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TransENEM

Cursinho popular gratuito


em Porto Alegre para
mulheres travestis e pessoas
trans (binárias e não-binárias)

SIMULADO ENEM 2016


2º DIA

PROVA DE REDAÇÃO E DE LINGUAGENS, CÓDIGOS


E SUAS TECNOLOGIAS

PROVA DE MATEMÁTICA E SUAS TECNOLOGIAS

ATENÇÃO: transcreva no espaço apropriadodo seu CARTÃO-RESPOSTA,


com sua caligrafia usual, considerando as letras maiúsculas e minúsculas, a seguinte frase:

A água triste cai como um sonho.

LEIA ATENTAMENTE AS INSTRUÇÕES SEGUINTES: 3. Para cada uma das questões objetivas, são apresentadas 5 opções.
Apenas uma responde corretamente a questão.
1. Este CADERNO DE QUESTÔES contém a proposta de redação e 60
questões numeradas de 1 a 60, dispostas da seguinte maneira: 4. O tempo disponível para estas provas é de quatro horas e trinta
a) as questões de número 1 a 30 são relativas à área minutos.
Linguagens, Códigos e suas Tecnologias;
b) as questões de número 31 à 60 são relativas a área de 5. Reserve os trinta minutos finais para marcar seu CARTÃO-RESPOSTA.
Matemática e suas Tecnologias. Os rascinhos e as marcações assinaladas no CARDENO DE QUESTÕES
não serão consideradas na avaliação.
ATENÇÃO: as questões de 1 a 5 são relativas a língua estrangeira. Você
deverá responder apenas às questões relativas à língua estrangeira 6. Quando terminar as provas acene para chamar o aplicador e entregue
(Inglês ou Espanhol) escolhida no ato de sua inscrição. este CADERNO DE QUESTÕES e o CARTÃO-RESPOSTA.

2. Confira se o seu CADERNO DE QUESTÔES contém a quantidade de 7. Você poderá deixar o local de prova somente após decorridas
questões e se essas questões estão na ordem mencionada na instrução duas horas do início da aplicação e poderá levar seu CADERNO DE
anterior. Caso o caderno esteja incompleto, tenha defeito ou apresenta QUESTÕES ao deixar em definitivo a sala de prova nos 30 minutos que
qualquer divergência, comunique ao aplicador da sala para que ele tome antecedem o término das provas.
as providências cabíveis.
PROPOSTA DE REDAÇÃO

A partir da leitura dos textos motivadores e com base nos conhecimentos construídos ao longo de sua
formação, redija um texto dissertativo-argumentativo em norma padrão da língua portuguesa sobre o tema “A questão dos
refugiados no mundo contemporâneo”, apresentando proposta de intervenção, que respeite os direitos humanos.
Selecione, organize e relacione, de forma coerente e coesa, argumentos e fatos para defesa de seu ponto de vista.

TEXTO I

ONU: número de refugiados é o maior desde a Segunda Guerra Mundial


O número de pessoas forçadas a deixar suas casas devido a guerras ou perseguição superou a marca de
50 milhões em 2013 pela primeira vez desde a Segunda Guerra Mundial, informou a agência de refugiados da ONU.
O número, de 51,2 milhões, é seis vezes maior que o registrado no ano anterior, e foi inflado pelos conflitos na
Síria, no Sudão do Sul e na República Centro-Africana, segundo o relatório da UNHCR.
O alto-comissário da ONU para refugiados, António Guterres, disse à BBC que o aumento é um “desafio
dramático” para organizações que prestam ajuda humanitária. “Os conflitos estão se multiplicando, mais e mais”, disse
Guterres. “E, ao mesmo tempo, conflitos antigos parecem nunca terminar”.
[…] A ONU está preocupada que a tarefa de assistir refugiados esteja, cada vez mais, sob responsabilidade de
países com poucos recursos. Países em desenvolvimento abrigam 86% dos refugiados em todo o mundo, com países
ricos atendendo apenas 14%.
E, apesar de temores na Europa sobre o crescente número de pedidos de asilo e imigração, esta diferença está
crescendo. Há 10 anos, países ricos recebiam 30% dos refugiados e países em desenvolvimento abrigavam 70% deles.
Para Guterres, a Europa pode e deve fazer mais. “Eu acho que é muito importante que a Europa assuma suas
responsabilidades”, disse. “Eu também acho que está claro que temos bons exemplos na Europa, como a Suécia e a
Alemanha, que têm tomado medidas generosas… mas precisamos de uma expressão conjunta da solidariedade
europeia”.
Disponível em: http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2014/06/140619_refugiados_entrevista_hb

