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DNIT

MANUAL DE CUSTOS DE INFRAESTRUTURA DE TRANSPORTES

VOLUME 10

MANUAIS TÉCNICOS

CONTEÚDO 06

FUNDAÇÕES E CONTENÇÕES

2017

MINISTÉRIO DOS TRANSPORTES, PORTOS E AVIAÇÃO CIVIL DEPARTAMENTO NACIONAL DE INFRAESTRUTURA DE TRANSPORTES DIRETORIA GERAL DIRETORIA EXECUTIVA COORDENAÇÃO-GERAL DE CUSTOS DE INFRAESTRUTURA DE TRANSPORTES

MINISTRO DOS TRANSPORTES, PORTOS E AVIAÇÃO CIVIL Exmo. Sr. Maurício Quintella Malta Lessa

DIRETOR GERAL DO DNIT Sr. Valter Casimiro Silveira

DIRETOR EXECUTIVO DO DNIT Eng.º Halpher Luiggi Mônico Rosa

COORDENADOR-GERAL DE CUSTOS DE INFRAESTRUTURA DE TRANSPORTES Eng.º Luiz Heleno Albuquerque Filho

MANUAL DE CUSTOS DE INFRAESTRUTURA DE TRANSPORTES

VOLUME 10

MANUAIS TÉCNICOS

CONTEÚDO 06

FUNDAÇÕES E CONTENÇÕES

Manual de Custos de Infraestrutura de Transportes Volume 10 - Conteúdo 06 - Fundações e Contenções

MANUAL DE CUSTOS DE INFRAESTRUTURA DE TRANSPORTES

  • A. VERSÃO ATUAL EQUIPE TÉCNICA: Revisão e Atualização: Fundação Getulio Vargas (Contrato nº 327/2012) Revisão e Atualização: Fundação Getulio Vargas (Contrato nº 462/2015)

MANUAL DE CUSTOS DE INFRAESTRUTURA DE TRANSPORTES

  • A. VERSÃO ATUAL FISCALIZAÇÃO E SUPERVISÃO DO DNIT: MSc. Eng.º Luiz Heleno Albuquerque Filho Eng.º Paulo Moreira Neto Eng.º Caio Saravi Cardoso

  • B. PRIMEIRAS VERSÕES EQUIPE TÉCNICA (SINCTRAN e Sicro 3): Elaboração: CENTRAN Eng.º Osvaldo Rezende Mendes (Coordenador) SUPERVISÃO DO DNIT: Eng.º Silvio Mourão (Brasília) Eng.º Luciano Gerk (Rio de Janeiro)

Brasil, Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes. Diretoria Executiva. Coordenação-Geral de Custos de Infraestrutura de Transportes. Manual de Custos de Infraestrutura de Transportes. 1ª Edição - Brasília, 2017.

12v. em 74.

Volume 10: Manuais Técnicos Conteúdo 06 - Fundações e Contenções

1. Rodovias - Construções - Estimativa e Custo - Manuais. -2. Ferrovias - Construções - Estimativa e Custo - Manuais. - 3. Aquavias - Construções - Estimativa e Custo - Manuais. - I. Título.

Manual de Custos de Infraestrutura de Transportes Volume 10 - Conteúdo 06 - Fundações e Contenções

MINISTÉRIO DOS TRANSPORTES, PORTOS E AVIAÇÃO CIVIL DEPARTAMENTO NACIONAL DE INFRAESTRUTURA DE TRANSPORTES DIRETORIA GERAL DIRETORIA EXECUTIVA COORDENAÇÃO-GERAL DE CUSTOS DE INFRAESTRUTURA DE TRANSPORTES

MANUAL DE CUSTOS DE INFRAESTRUTURA DE TRANSPORTES

VOLUME 10 MANUAIS TÉCNICOS

CONTEÚDO 06 FUNDAÇÕES E CONTENÇOES

1ª Edição - Versão 3.0

BRASÍLIA

2017

Manual de Custos de Infraestrutura de Transportes Volume 10 - Conteúdo 06 - Fundações e Contenções

MINISTÉRIO DOS TRANSPORTES, PORTOS E AVIAÇÃO CIVIL DEPARTAMENTO NACIONAL DE INFRAESTRUTURA DE TRANSPORTES DIRETORIA GERAL DIRETORIA EXECUTIVA COORDENAÇÃO-GERAL DE CUSTOS DE INFRAESTRUTURA DE TRANSPORTES

Setor de Autarquias Norte, Bloco A, Edifício Núcleo dos Transportes, Edifício Sede do DNIT, Mezanino, Sala M.4.10 Brasília - DF CEP: 70.040-902 Tel.: (061) 3315-8351 Fax: (061) 3315-4721 E-mail: cgcit@dnit.gov.br

TÍTULO: MANUAL DE CUSTOS DE INFRAESTRUTURA DE TRANSPORTES

Primeira edição: MANUAL DE CUSTOS DE INFRAESTRUTURA DE TRANSPORTES, 2017

VOLUME 10: Manuais Técnicos Conteúdo 06 - Fundações e Contenções

Revisão:

Fundação Getulio Vargas - FGV Contratos 327/2012-00 e 462/2015 (DNIT) Aprovado pela Diretoria Colegiada em 25/04/2017 Processo Administrativo nº 50600.096538/2013-43

Impresso no Brasil / Printed in Brazil

Direitos autorais exclusivos do DNIT, sendo permitida reprodução parcial ou total, desde que citada a fonte (DNIT), mantido o texto original e não acrescentado nenhum tipo de propaganda comercial.

Manual de Custos de Infraestrutura de Transportes Volume 10 - Conteúdo 06 - Fundações e Contenções

APRESENTAÇÃO

O Manual de Custos de Infraestrutura de Transportes constitui a síntese de todo o desenvolvimento técnico das áreas de custos do extinto DNER e do DNIT na formação de preços referenciais de obras públicas.

Em consonância à história destes importantes órgãos, o Manual de Custos de Infraestrutura de Transportes abrange o conhecimento e a experiência acumulados desde a edição das primeiras tabelas referenciais de preços, passando pelo pioneirismo na conceituação e aplicação das composições de custos, até as mais recentes diferenciações de serviços e modais de transportes, particularmente no que se refere às composições de custos de serviços ferroviários e hidroviários.

Outras inovações relevantes no presente Manual de Custos de Infraestrutura de Transportes referem-se à metodologia para definição de custos de referência de canteiros de obras e de administração local e à diferenciação das taxas referenciais de bonificação e despesas indiretas em função da natureza e do porte das obras. Também merece registro a proposição de novas metodologias para o cálculo dos custos horários dos equipamentos e da mão de obra e para definição dos custos de referência para aquisição e transporte de produtos asfálticos.

O Manual de Custos de Infraestrutura de Transportes encontra-se organizado nos seguintes volumes, conteúdos e tomos:

Volume 01 - Metodologia e Conceitos

Volume 02 - Pesquisa de Preços

Volume 03 - Equipamentos

Volume 04 - Mão de Obra

  • Tomo 01 - Parâmetros do CAGED

  • Tomo 02 - Encargos Sociais

  • Tomo 03 - Encargos Complementares

  • Tomo 04 - Consolidação dos Custos de Mão de Obra

Volume 05 - Materiais

Volume 06 - Fator de Influência de Chuvas

  • Tomo 01 - Índices Pluviométricos - Região Norte

  • Tomo 02 - Índices Pluviométricos - Região Nordeste

  • Tomo 03 - Índices Pluviométricos - Região Centro-Oeste

  • Tomo 04 - Índices Pluviométricos - Região Sudeste

  • Tomo 05 - Índices Pluviométricos - Região Sul

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Volume 07 - Canteiros de Obras

  • Tomo 01 - Módulos Básicos e Projetos Tipo (A3)

Volume 08 - Administração Local

Volume 09 - Mobilização e Desmobilização

Volume 10 - Manuais Técnicos Conteúdo 01 - Terraplenagem Conteúdo 02 - Pavimentação / Usinagem Conteúdo 03 - Sinalização Rodoviária Conteúdo 04 - Concretos, Agregados, Armações, Fôrmas e Escoramentos Conteúdo 05 - Drenagem e Obras de Arte Correntes Conteúdo 06 - Fundações e Contenções Conteúdo 07 - Obras de Arte Especiais Conteúdo 08 - Manutenção e Conservação Rodoviária Conteúdo 09 - Ferrovias Conteúdo 10 - Hidrovias Conteúdo 11 - Transportes Conteúdo 12 - Obras Complementares e Proteção Ambiental

Volume 11 - Composições de Custos

Volume 12 - Produções de Equipes Mecânicas

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RESUMO

O Manual de Custos de Infraestrutura de Transportes apresenta as metodologias, as premissas e as memórias adotadas para o cálculo dos custos de referência dos serviços necessários à execução de obras de infraestrutura de transportes e suas estruturas auxiliares.

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ABSTRACT

The Transport Infrastructure Costs Manual presents the methodologies, assumptions and calculation sheets adopted for defining the required service referential costs to implement transport infrastructure ventures and its auxiliary facilities.

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LISTA DE FIGURAS

Figura 01 - Perfis de estacas prancha metálicas

30

Figura 02 - Estaca de trilho usado

31

38

39

39

Figura 06 - Esquema da montagem da tela com o material de enchimento e o aterro

reforçado

39

Figura 07 - Contenção com solo cimento ensacado

40

41

41

Figura 10 - Muro em blocos segmentais

42

43

Figura 12 - Detalhe da geocélula de PEAD

44

Figura

13

-

Gabião

saco

49

Figura

14

-

Gabião

caixa

50

Figura

15

-

Gabião

tipo colchão

51

55

Figura 17 - Exemplo de escama de concreto armado

56

Figura 18 - Exemplo de forma metálica para fabricação de escama

56

Figura 19 - Aterro compactado em solo reforçado com fita

57

Figura 20 - Detalhe da fita metálica no aterro compactado

57

Figura 21 - Detalhe da armadura e do aterro compactado

58

Figura 22 - Escoramento da primeira linha de escamas

58

59

Figura 24 - Execução da viga de

59

Figura 25 - Detalhe dos elementos constituintes do chumbador

63

Figura 26 - Detalhe de grampo de aço para solo grampeado

64

Figura 27 - Perfuração do talude para a execução do solo grampeado

64

Figura 28 - Tirante de barra de aço 527

65

Figura 29 - Cartuchos de resina de -

Figura

30

Aplicação manual do cartucho

66

66

Figura 31 - Tirante de barra de aço 527 MPa utilizado na fixação de tela metálica

66

Figura 32 - Tirante autoinjetável no sistema tubular

68

68

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Figura 34 - Monobarra, luva de emenda, porca de ancoragem, anel de grau e placa

de ancoragem do tirante protendido Inco

..............................................

