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Ciência e Profissão

Ano 7 • Nº 7 • Julho 2010

política de assistência social
• Psicologia: contribuições, desafios
e trabalho com assistentes sociais
• Suas; O papel dos cras e dos creas
• Desafios intersetoriais, controle
social e protagonismo dos usuários

Julho 2010

expediente

Editores Responsáveis Jornalista responsável
Elisa Zaneratto Rosa Patrícia Cunegundes
Marta Elizabeth Souza DRT/CE 1050
Odete G. Pinheiro Liberdade de Expressão Agência
e Assessoria de Comunicação
Conselho editorial
Região: CRP – 12 (Região Sul) Reportagem
Juliana Perucchi Rogério dy la Fuente
Vinícius Silva
Região: CRP – 14 (Região Centro-Oeste)
Maria Aparecida Morgado Revisão
Joíra Coelho
Região: CRP – 03 (Região Nordeste)
Sonia Maria Rocha Sampaio Projeto Gráfico
Rui de Paula e Fabrício Martins
Região: CRP – 16 (Região Sudeste)
Bernadete Baltazar Capa
Luana Melo
Região: CRP – 10 (Região Norte)
Francisco Maria Bordin Diagramação
Luana Melo e Guilherme Werner

Liberdade de Expressão Agência
e Assessoria de Comunicação

Impressão
Gráfica BarbaraBela
julho/2010
Setor de Administração Federal
Sul (SAF/Sul), Quadra 2, Lote 2, Tiragem
Edifício Via Office, sala 104, 130.000
CEP 70.070-600,
Brasília, DF

E-mail: revistadialogos@pol.org.br
Distribuição gratuita aos psicólogos inscritos nos CRPs
versão on line no site www.pol.org.br

sumário

Cartas e repercussão 4 Cara a cara 32
Os desafios da Assistência Social no Brasil:
Editorial 6 contribuições dos psicólogos e dos assistentes sociais
Jacques Akerman e Elisabete Borgianni
Entrevista 7
Psicólogo Fábio Porto Artigo 36
O controle social nas políticas públicas
Caminhos e contextos 12 José Antonio Moroni

Direitos sociais para construir cidadania
Palavra de usuário 42
Artigo 17 Samuel Rodrigues
O SUAS e o princípio da universalidade Carlos Eduardo Ferrari
Nathália Eliza de Freitas
Acontece na área 44
Artigo 20
Para além da centralidade da família Filme 46
Irene Rizzini Quanto vale ou é por quilo?
Marcus Vinícius Oliveira

Artigo 23
A atuação dos psicólogos nos CRAS Inclusão produtiva 48
Laura Freire Da exclusão à cidadania por
meio do trabalho
Intersetorialidade 26
O desafio da articulação Resenha de livros 52
pública Qualidade de vida na velhice:
enfoque multidisciplinar
Isolda de Araújo Günther

Ilustração 54

Julho 2010 3

cartas e repercussão

Informamos que, para contemplar pedidos de
exemplares para ampla divulgação, o CFP torna
disponível a revista Diálogos na internet. A ver-
são online pode ser acessada no endereço www.
pol.org.br/pol/cms/pol/publicacoes/revista/.

S
ou psicóloga, trabalho atualmente na pre- emocional. Portanto, olhem também o outro lado
venção de estresse e na manutenção do e não julguem. Em todas as profissões há aqueles
equilíbrio emocional dos policiais militares que se desvirtuam, temos psiquiatras que sedam
da região oeste de São Paulo. Recebi no mês de jovens para manipulá-los sexualmente, temos psi-
dezembro/09 a revista Diálogos e deparei com cólogos que falam de fofocas na TV, jornalistas
o tema Drogas, crimes e ação policial da Questão assassinos, cirurgiões psicóticos que esquarteja a
Policial (pág. 43). Com tudo o que está ali descrito, vítima... Como se vê, senhoras, aqui na Polícia Mili-
temos de concordar, porém, não podemos genera- tar do Estado de São Paulo estamos tentando mi-
lizar, pois o policial militar tem de tomar decisões nimizar os problemas, as Escolas de Formação já
extremamente eficientes e eficazes, para que esteja estão priorizando Direitos Humanos, os psicólogos
a contento da Instituição Estadual Policial Militar já estão ocupando seu devido campo e aos pou-
do Estado de São Paulo e da Sociedade Civil. Sua cos o preconceito de que “psicólogo é para louco”
ação tem que se desenvolver em fração de segun- está diminuindo em nosso público interno. Com
isso esperamos pessoas mais centradas em seu
dos, pois lidam com vidas.
emocional.
Não podemos nos esquecer de que esses homens
Obrigada pela atenção e não se esqueça de
e mulheres são seres humanos, dotados de emoções,
que por trás da farda existem INDIVíDUOS.
com problemas diversos, treinados para lidar com
situações conflitantes e para resolvê-los, porém, não
podemos esquecer de que o acúmulo de situações Valéria Rodrigues Marques
conflitantes, não canalizadas, causam desequilíbrio Psicóloga – CRP 45819/06

Resposta

Em primeiro lugar gostaríamos de agradecer o contato. Sua manifestação mostra a importância do
diálogo entre o Conselho Federal de Psicologia e a categoria.
Concordamos com a necessidade do reconhecimento das questões subjetivas dos sujeitos que
compõem a Polícia. Entendemos que o foco da análise foi problematizar a relação entre
drogas, crimes e ação policial. Ao fazer isso, os entrevistados, que analisam amplamente
a instituição e a questão do Estado, entre outros aspectos que envolvem essa pro-
blemática, corroboram para apontar a complexidade das questões que compõem
essa relação e em que esses indivíduos estão engendrados. O box da matéria,
que apresentou pesquisa realizada sobre o sofrimento mental dos policiais,
procurava justamente dar visibilidade à questão da vivência subjetiva dos
policiais nesse tecido complexo.

4 Julho 2010

O Conselho Federal de Psicologia promoveu Debate on-line com o tema Álcool e
Outras Drogas, no dia 17 de março, para lançamento da revista Diálogos nº 6.
O número de conexões chegou a 1.100. Estudantes, profissionais, instituições de saúde acompanharam
online, enviaram perguntas e contribuíram para o avanço do debate. Publicamos, aqui, algumas dessas
manifestações. A íntegra do debate pode ser acessada no link http://www.pol.org.br/pol/cms/pol/publi-
cacoes/videos/videos_100319_003.html.

Não precisamos “dar voz” ao usuário, mas acre- “Tendo em vista a complexidade do tema, a necessi-
dito, criar mais dispositivos para que esta seja pro- dade das diversas áreas confluírem para melhor atu-
duzida e analisada coletivamente. Somos “porta- ação da prática voltada à saúde, quero saber duas
vozes” dos usuários? Como estamos usando nossos coisas, se possível: 1) já estamos articulando com
lugares de especialistas? Nos trancando no “íntimo” os meios acadêmicos sobre isto? Nas formações da
no “subjetivo”, mesmo quando atuamos em CAPS saúde e afins, já estamos conversando sobre álcool
ou hospitais ou escolas? Agradeço pela oportunida- e outras drogas, redução de danos e outros, como
de e creio que este evento já seja um dos dispositi- matéria ‘obrigatória’?; 2) com relação à participação
vos que mencionei.” social, qual o meio mais efetivo de chamarmos para
perto esta sociedade, já que me parece que muitos
Marcelo Tavares, UERJ
não têm nem noção da importância em participar e
nem sabe sobre a importância de ser conselheiro?”
“Denis Petuco, é com grande prazer que par-
Mônica D. S. Leite, Psicologia – SP / Especializa-
ticipo deste evento e gostaria de aproveitar para
ção: Dependência Química pelo CRATOD SP / Tu-
parabenizar por seu trabalho na militância da RD
tora nos projetos da SENAD SUPERA e FÉ em SP.
(redução de danos). Acompanho o seu trabalho já
há algum tempo. Você se referiu à possibilidade de
deslocamento de jovens vítimas de ameaças para “Gostaria de aproveitar o momento que vive-
outros bairros ou até outras cidades. Com relação a mos por conta dos debates sobre as Conferências
essa questão, como vocês pensam trabalhar a ques- de Saúde Mental (municipal/regional, estadual e
tão do território existencial desses sujeitos (suas nacional) para perguntar aos palestrantes: como
relações, cultura, família...)? Algumas pessoas não tem sido trabalhada a temática deste debate nos
suportam o afastamento repentino desses territó- povos indígenas? Ações, pesquisas, recomendações
rio existencial e retornam mesmo conscientes dos etc. principalmente na mobilização desse público,
riscos desse retorno.” no empoderamento, etc.”
Renata Almeida – Gerente CAPSad Camaragibe Fabiano Carvalho-FUNASA-Palmas/TO.
– PE / Assessora técnica do DSV Recife – PE / Psi-
cóloga, fonoaudióloga / Mestranda em Psicologia
clínica pela UNICAP.

debate online

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política e da perspectiva de intervenção a Desde então. Essas prerrogativas estão o debate. Dessa maneira. é urgente cando-o em debate. ainda longe de estar gia como ciência e profissão que pode con. sibilidade a algumas intervenções e pro- do. campo. Num país conjunto com os assistentes sociais e colo- marcado pela desigualdade social. muitos desafios teórico- no ano de 2005 como política práticos se colocam para a Psicologia desde pública que deve garantir ações integradas a sua inserção obrigatória no SUAS. tiva de atuação de forma contra-hegemôni- cia Social (SUAS) instituiu-se ca. esgotar empoderamento. o debate sobre a atuação ela pautada. ção da sociedade brasileira na direção da gos no SUAS representa o reconhecimento igualdade e da democracia. revista pretende abordar os alicerces dessa ção da democracia na sociedade brasileira. Essa edição da Diálogos vem se somar ção. trajetória histórica construiu essa perspec- ra. assim como pretende dar vi- dos psicólogos no SUAS tem se intensifica. Que este seja o da contribuição da Psicologia aos processos compromisso da Psicologia nessa política e de transformação social e de fortalecimen. editorial C onquista da sociedade brasilei. projeto comprometido com a transforma- Se por um lado a inclusão dos psicólo. o Conselho Federal de Psico- pulação. mas disponibilizar elementos e postas ao SUAS. fazeres em conjunto com profissionais que É necessário ainda que essas políticas se foram protagonistas essenciais da política efetivem fortalecendo a perspectiva da par. Pretende ainda intensificar o diálo- assim como são muitos os desafios para a go necessário uma outra área de conheci- consolidação da própria Política Nacional mento e de atuação. Com isso. e integrais de assistência social à popula. ticipação e do protagonismo social da po. cimento do trabalho do psicólogo nesse tervenção dos profissionais que nele atuam. novos conhecimentos. o Sistema Único de Assistên. Nessa medida. de assistência social que temos hoje. E na medida em que estão subsídios para a qualificação e o reconhe- postas pautam-se como desafios para a in. cessário compor saberes e construir novos vam a equidade e os direitos da população. Podemos pontuar também como uma aos inúmeros espaços de debates abertos conquista nesse processo a participação para a discussão e a elaboração de refe- dos psicólogos nessa política: conquista rências para essa área. mento de que o tema. pautando o trabalho de Assistência Social no Brasil. esgotado. Os desafios postos para a participação duções construídas pela Psicologia nesse da Psicologia nessa política são muitos. por outro sabemos que sua ção que o faça efetivo! Ilustração: Lívia Barreto 6 Julho 2010 . Parte do reconheci- que aponta o reconhecimento da Psicolo. a da cidadania e para os avanços da constru. sem dúvida. requer reflexões. que avancemos na qualidade da interven- to dos sujeitos. troca e experiên- tribuir em políticas voltadas para o alcance cias. na certeza de que é ne- a garantia de ações do Estado que promo. na busca do seu fortalecimento e logia não pretende.

ou mesmo contribuir pal e também em ONGs nas áreas de assistên. ensinando em psicoterapia fenomenológico. Na construção desse tra- psicossocial. esporte e nos sociopsicológicos implicados na promoção lazer. Nessas experiências cial da população. garantia da emancipação e o protagonismo so- vimento organizacional. buições da Psicologia para as políticas públicas mestre em Psicologia com formação sociais.entrevista “Ação conjunta de psicólogos e assistentes sociais é essencial para a garantia da emancipação e do protagonismo social da população” P sicólogo comunitário e do trabalho. mapeamento balho. desenvolvimento de projetos de atuação da proteção social. saúde. especialmente para o SUAS. “muito necessária e eficaz a atuação conjun- Nesta entrevista. orientador essencial da prática da Psicologia: a facilitação de grupos comunitários e desenvol. mobilização e participação social. dos demais profissionais. inclusão produtiva. considera safios para a sua implantação. que tão mais potência Política Nacional de Assistência Social em seu terá quão mais se intensificar a vivência prá- processo de consolidação. Fábio Porto é professor de enormemente com o desenvolvimento da pró- Psicologia da Universidade Federal do Ceará pria equipe. profissionais. um princípio é fundamental e deve ser psicossocial. Ele já atuou no poder público munici. para a ampliação da compreensão dos fenôme- cia social. Porto aponta os desafios da ta entre as duas áreas. que o profissional de Psicologia pode contribuir existencial. bem como incrementar a atuação (UFC). sistentes sociais nesse processo. Discute as contri. saúde comunitária. tica da interdisciplinaridade”. Julho 2010 7 . trabalhou com o Sistema Único Sobre a participação de psicólogos e as- de Assistência Social (SUAS) e enfrentou os de.

as conquistas: a conso. idosos. em cinco grandes cúleos. que propõe as políti. as diversas categorias profissionais e paraprofissionais constituinte da seguridade social brasileira. cioassistenciais. que se dá na medida em que buscamos com qualificação muito deficitária (em termos téc- transformar nossa realidade. Freire. várias populações e categorias sociais. cidadania ativa e efetiva. vernamental e territorial a adoção da família como matriz es- brasileira. o níveis de complexidade. com da Saúde e da Previdência Social. ético-políticos. a valorização do município mento de implementação. fragilizando a participação popular e transformar nossa do. a expressiva fragilida- Fábio Porto – Primeiramente. a contribuição cos e metodológicos. nantes dos quadros de vulnerabilidade um país que nunca insta. a pactuação federativa senvolvimento. como pretender a nos alimenta a categorias. em Com Paulo Freire. a cultura partici- vítimas de uma pobreza se dá na medida pativa ainda profundamente marcada crônica e historicamente por práticas socioideológicas pater- produzida (com definitiva em que buscamos nalistas. o significativo nú- sonho que nos alimenta a mero de administrações municipais esperança. é o sonho que proteção social. o reconhecimento dos aspectos tes históricos da prática e fatores sociopsicológicos condicio- socioassistencial(ista). to. como mulheres.sem precedentes na história das proto-políticas so- peranças e desafios de de. as equipes com forma- a trajetória de consolidação da Assistencial Social ção acadêmica e profissional distanciada da realidade no Brasil. atendidos como sujeitos de direitos. teção social com base em diferentes dade nacional da PNAS. Com Paulo realidade. a territorialização da atuação. teóri- acesso aos direitos socioassistenciais.de da integração interdisciplinar e ideológica. estrutural inerente à relação entre Es- esperança. A implantação tratégica a partir da qual se efetivaria do SUAS contribui enor. afro-descendentes e indí- superação dos anteceden. 8 Julho 2010 . cial. lembramos que é o críticos e atuantes. crian- discursivo. tendendo a lembramos que lou o tão almejado Estado ampliar e aprofundar as iniciativas de de Bem-Estar Social.“indivíduo-recebedor-de-caridade” para sujeito de di- tência social no Brasil? reitos. go. em 2005. Penso que para o desenvolvimento da PNAS e de Arquivo pessoal se encontra em um mo. a organicidade Social (PNAS) como uma jovem política. ao lado que coordenam e executam as ações e serviços. a concreta promoção da proteção so- memente com a confor. política e social das políticas públicas (muito desafiante à inserção do profissional DIÁLOGOS – Quais as conquistas e os problemas? de Psicologia nesse contexto). o reconhe- que é fundamental para cimento das lutas e da resistência de seu devido funcionamen. entre lidação da Assistência Social como política de Estado. suas ações. a reorganização das ações de pro- mação de uma organici. genas.DIÁLOGOS – A partir da criação do Sistema para o processo de conquista e construção de uma Único de Assistência Social (SUAS). a universalização do sérios entraves corporativistas. a intensificação do confronto entre uma nova Fábio Porto – Vejo a Política Nacional de Assistência cultura participativa emancipatória. e da dinâmica técnica. ma para si desafios her. das pessoas e populações. Creio que passa por aí nico-sociais e ético-políticos). seriam eles: a contradição promoção da emancipa. Contudo. cha. na implementação e desenvolvimen- ampliação e consolidação to da política pública de Assistência na realidade política. assistencialistas e clientelistas. como apre. cheia de es. que ção social de populações tado e sociedade civil. atuação do próprio Esta. favorecendo o trânsito do como o senhor analisa hoje a política de assis. consideradas nas estratégias e ações de senta um forte diferencial proteção social. Os problemas. truncando a constituição dos cidadãos cas públicas). Social. concernente à ças. em nossos dias.