TEXTO II

De acordo com a ACNUR (Alto Comissariado das Nações Unidas), refugiados, geralmente, se deslocam a
centros urbanos e encontram moradia em vizinhanças pobres e lotadas, onde o governo já luta por fornecer serviços
básicos. Nesses casos, o acesso à moradia adequada permanece um desafio devido aos elevados aluguéis e requisitos de
documentação. Muitos obtêm emprego na economia informal, competindo com pessoas locais por trabalhos perigosos e
mal pagos. Outros ainda permanecem na ilegalidade e procuram a invisibilidade com medo de arresto, detenção ou de ser
deportados, ficando expostos ao assédio, exploração e tráfico humano de pessoas.
Os impactos mais significativos da presença de pessoas refugiadas são geralmente sentidos a nível local, no
acolhimento pelas próprias comunidades. Refugiados podem enfrentar discriminação e marginalização pela população
local. A falta de informação e desconhecimento do tema pela sociedade tende a resultar na má interpretação do significado
da palavra refugiado, que aparece em sua identificação oficial, e muitas vezes são confundidos com foragidos ou fugitivos
da justiça, dificultando ainda mais a sua integração social e laboral.

Disponível em: http://www.ipea.gov.br/portal/index.php?option=com_content&view=article&id=18539

TEXTO III

Disponível em: http://oglobo.globo.com/infograficos/refugiados-mundo/refugiados-mundo.jpg

1
TEXTO IV

Disponível em: http://s3-sa-east-1.amazonaws.com/descomplica-blog/wp-content/uploads/2015/09/tema-36-2.png

INSTRUÇÕES:

• O rascunho da redação deve ser feito em espaço apropriado.


• O texto final deve ser escrito à tinta, na folha própria, em até 30 linhas.
• A redação que apresentar trechos da Proposta de Redação ou do Caderno de Questões terá o número de linhas copiadas
desconsiderado para efeito de correção.
Receberá nota zero, em qualquer das situações expressas a seguir, a redação que:
• tiver até 7 (sete) linhas escrita, sendo considerada “texto insuficiente”.
• fugir ao tema ou que não atender ao tipo dissertativo-argumentativo.
• apresentar proposta de intervenção que desrespeite os direitos humanos.
• apresentar parte do texto deliberadamente desconectada do tema proposto.

LINGUAGENS, CÓDIGOS E SUAS QUESTÃO 1

TECNOLOGIAS

Questões de 1 a 30

Questões de 1 a 5 (opção Espanhol)

2
O texto apresenta uma reflexão sobre a condição do Muchos no llegan, se hunden sus sueños, papeles mojaos
imigrante, o qual, para o autor, tem de lidar com o dilema Papeles sin dueño muchos no llegan
da: Se hunden sus sueños, papeles mojados, papeles sin
dueño
a) constatação de sua existência no entrelugar.
b) instabilidade da vda em outro país. Muchos no llegan, se hunden sus sueños, papeles mojaos,
c) ausencia de referências do passado. papeles sin dueño
d) apropiração dos valores do outro.
e) ruptura com o país de origen. Muchos no llegan, se hunden sus sueños, papeles mojaos,
papeles sin dueño
QUESTÃO 2
Disponívem em: https://www.letras.com/chambao/1160994

A canção da banda espanhola Chambao tem a intenção de:

a) informar sobre os perigos de uma travessia de imigração


ilegal.
b) sensiblizar sobre as dificultades enfrentadas pelo
imigrantes.
c) convencer pessoas interessadas em imigrar a não
fazê-lo.
d) chamar atenção ao modo como as fronteiras marítimas
estão sendo protegidas.
e) denunciar a atuação de atravesadores no percurso dos
imigrantes ilegais.

QUESTÃO 4

A charge expõe:

a) uma análise sobre os estrangeiros que instituem a sua


cultura como única válida.
b) um questionamento sobre a violência sofrida pelos
imigrantes.
c) um alerta sobre as crises migratórias que causam
embates ideológicos.
d) uma problematização sobre as hostilidades
estabelecidas pelas fronteiras.
e) uma crítica à falta de tolerância a culturas e visões
diferentes dos próprios.