69

Figura 35 - Detalhe da ancoragem e das luvas de emenda do tirante tipo Dywidag

ST 85/100

..............................................................................................

71

Figura 36 - Detalhe do tirante com luva de emenda

.................................................

71

Figura 37 - Detalhe de execução do tirante

..............................................................

71

Figura 38 - Macaco de protensão Figura 39 - Bomba hidráulica elétrica

.............................................................................

.......................................................................

72

72

Figura 40 - Distanciador

............................................................................................

72

Figura 41 - Detalhe da ancoragem e das luvas de emenda do tirante tipo Gewi ST

50/55

..................................................................................................... Figura 42 - Tirante com cordoalhas

..........................................................................

73

74

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LISTA DE TABELAS

Tabela 01 - Relação das composições de custos dos serviços de tubulão

8

10

Tabela 03 - Tempos de compressão e descompressão na escavação a ar comprimido

10

Tabela 04 - Produções referenciais dos serviços de escavação a ar comprimido

11

Tabela 05 - Consumos unitários de concreto para execução de estaca broca

18

Tabela 06 - Consumo de concreto para estaca escavada circular

19

19

Tabela 08 - Consumos unitários de concreto para execução de estaca Franki

20

Tabela 09 - Consumo de concreto para estaca hélice contínua

20

Tabela

10

-

Consumo

de

concreto

para

estaca

ômega

21

Tabela 11 - Relação de seção e área das paredes diafragma

24

Tabela 12 - Consumo de concreto para parede diafragma

24

25

Tabela 14 - Dimensão das estacas de seção quadrada e capacidade de carga admissível

26

27

Tabela 16 - Dimensão das estacas pré-moldadas protendidas e capacidade de carga

 

admissível

 

27

Tabela 17 - Dados técnicos da estaca protendida (seções de 15 x 15 cm 2 a 26 x 26

 

cm 2

28

Tabela 18 - Dados técnicos da estaca protendida (seções de 30 x 30 cm 2 a 45 x 45

 

cm 2

28

Tabela 19 - Carga nominal admissível das estacas constituídas por trilhos usados . 31

Tabela 20 - Consumos de soldas necessárias para formação de estacas de trilhos usados

33

42

45

60

65

Tabela 25 - Características e capacidade de carga dos tirantes de barras de aço 527

MPa

65

Tabela 26 - Características e capacidade de carga das barras de aço 750 MPa

67

Tabela 27 - Características e capacidade de carga das barras de aço do tirante autoinjetável

67

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Tabela 28 - Características e capacidade de carga das barras de aço do tirante

protendido Inco

69

Tabela 29 - Características e propriedades do tirante de aço tipo Dywidag ST 85/100

 

70

70

Tabela 31 - Características e propriedades do tirante de aço tipo Gewi ST 50/55

73

Tabela 32 - Componentes do sistema do tirante de aço tipo Gewi ST 50/55

73

Tabela 33 - Capacidade de carga dos tirantes com cordoalhas

74

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SUMÁRIO

INTRODUÇÃO

  • 1. .............................................................................................

3

TUBULÕES

  • 2. ..................................................................................................

7

  • 2.1. Premissas Básicas

.....................................................................................

7

  • 2.2. Descrição dos Serviços

8

  • 2.3. Equipamentos .............................................................................................

9

  • 2.4. Produção dos Serviços

10

  • 2.5. Critérios de Medição

12

3.

ESTACAS ..................................................................................................

15

3.1.

Classificação das Estacas

15

  • 3.1.1. Quanto ao Método de Execução

15

 
  • 3.1.2. Quanto

ao

15

  • 3.1.3. Quanto ao Processo de Fabricação

15

 
  • 3.1.4. Quanto

à Finalidade

16

3.2.

Descrição dos Serviços

...........................................................................

17

  • 3.2.1. Estacas Moldadas “in loco

17

  • 3.2.2. ................................................................................

Estacas

Pré-Moldadas

25

  • 3.2.3. .......................................................................................

Estacas

Metálicas

29

  • 3.2.4. Emenda de Estaca por

32

3.3.

Critérios de Medição

33

4.

CONTENÇÕES ..........................................................................................

37

4.1.

Descrição dos Serviços

38

  • 4.1.1. Enrocamento com Pedra de

38

 
  • 4.1.2. Muro de Arrimo de Pedra Argamassada

38

  • 4.1.3. Muro de Face em Tela Metálica Dobrada em L e Estabilizada com Tensores

 

em Solo Reforçado

38

  • 4.1.4. Contenção em Solo-Cimento

40

 
  • 4.1.5. Proteção de Taludes Rochosos com Telas

40

  • 4.1.6. Contenção com Estacas de Perfis Metálicos I 254 mm x 37,7 kg/m

41

 
  • 4.1.7. Muros em

Blocos Segmentais

42

  • 4.1.8. Geocélula de PEAD

44

 

4.2.

Critérios de Medição

45

5.

GABIÃO

49

5.1.

Descrição dos Serviços

49

5.1.1.

Gabião Saco

49

Manual de Custos de Infraestrutura de Transportes Volume 10 - Conteúdo 06 - Fundações e Contenções

  • 5.1.2. Caixa ..............................................................................................

Gabião

50

  • 5.1.3. Colchão ..........................................................................................

Gabião

50

5.2.

Critérios de Medição

51

6.

SOLO REFORÇADO COM

55

6.1.

Descrição dos Serviços

56

  • 6.1.1. Fabricação de Escamas de Concreto Armado

...........................................

56

  • 6.1.2. Aterro Compactado em Solo Reforçado com Fita Metálica

57

  • 6.1.3. Muro de Escama de Concreto Armado para Solo Reforçado

58

6.2.

Critérios de Medição

60

7.

TIRANTES

.................................................................................................

63

7.1.

Descrição dos Serviços

63

  • 7.1.1. Chumbadores Ancorados na Rocha

...........................................................

63

  • 7.1.2. Grampo de Aço para Solo Grampeado

64

  • 7.1.3. Tirante de Barra de Aço 527 MPa Fixado na Rocha com Resina de Poliéster

 

65

  • 7.1.4. Tirante de Barra de Aço 750 MPa Fixado na Rocha com Resina de Poliéster

 

...................................................................................................................

67

  • 7.1.5. Tirante Permanente Protendido Autoinjetável

67

  • 7.1.6. Tirante Permanente Protendido Inco

69

  • 7.1.7. Tirante Permanente Protendido de Aço D = 32 mm Tipo Dywidag ST 85/100

 

com Capacidade de 350 kN

70

  • 7.1.8. Tirante Permanente Protendido de Aço D = 32 mm Tipo Gewi ST 50/55 com

 

Capacidade de 210 KN

73

  • 7.1.9. Tirantes Permanentes Protendidos com Utilização de Cordoalhas

74

  • 7.1.10. Ancoragens

75

  • 7.1.11. Perfuração para Tirantes

75

7.2.

Critérios de Medição

76

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1.

INTRODUÇÃO

Manual de Custos de Infraestrutura de Transportes Volume 10 - Conteúdo 06 - Fundações e Contenções

1. INTRODUÇÃO

As fundações são os elementos responsáveis por transferir ao terreno as cargas que são aplicadas às estruturas. Em virtude do terreno se constituir em um elemento da fundação, o conhecimento de suas propriedades e de seu comportamento quando submetido a cargas condiciona diretamente o dimensionamento e o consequente desempenho das fundações (ABGE, 2001).

A execução de uma fundação deve obrigatoriamente satisfazer a três requisitos:

  • Apresentar segurança estrutural, como qualquer outro elemento da estrutura;

  • Oferecer segurança satisfatória contra a ruptura ou o escoamento de solo;

  • Evitar recalques que a construção não possa suportar sem inconvenientes.

As fundações podem ser classificadas em dois grandes grupos, a saber: fundações superficiais ou fundações profundas.

As fundações superficiais, também denominadas rasas ou diretas, caracterizam-se pela transmissão predominante das cargas por meio das pressões distribuídas em sua base e que a relação entre a profundidade de assentamento, em relação ao terreno adjacente, é inferior a duas vezes a menor dimensão da fundação.

Em virtude de sua pouca participação como solução nas obras de infraestrutura de transportes e mostrando-se mais usual em edificações, o SICRO não apresenta composições de custos de serviços de fundações superficiais.

As fundações profundas caracterizam-se por estarem geralmente assentadas em profundidade superior ao dobro de sua menor dimensão em planta. Nas fundações profundas, a transmissão de cargas ao terreno ocorre pela base (resistência de base ou de ponta), por sua superfície lateral (resistência lateral ou de fuste) ou por uma combinação das duas.

De maneira geral, as fundações profundas podem ser classificadas em dois grupos, a saber: tubulões e estacas.

As contenções são estruturas projetadas para resistir a empuxos de terra e/ou água, cargas estruturais e quaisquer outros esforços induzidos por estruturas ou equipamentos adjacentes. As estruturas de arrimo são utilizadas quando se deseja manter uma diferença de nível na superfície do terreno e o espaço disponível não é suficiente para vencer o desnível através de taludes.

Nesse volume do Manual de Custos de Infraestrutura de Transportes também são apresentadas as premissas adotadas para a elaboração de composições de custos de muros gabião, solos reforçados com fitas e tirantes.

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2.

