You are on page 1of 11

2.

Alguns conceitos e convenções na relação da Terra com o Céu

Luís Cunha
Depº de Física
Universidade do Minho
Luís Cunha – University of Minho

• A Esfera Celeste é uma


construção imaginária que
Pólo Norte Celeste não tem uma base física
real. É contudo um modelo
Esfera Celeste
útil para a astronomia
posicional.
• Os pontos de referência na
esfera celeste são projecções
Pólo Norte das da Terra.
• O Eixo de rotação terrestre é
Equador uma linha imaginária que
Pólo Sul
une os 2 pólos terrestres.
Equador
Celeste
Prolongando o eixo tem-se
os Pólos Norte e Sul
Celestes.
• O Equador Celeste é uma
extensão do Equador
Pólo Sul Celeste
Terrestre e divide o Céu em
2 hemisférios.
Luís Cunha – University of Minho

1
Para um observador a Terra
aparenta ser plana e o Céu
aparenta ser uma cúpula.
Zénite
Pólo Norte Celeste •O Horizonte é onde o Céu se
Meridiano
“encontra” com a Terra.
Equador
Celeste •O Zénite é o ponto no Céu
directamente sobre o
Horizonte observador.
•O Nadir é o ponto no Céu
oposto ao Zénite.

A linha imaginária que cruza os


céus desde o horizonte Norte ao
horizonte Sul, que passa pelo
Zénite e pelos pólos é o
Meridiano Local.

Pólo Sul Celeste Nadir O meio-dia local corresponde ao


momento em que o Sol cruza o
meridiano local.
Luís Cunha – University of Minho

• Só conseguimos ver a parte do Céu acima do horizonte.


• As estrelas, o Sol, a Lua, e os planetas aparentam nascer a este e
pôr-se a oeste (se tivermos tempo para apreciar…)

Luís Cunha – University of Minho

2
• Tudo no céu parece rodar em
torno dos pólos celestes.

• A Estrela Polar (Polaris) está


muito perto do Pólo Norte
Celeste. Nunca nasce ou se
põe. É sempre visível do
Hemisfério Norte e nunca é
visível do Hemisfério Sul.

O que vemos no céu depende da


latitude a que nos encontramos

Estrela Polar
Luís Cunha – University of Minho

O movimento aparente
das estrelas no céu
depende da latitude em
que o observador se
encontra.

A uma latitude
intermédia no
hemisfério norte.
Luís Cunha – University of Minho

3
No Pólo Norte a Estrela Polar está no Zénite.

Movimento aparente das estrelas no Pólo Norte

Luís Cunha – University of Minho

No Equador, a Estrela Polar está no horizonte

Movimento aparente das estrelas no Equador

Luís Cunha – University of Minho

4
Polo Norte Celeste Devido ao movimento
de translação da Terra
Eclíptica
em torno do Sol, este
parece deslocar-se
gradualmente em
sentido contrário,
relativamente às
estrelas, seguindo uma
linha imaginária
designada por
Eclíptica.

Equador
Celeste

Movimento do Sol ao longo da eclíptica ao longo de um dia (não está à


escala)
Luís Cunha – University of Minho

Pólo Norte Celeste Eclíptica •A trajectória circular que


Equinócio de Outono Solstício de o Sol parece traçar na
Solstício de
Verão
Verão esfera celeste (Eclíptica)
está inclinada 23.5º
relativamente ao equador

•A eclíptica e o equador
celeste só se intersectam
em 2 pontos.

•Cada um destes pontos


designa-se por equinócio
(Vernal e de Outuno).
Solstício de
Inverno •O ponto da eclíptica mais
Equinócio afastado para Norte do
Equador Celeste
Vernal equador celeste
Pólo Sul Celeste
(corresponde ao início do
Verão no hemisfério
No início do Inverno no hemisfério Norte, a Norte) chama-se solstício
eclíptica está no ponto mais afastado a Sul de Verão.
relativamente ao equador: solstício de Inverno.
Luís Cunha – University of Minho

5
Localizações na Terra

Sistema de coordenadas na Terra:


Latitude (Equador como paralelo
de referência Latitude = 0º)
Longitude. (Meridiano de
Greenwich como referência -
Longitude = 0°)
Localização de Braga (41º35’ N,
8°25’ W)

Luís Cunha – University of Minho

Localizações no Céu
A Estrela Polar está afastada menos de 1° relativamente ao polo norte
celeste.

BOIEIRO =

Luís Cunha – University of Minho

6
Navegação/Orientação
• Medindo a altitude da
Estrela Polar, obtém-se a
latitude no hemisfério
Norte.
• A Sul do equador a
Estrela Polar nunca é
visível.
• Quanto mais a Norte for
a nossa localização na
Terra, maior a altitude
da Estrela Polar.

Luís Cunha – University of Minho

Existe mais de um sistemas de coordenadas para localizar objectos


no Céu. Uma das soluções é o uso de Coordenadas Horizontais
(dependentes da posição do observador e do movimento da Terra):
•Altitude (a): arco vertical compreendido entre o horizonte e o astro
(Horizonte a 0º e Zénite a 90º).
•Distância Zenital (ξξ): arco vertical compreendido entre o Zénite e
o astro. Relaciona-se com a altura através de: ξ = 90º - a
•Azimute: Arco compreendido entre o ponto cardeal Norte e a
vertical do astro medido em sentido horário (0º a 360º).
Zénite

Ursa maior
Estrela Polar

Altitude
40º Este sistema tem um
Este
(90º) grande inconveniente.
Qual é?

