733 para o cimento Portland de alta resitência inicial.76 SO3 2.50% e 25.0% e perda ao fogo ≤ 4.53 0.98 2.

7 mostra as características físicas das pozolanas e a tabela 3. .045 mm – NBR 9202. 7227 e 9203.2 Pozolanas As pozolanas utilizadas na pesquisa tiveram a seguinte procedência: • cinza volante: indústria Riocell (Guaíba/RS). • análise por difração de raios X.075 mm – NBR 11579.7 . • massa específica – NBR 6474.045 mm. as curvas granulométricas. • sílica ativa: do tipo não-densificada. de fornecedor nacional. • análise química – NBR 5743. • superfície específica – BET – ASTM D-3663. e inter-relacionando-as com os resultados de resistência à compressão e carbonatação.Características físicas das pozolanas. a atividade pozolânica.FIGURA 3. A análise dos resultados de caracterização dos materiais contribuiu para elucidar os questionamentos inicialmente propostos para o trabalho. • finura #0.7-Difratograma de raios X do cimento ARI. 3. pois. Os ensaios para a caracterização das pozolanas foram os seguintes: • atividade pozolânica com cimento – NBR 5752. A tabela 3. 5744. • curva granulométrica – granulômetro laser (ABCP). • cinza de casca de arroz: proveniente da queima não-controlada da casca de arroz em engenho da região.6. foi possível chegar às conclusões da pesquisa. TABELA 3. a análise química e os difratogramas de raios X. 5745. 5747. através das características dos materiais finos como a finura na #0.8 a atividade pozolânica com cimento – NBR 5752. • finura #0. • atividade pozolânica em CP pozolânico – NBR 5753 – ensaio Fratini.

3.2 18.00 0. nd.8.075 mm (%) 2. ENSAIOS CV SA CCA Resíduo #0. respectivamente. A finura dos materiais cimentícios apresentou coerência de resultados.9 Superfície específica – m2/ Kg (Blaine) 391 nd. evidenciando sua menor finura. enquanto a cinza volante ficou com valor abaixo. com resíduo de 13. A cinza volante contém partículas mais grossas.2 e 18.00 Resíduo # 0.11 nd.2% e 1. conseqüência de suas partículas mais grossas.5 17.045 mm (%) 13. onde nota-se que a SA e a CCA apresentam valores elevados.2% na #45 µm.5 m2/g. de 391 m2/kg. observa-se uma grande relação existente no comportamento dos quatro materiais. confirmando a elevada finura destas pozolanas.8 .16 TABELA 3. O cimento ARI apresentou valor de superfície específica Blaine compatível com a média dos cimentos de alta resistência inicial nacionais (valor médio de 463 m2/kg). Massa específica – Kg/dm3 2. 17. respectivamente. CIMENTO CV SA CCA (%) água p/ consistência normal 100 108 150 110 *pozolanicidade com cimento(%) 100 77 60 92 * % da resistência à compressão relativa ao cimento de referência. Os resultados da superfície específica-BET também ratificam este comportamento.20 1.19 2.9 m2/g. quando comparados com o cimento e a cinza volante.7 e 3. como pode-se observar através das tabelas 3. . no que diz respeito ao efeito que as características físicas causam sobre as propriedades do concreto.Atividade pozolânica com cimento – NBR 5752.20 Superfície específica – m2/g (BET) 1. bem como com o desenvolvimento das resistências.15 2. enquanto que a cinza de casca de arroz e a sílica ativa tiveram os menores resíduos 0.0%. 1. tanto no estado fresco quanto endurecido. Devido a estes resultados.

no de argamassa.3 11 CV+CCA(20+30)% 1.0 6 CCA(25%) 4. confirmam a baixa densidade das pozolanas em comparação com o cimento.7 39. sendo necessária a correção dos traços do concreto.85 26.1 24. 1 REF 8. A tabela 3.15 24.0 40.1 7 CCA(50%) 2.3.3 15.75 21.9 2 SA(10%) 5.10 91. mostrados na tabela 3.0 8 CV+SA(15+10)% 7.9 . TABELA 3.9 e a figura 3.85 26.Atividade pozolânica com cimento – NBR 5753 (Fratini).8 4 CV(25%) 4.2 3.1 40. sendo não mais do que 70% deste. Os valores da massa específica.0 38.80 20.5 9 CV+SA(30+20)% 7.6 49. Pozol.0 10 CV+CCA(10+15)% 4.2 4. conseqüentemente. Nº da Atividade Pozolânica Dist.9 4.3 e 3. Este efeito se traduziu no aumento do volume de pasta e.2 4.9 28.6 1.3 45.1 3 SA(20%) 4.35 42.0 6.5 3.20 23.5 6.6 .4 4. conforme descrito no item 3.8 5 CV(50%) 2.8 apresentam o ensaio de Fratini realizado na ABCP em São Paulo.25 23.4 4.2 50.7. Índice mistura Tipo da mistura mmol CaO/l mmol OH-/l d(cm) Ativ.2 61.0 4.0 2.70 21.

em presença de álcalis 2 40 50 60 70 80 90 100 110 120 Teor de CaO na solução com a pasta de cimento (mmol CaO/l) 18 130 16 14 12 CIMENTO NÃO POZOLÂNICO 10 8 1 9 8 6 2 10 6 4 3 4 5 2 7 CIMENTO POZOLÂNICO 11 0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 Alcalinidade total da solução em contato com a pasta de cimento (mmol OH/l) 1 .TR 4 . Na tabela 3.CV + CCA (10 + 15)% 2 .9 e na figura 3. Nos resultados de atividade pozolânica com cimento pelo método Fratini. ilustrando o teor de CaO em função da alcalinidade total. mostra aumento de 0. como também da natureza do material adicionado.9 a seguir.9 mmol CaO/l.CV+ CCA (20 + 30)% 3 . pode-se visualizar melhor este comportamento. como as demais misturas com altos teores. o ISOTERMA DE SOLUBILIDADE DE Ca(OH) a 40 C.SA (10%) 5 .CCA (50%) 10 .Diagrama de pozolanicidade. em função do teor da adição.CCA (25%) 9 .CV + SA (30 + 20)% FIGURA 3.8 . com exceção da mistura CV+SA (30+20)% que.CV (50%) 8 .SA (20%) 6 . observa-se que houve uma redução na concentração de CaO presente na solução. ao invés de apresentar descrécimo na quantidade de CaO consumido.CV (25%) 7 . .CV+ SA (15 + 10)% 11 .