TUBULÕES

Manual de Custos de Infraestrutura de Transportes Volume 10 - Conteúdo 06 - Fundações e Contenções

2. TUBULÕES

Os tubulões são fundações profundas moldadas no local, caracterizados por possuir fuste cilíndrico e base alargada. Sua execução envolve a escavação do fuste até atingir a profundidade prevista no projeto, seguida do consequente alargamento da base, que é executada manualmente. Dessa forma, uma característica da execução de tubulões é envolver a atuação de um perfurador, pelo menos na sua etapa final.

Quanto ao processo de execução, os tubulões podem ser escavados a céu aberto ou

ter a necessidade de auxílio de ar comprimido, caso a cota de assentamento da base

esteja situada abaixo do nível d’água local.

O revestimento do fuste pode ser realizado em anéis pré-moldados de concreto armado ou em camisas em chapas metálicas. Em solos coesivos e em tubulões curtos a céu aberto, pode ser dispensado o revestimento, caso haja estabilidade das paredes do furo. As camisas metálicas podem ser perdidas ou recuperadas.

No caso de camisas perdidas, as mesmas podem participar no dimensionamento estrutural do tubulão, descontando-se a espessura de 1,5 mm da chapa.

Diante dos condicionantes executivos apresentados, os tubulões podem ser classificados em: a céu aberto e a ar comprimido, com ou sem a necessidade de utilização de camisas de concreto armado ou metálicas.

  • 2.1. Premissas Básicas

As composições de custos dos serviços de tubulão do SICRO foram elaboradas considerando as seguintes premissas:

  • O insumo concreto constante das composições de custos de tubulão foi tratado de maneira genérica. Durante a fase de elaboração do orçamento, com conhecimento das necessidades técnicas e das condições logísticas locais, deve ser adotada a composição de custo de concreto do SICRO que melhor atenda às especificações do projeto e às diretrizes da norma NBR 6.122;

  • No caso de concretos usinados, caso o serviço auxiliar não contemple o seu transporte da usina ao local de execução, este deve ser incluído diretamente na composição de custo do serviço;

  • Para tubulões a céu aberto, o custo do sarilho e da roldana não foram considerados nas composições de custos, por não se mostrarem significativos na formação do custo unitário do serviço;

  • Para a pré-moldagem dos anéis de concreto armado, devem ser utilizadas as composições de custos de fôrmas tábua de pinho com 5 utilizações.

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  • 2.2. Descrição dos Serviços

O SICRO disponibiliza composições de custos para a execução de tubulões envolvendo diferentes combinações de serviços e em função da profundidade de assentamento, da presença de lençol freático e consequente necessidade de auxílio de ar comprimido (tubulão pneumático) e da natureza de aquisição dos insumos (produzidos ou comerciais), conforme detalhamento apresentado na Tabela 01.

Tabela 01 - Relação das composições de custos dos serviços de tubulão

 

Descrição dos Serviços

 

Classificação

Profundidade de

do Material

Assentamento

   

Até 10 m

1ª Categoria

10

a 20 m

20

a 30 m

 

Até 10 m

Escavação manual de fuste de tubulão a céu aberto

2ª Categoria

10

a 20 m

20

a 30 m

 

Até 10 m

3ª Categoria

10

a 20 m

20

a 30 m

   

Até 10 m

1ª Categoria

10

a 20 m

20

a 30 m

 

Até 10 m

Escavação

manual

de

fuste

de

tubulão

a

ar

2ª Categoria

10

a 20 m

comprimido

 

20

a 30 m

 

Até 10 m

3ª Categoria

10

a 20 m

20

a 30 m

Escavação

mecânica

de

fuste

de

tubulão

com

   

Hammer Grab

 

Escavação mecânica de fuste de tubulão com trado com bits

1ª Categoria

 

-

Escavação mecânica de fuste de tubulão com caçamba com bits

 

Escavação mecânica de fuste de tubulão com trado com bits reforçados

   

Escavação mecânica de fuste de tubulão com caçamba com bits reforçados

2ª Categoria

 

-

Escavação mecânica de fuste de tubulão com trado com bits para rocha

   

Escavação mecânica de fuste de tubulão com caçamba com bits para rocha

3ª Categoria

 

-

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Tabela 01 - Relação das composições de custos dos serviços de tubulão (2/2)

Descrição dos Serviços

Classificação

Profundidade de

do Material

Assentamento

   

Até 10 m

Base alargada de tubulão a céu aberto

10

a 20 m

20

a 30 m

 

1ª Categoria

Até 10 m

Base alargada de tubulão a ar comprimido

10

a 20 m

20

a 30 m

   

Até 10 m

Base alargada de tubulão a céu aberto

10

a 20 m

20

a 30 m

 

2ª Categoria

Até 10 m

Base alargada de tubulão a ar comprimido

10

a 20 m

20

a 30 m

   

Até 10 m

Base alargada de tubulão a céu aberto

10

a 20 m

20

a 30 m

 

3ª Categoria

Até 10 m

Base alargada de tubulão a ar comprimido

10

a 20 m

20

a 30 m

Colocação e retirada de campânula de ar comprimido com apoio de guindaste

Armação de fuste de tubulão com apoio de guindaste

2.3. Equipamentos

As composições de custos dos serviços de tubulão do SICRO foram elaboradas considerando a potencial utilização dos seguintes equipamentos:

  • Guindaste sobre esteiras com Hammer Grab - 220 kW;

  • Guindaste sobre esteiras com trado com bits para material de 1ª categoria - 220 kW;

  • Guindaste sobre esteiras com trado com bits reforçados para material de 2ª categoria - 220 kW;

  • Guindaste sobre esteiras com trado com bits para rocha - 220 kW;

  • Guindaste sobre esteiras com caçamba com bits para material de 1ª categoria

    • - 220 kW;

  • Guindaste sobre esteiras com caçamba com bits para material de 2ª categoria

    • - 220 kW;

  • Guindaste sobre esteiras com caçamba com bits para rocha - 220 kW;

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  • Guindaste sobre esteiras - 220 kW;

  • Compressor de ar a diesel - 748 PCM - 154 kW;

  • Martelete perfurador/rompedor a ar comprimido de 10 kg;

  • Campânula de ar comprimido com capacidade de 3 m³;

  • Martelete perfurador/rompedor de 25 kg.

  • 2.4. Produção dos Serviços

A Tabela 02 apresenta os tempos de ciclo e as produções referenciais dos serviços de escavação a céu aberto adotadas nas composições de custos do SICRO.

Tabela 02 - Produções referenciais dos serviços de escavação a céu aberto

   

Classificação do Material

 

Profundidade

1ª Categoria

2ª Categoria

3ª Categoria

Tempo de

Produção

Tempo de

Produção

Tempo de

Produção

Ciclo (h)

(m 3 /h)

Ciclo (h)

(m 3 /h)

Ciclo (h)

(m 3 /h)

Até 10 m

6,0

0,1667

9,0

0,1111

14,0

0,0714

10

a 20 m

7,0

0,1428

10,0

0,1000

15,0

0,0667

20

a 30 m

8,0

0,1250

11,0

0,09091

16,0

0,0625

A Tabela 03 apresenta os tempos de compressão e descompressão, bem como os de observação médica, relacionados aos serviços de escavação a ar comprimido, em consonância às diretrizes estabelecidas na Norma Regulamentadora nº 15 do Ministério do Trabalho e Emprego. Já a Tabela 04 apresenta as respectivas produções referenciais adotadas nos serviços de escavação a ar comprimido.

Tabela 03 - Tempos de compressão e descompressão na escavação a ar comprimido

Pressão de

Tempo de

Período de

 

Estágio de Descompressão (kg/cm²)

 

Tempo de

Trabalho

Compressão

Trabalho

                 

Descompressão

(kg/cm²)

(min)

(h)

1,8

1,6

1,4

1,2

1,0

0,8

0,6

0,4

0,2

(min)

0,00 a 1,00

 
  • 3 h 40 min

7

             

3

14

17

1,00 a 1,20

 
  • 4 h 00 min

6

               

20

20

1,20 a 1,40

 
  • 5 h 00 min

6

             

5

35

40

1,40 a 1,60

 
  • 6 h 00 min

6

           

5

20

40

65

1,60 a 1,80

 
  • 6 h 00 min

6

             

30

45

  • 10 85

1,80 a 2,00

 
  • 7 h 00 min

6

         

5

 

35

45

  • 20 105

2,00 a 2,20

 
  • 7 h 43 min

5

       

5

10

 

40

50

  • 25 130

2,20 a 2,40

 
  • 8 h 17 min

5

       

10

20

 

40

55

  • 30 155

2,40 a 2,60

 
  • 8 h 52 min

4

       

15

25

 

45

60

  • 30 180

2,60 a 2,80

 
  • 10 h 25 min

4

     

5

20

25

 

45

70

  • 30 205

2,80 a 3,0

 
  • 10 h 45 min

3

     

10

20

30

 

50

80

  • 40 245

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Tabela 04 - Produções referenciais dos serviços de escavação a ar comprimido

 

Escavação de Tubulão em Material de 1ª Categoria

 
 

Produção Básica

 

Trabalho sob Ar Comprimido (Tempos Adicionais)

 

Produção Referencial dos Serviços a Ar Comprimido

Profundidade

(h)

(m 3 /h)

Compressão

Descompressão

Trabalho

Observação

Hora

Tempo

Volume

Produção

(min)

(min)

Máximo (h)

Médica (h)

Adicional (h)

Total (h)

(m 3 /dia)

(m 3 /h)

Até 10 m

6

0,1667

3

17

 
  • 8 0,58

2

 

10,92

1,333

0,122

10

a 20 m

7

0,1428

5

105

 
  • 6 0,46

2

 

10,29

0,857

0,083

20

a 30 m

8

0,1250

10

200

 
  • 4 0,38

2

 

9,88

0,500

0,051

 

Escavação de Tubulão em Material de 2ª Categoria

 
 

Produção Básica

 

Trabalho sob Ar Comprimido (Tempos Adicionais)