Podemos dizer que o co-participativa. conceitual e estrategica- cução das ações e serviços. A consolidação do SUAS. mediante Os desafios de caráter político.Fico contente por a lista de conquistas ser maior que a social. assistenciais. familiar e comunitário. funcionamento otimizado e psicologia. ideologicamente cultivados. podemos estender a necessidade de ampliação de problemas. pode ser resumido Fábio Porto – Considero o sistente nível de organização e in. vulnerabilidade e seus contextos interacionais cialista. seja uma categoria que sofra bastante com a tematiza. o trabalho do CRAS deve ir as políticas públicas e sociais. como nos diria o psicólo. possuem raízes profun. passa justamente pela contribuição com dos desafios postos pelas con- superação histórica desses desafios. de Assistência Social (CRAS) e a promoção do desenvolvimento do seu papel no SUAS? humano e social. que por sua vez. pela corrupção. forma de relação do usuário mente no âmbito dos territórios onde se implantam com o sistema. envolvendo inclusive o pró- te alimentados. e no SUAS. emancipação social popular. favorecendo tam- peração de modos de participação exige. CRAS como um espaço funda- tegração. que o acesso direto a direitos socio- participativo apontariam para a su. a superação das al. seu Martín-Baró. uma ma!) alicerçados na acomodação e vez que prevê o fortalecimento na adaptação acrítica à realidade situações de e a integração dos vínculos afe- vivida. Julho 2010 9 . os técnico-sociais e previsto na PNAS CRAS teria um papel de promo- de tipo organizacional.e aprofundamento do preparo dos trabalhadores do das. com ênfase so- Ainda é bem incipiente a tematização acadêmica ciocultural e ético-política. os equipamentos de proteção social. bém o desenvolvimento pesso- (de usuários e operadores do siste. ver a proteção social. ou pela “inibição cionais. pessoas se encontram como um grande avanço. Contudo. Outro tipo de desafio é o risco social em que as imediatos (si mesmos. que remete tanto à comunidade). na implementação do SUAS nos e práticas. Ainda que a Psicologia além da concessão de benefícios eventuais (óculos. família e técnico-social. tivo-sociais dos indivíduos com ticipativa paternalista e assisten.cestas básicas. potencial para fomen- também a sua coordenação (ges. ao momento de exe. logicamente. tradições estruturais que per- Aqui. temos desafios organizativos e organiza- discurso fatalista. justamente por atuar no nível básico. como aponta grandes desafios. pela desorganização. Percebo o CRAS atuação dos operadores propria. seja pela prio Serviço Social. pelo Por fim. própria evolução da organici- go hispano-salvadorenho Ignacio O papel da dade nacional do sistema.SUAS às outras categorias. decorrentes da cultura par. um amplo e con. que diriam respeito à práxica”. o processo de passam a relação entre a ação mente três tipos de desafios a ser governamental e a participação superados: aqueles de ordem políti. na constituição do sujeito de direitos. de diversos saberes de compromissos e atribuições ção entre conquistas e problemas institucionais. especial. práxis sobre uma liação do Centro de Referência institucionais comprometidos com dada realidade. segundo a pactuação Fábio Porto – Penso que a equa. cuja su. podemos distinguir basica. como eficiente. estruturais que são. tar mudanças substanciais na tão da política pública). omissão. como há gerações mente. pois vêm sendo historicamen. cadeiras de roda) e continuados (salá- ção formativa tardia (acadêmica e profissional) acerca rio mínimo para deficientes incapacitados de se sus- do mundo das políticas públicas de desenvolvimento tentar e idosos com mais de 65 anos). atores socio. envolvendo a relação DIÁLOGOS – O que é necessário funcional entre as três esferas de para consolidar o SUAS? conjunto integrado governo. para a constru- sistemática em torno da relação entre a Psicologia e ção de cidadania ativa. simplesmente na mental para a vivência concreta a meu ver. teria. pois mente dita. DIÁLOGOS – Qual é a sua ava- peração exige de nós.

pode contribuir enorme- e até mesmo experiências de equi. mas de questões mais circunstanciais. em que as pessoas se encontram há gerações (o que texto: como se deu e qual sua contribuição? é reconhecidamente um problema de ordem estru- Fábio Porto – Esta é uma pergunta que comecei a tural. psicológico quanto Fábio Porto – O papel da mentos básicos. PNAS e no SUAS. a que tive acesso pelos idos de 2004. Com. res e práticas. o muito bem denominado “Casa da procedimento básico de trabalho na proteção so- Família”. como práxis e também aqueles mais específicos. tomemos para nossa reflexão um tipo do CRAS. sionais. des entre os diversos procedimentos seu mundo vivido. com possibilidade de contribuir Fábio Porto – Penso que a equipe multiprofissional. com o processo de emancipação social previsto na lógico e a efetivação do cadastro social. e tensões quando da atuação). me fazer há anos. é um avanço. Tanto é que o pro- junta desses diversos saberes. Deve haver também um nômenos sociopsicológicos exercício crítico para a definição das sua realidade. em um De forma mais específica.DIÁLOGOS – O que teria a dizer sobre o trabalho profissional. mas devemos ter social. atendimento às famílias. atuando com o setor. constituindo tema básico das uma significativa cia Social – (CREAS). que é tanto sócio. técnico-sociais presentes no CRAS. não meramente circunstancial ou eventual). como conjunto lizados por todos. a supera- ção das situações de vulnerabilidade e risco social DIÁLOGOS – E a entrada do psicólogo nesse con. movimento de dinamização das na relação entre o profissional de Psicologia interfaces entre as diferentes áreas. como a acolhida histórico-cultural integrado de diversos sabe- e a dinamização da sala de situação. por exemplo. Já podemos notar iniciativas consistência que definem como “acom- de definição conjunta de fluxos e panhamento psicossocial”). que devem ser rea. conceitual. sua constituição atuação dos demais profis- to social – acompanhamento so. como no do ser humano e bem como incrementar a continuum acolhida – atendimen. proteção social. Para ilustrar isso. seus limites os serviços de proteção so- e possibilidades. que exige. além de estar presente nas acúmulo de massa crítica em torno da questão da equipes de proteção social básica. de implicados na promoção da espeficifidades e complementarida. seria um saber com muitas in- em mente que não basta haver profissionais de di. bem como de uma profunda e sistemática reflexão crítica. ou mesmo para am- ciopsicológico – encaminhamento como sujeito de pliar a compreensão dos fe- para rede. metodológico e ção que favoreçam a integração entre o crescimento 10 Julho 2010 . Especializada de Assistên- blicas. por capacitações para operadores desse exemplo. uma atuação con. bem como de sua cial especial (executados necessária e urgente efetivação para Percebemos pelos Centros de Referência o desenvolvimento das políticas pú. como o são o atendimento sociopsico. terfaces e campos compartilhados com o serviço ferentes áreas compondo uma mesma equipe para social (o que historicamente gera muitos conflitos termos uma atuação em equipe. de a elaboração de metodologias e estratégias de atua- caráter ético-político. logo quando foi lançado o protó. DIÁLOGOS – Qual é o papel como é o caso das visitas. logicamente. Podemos da psicologia? notar facilmente que há procedi. Além disso. nos diferentes níveis de complexidade da proteção proposta ao CRAS. como o fato de ser uma categoria com amplo es- ços como esse? pectro de atuação. integra também interdisciplinaridade. cial: a visita domiciliar. da competência restrita (mas complementar!) às di. desenvolvido pelos diversos profissionais em servi. a subjetivação mente com o desenvolvi- pes que integram seus processos de mento da própria equipe. pode ser resumido simplesmente na contribuição versas áreas. epistemológica procedimentos de trabalho. a prática da da política pública da Assistência Social não partiu entrevista e o acolhimento. sobre uma dada realidade. Podemos também abordar preendo que a entrada da Psicologia no contexto o trabalho com grupos comunitários. Psicologia. Há um significativo fissional de Psicologia.

em seus estudos sobre a consciên- “perspectiva assistencialista”. neste caso específico. cológico quanto histórico-cultural. em ca. Fábio Porto – Vejo como muito necessária e eficaz a atuação conjunta entre as duas áreas. em um CRAS atuante. é significativo. como superar perspectiva assistencialista? seu tempo. a auto-orientação do pró- sa no cotidiano? Seria um fenômeno O profissional prio comportamento. O que vi. seu jeito de ser e estar no boração conceitual. muitas ve- Psicologia: o processo de construção. constitui. horizonte ético-político de libertação e emancipação ou o processo de tornar-se humano (hominiza. atuando DIÁLOGOS – Como compreende o campo de tra- ativa e expressivamente na construção dessa história. mais um “ismo”? da Psicologia mundo. mas aproximadas por um ção e desenvolvimento da subjetividade humana. E é uma característica defi- Fábio Porto – Acredito que um primeiro passo para nidora do ser sujeito a autonomia. compreen. familiares e comunitários. cia e a atividade humana). acreditar. que parte de um de integrar as diversas teorias e abordagens em encontro entre identidades bem distintas. a Psicologia tem ocorrência deste fenômeno. a capacidade o profissional mergulhado na acelerada e intensa de autorregulação da própria conduta (como nos rotina de trabalho. esvaziando-o de tífica e promoção técnico- atuação dos demais significado. promoção da nerabilização psicossocial. a legitimação e a cesso de fortalecimento da proliferação das práticas assistencialis. que resultaria em uma protagonismo do sujeito? práxis dialógica. cia de diálogo. que tão mais DIÁLOGOS – Qual a contribuição do psicólogo potência terá quão mais se intensificar a vivência prá- para essa perspectiva da valorização. Esse encontro. comunidades. ria mesmo a ser isso? Como se expres. No mais. como incrementar a com a compreensão cien- um clichê conceitual. Julho 2010 11 . zes inclusive antagônicas. a pena. caindo em uma postura social da “autonomização” fatalista. que reúnem implicados na via estratégica de supera- vários elementos que devem ajudar ção dos quadros de vul- profissionais de Psicologia nesse movi. bem muitíssimo a contribuir lado. social. para ser efetivo (para ser inter ção e humanização). mediante de trabalho vivida pelo trabalhador da enormemente com o suas ideias e ações trans- Psicologia. de verificável ou apenas mais uma ela. é digno de ser vivido. proteção social bem como de construção der e sentir que esse movimento vale da emancipação social. dos fenômenos vinculado à cidadania críti- Lembramos aqui as Referências Téc. de fato. intimamente tas. e seus desdobramentos. nem sequer identificaria a do assim. e vivê-lo com inteireza e intensidade. balho conjunto dos psicólogos e assistentes sociais? atualizando nosso devir-sujeito. de seu mundo vivido. Ambas posturas fa. com papel ativo. um movimento pode contribuir tém relação de mútua analítico de leitura crítica da realidade constituição. com o qual man- Isso requer. Nessa perspec- tiva. a partir da humano e sua constituição como sujeito de sua re- identificação e da efetivação de recursos e potenciais alidade. Isto é. autonomia e tica da interdisciplinaridade. revela com rara consistência científica o psicólogo mo querer e conseguir identificar criticamente a tal russo Vigotski. por um própria equipe. o sujeito psicológico é sujeito histórico. e também de problematização. a compreensão autonomia. grupos e o assistencialismo. e não apenas múlti). uma atuação técni- Fábio Porto – Eis um tema que penso ser capaz co-social e acadêmico-profissional. ou apenas o tornaria um “jargão”. naturalizando e banalizando profissionais. protagonista de sua existência. que é tanto sociopsi- individuais e coletivos. como temológica na relação entre a subjetivação do ser sempre nos lembra Paulo Freire. mento. Sen- contrário. ou dos indivíduos. Caso desenvolvimento da formadoras (práxis).pessoal e o desenvolvimento comunitário. do CREPOP. seja mes. é qualificado na nicas para Atuação do(a) Psicólogo(a) sociopsicológicos própria PNAS como uma no CRAS. precisa se dar em uma ambiên- Percebemos uma significativa consistência epis. ca e ativa. Esse pro- mesmo para ampliar vorecem a expansão. é ator DIÁLOGOS – Em termos dos desafios dessa políti. onde está. digamos.

a primeira redação da Lei Orgânica da Assistência Segundo a psicóloga Marisa Helena Alves. de Social (LOAS) foi rejeitada pelo Congresso Nacio- Mato Grosso do Sul. que “as nossas políticas podem se desenvolver na maram as bases para a política linha de construção de um Estado de Bem-Estar de assistência social instituída Social. estabelecendo um padrão de proteção social afirmativo de direitos sociais como direitos de ci- dadania. Mas os desdobramentos do que estava previsto mente compõe o tripé da seguridade social. veio se estruturando ao longo do Patrus Ananias avalia que “as políticas sociais tempo e as discussões da Assem. numa para a assistência social no texto da Constituição perspectiva em construção no país. Isso gerou negociações.caminhos e contextos Direitos sociais para construir cidadania E stá previsto na Constituição Federal: as- sistência social é um direito do cidadão e dever do Estado. estaduais. com objetivo de criar condições para que 12 Julho 2010 . A Constituição de 1988 foi um marco para a superação do assis- tencialismo histórico na assistência social no Bra- sil.742. saúde e a previdência social”. Para o deral e parlamentares para a aprovação da LOAS. Em 1990. e participativa da Assistência Social por meio de tuinte no final da década de 1980 “toda a par. ONGs. a assistência social era tratada como uma política isolada e comple- mentar à previdência social. o acesso à educação primária”. “até a Constituição de 88 o nal. como avalia o pelo Sistema Único de Assistência Social (SUAS) ex-ministro do Desenvolvimento Social. professor de Psicologia da Universidade Federal a Lei nº 8. com o governo fe- educação. envolvendo gestores único direito social universal era assegurado na municipais. cio do processo de construção da gestão pública que participou do Movimento Criança Consti. Até aquele momento. Angelo Motti. que só ocorreu em 1993. Patrus mais de 15 anos depois”. junto com a representaram um processo complexo. ressaltando bleia Nacional Constituinte for. Ananias: “atualmente a assistência social efetiva. estadual e municipal. alcançaram um caráter estruturante”. Mas o quadro mudou e está em permanente mudança. Era o iní- de Mato Grosso do Sul (UFMS). conselhos deliberativos com participação paritária ticipação dos movimentos sociais nos governos federal.

2 mil Centros de Referência Especializados uma política de assistência social na perspectiva de Assistência Social (CREAS). a sociedade civil pode ser uma universalizar”. o rede. Na IV Conferência Nacio. De acordo com o Censo SUAS 2009. o que significa “dizer que todos têm importante parceira”. e não apenas aqueles que estão em risco Nessa perspectiva de gestão participativa a so. Na avaliação da psicólo- ciedade brasileira conquistou o Sistema Único de ga. não apenas previa a construção e a implantação do SUAS com como carente. em 2003. realiza- tivo. Além disso. Ananias algumas barreiras para se consolidar”.8 mil Centros de Referência padronização dos serviços de assistência social. superar o assistencialismo vem a ser um desa- Assistência Social (SUAS). foi aprovada a cial na perspectiva do direito social muda o modo Política Nacional de Assistência Social (PNAS). primeira barreira é “o entendimento do que seja da e participativa. a territorialização da cial do Ministério do Desenvolvimento Social. Nesse sentido. um modelo de gestão descentralizado e participa. direito. divididos em CRE- Julho 2010 13 . a país tem cerca de 5. a afirma que a partir de “uma gestão descentraliza. a de Assistência Social (CRAS) em mais de 4 mil integração das iniciativas. fio fundamental: “uma política de assistência so- nal de Assistência Social. com 90% destes estabelecimentos social. mas como cidadão de direitos”.com todos tenham no Brasil os mesmos direitos e as do direito social é um avanço que tem encontrado mesmas oportunidades”.morguefile. “ter há 1. ou são mais vulneráveis”. Entre os princípios e diretrizes do SUAS estão do pela Secretaria Nacional de Assistência So- a universalização do sistema. a substituição do modelo assistencialista. a descentralização político-administrativa. Para ela. Contudo. que e compreensão de ver o indivíduo. a garantia de proteção municípios. www. segundo Marisa Helena Alves. beneficiados com recursos federais.

políticas que. para prevenir situações de risco e o programas de segurança fortalecimento de vínculos familiares e comunitários. população juvenil em conflito com a lei. pelo ritmo que imprime. que caracterizam violação dos direitos. econômica e que trabalham nos geograficamente situado. seu 5. tivo — pela construção de normas e aprovação orça- entre outros. e a proteção social especial. governo. Legislativo. econômicas e CRAS. e opera. Desse total. cerca mentária — bem como do Judiciário.8 bilhões. atendem mais de 5 milhões de brasileiros. Sposati argumenta que “essa relação de forças é con- junturalmente mutável a partir da relação democrática sendo 9. cial do MDS.8 mil psicólogos e alcance sob o regime democrático depende do Legisla- 2. Os CREAS têm mais de 11 mil profissionais. destinadas a famílias e indi- alimentar e nutricional e víduos que se encontram em situação de risco pesso- o Bolsa Família. uso de substâncias psicoativas. Na opinião da professora de Serviço Social da Ponti- o SUAS tem fícia Universidade Católica de São Paulo. maus-tratos físicos ou psíquicos.1 mil pedagogos. se está tratan- do de uma dada relação de forças sociais. al e social. 14 Julho 2010 . de nível superior. a processualidade jurídica.5 mil são de nível superior – 2. Assistência Social. mercado. e o Projovem Adolescente. destacando que “embora a exe- cução da política social esteja a cargo do Executivo. trabalho infantil. e que. aproximadamente “analisar a especificidade/particularidade da política de assistência social no Brasil significa entender que esta- 44 mil profissionais mos tratando de um objeto sócio-histórico. em defesa de 15 mil são de dos direitos dos cidadãos”. população em situação de rua. sem As ações desenvolvidas no SUAS se dividem em pro- a participação dos teção social básica. tais como abandono. Estado.3 mil entre sociedade. Aldaíza Sposati. 2 mil psicólogos e mais de 800 pedagogos – e aproximadamente 3 mil são de nível médio. AS municipais (1. entre outras situações Atualmente. constrói o formato do regime bra- Números mais de 21 mil são sileiro de Assistência Social”. Executivo. portanto. voltado para pessoas com comprometimento apenas para a da capacidade laboral. no caso. Os atuais programas de assistência so- R$ 25. abuso sexual.4 mil assistentes sociais. assistentes sociais. como Benefício de Prestação Continuada (BPC). nível médio. Judiciário”. dos quais mais de 6.057) e CREAS regionais (43) – que O orçamento do MDS também recebem dinheiro do Ministério do Desenvol- para 2010 é vimento Social.