10 8 mmol CaO consumido Atividade pozolânica 1-SA 4 2-CV 6 1 3-CCA 4 4-CV+SA 2 5-CV+CCA 2 3 5 0 0 20 40 60 % Pozolanas FIGURA 3. Portanto. em cm.9 e calculado em função do gráfico da figura 3. proporcionando maior consumo de hidróxido de cálcio e menor alcalinidade total. estando disponível uma quantidade menor para as reações de carbonatação.9. nota-se que as misturas binárias com cinza volante e com cinza de casca de arroz e a mistura ternária com CV + CCA apresentaram menor reserva alcalina para a solução dos poros. Pelo gráfico. indicando que estas misturas consumiram mais hidróxido de cálcio através das reações pozolânicas. IAP. os minerais quartzo e cristobalita. Este índice. principalmente para os altos teores. confirmando o que ilustra a figura 3. maior é a atividade pozolânica da mistura considerada. A SA apresentou-se amorfa. que separa os pontos do gráfico com a origem das coordenadas. os maiores valores ficaram com as misturas de CV (50%). os minerais quartzo. pode-se verificar que. quanto maior este índice. para as três pozolanas utilizadas na pesquisa.8. mostrado na tabela 3. representa o inverso da distância (d).Atividade Pozolânica (Fratini) – mmol CaO consumido.10 apresentam os principais minerais detectados no ensaio. Os difratogramas de raios X mostrados na figura 3. multiplicado por 100. para a CCA . .9. CCA (50%) e CV+CCA (20+30)%. e. Através do índice de atividade pozolânica (IAP). hematita e mulita foram encontrados para a CV.

.10 – Difratogramas de raios X das pozolanas.FIGURA 3.

3. • massa unitária solta – NBR 7251.6.10 apresenta os resultados dos ensaios de caracterização e a figura 3. A tabela 3. bem como a que apresentou o melhor coeficiente de forma dos grãos.46 2. lavada.11 a curva granulométrica dos agregados.5 55 - 9. • massa específica do agregado miúdo – NBR 9776.8 100 - 2.32 - Absorção de água (%) 3. Máx. natural e quartzoza. TABELA 3.01 - Índice de forma 2.3 100 62 0.3 Agregados Como agregado miúdo foi utilizada areia de rio. peneirada na #6. Para o agregado graúdo.6 100 21 0. empregou-se pedra britada basáltica.91 1.20 Massa específica (kg/dm3) 2. (mm) 19.15 100 92 Módulo de finura 6.61 Massa unitária (kg/dm3) 1.5 91 - 6. proveniente do rio Vacacaí. previamente lavada e peneirada.81 Dim.73 - . • massa específica e absorção do agregado graúdo – NBR 9937. Foram realizados os seguintes ensaios: • composição granulométrica – NBR 7217.Características físicas dos agregados.3.4 100 2 1. PENEIRAS (mm) BRITA (%) AREIA MÉDIA (%) 12. Caract. • índice de forma por paquímetro – NBR 7809.3 mm e seca em estufa.3 100 - 4.00 1.2 100 4 0. conforme procedimentos descritos no item 3.10 .

7.4 mm 4. 3.15 mm 0.Areia média 100 80 1 60 40 20 2 0 0.18 kg/dm3 e o pH= 7. tanto para a brita quanto para a areia média fina.2 mm 2.6.6 mm 1.68. a densidade 1.11.8 mm 6. à base de naftaleno.4 Aditivo O aditivo utilizado no experimento foi um superplastificante de pega normal. O teor de sólidos foi 32. de acordo com a tabela 3.Brita 2.11. observam-se curvas mais inclinadas.73 para o agregado graúdo mostra-se dentro do especificado pela NBR 7211.Composição granulométrica dos agregados.5 mm 12.7 Ensaio realizado com a pasta 3. 3.1 Teor de hidróxido de cálcio remanescente (CH) .5 mm 19 mm Abertura das peneiras FIGURA 3.5%. 120 % retida acumulada em massa 1. proporcionando melhor consistência e trabalhabilidade para o concreto.00.3 mm 9. o índice de forma de 2. que não deve ser superior a 3. do tipo F da ASTM C494.10 e figura 3.3 mm 0. favorecendo uma granulometria contínua. Quanto aos resultados da distribuição granulométrica dos agregados. Com relação à forma dos grãos.

8 Ensaios realizados com o concreto 3. As leituras dos 180 dias e do 1º ano já foram realizadas.1). segundo a NBR 5738.1 Resistência à compressão axial Para este ensaio. foram moldados corpos de prova cilíndricos (10 x 20 cm) e rompidos nas idades de 7. A resistência mecânica foi um dos critérios escolhidos para se avaliar o desempenho dos concretos com relação à propriedade de carbonatação.075 mm. 12 e 16 semanas. conforme descrição de LEVY (1992). . quando então foram colocados na câmara de carbonatação com 10% de CO2 em volume.3. peneiramento na #0. 1. Para o ensaio natural. enquanto as demais serão divulgadas em relatórios futuros. 28. os concretos foram dispostos ao ar ambiente do laboratório por um período de 1/2. As leituras da profundidade carbonatada foram feitas com 4. Os resultados dos ensaios de compressão axial estão na tabela 6A do anexo A. lavagem com etanol e secagem em estufa a 110º C. 3.8. 3. os concretos tiveram pré- cura ao ar de 28 e 91 dias de acordo com esquema de cura (figura 3. conforme descrito no item 3. 2.O ensaio de teor de hidróxido de cálcio foi realizado aos 91 dias de idade para a pasta não-carbonatada. 4 e 5 anos. 91 e 182 dias.2 Carbonatação acelerada e natural O ensaio de carbonatação deu-se de duas maneiras. Os resultados das profundidades de carbonatação estão na tabela 7A do anexo A.8. 8. interrompeu-se a hidratação da pasta através da pulverização. Para o ensaio acelerado. Nesta idade. 3. com aspersão de solução de fenolftaleína a 1%. Os resultados do ensaio químico para determinação de hidróxido de cálcio livre pelo etilenoglicol – NBR 7227 encontram-se na tabela 4A do anexo A. acelerada e natural.

Na tabela 10A do anexo A encontram-se os valores medidos do pH dos concretos para as diferentes misturas. a obtenção dos gráficos para a ilustração dos resultados mais expressivos que fundamentaram a discussão com outros estudos e pesquisas. A resistência à compressão dos concretos apresenta-se como uma das propriedades de maior importância para a análise e interpretação de experimentos.3.3 Alcalinidade (pH) A determinação da alcalinidade do concreto foi realizada com os corpos de prova curados por 91 dias e submetidos à carbonatação acelerada. o teor de hidróxido de cálcio e a alcalinidade possibilitaram uma visão do comportamento microestrutural da pasta e dos concretos. Neste experimento. . procurou-se dar ênfase à interpretação macroestrutural. CAPÍTULO IV – ANÁLISE DOS RESULTADOS E DISCUSSÃO 4. pois através dela pode-se fazer comparações entre as misturas em uma determinada idade. Por isso. passando por um tratamento estatístico e. permeando o objetivo principal da pesquisa. que foi a influência das pozolanas sobre a carbonatação dos concretos. a difração de raios X. foi realizada análise dos dados referentes aos ensaios com a pasta e com os concretos. A análise de alguns ensaios.8.1 Introdução Para se obter as conclusões do trabalho. avaliam-se concretos em igualdade de resistência à compressão. auxiliando na elucidação dos questionamentos da pesquisa. em seguida. verificando o comportamento das demais propriedades. como a atividade pozolânica (Fratini). RASHEEDUZZAFAR & MASLEHUDDIN (1991). relacionando-as entre si. Este ensaio foi executado conforme técnica AL-AMOUDI.

