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Para Susan, que mereceu esta homenagem

NOTA DOS EDITORES

O universo de STAR WARS é infinitamente rico e criativo. Desde 1977, inúmeros planetas, raças
alienígenas e personagens vêm despertando a imaginação de fãs do mundo inteiro. A ideia de expandir
um universo ficcional, embora não seja nova, ganha novas proporções com STAR WARS. O livro STAR
WARS: from the adventures of Luke Skywalker, novelização do Episódio IV da saga, foi lançado em
1976, antes mesmo da estreia do filme no cinema. E, antes do final da trilogia clássica, já existiam
diversos quadrinhos e romances, que muitas vezes davam sinais dos caminhos a ser seguidos depois nas
telas, ou mesmo, como no caso do livro Splinter of the mind’s eye, de Alan Dean Foster, diferiam
completamente da trajetória seguida nas continuações. Esse era apenas um prelúdio da força que o
Universo Expandido de STAR WARS acumularia nas décadas seguintes.
Embora outras rarefeitas obras tenham sido lançadas no início dos anos 1980, dois marcos importantes
deram impulso à saga, projetando-a ao atual ousado projeto transmídia: em 1987, veio o lançamento do
RPG STAR WARS: The Roleplaying Game; em 1991, a publicação de STAR WARS: Herdeiro do Império,
de Timothy Zahn. Enquanto a importância do RPG foi estabelecer novos cenários e trazer detalhes do
universo de STAR WARS, o livro de Zahn fez história ao ser o primeiro com autorização oficial da
Lucasfilm para abordar os acontecimentos posteriores ao Episódio VI. Os personagens e as histórias do
livro foram aproveitados por toda uma nova geração de autores, que escreveram centenas de obras a fim
de complementar cada vez mais esse universo e saciar a sede dos fãs, especialmente durante o intervalo
de quinze anos entre os lançamentos das duas primeiras trilogias no cinema – e também depois.
Em 2014, a Lucasfilm lançou o novo conceito de STAR WARS, aplicável a filmes, HQs, livros,
videogames e séries televisivas relacionados à franquia, formando um só cânone. Juntos, todos esses
registros contam uma única história no universo de STAR WARS, complementando e continuando os
filmes lançados no cinema entre 1977 e 2005, além de servirem como preparação para os tão esperados
novos filmes, o primeiro deles STAR WARS: O despertar da Força, em 2015. Todas as obras publicadas
antes de 2014 passam a ser classificadas como Legends: histórias que não serviram como base para o
cânone estabelecido pela Lucasfilm para STAR WARS, mas cuja importância e cuja qualidade continuam
sendo apreciadas.
Participando dessa nova e empolgante fase de STAR WARS, a Editora Aleph pretende lançar todos os
romances adultos do novo cânone, bem como uma seleção dos títulos Legends mais relevantes.
Convidamos os leitores a embarcar conosco nessa jornada rumo a uma galáxia muito, muito distante.
E trata-se de uma viagem que não tem ponto de partida nem direção definidos. Não importa por qual
obra você decida começar, seja por uma das novas ou uma das Legends. Temos a certeza de que viverá
uma grande aventura.

Que a Força esteja com você.

EDITORA ALEPH

AGRADECIMENTOS

Escrevemos livros sozinhos, mas eles raramente são publicados dessa forma.
Agradeço, primeiramente, a Shelly Shapiro e Frank Parisi, que se arriscaram nesse meu projeto
(embora Frank tenha sido esperto o bastante para procurar por cobertura antes de jogar a granada) –
trabalhar com editores tão atenciosos e dedicados é intimidante e um privilégio.
Também agradeço a Charles Boyd, Dana Kurtin e Jeffrey Visgaitis por suas opiniões valiosas durante
o processo de escrita, que ajudaram a prever o pior da minha falta de noção. Merecem crédito também
todos os escritores da BioWare Austin, que foram os primeiros a me arrastar para a galáxia de Star Wars
– em especial, Daniel Erickson, que é um tremendo mentor e tem me incentivado nesses últimos anos. O
apoio de Drew Karpyshyn também foi de grande valia.
Finalmente, embora eu possa listar dezenas de autores cujos trabalhos influenciaram Companhia do
Crepúsculo, dedico uma reverência especial ao avô da ópera espacial E. E. “Doc” Smith, sem o qual
nada disso seria possível. “Clear ether, spacehound!” [1].

Reagrupamento Capítulo 9 Capítulo 10 Capítulo 11 Capítulo 12 Capítulo 13 Capítulo 14 Capítulo 15 Capítulo 16 Capítulo 17 Capítulo 18 Capítulo 19 Capítulo 20 Parte III. Retirada Capítulo 1 Capítulo 2 Capítulo 3 Capítulo 4 Capítulo 5 Capítulo 6 Capítulo 7 Capítulo 8 Parte II. SUMÁRIO Capa Folha de rosto Dedicatória Nota dos editores Agradecimentos Parte I. Ataque .

Cerco Capítulo 30 Capítulo 31 Capítulo 32 Capítulo 33 Capítulo 34 Capítulo 35 Capítulo 36 Capítulo 37 Capítulo 38 Capítulo 39 Capítulo 40 Capitulo 41 Capítulo 42 Capítulo 43 Créditos . Capítulo 21 Capítulo 22 Capítulo 23 Capítulo 24 Capítulo 25 Capítulo 26 Capítulo 27 Capítulo 28 Capítulo 29 Parte IV.

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forças rebeldes lutam nas trincheiras. Coyerti. um exército de stormtroopers altamente treinados esmaga os dissidentes e destrói a resistência. Haidoral Prime e tantos outros. determinadas a manter a esperança contra a implacável máquina de guerra imperial… . O Império Galáctico persiste. Sob o comando do imperador e de Darth Vader. a opressão segue se espalhando pelo universo. Mas em mundos como Sullust. Apesar de a Aliança Rebelde ter destruído sua terrível Estrela da Morte.

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E se eles vencessem naquele dia… Se eu sobreviver à batalha. a arma de raios era a mais preciosa. e dormir em segurança no acampamento do comandante. … então eles celebrariam. A vitória era inevitável para o senhor de guerra Malkhan. permitia que se escondesse por completo atrás da barricada. e embora esse não fosse seu nome de nascimento. atrás de um baixo muro de pedras que se estendia pelo alto da colina. por esse motivo ele fora designado para a frente de batalha. Já ouvira as celebrações . ele possuía tatuagens em sua pele para provar que era. Sua compleição física miúda. Tinha energia suficiente apenas para disparar doze raios causticantes. Ele iria se empanturrar. marcado e encrustado de cinzas. dos quatro presentes. Donin se ajoelhou diante de seus novos irmãos e irmãs – ele ainda desconhecia seus nomes –. aquela posição era um privilégio. e o cano. adornavam suas escápulas pardas debaixo da jaqueta de pano áspero. sais e temperos de outros continentes. recentemente aplicadas pelos mestres do clã por ocasião de sua iniciação. magra pela jovialidade e pela fome. Seu cabo era envolto em couro puído. As espirais e ondas pretas. Olhou de lado para seus companheiros e procurou sinais de que eles também estivessem com medo da batalha que estava por vir. Ele fez questão de se lembrar disso quando começou a suar e tremer. Donin corrigiu-se. as marcas. As tatuagens eram um dos quatro presentes que ele recebera após se juntar ao exército do senhor de guerra Malkhan: um novo nome. assim como eles morreriam por ele. e o haviam alertado para não desperdiçar um único tiro nem deixar a arma cair no chão se ela começasse a queimar as mãos. Donin disse a si mesmo que morreria por eles. Essas seriam atitudes de uma criança. Eles limpavam suas facas e murmuravam uns com os outros. Quase todos eram maiores e mais velhos. Ele tinha ouvido histórias sobre banquetes. C A P Í T U L O 1 PLANETA CRUCIVAL DIA 47 DA INSURREIÇÃO DOS MALKHANIS 13 ANOS APÓS AS GUERRAS CLÔNICAS O nome dele era Donin. em nome do clã e de seu comandante. não de um membro pleno do clã. Os mestres haviam lhe assegurado que. de outros planetas. A única coisa que estava em jogo era o destino do próprio Donin. Assim como sua tatuagem e sua arma. portando armas de extramundo que pareciam tão marcadas e enferrujadas quanto a dele. pensou. uma faca serrilhada e uma arma de raios de partículas de extramundo. fontes de água limpa e espetinhos de carne de bantha.

você não está lutando contra clones – disse o homem. bramindo na direção do pináculo de aço até sumir de vista. Donin travou os ombros. e foram aqueles gritos de alegria que. na direção do homem. garoto. exibindo suas tatuagens para o homem logo atrás. . Mas isso não significava que ele fazia parte do clã há muito mais tempo que Donin. puxando sua cabeça para trás. e percebeu que a mão em sua cabeça não estava mais lá. Mais velho que o próprio comandante.do clã enquanto se escondia tremendo na casa de seu pai. Segurando sua arma de raios com uma das mãos. Os soldados deles são clones. A voz de um homem riu atrás dele. que devia ter quatro vezes sua idade. Estou falando sério que é para você não atirar. Ele se virou e olhou para cima. Os extramundanos de branco podem não sair muito. e uma mão grande segurou seu cabelo escuro. Começou suave e se tornou rapidamente mais intenso. mas tente incomodá-los só um pouco… – Eu sei – cortou Donin. – Sei tudo sobre eles. torceu para que isso não se repetisse. Acha isso empolgante o suficiente? Donin fechou a cara e o encarou. Ninguém era tão forte quanto Malkhan. Ninguém mais tinha tanta comida ou se alegrava tanto com a vitória. – Bem. Um uivo soou a distância em meio à poeira. O homem grunhiu novamente. ou tivera tamanha sabedoria para obter uma quantidade tão grande de tecnologias de extramundo. O homem atrás dele grunhiu: – Você verá muitas delas por aqui. mostrando seus dentes rachados e amarelados em algo que parecia ser um sorriso. ele usou a outra para puxar para baixo o colarinho de sua jaqueta. girando de frente para o muro outra vez. Era uma explicação. mas ele estava errado. – Houve uma guerra. O novo clã de Donin construiria um planeta melhor. Olhando para frente novamente. Vai matar a todos nós se atirar. na direção das estrelas escondidas atrás das nuvens amarelo-acinzentadas. Donin viu a silhueta da esfera e das barras de um flier de extramundo contra as nuvens. – A batalha ainda não começou. Ele tinha dado uma de bobo. não importa o que aconteça. – Não havia muitas delas nas ravinas – murmurou ele. o levaram até os mestres. firmou as pernas ainda agachado e apoiou sua arma de raios sobre o muro num só movimento. Não chegue perto da torre também. como lhe fora ensinado. – Donin apontou com a cabeça para o céu. – Ele lutava contra eles. São feitos em fornadas. com olhos leitosos e pele esburacada. É só uma nave se dirigindo à torre. não uma justificativa. finalmente. Donin ouviu o homem rindo e sentiu um tapa nas costas que o projetou para a frente. Donin ajoelhou-se de novo. – Você está lutando contra os vagabundos que tomaram a pedreira na semana passada e querem nosso território. – Não me diga! Quem lhe contou isso? – Meu pai – respondeu Donin. – Estou aqui para servir ao clã – disse. Não viu nenhum alvo. Seu pai havia lhe dito que os Malkhanis não eram diferentes de qualquer outra facção de Crucival. Silenciosamente.

Lute uma batalha por vez. Uma onda de calor tomou conta do garoto e ele sorriu. como bandeiras. A primeira dessas armas foi acionada com gritos reverberantes. e. seu caminho era justo e ele faria parte daquele clã para sempre. A linha de frente se apoiou contra o muro e espiou por cima dele. Donin viu manchas na grama quebradiça e amarela no vale abaixo da colina. Donin concordou com a cabeça e ergueu os ombros. – Apenas não tenha muita esperança. Não demorou muito e alguém gritou que o inimigo se aproximava. Ele firmou sua arma de raios e se lembrou de não desperdiçar nenhum tiro. acomodadas em ambos os braços de quem as carregava. as manchas assumiram a forma de dúzias de homens e mulheres. O clã era a esperança de todos ali. A maioria carregava lanças acima de suas cabeças. – Louvado seja o comandante! – alguém berrou. Raios de fogo verde foram lançados por cima do muro. Apenas alguns poucos portavam armas de extramundo – mas tais armas eram do tamanho de galhos de árvore. – Imagino que esteja – disse o homem. somando sua voz ao grito de guerra. Agora seu nome era Donin. O exército do comandante se tornou uma massa de gritos que Donin não compreendia. Esses eram seus novos irmãos e irmãs. retornando o colarinho da jaqueta para cima e segurando sua arma com mais força. Ele não sabia ao certo o que o homem queria dizer. e o berro contagiou a todos. logo. Ele defendia seu novo lar. .

A vontade de dormir passou por sua mente. O terceiro.. um grandalhão corpulento. Eles usavam capas de chuva maltrapilhas. leves túnicas brilhantes e sandálias. e permaneceu atrás dela. O homem magro e compacto que liderava o grupo estava vestido com um uniforme militar cinza desgastado e uma confusão de aparatos militares grosseiramente estampados com o símbolo da Aliança Rebelde. e então acelerou o passo.” O Império não atiraria em civis se tudo estivesse sob controle. O cabelo negro embaraçado caía por trás do visor do capacete. como se ela fosse um casaco com capuz. e não portavam armas. Três sujeitos se arrastavam por uma avenida deserta. Haidoral Prime e quaisquer leis da ciência atmosférica que faziam chover. O homem da cicatriz fez um sinal com a mão. – Charmoso. grudava nas curvas mofadas dos prédios industriais e nas ruas cobertas de lixo. Eram não combatentes. pensou Namir. Cheirava a vinagre.. – Setor seguro – disse. embora atendesse por outros também. O sujeito logo atrás de Namir – um homem alto com cabelos grisalhos e um rosto enrugado por uma cicatriz – saltou para o outro lado da rua para assumir uma posição oposta. Silenciosamente. Uma rápida série de tiros de raios soou em algum lugar ao longe. dê uma olhada. a chuva já deixava de ser novidade para os soldados da Companhia do Crepúsculo. O homem da cicatriz caminhou a passos largos enquanto Namir manuseava seu comunicador de curta distância. entrincheirou-se em uma lona. e cobria a pele como uma leve camada de suor pungente. corpos humanos encharcados encontravam-se estirados na rua. “mas não é um mau sinal. ele praguejava contra a guerra urbana. Namir virou a esquina na rua transversal. seguida por gritos e silêncio. C A P Í T U L O 2 PLANETA HAIDORAL PRIME DIA 84 DA RETIRADA DA ORLA MÉDIA 9 ANOS MAIS TARDE A chuva quente caía torrencial do céu brilhante de Haidoral Prime. Ele gesticulou com um rifle mais grosso que seu braço na direção da interseção mais próxima. Após trinta horas-padrão. Uns 12 metros à frente. fazendo a água da chuva escorrer por seu rosto bronzeado. – Quais as . “Que pena”. sob um toldo rasgado e gotejante. Seu nome era Hazram Namir. mas se esborrachou em uma parede de teimosia. – Namir indicou os corpos.

ainda assim. enquanto um segundo par de mãos carregava relaxadamente um imenso canhão de raios na altura da cintura. Resmungou alguns xingamentos de seu planeta natal no instante em que uma tempestade de raios de partículas irradiou por entre o fogo e os escombros. estilhaços de metal. – Duvido muito – disse o grandalhão. ficando de pé. por favor – tentou Namir. – Equipes de apoio estão coletando comida e equipamentos – disse a voz. O último técnico de comunicações da Companhia do Crepúsculo havia sido uma misantropa bêbada. – Mas. Sua voz era grave e reverberante. seria ótimo que os trouxesse para a Trovoada. – Repita. Cuide-se! Charmoso estava terminando de analisar os corpos. Ele não conseguia ouvir nada e não fazia ideia de como tinha ido parar no meio da rua. mas fechou-a logo em seguida. Mas ele ainda tinha bom senso o suficiente para saber que tivera muita sorte por não perder um olho. Gadren – disse Namir. – Direi a eles. e mãos – as mãos de Charmoso – o arrastaram para trás. Namir deu de ombros e disse: – Até onde sabemos. Namir avaliou se deveria insistir para saírem dali. Ouviu-se um forte barulho de estática que talvez fosse uma gargalhada. Fogo. – Quem disser que são artigos de luxo precisa dar uma cheirada nas barracas. com uma perna dobrada para trás. e. Gadren permaneceu ajoelhado. – Se encontrar alguns suprimentos médicos. – Alguém vai encontrá-los. Alguma coisa grudenta estava presa a seu queixo e o visor de seu capacete havia rachado. Todas as suas mãos eram maiores que a cabeça do cadáver. verificando se eles tinham batimentos cardíacos e identificação. Restam apenas algumas horas para que os reforços apareçam. – Estamos prontos para carregar? Desta vez. ele estava em movimento. Seu corpo se ergueu. Ele se ajoelhou ao lado de um dos corpos e fez questão de fechar seus olhos. em silêncio. em meio aos corpos. Charmoso abriu a boca para falar. quão incisivo seria. segurando-o por baixo dos ombros. – Que atrocidade. Duas mãos carnudas de quatro dedos mantinham a lona presa a seus ombros. . – O sujeito imenso envolto em lona finalmente se aproximou. – Peça que a equipe de apoio traga itens de higiene desta vez – disse Namir. pode ter sido obra de droides de combate. Namir sentia falta de ter um especialista em comunicações na equipe. volte para o ponto de encontro. Caso contrário. Ela e seu droide estúpido morreram no bombardeio em Asyrphus. caso o fizesse. Ele balançou a cabeça. mas que fazia milagres com um transmissor e escrevia poesias obscenas com Namir nas noites entediantes.diretrizes agora? A resposta veio em meio a zunidos de estática através do fone de ouvido de Namir – algo a ver com operações de limpeza. a resposta veio claramente. Então a parede ao seu lado explodiu e ele parou de se preocupar com Gadren. graxa e espuma alvejaram suas costas. – Como alguém feito de carne é capaz de fazer algo assim? Charmoso parecia inconsolável. De repente. a responsabilidade é da governadora. – Vamos.

A vitrine não lhes daria cobertura por muito tempo – certamente não. As armas reluziam como óleo. O soldado ainda estava recarregando. A armadura branca parecia toda deformada nas mãos do alienígena. Namir atirou sem parar no que estava correndo pela rua. como se fosse um ídolo anfíbio assustador. Agora ele conseguia ver o stormtrooper que carregava o lançador de mísseis.Quando conseguiu empurrar Charmoso para longe e cambalear para se manter de pé. e as viseiras pretas de seus capacetes pareciam fossos escuros como breu. Atrás do stormtrooper estava Gadren. O segundo trooper. – Preciso de você aqui agora. embrenhou-se no meio dos escombros. no máximo. em seguida. Namir alinhou o fuzil debaixo do queixo. disparou duas vezes na direção dos stormtroopers e foi recompensado com um momento de paz. – Verifique se há um caminho até o topo – gritou Namir. Charmoso fez o mesmo. ele não ouviu. Havia algo de gratificante em ver um stormtrooper treinado humilhar-se daquela forma. Ele deu mais alguns tiros rápidos e viu um dos stormtroopers cair. se jogou no chão quando os stormtroopers ajustaram suas miras para a loja. . meio minuto antes que a vitrine caísse em cima dele. Os companheiros de Namir já haviam estado muitas vezes na mesma situação. O capuz improvisado de Gadren caiu para trás. Se alguém respondeu. viu-o escorregar e cair de joelhos e deu um sorriso malicioso. Era como se o batalhão tivesse saído pronto de um molde. o que significava que Namir tinha. logo à frente na rua. Suas armaduras de um branco mórbido reluziam na chuva. Brand – ele rosnou no comunicador. Charmoso devia ter encontrado um local com melhor visão. sendo os dois esmagados pelo grandalhão com um urro de raiva ou luto. com os dois pares de braços agarrando e levantando o inimigo. Namir tirou os olhos do inimigo por tempo o bastante para notar que suas costas estavam rentes a uma vitrine cheia de telas de vídeo. com a voz fina e sem força. virou o rosto para Gadren e foi prontamente nocauteado pelo corpo de seu camarada. embora duvidasse de sua pontaria. localizou a fonte daqueles raios. se os stormtroopers disparassem outro foguete –. Ele apontou seu fuzil de raios e atirou na tal vitrine e. – Nós precisamos nos proteger! Sem olhar para ver se Charmoso o havia obedecido. de tanto serem lustradas. Um deles se afastou do beco. Membros humanos se debateram e o lançador de mísseis caiu no chão. enquanto o outro ficou para dar cobertura ao atirador. mas. ordenou ao alienígena que se posicionasse. mesmo assim. Movimentos rápidos chamaram novamente a atenção de Namir para o atirador. Ele também não conseguia ver onde Gadren estava. Ele não estava conseguindo ouvir os bombardeios das armas de raios. Quatro stormtroopers imperiais encontravam-se na entrada de um beco. expondo sua cabeça: uma massa marrom. – Preciso de você no alvo. na esperança de que ele estivesse vivo e de que os comunicadores de curta distância ainda funcionassem. mas seria tempo suficiente. no beco. Restavam três stormtroopers. cheia de bulbos e com uma boca imensa encimada por uma crista de ossos mais escura.

– As equipes de apoio estão precisando de uma mão. que tinha caído bem em cima dos corpos dos civis. Charmoso e Gadren reuniram-se novamente ao redor dos corpos para avaliar seus próprios ferimentos. Para uma comemoração de vitória. O dano a seu capacete ia muito além da rachadura que percorria toda a extensão do visor – e ele percebeu um corte superficial na sua testa quando jogou o capacete na rua. Ele mal notou a reação dos esquadrões a suas palavras. homens e mulheres com armaduras esfarrapadas se espremiam nos cantos mais secos que podiam encontrar. caso vocês estejam se achando bons demais para ficar dando as boas-vindas. como sempre fazia desde a batalha em Blacktar Cyst. Namir confiava em Gadren tanto quanto confiava em qualquer um. Engoliu as palavras duas. Estrela da Morte –. quatro vezes ao começar a gaguejar. – Sentirei sua falta quando eles derem fim a você. – Nenhum sinal de Brand? – perguntou Gadren. Charmoso deu uma risada esquisita e soluçada antes de começar a falar. Gadren resmungou e fungou atrás deles. Gadren tremia sob a chuva quente. ele tentava manter o mais maçante possível. teremos a melhor posição estratégica da cidade. o alienígena o aterrorizava. em homenagem às montanhas cristalinas que iluminavam o horizonte. Ele apontou para o último alvo de Namir. Namir apenas resmungou. pois sua atenção havia se deslocado para uma mulher que emergia das sombras de um suporte para speeders. mas ele também não era morador de nenhum dos planetas e cidades que tinham sido renomeados. A batalha tinha sido muito longa por pouco mais que a promessa de algumas refeições. mas. murmurando entre si ou cuidando de pequenos ferimentos e consertando seus equipamentos danificados. essa era bem contida. o que o Império Galáctico não nomeava para inspirar terror – legiões de stormtroopers. A chuva tinha se condensado em névoa. Namir atirou até as chamas formarem um buraco derretido na armadura dele. e as tendas e barracas da praça ofereciam pouco abrigo. – Se continuarmos a empilhar corpos desse jeito – disse –. Isso não o incomodava diretamente. Seis esquadrões rebeldes já haviam chegado à praça central quando a equipe de Namir os alcançou marchando. Namir. a cidade era o Centro Administrativo Haidoral I. sem fazer qualquer reclamação. Charmoso – disse Namir. – Parem de se admirar e façam algo de útil – ladrou Namir. Oficialmente. passando rudemente um braço ao redor dos ombros do companheiro. . às vezes. ainda assim. Charmoso removia os fragmentos de estilhaços de seu colete. mas Namir preferiu entender como uma risadinha. Pela experiência de Namir. O último stormtrooper ainda estava na rua. provavelmente consternado. A audição de Namir começou a voltar. Era alta e de compleição avantajada. – Você é um doente. três. mas os moradores a chamavam de Glitter. sem interromper os passos.

se as naves imperiais chegarem antes disso ou se as forças da governadora se reagruparem. – E agora? – perguntou ela. – E abandonaremos este setor para o Império – disse Brand. – Você errou a segunda equipe de fogo. Se ela tivesse entendido a piada – e Namir achava que tinha –. Ele sabia que aquelas eram as palavras erradas no momento errado. a estação de batalha imperial que incinerava planetas. Havia deixado amigos para trás em mundos caóticos. A Companhia do Crepúsculo havia lutado nos desertos de fábricas de Phorsa Gedd e tomado o Palácio Ducal de Bamayar. Namir vira soldados perderem membros e sobreviverem semanas sem o tratamento adequado. Sua pele estava gentilmente marcada pela idade e era de um escuro bastante intenso.vestia calças puídas e uma jaqueta marrom volumosa. Charmoso tinha saído para espairecer e Gadren se juntara a Namir e Brand. sabendo que nunca mais os veria outra vez. – Também te amo. com um tom firme. A operação estava entre as maiores que a Rebelião já encampara contra o Império. e a malha blindada de uma máscara retrátil cobria seu pescoço e queixo. Ele se encostou na estrutura de metal e olhou para a névoa. Depois. Ele havia treinado equipes para construir baionetas improvisadas quando suas armas de raios estivessem quase sem energia. não havia achado graça. a Sexagésima Primeira Infantaria Móvel da Aliança Rebelde – comumente conhecida como a Companhia do Crepúsculo – havia se juntado à investida em direção à Orla Média galáctica. manteremos uma ou duas naves de escolta para a Trovoada antes de os outros se separarem. – Temos oito horas antes de irmos embora do sistema – disse Namir. Àquela altura. Havia estabelecido cabeças de ponte para hovertanks rebeldes e erguido bases a partir de lonas e placas metálicas. vamos dividir os suprimentos com o restante do grupo de batalha. Após a vitória da Rebelião contra a Estrela da Morte. – Nós voltaremos – disse ele. centenas de grupos de batalha e dezenas de mundos. Dezoito meses antes. envolvendo milhares de naves espaciais. – Menos. o Alto Comando acreditava que aquele era o momento certo para a Rebelião sair dos territórios longínquos do Império e ir para seus centros populosos. – Quer me dizer onde você estava? – perguntou Namir. Namir manteve a voz tranquila. . – Que tal deixar uma dica na próxima vez? – Você não precisava de distração. Brand empinou a cabeça. Eu dei conta deles – disse Brand. Provavelmente. Namir riu. rindo de lado. Carregava um rifle de precisão no ombro. – Algo pelo que ansiar. parando de costas para um quiosque revirado. Ateara fogo em cidades e vira o Império fazer o mesmo. o cabelo era raspado bem rente ao couro cabeludo e ela nem mesmo olhou para Namir ao se aproximar e se juntar a ele caminhando pela praça. – Isso – disse Namir.

sete soldados da Crepúsculo haviam morrido. Alguns na companhia perderam a esperança. Um bando desorganizado de moradores da região clamava seu desejo de que a luta contra o Império fosse mantida em Haidoral – a esses eram dadas algumas poucas armas sobressalentes que a Crepúsculo tinha e eram despachados com desejos parcos de boa sorte e invocações em virtude “da causa”. somente defender os territórios recém- conquistados. e enquanto a Crepúsculo sobrevivesse. Os recrutamentos eram. à frente da maior parte da armada. de “idiotas capazes de fazer falhar uma hidrochave” – havia. Planeta após planeta. a Crepúsculo havia combatido. contra a política de segurança da Aliança Rebelde. e mais ainda para compensar aqueles que haviam morrido em outras localidades nas últimas semanas. começou o processo de recuo. Aqueles em Haidoral que comungassem dos mesmos ideais de liberdade e democracia da Aliança poderiam permanecer para defender seus lares. a companhia recuperaria suas perdas a partir das fileiras de voluntários. Deslocou-se para mundos que havia ajudado a capturar poucos meses antes e evacuou as bases que havia construído. Enquanto a Rebelião fizesse a Crepúsculo viver o inferno repetidamente. Para ir aonde a Aliança era mais necessária. e eram revistados pelos “anfitriões” para ver se escondiam armas ou explosivos. A Crepúsculo precisava de sete novatos para contrabalançar aquelas baixas. até que a ordem veio do Alto Comando há nove meses: a frota estava sobrecarregada. Marchou sobre os túmulos de seus próprios soldados mortos. todas as mensagens soavam parecidas. Ninguém queria voltar. E daí por diante. tecnicamente. . em um momento de raiva. Namir ainda não tinha visto seus nomes. Nem todos estavam lá para ser recrutados: mulheres descalças com calos nas mãos imploravam à Crepúsculo para ficar. Quando os civis saíram de seus esconderijos e foram para a praça. de alguma maneira. O esquadrão do sargento Zab – o esquadrão que Namir chamara. mas eram uma tradição da Companhia do Crepúsculo e o capitão insistia que a prática continuasse. A Companhia do Crepúsculo havia se tornado a retaguarda de uma retirada em massa. Dezenas de homens e mulheres foram chegando aos poucos à praça no espaço de uma hora. Batalhas foram vencidas e batalhas foram perdidas e Namir já tinha parado de contar. começou o recrutamento. Extraiu os heróis e generais da Rebelião e os levou para casa. homens corcundas e idosos suplicavam para que a companhia partisse. Dali. ou poderiam se alistar na Crepúsculo para levar a luta até o inimigo. Não muito tempo depois. Outros ficaram enfurecidos. Em Haidoral Prime. A Crepúsculo permanecera na vanguarda da Aliança Rebelde. Para Namir. elaborada de acordo com as necessidades e as circunstâncias da população local. contrabandeado um droide astromec para o centro de vigilância da cidade. eles haviam acessado o sistema público de endereços e transmitido a mensagem do capitão: a Companhia do Crepúsculo em breve deixaria Haidoral Prime. Não deveriam avançar mais. O capitão gravava uma nova transmissão toda vez que a Crepúsculo queria engrossar suas fileiras.

ele pensou. não desertores ou matadores desengonçados. Não vou gastar oxigênio prendendo vocês na antecâmara. Namir achou que ele pudesse ser um espião do Império. ele próprio se encontrara naquela situação. quem entraria em pânico e deixaria um colega morrer. – Fale isso mais alto e poderemos arrumar nossas malas mais cedo. – Todos ficaremos mais felizes se disserem que não. e as outras duas pareciam só um pouco mais velhas. naquele momento. ele sabia como os recrutas se sentiam. ele precisava de recrutas que pudessem ser treinados. não era capaz de ter interesse nem compaixão. Um homem barbado e lamacento que tinha o olhar de um mendigo de rua. cortou o ar horizontalmente com a mão antes que alguém pudesse responder. Alguém na fila gritou. conversava sobre seus hobbies e suas famílias. um projeto de criminosa que procurava uma saída fácil daquele planeta. Ainda assim. mas Namir lhe deu crédito pela persistência. Ele e Namir já haviam conversado extensamente sobre essa política em particular. observou seus olhos e encaminhou sua avaliação para o oficial de recrutamento. ficou de pé novamente após cada golpe e parecia pronta para continuar na briga. sabia que eles seriam mais verdadeiros se estivessem relaxados. – Briguem na minha nave e vocês serão isoladas na salinha de manutenção até que morram de fome – disse Namir. A fila andava lentamente. O capitão Evon – “Uivo” quando não estava por perto – gostava de pecar pelo excesso de acolhimento. Namir caminhou por entre eles. porque eu não me importo. Namir não falou mais alto. Um pouco de loucura nem sempre era ruim. Ele disparou três tiros acima do trio. racionalmente. então. bom em julgar quem duraria mais. Os verdadeiros recrutas eram uma miscelânea de jovens e velhos. Duas delas estavam xingando e agredindo a terceira – uma garota pálida e grandalhona com uma mecha de cabelo vermelho. Uma mulher com nariz de porco olhou em volta para encontrar uma rota de fuga quando Namir casualmente trocou a arma de mãos. mas o porte de um burocrata. Hober torceu o nariz e balançou a cabeça. Mas. Não era uma boa lutadora. Vocês morrerão lentamente. e. Hober enchia os recrutas em potencial de perguntas. – Preciso saber o que está acontecendo aqui – perguntou Namir. – Você já conhece as ordens de Uivo – disse ele. Namir conhecia. – Apenas fique de olho – disse Namir. A suposta vítima foi ao chão quatro vezes seguidas. Namir caminhava e procurava não se envolver demais. assim como sua experiência prévia em combate. um intendente mirrado e com um joelho rangente e uma queda por jogos de cartas – recebeu as recomendações de Namir com desdém. – Você tem que ser um tipo especial de louco para embarcar num navio que está naufragando. Havia menos de três anos. – Não vou desperdiçar raios em vocês. O oficial de recrutamento daquele dia – Hober. . A garota do cabelo vermelho não devia ser mais que uma adolescente. As três jovens balançaram as cabeças. mimados e desesperados. deixando-as paralisadas. Namir se virou e viu três pessoas brigando. Hober era bom nisso.

Além de que ela também não seria a primeira jovem de dezesseis anos a se alistar na Aliança. mas as possíveis recrutas não sabiam disso. mas oferecia uma vista impressionante das montanhas cristalinas. As outras duas baixaram a cabeça. embora nunca tivesse perguntado se elas . desnecessariamente longe do centro de controle imperial. – O que dizia a mensagem? – perguntou Namir. a Companhia do Crepúsculo não podia se dar ao luxo de ficar escolhendo. Ainda não haviam tentado invadir o complexo. Gadren. Era uma distração muito bem-vinda. Os outros checaram novamente seus equipamentos enquanto Namir e Fektrin conversavam. mais ou menos. com múltiplas fileiras de domos. Faltava a Namir tanto a crueldade quanto a autoridade para levar a cabo aquela ameaça em particular. Desde então. – Um droide rato rolou para fora através de uma entrada lateral há meia hora – disse o sargento Fektrin. Após três horas de recrutamento. – As marcas em seu rosto se enrugavam de desconforto e as gavinhas que pendiam de suas bochechas e queixo pareciam se curvar. Naqueles tempos. Uma das mais velhas hesitou. O velho intendente olhou um tanto cético. A Crepúsculo havia interditado a mansão durante o primeiro dia de batalhas. erguendo a cabeça novamente. o capitão Uivo havia solicitado meia dúzia de esquadrões rebeldes aquartelados ao redor do perímetro. Namir. mas ele suspeitava que Hober o faria contra a própria vontade. Namir virou-se e acenou com a cabeça para Hober. A equipe de Fektrin mal parecia notar. Charmoso e Brand posicionaram-se do outro lado do muro da mansão. Aquilo não parecia ser verdade. mas com os ocupantes contidos. O complexo. mas não havia tempo para ficar verificando o histórico de ninguém. a situação tinha evoluído. uma das janelas da mansão abria. cuspia uma sequência de raios de partícula vermelha na rua e se fechava outra vez. “teme pela segurança deles”. De tempos em tempos. – Imaginamos que estivesse equipado para explodir. – Quantos anos você tem? – perguntou Namir à moça do cabelo vermelho. Nosso informante anônimo. mas intacta. então se virou e saiu andando. certo? Ou acham que somos tão estúpidos? – Eu disse a Uivo a mesma coisa – disse Fektrin –. a mansão em si parecia estrategicamente insignificante. ficava nos arredores da cidade. Carregava uma mensagem escrita de um “simpatizante rebelde” de dentro da mansão. e estas foram as palavras dele. Namir cuspiu na rua e observou sua saliva fervilhar onde os raios a atingiam. Namir entendia aquelas gavinhas como uma espécie de barba. Não era uma questão de ser acolhedor. Namir ficou imaginando se ele iria admitir a garota na tropa dos novatos da Crepúsculo. Após as desavenças iniciais. – Eles sabem que mantemos a conta dos nossos soldados. – Que os homens da governadora Chalis estão mantendo soldados rebeldes como prisioneiros lá dentro. a poucos passos da muralha exterior queimada. – Vinte – respondeu ela. chegaram ordens solicitando o esquadrão de Namir do lado de fora da mansão da governadora. porém estava limpo. demonstrando sua aprovação.

Brand cortou a corda com uma faca curva que tirou da jaqueta. Namir olhou para Charmoso. – Tudo bem – disse ele. – Mas o capitão está preocupado que a governadora tenha capturado alguns habitantes locais. . se morrermos. Escalar o muro e cercar a entrada principal atrairia muito fogo inimigo. Namir atravessou a fresta primeiro. – Você quer reclamar com Uivo pessoalmente? – perguntou Fektrin. A lâmina fez um som suave de eletricidade. Quer que verifiquemos. Fektrin continuava calmo. mas Namir continuou falando. Namir nunca tinha visto Fektrin sorrir. e ficaram bem longe dali enquanto Charmoso preparava a arma magnética de ganchos em uma das floreiras. A voz grave de Gadren surgiu em meio à estática. Charmoso bolou a tática de abordagem do esquadrão. Namir. Era verdade que ele não era um homem muito alto. – Mas. Namir resmungou. Brand e Charmoso dirigiram-se ao jardim do telhado de uma das residências vizinhas. – Tenho minha própria faca – disse Charmoso. – Eu entendi direito? Gadren fez cara de reprovação. deslizando pela corda e aterrissando abruptamente na pedra úmida. mas o alienígena tinha o senso de humor de um zumbi. não perdemos a guerra exatamente. forçando as palavras em meio à sua gagueira. Fektrin prepararia um ataque direto. que balançou a cabeça até que Charmoso colocou a arma diretamente em sua mão. se for uma armadilha. Ela atingiu o muro adjacente a uma das varandas mais baixas da mansão. vamos levar a mansão toda conosco. – Onde você conseguiu isso? – perguntou Namir. – Vamos avançar – disse ele. mesmo com mínimas chances de sobrevivência.também estavam presentes nas mulheres da espécie de Fektrin. para salvar alguns civis. – E você precisa de uma vantagem. Ao comando dela. – Se ouvirirem gritos. Namir encarou Fektrin com extremo ceticismo e disse: – Então a teoria do capitão é a de que ele tem a liberdade para apostar nossas vidas. Em vez disso. que parecia que iria se partir em dois com um pouco de esforço. Ele o entregou a Namir. – As gavinhas de Fektrin tremelicaram. Charmoso veio em seguida. já sabem o que fazer. Brand observava a mansão da governadora pelas lentes de sua máscara de combate. que puxou o bastão de atordoamento de seu cinto e estendeu o cassetete. – Confisquei – disse Brand. que seria realizado só em último caso. Namir xingou e ladrou uma risada irônica. então qual é o sentido? Perdemos um esquadrão lá. tocando o comlink. Os moradores foram mais que solícitos depois de Namir fazer três buracos com arma de raios em seu droide de guarda. – Além do mais – continuou Fektrin –. e Brand por último. mas não discutiu. fincou-se ali e esticou a corda bem firme. Charmoso disparou a arma e lançou a pequena âncora através da chuva que voltava a cair.

a frieza e a tranquilidade de Brand. e o polegar cruzando a palma da mão. General Tulia. Namir não reconhecia a maioria das figuras. Brand parou diante da recriação de um capacete com curvas e ângulos disformes e olhos de esqueleto. Namir retribuiu o olhar. sem gaguejar. – Não entendeu. não quando suas próprias botas encharcadas guinchavam como ratos no piso . Namir invejava a capacidade da mulher para ser furtiva – mas não hoje. – Darth Vader – disse Charmoso. bem no estilo imperial. sendo que um estava patrulhando. Charmoso. Uma figura com chifres poderia bem ser o velho vizir do imperador. – Não pessoalmente – disse Brand. Em seus momentos mais difíceis. mobiliados com carpetes luxuosos e aparelhos holográficos cintilantes que giravam e pulsavam a cada movimento do esquadrão. Charmoso e Brand pareciam mais familiarizados com aqueles sujeitos. Charmoso escarneceu um homem de meia-idade cujos olhos alienígenas bulbosos incrustavam-se num rosto humano e cujo pescoço era envolvido por um grosso colar metálico. bustos e estatuetas de bronze ficavam em nichos nas paredes. – Podemos seguir em frente? Para a surpresa de Namir. realizador de todos os horrores e atrocidades conhecidos pela civilização. não – disse Brand. gesticulou diante da escada no fim do corredor. – Entendi mesmo. entalhado em cristal da montanha. Brand foi primeiro. Lá. – Você o conhece? – perguntou Namir. Brand olhou para ele e falou com um tom baixo e sombrio. e depois do luto vou requisitar um gancho que possa suportar meu peso. e começou a andar novamente. Os cômodos eram escuros e espaçosos. os três partiram em direção à mansão. Um busto de um ancião com bochechas que pareciam cera derretida e com cabelo ralo assemelhava-se ao imperador galáctico – Namir já o vira em vídeos de propaganda rebeldes. O sicário pessoal do imperador galáctico: perseguidor da Aliança Rebelde. essas eram as histórias. Dois guardas posicionados no alto da escada. Conde Vidian. Olhe para os rostos deles e memorize todos. nascido das brasas das Guerras Clônicas. Brand não se conformava. Namir puxou pela memória o nome dele: Mas Amedda. – Vou chorar no funeral de vocês. três passos à frente. Muitas vidas serão salvas no futuro. O colar circular dava ao busto a aparência de um vaso de plantas grotesco. Dois dedos levantados. Juntos. – Muito bem – sussurrou Namir. Quase todos os homens e mulheres nas estatuetas usavam uniformes militares do Império ou robes de Estado. – Já entendi – disse Namir suavemente. Pelo menos. – Esse é o espírito – disse Namir. – Você deveria conhecer essas pessoas – disse ela. – Darth Vader. Namir guiou o grupo através de suítes interligadas até um corredor alto e estreito.

Ele a seguiu. Namir não o reprimiu – de alguma forma. Namir presumiu que o odor fosse artificial até ver que havia frutas – frutas de verdade . para evitar que fosse disparado um único tiro de sua arma de raios. Se Namir estivesse com o tronco ereto em vez de com joelhos flexionados. o barulho alertaria a mansão inteira. mas o som do contato da armadura com o piso fez mais barulho do que o previsto. Eles só permaneceriam furtivos até um pedaço da missão. E eles subiram as escadas. nenhum deles com a armadura completa. Ele deveria ter pedido emprestada a faca de Brand quando teve a chance. eles cairiam nela em breve. A mensagem alertando a Crepúsculo sobre os reféns da governadora tinha como anexo um mapa superficial da mansão. Charmoso assumiu a liderança em seguida. agarrou-se à superfície fria da armadura e tentou prender os braços do homem. confirmando se ele não tinha. com Charmoso tão perto atrás dele que dava para sentir o calor corporal do cara. ele sentiu o cheiro de metal e plastoide queimados. Ele jogou a cabeça para trás e esfolou o couro cabeludo de Namir. Se houvesse uma emboscada. Depois de alguns instantes. por razões que Namir não compreendia e não queria questionar. Brand já tinha limpado sua faca quando Namir disse: – Vamos andando. a menos de 50 metros do suposto cativeiro. caminharam por uma passagem espremida até uma despensa cheia de suprimentos que tinham um cheiro cítrico. Namir avançou com o corpo abaixado. Namir levantou o ombro ao partir para o ataque. e a tentativa deles de se manterem furtivos estaria comprometida. Perder parte do rosto não havia feito Charmoso largar esse hábito. Namir certamente não seria capaz disso. O stormtrooper reagiu com agilidade e precisão. e Namir sentiu seu estômago se revirar quando eles se entreolharam. Dois guardas. procurando a patrulha. Namir apalpou rapidamente o fuzil que estava pendurado em suas costas. Namir tentou guiar o corpo deslizando-o até o chão. Charmoso saberia como abater o segundo guarda atrás dele. onde seu capacete abandonado deveria tê-lo protegido. nas costas do trooper. Charmoso ficou parado entre os dois guardas. O trooper ainda estava se virando para encará-lo – Namir teve tempo de chegar mais perto –. mas o bastão de atordoamento seria inútil contra aquela armadura branca. pelas estimativas de Namir. portanto ele queria estar preparado para qualquer contratempo. Adiante. Agora.encerado. Charmoso sempre serpenteava até a dianteira quando havia uma emboscada iminente. e o stormtrooper perdeu a força nas pernas assim que Brand torceu sua faca por baixo do capacete dele. ele deu uma pancada no stormtrooper e o fez girar de frente para a escada. de alguma maneira. Seguranças locais. Caso isso acontecesse. Brand saiu da boca da escada e Namir ouviu o chiado da faca eletrificada quando ela atingiu o primeiro alvo. O sentinela da patrulha estava a menos de 5 metros de distância. O corredor em que a equipe se encontrava estava agora. perdido a reconfortante arma durante a briga. apertando o bastão de atordoamento com mais força. Era um stormtrooper imperial. o golpe o teria acertado entre os olhos. ambos mortos no chão.

no salão de jantar. “Nenhuma bomba de fumaça. mapas e telas portáteis que mais lembrava o interior do crânio de um burocrata. e agora estava tão cheio de impressões. Namir queria virar-se e olhar para quem falava. endureceu o corpo virado para seu oponente e confiou que Brand e Charmoso tomassem conta do restante da sala. O cabelo negro era entremeado com fios cinza e brancos. – Ou aqueles que vocês alegaram ter capturado. Depois da despensa. Namir empinou a cabeça. Os músculos de Namir estavam retesados. O coronel congelou novamente. Brand e Charmoso gesticulavam com seus fuzis em arcos perfeitos enquanto Namir mantinha o olhar fixo no coronel. “Muito bem”. No meio das estações de trabalho improvisadas estava meia dúzia de soldados do Exército Imperial – sem os quepes e com uma expressão exausta no rosto. deliciando-se com o aroma. mas desviar a atenção do coronel significaria a morte. Ele manteve o fuzil apontado. adornado com vermelho e fechado com botões . A moda antiga era a que ele conhecia melhor. então. uma mulher humana cujo semblante de pele morena era enrugado na medida certa para dar seriedade a um rosto outrora jovem. A nova interlocutora lentamente entrou em seu campo de visão periférica. Invadiremos à moda antiga. holointerfaces. O mapa indicava que os reféns estavam no cômodo seguinte. e ela usava um terno escuro e formal. e. Ele encaixou o bastão de atordoamento em seu cinto e tomou o fuzil nas mãos. Ninguém o fez. Namir olhou para Brand enquanto ela se posicionava do lado oposto ao que estava Charmoso.” Isso não o incomodava. – Não tenho ideia do que você está falando – disse o coronel. – Ele não sabe mesmo – uma voz respondeu. metálica e cheia de droides com membros longos conectados em suas estações de energia. Namir acenou com a cabeça. Ela veio surgindo de uma das entradas laterais do salão. O que encontraram foi um salão de jantar – ou o que havia sido um salão de jantar. o suor manchava seus uniformes pretos – que estavam tão entretidos em seu trabalho que levaram meio segundo antes de olhar para frente e ver Namir e seu esquadrão. nem de luz. A mão direita dele começou a chegar perto do cinto. Charmoso parou em frente à porta estreita que levava mais adiante mansão adentro e deu de ombros. Charmoso e Brand o imitaram. Ele manteve a voz calma. – Se alguém guardou uma granada de luz – disse Namir –. – Aqueles que vocês capturaram – disse ele. – Onde estão eles? – Que prisioneiros? – perguntou o coronel. havia uma cozinha suntuosa. quente e ressonante. Charmoso apertou o teclado numérico da porta e eles invadiram o local juntos. ele inspirou longamente. agora é a hora de se manifestar. sacudiu a cabeça para se desligar da distração.– casualmente estocadas com o resto das infindáveis riquezas da governadora. Namir mirou no primeiro deles que tentou sacar sua arma reserva – um coronel de nariz afilado que vinha caminhando ao lado da mesa de jantar – e observou o resto do grupo hesitar. Namir pensou. – Prisioneiros – disse ele.

sobrou apenas um oficial. Gentilmente. – Já está cauterizado. metodicamente. Os raios diminuíram. . A arma dela estava apoiada ao lado do jarro. encontrou refúgio debaixo da mesa. Namir mostrou os dentes no que ele esperava que parecesse um sorriso brincalhão. ela deixou a bolsa de lona deslizar do ombro direito e cair ruidosamente no chão. Namir. igual a argila. Namir a ignorou e correu até Charmoso. A ferida não era fatal. O som de um raio se fundia ao outro e ao próximo. – Pare de gemer – disse. despejando água de um jarro sobre as mãos como se quisesse limpá-las – não de sangue. carregava pendurada no ombro uma bolsa de lona desgastada e manchada – do jeito que um soldado rebelde ou um vagabundo carregaria. As palavras continuaram sendo faladas naquele mesmo tom maçante quando. Quer colocar um curativo também? Charmoso deu uma risada rouca e resmungou algum palavrão qualquer. com um desdém genuíno. girou para avistar um alvo. de início. Ele rolou debaixo da mesa e descarregou uma saraivada no primeiro casaco preto que viu pela frente. mas a mulher de terno o matou primeiro. Namir começou a apontar o fuzil na direção do oficial. Estilhaços de pedra caíram sobre o cabelo de Namir quando alguém explodiu a parede acima de sua cabeça. O material da calça tinha um furo chamuscado. A mulher mal olhou para Namir enquanto enxugava as mãos nos quadris. com as duas mãos sobre um lado dos quadris. ela sacou uma pistola de raios do bolso esquerdo. Brand. esticou-se todo por cima dela e começou a disparar freneticamente. viu um soldado com alguma coisa nas mãos – talvez uma arma. como Namir pensou. – O fato de que o coronel não percebe isso… Conforme a mulher falava. gemendo de dor. As pernas do coronel morto ofuscavam sua visão do outro lado da sala. com um rosnado e um disparo certeiro da arma de raios em sua mão. Ele caiu de joelhos. Charmoso estava de joelhos no chão. as fibras se fundiam com a pele escurecida. – … mostra quão pouco ele presta atenção. Depois disso. talvez um comlink – e atirou nele. Então viu a pilha aos pés do oficial. assim que a bolsa caiu. – Eu sou a refém aqui – disse ela. ele afastou as mãos de Charmoso e examinou o lado direito de seu quadril. apontada para o chão. não compreendeu onde ele estava mirando – o homem havia recuado para um canto e sua arma estava baixa. – Quem é você? – perguntou ele. verificou cada porta até o salão de jantar enquanto Namir ficava de pé e olhava para a mulher que alegava ser a “refém”. Em contraste com o terno obviamente caro. A arma de raios liberou uma luz vermelha e o homem sob a mira de Namir caiu sobre a mesa de jantar. Namir não soube ao certo quem atirou em seguida.prateados. com um buraco flamejante entre as escápulas. Ela estava de pé ao lado da mesa de jantar. mas com certeza doía muito e Charmoso não conseguiria sair andando dali. Ele cambaleou à frente. mas de terra ressecada.

– Por que deu um tiro de atordoamento? Gadren arrastou-se até o lado de Charmoso. – Ela ainda está respirando – disse ela. De pé. Ele se perguntou quantos outros guardas haveria na mansão e quanto tempo teria antes que aparecessem. segurando a arma com dois braços e apontando o cano na direção em que a governadora estava. Os lábios da governadora se separaram. – Achei que estivessem em apuros. – Meu pessoal (meus conselheiros. de repente. Quero me juntar à companhia em troca de asilo. Namir fez uma carranca. mas eu precisava da sua atenção. – Por que você precisava da nossa atenção? – perguntou. – Atire nela – disse ela. Brand observou a governadora caída. – Meu nome é Everi Chalis – respondeu ela. Brand olhou para Namir de uma porta lateral e. como se estivesse contando uma piada interna. Gadren voltou a falar só quando Charmoso já estava seguro. Namir virou abruptamente. estava Gadren. Fico feliz em ver que exagerei. em frente à última porta não vistoriada. Ela começou a caminhar por entre os corpos. – … artista residente local. é claro… – Aqui o lábio dela retorceu. Tentou calcular quanto a lesão de Charmoso atrasaria o evacuamento do esquadrão. Quando Chalis se virou. Namir apenas distinguiu a palavra chef. Ele não tinha tempo para analisar as mentiras em andamento. – A governadora sorriu. Ela não parecia incomodada. . Charmoso estava tentando gaguejar alguma coisa. Seus membros enrijeceram e ela caiu no chão ao lado da bolsa. com seus ombros enormes subindo e descendo. ainda esparramado sobre a mesa. A respiração dele estava ofegante. emissária do Conselho Executivo Imperial. e. ele sentiu o peso dos dias que passara sem dormir direito e das trinta horas de batalha. mas ela não disse nada. para a governadora. ele estava apontado o fuzil para o peito dela. As peças estavam se juntando. como que para confirmar se estavam mortos de fato. – Perdemos contato – disse ele. – Governadora de Haidoral Prime. parando para avaliar os ferimentos do homem cheio de cicatrizes antes de levantá-lo gentilmente do chão e segurá-lo no colo. – Haidoral merece isso. Esses homens estavam aqui para me policiar sob o comando do imperador. – Eu soube que vocês estão recrutando. içou sua cabeça e cuspiu-lhe entre os olhos irreconhecíveis. Namir empunhou o fuzil. Então ouviu-se um chilreio elétrico e um clarão oscilante de luz azul. – Que bom que você é leal ao seu pessoal – disse Namir. meus dias com o imperador estão contados. então. e. lenta e cautelosamente. Quando chegou perto do coronel. – Declarar-me uma refém talvez tenha sido um exagero de minha parte – ela prosseguiu –. empurrando cada um deles com o bico da bota. mas seu tom era ácido. – Eles não eram meus – ela disse ironicamente. meus guarda- costas. ela se debruçou bem perto dele. meu chef ) foi tirado de mim há meses. – Graças à Rebelião. olhando pela mira.

Pronto para esquecer as pilhas de cadáveres de civis e a suntuosa mansão cheia de frutas aromáticas e bustos em homenagem a assassinos. Nenhum espasmo. O ataque a Haidoral Prime não tinha sido um fracasso. – Ele acenou para Gadren. – Vamos amarrá-la e levá-la para o Uivo. indicando não ter compreendido. em um mundo mais primitivo. Namir não conseguiu entender se ela estava brincando. Namir seguiu até a governadora e verificou o corpo. – Agora podemos dar o fora deste planeta? Ele estava pronto para se livrar de toda aquela chuva. – Nenhum refém – disse Brand. Pronto para dormir. Namir se perguntou se Brand iria reclamar. – Temi pelos reféns. nenhum sufocamento. mas fora repleto de problemas. – Homens maus atraem má sorte – ele replicou. usando uma das mãos para manter o corpo equilibrado. Tiros de atordoamento não eram muito confiáveis. Era um ditado que ele aprendera há muito tempo. mas aquele ali parecia ter cumprido sua função. Um tiro de raio poderia ter matado um deles. Ela estava respirando constantemente. O que significava que a governadora ainda era problema dele. nenhum batimento cardíaco irregular. . – Isso se tiver espaço para mais um. mas ela já estava pegando a bolsa da governadora quando disse: – Dizem que sequestrar um imperial dá azar. Gadren acenou com a cabeça. Gadren agarrou rudemente a governadora pelo colarinho e a jogou sobre um dos ombros. mas reconhecendo que aquele não era o momento para perguntas. Não precisa ser muito cuidadoso. Agora ele levaria um desses problemas para casa.

mas eles falavam uns com os outros tão alto que era o suficiente para abafar o som baixo da holotransmissão. enquanto seus olhos lentamente se ajustavam à luz tênue da cantina. Ela não parava para reconhecer rostos familiares na multidão de trabalhadores. Thara Nyende não se demorava nas ruas ou caminhava ao longo dos córregos turquesa que fluíam junto às calçadas de Pinyumb. O enxofre amarelo grudado nas paredes da caverna parecia assumir uma palidez frágil. Tinham ombros largos e encurvados. chegando em naves auxiliares que vinham das fábricas na superfície ou partindo de seus blocos residenciais para os turnos da noite. a obsidiana do teto da caverna lentamente perdia sua iridescência refratada ao cair da noite. ela. – Tio! – chamou Thara na direção do bar. O homem que olhou por sobre o conjunto de torneiras atrás do bar e começou a ir em direção a Thara parecia velho o bastante para ser seu avô em vez de tio. Como todos. robustos e com cicatrizes de anos de trabalho na fábrica de processamento de minerais Inyusu Tor. As grandes torres da cidade. Pinyumb era cosmopolita à sua maneira – aqueles que estivessem dispostos a trabalhar pesado eram bem-vindos. Sullustanos de pele acinzentada e espécies mais raras também. mas que ela já conhecia bem – uma casa de banho público. e todos os outros eram excluídos. ela tinha assuntos a tratar antes do toque de recolher. e então desceu um pequeno lance de escadas talhado na rocha da caverna até uma porta sem marcas. Não mais que uma dúzia de clientes estava presente – quase todos homens e quase todos velhos. erguendo-se do chão da caverna como estalagmites. – Vim até aqui para mimá-lo. Thara passou por prédios cinza-metálicos ocupados clandestinamente que não portavam qualquer sinal na entrada. Ela ergueu a bolsa de couro pendurada no ombro e foi entrando. conforme as criaturas voltavam ao ninho depois de buscarem comida. diminuíam as luzes superiores até o domo encontrar-se mergulhado em escuridão. No entanto. Havia humanos pálidos e negros. C A P Í T U L O 3 P LANETA SULLUST DIA 85 DA RETIRADA DA ORLA MÉDIA Em Pinyumb. reservava um tempo para acenar firmemente na direção dos stormtroopers parados em frente a cada nave auxiliar e intersecção. A maioria encontrava-se reunida diante de uma holomesa exibindo um evento esportivo de extramundo. Ouvia-se o bater das asas de anjos de cinzas que iam e vinham. Com os anjos de cinzas vinha o povo de Pinyumb. Apenas duas vezes os homens ou mulheres dentro da armadura acenaram de volta. um café –. e se algum dia o cabelo dele já combinara com . uma hospedaria. sim. independentemente da espécie.

distribuía presente após presente. Era uma pena. Eles haviam sido terrivelmente escaldados quando os canos de vapor dos extratores de magma se romperam. abençoando ela e sua família. Myan. Não tinha a intenção de bisbilhotar. mas o tom de voz parecia agradecido – e levou o unguento para dentro. Thara sorriu ironicamente para ele e quase arrancou um sorriso de volta. tabletes antigripais e máscaras de segurança para os homens que trabalhavam nos processadores de minério mais profundos. ele disse que talvez a Frente Cobalto esteja certa. Os garotos do dormitório quatro ainda estão feridos? Thara se lembrou do acidente com os operários do dormitório quatro. lutar pela nossa integridade. Em breve. – A única pessoa sendo mimada é você – disse o tio de Thara. – Bom começo – disse o tio de Thara. As vozes em volta da holomesa baixaram. Ele colocou a bolsa sobre uma mesa vazia e começou a vasculhar o conteúdo. Thara rosqueou a nova válvula no lugar.os cachos louros dela. O primeiro item era um tubo de gel ocre. Disse que está pensando em se juntar a eles. de qualquer maneira. Ela não queria ouvi-los. vejamos o que trouxe. – Depois do acidente com a liberação de magma. então gritou por cima do ombro: – Myan! Temos outro tubo de unguento para queimadura. eles poderiam ser despejados de suas residências. Conforme seu tio continuava a fuçar a bolsa. O tio de Thara o virou nas mãos. foi mancando até a mesa. Outros se recusavam a olhar para ela. Então ela as recolheu e começou a trabalhar. enquanto outras cabeças viraram e lábios idosos sorriram para a jovem mulher. ele foi tirando os donativos de Thara da bolsa: créditos de comida extra. Alguns desses operários ainda não haviam retornado ao serviço. Ele havia deixado as ferramentas no chão. Mas ela também não sairia dali de perto. Thara notou que o tio estava consertando todas elas – substituindo as válvulas de fluido. – Meu filho me deu um panfleto outro dia. Talvez precisemos. Um por um. – Trabalhando metade do tempo que o resto de nós e recebendo o dobro! Mas. Alguns dos felizardos seguravam as mãos de Thara. ela achava que eles poderiam ter feito bem a todos se tivessem . Motins são outra. sim. um minúsculo Sullustano. Thara estava perto o bastante da holomesa para conseguir ouvir os trabalhadores mais velhos sussurrarem. do jeito que lembrava ter feito quando era adolescente. Ele a abraçou pelos ombros. – A Frente de Reforma dos Trabalhadores de Cobalto – uma segunda voz escarneceu – é um bando de terroristas. Devem ter sido eles que provocaram aquele acidente. Os membros da Frente Cobalto eram terroristas de acordo com um decreto imperial. Ele falou em sua língua nativa – rápido demais para Thara entender direito. Chamando seus clientes à mesa. – Protestos são uma coisa. antes de aceitar a bolsa de couro das mãos dela. Houve certa concordância relutante e murmurada. ela desviou o olhar e observou as torneiras na parede atrás do bar. a cor já tinha desaparecido há muito tempo.

– Voltarei na semana que vem – disse ela. – Eu sei que protegi os meus. Seus filhos nunca mais conseguiriam dormir. prosseguiu: – Isso não é paz. . Se você acha que as coisas estão difíceis agora… Thara testou a torneira e pegou uma gota de alguma coisa verde e com cheiro adocicado na palma da mão.se limitado a discutir sobre procedimentos de segurança e condições de trabalho nas fábricas. concentrar-se na manhã que estava por vir. Já estava quase na hora de começar seu turno e ela não suportaria trabalhar com a cabeça distraída. chegando ao seu armário. – Se precisarem de alguma coisa. avisem meu tio. – Não me interessa quem me ouça – cortou o homem. Thara reconheceu o som esganiçado dos pulmões afetados por toxinas. – Apenas reze para que a Aliança Rebelde nunca se dê conta de Sullust. – É claro que não. e o imperador forja correntes mais resistentes a cada ano que passa. Passou por outros dois pontos de verificação e. como se pudesse transferir suas frustrações para as pedras. Não contei ao meu filho o que vi nas Guerras Clônicas. Tentarei ajudar. Ninguém falou nada quando ela saiu da cantina. O homem afetado por toxinas. Ele segurou com força o braço do homem enfraquecido. Andou até a porta de um edifício industrial luxuoso e olhou para o olho mecânico do scanner para que pudesse ser identificada. uma condição cada vez mais comum entre os operários. Thara olhou ao redor da mesa. um Sullustano enfraquecido com orelhas e papada caídas. O Império funciona graças ao sangue de nossos netos e bisnetos! O tio de Thara forçou o homem a sentar-se novamente. Nós somos todos escravos. eliminá-las através do suor das solas de seus pés. Todos os operários a observavam em silêncio. deliberadamente alto. – Não – uma nova voz disse num sullustano lento e arrastado. Eles entenderiam por que uma paz custosa é melhor que… melhor que a alternativa. finalmente começou a relaxar. O primeiro homem continuou: – Mas eles saberiam. – A culpa é nossa? – perguntou a primeira voz. O tio de Thara correu até a holomesa. quando Thara levantou-se por trás do bar. Thara caminhou rapidamente pela rua. em voz baixa. Alguém tentava calar o que se manifestara por último. cada um de nós. Ela tentou exorcizar de sua mente aquilo que ouvira. A terceira voz riu. – O que o Nunb dizia era verdade: trocamos nossas vidas para comprar mil anos de escuridão. enquanto o Sullustano levantava-se para se apoiar sobre a mesa e continuar falando.

Ela poderia anexar as peças dos braços mais rapidamente com a ajuda de um droide ou de um colega. Thara Nyende era colocada em segundo plano. mas preferia fazer isso de forma lenta. o capacete. quente demais para ser confortável até que o material inteligente se ajustasse ao calor de seu corpo e à temperatura do ambiente. os adereços de Thara Nyende de Sullust e guardando-os no armário. uma mulher melhor. Ela era SP-475 da 97ª Legião Imperial de Stormtroopers. e o caimento perfeito da vestimenta era muito mais natural que qualquer coisa que ela pudesse comprar como civil. Às vezes. O clique suave e o zunido dos mecanismos lhe asseguravam que ela havia conectado corretamente as peças. fazendo-a finalmente sentir-se vestida. Thara o retirava de seu lugar no armário e o colocava por sobre a cabeça. Em seguida. que a tensão muscular fora aliviada pelo suporte da vestimenta e do plastoide. ela notava que sua respiração havia se estabilizado. braços e luvas vinham depois da couraça. Então ele encaixava com um clique. Ombros. Simples assim. Na maioria dos dias. . depois a direita – e. as lentes se polarizavam e o display de avisos começava a ligar. Vestir seu uniforme sempre a acalmava. assumia o comando para cumprir sua função. Diagnósticos de alvos circulavam em sua visão do vestiário. Ela havia aprendido a vestir e conectar os componentes de seu traje em menos de um minuto. ela já nem se lembrava dos problemas do dia a dia. primeiro despindo-se e removendo. níveis de energia e leituras do ambiente piscavam nos cantos da viseira. Ela então deslizava seus pés para dentro das botas brancas de couro sintético – sempre a esquerda primeiro. logo depois. um por um. havia total escuridão. mas esse era o ritual dela. O cinto e o protetor de virilha vinham em seguida. a essa altura. Ela gostava de se equipar sozinha. vestindo sua nova pele – uma pesada luva corporal preta que se selava sozinha conforme era puxada para cima. Por um instante. Uma mulher mais forte. Finalmente. então a couraça para o tronco – presa ao cinto. enfiava as caneleiras de plastoide nas pernas.

Enquanto Sairgon estava de pé como uma árvore antiga e contorcida. e suas portas eram pesadas e desajeitadas. Em um dos lados da frágil mesa dobrável de Uivo sentava-se o próprio capitão. O transporte militar da Aliança Rebelde Trovoada não fora desenhado para ser confortável. Seus corredores eram cobertos de canos e painéis. chapeadas com muito hiperaço. a entrevista foi bem íntima. Você ouviu falar nas mortes de moff Coovern e do ministro Khemt? – Trágicos acidentes. sorrindo como uma imperadora. em pé. ladeado pelo tenente Sairgon e pelo médico-chefe Von Geiz. C A P Í T U L O 4 SET OR KONTAHR DIA 85 DA RETIRADA DA ORLA MÉDIA – Você não tem ideia de como realmente funciona o Império. Atrás de Chalis estava Namir. De frente para Uivo e recostada em sua cadeira com uma tranquilidade exagerada estava a governadora Chalis. Durante esses anos. observando as mãos da governadora como se ela estivesse prestes a dar um pulo para estrangular o capitão. ambos morreram pelas mãos de Darth Vader. – E o que você fez para merecer tal punição? – perguntou o capitão. Von Geiz havia se ajeitado em cima de um holoprojetor off-line. – De acordo com minhas fontes. o imperador soltou seu cão de guarda. – Não estou dizendo isso para insultar ninguém – Chalis continuou. Ela falou com a voz baixa e com um excesso de confiança entediante. Assim. não uma promoção. Houve outras mortes menos divulgadas – ela acrescentou. você está operando sob presunções completamente equivocadas. Na segurança da nave. quando Uivo ordenou que a prisioneira trazida ao armazém-transformado-em-escritório fosse interrogada. particionando e reparticionando os poucos espaços abertos da nave até que quase nenhum metro quadrado fosse deixado sem uso. O imperador Palpatine resolveu que a incompetência nos altos escalões era a culpada pela destruição de sua Estrela da Morte. a Companhia do Crepúsculo havia desmanchado e reconfigurado a antiga corveta corelliana. seu sotaque coruscanti – o sotaque da elite imperial. – Mas se você pensa que Haidoral Prime é qualquer coisa além de um fim de mundo. de transmissões midiáticas e sátiras rebeldes – parecia pronunciado demais para os ouvidos de Namir. dando de . Chalis empinou a cabeça como se estivesse surpresa com a pergunta. – Quando sua Rebelião começou a invadir a Orla Média. e a partir daí começou a caçada. pelo que me lembro – disse Uivo. Meu posto lá era uma punição.

dadas as circunstâncias. Uivo não chegou a dizer isso. – Um presente de Haidoral aos meus anfitriões: conhaque local e figos nativos. embora seu tom fosse tranquilo. A ideia de ser um veneno havia passado pela cabeça de Namir. dando de ombros. mas mesmo assim só a trouxera ali sob protesto. como primeiro sargento. com um sorriso. O exílio para Haidoral Prime foi a melhor das opções. vocês foram mais que hospitaleiros e eu não demonstrei nada além de ingratidão. ela tomou um gole diretamente da garrafa. tempo para esculpir… Eu tinha dinheiro para luxos ocasionais. Quando removeu o conhaque de seus lábios e o empurrou pela mesa para Uivo. Ele se xingou por ser tão transparente. ela pegou uma garrafa de vidro com um líquido violeta translúcido no qual boiavam fios brancos transparentes. enquanto Chalis abria a tampa da garrafa. Namir suspeitava que Von Geiz estava presente só para ser um rostinho bonito na companhia. Mas Chalis mal olhava para qualquer pessoa que não fosse o capitão. quando um recruta contrabandeia álcool a bordo. que colocou ao lado da garrafa. como se inspecionasse a pele de sua testa. – E foi aí que você decidiu desertar? – perguntou. Namir era um brutamontes de alto escalão. – E falando de luxos – disse Chalis –. Ela a virou nas mãos. começou a descascá-la. – Mesmo em Haidoral. autorizado a testemunhar discussões dos oficiais mais antigos e obrigado a não fazer nada a respeito.. Ele havia começado a reunião verificando Chalis e perguntando a ela sobre os efeitos colaterais do bastão de atordoamento. – Normalmente. – Não fale bobagem – disse Chalis. Ela se virou para o lado na cadeira e abaixou-se na direção em que Namir havia colocado sua bolsa de lona. Von Geiz olhou para Chalis. Ao contrário de Von Geiz. mas Namir sabia que estava presente por causa da força bruta. apoiou-a sobre a mesa com um barulho forte. simpático. Da bolsa. enquanto Uivo esperava pacientemente e o tenente Sairgon resmungava. paternal. então retirou um punhado de frutas amarelas. O capitão levantou uma das frutas e. O tenente lançou um olhar questionador para Uivo. – Perfeitamente seguro – disse. e Chalis por deduzir os pensamentos dele. – Eu fui poupada em reconhecimento às minhas contribuições do passado. Claro que ele já a havia revistado em busca de armas. A captura de Chalis estava sendo mantida em segredo. ele sabe que é melhor dividir com o pessoal mais antigo – disse Uivo. e porque tive noção o bastante para limitar meu envolvimento com a estação de batalha.ombros. – Então você deveria atentar às suas boas maneiras – respondeu Chalis. ela inclinou a cabeça para olhar para Namir. . eu tinha tempo para ler. – Copos? – Ninguém se voluntariou. é claro. Algo para celebrar nossa nova relação.. Von Geiz era um homem inteligente e sabia o papel que devia interpretar – bonzinho. Namir não estava no local para fazer perguntas ou manipular a governadora.

O que passou. Então. e que eu fiz de tudo para tentar reforçar suas defesas. Von Geiz finalmente pigarreou. com os ombros baixos. o roubo de suprimentos imperiais? Eu poderia alegar que operei milagres. – Mas até agora nem ouvimos o que você tem a oferecer. depois de perambular pela sala: – Mas Darth Vader não se convence com argumentos racionais e razoáveis. Não porque tivesse sido a pergunta errada a fazer. tudo que o alimenta. continuando a falar entredentes. – Que pena que não pediu para desertar naquele momento – disse o tenente. Está na hora de discutirmos nosso futuro juntos. mão de obra… Eu sei por que uma revolta de escravos em Kashyyyk aterrorizaria os postos avançados na fenda de Kathol. Namir reprimiu uma risada. passou. No momento em que sua nave surgiu em órbita. tudo que corre em suas veias. Cada hiperlinha que carrega oxigênio aos seus membros. Compreendo sua biologia. Ninguém mais falou. Quem você acha que será culpada pela falha nas defesas de Haidoral? Quem será responsabilizada pela invasão da cidade. Uivo mordeu sua fruta e não disse nada. com os olhos fixos novamente em Uivo. e por que o general Veers não pode arcar com outra escassez de torilídio em Rimma. contendo seus homens com uma legião de stormtroopers espalhada por três continentes. mas porque ele sabia que era exatamente a que Chalis esperava que fosse feita. diminuindo o ritmo da fala. – Sua mansão não era um alvo – disse o tenente. um exílio em Haidoral estava longe de ser o pior dos destinos. – Teria nos poupado de alguns problemas. Em troca. – Alguns homens se enganam durante suas vidas inteiras – disse Chalis. curvando-se à frente. – Não estou aqui para compartilhar algum ponto fraco nas defesas de algum destróier estelar. Chalis pareceu entender isso como a deixa para continuar. . – Não sou uma almirante de frota – disse ela. espero ser recompensada por minha coragem por me virar contra nossos terríveis opressores imperiais. Os outros passaram de mão em mão a garrafa de conhaque conforme Chalis começava a comer a fruta. eu poderia argumentar que Haidoral já era um alvo óbvio meses antes de chegarmos lá. Comida. – Ofereço minha total cooperação à Rebelião. minha vida no Império havia acabado. matérias-primas. – Tomar um tiro dos rebeldes não era uma preocupação minha. Sei onde apertar para fazê-lo cuspir e sufocar. E ela prosseguiu: – Eu sei o monstro em que o Império se transformou. como se estivesse pronta a dar um salto. Meu conhecimento é o do fluido vital do Império. – Vamos conversar a respeito – disse ele. mas Uivo interrompeu primeiro. – Não sinto qualquer vergonha por levar vinte e quatro horas para me reconciliar com a realidade. Minha reputação já estava manchada. Chalis riu amargamente. – Como eu ia dizendo. Então você veio ao meu planeta e percebi que eu estava arruinada. Chalis prosseguiu. Namir sentiu uma pressão no peito.

A equipe de engenharia analisou o curso da Trovoada e a declarou . A garrafa de conhaque tombou para o lado e caiu no chão. Chalis não teria conseguido se projetar para a frente e colocar a cabeça ao lado da cabeça do capitão. A Rebelião precisa guardar certa distância entre suas armadas e a Orla Média agora que vocês a abandonaram. ou se arriscarão a serem dominados. Chalis sorriu e curvou a cabeça. você fazia o quê? Comandava campos de trabalho? Fazia planetas morrerem de fome se não alcançassem suas metas? Chalis ainda estava curvada à frente e encarava Uivo. Nada disso era incomum. Se o papel de Namir na reunião fosse o de proteger o capitão ou a companhia. Uivo acenou com a cabeça e bateu os dedos na mesa. os boatos começavam a se sobrepor aos fatos. de acordo com uma tabela de contagem afixada na porta dos alojamentos à estibordo. Os lábios de Chalis se mexeram enquanto ela sussurrava alguma coisa que Namir não conseguiu ouvir. Mas é claro que nada disso importa se você estiver batendo em retirada. Ela sorriu diante da pergunta. compacta e ofensiva. Nós todos temos muito o que refletir. se a mesa não fosse uma barreira tão frágil. A Promessa era uma nave em forma de adaga. conforme os dedos de Namir continuavam cravados na roupa da governadora – que devemos finalizar por aqui. ileso. Von Geiz e o tenente olharam com preocupação e amargura. mas quando não havia informações concretas. Também tenho algumas sugestões quanto a isso. que já tinha voado anteriormente com a Crepúsculo. o conde Vidian. O tenente disse calmamente: – Antes de ser governadora. A Promessa também carregava um par de caças X-wing em seu trem de pouso. Uivo parecia inabalável e. pensativo. Namir não conseguiu impedi-la. certamente. e a tripulação da ponte e os oficiais mais antigos estavam ficando tensos quanto ao destino das naves. puxando-a de volta à cadeira enquanto ela gargalhava. Então ela se moveu. Eu aconselhava. – Eu era uma conselheira. sua tripulação de algumas dezenas de veteranos da Aliança devia coletivamente aos soldados da Companhia do Crepúsculo cerca de 50 mil créditos. Depois de distribuir os suprimentos roubados de Haidoral para o resto do grupo de batalha rebelde. A mão de Namir foi ao ombro dela um segundo depois. – Você é uma especialista em logística. Falo com você mais tarde. ele estava profundamente certo de que havia falhado. a Trovoada partiu junto com a aeronave de combate Promessa de Apailana. Sou mais interessada no cenário geral. Se o escritório fosse maior. seus pilotos tinham péssima reputação por nunca terem sequer se dado ao trabalho de colocar os pés a bordo da Trovoada. era quem gostava de sujar as mãos. Meu antecessor. – Acho – disse Uivo. Uivo não havia comunicado qual era a nova missão da Companhia do Crepúsculo desde que tinham deixado Haidoral. com os olhos semicerrados. governadora.

– Não estou aqui para servir de mamãe de vocês. O processo era arrogante e estúpido – a marca de um homem que ainda não confiava na competência dos veteranos da Crepúsculo – e ele gostava de pensar . Pronto. e não eram da conta de Namir. aprenda a usar o DLT-20A. Se não conseguir que um dos meus soldados confie em você com a vida dele. agora vazio. depois de adentrar no restaurante onde havia ordenado que os novatos se reunissem. pensou Namir. não me importa nem um pouco o quão preciso você é na hora de atirar ou quais suas notas nessas Academias Trapo Sujo. – Todos vocês sabem como usar uma arma de raios? – perguntou. apoiou o fuzil sobre ela e empurrou-o girando até os recrutas na outra ponta. sem problemas. Namir tinha esse prazer especial. fofocas em tempo de guerra eram uma distração tão boa quanto qualquer outra para soldados entediados e espremidos em uma caixa de metal sem nada para fazer a não ser esperar. tem um coice muito mais forte e pode queimar seu rosto inteiro se segurá-lo muito próximo. é só disso que eu preciso. Se for muito tímido para encontrar um parceiro por conta própria. mas não quero que saiam distribuindo raios a esmo até que aprendam a acertar um alvo. Como primeiro sargento. Novamente. A Companhia do Crepúsculo havia selecionado 28 voluntários em Haidoral Prime. que ninguém espalhava rumores sobre vitórias iminentes. Os outros precisavam ganhar disciplina antes de serem designados aos esquadrões. venha até mim que eu encontro um companheiro para você. e ele tinha de se policiar para demonstrar muito rápido para seu público. Ainda assim. embora um terço deles não fosse combatente – esses serviam como médicos. – Ótimo – disse Namir. correndo para escapar do território imperial. Era um exercício de rotina. Os veteranos da campanha de Chargona murmuravam sobre uma última batalha que se aproximava contra um bloqueio de destróieres estelares ao longo da fronteira com a Orla Média. – O que estou pedindo é muito mais que apenas aprender a atirar. Os rumores não teriam incomodado Namir se não fosse pela presença dos novos recrutas: aprendizes não conseguiam manter o foco quando acreditavam estar fadados ao fracasso. Era uma boa aquisição. Encontre um amigo para levá-lo à sala de tiro. Os fuzis do tipo 20 têm algumas funções extras. No início. Você não vai por os pés num planeta até que alguém te libere. – Consiga um soldado da Crepúsculo para apadrinhá-lo e me dizer que você consegue fazer o básico. Um fuzil não é uma pistola. Os dezenove recrutas restantes encontravam-se sentados ao redor das mesas de aço do local. Os homens e mulheres se entreolharam e acenaram com a cabeça constrangidamente em resposta à pergunta de Namir. lançando-se de cabeça ao desconhecido. engenheiros ou tripulantes para a Trovoada. Namir caminhou até uma das mesas ocupadas. ele manteve o fuzil erguido com uma mão e desligou a chave de energia com a outra. Ele portava um fuzil completamente carregado pendurado no ombro. ele tentava treinar cada recruta individualmente. Tudo isso apenas confirmava. acenos constrangidos. Ele já fizera diversas variações desse mesmo discurso mais de uma dúzia de vezes.em rota ao Espaço Selvagem. – Enquanto falava.

A fase quatro é a das unidades especiais. Ele se virou para a garota de novo. – Peste – disse ela. mas. – Além disso. Namir riu mais alto do que pretendia. A garota deslizou em seu assento para poder olhar para cima. Namir a observou. Procure não escolher alguém que queira estrangular. encarando a parede. mas ela não hesitou. A maioria deles morriam logo em seguida. e suas mãos tremiam contra o tampo da mesa. – Qual é o seu nome? – perguntou. ela não era mais uma Leia. Ele caminhou por entre as mesas do restaurante. olhando para os outros. Isso era bom – significava que eles estavam prestando atenção. Ninguém na Crepúsculo se importa com quem você foi. deu-lhe um tapinha no ombro e sentiu que ela havia retraído o corpo como se estivesse pronta para pular e dar um soco. Ou a maioria deles. na direção de Namir. A mandíbula dela estava retesada. estava sentada a garota ruiva que Namir tinha visto lutando na praça em Haidoral. – Se quiserem proteger seus amigos em seu planeta natal ou simplesmente desejarem um novo começo. você provavelmente vai dividir um esquadrão com quem quer que convença a dizer que você está pronto. fazendo questão de olhar cada um dos recrutas nos olhos. Namir empinou a cabeça. Metade dos novatos que se juntava à Companhia tentava se autodenominar com o nome de algum antigo herói rebelde. – É assim que quer ser chamada? – perguntou ele. – As primeiras duas fases são iguais para todos. sargento. Esses eram renomeados rapidamente por seus camaradas. – Peste – disse ele. – É. é melhor mantê-lo até o fim. Ela não tremia mais. Risadas nervosas. – Mais um conselho – ele gritou. . Ela olhava através dele. No canto de uma mesa. – E o que o Livro Branco diz sobre recrutas que não conseguem passar no treinamento antes de serem designados? A pergunta fez Peste parar para pensar. A fase três se diferencia entre forças de solo e espaciais. pelo menos. – Então pode me dizer como é o processo de treinamento em quatro fases? Os dentes de Peste batiam. vítimas de seu próprio entusiasmo. Pelo menos. Não era a resposta que ele estava esperando. então deu um meio-sorriso. Namir caminhou ao redor dela. – Diga-me uma coisa: você já leu seu guia de campo? O Livro Branco? Peste olhou para ele. – Sim. agora é uma boa hora para escolher uma nova identidade.que era melhor que aquilo. uma vez que nos diga um nome. O fato de ela não ter sido estúpida o bastante para fazer isso já valia de alguma coisa.

sei lá. – Eu menti – disse Peste. mas não virou para trás até que ela disse: – Sargento? – Do que você precisa? – perguntou ele. Peste o alcançou. dirigindo-se aos seus alojamentos e à sala de tiro. Não contrabandeie álcool ou especiarias a bordo. e nada além disso. Muitos deles tinham crescido em um Império que não era nada além de regras e ordens. e ele viu que ela ainda usava nos pés uma proteção apropriada para as ruas inundadas de Haidoral. Namir fez uma pausa e concluiu: – Em resumo: a Companhia do Crepúsculo cuida dos seus. olhavam menos confiantes. Namir viu os recrutas mais velhos acenarem em concordância. Quando alguém tenta ensinar alguma coisa a você. Por aqui. Tudo bem. Namir parou. você atira de volta. todos aqueles procedimentos e regulamentos que o Alto Comando vomita sobre nós. Até terminar. listando quais seções da Trovoada estavam proibidos de acessar e respondendo às perguntas de costume sobre pagamento (“empilhe o que tiver debaixo do colchão e reze para que o Clã dos Banqueiros se junte à Aliança”) e acesso à rede de comunicações (“faça uma solicitação. Nós resolveremos sua pendenga. Então ele se dirigiu a todos: – Todos vocês precisam entender que o Livro Branco. . acompanhando seus passos. Os outros se dispersaram atrás dele. não uma afirmação. – Eu não sei usar uma arma de raios. Fez uma nota mental para se lembrar de pedir a Hober que encontrasse alguma coisa para ela. A garota caminhava silenciosamente. não tenha muitas esperanças”). você a segue. mas a má notícia é que você perdeu seu tempo. já tinha memorizado os nomes de cerca de metade dos recrutas. – Ele deu de ombros e recolheu seu fuzil. é desenvolvido por generais que acham que estão comandando um governo em vez de uma rebelião. não seja idiota. Contanto que se lembre de que você não precisa dos regulamentos do pessoal lá de cima. – A menos que um oficial diga que não pode? – Isso foi uma pergunta. qualquer coisa mais apropriada para combate. Namir deixou seu bom humor falar mais alto. As botas de Namir batiam com força no piso de metal. virou para Peste e esperou que ela se explicasse melhor. Eles chegariam lá. jogando-o para trás do ombro. – Que bom que leu tudo aquilo. e se tiver algum problema com outro soldado. Se os outros sobrevivessem. – Talvez as Forças Especiais da Aliança levem isso a sério. Os mais novos. Namir foi o primeiro a sair da sala. – Não faço ideia – respondeu. ele também aprenderia seus nomes. aqueles que ainda não sabiam a que estavam renunciando. quando alguém acima de você lhe dá uma ordem. venha até mim ou até o tenente Sairgon. Ele percebeu Peste o seguindo. você presta atenção. Ele concluiu a sessão de orientação rapidamente. Quando alguém atira em você. – Eles começam novamente da fase um – disse ela.

mas mudaram de lado depois de serem armados e colocados em campo – recordavam boatos antigos de uma mulher que sussurrava no ouvido dos vizires do imperador. que permanecia na câmara de ar vinte e três horas por dia. Ele não esperou por uma resposta e voltou a andar. Namir balançou a cabeça e tentou não sorrir. Em vez de ficarem se perguntando se sobreviveriam para ver novamente um planeta ao vivo e em cores. haviam sido treinados originalmente como cadetes imperiais. cujo verdadeiro talento era o de manipular seus inimigos e convertê-los em aliados. Seus painéis internos de acesso tinham sido destruídos. e então Namir o confrontou em particular depois disso. e parecia uma distração saudável das constantes especulações sobre a retirada rebelde da Orla Média. A prisão improvisada da Trovoada era uma câmara de ar secundária que ficava na traseira da nave. Periodicamente. mas ele esperava que sim. embora Uivo tivesse deixado bem claro que uma coisa dessas jamais deveria acontecer. como Charmoso. em tese. Dessa forma. – Duas horas – disse ele. A prisão da Companhia do Crepúsculo era naturalmente intimidadora. devolvê-los às ruas horas. Uivo foi capaz de manter em sigilo a identidade da prisioneira da Crepúsculo da maior parte da companhia por uns bons dois dias. O fascínio da companhia com Chalis foi longe demais apenas uma vez. Vamos resolver isso para você. em particular. mas não ficou surpreso nem incomodado quando isso aconteceu. o convenceu a não levar a cabo sua missão. Não esperava um agradecimento. por que abdicar dessa vantagem? Namir duvidava que a governadora Chalis estivesse intimidada. Corbo não persistiu quando um técnico. Ninguém além do capitão e seus conselheiros mais próximos podia ver Chalis. O mínimo que podia fazer era tentar mantê-la viva. – Encontre-me na armaria. A porta externa permanecia funcional – um prisioneiro poderia. pelo menos. dias ou meses depois. O médico-chefe Von Geiz entregava pessoalmente as refeições de Chalis e lhe trazia o que quer que ela solicitasse para mantê-la confortável – ou. quando um dos novatos – um jovem musculoso e atarracado chamado Corbo. A presença de uma refém era um mistério fascinante demais para durar por muito tempo. a governadora se encontrava em particular com Uivo. depois. Namir deixou igualmente claro – muitos meses antes. que estava de passagem. . Os vira-casacas – aqueles soldados da Companhia do Crepúsculo que. ser lançado ao espaço só com o toque de um botão. – Algum motivo especial para querer vê-la? – perguntou Namir. durante a seleção da tripulação – que os prisioneiros não precisavam saber sobre as frescuras de Uivo. que tinha uma grosseira marca de nascença vermelha que cobria metade de seu rosto – resolveu ir à câmara de ar com uma faca empunhada nas duas mãos. Namir não sabia como a notícia havia se espalhado. o que estivesse disponível. os soldados debatiam sobre o que significava a presença de Chalis. revestida com blindagem grossa para repelir intrusos e totalmente controlada pela ponte. Havia escolhido Peste em Haidoral. Os recrutas de Haidoral contavam histórias sobre os gostos peculiares da governadora: como ela convocava chefs e artistas à sua mansão só para.

deixando uma má imagem para a cidade. eu acho – acrescentou Corbo. Gadren e mais meia dúzia de outros estavam sentados no Clube – um vão espremido e com pouca luz que ficava logo acima do setor de engenharia da nave e tremia a cada pulso de hiperdrive. Namir suspirou. – Não morro de amores pelo Conselho Executivo Imperial – anunciou Gadren com relação ao frustrado ataque de Corbo a Chalis –. Namir não sabia como Peste havia encontrado o caminho até o Clube. A governadora achou que muitos se tornariam selvagens. Namir. os recrutas levavam meses para receber um convite. – Ele contraía e relaxava os punhos. . vou ordenar a ele que atire se essa sua cara aparecer perto da prisão novamente. esperando que o recruta soubesse a resposta. embora Charmoso ainda estivesse na área médica –. só observando. – Eu só queria vê-la. e sei que não estou sozinho nessa. “Não seja estúpido”. se é isso que precisa que eu faça. normalmente. – Não sei o que é isso. enquanto Gadren. Os dois ficaram em silêncio por algum tempo. aquilo havia resolvido o incidente. – Ela domina o ouvido do capitão – murmurou Tique.” – Não sei – disse Corbo. “Apenas minta para mim. – Um animal de estimação. – Essa foi a pior coisa que ela fez? – Não – disse Corbo. Até onde Namir sabia. Ele fez questão de não informar o capitão. – Não me parece tão sem poder assim. – Ela matou meu felinx – disse Corbo. – Posso confiar que não voltará a fazer isso? – perguntou ele. Parece justo? – Parece justo. Mas uma mulher destituída de todo seu poder merece pena e desdém. Namir conferia os inventários de suprimento pós-combate que se resumiam a um mero “sem armas suficientes”. Não importa. não fúria. Namir xingou internamente. – Mas é isso que não consigo perdoar. Outros não eram tão discretos. – Eu não ia fazer nada. Preciso de todos vocês em forma para lutar. e ele certamente não a havia convidado. – Vou deixar a companhia. Porque já tenho muitos soldados mortos que precisam ser substituídos. não abandonando a nave. – Se eu colocar um guarda lá – disse –. pensou ele. Corbo mostrou desinteresse. Ajax. Brand e Tique jogavam cartas. Acomodadas em meio a tubos de metal que iam do chão ao teto estavam caixas de transporte cobertas por tapetes e uma mesa amassada que alguém havia roubado de uma cantina bombardeada. Peste sentou-se ao lado dos jogadores – no lugar favorito de Charmoso. – Ótimo.

– A história mais curta que já ouvi um Besalisk contar. Brand olhou para suas cartas. e as suportamos juntos. Brand fez uma cara feia até que todos retiraram uma carta do baralho. criada para acabar com a história em si. como se estivesse evitando se intrometer num momento íntimo dos dois. A prisioneira comandava o planeta dela. – Se eu não tivesse encontrado a Companhia do Crepúsculo – disse Gadren. O instinto de Namir era o de jogar seu datapad em Ajax. – A novata sabe que ela não está sozinha. não Besalisk. – Isso significa que você não tentaria a sorte com a nossa prisioneira se tivesse a chance? – Eu já atirei nela uma vez – respondeu Gadren. ficou olhando para baixo. mas um granadeiro com melhor mira que muitos atiradores de elite. Todos nós temos cicatrizes. jogou uma ficha de crédito e sorriu. Gadren continuou falando enquanto embaralhava novamente as cartas. Gadren falou com Ajax. Até Peste e Brand pareciam reprimir seus risos. Insulte-o da forma correta. A voz dele era calma. Ajax caiu na gargalhada. Segundo: ele é corelliano. Ajax ignorou Tique. Ele tinha sido um dos cinco sobreviventes entre os quatrocentos mortos. mas ele estava apenas na metade do inventário. Peste continuava olhando para os dedos. sem olhar para cima: – Primeiro: não seja insuportável. e eu morei lá por muito tempo. . Peste xingou para dentro. – Talvez a novata aqui ache que ela deva ter uma chance. em vez disso. – Corellia é um planeta humano – disse Gadren pacientemente –. Gadren. gritou. mas minha espécie é Besalisk. Tique não tirou os olhos das cartas. serena. Dividir o sofrimento e as nossas dores nos faz bem quando nos encontramos diante de um inimigo com tamanha escuridão. Ajax olhou para a panelinha. Namir o achava tolerável em pequenas doses. afinal de contas. O Império é uma força sem precedentes em qualquer época. eu teria morrido há muito tempo. e. dando de ombros –. Finalmente ela olhou para Gadren e perguntou: – Você tem cicatrizes? Tique jogou uma carta que fez o resto da mesa contrair o rosto de decepção. mas de olho na garota. Bom para você. enquanto entrelaçava e separava os dedos. – O Império levou minha família – disse ele – e os vendeu como escravos para um clã hutt. Namir não compreendeu o porquê até ver Gadren sorrindo também. Peste tinha parado de observar as cartas. como se tivesse respondido àquela pergunta milhares de outras vezes. Ajax havia se juntado à Crepúsculo depois que a 32ª Infantaria da Rebelião fora dizimada. Era um idiota. olhando Gadren. Em vez disso. Considero-o minha casa. Ninguém deveria confrontá-lo sozinho. e ainda portava orgulhosamente o distintivo de “casca-grossa sofrido” da 32ª. com movimentos rápidos e desajeitados. Ajax olhou para Peste e sorriu maliciosamente. Peste apertou as mãos com tanta força que a pele rosada ficou branca. para suas mãos.

Peste parecia debater-se contra alguma coisa. – Ele tomou o baralho de Gadren e começou a distribuir as cartas. Ele só sabia de uma coisa: dois minutos depois. fechou os olhos e encostou-se na curva sutil da parede. Ajax a pressionou. Estava feliz que a governadora Chalis fosse uma distração dos rumores de uma iminente derrota. então Namir decidiu sair de fininho enquanto os outros ainda estavam ocupados. Ajax sorriu. só Brand parecia notar. – O vencedor da rodada escolhe quem vai em seguida. separando os lábios de vez em quando. Tique venceu a rodada seguinte. Ajax estava ansioso para contar a todos. sussurrando de forma gozadora. – Não vim aqui por rusga nenhuma – disse ela. – Eu mudei de ideia – disse Brand. e sua temporada de caça. Ajax. nem no clima para ficar mentindo. Gadren balançou a cabeça. Ajax deu uma piscadela quando declarou sua vitória e apontou para Brand. tudo de novo. Namir sabia que tinha ouvido uma parte dessa história alguma vez. . Gadren tocou as costas de Peste bruscamente. De repente. – Está vendo o sargento ali? – disse ele para Peste. – Sua história. mas ela mantinha seu silêncio de costume. – Ele não é tão culto e educado quanto nós. – O que aconteceu? – perguntou Peste. e suas amantes. os outros se voltaram para Brand. Brand levou numa boa. para a surpresa de ninguém. Ficou feliz por ver que Peste estava encontrando seu lar na companhia. Namir observava Ajax de perto. Ficar insistindo só iria piorar as coisas. – Então por que está aqui? – Fui paga para matar o capitão – disse Brand. com a mão direita. e ele não queria estar por perto quando sua hora de falar chegasse. Os outros olharam para ela perplexos. Parou no topo. olhando entre Gadren e os outros. como se quisesse falar. Os outros riram e Namir tentou deixar o momento de humilhação passar naturalmente. mas não sabia dizer se ele estava trapaceando ou não. Mas ele precisava de distância disso tudo. – Em um centro de detenção do Império. Ele subiu a escada que atravessava o estreito vão que levava à ponta de trás do deque da tripulação. – Minha rusga – ela explicou. deu um tapa de leve em cima da mão esquerda de Peste. Namir xingou Ajax com um tom de voz tranquilo e artificial. Ela deu de ombros e se curvou à frente. – Seis meses – finalmente disse Peste. Dentre os jogadores. Ajax. Os jogadores voltaram à partida. mas não pressionou Peste para que desse mais detalhes. – Acho que é hora da historinha. Tique levantou a sobrancelha com curiosidade. Ele não estava no clima para discutir. Ele não precisava ficar ouvindo histórias sobre Ajax.