tem sua gestão Rizzoti pondera que havia também outro as. do Estado brasileiro foi o Conselho Nacional de Ser- dos pelo Estado. em 1942. priamente um welfare — só foi ocorrer nas duas complementares”. Segundo a professora de Serviço Social as organizações de amparo social que deveriam ser da Universidade Estadual de Londrina (UEL). esposa as formulações da política social introduzidas do presidente da República Getúlio Vargas foi a eram correntemente utilizadas como instrumen. “Enquanto na Europa a construção para ficar”. foi a primeira a ter políticas e nos direitos sociais. “as políticas que esta- Welfare State. quan- tos sindicais”. viço Social (CNSS). desde seus primeiros momentos. Histórico A construção de um sistema de proteção segmentos organizados da classe trabalhadora”. expressando novas determina. E cita como exemplo “a im- últimas décadas do século XX. auxiliadas com o dinheiro público. do conseguimos manter a redução da desigualdade”. que. em 1937. Novo se estabelece um retrocesso nas liberdades ção de 1934. a introdução dessas de amparo social se identifiava com a benemerência obrigações do poder público no novo sistema legal na assistência social. primeira presidenta da LBA. indicava um salto de qualidade nos serviços sociais Quatro anos depois. é criada a Legião existentes na época. mas. quando o políticas sociais brasileiras. Mas o conceito ria Luiza Rizotti. pública e pelo patriotismo. processo de industrialização do país Mal começara a inovação legislativa da assistên- fez surgir a necessidade de regulação dos conflitos cia social e. como um dos Antes da década de 30. com a Constituição do Estado dessa nova realidade socioeconômica. gerando uma sociais que surgiam para responder à demanda de grande concentração de competências e ações no reprodução e qualificação da mão de obra. como “caso de polícia”. a primeira gran- ções políticas e ideológicas na relação entre o Estado de instituição de assistência social do Brasil. “Além de manifestamente assistencialistas. sobre nalidades da área cultural e filantrópica do país. Darcy Vargas. A Constitui. acentua Patrus Ananias. marcada pela presença de primeiras-damas da Re- pecto. ocorreu a partir do final da II Guer. mas compreendida como e Saúde. social no Brasil teve início na década Estavam criadas as bases do assistencialismo nas de 30 do século passado. pela presença e portância das políticas sociais no comportamento luta de movimentos sociais. Eram novos serviços e locais nas ações de política social. com profissão e sindicatos reconheci. exemplar do Brasil durante a crise econômica. a ampliação do controle esta- também a primeira da definir as responsabilidades tal sobre a organização sindical trabalhista e a re- do Estado. A professora da PUC-SP faz uma comparação “Acredito que o caminho está entre as realidades da Assistência Social no Brasil dado: as políticas sociais vieram e na Europa. e na maioria dos países ficando a nossa realidade. O objetivo inicial da tos de controle e repressão das reivindicações instituição foi o atendimento materno-infantil às por melhores condições de vida promovidas por famílias dos pracinhas que foram para a Segunda Julho 2010 15 . Brasileira de Assistência (LBA). a pobreza não era tratada órgãos de cooperação do Ministério da Educação com uma questão social. mento social não são incompatíveis. a terceira do país. O a qual o poder público agia com os seus meios re. desenvolvimento econômico e desenvolvi- ONG Lua Nova lidade pública pela provisão social — não pro. no Brasil. mos implantando no país estão modi- ra Mundial. como a limitação à um capítulo sobre a ordem econômica e social e educação universal. conhecido como Segundo ele. mostraram que latino-americanos. funcionando com a participação de perso- uma disfunção social. CNSS tinha uma certa autonomia para decidir quais pressivos. criado em 1938. Ma. proteção social só chegava a quem tinha carteira O primeiro órgão público de Assistência Social de trabalho. Mas a governo federal. como a assistência médica e sanitária definição das competências dos governos regionais ao trabalhador e à gestante. do modelo de Estado Social. o alargamento da responsabi. sim. e a sociedade civil”. além dos movimen. “por um lado.

temos em 1988 um marco com o controle dos movimentos sociais emergen. rada contrária aos princípios constitucionais e que O Estado passa a ter um papel maior no desenvol. tituição Cidadã. há uma mu. Plano Municipal de Assistência Social para o rece- Na década de 60. minários municipais e regionais. o presidente da República. a NOB 2005 foi aprovada pelo Conselho Na- que sentiam a falta de uma assistência pública às suas cional de Assistência Social. No ano seguinte. com o apoio do retos daqueles menos organizados e mais numerosos MDS. Nesse chegando a ter repre. baseado na centralidade e na ex- criou o Serviço Nacional de Aprendiza. A privatização ocorria com a gramas e projetos. Em 2004. crise da previdência social. que contribuíram para o con. a participação e controle das políticas públicas. A partir da importante gem Industrial (Senai) e. de assistên. em 1946. em 1964. uma nova versão da NOB. história brasileira é marcada pela política populista. O assistencialismo representaria a organização passar dos anos. Havia uma desigualdade tência Social (PNAS). o caráter privado. saiu e o caráter corporativo são as principais característi. mesmo ano. estaduais e municipais afirma que “A todos é assegurado que possibilite exis. do processo Constituinte. Luiz Iná- líticas sociais eram destinadas praticamente apenas cio Lula da Silva. na perspectiva tes e da legislação social corporativa. pela Legião Brasileira de Assistência. tariado. no de trabalho e deixavam de lado as classes subalternas. 145 diz: “A ordem econômica deve ser organizada É editada em 1997 a Norma Operacional Básica conforme os princípios de justiça social. e instituindo a exigência de criação de Conselho. é importante destacar as iniciativas filan- sentação em 26 estados e trópicas como responsáveis por atender parcela im- no Distrito Federal. da afirmação dos direitos sociais e dos processos de Após o fim do Estado Novo. ampliando a com- balho humano. a seletividade bimento de recursos federais. a LBA da seguridade social e os serviços sociais prestados foi se desenvolvendo. as características. Fernando Henrique e pela regulamentação da legislação social. no governo do general Ernesto Gei- ção de alimentos e geração de renda. pro- cas das políticas sociais. Uma medida que foi conside- mudanças no capítulo da Ordem Econômica e Social. a partir da articulação de pequenos núcleos de estados e do governo federal. O artigo Cardoso. que diferencia serviços. conciliando (NOB) que conceituou o sistema descentralizado e a liberdade de iniciativa com a valorização do tra. entre 1945 e 1964. amplia as funções dos Conselhos e transferência da maior parte dos serviços sociais pú. esse artigo petência dos governos federal. sociedade brasileira e da forte mobilização em torno servadorismo das ações sociais daquela época. contexto. sel. As po. Só em 1977. A norma dispôs sobre necessidades na vida pessoal e no trabalho. com 15 portante dos serviços. pelo governo federal ficaram mais seletivos. que. cria as Comissões Intergestoras Bipartite e Tripartite blicos para as instituições organizadas da sociedade com a presença de representantes dos municípios. Depois de discutida em se- entre os direitos sociais da classe trabalhadora e os di. participativo da assistência social. clusividade da ação federal. que foi extinta ça social. passando por distribui. Fun- tência digna. do. criou o Ministério do Desenvol- para os segmentos sociais incorporados ao mercado vimento Social e Combate à Fome (MDS). O trabalho é obrigação social”. dos civil. é que seria criado o Ministério da Previdência e Também em 1942 a iniciativa privada Assistência Social. poder social em torno da assistência pública. em 1995. 16 Julho 2010 . que se torna a dança significativa na conjuntura política e social do partir de então uma realidade.ONG Lua Nova Guerra Mundial. a gestão e o financiamento do Com a ditadura militar. Em 1989. um ano após a promulgação da Cons- cujas bases foram estabelecidas no governo Vargas. com a defesa permanente contra endemias pelo presidente da República. Em seu parágrafo único. com do Bem-Estar Social. importante com a nova Constituição. o Serviço Social construção dos movimentos pela democratização da da Indústria (Sesi). Foi um período de negação linhas de atuação. fortalecia o modelo centralizador representado vimento econômico com responsabilidade pela justi. Sistema Único de Assistência Social. ou redução de direitos assegurados na legislação e cia social a programa de volun. o governo federal cria o Ministério Uma nova Constituição é promulgada em 1946. Com país. editou a Política Nacional de Assis- revelando sua seletividade.

nefícios e serviços. sociedade. econômicas e ideológicas seletividade e a distributividade na prestação dos be. Há que se considerar que. a convivência social. Adiante. tes de Ciências Humanas. O Sistema Único de Assistência Social tor que tem a função de garantir direitos que con- (SUAS) é a mais nova estratégia estatal de configurar templem necessidades humanas ou que subsidie a Assistência Social como direito no Brasil. consideradas as referências que a orientam M uitas vezes.com. sempre há a dúvida se esse e nem mesmo de ser passível de atenção pública am.br O SUAS e o princípio da universalidade Nathália Eliza de Freitas O SUAS está efetivamente alicerçado no princípio da universalidade? Nesse artigo. acadêmicos. seja antre estudan- cia social carrega de não ser considerada um direito. tem como objetivo a universalidade da amplitude de proteção. no artigo 203. é um direito com caráter universal ou não. Quan- foi reconhecida como direito. Controvérsias as. nado que a prestação de serviços socioassistenciais mentos e opiniões que despertam seja para aqueles que dela necessitarem. com o tempo. principalmente no que se refere à sua ridade social. seja entre tra- sim são resultados do fardo histórico que a assistên. ao mesmo tempo. pliada. balhadores da área. a autora apresenta uma classificação das políticas sociais segundo seu grau de proteção e problematiza a possibilidade de universalização do acesso à Política Nacional de Assistência Social. a as forças sociais. que a circundam. falar em Assistência So. pesquisadora do Grupo de Estudos e Pesquisas em Seguridade Social e Trabalho – GESST / UnB Contato: nath_eliza@yahoo. de discussão sobre Assistência Social. mestranda em política social pelo Programa de Pós-Graduação em política social da Universidade de Brasília. do se analisa o papel de uma política social em uma preende-se que a Assistência Social. Acontece que não se trata de Desde a Constituição de 1988 a Assistência Social uma relação tão simples e tão lógica assim. Nos espaços defesa ou repúdio. é fundamental considerar cobertura e do atendimento e. é determi- cial pode gerar uma série de pensa. a As. políticas. Da Carta Magna com.artigo Nathália Eliza de Freitas Assistente social. política de segu. Julho 2010 17 . Quando se fala em política social muitas vezes sistência Social tem se firmado cada vez mais como subentende-se a participação de um Estado prote- direito social.

ou seja. o que tem sido agravado pela ex. privatista. O modelo residual se caracteriza pela intervenção estatal somente quando os canais tradicionais não forem su- ficientes. a produção e distribuição de bens e serviços sociais devem ser dadas com participação irrestrita dos membros da sociedade. Na perspectiva privatista. Não é suficiente ser cidadão e mente se este falhasse é que seriam utilizadas as necessitar dessa política. seletividade focalização e residualidade O grau de proteção de uma po- lítica social pode ser avaliado em relação à cobertura dos bens e serviços.Universalidade. Nesse sentido existem algumas classificações. Na percepção da univer- salidade. sendo cada indivíduo o responsável pelo seu bem-estar independentemente das condições sociais que lhes sejam impostas. A maneira inter- mediária seriam as políticas seletivas e focalizadas. tendimento dessa política como garantidora de A universalização dos direitos sociais ainda direitos e leva à compreensão desta como mera não é garantida na implementação das políticas benesse governamental. Essa classificação da presta- ção de serviços sociais tem bases nas tipologias sobre os Estados de bem-estar social de Richard Titmuss (1963) que tratam de três modelos: o residual. como uni- versalista. que Aldaíza Sposati afirma que “a possível polí- trema focalização em padrões situacionais especí. A universalização do bem-estar A política de assistência social no Brasil tem de forma ampliada a todos os indivíduos sem em seu histórico a focalização na pobreza extre- qualquer distinção só seria possível no modelo ma o que contribui para a desvinculação do en- institucional redistributivo. aos princípios da seletividade e focalização. aquelas nas quais existe a garantia da prestação de serviços sociais. 21). Os bens e serviços baseados em critérios e contrapartidas que res- de bem-estar são encontrados no mercado e so. pois a Para Boschetti (2003) o princípio da seleti- maioria de seus programas. p. e o institucional redistributivo. Esses canais são o mercado e a família. ações e serviços são vidade trata de uma escolha. e seletiva / focalizada. É nesse tipo de situação sociais no Brasil. so- mente o mercado pode atender às demandas sociais. tica de proteção social se exprime em manifes- ficos. contu- do só as utiliza quem estiver dentro dos critérios para tanto. o meritocrático–particula- rista. políticas sociais. tringem o acesso. por meio de esta- 18 Julho 2010 . Já o modelo meritocrático–particu- larista considera o empenho individual como forma de atingir o bem-estar. 2002. Na assistência social é visível a sua submissão tação de protecionismo” (SPOSATI.

mas sim. econômicos e culturais. de quem terá garantido sua resposta na família e na comunidade. Isso as ações. São Paulo. As políticas sociais Brasileiras: diag- Ilustração: Lívia Barreto to no SUAS será efetivado nósticos e perspectivas. que o modelo de proteção so- (1989) ao analisar o cial oferecido pelo SUAS aproxima-se muito mais sistema de proteção de uma residualidade – conforme o modelo resi- social brasileiro na dual proposto por Titmus – do que da universali- década de 80. cial que todo o atendimen. dade. Porém. sem considerar a sua totalidade. Ivanete. Contudo. Brasil. tuição em particular – a família –. Brasília. 2002. belecimento de critérios. MINISTÉRIO DO DESENVOLVIMENTO de vínculos em família e comunidade. 1963. classificações historicamen. políticos. seletiva em atualmente pelo SUAS. letividade e partir para a universalização do acesso BRASIL. de 15 de outubro de 2004. das as populações. Política Esse método pode mirar o papel do Estado apenas Nacional de Assistência Social – PNAS. Sônia. CONSELHO o contexto socioeconômico e político que envolve NACIONAL DE ASSISTÊNCIA SOCIAL (CNAS). 1. solução n 145. Richard. 2004. v. os direitos socioassistenciais fun. n. 2003. há critérios e condicionalidades e focalizados na ex- uma mudança na configu. Re- a situação tratada pelos serviços socioassistenciais. além de atribuir a uma única institui. Constituição da República Federativa do à política de Assistência So. Essa escolha. 1988. ao tratar das questões de riscos e IPEA. Psicologia e Sociedade.). São Paulo. Políticas Sociais e Organização do Trabalho. pois. O SUAS e seu caráter residual Bibliografia Conforme está proposto na Política Nacional de Assistência BOSCHETTI. Essays on the welfare state. sentido de combater a se. sociais. como cesso dificulta a mudança para uma perspectiva afirma a autora. e oferece bens tência Social executada e serviços sociais de forma restrita. o que distancia a assistência social ração da participação do Es. SPOSATI. concentra seus esforços em uma insti- em relação à Assis. In: Para a Década de 90: considerando a matricialidade prioridades e perspectivas de políticas públicas - sociofamiliar. contexto político-econômico em que estão inseri- crático–particularis. a matriciali. Dessa forma. v. trema pobreza. Implicações da reforma da Social de 2004 (PNAS). Aldaíza (Org. de uma perspectiva protetiva de segurança social tado na garantia desse direito. 4. cionam como remédios para situações que são analisadas como ambientes fechados e que têm a Julho 2010 19 . pode sublimar SOCIAL E COMBATE À FOME (MDS). Londres: Allen & Unwin. Brasília: dade sociofamiliar. Os Direitos do (dês)assis- ção (família e/ou comunidade) a responsabilidade tidos Sociais. Abrapso. com restrição. projetos e serviços se con- nos levaria a relacionar centram em achar a solução no âmbito familiar ou o Estado brasileiro a comunitário é tentar retirar a responsabilidade do um modelo merito. nada tem a ver com questão de de universalização com adoção de práticas estru- prioridade. turais que tragam resolutividade nos campos ma- A seletividade e a focalização são teriais. TITMUSS. Esse pro- determinado direito social. 15. na atenção do fenômeno isolado. 1989. Tratar as vicissitudes sociais em um sistema te presentes nas políticas único de proteção socioassistencial em que todas sociais brasileiras. de superação de determinada circunstância. Ed Cortez. como fez Draibe É nesse sentido. 4° ed. ta. vulnerabilidades sociais por meio do fortalecimento BRASIL. DRAIBE. programas. sem exclusão de indivíduos. é no previdência social na seguridade social brasileira.

2006. quanto no âmbito dos – vista como “base de tudo”. na prática. Para uma discussão sobre aspectos conceituais e metodológicos relacionados ao tema. há e econômicas nacionais e internacionais é a de res. a Lei Orgânica da Assistência Social (LOAS. deve estar voltada para atender às necessidades Eles apontam o atual foco sobre a família nas di. Termos como “matricialidade” e “centralidade” da mistificada como espaço seguro e protetor para as família aparecem. em convênio com a PUC- Rio). como eixo central das famílias (Segalen. formação às discussões de políticas públicas e educação das crianças1. tendo a mãe ger. A tendência atual na esfera das políticas sociais Perfeito como orientação. segundo o retrizes de políticas públicas e uma “redescoberta” “pressuposto de que para a família prevenir. frequentemente idea. mas vem receben. da família. nos textos das leis e políticas públi- do grande destaque nas últimas décadas. vem sendo também neste período des. vários campos. cimento. No Brasil. a Constituição Federal Brasileira (1988). por exemplo. prote- da importância dos laços familiares. lidade para tal” (2004: 34-36). 2001. seus membros e indivíduos. Assis. a “rede socioassistencial” 2002. a Política Nacional de portância de se analisar a diversidade de desenhos Assistência Social está pautada na “matricialida- existentes de família (Sousa. No Brasil.artigo Irene Rizzini Professora e pesquisadora do Departamento de Serviço Social da PUC-Rio e presidente do CIESPI (Centro Internacional de Estudos e Pesquisas sobre a Infância. Para uma análise mais aprofundada das questões aqui as- sinaladas.br Para além da centralidade da família Irene Rizzini O foco sobre a família na literatura saltar a centralidade do papel brasileira e internacional referente da família no cuidado. proteção e perten. como a base das di- crianças. Indi- 1. através do Siste- ocorrem em seu seio. Rizzini. promover e incluir seus membros é necessário. ou seja. Silva 2004). Deslandes. sistemas de atendimento à população em lizada como sinônimo de afeto. muitos fatores a ser levados em consideração. a Convenção das Nações Unidas sobre os Direitos da Criança (1989). diante das denúncias de violências que retrizes das políticas de assistência. garantir condições de sustentabi- Apud Fonseca 2004). porém. Tanto não é algo novo. ma Único de Assistência (SUAS). 20 Julho 2010 . de sociofamiliar”. ver Vasconcelos e Morgado.com. a família aparece como central. 1999 em primeiro lugar. por exemplo. 2004. vários estudos têm destacado a im. ver Rizzini et al. Contato: irenerizzini@yahoo. como a Declaração dos Direitos Humanos da ONU (1949). Carvalho. A família cas brasileiras. A questão da centralidade da família na vida social e como foco da proteção da sociedade e do Estado aparece em diversos outros documen- tos. 2005. 1993) e o Estatuto do Idoso (1998). Pereira.