primeiramente. para aquelas com maior refinamento dos poros . carbonatação acelerada. na tabela 6A do anexo A. Por fim.1. com períodos de permanência dos corpos de prova na câmara climatizada de 4 em 4 semanas tanto para os 28 dias quanto para os 91 dias de pré-cura ao ar. visto ser esta compatível com concreto de alto desempenho e também por estar em uma faixa intermediária dos resultados obtidos. usando-se gráficos e tabelas mostrando a relação existente entre as variáveis principais da pesquisa. encontram-se as resistências finais adotadas para as idades de 7. Na pesquisa. bem como à influência entre os 33 traços de concreto investigados. calculou-se o desvio relativo médio (dr) entre os valores para os 3 corpos de prova moldados para cada traço. quando dr ( 5. foram feitas as análises estatísticas e a integração dos resultados. adotando para a resistência final a média aritmética dos resultados.0%. ou seja. trabalhou-se com coeficientes em mm/ EQ \R(semana) . evidenciam-se resistências mais elevadas para as misturas mais reativas. 91 e 182 dias para cada traço moldado. visando ao comportamento individual de cada mistura.2 Análise dos resultados de resistência à compressão axial Para a análise dos resultados de compressão axial. Para a carbonatação acelerada. adotou-se o maior valor. a interpretação dos dados de resistência à compressão. Pelas curvas de Abrams. 28. ou o que melhor se adequava na curva de Abrams. 4. teor de CH e alcalinidade (pH). avaliaram-se os concretos em função da durabilidade com vistas à carbonatação. Para dr acima de 5.0%. Após. desenvolveu-se uma interpretação dos dados através de tabelas e gráficos. adotou-se comparar os concretos com resistências de 60 MPa. para os dados de resistência. No gráfico da figura 4. contribuindo com discussões envolvendo a temática da pesquisa. Assim. A avaliação dos resultados teve por base. observa-se o desenvolvimento da resistência à compressão com as relações a/ag para a idade dos 91 dias das 11 misturas ensaiadas. Primeiramente.

3 Análise dos resultados de carbonatação acelerada . como irregularidades da superfície de capeamento ou distorções na prensa.33 para CV com 25%. evidenciando que o efeito conjugado da CV (menos reativa) foi mais marcante com a CCA do que com a SA. Através da comparação entre as figuras 4. No anexo B. a CV. com as misturas ordenadas em função de sua reatividade. Presume-se que isso possa estar relacionado com a interferência dos álcalis em resistências de idades mais avançadas. como verificado para a mistura de CCA(25%) aos 91 dias. e na idade dos 28 dias. de SA. 4. quando comparados com outras pozolanas.63 para a mistura com 20% de SA até 0. ratificando este comportamento para as misturas. como a sílica ativa e a cinza de casca de arroz.2. confirmou a tendência de ser menos reativa em idades menores. Tanto para as resistências aos 28 quanto aos 91 dias. A cinza volante. Na idade dos 91 dias.2. as figuras 1B e 2B mostram as curvas de Abrams para as idades de 7 e 182 dias. em particular. figura 4. respectivamente. para resistência de 60 MPa. Alguns resultados de resistência à compressão.e dos grãos. as relações a/ag da CV (50%) foram 0. de 0. porém com resistências mais baixas.55 para a mistura com 10% de SA até 0. Para a idade dos 28 dias. também verifica-se a ordenação decrescente das relações a/ag em função da reatividade das pozolanas. as relações a/ag variaram de 0. mostrando a evolução da resistência desta pozolana conforme a progressão da idade e a hidratação da pasta. ou também a fatores inerentes ao ensaio. as misturas ternárias de CV+CCA apresentaram resultados mais baixos que o concreto de referência. o comportamento foi semelhante. obedecendo a uma ordem decrescente de valores. por último. sendo o inverso para as misturas ternárias de CV+SA.1 e 4. apresentaram valores mais baixos quando comparados com as idades de 7 e 28 dias. passando para CCA e.43 aos 91 dias. Para resistência de 50 MPa.36 para 50% de CV.32 aos 28 dias e 0.

3 ilustra as profundidades de carbonatação acelerada medidas para a idade dos 28 e 91 dias de pré-cura ao ar dos corpos de prova com relação a/ag de 0.3. até 4.Profundidade carbonatada das 11 misturas investigadas na idade de 28 e 91 dias de pré-cura ao ar.1 1 10 100 P ro fu n d id a d e(m m ) FIGURA 4. A figura 4. Para a mistura de referência. observa-se que as misturas com teores normais apresentaram valores abaixo de 0. indicam a profundidade carbonatada em milímetros dos corpos de prova cilíndricos (10 x 10) cm. Através da figura 4. 3 9 5 7 11 5 0 .5 cm para a cinza volante (50%). mostrados na tabela 7A do anexo A. enquanto os altos teores variaram de 1. na idade de cura aos 28 dias.3.45. para relação a/ag = 0. bem como para as misturas binárias de sílica ativa.8 cm para a idade de 29 semanas (16 semanas na câmara). nas idades de pré-cura ao ar de 28 e 91 dias.45. A tendência para a maior profundidade de carbonatação com os altos teores deve-se ao maior consumo de CH através das reações pozolânicas. 2. a disponibilidade de CH para as reações de carbonatação é menor. não foi detectada carbonatação que pudesse ser medida com paquímetro digital. . tendo como conseqüência o aumento da frente carbonatada. 6 8 4 10 9 30 1. na idade de cura aos 91 dias.R EF 2-S A (10% ) 3-S A (20% ) 7 11 5 4-C V (25% ) 25 5-C V (50% ) 6-C C A (25% ) Idade(semanas) 7-C C A (50% ) 6 8 4 10 20 8-C V + S A (15+ 10)% 9-C V + S A (30+ 20)% 10-C V + C C A (10+ 15)% 11-C V + C C A (20+ 30)% 15 2 8 d ia s 9 1 d ia s 10 1. Os resultados do ensaio de carbonatação acelerada.2 cm para a mistura ternária de CV + SA (30+20)%. Com isso.

60 e 70 MPa foram calculados a partir das relações a/ag e dos coeficientes definidos anteriormente. sendo expresso nesta pesquisa em mm/ EQ \R(semana. (16 e (20 para os 28 dias. aplicando-se uma regressão de potência com equação: y . através de regressão linear simples. encontrar-se os valores dos coeficientes de carbonatação acelerada em mm/ EQ \R(semana) para cada uma das misturas e relacões a/ag. Os valores dos coeficientes de carbonatação acelerada para as resistências de 50. de carbonatação em mm/ semana t = tempo de exposição ao CO2 em semana Em função das idades de leitura em EQ \R(semana) da carbonatação acelerada ((8. (21. foi possível. Observa-se ainda nesta figura 4. Todas as misturas carbonataram mais que o concreto de referência. de carbonatação em mm K= coef. apenas com profundidades mais elevadas. (25 e (29 para os 91 dias) e das profundidades de carbonatação acelerada em mm (tabela 7A). onde a ordem das misturas permaneceu igual para os baixos teores.3. (12.45. O desenvolvimento da carbonatação acelerada dos concretos também pode ser acompanhado mediante a utilização do coeficiente de carbonatação. para mesma relação a/ag. t onde: x = prof. Como pode-se observar nesta figura 4. com exceção das misturas binárias de sílica ativa. tanto para os altos quanto para os baixos teores de pozolanas. o comportamento foi semelhante para as leituras de carbonatação na idade dos 91 dias.) Este coeficiente é calculado pela expressão: x = K. ocorreram para as misturas binária de CCA e ternária de (CV + SA).3 que as menores profundidades de carbonatação. e (17. para a relação a/ag = 0. que indica a profundidade carbonatada num determinado tempo.