 

Produção Referencial dos Serviços a Ar Comprimido

Profundidade

(h)

(m 3 /h)

Compressão

Descompressão

Trabalho

Observação

Hora

Tempo

Volume

Produção

(min)

(min)

Máximo (h)

Médica (h)

Adicional (h)

Total (h)

(m 3 /dia)

(m 3 /h)

Até 10 m

9

0,1111

3

17

 
  • 8 0,58

2

 

10,92

0,889

0,081

10

a 20 m

10

0,1000

5

105

 
  • 6 0,46

2

 

10,29

0,600

0,058

20

a 30 m

11

0,09091

7

200

 
  • 4 0,38

2

 

9,88

0,364

0,037

 

Escavação de Tubulão em Material de 3ª Categoria

 
 

Produção Básica

 

Trabalho sob Ar Comprimido (Tempos Adicionais)

 

Produção Referencial do Serviço a Ar Comprimido

Profundidade

(h)

(m 3 /h)

Compressão

Descompressão

Trabalho

Observação

Hora

Tempo

Volume

Produção

(min)

(min)

Máximo (h)

Médica (h)

Adicional (h)

Total (h)

(m 3 /dia)

(m 3 /h)

Até 10 m

14

0,0714

3

17

 
  • 8 0,58

2

 

10,92

0,571

0,052

10

a 20 m

15

0,0667

5

105

 
  • 6 0,46

2

 

10,29

0,400

0,039

20

a 30 m

16

0,0625

10

200

 
  • 4 0,38

2

 

9,88

0,250

0,025

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  • 2.5. Critérios de Medição

A medição dos serviços de escavação de fuste e de base alargada dos tubulões deve ser realizada em função dos volumes efetivamente escavados, em metros cúbicos, de acordo com as informações constantes das composições de custos e das especificações de projeto.

A medição do serviço de colocação e retirada de campânula de ar comprimido com apoio de guindaste deve ser realizada de forma unitária, de acordo com as informações constantes da composição de custo e das especificações de projeto.

A medição do serviço de armação de fuste de tubulão com apoio de guindaste deve ser realizada em função da massa de aço efetivamente armada e colocada, de acordo com as informações da composição de custo e das especificações de projeto.

Todos os serviços aqui apresentados contemplam o fornecimento dos equipamentos, dos materiais e da mão de obra necessária, incluindo todos os encargos correspondentes para a sua completa execução.

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3.

ESTACAS

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3. ESTACAS

As estacas são elementos estruturais classificados como fundações profundas, cuja função é transmitir para o terreno as cargas sobrejacentes aplicadas em seu corpo. Os esforços são dissipados no solo por meio da base do elemento, chamada de resistência de base ou ponta, e por sua superfície lateral, denominada de resistência de atrito lateral ou do fuste (superfície lateral do corpo da estaca).

As estacas são geralmente utilizadas quando os solos superficiais não apresentam capacidade de suporte adequada para receber esforços oriundos das estruturas, incorrendo na necessidade de se buscar em camadas inferiores resistências que atendam às especificações de projeto.

  • 3.1. Classificação das Estacas

As estacas podem ser classificadas em função de diversos critérios, sendo os mais comuns: por seu método de execução, pelo material de confecção, pelo processo de fabricação e por sua finalidade.

  • 3.1.1. Quanto ao Método de Execução

    • a) Estacas cravadas:

      • Por percussão;

      • Por vibração;

      • Por prensagem.

  • b) Estacas perfuradas:

    • Estacas brocas;

    • Estacas tipo Strauss;

    • Estacas escavadas.

  • c) Outros processos:

    • Estacas especiais onde o método de execução é misto, ou seja, não são totalmente cravadas ou escavadas. Dentre estas estacas especiais, podem ser citadas as micro estacas e as estacas raiz.

    • 3.1.2. Quanto ao Material

      • Estacas de madeira;

      • Estacas de concreto;

      • Estacas de aço.

  • 3.1.3. Quanto ao Processo de Fabricação

    • Estacas pré-moldadas de concreto;

    • Estacas moldadas in loco.

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    • 3.1.4. Quanto à Finalidade

      • Estacas de fundação;

      • Estacas de contenção;

      • Estacas de defensas.

    O Manual de Custos de Infraestrutura de Transportes apresenta as composições de custos de estacas classificadas exclusivamente de acordo com seu processo de fabricação, conforme detalhamento apresentado abaixo.

    • Estacas moldadas in loco

      • Estaca broca;

      • Estaca escavada;

      • Estacas tipo Strauss;

      • Estaca Franki com fuste apiloado;

      • Estaca hélice contínua;

      • Estaca ômega;

      • Estaca raiz;

      • Estaca com camisa metálica.

  • Estacas pré-moldadas

    • Estaca pré-moldada seção quadrada;

    • Estaca pré-moldada centrifugada;

    • Estaca de concreto pré-moldada protendida.

  • Estacas metálicas

    • Estaca prancha metálica;

    • Estaca de trilho usado.

  • Importante destacar que todas as composições de custos das estacas moldadas “in loco” do SICRO consideram apenas a execução dos serviços de escavação e as atividades auxiliares vinculadas exclusivamente a este processo.

    No que se refere ao concreto e à armação, necessários para confecção das estacas, tais serviços encontram-se detalhados em composições de custos específicas, em virtude de que, tanto a resistência característica do concreto quanto a taxa de armação das estacas são definidas em função de cálculos estruturais dimensionados em projeto por profissional habilitado para tal função.

    Dessa forma, caberá ao responsável pela elaboração do projeto determinar qual o concreto que melhor se enquadre às características de sua obra, bem como definir a respectiva taxa de armação dos elementos.

    Manual de Custos de Infraestrutura de Transportes Volume 10 - Conteúdo 06 - Fundações e Contenções

    Para os processos de execução de estacas moldadas “in loco”, em seus respectivos capítulos constantes deste Manual de Custos, são apresentados os consumos relativos ao volume de concreto utilizado por metro do elemento estrutural, considerando as perdas admissíveis para cada método.

    As capacidades de cargas indicadas nas estacas constantes do SICRO têm caráter nominal. Estes parâmetros devem ser determinados em fase de projeto, por meio de dimensionamento realizado por profissional com habilitação técnica, levando em consideração as especificidades de cada obra.

    • 3.2. Descrição dos Serviços

      • 3.2.1. Estacas Moldadas in loco

    As estacas de concreto moldadas in loco”, como a própria denominação sugere, são elementos estruturais de fundação confeccionadas em obra, cujas perfurações no terreno são realizadas por meio de escavação ou cravação de tubos, de maneira que a integridade do solo seja garantida durante todo o procedimento de execução do serviço, até o lançamento do concreto.

    Os serviços de execução das estacas moldadas no local podem ocorrer em terreno firme ou em presença de lâmina d’água. Para a segunda configuração de trabalho, o SICRO apresenta as seguintes composições de custos como apoios a execução das estacas, que poderão ser utilizadas na fase de orçamentação como itens da planilha orçamentária, de acordo com as quantidades estabelecidas em projeto:

    • Apoio náutico para a escavação com perfuratriz tipo Wirth, em solo e em rocha, em metros de estaca escavada;

    • Apoio náutico para a execução da cravação de camisa metálica, em metros de camisa fixada;

    • Gabarito de cravação de estacas submersas em aço ASTM A36, em quilos de gabarito utilizado;

    • Apoio náutico para a colocação da armação em camisa metálica, em quilos de armação lançada;

    • Apoio náutico para a execução da concretagem de camisas metálicas, em metros cúbicos de concreto lançado.

    • 3.2.1.1. Estaca Broca

    A estaca broca é executada por meio de um trado, operado manualmente, sem a necessidade de revestimento metálico.

    Esse tipo de fundação tem características rudimentares e sua utilização mostra-se bastante restrita, face a sua baixa capacidade de carga, além de não suportar a esforços de tração ou flexão. As profundidades de escavação da estaca broca se limitam a 5 metros, sempre na ausência de água.

    Manual de Custos de Infraestrutura de Transportes Volume 10 - Conteúdo 06 - Fundações e Contenções

    O processo construtivo da estaca broca consiste em:

    • Perfuração do solo, realizada por compressão e rotação do trado;

    • Retirada do solo armazenado no trado;

    • Lançamento do concreto a partir da superfície;

    • Apiloamento manual do concreto.

    De acordo com a necessidade, pode ser prevista a armação de arranque para cabeça da estaca. Sem possuir função estrutural, as barras de aço podem ser posicionadas imediatamente após a concretagem conforme os parâmetros definidos em projeto.

    O SICRO disponibiliza composições de custos para estacas brocas manuais, conforme consumos unitários de concreto apresentados na Tabela 05.

    Tabela 05 - Consumos unitários de concreto para execução de estaca broca

    Descrição dos Serviços

    Consumo Unitário de Concreto (m³/m)

    Estaca broca manual D = 25 cm

    0,05400

    Estaca broca manual D = 30 cm

    0,07775

    Na determinação do volume de concreto a ser aplicado por metro de estaca broca considerou-se um acréscimo de 10% sobre o volume do cilindro associado ao diâmetro do elemento estrutural.

    • 3.2.1.2. Estaca Escavada Circular

    Esse tipo de estaca é caracterizado pela sua forma de execução, ou seja, o processo é realizado através de escavação mecânica, por meio de trado espiral acoplado em equipamento rotativo, de ferramentas caçamba ou de Clamshell.

    A utilização de trado mecânico mostra-se viável apenas para solos que proporcionem estabilidade lateral da escavação, sem a necessidade de aplicação de revestimentos ou de fluido estabilizantes, limitando sua profundidade ao nível do lençol freático.

    Caso seja utilizado fluido estabilizante, torna-se necessária a cravação de camisa metálica ou execução de mureta com objetivo de guiar a ferramenta de escavação.

    Como fluido estabilizante, pode ser utilizado polímero sintético ou lama bentonítica, solução esta adotada como premissa nas composições de custos do SICRO. A lama bentonítica é obtida a partir da hidratação da bentonita, em proporções entre 2% e 6% em relação ao volume de água utilizado.