excepcio- a rápidas transformações políticas. (b) elas são chefiadas por substâncias entorpecentes” (Estatuto da Criança mulheres em percentuais que aumentam de forma e do Adolescente. apontadas em convivência familiar e comunitária. enfatizam a responsabilidade e referenciais. Defesa e Garantia do Direito de Crianças e Adolescentes à Convivência Fami- liar e Comunitária assim retrata a tendência da ideia de centralidade da família: Trata-se da mudança do olhar e do fazer. como estipu- para a criação de seus filhos. mas extensiva aos demais atores do chamado Sistema de Garantia de Direi- tos e de Proteção Social. o crucial para a análise das políticas e ações que vêm que leva a que crianças permaneçam mais tempo sendo desenvolvidas no país. particularmente no âmbito das rela. apresen. lam diversos artigos do Estatuto. Artigo 19). devido e educado no seio de sua família e. (c) mais mulheres entram no mercado de Ao poder público cabe assegurar as condições trabalho e as famílias necessitam de novos arranjos necessárias para que isso seja possível. (d) crescem as distân. também presentes na le- tando diversos arranjos e adotando novos valores gislação brasileira. implicando a capacida- de de ver as crianças e adolescentes de maneira indissociável do seu contexto sociofamiliar. Algumas dessas mudanças. porque trata de uma sem a presença dos pais. ONG Lua Nova parentais e de gênero estão se modi- ficando em diversas sociedades. são: (a) as famílias apresen. em ambien- grande parte do mundo. não apenas das políticas públicas focalizadas na in- fância e na juventude. assegurada a sociais. te livre da presença de pessoas dependentes de tam-se cada vez menores. cadores globais sobre o tema têm mostrado que as famílias têm sofrido mudanças profundas. registram-se mudanças criança ou adolescente tem direito a ser criado significativas na dinâmica da vida familiar. Julho 2010 21 . per- cebendo e praticando a centralidade da família enquanto objeto de ação e de investimento. 1990. da família e o direito da criança a permanecer ções entre seus membros. em seu contexto familiar e comunitário: “Toda Nas últimas décadas. Lançado em 2006. o Plano Nacional de Promoção. econômicas e nalmente. (e) a dinâmica dos papéis questão que permanece na esfera da utopia. Esses referenciais. Esse é um ponto cias entre a casa e o trabalho nas grandes cidades. em família substituta. rápida.

nessa parcela. Política Social. desafiam as Proposta conceitual do PAIF. Subsídios analíti- sociedades contemporâneas a construir cos e metodológicos na lógica do Sistema Único outras formas de conceber a família e de Assistência Social – SUAS e do Programa de novas práticas de acolhimento e de cui. Mione da (BPC). International dos problemas que estes programas apresentam. CNAS (Conselho Nacional de tadores das leis e das políticas públicas e o que se Assistência Social). SECRETARIA ESPECIAL DE das famílias no cuidado dos filhos é com frequên. na práti.). 2004. São Paulo: Ed. Potyara A. Atendimento Integral à família – PAIF/RJ. persiste como desafio a distância entre o of Otago. ca. Simone G. Irene. na parcela pobre da população. as sociedades contemporâneas a rever formas tra- dicionais de cuidado e proteção das crianças. o estigma a eles associados. SILVA. respostas fragmentadas. Goiânia: Cânone editorial. São Paulo: Cortez. Em muitos aspectos. no Brasil entre a importância atribuída ao papel da família no discurso e a falta de condições mínimas DESLANDES. nas concepções de infância. A pro.. A despeito das contradi- SEGALEN. Eduardo M. São Paulo : Cortez. M. In: SMITH. porém A. É importante considerar as ambiguidades e contradições entre o MINISTÉRIO DO DESENVOLVIMENTO SOCIAL E discurso de direitos e o de igualdade como orien. em que se avançou? centes. São Paulo: Cortez. Mudanças estruturais. família e juventude: uma questão só atingem uma parcela extremamente pobre da de direitos. Defesa e Garan- ponsabilizam (ou culpabilizam) as famílias quando tia do Direito de Crianças e Adolescentes à Con- não dão conta do encargo de cuidar deles. não necessariamente os mais necessitados). MORGADO. 2004. são alguns at all (Ed. New Zealand: Children’s Issues Centre at the University Portanto. Recursos advindos de programas de PEREIRA. 2004. Introduccion. Suely F. Brasília/DF. In: SALES. para além da retórica da RIZZINI. para discussão e deliberação do CONANDA e do CNAS). LEAL. Subsídios para Elaboração cia acompanhado por discursos e práticas que res. lena O. acrescidas de significativas mudan- ças nas relações de gênero. o conceito e as parenté et perpétutation familiae. La famille en Europe: ções e dificuldades identificadas. 2006. bem-star. Política Nacional de Assistência observa na realidade: elas parecem manter o foco Social. 2005. novembro de 2004. COMBATE À FOME. políti- transferência de renda e de apoio financeiro. vivência Familiar e Comunitária. perguntar. As dificuldades de seleção RIZZINI. UNICEF. As SOUSA. RIZZINI. Editions práticas sobre a centralidade da família desafiam La Decouverte. população (e. Advocating for children. 2001. A família contem- Cabe assinalar que há um grande descompasso porânea em debate. Anne sim como.. Desenhos de famí- profundas e rápidas transformações ocorridas na lia. MINISTÉRIO DO DESENVOLVIMENTO SOCIAL O discurso contemporâneo sobre a competência E COMBATE À FOME. insuficientes ou mesmo inadequadas. Paris. 1995. então. Famílias: parceiras ou usuárias eventuais? Brasília: Claves. Irene. MATOS. do Plano Nacional de Promoção. He- de vida digna que as famílias enfrentam. Maria do Carmo B. Cabe. Maurílio C.. Sônia. para que possam criar seus filhos.Ambiguidades e contradições Bibliografia do discurso CARVALHO. Rosana. 22 Julho 2010 . discurso e a prática. Irene et al. Dunedin. perspectives on children’s rights. Acolhendo crianças e adoles- centralidade da família. cial. nos papéis parentais e VASCONCELOS. ASSIS. como ca social e papel da familia: crítica ao pluralismo de o Bolsa família e o Benefício de Prestação Continua. vêm causando impactos positivos. DIREITOS HUMANOS. (Versão prelimi- messa de apoio às famílias tem se materializado em nar. 2001. Criando filhos: a família goianiense e os elos parentais. Cortez. julho de 2005. Rio de Janeiro: Governo do Estado do Rio de Janeiro/Se- dado das crianças com base em novos cretaria de Estado da Família e da Assistência So- parâmetros e paradigmas. Brasília: MDS/CNAS. Maria Cristina (orgs). Urban children and families in dis- dos usuários desses programas e em seu acesso. esfera familiar. tress: global trends and concerns. 176-190.. 2002. as.

Muitos profissionais estão envolvidos nessas atividades e o psicólogo é peça importante nas ações e na promoção de impactos nos modos de existência dos usuários do CRAS. professora de Psicologia da Faculdade Ciências da Vida (Sete Lagoas-MG).com A atuação dos psicólogos nos CRAS Laura Freire Dispositivo central do SUAS. Sem pretender esgotar a temática proposta. O Centro de Referência da Assistência Social (CRAS). Já foi coordenadora de CRAS e psicóloga do Centro de Internação para adolescentes. no intuito de contribuir com a construção de referências para essa prática. é res- ponsável pela oferta de serviços às famílias. a Assistência Social ganhou maior visibilidade e importância nas políticas públicas. em conjunto com outros profissionais. fazendo parte da política de Assistência Social. destacadamente assisten- tes sociais. A proposta de atenção ao usuário na Assistência Social deixou de ser puramente assistencialista e ganhou novo enfoque. que. enfrentam o desafio de construir uma in- tervenção de transformação no território.8@hotmail. na dire- ção de promover melhores condições de vida. este artigo lança questionamentos e desafios sobre o fazer da Psicologia no CRAS. grupos e indivíduos. os Centros de Referên- cia de Assistência Social (CRAS) hoje incorporam o trabalho de muitos psicólogos.artigo Laura Freire de Andrade Gradução e mestrado em Psicologia pela PUC-MG. vi- sando à garantia dos direitos do cidadão. Julho 2010 23 . Com isso. como uma unidade de atenção social básica. além de realizar atendimento com adolescentes em conflito com a lei. a promoção de au- tonomia e responsabilização do poder público e da sociedade civil. atuan- do na prevenção de riscos e no fortalecimento dos vínculos familiares e comunitários. gerando novos programas e projetos. Contato: laurafreire.

voltada para o aten- rio. dentro de suas possibilidades econômicas. arranjo familiar como “desestruturado”. Para aquelas que não se encaixam do pelo estado de fragmentação. das famílias acompanhadas no CRAS. deve ser compreendida elas de saúde. outros desafios se o que é da Saúde e assim por diante. subjetivas.ONG Lua Nova Nos encontros entre profissionais e usuários a capacidade da comunidade em descobrir suas do CRAS estão presentes também as relações com demandas e se organizar de forma que ela própria professores. da assistência social ou alguma ou. o que é do Serviço Social. avaliamos. lhe. equipe dos CRAS que enfrentam grandes dificulda- lho interdisciplinar ou mesmo trandisciplinar. quem assume o papel de chefe. o mercado de trabalho oferece encontros entre os diferentes saberes. singulares que as “libertam” de qualquer culpabiliza- buições dos especialistas e da unidade que o aco. pelo pluralismo nesse modelo. o dimento das camadas sociais com grande poder individualismo e o corporativismo. Além disso. apontando a realização de um traba. adquirido na graduação. usuários. ção por não se “enquadrarem” ao modelo. Entretanto. E como uma ção entre o que as pessoas pensam sobre a família unidade recente propicia alguns apontamentos e e a forma como ela é vivida. oportunidades no atendimento da população po- é preciso que as práticas se conectem e refaçam bre. 24 Julho 2010 . Além desses. econômicas. construa os dispositivos necessários para a melho- nitários de saúde e tantos outros profissionais e ria de suas vidas. sui uma realidade multideterminada e complexa. bem como decorrentes da formação caracterizada por uma da conexão entre os serviços de atenção ao usuá. é necessário abandonar a hiperespecialização. hegemonia na ênfase clínica. E a família ções do cotidiano de trabalho dentro dos CRAS. pos. a eles. o mode- lo dominante entende que a família “estruturada” tem em sua composição um homem. O CRAS. Para isso. Há uma contradi- históricas. cisa também ser problematizada. ra se organize. tornam-se sujeitos compartimentados. é preciso desenvolver de vivida no cotidiano. Todavia. e. portanto. agentes comu. entre outras. Em algumas ou muitas discussões sobre os desafios que a Psicologia en. porém. a partir de seus modos de agir habituais. a partir dos tra. culturais e sociais. A família como lugar de destaque no CRAS pre- na qual incidem questões sociais. enfermeiros. as relações horizontais entre usuários e ciado de cada unidade. geralmente Os desafios o provedor. sejam históricas. sobretudo por meio das políticas públicas. comparativamente. a mulher é frenta dentro e fora do CRAS. Entre elas. e que em torno dele toda sua estrutu- O contexto da contemporaneidade configura. munitário. A seus campos com outros objetivos: o da implicação Psicologia fica habitada por um abismo entre o sa- dos usuários e a “devolução”. esse e pelo individualismo reflete nas ações e interven. Para des no trabalho. especialistas propiciam ações reinventivas da vida. Cada quais se manifestam as possibilidades de processos serviço o atende naquilo que é específico das atri. Nessa recuperação do saber co- equipamentos localizados no território referen. ao buscar os serviços nas unidades. apresentam no manual de orientações técnicas para o CRAS as funções dos psicólogos e dos assistentes sociais são É comum ter profissionais recém-formados na as mesmas. médicos. os próprios especialistas muitas vezes sepa- ram o que é da Psicologia. e a realida- lhes foi destituído. há aquelas claramente a efetivação desses modos de trabalho. do saber que ber acadêmico. Os vivida. para promover aquisitivo.

5. Eduardo. 81-89. esse é cional de Assistência Social. p. em modos de existência hegemônicos. Roberta Carvalho. 2006a. atendimentos Bibliografia descontínuos. Os psicólogos dos territórios subjetivos. 78-158. Dissertação (Mestrado são arremessados num espaço que pode gerar in. ANDRADE. que integra a processualidade da vida. cuta. É preciso. FERREIRA NETO. transdisciplinariedade e nal convocam-nos a pensar sobre o lugar dessa clínica produção de subjetividade. seja nas práti. Editora da UFRGS. Regina Duarte. 2002. famílias. públicas. mento psicoterápico. pois outros profissionais de Minas Gerais. 2003. Da sociedade pós-industrial à que mantêm o instituído. Julho 2010 25 . n. Uma construção em andamento e sempre 47 -56. p. um campo em que muito ainda se tem a conhecer. visitas domiciliares. portanto. devemos agenciar intervenções que se comprometam MINISTÉRIO DO DESENVOLVIMENTO SOCIAL E com um modo de fazer libertário. 2006. assim como para as políticas mento de Psicologia da UFF. jul. n. ed. tude não totalizadora. p. In: FONSECA. Belo Horizonte: FUMEC/ FCH. Ao contrário. 1997. O Psicólogo no Cen- sitados que convocam os psicólogos para “fora” do tro de Referência da Assistência Social (CRAS) de Fortuna de Minas – MG: na trilha cartográfica setting tradicional dos consultórios. Laura Freire de. ROMAGNOLI. Pontifícia Universidade Católica compreensão do seu fazer. as discussões acerca da construção de outro modelo clínico que não seja somente o tradicio. em Psicologia). ca. Krishan. por meio da reprodução pós-moderna: novas teorias sobre o mundo con- temporâneo. seja no consultório particular. Conhecida como clínica social. 2004. Porto Alegre: destina apenas às camadas mais baixas: ela se configu. dos modelos e que tendem a encapsular os sujeitos Cap. Belo Horizonte./dez. responsável pelo diagnóstico e acompanha. Revista do departa- tes para a Psicologia. São Paulo: Es- sentido. estar atentos às intervenções que insistem na repetição de condutas KUMAR. 1. Patrícia Gomes (Orgs). Galli e KIRST. social e mercado. v. Isso implica uma ati. Algumas refle- xões acerca da clínica social. Brasília: Secretaria Na- inscrita nos espaços públicos. ra como uma resposta à multiplicidade que permeia CENTRO BRASILEIRO PARA A INFÂNCIA E ADO- todos os espaços onde os psicólogos estão inscritos e LESCÊNCIA. não se e devires: a construção do presente. Complexidade. Rio de Janeiro: Jorge Zahar. PASSOS. 2004. Versão Preliminar. 18. mar. Gregório. inacabada. ainda esperam da Psicologia a manutenção do seu BAREMBLITT. Sem dúvida. Niterói. Cadernos de ação: trabalhando com que se relaciona a um modo de escuta que possibili. COMBATE À FOME. cas emergentes. Cartografias textos sociais. Paulo. como uma prática liberal e pri- institucional e outras correntes: teoria e práti- vada. Compêndio de análise modelo instituído. Proteção Básica do Sistema O trabalho no CRAS é um convite para nós psi.1992. São Paulo: CBIA/Escritório Regional São ta a produção da diferenciação. 4 e 5. dificuldade em obter recursos e re- passe de verbas e intervenções feitas em locais inu. Belo Horizonte: Instituto Felix Guattari. Atualmente. que desloca enquadramento. A formação do psi- diagnósticos e patologias para novas configurações de cólogo – clínica. O trabalho no CRAS é constituído por serviços burocráticos. Único da Assistência Social: Orientações Técni- cas para o Centro de Referência da Assistência cólogos lançarmos novos olhares sobre a Psicologia Social. 2009. pois sua recente implantação traz desafios constan. BENEVIDES DE BARROS. 2. Tânia que transpõe a escuta da clínica privada para os con. João Leite.

a necessidade das pessoas e setores de enfrentar ticas públicas de assistência social. que fica distante dos esforços capacidade de resolver situações. em todas as experiências re- otimizar esforços e investimentos. da cultura. Bolsa Família se baseia na articulação de três di- “a articulação de saberes e experiências com vistas mensões para a superação da fome e da pobreza: ao planejamento. tivo (Fundap) do Governo de São Paulo e estudio. para a realização e a avaliação de transferência de renda. no qual a Assistência Social A psicóloga Lourdes Machado considera que a não caminha junto com a educação. na definição de programas sociais complementares. do trabalho. de efetividade da habitação. ração de trabalho e renda. do lazer. básicos na saúde e na educação e a coordenação nergéticos em situações complexas”. reforço aos direitos sociais políticas. técnica em Planejamento e Ges. como a ge- de Rose Inojosa. tos e o fornecimento de documentos. o programa É o desafio da intersetorialidade. conhece-se claramente que ela se constrói sobre ampliando os resultados das polí. 26 Julho 2010 . pois. problemas concretos”. a alfabetização de adul- tão da Fundação de Desenvolvimento Administra. A ação intersetorial vai de encontro à tradição sa do assunto.intersetorialidade O desafio da artic C onvergência de iniciativas para e de eficácia. do Estado brasileiro. Por exemplo. esta não se intersetorialidade “envolve a expectativa de maior aproxima da saúde. com o objetivo de alcançar resultados si.

lização do usuário – sujeito do conjunto das aten. informações e recursos. dis. instituição ou rial. acres- professora de Serviço Social da Universidade Esta. contribuindo para que as iniciativas deixem de serviço participante da rede. critérios e desenvolvimento dos participativa. com educação. programas sociais. que em Julho 2010 27 . na avaliação da tribuição de renda e outras ações sociais”. município paulista de Santos. capaz não dão conta de promover a qualidade de vida. Jussara Bourguignon. que precede ções na área social”. de fomentar o desenvolvimento. cas centralizadoras e hierárquicas. com a sua gestão descentralizada e às normas. baseada em conselhos municipais. regras. Uma ação pioneira neste sentido. foi a Casa de Inverno. com característi- hierarquias e poderes políticos/decisórios e fragi. de superar a ex- des sociais. unidade. divergências quanto aos objeti. O Sistema Único de Assistência So- decisões. centralização das clusão social”. rigidez quanto cial (SUAS). desarticuladas. segue essa nova perspectiva de atuação interseto- vos e papel de cada área. a constituição do Sistema Único de Assistência So- Inojosa cita como exemplo o fato de que “a cial (SUAS). psicólogo e psicanalista Antônio Lancetti. de gerar “fragmentação da atenção às necessida. fortalecimento de ser setorializadas. Patrícia Cunegundes ulação pública Uma forma de gestão pública. mas. Ela teve à frente o nalidade. centando que “coisas separadas ou itens isolados dual de Ponta Grossa. principalmente. desenvolvida no violência não se resolve com a repressão à crimi. paralelismo de ações.

cultura intersetorial. e os problemas referentes ao “Não usávamos a palavra intersetorial. que era quem cuidava do caso. Uma característica da experiência da Casa de A focalização. da palavra intersetorialidade. aponta Machado.1993 era diretor do Departamento de Cidadania quem se responsabilizava. e a preocupação com resultados te. de acordo era feito segundo a metodologia de agir coletiva. da Cultura e havia muitas interven. é necessário atuar junto dessa população e depois se seguiu ao convite e isso não é fácil. tos da população. das junto”. usávamos financiamento. orçamentos são setorializadas. a falta de gestão e a ausência de que passaram pela casa não retornaram às ruas. estão “a utilização Assistência. com a técnica da Fundap. as pessoas têm de estar implica- para irem para a Casa” recorda. A bastante limitado. relata Lancetti. 28 Julho 2010 . programas e projetos intersetoriais. a utilização da linguagem técni- experiência foi bem-sucedida e quase todos os ca de cada setor. quando você vai a um território e tem de uma intervenção que foi precedida do cadastro desenvolver um trabalho. complementa. considerando que as rubricas dos “cuideplantão”. da Prefeitura de Santos e já acumulava experiên. com base regional. “Como isso se tece lação de rua que já nasceu intersetorial. “Abrigo não é lugar! Abrigo é um recurso. tensionadas e não uma divisão de tarefas” explica cias de participação no movimento de Reforma o psicólogo. em segmen- Inverno é que ela era temporária e não permanen. eram redes quentes. Rose Inojosa. de meios tradicionais de comunicação. em um acordo com a equipe da prefeitura principais dificuldades do trabalho em perspectiva que era multidisciplinar: tinha gente da Saúde. que não gosta da carga tecnocrática Psiquiátrica. Não e impactos são dois aspectos fundamentais para tinha revista. da intersetorial. a realização e a avaliação de políti- tinham lugar para guardar seus pertences e tudo cas. a recepção era coletiva. Entre as mente. as pessoas a formulação. “Iniciamos um trabalho com popu. fizemos na práxis. de alcance ções que não eram formais”.