abaixo. . Para as misturas binárias de SA. respectivamente. e a partir dos resultados das profundidades de carbonatação calculou-se os coeficientes. tanto aos 28 dias quanto aos 91 dias de pré-cura ao ar. o que proporcionou coeficientes também quase nulos. optou-se por atribuir coeficientes de carbonatação muito baixos (tabelas 8A e 9A).65. e também os coeficientes para as resistências de 50. e para resistência de 60 MPa. O coeficiente de carbonatação em relação ao tipo e teor de pozolana. Nas tabelas 8A e 9A do anexo A. com a finalidade de possibilitar a aplicação da regressão com no mínimo três pontos. próximas a zero. 60 e 70MPa. Em razão disso.4. da ordem de alguns décimos. pode ser visualizado na figura 4. encontram-se os coeficientes de carbonatação acelerada para os 28 e 91 dias de pré-cura ao ar dos concretos. também foram realizados ensaios com relação a/ag de 0.= A ( xB . baixas profundidades de carbonatação acelerada. auxiliando para obtenção de mais dados para a equação de regressão. onde “x” é a relação a/ag obtida da curva de Abrams para as três resistências pretendidas e os valores de A e B as constantes da regressão. para as misturas binárias e ternárias. Observou-se para algumas misturas.

Observa-se. e.FIGURA 4.5. na figura 4. Nota-se. principalmente para as misturas ternárias com SA e CCA. representados pela região A. observa-se também que as misturas ternárias apresentaram retas mais inclinadas. com maior carbonatação para os altos teores. sendo responsável pelo incremento na carbonatação.5 mostra o conteúdo de CH nesta idade para as três relações a/ag estudadas no experimento. Pelo gráfico da figura 4. O coeficiente de carbonatação aumentou à medida que cresceu o teor de pozolana na mistura. que o maior consumo de CH aconteceu para os altos teores de pozolanas. 4. como a SA e a CCA. A figura 4. para resistência de 60 MPa. também. implica em maior quantidade de CH disponível para as reações de carbonatação. o consumo de CH foi mais elevado. mostrando que a ação conjunta da cinza volante com sílica ativa ou cinza de casca de arroz aumentou o consumo de CH. portanto. mostrando também que este incremento foi dependente da reatividade de cada pozolana.6 mostra a relação entre o coeficiente de carbonatação (tabela 9A) e o teor de hidróxido de cálcio remanescente aos 91 dias (tabela 5A) para todas as misturas. a tendência de maior consumo de CH para as pozolanas mais reativas. pois neste não ocorrem as reações pozolânicas.4 Análise dos resultados do teor de hidróxido de cálcio (CH) O teor de hidróxido de cálcio remanescente para as diversas misturas na idade de 91 dias encontra-se na tabela 4A do anexo A. induzindo a um incremento na velocidade de carbonatação. observando-se uma quantidade maior de CH disponível para os baixos teores. . enquanto na região B para os altos teores de pozolanas. ao passo que a cinza volante apresenta maior disponibilidade de CH aos 91 dias.4.Relação entre coeficiente de carbonatação com o tipo e teor de pozolana. O gráfico da figura 4. enquanto que o menor consumo foi para o traço de referência.4. tanto para os baixos quanto para os altos teores.

verifica-se neste último que a elevada reserva alcalina resultou num baixo coeficiente de carbonatação.6 .00 8 % Hidróxido de Cálcio (CH) 4 2 3 4. para fc= 60 MPa. justificados também pelo decréscimo na proporção de CH na pasta aos 91 dias. em comparação com os baixos teores (região A).00 1 5. prepondera o fator de menor reserva alcalina e. A figura 4.K c ( m m / √ sem ana ) FIGURA 4.00 0.00 100. apesar do efeito físico de redução da permeabilidade do concreto.00 C oeficiente de C arbonatação .00 8 C V + SA (15+10)% 9 C V + SA (30+20)% 7 10 C V + C C A (10+15)% 9 11 11 C V + C C A (20+30)% 0.00 4 C V (25% ) 5 C V (50% ) B 6 C CA (25% ) 7 C CA (50% ) 1.00 1 REF 2 SA (10% ) 3 SA (20% ) 5 2. 6. .00 A 6 10 3.Correlação entre coeficiente de carbonatação para os 91 dias e teor de hidróxido de cálcio da pasta não carbonatada aos 91 dias. Já nas misturas com pozolanas. Relacionando as misturas pozolânicas com o cimento ARI (mistura 1). como conseqüência.00 10. a maior facilidade de carbonatação quando comparado com misturas somente com cimento Portland. devido à menor velocidade de difusão do CO2 na solução dos poros quando a concentração de CH é mais elevada. nota-se um aumento significativo para os altos teores (região B).10 1.6 confirma a tendência das reações pozolânicas consumirem maior quantidade de CH na medida em que cresce o teor de pozolana no traço. pois necessita primeiro rebaixar o pH para depois reagir com todo o hidróxido de cálcio presente e então seguir penetrando e precipitando o carbonato de cálcio. Com relação aos coeficientes de carbonatação.

6 e a atividade pozolânica no ensaio de Fratini. o teor de CH e a carbonatação. cabe entender um pouco mais a relação entre a pozolanicidade. que apresentou o menor coeficiente de carbonatação para os altos teores. teve por objetivo balisar os efeitos do avanço da carbonatação a partir da superfície.9 e figura 3. Esta situação indica. Com este objetivo. propiciando maior carbonatação devido ao consumo mais elevado de CH pelas reacões pozolânicas. portanto.6). ilustram-se na figura 4. . nesta pesquisa. para a cura aos 91 dias e resistência de 60 MPa. 9 e 11. com os altos teores: misturas 7 (IAP=91. uma aproximação coerente entre o teor de CH e a quantidade de mmol CaO/l para a maioria das misturas. como.1) e 10 (IAP=21. As misturas mais reativas proporcionaram menor reserva alcalina para a solução dos poros.0) e 11 (IAP=42.8. tabela 3. o comportamento das diferentes misturas em função da espessura carbonatada. Cabe também fazer referência ao bom desempenho da mistura de CV (50%).3). através do índice de pH. visualiza-se um comportamento semelhante para os concretos. e.7 os níveis de pH para todos os traços em relação às idades de leitura da carbonatação acelerada.5 Análise dos resultados de alcalinidade (pH) A determinação da alcalinidade (pH) dos concretos. procurando mostrar. 4.Como a atividade pozolânica e a quantidade de adições foram os fatores mais influentes sobre a carbonatação dos concretos neste experimento. Fazendo uma comparação entre a figura 4. por exemplo. bem como um menor consumo de CH quando comparada com as misturas 7. para os baixos teores: misturas 6 (IAP=24.

