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O PROBLEMA
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1.1. Introdução

De acordo com Hobsbawn (1979, p. 38), à época da Revolução Industrial, a
maioria das inovações técnicas e dos estabelecimentos produtivos podiam começar suas
atividades com escalas pequenas e expandir-se aos poucos, por adições sucessivas. Não
havia então um diferencial tecnológico entre os países que permitisse algum deles
assumir, de maneira irreversível, a ponta na competição internacional em decorrência
dele. O problema não estava na ausência de inovações tecnológicas, nem mesmo
cientificas, mas na ausência de instituições, mecanismos e motivações institucionais que
conduzissem a esta apropriação pelo parque produtivo existente.

A questão não estava na eventual complexidade dos problemas tecnológicos
daquele tempo. De fato, eles eram bem simples. Não se exigia a especialização
científica e nem muita qualificação técnica da força de trabalho, mas sim um número
razoável de pessoas com escolaridade média e que soubesse manusear as máquinas com
certa prática.

O que começa a ocorrer no período e que leva a transformações profundas na
atividade produtiva não estava na mera introdução de qualquer inovação em particular,
mas sim na forma com que as pessoas passam a utilizar a ciência e a tecnologia que
desde há muito tempo estavam ao seu alcance. O que importava na época era a
praticidade para a solução de problemas e não o gênio inventivo individual.

A tendência ao aumento do número e escopo das inovações tecnológicas
continuou ao longo de todo século XIX e inicio do século XX e se tornou bem evidente
a partir da Segunda Guerra Mundial, quando ocorreu uma grande mobilização da
comunidade científica e tecnológica, direcionada para a solução de problemas
estratégicos. Ademais, a partir do conflito mencionado, os países vencidos ou
vencedores aguçaram sua atenção para a geração e apropriação de progresso científico e
tecnológico após perceberem que a capacidade tecnológica era fator estratégico central,
não só para o poderio militar, mas também para o desenvolvimento econômico, social e
político.
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Na atualidade, com o processo de globalização, os países desenvolvidos têm
caminhado a passos largos em termos de desenvolvimento científico e tecnológico
enquanto as demais nações, muitas das quais não dispõe da capacidade e dos recursos
financeiros e de pessoal para empreender um esforço cientifico e tecnológico próprio
são obrigadas a lutar pela sobrevivência de seus povos. Os países de renda média,
alguns dos quais conhecidos como emergentes, começaram a desenvolver políticas
cientificas e tecnológicas nacionais. Com o tempo, o Brasil foi reconhecendo que
precisava agir no sentido de superar seu gap com os países desenvolvidos através de
ações na área, a saber: geração de emprego, ocupação e renda, desenvolvimento
produtivo regional, capacitação tecnológica – alavancando a qualidade, a produtividade
e a inovação – aumento das exportações, competição com as importações e competição
com os serviços internacionais.

Recentemente, dentre diversas outras ações em parcerias com empresas
privadas, universidades e outras instituições, o Governo Federal, através do Ministério
da Ciência e Tecnologia (MCT), criou 14 Fundos Setoriais para fazer frente aos desafios
que o País tem de enfrentar na área de C&T. No entendimento do MCT, o modelo dos
Fundos Setoriais marca o início de uma nova etapa no desenvolvimento Científico e
Tecnológico do Brasil.

A criação dos Fundos Setoriais faz parte dos esforços do País em definir uma
nova política nacional de C&T. Esta política deve ser capaz de incentivar também o
desenvolvimento tecnológico empresarial e construir um novo padrão de financiamento,
capaz de responder às necessidades crescentes de investimentos em C&T que contemple
novas fontes de recursos.

Ademais, é preciso avaliar a eficiência das ações na formação de recursos
humanos, no fomento da capacitação tecnológica, na produção em Ciência e Tecnologia
e no retorno econômico.

Desta forma, nossa proposta neste trabalho é a criação de um modelo
metodológico de avaliação para o Fundo Setorial de Energia no subsistema Técnico,
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Científico & Tecnológico e Econômico, com predominância para avaliação do resultado
Econômico.

1.2. Suposição

Como as ações do Fundo Setorial de Energia (CT-ENERG) deverão ser
implementadas por um conjunto amplo e flexível de instrumentos e mecanismos
selecionados bem como mecanismos inovadores adequados às estratégicas do CT-
ENERG, elas necessitarão de uma criteriosa avaliação das estratégias adotadas.

