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Eritrograma

Por Fabiana Santos Gonçalves


O eritrograma é a contagem da série vermelha do sangue (glóbulos vermelhos). São
realizadas as seguintes contagens e dosagens:

Contagem de eritrócitos (CE): é realizada por contadores automáticos. Feitas com um


microscópio, são bastante cansativas de realizar. Esse valor varia com a idade e com o
sexo do paciente.

Dosagem de hemoglobina (Hb): a hemoglobina é responsável pelo transporte de


oxigênio dos pulmões até os tecidos. Quantidades baixas de hemoglobina indicam
anemia. É feita em espectrofotômetro e contadores.

Hematócrito (Ht): è o volume pelos eritrócitos em uma coluna de sangue centrifugado.

Volume corpuscular médio (VCM): mede o tamanho das hemácias e ajuda no


diagnóstico da anemia. Se o paciente está com as hemácias pequenas, elas são chamadas
de microcíticas. Se estão maiores do que o normal, são chamadas de macrocíticas. Em
um adulto, o tamanho normal varia de 80 a 96 fl. Quando há variação, ou seja, são
observadas hemácias macrocíticas e microcíticas, o quadro é chamado de anisocitose. A
unidade utilizada é femtolitro (fl).

Hemoglobina corpuscular média (HCM): é o peso da hemoglobina na hemácia. O


valor normal é de 26-34 picogramas.

Concentração da hemoglobina corpuscular média (CHCM): é a concentração de


hemoglobina contida na hemácia. Esse valor confere com a coloração das hemácias,
pois a coloração depende da concentração de hemoglobina na hemácia, logo, com pouca
hemoglobina a célula se colore pouco, ficando com o centro esbranquiçado. Quando há
muita hemoglobina a célula se cora mais do que o normal. No caso de esferocitose,
onde não há concavidade no centro da hemácia, há aumento do CHCM. Hemácias que
se coram normalmente são chamadas de normocrômicas, que se coram pouco são
chamadas de hipocrômicas e as que se coram além do normal são hipercrômicas.

RDW: Indica a variação de tamanho das hemácias. Quando elevada, indica anisocitose.
Seu valor normal é de 11 a 14%.

Reticulócitos: São células precursoras de hemácias, recém saídas da medula óssea, que
ainda contêm RNA ribossômico. O número normal não varia com a idade e é de 0,5 a
2%. O aumento de reticulócitos no sangue circulante indica eritropoiese aumentada, o
que indica anemia. Pode ser uma anemia ou o tratamento de uma. Baixa quantidade
indica anemia hipoproliferativa como a anemia ferropriva. Quando o paciente já está
com anemia ou em processo terapêutico, deve ser feito a correção da contagem de
reticulócitos e avaliar o índice de produção de reticulócitos, cada um com sua fórmula
específica.

Análise ao microscópio: é importante confirmar os dados das contagens eletrônicas e


verificar a presença de hemácias anormais como esferócitos, ovalócitos, estomatócitos,
drepanócitos, células falsiformes, equinócitos, acantócitos, leptócitos, dacriócitos,
eritrócitos mordidos ou fragmentados, esquisócitos e queratócitos.

As inclusões nas células são importantes para o diagnóstico de uma doença. Devem ser
observados: Corpos de Heinz, Corpos de Howell-Jolly, pontilhados basófilos,
siderossomas e anéis de Cabot.

Tudo que a pessoa que estiver fazendo o hemograma for observando deve ser anotado
para auxiliar o diagnóstico do médico. Caso algum exame complementar seja necessário
também deve estar escrito no exame. Muitas anemias devem ser confirmadas por
exames complementares, como eletroforesede hemoglobina, por exemplo.

LEUCOGRAMA:

É a parte do hemograma que analisa quantitativamente e


qualitativamente os leucócitos.

Assim como no eritrograma, o sexo e a idade do paciente interferem


nos valores do exame. A etnia também interfere. Negros, por exemplo,
possuem menos leucócitos que em brancos.

Horário da coleta, jejum, exercícios físicos recentes, fumo, obesidade e


medicamentos alteram os valores do leucograma.

