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IDENTIDADE CULTURAL E O INDIVÍDUO

DO ILUMINISMO AO PÓS-MODERNO
Stuart Hall
Identidade cultural pós-moderna
Ø Investigar a crise de identidade nas sociedades
contemporâneas

- existe uma crise de identidade?


- “o que é crise de identidade?”
- que acontecimentos precipitaram a crise?

Ø Historiciza o conceito de indivíduo


O que é identidade?
Identidade cultural é a mesma coisa?
Ø
Ø o que pensamos e falamos sobre nós

Ø como nos vemos e nos projetamos enquanto


indivíduos unos e estáveis
“Declínio de velhas identidades”

Ø surgem novas identidades

Ø identidades modernas: descentradas,


deslocadas ou fragmentadas:

- “indivíduo moderno” fragmenta-se


Sujeito/indivíduo do Iluminismo

ü nascimento do “indivíduo soberano”: entre


humanismo renascentista (XVI) e iIuminismo
(XVIII)

ü Centrado, unificado, dotado de capacidade e


razão, de consciência e ação

ü Núcleo interior emergia quando o sujeito nascia


e com ele se desenvolvia, mas permanecendo
essencialmente o mesmo
Sujeito (indivisível): unificado em seu
interior

Indivíduo
Singular, distinto e único
• Reforma e protestantismo

• Revoluções científicas


• Iluminismo: homem racional, científico,
libertado dos dogmas e da intolerância
René Descartes (1596-1650)
sujeito cartesiano
Ø concepção de sujeito racional, pensante e
consciente – centro do conhecimento

Ø dualismo metodológico

Mente (substância pensante)


“sujeito individual” com capacidade
de raciocinar e pensar
Matéria (substância física)
Gotrified Wilhem Liebniz

-modelo individualista do homem concreto na


sociedade burguesa:

- “que uma substância particular não atua sobre uma


outra e ainda menos a sofre, se considerarmos que
tudo o que acontece a cada uma delas é tão-só a
conseqüência da sua idéia ou da sua noção completa,
pois essa idéia já encerra todos os predicados ou
eventos e expressa todo o universo”

- “As mônadas não têm janelas pelas quais possam


entrar ou sair alguma coisa”
Sujeito sociológico - séc. XIX
crítica ao “sujeito cartesiano”, ao “indivíduo soberano”
Ø
Ø “núcleo interior” do sujeito: “não era autônomo e
auto-suficiente”, mas formado na relação com
outras pessoas que mediavam Valores, sentidos e
símbolos – a Cultura

Ø G. H. Mead, C. H. Cooley e os interacionistas


simbólicos – figuras-chave na sociologia que
elaboraram a concepção de “interatividade”

Ø No entanto, essa tradição de assim pensar o


indivíduo começa no século XIX – os positivistas, os
funcionalistas, os materialistas e os compreensivos
“Concepção mais social do sujeito” – séc. XIX

Ø “sujeito humano foi biologizado”: ou seja, faz parte


de um organismo: visão organicista

Ø surgimento das novas ciências sociais

ü na Economia moderna – “indivíduo soberano”


ü dualismo cartesiano: surgimento de Psicologia
que estuda o indivíduo em seus processos
mentais (mente) – estudo privilegiado da
Psicologia
ü sociologia – crítica ao “individualismo racional”
Sociologia – crítica ao individualismo racional
desde o surgimento no séc. XIX

“desenvolveu uma explicação alternativa do


modo como os indivíduos são formados
subjetivamente através de sua participação
em relações sociais mais amplas; e,
inversamente, do modo como os processos e
as estruturas são sustentadas pelos papéis que
os indivíduos neles desempenham” (p.31)
Interacionismo simbólico
G. H. Mead, Hebert Blumer,

Ø concepção de interatividade na formação do


indivíduo
Ø
Ø “internalização do exterior nos sujeitos”

Ø “externalização do interior, na ação no mundo


social”

Ø “teoria da socialização”
Sujeito pós-modernista
(modernidade tardia)