Eles são mostrados na tabela 10A e calculados novamente para a resistência de 60 MPa na tabela 11A do anexo A. foram as que apresentaram os menores índices de pH.Relação entre a alcalinidade (pH) e a idade de permanência na câmara acelerada. observa-se a diminuição do pH para todos os concretos à medida que aumenta a idade de leitura de 17 para 29 semanas de carbonatação acelerada. com exceção da 11. confirmando a tendência de maior carbonatação e. menor alcalinidade para os altos teores de pozolanas. . Analisando o gráfico acima. conseqüentemente. 7 e 9. um trabalho estatístico dos dados brutos. Este coeficiente é negativo e indica a velocidade de queda do pH na medida em que ocorre a carbonatação dos concretos (kpH = ângulo com o eixo das abcissas). 14 10 13 2 4 1 1-REF 12 2-SA(10%) 11 3-SA(20%) 11 6 5 4-CV(25%) 10 5-CV(50%) 8 pH 6-CCA(25%) 9 3 7-CCA(50%) 8-CV+SA(15+10)% 8 7 9-CV+SA(30+20)% 10-CV+CCA(10+15)% 7 11-CV+CCA(20+30)% kpH 9 6 5 13 17 21 25 29 33 Idade (semanas) FIGURA 4. foi necessário também. Para a análise dos resultados da alcalinidade (pH). para a cura aos 91 dias e fc=60 MPa. obtendo os coeficientes de alcalinidade kpH em pH/ EQ \R(semana) . as misturas ímpares 3.7 . como feito para a carbonatação. De um modo geral.

podem ser entendidas como misturas com bom desempenho para impedir a despassivação do aço e evitar a sua corrosão. Ainda pode-se observar na figura 4. 6. Através da figura 4. ratificando o melhor desempenho para os baixos teores. . com os coeficientes de carbonatação acelerada em escala logarítmica para todas as misturas.90 pH/ EQ \R(semana) e coeficiente de variação de 13%. O primeiro segmento (a) ilustra os resultados para os corpos de prova curados por 28 dias ao ar e o seguinte (b) para os de 91 dias. interpretam-se importantes aspectos na comparação entre as misturas e também entre as idades de pré-cura ao ar. 60 e 70MPa. as misturas situadas além deste valor. 10 e 11. Assim.7 a boa aproximação de paralelismo das retas para as misturas 2. alguns questionamentos propostos inicialmente para a pesquisa. Considerando que o meio alcalino para manter o concreto com boa capacidade de proteção à armadura esteja acima do pH=11.6. construiu-se o gráfico da figura 4. assim. foi necessário a comparação dos resultados em igualdade de resistência à compressão axial. 5. elucidando.8 a seguir.0. 4.6 Integração dos resultados 4. mostrando que a perda da alcalinidade foi menor quando houve uma diminuição no teor de pozolana no traço.45 pH/ EQ \R(semana) ). com exceção da CV (50%) e CV + CCA (20+30)%. com coeficiente de alcalinidade médio igual a –0. Analisando as inclinações das retas através dos valores do coeficiente de alcalinidade (kpH). Para as misturas com baixos teores.77 pH/ EQ \R(semana) ) quando comparada com o traço de referência (kpH= .0. 4. que foram na maioria aquelas com baixos teores. relacionando-os com três níveis de resistências: 50.1 Resistência à compressão versus carbonatação Para acompanhar o desenvolvimento da carbonatação dos concretos para as diferentes misturas investigadas. nota-se que a mistura de CV(25%) apresenta a menor inclinação (kpH= .8. as retas são menos inclinadas.

00 10.10 1. O coeficiente de carbonatação acelerada aumentou para todas as misturas.00 100.00 1000.00 Coeficiente de Carbonatação .10 1.69 Kc = 60.34 (a) 45 0.00 1000.fc (M Pa 65 60 87x 55 50 Kc = 0.35 Kc = 24. 75 1 REF 2 SA (10%) 3 SA (20%) 1 10 4 2 6 3 58 11 7 9 4 CV (25%) 70 5 CV (50%) 6 CAA (25%) Resistência à Com pressão .00 Coeficiente de Carbonatação .00 100.fc (M Pa 7 CAA (50%) 65 8 CV + SA (15+10)% 9 CV + SA (30+20)% 10 CV + CCA (10+15)% 11 CV + CCA (20+30)% 60 69x 55 50 Kc = 0.Kc ( mm / √ semana ) FIGURA 4.Evolução do kc com a resistência à compressão axial para as idades de 28 (a) e 91 (b) dias de pré cura ao ar dos concretos.01 0.8 .00 10.01 0. quando a cura passou de 28 para 91 dias.64 (b) 45 0. sendo aproximadamente o dobro para .Kc ( mm / √ semana ) 75 1 10 4 2 6 38 5 11 7 9 70 Resistência à Com pressão .

o aumento foi ainda maior. Para estes mesmos concretos. variando de 0. e. Nota-se também que.69 para 60. para ambos os casos. com retas menos inclinadas e não acompanhando a reatividade crescente das pozolanas.6.35 mm/ EQ \R(semana) para 0. Outra comparação significativa aponta que os coeficientes de carbonatação se ordenaram conforme a atividade pozolânica. Esta ordenação. . para cada traço. 11.64 mm/ EQ \R(semana) . através da figura 4. houve um decréscimo no coeficiente de carbonatação acelerada. passando de 0. como pode-se notar no incremento de 0. 4.69 mm/ EQ \R(semana) no traço de referência.esta última idade. estabelecer a correlação linear existente entre os coeficientes calculados. tanto na cura aos 28 dias quanto aos 91 dias. Somente os traços binários com sílica ativa mostraram-se diferentes dos demais. o valor do coeficiente foi tão mais elevado quanto maior foi o teor da adição. apresentou a seguinte sequência de misturas.35 mm/ EQ \R(semana) no traço de referência para 24.9. indicando que a diminuição da porosidade do concreto acarreta menor penetração de CO2 para as reações de carbonatação. de 87 vezes. conforme pode-se verificar no gráfico. sempre na idade de cura dos 91 dias e resistência de 60 MPa. À medida que a resistência aumentou. caracterizada pelo seu número na legenda: 10. 6 e 8 para teores normais. 5. apresentando uma disposição em ordem crescente não só do grau de atividade pozolânica como também do seu teor na mistura.2 Alcalinidade versus carbonatação Com o objetivo de verificar a influência da carbonatação sobre a alcalinidade dos concretos investigados.34 mm/ EQ \R(semana) na mistura de CV + SA (30 + 20)% para cura de 28 dias (aumentando 69 vezes). 7 e 9 para os altos teores. na cura dos 91 dias. para o mesmo nível de resistência (60MPa). 4. procura-se. Nota-se que os maiores coeficientes foram para as misturas mais reativas.