é que a maior parte Uma das experiências intersetoriais mais dos profissionais não considera a própria histó. um instrumento ação intersetorial. “Fica parecendo que é ocorreu na Bahia. so avaliar e promover o instrumento da escuta na Alessandra considera que uma dificuldade da perspectiva de ser um cuidado. os governos fede- uma coisa impositiva. Desde 1996. intrínseca a toda a Política Na. por vezes. porque a maioria dos pro. é recente. informal urbano e. que já atuou com erradicação de cóloga Alessandra Ávila. trabalha desde 2001 na trabalho infantil. avalia que o profissional psicólogo fui aprendendo a fazer. cional de Assistência Social. de assistência importante”. até mais recentemente. Patrícia Cunegundes A experiência na ponta − intersetorialidade para combater o trabalho infantil Atuante em um Centro de Referência e Assis. diz ela. É preci- nerabilidade social”.” Ela. “Em toda a mi. a psi. ral e estadual atuam conjuntamente e criaram a fissionais e das entidades envolvidas desconhece o Comissão Estadual de Erradicação do Trabalho Julho 2010 29 . com medidas de proteção e acolhimento da doutrina de proteção integral e eu acho que institucional. avalia. processo histórico dessas conquistas sociais. cotidianamente. crianças em situação de trabalho Secretaria de Assistência Social e Desenvolvimen. o valor da escuta. que tência Social no município de São Paulo. adolescentes cumprindo medidas socioeducativas nha trajetória como ‘profissional Psi’ eu sempre em meio aberto de prestação de serviços à comu- atuei com crianças e adolescentes e na militância nidade. com to com proteção social especial. bem-sucedidas no combate ao trabalho infantil ria do SUAS e da Política. graças à tem muito a contribuir no processo de integração perspectiva de sempre olhar para o direito desses se valorizar uma das forças de seu trabalho: “A gen- indivíduos mais suscetíveis nas situações de vul. te minimiza.

para que receba a assistência adequada”. para implementar o Programa de Prevenção e Erradicação do Traba- lho Infantil no Estado. A região era marcada pela intensidade do atraso. Segundo a PNAD/IBGE det 2008. composta por 11 representantes do poder público. trabalhadores infantis domésticos e aqueles que es- tão sob o risco de exploração sexual. Saúde e Educação para atuar de forma integrada. Bahia – Brasil é no fortalecimento das capacidades institucionais e na promoção de atividades que favoreçam as instâncias locais a trabalharem de forma intersetorial. Infantil. de caprinocultura. Cynthia Ramos. agravada pelo fato de que as máquinas de beneficiamento do sisal provocavam mutilações. atendendo as crianças e os adoles- centes trabalhadores com reciclagem em lixões. assistindo mais de 120 mil crianças e ado- lescentes na faixa etária de 7 a 15 anos. Ele atende atualmente 99 municípios em 15 regiões econômicas da Bahia. como a utilização da mão de obra infantil. Desde de 2002. entre outros. “Na verdade. Apesar desse esforço. o governo baiano passou a priorizar combate ao tra- balho infantil nas cidades e em 2008 recebeu o reforço de um programa da Organização Internacional do Trablho (OIT) para 18 municípios do semiárido. em cinco municípios. em diversas atividades de trabalho. Segundo a oficial de projetos da OIT. da pobreza e de vulnerabilidades. Na região de produção de Sisal. praticamente todos os municípios podem se beneficiar com a sensibilização e a capacitação de profissionais nas áreas de Assistência Social. atu- almente a concentração do Projeto de Apoio aos Esforços Na- cionais em Prol de um Estado Livre de trabalho infantil. 471 mil crian- ças baianas com idades entre 5 e 17 anos trabalham. o que re- presenta 45% dos casos registrados na Região Nordeste. é preciso que um professor possa identificar uma criança em situ- ação de trabalho e encaminhá-lo para órgãos da rede de garantia de direitos. Com projetos como Bode Escola. diz Ramos. Por exemplo. e o Baú de Leitura. foi implantado o PETI. uma planta da qual se produz cordas e tapetes a partir das suas folhas. os vendedores ambulantes. o programa cresceu. de incentivo ao consumo prazeroso de livros e exer- cício da crítica nas escolas públicas. inicialmente. 30 Julho 2010 . 10% das crianças que trabalham no país são baianas.

D e cada quatro ta m b a ix o rendimento 3 m apresen entre 5 e 1 s que persiste e squisa Nacio na l p o r sc o la e o re v e la a P d o na m a e las. latório da fantil. as crian Para a sociólo o Infantil. acional de P revenção fa n ti l”. a m e lh o ra na situação trabalho infa xpressam um ternacional de Erradi- e ro s sã o ruins.q u do º d a C o n v e nção nº 182 e n te n o e n frentamento o8 r-se mutua m rito do artig ri o s para ajuda s n e ce ss á dar os passo a Somavia. D an - e 5 e 1 7 a n os trabalham s tr a b a lh a d ores. b á si c a” . D esde 2003. Já na d e d e st a q u e na coopera esf m posição tiva sobre os e ce que o país te e s pelas quais p assou. r abalh o I nfantil T a b a l h o infa ntil: a o tr i ntegrado Co m b ate i a a o s mavulneráveis is ass is tên c lescentes e io d e c ri an ç a s e a d o ilhões e m 0 mil tem a d a m e nte quatro m e ss e to ta l. re d u ç ã o d o orçamento a Houve Julho 2010 31 . m o st ra n do o retrato consegu /IBGE) 20 0 d e D o m icílios (PNAD Amost ra que se n ti l n o B ra sil. o diretor-gera contém o s ap re ç ão o rç o s b ra si leiros. . p orque estão Sul-Sul. T I) d o M in istério do De n o n ú m e ro de atend Infantil (PE tra aumento a se c re tá ri a. três ab brasileiros e ntr p e qu en o e nã o a n o s. observ rais que te s tê m d e ir para a esc m u d a r o s valores cultu e adolescen o infantil é etorial já a e rr a d ic a ç ão do trabalh d e m a n d a a ação inters desafios d qu e lho o tr ab a lh o infantil. d a d o s a p re sentados na se n ta ç ã o . É o que trágico do e m a c o m p a n ha r a s au 8 . mas e ro g ra m a In Os nú m P nal q u a n d o o p aís recebeu o O rg a n iz a ç ã o Internacio dá desde 19 92. graça co ra ja d a s. a lh o In fa n ti l (IPEC). O re çã o co n tr a o trabalho in cação do Tra b lerando a a o posi- (O IT ) d en ominado Ace 2 0 1 0 e a p o nta uma visã do Trabalho sessão de l da OIT. re co n h o rm a çõ Juan Somavia s às transf no espí- co n d iç ã o d e líder. Is a Oliveira. na em ser en embros a s co m o a s do Brasil dev e co n cl a m a os países m “Iniciativ a . “não regis segundo no a ano”. e “um dos gra nd e s d o T ra b a lh an d o q u e Erradicaçã o ola. o e E rr a d ic a ç ão do Traba ainda justific am Programa d Combate à F o me . mais de 99 Apro x im . a fi rm o F ó ru m N trabalho in ria executiva d ças g a e se c re tá d e 6 a 1 4 a nos. o n to S o ci a l e na proteção senvolvime imentos.

com. que já é considerado essencial em algumas ciências e práticas. da cidade mineira de Betim (MG). psicanalista e supervisor do Centro de Referência Especializado de Assistência Social (CREAS). cara a cara Os desafios da Assistência Social no Brasil : dos contribuições psicólogos e Akerman é mestre em Psicologia Social pela dos assistentes Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). tem no trabalho conjunto entre psicólogos e assistentes sociais uma referência que aproxima as duas profissões” Arquivo Pessoal Jacques Akerman 32 Julho 2010 . Contato: jacquesakerman@terra.br “O paradigma psicossocial. professor de Psicologia da Universidade da sociais Fundação Mineira de Educação e Cultura (FUMEC).

br “Psicólogos e assistentes sociais têm tudo para realizar um exitoso trabalho conjunto na formulação de respostas às múltiplas expressões da acervo cfess/2008 questão social do país” Elisabete Borgianni O desenvolvimento da política de Como avalia os desafios da política de assistên- assistência social no Brasil passa cia social em vigor no Brasil? pela contribuição de psicólo- Akerman – Os desafios estão por todos os la- gos e assistentes sociais. liar. garantindo a qualidade da assistência e a resultados dessa produção interdisciplinar. Eles avaliam os desafios da assistência que gosta de ajudar os outros pode ser gestor social. a experiência profissionais não para aprofundar e debater divergências. Julho 2010 33 .org. e não como assistencialismo. Nessa dos. como eles se articulam e os tente. mas os maiores. amigos sem qualquer qualificação ou experiên- A Diálogos entrevistou o psicólogo Jacques cia. pois parece que se pensa que qualquer um gianni. gestão das políticas públicas e a realização de ousou uma proposta diferente: trazer dois concursos públicos. dizem respeito à profissionalização da na Psicologia em relação a um mesmo tema. gestão 2009/2013. Infelizmente.Borgianni é doutora em Serviço Social pela Pontifícia Universidade Católica (PUC) de São Paulo. o Cara a Cara. O que se espera é que um direito. temos um traço pecu- Akerman e a assistente social Elisabete Bor. mas para buscar avanços em um tem demonstrado que os partidos não dispõem trabalho de composição necessário à atuação de quadros gestores consistentes para as políti- no SUAS. Na assistência social. o significado da assistência social como ou trabalhador da área. o servidores públicos concursados possam ser ca- trabalho conjunto realizado por psicólogos e pacitados e qualificados de forma mais consis- assistentes sociais. em minha opinião. é presidente da Associação dos Assistentes Sociais e Psicólogos do Tribunal de Justiça de São Paulo (AASPTJ/SP). e que edição. presidiu o Conselho Federal de Serviço Social de 2005 a 2008. foi conselheira do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda) de 2002 a 2007 e atua também como assessora editorial da Cortez Editora para a área de Serviço Social. a partir das contribuições e leituras cas públicas e muitas vezes designam filiados ou da Psicologia e do Serviço Social para a área. que tradicionalmente não se referem somente à política de assistên- evidencia dois pontos de vista antagônicos cia social. continuidade dos serviços. Contato: aasptjsp@aasptjsp.

que já é social em vigor no Brasil são os mesmos de toda considerado essencial em algumas ciências e prá- a política social dos últimos governos no país. pois dade que precisa da intervenção institucional para a tendência em nosso país é sempre a de reforçar o acessar seus direitos de cidadania. quase nada para as ações chamadas de estruturan- Borgianni – Psicólogos e assistentes sociais têm tes (trabalho. no SUS ou nas centenas de Varas da In- No seu ponto de vista. Este tem sido sempre duas profissões. fância e da Juventude e de Família e Sucessões. mas cidadãos sutis ou radicais.). com os saberes mostrado que a maior parte do orçamento vai apresentando suas bases e com os profissionais se para os programas de transferência de renda (Bol. portadores de direitos. e as pessoas que necessitarem de as- que também podem esclarecer os determinantes sistência social não devem se considerar e ser dos atos violentos que transbordam. Na minha experiência na proteção insuficiente para os objetivos de universalização social especial. que propugnam o compromisso com a que a transferência de renda da massa da popula- população atendida e também vêm estabelecendo ção pobre às parcelas mais privilegiadas nunca foi parcerias importantes nos locais de trabalho. estabeleceu-se boa parceria de tra- do acesso aos direitos sociais. uma impasse e repetição que engendram as situações perspectiva de mudança da percepção da popu- de violência concernentes ao trabalho da prote- lação sobre as determinações das suas condições ção especial. tem no trabalho conjunto entre psicólogos e estão relacionados diretamente com a questão assistentes sociais uma referência que aproxima as do financiamento público. etc. O direito que consta na Constituição tradição um olhar sobre as marcas que as condi- passa a ser um direito reivindicável e um dever ções de vida imprimem na história dos usuários e do Estado. de cada família ou comuni- pende de muito trabalho e do controle social. os estudos têm de uma prática transdisciplinar. como direito e não como assistencialismo? Qual é a contribuição de cada área? Akerman – Por ser uma área muito propensa a Akerman – Os saberes “psi” apresentam a dimen- toda sorte de manipulação. e ticas. Os saberes do social trazem na sua de vida. tentando pectiva da assistência como direito foi funda- identificar no discurso dos usuários os pontos de mental. atende. essas ações tudo para realizar um exitoso trabalho conjunto seriam aquelas que permitiriam que as pessoas po- na formulação de respostas às múltiplas expres- bres avançassem em suas condições gerais de vida. Borgianni – Enquanto o psicólogo tem toda a Borgianni – Este foi um dos grandes ganhos que condição de trabalhar com as expressões da sub- tivemos no país após anos de luta dos segmen- jetividade e da vida emocional da população que tos mais lúcidos dos trabalhadores da área social. apropriando destes saberes para a sustentação do sa Família e Benefício de Prestação Continuada) e trabalho de atendimento psicossocial. na mesma medida. seja tão grande no país. Há áreas de atuação comuns? Como analisa o trabalho conjunto entre psicólo. e não as po- líticas públicas que garantem direitos universais. sejam eles consideradas objetos de caridade. o que representa a mu.Borgianni – Os desafios da política de assistência Akerman – O paradigma psicossocial. a benemerência. pois representa. a mudança de pers- são da escuta para além do manifesto. Akerman – Na proteção social especial da Secre- gos e assistentes sociais que vem sendo realizado? taria de Assistência Social de Betim temos traba- 34 Julho 2010 . e não o direito. Ambas as profis- para. No caso da política balho. em que temos a perspectiva de construção de assistência. aos poucos. não depender mais dos repasses sões contam com códigos de ética profissionais diretos do Estado. saúde. os psicólogos e outros. os assistentes sociais têm as qualificações como os assistentes sociais. favor. em forma de ações efetivas. sões da questão social no país. necessárias para compreender as expressões mate- Mas a consolidação dessa perspectiva e sua obje- riais e culturais que estão subjacentes às necessida- tivação concreta. no SUAS. no dança de perspectiva de afirmação da assistência Poder Judiciário. de- des de cada indivíduo. habitação. Outros estudos mostram ainda avançados. propriamente dita.

vocações ou preferências entre os diversos profissionais. evitando o desenvolvimento de ações reza psicosocial. de identificar. que leve em consideração seu desenvolvimen- é o mesmo. inclusive visitas domiciliares. cipalmente a pessoas que. Pense também no divisão que empobrece os dois saberes e poderia trabalho necessário com um adolescente que está produzir o engano de que o trabalho em uma pro. to como adolescente. um ou outro profissional. Julho 2010 35 . embora em uma con- dição de vulnerabilidade. os resultados serão os melhores e todos nós. a partir como já explicitei. cumprindo medida socioeducativa de internação. famílias e comunidades. além de ver respeitadas plexa. na proteção especial. Essa é uma e também com o agressor. senão impossível. Akerman – Acredito que o trabalho se articula de maneira indistinta nas duas proteções. os pontos de impasse social. uma Borgianni – Há muitas áreas de atuação comum vez que se trata. o que não quer dizer que não haja dife- proteção social? rentes estilos. o que muda são as situa. Borgianni – Penso que a proteção especial exige Como o trabalho de um psicólogo se articula mais articulações com toda a rede de atendimento com o de um assistente social. dar conta sozinho da gos e assistentes sociais. teção é mais fácil ou mais leve do que em outra. forma conjunta e debater e refletir sobre cada caso mordial. o quanto é necessário esse trabalho multiprofissio- Nos acostumamos a pensar que o nosso público nal. habitação. Esta parceria inaugura um campo fragmentadas ou estanques. pois é muito difícil. nadas ao idoso. para que atendemos. precisamos traba- ou dificultados por alguma necessidade mais com. ético que nos convoca para o desenvolvimento de práticas e teorias que propiciem um novo patamar Borgianni – A proteção básica está voltada prin- da Assistência Social no Brasil. Borgianni – Sempre que essa parceria for possí- culos familiares. já a proteção especial vai incidir vel. por exemplo. o trata- Akerman – Alguns acreditam que os assistentes mento físico e psicológico de que ela necessita. seja como pe- que impedem a autonomia e o protagonismo de ritos judiciais. poder atuar de articulado de assistentes sociais e psicólogos é pri. trabalhando nas Varas da Infância e indivíduos. seja na especial de mé. um caso de abu- níveis diferentes de proteção social – básica e so sexual de uma criança. etc. podem famílias ou pelos indivíduos que estão vivendo em ser realizados por ambos profissionais. enquanto uma situ- ação de vulnerabilidade pode ser de difícil mane. sua relação com a família e dia e alta complexidade.lhado sem separação de atividades entre psicólo. saúde. a necessidade de prote- especial? gê-la imediatamente do suposto agressor. lhar diuturnamente. que têm condição de pobreza ou miséria. a articulação do trabalho entre de práticas fragmentadas e tradicionais de psi- psicólogos e assistentes sociais das duas proteções cólogos e assistentes sociais e a consideração da deve se dar para produzir integralidade entre os problemática dos usuários como sendo de natu- dois níveis. educação. sempre. nas Varas de Família e também nas SUAS é um trabalho de cuidado em relação aos Varas que hoje trabalham com a violência domés- vínculos que sustentam as pessoas nos seus terri- tica (Lei Maria da Penha) ou de questões relacio- tórios geográficos e subjetivos. para. o sociais estariam mais à vontade na proteção básica trabalho que tem de ser feito com a família dela e os psicólogos. ainda mantêm os vín. A experiência tem Como será o resultado dessa parceria entre essas demonstrado que algumas vezes o direito violado áreas em sua opinião? pode ser facilmente superado. Akerman – Já temos como resultado a superação jo. O trabalho do da Juventude. seja na básica. Todos os atendimentos complexidade das questões que são trazidas pelas e atividades. dependendo do nível de trabalho. ções em que estão envolvidos. considerando os especializado. como base uma mesma ética que orienta seu A articulação muda. com a comunidade onde vive. Nesse sentido. Veja. Em ambas as esferas de proteção o trabalho nossas prerrogativas profissionais. seja nas políticas de assistência do paradigma psicossocial. naquelas que estão com esses vínculos rompidos assistentes sociais e psicólogos.