Os valores de referência devem estar contidos no exame para facilitar


a interpretação.

A avaliação absoluta (valor absoluto) é mais importante que o valor


relativo (%) sob o ponto de vista clínico. Mas em alguns casos o valor
relativo é útil para o diagnóstico de desvio à esquerda (células jovens
como mieloblasto, promielócito, metamielócito e mielócito).

Células da série branca em seqüência de maturação

Mieloblasto: é a célula mais imatura. Mede cerca de 15 a 18μm,


possui dois ou mais nucléolos, núcleo com cromatina frouxa.
Citoplasma escasso, basofílico, podendo apresentar grânulos e
bastonetes de Auer. Podem indicar no
hemograma leucemia mielóide, síndrome mielodisplásica ou reação
leucemóide.

Promielócitos: maior que o mieloblasto, citoplasma basófilo com


muitos grânulos primários, zona de Golgi evidente, núcleo com
cromatina frouxa e nucléolo visível.

Mielócitos: citoplasma acidófilo, poucos grânulos, ausência do


nucléolo, cromatina mais condensada.
Metamielócitos: poucos grânulos primários, núcleo achatado,
cromatina condensada, grânulos secundários.

Bastonetes: citoplasma acidófilo, núcleo alongado e curvo. Aumento


na sua quantidade indica infecção.

Segmentados: citoplasma acidófilo, núcleo segmentado, cromatina


condensada, núcleo com dois a cinco lóbulos. Aumento na quantidade
de neutrófilos indica infecção.

Outras células
Neutrófilos: são células fagocitárias, móveis, com função de destruir
microorganismos invasores, especialmente bactérias. Participam da
resposta imune inata.

Eosinófilos: são células maiores que os neutrófilos, com núcleo


bilobulado ou trilobulado, citoplasma com grânulos que se coram de
vermelho-alaranjado. Participam da fagocitose e respondem a
estímulos quimiotáticos. São encontrados normalmente em casos de
infecção por helmintos. Seus grânulos liberam enzimas contra
bactérias e helmintos.

Basófilos: são células com tamanho parecido com o neutrófilo, com


núcleo arredondado e coberto por grânulos que se coram de preto-
púrpura. Estão relacionados com doenças alérgicas associadas à IgE e
na resposta imune do organismo a parasitas.

Monócitos: possuem núcleo irregular, lobulado e pleomórfico. É a


maior célula normal do sangue periférico. Possuem função fagocítica,
participando da resposta imune inata juntamente com os neutrófilos.
Os monócitos adultos (1 a 3 dias) migram para os tecidos e se
transformam em macrófagos . Os precursores dos monócitos são
monoblastos e pró-monócitos.

Linfócitos: são células responsáveis pela resposta imune. Em um


hemograma podem ser observados linfócitos típicos (normais) e
linfócitos atípicos. Os linfócitos típicos possuem 6 a 8 m, com núcleo
arredondado, cromatina compactada, citoplasma claro e agranular,
geralmente escasso. Os linfócitos ativados que estão participando da
resposta imune. A condensação do núcleo é variável, podendo aparecer
o nucléolo, citoplasma abundante e irregular, podendo conter alguns
grânulos azurófilos.

Alteração quantitativas dos neutrófilos


Neutrofilia: aumento do número de neutrófilos circulantes. Pode ser
causada por infecções e inflamações.
Desvio à esquerda: presença de células jovens no sangue circulante,
obedecendo a ordem de maturação nas células.

Reação Leucemóide: leucocitose e desvio á esquerda acentuados,


semelhante à um quadro de leucemia mielóide crônica.

Neutropenia: Redução do número absoluto de neutrófilos.

Alterações qualitativas dos neutrófilos


Citoplasma
- Granulações tóxicas
- Degranulação
- Vacuolização
- Corpos de Döhle
- Pesudópodes

Núcleo
- Hipo e hiperssegmentação
- Projeções nucleares
- Anomalia de Pelger-Hüet

Outras alterações
- Eosinofilias e eosinopenias
- Basofilia e basopenia
- Monocitose e monocitopenia
- Linfocitose e linfopenia