. Os outros não sabem patavinas sobre combate em equipe. Ou precisava voltar ao combate. – Peste está se esforçando. O canto da boca de Brand tremeu. Não têm qualquer ilusão de que essa vida é glamorosa. – Uivo nos manda para o inferno. Eles nos viram em Haidoral. Eles caminharam juntos em silêncio até avistarem a porta do alojamento de Namir. – Uivo é um gênio – ele disse. – Já pensou que talvez você seja muito duro com ele? Namir olhou para o corredor. tentando ler sua fisionomia. – Mas às vezes tenho palpites acertados. Namir percebeu que Brand caminhava ao seu lado. Havia muito sobre Uivo que ele não queria que os outros o ouvissem dizer. Como sempre. Eu só queria que ele não fosse louco como um viciado em brilhestim lendo presságios em meio à sua própria imundice. particularmente os recrutas. – Isso também. como se viessem conversando há horas. – Não significa que eles sabem que o Alto Comando nos manda para o inferno todas as vezes. Ele não conseguia nem dizer em que momento havia notado sua presença – ela tinha brotado em sua consciência gradualmente. – Uivo nos mantém vivos. Na metade do caminho aos alojamentos. Brand torceu o nariz. – Você acha que eles vão aguentar? Namir lutou para compreender as palavras. – Você sabe de alguma coisa? Sobre o que o capitão está planejando fazer com Chalis? Brand virou-se e saiu andando enquanto respondia: – Não sei de nada – disse ela. – Não seja estúpido. Namir analisou o rosto de Brand. Já vimos coisa pior. mas conseguem atirar e receber ordens. – Você lhes deu o discurso do moedor de carnes? – Achei que não estava na hora ainda. – Você sabe que as coisas vão piorar – disse Brand – com ela a bordo. ela o compreendia. – Os novos recrutas? Brand confirmou com a cabeça. – Peste? – perguntou Namir. Quando Namir a olhou diretamente. assim como as estrelas surgem no céu. Brand falou com um tom tranquilo. Ele não sabia direito há quanto tempo ela estava ali ou quando o havia alcançado. – Você já venceu essa discussão em Blacktar Cyst.

Seus colegas de quarto estavam lutando para se vestir também. Namir reconheceu a energia e a motivação nos membros da tripulação e os desprezava a cada passo que davam. mas isso poderia significar problemas de comunicação ou… Namir já estava saindo do restaurante a essa altura. Ele estava cansado demais para falar qualquer outra coisa. reporte todos os novatos para mim – respondeu Namir. então contraiu o rosto ao compreender a preocupação. A menos que o inimigo tivesse invadido a nave. . O alarme da nave tirou Namir de seu beliche com um gemido de exaustão e frustração. O deque deu uma guinada e vários soldados caíram sobre seus colegas. – Anote seus nomes quando eles aparecerem. – Alguma ideia de quem esteja atacando? – Alguma coisa maior que um pirata e menor que um destróier estelar. Os corredores da nave estavam cheios de soldados da Crepúsculo correndo para seus abrigos enquanto a tripulação se dirigia para as estações de batalha. O abrigo designado a Namir foi o restaurante. Mas o setor 10 era de baixo risco. – E quanto à prisão? Ela está intacta? Fektrin pareceu confuso. Namir xingou em pensamento. O primeiro estrondo e o eco de metal sendo rasgado deixou claro que a Trovoada havia entrado em combate. se a aeronave de combate não tivesse sido destruída em um ataque surpresa – tentariam manter todos vivos. – Todos os abrigos estão reportando – disse ele. mas imaginamos que sejam apenas retardatários. Namir manteve o equilíbrio enquanto Fektrin cobriu o ouvido novamente antes de gritar: – Setor 10. a tripulação da ponte. Os soldados da Crepúsculo estavam pressionados uns contra os outros quando ele chegou. Tamanho dano tão rápido jamais poderia ser um bom sinal. e o melhor que as tropas de solo da Crepúsculo podiam fazer era ficar longe do caminho e manter boa distância do casco. mas não havia nada pior que se sentir inútil e estúpido durante uma batalha. – Nada dos guardas. – A contagem está um pouco baixa. Eles não tinham culpa de nada. a infantaria não tinha nada a fazer em um confronto entre espaçonaves. A sala fedia a suor. – Você está brincando? – foi a única resposta de Namir. exceto… Ele xingou novamente. mas ele colocou a camiseta e as botas em menos de trinta segundos. os engenheiros e a artilharia – junto com a Promessa de Apailana. Roja perguntou a Namir se ele sabia o que estava acontecendo. Enquanto isso. Alguém chamou seu nome e acenou perto da entrada – o sargento Fektrin. Nada importante lá. Fektrin havia terminado de falar no comlink quando ouviu-se outro estrondo. Parece ter uma brecha no casco. O ataque veio três dias mais tarde no meio do turno da noite. com uma mão cobrindo o ouvido e a outra tentando mexer em seu comlink. Namir abriu caminho para passar.

mas não demorou até a dor se estabilizar – a agonia assolava sua pele. Namir baixou novamente a camiseta e pressionou seu código de acesso na fechadura. A porta estava selada. mas provava a durabilidade do material. Ele poderia morrer queimado por nada. mesmo que tivesse uma. Namir tropeçou um passo para trás. Então chegou à câmara de ar. Ele não aguentaria tropeçar ou cair se a nave fosse atingida outra vez. Talvez ela já tivesse sido realocada. Ele não tinha ideia se fora autorizado a abrir a câmara de ar – se os códigos dele abririam a porta. começou a andar cuidadosamente. estava a guarda do turno. Mas ele acabara de encontrar uma desculpa para fazer qualquer coisa que não fosse esperar e aproveitou a oportunidade. A câmara de ar não estava a mais de 50 metros dali. Em vez disso. Namir digitou um código e sentiu um bafo de calor batendo em seu rosto quando a porta se abriu para cima. Ele verificou as leituras do painel. e envolveu as mãos nas pontas das mangas. uma bandeja de comida manchada e uma estação sanitária portátil. Ele não tinha o conhecimento para se beneficiar da resposta. ele vira roupas de combate fundindo-se à pele de homens e mulheres antes de pegarem fogo – não exatamente reconfortante. mas viu que não adiantaria nada preocupar-se com isso. O calor era causticante. Não poderia ser tão ruim assim. Namir não conseguiu ver se ela ainda respirava. O tecido era. jorrando nas paredes e fazendo os painéis metálicos empenarem e guincharem. e ela não aumentava nem diminuía. “Acho que o capitão tem um pouco de fé em mim”. Não sentiu nenhuma diferença depois de atravessar a cortina de fogo e deixá-la para trás. Puxou a camiseta para cima. Ele xingou mais uma vez e desejou ter trazido seu capacete. então caiu de joelhos quando a nave chacoalhou. embora isso representasse apenas um baú. Mas pelo menos não estava esperando no restaurante junto com os outros. pensou. Namir resistiu ao ímpeto de sair correndo. em campo. e decidiu se arriscar. Muitos datapads estavam empilhados sobre a cama dobrável. Chamas laranja brotavam das saídas de ventilação e de canos rompidos. mas as chamas não a tinham atingido. Na base. Os mecanismos da porta começaram a se mover e a gemer. Namir começou a rir. viu que ainda havia sinais vitais além da barricada. cobrindo metade do rosto. De repente. sentada de pernas cruzadas na outra ponta da sala. com os joelhos flexionados para se equilibrar e manter o corpo encolhido. O corredor gemia como se houvesse uma tempestade. O interior da câmara de ar estava mobiliado com tudo o que as lojas da Trovoada podiam oferecer. e na frente das . em teoria. resistente ao fogo. Uma olhadela através do painel de visão da câmara de ar revelou que a governadora ainda estava lá dentro. Alguém havia selado o corredor. Quando se aproximou do setor 10. estirada no chão. como se tivesse se chocado contra a porta e ficado inconsciente em virtude de um dos trancos da nave. uma cama dobrável. Namir alcançou uma porta blindada. Ele fez uma pausa longa o bastante para avaliar a temperatura do fogo – seria abastecido por produtos químicos dos canos? –. Ele sabia que muito provavelmente a prisioneira estava a salvo na câmara de ar.

fechamos a porta e voltamos a ficar seguros. enquanto Chalis observava a porta de entrada. Namir resmungou e arrastou a guarda para dentro da câmara de ar. Namir sentiu certa satisfação ao ver a governadora dando um passo para trás. – A circulação de ar não está funcionando – disse Chalis –. Ele foi andando cuidadosamente pelo corredor só até onde precisava para alcançar o painel de controle novamente. se extinguido. Chalis observou e sua voz ficou agressiva. – Mas eu estou usando uma roupa apropriada. – Não podemos abrir este setor para o espaço. fazendo uma cara feia ao sentir o calor vindo do corredor. Criamos um vácuo. então parou. depois curvou-se para voltar para a câmara de ar. Ainda viva. As queimaduras em suas mãos ardiam e o faziam querer gritar.pernas cruzadas da governadora pairava um holodroide em miniatura. Namir se ajoelhou e verificou o corpo da guarda conforme o ar mais frio da câmara esfriava um pouco a temperatura do corredor. Deslizou as mãos por baixo dos braços da mulher e a ergueu um pouco do chão. Você seria torrada viva. projetando uma teia azul brilhante de esferas e linhas. talvez. – Podemos correr para tentar a sorte? – perguntou ela. As mãos de Chalis cruzavam entretidas pela imagem. Reconheceu o rosto dela. Ela não está em condições de aguentar um trauma desses. E quando o oxigênio tiver sido tragado e o fogo deste setor. Namir travou os dentes e deu um jeito de perguntar: – Você realmente achou que sufocar seria o pior problema? Chalis sorriu e andou para frente. Ele tentou recuperar o fôlego enquanto ignorava a dor que parecia parecia subir pela pele como lama. – Então abrimos a porta externa da câmara de ar. Chalis fechou os olhos e baixou a cabeça. – Vejo que escolheu não me deixar sufocar aqui dentro. Em vez disso. Sua voz tinha decido uma oitava. Namir precisou de um tempo para processar a sugestão. Agarramo-nos às paredes para tentar sobreviver. então sim. – Eu poderia. Até você abrir a porta. todo o escárnio havia desaparecido. mas não conseguia recordar seu nome – uma das recrutas que a Crepúsculo havia selecionado em Thession. Chalis estava de pé e a teia se dissipou quando a porta foi totalmente aberta. dando alguns passos para trás na direção da porta. remodelando a teia com a precisão de uma especialista. eu estava a salvo do fogo. essa era a minha prioridade. Então ela tornou a levantar a cabeça e olhou para Namir. – Namir pousou a guarda no chão. – Você formulou um plano completo. A porta interna começou a fechar com um ruído. Então ele riu roucamente. – O que você está fazendo? Namir apontou para a guarda com o bico da bota enquanto a porta selava com um barulho metálico. . estendendo e girando as linhas.

Namir teve certeza de que ela iria gritar. Namir foi alçado cerca de um metro para cima e não conseguiu reprimir um gemido quando aterrissou com força sobre o cóccix. Não era uma mulher que merecia ser salva. esbravejar. já que nós três estamos usando o que sobrou de ar. – Você ainda não fez por merecer qualquer um dos meus favores – retrucou Chalis na mesma medida. sabia? – disse ela. Mas também não parecia ser uma mulher que temia a morte. O ar estava ficando mais rarefeito. e torcer pelo melhor. – Você pode não estar melhor. – Essa é a segunda vez que você vem para me resgatar. – Alguma ideia de quem nos atacou? Você é a especialista… Um estrondo distante vindo da parte de baixo da nave foi seguido por um forte tremor que atravessou o deque. por bem ou por mal. ele estava preparado para confrontar Chalis se precisasse – estava preparado para ignorar sua visão embaçada e tentar colocar a governadora em seu devido lugar. como se não visse a relevância de tal afirmação. – Vou nos trancar aqui dentro – concordou Namir –. Desta vez. com uma ponta de tensão na voz – que meus antigos colegas estão vindo atrás de mim. Não foi fácil para Namir manter a noção do tempo dentro da câmara de ar. Namir fechou os olhos e curvou-se sobre a cabeça-dura. Estou até pior. ela sorriu ironicamente. Mas ela está. – Fique agradecida – disse Namir – e cale a boca. A cabeça latejava. No entanto. Namir expirou com um assobio. e Namir não se deu o trabalho de abrir os olhos para ver se ela estava bem. A governadora deu de ombros. Ele se perguntou se precisaria impedi-la à força. Ela olhou com desprezo para a guarda inconsciente que estava no chão. Ele tentou contar o número de impactos que a Trovoada tomava durante a batalha. – A primeira vez. você achou que eu era outra pessoa. Quando ele elevou os ombros. com uma voz calma e resignada: – Então você vai nos trancar aqui dentro. então atirou em mim. já que ele não conseguia mais diferenciar uma batida nova da repercussão de uma anterior. Namir observou o peito da guarda subir e descer lentamente. Não pode haver segredos imperiais caindo nas mãos de rebeldes. Não pode haver outro Tseebo. Chalis não gritou. ela simplesmente disse. Ela esperou até a nave se estabilizar de novo antes de falar: – Meu palpite é – disse ela. A fisionomia de Chalis pareceu se contorcer. diga-se de passagem. Chalis sentou-se à frente dele. como uma mulher tomada por seu próprio humor negro. Em vez disso. ecoando cada batida do coração dentro do crânio. mas mesmo isso havia se tornado difícil. não estou em situação melhor do que antes de você aparecer. e tinha cheiro de fumaça. O oxigênio era abrasivo contra a pele queimada. ou um incidente como o da Estrela da Morte… .

– Você não se considera um deles. aparentemente. num determinado momento. A batalha. a nova recruta de Thession. e. emergindo gradualmente da . a voz dela tinha um tom de curiosidade. a dor das queimaduras de Namir havia se resumido a um latejar constante. Depois de falar. se arrependeu de ter acrescentado tanto desdém à palavra Rebelião. e não sabia direito se o gesto era reconhecido por muita gente. não posso ter certeza. Os stormtroopers também têm capacetes. mas ele merece a reputação que tem. podemos ser poupados para que ele possa me matar pessoalmente. Nenhum dos dois falou por um tempo. O tanque era um refúgio contra a dor e a necessidade. Namir riu desdenhosamente. o bastante para confirmar que a guarda ainda estava inconsciente. O paciente flutuava em pura e viscosa saúde. Se é a nau capitânia dele. Chalis o observava de perto. não é? – perguntou ela. “Seu nome era Maediyu. – Não pode ser o capacete que amedronta as pessoas. Namir sabia que o seu nível de consciência estava oscilando. Isso provavelmente significava que tinha entrado em choque. no entanto. – A maioria dos rebeldes empalidece ao ouvir o nome dele – disse ela. Seu último pensamento foi a respeito da guarda. – Podem tê-lo mistificado um pouco. Posso lhe contar histórias de como ele massacrou crianças. em circunstâncias menos ideais. os médicos da Crepúsculo ofereciam dois tipos de recuperação: O primeiro envolvia um bendito estado de esquecimento e a submersão em um tanque de bacta líquida. ela parecia ter entendido. Poupe-me das histórias dos terríveis triunfos do grande Lorde Vader sobre a Rebelião.” Namir desejou que ela sobrevivesse. Namir fechou os olhos de novo e fez um gesto obsceno na direção de Chalis. tinha acabado. até que os suprimentos de bacta estivessem escassos. Ele abriu os olhos com dificuldade. se não for. com alguns já falecidos técnicos de comunicação da Crepúsculo. Chalis. Pela risada de Chalis. então. Ele o tinha aprendido há muito tempo. Desde que entrara para a Companhia do Crepúsculo. e parou de lutar contra os apagões quando ouviu o assobio das entradas de ar voltando a funcionar. um lar acolhedor pelas horas ou dias que os médicos achassem necessário – ou. tomado tiros de raios e visto estilhaços alojados em sua carne. – Esse é o meu último desejo. mas ele não estava em condição nenhuma de se preocupar. Namir percebeu que o tremor havia cessado no deque. Namir havia passado mais que alguns dias na enfermaria da Trovoada. De acordo com sua experiência. mas sutil. Tinha quebrado ossos. Melhor ainda. – Qual é o fascínio de vocês com esse Vader? – perguntou ele. continuou: – A essa altura. Quando Chalis respondeu. os genocídios de Dhen-Moh… – Poupe-me – disse Namir. o próprio Darth Vader deve estar me perseguindo. Ela nunca me ouvia durante o treinamento.

Uivo estava falando suavemente consigo mesmo. Era como se ele estivesse sozinho em um mundo onde cada objeto familiar escondesse horrores. dado que a próxima missão de combate da Crepúsculo nem estava no horizonte. como se estivesse marcando o ritmo das palavras. recuperado. ele percebeu que Maediyu tinha sido colocada em um tanque com bacta. Durante o sono. ele pensou. associados a inexplicáveis sentimentos de terror e alienação. As dores que vinham nos dias seguintes pioravam com a perda dos prazeres da bacta. meia dúzia de feridos a bordo da Trovoada e pequenos danos no sistema de ambas as naves. alternadas com injeções doloridas e com bálsamos sedativos. tinha sido um golpe do acaso – um encontro fortuito com um esquadrão imperial de reconhecimento – que resultou na morte de três membros da tripulação a bordo da Promessa de Apailana. aparentemente. Von Geiz alertou-o a não voltar ao trabalho em tempo integral nos próximos dias – uma sugestão que Namir estava muito propenso a acatar. A recuperação de Namir. passando desapercebido pelos oficiais por dias enquanto seus subalternos transmitiam as ordens. Namir pediu uma reunião com Uivo. ele havia fundado a companhia (isso era o que Namir tinha ouvido) e parecia que jamais a deixaria. mas o corpo. O capitão Micha Evon era um homem alto. com pele marrom escura e cabelos grisalhos que pareciam emaranhar-se com a barba grossa. com uma mão batendo no ar. Durante momentos de quase lucidez. Horas depois de ele ter sido levado às pressas para a ala médica. durante um sofrido momento de lucidez. de rostos estranhos e familiares. ocorreu da segunda forma. Um dia após ser liberado da enfermaria. Namir sabia pouco de seu passado e tinha dificuldade de imaginá-lo existindo antes da Crepúsculo. Não havia qualquer evidência de que os imperiais estivessem vindo atrás da governadora Chalis. . no geral. ocasionados pela febre – infinitas sequências de imagens. Namir acreditava com absoluta certeza que Micha “Uivo Furioso” Evon era a mente mais brilhante que já tinha lutado a seu lado. A mulher levava uma vida fascinante. O segundo tipo de recuperação consistia em deitar-se em uma maca dura que fedia a produto de limpeza e ficar tremendo sob o ar gélido enquanto se entrava e saía do estado de sono. depois de ler os últimos relatórios e juntado coragem. Ele também acreditava que Uivo era responsável pelas mortes de dezenas de seus amigos – mortes que poderiam ter sido evitadas – e que o capitão sacrificaria Namir em um piscar de olhos para alcançar uma vitória exótica qualquer para a Aliança Rebelde. O ataque à Trovoada. com os braços ainda frágeis e cheios de cicatrizes. o paciente era afligido por visões da equipe médica encharcada de sangue fazendo suas rondas. mas passavam sem demora. o paciente sofria de sonhos sem narrativa ou lógica.inconsciência até que suas funções cognitivas fossem restauradas. que tinha sido encontrada ilesa na câmara de ar com Namir e Maediyu. Ele estava novamente de pé dois dias depois. Ele o encontrou no escritório fora do centro de operações. caminhando entre monitores elevados e uma holomesa que projetava imagens topográficas de um planeta cheio de vias fluviais e florestas. Ele raramente saía de sua toca. de suas queimaduras. “Garota de sorte”.

Uivo estava rindo de alguma coisa enquanto Namir ficava de pé no batente da porta. – Moramos numa nave movida a energias que separam causa e efeito. – Porque se for… – Namir insistiu. – Vader ou um fazendeirinho sujo qualquer. enquanto Uivo gesticulava de forma displicente para uma cadeira. e aqui estamos. Mas Namir aprendera que não tinha como apressar o capitão quando ele tinha seu próprio tópico na cabeça. – Mas lá no alto. Coisa muito pior poderia vir por aí. Chalis certamente acha que sim. não o estrategista do capitão ou o segundo em comando. – Mas você conversou com ela. – A governadora Chalis – disse Namir. – Ainda assim. Namir balançou a cabeça. – O tempo não é apenas um assunto para filósofos – disse Uivo. olhou Namir dos pés à cabeça com uma intensidade quase feroz. Estava na Crepúsculo para executar ordens. não importa quem vier se estiver acompanhado de uma armada. – Não sabemos. Namir mostrou desinteresse. Eu entendo isso – disse Namir. pontuando suas palavras com pequenos gestos e. mas ela não é uma fonte muito confiável. construído pelos monges Arakein há quase 2 mil anos-padrão. Você tinha que cavar e cavar antes de encontrar o que estava procurando. nós o usamos para fazer guerra – disse ele –. – … a Crepúsculo tem um alvo nas costas. não questioná-las. De acordo com a lenda. – Quanto mais ela nos convence que os imperiais a valorizam. – Sargento – disse ele. – Vou acreditar nas suas palavras. Ordens religiosas não são meu negócio. esperando ser reconhecido. – Fomos atacados por causa dela? O resto da efervescência de Uivo esvaneceu. e ainda assim não seria muito bonito. mais ajuda ela exige de nós. – O que você sabe sobre o monte Arakeirkos? – Não tenho muita familiaridade com o tema – disse Namir. olhando para trás. . Quando o capitão finalmente acenou para que ele se aproximasse. há um grande relógio esculpido na pedra. quem observar cada oscilação do pêndulo por um dia inteiro terá. Uivo balançou a cabeça e marcou com os dedos um ritmo lento e longo na holomesa. – Ele havia voltado a caminhar enquanto falava. – Vader – disse Uivo. Você acha que o que ela diz é verdade? – Talvez. – Nem eu – disse Uivo. espalmou as mãos e curvou a cabeça. diante dos olhos. como se incinerada por uma rajada de fogo. Diga-me o que está na sua mente. para Namir. Uivo sentou-se numa cadeira na frente de Namir. Ele tinha certeza de que estava cruzando os limites. Namir caminhou até ela. finalmente. ele era primeiro sargento. Conversas particulares com Uivo eram como a exumação de um cadáver. como se corrigisse o erro de uma criança. mas não se sentou. A melhor coisa para nós é nos livrarmos dela. – Chalis também disse isso para mim. começo e fim… o hiperespaço é um mistério mais profundo que deuses e demônios. revelada toda a existência do universo.

qual é a nossa próxima missão? – perguntou ele. – Nós a encontramos e ela é nossa responsabilidade. seus argumentos eram imbuídos de verdade. Mas precisamos ver se podemos confiar nela primeiro. então levantou uma mão como se pedisse silêncio. – Ela é uma agente dupla ou está sendo manipulada. e podemos ter achado uma. Ninguém nas redondezas pode tomar conta dela ou protegê-la melhor do que nós. – Você acha que é uma armadilha – disse Namir. lutando para chegar a algum lugar seguro. sem qualquer traço de impaciência. – A Aliança Rebelde – disse ele – está desmoronando. E se o Império vencer. bem. mostrando seus pontos fortes e vulnerabilidades. Era um palpite. Já estamos dando os primeiros passos. Se ela conseguir fazer algo do tipo. – Equipado para quê? – perguntou Uivo. Ele não duvidava que Uivo era capaz de mentir para ele. – Então. Vou testar essa vantagem. infelizmente. Chalis prometeu montar um esquema: um mapa holográfico da rede logística inteira do Império. para Namir.. – Você acha que tem uma maneira de descobrir – disse Namir. O que ela disse a você quando a conheceu? Uivo não respondeu. e ainda estamos a 10 mil anos-luz dentro do território imperial. olhou para a porta do escritório. – É uma possibilidade – disse Uivo. Se funcionar. – Entregue-a para outra companhia. – Não posso – disse. Eles simplesmente não eram completos. ele vencerá completamente. e não estou preparado para realizar ações mais dramáticas. Namir observou o capitão. Ainda assim. As coisas andam tão ruins quanto eram antes de. Precisamos de uma vantagem. bons comandantes frequentemente mentiam para suas tropas. – Nem sabemos o que temos. antes de você vir a bordo. mudará o curso da guerra. . Namir concordou lentamente com a cabeça.. Alguém na Rebelião deve estar equipado para isso. Ele ficou de pé e deu alguns passos à frente. Ele apenas abriu a porta do escritório para o corredor e sorriu novamente. mas não respondeu. A reunião deles havia chegado ao fim. vou aproveitá-la. Uivo sorriu.

– À vontade – disse ele. C A P Í T U L O 5 SIST EMA CARIDA DIA 91 DA RETIRADA DA ORLA MÉDIA O capitão Tabor Seitaron sentiu certa angústia ao sair de sua nave auxiliar e entrar no hangar do destróier estelar imperial Arauto. O trio relaxou os ombros só um pouco. o uniforme precisamente passado. pensou Tabor. senhor! Bem-vindo a bordo. durante os dias mais sombrios da República. Não lembrava qual tinha sido a última vez que sentira o peso da gravidade artificial – talvez quatro anos atrás. começando a guiá-lo para fora do hangar. Sua postura era adequada. “Pelo menos eles estão seguindo o protocolo”. durante o voo teste da Confissão Arrependida? –. e então diminuindo o passo abruptamente para acomodar Tabor. – Capitão Seitaron. Tabor imaginou. – Por aqui. mas ele sabia que no passado ele não o incomodara tanto. ensinando história militar aos cadetes que dominavam a arte de parecer atentos em sala de aula. apesar de todos os oficiais de menor graduação sempre parecerem garotos nos dias de hoje – estava acompanhado por dois stormtroopers cujos braços estavam esticados para baixo pelas laterais. cada uma capaz de transportar milhares de soldados e devastar continentes e plataformas orbitais. Ele havia visto as naves evoluírem de trambolhos monstruosos – mal capazes de funcionar – até se tornarem poderosas armas da Frota Imperial. – Disseram-me que o prelado queria me ver? – Ele estará pronto para vê-lo em breve – assegurou o alferes. quando estaleiros acostumados a construir naves mercantes e adornados iates se viram forçados a aprender as artes da guerra. Embora ele conhecesse suas . havia passado a manhã sendo transportado da Academia ao espaçoporto e ao hangar. Tabor olhou para o alferes que estava rigidamente de pé prestando continência. Tabor havia servido a bordo de destróieres estelares mesmo antes de receberem tal nome. Os stormtroopers vinham atrás de Tabor e do alferes conforme desbravavam as profundezas da nave. – Estamos felizes que pôde vir – disse o alferes. Ele se sentia velho. posterior à época em que Tabor esteve na ativa. Em vez disso. Deveria estar em Carida. rapidamente no início. O garoto – o homem. por favor. embora seus olhos estivessem injetados e fundos. Suas botas pareciam grudar no chão polido e ele sentia como se seu intestino estivesse sendo esmagado debaixo de uma pedra. sem a mínima ideia do porquê. A Arauto era um dos modelos mais atuais. – Se tiver alguma coisa guardada na nave… – Nada – disse Tabor.

Ele relatava desde as melhorias da nave até os triunfos da própria carreira de Tabor – “tenho certeza de que mais 10% de eficiência teriam sido úteis na Batalha de Foerost!” –. e Tabor o entretinha acenando com a cabeça afirmativamente e fazendo perguntas das mais óbvias. elegante e alienígena. era uma pessoa singular no meio de uma uniformidade diligentemente reforçada. Ele olhou as horas em um console próximo. Ele via outros baixarem os ombros assim que achavam que ele tinha desviado o olhar. assegurando-lhe que o prelado o atenderia em breve. O alferes não era o único homem que parecia exausto. Notou uma mistura de diligência. o alferes mantinha-se educado. Se o alferes era um garoto. o novo sistema de mira dos turbolasers – e fazendo questão de informar onde ficava o restaurante dos oficiais. a bordo daquele destróier estelar refinado por encomenda. o que era típico de homens que haviam passado anos atrás das linhas inimigas. mal conseguindo se ouvir. na Academia. tudo ao mesmo tempo. Estava irritado por ver o moral em tal estado. Passou-se quase uma hora até o prelado Verge finalmente chegar. chutando muito alto. Ele usava roupas com tecido cinza-escuro. os alojamentos da tripulação e a ponte. Mas a Arauto não era sua nave nem sua responsabilidade. o prelado era o caos personificado – não restringido por regulamentos. e começavam a digitar freneticamente em seus consoles. Ele poderia ter feito um inquérito minucioso sobre a nave. uma estrela em ascensão entre ministros e conselheiros que fofocava e fazia política em Coruscant. Enquanto caminhavam. não reconhecia o zunido agudo de seu motor ou os droides que corriam de um terminal de dados a outro. com olhos brilhantes cor de safira e cabelos negros lisos. Oficiais ficavam tensos quando viam Tabor passando por eles. logo seria hora de almoçar. Tabor aproveitou a oportunidade para secar a sobrancelha e ingerir um tablete que os médicos lhe haviam prescrito para acalmar o sistema digestivo. O tour felizmente foi interrompido quando o alferes o deixou sozinho no centro de conferência. O imperador Palpatine em pessoa . Quatro meses? Isso surpreendeu Tabor. – Quando você foi designado para cá? – indagou Tabor. – Quatro meses atrás. ainda que apenas vagamente: o membro mais jovem do Conselho Executivo Imperial. destacando as características da nave – seu complemento de walkers. mas preferia fazê-lo de sua casa. Mesmo assim. mas não parava de tagarelar. Tabor tinha ouvido falar do prelado antes de ser convocado para a Arauto. Quanto tempo ele acha que vou ficar?”. Também não reconhecia o caminho que o alferes seguia pelos corredores e salas de operações. o prelado era praticamente uma criança – mal tinha completado vinte anos de idade.especificações. E talvez realmente o fizesse. melhorado por um casaco no estilo dos nobres de Serenno e um único broche adornado. Tabor teve a impressão de que o prelado se sentiria à vontade no Senado da República: era espalhafatoso. enquanto caminhavam pelas estações de serviço. junto com a maioria da tripulação. indagando a respeito das missões recentes e do histórico dos oficiais a bordo. fadiga e terror reprimido. Mas sua mente não parava de pensar: “Ele está fazendo o maldito tour completo.

– Ele abriu outro sorriso antes de acrescentar: – Ao menos na medida em que qualquer imperial de verdade poderia compreender o pensamento de um traidor. A voz de Verge tornou-se um sussurro e Tabor teve de se esforçar para entendê-lo. quem ainda não tinha se aposentado ou morrido. exatamente. uma sucessora à altura da genialidade do conde Vidian. e dentre eles. supostamente. – Foi uma longa jornada. seu sorriso se desfez e ele se afastou. ele teria negado a possibilidade até a morte. Tabor não pudesse nem imaginar. tentando se lembrar das inúmeras reuniões e recepções em Coruscant. estendendo a mão para tocar o ombro de Tabor com forte entusiasmo. que agora desertou para a Aliança Rebelde. – Talvez Tiaan Jerjerrod ou Kenth Leesha possam ser mais úteis – tentou ele. . serviu a nosso imperador e nossa era com distinção. à sua maneira. e preciso de alguém ao meu lado que entenda como ela pensa. antiga emissária do Conselho Executivo Imperial e Grande Arquiteta honorária da Nova Ordem. assim como o imperador escolheu a mim. precisava ser começado. Chalis é perigosa. embora o que. “Você nunca passou um dia sequer na Força Naval Imperial. – Bem-vindo à minha nave. Não nos falamos há anos. Tabor tentou não demonstrar confusão. de fato. “Sua nave?”. uma mulher como aquela não tinha nem a coragem. pensou Tabor. e você deve estar ansioso para começar. Tabor ficou se perguntando o que. Seu tom era frio e sem vida. Em seguida. – Recusar esse privilégio seria tão incompreensível quanto as próprias atitudes de Chalis. prelado.” Mas ele acenou com a cabeça de forma educada e disse: – Obrigado. – É claro – disse ele. embora fosse melhor em se autopromover e em enganar seus inimigos do que qualquer outra coisa que valesse a pena dar atenção. Novamente. Os cantos da boca do prelado tremelicaram. a boca do prelado tremeu. – Capitão – disse ele. Verge soltou a mão e Tabor continuou antes que o prelado pudesse responder: – No entanto. você estima demais meu conhecimento a respeito dessa mulher. outorgado o título a Verge. É uma nave e tanto. ele levantou a voz novamente. Agora você definha na Academia.tinha. – Eu escolho você – disse ele –. – Ele quebrou a cabeça. e agora não é hora para humildade. Dedos infantis se fecharam num punho e reabriram. Acredito que você conheça a traidora. Ele considerava Chalis uma pessoa capaz e. não sei exatamente por que fui trazido para cá. lembrar quem havia trabalhado com Chalis. significava prelado. – Uma tarefa me foi conferida – disse Verge – por nosso benevolente imperador: capturar Everi Chalis. – Com todo o respeito – disse Tabor –. O prelado Verge caminhou até a sala de conferências com um sorriso largo. – Você já foi um grande homem. Após essas palavras. Se alguém perguntasse a Tabor se Chalis seria capaz de trair o imperador. nem a vontade de virar-se contra seus mestres. mas estou oferecendo-lhe a chance de servir de verdade mais uma vez. mas desta vez ele se conteve em instigar Verge.

No mínimo. Verge acenou com firmeza e orgulho. – Não tive a intenção de ofender o imperador. Recordou algumas histórias sobre o filho de um dos vizires do imperador Palpatine que fora treinado para o Conselho Executivo. e imaginou quando veria seu lar. e colocado nela um altar em homenagem a Palpatine. . certa vez. o planeta natal do imperador. – Você e eu realizaremos grandes feitos. Tenho certeza disso. buscava se mostrar como a personificação da nova ordem do Imperador. Diziam que ele havia construído uma mansão em Naboo. Tabor encarou o prelado enquanto processava o nó de palavras. Porém a baniu como fazia com seus incômodos no estômago. Elas o chamavam de demente e pomposo. – Ótimo – ele disse. em Carida. o prelado Verge era um verdadeiro crente. Talvez esses rumores estivessem certos. Rebeldia subiu-lhe à garganta. Essa mesma criança. outra vez. Tabor deu um sorriso que mais pareceu uma careta. e era dedicado a servir ao imperador acima de tudo. – Peço desculpas – disse ele. Diziam que Verge. Rumores há muito esquecidos ressurgiram na mente de Tabor. As pessoas faziam imitações de Verge para Tabor. tentara se mutilar para marcar seu rosto como os Jedi haviam marcado o rosto do imperador. Seria um orgulho servir ao seu lado. que abraçara a doutrina de Palpatine com um fervor zeloso. Ele estava morando em seu mundo natal há tanto tempo que já havia esquecido a linguagem da corte: como homens educados acusavam uns aos outros de traição.

Ele arrochou a cinta de seu fuzil e ajustou o capacete. então caiu para a frente e tentou rolar. A massa verde da floresta agora se tornava árvores individuais conforme a nave de desembarque fazia movimento de pouso. marrons e amarelos passavam voando pelas portas de segurança abertas da nave de desembarque de Namir. mas ele imaginou que logo ficaria enjoado de lá. mas a temperatura dissipou-se um segundo depois. mais dois esquadrões de soldados da Crepúsculo estavam aglomerados juntos em bancos estreitos. Com um sorriso firme. Nos recantos da área de segurança. Os feixes coloridos desaceleravam junto com a nave de desembarque. Uma mão tocou-lhe o ombro. Um galho entrou voando pelas portas de segurança antes de ser quebrado e cair de novo. estava Gadren. juntamente com um odor acre que Namir não conseguiu identificar. quando seus pés tocaram o chão. verificando suas armas de raios e armaduras. manchadas e em processo de queda devido a alguma doença. A queda era de menos de 5 metros – pequena o bastante para sobreviver ou alta o bastante para matar. dependendo de como a pessoa pousasse. Um forte aroma vegetal preenchia o ar úmido. Uma voz fraca e distante ressoou quando Brand gritou em seu ouvido: – Caça TIE se aproximando. Faltava um minuto. Dois minutos para o desembarque. ele pulou. Namir pôde sentir o calor dos motores da nave de desembarque enquanto caía. A nave desceu mais até que os galhos das árvores e folhas úmidas começaram a estapear o lado de baixo. Em mais um movimento. Não era o planeta mais fedido em que Namir já pisara. Ele virou e viu Brand mostrando dois dedos. cambaleando com o chacoalhar da nave. Faça isso rápido. Então a folhagem clareou e Namir pôde ver o pântano alcatroado que servia de superfície ao planeta Coyerti. enquanto Peste se agarrava a um dos corrimãos. . convertendo-se em massas de árvores com folhas largas. – Namir acenou com a cabeça novamente. Atrás de Brand. Namir acenou para Brand e se virou para a porta. mas ileso. parecia que estava sozinho dentro de um furacão. O rugido do vento e a fúria do motor se combinavam em um uivo inexorável que sobrepujava qualquer outro som – quando Namir fixava seu olhar à frente. C A P Í T U L O 6 P LANETA COYERT I DIA 97 DA RETIRADA DA ORLA MÉDIA Rastros verdes. Ele dobrou os joelhos conforme o solo escuro era comprimido e suas botas afundavam. ele estava de pé novamente. imundo e dolorido.

se a nave de desembarque fosse abatida. – Isso se – acrescentou Gadren – mantivermos você na nossa equipe depois de Charmoso se recuperar. enquanto Coyerti em si permanecia um pântano pútrido cheio de árvores quase mortas e restos de compostagem. o Alto Comando havia recebido uma mensagem truncada afirmando que havia começado a estação reprodutiva dos Coyerti – um tempo durante o qual. tão coberta de lama quanto Namir. Namir mapeou a clareira. Coyerti era um dos postos avançados de pesquisa militar do Império – um planeta tão rico em vida vegetal e animal que era perfeito para testar e desenvolver armas biológicas. Namir achou ter ouvido o som de tiros de laser. – Se experimentar um pouso assistido por foguete. Gadren se levantava com um gemido a poucos metros dali. A mesma biodiversidade que tornava o planeta útil como laboratório também protegia as pessoas de Coyerti contra as pragas feitas sob medida pelo Império. – Vamos. por ordem da Aliança Rebelde. Mas não havia nada que ele pudesse fazer agora. Estamos a 5 quilômetros de nosso alvo. Namir mesmo tinha feito alguns comentários de mau gosto. a Companhia do Crepúsculo estaria fortalecendo as fronteiras invisíveis entre as forças do Império na Orla Média e os confins mais distantes da galáxia. como não eram. Três semanas antes. eles estariam completamente indefesos por uma fase inteira da lua do planeta. Só que agora os Coyerti estavam realmente à beira da aniquilação. na direção de onde a nave de desembarque tinha vindo. Os nativos de Coyerti eram uma espécie inteligente que resistira à ocupação e se provara bem difícil de exterminar. Sem qualquer negociação formal. A missão havia provocado burburinho entre os soldados da Crepúsculo. Então. desde neurotoxinas a desfolhantes. Ele se contraiu por dentro. Cada atentado contra suas vidas apenas deixava os Coyerti mais furiosos. Peste estava caída de costas. poderiam ter retomado seu mundo. De acordo com o relatório de Uivo. Brand já estava de pé também. e uma onda de preocupação tomou conta de Namir antes de ela levantar ofegante e com um riso forçado. graças à sua biologia peculiar. o Império havia encontrado alguma oposição. que estavam fora do alcance do imperador. Se eles fossem mais populosos ou tecnologicamente avançados. ao proteger Coyerti. se proteger sozinha. Eram capazes de desenvolver antídotos para os venenos a que não eram naturalmente imunes. Pegou um datapad e verificou as coordenadas antes de acenar para juntar o esquadrão. embora tenha se contido antes de dizer isso em voz alta. Se a Crepúsculo conseguisse concentrar a batalha . pensou Namir. será uma longa caminhada. o Império despejava de quase tudo em Coyerti. levaria com ela os esquadrões ainda a bordo. vai acabar quebrando o tornozelo. Regularmente. a Companhia do Crepúsculo estava lá para combater forças inimigas e proteger a população de Coyerti até que ela pudesse. Nessa floresta. porém. Mas. – Não fique tão satisfeita consigo mesma – gritou Namir. Os venenos mais virulentos eram fabricados ali e distribuídos para toda a galáxia. Melhor não desmoralizar a novata. Ao longe. mais uma vez. “Isso se estiver viva”. Mesmo assim. haviam passado toda a década anterior forçando o Império a despender recursos em uma pequena mas infinita guerra na fronteira com a Orla Média. os Coyerti tornaram-se aliados efetivos da Aliança Rebelde.

e gastava metade do tempo mirando diligentemente. Seu trabalho era manter a Crepúsculo intacta até sua última operação. Mas a verdade era mais complicada. deveria ter morrido. Os dois esquadrões fizeram abordagens de direções opostas e não se esforçaram nem um pouco para serem sutis. Gadren quase morreu no primeiro minuto da primeira batalha. segurando seu canhão de raios e atirando livremente enquanto empurrava stormtroopers para os lados com seus outros dois braços livres. Namir se aproximou de Peste. não tinha problema para ele. e Namir teria se juntado a eles se Charmoso estivesse presente para acompanhar Peste. Estavam totalmente despreparados para um ataque efetuado por forças rebeldes alimentadas. Namir não a via desde que ela entrara na floresta. Inexplicavelmente. Brand anunciou sua intenção de emboscar quaisquer imperiais que usassem speeder bikes para fugir ou flanquear o ataque. a granada não detonou. e a outra metade dando tiros de raios aleatórios. certificando-se de que os imperiais não conseguissem se unir para organizar uma defesa. observava o campo de batalha e tentava atrair a atenção dos stormtroopers para ele em vez dos soldados indo atrás de suas cabeças. contanto que ela obedecesse às suas ordens. Ele teria morrido. o fato é que a vida de Gadren foi salva independentemente de seus esforços.em Coyerti. o ataque correu de forma mais tranquila. e Namir suspeitava saber apenas parte dela. Após esse incidente. forçando o Império a continuar gastando seus recursos lá. entrincheirando-se ao lado dela atrás de uma árvore caída enquanto disparavam fogo de cobertura. O trabalho deles era o mais arriscado. a última ação de retaguarda da Retirada da Orla Média. se tudo desse certo. foi a palavra de ordem do dia. Gadren e dois homens de Zab invadiram o centro do acampamento. estaria oferecendo cobertura para as forças da Rebelião baterem em retirada. Isso já era desafiador o suficiente. O alvo era um conjunto de tendas e sensores de perímetro mantidos por alguns soldados em condições precárias. descansadas e fortemente armadas. O esquadrão de Namir havia coordenado seu plano de ataque com a equipe do sargento Zab antes do desembarque. Em vez disso. Namir duvidava que ela fosse acertar alguém. Mas sua função não era vencer a guerra da Rebelião ou entender os Coyerti. Essa era a mensagem oficial. . Era. A garota estava suando. Não se sabe se por obra de uma falha do fabricante. Surpresa. Ele partiu para cima do acampamento imperial. Era um posto de patrulha recém-criado para apoiar o mais recente ataque do Império à população de Coyerti. se não fosse por um golpe de sorte. e não furtividade. Ele nem sequer deu atenção à granada que pousou aos seus pés até já ser tarde demais para se proteger. e ele considerava isso um bom sinal. mas inutilmente. pelos efeitos corrosivos da atmosfera de Coyerti ou por incompetência do granadeiro.

– Isso lembra você de alguma coisa? – perguntou Brand. as equipes convergiram cuidadosamente para o acampamento e começaram a juntar o pouco equipamento que estava presente para detoná-lo. ela vinha tendo tiques desde o combate do primeiro dia. mas ele encolheu os ombros. Peste acenou a cabeça com um movimento desengonçado e curto. Quando cada membro do esquadrão sinalizou que estava tudo limpo. Peste perguntou a Namir sobre o cheiro. chegou uma mensagem do tenente Sairgon anunciando que o comboio tinha mudado de curso ao amanhecer. Brand e Namir reabasteceram seus cantis em um córrego de águas turvas enquanto Gadren e Peste mantinham a vigília. mas só depois de os cantis filtrarem os resíduos sólidos. observando um inseto de quatro asas rastejar no dorso de seus dedos. Namir e seus companheiros de esquadrão passaram a manhã em um pântano com água até a cintura. Comprimidos de esterilização tornariam a água segura para consumo. ambos os esquadrões marchavam de volta à floresta. e ninguém em nenhuma das equipes tinha o conhecimento para remover os rastreadores rápido o bastante. . Zab quis roubar as speeder bikes. – Eu me lembro. – Tiros de raios arrebentam a atmosfera – disse ele. O tiroteio acabou em dez minutos. Foi assim que a guerra em Coyerti começou. e ele duvidava que algum dia iria conseguir limpar toda aquela sujeira – mas na verdade. Namir soltou xingamentos ruidosos o bastante para afugentar os lagartos da lama. – Kor-Lahvan – respondeu Namir. alguma coisa é vaporizada. Naquela tarde. Ele sentia frio e suas coxas estavam com câimbra. e o tédio não ajudava a melhorar as coisas. Depois de mais cinco minutos. Cada planeta fede de um jeito diferente. Namir precisou pedir que Peste baixasse o fuzil depois que ela começou a apontar a arma na direção de qualquer barulho. eles esperaram que um comboio imperial passasse. No segundo dia da campanha de Coyerti. O tédio tinha acabado e o esquadrão poderia seguir em frente. Com camuflagem improvisada pintada nas cabeças e ombros. Depois de cinco horas. ele não se importava com a mudança de planos. Velocidade era imperativa – haveria bombardeiros TIE sobre o acampamento em instantes. O aroma acre no ar era quase doloroso. esperando que ele fizesse um clique para avisar que estava pronto. – Toda vez que você atira. – Achei que você fosse matar a nós todos. prontos para aniquilar quaisquer forças rebeldes. mas Namir o convenceu do contrário – elas deveriam estar sendo monitoradas localmente. – Eu me lembro disso também. Ela estava suando ainda mais do que enquanto lutava. Brand levou a mão à altura dos olhos. Namir observou o recipiente em sua mão.

No entanto. Brand começou a virar as costas. Mais tarde. um eco igual a um trovão distante ecoava por entre as árvores. mas antes Namir perguntou abruptamente: – Você não queria mesmo estar lá com eles? Brand balançou a cabeça. Gadren mantinha Peste ocupada. Brand inclinou a cabeça como se ouvisse algo ao longe. No fim da tarde. mas você sabe como ele fica. mesmo depois de os brilhos mais coloridos terem desaparecido e sido substituídos por uma garoa laranja. Namir riu. Namir acenou com a cabeça. – Isso já basta para mim. Ocasionalmente. – Estou aqui por um motivo – disse ela. Carver é bom. luzes verdes e alaranjadas iluminaram o horizonte ao norte. – Talvez outro dia. Namir sabia – era parte do plano desde o início. – Claro. Quando a tarde virou noite. eles dispuseram uma dúzia de diferentes pacotes de ração. – Amanhã? – perguntou ela. A 30 quilômetros de distância. Quando entregaram a Namir uma barra de nutrientes compacta que tinha gosto de mucilagem quimicamente infundida. – Você acha que eles conseguiram? – perguntou Namir. e o zunido dos insetos noturnos começou. . Namir conteve um sorriso. – Vá dormir – disse Brand. – E eu lutava mesmo. Depois que Peste e Gadren subiram os zíperes de seus sacos de dormir. Uma dúzia de esquadrões da Crepúsculo estava atacando um forte imperial. não sei quais foram os custos. as cores ficaram mais intensas e pontos negros salpicavam o céu – Namir não conseguia distinguir se eram cinzas ou caças TIE. – Porém. Brand foi até ele antes de iniciar sua ronda. ele não reclamou e comeu em silêncio. – Talvez – disse Namir. Namir continuou observando. tudo o que Namir podia fazer era checar sinais e observar as cores preencherem as copas das árvores das florestas. Brand deu de ombros. – O forte está arrasado – disse Brand. – Você era um mimado naquela época – disse ela. primeiro guiando-a passo a passo para verificar seu equipamento e tirar a umidade do fuzil. organizando-os pelo sabor (conforme as etiquetas) e pelo sabor de verdade (conforme a experiência deles). o primeiro combate em larga-escala da campanha. Ela parecia ter certeza. Namir virou-se novamente para o fogo ao norte. Mas quem iria acreditar? O cantil fez um clique suave. sua expressão era inabalável. – Um garoto vindo de um meio-do-nada galáctico que achava que lutava há mais tempo que todos nós juntos. sacudiu a lama do filtro e conectou o recipiente no cinto.

apontando os canhões de raios montados a qualquer obstáculo que surgisse em seu caminho. forçando-os a caçar. Gadren estava de pé na fronteira do acampamento. e disse: – Concordo. fingindo não encarar as cicatrizes entre os ombros de Namir ou as tatuagens em suas pernas. Na terceira manhã da campanha de Coyerti. – Juntas. o walker. Um deve ser suficiente. selados na cabine inundada e sem ar. Gadren jogou com muita força sua granada contra a carcaça do veículo. fazendo-a voar longe. Gadren levantou uma mão para silenciá-lo. – Os detonadores têm outro propósito. danificando visivelmente seus mecanismos. Gadren fez um inventário do arsenal do esquadrão enquanto Peste e Namir desfaziam o acampamento e Brand mantinha-se de tocaia. Brand cuidava do tornozelo distendido. tudo teria pegado fogo. Vamos dar um jeito. Gadren acenou. mas ao anoitecer os quatro membros do esquadrão estavam ensopados. O alvo deles havia deixado um rastro de galhos quebrados e árvores queimadas. Brand tentou escalar até a cabine de pilotagem do walker e distendeu o tornozelo ao cair. . Namir checou o uplink de satélite portátil em busca de atualizações codificadas do front. ele tirou todas as roupas para ficar de cueca e tentar se secar. Passaram-se horas de manobras. Então usaremos os detonadores. – Três granadas – Gadren falou a Namir. Namir desenvolveu um novo plano. Peste quase foi esmagada por uma árvore cujo tronco inferior foi reduzido a cinzas pelos canhões do walker. Namir deu um tapa forte nas costas de Gadren. – Não dá para errar – disse Namir. À noite. O esquadrão evitava que os pilotos das máquinas abandonassem a missão deles. na qual se lia: TE-TT BUSQUEM E DESTRUAM. Peste conseguiu arremessar uma granada perto o bastante de suas pernas delgadas. – Acho que vencemos. sombrio. e pouco antes do meio-dia. e seus pilotos. No caminho da retirada deles. Peste tentava ajustar um aquecedor para quebrar o frio da água. Mas a máquina continuava andando e incinerando árvores. e ainda teríamos o bastante para… – Não – disse Namir. no fundo do pântano. contemplando a floresta. eles o alcançaram: um Transporte de Exploração para Todo Terreno de duas pernas e com uma cabeça em forma de caixa que marchava pela floresta. O esquadrão continuou a atacar e recuar para manter a máquina em perseguição. elas devem abater um walker. Se a floresta não fosse tão úmida. O primeiro confronto do esquadrão foi um desastre. aplicando uma gosma nada ortodoxa que ela jurava que funcionaria. A parte da tarde se tornou uma série de confrontos do tipo “bater e correr”. Namir estava dolorido por causa da correria do dia inteiro e. Gadren chamuscou as laterais de metal do walker com diversos tiros certeiros. – Bom dia – disse. pouco tempo depois. no acampamento. o chão gradualmente passava de lama para água. Ele recebeu apenas um conjunto de coordenadas e uma mensagem de quatro palavras decodificada.

Namir sorriu desdenhosamente. ele conseguiu discernir uma leve vibração ao longe. Uma vez que Namir compreendeu a vibração. sentiu frio e o cheiro do próprio suor. mostrando dentes que poderiam quebrar um pescoço humano. estaremos mortos de qualquer maneira. Três vezes Namir quase discutiu com ele por parar. chegaremos na parte da manhã. onde as árvores apodrecidas tinham uma adoecida cor de pus. – Supondo que não mentiram para nós? – retrucou Gadren. não estou perguntando o que está lá. – Supondo que mentiram para nós? – perguntou Gadren novamente. mas. Namir olhou entre seus companheiros e os viu maravilhados. a ordem que Namir tanto esperava. finalmente. de repente. Porém. passando seus enormes dedos sobre cascas pulverizadas com pólen avermelhado – como se tivesse encontrado uma pedra preciosa no meio da escória do planeta. Eles pararam para comer ao pôr do sol. ele parava para examinar uma árvore que ainda estava viva e inteira. – Ouça – disse ele. chegou. Fomos úteis a esse mundo. Peste. . Namir mantinha sua atenção em Gadren. – Se estivermos semimortos quando chegarmos. – Amanhã será pesado. embora Namir os houvesse alertado que o descanso deveria ser breve. – Marcharemos até meia-noite – disse Namir. ou o que quer que fosse aquilo. ou a entoação. não teremos muitas chances. cliques como batucadas na madeira. mas algo intermediário – indubitavelmente vivo. De tempos em tempos. ensopada de suor. Namir não ouviu nada além de uma brisa suave e o zunzum de insetos. Namir virou de costas para os outros e se enfiou dentro do saco de dormir. gradualmente. De acordo com os mapas. e as duas olharam na direção do som distante – o canto. levando-os em meio a vales escuros e estreitos que cortavam as colinas. – Se marcharmos durante a noite. e deixe-a aquecê-lo em face ao verdadeiro mal. – Se mentiram para nós. mas Gadren nunca demorava muito. Não era nem uma batida. – Supondo nada – disse Namir. perto do aquecedor. Brand estava mancando um pouco. Peste e Brand juntaram-se a eles. Gadren assumiu o controle da navegação. ele passou a ouvir outros ruídos também – risos agudos iguais a sinos ou notas de um canto de pássaros. No quarto dia da campanha em Coyerti. além da sujeira da água no cabelo. – São os Coyerti – disse Gadren. Aprecie essa memória. – Quero saber quando vamos alcançar as coordenadas. Gadren sorriu. – Agora – disse Gadren – é um bom dia. Primeiro. nem um zumbido. Ele marchou com o esquadrão para fora do pântano e direto para as terras altas da floresta. com a ressonância de centenas de vozes graves. – Não aproveite por muito tempo – ele gritou. – Falta quanto? – perguntou ele.

Por volta do meio-dia. observando os padrões da patrulha e analisando as diversas entradas para os bunkers. Três bunkers brancos ligados por passagens estreitas encontravam-se em um triângulo abaixo da colina. Namir e seu esquadrão arriscariam suas vidas na palavra de uma traidora. . Ninguém mais mencionou a possibilidade de uma armadilha. No quinto dia da campanha em Coyerti. tinha descrito a Destilaria como a instalação principal de processamento de armas biológicas em Coyerti. e disse suavemente: – Se for uma armadilha. Vegetação cobria os telhados dos bunkers. A governadora Chalis. Em vez disso. O esquadrão esperou no topo da colina durante toda a manhã. Ele não conseguia distinguir sua expressão no escuro. dissera ele. apesar da lesão. Se Everi Chalis mentiu. Ele queria lhe perguntar: “O que faz você ter tanta certeza de que vai sobreviver?”. permanecendo próximas ao muro – ou eles não se preocupavam em estabelecer um perímetro largo. Não muito depois da escuridão da noite tomar conta. Namir percebeu que Brand vinha ouvindo a conversa. Lá dentro. Ele passara horas o suficiente com Brand para saber o que significava para ela dizer algo do tipo. ele falou: – Você não quer prometer uma coisa dessas. Ela o alcançou. Namir olhou para Brand. Três patrulhas de stormtroopers circulavam em meio às estruturas. um skimmer de transporte levemente blindado desceu pelas copas das árvores e pousou na parte externa da entrada de carga do complexo. Uivo havia informado Namir sobre o complexo no dia anterior ao desembarque no planeta. Namir e seu esquadrão chegaram ao topo de uma colina pedregosa coberta por grossas samambaias vermelhas e avistaram o que Everi Chalis havia chamado carinhosamente de “a Destilaria”. Ela desapareceu colina abaixo sem dizer uma palavra. vou matá-la. Chalis havia prometido que a destruição da Destilaria atrasaria em anos as operações em Coyerti. eu vou te vingar. assim. escondendo-os de qualquer satélite que penetrasse o manto de neblina. mas já havia lutado muitas vezes ao lado de Brand para saber a resposta. chaminés elevavam-se de cada um deles liberando uma névoa fina no ar úmido. Namir nem conseguiu ver se ela ainda mancava. toxinas e produtos químicos eram refinados e combinados antes de serem encaminhados a espaçoportos para distribuição galáxia afora. Namir imaginou que a possibilidade de uma armadinha fosse a única coisa na mente de qualquer um. Brand ficou de cócoras onde estava deitada sobre as pedras de xisto. E. – Eu juro. sim – disse Brand. ou já tinham recuado para se preparar para o combate. – Quero. enquanto o resto da Companhia do Crepúsculo – inclusive os doze recrutas de Haidoral Prime que mal tinham sido liberados para combate e que atrasariam seus camaradas tanto como os inimigos – lutaria para preservar uma espécie desesperada.

– Então devemos esperar que o azul seja mortal o bastante para nossas necessidades… mas não tanto a ponto de matar a todos nós. Namir pegou um par de macrobinóculos e tentou acompanhar os passos de Brand. Procure não respirar muito fundo. com apenas dois vigias ativos. Tempo suficiente para chegar lá embaixo. Mesmo o display com rastreador inteligente só pegava alguns bruxuleios em meio às árvores. – Um azul – disse ela. – Já vi isso antes. os stormtroopers estavam quase terminando de descarregar a entrega e Brand estava na metade do caminho de volta à colina. firme. Ele sabia que o plano estava funcionando quando uma porção de trabalhadores do laboratório e seguranças saíram correndo para o lado de fora. O vigia não fez um som sequer quando Brand deslizou sua faca entre o capacete e a armadura peitoral. chegando ao topo da colina e acocorando-se novamente no meio das samambaias. – No próximo recrutamento – disse Namir. E os stormtroopers não pareciam estar em alerta – estavam ocupados transportando barris amarelos. e a explosão foi pequena demais para ser ouvida fora das paredes do bunker. – Devemos nos aproximar? – perguntou Peste. – Pronto – ela anunciou. Mas não o bastante para eles encontrarem o dispositivo. como se já tivessem passado por centenas de rotinas de treinamento. Trinta minutos mais tarde. uma fumaça branca espessa era espargida pelos ventiladores. – Vai ser o suficiente? – perguntou Gadren. Mas ele sabia que o dispositivo havia sido ativado quando as sirenes do complexo começaram a soar e todas as portas se abriram simultaneamente. – Qual você escolheu? Brand olhou para Gadren como se ele estivesse falando bobagem. Suas mãos estavam trêmulas. Ela escalou a ribanceira rapidamente. pelo que Namir pôde verificar. vou trazer um enfermeiro para o esquadrão. em algum lugar da Destilaria. Namir indicou uma das entradas traseiras do complexo. Na vez seguinte que Namir localizou Brand. E não vou dividi-lo com vocês. Dê a ela espaço para trabalhar. Gadren resmungou. vermelhos e azuis do skimmer até o complexo. – Gás neutralizador – disse Brand. Lá dentro. Apaga incêndios químicos. – Ajuste o cronômetro para trinta minutos. liquefaz gases tóxicos para limpeza. mas sem qualquer urgência em especial. parecendo mais irritados que aterrorizados. agora aberta e vigiada por apenas um stormtrooper. Bastante seguro. – Se alguém localizá-la – disse ele –. nós todos morreremos. . observando os stormtroopers trancando a entrada de carga do complexo –. mas a voz. contornando o local onde os trabalhadores estavam reunidos. – Caso alguém a veja? Gadren poupou Namir de ter que responder. O esquadrão desceu a colina. enfileirando-se automaticamente. um microdetonador fixado na parte de baixo de um barril azul explodiu. – Era o mais próximo. Namir não viu isso acontecer.

a cerca de um metro de distância. medidas paliativas não serviriam de nada. tocando-lhe o ombro para guiá-la para fora dali. Brand estava de olho nela. Rapidamente desenvolveram um sistema: Gadren e Brand armavam os explosivos nas salas que estivessem lotadas de equipamentos de laboratório e tonéis vibrantes e. O gás já tinha extinguido o fogo ocasionado pela arma de raios de Peste. Se houvesse alguém os seguindo. Apenas Gadren parecia contente com seu triunfo. Namir se jogou contra uma parede e tentou ouvir se havia passos. Antes que Namir conseguisse enxergar a fonte. Namir e Peste entraram juntos num depósito. Brand não tirava sua máscara do rosto. mas Namir deu a sua equipe um momento para virar e observar a fumaça preta subir aos céus. mas Brand foi mais rápida. No chão estava um humano de meia-idade usando uniforme de trabalhador. então. nenhum frasco de toxinas pronto para ser jogado em um intruso. eles iam para a próxima sala juntos. os outros mantinham as cabeças baixas e não diziam nada. Namir começou a andar em sua direção. Gadren anuiu com a cabeça. O esquadrão já estava a meio quilômetro de distância quando o complexo explodiu com o som de um trovão. deixando dois buracos chamuscados em seu tronco. Namir não impediu que Peste se aproximasse do corpo. – Continue o trabalho. Então. Peste não se moveu. – Liberado – Namir gritou. com a boca aberta e os dentes batendo. ele era um imperial e estava morto. Se havia uma armadilha. encarou o rosto do homem. já que sabiam que os trabalhadores iriam retornar a qualquer momento. Os quatro membros do esquadrão começaram sua missão dentro do complexo com o máximo de cuidado possível. Ele não portava nenhuma arma. Peste virou e atirou. Namir e Peste vigiavam caso reforços chegassem. Na metade do segundo bunker. Brand jurava que eles estavam sendo seguidos. correu para confirmar a execução de Peste. Ainda não terminamos. Mas era tarde demais para voltar agora. Mas um grito alarmado deixou claro que a sala estava ocupada. enquanto isso. Ela não se ajoelhou para inspecionar seu trabalho. No entanto. Apenas dobrou suas pernas um pouco. Quando os explosivos de uma sala já estavam armados. mas ela não parecia escutar – ela estava de olho no corredor à frente. e. envolvendo as mãos em volta do fuzil como se quisesse estrangulá-lo. também pararia. como se tivessem provado sua ingenuidade diante da armadilha da governadora Chalis. . O gás neutralizador era bem espesso e prejudicava a visibilidade. cortou: – Fique de vigília. Namir olhou para Peste. Namir deu-lhe alguns instantes e. Depois de não ter ouvido mais nada. essa era a última chance para os aliados de Chalis surgirem. se as toxinas da Destilaria fossem liberadas. eles se dirigiram às terras altas. mas ninguém se importava em usar as luvas ou respiradores de proteção que o intendente Hober havia fornecido antes da descida no planeta. juntos. sendo que um mandou uma vaga silhueta ao chão e os outros faiscaram contra um tanque de contenção. Namir pensou. cinco tiros.

– Não me importa se está catando flores ou chorando por causa de um homem morto. Namir percebeu Peste se desgarrando do grupo. mais forte que antes.” Então ele olhou para seus companheiros. Na segunda vez que ela ficou para trás. – Alguém aqui sabe o que aconteceu? – perguntou ele. ajustando a bota em seu tornozelo lesionado. Os outros o observavam agora. arregaçou as mangas e começou a inspecionar sua pele. e depois rasteje. Namir se perguntou. A ordem que tinham era se encontrarem à noite na nave de desembarque que os levaria de volta às linhas de frente ou à Trovoada. ele perdeu a calma. já que lutava contra uma dor de cabeça que latejava atrás dos olhos. “você não devia ter escolhido o barril azul”. . Não havia qualquer armadilha. “Não dá para ficar pior. Mas ele sentiu repulsa por si mesmo por pensar algo assim. Brand não tinha culpa. depois de uma longa série de obscenidades. – Estamos muito mal? – perguntou ele a Gadren. Brand soou ressentida ao dizer: – Não demora muito para aparecerem os efeitos. Então por que. – Respiramos alguma coisa? Fomos borrifados com biotoxinas e simplesmente não notei? Peste não levantou os olhos. Entendeu? Peste acenou de qualquer jeito e voltou a acompanhar a equipe. enquanto bebia de seu cantil. mas ele não teve forças para gritar. acenou para que o grupo descansasse. Na primeira vez. “Ou talvez”. Ele procurava por alguma irritação. Eles provavelmente tinha acabado de salvar inúmeros soldados de ter seus ouvidos sangrando ou suas peles descoladas dos ossos. dependendo do progresso da campanha. com o andar relaxado. Gadren baixou a cabeça e não respondeu. Gadren ficou de pé como sempre. e as mãos agarrando o fuzil com força. ou quaisquer que fossem os efeitos das armas biológicas do Império. Ela se sentou no chão. Duas vezes. ele pensou. Peste não se deu ao trabalho de sentar. Talvez a umidade estivesse afetando seu corpo. Ele controlou a respiração e tentou se acalmar. quase inaudível. todos se sentiam como se tivessem levado uma surra? A escalada os levou para cima das copas das árvores. Talvez tenhamos atingido um reservatório em algum lugar. com a cabeça baixa enquanto tremia. Suas narinas se inflavam a cada inspiração. apenas cruzou os braços. com as pernas esticadas. em direção a uma série de platôs rochosos cobertos por vegetação fina. com a voz baixa e constante. ou talvez a mudança de altitude tivesse sido muito drástica. tirou o capacete. Não encontrou nada. Em vez disso. uma bolha. Continue andando até suas solas estarem sangrando. de olho em tudo. Namir sentiu a ira subir pelas suas entranhas de novo. pensou ele. qualquer mancha recente. “Deixe que eles nos peguem”. Namir se pegou desejando a última alternativa. – Você. Namir xingou qualquer coisa. Namir pensou. A testa de Brand reluzia com suor e ela respirava de forma ofegante. acompanhe sua equipe – ele gritou. e colocou as mãos no chão em frustração.

o que era uma benesse. estariam todos mortos. Namir explicou. Namir não tinha um plano B. ele não achava que o transporte tivesse se esquecido deles. Além do mais. Se a nave pudesse vir. Na pior das hipóteses. veio o trabalho pesado. Brand mantinha melhor sua dignidade. que podia resistir a qualquer coisa. não tinha a ilusão de que alguém acreditasse nele. – Não há muito o que fazer aqui. ao dividirem suas rações. – Então vamos continuar andando – disse ele. Ensinar Peste a usar o uplink. Verificação de equipamentos. – O que quer que tenha sido – disse Gadren –. ela viria. Ele não disse isso a seu esquadrão. Inspeção de ferimentos. pareço ser imune. Manutenção do equipamento. – Muito bem – disse ele. não havia uma nave de desembarque à espera. Namir manteve seu pessoal ocupado até o cair da noite. Ensinar Peste a desmontar e reparar o uplink em caso de emergência. E também Brand. Namir fechou os olhos com força e apertou a cinta de seu fuzil. brilhando de tanta umidade. para as quais ninguém tinha apetite. com a pele pegajosa e. A dor de cabeça de Namir ia e vinha. Quando eles finalmente chegaram ao ponto de encontro. Ele não disse ao grupo que tal tentativa seria suicídio e que não tinha a intenção de experimentá-la. Depois do desjejum. – Também é possível – concordou Gadren. Exploração para obter comida e água. Até mesmo Gadren. Então eles ativavam o aquecedor enquanto Gadren ficava de sobreaviso. mas Namir pegou-a fugindo do acampamento para vomitar em meio aos arbustos. ele via pontos coloridos e era tomado pela vertigem. – Alguém aqui está sentindo que está prestes a morrer? Alguém aqui não aguenta caminhar mais uma ou duas horas? Ninguém se pronunciou. Planejamento de rotas de fuga do acampamento. Retoques na camuflagem. Se a nave de desembarque não chegasse. se eles tentassem mandar uma mensagem pelo uplink via satélite. Ouvir a estática em busca de conversas cifradas da comunicação imperial. Ouvir estática em busca de conversas cifradas da comunicação dos Coyerti. Peste ficou pálida da noite para o dia. Ouvir estática em busca de conversas cifradas da comunicação rebelde. – Ou talvez o afete de maneira mais lenta. . – Talvez – disse Brand. que ainda não apresentava sinais de enfermidade. Patrulhas. os imperiais poderiam detectar o sinal. Apagar rastros deixados depois de apagar os rastros da patrulha. mas nenhum deles conseguia dormir. Pela manhã. Não haveria qualquer tentativa de comunicação. ele disse a todos que esperariam pela nave de desembarque o máximo que pudessem. eles teriam que se dirigir às linhas de frente e torcer para se reunirem ao restante da Companhia do Crepúsculo. então procurem se controlar até chegarmos a um médico. durante seus piores momentos. agora. Apagar os rastros da patrulha. procurando analisar suas dores e o incômodo em sua cabeça. De qualquer forma.

. Se ela morresse. – Eu era uma caçadora de recompensas – ela disse. Brand escarrou no chão e começou. A voz de Brand estava rouca. e você vai respeitar minha privacidade. percebeu quão pouco ela havia falado desde a Destilaria. ela era mesmo. Melhores que agora. Ela parecia uma criança amedrontada. e se ela sobrevivesse. sentada com a coluna ereta. o que. não uma pergunta. Ela ainda tremia. isso teria transparecido. Melhores do que foram durante as Guerras Clônicas. Mas Namir não tinha nada para dizer que a reconfortaria. O Império continuava não gostando de caçadores de recompensas. mesmo sob forte dor. – Foi uma afirmação. extorquindo as pessoas em troca de comida. e quando seu crânio parou um pouco de espremer seu cérebro e ele conseguiu pensar. Peste olhou para ela. – A questão é. as coisas eram melhores antes. ainda sem dizer nada. Peste mordeu o lábio e fez que sim com a cabeça. Namir se viu de olho nela. Peste balançou a cabeça. A infraestrutura lá tinha sido terrivelmente danificada pelos Separatistas e os cartéis se manifestaram. se ele estivesse menos adoecido. O Império as mantinha seguras. – Eu não vou ficar repetindo – disse Brand –. Eu trabalhava em Tangenine na maior parte do tempo. Ela tinha se apoiado em uma pedra. Ele nem sabia se era isso o que ela queria. Portanto eles mantinham pessoas como eu à disposição. de que adiantariam algumas horas finais de conforto? – Peste. mas as gangues e chantagistas ainda faziam seus trâmites por baixo dos panos. suprimentos básicos. – Quer saber como me juntei à Companhia do Crepúsculo? As palavras de Brand surpreenderam Namir. Peste parecia igualmente desinformada. O exército imperial tentava impedi-los. Mas as guerras fizeram um grande estrago. franzindo a testa sem entender direito. – Você sabe disso. mas era só isso que ele sabia. transporte. mas em Tangenine havia assassinos e contrabandistas a serem eliminados. As pessoas se importavam com as leis. Eu me sentia bem com o que eu fazia. mas quebrou o silêncio da noite. Peste concordou novamente. – Deixe isso para lá – disse Brand. não muito depois de o imperador assumir o controle. Peste tinha levado os joelhos em direção ao peito por dentro do saco de dormir e então enrolado o que sobrara do saco de dormir em volta de si mesma. Namir imaginou. Ele já tinha passado por coisas muito piores na idade de Peste. uma parte melhor da Companhia do Crepúsculo. Seria um soldado melhor. Namir já tinha ouvido a palavra Jedi ser mencionada por rebeldes antes – eles pareciam algum tipo de guerreiros religiosos anteriores ao Império –. aprenderia a lidar melhor com essas coisas. Ele se perguntou se ela estaria pensando sobre sua decisão de deixar Haidoral Prime ou sobre o homem que havia matado. Não muito depois de os Jedi morrerem. Isso foi há quase vinte anos.

decidi que precisava parar com aquilo. e por um curto período Namir ficou preocupado que ela fosse desmaiar. escolhi um alvo que me tiraria de Tangenine. dos burocratas. e o vi ser perdoado porque tinha subornado um magistrado. – Você mudou de ideia? – perguntou Peste. Finalmente. e começamos a conversar. – Não até eu colocar uma arma na cabeça de Uivo. – Capitão Evon? – perguntou Peste. mas recomeçou. contrabandeei meu kit e esperei a oportunidade de ter uma linha de tiro limpa em Uivo seguida da possibilidade de escapar. Brand balançou a cabeça de maneira quase imperceptível. mencionam suas próximas missões. sabendo o que aconteceria com eles na prisão… Ela perdeu a fala. Então ele me ofereceu um trabalho e eu aceitei. – Capitão Evon – disse Brand. – … e se sentem acolhidos. Um leve sorriso tomou conta de seus lábios. eu já tinha conhecido as tropas. – Não sei quando as coisas saíram do controle. Vou pular a parte do passo a passo. Muitos não se rendiam. do crime. ela endireitou os ombros. o pior dos piores. para fora dos mundos do Núcleo. Havíamos acabado de exterminar os últimos grandes cartéis. como se estivesse descrevendo horrores que não queria reviver. Distante das cidades. o Império mudou do que era para… o que quer que seja o que temos agora. Peste concordou com a cabeça. Não levou mais que quatro meses para eu aparecer em um recrutamento em Veron. Pelo menos a dor e a náusea no rosto de Peste tinham sumido. olhou ao longe e continuou a falar. nem quanto à minha vida antiga. Vi que talvez tivessem um motivo para estar ali. Falam com as pessoas erradas… – Essa é uma lição para você – Namir murmurou na direção de Peste. Quando minha chance surgiu. – Nem quanto a ingressar. contudo. então me ofereci para me juntar a eles. para o meu trabalho seguinte. e eu estava ficando farta de tanto sangue derramado. – Eu nunca tinha feito qualquer serviço contra os rebeldes. como se um movimento mais forte fosse deixá-la inconsciente. As palavras eram simples e seu tom de voz constante. . Mas quando as leis voltaram à Tangenine. Ele não parecia estar com medo. Entreguei um homem às autoridades por roubar conversores de energia e o vi sendo preso pelo resto da vida. mas respeitou o desejo de Brand e ficou quieta. Brand não parecia perceber as perguntas não feitas da garota. Rastreei um líder de gangue. – Eu precisava de um tempo. mas soldados fazem tolices quando estão de partida. mas imaginei que me manteria ocupada por um tempo. – Alguns anos atrás – disse ela –. embora não tivesse certeza se ela o ouvira. Então. A cabeça de Brand caiu à frente. um traficante de especiarias. Talvez estivesse com medo do que Brand fosse fazer se ela a interrompesse. – Sem arrependimentos – disse Brand. Em resumo: eu menti. Namir percebeu que Peste desejava pedir mais detalhes. – Localizar a Companhia do Crepúsculo levou tempo – disse Brand –. sem olhar direito para Brand.

Sentou-se ao lado dela. vou sentir falta dessas conversas. Chalis será culpada de qualquer forma. Lembrava de Gadren gritando e Brand atirando com sua arma de raios para o céu para indicar a posição do esquadrão. Muito mais tarde. Dois dias depois. Namir concordou e afundou a ponta da bota no lamaçal. – Disso aqui. As tropas poderiam apedrejá-la até a morte. Namir se enterrou no saco de dormir e tentou não rir. nós todos estaremos mortos em alguns dias. Algumas mentiras não vão fazer mal. . sob a luz tênue. ela a pegou e a apertou. Namir não se lembrava bem do que aconteceu depois disso. Talvez tenhamos salvado muita gente de… – Ela hesitou. quem vai se vingar de Chalis? Brand deu de ombros novamente. – Você tem má sorte. limpando sua faca. Ele descobriu enquanto se barbeava. Namir aliviou-se em um desfiladeiro perto do acampamento e voltou aos seus colegas. Mas quando Namir estendeu a mão. mas então estendeu o braço e olhou para a palma da mão. tinha quase certeza de que Gadren fora quem o tinha carregado pelo resto do percurso. Finalmente disse: – Por que não contou a ela a história toda? Brand deu de ombros. – Ela não estava sorrindo. espalhando ondas de poeira e calor. – Até onde pude constatar. Quase morto ou não. o que fez Namir gargalhar. – Ela é muito nova – disse ela. a nave de desembarque chegou. Ele tinha quase certeza de que havia dito coisas imperdoáveis a quem quer que o tivesse amarrado em seu assento. – Se tivermos sorte. – Além do mais. sargento. Ela não tem culpa por termos agido de forma displicente. – Uivo não sabe disso – disse ele. Ele se lembrava de não ter conseguido alcançar a nave. a informação dela era boa. Ele se lembrava de ter rastejado para fora de seu saco de dormir na direção da nave de desembarque quando ela pousara. Uma vermelhidão estava se espalhando em direção ao punho. Namir encontrou energia suficiente para se afivelar e se forçar a permanecer consciente enquanto se debatia contra a parede. Esse era o dever de Peste como novata. Então ele deu um sorriso e perguntou: – Se estaremos todos mortos. Por um tempo. – Eu também – disse Brand. – Quando morrermos – disse Namir –. antes do nascer do sol. encontrou Brand sentada numa rocha. A vermelhidão na pele do próprio Namir tinha começado a descer pelo pescoço. Namir observou a luz do sol delinear as sombras. ainda sem sorrir. Na metade do caminho. Brand girou a faca no ar e a embainhou. ele se recusava a ser o soldado que desmaiava durante a decolagem.

Namir havia resistido a dias de penitência. Ajax a ignorou. e ele se lembrava de terem dito a ele que havia sido exposto apenas a quantidades minúsculas de toxinas biológicas não refinadas e não letais. A campanha em Coyerti havia acabado. tinha doze execuções confirmadas. no recrutamento. Gadren. para as festividades na próxima vez. e a jogatina prosseguiu. ele tentou relatar a destruição da Destilaria a qualquer médico que pudesse ouvi-lo. Namir detestava a tarefa de redesignar membros do esquadrão para preencher os postos que haviam vagado. aí começamos a ouvir essa batida de tambor. os X-wings não conseguiam voar baixo o bastante para acertar o canhão. Namir e sua equipe ficariam bem. Eles tinham se saído muito bem. Dez minutos depois. – Ainda sinto aquele cheiro em todos vocês. então percebeu que Gadren ainda estava vivo e poderia fazer esse trabalho tão bem quanto ele. Namir continuava com um olho no jogo e o outro lendo os relatórios pós-conflito. Metade do Clube gargalhou com Ajax. mas imagino que essa história toda de “estação reprodutiva” devia ter acabado. A contagem dos feridos era mais grave. na maior parte: Corbo. Ele não discordava do sentimento. “Nós vencemos. – E sem nós – alguém gritou. O homem enlameado. o poderoso salvador deles. que Namir havia apontado. Os treze novatos designados para os combates de solo sobreviveram. – Ainda bem que saímos da floresta – preferiu dizer Namir. tinha dado um tiro de raio para proteger um nativo Coyerti. a guarnição inteira estava numa agitação tremenda e o tenente teve que nos implorar para parar de lançar granadas. A bordo da Trovoada. não por algum tempo. Namir tinha visto apenas dois . mas ninguém deveria ter falado aquilo em voz alta diante da companhia. deu um tapa forte nas costas de Ajax. lutando com a maior parte da Crepúsculo. Gadren franziu a testa. Houve concordância geral. Namir não viu quem foi. alegremente. que depois lhe informaram que tinham sido somente horas. – O walker estava nos encarando. como espião em potencial. gerando um som oco. – Mas não era uma batida de tambor. O período de luto já tinha passado para os relativamente poucos que haviam sido abatidos nas linhas de frente. enquanto a outra metade fazia gracejos. assim como (para a surpresa de Namir) Brand. Ninguém os mencionaria enquanto estivessem sóbrios. – A voz dele ficou mais sóbria quando continuou: – Que eles continuem a lutar com habilidade e boa sorte. nós vencemos! Guarde um pouco para a próxima missão!”. – Ajax bateu a mão sobre o tampo da mesa metálica amassada. – Jogue suas cartas – disse Brand. porque era uma infestação. o que tinha tentado invadir a prisão de Chalis com uma faca. fazendo a contagem dos mortos e feridos. Era um maldito exército inteiro de Coyerti. e juro que até agora ouço insetos voando nos alojamentos. Os efeitos seriam facilmente tratáveis. – Talvez os Coyerti convidem você. Nós nem tínhamos visto essas coisas antes.

– Acontece que o planeta Coyerti não era o único alvo essa semana. Ainda assim. – Então. mas chegou perto o bastante. Ajax riu antes de explicar. – Suas naves de batalha não são rápidas o suficiente? Jogue suas tropas na fornalha. e um bom sinal de que a Crepúsculo poderia recompor suas fileiras a tempo para a próxima grande ofensiva. perderam o transporte da tropa deles. Contudo. sargento – chamou Ajax. sempre merecedores de paciência e consideração. Na verdade. A reunião de Namir era com o tenente Sairgon. de qualquer modo. Por outro lado. e Uivo pareceu atencioso. Ele não esperava por isso. . – Um esforço final para permitir que a frota concluísse sua retirada da Orla Média… Tique ainda estava gaguejando. A notícia sobre uma ação coordenada não surpreendeu Namir. mas deveria ter adivinhado – apenas uma companhia em um planeta inteiro não teria conseguido distrair toda a Frota Imperial.relatos de recrutas travando por completo. mesmo que ele não soubesse dizer o quê. depois de empurrar uma pilha de fichas a Gadren. Não era nem o que o incomodava. mas conseguiram uma substituição. – O que a Olho de Peixe tem a ver com alguma coisa? Olho de Peixe era a 68ª Companhia de Infantaria da Aliança. – Vou verificar com o capitão sobre a Olho de Peixe – disse ele. Isso irritava Namir até não poder mais. a divisão aquática. ele ainda estava se atualizando sobre os rumores do momento. Atividades de retaguarda em todos os níveis… a 21ª estava em Bestine. – O que quer dizer? – perguntou Uivo. Uivo tratava todos como se fossem fontes infinitas de profundidade. – Está se sentindo bem novamente? – Bem o bastante – disse Namir. mas Namir não ouvia nada sobre ela há meses. – Irei me reunir com Uivo em uma hora. no geral. – Mas gostaria de saber pelo que quase morremos. Não era isso o que ele tinha intenção de dizer. e tenho certeza de que ele ficará feliz em compartilhar as novidades. A Companhia Pílula Amarga estava em alguma porcaria de planeta qualquer. ficando de pé com um gemido. Isso deve consertá-las. em um gaguejar quase incompreensível. Ele foi sucinto. independentemente do tamanho da idiotice vomitada. quando Namir terminou. – Então os ataques foram coordenados? – disse Gadren. isso era melhor que o de costume. – Perdeu a grande notícia em meio ao vômito e às alucinações – disse Tique com um sorriso. – E sua equipe? – perguntou Uivo. não Uivo. alguma coisa o irritou com aquela notícia. A Crepúsculo tinha cruzado caminhos com essa companhia antes. mas ele. – Alguma novidade da Companhia Olho de Peixe? Namir estranhou a pergunta. forçou a entrada no escritório do capitão para entregar seu relatório sobre o progresso dos novatos.

Uivo manteve o mesmo olhar tolerante. – A transmutação da galáxia. Agora nós voltamos para casa e descobrimos que a primeira explicação era a verdadeira. Ela não tinha aparecido no Clube. – Não podemos ter mais de um motivo para o que fazemos? – Não se queremos vencer – disse Namir. Agora ele estava prestando atenção. vitória e derrota. Um dos homens do sargento Fektrin apontou a Namir a direção certa. como em qualquer mudança. O resto seguirá seu ritmo normal. – Acho que você subestima seu pessoal. A preocupação do alquimista é a pureza do catalisador. Elas são um subproduto. Nunca haviam chegado a uma conclusão satisfatória. Eles realmente já tinham discutido sobre o assunto. porque acontece que somos apenas uma parte de uma operação maior. Você sabe que não sou de discutir a respeito da estratégia maior. mas não são a mesma missão. o resto seguirá. E. Mais tarde naquela noite. Ele balançou a cabeça e fez uma careta.” “Vamos salvar os Coyerti. Uivo fez uma pausa. deu de ombros e sorriu. mas havia dias em que a loucura de Uivo – sua predisposição para sacrificar a Crepúsculo para alcançar sua definição peculiar de vitória – perturbava Namir mais profundamente do que outros. – Quero dar ao meu pessoal uma missão com a qual eles possam contar. Se todos da Companhia do Crepúsculo tivessem morrido. a frota teria falhado em escapar? Os Coyerti teriam sido dizimados? Saberíamos menos sobre as intenções da governadora Chalis? As palavras não significavam nada para Namir. Só que não. reabriu-os. e ele acabou encontrando-a em um compartimento de carga espremido. e suas tropas farão o serviço. embora os médicos lhe assegurassem que ela estava saudável. – Pelo menos. – Nossa meta não é a conquista. Não uma filosofia de guerra. e começou de novo. Mas também não gosto de me sentir usado.” “Vamos testar as informações da governadora na Destilaria. – “Nós vamos oferecer cobertura para nossa frota de retirada. Sua morte em Coyerti não teria interrompido o processo. onde a Rebelião entra em contato com o Império. Algo que os mantenha focados. – Ele. Uivo começou a responder. não completamente. com as costas pressionadas contra a parede divisória e os braços . então. parâmetros de missão óbvios. mas a alquimia – disse ele. como se quisesse silenciá-los. Somos um catalisador. energias terríveis são liberadas: guerra. Namir foi procurar Peste. Ele não a via desde que saíram de Coyerti.” Tudo muito bonito. Mas nós já tivemos essa discussão. então levou um dedo a seus lábios. no geral. e várias outras vezes desde então. Ele fechou os olhos com força. Eu luto porque a Crepúsculo luta. A substância da opressão torna-se a substância da liberdade. Se mantivermos a força de nossos princípios. – Escolha uma meta. Uivo sorriu. a primeira vez em Blacktar Cyst. não o meio da transmutação em si. mudanças precisam ocorrer. depois continuou: – Mas a preocupação do alquimista não é com essas energias.

– Não – respondeu Peste. Quando Peste falou. – Foi o combate – disse ela. um sorriso obrigatório diante da piadinha ruim de seu superior. Era de se esperar que eu soubesse a diferença entre “suada e nervosa” e “passando por uma desintoxicação”. – Mas tudo bem. Não muito antes. – Foi meu primeiro combate. Ela estava tremendo e balançando gentilmente de um lado para o outro. – Que bobeira. Peste olhou para cima de novo. Depois. – Ainda está doente? – ele perguntou. Namir desviou do amontoado de engradados e partes de motor sobressalentes. ouvindo o leve ruído ecoar. – Vai. Ela não havia entendido. até que. – Agora estou limpa. e se encostou na mesma parede ao lado de Peste. e olhou com amargura para Namir quando ele se aproximou. – Nós protegemos os nossos. Sua pele estava fria e úmida. – Vício em especiarias? Peste concordou com a cabeça. – Basicamente. finalmente. Todos nós temos problemas. Peste olhou para cima e para os joelhos de novo. Estou aqui para lutar. sim – disse Namir. – Muita gente fica com a cabeça ruim depois de atirar em alguém – disse ele. ela sussurrou: – Desde Haidoral. Bateu o calcanhar contra o piso de metal. agora você tem problemas maiores com que lidar. Você entendeu? Ela acenou com a cabeça. – Eu deveria ter notado isso na época. Peste continuou encarando-o. Namir deslizou pela parede ao lado de Peste e esticou as pernas. Namir a soltou. Não vou estragar nada. quem sabe. Namir manteve seu tom casual. – Há quanto tempo você está limpa? – perguntou. mas sem sentar no chão. – Mas você não.envolvendo os joelhos. Namir estendeu a mão e tocou o queixo de Peste. – E você está assim por causa do cara que matou? – Estou – disse Peste. Namir fez cara de desdém. Primeira vez que eu matei alguém. Mais um longo silêncio. – Por isso você esteve em um centro de detenção? – perguntou Namir. Namir balançou a cabeça. Peste sorriu sem graça – um sorriso incerto. Peste observava o pé dele. as palavras eram formais à medida que ela forçava cada uma delas. Ele viu a expressão dela mudar conforme a indecisão ia e vinha de seu rosto. Ele virou o rosto dela para o dele. .

ouviu sua respiração ficar acelerada. como se ela estivesse com medo de se dissolver no chão se relaxasse. Os dois ficaram sentados juntos em silêncio durante toda a noite. Peste continuou tremendo. como se as mãos dela fossem as únicas coisas que mantivessem o resto do corpo no lugar. Namir continuou ouvindo o ruído metálico da nave e o rugido baixo e estático dos motores antes de se aproximar de Peste e passar um dos braços em volta de seus ombros. cheirou seu suor. Ele sentiu a umidade da camisa da menina. Peste ficou tensa por alguns momentos antes de se permitir tocar a lateral do corpo dele. Seus dedos estavam esbranquiçados onde comprimia os joelhos. Ele a segurou frouxamente. como a respiração de um pequeno animal preso numa armadilha. .

porque seis outros Umus haviam servido à Doutrina Opalina. ela precisava de armas que fossem páreo com as de seus inimigos. Para sobreviver às batalhas contra os clãs hereges. ele não disse nada – simplesmente estendeu a mão e furtivamente lhes entregou um punhado de ouro como recompensa pelos serviços prestados à Doutrina e. Dispositivos e peças de dispositivos. então. e Sétimo. mas não muito em tecnologia. seguiu em frente. Quando o senhor de guerra Malkhan morreu. Com outros. Quando concluiu suas tarefas no bazar. Precisava de soldados que soubessem manejar armas de raios e lança-chamas. Ele ainda portava as marcas das antigas lealdades entre os ombros. Agora. Umu mantinha seu capuz na cabeça. fios e fusíveis de extramundo. Umu voltou aos becos. entregues ao estupor causado por especiarias. e depois de cerca de uma hora. abriu caminho com os cotovelos em meio à multidão até chegar aos mercadores que o ajudariam. Ele não temia por sua segurança. água e ouro. Não refez o caminho de volta. no punho de mulheres que se alimentavam de restos de comida nos becos. E apesar das recitações . à medida que andava rapidamente pelas ruas estreitas de arenito. cujos triunfos gravados na carne agora os marcava como párias. Para alguns. segundo lhe havia sido dito. desviando o olhar dos Malkhanis perdidos. encheu um saco com baterias. Nas primeiras poucas ocasiões em que havia resolvido assuntos para a Doutrina. mas as regras da Doutrina eram estritas e havia destinos piores do que ser Umu Sétimo para sempre. Umu Sétimo tinha lutado por Malkhan e sabia manejar as armas dos extramundanos. escondidas debaixo de um casaco de pele de bantha. Sua lealdade a seus mestres ia só até certo ponto. O garoto esperava ter um nome próprio. em todos os guerreiros de Malkhan que agora não tinham um exército para servir. sabendo que poderia estar sendo seguido – sabendo que os objetos que carregava poderiam alimentar e abrigar uma família por um ano inteiro. Quando chegou ao bazar. Ele não poderia hesitar ou falhar. ou saciar um viciado em especiarias por um mês. em homenagem ao segundo filho do hieropríncipe. as juras de submissão que havia feito tinham perdido o sentido. ele ficara tentado a roubá-los para comprar sua liberdade e uma nova vida. C A P Í T U L O 7 P LANETA CRUCIVAL DIA 400 DA AFRONTA CULTURAL TRIPARTITE 15 ANOS APÓS AS GUERRAS CLÔNICAS Agora seu nome era Umu Sétimo: Umu. mas a Doutrina o havia incumbido de cumprir uma tarefa. A Doutrina era rica em comida. ele barganhou. ele via suas marcas refletidas no rosto de homens velhos jogados nos degraus de entrada das lojas.

Umu acelerou o passo e ouviu a respiração dificultada do pai ao tentar acompanhá-lo. Mesmo depois de nossos inimigos terem vencido. eles ainda se viraram uns contra os outros. concentrados. Parado ali no beco estava um homem alto. e quando os abriu novamente pareciam mais claros. – Isso aconteceu na minha guerra também. – Vou acompanhá-lo – disse o pai de Umu. mas não o reconheceu como um dos seus até que jogou o cotovelo para trás. – Eu avisei que isso aconteceria – disse seu pai. a mão de um homem. Umu encontrou novas razões para manter-se fiel à Doutrina. O peito do homem subia e descia. com um rosto machucado e endurecido. – Talvez você devesse ter lutado mais bravamente – disse Umu. – Eu sabia que você estava vivo. O derramamento de sangue que se seguiu foi pior que qualquer coisa que Umu já tinha visto. – A Doutrina está esperando por mim. certo? Vou garantir que ninguém o incomode no caminho. mas agora sua pele parecia ter ressecado até sobrar apenas um saco de ossos. sentindo-o chocar-se contra a pele do homem. conforme as semanas se passaram e ele começou a receber responsabilidades cada vez maiores. Ele olhou para Umu com olhos arregalados e ansiosos. – Você precisa ir embora – disse Umu. – A Doutrina está na Marcha ao Templo. com a voz tranquila e equilibrada. Umu virou-se de frente para ele. . com carinho e remorso. às vezes. – Sempre acontece. e remendados com pedaços de couro em outros.coletivas dos textos sagrados matutinas e vespertinas e da constante leitura do Tomo do hieropríncipe. – Você estava lá? – perguntou o pai. Umu virou de costas para o pai e voltou a caminhar. Umu não via seu pai havia quase três anos. com unhas que penetravam o tecido de seu casaco. como se tivesse acabado de correr. Ele também ouviu o nome. depois de andarem em silêncio por alguns minutos. você saberia o que fazer. – Você está vivo – ele disse. – Hazram! Ele ouviu a voz ao sentir o toque em seu ombro – uma mão larga. tossindo longa e dolorosamente. – Talvez se o seu lado tivesse ganhado. Então fechou os olhos com força. – Quando os Malkhanis foram derrotados? – Sim – respondeu Umu. Pés se arrastaram pela poeira conforme o agressor tropeçava para trás. Seu pai o seguiu. A camisa e o colete estavam desgastados em alguns lugares. e então sentiu a mão soltar seu corpo. mas sem a intensidade insana. ele se sentia uma culpa profunda em seu estômago por causa de sua falta de fé. Umu não reagiu. Ele já fora forte – o que era óbvio –. Cada tenente de Malkhan havia reivindicado uma parte da provisão de armas de extramundo. como um refém negociando sua soltura depois de uma batalha. Mesmo assim. careca e de ombros largos. curto e grosso.

arrancando uma folha de grama após a outra. Umu teve que tomar cuidado ao caminhar. Tremendo levemente. como aquelas que teimosamente cresciam nos becos. Eu sei que posso. Para encontrá-lo e… Mas sua fantasia só chegava até aí. Ela sentou-se com um suspiro cansado e um sorriso. Havia apenas o temor de uma oportunidade perdida. ele a colocou na despensa da clausura antes de se dirigir ao dormitório. Umu não a queria. ficou intrigado por uma pequena fruta surrada – uma pera doce espinhosa. Tudo bem por ele. em meio aos braços e pernas dos que já estavam dormindo. e foi recebido calorosamente ao andar entre seus pares. e precisava ficar acordado até a meia- noite para expiar seu pecado. – Eu vi um alienígena no mercado. Faço juramentos a eles. algum vestígio de instinto. mel e vinho todas as noites – disse ele. sinto o cheiro de frutas em vez dos restos de alguém na rua. onde residia a Doutrina. Não existia nenhuma infância alegre à qual se ater. a havia jogado ali dentro. de alguma forma. Umu nunca tinha entendido direito com quem seu pai achava estar discutindo. Umu esperava que seu pai começasse a discutir. Não havia “e”. Por que eu voltaria com você? Seu pai não respondeu. Ela quase caiu de sua mão quando ele se deu conta de que seu pai. – Há espaço e comida o bastante. ninguém o repreendeu. nem sobre quem ele havia se transformado desde que saíra de casa. – Voltei – disse Umu. sempre capaz de pregar peças quando tinha um propósito em mente. Havia sido sempre fácil fazê-lo discutir sobre a guerra de que participara. Nem sobre os Malkhanis. sob a luz da noite. para chegar ao seu canto. mas não era o motivo de ele ter permanecido na Doutrina. – Você voltou – disse Pira Ten. – Quando acordo. Nem Donin. . que queria largar o saco e sair correndo atrás do pai. seu pai sempre fora ligeiro. Era fim de tarde quando ele chegou à Marcha do Templo e à clausura dos anciãos.” Havia uma parte dele. cercado pelas paredes da clausura. – Você ainda pode voltar – seu pai acabou dizendo. Tudo que Umu dissera era verdade. Ele se agachou no chão perto da garota e sorriu. Posso escondê-lo da Doutrina. “Nem Hazram. armeiros e comerciantes. Ele não se virou ao falar: – A Doutrina nos serve carne. Ninguém em Crucival se importava com as Guerras Clônicas. Ele havia perdido o juramento de lealdade da noite. e ele começava a defender suas escolhas e sua causa contra – bem. Lá. Ele não queria conversar com o pai sobre a Doutrina. Ainda assim. Umu Sétimo. Umu se contraiu e firmou os pés na poeira. uma centena de outros seguidores da Doutrina estavam estirados sobre cobertores ou sobre a grama amarela. Uma palavra errada já o tirava do sério. Talvez tivesse ido embora. Nas sombras. subindo um pouco a voz. distribuindo suas aquisições aos engenheiros. Conforme revirava seu saco. aguardava uma garota talvez um ou dois anos mais velha do que ele.