Para tanto, supomos a necessidade de avaliar a existência de eventuais
problemas no processo de avaliação e precisaremos analisar alguns fatores, tais quais:

a) Se os resultados efetivos estão próximos dos resultados
planejados
b) Verificar possíveis erros ou distorções de avaliações anteriores
c) Identificar os efeitos econômicos gerados
d) Problemas de coordenação e rivalidade burocrática com outras
áreas, como negociações internacionais.
e) Falta de coordenação entre os agentes atuantes
f) Capacitação técnica deficiente

1.3. Objetivos da Pesquisa

1.3.1. Objetivo final

O objetivo final desta pesquisa é criar um modelo metodológico de avaliação
para o Fundo Setorial de Energia no subsistema Técnico, Científico e Tecnológico e
Econômico, com predominância para avaliação do resultado Econômico a partir dos
dados disponíveis e, demonstrar como esse modelo poderá colaborar para uma maior
eficiência e qualidade de avaliação do subsistema mencionado.
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1.3.2. Objetivos intermediários

a) Conceituar Ciência & Tecnologia, Pesquisa & Desenvolvimento,
Inovação Tecnológica e Fundo Setorial.
b) Fazer um levantamento sobre a Demanda Energética Brasileira
c) Realizar um levantamento bibliográfico sobre as avaliações em
Ciências & Tecnologia;
d) Conceituar e caracterizar as avaliações em programas de C&T;e
e) Sugerir uma metodologia de avaliação dos resultados econômicos
durante e na conclusão dos projetos de pesquisas do Fundo Setorial de Energia
no subsistema Técnico, C&T e Econômico, conforme modelo conceitual
apresentado em aula pelo professor Pierre Ohayon.

1.4. Delimitação da Pesquisa

A pesquisa pretende focar a questão das avaliações de programas de Ciência &
Tecnologia e de metodologias para avaliações concernentes ao Fundo Setorial de
Enegia. Nesse contexto, não pretendemos tratar aqui de assuntos pertinentes a outros
fundos ou de avaliações que não se referem a pesquisas em C&T.

1.5. Relevância do Estudo

Consideramos que os investimentos pertinentes a Ciência e Tecnologia (C&T)
devem estar em primeiro plano na pauta de metas de um país que pretende se tornar
desenvolvido (já que ele permite a um país estar na ponta na geração de novos produtos
e processos no mercado mundial) e, para tanto, é necessário um planejamento
estratégico bem elaborado, até porque as dificuldades para a criação e difusão da
tecnologia são tão grandes que é preciso engajar várias esferas de governos e entidades
para a sua conclusão, assim como o Governo, a Universidade, a Empresa, o Ministério
da Ciência e Tecnologia e outras entidades.

Portanto, essa pesquisa pretende agregar um grande valor no âmbito pessoal,
pois será uma ótima oportunidade para unir uma gama de conhecimentos a respeito do
desenvolvimento econômico do nosso país. Será possível também neste trabalho ter um
melhor entendimento da questão, desenvolvendo o potencial de aplicabilidade do
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conhecimento agregado em situações vivenciadas pelo autor que podem gerar a
possibilidade de crescimento individual, seja na condução de suas funções atuais, ou
ainda na valorização do conhecimento do pesquisador.

Acreditamos que a avaliação, particularmente no que se refere a C&T, é um
assunto de fundamental importância para a eficiência e eficácia na aplicação de recursos
e conseqüentemente para um melhor aprimoramento das técnicas de produção
impulsionando assim a competição e o desenvolvimento industrial. Portanto, pelo lado
profissional esse estudo será uma importante oportunidade de se verificar as aplicações
práticas para as empresas além de ser bastante útil para os que buscam o conhecimento
acerca do tema. Além do mais, essa pesquisa poderá contribuir para identificar os
fatores determinantes da dificuldade de desenvolvimento de algum método para
programas de pesquisas tecnologias e, quem sabe, poder ajudar a sensibilizar os gestores
governamentais, empresas, instituições e da própria sociedade para um assunto de
extrema importância.

No âmbito acadêmico, acreditamos que esta pesquisa possa contribuir como
futura fonte de consulta, uma vez que o tema é muito importante e é estudado por
diversas áreas acadêmicas.

Enfim, o estudo é de grande relevância para a sociedade, pois trata da qualidade
das pesquisas e da eficiência do emprego de recursos no desenvolvimento de tecnologia.

Ao finalizar as assertivas feitas em relação ao estudo do problema dessa
pesquisa, não podemos deixar de fazer um breve comentário a respeito do nosso
posicionamento ético como pesquisador, deixando registrado ainda o conceito de ética.

Como Sócrates dizia a sua época: “basta saber o que é a bondade para ser
bom”. Parece um pouco ingênuo essa reflexão mas na sua época foi de grande valia,
pois era coerente com o pensamento, apesar de na prática não condizer com a realidade
da sociedade grega.

A essência da Ética de Sócrates é o poder libertador do verdadeiro conhecimento
confrontado com a hipocrisia. Sócrates diz ainda que é através deste conhecimento, que
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cada indivíduo é capaz de um dia chegar à compreensão do que é o Bem, conhecimento
que por si só tem efeito transformador tanto em quem o adquire como na sociedade na
qual ele vive.

Em suma, o nosso posicionamento diante desta pesquisa é simplesmente de
utilização de bom senso e do altruísmo, considerando que a ação Ética valoriza o caráter
do ser humano.