org.br O controle social nas políticas públicas José Antonio Moroni Ilustração: Lívia Barreto 36 Julho 2010 . artigo José Antonio Moroni Colegiado de gestão do INESC Contato: moroni@inesc.

que alterando as normas e regras centralizadoras e dis- incorpora cinco dimensões: tribuindo melhor as competências entre o poder i) a formulação. especialmente no que se refere à aprofundada. tou grandes avanços em relação aos direitos sociais. Segundo a autora. mas de um conjunto de ações da sociedade civil que se materializou na organização de um movimento social amplo. Ao mesmo tempo que questões em diretrizes de diversas políticas. Existe uma contradição entre esse çamento público). usado na época por todas as for- vo. Julho 2010 37 . participação das coletividades locais – sociedade iv) a avaliação. e abriu possibilida- Surgem nesse período várias tentativas de se criar de de criação de mecanismos de democracia parti- “conselhos populares”. além da democratização e publicização cipio da descentralização político-administrativa. claramente. o Estado de Bem- Estar é o Estado constituído nos países de capitalismo avançado. introduziu instru- partidos e processo eleitoral. por exemplo).1. não serviu para o fortalecimento do se criou nenhum mecanismo de participação ins. O período pós-constituinte é marcado por Com o processo Constituinte. c) configura-se como agente central na reprodução social. com ii) a deliberação. apontando. b) origem em um pacto social e político entre Capital-Estado-Trabalho. e possui como características: a) os direitos sociais como paradigma. civil organizada – e à criação de mecanismos de v) o financiamento das políticas públicas (or. a necessidade do controle social. 1991. d) gestor poderoso das políticas sociais. pensamento hegemônico do “Estado mínimo”? 1. po- gulamentação dessas diretrizes se incorporam os liticamente estávamos entrando na era neoliberal conselhos e as conferências como mecanismos de com a eleição para presidente de Fernando Collor democratização e de controle social e que cha. que era da ampliação e fortalecimento A Constituição de 1988 transforma essas das políticas neoliberais. gulamentou de forma limitada. Sendo assim. Introdução No final da década de 70 e no inicio dos anos 80. via dos direitos sociais2. para a construção de um mente público? Nessa indagação já estava embutida Estado de Bem-Estar provedor da universalização a avaliação de que a democracia representativa. a descentralização aumenta o estímulo à maior iii) o monitoramento. Nesse aspecto. 2. colocando. controle social. Vale ressaltar que na política econômica não ças políticas. de Mello. processo e o momento histórico vivido internacio- nalmente. Na re. O movimento social traz para esse gestão das políticas públicas. do Estado. alguns “dentro do Estado”. filosofias e concepções comuns. cipativa (os conselhos. até que ponto o discurso mamos de sistema descentralizado e participati. poderes regionais e locais. pois não falamos de um especifico. Estamos utilizando como conceituação de Estado de Bem-Estar a definição apresentada por Falcão. não é suficiente para mentos de democracia direta (plebiscito. Era neces. que era o que se denominou campo democrático e popular e com a agenda política a construção do Estado de Direito e democrático. rios criar para democratizar o Estado e torná-lo real. central. Além disso. com características. a Constituição de 1988 apresen- se a seguinte questão: que mecanismos são necessá. es. referendo complexidade da sociedade moderna. a construção do Estado do Bem-Estar Social. por meio do prin- processo. outros “fora”. que o Congresso Nacional re- sário criar outros mecanismos de participação. titucionalizado e público. com mais ênfase. essa questão é modificações. da participação. assim como nas políti- o movimento social1 retomou. a cas que definem o “modelo de desenvolvimento”. que é a expressão essencial do Estado. Apesar de existir vários e diversos Movimentos Sociais usaremos no singular. Também. construímos uma Constituição que aponta para pecialmente as chamadas políticas sociais. e iniciativa popular). questão da democratização do Estado.

que equacionem as pres- deliberação das diretrizes gerais de uma deter. inaugura-se nova concepção de espaço público ou mes­mo de de- descentralizado mocracia. sentido. envolvendo outros sujeitos políticos. funcionando de forma colegiada. Podemos afirmar que o principal objeti- cepção do sistema descentralizado e participati. 3. a promoção da igualdade verno e da sociedade civil. a construção tica força o Estado a se democratizar. efetivação de tais direitos. também.2. a cobertura de Na verdade. deliberação e controle da execução tes que foram tornados desiguais. espaço de decisão do estatal-privado para o es. pação plena nas questões que lhes dizem respeito. deliberar e fiscalizar a implementação de políticas públicas. Da mesma forma que uma sociedade democrá- trução de espaços de negociação. ção e autonomia. pois a democracia exige poder e a corresponsabilidade entre o Estado e a postura democrática dos cidadãos e das cidadãs. apresentar apenas as eleiçõescomo fato con- mos eficazes de controle da população sobre os creto. sões das maiorias sobre as minorias. a todos e a todas. vo estratégico da democracia participativa é a vo (especialmente os conselhos e as conferências) univer­s alização da cidadania e. Governo e sociedade civil. “Universalizar” das políticas públicas. seja nos privados. Podemos definir “conselho de política públi. no caso brasileiro. que a con. deliberam de dos “desiludidos” da vida social. dando oportunidade à transforma. o in­verso tam- de consensos e dissensos. Relação Democracia e que estão presentes nos âmbitos municipal. ou. podemos dizer que os conselhos deslocam o preconcei­tos e discriminações. sociedade civil. a cons- está relacionada à questão da democratização e trução de uma democracia cotidiana. responsabilizá-los pela a concretização do controle social – uma moda. cia não pode ser algo abstrato na vida das pessoas des criadas para enfrentar a ausência de mecanis. o conselho é um instrumento para iguais direitos e. Em uma leitura simplifica. A construção da democracia nos impõe vigi- tatal-público. 38 Julho 2010 . ta ético-político. grupos sociais alheios à participação – os chama- por meio de suas representações. São mais amplos que os norias ativistas contra as maiorias passi­vas. ins. com as finalidades de de condições e de oportunidades entre os diferen- elaboração. compar­tilhamento de bém tem de ser verdadeiro. A universalização da cida- lidade do direito à participação política que deve dania. instituído por representações governamentais e não gover- namentais responsáveis por elaborar. in­tegrante do poder público. Deve proporcionar aos cidadãos a partici- atos do Estado. forma pública e transparente. ou das mi- minada política pública. significa estender. O sistema participativo e descentralizado O sistema descentralizado e participativo é um espaço essencialmente político. de cará. pressupõe o combate a to­das as ter deliberativo. da. titucionalizado. portanto. desigualdades. Podemos afirmar. autodetermina- ca” como espaço fun­damentalmente político. composto por membros do go. esses espaços devem ter estratégias claras por isso têm também caráter de mobilização so­ e eficazes com vistas a incorporar indivíduos ou cial. É uma das possibilida. do ponto de vis- autônomo. A universalização da cidadania. formas de discriminação. também. seja nos espaços públicos. não será alcançada sem a interferir efetivamente no processo deci­s ório dos implementação de políticas reparadoras dos danos atos governamentais. além de favorecer sua soberania. lância permanente e constante no sentido de criar ção dos sujeitos so­ciais em sujeitos políticos. A democra- da publicização do Estado. Nesse conselhos. de forma paritária. participativa e sistema tadual e nacional. es. Dessa forma. Permitem a cons. mecanismos institucionais de participação com As conferências são espaços institucionais de regras definidas e claras. causados por séculos de exploração.

o Estado a não criar espaços institucionaliza- dos de parti­cipação ou a indicar. Estado privado. mentar decis ões. isto é. por parte do Estado. Tais mitos obrigatoriedade de convocar reuniões. etc. na maioria das vezes. pois não percebe que há sujeitos políticos que não querem que as coisas mudem. • A sociedade é vista como elemento que da ocupação de um cargo buro­crático. porque o momento de cias de decisão é. Vamos citar apenas quatro que ganha a eleição. cercada participação da sociedade e de cidadãos e de mitos criados pelos discursos governamentais cidadãs é o voto. não disponibilizar as informações (porque a “sociedade não vai entender”). diante das propostas ou da ausência delas tização da participação. • A sociedade não pode compartilhar da 4. Por ser uma coisa nova na cultura política brasileira.Ilustração: Lívia Barreto • A participação. seja de dificulta a tomada de decisões. que definem também as políticas. em que a burocracia ou o político detém o saber e a delegação para decidir. por segmen. gover- namentais ou não. sem senso critico. devem ser desconstruídos com base em uma seja pela questão de posicionamento crítico concepção ampliada de democracia e da poli. por exemplo. • A sociedade não está preparada para participar como protagonista das políticas públicas: esse mito baseia-se no precon- ceito do saber. Durante o mandato. desses mitos que dificultam a participação: o partido decide o que fazer conforme os Esses mitos são disfarces ideológicos forja. por intermédio do partido tos da sociedade civil. precisam ser capacitados para entender e participar. outros nem tan- to. não percebe que há outras formas e interesses. Essa concepção torna o e reproduzidos. interesses partidários. Julho 2010 39 . Esse mito também se expressa no discurso que a so- ciedade civil precisa ser capacitada para participar. o que leva. da construção das à participação condi­ções políticas para tomar e imple- A participação da sociedade civil nas instân. escolher e determinar quem são os representantes da sociedade nos espaços criados. assim como. dos por aqueles que detêm o poder político no Brasil (seja oriundo do poder econômico. por si só. alguns legítimos. não percebe a correlação de forças e. seja pela um cargo eletivo) e que não querem nenhum questão do tempo (demora em decidir. muda a realida- de: é um mito que despolitiza a participação. todos os agentes. mecanismo de partilha desse poder. Justifica a tutela do Estado sobre a sociedade civil.). por conse- quência. Alguns mitos relacionados governabilidade.

rumo a reformas qualitativas e Social) e as conferências nacionais. convivem vários se- cia Social está previsto no inciso II do Art. por meio de organizações representativas. ao atribuir a concessão/renovação lo de representação da sociedade civil que privilegia do Certificado de Entidade Beneficente de Assistên. também. deve decidir as normas e fazer o problema da super-representação das entidades controle social. pouco se altera a cada eleição. Dessa forma. em que um dos instrumentos de corrup. paço legítimo. os interesses dos usuários. 204 da tores da sociedade civil que. têm-se as pulação. em 2009. conquista solução CNAS nº 24/2006. a cada dois anos. or- certificado de filantropia feitas pelo antigo Conse. na Assistência Social. justamente no momento da CPI dos Anões do Or. Esta atribuição foi retirada do sentação direta dos usuários. Lei Orgânica da Assistência Social de e benemerência. Além da de. ficando o órgão gestor com a função de Assistência Social. 40 Julho 2010 . Lembrando que esse debate se deu substanciais. continuam atuando no CNAS. O CNAS. como pessoas vincula- da sociedade pela defesa de uma política pública e das aos programas. que não difere No processo de construção da LOAS. Aqui cabe perguntar: até que pon. Essa parcela. CNAS. pelo CNAS. em si. substituído assistência. política pública de Assistência Social. as entidades que 1993. entidades filantrópicas. ganizações de usuários e de trabalhadores(as) da lho Nacional do Serviço Social (CNSS). pela concepção de solidariedade. das lutas pró-Constituição. da Política Nacional de Assistência Social (PNAS). que diz: “participação da po. A participação dos usuários. como órgão superior de deli. regulamenta o Art.5. projetos. O controle social na Assistência Social Em termos legais. Realiza-se muito to da política e que precisava estar sobre o olhar do mais a “dança das cadeiras” do que mudanças controle social. processo. definidos na Re- conhecem o CNAS como espaço público. ora por ajuda A LOAS. ora representando o usuário e/ou As forças políticas que atuavam no antigo CNSS organizações de usuários. conselhos de assistência social tem a ver com mode- toriais ao CNAS. No campo da Assistência Social. o controle social da Assistên. ora representando seu es- fazer a concessão. Há. ora pautada em todos os níveis”. No universo dos conselhos. as entidades assistências em detrimento da repre- cia Social (CEBAS). serviços e benefícios não corporativa. de forma acertada. deixa claro que as entida- ram como espaço público não corporativo e com des prestadoras de serviços não representam. 204 da Constituição de atuam na defesa dos interesses públicos sobre os 1988. a LOAS deu atribuições executivas/car. criando como instrumento para o controle privados e que pautam sua atuação na democra- social o CNAS (Conselho Nacional de Assistência cia participativa. não é homogênea Constituição Federal. O CNAS é o órgão superior de deliberação da perdeu terreno nos últimos anos. com a melhor definição ção eram as subvenções sociais e as concessões do do que sejam entidades de assistência social. au- olhar estratégico sobre a política? tomaticamente. que emergiu municipais e estaduais. Essa é uma das possibilidades da correção do beração da política. O SUAS procura enfrentar alguns vícios desse çamento. não re. Tomando como foco o CNAS. O fortalecimento do campo conservador nos liberação. prevaleceu dos demais conselhos. Por exemplo. geralmente com agen- na formulação das políticas e no controle das ações da corporativa e lógica privatista. precedidas das substantivas do Estado. o quadro da representação a ideia que a certificação deveria ser um instrumen. e suas representações. to os conselhos de Assistência Social se constituí.

esses mecanismos podem con- tribuir com a construção/consolidação de uma SOUZA FILHO. O Futuro da Democracia. fera pública no âmbito da política de sileira. BSB 2009. Rio de Janeiro. A construção da es- transformação social. apesar do pouco avanço no sentido de transformar em poder de fato o poder legal que esses conselhos possuem. Rio de Janeiro. J. A. São Paulo. A. 1986. 1993. Dissertação de Mestrado. N. B e Moroni. Os Direitos (dos desas- de funcionamento dos conselhos podem fortale. do Estado Assistencial Brasileiro. Cortez. Paz e Terra. 1991. danças substantivas na relação Estado-Sociedade. porém seu sentantes da sociedade civil nos conse- funcionamento poderá servir como estrutura de lhos de assistência social. MDS/CNAS. assistência social. In: Cadernos de textos: Participação e controle social no reforço para a efetiva solidificação de uma cultura SUAS. (orgs). podendo impulsionar uma mudança qualita- Rio e Janeiro. I e Não consideramos os conselhos como espaços Peppe A. muito menos exclusivos. le- vando-nos a uma ordem mais próxima da utópica ______________. Raquel. A seguridade na travessia com a alteração do perfil estatal brasileiro. ESS/UFRJ.Conclusão O sistema descentralizado e participativo confi- gura-se como instituto político não tradicional de gestão de políticas públicas. Crise e Redefinição radicalidade democrática. para a realidade bra. Centro João XXIII. do Estado Brasileiro. M. In: SPO- Além disso. de civil organizada e comprometida efetivamente FALCÃO. cer o estabelecimento da cultura democrática que propiciou sua criação. 1997. R. et alli. Rumo à democracia cultura política contra-hegemônica. porém importan. são mecanismos que podem provocar mu. PUC/SP. Da mesma forma. civil. In: Lesbaupin. M. Não se deve desistir do processo de implemen- tação destes mecanismos de participação demo- crática. C. tiva na forma de organização social e política . sistidos) Sociais. a estrutura organizativa e a prática SATI. Porém. a base PINHEIRO. M. prática da socialização da política e distribuição do poder. For- cultural que possibilitou a criação dos conselhos matos e processos de escolha dos repre- não está consolidada em nosso país. voltado para a demo- Bibliografia cratização do aparelho de Estado e da sociedade BOBBIO. Revisão Constitucional únicos. Julho 2010 41 . e Estado Democrático. Tese de Doutorado. Os conselhos são mecanismos limitados para a RAICHELIS. 1996. por meio da participativa. democrática participativa. Em outras palavras. tes e estratégicos para ser ocupados pela socieda. mimeo.

to poucos psicólogos. usuários de dois campos falam das necessidades para suas áreas. O ideal é aumentar essa participa- atendido em um posto de saúde você muitas vezes ção e aproximar a categoria da população de rua precisa ter documento e estar limpo e a população de em todo o país. na questão da saúde. Social e nos CREAS. conselheiro representante dos usuários no Conselho Nacional de Assistência Social (CNAS). Aqui. durante um bom período da exemplo. por ser uma categoria que vem se conhecendo o Movimento. que possui várias demandas. Outra questão é o em Belo Horizonte (MG). certo? Até sei sobre o trabalho nhecer o Mineirão e a Lagoa da Pampulha e acabei dos psicólogos. de ser atendido em um posto de saúde. que a que em 2020 essa população possa ser incluída. ou que estão no alber- minha vida. mos começando uma discussão com o IBGE. no Paraná. na Bahia e tem é incluída no censo do IBGE. muitas vezes. gue. Fui mo. 13 anos.” 42 Julho 2010 . mas ele não tem psicólogo. a dade tem um Centro de Referência da população de gente trabalha na questão da ausência da habitação. No deria dizer. Estou no Movimento há aproximando e que vem se mostrando interessada três anos e meio e hoje minha principal atividade na no tema. hoje não sou mais. eu confesso fesa dos interesses do Movimento ao participar do que não conheço em profundidade. rua. mas o centro não trabalha na linha de ção do direito passa por algumas questões: para ser ter um psicólogo. Eu estava indo do Espírito Santo para o Recife ou retomar os estudos. um número pequeno tem condições de iniciar nos. Eu diria que uns 12. “O Movimento dos Moradores de Rua vem se estruturando desde 2004. com a proposta de co. há a questão do acesso à educação. Hoje os albergues têm mui- e passei por Belo Horizonte. no Rio Grande do Sul. Como é um ta esses serviços. Há monitores. A nega. São pessoas na rua.Bruno Spada/MDS palavra de usuário Samuel Rodrigues Coordenador do Movimento Nacional de População de Rua. por estado para o outro. É algo recente e começou a ser organizado a partir do IV Festival Lixo e Cidadania rua nem sempre porta documentos ou tem acesso a um banheiro público para fazer sua higiene pes- soal e então é negado o direito. tem da negação do direito. Eu po- nas Gerais. Hoje. E m uma política orientada pelo protagonismo e empoderamento da população. refletem tam- bém sobre o papel de sua trajetória e das ações de seus movimentos organizados e apresentam avalia- ções e necessidades relativas ao trabalho da Psicologia na Política Nacional de Assistência Social. são essas pessoas que andam pelas rodovias. no Ceará. a participação dos usuários no controle social é fundamental e tem representado intervenção efetiva nos seus avanços. Fui trecheiro. Eu moro em Belo Horizonte e na ci- público heterogêneo. Nos Centros de Atendimento e Referência coordenação nacional é fazer a divulgação e a de. um gerente. de um Além disso. não reconhecimento como cidadão brasileiro. visando rador de rua. propriamente ditos. em São Paulo. E agora é que nós esta- uma célula começando no Distrito Federal. como exemplo: a população de rua não Rio de Janeiro. pelo me. A gente frequen- Conselho Nacional de Assistência Social. tem presença em Mi.