QUESTÃO 3

Papeles Mojados
Chambao

Miles de sombras cada noche trae la marea,


Navegan cargaos de ilusiones que en la orilla se quedan.
Historias del día día, historias de buena gente. De acordo com o texto, nos filmes norte-americanos, nem
Se juegan la vida cansaos, con hambre y un frío que pela. todas as falas
Ahogan sus penas con una candela, ponte tú en su lugar, em español são legendadas em inglês.
El miedo que en sus ojos reflejan, la mar se echó a llorar. Esse fato revela a:

Muchos no llegan, se hunden sus sueño, papeles mojaos a) assimetria no tratamento do espanhol como elemento da
Papeles sin dueño muchos no llegan diversidade lingüística no Estados Unidos.
Se hunden sus sueño, papeles mojaos, papales sin dueño b) escassez de personagem de origem hispánica nas
séries e filmes produzidos nos Estados Unidos.
Frágiles recuerdos a la deriva desgarran el alma, c) desconsideração com o público hispánico que frequenta
Cala to’ los huesos, el agua los arrastra sin esperanza. as salas de cinema norte-americanas.
La impotencia en su garganta con sabor a sal, d) falta de uma formação lingüística específica para os
Una bocanada de aire le da otra oportunidad. roteiristas e tradutores norte-americanos.
Tanta injusticia me desespera, ponte tú en su lugar, e) carência de pesquisas científicas sobre a influência do
El miedo que en sus ojos reflejan, la mar se echó a llorar. español na cultura norte-americana.
3
QUESTÃO 5 QUESTÃO 6

O pronome isso refere-se:

(a) anaforicamente a postura de líderes políticos


europeus(3)
(b) anaforicamente a aborda a questão da crise
migratória(2)
(c) anaforicamente a o clipe do single “Borders”(1)
(d) cataforicamente a perigosas viagens(4)
(e) cataforicamente a enormes cercas cobertas com arame
farpado(5)

QUESTÃO 7

As ideias veiculadas no texto se organizam estabelecendo


relações que atuam na construção do sentido.
A esse respeito, identifica-se, no fragmento, que:

a) A expressão “esses assuntos” (quarto parágrafo) introduz


Duerme negrito é uma cantiga de ninar da cultura popular um referente que será exemplificado na sequência do texto.
hispánica, cuja letra problematiza uma questão social, ao: b) os conectivos “seja” e “ou” (segundo parágrafo) em
paralelo exprimem ideia de contraste.
a) destacar o orgulho da mulher como provedora do lar. c) a expressão “para isso” (segundo parágrafo) é usada
b) evidenciar a ausencia efetiva da mão na criação do filho. para esclarecer uma ideia contida no parágrafo anterior,
c) retratar a precariedade das relações de trabalho no fazendo uma comparação.
campo. d) o pronome “eles” (segundo parágrafo) retoma
d) ressaltar a inserção da mulher no mercado de trabalho anaforicamente o sintagma grupo de refugiados .
rural. e) o sintagma “seu lado politizado” (primeiro parágrafo)
e) exaltar líricamente a voz materna na formação cidadão refere-se ao videoclipe do single Borders.
do filho.

QUESTÃO 8
Questões de 6 a 30
No primeiro parágrafo pode-se trocar “para que” sem
alteração de sentido por:
TEXTO PARA AS PRÓXIMAS 4 QUESTÕES (6 a 9):
(a) apesar de que
(b) assim que
M.I.A. viaja com refugiados no clipe do single ‘Borders’
(c) desde que
RIO — Ao lançar o clipe do single “Borders”(1), a cantora
(d) a fim de que
M.I.A. voltou a chamar atenção pelo seu lado politizado.
(e) mesmo que
No caprichado vídeo, dirigido por ela e lançado com ex-
clusividade na plataforma Apple Music, a rapper inglesa
de origem tâmil (Sri Lanka) aborda a questão da crise QUESTÃO 9
migratória(2) criticando a postura de líderes políticos
europeus(3) e a criação de cercas nas fronteiras para que No quarto parágrafo pode-se trocar “Por isso” sem
imigrantes sejam impedidos de entrar. alteração de sentido por todas as alternativas EXCETO:
Para isso, M.I.A. acompanha um grupo de refugiados nas
perigosas viagens(4) que eles enfrentam, seja escalando (a) Logo
enormes cercas cobertas com arame farpado(5) ou se (b) Uma vez que
amontoando em barcos precários. (c) De modo que
(d) Portanto
“Política / O que há com isso? / Tiros da polícia / O que há (e) De forma que
com isso? / Identidades / O que há com isso? /
Seu privilégio / O que há com isso? / Pessoas pobres /
O que há com isso? / Barco de pessoas / O que há com
isso?”, questiona a rapper na música.

“O mundo que abordei há dez anos segue o mesmo. Por


isso é difícil para mim falar sobre esses assuntos de novo
em um álbum”, disse ela recentemente em seu Twitter
sobre a face politizada do novo trabalho.

http://oglobo.globo.com/cultura/musica/mia-viaja-com-refugiados-no-clipe-do-single-borders
4
Prima Julieta

Prima Julieta irradiava um fascínio singular. Era a


feminilidade em pessoa. Quando a conheci, sendo ainda
garoto e já sensibilíssimo ao charme feminino, teria ela uns
trinta ou trinta e dois anos de idade.
Apenas pelo seu andar percebia-se que era uma
deusa, diz Virgílio de outra mulher. Prima Julieta caminhava
em ritmo lento, agitando a cabeça para trás, remando os
belos braços brancos. A cabeleira loura incluía reflexos
metálicos. Ancas poderosas. Os olhos de um verde azulado
borboleteavam. A voz rouca e ácida, em dois planos: voz
de pessoa da alta sociedade.