– Cala a boca – disse Pira, com um largo sorriso. – Você está mentindo. – Ela colocou um pedaço de
pão e um pouco de peixe defumado nas mãos de Umu. – Jantar. Você está mentindo? O que era?
Umu riu e contou a Pira sobre o alienígena: pele amarela e chifres, olhos negros, como um demônio
mitológico. Ele estava mentindo, mas Pira gostava de alienígenas. Umu havia fabricado a história assim
que fora designado à sua tarefa, então a embelezou quando saiu da clausura. Ele vinha querendo contar
essa mentira durante o dia todo.
Não dava para saber se Pira tinha acreditado nele. Mas tudo bem.
– Então sem maiores problemas? – perguntou ela, quando Umu terminou sua história. Ela pegou as
migalhas do jantar de Umu. Sua voz ficou mais séria. – Keffan foi roubado logo que saiu do bazar na
última vez. Ainda não consegue mexer os dedos.
– Nenhum problema – disse Umu. – Na verdade, foi até meio chato.
Pira acenou com a cabeça.
– Chato pode ser bom – disse ela. – Sei que está ansioso por uma guerra de verdade, mas… chato é
bom. Uma pausa pode ser boa.
– Não estou… – começou Umu. Pira segurava uma risada, esperando que ele mordesse a isca. Umu se
forçou a interromper o protesto, resmungou e começou de novo. – Quando a guerra vai começar? – disse
ele. – Alguém vai ser esfaqueada pelas costas.
Pira gargalhou alto demais, e ficou meio sem graça quando os outros da área de dormir olharam em sua
direção. Umu deitou-se na grama e sentiu o peso dos encontros que tivera durante o dia se esvair de seu
corpo, para dentro da terra, para as profundezas de Crucival.
Havia destinos piores do que ser Umu Sétimo. Havia coisas piores do que fazer parte da Doutrina.
Ele encontrara sua família e estava feliz.

C A P Í T U L O 8

SET OR METAT ESSU

DIA 109 DA RETIRADA DA ORLA MÉDIA
7 ANOS MAIS TARDE

O primeiro ataque veio à meia-noite, três dias depois de a Crepúsculo ter partido de Coyerti. A
Trovoada voava juntamente com sua escolta na periferia de um sistema sem vida dominado por um sol
avermelhado. A tripulação se apressava para concluir o turno de manutenção, enquanto traçava uma rota
para fora do território inimigo.
Então um destróier imperial saltou para fora do hiperespaço e entrou em linha de fogo. A Promessa de
Apailana e seus dois X-wings responderam rápido o suficiente para evitar qualquer perigo real à
Trovoada, e as forças rebeldes foram capazes de escapar da batalha à velocidade da luz, embora um dos
X-wings tivesse sido avariado por um tiro de de turbolaser que o acertou de raspão.
O segundo ataque veio trinta horas depois. Desta vez, a Trovoada foi surpreendida na chegada ao
sistema Enrivi, onde Uivo esperava fazer uma parada para reparos adicionais. A força de ataque era
composta por um cruzador ligeiro e um esquadrão de caças TIE. Mesmo com um X-wing fora de ação, a
Crepúsculo conseguiu destruir o inimigo sem dificuldades.
A onda de choque dos últimos suspiros do cruzador – a explosão em cadeia de seus motores e da
artilharia – obliterou as próprias cápsulas de fuga. Como Uivo relatou mais tarde, as baixas imperiais
foram “profundamente lastimáveis e não intencionais”. Isso não evitou que irrompesse uma celebração
estrondosa, na qual os soldados da Crepúsculo deixaram entrar contrabandistas de bebidas e saudaram
seus pilotos e atiradores.
Os pilotos e atiradores não participaram. Eles temiam ser requisitados em breve.
O terceiro ataque veio após outras dezenove horas, apesar de duas mudanças de curso feitas pela
Trovoada para despistar os que a perseguiam. Em uma rápida abordagem surpresa no sistema Chonsetta,
um grupo de interceptadores TIE escondidos na cauda de um cometa devastaram o estibordo da nave de
transporte da tropa antes que a Crepúsculo pudesse fugir.
A essa altura, mesmo os membros mais céticos da companhia ficaram convencidos de que o Império os
estava rastreando até as profundezas do espaço. Isso era uma novidade – mesmo ignorando o fato de que
rastrear naves no hiperespaço fosse virtualmente impossível, a Companhia do Crepúsculo nunca tinha
sido considerada tão estrategicamente significante a ponto de ser uma ameaça particular ao Império. Com

a Rebelião inteira em ação, por que alguém iria dispor de tantos esforços – sacrificar tantos recursos e
vidas – para desmantelar uma única infantaria?
Havia uma única explicação plausível.
Por precaução, Namir ordenou segurança extra em volta da cela de Everi Chalis. Ele duvidava que
alguém fosse atentar contra a vida da governadora – por mais satisfatório que isso devesse ser, nem
mesmo Corbo parecia tão inconsequente –, mas pessoas amedrontadas faziam coisas estúpidas.

– Ouvi dizer que três grupos de batalha imperiais abandonaram organizações rebeldes para vir atrás de
nós. Você gostaria de confirmar ou negar?
A voz do droide parecia enferrujada: um ruído rouco, irritante, elétrico, que fazia os dentes de Namir
rangerem. Ou talvez fosse a garra esquerda do M2-M5 que azedasse seu humor – as ferramentas pontudas
de metal e a variedade de mecanismos que zuniam, estendiam e retraíam do “punho” do droide pareciam
sair da caixa de brinquedos de um torturador.
Namir não gostava de droides. Ele nunca se sentira muito confortável perto de tecnologias que podiam
pensar. Mas o M2-M5 era o melhor mecânico da Companhia do Crepúsculo, e Namir ouviu – com
diferentes palavras – que ele deveria “superar seus receios e confiar na geringonça andante feita de
sucata”.
– É por isso que estamos com problemas no motor? – perguntou Namir. – Porque anda ouvindo as
comunicações da ponte quando deveria estar trabalhando?
– Temos problemas no motor – disse o droide – porque minha nave não para de ser atacada. E minha
nave continua a ser atacada porque temos problemas no motor.
Namir fez uma careta de desdém.
– Isso significa?
O droide rolou até o pequeno compartimento do motor. Namir tinha que ficar por perto para ouvir a
voz dele abafada pelo barulho do hiperdrive.
– Você se lembra do ataque feito a nós pouco depois de você ter trazido sua amiga imperial a bordo?
– Eu quase morri queimado. Eu me lembro. E eu não trouxe Chalis a bordo. Uivo decidiu…
M2-M5 acenava sua garra em frente a uma portinhola selada. Uma luz verde em um dos instrumentos
do droide ficou vermelha.
– Viu só? – ele disse. – Isso indica um vazamento de partícula de hipermatéria. O dano é em nível
microscópico, provavelmente localizado em um dos inúmeros refratores de radiação da Trovoada. Não é
o suficiente para impactar a eficiência da nave, mas poderia deixar um rastro para Darth Vader nos
seguir.
– Nós não sabemos se Vader tem alguma coisa a ver com isso. Não fique você também dando ouvidos
a Chalis.
A luz vermelha piscou rapidamente. Namir suspeitou que aquilo fosse uma maneira droide de dar de
ombros. Ou um gesto obsceno.

– Você acha que o dano ocorreu naquele primeiro ataque? – perguntou Namir.
– É muito provável. Suspeito que nem mesmo os imperiais tenham identificado nosso rastro até termos
chegado a Coyerti. Independentemente disso, não tenho equipamentos adequados para realizar reparos.
– Então arranque partes de você mesmo – disse Namir, caminhando na direção da escada mais próxima
para sair do compartimento. – Mande um relatório completo ao capitão – gritou. – Isso será um
problema.

Uivo reuniu os oficiais mais antigos uma hora depois. Namir, o médico-chefe Von Geiz e o intendente
Hober ficaram na parte de trás da sala de conferências – o lugar reservado para os membros da
Crepúsculo convidados por cortesia, que não tinham a prerrogativa de contribuir com a discussão. Em
volta da mesa, estavam sentados o tenente Sairgon, a tripulação de ponte da Trovoada e da Promessa de
Apailana, e Everi Chalis – que tinha escolhido ocupar a cadeira do capitão, tomando chá em uma
pequena xícara, enquanto Uivo caminhava ao redor do perímetro.
A primeira proposta de abandonar Chalis veio do tenente Sairgon, poucos momentos depois de Uivo
ter resumido a situação.
– Tivemos sorte até aqui – disse Sairgon. – O Império não tinha forças posicionadas para fazer nada
além de nos perturbar. Mas eles estão se aproximando, e não podemos sobreviver a um destróier
estelar…
– Um super destróier estelar – interrompeu Chalis, com um sorriso amargo. – Vader tem uma nau
capitânia. Mas, por favor, prossiga.
Sairgon não olhou para Chalis.
– Devemos lançar a governadora em uma nave auxiliar, é provavel que ela não sobreviva, mas os
imperiais também não vão continuar a nos perseguir com tudo o que têm. Não gosto do plano, mas não
vejo outra maneira de continuarmos com ela a bordo e sobrevivermos.
Chalis acenou solenemente, como se ela esperasse exatamente por isso.
– Não – disse Uivo, olhando para cada um de seus oficiais nos olhos. – Pedi as opiniões de vocês e
aprecio sua sinceridade, tenente. Mas não vamos abandonar essa mulher.
Após uma pausa, ele prosseguiu:
– Talrezan Quatro. Estação Esperança. Amanhecer de Unroola. – Ele bateu na mesa a cada nome
pronunciado. – Todas perdidas enquanto escoltávamos a frota para fora da Orla Média. O general
Amrashad está morto. Mesmo o comandante Skywalker não consegue explodir uma Estrela da Morte
todos os meses. A destruição do programa de armas biológicas de Coyerti foi a única vitória real que a
Aliança alcançou nos últimos tempos. Chalis nos deu tal oportunidade, e ela está quase concluindo seu
relatório em que delineia a rede logística inteira do Império. Uma vez que tivermos isso em mãos, tudo
mudará.
Então ele deu um grande sorriso, endireitou as costas e esticou bem os braços.
– Mais sugestões? Não parem agora.

As discussões e argumentos começaram a ficar mais sérios. Dois membros da tripulação da Promessa
de Apailana queriam partir para o território pirata de Baskron e fazer um acordo em troca de materiais
para reparar a Trovoada. Essa seria uma jornada, na melhor das hipóteses, angustiante, mesmo
considerando que os piratas estivessem dispostos a negociar. O comandante Paonu, capitão naval da
Trovoada, relutantemente descreveu seu plano para transferir Chalis e um seleto destacamento da
Crepúsculo para a Promessa de Apailana, que deixaria de escoltar a Trovoada; o Império perseguiria a
Companhia do Crepúsculo, talvez destruindo-a, mas pelo menos Chalis e figuras importantes poderiam
fugir em segurança. Até Von Geiz fez sua colocação, perguntando se a Crepúsculo poderia ficar
escondida por dias ou semanas em uma nebulosa ou um planeta gasoso – algum lugar que pudesse
confundir os sensores imperiais, enquanto esperavam que as buscas inimigas se dispersassem.
Namir ouviu tudo e tentou acompanhar. No início, ele vasculhou sua memória para lembrar o pouco
que sabia sobre o mapa do setor e os mecanismos de hiperdrive. Mas seu conhecimento era muito
superficial, e ele não tinha nenhuma intimidade com a terminologia. Suas habilidades eram em solo,
limitadas a armas e pessoas que carregavam armas. Quando sua atenção começou a se desviar, ele
concentrou o olhar em Uivo, que acenou com a cabeça e fez perguntas a seus oficiais sem nunca
demonstrar impaciência. Ele parecia despreocupado, completamente sob controle.
“Você não tem ideia do que fazer”, pensou Namir.
– Sua nave – disse Chalis – está comprometida. O comandante Paonu teve a ideia certa.
Todos na mesa observaram a governadora, alguns com interesse e muitos com desconfiança. Sairgon
começou a interromper, mas Chalis descartou-o com um gesto.
– Proponho que localizemos uma nave de transporte de cargas imperial. Posso nos colocar dentro do
alcance, e seus soldados – ela empinou a cabeça ao pronunciar a palavra, olhando diretamente para
Namir – poderão embarcar nela. Assim que a nave estiver sob nosso controle e todo o pessoal for
transferido, você pode abandonar essa lata velha e nós continuamos nossa jornada.
Sairgon balançou a cabeça.
– E quando entrarmos em linha de fogo, como evitamos danificar a nave de transporte? Se é para ela se
tornar nosso novo lar, não podemos atingir nenhuma parte crítica. Isso se presumirmos que o capitão
inimigo não limpe os computadores da nave ou a ajuste para se autodestruir assim que perceber…
– Você quer que eu planeje o ataque para você? – perguntou Chalis, subitamente curvando-se à frente,
com os olhos fixos. – Achei que vocês gostassem de um desafio.
A conferência degringolou a partir daí, com vozes se alterando, até que Uivo bateu na mesa com o
punho cerrado. Porém, ele não permitiu que a discussão parasse – ele começou a gesticular a seus
oficiais, aparentemente, de forma aleatória, instigando que oferecessem opiniões e contra-argumentos.
Era óbvio que a ideia de Chalis tinha seu mérito, apesar da falta de pragmatismo.
O dedo errante de Uivo apontou para Namir.
– Sargento? Isso pode ser feito?

“O que pode ser feito?”, quis perguntar Namir. Ele mordeu o lábio inferior, imaginando diversos
cenários em sua mente.
– Se você conseguir levar uma escolta armada até lá – respondeu –, provavelmente conseguiremos
tomar uma pequena nave de transporte. Não iria querer ficar com ela, no entanto, com imperiais se
escondendo em cada armário e colocando armadilhas.
Uivo concordou lentamente com a cabeça e começou a se virar. Não era uma solução, mas era
verdade.
Então por que, Namir se perguntou, a governadora Chalis estava olhando para ele com certa
expectativa, como se Namir tivesse deixado de mencionar algo essencial?
– Mas acho que poderíamos entrar e sair da nave. – Namir voltou a falar, antes de se dar conta do que
tinha acabado de propor. – Conseguiríamos tomar uma seção da nave, manter um corredor aberto e levar
uma equipe de engenharia lá para dentro. – Ele olhou para o intendente, e então para Uivo. – É possível
desmanchar um motor imperial e usar as peças para remendar a Trovoada?
Os lábios de Uivo formaram um sorriso.
– Não sei. Mas certamente é uma ideia interessante.
Chalis fingiu bater palmas lentamente, reclinando-se em seu assento. Ninguém mais pareceu notar, mas,
aos poucos, Namir percebeu que ele havia dito exatamente o que ela queria que ele dissesse.

– Nunca mais foi me visitar, sargento.
A reunião de estratégia tinha acabado. Metade dos oficiais permaneceu na sala de conferências para
conversar com Uivo ou uns com os outros, traçando os detalhes da invasão. Namir esperava que Chalis
permanecesse com eles; em vez disso, ela foi caminhando, logo atrás de Namir, pelo corredor em direção
ao refeitório.
– Talvez porque toda vez que você fala meu pessoal acaba em perigo – disse Namir, sem olhar para
trás. – Charmoso tomou um tiro. Maediyu respirou fumaça. Em Coyerti… você é uma maldição para a
companhia.
Chalis fez um ruído evasivo, sem negar as acusações, antes de responder:
– Uma maldição para a companhia… você realmente vem de um mundo primitivo, não é?
Namir nunca tinha dito nada sobre seu passado a Chalis. Ela continuou falando antes que ele pudesse
intervir.
– Se isso vale de algo – disse ela –, eu estava torcendo muito para que você sobrevivesse à Destilaria.
Teria sido ruim para minha deserção se sua equipe tivesse voltado coberta de pústulas.
Ele parou de andar e virou-se de frente para ela. Tentou calcular quanta força poderia colocar em um
soco nela sem deixar uma marca. Chalis não seria a primeira prisioneira de guerra que ele feriria; só a
primeira que pertencia à Crepúsculo.
“As coisas que a Doutrina faria com você…”
Chalis soltou um som exasperado e balançou a cabeça.

emitia radiação em doses mortais para qualquer criatura sem proteção. Redhurne tinha se tornado o lar de parasitas: drones catadores. – O olhar de Chalis estava concentrado em Namir. nem inspeção visual poderiam detectá-los facilmente. me querem morta – disse Chalis. . Em vez disso. aninhadas no crescente de uma lua despedaçada. Meus critérios para confiar em alguém não são mais os que costumavam ser. manteve seu tom de voz controlado e disse: – Você realmente não deveria confiar em mim. seus núcleos foram expostos aos raios tóxicos da estrela e transmutaram em novos materiais exóticos – os elementos básicos do combustível de hipermatéria. eu divido o risco com você. Os restos da estrela Redhurne. vou direto ao ponto: se vamos mesmo invadir uma nave imperial. um fragmento que emitia um brilho branco com fervilhante intensidade. Mas ela o enganara na reunião de estratégia. Mas Redhurne não estava vazio. – Quero que me mantenha viva. você vai precisar de mim a bordo. O argumento fazia sentido. durante o período de declínio da República. Mas elas não eram o alvo da Companhia do Crepúsculo. desta vez. A vontade que ele tinha era de dizer que ela não tinha cacife para designar ninguém. Ela sabia que capturar uma nave de transporte de cargas era impossível. – Estou designando você como meu segurança quando estivermos a bordo. Essas estações ainda funcionavam a serviço do Império. a Trovoada e sua acompanhante haviam se escondido na periferia do sistema Redhurne. Isso também surpreendeu Namir. Com meus códigos de autorização. não havia sobrado nenhum sinal de vida ou civilização na superfície devastada desses planetas. exceto o capitão Evon. – Já que você claramente me detesta. que vagueavam pelos planetas e depois levavam sua carga de minerais voláteis a estações mineradoras orbitais operadas por tripulações minguadas. – Por que dizer isso para mim? – perguntou ele. fizera com que ele expusesse uma ideia que ele tinha certeza que ela já tinha pensado. O sistema Redhurne era um cemitério com cadáveres de planetas à deriva. – Minhas escolhas são limitadas. Portanto. Seu sol tinha entrado em supernova havia muitos séculos. Quando os planetas do sistema interior se racharam. incinerando mundos até as cinzas. A governadora não era do tipo que se voluntariava. posso fazer seus droides invadirem os computadores da nave na metade do tempo. onde nem scanners. Assim. Namir estava cansado de atender às expectativas dela. Em vez disso. A arrogância e o desdém na voz dela tinham se transformado em amargura. Queria perguntar o que ela achava que conseguiria ao usá-lo. Eles esperavam pela nave de transporte que a governadora Chalis prometeu que apareceria – um cargueiro que viria coletar a produção da estação mineradora e carregá-la para sistemas com climas galácticos menos hostis. – Todos na sua nave. e ele se esforçou para manter a expressão neutra. e sabia que uma invasão soaria melhor se vinda de alguém que não fosse ela. Namir se perguntou o que ele estava perdendo.

antes de décadas de uso a tornarem obsoleta e centenas de retromontagens a destituírem de seu poder. Namir. assistiu à tripulação de ponte digitar em consoles e ajustar alavancas. Uivo concordara em ficar de tocaia por quatro horas. e não demonstrou nenhum outro sinal de satisfação. teria primeiro que manobrar para o espaço aberto. a companhia precisaria ir atrás de outra presa. Isso deixou Namir sozinho na ponte da Trovoada. mas para colocar veteranos. e detestava sua parte nele. Encurralada no campo gravitacional da lua. o capitão e o comandante Paonu conversando baixinho uns com os outros. Esse não era um dia para testar os novatos. ostentando cápsulas de armazenamento ejetáveis e propulsores de manobra. uso apropriado de trajes espaciais e máscaras de oxigênio – todo o necessário caso as coisas saíssem terrivelmente do controle. ex-stormtroopers e antigos piratas para trabalhar. As escoltas armadas eram todas experientes em combate em gravidade zero. Observou Chalis. Uivo havia aprovado a solicitação da governadora Chalis. As vozes dos oficiais estavam nervosas e inebriadas quando reportaram o que parecia ser um pesado cargueiro imperial. A mera existência da ponte o incomodava. levemente armado e pesadamente lento. o cargueiro alvo da Trovoada ou os imperiais que os estavam perseguindo? Um dia-padrão inteiro havia se passado desde o último ataque. quando estava em qualquer outro lugar da nave. Namir não se importava com viagens espaciais. enquanto seus colegas soldados reuniam-se vários andares abaixo. nem nos mecanismos em atividade. Deve ter sido uma nave de guerra algum dia. sufocando debaixo de camadas de armadura e equipamento. Tinha passado as últimas horas trabalhando com líderes de esquadrão para elaborar estratégias e fazer treinamentos. não precisava pensar no funcionamento das coisas. . naquele dia. O capitão reprimiu um sorriso. Então Namir esperou. A nave imperial era um robusto cilindro de hiperaço que se estendia por meio quilômetro. A pergunta que estava no ar na Companhia do Crepúsculo era a seguinte: quem chegaria primeiro. Ele não participaria da inserção inicial. e nada além disso. mas ele se revirava de raiva diante de lembretes de sua ignorância. Charmoso apenas deu seu sorriso horrível e cheio de cicatrizes. nem nos oficiais navais que sabiam a diferença entre compensadores de aceleração e os geradores de campo quântico nulo – os oficiais cuja especialidade significava a diferença entre a vida e a morte em um vácuo que os sugaria. faria o papel de guarda-costas dela. Quando Namir o alertou a não tomar outro tiro. A Trovoada estava escondida havia duas horas quando alarmes dispararam e a tripulação da ponte se agitou para ver o que tinha chegado do hiperespaço. Namir havia detestado o plano. que havia participado de mais operações de invasão do que Namir conseguia imaginar. O esquadrão de Namir não estaria presente – com exceção de Charmoso. procedimentos de atividade extraveicular. Ele nunca havia gostado de passar tempo na ponte. depois. a Trovoada estava vulnerável: ela não seria capaz de pular para o hiperespaço a partir de onde estava.

com todos os danos que a Trovoada já tinha sofrido nos dias anteriores. Em vez disso. – Naves – disse Chalis suavemente. o cargueiro não respondeu nem mudou o curso. altere seu vetor de aproximação da seguinte maneira. mais incisivamente desta vez. O esquadrão de caças TIE que o cargueiro . A Promessa de Apailana e a Trovoada surgiram juntas: a última de seu esconderijo à sombra da lua despedaçada. ela ainda poderia aguentar mais um pouco diante do cargueiro. A segunda estação de escaneamento reportou que o cargueiro não passaria perto da lua da Trovoada em seu curso atual. – Cargueiro imperial – disse ela. vou lidar com vocês como lidei com a tripulação da Mandíbula durante as Insurreições de Belnar. Chalis leu alguns números. A arrogância caiu como uma máscara. Novamente. “Precisamos ir embora”. e ela olhou para os scanners com toda a tensão de um soldado à espera da batalha. Mas precisamos fazer algo. Seus escudos e armas estavam completamente carregados quando a Trovoada entrou na linha de fogo. estão nos ignorando. – Está mudando de curso – avisou um tripulante. “ou precisamos nos arriscar e atacar. – Se eles soubessem quem somos – disse o capitão –. Para sua segurança. Chalis repetiu sua mensagem. aqui é a governadora Everi Chalis. O que não era um problema. Isso não surpreendeu ninguém. elevando de repente o tom de voz: um rosnado de perfeita arrogância. O cargueiro não mudou o curso. Namir observou a tripulação. o escárnio em seu rosto. em outros tempos. antes de condená-lo por grave incompetência. Flanqueado por dois inimigos. fora parte de um planeta.” Ele não falou nada. – Prepare as cápsulas de invasão – gritou Uivo. e a ponte entrou em ação. como se citasse outra pessoa –. pensou Namir. – Cargueiro imperial. com ele. Se não ajustar o curso dentro de quinze segundos. Chalis assumiu o terminal de comunicações da ponte e rapidamente digitou uma série de códigos de autorização antes de abrir um canal. – Então espero que estejamos mortos – disse Uivo. Ele não estava na ponte para aconselhar o capitão. – E se for uma armadilha? – perguntou Namir. a primeira de trás de um asteroide que. teriam erguido seus escudos. – Monitoramos atividade de tempestade de íons neste sistema. Ela cortou o sinal e. Chalis deu um tapa forte no console de comunicações. Fugiriam. por favor. Esse será meu presente ao seu superior. devem ser usadas até se quebrarem. comodoro Krovis. o cargueiro fez a escolha óbvia. como homens. guinando na direção da Trovoada para escapar da nave de combate carregada de armas.

mais dois soldados seguravam seus fuzis.liberou era algo mais preocupante. os atiradores da Trovoada assumiram a tarefa de proteger as cápsulas dos caças TIE. – É uma DH-17 – disse ele. À medida que a Trovoada manobrava sempre para mais perto. Chalis ligou a arma e sorriu. – Apenas mantenha a máscara no rosto – disse. agitado e espremido. empurrando Namir contra a porta lacrada. – Não faço ideia do que você está falando. já era tarde demais. Namir sacou uma pistola de raios do cinto. Chalis estava a quase um palmo de distância. com a voz abafada. com ar para apenas alguns minutos. Conforme as cápsulas se deslocavam na direção de seu alvo. o cargueiro começou a se afastar – mas. – Não significa que eu queira você comandando a minha. colocando-a nas duas mãos de Chalis. Raios verdes piscavam através do espaço. – Você já dizimou naves inteiras também – disse Namir. Atrás dela. segurou o pescoço de Chalis com a mão protegida por uma luva e comprimiu a máscara de respiração no rosto dela. e nem pense em mudá-la para o modo automático. – Se formos sugados pelo vácuo. Mire e atire. Todas haviam sido adaptada a partir de cápsulas de fuga – originalmente desenhadas para salvar vidas. e a velocidade estava do lado dos rebeldes. fazendo com que os próprios defletores do cargueiro brilhassem e vibrassem sob a pressão. A perda de várias cápsulas frustraria qualquer tentativa de invasão e forçaria uma retirada. – Alguma outra coisa? A cápsula de invasão tremia. as cápsulas de invasão da Trovoada foram lançadas em direção ao cargueiro. A capacidade de manobra e a autonomia do tanque de combustível haviam sido trocadas por maior resistência e força de propulsão. Você me viu. A embarcação rebelde devolvia fogo em saraivadas vermelhas periódicas. – Deixe as configurações do jeito que estão. Suas furadeiras começaram a brilhar e talhar o casco do cargueiro. – É claro – disse Chalis. – Eu já usei uma arma de raios antes. . A destruição de uma única cápsula representaria uma perda de mão de obra e tecnologia que a Companhia do Crepúsculo não poderia suportar. mas a Promessa de Apailana poderia abater um por um – se conseguisse uma boa mira. Como se uma contagem regressiva tivesse chegado a zero. espalhando-se sobre os escudos protetores da Trovoada como gotas de chuva em óleo iridescente. à essa altura. Namir esticou o braço. não terei tempo de ajudá-la. Cada cápsula carregava um esquadrão das tropas da Companhia do Crepúsculo. se realmente precisar. também foram equipadas com ganchos magnéticos e furadeiras a laser. reforçando-as ainda mais. Mas as cápsulas chegaram a seu alvo. enquanto a furadeira a laser corroía o cargueiro.

Mas foi exatamente por isso que Namir saiu mais tarde com Chalis. – Um capitão bêbado transportando carga volátil. . A cápsula de Namir tinha sido a última a partir da Trovoada. Uma série de respostas curtas confirmavam que os outros esquadrões estavam ativos. Namir gargalhou e levantou seu fuzil. Fique grata por eu não poder. – Notei como você lida com os recrutas – continuou Chalis com certo desdém. como se fosse expelida por um forno com a porta aberta. O som de metal sendo cortado ecoou na câmara. – Vai me dizer que você não os amedrontaria quase da mesma forma? Assumindo que você pudesse se safar disso. Namir gesticulou para que Chalis o seguisse. cheio de canos largos pelas paredes e grades de metal preto no chão. Chalis obedeceu da melhor maneira que pôde em virtude do pouco espaço. se fossem avistados. junto com os especialistas de engenharia. – O quê? – Namir balançou a cabeça sem entender direito. abrindo caminho para o interior do cargueiro. – Eu faria muitas coisas se pudesse me safar delas. Uma das estações de comando da traseira do cargueiro tinha sido tomada. Era lá que a governadora Chalis seria solicitada primeiro. qual boato você iria preferir que se espalhasse: que um de seus capitães foi grosseiramente negligente e acabou sacrificando seus homens por uma bobagem? Ou que uma oficial implacável executou os responsáveis por um caso de incompetência? A cápsula parou de balançar. Os outros soldados ficaram para trás para proteger a cápsula. se você fosse do Império. uma das primeiras a chegar deve ter rasgado o casco do cargueiro mais que o desejado. O corredor em si era apertado. e agora com Chalis? Dar uma de guarda-costas para ela parecia antinatural. “como lidei com a tripulação da Mandíbula. com as axilas úmidas e as luvas apertadas em volta dos dedos. – A Mandíbula foi um acidente – ela disse. Os primeiros soldados a invadir uma nave inimiga sempre eram bucha de canhão. Namir sinalizou para que o resto do esquadrão invasor aparecesse. Ele manteve o corpo na frente de Chalis. Ele tinha que resistir a seu treinamento e evitar sair correndo para conseguir cobertura. Os dois soldados assumiram seus postos em direções opostas ao longo do corredor. tentando avaliar o balançar da cápsula. abrindo uma fenda para o espaço. Ela concordou com a cabeça e deu um toque no próprio fone de ouvido. Um lugar nada ideal para uma luta. pelo menos temporariamente. Eu recebi o crédito porque… bem. enquanto Namir anunciava sua chegada pelo comunicador. tentando assegurar que seria o primeiro alvo. Dois ruídos dominavam o corredor: a reverberação distante de armas de raios e o rugido do ar invadindo a passagem. – “Eu vou lidar com vocês” – ele citou –.” Chalis riu e balançou a cabeça. já tinha feito papel de guarda-costas para civis outras vezes e mal conseguira suprimir seus instintos na ocasião. e afaste-se da porta. Namir estava suando ao se esgueirar pelo corredor. Namir digitou no teclado numérico da porta com o cotovelo e dois semicírculos de metal sólido deslizaram para os lados. – São os geradores de escudos. A rajada de ar era quente – quase fervente. Namir colocou uma mão na porta.

Então ouviu-se o som de outro tiro. Parte do meu aprendizado. e uma partícula de raio vermelha iluminou um trecho do corredor logo à frente. Usar isso em situações desnecessárias é uma infração punível. havia amargura em vez de arrogância em seu tom de voz. – Todas as tropas imperiais cometem os mesmos erros. Dois tiros rápidos de fuzil. – Percebendo o que tinha acabado de dizer. – Eu mostro para você… – começou Chalis. – Eles estão bem ao lado das unidades de oxigênio. . – Como você sabe? – Namir verificou a próxima curva. Eu poderia contar várias histórias para você. estirados sobre as grades. Cabia a ele e a Chalis pegar o caminho mais longo até a estação de comando. ele fez uma careta: a mulher era boa em fazer os outros baixarem suas guardas. – Os geradores de escudo – disse Chalis. – Mais uma vez. Relaxou os ombros e controlou um sorriso. – Não tão criativas. Ele se moveu furtivamente com Chalis um pouco para trás. – Então a famosa disciplina do Império rui nos dias de calor? – Essa é a diferença entre nossas forças – disse Chalis. Chalis continuou falando. a única coisa a fazer seria fugir. Contudo. Eles perderam quase dez minutos manobrando pelo cargueiro e tentando contornar a pior parte da batalha. mas o resfriamento drena energia. A troca de tiros de raios estava ficando mais alta. Se o inimigo avançasse um pouco mais. e eles superaquecem sob pressão. Então ela acrescentou displicentemente: – Você sabia que a armadura dos stormtroopers possui controles de climatização? Opções de resfriamento interno? No chão logo à frente. mas a paranoia de Chalis não ajudava muito. Não havia espaço para se esquivar. achando que não serão pegos… Namir cutucou um corpo com a ponta da bota. e os esquadrões com que Namir conseguia falar estavam bastante ocupados. mas não estava preocupado em acertar qualquer alvo em particular. Sua intenção era a de apenas desencorajar stormtroopers que viessem por ali e salpicar o corredor com plasma. Ele não tinha poder de fogo para vencer. Ligações insistentes para as outras equipes de invasão tinham sido de pouca valia – a tripulação do cargueiro estava interrompendo intermitentemente as transmissões. Só posso imaginar que as tropas da Aliança são mais criativas e menos conformes. então passou por cima dele. levantando sua arma de raios. havia três stormtroopers mortos. há muito tempo. Namir torceu o nariz. vasculhou o corredor em busca de inimigos e não viu nada. e elas nunca os cometem mais de uma vez. Por isso está esse calorão aqui. – … outra hora – ela concluiu. É a mesma besteira com todos os grupos de novatos. – Você poderia achar que é um luxo. muitos cadetes o experimentam. – Servi numa nave como essa. Namir mirou na direção do corredor.

mas o acompanhou até o terminal da mulher morta. – Fará de tudo para que isso aconteça. Namir precisou de um momento para compreender. um droide astromec e mais dois soldados. – Estou – disse Namir rispidamente. A parede estava quente. Fektrin levou Namir até a porta e ficou em posição de guarda do outro lado. Chalis xingou o droide quadrado e atarracado quando ele fez um bipe incoerente. “Por que Uivo concordou com isso?” – Os seus estão na cápsula? – perguntou Fektrin. . percorrendo outro conjunto de passagens antes de chegar ao ponto de encontro na estação de comando. mas Namir nunca se sentira pessoalmente ameaçado por ela. mas o alienígena não falava básico – alguma coisa a ver com a maneira como seus pulmões funcionavam –. sentiu o ombro encostar em metal e deu meia-volta. chamuscada pelos raios perdidos. – Mais um a quem beber quando voltarmos – disse Namir. Namir percebeu que Fektrin tinha perdido um membro do esquadrão no caminho. “Não. Sua responsabilidade por Chalis – por sua vida. pressionada contra a parede oposta e mexendo no teclado numérico da porta blindada. gesticulando com frustração para a porta. – Eu preferiria prevenir uma morte evitável. parte do motivo pelo qual Namir aprovara a presença dele na missão. como se a mera presença dela fosse opressora.” Chalis não era opressora. Namir concordou. Uma silhueta branca apareceu no fim do corredor. – Ela quer sair daqui viva – disse Namir. – Será que ela pode conseguir o que precisamos? Namir nem olhou para Chalis. Ela era insensível e manipuladora. Fektrin falou mais baixo. – Podemos ir? Eles seguiram. Não é isso. Namir conhecia Cappandar de nome e por sua reputação. Fektrin puxou o cadáver de uma jovem mulher imperial de uma cadeira e acenou para Chalis e para o astromec com um gesto abrangente. – Você está bem? – perguntou Chalis. O sargento Fektrin os encontrou lá com um trio de engenheiros. Ele era um dos membros mais antigos da Crepúsculo. Mas ele ainda não gostava do atraso. por sua segurança – era o que pesava sobre ele. O fuzil de Namir deu um coice quando ele disparou. E os seus? – Cappandar tomou uns doze tiros antes de cair ao chão. – Metade dos setores dessa nave pode ser aberta ao espaço ou infestada por gases tóxicos – ela surtou. – Mantendo uma rota de fuga. Os números não pareciam corretos. Namir se sentiu mais leve no momento em que Chalis ficou fora de alcance. Ela estava discutindo com o droide no terminal e gesticulando para a tela para ajudar os engenheiros. Seu oponente desabou no chão. então eles nunca foram capazes de conversar. Ele se esgueirou mais um metro. Ela ficou de um lado.

A arma se arrastou pelo chão fazendo um chiado. ele tirou os engenheiros da sala. – Vamos na sua retaguarda para evitar que surja alguém por trás. tentou ler seu rosto. então caminhou até o corpo de um stormtrooper caído e chutou o fuzil do homem na direção de Chalis. Ele olhou de soslaio para Fektrin. Sempre que Namir treinava cadetes stormtroopers – cadetes que tinham abandonado suas unidades. atirar em pessoas pelas costas e cortar suas gargantas enquanto estivessem dormindo. Ou perto disso. Charmoso estava fazendo ataques-relâmpago em postos de vigia. cadetes que 90% das vezes esperavam se tornar heróis da democracia e salvadores dos oprimidos em vez de cadáveres abandonados no campo de batalha – ele tinha que ensiná-los a lutar sozinhos. – Seu trabalho acabou. mas não estarei mais segura a bordo da Trovoada se falharmos aqui. Os homens de Ajax haviam estabelecido um ponto de estrangulamento em uma das principais passagens. tentando manter o inimigo desequilibrado para ofuscar a verdadeira meta da Crepúsculo. Significava – como Namir lembrava ter ouvido de uma . – Os engenheiros podem retirar as peças que acharem necessárias de um dos compartimentos superiores. – Fique perto dos engenheiros – ele disse a Fektrin. Namir sentiu suas tripas contraírem. seu bom senso e seu salário fixo para se tornarem novatos na Companhia do Crepúsculo. Fektrin concordou cuidadosamente. abrindo caminho para a tripulação técnica de Fektrin. domos de escudo e suporte aéreo. Namir pensou que não podia culpá-lo. Chalis olhou a sala ao redor e apontou com a cabeça para um canto afastado. sabendo o que vinha em seguida. Lutar sozinho significava saber táticas de guerrilha e truques sujos em vez de formação. – Ele olhava para Chalis. – Vamos voltar para a cápsula e partir. que estava organizando os outros. Namir ouviu as transmissões dos outros esquadrões enquanto esperava. ela falou discretamente: – Não estou com pressa de morrer tão gloriosamente como Cappandar. certamente. mas não deu muito certo. As equipes de fogo pesado de Carver e Zab estavam na vanguarda. – Estamos prontos – disse Chalis. Ainda em 70%. as equipes estavam tentando tomar posições-chave enquanto apressavam os engenheiros. Sem dizer mais nada. Quando Namir se aproximou. Ele checou o medidor de energia de seu fuzil para não ter que dizer em voz alta. Pelo que deu para entender. Nós reconduzimos a energia para que eles não sejam incinerados. e imaginou centenas de maneiras de a missão acabar em desastre. se sentiam sozinhos quando superados em número mais de cem vezes. Significava colocar armadilhas mortais. Vai ser mais fácil enquanto os imperiais estiverem distraídos. Fektrin transmitiu instruções através de seu comunicador. Fektrin acenou com a cabeça. Namir avaliou a expressão da governadora. atravessando à força portas blindadas. porque mesmo soldados em uma dupla de combate ou em um esquadrão de quatro integrantes. Não parecia muito contente.

Errou apenas uma das vezes. Quando uma equipe de segurança imperial veio marchando pelo corredor. Fektrin enviou o sinal de comunicação indicando que era hora da retirada total. Namir e Chalis eliminaram uma segunda equipe e uma terceira – quem quer que tivesse passado por Ajax e pelo bloqueio de sua equipe. Quanto mais a tripulação do cargueiro estivesse ocupada com a própria sobrevivência – quanto mais imperiais estivessem reparando os equipamentos vitais em vez de lutar contra a Crepúsculo –. então os seguiram de perto. os oficiais – não stormtroopers. Namir se protegeu do lado de dentro de uma porta e verificou seu objetivo: mirou e fez um furo no peito de cada um de seus alvos. Pelo comlink. os esquadrões mudaram a tática. Os líderes de esquadrão responderam afirmativamente e começaram a recuar. e foi levado com o vento que percorria a nave. longe das vistas. ela segurou o respirador mais forte sobre a boca e atirou três vezes no cano. Os primeiros tiros de Chalis saíram um pouco atrasados e fora do alvo. melhor. cada equipe gradualmente deveria recuar para sua posição inicial à medida que a equipe de engenheiros passasse por eles em segurança. e Namir e os outros sabiam disso. Agora era hora de a fita elástica contrair. na tentativa de desarmar sistemas cruciais e travar o fluxo de imperiais para a zona de combate. os engenheiros se dividiram em diferentes cápsulas. As equipes tinham saído de suas cápsulas de invasão para o interior do cargueiro como fitas elásticas. Ele não ficava surpreso por Chalis não sentir receio das táticas de guerrilha. Eles não conseguiam nem mirar direito. Eles permitiram que a equipe de engenheiros os ultrapassasse. mas ainda conseguia aguentar. Namir ouviu Fektrin e os engenheiros lutando para concluir o trabalho de coleta. Mas havia pouca coisa que a Trovoada podia fazer sem matar seu próprio pessoal. O gás refrigerador era invisível e inodoro. Mas o surpreendia que ela fosse boa nelas. Quando Fektrin e os engenheiros desceram até os andares inferiores. pelos olhares de desânimo. A Companhia do Crepúsculo estava sangrando. Namir se viu novamente ao lado de Chalis. Com uma expressão aborrecida. mas. contraindo suas linhas de combate. protegendo o corpo dela com o seu. Quando Fektrin e os engenheiros sinalizaram que tinham acabado seu trabalho. A Trovoada disparou duas vezes no cargueiro. idiotas de 18 anos que haviam sido designados para manter um cargueiro enferrujado fora de perigo – já estavam cambaleando pelos cantos. desembarcando tropas em postos-chave e se espalhando ao máximo.recruta dias antes de ela abandonar a companhia – realizar atos que mais pareciam assassinato do que guerra. nem se esquivar. Chalis identificou um tubo de arrefecimento a gás que passava pelo corredor até o turboelevador. – Agora vamos torcer para que seus engenheiros estejam certos sobre quais peças precisavam. Chalis sorria enquanto Namir os guiava de volta à cápsula. Conforme se aproximavam da parede externa. Namir grunhiu: . mas logo ela corrigiu a mira e a empunhadura. também ouviu os outros esquadrões tentando desesperadamente manter uma rota limpa de fuga. A zona de morte fez bem o seu trabalho. mas perto o bastante para interceptar perseguidores.

– Nós vamos embora agora. Lamber nossas feridas antes do próximo massacre. Zab e Carver – tensos e xingando. Ela olhou séria para ele e balançou a cabeça. era bom ouvir alguém falar as coisas que ele não podia quando rodeado por seus colegas. . A alegria sumiu do rosto de Chalis. Um cruzador imperial da classe gozanti tinha vindo pelo hiperespaço e ajustado curso para a batalha. O cabelo estava colado na testa. Uivo tinha dado cinco minutos para que suas equipes de invasão completassem a evacuação. Novamente. Namir mirou seu fuzil sobre o ombro de Chalis. Chalis riu. e seus turbolasers e torpedos de prótons começariam a reduzir a Trovoada a uma nuvem de metal derretido à deriva no espaço. depois disso. Se virassem as costas para seus inimigos. Ainda assim. Alguém estava dando tiros de raios em algum lugar por perto. – Você ofereceu sua ajuda – disse ele. mas sem reclamar – ordenaram que suas equipes fizessem o impossível. Então deu meia-volta no corredor que levava à sua cápsula de fuga. o cruzador entraria em linha de fogo. Chalis se moveu entre ele e o resto do interior do cargueiro. e Namir viu que ela estava suando. Namir não conseguiu conter o sorriso: – Você é um exemplo mesmo para falar de presunção. Não havia tempo para discutir. Namir ficou sem reação por um momento. Ela foi bem-sucedida. – Essa é a vantagem que você tem comigo a bordo: a Rebelião não terá mais como cantar vitória com suas caras presunçosas e hipócritas. Charmoso. Assim que estivermos livres e longe da Orla Média. Quatro minutos e meio. Fektrin. – Claro. vamos deixar esse fracasso de retirada no passado. Seus amigos sabiam quais eram os riscos. Ajax. mas Namir sabia que metade dos esquadrões de invasão não conseguiriam chegar às cápsulas de fuga a tempo – não enquanto ainda estivessem trocando fogo com as equipes de segurança do cargueiro. As marcas da idade apareceram mais delineadas em suas bochechas. – Cinco minutos – disse ele. e o som não era afetado ou comedido – tinha uma nota de genuíno contentamento que ecoou pelo corredor à medida que fugiam daquele lugar. A explosão de vozes pelo comunicador após a transmissão da Trovoada confirmou as suspeitas de Namir. – Você teve a chance de ir embora e disse que… – Eu disse que queria que essa missão fosse bem-sucedida. seriam mortos. Cinco minutos era mais que o suficiente para Namir e Chalis. Eles mal tinham chegado à cápsula quando um alerta veio da Trovoada: reforços inimigos tinham chegado.

Restando um minuto. Sem mais nem um minuto. as duas naves estavam avariadas pela batalha. Restando quatro minutos. Namir selou a porta da cápsula de Fektrin por dentro e partiu na direção da Trovoada. A Trovoada e a Promessa de Apailana haviam entrado no hiperespaço sob fogo. A governadora falou mais alguma coisa que ele não conseguiu ouvir. Namir localizou o esquadrão de Ajax. – E quanto aos recrutas? – Uivo estava olhando para Namir. Nunca havia amado tanto Charmoso quanto naquele instante. Pelo menos. no pequeno escritório do capitão. é o que basta por agora – disse Uivo. com uma granada na mão. e o colocou entre Namir e Uivo. . Sua expressão não havia mudado. Namir saiu atirando à vontade em uma multidão de stormtroopers até seu fuzil começar a piscar luzes de alerta. um a um. Se Uivo ficara sabendo que Namir tinha chegado em uma cápsula diferente. Eles irão reforçar os números. Os homens de Fektrin estavam sendo dominados. O próprio Ajax morreu gritando obscenidades. examinando cada palavra antes de pronunciá-la. – Oito mortos. Ele o fez sozinho. – Eles terão tempo para treinar na flotilha. – Você sabe onde está a cápsula de fuga – disse Namir. Sairgon parecia feito de granito. Mesmo assim. Namir encontrou o cadáver de Fektrin. Chalis tinha voltado a bordo em segurança com os homens que protegiam sua cápsula. desesperadamente atraindo a atenção deles. enquanto a própria Trovoada fora forçada a selar dois setores devido a brechas em seu casco. mas não substituem Ajax… – Se eles estiverem dispostos a lutar e dispostos a aprender. Com dois minutos restantes. Faltando três minutos. Namir ouviu Charmoso gaguejar no comunicador e declarar que sua equipe tinha chegado à cápsula. empurrando Chalis para o lado e correndo em direção aos esquadrões remanescentes. Ele virou o datapad em suas mãos sem olhar. A pele alienígena já estava fria. os que estiveram lá. Ajax e seus soldados haviam recuado até um canto. Em sua pressa de fugir. – Coyerti os fortaleceu. então o esquadrão de Ajax conseguiu se libertar. Os engenheiros estavam a salvo. Não é um número ruim até você ver quem perdemos – falou lentamente o tenente Sairgon. mas o resto do grupo tinha se espalhado. não mencionou o fato. Namir olhou para Sairgon. a equipe de engenharia jurou que a invasão tinha valido a pena – a rota da Trovoada não poderia mais ser rastreada. Os outros já estão quase prontos. mas ela raramente mudava. Namir percebeu que nunca tinha tocado em Fektrin. Namir se separou do resto do esquadrão de Ajax quando Fektrin anunciou pelo comunicador que sua equipe tinha se dispersado. A Promessa tinha perdido seu gerador de escudo defletor ao bloquear as saraivadas direcionadas à Trovoada. – Vamos parar para fazer os reparos? – perguntou Namir.

Eu ouvi o discurso dela. – Uivo deu um sorriso triste e caloroso. – Eu. – O que isso significa para nós? – Nós – disse Uivo – recebemos um convite para nos dirigirmos à base secreta do Alto Comando. Chalis não sabia que nós já conhecíamos a operação… mesmo assim ela a colocou em sua obra de arte. Teremos um mês para colocar as duas naves em forma novamente e para que os homens possam se recuperar. particularmente. – Muito bem – disse Namir. Duas semanas atrás. Namir não soube o que dizer. para Namir. As luzes superiores diminuíram e uma imagem azul trêmula preencheu a sala – um emaranhado truncado que. – Ela é uma artista e tanto – disse Uivo. Qual é o “não”? – Ah. parecia menos com uma máquina ou um monstro e mais como uma planta flutuante dentro de uma névoa. e não podia vir em melhor hora. Por um lado. Gotículas brilhantes deslizavam por milhares de caules. Soldados designados a novos esquadrões precisariam de tempo para se ajustar. e brotos esféricos inchavam e contraíam. não soube processar tudo isso. junto com uma escolta. Namir acenou lentamente com a cabeça. de repente. Mas um mês à deriva no espaço não seria muito bom para a cabeça. mas perder Chalis? Já não era sem tempo. lacerações. Corellia. com os olhos arregalados ao sorrir. todas as fábricas. Uivo curvou a cabeça e virou de frente para seu holoprojetor. se sentiram cansados. distensões – que tinham sido ignoradas desde antes de Haidoral. – Você faz parte da escolta. Foi assim que o Império conseguiu aumentar sua produção de armas de raios durante o ano passado. – Parabéns – disse ele. Seus músculos. Ele tocou um botão. Mandalore –. todos os neurônios de seu cérebro. Ele não ficaria surpreso se até os droides começassem a dar tiros nas paredes para afugentar o tédio. um mês de descanso e treinamento leve seria bom para a companhia. O Alto Comando da Aliança vai enviar novas ordens para toda a frota ao fim do prazo. mas já confirmei partes com o Alto Comando. Com um gesto da cabeça de Uivo. deixaremos a Companhia do Crepúsculo para discutirmos a próxima fase da guerra. Ele tinha uma lista de tropas com ferimentos menores – queimaduras. Namir localizava nomes de sistemas solares que ele reconhecia – Coruscant. mas ele não compreendia o que aquilo significava. a imagem toda girou e centenas de rótulos se posicionaram. que fez Namir querer bater nele. . Sairgon foi quem explicou: – A Trovoada e a Promessa se encontrarão com outros três grupos de batalha no espaço profundo. Enquanto a Trovoada é reparada. – Sim e não – disse Uivo. Chalis e eu. A partida de Uivo geraria algumas reclamações na hierarquia. como se ele estivesse de pé há horas. Aqui e ali. Uivo inclinou-se sobre a mesa. por ordem direta da princesa Leia. – Eu já lhe disse que a governadora Chalis vem trabalhando em um esquema… – … dos mecanismos de funcionamento do Império – Namir o cortou. – Isso parece um “sim”. nossos espiões descobriram uma operação de mineração de gás tibanna na região do Olho Pantrosiano. – Então é útil – disse Namir. – Todas as rotas de comércio.

e ele controlou-se para não dar uma risada irônica. e ele a carregava como um amuleto. Chalis atraía má sorte. afinal de contas. pensou Namir. “É claro que eu faço”. .

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Ele parava periodicamente para olhar um stormtrooper dos pés à cabeça: para examinar a vestimenta em busca de arranhões ou manchas. na pior das hipóteses. Esse era um dos motivos por que Thara amava a legião dos stormtroopers. no entanto. – E se a Rebelião vier a Sullust. Ele se afastou das fileiras e tomou a frente da pequena sala de reunião. “Foque no tenente”. Raiva e vergonha ferviam em suas entranhas por horas depois da repreensão. Luzes refletiram no espaço vazio. e rostos humanos e sullustanos começaram a circular. teremos falhado em nosso . ela disse a si mesma. ela detestava inspeções. e estimamos que 80% de seus membros estejam sob custódia. “Ele dirá tudo o que você precisa. ganhando mais dinheiro que ela poderia imaginar em qualquer outro lugar. Alguns trabalhadores descontentes portando bombas caseiras não deveriam ser uma ameaça às fábricas. quando ela não era nada além de Thara Nyende –. Se o tenente chamasse sua atenção. C A P Í T U L O 9 P LANETA SULLUST 15 DIAS ANTES DO PLANO K10 SP-475 ficou firmemente parada em sua armadura branca. E no dia seguinte. SP-475 resistiu à ânsia de puxar os dados da Frente Cobalto no display de seu capacete. era porque você tinha feito algo que colocaria você e seus camaradas em risco. – É fácil rir. – Mas observamos indicativos alarmantes de que a Frente Cobalto está tentando cultivar laços com a Aliança Rebelde – continuou o tenente. chamar a atenção de um trooper por negligência. ajudando sua mãe. Então você corrigia o erro. ela gradualmente percebeu que as vestimentas sem rosto e as designações alfanuméricas asseguravam que ninguém fosse considerado especial. ou. – O comando enviou um alerta sobre a Frente de Reforma dos Trabalhadores de Cobalto – dizia o tenente. ela levava para o lado pessoal. catalogar o equipamento do soldado e seus periféricos. Eles mal foram capazes de organizar um protesto. a Pinyumb ou a Sullust.” O tenente acenou para um droide. observando o tenente andar para frente e para trás. Ela se juntara a eles com a intenção de servir apenas por um período. primos e tio antes de voltar à vida civil. tudo já teria sido esquecido. Toda vez que era repreendida por erros. Quando SP-475 começara como cadete – há cerca de um ano. que operou obedientemente os controles do holopainel no centro da sala. Agora ela podia se ver permanecendo ali para sempre. eu sei. não era pessoal. Conforme as semanas se passaram.

passando pelas guarnições e pela defesa aérea. Nien Nunb. mais experientes. bloqueando ruas e conduzindo buscas aleatórias em civis. O inimigo atacou. tinham isolado a instalação. Apesar das inúmeras medidas de segurança – desde pontos de controle mantidos por stormtroopers. Seria necessária apenas uma pessoa. SP-475 passara o dia fechando Pinyumb. até que essa pessoa fosse identificada. Havia linhas de bonde e elevadores industriais sibilantes que percorriam o caminho da cidade ao monte. Era uma autoridade de que ela esperava não precisar. Meia hora depois de ter começado. A cidade-caverna de Pinyumb se escondia debaixo da superfície desolada de Sullust. Outras equipes. SP-475 tinha que presumir o pior. Memorizem os nomes no display. – A situação mudou. Os stormtroopers eram muito disciplinados para quebrar a hierarquia. chegando até a fábrica de processamento que coroava a montanha. Mas. Essa era a parte do trabalho que SP-475 odiava. Seria necessário apenas que uma pessoa enchesse um dos tubos com trapos ensopados em um coquetel químico para fazer com que os extratores paralisassem e os separadores magnéticos mergulhassem em um fluxo de magma. Eles podem estar contrabandeando armas e equipamentos para uma grande revolução. trabalhar em seus mecanismos para retirar magma do coração da montanha. peneirar e purificar rocha derretida para extrair metais preciosos que melhorariam a frota imperial. Mas. Ela olhou para os hologramas. como um só. desperdiçando tanto o tempo deles como o dos oficiais de interrogação… Ela confiava na legião de stormtroopers. São possíveis infiltrados. filtrar. mas SP-475 viu seus camaradas ficarem inquietos. porque eles eram parecidos o suficiente com seus alvos.principal dever: manter a ordem. com a voz fria e os ombros tensos. Ele virou as costas para a tropa e levou a mão ao ouvido. passando pela análise do perfil psicológico dos trabalhadores e até leitores biométricos –. a maquinaria da instalação era inerentemente vulnerável. todos se endireitaram. o tenente ficou de frente para eles novamente e. olhando uns para os outros. O tenente começou a falar mais. tentou fixar as formas dos olhos. na rua. ela seria forçada a tomar decisões – levar homens e mulheres em custódia por horas ou dias. apareceu um aviso em seu display que a autorizava a deter indefinidamente qualquer um que ela julgasse suspeito. – Stormtroopers! – disse ele. Sian Tevv. Ela só ainda não confiava em seu próprio discernimento. Corjentain Malaqua… Esses são rebeldes com laços conhecidos com Sullust. Finalmente. confiava no tenente. no lado sul de Inyusu Tor – um monte vulcânico envolto em obsidiana preta. queixos e orelhas em seu cérebro. mas algo o fez hesitar. . Milhares de habitantes em Pinyumb utilizavam os transportes terrestres e aéreos para ir até a instalação todos os dias. Então os alarmes da guarnição começaram a tocar.

Os velhos contavam com ela. Ela já tinha trabalhado com ele anteriormente. Você não precisa gastar seus últimos créditos com a gente. Ela se perguntou se as buscas eram aleatórias ou se o departamento tinha pistas sobre os terroristas. apenas especiarias. Chegando ao fim de seu turno. Ela queria ir para casa. – Está tudo bem. Desta vez. – Provavelmente não. Não houve outro ataque. – Você acha que o nosso lado matou alguém? Por aqui? Ela não tinha certeza de por que ele estava fazendo aquela pergunta. cercando-os com qualquer outra tropa que tivesse sido designada e fazendo buscas por possíveis itens incriminadores. Thara entregou sua bolsa para ele. SP-156 concordou com a cabeça e mudou a empunhadura do fuzil. mas que ela não tinha autorização para saber. ela foi designada como sentinela em uma estação de bonde. O bastante para algumas detenções. Ela vinha fazendo compras a semana inteira. embora não soubesse seu nome verdadeiro. eu digo. como se esperasse que a bolsa fosse mordê-lo. Quando seu turno finalmente acabou. remédios. confiava nele tanto quanto em qualquer outro colega. Qualquer um que resistisse estaria sujeito à prisão. Thara ficou tensa só de pensar na situação e desejou ter planejado melhor aquilo. – Você acha que alguém morreu? – ele perguntou. Moradores que cooperassem poderiam observar. holovídeos do mercado negro e panfletos da Frente Cobalto. ela começou a receber mandados de busca e apreensão do Departamento de Segurança. um aquecedor portátil e roupas limpas. Mais cedo naquela tarde. SP-156 tinha sido escalado como seu parceiro. acumulando-as em seu armário. e os trajes gravavam tudo. e ela esperava desaparecer em suas roupas civis e nas ruas de Pinyumb. Parecia que sua armadura era a única coisa que ainda a mantinha de pé. Ele tomou-a das mãos dela. Então ela se arrastou até a cantina e tirou os pensamentos do dia da cabeça. Mas ela tinha prometido ao tio outra entrega de alimentos. ainda pedindo desculpas. Thara. Havia uma multidão lá dentro. A cada aviso que chegava. Thara estava exausta. guardando uma pequena distância. cair na cama e adormecer sem comer ou tomar banho. SP-475 não chegou a encontrar nenhuma arma ou bomba. Ela ficou surpresa até se lembrar das buscas nas residências. Os trabalhadores estavam bebendo noite adentro porque não tinham para onde ir até que o Departamento de Segurança autorizasse o retorno deles. Conversas desnecessárias eram contra as regras enquanto em serviço. SP-475 contraiu o rosto por dentro do capacete. O sorriso dele era constrangido. Ela disse isso ao tio e ele a interrompeu. ela deveria ter levado mais comida. pareceu mais seguro permanecer em silêncio. casas de banho ou mercados. sabão e luxos simples. Ela arriscou uma resposta rápida mesmo assim e torceu para que os monitores fossem tolerantes. – Não no relatório – disse ela. Ela percebeu que os velhos a . lotando as mesas levemente iluminadas e derramando coisas no chão. ela tinha que adentrar complexos residenciais. – Na instalação.

apoiada sobre uma mesa no canto. Ela até poderia conviver com o fato de que os trabalhadores agora a odiavam – por nenhum motivo real. e ela não estava mais de serviço. Não havia nada que ela pudesse fazer. Mas se alguém mais estava dando suprimentos aos trabalhadores de Pinyumb – alguém com dinheiro e recursos que os velhos não tinham –. Seus olhos saltaram ao ver na multidão mãos cinzas sullustanas deslizarem discretamente debaixo das mesas. ela sabia – ainda não. até que ele recordou ainda estar segurando a bolsa de Thara. Mas passara as últimas doze horas analisando rostos de espiões e procurando facas e armas de raios escondidas. então era uma coisa que ela não poderia ignorar para sempre. Thara estava tremendo quando chegou à saída e caminhou pelas pedras de volta à caverna. começou a estender o braço na direção dela. Viu um garoto humano andar para trás de uma mulher grande. ajudar a família. Ela compreendia. . escondendo curativos novos em seu bíceps. Seu tio concordou com cabeça. – Eu vou nessa – disse ela. Eles estavam com medo. Ela não teve a intenção de escanear o lugar com os olhos ao caminhar de volta à porta.estavam observando de novo. mas ela podia assumir a culpa e. segurando pacotes prateados de ração. Nada daquilo era prova. Ela viu uma bolsa de lona vazia. na verdade. ainda assim.

pronto para ser jogado fora ou reciclado. cheirando a graxa e suor. isso acontecia porque a Crepúsculo era uma unidade de infantaria móvel e os mortos eram decididamente imóveis. já era. companheiros de esquadrão e. – Casca-grossa. Ela levantou um energipente de arma de raios com a mão trêmula. Não era um lugar para luto sombrio ou privado – era um lugar para distração. e a tradição da Crepúsculo garantia que o tributo de ninguém tivesse mais que algumas palavras. em casos raros. não havia corpos envolvidos num funeral da Companhia do Crepúsculo. um discurso e. Sofrido até o fim – disse ela. ele o substituiu em um pequeno estojo metálico e Tique recuou na direção da multidão. Normalmente. Não foi uma cerimônia longa. – Sargento Maximian Ajax – proclamou Hober. Na morte. espremidos entre os speeders e as naves de desembarque. a Crepúsculo tinha desenvolvido suas próprias tradições com o passar dos anos para saudar a queda de um camarada. e os funerais improvisados terminavam quase sempre em briga. O Clube sempre ficava lotado depois de um funeral. curta e grossa. Estava enferrujado e amassado. Os jogos de cartas tinham apostas maiores e as bebidas de contrabando eram mais abundantes. o intendente Hober ficou de pé na ala de veículos da Trovoada lendo os nomes de todos os homens e mulheres abatidos. inseriu-o na estação de carga veicular e drenou suas últimas faíscas. ouvindo a voz de Hober sendo transmitida pela nave. C A P Í T U L O 10 3 ANOS-LUZ DE DIST ÂNCIA DA HIP ERLINHA DA ROTA DE COMÉRCIO CORELLIANA 14 DIAS ANTES DO PLANO K10 Muito frequentemente. pesados demais para serem carregados enquanto se está avançando ou recuando. Feito isso. Os mais próximos das vítimas – amigos. então. todos os soldados eram iguais. Não importava se você tivesse sido um amado veterano ou um recruta – você tinha direito a um amigo. Hober tomou-o solenemente. Outros esperavam do lado de fora. Para reconhecer os oito mortos na invasão ao cargueiro. Tique abriu caminho com os cotovelos para ir até a frente e ficar diante de Hober. . era porque não havia corpos a serem encontrados – acidentes aéreos e desintegração causavam esse efeito. amantes – ficavam observando. Às vezes. Portanto.

com a voz conciliatória e meditativa –. O sorriso forçado de Namir estava se tornando uma careta. Gadren. ou Cappandar. mas quem aqui nunca se sentiu inspirado por um dos grandes heróis da Rebelião? Ou. A voz dela estava ainda mais baixa que o normal. É claro. haveria um lugar para Uivo. – Eu a vi num holovídeo pirateado uma vez. o tom da reunião começou a mudar conforme as . no entanto. Namir não conseguia partilhar de tal esperança. Há camaradas piores para se ter. Aqueles eram soldados que há pouco tinham visto seus amigos morrerem. sorrindo. Maediyu passou a Namir uma garrafa de alguma coisa forte – ela vinha sendo estranhamente solícita com ele desde que a salvara de morrer queimada na entrada da câmara de ar de Chalis – e isso o ajudou a aguentar o resto da noite. e Roja é… Roja. pedindo silêncio. Brand balançou a cabeça. – Beak é um bom soldado – disse Gadren –. Chalis. Mesmo assim. eu. fez um gesto brusco. mas não queria entristecer ainda mais o humor de seus camaradas – não quando todas as conversas na sala voltavam-se para Fektrin. Namir tinha sua própria necessidade de distração. Mas estou… muito velho para ídolos. – Foi só uma pergunta – murmurou Peste. e contavam a ele boatos de uma fortaleza em um asteroide ou uma cidade debaixo da água antes de oferecer suas esperanças para o futuro. mas manteve o sorriso. Se a governadora Chalis puder fornecer meios para mudar o curso dessa guerra… Esse foi o padrão de conversa da noite. Brand olhou na direção dele e ofereceu o que parecia ser um olhar de compaixão. – Uivo. Homens que ele mal conhecia especulavam a respeito da localização da base. Deseje-me sorte na viagem em nave auxiliar. – Amanhã de manhã – disse. Ele sentou-se com seu esquadrão e forçou um sorriso sarcástico quando Peste perguntou quando ele iria partir. eles viam o comando da Aliança como inspiração. se não da Rebelião. – Gostaria de ter sido… – Ele gaguejou as palavras. – Vocês zombam – disse ele –. ele estava sendo separado da Companhia quando seus soldados mais precisavam dele. heróis de tempos passados? Charmoso curvou-se. que passaram os últimos meses perdendo cada pedaço de território que conquistaram. Charmoso riu. Na base rebelde. – Você vai conhecer a princesa? – perguntou Peste. os soldados da Crepúsculo se despediram de Namir. Já passada a meia-noite. Namir torceu o nariz. sou apenas grato por a Aliança ver um futuro. – … bom o bastante para explodir uma Estrela da Morte quando eu era jovem. um lugar para Chalis – talvez até para Roja e Beak –. pessoas que se sacrificaram para manter a segurança da Crepúsculo. – Não é com eles que estou preocupado. mas não para Namir. mesmo que eu não possa. desejaram-lhe boa viagem e perguntaram o que ele esperava encontrar no quartel-general rebelde. Um por um. É claro. – Quanto a mim – disse Gadren. eles queriam ter esperança. ou Ajax. Roja e Beak. mas o Clube não a oferecia. Namir sentiu o desespero por trás das perguntas.

– Em caso de emergência – disse ela. e os suprimentos seriam limitados na nave auxiliar até a base rebelde. não tão cedo. Você sabe disso. Quando entrou no refeitório. – Quando eu tiver partido. Brand enfiou a mão no bolso e tirou um pequeno retângulo de metal sob a luz tênue do Clube. Ele assentiu. Namir se viu sentado num canto com Brand. não é? – perguntou Namir. . logo ela. Pela primeira vez. ele a pegou sorrindo. sem olhar para Namir quando ele entrou. Namir pensou em algum argumento antes que ela o interrompesse com um: – Eu vou tentar. comedida e calma. Não seja tolo. – Tome conta deles – murmurou novamente. – Você pode – disse Namir. mas não esperava que fosse o da governadora Chalis. ela saiu do lado de Namir. que ficou curioso. O turno da manhã não tinha nem começado e os corredores da Trovoada estavam quase vazios quando Namir caminhou atordoado até o refeitório. Mesmo quando criança. – Não da maneira que você quer – disse Brand. – É por isso que nos damos bem? – É por eu ser tolerante e você não fazer perguntas idiotas.antigas rusgas entre os mortos eram recontadas. de fato. – Preciso que cuide dessa gente – disse Namir. mas ela estava olhando para ele consternada e disse: – Comporte-se quando estiver lá. com a voz arrastada de exaustão. o surpreendeu. Sem dizer mais nada. Ver Peste. Peste era uma brigona. calado e intenso. Ela não olhou para ele ao falar. Comer era outra coisa que ele tinha aprendido a fazer apesar das circunstâncias. Você tem um juízo que eles não têm. Ou algo perto o bastante de um sorriso. Normalmente. Ver Tique começar uma briga não surpreendeu Namir. – Nunca confiei – disse Brand. – Você não confia muito em mim. Ela hesitou. – Não posso prometer isso. depois que o Clube ficou quase vazio. Quando Tique começou a gaguejar e alguém culpou Ajax pela morte de Fektrin. Há coisas mais importantes que sobreviver. não ficou chocado por ver outro rosto humano. bebericando de uma tigela de metal que exalava vapores. ela deu o primeiro soco do dia. segurar Tique e acalmá-la. Ele não lembrava quando ela havia se juntado a ele ali. Namir dormiu uma hora naquela noite antes de acordar e juntar suas coisas no escuro do alojamento. Ela o entregou a Namir. Depois da briga. – Perdi todo meu juízo quando conheci Uivo. mas talvez não devesse. Um datachip. ele havia aprendido a dormir independentemente do local ou do estado mental – embora sono nunca garantisse descanso. Ela estava sentada a uma mesa.

Ele expirou por entre os dentes e se endireitou no banco da mesa. até que Chalis voltou a falar: – Não foi minha ideia. – Onde. Chalis levantou-se de sua mesa e levou a tigela até a pia de lavar louças. terrível. meio que tossiu com o purê na boca. Mas também não contei ao capitão que você me abandonou no cargueiro. Mas também não precisa ficar guardando ressentimentos. Isso não me beneficia. Eles comeram em silêncio por um tempo. mas é melhor do que o que você pegou. – Nas palavras do capitão Evon: “Que mal ela pode fazer?”. nem de outro. Namir não tirou os olhos da comida. – Além disso. – Onde você estaria se não fosse pelo apoio dele? – perguntou ele. Chalis olhou para sua tigela e sorriu. – Escutado o quê? – ele perguntou. – Essa pasta que você está comendo é um desastre. ele se sentou em uma mesa adjacente à de Chalis e começou a comer. Era melhor ter pegado as sementes e as ensopado em água quente até que inflassem. Chalis deu de ombros. então fez um gesto circular. mas não pôde deixar de acompanhar os passos dela com sua visão periférica. – Não era para você estar sob vigia? – perguntou Namir. – Assim que você estiver seguramente distante da Crepúsculo? Eu não pretendo pensar em você nem de um jeito. Quando ele encheu uma bandeja com os restos que o droide podia oferecer – as carnes e os vegetais frescos que haviam sido roubados de Haidoral Prime há muito já tinham acabado. Aquela ideia não tinha passado pela cabeça de Namir. faz os suprimentos durarem por mais tempo. Ele não pôde sequer dar uma colherada antes de ouvi-la dizer: – Você não deveria ter escutado. Chalis deu outro longo gole de sua tigela. como prometido. . Ele não estava a fim de conversar mesmo. Ela andou até sua mesa e sentou-se à frente dele. Leva um tempo para se acostumar com o gosto. – Eu acho – ela disse – que seu capitão acredita que você possa aprender alguma coisa com essa viagem. já que isso parece ser um problema para vocês. Você já fez seu estrago – retrucou. obrigando Namir a comer um desjejum formado por um purê de grãos boiando em temperos artificiais e uma bebida vitamínica com a textura e o gosto de cascalho –. – Ela olhou na direção da cozinha. Namir grunhiu e engoliu uma colher da gororoba. de fato? – retorquiu Chalis. – Eu deveria estar grato? – Não. sabia… levar você nessa viagem. – O droide – disse ela. O purê caía pesado em seu estômago. – Partimos para a base em três horas – disse ela. Namir meio que riu. Era. Talvez você volte inspirado. O silêncio se estendeu por mais tempo dessa vez. Mas ele continuou comendo. Ele quer que você veja a Rebelião em sua melhor forma. Namir não se importou.

– Aqui estou eu agora. o sotaque tinha se ido: – Você é de Khuteb? Promencius Quatro? Um daqueles velhos fins de mundo coloniais tioneses. acentuado por um balançar de mão na direção da bandeja de Namir – e abrigo. haviam relaxado e formavam um arco. quando falou novamente. mas você é tão grato pelos restos que lhe deram que agora parou de lutar por algo melhor. – Então você provavelmente nunca tinha visto uma estação sanitária funcionando até ter mais ou menos uns dez anos. sargento. Estou chegando perto até agora? – Essa é a sua definição de conselho? Chalis riu. os ombros. ficando mais aguda e perdendo aquela eloquência estranha e artificial. – Não me desmereça. mas havia um arrastado sutil nas vogais alongadas. Desta vez. lhe dá comida – havia escárnio em sua voz ao dizer tal palavra. – Muito bem – disse Chalis. sem se abalar. Chalis deu de ombros e. Naturalmente. eu tinha conforto. eu tinha tempo para esculpir. É tudo muito bom. ele percebeu o sotaque dela mudando outra vez – não para imitar algo que ele reconhecesse. mas já era uma melhora. você jura obediência a seus salvadores. – Você sabe o resto – disse ela. ele sentia que a governadora não estava tentando manipulá-lo. . – Não vou dizer que esse tem sido um ano exemplar na minha vida. A postura dela também tinha mudado. Se Vader não estivesse esperando por uma desculpa para me executar… Enquanto Namir ouvia. não foram as palavras que chamaram a atenção de Namir. Daí a Rebelião vem e levanta seu ego. Pela primeira vez. eu imagino. Assumiu um novo sotaque – não exatamente estrangeiro e não exatamente familiar – que resgatou memórias de um mundo que Namir não via há anos. que assim seja. como viver em uma câmara de ar? Chalis deu de ombros novamente. A voz dela havia mudado ao falar. como ser governadora? Ou melhor. Mesmo Haidoral foi uma punição. a cabeça e as mãos moviam-se mais informalmente. normalmente elevados. – Um daqueles – disse Namir. Chalis continuou: – Meu ponto é: você sobreviveu e saiu de um buraco do qual a maioria das pessoas jamais escapa. sargento. – Vou lhe dar um conselho. Eu tinha respeito. Namir aguardou. porque você tem sido útil para mim e acho que você precisa. mas não foi tão ruim. Nada demais. e se eu tiver que destituir o Império para ter minha vida de volta. quase baixo demais para ser ouvido. – Melhor. É tudo o que eu sempre quis. – É isso o que você planeja dizer ao Alto Comando da Aliança? Chalis torceu o nariz. Vamos chegar lá. embora não consiga distinguir o dialeto. Você pode ouvir ou não.

– Ela se levantou do banco e bateu os dedos sobre a mesa antes de caminhar na direção da porta do refeitório. Observando-a. Ele faria suas rondas e verificaria suas tropas mais uma vez antes de deixar a Trovoada. Isso não tornava a governadora menos deplorável. como aquela era a primeira conversa que ele tinha em muito tempo com alguém que não via a galáxia como um campo de batalha ideológico. e eu vou dizer isso a eles. – Você está mentindo – ele disse. eu pertenço à Aliança. Chalis não parecia ofendida. com um sorriso exasperado no rosto. – Você precisava da Crepúsculo para escapar de Haidoral. – Eles acreditam que o Império está esmagando cada vez mais seus cidadãos para o benefício de uma diminuta elite. e eu tenho os números para provar. perto da filosofia tortuosa de Uivo e da dedicação zelosa de Gadren. “Você estará de volta em breve. energizada. Você está presa com a Rebelião desde então. Isso se chama diplomacia. ela estava a divertir-se consigo mesma. mas. – Sobre o quê? – Destituir o Império – disse Namir. – A ironia é: eu não acho que eles estejam errados no geral. não apenas ela não estava o manipulando. tentou esquecer as despedidas que deu a seus colegas no Clube. Então ela se foi. Algo a conquistar. Onde a Rebelião se engana é quando pensa que essa tendência nunca vai diminuir ou parar. – Ela fez uma pausa. – O Conselho Executivo não precisa de stormtroopers tomando conta de cada fazenda. Ele tentou afugentar a conversa de sua mente. e Namir ficou sozinho no refeitório. A sensação de conforto se dissipou. Peças de um quebra-cabeças se encaixaram em sua mente e ele riu novamente. Ou talvez não. retirando a liberdade e o conforto das massas para alimentar o apetite insaciável do imperador e do Conselho Executivo. disse a si mesmo. Namir percebeu que. – Mas nesse meio tempo. mas você a abandonará na primeira oportunidade que surgir. parecia confortavelmente sincera. “Não pense na base rebelde”.” . Chegará um certo ponto em que até Palpatine olhará para o Império e dirá: “Agora está bom”. – Possivelmente – disse Chalis. apoiando casualmente um cotovelo sobre a mesa. – Eles estão tão convencidos de sua retidão que não veem quão impraticável realmente é esse cenário sombrio – disse ela. Agora. Isso é verdade. ou de cada planeta habitável convertido em um mundo cheio de fábricas. – Ela curvou-se à frente. Chalis balançou a cabeça e suspirou. – E pelo menos eu tenho uma meta. Que o fim inevitável é – sua voz assumiu um tom de falsa solenidade – a desolação e a falta de esperança para todos os seres vivos… tirando o próprio imperador. – Por favor… Há coisas que eles precisam que eu fale sobre “opressão imperial”.

com o passar dos dias. Quando perguntava sobre o filho do tenente Kourterel. ele percorreu toda a extensão de um quilômetro da embarcação. Ele lia seus arquivos pessoais à noite e fazia anotações para revisar posteriormente. Para tropas lutando para se adaptar às responsabilidades. Em uma tripulação jovem. ele determinou. . recaía inteiramente sobre o prelado Verge.. mas havia pouca coisa que Tabor podia fazer. C A P Í T U L O 11 SET OR METAT ESSU 13 DIAS ANTES DO PLANO K10 O capitão Tabor Seitaron tinha passado a maior parte do mês a bordo da Arauto. Isso poderia destruir qualquer soldado. por fim. sem qualquer meio-termo. Suas primeiras impressões. foi uma tripulação obediente que tinha perdido seu rumo. Uma vez por semana. mas era brilhante e incrivelmente carismático à sua maneira. tinha sido injustas. e sua sinceridade era clara. até se juntava a eles no refeitório e discutia trivialidades – suas famílias. mais bem tratadas por meio de estrutura e disciplina. e lhe faltava experiência militar. Ele nem ignorava. turnos menores e mais frequentes proporcionavam melhor concentração. leais e capazes. comumente. imaginando uma dezena de rotas que os rebeldes de Chalis poderiam ter pegado. Mas Tabor hesitava em implementar mudanças a bordo da Arauto. O que ele descobriu. Em vez disso. e a estrita adesão às regras incentivava aqueles que preferiam não se concentrar. prometia ao homem que um destacamento de stormtroopers ficaria responsável pela proteção de sua família contra os rebeldes de Vanzeist. as doenças da fadiga e do estresse pós-traumático eram. seus planetas natais. mas não sabiam mais em que acreditar. ele agora percebia.. A culpa. com toda a certeza. conhecendo os oficiais da ponte e os especialistas em engenharia. Ele fez questão de conversar a respeito de suas tarefas enquanto realizava suas rondas. com menos de meio ano fora da doca espacial. observando os membros da tripulação do destróier estelar caçarem a governadora Chalis sob a liderança do prelado Verge. nem confiava cegamente nas avaliações do prelado sobre suas tropas – avaliações que tendiam ao endeusamento ou ao desespero. Ele vira muitos comandantes interromperem o funcionamento de sua tripulação por pouco. de bombordo a estibordo. Quando se punha diante do display no centro tático. O garoto era servil e idólatra ao imperador. Tabor também não tinha julgado Verge corretamente. ele analisava e dispensava cenários tão rapidamente que Tabor conseguia apenas concordar e fingir que tinha acompanhado a lógica. Eram bons homens e mulheres.

voltará ao serviço como um homem castigado. enquanto um par de stormtroopers conduzia o oficial em questão para o centro da doca. Tabor ficou surpreso em ver um olhar não de pânico. no baile de gala improvisado do prelado. Um homem melhor. com uma ponta dançando e faiscando com eletricidade. ficara sabendo a respeito de uma falha de um oficial em relatar informações vitais a tempo. Então Verge deixou o baile. dispostos a comer e dançar diante do pedido do prelado. ele procurava se relacionar melhor com as tropas e aprimorar seus equipamentos para . ele mesmo já infligira piores. Ele já tinha visto coisas muito piores que os castigos impostos do prelado. ele explicou. Mas sua saúde mental ainda era tão boa quanto antes. Todas as noites após aquele baile. Os convidados – uma mistura de determinados membros da tripulação que. Passada uma hora. ainda acordava todas as manhãs dolorido e tenso. Tabor aprendera isso durante sua sexta noite a bordo da Arauto. ele ordenava que um engenheiro tivesse sua patente retirada por falhas em um droide avariado. e não pode ser perdoado. mecanicamente. ele colocou a fé em seu julgamento acima de seus superiores. Um dos stormtroopers apresentou um fino cilindro metálico. Músicos holográficos tocavam hinos neoclássicos à Nova Ordem e droides astromec serviam canapés vindos da cozinha dos oficiais. Ele já tinha perdido a seleção de chás oferecida pela Academia Carida e se viu aumentando o tamanho da fonte nos datapads entregues a ele por oficiais mais jovens. as idiossincrasias de Verge contrabalanceavam a natureza refinada do garoto. A constituição de Tabor sofria com a idade. até onde Tabor podia identificar. Mais cedo naquele dia. – Ele temeu me acordar durante a noite – disse Verge –. foram escolhidos aleatoriamente – pareciam bastante entusiasmados. a cada dia. mas ao deixar de trazê-la à minha apreciação. Isso não pode ser aceito. O evento tinha deixado Tabor desconcertado desde o início. o desejo de Tabor de voltar pra casa ficava cada vez mais forte. mas de desespero no rosto do oficial. – Sua falta de confiança na informação era compreensível – disse Verge –. se transformou em um bastão. duvidando que a informação (de que a governadora Chalis e seus rebeldes haviam sido avistados no planeta Coyerti) fosse precisa. Verge acenou e o cilindro. Ainda assim. Verge continuou falando. Mas como a tripulação poderia funcionar quando seu comandante agia de forma imprevisível? Em um momento. O prelado havia mandado que uma doca fosse convertida em um salão de festas. E Tabor dormiu pessimamente naquela noite. Verge citava o imperador a uma plateia encantada a bordo da ponte. mais de uma vez. – Se ele sobreviver. Os convidados fizeram o que era esperado que eles fizessem. no outro. – Decidi conceder a todos vocês o privilégio de realizar uma punição administrativa – disse Verge. Verge resolveu proclamar o propósito do baile. E assim. Mesmo depois de se ajustar à gravidade do destróier estelar.

e prever qual Chalis iria atacar – se eles. tentando mostrar por sua expressão que ele estava exalando frustração. ou pelo menos uma flotilha equipada para o serviço. Quanto antes a missão fosse concluída. – De acordo – disse Verge. não querendo culpar alguém. Verge incentivou Tabor a supervisionar a equipe de cientistas dedicada à análise do rastro. Aquele era o erro que crianças cometiam. Mas havia dezenas de naves aliadas no setor. – Verdade – disse ele. “Foco. Eles vão querer parar para fazer reparos. Tabor fez um gesto de dispensa. teria sido praticamente impossível. Algumas naves imperiais foram colocadas em posição para interceptar Chalis rapidamente. a própria Arauto poderia chegar até Chalis. – Chalis. Mais uma vez. A conversa logo foi da ponte para o centro tático. certo? A ira de Tabor se esvaiu. sem deixar-se afetar por ela. Verge providenciava todo o apoio solicitado por Tabor: quando Tabor pediu permissão para designar meia dúzia de oficiais para colaborar com embarcações imperiais no setor Metatessu. soubessem que ela iria tentar esconder seu rastro –. como se apenas querer fosse o suficiente. olhando furiosamente para os oficiais de ligação na ponte. Estava muito ansioso para terminar o trabalho e voltar para casa. ele havia julgado mal Verge. Um dos oficiais de ligação estava gaguejando um pedido de desculpas. – Isso significa que será necessário algum tipo de base. certamente. mais rápido ele poderia voltar à sua rotina familiar. ao menos. não tinha como escapar. Verge autorizou. Verge estava sorrindo quando virou. como se estivesse se divertindo com a ironia do destino. – Um de nossos cargueiros! Era um alvo óbvio. Deveríamos ter nos preparado! Tabor contraiu ao som da própria voz. – Aquele rastro foi um golpe de sorte. solicitando dados e relatórios de outras naves no setor enquanto Tabor olhava gráficos com Verge e . Tabor. Nos dias seguintes. Ele parecia quase empolgado. Dentro de poucos dias. olhando para as estrelas. A tripulação já tinha tido sua cota de culpa. – Tivemos sorte – disse o garoto. mas enquanto ela deixasse um rastro. Tabor caminhou a passos largos pelos postos de serviço. O prelado estava de pé na escotilha da ponte. mas certamente guerras não são vencidas por sorte. Ainda assim.” – A nave rebelde – disse Tabor – sofreu danos consideráveis na semana passada. – E agora. Então chegou a notícia da invasão. tirará vantagem disso. Ele amassou o relatório com uma mão.a caçada à governadora Chalis. então? – perguntou Verge. Um grupo dos oficiais favoritos de Tabor se juntou a ele. Tabor estava convencido de que o sucesso estava próximo. imaginando como o garoto reagiria. Quando eles souberam que a nave de Chalis estava deixando um rastro de uma partícula sutil.

– Ele virou e abriu os braços. Quantas outras naves rebeldes conseguiriam escapar de um confronto nesse setor depois de sofrer danos.se esforçava para pensar em qualquer coisa que pudesse ser útil para a captura de Chalis. Alguns estavam transparentemente nervosos. e não podemos localizar a base diretamente – disse Tabor. – Essa é a sua caçada. Tabor sorriu com uma satisfação sombria e apontou para Verge. – Estamos fazendo a abordagem errada – finalmente disse Tabor. era progresso somente no sentido mais técnico. eles limitaram a área que a governadora poderia alcançar. Rapidamente surgiram designações oficiais de naves rebeldes – tranquilamente. – De todos nós! – ele gritou e riu. Uma lista apareceu no display principal. Verge afastou-se do console e tocou o ombro de Tabor. Evidentemente. – Se há uma base a ser encontrada por intermédio de pura teoria militar. alguém na Inteligência já a teria encontrado. mas não tinham mais informações. – Já descartamos encontrar a nave. digamos. – Mas nossas forças acabaram de perseguir metade da Aliança para fora da Orla Média. Depois de uma hora. outros aparentemente sinceros. na última semana? Quantas outras precisariam de reparos também? Os oficiais começaram a murmurar em seus comunicadores e digitar em seus consoles. Os olhos de Verge estavam fechados ao encostar num console. Tabor os observou e pensou: “O que acontecerá com eles quando essa caçada acabar?” . entendera a intenção de Tabor. Onde isso nos deixa? – Não podemos encontrar a nave dela. Os homens riram com Verge. – Essa é a nossa caçada. orgulhosos por compartilhar aquele momento com seu comandante. englobando o resto dos oficiais. várias dezenas.

” . para malhar até a exaustão. pensou Namir. mas sem maiores contratempos. com jaquetas de capuz pesadamente revestidas. os viajantes não sabiam se tinham encontrado seu destino ou se era apenas mais uma mensagem cifrada. Depois da rampa. Uivo encontrou em Beak um parceiro para jogar holoxadrez. Namir olhou para ela e viu seu cabelo preto pulverizado com flocos pálidos. eles não estão acomodados. pronto para compartilhar com os desavisados anedotas de seu tempo como estivador. – Retiro minha deserção. O próprio Uivo não sabia a localização secreta da base rebelde – em vez disso. e Namir pediu. “Pelo menos. Namir tentou se ocupar ao transformar a sala de engenharia em uma sala de exercícios. Partículas de gelo dançavam na ponta da rampa. Todos estavam vestidos apropriadamente para o clima. derretendo lentamente após o contato com o metal. A jornada tinha sido dolorosamente longa. Roja foi o mais conversador do grupo. uns 6 metros depois da passarela do hangar. Darth Vader pode me levar – murmurou Chalis. Suas mãos estavam juntas nas costas. Essas rotas levaram a nave auxiliar para os confins da Orla Exterior e espiralaram no setor Anoat. onde Namir a mantinha com algemas de atordoamento – uma condição do Alto Comando da Aliança. Quando Uivo ajustou o curso para o sistema Hoth. e neve – neve branca de verdade. No fim. “Ótimo”. Roja e Beak. C A P Í T U L O 12 P LANETA HOT H 11 DIAS ANTES DO PLANO K10 Namir não estava vestido para o frio. que eles colocassem no mudo suas peças do jogo de batalhas. desceram a rampa até a Base Echo. Ele não esperava que a embarcação fosse mais confortável que a base secreta da Rebelião. via mensagens codificadas da Aliança. mas agora ele estava começando a duvidar disso. ele já estava mais que pronto para sair da nave. uma após a outra. Junto com o capitão. ele programou a nave auxiliar para seguir as rotas fornecidas. no segundo dia. do tipo que Namir tinha visto apenas duas vezes na vida – cobria a passarela até o hangar. um pequeno grupo de rebeles estava à espera dos passageiros da nave auxiliar. Chalis passou o tempo lendo clássicos de ficção da biblioteca de dados de Uivo e refinando o esquema holográfico. Três deles portavam fuzis de raios carregados. e ele se arrependeu de sua escolha de indumentária assim que a rampa baixou e uma onda gélida invadiu a nave auxiliar.

O homem se apresentou como sendo Philap Bygar. levantando os punhos algemados atrás das costas. A expressão de Uivo era sombria. Sob tais circunstâncias. – Agora vamos aquecê-los e. Ele já estava sentindo falta da nave auxiliar. Isso. Roja e Beak ficaram parados. – Não deixe que nossos cuidados a convençam do contrário. Bygar afastou-se e olhou para o grupo. depois. mas há formas de tornar sua estadia agradável. mas nada agradável de se merecer. Insígnias genuínas. e ele acenava desajeitadamente enquanto Bygar terminava seu discurso. com os braços pressionados ao lado do corpo. e morrendo de saudade da Trovoada. – Eu o cumprimentaria – disse Chalis –. mas não quero que as coisas fiquem estranhas entre nós. e apertou a mão de cada emissário da Crepúsculo. com os olhos focados no general. que portava uma insígnia de general rebelde. Uivo deu um sorriso sem graça. conforme Uivo os apresentava por nome e patente. O general Bygar acenou lentamente e levantou a mão em sinal de saudação. em parte. Namir sentia seus dedos adormecerem enquanto o homem falava. juntamente com uma estadia o mais curta possível. – A Aliança Rebelde acredita na redenção. Ninguém merece ser mandado para Praktin ou Blacktar Cyst. quando a recompensa são missões ainda piores. Chalis interceptou o olhar de Namir enquanto ele analisava seus colegas e sorria. era o máximo que ele poderia esperar. – Uma artista extraordinária e graciosa convidada da 61ª Infantaria Móvel. Eu sei. – Não há vergonha em ser precavido – disse Chalis. Namir pensou. retendo o máximo de calor corporal. sincero. e sobreviveram a coisas que poucas companhias conseguiriam. O general continuou. assim como neve. – Se eu pudesse agradecer a todos da 61ª. eram coisas que Namir raramente tinha visto antes. . com um bigode grosso e cabelo grisalho. E fico agradecido por estarem lá fora lutando por nossa causa. governadora – disse ele. – Aqui nunca é confortável. aquilo não era necessário – o general não precisava conquistar Uivo –. – O que posso dizer é que sabemos o que pedimos a vocês e o preço que pagam todos os dias. Ele sentiu uma mistura desconfortável de apreciação e ressentimento em seu estômago. Particularmente. – Ela deu de ombros. e a formalidade deixou seu tom de voz. Uma pessoa do grupo deu um passo à frente – um homem pálido. A recepção de Bygar surpreendeu Namir. Mas seus queixos estavam elevados. eu o faria – disse Bygar. – Governadora Everi Chalis – disse ele. Quando Chalis – tremendo de frio – deu um passo à frente. – Vocês receberam missões infernais nos últimos anos. Essa é uma reputação da qual se orgulhar. Vocês não estão errados em pensar que o Alto Comando vê as coisas pelas quais passaram e os envia para outras coisas piores. Antiga emissária do Conselho Executivo Imperial. portanto Namir foi forçado a concluir que era. Poderia também ter sido uma piscadela. trabalhar – disse o general. e é difícil se acostumar.

um terço das pessoas que estão aqui foram cadetes imperiais antes de desertarem – explicou um jovem (que Namir achou ter se apresentado como Kryndal. Era um trabalho pesado. tanto em qualidade quanto em uniformidade: quando o intendente entregou a Namir um fuzil de combate A280 antes de uma patrulha. As roupas e os equipamentos de combate eram de um nível superior a qualquer coisa que a Crepúsculo possuíra. se um elemento tivesse um defeito. Namir se sentia tão anônimo e irreconhecível quanto um stormtrooper. desarmar uma mina de proximidade ou desativar um escudo de raios. Com aquela uniformidade e ordem. poderia acabar com o aquecimento de metade da base. Namir os viu passando pelos corredores da base e nada mais. Os conversores já tinham falhado devido ao congelamento interno. Os homens e mulheres que serviam na base eram menos familiares. – Os outros dois. mas foram os meses mais importantes na minha vida. Desconfortável. seriam colocados de volta em atividade na base. aceitou ser redesignado para manter-se ocupado. mas acho que você não estaria aqui se seu capitão… – Não estou a fim de treinar novamente – disse Namir. . Se quiser aprender como usar uma arma que dispara projéteis. Precisa ter um bom nível. eu recomendo. Kryndal continuou falando: – Talvez outro terço de nós. Namir. alguns dos cadetes também. também. Uivo e Chalis foram quase que imediatamente levados a uma grande sala de conferências estratégicas com o Alto Comando da Aliança. Sem luz. mas agradável foi a definição que ficou na cabeça de Namir nos dias seguintes. com cavernas naturais aumentadas por suportes estruturais e ligadas por corredores artificiais. Namir alisou o cano da arma quase fascinado. Quatro meses de sofrimento. tenha passado pelo treinamento das Forças Especiais da Aliança. e Kryndal deixou o assunto de lado. Cabos de força e cordões de iluminação cruzavam os ambientes. – Já usei uma arma dessas – disse ele. Roja e Beak foram. Eles se sentaram juntos no depósito de ferramentas. sem som. mais adequado a um droide do que a um humano – mas precisava ser feito. Kryndal não parou por aí: – É algo a se pensar. e em seu segundo dia ele entendeu por quê. com a aprovação de Namir. Usando uma jaqueta de proteção térmica e óculos polarizados. A estrutura da Base Echo tinha um charme quase que periclitante. Essa característica da Rebelião Namir já conhecia. vinha uma ênfase na importância da patente e da hierarquia. e Namir não tinha os conhecimentos técnicos que Roja e Beak possuíam. isso o fez lembrar de histórias que Charmoso contava a respeito da Academia Imperial. aquecendo conversores de energia com maçaricos de solda. Namir acionou um interruptor em seu conversor. divididos e designados a equipes adequadas às suas habilidades. embora ele não tivesse prestado muita atenção). mas se eles pudessem ser ressuscitados. De volta ao aquecimento. – Provavelmente. A base era talhada no meio de uma geleira gigante. e Namir foi informado por um droide de manutenção que. com comandantes da Base Echo. nunca ouvi falar.