para fazer os encaminha.“N ós estamos em um momento. anos eu perdi toda a visão. conselheiro representante dos usuários no Conselho Nacional de Assistência Social (CNAS). Então. biente Extraclínica. por exemplo. controle do usuário. e fazer que minha mãe pudesse ir atrás mular o usuário para que ele entenda que pode ser dos recursos. ao invés de esperar que a pessoa venha para dentro da entidade. então eu sei muito bem identificam possíveis deficiências ou muitas vezes se o quanto que isso foi importante. Eu sou cego. to mais forte. não consegue acompanhar e indivíduo na sociedade. Fazendo vezes. interagindo com a família. Os trabalhadores devem entender que o papel deles mentos. Eu. a gente vai para den- tro das comunidades e faz esse trabalho de identifica- principalmente no que se refere ao restabelecimento ção e orientação. Os trabalha- para que ela acreditasse que era possível. de habilitação no conhecendo que eles são o principal meio para esti- meu caso. o papel do psicólogo no SUAS é de fundamental importância. a família pensa que é por má vontade ou indolência. Valéria Goneli Julho 2010 43 . muitas ou fortalecimento dos vínculos familiares. em um processo de crescimento bastante signi- ficativo. ele o déficit visual. quanto no que se refere ao controle social a partir do munidade.” lha nessa perspectiva da assistência social. Para mim. tem aquela pessoa que tem determinada defi- essa aproximação. como usu. secretário-executivo substituto do MDS. não dores atentos a isso poderão fazer um sistema mui- é daquele psicólogo de gabinete que eu estou falando. Então desde muito cedo eu conheci esse trabalho do na condição de trabalhador. Com sete anos ela zerou. conselheiro do CNAS. Márcia Lopes. e com sete e são entendidas como tais pelos familiares. porque acontece o seguinte. É o que interage com a co. tanto na qualidade de atendimento. As entidades de valorização da pessoa com defi- ciência têm hoje um programa chamado PAIAEC ˗ Programa de Atendimento Interdisciplinar em Am. Carlos Eduardo Ferrari Vice-presidente da Federação Nacional das Associações de Valorização da Pessoa com Deficiência (Fenavape). Então. psicólogo com a família. tive vários psicólogos em minha vida. ário da política. Na maior parte das vezes a criança acaba promovendo efetivamente a inserção desse não vai bem na escola. que vai para a comunidade e que traba. Carlos Eduardo Ferrari. É necessário salientar a importância do psicólogo. para fazer que a família acreditasse que era é fundamental para o protagonismo do usuário. A ação da Psicologia foi fundamental o protagonista de sua própria história. muitas vezes. Ana Nascimento/MDS Mesa esq/dir: secretária nacional de Renda de Cidadania do MDS. Lúcia Modesto. ministra do Desenvolvimento Social e Combate à Fome. na construção do SUAS. Um exemplo comum é dos vínculos ele acaba resgatando autoestima. Rômulo Paes de Sousa. e a secretária nacional de Assistência Social adjunta. em que se trabalha dentro da co- munidade. nasci identificam outras situações que não são deficiências com uma patologia chamada glaucoma. se ao longo da minha história. daquele que fica na sala. Dentro da comunidade. re- possível o processo de reabilitação. ou essa construção ciência e a família não sabe.

os trabalhadores. entre elas: Neste eixo foram aprovadas 12 resoluções. • a criação de condições materiais.acontece na área Controle participativo Neste eixo foram aprovadas 17 resoluções. Co. gestores e conselheiros para atua- forma articulada entre as três po- rem como facilitadores no processo de empode- líticas setoriais ˗ Saúde. o tema Participação e Controle Social no Sis. Único de Assistência Social (SUAS). na perspectiva de eliminar os preconceitos. usuários e da sociedade. • preparação dos trabalhadores do SUAS para ga- rantir a valorização do papel do usuário como su- Algumas são: jeito de direito na política pública. garantindo o que preveem as leis de transferência de renda. Destacam-se: VII Conferência Nacional de Assistên. interligado aos excluindo os recursos do BPC e municípios. destinação de percentual míni- mo de recursos orçamentários. Previdên- ramento dos usuários. para o fi- regulação das profissões e devidos códigos de éti- nanciamento da política de assis- ca para protocolos de registro de atendimento de tência social. 44 Julho 2010 . • esforços na estruturação e no fortale- cia Social (CNAS) ocorreu entre os dias 30 cimento da participação popular das de novembro e 3 de dezembro de 2009. • viabilizar a elaboração do orça- mento da seguridade social de • sensibilizar e capacitar. as três esferas de governo. O terceiro eixo da VII CNAS previu a resoluções • treinamento de conselheiros como for- para a democratização da gestão do SUAS e ma de fortalecimento. • mobilização para aprovação da de modo a superar as relações de subordinação e Proposta de Emenda Constitu- pautar a prestação de serviços na lógica de direi- cional ˗ PEC 431/01. controladorias e tri- tão. dades. cuja adoção • capacitação e empoderamento de vai impactar na ação dos psicólogos no Sistema conselheiros. • adoção de um sistema nacional unificado e infor- matizado pelo governo federal. nheça algumas das deliberações. Orçamento da Seguridade A interface usuário-trabalhador do SUAS Foram aprovadas 15 resoluções. aprovou 13 resoluções. considerando suas diversi- cia Social e Assistência Social. tais como: • estímulo à criação de frentes parla- • a publicização de informações da rede socioas- mentares em defesa da assistência so- sistencial para melhor controle por parte dos cial nas instituições legislativas. que trata da tos. • a definição de indicadores e índices padroniza. em cumprimento da NOB/RH/SUAS. • integração dos conselhos de assistência social com outras instituições públicas dos de acompanhamento e avaliação da ges- como ouvidorias. considerando as peculiaridades regionais e bunais de contas. de forma continuada. físi- cas e financeiras para esta participação popular. • a adoção de novas tecnologias para os Gestão democrática processos de capacitação. com instâncias de controle social do SUAS. todos os usuários da política de Assistência Social. nentes de Assistência Social. • o estímulo à criação de fóruns perma- tema Único de Assistência Social (SUAS).

a unificação dos regis- tros de atendimento no SUAS. A VIII Conferência Nacional tem previsão de ser realizada entre novembro e dezembro de 2011. Segundo a diretora do Departamento de Gestão. Simone Albuquerque. “Todas as nos- sas discussões têm se pautado pelo prin- cípio de que o registro em um prontuário pertence ao usuário. Registros unificados O Ministério do Desenvolvimento Social (MDS). por meio do Departamento de Gestão do SUAS da Secretaria Nacional de Assistência Social criou uma comissão que discute. afirma Simone.br/cnas/vii-conferencia-nacional/as-deliberacoes-da- vii-conferencia. O CFP participa das reuniões do grupo de discussões.mds. os dilemas da atuação interdis- ciplinar na proteção social. do seminário “A atuação dos psicólogos no Sistema Único de Assistência Social”. com a participação de represen- tantes da sociedade civil e dos profissionais da proteção social. Não é do profissional nem do poder público”. Pro- movido em Brasília pelo Conselho Federal de Psicologia. a unificação dos re- gistros é um primeiro passo para a consti- tuição de um sistema de identificação igual que permita a implantação de um sistema nacional de vigilância social. regionais e estaduais. precedida de etapas locais. por meio de vi- deoconferência e transmissão na web. a Psicologia nos serviços de proteção social básica e a atuação do psicólogo na proteção social especial. o seminário discutiu a elaboração e apro- priação de marcos éticos e normativos do SUAS. juntamente com o CREPOP e o Ministério do Desenvolvimento Social.Debate amplo De 21 a 23 de junho psicólogos de todo o país puderam participar. Julho 2010 45 . Os resultados da VII Conferência Nacional de Assistência Social estão publicados no site do Conselho Nacional de Assistência Social e podem ser acessados pelo link: http://www.gov.

br. com ênfase em Saúde Pública. atuando principalmente nos seguintes temas: Reforma Psiquiátrica e Saúde Mental.com. com mestrado em Saúde Pública pela Universidade Federal da Bahia (1995) e doutorado em Saúde Coletiva pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (2003). filme Marcus Vinícius Oliveira Psicólogo formado pela Fundação Mineira de Educação e Cultura. Desigualdade Social e Subjetividade Contato: matraga2@uol. Clínica Psicossocial das Psicoses. Psicologia e Direitos Humanos. Tem experiência na área de Saúde Coletiva. Quanto vale ou é por quilo? Marcus Vinícius Oliveira Divulgação Quanto vale ou é por quilo? Brasil 2005 • cor • 104 min Produção/Direção: Sérgio Bianchi Roteiro: Sérgio Bianchi Eduardo Benaim Newton Canitto Elenco: Antonio Abujamra Caio Blat Herson Capri Joana Fomm Bárbara Paz Gênero: drama Idioma original: Português 46 Julho 2010 .

como peixes no Seu assunto. não reflete não deixa que nós nos desviemos de um encontro qualquer tipo de incompreensão acerca das regras imediato com a alucinada realidade social que rege do jogo.A causa secreta) ráveis. em um dos traços distintivos de cada rosto. centenas de milhares processos de reprodução de uma imensa ralé. atenção ao fato de que. portanto. sempre de modo indireto. tratados como puro corpo bru- traço central da nossa perversidade. tituir em apenas mais uma forma de “extração de lhem” ser pobres e. Sérgio aposta elas são meramente descartáveis. como variações sobre o mesmo aquário. Conjugação que opaca. sua insistência “em se reproduzir”? negativa para as artes cinematográficas. ao deformar a imagem do o século XX? Por que é que. os negócios e a política brasileira. ao mesmo tem- sociedade brasileira: a opaca conjugação valora. po. que arquem com as mais-valia” que aprofunda a “funcionalização” da conseqüências de sua “escolha”. enquanto to. profun. No Brasil. recomendo particular “consciência tranquila” com suas absurdas e aber. identifica como condição animal. sar um bom par de horas de forma inconsequente. estruturando instituições. “exagerou” na busca da tradução do caráter amo- caturas. Para o assunto em tela neste da. nesse Quanto vale ou é por quilo? sua condução Do cinema engajado ou dito “de arte” se exigem mais “sóbria” parece ter como ponto de sustenta- as sutilezas simbólicas ou as sofisticadas experi. como categoria de acusação. ção a precisão do diagnóstico. além do importante merca- te: o que está por detrás. pode se dar ao luxo conviver de número da revista Diálogos. ao modo dos caricaturistas. nômicos movimentados pela bem-intencionada tocracia empunhado como argumento imunizador “filantropia” das ONGs – que nos fazem parecer oferece coletivamente o antídoto tranquilizador e muito melhores do que somos – podem se cons- suficiente. 1994 . O cínico conceito da meri. Em Quanto vale ou é por quilo?. Todos pelo social! Julho 2010 47 . de forma muito esquemática. existência dessas ralés. expõe as são. que reduz parte da humanidade a uma olhar. Aos filmes do paranaense Sérgio mercado e pela democracia. Recusa essa que. naturalizada. Não desvia e pitalismo. destituída de qualquer for. 2000 mente. por sua vez. dos seculares do dos trabalhos domésticos. a caracte. distintamente daquilo modelo. multiplicando gerações e gerações de mise- ˗ Cronicamente inviável. países cuja economia mais cresceu durante todo exagerados. para dominados e dominadores. comezinha da edificação da democracia e do ca- Direto! Sérgio não sai pela tangente. pobres são aqueles que “esco. me pretende detonar. o país segue. aposta agressiva parte logo para “as vias de fato”. Se em Cronicamente inviável Sérgio Bianchi rística de representar a realidade ao modo das cari. as rantes consequências. como mostra o filme. uma gentalha que merece ser castigada por costuma-se atribuir. atividades de Assistência Social e os valores eco- ma de culpa ou pudor. que vai deduzir da mentações que. é derivado do diagnóstico preciso que seu valorativa. para nós brasileiros essa absurda condição tema. minam os ócios. para se deslocar. logrem história das relações raciais a preciosa conclusão capturar o sujeito por vias não convencionais da de que nossos males se ancoram na obstinada re- linguagem e Sergio Bianchi não é nada disso. para as classes em mais uma tentativa de desvelar o óbvio ululan. o tornam inconfundivelmen.A arte dos caricaturistas é a busca dos espécie de gente de terceira categoria. Sua cusa do pressuposto da mera igualdade jurídica. Se para o grande capital. bestializados e que naturaliza. uma de empregos. um script que tiva que divide os brasileiros entre “aprazíveis” e parece eterno. vantagens e privilégios. mas insiste exatamente em sua perver- tudo a nossa volta. como condição da manutenção de violentas vísceras. anormal- Bianchi (2005 ˗ Quanto vale ou é por quilo?. Ao modo do cirurgião. sacudida pela sequência de provocações que o fil- saberes e práticas. que seria de se esperar do capitalismo regido pelo te identificável. ser “desprezíveis”. poderes. no Brasil. Nossas vísceras. médias elas garantem. careça mesmo. Impedindo a ral e delirante dos grupos “privilegiados” que do- positiva alienação que permite ao espectador pas. que. Talvez.

ta seletiva em três galpões localizados em duas te. qualificação e acompa- lixo da capital mineira. Além e o reconhecimento da sociedade e tornaram. com o apoio da Pastoral de Rua da prazo. e o catador não sabia o que era catadores e mais 20 triadores que fazem a sepa- isso”. por meio do Serviço de Apoio a Economia todo o material coletado é separado. enfrentando o preconceito. promotores de cidadania. de 59 anos. Foi a modelo”. afirma Maria das Graças Marçal. disso. Criada al da rua.500 pessoas. “Foi a primeira associação material. Papelão e Material Reaproveitável (Asmare) co. ração desse material. que produz móveis de material reciclado a par- Com o apoio da prefeitura de capital minei. Atualmen. são cerca 400 associados e os benefícios se áreas da cidade. “O trabalho da Contorno. mais co. autoestima. Em uma dessas áreas. uniforme para os seus associados e também para zonte. Esse apoio contribui para o trabalho de cole- meçou com 230 catadores de papel. na Aveni- estendem a mais de 1. que dura de dois a três anos. com apoio da prefeitura nhamento social. Antes de ir para a reciclagem. participa da entidade desde o início e tornou-se tem apenas um galpão em que é feita a triagem de símbolo do trabalho. a prefeitura compra a moradia definitiva”. que apoio de três caminhões de lixo. direi. Igreja Católica. “tem uma bolsa moradia para tirar o pesso- se. a Asmare recebe R$ 51 que conseguiam recolher dos mil por mês para a compra de vale-transporte e detritos da cidade de Belo Hori. gerando trabalho e renda. em vinte anos eles passaram Trata-se de um suporte técnico e financeiro. também. fica a administração da entidade e da Asmare trouxe cidadania. que a fazer parte da política de coleta seletiva de passa por organização. mas também funciona uma marcenaria de Belo Horizonte. urbana e o medo. que é levado para lá com o nhecida como dona Geralda. prensado e 48 Julho 2010 . a violência o pagamento de um funcionário da entidade. a Associação dos Catadores de ressaltou dona Geralda.inclusão produtiva Da exclusão à cidadania por meio do D e moradores de rua que lutavam Solidária da Secretaria Municipal Adjunta de As- para sobreviver com a venda do sistência Social (SMAAS). tir de encomendas. funcionam dois galpões nos quais trabalham 110 tos e deveres. No outro local. ra. Após esse em 1990.

trabalho O trabalho com catadores de papel e Google Images outros grupos exluídos em projetos de inclusão produtiva é um campo possível e rico para o psicólogo. mas há também a possibilidade e atuação no fortalecimento do protagonismo na discussão da coleta seletiva e da própria organização dos catadores. centrado na estruturação da própria associação como um empreendimento coletivo e solidário. na questão do resgate da autoestima. Há o trabalho de organização do coletivo. ONG Lua Nova Julho 2010 49 . quanto do trabalho. − Rosimeire Silva. coordenadora de Saúde mental da Secretaria de Saúde de Belo Horizonte. tanto na organização política.