Ø Identidade unificada e estável: fragmenta-se

Ø Existe várias identidades, contraditórias e não-


resolvidas

Ø Processo de identificação torna-se mais provisório,


variável e problemático
Ø
Ø Identidade não é fixa, essencial e permanente
- sujeito assume identidades diferentes em
momentos diferentes
“..Dentro de nós há identidades contraditórias,
empurrando em diferentes direções, de tal modo que
nossas identificações estão sendo continuamente
deslocadas. Se sentimos que temos uma identidade
unificada desde o nascimento até a morte é apenas
porque construímos uma cômoda estória sobre nós
mesmos ou uma confortadora ‘narrativa do eu’ (...). A
identidade plenamente unificada, completa, segura e
coerente é uma fantasia. Ao invés disso, à medida em
que os sistemas de significação e representação
cultural se multiplicam, somos confrontados por uma
multiplicidade desconcertante e cambiante de
identidades possíveis, com cada uma das quais
poderíamos nos identificar – ao menos
temporariamente” (p.13)
Cinco avanços na teoria social que tiveram impacto no
sujeito cartesiano

1º Teoria marxista

Ø Questiona a “essência universal humana”

Ø Questiona a essência como atributo de “cada


indivíduo singular”

Ø “os homens fazem a história, mas apenas sob as


condições que lhes é dadas”
2º Descobertas de Sigmund Freud
Psicanálise

Ø sexualidade e estrutura de desejos:

formadas em processos psíquicos e simbólicos


do inconsciente – com lógica de funcionamento
diferente da RAZÃO
3º Lingüística
Ferdinand Saussure

Ø Língua é um sistema social; não é um sistema


individual

Ø Compreendemos seus significados somente


quando nos localizamos no interior das regras
da língua e dos sistemas de significados de
nossa cultura
Ø
Ø Significados das palavras não são fixos...
4º “Poder disciplinar” – “genealogia do sujeito moderno”
Michel Foucault

Ø “poder disciplinar” – desde o século XIX até


nossos dias

ü regulação e vigilância de populações inteiras


ü disciplina do indivíduo/corpo
ü “policiam” e disciplinam as populações
modernas: oficinas, quartéis, escolas,
prisões, hospitais, clínicas
“Num regime disciplinar, a individualização é descendente.
Através da vigilância, da observação constante, todas aquelas
pessoas sujeitas ao controle são individualizadas... \o poder não
apenas traz a individualidade para o campo da observação, mas
também fixa aquela individualidade objetiva no campo da
escrita. Um imenso e meticuloso aparato documentário torna-
se um componente essencial do crescimento do poder [nas
sociedades modernas]. Essa acumulação de documentação
individual num ordenamento sistemático torna ‘possível a
medição de fenômenos globais, a descrição de grupos, a
caracterização de fatos coletivos, o cálculo de distâncias entre
os indivíduos, sua distribuição numa dada população”.
5º O feminismo

Ø Questiona a distinção entre público e privado

Ø Abre-se para a contestação política, espaços novos


da vida social: família, sexualidade, trabalho
doméstico, cuidado com as crianças...

Ø Enfatizou, como questão política e social, a maneira


como somos “formados e produzidos” como
sujeitos generificados; politizou a subjetividade, a
identidade e o processo de identificação (como
homem/mulher; mãe/pai; filho/filha)
Ø
Ø Discussão expandiu-se para a formação das
identidades sexuais e de gênero
Ø
Ø Questiona a noção de homem e mulher como
parte de uma mesma identidade
(humanidade), subistitui pela questão da
diferença sexual
“Um tipo diferente de mudança estrutural está
transformando as sociedades modernas no final do século
XX. Isso está fragmentando as paisagens culturais de classe,
gênero, sexualidade, etnia, raça e nacionalidade, que, no
passado, nos tinham fornecido sólidas localizações como
indivíduos sociais. Estas transformações estão também
mudando nossas identidades pessoais, abalando a idéia
que temos de nós próprios como sujeitos integrados. Esta
perda de um ‘sentido de si’ estável é chamada, algumas
vezes, de deslocamento – descentração dos indivíduos
tanto de seu lugar no mundo social e cultural quanto de si
mesmos – constitui uma ‘crise de identidade’ para o
indivíduo. Como observa o crítico cultural Kobena Mercer,
‘a identidade somente se torna uma questão quando está
em crise, quando algo que se supõe como fixo, coerente e
estável é deslocado pela experiência da úvida e da
incerteza” (p.9)