Namir soltou uma risada. mas não tinha mais paciência para sonhos. o conde Vidian. em meio a vendavais que transformavam pedaços de gelo em projéteis. ele ouvia pelo comunicador o tagarelar das sentinelas conversando sobre os convidados: general Rieekan. – Se for para você ficar longe da Crepúsculo – disse Namir –. frutas ou carnes obtidas . comidas simples e de fácil armazenamento em combinações semicomestíveis. – Você parece tão surpreso quanto eu. ou de quatro anos. talvez. Namir compreendia. e em troca concordei em não ocupar nenhum posto oficial em qualquer governo pós-guerra. que permitiria que eles finalmente vencessem a guerra. Eles atingiram uma interseção nos túneis. sargento. se tornando o assunto dominante em toda a base. e agora havia um plano estratégico de cinco anos. ou de um ano. Namir saía do centro de comando depois de ter entregado uma avaliação tática do posto avançado Delta – um trabalho complexo. sem virar para olhar Namir –. mas haviam lhe dito que outros olhos poderiam ser “valiosos” – quando a encontrou no corredor gelado. dia após dia. princesa Leia Organa. e os dois hesitaram por uma fração de segundo conforme viravam em direções opostas. Namir apontou para seu pulso. tem todo o meu apoio. – Fazendo novos amigos? – Levou um ou dois dias – ela respondeu. Duas naves chegaram à Base Echo no terceiro dia em que Namir estava lá. A direção e o passo dos dois ficaram iguais. Era uma doce ilusão. Enquanto Namir caminhava até os postos avançados do perímetro. Ele não falou de novo com Chalis até o fim da primeira semana deles em Hoth. Recebi um perdão da Aliança por crimes passados. Mas eles torciam para que houvesse verdade por trás do sonho. Mesmo as tropas que ficavam especulando sabiam que não era bem assim. – Obrigada. pilotos lhe perguntavam o que ele sabia sobre a governadora Chalis e contavam histórias sobre seu mentor. Quando Namir estava no refeitório. o refeitório servia. mas ninguém duvidou que os visitantes estavam chegando para a conferência de estratégia. Roja. que rapidamente havia se tornado amigo dos mecânicos dos snowspeeders da Echo. comandante Chiffonage. veio a Namir mais de uma vez para transmitir as últimas especulações: Chalis era a última peça de um quebra-cabeças no qual a Aliança vinha trabalhando há meses. – Eles também não a querem por perto? – disse ele. – Chalis saiu caminhando antes mesmo de terminar a frase. As identidades dos passageiros eram confidenciais – os rumores entre os oficiais diziam que havia um espião Bothano em um alto posto –. Chalis estava sem escoltas ou algemas. A conferência foi. Na Trovoada. Ele já havia pensado de maneira semelhante em outras guerras. principalmente. mas nós chegamos a um acordo. intercaladas ocasionalmente por vegetais frescos.

durante uma invasão. Pacotes de ração eram estocados para quando estivessem em missão em algum
planeta: a utilidade deles tornava-os – militarmente falando – um luxo, e a Companhia do Crepúsculo não
possuía meios confiáveis de adquirir mais.
Mas nada que valesse a pena cultivar crescia na superfície de Hoth, congelada e esburacada por
meteoritos, e os tauntauns domesticados da Aliança – espécie de “lagartos da neve” fedorentos,
temperamentais e chifrudos – eram mais valiosos como montaria do que como carne. Isso tornava as
rações militares, entregues em engradados imensos e obtidos por meios que Namir nem podia imaginar, a
principal fonte de todas as refeições.
Sentado à mesa com Kryndal e uma porção de outros integrantes da Echo, Namir aproveitou os
prazeres duvidosos de um envelope de cubos de proteína suspensos em uma gosma grossa alaranjada –
insossa o bastante para ser inofensiva, gelatinosa o bastante para grudar no paladar. Ele preferiria comer
sozinho ou com Roja e Beak, apesar de eles ficarem elogiando as virtudes da base o tempo inteiro – a
relação de Roja com os mecânicos tinha se tornado quase familiar, e Beak havia declarado sua intenção
de se juntar às Forças Especiais da Aliança –, mas os dois não estavam por perto e não havia mesas
vazias.
Kryndal estava desenhando anéis sobre o tampo da mesa, nomeando planetas e engendrando um
cenário no qual, um a um, os mundos do Núcleo milagrosamente começariam a cair aos pés da Rebelião.
Uma mulher loira e um alienígena com nariz de tromba estavam debatendo entusiasmadamente com ele,
oferecendo planos alternativos – o assassinato do imperador, ou a liberação de mundos escravos para
reforçar as fileiras das tropas rebeldes.
– Talvez eu esteja louco – dizia Kryndal –, mas sinto que estamos à beira de algo real. Podemos
chegar a Coruscant. O Império não estaria lutando com tanta força se não estivesse com medo.
Namir sabia que deveria ser inteligente o bastante para ficar de fora da discussão. Mas era o fim de um
longo e tedioso dia caminhando pelas trincheiras e evitando conversas bem parecidas com a que ele
estava ouvindo agora. E Kryndal era tão convencido.
– O que acontece em Coruscant? – perguntou Namir.
– Como assim? – Kryndal respondeu. Os outros também viraram para Namir, esperando.
– Para começar – disse Namir –, você tem o planeta capital com, sei lá, dez bilhões de pessoas? Mais?
A mulher sorriu, entretida sem zombar.
– Consideravelmente mais.
– Ótimo. Desses consideravelmente mais, quantos vocês acham que querem destituir o Império?
O tom de Kryndal era constante, mas insistente.
– Você não vive em Coruscant muito tempo sem perceber…
Namir o interrompeu.
– Não terminei ainda. Meu palpite é que não haja tantos quanto você imagina. Na verdade, eu sei que
não pode haver tantos assim, porque, se assim o fosse, haveria uma guerra civil em Coruscant agora
mesmo, em vez de um monte de células rebeldes agindo na surdina.

– Não é tão simples assim – disse a mulher.
Namir continuou falando por cima dela.
– Mas suponhamos que a maioria da população não queira muito resistir a qualquer um dos lados da
guerra. Simplesmente não estão a fim de lutar. Ótimo. Mesmo assim, você terá uma minoria importante da
população que se virará contra a Rebelião no segundo em que começarem os bombardeios. Um por cento
da população de Coruscant já é um número enorme de pessoas, e garanto que estamos falando em um
número muito maior que esse. Pessoas leais ao Império, claro, mas também qualquer um que não confie
na Aliança para comandar o lugar. Você vai mandar equipes armadas para as ruas para lidar com eles?
Começar a dividir os civis? De um jeito ou de outro, será uma cena sangrenta, que vai continuar por
muito tempo.
A voz de Kryndal ainda estava controlada, mas seu rosto mantinha uma expressão irritada.
– A Aliança tem um plano de transição. Eleições democráticas…
– Isso não vai convencer ninguém – cortou Namir. – E esse é o melhor dos cenários. Talvez a Aliança
decida não invadir Coruscant. Muito complicado. É muito mais fácil conter redutos do Império do que
alcançar a vitória completa. Mas você sabe o que eu realmente acho que vai acontecer?
O alienígena disse alguma coisa, segurando o braço de Kryndal. Namir não conseguiu compreender as
palavras exatas por conta do sotaque da criatura, mas o significado era claro. Kryndal, no entanto, não se
moveu e Namir levantou de sua cadeira, inclinando-se sobre a mesa para olhar para o homem.
– Eu acho – disse Namir – que, assim que qualquer chance de vitória real estiver no horizonte, a
Aliança vai desmoronar. Você acha que tem alguém naquela reunião de estratégia que não esteja querendo
sair por cima? Você acha que, no instante em que o inimigo comum deles estiver enfraquecido, não
haverá meia dúzia de diferentes facções rebeldes virando-se umas contra as outras? Como você acha que
sairá dessa confusão? Depois que vocês venceram as Guerras Clônicas e o imperador tomou o poder,
outros líderes perderam suas chances e começaram uma rebelião. A vitória sempre traz lutas internas.
– Não foi assim que aconteceu. – A mulher voltou a falar. – Você nunca conheceu a princesa ou
trabalhou com o general Rieekan. Eles não estão apenas interessados em tomar o poder.
Kryndal xingava em silêncio. Namir o observou, viu suas mãos flexionando sobre a mesa. Não ia
demorar muito. Namir sabia que ainda podia sair andando, mas ele precisava daquilo.
– Se vocês realmente acham que aquelas pessoas são heróis – Namir estava respondendo a mulher,
mas seus olhos estavam em Kryndal –, vocês estão se iludindo. Os próprios stormtroopers de Darth
Vader o reverenciam da mesma forma.
Kryndal deu o primeiro soco. Não era para ser um golpe forte – Namir estava exposto, e Kryndal
poderia facilmente ter acertado seus olhos ou queixo. Em vez disso, Kryndal atingiu Namir com força no
meio do peito, empurrando-o para trás e forçando o ar para fora de seus pulmões.
Namir agarrou a mão de Kryndal antes que ele pudesse se afastar. Não se preocupou em segurar-se ao
cambalear para trás; em vez disso, puxou Kryndal para frente, sobre a mesa, usando-o como contrapeso

para se endireitar. Kryndal perdeu o equilíbrio só por um momento antes de se agarrar nas pernas de
Namir e partir para cima dele.
Enquanto brigava com Kryndal, Namir sentiu alguém se aproximar pelas costas. Ele deu uma
cotovelada para trás que afundou em camadas de jaqueta térmica. Depois, deu uma joelhada para frente,
no estômago de Kryndal, e viu o mundo escurecer por um instante quando uma mão com luva segurou seu
rosto.
Vozes gritavam. Mais corpos com jaquetas e óculos de proteção se juntaram à peleja. Enquanto lutava,
sabendo que não tinha chance de vencer, Namir começou a rir.

O pior dano foi um nariz quebrado: agora ele sentia náuseas ao usar os óculos polarizados por causa
da pressão que faziam sobre a ponte nasal. O lado direito do quadril tinha ficado roxo da noite para o
dia, depois de ter caído com força sobre um dos bancos do refeitório. Os ossos da mão esquerda também
doíam, embora essa, pelo menos, fosse uma marca de orgulho.
Ele não se lembrava dos detalhes da luta, tirando como ela havia começado. Não tinha durado mais
que um ou dois minutos – tempo suficiente para alguém separá-lo dos outros combatentes e arrastá-lo
para o centro médico em segurança. Ele passou a noite lá e foi saudado pela manhã pelo general Bygar,
que usou a palavra decepcionante mais de uma vez.
Uivo, Bygar explicou, precisara permanecer na conferência de estratégia, portanto ainda não tinha sido
informado do comportamento de Namir. Namir se sentiu grato por isso.
Então, com a aprovação da equipe médica, Namir recebeu a mais degradante das designações que
Bygar pôde encontrar como punição. Passou a manhã carregando engradados de transporte – às vezes,
com a ajuda de uma empilhadeira, mas quase sempre sem – das baías do hangar para o interior da Base
Echo, dando passinhos de criança, bem curtos, para evitar escorregar nas placas de gelo. Os droides no
hangar o direcionavam aonde tivesse que ir, e ele raramente tinha que falar com outro ser vivo.
Isso não o incomodava. Ele já tinha feito trabalhos bem piores.
O capitão de uma das naves rebeldes olhou para Namir quando ele levantou um cilindro de bacta sobre
o ombro e caminhou por baixo do trem de pouso de um cargueiro leve. Era um olhar territorial: a suspeita
de um homem infeliz por admitir um estranho em seu domínio.
– O que aconteceu com você? – perguntou o homem, ao soltar uns cabos queimados e derretidos de um
dos conduítes da rampa do cargueiro. Não havia preocupação em seu tom de voz. A ponte do nariz de
Namir parecia latejar, como se um olhar fosse o suficiente para incomodar a região.
Namir olhou para ele. Cabelo castanho, pele clara, talvez uns dez anos mais velho que ele. Portava
uma insígnia de patente, mas isso era mais comum entre os tripulantes de naves do que para o pessoal
permanente da base.
– Sabe aqueles brutamontes das Forças Especiais? – perguntou Namir, com cara de indiferença. –
Acontece que eles levam essa Rebelião bem a sério.
O capitão deu um sorriso, balançou a cabeça e voltou aos seus afazeres.

No fim da tarde, Namir começou a xingar os droides em resposta às suas constantes exigências. Os
droides reclamavam, mas não tinham outro recurso a não ser absorver as agressões verbais; Namir achou
a experiência estranhamente satisfatória. Lá pelo início da noite, depois de descarregar a maior parte da
carga do dia, os droides começaram a tocar Namir de volta para dentro da base para transportar
suprimentos de naves e equipamentos de manutenção para fora do hangar. Ele não sabia se esse era um
ato de vingança ou parte da punição do general.
O trabalho extra não o incomodava. Ele não tinha lugar melhor para estar, e não estava muito a fim de
voltar ao refeitório ou de dormir entre os integrantes da base nos alojamentos. Pensou na possibilidade
de dormir na nave auxiliar da Crepúsculo – mas isso parecia covardia, a atitude de alguém envergonhado
por seus erros.
Namir encontrou o capitão do cargueiro uma segunda vez enquanto carregava uma lata de peças
mecânicas destinadas ao cargueiro. Ele não tinha ideia de qual era a função dos componentes, mas
quando subiu a bordo da nave, o capitão – que estava ocupado desmontando um painel do teto –
resmungou e apontou para o chão.
Namir apoiou a lata no chão. O capitão agachou, fuçou na confusão de fios, roldanas e cilindros, e
pegou um pequeno disco dourado.
– Você pode segurar isso aqui? – disse ele, e mostrou a Namir um painel secundário dentro do
compartimento do teto.
Namir teve que ficar na ponta dos pés. O capitão começou a rosquear o disco dentro de um soquete,
ignorando o som crepitante do painel. Namir gostou do calor em suas mãos adormecidas de tanto frio.
– Com quem você se encrencou? – perguntou o homem, sem desviar os olhos de seu trabalho.
– Kryndal – disse Namir. – Não peguei seu sobrenome. Talvez nem o nome.
– Ele mereceu?
Namir deu de ombros em resposta.
– Prefiro pensar que nós dois merecemos.
Namir não fez perguntas ao capitão rebelde quando o conserto foi se estendendo por dez, vinte, trinta
minutos. Quando Namir perguntou sobre sua tripulação, o homem apenas balançou a cabeça.
– Eles estão resolvendo outras coisas – disse ele. – Não pergunte.
Quando a tarefa finalmente acabou – ou talvez quando o capitão desistiu –, o homem mostrou uma
garrafa de uísque corelliano e sentou-se na rampa de embarque. Namir considerou aquele gesto como um
convite tácito, e a partir dali a conversa dos dois seguiu um caminho tortuoso conduzido pela bebida. O
capitão reclamou sobre sua nave e contou uma história improvável e cheia de obscenidades sobre como
ela tinha sofrido danos. Namir detalhou exatamente como ele tinha vindo parar na área de carga naquele
dia.
Quando Namir terminou de descrever sua conversa no refeitório, o capitão balançou a cabeça e fez um
sinal de reprimenda relaxado e brincalhão.

– Você não pode sair dizendo a essas pessoas que elas estão condenadas. Se elas forem inteligentes e
te escutarem, eu fico sem emprego.
– Você é um mercenário? – perguntou Namir.
– Algo assim.
– Você já deve ter tido vontade de dar um safanão nesses caras uma ou duas vezes…
O capitão riu.
– Não mordo a mão que me alimenta. Também não preciso começar uma briga que não posso vencer.
– Eu poderia ter vencido – disse Namir.
– Então, com certeza, não se esforçou muito.
O capitão sorriu e deu outro gole do uísque antes de passar a garrafa. A bebida não era exatamente boa
– os dois homens concordaram depois do primeiro gole –, mas era potente e, Namir suspeitava, era a
única bebida do tipo em Hoth.
– De qualquer forma, você é muito jovem para ser tão cética – disse o capitão. – Quem te admitiu com
essa atitude?
– Longa história – disse Namir. – Quase que um acidente. Não era pela causa, de forma alguma.
– Estou ouvindo – disse o homem.
Eles beberam em silêncio por um tempo, e foi o capitão que falou em seguida. A voz dele estava mais
calada, sua fala um pouco arrastada. As luzes do hangar haviam diminuído com o cair da noite, e mesmo
com as portas fechadas, o frio tomava conta.
– Você se lembra quando aquela estação de combate explodiu?
– Antes do meu tempo – disse Namir. – Mas eu ouvi falar.
O capitão acenou com a cabeça.
– Depois disso, eu não percebi no começo, mas por um tempo pareceu que realmente poderíamos
acabar com essa guerra. Você olhava para aqueles garotos que tinham destruído a própria morte… não
fazia qualquer sentido se pensasse a respeito, mas parecia que estávamos indo a algum lugar.
– Todos são assim – disse Namir. – Recrutas.
– Não apenas recrutas – disse o homem. – Não todos.
Novamente, pairou um silêncio. Um droide astromec vermelho e branco atravessou o piso do hangar,
rangendo para alguma coisa que não dava para ver.
– Mas isso nos mantém ocupados – disse o homem.
– Guerras ruins são boas para os negócios?
– Mas que diabos… nem eu sou tão cética. – O homem balançou a cabeça vigorosamente. – Mas se ela
acabasse… sabe como nós os aturamos agora? Mesmo quando eles são completamente insuportáveis?
Quanto tempo você acha que eles iriam nos suportar depois disso?
Namir acenou bem lentamente.
– Não muito tempo – disse.

O capitão não respondeu. Namir ergueu a garrafa de uísque, observou o líquido âmbar espirrando
contra o vidro. Ele riu suavemente antes de falar novamente:
– Eu vou dizer isso se você não disser: para mim, a guerra é muito melhor. No minuto em que
vencermos, não terei mais nada. Portanto, a ideia de que ela continuará para sempre? Parece o certo.
“Parece o certo mesmo”, ele pensou consigo mesmo. Ele se sentia acolhido pela ideia de uma guerra
interminável, nunca vencida e nunca perdida, penetrando seus ossos, constante e confortável. Até a
fantasia, a mais breve noção, de uma vitória rebelde o deixava inquieto.
Era assim há anos, embora ele nunca tivesse dito isso em voz alta. Nunca pensara nisso com tanta
consciência.
O capitão parecia estar confuso, no entanto, enquanto arrancava a garrafa das mãos Namir e bebia com
uma careta.
– Se eles soubessem que você acha isso… – disse o capitão, perdendo a fala.
Namir deu de ombros.
– Eles não sabem.
– E isso não o incomoda?
– Estou aqui para protegê-los. Não importa no que eles acreditam.
O capitão levou a garrafa novamente aos lábios. Mas, desta vez, ele não bebeu. Em vez disso, ele
aspirou o aroma do uísque, baixou a garrafa e pressionou-a com força nas mãos de Namir, sem virar a
cabeça.
– Se é um trabalho – disse o capitão –, então não importa, e nem eles. Faça o que é certo para você,
diga-lhes o que eles querem ouvir e siga em frente quando o trabalho terminar. Do contrário… – Ele
parecia lutar com as palavras, como se estivesse pescando cada uma delas nas profundezas de sua mente
anuviada. – Do contrário, se for mais que um trabalho, eles merecem coisa melhor. Se você não consegue
acreditar no que eles acreditam, então talvez seja a hora de você se afastar.
Namir segurou a garrafa de uísque perto do peito e sentiu o gargalo esfregando em seu queixo. Alguma
coisa lhe dizia que o líquido que ficasse em sua pele iria cristalizar com o frio.
– Eu não sou um rebelde – ele disse.
O capitão disse alguma coisa ao ficar de pé e andar lentamente, cambaleando pela rampa de embarque,
mas Namir não conseguiu ouvir.
Namir agarrou a garrafa com uma mão ao descer para o hangar, caminhando para a porta que levava ao
interior da Base Echo. Ele pensou em Brand, Charmoso, Gadren e Peste; Ajax e Fektrin, e a técnica em
comunicação que havia morrido em Asyrphus – a mulher cujo nome Namir agradecia ter esquecido. Ele
até pensou em Roja e Beak, e os chamou de traidores por dentro. Eles eram soldados da Crepúsculo, e
eles deveriam detestar a Base Echo tanto quanto ele.
Mas não detestavam, porque eles também eram soldados rebeldes. Assim como Brand, Charmoso,
Gadren e Peste. Assim como a técnica de comunicação, lá no fundo.
O capitão do cargueiro estava certo. Eles mereciam coisa melhor.

ele teve a oportunidade de mergulhar nos pensamentos que ficaram da noite anterior. e Namir entrou em uma rotina. Tanto Uivo como Chalis pareciam. ao mesmo tempo. quando Uivo acenou para que ele se sentasse. depois voltar para a base para descongelar. – Há muito tempo que temos recuado. bochechas insensíveis por causa do frio e a boca com gosto das biotoxinas de Coyerti. Mas a Aliança está quase pronta. uma dor de cabeça dos infernos. Chalis riu sem dizer mais nada. Passar o dia naquele frio não parecia muito melhor. As informações dela se provaram inestimáveis.” À noite. Chalis torceu o nariz e fez um gesto desdenhoso com sua garrafa térmica. descobriu que sua punição havia acabado e ele tinha sido redesignado para patrulhar os postos avançados do perímetro. mesmo com seus cílios formando crostas de gelo. Se ele tivesse conseguido usar os óculos polarizados. duas horas observando a brancura ofuscante do horizonte e duas horas de patrulha. Eles não explicaram ou justificaram a mudança de opinião deles. recordaram as batalhas da Crepúsculo em Mygeeto – antes de Namir entrar para a companhia – e Phorsa Gedd. é difícil pensar em contra-atacar. Ele não via nenhum dos dois desde antes do incidente no refeitório. Namir acordou em uma unidade de armazenamento no dia seguinte com uma garrafa de uísque grudada no peito. – Mas você conseguiu – disse Uivo suavemente – com muita autoridade. e imediatamente soube do que se tratava a convocação: a conferência estratégica tinha acabado. mas o pessoal dos outros postos avançados manteve certa distância e isso deu a Namir a oportunidade de pensar. Eles se reuniram em uma das salas secundárias de controle tático. zombando das Forças Especiais da Aliança. fora do centro de comando principal. Namir queria que Roja e Beak fossem embora. mas ele apreciava a intenção deles. Podemos vencer esta guerra. exaustos e empolgados. “Eles merecem coisa melhor. quando ele conseguiu se levantar e ler a escala de serviço. Duas horas de serviço de rastreamento. como um velho amigo reencontrando um camarada. Mas ele conseguia sorrir e desfrutar das mentiras por uma noite. Uivo continuou: . – A governadora Chalis foi a estrela do show. se não sua presença. ficando melancólico novamente. Mas. Assim os dias se passaram. Uivo baixou a voz. sorrindo de sua cadeira e segurando uma garrafa térmica de metal embaixo do queixo. Porém. Uivo saudou Namir calorosamente. – Tudo foi como o planejado? – perguntou Namir. As palavras fizeram Namir ficar tenso. Chalis não disse nada. – Eu me sentei no fundo da sala e acabei com todos os sonhos de Rieekan. até a manhã em que foi convocado para uma reunião com Uivo e Chalis. Juntos. teria sido mais tranquilo. Elas eram muito familiares. da qual Namir lembrava vividamente. Roja e Beak o encontraram – contaram histórias sobre a incompetência das tropas metidas da base. – Temos uma meta e os meios para alcançá-la – disse Uivo.

“Eles merecem coisa melhor. Namir tentou adivinhar o que ela pretendia. – O Império nos encontrou – ela disse. – Se vou ficar destacada com o Alto Comando da Aliança (em Hoth ou qualquer outro lugar que eles acabem indo). não uma ordem – disse Chalis. quando uma soldado rebelde invadiu a sala praticamente sem fôlego. – Então é você quem decide. – O vapor da garrafa tocava seu rosto. Há melhores mentes que esta daqui. Você tem até amanhã para decidir. – Ele deu um tapinha em sua têmpora esquerda. ver se havia algo a mais na oferta. – Eles trabalharão nos detalhes. Isso inclui seguranças. O emprego é seu. não há muita gente em quem posso confiar para não me apunhalar pelas costas. mas ele não conseguiu. Ele abriu a boca para responder. Gostaria de partir na nave auxiliar amanhã de manhã. Chalis permanecerá para aconselhar o Alto Comando. de certa forma. mas minha parte terminou. – Ainda há muito o que fazer aqui. – Vamos começar o plano K10. sargento. eu gostaria de ter meu próprio pessoal. como se estivesse suando. e eu preciso preparar a Crepúsculo. deixando a pele brilhante.” – Há mais uma coisa – disse Uivo. sem saber ao certo o que iria dizer. Ele devia ter ficado empolgado com a ideia de partir de Hoth. Evacuação total. – Vou checar a nave esta tarde – disse Namir. A expressão no rosto dela era quase entediada. Ela prestou continência quando Uivo e Chalis viraram-se de frente para ela. se quiser. Em vez disso. Uivo mantinha seu rosto sem expressão. Trabalhar com Chalis não seria complicado – livre de débitos e expectativas. – Garantir que nada tenha congelado. – Chalis? – O capitão Evon disse que eu poderia fazer disso um pedido. sentiu suas entranhas revirarem. e como já dissemos. A ideia era tentadora. .

com a tripulação ocupada. mas até isso acabou quando ela deu uma cotovelada na costela de um dos novatos com muita força. Ainda assim. certa vez. e afugentava as alucinações ao recitar mentalmente poemas lembrados pela metade. e expostos ao vácuo. o tenente Sairgon fazia o que podia para ocupar as tropas – ele aplicava exercícios de treinamento e jogos de guerra. Quando o alvo dela finalmente chegou para buscar um pacote de bastões mortais. Desde então. passara oito dias na traseira de um speeder abandonado. Ela havia concordado. mas ela tinha cumprido o seu objetivo. Corredores tinham sido selados. concedia aos esquadrões “licenças” para visitar outras naves da flotilha – mas. Algo em que se concentrar. a tripulação da Trovoada vinha trabalhando sem parar sob as ordens do comandante Paonu para reparar ou recondicionar cada metro quadrado da embarcação surrada. soldando painéis e cortando fios. para se exercitar. Peças e equipamentos eram entregues por carregadores da flotilha diariamente. Enquanto isso. sem nenhum lugar para aterrissar. ela quase desmaiou ao levantar de uma vez para atordoá-lo e algemá-lo. a pedido de Sairgon. Ela costumava ser uma caçadora de recompensas. usado pelo cartel Sol Negro como ponto de entrega – ela estava com um traje espacial feito para alimentação intravenosa e eliminação de resíduos. simplesmente não havia espaço para trabalhar ou divertir-se. juntando-se a uma dúzia de outras naves no vácuo do espaço profundo. tensionava os músculos sem mudar de posição. Ela. Não que tédio fosse exatamente um problema para ela. a maioria dos soldados da Crepúsculo tinha desenvolvido certa tolerância ao tédio. Droides e engenheiros rastejavam como ratos pelos dutos e encanamentos. tendo seus pisos arrancados. Na ausência de Uivo. C A P Í T U L O 13 SET OR ELOCHAR 2 DIAS ANTES DO PLANO K10 Brand estava inquieta. Brand era uma exceção. . A bordo da Trovoada. ela não tinha nada do tipo. em atuar como alvo de um treinamento de perseguição. A Trovoada e a Promessa de Apailana tinham chegado ao ponto de encontro com a flotilha rebelde dez dias antes. A única coisa que ela precisava para superar o tédio era uma meta. os soldados da Crepúsculo podiam apenas atrapalhar o serviço.

Mas agora estava bem mais difícil fugir de Gadren. Então saiu andando novamente pelo corredor. Ela tinha um respeito tremendo por Gadren. Tiro ao alvo. Era um truque que ela havia aprendido durante os quatro meses que havia passado no centro de detenção. Uma tarefa após a outra. – Eu preciso de trabalho. Em vez disso. A área inteira estava sendo reconstruída. – Então junte-se a mim e Peste por um tempo? O capitão So-Hem da Seisluas convidou os membros da Companhia do Crepúsculo para visitar a nave dele. que era mais tolerante. depois treinando na sala de musculação. Brand imaginou. – Você tem treinamento a oferecer. normalmente. pacientemente aguardando a resposta dela. – Você poderia conversar com eles – disse Gadren certa noite. mas ainda estava pensando numa razão – numa mentira conveniente. exceto pelos droides de reparo que ficavam de um lado para o outro. Ela já tinha se decidido a recusar. – Há uma frota imensa aqui. Em seguida. Ela tinha ido ao Clube pensando que talvez fosse interessante jogar cartas com Tique e ganhar a pilha de créditos dela. Quanto tempo demoraria. ou talvez dois. Então. deu de cara com o lugar amontoado de recrutas e encontrou Gadren enquanto voltava ao corredor. que estava de pé. – Prefiro não o fazer – disse Brand. desjejum. quando os alarmes da Trovoada começaram a soar. num compromisso que poderia usar como desculpa. o alarme parou – mas a Trovoada começou a se movimentar. até que a flotilha recebesse novas ordens? Uma rotina estrita mantinha a sanidade de Brand. o que significava que ela podia ficar sentada na beira do andaime até que o oxigênio de seu traje acabasse. Estava no esquadrão dele – no esquadrão de Namir – por um motivo. Mas ele insistia em tentar ter intimidade com seus camaradas. produtiva ou não. Gadren era mais intrometido com Namir. e. queria cuidar de qualquer problema pessoal que ele imaginasse incomodá-los. na direção do setor de embarque das cápsulas. – Eu não preciso de companhia – disse ela. as vibrações do deque indicavam que seus propulsores tinham sido ligados. Brand olhou para o Besalisk. . Ela estava negociando com o intendente Hober. Manutenção de equipamento. experiência a compartilhar… Ela o cortou. sozinha. Soldados que os treinariam muito melhor do que eu. tentando solicitar um conjunto de granadas de luz de outra nave da flotilha. a Crepúsculo estava muito ocupada sobrevivendo para que isso a perturbasse. Todas as manhãs. Normalmente. Brand esperou o máximo que podia por uma resposta – um segundo. se exercitava por duas horas – primeiro correndo pela nave. tanto no lado pessoal como no profissional. apenas para manter as mãos e o cérebro ocupados. Até Gadren deveria saber disso a essa altura. Ela não tinha interesse em passar a noite socializando com estranhos. Quando estava na metade do caminho para seu abrigo. – Talvez – admitiu Gadren. ela acordava no armário de ferramentas que havia transformado em dormitório particular.

Brand observou os feridos conforme eles passavam: um jovem com sangue ressecado no queixo e nariz trêmulo olhava para ela. . Os médicos restantes seguiram as últimas macas na direção da ala médica da Trovoada. Agora ela tinha algo em que focar. Ela continuou segurando a arma com uma mão. como se avaliasse quanto podia dizer. Brand olhou firme para ele. – Situação? – perguntou ela. observando a câmara de ar por algum tempo. um Rodiano de pele verde cujo pescoço retorcido parecia quebrado encontrava-se deitado. a bordo da Trovoada – e ficou imaginando cenários desastrosos. Brand assentiu com a cabeça. Ainda assim. acabou de sair de uma batalha. e que ela tinha certeza que não deveria estar carregando assim. Von Geiz olhou para ela com curiosidade. – Ele tocou um painel e o turboelevador começou a funcionar. Não era de se surpreender que uma delas mal tivesse conseguido. a equipe de segurança selou a câmara de ar. Alguma coisa estava errada. até que o médico cedeu. foi logo atrás dele. Ele mordeu o lábio. Ouviu-se um estrondo no deque quando alguma coisa se agarrou ao casco da Trovoada. Brand permaneceu no corredor. abertamente. puxando macas flutuantes carregadas com feridos pelo corredor. estamos trazendo os sobreviventes a bordo. ou alguém que pudesse saber o que estava acontecendo. Mais naves chegavam ao ponto de encontro a cada dia. Havia quase vinte no total. Eles perderam o suporte à vida. Quando avistou Von Geiz entrando no elevador com o kit médico na mão. uma mulher com as mãos enegrecidas gemia de dor. Ela não sabia exatamente o quê. Ela tirou a arma do cinto – uma pistola disruptora DX-2. oficial superior da Crepúsculo. com outros mortos a bordo da nave danificada. com os olhos arregalados. banida pelas regras da Aliança. equipes médicas e de segurança já estavam presentes. era preciso manter a cautela. Quando Brand e Von Geiz chegaram à câmara de ar. – Outra nave chegou. Brand foi ao seu lado. Ela caminhou até um dos turboelevadores centrais e procurou por algum membro da tripulação. Com um sinal da ponte. Levou quinze minutos para os feridos pararem de chegar. Quando Von Geiz saiu do elevador e foi na direção de uma das câmaras de ar superiores.

tropas rebeldes começaram a carregar equipamentos e a limpar dados com a precisão de quem já tinha treinado centenas de vezes. sua prioridade ainda era a proteção da Crepúsculo. – Hoth fica muito longe da guarnição mais próxima do Império. – A oferta ainda continua. Isso havia tornado a decisão de Namir mais fácil: o que quer que o estivesse atormentando. . – Não posso – disse Namir. Quando o alerta surgiu. C A P Í T U L O 14 P LANETA HOT H ZERO DIAS ANTES DO PLANO K10 As preparações para a evacuação foram feitas rapidamente. enquanto Namir observava o diagnóstico surgindo no terminal da ponte. boa sorte. procurando qualquer coisa que indicasse um alerta. Se o Império viria com força total ou mandaria mais sondas antes. transmitindo um sinal para seus mestres distantes. – Você realmente acha que o Império não virá? – perguntou Namir. – Tenho que tirar Uivo daqui primeiro. você é bem-vindo para me acompanhar. Ele passou os olhos pelo relatório de diagnósticos. Sentinelas o haviam encontrado flutuando em meio às devastações congeladas. não haverá combate – disse Chalis. A vitória seria medida em número de sobreviventes. mas a base estava comprometida e um ataque era iminente. – Provavelmente. incerto. Uivo tinha se voluntariado para ajudar a coordenar a infantaria de Hoth caso a base fosse cercada antes da evacuação completa. o capitão Evon sabe se virar sozinho. ninguém sabia dizer. sargento. O resto não importava. – Prefiro não descobrir. O dever eliminava todos os outros pensamentos. – Programaram para que eu partisse no primeiro transporte – disse ela. assim como o Império já havia localizado as bases da Aliança em Yavin 4 e em Dantooine. Se eu não o vir novamente. Um droide-sonda imperial tinha sido o único alerta dos rebeldes. Namir estava monitorando os sistemas a bordo da nave auxiliar da Crepúsculo quando ouviu Chalis entrar atrás dele. Além do mais. Cada membro já tinha sido designado a um transporte de emergência há muito tempo. A Base Echo fora construída para ser abandonada – seus projetistas sabiam que o Império a encontraria mais cedo ou mais tarde. Você sabe onde me encontrar.

Era melhor do que um bombardeio vindo dos céus. mas não muito empolgante. Só pode ser isso. mas não o bastante para reduzir a visibilidade ou interferir nas transmissões. O perímetro do posto avançado Delta ficava bem a noroeste da Base Echo. Mas o que não podia ser parado. – Cruzadores gozanti – disse Beak. mas apenas balançava a cabeça. Um destróier estelar tinha sido o motivo para a Crepúsculo abandonar um planeta. Não importava o que Império enviasse. Um instante depois. uns 100 metros além do escudo de energia da base e quase fora do alcance do comunicador quando o clima estava bom. Uivo deveria saber as respostas. Beak o poupou de ter que responder. com os corpos grudados para se esquentar. Agora os imperiais terão que descer. Ele testemunhara um único destróier estelar bombardear uma cidade e transformá-la em uma cratera de vapor e lama. Uma frota de destróieres estelares? Namir já tinha visto as imensas naves antes – embarcações gigantescas e cuneiformes que faziam a Trovoada parecer minúscula –. Roja olhou para Namir e começou a fazer perguntas. Namir viu que cada embarcação trazia consigo uma forma metálica imensa e sólida na parte de baixo do casco. – Frota de destróieres estelares vinda do hiperespaço – uma voz anunciou. enquanto outros três aproveitavam o abrigo do interior da torre. viu arranha-céus derreterem e pedras se queimarem. Neve caía. Namir. o céu brilhou como uma miragem. podia pelo menos ser atrasado. Quanto tempo até os destróieres chegarem a Hoth? Quanto tempo até os transportes conseguirem fugir? Namir ouvia. posto avançado Delta. o efeito desapareceu. descendo como flocos de neve. Era o tipo de posto avançado que a Crepúsculo teria tomado em menos de um minuto durante uma invasão bem planejada. Em seguida. Dois soldados da Base Echo ficaram por perto. Com a aproximação dos macrobinóculos. Namir não tinha certeza se isso era boa ou má sorte. – Anexados ao trem de pouso. – Fiquem de olhos abertos. – Escudos de energia em força total – disse Beak. o posto estava fadado à destruição. Roja e Beak ficaram sobre a linha da trincheira. –Estão trazendo walkers. – Tem certeza? – perguntou Namir. mas nunca mais de uma por vez. Então seria um combate de solo. ajustando um canhão montado sobre um tripé. dando um tapa no ombro de Roja e apontando para o sul. Namir. Roja viu as naves primeiro – apenas alguns pontos pretos absurdamente altos. Consistia em uma torre de laser com três pessoas. . Seu fone de ouvido crepitava com estática. Roja e Beak passaram de mão em mão um par de macrobinóculos. mas ele não. uma trincheira encravada no gelo e um pequeno estoque de artilharia leve. – Aquela coisa consegue resistir a um bombardeio por tempo o suficiente. verificando o horizonte além dos montes de neve brancos e observando o céu cheio de nuvens. quando pegou de volta os macrobinóculos.

de certa forma. Como Beak havia previsto. o chão brilhava azul sob suas patas mecânicas – as minas de proximidade plantadas pelo pessoal do posto avançado Beta mostravam-se impotentes diante do tamanho do walker. aniquilado em meia dúzia de tiros de raios disparados dos canhões de um walker imperial. mas de onde vinham? Uns 12 metros à frente da trincheira. De acordo com Roja. – Avise a todos – disse Namir. Roja parecia confuso. O inimigo superava em número os rebeldes e tinha uma imensa vantagem tecnológica. uma soldado da Echo comemorava. – Roja estava balançando a cabeça. gigantes de quatro pernas que tornavam insignificantes as máquinas que Namir e seu esquadrão encararam em Coyerti. mas o esmagar de seus pés movidos a pistão não eram menos letais em alvos orgânicos. rápido demais para Namir localizar a fonte. o Império tinha. Beak acenou com a cabeça e tocou seu comlink. enviado walkers: Transportes Blindados para Todo Terreno. . Namir passou o braço em volta dos ombros dele e o apertou por um instante. nenhuma artilharia de solo rebelde conseguiu penetrar a armadura dos walkers – na melhor das hipóteses. que mais pareciam mandíbulas. À medida que o walker se deslocava com dificuldade. sorrindo antes de deixá-lo se afastar. – O centro de comando disse que o primeiro transporte já partiu. Os AT-AT não possuíam tal fraqueza. – Mais alguns desses e talvez consigamos ir para casa. – Aquilo foi um canhão de íons – Namir ouviu pelo comlink. Beak começou a rir. – Uma daquelas coisas está vindo na nossa direção. – É melhor que isso – disse ele. Não importa o quanto atiremos. – A governadora Chalis estava naquele transporte – disse Namir. – Se forem apenas walkers. – A Base Echo prometeu suporte aéreo – disse Namir. Namir viu as chamas pelos macrobinóculos – vermelhas e alaranjadas em contraste com a neve branca. explosões com miras precisas poderiam desabilitar as armas das máquinas. de fato. Tiros a laser. Ele estava atestando um fato. esqueça a maldita conferência estratégica. – Esqueça Coyerti. Deveria ter sido horrível – e foi. A mulher era uma maldição. Ela levantou uma mão para Namir e falou pelo comlink. talvez. Porém. hein? Namir sorriu lentamente. O posto avançado Beta foi o primeiro posto a ser destruído. Aquele tinha sido um TE-TT. mas seu tom não era de pânico. essa é a melhor notícia que temos há meses. devastador contra uma infantaria. olhou para o céu como se pudesse observar o transporte acelerar até a velocidade da luz. vamos recuar. mas vulnerável a artilharia leve e táticas inteligentes. Roja sorriu. O posto avançado Beta foi o primeiro a confirmar a presença de tropas em solo. se tiver outra força a caminho… Alguma coisa brilhou no céu. vai nos esmagar.

As ordens eram para que eles resistissem ao máximo. O posto avançado Delta estava a oeste do caminho projetado pelos walkers. preparem-se – ele disse. Destruir os geradores acabaria com o escudo de energia. Cada plataforma carregava meia dúzia de stormtroopers usando uma blindagem que Namir nunca tinha . A mulher não tinha concluído. A força inimiga consistia em um par de plataformas de artilharia flutuante escoltadas por um TE-TT. Namir acenou com a cabeça. Ele imaginou alguns cenários ao observar o vapor de sua respiração. Eles não deixariam ninguém flanquear os walkers se pudessem evitar. Isso trazia várias possibilidades: se os walkers ignorassem a ameaça dos postos avançados. a trincheira e a artilharia servirem de isca. Resistir o máximo possível. Sem o escudo. Poderia haver pontos fracos na blindagem dos walkers. – O que está acontecendo? – O comando disse que os snowspeeders travaram combate com os walkers. Ainda nenhum dano. a base ou qualquer transporte em terra ficaria vulnerável aos destróieres estelares. vagueando por um labirinto mental empoeirado do qual ele ainda não tinha escapado. voltando para a trincheira. Namir queria ordenar que as tropas Delta se espalhassem – fazer a torre. Os comandantes do Império não eram estúpidos. Proteger os geradores. Ele pretendia fazer exatamente isso. enquanto eles se escondiam e armavam uma emboscada. É claro. na traseira ou na parte inferior? Poderiam seus esquadrões agir como vigias ou dar cobertura para o suporte aéreo rebelde? – Sargento! Um dos soldados da Echo (a mulher que tinha comemorado pelos transportes) estava acenando para ele. é que o Império enviou forças de reconhecimento que estão se espalhando. Poderia representar sua morte. E quando necessário. Ele não via nada além de manchas escuras no horizonte. Ainda assim. Hoth poderia representar uma batalha perdida. nas laterais. – Protejam os geradores – foi a ordem superior. olhou para o nordeste e tentou visualizar a batalha. Mas era uma batalha que ele sabia como lutar. senhor. Os walkers estavam guinando na direção dos geradores principais de energia da Base Echo. – Então. Ele saiu correndo pela neve até o lado dela. – A má notícia. as tropas de Namir seriam capazes de flanquear as máquinas quando elas passassem. definindo a prioridade das tropas rebeldes. mas eles estão desacelerando. Uma luta corpo a corpo contra um adversário superior ia contra todos os seus instintos. As tropas estão vindo nessa direção. junto com o horror surgiu certo entusiasmo dentro de Namir. Ele passara as últimas semanas sem um propósito. recuar.

Depois disso. Alguma coisa estava conectada nas pernas dele. e Namir achou tê-la visto sorrir ao levantar uma granada com a mão livre. eram fantasmas. apenas a cabeça e os ombros à mostra. ela ainda estava viva – a cabeça estava erguida. As tropas que restavam da Base Echo ficaram na artilharia. viu o brilho de raios de partículas vermelhas. a batalha assumiu dois frontes. – Quero que a torre e a artilharia foquem nas plataformas primeiro – ele disse em seu comlink. se não calmamente. Namir. ele sabia. Mas se os stormtroopers chegassem à trincheira. Ela estava com um dos braços agarrado na junta do tornozelo da máquina. Namir teve certeza de que os três atiradores lá dentro tinham morrido instantaneamente. enquanto a máquina os matava um a um. mirando no alvo seguinte assim que via chamas na armadura do último. presa nos mecanismos. inesperadamente. A primeira plataforma se tornou uma bola de fogo. mirou e começou a atirar em cada stormtrooper. Quando não havia mais stormtroopers em seu alcance imediato. Mas a artilharia rebelde errou a segunda plataforma. completamente branca e quase invisível contra a neve. cada um de sua respectiva posição na trincheira. cinzas e chamas para todos os lados.visto. aquele que ele nunca tinha usado antes em combate – e manteve os olhos no horizonte. espalhando metal. o walker poderia escolhê-lo como alvo. descarregar as tropas e nos superar. Ele atirou metodicamente. sua mão. As pernas não se moviam. As estações de artilharia estavam em ruínas. Namir e os outros também estariam mortos. O walker tinha. cruzado a trincheira e agora estava no lado sul. balançando como um pedaço de escombro – Namir achou que fosse algum resto da torre. ele suspeitava. de alguma forma. Os stormtroopers daquele veículo pularam na neve e partiram em direção ao posto avançado. até reconhecer a forma desconjuntada da mulher que tinha comemorado pelos transportes. Como ordenado. tentando acertar o walker. A qualquer momento. E. incinerados pelo plasma ou esmagados pelos muros da torre. A meta deles era distrair o piloto da máquina para forçar o walker a refazer a mira e dar à torre a chance de um segundo tiro. com os tiros desviando em alguns metros. com o peito pressionado contra a neve compacta da parede da trincheira. mas manteve sua posição. então ele segurou o fuzil que rapidamente superaquecia nas mãos frias. Namir ouviu tropas gritarem. Roja e Beak atiraram no TE-TT. a mulher que alertara Namir sobre o grupo de sentinelas. O plano durou menos de dez segundos depois que o inimigo entrou em linha de fogo. Não eram esqueletos. – Eles vão querer que miremos no walker para que possam se aproximar. os atiradores da torre mantiveram suas armas focadas em uma das plataformas mesmo com o TE-TT avançando e chutando neve com suas alongadas pernas metálicas. Roja e Beak se agacharam na trincheira. mas. . e seus passageiros foram pegos numa explosão. Não deem essa chance a eles. Namir verificou seu fuzil – o A280 que ele tinha recebido junto com seu uniforme à prova de frio. O walker não se distraiu – ele recuou e atirou na torre. Namir mandou Roja e Beak permanecerem na trincheira e mirarem nos stormtroopers que se aproximavam. ele deu outra olhada nos arredores. mais bem equipados para o clima do que ele. O pessoal da Base Echo não discutiu. Ele queria chamá-la.

pensou Namir. ultrapassando o posto avançado na direção da Base Echo. as perdas da batalha não seriam fatais para a Aliança. Namir checou o horizonte. O posto avançado Delta tinha perdido sua torre e a maior parte de seus membros. o grupo de forças imperiais já tinha avançado ao sul. Namir não sabia para onde tinham ido seus passageiros e não se importava muito com isso – era uma maneira de chegar à Base Echo antes que tudo terminasse. inabalável e incólume. mas ele mantinha o queixo elevado. gelo quebrado e depressões deixadas pelas solas de hiperaço dos walkers. Namir sentou-se no teto da robusta máquina. Se o pessoal da base pudesse terminar de evacuar. o último andando por entre os corpos no gelo.quando ela desapareceu em uma enorme explosão e o walker desabou à frente. Ele não sabia o nome dela. . fazendo caretas por causa da dor que o vento lhe causava e avaliando os detritos da passagem dos walkers. Nenhum AT-AT tinha sido desabilitado até o momento em que o combate do posto avançado Delta terminara. o trio viu mais transportes rebeldes cruzarem o céu. Conforme eles marchavam para o topo de um monte de neve. Os ombros de Beak estavam curvados. A cerca de um quilômetro do posto avançado. tentando avaliar a distância entre eles e os walkers. presumivelmente chamada de volta aos AT-AT. mais imbatíveis pareciam. Grandes marcas fumegantes em suas laterais blindadas sugeriam que ele tinha sido atingido por canhões ou tiros de snowspeeder. Ele avistou snowspeeders despedaçados soltando fumaça preta. Não era mais uma ameaça à invasão de Hoth. os três encontraram um transporte de combate imperial com rodas aparentemente abandonado na neve. ele fez a geringonça funcionar de novo em minutos. torres em chamas e corpos carbonizados em postos de apoio remotos. A recuada não surpreendeu Namir. Os três não conversaram muito durante a jornada. Duas vezes Namir pediu para parar quando viu outros soldados rebeldes desamparados nas planícies de gelo. Roja dobrou o braço de maneira estranha. As máquinas titânicas estavam se tornando pontos de referência. transmitindo firme determinação. como se tivesse se machucado. e quanto mais ao sul elas caminhavam. o que deixou Namir. para procurar por sobreviventes a cada cena de destruição. mas quando Roja subiu a bordo. Roja e Beak com uma longa caminhada pela frente. Os snowspeeders rebeldes mal conseguiam atrasar os walkers. Não havia tempo para parar pelos mortos. mas ajudar aqueles que ainda estivessem andando era um risco que Namir estava disposto a correr. Roja e Beak dirigiram. Viu o grupo de stormtroopers ainda vivos chegarem a Beak e Roja – o primeiro ainda na trincheira. A segunda plataforma de artilharia havia desaparecido. O transporte sobre rodas – Roja o chamou de “Colosso” – passava sobre trincheiras abandonadas com sacudidas nauseantes. O veículo terrestre do posto Delta havia sido destruído durante o combate e seus tauntauns tinham se espalhado. Namir virou novamente para o lado norte da trincheira.

– A maioria dos transportes conseguiu partir. Os últimos 500 metros até a Base Echo foram os piores da jornada. Os passageiros do Colosso chegavam a quase uma dúzia quando um walker AT-AT finalmente veio a baixo. o corpo todo caiu de cabeça no gelo com um estrondo que até Namir pôde ouvir como uma explosão distante. A última informação foi a de que o centro de comando iria recuar e terminar a evacuação. mas pareceu sucumbir quando snowspeeders trançaram as pernas dele. Um dos rebeldes que se juntara a Namir no teto do veículo segurou os ombros dele por trás e cravou os dedos nos trapos de sua jaqueta. pensou Namir. dois e três por vez. então. Suas juntas se dobraram para frente e. podemos destruir todos. Namir xingou. mas não corrigiu o homem. e a massa das máquinas parecia tomar o céu inteiro. . Se para Namir ou para ele mesmo. Lá. Por baixo da jaqueta. Os soldados que permaneciam no campo de batalha já tinham começado a abandonar as torres e os postos de artilharia. Os outros passageiros do Colosso já tinham dispersado com a certeza e a disciplina de soldados profissionais. e disse: – Acabamos de chegar do posto Delta. – Seus lábios estavam ressecados e a garganta quase congelada. todas as posições. ele suava. a blindagem do veículo resistiu por tempo suficiente para que o Colosso entrasse em território amigo. Então uma última investida atravessando uma linha de stormtroopers imperiais quase acabou com as vidas de todos a bordo – Namir e os soldados resgatados espremeram-se no teto gelado de metal do veículo. – O que quis dizer com a última informação? – Um walker disparou alguns tiros na base. Namir não soube dizer. e Namir não voltou a vê-lo. Contudo. – Um walker destruído – disse o homem. Um dos soldados caiu do Colosso. – Se podemos destruir um. O Colosso roubado teve que passar por entre dois walkers para alcançar a entrada norte. Se fossem os soldados da Crepúsculo que estivessem morrendo e evacuando. depois de ele mergulhar em uma trincheira. mas tomou um tiro no peito por seus esforços. ele talvez tivesse dito a mesma mentira. os passageiros desembarcaram para se juntar à última linha de defesa da Base Echo. Todas as tropas. Outro tomou o lugar dele e lançou uma granada. Namir não conseguiu ver a causa – o walker abatido era do tamanho de um punho ao longe –. mais parecida com uma avalanche do que com um bombardeio. Namir puxou um homem que portava uma insígnia de coronel. fazendo uma barreira de tiros de raios para abrir um caminho à força. Mas uma parte o deixou preocupado. – Qual é o nosso status? O homem ficou na ponta dos pés por cima da trincheira e disparou uma saraivada de raios antes de responder. “Não havia motivo para permanecer em uma batalha perdida”. Namir não concordava. mas aquele escudo vai desabar a qualquer momento. acenou para Roja e Beak para que o seguissem e deixou o coronel para trás. Achamos que o comando foi atingido.

quando Namir e Chalis surgiram pelo túnel. Namir pensou a respeito e balançou a cabeça. Namir não conseguiu assimilar as palavras até que segurou Uivo pela cintura e o colocou nos ombros. A testa dela brilhava de suor e seus . encanamentos e. Nenhuma iluminação ficou intacta. meio agachada e puxando alguma coisa ao se arrastar para trás. com o fuzil em prontidão. sargento – rosnou Chalis. – O que você está fazendo? – Ele se aproximou de Chalis. o cabelo preto permeado com fios grisalhos e brancos. O corredor principal até o centro de comando tinha sido reforçado com vigas de metal. acenou para que Roja e Beak mantivessem suas posições e se embrenhou ali no meio. – Você poderia me dar uma mão. desviando dos escombros onde podia e dando meia- volta para encontrar caminhos alternativos quando precisava. no fim das contas. Beak disse um xingamento de aprovação. Roja fez perguntas óbvias e Beak mandou ele se calar para que se dirigirem logo ao hangar. inconsciente no chão. arranhando as costas contra a parede. corpos. – Eu não deixaria Micha morrer. passadas distantes e tiros de raios ressoavam por toda a parte. deixando pedaços de pedra e gelo empilhados sobre geradores. imediatamente deu de cara com outra forma – uma mulher. Namir reconheceu o ângulo da mandíbula. Partimos juntos desse planeta. Ou talvez ela apenas quisesse alguém em dívida com ela. O som da neve caindo e crepitando ao redor anunciava mais colapsos a vista. Namir esperava que ele não estivesse condenando a todos. Agora as vigas e boa parte do teto haviam ruído e bloqueavam o túnel. E embora a base estivesse mais vazia do que Namir tinha se acostumado a vê-la. Quando ele saiu do outro lado dos destroços. quanto o campo de batalha. – O que parece? – replicou Chalis. Roja e Beak pegaram Uivo juntos. Namir assumiu a frente. – Se nos separarmos nessa confusão. O rosto estava incrustado com sujeira e o peito coberto de neve. Namir olhou para a escuridão. Localizamos Uivo. Namir se sentiu irritado por motivos que ele não podia justificar inteiramente. Chalis seguia a menos de um passo atrás dele. Luzes piscando e buzinas de alerta disparavam e silenciavam ao acaso. Roja hesitou e perguntou se não era melhor eles mandarem alguém para preparar a nave auxiliar. Sua têmpora estava sangrando. pelo som de seus xingamentos. O interior da Base Echo estava tão caótico. há uma boa chance de nunca mais nos reencontrarmos. A mulher olhou para trás só por um instante. Ela virou de costas para Namir. para olhar o que ela puxava: capitão Micha Evon. elevando-o por baixo dos braços. Túneis estavam parcialmente caídos. Talvez a governadora tivesse um coração. em alguns casos. Quando o grupo atravessou uma interseção que levava aos hangares. à sua maneira. para que Chalis pudesse se esgueirar pelo corredor destruído. Ela franziu o rosto e tentou levantar Uivo. Roja anuiu com seriedade. Namir liderou o grupo até o centro de comando.

torceu os lábios em um sorriso sombrio e amargo. Namir olhou para Roja. ou quais paredes finas permitiriam a entrada de uma equipe de demolição. Finalmente. mais difícil seria para eles escaparem da base. Mais um tiro de raios.olhos estavam arregalados e extremamente ansiosos. A base parecia mal-assombrada. – Podemos acabar com um esquadrão de stormtroopers se estivermos preparados. – Não estamos em condições de lutar. – Isso quer dizer o quê? Vader está aqui? Chalis fechou os olhos com força e assentiu. então na direção da interseção mais próxima. evidência suficiente para convencê-lo de que as portas do hangar estavam abertas. não como eram antes da batalha – em sua memória e tentar planejar uma rota até o hangar. Tudo o que ele podia fazer era detalhar os túneis – como eles estavam agora. de medo profundo e insegurança. – A nave dele pousou há dez minutos. Ele decidiu voltar e reagrupar com sua equipe quando chegou a uma passagem escura como a noite que deveria levar diretamente ao seu objetivo. Ele está vindo atrás de mim. atiramos nele. Em Haidoral Prime. aproximando-se dela. A legião pessoal de Darth Vader. Namir repetiu a pergunta. Agora Beak começou a protestar também. olhou para o corredor novamente. Uma brisa fria brotou da escuridão. – Fiquem aqui. com o corpo próximo à parede e o fuzil colado ao peito. – Podemos dar a volta pela ponta leste – disse Chalis. a ponta de sua . ele suspeitava que o capitão teria concordado. – Esses não são apenas stormtroopers – ela disse. Namir sumiu pelo corredor. Quanto mais tempo eles permanecessem em Hoth. Assim que ele deu meia-volta. – Eles são da Legião 501. Depois de todas as discussões que teve com Uivo. e mesmo assim os sons de movimento. Preciso de dois minutos para avaliar – disse ele. Quando um tiro de raios ecoou. ela ficara calma e insensível. Chalis apenas balançou a cabeça. então se endireitou. ela olhou para cima. tiros de raios e gelo quebradiço acompanhavam Namir a cada curva que ele virava à procura de uma pista sobre a localização dos agressores. Ele não tinha tempo ou paciência para superstições rebeldes – ou imperiais. Ele não conhecia a base tão bem para prever os passos do inimigo. Beak e Uivo. quanto mais passar por qualquer tipo de bloqueio que o Império estivesse armando no espaço. Ele mordeu os lábios. Era o som de pânico iminente. Namir já tinha ouvido novatos fazerem o mesmo som antes em batalha. Roja disse alguma coisa que Namir ignorou. ele a viu contrair-se de medo. – Se corrermos na direção de Vader. mesmo durante as trocas de tiros. ela cuspiu nos corpos dos mortos. Seus corredores estavam desertos. Ele não tinha como saber qual era a distância da fonte. Durante a invasão ao cargueiro. Mas temos que continuar andando. tentando exigir sua atenção. Chalis riu – um som feio e ladrado. Não era do feitio de Chalis. – O que está havendo? – perguntou ele.

ela estava ofegante. Estilhaços de gelo caíam do teto. O que quer que acontecesse em seguida. Namir olhou para seus camaradas. O alienígena estava morto. Alguma coisa tinha aberto o caminho. Conforme foram andando juntos.bota tocou uma pilha macia no chão e ele quase tropeçou. ouviam-se os ruídos de uma explosão abaixo da passagem. Mas isso não disse nada além do que ele já sabia: os imperiais estavam na Base Echo. A luz ressaltava pontos de poeira e neve voando com a brisa. Cinco deles estavam vestidos de branco. Namir viu uma segunda luz. mas o terceiro. Diante da passagem sombria. Ela levantou a cabeça. Flanqueada pelos cinco stormtroopers estava uma figura de preto. . o corredor começou a tremer. então olhou para Uivo. lembrava Kryndal. – Vader está aqui. Namir não reconheceu dois dos corpos. Ele não mencionou o alienígena morto quando voltou à sua equipe e acenou para que eles o seguissem. Ele não parou para se certificar. – Não presuma que não haverá uma segunda. Ele os guiou por entre os escombros e outros três cadáveres. seu corpo rapidamente resfriado. que era amigo de Kryndal. ele reconheceu a pilha como sendo o alienígena de tromba do refeitório. Quando o tremor passou. Vamos manter vocês dois a salvo. de soslaio. Os olhos estavam arregalados de terror. seu trabalho é proteger Uivo. Namir virou-o pelo gelo. viu um buraco de tiro de raio atravessado em seu peito. Namir virou novamente para o corredor. Chalis estava curvada à frente sobre o corpo dele. De repente. – Uma onda – disse Chalis. O chão chacoalhava sem grandes baques. como fantasmas. viu que eles estavam ilesos. Namir ligou um interruptor em seu fuzil para ativar a lanterna conectada abaixo do cano. ele ouviu Roja dizer a Chalis: – Se algo acontecer. ao que parecia uma acusação. – Vader está aqui – sussurrou Chalis. seriam capazes de correr para se proteger. atingindo dolorosamente suas costas. O hangar não estava a mais de 100 metros à frente. Agachando para se equilibrar. mas tinha suportado as pancadas dos destroços por ele. o bastante para forçar Namir a ficar de joelhos. A luz ao longe era sombreada por seis figuras humanoides. e eles atravessavam o gelo e os escombros como se tivessem sido treinados nos próprios corredores devastados da Base Echo. – Eles já passaram por aqui – disse Roja. Além dos gemidos de dor.

ou chantageados para reportar a posição deles? Ela estava preparada para lidar com essas possibilidades também. Alguns tinham morrido queimados. a Soar da Trombeta já tinha passado da hora de aposentar esse nome falso. A Soar da Trombeta era um cargueiro leve designado para transportar passageiros e fazer serviços de carga. Os registros de saltos no hiperespaço eram consistentes com a declaração dos tripulantes. . Isso não era nem surpreendente. Brand preferia assim. embora ela fosse capaz de levantar os números baseada no número de sobreviventes e pela quantidade suprimento de oxigênio restante. pois sabia bem quais eram os extremos a que chegavam homens e mulheres – imperiais ou não. já que a nave tinha sido atacada algumas vezes nos últimos dias. ela precisaria de um droide para fazer as contas. A ótica aprimorada de sua máscara de pleximetal permitia a ela verificar manchas de sangue e circuitos elétricos no escuro. ou sabotados por um espião. nem suspeito. No entanto. Brand ainda não sabia o que a incomodava com relação àquele cenário. Comprador Atento – sempre que o Império começava a suspeitar de algo. Ela vinha operando entre os mundos monetários como uma embarcação de comércio. Mas e se a Soar da Trombeta tivesse sido rastreada até a flotilha de alguma maneira? Marcados com um localizador. A maioria parecia ter sido sufocada. não encontrou nada além de corpos de outros membros da tripulação. Ela embarcara na nave depois que o último dos feridos havia sido evacuado para a Trovoada. e as sombras lhe dariam cobertura caso ela não estivesse sozinha. Não era possível determinar quando o suporte vital da nave tinha ficado sem energia – os diagnósticos a bordo estavam adulterados. ela não estaria desperdiçando nada além de seu precioso tempo livre. Aparentemente. Talvez. humanos ou não humanos – para atingir seus objetivos. e. mas o Império vinha aprimorando suas técnicas de identificação de fraudes a cada ano. C A P Í T U L O 15 SET OR ELOCHAR ZERO DIAS APÓS O PLANO K10 Não havia luzes a bordo da Soar da Trombeta exceto pelo brilho tênue do console da ponte secundária. havia outras vias abertas para ela até o computador principal. e ela estava bem consciente de que poderia estar procurando problemas onde eles não existiam – ocupando a mente com paranoias. mudando seus registros de identidade e nome – Feiúra. Brand já havia procurado por localizadores. A tripulação tinha feito um bom trabalho forjando registros. nesse caso. Enquanto isso.

os registros de saltos nem confirmavam. O display de sua máscara dizia a hora exata do dia. ela tivesse se aposentado na hora certa. não era a tripulação da Soar da Trombeta. Nenhuma resposta de Gadren. Olhou para a tela. Ela não encontrou nada que indicasse que os homens e mulheres da Soar da Trombeta fossem algo além de vítimas. mais uma tarefa para um droide a bordo da Trovoada. Ela começou a tentar acessar outros arquivos do computador. reconectado seu cérebro. um por um. Os pontos fortes de Brand não eram com as pessoas. um rol de tripulantes. até que ele funcionasse da maneira que ela precisava. mas ela havia compensado treinando. Brand raramente duvidava de sua memória. Nenhuma resposta. falso – e abriu o registro seguinte. Ela tentou abrir uma linha com a ponte da Trovoada através do comunicador de sua máscara. realizando versões clandestinas do teste de recrutamento da polícia do submundo de Coruscant. Muitos dos arquivos estavam corrompidos. Ainda assim. Então ela chegou ao último registro. Antes mesmo de terminar sua recriação mental do ataque. Ela entrou na câmara de ar. Nenhum dos rostos dos registros de pessoal da nave correspondia aos dos pacientes transportados para a ala médica da Trovoada. nem retiravam suas suspeitas. só para reconhecê-lo imediatamente como o corpo do qual havia desviado para chegar à ponte. A Companhia do Crepúsculo tinha sido infiltrada. Ela passou os olhos nos detalhes – nenhum histórico pessoal. Peste ou Charmoso. saiu correndo na direção da câmara de ar. idade. e Brand tinha chegado tarde demais para impedir. histórico de vistos e vacinação. apenas nome. ela se perguntou se aquele minuto poderia ter feito alguma diferença. Quem quer que estivesse a bordo da Trovoada. Quando correu a bordo da Trovoada. Outros estavam codificados. Ser uma caçadora de recompensas implicava aprender a reconhecer e memorizar rostos. pois os avanços tecnológicos – olhos cibernéticos. Foi assim que ela soube que demorou um minuto inteiro para a porta externa abrir e admitir o som intenso dos alarmes.Brand pensou. planeta natal. havia dados suficientes para mantê-la ocupada: registros de carga. metade daquilo. provavelmente. arquivos pessoais… Ela puxou o rol e abriu o registro do capitão. . esperou a pressão equalizar com o interior da Trovoada e tentou a frequência do esquadrão. Ela tinha aprimorado sua mente. quem precisava de caçadores de recompensas quando a segurança de estado imperial funcionava tão bem? Independentemente disso. Ela olhou rapidamente cada dossiê em tela e procurou por alguma coisa esquisita – alguma coisa que sugerisse adulteração ou vulnerabilidade das quais o Império pudesse tirar alguma vantagem. E não duvidava agora. relatórios de manutenção. Estar sempre alerta era parte do jogo. tocando no painel de controle da câmara de ar e observando a porta circular de metal abrir. lentes de combinação de imagens – não eram o suficiente para converter um caçador distraído em um observador.

A figura de preto levantou uma mão assim que um raio vermelho brilhou em sua direção. Darth Vader permaneceu intocável no centro da passagem. . Mas o capitão. fazendo-o parecer algo construído. atravessando a passagem de dois em dois. pelo arco de seu capacete e os ângulos esquisitos da máscara polida. vivo ou morto. Os stormtroopers começaram a avançar. sem antes checar o status de Beak. C A P Í T U L O 16 P LANETA HOT H ZERO DIAS APÓS O PLANO K10 Beak e Namir atiraram em uníssono. gelo e vigas de suporte metálicas. Um stormtrooper caiu. ou Chalis. Ele olhou novamente para o corredor. Roja juntou-se ao ataque menos de um segundo depois. levantando seus fuzis e projetando raios vermelhos pelo corredor na direção das figuras reluzentes em branco e preto. Mas o busto não transmitia sua altura nem o tamanho de capa amorfa. atingindo a parede do corredor e mandando flocos de neve para o chão. A figura de traje preto lembrava o busto da mansão da governadora em Haidoral. e devolveram fogo assim que saíram da zona de morte. ele se movia como um homem: havia carne por baixo da armadura. e carne podia ser queimada. Luzes vermelhas e verdes piscavam no peitoral de sua armadura. enquanto o resto do esquadrão deles mantinha Namir e os outros encurralados. enquanto Roja. Mesmo assim. O raio acertou sua mão e foi rebatido como se fosse uma pedra. e suas botas arrastando na neve. Ou Uivo. Namir ordenou à sua equipe que se protegesse e mergulhou atrás de uma cortina de canos quebrados e dependurados. não nascido. Ele voltou a atirar novamente. – Campo de força! – gritou Namir. Os outros se dividiram quase antes de Namir atirar. não era a prioridade naquele momento. ou Roja. jogando-se para as laterais do corredor em busca de cobertura atrás de montes de pedra. Um tomou um tiro no estômago. Os stormtroopers haviam se movido com a precisão de soldados profissionais. mas Namir podia ouvir sua respiração rápida e entrecortada. Ele conseguiu olhar para o lado e viu que Beak tinha ido parar do lado oposto a ele. Chalis e Uivo estavam amontoados a uma pequena distância de sua traseira. ele estava atrás de Namir. embora Namir não pudesse imaginar quem o matara. e de um gigante bloco de gelo.

quando ouviu Roja xingar alto. Os stormtroopers estava avançando novamente atrás de Vader. e. – Precisamos ir agora. de repente. carregado pela brisa por toda a extensão do corredor. campos de força podiam ser quebrados. – Namir ouviu a voz de Chalis em meio ao som dos tiros de fuzil. dividindo o soldado da Crepúsculo em dois com um só brandir de sua espada. Ainda assim. mas trêmula. Lá no fundo de sua mente. Entre a escuridão do corredor e as explosões vermelhas diante de seus olhos. O fluxo de raios de Beak foi interrompido um segundo depois. zunindo. Vader avançou uns 12 metros durante o ataque. A voz dele era intensa. como um walker imperial desdenhoso diante dos tiros de um snowspeeder rebelde. Ele nunca tinha visto um campo de força ao redor de uma armadura. ainda que na superfície de sua mente a voz estivesse gritando para que ele não deixasse a figura blindada se aproximar. Namir apontou seu fuzil na direção de Vader e puxou o gatilho. Por um instante. uma voz dizia a Namir que Vader não era uma ameaça – era um tipo de bicho-papão. o ar ficou com cheiro de tecido. algo apareceu em sua mão entre os pulsos de luz vermelha. chiando. como se ele estivesse tentando se convencer. Se Vader estava protegido por um campo de força. Então Vader deu um salto à frente e. crepitando. avançar os mataria ainda mais rápido. plástico e músculos queimados. mantendo-o pressionado e segurando o cano da arma com a mão livre. Em vez disso. Namir mirava seu fuzil novamente. em um único movimento. O plano de Beak era a melhor chance deles. dar a volta em torno da lâmina de energia do homem blindado e desaparecer com o calor da arma. mas ele não ousou olhar. Beak também estava gritando – Namir podia ouvir o som das partículas energizadas chamuscando o ar frio que tomava conta do corredor. Não portava armas. Virar e recuar deixaria Namir e os outros expostos. – Concentrar fogo! – gritou Beak. Ele apertou o gatilho com mais força e a arma voltou a disparar mais doze vezes antes de desativar com um clique mecânico. O fuzil tentava pular a cada tiro e o cano ficava cada vez mais quente entre os dedos protegidos com luva. Vader não hesitou ou caiu. parecia não ser mais necessário: a lâmina de energia desviava raios impossivelmente rápido. Um cilindro cromado um pouco menor que o punho de Namir foi lançado na escuridão na direção de Darth Vader: uma granada de fragmentação. ele estava segurando uma arma. Namir mal podia enxergar seu alvo. . uma lâmina de energia corrente que dançava com um giro do punho. O monitor de temperatura no fuzil de Namir piscou quando o energipente começou a superaquecer. – Queimem o escudo! – Não. dando passadas longas e sem pressa. O tempo pareceu parar quando Namir viu um único floco de neve. pousou diante de Beak. Ele não fez esforço nenhum para procurar cobertura. construído e vestido para intimidar em vez de lutar –. pelo que Namir podia ver. Os stormtroopers pararam de avançar por tempo suficiente para que Darth Vader assumisse a vanguarda. ao mesmo tempo que dizimava uma tempestade de fogo.

e eu não serei humilhada agora. Namir se concentrou no próprio corpo. Ele viu silhuetas que se recusavam a formar imagens que pudessem ser reconhecidas. Mais cinco batimentos. Seu queixo agora tocava o gelo do chão. ele pensou. Entre Namir e Roja estavam seis pernas brancas e duas pretas. embora ele não se lembrasse de ter caído. Porém. a 2 metros de distância de Namir no corredor. atrás da cortina de canos. Eu fiz escolhas e não me arrependo de nenhuma delas. A primeira visão que ele distinguiu foi a do corpo do colega no gelo a uns doze passos de distância. Chalis. ouviu seus batimentos cardíacos e começou a testar os membros. . Uma chuva de escombros caiu sobre seus ombros e cabeça. Ele não conseguiria ir a lugar nenhum. Na direção de Namir. A visão retornaria. pela primeira vez. – Parabéns. pernas. Se quiser me executar. – Você me encontrou – disse uma voz. confirmar se era possível sentir os braços. Ele já tinha sido ferido brutalmente outras vezes. Ele ouviu um rangido metálico e se contorceu com o som da explosão. que assim seja. Você teve muita sorte de me ter. O mundo parecia girar. O resto do mundo era escuridão e barulho. Nem havia perdido os olhos. com o pescoço levemente tombado para trás para poder encarar o olhar mascarado do cão fiel do imperador. Uma parte fria e comedida dentro dele o fazia lembrar que isso era normal. – Você seguiu minha nave auxiliar a Hoth? Ou seguiu meus rastros depois? Não que isso tenha alguma importância… Ela estava de pé a uma curta distância de Vader. profundidade. alguém tinha matado Roja. mas você não podia ter me humilhado ao me manter exilada em Haidoral Prime. sentindo alguma coisa atingir suas costelas. forma e cor. Lorde Vader. A granada atingiu a parede. A nuca estava agradavelmente quente com o que ele imaginava ser sangue. – Eu gosto da minha vida. e sua visão estava voltando lentamente. Como um droide obediente. como se ele fosse um cego que havia se curado repentinamente e estava aprendendo. Stormtroopers e Vader. com um sotaque estranho e exageradamente solene. mãos e pés. Ele tentou se levantar com dificuldade e sentiu alguma coisa pesada sobre ele. mas ele podia tentar flexionar os músculos. Era a voz de uma mulher. Stormtroopers. Ninguém o havia matado ainda. Você me forçou a traí-lo. a granada ajustou sua trajetória em uma parábola perfeita. Tinha quase certeza de que não tinha perdido qualquer membro. – Não vou rastejar – ela disse. Os eventos pareciam seguir a lógica de um pesadelo – as capacidades de Vader pareciam limitadas apenas por suas terríveis implicações. As mãos dela estavam unidas atrás do corpo. As esperanças de Namir se foram rapidamente quando Vader levantou a lâmina e gesticulou para o lado. Ele não tentou ficar de pé ou mover-se – isso estava muito além de suas possibilidades –. a não ser que alguém o matasse primeiro.

confuso. com a palma virada para Chalis. Namir fechou os olhos e buscou refúgio do pesadelo. mas ele agitou o punho novamente e Chalis foi lançada à parede como um brinquedo descartado antes de desabar no chão. Chalis continuava a arranhar a garganta. Namir repetiu as palavras em sua mente. Os stormtroopers responderam avançando pelo corredor com o mestre deles no centro do batalhão. A mão de Vader se fechou em punho cerrado. como se ouvisse o comunicador em seu capacete. – Onde está Skywalker? A cabeça de Chalis balançou ao olhar com perplexidade. mas então disse: – Lorde Vader. Vader não chegou a olhar para o trooper. Um dos stormtroopers se aproximou de Vader por trás. a respiração fazia um chiado por conta do impacto das palavras. grave e ressonante. com a cabeça inclinada. Vader falou. Ele hesitou. Vader não mais empunhava a lâmina de energia. Os olhos dela se arregalaram. como se o galho de uma árvore verde e saudável estivesse sendo quebrado. com a respiração ficando cada vez mais curta. . As pernas dela estavam balançando no ar. Pela primeira vez. Houve um som crepitante. Localizamos a Millennium Falcon. aparentemente sem saber se interrompia. A voz dele era metálica. quando a lógica do pesadelo voltou a fazer efeito. e Chalis começou a engasgar e arranhar a garganta. Ele levantou a mão com uma luva preta. Os pés da governadora deixaram o chão.

– Nós não… não sabemos… – Foi a tripulação ferida – disse Brand. trabalhar em equipe não era fácil para ela. – Gadren está preso na armaria – avisou Peste. Brand mentalmente reviu o inventário da armaria. mas não muito tempo. Mas Peste foi atrás dela. engolindo metade das palavras em frustração. Ela reconheceu os passos rápidos e desajeitados. Brand viu isso como um sinal positivo – um indicativo de que a tripulação da ponte estava tentando isolar a equipe de infiltração imperial – até ela encontrar Charmoso. Peste e mais três. quando se lembrou de dizer: – Continuem assim. Se os infiltrados tinham controle das portas blindadas. – E? – Isso significa que ele tem armas. suporte vital –. entre técnicos e novatos. C A P Í T U L O 17 SET OR ELOCHAR ZERO DIAS APÓS O PLANO K10 As portas blindadas a bordo da Trovoada estavam seladas. Vou tentar outro jeito. . – Estamos a caminho do deque de comando – gaguejou Charmoso. Vou esperar o máximo que eu puder. – Eles eram imperiais. Peste começou a responder. Eles precisariam de tempo para acessar os sistemas mais protegidos – armas. – Se fizer contato. Ele consegue se virar. E já deviam ter desativado os comunicadores internos. mas ele tinha melhores chances do que Charmoso. Brand olhou para Charmoso enquanto ele tentava perfurar o metal. Brand olhou para a garota. mas ela parecia não receber nenhuma resposta. Brand a interrompeu só com o olhar. Devem ter massacrado todos a bordo da Soar da Trombeta antes de virem para a flotilha. controle de motor. Peste falava rapidamente em seu comlink. – Mesmo depois de todos esses anos. eles provavelmente haviam tomado a ponte. diga a ele para me encontrar na ponte. Seria impossível chegar à ponte a tempo. mandando faíscas para os ares. Não seria uma fuga rápida ou sutil. Brand avaliou a situação. – Eu estava indo ao encontro dele. Ela já tinha se virado e começado a voltar pelo caminho de onde viera. tentando penetrar uma porta com um maçarico. – Talvez – ela concordou.

. Aqueles que conseguiram. Quando começara a trabalhar com a companhia. a Trovoada não se desvencilhou sozinha da Soar da Trombeta. nenhum dos quais ele jamais admitira possuir na frente da Crepúsculo. Lentamente. graças aos propulsores danificados e a suas parcas habilidades de pilotagem – na direção da ponte da corveta. a Soar da Trombeta foi soltando as garras de acoplagem que a prendiam à Trovoada. Então ela obteve sua resposta. até que sobraram apenas a Trovoada e a Promessa de Apailana – lealdade até o fim. O estômago dela flutuou quando a gravidade artificial foi cortada. Ela ouviu “tenente Sairgon”. Os dentes de Brand começaram a vibrar antes mesmo de sentir o cargueiro tremer. Ela se jogou na cadeira do piloto. um bantha de pelúcia que devia ter significado alguma coisa para um membro da tripulação agora morto – começaram a ser sugados de volta à passagem principal. Depois de deixar a garota para trás. Quando ela ativou os propulsores da nave. um músico. um historiador – um homem com centenas de talentos. esquentando-a automaticamente quando a temperatura da nave caiu. Ela apertou o cinto de segurança da cadeira sobre o peito e continuou o trabalho. A reunião de naves tinha sido comprometida. Após ouvir-se um som igual ao guincho de mil droides irritados. O traje grudou nela. Uma luz de aviso e um cronômetro congelaram num canto do display da máscara. e transferiu o restante de energia do suporte à vida para os motores. uma dúzia de novas luzes apareceram no console principal. Um a um. Ela mal notou a luz dos instrumentos de comunicação do cargueiro piscando em meio a tantos alertas que reluziam no console. O número não era muito animador. Ouviu também o que parecia um tiro de arma de raios. Como Brand imaginou. um embrulhador de ração. quase indecifrável. Brand considerava Sairgon um amigo. Ela manteve o cargueiro alinhado ao casco da Trovoada e conduziu-o – dolorosamente devagar. Brand não se importava. Ela o respeitava por isso. O pouco ar que sobrara na Soar da Trombeta estava sendo sugado pela câmara de ar danificada. Ele fora um ator. no escuro da ponte. Então Brand ligou um interruptor e ouviu uma voz adulterada pela estática. ela tinha invadido a intimidade dele. os pontos no radar que indicavam outras naves rebeldes desapareceram. teriam-na impedido de fazer o que pretendia. “Império” e “flotilha”. O dano ao cargueiro tinha sido severo. avisando quanto tempo exatamente ela ainda tinha de oxigênio em seu traje. se estivessem online. ela refez sua rota até a Soar da Trombeta. a nave pulou para frente e os detritos da ponte – um datapad. Brand ficou se perguntando o que iria desmanchar primeiro: as garras da Trovoada ou a câmara de ar da Soar da Trombeta. vasculhando e descobrindo quem ele tinha sido antes da guerra. Brand ficou feliz em ver que o resto da flotilha tinha compreendido a mensagem de Sairgon e seu sacrifício. mas de certa forma isso dava vantagem a ela: os sistemas de segurança do computador principal. O som de metal chiando ecoou pelo interior da nave. junto com qualquer coisa que estivesse à deriva no ambiente em gravidade zero. voaram para o hiperespaço.

Finalmente avistou o objeto de sua procura: uma portinhola de manutenção feita para droides. Só que tinha um trabalho. esticou-se toda para agarrar a borda da portinhola e cravou os dedos sob uma junta metálica. Ainda faltava a Companhia do Crepúsculo ser salva. ela não tinha quebrado nenhum osso. ricocheteou para trás no espaço. Agora se sentia uma tola por não ter estudado o exterior com mais atenção. Ela se curvou à frente. Embora seu corpo todo tivesse sentido a fisgada. para conquistar um senso de solidão que parecia fora de alcance. Sua máscara filtrou as formas. ficando rapidamente mais brilhante: uma nave chegando do hiperespaço. Havia memorizado meticulosamente cada deque. mas conseguiu caber – o espaço era feito para uma unidade astromec. ela olhou uma última vez para o vazio. e sua velocidade diminuiu. na faixa escura que separava dois céus acinzentados. ela torcia. sem pensar em seus camaradas ou visualizar os invasores sendo esmagados por suas mãos. uma parte dela queria ficar ali mais tempo. como a superfície cheia de circuitos de uma estranha lua mecânica. larga. Depois de a Soar da Trombeta ter cruzado boa parte da Trovoada de popa a proa. Mesmo assim. ela pensou. Ela não sentira nada. Então uma nova estrela começou a piscar. A inércia da Soar da Trombeta havia levado o cargueiro para longe. ela teve tempo de se perguntar sobre a precipitação de suas ações. nem rompido seu traje de combate. distribuidores de energia e revestimentos ablativos. Ela ampliou a imagem em sua máscara. planejara emboscadas e rotas de fuga em caso de desastre. um propósito e um sistema. cínico como era. um apertão forte tinha o potencial de rasgar o tecido. Ela teve que se contorcer para entrar. Mais uma vez. Brand virou o corpo direcionando as solas de suas botas para o casco. teria admitido alguma emoção. O casco da Trovoada preencheu sua visão: metal polido intercalado com antenas de radar. ela havia pulado sem medo ou ansiedade. Naquele vazio. uma dor aguda subiu pelo tornozelo que ela distendera em Coyerti. pretendia corrigir seu erro. Ela nunca tinha ficado do lado de fora de uma espaçonave tão distante de um planeta. Quando elas tocaram o metal. Brand retornou à câmara de ar arruinada do cargueiro e olhou pelo buraco irregular deixado após a desacoplagem violenta da nave. rasgaria o traje quando colidisse contra o casco da Trovoada. Seus braços doíam enquanto ela se segurava na Trovoada. Se sobrevivesse àquele dia. sua maior preocupação era o traje. para acomodar um humano. . aproximou a visão. Ela mergulhou no vazio entre as naves. e tomou impulso na direção do espaço. mais e mais. Mesmo Namir. Ela não hesitou em empurrar a parede da câmara de ar. Assim que ela conseguiu se firmar. expondo a escuridão sem fim e milhares de estrelas à sua frente. Ela conhecia o interior da Trovoada como se fossem as ruas de Tangenine. Se ela tivesse se lançado com muita velocidade. até conseguir discernir sua forma. mas não alta. Ao descer. Até um rasgo microscópico em suas luvas significaria morte. forçou a abertura da portinhola com dois tiros de sua pistola. mas ampla o bastante.

Ela queria estar surpresa. Era um destróier estelar imperial. . Mas não estava.

já que seu fuzil tinha ficado embaixo delas. Namir desafiou uma pressão sobre suas costas. cortado em dois. Encontrou Beak morto. Ele cruzou o corredor para testar o equilíbrio. mas nada saía de seus lábios exceto o vapor da respiração. se ergueu sobre suas mãos e joelhos. só para ficar preso novamente. propenso a se dissolver com um toque. Foi Beak quem morreu pelas mãos de Vader. mas seriam elas reais? Ele se lembrava de ter saído dos escombros uma vez. Ele acreditava que a Base Echo tinha sido destruída – que ele tinha lutado contra stormtroopers ao lado dos amigos e perdido. Namir não conseguiu distinguir realidade de sonho. Gadren dizia. Ele não tinha tanta certeza se seus amigos tinham morrido. Darth Vader. enquanto o que ele tentava descartar como pesadelo parecia fixo em sua memória. Ele nunca tinha pensado que pudesse se sentir nauseado nos sonhos. Namir lembrou-se de algo que Gadren havia lhe dito pouco depois de ele se juntar à Companhia do Crepúsculo. Suas costelas estavam doloridas. Namir lembrou de um homem em armadura preta que não podia ser morto. os cometas e as massas estelares –. e ele falara de uma singularidade do Núcleo Profundo da galáxia. exercendo uma força gravitacional mais poderosa que mil sóis. Vader era real. permeando entre a consciência e a inconsciência. Havia certas verdades nas quais confiava: ele estava deitado no chão com fragmentos de gelo de uma passagem parcialmente destruída. e podia conjurar as imagens de um massacre – de um walker imperial esmagando Peste. Depois de algum tempo. Não Roja. . Seu peito oscilava. e então resolveu se levantar. Mas aquilo a que ele se apegava como fato parecia fino. Ele vira os corpos de Beak e Brand. No meio de tudo. Intelectualmente. duas vezes. O alienígena tinha assumido a responsabilidade de educá-lo sobre a natureza do universo – sobre o hiperespaço. Memórias começavam a se alinhar. A galáxia inteira girava em volta desse ponto de escuridão. sabia que sua vida e a vida de outros estava por um fio. C A P Í T U L O 18 P LANETA HOT H ZERO DIAS APÓS O PLANO K10 Por algum tempo. e sentiu uma onda de enjoo. havia um buraco negro que devorava toda a luz e energia. de uma lâmina de energia dividindo Roja ao meio –. ele entendia a distinção – sabia que era imperativo que discernisse um do outro.

ainda mais quando stormtroopers poderiam encontrá-lo a qualquer momento. Chalis também parecia alguém que tinha acabado de sair de um pesadelo. Mas o torpor e o choque eram seus aliados. Namir tentou falar o nome dela. Não havia luzes de alerta. A luva dele ficou manchada de vermelho quando ele a baixou. Quando ele olhou novamente para cima. com um buraco queimado em sua jaqueta acima do coração. Roja encontrava-se sobre Uivo. “Inconsciência é morrer. Escapar. As portas do hangar estavam abertas. Namir olhou para ela e esperou. checá-lo com mais cuidado. “Uivo sempre quis que você fosse mais parecido com ele. Ele caminhou lentamente pelo corredor. Ele interceptou o golpe facilmente e ela pareceu se desmanchar sobre sua mão. Por não ter sido tratado. que estava frio quando Namir ajoelhou-se para tocá-lo. disse a si mesmo. Ele ergueu o fuzil.” Ele sabia que devia sentir alguma emoção pela morte do capitão – qualquer emoção. Ela se movia ainda mais lentamente que Namir e mantinha uma mão colada no peito. mas ela se afastou e se endireitou com dificuldade. Tentou lembrar para qual direção precisava andar e descobriu que o esforço o deixava tonto. “Fique acordado”. Mas a Companhia do Crepúsculo não estava em Hoth. Ele conseguia se lembrar disso agora. – Precisamos ir – disse Namir. em seu caminho. Mas ela não disse nada. Uivo não tinha quaisquer ferimentos óbvios de combate. Ele estava perto do hangar quando os stormtroopers atacaram. cambaleando enquanto caminhava. examinou para ver se havia danos.” Então ele deixou a superfície gélida guiá-lo vários metros pela passagem. Abaixo do queixo. Namir riu ao pensar nisso e levantou uma das mãos para gentilmente tocar a própria cabeça. Encontrar a Companhia do Crepúsculo. e ele se perguntou se estava inconsciente. Siga a brisa. Lá encontrou Roja. Chalis se assustou e virou um soco nele. O capuz da jaqueta estava úmido. A solução veio até ele quando um floco de neve tocou seu queixo e derreteu ali. o traumatismo craniano que ele sofrera durante a destruição do centro de comando tinha se provado fatal. E pela de Beak. tropeçando ao perder o equilíbrio. Sua jaqueta estava coberta de neve. Sua prioridade era sobreviver. sujeira e manchas de sangue. Ficar aqui é morrer. Os olhos de Chalis estavam vítreos e injetados. Havia frustração e ansiedade na voz de Namir . Parecia que tinha sido pendurada numa forca e liberada do laço muito tarde. mas só saiu na segunda tentativa. Os lábios de Chalis se curvaram de um jeito que parecia que ela ia rosnar. Talvez consiga morrer da mesma forma. mas não podia perder tempo. passando pelo pescoço e descendo pela garganta. Aquecer-se. 3 metros à frente. Ela também estava seguindo a direção da brisa. e pela de Roja. Ele pensou em desmontá-lo. Seus passos ficavam mais firmes quanto mais ele se mantinha de pé. Namir estendeu os braços até ela. Namir encostou-se na parede. a pele estava com o vermelho intenso de um ferimento recente. Everi Chalis estava de pé.

. O hangar. ele sabia. arranhada. mas de vez em quando dava um suspiro forte com a boca. mas fazia pouco tempo. deixar-se hipnotizar pelo vazio e retornar para o entorpecimento do corredor escuro. parecia incrivelmente brilhante. A nave auxiliar balançou e tremeu ao taxiar pela passarela na direção das portas do hangar. quebrando. faíscas e fogo cercavam a embarcação. Isso era suficiente para Namir. esperando por uma resposta. e os raios de um sol quase a se pôr criavam caminhos de intensa iluminação entre pontos de sombra. mais ligado Namir ficava aos sons da base. Ele não conseguia ouvir as passadas de Chalis no início. Ele ouviu o estouro dos curtos-circuitos nos cabos de eletricidade. Ela não disse nada ao passarem pela escuridão. um pouco mais áspera. Ele seguiu a brisa. pronunciando a palavra com dificuldade. Quanto mais caminhavam. – Você precisa liberar nossa passagem. Namir pulou os procedimentos padrão de verificação pré-voo – não porque ele temesse perder segundos preciosos. Não temos poder de fogo para contra-atacar. Então luzes de aviso piscaram. Ele observou Chalis. mas ela só se sentou na cadeira de copiloto e olhou sem reação pela escotilha. O gelo e a pedra ainda estavam se ajustando. Mas ele não podia. Namir ouviu Chalis também. Ele não sorriu e Chalis não riu. A maioria das naves tinha ido embora. – Terão um bloqueio ao redor do planeta. com a voz um pouco mais alta. enviar um código de liberação como fez quando embarcamos no cargueiro. deixando a ruína do campo de batalha e as máquinas de guerra para trás. Ele estendeu a mão para segurá-la pelo ombro. Mas quando ela saiu do hangar. Ele passou por ela a passos largos e continuou na mesma direção. Ainda não.quando perguntou: – Você consegue andar? Precisamos ir. Chalis o segurou pelo punho. – É nosso dia de sorte – disse Namir. com um assobio suave. A batalha tinha acabado. de forma arrastada. caindo. Ela mal deu atenção. Dois caças estelares X-wing estavam em chamas. Desta vez. Ele teria pedido instruções para Chalis. Duas vezes. Os dedos dele começaram a formigar conforme o calor foi tomando conta da nave. – Eles estarão em alerta para naves – ele disse. – Eles vão nos abater – disse. Além das grandes portas para a caverna. A nave auxiliar da Crepúsculo estava aparentemente intocada de um lado. Namir pôde ver um céu azul limpo. mas porque ele nunca tinha pilotado uma espaçonave sozinho. mas logo elas começaram a ecoar a uma pequena distância atrás dele. levantou voo rapidamente em direção a uma imensidão de azul acima e branco abaixo. Quando ela falou. escalarem os escombros e se espremerem por portas congeladas entreabertas. sua voz era um rangido rouco e dolorido: – Sim – disse ela. Namir queria olhar para o céu. quando eles chegaram. Ela respirava principalmente pelo nariz. ouviu tiros de armas de raios ao longe. talvez.

Chalis parecia estar tentando tossir. Caças TIE. Ele manteve uma mão no ombro dela. como flocos de neve. Do lado de fora. Eles estavam quase atravessando o bloqueio. como se algum ferimento tivesse se agravado. com os ombros e o peito ofegantes. Ainda. Então ela virou para o console e. mas não fez som algum. Uma luz piscou no console. Namir olhou para Chalis. começou a apertar botões e digitar códigos. Eles estavam tão próximos que a boca da arma raspava no tecido da jaqueta dela. mas. Mas a chance deles de abater a nave auxiliar já tinha passado. unidade dois-dois-oito-sete. – Você vai tentar – disse ele. Ela olhava fixamente para a frente. e sua boca abriu e fechou como um peixe buscando ar. o silêncio. qualquer lugar longe de Hoth já estava bom. quase fora do campo gravitacional de Hoth. Ela fechou a frequência e se curvou para a frente. por ora. acelerar para longe de Hoth e furar o bloqueio. com uma voz tão rouca e sem fôlego que Namir ficou preocupado que ninguém fosse ouvir. . ele disse a si mesmo. Veria onde estavam armazenadas as coordenadas da flotilha mais tarde – a nave devia tê-las registrado –.” Ele tocou no navicomputador e deixou que ele calculasse o primeiro pulo para o hiperespaço. Agora ela olhou para ele com a expressão cheia de ódio e amargura. Chalis continuava com o olhar odioso. Os imensos destróieres estelares pontiagudos ocupavam toda a extensão do espaço. Solicitando – ela parou. A outra mexia em seu fuzil. – é a Força Blizzard. – Chalis – ele perdeu a paciência. quando isso acontecer. Em vez disso. Um dos destróieres estelares estava tentando contatá-los. Se ele entregasse o blefe muito cedo. ela abriu uma frequência de comunicação. quando os sensores mostraram uma porção de naves movendo-se rapidamente na direção deles. Namir olhou para os painéis de controle e tentou imaginar quanto tempo eles levariam para sair da atmosfera superior de Hoth e se encontrarem diante de uma frota de destróieres estelares. com movimentos rápidos e bruscos. “Primeiro atravesse o bloqueio”. colunas de fumaça e nuvem se espalhavam contra a escotilha. estendendo a mão para tocá-la no ombro. Eles vão achar suspeito. e o levantava na direção de Chalis. Em seguida. ele esperou. Chalis ficou paralisada em seu assento e pareceu suprimir uma contração de dor. Namir imaginou. A nave auxiliar penetrou nuvens acinzentadas e a escotilha ficou preta. Você precisa tentar. O instinto de Namir era o de ativar força total nos motores. “Afaste-se o suficiente do planeta para atingir a velocidade da luz. antes de concluir – ancoradouro para nave auxiliar com prisioneiro. – Aqui – ela disse. – Não me interessa se dói falar – disse Namir. estrelas brilhavam na escuridão. Mas ela continuou em silêncio. a nave auxiliar seria aniquilada. será tarde demais. – Não me interessa o que aconteceu lá atrás. ainda atravessado em seu peito. mas.

dessem lugar a pensamentos deliberados e racionais. empurrou o acelerador do hiperdrive. O navicomputador indicou que uma rota havia sido calculada. tremendo com o calor da nave e se apegando ao que restava de seu torpor. . Estrelas se transformaram em feixes de luz e Namir se sentiu esmagado contra o assento. gentilmente. Roja e Beak estavam mortos. Então a escotilha se tornou um redemoinho de energia azul celeste e a nave estabilizou novamente. e olhou em volta da cabine. Namir esticou a mão e. Ele estava vivo. como se um stormtrooper tivesse se escondido a bordo. O capitão da Companhia do Crepúsculo estava morto. A frota rebelde fora dispersada. como se esperasse ver os caças TIE ainda em perseguição. Demorou muito tempo para que seu corpo aceitasse que estava a salvo – para que os instintos de centenas de batalhas se acalmassem e. Ele verificou as leituras. Ele se encostou na cadeira. pela primeira vez desde que acordara.

C A P Í T U L O 19 SET OR ELOCHAR ZERO DIAS APÓS O PLANO K10 – Aqui é o prelado Verge do Conselho Executivo Imperial. Sei que ela ainda se encontra com vocês. A portinhola de manutenção conduzia quase que diretamente ao deque de comando. ela pensou. . a não ser por uma pequena escalada pelo vão de um turboelevador desativado e desmantelado para reparos. Eu sei que a governadora Everi Chalis se juntou a vocês em Haidoral Prime. mas ela não se lembrava dos detalhes e não tinha tempo para vasculhar sua memória por mais informações. pois se houvesse reféns do outro lado. – Mas uma traição doeu mais que outras. enquanto ela tentava fazer uma ligação direta nos controles. pedaços do painel da porta estavam espalhados ao redor de seus joelhos. preferiu se rebelar. farei de vocês um exemplo público. Brand se agachou diante das portas blindadas que selavam a ponte. ele não estava nem perto. E ele continuou: – Não vou prometer poupá-los. mas vocês não têm chance contra minha nave. Ele tinha a voz de uma criança. tentando entrar a partir da armaria. ao invés disso. de certa forma. Venho com uma oferta em nome do imperador Palpatine. Baseado nas vibrações. Nosso imperador deu as boas-vindas a cada um de vocês à Nova Ordem. ela precisaria do elemento surpresa. e sido retransmitida pelo sistema sonoro da Trovoada por intermédio dos infiltrados na ponte. Mesmo se ela pudesse cortar a porta. não o faria. O deque mal tremeu. Se não entregarem a governadora Chalis para mim. Prelado Verge. Provavelmente tinha vindo do destróier estelar. Brand já tinha ouvido esse nome de passagem. glorioso governante de nossa galáxia e nosso guia para a era moderna. ligado a alguma crueldade ocasional. Devia ter sido Gadren. e cada um de vocês. A transmissão começara pouco depois de Brand ter embarcado na Trovoada. testemunhadas por seus familiares e planetas natais. Brand ouviu o som abafado de um canhão de raios por trás das barricadas de aço. Suas execuções serão lentas. – Todos vocês são traidores.