00 8 1 REF 1.00 10.723 2 R = 76% 2. bem como quando aumenta a reatividade da adição mineral.50 3. indicando que os resultados do pH são dependentes e relacionados com os de carbonatação. Observa-se na figura 4.Correlação linear existente entre os coeficientes de carbonatação (kc) e alcalinidade (kpH).00 9 Coeficiente de Alcalinidade .00 2 6 C C A (25% ) 10 11 7 7 C C A (50% ) 4 5 8 C V + SA (15+10)% 9 C V + SA (30+20)% 0. sendo este mais significativo quando cresce o teor de pozolana na mistura. 4.50 y = 0.00 0.00 40. Portanto.00 C o eficiente de C arbo natação .00 70.00 50.3 Desempenho das pozolanas A verificação do comportamento das pozolanas utilizadas no experimento com relação ao fenômeno da carbonatação esclareceu um dos objetivos do trabalho.6.K c ( m m / √ sem ana ) FIGURA 4.00 30.50 10 C V + C C A (10+15)% 1 11 C V + C C A (20+30)% 0.50 3 2 SA (10% ) 3 SA (20% ) 4 C V (25% ) 6 5 C V (50% ) 1.9 uma correlação linear entre os coeficientes kpH (tabela 11A) e kc (tabela9A).00 60. ou seja. a carbonatação dos concretos acarreta o rebaixamento do pH.KpH ( pH / √ semana ) 2. . a relação existente entre as variáveis pode ser considerada satisfatória.00 20. 3.032x + 0. que foi o de investigar seu desempenho e em que teores de substituição do cimento elas tiveram maior influência.9 . sendo explicada pelo coeficiente de determinação de 75 %.

0 0 1 0 0 .1 0 1 . a SA apresentou maior carbonatação 3.10 procura ilustrar o desempenho das misturas binárias e ternárias de pozolanas para a carbonatação acelerada na idade de cura dos 28 dias e resistência de 60 MPa. . Para as misturas binárias com baixos teores.0 0 1 0 .0 0 C o e f ic ie n t e d e C a r b o n a t a ç ã o .0 0 C o e fic ie n te d e C a r b o n a ta ç ã o .0 0 1 0 0 .10 . enquanto a CCA ficou com 1.m m / √ s e m a n a 50 CV CCA M IS T U R A S 25 CV CCA % Pozolana B IN Á R IA S 20 SA 10 SA (a ) 0 .95 mm/ semana .1 0 1 .07 mm/ semana .m m / √ se m a n a FIGURA 4.77 mm/ semana e a CV 1.0 0 1 0 . A figura 4. 50 CV + CCA C V + SA % Pozolana M IST U R A S T E R N Á R IA S 25 CV + CCA CV + SA (b ) 0 .Desempenho das misturas em relação a carbonatação acelerada na idade de cura dos 28 dias e resistência de 60MPa.

observa- se um incremento no coeficiente de carbonatação quando ocorre a conjugação da CV com a SA . mesmo para altas dosagens. vindo a consumir maior quantidade de CH através das reações pozolânicas. que as misturas com coeficientes abaixo de 2. Esse comportamento está associado ao efeito sinérgico que acontece quando associa-se a CV com outra pozolana. todas com baixos teores.11 a seguir. menos reativa. de um modo geral.41 mm/ semana . SA e CCA. até 24. o comportamento foi semelhante ao dos baixos teores. Estes resultados comprovam que as pozolanas mais reativas.0 mm/ semana . Nas misturas binárias com altos teores. indicando que a mistura com essa pozolana.34 mm/ semana para CV + SA (30+20)%. variando de 11. resultando num coeficiente de carbonatação abaixo de 4.0 mm/ semana foram a binária de CV(25%) com 1. Nota-se. tanto para a pré-cura ao ar dos 28 dias quanto para os 91 dias. também.0 e 4. mostra-se favorável quanto à durabilidade do concreto frente ao fenômeno da carbonatação. conforme descrito no item anterior.03 mm/ semana para SA (20%). ao invés da SA. verifica-se um desenvolvimento mais acentuado dos coeficientes de carbonatação acelerada para as diferentes misturas.11.0 mm/ semana . com coeficientes abaixo de 4. . apenas a CCA apresentando maior carbonatação 14.0 mm/ semana . Observa-se. Assim. Isso comprova que o aumento do tempo de cura ao ar para os 91 dias. Somente a mistura binária de CCA(25%) com coeficiente de 3. situam-se na categoria de concretos duráveis. o bom desempenho da CV com alto teor de substituição (50%). proporcionou um maior consumo de CH através das reações pozolânicas. figura 4.97 mm/ semana . incrementando assim a taxa de carbonatação dos concretos. Para as misturas ternárias com altos teores. as misturas binárias de CV e CCA e a ternária de CV+CCA. Analisando também o desempenho das pozolanas para os 91 dias de pré-cura ao ar dos concretos.12 mm/ semana permaneceu na faixa entre 2. através da figura 4. aumentando a velocidade de carbonatação. carbonataram mais que a CV.55 mm/ semana e a ternária de CV+CCA(10+15)% com 0. na pré-cura aos 28 dias.

0 0 C o e f ic ie n t e d e C a r b o n a t a ç ã o . 50 CV + CCA C V + SA % Pozolana M IS T U R A S T E R N Á R IA S 25 CV + CCA C V + SA (b ) 0 .1 0 1 .0 0 1 0 . Portanto.Desempenho das misturas em relação a carbonatação acelerada na idade de cura dos 91 dias e resistência de 60MPa. por ser a idade mais empregada nos estudos de carbonatação acelerada segundo a literatura.0 0 1 0 0 . as misturas que apresentaram melhor desempenho neste experimento.m m / √ se m a n a FIGURA 4. .m m / √ s e m a n a 50 CV CCA 25 CV CCA % Pozolana M IS T U R A S B IN Á R IA S 20 SA 10 SA (a ) 0 .1 0 1 . Optou-se nesta pesquisa.0 0 1 0 0 . em considerar para efeito de desempenho das pozolanas os coeficientes de carbonatação calculados para a pré-cura ao ar de 28 dias.0 0 1 0 . em relação à carbonatação acelerada foram a CV (25%) e a CCA (25%) para os traços binários.11 . considerando a idade de pré-cura aos 28 dias.0 0 C o e fic ie n te d e C a r b o n a ta ç ã o .

formando os carbonatos e água (MATALA. 4. . proporcionando uma comparação. foram testadas duas idades de cura ao ar.7 Durabilidade com vistas à carbonatação Para se obter uma visão mais abrangente deste trabalho. em igualdade de resistência.e a CV + CCA (10+15)% para os traços ternários. dos coeficientes de carbonatação para as 11 misturas ensaiadas.1997). buscaram-se algumas contribuições importantes existentes na literatura sobre a carbonatação dos concretos com pozolanas. Conforme a análise dos resultados realizada no item anterior. A formação do C-S-H nas reações pozolânicas ocorre por um mecanismo de dissolução e precipitação do CH (MASSAZZA. salienta-se a dificuldade para a comparação de resultados entre experimentos deste gênero. procurou-se relacionar os resultados encontrados com outras pesquisas e estudos sobre a temática em pauta. todos com coeficientes abaixo de 2. Neste aspecto. Uma das questões que motivou a realização desta pesquisa foi o interesse em compreender melhor se o período de pré-cura ao ar dos concretos antes da colocação na câmara climatizada causa alguma influência entre as reações pozolânicas e de carbonatação. Mesmo assim. pois nem sempre as condições de investigação são planejadas e implementadas de modo similar. a maior carbonatação dos concretos curados aos 91 dias pode ser explicada pelas diferenças de natureza entre as reações pozolânicas e de carbonatação. Em face disso. ocorrendo muitas vezes interpretações diversas e sem generalizações possíveis para a tomada de conclusões. enquanto que nas reações de carbonatação a difusão do CO2 nos poros do concreto acontece por um processo de dissolução ou topoquímico. aos 28 e 91 dias. bem como responder aos questionamentos propostos nos objetivos específicos da dissertação.0 mm/ semana .1998). enriquecendo as discussões e colaborando para uma análise mais acurada a respeito da durabilidade deste material frente ao fenômeno.