    Para a confecção da lama bentonítica, torna-se necessária uma instalação industrial, a qual deve conter equipamento misturador da lama, silos para armazenamento de insumo novo e utilizado, tanques de decantação, desarenador e depósito de bentonita.

    O processo de concretagem é submerso, com a utilização de tubo tremonha.

    Manual de Custos de Infraestrutura de Transportes Volume 10 - Conteúdo 06 - Fundações e Contenções

    O SICRO disponibiliza uma composição de custo de referência para estaca escavada circular com lama bentonítica, conforme consumo unitário de concreto apresentado na Tabela 06.

    Tabela 06 - Consumo de concreto para estaca escavada circular

    Descrição do Serviço

    Volume de Escavação (m³)

    Consumo Unitário de Concreto (m³/m 3 )

    Estaca escavada circular

    1,00000

    1,10000

    Na determinação do volume de concreto a ser aplicado nas estacas escavadas considerou-se um acréscimo de 10% sobre o volume de escavação.

    • 3.2.1.3. Estaca Tipo Strauss

    O processo de escavação da estaca Strauss ocorre mediante emprego de uma sonda, projetada ao solo sob ação de seu peso próprio. Simultaneamente à execução da escavação, é introduzido no terreno um revestimento metálico, o qual age como guia da sonda, além de auxiliar no procedimento de concretagem do elemento estrutural.

    Ao passo que o concreto é lançado, concomitantemente ao seu apiloamento, ocorre a retirada gradativa do revestimento metálico.

    O SICRO disponibiliza composições de custos para os serviços de estacas Strauss, conforme consumos unitários de concreto apresentados na Tabela 07.

    Tabela 07 - Consumos unitários de concreto para execução de estaca Strauss

    Descrição dos Serviços

    Consumo Unitário de Concreto (m³/m)

    Estaca Strauss D = 25 cm

    0,05400

    Estaca Strauss D = 32 cm

    0,08847

    Estaca Strauss D = 38 cm

    0,12475

    Estaca Strauss D = 45 cm

    0,17495

    Na determinação do volume de concreto a ser aplicado por metro de estaca Strauss considerou-se um acréscimo de 10% sobre o volume do cilindro associado ao diâmetro do elemento estrutural.

    • 3.2.1.4. Estaca Franki com Fuste Apiloado

    O procedimento de confecção das estacas Franki consiste na cravação de um tubo metálico cuja ponta possui uma bucha estanque formada por areia e pedra. O revestimento é cravado dinamicamente a partir da aplicação de um pilão em função da ação da gravidade, posicionado no interior do tubo.

    De acordo com o método escolhido para execução das estacas Franki, o revestimento metálico pode ser recuperado ou não. Como referência, as composições de custos do SICRO adotam a recuperação do revestimento como referência.

    Manual de Custos de Infraestrutura de Transportes Volume 10 - Conteúdo 06 - Fundações e Contenções

    Conforme o concreto é lançado, a cada camada sucessiva ocorre o apiloamento e simultaneamente a retirada do revestimento metálico.

    O SICRO disponibiliza composições de custos para os serviços de estacas Franki com fuste apiloado, conforme consumos unitários de concreto apresentados na Tabela 08.

    Tabela 08 - Consumos unitários de concreto para execução de estaca Franki

    Descrição dos Serviços

    Consumo Unitário de Concreto (m³/m)

    Estaca Franki D = 35 cm

    0,10583

    Estaca Franki D = 40 cm

    0,13823

    Estaca Franki D = 45 cm

    0,17495

    Estaca Franki D = 52 cm

    0,23361

    Estaca Franki D = 60 cm

    0,31102

    Estaca Franki D = 70 cm

    0,42333

    Na determinação do volume de concreto a ser aplicado por metro de estaca Franki com fuste apiloado considerou-se um acréscimo de 10% sobre o volume do cilindro associado ao diâmetro do elemento estrutural.

    • 3.2.1.5. Estaca Hélice Contínua

    A execução da estaca hélice contínua ocorre por meio da perfuração do terreno por meio de um trado helicoidal contínuo, o que proporciona alta produção ao serviço.

    A medida que a ferramenta rotativa penetra o terreno, o solo oriundo da escavação é conduzido até a superfície, sem a necessidade da retirada do trado como ocorre em outros processos construtivos.

    O trado possui uma haste tubular central, cuja função é lançar o concreto. Conforme a hélice é removida do terreno, o concreto é injetado por bombeamento.

    O SICRO disponibiliza uma composição de custo para estaca hélice contínua, conforme consumo unitário de concreto apresentado na Tabela 09.

    Tabela 09 - Consumo de concreto para estaca hélice contínua

    Descrição do Serviço

    Volume de Escavação (m³)

    Consumo unitário de concreto (m³/m 3 )

    Estaca hélice contínua

    1,00000

    1,10000

    Na determinação do volume de concreto a ser aplicado nas estacas hélice contínuas considerou-se um acréscimo de 10% sobre o volume de escavação.

    Manual de Custos de Infraestrutura de Transportes Volume 10 - Conteúdo 06 - Fundações e Contenções

    • 3.2.1.6. Estaca Ômega

    Semelhante ao método de confecção descrito no item anterior, as estacas ômega são executadas mediante a introdução no terreno de haste tubular, dotada de hélice cônica na extremidade, por meio de equipamento rotativo.

    Concebidas a partir dos conceitos aplicados à estaca hélice contínua, durante o processo de escavação, conforme a haste penetra o terreno, ocorre o deslocamento lateral do solo sem transporte de material até a superfície.

    Tal procedimento resulta em uma melhora significativa do atrito lateral entre o solo e o elemento estrutural, além de proporcionar elevada produção ao serviço.

    O SICRO disponibiliza uma composição de custo de referência para estaca ômega, conforme consumo unitário de concreto apresentado na Tabela 10.

    Tabela 10 - Consumo de concreto para estaca ômega

    Descrição

    Volume de escavação (m³)

    Consumo unitário de concreto (m³/m 3 )

    Estaca ômega

    1,00000

    1,10000

    Na determinação do volume de concreto a ser aplicado nas estacas ômega considerou-se um acréscimo de 10% sobre o volume de escavação.

    • 3.2.1.7. Estaca Raiz

    O procedimento de execução da estaca raiz consiste na escavação no terreno por meio de perfuratriz rotativa (em solos) ou rotopercussiva (em rocha), com utilização integral de revestimento metálico, de forma a garantir a estabilidade do serviço.

    Durante a escavação em solo, utiliza-se circulação direta de água, a qual é injetada pelo interior do revestimento.

    Finalizada a escavação, procede-se a limpeza interna do tubo para colocação da armadura e posterior injeção de argamassa.

    Face à particularidade do método construtivo, as composições de custos dos serviços de execução de estaca raiz contém os equipamentos, os materiais e a mão de obra associados à produção da argamassa.

    A mão de obra necessária à execução do serviço de estaca raiz foi definida em 4 serventes para apoio aos serviços principais, acrescendo-se o tempo parcial de um servente alocado para os transportes dos materiais com carrinho de mão.

    O SICRO disponibiliza composições de custos para os serviços de estacas raiz escavadas em solo e rocha, com diâmetros de 16 cm, 20 cm, 25 cm, 31 cm e 40 cm.

    Manual de Custos de Infraestrutura de Transportes Volume 10 - Conteúdo 06 - Fundações e Contenções

    Na determinação do volume de concreto a ser aplicado por metro de estaca raiz considerou-se um acréscimo de 10% sobre o volume do cilindro associado ao diâmetro do elemento estrutural.

    • 3.2.1.8. Estaca com Camisa Metálica

    Face às características de sua seção tubular, as estacas com camisa metálica apresentam o mesmo momento de inércia em qualquer direção, o que proporciona maior rigidez e capacidade de suportar esforços de flexão, torção e flambagem.

    O elemento estrutural é executado em duas etapas: a primeira consiste na cravação da camisa metálica e a segunda na escavação. As camisas metálicas podem ser adquiridas comercialmente ou confeccionadas na obra. A cravação das camisas é realizada por meio de martelos hidráulicos vibratórios ou de queda-livre.

    As composições de custos do SICRO adotam, como premissa, a confecção das camisas metálicas na própria obra e, para o procedimento de cravação, o martelo hidráulico vibratório.

    O processo de execução da estaca inicia-se com a cravação

    da

    camisa.

    Posteriormente procede-se a escavação por meio de uma perfuratriz Wirth.

    As perfuratrizes tipo Wirth utilizam o sistema Reverse Circulation Drilling (RCD), conhecido como air-lift. Nesse sistema, o ar comprimido é injetado dentro do tubo de perfuração em um ponto acima da ferramenta de corte. Quando o processo é realizado imersso em água, a aplicação do ar comprimido resulta na redução da densidade da mistura entre a água e o material proveniente da escavação, permitindo que estes sejam conduzidos para a superfície através do tubo.

    A perfuratriz utiliza ferramentas de corte constituídas de vários capitéis, ou roller cutters, conforme descrição apresentada abaixo:

    • Tooth cutter: utilizado em solos e rochas alteradas com resistência a compressão até 80 MPa;

    • TCI button cutter: utilizado em solos e rochas alteradas com resistência a compressão acima de 80 MPa.

    De acordo com diâmetro, as ferramentas de corte podem ser definidas em:

    • Cantilever cutter: utilizada em perfurações com diâmetro de 500 mm a 1.000 mm, com capacidade de carga de 60 kN por unidade;

    • Series 8: utilizada em perfurações com diâmetro de 750 a 1.400 mm, com capacidade de carga de 80 kN por unidade;

    • Series 13: utilizada em perfurações com diâmetro acima de 1.358 mm, com capacidade de carga de 140 kN por unidade.