Parte de Brand estava contente. Não dava para esperar por Gadren. Cinco membros da tripulação da Trovoada ainda vivos. Ela ouviu cinco tiros de armas de raios. Aquilo era bom. já enfrentando seus sequestradores. Devia ser a tripulação da ponte. enquanto a pistola disruptora desintegrou outro. O resto da luta foi rápido e sangrento. enquanto Brand entrava rolando pela porta. – Voltem às suas estações – ela falou apressadamente. nenhum dos quais ela conhecia. Houve um pequeno estalo dentro do painel. dadas as circunstâncias. viu a Promessa de Apailana mover-se para se colocar entre o destróier estelar e a Trovoada. percebeu que a tripulação da ponte tinha dado conta dos infiltrados restantes. antes mesmo de conseguir avaliar a situação. Com a faca. mas isso era tudo o que ela precisava. O que sobrara da tripulação da ponte. sem nenhum bom senso”. poderia ter executado seus inimigos em instantes –. Isso a fez sentir-se desajeitada. estava no comando das operações da nave agora. ela sabia. sacou a faca e passou um braço em torno de seu pescoço. imprudente – se pudesse ter espiado a ponte antes de entrar. – Eles estão atirando – gritou um dos alferes. pensou Brand. As portas blindadas engasgaram e abriram deslizando. Brand não podia rir. O prelado Verge voltou a falar. segurando a lâmina contra a garganta dele. Mas ela sorriu sarcasticamente. mas estava preparada para se sacrificar assim mesmo. ela derrubou dois oponentes – não se importou em checar se eles estavam vivos –. transformando uma mulher. Dois alferes. que estava de pé perto da estação de comunicação. Apenas dois a visavam. Brand corria de um alvo para o outro. ela mirou a pistola em um infiltrado procurando cobertura. Em um dos lados ela ouviu o som de luta corpo a corpo. ainda viva e revidando. A pistola disruptora brilhou intensamente. Ela deu um passo para trás. Fazer um refém não lhe daria mais do que alguns minutos. . A pistola disruptora de Brand vibrava em sua mão. considerando a situação. As chances eram boas. Ela rapidamente passou os olhos pela ponte. Quando recuperou o fôlego e contraiu o nariz para tirar uma gota de suor. Ela terminou de descascar um fio com a faca e tocou-o na unidade de controle do traje em seu punho. fazendo uma rápida contagem. Ela não tinha ideia de quem. O comandante Paonu estava morto no chão. Seu refém tentou escapar e pagou o preço. Ela não tinha tempo para checar a tripulação. e mesmo assim ela seria o motivo do fim da Companhia do Crepúsculo. quase fazendo-a perder a mira ao atirar na direção de um homem sentado na cadeira do capitão na plataforma central. Oito infiltrados. Brand atirou no primeiro infiltrado que viu. mas aquela atitude fora necessária. sabendo que iria tomar um tiro bem rápido se continuasse dentro de alcance e sem proteção. “Estúpidos e fiéis. Com a outra mão. por direito. Ela olhou para a holointerface tática. Os alferes começaram a se mexer. em farrapos e poeira. A governadora Chalis tinha ido embora havia semanas. A nave de combate não tinha como saber o que estava acontecendo. Brand ignorou-o e se concentrou no imperial de ombros largos que vinha até ela pela esquerda.

um Mirialano de pele amarela. A Trovoada não tinha concluído seus reparos. mesmo sem Uivo ou Paonu. E o prelado Verge estava certo: nem a Trovoada. Brand esperava que o capitão a perdoasse. – Vamos dar o salto e aguentar o impacto – disse Brand. Ele estava curvado sobre o painel de controle. Ela esperava que. transmitindo-as para a Promessa de Apailana. Ela sentiu o deque balançar conforme a embarcação começava a se mover. Os clarões da Promessa pareciam parcos e sem vida perto do inimigo. com o rosto coberto de tatuagens pretas. nem a Promessa tinham qualquer chance contra um destróier estelar. sem olhar para Brand. Brand ignorou o tremor e digitou uma série de coordenadas no navicomputador. A decisão acertada era óbvia. A holointerface oscilou com milhares de luzes quando o destróier estelar abriu fogo. A flotilha já havia se dispersado. mas Brand sabia que a nave conseguia saltar para o hiperespaço. – Precisamos ativar os escudos – gritou de volta um dos alferes. Ela detestava fazer o papel de líder. A Trovoada começou a chacoalhar quando a chuva de partículas do destróier estelar atingiu seu casco. . valesse a dispersão da flotilha e o sequestro da Trovoada. o que quer que estivesse acontecendo na base secreta dos rebeldes – o que quer que Uivo e Chalis estivessem tramando com o Alto Comando da Aliança –. Brand se perguntou se viveria para descobrir. E esperava que o garoto lhe obedecesse. – Preparar para o salto – disse ela.

mas a melhor maneira de facilitar as coisas era parando os combatentes rebeldes e da resistência. “Confie em seus colegas. – Tudo limpo! – gritou uma voz distorcida pela estática. E. ela tinha certeza. mas estava cansada dos olhares desconfiados que recebia dos amigos dele quando voltava para o dormitório dos troopers. ele pertencia aos terroristas mais procurados de Sullust. Ela estava apenas fazendo seu trabalho. 475 disse a si mesma. Desde o ataque na fábrica de processamento. Seguiu seu companheiro procurando cobertura atrás da estação de carga e vasculhou por inimigos enquanto o resto da equipe invadia. Tenham cuidado. não apenas em seu equipamento. do jeito que tinha sido treinada. registrado sob o nome de Lembrança. Ela estava pronta para que a vida em Pinyumb voltasse ao normal. A designação de quem tinha falado piscou na tela. 475 torcia para que a informação estivesse correta. que mais parecia uma pilha carbonizada. “Confie no que foi dito”. novos postos de segurança nas estações de bonde e de naves auxiliares saindo da cidade para a superfície. . Seu tio fora levado sob custódia havia uma semana. que vinham explodindo fábricas e subornando inocentes. turnos intermináveis para a unidade de stormtroopers. limitações estritas ao acesso à rede de computadores. Era verdade que a vida era difícil para o povo de Pinyumb. é claro. Ela confiava no display de seu capacete para distinguir movimentos e para alertá-la sobre qualquer inimigo que não estivesse vendo.” Doze stormtroopers se espalharam em volta de um cargueiro. C A P Í T U L O 20 P LANETA SULLUST ZERO DIAS APÓS O PLANO K10 SP-475 foi a terceira stormtrooper a entrar na doca. Ela manteve a cabeça baixa e a arma de raios firme. Se a informação do Departamento de Segurança estivesse correta. o Império instituíra políticas antiterrorismo bastante agressivas. não importava o que diziam os civis. nunca havia tropas suficientes para atender às necessidades do Império. Havia batidas diárias nos dormitórios dos trabalhadores e nas áreas residenciais. Ele não fora acusado e seria liberado assim que as coisas se acalmassem. O comlink de seu capacete crepitou novamente: – Duas equipes: verifiquem lá dentro. SP-475 tinha recebido uma comenda por reportar uma misteriosa movimentação de suprimentos que chegavam às mãos dos trabalhadores. mas não era importante.

475 acionou em seu display uma planta do cargueiro – um VCX-150 produzido pela Corporação Corelliana de Engenharia. Sua voz soava velha. . Eles vasculharam cada compartimento em busca de sinais de comunicação e fontes de energia – qualquer coisa que pudesse ser usada em uma bomba – antes de entrar. bandagens limpas. O grupo marchou à frente e chegou a uma trifurcação. Meia dúzia de chances de serem emboscados ou de ativarem uma armadilha. suficientes até mesmo para desmanchar um caça estelar. O parceiro de 475 acenou com a cabeça e foi na frente. “Que tipo de monstros são essas pessoas?” Ela havia lido o arquivo sobre Nien Nunb – líder de uma célula terrorista rebelde. mas ela ouvira dizer que ele era um dos comandantes clones originais. Havia um boato dizendo que os rebeldes gostavam de sabotar seus próprios equipamentos com explosivos improvisados. A busca foi feita lentamente. quando eles mal tinham terminado as buscas no primeiro quarto. 475 nunca tinha visto seu rosto. que fundara a corporação dos stormtroopers. nativo de Sullust. mas legítima defesa era diferente de um massacre planejado friamente. A única luz vinha da doca. Guardado embaixo de um beliche. A função de visão noturna criava uma névoa verde sobre o corredor. Ela ativou seu visor. pacotes de ração. Ladrõezinhos podiam até assassinar quando encurralados. – Não toque em nada. e cujas armaduras tinham sido perfuradas por estilhaços afiados por diligentes mãos rebeldes. Cada segundo desperdiçado com incertezas era um segundo em que o inimigo podia causar mais danos. ladrãozinho que desviara dinheiro de seus empregadores antes de se alistar com a Rebelião. Sua respiração soava alta demais dentro do capacete. torcendo pelo melhor. Mas ladrõezinhos não costumavam deixar soldados se afogarem em sangue dentro de seus capacetes. SP-475 era a segunda de oito stormtroopers a entrar no cargueiro. Na área de carga. Nenhuma arma. Havia mais de meia dúzia de compartimentos para ser revistados. mas era melhor que nada. Quando as equipes terminaram de vasculhar todas as seções da nave. 475 ouvira falar de vários stormtroopers que perderam braços ou pernas em explosões de detonita. Ela tocou o braço do parceiro e pegou a passagem à esquerda. O quartel-general queria saber se os rebeldes estavam ou não a bordo. no início. eles encontraram um engradado resfriado com pacotes de bacta suficientes para suprir um hospital por um mês ou para enriquecer um traficante no mercado negro. 475 descobriu um baú cheio de ferramentas especializadas. No entanto. Ela nunca vira uma bomba fora do treinamento. após dez minutos. veio a ordem da guarnição para acelerar o processo. – Visão noturna – veio o comando de 113. Relatos semelhantes vieram dos outros: datachips carregados com vídeos de propaganda. eles se reuniram no corredor espremido do lado de fora da cabine.

– Em algum lugar na cidade. Três stormtroopers – aqueles próximos ao painel – cumpriram a ordem. não. Não hoje. pernas magricelas puxadas contra o peito e uma longa tromba comprimida entre os joelhos. Não dava para saber se ele estava segurando uma arma. mas elas estavam enterradas atrás das pernas. Grandes olhos negros olharam para os troopers. O alienígena estava tremendo. com uma voz suave e aguda. Mas manteve o foco no Chadra-Fan. – Com quem está trabalhando aqui? Novamente. 475 se afastou. 156 se afastou do grupo. – Quem são seus contatos em Sullust? – perguntou 113. então. 475 tentou ver suas mãos. que parecia ainda menor por causa das montanhas de tubos e fios. tentando estabelecer um cordão secundário caso o alienígena tentasse fugir. forçando o ar para dentro e para fora entre os dentes. – Tire-o daqui – disse 113. Enquanto SP-113 dava instruções para isolar o equipamento. – Você os assustou tanto que eles não vão mais trabalhar conosco. – Onde estão os outros? – Não estão aqui – disse o alienígena. O ataque à fábrica de processamento? Ali fomos nós. O capacete de 475 identificou a espécie antes que ela pudesse fazê-lo: Chadra-Fan. os stormtroopers se encaminharam para bloquear o corredor em ambas as direções e miraram seus fuzis no painel. Ninguém mais. mas se juntar à Rebelião? Não. Ah. mas o Chadra-Fan continuou falando em meio a risadinhas. 156 analisou o painel – não muito maior que seu braço. mas ela ouviu suas palavras: – Não está tudo bem. 475 achou ser uma risada de nervoso. – Onde está Nien Nunb? – ladrou 113. Em um compartimento apertado. que apontaram seus fuzis para ele. Nossa célula. preparando a nave para os técnicos forenses. Ela respirou lentamente. ele balançou a cabeça bruscamente e indicou a parede com um gesto. já destrancado. Unidos. Eles eram capazes de levar um único rebelde. como se outros rebeldes pudessem começar a rastejar pelos dutos de ar e vãos de manutenção. 113 começou a responder. instalado a um metro de altura na parede do corredor –. deu um forte golpe com a parte de trás de seu fuzil. Ela quase perdeu o alienígena de vista quando os três stormtroopers se aproximaram. Quando 475 olhou em sua direção. por fim. mas não se mexia. 156 aproximou as mãos e puxou a lâmina de metal. Ela queria olhar para trás. – O que faz você pensar que estamos trabalhando com alguém? – perguntou o alienígena. Seus camaradas conheciam seus deveres. Boa sorte para encontrá-los – Ele deu uma risada esquisita. O painel se deslocou dentro de sua estrutura. a risada esquisita. estava um alienígena de pelagem marrom agachado. olhando para um painel de acesso com conduítes no corredor. Então veio o grito em meio à estática pelo comlink: – Detonador! . eles aceitarão nossa comida. não. Ela tinha sido treinada para isso.

Ela não ouvia nada além de um zunido distante. Thara sentiu uma explosão nas costas. Um corpo em armadura branca deu um encontrão nela. Thara – 475 – sobrevivera a seu primeiro ataque rebelde. Mas a nave estava com cheiro de plástico derretido e pelo e carne queimados. Não estava mais pensando na equipe. Quando olhou para cima novamente. Ela ficou imóvel por longos instantes. Houve um som. sem conseguir se mexer. O impacto fez Thara dar meia-volta e então ela começou a correr também. Não estava mais pensando em nada. Sentiu-se congestionada e percebeu que seu nariz estava sangrando. tentando correr. viu-se estirada no meio da rampa de embarque. . tentando empurrar. em estado de choque. Ela paralisou por um longo segundo. Ela se perguntou se alguém mais tinha sido tão sortudo. sentiu suas pernas balançando no ar e o rosto esmagado contra o capacete ao ser projetada para a frente. um grande estrondo que quase não foi obstruído por sua armadura.

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a paisagem consistia em cinzas. metal retorcido e corpos. gerando ondulações na superfície artificial do domo. com os dedos fincando no solo e os pés arranhando o cascalho. causando explosões que poderiam derrubar uma montanha. O jovem de nome Hazram sabia disso. Quando ficou exposto. Trincheiras e muralhas de pedra haviam sido destruídas. Do lado de fora do domo. Mais importante ainda é que nunca fora possível vencê-la. Sentiu alguma coisa afiada pressionar seu peito. Feixes verdes e amarelos cortavam o céu em linhas perfeitas. Cápsulas fumegantes desciam zunindo sobre a torre. Ao entardecer. Na trincheira. Aqui e ali. disparados por canhões distantes. Ele se arrastou através da poeira. desintegrado por uma das máquinas ambulantes mantidas pelos mestres da torre. Muitos tipo de morte. C A P Í T U L O 21 P LANETA CRUCIVAL DIA 4 DA BATALHA DA TORRE 19 ANOS DEPOIS DAS GUERRAS CLÔNICAS O domo sobre a torre reluzia com iridescência oleosa. Levantar a cabeça significava morrer – incinerado por uma das armas de feixes de partículas do inimigo que devastavam o campo de batalha. como se as engrenagens de uma das grandes aeronaves de extramundo tivessem vazado sobre Crucival. disparando ocasionalmente contra os invasores acampados longe da visão. a cada saraivada do inimigo. ele brilhava e flamejava ainda mais furiosamente a cada explosão de energia que o atingia. lembrou que não portava mais sua arma de partículas. Alguns homens e mulheres valentes. assassinado por um atirador de elite. A batalha estava perdida. o brilho refletido pelo domo superava qualquer outra coisa no horizonte. folhas de grama amarela acolhiam um esqueleto carbonizado de um flier abatido. agachavam-se no chão. . por mais de um quilômetro ao redor da torre de aço. atingido pelos estilhaços de uma dessas máquinas à medida que iam explodindo. rastejou como um lagarto até um abrigo. quando Hazram se apalpou para ver se havia sangue ou algum ferimento. porém tolos. amigo ou inimigo. que pareciam desesperados para acertar qualquer um. descansou. e ele se odiava por não ter percebido isso antes. Ao se encontrar nos restos de uma trincheira. então cuidadosamente se levantou cerca de um palmo para evitar se cortar em algum estilhaço.

desesperada para entregar a vida e o espírito a uma causa. não aos rebeldes. Quando via . Não era mais uma criança. Ele saiu da trincheira e continuou rastejando pelo campo de batalha. Todos eles tinham oferecido motivos elaborados que explicavam por que eles. talvez fundar uma facção e conquistar o poder… … bem. Quando os emissários do Império surgiram da torre pela primeira vez em anos. A arma de raios tinha ficado sem bateria no primeiro dia de combate. Ele os tinha encontrado nas ruas da cidade. Ele havia lutado por tantos mestres: o senhor de guerra Malkhan e seu clã. e somente eles. Ele recrutara outros como Tar e Mishru: homens contra quem lutara antes de perderem seus próprios mestres. e se martirizou por isso. com suas centenas de credos e fanatismo religioso. dizendo-lhes para defender a torre contra os rebeldes do céu. e se ele pudesse armar a si e a seus aliados como Malkhan fizera. mas Hazram sabia o que ela fazia. Pertencia ao Império. Hazram olhou para seu grupo e viu sobreviventes. Ele havia trazido Pira com ele. para longe da torre. os extramundanos que se intitulavam o Primeiro Império Galáctico. Mil soldados e mil armas de raios não eram páreo para o arsenal dos extramundanos. com um único olho vermelho escaneando para frente e para trás. Mas ele não conseguia se lembrar da última vez que se importara com essas justificativas. Hazram não percebera a tempo. Ele havia recebido uma arma limpa e polida – rivalizando com qualquer coisa construída em Crucival – como pagamento por se alistar no exército dos mestres da torre. Os mestres da torre e suas tropas vestidas de branco tinham recuado para baixo do domo e deixado os mercenários enfrentarem a vanguarda rebelde. a Senhora das Moedas e seus acólitos empoeirados. Ele riu com um som rouco e enjoado. Ouviu um zumbido atrás de onde estava. Só lhe restavam alguns poucos caminhos. uma após a outra. Ele estava muito velho para continuar se juntando às facções de Crucival. E o Império tinha pedido apenas uma batalha. Suas lealdades passadas tornavam-no suspeito ou pária. O Império provavelmente sabia que o povo de Crucival não conseguiria vencer. eram os legítimos donos de Crucival. era uma possibilidade. Por cima do ombro. e outros mais. ou acreditara que seria diferente com um governante ou com outro. que era família. A melhor oportunidade que Hazram via em tempos. soldados prontos para deixar de pular de guerra em guerra. Praticamente todos eles tinham morrido na primeira onda. espiou uma esfera de metal do tamanho de uma cabeça humana flutuando acima dos destroços. Não parecia ter sido uma barganha tão ruim na ocasião. eles serviam como uma manobra dilatória. O grupo de Hazram era de cerca de doze no total. Ele já tinha visto os melhores guerreiros de Crucival. Na melhor das hipóteses. Pira. Pira. a Doutrina Opalina. escondendo suas marcas e roubando transeuntes. Quando as tropas de branco do Império lhes ofereceram seus fuzis. aquela parecera ser mais uma oportunidade. declarando que um inimigo estava vindo para o planeta e que eles forneceriam armas para qualquer um que se dispusesse a lutar. que estivera ao seu lado desde a Doutrina. Os mercenários eram bucha de canhão.

– Perdemos bem feio. Contanto que não o movesse. Ele se sentia. ele se esquecera do próprio cansaço. Onde ela se fixasse. Desabou três metros para baixo de um despenhadeiro. – Foi uma decisão realmente péssima – disse ela. Mesmo antes da batalha. e mais pesado que uma montanha. e de novo. Quando as longas passadas o levaram para o alto de uma colina.alguma coisa se movendo. Pira riu. ele se viu em pleno voo antes de sentir a queda abrupta. O bombardeio de um flier não deixaria nada além de uma cratera e pó. – Hazram? A voz era diminuta e confusa. como a de uma criança. muito leve. Não era possível ver a marca agora. Hazram a vira se transformar de uma garota pequena. então puxou as pernas contra o peito e se apoiou de costas contra a parede de uma vala estreita que havia na base do despenhadeiro. não sentiria dor. Pelo menos. Contra a lógica. ele sobrevivera ao flier. durona e de cabelos compridos numa mulher alta. Eles raramente se preocupavam em fazer uma segunda visita. erguendo-se com a ajuda das mãos. – Tomei uma decisão ruim – disse ele. graças à crosta vermelha que cobria seus lábios e queixo. – Achei que os fliers o pegariam – disse ela. Ele soltou as pernas e descansou o tornozelo sobre a terra fria. magricela e subnutrida. recuperando-se nas duas vezes. e ela tinha sido marcada em volta da boca durante o ano em que ela e Hazram passaram separados. não foi? – perguntou ela. ajeitar-se para conseguir olhar melhor a perna dela. tremendo. – Mas você não foi o único. Pira não se levantou. ele mal comia. um flier a seguia. Ele percebeu que uma das pernas dela parecia uma mistura de sangue e trapos. Ela fedia às piores feridas que um corpo humano poderia sofrer. que raspara a cabeça para negar qualquer elo com um inimigo. Hazram lentamente se arrastou para perto dela. Hazram concordou com a cabeça. Roubava o que podia dos acampamentos de guerra ou trocava quinquilharias com os mercadores da cidade. ela fixava o olhar. aterrissando com força e soltando um gemido tenso e sofrido ao torcer o tornozelo. Depois do rastejar agonizantemente lento. Ele olhou para a vala e viu uma figura deitada a alguns metros de distância. Ele tropeçou uma vez. Ouviu o barulho de um trovão colina acima e nuvens de poeira passaram sobre ele. leve. Pira tinha mudado desde a época da Doutrina. Ele tentou se aproximar mais. Hazram saiu correndo. Ela o afastou sem força. Pira não se aproximou. Nem mesmo ruínas sobrariam. . Hazram não podia mais correr. ao mesmo tempo. – Eu também achei – respondeu ele. O rosto dela estava cheio de cicatrizes. Com os fliers vinha uma chuva de destruição.

para os rebeldes. De vez em quando. Na luz do amanhecer. – A menos que eu consiga amputar e cauterizar. Ele passou os dias seguintes procurando comida – os pássaros que tinham ninhos no mosteiro haviam deixado alguns ovos. Era um pensamento inútil e desanimado. Naquela noite. seus pensamentos vagavam para o que ele faria agora: se retornasse à cidade. Quando deixou a encosta para trás. Hazram deixou Pira na vala e continuou a rastejar pelo campo de batalha coberto de orvalho. quando Pira fora vendada e forçada a jejuar como punição por recitar errado os credos. Ele disse a si mesmo que voltaria se pudesse – se pudesse encontrar remédios para a gangrena ou um carrinho para carregá-la. enquanto se refugiava nas ruínas do que antes fora a clausura da Doutrina. sem raiva. Os camaradas de Hazram estavam mortos. ele ainda acreditava que teria uma chance. Hazram xingou internamente. comunicava-se com outros planetas. O resto de seu cérebro lutava para saber o que dizer a Pira enquanto ela ainda estivesse viva. que ela. portanto. ou encontrar o ponto fraco de um bloqueio – imaginou vários cenários. ouvindo os ruídos distantes de armas de raios e o estrondo das bombas. – Que bom que você descobriu. a parte que sabia como emboscar um acampamento inimigo e cortar a garganta de um sentinela. – Nós devíamos ter ido embora há muito tempo – disse Pira tranquilamente. e sorriu. – Já está mais que infeccionado – disse ela. Eles se sentaram juntos. e tentou avaliar o que seria necessário para carregar Pira até algum lugar seguro e a um cirurgião. não pode ser pior que isso. Foi quando soube que não voltaria mais. com frutas doces e uma crosta queimada. – Fica para a próxima – concordou Pira. – Fica para a próxima – disse Hazram. provando-se sem valor como . o bastante para sustentá-lo – ou sentado na grama em meio a uma névoa de cansaço. Isso foi quando a Doutrina possuía ouro e comida para compartilhar. que era por isso que a queriam preservada. nenhum clã ou facção para alimentá-lo. fora da cidade. apesar de se coçar inteira na manhã seguinte. – Esse era o meu plano – disse Pira. Pira adorava esse pudim. Hazram perguntou-se se o Império voltaria para construir outra ou se seus governantes desistiriam de Crucival. A última coisa sobre a qual eles conversaram antes de Pira adormecer foi pudim de pão: o tipo que a Doutrina fazia nos feriados. seria reconhecido como um fracasso – como o homem que havia sacrificado seus amigos em busca de falsas esperanças. há quase uma década. – O que quer que aconteça. – Podemos esperar por uma brecha no combate – disse ele. Ele estava desarmado e não tinha mais guerreiros ao seu lado para protegê-lo. Vitória. Os soldados de branco do Império haviam alegado que a torre era um transmissor. A torre caiu no dia seguinte. Parte do cérebro de Hazram – a parte que começara a lutar nas guerras pouco depois de ele ter atingido a puberdade. não vai ficar bom. de alguma forma. Hazram havia dividido sua tigela com ela na véspera da Ascensão do Hieropríncipe. – Escapamos juntos. ele observou as colinas queimando.

Então ele continuou caminhando perto dos viajantes. juntando-se a eles no caminho que traçavam pela grama amarela. Eles tinham o olhar cansado e orgulhoso de soldados que haviam conquistado a vitória. por rebeldes que os levaram às tendas para conversar. Pareciam medíocres demais para terem massacrado os camaradas de Hazram tão rapidamente. sua cabeça horrenda sorria cheia de dentes. Era um acampamento extramundano.líder ou combatente. Ele chegou ao campo de batalha ao meio-dia. ou sentavam ao lado de suas tendas. Ele não tinha mais nada além do desejo de sobreviver. Pensou em se separar deles. outras emburradas – que apenas acenavam para que os viajantes continuassem se aproximando. As roupas deles eram claramente de um design de extramundo – eram perfeitamente costuradas. enquanto outros mal estavam prontos para combate. Para abordá-lo. um por um. Se ele tivesse sorte. e usando roupas sujas fedendo a suor. um ex-soldado covarde por quem os outros moradores da cidade sentiam pena ou rejeição. Quase uma semana depois da queda da torre. mas também estavam manchadas e rasgadas. Ninguém parou até chegar ao lugar adequado. bulbosa e de boca larga. Muitos estavam armados. poderia não ser caçado e morto por suas associações anteriores. todos foram abordados. encimada com uma crista de ossos. O grupo desceu o morro sob o olhar de sentinelas – algumas sorrindo. Quando subiram um morro. Hazram avistou uma multidão de homens e mulheres deixando a cidade e caminhando em direção às ruínas da torre. As colinas já tinham sido limpas pelos catadores – humanos roubavam armas dos cadáveres e sucatas de metal das máquinas. geradores e veículos mecânicos. Não. Alguns dos rebeldes usavam capacetes ou coletes pesados. Ele poderia ter uma vida de mendigo ou ladrão. esfaqueado no abdome por uma criança. Mas ele já tinha visto muitos dos seus mortos para saber que isso não traria nenhum conforto. Hazram os observou de longe e foi atrás deles sem pensar. e seus olhos brilhavam com impaciência. Hazram nunca tinha visto um rebelde de perto. Aqueles que não se aproximavam dos viajantes murmuravam uns com os outros e riam. carregando apenas suas pistolas. presumivelmente pertencia aos rebeldes. e. E poderia ser morto como ele também. Hazram percebeu que tinha chegado à frente da fila. Um de seus braços fez um gesto para que Hazram se aproximasse. Ou ele poderia acabar como o pai. Voltar à cidade não era uma opção. já que não havia nenhum soldado de branco. mastigando bolos envoltos em papéis prateados. lá. precavidos como qualquer viajante prudente. – Próximo? – A voz era poderosa e ressonante como a explosão de uma bomba. animais se alimentavam da carniça –. mas sem medo de serem vistos. com a cabeça latejando por causa da falta de comida e sono. feitas a partir de tecidos resistentes e tingidos com esmero –. Não encontraria qualquer satisfação em revisitar o lugar de seu fracasso. mas eles não marchavam como se fossem para a guerra – estavam sozinhos e em grupos. veio um alienígena monstruoso de quatro braços com uma cabeça de demônio – uma mas-sa marrom. então Hazram não se surpreendeu ao ver a fila de viajantes apenas contornando a destruição. Hazram finalmente conseguiu ver qual era o destino daquela caravana: um círculo de tendas. . em procurar Pira e os outros.

Não haveria qualquer prazer em fazer isso. não – disse Hazram. mesmo que não tivessem puxado o gatilho. Hazram não guardava qualquer ressentimento contra os imperiais. – Então você busca vingança? Hazram observou o alienígena e deixou a pergunta amadurecer em sua cabeça. A criatura acenou lentamente. Ele não podia voltar à cidade. ele encarou o alienígena por um tempo e. Ele olhou para o acampamento. sentando-se de pernas cruzadas com um suspiro. Porém. despretensiosamente observando rotas de fuga. A criatura juntou as mãos inferiores. Hazram poderia ter virado as costas e saído andando. Ele imaginou o cenário. disse a criatura. Era verdade. mas não disse o que quer que tivesse pensado. Ele poderia se vingar se quisesse. mas fomos avisados de que nossa abordagem poderia ser vista como agressão. e novamente deu seu sorriso cheio de dentes. não temos interesse algum em Crucival. Era só roubar uma arma de raios de um dos rebeldes e atirar em todos do acampamento antes de ser finalmente rendido. – Que bom – disse a criatura. Eles estavam recrutando. Hazram soltou uma gargalhada. e as recompensas eram mínimas. – Com qual frequência as situações ficam difíceis? – perguntou Hazram. A criatura balançou a cabeça com uma cara feia. ele o assegurou que havia comida. “obtidas nas situações mais difíceis”. também guardaremos luto por seus amigos. roupas e armas suficientes para todos. antes de se lançar a uma explanação sobre qual era o papel de seu grupo de guerra na galáxia. de certa forma. por que você deseja se juntar à Rebelião contra o Império? Era para isso que o acampamento estava ali? Hazram se sentiu um tolo por não ter percebido antes. Quando Hazram se juntou a ele. Era um trabalho sangrento. Mas quando Hazram perguntou. mas os mestres da torre haviam organizado aquele massacre. disse: – O Império matou meus amigos. Mas eu posso lhe dizer o seguinte: se você se juntar a nós. o alienígena perguntou: – Então. E nem se importava muito. como se estivesse satisfeita. enfim. A unidade dele tinha lutado contra o Império em milhares de campos de batalha em uma centena de planetas. . Ele dizia representar “a 61a Infantaria Móvel da Aliança Rebelde”. Prometo a você. – Vingança é um combustível que queima rápido demais. – Não há muita gente aqui que valha a pena ser levada – disse Hazram. se abaixou sobre a poeira. Os camaradas de Hazram estavam mortos. Em vez disso. – Na verdade. uma companhia de tropas que se deslocavam de estrela a estrela aos caprichos de seus superiores. Duas mãos carnudas se entrelaçaram. Então deu um passo à frente e o alienígena o conduziu entre um par de tendas verde-prateadas. Não sabia o que o alienígena esperava ou queria. – Preferimos tratar disso dentro de um acampamento – disse a criatura –.

Mas a criatura já tinha dito quais eram as intenções da Rebelião. Os olhos do alienígena se fecharam e a cabeça curvou-se à frente. Assim como as facções de Crucival. Então. Quando as perguntas terminaram. – Tão novo? –. – Mas. Ainda assim. Hazram ignorou a voz do alienígena em sua mente quando a criatura enfatizou a justa causa dos rebeldes e os terrores do Império Galáctico. Mas a ideia de deixar Crucival… Ele nunca mais teria que voltar à cidade. lutando com as palavras. a criatura indagou balançando a cabeça. – Já temos muitos mercenários – ele disse. – Não vai me mostrar nada que eu já não tenha visto. todas as chamadas para guerra eram iguais. se assim o desejasse. Só as armas mais básicas lhe eram familiares. Daquela parte do discurso. pelo menos poderia morrer a centenas de planetas de distância de casa. mas ele a reconheceu assim mesmo. Hazram não entendia por quê. Foi a mais estranha das rejeições recebidas por Hazram. a Rebelião queria mentes que pudesse moldar para sua causa. – Uma guerra é uma guerra – disse Hazram. Então ele elevou os ombros e olhou novamente para Hazram. O alienígena perguntou se ele realmente estava disposto a combater o mal do Império por tão pouco em retorno – se compreendia o que poderia ser pedido a ele e quanto as ações do inimigo poderiam ser duras. o alienígena falou calorosamente sobre paisagens exóticas – desertos infinitos. se ele se alistasse. Hazram poderia se poupar. Essa foi a resposta errada. Parecia uma batida de tambor. inúmeras espécies – que a companhia tinha o privilégio de conhecer. Ele olhou em volta no acampamento e tentou adivinhar quais eram as necessidades dos rebeldes. Ele podia entregar Crucival a eles. Alertou Hazram de que eles raramente voltavam a algum lugar. Mentes idealistas. O pai dele tinha sobrevivido entre as estrelas. expirando um hálito quente e pungente. quando Hazram lhe disse pela segunda vez por quanto tempo ele vinha matando. Ele prosseguiu com perguntas sobre a experiência de combate de Hazram. talvez você possa nos mostrar algo de novo. Ela parecia não ter ouvido a primeira resposta. Nunca mais teria que deparar com o vazio de lá ou procurar comida na grama ensanguentada de fora de suas muralhas. Nenhum homem é apenas uma arma. Mentes jovens. E se não conseguisse. mas ela estava lhe dando outra chance. se não pudermos lhe mostrar nada de novo. – Com mais frequência do que gostaríamos – ele admitiu. A criatura riu discretamente. questionando se ele já tinha lutado em alguma unidade antes e se sabia usar uma arma de raios. o alienígena continuou falando. e ele as ouvira a vida inteira. Ele não entendia o funcionamento das tecnologias deles – até as laterais brilhantes de suas tendas pareciam mágicas. dizer-lhes quais facções obliterar primeiro se quisessem dominar o planeta. E Hazram não pertencia àquele lugar. não seria fácil voltar para Crucival. planetas com ilhas que flutuavam entre as nuvens. – A criatura soava quase esperançosa. Ele estava certo de que também conseguiria. . embora fosse permitido que ele saísse da companhia.

Então ele olhou para os outros viajantes da cidade. seria um excelente ativo em potencial. Viu um dos rebeldes olhar para o alienígena e acenar com a cabeça. Dê-me vinte minutos com ele e eu consigo descobrir. – Talvez ele tenha dito as coisas certas – disse Hazram –. mas está se esforçando demais para impressionar. Uma de suas mãos chamou para que Hazram o acompanhasse. a criatura levou Hazram de volta à tenda onde haviam começado a conversar e perguntou: – E se eu aceitasse todos eles? Se eu dissesse que meu capitão me deu ordens para levar qualquer um que lutasse pelos motivos certos? – Eu diria que seu capitão precisa cuidar melhor de seu pessoal. Não tem como se livrar desse hábito. Depois de uma hora. – Talvez – disse Hazram. – Mas ele nunca vai admitir o que não sabe. contudo. mas aposto que não sabe nem usar uma arma de raios. – É mesmo? – perguntou a criatura. antes de mandar o viajante ao seu lado – um jovem com uma barba grossa e uma túnica esfarrapada – aguardar perto de uma tenda. já temos muitos mercenários. que sobreviveu a uma vida difícil… Talvez seja tudo verdade. Por quase uma hora eles caminharam em silêncio pelo acampamento. – Como você é confiante. mas aprendera a lutar em um ambiente regado a especiarias. Alertou a criatura sobre uma mulher que usava as marcas de um dos mais cruéis sucessores de Malkhan: ela podia ser forte. se continuar buscando aprovação. – Quando você já se alistou em tantos exércitos. ou petulante. – Não muito. hein? Hazram não deu muita importância. mas a criatura pediu que ele avaliasse cada um dos viajantes. Hazram sabia o que precisava dizer. A criatura concordou e saiu andando sem falar nada. – Como eu disse. ouvindo a conversa dos recrutadores enquanto passavam por eles. Estavam inquietos na fila. Mostrar que é crescido. A criatura analisou Hazram. – Ele vai ser um problema – disse Hazram. – Por quê? – perguntou a criatura. Então disse ao alienígena que o homem seria lento para aprender tecnologia de extramundo. Talvez ele tenha uma qualidade: dedicação. e ele vai acabar matando alguém no campo de batalha. Hazram sorriu ironicamente. dando de ombros. e causaria um estrago se fosse obrigada a lutar lúcida. falando de forma ansiosa. começa a reconhecer as pessoas com quem deve se juntar. ou ressentida com os representantes rebeldes. até onde sei. Seu pescoço se expandia e contraía. Hazram não dizia nada a menos que solicitado. esfregando o dedão em sua barba rala. Hazram notou um veterano cheio de cicatrizes que tinha apenas um dos braços e que falava apaixonadamente sobre seu desejo de servir a uma causa justa. .

Crucival parecia pequeno e insignificante em meio às estrelas. Elas tinham sido fundamentais à sua existência. – Você poderia ensiná-los? – ele perguntou. quase vomitando em sua camisa dentro daquela caixa sem janelas que chacoalhava e fazia um barulho ensurdecedor. – Você poderia transformá-los em soldados com os quais lutaria lado a lado? Hazram olhou em volta para o acampamento novamente. Ele nunca tinha visto tanto metal e plástico em um só lugar. – Se fossem meus camaradas… eu faria o que fosse preciso para prepará-los. quando começou a pensar em Pira. e agora tinham sido tiradas dele. Ele finalmente tinha ido embora. simples demais para possuir uma única cidade. talvez tenhamos um lugar para você. – Então – disse a criatura –. seu pai. . A criatura parecia inabalável. Hazram Namir ainda não estava totalmente crente de que havia deixado o planeta Crucival até Gadren – a criatura do acampamento – acompanhá-lo até a escotilha da espaçonave Trovoada. cinza e amarelo. Ele tinha viajado numa nave de desembarque que partira da superfície do planeta. Ele pensou no que estava deixando para trás ao sair voando naquela jaula alienígena. para os viajantes e para os rebeldes. Não imaginou que sentiria falta da grama amarela ou das nuvens. – Eu não teria muita escolha – disse ele. Porém. quanto mais nações. A 61a Infantaria Móvel da Aliança Rebelde não precisava conquistar Crucival. Ele ficou parado sozinho em frente à escotilha por muito tempo depois de Gadren ter seguido adiante. sentiu-se tão leve e livre quanto a nave. e todos os que havia deixado bem lá embaixo. Se ela quisesse o planeta. poderia comprá-lo. e andara cambaleante ao descer uma rampa que dava acesso à doca da Trovoada. uma esfera pintada de verde.

mas tinham um charme desleixado. Ela podia ter contratado um droide de protocolo ou comprado um programa de tradução para sua máscara. desaparecendo nas sombras ao verem o fuzil em suas costas e a faca claramente exibida em sua cintura. a ideia de abandonar sua causa e voltar a uma vida mais simples passou pela mente de Brand. Ela usava sua máscara ao andar pelos becos tomados por gangues de vivissectores. mas nada em Ankhural valia mais dinheiro do que uma arma carinhosamente bem cuidada. As ruas nunca haviam sido limpas. Ela afastou aqueles pensamentos e continuou andando. pechinchando. Comerciantes independentes do espaço selvagem encontravam-se com representantes do cartel Crymorah para trocar favores por armas e especiarias. e sentia os olhos ressecados desde que acordara. Seu huttês estava enferrujado. extremamente mortal e amplamente proibida. cujo rosto parecia um cadáver desidratado. Como um grão de areia levado pelo vento. a capital – se é que um planeta com apenas uma cidade e uma porção de assentamentos clandestinos pode dizer que tem uma capital – tinha sido cercada por um escudo defletor que filtrava a poeira das planícies de silício ao redor. – Nenhum problema – disse o alienígena. Ela as colocou nas mão do velho Weequay. Aproximou-se de um Weequay murcho e enrugado. discutindo e se beijando. Acho que as gangues ficarão curiosas em breve. e começou a acompanhar os passos dele. Sentia falta dela. mas esperava que o esforço a fizesse ser respeitada. Os becos a levaram para baixo de uma marquise larga onde quase não se via nada. Brand enfiou a mão na jaqueta e retirou uma pilha de fichas de crédito de grande valor. Brand não achava mais que Ankhural fosse charmosa. segurando escalpos. Espiões de Umbaran trocavam seus serviços com sobreviventes do Olho da Morte. Sua máscara detalhou as silhuetas de dezenas de homens e mulheres usando véus e sussurrando. dizendo: . olhavam para ela enquanto andava. Homens de pele branca e seis dedos na mão. – Nenhum problema? – perguntou ela. C A P Í T U L O 22 P LANETA ANKHURAL 7 DIAS ANTES DA OPERAÇÃO FURA-BLOQUEIO 13 ANOS MAIS TARDE A última vez em que Brand estivera em Ankhural. Qualquer um naquele mercado valeria uma boa recompensa. – Nenhuma pergunta. tamanha a escuridão. Ela tinha vendido a pistola disruptora.

Os olhos dela e os do intendente Hober se cruzaram. observando o M2-M5 – agora atuando como chefe de engenharia. a Trovoada não teria como se defender. abandonou a caçada. No vasto espaço além das portas – encerrado pelo anfiteatro. eles se esconderam e esperaram. Quando saiu do mercado. Ela baixou a máscara ao se aproximar das portas metálicas da grande arena – grande o bastante para deixar passar um hovertank. nenhum progresso e nenhuma mudança real. . mas era capaz de aterrissar num planeta em caso de emergência. A Trovoada não havia sido construída para pousar. ela pensou. Ou uma pista de corrida sem uso no meio do nada. as lentes de sua máscara ficaram embaçadas pela fuligem. como já o fizera. e as portas se abriram deslizando menos de meio metro. Ao chegar à pista de corrida de pods na fronteira da cidade. mas com apenas um droide aranha como guarda. mas ela não era líder de ninguém. a tripulação de engenheiros precisava desligar sistemas inteiros – e isso significava encontrar uma doca espacial ou uma flotilha. Ela procurou não pensar em quanto tempo conseguiriam esperar. “Poderia ter sido pior”. Então. – Diga ao avô de Vice que fico muita agradecida pela ajuda. seu perseguidor. ou se as gangues ficassem muito curiosas e entregassem os rebeldes –. E o fizera do fundo do coração. Se o Império encontrasse Ankhural – se o prelado rastreasse a Companhia do Crepúsculo. continuou andando. Com isso. Dezenas de soldados da Crepúsculo se movimentavam. quando fora apenas parcialmente reparada de suas batalhas na Orla Média. A situação atual certamente se qualificava como tal. Ela havia prometido que tentaria cuidar da companhia. A nave tinha sido gravemente prejudicada na batalha contra o prelado Verge. A Promessa de Apailana conduzia seus próprios reparos em órbita. pequenos diante da magnitude da nave. ajudavam engenheiros a desmanchar painéis ou soldavam rasgos no casco. ela balançou a cabeça e torceu para que isso fosse o suficiente para transmitir o resumo das rotinas da parte da manhã: nenhuma emergência. operada por uma tripulação minguada. mas a céu aberto –. Para concluir o trabalho de conserto. não havia mais ninguém para proteger a companhia. Eles levavam ferramentas e peças mecânicas trazidas da cidade ou rebocavam sucatas queimadas e retorcidas para pilhas de lixo. e Brand tentou não pensar sobre o que eles fariam – o que ela faria – após a recuperação plena da Trovoada. O droide inseriu um cartão numa tomada para admitir a chegada dela. Brand acenou com a cabeça para as sentinelas ao se aproximar da imensa nave. envolvido em duraplast transparente para proteger suas juntas do pó – soltar comentários sarcásticos aos que realizavam os consertos ao mesmo tempo que administrava a triagem mecânica. Brand sentiu a presença de alguém a seguindo. ela precisou virar o corpo para entrar de lado. quem quer que fosse. a Trovoada repousava numa cama de poeira. Outros pareciam não ter nada melhor para fazer do que jogar dados ou esperar por encrenca.

magro e compacto. As grandes portas de metal estavam se abrindo. apoiando-se levemente uma na outra para se manterem de pé. Um berro vindo dos portões a poupou. As sentinelas formaram um grande arco em volta do portão. A outra era uma mulher ainda mais magra com cabelos negros. Peste levantou e foi em direção a Brand. Brand empunhou firmemente seu fuzil e mirou na fenda pela qual surgiram duas figuras. – Você conseguiu – disse Brand. mas Brand não tinha respostas para suas perguntas inevitáveis. Isso significava que um estranho estava chegando para fazer uma visita. Brand tirou o fuzil das costas. As sentinelas não teriam acionado o alarme se alguém da Crepúsculo ainda estivesse na cidade. Brand se aproximou da dupla e jogou o fuzil de volta para as costas. Os dois usavam jaquetas manchadas e desgastadas. girou o corpo e correu por onde tinha vindo. Ela até gostava Peste – a menina tinha dado o seu melhor em Coyerti. Gadren e Peste estavam sentados na terra. mas Brand não deu muita bola para ela. Ela abriu um sorriso assim que Namir e Chalis pararam a alguns metros de distância. O primeiro era um homem de pele bronzeada. e se esforçara durante a infiltração na nave –. As sentinelas cuidadosamente baixaram suas armas. Ambas caminhavam instavelmente. Duas das mãos do Besalisk estavam enfaixadas por causa de feridas obtidas em sua tentativa de conter os sequestradores na ponte da Trovoada. grossas demais para Ankhural. .

Namir não os culpava – a nave ecoava dia e noite com os sons de faíscas e maçaricos de solda. ou suspeitado que ela tivesse visto ou feito alguma coisa traumática durante o ataque à Trovoada. havia ao menos uma aparência de calma. Estavam abatidos. Um mês antes. – Melhor – respondeu ele. com o ar seco e empoeirado. – Hidratado. O sorriso dele murchou quase que imediatamente. Mas em algum momento. comessem alimentos mendigados nas cantinas de Ankhural e limpassem suas armas sob o brilho da noite. preferindo dormir a céu aberto. certamente. e parecia tão à vontade na companhia quanto qualquer um dos veteranos. poderia procurar Gadren. Eu precisava descansar. sem o menor aviso. e via que eles desviavam o olhar quando ele passava. e o alarme disparava intermitentemente por motivos que ninguém sabia explicar. mas Von Geiz me liberou para o trabalho. se transformaria em amargura. – Que bom – ela murmurou. do que no interior frenético da embarcação. – Desculpe por termos quebrado a nave. alimentando um luto que. Ela usava um pedaço de pano rasgado em volta do pescoço. pronta para cobrir o rosto se a poeira subisse. Mas embora as tropas conversassem em voz baixa. Se precisasse de apoio moral. Ombros ficavam tensos quando um grito distante ecoava da cidade. e parecia ser melhor não a pronunciar. Namir observava os soldados ao caminhar por entre as fileiras alinhadas. e não apenas mais uma recruta. por entre sacos de dormir e aquecedores portáteis espalhados pelo chão. ou outros tantos. ele poderia ter se preocupado que os vícios de Ankhural a tentariam. Namir não os culpava por isso também. Peste se tornara uma soldado da Crepúsculo. Do lado de fora. tentando adivinhar por que ela fora até ele. “Desculpe por ter perdido o capitão” era a única resposta que lhe vinha à mente. Eles não estavam calmos. Ela era parte da unidade. Peste olhou por cima do ombro. . calma não era o sentimento que elas transmitiam. Namir deu uma gargalhada. então de novo para Namir. ou Charmoso. Ele olhou para Peste. C A P Í T U L O 23 P LANETA ANKHURAL 5 DIAS ANTES DA OPERAÇÃO FURA-BLOQUEIO Algumas dezenas de soldados haviam armado uma cidade de tendas em volta da proa da Trovoada. – Como você está se sentindo? Peste caminhava com atenção ao lado de Namir.

Todos os sonhos haviam sido destruídos embaixo das patas mecânicas dos walkers imperiais. nenhum grande plano para retomar a Orla Média e seguir adiante com a vitória. a companhia tinha sido decapitada – não havia sobrado nenhum oficial graduado com experiência de comando. aquele não fora o massacre em Asyrphus ou a dizimação em Magnus Horn. e a Trovoada podia ser consertada. Ele permitiu que uma faísca de esperança atrapalhasse seu entorpecimento. os homens e mulheres da Crepúsculo pareciam tão numerosos como antes. O que significava que havia alguma coisa para a qual ela precisava do primeiro sargento. – Eles ainda querem lutar. e os outros novatos de Haidoral. O Alto Comando tinha fugido para lugares desconhecidos. olhou novamente por cima do ombro e disse: – Alguns dos caras estão falando em deixar a companhia. independentemente de quão sangrenta fosse a batalha ou quão ruim fosse a derrota. Olhando rapidamente. um fim de mundo pirata além das fronteiras do espaço imperial. com o comandante Paonu e o resto da tripulação de ponte da Trovoada mortos. ela não o culpava por ter notícias do fim da Crepúsculo. Só… – Eles não querem ficar parados. Além de alguns do velho esquadrão do Fektrin. Os líderes de . Nem ele sabia ao certo do que estava tomando conta. – Eu dou um jeito nisso. – Corbo – disse Peste –. Ele não havia permitido que o medo o assaltasse na ocasião – simplesmente tinha resgatado o entorpecimento que sentira em Hoth e lembrado que a Companhia do Crepúsculo sempre sobrevivia às suas batalhas. ela sobrevivia. Nem quando deixara Hoth. Uivo estava morto. As perdas sofridas durante a batalha na flotilha tinham sido um golpe. Não havia novas ordens para a Companhia do Crepúsculo. Então lembrou-se do datachip que Brand lhe dera “em caso de emergência” e seguiu suas coordenadas a Ankhural. Essa não era uma notícia que Namir queria portar. Ele tinha se concentrado em procurar por qualquer um que tivesse sobrevivido. imaginou encontrar a Trovoada destruída. Mas sem Uivo ou o tenente Sairgon. Eles continuaram caminhando juntos enquanto Namir fazia suas rondas e observava as tendas. esperando serem bombardeados – disse Namir. mas a Companhia do Crepúsculo intacta e determinada a seguir adiante. Independentemente de perdas dolorosas. Em vez disso. A companhia já tinha passado por perdas maiores. Ele sabia exatamente o que as tropas estavam sentindo. – Quem? – ele perguntou. Ele devia isso a eles. nem quando não encontrara nada além de escombros e um cargueiro esburacado à deriva no ponto de encontro da flotilha. mas não tinham aleijado a companhia. encontrou uma unidade resistindo aos trancos. – Ela hesitou novamente. A base secreta da Aliança Rebelde estava em ruínas. Namir grunhiu e deu um aceno curto. Pelo menos. Ele não se incomodava com a companhia de Peste. Peste limpou as mãos na calça. e sonhando com o regresso de seu capitão.

tecnicamente. ele não tinha carinho ou paciência para gastar com a governadora. O pescoço dela estava manchado de verde e amarelo. então posso usar isso em meu favor. Quando Namir voltou de Hoth para encontrar-se com a flotilha perdida. A menos que consiga resolver isso… – Podemos começar com um funeral – disse Hober. mas ela não parou nem deu muita atenção para ele. Mzun disse alguma coisa que Namir não compreendeu. Von Geiz concordou e Gadren curvou a cabeça. pareceu rude ficar observando. Ela ficava longe do caminho. O encontro dela com Darth Vader havia deixado feridas mais profundas. designá-los a grupos de reparos separados por um tempo. Eu só achava que todos deveriam saber que é assim que estamos. – Mas acho que todos votariam contra. mas tinha experiência e Von Geiz (que era. – Já passou da hora. sob aquelas circunstâncias. Namir olhava impacientemente para os outros. Veremos se isso acalma as coisas – disse Namir. Então ele riu amargamente e se reclinou para trás na cadeira. Von Geiz e seus colegas oficiais mais antigos todas as manhãs na sala de conferências. Seu entorpecimento era muito precioso para ser perdido. apesar da melhora gradual do hematoma em sua garganta. esperando que alguém traduzisse. fingindo que eles faziam aquilo tudo por um motivo. o oficial de maior hierarquia ainda vivo). mas. – Você é muito bom em discursos. mas estancar um pescoço sangrando não tinha sentido quando a cabeça tinha sido perdida. Ele não era líder de esquadrão. . Eu diria para deixarmos a ideia de lado até que os reparos sejam finalizados – disse Namir. ele a encontrou sozinha na ala médica uma hora antes do funeral de Uivo. mas isso só vai lembrá-los de quem você não é. – Eu falo com eles – disse Gadren. Então ele a deixara dormir e se sentar sozinha. Ninguém o fez. embora Mzun – que resolveu assumir a liderança do esquadrão de Fektrin – tivesse pronunciado uma série de balbucios que deviam ser de indignação. Agora Namir tinha o privilégio duvidoso de se reunir com Hober. – Vamos dividi-los. Namir forçou um sorriso espremido. – E Corbo me deve uma. e seu cabelo parecia engomado com poeira. Ela estava tirando uma longa sonda de alimentação da boca quando Namir entrou. Em Ankhural. Ninguém se opôs a sua presença. Chalis não contestou sua decisão de procurar por sobreviventes. o que já era o bastante para Namir. Eles dividiam um pacote de ração por dia de seu estoque rapidamente consumido. gostava dele. Apenas Von Geiz e Carver pareciam genuinamente surpresos. Ele comentou sobre o que Peste havia lhe dito a respeito das deserções na reunião seguinte. toda a tripulação ativa que temos vai querer estar lá. como se ele estivesse invadindo uma intimidade muito grande. Namir já tinha visto tropas lidarem com estresse pós-traumático. lendo as atualizações diárias dos engenheiros e as solicitações de suprimento de Hober.esquadrão mais antigos e a equipe de apoio tinham assumido o controle nesse meio tempo. – Faremos um funeral. ainda assim. Ela não falara absolutamente nada após partirem do planeta de gelo.

Chalis acenou. e esperou. Ele nem sequer entendeu a pergunta. alisando o hematoma. quando ela finalmente falou. Um droide protocolar bajula menos os seus mestres. Mas ela tinha que estar reagindo. Chalis olhou para Namir de onde estava. – Descubra uma maneira de contribuir – disse Namir. – Ele não está mais aqui para protegê-la. Namir não sabia exatamente o que ela pensava do capitão. com um olhar duro e mortal. Com isso. . quando Darth Vader estava em Hoth? – Os olhos dela focaram em Namir. Quando ela pendurou a sonda no local apropriado. – E daí? – A batalha na flotilha já tinha acabado há algum tempo. ele escolheu uma abordagem diferente. Chalis expirou longamente e deitou-se na mesa de exames. Por fim. – Por que um garoto patético estava atacando a Crepúsculo – disse ela –. sentada na mesa de exames. e estava cansado de ser ignorado. – Gotas de saliva voaram de seus lábios quando ela forçou as palavras para fora. lá dentro de sua cabeça. – Achei que gostaria de saber. Ela retirou um lenço do bolso. Ele não dava muita bola para isso. Namir saiu da ala médica e decidiu lidar com aquele problema da governadora outra hora. Ele não tinha uma resposta. – O funeral de Uivo é hoje à noite – disse Namir. A irritação de Namir deu lugar ao espanto. Namir fez uma carranca para ela e raspou a bota contra o chão branco esterilizado. Chalis ainda estava com a Crepúsculo porque ela tentara resgatar Uivo em Hoth em vez de fugir. – Prelado Verge – disse Chalis. limpou as gotas dos joelhos. mas ainda assim parecia uma mulher no leito de morte. Chalis fechou os olhos como se não tivesse ouvido e pressionou a ponta de um dedo na garganta. Ela tinha uma ligação muito intensa com Uivo para desdenhar de sua morte. Aquilo irritou Namir. Ele estava virando para ir embora. – O que tem ele? – Ele é uma criança. Namir ligou o nome em sua cabeça. embora tenha sido necessário muito tempo para ele descobrir o porquê. A voz dela não era mais aquela coisa áspera que estava em Hoth. Chalis inclinou levemente a cabeça. E Namir merecia ver sua resposta – ele salvara a vida dela mais de uma vez. mas não disse nada. O comandante inimigo era o menor dos problemas de qualquer um. – Precisamos de todas as mãos que conseguirmos. Chalis só estava viva porque Uivo a acolhera. Brand o mencionara antes: o homem que liderara o ataque à Trovoada na flotilha. Quando ficou claro que ela não tinha qualquer intenção de responder.

sob a luz alaranjada da cantina de Ankhural. qualquer um com ousadia para liderar um exército morre uma lenda. – Não havia assunto longe de seus interesses – disse Gadren. estava em Vanzeist. Namir girou a caneca e sorriu amargamente. Brand. gritando seu próprios brindes e histórias de batalhas remotas. – Fektrin acreditava que Uivo tinha sido professor antes da guerra. Namir imaginou. seus seguidores se atêm a uma desculpa para . Isso explicaria muita coisa. depois do que eu e Ajax fizemos. – Eles eram muito próximos. – Não entendi – disse Nemenov. e o melhor comandante da Aliança. O funeral foi simples. – Sairgon conhecia quem ele costumava ser – disse Brand. – É muito mais fácil – disse ele – lutar por uma lenda do que por política e religião. fazendo uma rara aparição entre os soldados da Crepúsculo. Gadren e Charmoso inclinaram-se para frente para ouvir. Ele estava no Clube novamente. – Depois de tomarmos aquele porto fedorento… – Chenodra – disse Brand. formal e arrastado. O grupo bebeu junto. Namir e os outros oficiais mais antigos concordaram em depois conceder aos esquadrões uma licença limitada. Outra mesa de tropas da companhia sentou-se do outro lado do balcão. – Nós o deixaremos orgulhoso – disse Brand suavemente. mas sem gaguejar. Uivo morre uma lenda. Esse foi o brinde de Charmoso. – A Micha “Uivo Furioso” Evon. O Império é um lugar mais seguro sem ele. O cara era um doido. – Vieram até mim em Bamayar – disse Tique. observando Ajax roubar nas cartas. então o mistério continua. Uivo começou a falar sobre os prédios. alguma coisa sobre arcos e colunas. Tique deu de ombros. Ele culpava a bebida por sua indelicadeza e não parou de falar. Namir sabia disso. – Nós conhecíamos seu coração – disse Gadren – e suas paixões. – Chenodra. Não era o assunto certo para aquela noite. Namir fez uma careta diante do gosto exageradamente doce e quimicamente frutado do vinho. Achei que eu tivesse errado feio. com o copo na boca. Vieram até mim durante a limpeza. – Mas Sairgon também morreu. Você morre uma lenda. Num esforço de levantar o moral. De onde eu venho. Os outros ficaram desconfortáveis. Peste havia se voluntariado para ficar de vigia na Trovoada. Será que ele era tão misterioso assim? Namir encolheu os ombros e disse: – Não importa. o primeiro e único capitão da Companhia do Crepúsculo. É a última coisa que se pode oferecer. e ele tinha que admitir que um pouco da normalidade estava voltando aos poucos. Não iria piorar nada. Você nem precisa fingir que entende sobre o assunto. comemorando uma vitória contra os imperiais junto com os locais. Como se eu me importasse. nos conformes com a tradição da Companhia do Crepúsculo. Tique e Nemenov – um dos pilotos de X-wing de licença da Promessa de Apailana. Namir levantou sua caneca com líquido vermelho fumegante junto com Gadren.

– Há verdade no que disse sobre lendas – ele finalmente admitiu. Uivo lutou para manter suas tropas juntas e salvou a Companhia do esquecimento. quando a Aliança tentou redesignar os sobreviventes para outras unidades da infantaria. ninguém foi estúpido o bastante para fazer o trajeto sozinho. – Então precisamos nos esforçar para lembrar Uivo como um homem. – Ele era um fanático – disse Namir. quando ele acordou dois dias depois. – Ou alguma coisa – concordou Gadren. O tom de Gadren era paciente e conciliador. contanto que agisse de acordo com seus dogmas. . – Eu sei – respondeu Gadren. Mas Uivo focava nossas esperanças. todos de olhos em Namir. – Então imagino que isso não importe – disse Namir. como se ele estivesse contendo palavras que lutavam bravamente para sair. e a palavra saiu de maneira contundente. o grupo contou histórias de Uivo e da Companhia do Crepúsculo. Um sonho. Brand relembrou o recrutamento em Demiloch. piadas sujas de Tique e espetadas gentis de Charmoso em Nemenov. ficou furioso ao saber que Sairgon tinha encerrado o recrutamento mais cedo. – Não – retorquiu Gadren. Mesmo bêbados. Uma meta. Gadren riu. Ele se forçou a sorrir e concordou com o amigo com um pequeno gesto. A conversa seguiu em frente. não um mito. nem do entendimento de ninguém sobre o profundo mal que nossa era enfrenta. nós mal temos uma nave. os enlutados começaram a voltar para a Trovoada em duplas e trios.guerrear por gerações. Ele não tinha vindo à cantina para discutir. a Crepúsculo não poderia ser morta. terminando sua última bebida. A pele dele parecia em brasa com a luz da cantina. – Mesmo assim. quando Uivo tomou um tiro de um espião imperial fingindo ser novato. Ele acreditava que. e disse: – O capitão nunca se preocupou com a força de números ou equipamentos. – É mais fácil lutar quando se tem um símbolo em mãos. Gadren e Namir foram os únicos que restaram. Nós todos nos dedicamos a lutar contra o Império. – Nesse exato momento – disse Namir –. Uma longa vibração veio de sua garganta. – Ou alguma coisa – disse Namir. Mas também não sei explicá-lo. Os outros concordaram meio tensos. – Ele era um homem da razão. e se é para a Crepúsculo seguir em frente… ela precisa daquele fogo. ainda não temos um futuro sem ele. – Fanático maluco ou gênio inescrutável. Em meio a novas rodadas de bebidas. não consigo imaginar Companhia do Crepúsculo sem ele. Ao fim. e evitar tal armadilha. Mais tarde naquela noite. – Eu nunca gostei dele. Charmoso falou dos dias de sombras depois das perdas da companhia em Magnus Horn. depois de Namir subornar o garçom para ignorar as canecas despedaçadas e as cadeiras quebradas na segunda mesa da Crepúsculo. Não duvido da bravura de ninguém. sabe – disse Namir. Gadren acenou lentamente e juntou duas mãos. como se aquilo não o preocupasse nem um pouco.

Ele tinha que encontrar a meta da qual Gadren havia falado. ouviu a cartilagem do pescoço dela estalando como folhas. A técnica de comunicação que a Crepúsculo nunca substituíra. mas ele tinha certeza de que precisava agir. Namir ficou com a cabine toda para ele naquela noite. Namir viu a figura vestida de preto assassinando seus camaradas com um raio de luz. . Ele não fazia ideia de como. Tique e Hober. Roja estava morto. Pira. e seus outros companheiros de quarto tinham preferido dormir do lado de fora. encontrar a esperança da Crepúsculo após a morte de Uivo. Parecia uma tumba. Ele tinha feito uma promessa a si mesmo naquela noite: “Se eu não puder seguir aquilo em que eles acreditam. assumindo a forma de um Império Galáctico. Ele se lembrou da última vez que bebera tanto. Ele viu Chalis ser levantada do chão sem ser tocada. Gadren e Brand. e de seus dias com a Doutrina – era a primeira vez que ele via seus colegas soldados como família. Dar à companhia um meio para enfrentar o Império. Ele amava todos. Será por isso que os outros lutavam? Será que era esse o “profundo mal” que Gadren insistia em dizer que ameaçava tudo que existia? Uma profunda depravação sustentada por um poder inexorável. Ele também não podia virar de costas. Darth Vader era apenas sua linha de frente. Ele não podia abandoná-los quando estavam sangrando na poeira de um planeta como Ankhural. Nada em Namir desejava enfrentar outra vez aquela escuridão. Eles merecem coisa melhor. Roja e Beak. Lembrou-se de Chalis zombando dos medos da Rebelião de total desolação. Pela manhã. Sem o som da respiração de seus colegas. Seus pensamentos vagaram pelo mar de vinho pútrido que ele consumira. talvez seja melhor me afastar”. Como um túnel destruído em Hoth. a cabeça de Namir não estava mais leve. a escuridão total era desoladora. Meio sonhando. com o capitão do cargueiro rebelde em Hoth. Charmoso e Peste. Mas ele estava começando a compreender por que os homens e mulheres da Companhia do Crepúsculo não viravam de costas quando confrontados com a desesperança de sua causa. uma sombra interminável passando por todas as estrelas.

e eu o elogio por isso. passando os olhos em um artigo sobre a Batalha de Christophsis plagiado por algum cadete. O capitão Tabor Seitaron concordava que punições eram necessárias. instalou suas rodas. . – Somos homens de diferentes eras – disse o prelado após o desjejum com Tabor do lado de fora da câmara de interrogatório. e contra seu discernimento – começando a apreciar a companhia do prelado. e ainda assim ele continuava ávido para liberar seu próprio potencial. em excesso. Mas a propensão de Verge por tormentos macabros apenas incutiria mais medo em sua tripulação. Medo era como calor aplicado ao aço: aplicado corretamente. Tabor ainda podia ouvir os gritos do comandante. transformava o metal em cinzas. sua curiosidade sobre Tabor. Você lubrificou seus mecanismos. C A P Í T U L O 24 SET OR ELOCHAR 9 DIAS ANTES DA OPERAÇÃO FURA-BLOQUEIO O próprio prelado Verge definiu a punição. Desde sua convocação à Arauto. O entusiasmo do garoto em expor suas ideias. – Cumprimos com nosso dever – disse Tabor – e tentamos superar os desafios indicados pelo imperador. era surpreendentemente contagiante. e se não tivessem. o comandante das Forças Especiais que organizara a equipe de infiltração – seriam usados como cobaias de calibragem para os droides interrogadores até que confessassem todos os atos de deslealdade que já haviam cometido. Erros tinham ocorrido. os droides estariam ocupados torturando somente a governadora Chalis. Na semana após o ataque. seu desejo de trazer aqueles a sua volta a seu estranho mundo. Os membros que haviam falhado contra a Trovoada – o atirador que fora lento demais ao mirar na embarcação. Sua familiaridade e sinceridade. E Tabor estaria em casa novamente. eram igualmente encantadoras – até os alunos mais capazes de Tabor pareciam mais preocupados com os avanços na carreira do que com discussões sobre novas ideias. forjava uma lâmina. O oficial de inteligência estava morto. Enquanto caminhavam. – Você ajudou a construir a máquina que é o Império. O comandante das Forças Especiais ainda gritava. só o atirador tinha sido liberado. você criou ordem. Verge já tinha ascendido muito mais que Tabor jamais pensaria ser possível. Tabor se viu – para sua surpresa. o oficial de inteligência que falhara em antecipar o salto do inimigo à velocidade da luz.

enquanto eu aprendi a virtude do excesso. Você está correto. Eu reconheço que suas maneiras podem ser mais eficientes em fazer a máquina da Império funcionar melhor. O imperador edificou uma nova sociedade. e seu sorriso parecia rígido e forçado. mas viver de acordo com o que o imperador ordena. e se o Lorde Vader acredita ser o discípulo número um do imperador. – Tenho meus próprios hábitos – admitiu Tabor. – Lealdade plena – ecoou Verge – e obediência plena. capitão. nossos excessos não poderão fazer mal ao nosso mestre. capitão. Minha geração será de escravos gloriosos. Os lábios do prelado tremeram: um claro sinal de que estava ficando impaciente. – Discordamos em alguma questão importante? – perguntou Tabor. Você vê maneiras mais eficientes para manter a máquina. Meu dever não é definir seus fundamentos. Ele não iria e não podia tentar prever o prelado. – Então você acredita – disse Tabor. – O prelado sorriu ao continuar. acredito que a máquina é o motivo pelo qual nem sempre estejamos em harmonia. Mas preferiu não se contradizer. Independentemente da relação que ele criara com Verge. seu interesse em conversar com Verge chegou ao seu limite. – Não obstante – disse o prelado –. a máquina foi construída. – Verge franziu a testa por um momento e fez uma pausa no corredor. a ponto de serem arrogantes. – Mas essa é a sua nave. nosso imperador nos recompensa com o privilégio de agir extravagantemente de acordo com nossas emoções mais fervorosas. – Você não está compreendendo. – De forma alguma – respondeu o prelado –. virando-se de frente para Tabor. Aquela não era uma hora para ser desatento ou negligente. contanto que sejamos completamente leais. As palavras eram orgulhosas. – O que o imperador exige de cada um de nós. E. Mas havia um tremor na voz do prelado. Tabor se perguntou. capitão. – Nossa lealdade e obediência – respondeu Tabor. falhas são impossíveis? . um novo estilo de vida. capitão? Seria a pergunta uma armadilha?. E ele continuou: – Mas a máquina já está construída. deixando um quê de surpresa em seu tom. e depois de uma manhã observando atos terríveis enquanto tentava digerir ovos com picles e bolinhos. isso é importante. como membro da civilização que você tão habilmente engendrou. eu acredito ser o primeiro filho verdadeiro do imperador. não era sábio se esquecer de ficar atento à ira do garoto. Enquanto nossa lealdade e obediência forem absolutas. perguntando-se se sua falta de cuidados representaria sua queda – que. mas sei que você não apreciou minha escolha de medidas disciplinares. e cada líder comanda suas tropas à sua maneira. Mas havia limites para sua tolerância. Tabor focou sua atenção no prelado Verge e ajeitou os ombros na cadeira. – Em troca. Você aprendeu a ser comedido.

– Darth Vader e suas forças dispersaram o Alto Comando da Aliança. . Nisso. Verge girou e começou a andar novamente. Vamos estudar as opções que ela tem e vamos desenhar um plano. – Ele diminuiu o passo e estendeu a mão para tocar o braço de Tabor. – O último fracasso – disse Verge. Tabor pensou. Isso significa que ela agora está isolada. “E qualquer erro”. – Vamos conversar. com o tremor na voz voltando por uma fração de segundo – foi a falha de nossa tripulação. capitão. de repente. Em vez disso. procurou tranquilizar o garoto da única forma que conseguiu conceber. – Então nos permita continuarmos fiéis – disse Tabor – garantindo a captura da governadora Chalis. e eles foram justamente punidos. qualquer capricho pode ser cumprido se formos fiéis ao nosso imperador. O que ela faria sozinha? – O que de fato? – disse Verge. – Então precisamos determinar seu próximo passo – respondeu Tabor. Tabor pensou. “é equivalente a traição. – Assim. Ele se forçou a não demonstrar qualquer reação. – A nave dela agora está em algum esconderijo. Acho que não conseguiremos rastreá-la novamente. – É claro – disse ele.” Tabor. eles concordavam. Mas não deve existir um segundo fracasso. Tabor virou para olhar o garoto. acenando bruscamente. percebeu que o garoto estava amedrontado. – Acredito – disse Verge.

procurando um negociante que vendesse para eles as partes de que eles precisavam para fazer contato com o que quer que tivesse restado do Alto Comando da Aliança. no entanto. – O que você disse? – perguntou Namir. e os engenheiros da Crepúsculo já tinham relatado dificuldades em obter fios. particularmente quando alguns créditos estavam em jogo. Transmissores ilegais e sequenciadores de código eram um passo muito grande. Foi uma resposta maior do que a que Namir esperava. acabou ao se aproximarem da pista de corrida de pods. mas Brand olhou para ele irritada. Em uma pequena loja. Namir e Brand concordaram tacitamente em se contentar com alguém indisposto. Eles não encontraram ninguém disposto a isso. Então. Então Namir e Brand passaram a maior parte da manhã vasculhando pequenas lojas e ferros-velhos. Mas ninguém queria se envolver. – Algo que só funcionará uma vez – disse Brand. ele decidiu tentar a sorte. tubos e sucatas. Ele gritou alguma coisa em uma língua alienígena quando os dois saíram da loja. Namir riu. Ele ainda não tinha ideia de como dar à Companhia do Crepúsculo o que ela precisava. olhando por cima do ombro ao indicar o caminho pelos becos da cidade. – O que ele disse? – perguntou. Ignorar a Companhia do Crepúsculo era uma coisa. os cidadãos de Ankhural pareciam felizes em fazer vista grossa. e os temores que haviam invadido seus pensamentos na noite anterior o envolverem como um manto. . O proprietário desapareceu na parte de trás da loja e depois voltou com uma caixa de dispositivos metálicos marcados com o selo imperial. C A P Í T U L O 25 P LANETA ANKHURAL 3 DIAS ANTES DA OPERAÇÃO FURA-BLOQUEIO O painel de comunicações da Trovoada derretera com o ataque na flotilha. Por volta do meio-dia. – Ele achou que nós éramos um casal – disse Brand. enquanto Namir mantinha um droide com o escalpo fluorescente sob a mira de sua arma. A Promessa de Apailana não tinha equipamentos para codificação interestelar. com a caixa seguramente acomodada debaixo do braço esquerdo de Namir. Brand sussurrou alguma coisa no ouvido do proprietário. A alegria dele. na qual presas de animais e frascos de líquido prateado estavam empilhados junto com datapads e aranhas de retina.

obter uma resposta era questão de paciência e oração. induzindo-o a continuar. Sabemos que ela está viva. – Sinto muito. – Está desaparecida. O holograma apagou. O sargento gesticulou para o médico. Fossem eles alferes ou não. mas a frota se dispersou e o Império está caçando rastros. Namir encostou na parede da sala e cruzou os braços. – Algo que apenas Uivo faria. estamos sozinhos nessa. Trovoada. Von Geiz falou suavemente. – … a maior parte do Alto Comando sobreviveu. – Uivo confiava em você – disse ele. por si só. Houve um longo atraso antes de o garoto responder. quando chegou ao escritório de Uivo. por mais breve que fosse. observando o ar acima do projetor. tenho certeza. – O que ele faria agora? Von Geiz riu. havia uma chance de que as mensagens fossem rastreadas. A Trovoada enviou três mensagens para três estações de transmissão da Aliança diferentes. mas ele confiava na palavra dos tripulantes da ponte que haviam sobrevivido. Boa sorte. – A imagem pixelada. ainda eram membros da Aliança. Uma vez que os comunicadores estivessem instalados. como se esperasse a ligação continuar. Namir não sabia dizer se a causa era humana ou técnica. O Império está utilizando todos os recursos para encontrá-la. o atraso. – Como prevíamos. Von Geiz acenou novamente e olhou para Namir. viu o velho médico olhando para um holograma azul tremeluzente. Isso. – Não sei dizer quando eles voltarão a se reunir. Namir não entendia os mecanismos. focava na parte de cima do corpo de um garoto não uniformizado mais jovem que Namir. já era um risco – se o Império tivesse localizado as estações de retransmissão. – Há alguém – perguntou Von Geiz – com autoridade de comando a quem possamos nos reportar? Existe alguma ordem geral para as naves sobreviventes? Novamente. – Não que eu saiba – finalmente disse o garoto. Os oficiais mais antigos intercalaram o turno das comunicações pelo resto do dia e noite adentro – qualquer canal que fosse aberto com a Aliança provavelmente não permaneceria aberto por muito tempo. e isso significava que tinham lido os manuais operacionais de equipamentos cujos nomes Namir nem saberia pronunciar. Namir foi substituir Von Geiz cedo pela manhã e. na esperança de que uma fosse redirecionada para uma nave ou base que não tivesse sido destruída. As palavras dele eram difíceis de entender. mas é só isso até agora. cheia de estática. Melhor nos perguntarmos: o que podemos fazer sem ele? . um droide soaria mais humano que aquilo. Von Geiz acenou lentamente. – E a princesa? – perguntou. e alguém da Crepúsculo tinha que estar a postos para aproveitar qualquer oportunidade de comunicação.

Você ainda está aqui. Chalis não disse nada. sua mente não reagiu. O dedo dançava rapidamente sobre a tela do pad. Sentada no beliche estava Everi Chalis. Então ele expulsou a pergunta de sua mente. e começou a se preparar para se sentir desconfortável. “Que se danem as preparações e os discursos. mas se controlou. Ela parecia pequena. se os fios brancos em seus cabelos já se destacaram tanto desde Haidoral Prime. Seu corpo estava muito próximo ao datapad para que Namir observasse sua fisionomia. Namir se perguntou se aquele era o máximo que ela conseguiria se recuperar. e começou a desenhar de novo. debruçada sobre um datapad. A voz era rouca. Chalis fez um ruído suave e evasivo. – O Alto Comando está fora de questão. um baú e uma pequena mesa dominando duas paredes. – Você me disse – continuou Namir – que tudo o que queria era conforto. – Novo projeto de arte? – perguntou ele. Era pouco maior que o escritório do capitão. e ele voltou a entrar naquele estado de torpor que o atormentava desde Hoth. Ele sabia o que encontraria lá dentro e sabia que precisava se manter calmo. Você disse que destituiria o Império para ter sua vida de volta. Ele analisou a mulher diante de si. com a cabeça curvada à frente e os joelhos unidos. presa com a Companhia do Crepúsculo. Namir suspeitava que Hober tinha limpado todos os pertences de Uivo antes do funeral. para a tela em branco. – Não vejo como tudo isso mudou de repente. lutando para que sua voz não tremesse de irritação. Estava exausto demais para prever qualquer coisa. O quarto não era luxuoso. – Preciso do seu conselho – disse ele. mas não artificial. Ao olhar para cima. Namir esperou. mesmo para os padrões da Crepúsculo. Namir ficou rígido diante da porta do dormitório de Uivo. Ele observou os músculos no braço dela tremerem como os de . estaremos mortos. – Não – disse Namir. – Você agora é um fiel seguidor também? – perguntou Chalis. Namir teve que se esforçar para ouvi-la. A decoração era austera. Mas. Chalis tocou a tela novamente e apagou o esboço. com um beliche que ocupava toda a extensão da parede. ele viu um rosto se formando sob a mão dela. Namir viu que o hematoma do pescoço já tinha praticamente desaparecido. Chalis olhou para baixo novamente. – Mas também não vou abandonar a Crepúsculo. O banheiro privativo ao lado do armário era o único privilégio que se concedera. Mesmo que estivesse livre. respeito e um lugar para esculpir. – Ele sentiu vontade de arrancar o datapad das mãos dela.” Ele digitou no teclado numérico e entrou pela porta. Sem um plano. Não importava. – Você conhece o Império melhor que qualquer um aqui – prosseguiu. quando tentou imaginar as conversas e discussões que se seguiriam. meu palpite é que o povo de Ankhural venderia você para o Império em um piscar de olhos. tentou se lembrar se ela já era tão magra: se as escápulas e bochechas foram sempre tão proeminentes. Quando Namir se aproximou. – Só um exercício – disse ela.

um animal moribundo ao mover os dedos sobre o pad. – Chamava-se Crucival. Ele continuou: – Quando o Império ascendeu. Depois de uma pausa. comia um pouco uma vez por semana durante meses. nas ruínas de uma fábrica de papel bombardeada. mas seu sotaque tinha mudado. Era a coisa mais maravilhosa que eu já tinha visto. Ele me ofereceu um programa de aprendizado e minha arte ficou de lado. Propus minar a atmosfera de um planeta habitado. Subi ao topo da hierarquia por ser uma conselheira das boas. Eu era muito pequena. E ficava cheia de urticárias todas as vezes. Ele tentou não pensar no que estava passando pela cabeça dela. Chalis suspirou silenciosamente. e a forma como ela falava. ela voltou a falar. Eu poderia arranhar as paredes do fosso até que minhas mãos sangrassem. e então prosseguiu: – Mas achei que valia a pena. Por pena. Fui treinada como uma artista. – Minha mãe tentou me vender para uma embarcação exploratória da Federação de Comércio quando eu tinha seis anos. – Não no seu específico desastre colonial. o capitão me deu um pacote de cristais de nectrose. ela continuou: – Foi aí que soube que eu tinha que deixar meu mundo. Ganhei o respeito de homens que achavam que ser “de família” fosse a chave para o sucesso. Imagine essa garotinha. eu não tinha para onde ir. – Não tínhamos nada – disse ela. Eu os racionava. Foi assim que eu percebi que eu vivia na sujeira. a estranha eloquência não estava mais lá. uma selvagem bonita que patrocinadores ricos tinham colocado em exibição como uma novidade. Chalis não pareceu ouvi-lo. Demorou para Namir perceber isso por trás da voz áspera. deixando seu povo com dificuldades respiratórias para o resto da vida. – Eu entrei na Academia Colonial. Ela quase soava como se fosse de Crucival. Eu enfiava meus dedos nos cristais e os lambia. Nectrose torna as coisas adocicadas e frutadas. e eu não sabia disso. mas nunca conseguiria escalá-lo. Fiz coisas terríveis. que dormia no colchão manchado da mãe. mas em um lugar bem parecido. Encontrei maneiras de tornar a escravidão eficiente novamente. Disse a um moff que o amava e cortei sua garganta como favor para outro. Como não importa. ele não foi bom para mim. Eu não tinha água fresca. O conde Vidian viu alguma… qualidade na minha escultura. sargento. se tornou familiar. . – Crucival – disse Namir. Mais uma vez. Mas ele recompensava o sucesso. Ele a conhecia muito bem para acreditar que poderia influenciá-la. Uma habilidade para visualizar conceitos de uma forma que ele não conseguia. Alguma coisa mudou na voz de Chalis. Contudo. mas você deve diluí-la em água. de repente. comendo lixo e bebendo veneno. ao virar-se para ir embora. – Eu cresci como você – disse Chalis. quando extramundanos eram tão ricos que podiam oferecer pacotes de nectrose para as crianças. embora não olhasse para cima. Sob a República. Fui para extramundo e descobri que eu ainda era da ralé.

– Eu dei à Rebelião tudo o que eu tinha em Hoth – disse Chalis. A briga já tinha acabado quando Namir ficou sabendo. enquanto Jinsol estava com o nariz quebrado e Maediyu tinha voltado para a pista de corrida de pods segurando a pele do rosto no lugar com a mão. Ela voltou a olhar para a tela. Alguns instantes depois. Pare de sentir pena de si mesma e me ajude a salvar essas pessoas. Tique estava coberta de sangue. Chalis continuou: – Agora eu sei a verdade. nem pena. Mas você não sabe os nomes deles. . Assim como Fektrin e Ajax. atrás de mim. O que então começou como uma tosse seca tornou-se úmida e cheia de muco. – Pela segunda vez desde que entrara no quarto. As palavras de Chalis haviam provocado nele um sentimento ele achava ter deixado para trás na jornada a Hoth: uma raiva frustrada da governadora. – Os moffs nunca me viram como uma igual. – O tenente Sairgon e os outros – disse ele. e deve a mim. com as pupilas dilatadas. Os olhos dela estavam injetados. Sua boca subitamente ficou seca e seu coração disparou. Namir apenas observou. – Minhas dívidas foram pagas. Agora ele não tinha mais esperanças. – Uma ganguezinha qualquer querendo descolar armas de raios baratas talvez tenha retido nosso pessoal tentando obter algum resgate. A maldição que ele tinha trazido para a Companhia do Crepúsculo ao não a ter matado em Haidoral Prime. – Eu nunca fui respeitada – disse Chalis. Namir se aproximou e se ajoelhou na frente da governadora. olhando para a cidade. Namir a tinha encontrado de pé no pavilhão superior do anfiteatro. sinais de uma mulher apodrecendo por dentro. Darth Vader nunca me considerou uma ameaça. – Pode ter sido alguma briga aleatória – disse Brand. ela olhou para Namir. Ele não sentia nem empatia. um bajulador sem cérebro. O imperador enviou o prelado Verge. colocando-se na mesma altura que ela. Namir sentiu um calor pinicar por baixo da pele em sua testa. Finalmente a tosse cedeu. Quando ela não disse mais nada. O Conselho Executivo nunca me viu como nada além de uma escultora esquelética de um fim de mundo. Namir pôde ver no datapad o esboço de um homem barbado e com olhos grandes que poderia ser Uivo. enquanto Vader estava… – Ela balançou a mão com desdém – … caçando rebeldes. Eu desisti de tudo para desertar e eles nem se importaram. pela maldição que ela tinha trazido sobre a Companhia do Crepúsculo. – Você deve a essa companhia – disse ele –. não é mesmo? Ela ainda estava olhando para ele. – A verdade? – perguntou ele. e gotas de saliva salpicavam a frente do datapad. esperou. Agachado tão perto dela. com a voz baixa e controlada – estão mortos pelo pouco que o Império se importa com você. Seus ombros subiram e desceram antes mesmo que ela começasse a tossir. O tom em sua voz tinha se tornado mais amargo. Namir levantou-se e saiu do quarto. – Mas você acha que não foi isso.

– E quem é que manda em Ankhural? – Importa? – perguntou Brand. – Não? – Não sou uma capitã – disse Brand. Vamos pensar em alguma coisa. e começou a descer. – Acho que quem manda em Ankhural nos quer fora daqui. – Quero dizer que. – O que você quer dizer? – Ele ouviu a irritação na própria voz. Talvez ela apenas não quisesse demonstrar seu ceticismo. Namir resmungou e a seguiu. mas demorou demais para disfarçar. Não preciso de você ameaçando ir embora também. – Ninguém iria se opor se você aparecesse na reunião – ele continuou. – Acho que é uma mensagem – disse ela. – Não sou nem um soldado. Quando chegaram à pista. – Presumindo que tenhamos algum lugar para ir. Os punhos de Brand fechavam e abriam. eu prefiro. Ela estava completamente imóvel. a nave está quase pronta para partir. Finalmente. A cabeça de Brand inclinou um pouco para o lado enquanto ela tentava acompanhar algum movimento distante nas ruas. Ainda há trabalho a ser feito. – Estou feliz que você tenha nos achado – disse ela. – Sinto muito – disse ela. Brand deu de ombros. Namir xingou e chutou um dos degraus. – Nós todos estamos. – Amanhã de manhã – disse Namir. embora o tom de Brand fosse discreto. ela acenou com a cabeça. depois voltou e tocou os ombros de Namir. O que quer que ela estivesse observando. Namir passou a noite xingando tudo o que ele não conhecia. mas podemos realizá-lo durante o voo. – Você ganhou bastante espaço… – Não – disse Brand. ele conhecia as facções. – Além do mais. – Você precisava mesmo dizer isso em voz alta? Eu sei o que acontecerá a essa companhia se não bolarmos um plano. – Está indo para a cidade? – Caçar – disse Brand. Namir não conseguia ver. – Reunião dos oficiais superiores. A maioria dos novatos estaria destruída agora sem você. – Provavelmente não – respondeu Namir. Brand primeiro foi na direção dos portões. – Não se preocupe. Namir hesitou com a afirmação. se houver uma maneira melhor de lutar contra o Império. Em Crucival. sabia que defender uma colina era mais fácil que defender uma plantação de milho. como uma gárgula no topo do anfiteatro. – Não diga a Tique que fui terminar uma briga por ela. – Namir balançou a cabeça e sorriu timidamente. conhecia a paisagem. Ele era capaz de reconhecer quando uma batalha estava . ela pareceu despertar com um estalo e olhou para Namir. Então. – Vamos achar uma saída – ele repetiu suavemente.

Não havia território rebelde para defender. se ela parasse por muito tempo. Estava confiante e com as costas eretas. Ele comeu seu desjejum uma hora antes do sol nascer. Ao caminhar pelo perímetro da Trovoada. como sempre.perdida e sabia como fugir ou se render de modo a manter sua unidade viva. Namir presumiu. a companhia seria uma fábrica de desertores. A promessa que havia feito – se não pode seguir aquilo que eles acreditam. e esperava que outra mente se destacasse. Perguntou a si mesmo se conseguiria convencer Brand a levá-lo junto com ela. O que ele sabia sobre lutar numa guerra intergaláctica? A estratégia da Rebelião sempre fora um mistério para ele. Até seu cabelo estava diferente. Cada meta que ele tramava era um fantasma. depois de uma noite sem dormir – comeu ovos em pó reidratados. sem uma estratégia. Bater em alvos fáceis – mundos pouco protegidos pelo Império. o Império poderia utilizar seu massivo poder de fogo para controlar e aniquilar a unidade. mas. do . Ela estava totalmente diferente da mulher que Namir tinha visto no dia anterior. já que a dele o havia decepcionado imensamente. enquanto falavam uns com os outros em voz baixa. Por mais desastrosa que tenha sido essa escolha. Os poucos planetas que tinham se comprometido totalmente com a Aliança estavam cercados por bloqueios imperiais. Sem falar nas baixas. O trabalho dele era ocupar planetas em solo. Ele se sentou na arquibancada do anfiteatro. observando o nascer de um sol estranho. caso ela partisse. Namir achou ter visto Brand entrando pelos portões e ficou se perguntando se ela teria encontrado sua presa. transferindo informações para um holodroide flutuante que pairava sobre a mesa. caminhar pela lama. Havia se resignado a uma manhã de debates mal-humorados e discussões sem sentido. Mesmo uma mentira parecia impossível. o que viu o deixou paralisado. talvez seja hora de ir embora – ainda estava de pé. com um corte curto. Analisou a estranha cidade de tendas e acenou para as sentinelas. Os oficiais superiores da companhia estavam sentados em volta da mesa ou de pé encostados nas paredes. todos estavam voltados para a ponta da mesa – voltados para o lugar de Uivo. e não dava para ver o hematoma em seu pescoço – disfarçado com maquiagem. Mas. Não que ele fosse. Quando chegou à sala de conferências. e isso nunca tinha importado. e ele escolhera apoiar seus amigos. Lá. gerar devastação e se retirar – era quase viável. desaparecendo com o toque. Não quando a companhia mais precisava dele. Mas a Companhia do Crepúsculo era móvel por uma razão. Ele não podia ir. rastejar durante a noite e aterrorizar o inimigo. Everi Chalis estava de pé com um datapad. inacessíveis à Trovoada. Namir imaginou escolher um planeta – qualquer planeta – e se comprometer a conquistá-lo. onde a Crepúsculo poderia aterrissar. que haviam sido importados a Ankhural e comprados aos montes por um dos assistentes de Hober. se ela se tornasse uma ameaça permanente. Ele já estava atrasado para a reunião dos oficiais superiores quando entrou a bordo da Trovoada. lhe ocorreu que ele tinha esquecido de se barbear – mas não viu motivos para esconder sua exaustão.

então ela continuou. Quero que suas engrenagens emperrem e sejam destruídas. coberto por . – O imperador Palpatine. O planeta parecia bastante normal. não destruídos. Tirá-las dos mundos do Núcleo para a operação de Vader faz mais sentido. Ela estalou os dedos. caçando os membros esparsos do Alto Comando da Aliança enquanto eles fogem para as profundezas da Orla Exterior da galáxia. Carver não falou mais nada. – O imperador. Pela primeira vez em anos. Às vezes. ela desapareceu e Chalis seguiu em frente. finalmente. a defesa dos mundos do Núcleo estão enervadas. eu sei quais os recursos que o Império tem ou deixa de ter. e seus ombros balançavam para cima e para baixo. Havia murmúrios pela sala. eles fizeram o que fazem de melhor: designaram milhares de forças para varrer seus inimigos da Orla Exterior. Ela tirou os olhos do datapad e do droide. O holodroide rolou pela mesa e ativou seus projetores.jeito que os militares imperiais teriam aprovado. Mas eu sei como a máquina de guerra imperial funciona. Somente sua exaustão continuava a mesma – o abatimento nas bochechas e a vermelhidão nos olhos. – Estamos todos aqui – disse ela. – Podemos começar. O Alto Comando e as naves rebeldes estão dispersos. – Eu estava em Hoth – disse ela. seremos dizimados antes que as naves de desembarque cheguem à atmosfera. e sorriu. os lábios de Chalis travaram num sorriso. Travava o olhar em qualquer oficial que parecesse pronto para discordar. o mais importante. ela parecia ter total controle de si mesma e da sala. ela virava totalmente de costas para a mesa. – Como você sabe? Chalis balançou a mão com desdém. Mas. Também tenho monitorado todas as transmissões não seguras que fazem para essa caixa de areia. Então. Carver se manifestou. sorria com a certeza esquiva de um rebelde determinado a destituir o poderoso Império. Nunca hesitava. na direção de Namir. Namir reconheceu a amargura que tinha visto no dia anterior. deslocaram frotas inteiras de posição. – Eu reconheci as naves que trouxeram para atacar. – Essa vulnerabilidade – disse ela – não é uma licença para conquistar. ela esperou por um contra-argumento. Deslocar frotas de zonas de guerra ativas ou da borda da Orla Média é muito arriscado. pretende dar o tiro de misericórdia. A voz de Chalis estava grave. Para a surpresa de Namir. e ela pausava frequentemente enquanto falava. tirando os poucos sinais de enfermidade. reproduzindo a imagem de um planeta que Namir não conseguiu reconhecer. Por um momento. – Este é o momento de fraqueza da Aliança – ela começou. Mas no pretenso triunfo do imperador há também uma oportunidade. abertamente cético. os moffs. E para cobrir esse vasto território. Darth Vader. Se tentarmos atacar o Palácio Imperial em Coruscant. e. A princesa Leia Organa é alvo de uma caçada sem precedentes.

as defesas espaciais do sistema estelar de Kuat são formidáveis. Pequenos pontos brilhantes se aproximavam e se afastavam dos esqueletos. Von Geiz se pronunciou: – A Aliança tentou atacar Kuat antes – disse ele. – Se tivermos sucesso – Chalis prosseguiu –. mas são as naves com a maior necessidade de recursos que já se viu na galáxia. como prisioneiros enjaulados e abandonados para morrer. – Ela estalou novamente os dedos. Mesmo os números estavam além de sua compreensão. Namir sentiu uma onda de desconforto na sala. mas eu acredito que a Crepúsculo pode sair bem dessa. sustentando enormes hábitats fervilhando de máquinas e droides. Dentro do andaime. onde qualquer dano à infraestrutura fosse uma vantagem para o inimigo. Kuat possui os únicos estaleiros capazes de sustentar e manter mais que alguns de uma vez. – Dito isto – ela voltou a falar –. Menor que uma subnação planetária típica. saindo das naves ou voltando para seus hábitats. Uma nave não será mais capaz de carregar milhares de stormtroopers e um esquadrão completo de walkers. água e terra. nosso ataque irá paralisar a capacidade do Império de aumentar sua frota. – Esse é o planeta Kuat – disse Chalis. Chalis respirou um pouco e continuou: – Além do mais. vai ser sangrento. Sim. Namir observou os oficiais. e ninguém nunca tentou invadir por solo os estaleiros. estavam os esqueletos de naves pontiagudas. Ele tentou visualizar o que Chalis estava propondo e descobriu que não significava nada para ele. exceto pelo único anel que circundava seu equador. e suscetível a formas únicas de ataque. Será preciso mudar a estratégia do Império para confinamento planetário. Outros observavam Chalis ou o holograma. Proponho que os destruamos. A imagem holográfica piscou e mostrou um detalhe aumentado do anel. poderia ser qualquer um de centenas que Namir já havia visitado.nuvens. De perto. embora ninguém tivesse se oposto abertamente. E precisaremos enfraquecê-las ainda mais se quisermos uma maneira segura de a Trovoada chegar até os estaleiros. mesmo se partes da frota forem desviadas para a Orla Exterior. – Somos uma companhia de infantaria. . – O anel orbital tem uma área total habitável de menos de 300 mil quilômetros quadrados. o anel parecia ser um imenso andaime no espaço. parar a produção e o reparo dos destróieres estelares inibirá a capacidade do Império de rápida movimentação da infantaria. – Seus estaleiros são a fonte primária da frota de destróieres estelares do Império. Alguns estavam verificando seus datapads. com metal cobrindo apenas metade de seus corpos. como se estivesse esperando a pergunta. Imagine uma guerra urbana em uma cidade onde se pode destruir áreas inteiras do continente só com o toque de um botão. mostrando trilhos de bonde e áreas cobertas no contexto espacial. tomando notas ou cruzando informações. e o holograma aproximou ainda mais a imagem. além de impedir que reparos e melhorias sejam feitos nas embarcações já existentes. Planetas terrestres podiam ter anéis? Namir tentou se lembrar do que Gadren havia lhe ensinado. Os destróieres estelares podem ser quase indestrutíveis. – Somos apenas duas naves… – As defesas de Kuat são orientadas para o combate espacial – disse Chalis calmamente.