Pela análise dos resultados do item 4. O comportamento do teor de CH. Portanto. embora obtendo coeficientes de carbonatação diferentes em valores absolutos. em particular sobre o efeito das idades de pré-cura ao ar. influirá nos resultados. Com relação ao período de pré-cura ao ar dos concretos mais apropriado para realizar o ensaio de carbonatação acelerada. devendo para isso ser normalizado tanto o período de cura inicial quanto a concentração de CO2. a pesquisa realizada por SIRIVIVATNANON & KHATRI (1998). pelo que se pôde notar comparando as idades de cura de 28 e 91 dias.4 e subitem 4. principalmente nos ensaios com adições de pozolanas. Outra questão levantada nos objetivos do trabalho foi com relação às possíveis influências entre os resultados de carbonatação e os ensaios de alcalinidade (pH) e teor de CH remanescente.6. entre outros assuntos. realizado na análise dos resultados. respectivamente. VAGHETTI & GASTALDINI (1998) concluem “que as reações pozolânicas se processaram mais rapidamente do que as de carbonatação. tiveram sobre o incremento na carbonatação dos concretos. ISAIA. enfocou particularmente esse tema. diminuindo tanto mais a reserva alcalina quanto maior a reatividade ou a quantidade de pozolana no traço”. verificou-se a influência que a atividade pozolânica e a proporção de pozolanas nas misturas. justificando os maiores coeficientes de carbonatação para os concretos curados aos 91 dias. De acordo com artigo realizado sobre esta pesquisa. conclui-se que ainda se faz necessária a comparação entre os coeficientes de carbonatação acelerada dos 28 e 91 dias com os coeficientes de carbonatação natural. Apesar de existirem poucos experimentos na literatura abordando o período de cura inicial antes de acelerar o processo de carbonatação. Os pesquisadores relataram que a carbonatação acelerada com pré-cura de 90 dias apresentou bons resultados quando comparada com a de carbonatação natural. foi importante na medida que possibilitou o acompanhamento da reserva alcalina das . o período de pré-cura ao ar dos concretos antes da colocação na câmara de carbonatação. confirmando que as reações pozolânicas precederam as reações de carbonatação e ocorreram de forma mais veloz.3.

Este efeito multiplicador que a CV exerce sobre outras pozolanas. a quantidade de CH diminuiu à medida que aumentou o conteúdo de pozolana no traço. o incremento na carbonatação dos concretos. comparando com a carbonatação dos concretos.7. Pela análise dos resultados de pH na tabela 10A do anexo A. na qual as profundidades de carbonatação para as misturas ternárias foram em média 2. como consequência. devido às reações pozolânicas.5 vezes maiores que as misturas binárias. A ação sinérgica da CV nos traços ternários foi relatada na pesquisa de JONES. (1994). a diminuição da alcalinidade com o aumento do teor de pozolanas nas misturas. quando comparado com os baixos teores e com o concreto de referência (figura 4. principalmente quando os concretos possuem teores elevados de adições. como a SA e CCA. O rebaixamento do pH em função da profundidade carbonatada. conforme ilustram as figuras 4. conforme mostra a figura 4.11 sobre o desempenho dos traços ensaiados. Esse comportamento também foi verificado nas pesquisas de SCHUBERT (1987) e HORIGUCHI et al. foi mais significativo para os altos teores e de acordo com a reatividade de cada pozolana. como ilustra a figura 4. contribuindo para o delineamento das conclusões do trabalho. Também foi verificada a existência de correlação entre os coeficientes de alcalinidade (kpH) e carbonatação (kc). Isso comprova que.pastas não-carbonatadas para as 11 misturas ensaiadas. portanto. sendo menos acentuado este decréscimo para os traços binários com sílica ativa. . O teor de CH remanescente das misturas com altos teores foi pequeno. O emprego conjugado da CV em misturas ternárias com o cimento Portland contribui para o aumento dos coeficientes de carbonatação.6). DHIR & MAGEE (1997).9. e mais acentuado para os traços binários com cinza de casca de arroz. para uma mesma relação a/ag dos 11 traços estudados à mesma profundidade de 15 mm. ISAIA (1997) também descreve em seu trabalho que o efeito multiplicador da CV é tão mais elevado quanto maior a proporção de pozolana no traço. foi encontrado para a carbonatação nas misturas ternárias do presente trabalho.10 e 4. verificou-se. tendo.

TORII & KAWAMURA (1995).6. diminuindo assim os coeficientes de carbonatação. sem pozolanas. fazendo com que a profundidade carbonatada progrida lentamente.8. independentemente do período de pré-cura ao ar dos concretos. conforme visto nas figuras 4. tanto binárias quanto ternárias. como as de BRANCA et al.6. De um modo geral. formulou-se outra questão importante para ser respondida nesta investigação.3. Este comportamento está associado basicamente à maior reserva alcalina que o cimento Portland proporciona. bem como pela figura 4. pois existe maior quantidade de CH para ser consumido pelo CO2 nas reações de carbonatação. como pode-se visualizar melhor na figura 4. que foi a seguinte: Quais as misturas com melhor desempenho em relação à carbonatação e em que teores de substituição do cimento elas influenciaram mais diretamente no fenômeno? Pela análise dos resultados do subitem 4. Para melhor entender a durabilidade do concreto com vistas à carbonatação.12. Algumas pesquisas com pozolanas contribuem para ratificar os resultados encontrados e também para justificar tal comportamento. abaixo. verificou-se que todas as misturas com pozolanas apresentaram maior coeficiente de carbonatação que o concreto de referência. foi possível compreender quais as misturas que tiveram melhor desempenho quando comparadas entre si e também quais as pozolanas mais eficientes.1. . em comparação com o concreto de referência.6 e 4. A tendência para menor alcalinidade com o incremento do teor de pozolanas nas misturas vem ratificar o maior consumo de CH pelas reações pozolânicas. as misturas binárias com CCA e com CV e a mistura ternária de CV+CCA. todas com baixos teores. Através da figura 4. (1993) e de SASATANI. encontra-se a de entender como evolui o coeficiente de carbonatação para as diferentes misturas. necessitando primeiro rebaixar o pH da solução para depois continuar avançando.10.8 do subitem 4. bem como o aumento dos coeficientes de carbonatação. foram as que apresentaram os menores coeficientes de carbonatação acelerada. Ainda dentro das questões levantadas para a pesquisa.