    Manual de Custos de Infraestrutura de Transportes Volume 10 - Conteúdo 06 - Fundações e Contenções

    O SICRO disponibiliza composições de custos para os seguintes serviços associados à execução das estacas com camisa metálica:

    • Confecção de camisas metálicas pelo processo de calandramento com chapas de espessura de 6,3 mm, 8,0 mm, 9,5 mm e 12,5 mm e diâmetros variando entre 400 mm e 1.800 mm;

    • Cravação de camisa metálica por meio de martele hidráulico vibratório;

    • Escavação em solo e rocha por meio de perfuratriz Wirth.

    Para execução dos serviços em embarcações, o SICRO também disponibiliza composições de custos para apoio náutico e transporte fluvial dos elementos.

    O SICRO disponibiliza ainda composições de custos específicas para contemplar as camisas metálicas submersas, nos trechos em lâmina d´'agua, onde não há necessidade de utilização do equipamento martelo hidráulico vibratório.

    • 3.2.1.9. Parede Diafragma

    De acordo com a NBR 6.122/2010, a parede diafragma, em função de seu processo construtivo, se enquadra no rol de estacas escavadas com fluido estabilizante, pois este elemento estrutural é formado por estacas retangulares justapostas e contínuas.

    A parede diafragma consiste em painéis de concreto moldados no local, formando no subsolo uma estrutura vertical, cuja espessura varia entre 30 e 120 cm e sua profundidade pode atingir até 50 metros.

    A estrutura vertical tem a capacidade de absorver empuxos, momentos fletores, cargas axiais, atuando também como elemento de fundação. Sua execução pode também ser realizada abaixo do nível do lençol freático.

    A parede diafragma tem como principal vantagem o fato de se moldar a geometria do terreno, resultando em um processo de construção que não causa vibrações ou grandes descompressões ao terreno, o que permite sua execução em locais próximos a estruturas vizinhas existentes, sem ocasionar danos eventuais às mesmas.

    Esse processo pode ser utilizado para construção de contenções de subsolo, obras de canalização do leito de rios, execução de túneis, entre outras diversas aplicações.

    Manual de Custos de Infraestrutura de Transportes Volume 10 - Conteúdo 06 - Fundações e Contenções

    A escavação é realizada por meio de uma perfuratriz hidráulica sobre esteiras com Clamshell, segundo as dimensões apresentadas na Tabela 11.

    Tabela 11 - Relação de seção e área das paredes diafragma

    Seção (cm²)

    Área (cm²)

    • 40 x 150

    6.000

    • 50 x 150

    7.500

    • 60 x 150

    9.000

    • 30 x 250

    7.500

    • 40 x 250

    10.000

    • 50 x 250

    12.500

    • 60 x 250

    15.000

    • 70 x 250

    17.500

    • 80 x 250

    20.000

    • 90 x 250

    22.500

    • 100 x 250

    25.000

    • 110 x 250

    27.500

    • 120 x 250

    30.000

    O início do processo ocorre com a construção de uma mureta guia de concreto armado longitudinal ao eixo da parede e enterrada no solo, com profundidade de 1 metro, cuja função é guiar o Clamshell na escavação.

    Conforme especificação em projeto, a escavação é iniciada por uma lamela primária. Ao atingir a profundidade entre 1,0 a 1,5 metros, procede-se o bombeamento de lama bentonítica para dentro da cava. A utilização de fluido é indispensável para a estabilidade da escavação, além de manter em suspensão os detritos provenientes da desagregação do terreno durante a escavação.

    A proporção mais comum da mistura água/bentonita para ser utilizada na escavação é de 1.000 litros de água para 50 Kg de bentonita. Essa mistura deve ficar em descanso durante 24 horas, o que proporciona a máxima hidratação das partículas para sua posterior utilização.

    Finalizada a escavação, a armadura é posicionada na cava, procedendo na sequência a concretagem submersa do elemento estrutural por meio de um tubo tremonha.

    O SICRO disponibiliza uma composição de custo para estaca ômega, conforme consumo unitário de concreto apresentado na Tabela 12.

    Tabela 12 - Consumo de concreto para parede diafragma

    Descrição do Serviço

    Volume de Escavação (m³)

    Consumo Unitário de Concreto (m³/m 3 )

    Parede diafragma

    1,00000

    1,10000

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    Na determinação do volume de concreto a ser aplicado nas paredes diafragma considerou-se um acréscimo de 10% sobre o volume de escavação.

    O SICRO disponibiliza ainda composições de custos para confecção do muro guia e para armação da parede diafragma com apoio de guindaste.

    3.2.1.10. Coluna de Brita

    O serviço consiste no reforço ou adensamento de solos com a utilização de brita por processo de perfuração com vibração. Esta técnica é recomendada principalmente para solos saturados coesivos com baixa capacidade de suporte. A granulometria da brita é determinada previamente em ensaios de laboratório adequados.

    O processo inicia-se com o posicionamento do equipamento de escavação, normalmente do tipo bottom feed. Na sequência, a perfuratriz é abastecida com brita continuamente por meio de uma caçamba elevatória que alimenta o depósito superior.

    A penetração no solo é realizada por meio de uma haste de perfuração com auxílio de injeção de ar comprimido e vibração. Nesta fase, o solo é comprimido lateralmente.

    Posteriormente, o furo é preenchido pelo interior da haste de perfuração, sendo injetado ar comprimido para permitir o fluxo contínuo de brita.

    Ao atingir a profundidade adequada, o vibrador é retirado, com a brita preenchendo o espaço livre. O vibrador é inserido novamente para que a brita seja empurrada lateralmente contra o entorno do solo e promova o seu consequente adensamento.

    O processo é repetido sucessivamente até que a coluna de brita alcance a superfície.

    O SICRO disponibiliza composições de custos para o serviço de coluna de brita em função de seu diâmetro, conforme apresentado na Tabela 13.

    Tabela 13 - Relação das composições de custos de coluna de brita

    Descrição

    Unidade

    Coluna de brita D = 50 cm - perfuratriz tipo bottom feed

    m

    Coluna de brita D = 60 cm - perfuratriz tipo bottom feed

    m

    Coluna de brita D = 70 cm - perfuratriz tipo bottom feed

    m

    Coluna de brita D = 80 cm - perfuratriz tipo bottom feed

    m

    • 3.2.2. Estacas Pré-Moldadas

    As estacas pré-moldadas podem ser produzidas diretamente na obra ou adquiridas comercialmente em empresas especializadas. Para os elementos confeccionados em concreto, podem ser aplicados os seguintes métodos executivos: concreto vibrado, centrifugado ou protendido.

    Manual de Custos de Infraestrutura de Transportes Volume 10 - Conteúdo 06 - Fundações e Contenções

    As estacas de concreto vibrado podem ser executadas no próprio canteiro da obra, moldadas em formas horizontais ou verticais, de acordo com a seção requerida. A produção pelo processo de centrifugação é industrial, com a fabricação sendo realizada em módulos centrifugados ocos com concreto de alta resistência. Os elementos confeccionados com protensão possuem capacidade de suportar cargas elevadas com seções transversais menores.

    Com exceção dos elementos de pequeno comprimento, as estacas pré-moldadas de concreto confeccionadas em canteiro devem ser reforçadas com ferragem suficiente para prevenir os danos causados pelo seu manuseio, desde a moldagem até o seu local de cravação.

    Para a cravação das estacas pré-moldadas, o equipamento mais usual consiste no bate estacas por gravidade.

    Com objetivo de contemplar as perdas por sobras na cravação e no arrasamento da cabeça, considerou-se um acréscimo de 10% no comprimento das estacas.

    Caso haja a necessidade de comprimentos maiores do que os padrões, os elementos podem ser emendados. As estacas pré-moldadas são normalmente fornecidas ou confeccionadas com anel de emenda em suas extremidades.

    As atividades relacionadas às emendas não constam das composições de custos das estacas pré-moldadas. Caso necessário, o SICRO disponibiliza uma composição de custo para o serviço de emenda de estaca por soldagem.

    • 3.2.2.1. Estaca Pré-Moldada de Seção Quadrada

    O SICRO adota como referência apenas a aquisição comercial de estacas pré- moldadas com seção transversal quadrada.

    A Tabela 14 apresenta as dimensões das seções transversais das referidas estacas pré-moldadas e suas respectivas capacidades admissíveis de carga.

    Tabela 14 - Dimensão das estacas de seção quadrada e capacidade de carga admissível

    Lado (cm)

    Carga Admissível (kN)

    20

    40

    25

    60

    35

    100

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    • 3.2.2.2. Estaca Pré-Moldada Centrifugada

    Neste método de pré-moldagem de estacas, o adensamento do concreto é realizado pelo processo de centrifugação. A seção transversal da estaca é circular vazada.

    De forma similar ao item anterior, o SICRO adota como referência apenas a aquisição comercial para estaca pré-moldada centrifugada.

    A Tabela 15 apresenta as características padronizadas das estacas centrifugadas.

    Tabela 15 - Dados técnicos das estacas centrifugadas

    Diâmetro

    Espessura

    da

    Carga Nominal na Estrutural Admissível

    Peso

    Área da

    Seção de

    Área da

    Seção de

    Perímetro

    Distância

    Mínima

    Externo

    (cm)

    Parede

    (cm)

    Compressão

    (kN)

    Tração

    (kN)

    Nominal

    (kg/m)

    Concreto

    (cm²)

    Ponta

    (cm²)

    (cm)

    entre

    Estacas

    (cm)

    26

    6

    500

     
    • 150 377

    94

     

    531

    82

    70

    33

    7

    800

     
    • 180 143

    572

    855

    104

    85

    38

    7

       
    • 1.000 682

      • 210 170

       
    • 1.134 95

    119

     

    42

    8

       
    • 1.250 855

      • 240 214

       
    • 1.385 105

    132

     

    50

    9

       
    • 1.700 1.159

      • 270 290

       
    • 1.963 130

    157

     

    60

    10

       
    • 2.350 1.571

      • 370 393

       
    • 2.827 150

    188

     

    70

    11

       
    • 3.150 2.039

      • 480 510

       
    • 3.848 175

    220

     

    80

    12

     
    • 640 641

    • 4.000 2.564

       
    • 5.027 200

    251

     
    • 3.2.2.3. Estaca Pré-Moldada Protendida

    As estacas pré-moldadas protendidas são confeccionadas com adensamento do concreto por vibração, possuindo seção transversal quadrada.