Os oficiais superiores o observaram. qualquer sugestão posterior custaria toda a sua credibilidade. – Você também não tem como saber isso. balançou a cabeça em silêncio no canto. Não posso prever o futuro. – Foi por isso que o capitão Evon me aceitou. A sala de conferência ficou escura sem o brilho azul. ela respondeu a todos prontamente. aquele não era o plano de um idealista maluco. O segundo em comando da Promessa de Apailana. Precisaremos manter sigilo operacional para que o Império não preveja nossa verdadeira meta. tudo pode dar errado. só para termos alguma chance. sem ataques prolongados. Ela gesticulou para o droide e o holograma apagou. Pensou em Kryndal. Nós os destruímos. o soldado idiota das Forças Especiais da Aliança com quem brigara na Base Echo. essas redesignações irão canibalizar as próprias defesas de Kuat. sobre as defesas de Kuat e. E se ele negasse que estava envolvido. precisamos pegar um caminho indireto para Kuat e destruir esses alvos apontados no mapa. tanto em solo como no espaço. tanto para reparar o dano como para compensar reforçando eficiência em outro lugar. ele rezou para que alguém respondesse afirmativamente. Direta ou indiretamente. Gadren e Carver debateram a tática de uma invasão a um estaleiro. Namir pensou nas promessas que ele havia feito. depois de um acesso de tosse que só parou depois que Von Geiz interveio. e se perguntou se seu plano lunático de tomar Coruscant era menos prático do que aquilo. tinha saído tão naturalmente que ele quase não notaria. Namir escolheu não dizer nada. – Algum plano melhor? A falação em volta dele diminuiu e todos pararam. Ele sabia que se não negasse a autoria do plano imediatamente. – Para isso – disse Chalis –. Porém. – Temos alguma alternativa? – perguntou ele. acredito que essa seja nossa melhor chance. uma linha ziguezagueava na direção de um ponto superior que Namir só podia supor que representava Kuat. Devem ser ataques cirúrgicos contra centros logísticos. – Carver novamente. De um ponto próximo à parte de baixo. Sem cercos. Mzun. apesar de seu tom de confronto. Naqueles segundos de silêncio. uma vez que tenhamos chegado a Kuat. Hober inundou Chalis de perguntas sobre os alvos. e o Império precisará reagir. Mal escutou o que veio depois disso. Chalis seria tachada de mentirosa e toda sua apresentação seria posta a em dúvida. Pensou nas palavras de Gadren e em Hoth. Por isso que o Alto Comando da Aliança precisava de mim. . Mesmo que parecesse. A projeção do droide mudou para um mapa estelar. – Será arriscado. E. se os outros não tivessem olhado para ele. – Eu conheço o fluxo de recursos dentro do Império melhor que qualquer um vivo – disse Chalis. Eu sei disso. lá para representar a nave. com a voz constante. Mas se quiserem dar a volta por cima nessa guerra. Precisaremos agir rápido. redesignando naves e oficiais. Os oficiais começaram a discutir. Ela não olhou para Namir quando citou seu nome. – Sargento Namir e eu temos discutido um plano desde que voltamos de Hoth – disse ela.

capitão – disse ela. antes de compreender a intenção dele. Ele se afastou da parede quando ouviu o som de couro com couro – o lento aplaudir de mãos com luvas. Se a Trovoada não estivesse preparada para partir dentro de uma hora. Paonu e… bem. todos a favor do ataque a Kuat? Houve sons de aprovação – forçados e determinados. eu me retirarei agradecendo a todos por terem aceitado minha presença. “Como eu poderia saber?” – Sim – disse ele. – Então você tem o meu apoio – completou Gadren. e os três mantiveram expressões neutras. ela seria pega por uma tempestade de vento que rapidamente se aproximava. pelo menos em parte – disse Gadren. – Parabéns. Brand olhou para cima. Sairgon. Só Hober. com o droide flutuando atrás dela. o comando está em minhas mãos. aparentemente. Namir não se sentiu aliviado. Namir não soube lê-los. – Uivo confiava em você mais do que imagina. – Mas. Sharn. As mangas de Namir abanavam com o vento enquanto ele tentava proteger os olhos e a boca. – Tecnicamente. Namir resmungou e começou a descer os degraus para a pista. Por trás de sua expressão fria. Mzun e Gadren permaneceram em silêncio. depois de Uivo. ele se fez sorrir. relutantes e tranquilos – pela sala toda. Namir pensou. Chalis acenou educadamente e saiu. Era o plano dele. ele não sabia se isso era tão ruim assim. – O voto é a favor – disse Von Geiz. Ainda assim. alguns pavilhões abaixo. espalhando poeira sobre a cidade de tendas. a companhia ficaria presa em Ankhural mais uma noite. e agora não era hora de mostrar dúvidas. A Promessa apoiará vocês de qualquer maneira. E todos nós respeitamos seu trabalho para essa companhia. mas isso não garantia que ela sobreviveria a esse. – Uivo confiava nela. A voz dele estava tão austera e grave que lhe faltava clareza. – Precisamos ser tão formais? – perguntou Von Geiz. ele estava enfurecido pensando em como Chalis havia coreografado o seu destino. – Poderia se retirar da sala? – Gadren pediu a Chalis. – Sugiro que paremos por aqui e comecemos os preparativos para a partida – disse Hober. – Sua companhia. seu show. Namir olhou para Hober rindo. com os lábios curvados em sinal de zombaria. A Companhia do Crepúsculo teria morrido sem um plano. Então eu pergunto a você: é isso o que devemos fazer? “Não sei”. se formos votar. você se opõe a um voto aberto? O segundo em comando da Promessa balançou a cabeça. Por mais que ele estivesse começando a odiar o planeta. – Mas há mais uma coisa que precisamos decidir primeiro. . – Sendo assim – disse Von Geiz –. Brand foi até ele. agora de frente para Namir. Ondas de sílica colidiam na parede do anfiteatro.

suavemente. – Você acha que vai dar errado – disse ele. – O prazer é meu. Namir olhou para o lado e viu que ela tinha levantado a máscara. As pessoas têm muitas dúvidas. – Agora é seu. – Obrigado – disse ele. – Então não preciso me preocupar com um motim? – Nem um pouco – disse Brand. – Por salvar a companhia. Eles cruzaram a pista de corrida juntos. Namir podia ouvir o leve gemido dos motores sendo ligados. já que eles certamente não colocariam a governadora como encarregada. – Não tenho ideia. e ele achou ter ouvido um quê de humor na voz dela. sério – mas. – O plano? – Brand deu de ombros de novo. ela estendeu o braço e segurou o ombro de Namir. Alguns saudaram Namir e riram. . mas é sempre assim. – Então. – Ainda primeiro sargento – disse ele. talvez até vençamos. de repente. Você vai se dar bem. sargento. mas eles mantiveram a distância. – Quem sabe? – disse Brand. Brand deu de ombros. – Comando temporário apenas. na direção de um grupo de soldados que carregava tendas e geradores de volta para a Trovoada. E as tropas confiam em você. Apesar do vento. É bom para o moral. Namir riu. o plano é dela? – Sim. – Com sorte. O tom dela era contínuo.

– Normalmente. – É muito mais preocupante quando você vê o que está causando as sacudidas. Qualquer esquadrão que tentasse costurar por entre as naves rebeldes seria tão destruído quanto se fosse esmagado entre seus cascos. O comandante Tohna viera transferido da Promessa – o antigo piloto era uma bola atarracada de músculos que tinha chegado para assumir o controle da tripulação da ponte e gerenciar a Trovoada. Namir achou ter ouvido algo de diferente na voz dela. – Vamos ficar bem… não vamos. mas Namir ainda não sabia o que esperar dele. – Ficaremos ótimos! Como aves predadoras mergulhando por suas presas. ela se baseava em velocidade. o braço dela envolvendo tranquilamente o corrimão. As saraivadas da Crepúsculo poderiam apenas enfraquecer o comboio inimigo. comandante? – Mais que bem! – veio o grito. Namir se segurou no corrimão da plataforma de comando até a pele escura dos nós de seus dedos ficarem brancas. C A P Í T U L O 26 P LANETA MARDONA III DIA 4 DA OPERAÇÃO FURA-BLOQUEIO A Trovoada e a Promessa de Apailana voavam tão próximas que seus escudos se esbarravam e colidiam. eu estou numa nave de desembarque para esse tipo de coisa – disse Namir. depois de Chalis ter garantido a eles que nenhuma nave de guerra estaria presente e que a maior das preocupações da Crepúsculo seriam os canhões de íon na superfície e a . – Você parece nervoso – disse ela. e se perguntou se aquela calma era fingida para ele ou para a tripulação. cintilando através do espectro visível e liberando energia o suficiente para atomizar qualquer caça TIE que passasse através do campo de energia. não dispersá-lo. não em poder de fogo. e se havia alguma esperança para as duas embarcações que mergulharam na direção dos oceanos azul-acinzentados do hemisfério sul de Mardona III. A ponte da Trovoada tremeu e sacudiu ao penetrar a atmosfera. Mas para cada caça que desaparecia em uma nuvem verde-esbranquiçada de oxigênio flamejante e gás tibanna. Chalis sorriu timidamente ao seu lado. mais uma centena enxameava o caminho dos rebeldes. Ele viera com ótimas recomendações dos oficiais da Promessa. A Promessa já tinha tirado seus X-wings da batalha em vez de sacrificá-los em uma rixa invencível. Foram Tohna e a tripulação da Promessa que aconselharam a inserção em Mardona durante as reuniões de planejamento. – Você deveria ter ficado na ponte durante Coyerti – replicou Chalis com uma encolhida de ombros.

Eles tinham um aspecto quase cristalino. ele lutou para compreender as palavras dela. Os prédios penetravam profundamente o subsolo. cuboides com as laterais perfeitamente inclinadas em ângulos diversos. – Entre a voz áspera e o rugido da nave. – As naves de desembarque podem ir ao seu comando. Os homens e mulheres nas estações da ponte digitavam em seus consoles ou falavam em seus comlinks. E o mais importante: eles eram uma vulnerabilidade que a Aliança ainda não tinha aprendido a explorar. – Mas vamos assim mesmo. algumas centenas de milhares de estivadores. a operação não estará comprometida. Alguma coisa metálica fez um estrondo no casco. não era nem eficiente. baixando a voz. de acordo com a agenda de entrega e com as necessidades planejadas. administradores e droides de controle eram o bastante para manter o armazém em operação. mas Chalis conhecia o funcionamento das máquinas. Mardona III era – de acordo com a descrição desprezível de Chalis – um mundo-armazém.defesa por satélites em órbita. Não um porto comercial agitado ou uma fábrica de produção. nem previsível. – Eficiência – disse ela – é previsibilidade. sobre a água – abaixo dos satélites e fora do alcance dos canhões continentais. Os mundos- armazém eram parte de uma iniciativa imperial ainda maior para permitir rápida realocação de recursos e para eliminar a dependência de rotas comerciais ultrapassadas. no entanto. A Trovoada fez outro estrondo quando seus hangares se abriram sobre as nuvens cinza de tempestade de Mardona. o Império não teria opção senão criar novas acomodações e lutar para encontrar outras maneiras de manter o fluxo de recursos. explicando como um pedregulho poderia se transformar em uma avalanche. – Vão – Namir falou prontamente. O megaespaçoporto que servia de centro de armazenamento primário de Mardona consistia em dezenas de gigantescos prédios de metal preto que se erguiam da superfície rochosa. mas Tohna não pareceu preocupado. Chalis mostrara a Namir esquemas e mapas estelares. O megaporto era grande o bastante para abrigar milhões. – Ultrapassamos a maioria dos caças – disse ele. Assim foi concebido o plano de acelerar rapidamente na direção de Mardona e mergulhar rapidamente em sua atmosfera. mas seus sistemas eram amplamente mecanizados. A guerra. O Império não é nada senão eficiente. Os próprios moffs não reconheceriam a degradação dos estaleiros de Kuat até já ser tarde demais. . – Eu sei – respondeu ele. – Se não der certo aqui. onde as principais instalações de armazenamento estavam e onde um sistema elaborado de linhas de bonde permitia a transferência automatizada de bens. – Seus esquadrões conhecem a missão – disse ela. mas um lugar para o imperador empilhar equipamento e materiais para entrega a sistemas próximos em tempos de necessidade. Chalis desvencilhou-se do corrimão e caminhou até Namir. Pessoal e segurança precisariam ser realocados para rotas de comércio tradicionais. Se a Companhia do Crepúsculo pudesse impedir as operações do planeta – derrubar a habilidade de Mardona suprir seus vizinhos –.

foi apenas uma medida temporária. quando os dois membros de seu esquadrão foram emboscados por um enxame de droides aranha de manutenção – esferas do tamanho de um punho cerrado. Durante as doze horas seguintes do ataque da companhia a Mardona. Namir sentia falta de Gadren. sensores de movimento e quaisquer invólucros que pudessem encontrar. Charmoso e Brand. recipientes de comida e capacetes rachados. em vez disso. forçando os soldados a ativarem seus respiradores e óculos de visão noturna. as primeiras doze horas da companhia em Mardona foram gastas descendo da superfície e penetrando discretamente pelos túneis dos bondes. As minas vinham em bolsas de lona e canos serrados. a tripulação de engenheiros da Crepúsculo estivera bem ocupada desde que deixaram Ankhural. os ataques da Crepúsculo continuaram em outros lugares. Tirando algumas queimaduras leves e a promessa de uma noite sem sono. Com um grunhido nada gracioso. com ímpeto para queimar suas vítimas. As máquinas percorriam corrimãos e subiam em telhados. boa no que fazia. mantendo seu fuzil em prontidão. nas palavras de Brand. produzidos em massa pela tripulação a partir de baterias. Ele ouviu o som distorcido dos tiros de armas de raios ecoarem pelos túneis. Quando o Império desligou a energia do subsolo em um raio de cinco quadras. não tentaram manter rotas abertas para a superfície. Peste. assim Maediyu passou para ele uma mochila surrada e um rolo de fita adesiva. dispersos demais para serem facilmente exterminados. – Aqui? – ele gritou para Chalis. o verdadeiro trabalho começou. Namir disparou sua arma apenas uma vez. os esquadrões saíram ilesos da emboscada. Mesmo sem considerar os contínuos reparos na Trovoada. Os esquadrões plantaram os dispositivos nas junções das linhas de bonde ao longo de um quilômetro e nas entradas para os armazéns do subsolo. mas Charmoso tinha seu próprio esquadrão cheio de novatos agora. espontaneamente separando. Elas eram. ela decidiu que agiria como guarda- costas dos dois. Os demais eram . Cada esquadrão tinha ido a Mardona armado com duas dúzias de minas de íons: explosivos rudemente improvisados. Assim que os esquadrões entraram no subsolo. e desativar uma seção inteira do espaçoporto inibia tanto o Império como o inimigo. que observava com os braços cruzados a uns doze passos e um pouco abaixo de onde ele estava. ele escalou até um condutor metálico largo e esticou a mão para baixo. Essa era uma tarefa de que Namir podia participar sem assumir mais riscos que seus subordinados. Eram como ratos infestando o maquinário. Quando Namir e Chalis se designaram ao esquadrão de Maediyu. Depois que as naves de desembarque pousaram e a Trovoada saiu do sistema estelar. dezenas de equipes de ataque sabotaram as linhas de bonde. com pernas magnéticas e um maçarico. – Mais para baixo – disse Chalis. desabilitaram os equipamentos de vigilância e emboscaram independentemente forças de segurança. Namir bufou e rastejou pelo cano. Maediyu o seguia logo abaixo. Era atenciosa e precavida. – Deixe que o bonde pegue velocidade. “cola para as máquinas de Mardona”. enquanto Maediyu – a mulher que o tratava com uma idolatria quase insuportável desde que ele impedira que ela morresse queimada no exterior da cela de Chalis – segurava as solas das botas dele e o impulsionava ao nível dos encanamentos inferiores do túnel. juntando e reagrupando os integrantes.

e aqueles assustados demais para conseguir se mexer eram conduzidos a suas casas pelos soldados da Crepúsculo. Um quarteirão residencial era uma escolha segura. Uma dúzia de esquadrões entraram de uma vez no quarteirão. os recrutas de Haidoral vão me espancar até a morte quando eu estiver dormindo. pelos engenheiros e pelos líderes de esquadrão. mas as equipes de campo precisavam de novas posições. cercando o perímetro e exigindo que os moradores evacuassem para suas cápsulas residenciais. Com os corredores livres. O veículo poderia ou não descarrilar. planejado por Chalis. os civis estavam desarmados e despreparados para um ataque. água e acesso a computadores. Namir ordenou que os esquadrões se agrupassem nos túneis abaixo de um dos quarteirões residenciais do megaporto. metade dos civis . a rota seria bloqueada até que a equipe de manutenção o removesse. Mas “inteligente” poderia dar errado bem rápido. A equipe de Charmoso foi a primeira a retornar da aventura. menos algumas entradas. – Estou acostumada a lidar com pessoas assim – disse ela. mas a explosão fritaria qualquer circuito do carro e do túnel em volta. De qualquer forma. coisas que um armazém não oferecia. Um morador de cada andar foi trazido de sua cápsula para o centro educativo do quarteirão. No segundo dia do ataque da Crepúsculo a Mardona III. vasculhando setores inteiros. As minas de íons não causavam um estrago muito grande. e tentou mantê-la fora do alcance de visão. Namir passou a fita ao redor da bolsa. e ele ficou grato por isso. os esquadrões selaram tudo. para garantir que estava bem presa. Mzun e Zab sobre arriscar as vidas de civis. Qualquer esquadrão pego numa dessas varreduras seria destruído. Levaria meses para o Império limpar todas – e durante esse tempo. – Se eu a colocar como responsável pelos civis – disse Namir –. Eu dou um jeito nisso. – Apenas dê a ordem. Não houve resistência. o sistema inteiro precisaria ser fechado. então enfiou a mão na bolsa e sentiu um botão. Era um plano inteligente. Chalis não discutiu. Ele deu um empurrãozinho. a Crepúsculo não podia parar de colocar as minas. haveria milhares de minas de íons plantadas na rede ferroviária de bondes. de onde a reunião poderia ser transmitida para todos os apartamentos. Quando Namir chegou. e posicionaram algumas sentinelas pelos túneis. onde provavelmente haveria comida. enquanto Namir se preocupava em organizar as defesas dos quarteirões. Ele imaginou um bonde fazendo a curva e a mina detonando quando ele passasse logo abaixo. Namir ouviu as preocupações de Gadren. Depois que a Companhia do Crepúsculo saísse de Mardona. Haviam chegado durante a noite relatos de que veículos blindados imperiais desceram às linhas de trem.necessários na ofensiva – atacando postos de segurança para manter o Império distraído enquanto as minas eram plantadas. armando barricadas e zonas de morte. uma escolha razoável. mas escolheu proceder assim mesmo. Chalis se ofereceu para falar com os moradores.

Enquanto os esquadrões se esgueiravam por vãos de manutenção e dutos de ar para continuar minando as linhas de bonde ou defendiam as barricadas contra os ataques periódicos dos imperiais. Namir precisava que os civis ficassem fora do caminho e que. – Meu filho está lá fora – disse ele. Os bondes estão interditados. Naqueles momentos e sempre que ele a via segurando uma tosse. – Não estamos aqui para machucá-los – disse ele. Quase de hora em hora Namir era forçado a lidar com algum morador andando entre as cápsulas residenciais. Não foi um discurso inspirado. No entanto.começaram a gritar assim que ele entrou. com sorte. qualquer um que quiser sair daqui será escoltado pelos túneis. mantenham as portas de suas cápsulas bem fechadas. – Vocês planejam atirar nele quando ele vier até mim? Namir respondeu o melhor que pôde durante meia hora. Amanhã de manhã. a situação ficaria feia rapidamente. ou solicitando . olhando para uma tela em branco. Namir estava mofando irritado num cômodo claustrofóbico do quarteirão residencial. ele estava preso no escritório administrativo que a Crepúsculo tinha convertido em um centro de comando. tivessem um pouco de medo – se eles tentassem sabotar a operação da Crepúsculo do lado de dentro do quarteirão. Se quiserem ficar em casa. ouvia os relatórios das sentinelas e mantinha os músculos ocupados caminhando um metro até a mesa de Chalis. com um fuzil na mão. todos ouviram. Os civis que escolheram permanecer provaram-se uma constante distração. Um homem velho. os outros olharam aterrorizados ou sussurraram com seus vizinhos para que ficassem em silêncio. a maioria sobre acesso a comida e remédios. – Acreditem em mim quando digo que vocês são a menor das minhas preocupações. pelo menos. mas ainda tinha uma companhia para comandar e um planeta para arruinar. Ele não pretendia ignorá-los. Ter Maediyu ao seu lado. antes de um mensageiro informá-lo de que ele era necessitado em outro lugar. Mais que tranquila. Havia perguntas – algumas práticas. Ele acenou para os que ainda tinham perguntas e orientou que os civis fossem escoltados de volta a suas cápsulas. não os forçaremos. mas. às vezes – quando estavam sozinhos. e ela sempre voltava ao seu eu mais vibrante assim que percebia a atenção dele. Ele estudava os mapas no datapad. A governadora parecia tranquila com o ambiente. Nós não seremos responsáveis por sua segurança se o Império atacar. Se não quiserem sair pelos túneis ou sua família não estiver interessada em fazer o trajeto. e implorou para que a Aliança Rebelde fosse embora para um mundo onde as pessoas a quisessem. Namir às vezes a encontrava distraída da realidade. quando ele começou a falar. Um estivador careca e sério queria saber o que aconteceria com os moradores que não estivessem em casa durante o ataque e que tentassem voltar. e não era para ser mesmo. provavelmente tinha ajudado. No quarto dia do ataque. mirrado e de barba amarela queria saber se os moradores poderiam falar com seus vizinhos dentro do quarteirão. Aqueles eram os únicos momentos em que ele se lembrava da carcaça em que ela vivia depois de voltar de Hoth. Uma jovem atarracada descreveu eloquentemente como ela tinha chegado a Mardona com a promessa de trabalho e um bom salário. seu governador vai acomodá-los. Não tentem se comunicar com o lado de fora.

e se o imperador usasse armas de grande escala contra o quarteirão. destruiria metade dos túneis para o megaporto. . Peste dançava com um entusiasmo frenético. encolhendo seus ombros enormes. mas notas misteriosas produzidas por instrumentos que Namir nem imaginava. Quase um minuto se passou até que ela notasse Namir. e ele seguiu o som pelo corredor. sujos e desesperados para reabastecer. Ainda assim. os imperiais selavam mais entradas para os túneis.mais comida. a operação no geral estava indo bem. Namir não se importava muito. voltando exaustos ao quarteirão. Uma família que começou a brigar – Namir não fazia ideia do porquê – precisou ser separada à força e trancada em cápsulas separadas. e se arrastou pelas passagens labirínticas do quarteirão. o que facilitava bastante sua defesa contra fortes ataques veiculares. e quando entrou no apartamento. mas repreendeu o homem publicamente pelo bem da paz comum. rebolando e girando seu corpo desajeitado pela sala de estar. Ele quase tinha de gritar para ser ouvido por causa do barulho. Gadren. “Outro ladrão”. A fonte do “problema de disciplina” tornou-se óbvia quando ele chegou ao décimo segundo andar. quando foi chamado para um dos andares superiores do quarteirão para lidar com um “problema de disciplina” envolvendo um membro de esquadrão em uma cápsula vazia. ele estava selecionando os ingredientes de uma bandeja de refeição (algum tipo de tubérculo amassado e sem sabor. A música parou. ele viu a mulher responsável. mas eu não quis invadir seus domínios. sorriu desavergonhadamente e deu um tapa nos controles de áudio na parede. Cabelo vermelho coberto de suor. mas não parecia desconfortável. pôsteres ou vasinhos de planta que os moradores ousavam colocar em suas portas. A vida sob o Império era desoladora. Esquadrões continuavam plantando minas a cada hora. mas tentou não demonstrar. o corredor foi invadido pelo som – não só pelo baixo. A única decoração eram os minúsculos porta-retratos. Namir sorriu para Gadren. – Seu esquadrão pode agora pertencer a mim. Um dos membros da equipe de Tique foi pego roubando joias e créditos largados em uma cápsula abandonada. Namir começou a gostar daquilo. Um contrabaixo rítmico fazia as paredes vibrarem. Namir pensou. sorrindo cheio de dentes. “Não somos sua polícia”. e todos os dias. Quando o viu. então se aproximou da entrada. Quando ele abriu a porta. Namir imaginou. pés descalços. O quarteirão residencial era bem enterrado nas entranhas do planeta. No fim do quarto dia. Chalis descobria alternativas em plantas da cidade ou Brand encontrava rotas novas. – Você chamou seu oficial em comando para isso? – perguntou Namir. mas melhor que os da Trovoada). Todos os dias. vozes humanas e alienígenas misturavam-se em uma música incompreensível. – Ela é sua protegida – disse Gadren. mas usando todas as roupas de combate. ou denunciando um vizinho que tinha uma arma de raios. pisando no tapete amarelo e passando por uma mesa coberta de estatuetas de animais de vidro. estava na frente de uma porta. Os ossos de Namir doíam com as vibrações. ele murmurara mais de uma vez.

ele riu com seu mugido alienígena. – Houve reclamações sobre o volume – acrescentou Gadren atrás dele. Os braços de Corbo estavam envolvidos em bandagens quando Namir chegou até ele. O veículo estava equipado com lança-chamas e raios de atordoamento – qualquer coisa mais poderosa. Namir sentiu algo mais pesado e doentio que alívio congelar seu estômago – algo que substituía dúvida por foco. O jovem de Haidoral estava deitado numa cama no hospital improvisado da companhia – um apartamento desinfetado e equipado com dois médicos da Crepúsculo. suspeitou Namir. O esquadrão de Charmoso tinha sido atacado por um veículo blindado imperial – não um tanque ou walker. – Mas eu posso ficar. Ele pegou um par de energipentes extras. – Você é um monstro – disse Namir. mas algo parecido com uma minhoca metálica segmentada que deslizava sobre propulsores e percorria as linhas de bonde. – Você pode ficar – disse Namir. – Tente ter um pouco de compostura. mas o fazia sentir um aperto no estômago mesmo assim. O bom humor durou apenas uma hora. Namir não pressionou Corbo por detalhes da luta ou para saber como ele tinha escapado. caso seu esquadrão precise de você. Gadren o seguiu para fora do apartamento. Quando a porta fechou. Namir não sabia se era sua própria inquietude ou a dos soldados que ele sentia – não sabia até Brand encontrá-lo na cozinha que tinha sido transformada em armaria. vai encontrar vários voluntários. Charmoso quase não teve tempo de mandar os outros correrem antes de ser incinerado. Só um integrante de seu esquadrão tinha sobrevivido. Ele se sentiu mais leve ao voltar para o centro de comando. se escondiam. Namir não lembrava de ter visto um sorriso no rosto dela. Logo chegou uma mensagem vinda das sentinelas: a equipe de Charmoso havia sido emboscada durante uma colocação de minas. – Eu sei que eles são extremamente importantes. para ferir. – Mantenha um canal aberto. e minavam os túneis. e digo revidamos com força. Namir apenas perguntou: – Você tem certeza de que os outros foram mortos? Não capturados? – Tenho – disse Corbo. Ele não se lembrava de vê-la parecendo uma criança. – Essa casa não é sua – disse Namir. Mas agora três morreram só naquela noite. mas hoje à noite… . – A ultima vez que revidamos. enquanto corriam. e checou se seu equipamento estava seguro. batendo a mão no ombro de Namir. Enquanto caminhava pelo quarteirão. – Eu sei que você tem outros deveres – disse ele. certo? – perguntou Peste. – Vamos revidar – disse Namir. foi em Coyerti – disse ela. – Se você realmente quiser atingi-los. – Amanhã voltamos ao trabalho. – Vamos vingá-los. mas achei que você merecia ver isso. Ela ainda estava sorrindo. – Então descanse um pouco – disse ele. Enquanto Corbo gaguejava o que ele lembrava da batalha. colocaria em risco os túneis. Três soldados da Crepúsculo haviam morrido nos dias anteriores. Corbo tremia as costas ao contar sua história.

mas obrigou-se a perguntar: – Como? . uma máquina tão grande utilizando propulsores certamente havia deixado algum vestígio. a missão do esquadrão já tinha acabado. Uma única granada arremessada pela portinhola da minhoca a deixou em pedaços. finalmente. Duas equipes foram caçar a máquina que tinha queimado três soldados vivos. A maioria dos caçadores conhecia bem Charmoso: Carver havia sido colega de classe de Charmoso na Academia Imperial. e o espancaram quase até a morte antes de Gadren intervir. Eles tinham encontrado um transmissor com um homem velho de barba amarela. – Chalis sabe que você vai? – perguntou Brand. Namir rejeitara a ideia de trazer novatos. com os circuitos elétricos crepitando e soltando uma fumaça de produtos químicos. O armamento pesado não foi necessário. vasculhando os túneis atrás de Brand. – Eu cuido disso – Chalis disse enquanto Namir devolvia seu equipamento à armaria. Mas Namir só bateu em retirada quando os reforços se tornaram muito numerosos – mas não antes dele e seu esquadrão terem matado pelo menos uma dúzia de oficiais e stormtroopers. Namir não queria se importar. e não dissera nada sobre a participação dele no esquadrão da morte. resultando na emboscada ao esquadrão de Charmoso. Brand prometeu levar a notícia para Corbo e Peste. fugiram pelos túneis. se algum tivesse sobrevivido. quando sua tripulação desembarcou perto de um posto de sentinela imperial. Os outros se dividiram a partir do local de emboscada. de olho em patrulhas inimigas ou em rastros de energia. – Foi uma pergunta – disse Brand. dando o troco pelo aniquilamento do esquadrão de Charmoso. Tique viera a pedido de Namir – ele precisaria de soldados com experiência em armas pesadas para destruir a máquina. Alguns dos soldados que haviam participado da missão foram para a cafeteria para trocar histórias triunfantes durante o desjejum. é claro. o mesmo que tinha falado na primeira reunião civil. Quando as sentinelas dos postos avançados imperiais finalmente chegaram para socorrer seus aliados. – Eu devo isso a Charmoso. outro contingente de soldados havia realizado buscas nos apartamentos. Brand assumiu a vanguarda. os membros da companhia ainda acordados – e havia muitos. Corpos estavam empilhados nos portões do posto de sentinelas quando Namir e seus colegas. mas não tinham experiência para um esquadrão da morte. – Não uma discussão. Os oficiais inimigos foram pegos em uma tempestade de tiros de raios. convencido de que um dos moradores estava fornecendo informações ao Império. A equipe interceptou a minhoca. De volta ao quarteirão residencial. Namir e Brand. mesmo nas calmas horas antes do amanhecer – comemoraram o retorno do esquadrão. Ela havia lhe contado a história toda quando ele voltara. Enquanto o esquadrão estivera fora. Gadren fora escolhido para ficar para trás. os recrutas de Haidoral eram amigos de Corbo e dos homens mortos. não duraria sob a chuva de pontapés dos membros do esquadrão. Maediyu estava lá por Namir.

Em vez disso. Caminhavam por degraus escorregadios e subiam pelos vãos dos elevadores de carga. Talvez uma nave de desembarque também. o que deveria ser o bastante. Seu amigo tinha morrido sob o seu comando. tinha pertencido a um colecionador de relógios mecânicos antigos – e dormiu. ficariam expostos e seriam dominados pelos imperiais. Namir previa que a retirada seria sangrenta e desesperada. A companhia tinha colocado quatro quintos das minas de íon. e ele atirou livremente na escuridão na direção do inimigo. Tarde demais. A parte final da escalada dos esquadrões foi feita em meio à névoa e ao vendaval. Namir sinalizou para que a Trovoada e a Promessa de Apailana retornassem para buscá-los na noite do quinto dia. ela insistiu. sensores e sentinelas. A precisão dos esquadrões teria que ser perfeita – eles tinham que ir para a superfície durante a breve janela na qual a Trovoada e suas naves de desembarque estivessem na atmosfera do planeta. Deixar Mardona III não foi mais simples que chegar. Então voltou ao seu dormitório – um apartamento que. poucas horas antes da hora combinada para a subida dos esquadrões. Mesmo ficar esse tempo todo. Ele estava no comando da Companhia do Crepúsculo. Mesmo visores aprimorados eletronicamente se tornaram inúteis. – Vamos fazer uma varredura em seu apartamento. seria um risco. vamos mandá-lo para os túneis. Queimaremos o resto. Nuvens bloquearam a luz do sol. mas a Companhia do Crepúsculo não precisava vencer – só precisava seguir em frente e chegar às naves de desembarque que sacudiam fortemente contra o vento. mas não tão violento a ponto de deixar soldados como Gadren se sentindo eternamente culpados. começou a chover no megaporto. Ele esperava perder três ou quatro esquadrões. E ele consertara as coisas. Era o bastante para apaziguar qualquer um que desejasse sangue. Gotas grossas e pesadas levadas pelo vento colidiam em prédios. – Está ótimo – disse ele. e seriam deixados para trás quando a Trovoada fosse obrigada a fugir. Se os esquadrões chegassem muito cedo à superfície. Namir pensou. aparentemente. As forças de segurança de Mardona estavam preparadas e todas as saídas estavam sob vigia. . E depois. depois dos quais reforços imperiais chegariam para impedir a fuga deles. Vitória era impossível em uma tempestade de tamanhas proporções. abandonando o quarteirão residencial e procurando por saídas para a superfície que não estivessem muito protegidas pelos imperiais. Aquilo devia ser o suficiente para a noite. As ruas começaram a inundar e a água invadiu os túneis. nem mesmo comida ou roupas. adicionaremos ao inventário de Hober. Chalis tinha dado à companhia seis dias para realizar a missão. Então os esquadrões se dispersaram novamente. como a Crepúsculo sabia que estariam. limpar suas contas bancárias e. As botas ensopadas de Namir estavam grudadas em seus pés. se ele possuir algo de útil. Ele não ficará com nada.

sete baterias drenadas e honras oferecidas. Hober afastou-se da estação de energia. A tempestade acabou salvando a Companhia do Crepúsculo. Sete nomes. embora Namir não se lembrasse de tê-lo ouvido em voz alta antes. Virou com um susto e viu Peste ao lado dele. Charmoso também nunca tinha abandonado seu apelido. mas ela estava vestida para a ocasião. Os soldados que morreram em Mardona III acreditavam que a . Sua voz estava rouca demais para ser ouvida facilmente. Carver recuou e Hober foi para o nome seguinte. A Trovoada continuou seu curso a Kuat. e depois do estilhaço que penetrara seu cérebro. O capitão Evon me ensinou por seu próprio exemplo. como se ainda estivesse secando da tempestade em Mardona III. – Serei breve – disse ela para a multidão. Ela murmurou alguma coisa para Hober. – O que eu sei – disse ela – é o que a Rebelião significa para todos vocês. Namir sentiu alguém tocando seu braço. Eu mal sabia da existência deles. Eu vi o coração da Rebelião em primeira mão quando servi com o Alto Comando. Parecia uma piada de mau gosto depois do que tinha acontecido em Blacktar Cyst – depois da batalha que tinha lhe roubado a beleza. Gadren acabou cedendo. Tique virou de costas para Chalis e saiu empurrando os outros para sair dali. – Sargento Pol Andrissus – proclamou Hober. Carver e Gadren haviam discutido sobre quem iria fazer as honras no funeral de Charmoso. e os soldados pareciam se esforçar para escutá-la. Os esquadrões conseguiram escapar de Mardona III com uma fatalidade e alguns feridos. embora a maioria parecesse simplesmente não entender o que estava acontecendo. e houve uma risada nervosa em meio à multidão na baia dos veículos. Namir viu alguns deles fazendo cara feia. Namir nunca falara com ele sobre isso. – O grande sedutor – declarou Carver. ele fez uma pausa enquanto a governadora Chalis caminhava por entre os soldados e tomava a frente do púlpito. Chalis pareceu não notar. usando uma roupa preta. eu não os conhecia bem. que devia ter trazido de Mardona. mas. sete mortes. ele se sentia frio e úmido. Em vez de finalizar a transmissão para a nave. e continuou. quando me recebeu a bordo. observando-o com clara preocupação. Quando o ritual terminou. lhe custando a habilidade de formar uma frase inteira sem gaguejar –. Namir nem sabia que Chalis estava presente – ele não a vira no início da cerimônia –. e um lenço ornamental. Esse era o verdadeiro nome de Charmoso. Era assim que Charmoso gostaria de ser lembrado? Namir não tinha certeza. – Os homens e mulheres que morreram em Mardona. Ele já tinha visto vários amigos e camaradas morrerem antes. e foi Carver que se aproximou de Hober e da estação de energia e entregou o energipente pronto para ser drenado. Ele forçou um sorriso e gentilmente tirou a mão dela. mesmo assim. Mesmo assim. que hesitou um momento antes de sair do palco. Ele xingou em silêncio.

Somos diferentes do Império. Garrafas eram escondidas atrás das vigas de apoio… Não. qualquer palavra de sabedoria ou consolo para amigos em luto. . mas ele achou que soava como Hober. Ele não fora mal recebido. ela acrescentou rapidamente: – Não estou dizendo que isso é o bastante. então. Só achei que eles precisavam ouvir… Namir deu um sorriso amargo e balançou a cabeça. e havia ficado por tempo o bastante para ouvir algumas histórias sobre o heroísmo de Charmoso em Tokuut e sobre o incidente durante o período de licença na Estação Sigma. Namir não viu quem foi. – . Eles não estavam lá porque receberam ordens. sorriu – um sorriso pequeno. Mas não tinha nada a dizer a eles quando estavam de luto. não diferente daquela que tinha trazido a bordo da Trovoada. Namir virou a garrafa em suas mãos e se perguntou onde Chalis a teria encontrado. Você sabe disso. Ele sentou no baú do quarto de Uivo. Nossos soldados não são stormtroopers sem rosto. Então ele fora até Chalis. analisou a sala.. e ela o recebera. piadistas e lutavam contra seus próprios demônios. ele pensou.. Ele tentaria liderá-los. – Rumo à vitória – murmurou a voz de um homem. vagando os olhos pela audiência.. Então. E ele não tinha discursos para dar. mas nossos amigos e amantes. Ele tinha ido ao clube depois do funeral. Ele conseguiria liderar os esquadrões da Companhia do Crepúsculo. – Da próxima vez.Rebelião merecia sua dedicação. Pretendo lutar pela vitória não porque isso seja o bastante… – Aqui ela parou. – Eu não quis roubar seu lugar. O influxo de contrabando depois de Ankhural poderia se tornar um problema. viu acenos de cabeça. – … mas porque é o mínimo que podemos fazer para honrar aqueles que se foram. e a passou para Namir. ainda fosse possível. Ele não podia tomar parte no luto quando também era parte da causa. O problema era que qualquer coisa que ele dissesse pareceria trivial. A resposta dos membros da companhia foi muda. triste e reprimido – e curvou a cabeça. como se estivesse abdicando de sua responsabilidade pelo papel que tivera naquelas mortes. – disse Chalis. porque toda vida significa alguma coisa. sim. e eles eram conquistadores. – Está tudo bem – disse ele. Mas conversas tendiam a parar quando ele chegava. Pretendo fazer o que estiver ao meu alcance para provar que eles estavam certos. mesmo nesses dias sombrios. – Você deve estar certa… um pouco de inspiração é bom para eles. observando a governadora que estava na beirada do beliche. mesmo que eu tenha que escrevê-lo para você. você fica com o próximo discurso. Ela deu um gole de uma garrafa de conhaque. eles acreditavam que uma grande vitória. mas Namir ouviu suaves afirmações.. Ela. Nossos mortos eram rebeldes. O problema não era que as tropas ficavam desconfortáveis em sua presença. retornando para a multidão.

Já passou da hora de você começar a ficar aqui. Namir resmungou e levantou do baú. – Da próxima vez – ele concordou. você deveria descansar. dando outro gole rápido. O tom de voz deixou claro qual resposta ela esperava. – Mas nós fizemos uma boa operação – disse ela. – Eu apenas assisti. – Ainda vai levar um tempo para sabermos quais recursos o Império canibalizará para compensar Mardona. – Você realmente acha que eles se sentirão melhores com seu comandante na cama ao lado? Namir observou Chalis por um tempo. . – Você realmente quer dormir com seus homens? – perguntou Chalis. – Podemos selar a porta – disse Namir. Ele ia contestar quando recebeu um olhar furioso em troca. Ela se dirigiu à porta antes que ele pudesse impedir. Você não tira mais folgas entre as missões. – Dê o fora do meu quarto – disse ele por fim. – Falando nisso. Você os colocou e os tirou de lá com vida. – Garantir que ninguém fique com este quarto. levantando da cama. – Eu já levei meus muitos pertences ao antigo dormitório de Sairgon. – Todo seu – disse ela. em sua maioria. Chalis fez o mesmo. e ela riu ao sair. e apontou para o beliche. Ela sorriu e pegou de volta a garrafa das mãos de Namir. – Bem-vindo ao comando – disse Chalis. Os esquadrões fizeram o trabalho. Ela parecia conter um sorriso. mas esse problema é meu.

manutenção de munição e coisas do tipo. aguardando ser julgado ou liberado. – Sim. Mas precisa melhorar.” Os comandantes haviam sido feitos para durar. Pinyumb foi sua primeira missão? – Sim. “ele realmente seja um dos clones originais. . Thara pensou. “Talvez”. – Você é uma das novas – disse 113. O tio dela teria feito isso sob outras circunstâncias. “Melhor que deixar meus camaradas morrerem?”. Nos primeiros dias após o incidente. Thara ficou se perguntando se ele estaria revisando o arquivo dela. senhor – disse Thara. rezando para dormir. – Você sobreviveu. ela sofria de dores de cabeça que a faziam pressionar a testa contra o piso frio de metal à noite. senhor – disse Thara. Ela se sentia cega sem o brilho do display de seu antigo uniforme. – Treinamento acelerado para aumentar as fileiras da corporação. Dou crédito a você por isso. Parecia uma constatação leviana. ela se perguntou. 113 se juntou a ela na armaria intensamente iluminada. mesmo estando muito perto da detonação. Outros membros da equipe não tiveram a mesma sorte: ela estava feliz por não se lembrar da visão de corpos sendo destroçados e explodindo. Thara não vinha se sentindo nada como SP-475. espalhando suas partes pela nave. em breve. mas ele ainda estava retido. – Hum. Foi mais uma afirmação do que uma pergunta. Os droides médicos lhe asseguraram de que isso não era nada incomum e que. Ela estava vestida em uma variante do uniforme de cadete. com um capacete aberto que deixava todas as suas expressões expostas. Ele tinha liderado a equipe no dia da explosão e interrogado o agente rebelde. C A P Í T U L O 27 P LANETA SULLUST DIA 9 DA OPERAÇÃO FURA-BLOQUEIO Durante as duas semanas anteriores. ele também sobrevivera. enquanto comparava os relatórios de suprimentos automatizados com o inventário de energipentes e armas de raios que ela mesma contara à mão. De alguma forma. – SP-113 olhou para ela através de seu capacete. A explosão na nave terrorista rebelde tinha deixado uma cicatriz entalhada em sua testa e o ouvido direito ficava surdo em intervalos. Ninguém a tinha visitado ou desejado melhoras. mas ela ainda podia imaginar. No primeiro dia em que voltou à ativa. a liberariam para voltar ao serviço leve: fiscalização de vigilância.

Ela vestiu cada peça de seu uniforme com zelo e diligência. valia a pena fechar o comércio da cidade. e a política oficial desencorajava a criação de laços durante as horas de folga. a elite da elite marchando através de fogo e gelo contra milhares de armadilhas rebeldes. olhando para o túnel pelo qual o transporte havia descido da superfície. e ela hesitou ao encaixar o capacete no lugar. para a chegada segura do transporte. – Estamos muito longe de Hoth – disse ele. Mas os leves arranhões em sua armadura e o silêncio mortal em seu ouvido direito a distraíam. A guarnição de stormtroopers não falava muito – certamente não enquanto em serviço. Thara abriu a boca para protestar. Quase trinta stormtroopers estavam em posição de sentido quando o transporte chegou ao piso do hangar. Ninguém acreditava nisso. – Corte pela metade o tempo que os droides médicos pediram que ficasse fora da patrulha. Menos alguma coisa. . Estamos com pouco contingente. de sua missão e de seu dever para com Sullust e o Império. lentos para se adaptar a novos postos com novos esquadrões. e. Outros trinta estavam posicionados fora de vista ou nos túneis adjacentes. e sua atenção se voltou para a rampa de embarque. Os oficiais de Pinyumb adiantaram-se rapidamente. mas se esforçou para que as palavras saíssem assim mesmo. – E sempre haverá mais rebeldes. Ainda assim. e Thara tinha ouvido sobre um ataque a uma base rebelde no setor Anoat. Uma semana depois da conversa com 113. a base. Ela não deveria estar falando. SP-475 ficou atrás de uma equipe de manutenção. Mais outras tantas equipes estavam realizando buscas em quarteirões residenciais de Pinyumb. Meia dúzia de figuras de uniforme branco cercaram o grupo e escoltaram seus integrantes por um túnel. – Senhor? – ela perguntou. Achei que os rebeldes seriam… menos perigosos. quando conversas eram proibidas. senhor. prontos para qualquer ataque surpresa da célula rebelde. como uma risada. Conversas surgiram em seu capacete: líderes de equipe reportaram que nada estava fora do planejado. O próprio Darth Vader liderara as tropas para a vitória. – Eu pensei… – Você pensou o quê? – Hoth. nem seus comandantes. Ela imaginou rebeldes dispostos em formação entre raios de sol tênues. ao virar de costas. dizimada. certamente. Menos ativos. O alienígena a bordo da nave rebelde alegara que faltavam colaboradores à célula em Pinyumb – que os civis do local estavam com muito medo para ajudar. o status de Thara estava restaurado por completo. e também interditando a fábrica de processamento de Inyusu Tor. lembrando-se de seu nome. conversas corriam durante as refeições ou nos vestiários. Mesmo assim. O inimigo fora destruído. preparando explosivos nas sombras. recebendo a primeira leva de recém-chegados e obstruindo a visão de 475. 113 fez um som curto e desdenhoso. Nem Thara e seus camaradas. Alguém no comando decidira que. e os chefes querem que encontremos Nien Nunb e o resto da célula antes que eles causem mais problemas. O transporte zumbiu. Os troopers que se relacionavam com seus camaradas tornavam-se inflexíveis.

Agora uma segunda leva marchava pela rampa de embarque: oficiais com roupas pretas. Da última vez que vira seus colegas de tropa em caos. mas. Precisam retomar a produção em algum lugar. 113 disse-lhe que estavam com baixo contingente. não maior que um punho cerrado. Tropeçou um passo para trás e deu de encontro com um integrante da manutenção. viu outro trooper apontar para trás dela e para cima da parede da caverna. depois mais que SP-475 pudesse contar. – Sabia que os rebeldes não ficariam muito longe. fazendo-a cair em espiral até o chão. – Era 113. Seus camaradas começaram a gritar. Seu peito doía. Demorou um bom tempo até ela voltar a prestar atenção nas conversas pelo comunicador ou notar a presença dos dois troopers ajoelhados sobre a esfera caída. pessoal de segurança com capacetes e mais stormtroopers. Ela não conseguia respirar. depois vinte. se os rebeldes estivessem em atividade. O visor polarizou contra o brilho vermelho. mais inspetores para fazer o serviço deles – mas ela suprimiu esses instintos. SP-475 queria arrancar o capacete e vomitar. Dois tiros lascaram a pedra. Queria correr. – Alguns rebeldes atingiram um depósito de suprimentos em Mardona outro dia. – Fiscalização de trabalho – respondeu outro trabalhador. Ela havia superado a hesitação. – Câmera espiã – disse uma voz suavemente. flutuando uns doze metros acima do piso da caverna e zanzando na direção do túnel para a superfície. Nada explodiu. SP-475 não tinha ouvido sobre isso. Mas ela cumprira seu dever. Seu turno estava apenas começando. Ela tinha que se impor. – Quem são esses caras? – perguntou um dos trabalhadores da manutenção. Rapidamente. deixando um rastro de faíscas. O último acertou a esfera. Ela ficou arrepiada com a ideia de que Pinyumb precisava de mais tropas. e eles ainda não tinham encontrado Nien Nunb. Ninguém morreu. – Bom tiro. Talvez reforços não fossem uma coisa tão ruim assim. Pela visão periférica. um oficial no comando desativou todos os comunicadores para que somente suas ordens pudessem ser ouvidas. Ela não perguntou o que era. Primeiro dez. Então ela ouviu um gemido agudo no capacete. O capacete direcionou sua atenção para uma esfera mecânica. . Ela se virou com o fuzil em mãos. ela tinha que estar pronta. SP-475 queria congelar. homens e mulheres haviam morrido. 475. Era impossível decifrar o que as vozes distorcidas e sobrepostas diziam. Apenas empunhou o fuzil e apertou o gatilho três vezes.

mas construídos pela Corporação de Engenharia Corelliana. a Companhia do Crepúsculo estava um passo mais perto de seu verdadeiro objetivo. Após Najan-Rovi. cuspindo na manga da camisa enquanto seu tórax subia e descia. Como defesa. – “Naves executivas” para oficiais de alto posto e enviados especiais do Conselho Executivo – explicara Chalis durante uma reunião para os líderes de esquadrão. – Precisamos arriscar a companhia inteira para destruir um só homem? Chalis não disse nada a princípio. quando a Crepúsculo saltou à velocidade da luz deixando Najan-Rovi. Uma vez que sejam destruídos. – Armazenados e reabastecidos em Najan-Rovi. os oficiais precisam de seus brinquedinhos. o destino dos estaleiros já estava selado. levarão consigo suas forças de segurança. e os esquadrões celebraram ao retornar dos estaleiros. Faltava aos hábitats flutuantes do gigante gasoso um batalhão dedicado de stormtroopers. Então ela começou a tossir. Era gratificante de ver. apesar de Namir ter ficado surpreso por Chalis ter se recolhido a seus aposentos em vez de aceitar as felicitações no hangar das naves de desembarque. – Há certas pessoas que quero que sejam promovidas para postos fora de Kuat – disse Chalis na reunião matinal dos oficiais superiores. com os lábios tremendo em uma expressão que nunca virava um sorriso. – Assim que saírem de lá. Lá. Corellia vai precisar aumentar sua produção. a tarefa da Crepúsculo era obliterar uma guarnição imperial. . C A P Í T U L O 28 A 15 ANOS-LUZ DA ROTA DE COMÉRCIO DE RIMMA DIA 10 DA OPERAÇÃO FURA-BLOQUEIO Os estaleiros de Najan-Rovi caíram em menos de um dia. o planeta dispunha apenas de troopers da Frota Imperial e um complemento de caças TIE. uma lua frígida coberta por um congelante oceano de metal líquido. O destino seguinte da Trovoada era Obumubo. quase cem transportes de luxo imperiais e cargueiros leves estavam em chamas. Mate os homens certos em Obumubo e criaremos uma vaga de trabalho. Aumentar a produção em Corellia implicava transferir recursos de Kuat para a construção de naves. Von Geiz – uma das pessoas mais gentis que Namir já conhecera – questionou se o alvo poderia ser assassinado. Quando a Trovoada terminou de desembarcar todas as equipes de ataque da Companhia do Crepúsculo.

mas estavam exaustos e feridos. Von Geiz não continuou a discussão. – Não sei – admitiu Namir. sigam o exemplo e se entreguem. Depois de conversar com o droide. Canhões. Será que ele estava sendo muito direto? Muito evasivo? Ele mal lembrava como era falar com seus colegas sem se contradizer. que estavam habituadas a se defender das criaturas marinhas de Obumubo por meses a fio. Nenhum soldado da Crepúsculo tinha morrido em Najan-Rovi. e a Trovoada saiu do sistema com todas as suas naves de desembarque a salvo. quando a frota voltar. com a voz rouca e o tom frio. Dois membros da infantaria da Crepúsculo e um médico se afogaram nas águas prateadas enquanto desciam das naves de desembarque. . derrubaram a guarnição. Mais uma dúzia morreu no primeiro assalto. sem saber o quanto explicar. Encontrou doze soldados reunidos em volta de um holoprojetor portátil em uma das mesas de jantar. analisando nossos ataques. – O Império não pode suspeitar de nossa intenção – disse ela. logo antes da chegada de uma falange de destróieres. – Vamos apenas garantir que. ele ouviu um barulho vindo do refeitório e foi investigar. enfim. Ele queria ir embora. Levou dois dias de combate para que a companhia conseguisse montar cerco naquele cenário fluido. Ele balançou a cabeça. A guarnição era inteligentemente defendida por tropas experientes. toda a operação vai por água abaixo. Na noite em que a Trovoada partiu de Obumubo. mas ele era mais receptivo do que a maioria da tripulação quando o assunto era a elaboração de um relatório fora de hora. O imperador Palpatine está considerando realizar julgamentos públicos para alguns desses combatentes. arriscaremos a companhia. – Isso é propaganda. possamos oferecer uma vantagem à Aliança. na esperança de que outros.Demorou mais de um minuto para que ela se recuperasse o suficiente para responder. sem dúvida. Então. Namir visitou M2-M5 – ele ainda detestava o droide engenheiro. mas… – Ele suspirou. condições desconhecidas. – Desde a destruição da base da Aliança – declarava ela – mais de quinze postos avançados rebeldes e sete membros da liderança do inimigo já se entregaram. mas era o comandante deles e se sentiu na obrigação de falar mais alguma coisa. testemunhando o tratamento justo dispensado pelo Império. O ataque em Obumubo foi sangrento. sim. então nem tudo é verdade. Peste assentiu rapidamente. – Ainda não fizemos contato com o Alto Comando. O projetor passava uma transmissão imperial – a imagem digitalizada de uma jovem atraente anunciava orgulhosamente uma série de triunfos sobre os rebeldes na Orla Exterior. – Os militares empregam pessoas muito inteligentes que estão. Um passo em direção a Kuat. Se a possibilidade de nosso ataque a Kuat passar pela cabeça deles. – Alguma palavra dela é verdadeira? – Namir reconheceu a voz e viu Peste sentada no canto da mesa. Chalis garantiu que aquela fora outra vitória. A frota está por aí. Os outros observavam a transmissão evitando seu olhar. O campo de batalha favorecia os defensores.

Foi exigido que homens e mulheres com ferimentos quase sem tratamento marchassem insones por um terreno difícil. e ele não conseguia saber se os acenos sérios e os punhos elevados que obteve em resposta eram sinais genuínos de entusiasmo ou concessões à autoridade de seu comandante. . Namir ficou ao seu lado na tenda médica enquanto ela suava e sangrava. ele talvez explodisse o painel de controle. Gadren. Maediyu esteve entre as primeiras baixas em Nakadia. Talvez fosse melhor nem saber. com galhos duros à altura do pescoço. Ele a deixou sozinha apenas duas vezes. Quando Namir voltou para a Trovoada. então ele mantinha essas indagações para si mesmo. Eles atacaram secretamente. Namir não sabia que tais conversões eram possíveis – ele não conseguia imaginar como plantas poderiam ser transmutadas em materiais industriais –. Ele bateu na porta e não esperou por uma resposta antes de ir entrando. – Era a mesma toxina – ele gritou. e ela insistia que Namir era a sua mãe. – Não foram pesticidas. Não se lembrava do nome dele quando ele lhe disse que não era. sem sequer parar para remover a armadura ou guardar o fuzil. Era o melhor que ele podia fazer. Era uma boa estratégia. mas ninguém mais parecia surpreso. Erupções brilhantes cobriam seu rosto. Ele só não esperava que as mortes fossem tão terríveis. Eles queimaram o armazém. debatia-se e fedia. Dezesseis outros soldados foram abatidos por airspeeders espargindo toxinas antes de uma equipe de busca localizar de onde eles vinham. e ouviram o veneno fervilhando lá dentro. observando o metal escurecer e se curvar. Mzun e outros doze soldados alienígenas acompanharam Namir – que se munira com a maior quantidade de equipamentos de proteção que tinha sido capaz de conseguir – até uma plataforma de lançamento e armazenamento no alto das montanhas. Se não estivesse destrancada. foi diretamente ao dormitório de Chalis. – Tenham cuidado. Ele deixou a governadora Chalis para trás na Trovoada e se juntou aos esquadrões na onda inicial de assaltos. avançando e recuando invisivelmente pelas florestas de galhos. Por fim. apesar de estar fervendo de raiva por dentro. O planeta era um mundo agricultor de infinitas colinas e de uma flora frondosa. ambas para esvaziar seu estômago e limpar a bile dos lábios. Os médicos reconheceram o que estava acontecendo. Ele manteve a voz calma. onde milhões de toneladas de colheitas eram processadas e transformadas em polímeros e resinas sintéticas utilizadas em blindagens. mas não confirmaram as suspeitas de Namir até depois de Maediyu estar morta. Namir sabia que Nakadia seria difícil. mas era extenuante para tropas que mal tiveram tempo de descansar desde Obumubo. A Companhia do Crepúsculo também venceu em Nakadia. Eles têm armas biológicas – disse Namir aos líderes de esquadrão naquela manhã. sob a cobertura da noite. Parecer um idiota na frente dos colegas não inspiraria muita confiança. ele desistiu da verdade e acariciou o cabelo dela enquanto seus órgãos internos lentamente se liquefaziam. Então Maediyu e os outros voltaram de uma investida. A Crepúsculo estava ali para devastar as fábricas de plastoide. chocados e com os olhos vermelhos.

A voz dela era calma. então ela deu de ombros. – Você viu os planos – disse ela. você e seu esquadrão destruíram biotoxinas suficientes para salvar milhões. Eu também… também demorei mais tempo que deveria para entender. não. digo. A ira de Namir desapareceu. e cada palavra que Chalis falava incomodava. – Para quantas outras próximas vezes devemos nos preparar? Chalis levantou-se lentamente do beliche e olhou diretamente para Namir. como se massageasse uma dor de cabeça. duros. – Sente-se – disse Chalis. – Nós. Ela deu de ombros novamente. Aquela coisa deveria ter sumido. eu vou voltar ao trabalho. Namir encontrou um discurso que tinha sido acrescentado ao seu datapad uma hora antes da cerimônia na baia dos veículos. – Fale. Falava sobre como a Companhia do Crepúsculo honraria o sacrifício dos esquadrões. Portanto. Namir não se mexeu. A faixa de seu fuzil começou a pesar em volta do pescoço. Não o culpo por isso. Talvez mais. Mas você ainda pensa como um homem de Crucival. Ela falou lentamente. . esboçando alguma coisa no datapad. e em vez disso meu pessoal está morto. sobre como. o inimigo escolhera jogar veneno. se você for apenas ficar esbravejando. Ele viu o peito dela subir ao suprimir uma tosse. Quanto você acha que está estocado em armarias empoeiradas e armazéns pela galáxia? Se eu soubesse que essas armas estavam em Nakadia. – Não estou a favor dessas mortes. Nós destruímos a Destilaria. Destruímos todos os estoques. – Acho que Hober já está cansado de conduzir funerais. – Não vai demorar até Kuat. – Espero mesmo que não – disse Namir. Chalis sentou-se no beliche. Mas o Império vem construindo seu arsenal há décadas. Ela fechou os olhos e pressionou o dedo em uma das têmporas. Ela fez alguns rabiscos pela tela. – Dê-me um pouco de contexto – disse ela. – Você está falando das armas biológicas em Nakadia? Ouvi… – As armas biológicas – disse Namir – que vinham de Coyerti. – Isso significa o quê? – Significa que você não entende a escala do inimigo. no entanto. Vamos nos preparar melhor para a próxima vez. Você vai me ouvir agora. em um mundo que poderia ter alimentado trilhões. – Sinto muito por suas perdas… – Não sente. sobre como Nakadia foi um lembrete de até onde o Império iria. A amargura continuava. mas seus olhos. eu talvez tivesse escolhido um alvo diferente. sargento? A próxima aterrissagem em um planeta é daqui três dias. aparentemente construindo um argumento enquanto prosseguia. Mas não sabia. avaliou o próprio trabalho e apoiou o dispositivo na cama antes de olhar para Namir. – Você é um bom comandante. Você é bom em julgar o que seu pessoal precisa e o que eles podem alcançar. cuidadosamente.

– E ninguém se importa se ela fica com cara de boba. e qualquer proximidade que pudesse ter havido entre eles tinha sido congelada em Hoth. parecia não condizer com a realidade. bebendo uma terrível cerveja local e tentando flertar com uma mulher de pele verde que parecia não dar a mínima para suas mentiras sobre a vida como um mineiro de meteoros. Namir não tinha notado que Brand não estava lá fazia mais de uma hora. Na semana seguinte. Naquela noite. desesperada para vencer. Se o capitão teria feito alguma coisa de diferente. e até mesmo Chalis concordou que era necessário um dia de descanso para reabastecer as energias. a Companhia do Crepúsculo lutou mais duas batalhas – nas montanhas de Naator e nos cânions fétidos de Xagobah. mas era o mais perto da verdade. A ideia de contar isso para ela passou pela cabeça dele. de fato. também. A governadora estava conquistando a companhia um dia de cada vez. levantando-o. Namir previu que a maioria da companhia escolheria permanecer a bordo da nave. mas não tenho dúvidas de que ele era tão falho e tolo quanto todos nós. Ele não leu o discurso no funeral. A companhia venceu. O período de licença não foi muito longo. Namir gargalhou e afastou sua bebida. aquém da atenção do Império. ou se a Crepúsculo ainda era a mesma de sempre – sangrando. mas agora é hora de reconhecer a derrota e reconquistar sua dignidade. – O que Uivo fazia em sua vida particular é mais um segredo que foi levado com ele. ele se aventurou em uma cantina a céu aberto com uma porção de seus colegas. Gadren lhe pagou mais três bebidas depois que a mulher foi embora. A reação parecera bastante positiva. com tom paciente e conciliador. a única pessoa na nave que compreendia sua posição. Ele passou um braço sob o ombro de Namir. Em vez disso. Esse pensamento. mas foi embora na mesma velocidade. lutando. O ritmo penoso continuou. Namir tentou se endireitar no assento e descobriu que ainda estava meio curvado para a frente. Em vez disso. depois de Hober terminar os procedimentos comuns e Namir não se mexer. – Sutil. e as tropas estavam se acostumando com as recitações dela. nem até Chalis. Chalis não era sua amiga. Gadren olhou para a ponta do balcão da cantina. e o incomodou pensar que ela era. – É porque ela é melhor nisso do que você – disse Gadren. . deitou-se no beliche – no beliche de Uivo – e se perguntou o que o capitão teria feito de diferente. Chalis caminhou até a frente e o recitou. – Aposto que não disse isso a Brand. ele não foi nem ao clube. Ele se arrependeu por ter discutido com Chalis. Uivo nunca se sentou por aí parecendo um idiota… – … em público – disse Gadren. Mas. Lindo. onde catadores reviravam pilhas de lixo de uma civilização há muito tempo devastada. mas perdendo o mesmo tanto – e Namir que tinha mudado de perspectiva. Soldados morreram. o que não deixou Namir particularmente surpreso. mesmo assim. – Você fez um belo esforço – disse ele –. Chalis e Von Geiz propuseram que a Trovoada estacionasse em Aglomerado Nove – um mundo destruído. Era um bom discurso.

mal conseguia segurar uma arma de raios sem queimar o dedo. e ele liderou aqueles que sobreviveram. Ele liderou aqueles duzentos homens à morte. inventar uma desculpa e dar o fora. – Não sobraram muitos para contá-la. Namir grunhiu. . consumidos por tecnologias alienígenas das quais não tínhamos conhecimento para nos defendermos. mas não tinha certeza se podia aguentá-lo por muito mais tempo. – E você acha que… estou liderando a companhia para outro massacre? – Não – disse Gadren novamente. “Duro até para os padrões da Crepúsculo”. Namir não respondeu. dando um pouco de apoio a Namir enquanto caminhavam juntos pela rua principal do acampamento – uma estrada de terra flanqueada dos dois lados por ferros-velhos e comerciantes de sucata –. – Ele chacoalhou seus dedos carnudos. – Não – disse Gadren. e resgatamos os rebeldes que tínhamos ido salvar. – Lembro. Mas apenas trinta e sete soldados da Crepúsculo sobreviveram à missão. ignorando os gritos dos mascates e ladrões. mas ouviu um desafio em sua voz. Antes do tempo de Brand. Namir pensou. Eu lhe disse no funeral de Uivo que eu nunca consegui entendê-lo. Vencemos naquele dia. – A forma como celebramos depois? Gadren fez um som oco. e antes mesmo do tenente Sairgon juntar-se a nós. indicando que a memória o entretinha. – Tem outra campanha que sempre é relembrada. Ele sorriu. – Você se lembra da batalha em Dreivus? – perguntou Namir. Perdemos homens corajosos para bestas terríveis. outros desapareceram. Gadren acenou lentamente. Mas está gravado na história da nossa companhia. Essa foi antes do seu tempo. – Não é. ele não tinha para onde ir. como se inspecionasse por cicatrizes. Já falei de Ferrok Pax? Namir pensou em assentir. Ainda assim. Gadren deixou o braço em volta dele. – Ele parou e coçou o pescoço com uma mão. – Tique lembrou de Dreivus outro dia. tentando flanquear nosso inimigo. Ele reconstruiu a companhia das cinzas do sacrifício deles. – Éramos quase duzentos homens. – Acho que você teme os sacrifícios que fizemos. – Eu era novo na companhia. e marchávamos por dias pelas ruínas de um reino de protoespécies. Gadren continuou falando. Não é exatamente animador. Mas deixamos para trás uma trilha de soldados que não podiam mais andar ou cuja fome devastava seus corpos. – Acho que não – disse Namir. Na companhia de Uivo. Então veio a batalha. Ele gostava da companhia de Gadren. Sentimos sua falta no clube. mas ele nunca ficou distante ou amargurado. Você deixou uma boa impressão com as dançarinas em chamas. As naves de desembarque não voltariam para a Trovoada pelas próximas horas. Se tivéssemos ido pelos céus. Namir se endireitou e olhou para os olhos alienígenas de Gadren. pois nossos suprimentos estavam acabando. Uivo sentia a morte de seus homens tão intensamente quanto cada um de nós. – Então é por isso que eu não devo ter ouvido essa história antes – disse ele. e os sacrifícios que estão por vir. contra uma ameaça risível e seus guerreiros diabólicos. teríamos perdido o elemento surpresa.

absolutamente. depois Malastare. – Eu posso conceder mais duas para você. E vamos dar a você. não estou nem um pouco preocupada com o que eles pensam agora. não Chalis. Namir planejou o ataque pessoalmente. – Como queira – disse Gadren. – Por analistas da inteligência. com prazer. e parecia satisfeita com os resultados das ações da Crepúsculo. Ele o colocou sobre a mesa de seu escritório e. precisamos atacar rápido o bastante e forte o bastante para que o Império não possa nos cercar. sei que ele acreditava que o sacrifício era a força da Crepúsculo. Vamos na direção do coração do espaço imperial. – Mais duas paradas – disse Chalis –. e ele manejava essa força para um bom propósito. vieram as minas nos asteroides do cinturão de Kuliquo. brincou com ele nas mãos enquanto Chalis o atualizava sobre a situação em Kuat. Ele revirou as palavras em sua cabeça como se o número significasse algo real. independentemente de quão fracos eles estejam. como se oposição. apesar de que a resistência será grande. – Ótimo – disse Chalis. nenhuma tentativa de encanto. – Mais duas – repetiu Namir. Ela vinha gravando transmissões de comunicações imperiais e decodificando sinais de baixa prioridade à noite. – Então o que faremos em seguida? Se atingirmos muitos alvos mais. – A Legião de Stormtroopers 107 é especializada em controlar revoltas escravas e levantes de trabalhadores. nunca teria concordado com o plano de Chalis. não poderíamos nem chegar perto. – Mas nós seguimos você. graças a nós. Mas pelas pessoas com quem trabalhei por uma década. Ela voltou das minas com um pedaço de ouro do tamanho de seu punho e o levou a Namir como presente. – Idiotice ingênua – ecoou Namir. No entanto. Não havia leveza em seu tom. mais tarde. Três batalhões inteiros foram tirados da estável e previsível Kuat e deslocados para outro lugar. não estaremos em condições de tomar os estaleiros. Kuat . então. Raramente havia quando ela e Namir estavam sozinhos. levantando um dedo – E graças às idiotices ingênuas de tantos velhos amigos do Conselho Executivo Imperial. campo de batalha e dias em combate versus dias em movimento não tivessem a menor importância. – Não faz muito tempo que você estava desesperadamente preocupada que o nosso plano pudesse ser descoberto. Depois da trégua em Aglomerado Nove. e que decidiram que eu não era uma ameaça depois que parti? Não. o que precisar para chegarmos aos estaleiros de Kuat. ele concordou em incluir Peste. – Se eu tivesse medo de sacrifícios – disse Namir –. Sob o pedido de Gadren. selecionando os vinte soldados em que mais confiava para sabotar o maquinário em uma armadilha mortal privada de ar e luz. acrescentou rapidamente. – Porque essa oportunidade desaparecerá assim que o Império reagrupar.porém. – Ela. Se metade das frotas inimigas não estivesse perseguindo o Alto Comando da Aliança. Tomamos Sullust em seguida. Quando esses planetas estiverem nas nossas mãos.

mais difícil se tornava abrir um canal seguro. sargento. ela o tinha socado na mandíbula. Depois disso. Esse canal pode não ser seguro. talvez seja hora de se afastar. – Por que pergunta? . Vader ainda está liderando a caçada. Sullust servia como centro de mineração e manufatura para o Império. Hoth. a companhia estaria verdadeiramente comprometida. mas nem se dera conta. Aparentemente ela o reconhecia. Só a Rebelião poderia libertá-lo dessa responsabilidade agora. parecendo pensar em como iria dizer a frase seguinte. Ou talvez já tivesse. Ele se perguntou se ela o reconhecia. aquela era. a última oportunidade de encontrar outro caminho. “Se não pode seguir o que eles acreditam. Ele nunca tinha visto um Sullustano antes. Sentado sozinho no refeitório da Trovoada. tentando lembrar onde ele vira aquele rosto antes. mas se segurou e apenas sorriu. – Cuidado com o que diz. ele fez outra tentativa de contatar o Alto Comando da Aliança. A vitória está ao nosso alcance. Suas cidades eram construídas como pedras preciosas abaixo da superfície chamuscada e arrasada. mas não era verdade. Quando o holograma começou a piscar na mesa de Namir. Trovoada – disse a mulher – e ande logo. No dia anterior à chegada da Trovoada a Sullust. Costumava ser um membro orgulhoso e influente da República. Isso era o que ele poderia dizer a Chalis. mas tinha sido reduzido à posição de vassalo mendicante – uma fonte de combustível para a máquina imperial. – Talvez fiquemos fora de contato por um tempo e não recebemos novas ordens. – Ela fez uma careta. – Compreendido – disse ele. Namir ouvia conversas sobre a batalha que logo travariam. até onde Namir achava. – Vocês ainda estão com a… carga? Namir empinou a cabeça antes de entender o significado. Era simplesmente a última oportunidade para ele contornar sua promessa. Quando mais a Companhia do Crepúsculo penetrava em território imperial. Namir a conhecera em Hoth. Hober ouvira boatos de movimentos de resistência ao Império emergindo no planeta durante anos.” Ele decidiu dar à Crepúsculo o que ela queria: uma chance de enfrentar o mal do Império. Só precisamos agarrá-la.será fácil. Namir sabia apenas o que lhe era dito e o que ele lia nos registros instáveis do computador da Trovoada. Zab era o único que falava a língua nativa de Sullust. Ele queria rir. Essa não era a última oportunidade para a Crepúsculo. esmagados pelos imperiais todas as vezes que começavam a florescer. ele franziu a testa para a mulher que apareceu na imagem. ele pensou ao brincar com o ouro de Peste em seu dormitório e olhar para seu terminal. a Trovoada recebeu uma resposta de uma estação de transmissão rebelde. Não. Depois de duas horas de espera. acomodando bilhões de Sullustanos e gerações de imigrantes de extramundo. Algo que devamos saber? – As últimas ordens ainda permanecem – disse a mulher. Ele discutira com ela e Kryndal. e um pouco mais. – Seguramente a bordo – disse ele. – O Alto Comando não reagrupou.

Namir sentiu seu corpo ser jogado para a frente contra as travas de segurança de seu assento em uma das naves de desembarque da Trovoada e ouviu o barulho de metal no hangar. Namir achou que a comunicação tinha sido cortada. em cima de uma plataforma de obsidianas quebradas e manchadas de amarelo. Um instante depois. – Mas Bygar está morto agora – continuou a mulher. na hora que as embarcações entraram em espaço real. A “solução” de Tohna – saltar para quase do lado do planeta. Havia destinos muito piores do que uma morte rápida e tola. a voz do comandante Tohna foi ouvida pelo sistema de comunicação esbravejando uma risada triunfal. mas. e o holograma desligou abruptamente. essa foi a única coisa com a qual os oficiais superiores tiveram que concordar. – O general Bygar tinha grandes esperanças. enfim. As naves de desembarque desceriam juntas. mas Namir não tinha ouvido melhores alternativas e aprovou o plano. Chalis e os médicos e engenheiros chegariam junto com a vanguarda da companhia. O homem que tinha preservado Uivo do “problema disciplinar”. Aquela seria uma aterrissagem como centenas de outras que ele experimentara: perigosa. ela falou com a voz distorcida pela estática. suada e nauseante. As defesas orbitais de Sullust eram formidáveis demais para arriscar uma luta direta. O outro lado negativo da abordagem de Tohna era que ela não deixava tempo para uma primeira onda de equipes abrir uma cabeça de ponte. em seguida. a súbita sucção da gravidade do planeta quase partiu as naves ao meio. só isso. caindo a dois metros das portas da baía. Namir teve de se esforçar para não desmaiar ao entrar na atmosfera de Sullust. – Por nada – disse ela. O alarme de emergência soou. O general que recebera Namir e Chalis na Base Echo. despejar as naves de desembarque e saltar para fora antes que as defesas pudessem coordenar um contra-ataque – tinha o potencial de dizimar a companhia em um nanossegundo se o salto fosse mal calculado. Trovoada. – Não estamos todos? – perguntou Namir. desacelerando e o ronco de seus motores se aquietava. . e Namir. Namir não tinha reclamações. A Trovoada e a Promessa de Apailana saltaram para fora do hiperespaço a menos de meio milhão de quilômetros de Sullust – tão perto que. Vocês estão sozinhos. Ele havia designado Chalis para uma nave de desembarque separada – melhor não concentrar o risco – e se sentiu quase confortável esmagado entre as armaduras de seus colegas e os fuzis batendo uns nos outros quando os propulsores da nave foram desativados e seus ocupantes sacudiram. e ele sentiu o gosto de cinzas pelo filtro de sua máscara de respiração. Não tinha certeza se conseguira se manter lúcido durante o voo. A única coisa que sabia era que a nave de desembarque estava. O holograma tremeu. A mulher pausou novamente. – Assim como o plano antigo. Rumores diziam que Hober tinha enviado uma armadura e farda para o dormitório de Chalis com um bilhete dizendo: “Não disponível na cor preta”. Um nuvem de poeira ocre se ergueu quando suas botas tocaram o chão. Ele foi o último homem a pisar na superfície.

O suporte devia cercar a montanha. “Alvos secundários e possível ameaça. Não serão necessários mapas para essa missão. Namir não sabia ao certo. dormir ou esvaziar seus intestinos. – Ali embaixo – ele gritou –. o Império teria tempo de organizar um ataque aéreo. Se fossem muito lentos.” Acima de Namir. Estamos em território hostil e preciso de vocês prontos para o serviço. pois não se via onde ele terminava em nenhum dos lados. – Temos vinte e quatro horas para voltar – ele avisou. Ele apertou a correia do fuzil e sorriu como um soldado pronto para morrer por um comandante idiota. Essa fábrica fornece quase 10% das matérias-primas para manufatura no planeta. É nosso alvo. e virou-se para olhar para o pico – está a fábrica de processamento de minerais Inyusu Tor. É importante. outros esquadrões se aproximavam. Se acabarem chegando lá. a fábrica de processamento era praticamente inacessível para a infantaria. está uma cidade sullustana. como leitos de rio. os esquadrões seriam massacrados. ele pensou. A nave de desembarque voou de volta para o céu azul-acinzentado. portanto… é grande. Ele analisou os arredores e viu que estava em um suporte estreito que se projetava a partir de uma imensa encosta preta. pequenas fendas desciam pela encosta. em volta do suporte. onde havia outra estrutura metálica: um complexo de pináculos e armações de apoio. É onde o Império se entoca nessa montanha e extrai minérios do magma. pegou algumas lascas de obsidiana e as jogou ladeira abaixo. como um parasita se alimentando do crânio da montanha. enterrada sob o acampamento inimigo. Sinais de comunicação penetraram a estática. deem meia-volta e comecem a escalar. Mesmo estando despreparada para um ataque e contando com poucas forças de segurança. Se avançassem muito rápido. – Lá em cima – ele continuou. Abaixo dele. rumo a distantes estruturas metálicas encrustadas na base da montanha – estações de transporte e abastecimento. – Vamos nessa – disse ele. Forças de solo precisariam escalar a rocha impiedosa enquanto se defendiam uma barragem de tiros de armas vinda de cima. Alguém gritou: – Sim. Namir acenou para que os soldados de sua nave de desembarque se reunissem após analisarem o perímetro. Ao longe. perseguida por pontos pretos – outras naves de desembarque ou aeronaves inimigas. capitão! Namir fez uma cara feia. Será que todos o chamavam assim agora? Ele se abaixou. . a encosta subia e se tornava cada vez mais escarpada na direção do pico da montanha. anunciando que os outros esquadrões haviam chegado em segurança. – Não planejem comer. Ele olhou em volta e viu cabeças acenando.

Ele e Chalis assistiam à investida a partir de um acampamento móvel cerca de cinquenta metros abaixo da batalha. Elas estariam protegidas pela totalidade da força de segurança da fábrica. e Namir enviou a ordem para a cadeia de comando: avançar. Namir imaginou que ela fosse a única sobrevivente das primeiras gerações da Crepúsculo. Não era um lugar para onde os esquadrões poderiam se retirar se pressionados. Se os esquadrões estivessem perto o bastante do pico. Ele ouviu os gritos de seus soldados pelo comlink e os desligou. tiros de canhão podiam ser evitados. Precisava manter sua . Namir enviou para a tentativa de ataque todos menos quatro esquadrões. Ele não precisava dos rótulos para ajustar suas configurações ou confirmar sua carga. Mesmo assim. Quando chegassem ao cume. além de uma equipe de engenheiros. o acampamento se movia junto com eles. Talvez ela não entendesse o que ele estava fazendo. Isso não os salvaria dos canhões de raios dos speeders. por medo de danificar a fábrica de processamento. Enquanto os esquadrões iam subindo – dez. Namir tivera a árdua tarefa de informar os esquadrões duas vezes que não poderiam bater em retirada. Era um lugar para onde os feridos poderiam recuar e um centro de comando para os oficiais. O inimigo começou a recuar para as entradas da fábrica. ou ela sabia que ele precisava de uma distração para manter sua sanidade. robusta e pesada. Talvez ela não desse a mínima. prontos para se protegerem assim que os rebeldes fechassem o cerco. os pilotos dos airspeeders relutariam em lançar bombas. As patrulhas relataram airspeeders imperiais subindo das guarnições inferiores. quando Uivo e alguns outros foram convocados pela Rebelião. Ela não disse nada. da metade da altura de um homem. Ele assistiu aos tiros vermelhos de armas de raios em saraivadas contra a obsidiana da montanha. Quando os airspeeders entraram no campo de visão. Com a Plex apoiada sobre o ombro. As equipes escalaram a montanha. Namir ficou de pé e desceu a encosta. com sorte. – Dê-me o Plex – ele gritou. ao que sobravam apenas as entradas principais. longe do embate. mas. vinte metros no curso de uma hora –. para longe do acampamento. Os rótulos de controle da Plex que Namir pegou com o médico já tinham sido apagados havia muito tempo. Se aproximar. Abrir uma fenda na parede seria perda de tempo com as ferramentas que a Crepúsculo dispunha – a fábrica era construída para suportar calor vulcânico –. a Companhia do Crepúsculo poderia esperar um confronto leve até que unidades adicionais do Império chegassem de baixo da montanha. viu seus colegas se protegendo desesperadamente atrás de pedras menores que speeder bikes. A PLX-1 era uma arma desajeitada. Namir – agachado o mais próximo do chão que podia – sinalizou para um dos médicos. na melhor das hipóteses. uma seleção de batedores e sentinelas para a retaguarda e uma porção de médicos. Ergueu seus macrobinóculos e viu stormtroopers alinhados perfeitamente atrás das paredes da fábrica de processamento. as equipes precisariam forçar sua entrada para a fábrica. Chalis o observou de sua posição deitada no chão.

– Como estamos? – perguntou ele. Namir não conseguiu sentir o tremor da montanha embaixo dele quando a equipe de escavação de túneis entrou na fábrica de processamento. – Você estava certa – disse Namir. Ela fora capaz de acessar os registros de estoque imperiais e fornecer aos engenheiros da Crepúsculo os esquemas dos veículos. ele sorriu por estar sozinho no mundo. abaixo da encosta. ele sabia que não era possível. e Namir tinha duvidado dela – duvidara que os veículos de mineração estariam armazenados onde ela falou que estariam. e duvidara que as máquinas poderiam abrir passagem pela montanha rápido o bastante para vencer a batalha. cheirando a fumaça e catalisador. consumido por uma bola de fogo e fumaça preta. Ele era um alvo claro. O peito dela subia quando ela suprimia uma tosse. Em seguida. virou-se para a encosta e tocou em seu comlink. Chalis concordou com a cabeça. puxou o gatilho do Plex e sentiu o ombro ser jogado para trás. Havia sido Chalis que elaborara todo o plano. Eles estavam juntos no escritório de segurança. chocados. assustando os trabalhadores Sullustanos. então a equipe de segurança imperial e os stormtroopers descobriram.cabeça desligada do brilho vermelho dos tiros de raios. ele veio em sua direção. Racionalmente. – Prontos para a fase dois – disse Chalis. Ao levantar o cano da arma para o céu cinza. a fábrica filtrava a atmosfera. que haviam sido emboscados entre os inimigos dos lados de dentro e de fora da fábrica. Namir respirou fundo. Namir se perguntou como ela estava lidando com o respirador. Estilhaços de pedras espetaram Namir quando os tiros de raios atingiram o chão perto dele. Então virou na direção do speeder. disparando seus canhões. O airspeeder tentou desviar. conforme um foguete era lançado ao ar. eles roubaram um par de veículos de mineração e escavaram sua própria passagem. Mais uma vez. quatro esquadrões e uma equipe de engenheiros haviam descido para as estações de transporte encrustadas na base da montanha. Enquanto a maior parte da companhia estava escalando para o cume. Um airspeeder apareceu em sua visão. Mas Chalis tinha fé nos sistemas do Império e na seriedade de seus intendentes. Namir ordenou aos esquadrões da superfície que pressionassem com força os inimigos. o airspeeder se foi. o homem solitário na encosta de uma montanha. Os soldados da Crepúsculo mantinham os Sullustanos andando sob a mira de suas armas. para o alto da montanha e para dentro da fábrica. mesmo que por poucos instantes. em direção aos elevadores industriais e às linhas de bonde que levavam para a encosta da montanha. No momento certo. a Companhia do Crepúsculo venceu. Como Namir previa. tornando as máscaras . Mas ele imaginou ter sentido um tremor sob seus pés assim mesmo. Lá. Mais tarde. e cerrou o punho em sinal de triunfo. olhando através da janela para os trabalhadores sendo retirados da fábrica. os esquadrões de escavação falaram sobre terem aberto caminhos através de uma parede subterrânea.

de respiração desnecessárias lá dentro, mas o cheiro ainda era sulfuroso e pútrido.
Depois que o último dos trabalhadores foi retirado, os transportes foram desabilitados e os esquadrões
terminaram de vasculhar em busca de qualquer sinal de resistência. Então, os engenheiros começaram a
segunda tarefa do dia: programar os extratores de magma para inundar o interior da fábrica. O novo
programa seria rodado depois que as naves de desembarque chegassem para recolher a Crepúsculo, no
último minuto possível. A fábrica seria totalmente aniquilada quando a Trovoada já estivesse no espaço
sideral, e o Império estivesse privado de um dos recursos mais valiosos de Sullust.
Até lá, os soldados da Crepúsculo teriam, no máximo, doze horas. Namir designou patrulhas dentro e
fora da fábrica. Ele mantinha um canal de comunicação aberto e ouvia o relatório das sentinelas – com
perfeita regularidade, a cada trinta minutos – com airspeeders imperiais passando sobre a cabeça. Ele
não estava muito preocupado. O Império não tinha interesse em destruir seu próprio investimento, e não
sabia o que a Crepúsculo planejava.
Tarde da noite ou muito cedo pela manhã, ele atravessou uma das passarelas e observou um fluxo de
magma exposto. A corrente tinha um cheiro nauseante, mesmo através do escudo de calor, e iluminava
tudo em um vívido brilho vermelho. Quando Namir percebeu que Brand tinha chegado ao seu lado, a pele
dela parecia polida como bronze.
– Últimos números? – perguntou ela.
– Quatro mortos, dezesseis feridos – disse ele. – Tivemos sorte.
Brand acenou e enrugou o nariz. Namir queria rir com a reação reprimida e muito educada dela ao
odor.
– Alguém que você conhecesse bem? – perguntou ela.
– Não muito – disse Namir. Nomes e rostos que ele reconhecia. Homens, mulheres e alienígenas com
quem se sentara no refeitório ou treinara quando novato. Eram todos da Crepúsculo, todos família, mas
nenhum como Maediyu, ou Charmoso, ou Roja, ou Beak, ou mesmo Ajax; ou a técnica de comunicação
que ele jurou esquecer em Asyrphus. Com as perdas de hoje ele podia fingir que não se importava,
pessoas cujos fantasmas não o atormentariam a bordo da Trovoada. Ele começou a andar rente ao
corrimão da passarela, tentando olhar para o magma lá embaixo, mas sem conseguir fixar os olhos muito
tempo na superfície brilhante da corrente.
Brand o seguiu.
– É – disse ela. Ele não sabia dizer com o que ela estava concordando.
Os dois ficaram juntos assim por algum tempo. Namir pensou em todas as horas que passara em
silêncio e sozinho com Chalis – em Mardona III, na nave auxiliar de Hoth – e ficou um tanto encantado
com a ideia de como duas pessoas, ambas imóveis, poderiam estar presentes de jeitos tão diferentes.
Brand tornava-se uma com o que a cercava, como um pedregulho em uma montanha. Chalis era como um
prego em um painel de vidro rachado; sólida como aço, mas em tensão fundamental com o mundo à sua
volta.
– Por que estamos fazendo isso? – perguntou Brand.

Namir franziu a testa.
– Chalis disse…
– Não Sullust. Toda essa campanha. Kuat.
Certo. Isso.
– Eu fiz uma promessa – respondeu ele – de apoiar a Companhia do Crepúsculo e a Rebelião. Todos
aqui… – “Todos menos eu e Chalis”, pensou. – … se uniram para combater o Império. Estou oferecendo
à Companhia a melhor maneira que conheço de fazer isso.
– Hum – disse Brand.
Em um instante, a reserva de Brand pareceu tornar-se agressiva. O silêncio que era confortável agora
incomodava Namir.
– Que foi? – perguntou ele. – Diga.
Ela deu de ombros.
– Só estou pensando. Você alguma vez perguntou a Uivo por que ele fazia alguma coisa?
– Eu realmente não preciso de você me comparando com Uivo agora…
Ela continuou falando como se ele não tivesse dito nada.
– Ele nunca deu uma resposta. Isso porque ele nunca fez nada por um motivo. Nunca fez nada que não
contasse como vitória, mesmo em uma derrota militar.
– Pelo menos, não na cabeça dele. Talvez.
Ela deu de ombros outra vez.
– A questão é: tudo o que estamos fazendo é cuspir na cara do mal? Revidar só por revidar? Talvez
Gadren e Peste acreditem em alguma dessas bobeiras de sacrifício e honra do guerreiro, mas eu e você
estamos velhos demais para isso.
Ele se endireitou e olhou para ela. Ela olhou para ele, com a expressão mais indistinguível de sua
vida, e tudo em que ele pôde pensar foi: “Como ousa?”. Como ela ousava questioná-lo agora, e não em
Ankhural, quando as palavras dela teriam realmente importado? Ele sentiu vontade de dizer alguma coisa
que a espetasse, alguma coisa que a magoasse. Nada seria mais justo.
Ele sabia os segredos dela. Mas quando encontrou sua munição, deixou que ela voltasse para o oceano
de sua mente. Em vez disso, disse:
– Você tem alguma coisa de útil para mim? Ou só vai ficar questionando minha habilidade de
comando?
– Nenhuma das duas – disse Brand, e saiu andando.
Namir xingou com muita raiva por dentro.

A Trovoada iria chegar por volta de meio-dia. Cedo pela manhã, os soldados da Crepúsculo juntaram
os equipamentos que valiam a pena levar da fábrica. Os engenheiros programaram os extratores para
inundar o complexo com magma ao ligar de um interruptor. Namir enviou planos alternativos para as

naves de desembarque e os esquadrões, caso o suporte aéreo do Império tornasse a evacuação da fábrica
impossível.
Namir estava agachado do lado de fora da entrada principal, observando o céu com os macrobinóculos
e imaginando como seria a próxima missão da Crepúsculo – o ataque a Malastare, o último antes de Kuat
–, quando recebeu um sinal indicando que a Trovoada tinha entrado em órbita.
– Temos forte presença de caças TIE – disse o comandante Tohna. – Vamos voar a baixas altitudes.
Assim conseguiremos usar nosso poder de fogo para dar cobertura às naves de desembarque, enquanto a
Promessa e seus X-wings cuidam do nosso flanco. Vai ser um show e tanto.
Namir acenou para uma sentinela, e lentamente os esquadrões da Crepúsculo começaram a sair da
fábrica. Um engenheiro olhou para ele inquisitivo, mas Namir meneou a cabeça negativamente.
– Ainda não – avisou ele. – Espere pelas naves de desembarque. – Não há motivo para pressa.
Ele esperou que a Trovoada cruzasse as nuvens, ouvindo as atualizações de Tohna. Uma dúzia de caças
TIE destruídos, uma dúzia mais por vir. Três minutos até ele liberar as naves de desembarque. Dois
minutos. Uma sombra escura assumiu forma lá no alto, e os macrobinóculos melhoraram os detalhes até
que foi possível ver uma espaçonave.
– Um minuto – disse Tohna. – Preparem-se para embarcar. Estamos chegando perto!
Então uma dúzia de pontos entraram no campo de visão de Namir e Tohna começou a xingar. Lá do alto
veio um som igual ao de um trovão.
Namir, a princípio, não conseguiu ver o que estava acontecendo. Ele exigiu que Tohna o atualizasse,
mas ou o comandante o estava ignorando, ou não podia ouvi-lo mais. A sombra que a Trovoada formava
entre as nuvens continuou a crescer, indicando que a nave ainda estava descendo. Mas agora era possível
ver o halo vermelho e verde dos canhões de raios e turbolasers inflamando o ar.
Os soldados próximos observavam inquietos, murmurando perguntas que Namir não sabia responder.
Ele fez uma careta com a explosão de estática que penetrou seu ouvido; começou a ajustar seu comlink,
e então conseguiu ouvir uma nova voz:
– Crepúsculo? Aqui é a Promessa – disse uma mulher. – Fomos emboscados. Um maldito enxame de
caças veio por trás da lua. Estavam apenas esperando para que a Trovoada entrasse na atmo…
Namir começou a xingar alto. Uma dúzia de cabeças se viraram para olhar para ele. A Trovoada
parecia estar descendo rápido demais.
– Afastem-se – ele disse em seu comlink. Ele parecia mais calmo do que realmente estava. – Não
podemos ficar aqui. Afastem-se agora!
Mas a ordem veio tarde demais. A Trovoada não estava mais baixando com a ajuda de propulsores e
repulsores. Sua proa tinha inclinado e ela estava deixando um rastro de fumaça preta. Fogo envolvia seu
casco, mais claro que o brilho dos tiros de raios.
Todos os soldados da Companhia do Crepúsculo estavam parados na entrada da fábrica e se viraram
para olhar o transporte da tropa espiralando no ar. Ela conseguiu nivelar brevemente, então mergulhou de

novo. Era possível ouvir o ronco constante de seus motores como o quebrar das ondas do mar. Então ela
ficou fora do campo de visão, para lá da curva da montanha, e o chão tremeu.
A ordem para bater em retirada veio pelo comlink, a voz da mulher a repetia várias vezes, até que
uma explosão de estática finalizou a transmissão.
A Trovoada tinha sido derrubada. A Promessa e seus caças tinham ido embora, se não foram
destruídos.
A Companhia do Crepúsculo estava presa em Sullust.

C A P Í T U L O 29

P LANETA SULLUST

DIA 31 DA OPERAÇÃO FURA-BLOQUEIO

“Stormtroopers devem permanecer de uniforme sempre que estiverem em público.”
Era uma regra simples, uma regra básica, incutida na cabeça de cada cadete até que isso se tornasse
instinto. Thara Nyende acreditava nessa regra e sabia que ela era fundamental para manter a confiança do
público. Um stormtrooper sem um capacete era um indivíduo com nome, necessidades e metas próprias.
Não se podia confiar em indivíduos.
Um stormtrooper de uniforme representava o Império. Isso significava alguma coisa.
Nada disso explicava por que ela removera o capacete no departamento de segurança da Estação de
Transporte 4, em Pinyumb. Era improvável que ela fosse vista, mas ainda assim era possível. O visor
preto do capacete parecia a observar de cima do console, enquanto ela mastigava sua barra de ração.
Quando fosse feito o download da memória da armadura, ela provavelmente seria pega, sua indiscrição
marcada e automaticamente registrada em seu arquivo.
Ela apenas estava cansada.
Uma pausa de cinco minutos e um almoço adiantado seria pedir muito?
Nas últimas três semanas, ela vinha fazendo turnos diários de dez horas. Ela não recebera qualquer
tratamento ou aconselhamento após os horrores pelos quais passara a bordo daquela embarcação
terrorista rebelde. Sua audição ainda ia e vinha na orelha direita. Ela sabia que outros troopers em outros
mundos tinham passado por coisa muito pior, e ela não reclamava. Ainda assim, ela contraía-se toda vez
que abria a porta de um apartamento em busca de colaboradores rebeldes.
Se a caça por rebeldes fosse o único fardo, ela conseguiria aguentar. Mas desde a invasão ao planeta
de armazenamento, o Império vinha ordenando turnos mais longos dos trabalhadores civis também. Isso,
por sua vez, significava mais fiscais e equipes de segurança para impor padrões. Novos transportes
chegavam quase que diariamente de extramundo, enquanto outros fiscais eram contratados na região e
rapidamente treinados. A cidade inteira estava cansada, e Thara não tinha lugar nenhum para descansar. A
Rebelião também era culpada por isso – as invasões continuavam em outros setores, e Sullust tinha que
fazer alguma diferença como pudesse.
Certa noite, ela visitou a cantina de seu tio. Ela foi discreta. Só queria ver como ela estava
funcionando em sua ausência, enquanto ele ainda aguardava por seu julgamento ou liberação nas unidades

de retenção.
– Se a Frente Cobalto não tivesse decidido bombardear as fábricas em vez de escrever cartas para o
governador – disse um dos mais velhos –, talvez ainda tivéssemos alguém para quem reclamar.
– A Frente Cobalto nunca se importou com os direitos dos trabalhadores – outro argumentou. – A
Rebelião estava por trás dela desde o início.
– Não importa agora – disse um terceiro (um homem envolto em bandagens ao redor dos olhos
queimados por vapor). – Não importa quem é o culpado. Reze para que a tempestade passe, e que a
colheita seja mais rica após a chuva.
Mas a tempestade não tinha passado.
Em vez disso, a Rebelião enviara um exército para Sullust.

Thara não tinha lutado durante a invasão. Ela estivera na fábrica de processamento ou nas guarnições
da superfície, e quando a enviaram para patrulhar à noite – designada para um esquadrão de
stormtroopers cheio de veteranos extramundanos que sabiam reconhecer a especificação de uma arma de
raios só pelo som de seu gatilho – ela tremia toda vez que via uma figura distante na montanha. Ela tinha
quase atirado em uma speeder bike pilotada por um aliado; só a ordem furiosa e grosseira de seu
sargento a impedira.
Ela estava disposta a lutar. Ela iria à fábrica se recebesse ordens para tal, atiraria em rebeldes e
vingaria os colegas que havia perdido. E ela estava disposta a seguir os protocolos impostos a ela na
reunião da manhã: instruções para uma ação disciplinar na cidade, caso tanto cidadãos de Pinyumb como
infiltrados rebeldes aproveitassem a oportunidade para atacar. Buscas de porta em porta, batidas em
subversivos ou suspeitos de subversão, interdição em todas as áreas residenciais e locais de trabalho…
ela sabia qual era seu dever. E esperava que medidas drásticas não fossem necessárias, mas estava
preparada para aplicá-las se fosse o caso.
Mas depois de tantas semanas de caça, revistando residências e cidadãos e esperando pela próxima
bomba explodir; depois de tantos turnos de dez horas que terminavam com seu rosto colado num
travesseiro áspero, chorando, ela precisava de um momento – só um momento – para si mesma.
Então ela mastigou sua barra de ração lentamente e tentou não olhar para o capacete apoiado no
console de segurança diante dela.
Ela mal tinha terminado de comer quando seu comlink disparou um sinal de emergência.
Thara jogou a barra e o invólucro no chão, recolheu seu capacete e o vestiu a tempo de ver a cascata
de dados que surgiam em seu display. Havia uma emergência na superfície. As equipes de stormtroopers
estavam sendo enviadas para as ruas de Pinyumb e para as guarnições superiores. Todas as unidades
deveriam estar prontas para o combate.
Ela sentiu uma onda de culpa por negligenciar seu dever e a ignorou em seguida. Ela era SP-475 da
97a Legião de Stormtroopers Imperiais, e tinha recebido ordens para se reportar aos níveis superiores da

Quando ela saiu do metal do elevador e pisou no chão rochoso. Tinha que ser. ela tinha certeza de que Pinyumb inteira sofreria. “Será que a cidade seria atacada?” Vinte outros troopers ocupavam o elevador de carga quando ele subiu para a superfície. “Será que os rebeldes estavam descendo da montanha?”. era possível distinguir o som de armas de raios. Ao assumir seu posto. e por trás do vento um guincho estrondoso. . ela viu uma nave caindo na montanha. a colisão soou como a explosão a que ela tinha sobrevivido no espaçoporto. Ela ouviu vento. ela se perguntou. Era enorme. Seus colegas soldados estavam olhando para cima. Quando ela atingiu a encosta da montanha. seu display piscou. envolvida em fumaça preta e fogo. apontando para alguma coisa no céu. distante e fraco.estação de transporte. Desta vez. se adequando à luz externa. Era uma embarcação rebelde. Por trás do guincho.