A cinza volante foi outra pozolana que apresentou desempenho adequado na carbonatação. tais como a resistëncia à compressão e resistência do concreto ao ataque ácido e à penetração de íons cloreto. “O melhor desempenho da cinza de casca de arroz em relação às demais misturas pode ser função da maior reserva alcalina que esta pozolana proporciona. tanto isoladamente com teor de 30% como nas misturas ternárias CV+CCA (20+30)%. apresentando boa resistência à carbonatação. Conforme ISAIA (1995.209). Pesquisa realizada por ISAIA (1995). foi a de melhor desempenho à carbonatação acelerada. principalmente quando conjugada com a CV em baixos teores. com materiais de características semelhantes aos do presente trabalho. p.FIGURA 4.Relação entre o teor de pozolanas e o coeficiente de carbonata- ção acelerada na idade de cura dos 28 dias e resistência de 60 MPa.12. outras propriedades são melhoradas com o emprego da CCA. . entre as pozolanas estudadas. mesmo com altos teores de substituição em mistura binária. por ser menos reativa que a SA”. também comprovou que a CCA. A utilização de proporções elevadas desta cinza encontra restrições em algumas normas ou códigos internacionais. O comportamento da CCA nesta pesquisa vem confirmar as qualidades desta pozolana. (1997) relatam que. Experimentos como os de MATSUI et al. além da carbonatação. (1996) e de SUGITA et al.

HARDTL & SCHIESSL (1997). Mesmo assim. GIAMMATTEO & MARINO (1995) e MULLER. salientam que o uso da CV em teores até 60% de substituição do cimento ainda oferece boa resistência do concreto à corrosão do aço e também melhoria nas propriedades de aderência. ISAIA (1992) aponta que o decréscimo da reserva alcalina ainda não é suficiente para promover a despassivação da armadura. principalmente na escolha das melhores misturas de pozolanas. transporte. a durabilidade do concreto com vistas à carbonatação está fundamentada em vários aspectos. a uma prescrição adequada da camada de cobrimento da armadura nos projetos estruturais. visando retardar e até impedir o desencadeamento do processo de corrosão. adensamento e cura do concreto. . nos seus teores de substituição. como sustenta também DIAMOND (1981) em sua pesquisa. contribuindo para o aumento da vida útil das construções. mas. sobretudo. Neste contexto. na tecnologia para a preparação. entre elas as de GALEOTA. muitas pesquisas. Quanto à diminuição do pH devido a teores elevados de CV. retração e módulo de elasticidade.

Este comportamento está associado à maior reserva alcalina que o cimento Portland proporciona. fazendo com que a profundidade carbonatada progrida lentamente. Para se afirmar qual o melhor período de pré-cura ao ar dos concretos. sempre em igualdade de resistência à compressão. Conclui-se. nas análises realizadas e também na literatura existente sobre o tema. portanto. conseqüentemente. aumento da velocidade de carbonatação. pois a difusão do CO2 nos poros é mais rápida devido à menor quantidade de CH disponível para reagir. foram as binárias de CCA (25%) e CV (25%). e a ternária de . diminuindo tanto mais a reserva alcalina quanto maior a reatividade ou a quantidade de pozolana no traço. CONCLUSÃO Partindo das questões levantadas nos objetivos específicos da pesquisa. que as reações pozolânicas precederam às reações de carbonatação e ocorreram de forma mais rápida. As misturas de pozolanas com melhor desempenho com relação à carbonatação. que será realizada quando os ensaios de carbonatação natural estiverem completos. para depois continuar avançando. prioridade de consumo de CH pelas primeiras em relação às segundas. ou seja. O desenvolvimento das reações pozolânicas induz a diminuição dos teores de CH na solução dos poros do concreto e. diminuindo assim os coeficientes de carbonatação. procura-se estabelecer as respostas com base nos resultados obtidos. Verificou-se que o concreto de referência apresentou menor coeficiente de carbonatação em relação aos concretos com pozolanas. os coeficientes de carbonatação encontrados para a idade de cura inicial de 91 dias foram em média o dobro daqueles para a cura de 28 dias. Conforme visto. existindo maior quantidade de CH para ser consumido pelo CO2 nas reações de carbonatação. 28 ou 91 dias. Com relação ao período de pré-cura ao ar dos concretos antes da colocação na câmara de carbonatação. necessitando primeiro rebaixar o pH da solução. A maior carbonatação para os 91 dias pode ser explicada pelas diferenças de natureza entre as reações pozolânicas e de carbonatação. constata-se que ele foi significativo e influiu nos resultados. torna-se necessária a comparação dos coeficientes de carbonatação acelerada e natural.

foi a que resultou para o traço binário com 50% de substituição.0 mm/ semana . as misturas binárias de SA (10%) e CV (50%). Portanto. a cinza volante. com coeficientes de carbonatação entre 2. corroborada por algumas poucas. Para os ensaios de carbonatação acelerada. coeficientes de carbonatação acelerada abaixo de 4. Duas pozolanas merecem destaque neste estudo: a CCA e a CV. como a CCA ou a SA. concretos executados com estas misturas terão profundidade carbonatada inferior a 40mm em 100 anos.0 e 4. revela-se com boa performance em relação à carbonatação. Assim. para a corrosão do aço. os menores valores entre as misturas com altos teores. e os resultados para a carbonatação comprovam que a utilização conjunta das duas pozolanas são favoráveis para a durabilidade do concreto. Outro benefício do uso da CV em concretos fica por conta da ação sinérgica que esta pozolana proporciona quando conjugada com outra. que salientam também o bom desempenho sobre outras propriedades ligadas à durabilidade do concreto. Estes resultados confirmam o bom desempenho desta pozolana à carbonatação. esses traços situam-se na faixa para concretos duráveis. assim. para que os . Nesta pesquisa. apresentando.CV+CCA (10+15)%.0 mm/ semana . torna-se importante a normalização do período de cura inicial e da concentração de CO2 na câmara.0 mm/ semana . com vida útil resistente aos efeitos da carbonatação e. resultando num efeito multiplicador tão maior quanto mais elevados forem os teores de pozolanas contidos em cada mistura. tais como a alta resistência mecânica inicial. A primeira. todas com coeficientes de carbonatação acelerada abaixo de 2. os traços ternários da CV+CCA ratificam este comportamento.. Enquadram-se também como misturas adequadas. etc. por ser menos conhecida experimentalmente. a baixa permeabilidade e a resistência à penetração de íons cloretos. mesmo para proporções elevadas. mas importantes pesquisas. e a ternária de CV+SA (15+10)%. conseqüentemente. adotando a equivalência de uma semana em processo acelerado de carbonatação corresponder a um ano de envelhecimento natural. A segunda.

Para que isto aconteça. impera a necessidade da continuidade de novas pesquisas. oportunizando a adequação qualidade/desempenho sob o ponto de vista técnico e a maior relação custo/benefício sob a ótica econômico-social. . sedimentando os conhecimentos já adquiridos sobre a durabilidade deste material. Espera-se que esta dissertação contribua para reafirmar as potencialidades do CAD com pozolanas e para o despertar do seu uso em obras correntes. como também impulsionando para novas descobertas.resultados acelerados sejam comparáveis entre si como também com os de carbonatação natural.

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