(MENDES, M. A idade do serrote. Rio de Janeiro: Sabiá, 1958)

QUESTÃO 11

Entre os elementos constitutivos dos gêneros, está o modo


como se organiza a própria composição textual, tendo-se
em vista o objetivo de seu autor: narrar, descrever,
argumentar, explicar, instruir. No trecho, reconhece-se uma
sequência textual:

a) explicativa, em que se expõem informações objetivas


referentes à prima Julieta.
b) instrucional, em que se ensina o comportamento
feminino, inspirado em prima Julieta.
c) narrativa, em que se contam fatos que, no decorrer do
tempo, envolvem prima Julieta.
d) descritiva, em que se constrói a imagem de prima Julieta
(ECKHOUT, A. “Índio Tapuia” (1610-1666). Disponível em: http://www/diaadia.pr.gov.br
a partir do que os sentidos do enunciador captam.
e) argumentativa, em que se defende a opinião do
“A feição deles é serem pardos, maneira d’avermelhados,
enunciador sobre prima Julieta, buscando-se a adesão do
de bons rostos e bons narizes, bem feitos. Andam nus, sem
leitor a essas ideias.
nenhuma cobertura, nem estimam nenhuma cousa cobrir,
nem mostrar suas vergonhas. E estão acerca disso com
(1)Páris, filho do rei de Troia, raptou Helena, mulher de
tanta inocência como têm em mostrar o rosto.”
um rei grego. Isso (2)provocou um sangrento conflito de
dez anos, entre os séculos XIII e XII a.C. Foi o (3)primeiro
(CAMINHA, P. V. A carta. Disponível em: www.dominiopublico.gov.br)
choque entre o ocidente e o oriente. Mas os gregos
conseguiram enganar (4)os troianos. Deixaram à porta de
seus muros fortificados um imenso cavalo de (5)madeira.
QUESTÃO 10
Os troianos, felizes com o presente, puseram-no para
dentro. À noite, os (6)soldados gregos, que estavam
Ao se estabelecer uma relação entre a obra de Eckhout e o
escondidos no cavalo, saíram e abriram as portas da (7)
trecho do texto de Caminha, conclui-se que:
fortaleza para a invasão. Daí surgiu a expressão “presente
de grego”.
a) ambos se identificam pelas características estéticas
marcantes, como tristeza e melancolia, do movimento
(DUARTE, Marcelo. O guia dos curiosos. São Paulo: Companhia das Letras, 1995.)
romântico das artes plásticas.
b) o artista, na pintura, foi fiel ao seu objeto,
QUESTÃO 12
representando-o de maneira realista, ao passo que o texto
é apenas fantasioso.
Em “puseram-no” (5), a forma pronominal “no” refere-se:
c) a pintura e o texto têm uma característica em comum,
que é representar o habitante das terras que sofreriam
(a) ao termo “rei grego”.
processo colonizador.
(b) ao antecedente “gregos”.
d) o texto e a pintura são baseados no contraste entre a
(c) ao antecedente distante “choque”.
cultura europeia e a cultura indígena.
(d) à expressão “muros fortificados”.
e) há forte direcionamento religioso no texto e na pintura,
(e) aos termos “presente” e “cavalo de madeira”.
uma vez que o índio representado é objeto da
catequização jesuítica.

5
A charge é um tipo de ilustração que geralmente apresenta a) a preferência por tintas naturais, em razão de seu efeito
um discurso humorístico e está presente em revistas e estético.
principalmente jornais. Trata-se de desenhos elaborados b) a inovação na técnica de pintura, rompendo com
por cartunistas que captam de maneira perspicaz as modelos estabelecidos.
diversas situações do cotidiano, transpondo para o c) o registro do pensamento e das crenças das sociedades
desenho algum tipo de crítica, geralmente permeada por em várias épocas.
fina ironia. d) a repetição dos temas e a restrição de uso pelas classes
(Disponível em: http://brasilescola.uol.com.br/redacao/charges.htm) dominantes.
e) o uso exclusivista da arte para atender aos interesses da
QUESTÃO 13 elite.