    A Tabela 16 apresenta as dimensões das seções transversais das referidas estacas pré-moldadas protendidas e suas respectivas capacidades admissíveis de carga.

    Tabela 16 - Dimensão das estacas pré-moldadas protendidas e capacidade de carga admissível

    Lado (cm)

    Carga Admissível (kN)

    Lado (cm)

    Carga Admissível (kN)

    15

    260

    30

    1.180

    17

    350

    33

    1.470

    20

    500

    35

    1.610

    21

    560

    38

    1.980

    23

    680

    40

    2.140

    25

    800

    42

    2.400

    26

    880

    45

    2.710

    Manual de Custos de Infraestrutura de Transportes Volume 10 - Conteúdo 06 - Fundações e Contenções

    A Tabela 17 apresenta os parâmetros de cálculo utilizados para o dimensionamento das estacas protendidas com seções de 15 x 15 cm 2 a 26 x 26 cm 2 .

    Tabela 17 - Dados técnicos da estaca protendida (seções de 15 x 15 cm 2 a 26 x 26 cm 2 )

    Seção (cm x cm)

    15 x 15

    17 x 17

    20 x 20

    21 x 21

    23 x 23

    25 x 25

    26 x 26

    Comprimento Médio (m)

    8

    8

    8

    8

    8

    8

    8

    Espessura dos Anéis de Emenda (cm)

    0,48

    0,48

    0,48

    0,63

    0,63

    0,63

    0,63

    Bate-estaca (m/dia)

    80

    77

    75

    73

    70

    68

    66

    Concreto 40 MPa

    0,02250

    0,02890

    0,04000

    0,04410

    0,05290

    0,06250

    0,06760

    Aço CA-50 (Extremidades)

    4Ø10

    4Ø10

    4Ø10

    4Ø10

    4Ø10

    4Ø12,5

    4Ø12,5

    Aço CA-50 (kg/m)

    0,624

    0,624

    0,624

    0,624

    0,624

    0,988

    0,988

    Aço CA-60 (Estribos)

    6Ø5

    6Ø5

    6Ø6,3

    6Ø6,3

    6Ø6,3

    8Ø5

    8Ø5

    Aço CA-60 (kg/m)

    0,39

    0,45

    0,54

    0,57

    0,62

    0,68

    0,71

    Aço CP-175-RB (kg/m)

    0,924

    0,924

    1,332

    1,332

    1,332

    1,232

    1,232

    Chapa de Aço (Anéis)

    0,39564

    0,44839

    0,52752

    0,72699

    0,79623

    0,86546

    0,90008

    Arame Recozido

    0,01905

    0,01905

    0,01905

    0,01905

    0,01905

    0,02540

    0,02540

    Solda

    0,05495

    0,05495

    0,05495

    0,05495

    0,05495

    0,05495

    0,05495

    A Tabela 18 apresenta os parâmetros de cálculo utilizados para o dimensionamento das estacas protendidas com seções de 30 x 30 cm 2 a 45 x 45 cm 2 .

    Tabela 18 - Dados técnicos da estaca protendida (seções de 30 x 30 cm 2 a 45 x 45 cm 2 )

    Seção (cm x cm)

    30 x 30

    33 x 33

    35 x 35

    38 x 38

    40 x 40

    42 x 42

    45 x 45

    Comprimento Médio (m)

    8

    8

    8

    8

    8

    8

    8

    Espessura dos Anéis de Emenda (cm)

    0.63

    0.8

    0.8

    0.8

    0.8

    0.95

    0.95

    Bate-estaca (m/dia)

    63

    58

    56

    54

    51

    49

    47

    Concreto 40 MPa

    0,09000

    0,10890

    0,12250

    0,14440

    0,16000

    0,17640

    0,20250

    Aço CA-50 (Extremidades)

    4Ø12.5

    4Ø12.5

    8Ø10

    8Ø10

    8Ø12.5

    8Ø12.5

    12Ø12.5

    Aço CA-50 (kg/m)

    0,988

    0,988

    1,248

    1,248

    1,976

    1,976

    2,964

    Aço CA-60 (Estribos)

    10Ø5

    10Ø5

    8Ø6

    8Ø6

    8Ø6

    8Ø6

    10Ø6

    Aço CA-60 (kg/m)

    0,83

    0,92

    0,97

    1,06

    1,12

    1,18

    1,26

    Aço CP-175-RB (kg/m)

    1,54

    1,54

    1,776

    1,776

    1,776

    1,776

    2,22

    Chapa de Aço (Anéis)

    1,03856

    1,45068

    1,53860

    1,67048

    1,75840

    2,19251

    2,34911

    Arame Recozido

    0,03175

    0,03175

    0,02540

    0,02540

    0,02540

    0,02540

    0,03175

    Solda

    0,05495

    0,05495

    0,10990

    0,10990

    0,10990

    0,10990

    0,16485

    Manual de Custos de Infraestrutura de Transportes Volume 10 - Conteúdo 06 - Fundações e Contenções

    Em função de recomendação normativa, sugere-se considerar, na fase de orçamento, concretos com resistência característica a compressão igual ou maiores que 40 MPa para confecção das estacas pré-moldadas protendidas.

    Os transportes das estacas no âmbito do canteiro de obras são realizados por meio carregadeira de pneus.

    Para a fabricação das estacas protendidas, considerou-se a execução de um berço para pré-moldagem, com capacidade para 16 m³ e reutilização de 100 vezes.

    • 3.2.3. Estacas Metálicas

      • 3.2.3.1. Estaca Prancha Metálica

    As estacas prancha metálicas funcionam como paredes de contenção e são utilizadas para diversas finalidades, a saber:

    • Trincheiras (valas) para execução de obras de serviços públicos (gás, esgoto, águas etc);

    • Barragens, diques, caixões, ensecadeiras;

    • Alas de bueiros e pontes;

    • Proteções de acesso a túneis e escavações;

    • Proteção marginal de lagos, rios e canais;

    • Escoramentos contra deslizamentos de terra (muros de contenção);

    • Construção de cais em portos.

    O aço laminado utilizado como referência para a confecção das estacas pranchas metálicas do SICRO apresenta as seguintes vantagens:

    • Os conectores são laminados junto com as estacas, o que possibilita um maior controle dimensional e uma ausência de concentração de tensões devido a trabalhos mecânicos;

    • As estacas laminadas a quente possuem acabamento similar a perfis laminados, passando por um rigoroso controle dimensional;

    • É possível fazer inúmeras combinações de aços;

    • São empregadas em grande escala e com características estruturais incorporadas ao projeto, geralmente suportando inclusive cargas verticais;

    • Por apresentarem conectores extremamente resistentes as estacas laminadas a quente possuem um índice de reaproveitamento muito superior.

    Manual de Custos de Infraestrutura de Transportes Volume 10 - Conteúdo 06 - Fundações e Contenções

    A Figura 01 apresenta os diferentes perfis produzidos de estaca prancha metálica.

    Figura 01 - Perfis de estacas prancha metálicas

    Manual de Custos de Infraestrutura de Transportes Volume 10 - Conteúdo 06 - Fundações e

    Fonte: Arcelor

    As composições de custos de estaca prancha metálica do SICRO não consideram o escoramento, os quais, quando houver necessidade, devem ser considerados em composição de custo específica, de acordo com as necessidades de projeto.

    O SICRO disponibiliza as seguintes composições de custos para os serviços de estaca prancha metálica:

    • Estaca prancha metálica cravada com guindaste equipado com martelo hidráulico;

    • Estaca prancha metálica com 10 utilizações - inclui cravação e retirada das estacas com martelo hidráulico;

    • Estaca prancha metálica cravada com apoio de flutuante;

    • Estaca prancha metálica com 10 utilizações - inclui cravação e retirada das estacas com apoio de flutuante.

    Quando as quantidades de utilizações não forem indicadas nas composições de custos significa que a estaca tem utilização permanente, ou seja, uma única vez. Em obras temporárias deve ser sempre prevista a utilização de 10 vezes.

    Os equipamentos associados à execução dos serviços de estaca prancha são:

    • Guindaste sobre esteiras com martelo hidráulico;

    • Flutuante;

    • Rebocador.

    O apoio de flutuante com rebocador deve ser considerado apenas quando não for possível a cravação das estacas prancha com a utilização de guindaste em terra.

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    • 3.2.3.2. Estaca de Trilho Usado

    Os trilhos são adquiridos comercialmente, podendo ser utilizados de forma isolada ou combinada.

    Para obras de arte especiais, a Especificação de Serviço DNIT nº 121/2009 recomenda que estacas metálicas constituídas por trilhos devem ter seu emprego evitado. No caso de sua utilização, recomenda-se a composição de três trilhos soldados. A carga admissível deve ser considerada com uma redução de 25% em relação às estacas de seção equivalente, compostas de perfis metálicos.

    O SICRO disponibiliza composições de custos com até três trilhos, contemplando a solda das emendas. A união dos trilhos é sempre realizada por meio de solda nas extremidades dos patins. A Figura 02 apresenta as seções transversais das estacas constituídas por trilhos usados.

    Figura 02 - Estaca de trilho usado

    Manual de Custos de Infraestrutura de Transportes Volume 10 - Conteúdo 06 - Fundações e

    A Tabela 19 apresenta as capacidades de cargas admissíveis das estacas constituídas por trilhos usados.

    Tabela 19 - Carga nominal admissível das estacas constituídas por trilhos usados

       

    Carga Admissível Estrutural (kN)

    Trilho

    Peso (kg/m)

    Trilho Simples

    Duplo Trilho

    Triplo Trilho

    TR 25

    24,6

    • 250 500

     

    750

    TR 37

    37,1

     
    • 370 1.100

    750

     

    TR 45

    44,6

     
    • 450 1.300

    900

     

    TR 57

    56,7

     
    • 570 1.700

    1.150

     

    TR 68

    67,6

     
    • 680 2.000

    1.300

     

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    • 3.2.4. Emenda de Estaca por Soldagem

    Quando ocorre a necessidade de comprimentos maiores que o de fornecimento normal, as estacas podem ser emendadas, as quais devem ter desempenho igual ou superior aos segmentos emendados.