.

mas gradual e imperceptivelmente. Tabor compartilhava de seu medo. é claro. E quando Tabor percebeu o elo comum entre os alvos da governadora Chalis – não numa epifania. Ele tinha se esquecido de como ter um plano era importante. ela pretendia enfraquecer a infraestrutura do Império. Ele se sentia jovem de novo ao andar pela ponte e acenar com aprovação para seus homens nas estações de trabalho. Extrapolação: a meta dela não era militar. qualquer um que não tivesse o elo que os levava inexoravelmente à governadora. Ela seria impedida no meio do caminho. ele sempre entendera isso. e quem se importaria com o destino final? Ele tinha trabalhado com o prelado Verge para reduzir a lista dos alvos em potencial de Chalis de centenas para dezenas. . ele se esquecera do fato de que também era parte da tripulação do destróier estelar. em suas semanas a bordo da Arauto. Eles chegaram tarde demais para impedi-la em Nakadia e Kuliquo. Por quais meios exatamente. e tinha ensinado aos seus estudantes sobre como ter um propósito era essencial para o moral da nave. Fato: a experiência da governadora Chalis era no maquinário logístico do Império. e quando ele dividiu esse conhecimento com o prelado e os dois caminharam confiantes para fora do centro tático… bem. C A P Í T U L O 30 ARREDORES DO SET OR BREMA 2 DIAS ANTES DO CERCO DE INYUSU TOR O capitão Tabor Seitaron estava contente. mas os ataques haviam provado que Tabor conseguia prever as ações da governadora. com ele. Sobretudo. Os fatos pareciam irrefutáveis agora. e. Tabor não sabia nem precisava saber. Sua única preocupação era discernir o padrão existente e analisar o próximo passo de Chalis. eles separavam qualquer um que não condissesse com o padrão secreto de Chalis. o ânimo de Tabor . o ânimo a bordo da Arauto mudou. docas espaciais e rotas de navegação –. Racionalmente. como uma ideia inevitável –. Ainda assim. Dos alvos que permaneciam – fábricas de manufatura. Fato: a governadora Chalis e sua companhia de infantaria estavam atingindo alvos fáceis ao longo da Rota Comercial de Rimma. Quando seus homens observavam a desconfiança do prelado Verge e temiam por suas vidas. e a solução também.

Agora só haviam sobrado algumas possibilidades. Sullust. Malastare. Tshindral. Então eles
resolveram preparar todos para um ataque.
– Ela vai fugir se vir um inimigo a postos – ele disse a Verge. – Ela é covarde demais para enfrentá-lo.
Precisamos manter distância até que ela caia na armadilha. Quando chegar a hora, a presa será sua.
Essa hora estava se aproximando rapidamente. Ele tinha certeza disso.
O oficial de comunicação levantou de sua estação de trabalho e ficou tenso ao chamar a atenção de
Tabor.
– Capitão! – disse ele. A voz dele estava levemente trêmula, mas seus lábios formavam um sorriso
tímido. – Temos um sinal vindo de Sullust!
– E? – perguntou Tabor.
– A Trovoada e suas escoltas estão dentro do sistema. Você estava certo.
Os oficiais começaram a aplaudir. Era uma quebra de protocolo que Tabor poderia perdoar – esse era
um triunfo deles tanto quanto seu, e eles mereciam saboreá-lo. Eles mereciam um lembrete de que eram
dignos de seus postos a bordo de um destróier estelar, dignos do poder de destruir planetas e frotas de
batalha.
Ainda assim, ele não sorriu.
– Traga o prelado para a ponte e me atualize dos movimentos táticos – disse ele grosseiramente. – Vou
precisar também de um canal com o Esquadrão Vixus.
A tripulação de ponte se preparou para o trabalho. Tabor se recolheu para o centro tático para
considerar as opções. Sullust, muito provavelmente, não iria repelir a Trovoada. Era melhor assim; Verge
insistiu em não informar os governadores regionais do status do alvo em seus sistemas por essa mesma
razão. Mas Verge também tinha dividido bem suas forças, ocultando esquadrões de interceptadores TIE
perto das vítimas mais prováveis de Chalis.
– Muito bom! – declarou a voz do prelado. Tabor sentiu a mão do garoto apertando seu ombro. – Eles
estão seguindo o procedimento padrão?
– Enviando naves de desembarque para a superfície do planeta? Sim, prelado. – Tabor passou a mão
por cima do holograma tático, alternando de uma visão do aglomerado de estrelas para a imagem direta
de Sullust. – Vixus está pronto para se deslocar, mas imagino que o transporte da tropa rebelde irá fugir
assim que a inserção estiver concluída…
Verge balançou a cabeça bruscamente, com desdém.
– Não há pressa – disse ele. – Nossa presa é Chalis, não uma manada de soldados rebeldes. A menos
que tenhamos absoluta certeza de que ela está com as forças de solo.
– Nenhuma evidência disso também – disse Tabor.
– Então a nave permanece a prioridade. E ela vai voltar assim que a missão em solo for concluída.
Tabor sorriu sombriamente.
– De acordo. Vou avisar Vixus para se deslocar para Sullust e se preparar para a volta da Trovoada.
Talvez seja bom contatar as forças de solo para garantir que a companhia rebelde não seja totalmente

dizimada. É improvável que isso aconteça, mas se eles tiverem sorte… – Ele deu de ombros. –
Precisamos ter certeza de que a Trovoada terá um motivo para voltar.
Verge riu, jogando a cabeça para trás sem vergonha nenhuma. O som era exuberante e contente, cheio
de vida e paixão. Isso encorajou ainda mais o ânimo de Tabor... mas só por um instante, até que se
lembrou de onde vinha o prazer do garoto: de sua louca obsessão por extravagância, de seu terror
dissimulado e de sua crença messiânica de que ele era o precursor de um novo estilo de vida imperial.
De repente, Tabor se sentiu velho de novo. Seus músculos pareciam muito atrofiados para sustentar seu
corpo ereto. Mas ele sorriu novamente e foi tratar de suas tarefas. Talvez a vitória e o exemplo de Tabor
trouxessem juízo ao garoto, refinassem seu gênio para algo mais maduro.
Em uma hora, o Esquadrão Vixus estava a caminho de Sullust. A Arauto tinha traçado seu curso para lá
também, embora fosse chegar mais tarde. Era uma pena, pensou Tabor, que a tripulação não fosse
testemunhar a queda da Trovoada pessoalmente, depois de tudo o que fizeram… apesar disso, ele tinha
certeza de que o resultado seria igualmente satisfatório.
– Quando tudo isso acabar – disse Verge, ao lado de Tabor, em frente à escotilha da ponte, observando
o vórtice azul da ondulação do hiperespaço em volta da nave –, você sabe que será recompensado. Eu e
você ficaremos diante do imperador juntos. Seu papel nessa empreitada foi essencial.
Tabor desejava apenas voltar para casa: para suas aulas, seu chá, para o aroma de natureza, o céu e a
gravidade de Carida. Mas ele conhecia o prelado o bastante para saber que não deveria dizer isso.
– Obrigado, prelado.
Verge riu e tocou um dedo na escotilha, deslizando-o pela superfície de transparaço como se pudesse
sentir o pulso do hiperespaço.
– Creio que nem a tripulação desta nave o esquecerá. Não sei o que o futuro nos reserva, mas estou
ansioso para ver a próxima performance deles.
Tabor virou a cabeça e olhou de soslaio para as estações de trabalho. Ele analisou os homens que o
aplaudiram, cujos medos ele apaziguou e cujo propósito ele delicadamente nutriu desde que viera a
bordo. O capitão tentou imaginar o que eles poderiam querer como recompensa.
– Tenho certeza de que você fará o melhor por eles – disse Tabor. – E eles darão o seu melhor a você.

C A P Í T U L O 31

P LANETA SULLUST

DIA 1 DO CERCO DE INYUSU TOR

Namir tinha meia dúzia de esquadrões de busca e resgate prontos para agir. Talvez a composição deles
não o agradasse muito – pouquíssimos médicos e engenheiros, muitos especialistas em demolição –, mas
todos estavam prontos para o combate e podiam viajar rápido. O resto da companhia ficaria para trás, na
fábrica de processamento, preparando as defesas para um ataque.
Porque um ataque certamente viria, e a Companhia do Crepúsculo não tinha para onde fugir.
Ele sinalizou para que a primeira onda fosse na frente. Patrulhas em speeder bikes saqueadas do
hangar da fábrica aceleraram descendo a encosta da montanha, em direção à nuvem de fumaça preta que
subia ao céu. O restante dos esquadrões precisaria chegar à Trovoada – ao que quer que tivesse sobrado
da Trovoada – a pé. Ele acenou para Carver, que começou a falar em seu comlink. Botas começaram a
bater contra o solo rochoso de obsidiana, enquanto os líderes de equipe gritavam ordens de marcha.
Namir ajustou o capacete e a máscara de respiração, apertou a correia do fuzil e começou a seguir,
quando uma voz surgiu em seu comunicador.
– Eles estão mortos e precisamos de você aqui. Pare com isso – disse Chalis.
Namir não respondeu. Em vez disso, ele se juntou aos soldados que desciam com dificuldade a rocha
na direção de sua nave perdida. Ele tentou lembrar quantas pessoas estariam a bordo da Trovoada – mais
de trinta membros da tripulação permanente, alguns membros da companhia não autorizados para
combate terrestre…
… e soldados feridos, inaptos para o serviço.
Quantos seriam? Von Geiz saberia, mas ele também estava a bordo da Trovoada.
“Que inferno.”
O trajeto até a nave era cruel. Um tombo fez Namir escorregar por um banco de cascalho e arranhar
feio as mãos. O relato das patrulhas exigia que ele avançasse, que ele continuasse correndo,
independentemente do terreno. A nave ainda estava parcialmente intacta, disseram as patrulhas; o reator
não tinha detonado com o impacto. Ainda poderia haver sobreviventes.
Quando avistaram a embarcação, porém, foi difícil manter as esperanças. A Trovoada estava apenas
intacta na parte que não tinha sido completamente destruída. Mesmo de cima da montanha, mesmo através

da fumaça, Namir pôde ver uma imensa brecha no centro da nave. Se ela tivesse tentado alçar voo, teria
se quebrado ao meio.
Pouco depois, as patrulhas reportaram que airspeeders imperiais estavam a caminho. Se houvesse
qualquer chance de salvar os sobreviventes, teriam de resgatá-los antes que os bombardeios reduzissem
os destroços da nave a uma cratera cheia de metal fundido.
Adiante, Namir ouviu a primeira onda de equipes de busca e resgate gritar cada vitória e perda. Eles
arrancaram as portas e encontraram membros da tripulação de ponte presos sob os consoles, feridos, mas
ainda vivos. Encontraram as partes quebradas do M2-M5 espalhadas pela área médica; o ato final do
droide sarcástico tinha sido tentar proteger os feridos. Quando Namir chegou à cena, Von Geiz – com o
rosto manchado de sangue, vermelho como uma luz de emergência – tinha começado a fazer a triagem:
contabilizando os mortos, enviando os casos mais graves para a fábrica de processamento em speeder
bikes, mandando o resto se reagrupar à Crepúsculo a pé.
Namir estava feliz por deferir à experiência do velho médico. Ele manteve a conversa breve enquanto
se protegiam embaixo de um fragmento do casco e ouviam os canhões de raios espatifarem as pedras ao
redor deles.
– Quantos ainda falta conferir? – perguntou Namir.
– Talvez mais vinte – disse Von Geiz. – Não temos como acessar os deques inferiores.
– Continue tentando – disse Namir. – Mas, se começarmos a perder nossa linha de recuo, nos
retiraremos todos.
Von Geiz concordou. Ele estava na Crepúsculo havia muito tempo, e sabia quando um paciente estava
longe de poder ser salvo.
Ao cair da tarde, os esquadrões formaram uma corrente entre o local do acidente e a fábrica de
processamento. Namir escoltaria uma porção de membros da tripulação que estavam mancos e feridos
uns cem metros acima da montanha e os entregaria para o esquadrão seguinte, assegurando-lhes que o
abrigo não estava longe. A equipe de Zab montou uma tocaia improvisada de atiradores de elite acima do
acidente, para oferecer cobertura enquanto os outros recolhiam cilindros de bacta líquido e aparelhos
médicos. Ao cair da noite, Namir dobrou os joelhos para dar apoio ao comandante Tohna, que pesava
sobre seus ombros, apertando os farrapos de sua luva na máscara de respiração do homem enquanto o
piloto da Trovoada urrava de dor.
– Muitos inimigos, muito perto – disse-lhe Namir. – Não podemos perder nossa posição.
Bombardeiros mais pesados finalmente chegaram pouco depois do anoitecer, esburacando ainda mais
a Trovoada e mandando para os ares estilhaços de metal e ossos. Houve poucas baixas no esconderijo,
mesmo com a infantaria imperial já visível no horizonte, e apesar seus batedores estarem constantemente
atirando contra eles. Namir não lembrava de ter dado a ordem de retirada, embora soubesse que devia ter
feito isso. Sua boca tinha gosto de cinzas e seus lábios estavam rachados quando ele começou a marcha
final. Ele já tinha parado de suar havia horas, e suas pernas doíam a cada passo montanha acima. Por
apenas um instante, ele se perguntou como estaria a situação lá na fábrica de processamento, então

afugentou essa dúvida da mente. “Você primeiro deve sobreviver”, ele disse a si mesmo. “Depois,
descobrir uma maneira de salvar a Crepúsculo.”

Dos soldados que haviam se juntado aos grupos de resgate, cinco estavam desaparecidos quando
Namir voltou correndo para a fábrica de processamento, serpenteando pelo labirinto de barricadas
improvisadas com equipamentos industriais.
– Se eles não voltarem em uma hora, presuma que estão mortos – ele disse a Tique, que estava de
guarda no posto de sentinela mais interno. – Se eles chegarem mais tarde, podemos acreditar em
milagres.
Ele se sentia simultaneamente vazio e pesado, como se fosse apenas a casca de um corpo com pele de
chumbo. Homens e mulheres corriam para o seu lado enquanto ele caminhava por um corredor de acesso
central iluminado com uma tênue luz amarela. Ninguém lhe trouxe água, comida ou luvas limpas. Pelo
contrário: eles o sobrecarregaram com relatórios e atualizações sobre a Promessa de Apailana, que
parecia ter fugido intacta de Sullust; uma equipe estava tentando fazer contato e determinar a posição da
nave de combate. Eles falaram sobre forças de infantaria imperiais lentamente fechando cerco,
circulando a base da montanha. Consideraram a possibilidade de reparar a Trovoada – factível com os
recursos apropriados, mas impossível sob fogo inimigo –, e também listaram o que poderia ser
aproveitado dela.
Namir tentou absorver tudo, compreender os relatórios e prover orientação para quem precisava.
Depois que de ter respondido à última demanda urgente, ele puxou de lado um dos recrutas de Haidoral
cujo nome ele não recordava.
– O que precisa, capitão? – perguntou o homem.
Namir não o corrigiu.
– Quero ver o hospital de campo – disse ele. – Quero água. E quero me encontrar com a governadora
Chalis.
Depois de tomar sua água e controlar seu estômago após aspirar os odores terríveis da área médica,
ele encontrou Chalis no escritório administrativo. O vasto espaço tinha sido rapidamente esvaziado –
provavelmente pelo administrador quando a Crepúsculo apareceu –, e os nichos nas paredes que podiam,
algum dia, ter servido de apoio para placas ou prêmios, agora estavam vazios. Um sofá estofado estava
chamuscado em uma ponta, e, ao lado dele, uma pilha de caixas guardava os registros da fábrica. Chalis
sentou-se à frente de uma mesa aparentemente esculpida em um bloco maciço de pedra da montanha,
segurando a borda da rocha com os dedos, como se esperasse que ela fosse ser reduzida a pó.
– Alguém planejou isso – disse ela, com a voz tensa e áspera. Ela nem se incomodou em perguntar a
Namir sobre a operação de resgate. – Assim que pousamos, eles estavam se preparando para impedir
nossa fuga.
“E de quem é a culpa disso?”, Namir quis perguntar. Mas ele não queria saber a resposta. Agora,
pouco importava.

– Então o que faremos em seguida? – ele acabou perguntando.
– Nosso inimigo, que, para facilitar, vamos presumir que seja o prelado Verge, deve estar trazendo
reforços para nos aniquilar. Eu esperaria um destróier estelar dentro do sistema em breve. Só um já seria
o suficiente.
– Um só já seria o suficiente em Hoth também. – Ele se jogou no sofá. – A que velocidade essas coisas
se movem?
– Mais rápido que uma corveta rebelde detonada que não está lá no seu auge. Eu não daria mais que
um ou dois dias, no máximo.
Ele queria se distrair um pouco, parar de pensar por um instante. Mas se forçou a falar.
– Então primeiro, de alguma maneira, precisamos sair do planeta. Bem para lá da Orla Exterior, para
lambermos as feridas…
– O quê? – Chalis, de repente, perdeu a calma. Namir se endireitou no sofá.
– Eles sabem – disse ele, com a frustração dando-lhe forças novamente. – O prelado anteviu nosso
plano. Você disse várias vezes que se isso acontecesse…
– Ninguém sabe o que vamos fazer – disse ela. Quando ia continuar, começou a tossir, com o peito
arfando e a cabeça tombada à frente. Namir queria desviar os olhos, mas Chalis nunca se afastava dele,
como se tentasse mantê-lo parado até que ela concluísse. Quando o acesso de tosse diminuiu, ela falou
lenta e roucamente. – Mesmo que o prelado tenha visto algum padrão – disse ela –, isso não significa que
ele saiba nossas metas. Podemos nos ajustar. Podemos sobreviver a uma perda. A janela de oportunidade
ainda está aberta.
Namir a observou. As mãos dela ainda estavam agarradas à pedra da mesa.
– A menos – ela acrescentou, e deu um sorriso forçado e mortal – que queira anunciar à companhia que
vamos desistir?
Namir começou a rir.
Ele não sabia dizer o porquê. Não era uma risada de zombaria ou de alegria, e ele sentia o gosto de
cinzas subindo de seus pulmões, tornando seus lábios arenosos. Chalis manteve a expressão congelada, e
finalmente ele balançou a cabeça.
– Você é quem gosta de dar discursos – disse ele. – Se chegar a esse ponto, talvez você deva dizer isso
a eles.
Os dois ficaram se olhando. Por fim, o sorriso de Chalis desapareceu. Afastando-se da mesa, ela
caminhou até uma mesa no centro do escritório onde ficava um jarro de metal. Ela o ergueu, olhou em
volta, então deu de ombros e trouxe o jarro até o sofá. Namir o pegou e bebeu prazerosamente. A água
morna tinha um gosto amargo; ele se lembrou da água do poço de Crucival.
– Do meu ponto de vista – disse Chalis –, temos dois desafios pela frente. Primeiro, precisamos
sobreviver ao cerco que está se formando e, se possível, aos reforços que Verge despejará sobre nós.
Segundo, precisamos de uma maneira de sair de Sullust.

Eu me concentro no segundo. Mas ela era uma engenheira. mas a rocha derretida poderia se provar útil para defender a fábrica: se o Império tentasse imitar a estratégia anterior da Crepúsculo de mandar veículos de escavação por baixo do complexo. e eu conto sobre Cartao mais tarde. – Você estava já estava na Companhia durante a Batalha de Cartao? – perguntou ele. isso significava mais tempo para se preparar. mas Namir redirecionou a maioria dos soldados que os construía para outra tarefa. os engenheiros lutavam para desfazer os ajustes que haviam realizado nos extratores de magma. Vifra tomou um susto e olhou para seus camaradas que desmantelavam um terminal de controle. provavelmente. acima do sofá. – Isso significa que você tem um plano? – Terei – disse Chalis secamente. ele podia ver flashes em torno do pico da montanha. Crie uma maneira de não morrermos. A companhia trabalhou durante a noite inteira preparando a fábrica para o ataque. que você se preocupe com o primeiro desafio. Em um posto de vigia acima do muro principal. ofereceu força ou conselho onde podia ser útil e se afastou onde não o queriam. caminhou por entre os soldados. O Império não estava tentando destruir a fábrica – ainda queria preservar sua infraestrutura –. direto de Phorsa Gedd. – Não importa – disse ele. o trovejar distante das bombas imperiais fazia parecer que havia uma tempestade fora das paredes da fábrica. mesmo considerando o rápido atrito da companhia. pilhas de partes sobressalentes e máquinas de bebida –. reorganizados para afunilar os inimigos em zonas de morte e permitir uma boa visão para os atiradores de elite. Quando Namir voltou para os andares superiores. portanto nunca a treinara. Era o tipo de truque sujo que vencia guerras – imprevisível. Inundar a fábrica não era mais um dos objetivos a curto prazo da Crepúsculo. Namir levantou-se e apoiou o jarro sobre a mesa. – Entrei para a companhia há seis meses. Ela parecia estar procurando apoio. Os labirintos de barricada nas entradas da fábrica tinham se transformado com o passar das horas. – Muito bem – disse ele. Ele tomou nota para conhecê-la melhor. Ela ainda estava de pé na frente dele. Ela devia ser boa para caramba para ter subido tão rapidamente de posto. . Ainda assim. – Mantenha-nos vivos. estava lá em seu recrutamento. Namir pensou. como se fizesse um juramento. ver feixes de luz no céu por onde passavam os bombardeiros. injusto e mortal. Namir se deu conta de que. e ele a desafiou a ir ainda mais longe. os invasores encontrariam a Crepúsculo pronta para redirecionar o fluxo de magma. Os labirintos eram obras de arte – um ferro-velho de elevadores de carga sabotados. Namir sorriu sombriamente quando Vifra – a nova chefe de engenharia da Crepúsculo desde a destruição de M2-M5 – lhe descreveu o que tinha em mente. e estou aberta a alternativas. – Eu acabei de entrar – disse ela. Namir fez uma ronda pelo centro de processamento. – Sugiro – ela continuou –. mas estava fazendo tudo que podia para conter a Companhia do Crepúsculo. Nos andares inferiores. nunca a chamara de novata.

quantificaram a capacidade da companhia o máximo que puderam. a adrenalina poderia carregá-lo pelo resto do dia. mas o estímulo seria gasto rapidamente. Mantenham o Império no pé da encosta. Ele devorou a comida – boiando nos compartimentos da bandeja estava uma espécie de sopa de macarrão aparentemente obtida do armário de algum funcionário – e tentou juntar forças. Isso parecia não importar diante de todos os inimigos que enfrentariam. Ele era responsável pelo destino de todos. noite e precaução lhes dessem cobertura suficiente. Ele confiava que ela faria o que pudesse. Hober e Von Geiz contaram os mortos e feridos. ele também podia. – Se o inimigo se aproximar – ele disse a um grupo –. Pelo menos. O descanso tinha elevado suas energias. Ele tinha visto amargura e fúria dentro dela durante o último encontro deles. – Chalis não devia estar presente? – perguntou Von Geiz abruptamente. na esperança de que poeira. e suas pernas ainda estavam doloridas e latejando por causa da ida e volta até a Trovoada. façam com que eles tenham que lutar por cada metro que escalarem. vamos perder de qualquer jeito. Ele sentia uma mistura de orgulho e culpa ao continuar a ronda. Gadren. Mesmo assim. de forma a proteger a testa e o olho esquerdo. e a comida ajudou também. mas não a desolação que testemunhara em Ankhural. Não haviam se passado nem duas horas quando um mensageiro chegou com uma bandeja de comida e notícias de que Chalis queria vê-lo. em posições que possam sustentar. Ele viu os soldados colocarem suas perdas de lado – as mortes de seus colegas e a destruição de sua nave –. . Quero esquadrões em volta do perímetro. estaria aqui – disse ele. Alguns perderiam o chão: eles iriam se colocar na linha de fogo. determinados a fazer sua parte em uma situação impossível. Namir estava quase torcendo para ver combate. Namir dormiu no chão de um dos escritórios do andar superior. veteranos e novatos. Os outros olhavam para Namir. Ele via que eles estavam com medo – os novos e os velhos. De qualquer forma. ele confiava que todos eles se manteriam unidos até o fim da batalha. cavar trincheiras e coletar peças de artilharia próximas dos locais dos bombardeios. Ele havia limpado o sangue do rosto e enrolado uma gaze envolta de sua cabeça. pediriam remoção para tarefas sem combate ou sairiam durante uma missão e nunca mais retornariam. O sol despontou acinzentado no horizonte. Mzun e os outros fingiram que a batalha poderia ser vencida. Não havia escolha a não ser acreditar que ela também se manteria firme. deixando instruções com Hober de acordá-lo caso acontecesse alguma coisa. – Deixe-a trabalhar. – Se ela tivesse um plano. Se eles sobrevivessem. Namir não pediu voluntários nem ofereceu às tropas a chance de voltar atrás. Carver. haveria trauma e sofrimento. é claro. o trabalho tinha que ser feito. e eles foram sem reclamar. e Namir se reuniu rapidamente com os líderes de esquadrão e oficiais superiores esboçando um plano de batalha para o cerco que estava por vir. que balançou a cabeça. Ele os liderara até Sullust com a promessa de enfrentar o Império. mas Namir. E se eles podiam se manter firmes. Isso significava.

Namir e Chalis subiram num transporte de tropa imperial que zuniu suavemente ao sair do hangar. – Não estou esperando uma espaçonave. Chalis tinha redecorado o escritório administrativo. tentou se lembrar do nome – todos os nomes sullustanos pareciam iguais – e xingou sua mente preguiçosa. mas mesmo informação já seria de alguma valia. Era um argumento vago. mais do que o essencial. – O que acha que a resistência pode fazer por nós? – Qualquer coisa iria ajudar. – Para quê? – Sabemos que havia uma resistência nesse planeta – disse Chalis. Se não temos notícia deles até agora… Chalis caminhou até a porta e olhou por cima do ombro de Namir. Não podemos manter um canal com a Promessa por mais de um minuto sem sermos interceptados. Junto com os três sobreviventes do esquadrão de Tique. o que torna difícil um plano de extração. se realmente encontrarmos alguém. ou não se importasse em dividir. – Talvez você esteja superestimando a força da resistência. – Eu quero ir a Pinyumb – disse ela. Namir não teve tempo de examiná-lo antes de Chalis cruzar a sala para ficar ao seu lado. mas ela não estava errada. Namir fez uma careta. ele encontrou o que procurava. Em um dos nichos agora estava um busto de bronze de um homem sério. – Você não tem como vencer essa batalha – disse ela. Isso era verdade: os arquivos a bordo da Trovoada tinham indicado isso. – Eu tive tempo para pensar. Era um dos muitos veículos que a Crepúsculo tinha tornado operacional desde a queda da Trovoada. – Tudo o que pode fazer aqui é esperar. – Luko? Você tratando pelo primeiro nome o ex-administrador desse lugar? – perguntou Namir. na direção da entrada principal da fábrica. – Tudo bem. mas esteja preparada para percorrer o perímetro a pé… – Eu aconselharia que viesse comigo – disse Chalis. olhando novamente para as caixas de arquivos. movendo o sofá e as caixas para um lado e cobrindo o chão com mapas da montanha e suas vizinhanças. mas precisaremos de alguma defesa quando conseguirmos sair deste planeta… – Entendi – disse Namir. então ele imaginou ter dado o palpite correto. você pode querer falar com nossos reforços em potencial. embora o Alto Comando da Aliança não soubesse. Namir franziu a testa. Não que a Promessa tenha espaço para nos levar a bordo. pegue algum veículo do hangar. – A cidade na base da montanha? – Chalis não o corrigiu. . Chalis parecia impassível à piada. Finalmente. – Os registros de Luko mostram que eles atacaram essa fábrica recentemente e estão ativos na cidade. Ele não gostava da ideia de sair dali. – Ela meio que sorriu. Escolha um esquadrão. – Nossa única esperança é uma saída estratégica. Quase atropelaram Peste quando ela saiu acenando para que o veículo parasse e ela pudesse entrar pela portinhola. Agarre qualquer chance que tiver. com um tremor frio e enjoado nos lábios. e.

e Peste era magra e rápida. abandonaram o veículo e trocaram as roupas por trapos civis – qualquer coisa que os trabalhadores tivessem deixado para trás durante a evacuação. os rebeldes esgueiraram-se a bordo de veículos de carga e se esconderam em meio aos engradados. Era fim de tarde quando começaram a descer pela encosta. – Gadren me mandou – disse ela a Namir. Ela o inseriu com destreza. os seis viajantes saíram furtivamente dos veículos para as ruas da cidade. ajustou seu comlink no ouvido e tirou um segundo fone de seu bolso. – Disse que você precisava de proteção. Comlinks foram desativados e guardados nos bolsos. eles chamavam menos atenção. Primeiro. Ele estava na dúvida se Gadren tinha mesmo falado para ela vir ou se ela tinha decidido por conta própria servir de guarda-costas. explorar um caminho não seria rápido nem seguro. Peste ficava quase sempre ao lado de Namir. Assim que passaram pelo bloqueio. parecia ficar cada vez mais puro – mais puro até que o ar viciado da Trovoada. – Tudo bem – disse Namir. que podiam ser escondidas dentro das botas e sob os coletes. lembrando Namir da atmosfera refrescante de Haidoral Prime. meio rastejando. não viajantes solitários. Quando chegaram à base da montanha. mas ainda havia um contínuo fluxo de veículos militares imperiais e transporte de carga. como se o cabelo tivesse sido queimado ou cortado para tratar um ferimento. Qualquer inspeção os entregaria. no entanto. um instante depois. e. meio agachados. Ele retirou a máscara de respirar com empolgação controlada. Útil em missões furtivas. e Namir viu pela primeira vez Pinyumb. Então. que se tornaria insuportavelmente nocivo nas entranhas de Sullust. e pegaram facas e pequenas pistolas. espremendo-se no banco de trás ao lado dele. Então esconderam seus fuzis dentro do transporte. o que… só Brand? Peste deu de ombros. mas se tornavam mais vulneráveis. . em vez disso. do jeito que o terreno permitisse. Ele franziu a testa. chegar à cidade foi relativamente fácil. Outro par de olhos poderia ser útil. separados. Namir imaginou que o ar ficaria rarefeito. Ela acenou firmemente. mesmo assim. – Isso deixa Gadren com. mas a distância eles conseguiam se passar por locais de Pinyumb. eles tinham que chegar a Pinyumb. Namir não viu veículos civis descendo para o subsolo pela estação de transporte. Duas vezes Namir ficou a alguns passos de uma patrulha de stormtroopers e teve que esperar para que o inimigo continuasse andando. mas. deixando que plataformas repulsoras os levassem para baixo da superfície do planeta. O perímetro estabelecido pelo Império conseguiria parar unidades de infantaria e speeders. Namir pôde ouvir um som baixinho e abafado de música acompanhando a viagem do veículo montanha abaixo. Os rebeldes se espalhavam e reagrupavam seguidas vezes. Namir percebeu que uma parte de seu couro cabeludo estava careca. – Ela não estava de capacete. Em duas equipes de três.

– Procedimento padrão. qualquer coisa que quisessem manter fria aqui. – Uma casa de gelo – explicou Chalis. Aquilo o reconfortou. Mas Peste estava sorrindo. Namir ficou olhando maravilhado. erguendo-se à beira de rios cor de turquesa margeados por passeios e pontes para pedestres. Chalis conduziu o grupo por um beco. é claro. Não havia trânsito nas ruas. – A cidade está em estado de sítio – disse Chalis. eram ladeadas por fileiras de plantas que brilhavam com bulbos fosforescentes. Sem demora. era um antigo abrigo da resistência mencionado nos arquivos de Uivo. Entre as estruturas de metal estavam prédios feitos de pedra. Mas o Império parecia estar patrulhando mais como demonstração de força. mas sem correr. As calçadas. não ativamente realizando buscas. Namir xingou consigo mesmo. Aqui e ali. e sempre com um datapad em mãos. – Mas é nossa melhor pista. A cidade ficava dentro de uma grande caverna de obsidiana. exceto pelos transportes. Deve estar assim desde que aterrissamos. Seus prédios eram delgados. Ele. novamente verificando cada esquina. Vamos. O grupo desceu uma escada até um beco abaixo do nível da rua e encontrou uma porta encravada na parede. por sua vez. sem dúvida. como se estivesse sob a mira de um atirador de elite. e eles começaram sua jornada por Pinyumb – novamente em duplas e trios. O destino do esquadrão. nenhum civil usava as calçadas ou pontes. Tique começou a mexer no teclado numérico. Tique estava certa. servia de autorização para viajar. . se perguntando se seus companheiros fariam troça de sua reação ingênua: o espanto ignorante de uma criança de um fim de mundo. Ele se perguntou se Chalis recordava de tais coisas de sua infância. Os outros olhavam confusos. leite. mas nenhum som vinha de dentro deles. Namir avistava um civil – sempre caminhando rapidamente. – Não saberemos se ainda está ativo até chegarmos lá – disse ela. Os prédios estavam iluminados. com o teto reluzindo suavemente a iridescência refratada das torres de luz. quebrando o encanto da cidade. eles descobriram que as equipes de stormtroopers estavam dispostas em cada via principal. Droides flutuantes de vigilância vasculhavam as vias secundárias. e as ruas estreitas estavam rachadas e cobertas pelo enxofre amarelo. – Por que está tudo tão silencioso? – perguntou Tique por entre os dentes. Ela não olhou para ele sequer uma vez. e sombreadas por arcos esculpidos na pedra da caverna. tombando a cabeça para trás e olhando para paisagem da caverna. cônicos e curvos em vez de rígidos. sentia-se exposto na rua. que. Chalis explicou. Ela navegou por uma seção da cidade que parecia ter sido erguida em épocas remotas. sem vergonha nenhuma. mesmo quando Chalis murmurou um alerta para Peste e o rosto da garota ficou tenso. Primitivos guardavam carne. – Este deve ter sido um distrito muito rico. subitamente. e por isso o esquadrão não teve dificuldade de permanecer escondido. mas Namir lembrava das casas de gelo em seu planeta natal.

Ele passou os olhos pelas listas e relatórios mensais. Não entende a escala do inimigo. aparentemente sem se preocupar com o lodo cheio de bactérias da tela. suprimentos médicos e nada mais. Ele se perguntou brevemente se estava lendo os dados corretamente: certamente. Posso usar isso. Sua voz estava controlada.” Ninguém mais parecia preocupado. Presumivelmente. Chalis nem olhou para cima. incerto do que estava procurando. perdida em seus pensamentos. certa vez. Parecia que a cada cem naves que chegavam ao planeta. – Alguém esteve aqui – disse Tique. Peste. coletando informações para um ataque a um espaçoporto. e explicando o que ela imaginava que aqueles itens . – Alguém esteve aqui – ela ecoou –. dias ou semanas antes. mobiliado como um apartamento reserva. Mesmo Peste parecia mais preocupada com Namir do que com qualquer revelação sobre Sullust. Nada importante. Ela deu de ombros e pediu o datapad de volta. Ele imaginou que Chalis estivesse certa. embora a ideia o incomodasse por motivos que não sabia explicar. Após alguns instantes. Isso deixou Tique. passando a mão pela poeira do chão. Depois disso. – Sullust não é Kuat. – Gostaria de saber quais são nossas opções – explicou ela. descrevendo em ricos detalhes os itens que havia furtado dos armários dos trabalhadores da fábrica de processamento. Namir estendeu uma mão. lhe dissera: “Você ainda pensa como um homem de Crucival. O único quarto da construção não tinha sinal de vida. Uma busca minuciosa revelou restos de comida. Eles decidiram esperar no abrigo por três horas para ver se alguém da resistência sullustana apareceria. Chalis enviou dois membros do esquadrão para verificar o espaçoporto de Pinyumb – uma instalação subterrânea conectada à superfície por um vão de um quilômetro – enquanto esperavam. – Milhares de naves por ano é uma produção em pequena escala? – perguntou ele. mas ele conseguia sentir os olhares dos outros sobre si. se concentrando novamente no datapad. voltariam para a Companhia do Crepúsculo. até que Peste – guiada por algum instinto que Namir desconhecia – encontrou um datapad em um dos filtros da estação sanitária. com resultados bons ou ruins. Peste conversava com Tique enquanto tomavam conta da porta. rastreando a entrada e saída de naves de Sullust. mas ele pôde ouvir em sua cabeça as palavras que ela. Chalis lhe passou o datapad e ele tentou entender alguma coisa daquilo. não deveria existir uma diferença tão grande entre partidas e saídas. Chalis e Namir no esconderijo espremido. com cama. mas possui uma produção em pequena escala de caças e naves de combate. A porta abriu e eles entraram. Ele perguntou a Chalis sobre tal discrepância. mil saíam. Tique fez um som triunfante. – Manufatura – disse ela. Chalis pegou o prêmio nas mãos. ela pareceu satisfeita. embora fosse difícil avaliar se o abrigo tinha sido usado horas. Chalis parecia contente em estudar seu datapad ou olhar para a parede. Ela só murmurava enquanto analisava tudo. Namir concordou com a afirmação. fogão e uma estação sanitária portátil.

– Por que pergunta? – A estátua – disse ele. As engrenagens de sua mente estavam arranhando e rangendo. Em Haidoral. não tinha nada a ver com o prelado Verge. Mas em algum lugar de sua mente.diziam sobre as personalidades de seus antigos donos. Uivo ainda estava no comando. – Não é… Ele interrompeu a réplica. Era sua. – Quando ela começou a falar tanto? – perguntou ele. ela tinha razão. e ela ficou olhando para ele sem entender direito. a opulência que arrepiara Gadren. – Depois que você saiu. Fazia o quê? Dois meses? Ele sentia vividamente o lapso temporal. – O busto foi um presente para o administrador Luko Oorn. – A peça naquele escritório administrativo. mas pareceu mais um rosnado. O que quer que fosse. mas foi exatamente por causa de meu conhecimento que Uivo me quis. prevendo que soaria petulante: – E quanto a Mardona III? Ou Nakadia? Você também esteve lá? – Não – disse Chalis. Falar de Peste fez sua mente se voltar a Haidoral Prime. Ela vai ao clube. alguma coisa ainda o incomodava. Ela sempre tinha razão. Chalis era mais inteligente que ele e conseguia esculpir as conversas como barro. Imagino que ele tenha achado melhor retirá-lo de lá após minha traição. – Mas ajudei a se tornarem o que são hoje. Namir esperava algum escárnio. sem qualquer emoção. Você se acostuma. – Ela sorriu. Eu o coloquei de volta. – Ela mal dizia uma palavra no treinamento. Brand e Charmoso… Ele se afastou da porta e acenou para que Peste voltasse para lá. uma recitação de fatos. falhando em produzir o raciocínio de que ele precisava. mexendo na pistola com as mãos. – Eu visitei este planeta várias vezes durante meu aprendizado com o conde Vidian. ele não tinha conhecido a governadora Chalis e ela não tinha recaído sobre a companhia como uma maldição. de Luko Oorn. – Quando esteve aqui em Sullust? – ele perguntou. mas Tique parecia lidar bem com a atitude de Peste. Namir chamou Chalis. sabendo que não era o que precisava saber. Isso foi realmente um azar. parte por querer fazer alguma coisa e parte por pena de Tique. o mais baixo que pôde. Namir substituiu Peste no turno de guarda após meia hora. Tudo naquela explicação parecia razoável. Namir estava insatisfeito. Então ele perguntou. Ainda assim. Tique deu de ombros. Ele se lembrava amargamente da missão à mansão dela. levou-a para o canto do cômodo. em gratidão por ele ter auxiliado a implementar meus designs. tenta a sorte nas cartas. – Lamento por ter perdido esse processo – murmurou Namir. mais ou menos brincando. – As palavras eram frias. Péssima jogadora. – Isso te surpreende? Que eu estava envolvida na construção daquilo que estamos tentando desmanchar? É possível que minha conexão com nossos alvos sejam o motivo pelo qual o prelado Verge tenha conseguido prever que atacaríamos Sullust. Ela empinou a cabeça e baixou a mão que segurava o datapad. Novamente. . eu acho. Em Haidoral.

Tudo bem. Mas Kuat vai mudar alguma coisa? Se conseguirmos ter êxito. tirou-o do bolso e colocou o fone no ouvido. – Terá importância – disse ela –. – Ele queria dizer “foquem no combate”. e Namir se sentiu estranhamente magoado por ela ter usado esse tom com ele. De repente. e ele a cortou: – Tique e eu podemos dar melhor cobertura a vocês. você está certa. analisando cada palavra que dizia –. – Você sempre me diz que eu não entendo o Império. Tique gritava alguma coisa. Ele continuou falando. assim como qualquer coisa que pudéssemos fazer teria. desde Ankhural até Kuat. . mas não conseguiu. – Ela pareceu se contrair. e digo todo ele. Namir franziu a testa. e sua voz ficou pequena quando ela acrescentou: – Eu teria esperado essa pergunta de um rebelde. cada vez mais. Namir podia ver as artérias pulsarem em seu pescoço. Raios de partículas vermelhos atingiram o topo do beco. – Além do mais – disse ela –. Namir olhou para Chalis e a puxou para o beco. – Eles estão do lado de fora do abrigo. já tenho uma ideia de como nos tirar daqui de Sullust intactos. De você. com a expressão severa e imutável. Era um dos batedores de Tique. que eu não entendo a amplitude do que estamos enfrentando. tão pé-no-chão quanto ela estivera diante dos oficiais em seu primeiro encontro com Uivo. Eles foram interrompidos por alertas pelo comlink. segurou Peste pelo punho e pôs a mão dela no braço de Chalis. eles são só meus e não têm nenhuma ligação com nosso sucesso ou fracasso. – Quanto desse plano – ele começou. sem saber se queria ouvir suas próprias perguntas. quanto mais qualquer resposta. – Procurem cobertura – ele falou rápido. lançando faíscas e lascas de pedra no rosto de Namir. Chalis o poupou de se explicar. – Saiam daí – uma voz sussurrou asperamente. mas só o que Namir ouviu foi “mais rápido” e alguns xingamentos. viu Tique e Peste na escada da saída do beco. seguida na mesma hora por Peste. agachadas bem baixo e atirando com suas pistolas. Ele tentou enxergar os agressores. Quanto disso tem a ver com você tomando de volta o que deu ao Império? Quanto disso é só vingança por você não ter recebido o respeito que queria? Chalis inspirou profundamente. isso terá alguma importância para a guerra? Porque. parece que embarcamos em uma jornada suicida de vingança. eu esperava mais. Sua respiração era úmida e áspera. Namir não teve resposta para isso. Os outros fizeram o mesmo. Não sou o tipo de mulher que se martirizaria. seu peito arfava enquanto ela suprimia um acesso de tosse só com a força de vontade. Em vez disso. Sua voz voltara a possuir um charme impessoal. ela parecia confiante novamente. Ele arrastou Chalis para a escada. mas Peste se virou para ele. se sobrevivermos a tudo e destruirmos os estaleiros. – Nós as seguiremos. Quanto a meus motivos. como se quisesse protestar. Saiam daí agora! Tique apertou os controles da porta com uma mão e foi para fora. A governadora ficou parada na frente de Namir.

Deu a volta na parede de um prédio de pedra e quase deu de cara com Tique. – No que você está pensando? Tique deu seu típico sorriso sórdido – aquele que Namir tinha visto algumas vezes no Clube. Pelo menos era o que ele achava. – Continue andando. após alguns tiros. eles correram. . Tique acenou e. mas Peste e Chalis também precisavam dele. antes de dar um safanão em um colega soldado. Namir viu de relance armaduras brancas quando olhou de novo. Ele disse a si mesmo que não poderia tê-la impedido. Peste havia se tornado uma parte faladora e confiável da equipe quando ele não estava por perto. Queria segui-la. Encontro com vocês em instantes. Ela o empurrou bruscamente para o lado. mas ele ainda tinha uma pontaria melhor que a dela. Ele não tinha visto para onde Peste e Chalis foram. Ele disparou à vontade com uma mão. que tinha parado de correr e estava olhando para o abrigo. mas não conseguia identificar o inimigo. de volta para a batalha. disparando na direção que Tique estava mirando. Namir gritou um xingamento. de volta por onde tinham vindo. – Vá para o inferno. enquanto tiros de armas de raios tentavam acertá-los. Ela saiu correndo com Chalis. Ele sentia por ela. Quando tentou cruzar a rua seguinte. capitão – disse Tique. – Eles já estão mortos – Namir falou ríspido. Então ele caiu na rua e apagou. Cruzaram a rua e desceram um beco. e Namir assumiu o lugar de Peste. – Boa sorte – ele murmurou. e disse: – Minha equipe ainda está lá atrás. na esperança de atrasar quem os seguia. queimando e doendo em cada músculo. e passou por ele. – No três – disse Namir. não ouviu a granada até que seu corpo já estivesse no ar. – Você é sua equipe. e saiu correndo de perto dos stormtroopers. como se tivesse sido lançado contra uma parede de aço.

veio a notícia de que a estação de batalha do Império que dizimava planetas havia sido destruída. lutado ao lado de mais espécies do que podia saber o nome. Nos dois meses desde que Namir se juntara à Companhia do Crepúsculo. Ele não compartilhara o terror e o choque de seus camaradas. no entanto. Ele não tinha nada em jogo naquela guerra. O planeta de Vir Aphshire caiu nas mãos da Crepúsculo pouco depois. embora a decisão do Império de queimar as colmeias e abandonar o . ele viu os rostos amargurados de seus camaradas e ouviu seus juramentos. mas eles mereciam uma vitória. mas agora comungava da alegria deles. Dias depois. Estava começando a conhecer as pessoas da Companhia do Crepúsculo. expurgados até que apenas as tatuagens dos exilados e dos mortos permanecessem. Ele vira os Malkhanis. O que quer que tivesse acontecido. mas captou o bastante. Tudo que havia em Alderaan se foi. – Você disse que eles bombardearam e jogaram gases em outros planetas antes – ele perguntou a Gadren. Se tivessem lhe dito que planetas eram uma baixa comum de guerra. alguém gritando “eles explodiram a maldita Estrela da Morte!”. No refeitório naquela noite. C A P Í T U L O 32 P LANETA VIR AP HSHIRE DIA 4 DA OPERAÇÃO SEM FREIO 19 ANOS APÓS AS GUERRAS CLÔNICAS O soldado Hazram Namir estava em seu beliche desmontando e remontando um fuzil de raios DLT-20A quando chegou a notícia sobre Alderaan. ouvido histórias de um império intergaláctico que tinha milhões de estrelas sob seu jugo. – Qual é a diferença para esse aí? Gadren olhou para Namir com seus olhos alienígenas e disse: – É a diferença entre a esperança de vida e a morte absoluta. ele tinha visto armamentos que poderiam reduzir cidades iluminadas a cinzas. a Doutrina e outros clãs serem erradicados. Ela não significava nada para ele. era algo novo. Ele ouviu o som de risadas pelo comlink. ele teria acreditado sem pensar duas vezes. enquanto Namir estava em uma trincheira nos campos de mel de Vir Aphshire. e gargalhadas estridentes logo em seguida. Ele não tinha entendido completamente. A única coisa lhe indicando que a destruição do planeta tinha sido algo fora do comum fora o fato de Uivo tê-la anunciado pelo comunicador da Trovoada. O bom ânimo trazido pela notícia deve ter tido parte na vitória.

desconfiando dele pelas sombras. Namir não levou os créditos. As orquídeas e colmeias de Vir Aphshire agora pertenciam à Aliança Rebelde. que tinha dificuldade para acompanhar suas passadas largas. O capitão acenou. nenhum grito de guerra em seu nome. A criatura lhe passou um relatório e lhe pediu que o transmitisse ao capitão Evon. Ou ela não confiava nele ou o recomendara para o posto e queria ver qual seria o resultado. tivesse tido maior impacto. Era estranho ver veteranos como Gadren e Norokai agindo como recém-recrutados do clã Malkhani. Eles podiam alegar ceticismo. Talvez os dois. Ele encontrou Uivo no perímetro exterior do acampamento e entregou a ele o relatório de Fektrin. mais de uma vez. – Todo mundo precisa conhecer Uivo em algum momento – disse Fektrin. mas ainda assim acreditavam no mito do comandante deles. e. As tropas reverenciavam seu comandante. Namir estava vivo. a batalha foi vencida. Namir teve o luxo de ignorar o capitão. Na barraca de comando. pronunciando cada palavra como se a saboreasse. . Uivo era quase uma cabeça mais alto que Namir.mundo inteiramente. e a fé que tinham em suas decisões não era abalada pelo resultado das batalhas. Ele já sentira tal devoção antes. Mas não havia comícios sob seu comando. quando se perguntava às tropas por que eles lutavam. embora fosse a primeira campanha na qual a Crepúsculo lhe havia permitido comandar um grupo de reconhecimento. – Soldado Hazram Namir – disse Uivo. Ele tinha certeza de que a resposta seria insatisfatória. mesmo assim. ninguém respondia: “Pelo capitão Evon”. embora ainda fosse uma criança na época. – Acompanhe-me. Namir não perguntou a Fektrin como sabia que ele ainda não conhecia o capitão. Na noite do triunfo da Crepúsculo. Ele era o alicerce da Crepúsculo. Mas esse não era mais o caso. como vinha fazendo desde Kor-Lahvan. o tenente Sairgon indicou para que Namir voltasse pela estrada na direção das colinas de argila da colmeia. Namir tinha visto Uivo de longe uma ou duas vezes. Namir estava de vigia quando o sargento Fektrin voltou de uma patrulha no vilarejo mais próximo. Ele percebera a caçadora de recompensas – Brand – o observando. Namir já tinha visto este tipo de reverência. contraindo suas gavinhas. analisando o relatório brevemente antes de olhar novamente para o caminho. Independentemente disso. o que quer que isso significasse. Ele começou a se mover sem esperar que Namir concordasse. Namir teria se incomodado mais se o punho de Uivo fosse mais firme sobre a companhia. Então. explicando que a patrulha não tinha encontrado qualquer dano ou fortificação inimiga no vilarejo. e o soldado teve de correr atrás dele. mas todo o seu conhecimento do capitão vinha das histórias de seus colegas. ouvira suas raras declarações pelo comunicador da Trovoada. provavelmente. por dois meses.

Eu diria para deixarmos as coisas simples. – Faço isso há mais tempo do que a maioria deles – disse Namir. Namir queria ficar irritado. e por isso preferiu responder à pergunta de Uivo literalmente. Nada melhor para ativar memórias antigas do que ar puro e novas perspectivas. – Ele deu um tapa no crânio para enfatizar cabeça. Não há necessidade de matar nosso pessoal só pelo prazer de encurralar os imperiais. – Ouvi coisas boas sobre você. Ninguém nunca sugerira que o capitão pudesse ser perigoso – era excêntrico. Pela experiência de Namir. – Não sei se posso ajudá-lo com isso – disse ele. . mas não encontrei uma única cópia. – Ele estava sorrindo. A estrada ficou enlameada e começou a espirrar sob os pés à medida que a paisagem mudava para uma argila cinza-amarelada. Sairgon me informou que você não para de salvar as vidas dos novos recrutas. ainda tenho dificuldades em avaliar a distância dos tiros. – Isso – disse ele – é exatamente o tipo de perspectiva que ativa os neurônios do cérebro de um homem. Dada sua experiência. Uivo virou para ele e deu um sorriso aberto. – Você já está ajudando. O olhar de Uivo se tornou pensativo. Com alguma sorte. no entanto. O resto você aprende na prática. E também as vidas de alguns dos antigos soldados. soldado. chamada Iania. Uivo começou a rir. Uivo gesticulou rápida e desdenhosamente. mas eles estão em fuga. Era um teste. – Sairemos desse sistema em um ou dois dias. – A “Canção de Lojuun” – disse o capitão – tem martelado minha cabeça nas últimas trinta e seis horas. sem demonstrar emoção. mas a risada era muito inocente. Namir não via vantagens em joguetes. mas mesmo assim ele pretendia escolher bem as palavras durante aquela conversa. e a ópera inteira foi banida pelo Império. não havia muita artilharia em Crucival. gostaria de ouvir suas considerações sobre o que deveríamos fazer nesse meio-tempo. senhor – disse Namir. Uma linda garota Twi’lek. A Trovoada está com poucos suprimentos. como se estivesse avaliando as colinas com algum propósito misterioso. Depois de um momento. – Porém. Eu procurei e procurei. – Sim. Namir manteve o rosto virado para a frente. eu me lembrarei dos almoços de infância com minhas tias assim que terminarmos de conversar. é claro. na pior das hipóteses –. Poderíamos enviar alguns esquadrões para o vilarejo para pegar toda a comida e equipamentos que puderem. – Vou lhe contar um segredo: pouquíssimos indivíduos conseguem avaliar a olho a distância mínima a que podem chegar do inimigo. e ele diminuiu o passo. Você já tem o instinto. Acho que acabei de lembrar da minha primeira paixão dos tempos de escola. o poder tornava os homens imprevisíveis. Não acho que haverá resistência. – Mal consigo lembrar metade da letra. embora Namir não soubesse se por humor ou mero entusiasmo. muito calorosa para gerar alguma ofensa. – A ameaça parece bem contida. O capitão não tinha interesse no conselho de um soldado saído de Crucival há dois meses. Poderíamos caçar os inimigos.

A batalha da Companhia do Crepúsculo é pelo coração da galáxia. Mas ele não esperava que seu capitão comungasse dessa ilusão em particular. então. . Roubar comida não nos ajudará a vencer. Ainda assim. Ele forçou um sorriso. o conceito tradicional de vitória é impossível. Uivo tinha mantido a Crepúsculo viva em meio a conflitos que teriam dizimado outras companhias rebeldes. É um pré-requisito para a vitória. olhando para Uivo. mulher e stormtrooper imperial. Uivo tocou-lhe o ombro e riu novamente. Se nossos objetivos se tornarem puramente militares. perderemos a grande luta. – Pelo espírito de cada homem. nem mais nem menos. Matar inimigos também não. Contra o imenso poder do Império. – Você acha que fui muito agressivo? – perguntou Namir. – Bom o bastante por agora. A voz de Uivo. nas declarações de que estavam lutando pelo povo da galáxia. então. – É claro – disse Namir. mantendo a voz no mesmo nível. – Sem incomodar os nativos. E. Tratar os vilarejos e cidades civis com respeito não é uma questão de misericórdia versus pragmatismo. – A voz dele se tornou um sussurro. Ele percebera que os rebeldes realmente acreditavam em sua honra. – Acho que você não entendeu essa guerra. de alguma forma. Namir acreditava que o capitão fosse sincero. como se estivesse contando um segredo. Você vai entender o resto com o tempo. As palavras de Uivo soaram como as justificativas tortuosas que Namir ouvira na Doutrina: uma filosofia feita para maquiar sua própria fome de guerra. ficou séria.

eram uma equipe de busca. embaralhando as palavras. – Uma segunda voz argumentou. – Aqui é SP-475 – disse a voz da mulher. Assim que fizermos a entrega. Mãos grossas e com luvas puxaram Namir para cima na caçamba do speeder. mas a estática era ainda pior. uma hora. Ela disse algo mais que Namir não compreendeu. Se ele morrer a caminho da detenção. . Estava apagado há uma hora? Namir gemeu e forçou seus olhos a abrirem à medida que era colocado de pé. de ter se separado de Chalis. pelo menos. – Ele não está tão ferido quanto parece. Dois capacetes brancos de stormtroopers olhavam para ele. masculina e com um chiado estático. Encostou nos punhos e sentiu um choque elétrico agudo. O teto da caverna brilhava lá no alto enquanto silhuetas brancas o seguraram pelos braços e o jogaram na caçamba de um grande landspeeder. – A mulher falava novamente com seu parceiro. eu acho. As ruas da cidade passavam embaçadas por ele e a vibração sutil do veículo o deixava terrivelmente enjoado. – Será que temos mesmo… – O resto da frase era embaralhado demais para decifrar. Depois veio uma súbita e intensa onda de náusea e a sensação de que seus braços tinham sido jogados para trás. Namir viu que o canto inferior do capacete dela tinha sido queimado. Ele tinha sido atacado. será uma perda de tempo para todos. Espero que não seja um levante. – Estamos levando um prisioneiro rebelde. começarão as buscas e rondas de porta em porta. Peste e Tique. – Ele está embaixo dos escombros por. força letal autorizada contra qualquer resistência. Ele tentou se sentar. Até onde sabemos. Usava algemas de atordoamento. mas não sabia se conseguiria se mover. para lutar contra o impulso que o arremessara. – O protocolo 24 agora é oficial. – Eles não fizeram contato com ninguém. C A P Í T U L O 33 P LANETA SULLUST DIA 2 DO CERCO DE INYUSU TOR 3 ANOS MAIS TARDE A primeira sensação que Namir teve foi a da pedra fria em seu rosto. Só atordoado. Lembrava da emboscada. Essa era a de uma mulher. – Tem certeza de que vale a pena levá-lo? – perguntou uma voz baixa. talvez? Namir não tinha certeza – xingava baixinho. O homem – um homem diferente. sem sucesso. Prisões aleatórias. Ele tentou levantar a cabeça.

Perguntou-se se Tique ainda estava viva. “Será que eu caí de cara?”. para a rua. se suas pernas cooperassem. mas e daí? Ele precisava escapar. mas também precisava de um plano. você deveria nos contar agora. Namir teve dificuldade de acompanhar o passo. o atirador já estava descendo e gesticulando para que Namir o seguisse. ainda assim estava sendo resgatado. – Mesmo que estivéssemos planejando alguma coisa. mas. Apesar de estar um pouco decepcionado. Ele suspeitava que ela podia agradecer Tique pelo vocalizador danificado. olhos que pareciam duas bolhas de óleo preto e mandíbulas que davam ao seu rosto a aparência de um capacete. ele desabou contra uma parede e começou a vomitar. não. levantando e endireitando suas costas. recolheu uma bolsa de lona do chão e começou uma série vertiginosa de curvas. . Ele poderia ter dado um chute nela. e Chalis… Não podia ajudá-las agora. Seus lábios doíam a cada palavra. revelando um rosto jovem com marcas profundas. O atirador era um Sullustano – tinha uma cabeça larga e sem cabelo. Vocês se alistaram para morrer. Ele esperava ver Peste ou Tique. A mulher começou a virar para ele. logo. bastante enfática. atingindo o trooper ainda de capacete com o ombro. Ele começou a mexer nas algemas de novo. Com as mãos ainda algemadas atrás das costas e com a visão embaçada. Não coloque todo mundo nesse fogo cruzado. olhou para cima e viu que os tiros vinham do telhado de um prédio baixo. embora os tivesse visto entre os trabalhadores quando a Crepúsculo tomou a fábrica de processamento. Namir seguia atrás da criatura quando ela se enfiou por uma viela. Ele tentou distinguir detalhes. quando o instinto veio à tona. até que. como se tentasse demonstrar tolerância –. e correu na direção dos tiros de raios. A mulher removeu o capacete estragado. mas incapaz de controlar o corpo –. diga-me o que você estava fazendo. E Peste. A mulher ficou séria. Contraiu-se por reflexo em vez de tomar o choque. com orelhas de rato. – Se há um ataque sendo planejado – disse ela. Não bateu. Então ele ouviu os sons de armas de raios e um stormtrooper gritando. confuso. ele se jogou para a frente. O speeder parou abruptamente e ele deslizou meio metro para a frente da caçamba. Quando alcançou o muro do prédio. Os dois troopers ao lado dele estavam olhando para a rua agora. – Ei! – disse a stormtrooper. enquanto mantinha o corpo abaixado. ouvindo então uma gritaria lá na frente. Ele esperava que a mulher fosse bater nele. Torcendo para não desmaiar ou vomitar. Ele não viu se seu captor sobreviveu aos tiros. Algo estava bloqueando a rua. O resto desta cidade. os raios vermelhos começaram a vir na direção do speeder e Namir não era o problema mais urgente dela. sem aquela voz embaralhada. Ela pegou Namir por baixo dos braços. pensou. Namir balançou a cabeça. por fim – sabendo que isso poderia significar sua morte. – Rebelde! Se quiser acabar com essa matança. Esse era o mais perto que Namir tinha ficado de uma dessas criaturas. ignorando sua presença. Lançou as pernas para baixo. ainda assim não diria nada – respondeu Namir.

com o Sullustano dando todo o suporte que podia. ele não caísse no meio do caminho ou tomasse um tiro de stormtroopers menos piedosos que os do primeiro esquadrão com o qual deparara. com um exagero que sugeria que o gesto fosse pouco natural para ele. após uma hora. Não podia ser nada além de um não. pensou Namir. se seus amigos tivessem se deslocado tão lentamente e estivessem tão pessimamente escondidos que um soldado caçado e contundido podia encontrá-los –. Talvez esse fosse um bom sinal. ele balançou a cabeça daquela mesma maneira exagerada. e tivesse apenas cruzado o caminho de Namir. mas a criatura observava Namir e parecia perceber a incompreensão em seu rosto. Namir imaginou – não sabia nada sobre os outros. Ele não tinha qualquer chance de chegar à Companhia do Crepúsculo. de que ele serviria? Nas condições em que se encontrava. mas a única ferramenta disponível para a tarefa era a arma de raios da criatura. Em vez disso. A criatura – “ele”. ou mortos. Então. através das sombras de torres e por entre as . para onde vamos? O Sullustano foi na frente. como se quisesse falar e oferecer alguma esperança ou explicação a Namir. removesse suas algemas. A energia trazida pela necessidade de fugir parecia deixar seu corpo junto com a bile. Talvez o Sullustano nem soubesse que eles tinham ido até lá. Ele mal conseguia se manter de pé. e um tiro poderia ser ouvido a vários quarteirões de distância. – Será que eles se esconderam? Talvez tenham chegado a outro abrigo? O Sullustano hesitou. e ficou surpreso quando sentiu uma mão macia ajudando-o a se levantar. Ele não estava em condições de lutar. E. pedir ao alienígena para que. – Muito bem – disse ele. Namir pensou em pará-lo. Eles estão a salvo? Você sabe onde eles estão? O Sullustano respondeu simples e rapidamente. Ele atrasaria qualquer tentativa de fuga. seria mais um fardo do que uma vantagem. ao menos. eles andaram juntos. Cuidadosamente. O Sullustano deu um passo para trás e baixou a cabeça. “Eu poderia ir sozinho”. em vez disso. procurando por camaradas que provavelmente não estavam por perto. Então. Estava certo de que não conseguiria entrar em combate para sair de Pinyumb. Namir não ousou apertar a mão dele por medo da vertigem. o Sullustano encolheu os ombros. Namir não sabia se isso era uma explicação ou um sinal de esperança. se os encontrasse – se contra todas as probabilidades. ele fez um gesto amplo na direção dos elevadores que davam acesso para fora da cidade da caverna. – Outros que vieram até aqui. e. em não mais que algumas palavras alienígenas. e seu cérebro estava muito detonado para que ele pudesse formular um plano. seus camaradas estariam ou a salvo fora da cidade. Recusa. – Então. do jeito que as coisas iam. – Havia outros – disse ele. – Eu tenho que ir atrás deles – disse Namir. Arrastar-se por uma cidade que ele não conhecia. O Sullustano o endireitou e falou numa língua que ele não conseguia entender. com uma mão.

e toda vez ele continuava. a multidão pareceu se encolher. A mulher olhou para ele com desconfiança. Lá dentro. suas vozes aparentemente gratas. O Sullustano se concentrou para atirar nas algemas de Namir antes de se dirigirem para fora da cantina. tranquilamente. . Os braços e ombros de Namir doíam conforme eles andavam. a tensão da multidão acalmou um pouco. O Sullustano levou Namir para uma pequena cozinha e. Os mais velhos reagiram ao companheiro de Namir em sua língua nativa. transformando a noite de Pinyumb em dia. De vez em quando. uma mulher de olhos verdes com mãos calejadas. tão espremidos que muitos preferiam ficar de pé em vez de sentados. Quando reconheceram o companheiro de Namir. Não foi um conselho. As rondas haviam começado. Não sei o quanto isso pode piorar. Talvez tivesse sido por isso que a mulher o analisou. Ou talvez fossem suas algemas. Namir não tinha direito sobre as escolhas daquelas pessoas. Eram em sua maioria humanos e Sullustanos. súplicas a agentes de segurança do Império à medida que portas eram abertas à força e cidadãos eram levados. eles ouviam tiros e gritos. as luzes das torres ficaram mais brilhantes. mas seu acompanhante o levou de volta para as escadas muito antes de a bolsa de lona estar vazia. depois. Namir imaginou. portar armas apenas tornará a situação ainda pior. Namir percebeu que alguns deles usavam uniformes de trabalhadores da fábrica de processamento. Finalmente. mal iluminadas por uma porção de luzes de emergência. Quando o Sullustano tirou uma arma de raios da bolsa. cuja incerteza transparecia em seus olhos e em mais nenhum lugar. ela disse: – Se os stormtroopers vierem.estalagmites da caverna. suas cadeiras estavam empilhadas sobre as mesas. foi até a frente e aceitou uma arma de raios. Durante o curso de sua jornada. Namir queria fazer perguntas sobre seu salvador e sobre a cidade. O Sullustano desceu os degraus e falou suavemente. Ele insistia em alguma coisa. Eles desceram um pequeno lance de degraus esculpidos na rocha. e a ergueu com as duas mãos. na entrada de um prédio não marcado. – E estão revistando as pessoas lá fora. uma multidão aterrorizada aguardava. – Eles já estão indo de porta em porta – disse Namir. então pegou sua bolsa de lona e distribuiu rações embrulhadas em papel metálico e envelopes do tamanho de uma mão com bacta medicinal. Os braceletes permaneciam nos punhos. argumentando na base de respostas curtas e grossas. mas o mecanismo de atordoamento parecia desabilitado. A pessoa mais nova era uma criança. desceram um segundo lance de escadas escondido atrás de um refrigerador. O Sullustano hesitava toda vez. mas a maioria era mais velha: figuras franzinas que tinham aprendido a encarar o medo com dignidade. – O que eles estão falando? – ela perguntou. concordou. no entanto. Namir se misturou à multidão até o humano mais próximo. havia uma cantina vazia de clientes. Para ajudar nas buscas dos stormtroopers. No porão da cantina. Talvez achasse que Namir deveria saber a língua.

Ninguém parecia incomodado. Os rebeldes eram a causa de o Império fazer os Sullustanos trabalharem como escravos. esperando com ansiedade. bacta e bálsamo. mas sabia o que precisava ser feito. Lá eles começaram o trabalho novamente. e olhou bem dentro dos olhos de um homem de ombros largos e rosto endurecido. Namir reconhecia a atitude do homem. Era uma casa de banho pública. Ele procurava por esse tipo de atitude em cada recruta que pedia para se juntar à Crepúsculo. nada disso. Desta vez. disseram que deveríamos estar em casa… O salvador de Namir olhou entre os feridos e a porta. Os rebeldes que eram responsáveis por todo o sofrimento em Pinyumb. – Você acha que a clínica imperial vai me ajudar? – Entendido – disse Namir. A segunda parada da noite foi no dormitório de um quarteirão residencial. que mantinha uma fisionomia raivosa. Pela primeira vez. Namir se sentiu indesejado. – Estávamos no Mercado Rápido. O braço de um dos homens estava atravessado por uma queimadura. espalhando bacta sobre a carne queimada e verificando ossos quebrados. no entanto. Então começou a procurar em sua bolsa por curativos. no máximo. Mais uma vez. Nem os rebeldes. – Você é culpado – disse o homem. pois tinha acabado nossa comida – disse um deles. – Você acha que temos muita alternativa? – perguntou o homem com o braço queimado. – Você não deveria estar aqui. o salvador de Namir espalhou produtos de emergência que eram aceitos com uma mistura de gratidão e relutância. eles foram interrompidos quando a porta abriu para admitir outros seis civis: homens e mulheres cujos rostos estavam inchados com recentes hematomas e que mancavam e respiravam entre os dentes com dificuldade. onde vítimas em situação deplorável gemiam deitadas à beira de uma piscina muito azul. Ele olhou para Namir e de novo para o homem com o braço queimado. – Quando os stormtroopers chegaram. O homem tinha o porte de um soldado treinado. onde uma multidão semelhante se abrigava. Depois que Namir e seu companheiro atenderam os feridos mais graves. Então se virou e ficou de pé. pronto para a briga. Namir imediatamente reconheceu os efeitos de um tiro de arma de raios. – Nós não fizemos isso – disse Namir. . Raramente a encontrava em alguém abaixo dos quarenta anos. Então passou a hora seguinte aplicando curativos e antisséptico nos feridos. nem a Frente Cobalto. Enquanto enfaixava a perna sangrando de um menino. foram para a terceira parada da noite. Ele dizia a cada um de seus pacientes – e mesmo àqueles que não entendiam sua língua pareciam entender – que o que estava fazendo servia como paliativo. como se dividido entre os refugiados diante dele e outra multidão que ele pretendia visitar. Namir não era médico. – Você me ouviu – disse o homem. escutou uma voz perguntando por que os rebeldes tinham permissão para ajudar. Ele manteve os olhos em seu paciente até ouvir passos se aproximando por trás.

Ele até acreditava nisso. finalmente. forçando-o a realocar fiscais e stormtroopers dos estaleiros de Kuat para mundos como Sullust. ele se forçou a ficar alerta. E mal percebeu quando o Sullustano o levou para dentro de um hangar de mineração. ou bem perto disso –. de certa forma. memórias mais antigas ganhavam vida em sua mente. virou para Namir e perguntou: – Você está com os rebeldes no alto da montanha? Aqueles que tomaram a fábrica de processamento? – Planejávamos destruí-la e evacuar – disse Namir. mas também não podia negar a acusação feita pelos Sullustanos. Terminou seu trabalho. vendo seus amigos morrerem. Sempre que caminhavam pela rua. Em alguns momentos. Até você chegar. apenas três pessoas estavam sentadas no escritório – todos humanos. . o terror e o ressentimento dos civis tomassem conta dele –. em uma caverna. ou caminhou por entre veículos até um escritório na parte de trás. Mas não tão diferente a ponto de mudar sua maneira de lutar. O cansaço de Namir era profundo. Ele não sentia culpa. Namir sentiu vontade dizer: “Isso não é como as Guerras Clônicas. Namir esperava outro abrigo de civis. metade na língua sullustana e a outra metade na língua básica. O companheiro de Namir parecia estar explicando os eventos da noite. sua cabeça o fazia acreditar que ele ainda estava resgatando seus camaradas do desastre da Trovoada. ficavam nas sombras. pelos feridos que auxiliava – responsável pelo plano que tinha levado o Império ao desespero. Quem é você? – Eu sou Corjentain. viam o número de feridos crescer e o desespero da população aumentar. Em outros – na cidade. Eles faziam o que era possível e seguiam em frente. apontando para o Sullustano. Essa não era a guerra do seu pai. cada um com uma arma de raios no colo. O homem de rosto endurecido virou as costas. mas a tensão logo desapareceu. A náusea e a vertigem iam e vinham. Memórias de Crucival e memórias de Uivo. observavam a marcha dos stormtroopers e ouviam tiros distantes à medida que as revistas e as buscas do Império continuavam. éramos os únicos representantes da Rebelião por aqui. Em vez disso. aceitando que era responsável. Ele deveria estar tomando conta de seu companheiro. Em vez disso. – Ele está no comando da célula. Eles ficaram de pé num pulo quando Namir e o Sullustano entraram. O Império realmente era um tipo diferente de inimigo. – Como você demorou – disse uma mulher de cabelo castanho antes de abraçar o Sullustano e lhe dar um tapinha nas costas. de olho nas tropas ou em droides câmera. Ele tinha visto coisas sombrias e terríveis da última vez que ficara ferido num subsolo. construído dentro da parede da caverna. Não era a guerra de Crucival. Namir e seu companheiro continuaram as rondas durante a noite toda. Este é Nien Nunb – disse ela. A cada lugar que chegavam. Essas pessoas estão lutando por gente como você”. – Tivemos um contratempo. Namir se preparou para um soco que nunca veio. – Quem é o nosso convidado? Uma rápida troca de palavras. de certa forma. quando ele inspirava o puro ar alienígena da caverna e deixava que a gratidão. Lá. contudo. estava apenas tentando ficar de pé. A mulher.

pelo menos estaremos fazendo o bem. remédios que o Império não permite. Pelo cheiro. – Assim como Nien. – Você está um trapo. iremos para longe daqui. mais cedo ou mais tarde. a fazê-las pensar que a Rebelião vale de alguma coisa. Esse não é o maior problema. Estavam vestidos como civis. Meio tarde agora. Mas quando sua nave desembarcou aqui… isso. ele contou a história dos rebeldes da Crepúsculo. A repressão imperial era o motivo pelo qual os recrutas se juntavam à Companhia do Crepúsculo. com acréscimos ocasionais e incompreensíveis de Nien Nunb. Namir sorriu amargamente. – Assim que encontrarmos uma saída para extramundo – disse Namir –. No entanto. ótimo. A célula tinha vindo a Sullust na esperança de forjar uma aliança formal entre a Frente Cobalto – uma associação de trabalhadores que vinha se tornando cada vez mais anti-imperial – e a Aliança Rebelde. Nada disso surpreendia Namir. mas não tem como forçar pessoas com medo a se revoltarem. e enquanto bebia um líquido esverdeado nojento que o jovem garantira que o ajudaria com a dor de cabeça. Ele já tinha ouvido muitas histórias à noite. nem fez menção a Chalis. Os toques de recolher serão permanentes. a maioria dos militantes da Frente Cobalto já haviam sido presos. e eu aposto muita grana que. e o restante dos membros da Frente estava relutante em pegar em armas. A repressão já começou. Em vez de oferecer condolências. Um jovem com pele cor de giz respondeu: – A Frente Cobalto nunca foi muito uma resistência – disse ele. e daí as coisas começaram a ficar tensas para vocês. eles passarão a realizar punições em massa. Corjentain explicou as atividades da célula rebelde. – Certo. Eles pareciam cansados. acolhedores. mas desconfiados. em algum momento. Não contou qual era a meta final da companhia. Se não funcionar. – Então o Império decidiu compensar a produção perdida em outros planetas e aumentou a carga de trabalho e a vigilância em Sullust. quando chegaram. está trazendo consequências. Contrabandear suprimentos que os nativos não podem pagar. Namir olhou para os quatro. Corjentain xingou discretamente e balançou a cabeça. e mesmo seus disfarces estavam rasgados e sujos. Então Namir se sentou. Vamos trocar experiências. mas ilesos. no Clube. mas falou sobre a campanha da Crepúsculo ao . – Eu sou de Sullust – disse Corjentain. Então decidimos ajudar Pinyumb como podíamos. sim. mas… – Sente-se – disse Corjentain. não se lavavam havia dias. mas conseguimos dar um jeito nisso. disse alguma palavra ingrata contra o Império. O Império nos queria mortos. – O Império faria as pessoas trabalharem até a morte. Corjentain não pareceu entender seu tom. Se isso nos ajudar a convencer as pessoas. – Achei que houvesse um movimento de resistência – disse ele. depois que prenderem qualquer um que. trabalhadores serão separados de suas famílias… O Império fará qualquer coisa para impedir a possibilidade de um novo levante. – As intenções são boas. Ninguém gosta do Império por aqui.

e sobre quais eram suas intenções em Sullust. – Tentar revidar uma última vez. sob sua própria liderança. Ele tomou a mistura adstringente do fundo do copo e ficou de pé. e Chalis prometera que a campanha ficaria ainda mais extenuante. memórias antigas ainda pululavam na mente de Namir como as faíscas em uma bateria molhada. Namir sabia que os rebeldes não sobreviveriam. ainda assim. Nien Nunb falou rapidamente. – E quanto a vocês? Qual é o plano aqui? Desta vez. proteger Pinyumb do que está por vir. quarteirão a quarteirão através da cidade orbital. Phorsa Gedd.longo da Rota de Rimma. Quatro combatentes rebeldes. sobrevivendo a Malastare e. – Vamos reunir qualquer um que tenha sobrado da Frente Cobalto – disse Corjentain. entre os esqueletos de destróieres estelares. Apesar da clareza que lhe sobrevinha. apenas olharam uns para os outros. com as pernas doendo pelo esforço. Nakadia. trabalhando para destruir tudo por onde passassem. – Eu agradeceria – disse Namir. Não posso deixar que eles realizem batidas em todos os nossos amigos e vizinhos. o que quer que fosse. – Não mesmo – concordou Corjentain. Lá. – Ela sorriu sombriamente. como se confirmando algo há muito acordado. – Não me parece que vocês estejam em condições disso. – Não deve demorar muito. – Mas. Coyerti e Vir Aphshire. A marcha aos Mundos do Núcleo não tinha acabado. eles lutariam dia após dia. O lodo verde. e os dois trocaram algumas palavras antes de a mulher continuar. – Mas podemos tentar levá-lo de volta para a fábrica ao raiar do dia. mas a dor estava mais suportável de certa maneira – ele agora era capaz de pensar ao estudar os mapas rebeldes da cidade. debater com Corjentain sobre onde colocar os atiradores de elite e ouvir as fantasias do garoto com rosto de giz de invadir a prisão imperial. Sullust. Mardona III. . Namir tentou imaginar a Companhia do Crepúsculo saindo de Sullust. Quem sabe. Posso olhar seus planos. protelar sua guerra um pouco mais. finalmente. Seus músculos ainda doíam. – Meu esquadrão veio aqui para a cidade à procura de apoio – ele finalizou. os rebeldes não se consultaram entre si. – Não – concordou Namir. agora. Ele respirou profundamente e tentou analisar os arredores. As diferenças entre eles pareciam gritantes. havia algo de reconfortante sobre a escolha que todos fizeram de fingir o contrário. acalmou a tonteira da cabeça de Namir e esquentou suas entranhas. Aquelas memórias o levaram a pensar sobre os planetas por vir. É o mínimo que podemos fazer. batalhando logo em seguida em Malastare. e era evidente que eles também sabiam disso. vocês também podem me mostrar o que vocês têm. já que vamos ficar presos aqui até o amanhecer. sob o comando de Uivo. uma porção de armas e o que quer que estivesse no hangar de veículos. Ele pensou em todos os planetas que a Companhia do Crepúsculo havia deixado para trás: Haidoral Prime. oferecer uma nova perspectiva. Obumubo e. chegando aos anéis de Kuat.

Quando Corjentain voltou. Pouco antes do amanhecer. Memórias de Uivo e do que Namir tinha ouvido sobre Uivo. Gadren havia dito que o capitão acreditava no sacrifício como sendo a força da Crepúsculo. Ele só sabia como atirar com uma. Ele ainda não entendia como os cálculos do capitão funcionavam – como não resultaram na aniquilação da companhia. ele também não entendia como funcionava uma arma de raios. mas ele entendia as necessidades de suas tropas melhor que eles mesmos – no momento em que morreu. Namir não via outro fim possível. cuidadosa e deliberadamente. Namir rastejou atrás deles sobre suas mãos e joelhos. Namir estivera emulando os propósitos de Uivo. Namir caminhou entre os grandes veículos de mineração no hangar – blocos de metal com furadeiras imensas afixadas neles – e desistiu de dormir. Corjentain saiu para fazer os preparativos para a jornada que levaria Namir de volta à fábrica de processamento. mas sem a substância. Talvez Nien tivesse outras coisas em mente. todo o propósito e a esperança da companhia se foram com ele. os anjos de cinzas acordaram nas alturas da caverna de Pinyumb e flutuaram através das fendas na parede da rocha. Tudo isso passou por sua cabeça contundida e banhada em lodo verde nas horas anteriores à manhã. Mais memórias vieram à tona. Ele perpetuara a vontade de parar o Império. A substância da opressão deve se tornar a substância da liberdade. Suspeitava que não. Namir reuniu a esfarrapada célula rebelde de Nien Nunb e. Por outro lado. – Eu tenho um plano – disse ele. mas sem saber qual era o alicerce sobre o qual essa vontade deveria ser construída ou os métodos que Uivo prezava. Nien Nunb observava e escutava Namir e os outros planejarem. Namir se perguntou se o Sullustano estava em silêncio em respeito a ele. percorrendo o caminho labiríntico até a superfície utilizando suas asas e garras. Brand alegava que Uivo nunca tinha feito algo por um único motivo. perderemos a grande luta. “Nossa meta não é a conquista. e provavelmente sem esperança. A companhia tinha sido enganada. Ele nunca pensara muito sobre o que viria depois de Kuat. Uivo tinha sido um maluco. Mas a Companhia do Crepúsculo. Alguns esquadrões aqui e ali talvez conseguissem se manter intactos.” “Se nossos objetivos se tornarem puramente militares.” Chalis havia dito que os estaleiros de Kuat valiam a pena. a companhia estava disposta a morrer para chegar a Kuat. seria devastada. Assim como os rebeldes sullustanos. Os estaleiros de Kuat realmente poderiam ser destruídos. com apenas os óculos de visão noturna para guiá-lo.” Como capitão. . Ele compreendia o que Uivo quisera alcançar com a Crepúsculo. Talvez nunca tivesse visto. a Crepúsculo encarava uma batalha impossível. mas a alquimia. “Você não entende a escala do inimigo. Deve ocorrer mudança toda vez que a Rebelião entrar em contato com o Império. extinguiu o faiscar de seu cérebro até sobrar somente uma certeza. como unidade.

Mas ela concordou rudemente diminuindo a velocidade e acelerando o passo em seguida. e Namir logo a soltou. com a máscara no lugar e o fuzil em uma só mão. e embora as fendas se estreitassem até as rochas pressionarem sua barriga e suas costas. acima do magma fervilhante. Será que ela ainda estava amarga? Será que ela tinha mesmo chegado a se sentir amarga. – Brand virou e começou a escalar a encosta. Ainda assim. Chalis. Aquilo deveria ser o bastante. – Chalis conseguiu escapar ontem à noite – disse Brand. – Siga os pássaros – disse Corjentain. Deu um sorriso largo quando reconheceu a atiradora de elite da Crepúsculo mirando nele cinquenta metros acima. – E se eu não conseguir sair até lá? – perguntou Namir. Tentar adivinhar o que Brand estava pensando não o levaria a lugar algum. e mesmo assim os túneis o guiaram para dentro do perímetro. Brand não disse nada. – Então você vai ter que esperar até o anoitecer para descobrir a saída. – Você tem mais ou menos uma hora antes de eles pararem de migrar para a superfície. mandando armas cada vez maiores. na verdade. – Assim como Peste. Eles pareciam estar nos estágios finais de preparação para um ataque aberto. – O Império tem nos testado o dia inteiro. Mas ainda faltava uma jornada de meio dia até o pico. A última vez que eles conversaram tinha sido nas entranhas da fábrica. metodicamente trazendo as últimas armas e posicionando as últimas tropas. – Quero o velho esquadrão reunido: você. Ele ficou surpreso com a altura que escalara quando emergiu na encosta da montanha. nem se afastou. – Não me surpreende – disse Namir. ele sentia com forças renovadas. – Nada disso. – Também senti sua falta – disse Namir. – “Finja que já esquecemos Charmoso”. . ele descobriu no constante trânsito dos anjos de cinzas acima e abaixo um estranho conforto. ou ele não a entendera? “Você sempre foi impossível”. Achei que estivessem juntos lá embaixo. eu. Preciso de um favor seu. Algo sobre o espaçoporto. Ela nem retribuiu. – Você poderia reunir todo mundo e encontrar um lugar privativo por mim? Brand não parou de caminhar ou virou a cabeça. dando um tapinha no ombro da mulher em um meio abraço. Gadren. evitando a atenção dos airspeeders e das patrulhas imperiais enquanto as hostes inimigas o seguiam até lá em cima. porém. – Não estou pronto para falar com Chalis – foi o que ele acabou dizendo. E a conversa não terminara muito bem. pensou. O bloqueio do Império tinha avançado pela encosta desde o cair da noite. Não estava sozinho nessa jornada. despretensiosamente. Namir queria conseguir lê-la melhor. Namir nunca fora claustrofóbico. ele queria dizer. disse que encontrou um jeito de ir embora. – Não falta muito para o ataque começar. Namir a seguiu. incentivado por sua resolução recém-descoberta. quando Namir se aproximou da fábrica de processamento. Sem notícias de Tique e os outros. Peste. Ela o encontrou no meio do caminho.

Luzes verdes e vermelhas piscavam num painel acima de sua cabeça e refletiam em sua crista. considerando o que ela devia ter passado para conseguir chegar à superfície. Gadren estendeu as duas mãos esperando que Namir continuasse. mas eles ainda terão mais pessoas. dias antes. As pessoas lá estão aterrorizadas. Peste. como se estivesse relutante em aprovar uma reunião sem antes entender seu propósito. preciso do apoio de vocês. pois tinha sido sua pergunta. Gostemos ou não. se essa campanha toda for bem-sucedida. Lembrou-se de seu último encontro com Brand. – Agora. Ele respondeu delicada e deliberadamente. mas brevemente. tenho feito duas perguntas a mim mesmo: para que estamos fazendo isso? – Ele não olhou para Brand. Um fino arranhão vermelho cruzava seu nariz – um arranhão tão pequeno que era quase risível. Destruiremos os destróieres estelares do Império. Sentimos sua ausência. Namir sorriu amargamente. nós todos sabemos que não venceremos a guerra. eu deveria ter me despedido melhor de Charmoso. Brand estava no canto. Gadren disse: – Ninguém espera que um capitão viva entre seus homens. com as pernas afastadas no chão e as costas na parede. – E o que é preciso para manter a Crepúsculo viva? – E quais as respostas que obteve? – perguntou Gadren. Preciso do apoio da companhia. de certa forma – mas o alienígena estava vendo a Companhia do Crepúsculo como ela costumava ser. e temos muito a discutir. “Sinto muito por tê-los desapontado. Mas. tornamos a vida delas um inferno. e estamos prestes a piorá-la. Namir tinha se retirado também. no entanto. Agora. observava Namir confusa. Pensou em quanto Peste tinha mudado desde sua partida para Hoth. Peste olhava para o chão entre os joelhos. Namir pensou. ela não estava de máscara. Sei que cometi erros. No mínimo. Ele saudou Namir calorosa. com a testa um pouco franzida. Gadren sentou-se nas sombras da pequena câmara de controle de pistões. Brand não reagiu. Mas antes de tudo… Ele se lembrou de Gadren gentilmente o arrastando da cantina em Aglomerado Nove. andando até a porta –. – Não temos muito tempo – disse Namir. mas só dava ouvidos a Chalis. A resistência é fraca. e como ele sentia falta de tudo. Apenas despachar novas ordens de cima não é uma estratégia que vai funcionar hoje. Uivo ficaria orgulhoso: . Aqui ele respirou fundo e continuou: – Então. Gadren estava certo. Von Geiz e os outros. continuar sempre em frente e tentar jogar uma chave de boca na máquina imperial. podemos fazer as malas e ir embora. mas sabemos que é necessário. mas há uma cidade bem grande não muito abaixo de nossos pés.” – Eu sei que as coisas têm sido difíceis ultimamente. mesmo que cheguemos a Kuat. – Não sei se notaram – disse Namir –. Gostaria de ter agido melhor com vocês. quando Uivo era rodeado por Sairgon. mais armas e mais recursos que uma centena de rebeliões. – Obrigado – disse ele. Pelo menos.

talvez signifique que eu não deva fazer parte dessa rebelião. – Eu não tenho resposta alguma – disse Namir. se formos morrer. o alienígena havia colocado os dedos nas duas têmporas. – Não tenho certeza se sou capaz de encontrá-las. – Você fica uma graça quando está sem jeito – disse ela. enfim. qualquer esperança que possa mudar o curso desta guerra para melhor. Talvez isso me torne inadequado para o comando. Foi por isso que. É com vocês que eu me preocupo. Ninguém falou nada por um tempo. – Não vou fazer isso se a companhia não estiver ao meu lado – respondeu Namir. descobrir a fonte de sua confiança afável. – Eu os trouxe até aqui por ter encontrado uma meta que parece digna da Companhia do Crepúsculo. – Claro. Acho que esse foi meu erro. Aposto que o resto dos novatos também estará. Meu coração dói pelos Sullustanos. Essa é a melhor maneira de fazer o certo pela companhia e por todos nela. – Uivo aprovaria isso – disse Brand. Agora já não importa mais. procurara apenas o esquadrão. “Talvez o cálculo invisível de Uivo nos mantenha vivos. Namir queria questioná-la. – No entanto. O sorriso de Peste de tímido passou a sarcástico. Peste sorriu timidamente e deu de ombros. Mas ela já tinha dado a ele o que era preciso. O que importa… – Ele estava hesitante e temia que os outros deixassem de prestar atenção. estou relutante em virar as costas para o plano que vínhamos seguindo. – Gadren? – perguntou ele.” Mas ele não podia prometer isso. voltou a falar suavemente: – Se há alguma chance de nossa missão em Kuat ser bem-sucedida. Se tivesse feito isso. em vez de marchar até os Mundos do Núcleo e cuspir na cara do mal. Ainda assim. Quando continuou. Peste juntou os pés em frente aos quadris e olhou para cima. não acha que devemos à galáxia fazer isso acontecer? . e eu quase chorei quando vi os rostos dos homens e mulheres que forçamos para fora dessa fábrica. – Claro que isso não é nenhuma surpresa para você. Gadren cruzou primeiro um. deveríamos morrer aqui. E as respostas pareceriam óbvias. Tinha a esperança de que eles perdoariam sua falta de jeito e entendessem a intenção. ajudando o povo de Sullust. Não por causa do sangue que derramamos para chegar até aqui. e ele não tinha acabado ainda. Estou dentro. A questão é: acho que é hora de esquecer Kuat. talvez o objetivo tivesse aparecido sem esforço. mas porque… – Enquanto a paixão em sua voz crescia. depois o outro par de braços em frente ao peito. – Agora está tudo no passado. A voz dele soava anormalmente baixa. mas já passamos dessa fase há muito tempo. completamente desprovida de sua alegria de costume: – Pensei muito sobre os povos e espécies que deixamos para trás em nossas missões – disse ele. Acho que. Talvez estivessem esperando para ver se Namir tinha acabado. em vez de se colocar diante de toda a companhia. – Isso é uma votação? – perguntou ela. acontece que por mim tudo bem morrer. Gadren e Brand o observavam. Eu deveria ter me concentrado em encontrar uma maneira de lutar que fosse digna de todos vocês. – Estou dentro. como se estivesse rindo de uma piada interna.

Se soubéssemos que isso era verdade. Brand e Gadren foram espalhar as notícias sobre o plano de Namir. Vou preparar os outros como você recomendou. esse alguém seria Gadren. No entanto. Ela não olhou para cima enquanto empurrava um datapad pela mesa na direção de Namir. quero começar em cinco minutos. E isso divide o risco. – Começar o quê? – perguntou ele. Ela parecia velha. – Uma dúzia de esquadrões vai se dirigir à cidade e roubar naves no porto. eu não teria hesitado um só instante em dar meu apoio incondicional. – Você diz que o resultado final da destruição de Kuat seria insignificante nesta batalha. como se tentasse decidir se valeria o esforço tentar explicar. como hematomas. Verifique a designação dos esquadrões e faça as mudanças que achar necessárias. E ela estava dando ordens para o pessoal dele. As bochechas estavam fundas. e negociar. – Provou sua dedicação à companhia? – Ele deu de ombros. lembrando-o de seu cansaço. tão áspera e falha quanto em Ankhural. Namir tinha vindo com a intenção de convencer Chalis de seu plano. – Acho justo – disse Namir. As palavras de Gadren foram como um golpe em Namir. Ele estava disposto a manobrá-la através de qualquer labirinto verbal que pudesse construir. o alienígena não tinha concluído. que estremeceu. como se estivesse no fio da navalha pelos eventos dos últimos dias. Não é uma Trovoada. – Ela tocou um botão em seu terminal e falou em seu comlink com uma voz mais séria: – Grupos um e três para as suas posições. Metade voltará para cá para tentar recuperar sobreviventes. Mas ele também achava que se alguém fosse apoiá-lo. Os olhos dela estavam vermelhos e rodeados por círculos escuros. Ainda assim. – Vamos. – Mesmo achando que não. Ela fez uma pausa. Como vemos. Os outros partirão para o espaço sob a cobertura da Promessa de Apailana. é a sua palavra contra a da governadora Chalis. você precisa reconhecer que ela é mais apta a julgar o verdadeiro dano que infligiríamos ao Império. Peste. – Chalis ainda não tinha olhado para ele. pois estava analisando uma tela em seu terminal. – Não deveria ser uma escolha difícil – disse Brand. Teremos uma frota de naves mercantis. O capitão e Chalis estavam sozinhos no escritório administrativo. permitindo que soframos algumas perdas sem sermos catastroficamente derrotados. – Evacuação. Chalis parecia não ter interesse em conversar. Mas não agiremos a menos que ela dê a ordem. Ele esperava que alguém trouxesse à tona esse argumento – talvez Brand ou Peste. Sua voz estava mais frágil que nas semanas anteriores. mas não frágil. – Ela já não se sacrificou o bastante? – perguntou Gadren. – Ótimo. – Você voltou – disse Chalis. . ela olhou para ele. mas melhor do que morrer num vulcão. – Você está dando ordens diretas agora? – perguntou ele. lutando para não demonstrar ira em sua voz. Então. se fosse preciso.

– Eu tenho outra ideia – disse ele. – Ela apontou para a porta. Onde eles estão? Uma voz cheia de estática anunciou: – Quatrocentos metros e se aproximando do pico. – Quando eu quero matar alguém. Ele tentou argumentar à medida que ela ia andando em volta da mesa. Mal tinham saído do escritório quando Namir avistou sua salvação. Não havia tempo. Você partirá de Sullust depois que eu partir. Na mão da governadora Chalis estava uma pistola apontada para o peito de Namir. como se aquela declaração terminasse qualquer possível linha de discussão. talvez não. Ele estremeceu de novo. Duvide dos meus motivos mais tarde. Mas ele não via nada da mulher que quase começara a aturar naquela criatura amarga que estava diante dele. – Terceiro compartimento abaixo. – Kuat ainda está ao nosso alcance. Ela estava certa. mas sua voz áspera e quase inaudível o silenciou. Apontou para um lado com o queixo. que parecia ter uma genuína e inexplicável paixão pela arte. avaliou suas chances de pular e agarrar a arma antes que Chalis pudesse puxar o gatilho. – Algumas tropas estão me apoiando. você vai me agradecer. – Você esteve fora – disse ela. Ele já não se importava mais. nunca a vira perder o controle. – Se ficarmos aqui. Namir nunca a vira gritar. e nós dois sabemos que não nos fará vencer a guerra. – Estou feliz que esteja vivo. – Temos que desistir dos estaleiros – disse ele. você viu como é a cidade. – Chalis para sentinela cinco. Seria isso o que estava por vir? – Você é melhor que isso – disse ela. – Difícil agradecer se eu estiver morto – disse ele. . Então ele virou e caminhou para a porta. seguido por Chalis. Os lábios dela ficaram com um cacoete. Chalis tocou em alguma coisa no terminal e levantou lentamente da mesa. Talvez ela tivesse feito essa campanha para vingar-se de seus antigos colegas. – Vão chegar reforços a qualquer momento. essa é a única razão para eles terem recuado num ataque. Quando chegarmos lá. Pouco além da nossa zona de fogo. – Mas o plano vai matar a Crepúsculo. Qualquer laço que tivesse sido construído com Chalis durante os últimos meses agora estava quebrado. com raiva porque ela iria traí-lo. Ele passara do limite com suas acusações no abrigo rebelde. Chalis começou a tremer. – Ela tocou outro botão. Namir olhou para a arma de raios. – Você já viu. quase quieta demais para ser ouvida. Ele não estava mais com raiva. Elas não estavam a seu favor. eu não fico protelando – interrompeu Chalis. mas preciso que você… – Não há tempo. Deveria estar. ele pensou – com raiva pela forma como ela assumira o controle. A mulher que salvara a vida de Uivo. que o aconselhara durante um desjejum. Chalis olhou esperançosa para Namir. – A culpa não é sua – disse Namir. na esperança de que seus olhos transmitissem o resto. podemos fazer algum bem.