Norte Sul
Azimute=0º Azimute = 330º Azimute = 250º (180º)
Oeste
(270º)
Luís Cunha – University of Minho

7
As Coordenadas Equatoriais são independentes da posição do observador e
do movimento da Terra. Têm origem no Equador Celeste e no Ponto Vernal:

Declinação (δδ): Arco


vertical compreendido
entre o Equador
Celeste e o astro.

A Ascensão Recta (α)


arco medido a partir
do Ponto Vernal até ao
meridiano do astro, no
sentido directo (ou
anti-horário). Também
se usa o Ângulo
Sideral (AS) que
corresponde ao arco
medido a partir do
Ponto Vernal até ao
meridiano do Astro
medido no sentido
horário.
Luís Cunha – University of Minho

Luís Cunha – University of Minho

8
Determinação do meridiano local

A determinação do meridiano local permite identificar com rigor os pontos cardeais e é útil na
montagem equatorial dos telescópios.
Crava-se uma vara (cca 60 cm) verticalmente no solo. Antes do meio-dia solar observa-se a
sombra S1 e com um cordel e lápis atados à base da vara, traça-se um arco AC, de raio OA. Com
o decorrer do tempo a sombra vai-se deslocando no sentido dos ponteiros do relógio, diminuindo
de tamanho até determinado momento (meio-dia solar) e depois voltando a aumentar. Quando a
sombra voltar a tocar o arco previamente desenhado. A direcção Norte-Sul corresponde à
bissectriz do ângulo AÔB. A sombra ao passar nessa bissectriz aponta o Norte.
Se a vara estiver bem alinhada verticalmente também se pode medir a altura do Sol a qualquer
hora do dia. y y
tg h = ⇒ h = arctg
x x
Luís Cunha – University of Minho

Construção de um quadrante (in “O Observatório”)

Luís Cunha – University of Minho

9
Medir a latitude (in “O Observatório”)
Quando se encontravam no hemisfério norte,
desfrutando da visibilidade da Estrela Polar, os
navegadores portugueses utilizavam o quadrante para
calcular a latitude a partir desta estrela, uma vez que,
em primeira aproximação, a sua altura é igual à
latitude do lugar de observação. Para simular este
processo, basta localizar a Estrela Polar e efectuar a
medição da sua altura com o quadrante. Compare-se
os valores obtidos por vários observadores; depois faça-
se a comparação com um valor da latitude tabelado
para o local de observação, e, se possível, com o valor
fornecido por um receptor de GPS. Estes procedimentos
darão matéria para uma discussão sobre a precisão das
medições e a importância da tecnologia no aumento
dessa precisão. Uma actividade igualmente IMPORTANTE: Nunca
interessante consiste em comparar o comportamento olhar directamente
da Polar em relação às outras estrelas, no que se refere para o Sol.
à sua posição aparente. Para tal, escolha algumas
estrelas de comparação na constelação da Ursa Maior,
e, em intervalos de uma hora, ao longo de uma mesma
noite, meça e registe a altura dessas estrelas e da
Polar.

Luís Cunha – University of Minho

Medição de distâncias angulares entre objectos astronómicos (in “O


Observatório”)
O quadrante pode ser utilizado para medir a separação angular entre objectos
astronómicos. Faz-se pontaria a um dos objectos, e depois coloca-se o fio de
prumo na posição correspondente à posição do segundo objecto. Este
procedimento poderá ser aplicado em várias actividades. Por exemplo poder-se-
á efectuar a medição da distância angular entre um planeta e uma ou mais
estrelas de referência, de preferência pertencentes a constelações do zodíaco e
nas proximidades do planeta; Bastará fazer uma observação por semana ou de
15 em 15 dias. As observações devem ser acompanhadas do registo, numa
carta celeste, das posições relativas dos objectos observados. O mesmo tipo de
actividade pode (e deve, até preferencialmente) ser feito relativamente à Lua,
mas nesse caso as observações devem ser efectuadas com muito maior
frequência, de preferência a um ritmo diário, sendo importante registar a hora a
que as observações são feitas. Deve-se igualmente registar: a direcção em que a
Lua é observada; a sua altura, medida com o quadrante; em que fase se
encontra. Subsequentemente, deve-se procurar relacionar as observações
efectuadas e interpretá-las esquematicamente.

Luís Cunha – University of Minho

10
Determinação da altura do Sol
Constrói-se um disco de um material
relativamente rígido e gradua-se.
Se o diâmetro do disco for 34.4 cm ⇒ 1º→
→ 3 mm
Se o diâmetro for 57.3 cm ⇒ 1º → 5 mm
Perpendicularmente ao disco e no seu centro
fixa-se uma haste (4 a 6 cm). Um fio de prumo
permite orientar a marcações dos 90º.
Orienta-se o disco de tal modo que o seu plano
esteja paralelo aos raios solares (rasantes à
superfície do disco) e lê-se na escala a altura do
Sol.

Luís Cunha – University of Minho

11