De acordo com a definição de charge, é possível afirmar


que o autor da charge acima:

a) denuncia o racismo da população brasileira;


b) acredita que o Brasil e a Europa enfrentam os mesmos
problemas;
c) escreve a fala do imigrante em francês para fazer
referência à colonização europeia na África;
d) satiriza a hipocrisia de parte da sociedade brasileira
diante da crise migratória atual;
e) quis representar o ditado “Faça o que eu digo, não faça o
que eu faço”.

Disponível em: http://mutantes.com

QUESTÃO 15
Toca do Salitre - Piauí
Disponível em: http://www.fumdham.org.br A capa do LP Os Mutantes, de 1968, ilustra o movimento da
contracultura. O desafio à tradição nessa criação musical é
caracterizado por:

a) letras e melodias com características amargas e


depressivas.
b) arranjos baseados em ritmos e melodias nordestinos.
c) sonoridades experimentais e confluência de elementos
populares e eruditos.
d) temas que refletem situações domésticas ligadas à
tradição popular.
e) ritmos contidos e reservados em oposição aos modelos
estrangeiros.

Arte Urbana. Foto: Diego Singh


Disponível em: http://www.diaadia.pr.gov.br
Ouvir estrelas

“Ora, (direis) ouvir estrelas! Certo


QUESTÃO 14
perdeste o senso!” E eu vos direi, no entanto,
que, para ouvi-las, muita vez desperto
O grafite contemporâneo, considerado em alguns
e abro as janelas, pálido de espanto...
momentos como uma arte marginal, tem sido comparado
E conversamos toda noite, enquanto
às pinturas murais de várias épocas e às escritas
a Via-Láctea, como um pálio aberto,
pré-históricas. Observando as imagens apresentadas, é
cintila. E, ao vir o Sol, saudoso e em pranto,
possível reconhecer elementos comuns entre os tipos de
inda as procuro pelo céu deserto.
pinturas murais, tais como:
Direis agora: “Tresloucado amigo!
Que conversas com elas?” Que sentido
6
tem o que dizem, quando estão contigo?” Cada vez mais cheia
E eu vos direi: “Amai para entendê-las! De afetos e de mulheres.
Pois só quem ama pode ter ouvido
Capaz de ouvir e de entender estrelas”. O vento varria os meses
E varria os teus sorrisos...
BILAC, Olavo. Ouvir estrelas. In: Tarde, 1919. O vento varria tudo!
E a minha vida ficava
Ouvir estrelas Cada vez mais cheia
De tudo.
Ora, direis, ouvir estrelas! Vejo
que estás beirando a maluquice extrema. BANDEIRA, M. Poesia completa e prosa. Rio de Janeiro: José Aguilar, 1967.
No entanto o certo é que não perco o ensejo
De ouvi-las nos programas de cinema. QUESTÃO 17
Não perco fita; e dir-vos-ei sem pejo
que mais eu gozo se escabroso é o tema. Predomina no texto a função da linguagem:
Uma boca de estrela dando beijo
é, meu amigo, assunto p’ra um poema. a) fática, porque o autor procura testar o canal de
Direis agora: Mas, enfim, meu caro, comunicação.
As estrelas que dizem? Que sentido b) metalinguística, porque há explicação do significado das
têm suas frases de sabor tão raro? expressões.
Amigo, aprende inglês para entendê-las, c) conativa, uma vez que o leitor é provocado a participar
Pois só sabendo inglês se tem ouvido de uma ação.
Capaz de ouvir e de entender estrelas. d) referencial, já que são apresentadas informações sobre
acontecimentos e fatos reais.
TIGRE, Bastos. Ouvir estrelas. In: Becker, I. Humor e e) poética, pois chama-se a atenção para a elaboração
humorismo: Antologia. São Paulo: Brasiliense, 1961. especial e artística da estrutura do texto.

QUESTÃO 16 QUESTÃO 18

A partir da comparação entre os poemas, verifica-se que: Na estruturação do texto, destaca-se:

a) no texto de Bilac, a construção do eixo temático se deu a) a construção de oposições semânticas.