Gadren olhou para a mulher. Sua única concessão à retórica foi um esboço rápido do plano para os oficiais da companhia. a previsão que Chalis fizera sobre um ataque iminente se provou correta. – Qual era a fonte? – perguntou Namir. Von Geiz parecia estar quase aliviado e só algumas vozes falaram contra ele – entre seus oponentes estava Carver. Espremida entre todas as mãos de Gadren. dois braços alienígenas absurdamente poderosos agarraram seu punho para cima e para o lado. Chalis olhou com ódio para Namir. Menos de trinta minutos depois de seu confronto com a governadora. oficialmente um não combatente. – Mas a fonte da ordem… Namir olhou para ele. Ou sobre qualquer outra coisa. – Sim. Namir não fez discurso para a companhia. . – Acabamos de interceptar uma mensagem imperial – disse o mensageiro. mas sorriu sarcasticamente mesmo assim. ela ficaria trancada no terceiro compartimento do corredor do escritório administrativo. mas não conseguiu. Era um dos assistentes de Hober. tentou lembrar o nome do garoto. – Prelado Verge – disse o mensageiro. de lado para a porta. Peste e Brand convenceriam os esquadrões com mais facilidade do que ele. Quando Chalis cruzou a soleira da porta. Não tinha fé nas próprias palavras. que chamou Namir de maluco. – O destróier estelar Arauto chegou ao sistema. Gadren. Muito provavelmente. Se as coisas fossem diferentes. Namir tinha se posicionado em cima de uma das torres da fábrica – um ponto de acesso para o maquinário de pistões que a Crepúsculo tinha convertido em posto de vigia –. ele não teria que se preocupar sobre o que fazer com ela depois da batalha. imobilizando-a. com a expressão desolada. – Eu retiro o que disse – falou Gadren. Hober apertou forte a mão de Namir depois do fim da reunião. – O ataque está começando? – perguntou Namir. Namir preferiu não pensar sobre o que seria de Chalis. não numa zona de guerra. senhor – disse o mensageiro. ele estaria a bordo da Trovoada. Por enquanto. Mais duas mãos seguraram a cabeça e a cintura. quando um mensageiro chegou vindo de baixo. – Se devo colocar minha fé num comandante. que ele seja você.

Uns cem metros abaixo. Outro terço da companhia ocupava posições ali. e o restante da artilharia da companhia tinha sido colocada na linha também. As próprias forças da Companhia do Crepúsculo estavam divididas em três linhas principais entre os imperiais e a fábrica de processamento. Se o inimigo . A terceira e última linha rodeava o perímetro da fábrica. um anel de stormtroopers imperiais escalava lentamente. A linha externa não teria como conter o inimigo por muito tempo. detalhara em seu rápido encontro com o comando da Crepúsculo – assim que a primeira onda do ataque imperial começou. remoera em seu cérebro durante a longa jornada pela encosta da montanha e. A linha mais externa consistia em pouco mais de algumas dúzias de tropas posicionadas em esquadras atrás dos rochedos e dentro das fendas na montanha – em qualquer lugar que a paisagem fornecesse esconderijo. finalmente. e funcionaria bem para a Rebelião. A linha do meio. fileiras se aproximavam enquanto figuras com armaduras subiam pela obsidiana. estava entrincheirada em uma vala estreita que a companhia tinha expandido a partir de rachaduras naturais na rocha. algo que os imperiais ainda pareciam determinados a evitar. morteiros e lançadores de míssil leve. Essa linha interna assemelhava-se tanto em forma como em função à defesa que o próprio Império tinha erigido durante a invasão da Crepúsculo. que ficava entre a fábrica e a linha externa. com macrobinóculos agarrados contra o vento. Tinha funcionado bem na ocasião. Airspeeders imperiais moviam-se depressa em volta da encosta em velocidades cada vez maiores. Namir esperava que a trincheira fornecesse cobertura e ao mesmo tempo reduzisse a eficácia dos bombardeiros do Império – era próxima o bastante da fábrica para que o uso de artilharia pesada danificasse sua estrutura. dando tiros rápidos com canhões de raios nas patrulhas da Crepúsculo que recuavam. mas seus soldados haviam preparado algumas emboscadas sanguinárias que certamente deixariam a infantaria de vanguarda do Império cautelosa. C A P Í T U L O 34 P LANETA SULLUST DIA 3 DO CERCO DE INYUSU TOR Os líderes superiores de esquadrão terminaram de transmitir o novo plano de Namir – o plano que ele havia traçado rapidamente com a célula rebelde na noite anterior. Quase um terço da companhia estava posicionada na linha do meio. Ele observou o ataque do topo da torre da fábrica. juntamente com uma pequena porção da artilharia portátil: canhões de raios montados em bases giratórias.

ao passo que desacelerava consideravelmente o oponente. ou que os stormtroopers eram mais bem equipados. Não tinha para onde recuar além da própria fábrica. Era raro a Crepúsculo lutar como uma única unidade. A horda de soldados inimigos de armadura branca parecia cobrir a montanha escura como neve. no geral. Namir não sentia medo. A contínua relutância do Império em simplesmente destruir a fábrica de processamento também era essencial – se os comandantes inimigos escolhessem aceitar as perdas e sacrificar a fábrica para se livrar da presença rebelde em Sullust. Namir suspeitava que apenas a dificuldade da encosta evitava que o Império mandasse os monstros de quatro pernas que haviam usado em Hoth. Namir grunhiu e voltou a observar o fronte. deixando as tropas inimigas vulneráveis ao fogo rebelde. Todas as possibilidades indicavam que o confronto resultaria num massacre. a batalha mudaria de figura em um instante. que eram as tropas levemente armadas do Império. raro que ela precisasse de uma estrita hierarquia de comunicação. O terreno dava à companhia a localização mais elevada e abrigo. – Aquele destróier estelar está se aproximando do planeta – disse Hober. doze airspeeders lançaram pequenas bombas de fragmentação sobre a linha externa da Crepúsculo – os explosivos não eram potentes o bastante para colocar em perigo a fábrica. – Eles sabem o que fazer. menos veículos e nenhum suporte aéreo com que contar. – Por ora? – Hober entortou o nariz. Havia piores maneiras de morrer do que lutando para defender seus camaradas. mas visíveis através dos macrobinóculos de Namir: walkers TE-TT imperiais de duas pernas. na proporção de dez para um. – Como estão todos? – perguntou Namir. Como um só. Namir viu . nem mesmo pelos soldados sob seu comando. que explorava bem as duas vantagens que a Companhia do Crepúsculo possuía. Uivo preferia comandar essas batalhas a partir da Trovoada. mas eram poderosos o suficiente para rasgar a armadura e a pele. não mais poderia mais usar a artilharia pesada. mais bem treinados e estavam mais descansados do que a Crepúsculo. Formas gigantes e vagamente insectoides se moviam desajeitadamente por trás das tropas. separados por trechos de uniformes pretos. Era uma defesa formidável. A Companhia do Crepúsculo tinha menos tropas. Nenhuma vantagem mudava o fato de que a Companhia do Crepúsculo estava com menor efetivo.conseguisse passar a linha interna até chegar aos portões da fábrica. passando ordens e mensagens via comlink. Namir estava contente com o velho e com seus próprios olhos. escondidas por nuvens de poeira amarela. Namir tinha escolhido o velho intendente para agir como seu braço direito durante a batalha. Ainda assim. Mas Hober conhecia intimamente a Crepúsculo e não tinha mais nenhum dever urgente. estudando mapas holográficos com dados do campo de batalha em tempo real e permitindo que os droides mandassem ordens para o tenente Sairgon e para os esquadrões. Pergunte-me de novo depois do combate. O Império deu o primeiro golpe da batalha.

até ali. – Diga aos esquadrões da linha exterior para cessar fogo se necessário – disse Namir – Cedam o território. mas retardariam pelo menos um pouco as forças inimigas. era somente quando Namir se dava . Então as forças imperiais que não haviam sido atingidas no ataque apontaram suas armas de assalto. então deu a ordem: – Abrir fogo. Previsibilidade e precaução eram precisamente o que Namir esperava. Ele podia manter esse tipo de batalha. como o movimento de uma sombra ao amanhecer. gerando pouco dano devido à distância. A linha exterior sabia o que fazer. e agora explodiam. Os imperiais avançavam de forma quase imperceptível. até que as tropas que avançavam chegaram a poucos metros deles. arrastando o corpo de seu camarada. Agora de nada adiantava se arrepender do preço a ser pago. Namir observou pelos macrobinóculos. Antes que o eco das bombas tivesse se dissipado. cada tiro de arma de raios também revelava a localização oculta de um soldado da Crepúsculo. Eles passaram pelas posições abandonadas pela linha exterior e Namir espremeu os olhos com os súbitos flashes azuis e brancos que se seguiram: as minas de íon que sobraram da missão em Mardona III haviam sido recuperadas dos destroços da Trovoada. Airspeeders se aproximaram. foi incinerado pela arma de raios de um airspeeder. fuzis de precisão e canhões nos inimigos recém-revelados. cada tiro acertava um soldado imperial. o dano seria suportável. O fogo cruzado varreu os esquadrões de stormtroopers. Raios vermelhos desciam pela encosta à medida que a linha do meio da companhia disparava contra os agressores. Com o inimigo tão perto. A linha exterior permaneceu inativa. Ainda assim. das defesas da Crepúsculo. Namir imaginou. viu botas brancas marchando sobre pedras negras e fuzis procurando por alvos. As armadilhas não parariam o Império. racionalmente – nem exagerando na mão. Mas os esquadrões estavam protegidos e bem escondidos. estavam dentro de uma margem aceitável. mas lentamente. mandando um corpo pela ribanceira. O Império estava agindo cuidadosamente. O grosso do exército imperial começou a avançar. Ele ouviu Hober falar em seu comlink e observou os esquadrões – ou pares sobreviventes. Por longos minutos. Saraivadas de raios de partículas vindas da trincheira da Crepúsculo desaceleravam os agressores. Dois airspeeders viraram trilhas pretas pelo ar quando os mísseis da Crepúsculo atingiram seu alvo. mas uma batalha campal: baixas ocorreriam rapidamente. ou indivíduos – saírem um por um e recuarem para a trincheira da linha do meio. desviando dos mísseis Plex da melhor forma que podiam e rasgando a montanha com seus canhões de fogo. e forçou as tropas imperiais a procurarem abrigo entre os mortos. a batalha pareceu estar congelada. Lembrou-se de que aquela não era uma operação de guerrilha. e as perdas. nem subestimando visivelmente seu inimigo.centenas de brilhos luminosos entre as rochas e imaginou seus amigos perfurados por estilhaços de obsidiana ou ensurdecidos pelas explosões. Eram apenas as tropas de vanguarda – um teste. Ele se contraiu todo quando um soldado da Crepúsculo. a infantaria imperial avançou. Ele nem precisava ter dito nada. forçando-os a buscar cobertura enquanto subiam a encosta metro a metro.

mas ainda não estava fazendo um esforço final na direção da fábrica. seguidos por pulsos crepitantes de plasma e os rastros de tiros de morteiro. O tipo de combate em curso na montanha não deixava muitos feridos – ou deixava pessoas ilesas ou mortas. Namir não entendeu a decisão até ver as seções inferiores do exército se separarem. O velho médico apenas acenou com a cabeça e voltou para seus pacientes. Os feridos estavam espremidos no hospital de campo improvisado por Von Geiz. um soldado da Crepúsculo revidava uma rápida saraivada para baixo da encosta ou indicava o local para um atirador de elite ali perto. Reagrupar. Os walkers guinchavam enquanto o metal era amassado e rachado. e aqueles que resistiram. – E quanto às equipes da trincheira? – perguntou Hober. talvez a cinquenta metros da trincheira. Os outros rapidamente provocaram estragos entre as tropas. Ele ajustou as configurações nos macrobinóculos e avaliou as forças imperiais. Canhões de fogo foram levados para dentro da trincheira. – Estou descendo – disse Namir. Ele avisou Von Geiz para manter uma arma à mão pois a batalha em breve viria para os portões. e cem stormtroopers mortos não faziam diferença quando muitos mais se seguiam. Até onde os comandantes deles sabiam.conta do passar do tempo que ele conseguia ver as mudanças que haviam acontecido no campo de batalha. onde eram destruídos. abrigando-se atrás das pedras pontiagudas e dos rochedos partidos. Mas o preço foi alto: Namir olhou pelas rochas com seus macrobinóculos e viu esquadrões inteiros queimados e despedaçados no chão. – Daqui por diante. Frequentemente. Isso não surpreendeu Namir. – Eles vão sobreviver – disse Namir. fugiram encosta abaixo ou fábrica acima. Isso fazia sentido. – Alguns deles. disparando em todo airspeeder imperial que . Namir se sentiu orgulhoso deles. abrindo caminho para uma dúzia de walkers de duas pernas que correram pelas rochas. mas eles não eram tantos que a cafeteria da fábrica não pudesse acomodá-los. o Império fez uma pausa. o tempo estava do lado deles. Quantos deles haviam morrido sob fogo amigo da Crepúsculo ele não ousava pensar. Um segundo foi pego na explosão de uma mina de íon. – Diga às unidades internas de artilharia para abrirem fogo. Apenas um foi derrubado pela artilharia antes de chegar à trincheira. Atiradores de Plex e mísseis antiaéreos mantinham os olhos atentos no céu. Do lado de fora. As equipes de artilharia não hesitaram. O Império estava cercando a trincheira apesar da chuva de armas de raios. reavaliar. Ainda assim. Quero aqueles walkers destruídos – disse ele. fugindo dos walkers só para serem interceptados pelos stormtroopers. Raios de partículas vermelhos – rajadas de cobertura das tropas imperiais – passavam por cima da cabeça de Namir enquanto ele andava até a linha. os soldados da Crepúsculo estavam amontoados em volta dos muros da fábrica de processamento. e Namir xingou energicamente à medida que os esquadrões se posicionaram na abertura. poderemos também assistir de perto. Ordene uma evacuação para o perímetro. A infantaria estava se movendo para limpar a linha terrestre que levava à trincheira.

o novato que tinha levado uma faca até a câmara de ar de Chalis depois de Haidoral Prime. Sentia-se em paz. Namir não tinha visto Gadren. de alguma forma. e o jogo de cartas. mas não tinha sentido conservar munição. Corbo. – Deixe para lá – disse Namir. lançava desafios e falava obscenidades. A contagem de mortos poderia esperar. sem ter uma nave para pilotar. O humor das tropas parecia tenso. Seus dedos estavam arranhados e sua máscara de respiração. perguntou se a companhia estava realmente lutando pelo bem dos Sullustanos. mas não deprimido. Ele pediu licença e saiu correndo na direção dela. Tinha que ir atrás da minha equipe. Namir espiou uma figura andando à espreita sozinha por entre as fileiras. alto o bastante para atrair olhares dos esquadrões ali por perto. – Ótimo – disse Corbo. e ele sorria toda vez que lançava as bombas como se fossem doces num feriado. – É isso aí – murmurou Tique. O comandante Tohna. Ele continuou a ronda. – Sobreviver – disse ele. Ocasionalmente. observando os debates. de equipe em equipe. ainda assim. tinha organizado a tripulação de ponte da Trovoada em uma equipe de mensageiros carregando suprimentos para esquadrões necessitando de água ou novos energipentes. mas pareceu certo terminar o pensamento. como se estivesse no Clube. – Cada stormtrooper aqui fora é um que não está revistando os locais. Gritos de aprovação vieram dos arredores. Ele poderia ter parado ali. Ele tentou não pensar em Gadren. – O que a Companhia do Crepúsculo faz de melhor? – perguntou ela. Ela o tinha abandonado em Pinyumb e corrido para salvar seus companheiros que. ganhando ou perdendo. Namir gargalhou. amigos há muito perdidos ou o clima sullustano. Namir estava feliz em ver Tique viva. – Foi para isso que me alistei. mas ela. quase certamente. parecia saudável. A Companhia do Crepúsculo – “A Companhia do Crepúsculo de Uivo”. mas corria a notícia de que ele fora visto cantando nas trincheiras enquanto as bombas caíam. Enquanto um dos engenheiros de Vifra atualizava Namir sobre o cronograma para a próxima fase da defesa.ousasse chegar ali perto. Namir parava para conversar com seus homens e mulheres da companhia. Carver. – A cidade embaixo da montanha está em estado de sítio – disse Namir. coberta em poeira amarela. – Qualquer moedor de carne em que nos metamos pela frente. criando competições pontuais entre os soldados. . tinha conseguido um cinto do inimigo cheio de granadas. já estavam mortos. junto com os suprimentos. com as mãos segurando um fuzil atrás do pescoço. Namir sabia que os atiradores deviam estar com poucos mísseis. Esperava que a companhia comungasse dessa mesma sensação. e continuou sua marcha. Ele não se importou. – Como você conseguiu voltar? Ela deu de ombros. conversando a cada parada sobre tática. pensou – sempre sobrevive. ele também transmitia mensagens de gozação. as risadas. brincou com ele nas duas mãos e disse: – Não estou arrependida. – Tique? Tique tirou o fuzil de trás da cabeça.

olhando para o céu cinza sullustano. Ele verificou os níveis de energia dos fuzis e voltou para o lado de Hober. Só mais um pouco agora. espontânea. vivo ou morto. começou a preenchê-lo. as rajadas de contenção aumentaram em velocidade. Ele tinha ficado fora das linhas de frente por muito tempo. Depois falou de forma que só Hober pôde ouvir: – Quem precisa de airspeeders quando se tem um destróier estelar? Hober acenou lentamente. – Conversei com os engenheiros. e sorriu sombriamente. mas os airspeeders recuaram. E. Namir puxou Hober para que ele se agachasse e observou os esquadrões consistentemente revidarem o ataque. a batalha era a coisa certa. Os feixes de raios se intensificaram. Depois de um tempo. aumentando em tamanho pouco a pouco. . era possível enxergar uma sombra pontiaguda entre as nuvens. Até onde sua visão alcançava. – Vamos para dentro? – Ainda não – disse Namir. – Estão vindo atrás de nós – disse ele. Uma euforia tranquila. Mas chame nossos amigos lá de cima.

O resto desta cidade. “ainda assim não diria nada. Ela tinha se forçado a ficar calma. ela o tirara. tentando soar razoável. ela dissera ao prisioneiro. Ela queria ter mostrado a ele a cicatriz em sua testa. tentando apelar à compaixão de um criminoso assassino. Uma equipe de evacuação de emergência a recolhera em questão de minutos e a levara para a ala de pronto-socorro da guarnição. trocas de tiros em ruas desertas e silenciosas da cidade. Lá. dissera o prisioneiro.” Havia interrogadores profissionais na instalação prisional. Ela lembrou tudo isso. ela tinha passado a manhã inteira tremendo de ansiedade. cortando a funcionalidade do vocalizador. com medo da morte e da dor. torcendo o lábio que sangrava. um prisioneiro desenterrado dos escombros logo em seguida. provavelmente esquecido no meio desse caos. Ela dissera a si mesma que encontraria um jeito de consertar as coisas. tentando descobrir o que os rebeldes estavam planejando. homens e mulheres de meia-idade. “Mesmo que estivéssemos planejando alguma coisa”. Frustrada. Ela queria culpá-lo por seu tio. O franco-atirador tinha errado por pouco seu pulmão direito. suas gentis vibrações fazendo sua rótula zunir através da armadura. Era esse o seu dever como stormtrooper. com olhos injetados e trejeitos suaves. ter listado os stormtroopers que tinham sido destruídos na explosão a bordo da nave rebelde. morrerão por sua causa”. C A P Í T U L O 35 P LANETA SULLUST DIA 3 DO CERCO DE INYUSU TOR Imagens da troca de tiros ainda surgiam na cabeça de Thara Nyende: espiões rebeldes pegos vigiando o espaçoporto de Pinyumb e rastreados até seu esconderijo. pois era mais fácil que pensar na dor. Então. fundindo o plastoide da armadura com sua pele. Não havia tempo para os métodos deles – não quando as batidas já tinham começado e tiros estavam sendo disparados. Não quando os rebeldes poderiam se mover a qualquer momento. apareceu um franco-atirador. “Não mate todos no fogo cruzado”. O capacete tinha sido danificado por um raio perdido. Ela . não. que nunca se associavam com os troopers. “Vocês se alistaram para morrer. Mas nada disso teria ajudado. como SP-475. enquanto droides abriam mais a ferida para administrar bacta e anestésicos.” Ela queria ter gritado na cara dele: “Todos que morrerem hoje à noite. ainda retido numa cela em algum lugar. Ela se lembrava do speeder roncando embaixo dela.

ela acordou de um sonho no qual estava deitada no chão tomando incontáveis tiros de um franco-atirador. A mulher humana e o Sullustano que conversavam estavam parados lá na outra ponta. na parte de cima. tremores das cavernas. Ninguém tinha se incomodado em remover sua armadura abaixo da cintura. Todos os droides tinham sido transferidos para a guarnição meses antes. usava apenas uma bandagem em volta de seu peito. Thara fechou os olhos e tentou não sentir a dor de cada batida do coração. sobre fogos esmeralda queimando ao longo do rio. prisões e batidas na cidade. Ela se obrigou a andar até o corredor. – Você conhecia Corjentain – disse a mulher.havia gemido e implorado para que um de seus camaradas ficasse com ela. Leve uma mensagem a ela: diga-lhe que a clínica está aberta a qualquer um que… Thara cambaleou quando suas botas tocaram o chão. às batidas e aos rebeldes. mas ela se forçou a levantar e colocar os pés para fora da cama. – Não vamos mais fazer isso – disse a mulher. em uma sala iluminada por fileiras de bulbos azuis-esbranquiçados. Eles pareciam saber só um pouco mais do que ela. Em um determinado ponto. certamente. equilibrou-se com um leve toque na cama. Agora ela estava sentada nos lençóis amassados de um colchão duro. Ela já havia sentido terremotos antes. Os médicos no corredor estavam falando novamente. e tentou se concentrar como se aquele fosse o fim da civilização. com uma mão soltando a arma de raios de seu cinto e trazendo o metal frio em contato com a pele de seu ombro e peito. ela foi colocada em uma maca e transferida para uma clínica civil. – Eu quero fazer alguma coisa – disse a voz de uma mulher. um jovem Sullustano checava a bandagem de Thara de hora em hora. Ninguém tinha tirado a arma dela. mas não conseguia se lembrar da resposta dos droides – algo sobre novos feridos chegando. Eles falavam sobre sons distantes de tiros de armas de raios. – Sim – veio a resposta do Sullustano. e aquele não era muito forte. – Não vamos ficar aqui parados. Ela estava tremendo e sentindo arrepios no braço. Ela sabia que tinha perguntado o porquê. A luz azul-esbranquiçada nas paredes de metal fazia o corredor parecer um holograma. As vozes sumiram. e ela podia ouvir vozes no corredor. sobre uma batalha na montanha. Ela vinha escutando o máximo que podia enquanto sua consciência entrava e saía do estado de lucidez. As vozes eram a única fonte que ela tinha de notícias relacionadas ao sítio. – Não há o que fazer – respondeu o jovem Sullustano. trancados em suas residências. e os trabalhadores restantes estavam. Os analgésicos estavam deformando sua memória. – Você está mentindo – disse a mulher. Ninguém ousava tirar a arma de um stormtrooper. A clínica era dotada de uma pequena equipe de Sullustanos e humanos. Ainda assim. Ela tinha sido deixada à mercê das máquinas e de seus pesadelos. – Antes que eles venham atrás de nós. Thara lambeu os lábios secos . mas ninguém podia ser poupado das patrulhas. Quando o prédio sacudiu.

– Não me interessa o que está acontecendo lá fora – disse Thara. Ela tentou soar o mais autoritária que pôde: seminua. . Os dois médicos se viraram. drogada e incerta de sua própria identidade. com total terror em seus rostos. – Como este lugar está sob minha proteção – disse ela –. ele ainda pertence ao Império.e ergueu a arma.

ela se levantou e verificou seus arredores tentando descobrir a fonte do ruído: uma speeder bike acelerando pela encosta. ela observou a cabeça do capitão queimar. – Você fez a mesma coisa há pouco – disse Namir. Não incomum serem todos concomitantes. com os joelhos puxados contra o queixo e esperando que alguém viesse atrás dela. Corriqueiros entre as autoridades imperiais. – Ela está com uma carga completa de equipamentos e uma speeder bike. Ela sentia falta de ser caçadora de recompensas. comércio de escravos. – Está se divertindo? – Estou – disse Brand. aumentou a imagem do veículo no display de sua máscara. C A P Í T U L O 36 P LANETA SULLUST DIA 3 DO CERCO DE INYUSU TOR Brand olhou para o rosto do capitão do Exército Imperial. O rifle transmitiu os dados de distância para sua máscara e. – Você perdeu a Chalis. Ela imaginou uma lista dos crimes do capitão: corrupção. – O quê? Na encosta. Ela precisaria acompanhar o alvo. porte de especiarias. mas speeders também. aumentado pelo zoom – jovem. compensou a velocidade e tentou rastreá-lo. Não sei como ela passou a linha de frente inimiga. quando ouviu o zunido agudo e distante de pulsores de plasma por trás do som do vento. Não seria um tiro fácil. ela errou a mira da speeder bike. – Estamos meio ocupados aqui em cima – disse ele. Reconheceu o piloto e xingou por dentro antes de abrir um canal de comunicação. – Sargento – disse ela. . Mas ainda assim poderia acertar. Ela balançou o tronco na beirada da fenda. – Ela escapou – disse Brand. apoiou as botas contra a rocha e mirou seu fuzil. posicionada no alto da montanha. A voz de Namir veio em meio à estática. Ela piscou. Mas trabalhar sozinha atrás das linhas inimigas. – Precisamos conversar. agressão. cabelos pretos. então firmou mais o fuzil. olhos azuis. Raios de partículas eram rápidos. Arriscando ficar exposta. traços finos – e puxou o gatilho de seu rifle de precisão. Quando alguém revidasse. tentando julgar para onde a speeder estava indo. era quase tão bom quanto. Brand estava espremida no meio de uma fenda estreita. ela já teria descido de seu lugar em meio aos rochedos e se arranjado em um novo esconderijo. eliminando a oposição um por um.

Namir xingou suavemente e disse: – Deixe-a ir. A speeder bike e o raio de partículas embaralharam-se e convergiram descendo a encosta. pensou Brand. Ele tinha chegado muito perto. e ela não sabe de nossos planos. “É justo”. Um. – De volta à caça. fez cara feia por ter errado. – Provavelmente está indo para a cidade. ela nunca confiara no julgamento de Namir sobre a governadora. mas pensou que era melhor assim. só observando. Ela terminou de puxar. A speeder desviou desajeitadamente. muito tarde. Namir não disse nada. sentiu o coice do fuzil. Você tem outros alvos. teria quatro segundos até o tiro. – Viva ou morta? – perguntou. Começou a puxar o gatilho. A rocha da fenda apertava o peito de Brand enquanto ela ficava parada no lugar. – Entendido – disse Brand. viu o cano fumegar. O raio errou. . mas nunca compreendera de verdade os crimes da aristocracia imperial. Ela gostava de Namir. De qualquer forma. Se ela mirasse corretamente. mas não poderia esperar por ele. Ela manteve o fuzil posicionado como estava e olhou para a speeder bike novamente. Dois. mas recuperou o equilíbrio. Três. Ela desligou o comlink.

tamanho o barulho dos lasers e das rochas estilhaçadas. – Por quanto tempo eles conseguem sobreviver desse jeito? – perguntou Namir a Hober. . acompanhada por esferas luminosas de bombas de prótons que também rodeavam a fábrica de processamento. Mesmo através do filtro da máscara de respiração. esburacando a encosta negra e transformando pedra em vidro estilhaçado. Namir viu um esquadrão de soldados que estava próximo começar a se afastar do pico. C A P Í T U L O 37 P LANETA SULLUST DIA 3 DO CERCO DE INYUSU TOR A infantaria e os airspeeders imperiais mantinham distância da fábrica enquanto o destróier estelar descia. Luzes vermelhas e verdes piscavam a seu redor. Em vez disso. o fogo de laser parou. Namir sentiu uma onda de calor subindo em seu rosto e tentou se proteger com um braço. o destróier estelar estava atirando em três novas sombras que desciam por entre as nuvens: uma prateada e duas que eram meros pontinhos. Mas. As poucas patrulhas e atiradores de elite que rondavam os pontos mais altos do pico rapidamente recuaram para o perímetro mais interno ou foram desintegrados pelos tiros atomizadores dos lasers. o ar queimado tinha cheiro de enxofre e ozônio. A Promessa de Apailana e seus X-wings tinham retornado. Quão perto o inimigo poderia atacar sem destruir o complexo. O motivo ficou claro quando as primeiras explosões de turbolaser esmeralda choveram do céu na direção da montanha. e a batalha acabaria em um piscar de olhos. maior que o sol tênue e distante de Sullust e perto o bastante para exibir as linhas de sua base metálica. Namir levantou o olhar para o céu cinza e riu. Namir se perguntava. um instante depois. mas os disparos das armas não mais miravam o chão. ele morreria junto com o resto da Crepúsculo. Se julgasse equivocadamente – se os atiradores do destróier estelar pudessem vaporizar as tropas sem tocar na fábrica –. Quão precisos seriam os sistemas de mira do destróier estelar? – Eles estão em posição! – gritou Hober no ouvido de Namir. sentindo o ar chamuscado queimando suas narinas. A ponta escura do destróier estelar agora estava abaixo da camada de nuvens. Ele mal podia ouvir o intendente. – Mantenham as posições! – gritou Namir. A chuva esmeralda cercou as tropas. olhando na direção da entrada da fábrica.

Namir caminhou pela linha e gritou várias ordens. – Vai ser humilhante. Ele arriscou uma olhada para o céu e viu o brilho constante da batalha a laser entre o destróier estelar e a Promessa. Eu sei – murmurou Tique. talvez. – Também não temos muito tempo aqui. que levantou cinco dedos. – Se eles sobreviverem por mais tempo que nós… – começou ele. todos eram lançados montanha abaixo a partir das armas de raios e da artilharia da Crepúsculo. Mas as habilidades ou a boa sorte que os havia permitido sobreviver ao contra-ataque da Crepúsculo até então não os protegeu por muito tempo mais – Namir abriu um buraco no peito de um. e assim que as tropas morriam. Eles precisavam segurar mais cinco minutos. alguns caindo perto de seus alvos e outros destroçando esquadrões de soldados da Crepúsculo. – Fomos capazes de enviar e receber sinais. A partir dali. Esse não era o tipo de coisa que um comandante deveria dizer. mas Hober gargalhou amargamente. Mesmo assim. Ali. tais armas teriam conquistado o planeta. reunindo todo o poder de fogo da Crepúsculo para enfrentar o inimigo. Cinco minutos. Os morteiros imperiais chiavam. seu primeiro tiro na batalha. Alguns foram abatidos em segundos. Soldados ergueram-se sobre os rochedos onde estavam abrigados ou correram poucos metros pela encosta. O Império não mais retinha partes de seu exército. Namir olhou para Hober. mísseis faiscantes. Uma explosão ensurdecedora projetou Namir para frente quando um morteiro explodiu atrás dele. mas a súbita ofensiva forçou a infantaria imperial a diminuir o passo. a única opção de recuo seria para dentro fábrica. sentiu a pele rasgar assim que os joelhos caíram no chão e ele enterrou a cabeça e . Se recuassem um pouco mais. O resto do comentário dela se perdeu – Namir só ouviu a palavra “naval” e uma série de palavrões. As forças imperiais encosta abaixo continuaram avançando – alarmadas. Ele deu outro tiro e sentiu o fuzil pulsar. À medida que os stormtroopers marchavam sobre as rochas ainda fumegantes. os esquadrões estariam na estreita plataforma que havia entre o pico e as paredes da fábrica. – Não tenho certeza – disse Hober. As primeiras tropas imperiais chegaram ao pico. Uma barragem constante de raios de partículas reluzia sobre Namir e ele começou a percorrer as posições da Crepúsculo engatinhando pelo chão. Namir permitiu que a companhia abandonasse o perímetro que havia conquistado. Namir se viu ombro a ombro com Tique. pulsos de luz. explosivos. Namir gesticulou para que os esquadrões avançassem. mas não conseguimos manter um canal aberto. Os esquadrões da Crepúsculo que tinham avançado começaram a perder terreno quase que imediatamente. Ele caiu contra as pedras. Em troca. Em Crucival. mal eram o suficiente. raios vermelhos e alaranjados de energia. isso queria dizer que a linha interna tinha começado a ruir. Meu palpite? Não muito tempo. outras assumiam seus lugares. usando um fuzil que esquentava muito rápido para disparar raios contra as equipes de stormtroopers que haviam ficado vulneráveis. pelos reforços aéreos da companhia e preocupadas com quais outros truques os rebeldes ainda poderiam revelar. – Está tudo bem – disse Namir.

o capacete em seus braços. Vifra dera de ombros. um urro de triunfo. “Não é assim tão difícil.” “Mas eles vão fazer isso?”. É para isso que metade das ferramentas aqui são feitas. Os engenheiros tinham avisado mais de uma vez que qualquer túnel que criassem seria instável. finalmente. A maior parte dos rios de lava emergiu abaixo do nível do exército imperial. Na montanha. berros desesperados e. Namir observava a lava sendo cuspida das bocas de túneis recém-escavados. Ou pegos no fluxo. As chamas subiam onde a lava tocava arbustos ou cadáveres. Depois. posicionados atrás das linhas inimigas. Você nos disse para sermos ambiciosos. Vifra meneou a cabeça. A estratégia poderia acabar virando a favor do Império. Vifra prometera antes de Namir partir para Pinyumb. ele duvidava que pudesse sobreviver a outra ferida na cabeça. Namir perguntara. indicando que sim. Mas não acho que metade das equipes de escavação sobreviverá. e eles terão uma morte bem ruim. aterrorizados e tentariam atacar a Companhia do Crepúsculo com fúria renovada por conta disso. Posso fazer a montanha cuspir suas entranhas para todos os lados. mas isso já era esperado. . Fluxos adicionais jorrariam mais próximos à base da montanha. Namir tinha dito. Os imperiais não teriam para onde recuar. Mas encurralar o exército inimigo com a Crepúsculo não era o único propósito da lava. e estamos sendo ambiciosos. e fugiram correndo do calor direto para os tiros da Companhia do Crepúsculo. Namir tinha mandado uma dúzia de equipes de escavação para dentro da montanha. Ele não viu quem. mas viu Hober em sua visão periférica oferecendo um aceno. Alguém o puxou pelo ombro. “Primeiro. Veículos de transporte. – Agora – disse Namir. junto com mais alguns outros que localizaram na própria fábrica. vendo a montanha começar a queimar. comemorações. “Vai funcionar”. ainda mais se a montanha estivesse sob bombardeio. propenso ao colapso se perfurassem no tipo errado de rocha. Sentiu-se sortudo por não ter rachado o crânio. e as equipes de escavação da Companhia do Crepúsculo não eram as únicas equipes de escavação operantes.” “Você não quer fazer isso”. Logo a lava envolveria quase completamente as partes mais altas do pico. Ele ouviu gritos. A decisão estava tomada. Eles usaram os mesmos veículos que tinham roubado dias antes para infiltrarem a fábrica de processamento. Estariam desmoralizados. olhou para a encosta abaixo. rapidamente deram a volta. Arrastando-se para frente. Os soldados mais acima na encosta gritaram em pânico. Acho que você está pedindo a eles para morrer. podemos canalizar o magma para incinerar o inimigo. Serão enterrados vivos. precisamos construir uma defesa contra qualquer equipe de escavação imperial que tente entrar na fábrica do jeito que entramos.

com um sorriso mais tranquilo. sabiam quem poderia ir embora primeiro e quem ficaria para trás para dar cobertura. – Vamos tentar não descobrir. e ele suspeitava que isso não era o que ela queria. mas não era disso que ela precisava. ok? – perguntou Namir. mas não esperávamos nenhuma mesmo. – Fique bem. – Não – disse Namir –. uma mão poderosa segurou seu ombro e uma voz declarou em um grave mugido: – Quando a própria natureza se volta contra nossos inimigos. Demos a eles todo o suporte que podíamos. fuzis de raios sugavam muita energia. Namir se separou de Hober em algum momento durante a retirada e recuperou o fôlego atrás de um elevador de carga revirado de modo a bloquear a boca cavernosa da entrada leste da fábrica. golpeavam os soldados da Crepúsculo com a coronha de seus fuzis antes de tomarem tiros. como podemos perder? Ele se virou e viu Gadren de pé. – Vocês dois vão se dar bem. Gadren concordou. E eles cumpriram seu dever enquanto as tropas de armadura branca jogavam granadas e os lança-chamas espalhavam a morte numa tentativa de fazer a Crepúsculo se dispersar. só poderão culpar a si mesmos por isso. acima dele e sorrindo de orelha a orelha. estavam em Peste. arqueados sobre as rochas do pico. no entanto. esconder-se nas entranhas da fábrica até que a batalha terminasse. meu amigo. com um ombro inexplicavelmente coberto por uma ombreira de stormtrooper. Enquanto trocava o energipente de seu fuzil. dando um tapa no braço de Gadren. Parte dele queria oferecer a ela uma chance de fugir. Namir sinalizou para que recuassem. esquentavam muito rápido para parar cada inimigo que subia pela encosta. observando os esquadrões passando e assumindo novas posições. Derretemos seus carcereiros e encurralamos o exército local aqui em cima. Namir esperava que a célula rebelde conseguisse mobilizar o povo de Pinyumb. e se perguntava se estaria vivo para ver se essa parte do plano iria funcionar. – Nos vemos mais tarde – disse Gadren a Namir. Peste estava logo atrás do alienígena. e os esquadrões abandonaram a artilharia portátil e os camaradas moribundos para voltar aos portões da fábrica e percorrer o labirinto de barricadas da companhia. A comemoração da Crepúsculo terminou quando os imperiais redobraram a força dos ataques. Destruir meia dúzia de estações de vigia imperiais com lava parecia uma boa forma de começar uma revolução. Os esquadrões sabiam que o recuo fazia parte do plano. Ela trocou o peso rapidamente de uma perna para outra. Seus olhos. Foi para trás do labirinto. . A célula rebelde de Nien Nunb não tinha muito acesso a armas ou força de trabalho. Se eles não puderem organizar uma rebelião agora. Peste pegou um dos braços dele e puxou gentilmente. Os stormtroopers. – Podemos ir? – perguntou ela. A retirada foi bem ordenada e rápida. enquanto outros se empoleiravam no telhado. A pressão de corpos se tornou muito intensa para a companhia. – Alguma notícia de Pinyumb? – perguntou Gadren. Mas tinha em sua posse veículos de mineração.

O desgaste estava começando a pesar na horda antes massiva que tinha subido a montanha. Mesmo a destruição total da fábrica não era mais uma opção – a não ser que o Império estivesse preparado para sacrificar tanto a fábrica como seu exército agora encurralado. A batalha aérea não podia. Aquele era o tipo de batalha que ele tinha lutado desde criança. Namir atirou contra a saraivada de raios até que seu fuzil teve toda a energia drenada. a infantaria imperial seria forçada a afunilar por entre os labirintos. uma dúzia de imperiais morria também. Enquanto essas unidades não pudessem atacar. quase certamente. os soldados percebiam que realmente podiam vencer. Mas mesmo esse cenário. Para cada membro da companhia que morria. Embora os esquadrões recuassem e os soldados morressem. Os esquadrões da Crepúsculo pareciam compreender instintivamente o sucesso que estavam obtendo – os gritos de encorajamento e triunfo aumentavam à medida em que. Os moradores de Pinyumb tinham preocupações mais urgentes. A batalha em solo poderia ser vencida. A maioria dos que tinham sobrevivido à escalada até o topo da montanha eram stormtroopers. direto para as entradas da fábrica e as zonas de morte criadas pela Crepúsculo. Pouco antes do par desaparecer de vista. juntos. e Namir não tinha mais cartas para jogar. As barricadas improvisadas pela Crepúsculo não duraram muito contra a barragem de tiros de raios e granadas. Namir observou os dois indo para longe e se esforçou para controlar suas mãos trêmulas e a respiração subitamente irregular. ele olhou para o céu e viu a batalha distante entre o destróier estelar e a Promessa de Apailana. Ele estava deitado sobre a plataforma metálica que levava ao portão da fábrica. . trocou para a pistola da cintura e continuo atirando até que alguém lhe jogou outro energipente. ainda que eles pudessem virar suas armas para o destróier estelar. Era concebível que a célula rebelde tomasse os canhões de defesa da cidade. a Crepúsculo não abdicou da entrada. Namir estava orgulhoso disso. já seria tarde demais. então se levantou de joelhos só por tempo suficiente para avistar um inimigo e puxar o gatilho. – Você também – disse Namir. lutar era tão natural quanto respirar. não ocorreria a tempo de salvar a Crepúsculo. Os esquadrões no teto da fábrica haviam recebido a tarefa de manter ocupada a artilharia portátil do inimigo e a equipe com armamento pesado. À medida que os esquadrões perdiam sua cobertura. dando um aceno de encorajamento. Quando Namir recuou do elevador de carga agora em chamas para o corredor principal da fábrica. Ela piscou de volta. Peste levou Gadren até a formação. e Namir começou a rir. Para ele. mas os próprios destroços ajudavam a atrasar o inimigo. Ele se forçou a sorrir um pouco. e foram eles que começaram a lutar para entrar na fábrica. embora os stormtroopers continuassem vindo. Peste olhou para ele. recuavam para a retaguarda e deixavam a próxima fileira de equipes tornarem-se a vanguarda da defesa.

ele obliteraria todo o topo da montanha. Namir teria dado o seu melhor. E morreria com um sorriso e um grito de guerra. Assim que a Promessa fosse destruída. Ainda assim. O prelado veria que o exército imperial tinha falhado. A menos que um milagre acontecesse. o destróier estelar voltaria sua atenção para a fábrica de processamento. Teria honrado o espírito da Companhia do Crepúsculo. . Se daria conta de que poupar a fábrica não era mais possível sob quaisquer circunstâncias.

mas bastante sensatas. “Barcel”. senhor – disse Barcel. embora improvável –. dando um aceno de permissão para falar. pensou Tabor. mas jovem o bastante para ser perdoável. A chegada da espaçonave de combate rebelde o deixara contente – ele tinha previsto isso como uma possibilidade. de repente. Verge caminhava por cima das bases de controle e passava comandos para os atiradores.” Verge olhou de soslaio para trás. e Tabor já tinha visto piores comandantes em campo. – Fugindo da lava. Tabor riu e viu um sorriso de aprovação de Verge. viu os X-wings piscarem em nuvens de faísca e fumaça. as ordens do garoto eram desnecessárias. imagino – disse Tabor. – Há uma nave auxiliar levantando voo de uma das estações de transporte – disse Barcel. C A P Í T U L O 38 P LANETA SULLUST DIA 3 DO CERCO DE INYUSU TOR Fazia muito tempo desde a última vez que o capitão Tabor Seitaron saboreara a vitória. senhor? Capitão Seitaron? Tabor virou com expectativa para o oficial de comunicação. Tabor não interferiu. mas transformar a lava de Inyusu Tor em uma arma veio como uma genuína surpresa. e eles não tinham o poder de fogo para serem mais do que irritantes. a empolgação tensa de. descobrir o ponto fraco do inimigo. – Ela está transmitindo códigos de autorização? – Sim. Enquanto Tabor ficava parado no centro da ponte. a Arauto poderia despejar um novo batalhão de infantaria para reforçar o exército devastado e encurralado no pico e auxiliar as forças que sufocavam a pequena rebelião em Pinyumb. Assim que a espaçonave de combate e seus caças tivessem saído de cena. A governadora Chalis e seus aliados eram mais inteligentes do que ele esperava. Não que o resultado estivesse em jogo. . O próprio Verge demonstrava nervosismo e avidez. mas também não o eram as naves do inimigo. Ele observou o céu cinza pela escotilha da ponte da Arauto. – Prelado. muito ansioso. a preciosa fábrica de processamento de minerais do governador sullustano seria salva e o prelado Verge recuperaria o objeto de seu desejo. O destróier estelar não era feito para manobras atmosféricas. Ele havia se esquecido da euforia de uma batalha decente: o prazer em incentivar e dar ordens a uma tripulação orgulhosa e dedicada. na direção do rapaz. O cerco seria destruído. – Aqueles em que você pediu para ficar de olho. “Rapaz competente.

ela tinha vindo sozinha. como Verge claramente acreditava. um tolo duas… mas ninguém cai na mesma armadilha três vezes. transmitam imediatamente a mensagem. Eles tinham assistido a Verge torturar seus colegas. Depois de um instante. vamos nos encontrar na doca da nave auxiliar. afirmar severamente que. – Eu não esperaria muita coisa deste enfrentamento. antes que deixe a atmosfera. Tabor fez uma careta e deixou a escotilha para andar ao lado do prelado. Tentar uma terceira vez – para fugir da própria batalha em uma nave auxiliar – parecia um ato extraordinário de arrogância. prelado – disse Tabor. Mas parou quando viu que Tabor não o seguia. – Finalmente o inimigo – murmurou Verge ao embarcar no elevador. Mantenha-a intacta. A governadora Chalis tinha usado seus códigos de acesso para abordar um transporte imperial no sistema Redhurne. por favor. – Era quase um apelo. haviam cuidado de Tabor quando ele ficara doente após uma mudança na dieta. – Estou com meu comlink – avisou Tabor aos controladores. Tabor havia começado a apreciá-los durante seu tempo a bordo da Arauto. e ficavam do lado de fora do centro tático em seus . Um de nós deveria ficar aqui. como uma criança faria ao seu pai. Quero você ao meu lado. mas o garoto só balançou a cabeça e apertou o ombro de Tabor. – Você não precisa de mim para isso. Verge tinha achado um tanto curioso que Tabor houvesse pedido a dois troopers da frota que os acompanhassem por segurança: Zhios e Cantompa. Mas ele conhecia Verge bem o bastante para imaginar o que o garoto pensava sobre respeitar os subalternos acima de qualquer coisa. – Traga a nave auxiliar com um raio trator – disse Verge –. se Chalis fosse a passageira. Permanecer como testemunha era uma questão de respeito. ele não poderia sair andando. – Assim que alguma coisa mudar. – Você realmente acha que somos necessários nessa batalha? Nosso verdadeiro triunfo está no hangar. Ele temia que o prelado ficasse irritado. – Você acha que ela sabe que o fim dela chegou? Será que ela reconhecerá que sua própria falta de lealdade inevitavelmente a levou ao fracasso? – Ela é uma rata das mais baixas. Scanners mostravam apenas uma forma de vida a bordo. O raio trator havia trazido a nave auxiliar para a terceira baia do hangar. Os rebeldes tinham usado esses mesmos códigos para enganar o bloqueio de Hoth. enquanto homens estivessem morrendo sob seu comando. Mesmo a vitória tinha um preço. – Que isso seja uma lição para todos vocês – gritou Tabor. havia baixas ocorrendo lá embaixo. – Você pode enganar um homem sábio uma vez. em nome do imperador. e embora a Arauto fosse imbatível. Ele manteve a voz baixa ao falar. Tabor queria recusar. – Então vamos fazê-lo valer a pena – disse Verge –. Verge não tinha nem terminado de falar quando começou a caminhar a passos largos na direção do turboelevador.

uniformes pretos e capacetes por horas sem fim. mas controlou a irritação. e Verge levou Tabor para dentro do hangar – o mesmo. Os guardas estavam com seus fuzis apontados para a entrada. Tabor pensou. Pelo menos. – Perdoe-me a indumentária – disse a governadora Chalis. batiam com as memórias de Tabor. como se ela pudesse enganar alguém de que não tinha nascido nas entranhas de um fim de mundo colonial. embora as botas não combinassem. você deve ser um indivíduo extraordinário para ter ganho um novo título do próprio Palpatine. De maneira lenta e quase cerimonial. quando a escolta de Tabor entrou na frente deles pela porta de hiperaço até a doca da nave auxiliar. Ela virou levemente os quadris. Ele já tinha esquecido o sotaque dela – aquele coruscanti terrível. em um gesto que poderia significar tanto rendição quanto boas-vindas. A nave auxiliar lá dentro já tinha baixado sua rampa de embarque. com as palmas das mãos para cima. a passageira da nave auxiliar desceu. Tabor recordou. e Tabor viu que havia um círculo de tecido gasto e queimado na altura do tronco. – Mas sem dúvida um dos homens do imperador. mas Tabor não conseguia imaginar por que ele havia se esforçado tanto para alçar Chalis na hierarquia imperial. de quando ele desembarcara a bordo da Arauto. mas um prelado. Os braços estavam abertos. – Eu queria manter minha mente ativa… – começou ele. – Eu tomei emprestada de um de seus homens para acessar a nave auxiliar. ou vizir. Sua amante deve estar com ciúmes. “Assassinar um homem e depois fazer pouco caso disso…” – Não um dos meus homens – disse Verge. – Chalis cortou Tabor e virou para Verge. A marca de um tiro de raios. – Realmente – continuou Chalis –. mas ela parecia magra e abatida. Não foi nomeado moff. de forma geral. Ela usava o uniforme preto de um capitão do Exército Imperial. – E você deve ser o prelado. ministro. Ele endureceu e fez uma carranca. o prelado não estava rindo abertamente. – Você acha que ela sairá atirando para todos os lados? – perguntou Verge. – Capitão Seitaron – disse ela. Mais uma traição para sua lista. Mas Chalis foi primeiro na direção de Tabor. exausta apesar do sorriso cruel que cruzava seus lábios. Um dos homens avisou que estava tudo limpo. O conde Vidian fora um homem inteligente. Ele se incomodou com a interrupção. “… mas você dificilmente me deu a oportunidade”. com todos aqueles deveres e responsabilidades. olhando o garoto de cara séria dos pés à cabeça. Os traços dela. com os olhos arregalados em surpresa exagerada. . eles mereciam compartilhá-la. – Você deixou sua aposentadoria de lado por mim. Tabor confiava neles – e se havia alguma honra na captura final de Chalis. ele pretendia finalizar. – Imagino que um pouco de cuidado não faça mal algum – disse Tabor. exagerado e escolar. Uma máscara de respiração estava pendurada sem uso no pescoço.

ela não se levantou novamente. perdeu sua jocosidade e baixou uma oitava. Vim até aqui fazer uma oferta. – Uma oferta? – disse Verge. – A única coisa que lhe diz respeito – disse Verge – é que sou o agente de nosso imperador neste lugar. e Tabor viu o corpo do garoto tremer. nada aconteceu. suas vulnerabilidades. Chalis gargalhou. – Aprendi mais que qualquer espião sobre os trabalhos internos da Aliança Rebelde: sua liderança. Embora os dois mirassem suas armas para Chalis. . Chalis parecia pequena e enrugada no chão. – Conceda-me um perdão pelos meus crimes e vou dividir tudo isso com vocês. O tremor de Verge aumentou. fazendo uma meia reverência. e ouviu o mais baixo dos cliques. cravando seus dedos nas bochechas e queixo dela – como se ele pudesse arrancar o rosto dela tal qual uma máscara. Verge não parecia ouvi-lo. Chalis resfolegou de dor. ele deu um passo à frente até Chalis e esticou a mão. Você não foi boa com nosso senhor e mestre. – Eu o parabenizo por ter me levado à derrota. – A voz de Chalis. E com sua derrota. – Já que insiste. Tabor percebeu que sua própria mandíbula estava dolorida e tensa. Os músculos dele pareceram relaxar. Olhou para seus guardas e viu que eles também temiam o que o prelado podia fazer. subitamente. “Segurem-na”. Casual e confiantemente. Tabor quis gritar. – Eu peço desculpas – disse Chalis. Verge deu só um passo à frente. Ele a viu com o polegar flexionado. Ela enfiou uma mão num dos bolsos da calça e retirou um dispositivo pequeno e chato com um único botão. – A voz dela agora estava rouca e falha. seus olhos estavam em Verge. chacoalhando a mão como se tivesse encostado em lama – não precisa de uma mulher como você. mas e se a raiva de Verge crescesse demais. seus planos. De uma só vez. mas não lutou. se não fosse por uma aspereza gutural. Tabor não tinha certeza se Verge tinha entendido a zombaria. mas já era tarde demais. Foi quase um sussurro. eu me provei merecedor de um lugar junto a Vader. prelado – disse Tabor. não é? É verdade que você construiu um templo para ele em Naboo? Que gosta de tomar choques à noite para ver se você aguenta o que ele teve de aguentar para conquistar aquelas cicatrizes? Talvez se você usasse uma máscara. Quando Verge a lançou rolando pelo chão. um som que seria leve e alegre. e se ele descontasse em outros…? – Você não precisa ouvir isso. ele te trataria mais como Vader. O garoto olhava Chalis com desdém. – O imperador – disse Verge. Por um segundo. Tabor não sentiu pena dela. o tremor de Verge parou. – Você foi muito esperto em se autodenominar o servo favorito do imperador. Seus lábios estavam entreabertos e ele respirava longa e ruidosamente. olhando para cima com um rosto marcado por cortes superficiais. A ideia do que Verge poderia fazer com Chalis não era da conta dele – será que ela estava querendo provocá-lo para receber uma morte rápida? –. como se sua própria existência fosse uma afronta pessoal.

para os motores. para falar de uma maneira condizente com um capitão imperial. Eles correram juntos para a porta do hangar. Mesmo vinte bombas não causarão dano. tentando organizar seus pensamentos. como se a explosão de íons tivesse quebrado seu corpo também. que não abriu. O deque tremeu novamente. Os guardas removeram o painel de controle e procuraram uma maneira de ativá-lo manualmente. É claro. ele ouviu só a risada gutural de Chalis. Os sistemas da Arauto eram incrivelmente blindados. de repente. Quando a luz se dissipou. Um terrível cheiro de metal e plastoide derretidos fizeram Tabor engasgar e ele teve que proteger o nariz com a manga da camisa. “Por que você fez isso?”. Todos os equipamentos vitais são blindados.” – Estamos na atmosfera – disse ele. Ele fez um esforço para se recompor. Leve-nos de volta à orbita. Qualquer mínima perturbação… – Destróieres estelares eram embarcações extraordinárias. “Qual é a vantagem para você além do derramamento de sangue?” Será que ela realmente queria dar a própria vida pela causa rebelde? . Tabor queria gritar com Chalis. Mas sua massa era medida em milhões e milhões de toneladas. dando um toque no comlink. Até que finalmente as palavras vieram até ele. envergonhado com o próprio tom de urgência. Tabor balançou a cabeça. Arcos de eletricidade começaram a saltar de sua superfície e a doca onde estava a nave começou a ecoar sons de faíscas e corrente elétrica. capazes de arrasar montanhas e carregar exércitos. pontos vermelhos e verdes flutuavam dentro dos olhos de Tabor e ele começou a piscar fortemente. Então a nave auxiliar pareceu flamejar com uma aura ofuscante de luz azul-esbranquiçada. Por que não era verdade? “Pense. – Uma bomba de íons – murmurou. tentando clarear a visão. e a energia requerida era imensa. Ela estava com as mãos e joelhos no chão. – Cerca de vinte delas – disse Chalis. O deque tremia abaixo dele e o casco da Arauto parecia gemer. – Transfira todas as armas e força auxiliar. – Precisamos recuar imediatamente – disse. – Tudo o que tinha sobrado na Crepúsculo. Em resposta. olhando para Chalis. ficou ressecada. Verge olhou em volta. Verge permaneceu imóvel. assim que seu cérebro idoso e atordoado percebeu o que tinha acontecido. Ruídos de estouro emanavam dos painéis de controle do hangar enquanto relâmpagos atingiam os geradores de raio trator e as braçadeiras de ancoragem. mas seu comlink tinha sido desabilitado junto com qualquer coisa no hangar mais complexa que uma luminária. Mas isso não era verdade. Tabor. suas pernas gentilmente se curvaram para recuperar o equilíbrio e seus lábios quiseram dar um sorriso: – Este é um destróier estelar imperial. – Precisamos de força total para permanecermos flutuando. se erguendo lentamente. Ele virou-se para os guardas e ordenou que a mensagem fosse transmitida para a ponte. A voz. tudo o que pudermos. Tabor xingou alto.

Então se forçou a moderar o tom. Destrua a fábrica de processamento. ele deu um salto para a frente. e nem deveria. – Perto dele. – Sullust não será perdida. e ele pensou qual teria sido o tamanho do dano em seus ossos. Podemos entrar nessa luta outro dia. . – Você ainda pertence a mim – disse Verge. Verge congelou. Tabor estava confuso demais para protestar. com os olhos fixos em Verge. e nós todos somos responsáveis. Novamente. – Não foi uma troca calculada. – E enquanto me capturava. você realmente é patético. a governadora gargalhou novamente. lançando Tabor de joelhos com força. mas. Eles tinham dado tudo a Verge. embora ele não parecesse tão certo disso. Uma dor intensa tomou conta de suas pernas. Depois virou-se para Chalis. você colocou um dos ativos mais importantes de Sullust nas mãos da Rebelião. Só Verge recuperara o equilíbrio. O deque sacudiu. As implicações dessa ordem começaram a surgir na mente de Tabor muito lentamente. mas pôde ouvir sua própria tensão. O outro estava tentando passar espremido pela passagem que criaram entre a porta e o batente. Verge continuou falando. Quando Verge parou para tomar fôlego – com a mãos e o rosto sangrando. e os olhos arregalados como os de um animal raivoso –. sim. que começaram a se repetir rapidamente. agarrando Chalis pelo queixo e dando um tapa no rosto dela. que estava de joelhos de novo. um terrível ato de idiotice egocêntrica. Sacrificar tanto os nossos homens como as tropas no chão… A Arauto tinha uma tripulação de milhares de soldados. com a voz quase gentil. Mas não vamos permitir que Sullust seja tomada. – Todos falhamos. com um sorriso vermelho nos lábios. Vamos jogar esta nave na montanha antes de sofrermos outra derrota. fazendo uma garra com uma das mãos logo acima do olho de Chalis. – O imperador não irá nos perdoar por essa falha. ela não revidou. Quando o alarme começou a soar do lado de fora da doca. Aquilo era loucura. A voz dele continuava infantilmente gentil. – Conseguimos! – gritou um dos guardas. capitão – disse Verge. – Prelado… – ele começou bruscamente. – Ela balançou a cabeça lentamente. – Parem – disse Verge. repreendendo-o. Fale para a ponte direcionar todo o poder de fogo para o exército rebelde. – Ainda acha que ganhou a admiração do imperador? – perguntou Chalis. tinham conseguido abrir apenas uma fenda na porta. mas aquilo já era demais. Ele olhou para os guardas que estavam jogados no chão. apenas virou o rosto para amenizar a dor das pancadas. – Não vamos recuar da batalha. “Por que você está fazendo isso?” – Não questione minhas ordens. se for necessário. – Eu vi Vader – disse ela.

Ele imaginou a tripulação da Arauto morrendo por causa da paixão do garoto. Os dois se separaram. Ele mirou a pistola no peito da governadora. Ele ouviu os guardas se esgueirando pela fenda aberta na porta. ele considerou o que poderia dizer para dissuadir Verge. – Não o garoto. mas sua voz se perdeu em meio à luta e ao alarme. Imediatamente. ativada mecanicamente. Tabor percebeu que sua visão estava ficando embaçada. Ele tentou colocar no lugar as peças da filosofia maluca de Verge para encontrar alguma coisa em sua visão do Império que Tabor pudesse usar. Tabor gritou para o prelado. – Diga à ponte para recuar. – Tabor. Mas eles eram bons homens. Ele podia contar com eles. Verge não mais parecia ameaçador ou imprevisível: ele era uma vítima das circunstâncias. como se esperasse essa resposta. Chamas consumiam o buraco em seu peito. tentando mirar. Sua pistola era uma Merr-Sonn B22. Se ele pudesse acabar com aquela briga. Em sua mente. cuja loucura tinha sido dada a ele. – Você é a responsável aqui – disse Tabor. O cano da pistola brilhou. vermelho. ao tirá-lo da aposentadoria. Ele puxou o gatilho. Mesmo assim. – Morto. talvez conseguisse colocar algum juízo na cabeça do prelado e a Arauto poderia escapar. – Diga-me – disse ela. Então Chalis golpeou Verge enquanto sua cabeça estava virada e ele não teve mais como continuar seu argumento. que estava sorrindo. qual argumento poderia utilizar para demonstrar que a morte de tantos homens bons era desnecessária. Os dois se atracaram ferozmente – o garoto em seu primor contra a governadora com o dobro da sua idade. não escolhida. Ela deu de ombros. Suas mãos estavam trêmulas enquanto ele espremia os olhos. “Por que você fez isso? Do nada? Por lealdade rebelde?” – Capitão Seitaron – disse ela. O rosto de Chalis era uma máscara de sangue. Eles eram bons homens. Ele procurou em sua memória todas as conversas que tivera com o garoto durante o desjejum e enquanto resistia a interrogatórios. sem saber o que fazer. e Verge olhou para Tabor com olhos arregalados e desconcertados – o olhar de um cão cruelmente sacrificado pelo mestre – antes de cair no chão. Tabor xingou e tirou a arma da cintura. apontando-a para os dois que lutavam. Os guardas tinham ficado onde estavam. obedientes. Ele se preparou para disparar. – Se eu atirei no prelado enquanto você e seus guardas estavam presos do lado de fora. – Uma pergunta primeiro – disse Chalis. – Só uma pergunta – resmungou Tabor. como eu poderia atirar no meu próprio peito com minha própria pistola? . a pura selvageria dava a ela uma vantagem que Verge não podia facilmente superar. uma mente brilhante e um patriota feroz. Toda a energia para os motores – disse Tabor. Talvez ainda fosse capaz de atirar depois da explosão de íons. aceitaram as ordens do prelado e foram até a ponte. Verge acreditara que estava fazendo uma caridade a Tabor.

.Tabor olhou para Chalis como se ela tivesse enlouquecido.

só para ser morta por um atirador de elite da Crepúsculo. as táticas empregadas por ambos os lados eram simples. Mesmo assim. Ele havia juntado as duas forças ao encurralá- las em cadeias de lava. até que o exército imperial fosse reduzido a nada. e nenhuma arma estava atirando para o céu a partir de Pinyumb. Por que isso tinha acontecido. Uma vez. Namir disparou seu fuzil até seus dedos travarem. O piso metálico à frente dos esquadrões havia se transformado em um depósito de escombros usados como barricadas. Namir enviou reforços onde os julgou necessários. ninguém sabia dizer: as chances de a Promessa de Apailana ter derrotado a Arauto pareciam nulas. Mas qualquer que fosse o motivo. Ao entardecer. uma voz falava em seu ouvido pelo comlink. ele recuou com os esquadrões para as profundezas da fábrica até que a entrada tivesse se tornado apenas um ponto distante de luz do dia. reportando como estava a luta nos outros portões da fábrica. Uma delas seria completamente destruída antes do fim do dia. a Companhia do Crepúsculo comemorou por cima dos sons de explosões e tiros de armas de raios. a luta nos portões da fábrica de processamento continuava – e iria se arrastar. O momento de ser inteligente tinha acabado na encosta da montanha. dando a Namir a chance de cuidar da ferida e voltar para a luta. . Ocasionalmente. até seus quadris doerem de tanto ficar agachado. durante uma breve trégua entre as ondas de ataque. Namir viu amigos e camaradas serem mortos por raios. chamou ajuda quando os combatentes em sua entrada estavam sendo mais pressionados. alguém lutara para afastar o trooper. Às vezes dez ou vinte por vez. Namir sabia. às vezes em equipes menores reforçadas com canhões portáteis e veículos repulsores. C A P Í T U L O 39 P LANETA SULLUST DIA 3 DO CERCO DE INYUSU TOR Quando o destróier estelar recuou para cima das nuvens. Em sua maior parte. tinha sido um presente muito bem-vindo que pareceu inspirar as tropas rebeldes tanto quanto desmoralizou a infantaria imperial. energipentes descartados e capacetes rachados. de corpos dos stormtroopers e de soldados da Crepúsculo. imolados por lança-chamas e perfurados por estilhaços. E ainda assim os inimigos não paravam de chegar. o que sugeriria que a célula de Nien Nunb tinha capturado as defesas da cidade. Namir sentiu um corpo se mover embaixo dele e gemer. Ela então rastejou para longe. de armas quebradas. Um stormtrooper havia rasgado um corte sangrento no peito de Namir com um vibropunhal. Estava tão exausto que só percebeu que a mulher ferida era uma imperial depois de passar a ela seu cantil de água.

as tréguas entre os ataques começaram a se tornar cada vez mais longas. se tornou óbvia: A Companhia do Crepúsculo tinha vencido. . No silêncio do campo de batalha. O portão para a montanha estava escuro. Eles não mais ouviam gritos a distância ou o estrondo de explosões. a verdade. e Namir e os outros se entreolhavam incertos. à medida que a noite foi se aprofundando. enfim. Quase uma hora já havia se passado após um ataque furioso. sem vontade de deixar seus postos e com medo de quebrar o encanto. Mas.

E. Agora. à medida que os voluntários se dirigiam à cantina. passando pelos fiscais civis das indústrias de Pinyumb –. ela tinha recebido permissão para servir em um posto de trabalho sob a supervisão de um voluntário autorizado. ela tinha chorado ao ouvir as notícias de que a guarnição fora inundada por lava. vestir e alimentar. passava mensagens adiante e servia bebidas. Se quisesse. consertava máquinas quebradas. Quando o tio de Thara foi liberado da detenção. C A P Í T U L O 40 P LANETA SULLUST 2 DIAS APÓS O CERCO DE INYUSU TOR Thara Nyende não deveria estar viva. enquanto ficava curvada para a frente numa cadeira. dois dias depois do fim do combate. Enquanto alguns dos moradores de Pinyumb passaram intocados pela revolução. ela se entregou aos rebeldes sem resistência. Capturada pelas mesmas pessoas que ela vinha tentando proteger. dessa forma. Quando a hora chegou. Exausta e dolorida demais para conseguir se controlar. mas para quê? . A cantina em si tinha se transformado num refúgio após a crise. eles poderiam tratar uma porção de civis e stormtroopers que foram levados até ali. ele imediatamente começou a usar o local para distribuir suprimentos doados. teria se juntado às forças de segurança nas ruas. Extraoficialmente. O tio dela observava de perto. e. o local acabou se tornando um ponto para troca de informação sobre a reconstrução de Pinyumb e para a realização de reuniões e discussões sobre como a cidade deveria ser governada sem o Império. outros viram suas residências serem queimadas e tiveram suas posses confiscadas. Se pudesse. ela era oficialmente uma prisioneira da Aliança Rebelde. ela estava trabalhando na cantina do tio. ela poderia ter sabotado a operação. A cantina estava sempre cheia. Dessa forma. Sua transferência da ala de emergência da guarnição para a clínica civil foi a única coisa que a salvara. Ela havia mantido os médicos sob a mira de sua pistola durante todo o dia. Contudo. Devido ao grande número de prisioneiros feitos durante o levante – desde os administradores imperiais até os membros da força de segurança. Eles precisavam da ajuda que outros moradores pudessem lhes dar. embora tentasse não demonstrar. Ela verificava bens quando eles entravam e saíam. Ela não entendia. mas jamais conseguiriam se juntar ao levante. a única coisa que ela conseguira fazer era observar dos bastidores e ouvir as celebrações barulhentas que lhe diziam que Pinyumb fora capturada. Thara ficava bastante ocupada.

ela tinha todas as intenções de se juntar novamente à legião de stormtroopers. que temiam o que a Rebelião poderia fazer com o seu lar. Ela sentiu vontade de dar um tapa nele. séria e direta. ela começava a tremer. Mas ela queria virar para o velho e perguntar para todos eles: “Quem disse que eu escolhi o lado errado?”. O velho Sullustano deu-lhe dois tapinhas no punho e a soltou. Nem todos estavam contentes que Pinyumb tinha se juntado à Rebelião. Nem ela. Não podia causar encrenca. Ela não o entregara. Ela sabia interpretar murmúrios inquietos. mas seus colegas estavam mortos. Ele estendeu a mão enrugada e segurou gentilmente o punho dela. A fábrica não voltaria à ativa por mais uma semana ou mais. E ainda assim… … só de pensar em pegar um fuzil contra as pessoas naquela cantina. Ela reconheceu quem tinha falado – um Sullustano murcho. Eles não ousavam falar abertamente de suas desobediências. – Nós todos escolhemos lados – disse ele. Ela esperava que a paz durasse um pouco mais. Thara olhou surpresa para o Sullustano. – Não há vergonha em ter escolhido o errado. Gotas de água. e cerveja escorriam pela lateral dos copos que ela levava e trazia do bar. forçou-se a sorrir. Instabilidade era a palavra de ordem entre os sullustanos. Se o Império voltasse. chá. comentários discretos que continham uma mensagem subliminar de desprezo. mas em vez disso. então os mais velhos estavam com tempo para relaxar. – Não estou tentando me esconder – disse ela. Ela usava uma bandagem sobre o estômago e não conseguia se mexer mais rápido que um manco. Os outros tinham ficado aterrorizados. Ele tinha sido o primeiro a falar abertamente contra o imperador na presença dela. . Então deixou a bandeja na mesa e saiu andando. com orelhas e papo caídos. – Eu sei quem é você – disse um dos trabalhadores. Ela sentia os olhos dos clientes habituais da cantina sobre si enquanto carregava uma bandeja para uma mesa ocupada por trabalhadores do processamento de minerais. meses antes. Ela amava seu tio e amava Pinyumb.

e ela morreu para nos salvar. Cerca de cem membros da Crepúsculo. Ele tinha perdido um de seus braços durante a explosão de uma granada nas horas finais do conflito. Durante o cerco. – Não há certezas na batalha – respondeu Gadren. Peste estava entre os mortos. Namir tinha certeza que alguns jamais voltariam para a Crepúsculo. – Alguma coisa disso é verdade? – Namir perguntou. Foi Gadren quem contou a Namir a história de sua heroica investida final: – Ela mergulhou na multidão de combatentes. sendo atingida por raio após raio. Não achou que Peste iria se importar. Então tudo brilhou em fogo. Gadren estava entre os feridos. Ele gostaria de tê-la conhecido melhor. mas nunca mortalmente. Contou isso para Brand enquanto andavam pela encosta da montanha. Namir não falou com mais ninguém que tivesse visto a queda de Peste. Oficialmente. e a Companhia do Crepúsculo estava agora deficiente em médicos e engenheiros. procurando nos destroços suprimentos. – Somos mais resistentes que os humanos. Uma speeder bike cheia de explosivos veio na nossa direção. C A P I T U L O 41 P LANETA SULLUST 3 DIAS APÓS O CERCO DE INYUSU TOR Mais de um terço da companhia havia morrido. assim como em soldados. todos sem exceção serviram como combatentes. Outros se aposentariam do combate e se juntariam à equipe de apoio. ele passava suas manhãs com a equipe de recuperação da Trovoada. estavam feridos gravemente o bastante para ficarem de fora da lista de ativos. Mesmo a perda dos droides domésticos a bordo da Trovoada criara a necessidade por novos cozinheiros. silenciosa e determinada. Apesar da lesão e da desaprovação de Von Geiz. no mesmo tom de sempre. até que conseguiu mirar na speeder. estavam procurando por qualquer coisa perigosa que pudesse prejudicar os trabalhadores viajando de Pinyumb . Seu cabelo vermelho esvoaçava como uma bandeira. com membros de sobra! – ele declarou mais de uma vez nos dias seguintes. mais ou menos. sem piloto. com a voz baixa e atormentada. Ele só se perguntava por que ela tinha escolhido aquele nome. tradutores e mecânicos. Então deixou Gadren contar a história do jeito que quisesse. equipamentos e objetos pessoais de amigos. como se fosse um mantra em vez de uma piada. Ela saltou sobre os stormtroopers. que fora dizimada.

mas seus passos eram lentos e comedidos. – Por que eu sempre sobrevivo? Ele olhou para ela. mas ela continuou falando. Então ela se virou para ele e fixou seus olhos da melhor maneira que pôde. Namir tentou cortá-la. – Não vou a lugar algum. não uma pergunta ou um pedido. Acho que alguns de nós apenas sobrevivem. – Era uma resposta insatisfatória. Por causa de Uivo – disse Brand. Namir sabia disso tudo porque a célula rebelde de Nien Nunb o tinha convencido a se juntar às reuniões diárias do governo interino da cidade. Eles continuaram sua descida. – Ainda estamos aqui por sua causa. ocasionalmente passando por uma cratera formada por um morteiro ou o corpo de um soldado que tinha sido comido pelos anjos de cinzas. Mas não é a mesma coisa. Não precisava de você. As reuniões eram torturantes. – Não sei. como se ela esperasse mais de si mesma. cheias de debates sobre quem iria administrar qual sistema de tratamento de água. Ele apontou para a montanha com um gesto de queixo. Seu tom era sombrio. As defesas substanciais da cidade estavam sob o controle dos civis. Praticamente da idade da Peste.para a fábrica de processamento – artilharias e minas não acionadas –. Mas o único motivo de eu ainda estar aqui… “É que eu não quero lutar ao lado de estranhos”. – Também sinto falta deles – disse Brand depois de um tempo. uma breve suspensão das execuções. Você fez sua parte. – Eu faço isso… – … há mais tempo que a maioria de nós. Soava como uma confissão. Eles ficaram em silêncio até que Brand voltou a falar. – Nós fomos muito bons – disse ela. se ajoelhou nas rochas. – Eu sei disso. ainda com a máscara. descobrindo que a máscara que ela usava não contribuía para que ele entendesse a expressão em seu rosto. Pinyumb estava livre e seus mestres imperiais tinham fugido. Ela parou de caminhar e Namir a puxou de lado. Transmissões piratas e sinais imperiais interceptados indicavam que outras insurreições tinham começado em todo o planeta. – Não por mim. Namir concordou com a cabeça. Eu sei. Era uma afirmação. – Peste estava bem. Ela começou a andar novamente. – Por causa das coisas que ela tinha dito. pelo menos. De que adiantava ter o respeito dos amigos se todos eles estavam escorrendo pelos dedos? Mas ele não conseguiu dizer isso. – Eu preciso de você. Isso certamente atrasaria o inevitável contra-ataque do Império. e se a noite artificial da caverna deveria ser . pegou uma pedra em forma de adaga e jogou pela encosta. se rendido ou desertado. Tudo o que ele podia fazer era sentir compaixão. embora nenhum dos dois fosse especialista no assunto. – Não tem muito o que fazer agora – disse Brand. garantindo. – Eu sobrevivi. pensou. sabe – disse Namir. Brand não parecia ouvi-lo mesmo. – Você ainda é jovem.

Tantos mortos. Depois das reuniões. ocasionalmente. Namir não se preocupava com isso – as pessoas sempre resmungavam. Hober desviou o olhar. Von Geiz encarou atentamente Namir. faremos o Império um pouco menos desejoso por reduzir essa área a cinzas. de vez em quando. Namir estremeceu. ou uma senhora humana o presenteava com um buquê de flores. além disso. Não é muito tempo. Mas. e agora transbordavam de gente – e absorvia a paisagem daquela caverna estranha e maravilhosa. não era possível fugir das responsabilidades. – Não é mais uma opção – disse Namir –. talvez consigamos novas ordens. eu sei. pelo menos. Os outros observavam e aguardavam. – Vamos nos ater à segunda opção – murmurou Vifra. arranjaremos alguma coisa que dê certo. há poucos dias. Além das reuniões em Pinyumb. Ele andava ao lado das margens dos rios turquesa e passava os dedos pela poeira amarela que cobria as rochas. devemos sair de cena. e ele já tinha feito muito disso quando Uivo estava no comando. Namir caminhava pelas ruas de Pinyumb – ruas que. o mais informalmente que pôde. O esforço realizado pelas equipes de escavação para liberar a lava montanha abaixo tinha deixado a mulher com apenas alguns engenheiros. Mesmo assim. Namir encarava diversas conferências com o restante das lideranças da Companhia do Crepúsculo durante a madrugada. voluntariar suas tropas para tarefas do dia a dia. Carver acenou. mais duas semanas – ele lhes disse no quarto dia após o cerco. tantos feridos. tanto equipamento . Se não. estavam vazias. – Temos muito tempo. Nas outras vezes.diminuída durante a reconstrução. por todas as razões óbvias. dessa forma. Comece a pensar. tanto entre os superiores quanto entre os oficiais e os subordinados. – Assim que se sentirem seguros. Corjentain traduziu da primeira vez. – Você quer dizer. Se tivermos sorte. mas deve ser o suficiente para colocar a Trovoada para funcionar ou para encontrar uma alternativa de transporte. algumas frutas ou metal gravado. Mesmo assim. – Então o que… – começou Carver. Namir o interrompeu. já tinham sofrido o suficiente com suas perdas. um Sullustano se aproximava e murmurava um agradecimento calado. quanto a Kuat? – respondeu Namir. – Sullust irá mudar – dizia-lhe Nien Nunb no fim de cada reunião. O único papel de Namir era o de se manifestar quando surgiam preocupações militares e de. – E quanto a depois? – perguntou Carver. Namir conseguiu entender sozinho. Ele não tinha por que ficar constrangido sem sua equipe ao redor. levando em conta tudo o que eles haviam perdido nos meses anteriores. Pelo menos Namir sentia-se aliviado porque nem ele nem os outros soldados da Crepúsculo em Pinyumb haviam sido tratados como heróis – os Sullustanos estavam muito ocupados e eram muito pragmáticos para isso. – O governo interino nos quer aqui por. a Crepúsculo tinha se tornado uma sombra do que era. Alguns iriam resmungar.

Exceto por Brand. – Estou trabalhando duas vezes mais do que trabalhava e não tenho ninguém com quem reclamar. ele suspeitava. códigos de encriptação rebelde. a companhia estava com um terço da força. Mas não posso ser seu tenente ou… ela. Ele suspeitava que ela estivesse viva. – Por ora. – Muito bem – disse ele. ele sempre olhava para o busto de bronze no escritório.destruído e recursos gastos… sendo otimista. – É para a minha sanidade – disse Namir. analisando o rosto austero e se perguntando sobre as mãos que o esculpiram. Quando a reunião chegou ao fim e os assistentes saíram da sala de conferências da fábrica. Ele podia também ter dito “meu esquadrão se foi”. sobre o estado dos feridos e sobre os reparos da Promessa de Apailana – a espaçonave de combate tinha escapado da batalha com a Arauto com suas baterias de laser drenadas e seus defletores superaquecidos. – Você é bom com os civis. Fonte desconhecida. – Isso não é necessário – disse ele. Mesmo Uivo. Os erros foram de Namir. – Você vai voltar à Trovoada? – perguntou Namir. Ele estava olhando para a estátua cinco dias depois do cerco quando uma voz anunciou pelo comlink: – Capitão? Há uma mensagem gravada vindo para você. assim como seu desejo de manter Gadren por perto. Namir não tinha notícias da governadora desde que Brand reportara vê-la voando pela montanha. – Essa era a minha intenção – disse Gadren. impressionantemente. Por enquanto. teria concordado com isso. pelo bem dos dois. ela tinha ajudado muito a Companhia do Crepúsculo. Seu desejo de dividir o fardo era genuíno. Por razões que não sabia explicar. Gadren fechou os olhos. . mas com o casco. Você conhece essa companhia tão bem quanto qualquer um. no entanto. suas ambições precisavam de calma. Mas você não tem como fazer um trabalho pior que o dela. No entanto. – Ele disse isso porque esperava convencer Gadren e porque ela era um alvo fácil. ao recusar. mas Brand não recebia ordens. – Tudo aquilo era verdade. era mentira. tão grave que Namir pareceu sentir vibrar em seus ossos. o corpo dela podia ter sido incinerado pela lava ou comido pelos anjos das cinzas. Namir sorriu e balançou a cabeça. ela não era mais sua responsabilidade. Quer ser meu contato em Pinyumb? Gadren sorriu lenta e tristemente. Namir segurou Gadren pelo ombro e o puxou de lado. – Eu tenho outra utilidade para você – disse Namir. embora fosse apenas um palpite. intacto. – Ótimo. – Parece que é onde tenho mais utilidade. Namir se atualizou sobre as operações de recuperação. De qualquer forma. Apesar de todos os defeitos de Chalis. entrelaçou três pares de dedos carnudos e fez um gemido grave que veio da garganta.

A holointerface em seu terminal foi ativada. a mensagem ficou em silêncio. Você deixou isso claro para mim no fim. pela terceira vez desde que eles se conheceram. Quando ela falou de novo. – Desde que deixei Haidoral Prime para me juntar à sua companhia. mesmo quando nossas metas pareciam semelhantes. – Pode mandar – disse Namir. – Ou o mais próximo que podemos estar. mas não era a rouquidão de costume que chamava sua atenção – o sotaque dela havia mudado. nem inteiramente familiar. Namir franziu a testa. eu me humilhei – disse ela. A estática azul se ajustou para formar um rosto que já tinha sido jovial. Ela pareceu tremer por um momento. Mas você. Namir percebeu que seus ombros tinham ficado tensos. – Especificamente para mim? – Sim. nativa do mundo similar a Crucival do qual ela vinha. É melhor que nossos caminhos não se cruzem mais. – Poderia ter ferido o Império. então os forçou a relaxar. deixando Namir sozinho. mas agora estava invadido por linhas sutis de idade. seu tom prosaico fora substituído por algo mais frio. Hazram Namir? Achei que reconhecíamos alguma coisa um no outro. Para onde vou agora não deveria e não será sua preocupação. Mas você não confiou em mim. . Aquilo parecia incomum para uma mensagem do Alto Comando da Aliança – será que os líderes rebeldes sabiam que Uivo estava morto? Mas esse era um mistério facilmente solucionável. e eu aceitei isso como o preço para sobreviver. Então endureceu novamente e continuou. você me julgou do mesmo jeito que o Império: você achou que meu talento era o de fazer promessas em vez de cumpri-las. senhor. – Os lábios dela formaram um sorriso sarcástico. – Eu poderia ter vencido em Kuat – disse ela. Com o seu nome. Por vários segundos. Namir passou a achar que aquela era a inflexão natural dela. A mulher não tinha mais a escuridão sob os olhos com a qual Namir tinha se acostumado. – Sargento – disse a gravação de Everi Chalis. dadas as circunstâncias. A voz de Chalis estava áspera. nem para a Rebelião. Achei que eu devia dizer isso a você pessoalmente. Então o holograma piscou e desligou. não era nem inteiramente estrangeiro. Parabéns. – Soube que você venceu em Sullust. Nunca fomos exatamente uma boa combinação. – E fui humilhada. então presumo que ainda esteja vivo. embora seu cabelo parecesse mais grisalho do que antes. que portava quando estava perto de homens e mulheres dos quais desdenhava. e arranhões longos e quase curados marcavam suas bochechas e queixo. Achei que tínhamos uma amizade. Mas ela falou com a altivez de costume. e. – Quanto a mim – disse ela –. Não foi a primeira vez. depois voltaram para o gravador. Os olhos de Chalis piscaram para um lado. Em vez disso. estou bem longe de Sullust e não voltarei para a Companhia do Crepúsculo.

talvez não nessa ordem. O velho odiava a mulher. Chalis endureceu o corpo. Claro que ninguém ficaria surpreso por sua fuga traiçoeira após um crime tão pavoroso quanto aquele. Sentiu um formigamento na garganta. C A P Í T U L O 42 SET OR NUMESIRA 5 DIAS APÓS O CERCO DE INYUSU TOR Pela primeira vez em muito tempo. limpando todas as suas contas em bancos de extramundo… . Sem dúvida. “Essa é para os cérebros maleáveis de velhos tomados pela culpa”. Ela podia ter dito a Namir em sua mensagem que fora ela quem salvara toda a companhia ao forçar a Arauto a sair da atmosfera de Sullust. ele queria que ela morresse. ela conseguira a vista grossa de que precisava para roubar uma nave auxiliar nova e decolar. Desde que partira de Sullust. E quanto mais incompetente Verge parecesse. ela pensou. Ela pensou em quem lhe fizera companhia e seu humor mudou. o que deixaria provas contraditórias – era a melhor maneira de apagar todas as dúvidas quanto à sua responsabilidade. Everi Chalis – ex-governadora de Haidoral Prime e emissária do Conselho Executivo Imperial – estava livre para fazer o que quisesse. Tinha investido muito esforço e emoção naquelas pessoas. Mas suas prioridades eram sua tripulação e seu desejo de voltar aos confortos da Academia. depois da campanha em Mardona III. O Império não iria mais mandar espiões e oficiais para mantê-la prisioneira em sua própria casa. tudo isso usando um argumento tão pouco plausível que nem sequer deveria ter sido ouvido. Mas que diferença isso faria? Ele que pensasse nela como quisesse. mais a atenção seria desviada de Seitaron e da Arauto para a própria Everi. levantando o cantil para as milhões de estrelas fora da cabine da nave. A parte mais difícil na hora de escapar de Sullust fora convencer o capitão Seitaron. Os rebeldes não mais olhariam desconfiados para ela. ela passara os últimos dias garantindo sua segurança e anonimato: trocando a nave auxiliar da Arauto por uma cúter estelar civil. Não. Chalis pensou em seu último drinque – seu último drinque de verdade – no quarto do capitão Evon. ainda mais lento para aceitar que o desaparecimento de Everi – não sua morte. Estava farta de pensar na Companhia do Crepúsculo. ela estava farta da Companhia do Crepúsculo. respirou por entre os dentes e se segurou. com medo de que ela pudesse traí-los. O homem havia sido surpreendentemente lento em deixar que Everi levasse a culpa pelo assassinato do prelado Verge. o começo familiar de um acesso de tosse. Ela lhe devia somente um adeus e nada mais. Assim. e recebera só dor em troca.

Uma galeria que ninguém iria querer visitar. Ela poderia se tornar uma negociadora do poder. mas uma visão de seu trabalho artístico não estava entre eles. mas respeitada a contragosto por aqueles que conhecessem seu nome. . Talvez isso ainda fosse verdade. É claro que era tentador. Já tinha passado da hora de seus detratores compreenderem do que ela era capaz. Era tentador. respirou fundo e fez uma careta quanto o ar tocou as cicatrizes em sua garganta. Qual era o nome do planeta natal de Namir? Ela poderia vender algumas quinquilharias tecnológicas lá e se garantir por décadas. Ela havia dito a Namir. antes de o conde Vidian tirá-la da Academia Colonial e redirecionar seu talento de visualizar coisas. Everi digitou no console da nave e começou a procurar as coordenadas no navicomputador. operando nas sombras. mas também com os Crymorah. apesar do risco. Uma nova vida a ser construída. viver com algum conforto e ter um pouco de respeito. Tinha todas as ferramentas que precisava para construir uma vida nova. Crucival. Dado certo tempo. escondida num planeta fora do radar.fazendo tudo o que deveria ter feito meses antes de Haidoral Prime. Mas não tinha pressa alguma. enquanto o resto da galáxia lutava e queimava e entrava no caos. estava escolhendo se aposentar em um fim de mundo da galáxia. Poderia atuar em todos os lados da guerra civil: não só na Aliança Rebelde ou no Império. Ela sorriu amargamente com a ironia: tinha informações que homens sacrificariam exércitos para obter. ainda assim. Ela poderia encontrar para si um pequeno planeta esquecido. na fronteira do espaço conhecido – algo como seu próprio planeta natal –. antes de ser forçada a se entregar para a Rebelião. Ela bateu os dedos no console. ou nos mundos não alinhados. se imaginou umedecendo um punhado de argila e moldando-o em seus dedos. Ela não tinha mais nem autoridade. nem riquezas. Ela havia sido uma artista boa. Poderia pagar algumas crianças com agrados para que buscassem argila e. então. Poderia encontrar compradores para seus segredos. que tudo o que queria era ter tempo para esculpir. mas agora era livre. Havia muitos motivos pelos quais ela seria procurada – seu esquema da logística do Império. Enquanto o fazia. Enfim respeitada pelos governantes autodeclarados da galáxia. Havia outras opções abertas para ela. passaria seus dias reaprendendo sua arte. Ela tinha decisões a tomar. certa vez. ela poderia preencher sua própria galeria. Só precisava decidir para onde ir. onde pudesse comprar um pedaço de terra e desfrutar de alguns luxos provincianos. os segredos do Alto Comando da Aliança –. Ela podia ser uma boa artista de novo. tomou mais um gole de água.

e eu garanto a você que isso aqui será usado. depois de saber da morte de seu pai. Permitiu-se pensar nos mortos. a culpa era dela. não havia ninguém na companhia que entenderia por que ele sentia a falta dela. mais cedo ou mais tarde – ele dissera a Namir. a Crepúsculo daria um jeito sozinha. Os ideais que pregavam que havia vitória no sacrifício. adquirira dos Sullustanos. Ele estava de luto. Naquela tarde. Pelo menos isso já era alguma coisa. o velório ocorreu em Pinyumb. Não estava arrependido de suas escolhas recentes e não sentia raiva de ninguém. de alguma maneira. entre as equipes de recuperação que ainda vasculhavam os destroços da Trovoada. Namir sentiu um vazio depois de ver a mensagem final de Chalis. A liderança interina de Pinyumb tinha oferecido a assistência de mestres de cripta sullustanos e espaço para um enterro formal nas cavernas. Escolher um em detrimento do outro não tinha sido uma traição a Chalis. transmitido para a fábrica de processamento para aqueles que não puderam se deslocar. verdade ou não. não em Kuat. mas não sabia exatamente a que o luto era direcionado. No fim das contas. caso um airspeeder imperial ousasse se aproximar. – Ela irá precisar de energia de emergência. . ainda que por pouco tempo. Pediu a Hober para preparar um funeral para aquela noite – alguma coisa que usasse os recursos à mão. Ainda assim. ele caminhou por entre os feridos na ala médica. interpretar a mistura complexa de orgulho. o resultado teria sido o mesmo. frustração e sofrimento que os soldados sentiam. Era o mesmo tipo de vazio que ele tinha sentido anos antes. de certa forma. Então Namir decidiu manter a mensagem para si mesmo. C A P Í T U L O 43 P LANETA SULLUST 5 DIAS DEPOIS DO CERCO DE INYUSU TOR Muito para sua surpresa. Em vez de uma estação de carregamento de veículos. mas Namir recusara a oferta. Se ela não queria ver isso. Chalis tinha acusado Namir de não ter confiado nela. A batalha que valia a pena tinha acontecido em Sullust. Ele tentou absorver os ânimos. se a luta valesse a pena. entre as patrulhas da montanha carregando Plexes. mas também pelos ideais que Uivo havia projetado. – Teremos uma nave nova. Hober drenou as últimas faíscas de energipentes usados em um conjunto de geradores de emergência que ele. mesmo depois da morte. incerteza. Agora ele era responsável pela Companhia do Crepúsculo – não só por seus integrantes e suas metas. Talvez houvesse um pouco de verdade nisso – mas.

Nunca se deixou quebrar. Gadren olhou de soslaio para Namir. Não foi uma noite ruim. Namir não entendia direito. Depois disso. De alguma forma. – As escolhas do capitão são problema dele. observando as mãos e fazendo correções por cima do ombro quando Carver sentou-se no bar recontando a batalha de Phorsa Gedd. mas isso parecia reconfortar a todos. quando Hober drenou um de seus canhões de laser de célula de plasma. capitão. – Amanhã ao meio-dia. O funeral correu por quase quatro horas. – Eu quero abrir um recrutamento – disse Namir. – Ele acha que não sabemos – disse Gadren. que gritou alguma coisa obscena. – As cartas estão com sorte hoje à noite! – declarou Tohna depois de uma rodada competitiva. – Eu sei jogar – protestou Namir. Ela já tinha bebido o bastante para soltar a língua. Gadren olhou arrependido. Namir se sentou ali perto. Brand se inclinou para trás na cadeira e jogou uma mão que venceu o pote. Hober e Von Geiz encontraram um orador para cada soldado morto. Tique riu. Tique e Tohna rapidamente localizaram um baralho de cartas e começaram a jogar. apaziguando. – Não havia jogos de sabacc onde ele cresceu – disse ela. Tique caiu na gargalhada. Tohna olhou para Gadren. como se fossem tão vivos quanto o resto da companhia. Era mais forte que todos nós. com um sorriso. independentemente de todos os seus colegas terem morrido. algumas dúzias de soldados entraram numa cantina de Pinyumb que se voluntariara a fazer uma recepção. que deu de ombros gentilmente. – Você nunca vai conseguir que ele se junte a você – disse Brand. e apontou com o dedão para Carver. – Sabem o quê? – perguntou Tohna. – Garota feia e mais malvada que o pecado! – gritou o comandante Tohna. – Não me deixem atrapalhá-los. Gadren. – Eu já falei demais – disse Gadren. – Você deveria se juntar a nós. que fez uma cara feia para ele. Os droides também receberam despedidas. Brand deu um pulo. – Ele não consegue admitir que não sabe jogar. . Gadren fez as honras inclusive de Peste: – Criança de uma era de Império e guerra. Enquanto a maioria voltava para a fábrica de processamento ou para os alojamentos oferecidos pelos Sullustanos. Até Brand falou por um engenheiro e um dos alferes da tripulação de ponte da Trovoada. Namir caminhou com Gadren pelas ruas desertas de Pinyumb. – Estou ocupado – disse Namir. Brand. se o conselho de Pinyumb aprovar. Mesmo a Trovoada recebeu uma menção honrosa. Namir foi à frente três vezes por recrutas que ele tinha treinado durante os anos. e os soldados gritaram. Gadren concordou lentamente.

Namir reconheceu alguns deles de suas rondas com Nien Nunb na noite anterior à batalha. Já tinha escolhido o caminho. . – Você tinha suas reservas no passado. uma coisa era absolutamente certa: A Companhia do Crepúsculo continuaria viva. e o fim da guerra estava mais longe do que o mais distante dos sonhos. – Você quer dizer. Ele falou com certeza. voluntariar-se para entrar na luta contra o Império. Mas logo a fila foi crescendo. mimados e desesperados. Os cidadãos de Pinyumb caminharam lentamente para o mercado depois que o anúncio foi feito. O que as semanas seguintes trariam – para Sullust e para a Crepúsculo – continuava uma dúvida. Alguns estavam ali apenas para questionar os recrutadores da Crepúsculo antes de saírem andando. Se é assim que lutamos. esse era apenas o próximo passo. – Ainda tenho – disse Namir. O recrutamento continuou noite adentro. Ele viu um Sullustano franzino oferecer sua experiência como mecânico. a distância. continuar a tradição de Uivo? – ele perguntou. então é como continuaremos lutando. jovens e velhos. Ainda assim. que nunca tinha pegado numa arma de raios. – Mas Uivo sabia o que estava fazendo. um jovem humano. cheia de gente de todos os tipos. assim como estava em Hoth. Outros observavam temerosos.

2017-57 CDD 813. TODOS OS PERSONAGENS. II. PROIBIDA A REPRODUÇÃO. NO TODO OU EM PARTE. Literatura : Ficção Norte-Americana 813. Castilhone.0876 CDU 821. traduzido por Leonardo Castilhone. 2017. Ficção. Título.0876 2. 424p. COPYRIGHT © EDITORA ALEPH. Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) Odilio Hilario Moreira Junior CRB-8/9949 F853b Freed. 2. 1. Leonardo. Alexander Battlefront: companhia do crepúsculo / Alexander Freed . BATTLEFRONT É UM LIVRO DE FICÇÃO.111(73)-3 Rua Henrique Monteiro.111(73)-3 Índice para catálogo sistemático:: 1.com. ATRAVÉS DE QUAISQUER MEIOS. Literatura norte-americana : Ficção 821.editoraaleph. Tradução de: Battlefront: Twilight Company ISBN 978-85-7657-367-8 1. São Paulo : Aleph. I.br .: [55 11] 3743-3202 www. LUGARES E ACONTECIMENTOS SÃO FICCIONAIS.STAR WARS / BATTLEFRONT: COMPANHIA DO CREPÚSCULO TÍTULO ORIGINAL: Star Wars / Battlefront: Twilight Company ILUSTRAÇÃO: Aaron McBride CAPA: Desenho Editorial COPIDESQUE: Matheus Perez REVISÃO: Pausa Dramática | Cássio Yamamura | Isabela Talarico PROJETO E DIAGRAMAÇÃO ORIGINAL: Desenho Editorial VERSÃO ELETRÔNICA: S2 Books EDITORIAL: Daniel Lameira | Bárbara Prince | Andréa Bergamaschi DIREÇÃO EDITORIAL: Adriano Fromer Piazzi COPYRIGHT © & TM 2015 LUCASFILM LTD. 121 05423-020 – São Paulo/SP – Brasil Tel. Literatura norte-americana. 2017 (EDIÇÃO EM LÍNGUA PORTUGUESA PARA O BRASIL) TODOS OS DIREITOS RESERVADOS.

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.]: Saudação cunhada pelo autor E. E. do T. “Doc” Smith em sua série de livros The Lensman.[1] [N.

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