    As emendas podem ser executadas nas estacas metálicas ou de aço e nas estacas pré-moldadas de concreto.

    A norma NBR 6.122 recomenda que as estacas metálicas ou de aço devem ter sua emenda executada por meio de solda com eletrodo compatível ao material da estaca e que as estacas pré-moldadas de concreto podem ser emendadas pela união de dois anéis previamente fundidos nas extremidades ou pela utilização de luvas de aço.

    O SICRO apresenta uma composição de custo para o serviço de emenda de estacas por soldagem, com produção definida em função da máquina de solda, conforme expressão matemática apresentada abaixo.

    onde:

    C × Fe

    P =

    Tc

    C representa a capacidade = 3,04 m/h; Fe representa o fator de eficiência = 0,83; Tc representa o tempo total de ciclo = 1 hora.

    Substituindo os valores:

    P =

    3,04 × 0,83

    • 1 = 2,52 m/h

    A composição de custo do serviço de emenda de estaca por soldagem foi estruturada em função de uma equipe formada por um servente e um soldador, responsável pela operação da máquina de solda.

    Para as soldas de emenda de topo, considerou-se a utilização de eletrodo E70XX para uma espessura média de 5 mm, com solda de chanfro executadas no perímetro da seção transversal da estaca, com consumo, em quilograma por metro de solda no perímetro, definido em função da expressão matemática apresentada abaixo.

    E =

    3,1416 × 0,005 x 0,005 x 7.850

    • 2 = 0,30827 kg/m

    Para a união de dois ou três trilhos, considerou-se a ligação soldada longitudinal em quilograma por metro de comprimento da estaca.

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    A Tabela 20 apresenta o perímetro por emenda de topo e o comprimento de solda necessários para a formação de diferentes estacas de trilho usado.

    Tabela 20 - Consumos de soldas necessárias para formação de estacas de trilhos usados

     

    Perímetro por

    Comprimento de

    Estaca de

    Trilho

    Emenda de Topo

    (m)

    Solda Longitudinal

    (m)

    TR 25

    0,310

    -

    TR 37

    0,587

    -

    TR 45

    0,648

    -

    TR 57

    0,722

    -

    TR 68

    0,995

    -

    x TR 25

    • 2 0,424

     

    0,50

    x TR 37

    • 2 0,930

     

    0,60

    x TR 45

    • 2 1,036

     

    0,80

    x TR 57

    • 2 1,164

     

    1,00

    x TR 68

    • 2 1,686

     

    1,20

    x TR 25

    • 3 0,930

     

    0,75

    x TR 37

    • 3 1,761

     

    0,90

    x TR 45

    • 3 1,944

     

    1,20

    x TR 57

    • 3 2,166

     

    1,50

    x TR 68

    • 3 2,985

     

    1,80

    • 3.3. Critérios de Medição

    A medição dos serviços relacionados à execução de estacas deve ser realizada em função das quantidades e unidades definidas nas composições de custos e nas especificações técnicas de projeto.

    No caso específico das estacas, em função de suas diferentes características e de seus processos executivos, a medição dos serviços pode ser realizada em função do seu comprimento ou de seu volume, conforme detalhamento apresentado abaixo.

    Para as estacas tipo Strauss, tipo Franki com fuste apiloado, pré-moldada de seção quadrada, pré-moldada centrifugada, pré-moldada protendida, de trilho usado, raiz, broca e com camisa metálica, a medição dos serviços deve ser realizada em função de seu comprimento linear, em metros.

    Já para as do tipo escavada circular, hélice contínua, ômega, parede diafragma e coluna de brita, a medição dos serviços relacionados à execução destas estacas deve ser realizada em função de seu volume, em metros cúbicos.

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    A medição do serviço de estaca prancha deve ser realizada em função da massa de aço de estaca efetivamente utilizada, considerando-se a distância entre a extremidade inferior de apoio da estaca e o topo da cortina, de acordo com as informações da composição de custo e das especificações de projeto.

    A medição do serviço de arrasamento das estacas deve ser realizada em função da unidade, devendo ser destacado que as parcelas das estacas perdidas no arrasamento encontram-se incluídas no serviço de cravação das estacas.

    A medição do serviço de emenda deve ser realizada em função das unidades do comprimento total de soldas executadas no perímetro das seções transversais nas emendas de topo e nas emendas longitudinais nos casos de trilhos duplos e triplos.

    Todos os serviços aqui apresentados contemplam o fornecimento dos equipamentos, dos materiais e da mão de obra necessária, incluindo todos os encargos correspondentes para a sua completa execução.

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    4.

    CONTENÇÕES

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    4. CONTENÇÕES

    As contenções são estruturas projetadas para resistir a empuxos de terra e/ou água, cargas estruturais e quaisquer outros esforços induzidos por estruturas ou equipamentos adjacentes. As estruturas de arrimo são utilizadas quando se deseja manter uma diferença de nível na superfície do terreno e o espaço disponível não é suficiente para vencer o desnível através de taludes.

    A decisão de qual estrutura de contenção deve ser adotada em determinado projeto encontra-se condicionada a observação de diversos fatores, a saber:

    • Altura da estrutura;

    • Cargas atuantes;

    • Natureza e características do solo a ser arrimado;

    • Natureza e características do solo de fundação;

    • Condições do nível d’água local;

    • Espaço disponível para construção;

    • Equipamentos e mão de obra disponível;

    • Experiência e prática das equipes;

    • Especificações técnicas especiais;

    • Análise de custos.

    O SICRO disponibiliza composições de custos para os seguintes serviços:

    • Enrocamento em pedra de mão;

    • Muro de arrimo em pedra argamassada;

    • Muro de alvenaria ½ vez com altura de 2 m;

    • Baldrame em alvenaria de pedra argamassada;

    • Contenção em solo-cimento ensacado;

    • Proteção de taludes rochosos com telas metálicas;

    • Contenção com estacas de perfis metálicos I 254 mm x 37,7 kg/m.

    As contenções executadas com cortinas de concreto armado devem ter seus orçamentos elaborados em função de seus elementos constituintes, utilizando-se as composições de custos de concreto, de fôrmas e de armação.

    A elaboração de orçamentos para obras com cortinas atirantadas deve seguir o mesmo procedimento anteriormente apresentado, acrescentando-se apenas o custo dos tirantes que se encontram disponibilizados em composições de custos do SICRO.

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    • 4.1. Descrição dos Serviços

      • 4.1.1. Enrocamento com Pedra de Mão

    Os enrocamentos são estruturas constituídas de pedras de mão arrumadas, matacões ou pedras jogadas, sem emprego de aglomerante, que podem ser utilizados na construção de contenções, diques e dissipadores de energia, recuperação de erosões e proteção de taludes e de obras de arte especiais.

    O SICRO disponibiliza composições de custos para os seguintes serviços:

    • Enrocamento com pedra de mão com espalhamento e compactação mecânica;

    • Enrocamento de pedra arrumada manualmente com pedra de mão.

    Na primeira composição de custo apresentada, o espalhamento é realizado por meio de um trator de esteira e a compactação executada com rolo liso autopropelido, equipamento este que define a produção do serviço em 63,11 m 3 /h.

    No segundo caso, o espalhamento e arrumação das pedras é realizado manualmente, sendo considerada na composição de custo uma equipe formada por 1 pedreiro e 10 serventes, o que resulta em uma produção de 2 m 3 de enrocamento por hora.

    • 4.1.2. Muro de Arrimo de Pedra Argamassada

    Este tipo de solução de contenção caracteriza-se pelo assentamento de pedras de mão com argamassa de cimento e areia, conforme apresentado na Figura 03.

    Figura 03 - Execução de muro de arrimo de pedra argamassada

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    A produção do serviço foi definida em função de uma equipe formada por 1 pedreiro e 5 serventes, o que resulta na produção de 5 m 3 de muro por hora.

    • 4.1.3. Muro de Face em Tela Metálica Dobrada em L e Estabilizada com Tensores em Solo Reforçado

    O serviço destina-se à execução de muros em solo reforçado com o paramento composto de telas metálicas soldadas, galvanizadas a quente, dobradas em L e estabilizadas com barras metálicas espaçadas uniformemente, conforme detalhes apresentados nas Figuras 04 a 06.

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    Figura 04 - Vista do muro de face em tela metálica dobrada

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    Figura 05 - Detalhe da montagem da tela metálica com os tensores

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    Figura 06 - Esquema da montagem da tela com o material de enchimento e o aterro reforçado

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    As telas metálicas são preenchidas mecanicamente com brita, solo cal ou com materiais alternativos, como resíduos da construção civil.

    Os elementos metálicos possuem 0,4 m de altura, 0,4 m de largura e comprimento de 2 m, com densidade de 5,8 kg/m² de face do paramento.

    O material constituinte do aterro e os materiais utilizados como enchimento não encontram-se incluídos na composição de custo do serviço, devendo ser considerados em separado, como item de planilha, no orçamento da obra.

    • 4.1.4. Contenção em Solo-Cimento

    O SICRO disponibiliza duas composições de custos que utilizam o solo-cimento como elemento de contenção, a saber:

    • Solo de jazida com 8% de cimento (160 kg de cimento CP II E-32 por m 3 );

    • Areia com 8% de cimento (160 kg de cimento CP II E-32 por m 3 ).

    A execução do serviço envolve a mistura, o ensacamento e o empilhamento de sacos de aniagem ou de ráfia na face do talude, de forma a se obter a sua estabilização e contenção por meio de seu peso próprio, além de servir também como proteção do paramento, conforme apresentado na Figura 07.

    Figura 07 - Contenção com solo cimento ensacado

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    • 4.1.5. Proteção de Taludes Rochosos com Telas Metálicas