que “esses segmentos não estão ex- prefeitura. Essa inclusão limpeza urbana se articulam para promover a in. tado por tempo determinado para trabalhar na entretanto. mas o tra. a geren- e outros grupos excluídos em te considera importante a projetos de inclusão produti. Ela adverte. começou a ser discutida a partir da Constituição clusão social associada à coleta seletiva. cluídos já que é próprio da dinâmica da socieda- Para a gerente de Inclusão Produtiva Ana de capitalista a produção de pobreza econômica Maria Wolbert. para que possam superar a usuários das políticas sociais do município. de de Brasília (UnB) Daniela Neves. manência no mercado de trabalho. que “os segmentos po- usuário da Assistência Social. jetória de exclusão social. teve produtiva. as políticas de Assistência Social e de relações do mundo do trabalho. tários e situações reconheci- sibilidade de atuação no forta- e permanência no das por alguns teóricos que lecimento do protagonismo na mercado de trabalho debruçam sobre o tema da discussão da coleta seletiva e exclusão social como a de da própria organização dos ca. Isso significa. avalia. A Asmare tem parcerias com empre. visando a ofere. dá a medida em que se compreensão de que “o pú- va é um campo possível e rico blico que procura os servi- para a atuação do psicólogo. pulacionais que se encontram na pobreza e no cer-lhe oportunidade de inclusão social e per. possibilitando que esses usuários pos- a oportunidade de atuar na entidade em dois sam transitar do lugar de beneficiário para o de momentos. Além disso. hoje dos serviços e programas o acesso ao mundo do coordenadora de Saúde Mental da Secretaria trabalho. “Com o objetivo de viabilizar aos usuários cífica. − Ana Maria Wolbert. o desenvolvimento de sua capacidade Municipal de Saúde de Belo Horizonte. in. tanto na organiza. mas a psicóloga Rosemeire Silva. que oferece tribuam com a melhoria das condições de vida cursos de qualificação de nível básico para os das camadas pobres. entre outros. sua vida marcada por tra- ção política quanto do traba. capacitan- sas. tadores. visando oferecer. escolas. o lho. lhe oportunidade da própria associação como o rompimento dos vínculos empreendimento coletivo e so. social. balho com catadores de papel A importância das ações avalia. observa a professora do de 16 a 18 anos em situação de risco. como os ciativas produtivas que con- serviços de formação profissional. Produtiva são indicados aqueles que re. na questão do resgate “Entre os serviços e pro- da autoestima”. “Minha atuação se deu mais como trabalhador que pode garantir seu próprio sus- técnica na Asmare. gerente de Inclusão gramas previstos na LOAS Além da atuação na Asma. tento e sua sobrevivência”. que recebe Departamento de Serviço Social da Universida- acompanhamento socioeducacional e é contra. situação de pobreza em que vivem. dá na medida em que se consegue preparar o na análise da professora. condomínios. objetivando termediação de mão de obra para pessoas com sua ‘saída’ do circuito das políticas emergenciais deficiência e apoio ao adolescente trabalhador de Assistência Social”. de inclusão social sociais.estocado. consegue preparar o ços ofertados pela Assistên- Há o trabalho de organização usuário da assistência cia Social geralmente tem do coletivo. de 1988 e da Lei Orgânica de Assistência Social O caráter do trabalho da Asmare não tem (LOAS) em 1993. visam ao fortalecimento de neira desenvolve outras ações formas de organização e ini- de inclusão produtiva. centrado na estruturação não acesso a bens e serviços. Em Belo do-os para atender às exigências impostas pelas Horizonte. desemprego influenciam para determinar os sa- 50 Julho 2010 . vinculação direta a qualquer profissão espe. a importância dessas ações se articulada à produção da riqueza”. familiares e comuni- lidário. mas há também a pos. a prefeitura da capital mi. ’não pertencimento’”.

semeire Silva salienta: “Hoje os filhos dos antigos quer renda que possa melhorar as condições de moradores de rua trabalham no Centro Cultural vida de seus componentes. apenas uma parcela muito tadores de papel em atividades produtivas. qual. dadas as prioridades governamentais perante as demandas internacionais para cumprir as metas de preservação ambiental”. atores com direito e legitimidade para influenciar lham com a remoção e a seleção do lixo urbano. Ro- trução da cidadania não têm. dania e consegue. que começou a trabalhar como catadora de O Sistema de Informações em Economia Soli. Reciclo e auxiliam. influenciar a política fessora da UnB. Sabe de tem que que estamos todos inteiramente relacionados a colocar os filhos na escola”. A pro. registra que “cerca de 30% premiação de uma revista brasileira. com ele. associados. da. na política ambiental da cidade e. acentua dona Geral- partir da dinâmica da sociedade capitalista”. des entre 43 e 23 anos. Dentre os 21. o que nos impede de falar em ‘inclusão radia. Apaixonada pelos resultados do trabalho e com características de ‘inclusão social’ e cons.lários dos que estão alocados nos espaços pro. porém. segundo Neves. e na ONU. já está com a visão de melhoria. Além pequena consegue se destacar economicamente disso a associação promove o Festival Lixo e Cida- e socialmente. como é o caso da Asmare. tados Unidos para falar sobre a Asmare no Banco ramento mensal igual a zero. papel na infância e já criou nove filhos. com seus projetos e oficinas.859 ‘em. pois traba. política de assistência social. em Nova terço das atividades que se propõem produtivas Iork. mês a mês. Em 2009. Ninguém mora mais na rua. Ou seja. analisa que isso ocorre de resíduos sólidos do município. a preendimentos de economia solidária’ existentes inserir outros moradores de rua que não são ca- no Brasil em 2007. com ida- dária (SIES) do Ministério do Trabalho e Empre. em Washington. Os 20 anos da Asmare mostram que há re- Google Images sultados do trabalho da entida- de para os seus Julho 2010 51 . continuado de inclusão produtiva da Asmare. Todo mundo social ou produtiva’ para as camadas pobres. “O catador de rua conquistou a mo- dutivos. quase um Mundial. ela foi aos Es- das atividades ditas solidárias do país têm fatu. na o que nos tempos atuais tem grande visibilidade. como finalista da go. também.” Tornaram-se “muito mais por seu conteúdo social.

uma vez que a própria constitui desafio principalmente política e a participação do psicólogo nela na proteção básica é a qualidade são processos recentes. Endereço para correspondência: Instituto de Psicologia. afirma Rita de Cássia. Ao pertencer a um coletivo. Ela pondera que para atuar no campo é forma integrada o ambiente como constituin- necessário ao psicólogo um perfil que contem. por obediên- mais integrantes da família. seja. ICC Sul. é a família. comentado por Rita de Cássia. ser interdisciplina- sobretudo pela possibilidade de um posicio. traz contribuições devem ser diferenciadas e atender ao princí.com U ma das vertentes de atuação que rios fazeres possíveis. a demanda Dentro da Política de Assistência Social que é levada aos serviços de assistência ganha para os trabalhadores de todas as áreas há outra dimensão. que gui-lo”. assim munidade e suas especificidades.D. Tel. como parte de uma estrutura complexa. o li- car as práticas de intervenção. social especial os fazeres devem. po de moradores ou de trabalho. Na opinião de vro de Anita Liberaleso Neri. Esses princípios seja o de construir coletivamente ações pro. UnB CEP 70. pla a identificação das demandas do outro. Talvez o principal deles vista”. A partir da experiência prática cotidiana. relativos a essa etapa da vida humana. devem orientar também o trabalho com ido- tetivas. “Hoje Proteção Social Básica da Secretaria Municipal a gente tem aí outra compreensão da impor- de Cidadania. observa Rita de Cássia Oliveira Assun.919-910. Isso não pode ser perdido de uma série de desafios.: 61 3307-2625 r. é pesquisadora colaboradora sênior no Instituto de Psicologia. é importante construir uma Na proteção social básica e na proteção relação de confiança com o idoso e com os de. não de vida do idoso. em Psicologia do Desenvolvimento pela Michigan State University (EUA). 52 Julho 2010 .Resenha de livros Isolda de Araújo Günther Ph. mesmo. Para te aos profissionais da Psicologia é o de edifi. “essas práticas de intervenção Isolda de Araújo Gunther.” como em outros. E-mail:Isolda. 423. psicóloga atuante na coordenadoria de diferenciada consiste em outro desafio. a co. importantes. res. Um desafio específico que é pertinen.gunther@gmail. uma vez que aborda aspectos pio de respeitar o território de atuação. sos nas políticas de Assistência Social. de de vida para os idosos. Brasília. te do indivíduo. UnB (DF). Por causa disto. a um gru- modo a viabilizar o seu empoderamento. devem vir como aqueles relativos à garantia de qualida- ao encontro de um diagnóstico e permitir vá. “Nesse aspecto. Campus Darcy Ribeiro. Assistência e Inclusão de Cam. DF. namento ético-político: não é só uma questão Rita de Cássia pondera que entender o sujeito de formação e de se apanhar um conceito e se. e perceber esta família de forma ção. e é necessário considerar de pinas. há receitas prontas. de seja a unidade familiar. tância da família. aqueles que atuam com essa população. a qualidade passa cia às diretrizes da política.

pro- dando ênfase ao questionamento do componen. No capítulo 9 Adriana fica plenamente a menção ao enfoque multidisci. buição ao tratar. velhice. pítulo 8 a adequação do tratamento odontológico tras. No do desenvolvimento do indivíduo. Le. Fernando áreas de Arquitetura. no qual Maria Eliane Catunda de Siqueira e jetividade. Johannes Doll e Ligia Py enri- do Chachamovich. Resenha elaborada por Isolda de Araújo Gunther . Eduar.). tulo 11. Cássio Machado de Campos Bottino e se. subsídio relevante e inovador diz respeito ao capí- O capítulo I Qualidade de vida na velhice e sub. considera-se que o leitor dos brasileiros e latino-americanos. capítulo 6. o caráter multidimensional e a ne. a ontogêne. Marinéia Crosara de Resende do Envelhecimento no país. mina no capítulo 5 os conceitos. as definições e os senvolvimento humano. escrita pela Mônica Sanches Yassuda trazem à tona. além de uma breve 7. preconiza que o estudo modelos envolvidos da síndrome de fragilidade. morte: aspectos éticos. O idoso na relação com a estudo do envelhecimento. a quem o livro ceito multifacetado de qualidade de vida sob o pris- é dedicado. No capítulo 3. da contribuem com a questão do planejamento am- Na apresentação. doze capítulos. as relações entre desempenho cognitivo e estilo descrição dos vinte e um autores. das pessoas que envelhecem com deficiência mental. fissionais e para todos aqueles que desejam conhe- te gênero na velhice. sem correr o risco de perder a conectividade. cer ou se atualizar nas questões do envelhecimento. o que justi. Clarissa Trentini e Marcelo Pio quecem esta publicação ao discutir as questões his- de Almeida Fleck discutem. às necessidades dos idosos. a Qualidade de vida em idosos e acres. e Vanessa Regina Lemos discorrem sobre Os cui. Tomás Engler trabalho” (p. ma da saúde mental. no capítulo 10. a organizadora relata a histó. analisando da. visão integradora do livro. No capítulo pode selecionar capítulo(s) específico(s) de inte- 4 Ana Amélia Camarano. no capítulo 12. Qualidade de vida na velhice: enfoque multidisciplinar. morbidade e mortalidade) o construto daqueles que dependem do nosso afeto e do nosso qualidade de vida. Ciências Neves Hugo e Débora Dias da Silva abordam no ca- Sociais. pondera sobre o papel da economia na constru. ta-se de leitura recomendada para estudantes. Economia. Odontologia. Maria Tereza Pasinato resse. envolve desde a concepção até a morte e tem Marco Antonio Moscoso Aparício analisam o con- como principal teórico Paul Baltes. introduto. 300 pp. Outro desenvolvimento e a consolidação da área. a chamada Ge- ria não contada das publicações sobre a Psicologia rontologia Ambiental. Com base em seu conteúdo. Pedagogia e Psicologia. no capítulo organizadora. Nesse sentido ra e divulgadora da perspectiva do Curso de Vida Ilka Nicéia D’Aquino (life span) no Brasil. Essa perspectiva é responsável Oliveira Teixeira exa- pela mudança paradigmática no conceito de de. Assistência Social. cessária contextualização sócio-histórica para o Finalmente. biental destinado às pessoas idosas. a partir das ciências tórico-culturais e éticas ligadas à finitude da condi- da saúde. profissionais das de vida. No capítulo 2. apresenta os conceitos basilares e dis. estilo e mérito tra- dados de longa duração para a população idosa. examinam as- zado por Anita Liberalesso Neri. 2007. Julho 2010 53 . 297). Ao mesmo tempo que se chama atenção para a ção de uma velhice bem-sucedida. deixando vislumbrar e Anita Liberalesso Neri fazem importante contri- como seu esforço na geração. das possibilidades e cação de conhecimentos foi fundamental para o limitações de Envelhecer com deficiência física. Medicina. Fisioterapia. disseminação e apli. ção humana e chamam atenção para a necessidade centam às medidas de desfecho (diminuição de de sermos “autocuidadores e cuidadores solidários sintomas. pectos específicos da pioneira no ensino e na pesquisa qualidade de vida na sobre a Psicologia do envelhecimento. Campinas: Alínea. Maria da Luz Rosário de Souza. Romeiro de Almeida Prado e Mônica Sanches Yassu- plinar contida no subtítulo. Anita Liberalesso Neri focalizam a Qualidade de vida cute os temas.Universidade de Brasília O livro Qualidade de vida na velhice: Os capítulos 5 enfoque multidisciplinar é organi. a 11. Anita Liberalesso Neri (Org. Pricila Cristina Correa Ribeiro e Compreende uma apresentação.

A Associação visa a oferecer às adolescentes em situação de risco a possibi- lidade de viver com seus filhos. A revista Diálogos agradece a colaboração das jovens: Ka- rita. Vanessa. Jaqueline. durante um processo terapêu- tico social. 54 Julho 2010 . Aline. Larissa. Grazielle. Fernanda.ilustração Algumas ilustrações dessa edição foram retiradas de dese- nhos produzidos por adolescentes e jovens mães atendidas na Associação Lua Nova (Araçoiaba da Serra ˗ SP). criando alicerces para um futuro digno. Tatiane e Alessandra. Mariana.

org. 699 . 1532 . 511 .Cep: 40210-630 FONE: : (071) 3332-6168 / 3245-4585 / 3247-6716 13ª REGIÃO FAX: (071) 3247-6716 / 3332-6168 ENDEREÇO: Av.Cep: 70719-900 Fortaleza/CE .com.br E-MAIL: crp11@crp11.br .crppr. Edifício Clinical Center.br Goiânia/GO .org.br Web: www. XXI Natal/RN . Salas 1031 e ENDEREÇO: Rua Carlos Vasconcelos.Ed.br 2ª REGIÃO ENDEREÇO: Rua Afonso Pena.Belo E-MAIL: crp13@uol.br FONE: (27) 3315-2807 Web: www.crp-01.org.São ENDEREÇO: Rua Prof.br 8ª REGIÃO Web: www. administracao@crpgo-to. coordenacao@crp10.org.br 7ª REGIÃO ENDEREÇO: Av. Nº 120.Curitiba/PR Cep: 80050-350 17ª REGIÃO FONE: (41) 3013-5766 FAX: (41) 3013-4119 ENDEREÇO: Av. Eldorado Center - FONE/FAX: :(51) 3334-6799 Sls 805/808 . Prudente de Morais. 76 Lote 18 nº 803 .crpgo-to.br 14ª REGIÃO ENDEREÇO: Av.br FAX: (27) 3324-2806 E-MAIL: crp16@crp16.Web: www.org.Recife/PE 12ª REGIÃO Cep: 50050-130 ENDEREÇO: Rua Professor Bayer Filho.Vitória/ES .org.com.br FONE: (48) 3244-4826 FAX: (48) 3244-4826 3ª REGIÃO E-MAIL: adm@crpsc.Cep: 78068-530 fone: (61) 3627-7188 10ª REGIÃO E-mail: crpmt@terra.org.br Cep: 58040-180 FONE: (083) 3244-4246 / 3224-5808 / 3244-8847 4ª REGIÃO FAX: (083) 3244-4151 ENDEREÇO: Rua Timbiras.Web: http://www.org.org. São José. sala 301 .org.crpsp.org.Lourdes .CEP: 05410-020 Rua Belo Horizonte) Farol .br FONE: (31) 2138-6767 FAX:(31) 2138-6767 E-MAIL: crp04@crp04.Porto Alegre/RS 16ª REGIÃO Cep: 90410-006 ENDEREÇO: Rua Ferreira Coelho.org.Jardim América .Web: www.br .crppe.br . gerencia. crp03@veloxmail.br E-MAIL: crprj@crprj.org.br .org. 2854. 89 .Cep: 59020-400 FONE: (84) 3223-8107 / 3213-6964 9ª REGIÃO FAX: (84) 3213-6964 ENDEREÇO: Av. E-MAIL: crprn@crprn.org.Federação Salvador/BA .org.Santo Amaro .Web: http://www.João Pessoa/PB Web: www.br . orientad@crp07. Manoel Deodato.org.org.org.crp14.crp16.Setor Bueno . 9 e 11.Web: www.org.org.842.Plano Piloto . José da Silveira Camerino.6º Andar .Cep: 66055-240 19ª REGIÃO FONE: (91) 3224-6690/3224-6322/3225-4491 Endereço: Praça da Bandeira Nº 465.org. Brasília Radio Center. T-2 Qd.Praia do Suá .Cep: 57055-630 FONE: (11) 3061-9494 / 3061-9617 / 3061-0871 FONE: (82) 3241-8231 FAX: (11) 3061-0306 FAX: (82) 3241-3059 E-MAIL: info@crpsp.Cep: 29052-210 E-MAIL: : crp07@crp07. E-MAIL: admin@crppr.crpsc.Cep: 60115-171 FONE: (61) 3328 0406 / 3328-9140 FONE: (85) 3246-6924 / 3246-6887 / 3246-6879 FAX: (61) 3328 3480 / 3328 3017 / 3328-4660 FAX: (085) 3246-6924 E-MAIL: crp-01@crp-01.crp04.Umarizal - Belém/PA .org.Rio De FONE:(67)3382-4801 Janeiro/RJ Cep: 20260-280 FAX:(67)3382-4801 FONE: (21) 2139-5400 FAX: (21) 2139-5419 E-MAIL: crp14@terra. crp12@crpsc.crprs.Estrada de São Web: www.crprj.crp03.Maceió/AL . 2521 .br . 330 .br Lázaro .br Horizonte/MG Cep: 30140-061 Web: www.br fone: (79) 3214-2988 Web: www.br Web: www.Coqueiros - FONE: (81) 2119-7272 FAX: (81) 2119-7262 Florianópolis/SC .Torre .org.com. 475 .br ENDEREÇO: Rua Professor Aristides Novis.br.crp15.org.br Galeria Séc.Cep: 88080-300 E-MAIL: crppe@crppe.org.Ala B . Bairro Boa Esperança . 53 .org.Cep: 74210-070 FONE: (62) 3253-1785 FAX: (62) 3285-6904 18ª REGIÃO E-MAIL: diretoria@crp09.org. Generalíssimo Deodoro.CONSELHOS REGIONAIS DE PSICOLOGIA 1ª REGIÃO 11ª REGIÃO ENDEREÇO: SRTVN 701 Ed.org. 27 .br ENDEREÇO: Av.br E-mail: crpaju@hotmail.br .com. 599 Ed. Fernando Correa da Costa.com.br 6ª REGIÃO 15ª REGIÃO ENDEREÇO: Rua Arruda Alvim. 2. salas 7.crp13.com.Cep: 49. 110 .Tijuca .crp11.br Web: www.010-450 E-MAIL: atendimento@crp10. FAX: (91) 3224-6690 Aracajú/SE .br E-MAIL: crp15@crp15.org.org.Web: www.crp13@uol.br .br. 2044 . Protásio Alves.br Sl 301 a 307 .br .org.Cep: 79004-311 ENDEREÇO: Rua Delgado de Carvalho. 291 (Antiga Paulo/SP .br ENDEREÇO: Av.br .Joselito - 5ª REGIÃO Campo Grande/MS .crp10.Coxipó - Web: www.Brasília/DF .Cristo Rei .org.br Cuiabá/MT .org. Empresarial Tower E-MAIL: crp03@ufba.br .br Endereço: Rua 40.Joaquim Távora - 3131 .

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