em linguagem denotativa, enquanto no de Tigre, em b) a apresentação de ideias de forma objetiva.
linguagem conotativa. c) o emprego recorrente de figuras de linguagem, como o
b) no texto de Bilac, as estrelas são inacessíveis, distantes, eufemismo.
e no texto de Tigre, são próximas, acessíveis aos que as d) a repetição de sons e de construções sintáticas
ouvem e as entendem. semelhantes.
c) no texto de Tigre, a linguagem é mais formal, mais e) a inversão da ordem sintática das palavras.
trabalhada, como se observa no uso de estruturas como
“dir-vos-ei sem pejo” e “entendê-las”.
d) no texto de Tigre, percebe-se o uso da linguagem TEXTOS PARA AS QUESTÕES 19 e 20:
metalinguística no trecho “Uma boca de estrela dando
beijo/é, meu amigo, assunto p’ra um poema.” I)
e) no texto de Tigre, a visão romântica apresentada para
alcançar as estrelas é enfatizada na última estrofe de seu O canto do guerreiro
poema com a recomendação de compreensão de outras Aqui na floresta
línguas. Dos ventos batida,
Façanhas de bravos
Não geram escravos,
TEXTO PARA AS QUESTÕES 17 e 18: Que estimem a vida
Sem guerra e lidar.
Canção do vento e da minha vida — Ouvi-me, Guerreiros,
— Ouvi meu cantar.
O vento varria as folhas, Valente na guerra,
O vento varria os frutos, Quem há, como eu sou?
O vento varria as flores... Quem vibra o tacape
E a minha vida ficava Com mais valentia?
Cada vez mais cheia Quem golpes daria
De frutos, de flores, de folhas. Fatais, como eu dou?
— Guerreiros, ouvi-me;
[...] — Quem há, como eu sou?
O vento varria os sonhos
E varria as amizades... (I-Juca-Pirama, Gonçalves Dias)
O vento varria as mulheres...
E a minha vida ficava
7
II)

Macunaíma (Epílogo)

Acabou-se a história e morreu a vitória.


Não havia mais ninguém lá. Dera tangolomângolo na tribo
Tapanhumas e os filhos dela se acabaram de um em um.
Não havia mais ninguém lá. Aqueles lugares, aqueles
campos, furos puxadouros arrastadouros meios-barrancos,
aqueles matos misteriosos, tudo era solidão do deserto...
Um silêncio imenso dormia à beira do rio Uraricoera.
Nenhum conhecido sobre a terra não sabia nem falar da
tribo nem contar aqueles casos tão pançudos. Quem podia
saber do Herói?

(Mário de Andrade)

QUESTÃO 19 QUESTÃO 21

A leitura comparativa dos dois textos acima indica que:


Nessa charge, o recurso morfossintático que colabora para
o efeito de humor está indicado pelo(a):
(a) ambos têm como tema a figura do indígena brasileiro
apresentada de forma realista e heroica, como símbolo
a) emprego de uma oração adversativa, que orienta a
máximo do nacionalismo romântico.
quebra da expectativa ao final.
(b) a abordagem da temática adotada no texto escrito em
b) uso de conjunção aditiva, que cria uma relação de causa
versos é discriminatória em relação aos povos indígenas do
e efeito entre as ações.
Brasil.
c) retomada do substantivo “mãe”, que desfaz a
(c) as perguntas “— Quem há, como eu sou?” (texto I) e
ambiguidade dos sentidos a ele atribuídos
“Quem podia saber do Herói?” (texto II) expressam
d) utilização da forma pronominal “la”, que reflete um
diferentes visões da realidade indígena brasileira.
tratamento formal do filho em relação à “mãe”.
(d) o texto romântico, assim como o modernista, aborda o
e) repetição da forma verbal “é”, que reforça a relação de
extermínio dos povos indígenas como resultado do
adição existente entre as orações.
processo de colonização no Brasil.
(e) no poema, os versos em primeira pessoa revelam que
os indígenas podiam expressar-se poeticamente, mas
foram silenciados pela colonização, como demonstra a
“Tudo no mundo começou com um sim. Uma molécula
presença do narrador no segundo texto.
disse sim a outra molécula e nasceu a vida. Mas antes da
pré -história havia a pré-história da pré-história e havia o
QUESTÃO 20
nunca e havia o sim. Sempre houve. Não sei o quê, mas
sei que o universo jamais começou.
Considerando-se a linguagem desses dois textos,
[...]
verifica-se que:
Enquanto eu tiver perguntas e não houver respostas
continuarei a escrever. Como começar pelo início, se as
a) a função da linguagem centrada no receptor está
coisas acontecem antes de acontecer? Se antes da
ausente tanto no primeiro quanto no segundo texto.
pré-pré-história já havia os monstros apocalípticos?
b) há, em cada um dos textos, a utilização de pelo menos
Se esta história não existe, passará a existir. Pensar é um
uma palavra de origem indígena.
ato. Sentir é um fato. Os dois juntos — sou eu que escrevo
c) a linguagem utilizada no primeiro texto é coloquial,
o que estou escrevendo. [...] Felicidade? Nunca vi palavra
enquanto, no segundo, predomina a linguagem formal.
mais doida, inventada pelas nordestinas que andam por
d) a função da linguagem, no primeiro texto, centra-se na
aí aos montes. Como eu irei dizer agora, esta história será
forma de organização da linguagem e, no segundo, no
o resultado de uma visão gradual — há dois anos e meio
relato de informações reais.
venho aos poucos descobrindo os porquês. É visão da
e) a função da linguagem centrada na primeira pessoa,
iminência de. De quê? Quem sabe se mais tarde saberei.
predominante no segundo texto, está ausente no primeiro.
Como que estou escrevendo na hora mesma em que sou
lido. Só não inicio pelo fim que justificaria o começo —
como a morte parece dizer sobre a vida — porque preciso
registrar os fatos antecedentes.

LISPECTOR, C. A hora da estrela. Rio de Janeiro: Rocco, 1988

8
QUESTÃO 22 QUESTÃO 24

A elaboração de uma voz narrativa peculiar acompanha A contemporaneidade identificada na


a trajetória literária de Clarice Lispector, culminada com a performance/instalação do artista mineiro Paulo Nazareth
obra A hora da estrela, de 1977, ano da morte da escritora. reside principalmente na forma como ele:
Nesse fragmento, nota-se essa peculiaridade porque o
narrador: a) resgata conhecidas referências do modernismo mineiro.
b) utiliza técnicas e suportes tradicionais na construção das
a) observa os acontecimentos que narra sob uma ótica formas.
distante, sendo indiferente aos fatos e às personagens. c) articula questões de identidade, território e códigos de
b) relata a história sem ter tido a preocupação de investigar linguagens.
os motivos que levaram aos eventos que a compõem. d) imita o papel das celebridades no mundo
c) revela-se um sujeito que reflete sobre questões contemporâneo.
existenciais e sobre a construção do discurso. e) camufla o aspecto plástico e a composição visual de sua
d) admite a dificuldade de escrever uma história em razão montagem.
da complexidade para escolher as palavras exatas.
e) propõe-se a discutir questões de natureza filosófica e
metafísica, incomuns na narrativa de ficção.

Dúvida

Um dos compadres falou:


— Passou um largato ali!
O outro perguntou:
— Lagarto ou largato?
O primeiro respondeu:
— Num sei não, o bicho passou muito rápido.

Piadas coloridas. Rio de Janeiro: Gênero, 2006.

QUESTÃO 23
QUESTÃO 25
Na piada, a quebra de expectativa contribui para produzir o
efeito de humor. Esse efeito ocorre porque um dos
personagens: O efeito de sentido da charge é provocado pela
combinação de informações visuais e recursos linguísticos.
a) reconhece a espécie do animal avistado. No contexto da ilustração, a frase proferida recorre à:
b) tem dúvida sobre a pronúncia do nome do réptil.
c) desconsidera o conteúdo linguístico da pergunta. a) polissemia, ou seja, aos múltiplos sentidos da expressão
d) constata o fato de um bicho cruzar a frente do carro. “rede social” para transmitir a ideia que pretende veicular.
e) apresenta duas possibilidades de sentido para a mesma b) ironia para conferir um novo significado ao termo “outra
palavra. coisa”.
c) homonímia para opor, a partir do advérbio de lugar, o
espaço da população pobre e o espaço da população rica.
d) personificação para opor o mundo real pobre ao mundo
virtual rico.
e) antonímia para comparar a rede mundial de
computadores com a rede caseira de descanso da família.

(Tradução da placa: “Não me esqueçam quando eu for um nome importante.”)


NAZARETH, P. Mercado de Artes / Mercado de Bananas. Miami Art Basel, EUA,
2011. Disponível em: www.40forever.com.br (Foto: Reprodução)

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Capítulo LIV — A pêndula

Saí dali a saborear o beijo. Não pude dormir; estirei-me na


cama, é certo, mas foi o mesmo que nada. Ouvi as horas
todas da noite. Usualmente, quando eu perdia o sono, o
bater da pêndula fazia- me muito mal; esse tique-taque
soturno, vagaroso e seco parecia dizer a cada golpe que eu
ia ter um instante menos de vida. Imaginava então um velho
diabo, sentado entre dois sacos, o da vida e o da morte, e a
contá -las assim:

— Outra de menos...
QUESTÃO 26 — Outra de menos...
— Outra de menos...
Bastante comuns entre os usuários de redes sociais, as — Outra de menos…
hashtags são palavras-chave antecedidas pelo símbolo
#, utilizadas para localizar conteúdos publicados sobre O mais singular é que, se o relógio parava, eu dava-lhe
um mesmo tema. A esse respeito, identifica-se nos tuítes corda, para que ele não deixasse de bater nunca, e eu
acima: pudesse contar todos os meus instantes perdidos. I
nvenções há, que se transformam ou acabam; as mesmas
(a) o uso incorreto do vocábulo “tombamento” no terceiro instituições morrem; o relógio é definitivo e perpétuo.
tuíte. O derradeiro homem, ao despedir- se do sol frio e gasto, há
(b) a polissemia do termo “tombamento”, evidenciada no de ter um relógio na algibeira, para saber a hora exata em
segundo e no terceiro tuítes. que morre.
(c) a grande diferença de sentido entre o primeiro e o
segundo tuíte, decorrida da polissemia do termo Naquela noite não padeci essa triste sensação de enfado,
“tombamento”. mas outra, e deleitosa. As fantasias tumultuavam-me cá
(d) o emprego do sentido figurado de “tombamento” no dentro, vinham umas sobre outras, à semelhança de devo-
primeiro tuíte. tas que se abalroam para ver o anjo-cantor das procissões.
(e) a grande popularidade do termo “tombamento” em Não ouvia os instantes perdidos, mas os minutos ganhados.
portais de notícia. ASSIS, M. Memórias póstumas de Brás Cubas. Rio de Janeiro: Nova
Aguilar, 1992 (fragmento).

A primeira instituição de ensino brasileira que inclui QUESTÃO 28


disciplinas voltadas ao público LGBT (lésbicas, gays,
bissexuais e transexuais) abriu inscrições na semana O capítulo apresenta o instante em que Brás Cubas revive
passada. A grade curricular é inspirada em similares dos a sensação do beijo trocado com Virgília, casada com Lobo
Estados Unidos da América e da Europa. Ela atenderá Neves. Nesse contexto, a metáfora do relógio desconstrói
jovens com aulas de expressão artística, dança e criação certos paradigmas românticos, porque:
de fanzines. É aberta a todo o público estudantil e tem
como principal objetivo impedir a evasão escolar de grupos a) o narrador e Virgília não têm percepção do tempo em
socialmente discriminados. seus encontros adúlteros.
b) como “defunto autor”, Brás Cubas reconhece a
Época, 11 jan. 2010 (adaptado). inutilidade de tentar acompanhar o fluxo do tempo.
c) na contagem das horas, o narrador metaforiza o desejo
QUESTÃO 27 de triunfar e acumular riquezas.
d) o relógio representa a materialização do tempo e
O texto trata de uma política pública de ação afirmativa redireciona o comportamento idealista de Brás Cubas.
voltada ao público LGBT. Com a criação de uma instituição e) o narrador compara a duração do sabor do beijo à
de ensino para atender esse público, pretende-se: perpetuidade do relógio.

a) contribuir para a invisibilidade do preconceito ao grupo


LGBT.
b) copiar os modelos educacionais dos EUA e da Europa. “Quando vou a São Paulo, ando na rua ou vou ao mercado,
c) permitir o acesso desse segmento ao ensino técnico. apuro o ouvido; não espero só o sotaque geral dos
d) criar uma estratégia de proteção e isolamento desse nordestinos, onipresentes, mas para conferir a pronúncia
grupo. de cada um; os paulistas pensam que todo nordestino fala
e) promover o respeito à diversidade sexual no sistema de igual; contudo as variações são mais numerosas que as
ensino. notas de uma escala musical.

Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte, Ceará, Piauí


têm no falar de seus nativos muito mais variantes do que se
imagina. E a gente se goza uns dos outros, imita o vizinho,
e todo mundo ri, porque parece impossível que um praiano

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de beira-mar não chegue sequer perto de um sertanejo de
Quixeramobim. O pessoal do Cariri, então, até se orgulha
do falar deles. Têm uns tês doces, quase um the; já nós,
ásperos sertanejos, fazemos um duro au ou eu de todos os
termina is em al ou el – carnavau, Raqueu... Já os para-
ibanos trocam o l pelo r. José Américo só me chamava,
afetuosamente, de Raquer.

Queiroz, R. O Estado de São Paulo . 09 maio 1998 (fragmento adaptado).

QUESTÃO 29

Raquel de Queiroz comenta, em seu texto, um tipo de


variação linguística que se percebe no falar de pessoas de
diferentes regiões. As características regionais exploradas
no texto manifestam-se:

a) na fonologia.
b) no uso do léxico.
c) no grau de formalidade.
d) na organização sintática.
e) na estruturação morfológica.

Vende-se Amazônia (Cranio)

QUESTÃO 30

Na análise do grafite representado acima, pode-se afirmar


que não está presente:

(a) o processo de aculturamento de indígenas.


(b) o domínio cultural exercido por potências imperialistas.
(c) a exploração territorial e de riquezas exercida por
potências imperialistas.
(d) o genocídio de povos indígenas na América desde o
século XVI até os dias de hoje.
(e) a supremacia da lógica capitalista no mundo
contemporâneo.

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